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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

VIVÊNCIAS EM SISTEMAS DE AUTOMAÇÃO DE BIBLIOTECAS: BIBLIVRE E
SOPHIA

Adriana Isidório da Silva Zamite
Antonio Luis Mattos de Souza Cardoso

RESUMO
Este artigo apresenta vivências profissionais na utilização dos sistemas BIBLIVRE, um
software livre, e o Sophia, um software proprietário, no cotidiano das práticas bibliotecárias.
Com objetivo de identificar vantagens e desvantagens dos softwares e avaliar suas
ferramentas para melhor atender a instituição e o usuário. Para tanto, são apresentados
manuais e programas para que fossem avaliados igualmente. Foram analisadas as interfaces,
nos módulos de Catalogação, Busca e Circulação; serviços essenciais de uma unidade de
informação. E também, foi avaliada a linguagem dos manuais impressos e online. O objetivo
é descobrir se os fabricantes estão realmente corretos nas descrições dos softwares, e qual a
ferramenta mais completa e de fácil utilização para o profissional bibliotecário e o usuário.

Palavras-Chave: Biblivre; Sophia; Automação de Bibliotecas; Software livre; Software
proprietário.

ABSTRACT
This article presents professional experiences in the employment of the use of BIBLIVRE, a
free software, and Sophia, a proprietary software, systems in everyday librarian practice. The
objective is to identify advantages and disadvantages of these softwares and to evaluate their
tools to better serve the institution and the user. For both, manuals and programs were
evaluated and also presented. Interfaces were analyzed for Cataloguing, Searching and
Circulation modules; essential services for an information unit. The printed and online
manuals were also evaluated. The intention is to find out if the manufacturers are really
accurate descriptions of the software, and what the most complete and easy to use tool for the
professional librarian and the user.

Keywords: Biblivre; Sophia; Library Automation; Free software; Proprietary software.

4660

�1 Introdução
Com os avanços tecnológicos, as unidades de informação, em sua maioria inserida em
organizações, exigem uma compreensão melhor por parte dos profissionais, mas também das
plataformas tecnológicas existentes. A agilidade e eficiência de soluções digitais trazem para
uma instituição melhoras significativas para o trabalho do bibliotecário em suas atividades.
Assim, esse artigo realiza uma análise comparativa entre os programas Biblivre, um

software livre, e o Sophia, um software proprietário. Identificar as vantagens e desvantagens
entre eles, mesmo havendo diferenças estruturais e comerciais, avaliando suas ferramentas e
funcionalidades para melhor atender a instituição e o usuário.

2 Revisão de Literatura
Nesta revisão, são apresentados os conceitos dos recursos da Tecnologia da
Informação discutidos neste trabalho. Iniciaremos com Sistema de Informação definido
segundo Laudon e Laudon (1999, p. 4), “ [...] como um conjunto de componentes interrelacionados trabalhando juntos para coletar, recuperar, processar, armazenar e distribuir
informação [...]” . Sendo este, um produto composto por três componentes essenciais:
tecnologia, organização e pessoas (Figura 1). Elementos primordiais no processamento e
execução de tarefas em ambientes organizacionais.

Figura 1 - Componentes de um Sistema de Informaçã

Fonte - Laudon e Laudon (1999, p. 5)

No entanto, se faz necessário para a coordenação desses componentes à implantação
de softwares que, segundo Laudon e Laudon (2010, p. 16), “consiste em instruções detalhadas
e pré-programadas que controlam e coordenam os componentes do hardware de um sistema
de informação”. Um item imprescindível na recuperação da informação com o objetivo de
automatizar e dinamizar as atividades realizadas em centros de informação. No mercado,

4661

�atualmente existem vários tipos de softwares sendo estes livres, gratuitos, comerciais ou
proprietários.
Assim, começaremos a pesquisa com o software livre que é definido como, segundo
Silveira e outros (2003, p. 50), “ [...] um programa de computador com o código-fonte aberto,
possibilitando que qualquer técnico possa estudá-lo, alterá-lo, adequá-lo assuas próprias
necessidades e redistribuí-lo, sem restrições” . Além disso, para ser considerado livre o

software precisa ter quatro liberdades básicas definidas pela Free Software Foundation

:

•
Liberdade 0: A liberdade de executar o programa, para qualquer
propósito;
•
Liberdade 1: A liberdade de estudar como o programa funciona, e
adaptá-lo para as suas necessidades. Acesso ao código-fonte é um prérequisito para esta liberdade;
•
Liberdade 2: A liberdade de redistribuir cópias de modo que você
possa ajudar ao seu próximo;
•
Liberdade 3: A liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus
aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie. Acesso ao
código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.
Logo, o software gratuito, segundo Lourenço (2008, p. 81), “não se tem acesso ao
código-fonte, portanto não se pode alterá-lo ou simplesmente estudá-lo, pode-se apenas usálo, da forma como foi disponibilizado” . É importante destacar que software livre e software
gratuito não são iguais, quanto ao seu desenvolvimento, comercialização e distribuição. Para
Dziekaniak (2004, p. 39-40), é relevante lembrar que,
[...] enquanto do software gratuito apenas pode ser utilizado sem custos na
aquisição, o software livre possui uma filosofia de cooperação e liberdade de
atualização e criação de novos módulos nestes sistemas, uma vez que é open
source, ou seja, seu código fonte é disponibilizado para manipulação dos
usuários com conhecimento em programação.
Mas, o software comercial foi desenvolvido para o mercado com o objetivo de almejar
lucro que, segundo Rodrigues e Prudêncio (2009, p.83),

[...] é aquele desenvolvido por uma empresa com vistas a obter lucro através
do uso do software. “Comercial” e “Proprietário” não é a mesma coisa. A
maior parte dos softwares comerciais é proprietária, mas existem softwares
livres comerciais e softwares não comerciais proprietários.

527 Free Software Foundation é a principal organização que patrocina o Sistema Operacional GNU. Tendo a
missão de preservar, proteger e prom over a liberdade de usar, estudar, copiar, m odificar e redistribuir
software, e defender os
direitos
dos usuários
de Software Livre. Disponível em:
&lt;http://www.gnu.org/philosophy/philosophy.pt-br.html&gt;. Acesso em: 24 nov. 2013.

4662

�Entretanto, o software proprietário tem seu uso atrelado ao pagamento de licença.
Saleh (2004, p. 10) afirma que “é um programa de computador que possui o seu código fonte
fechado, é negado às pessoas melhorar sua funcionalidade de forma a atender as necessidades
específicas” . Essa configuração de propriedade e o caráter pago de sua licença conferem-lhe
um caráter comercial esse intuito aproxima-se de certa resistência social quando se constata
que poucas corporações dominam a comercialização de tais produtos em escala mundial.
Com o auxilio desses programas, a biblioteca apresenta mais eficiência em seus
serviços para melhor atender os usuários. A automação vem para auxiliar e suprir as
necessidades tecnológicas dos gerenciadores dos centros de informação. Para Cunha e
Cavalcanti (2008, p. 39), “a automação de bibliotecas utiliza a informática visando
modernizar e aperfeiçoar as rotinas, produtos e serviços de uma biblioteca” . O bibliotecário
necessita dessa ferramenta para dinamizar suas atividades. Para Côrte (2002, p.11), “a atuação
eficaz do profissional da informação depende, e muito, de ferramentas tecnológicas que
possibilitam o desenvolvimento das diversas atividades informacionais” . Por isso, o
profissional bibliotecário necessita conhecer e habituar-se às ferramentas tecnológicas para
assim aplicá-la em sua instituição.
A seleção de um software não é uma tarefa simples. Além da instituição, existem
outros fatores que precisam ser avaliados, segundo Côrte (2002, p. 35), “A escolha de um

software exige, fundamentalmente, a análise da ferramenta, seus recursos, potencialidades
[...]” . Esse processo de informatização da biblioteca não pode ser desordenado, necessita de
uma pesquisa mais intensa sobre os programas. Sendo de grande importância a realização de
um diagnóstico das atividades e necessidades da unidade de informação.
Segundo Café, Santos e Macedo (2001, p. 71), para escolher um software é preciso,
“tomar cuidado com decisões baseadas em ideologias, modismos e expectativas pessoais ou
ainda em argumentos feitos de acordo com situações específicas, sem observar a unidade de
informação como um todo” . É importante que a biblioteca determine e solicite as operações
desejáveis para as funções básicas e necessárias que a atenda.

3 Materiais e Métodos
Uma análise comparativa foi realizada entre os programas, Biblivre e Sophia, com o
objetivo de identificar e caracterizar as interfaces nos módulos de catalogação, busca e
circulação, além de seus manuais online e impressos. Para tanto, foram utilizados métodos de
observação e relatos de experiências sobre os softwares através do manuseio das ferramentas
na prática bibliotecária.

4663

�Foram observados os recursos do Biblivre através de um acervo pessoal e das aulas do
Projeto de Iniciação a Docência, apresentadas aos alunos do 6° período de Biblioteconomia no
período letivo de 2013/1 e 2013/2 na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). E, o
Sophia, na utilização do software na Biblioteca Senador João Calmon da Assembleia
Legislativa do Estado do Espírito Santo (ALES). As análises foram realizadas, entre o período
de janeiro a dezembro de 2013, com o intuito de identificar as vantagens e desvantagens dos
programas em aspectos de uso e ferramentas, para melhor atender o bibliotecário e o usuário.

4 Biblivre 3.0
O Biblivre é um software de gestão da informação com o aplicativo que permite a
inclusão digital do cidadão na sociedade da informação (BIBLIVRE, 2013). Ele contribuiu,
assim, para a difusão de acervos de bibliotecas de varados portes. Além disso, qualquer
usuário pode compartilhar no sistema seus próprios textos, músicas, imagens e filmes.
Segundo o Manual do Biblivre (2010?, p. 4),
o programa começou a ser elaborado em 2001 pelo Ministério da Cultura (Minc), através
da Lei Rouanet 8.313/91 para o incentivo ao desenvolvimento sociocultural” . Em 2004,
firmou convênio com a SABIN (Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional). E a
Universidade Federal do Rio de Janeiro contribuiu com o apoio ao desenvolvimento do
projeto, nas versões, 1.0 e 2.0.
O Instituto Itaú Cultural tornou-se patrocinador exclusivo do projeto em 2007. Em
2008, a Biblioteca livre obteve o apoio da Fundação Biblioteca Nacional. E em 2010 foi
lançada a versão internacional, também conhecido como versão 3.0 em Português, Inglês e
Espanhol

. Sendo este composto por seis módulos: Busca, Circulação, Catalogação,

Aquisição, Administração e Ajuda. Para acessar os módulos, é muito simples, bastando clicar
na tela inicial (Figura 2) o serviço desejado.
Figura 2 - Interface do Biblivre.

Fonte - Biblivre.

528 Manual Biblivre. Versão 3.0. [S.l.: s.n., 2010?].

4664

�4.1 Busca
Analisando alguns desss módulos, a começar pelo módulo de Busca, item
indispensável na recuperação da informação, verifica-se que há quatro modos de tornar mais
ágeis e eficientes as pesquisas: Bibliográfica, Autoridades, Vocabulário e Distribuída (Figura
3).
Figura 3 - Módulo de Busca

Fonte - Biblivre.

A recuperação dos registros tamém pode ser realizada através do tipo de material e/ou
atributos sendo este por autor, título, assunto, ISBN, ano de publicação, serial da obra, código
de barras ou tombo patrimonial. Contém os operadores booleanos (AND, OR, NOT), que
auxiliam o usuário a localizar as informações com mais precisão e menos ruídos.
O usuário tem acesso livre a esse serviço, conseguindo recuperar e visualizar os
registros das obras catalogadas no sistema das bibliotecas que utilizam o programa Biblivre,
sendo esta, a única interface disponível para o usuário (Figura 4). No serviço de Busca e
Ajuda são encontrados o manual, informações sobre o programa e serviços prestados por
fóruns para sanar dúvidas do software. O login e a senha apresentados na interface nesse
módulo, são campos restritos aos usuários, estando apenas disponíveis para gestores de
instituições ou a usuários que utilizam o sistema na sua residência.
Figura 4 - Página inicial do Biblivre

Fonte - Biblivre.

4665

�4.2 Circulação
O segundo módulo a Circulação, onde são realizados os serviços de cadastros (Figura
5) empréstimos, reservas e emissão das carteirinhas

529

dos usuários que utilizam os serviços

da biblioteca. É possível também anexar fotos e classificar o tipo de usuário

, facilitando o

reconhecimento do mesmo na hora do empréstimo. O Biblivre possui também dispositivos
que emitem etiquetas de identificação do usuário, para ser anexada nas carteirinhas
disponibilizadas pela instituição, uma maneira inteligente de fidelizar seus leitores e divulgar
a Biblioteca.
Figura 5 - Cadastro de usuários

Fonte - Biblivre

Além disso, é possível bloquear usuário que descumpre o regulamento da instituição,
deixando-o impossibilitado de retirar qualquer obra da biblioteca. Logo, não havendo
restrições, o usuário pode retirar a obra, renovar e até mesmo reservá-la. E, para o
bibliotecário, permite-se visualizar todos os cadastros e empréstimos realizados, identificando
atrasos, multas e reservas.

4.3 Catalogação
O próximo módulo é Catalogação, serviço de extrema importância na biblioteca, pois
a obra é tratada e organizada pelo bibliotecário e em seguida, disponibilizada para o usuário.
Além disso, é possível importar/exportar registros de outras instituições pelo modo MARC21

e também remover registros já cadastrados.

529 Termo utilizado pelo Programa Biblivre.
530Essa classificação é realizada pelo bibliotecário na hora do cadastro. Cada biblioteca possui diferentes tipos de
usuários, sendo estes, alunos, professores, entre outros. Esta classificação é dada de acordo com o público que
frequenta cada unidade de informação.
531 Os formatos MARC 21 são padrões amplamente usados para representação e exportação de dados
bibliográficos, de autoridade, classificação, informação de comunidade e dados de coleção, em formato legível
por máquina (2005, p. 15).
Fonte: MARC-21.

4666

�Este módulo também possui divisões em suas bases de dados são elas: bibliográfico,
autoridades e vocabulário (Figura 6).

Figura 6 - Apresentação do módulo de Catalogação

Fonte - Biblivre

O formulário para cadastro de obas apresenta muita informação dispensável, sendo
exaustivo para o profissional bibliotecário. Mas isso, iremos visualizar mais a frente na
analise dos dois softwares. Porém, ele oferece a opção de anexar arquivos em seu cadastro,
utilizando arquivos armazenados no computador, pen drive, CD, DVD, etc.

4.4 Ajuda
A Ajuda, onde está localizado o manual. O manual é possível de ser visualizado no
formato PDF por todos que utilizam esse serviço. Encontra-se também as perguntas
frequentes de todos os serviços prestados pelo Biblivre, respondidas em fóruns, por
profissionais que conhecem a ferramenta (Figura 7). Além disso, esse módulo possui
informações sobre os direitos autorais reservados ao software.

Figura 7 - Módulo de ajuda

Fonte - Biblivre.

4667

�5 Sophia Biblioteca 8.0
O Sophi Biblioteca versão 8.0 foi desenvolvido pela Empresa Prima, fundada em
1993. Entretanto, só a partir de 1997 a Prima começou a atuar no desenvolvimento de

softwares para gestão de bibliotecas. Com uma equipe formada por bibliotecários, analistas de
sistemas e de suporte trabalhando exclusivamente no desenvolvimento do Sophia Acervo, que
segundo a Prima (2013),
é um software desenvolvido com o objetivo de facilitar, de uma forma
surpreendente, a gestão de suas coleções. O produto permite que você crie
todas as fichas de catalogação de acordo com seu interesse e oferece, por
meio de telas de fácil utilização, um poderoso mecanismo de busca,
recuperação e apresentação de informações.
Além de apresentar uma linguagem simples e de fácil manuseio, o programa Sophia
segundo Côrte e outros (2002, p. 194), é "desenvolvido em linguagem Delphi, contempla
todos os requisitos necessários para o processo de automação de uma biblioteca, destacandose a manipulação completa do registro MARC-21". Este software também oferece, uma
interface moderna e seus serviços Web contam com a possibilidade de customização,
permitindo à biblioteca adequar seu terminal ao padrão visual do site da instituição. O sistema
permite também, a criação de perfil e senha para cada operador (Figura 8), indicando quais
ações ele poderá realizar na biblioteca. Para Prima (2013),
Assim, é possível acompanhar as ações de cada um por meio de filtros e
relatórios gerenciais e ainda definir políticas de empréstimos, fazer reservas
e renovações de acordo com a realidade da sua instituição, combinando
dezenas de opções, como quiser (multas, atrasos, dentre outros).
Figura 8 - Apresentação do Sophia

Fonte - Biblioteca Senador João Calmon da Assemblea Legislativa do Estado do Espírito Santo.

Entretanto, depois de preencher os campos de identificação e senha o programa abrirá
uma tela (Figura 9), com informações sobre todo o funcionamento da ferramenta.

4668

�Figura 9 - Interface do Sophia.

Fonte - Biblioteca Senador João Calmon da Assemblea Legislativa do Estado do Espírito Santo.

Na sua interface, são visualizados todos os serviços disponíveis, sendo este, possível
de acessar com um simples clique. N a própria página são divididas as funções e, na parte
superior, os ícones administrativos e um pouco mais a baixo, os serviços de catalogação de
obras e periódicos, usuário e circulação. No site, não é mencionado à causa dessa divisão,
entretanto, é prático e facilita a localização dos mesmos.

5.1 Busca
A pesquisa solicitada nesse setor é realizada em dois momentos diferentes. O primeiro
é realizado pelo bibliotecário na base de dados do programa, sendo este, restrito para usuários.
Na Figura 10, é possível visualizar os registros realizados no sistema com a foto da capa do
livro532.

Figura 10 - Tela de busca realizada pelo Bibliotecário.

Fonte - Biblioteca Senador João Calmon da Assemblea Legislativa do Estado do Espírito Santo

532 Como exemplo, uma busca realiza por ASSIS, tudo o que tiver relacionado com este nome aparecerá na tela.
Lógico, esse é um modo simples de busca, existem muitas outras complexas e mais eficientes.

4669

�O outro modo é realizado pelo usuário, sendo este o único vinculo com o sistema
Sophia (Figura 11) pelo portal da instituição.
Figura 11 - Tela de busca do usuário

Fonte - Biblioteca Senador João Calmon da Assemblea Legislativa do Estado do Espírito Santo

A busca é realizada mediante a digitação da palavra e qual informação quer recuperar.
Caso queira detalhar a busca, selecione o campo da palavra-chave e clique no atributo pelo
qual desejar recuperar, assim como descrito na tela.

5.2 Obras
Neste módulo, são catalogadas obras baseadas na descrição da AACR2

. O

formulário de cadastro do Sophia possui linguagem simples e fácil manuseio (Figura 12).
Assim, é possível inserir, alterar e até mesmo excluir uma obra53534. O Sophia conta com um
auxilio na base de dados de mídias, de uma escâner para escanear a capa do livro e expor no
sistema, assim como mostrado anteriormente na Figura 10.
Figura 12 - Formulário de cadastro de Obras

Fonte - Biblioteca Senador João Calmon da Assemblea Legislativa do Estado do Espírito Santo

533 AACR2 - Anglo-American Cataloguing Rules, cujas regras de catalogação descritiva basearam-se na ISBD Internacional StandardBibliografic Description, tem como objetivo facilitar o intercâmbio internacional da
informação bibliográfica, por meio da forma escrita convencional, ou por meio eletrônico.
Fonte - RIBEIRO, Antônia Motta de Castro Memória. AACR2: Anglo-American Cataloguing Rules, 2nd
edition: descrição e pontos de acesso. 2. ed. Brasília: Ed. do autor, 2001.
534 Na Biblioteca Senador João Calmon, no cadastro de obras, é inserido apenas livros.

4670

�5.3 Periódicos
No formulário de periódicos (Figura 13), assim como em Obras, é baseada na
descrição do AACR2.

Figura 13 - Cadastro de Periódicos

Fonte - Biblioteca Senador João Calmon da Assemblea Legislativa do Estado do Espírito Santo

O formato do formulário é o mesmo e apresenta ícone de mídia, porém, tem alguns
dados relacionados a cada material, exemplo, ISBN para livros e ISSN para periódicos.

5.4 Usuários
Para cadastrar um novo usuário no Sophia, é preciso clicar no módulo Usuário. Na
tela, aparece uma ficha (Figura 14), onde são inseridos os seus dados. A ficha de cadastro
contém informações sobre identificação pessoal e logradouro do usuário. Esse cadastro é
muito importante, sendo de extrema importância a veracidade das informações coletadas.

Figura 14 - Cadastro de Usuários

Fonte - Biblioteca Senador João Calmon da Assemblea Legislativa do Estado do Espírito Santo

O Sophia Biblioteca permite que o usuário cadastre uma foto no programa. Mas para
isso, é preciso incluir à fotografia em uma pasta no servidor do computador e depois anexa-la
ao programa.

4671

�5.5 Circulação
No módulo Circulação é onde acontece os empréstimos, reservas e devoluções dos
materiais disponíveis pela unidade de informação. O programa apresenta na interface os
ícones de Empréstimo / Devolução. Basta clicar sobre o ícone e aparecerão na tela (Figura
15), os dados para realização do empréstimo rápido e simples.

Figura 15 - Tela de empréstimo de materiais

Fonte - Biblioteca Senador João Calmon da Assemblea Legislativa do Estado do Espírito Santo

Além disso, pode visualizar e emitir relatórios da quantidade e situação de usuários
cadastrados no sistema, obras emprestadas ou em atraso.

5.6 Ajuda
No módulo Ajuda, são encontradas informações sobre o Sophia Biblioteca e seu
fabricante (Figura 16). Além do seu manual e informações técnicas sobre software. Assim,
são as apresentadas às bases de dados de cadastros de Obras e Periódicos e sobre os módulos
de Busca, Usuários e Circulação.
Figura 16 - Módulo de Ajuda

Fonte - Biblioteca Senador João Calmon da Assemblea Legislativa do Estado do Espírito
Santo

4672

�6 Resultados Parciais/Finais
Nesse capítulo, é abordada a vivência e a análise da prática dos softwares na visão do
pesquisador bibliotecário. E, na prática da docência da utilização do programa Biblivre em
sala de aula para alunos do 6° período do Curso de Biblioteconomia da UFES durante os
períodos letivos de 2013/1 e 2013/2. Esta análise é realizada de acordo com a utilização das
interfaces dos programas nos seguintes aspectos: na Catalogação das obras, a Busca e a
Circulação. As escolhas desses módulos basearam-se na frequente utilização dos serviços
prestados pelas unidades de informação. Segundo Cardoso Filho e Santos (2012, p. 185),
o processamento técnico de livros, por exemplo, que envolve catalogação,
classificação e indexação, poupa o tempo do usuário na busca do que
necessita. Apenas com o título ou com o autor de uma obra, o usuário
identifica o documento procurado, e a boa indexação permite localizar
documentos com maior agilidade.
Por isso, importância de uma eficiente catalogação, para que o usuário possa recuperar
a informação de forma mais precisa. Ao analisar a interface do programa Biblivre, como
“admin”

, deparei com algumas características aleatórias. O Biblivre possui uma interface

simples e de fácil utilização. Todas as informações sobre o software aparecem na interface.
Para visualizar, ao clicar no módulo desejado assim visualizado na (Figura 2), o bibliotecário
não tem dificuldade alguma em acessar a sua base.
A Prima (2013) afirma que “a preocupação com a ergonomia tornou o Sophia
biblioteca muito simples de ser utilizado, com uma interface amigável e intuitiva” . Todavia, a
interface, apesar de possuir uma linguagem simples como descrita pelo fabricante, possui
muitos ícones que não são utilizados frequentemente (Figura 9), poluindo visualmente o
programa. A unidade de informação necessita de programas mais objetivos para que o
bibliotecário possa realizar as atividades seguramente.
O formulário de catalogação do Sophia é o mais completo e prático. As bases, onde
são inseridos os dados, têm uma linguagem clara e de fácil compreensão, baseadas nas
normas da ABNT535536. O programa, segundo Dantas e Gottschalg-Duque (2010, p.2), “é um

software de fácil utilização que não exige do bibliotecário conhecimento profundo em
informática ou do padrão MARC-21” . O Biblivre também utiliza o formato MARC-21,
entretanto, possui um formulário extenso e exaustivo, assim como apresentado, somente a
primeira parte do formulário (Figura 17) para obras bibliográficas. A base é inteira e, se
535 O Biblivre utiliza o termo “admin” ou administrador para o responsável do programa.
536 Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

4673

�desejar inserir ou alterar algum dado, é preciso rolar a página do programa com o auxilio do
mouse para a direção pretendida até o ponto da inserção.

Figura 17 - Formulário de catalogação bibliográfica do Biblivre

Fonte - Biblivre

Ele também possui formulários paa autoridades e vocabulários separadamente, porém,
são bases que o catalogador quase não trabalha, por utilizar mais os dados bibliográficos. Este
formulário poderia ser dividido em partes, para auxiliar o catalogador. Assim como no
Sophia, que possui formulários condensados para cada tipo de material, obras (Figura 12) e
periódicos (Figura 13). A intenção é facilitar a catalogação, mas sempre observando os
critérios do bibliotecário e principalmente do usuário. As informações precisam ser
corretamente indexadas e inseridas nas bases, para que o usuário possa recuperá-la
perfeitamente. O ponto em questão não é quantidade, e sim a qualidade do serviço oferecido.
A busca pela recuperação da informação pelo Biblivre (Figura 3-4) e o Sophia (10-11)
é simples e de fácil entendimento, a praticidade desses campos são vantagens para ambos os
programas. Apesar dos softwares utilizarem palavras, pouco conhencidas pelos usuários que
não são da área da biblioteconomia. Segundo Figueiredo (1996, p. 43), “o usuário deve
executar a sua própria busca com o mínimo de auxilio, contudo, devido a isso, a busca é feita
de maneira simplista [...]” . Para que ele tenha autonomia e pesquisar o que realmente
necessita.
Na Circulação, é onde ocorre os empréstimos, renovações e devoluções de materiais.
Os dois softwares possuem excelentes serviços de empréstimos. O Biblivre, por exemplo,
possui no módulo de circulação ícones apresentados anteriormente (Figura 5), numa
sequência lógica, o bibliotecário cadastra o usuário, depois realiza o emprestimo e por fim,
quando solicitado faz a reserva da obra. Após o empréstimo, são emitidos comprovantes do
serviço prestado, com o título da obra, nome do autor e do usuário para quem foi emprestado.

4674

�Além disso, o programa pode restringir o acesso do usuário a determinadas áreas, isso
depende muito da política da biblioteca.
Outro serviço importante é o processo de emissão de carteirinha para o usuário. Esse
procedimento é um fator relevante para o Biblivre, pois fideliza o usuário, permitindo que o
administrador, juntamente com um auxílio de uma câmera, fotografe e vincule uma foto ao
cadastro do usuário;é um serviço rápido e eficiente, poupando o tempo do seu leitor
(RANGANATHAN, 2009, p. 211).
O Sophia também possui um serviço eficiente de empréstimo, quando conectamos o
programa, na tela inicial apresenta o ícone de Empréstimo/Devolução (Figura 9). Para efetuar
um empréstimo, o usuário precisa estar cadastrado no sistema pelo gestor como mostrado
anteriormente (Figura 14). Como no Biblivre, o Sophia também possui dispositivos para
anexar fotografia do usuário. Após cadastrar o usuário, o gestor pode efetuar o empréstimo da
obra, basta clicar no serviço desejado e digitar a matricula do usuário e o número de tombo do
livro e assim, finalizar o empréstimo. O mesmo ocorre no ato da devolução quando são
emitidos dois comprovantes de Empréstimo/Devolução, para o usuário e gestor. Esse
comprovante é de extrema relevância, pois é uma prova da realização do serviço e segurança
para a instituição, caso aconteça algo com a obra.
Os manuais são instrumentos importantíssimos para o bibliotecário e usuário, pois para
trabalhar com o programa é preciso conhecê-lo. O desenvolvedor do Sophia realiza
treinamentos nas unidades de informação e possui assistência técnica. Porém, este serviço
é utilizado somente quando a instituição renova o contrato de manutenção. Caso contrário,
a biblioteca conta com a ajuda dos manuais impressos e on-line.
Quando o software é livre, ele não possui técnicos para auxiliá-lo, apenas contam com
a ajuda dos Fóruns on-line. as dúvidas são sanadas por bibliotecários que trabalham na prática
com o software. Esse processo é demorado, pois se necessita de profissionais dispostos a
responder.
Porém, ambos possuem manuais que são apresentados como de fácil entendimento e
linguagem simples e que foram realizados por uma equipe técnica com bibliotecários. Os
manuais não estão aptos para serem utilizados pelos usuários ou até mesmo por profissionais
da área, pois eles possuem uma linguagem técnica baseada em engenharia de software,
diferente das utilizadas pelos bibliotecários.
A análise realizada em relação aos manuais não é para excluí-los e sim melhorá-los
para aprimorar a qualidade. Devem-se utilizar os manuais para aprender a manusear as
ferramentas e auxiliar os usuários corretamente. Pois, segundo Grogan (2001, p. 8), “os

4675

�usuários das bibliotecas, auxiliados pelo bibliotecário de referência, têm melhores condições
de mais bem aproveitarem o acervo de uma biblioteca do que fariam sem essa assistência” .

7 Considerações Parciais/Finais

Com este trabalho, foi possível entender a importância de conhecer uma ferramenta
tecnologica e a vivência de manuseá-la corretamente. E, como os softwares Biblivre e Sophia
apesar de possuirem estruturas tecnologias diferentes, eles possuem as mesmas capacidades
básicas de um programa de gestão da informação. Foram encontrados aspectos diferentes e
outros que supriam ou diferenciavam os programas. O Sophia, por exemplo, tem mais
recursos por ser um software proprietário, possui uma equipe de assistência técnica para
qualquer enventualizade que aconteça com o software e seu formulário é uma ferramenta de
qualidade.
O Biblivre também é um programa de qualidade apesar de ser um software livre. Ele
possui serviços diferenciados, como a emissão de carteirinha, um procedimento simples, mas
que fideliza o usuário. Seu manual é exposto para todos que acessam o programa, sendo estes,
usuários ou bibliotecários. Ele possui ainda, uma interface simples e de fácil utilização.
Entretanto, ambos possuem excelentes serviços de referência e busca. Contudo, eles
possuem deficiencias em seus manuais. A intenção desde o inicio da analise não era detectar
qual o melhor software, e sim, mostrar como os dois programas podem ser úteis e necessários
em qualquer instituição, pública ou privada. O Sophia biblioteca é um software muito
eficiente e prático, se a instituição tiver boas condições financeiras, é recomendável. Mas,
caso não haja recursos, o Biblivre é uma boa alternativa.
Existem vários outros softwares livres, que possuem as mesmas qualidades ou serviços
diferenciados dos softwares proprietários. Uma análise criteriosa é fundamental para uma boa
escolha. Este trabalho buscou contribuir para o conhecimento e apresentação dos programas
Biblivre e Sophia. E, de alguma forma compartilhar a experiência vivida com o manuseio das
ferramentas. Pois, segundo Côrte e outros (2002, p.11-12), “as experiências profissionais
podem e devem ser compartilhadas, uma vez que possibilitam a compreensão de um fato,
mesmo sem ter sido vivenciado” .

4676

�8. Referências
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>Este artigo apresenta vivências profissionais na utilização dos sistemas BIBLIVRE, um software livre, e o Sophia, um software proprietário, no cotidiano das práticas bibliotecárias. Com objetivo de identificar vantagens e desvantagens dos softwares e avaliar suas ferramentas para melhor atender a instituição e o usuário. Para tanto, são apresentados manuais e programas para que fossem avaliados igualmente. Foram analisadas as interfaces, nos módulos de Catalogação, Busca e Circulação, serviços essenciais de uma unidade de informação. E também, foi avaliada a linguagem dos manuais impressos e online. O objetivo é descobrir se os fabricantes estão realmente corretos nas descrições dos softwares, e qual a ferramenta mais completa e de fácil utilização para o profissional bibliotecário e o usuário.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

USO DE UM APLICATIVO COMO FERRAMENTA DE REGISTRO E SOLUÇÃO
DE PROBLEMAS NO DESENVOLVIMENTO DAS ATIVIDADES DAS
BIBLIOTECAS UNISUL
Cristiane Salvan Machado
Adriano Pires
Tatyane Barbosa Philippi

RESUMO
Este trabalho tem como objetivo relatar a experiência no processo de criação do suporte
centralizado de informações geradas pelos colaboradores das bibliotecas da Unisul no uso dos
sistemas tecnológicos da biblioteca. Procurou-se atender de forma integrada tanto os
colaboradores, atendentes diretos dos usuários das bibliotecas, como também os analistas de
sistemas que dão suporte técnico e também aos usuários das bibliotecas. Tanto para os
colaboradores como analistas de sistemas este aplicativo facilitou a notificação formal e
registro de necessidades de solução e dificuldades na utilização dos sistemas tecnológicos, no
acompanhamento do processo de solução e no recebimento de feedback além de oportunizar
mais interação e comunicação entre as partes.
Palavras-Chave: Atendente; Usuário de biblioteca; Analista de sistema; Registro de
dificuldades; Erro de sistema; Encaminhamento de solução; Feedback.

ABSTRACT
This work aims to present the experience of process creating the centralized support of
information generated by employees of libraries Unisul in the use of technological systems in
the library. We search to attend integrated form the employees, direct assistants of library
users, as well as systems analysts who provide technical support, and too users of libraries.
Both for employees as systems analysts this application facilitated the formal notification
needs and recording solution and difficulties in the use of technological systems, monitoring
the solution process and receiving feedback plus to opportunity more interaction and
communication between the parties.
Keywords: Attendant; User library; System analyst; Registration difficulties; System error;
Routing solution; Feedback.

4653

�1 INTRODUÇÃO
A estrutura organizacional da Biblioteca Universitária (BU) da Universidade do Sul de
Santa Catarina (Unisul) envolve a Coordenação das Bibliotecas na Pró-Reitoria de Operações
e Serviços Acadêmicos e as Bibliotecas dos Campi de Tubarão, Grande Florianópolis e
UnisulVirtual e suas unidades ou polos de apoio ao ensino à distância distribuídos em todo o
território nacional, totalizando em mais de 70 bibliotecas e envolvendo mais de 100
colaboradores.
Para que a BU Unisul pudesse ampliar seus serviços e manter a estrutura física
descentralizada possibilitando o gerenciamento do acervo e tratamento da informação entre
seus três campi, no ano de 2000, foi implantado software de gestão de bibliotecas.
A comunicação aos analistas de sistemas sobre as necessidades de melhoria e/ou de
dificuldades de operação do sistema da biblioteca eram feitas pelos colaboradores, aqui
denominados usuários internos, por meio do correio eletrônico (e-mail) e telefone. Esta
prática dificultava o gerenciamento aos atendimentos, pois o correio eletrônico consiste em
um meio básico de envio e recebimento de mensagens, ele não funciona como um banco de
dados estruturado para gestão de informações, tornando impossível efetuar o gerenciamento
eficiente das solicitações enviadas.
O grande fluxo de informações diárias no atendimento das bibliotecas impulsionou a
criação da ferramenta “Controle de Ocorrências” o que viabilizou aos usuários internos e aos
analistas de sistemas a troca de informações de forma rápida e segura além de centralizar os
atendimentos às solicitações realizadas.
Especificando ainda mais o Controle de Ocorrências temos também a oportunidade de
identificar no fluxo dos processos os ajustes necessários para qualificar o atendimento e/ou
serviços oferecidos pela biblioteca, com o acompanhamento do desenvolvimento das
atividades dos colaboradores e na apresentação do nível de dificuldade destes na interação
com os recursos tecnológicos disponíveis nela, por meio das estatísticas geradas pela
ferramenta.
Com esta ferramenta implementada a biblioteca procurou estabelecer no dia a dia uma
comunicação eficaz com todos os colaboradores sobre seu uso, visando à otimização e difusão
das informações e, com isso, melhorar o gerenciamento das informações registradas na
aplicação.

4654

�2 REVISÃO DE LITERATURA
O crescimento e o desenvolvimento acelerado de descobertas nas áreas de
telecomunicações e computação impulsionam a crescente diversificação das tecnologias de
informação e comunicação (TIC’s). Estas TIC’s simplificam e facilitam a relação
usuário/profissional

diminuindo

significativamente

as

dificuldades

presentes

nos

procedimentos diários de toda a instituição.
O uso das tecnologias da informação forçou uma revolução nos processos
desenvolvidos nas bibliotecas, possibilitando que as rotinas passassem a ser mais eficientes e
eficazes, do mesmo modo, tornaram o fluxo de informação mais dinâmico. Porém, “necessitase acompanhar as alterações, isto é apreender constantemente, e providenciar novos rumos na
gestão da informação e [saber que] esses fluxos são influenciados principalmente pelo uso da
Internet e seus recursos.” (REIS; BLATTMANN, 2004, p. 2).
Em consonância com a afirmativa de Reis e Blattmann (2004) temos a necessidade
evidenciada no trabalho aqui descrito, em que a inovação traz consigo de forma proeminente a
busca por ajustes, inclusive de ordem comportamental.
Não basta a mecanização da execução de atividades por parte dos colaboradores da
biblioteca, pois mesmo o movimento sincronizado é passível de melhoria contínua em âmbito
processual. Têm-se então que manter um sistema de análise de desempenho, não somente
baseado no tempo dedicado pelo colaborador na execução das atividades, mas também nos
resultados alcançados.
De acordo com Reis e Blattmann (2004, p. 9):
A importância dos processos no trabalho aumenta à medida que as empresas
agregam pessoas com competências, habilidades e atitudes diferenciadas no
manuseio de novas tecnologias para buscar melhorias na produtividade e na
competitividade centrada no desenvolvimento, na criação e na manutenção
de produtos e ou serviços qualitativos prestados ao usuário.
Além disso, Pimenta (2004, p. 29) afirma que, a valorização da comunicação no
ambiente de trabalho incrementa a criação, a sistematização e a socialização de
conhecimentos

dos

colaboradores.

Acrescentando

que,

“máquinas

excelentes

sem

funcionários competentes e conscientes para utilizá-las e preservá-las não funcionam ou
duram pouco”.
Sendo assim, o uso da TIC’s nos permite incrementar serviços em bibliotecas, mas,
sobretudo, muda hábitos com relação à comunicação entre as pessoas permitindo o acesso e
compartilhamento de informações.

4655

�Com a centralização das questões em um único lugar se pode dizer que de forma
básica temos condições de lidar com o raciocínio baseado em casos. Para Wangenheim e
Wangenheim (2003) o valor está em poder recuperar situações já resolvidas em uma base de
casos e por meio de similaridades, quando necessário, encontrarem a solução adequada.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Por se tratar de um relato de experiência vivido no âmbito da Unisul, destacamos que
o método aplicado é empírico, pois não é resultado de um estudo. Descrevemos aqui a
vivência sobre as necessidades particulares das bibliotecas da Unisul, levando em
consideração seu regulamento interno, os padrões biblioteconômicos previamente definidos e
o regimento da Universidade.
O público alvo foram todos os colaboradores que atuam nas bibliotecas da Unisul,
envolvendo mais de 100 pessoas, com diferentes níveis de instrução e de responsabilidade no
desenvolvimento das atividades de trabalho.
O sistema de Controle de Ocorrências, inicialmente, foi utilizado pelos colaboradores
da biblioteca da Pedra Branca como piloto da implementação do projeto. Para tanto, criou-se
um passo a passo aos colaboradores para que pudessem inserir as ocorrências e acompanhar
seus resultados.
Após o período de experimentação da plataforma foram realizados ajustes pelos
analistas de sistemas, sugeridos pelos colaboradores da biblioteca da Pedra Branca, de modo a
atender com êxito o controle de ocorrências inseridas com vistas às necessidades da biblioteca
para então ser disponibilizada aos demais funcionários dos campi e unidades.
O Controle de Ocorrências é uma solução customizada pela Unisul, baseada no
software open Source “MyHelpdesk”. Ele usa como sistema operacional o Linux, aplicação
WEB o PHP versão 5.2.13 e como banco de dados o MySQL versão 5.1.48.
O

acesso

a

esta

ferramenta

se

dá

pelo

endereço

eletrônico

http://aplicacoes.unisul.br/atendimentobu/. Cada um dos colaboradores recebe uma senha
pessoal de acesso restrito com diferentes perfis de uso da ferramenta. Os analistas de sistemas
tem perfil de administradores da ferramenta, utilizando de todos os recursos que ela dispõe.

4656

�Figura 1 - Tela para cadastro das solicitações de atendimento na ferramenta Controle
de Ocorrências.
U NISUL-U niversldade d o Sul d e S a n ta C a ta r in a

Controle de
Ocorrências

BIBl IO T E CA U N IV I RSWj

Administração

[Hom e]

[Logout]

Gestão das Ocorrências
• Criar Ocorrência
• Ocorrências para Mim
• Ocorrências que Criei
• Ocorrências dos Meus
Grupos
• Procurar Ocorrência
Gestão de Usuários
•
•
•
•
•
•

Ver Contatos
Ver Escritórios
Adicionar Contato
Adicionar Escritório
Lista de Endereços
Procurar Contato

• Alterar Perfil
• Meus Registros Horários
• Minhas Estatísticas

Grupo:

i

Contato:

i

Prioridade:
Plataforma:

1

m
m
3

pc M

Técnico:

i

Contato:

i

Estado:

i
i

Categoria:

Titulo:

ti

m
-i
m

1

Descrição:

I

Mais Detalhes | | Criar Ocorrênciã~| | Limpar~|

Base de Conhecimento
• VerFAQs
• Procurar FAQs
ATI - Assessoria de Tecnologia da Informação

Fonte: Controle de Ocorrências, 2014.

Para o cadatro das solicitações os colaboradores das bibliotecas selecionam o item
“criar ocorrência” e informam os seguintes dados: grupo (identifica a qual dos sistemas se
refere à solicitação), técnico (pode direcionar a um analista de sistemas específico ou a um
grupo, indicando no display abaixo para envio de notificação por correio eletrônico sobre a
nova solicitação cadastrada), contato (identifica de qual biblioteca e qual é o nome do usuário
que cadastra a solicitação, indicando no display abaixo para envio do registro de notificação
por correio eletrônico sobre a nova solicitação cadastrada), prioridade (sinaliza o nível de
prioridade do atendimento à solicitação, variando entre baixa, média, alta e crítica), estado
(apresenta o status da solicitação, variando entre aberta, em andamento, aguardando resposta
do solicitando, aguardando resposta de terceiros, em espera ou encerrada/concluída),
categoria (identifica o serviço oferecido pela biblioteca a que se refere à solicitação), título
(denomina o título da solicitação, no qual recomenda-se usar palavra-chave que descreva em
parte o assunto da solicitação), descrição (detalhamento descritivo da solicitação, indicando a
melhoria, sugestão ou problema). Além do preenchimento dos dados mencionados
anteriormente o usuário tem a opção de inserir arquivo que pode auxiliar no atendimento à
solicitação.
No menu de administração estão listadas as demais funções e filtros de pesquisa e
gestão da ferramenta e, além disso, todas as instruções de uso estão inclusas como FAQs,
listado no menu da própria ferramenta. Os colaboradores podem acompanhar e visualizar suas

4657

�solicitações, por meio da opção histórico e ainda ao longo do seu atendimento complementar
com mais informações utilizando a opção editar.
A ferramenta também permite gerar dados estatísticos extraídos pelo próprio sistema
agrupando informações pela biblioteca em que o colaborador está vinculado, por categoria de
atendimento em que a solicitação foi cadastrada, por nível de prioridade ou ainda pelo tempo
médio em que demorou a conclusão no atendimento à solicitação do usuário do aplicativo.
O cruzamento das informações para visualização dos indicadores é estruturado pelos
analistas de sistemas de acordo com as necessidades do gestor e suas pretensões de aplicação.

Figura 2 - Estatística do número de ocorrências por status de atendimento de acordo
com o nível de prioridade e do status por categoria, no período de 16/08/2006 a 16/05/2014.

Fonte: Controle de Ocorrências, 2014.

Vale ressalar que, não houve resistência da parte dos colaboradores em utilizar o
sistema, porém foi importante o apoio das gerências para que o mesmo fosse inserido na
cultura dos processos diários da biblioteca. A possibilidade de gerarmos estatísticas que
contribuíssem para o aprimoramento dos serviços da biblioteca foi um grande motivador para
o uso desta ferramenta. A otimização do tempo também é um fator importante que contribui
na sua utilização.
Ocorrências criadas podem ser reativadas, caso o problema se repita sem a
necessidade de relatar o caso novamente, ou seja, os “cases” são compartilhados. Como um
diferencial, para cada ocorrência criada ou alterada, a aplicação envia um e-mail do tipo alerta
para a pessoa que criou/alterou a ocorrência e para o atendente.

4658

�4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados alcançados com aplicação desta ferramenta demonstraram que os
objetivos propostos foram atendidos, uma vez que há um ambiente centralizado para registro
e solução de problemas apontados por todos os colaboradores das bibliotecas da Unisul,
melhorando o desenvolvimento de suas atividades.
É notório afirmar de que os indicadores aqui apresentados ao serem amplamente
analisados apontam forças e fraquezas no uso dos sistemas de gerenciamento dos serviços da
biblioteca, assim como oportunidades e ameaças para nortear o seu planejamento estratégico.
Os resultados avaliados pelas estatísticas do Controle de Ocorrências podem gerar a
melhoria contínua nos processos executados nas bibliotecas, um fator primordial para a busca
na qualidade dos serviços oferecidos aos usuários. Por meio destes indicadores também
podemos perceber as necessidades de capacitação aos colaboradores no uso dos sistemas
tecnológicos da biblioteca.
As incidências demonstram se o meio de comunicação utilizado para disseminação das
informações referentes ao cotidiano das bibliotecas está sendo eficiente, o qual os
colaboradores conseguem entender as orientações e aplicá-las de maneira produtiva no seu dia
a dia.

REFERÊNCIAS
PIMENTA, Maria Alzira. Comunicação empresarial. 4. ed. rev. e ampl. Campinas: Alínia,
2004.
REIS, Margarida Maria de Oliveira; BLATTMANN, Ursula. Revista. Gestão de processos em
bibliotecas. Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas, v .1, n.2, p.1­
17,

jan./jun.2004.

Disponível

em:

&lt;http://www.sbu.unicamp.br/seer/ojs/index.php/rbci/article/viewFile
/292/171&gt;. Acesso em: 16 maio 2014.
WANGENEHEIM, Christiane Gresse von; WANGENEHEIM, Aldo von. Raciocínio
baseado em casos. Barueri: Manole, 2003.

4659

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Uso de um aplicativo como ferramenta de registro e solução de problemas no desenvolvimento das atividades das Bibliotecas UNISUL</text>
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                <text>Machado, Cristiane Salvan, Pires, Adriano, Philippi, Tatyane Barbosa</text>
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                <text>Este trabalho tem como objetivo relatar a experiência no processo de criação do suporte centralizado de informações geradas pelos colaboradores das bibliotecas da Unisul no uso dos sistemas tecnológicos da biblioteca. Procurou-se atender de forma integrada tanto os colaboradores, atendentes diretos dos usuários das bibliotecas, como também os analistas de sistemas que dão suporte técnico e também aos usuários das bibliotecas. Tanto para os colaboradores como analistas de sistemas este aplicativo facilitou a notificação formal e registro de necessidades de solução e dificuldades na utilização dos sistemas tecnológicos, no acompanhamento do processo de solução e no recebimento de feedback além de oportunizar mais interação e comunicação entre as partes.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

USO DE FERRAMENTAS COLABORATIVAS EM TRABALHO COLETIVO
Célia Regina Inoue
Cristina Marchetti Maia
Silvia Nathaly Yassuda
Ana Paula Rímoli Oliveira
Vânia Aparecida Marques Favato
João Josué Barbosa
Terezinha Cristina Baldo Vernaschi
Maria Irani Coito Laura
Odette Dorta Jardim
Micheli Antonia Oshima
RESUMO
Este trabalho traz a experiência do Grupo de Estudos de Normas Técnicas Documentais da
Universidade Estadual Paulista na utilização de ferramentas de tecnologias de informação e
comunicação (TICs) para o atendimento às suas finalidades e construção do conhecimento
num ambiente virtual, usando ferramentas colaborativas disponíveis na Web 2.0. Aborda o
aprendizado no decorrer do processo, o desenvolvimento das competências e a criação deste
trabalho diante da limitação dos recursos financeiros. Dentre as ferramentas utilizadas
destacam-se o uso do Skype, Videoconferência, E-mail, Google Drive e Facebook, que
possibilitaram uma maior interação de comunicação entre os membros. Os resultados foram
satisfatórios, possibilitando melhor aprendizado no uso das tecnologias, encurtando
distâncias, reduzindo custos e trabalho em equipe em tempo real.
Palavras-chave: Tecnologia da informação e comunicação; Trabalho coletivo; Ambiente
virtual; Ferramenta colaborativa.

ABSTRACT
This paper describes the practice of Universidade Estadual Paulista’s Group of Studies on
Documental Technical Standards using Technologies of Information and Communication
tools to meet its purposes and to build knowledge in a collaborative virtual environment. It
refers to the learning during the process, the development of skills and its own creation before
the limited budget resources. The used tools were: Skype, Video Conference, E-mail, Google
Drive and Facebook that enabled greater interaction among the group members. The results
were satisfactory as there was better learning in the use of technologies of information and
communication taking advantage of its many benefits.
Keywords: Technology of Information and Communication; Collaborative Work; Virtual
Environment; Collaborative Tools.

4637

�1 Introdução

O presente trabalho, fruto de uma equipe, foi elaborado utilizando as tecnologias de
informação e comunicação (TICs) e ferramentas colaborativas que armazenam informações
para visualização e interação em grupo, com objetivo de apresentar a experiência de um
trabalho coletivo com o uso da Web 2.0. A aplicabilidade destas ferramentas viabiliza o
trabalho a distância entre os membros do Grupo de Estudos de Normas Técnicas Documentais
da Universidade Estadual Paulista (Unesp), destacando a organização do trabalho e as ações
que têm sido desenvolvidas pelo grupo.
Considerando a evolução tecnológica e a dispersão dos membros do grupo em
diferentes cidades, algumas delas bem distantes entre si, buscou-se uma solução
contemporânea em sua forma tradicional de organização do trabalho, criando um ambiente
virtual favorável para a dinâmica de trabalho em equipe, trazendo agilidade na comunicação e
respostas, baixo custo, superando as barreiras físicas e financeiras da instituição.
As tecnologias de informação e comunicação (TICs) estão inseridas atualmente no
contexto das bibliotecas universitárias brasileiras, como consequência do avanço tecnológico
e democratização no acesso às tecnologias. Dentre as vantagens do ambiente virtual estão a
facilidade na comunicação e o compartilhamento de informações, viabilizando a criação de
conteúdo, transpondo as fronteiras físicas (DIAS; BELLUZO, 2003).
Os recursos da Web 2.0 proporcionam um ambiente de interação em que o usuário,
além de ser instruído a construir seu próprio conhecimento, torna-se produtor e consumidor de
conteúdos interativos. Este novo perfil de usuário tem incorporado as tecnologias multimídias
baseadas em Web aos serviços de bibliotecas, que, ao utilizar os recursos da Web 2.0 ficaram
conhecidos como Biblioteca 2.0 (MANESS, 2007).
Como resultado da explosão e crescente aumento no uso de tais recursos, de acordo
com Silva e Lopes (2011), os computadores e a internet deixaram de ser uma tecnologia de
processamento da informação para se transformar em instrumento de aprendizagem,
comunicação e colaboração. Cada usuário pode ser, ao mesmo tempo, emissor e produtor de
mensagens num processo de comunicação em ambiente virtual, compartilhando com outros
indivíduos os mesmos interesses e necessidades.
A interação do grupo é realizada através de ambiente virtual, com auxílio das TICs e
ferramentas colaborativas disponíveis para este fim: E-mail, Skype, Google Drive, Facebook e
Videoconferência.

4638

�A Rede de Bibliotecas da Unesp é constituída por 34 Bibliotecas, distribuídas em 24
cidades do interior paulista e é tecnicamente subordinada à Coordenadoria Geral de
Bibliotecas (CGB). Sua estrutura organizacional fundamenta-se no tripé ensino, pesquisa e
extensão, sendo uma de suas atribuições oferecer subsídio e suporte técnico para todas as
bibliotecas da rede. O sistema de gestão constitui-se por grupos de trabalhos temáticos para
discussão e elaboração de ações visando suprir as necessidades informacionais da Rede.
Atualmente são seis grupos de trabalho: Grupo de Estudos de Normas Técnicas Documentais,
Grupo de Estudo da Produção Científica, Grupo de Acessibilidade, Grupo de Catalogação,
Grupo de Competência Informacional e Grupo de Estudo de Terminologia.
O grupo de Normas Técnicas Documentais é constituído por 10 bibliotecários de
diferentes unidades universitárias, localizadas nas seguintes cidades: Araçatuba, Araraquara,
Assis, Bauru, Botucatu, Franca, Ilha Solteira, Marília, Presidente Prudente e Rio Claro.
As reuniões presenciais foram substituídas por videoconferências estimuladas pela
universidade com suporte e facilidade nos agendamentos, disponibilização de salas próprias,
adequadas e padronizadas. A utilização das redes sociais como ferramenta de comunicação
agiliza as discussões e cada membro utiliza o suporte que está disponível, seja celular, tablets,
computadores etc.
Os documentos em análise são discutidos, construídos, avaliados e disponibilizados
em arquivos nas nuvens e elaborados com a participação de todos. O grupo tem atualmente
dentro de seu planejamento, uma importante meta que é a atualização do trabalho
“Normalização Documentária para a Produção Científica da Unesp: normas para apresentação
de referências segundo a NBR 6023:2002 da ABNT”, que resultará num produto que
atenderá a todas as bibliotecas da universidade, o qual está sendo elaborado coletivamente
num arquivo virtual. A evolução dos trabalhos é visível para todos os membros a qualquer
momento ou necessidade. O atendimento do grupo à rede de bibliotecas da Unesp é realizado,
majoritariamente, à distância em ambiente virtual, com auxílio das ferramentas disponíveis
para este fim, quais sejam: e-mail e Skype.
As ferramentas colaborativas utilizadas serão caracterizadas, destacando-se sua
importância na execução das tarefas, elaboração de materiais, reuniões e atendimento às
dúvidas das bibliotecas da Unesp, bem como as vantagens e as facilidades que elas
proporcionam.
Justifica-se a elaboração deste trabalho, tendo em vista que esta prática é adotada por
outras instituições, entre pesquisadores na comunidade científica, inclusive pelos outros
grupos de estudo da rede de bibliotecas da Unesp. No entanto, o diferencial está na dinâmica

4639

�desenvolvida pelo Grupo de Normas Técnicas Documentais, pois apesar da grande quantidade
de recursos tecnológicos disponíveis, o grande desafio foi a escolha e o aprendizado das
ferramentas adequadas para o desenvolvimento de uma metodologia de trabalho que suprisse
as necessidades do grupo, considerando os tipos de atividades que são desenvolvidas e as
formas de acesso às tecnologias.

2 Revisão de Literatura

Neste tópico, as ferramentas colaborativas serão contextualizadas dentro do ambiente
virtual, com uma abordagem para a Web 2.0, destacando-se a evolução das tecnologias de
informação e comunicação (TICs). O Grupo Técnico de Normas Documentais da Unesp será
caracterizado, assim como os membros do grupo, dentro das gerações Baby boomer, X e Y
com ênfase na manipulação das TICs para o trabalho coletivo do grupo.

2.1 Ferramentas colaborativas e Web 2.0 como forma de comunicação

As tecnologias de informação e comunicação (TICs) trouxeram grandes contribuições
para a sociedade. O uso das TICs influenciaram as formas de comunicação oral e escrita,
causando grandes impactos na sociedade, de acordo com Kenski (2010, p. 28) “[...] baseados
no uso da linguagem oral, da escrita e da síntese entre som, imagem e movimento, o processo
de produção e o uso desses meios compreendem tecnologias específicas de informação e
comunicação, as TICs.”.
Para Villas e Macedo-Soares (2008) a nomenclatura vem aos poucos entrando no
vocabulário dos profissionais das áreas usando-se o termo tecnologia da informação (TI) que
substitui o termo informática.
No âmbito educacional, as TICs propõem métodos de ensino e aprendizagem com o
uso de ferramentas digitais que contribuem para a otimização no processo comunicacional em
tempo real e com custos reduzidos; portanto essas tecnologias são hoje indispensáveis para o
compartilhamento de informação e conhecimento, como relata Schons, Ribeiro e Battisti
(2008, p. 7):
Como parte desse contexto, os ambientes utilizam dispositivos variados de
interface gráfica e recursos multimídia, possibilitando a formação de um espaço
para a reflexão coletiva, contribuindo para a criação de novos conhecimentos.
Tais ambientes, a partir de sua capacidade de interação e colaboração vieram
preencher uma lacuna existente na comunicação interpessoal entre os atores que
participam do processo de ensino e aprendizagem: professor, tutor e aluno.

4640

�Contrapondo o conceito de uma via de mão única, onde as informações são
propagadas apenas em um sentido (um para um ou um para muitos), a Web 2.0
determina um novo conceito, estabelecendo a comunicação de muitos para
muitos.

Nas organizações, as TICs possibilitam um maior conhecimento do ambiente externo e
interno, destacando-se em um mercado cada vez mais competitivo (PASSOS; SILVA, 2012).
Essas mudanças na forma de comunicação são consequências das evoluções tecnológicas que
a sociedade vivencia, nas quais o comportamento também sofre mudanças e o imediatismo se
torna evidente na vida das pessoas. Segundo Silva (2013, p. 72) as TICs podem ser vistas
como ferramentas que permitem e facilitam a interação entre as pessoas, “[...] ao mesmo
tempo em que as TICs são objetos de consumo são também ferramentas de trabalho que
modificam a relação do homem com a máquina e aceleram o processo de socialização das
inovações [...].”
Tais ferramentas são denominadas colaborativas, pois são recursos facilitadores
utilizados no ambiente virtual para criação de conteúdo coletivo e trocas de informações,
tornando-se um local de encontro entre as pessoas dentro das organizações. São realidades
distantes geograficamente e ao mesmo tempo próximas virtualmente, onde a produtividade e
a economia caminham juntas (CUNHA, 2003 apud SCHEINPFLUG; TOREZAN, 2005).
Desta forma, a internet se fortalece cada vez como meio de comunicação, possibilitando que
as pessoas trabalhem e construam conteúdos em conjunto, produzindo informações no
ciberespaco, e como consequência da evolução das TICs, surgem constantemente novas
ferramentas para a colaboração virtual.
Ferramentas colaborativas são softwares que auxiliam no desenvolvimento de
tarefas realizadas por um grupo, o qual busca, por meio do trabalho coletivo,
cumprir um projeto ou um objetivo em comum. A partir da produção coletiva
proporcionada por tais ferramentas, é possível compreender que novas formas
de cooperação, construção do conhecimento, inteligência coletiva e atividades
de colaboração podem ser potencializadas. (BRASIL, [201-?]).

Com o avanço tecnológico e com tanta rapidez na evolução das formas de
comunicação, os bibliotecários são constantemente bombardeados pela tecnologia, devendo,
portanto, conhecer e fazer uso dos recursos disponíveis, visando a inovação e aprimoramento
dos seus trabalhos. Além disso, de acordo com Belluzo (2010, p. 31), em razão do baixo custo
e fácil acesso, a Internet tem sido utilizada como infraestrutura, “[...] num novo ambiente
organizacional, fundamentalmente baseado no ambiente digital.” Desta forma as bibliotecas
têm se adaptado a evolução das ferramentas, criando e aprimorando novos serviços e formas

4641

�de trabalho sendo fundamental para isso que os bibliotecários estejam dispostos a enfrentar
novas experiências para ter o domínio das novas ferramentas, aproveitando as oportunidades
que surgem no mundo virtual.
Para os autores Zagari e Serra (2005, p. 155) “O indivíduo se articula com outros
indivíduos através da tecnologia, em comunidades virtuais de interesses específicos, repetindo
um modelo de sociabilidade já existente, que separa e agrega, agora numa dinâmica dominada
pela tecnologia das redes”.
As ferramentas colaborativas disponíveis na Web 2.0 permitem a criação de ambientes
com interação espaço-temporal possibilitando a troca de informação, conhecimento, com
flexibilidade e agilidade. Portanto, são ambientes onde os usuários são protagonistas e
criadores. O conceito de Web 2.0 surgiu em 2004, mais dinâmica e interativa, ocorrendo à
criação, seleção e troca de conteúdos em plataformas abertas. Os arquivos disponíveis nas
nuvens são acessíveis a qualquer momento e as atualizações ou alterações são realizadas
automaticamente; desta forma, a Web 2.0 pode ser entendida como uma consequência da
expansão da web de prática comunicativa para um espaço colaborativo, de interação e
participação comunitária (BLATTMAN; SILVA, 2007, p. 197).
Criar, participar e compartilhar são ações que o usuário da web 2.0 pode fazer
com a mesma facilidade com que pode comprar uma revista em uma livraria. A
interação é o novo lema da web e os sítios estão cada vez mais participativos,
deixando que a opinião do usuário decida o rumo a ser tomado pelos
administradores. (JESUS; CUNHA, 2012, p. 113).

A comunicação influenciada pela tecnologia tem características próprias e
diferenciadas, rompendo padrões e criando novas formas de se comunicar, de forma dinâmica
e inovadora:
A tecnologia digital rompe com as formas narrativas circulares e repetidas da
oralidade e com o encaminhamento contínuo e sequencial da escrita e se apresenta
como um fenômeno descontínuo, fragmentado e, ao mesmo tempo, dinâmico,
aberto e veloz. Deixa de lado a estrutura serial e hierárquica na articulação dos
conhecimentos e se abre para o estabelecimento de novas relações entre conteúdos,
espaços, tempos e pessoas diferentes. (KENSKI, 2010, p. 32).

A interatividade que a comunicação tecnológica trouxe, quebra barreiras geográficas
fazendo com que grupos que tenham interesses em comum troquem informações e se
comuniquem em tempo real:

4642

�[...] a comunicação mediada por computadores possibilita o diálogo em tempo
real, reunindo pessoas com os mesmos interesses em conversa interativa
multilateral, por escrito. Respostas adiadas pelo tempo podem ser superadas com
facilidade, pois as novas tecnologias de comunicação oferecem um sentido de
instantaneidade que derruba as barreiras temporais [...]. (CASTELLS, 2009, p.
553).

Portanto, o compartilhamento de informações com o uso de ferramentas
comunicacionais aliadas às tecnologias, trouxe um impacto positivo na sociedade, criando
novas formas de interação social em ambientes distintos com resultados promissores. O
ambiente virtual tornou-se também social, local este destinado à troca de informações e
geração de conhecimento, bem como um ambiente de aprendizagem no campo educacional.

2.2 Grupo de Normas Técnicas Documentais da Unesp

O Grupo de Estudos de Normas Técnicas Documentais da Unesp foi criado em 2001,
constituído por doze bibliotecários das diversas áreas do conhecimento e tendo como
atribuição, analisar, padronizar, orientar, divulgar, atualizar e elaborar normas de
documentação da produção científica da Unesp, e, ainda, estabelecer intercâmbio com grupos
de trabalhos semelhantes de outras Instituições de Ensino Superior (IES) e com a Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
O grupo teve como primeiro trabalho a organização de uma publicação, com modelos
baseados na NBR 6023: 2002, a partir das demandas existentes detectadas pela rede de
bibliotecas. Esse trabalho foi realizado a partir de uma divisão de tarefas, e algumas reuniões
presenciais para discussão e deliberação do documento. Nesse primeiro trabalho, a
comunicação principal foi o correio eletrônico, além de telefones fixos.
Hoje o Grupo de Estudos de Normas Técnicas Documentais da Unesp é constituído
por dez bibliotecários de diversas localidades e unidades e tem como responsabilidade o
atendimento às questões de normalização técnica de documentação, relacionadas às mais
variadas normas vigentes, com ênfase nas da ABNT, utilizadas pela comunidade acadêmica
da Unesp. Além disso, em conjunto com a CGB, o grupo é responsável por promover a
educação continuada do profissional bibliotecário da rede de bibliotecas da Unesp.
Nesses anos o trabalho do grupo foi evoluindo e alterando seus componentes, num
processo dinâmico, e, a partir do aparecimento das novas tecnologias de informação e
comunicação, foram sendo incorporadas novas formas de comunicação e dinâmicas de
trabalho, permitindo que cada membro possa ficar em sua sala ou escritório, sendo

4643

�desnecessário o deslocamento a grandes distâncias, gerando economia para a instituição, com
relação a transportes, diárias e tempo.

2.3 Uso de tecnologias pelas gerações baby boomer, X, Y e Z

As diferentes ferramentas foram paulatinamente incorporadas pelo grupo de trabalho,
composto por diversas gerações, majoritariamente pertencentes às gerações baby boomer, X,
alguns da Y e Z, que são descritas por Carvalho (2012).
Surgida após o fim da Segunda Guerra Mundial, a Geração Baby Boomer é constituída
por pessoas que se caracterizam por gostarem de um emprego fixo e estável. No trabalho,
valorizam o tempo de serviço, preferem ser reconhecidas pela sua experiência à sua
capacidade de inovação, se adaptam facilmente nos ambientes organizacionais e o ponto de
interesse é a competitividade e sucesso profissional.
A Geração X surge em meados da década de 60 estendendo-se até o final dos anos
1970; portanto, surge já fazendo uso dos recursos tecnológicos. No meio profissional a
Geração X é caracterizada atualmente por certas resistências em relação a tudo que é novo,
além de apresentar insegurança em perder o emprego para pessoas mais novas e com mais
energia. As pessoas da geração X são pragmáticas, sensatas e independentes.
A Geração Y surge na década de 80. Os indivíduos dessa geração presenciaram os
maiores avanços na tecnologia, possuem capacidade em fazer várias atividades ao mesmo
tempo, como ouvir música, navegar na internet, ler os e-mails. Vivem em busca de novas
tecnologias, estão sempre conectados, compartilham fotos e informações pessoais entre várias
outras que, em tese, não atrapalham os seus afazeres profissionais. A Geração Y está inserida
num contexto em que as distâncias foram diminuídas pelas novas tecnologias, como a internet
e a videoconferência. São ambiciosos, prezam o reconhecimento e a identificação de seu
talento e capacidade, além de desejarem rápida evolução na carreira.
A Geração Z, os nativos digitais , também conhecidos por Geração Digital, são grupos
de indivíduos nascidos a partir de 1991; na maioria, não imaginam sua existência sem
computador ou celular, desde cedo convivem com os mais diversos equipamentos eletrônicos,
pois já nasceram em rede.
O conhecimento do grupo foi se consolidando com o auxílio das gerações mais novas,
a geração Y e os nativos digitais, a geração Z, internos e externos ao grupo, corroborando
com Carvalho (2012, [p.1]).

4644

�[...] a empresa do futuro se apresentará como aquela que será capaz de
conciliar diferentes gerações em um mesmo ambiente de trabalho, extraindo o
que cada profissional tem de melhor e equilibrando os potenciais individuais
em função do bem estar coletivo.

Algumas dificuldades foram superadas gradativamente pelas diversas gerações no uso
das ferramentas colaborativas.

3 Materiais e Métodos

A seguir são apresentadas as ferramentas colaborativas utilizadas no processo de
comunicação pelo Grupo de Estudos de Normas Técnicas Documentais.
A primeira ferramenta utilizada foi a mais simples, fácil e já tradicional de se usar, o
correio eletrônico. O e-mail surgiu com o aparecimento da internet, foi criado por Ray
Tomlinson, um programador dos Estados Unidos em 1971 e significa electronic mail (correio
eletrônico) (KARASINSKI, 2009). Com o aumento na velocidade da internet e melhoria na
interface, o e-mail passou a ser utilizado também no trabalho, pois se tornou o meio mais ágil,
simples e de baixo custo para comunicação principalmente a longa distância. Originalmente
criado apenas para troca de mensagens, atualmente os e-mails possuem grande capacidade de
armazenamento de documentos, filtros e diversas funções que o complementam como editor
de texto, organização em pastas e chat.
Foi criado um endereço único institucional para o grupo em que, quando uma
mensagem é enviada, todos os membros recebem em seus endereços institucionais
individuais. Inicialmente foi utilizada esta ferramenta para detectar as demandas relativas a
normas técnicas documentais, tais como sugestões, dúvidas, questionamentos etc. O E-mail
ainda permanece como principal meio de comunicação entre os membros, bem como para
atendimento de dúvidas dos bibliotecários da rede de bibliotecas. A partir dessas questões
enviadas está sendo elaborada uma lista de perguntas frequentes, a Frequently Asked
Questions (FAQ) que serão disponibilizadas no site da CGB.
Na sequência do trabalho, foi elaborado um questionário utilizando-se a ferramenta
formulário do Google Drive. O Google Drive é um serviço de armazenamento de arquivos
que permite o acesso de qualquer lugar em diversos tipos de dispositivos eletrônicos,
permitindo a sincronização de arquivos do computador com a nuvem a partir do download do
Google Drive no dispositivo (GOOGLE, [2014?]). Os tipos de arquivos que podem ser
armazenados são os mais diversos, como documentos, folhas de cálculo e apresentações. O

4645

�Drive se destaca pela colaboração, pois permite o compartilhamento dos arquivos para grande
número de pessoas e a alteração dos documentos simultaneamente.
Foi criada uma conta no Google Drive para armazenar todos os documentos do grupo,
textos pertinentes, atas, questionários etc., organizados em pastas virtuais, e um arquivo de
trabalho disponibilizado de forma que cada membro pudesse participar, atualizando, incluindo
sugestões e interagindo em tempo real. Essa ferramenta tornou possível a realização do
trabalho a distância de forma conjunta pelos 10 integrantes do grupo, incluindo a elaboração
deste artigo e a exploração de novas ideias, usadas com vistas ao desenvolvimento do manual
de normas de documentos que deverá ser lançado futuramente. O aprendizado no uso desta
ferramenta foi heterogêneo no grupo, construído paulatinamente, considerando as diferentes
gerações e habilidades individuais dos membros.
Outro importante recurso do Drive é o formulário que permite a criação de
questionários para publicação na web ou envio por e-mail para usuários do google, que
podem inclusive editá-lo. A facilidade está na tabulação dos dados, pois as planilhas e
gráficos são gerados automaticamente.
O questionário, criado a partir do formulário do Google Drive, foi enviado para todas
as bibliotecas da universidade com o intuito de coletar informações sobre os serviços
realizados em cada Biblioteca da universidade, quanto a interesse em treinamentos, recursos
didáticos e metodológicos utilizados e tecnologias utilizadas para divulgação e atendimentos
na padronização da normalização documentária. Após a compilação dos dados e para a
descrição e representação gráfica dos dados coletados, foram elaboradas planilhas eletrônicas
e gráficos para melhor entendimento e visualização, utilizando-se o recurso do próprio
Google Drive. Essa atividade visou a compilação dos principais materiais sobre normalização
elaborados pelas bibliotecas da Unesp para inseri-los no site da CGB, com o objetivo de
padronizar e facilitar a consulta pelas bibliotecas e pela comunidade.
Para as reuniões de trabalho foi adotado o uso do sistema de videoconferência da
universidade, aproximando os 10 membros do grupo pertencentes a unidades em diferentes
localidades (Figura 1) e agilizando o planejamento de trabalho, as dúvidas, as deliberações e
divisões de tarefas.

4646

�Figura 1- Unidades que compõem o Grupo

Fonte: Mapa disponível no site da Universidade Estadual Paulista (2014), adaptado por
Cristina Maia.

As salas de videoconferência da Unesp foram construídas para a realização de
reuniões à distância com o intuito de diminuir os gastos com número de viagens de
funcionários da instituição. As salas são equipadas com microfones, monitores, câmera, mesa
e cadeiras. Com relação ao seu funcionamento:
Todos os equipamentos funcionam integrados a um sistema de automação,
esse mecanismo liga todos os componentes, dispensando a presença de um
técnico durante reunião. Foram adquiridos equipamentos para criação de 37
salas, o calendário das reuniões é controlado pela Assessoria de Informática
da Reitoria e pode visualizado na intranet do site da Universidade Estadual
Paulista - Unesp
(UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA, 2011,
[p.1]).

Esta ferramenta está sendo amplamente utilizada pela universidade como recurso para
reuniões a distância em substituição às presenciais. O agendamento central é feito pela reitoria
através de um sistema online, com uma agenda pública de fácil acesso. Os agendamentos são
realizados pelo grupo com antecedência, seguindo o planejamento anual de reuniões definido
no início de cada ano, buscando conciliar a disponibilidade dos membros com a agenda dos
sistemas das unidades e da reitoria. Essa ferramenta tornou possível a realização do trabalho a
distância, de forma conjunta, e, associada ao uso do Skype nas reuniões, explorou-se novas
ideias, resultando no avanço de alguns trabalhos já realizados e de outros ainda em
desenvolvimento.
O Skype é uma ferramenta que surgiu em 2003 e desde 2011 pertence à Microsoft.
Atualmente é um dos recursos mais utilizados para comunicação via internet, pois possui

4647

�algumas funções gratuitas como chamadas com vídeo e voz para outro usuário Skype,
compartilhamento de arquivos, como vídeos e documentos, chat e compartilhamento de tela.
Além disso, possui funções pagas como chamadas nacionais e internacionais para telefones
celulares e fixos. (SKYPE, c2014). Para uso do Skype é necessário fazer uma instalação e
criar uma conta de usuário gratuitamente pelo site oficial. O Skype é, atualmente,

a

ferramenta mais utilizada para as reuniões do grupo , pois permite que cada membro
permaneça em sua sala de trabalho, proporcionando comodidade e agilidade na comunicação.
Criou-se, também, um grupo secreto no Facebook para comunicações diversas como
reuniões e envio de links de informações e novidades da área de normas para documentação,
alcançando a todos com facilidade e interatividade, acesso a qualquer momento nos diferentes
tipos de dispositivos, como celulares, tablets, notebooks. O Facebook é uma rede social,
criado por Mark Zuckerberg, Dustin Moskovitz e Chris Hughes, lançado em 2004 na
universidade americana de Harvard, cujo primeiro objetivo era estabelecer uma rede de
contatos dos novos universitários e que atualmente funciona através de perfis pessoais e
comunidades em que somente pessoas pertencentes à mesma rede possam ver ou partilhar
informações (RECUERO, 2009, p. 172). Atualmente o Facebook é a rede social mais
conhecida e possui milhões de internautas conectados. Para ter acesso é necessário criar um
perfil ou página e a partir daí adicionar amigos, fotos, criar eventos, inserir notícias e
mensagens.

4 Resultados Finais

As formas de comunicação e as ferramentas que o grupo escolheu para utilizar
trouxeram agilidade no andamento dos trabalhos, tornando-os visíveis e interativos. Ganhouse instantaneidade na comunicação entre os membros bem como no tempo de resposta ao
atendimento das dúvidas de normalização apresentadas ao grupo pelos bibliotecários da Rede
de Bibliotecas. A necessidade de redução dos custos com as reuniões presenciais foi a razão
que levou o grupo a optar pelo uso das novas tecnologias de informação, o que resultou em
agilidade para o atendimento às demandas e na geração de novas informações e produtos para
a Rede de Bibliotecas da Unesp.
Durante o processo foi necessário o desenvolvimento de competências no uso das
ferramentas escolhidas, num aprendizado construído em conjunto, aproximando e unindo os
membros.

4648

�O termo competência está relacionado à capacidade de bem realizar uma
tarefa, ou seja, de resolver uma situação complexa. Para isso, o indivíduo
deverá dispor de recursos necessários para serem mobilizados, com vistas a
resolver a situação na hora em que ela se apresenta.(COELHO, 2011, p. 172).

Considerando a definição acima, visando superar problemas já expostos, as vantagens
do uso de tecnologias e a adoção da forma de trabalho a distância proporcionaram o
desenvolvimento de competências técnicas de informática relacionadas ao uso das TICs pelo
grupo, por meio da prática e aplicação no ambiente organizacional. Além disso, foram
desenvolvidas competências comportamentais, pois tal forma de trabalho tem permitido que o
grupo desenvolva qualidades como criatividade, paciência e flexibilidade no trabalho em
equipe.
Portanto, o Grupo aprendeu a trabalhar junto no ambiente virtual em diferentes
horários, usando as ferramentas separadamente ou de forma combinada, permitindo superar
as distâncias físicas, agilizar decisões, escrevendo e compartilhando informações em tempo
real, pois as novas tecnologias permitem que se modifique a forma de trabalhar podendo
manter-se em comunicação permanentemente e à distância (RICCARDI et al., 2009). Foram
diversos momentos de estudo, tentativas e exploração das ferramentas, tanto individual como
coletivamente, pois alguns membros do grupo apresentaram dificuldade quanto à
manipulação de algumas ferramentas, como edição de documentos no Google Drive e uso do
Skype. Com relação ao Drive, houve dificuldades desde o acesso à conta no gmail como
localizar o documento para a revisão. No que se refere ao Skype, os problemas foram mais
relacionados ao áudio, sincronização de horários e pontualidade.
Podemos constatar que a comunicação com o uso de ferramentas tecnológicas
propiciou uma série de vantagens para o grupo de trabalho. A experiência nos mostrou que
trabalhar em ambientes virtuais com o uso de ferramentas colaborativas requer novas formas
de relacionamentos e interação social, sendo uma nova tendência nas organizações que traz
inúmeros benefícios. Dessa forma, foi possível constatar um crescimento considerável do
Grupo de Estudos de Normas Técnicas Documentais em relação aos encontros e reuniões, aos
trabalhos desenvolvidos, e, à participação dos membros no trabalho em equipe.

5 Considerações Finais

O uso das tecnologias permitiu uma nova forma de trabalho em rede, e, o ambiente
virtual propiciou a construção da aprendizagem coletiva, resultando na colaboração e

4649

�contribuição entre os membros e, ainda, no desenvolvimento de competências na utilização de
novas ferramentas.
É fundamental que o profissional da informação esteja disposto a trabalhar em equipe,
ter disposição em aprender, buscar constantemente e compartilhar informações no ambiente
de trabalho, visando o aprimoramento profissional, acompanhando a evolução da internet e
sua transição para a terceira geração. Também denominada web 3.0, a terceira geração surgiu,
segundo Gil (2014), na passagem de uma Sociedade da Informação para a Sociedade do
Conhecimento; a web 3.0 também é conhecida como Web Semântica, em contexto em que há
uma humanização das TICs, otimizando o uso dos recursos tecnológicos. Sendo assim, para a
continuidade desta forma de trabalho, é imprescindível haver um ambiente colaborativo, e
ainda, avaliar as ferramentas utilizadas à medida que surjam novas tecnologias pelo
dinamismo das mudanças, das necessidades e rotinas de trabalho e que, sobretudo, auxiliem
no desenvolvimento de novos produtos.

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em: 24 abr. 2014.
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA. Unidades. São Paulo, 2014. Disponível em:
&lt;http://www.unesp.br/portal#!/unidades/&gt;. Acesso em: 9 maio 2014.
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&lt;http://www.scielo.br/pdf/rap/v42n5/a05v42n5.pdf&gt;. Acesso em: 12 abr. 2014.
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4652

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                <text>Este trabalho traz a experiência do Grupo de Estudos de Normas Técnicas Documentais da Universidade Estadual Paulista na utilização de ferramentas de tecnologias de informação e comunicação (TICs) para o atendimento às suas finalidades e construção do conhecimento num ambiente virtual, usando ferramentas colaborativas disponíveis na Web 2.0. Aborda o aprendizado no decorrer do processo, o desenvolvimento das competências e a criação deste trabalho diante da limitação dos recursos financeiros. Dentre as ferramentas utilizadas destacam-se o uso do Skype, Videoconferência, E-mail, Google Drive e Facebook, que possibilitaram uma maior interação de comunicação entre os membros. Os resultados foram satisfatórios, possibilitando melhor aprendizado no uso das tecnologias, encurtando distâncias, reduzindo custos e trabalho em equipe em tempo real. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

USANDO O BLOG PARA PROMOVER SERVIÇOS NA BIBLIOTECA
UNIVERSITÁRIA

Patrícia Silva
Alex Salustino Silva

RESUMO
As ferramentas de Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC), principalmente o blog,
trouxeram melhorias e continuam a transformar a maneira de como as pessoas podem utilizar
a informação, quer seja na sua disseminação, quer seja no seu compartilhamento. Trazendo
para o contexto das bibliotecas universitárias, é importante pensar no que essa ferramenta da
Web 2.0 tem auxiliado ao longo do tempo, e pode auxiliar cada vez mais, visto que tantos os
profissionais bibliotecários e as bibliotecas se utilizam do blog para manter a comunidade
informada sobre os seus serviços, trazendo consigo a interação e a colaboração entre os
profissionais e os usuários. Nessa perspectiva, observamos que a Biblioteca Setorial do
Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), foco de nosso
trabalho, não possuía nenhuma ferramenta tecnológica para a interação e o compartilhamento
de informações com os seus usuários. Assim, nosso objetivo de pesquisa foi compreender o
blog como uma ferramenta que promove serviços, e ao mesmo tempo propor a criação e
implantação do mesmo na biblioteca pesquisada, verificando o grau de conhecimento dos
usuários da Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal da
Paraíba acerca das ferramentas da Web 2.0. Utilizamos na pesquisa a abordagem exploratória
e descritiva, de natureza qualitativa, como método: a pesquisa-ação, pois essa consiste no
entendimento da pesquisa inserida na ação, porque os atores envolvidos participaram em
conjunto com o pesquisador, a fim de elucidar a realidade em que estavam inseridos.
Observamos que com a implantação do blog na Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da
Saúde da Universidade Federal da Paraíba será possível envolver a comunidade acadêmica na
interação e colaboração por meio da troca de informações.
Palavras-chaves: Blog. Biblioteca Universitária. Serviços.

ABSTRACT
The tools of Technology of Information and Communication (TIC), especially the blog,
brought improvements and continue to transform the way how people can use the
information, whether in its dissemination, either in your sharing. Bringing the context of
university libraries, it is important to think about what this Web 2.0 tool has helped over time,
and can aid increasingly seen so many professional librarians and libraries are using the blog
to keep the community informed about their services, bringing the interaction and
collaboration between professionals and users. In this perspective, we observe that the
Sectoral Library Sciences Center Health, Federal University of Paraíba (UFPB), the focus of
our work, had no technological tool for interaction and information sharing to it is users .
Thus, our research goal was to understand the blog as a tool to promote services, while

4621

�proposing the creation and implementation of the same in the screened library, checking the
degree of knowledge of users of Sector Center Sciences Health Library in the Federal
University of Paraíba about Web 2.0 tools. Used in the exploratory and descriptive research
approach was qualitative, as a method: action research, because this is the understanding of
the research included in the action, because the actors involved participated together with the
researcher in order to elucidate the reality they were inserted. We note that with the
implementation of the Sectoral Library Sciences Center Health, will be possible to involve the
academic community in interaction and collaboration through exchange of information.
Keywords: Blog. University Library. Services.

1 Introdução
O surgimento das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) melhorou a forma
de trabalhar com a informação, disso ninguém tem dúvida. Atualmente, todos nós
dependemos dos serviços oferecidos pelas TIC, que podem envolver a comunicação por meio
de redes de computadores, dispositivos móveis, entre outros. Ao longo dos anos, percebeu-se
também a necessidade de agregar ferramentas que viessem a contribuir como meio de
disseminação de informações para o público, e também pudessem servir como ponte de
interação e colaboração entre os participantes.
Os blogs são umas dessas ferramentas, pois contribuem para que a informação seja
disseminada de maneira rápida e sempre atualizada para um maior público possível. Trazendo
para o contexto da Biblioteconomia é importante pensar no que essa ferramenta da Web 2.0
tem auxiliado ao longo do tempo e pode auxiliar cada vez mais, visto que tantos os
profissionais bibliotecários e as Bibliotecas se utilizam do blog para manter a comunidade
informada sobre os seus serviços, trazendo consigo a interação e a colaboração entre os
profissionais e os usuários.
O blog junto com as bibliotecas consegue atender a dois pontos de uma vez
só, pelo lado das bibliotecas levam as informações de instituição aos
usuários e por parte dos usuários ajuda tanto na relação com as novas
tecnologias, com a biblioteca e auxilia também no próprio crescimento
pessoal, minimizando a larga fenda que existe entre os que têm acesso a
informação e os que têm menos acesso, ou até mesmo os excluídos
(COSTA, 2011, p. 10).

Com tantos recursos tecnológicos para promover uma rápida disseminação da
informação, é de fundamental importância que as Bibliotecas agreguem em si esses recursos.
Observamos que a Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da Saúde da Universidade
Federal da Paraíba (UFPB), foco de nosso trabalho, não possuía nenhuma ferramenta

4622

�tecnológica para a interação e o compartilhamento de informações com os seus usuários.
Assim, nosso objetivo de pesquisa foi compreender o blog como uma ferramenta que
promove serviços, e ao mesmo tempo propor a criação e implantação do mesmo na biblioteca
pesquisada, verificando o grau de conhecimento dos usuários da Biblioteca Setorial do Centro
de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba acerca das ferramentas da Web 2.0.

2 Web 2.0
Com os avanços e o surgimento dessa nova Web, a qual se conhece como Web 2.0, a
possibilidade de interação no acesso as informações se tornou algo real. O espaço da Web 2.0
atualmente propicia novas maneiras de acessar as informações, contribuindo também na sua
disseminação. “Assim, esse termo foi cunhado em referência à proliferação de aplicativos
Web altamente interativos, incluindo as redes sociais, blogs, streaming media, agregadores de
conteúdo, wikis, e outros” (BRITO; SILVA, 2010, p. 2-3).
Na Web 2.0 contemplamos um espaço que agrega em si a interatividade e a
colaboração no que diz respeito à participação da disseminação de informações.
Deparamos atualmente, com inúmeras ferramentas na Web, que nos chamam
a atenção, e que servem para criar e gerir conteúdos. Quase todos nós, que
necessitamos de informações atualizadas já utilizamos diversas ferramentas
e softwares denominados “sociais”, blogs, folksonomias, wikis, RSS, entre
outros que povoam a Web 2.0. As tecnologias da informação e comunicação
e mais recentemente o surgimento da Web 2.0 possibilitaram aos usuários da
Internet maior liberdade para a produção de conteúdo. Qualquer usuário
pode criar, publicar, comentar ou editar certos conteúdos disponíveis na
Internet. Essa flexibilidade possibilita a colaboração e difusão rápida de
informações e idéias de cada indivíduo (SANTOS; ROCHA; AZEVEDO,
2011, p.3).

Com o seu surgimento (da Web 2.0), esta possibilitou aos profissionais e usuários a
oportunidade de desempenharem papel significativo no contexto da Internet por meio das
diversas ferramentas que estão incorporadas em sua estrutura, tornando o ambiente mais
dinâmico e participativo.
Nas ultimas décadas, com as profundas transformações decorrentes da
evolução das tecnologias, e a velocidade da Internet tem levado as pessoas a
repensar as formas de comunicação. Então podemos dizer que a Internet é
um desses modelos de comunicação que estimula o seu uso na difusão
social. Na qual à tecnologia, em particular a Web 2.0 possui redes que ligam
os indivíduos com muita velocidade numa interação social. A web é um
espaço interativo que possibilita os usuários modificarem os conteúdos. Eles
podem ser construídos e atualizados em qualquer computador a todo o
momento. Suas primeiras versões eram apenas para registrar as leituras que
os usuários faziam em suas navegações pela rede. Hoje servem como diário
pessoal, onde a linguagem usada é informal, comportam fotos, músicas e

4623

�outros materiais, têm estrutura leve, textos em geral breves, descritivos e
opinativos, além de possuir uma abertura para receber comentários, porque
são comunicativos e participativos (MACIEL et. al., 2010, p.2).

O que antes se restringia ao físico, agora também se encontra no digital, pois há um
espaço onde todos podem estar unidos (profissionais bibliotecários, usuários, bibliotecas).
Os usuários atualmente, por meio da Web 2.0, tem a oportunidade de serem os
próprios colaboradores. Eles podem sugerir mudanças nos espaços que lidam com a
informação, podem aplicar os seus pontos de vista em relação a diversos assuntos aguardando
objetivando melhorias para os mesmos.
Levando em questão estas características e anexando-as às atividades
desenvolvidas nas bibliotecas, em especial nas bibliotecas universitárias,
pode-se afirmar que a Web 2.0 vem a ser uma verdadeira aliada no processo
de interação entre bibliotecários e os usuários que já fazem uso deste
mecanismo em outros ambientes virtuais, que não seja só o da biblioteca
(BRITO; SILVA, 2010, p. 2).

Por meio dessa relação com a Web 2.0, a biblioteca, o bibliotecário e o usuário estarão
caminhando rumo a um maior desenvolvimento na disseminação da informação. Isso ocorre
porque a Web 2.0 traz em si algo útil e importante: a interatividade. Essa é uma forma de
manter o espaço informacional sempre em desenvolvimento. Se forem encontrados problemas
ou se o momento sugerir o reconhecimento da biblioteca e sua estrutura como um todo, seu
atendimento, serviços, dentre outros, tudo isso se torna possível na Web 2.0. Sendo assim, os
resultados serão satisfatórios para ambos.
Os recursos que compõem a Web 2.0, em conjunto com suas características
como a interatividade e o dinamismo podem ser utilizados no Serviço de
Referência das bibliotecas, ampliando as possibilidades de interação e
estreitando o relacionamento entre o bibliotecário e o usuário, permitindo o
compartilhamento de informações, esclarecimento de dúvidas, a troca de
idéias e facilitando o processo de disseminação da informação sem que,
necessariamente, o usuário precise estar no espaço físico da biblioteca para
que isto ocorra (PEREIRA; CARVALHO, 2012, p. 103).

É importante pensar no usuário estando satisfeito com os serviços oferecidos pela
biblioteca. Se existem as ferramentas da Web 2.0 no ambiente, então é importante utilizá-las
com o objetivo de que o usuário esteja vinculado à biblioteca.
Essa interatividade cria maneiras mais desenvolvidas de fazer com que as bibliotecas
sejam conhecidas e reconhecidas, a partir da agregação das ferramentas da Web 2.0, estas
passam a se destacar, pois os usuários que constantemente estão se envolvendo com a Web
por meio das redes sociais, como por exemplo, também querem encontrar informações acerca
das bibliotecas de forma rápida e simples. Esse espaço surge como um ambiente onde é

4624

�possível tanto a biblioteca, o bibliotecário quanto os usuários manterem vínculo
informacional.
Dentro da Web 2.0 encontramos diversas ferramentas que auxiliam na disseminação
das informações e proporcionam a interatividade e a colaboração. Como exemplo podemos
falar em: Microblogs, Wikis, Redes Sociais, Instant Messenger, Bookmarking Social,
Streaming Media e os Blogs, foco de nosso trabalho.

3 Blogs em Bibliotecas
Os blogs mudaram o modo de como as pessoas podem expressar opiniões, fazer
comentários acerca de determinados assuntos e manter um grande público atualizado sobre
estes assuntos. No caso das empresas, seu foco está direcionado as vendas, logo, estas
publicam informações sobre seus produtos com o objetivo de desenvolverem o seu mercado.
O termo blog foi criado por Jorn Barger em 1997, considerado o primeiro
blogueiro da história. Na época ele criou um site pessoal onde publicava
diversos links que achava interessante organizado em categorias como arte,
diversão, ciências e história. Hoje, sua estrutura permite a atualização rápida
a partir de acréscimos de tamanho variável, chamados "posts". Estes são, em
geral, organizados de forma cronológica inversa, costumam abordar a
temática do blog e podem ser escritos por um número variável de pessoas.
Pouco tempo depois surgiram empresas que lançaram softwares
desenvolvidos para automatizar a publicação em blogs (COSTA, 2011, p. 4).

Possuir um blog na atualidade é uma tarefa simples, mas apesar da facilidade, nem todas as
pessoas tem realmente o interesse nessa ferramenta de disseminação de informações. Mantêlo em funcionamento é tarefa para poucos.
Desde 1997, data em que o termo weblog foi apresentado pela primeira vez,
e posteriormente em 1999 quando passou a ser conhecido apenas como blog,
essa ferramenta se faz presente no dia-a-dia de internautas do mundo todo e
vem sendo aperfeiçoada e usada de forma dinâmica. Os blogs podem ser
assim classificados: pessoais (em forma de diários); filtro (o autor seleciona
informações do seu interesse e disponibiliza os links); temáticos (tratam de
assuntos específicos); corporativos (utilizados para a colaboração dentro de
organizações), entre outros (ARAÚJO, 2010, p. 203 - 204).

O blog possibilita ao seu administrador oportunidades de se inserir em determinados
ambientes digitais, abordando temas de seu interesse, expondo suas opiniões, contribuindo
para a existência de um vínculo informacional entre ele e outros usuários.
O blog pode ser dinâmico, agregando um bom conteúdo, com uma interface atrativa,
com cores que o destaquem e com recursos que lhe tornem um veículo de interação e
expansão de informações.

4625

�Ressaltando uma de suas principais funcionalidades, aborda-se aqui a
facilidade com que esses blogs são criados, fazendo uso apenas de um e ­
mail, e a partir daí pode-se criar uma conta, fornecendo uma senha e depois é
só postar as informações, dentre elas em imagens, vídeos, links slides etc.,
que serão compartilhadas á aqueles que a procuram. Surge também como um
meio de pesquisa entre os mesmos, destaca-se a capacidade que o blog
possui de armazenamento de comentários feitos entre os usuários, tendo em
vista o objetivo de contribuição para uma melhor interação entre autor/ leitor
(OLIVEIRA; SANTOS, 2011, p. 2).

A partir do momento que as bibliotecas passaram a incorporar o blog aos seus
serviços, houve uma contribuição para que estas atendessem as necessidades de informação
por parte da comunidade. O profissional bibliotecário deve estar inteirado sobre as inovações
disponíveis na ferramenta blog, e ainda que ele não conte com uma grande equipe de apoio,
deverá estudá-la a fim de atrair um público assíduo à biblioteca.
O uso das tecnologias de comunicação e informação (TICs) em ambientes
das bibliotecas universitárias (BUs) é uma evolução natural destes espaços
de conhecimento acadêmico. Bibliotecas passaram do manejo de catálogos
manuais para sistemas bibliográficos automatizados; dos conteúdos
impressos divulgados nos murais das instituições para as home-pages
estáticas, e agora usufruem da oportunidade de, novamente, oferecerem, por
meio das plataformas tecnológicas presentes na geração Web 2.0, formas
novas de tratamento, organização, disseminação e recuperação de
informações; de interação com o usuário (AGUIAR; SILVA, 2010, p. 1 - 2).

A seguir, nas figuras 1, 2, 3, 4 e 5, exemplos de blogs em Bibliotecas.

Figura 1 - Página inicial do Blog da Biblioteca da FAUUSP.

Fonte: http://bibfauusp.wordpress.com /

4626

�Figura 2 - Página inicial do Blog da Rede Sirius.

Fonte: http://redesirius. blogspot. com. br/

Figura 3 - Página inicial do Blog da Biblioteca Central de Ribeirão Preto/USP.

Blog da Biblioteca Central de
Ribeirão Preto/USP

Fonte: http://blogbcrp. blogspot. com. br/

Figura 4 - Página inicial do Blog da Biblioteca ICE - UFJF.

Fonte: http://bibliotecaice.w ordpress.com /

4627

�Figura 5 - Página inicial do Blog da Biblioteca da FEAAC/UFC.

+ DE 60 DOCUMENTÁRIOS SOBRE
A MÚSICA BRASILEIRA PARA
•ASSISTIR DF. GRAÇA

mmm

Fonte: http://bibliotecadafeaacs.wordpress.com /

4 Metodologia
O objeto de pesquisa de nosso trabalho foi a Biblioteca Setorial do Centro de Ciências
da Saúde da Universidade Federal da Paraíba, fundada no ano de 2008. Esta biblioteca
setorial originou-se de uma biblioteca de Odontologia. A Biblioteca recebe cerca de 250 a 300
pessoas diariamente. Não existe uma estatística que forneça o número de usuários cadastrados
por biblioteca, pois não se cadastra o usuário em biblioteca especifica, e sim no Sistema de
Biblioteca da UFPB.
O seu acervo é composto de 147 títulos de livros, 4536 exemplares, 494 títulos de
periódicos e 7126 fascículos de periódicos. Os periódicos são em sua grande maioria de
Odontologia, até porque esta biblioteca setorial originou-se de uma biblioteca de Odontologia.
Os cursos que fazem parte desse acervo são: Nutrição, Odontologia, Enfermagem, Terapia
Ocupacional, Fonoaudiologia, Fisioterapia, Farmácia e Educação Física, mas a grande
maioria é de 80% referente à área de Odontologia525.
Conduzimos esta pesquisa de acordo com uma abordagem exploratória e descritiva, de
natureza qualitativa, na qual o que se pretendia inserir o blog como ferramenta que
proporcionasse a interação entre os usuários e a Biblioteca.
Utilizamos como método a pesquisa-ação, pois segundo Thiollent (1997, p. 36), a
pesquisa-ação implica em uma percepção de ação, que “requer, no mínimo, a definição de
vários elementos: um agente (ou ator), um objeto sobre o qual se aplica a ação, um evento ou
ato, um objetivo, um ou vários meios, um campo ou domínio delimitado”. Consiste no
entendimento da pesquisa inserida na ação, pois os atores envolvidos participam em conjunto
525 Informações cedidas pelo coordenador da Biblioteca.

4628

�com os pesquisadores, a fim de elucidar a realidade em que estão inseridos (THIOLLENT,
1997).
A pesquisa-ação teve como objetivos centrais a prática dos participantes, a
compreensão e a produção dessa prática, assegurando a participação ativa dos integrantes no
processo e a garantia democrática da ação, a fim de proporcionar o compromisso dos
participantes.
Thiollent (1997, p. 44) considera a existência de fases na pesquisa-ação:
fase exploratória (diagnóstico para identificar um problema); fase principal
(planejamento da ação, considerando as ações como alternativas para
resolver o problema); fase de ação (execução das ações, com seleção de um
roteiro de ações); fase de avaliação (avaliação das consequências da ação).

As atividades foram divididas em três momentos específicos: inicial, médio e final,
conforme descrito abaixo:
Quadro1 - Momentos da pesquisa
INICIAL

MÉDIO
FINAL

Realização de estudos que permitirão o detalhamento/refinamento das etapas e
dos procedimentos metodológicos; Elaboração dos instrumentos de coleta de
dados e a organização da estrutura geral para o desenvolvimento da pesquisa.
Analise dos dados coletados por meio das entrevistas referentes ao conhecimento
dos usuários e da equipe acerca das ferramentas da Web 2.0.
Implantar o blog na Biblioteca visando torná-lo um meio de interação com os
usuários.

Fonte: Dados da pesquisa, 2013.

Para a participação nas situações concretas do contexto da pesquisa foi necessário
elaborar desde instrumentos de coleta de dados referentes à caracterização dos participantes
desta investigação até construir os próprios formulários de identificação do campo. Nesse
sentido, utilizamos formulários com dados de identificação.

5 Análise e Discussão
Primeiramente foi de grande importância conhecer o espaço no qual se pretendia
trabalhar. Nesse caso, o lugar escolhido foi a Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da
Saúde da Universidade Federal da Paraíba.
Para tal, foram realizadas visitas a Biblioteca com o objetivo de conhecê-la, saber o
fluxo de usuários, saber os cursos da área de saúde com os quais a ela trabalha. Em seguida
houve a proposta de um questionário que também envolveria entrevistas. Este seria
direcionado tanto aos usuários quanto aos funcionários visando abordar o seu nível de

4629

�conhecimento acerca das ferramentas da Web 2.0 e que também iria contribuir na construção
do blog.
Para a construção de um blog é importante saber o(s) conteúdo(s) que ele irá
disseminar. O foco do blog da Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da Saúde da
Universidade Federal da Paraíba é disseminar as informações sobre a própria Biblioteca para
os seus usuários e para isso foi necessário saber a opinião destes, que seria um ponto
fundamental para iniciar a sua construção.
Durante três dias, os usuários puderam responder um questionário composto de apenas
4 perguntas que tratavam acerca das ferramentas da Web 2.0, onde eles eram questionados se
as conheciam.
Os questionários foram aplicados em dias alternados no mês de julho de 2013 no
horário da manhã na própria Biblioteca. É importante observar que embora a Biblioteca tenha
uma estatística de 250 a 300 usuários dia, apenas 59 se propuseram a participar da pesquisa.
Estes 59 usuários, estavam divididos, principalmente, nas seguintes graduações: Odontologia,
Terapia Ocupacional, Nutrição e Fisioterapia. A seguir os dados.
Gráfico 1 - Q uestões feitas para o s usuários

**

Fonte: Dados da pesquisa, 2013.

O gráfico 1 mostra as perguntas que foram feitas as usuários. Ao todo foram
entrevistados 59 usuários. A primeira pergunta os questionava sobre seu conhecimento acerca
das ferramentas da Web 2.0 e os 59 usuários responderam que as conhecem. A grande maioria
deles quando questionados sem nenhuma explicação já informavam que não conheciam, mas
logo que ouviam uma explicação mais detalhada, respondiam com maior facilidade. Sobre a
segunda pergunta que fala sobre as ferramentas que os usuários conhecem, o gráfico 2 a
seguir, retrata melhor as respostas. Para a quarta pergunta, o gráfico 3 a seguir, mostrará os
resultados mediante algumas opções de proposta.

4630

�A segunda pergunta referia-se as ferramentas ue eles conheciam (Blogs, Wikis,
Streaming Media, Bookmarking Social, Redes Sociais, Instant Messenger e os Microblogs).
Alguns desses usuários respondiam que as conheciam, mas não as utilizam. A ferramenta que
a maioria não conhece é o flickr que está inserido no Bookmarking Social.
Na terceira pergunta 52 usuários sentem falta das ferramentas da Web 2.0 na
Biblioteca.
Na quarta pergunta os usuários poderiam sugerir as informações que deveriam constar
no blog (livros que fossem adquiridos para o acervo, horário de funcionamento, histórico da
biblioteca, visita guiada, contatos, redes sociais). O histórico da biblioteca e a visita guiada
foram opções menos sugeridas por eles.

Acerca da visita guiada, alguns deles disseram qu seria necessária apenas no caso de
uma biblioteca com um espaço mais amplo. Pelo menos sete usuários sugeriram outros
serviços como, por exemplo, a inserção de ebooks no blog, porém eles foram informados de
que estes recursos requerem permissão dos autores responsáveis pelas obras e devem passar
por uma série de outros critérios que não cabem a esse projeto.

4631

�Esse mesmo questionário foi aplicado aos 7 funcionários da biblioteca, mas apenas
três deles responderam. No caso dos funcionários, o questionário foi encaminhado por e-mail
ao coordenador da biblioteca, e também no formato impresso, contendo opções marcadas
referentes às suas sugestões.
Com os dados em mãos o próximo passo foi escolher a plataforma que o blog seria
construído. Assim, a plataforma utilizada para a construção do blog foi o WordPress. O
WordPress é uma plataforma semântica de vanguarda para publicação pessoal, com foco na
estética, nos padrões web e na usabilidade. O WordPress é ao mesmo tempo um software
livre e gratuito.
É importante salientar que existem várias plataformas para desenvolvimento de blogs.
Essas plataformas são gratuitas e nelas é possível elaborar um blog de qualidade, envolvendo
o layout, gadgets526 e outros recursos.

6 Construção do Blog
Inicialmente foi apresentada ao coordenador da Biblioteca Setorial do Centro de
Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba a proposta de criação do blog,
relatando que esta ferramenta serviria como meio de disseminação das informações da
biblioteca para a comunidade acadêmica. Feita a proposta, e esta, acatada pelo coordenador,
deu-se início a construção.
O blog dispõe de um cabeçalho que envolve três imagens referentes à própria
biblioteca. O título é BIBLIOTECA CCS UFPB. Nele também existe um menu com seis
guias que são opções onde o usuário pode clicar e em seguida será redirecionado a informação
que aquela guia abordará. As guias do menu são as seguintes: início, por dentro da biblioteca,
serviços, acervo, equipe e política de privacidade.
Figura 6 - Cabeçalho do blog da Biblioteca do CCS.

Fonte: http://bibliotecaccsufpb.wordpress.com
526 Pequeno módulo, ferramenta ou serviço que pode ser agregado a um ambiente (tecnológico) maior, como por
exemplo, um blog.

4632

�Ao clicar no botão início, o usuário sempre será redirecionado ao conteúdo inicial do
blog. Clicando em por dentro da biblioteca, ele conhecerá um pouco da biblioteca, sua
história, o ano da sua fundação e irá visualizar algumas imagens.

Figura 7 - Guia Por dentro da Biblioteca.

Fonte: http://bibliotecaccsufpb.wordpress.com/sobr/

Na opção serviços, o usuário confere os serviços que a biblioteca oferece.
Figura 8 - Guia serviços.
Serviços
Pesquisas as bases de dados;
Pesquisas ao acervo;
Empréstimo de materiais;
Solicitação de fichas catalográficas.

Fonte: http://bibliotecaccsufpb.wordpress.com/servicos/

Na guia equipe, estão todos os funcionários que nela trabalham. Na guia acervo, estão
às informações referentes aos números de títulos de livros, exemplares e etc. Na política de
privacidade o usuário observará o padrão de toda e qualquer página de publicação eletrônica
onde proíbe a reprodução de toda e qualquer informação do blog sem citar ao menos o link do
mesmo.

4633

�Na lateral direita do blog, existem as seguintes opções: Pesquise, Postagens recentes,
Blogs importantes, Sites importantes, Postagens por tópicos, Outros arquivos e Visualizações.
São opções que possibilitam a interação no próprio blog. A partir dos links disponíveis
nos Blogs e Sites importantes, o usuário, ao clicar sobre eles, imediatamente será
redirecionado para os sites e blogs neles referidos.
Figura 9 - Gadgets na lateral direita do blog.

Fonte: http://bibliotecaccsufpb.wordpress.com

Figura 10 - Página inicial do blog da Biblioteca CCS UFPB.

Fonte: http://bibliotecaccsufpb.wordpress.com

4634

�O

endereço

eletrônico

do

blog

da

Biblioteca

é

bibliotecaccsufpb.wordpress.com.

7 Considerações Parciais
Observamos que com a implantação do blog na Biblioteca Setorial do Centro de
Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba é possível possibilitar o envolvimento
da comunidade acadêmica na interação e colaboração na troca de informações. Contudo é de
suma importância que haja um treinamento com todo o pessoal, explicando como se dá o
passo a passo do desenvolvimento do blog, desde a criação de uma conta para acessá-lo até a
plataforma para a sua construção, explicando também sobre a sua interface, como elaborar as
postagens e etc. Isso será realizado durante determinado período, até que os funcionários
aprendam a utilizar a ferramenta, mas eles serão os responsáveis pelo blog e pelas suas
atualizações posteriormente.
Blogs em bibliotecas permitem valorizar recursos, disseminar eventos e
valorizar coleções, envolvendo a comunidade e dando-lhe espaço para se
expressar, sublinhando-se a necessidade de novas atitudes e comportamentos
por parte dos profissionais envolvidos. (MACIEL et. al., 2010).

É possível perceber que muitos usuários e profissionais da informação ainda não têm
noção da importância da ferramenta de blog como meio de disseminação da informação. É
importante comunicar aos outros as experiências pessoais da profissão e isso resultará na
agregação de uma comunidade de usuários, seja ela composta por estudantes ou profissionais,
que queiram compartilhar conteúdos e tirar dúvidas sobre questões relacionadas à área.
Através do blog o bibliotecário manterá contato e a interatividade com os
usuários de forma que poderá publicar informações que poderão ser
verificadas constantemente bem como percorrer seus arquivos, de acordo
com a sua vontade. Ao publicar um blog o bibliotecário tem a oportunidade
de mostrar a capacidade que tem o profissional da informação, mudando a
visão que muitos ainda têm da profissão (MACIEL et. al., 2010).

É importante refletir que nem todas as Bibliotecas dispõem dos serviços da Web 2.0,
pois em algumas delas não possuem sequer recursos tecnológicos. Muitas dessas Bibliotecas
não dispõem de computadores e nem de equipe que tenha conhecimento na área da
informática e a dedicação pela mesma para que assim a Biblioteca também esteja trabalhando
em busca da interação, colaboração envolvendo a comunidade.

4635

�6 Referências
AGUIAR, G. A; SILVA, J. F. M. As bibliotecas universitárias nas redes sociais: facebook,
orkut, myspace e ning. In: Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias, 16. Seminário
Internacional de Bibliotecas Digitais - Brasil, 2. Rio de Janeiro. Anais... 2010. Rio de
Janeiro: UFRJ, 2010.
ARAÚJO, P. C. O blog “na era da informação” como ferramenta de compartilhamento de
informação, conhecimento e para a promoção profissional. Revista ACB: Biblioteconomia
em Santa Catarina, Florianópolis, v.15, n.1, p. 201-213 jan./jun., 2010.
BRITO, J. L; SILVA, P. M. Ferramentas da Web 2.0 em Bibliotecas Universitárias: um
estudo de caso. In: Encontro Nacional de Estudantes de Biblioteconomia, Documentação,
Gestão e Ciência da Informação, 33. 2010, João Pessoa. Anais... João Pessoa: UFPB, 2010.
COSTA, M. S. Web 2.0 as vantagens do blog no auxílio ao serviço de referência nas
bibliotecas

públicas.

In:

Encontro

Regional

de

Estudantes

de

Biblioteconomia,

Documentação, Ciência da Informação e Gestão da Informação, 14. 2011, São Luís. Anais...
São Luís: UFMA, 2011.
MACIEL, L. M. B. et al. Blogs em bibliotecas: uma ferramenta para uso no serviço de
informação. In: Encontro Nacional de Estudantes de Biblioteconomia, Documentação,
Gestão, e Ciência da Informação. Os desafios do profissional da informação frente às
tecnologias e suportes informacionais do século XXI: lugares de memória para a
biblioteconomia, 33. 2010, João Pessoa. Anais... João Pessoa: UFPB, 2010.
OLIVEIRA, A. F. N; SANTOS, E. P. Blogosfera: blog como fonte de informação. In:
Encontro Regional de Estudantes de Biblioteconomia, Documentação, Ciência da Informação
e Gestão da Informação: os novos campos da profissão da informação na contemporaneidade,
14. 2011, São Luís. Anais... São Luís: UFMA, 2011.
PEREIRA, E. N; CARVALHO, A. V. A web 2.0 no serviço de referência: análise do uso nas
bibliotecas das universidades federais do nordeste brasileiro. Inf. Inf., Londrina, v.17, n.3, p.
102 - 124, set./dez. 2012.
SANTOS, P. F; ROCHA, S. M; AZEVEDO, C. L. Os blogs nas bibliotecas universitárias
como uma ferramenta de comunicação e fonte de informação para seus usuários. In: Encontro
Regional de Estudantes de Biblioteconomia, Documentação, Ciência da Informação e Gestão
da Informação: Os novos campos da profissão da informação na contemporaneidade, 14.
2011, São Luís. Anais... São Luís: UFMA, 2011.
THIOLLENT, M. Pesquisa-Ação nas organizações. São Paulo: Atlas, 1997.

4636

�</text>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>As ferramentas de Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC), principalmente o blog, trouxeram melhorias e continuam a transformar a maneira de como as pessoas podem utilizar a informação, quer seja na sua disseminação, quer seja no seu compartilhamento. Trazendo para o contexto das bibliotecas universitárias, é importante pensar no que essa ferramenta da Web 2.0 tem auxiliado ao longo do tempo, e pode auxiliar cada vez mais, visto que tantos os profissionais bibliotecários e as bibliotecas se utilizam do blog para manter a comunidade informada sobre os seus serviços, trazendo consigo a interação e a colaboração entre os profissionais e os usuários. Nessa perspectiva, observamos que a Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), foco de nosso trabalho, não possuía nenhuma ferramenta tecnológica para a interação e o compartilhamento de informações com os seus usuários. Assim, nosso objetivo de pesquisa foi compreender o blog como uma ferramenta que promove serviços, e ao mesmo tempo propor a criação e implantação do mesmo na biblioteca pesquisada, verificando o grau de conhecimento dos usuários da Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba acerca das ferramentas da Web 2.0. Utilizamos na pesquisa a abordagem exploratória e descritiva, de natureza qualitativa, como método: a pesquisa-ação, pois essa consiste no entendimento da pesquisa inserida na ação, porque os atores envolvidos participaram em conjunto com o pesquisador, a fim de elucidar a realidade em que estavam inseridos. Observamos que com a implantação do blog na Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba será possível envolver a comunidade acadêmica na interação e colaboração por meio da troca de informações.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

USABILIDADE DO BLOG DA BIBLIOTECA LEOPOLDO NACHBIN DO
INSTITUTO DE MATEMÁTICA DA UFRJ: ESTUDO DE CASO

Marília Cossich Ramos

RESUMO
A partir das dez diretrizes propostas por Jakob Nielsen para a avaliação de weblogs,
propomos uma avaliação heurística do blog da Biblioteca Leopoldo Nachbin, do Instituto de
Matemática da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a fim de verificar o nível do padrão
de qualidade e possíveis falhas. Queremos desta forma, ressaltar a importância dos estudos de
usabilidade para o aperfeiçoamento de websites. Concluímos o trabalho com as considerações
acerca da verificação da qualidade e da usabilidade apresentada pelo blog da biblioteca do
Instituto de Matemática da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Palavras-Chave: Blogs; Web 2.0; Bibliotecas; Usabilidade; Avaliação.

ABSTRACT
From the ten directions proposed by Jakob Nielsen for the evaluation of weblogs, we propose
a heuristic evaluation of Leopoldo Nachbin blog Library, Institute of Mathematics, of the
Federal University of Rio de Janeiro in order to ascertain the level of quality standard and
possible failures. We want, therefore, to emphasize the importance of usability studies for the
development of websites. We conclude with some remarks about the verification of the
quality and usability of the blog presented by the Mathematical Institute of the Federal
University of Rio de Janeiro library.
Keywords: Blogs; Web 2.0; Libraries; Usability; Review.

1 Introdução
Segundo os autores Yang e Liu (2009), blogs são websites que utilizam um
formato de registro datado para publicação de informações periódicas, projetados
originalmente para uso pessoal, caracterizando-os como diários pessoais online. Tal definição
se deve ao fato de muitos usuários utilizarem esse ambiente para narrar fatos do cotidiano.
No caso das bibliotecas, os blogs contribuem para que informações sobre
aquisições de materiais, eventos, entre outras sejam difundidas através de postagens, o que
propicia à biblioteca a divulgação de seus serviços de forma atualizada e aos seus usuários a

4615

�colaboração com comentários sobre as publicações. No entanto, torna-se importante a
investigação da usabilidade em blogs a fim de compreender se os aspectos formais e o
conteúdo de suas interfaces possuem elementos que facilitem o acesso e o uso das
informações por seus usuários.
O blog da Biblioteca Leopoldo Nachbin foi lançado em novembro de 2009,
através da plataforma Wordpress e desde então sofreu alterações em seu layout e diversas
atualizações. Em dezembro deste mesmo ano a equipe da biblioteca recebeu o Prêmio
Destaque Acadêmico, promovido pelo Instituto de Matemática, pela iniciativa de
desenvolvimento do blog da Biblioteca. Segue abaixo uma figura contendo a página inicial do
blog.
Figura 1 - Página inicial do blog da Biblioteca Leopoldo Nachbin

Fonte: http://www.im.ufrj.br/biblioteca/

2 Revisã de Literatura
O “termo Weblog foi empregado pela primeira vez em 1997 pelo norteamericano Jorn Barger para se referir ao seu jornal online Robot Wisdom e era um acrônimo
derivado das palavras web e log (diário ou bloco de anotações)” MALINI (2008).
De acordo com Alvim (2007) o termo Web 2.0 foi popularizado a partir de
2004 pela O'Reilly Media, e é utilizado para descrever a segunda geração World Wide Web tendência que reforça o conceito de troca de informações e colaboração dos internautas com
sites e serviços virtuais. Com o surgimento da Web 2.0 que ferramentas como o blog puderam
ser aperfeiçoadas, deixando de ser apenas diários pessoais para se tornarem fontes de
informação em várias áreas do conhecimento. Além dos blogs existem no ambiente da Web
2.0 outras ferramentas importantes tais como o Facebook, Twitter, feeds,wikis, podcasts, entre
outros.

4616

�Nesse contexto, tem-se o conceito de Biblioteca 2.0 que, de forma
simplificada, trata da aplicação das tecnologias Web 2.0 nos serviços das bibliotecas. Segundo
Casey e Savastinuk (2006) a Biblioteca 2.0 é um “novo modelo de serviço da biblioteca
centrado no usuário que encoraja as mudanças nos serviços físicos e virtuais que a biblioteca
oferece”.
A primeira norma internacional que definiu o termo usabilidade foi a
International Organization for Standardization (ISO) 9126, publicada em 1991. Segundo a
norma, usabilidade é: “um conjunto de atributos de software relacionado ao esforço
necessário para seu uso e para julgamento individual de tal uso por determinado conjunto de
usuários”.
De acordo com Vechiato (2010) a usabilidade refere-se à qualidade de
interação entre os usuários e os ambientes informacionais digitais no momento do uso e está
relacionada à Arquitetura da informação, pois permite a avaliação desses ambientes em todas
as fases de desenvolvimento.
Para o pesquisador Nielsen (1994) usabilidade é um conceito que busca definir
as características de utilização, do desempenho e da satisfação dos usuários, na interação e na
leitura das e nas interfaces computacionais, na perspectiva de um bom sistema interativo. Em
sua obra Usability engineering, publicada em 1994, o pesquisador propõe um conjunto de dez
diretrizes de base para avaliação de qualquer interface.
Nielsen (2005) considera que os blogs são uma forma de website. Assim,
acreditamos ser possível aplicar nestes ambientes diversas diretrizes de usabilidade para
websites. No entanto, o autor destaca que os blogs são um gênero especial de website e
possuem características únicas e problemas de usabilidade distintos.

3 Materiais e Métodos
A pesquisa realizada é descritiva, seus procedimentos técnicos são a pesquisa
bibliográfica e o estudo de caso, envolvendo as técnicas de análise e observação sistemática,
com abordagem qualitativa.
Optamos por um estudo de caso: a Biblioteca Leopoldo Nachbin, que integra o
Sistema de Bibliotecas e Informação da UFRJ (Sibi), a qual pertence ao Instituto de
Matemática. A Biblioteca situa-se no Campus da Ilha do Fundão e é voltada para o público
dos cursos de Matemática, Estatística, Ciências Atuariais e Física.
A análise dos dados foi realizada a partir da observação direta não participativa
do blog da biblioteca, observando a disposição das informações em seu ambiente, sua

4617

�organização, navegação, rotulagem, busca, usabilidade e interação com os usuários. Para a
análise da usabilidade do blog foi realizada uma verificação da presença das dez diretrizes
propostas por Nielsen (2005).

4 Resultados Parciais/Finais
O quadro abaixo demonstra a análise do blog da Biblioteca Leopoldo Nachbin
do Instituto de Matemática, a partir das dez diretrizes de usabilidade de Nielsen.
Quadro 1 - Aplicação das dez diretrizes de usabilidade

D iretrizes
B io g ra fia
au tores

dos

F oto dos a u tores

D e sc riçã o

B lo g da B ib lio tec a do I M

Elemento importante para o usuário
identificar e criar uma relação de
credibilidade com os responsáveis pelo
blog.
A foto dos autores pode ser útil para
outras
publicações,
especialmente
revistas, interessadas em citar o blog.
É essencial para que os usuários
possam conhecer a história da
instituição
e
contextualizar
os
conteúdos publicados.

No menu da página principal existe um
link que remete a equipe da biblioteca
com suas respectivas funções e emails.
A cada postagem é possível verificar
quem a publicou e acessar a foto do
autor, embora nem todos possuam.
No menu da página principal é possível
acessar informações sobre a história da
biblioteca, desde a escolha de seu nome,
inclusive fotos. Também possui links
que remetem a outros órgãos ao qual a
biblioteca está vinculada, como o IM, a
UFRJ e ao SiBi.
No menu na página principal encontrase o link “Conheça a biblioteca” onde é
possível acessar suas fotos.
Os títulos das postagens sintetizam de
maneira clara o seu conteúdo, inclusive
com imagens ilustrativo do seu lado
esquerdo.

D escriçã o
in stitu içã o

da

F oto
in stitu içã o

da

Auxilia o usuário a identificar e a
relacionar o blog com a instituição.

T ítu lo s
p o sta g en s
d escritiv o s

de

Os usuários devem ser capazes de
compreender a essência de um p o s t ao
ler o seu título, ou seja, o título deve
fazer sentido e ser significativo ao
conteúdo postado. Além disso, os
títulos descritivos são importantes para
a recuperação da informação nos
motores de busca e feeds.
É importante que os links direcionem Os links possuem clareza quanto aos
os usuários ao endereço correto ou seus rótulos e remetem para sites de
desejado. Deve-se fornecer a indicação maneira eficiente, evitando muitos
no próprio link e usar títulos de links cliques.
para informações complementares.
Nielsen (2005) alerta ao blogueiro para Não há vinculação entre p o s ts atuais e
não assumir que os leitores estão lendo p o s ts anteriores, apenas existem links
o b lo g desde a sua criação e sugere que em
cada
po st
que
remetem
o autor faça indicações de links a imediatamente ao p o s t anterior e
postagens importantes e que tem posterior.
potencial para atingir outros usuários
fora de sua base habitual de leitores.

C la re za
lin k s

dos

S u g e stã o
de
p o sta g en s
que
p o ssa m ser de
in tere sse
p a ra
n o v o s leitores

4618

�V á rio s tip o s de
n a v eg a çã o

R e g u la rid a d e na
p u b lica çã o
de
p osts

E sp e cificid a d e
d os
a ssu n to s
a b o rd a d o s

A navegação cronológica não deve ser
a única forma de organização do
conteúdo. Devem-se utilizar categorias
para listar postagens e recursos sobre
determinado tema.
Os leitores precisam ser capazes de
identificar a frequência da publicação
de posts, seja ela diária, semanal,
quinzenal ou mensal. O importante é a
manutenção
da
regularidade
de
postagens.
Orienta-se focar o assunto tratado no
blog, evitando publicar sobre diversos
assuntos,
para
que
possa
ser
desenvolvida uma base
fidelizada de leitores.

A navegação pode ser feita de duas
maneiras: organização cronológica e
categorias dos p o sts, de acordo com sua
indexação.
A frequência das postagens é regular,
pois verifica-se que ela varia de 1 a 3
dias.

Os principais assuntos tratados no b lo g
são: divulgação de eventos, serviços e
normas da biblioteca, dicas de pesquisa,
avisos
de
treinamentos,
cursos,
disponibilização de novos links de
acesso a fontes de informação e
informações relacionadas ao IM e à área
da Matemática, Estatística e afins.

Fonte: Elaborado pela autora, baseado em Nielsen (2005).

Na avaliação da usabilidade do blog da Biblioteca Leopoldo Nachbin,
constatou-se que o blog está de acordo com as diretrizes propostas por Nielsen em quase sua
totalidade, apenas no quesito “Sugestão de postagens que possam ser de interesse para
novos leitores” o blog apresentou falhas, pois não vincula informações mais antigas aos posts
mais novos, o que dificulta a recuperação por parte dos usuários a informações que possam
ser relevantes a sua pesquisa. O blog possui uma interface simples de navegação, com a
presença de um Menu na página inicial que remete aos diversos serviços e opções de busca
por informações. Utiliza as cores institucionais (laranja e azul) e o símbolo do Instituto de
Matemática da UFRJ a fim de se estabelecer uma identidade visual e um vínculo com a
Universidade. Possui também diversos links ao seu lado direito que remetem a Bases de dados
da área de Matemática, além de divulgar alguns dos serviços oferecidos pela biblioteca.
De um modo geral o blog costuma receber elogios dos usuários que o acessam
e também possui links para as redes sociais Facebook e Twitter, das quais a biblioteca
participa.

5 Considerações Parciais/Finais
É inegável a importância da utilização de blogs por bibliotecas, tendo em vista
seu caráter informativo e a maior aproximação da instituição com seus usuários. No entanto, é
necessário verificar se os blogs seguem parâmetros de qualidade e eficiência, assim como se o
seu conteúdo atende às necessidades dos usuários.

4619

�Observou-se que o blog da Biblioteca Leopoldo Nachbin está devidamente
adequado segundo as diretrizes propostas por Nielsen, sendo necessária apenas a vinculação
de informações mais antigas as mais recentes, a fim de permitir aos usuários complementarem
sua pesquisa com informações correlatas e relevantes.
As vantagens do blog no contexto das bibliotecas são grandes, porém os
profissionais da informação precisam explorar melhor as tecnologias de comunicação e
informação proporcionadas pela Web 2.0 para que o blog cumpra com eficiência o seu papel.

6 Referências
ALVIM, Luísa. A avaliação da qualidade de blogues. CONGRESSO NACIONAL DE
BIBLIOTECÁRIOS, ARQUIVISTAS E DOCUMENTALISTAS, 9, 2007, Açores. Anais
eletrônicos...

Açores:

Universidade

dos

Açores,

2007a.

Disponível

em:

&lt; http://www.bad.pt/publicacoes/index.php/congressosbad/article/view/595/444 &gt;. Acesso
em: 01 ago. 2014.
CASEY, Michael E.; SAVASTINUK, Laura C. Library 2.0: service for next-generation
library. Library Journal, 2006. Disponível em:
&lt;http://www.libraryjournal.com/article/CA6365200.html&gt;. Acesso em: 02 ago. 2014.
MALINI, Fábio. Por uma genealogia da blogosfera: considerações históricas (1997 a 2001).
In: CONGRESSO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO NA REGIÃO SUDESTE, 13.2008,
São Paulo, Anais..., São Paulo, 2008.
NIELSEN, Jakob. Usability engineering. Boston: Academic Press, 1994.
______________. Weblog usability: the top ten design mistakes. Useit.com. 17 out. 2005.
Disponível em: &lt;http://www.useit.com/alertbox/weblogs.html&gt;. Acesso em: 01 ago. 2014.
VECHIATO, F. L. Repositório digital como ambiente de inclusão digital e social para
usuários
idosos. 2010. 183f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) - Faculdade de
Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista, Marília, 2010.
YANG, Heng-Li; LIU, Chi-Lun. A new standard of on-line customer service process:
Integrating
language-action into blogs. Computer Standards &amp; Interfaces, v. 31, n. 1, p. 227-245, jan.
2009.

4620

�</text>
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                <text>2014</text>
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                <text>A partir das dez diretrizes propostas por Jakob Nielsen para a avaliação de weblogs, propomos uma avaliação heurística do blog da Biblioteca Leopoldo Nachbin, do Instituto de Matemática da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a fim de verificar o nível do padrão de qualidade e possíveis falhas. Queremos desta forma, ressaltar a importância dos estudos de usabilidade para o aperfeiçoamento de websites. Concluímos o trabalho com as considerações acerca da verificação da qualidade e da usabilidade apresentada pelo blog da biblioteca do Instituto de Matemática da Universidade Federal do Rio de Janeiro.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

SERVIÇOS DE DESCOBERTA

Anderson Santana

RESUMO
Os serviços de descoberta são sistemas de busca, com a função de integrar conteúdos
informacionais de variadas fontes de dados, sejam elas remotas, como aquelas disponíveis em
plataformas de editores ou agregadores, ou fontes locais como os sistemas de gerenciamento
de bibliotecas, bibliotecas digitais, repositórios institucionais, dentre outras. Todos esses
conteúdos são pesquisáveis e recuperados por uma interface de acesso única. O presente texto
tem como intuito apresentar um panorama sobre os serviços de descoberta e seu uso no Brasil.
Ademais, sugere uma proposta analítica para seleção de serviços de descoberta, baseada em
um questionário que compreende os recursos desejáveis do sistema. Espera-se que com o
conteúdo ora apresentado possa-se ampliar o conhecimento sobre a ferramenta e auxiliar os
bibliotecários na seleção de tal serviço.
Palavras-Chave:Serviços de Descoberta; Ferramentas de Busca; Catálogos; OPACs;
Tecnologia da Informação.

ABSTRACT
The discovery services are search systems, with the function of integrating information
contents of various data sources, remotes, such as those available from publishers or
aggregators platforms, or local sources such as integrated library systems, digital libraries,
institutional repositories, amongothers. All these contents are searchable and retrievedby a
single access interface. This paper has the purpose to presentan overview of the services
discovery and its use in Brazil. Furthermore, suggesting a analytical proposal for selecting
discovery services,based on a questionnaire comprising the desirable features of the system. It
is expected that the content presented here in maybe broadening our understanding of the tool
and to assist librarians in selecting such service.
Keywords: Discovery
Technology.

Services;

Search Engines; Catalogues; OPACs; Information

1 Introdução
O processo de busca por informações geralmente foi cercado por uma aura utópica. Os
sistemas almejados deveriam ser capazes de prever os próximos passos do pesquisador e lhe
fornecer a maior quantidade possível de informações validadas.

4601

�A evolução dos sistemas de busca foi, sobremaneira, a mola propulsora do
crescimentoexponencial da ciênciadesde a década de 1940. (BAETA-YATES e RIBEIRONETO, 1999 e BUSH, 1945). Com o fim da segunda-guerra, todo o conhecimento adquirido
precisava ser registrado e posteriormente recuperado; portanto a necessidade de sistemas de
busca mais sofisticados era uma necessidade premente.
O desenvolvimento dos catálogos de bibliotecas (Online Public Access Catalogues OPACs), passando de um simples índice a ferramenta de descoberta de conteúdos tanto
físicos como digitais, foram fundamentais para agilizar as pesquisas e a produção de
conhecimento novo.
O presente trabalho tem como objetivo apresentar o novo nível dos sistemas de busca
de informações, os serviços de descoberta em escala web (web-scalediscoveryservices) e
propor um instrumento de avaliação para as instituições que desejam adquirir tal solução, com
base na verificação de critérios que se adequem à sua necessidade.
Para tanto, realizou-se um levantamento dos serviços e sistemas disponíveis para
comercialização no Brasil e com base na literatura existente, desenvolveram-se parâmetros
para seleção.
O serviço de descoberta no Brasil é relativamente novo. A primeira instalação de uma
solução como essa se deu no ano de 2011, porém a quantidade de instituições utilizando tal
serviço no mundo naquela época superava as trêsmil(BREEDING, 2012a). Atualmente o total
de instalações das quatro principais empresas do mercado, superam as nove mil e
quatrocentas (BREEDING, 2014a).
Dessa forma, espera-se que com este trabalho possa-se ampliar o conhecimento sobre
a ferramenta e auxiliar os bibliotecários na seleçãode tal serviço.

2 Serviços de Descoberta
O uso dos catálogos bibliográficos remontamos primeiros registros formais do
conhecimento humano e, portanto, cabe destacar alguns pontos temporais de sua evolução:
•

250a.C. - Biblioteca de Alexandria - as Pinakes(conjuntos de rolos com
informações bibliográficas das obras existentes na biblioteca) são consideradas
o primeiro catálogo de biblioteca, tendo como acesso principal o assunto
(DRAKE, 2003);

•

1572 - Biblioteca de Jeremias Martius - primeiro catálogo impresso de
biblioteca (NORMAN, 2014);

•

1895 a 1934 - Mundaneum - biblioteca criada por Paul Otlete Henri de la

4602

�Fontaine com o objetivo de catalogar todo o conhecimento humano, por meio
do Repertório Bibliográfico Universal, que chegou a possuir mais de 15
milhões de fichas catalográficas (RAYWARD, 1975);
•

1945 - Memex - apesar de nunca ter sido desenvolvido formalmente, o
Memex, uma criação do pesquisador e ex-diretor do Escritório de
Desenvolvimento e Pesquisa Científica do governo americano, Vannevar Bush,
seria uma máquina que interagia com diversas fontes de informação por meio
do hipertexto. Seus conceitos serviram de base para a criação da Web (BUSH,
1945 e DALAKOV, [20??]);

•

1960 - Desenvolvimento dos primeiros catálogos online, porém na metade da
década de 1970 dá-se início ao desenvolvimento em larga escala dos OPACs.
Em 1983 surge o Sistema Integrado de Bibliotecas (Integrated Library System
- ILS) mais popular, o Dynix Library Management System (BALBY, 2002 e
BREEDING, 2005);

•

1996 - Google - entra no ar, como um projeto de pesquisa, a primeira versão
daquela que se tornaria a ferramenta de busca de informações mais utilizada no
mundo e que modificou todos os modelos anteriormente existentes de padrões
de buscas (GOOGLE, 2014);

•

2009 - Summon - primeiro serviço de descoberta em escala web, permitindo a
busca nos catálogos locais e bases de dados externas simultaneamente
(BREEDING, 2013).

Os serviços de descoberta têm por conceito proporcionar o acesso a todos os aspectos
das coleções de bibliotecas, não apenas os que são geridos no catálogo tradicional da
biblioteca, que é limitado ao conteúdo gerenciado pelo sistema integrado de bibliotecas e tem
o papel de ajudar os usuários a descobrirem o conteúdo da biblioteca em todos os formatos,
independentemente de ele residir dentro da biblioteca física ou entre as suas coleções de
conteúdo eletrônico, abrangendo ambos os materiais de propriedade local e aqueles acessados
remotamente por meio de assinaturas (BREEDING, 2012b).
Serviços de descoberta em escala web (web-scalediscovery system) são capazes de
indexar uma variedade de conteúdo, seja hospedado localmente ou remotamente. Esse
conteúdo pode incluir registros de biblioteca (oriundos do ILS), coleções digitais, repositório
institucional e conteúdo de bancos de dados desenvolvidos localmente e hospedados. Além

4603

�disso, eles pré-indexam remotamente o conteúdo, seja comprado ou licenciado pela
biblioteca. Este último conjunto de conteúdo - de centenas de milhões de itens - pode incluir
e-books, dezenas de milhares de periódicos em texto completo de editores ou agregadores,
conteúdos de bases dados referenciais, e materiais depositados em repositórios de acesso
aberto. Os serviços de descoberta são serviços flexíveis que proporcionam a rápida e perfeita
descoberta, entrega e classificação de relevância em um enorme repositório de conteúdo
(VAUGHAN, 2012).
Suas características gerais possuem: recursos de ordenação baseada em relevância dos
resultados de busca, facetas para restringir os resultados de acordo com categorias específicas,
como autores, intervalos de datas e tipos de materiais. Estes mecanismos podem incluir a
identificação de localização e status de um item físico, com a opção de reservá-lo;
possibilidade de vinculação direta com a versão eletrônica para visualização ou download de
artigos, capítulos de livros, e-books ou outros itens textuais disponíveis eletronicamente.
Possuem ainda recursos sociais como inclusão de comentários, resenhas, avaliação, ou
interação dinâmica com outros usuários (BREEDING, 2014b).
Dessa forma, os usuários do sistema têm acesso a um conteúdo muito mais vasto do
que aquele disponível no catálogo da biblioteca, ampliando exponencialmente o alcance da
sua busca, com a vantagem de tudo isso ser descoberto a partir de um único ponto de acesso.
Tal sistema minimiza o tempo empreendido nos levantamentos bibliográficos pelos
pesquisadores, que no modelo antigo de busca, demandariam o acesso em pelo menos uma
dezena de bases de dados.
Para que o sistema funcione de forma eficaz os fornecedores comerciais de serviços de
descoberta criam acordos com os editores e agregadores de conteúdos para indexação dos
metadados e textos completos, com isso eles geram um “megaíndice” tornando a busca mais
rápida e sem a necessidade do cliente ter que catalogar e indexar localmente tal conteúdo. Ao
cliente basta entrar na área administrativa do serviço e ativar os conteúdos assinados. Para os
conteúdos disponíveis localmente na instituição, como portais de revistas, bibliotecas digitais
e repositórios institucionais, os sistemas permitem a indexação em nível privado, ou seja, tal
conteúdo ficará disponível somente para os usuários daquela instituição.
Os resultados do uso dos serviços de descoberta pelas bibliotecas têm sido positivos,
de acordo com O’Hara (2012) foi possível verificar, com base em estatísticas de uso,um
crescimento no uso de periódicos eletrônicos em torno de 43% e Yeo (2012) comenta que
68,% de seus usuários estão satisfeitos com o sistema de descoberta.Assim, podemos

4604

�considerar que os serviços de descoberta têm sido bem aceitos e demonstrado seu papel
fundamental de descobridor de conteúdos.
No entanto, poucas bibliotecas brasileiras têm aderido a esse novo capítulo da busca
de informações e poucos trabalhos têm sido publicados relatando seu uso. A primeira
implantação de um sistema de descoberta foi realizada em 2011 pela (1) Universidade
Estadual Paulista (UNESP) - sistema: Primo.Em 2012 foram lançados os serviços da (2)
Universidade de São Paulo (USP) - sistema: Primo;(3) Portal de Periódicos Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) - sistema: Primo;(4) Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) - sistema: Primo;(5) Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) - sistema: Summon;(6) Universidade
Católica de Brasília (UCB) - sistema: Summon;(7) Universidade de Brasília (UnB) - sistema:
Summon;(8) Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) - sistema: Summon; Petrobrás
-

sistema:

Summon.

Em

2013

e

2014

foram

implantados

também

na

(9)LaureateInternationalüniversitiesBrazil (constituído por 10 universidades - sistema:
EDS); Universidade de Fortaleza (UNIFOR) - sistema: Summon) e (10) Universidade do
Estado do Rio de Janeiro (UERJ - sistema: EDS). A obtenção desses dados são difíceis, pois
não existe um controle dos usuários brasileiros.
Todavia, já está em andamento, como parte desta pesquisa, a criação de um relatório
de uso de tecnologias de biblioteca no Brasil, nos moldes do relatório anual apresentado por
BREEDING (2014c).

3 Proposta analítica para seleção de serviços de descoberta
O mercado brasileiro possui quatro serviços de descoberta disponíveis:
•

Ebsco Discovery Service (EDS) - desenvolvido pela EbscoInformation Services,
empresa com foco no fornecimento de conteúdos informacionais. O EDS foi lançado
oficialmente no ano de 2010 e possui a maior base de clientes no mundo, com mais de
5.600 instalações;

•

Primo/Primo Central (ExLibrisGroup) - o ExLibrisGroup é um dos principais
desenvolvedores de soluções para bibliotecas. O sistema Primo foi lançado em 2006 e
não possuía um índice central, sendo este lançado 2010 com o nome de Primo Central.
Possui mais de 1.400 clientes e cabe ressaltar que é o único dos quatro serviços que
permite a instalação local do seu sistema (todos os demais são serviços em nuvem).

•

Summon (Proquest) - desenvolvido pela Proquest, que assim como a Ebsco, tem seu
foco no fornecimento de conteúdos informacionais. A primeira versão do Summon foi

4605

�lançada no ano de 2009 e possui mais de 670 clientes.
•

WorldCat Discovery (OCLC) - a OCLC é um órgão não governamental e sem fins
lucrativos, lançou seu serviços de descoberta em 2009 e possui a segunda maior base
de clientes do mundo, com mais de 1.700 (BREEDING, 2014a e VAUGHAN, 2011).

Para uma análise de uso desses serviços, foram verificados quais deles eram utilizados
pelas

10

principais

TimesHigherEducationRanking

universidades

mundiais

de

acordo

com

o

.

Entre as 10 universidades, o sistema Primo está presente em quatro, Summon e
Worldcat Discovery em duas cada um, e o EDS em uma. Uma universidade não utiliza a
descoberta e outra utiliza uma opção de software livre. Um caso interessante é Princeton que
utiliza dois sistemas, o Primo e o Summon.

Tabela 1 - Universidades e Serviços de Descoberta utilizados
UNIVERSIDADE

DESCOBERTA

CaliforniaInstituteof Technology

Nenhum

Universityof Oxford

Primo

Harvard University

Primo

Stanford University

WorldCat Discovery

MIT

EDS

Princeton University

Primo / Summon

Universityof Cambridge

Summon

UniversityofCalifornia, Berkeley

WorldCat Discovery

Universityof Chicago

VUFind

Imperial College London

Primo

Fonte: Top 10 - Times HigherEducation Ranking e páginas web das Bibliotecas

524 Disponível em: http://www.timeshighereducation.co.uk/world-university-rankings/

4606

�Gráfico 1: Serviços de descoberta utilizados pelas 10 mais importantes universidades do
mundo

Fonte: Top 10 - Times HigherEducation Ranking e páinas web das Bibliotecas

Para o estabelecimento de uma proposta analítica para seleção de serviços de
descoberta, foram utilizados os estudos propostos por Vaughan (2011) e Santana e Ferreira
(2012).
Cabe ressaltar que o presente trabalho é parte de um estudo mais abrangente que visa
analisar três pontos acerca dos serviços de descoberta no Brasil: (1) Levantamento de
informações dos serviços disponíveis para parametrização comparativa; (2) Satisfação do
cliente por meio de entrevista com as instituições brasileiras que utilizam os serviços de
descoberta; (3) Satisfação do usuário final por meio de entrevista com usuários finais das
universidades que utilizam os serviços de descoberta.
Portanto o que apresentamos neste trabalho é o parâmetro utilizado na primeira fase
desse estudo, a qual utilizou o questionário “Mapeamento de Sistemas de Descoberta (WebScale Discovery Systems)” (APÊNDICE A). Tal questionário permitirá à biblioteca analisar e
selecionar o serviço que melhor se adeque às suas necessidades. Todavia, a biblioteca
precisará realizar previamente uma análise de suas necessidades, conteúdos a serem
indexados e custo-benefício. Deve ter em mente também que o custo com um serviço de
descoberta é constante, ou seja, para ser utilizado ele deverá ser pago anualmente.

4 Considerações Finais
Os serviços de descoberta estão começando a se tornar uma realidade no Brasil e as
quatro opções existentes possuem funcionalidades interessantes e bastante similares, no
entanto as bibliotecas que possuem grande quantidade de fontes de informação locais,

4607

�necessitam analisar os serviços com mais cuidado e algumas perguntas precisam ser
respondidas antes de iniciar um processo de seleção: Eu conheço meu usuário?; Meu usuário
precisa da descoberta?;Eu sei onde meu usuário busca informações?; O desenvolvedor do
meu ILS vai permitir sua integração à Descoberta?Que nível de integração do meu ILS com a
Descoberta eu vou querer?; Minha Universidade permitirá que meus dados bibliográficos
sejam incorporados em uma nuvem comercial?; Que autonomia eu quero ter com a gestão e
ingestão dos meus dados na Descoberta?
Estas perguntas são fundamentais, porém há uma que merece mais atenção e análise:
você possui assinaturas de bases de dados e de revistas eletrônicas além daquelas já existentes
no Portal de Periódicos CAPES? Isso é importante, pois a CAPES já possui um serviço de
descoberta disponível para todo o Brasil. Se a biblioteca não tiver nada além do Portal
CAPES não se justifica a assinatura de um serviço de descoberta. Porém se a instituição
possuir assinaturas, bases de dados locais, bibliotecas digitais dentre outras, a contratação de
tal serviço está mais do que justificada.
Grandes instituições ao iniciarem um processo de seleção de descoberta o fazem
durante meses, dedicando uma boa parcela de horas diárias de suas equipes bibliotecárias e de
tecnologia a estudarem e a compararem os serviços disponíveis.
Esperamos que as próximas fases deste estudo possam auxiliar ainda mais a classe
bibliotecária no conhecimento dos serviços disponíveis e na decisão de seleção do serviço.

4Referências
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APÊNDICE A

Mapeamento de Sistemas de Descoberta (Web-Scale Discovery Systems)

1. Modelo de instalação/contratação: Instalação Local; Software As A Service (S.A.A.S.); ou
Outro.
1.1. Se o modelo de contratação inclui instalação Local, o sistema pode ser implantado em
uma plataforma em Software Livre? Qual?
1.2. Se o modelo de contratação inclui S.A.A.S., há limitações na quantidade de fontes de
dados a serem indexadas?
1.3. Possui suporte a Consórcios?
Obs.: O item um tem como intuito estabelecer o modelo de implantação do serviço pela
empresa. Dos quatro serviços existentes somente o Primo possui mais de um modelo: Local,
instalado em servidores do cliente; Direct, instalado em servidores da ExLibris, porém com
gestão total pelo cliente; e Total Care, instalado em servidores da ExLibris, cuja gestão
também é a cargo deles. Nos demais serviços, a instalação e a gestão da ferramenta ficam a
cargo das empresas. A quantidade de fontes indexadas é importante no caso de grandes
universidades que possuam muitas bibliotecas digitais.

4610

�2. Permite normalização dos dados antes e após a importação?
Obs.: Esta pergunta se refere à possibilidade de realização de ajustes em massa dos metadados
importados das fontes de dados locais do cliente, como por exemplo, inserção de campos de
notas que não existem nos metadados originais.

3. Permite alterar o ranking dos resultados?
Obs.: Diz respeito à possibilidade de modificar o sistema de rankeamento do sistema,
fazendo, por exemplo, com que itens locais (catálogo local, artigos do repositório institucional
etc.) apareçam nas primeiras posições dos resultados de busca. Possibilitando assim que o
usuário final possa descobrir itens existentes em sua biblioteca e documentos científicos
gerados pela própria instituição.

4. Permite agendamento diário do harvesting das fontes de dados? É possível executar o
harvesting a qualquer momento?
Obs.: Refere-se ao nível de controle do sistema por parte do cliente. Há sistemas que
permitem total gestão de importação de dados pelo cliente, permitindo a realização desta a
qualquer hora. Há outros que são estanques e o padrão pode ser diário ou semanal.

5. Permite integração com o Sistema Integrado de Bibliotecas (ILS em inglês Integrated
Library System) da instituição?
5.1. A integração com o ILS é em tempo real (OPAC via Sistema)?
5.2. Com quais ILS's o sistema permite integração e em que nível?
Obs.: Esta é uma questão fundamental para as bibliotecas, pois muitas instituições utilizam a
descoberta como sua única camada de busca e gestão da conta do usuário na biblioteca,
aposentando, assim, o OPAC. Portanto é imprescindível para a Biblioteca planejar o que ela
deseja da sua descoberta e se o seu ILS é suportado pelo sistema.

6. Possui suporte a serviços de recomendação?
Obs.: Serviços de recomendação são bastante úteis ao se realizar buscas em lojas comerciais
eletrônicas e alguns dos sistemas de descoberta possuem tais serviços, ampliando ainda mais
os resultados das buscas, relacionando artigos a um item de interesse.

4611

�7. Permite customização total da interface?
7.1. A interface do sistema para o usuário final possui versão em português? Quais outras
línguas estão contempladas?
Obs.: A customização está relacionada à possibilidade de tornar a interface da descoberta
mais próxima do layout padrão da instituição. Alguns serviços permitem uma customização
total, outras somente a troca do logotipo. Além disso, as línguas suportadas na interface
permitirão ampliar o uso dela por usuários estrangeiros.

8. O sistema permite que a busca seja feita em português e traduz os termos buscados para
outras línguas, permitindo assim que resultados em outros idiomas sejam recuperados?
Obs.: Diz respeito à possibilidade de realização de buscas semânticas. Em geral esta
funcionalidade está relacionada ao uso de vocabulários controlados e/ou ontologias
multilíngues, adicionadas ao sistema da descoberta.

9. Utiliza facetas de filtragem de resultados? É possível escolher o lado da tela no qual elas
aparecem? Qualquer campo de metadados pode se tornar uma faceta?
Obs.: Questão fundamental que está relacionada à capacidade de customização dos filtros de
busca. Se o cliente possui muitas bibliotecas digitais em sua instituição, talvez seja necessária
a criação de facetas baseadas em metadados específicos e o sistema deverá possibilitar isso.

10. Possui ferramenta de sugestão de termos digitados errados do tipo "Você quis dizer
XXX"?
Obs.: Ferramenta de auxílio ao usuário, pois permite ele digitar um termo errado e lhe ser
sugerido a sua versão correta.

11. Permite o uso de tags e resenhas nos itens recuperados?
Obs.: Alguns sistemas de descoberta permitem o uso de tags e resenhas por usuários
cadastrados. Sua aplicação pode ter variadas funções, uma delas seria para criar listas de
bibliografias básicas dos cursos da instituição.

12. Possui opção de salvar uma busca, salvar itens em uma pasta particular e criar alertas?
Obs.: Estas funcionalidades estão presentes na maioria das bases de dados e auxiliam bastante
os pesquisadores, portanto os sistemas devem prever tal necessidade por parte do usuário.

4612

�13. Possui princípios de ferberização (FunctionalRequirements for Bibliographic Records FRBR)?
Obs.: Os usos dos princípios do FRBR se tornam mais funcionais ainda quando se
potencializa a capacidade da busca. A organização dos resultados de buscas por variações de
uma obra facilitam sobremaneira a pesquisa bibliográfica.

14. Permite a ativação e desativação de deduplicação de registros?
Obs.: A deduplicação, ou a eliminação de duplicatas, é fundamental para instituições com
muitas bibliotecas e muitos catalogadores. A duplicação de conteúdos nesse caso é inevitável.
Assim, os sistemas de descoberta podem auxiliar a organização dos itens, eliminando as
duplicatas e mesclando os dados, transformando os itens iguais em um único.

15. Permite refinar os resultados de busca em diferentes facetas ao mesmo tempo, sem a
necessidade de entrar uma por uma?
Obs.: Ao se realizar uma busca o usuário pode receber um número bastante expressivo de
resultados e o uso de facetas de refinamento permite a ele chegar aos seus itens de interesse,
no entanto, ter que clicar em uma faceta por vez pode tornar a busca mais demorada, portanto
as opções de seleção múltipla de facetas para posterior aplicação agilizam esse processo.
16. Possui acesso à área particular para os usuários do sistema (login)?
Obs.: Esta funcionalidade independe da integração com o ILS. Este item diz respeito a acesso
a uma área particular do usuário na descoberta.

17. Qual a quantidade de itens no Índice Central? Qual o percentual de itens em Acesso
Aberto?
Obs.: Esta questão está relacionada à abrangência do índice central da descoberta. Quanto
maior o volume de conteúdo mais garantia de cobertura dos itens assinados/licenciados pela
biblioteca se tem. O percentual de conteúdos em acesso aberto é importante, pois permite que
a biblioteca tenha acesso a conteúdos que demandariam buscas variadas para serem
localizados. Ademais, permite-se analisar com isso, a necessidade de continuidade de algumas
assinaturas pela biblioteca, dado o uso de conteúdos similares livres.

4613

�18. Permite restringir a busca a somente itens em Acesso Aberto?
Obs.: Apesar de estar relacionada ao item anterior esta pergunta tem uma função mais
objetiva, ou seja, permitir a busca somente em itens que sejam reconhecidamente de acesso
aberto. Tal requisito não existe em nenhum dos sistemas de descoberta disponíveis.

19. Quanto ao suporte, a empresa tem equipe em território brasileiro? Em caso negativo,
possui equipe de suporte que fale português?
Obs.: Em todas as quatro soluções existentes no Brasil, o suporte avançado se encontra fora
do país. As primeiras linhas de atendimento em sua maioria são de profissionais de suporte
geral. Portanto, é fundamental que a biblioteca cobre isso do fornecedor do serviço, ou possua
um profissional na sua equipe com boa fluência na língua inglesa.

20. Qual a quantidade de clientes do sistema?
Obs.: Importante saber a quantidade tanto em nível nacional, bem como internacional de
clientes, para avaliar se haverá outras pessoas para compartilhar dúvidas e ideias ou não.

21. Quais os principais diferenciais do sistema em comparação aos concorrentes?
Obs.: Item fundamental para comparar os diferenciais entre um serviço e outro, além de
perceber como a empresa se coloca em relação aos concorrentes.

22. Comentários adicionais.

4614

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                <text>Os serviços de descoberta são sistemas de busca, com a função de integrar conteúdos informacionais de variadas fontes de dados, sejam elas remotas, como aquelas disponíveis em plataformas de editores ou agregadores, ou fontes locais como os sistemas de gerenciamento de bibliotecas, bibliotecas digitais, repositórios institucionais, dentre outras. Todos esses conteúdos são pesquisáveis e recuperados por uma interface de acesso única. O presente texto tem como intuito apresentar um panorama sobre os serviços de descoberta e seu uso no Brasil. Ademais, sugere uma proposta analítica para seleção de serviços de descoberta, baseada em um questionário que compreende os recursos desejáveis do sistema. Espera-se que com o conteúdo ora apresentado possa-se ampliar o conhecimento sobre a ferramenta e auxiliar os bibliotecários na seleção de tal serviço.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

SERVIÇO DE DESCOBERTA: CONSIDERAÇÕES SOBRE A IMPLANTAÇÃO NA
REDE DE BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
- UERJ
Fernanda Maria Lobo da Fonseca
Leila Cristina Rodrigues de Andrade

RESUMO
Descreve o processo técnico de implantação do serviço de descoberta, denominado Descubra,
na Rede Sirius - Rede de Bibliotecas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ,
utilizando a solução EBSCO Discovery Service (EDS). Ressalta a importância do serviço de
pesquisa integrada para a comunidade acadêmica. Apresenta resultados parciais desse
processo, ilustrando-os com as telas customizadas, e as estratégias empregadas para a
sensibilização dos colaboradores como agentes incentivadores do uso da ferramenta como
principal fonte de acesso aos recursos informacionais disponíveis. Tece recomendações para a
administração e manutenção do serviço, visando a sua consolidação e credibilidade.
Palavras-Chave: Serviço de descoberta na web. Pesquisa integrada. Recursos eletrônicos.
Biblioteca universitária.

ABSTRACT
This paper describes the management of the technical process in the implementation of the
web scale discovery service, called “Descubra”, at Rede Sirius - Rede de Bibliotecas da
Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ using EBSCO Discovery Service (EDS)
solution. It emphasizes the importance of integrated research service for the academic
community. Presents partial results illustrated by customized screens and awareness strategies
to sensitize employees who are encouraging the use of the tool as the main access source of
information to the available resources. Makes recommendations for the administration and
maintenance of the service targeting its consolidation and credibility.
Keywords: Web scale discovery service. Integrated research. Electronic resources. Academic
library.

1 Introdução
A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) oferece cursos de graduação
(33); pós-graduação (77); especialização (127) e extensão (186). A comunidade acadêmica
abrange 33.844 discentes, docentes e servidores (UNIVERSIDADE, 2013).

4586

�A Rede Sirius - Rede de Bibliotecas UERJ, subordinada diretamente a Reitoria, é
composta pela Direção, 4 Núcleos: Processos Técnicos (NProtec); Informática (Informat);
Memória, Informação e Documentação (MID), Planejamento e Administração (PLANAD), e
23 bibliotecas setoriais distribuídas em 10 campi localizados em 7 municípios do Estado do
Rio de Janeiro (Duque de Caxias, Ilha Grande, Nova Friburgo, Resende, Rio de Janeiro, São
Gonçalo, Teresópolis). Encontram-se alocados em seu quadro funcional 194 servidores
técnicos administrativos.
A Rede Sirius, em parceria com as Unidades acadêmicas da UERJ, tem submetido
sistematicamente projetos para captação de recursos junto às agências de fomento. A partir
desse reforço orçamentário, aumentou, no último quadriênio, o volume de aquisição de
material bibliográfico através da Direção da Rede e das bibliotecas setoriais.
O investimento prioritário em recursos eletrônicos se constituiu em uma estratégia
para otimizar a gestão orçamentária, desenvolver, atualizar e renovar o acervo das bibliotecas.
Essa iniciativa está em consonância com o movimento da universidade para reunir e
disponibilizar a produção acadêmica, apoiando iniciativas de acesso aberto, como a Biblioteca
Digital de Teses e Dissertações da UERJ (BDTD/UERJ) &lt;http://www.bdtd.uerj.br/&gt; e o
Portal de Publicações Eletrônicas &lt;http://www.e-publicacoes.uerj.br/&gt; que utiliza o software
Open Journal System/'Sistema de Editoração Eletrônica de Revistas (OJS/SEER).
Em paralelo, observou-se uma demanda crescente da comunidade acadêmica, por
assinatura de bases

de dados,

aquisição de livros

eletrônicos

(atualmente

são

aproximadamente 20 mil títulos), além da intensificação do acesso ao Portal CAPES e de
pesquisas em bibliotecas virtuais de acesso público em particular, pelos discentes.
Inicialmente, ações e estratégias para o uso das fontes eletrônicas foram
disponibilizadas de forma dispersa, na medida em que os conteúdos eram adquiridos, uma vez
que não se dispunha de dotação orçamentária para uma solução de gerenciamento desses
recursos.
Na estrutura organizacional da Rede Sirius, o NProtec coordena as políticas para
organização do conhecimento e recuperação da informação, estabelece normas e padrões para
o processamento técnico e participa, com o Núcleo Informat, do gerenciamento do sistema de
automação das bibliotecas.
Nesse cenário, coube ao NProtec iniciar, em 2012, um estudo preliminar para atender
às demandas emergenciais de tratamento da informação dos recursos eletrônicos. Em
decorrência, foram elaboradas as diretrizes de parametrização do sistema de automação de

4587

�bibliotecas em uso na UERJ, VTLS Virtua, para a validação dos registros Machine Readable
Cataloging (MARC) desses recursos.
Para o processamento técnico dos 93 primeiros livros eletrônicos, em língua inglesa,
adquiridos das editoras Wiley-Blackwell e Cambridge University Press criou-se um
procedimento para a catalogação de e-books anexado ao “Manual MARC da Rede Sirius para
catalogação de monografias e manuscritos”. Os metadados desses títulos foram analisados e
revisados um a um, enriquecendo assim os respectivos registros com: a tradução de
cabeçalhos de assunto; atribuição de números de chamada; revisão das autoridades (pessoa e
assunto) e da pontuação prescrita; inclusão de textos no campo 856 (Electronic Location and
Access) com as URLs para a capa, sumário, texto completo e termo de uso da editora e
inclusão de notas sobre acesso. Procedeu-se também à catalogação de registros de autoridades
e à criação de índice, no Sistema Virtua, para a recuperação de e-books.
Em 2013, o NProtec realizava treinamentos na catalogação de registros de autoridades
(nome e assunto) visando a conferir maior consistência à base Virtua, quando aconteceu a
aquisição de aproximadamente 12 mil títulos da editora Springer. Tornou-se então necessário
sistematizar uma metodologia de inserção e customização, em blocos, dos registros MARC
disponibilizados pela editora, no catálogo online.
Simultaneamente a esse processamento técnico,
Documentação (MID), reformulou o site da Rede Sirius

o Núcleo de Memória e
. O intuito era reunir todas as

informações sobre as coleções eletrônicas recém-adquiridas, por meio de etiquetas de atalho
que direcionassem os usuários ao Catálogo On-Line, aos Livros Eletrônicos, às Bases e
Periódicos e à BDTD. Ainda assim, a recuperação da informação exigia percorrer um
caminho longo, ou seja, pesquisar em cada um desses links e nos sites dos editores dos livros
eletrônicos adquiridos após o segundo semestre de 2013, não integrados no catálogo online.
O NProtec, observando e vivenciando essas dificuldades e outras referentes ao
tratamento técnico em larga escala de metadados dos livros eletrônicos, definiu como
prioridade adquirir uma ferramenta de pesquisa integrada. Com isso se otimizaria a
recuperação, o uso dos recursos informacionais disponíveis pela comunidade acadêmica e
dispensaria a tarefa de inclusão dos metadados no catálogo online.
A partir desse diagnóstico, o Núcleo solicitou à Direção da Rede Sirius essa aquisição.
O software selecionado foi o EBSCO Discovery Service (EDS). O processo de aquisição da
assinatura iniciou-se em outubro de 2013 e concretizou-se em fevereiro de 2014.

I 522 O site da Rede Sirius está disponível em: http://www.redesirius.uerj.br/.

4588

�Este trabalho apresenta o processo de implantação do serviço de descoberta na Rede
Sirius - Rede de Bibliotecas UERJ, com foco na configuração técnica da ferramenta.

2 Revisão de Literatura
Com a explosão informacional propiciada pela web as bibliotecas foram obrigadas a
repensar seus processos, instrumentos e métodos de trabalho. Neste novo cenário, surgem
novas demandas e perfis de usuários que instigam e motivam os bibliotecários a oferecem
serviços e produtos que contemplem às expectativas de acesso à informação de uma forma
simples, rápida, amigável, interativa e relevante.
Para Bento (2012) uma das soluções para atender essas expectativas seria a adoção de
um novo catálogo bibliográfico, denominado Catálogo 2.0. Este novo conceito redefine o
catálogo tradicional estendendo a sua abrangência a todos os recursos que os usuários têm à
sua disposição, sejam eles locais ou acessíveis remotamente, com manifestações impressas ou
em formato digital, adquiridos ou em livre acesso. A evolução do Catálogo 2.0 leva este
conceito ainda mais longe ao permitir contribuições dos usuários para o enriquecimento de
dados dos recursos. Ao estabelecerem esta ligação, quer os recursos, quer os usuários,
alargam a sua rede social em novas ramificações de (potenciais novos) recursos, usuários e
comunidades. Este modelo de Catálogo 2.0 é um sistema de descoberta de conteúdos.
Os serviços de descoberta em escala web para bibliotecas são, segundo Vaughan
(2011), serviços capazes de realizarem pesquisas de forma amigável e rápida a um vasto
conteúdo, local ou remotamente pré-indexado e pré-coletado, provendo resultados
classificados por relevância através de uma interface intuitiva. O autor considera que “[...] a
descoberta em escala web é, ou certamente possui o potencial para ser, a evolução que as
bibliotecas procuram há algum tempo para a descoberta de informação” (Tradução nossa, p.
5).
Para Maranhão (2011; 2012) os serviços de descoberta oferecem uma interface única
de pesquisa a diferentes conteúdos apresentando o resultado reunido, classificado e
ranqueado, de acordo com critérios pré-estabelecidos de relevância. Enquanto Sá (2013)
descreve as soluções de descoberta como softwares de busca e recuperação com “interfaces
inteligentes para os usuários, de forma a propiciar processos interativos e autônomos de
assistência aos diversos perfis de usuários para a apresentação e visualização da informação”.
Quanto à importância da utilização dessa nova tecnologia nas bibliotecas, Breeding
destaca que:

4589

�o serviço de descoberta pode desenvolver um papel vital na infraestrutura
estratégica da biblioteca. No entanto, deve-se levar em consideração que não
se trata de um produto de tamanho único que atenda aos diversos tipos e
tamanhos de bibliotecas, pois as necessidades de uma biblioteca pública e de
uma biblioteca universitária se diferem completamente (BREEDING, 2014a,
p. 25, tradução nossa).
A comercialização desses serviços se intensificou a partir de 2010 e os principais
produtos disponíveis no mercado são os das empresas OCLC (WorldCat Local), Serials
Solutions (Summon), Ebsco (Ebsco Discovery Service), Ex Libris (Primo) e Innovative
(Encore). Trata-se, portanto, de um novo serviço para o segmento de bibliotecas.
Com o intuito de favorecer a seleção de um serviço de descoberta, Peled (2012a)
elaborou critérios de avaliação de sistemas de descoberta estabelecendo as seguintes
funcionalidades mínimas e obrigatórias:
a) experiência de usuário: escopo, características, interface e resultados de busca;
navegação por facetas; recursos de personalização e de computação social
(Web 2.0); área “meu espaço”; alertas; entrega; acessibilidade e usabilidade e
busca federada;
b) fontes de dados: obtenção, normalização e enriquecimento de dados;
c) suportar padrões, normas e protocolos da ciência da informação e propiciar
interoperabilidade;
d) saas (Software as a Service) - serviços de assinatura.
A implantação de um serviço de descoberta, segundo Richardson (2013) requer a
participação de diversos setores da biblioteca tais como: aquisição e desenvolvimento de
coleções, processamento técnico, tecnologia da informação (TI) e também o serviço de
referência.
O serviço de descoberta é, segundo Peled (2012) a melhor ferramenta para encontrar,
localizar e entregar material informacional aos usuários. Enfatiza também que devemos nos
certificar de que os itens não estejam sendo apenas descobertos, mas principalmente usados e
que as bibliotecas precisam adequar seus serviços para atenderem às expectativas dos usuários
em desfrutar de uma interface de pesquisa amigável, fácil e única onde possam encontrar
todas as coleções da biblioteca.
Embora essa tecnologia esteja há pouco tempo no mercado, “esta inovação é e
continuará a ser uma solução incrivelmente impactante para os serviços e produtos das
bibliotecas” (RICHARDSON, 2013, tradução nossa). Na literatura encontram-se informações

4590

�sobre a rapidez de atualização e aprimoramento desses serviços, mas ainda assim ele é
considerado um produto estável e maduro por Breeding (2014b).

3 Materiais e Métodos
O processo de implantação do serviço de descoberta na Rede de Bibliotecas da UERJ
iniciou-se em março de 2014. Utilizou-se como referencial a metodologia de trabalho
sugerida pela EBSCO, e o protótipo da ferramenta, acessível via internet, com o conteúdo de
bases de dados de acesso aberto, disponibilizado, em 2012, à Rede Sirius, para testes e
avaliação.
As análises dos cenários, externo e interno, favoreceram identificar como um dos
desafios adequar a complexidade da tarefa ao tempo disponível, de março a maio de 2014,
reduzido ainda mais por feriados nacionais e municipais, em dias úteis, e pontos facultativos.
Isto porque, a vigência da assinatura já estava em andamento, não se contava com uma equipe
dedicada tempo integral ao projeto. O lançamento, para o público interno, teria que ocorrer
antes do recesso acadêmico, em junho, em função da Copa do Mundo 2014. Pretendia-se
prevenir contratempos relacionados à alteração do funcionamento da UERJ, dada a
proximidade entre o campus Maracanã, e o estádio de futebol, sede de vários jogos.
Pelos motivos expostos, decidiu-se dividir o projeto de implantação em duas fases: a
primeira dedicada à configuração inicial da ferramenta e pré-lançamento com a liberação do
serviço para testes pela comunidade interna da Rede Sirius, no início de maio de 2014. A
segunda fase iniciaria, após o recesso da Copa, com o aprimoramento da configuração da
ferramenta contemplando os feedbacks dos colaboradores da Rede Sirius e o lançamento para
a comunidade acadêmica.
Com base na documentação de gerenciamento do projeto disponibilizado pela
empresa, os Núcleos NProtec e Informat elaboraram um plano de trabalho para atender às
demandas de informação do fornecedor e necessárias para a configuração inicial do serviço.
Em paralelo, o NProtec iniciou seu próprio plano de ação. Após a análise da
documentação e do protótipo, verificou-se que a complexidade e volume das tarefas
envolvidas na configuração do EDS exigiriam quatro frentes de trabalho: infraestrutura de
tecnologia da informação, customização técnica, layout e divulgação. Uma proposta de
trabalho foi apresentada à Direção da Rede com o intuito de acertar a participação do Núcleo
MID e PLANAD. O primeiro, nas questões relativas à customização do layout, criação de
logotipo, personalização da marca, divulgação da ferramenta e o segundo, nos contatos com

4591

�os fornecedores dos recursos eletrônicos existentes, para a obtenção das informações técnicas
necessárias à integração desses ao EDS.
Um grupo de trabalho interdisciplinar foi articulado para a configuração e divulgação
do produto composto por: 2 bibliotecários (NProtec), 1 analista de sistemas (Informat) e 3
agentes administrativos (MID), com formação em comunicação, design e tecnologia da
informação, em regime de dedicação parcial ao projeto.
Na primeira reunião do referido grupo, o NProtec apresentou a ferramenta e seu
protótipo; distribuiu as atividades e a documentação de acordo com as competências dos
Núcleos envolvidos e a área de atuação de cada participante; estabeleceu o cronograma de
implantação, incluindo as datas de lançamento do produto para os públicos interno e externo e
explicou o funcionamento do sistema administrativo de configuração (EBSCOAdmin). Coube
ao Informat providenciar as contas de acesso para administradores e ao MID expor duas
propostas de logotipo para avaliação. Definiu-se que as reuniões para acompanhamento do
projeto seriam presenciais, semanais, e que o trabalho seria realizado de forma colaborativa, à
distância.
Para registro, as principais etapas desenvolvidas pelo grupo, por vezes de forma
concomitante:
a) coleta, sistematização e análise de dados e da documentação - para
personalização do EDS, em resposta aos questionários técnicos da EBSCO,
contemplando: análise dos metadados do catálogo online com a seleção de
campos MARC 21 a serem exportados; escolhas das bases de dados parceiras,
inclusas na assinatura, e das bases de acesso aberto; questões sobre a
interoperabilidade do serviço de descoberta com o catálogo online e os
repositórios institucionais - BDTD/UERJ e Portal de Publicações Eletrônicas
(OJS/SEER);
b) análise da estrutura do protótipo;
c) elaboração da matriz de responsabilidade - identificando as competências e
responsabilidades para realização das tarefas;
d) desenvolvimento de instrumentos de controle interno e acompanhamento das
atividades, tais como as entregas de informações do Núcleo à EBSCO e as
pendências das solicitações feitas aos outros Núcleos, e ao fornecedor (Figura
1). Elaboração do cronograma de implantação;

4592

�Figura 1 - Controle interno das atividades de confiuração EDS
&lt;5 :

Serviço de Descoberta - Projeto de Implantação na Rede Sirius

UERJ Ô

a- f

^ÍSTADO ^
DATA

A T I V ID A D E

R E S P O N S A B IL I D A D E

P A R T IC IP A N T E S

Sirius
STA TU S

In ic io d o p ro je to c / e n v io de
d o c u m e n ta ç ã o

10/0 3

E B S C O / R e d e S ir iu s

E q u ip e 1 . E q u ip e 2,
E q u ip e 3 e E q u ip e 4

ok

R e u n iã o k /c k -o ff

11/0 3

D ire ção /I nform at/N P rate e

E q u ip e i E q u ip e 2 e
E q u ip e 3

A g e n d a r te le c o n fe rê n c ia o k

A g e n d a m e n to d e t e le c o n fe rê n c ia c /
EBSCO

12/0 3

D ire ç ã o

E q u ip e 1

A g u a rd a n d o d a ta E B S C O - o k
R o s â n g e la . A g e n d a d o p a ra 20/0 3

11 e 1 2/0 3

N P ro te c

E q u ip e 2

C r ia ç ã o d e p a s ta no S e r v id o r co m d o c u m e n to s ok

Le itu ra e a n á lis e d a d o c u m e n ta ç ã o

12/0 3

N P rate e

E q u ip e 2

ok

R e u n iã o p a r a d iv is ã o d e ta r e fa s

13/03

N P ro t e c / In form ât

E q u ip e 2 e E q u ip e 3

A n á lis e d o “Q u e stio n á rio de
P e r s o n a liz a ç ã o d o C a tá lo g o "

14/0 3

N P ro te c

E q u ip e 2

D e fin iç ã o d a 'T a b e la d e R e fe rê n c ia s"

14/0 3

N P ro te c

E q u ip e 2

P e s q u is a n o s ite d a U n ive rs ity o f G e o rg ia
L ib ra rie s

17/0 3

N P ro te c

E q u ip e 2

R e u n iã o so b re b a s e s d e d a d o s
c o m e r c ia is

17/0 3

N P ro te c / D ire ç ã o / P L A N A D

E q u ip e 2. E q u ip e 1 e
E q u ip e 5

R e s p o s t a a o “Q u e stio n á rio d e B a s e d e
D a d o s p a r c e ir a s"

17/0 3

N P ro te c

E q u ip e 2

C o le ta d e in fo rm a çõ e s/fò rm u lá rio s n o
site

Id e n tific a ç ã o d a s p e rg u n ta s a se re m
r e sp o n d id a s p e lo N P ro t e c e Inform ât
“Q u e stio n á rio d e B a s e d e D a d o s p a rc e ira s" - o k
V e rific a r item 8 d o q u e s tio n á rio - ok
C o n firm a r M A R C n ã o e x p o rtá v e is - ok
P r e e n c h e r t a b e la c o m e n d e r e ç o s - ok

ok

R o s â n g e la a v a lia r á a s b a s e s a s e re m in c lu íd a s
A g u a rd a n d o retorno - o k
C o n tin u a r a re sp o n d e r o s q u e s tio n á r io s - ok

Fonte: Os autores, 2014.

e) benchmark nas Instituições de Ensino Superior (IES) que utilizam o serviço no
Brasil e no exterior, com relação à interface gráfica e à terminologia
empregada, em língua portuguesa, para descrever a ferramenta. Escolha da
nomenclatura: pesquisa integrada;

f) padronização das descrições de identificação e localizações das bibliotecas em
todos os campi UERJ, simplificando e favorecendo a localização espacial do
acervo pelos usuários do sistema;
g) reuniões com o suporte técnico EBSCO/EDS, via teleconferências; visita
técnica do Gerente de Engenharia de Serviço de Descoberta, América Latina e
Europa e com o coordenador Discovery Solutions nos Estados Unidos;
h) exportação dos metadados do catálogo online para o servidor EBSCO;
i) levantamento das assinaturas de base de dados, periódicos e coleções de livros
eletrônicos, não contemplados no catálogo online;
j) contato com os fornecedores para informações complementares de acesso aos
metadados das coleções eletrônicas para integração ao serviço de descoberta;
k) definição do logotipo e escolha do nome “Descubra” para o serviço de
descoberta da UERJ;
l) criação de Uniform Resource Locator (URL) para o Descubra;
m) customização técnica da ferramenta (renomeação e/ou tradução de menus e

4593

�funcionalidades, inclusão de abas, widgets e links);
n) realização de testes: de integração do catálogo online e dos demais recursos
eletrônicos; de uso das interfaces do site mobile e dos aplicativos para iPhone e
Android e das funcionalidades (pasta de armazenamento, compartilhamento em
redes sociais, exportação da pesquisa para gerenciadores de referência, alertas
automáticos entre outras);
o) planejamento da reunião de pré-lançamento do Descubra para a comunidade
interna da Rede Sirius, com a definição da dinâmica de apresentações dos
envolvidos no projeto e convite ao representante comercial da EBSCO para
apresentação sobre o panorama de utilização do EDS no Brasil e no mundo;
p) elaboração da apresentação sobre o processo de implantação do serviço e
demonstração dos recursos básicos de pesquisa e funcionalidades da
ferramenta;
q) solicitação de estatísticas de uso do acervo eletrônico, relativo ao período
anterior à implantação do Descubra, às editoras dos livros eletrônicos, ao
Portal Capes, aos representantes das bases de dados assinadas, ao Portal de
Publicações Eletrônicas para comparação após o lançamento do serviço e
r) estratégias de divulgação do lançamento do Descubra na Rede Sirius.

Para que o Descubra venha a ser a principal forma de acesso ao acervo da Rede Sirius,
a interface de pesquisa deve conferir visibilidade e favorecer o acesso de forma fácil e
amigável a todos os conteúdos, tanto os já tradicionalmente em uso pela comunidade, quanto
os recém-incorporados. Por outro lado, essa meta não poderá ser alcançada, sem a
sensibilização das equipes das bibliotecas, as principais multiplicadoras e incentivadoras do
uso do serviço, junto aos usuários. Daí a importância da divulgação interna e do emprego de
estratégias específicas para esse público, como a criação de um canal de comunicação
destinado a recolher suas sugestões e dúvidas sobre o uso do software.

4 Resultados Parciais
A configuração estrutural do Descubra e os testes iniciais foram realizados em menos
de dois meses de trabalho intenso das equipes envolvidas, cumprindo assim o cronograma
previsto para esta fase do projeto. A participação da equipe de suporte da EBSCO EDS foi
imprescindível para alcançarmos os objetivos propostos (Figura 2).

4594

�Figura 2 - Descubra pesquisa integrada: tela inicial

Fonte: Site de acesso interno do Descubra, maio, 214.

A integração do catálogo online ao serviço de descoberta (Figura 3) foi realizada com
sucesso, havendo apenas a necessidade de ajustes de informações sobre a disponibilidade dos
itens em tempo real. Tais ajustes dependem de dados técnicos do fornecedor do sistema de
gerenciamento de bibliotecas em uso na universidade.

Figura 3 - Descubra pesquisa integrada: detalhe da tela de resultados

Legenda: Identificação das bibliotecas pela sigla e localização por campi e endereços.

As limitações técnicas e comerciais de algumas das bases de dados, tais como
metadados não disponíveis, ou modelos de negócio restritivos à visualização do conteúdo,

4595

�foram superadas por meio da inserção de links em banners, que favorecem o acesso a essas
bases. A integração da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJ encontra-se em
fase de ajustes no protocolo de interoperabilidade. Portanto, provisoriamente, o acesso se dá
através de aba BDTD/UERJ criada no menu da tela principal e de widget

para Teses e

Dissertações online (Figura 4). Este aplicativo aparece na tela de resultado de pesquisa do
Descubra e oferece a funcionalidade de pesquisa em bases nacionais e internacionais de teses
e dissertações, sem que haja a necessidade de repetição do termo de busca. Além disso,
adicionou-se ainda um banner com link para a BDTD/UERJ.

Figura 4 - Descubra pesquisa integrada: detalhe par o widget
Teses e Dissertações
Online ▼

B D T D /U E ^

Imatemática financeira

|

® BDTD/UERJ
O NDLTD
O OATD
O Google Scholar
Search

Fonte: Site de acesso interno do Descubra, maio, 2014.

A customização de abas e menus do Descubra foi além da simples tradução destes
para a língua portuguesa. Estes foram renomeados de modo a se tornarem autoexplicativos. O
recurso chamado de “Periódicos A-Z” renomeado como “e-Coleções” é um exemplo, pois
nesta aba, além de periódicos eletrônicos, recuperam-se também e-books do acervo da Rede
Sirius, de acesso aberto e dos parceiros EBSCO (Figura 5). Com o intuito de favorecer a
divulgação dos conteúdos integrados criou-se a aba “Descrição das Bases” contendo uma
breve sinopse das bases de dados e a aba “Ajuda” contendo os tutoriais relacionados à
pesquisa e aos seus recursos em português, adicionalmente à opção “Help?”, na tela inicial,
cujo conteúdo encontra-se em inglês.

523 W idgets são aplicativos simples que se tornam “atalhos” para serviços e utilidades.

4596

�Figura 5 - Descubra pesquisa integrada: tela e-Coleão de A-Z

Fonte: Site de acesso interno do Descubra, maio, 2014.

Em decorrência do processo bem sucedido de configuração da ferramenta, foi possível
realizar o evento de apresentação do Descubra aos colaboradores das bibliotecas da Rede
Sirius, conforme estabelecido no cronograma. Neste evento foi disponibilizado um URL para
uso interno e divulgada a criação de um tópico sobre o Descubra, no fórum de trabalho da
Rede Sirius, com o objetivo de captar sugestões e promover ajustes antes do lançamento para
a comunidade acadêmica. Os primeiros feedbacks de uso da ferramenta foram registrados em
menos de 24 horas do seu lançamento, demonstrando um bom nível de aceitação do público
interno.

5 Considerações Finais
Considera-se que o pioneirismo da UERJ, na aquisição do serviço de descoberta, face
às demais universidades públicas, no Estado do Rio de Janeiro, foi favorecido pelo
alinhamento da Rede Sirius - Rede de Bibliotecas UERJ - com a atual política acadêmica da
universidade. Ambas empenhadas em proporcionar à sua comunidade amplo acesso à
informação científica, nacional e internacional, e ampliar a visibilidade da produção
acadêmica da universidade. Além disso, no que concerne às esferas administrativas, a Rede
Sirius vem adequando os seus fluxos de trabalho às exigências contábeis e legais do governo
do Estado do Rio de Janeiro, o que otimiza a tramitação dos processos de aquisição de

4597

�produtos e serviços informacionais. Credita-se aos fatores supracitados que a alocação de
recursos financeiros da universidade para a aquisição e manutenção da assinatura deste
serviço tenha se sobressaído entre tantos outros projetos apresentados à Administração
Central.
Cabe acrescentar que a configuração de um serviço de descoberta é um processo, que
exige monitoramento sistemático da vigência do conteúdo assinado pela instituição e
integrado à ferramenta, garantindo assim o acesso ininterrupto aos recursos e favorecendo a
credibilidade do serviço. O aperfeiçoamento e o incremento das funcionalidades devem ser
realizados pari passu às demandas percebidas com a sua utilização. Da mesma forma, a
capacitação dos profissionais envolvidos na administração da ferramenta precisa ser
constante, em função das atualizações no produto, consolidando o domínio da língua inglesa
na qual são oferecidos recursos de treinamento, a documentação e o gerenciamento do
serviço.
O suporte da EBSCO, no acompanhamento do pós-venda e da coordenação de
soluções do EDS, foi crucial no processo de implantação do serviço de descoberta na Rede
Sirius. Esta equipe mostrou-se proativa, eficiente, disponível e ágil na resolução dos
problemas técnicos. As tecnologias de comunicação e informação (TICs) eliminaram as
barreiras comumente impostas pela distância física entre as equipes sediadas no Rio de
Janeiro, Brasil e em Boston, Estados Unidos.
A segunda fase da implantação contemplará: ajustes pontuais, a partir das avaliações
dos colaboradores; testes complementares; lançamento para a comunidade acadêmica através
de divulgação nas mídias internas da universidade e no site da Rede Sirius; análise estatística
comparativa de uso das coleções e da ferramenta e continuidade no aprimoramento de novos
recursos.
O serviço de descoberta, assim configurado, se constituirá em uma ferramenta
estratégica para a Rede Sirius, pois ratificará o perfil inovador da Rede de bibliotecas na
prestação de serviços informacionais de qualidade, e para a Universidade do Estado do Rio de
Janeiro, ao contribuir com a excelência acadêmica.

Referências
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“Bibliotecários de Referência”?: novos papéis para os profissionais de informação, neste
novo paradigma e no contexto do modelo de ensino preconizado por Bolonha. Slideshare.

4598

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4600

�</text>
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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              <description>An account of the resource</description>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
                </elementText>
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                <text>Descreve o processo técnico de implantação do serviço de descoberta, denominado Descubra, na Rede Sirius – Rede de Bibliotecas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, utilizando a solução EBSCO Discovery Service (EDS). Ressalta a importância do serviço de pesquisa integrada para a comunidade acadêmica. Apresenta resultados parciais desse processo, ilustrando-os com as telas customizadas, e as estratégias empregadas para a sensibilização dos colaboradores como agentes incentivadores do uso da ferramenta como principal fonte de acesso aos recursos informacionais disponíveis. Tece recomendações para a administração e manutenção do serviço, visando a sua consolidação e credibilidade.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

RUMO À BIBLIOTECA INTERATIVA: USO DAS FERRAMENTAS DA WEB 2.0 NO
SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UFRGS - SBUFRGS

Lenise Di Domenico Colpo
Patrícia Kayser Vargas Mangan

RESUMO
As ferramentas da web 2.0 fazem parte do cotidiano das bibliotecas que almejam a
aproximação com o usuário cada vez mais conectado à internet. Buscando apresentar dados
de uso destas ferramentas pelas bibliotecas universitárias, o presente estudo tem como
objetivo geral identificar, no Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande
do Sul - SBUFRGS, as ferramentas da web 2.0 utilizadas atualmente na prestação dos
serviços e na divulgação de informações e verificar se estas ferramentas contribuem na
relação biblioteca-usuário. Resultados indicam que 43% das bibliotecas estudadas fazem uso
das ferramentas da web 2.0, sendo o Facebook a ferramenta mais utilizada. Conclui-se que o
uso das ferramentas da web 2.0 contribui positivamente na relação biblioteca-usuário uma vez
que, sua utilização aprimora os processos comunicativos resultando em uma relação de
proximidade biblioteca-usuário.
Palavras-Chave: Biblioteca universitária. Biblioteca 2.0. Ferramentas da web 2.0.

ABSTRACT
Web 2.0 tools are part of everyday life of libraries that aims at getting closer to the user
increasingly connected to the Internet. Seeking to present data about the use of such tools in
the context of academic libraries, this study has as main goal to identify, in the context of Rio
Grande do Sul Federal University Library System Web 2.0 tools currently used in user
services and information dissemination and to check if such tools has contributions to the
library-user relationship. Our results indicate that 43% of the studied libraries uses Web 2.0
tools, and Facebook is the most used tool. We conclude that Web 2.0 tools contributes
positively in the library-user relationship since its use enhances communication process and
thus results in a relationship of proximity between library and user.
Keywords: Academic Library. Library 2.0. Web 2.0 Tools.

1 Introdução
As bibliotecas universitárias responsáveis pela disseminação do conhecimento
produzido na Universidade e também fora dela, estão encontrando nas tecnologias um meio
de acompanhar as tendências da sociedade atual. Nesse sentido, a atuação direta junto às

4569

�bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul evidenciou as constantes mudanças
que tais tecnologias provocam no dia a dia de toda a comunidade acadêmica. Mudanças que
podem ser verificadas através da realização de cursos e treinamentos online, serviços de
referência virtual, a criação de perfis em sites de redes sociais pelas bibliotecas
proporcionando aos usuários diversificados canais de interação.
A preocupação com novos rumos para as bibliotecas frente à cibercultura já vem
sendo bastante discutido na comunidade acadêmica, uma vez que os bibliotecários já estão
realizando adaptações em suas bibliotecas, incorporando tecnologias para melhor atender suas
necessidades (CUNHA, 2010). No entanto, novos rumos continuam surgindo, no momento
em que, mais ferramentas são inseridas e aperfeiçoadas na web 2.0 tornando a interação cada
vez mais atraente aos seus usuários.
Este trabalho é fruto da pesquisa desenvolvida no Mestrado Profissional em Memória
Social e Bens Culturais da Unilasalle - RS (COLPO, 2014), que procurou identificar esta
nova cultura digital emergente que, através da utilização das ferramentas da web 2.0, cria
novos espaços de relacionamentos, remodela produtos, serviços e ressignifica a construção do
conhecimento.
O objetivo do presente estudo é identificar no Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul - SBUFRGS as ferramentas da web 2.0 utilizadas
atualmente na prestação de serviços e na divulgação da informação e verificar como estas
ferramentas contribuem na relação biblioteca-usuário.
A pesquisa caracteriza-se como um estudo exploratório, utilizando o método quantiqualitativo para a coleta de dados. Este trabalho permitiu retratar a incorporação das
ferramentas da web 2.0 pelo SBUFRGS sendo possível a identificação de quais ferramentas
são utilizadas efetivamente e sua contribuição na relação biblioteca-usuário.
A seguir apresenta-se o referencial teórico, a metodologia utilizada na pesquisa e os
resultados e conclusões obtidos com este estudo.

2 Rumo à Biblioteca Interativa

Vivenciamos uma transformação conceitual e paradigmática no que tange às
mudanças provocadas pela nova geração web. As bibliotecas, aos poucos, vão incorporando
aos seus produtos e serviços novas ferramentas, criando formas inovadoras de comunicação
com seus usuários. Presenciamos um novo paradigma informacional.

4570

�Se pensarmos nas bibliotecas antes da introdução das Tecnologias de Informação e
Comunicação - TICs, quando o acesso à informação era possível apenas através do contato
físico com os materiais, sem a possibilidade de buscas e conhecimento do que estava sendo
impresso no mundo, é que teremos a noção da significativa mudança em que estamos
inseridos. A biblioteca passou de depositária dos registros escritos à disseminadora e difusora
da informação.
Antes do surgimento das tecnologias digitais para se localizar uma obra, por
exemplo, utilizavam-se os catálogos de livros, primeiramente manuais, compostos por fichas
catalográficas que informavam sua localização na estante. Passou-se à catálogos online, mas
ainda estáticos, ou seja, o próprio usuário deveria buscar a informação. Atualmente, com a
segunda revolução da web, presenciamos catálogos interativos que registram as preferências
de buscas e informam novas aquisições conforme perfil informado pelo próprio usuário.
Logo, as bibliotecas estão promovendo a incorporação de recursos e ferramentas cada vez
mais interativos em seus serviços.
Através do surgimento da web 2.0

foi possível a aplicação das tecnologias digitais

aos serviços e produtos das bibliotecas. O uso efetivo da internet fez com que as pessoas
percebessem que ela poderia ser utilizada muito além do que a simples publicação de
conteúdos em sites. A internet passou a disponibilizar produtos e serviços mais dinâmicos e
interativos. Assim, as páginas na web permitem a interação de seus usuários, criando espaços
dinâmicos, em um processo contínuo de trocas e de construção de saber.
O surgimento de plataformas abertas possibilitou o desenvolvimento de ferramentas
digitais que promovem a interação e participação ativa de seus usuários. Neste estudo, utilizase a expressão “ferramentas da web 2.0”, mesmo termo utilizado por Jesus e Cunha (2012),
para indicar as diversas ferramentas digitais. Como exemplo de ferramentas da web 2.0,
podemos citar Blogs, redes sociais (Facebook, Twitter), wikis, entre outros. Tais ferramentas
potencializam a livre criação, organização e distribuição da informação, além de dinamizar
produtos e serviços em um processo conjunto e contínuo.
Fazendo uso dos novos recursos e ferramentas presenciamos o surgimento do
conceito denominado “Biblioteca 2.0”. (CASEY, 2005; MANESS, 2007; BLATTMANN;
SILVA, 2007). Percebem-se transformações neste cenário: de produtos e serviços estáticos,
passou-se a oferecer produtos e serviços dinâmicos e interativos voltados ao usuário.518
518 O conceito web 2.0 surgiu em 2004 durante a conferência de brainstorming entre as empresas: O'Reilly
Media e MediaLive International, com intuito de descrever uma evolução da internet. (O'REILLY, 2005).

4571

�Michael Casey foi quem primeiramente conceituou Biblioteca 2.0 em seu Blog
LibraryCrunch (http://www.librarycrunch.com) no ano de 2005. Casey pensava na Biblioteca
2.0 como uma nova forma de pensar e de operar os serviços oferecidos pelas bibliotecas,
aliando as novas tecnologias. A partir disso, bibliotecários de todo o mundo aderiram à
discussão. (CASEY, 2005)
O estudo de Jack M. Maness (2007, p.44) define a “Biblioteca 2.0” como “a
aplicação de interação, colaboração e tecnologias multimídia baseadas em web para serviços e
coleções de bibliotecas baseados em web.” A Biblioteca 2.0, centrada no usuário, tem como
alicerce a interatividade e utiliza as ferramentas da web 2.0 para criar, aperfeiçoar produtos e
serviços, bem como compartilhar informações no ambiente virtual. Ferramentas como: Blog,
YouTube, Facebook, Twitter e Wikis já fazem parte do cotidiano de inúmeras instituições de
todo o mundo que objetivam estabelecer uma interlocução com seus clientes.
Sob este aspecto, as bibliotecas devem ir além dos serviços tradicionais e estáticos e
fazendo uso da tecnologia, inserir as ferramentas da web 2.0 ao seu cotidiano. No quadro a
seguir, elaborado por Blattmann e Silva (2007), podemos verificar um comparativo criado
pelos autores entre a biblioteca 1.0 “estática” e a biblioteca 2.0 “interativa”.

Quadro 6 - Evolução da Biblioteca 1.0 para Biblioteca 2.0, com base no texto
de Davis (2005)519.
B ib lio tec a 1.0 (L ib r a ry 1.0)

B ib lio teca 2 .0 (L ib ra ry 2.0)

Correio eletrônico e páginas de questões
mais frequentes (FAQ)
Tutorial baseado em texto

Serviço de referência via bate-papo
(Chat)
Mídia interativa (Streaming media)
em base de dados
Blogs, wikis, leitoras de RSS
Indexação com base em esquemas
Controlados
Catálogo com agregados Blogs, wikis e páginas web

Listas de correio eletrônico, webmasters
Esquemas de classificação controlada
Catálogo impresso

Fonte: (BLATTMANN; SILVA, 2007).

Analisar as características da Biblioteca 2.0 em relação a Biblioteca 1.0, faz com que
se perceba a ênfase dada à interação com o usuário na busca pela informação. Serviços de
referência via bate-papo, ou chats; mídias interativas buscando apresentar a utilização de
bases de dados; Blogs, feed de notícias publicando as últimas informações sobre eventos,
519 DAVIS, Ian. "Talis, Web 2.0 and All That", Internet Alchemy blog, 4 July, 2005. Disponível em:
http://internetalchemy.org/2005/07/ talis-web- 20-and- all-that .

4572

�treinamentos, aquisições, isto é, são os profissionais bibliotecários cada vez mais próximos do
seu “usuário-intemauta”, atuando como facilitadores na busca pelo conhecimento.
A web 2.0 vem agregar às bibliotecas novas possibilidades de serviços, novos canais
de comunicação e interação com o usuário. Não significa dizer, que serviços estáticos antes
utilizados, como o correio eletrônico (e-mails'), por exemplo, deixam de ter utilidade ou serem
ineficazes. Muitos serviços oferecidos pelas bibliotecas continuam sendo utilizados na
interação com o usuário. Estamos diante de uma evolução, uma mudança de comportamento e
atitudes que faz com que sejam repensados os modelos tradicionais de atendimento
oferecidos. O que deve ser salientado é que a web 2.0 proporciona à biblioteca uma mudança
de conceitos, ou seja, a possibilidade de oferecer recursos centrados no usuário, promover
canais interativos de divulgação da informação, auxiliar através de novas ferramentas a
construção do conhecimento, interagindo, criando conteúdos e recebendo feedback mais
instantâneo do seu usuário final.
Diante desta nova concepção de Biblioteca 2.0, verifica-se que tanto bibliotecas
quanto bibliotecários devem acompanhar as evoluções tecnológicas destes espaços cada vez
mais interativos, na qual usuários e bibliotecários possam juntos, criar e modificar conteúdos
em ambientes digitais. Atentas ao novo perfil do usuário, diariamente conectado na rede, as
bibliotecas precisam disponibilizar seus produtos e serviços ao usuário. As ferramentas da
web 2.0 são espaços perfeitos para esta nova interação.

2.1 Ferramentas da Web 2.0 no contexto das Bibliotecas Universitárias

Especialmente no ambiente acadêmico, as bibliotecas universitárias, espaços de
apoio ao ensino, pesquisa e extensão das universidades, devem acompanhar as tecnologias
digitais. Necessitam buscar, através das ferramentas disponibilizadas pela web 2.0, um meio
de ultrapassar suas barreiras físicas e adentrar no mundo virtual, buscando maior aproximação
com seus usuários online, tornando-se um ambiente facilitador e abrangente de interação e de
construção conjunta do conhecimento.
Conhecidas como ferramentas colaborativas, as ferramentas da web 2.0 são
instrumentos tecnológicos criados para permitir, através de diferentes locais, a interação entre
usuários. Colocam à disposição de seus usuários a possibilidade de compartilhar, colaborar,
criar valor e competir, fazendo com que a sociedade participe da inovação e da criação de
riqueza em vários setores. (CONTI; PINTO, 2010).

4573

�Jesus e Cunha (2012) afirmam que, no Brasil, já existem alguns estudos relacionados
à biblioteca 2.0, mas apontam para a escassez de informações sobre a efetiva utilização das
ferramentas da web 2.0 em nossas bibliotecas, segundo os autores, as bibliotecas
universitárias podem e devem utilizar a web 2.0 para oferecer produtos e serviços a seus
usuários.
Neste contexto, torna-se pertinente fazer uma breve reflexão sobre a escassez de
investimentos financeiros e tecnológicos que o Brasil enfrentou ao longo de muitos anos.
Com a crise econômica, as universidades públicas enfrentaram um longo período de
estagnação, consequentemente, a falta de recursos afetou diretamente as bibliotecas
universitárias, que não puderam acompanhar e implementar o uso de tecnologias que países
mais desenvolvidos utilizavam.
Esta escassez de recursos, essencialmente financeiros, dificulta, em algumas
situações impede, o cumprimento da missão destas unidades informacionais
como “instrumento” de localização, organização, armazenamento e
disseminação da informação. Em se tratando de bibliotecas universitárias
isto significa atender, a pelo menos, a sua comunidade em suas atividades de
ensino, pesquisa e extensão. (SILVA; CARVALHO; CUNHA, 2011, p. 5).

Contudo, justificam-se de certa forma os apontamentos de Jesus e Cunha (2012), que
revelam a existência de poucos estudos relacionados à Biblioteca 2.0, como também à
escassez de informações sobre os usos das ferramentas da web 2.0 em nosso país.
Faz-se necessário realizar uma análise de como essas tecnologias, que emergiram
através da web 2.0, podem ser aplicadas no contexto das bibliotecas universitárias. Conforme
os autores acima, ferramentas de pesquisa como o YouTube, Wiki, Flickr; ferramentas de
relacionamento social como o Facebook e Twitter; ferramentas de divulgação como Blogs e
mensagens instantâneas são exemplos de interação da tecnologia aliados no processo de
atendimento ao usuário. “A web 2.0 também pode estar presente de outras maneiras, como na
divulgação da biblioteca por meio desses serviços e na disseminação da informação com o
Really Simple Syndication (RSS).” (JESUS; CUNHA, 2012, p. 111).
As redes sociais na internet, por exemplo, que têm como característica principal o
compartilhamento de informações, são massivamente utilizadas pelos jovens e no ambiente
acadêmico representam a maior porcentagem dos usuários das bibliotecas. Cabe salientar que
o conceito de redes sociais é anterior ao surgimento da internet. Conforme Recuero (2009), os
sistemas sociais e as redes sociais estão em constante mudança, a comunicação mediada por
computador gerou outras maneiras de estabelecimento das relações sociais. Desta forma, a
internet é utilizada para formar novos padrões de interação. O computador permitiu que novas

4574

�relações ocorressem em um novo espaço (ciberespaço) formando novos grupos. Portanto, as
redes sociais precisam ter capacidade de adaptação para se desenvolverem em novos
ambientes.
As ferramentas da web 2.0 têm provocado novas formas de interação, reconfigurando
os meios tradicionais existentes. Contudo, o profissional bibliotecário deve estar em contínuo
processo de aprendizagem, adquirindo novas habilidades compatíveis com as novas
demandas.
As bibliotecas universitárias vêm remodelando suas homepages, com o surgimento
das redes sociais, blogs, entre outros, a criação de perfis institucionais para as bibliotecas vem
ampliando os canais de comunicação com o usuário, construindo novos meios de
compartilhamento de informações dentro das universidades.
A criação destes canais de comunicação requerem do bibliotecário conhecimento
sobre os recursos tecnológicos, de informática, criação de websites, de perfis em sites de redes
sociais, o conhecimento e a compreensão das ferramentas da web 2.0, são habilidades que
devem ser postas em prática, a partir da iniciativa dos profissionais.
No momento em que meios dinâmicos de comunicação são abertos com o usuário,
mais informais e interativos, conforme são proporcionados pelos recursos da web 2.0,
verifica-se a necessidade de construir um mesmo canal de comunicação igualitário com o
público-alvo da biblioteca. Saber quais informações devem ser postadas, quais notícias devem
ser compartilhadas, saber utilizar a linguagem da internet. Com mais informalidade e
interatividade, as informações circulam de forma instantânea e cabe ao bibliotecário transmitir
a informação pela web, ou seja, comunicar-se com o usuário de forma eficaz.
Na atual conjuntura em que vivemos, a informação desempenha papel fundamental
em nossas vidas. As bibliotecas universitárias constituem a base sólida que apoia as atividades
de ensino, pesquisa e extensão das universidades e, para tanto, os bibliotecários, devem
caminhar ao encontro dos anseios institucionais a que estão vinculados, munidos de todo o
conhecimento e recursos tecnológicos disponíveis para assim, atingir o objetivo enquanto
profissionais: transmitir, compartilhar e disseminar a informação.

3 Métodos utilizados
Realizou-se um estudo exploratório acerca da utilização das ferramentas da web 2.0
pelo Sistema de Bibliotecas da UFRGS - SBUFRGS. A pesquisa utilizou o método quantiqualitativo. O universo da pesquisa foi composto pelas 32 bibliotecas que constituem os
SBUFRGS, para amostra selecionou-se as 30 bibliotecas universitárias.

4575

�Através de uma abordagem quantitativa e qualitativa a coleta dos dados foi realizada
nas seguintes etapas: levantamento de dados na internet, contato telefônico, questionário e
entrevistas com os bibliotecários das unidades.
Para a análise dos dados quantitativos (levantamento de dados na internet, contato
telefônico e questionário) foi realizada uma estatística descritiva através da construção de
planilhas.
O levantamento de dados na internet foi realizado com o objetivo de verificar as
informações sobre a existência da utilização das ferramentas da web 2.0 pelas bibliotecas do
SBUFRGS. Esta pesquisa foi realizada no período de 10 a 15 de setembro de 2012 e ocorreu
em três etapas: análise dos websites das bibliotecas, busca nas ferramentas da web 2.0 e
pesquisa no Google.
Em relação aos dados obtidos nas entrevistas, para a análise utilizou-se o método
denominado análise de conteúdo.
A seleção das bibliotecas para a aplicação das entrevistas ocorreu de forma
intencional, ou seja, escolhe-se a partir de critérios estabelecidos previamente um grupo de
elementos para compor a amostra no qual o pesquisador, intencionalmente, procura saber
opiniões. (MARTINS; THEOPHILO, 2009).
No conjunto das bibliotecas, o foco foram as 13 (treze) bibliotecas que utilizam as
ferramentas da web 2.0. Selecionou-se nesse conjunto para as entrevistas, as bibliotecas que
utilizam duas ou mais ferramentas da web 2.0 para melhores elementos de análise. A partir
destes critérios, 6 (seis) bibliotecas foram convidadas para participar das entrevistas e todas
aceitaram fazer parte da pesquisa. As entrevistas foram realizadas no período de 27 de junho a
16 de julho de 2013. Neste período foram entrevistados os responsáveis pela manutenção e
atualização das ferramentas da web 2.0, sendo eles 6 (seis) bibliotecários.

4 Resultados Finais
Verificou-se através do levantamento de dados na internet que, das 30 (trinta)
bibliotecas do SBUFRGS analisadas, 13 (treze) bibliotecas utilizam as ferramentas da web
2.0, ou seja, 43%. Logo, 17 (dezessete) bibliotecas ainda não fazem uso das ferramentas da
web 2.0, correspondendo à 57%.
Durante esta pesquisa analisou-se a interligação entre os websites e as ferramentas da
web 2.0, ou seja, se os websites disponibilizam links às ferramentas. O resultado encontrado
foi que das 13 (treze) bibliotecas que utilizam as ferramentas da web 2.0 apenas 8 (oito)

4576

�websites fazem link para as ferramentas (Facebook, Blog e Twitter). Os demais 5 (cinco)
websites não mencionam sua participação nas redes sociais e Blog aos seus internautas.
Para confirmar as informações pesquisadas na internet, realizou-se, ainda no mês de
setembro de 2012, contato telefônico com os bibliotecários de cada unidade, na busca por
informações mais precisas sobre a efetiva utilização, ou não, das ferramentas da web 2.0. Este
contato reafirmou os dados encontrados sobre quantas bibliotecas fazem uso das ferramentas
da web 2.0 sendo possível identificar, também através do relato dos bibliotecários, quais são
as ferramentas utilizadas. Através deste contato por telefone foi possível obter a informação
da utilização de outras duas ferramentas da web 2.0: Skype e SlideShare.
Os dados apontam para os seguintes resultados: a partir da análise dos websites,
buscas realizadas nas próprias ferramentas e no Google e, através de contato telefônico,
constatou-se a utilização de 5 (cinco) ferramentas da web 2.0 por 13 (treze) bibliotecas. As
ferramentas da web 2.0 utilizadas foram assim identificadas: 8 delas, ou seja, 61,5% utilizam
o Facebook; 6 bibliotecas (46,1%) utilizam o Blog; 5 bibliotecas fazem uso do Twitter
(38,4%); 2 bibliotecas (15,4%) informaram que utilizam o Skype para se comunicar com
seus usuários; e 1 biblioteca (7,7%) relatou utilizar a ferramenta SlideShare (ferramenta de
apresentação de slides).
A figura 1 apresenta as ferramentas da web 2.0 utilizadas pelas bibliotecas do
SBUFRGS e suas respectivas porcentagens.
Figura

1 - Ferramentas

da

web

2.0

utilizadas

pelas

bibliotecas

do

SBUFRGS520

Fonte: Dados da pesquisa, 2013.
520 Imagem que compõe o Infográfico, produto final do Mestrado Profissional em Memória Social e Bens
Culturais da Unilasalle - Canoas/RS, 2014.

4577

�Como resultado obsrva-se que a ferramenta Facebook demonstrou ser a mais
utilizada pelas bibliotecas do SBUFRGS, este resultado reforça a grande aceitação desta
ferramenta pelos internautas. Pesquisas revelam que o Facebook já é a ferramenta mais
utilizada no Brasil. Já em 2012, Tozetto (2012) afirmava que o Brasil liderava o crescimento
do Facebook com mais de 54 milhões de usuários, tornando-se o segundo país com maior
quantidade de usuários, em primeiro lugar está os Estados Unidos, país onde o sistema foi
desenvolvido pelo norte-americano Mark Zuckerberg.
Em maio de 2013 a Veja divulgou em seu site dados sobre o uso do Facebook no
Brasil, onde a rede social alcançou, em março do mesmo ano, 73 milhões de usuários
cadastrados no país. Tendo-se em vista que o Brasil possui 94 milhões de pessoas com acesso
à internet, isso significa que quase quatro a cada cinco brasileiros conectados possuem o perfil
no Facebook. (VEJA, 2013).
Aguiar (2012) realizou um estudo sobre o uso das ferramentas de redes sociais nas
bibliotecas universitárias da UNESP, UNICAMP e USP. A pesquisa revelou que das 101
bibliotecas que compõem as três universidades, 50 bibliotecas utilizam as ferramentas de
redes sociais. A pesquisa constatou que as ferramentas mais utilizadas são o Facebook em
primeiro lugar, seguido do Twitter e Blog. Os resultados divulgados por Aguiar (2012)
corroboram com os resultados desta pesquisa que apresenta as mesmas três ferramentas como
sendo as mais utilizadas pelo SBUFRGS.
Após decorrer um ano do levantamento realizado na internet, efetuou-se novamente a
pesquisa acima citada em setembro de 2013. Neste intervalo, correspondente a doze meses,
verificou-se que os dados encontrados não sofreram alterações, ou seja, não houve adesão
e/ou exclusão de ferramentas da web 2.0 pelas bibliotecas analisadas.
Visando buscar maiores informações sobre os motivos da não implantação/adesão
das ferramentas da web 2.0 pelas 17 (dezessete) bibliotecas do SBUFRGS, optou-se por
enviar um questionário por e-mail. Através de uma questão de múltipla escolha, solicitou-se
aos bibliotecários para assinalarem os motivos que impediam a implantação das ferramentas
da web 2.0. A elaboração das questões baseou-se no questionário do estudo de Aguiar (2012,
p.172). O e-mail juntamente com o questionário foi enviado em 16 de setembro de 2013.
A partir do envio do questionário às 17 bibliotecas, 14 (quatorze) bibliotecas que não
utilizam as ferramentas da web 2.0 responderam as questões solicitadas. A Figura 2 apresenta
os motivos que impedem a implementação das ferramentas da web 2.0 pelas bibliotecas do
SBUFRGS.

4578

�F ig ur a 2 - M otiv os que im p ed em a im p l a n t a ç ã o das fe r r a m e n t a s da web 2.0

pelas bibliotecas do SBUFRGS521

Fonte: Dados da pesquisa, 2013.

O motivo que impee a implantação e/ou adesão das ferramentas da web 2.0 mais
citado pelos bibliotecários é a falta de recursos humanos, ou seja, 12 bibliotecas (85,7%)
relataram que faltam recursos humanos para implantar e gerenciar as ferramentas. Em
seguida, a falta de tempo para gerenciar as ferramentas foi o segundo motivo mais citado com
71,4%, (10 bibliotecas); 7 bibliotecas (50%) indicaram a dificuldade para encontrar pessoas
na equipe com perfil e qualificação para implantar as ferramentas da web 2.0; em quarto

521 Imagem que compõem o Infográfico, produto final do Mestrado Profissional em Memória Social e Bens
Culturais da Unilasalle - Canoas/RS, 2014.

4579

�lugar, a ausência de uma política para as unidades que norteie a sua implantação, este motivo
foi citado por 4 (quatro ) bibliotecas (28,6%); 3 (três) bibliotecas indicaram a dificuldade em
elaborar um planejamento estratégico para o uso das ferramentas (21,4%); 2 (duas) bibliotecas
indicaram que as ferramentas da web 2.0 não se aplicam ao perfil da biblioteca e apenas uma
biblioteca considerou a preocupação com a segurança da rede.
Verifica-se que a falta de recursos humanos e a falta de tempo para implantar e
gerenciar as ferramentas da web 2.0 foram os motivos mais indicados pelos bibliotecários do
SBUFRGS para a não adesão/implantação destas ferramentas. O questionário foi respondido,
na sua grande maioria, pelos bibliotecários-chefes, demonstrando indicarem as reais situações
que cada unidade vem administrando. O uso adequado das ferramentas da web 2.0 e sua
administração requer pessoal e tempo para planejar, pesquisar e atender às demandas que
estes novos canais de comunicação exigem.
Estudos indicam que há necessidade de um planejamento prévio à adoção das
ferramentas da web 2.0, sendo que vários critérios devem ser considerados, como por
exemplo: quem são os usuários reais e potenciais, como será feita a alimentação das mídias, o
que se pretende divulgar, quais conteúdos; nas redes sociais deve-se publicar com
regularidade, responder com agilidade as dúvidas e comentários quando necessário, atentar
para as mudanças de interface e de funcionamento acompanhando a tecnologia que está em
constante transformação. (YAMASHITA; CASSARES; VALENCIA, 2012).
Investigar mais detalhadamente os motivos que levam a não adoção das ferramentas
da web 2.0, propor ações e capacitações para a adesão de tais ferramentas, bem como avaliar a
eficiência e eficácia da utilização destas ferramentas nas bibliotecas analisadas, resta como
um importante trabalho futuro.

Entrevistas
Neste trabalho, são apresentados os dados coletados nas entrevistas, correspondente
ao seguinte objetivo: as ferramentas da web 2.0 contribuem na relação bibliotecausuário?
Nesse sentido, verificou-se junto aos bibliotecários a sua percepção sobre a relação
biblioteca-usuário na interação com as ferramentas da web 2.0. Perguntou-se, em relação às
ferramentas utilizadas, se elas contribuem na interação com o usuário. As respostas todas
indicaram contribuições positivas, como pode-se observar nos trechos selecionados abaixo:

4580

�“Acho que aproximou, parece que fica mais perto do usuário, elas
contribuem para essa interação. ” (B2)
“Eu acho que contribui bastante porque eu vejo que eles ficam bem
satisfeitos, eles ficam bem agradecidos e eles expressam isso.” (B4)
“Elas contribuem, é uma forma deles se atualizarem, saber o que está
sendo publicado, as listas de novas aquisições, saber os cursos de
extensão que a UFRGS está oferecendo, [...] e também a questão dos
acervos online que a gente divulga, isso também é bem interessante.”
(B5)
As ferramentas da web 2.0 são espaços de interação e compartilhamento de
informações. Seu uso nas bibliotecas universitárias permite uma interação com os usuários
que vai além do meio físico, ou seja, a comunicação também ocorre de forma não presencial,
possibilitando novos meios de aproximação e até mesmo permitindo um contato que antes
não aconteceria. Todos os entrevistados percebem que o uso das ferramentas da web 2.0
contribuem na relação biblioteca-usuário, eles acreditam que é uma forma de aproximação
com o usuário, estes podem visualizar a qualquer momento as informações postadas pela
biblioteca, curtir, compartilhar, comentar, não apenas no horário de funcionamento da
biblioteca, mas a qualquer hora do dia: “[...] de uma forma ou de outra eles estão em casa à
meia-noite, uma da manhã eles estão acessando o Twitter, eles estão tendo contato com a
gente. Então, de uma maneira ou de outra, eles estão ali sabendo o que a gente está postando
aqui.” (B1).
Esta relação de proximidade que as ferramentas da web 2.0 permitem, através de um
ambiente mais dinâmico e informal, vem despertando nas instituições, o interesse pela sua
utilização. O bibliotecário, ao utilizar o serviço de chat, tanto no Skype, quanto no Facebook,
por exemplo, possibilita ao usuário um atendimento imediato, instantâneo e até mesmo
personalizado. “É um atendimento automático, ele está com a dúvida, ele já entra no seu
perfil, conversa com o bibliotecário, já sana a sua dúvida e resolve a sua vida.” (B3).
As bibliotecas devem potencializar as condições de interação com seus usuários,
participando e atuando na web, tornando seus ambientes virtuais em espaços de interação
direta com o usuário, desta forma a biblioteca irá redimensionar o seu papel de mediadora no
acesso ao conhecimento. (GOMES; PRUDÊNCIO; CONCEIÇÃO, 2010)

4581

�Os relatos dos entrevistados abaixo exemplificam as formas de interação bibliotecausuário no uso das ferramentas da web 2.0. A participação ativa do bibliotecário na web,
utilizando as redes sociais, contribui na divulgação dos produtos e serviços da biblioteca:
“[...] nesses momentos que a gente faz uma promoção específica, é
que a gente vê que tem bastante interação, o pessoal está atento,
né?!" (B1).
“[...] quando é um assunto muito interessante, que chame muita
atenção, aí sim há um grande número de curtidas." (B5)
As redes sociais permitem a disseminação da informação de forma rápida. O
bibliotecário precisa conhecer estas ferramentas, ser mais pró-ativo e fazer uso delas no seu
dia a dia, promovendo conteúdos relevantes, divulgando cursos e capacitações. Isso poderá
ajudá-lo a realizar um trabalho mais eficaz voltado ao atendimento do usuário de acordo com
seu perfil. (YAMASHITA; CASSARES; VALENCIA, 2012).
Através das entrevistas verificou-se que a maioria dos bibliotecários faz uso das
ferramentas da web 2.0 para promover seus serviços e produtos: treinamentos, capacitações,
listas de novas aquisições, entre outros. É uma forma de marketing, de agradar e atrair o
público-alvo. A utilização das ferramentas da web 2.0 podem contribuir na relação bibliotecausuário, sendo a promoção (dos serviços e produtos) um fator de destaque: “A gente tem que
trabalhar com a promoção, a gente tem que focar também na promoção. Acho que é uma
grande vantagem das redes sociais e desses meios de comunicação é a questão da promoção
da biblioteca." (B3).
Observou-se que os bibliotecários que realizam a promoção da biblioteca através das
ferramentas da web 2.0 atualizam seus usuários em relação ao que vem sendo adquirido e
oferecido, não somente pela biblioteca, mas divulgando também informações sobre a
Universidade.
“Teve um dia que a gente divulgou um e-book que estava disponível
sobre acessibilidade e esse e-book teve um monte de curtir. E é bem
assim que funciona, a gente recebe a divulgação por e-mail e como é
que a gente ia fazer a divulgação se não tivesse as redes sociais?"
(B5).
A fala do entrevistado acima também revela o comportamento de uma geração de
indivíduos (estudantes e/ou profissionais) que cresceram utilizando as tecnologias de
informação e comunicação. A Geração Y está habituada com as facilidades da internet, com

4582

�as diversas formas de interação, não apenas observam, mas colaboram e compartilham
informações e parecem desconhecer as formas de relacionamento sem o uso das tecnologias.
O surgimento de uma nova geração de usuários, conhecida como Geração Y, utiliza
diversos dispositivos tecnológicos e redes sociais para buscar informação, se comunicarem e
se socializarem. São novas ferramentas, novos comportamentos e mentalidades que permitem
outros parâmetros de atuação para as bibliotecas. (AGUIAR, 2013).
Verifica-se, através do depoimento dos bibliotecários entrevistados, as afirmativas
quanto a contribuição do uso das ferramentas da web 2.0 na relação biblioteca-usuário.
Utilizar estas ferramentas como meio de divulgação, de promoção dos produtos e serviços
oferecidos auxilia a biblioteca a transmitir as informações que deseja ao seu público-alvo bem
como receber de forma mais instantânea o feedback dos usuários, conforme relato do
entrevistado B6 que identifica a interação do usuário através do número de “curtidas” e/ou
compartilhamentos das suas postagens: “[...] pela interação, pelo curtir, número de
visualizações, pelo compartilhar. Os assuntos de interesse que são mais curtidos [...], e assim
já dá pra perceber o que atrai e o que não atrai os usuários, assim identifica o que é de
interesse da comunidade que lê.”
O fator “interação” que os novos canais de comunicação estabelecem, proporcionam
o aprimoramento dos processos comunicativos resultando em uma maior relação de
proximidade biblioteca-usuário, antes não permitidos. Tais fatores devem ser levados em
conta no momento de se avaliar a aplicação das ferramentas da web 2.0 em suas bibliotecas.

5 Considerações Finais
Este trabalho possibilitou uma investigação em relação ao uso das ferramentas da
web 2.0 pelas bibliotecas universitárias que compõem o Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O estudo aqui proposto permitiu a identificação
de quais ferramentas da web 2.0 são utilizadas pelas bibliotecas e sua contribuição na relação
biblioteca-usuário. Os resultados indicam que 43% das bibliotecas do SBUFRGS utilizam as
ferramentas da web 2.0 sendo o Facebook, Blog e Twitter as ferramentas mais utilizadas.
Compreende-se a contribuição do uso das ferramentas da web 2.0 na relação
biblioteca-usuário, uma vez que a utilização destas ferramentas auxilia a biblioteca a
transmitir as informações que deseja ao seu público-alvo, bem como receber de forma mais
instantânea o feedback dos usuários. A interação proporcionada pelos novos canais de
comunicação aprimoram os processos comunicativos resultando em uma maior relação de
proximidade biblioteca-usuário, essenciais nos dias atuais.

4583

�Conclui-se que a utilização das ferramentas da web 2.0 implica, na maioria das
vezes, o aumento da participação dos usuários e de seu interesse pela biblioteca. O
bibliotecário deve ser um gestor, pró-ativo e aberto à mudanças, desempenhando o papel de
facilitador da informação e aceitando os novos desafios que a adoção dessas ferramentas traz
ao seu cotidiano da biblioteca universitária.

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                <text>Rumo à biblioteca interativa: uso das ferramentas da web 2.0 no Sistema de Bibliotecas da UFRGS- SBUFRGS</text>
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                <text>As ferramentas da web 2.0 fazem parte do cotidiano das bibliotecas que almejam a aproximação com o usuário cada vez mais conectado à internet. Buscando apresentar dados de uso destas ferramentas pelas bibliotecas universitárias, o presente estudo tem como objetivo geral identificar, no Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – SBUFRGS, as ferramentas da web 2.0 utilizadas atualmente na prestação dos serviços e na divulgação de informações e verificar se estas ferramentas contribuem na relação biblioteca-usuário. Resultados indicam que 43% das bibliotecas estudadas fazem uso das ferramentas da web 2.0, sendo o Facebook a ferramenta mais utilizada. Conclui-se que o uso das ferramentas da web 2.0 contribui positivamente na relação biblioteca usuário uma vez que, sua utilização aprimora os processos comunicativos resultando em uma relação de proximidade biblioteca-usuário.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ROTEIRO DE IMPLEMENTAÇÃO DE REPOSITÓRIOS INSTITUCIONAIS EM
INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR

Denilson de Oliveira Sarvo
Roniberto Morato do Amaral

RESUMO
A adoção da filosofia de acesso aberto se mostra estratégica diante das barreiras de acesso à
informação científica e a necessidade de subsídios para o desenvolvimento de novos
conhecimentos que resultam na evolução da ciência. A criação de repositórios institucionais é
uma das estratégias adotadas pelo Movimento de Acesso Aberto que possibilita reunir,
organizar e disseminar a produção científica institucional, garantindo o livre acesso e a maior
visibilidade das publicações. Para as instituições implantar repositórios pode se mostrar
atividade complexa que envolve aspectos políticos, tecnológicos, humanos e de gestão. O
presente trabalho teve como objetivo elaborar um roteiro de implementação de repositórios
institucionais, apresentando as ações e etapas identificadas por meio da literatura, resultando
em uma possível lógica a ser adotada. Utilizou-se como metodologia a pesquisa exploratória,
realizada por meio de levantamento bibliográfico com enfoque qualitativo, a fim de identificar
e compreender os fatores envolvidos com a temática. Como resultado são apresentados
elementos julgados essenciais para a implementação de repositórios institucionais como:
missão, objetivos, definição de equipe, escolha de software, planejamento de custos, análise
de contexto, definição de política de funcionamento, regras para depósito, preservação digital,
estratégias de marketing e avaliação de desempenho. Conclui-se que a elaboração de um
roteiro, ao compreender e sistematizar elementos envolvidos com a temática que não possuem
ligações entre si, pode contribuir na eficiência e eficácia de iniciativas de implementação de
repositórios institucionais, principalmente no contexto nacional.
Palavras-Chave: Repositórios institucionais;
Comunicação científica; Informação científica.

Bibliotecas

digitais;

Acesso

aberto;

ABSTRACT
The adoption of the open access philosophy presents itself as strategic in face of the barriers
of access to scientific information and the necessity of subsidies for the development of new
knowledge which results in the evolution of science. The creation of institutional repositories
is one of the strategies adopted by the Open Acces movement, which makes it possible to
gather, organize and disseminate institutional scientific production, ensuring free access to
and greater visibility of the publications. For institutions, the implantation of repositories can
become a complex task, which involves managerial, human, technological and political
aspects. This work aims to elaborate a guide to the implementation of institutional
repositories, which presents the actions and stages identified through literature, resulting in a
possible logic to be utilized. The methodology used was exploratory research, carried out by

4555

�bibliographic survey with a qualitative approach, in order to identify and understand the
factors related to the theme. As a result, some elements are presented as being essential to the
implementation of institutional repositories, such as: mission, objectives, staff definition,
software choice, cost planning, context analysis, definition of working policies, rules for
deposit, digital preservation, marketing strategies and performance evaluation. One concludes
that the elaboration of a guide, as it comprehends and systematizes elements that, although
related to the theme, are not connected to one another, can contribute to the efficiency and
effectiveness of institutional repositories implementation initiatives, especially in a national
context.
Keywords: Institutional repository; Digital libraries; Open access; Scientific communication;
Scientific information.

1 Introdução
O processo de comunicação científica ocorre por meio da troca de informações entre
pesquisadores, sobre os resultados de seus estudos. O ato de publicar é essencial para o
avanço da ciência, pois as informações disponibilizadas são avaliadas pela própria
comunidade acadêmica e servem de subsídios para novas pesquisas.
Entre os canais de comunicação utilizados destacam-se os periódicos, adotados desde
os primórdios da comunicação científica formal. Os periódicos científicos utilizam o sistema
de avaliação de peer review, que busca garantir a credibilidade e relevância das informações
publicadas.
Alguns periódicos, denominados como centrais, possibilitam a cobertura das
principais publicações de uma área do conhecimento. Entretanto, como geralmente são
distribuídos por grandes editoras científicas, seus valores exorbitantes acabam criando
barreiras para o acesso a seu conteúdo.
Práticas adotadas pelas comunidades científicas, como o grande interesse por parte dos
pesquisadores em publicar em revistas centrais, buscando maior visibilidade e impacto para
suas publicações, agravam ainda mais as barreiras de acessibilidade. Em muitos casos, a
própria instituição de origem do pesquisador não possui acesso à fonte na qual o
conhecimento foi publicado.
Nesse contexto é que surge o Movimento de Acesso Aberto, a fim de promover ações
em prol da acessibilidade da informação científica, tendo como marco inicial o
estabelecimento de declarações e manifestos, os quais serão abordados no próximo item.
Implementar repositórios institucionais requer conhecimento sobre aspectos distintos,
tecnológicos, humanos, políticos e de gestão, podendo configurar-se como tarefa complexa,

4556

�que exige a avaliação das condições e demandas institucionais para seu planejamento e
execução.
Diante dessa diversidade de elementos envolvidos com a temática “repositórios
institucionais” e a necessidade de se conhecerem “quais ações necessárias para a sua
implementação”, a presente pesquisa teve como objetivo elaborar um roteiro de
implementação de repositórios institucionais, dando enfoque ao contexto de bibliotecas de
instituições de ensino superior.
Como forma de orientar a realização da pesquisa, foram estabelecidos como objetivos
específicos: a realização de levantamento bibliográfico sobre a temática “implementação de
repositórios institucionais”; a identificação, a partir da análise da literatura, dos critérios e
ações necessárias para implantar repositórios; a elaboração do roteiro de implementação,
conceituando e demonstrando a aplicabilidade dos requisitos identificados.
A realização da pesquisa foi motivada pela necessidade de identificar quais os recursos
e ações necessários para a implementação e gestão de repositórios institucionais em
bibliotecas de instituições de ensino superior. Justifica-se a escolha da temática diante a
demanda por parte da Biblioteca da Universidade Federal de São Carlos - UFSCar, de
implementar seu repositório.
Apesar de inúmeras possibilidades de aplicação e gestão de diversos tipos de
conteúdo, delimitou-se a pesquisa aos modelos de repositórios institucionais com foco na
gestão da produção científica.

2 Revisão de Literatura

A comunicação científica pode ser compreendida como “[...] o processo de produção,
consumo e transferência de informação no campo científico” (CUNHA; CAVALCANTI,
2008, p. 97).
Desse modo, fazer ciência implica aos pesquisadores deixarem em domínio público os
resultados de seus estudos, a fim de serem avaliados por toda a comunidade científica. As
análises, críticas, oposições e aperfeiçoamento das informações apresentadas estimulam
novos estudos, garantindo o avanço da ciência (VOLPATO, 2008).
As publicações científicas permitem o registro do conhecimento científico,
possibilitando seu acesso sem a necessidade direta de contato com o autor, o que amplia a
possibilidade de um número maior de pesquisadores de conhecer os resultados de estudos
realizados (VOLPATO, 2008).

4557

�Em seu processo de evolução, a comunicação científica sofreu diversas alterações.
Durante a Idade Média, a ciência era realizada por indivíduos de modo isolado, não
apresentando nenhum tipo de estrutura e organização de comunidades científicas. Somente
com o surgimento das universidades e academias foi que a ciência passou a ser desenvolvida
de modo coletivo, impulsionando a comunicação científica que ocorria por meio da troca de
correspondências (ROSA; GOMES, 2010).
Foi com as reuniões de sociedades científicas que a comunicação formal passou a ser
consolidada. As correspondências eram trocadas no intuito de possibilitar, aos que não
haviam participado presencialmente dos encontros, conhecer o conteúdo apresentado. Com a
evolução dessa prática, surgiram os periódicos científicos como meio mais eficiente para a
difusão do conhecimento (ROSA; GOMES, 2010).
Diante do crescimento do número dos periódicos científicos, a prática de publicações
de índices bibliográficos passou a ser adotada, compilando-se as informações sobre os
principais artigos publicados sobre determinada área do conhecimento. Fatores como a
disseminação de tais índices e a predominância do inglês como idioma adotado pela ciência
levaram a comunicação científica a uma perspectiva global (GUÉDON, 2010).
O aumento do volume de informação publicada passou, então, a exigir a gestão de
fontes de informação para o devido monitoramento do avanço da ciência. Práticas de seleção
passaram a ser adotadas diante da inviabilidade e alto custo para aquisição de um elevado
número de periódicos, tendo como objetivo identificar quais os títulos necessários para
garantir a cobertura adequada de uma área do conhecimento. Essas práticas deram origem às
denominadas revistas centrais (GUÉDON, 2010).
Determinar quais eram as principais revistas de uma área passou a servir como
orientação sobre quais os periódicos deveriam ser adquiridos. Desse modo, os títulos centrais
passaram a ter grande visibilidade e acessibilidade via editoras científicas. A prática de
aquisição passou a ser orientada pelas listas de periódicos centrais, tornando-se um referencial
para o desenvolvimento de coleções (GUÉDON, 2010).
Em meados de 1986, as assinaturas de periódicos começaram a apresentar valores
exorbitantes, causando impacto nos recursos destinados a sua aquisição. Como consequência,
houve redução na obtenção de títulos e a limitação de acesso à informação, problemática esta
conhecida como a crise dos periódicos (ROSA; GOMES, 2010).
O interesse por parte dos pesquisadores em publicar nas revistas centrais de nível
internacional, buscando maior visibilidade e reconhecimento no meio acadêmico, passou a

4558

�impedir, em muitos casos, que a própria instituição de origem do autor tivesse acesso ao
conhecimento publicado (ROSA; GOMES, 2010).
O Movimento de Acesso Aberto surgiu como uma proposta de solução diante dessas
barreiras de acesso à informação, buscando discutir alternativas para garantir a acessibilidade
às publicações científicas. O movimento representa uma quebra de paradigma das práticas
tradicionais de distribuição de periódicos via editoras científicas, levando para a comunidade
acadêmica o direito e a responsabilidade de organizar, promover acesso e disseminar a própria
produção (WEITZEL; FERREIRA, 2010).
A iniciativa do Movimento de Acesso Aberto foi formalizada por meio de declarações
e manifestos, como a declaração de Budapeste, em 1999, e o Manifesto Brasileiro de Apoio
ao Acesso Livre à Informação Científica, lançado no país pelo Instituto Brasileiro de
Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), em 2005 (KURAMOTO, 2006).
A Open Archives Initiative (OAI), criada em 1999 na convenção de Santa Fé, surgiu
com o objetivo de promover alterações nos padrões de comunicação científica, por meio da
definição de tecnologias, diretrizes para gestão e políticas necessárias para a estruturação de
uma rede de publicações científicas de acesso aberto (KURAMOTO, 2006; GARCIA;
SUNYE, 2003).
Rosa e Gomes (2010) apontam que o Movimento de Acesso Aberto possui a
capacidade de modificar completamente o cenário da comunicação científica, influenciando
nos processos tradicionais de produção, aquisição, disseminação e uso da informação.
As ações voltadas à promoção do acesso aberto recebem forte influência do uso das
tecnologias, principalmente do modelo Open Archives, que permite a interoperabilidade entre
repositórios digitais. Weitzel e Ferreira (2010) ressaltam que o uso das tecnologias contribui
para o movimento de Acesso Aberto, apontando a capacidade de troca de informações devido
aos protocolos de interoperabilidade, o que promove maior acesso à produção científica.
O modelo Open Archives define um protocolo de comunicação entre repositórios,
denominado Open Archives Initiative Protocol for Metadata Harvesting (OAI-PHM), que
possibilita a coleta de metadados a partir de um provedor, exibindo-os como resultados em
uma interface de busca integrada de um coletor de metadados. A esse processo de coleta
denomina-se harvesting (GARCIA; SUNYE, 2003).
A interoperabilidade proporciona aos arquivos/repositórios de acesso livre a
capacidade de serem acessados por meio de inúmeros coletores de metadados, em nível
nacional e/ou internacional. A configuração desse modelo representa para a comunidade

4559

�científica uma maior visibilidade de seus resultados de pesquisa e o consequente aumento de
impacto (LEITE, ARELLANO, MORENO, 2006).
Para Ferreira, Marchiori e Cristofoli (2010), dentre os canais de comunicação, os
periódicos científicos são os que sofrem cada vez mais influência das iniciativas de acesso
livre e uso das tecnologias da informação, culminando na disputa entre a distribuição de
informação científica via editoras e as iniciativas de acesso aberto.
O Movimento de Acesso Aberto propõe duas abordagens para promover o livre acesso
ao conteúdo científico - a via dourada e a via verde.
A via dourada estabelece como estratégia a promoção de periódicos eletrônicos de
acesso aberto. Essa via possui como vantagem a utilização do modelo tradicional de avaliação
pelos pares (peer review), ao mesmo tempo em que garante o livre acesso ao conteúdo
(LEITE, 2009). Como resultado de suas ações está o desenvolvimento de softwares livres, que
permitem a produção de periódicos científicos de acesso aberto, como no caso do SEER
(Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas), sistema disponibilizado pelo IBICT, voltado
ao gerenciamento e publicação de revistas eletrônicas.
A via verde estabelece como estratégia a criação de repositórios institucionais como
meio para organizar e disseminar a produção científica de instituições (LEITE, 2009). Um
repositório institucional pode ser compreendido com uma das possíveis configurações de uma
biblioteca digital; consiste em uma base de dados que possui a finalidade de reunir, organizar
e possibilitar o acesso à produção científica da instituição (LEITE, 2012).
Gomes e Rosa (2010) apontam os repositórios institucionais como “[...] uma das
estratégias mais eficazes de melhoria das condições de disponibilidade e facilitação do acesso
à produção intelectual, acadêmica e científica dos centros produtores do conhecimento, como
as universidades e centros de investigação” (GOMES; ROSA, 2010, p. 7).
Para Barbosa (2012), implantar repositórios institucionais vai de encontro à proposta
de promoção do acesso à informação, pois seu conteúdo será indexado, possibilitando a
recuperação via buscadores da internet. Deste modo, mesmo que um usuário desconheça a
existência do repositório, poderá localizar e consultar as publicações por meio dos resultados
de pesquisas obtidos.
No Brasil, o IBICT assume as iniciativas de construção e gestão de repositórios
institucionais. Estas ações recebem influência direta da experiência e competência obtidas no
projeto Bibliotecas Digitais de Teses e Dissertações (BDTD), que utiliza o modelo Open
Archives e permite a interoperabilidade entre as coleções, formando uma rede de bibliotecas
digitais com texto completo.

4560

�Kuramoto (2010) aponta como marco das iniciativas de criação dos repositórios
institucionais no país a elaboração e aprovação do projeto Portal de Publicações Seriadas de
Acesso Livre (PCAL), plano com o propósito de registrar e disseminar a produção científica
nacional por meio de um portal que integre o conteúdo de periódicos científicos e coleções de
repositórios.
Para o sucesso do projeto, tornou-se necessário o incentivo para que instituições
disponibilizassem os itens para a composição do PCAL - criar periódicos científicos de acesso
livre e repositórios institucionais (KURAMOTO, 2010).
Como resultados provenientes do projeto, o IBICT disponibiliza o Portal Brasileiro de
Acesso Aberto à Informação Científica (OASISBR), que permite a pesquisa simultânea em
periódicos científicos, repositórios institucionais, bibliotecas digitais de teses e dissertações,
entre outras fontes de informação científica de acesso aberto do Brasil e de Portugal
(INSTITUTO..., 2010).
Apesar dos avanços do Movimento de Acesso Aberto no país, Kuramoto (2010)
aponta as barreiras enfrentadas por instituições brasileiras para a implementação de
repositórios. Para o autor, são desafios para a construção e implementação de repositórios
institucionais as questões tecnológicas, de gestão do conhecimento, gestão da publicação
científica e, principalmente, as barreiras políticas.
De encontro com tais afirmações, Leite (2009) ressalta que a implantação de um
repositório não depende apenas de fatores tecnológicos, mas de fatores relacionados à
interoperabilidade humana, de estratégias que estimulem a comunidade científica a depositar
a sua produção e, principalmente, de mecanismos de gestão.
Diante de tais desafios, o presente trabalho busca identificar quais as ações e
procedimentos necessários para que instituições de ensino superior possam planejar e
implementar seus repositórios institucionais, promovendo e contribuindo com o movimento
de acesso aberto à informação científica.

3 Materiais e Métodos

Trata-se de uma pesquisa exploratória, desenvolvida com o intuito de obter uma visão
geral, identificando conceitos e aspectos desenvolvidos sobre a temática, com a finalidade de
aproximação e construção de hipóteses ante as questões identificadas.
A fim de determinar quais as ações necessárias para a implementação de repositórios
institucionais, a realização da pesquisa se deu por meio da técnica de levantamento

4561

�bibliográfico, com caráter qualitativo. A decisão pela pesquisa bibliográfica como
metodologia de trabalho mostrou-se importante ao longo do desenvolvimento da pesquisa,
uma vez que possibilitou a identificação e compreensão de fatores envolvidos com a temática
e que não possuíam ligações diretas entre si.
Para a coleta de dados foram utilizadas fontes de informações diversas, como bases de
dados de literatura técnico-científica (BDLTC’s), bibliotecas digitais de teses e dissertações
(BDTD’s), catálogos de bibliotecas (OPAC’s), meta-buscadores com enfoque científico e
repositórios institucionais.
Foram utilizadas estratégias de busca visando recuperar publicações com enfoque na
implementação de repositórios institucionais, utilizando termos relacionados à construção de
repositórios. Buscou-se realizar uma recuperação exaustiva das fontes de informações
selecionadas, a fim de proporcionar uma revisão sistemática sobre a literatura de
implementação de repositórios institucionais.
Inicialmente, o trabalho foi pautado nas publicações do IBICT “Boas práticas para
construção de repositórios institucionais da produção científica” e “Como gerenciar e ampliar
a visibilidade da informação científica brasileira”, e, a partir dos critérios de implementação
identificados, buscaram-se, nas publicações recuperadas, os critérios e ações complementares.

4 Resultados Finais
Como resultados do levantamento bibliográfico, as ações e procedimentos
identificados na literatura são aqui apresentados (Quadro 1), constituindo o roteiro para a
implementação de repositórios institucionais.

Quadro 1 - Roteiro de implementação de repositórios institucionais
ETAPAS

DESCRIÇÃO
Devem ser estabelecidos com base na demanda da instituição. São associados
com a busca pela maior visibilidade da produção científica, o controle da
produção institucional e com a inserção da instituição no contexto da gestão
de conteúdos digitais. Ao definir os objetivos, torna-se necessária a tomada
MISSÃO
E
de decisão entre duas abordagens que irão delimitar o conteúdo do
OBJETIVOS
repositório: a rígida, que permite somente o depósito de publicações
avaliadas pelos pares, ou a flexível, que, além do conteúdo aprovado pelos
pares, incorpora outros materiais não avaliados formalmente pela
comunidade científica (LEITE, 2009).
As equipes de repositórios são caracterizadas por serem enxutas,
interdisciplinares e com alta capacitação, sendo geralmente constituídas por
DEFINIR EQUIPE
bibliotecários, analistas de sistemas e profissionais de comunicação.
TÉCNICA
Leite (2009) aponta como principais componentes da equipe: os gestores,
responsáveis pela definição de políticas e gestão de recursos, e os

4562

�administradores, responsáveis por gerenciar os aspectos tecnológicos do
repositório. Shintaku e Meirelles (2010) recomendam a instauração de um
grupo gestor para as tomadas de decisões, composto pela equipe técnica,
usuários e os steakholders - indivíduos que possuem influência sobre o
repositório, como reitores, gestores e docentes.
Diante da grande oferta de softwares disponíveis para a implementação de
repositórios, torna-se necessário o estabelecimento de critérios para sua
seleção. Sayão e Marcondes (2009) recomendam a formação de um comitê
ESCOLHA
DO
avaliador, com a representação de todos os atores envolvidos, certificandoSOFTWARE
se, deste modo, que a escolha irá considerar diferentes perspectivas e
demandas. Para os autores, são critérios pertinentes à seleção de software: a
infraestrutura, capacidade de organização do conteúdo, qualidade da
interface com o usuário e os recursos de interoperabilidade.
Sayão e Marcondes (2009) apontam como principais características do
Infraestrutura
software a ser analisado: a escalabilidade, extensibilidade, facilidade de
implantação, plataforma computacional necessária, satisfação de usuários,
suporte do sistema, base de conhecimento das comunidades envolvidas,
estabilidade da organização de desenvolvimento, perspectivas de inovações,
limites do sistema, documentação disponível/cursos/publicações. Além dos
aspectos referentes ao hardware e software, é necessário o mapeamento das
competências da equipe, o que possibilitará o planejamento sobre a
contratação de serviços externos e capacitação interna.
Deve-se considerar a capacidade e flexibilidade do sistema quanto à
Organização
arquitetura de informação a ser definida: os tipos de objetos comportados, os
do conteúdo
fluxos de trabalhos permitidos e a possibilidade de organizar o conteúdo
segundo comunidades e coleções.
Item relacionado com a qualidade da interface do sistema e a possibilidade
Interfacede customização; os idiomas disponíveis; a capacidade de recuperar
Usuários
informação, identificando quais os tipos de buscas permitidas; a
possibilidade de navegar por índices; se existem recursos que permitem a
disseminação seletiva da informação; quais os filtros apresentados para
aplicar nos resultados de uma pesquisa e o formato em que os resultados são
apresentados.
O software deve estar em conformidade com os protocolos de
Interoperabilidade
interoperabilidade, como OAI-PHM e Z39.50, o que possibilitará a troca de
informações com outros sistemas de informação.
Os custos para implementação de um repositório estão associados com a
aquisição de hardware e software; contratação de recursos humanos,
principalmente equipe de TI para a instalação e customização, e a
PLANEJAR
necessidade de treinamento e capacitação. Para a manutenção, são
CUSTOS
apresentados custos para as ações de marketing, manutenção do sistema,
segurança da informação, preservação digital, e o desenvolvimento de
funcionalidades e serviços (LEITE, 2009; TOMAÉL; SILVA, 2007).
Para definir a política de gerenciamento, é necessário mapear todos os atores
envolvidos no repositório - tomadores de decisões, equipe técnica e usuários
ANÁLISE
em potencial. A partir do mapeamento, é possível identificar qual a demanda
CONTEXTUAL
por parte dos atores e como essas proporcionam ameaças e oportunidades ao
projeto (LEITE, 2009).
No momento do planejamento, é necessário definir qual o tipo de conteúdo
aceito; quem pode depositá-lo; como são os fluxos de trabalho; as
POLÍTICA
DE responsabilidades de cada ator envolvido; os serviços oferecidos e se há
FUNCIONAMENTO custos para uso.
A política de funcionamento é concebida na forma de um documento,
contendo todas as regras do repositório, o que deve refletir a política de

4563

�POLÍTICA
CONTEÚDO

DE

POLÍTICA
DEPÓSITO

DE

Comunidades
e coleções

Definir
metadados

Fluxo
submissão

de

Direitos
autorais

POLÍTICA
DE
PRESERVAÇÃO

informação da instituição. Sua publicação irá formalizar o repositório diante
da comunidade acadêmica (ROSA, 2011).
A política de conteúdo determina quais são os tipos de documentos aceitos
para depósito, refletindo a decisão sobre a abordagem a ser adotada (rígida
ou flexível). Devido às questões de direitos autorais, é imprescindível o
acompanhamento do setor jurídico da instituição para sua definição
(VARGAS, 2009).
A política de depósito define questões relacionadas à organização do
conteúdo: o estabelecimento de comunidades e coleções, os esquemas de
metadados adotados para cada material, os fluxos de submissão de conteúdo
e a resolução dos conflitos de direitos autorais.
As universidades utilizam as relações hierárquicas entre faculdades,
institutos, departamentos e centros de pesquisas para definir as comunidades,
subcomunidades e coleções de seus repositórios, sendo outros critérios
possíveis para a organização as relações entre áreas do conhecimento ou as
comunidades de interesse (LEITE et al., 2012).
O Dublin Core é o padrão de metadados comumente adotado pelos
repositórios, sendo a base para a interoperabilidade entre sistemas desse
caráter (LEITE, 2009; CATARINO; SOUZA, 2012). Deve-se estabelecer
uma estrutura de metadados para cada tipo de material aceito, identificando
no próprio documento sua descrição, identificação, explicação e localização,
o que facilitará sua recuperação em sistemas de informação. Recomenda-se,
como parâmetro para estabelecer os esquemas de metadados, o uso das
diretrizes DRIVER guidelines 2.0 e OpenAIRE guidelines 2.0 (LEITE et al.,
2012).
Existem três etapas básicas nos modelos de submissão: 1) catalogação, etapa
obrigatória na qual são realizadas pelo autor a submissão dos metadados, do
documento e a concessão de direitos para depósito; 2) avaliação, que consiste
na verificação da compatibilidade do conteúdo depositado com a política do
repositório; e 3) revisão, na qual serão avaliados os metadados dos
documentos aprovados para depósito. Esta etapa é crucial para garantir uma
boa recuperação dos documentos (SHINTAKU; MEIRELLES, 2010).
Na etapa de submissão, é necessário verificar quais as permissões para a
realização do depósito, pois, apesar de ser comum a prática de concessão de
direitos patrimoniais, no ato da publicação, dos autores aos editores, em
muitos casos é concedida permissão para o autoarquivamento de uma cópia
do trabalho em servidores institucionais ou pessoais (UNIVERSIDADE...,
2013).
Recomenda-se incluir na etapa de submissão uma confirmação por parte do
autor autorizando a realização do depósito e se comprometendo com sua
legalidade, para verificar as permissões de depósito concedidas pelas fontes
de publicações científicas. Recomenda-se o uso de diretórios de políticas
editoriais como o Diadorim ou Sherpa/Romeo.
Nova, Galindo e Ribeiro (2011) apontam como papel do repositório
preservar a memória da instituição, garantindo a preservação, em longo
prazo, do conteúdo nele armazenado. Para os autores, cabe à política de
preservação determinar quais as diretrizes em relação aos aparatos
tecnológicos envolvendo hardware e software sob a perspectiva da memória,
visando garantir o acesso em longo prazo, a confiabilidade dos dados e a
autenticidade de conteúdo.
O Open Archival Information System (OAIS) é um modelo conceitual que
descreve as ações necessárias para a preservação, em longo prazo, em um
repositório institucional. A adoção dos padrões apresentados pelo modelo
garante a disponibilidade, durabilidade e confiabilidade dos dados, além da

4564

�ESTRATÉGIAS DE
MARKETING

Definir
e serviços

Indicadores
desempenho

produtos

de

manutenção, o compartilhamento e a distribuição do material preservado
(ARELLANO, 2008; CASTRO et al., 2009; SAYÃO; MARCONDES,
2009).
O planejamento de marketing deve contemplar ações em todo o ciclo de
desenvolvimento do projeto: na concepção do repositório, ao buscar
incentivos da instituição e atores para o seu desenvolvimento; na etapa de
implementação, ao definir as estratégias para seu projeto piloto; em sua fase
de manutenção, quando deverá divulgar o repositório buscando novos
adeptos e incentivando os usuários que o utilizam; além de se comprometer,
num aspecto mais amplo, em promover a filosofia de acesso aberto em toda a
instituição (LEITE, 2009; RODRIGUES, 2010).
Na fase de planejamento são definidos quais os serviços oferecidos pelo
repositório, os quais devem buscar agregar valor ao projeto, incentivando a
adesão de novos usuários e se caracterizando como uma recompensa para os
que o utilizam. Entre os serviços oferecidos por repositórios estão os
treinamentos e suporte aos usuários; serviço de identificadores persistentes;
importação de dados por lote; digitalização de documentos; orientação sobre
direitos autorais, e depósito mediado (LEITE, 2009).
Diante da possibilidade de inúmeros serviços, a escolha por ofertá-los deve
ser realizada com cautela, sendo crucial avaliar as condições e capacidades
da equipe para que a oferta destes não se torne pontos fracos e/ou ameaças ao
sucesso do repositório.
O repositório institucional é uma importante fonte de indicadores sobre a
produção científica, e possibilita o monitoramento da relevância científica,
social e econômica das atividades de pesquisa da instituição (CROW, 2002
apud
MELIS,
2013).
Leite
et al. (2012) destacam o uso do Ranking Web of Repositories para a geração
de indicadores que servirão como subsídios na avaliação do repositório.
Visando ao aumento de visibilidade e consequente melhoria das posições nos
rankings institucionais, Melis (2013) aponta como possível estratégia o
cadastro do repositório em diretórios internacionais como o Registry of Open
Access Repositories (ROAR) e The Directory of Open Access Repositories
(OpenDOAR).
Com a finalidade de avaliação, é por meio dos indicadores de desempenho
que a equipe irá obter o feedback das estratégias e decisões tomadas, o que
possibilitará a realização de diagnóstico indicando quais as melhorias
necessárias para o sucesso do projeto.

Fonte: Elaborado pelo autor.

5 Considerações Finais
Este trabalho teve como objetivo elaborar um roteiro de implementação de
repositórios institucionais, considerando a necessidade de gestão da produção científica em
instituições de ensino superior e sua inserção no contexto do Movimento de Acesso Aberto.
O roteiro elaborado buscou apresentar e detalhar as ações e etapas necessárias para a
implementação de repositórios, conforme identificado na literatura. No entanto, diante da
complexidade do tema, mostrou-se inviável qualquer tentativa de esgotar as possibilidades de
decisões envolvendo sua implementação.

4565

�Como resultado almejado, foram apresentados os conceitos julgados como mais
relevantes para as instituições que estão iniciando suas atividades com repositórios
institucionais. Cabe ressaltar a ampla literatura identificada sobre os diversos aspectos
envolvendo um RI - políticos, tecnológicos, humanos e de gestão, cabendo a esse trabalho
apenas apresentar uma possível lógica de implementação.
Conclui-se, a partir da discussão teórica e dos resultados apresentados, que os
conhecimentos organizados e sistematizados na forma de um roteiro podem contribuir para o
aumento da eficiência e eficácia no desenvolvimento e manutenção das iniciativas de se
instituírem repositórios institucionais, em especial no contexto brasileiro.
Como perspectiva de continuidade de pesquisas voltadas a este tema, sugerem-se
estudos sobre os distintos aspectos envolvendo os repositórios institucionais e o Movimento
de Acesso Aberto, como os requisitos tecnológicos necessários para a implementação de
repositórios; o enfoque nas práticas de gestão, visando sua criação e manutenção; o
desenvolvimento de políticas que representem a prática de comunicação científica de toda a
instituição e, sobretudo, o impacto das iniciativas dos repositórios institucionais na dinâmica
de comunicação, desenvolvimento e avaliação da ciência no Brasil.
Diante das limitações de acesso à informação e, em contrapartida, do aumento da
demanda por novos conhecimentos necessários para o desenvolvimento e avanço da ciência,
ações de incentivo à cultura de acesso aberto e a implementação de repositórios parecem
estratégias necessárias a qualquer instituição.

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                <text>A adoção da filosofia de acesso aberto se mostra estratégica diante das barreiras de acesso à informação científica e a necessidade de subsídios para o desenvolvimento de novos conhecimentos que resultam naevolução  ciência. A criação de repositórios institucionais é uma das estratégias dotadas pelo Movimento de Acesso Aberto que possibilita reunir, organizar e disseminar a produção científica institucional, garantindo o livre acesso e a maior visibilidade das publicações. Para as instituições implantar  epositórios pode se mostrar atividade complexa que envolve aspectos políticos, tecnológicos, humanos e de gestão. O presente trabalho teve como objetivo elaborar um roteiro de implementação de repositórios institucionais, apresentando as ações e etapas identificadas por meio da literatura, resultando em uma possível lógica a ser adotada. Utilizou-se como metodologia a pesquisa exploratória, realizada por meio de levantamento bibliográfico com enfoque qualitativo, a fim de identificar e compreender os fatores envolvidos com a temática. Como resultado são apresentados elementos julgados essenciais para a implementação de repositórios institucionais como: missão, objetivos, definição de equipe, escolha de software, planejamento de custos, análise de contexto, definição de política de funcionamento, regras para depósito, preservação digital, estratégias de marketing e avaliação de desempenho. Conclui-se que a elaboração de um roteiro, ao compreender e sistematizar elementos envolvidos com a temática que não possuem ligações entre si, pode contribuir na eficiência e eficácia de iniciativas de implementação de repositórios institucionais, principalmente no contexto nacional.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

REPOSITÓRIOS INSTITUCIONAIS: CASO DA BVS BIOÉTICA E DIPLOMACIA
EM SAÚDE

Juliana Lourenço Sousa
Neilia Barros Ferreira de Almeida
José Paranaguá de Santana
RESUMO
Apresenta os principais aspectos que motivaram a adoção do sistema Dspace pela BVS
Bioética e Diplomacia em Saúde (BVS BDS). O texto tem como objetivo expor os processos
utilizados e desenvolvidos pela BIREME/OPAS/OMS para permitir a interoperabilidade entre
a Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e o sistema
DSpace. Compartilha a experiência do Nethis na adoção do Dspace para a criação do
repositório institucional e da base de dados científica e técnica da BVS BDS. Explica a
metodologia utilizada pela BIREME/OPAS/OMS no processo de compatibilização e
interoperabilidade entre o Dspace, a Metodologia LILACS e seu aplicativo para descrição
bibliográfica LILDBI-Web. Aborda aspectos da transferência dos aplicativos da BVS BDS da
BIREME/OPS/OMS para o Icict/Fiocruz. Descreve a “Oficina de Compartilhamento de
Experiências no uso do Dspace” e o diagnóstico de uso do sistema. Identifica que a equipe do
Nethis considera o Dspace de uso fácil e acredita que esta ferramenta permitirá que todo o
conhecimento produzido pelo núcleo de estudosbem como os itens do acervo da BVS BDS
estejam armazenados em um só local favorecendo a recuperação da informação, além de
informaro resultado de submissão de itens à base de dados LILACS. Conclui-se que este
estudo apresenta uma importante iniciativa no uso do Dspace como um sistema que permite a
interoperabilidade com a metodologia LILACS em benefício da promoção e recuperação da
informação científica e técnica na área da Bioética e Diplomacia em Saúde.
Palavras-Chave:Repositório Institucional; Interoperabilidade; LILACS; BVS Bioética e
Diplomacia em Saúde; DSpace.
ABSTRACT
The main aspects that prompted the adoption of DSpace system for Bioethics and Diplomacy
in Health VHL (VHL BDH) are presented. The text aims to expose the processes used and
developed by BIREME/PAHO/WHO to enable interoperability between the Latin American
and Caribbean Literature on Health Sciences (LILACS) and the DSpace system. Nethis
experience in the adoption of the Dspace platform for the creation of the institutional
repository and the scientific and technical database of VHL BDH is shared. The methodology
used by the BIREME/PAHO/WHO in the process of compatibility and interoperability
between the Dspace, the LILACS methodology and its application to LILDBI-Web
bibliographic description is explained. Aspects of the transfer of the applications of the VHL
BDH applications from BIREME/PAHO/WHO to Icict/Fiocruz are discussed. Describes the

4541

�"Sharing Experiences in using the Dspace workshop" and the diagnosis of use of the system.
It identifies that the Nethis team considers the Dspace of easy use and believes this tool will
allow all the knowledge produced by the Center of Studies, as well as that the items in the
collection of the VHL BDH are stored in one place favoring the recovery of information,
besides it reports of result the submission of items the LILACS database. It is concluded that
this study presents a major initiative in using Dspace as system that enables interoperability
with the LILACS methodology for the benefit of the promotion and recovery of scientific and
technical information in the field of Bioethics and Health Diplomacy.
Keywords: Institutional Repository;
Diplomacy VHL; DSpace.

Interoperability;LILACS;

Bioethics

and

Health

1 Introdução

A Biblioteca Virtual em Saúde Bioética e Diplomacia em Saúde (BVS BDS) foi
inaugurada em julho de 2011 pelo Núcleo de Estudos Sobre Bioética e Diplomacia em Saúde
(Nethis) e adota desde então a metodologia BVS desenvolvida pelo Centro Latino-Americano
e do Caribe em Ciências da Saúde (BIREME/OPAS/OMS).
Com a finalidade de se tornar um espaço virtual que reúne fontes de informações
especializadas em Bioética, Relações Internacionais e Saúde Pública, a BVS tem como
objetivos:
•

Disponibilizar informação que atende aos requisitos de qualidade e de confiabilidade;

•

Melhorar a disponibilidade de informação;

•

Personalizar o fornecimento de informação;

•

Compartilhar o conhecimento científico;

•

Ampliar o debate sobre os temas relacionados à Bioética, Relações Internacionais e
Saúde Pública.
Esta biblioteca foi desenvolvida sob o marco do acesso equitativo e universal à

informação como direito humano fundamental, garantido pela Declaração Universal dos
Direitos Humanos - 1948 (UNESCO, 1998), desta forma, a BVS BDS está disponível on line,
por meio do endereço eletrônico http://bvsbioeticaediplomacia.fiocruz.br/.
A BVS BDS apresenta-se como um importante instrumento para o campo
interdisciplinar da intersecção temática da Bioética, Relações Internacionais e Saúde Pública,
contribuindo para o desenvolvimento de pesquisas, tomada de decisão, elaboração de projetos
e estabelecimento de programas nesta temática.
Os documentos disponíveis em sua base de dados (acervo) passam por um rigoroso
processo de seleção, realizado por uma comissão de seleção científica formada por

4542

�pesquisadores, cientistas e profissionais da informação do Nethis e de instituições de
referência, com o objetivo de oferecer aos usuários, por meio do acesso abertoà informação e
da cooperação técnica em informação científica, documentos confiáveis e de qualidade.
Segundo Almeida, Carrillo Roa e Santana (2014), esta BVS se destacapor sua
temática, pelo desenvolvimento de uma metodologia própria para o processo de seleção
bibliográfica do acervo, bem como, pela iniciativa pioneira do uso do sistema DSpace para
desenvolver seu repositório institucional, assim, como para registro de documentos
científicos.
O objetivo deste artigo é apresentar os processos utilizados e desenvolvidos pela
BIREME/OPAS/OMS para permitir a interoperabilidade entre a Literatura Latino-Americana
e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e o sistemaDSpace, bem como compartilhar a
experiência do Nethis na adoção do Dspace para a criação do repositório institucional e da
base de dados científica e técnica da BVS BDS.
O texto aborda os principais aspectos e a metodologia utilizada no processo de
compatibilização e interoperabilidade entre o Dspace, a Metodologia LILACS e seu aplicativo
para descrição bibliográfica LILDBI-Web;a parceria com o Instituto de Comunicação e
Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), bem como a transferência dos
aplicativos da BVS BDS da BIREME/OPS/OMS para o Icict/Fiocruz; os destaques da Oficina
de Compartilhamento no uso do Dspace;o diagnóstico de utilização do sistema Dspace no
âmbito da BVS BDS e as considerações finais.

2 Revisão de Literatura
A revisão de literatura utilizada neste trabalho aborda algumas definições de
Repositório Institucional que serviram para consolidar o conhecimento e entendimento do
termo e a reafirmação de que os repositórios podem ser utilizados para fins não apenas
acadêmicos e os benefícios de utilizar o sistema Dspace.
Apresenta também o modelo de cooperação técnica seguindo o modelo da BVS e a
metodologia LILACS.

2.1 A criação das bases de dados da BVS BDS e repositório institucional do Nethis

A LILACS é o mais importante e abrangente índice da literatura científica e técnica da
América Latina e Caribe. Criada há 28 anos, os principais objetivos da LILACS são o

4543

�controle bibliográfico e a disseminação da literatura científico-técnica latino-americana e do
Caribe na área da Saúde, ausente nas bases de dados internacionais, além de contribuir para o
aumento da visibilidade, acesso e qualidade da informação em saúde na região.
No modelo BVS de cooperação técnica, estabelecido pelaBIREME/OPAS/OMS, os
países que integram o Sistema Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da
Saúde, contribuem com o controle bibliográfico e a disseminação da literatura científicatécnica da região, por meio do desenvolvimento de bases de dados locais, nacionais e a
cooperação na alimentação da base de dados LILACS. Desta maneira, para a indexação e a
descrição bibliográfica de documentos, o modelo da BVS utiliza a metodologia LILACS e o
aplicativo LILDBI-Web respectivamente (BIREME/OPAS/OMS, 2008).
A BVS BDS com a motivação de criar um repositório institucional e realizar o
tratamento da literatura científica-técnica na área de Bioética e Diplomacia em Saúde, com
vistas a contribuir com a LILACS, adotou o sistema Dspace. Esta iniciativa resultou em um
grande desafio para esta BVS, quando optou por utilizar um novo aplicativo para realizar a
indexação e a descrição de seus itens,bem como, servir para a criação do repositório
institucional do Nethis.
Repositórios Institucionais são sistemas disponíveis na web que oferecem facilidades
de depósito e acesso aos objetos digitais, além de gerenciar os documentos digitais, os
repositórios possuem facilidades relacionadas à preservação dos documentos e são sistemas
flexíveis que podem se adequar a várias finalidades. (SHINTAKU; MEIRELLES, 2010).
Shintaku e Meirelles (2010, p.18) ainda consideram que “apesar dos repositórios terem
origem acadêmica, com finalidade de disseminação da literatura científica, estão cada vez
mais sendo utilizados para outros fins”. Apontam como exemplo de uso do Dspace para fins
jurídicos a Biblioteca Digital Jurídica (BDJUR), de bancos de objetos educacionais o Banco
Internacional de Objetos Educacionais (BIOE) e de banco de dados de acervos, o Acervo Tom
Jobin.
O Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT, 2012)
considera que:
O DSpace foi desenvolvido para possibilitar a criação de repositórios digitais com
funções de armazenamento, gerenciamento, preservação e visibilidade da produção
intelectual, permitindo sua adoção por outras instituições em forma consorciada
federada. O sistema foi criado de forma a ser facilmente adaptado [...]. O DSpace
permite o gerenciamento da produção científica em qualquer tipo de material digital,
dando-lhe maior visibilidade e garantindo a sua acessibilidade ao longo do tempo.

4544

�Para o Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal -RCAAP (2014) os
principais benefícios do Dspace são: publicar rapidamente a produção científica da sua
instituição; expor os conteúdos aos motores de pesquisa mais comuns, aumentando a
visibilidade; armazenar num único local a produção científica; saber quais documentos
publicar, que versões e quantos downloads foram efetuados para cada um, além de ter um
identificador único para cada documento.
Considerando os benefícios e a flexibilidade dos repositórios institucionais, em
novembro de 2011, o DSpace foi instalado para a BVS BDS, inicialmente composto por duas
comunidades: Literatura Científica e Técnica e Repositório Institucional -NETHIS.
A comunidade Literatura Científica e Técnica como seu próprio nome já diz, possui
documentos de caráter científico e técnico da área de Bioética, Relações Internacionais e
Saúde Pública, por meio desta comunidade também é possível realizar a contribuição à base
de dados LILACS. Atualmente, possui as seguintes coleções: Artigos; Livros e Monografias,
dissertações e teses, conforme Figura 1.

Figura 1- Coleções da Comunidade Literatura Científica e Técnica

Bioética e Diplomacia em Saúde
Página Inicial ^ Literatura Científica e Técnica

_ . _
...
Todo o R e p o s ito rio

Literatura Científica e Técnica
j

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C oleções desta C om unidade
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Coleções
Data de Publicação
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Título
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Esta Comunidade

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Autor
Titulo
Assunto

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Artigos
Livros
Monografias, dissertações e teses

S ubm issões recentes
Consentindo nscos na esperança de cura O processo de consentimento em sujeitos de pesquisa crianças,
adolescentes e suas famílias
Teixeira. Vânia Maria Fernandes (2005)

Bioética, proteção e o fim da vida o paciente como vitima e vetor de patógenos muitirresistentes em UTls
Albuquerque. Isabella Comes Cavalcanti de (2007)

O paradigma da complexidade no século XXI: da filosofia e ética da biologia a uma evolução antropológica e
psicoafetiva em curso
Aleksandrowtcz. Ana Maria Coutinho (2007)

Pesquisas envolvendo seres humanos fundamentos éticos e juridicos da resolução 196/96 do Conselho

Fonte: Print Screen da página inicial do Dspace BV Bioética e Diplomacia em Saúde.
http://repo.bioeticaediplomacia.icict.fiocruz.br:8080/xmlui/handle/123456789/22

A comunidade Repositório Institucional - NETHIS que contém diferentes coleções
tem como objetivo armazenar a memória institucional do Nethis por meio da preservação
digital de todo conteúdo produzido.

4545

�3 Materiais e Métodos
O texto apresenta os estudos e os resultados da interoperabilidade entre o sistema
Dspace e a base de dados LILACS, utilizando como universo de pesquisa a BVS Bioética e
Diplomacia em Saúde.
3.1 Interoperabilidade: como contribuir com a LILACS utilizando o DSpace?
O repositório institucional do Nethis foi desenvolvido no âmbito do projeto de
cooperação técnica entre a BIREME/OPAS/OMS e o Nethis, para o desenvolvimento da BVS
BDS. A BIREME/OPAS/OMS instalou o sistemaDspace para ser utilizado como repositório
institucional, bem como, realizou estudos de interoperabilidade para que mesmo utilizando
outro sistema para descrição bibliográfica, diferente do LILDBI-Web que é um software
utilizado pelas demais Bibliotecas Virtuais em Saúde, a BVS BDS pudesse contribuir com a
base de dados LILACS.
Para

manter

a

interoperabilidade

com

a

metodologia

LILACS,

a

BIREME/OPAS/OMS realizou um estudo dos níveis do padrão Dublin Core Simples e
Qualificado (WIKIPÉDIA, 2014)identificando seus metadados e o padrão de metadados da
LILACS. Após este estudo, foi identificado que a interoperabilidade com a LILACS poderia
ocorrer de duas maneiras: em nível de interface e em nível de dado, como apresentado a
seguir de forma sucinta(BIREME/OPAS/OMS, 2013).

Nível interface:
•

Busca integrada via iAHx516;

•

Metabusca via iAH

c i

n

;

Nível dado:
•

Importação e exportação de dados via arquivo ISO;

•

Exportação de dados via formato MARC;

•

Coleta (harvesting) de dados via OAI-PMH (Open Archives Initiative Protocol for
Metadata Harvesting) com o Index Medicus for South-East Asia Region (IMSEAR)
(SEARO);

•

Interface OAI-PMH para coleta de metadados via repositórios institucionais, tendo
como primeiro case o DSpace;

516Interface de Acesso à Informação em Saúdeintegrada.
511Interfacefor Access on Health Information ou Interface de Acesso à Informação em Saúde

4546

�•

Previsão de coleta de dados via sistemas Open Journal Systems/Sistema Eletrônico de
Editoração de Revistas (OJS/SEER).

Conforme BIREME/OPAS/OMS, 2013, a interoperabilidade pode ser realizada
considerando a adoção de padrões internacionais para descrição de metadados adotados pela
Metodologia LILACS fato que proporcionou até o momento as possibilidades de
interoperabilidade apresentadas acima.
Considerando os níveis de interoperabilidade, a primeira etapa da compatibilização é
técnica, na qual os campos da base de dados LILACS foram compatibilizados com o Dublin
Core Qualificado, adotando-se as seguintes etapas:

1. Redução dos campos LILACS destinados à descrição do tipo de literatura em análise
(artigo de periódico, documento não convencional, teses e monográficos) ao mínimo
possível de modo a possibilitar sua descrição;
2. Classificação dos campos em obrigatórios e essenciais conforme a Metodologia;
3. Compatibilização (De/Para com o Dublin Core Qualified e com Dublin Core existente
no DSpace - DC Library Application Profile).

Abaixo, o Quadro 1 apresenta os novos campos incluídos no DSpace da BVS BDS, são
denominados Dublin Core Estendido, para possibilitar a submissão e a interoperabilidade de
itens à base de dados LILACS, uma vez que uma instância DSpace não possui todos os
campos mínimos exigidos para manter a compatibilidade e por sua vez, a colaboração com a
metodologia LILACS. Os campos definidos como “novos” foram criados, pois não foi
possível realizar uma associação com algum campo existente do DSpace.

4547

�Quadro 1 - Metadados mínimos utilizados no Dspace da BVS Bioética e Diplomacia em
Saúde para uma interoperabilidade com a Metodologia LILACS
Campo
Novo

N° Metodologia LILACS

DC Estendido

1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23

[3] - Localização do documento
[4] - Base de dados
[8] - Endereço Eletrônico
[10] - Autor Pessoal (nível analítico)
[11] - Autor Institucional (nível analítico)
[12] - Título (nível analítico)
[14] - Páginas (nível analítico)
[16] - Autor Pessoal (nível monográfico)
[17] - Autor Institucional (nível monográfico)
[18] - Título (nível monográfico)
[20] - Páginas (nível monográfico)
[30] - Título (nível série)
[31] - Volume (nível série)
[32] - Número do Fascículo (nível série)
[35] - ISSN
[40] - Idioma
[49] - Orientador
[50] - Instituição a qual se apresenta
[51] - Título acadêmico
[62] - Editora
[64] - Data de Publicação
[65] - Data Normalizada
[66] - Cidade de Publicação

dc.subj ect.callnumber
dc.source.database
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dc.contributor.author
dc.contributor.institutional
dc.title
dc.description.analyticalPage
dc.contributor.monographicAuthor
dc.contributor.monographicInstitutional
dc.title.monographic
dc.description.monographicPage
dc.citation.title
dc.citation.volume
dc.citation.issue
dc.identifier.issn
dc.language.iso
dc.contributor.advisor
dc.degree.grantor
dc.degree.level
dc.publisher
dc.date.publication
dc.date.iso
dc.publisher.city

x
x
x

24
25
26
27
28
29
30
31

[67] - País de Publicação
[71] - Tipo de Publicação
[76] - Descritor Pré-codificado
[83] - Resumo
[87] - Descritor Primário
[88] - Descritor Secundário
[653] - Descritor Local
[870] - Área Temática da BVS

dc.publisher.country
dc.subj ect.decsTypePublication
dc.subj ect.decsPreCoded
dc.description.abstract
dc.subj ect.decsPrimary
dc.subj ect.decsSecondary
dc.subj ect.localdescriptor
dc.subject.theme

x
x
x

x
x
x
x
x
x
x
x
x

x
x
x
x
x

x
x
x
x

Fonte: BIREME/OPAS/OMS, 2013
http://wiki.bireme.org/pt/index.php/Metadados m%C3%ADnimos utilizados no projeto Bio%C3%A9tica e
Diplomacia em Sa%C3%BAde.

A partir do trabalho desenvolvido pela BIREME/OPAS/OMS, a BVS BDS passou a
ser a primeira BVS a utilizar o DSpace como um sistema para a indexação e descrição
bibliográfica e um repositório institucional.

4548

�Em resumo, considerando os níveis de interoperabilidade e as etapas de
compatibilização, o fluxo de publicação de conteúdos da BVS BDS definido, conforme figura
2, é que apenas os documentos pertencentes à comunidade Literatura Científica e Técnica que
atenderem aos critérios de seleção da LILACS serão ingressados na base LILACS (com um
outo statuspara diferenciá-los dos documentos que são ingressados no aplicativo LILDBIWeb já que os mesmos não possuem todos os campos do LILDBI).
Os itens LILACS serão disponibilizados para pesquisa por meio das interfaces de
busca integrada (iAHx) e metabusca (iAH) no portal da LILACS, já os documentos
dacomunidadeLiteratura Científica e Técnica que não atendem os critérios de seleção da
LILACS e também não forem produção do núcleo de estudos referentes a comunidade
Repositório Institucional - NETHIS, serão disponibilizados diretamente na interface de busca
integrada (iAHx) da BVS BDS.
Figura 2- fluxo de publicação de conteúdos

http://pt.slideshare.net/ComunidadRedDes/oficina-compartilhamentoexperienciadspacebireme20130430

Considerando que o contexto institucional de fundação do Nethisinclui a Fiocruz, por
intermédio do Centro de Relações Internacionais (Cris/Fiocruz), após o período de instalação,
testes e desenvolvimento das customizações feitas no DSpace para interoperar com a

4549

�LILACS, o portal da BVS BDS e suas fontes de informação que inicialmente foram
hospedados nos servidores da BIREME/OPAS/OMS, foram transferidos para o Instituto de
Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), em junho de
2011 e o DSpace em março de 2013, passando assim, a BVS BDS a fazer parte da rede de
bibliotecas virtuais da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Esta transferência dos aplicativos da BVS BDS para a Fiocruz ocorreu em duas fases,
na primeira foram transferidos os aplicativos BVS eLocalizador de Informação em
Saúde(LIS), desta forma, todas as URL’s foram alteradas seguindo o padrão da Fiocruz tendo
como raiz do domínio http://bvsbioeticaediplomacia.fiocruz.br/. Na segunda foi transferido
apenas

o

DSpace

tendo

como

URL

http://repo.bioeticaediplomacia.icict.fiocruz.br:

8080/xmlui/.

4 Resultados Finais
Para consolidar o uso do sistema e com o intuito de compartilhar experiências com
instituições nacionais e internacionais sobre o uso do Dspace na implementação de
repositórios institucionais, a BIREME/OPAS/OMS em parceria com o Nethis realizou a
“Oficina online de compartilhamento de experiências no uso do DSpace” que ocorreu em 30
de abril de 2013.
Os participantes da reunião foram convidados a relatarem suas experiências na criação
e uso do repositório institucionalutilizando o sistema Dspace, de acordo com quatro eixos
temáticos: Política de criação de Repositórios Institucionais; Interoperabilidade; Metadados e
Customizações do DSpace. Na ocasião, cada instituição apresentou seu repositório
institucional, destacando aspectos importantes de seu desenvolvimento e suas experiências.
A Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde (UNA-SUS) relatou os avanços
com o Repositório ARES, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) apresentou os
destaques do repositório Institucional da OPAS, o Instituto Brasileiro de Informação em
Ciência e Tecnologia (IBICT) falou sobre suas diferenciadas experiências no uso Dspace, a
Fiocruz

expôs

suas

experiências

com

o

repositório

institucional

ARCA

e

a

BIREME/OPAS/OMS apresentou o seu relato na implementação do DSpace da BVS BDS.
Esta atividade foi muito importante e também serviu como base de consulta para
aprimorar o desenvolvimento do DSpace no contexto da BVS BDS. A gravação completa da
oficina

está

disponível

por

meio

do endereço

eletrônico:

http://www.youtube.com/watch?v=mxzDOePgzao&amp;feature=youtu.be.

4550

�A partir de julho de 2013, a equipe de bibliotecários do Nethis começou a utilizar
efetivamente o DSpace para realizar a indexação e descrição bibliográfica de seus itens. No
entanto, como a utilização do Dspace no âmbito das BVS é algo inédito, tanto para a equipe
da BIREME/OPAS/OMS que realizou as customizações e os desenvolvimentos necessários,
quanto para a equipe do Nethis que encontra-se em processo de adaptação do novo sistema,
para manter o controle de qualidade dos itens, foi necessário realizar revisões dos itens
descritos e indexados pelo Nethis, uma vez que o DSpace não realiza automaticamente o
controle de erros.
Sendo assim, em setembro de 2013 a BIREME/OPAS/OMS realizou uma reunião com
a equipe do Nethis, que constituiu basicamente na orientação de preenchimento de campos do
DSpace para viabilizar a submissão à LILACS.
Após as orientações e dicas referentes à descrição e indexação, foi necessário realizar
a revisão item por item ingressado no Dspace, desde então a equipe do Nethis segue
melhorando a qualidade da descrição e indexação dos atuais 90 itens.
O processo de revisão e uso do novo sistema, possibilitou a equipe de trabalho do
Nethis gerar feedbacks à BIREME/OPAS/OMS quanto às customizações realizadas no
DSpace, e assim, visando atender as necessidades do Nethis e os requisitos metodológicos da
LILACS, novos campos foram criados ou melhorados, como por exemplo a inclusão de textos
de ajuda em todos os campos para auxiliar o trabalho de descrição bibliográfica.
Para a equipe de bibliotecários do Nethis o Dspace é uma ferramenta de fácil uso que
permite a inclusão de informação em diferentes suportes, no entanto, os metadados permitem
a inclusão de qualquer informação sem controle de erro. Por isso, é necessário ter muita
atenção no preenchimento dos campos, pois se eles não estiverem preenchidos conforme o
padrão LILACS por causa da compatibilidade não será possível incluí-los nesta base de
dados.
Acredita-se que a adoção desta ferramenta tornará (e já vem tornando) o trabalho com
o tratamento da informação mais rápido e permitirá que todo o conhecimento produzido pelo
núcleo de estudos, bem como os itens do acervo da BVS BDS estejam armazenados em um só
local.
O sistema Dspace do Nethis foi adaptado para que a comunidade Literatura Científica
e Técnica pudesse oferecer os campos mínimos necessários para uma recuperação precisa da
informação científica.
Os testes para a inclusão dos registros do Dspace na LILACS iniciaram-se em
novembro de 2013, ocasião em que foi realizada a coleta de 25 registros da coleção

4551

�"monografia, teses e dissertações" e em julho de 2014, após vários ajustes realizados pela
equipe do Nethis nos registros do Dspace sob a orientação da equipe BIREME/OPAS/OMS
foram certificados os 25 registros, baseados nos critérios dequalidade de conteúdo e de
descrição bibliográficada metodologia LILACS.
Estesregistros podem ser consultados por meio das interfaces de pesquisa iAH
(conforme figura 3) e iAHx do Portal da LILACS (http://lilacs.bvsalud.org/)e do Portal de
Pesquisa da BVS (http://bvsalud.org/)que já possui um filtro para a base de dados LILACS,
conforme figura 4.
Figura 3 - Resultado via iAHdo Portal da LILACS

Fonte: Print Screendo resultado de pesquisa de intrface iAH - http://bases.bireme.br/cgibin/wxislind.exe/iah/online/?IsisScript=iah/iah.xis&amp;base=LILACS&amp;lang=p&amp;form=A

Figura 4 - Resultado de pesquisa via iAHx Portal de Pesquisa da BVS

Fonte: Print Screendo resultado de pesquisa da intrface iAHx -http://bvsalud.org/

4552

�Com o emprego deste sistema ainda que incipiente é possível observar a importância
desta iniciativa no âmbito das Bibliotecas Virtuais em Saúde, bem como a facilidade de
manuseio do Dspace na inclusão dos mais diversos suportes informacionais.

5 Considerações Finais
Observa-se no texto a importância da utilização de mecanismos que permitam a
interoperabilidade entre aplicativos em prol do registro, promoção e recuperação da
informação científica e técnica.
Foi possível identificar que a temática da biblioteca, bem como o tratamento da
informação são aspectos que tornam a BVS BDS uma biblioteca inovadora, além de permitira
recuperação precisa de documentos sobre uma nova área do conhecimento.
Verifica-se a importância do uso do Dspace para o fortalecimento e compromisso da
BVS BDS com o acesso equitativo e universal à informação, bem como demonstra o interesse
no armazenamento, gerenciamento, preservação e visibilidade da produção intelectual do
Nethis, além da promoção da difusão da informação em Bioética e Diplomacia em Saúde.
Ao organizar uma oficina para o compartilhamento de experiências no uso do DSpace,
percebe-se o compromisso das instituições envolvidas com o intercâmbio de informação e
conhecimento, com a cooperação técnica e colaborativa que são instrumentos fundamentais
para o trabalho em rede e com a otimização dos processos, produtos e serviços prestados aos
usuários.
O texto destaca-se por sua iniciativa na busca da interoperabilidade com a
metodologia LILACS e a realização de estudos com o padrão de metadados Dublin Core
estendido em prol do trabalho colaborativo em rede. Além de apresentar o resultado do
processo de submissão e contribuição de itens à LILACS que cominou na inclusão de 25
registros entre monografias, dissertações e teses.
Desta forma, o trabalho apresenta uma importante iniciativa no uso do sistema Dspace
para a criação do repositório institucional como aplicativo que permite a interoperabilidade
com a metodologia LILACS em benefício da promoção e recuperação da informação
científica e técnica na área da Bioética e Diplomacia em Saúde.

6 Referências
ALMEIDA, N.B.F.; CARRILLO ROA, A; SANTANA, J.P. BVS Bioética e Diplomacia em
Saúde: uma biblioteca inovadora. In: Jornadas APDIS, 11, 2014, Lisboa. Anais... Lisboa:

4553

�APDIS,

2014.

Disponível

em:&lt;http://apdis.pt/publicacoes/index.php/iornadas/article/view/65/74&gt;. Acesso em: 16 maio
de 2014.
BIREME/OPAS/OMS. Interoperabilidade entre LILACS e Dublin Core Qualified.
2013. Disponível
em:&lt;http://wiki.bireme.org/pt/index.php/Interoperabilidade entre LILACS e Dublin Core
Qualified&gt;. Acesso em: 10 abr. 2014.
BIREME/OPAS/OMS.

Manual de Procedimentos

BIREME/OPAS/OMS.

jul.

do LILBDI-Web. São Paulo:

2008.

98p.

Disponível

em:&lt;http://metodologia.lilacs.bvsalud.org/download/P/LILACS-3-ManualProcedimentospt.pdf&gt;. Acesso em: 25 abr. 2014.
DSPACE.

BVS

Bioética

e

Diplomacia

em

Saúde.

Disponível

em:

&lt;http://repo.bioeticaediplomacia.icict.fiocruz.br:8080/xmlui/handle/123456789/22&gt;. Acesso
em: 25 abr. 2014.
IBICT. Sistema para Construção de Repositórios Institucionais Digitais (DSpace).
Brasília: IBICT, 2012. Disponível em: &lt;http://www.ibict.br/pesquisa-desenvolvimentotecnologi co-e-inovacao/Sistema-para-Construcao-de-Repositorios-Institucionais-Digitais

&gt;.

Acesso em: 14 maio 2014.
REPOSITÓRIO CIENTÍFICO DE ACESSO ABERTO DE PORTUGAL - RCAAP.Módulo
1 - Introdução ao Open Access e ao DSPACE. Disponível em:
&lt;http://proieto.rcaap.pt/formar/mod1/contents/o sistema dspace.html&gt;. Acesso em: 16 maio
2014.
SHINTAKU, M.; MEIRELLES, R. Manual do Dspace: administração de repositórios.
Salvador: UFBA, 2010. 83 p.
SOUSA, Juliana L. Repositórios Institucionais :case BVS Bioética e Diplomacia em Saúde.
São

Paulo,

2013.

Disponível

em:&lt;http://pt.slideshare.net/ComunidadRedDes/oficina-

compartilhamento-experienciadspacebireme20130430&gt;. Acesso em: 25 abr. 2014.
UNESCO. Declaração Universal dos Direitos Humanos(1948).Brasília, 1998. Disponível
em: &lt;http://unesdoc.unesco.org/images/0013/001394/ 139423por.pdf&gt;. Acesso em: 15 abr.
2014.
WIKIPEDIA. Dublin Core. Disponível em:&lt;http://pt.wikipedia.org/wiki/Dublin Core&gt;.
Acesso em: 20 abr. 2014.

4554

�</text>
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Documentação&#13;
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Apresenta os principais aspectos que motivaram a adoção do sistema Dspace pela BVS Bioética e Diplomacia em Saúde (BVS BDS). O texto tem como objetivo expor os processos utilizados e desenvolvidos pela BIREME/OPAS/OMS para permitir a interoperabilidade entre a Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e o sistema DSpace. Compartilha a experiência do Nethis na adoção do Dspace para a criação do repositório institucional e da base de dados científica e técnica da BVS BDS. Explica a metodologia utilizada pela BIREME/OPAS/OMS no processo de compatibilização e interoperabilidade entre o Dspace, a Metodologia LILACS e seu aplicativo para descrição bibliográfica LILDBI Web. Aborda aspectos da transferência dos aplicativos da BVS BDS da BIREME/OPS/OMS para o Icict/Fiocruz. Descreve a ―Oficina de Compartilhamento de Experiências no uso do Dspace‖ e o diagnóstico de uso do sistema. Identifica que a equipe do Nethis considera o Dspace de uso fácil e acredita que esta ferramenta permitirá que todo o conhecimento produzido pelo núcleo de estudosbem como os itens do acervo da BVS BDS estejam armazenados em um só local favorecendo a recuperação da informação, além de informaro resultado de submissão de itens à base de dados LILACS. Conclui-se que este estudo apresenta uma importante iniciativa no uso do Dspace como um sistema que permite a interoperabilidade com a metodologia LILACS em benefício da promoção e recuperação da informação científica e técnica na área da Bioética e Diplomacia em Saúde.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL: UMA INOVAÇÃO TECNOLOGICA PARA O
SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UFRB
Nadja Antonia Coelho dos Santos
Isaelce Santos Silva

RESUMO
Atualmente com o uso das tecnologias da informação comunicação - TICs, muitas Bibliotecas
e Centro de Documentação estão informatizando seus acervos e adequando os princípios
básicos da Biblioteconomia como Administração de Biblioteca, Seleção, Disseminação de
Informação, Catalogação, Serviço de Referência, Classificação e outros, no sentido de unir
estes princípios às novas propostas de controle de informação trazidas pelas tecnologias da
informação, e como tendo a possibilidade de disseminar a informação de maneira mais rápida
e socializada, não mais de forma estática e sim dinâmica. Assim, em vista dessa observação
notou-se à necessidade da implantação de um Repositório Institucional para a comunidade
cientifica da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Este trabalho tem por
objetivo apresentar a iniciativa da UFRB na construção e desenvolvimento de um Repositório
Institucional para as publicações científicas produzidas pelo seu corpo docente e discente
baseado na política de Acesso Aberto, denominado RI-UFRB, cuja proposta é dinamizar,
preservar, disseminar o conhecimento produzido na instituição de forma rápida e eficiente,
garantindo maior visibilidade no impacto destas produções para cursos da UFRB. Para a
implantação do RI-UFRB, o primeiro passo foi a formalização do projeto perante a
instituição, em seguida iniciou-se a fase de pesquisa para o seu desenvolvimento com base
nos teóricos que escreveram trabalhos sobre Repositórios Institucionais, aplicando-os à
realidade da UFRB. Até o momento a construção do RI-UFRB, está em processo inicial e em
desenvolvimento continuo, já foi concluída a modelagem do banco de dados, a criação da
página da web, a documentação da submissão de documentos no RI e por fim a implantação
do plano de marketing. Atualmente, tem-se um total aproximado de 273, documentos
indexados no RI, o resultado tem sido satisfatório, pois, mesmo não utilizando ainda o
processo de auto-arquivamento, nota-se uma maior divulgação da produção científica da
universidade. Para nossa universidade o RI-UFRB hoje é uma poderosa ferramenta de gestão
informacional, principalmente para o nosso Sistema de Bibliotecas, no que tange a divulgação
dos materiais referentes à produção científica da instituição, depositados em nossos acervos.
Palavras-Chave: Gestão da Informação 1; Repositório Institucional 2; Comunicação
Científica 3 Disseminação da Informação 4; Acesso aberto 5.
ABSTRACT
Currently the use of information communication technologies - ICTs, many Libraries and
Documentation Centre are computerizing their collections and adapting the basic principles of
librarianship as Library Management, Selection, Information Dissemination, Cataloging,
Reference Service, Classification and others to unite these principles to new proposals for

4524

�control of information brought by information technology, and as having the ability to
disseminate information faster and more socialized way, no more static but dynamic manner.
Thus, in view of this observation it was noted the need for the establishment of an
Institutional Repository for the scientific community of the Federal University of Reconcavo
of Bahia (UFRB). This work aims to present the initiative of UFRB in the construction and
development of an Institutional Repository for scientific publications produced by its faculty
and students based on the Open Access policy, called RI-UFRB, whose purpose is to foster,
preserve, disseminate knowledge produced in the institution quickly and efficiently, ensuring
greater visibility on the impact of these productions to UFRB courses. To implement the RIUFRB, the first step was to formalize the project in the institution, then began the research
phase for its development based on theorists who have written papers on Institutional
Repositories, applying them to the reality of UFRB. By the time the construction of the IRUFRB, is in the initial process and continuous development, has already completed the
modeling of the database, the creation of the web page, the documentation of the submission
of documents in RI and finally deploying marketing plan. Currently, we have a total of
approximately 273 documents indexed in RI, the result has been satisfactory, because even
not using the process of self-archiving, note a greater dissemination of scientific production of
the university. Our university RI-UFRB today is a powerful informational management,
especially for our library system, regarding disclosure of material relating to the scientific
production of institution, deposited in our collections.
Keywords: Information Management 1; 2 Institutional Repository; Scientific Communication
3 Information Dissemination 4; Open Access 5
1 INTRODUÇÃO
O crescimento da produção científica nas universidades é originário dos resultados das
pesquisas e estudos e esses resultados são documentados pelos pesquisadores que ao longo do
processo de criação, de pesquisa, de análises, vão descrevendo as etapas, as conclusões e
direcionando suas descobertas para sociedade científica em formato de artigos, livros,
periódicos, monografias, teses, dissertações, papers., fotografias, boletins, resumos, anais,
CDs, DVDs, sites, revistas eletrônicas etc. Esses mecanismos dão ao pesquisador a
possibilidade de difusão rápida dos resultados das suas pesquisas e a resposta da comunidade
científica. A partir do momento que se iniciou a informatização de todo o acervo das
bibliotecas da UFRB no Sistema Bibliográfico Pergamum, observou-se que o acervo tanto
bibliográfico quanto da literatura cinzenta, é crescente assim como, o seu corpo de
pesquisadores.

Atualmente tem-se na instituição, o cerca de aproximadamente, 57

professores, sendo 299 com doutorado, 237 com mestrado, 15 com especialização, 5 com
graduação e 1 com aperfeiçoamento, nos últimos oito anos, ou seja, 2006 a 2013 esses
professores trouxeram sua produção cientifica individual resultado das pesquisas de mestrado,
doutorado, pós-doutorado que, juntamente com os alunos de graduação e pós-graduação
estão construindo novas descobertas dentro do processo científico e acadêmico da UFRB.

4525

�Atualmente a UFRB conta com 52 cursos, entre Graduação e Pós-Graduação. Estão
catalogados no Repositório Institucional RI-UFRB um total 273 documentos entre teses e
dissertações, artigos e livros da Editora da UFRB. O arquivamento ocorre periodicamente,
com a visita aos sites dos cursos e o deposito nas bibliotecas dos documentos. No caso das
dissertações e teses estas tanto são recebidas no formato impresso quanto no formato digital
pelas Bibliotecas do Sistema. O Sistema de Bibliotecas, através do Núcleo de Apóio à Gestão
de Informação e Documentação Digital (NUGID), é que o setor responsável pelo RI-UFRB,
por possui pessoal especializado, a fim de criar, implementar e manter o repositório da
instituição. No entanto, é primordial a colaboração de especialistas de outras áreas como a de
Tecnologia da Informação, como a Coordenadoria de Tecnologia da Informação (COTEC),
que apóia e redireciona as atividades voltadas para a implantação dos serviços das bibliotecas
da UFRB.
O software utilizado é o Dspace. O Dspace gerencia documentos, indexa, armazena,
controla versões, recupera. Sua plataforma tecnológica engloba: linguagem de Programação
Java; SGBD PostgreSQL, Tomcat , Software Linux, ou Windows. Tem interface baseada na
web; aceita uma variedade de formatos (texto, imagem, vídeo e áudio); abarca conteúdos
diversos livros, artigos, relatórios técnicos, dissertações, teses, simulações, etc. Possui um
modelo de sistema de informação organizacional baseado em comunidades, subcomunidades
e coleções. No caso da UFRB as comunidades correspondem aos sete centros de ensino
Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas - CETEC; Centro de Ciências Agrárias Ambientais
e Biológicas - CCAAB; Centro de Artes Humanidades e Letras - CAHL; Centro de Ciências
da Saúde - CCS; Centro de Formação de Professores CFP; Centro de Cultura, Linguagens e
Tecnologias Aplicadas - CECULT e o Centro de Ciência e Tecnologia em Energia e
Sustentabilidade - CETENS. As subcomunidades são constituídas dos cursos de graduação e
pós-graduação (Especialização, Mestrado e Doutorado), ou seja, cada curso tem a sua coleção
dentro de repositório, com necessidades específicas de gerenciamento de informação ou seja,
cada um tipo de metadado para cada tipo de documento. As Coleções são classificadas, por
tipo de material, trabalhos de conclusão de curso (TCC), artigos, livros, anais de eventos,
trabalhos apresentados em eventos, relatórios técnicos, entre outros, são constituídas de
acordo com o interesse e o tipo de produção de cada subcomunidade.

2 REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL: DEFINIÇÕES E CONCEITOS
Sendo assunto recente e bastante interessante, na literatura, o tema Repositório
Institucional, apresenta diferentes níveis de conceituação, são várias as definições pautadas

4526

�em estudos de teóricos no qual alguns autores definem o RI como sendo um conjunto de
serviços oferecidos pelas instituições em um formato eletrônico padronizado, cuja finalidade é
propiciar o acesso livre ou aberto, a distribuição irrestrita, a interroperabiolidade e o
arquivamento a longo prazo.
Repositórios Institucionais (RI), como bem descreve Clifford Lynch, diretor da União para
Informação em Rede, (2003) é:
[...] um repositório institucional é um conjunto de serviços que a
universidade oferece para os membros de sua comunidade para o
gerenciamento e a disseminação de conteúdos digitais, criados pela
instituição e membros da sua comunidade. É essencialmente um
compromisso organizacional com a gestão, desses conteúdos digitais,
inclusive preservação de longo prazo, quando apropriado, bem como
organização e acesso ou distribuição.
Segundo Vianna, Márdero, Arrelano (2006, p. 2) Os Repositórios Institucionais são:
a) Considerados uma forma eficaz de preservação da produção intelectual dos especialistas de
uma ou várias instituições;
b) Os repositórios institucionais representam uma inovação na gestão de documentos
eletrônicos dentro das instituições de ensino superior (IES);
c) Um repositório digital é uma forma de armazenamento de objetos digitais que tem a
capacidade de manter e gerenciar material por longos períodos de tempo e prover o acesso
apropriado;
d) Os repositórios digitais dividem-se em: temáticos e institucionais. Os repositórios
temáticos cobrem uma determinada área do conhecimento. Já os repositórios institucionais
(RI) são sistemas de informação que armazenam, preservam, divulgam e dão acesso à
produção intelectual de instituições e comunidades científicas, em formato digital e podem ser
acessados por diversos provedores de serviços nacionais e internacionais.
É um mecanismo diversificado com uma singular característica, no RI o
armazenamento da produção científica e originária única e exclusivamente de uma
determinada instituição e somente seus pesquisadores podem incluir documentos neles, ou
seja, toda a produção cientifica é local e gerenciada de forma que e pesquisador tem a
credibilidade e a segurança de que seu material será referenciado dentro de uma fonte segura,
visto que, com bem ressalta Lynch (2003) esta é uma das formas utilizadas pelas
universidades para apoiar a divulgação dos resultados de pesquisas científicas, criando
mecanismos para legitimar e estimular a publicação dos trabalhos produzidos, pois sua função
primordial é viabilizar a produção científica e preservá-la de forma acessível à todos num

4527

�envolvimento entre pesquisadores e usuários, visto ser um mecanismo de conteúdos
heterogêneo.
O conteúdo de um repositório institucional é bastante heterogêneo tanto no
que diz respeito à tipologia dos documentos como em relação à
multidisciplinaridade. Os documentos intelectuais produzidos por
pesquisadores e estudantes, tanto de pesquisa como materiais didáticos
constituem-se nos principais tipos de registros dos repositórios. Além
desses, um repositório institucional pode conter informações sobre as
diversas atividades da instituição como eventos e outros programas
promovidos pela mesma. (Café e outros, 2003).
É um mecanismo tão diversificado e inovador que Raym Crow, (2002) em seu artigo
The Case for Institutional Repositories: A SPARC Position Paper, destaca o impacto do
repositório institucional sobre os seus financiadores como bibliotecas, docentes e
investigadores, estudantes.
Segundo ele o impacto potencial do repositório institucional em bibliotecas
acadêmicas ocorre em nível estratégico e tático.
Estabelecer um programa de repositório institucional indica que uma
biblioteca além de ter um papel de custódia esta deve contribuir ativamente
para a evolução da comunicação científica. As bibliotecas são mais
adequadas para fornecer grande parte da experiência de preparação de
documentos (formato de documento controle, padrões de arquivos, etc.) para
ajudar os autores contribuem para a sua pesquisa instituição Da mesma
forma, as bibliotecas podem oferecer informações muito mais eficazes e
especialização em termos de marcação de metadados, controles de
autoridade, e os outros conteúdos requisitos de gestão que aumentem o
acesso e a usabilidade dos dados em si. (CROW, 2002).
Para docentes e investigadores este destaca a importância de que nos repositórios os
direitos autorias, permanecem para o autor sem intermediação de qualquer outro detentor,
mesmo por que, os direitos autorais oferecem proteção aos autores de conteúdos para
controlar como seus materiais podem ser usados e distribuídos, e o seu adequado
entendimento é vital para o sucesso do projeto repositório institucional.
O maior obstáculo a qualquer mudança na estrutura fundamental de
acadêmicos reside na inércia do paradigma da publicação tradicional. E nada
que a inércia mais profunda e compreensível, dada a profissionais apostas do
que entre os acadêmicos da faculdade. Ao contrário do comércio de
publicação, os autores acadêmicos raramente recebem compensação direta
para os artigos de investigação que publicam. Em vez disso, eles publicam
para reconhecimento profissional e progressão na carreira, bem como
contribuir para a bolsa em sua disciplina. Atender às suas necessidades e
percepções do corpo docente e demonstrar a relevância de um repositório
institucional para a sua realização deve ser de central importância para as
políticas de conteúdo, os planos de aplicação e de marketing interno.
(CROW, 2002).

4528

�Para os estudantes estes podem indexar os seus trabalhos dentro das normas
estabelecidas pela instituição bem como podem compartilhar informações, indexar seus
documentos e serem observados pelos orientadores.
Teses e dissertações eletrônicas também fornecem conteúdo lógico para ser
capturada pelo repositórios institucionais, e, nessa medida, os alunos
também estão indexados como autores nos repositórios. No entanto,
enquanto as instituições podem prever as dificuldades a obrigatoriedade do
documento formatos e políticas de direitos autorais de suas faculdades,
suspeita-se que elas não terão como dificuldades de observações dos alunos.
As universidades geralmente prescrevem rígida requisitos de formato de
documento de dissertações de pós-graduação e alunos estão acostumados a
aderir a elas. Além disso, pode-se antecipar os alunos a adaptar-se a
publicação digital oportunidades mais rápido e com menos reservas que os
seus corpo docente. (CROW, 2002).
Nota-se a importância e a amplitude do repositório pela possibilidade de atender
gerencialmente as necessidades de disseminação da informação. Há uma clientela
diversificada, mas com interesses em comum, o impacto causado para o cliente teoricamente,
não deveria, mas ultrapassa as expectativas do mesmo, pois como bem afirma Crow (2002) os
repositórios institucionais são um complemento valioso para os existentes do modelo de
publicação acadêmica, estimulando simultaneamente a inovação em uma nova estrutura de
publicação que vai evoluir e melhorar com o tempo. Além disso, eles constroem sobre uma
prática da faculdade, crescente base de auto publicação online da investigação
Para que haja este desenvolvimento e que o RI atinja a sua meta principal que é
preservar

e disponibilizar

a produção

intelectual

da instituição

representando-a,

documentando-a e compartilhando-a em formato digital, tem que haver o compartilhamento e
a participação de uma equipe multidisciplinar formada por bibliotecários, analistas de
informação, administradores de arquivos, administradores de departamentos e da instituição,
pesquisadores e pessoal envolvido com a política universitária. “É necessário ressaltar a
importância do reconhecimento da comunidade universitária, sua participação e apoio. Sem
estes requisitos, um repositório, seja ele institucional ou temático, jamais terá um tempo de
vida muito longo”. (CAFÉ e outros 2003).
Ressalta Café e outros (2003), também o papel do pesquisador, pois segundo estes:
Os pesquisadores, conscientes da importância dos repositórios
institucionais, devem participar da elaboração de políticas voltadas para a
implantação e manutenção dos mesmos. Os especialistas devem participar
no convencimento de seus colegas sobre os benefícios dos repositórios
institucionais. É importante ressaltar que este novo mecanismo irá auxiliar o
que as comunidades científicas já estão acostumadas a fazer, ou seja:
compartilhar e divulgar o seu conhecimento. A diferença está no fato de
utilizar uma tecnologia de ponta para este fim e não ter que se preocupar
com questões técnicas voltadas a preservação, interoperabilidade, protocolo
OAI, entre outras. (CAFÉ e outros, 2003).

4529

�Em seu trabalho Café e outros (2003) destacam características importantes e de
fundamental relevância para a viabilidade do RI, tais como:
a) processamento automático dos mecanismos de discussão entre os pares;
b) geração de versões de um mesmo documento;
c) tipologia variada de documentos;
d) auto-arquivamento;
e) interoperabilidade entre todos os repositórios temáticos e seus serviços agregados;
Café e outros (2003) destacam também que “outro argumento importante em favor da criação
de um repositório institucional é a sua capacidade de maximizar o impacto da pesquisa,
aprimorando os fundos para pesquisa, prêmios e prestígio compartilhados pelos pesquisadores
e pela instituição”.
No Brasil a instituição que fomenta a implantação do RI nas Universidades é o
Instituto de Ciência e Tecnologia e Inovação (IBICT), o IBIC, desde 2003, realiza estudos
sobre ferramentas para repositórios institucionais. O IBICT distribui o sofware Dspace,
desenvolvido pelo Massachussetts Institute o f Technology MIT, em conjunto com a Hewlett
Parcart (HP).
Segundo Viana; Márdero e Shintaku (2000) apud Barton e Walker, (2003) duas
instituições pioneiras no desenvolvimento de software livre para repositórios digitais foram a
University of Southampton na Inglaterra e o Massachusetts Institute of Technology (MIT). A
primeira criou o software Eprints (http://www.eprints.org/) destinado para servir de
repositório institucional ou temático (de uma área do conhecimento) de documentos digitais.
O MIT, em colaboração com a Hewlett Packard Corporation criou o modelo de repositório
institucional chamado DSPACE (http://www.dspace.org/), que atualmente está sendo o
software para construção de repositórios institucionais mais usados internacionalmente. A
rede internacional de repositórios institucionais que usam o Dspace prove amplo conteúdo e
serviços entre instituições de ensino e pesquisa, além de possuir uma federação já constituída.
O DSpace adotou o protocolo para coleta de metadados da Iniciativa dos Arquivos Abertos
(OAI-PMH v2.0) e é considerado um provedor de dados. O Protocolo foi implementado
usando o software aberto OAICat, para fazer os registros dos itens disponíveis para coleta.
Entre as características do DSpace estão:
a) ser um software livre,
b) sua arquitetura de software é simples e eficiente,
c) uso de tecnologia de ponta,
d) direcionado para o acesso aberto, e

4530

�e) intencionalmente implementado para servir de repositório institucional.
No Dspace os dados estão organizados de forma a refletir a estrutura da instituição e
se organizam em coleções. A meta do projeto DSpace é estudar os repositórios institucionais,
incluindo aspectos tais como: controle do acesso, direitos autorais, versões digitais de
documentos, recuperação, receptividade por parte da comunidade acadêmica, e suas
funcionalidades para a publicação.
Pois como bem afirmam Leite e Costa (2006) apud Lawrence (2003), os repositórios
constituem uma manifestação evidente da importância emergente da gestão do conhecimento
no contexto da educação superior. Com base na similaridade e complementaridade existente
entre os processos do sistema de comunicação científica e as atividades da gestão do
conhecimento, os repositórios institucionais podem ser considerados, portanto, um
mecanismo que emerge como uma poderosa alternativa tanto para a comunicação quanto para
a gestão do conhecimento científico.

2.1 DOS BENEFÍCIOS PARA A UNIVERSIDADE
•

Aumenta a visibilidade, reputação e prestígio da instituição;

•

Maximiniza a eficiência e o compartilhamento de informações;

•

Melhora a precisão e completude dos registros dos documentos acadêmico da
instituição;

•

Facilita o gerenciamento dos direitos de propriedade intelecutla da instituição;

•

Reduz custos de gestão da informação científica;

•

Atua como ferramenta de marketing;

•

Contribui para o processo de avaliação das atividades de pesquisa;

•

Oferece flexibilidade e possibilidade de integração com outros sistemas de gestão e
disseminação da produção científica institucional;

•

Contribui para a missão e valorização da instituição no que diz respeito à
transparência, à liberdade de discurso e à igualdade;

•

Melhora da comunicação cientifica interna e externa à instituição.

2.2 DOS BENEFÍCIOS PARA O PESQUISADOR
•

Visibilidade de suas descobertas científicas;

•

Facilidade de gestão da produção científica;

•

Ambiente seguro;

•

Facilidade de identificação;

4531

�•

Endereço eletrônico simples - aumento de citações;

•

Diminuição da possibilidade de plágio;

•

Oferta de indicadores do impacto dos resultados;

•

Incentivo a outros pesquisadores;

•

Acesso 24 horas por meio de qualquer dispositivo WEB;

•

Melhora o entendimento sobre direitos autorais.

2.3 DOS BENEFÍCIOS PARA O PESQUISADOR
•

Visibilidade de suas descobertas científicas;

•

Facilidade de gestão da produção científica;

•

Ambiente seguro;

•

Facilidade de identificação;

•

Endereço eletrônico simples - aumento de citações;

•

Diminuição da possibilidade de plágio;

•

Oferta de indicadores do impacto dos resultados;

•

Incentivo a outros pesquisadores;

•

Acesso 24 horas por meio de qualquer dispositivo WEB;

•

Melhora o entendimento sobre direitos autorais;

•

Supre as demandas das agências de fomento.

2.4 DOS BENFÍCIOS PARA A COMUNIDADE CIENTÍFICA
•

Contribui para a colaboração na pesquisa por meio da facilitação de troca livre de
informação científica;

•

Contribui para o entendimento público das atividades e esforços de pesquisa;

•

Reduz custos (ou pelos menos direciona a sua realocação) associados com assinaturas
de periódicos científicos;

•

Favorece a colaboração em escala na medida em que explicita resultados e põe autores
em evidência.

2.5 BENEFÍCIOS PARA ADMINISTRADORES ACADÊMICOS (BIBLIOTECAS )
•

Oportunidade para o arquivamento e preservação dos trabalhos em formato digital;

•

Termômetro das atividades de pesquisa;

•

Facilita a pesquisa interdisciplinar;

•

Reduz a duplicação de registros;

•

Automatiza tarefas e a coleta de matados por outras fontes.

4532

�3. INSTITUIÇÕES QUE USAM REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL
Atualmente muitas instituições no Brasil e no mundo recorrem ao uso do Repositório
como sistema de armazenamento da produção cientifica local como um mecanismo que
facilite a difusão rápida, legal e legitima dessa produção em tempo real, visto que os
repositórios centralizam, preserva, e torna acessível o capital intelectual de instituição a
distribui de forma global, podemos destacar instituições como:
UNB: http://repositorio.bce.unb.br/
O Repositório Institucional da UnB é um conjunto de serviços oferecidos pela
Biblioteca Central para a gestão e disseminação da produção científica e acadêmica da
Universidade de Brasília. Todos os seus conteúdos estão disponíveis publicamente, e por
estarem amplamente acessíveis proporcionam maior visibilidade e impacto da produção
científica da instituição.
UFBA: Repositório Institucional (RI) da UFBA: http://www.repositorio.ufba.br/ri/
O RI tem como objetivo reunir num único local virtual o conjunto da produção
científica e acadêmica da Universidade Federal da Bahia, contribuindo para ampliar a
visibilidade da Instituição e dos seus pesquisadores, bem como o impacto da investigação,
além da preservação da memória intelectual, seja na área das artes, das ciências ou
humanidades.
UFRGS: http://www.lume.ufrgs.br/apresentacao
O Lume - nome próprio atribuído ao Repositório Digital da Universidade Federal do
Rio Grande do Sul. Tem por objetivo reunir, preservar, divulgar e garantir o acesso confiável
e permanente aos documentos acadêmicos, científicos, artísticos e administrativos gerados na
Universidade, bem como às suas coleções históricas, e a outros documentos de relevância
para a Instituição, que fazem parte de suas coleções, embora não produzidos por ela,
maximizando o uso desses recursos
RepositóroUM: http://repositorium.sdum.uminho.pt/
O RepositóriUM - repositório institucional da Universidade do Minho, disponibiliza
um acervo crescente das publicações científicas produzidas na instituição. O objetivo do
RepositóriUM é armazenar, preservar, divulgar e dar acesso à produção intelectual da
Universidade do Minho em formato digital e maximizar a visibilidade, uso e impacto da sua
investigação através do Acesso Livre.
E-LIS (http://eprints.rclis.org) da área de Ciência da Informação;
SSOAR (Social Science Open Access Repository- http://www.ssoar.info/es.html) da
área de Ciências Sociais;

4533

�PubMed Central (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/) da área de Ciências da Vida;
ArXiv (http://arxiv.org/) das áreas de Física, Matemática, Ciência da Computação,
Biologia Quantitativa, Finanças Quantitativas e Estatística;
PubMed Central UK (http://ukpmc.ac.uk/) das áreas Biomédicas e de Saúde;
PubMed Central (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/) das áreas Biomédicas e de
Saúde;
CiteSeerx (http://citeseerx.ist.psu.edu/) das áreas de Computação e Ciência da
Informação;
RePEc (http://www.repec.org/) da área de Economia

4. TIPOS DE REPOSITÓRIOS INSTITUCIONAIS
Ao citarmos Café (2003) este define o repositório institucional (RI) como sendo a
reunião de Repositórios Temáticos (RTs), sob a responsabilidade técnica e administrativa de
uma instituição ou organismo. Por conseqüência, este tipo de repositório é multidisciplinar e
possui uma gama de tipos de documentos ainda maior que os RTs. Além de agregar o
conjunto de informações relativas e/ou de interesse para a instituição, dispõem de serviços
relativos à organização, tratamento, acesso e disseminação deste conteúdo digital.

5. TEMÁTICOS
O Repositório temático tem a preocupação de armazenar documentos com uma delimitação
concisa de sua cobertura designada por um assunto, área do conhecimento ou temática
específica. Em outras palavras, Kuramoto (2006, p. 83) afirma esta definição dizendo que
repositórios temáticos “são um conjunto de serviços oferecidos por uma sociedade, associação
ou organização, para gestão e disseminação da produção técnico-cientifica em meio digital, de
uma área ou subárea especifica do conhecimento”.

6. A INCIATIVA DOS ARQUIVOS ABERTOS E O DO ACESSO ABERTO
A década de 90 com o advento das tecnologias da informação ocasionaram sérias mudanças
na vida do homem em sociedade e dentro das organizações desde as mais simples e as mais
complexas. Hoje é muito fácil ler o jornal do dia sem, ir à banca de revista comprar ou saber
da noticia que ainda não foi publicada em um jornal convencional, contanto que se tenha para
isso um computador, notebook, tablets, smartfone, com acesso a Internet (rede mundial de
computadores) em suas constantes inovações tecnologias.

4534

�É nesse contexto que surge a Iniciativa dos Arquivos Abertos e o Acesso Livre como
alternativas para publicações científicas, o mundo adaptou e transformou-se com as
tecnologias. Na Ciência, as tecnologias da informação e da comunicação diversificaram a
disseminação do conhecimento cientifico criando um novo modelo de paradigma para a
comunidade científica disponibilizar o conhecimento tanto para os pares quanto para a
sociedade de forma rápida e precisa com a feedback em tempo real. A Internet trouxe um
fortalecimento na política de envolvimento entre as comunidades científicas e suas produções
intelectuais possibilitando o fluxo informacional e o contínuo desenvolvimento da pesquisa. O
investimento em pesquisa em gerou o crescimento da produção acadêmica como é o caso dos
artigos, teses, dissertações e monografias que são valorizados e reconhecidos como uma fonte
de conhecimento.
Conforme Silva (2008) a iniciativa dos Arquivos Aberto (Open Archives Initiative)
insere-se nesse movimento, ao qual é responsável por estabelecer uma nova dinâmica na
comunicação. A principal característica é que o conhecimento produzido nas instituições de
ensino ultrapasse a barreira acadêmica e dirige-se de forma cada vez mais eficaz e direta a
sociedade, no seu entendimento, Acesso Livre e Arquivos Abertos (Open Archives Initiative),
são responsáveis por estabelecer os locais e as condições nas quais os pesquisadores e as
instituições depositam os seus trabalhos, esse local é conhecimento como Repositório
Institucional. Na dinâmica do Acesso livre os usuários da literatura científica podem ler,
baixar, copiar, distribuir, imprimir, procurar, fazer links a textos completos e usá-los com
qualquer propósito legítimo, sem barreiras financeiras, legais ou técnicas, do que aquelas que
a Internet possui e sem custo algum. O Acesso Aberto define duas estratégias de atuação: a
via dourada e a vi verde.
Via dourada: publicações em revistas de Acesso Aberto em que os artigos ficam
disponíveis sem restrições de acesso desde o momento de sua publicação.
Via verde: uma cópia digital das publicações científicas dos pesquisadores é
armazenada em bases de dados conhecidas como repositórios digitais, que permitem o seu
livre acesso por meio da Internet.

7. DA POLITICAS DE INFORMAÇÃO PARA OS RIs
Conforme Silva (2008) antes da instalação e funcionamento do requisitório
institucional faz-se necessário estabelecer as políticas do mesmo. O RI-UFRB é pautado na
Portaria de Implantação número 002 de 03 de janeiro de 2013 que institui o Repositório
Institucional da UFRB; da Portaria número 49 de 10 de junho de 2013 que instituiu Comitê

4535

�Gestor, da Portaria 771/2013 de instituiu a Política do Repositório Institucional e por fim do
Termo de Autorização para a Publicação o Digital. A Política do Repositório Institucional é
um dos itens fundamentais “pois esta fundamenta as diretrizes que dizem respeito aos
aspectos técnicos, que estabeleçam orientações para o tratamento, armazenamento e
disseminação das informações científicas da instituição e das comunidades envolvidas da qual
o repositório será destinado” (SILVA 2008).
As políticas normalizam o uso e acesso aos repositórios institucionais, são medidas
administrativas que maximizam os objetivos dos repositórios tais como: matérias e objetos
digitais que serão incluídos, utilização do auto-arquivamento, aprovação previa para
disponibilizar o material, responsabilidade legal etc.
O Sistema de Bibliotecas da UFRB optou inicialmente por não utilizar o autoarquivamento e prioritariamente todos os trabalhos apresentados na instituição devem assinar
o Termo de Autorização para a Publicação o Digital e as Coordenações dos Cursos devem
enviar os materiais (teses e dissertações) no formato impresso acompanhados do CD contendo
o documento em formato PDF.
As políticas normatizam o uso, a visibilidade, a permanência, o conteúdo, os
metadados, a submissão, a autoria e co-autoria e direito autoral de cada item depositado no
Repositório.

8. DA IMPLANTAÇÃO DO REPOSITÓRIO NA UFRB
A implantação do RI-UFRB seguiu o cronograma com as etapas definidas pele gestor
mediante as determinações do IBICT, juntamente com a equipe. Nele ficou definida desde a
discussão de modelo e política de gestão, do software de gestão do repositório (escolha,
desenvolvimento de serviços e página web), passando pelo desenvolvimento de modelo de
funcionamento, estabelecimento de políticas de publicação (permissões, auto-publicação,
formatos, tipos de documentos, direitos autorais etc.), e definindo o esquema de metadados,
classificação e política de divulgação do sistema.
Para a construção e desenvolvimento do RI-UFRB, o primeiro passo foi a
formalização da ideia e esta foi consolidada através de um projeto apresentado pelo Núcleo de
Apoio à Gestão da Informação e da Documentação Digital-NUGID em 2009 à Coordenadoria
de Informação e Documentação - CIDOC, com levantamento de toda documentação referente
ao corpo de pesquisadores existentes na instituição e por fim a participação do representante
do Núcleo de Tecnologia do Sistema de Bibliotecas da UFRB no evento “Iniciativas do
IBICT para a Visibilidade da Ciência Brasileira”, onde foi recebido o KIT Tecnológico. Em

4536

�seguida deu-se início a fase de implantação técnica do Servidor e do software DSpace dando
origem às pesquisas para o desenvolvimento das diretrizes básicas relativas as formas de uso
do sistema.
O RI-UFRB tem por objetivos reunir, ampliar, preservar, promover o acesso aberto de
forma virtual, à produção acadêmica, científica e cultural da UFRB, ampliando a sua
visibilidade através do compartilhamento da sua produção institucional e da integração aos
sistemas de rede nacionais e internacionais de informação.
O conteúdo do Repositório Institucional da UFRB é organizado em torno de
Comunidades, Sub-Comunidades e Coleções que refletem a estrutura organizacional da
universidade. O Repositório inclui, arquivos digitais de documentos produzidos na UFRB
como Artigos Publicados em Periódicos, Livros e Capítulos de Livros, Relatório TécnicoCientífico, Trabalhos Apresentados em Eventos, Teses e Dissertações. Estes documentos
seguem a Política de inserção, criada e legitimada por um grupo gestor composto de
Bibliotecários, representantes da Pró-Reitoria de Graduação, Pós-Graduação e Extensão e
representantes da Coordenadoria de Tecnologia da Informação - COTEC.
O RI-UFRB oferece tanto para a comunidade científica quanto acadêmica vantagens
como visibilidade e acessibilidade, pois os trabalhos são disponibilizados de forma virtual e
com acesso aberto, permitindo que sejam facilmente acessados, através de ferramentas de
busca de dados como Google Scholar, por exemplo, o que pode aumentar as possibilidades de
citação e a utilização da informação pela comunidade. Oferece uma alternativa para assegurar
a preservação da memória da produção acadêmica da UFRB em formato digital, por tempo
indeterminado, armazenado em ambiente seguro e controlado, independente do término de
vínculo do autor com a instituição ou extinção da área de atuação. O RI-UFRB pode receber
arquivos em vários formatos. Além do trabalho principal, outros materiais relacionados (por
exemplo: dados, imagens, arquivos de áudio e vídeo etc.) podem ser armazenados, ampliando
as possibilidades de pesquisas acadêmicas.
Quanto à política de conteúdo o RI-UFRB abrange documentos correspondentes à
produção científica dos Programas de Pós-Graduação da UFRB. Os tipos de documentos
aceitos para disponibilização no RI-UFRB são os descritos no quadro abaixo:

4537

�QUADRO 1 - TIPO DE DOCUMENTO E DESCRIÇÃO
Tipo de Documento

Descrição

Artigos de Periódicos
Publicados em textos completos em revistas
Capítulos de Livros
Capítulos de livros e outros excertos
Dissertações e Teses
Defendidas e aprovadas na UFRB
Livros
Livros na íntegra
Trabalhos apresentados em eventos (congressos, Publicados em Anais, Resumos e Proceedings;
seminários, simpósio, colóquios)
Pôsteres.
Relatórios Técnicos Científicos
Publicados em textos completos em revistas
Fonte: autora
Os documentos de textos são submetidos em arquivos no formato Porttable Ducument
File (PDF) e podem ser constituído por mais de um arquivo para permitir a inclusão e a
preservação do conteúdo. No que diz respeito à política de metadados é uma exigência que
todo conteúdo depositado tenha metadados que descrevam o conteúdo, proveniência, formato
etc., a fim de apoiar a difusão e a preservação do conteúdo. Os metadados especificam quais
campos devem ser preenchidos e como podem ser utilizados. É encontrado na literatura várias
definições para o termo metadados, sendo que a mais encontrada é “dados sobre dados”. Esta
definição de acordo com Campos (2007) é originária da Ciência da Informação. Takahashi
(200) define metadados como qualquer dado usado para auxiliar sua identificação, descrição e
localização da informação, para Grácio (2002) metadados é um conjunto de elementos que
descrevem as informações contidas em um recurso com objetivo de possibilitar sua busca e
recuperação. No caso da UFRB, optamos por definir um tipo de metadados para cada tipo de
documento e na mediada que incluímos novos documentos novos metadados são criados e
anexados ao Manual de Indexação de documentos no RI-UFRB.
Quanto a política de submissão, a inserção dos documentos ainda não realizada pelo
auto-arquivamento, os documento são enviados para as bibliotecas, que realizam a submissão
no RI-UFRB, o Núcleo de Apoio à Gestão de Informação e Documentação Digital é
responsável por administrar o RI-UFRB.

9 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os Repositórios Institucionais constituem um mecanismo poderoso para gestão
informacional. Este trabalho apresenta as iniciativas tomadas pela Universidade Federal do
Recôncavo da Bahia, no sentido de inserir a divulgação da produção científica, artística,
técnica. Através de uma ferramenta tecnológica que vem sendo cada vez mais utilizada por
instituições públicas para garantir a disseminação, preservação e o acesso do patrimônio
científico, técnico e artístico. O desenvolvimento do projeto passará por uma fase de

4538

�divulgação e marketing, no sentido de sensibilizar a comunidades interna a fim de obter
apoio, principalmente do corpo docente quanto ao sistema de auto-arquivamentos, a ser
adotado futuramente.

REFERÊNCIAS
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2001. Emprego. p.10.
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Disponível

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&lt;Disponível

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CROW, R. The case for institutional repositories: a SPARC position paper. [Sal.]: The
Scholarly Publishing and Academic Resources Coalition, 2002. Disponível

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Bimonthly

Report.

2003

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1-7.

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em:

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4539

�TAKAHASHI, T. (Org.). Sociedade da informação no Brasil: Livro Verde. Brasília:
Ministério

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Ciência

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2000.

Disponível

em&lt;http://www.socinfo.org.br/livro_verde/download.htm&gt; Acesso em: 10 jun. 2010.
VIANA, Cassandra Lúcia de Maya; MÁRDERO ARRELANO, Miguel Angel. Repositórios
institucionais baseados em DSpace e Eprints e sua viabilidade nas Instituições
acadêmico-científicas,

2006.

Disponível

em:&lt;

http://dici.ibict.br/archive/00001087/01/viewpaper.pdf&gt; Acesso em 17.01.2011
________________. ; MÁRDERO ARELLANO, M. A.; SHINTAKU, M. Repositórios
institucionais em ciência e tecnologia: uma experiência de customização do DSpace.
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia. 2007. Disponível em:
&lt;http://bibliotecascruesp. usp.br/3sibd/docs/viana358.pdf&gt;. Acesso em: 25 fev.. 2011.

4540

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Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Atualmente com o uso das tecnologias da informação comunicação - TICs, muitas Bibliotecas e Centro de Documentação estão informatizando seus acervos e adequando os princípios básicos da Biblioteconomia como Administração de Biblioteca, Seleção, Disseminação de Informação, Catalogação, Serviço de Referência, Classificação e outros, no sentido de unir estes princípios às novas propostas de controle de informação trazidas pelas tecnologias da informação, e como tendo a possibilidade de disseminar a informação de maneira mais rápida e socializada, não mais de forma estática e sim dinâmica. Assim, em vista dessa observação notou-se à necessidade da implantação de um Repositório Institucional para a comunidade cientifica da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Este trabalho tem por objetivo apresentar a iniciativa da UFRB na construção e desenvolvimento de um Repositório Institucional para as publicações científicas produzidas pelo seu corpo docente e discente baseado na política de Acesso Aberto, denominado RI-UFRB, cuja proposta é dinamizar, preservar, disseminar o conhecimento produzido na instituição de forma rápida e eficiente, garantindo maior visibilidade no impacto destas produções para cursos da UFRB. Para a implantação do RI-UFRB, o primeiro passo foi a formalização do projeto perante a instituição, em seguida iniciou-se a fase de pesquisa para o seu desenvolvimento com base nos teóricos que escreveram trabalhos sobre Repositórios Institucionais, aplicando-os à realidade da UFRB. Até o momento a construção do RI-UFRB, está em processo inicial e em desenvolvimento continuo, já foi concluída a modelagem do banco de dados, a criação da página da web, a documentação da submissão de documentos no RI e por fim a implantação do plano de marketing. Atualmente, tem-se um total aproximado de 273, documentos indexados no RI, o resultado tem sido satisfatório, pois, mesmo não utilizando ainda o processo de auto-arquivamento, nota-se uma maior divulgação da produção científica da universidade. Para nossa universidade o RI-UFRB hoje é uma poderosa ferramenta de gestão informacional, principalmente para o nosso Sistema de Bibliotecas, no que tange a divulgação dos materiais referentes à produção científica da instituição, depositados em nossos acervos.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL UFPA MULTIMÍDIA: O SEU
DESENVOLVIMENTO SOB A ÓTICA DO PROFISSIONAL BIBLIOTECÁRIO
Geisa Silva Dias
Silvia Bitar Moreira

RESUMO:
Relata a experiência de bibliotecários no desenvolvimento do Repositório Institucional UFPA
Multimídia criado com o objetivo de depositar materiais nos formatos multimídia: vídeo,
áudio e imagem, produzidos pelo Laboratório da Assessoria de Educação a Distância (Lab.
AEDI), bem como em outras unidades envolvidas com multimídias como a Academia
Amazônia e Rádio Web UFPA, da Universidade Federal do Pará (UFPA). O repositório é uma
ferramenta virtual de gerenciamento de informações que utiliza o software Dspace e seus
elementos de metadados do padrão Dublin Core. Aborda a criação de comunidades,
subcomunidades e coleções; o processo de seleção dos metadados; a indexação preliminar e a
elaboração do Manual dos Elementos de Metadados do padrão Dublin Core.
Palavras-chave: Repositório institucional; Recurso multimídia; Metadado Dublin Core;
Dspace.
ABSTRACT:
Describes the experience of librarians in the development of the Institutional Repository
UFPA Multimedia created for the purpose of depositing materials in multimedia formats:
video, audio and image, produced by the Laboratory of the Office of Distance Education
(Lab. AEDI), as well as other units involved with multimedia such as Amazon Academy and
Web UFPA Radio, the Federal University of Pará (UFPA). The repository is a virtual
information management tool that uses the DSpace software and its metadata elements of the
Dublin Core. It is about creating communities, subcommunities and collections; the selection
process of metadata; the primary index and the preparation of the Manual Metadata elements
of the Dublin Core.
Keywords: Institutional Repository; Multimedia Resource; Metadata Dublin Core; Dspace.

1 INTRODUÇÃO
A acelerada evolução das tecnologias e o vertiginoso ritmo de sua difusão em escala
mundial têm facilitado a produção e circulação da informação, além de provocar profundas
mudanças nos serviços de busca e recuperação da informação.

4511

�Essas mudanças no modo de gerenciar e disponibilizar a informação foram
significativas nas atividades de pesquisa, em razão das tecnologias de informação terem
modificado sobremaneira a divulgação da comunicação científica, especialmente quanto a
visibilidade do conhecimento. Cita-se o caso da Iniciativa dos Arquivos Abertos (Open
Archives Initiative), movimento instituído por um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos
e Europa, que impulsiona um novo processo de comunicação, por meio do acesso livre e da
implementação de repositórios digitais, que visam ampliar a divulgação de publicações em
formato eletrônico e, consequentemente, incrementar o acesso imediato ao conhecimento
gerado pela comunidade de pesquisadores e especialistas.
O acesso livre teve sua origem na década de 90, quando:
[...] na convenção de Santa Fé (EUA) a Open Archives Initiative (OAI)
definiu os princípios básicos do acesso aberto à produção científica. A partir
desse marco, importantes declarações de apoio ao acesso aberto promoveram
a disseminação dessa filosofia, como por exemplo, as declarações de
Budapeste, Bethesda e Berlin (SILVA; ALCARÁ, 2009, p. 101).

Nesse contexto, surgem os Repositórios desenvolvidos como base de dados para
reunir, organizar, preservar, recuperar e disseminar a informação científica produzida em uma
instituição através do acesso aberto (INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM
CIÊNCIA E TECNOLOGIA, 2012).
Atualmente, dispor desses mecanismos de armazenamento e disseminação da
informação, em seus diferentes tipos e formatos, é fator condicional, não só para o
desenvolvimento regional científico e tecnológico, mas também para acompanhar a política
nacional de informação científica no País no contexto do acesso livre à literatura científica
mundial.
O Repositório Institucional UFPA Multimídia é resultado de um edital lançado pela
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), em 2010, cujo
projeto foi apresentado pela Assessoria de Educação a Distância (AEDi) da Universidade
Federal do Pará.
Esse edital visava:
[...] incentivar a integração e a convergência entre as modalidades de
educação presencial e a distância nas Instituições Públicas de Ensino
Superior (IES), federais e estaduais, integrantes do sistema Universidade
Aberta do Brasil (UAB), por meio do fomento ao uso das tecnologias de
comunicação e informação no universo educacional dos cursos de graduação
presenciais (BRASIL, 2010).

O projeto tem como objetivo principal:

4512

�[...] reunir e potencializar os esforços, ainda isolados, da comunidade
acadêmica da UFPA e de outras instituições afins no que concerne ao uso
das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) para fortalecer o
ensino de graduação, seja na modalidade presencial ou à distância (UFPA
MULTIMÍDIA, 2012).

A equipe do projeto Repositório Institucional UFPA Multimídia foi formada por
jornalistas, educadores, técnicos de informática, bibliotecários, publicitários, historiadores e
designers, alocados na AEDi e, atualmente são os responsáveis pelo desenvolvimento,
manutenção e atualização do repositório.
Este trabalho tem como propósito relatar a experiência de bibliotecários na construção
desse Repositório, para gerenciar a produção audiovisual da Universidade Federal do Pará,
bem como destacar as ações desenvolvidas por esses profissionais que se concentraram na
criação das comunidades, subcomunidades e coleções; seleção e definição de metadados;
indexação preliminar e elaboração do Manual dos elementos de metadados Dublin Core para
catalogação de recursos multimídia.

2 REVISÃO DA LITERATURA
Sobre o acesso livre à literatura científica, o Budapest Open Access Initiative (2012)
afirma que este novo sistema permitiu:
[...] a qualquer usuário ler, fazer download, copiar, distribuir, imprimir,
pesquisar ou referenciar o texto integral desses artigos, recolhe-los para
indexação, introduzi-los como dados em software, ou usá-los para outro
qualquer fim legal, sem barreiras financeiras, legais ou técnicas que não
sejam inseparáveis ao próprio acesso a uma conexão à Internet. As únicas
restrições de reprodução ou distribuição e o único papel para o direito
autoral neste domínio é dar aos autores o controle sobre a integridade do seu
trabalho e o direito de ser devidamente reconhecido e citado.

Para estabelecer uma sociedade do conhecimento com acesso livre à informação
científica o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), vem
conduzindo ações e políticas no sentido de implementar repositórios em instituições de ensino
superior e de pesquisa, promovendo assim o amplo acesso ao conhecimento científico.
Para Kuramoto (2009) no âmbito do acesso livre “não se pode e não se deve
transformar o repositório institucional em memória científica ou técnica”. Ressalta que o
intuito no contexto do acesso livre, “é ampliar a visibilidade da produção científica de uma
instituição e encorajar o acesso livre a esta produção”.
Para que o fluxo dessas informações se torne dinâmico e acessível surgem os
repositórios digitais que “são provedores de dados destinados ao gerenciamento da

4513

�informação científica, constituindo-se, necessariamente, em vias alternativas de comunicação
científica” (LEITE, 2009, p. 19). Eles podem ser de dois tipos: institucional que lidam com a
produção científica de uma determinada instituição e os temáticos que lidam com a produção
científica de uma determinada instituição com áreas do conhecimento em particular (LEITE et
al, 2012).
Leite e Costa (2006, p. 212) discutem a adequação e aplicabilidade dos repositórios
institucionais como ferramenta de Gestão do Conhecimento e ressaltam que “o
desenvolvimento de repositórios institucionais tem se dado, amplamente, no contexto de
universidades,

a

despeito

de

outras

iniciativas

em

instituições

governamentais,

principalmente, mas em escala significativamente menor, e mais recentemente”.
A metodologia aplicada a estas novas ferramentas para representação bibliográfica
vem se desenvolvendo de forma paralela a esses avanços. Com isso surgem os “modelos de
metadados que favorecem novas práticas para organização e tratamento da informação digital,
proporcionando diferentes mecanismos de busca e recuperação” (ALVES; SOUZA, 2007, p.
21).
A produção científica de uma comunidade acadêmica é o indicador pelo qual se avalia
a relevância da sua contribuição à ciência. Logo os trabalhos de pesquisadores que estão
disponibilizados e facilmente acessíveis poderão ser recuperados, lidos e citados, por isso tem
uma alta visibilidade (ZIMBA; MUELLER, 2004).
Assim, “a liberalização do conhecimento em todo o planeta representa um dos
alicerces para o desenvolvimento científico e tecnológico” (KURAMOTO, 2009) e todo esse
cenário pode fortalecer a integração e o desenvolvimento da região Amazônica.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
O trabalho foi desenvolvido em duas fases, a primeira fase referiu-se ao levantamento
bibliográfico e estudo sobre o tema acesso livre à informação e criação e implantação de
repositórios digitais, especificamente o institucional, com o objetivo de identificar e localizar
fontes de informação em bases de dados referenciais e de texto completo, para contextualizar
o assunto em questão e empreender conhecimentos.
Em uma segunda fase buscou-se experiências similares de repositórios institucionais
em outras universidades como, por exemplo: no Repositório Digital da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul (LUME/UFRGS) e no Banco Internacional de Objetos Educacionais do
Ministério da Educação (BIOE/MEC), que in loco foram coletados dados sobre a
categorização de suas principais características: interface, arquitetura, software adotado,

4514

�padrão de metadados, recuperação e formas de busca, conteúdo disponível, interatividade
dentre outros. Na ocasião, também foram realizadas entrevistas com os responsáveis pelos
repositórios, a fim de conhecer os pontos positivos e negativos encontrados no decorrer da
implementação do projeto.
Para compor o Repositório Institucional UFPA Multimídia, foi utilizado material
didático nos formatos áudio, imagem, texto e vídeo, produzido pelo Laboratório da Assessoria
de Educação a Distância (Lab. AEDi), bem como por outras unidades como a Academia
Amazônia e Rádio Web UFPA, da Universidade Federal do Pará (UFPA), os quais foram
coletados in loco, pois estavam armazenados e dispersos em suas unidades administrativas.

3.1 O Dspace, as comunidades, subcomunidades e coleções
O software escolhido como plataforma do Repositório UFPA Multimídia foi o
DSpace, desenvolvido pelo Massachusetts Institute o f Technology (MIT) e pela HewlettPackard (HP), considerado “um sistema inovador de biblioteca digital para capturar,
armazenar, indexar, preservar e redistribuir a produção intelectual de uma comunidade
científica em formatos digitais” (MARDERO ARELLANO, 2004). No Brasil, o IBICT é o
responsável por uma versão em português, disponível para download.
O Dspace dispõe de Comunidades, Subcomunidades e Coleções como elementos
responsáveis pela estrutura organizacional da plataforma. Leite (2009, p. 66) destaca que
“cada repositório institucional organiza seus conteúdos de maneira que melhor se ajuste às
necessidades”. Desse modo, as comunidades e subcomunidades do Repositório UFPA
Multimídia foram criadas por meio de dois referenciais: a Tabela de Áreas de Conhecimento
do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)515 e parte da
estrutura organizacional da UFPA, com o objetivo de contemplar toda a comunidade
acadêmica da instituição, para que esta tivesse seu espaço para depositar os resultados de
pesquisas e facilitar a busca do usuário.
As Comunidades correspondem às oito áreas da Tabela do CNPq que são: Ciências
Exatas e da Terra; Ciências Biológicas; Engenharias; Ciências da Saúde; Ciências Agrárias;
Ciências Sociais Aplicadas; Ciências Humanas; Linguística, Letras e Artes. Além dessas, a
área Interdisciplinar. Cada uma dessas Comunidades divide-se em subcomunidades,
constituídas pelas subáreas.
515
A
Tabela
de
Áreas
de
Conhecimento
do
CNPq
está disponível
em:
&lt;http://www.cnpq.br/areasconhecimento/index.htm&gt;. Encontra-se também, no site do CNPq uma proposta para
discussão, versão preliminar da Nova Tabela das Áreas do Conhecimento, do ano de 2005. Disponível em:
&lt;http://www.cnpq.br/areasconhecimento/docs/cee-areas do conhecimento.pdf&gt;. Acesso em: 21 jan. 2014.

4515

�Como parte da estrutura organizacional da UFPA criou-se a Comunidade
Institucional e suas respectivas subcomunidades: Assessoria de Educação a Distância, UFPA
Multimídia e Universidade Multicampi.
Para a criação das coleções foi adotado o formato e o tipo dos recursos multimídia
dentre os quais destacam-se: animação/simulação; apresentação de aulas/ tutorial; áudio;
fotografia; e-book; ilustração/infográfico, artigo de periódico, jogos e vídeos.
A figura 1 ilustra as comunidades, subcomunidades e coleções.
Figura 1 - Representação da arquitetura da informação do Repositório UFPA

fonte: Produção dos autores

4516

�3.2 O padrão Dublin Cre e a seleção dos metadados
Metadados são elementos responsáveis por descrever um recurso eletrônico. Segundo
Sayão e Marcondes (2009) metadados podem ser categorizados como descritivos, já que
facilitam a descoberta, identificação, compreensão e seleção de recursos informacionais.
Para a seleção dos metadados foi realizada inicialmente, pesquisa no Código de
Catalogação Anglo-Americano (AACR2), de onde foi extraída a descrição dos suportes de
informação: gravações de som; filmes cinematográficos; gravações de vídeo, recursos
eletrônicos e outros. Essa ferramenta foi de suma importância para a definição dos metadados,
sendo possível identificar os pontos de acesso, para que a recuperação da informação dos
recursos multimídia fosse a mais completa.
Uma fonte importante também foi a Tabela de Créditos (NEVES, 2011) que elenca
inúmeras atividades a serem desenvolvidas por uma equipe que trabalha com a produção
audiovisual. Essa tabela facilitou a seleção dos créditos técnicos a serem recuperados no
momento da indexação, pois uma equipe de audiovisual é composta de vários profissionais
que atuam na produção desses recursos.
Para compor o conjunto de metadados do Repositório UFPA Multímidia utilizou-se o
padrão Dublin Core, que é definido como o conjunto de elementos de metadados planejado
para facilitar a descrição de recursos eletrônicos.
Esse conjunto descrito pelo padrão Dublin Core é composto de 15 elementos básicos
os quais possibilitam a criação de outros metadados, que são: título; autor ou criador; assunto
ou palavra-chave; descrição; publicador/editor; colaborador; data; tipo; formato; identificador
de recurso; fonte; idioma; relação; cobertura; direito autoral.
Desse modo, para alcançar um padrão ideal para a recuperação dos conteúdos foram
criados mais 32 metadados, resultando assim em um conjunto total de 47 metadados.
O quadro 1 apresenta o conjunto de elementos principais de metadados e suas
descrições utilizados no Repositório UFPA Multimídia.

4517

�Quadroi - Conjunto de Metadados do Repositório UFPA Multimídia.
M etadados
Elem entos de identificação Descrição
dc.title
Título
Nome dado ao conteúdo do recurso.
dc.title.alternative
Título alternativo
Título traduzido.
dc.contributor.author
Autor (es)
Entrada principal da obra podendo ser pessoa
física ou entidade. Nome pessoal e/ou
principal entidade responsável pela criação
do conteúdo do recurso
dc.contributor
Colaborador. Realização
Nome pessoal ou entidade/instituição que
atuou na realização do conteúdo do recurso
dc.contributor.other
Colaborador. Concepção
Nome do Projeto, Laboratório ou Grupo que
concebeu e desenvolveu o material, bem
como pessoas ou entidades que atuaram em
parceria e/ou apoio no desenvolvimento do
recurso.
dc.date.issued
Data de publicação
Data de publicação do recurso
dc.date.accessioned
Data da adesão
Automático
dc.date.available
Data da disponibilização
Automático
dc.location
Local
Local onde o conteúdo intelectual foi
produzido.
dc.description.abstract
Resumo
Resumo informativo incluindo os pontos
relevantes do conteúdo do recurso.
dc.description.abstract2 Abstract
Tradução do resumo para a língua inglesa.
dc.description.abstract3 Resumen
Tradução do resumo para a língua espanhola.
dc.description
Descrição
Breve descrição livre ou com os principais
tópicos sobre o conteúdo do recurso.
dc.descripition2
Description
Tradução para a língua inglesa da breve
descrição.
dc.descripition3
Descripción
Tradução para a língua espanhola da breve
descrição.
dc.subject
Assunto
Diversos assuntos do conteúdo do recurso.
Pode ser expresso em palavras-chave.
dc.subject2
Subject
Tradução para a língua inglesa dos assuntos.
dc.subject3
Asunto
Tradução para a língua espanhola dos
diversos assuntos.
dc.language
Idioma original
Idioma do conteúdo intelectual do recurso.
dc.language.voiced
Dublado em
Indicação de versão dublada do recurso.
dc.language. sub titled
Legendado em
Indicação de versão legendada do recurso.
dc.type
Tipo
Tipo e natureza do recurso (imagem, áudio,
vídeo, etc.).
dc.format
Formato
Manifestação física ou digital do recurso.
Exemplos: html, pdf, ppt, gif, xls.
Automático.
dc.format.extent
Tempo/T amanho
Tempo de duração ou tamanho/dimensão do
recurso.
dc.format.medium
Suporte
Tipo de suporte original utilizado na
elaboração do conteúdo.
dc.format.mimetype
Formato/MIME
Tipo de registro de identificadores MIME.
Automático.
dc.subject.cnpq
Área
do Área do conhecimento com base na Tabela
Conhecimento/CNPq
do CNPq.
dc.descripition4
Instruções
Instruções de uso sobre o recurso.
dc.descripition5
Instructions
Tradução para a língua inglesa.
dc.descripition6
Instrucciones
Tradução para a língua espanhola.

4518

�dc.contributor.credits

Créditos

dc.identifier.citation

Referência

dc.publisher

Publicador/Editor

dc.relation.uri

Fonte

dc.rights.holder

Direitos autorais

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dc.description.note

Fomento

dc.relation. isform atof

dc.relation. ispartof
dc.relation. ispartofserie
s
dc.relation. isversionof

dc.relation. isbasedon

Nota
Relação
com
outros
recursos
Formato de
Relação
com
outros
recursos
Parte de
Relação
com
outros
recursos
Parte de: Série ou Coleção
Relação
com
outros
recursos
Versão de
Relação
com
recursos
Baseado em

outros

Campo de entrada dos seguintes créditos do
conteúdo: Direção Geral; Direção de Arte;
Roteiro e Produção
Referência do recurso de acordo com a NBR
6023:2002, da ABNT.
Entidade que tornou o recurso disponível.
Produtora (para imagens em movimento);
gravadora (para registros sonoros).
Endereço eletrônico; URL na qual o
conteúdo está sediado originalmente.
Pessoa ou entidade proprietária ou gestora de
direitos sobre o recurso.
Informações sobre os direitos detidos no
interior e sobre o recurso. Tipo de licença,
permissões e usos específicos licenciados.
Número Padrão Internacional de Livro
(ISBN)
Número Internacional Normalizado para
Publicações Seriadas (ISSN)
International Standard M usic Number
(ISMN)
Número de cadastro na Agência Nacional do
Cinema.
Informação sobre patrocínio, agências de
fomento ou arranjos contratuais.
Informação adicional sobre o recurso
O recurso descrito é o mesmo conteúdo
intelectual do recurso referenciado, porém
apresentado em outro formato.
O recurso descrito é uma parte física ou
lógica do recurso referenciado.
Título da série e/ou coleção e número dentro
dessa série e/ou coleção, se disponível.
O recurso descrito é uma versão ou nova
edição do recurso referenciado. Alterações na
versão implicam em alterações substanciais
no conteúdo e não diferenças de formato.
O recurso é uma performance, produção,
derivação, adaptação ou interpretação de
outro recurso.

Fonte: Produção dos autores

4 RESULTADOS FINAIS
A plataforma virtual do Repositório Institucional UFPA Multimídia foi apresentada à
Administração Superior da UFPA com interface concluída e alguns diferenciais, como vídeo
de apresentação do repositório e vídeos gravados com cada componente da equipe relatando
sua experiência. A figura 2 reproduz a interface do UFPA Multimídia.

4519

�Figura 2 - Print Screen da Interface do Repositório UFPA Multimídia.

Fonte: UFPA Multimídia. Disponívelem: &lt;http://www.multimidia.ufpa.br/jspui/&gt;.

Nessa ocasião, foi destacada a importância do repositório como forma da instituição
disponibilizar mais uma ferramenta para complementar a formação de estudantes
matriculados em cursos de educação a distância, estudantes dos campi do interior da UFPA e
para o público em geral. E ainda auxiliar os professores no processo de ensino-aprendizagem,
assim como favorecer ações de pesquisa e extensão.
Até 2012, foram concluídas 223 indexações na plataforma.
Ressalta-se a contribuição dos bibliotecários para registro desta experiência e pesquisa
sobre repositórios com a elaboração e apresentação do Manual dos elementos de metadados
Dublin Core para catalogação de material multimídia do Repositório Institucional UFPA
Multimídia, que tem como objetivo orientar os catalogadores e outros profissionais na
descrição dos objetos e registro em sua plataforma.
Houve a necessidade de criar e disponibilizar esse manual, pois o recurso multimídia
apresenta características específicas que exige uma catalogação diferenciada para recuperação
de dados, dificilmente encontrada em fontes de informação. Adotou-se o Código de
Catalogação Anglo-Americano (AACR2) para a padronização das descrições bibliográficas e
para a atribuição dos pontos de acesso. A norma para elaboração de referências - NBR
6023/2002, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) também foi utilizada para
apresentação das referências de cada documento na plataforma. A figura 3 apresenta um
registro bibliográfico de um vídeo na plataforma do UFPA Multimídia.

4520

�Figura 3 - Print Screen do registro bibliográfico de um vídeo no Repositório UFPA
Multimídia.
y
O

r e p o s it ó r io

F u n c io n a m e n t o

P o lít ic a

M a is A c e s s a d o s

Links

C o n ta to s

m usa.

A C ER V O

E3E
UFPA MULTIMiOU
Por favor, u tiliz e ease id e n tifica d o r para cita r es te item ou usar com o link: &amp;ctp://ww&gt;r.akuIu&amp;ili&amp;.u:-p*.&amp;z/3apul/'k&amp;A&amp;lA/321654/B97

T ít u l o : Biblioteca de O b je to s M atem áticos: C u rv a d a Braquistócrona
V e b s o . J o s é M ig u e l.

A u t o r ( e s ) ; M a t t e r , M a n a A t a &lt;3
N a s c im e n t o , M á r c b .

Este trabalh o toi concebido e d ese nv o lv id o
: Laboratório de P e s c u is s e E x p e n m e rta ç ã c em M ultim ídia da A ssesso na de
C o n c e p ç õ o ; E du cação a D s t â r o a em parcen a com a equipe da Biblioteca de O b je to s M atem áticos da UFPA e o a p o r do projeto Acad em ia
A m azÕ ria. A concep ção p e d a ç -0 =a é de Márcio N a s d m e rto .

•

Este é um vídeo piloto que ex p ie s os fundam entos b á s e c s da Curva braquistócrona. um d os ob jeto s m ate má t e c s desenvolvidos
pela UFPA e disponível na Biblioteca de O bjetos M atem áticos da irStitLçáo. O professor Má roo Nascimento, que ap re s e rta o vídeo,
cham a a atençáo do espectador para o funcionam ento da Braquistócrcra. um a curva especial que em grego s g r if e a ’m enor
* te m p o '. O problem a d esta curva foi proposto por Bernoulli em 165*5 e corsiste em : Qual curva que dá a m a s rápida trajetória de
um a bola sob a açác da gravidade'’ Com o objeto m atem ático em c e ra . o ap re s e rta d o r de m c rstra que independente da posição
em que se colocam a s bolas, e s ta s deslizam e cnegam ao m esm o tem p e ao final da curva.
Curva braquistócrcra
Johann Bernoulli
Biblioteca de O bjetos M atem áticos
Universidade Federal do Pará CUFPA)

I d i u m á O rig in al: p t_ B R
Tem po/Tam anho; 04m ir e 27seg
D ireção G e ra l: M ira rd a . Fern an da C h o c ro r.
R o teiro: M iranda, Fern an da C h o c ro r; N ascim e nto. M árcio; D uarte . W ellm gtor E v a r g e ls t a .
C r é d it o s : D ireção de Arte A c q u e re lb Design.
D ireção d e Fotografia: S ilv a , M arce b Rodrigues.
Apresentação : N ascim e nto, M árcb.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ. Assessona de Educação a Distância. Faculdade de M atem ática. Biblioteca de O bjetes
M atem áticos: Curva da Braquistócrcra. Autona d e José Miguel Martins V ebso; Mana Atakíe M afcher Márcio N ascim erte.
Fernanda C hocror
Miranda.
Belém:
UFPA.
2011.
1
video.
(04m in
e
2 7 seg ).
Disponível
em :
&lt; http://w w w .m ultim ídia.ufpa.br/Jspui’handle.&lt;'321654/897&gt; . Acesso em :

Referência: C oncepção e d ese rv elv im erto : Laberatóne de Pesquisa e Experim entação em Multimídia. Direçáo Geral:

Licença: Attribution-NonComm erda 1-ShareAJike 3.0 U rported da Creative C om m ons.
Aparece n as Co leçõe s: Vk

Fonte: UFPA Multimídia. Disponíve em:
&lt;http://www.multimidia.ufpa.br/jspui/handle/321654/897&gt;

Pretende-se, que este repositório se torne uma ferramenta de pesquisa da UFPA de
forma efetiva, promovendo a recuperação da informação científica de modo satisfatório e
facilitando o acesso do público em geral, em diferentes partes da região Amazônica, como em
diferentes lugares do mundo. Que seja um espaço de diálogo ciência-sociedade, possibilitando
que diferentes públicos realizem seu próprio método de construção do conhecimento.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A criação do Repositório Institucional UFPA Multimídia possibilitou uma ampla
experiência no processo de gerenciamento de informação, sendo possível vivenciar cada etapa
de seu desenvolvimento. A contribuição dos técnicos de informática na customização e
configuração do Dspace foi imprescindível; diferentes ideias com a equipe de design,

4521

�comunicólogos e publicitários na confecção da webdesign do repositório foram agregadas,
assim como o conhecimento biblioteconômico foi compartilhado com todo o grupo.
Entre os desafios destacam-se: a) a descrição de recursos multimídia devido
apresentarem um extenso conjunto de dados a serem analisados; b) a definição das
comunidades e subcomunidades já que o propósito era de trabalhar com a estrutura
organizacional da instituição, que envolvia tanto a comunidade acadêmica quanto as unidades
administrativas; c) o estabelecimento de como estruturar as coleções que geralmente se
orienta classificar pelo tipo de documento ou coleções temáticas. Neste caso, optou-se pelo
tipo e formato do documento a que estão envolvidos os recursos multimídia.
Como diferencial nesse projeto é válido ressaltar as visitas às unidades administrativas
responsáveis pela criação desses recursos e resgatar os produtos que tinham sido previamente
selecionados pela equipe. Por se tratar de um conteúdo representado por vídeos e áudio,
principalmente, havia necessidade de assistir ou escutar os materiais e assim recuperar e
organizar as informações necessárias para a descrição do recurso.
Recomenda-se que as equipes em processo de criação de seus repositórios busquem
compartilhar experiências com outros grupos que estejam desenvolvendo ou já concluíram o
projeto de repositório. Essa iniciativa colabora para o fortalecimento futuro de um sistema
cooperativo entre repositórios, sejam eles institucionais ou temáticos.

REFERÊNCIAS
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SOUZA, Marcia Izabel Fugisawa. Estudo de

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Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas, v. 4, n. 2, p. 20-38, jan./jun. 2007.
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em: &lt;http://www.ufrgs.br/sead/editais/documentos/Edital15 2010 Fomento TIC DED.pdf&gt;.
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acesso

aberto:

a

abertura

como

caminho

a

seguir.

2012.

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4522

�KURAMOTO, Helio. Política institucional de informação: o que é isto? 2009. Disponível
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de gestão do conhecimento científico no ambiente acadêmico Perspect. Ciênc. Inf., Belo
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MÁRDERO ARELLANO, Miguel Ángel. Repositórios institucionais Dspace. 2004.
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B. Como fazer

créditos finais?

2011.

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&lt;http://www.obsoleto.net/2011/04/como-fazer-creditos-finais.html&gt;. Acesso em:

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14 abr.

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institucionais: alguns subsídios para a seleção. In: SAYÃO, Luis Fernando; TOUTAIN, Lídia
Brandão; ROSA, Flavia Garcia: MARCONDES, Carlos Henrique (Org ). Implantação e
gestão de repositórios institucionais: políticas, memória, livre acesso e preservação.
Salvador: EDUFBA, 2009.
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políticas e iniciativas governamentais. Informação e Informação, Londrina, v. 14, n. 2, p.
100 - 116, jul./dez. 2009.
TABELA

de

Áreas

do

Conhecimento

do

CNPq.

Disponível

em:

&lt;http://200.17.161.80/prppg/projetos/tabela-areas-do-conhecimento-cnpq.pdf&gt;. Acesso em:
14 abr. 2013.
UFPA

MULTIMÍDIA.

O

projeto:

qual

o

objetivo?

2012.

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&lt;http://www.multimidia.ufpa.br/jspui/links/projeto-home.jsp&gt;. Acesso em: 14 abr. 2013.
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Acesso em: 5 jan. 2014.

4523

�</text>
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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
    </itemType>
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                <text>Repositório Institucional UFPA multimídia: o seu desenvolvimento sob a ótica do profissional bibliotecário</text>
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                <text>Dias, Geisa Silva, Moreira, Silvia Bitar</text>
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                <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
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            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <text>2014</text>
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                <text>Relata a experiência de bibliotecários no desenvolvimento do Repositório Institucional UFPA Multimídia criado com o objetivo de depositar materiais nos formatos multimídia: vídeo, áudio e imagem, produzidos pelo Laboratório da Assessoria de Educação a Distância (Lab. AEDI), bem como em outras unidades envolvidas com multimídias como a Academia Amazônia e Rádio Web UFPA, da Universidade Federal do Pará (UFPA). O repositório é uma ferramenta virtual de gerenciamento de informações que utiliza o software Dspace e seus elementos de metadados do padrão Dublin Core. Aborda a criação de comunidades, subcomunidades e coleções, o processo de seleção dos metadados, a indexação preliminar e a elaboração do Manual dos Elementos de Metadados do padrão Dublin Core.</text>
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            <name>PDF Text</name>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE
PERNAMBUCO

Susimery Vila Nova
Ursula Blattmann
Raimundo Nonato Macedo dos Santos
RESUMO
Os repositórios institucionais nas Instituições de Ensino Superior apresentam a preservação de
documentos e disponibilizam o acesso aos conteúdos digitais oriundos da produção científica.
Compete aos gestores da informação e documentação estabelecerem políticas institucionais
para a coleta, preservação, disponibilidade e acesso à informação. O objetivo deste trabalho é
especificar a construção de um repositório institucional e paralelamente estabelecer uma
política de informação utilizando recursos de infra-estrutura tecnológica existentes e conciliar
com as demandas dos usuários. Entre as etapas desenvolvidas para instalação e
operacionalização do Repositório Institucional da Universidade Federal de Pernambuco
podem ser destacadas: a) conhecer quais experiências deram certo utilizando a relação dos
repositórios apoiados pelo projeto FINEP/IBICT e a relação disponível na Federação de
Repositórios Educa Brasil; b) estudar as políticas de sete repositório de Instituições Federais
de Ensino Superior; c) instalação do software e capacitação da equipe técnica; d)
encaminhamento de ações incluindo a Política de Informação para viabilizar o repositório
institucional de acesso aberto da produção científica da Universidade Federal de
Pernambuco. Trata-se de estudo descritivo, pautado na pesquisa exploratória e documental,
realizada entre os meses de julho de 2013 a maio de 2014. Entre os resultados, apontam-se:
análise de iniciativas brasileiras e internacionais de repositórios institucionais e de bibliotecas
digitais de acesso aberto; análise das políticas de informação implantadas de sete repositórios
brasileiros de instituições de ensino superior; planejamento da implantação: cronograma,
especificação do software padrão, sua instalação e capacitação técnica; estabelecimento da
tipologia documental para realização do povoamento; e, o esboço da política de informação
para a coleção de conteúdos digitais da produção acadêmica e técnica da Universidade
Federal de Pernambuco. Entre as conclusões pode-se destacar a importância de conhecer as
experiências brasileiras; o trabalho em equipe e a capacitação nas tecnologias do DSPACE, e
a visibilidade da produção científica.
Palavras-Chave: Documento digital. Política de informação.
Universidade Federal de Pernambuco - produção científica.

Repositório

digital.

ABSTRACT
Institutional repositories in High Education Institutions have the preservation of documents
and provide access to digital content originating from the scientific literature. It is up to
managers of information and documentation establishing institutional policies for the

4496

�collection, preservation, availability and access to information. The objective of this work is
to specify the construction of an institutional repository and establish a parallel information
policy to using information resources existing technological infrastructure and service to users
demands. Show the steps to developed for installation and operation of the Institutional
Repository of the Federal University of Pernambuco: a) know what experiences have worked
using the supported by FINEP / IBICT; b) use available information from the Educa Brazil
Federation Repositories; c ) study the policy repository seven Federal Institutions of Higher
Education; d) software and training of crew installation; e) implementation of actions
including the Information Policy to permit open access institutional repository of scientific
production at the Federal University of Pernambuco. This is a descriptive study, based on
exploratory hand-ons and documentary research, conducted between July 2013 until May
2014. Some results are pointed: Analysis of Brazilian and international initiatives of
institutional repositories and open access digital libraries; analysis of policies implemented
information repositories seven Brazilian higher education institutions; deployment planning:
schedule , the standard specification software, its installation and technical training ;
establishment of documental typology for completion of the settlement ; and the outline of the
information policy for the collection of digital content of academic and technical production
of the Federal University of Pernambuco. Some conclusions about the findings: the
importance of knowing the Brazilian experiences on Institutional Repositories; teamwork and
training of the DSPACE technologies, and incriease Federal University of Pernambuco
scientific production.
Keywords: Digital document. Information policy. Digital repository. Federal University of
Pernambuco - scientific production.

1 Introdução
Os repositórios institucionais nas Instituições de Ensino Superior representam a a
preocupação e ação para a preservação e acesso aberto de documentos.
A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) cuida da sua produção científica
desde a década de 1970, com a criação da seção especial denominada Produção Intelectual da
UFPE (PIU) na Biblioteca Central (BC). Essa seção objetivava reunir, armazenar e guardar
toda a produção científica e intelectual impressa dos pesquisadores e professores da
instituição. Devido às mudanças de gestão e de prioridades, durante o passar dos anos, a
respectiva seção foi sendo relegada, e se encontra inativa e muitas obras armazenadas
precisam receber tratamento especial de restauração - considerando as inadequadas condições
climáticas da região nordeste (temperatura e umidade) para a preservação do papel. (LIMA;
SILVA; RODRIGUES, 2011).
O contexto da UFPE em meados de 2014 pode ser expressada em termos numéricos:
três campi; 12 centros acadêmicos; na graduação são 99 cursos presenciais e seis na
modalidade em distância; 129 programas de pós-graduação stricto sensu (69 mestrados

4497

�acadêmicos, 10 mestrados profissionalizantes e 49 doutorados); no primeiro semestre de 2014
estavam matriculados 33.616 alunos; o quadro docente apresenta 2.140 professores; e, 4.144
servidores técnicos administrativos. A respeito da produção técnico e científica entre o
período de 2003-2010 foram: 8651 publicações periódicas, 837 livros, 3.026 capítulos de
livros e 10.880 artigos em anais; 4.626 dissertações de mestrado e 1.117 teses. Observa-se até
o ano de 2010 o pedido 80 de registro de patentes. (UFPE, 2014)
A literatura internacional apresenta diversas iniciativas a respeito dos repositórios
institucionais. O tema repositório institucional aparece em relatos de experiência, no caso a
Universidade do Minho com o relato de Rodrigues (2005) e divulgador do acesso aberto
(KURAMOTO, 2009). Também em relatório de gestão 2011-2013, Ferreira (2014) aponta a
importância do acesso aberto, das bases de dados e de bibliotecas digitais para preservação,
recuperação e acesso da produção científicae da memória cultural. E paralelamente a
capacitação de bibliotecários em ferramentas bibliometricas, no caso o “Vantage Point” em
qual na primeira etapa foram 18 bibliotecários e na segunda 60.
Observa-se no cenário internacional a tend~encia da Curadoria Digital, com cuidado
da diversidade aplicada a gestão documental. Por exemplo, o Repositório da Universidade do
Porto (UNIVERSIDADE DO PORTO, c2007-2012) com o tratamento para Repositório
Aberto, 33.004 registros e 33 tipos de documentos; o Repositório temático com 32.858
registros e 118 tipos de documentos e o Repositório de Dados.
A questão da preservação digital é tratada como objeto de estudos e tratamento
profissional por bibliotecários, arquivistas, museologos, equipe técnica de tecnologia da
informação e comunicação. A tendência visa facilitar o acesso aberto aos conteúdos digitais
oriundos da produção científica e técnica de toda comunidade acadêmica, além de gerar
visibilidade institucional.
O presente estudo aponta etapas para estabelecer uma política de informação ao
repositório institucional da Universidade Federal de Pernambuco. Utilizam-se de estudos
teóricos realizados em universidades brasileiras (WEBER; BLATTMANN, 2008; VARGAS,
2009; BOSO, 2011; LIMA; SILVA; RODRIGUES, 2011; BLATTMANN, BAHIA; SILVA;
2011; PIRES, 2011; COCCO 2012; CORRÊA; PIRES; MORAES; MIRANDA, 2012;
RIBEIRO JÚNIOR; PEREIRA; ASSIS et al., 2012) para fundamentar e contextualizar a
importância dos repositórios nas Instituições de Ensino Superior no sentido de preservação da
documentação, a recuperação e uso da informação disponibilizada. Apresentam-se realizadas
para construir um repositório e paralelamente estabelecer uma política de informação

4498

�utilizando recursos de infra-estrutura tecnológica existente e conciliar com as demandas dos
usuários.

2 Revisão de Literatura
Entre a necessidade e realização concreta de criar um repositório institucional para
uma instituição de ensino superior, Boso (2011) analisa todas as 97 instituições federais de
ensino superior no Brasil e concentra-se na análise das políticas das mesmas. No seu estudo,
observa que no ano de 2011 que 23 IFES mantinham repositórios e apenas 7 (sete)
apresentam as políticas instituídas (documentação das mesmas está anexa no estudo e também
está descrita a tramitação nas devidas instancias hierarquicas de cada instituição).
Enquanto Cocco (2012) investigou os repositórios institucionais de acesso aberto dos
países Ibero-Americanos e observou que 82,7% (de 180 cadastrados no Registry o f Open
Access Repositories ) foram desenvolvidos por universidades. Conclui em seu estudo que
36,8% (32) têm as bibliotecas e centros de documentação e informação como responsáveis
pelo gerenciamento e 83,9% (73) utilizam o software DSpace, e registraram mais de 119 tipos
de coleções, sendo que 6,7% (8) das coleções são publicações de caráter cientifico, para o
depósito dos documentos 58,6% (51) utilizam o processo de auto-arquivamento pelos autores.
Também observam-se repositórios institucionais temáticos apresentado por Ferrari
(2012) na área de esporte e lazer. Nota-se que em instituições podem co-existirem mais
repositórios devido a infra-estrutura disponível oriunda de projetos no caso LaboMídia/UFSC
com o apoio da Rede CEDES/Ministério do Esporte, mencionado no estudo de Ferrari. Citase o exemplo do Repositório Institucional da Universidade Federal de Santa Catarina, que está
registrado no Directory o f Open

Access Repository - Open DOAR

( para localizar

determinado repositório de acesso aberto use a URI http://www.opendoar.org/find.php ). Em
23 de maio de 2014, estavam registrados 2.263 repositórios, sendo 2.206 institucionais.
Referente ao Brasil existiam 84 repositórios registrados, sendo 67 institucionais.
No site do Serviço Experimental Federação Educa Brasil existe a ação integradora de
repositórios em “disponibilizar uma infraestrutura nacional para confederação de repositórios
de objetos de aprendizagem (OA) visando o reuso de OAs a partir de um único ponto de
busca.”

(FEDERAÇÃO EDUCA BRASIL, 2010-2014) O sistema de busca (

http://feb.ufrgs.br/feb/index ) tem como objetivo facilitar a recuperação dos metadados dos
diversos repositórios. São 12 instituições parceiras, totalizando 16 repositórios em
funcionamento.

4499

�O Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (2014) mantem o site
“Acesso Livre Brasil” (URI http://acessolivrebrasil.wordpress.com/repositorios-brasileiros/ )
no sentido de facilitar a busca da informação referente ao acesso livre. Apresenta um mapa
para identificar os repositórios ativos apoiados pelo projeto FINEP/IBICT. Devido as
alterações frequentes na internet os gestores do ambiente mencionam sua atualização
frequente.
Nota-se paralelamente a preocupação da arquivologia brasileira em estabelecer
diretrizes que enfocam o elo da cadeia de preservação da documentação arquivística. No site
do Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ, 2014) esta a resolução n. 39 de 29 de abril de
2014, a qual “estabelece diretrizes para

Estabelece diretrizes para a implementação de

repositórios digitais confiáveis para a transferência e recolhimento de documentos
arquivísticos digitais para instituições arquivísticas dos órgãos e entidades integrantes do
Sistema Nacional de Arquivos - SINAR”. Também estão disponíveis no site do CONARQ os
documentos

do

projeto

InterPARES

:

as

Diretrizes

do

Preservador

http://www.conarq.arquivonacional.gov.br/media/ip2 preservador siteip3.pdf.pdf

)

e

(
as

Diretrizes do Produtor: a elaboração e manutenção de materiais digitais: diretrizes para
indivíduos ( http://www.conarq.arquivonacional.gov.br/media/ip2 produtor siteip3.pdf.pdf ).
Desta maneira, sabemos que na equipe interdisciplinar é necessário o trabalho conjunto e a
soma de esforços para obter sucesso na gestão da documentação e informação digital, a base
de todo repositório institucional.

3 Materiais e Métodos
Trata-se de estudo descritivo, pautado na pesquisa exploratória e documental, método
de pesquisa participante, realizada no retomada das atividades cessadas desde 2011. A partir
de agosto de 2013 criou-se um Grupo de Trabalho Repositório Institucional na UFPE, o qual
conta com uma equipe multidisciplinar. Gradativamente são realizados testes, e o esboço da
política de informação.
A instalação do DSpace, versão 3.1, foi efetuada no servidor do Núcleo de Tecnologia
da Informação da UFPE na URI: http://repositorio.ufpe.br , o endereço foi registrado no
ROAR, e estão sendo realizados oficinas e testes no respectivo ambiente.
Entre as etapas desenvolvidas para instalação e operacionalização do Repositório
Institucional da Universidade Federal de Pernambuco podem ser destacadas:
a)

conhecer quais experiências deram certo utilizando a relação dos repositórios

apoiados pelo projeto FINEP/IBICT;

4500

�b) verificar a relação disponível na Federação de Repositórios Educa Brasil;
c) estudar as políticas de sete repositório de Instituições Federais de Ensino Superior;
d) instalar o software e capacitar a equipe técnica;
e) encaminhaminhar ações incluindo a Política de Informação para viabilizar o
repositório institucional de acesso aberto da produção científica da Universidade Federal de
Pernambuco no intuito de incrementar sua visibilidade perante a comunidade acadêmica.
A pesquisa-ação estimula o compartilhar informações e documentos. Em traçar
reflexões e ações conjuntas. E o aprendizado coletivo propicia oportunidades aos envolvidos e
a gestão administrativa envolve a adoção de medidas que possam atender ao contexto político,
social, educacional e tecnológico existente. As mudanças ocorrem rapidamente e quando um
projeto desta natureza estagna é necessário voltar ao princípio, às etapas realizadas, entender
mudanças ocorridas, muitas vezes pessoas da equipe foram substituidas (aposentadorias,
transferencia de setor, alteração do interesse no projeto, entre outros motivos). E assim, novas
versões do software estão disponibilizadas e relatos de experiências são somados e
possibilitam uma história aparentemente sem-fim. O ideal da equipe é manter o repositório
institucional disponível e acessível no ambiente 24/7 , isto é, 365 dias operando on-line e com
o mínimo de off-line. A seguir apresentamos os resultados parciais.

4 Resultados Parciais
Conforme a proposta de Política de Informação na UFPE (no Apêndice I), apresentada
em reunião ao Pró-Reitor de Pesquisa, as atividade continuam com o Grupo de Trabalho do
Repositório Institucional (GT RI) , destinados a escrever a política do RI:
Susimery Vila Nova - Bibliotecária - SeGIC
Maria Dalva Nunes - Bibliotecária - Biblioteca Central
Telma Arruda - Bibliotecária - Biblioteca Central
Nathália Sena - Bibliotecária - Biblioteca Central
Shirly Pimentel - Bibliotecária - Biblioteca Central
Ana Cláudia Gouveia - Bibliotecária - Biblioteca Central
Andréa Marinho - Bibliotecária - Centro de Artes e Comunicação
Eliabe Bernardo - Técnico - Campus Acadêmico de Vitória
Consultores internos
Marcos Galindo Lima - Prof. Departamento Ciência da Informação e Secretário de
Gestão da Informação da SeGIC
Edilene Maria da Silva - Profa. Departamento Ciência da Informação

4501

�Evaldo Rosas - Bibliotecário - Especialista em informática
Os testes com o DSpace versão 3.1, iniciaram em meados de julho de 2013, junto à
equipe do Núcleo de Tecnologia da Informação da UFPE.
O kit do FINEP/IBICT (KURAMOTO, 2009) foi recebido pela UFPE. Relatado no
artigo de Lima, Silva e Rodrigues (2011), apresentado no CTC 2011 pelas duas professoras
do Departamento de Ciência da Informação da UFPE. Devido a problemas técnicos e
políticos o respectivo projeto não prosseguiu e ficou estagnado (2011-2013). As atividades
foram retomadas no início de 2014 (http://www.liber.ufpe.br/ctcm/anais/).
A capacitação realizada no evento “Iniciativas de Acesso Aberto

à Informação

Científica, coordenado pelo IBICT” em 19/10/2012. Nesse evento, a UFPE chegou a receber
um certificado de reconhecimento.
Estão previstas cursos e oficinas na primeira quinzena de setembro e outubro de 2014.
O propósito dos mesmos é capacitar multiplicadores e fomentar a cultura organizacional na
preservação e acesso aberto a informação produzida na UFPE.

5 Considerações Parciais/Finais
A cultura organizacional referente ao acesso livre / aberto começa ganhar forças e em
2014 com a realização do curso “Vantage Point”, e realização do 4. Encontro Brasileiro de
Bibliometria e Cientometria” são destaques no sentido de compreender os indicadores de
visibilidade que se pode direcionar.
O processo da cultura organizacional torna-se gradativo e a participação em eventos de
grandeza nacional e internacional visa aproximar-se das discussões, efetuar trocas de
experiências e dirimir dúvidas fortifica a tomada de decisão em dar continuidade ao processo
de implantação do Repositório Institucional na UFPE.
Espera-se que seja dado continuidade ao projeto de preservação da documentação e
informação institucional produzida. Após a aprovação da política de informação nas
instancias da UFPE serão elaborados relatos e divulgados para socializar as etapas
concretizadas, dificuldades encontradas e problemas solucionados.

6 Referências
BLATTMANN, Ursula; BAHIA, Eliana Maria dos Santos; SILVA, Luiza Helena Goulart.
Repositórios institucionais e seu impacto na produção do conhecimento. In: Valéria Martim
Valls; Waldomiro Vergueiro.

(Org.).

Tendências contemporâneas na gestão da

informação. São Paulo: Editora Sociologia e Política, 2011. p. 109-124.

4502

�BOSO, Augiza Karla. Repositórios de Instituições Federais de Ensino Superior e suas
políticas: análise sob o aspecto das fontes informacionais. 2011. 150 f. Dissertação (Mestrado
em Ciência da Informação) - Curso de Pós-graduação em Ciência da Informação,
Universidade Federal

de Santa Catarina, Florianópolis, 2011. Disponível em:

&lt;

http://pgcin.paginas.ufsc.br/files/2010/10/BOSQ-Augiza-Karla.pdf &gt;. Acesso em: 20 abr.
2014.
COCCO, Ana Paula. Repositórios institucionais de acesso aberto : análise do cenário nos
países ibero-americanos. Florianópolis, 2012. 196 p. Dissertação (Mestrado) - Universidade
Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Educação. Programa de Pós-Graduação em
Ciência da Informação. Disponível em: &lt; http://www.tede.ufsc.br/teses/PCIN0084-D.pdf &gt;.
Acesso em: 23 abr. 2014.
CONSELHO NACIONAL DE ARQUIVOS (CONARQ). Resolução n. 39, de 29 de abril de
2014. Estabelece diretrizes para implantação de repositórios digitais confiáveis para a
transferência e recolhimento de documentos arquivísticos digitais para instituições
arquivísticas dos órgãos e das entidades integrantes do Sistema Nacional de Arquivos SINAR. [Publicado no Diário Oficial da União, Edição n° 81, de 30 de abril de 2014 - Seção
1]

20

p.

Disponivel

em:

&lt;

http://www.conarq.arquivonacional.gov.br/media/publicacoes/resol conarq 39 repositorios.p
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CORREA, Tatiane Priscila Pinto; PIRES, Elisangela Mota; MORAES, Maria Helena
Machado de; MIRANDA, Angélica Conceição Dias. Implementação do Repositório
Institucional FURG: uma visão através do catálogo decisório de autores. Revista ACB, v. 17,
n.

1,

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Disponível

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&lt;

http://revistaacb.emnuvens.com.br/racb/article/view/810 &gt;. Acesso em: 18 abr. 2014.
CRUZ, Franciele Scaglioni da. Processo de criação e manutenção dos repositórios
institucionais das universidades federais brasileiras. Trabalho de Conclusão de Curso
(Graduação em Biblioteconomia) - Universidade Federal do Rio Grande, Instituto de Ciências
Humanas e da Informação, Curso de Biblioteconomia, Rio Grande, 2011. Disponível em: &lt;
http://bdtccs.furg.br:8080/bdtccs-jspui/handle/1/28 &gt;. Acesso em: 10 jan. 2014.
FERRARI, Rodrigo Duarte. Gestão da informação e conhecimento em esporte e lazer : o
caso do Repositório Institucional da Rede CEDES (RIRC). Florianópolis, SC, 2012. 177 p.
Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Desportos.

4503

�Programa

de

Pós-Graduação

em

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Física.

Disponível

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&lt;

http://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/96438 &gt; . Acesso em: 15 abr. 2014.
FERREIRA, Sueli Mara S. P. Relatório de Gestão SIBiUSP 2010-2013 (Sistema Integrado
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em: 10 jan. 2014.
INTERPARES 2 PROJECT. Diretrizes do preservador: A preservação de documentos
arquivísticos digitais: diretrizes para organizações. Luciana Duranti (diretora do projeto).
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materiais digitais: diretrizes para indivíduos. Luciana Duranti (diretora do projeto). Trad. rev.
Arquivo Nacional e Camara dos Deputados. Brasília: Editoração Câmara dos Deputados,
[2014].

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LEITE, Fernando César Lima. Como gerenciar e ampliar a visibilidade da informação
científica brasileira: repositórios institucionais de acesso aberto. Brasília: IBICT, 2009.
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OPEN DIRECTORY OF OPEN ACCESS REPOSITORIES. Search or browse for
Repositories. United Kingdom: University of Nottigham, c 2006-2014. Last updated: 23 May
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RIBEIRO JÚNIOR, Divino Inácio; PEREIRA, Ana Maria; ASSIS, Gláucia de Oliveira; et al..
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4505

�APENDICE I - Minuta da Política do Repositório Institucional da Universidade Federal
de Pernambuco

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

Minuta da Reslução N°xx, de xx de xxxx de 2014
Estabelece a Política do Repositório
Institucional da Universidade Federal de
Pernambuco.

TÍTULO 1-POLÍTICA DO REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL Anísio Brasileiro
de Freitas Dourado, delegou à Secretaria de Gestão da Informação da Universidade Federal
de Pernambuco por portaria normativa N°25, de 23 de Dezembro de 2011 o poder de
gerenciar atividades de assessoramento, estabelecimento de políticas públicas, definição e
acompanhamento de processos e procedimentos de informação e comunicação no âmbito
interno e externo da UFPE. O Secretário de Gestão da Informação e Comunicação, Décio
Fonseca, considerando o que prevê o At. 1° da portaria e o Art. 6°, tendo ouvido o Comitê
Gestor do repositório Institucional, doravante, neste documento, denominado de RI designado
pela portaria_______d e ________ de 2014, reconhecendo e a importância da implementação
de ações que garantam o armazenamento, organização, disseminação e acesso às produções
intelectual e científica desta Instituição - constituída de resultados de pesquisa veiculados em
meios de comunicação científica que tenham revisão por pares, bem como fontes primárias de
pesquisa, livros, palestras, materiais de áudio e vídeo, dentre outros descriminados no Art.3,
parágrafos I e II desta resolução e considerando a necessidade de:
-

Preservar a produção científica desta Instituição;

-

Ampliar a visibilidade da produção científica desta Instituição;

-

Potencializar o intercâmbio desta Instituição com outras instituições;

-

Acelerar o desenvolvimento de suas pesquisas;

-

Democratizar o acesso à sua produção científica;

-

Facilitar o acesso à informação científica de uma forma geral;

-

Otimizar a gestão de investimentos em pesquisa nesta Instituição.

4506

�RESOLVE: Criar o Repositório Institucional da UFPE.
OBJETIVOS
Art. 1. São objetivos do RI:
56. Apoiar a disseminação da produção bibliográfica dos professores pesquisadores da
UFPE;
57. Maximizar o acesso, o uso, a visibilidade e o impacto da produção científica da UFPE;

58. Povoar/alimentar o RI da UFPE com publicações científicas dos docentes e discentes
da graduação, pós-graduação e pesquisadores colaboradores;
59. Proporcionar meios de acompanhamento da produção científica da UFPE.

Art. 2. Assim, para atender a estas necessidades, a Secretaria de gestão da Informação e
Comunicação da UFPE estabelece:
^ A Biblioteca Central desta instituição fica encarregada do desenvolvimento e
manutenção do repositório institucional;
^ O RI/UFPE desenvolvido e alimentado pela nossa comunidade científica institucional
(docentes, pesquisadores, colaboradores pesquisadores e alunos de graduação e pósgraduação) é de livre acesso;
^ O RI deve terá capacidade de integração com sistemas nacionais e internacionais,
observando-se o uso de padrões e protocolos de integração, em especial aqueles
definidos no modelo Open Archives;
^ A comunidade científica institucional deverá publicar os artigos de sua autoria ou coautoria, preferencialmente, em publicações periódicas científicas de acesso livre ou que
façam constar em seus contratos de publicação o depósito dos artigos publicados no RI
da UFPE;
^ O depósito citado no item anterior deve ser realizado imediatamente após a
comunicação de sua seleção para publicação na revista científica (VERSÃO PÓSPRINT). Em caso de impossibilidade de depósito imediato, o autor e/ou o co-autor terá
um prazo máximo de 6 (seis) meses da data de publicação do referido artigo para
depositá-lo no RI;
^ Na impossibilidade de disponibilização do conteúdo, devido à(s) cláusula(as)
contratual(ais) mantidas pelo autor com a(s) revista(s) onde o trabalho foi publicado, o
depósito será feito, porém apenas os metadados serão disponibilizados no RI; (Ex.:
resumo, palavras-chave e referências). Portanto, fica obrigatório o depósito no RI dos

4507

�artigos publicados em revistas científicas. Porém É FACULTATIVO aos autores a
LIBERAÇÃO do ACESSO ao TEXTO COMPLETO desses artigos em casos que os
editores estabeleçam em seus contratos com os autores cláusulas impeditivas;
^

Fica desobrigado de depósito no RI, os livros ou capítulos de livros que tenham
restrições contratuais relativas a direitos autorais;

^

Ficam obrigados depositar no RI os documentos cujo conteúdo integra resultados de
pesquisas passíveis de serem patenteados ou de serem publicados em livros ou capítulos
de livros que serão publicados com fins comerciais, porém ficam desobrigados de
liberar o acesso livre a estes artigos;

^ Todos os documentos que não se enquadrem nos itens VII e publicados em veículos de
comunicação científica com revisão por pares, a exemplo de artigos publicados em
eventos ou outros, por avaliação de uma banca de especialistas, devem ser depositados
no RI;
^ De maneira a facilitar o povoamento do RI, as unidades/departamentos podem
promover o depósito da produção científica desta Instituição, mediante autorização dos
autores da referida produção, seja efetuando a entrada de cada documento no RI ou
importando os dados já registrados de outros repositórios.

DESCRIÇÃO DO MATERIAL DEPOSITADO
Art. 3. Os materiais que podem ser depositados:
^ Teses, dissertações, TCC’s, artigos de periódicos (pre-print e post-print), artigos de
eventos, livros, materiais didáticos produzidos pelos professores, e-books, vídeo,
áudio,

imagens

e material

de

laboratório

considerados

fontes

primárias,

palestras/conferências proferidas pelos professores.
^ Professores da UFPE podem incluir no RI materiais de autoria própria desenvolvidos
para fins didáticos, como apostilas, apresentações, estudos de casos e demais
materiais.

DOS COMITÊS DELIBERATIVO E GESTOR
Art. 4. O Comitê deliberativo é composto dos seguintes membros:
I - Secretaria de Gestão da Informação e Comunicação (SeGIC);
II - Direção da Biblioteca Central;
III - 01 representante do Departamento de Ciência da Informação;

4508

�A gestão do RI fica a cargo do Comitê Gestor, composto pelos seguintes membros:
I - 01 Representante da Secretaria de Gestão da Informação e Comunicação;
II - 02 Representantes do Núcleo de Tecnologia da Informação
II - Grupo de Trabalho Repositório Institucional como representante do Sistema
Integrado de Bibliotecas da UFPE;
III - 01 representante de cada Centro para campanhas divulgativas e consultas

Cabe ao Comitê Gestor:
- elaborar e revisar as políticas de funcionamento do RI;
- aprovar as diretrizes operacionais;
- divulgar o RI nos respectivos centros;
- estimular e sensibilizar docentes e discentes a depositar sua produção no RI;
- resolver questões e casos omissos no regulamento do repositório;
- sensibilizar professores e discentes para o depósito;
- Verificar as condições do material auto-arquivado;
VIII.- Prestar serviços e treinamentos aos usuários para o uso do sistema, autoarquivo e
pesquisa.

Parágrafo único. Os mandatos dos representantes mencionados no Art.4 são de dois anos,
podendo ser reconduzidos por mais dois.

DIRETRIZES PARA DEPÓSITO E ACESSO À PRODUÇÃO
Art. 5. A política institucional de informação baseia-se no princípio do depósito imediato e
modalidades de acesso, isso implica que os professores e pesquisadores da Instituição devem
depositar a sua produção, porém fica facultada a forma de acesso, conforme alínea IV do art.
2.
Parágrafo único: As disposições sobre o depósito e o tipo de material estão consignadas nas
alíneas de I a X do art. 2.
^

Todas as unidades orgânicas (faculdades, centros de pesquisas e departamentos)
devem se comprometer na divulgação das práticas e das políticas de auto-arquivo e
depósito da produção científica;

^

O depósito da produção técnica, científica e documental no RI será realizado pelas
unidades produtoras, mediante autorização dos autores, seja efetuando a entrada de
cada documento no RI ou importando os dados já registrados em outros repositórios.

4509

�CRIAÇÃO DE REPOSITÓRIOS TEMÁTICOS
Art. 6. Os departamentos e/ou cursos de pós-graduação poderão criar seus repositórios para
depositar outros tipos de materiais que não estão contemplados no RI. Para que estes
repositórios possam se comunicar com o RI é necessário que adotem os padrões do software
livre: o uso do protocolo OAI-PMH.
•

Para migração de bancos de dados para o RI é necessário que tenha o protocolo OAIPMH (Open Access Iniciative - Protocol Metadada Havesting). Independente do
software adotado.

POLÍTICA DE ESTÍMULO PARA DEPÓSITO NO RI
Art. 7. Fica a cargo da Secretaria de Gestão da Informação e Comunicação apresentar à
Reitoria a proposta de criação de premiação ou outro tipo de mecanismo para estimular o
autoarquivamento da produção pelos próprios departamentos.
Art. 8. A preservação digital do RI, dar-se-à pelo método de análise de risco.
Para o cumprimento desta política, esta Instituição estabelecerá mecanismos de estímulo,
assim como ações de integração que possibilitem evitar duplicações de esforços. Além disso,
a implementação desta política poderá suscitar a elaboração, discussão, regulamentação e
estabelecimento de políticas e mecanismos específicos de forma a garantir a plena
alimentação do repositório institucional e, por conseguinte, a preservação da produção
científica institucional.

Esta Política Institucional de Informação entrará em vigor a partir da data de sua publicação.

Reitor,

Recife,

4510

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>Os repositórios institucionais nas Instituições de Ensino Superior apresentam a preservação de documentos e disponibilizam o acesso aos conteúdos digitais oriundos da produção científica. Compete aos gestores da informação e documentação estabelecerem políticas institucionais para a coleta, preservação, disponibilidade e acesso à informação. O objetivo deste trabalho é especificar a construção de um repositório institucional e paralelamente estabelecer uma política de informação utilizando recursos de infra-estrutura tecnológica existentes e conciliar com as demandas dos usuários. Entre as etapas desenvolvidas para instalação e operacionalização do Repositório Institucional da Universidade Federal de Pernambuco podem ser destacadas: a) conhecer quais experiências deram certo utilizando a relação dos repositórios apoiados pelo projeto FINEP/IBICT e a relação disponível na Federação de Repositórios Educa Brasil, b) estudar as políticas de sete repositório de Instituições Federais de Ensino Superior, c) instalação do software e capacitação da equipe técnica, d) encaminhamento de ações incluindo a Política de Informação para viabilizar o repositório institucional de acesso aberto da produção científica da Universidade Federal de Pernambuco. Trata-se de estudo descritivo, pautado na pesquisa exploratória e documental, realizada entre os meses de julho de 2013 a maio de 2014. Entre os resultados, apontam se: análise de iniciativas brasileiras e internacionais de repositórios institucionais e de bibliotecas digitais de acesso aberto, análise das políticas de informação implantadas de sete repositórios brasileiros de instituições de ensino superior, planejamento da implantação: cronograma, especificação do software padrão, sua instalação e capacitação técnica, estabelecimento da tipologia documental para realização do povoamento, e, o esboço da política de informação para a coleção de conteúdos digitais da produção acadêmica e técnica da Universidade Federal de Pernambuco. Entre as conclusões pode-se destacar a importância de conhecer as experiências brasileiras, o trabalho em equipe e a capacitação nas tecnologias do DSPACE, e a visibilidade da produção científica.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS

Nelma Camelo Araujo
Ingrid Lopes ABS
RESUMO
A consolidação da internet, das ferramentas e dos recursos que veem agilizando o acesso,
recuperação e disseminação de documentos em meio eletrônico é fato consolidado no cenário
mundial. Assim, as Bibliotecas das Instituições de Ensino Superior são responsáveis por
armazenar não apenas acervo adquirido externamente, mas também a própria produção da
Instituição na qual ela esta inserida. Nesse contexto iniciativas para organização,
armazenamento e disseminação da produção intelectual da IES tem ganhado força com o
movimento de Acesso Livre a Informação, conhecido internacionalmente como Open Access
Initiative (OAI), utilizando como ferramenta os Repositórios Digitais Institucionais. Esse
ensaio teve como objetivo Analisar o Repositório Institucional da UFAL, sua construção,
politica e atualização, cuja sua gestão encontra-se a cargo da Biblioteca Central da Instituição,
como ocorre na maioria das IES no Brasil. Para o trabalho foi realizada entrevistas com as
gestoras da Biblioteca Central da UFAL, a responsável por gerir o RI e também a analise do
RI/UFAL via página da BC. Como resultado do trabalho percebe-se um esforço da atual
gestão da BC da UFAL em consolidar a politica traçada para viabilizar o RI, mas como o
projeto é recente muita ações ainda se fazem necessárias, dentre elas consolidar as politicas
que permeiam o RI; contratação de profissionais para auxiliar na atualização do RI e também
o envolvimento dos coordenadores dos cursos de pós-graduação para valorização do
RI/UFAL na instituição.
Palavras-chave: Repositório Institucional da UFAL.
Repositório Digital Institucional.

Biblioteca Central da UFAL.

ABSTRACT
The consolidation of the internet , the tools and resources they see streamlining the access,
retrieval and dissemination of electronic documents is consolidated fact on the world stage .
Thus , the Libraries of Institutions of Higher Education are responsible for storing not only
assets acquired externally , but also the production of the institution in which it is inserted . In
such initiatives for the organization , storage and dissemination of intellectual production of
the HEI context has gained strength with the movement of Free Access to Information ,
internationally known as Open Access Initiative ( OAI ) , using as a tool Institutional Digital
Repositories . This trial aimed to analyze the Institutional Repository UFAL , its construction
, and update policy , whose management is in charge of the Central Library of the Institution ,

4482

�as occurs in most HEIs in Brazil . To work interviews with the managers of the Central
Library UFAL , responsible for managing the RI and also the analysis of the RI / UFAL via
the BC page was made . As a result of the work one sees an effort from management's current
BC UFAL to consolidate the policy drawn to enable the IR , but as the project is still a lot of
recent actions are necessary , among them consolidate the policies that underlie the RI ; hiring
professionals to assist in updating the RI and also the involvement of the coordinators of
postgraduate
courses
for
recovery of
RI
/
UFAL
the
institution
Keywords: Institutional Repository UFAL. Central Library of UFAL. Institutional
Repository

1 CONTEXTUALIZAÇAO DO TEMA

A informação registrada serve como insumo à produção de bens materiais simbólicos,
e de novos conhecimentos, como instrumento de apoio à decisão, como suporte para a defesa
de interesses, como material informacional para o ensino e a aprendizagem. Marinho Junior,
Guimarães e Silva (1998) destacam que somente com a posse de informações um indivíduo
pode garantir o exercício de sua condição de cidadão. E o direito de informação é a síntese
dos direitos sociais. O direito de se comunicar engloba, assim, o direito de participar, de se
informar, de receber e de ter acesso à informação.
Segundo Lopes (1996), informação é ação e também efeito de comunicar dados, é
qualquer atributo do pensamento humano sobre a natureza e a sociedade, desde que
verbalizada ou registrada. Portanto, a informação registrada constitui-se em um documento.
Conforme o Arquivo Nacional (2005, p.6) “documento é a unidade de registro de
informações qualquer que seja o suporte ou formato”. Entende-se neste contexto, que o
primeiro, é o material no qual são registradas as informações; sendo que o formato é o
conjunto de características físicas de apresentação das técnicas de registro e da estrutura da
informação e do conteúdo dos documentos. Também é a configuração física do suporte de
acordo com sua natureza e o modo como foi confeccionado. Ex.: formulários, fichas, caderno,
plantas, cartaz, microfichas, rolos de microfilme, mapas. Complementa-se ainda que
documento é todo o processo de informar, comprovar e registrar fatos. É toda e qualquer
informação contida em qualquer suporte, fixado materialmente e suscetível de ser utilizado
para consulta, estudo ou prova.
Dado aos avanços das tecnologias de informação e comunicação, bem como aos
incentivos governamentais que valorizam a implantação e a adoção de repositórios digitais
como um espaço de registro, guarda e preservação da memória, as universidades não podem

4483

�prescindir da aplicação de ferramentas tecnológicas que visem proporcionar esta preservação
e resgate das fontes de informação que tratam direta e indiretamente de acontecimentos que
marcaram a trajetória de uma instituição
No Brasil, há diversas iniciativas com relação aos repositórios digitais em
universidades, implantadas ou em fase de implantação em instituições acadêmicas. Sendo
essas iniciativas, direcionada à organização da produção intelectual e científica da
universidade, em detrimento de promover organização,

com efeito, esse conjunto de

informações corresponde, a um só termo, à memória acadêmico-institucional e aos insumos
necessários à dinâmica de todas as atividades desenvolvidas na instituição de ensino superior,
notadamente, daquelas relacionadas a produção cientifica. A implantação de repositórios
institucionais digitais se apresenta, nesse contexto, como alternativa. Para tanto, existem
diversas opções em plataformas de softwares livres possíveis de serem adotadas, seguindo-se
as necessidades e os requisitos do projeto. O disseminador dos RDI no Brasil é o Instituto
Brasileiro de Informação, Ciência e Tecnologia, definindo-o como:
Os repositórios digitais (RDs) são bases de dados online que reúnem de
maneira organizada a produção científica de uma instituição ou área
temática. Os RDs armazenam arquivos de diversos formatos. Ainda,
resultam em uma série de benefícios tanto para os pesquisadores quanto às
instituições ou sociedades científicas, proporcionam maior visibilidade aos
resultados de pesquisas e possibilitam a preservação da memória científica
de sua instituição. Os RDs podem ser institucionais ou temáticos. Os
repositórios institucionais lidam com a produção científica de uma
determinada instituição. Os repositórios temáticos com a produção científica
de uma determinada área, sem limites institucionais510.

Diante da contextualização acima, a proposta desse ensaio foi de apresentar como se
encontra o repositório da Universidade Federal de Alagoas, seu desenvolvimento, suas
dificuldades e como o mesmo se encontra estruturado nos dias de hoje (2014).

2 REPOSITÓRIOS DIGITAIS INSTITUCIONAIS
Os repositórios digitais podem ser considerados uma inovação no
gerenciamento da informação digital. Editoras, bibliotecas, arquivos
e centros de informações em vários países estão criando grandes repositórios
de informação digital, contendo diferentes tipos de conteúdos e formatos de
arquivos digitais511.

510 IBICT. Repositórios Digitais. Disponível em: &lt;http://www.ibict.br/informacao-para-cienciatecnologia-e-inovacao%20/repositorios-digitais&gt; Acesso em: 17 abr de 2014
511IBICT. Repositórios Institucionais Digitais: Dspace. Disponível em: &lt; http://www.ibict.br/pesquisadesenvolvimento-tecnologico-e-inovacao/Sistema-para-Construcao-de-Repositorios-InstitucionaisDigitais&gt; Acesso em: 20 abr 2014

4484

�Camargo e Vidotti (2009) ressaltam que nos últimos anos os repositórios institucionais
são alvos da atenção por parte de universidades e bibliotecas universitárias, pois estão
inseridos no movimento conhecido por Open Access Initiative (OAI), que tem por objetivo a
promoção do acesso livre e irrestrito à literatura científica e acadêmica. Ainda favorece o
aumento do impacto do trabalho desenvolvido pelos investigadores e instituições, e também
contribui para a reforma do sistema de comunicação científica, reassumindo o controle
acadêmico sobre a publicação, aumentando a competição e reduzindo o monopólio das
revistas científicas das editoras comerciais.
Corroborando com a ideia das autoras acima, Brascher e Café (2008), salientam que as
principais singularidades que influenciam a organização da informação nestes Ris são o
acesso livre à informação, com o objetivo de disponibilizar arquivos abertos conforme as
especificações da Open Archives Initiative (OAI); a possibilidade de trabalhar com diferentes
tipos e formatos de documentos; a interoperabilidade, com o uso do protocolo Open Archives
Initiative - Protocol for Metadata Harvesting (OAI-PMH) e de seu conjunto mínimo de
metadados além do auto-arquivamento, que muitas vezes designa ao autor a responsabilidade
sobre submissão e descrição dos documentos.
Os estudos sobre Repositório Institucional (RI), demonstram que alguns elementos
auxiliam no processo de gestão do conhecimento científico, como o auto-arquivamento
temático e/ou institucional, sendo mais confiável do que em Web Sites, pois no momento em
que o repositório institucional está se consolidando, a coleta automática aos repositórios
temáticos poderá vir a auxiliar na segurança dos dados fornecendo backups, redundâncias e
espelho dos metadados e documentos contidos nos repositórios temáticos (CAMARGO e
VIDOTTI, 2009) e outros elementos são: segurança, o desempenho, a consistência e a
eficiência, já que estudiosos perceberam a falta de atualização e as inconsistências de Uniform
Resource Locato (URL), que mudam ou desaparecem com o passar do tempo na Internet.
Ao tratarem desta temática Brascher e Café (2008) mencionam que a organização da
informação (OI) ocorre em um sistema de informação onde possui componentes interrelacionados para coletar (entrada), tratar (processamento) e disseminar (saída) informações,
sob-responsabilidade de uma pessoa da área, que conta com um mecanismo de feedback para
auxiliar na sua avaliação, aprimoramento e adequação ao ambiente no qual se insere.
Durante o tratamento da informação são realizadas a descrição fïsica (DF) e
descrição temática (DT) que consolidam o armazenamento e a organização
da informação. Ao descrever um documento pretende-se comunicar, por
meio de linguagem específica, desenvolvida e aplicada de acordo com um
conjunto de regras, determinados atributos (CAMARGO; VIDOTI, 2008
apud SVENONIUS, 2001, p.20).

4485

�Este é um procedimento importante na recuperação da informação, pois possibilita a
identificação e a enumeração das características do documento. A descrição física é a
diferenciação das características físicas de um documento com base na análise do seu tipo e
identificação das informações descritivas como título, autor, dentre outros elementos,
utilizando padrões e normalizações específicas. A descrição temática tem por objetivo a
representação do conteúdo e a profundidade de sua abordagem, para tanto, é necessário
utilizar informações extraídas do próprio documento ou de instrumentos capazes de sintetizar
o assunto.
Para Silva e Tomáel (2008), a elaboração de um repositório institucional passa por
uma politica de gestão institucional, tendo como princípio a responsabilidade pela elaboração
do repositório, incluindo sua criação e manutenção; a definição dos conteúdos do repositório,
os aspectos legais que permeiam os documentos a serem incluídos e as respectivas licenças do
sistema que irá operar o repositório; seus padrões e diretrizes de preservação dos documentos
em meio eletrônico; a política de acesso, bem como seus níveis, e por último a
“sustentabilidade e financiamento do repositório”.
[...] os repositórios são importantes ferramentas que facilitam o
compartilhamento das informações de natureza cientifica e acadêmica.
Portanto, a implementação de repositórios digitais, ou repositórios de
informação é uma das formas que as universidades - ou comunidades
cientificas de áreas temáticas - dispõem para minimizar a falta de
visibilidade da sua produção intelectual, porque favorecem o equilíbrio de
forças no contexto da comunicação cientifica. (SILVA; TOMÁEL, 2008, p.
128)
É importante ressaltar que a equipe gestora do RI, envolve diversas áreas e pessoas,
pois para cada ação é necessário o envolvimento de conhecimentos específicos, permitindo a
formação de uma equipe multidisciplinar para a construção e manutenção de um RI.
Assim, o principio básico da criação de um RI é a elaboração de sua política,
facilitando seu funcionamento, realizando testes que validem sua alimentação e disseminação.

3 EXPERIMENTO

Para a construção desse ensaio foi analisado o RI da UFAL, sendo gerido até a
presente data pela Biblioteca Central da Instituição. Foi realizada uma pesquisa no próprio RI
da BC da UFAL, bem como uma entrevista com as gestoras da BC/UFAL e a responsável
pela alimentação e manutenção do RI.

4486

�Oliveira (2011, p.15), relata que os repositórios das IFES “encontram-se instalados nos
portais das bibliotecas, que em sua maioria apresentam boa visibilidade, sendo acessados na
primeira página dos mesmos”. Em nosso experimento foi possível constatar a informação da
autora.

3.1 Biblioteca Central da Universidade Federal de Alagoas

A institucionalização da Biblioteca Central/BC da UFAL data de 1976. Em principio
as bibliotecas da UFAL estavam dispersas na sua sede no campus de Maceió. “Segundo
diagnóstico construído em 1987, a UFAL possuía 15 bibliotecas, sendo 2 por centro, 11 por
departamento, 1 no Museu Théo Brandão e 1 Central. Além de, pequenos acervos
caracterizados como material de laboratório, junto a diversos departamentos512”
Somente em 1989 o Sistema de Bibliotecas - SIBI passa a ter seu regimento,
além de várias conquistas, como a adoção de uma política orçamentária
garantindo 8% do orçamento institucional para o SIBI, o que assegurou a
melhora do acervo bibliográfico, condições de uso das bibliotecas e a oferta
de serviços especializados. O SIBI passa a ser composto pela Biblioteca
Central, o Órgão Colegiado e 7 Bibliotecas Setoriais.

Em abril de 1990, a Biblioteca Central ganha um prédio próprio, possibilitando
politicas de integração entre os diversos setores da UFAL no que tange a informação. Ao
longo de sua história e por ter gestores atuantes a BC da UFAL tem crescido
significativamente em acervo e ações, tornando-se um “pólo de intercâmbio científico,
cultural e social, saindo de um estado primitivo para uma performance moderna e dinâmica” .
A partir de 2005 a BC começa seu processo de modernização no Campus de Maceió,
sendo realizadas obras de caráter estrutural para melhoria de acesso de seus usuários ao
acervo disponível na BC, também é realizada a aquisição de um volume significativo de obras
e títulos de periódicos, nesse contexto começa a integração da BC no cenário nacional no que
diz respeito a informatização de seu acervo.
Ressalta-se que a UFAL aderiu ao plano de interiorização do Ensino Superior em
Alagoas, outros Campis foram abertos e consequentemente mais bibliotecas, em especial no
Campus de Arapiraca e o Campus de Delmiro Gouveia no sertão Alagoano.

512 UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Biblioteca Central. Disponível em: &lt;
http://www.ufal.edu.br/institucional/orgaos-de-apoio/academico/bibliotecas/biblioteca-central&gt;
Acesso em: 19 abr 2014.

4487

�Portanto o desenvolvimento do Repositório Institucional da UFAL foi construído a
partir dessa evolução histórica da BC, sendo seus gestores os atores dessa transformação.

3.1.1 Repositório Institucional da UFAL

O RI encontra-se em fase de atualização, por meio da página da BC da UFAL pode-se
ter acesso ao RI (Figura 1), essa atualização se deve ao fato que o RI foi construído a partir do
Banco de Dados de Teses e Dissertações (BDTD), iniciativa que foi construída em pareceria
com o Instituto Brasileiro de Informação, Ciência e Tecnologia - IBICT, que tem colaborado
com a atualização de software e treinamento aos gestores das Instituições de Ensino Superior
que participam desse projeto, alimentando uma base de conhecimento único no país.

Figura 1 - Página da BC/UFAL

Sistema
de Bibliotecas

BIBLIOTECA

BIBLIOTECAS

GUIA DO

GUIA DE

TERMO

S O L O T A Ç Â O DE

CENTRAL

SETORIAIS

USUÁRIO

NORMALIZAÇÃO

BDTD

UVROS

0 SiBi/UFAL prorrogou o prazo para
devolução de livros sem cobraça de
multas durante o recesso acadêmico.
Dessa forma, os usuários do sistema
terão até o dia 14 de Março para devolver
as obras sem ônus adicional.

SERVIÇOS AOS USUÁRIOS:
Repositório Institucional
Contamos com um repositório destinado à produção de nossa
comunidade acadêmica. Registre a sua também,

De acordo com a responsável por alimentar o RI/UFAL, o BDTD da UFAL adotou o
sistema “distribuído” pelo IBICT, denominado TEDE, existindo uma portaria que consolida
essa ferramenta, e o RI vem sendo atualizado a partir de 2011, sendo a primeira iniciativa para
a realização do RI, sua “mascara”, ou seja, a arquitetura do RI.

4488

�A partir de então, a responsável pelo RI passou por treinamentos e reuniões com
membros do IBICT e demais instituições de ensino superior e pesquisa que participam do
consórcio da BDTD nacional, pois por meio do “Manifesto Brasileiro de Apoio ao Acesso
Livre a Informação Cientifica” de 2005, o IBICT vem construindo um Banco de Dados da
produção cientifica nacional, cujo seus objetivos são:

promover o registro da produção científica brasileira em consonância com o
paradigma do acesso livre à informação; promover a disseminação da
produção científica brasileira em consonância com o paradigma do acesso
livre à informação; estabelecer uma política nacional de acesso livre à
informação científica; buscar apoio da comunidade científica em prol do
acesso livre à informação científica513514.

Assim, em 2011 houve a tentativa de migrar os registros da BDTD da UFAL para a
construção do RI, porém houve incompatibilidade de sistemas, pois como foi exposto
inicialmente o BDTD da UFAL foi construído no sistema TEDE, porém o RI orientado pelo
IBICT é desenvolvido no Dspace.
O D Spacefoi desenvolvido para possibilitar a criação de repositórios digitais
com funções de armazenamento, gerenciamento, preservação e visibilidade
da produção intelectual, permitindo sua adoção por outras instituições em
forma consorciada federada. O sistema foi criado de forma a ser facilmente
adaptado. Os repositórios DSpace permitem o gerenciamento da produção
científica em qualquer tipo de material digital, dando-lhe maior visibilidade
e garantindo a sua acessibilidade ao longo do tempo. São exemplos de
material digital: documentos (artigos, relatórios, projetos, apresentações em
eventos etc.), livros, teses, programas de computador; publicações
multimídia, notícias de jornais, bases de dados bibliográficas, imagens,
arquivos de áudio e vídeo, coleções de bibliotecas digitais, páginas Web,
514
entre outros .

As gestoras da BC da UFAL informaram que essa incompatibilidade ocasionou o
retrabalho de alimentar o atual RI manualmente, ou seja, todos os documentos já depositados
na BDTD da UFAL foram perdidos no RI, assim a partir de 2012 começou o trabalho de
alimentação do sistema, mas por falta de pessoal, esse processo ainda encontra-se em
andamento.

513 KURAMOTO, Helio. Manifesto ao Acesso Livre a Informação Cientifica. Disponível em:
&lt;http://kuramoto.files.wordpress.com/2008/09/manifesto-sobre-o-acesso-livre-a-informacaocientifica.pdf&gt; Acesso em: 18 abr de 2014
514 IBICT. Sistema para Construção de Repositórios Institucionais Digitais (DSpace). Disponível
em: &lt; http://www.ibict.br/pesquisa-desenvolvimento-tecnologico-e-inovacao/Sistema-paraConstrucao-de-Repositorios-Institucionais-Digitais/?searchterm=Dspace&gt; Acesso em: 18 abr 2014

4489

�Conforme a responsável por alimentar o RI da BC da UFAL, em 2013 houve uma
paralização nesta alimentação, sendo priorizado dar continuidade a atualização do BDTD,
pois o volume de documentos depositados retrata a produção dos cursos de pós-graduação da
UFAL, sendo importante manter essa atualização.
Para que a politica institucional para alimentação do RI da UFAL possa funcionar, as
gestoras da BC estão realizando ações de convencimento aos coordenadores dos cursos de
pós-graduação da instituição para que esses façam o auto-arquivamento de suas produções,
permitindo a responsável do RI da BC, apenas validar a publicação desses documentos.
Existe na página da BC da UFAL o termo de aceite do autor de documentos científicos
para que o mesmo possa ser disseminado, assim os coordenadores dos cursos de pósgraduação teriam que enviar esse aceite assinado pelo autor para a coordenação do RI na BC,
permitindo sua publicação.
Esse procedimento já existe para disponibilizar as dissertações e teses da comunidade
acadêmica da UFAL (não apenas a produção dos cursos de pós-graduação, mas também de
docentes e técnicos que se titularam em programas de outras instituições de ensino superior
no Brasil e no exterior), porém a responsabilidade ainda é dos próprios gestores da BC da
UFAL.
Para consultar o RI/UFAL como descrito anteriormente podem-se realizar por meio da
própria página da BC acessando o link do Repositório Institucional, as informações contidas
na página do RI são básicas, conforme Figura 2.
Percebe-se que os rótulos disponíveis ainda encontram-se sem muitas informações,
pois a alimentação dos mesmos depende da gestora do RI, sendo o volume de documentos
depositados ainda insignificantes. O registro do usuário permite ao mesmo as mesmas funções
do não usuário, pois esse modulo no sistema ainda não esta totalmente desenvolvido.
Para realizar a analise do RI em suas funções realizamos o cadastro no repositório,
porém, as informações disponíveis são as mesmas, não sendo necessário a realização desse
cadastro para se ter acesso aos documentos arquivados no RI.
Pode-se perceber a simplicidade da mascara do Repositório Institucional da UFAL na figura 2, porém
os objetivos traçados para que o mesmo possa ser consultado pela comunidade acadêmica não
deixam a desejar.

4490

�Figura 2 - Repositório Institucional da UFAL

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CA - Campus Arapiraca ÍO'
CECA - Centro de Ciências Agrárias [13]
CEDU - Centro de Educacão Q 0 '
C5 - Campus Sertão - Delmiro Gouveia [0]
CTE - Centro de Tecnologia [2]

3 Aiuda

ESENFAR- Escola de Enfermagem e Farmácia [7]

3 Sobre o DSuace

FALE - Faculdade de Letras [24]

Acioli. Catarine
Gonçalves f l l
Albuquerque. Antonia
A d ria n a ... f l l
Alvim. Tatiana Araújo f l l
A nd rade.Victor Huoo
Oliveira de f l l
Araúio Neto. Renato
Américo de f l l
Araúio. Ana Luiza
Nogueira de f l l
Assis. Alexandro
Mangueira Li... f l l
Barros, Karina Nakai de
Carvalho f l]
Barros. Marllia Gracelídia

d o j)
Bezerra. Rodrigo José
Rodrigues f l l
próximo &gt;

FAMED - Faculdade de Medicina [1]

A entrada dos documentos foram disposto por Campis, a própria Biblioteca Central e
as Unidade Academica, em ordem alfabetica, denominados no RI/UFAL como
comunidade, assim distribuidos no portal: BC - Biblioteca Central [0] , CA - Campus
Arapiraca [0], CECA - Centro de Ciência Agrárias [13], CEDU - Centro de Educação
[10], CS - Campus Sertão - Delmiro Gouveia [0], CTE - Centro de Tecnologia [2],
ENSEFAR - Escola de Enfermagem e Farmácia [7], FALE - Faculdade de Letras [24],
FAMED - Faculdade de Medicina [1], FANUT - Faculdade de Nutrição [4], FAU Faculdade de Arquitetura e Urbanismo [0], FDA - Faculdade de Direito de Alagoas [63],
FEAC - Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade [0] , FSSO - Faculdade
de Serviço Social [2] , ICAT - Instituto de Ciências Atmosféricas [0] , ICBS - Instituto de
Ciências Biológicas e Saúde [5] , ICHCA - Instituto de Ciências Humanas, Comunicação
e Artes [1], IC - Instituto de Computação [0], ICS - Instituto de Ciências Sociais [0], IF Instituto de Física [2] , IM - Instituto de Matemática [0], IQB - Instituto de Química e
Biotecnologia [0], RENORBIO - Rede Nordeste de Biotecnologia [0] .

4491

�Percebe-se que todos os documentos depositados no RI/UFAL são relativos ao
Campus de Maceió, totalizando 134 publicações, até o dia 28 de abril, quando da
realização da analise, os demais campis encontra-se em fase de estruturação, ainda não
detém uma produção que permita ser disseminada.
As coleções estão relacionadas as comunidade variando um pouco de comunidade
para comunidade, pois assim foi estabelecido no documento sobre a política do RI/UFAL.
Os Campis são distribuidos por Pólos e suas respectivas coleções, exposto abaixo:
•

CA - Campus Arapiraca
o Artigos publicados em periódicos [0]
o Livros e Capítulos de Livros [0]
o TCC - Trabalhos de Conclusão de Curso [0]
o Trabalhos de Congressos e Seminários Nacionais e Internacionais [0]
&gt; CA - Pólo Palmeira dos Índios [0]
■
■
■
■

Artigos publicados em periódicos [0]
Livros e Capítulos de Livros [0]
TCC - Trabalhos de Conclusão de Curso [0]
Trabalhos de Congressos e Seminários Nacionais e Internacionais [0]

&gt; CA - Pólo Penedo [0]
■
■
■
■

Artigos publicados em periódicos [0]
Livros e Capítulos de Livros [0]
TCC - Trabalhos de Conclusão de Curso [0]
Trabalhos de Congressos e Seminários Nacionais e Internacionais [0]

&gt; CA - Pólo Viçosa [0]

•

■
■
■
■
CS - Campus
■
■
■
■

Artigos publicados em periódicos [0]
Livros e Capítulos de Livros [0]
TCC - Trabalhos de Conclusão de Curso [0]
Trabalhos de Congressos e Seminários Nacionais e Internacionais [0]
Sertão - Delmiro Gouveia [0]

Artigos publicados em periódicos [0]
Livros e Capítulos de Livros [0]
TCC - Trabalhos de Conclusão de Curso [0]
Trabalhos de Congressos e Seminários Nacionais e Internacionais [0]

&gt; CS - Pólo Santana do Ipanema [0]
■
■
■
■

Artigos publicados em periódicos [0]
Livros e Capítulos de Livros [0]
TCC - Trabalhos de Conclusão de Curso [0]
Trabalhos de Congressos e Seminários Nacionais e Internacionais [0]

4492

�Para a Comunidade Biblioteca Central, a coleção de documento está assim distribuida.
•

BC - Biblioteca Central [0]
o Artigos publicados em periódicos [0]
o Dissertações não defendidas na UFAL [0]
o Trabalhos publicados em eventos [0]
Para os demais Institutos, Faculdades e Centros da UFAL do campos Maceió, suas

coleções estão distribuidas por : Artigos publicados em periódicos, Dissertações defendidas
na UFAL, Dissertações e Teses não defendidas na UFAL, Livros e Capítulos de Livros e,
Trabalhos de Congressos e Seminários Nacionais e Internacionais.
Diante do exposto pode-se perceber que na comunidade da Biblioteca Central, inexiste
a coleção relativa a Dissertações defendidas na UFAL, e nas Comunidades dos Campis do
interior de Alagoas existe a Coleção Trabalhos de Conclusão de Curso, que inexiste na
Coleção dos respectivos Centros, Institutos e Faculdades do Campus de Maceió.
Como dito anteriormente, o RIUFAL é constituido basicamente de teses e
dissertações, sendo a migração dos documentos da BDTD, essa migração ainda não foi
consolidada, o volume de documentos depositados no RIUFAL não correspondem ao total
de publicações da BDTD.
A dedicação dos gestores e da responsável em fazer com que esse repositório possa ser
melhorado tem sido constante, inclusive no periodo da realização das entrevistas, as mesmas
estavam elaborando um documento para discussão com a vice-reitora da UFAL, sobre a atual
situação em que se encontra essa ferramenta e o que isso representa no cenário nacional, uma
vez que a UFAL integra o consórcio das Bibliotecas de Ensino Superior, quem compõe o
BDTD do IBICT.
A primeira iniciativa é a consolidação da politica do RIUFAL, exigindo a aprovação
por parte do CONSUNI, transformando o documento em uma Resolução Institucional.
Outra ação, que visa a melhoria da alimentação do RI é a solicitação por parte da
gestão da BC, é a contratação de funcionários que venham auxiliar no trabalho da responsável
pela manutenção, alimentação e disseminação dos documentos cientificos produzidos na
UFAL.

4 POSSÍVEIS CONSIDERAÇÕES
A proposta do trabalho foi apresentar um ensaio de como se encontra o
desenvolvimento e como esta estruturado o repositória institucional da Universidade Federal
de Alagoas (RI/UFAL) até a presente data (abril de 2014).

4493

�A partir da entrevista feita com as gestoras da BC/UFAL e a responsável pela
alimentação e manutenção do RI percebe-se que a construção do repositório foi construido a
partir de uma trajetória histórica entre o ganho da sede da biblioteca e o seu processo de
mordernização e informatização da BC, tendo como agente de transformação seus próprios
gestores. E é notório o esforço das gestoras para melhorar o repositório para que acadêmicos e
docentes tenham uma fonte de informação confiável.
Contudo, é necessário que a universidade (gestor) tenham interesse em investir em
melhorias no repositório já que o mesmo integra o consórcio das bibliotecas de ensino
superior no Brasil.
Diante do exposto, para que essas melhorias aconteçam se faz necessário consolidar
instutucionalmente o RI/UFAL, bem como contratar novas profissionais que venham auxiliar
a manutenção, alimentação e disseminação dos documentos cientificos produzidos na UFAL.
Portanto, o ensaio proposto serviu para que tenhamos um olhar diferenciado em
relação repositórios digitais instituicionais, e o quão é importante o melhoramento do
RI/UFAL para possibilitar o acesso

e compartilhamento das informações

de natureza

científica e acadêmica.
REFERÊNCIAS
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Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2005.
BRASCHER, Marisa; CAFÉ, Lígia. Organização da Informação ou Organização do
Conhecimento? In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA
INFORMAÇÃO, 9, 2008, São Paulo. Anais... São Paulo: ANCIB, 2008.
CAMARGO, Liriane Soares de Araújo; VIDOTTI, Silvana, Aparecida Borsetti Gregório.
Arquitetura da Informação para repositórios digitais. In: SAYÃO, Luis et al (Orgs.)
Implantação e gestão de repositórios institucionais: políticas, memória, livre acesso e
preservação. Salvador: EDUFBA, 2009. p. 55-82
IBICT. Sistema para Construção de Repositórios Institucionais Digitais (DSpace).
Disponível em: &lt; http://www.ibict.br/pesquisa-desenvolvimento-tecnologico-einovacao/Sistema-para-Construcao-de-Repositorios-InstitucionaisDigitais/?searchterm=Dspace&gt; Acesso em: 18 abr 2014

4494

�KURAMOTO, Helio. Manifesto ao Acesso Livre a Informação Cientifica. Disponível em:
&lt;http://kuramoto.files.wordpress.com/2008/09/manifesto-sobre-o-acesso-livre-a-informacaocientifica.pdf&gt; Acesso em: 18 abr de 2014
LOPES, Luis Carlos. A informação e os arquivos: teoria e prática. Niterói: EDUFF; 1996.
MARINHO JUNIOR, Inaldo Barbosa; GUIMARÃES E SILVA, Junia. Arquivos e
informação: uma parceria promissora. Arquivo &amp; Administração, Rio de Janeiro, v. 1, n. 1,
p. 15 - 32, jan. /jun. 1998.
SILVA, Terezinha Elisabeth da; TOMAEL, Maria Inês. Repositórios Institucionais e o
modelo Open. In: TOMAÉL, Maria Inês. Fontes de Informação na Internet. Londrina:
EDUEL, 2008. p. 123-150 cap.6
OLIVEIRA, Tania Calhub de. Acesso aberto à informação científica no Brasil: um estudo
das universidades públicas do estado do Rio de Janeiro. Relatório Final de Pesquisa de
Doutoramento. Brasília: IBICT, 2011. Disponível em: &lt; http://www.ibict.br/capacitacao-eensino/pesquisa-em-ciencia-da-informacao/pos-doutorado/pesquisas-concluidas-1/acessoaberto-a-informacao-cientifica-no-brasil-um-estudo-das-universidades-publicas-do-estado-dorio-de-janeiro/Tania_Relatorio.pdf&gt; Acesso em: 19 abr 2014.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS. Biblioteca Central. Disponível em: &lt;
http://www.ufal.edu.br/institucional/orgaos-de-apoio/academico/bibliotecas/bibliotecacentral&gt; Acesso em: 19 abr 2014

4495

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A consolidação da internet, das ferramentas e dos recursos que veem agilizando o acesso, recuperação e disseminação de documentos em meio eletrônico é fato consolidado no cenário mundial. Assim, as Bibliotecas das Instituições de Ensino Superior são responsáveis por armazenar não apenas acervo adquirido externamente, mas também a própria produção da Instituição na qual ela esta inserida. Nesse contexto iniciativas para organização, armazenamento e disseminação da produção intelectual da IES tem ganhado força com o movimento de Acesso Livre a Informação, conhecido internacionalmente como Open Access Initiative (OAI), utilizando como ferramenta os Repositórios Digitais Institucionais. Esse ensaio teve como objetivo Analisar o Repositório Institucional da UFAL, sua construção, politica e atualização, cuja sua gestão encontra-se a cargo da Biblioteca Central da Instituição, como ocorre na maioria das IES no Brasil. Para o trabalho foi realizada entrevistas com as gestoras da Biblioteca Central da UFAL, a responsável por gerir o RI e também a analise do RI/UFAL via página da BC. Como resultado do trabalho percebe-se um esforço da atual gestão da BC da UFAL em consolidar a politica traçada para viabilizar o RI, mas como o projeto é recente muita ações ainda se fazem necessárias, dentre elas consolidar as politicas que permeiam o RI, contratação de profissionais para auxiliar na atualização do RI e também o envolvimento dos coordenadores dos cursos de pós-graduação para valorização do RI/UFAL na instituição.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

RELATO DE EXPERIÊNCIA DO PORTAL DA CAPES COMO FERRAMENTA DE
PESQUISA

Josemara Brito de Jesus

RESUMO
Esse trabalho teve como objetivo relatar a importância dos treinamentos do portal de
periódicos da CAPES como ferramenta de busca e recuperação da informação, na UFRB. O
método utilizado foi uma pesquisa-ação, onde as pessoas envolvidas no processo investigativo
participam com um projeto de ação. Os cursos têm sido ministrados em duas etapas, com
certificação. Os treinamentos tem possibilitado o acesso a um conteúdo de qualidade
confiável à produção dos trabalhos acadêmicos. Um dos principais problemas observados
refere-se a alunos graduandos egressos de escolas públicas, que não possuem conhecimento
com a linguagem cientifica, bem como das bases de dados. O treinamento apresentou uma
baixa aceitação por parte do corpo docente, discente e técnico. Logo, sugere-se a elaboração
de pesquisa de satisfação de usuários e não usuários do Portal, a fim de obter maiores
informações referentes ao número tão reduzido de público participante, e a inclusão da
biblioteca nos eventos científicos na UFRB, levando como sugestão o curso da CAPES.
Palavras-chave: 1 Portal de periódicos da CAPES; 2 Treinamento; 3 Satisfação; 4
Bibliotecas universitárias.
ABSTRACT
This study aimed to tell the importance of the Capes Scientific Journals Portal as a tool to
search and recovering of information, in the UFRB. The method utilized was an action
research, where the people involved in the investigative process participate with an action
project. The courses have been ministered in two stages, with certification. The trainings have
allowed the access to a trustworthy quality content to the production of academic works. One
of the main problems observed refer to graduating students, egressed from public schools,
which do not have knowledge with the scientific language, as well about data bases. The
training presented a low acceptance from the professoriate, student body and administrative
staff .Hence, it is suggested the elaboration of a satisfaction survey for users and non-users of
the portal, in order to obtain more information related to the diminished public, and the
inclusion of the library in scientific events in the UFRB, carrying as suggestion the course of
CAPES.
Keywords: 1 Capes Scientific Journals Portal; 2 Training; 3 Satisfaction; 4 University
libraries

4475

�1 Introdução

Na era da tecnologia, a pesquisa digital é um instrumento necessário pela diversidade
de alternativas de busca da informação nos variados segmentos do conhecimento (REIS,
2005; SOUZA, 2011). Beaver (2001) afirma que a colaboração científica compreende grandes
equipes de trabalho, o acréscimo da produtividade por processamento simultâneo e
desenvolvimento de diversos projetos, além da constituição de novos pesquisadores.
O conteúdo das bases de dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de
Nível Superior (CAPES) é avaliado periodicamente, e por esta razão, representa uma fonte de
pesquisa confiável aos pesquisadores das diversas áreas do conhecimento.
Nesse sentido, a questão norteadora do presente relato, foi: Qual a importância do
treinamento para utilização do portal de periódicos da CAPES aos alunos da Universidade
Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)? Para resolução dessa pergunta, esse trabalho teve
como objetivo relatar a experiência da importância dos treinamentos do portal de periódicos
da CAPES como ferramenta de busca e recuperação da informação, na UFRB, Campus
Universitário de Cruz das Almas, nos dois últimos anos.
A UFRB foi criada em 2006, possui 7 centros de ensino distribuídos em 6 cidades do
Recôncavo Baiano, sendo o Campus universitário de Cruz das Almas o local onde a pesquisa
está sendo executada. Este Campus compreende dois Centros de ensino: Centro de Ciências
Agrárias e Ambientais e Biológicas (CCAAB), com cerca de 9 cursos e o Centro de Ciências
Exatas e Tecnológicas (CETEC) com aproximadamente 6 graduações, além de contar com
Programas de Pós-Graduação em ambos os centros, totalizando 26 cursos.
Visto essa gama de usuários justifica-se a realização deste trabalho, Yamamoto (2002)
colabora afirmando que a evolução da massa de informação e seus problemas atribuem, à
comunidade científica, a responsabilidade de vistoria e domínio da produção com a finalidade
de determinar um padrão de qualidade adequado função de disseminação desse conhecimento,
sendo o periódico científico mais importante.

2 Revisão de Literatura

As dinâmicas de produção científica e de inovação tecnológica vêm nos últimos dez
anos sofrendo grandes mudanças. As concepções atuais a respeito das atividades científicas
surgiram da divergência dos pesquisadores com os velhos conceitos dominantes no campo
científico (NOWOTNY et al, 2003). A pesquisa colaborativa explora uma área temática ou

4476

�um projeto particular com finalidade de inovar ou solucionar um problema tecnológico, e que
demandem

atividades

como

pesquisa

básica,

pesquisa

aplicada,

desenvolvimento

experimental ou engenharia, resultando em novas ciências, realizada coletivamente (PIRRÓ,
2000).
Já a pesquisa digital é uma ferramenta indispensável na era da tecnologia, pois oferece
uma infinidade de opções de busca e recuperação da informação nas diversas áreas do
conhecimento. Facilitando a mediação usuário/informação e acelerando a produção científica,
além de diminuir seu custo (REIS, 2005; SOUZA, 2011). Para MONTEIRO (2005) o Portal
de periódicos da CAPES, assinado pelo governo federal para as instituições de ensino
superior (IES), como também outras instituições privadas que se disponham a pagar por
alguns conteúdos, representa valiosa ferramenta de pesquisa para estas.
As Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) surgiram um leque de
possibilidades para exame de redes sociais e, por conseguinte, de redes de colaboração em
ciência, tecnologia e inovação (CT&amp;I) (BALANCIERI, 2005). E a comunicação científica é
um fator importante do conhecimento científico, apresentando mesma importância da
pesquisa em si, surgindo assim, a pesquisa colaborativa que depende da comunicação entre
pesquisadores (MEADOWS, 1999).
Segundo Yamamoto (2002) a crescente demanda de pesquisas realizadas e sua
divulgação em meio eletrônico tem exigido da CAPES uma padronização cada vez mais
acirrada no controle de qualidade das publicações. A segurança em suas informações,
certamente corrobora para maior procura de seu conteúdo.
Reis (2005) salienta que acessar o conteúdo de uma base de dados nem sempre se
constitui tarefa fácil, principalmente quando o usuário lida com diversas possibilidades de
busca e recuperação. Logo:
de posse da informação (artigo) relevante para o desenvolvimento de sua
pesquisa, o pesquisador fará a leitura e análise das informações contidas no
documento. Para que o conhecimento se desenvolva no pesquisador é
necessária uma transferência desta informação para o mesmo, e uma
conjuntura de apropriação desta informação pelo pesquisador. (MARTINS,
2005, 80p.).

De acordo Cummings e Kieser (2005) o diálogo entre os pesquisadores permite à
concepção de ideias novas, melhora a produção do conhecimento, auxilia o estimulo de
ferramentas e infraestrutura para realização da pesquisa, visando o treinamento de cientistas e
técnicos, como também o entendimento público do uso da ciência.

4477

�3 Materiais e Métodos

O método utilizado para o desenvolvimento do trabalho foi uma pesquisa-ação que de
acordo, com Baldissera (2001) corresponde a uma ação por parte das pessoas envolvidas no
processo investigativo, resultando em um projeto de ação social ou resolução de problemas
coletivos. Realizado a pesquisa, essa é apresentada em forma de relato de experiência, que
segundo Polit e Hungler (1995) é realizada por uma analise e compressão de variáveis
relevante sobre o indivíduo ou seus problemas, onde o pesquisador é um observador passivo
ou ativo, relatam de modo objetivo e claro suas observações.
Inicialmente alguns professores e bibliotecária que propuseram a parceria à Direção da
biblioteca para treinar, os alunos de iniciação científica, do Programa Jovem Talentos e,
estendendo-se o convite à Coordenação do Mestrado, os alunos da Pós-graduação. Os
materiais utilizados para treinamento são: slides do conteúdo, planilha Excel com exercícios
propostos, folder com a programação Datashow, retroprojetor. Os treinamentos ocorrem no
laboratório de informática, no qual cada aluno interage com um computador.
Os cursos têm sido ministrados em duas etapas, de 8 horas, em semanas alternadas,
com certificação para os alunos que concluírem. Na primeira semana o usuário conhece as
ferramentas do portal, e cria uma conta individual; em seguida são apresentadas as
modalidades de busca e refinamento das pesquisas; na segunda semana os usuários conhecem
as bases de dados, de acordo as necessidades de cada grupo, interagem com as ferramentas de
busca, realizando pesquisas que serão avaliadas pelos professores; ao finalizar tiram dúvidas e
avaliam o curso.
O conteúdo programático do curso é constituído de uma exposição acerca do Portal de
periódicos da CAPES, suas especificidades e na sequência a parte prática. Esta divisão tem
com objetivo oferecer ao usuário um panorama geral da missão do Portal e sua importância
para comunidade científica.

4 Resultados Parciais

Os treinamentos tem possibilitado o acesso a um conteúdo de qualidade confiável à
produção dos trabalhos acadêmicos. A falta de experiência com a pesquisa cientifica, mostra
que um dos principais problemas observados com o público acadêmico, principalmente os
alunos de graduação, egressos de escolas públicas, é que eles não possuem conhecimento da
linguagem cientifica, não conhecem as bases de dados, e não sabe o que é artigo científico e,

4478

�muito menos, como reconhecer um periódico especializado. A grande maioria recorria ao
Google ou, na melhor das hipóteses, iam à biblioteca pública quando necessitavam realizar
trabalhos escolares.
Os grupos são compostos de no máximo 15 alunos objetivando um bom
aproveitamento, sendo que as bases de dados mais procuradas até o momento são: ESA,
Wiley, Gale, EBSCO, BioOne, ICE, Alexander Street Press e o guia de referência EndNot.
Os cursos mais treinados são: Ciências exatas e tecnológicas, Engenharia Sanitária e
Ambiental, Gestão de cooperativas, Medicina veterinária, Mestrado em Ciências Agrárias e
Defesa animal, Mestrado em Gestão e Políticas Públicas e segurança Social e Artes visuais.
A multidisciplinaridade dos cursos ofertados pela instituição exige do profissional
bibliotecário a interação com vários tipos de conteúdos, e isto, certamente o impulsiona para o
conhecimento mais detalhado da dinâmica das bases e, consequentemente com a diversidade
de usuários a serem treinados.
A experiência com os alunos de Pós-graduação tem sido mais produtiva, pois alguns já
atuam em grupos de pesquisa na UFRB, ou em outros Centros de pesquisa. As dificuldades
que eles encontram se refere ao uso de palavras-chave na recuperação do conteúdo no portal
para confecção ou finalização de seus projetos de pesquisa, com o idioma, interface das bases,
refinamento das pesquisas. Observa-se que os públicos são distintos e suas motivações para
uso do Portal também.

5 Considerações Parciais

O portal da CAPES é uma ferramenta de mediação e precisa ser utilizado de forma
objetiva, pois só fornecerá o conteúdo compatível com a forma como pesquisamos, e por esta
razão, há meios de refinar a busca no material localizado. Neste contexto os treinamentos de
usuários para uso da ferramenta se constitui papel fundamental das bibliotecas das IES e
centros de pesquisa, principalmente para a pós-graduação.
Existe uma baixa aceitação por parte do corpo docente, discente e técnico, no que se
refere aos treinamentos periódicos do Portal, pois, num total de 26 cursos apenas 7 participam
efetivamente dos treinamentos, salientando que o curso de Artes visuais não faz parte do
Campus de Cruz das Almas e, sim de outro Centro de ensino.
Propõe-se a realização de futuros treinamentos e sensibilização do corpo docente
com o intuito de buscar outras parcerias para novos trabalhos. Os dados parciais sugerem a
elaboração de pesquisa de satisfação de usuários e não usuários do Portal, a fim de obter

4479

�maiores informações referentes ao número tão reduzido de público participante e a inclusão
da biblioteca nos eventos científicos na UFRB, levando como sugestão o curso da CAPES
como forma de capacitação dos pesquisadores.

6 Referências
BALANCIERI, R. Análise de redes de pesquisa em uma plataforma de gestão em ciência
e tecnologia: uma aplicação à Plataforma Lattes. 2004. 110f. Dissertação (Mestrado)Universidade Federal de Santa Catarina, 2004.
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4481

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Jesus, Josemara Brito de</text>
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                <text>Esse trabalho teve como objetivo relatar a importância dos treinamentos do portal de periódicos da CAPES como ferramenta de busca e recuperação da informação, na UFRB. O método utilizado foi uma pesquisa-ação, onde as pessoas envolvidas no processo investigativo participam com um projeto de ação. Os cursos têm sido ministrados em duas etapas, com certificação. Os treinamentos tem possibilitado o acesso a um conteúdo de qualidade confiável à produção dos trabalhos acadêmicos. Um dos principais problemas observados refere-se a alunos graduandos egressos de escolas públicas, que não possuem conhecimento com a linguagem cientifica, bem como das bases de dados. O treinamento apresentou uma baixa aceitação por parte do corpo docente, discente e técnico. Logo, sugere-se a elaboração de pesquisa de satisfação de usuários e não usuários do Portal, a fim de obter maiores informações referentes ao número tão reduzido de público participante, e a inclusão da biblioteca nos eventos científicos na UFRB, levando como sugestão o curso da CAPES. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

RELATO DE EXPERIÊNCIA DA IMPLANTAÇÃO DO REPOSITÓRIO
INSTITUCIONAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAMPA

Vera Lucia Scotto Leite
Vanessa Abreu Dias
Marcia Petinga Irala
Marcos Paulo Anselmo de Anselmo
Doris Souza Santana
Andreia Carvalho Pereira
Dayse Beatriz Juliano Pestana

RESUMO
O presente trabalho trata-se de um relato de experiência da implantação do Repositório
Institucional da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Este tem como principal
objetivo contribuir com informações pertinentes a respeito da preservação da memória e
identidade institucional através da sua produção intelectual, buscando o aumento da
visibilidade e do valor público da instituição via Internet. Para tanto, em um primeiro
momento foi realizado o levantamento bibliográfico acerca do assunto abordado e em uma
fase seguinte, ocorreram seis atividades principais as quais possibilitaram a preservação da
memória institucional da UNIPAMPA. Pelo repositório institucional mostrar-se de suma
importância para uma universidade em expansão, que está construindo sua imagem e
credibilidade, buscou-se implementar um RI na UNIPAMPA, pretendendo intervir e dar
resposta a duas questões estratégicas que as universidades enfrentam: contribuir para o
aumento da visibilidade da instituição, servindo como indicador tangível da qualidade dessa
universidade e demonstrando a relevância científica; contribuir para a reforma do sistema de
comunicação científica, expandindo o acesso aos resultados da investigação, aumentando a
competição e reduzindo o monopólio das revistas científicas, o que se traduz como economia
para as universidades e seus usuários.
Palavras-chave: Bibliotecas universitárias; Repositório Institucional; Preservação digital.

ABSTRACT
The present paper is an experience report of the Institutional Repository implantation at the
Federal Pampa University (UNIPAMPA). It has as main objective to contribute with
important information about memory preservation and institutional identity through its
intellectual work, trying to increase the visibility and the public value of the institution trough
out the internet. In the first moment, a literature review was made, in another moment, six
different activities occurred that helped with the institutional memory preservation of
UNIPAMPA. As the institutional repository is a great instrument to a new university which is
building its image and credibility, an IR was implemented at UNIPAMPA to try to intervene

4469

�and give a response to two different strategic questions faced by the universities: the
contribution to the visibility growth of the institution, helping as an indicator of the its quality
and demonstrating the its scientific relevance; the contribution to the reform of the scientific
communication system, expanding the access of the investigation results, increasing the
competition and, at the same time, decreasing the scientific magazines monopoly, resulting in
a cost-cutting to the universities and its users.
Keywords: University Libraries; Institutional Repository; Digital Preservation

1. INTRODUÇÃO
A Universidade Federal do Pampa - Unipampa - faz parte do programa de expansão
das universidades federais no Brasil. Originária de um Acordo de Cooperação Técnica entre o
Ministério da Educação, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e a Universidade
Federal de Pelotas (UFPel), que previa a ampliação do Ensino Superior na metade sul do
estado do Rio Grande do Sul. O Sistema de Bibliotecas da Unipampa - SISBI - é composto
pela Coordenação de Bibliotecas e pelas bibliotecas dos 10 campi da universidade,
abrangendo as cidades de Alegrete, Bagé, Caçapava do Sul, Dom Pedrito, Itaqui, Jaguarão,
Santana do Livramento, São Borja, São Gabriel e Uruguaiana.
O presente trabalho tem como objetivo principal mostrar o processo de implantação do
repositório institucional na Universidade Federal do Pampa. Através do repositório será
possível, o qual tem como objetivos específicos:
I. Coletar, organizar, preservar, disseminar e dar acesso ao conhecimento produzido
pelo corpo docente, técnico-administrativo e discente através de novas maneiras de
armazenagem e recuperação da informação;
II. Disponibilizar e divulgar o conhecimento gerado no âmbito da Universidade
Federal do Pampa (Unipampa);
III. Apresentar os critérios que norteiam a inclusão de teses e dissertações em meio
eletrônico;
IV - Abordar a expansão dos tipos de documentos a serem incluídos, visando ampliar
e qualificar a recuperação de informações;
V. Abordar a evolução dos suportes da memória, bem como a “biblioteca sem
fronteiras, sem paredes”;
VI. Facilitar o acesso às publicações.

4470

�2. REVISÃO DE LITERATURA
A preservação digital dos documentos e sua disponibilidade a qualquer pessoa é uma
grande preocupação. Por isso, inúmeras universidades, centros de pesquisa, institutos,
bibliotecas, entre outros, dispõem de repositórios digitais próprios visando facilitar o acesso
livre à informação.
Em seu trabalho Institutional repositories: essential infrastructure for scholarship in
the digital age, Lynch (2003) aponta dois tipos de repositórios digitais, a saber: temáticos que
são aqueles com foco em área do conhecimento específico e os institucionais: coleções que
capturam e preservam a produção intelectual de universidades e/ou comunidades. Crow
(2002) ainda elenca os repositórios digitais, como um conjunto de serviços que uma
universidade oferece aos membros de sua comunidade, com o objetivo de gerenciar e
disseminar materiais digitais criados pela instituição e membros da comunidade (LYNCH,
2003).
Para tanto:
é fundamental a participação de uma equipe multidisciplinar formada de
bibliotecários, analistas de informação, administradores de arquivos,
administradores de departamentos e da instituição, pesquisadores e pessoal
envolvido com a política universitária. (CAFÉ et al, 2003, p.4).

Segundo Lynch, os repositórios institucionais, de uma maneira geral, “[...] são
sistemas de informação que servem para armazenar, preservar, organizar e difundir os
resultados (a produção científica) de uma dada instituição, utilizando um software”. No
mesmo sentido, Kuramoto (2006) os vê como “[...] um conjunto de serviços oferecidos por
uma instituição aos membros de uma comunidade para a gestão e disseminação da sua
produção técnico-científica em meio digital”. E por fim, Crow (2002), os considera como
“[...] arquivo digital de produtos intelectuais criados por uma comunidade de pesquisadores,
estudantes e professores de uma instituição”.
A compreensão dos repositórios institucionais está ligada a percepção da “[...]
manifestação visível da importância emergente da gestão do conhecimento na educação
superior”. Nesse sentido, é válido ressaltar as palavras de Crow (2002, p.XX), onde os
repositórios institucionais constituem “[...] um sistema global de repositórios distribuídos e
interoperáveis que fundamentam um novo modelo de publicação científica”.

4471

�3. METODOLOGIA E ESTRATÉGIA DE AÇÃO

Para a implantação do RI foram utilizadas seis atividades:
1. Política de tratamento de direitos autorais: nesta atividade é definida a política de
tratamento dos direitos autorais dos objetos digitais disponibilizados no repositório. A
atividade é de realização conjunta com a Consultoria Jurídica da universidade. Uma ideia
inicial indica que somente serão disponibilizados os objetos criados sob licença Creative
commons ou aqueles que tenham autorização expressa de divulgação assinada pelo autor.
2. Política de tratamento dos objetos digitais: nesta atividade são definidos os formatos
de objetos que poderão ser armazenados no repositório, e definidas as formas de conversão
para objetos que não estejam nestes formatos. Inicialmente são priorizados tipos de arquivo
abertos que permitam a representação de documentos de maneira independente de aplicativo,
de hardware e de sistema operacional. Formatos compactados podem ser utilizados, desde
que não apliquem em grande perda de qualidade. Dentre os tipos de arquivos aceitos estão
enquadrados arquivos do tipo PDF, PNG, MP3 e MP4. Não são aceitos arquivos em formato
proprietário, tais como: DOC, XLS, PPS e WAV.
3. Política de tratamento de metadados: esta atividade é definida a política de
tratamento dos metadados. Foi escolhida como padrão da biblioteca a definição Dublin Core,
sendo também definidos os elementos obrigatórios para os metadados dos objetos
armazenados no repositório digital.
4. Criação da infraestrutura da Biblioteca Digital: nesta atividade foi definida a
estrutura em termos de hardware e software para atender as necessidades do repositório
digital. Foi selecionada a ferramenta DSPACE, integrada com o sistema de gerenciamento de
banco de dados PostgreSQL, funcionando sobre o sistema operacional Linux.
5. Configuração da estrutura: nesta atividade foram definidos os parâmetros
configuráveis da ferramenta DSPACE. A estrutura das comunidades é apresentada
detalhadamente a seguir. Também está sendo realizada a adaptação do layout da ferramenta
para que esteja de acordo com a identidade visual da universidade.
6. Treinamento dos usuários: nesta atividade foram definidos os treinamentos a serem
ministrados para capacitação de uso da biblioteca digital. Foi definida a oferta de dois cursos,
com público-alvo diferenciado, sendo o primeiro para os administradores do sistema, e o
segundo para os usuários finais. Os treinamentos estão baseados em vídeo-aulas.
A figura 1 detalha a sequência das atividades executadas durante a implementação da
biblioteca digital.

4472

�Figura 1: Descrição do processo de implementação da Biblioteca Digital

Fonte: Da autora.

A fim de organizar os documenos do repositório digital da Unipampa, sua estrutura
está dividida em 5 comunidades principais, conforme mapa mental apresentado na figura 2:
Figura 2: Mapa da estrutura de comunidades do repositório digital da Unipampa.

Fonte: Da autora.

Trabalhos de conclusão decurso, que será subdividida em duas outras comunidades:
graduação e pós-graduação. A área de graduação é dividida em uma comunidade para cada
um dos cursos de graduação da instituição. Já a comunidade de pós-graduação é subdividida
em comunidades de acordo com as áreas de conhecimento da CAPES. Esta diferenciação é
feita porque enquanto os cursos de graduação tendem a serem ofertados por muitos anos, as
especializações, muitas vezes, são ofertadas uma única vez. A criação de uma comunidade
para cada curso de especialização tenderia a multiplicar a quantidade de comunidades, muitas
delas com um conjunto reduzido de trabalhos de conclusão de curso.
Teses e dissertações, que será subdividida de acordo com as áreas da CAPES.
Produção intelectual, que será subdividida em artigos em revistas, propriedade
intelectual, livros e capítulos de livro e artigos em anais de conferências. Esta subdivisão
segue exatamente a implementada no currículo lattes, que é uma ferramenta amplamente
disseminada na ciência brasileira.

4473

�Eventos Unipampa, que será subdividida em mostras de ensino, mostras de iniciação
científica e seminários. Salienta-se que estes eventos são os que não possuem garantia de
periodicidade. Anais de eventos regulares serão armazenados no portal de publicações
seriadas da universidade, implementado na ferramenta Open Journal System (OJS).
Arquivo, cuja finalidade é de manter o histórico da instituição em formato multimídia,
incluindo principalmente documentos, fotos, áudio e vídeo.
4. RESULTADOS E IMPACTOS ESPERADOS
A preservação vem sendo amplamente disseminadas e adotadas em diversos
segmentos culturais, os quais têm consciência de que somente por meio deste trabalho
preventivo se efetuará a consolidação da salvaguarda do acervo em ambientes digitais.
As novas tecnologias prometem satisfazer as tarefas tradicionais de armazenamento,
organização e acesso em bibliotecas, não apenas no que diz respeito a documentos
manuscritos ou impressos, mas informações em variados suportes. Os recursos tecnológicos
apresentam vantagens, como a economia de espaço e facilidades de leitura, ao reunir
documentos dispersos em um mesmo local. Assim, diante de várias soluções tecnológicas
atualmente oferecidas, cabe aos profissionais da informação (bibliotecários) avaliar as
possíveis vantagens e desvantagens das opções disponíveis no mercado, como também sua
eficácia para o atendimento aos usuários, visando a democratização da informação.

5. REFERÊNCIAS
CAFÉ, Lígia et al. Repositórios institucionais: nova estratégia para publicação científica na
rede. Disponível em: &lt;http://dspace.ibict.br/dmdocuments/ENDOCOM_CAFE.pdf&gt;. Acesso
em: 20 abr. 2014.
CROW, R. The case for institutional repositories: a SPARC position paper. [S.l.]: The
Scholarly Publishing and Academic Resource Coalition, 2002. Disponível em:
&lt;http://www.arl.org/sparc/IR/ir.html&gt;. Acesso em: 10 maio. 2014.
KURAMOTO, H. Os open archive e as políticas públicas para a informação científica. In:
SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE BIBLIOTECAS DIGITAIS, 3., 2005, São Paulo. [Anais
eletrônicos...].
Disponível
em:
&lt;http://bibliotecascruesp.usp.br/bibliotecas/APRESENT/Helio_Kuramoto.ppt&gt;. Acesso em: 2
out. 2012.
LYNCH, C. A. Institutional repositories: essential infrastructure for scholarship in the digital
age. ARL Bimonthly Report, n. 226, feb. 2003:1-7. no. 226 (February 2003): 1-7.
Disponível em: http://www.arl.org/resources/pubs/br/br226/br226ir.shtml. Acesso em: 23 out.
2012.

4474

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>O presente trabalho trata-se de um relato de experiência da implantação do Repositório Institucional da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Este tem como principal objetivo contribuir com informações pertinentes a respeito da preservação da memória e identidade institucional através da sua produção intelectual, buscando o aumento da visibilidade e do valor público da instituição via Internet. Para tanto, em um primeiro momento foi realizado o levantamento bibliográfico acerca do assunto abordado e em uma fase seguinte, ocorreram seis atividades principais as quais possibilitaram a preservação da memória institucional da UNIPAMPA. Pelo repositório institucional mostrar-se de suma importância para uma universidade em expansão, que está construindo sua imagem e credibilidade, buscou-se implementar um RI na UNIPAMPA, pretendendo intervir e dar resposta a duas questões estratégicas que as universidades enfrentam: contribuir para o aumento da visibilidade da instituição, servindo como indicador tangível da qualidade dessa universidade e demonstrando a relevância científica, contribuir para a reforma do sistema de comunicação científica, expandindo o acesso aos resultados da investigação, aumentando a competição e reduzindo o monopólio das revistas científicas, o que se traduz como economia para as universidades e seus usuários. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

REDES SOCIAIS E BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: estudo exploratório em
bibliotecas de instituições públicas de ensino superior de Fortaleza
Isabela da Rocha Nascimento
Osvaldo de Souza

RESUMO
Neste trabalho tem-se por objetivo saber se as bibliotecas de instituições de ensino superior
públicas de Fortaleza estão utilizando as ferramentas de rede social da Internet e identificar
quais redes sociais estão sendo utilizadas. Apresentam-se os conceitos de biblioteca
universitária e redes sociais. A pesquisa é de caráter exploratório com abordagem quantitativa
e qualitativa. A técnica de coleta de dados utilizada foi a aplicação de um questionário às
bibliotecas da Universidade Federal do Ceará, Instituto Federal de Educação e Ciência e
Tecnologia do Estado do Ceará. Constata-se que a maioria das bibliotecas utilizam as redes
sociais, entretanto, seu uso é feito com bastante dificuldade, principalmente pela falta de
recursos humanos e de planejamento no uso das redes sociais. Entende-se que as redes sociais
são importantes ferramentas de comunicação e interação entre as bibliotecas e seus usuários,
mas que necessita de planejamento e treinamento por parte dos bibliotecários para melhor uso
destes recursos.
Palavras-chave: Biblioteca Universitária. Redes Sociais.

ABSTRACT
In this work we are focused in understanding how Public Libraries, for undergraduate and
graduate courses of Fortaleza city, are making use social network on Internet. We also
identified the social networks they typically using. We present concepts of this kind of
Library and social networks in general. We used an exploratory research and numerical and
subjective analysis of data gathering from the research. In the field we applied forms in order
to receive answers for our investigation. Our locus was composed by Libraries from: Federal
University of Ceará, Federal Institute of Education and Science and Technology of Ceará. We
realized that almost all Libraries usually make use of social networks, however, their
approach is not suitable, partially explained by absence of training, planning and human
resources. In our conclusion, we emphasize that social networks are relevant tools for
Libraries and their communication and publicity strategies, but it still requiring planning,
training and support, in order to give for their respective librarians, all technical knowledge
involved.
Keywords: University Library. Social Networks.

4451

�1 INTRODUÇÃO

As tecnologias de informação e comunicação (TIC) trouxeram um grande impacto
para a vida em sociedade, impacto esse que é percebido nas diversas atividades realizadas
pelo homem, seja no trabalho, no lazer, nas relações entre os indivíduos e na maneira como
esses se comunicam. A partir da utilização dessas tecnologias, novas formas de sociabilidade
são criadas e recriadas através das novas formas de interação, novos hábitos sociais, novas
identidades. As relações sociais entre os indivíduos deixaram de ocorrer estritamente face a
face, em local e tempo definido. As relações sociais tornaram-se independentes de espaço e
tempo determinado, passaram a serem mediadas pelo computador, através da internet.
(MORIGI; PAVAN, 2004).
Assim como os diversos setores da sociedade, as bibliotecas em sua maioria utilizaram
e utilizam as TIC para aperfeiçoarem os serviços já oferecidos e para criar novos serviços para
seus usuários. Sobre os serviços encontrados em bibliotecas disponíveis a partir das TIC,
Morigi e Pavan (2004, p. 122) afirmam que:
[...] foram encontrados serviços de referência on-line, acesso a bases de
dados gerais e especializadas, entre a prestação de outros serviços. Além
disso, tais unidades de informação disponibilizam a informação nos
diferentes suportes (impresso e eletrônico), possuem o sistema de catálogo
on-line, e algumas mantêm paralelamente o tradicional catálogo de fichas,
porém este instrumento não é mais atualizado. Elas realizam os serviços de
processamento técnico da informação, como classificação, catalogação e
indexação. Os materiais são adquiridos mediante compra, doação ou
permuta. (MORIGI; PAVAN, 2004, p. 122).

Corroborando com essa ideia, Aguiar e Silva (2010) afirmam que o uso das TIC em
bibliotecas universitárias trata-se de uma evolução natural desses ambientes de conhecimento
acadêmico, pois as bibliotecas progrediram do manejo dos catálogos manuais, para o uso de
sistemas bibliográficos automatizados e, deixaram de divulgar conteúdos impressos em
murais institucionais para agora possuírem homepages.
As bibliotecas possuem a possibilidade de ofertarem, através das plataformas
tecnológicas presentes na geração web 2.0, novas formas de tratamento, organização,
disseminação e recuperação de informações, e de interação com seus usuários.
No Brasil mais de 94 milhões de pessoas possuem acesso à internet, sendo que mais de
67 milhões delas utilizam o Facebook, atualmente a maior rede social do planeta. No Twitter
o Brasil é um dos países mais ativos o que faz com que a língua portuguesa seja uma das mais

4452

�faladas no serviço de microblogs; é também o segundo colocado em número de blogs e
domina diversas outras plataformas da web 2.0, segundo Cipriani (2011).
A inquietação para realização desta pesquisa surgiu a partir de uma das disciplinas do
curso de especialização em Tecnologias Aplicadas ao Tratamento, Recuperação e Gestão da
Informação, do Departamento de Ciências da Informação da Universidade Federal do Ceará,
mídias de acesso, no qual um dos temas que foi apresentado nos chamou a atenção: Mídias
Sociais. A inquietação também é decorrente de utilizarmos as redes sociais no ambiente de
trabalho, uma biblioteca universitária, para divulgar os serviços da organização, e nos
comunicarmos com os usuários que estão inseridos neste meio.
As mídias sociais são sites na Internet construídos para permitir a criação colaborativa
de conteúdo, a interação social e o compartilhamento de informações em diversos formatos
(TELLES, 2011). As mídias sociais podem influenciar decisões, perpetuar ou destruir marcas,
fazem parte de uma revolução poderosa. Tal termo é muitas vezes confundido com o termo
redes sociais, entretanto, eles não têm o mesmo significado. Rede social é uma categoria das
mídias sociais. A seguir apresentamos a definição de redes sociais na visão de Telles (2011, p.
18):
Sites de relacionamentos ou redes sociais são ambientes cujo foco é reunir
pessoas, os chamados membros, que, uma vez inscritos, podem expor seu
perfil com dados como fotos pessoais, textos, mensagens, vídeos, além de
interagir com outros membros, criando listas de amigos e comunidades
(Facebook, Orkut, MySpace). Twitter, youtube, slideshare e redes sociais
são as mídias sociais. (TELLES, 2011, p. 18).

Aguiar e Silva (2010) afirmam que os estudantes universitários utilizam a internet e os
sites de redes sociais cotidianamente, e que aqueles fazem parte da realidade da comunidade
acadêmica. Considerando o grande alcance e uso das redes sociais atualmente, levantamos os
seguintes questionamentos: As bibliotecas universitárias públicas do Estado do Ceará estão
utilizando as redes sociais? Quais as redes sociais utilizadas? Quais conteúdos são publicados
pelas bibliotecas? Quais as barreiras que impedem que sejam implementadas redes sociais nas
bibliotecas?
As Bibliotecas Universitárias (BU) vem ao longo do tempo acompanhando as
modificações que acontecem na sociedade, relativos ao processo de evolução tecnológica.
Devido à necessidade desse acompanhamento, instigam-se a tornarem-se atuantes e continuar
em sintonia com um público ativo. Dessa forma, as bibliotecas tentam conseguir uma nova
postura no uso de informações, tecnologia e dos processos de comunicação existentes.

4453

�O estudo sobre as redes sociais em BU se faz importante, pois as redes sociais
contribuem na comunicação, integração, troca de informações entre indivíduos, e por que não,
entre bibliotecas e usuários, bibliotecas e bibliotecas, e mesmo usuários e usuários, enfim,
todos que participam de alguma rede social.

O objetivo do trabalho

Limita-se nosso objetivo a proceder a uma análise a respeito do uso das redes sociais
por bibliotecas de universidades públicas de Fortaleza. Tal objetivo desdobra-se nos seguintes
objetivos específicos:
a) identificar quantas bibliotecas universitárias de Instituições de Ensino Superior
Públicas de Fortaleza utilizam redes sociais;
b) identificar as redes sociais utilizadas;
c) identificar e analisar os principais obstáculos que impedem a implantação de redes
sociais nas bibliotecas;
d) verificar se os bibliotecários dessas instituições conhecem as redes sociais e sabem
utiliza-las;
e) verificar a importância atribuída as rede sociais pelos bibliotecários.

2 REVISÃO DE LITERATURA

A seguir apresentam-se a definição de bibliotecas universitárias, bem como seu
público alvo e objetivos. Em seguida, abordam-se os conceito de redes sociais e ferramentas
de redes sociais, por fim, apresentam-se alguns tipos de redes sociais da internet.

2.1 Bibliotecas Universitárias

Segundo Gomes e Barbosa (2003 apud FEIJÓ, 2009), na atualidade, a missão das
bibliotecas universitárias é prover, disseminar e transferir informação de modo a tornar viável
a plena atuação da universidade em suas ações de ensino, pesquisa e extensão, e
principalmente dar suporte ao funcionamento dos cursos de graduação e pós-graduação e a
produção e disseminação de conhecimento e tecnologia.

4454

�As bibliotecas universitárias tem papel fundamental na construção, organização e
disseminação do conhecimento produzido na universidade, já que elas devem dar suporte às
atividades de ensino, pesquisa e extensão, além de armazenar, organizar e disseminar
informações para a comunidade acadêmica e sociedade em geral, através de seu acervo, seja
impresso ou em meio digital, através dos serviços prestados.
A Biblioteca Universitária é conceituada no Dicionário de Biblioteconomia e
Arquivologia como:
A que é mantida por uma instituição de ensino superior e que atende às
necessidades de informação dos corpos docente, discente e administrativo,
para apoiar tanto as atividades de ensino quanto as de pesquisa e extensão.
Pode ser uma única biblioteca ou várias organizadas como sistema ou rede.
(CUNHA; CAVALCANTI, 2008, p. 53).

As bibliotecas universitárias, segundo Carvalho (1981, p. 1 apud MIRANDA 2010, p.
62) são as “[...] bibliotecas de Instituições de Ensino Superior (IES), quer sejam de
instituições privadas, estaduais ou federais, destinadas a suprir as necessidades informacionais
da comunidade acadêmica.”.
O público alvo da biblioteca universitária é formado pelos discentes, docentes,
técnicos-administrativos e gestores da instituição. No caso de instituições públicas, pode-se
incluir também a comunidade em geral. Os objetivos desse órgão devem estar alinhados aos
pilares das Instituições de Ensino Superior, que são o ensino, a pesquisa e a extensão e devem
acompanhar a evolução tecnológica a fim de promover os melhores serviços aos seus
usuários.
Para Mattos e Pinheiro (2006) os objetivos da biblioteca universitária devem agregar
ao papel tradicional das bibliotecas acadêmicas de pesquisa, de adquirir e preservar material
bibliográfico impresso, ao papel inovador de incorporar as novas tecnologias de informação e
comunicação, procurando:
a) selecionar, tratar e armazenar tanto publicações impressas quanto outros
tipos de materiais;
b) disponibilizar acesso e busca de informação por meios eletrônicos e
digitais, de forma remota e segura;
c) criar novos formatos de disseminação da informação;
d) treinar seus usuários para o uso das novas tecnologias;
e) manter constante atualização na identificação de novas tecnologias
necessárias à melhoria dos serviços prestados e às necessidades dos usuários,
entre outros. (MATTOS; PINHEIRO, 2006, p. 5).

4455

�Com a invenção do computador e o advento da Internet a rotina de trabalho do
bibliotecário foi alterada, o processo de comunicação entre os bibliotecários e os usuários das
bibliotecas, bem como o processo de busca e acesso as informações foram modificados.
Aguiar (2012) afirma que o conceito de biblioteca mudou de acesso ao acervo para
acesso a informação, a partir do desenvolvimento das TIC. Nesse contexto, em que boa parte
das informações são veiculadas na Internet, os estudantes de hoje, que crescem em meio
digital, a biblioteca deve procurar estar onde seus usuários estão, e manter uma maior
interação com estes através dos recursos que a Internet oferece, dentre eles, as redes sociais.

2.2 Redes Sociais

Uma das principais necessidades do ser humano é a socialização. As redes sociais
sempre estiveram presentes na realidade humana. Ramalho (2010) nos diz que somos um
animal social e que desde a antiguidade procuramos nos agrupar a fim de aumentarmos nossas
chances de sobrevivência, compreendendo assim a nossa necessidade de proteção, obtenção
de alimentos, expansão de laços pessoais e/ou afetivos e ensejo de procriação.
Ao longo do tempo, esta realidade não mudou. Onde quer que exista um grupo de
indivíduos interligados por alguma relação em comum, pode-se considerar que exista uma
rede social. Ramalho (2010) cita inclusive o relacionamento existente entre membros de uma
tribo, que se reuniam em torno de uma fogueira para compartilharem os acontecimentos do
dia e na Idade Média, a missa de domingo, momento em que as pessoas podiam se socializar.
Telles (2011) coloca que a ideia de rede social começou a ser utilizada há cerca de um
século para designar um conjunto complexo de relações entre membros de um sistema social
em diferentes dimensões.
O que acontece no momento atual é que com o advento da internet as redes sociais
passaram a ter maior intensidade, já que as possibilidades de conexões e capacidade de
compartilhamento de informações foram ampliadas, e as barreiras de tempo e territorial foram
diminuídas.
O surgimento da internet ocasionou diversas modificações para a sociedade. Uma
dessas mudanças é a possibilidade de sociabilização e expressão através das ferramentas de

4456

�comunicação mediadas pelo computador, ferramentas estas, que para Recuero (2011)
proporcionam a construção, interação e comunicação entre atores509 na rede de computadores.
Recuero (2011) coloca que o advento da comunicação mediada pelo computador está
modificando os modos de organização, identidade e organização social. Para a autora, essa
comunicação não só permitiu que os sujeitos se comunicassem, mais ampliou a capacidade de
conexão, e possibilitou a criação e manifestação de redes nesses espaços, as redes sociais
mediadas pelo computador.
Na visão de Recuero (2011, p. 24) uma rede social pode ser conceituada como “[...]
um conjunto de dois elementos: atores (pessoas, instituições ou grupos; os nós da rede) e suas
conexões (interações ou laços sociais).”.
Redes sociais referem-se a um conjunto de pessoas (ou organizações ou outras
entidades sociais) conectadas por relacionamentos sociais, motivados pela amizade e por
relações de trabalho ou compartilhamento de informações e, por meio dessas ligações, vão
construindo e re-construindo a estrutura social. (TOMAÉL; MARTELETO, 2006).
Pode-se então afirmar que redes sociais tratam-se da relação entre um conjunto de
pessoas e seus laços sociais, sejam estes quais forem, em um determinado ambiente, seja
físico ou digital.

2.2.1 Ferramentas de redes sociais

Ferramentas de rede social na Web na visão de Aguiar (2012, p. 53) são “[...] os
recursos que vêm surgindo, juntamente com a nova geração Web, e que apresentam as
características de rede social, ou são apropriadas por seus atores para esse fim.”.
Rede social na Web é uma das terminologias utilizadas para tratar deste assunto,
utiliza-se também: redes sociais da internet; redes sociais virtuais; redes sociais da Web 2.0.
Redes sociais na Internet colaboram para a integração, interligação entre as pessoas
por meio do compartilhamento de informações e da comunicação, em um processo dinâmico
de troca de conteúdos. São formadas por um processo dinâmico de trocas de informações.
Para Pontes e Santos (2011, p. 4) o conteúdo do que é postado nas redes sociais são “[...]
encarados como o próprio combustível que garante a existência do grupo.”. Cipriani (2011, p.
5) coloca que as redes sociais são:
509 Recuero (2011, p. 25) define atores como as pessoas envolvidas na rede que se analisa, são o primeiro
elemento da rede social, e atuam de forma a moldar as estruturas sociais, através da interação e da constituição
dos laços sociais.

4457

�[...] um dos tipos de ferramentas oferecidas pela plataforma web 2.0 e que
constituem um dos melhores e mais conhecidos exemplos de mídia social.
Facebook, Orkut, MySpace, Twitter são os exemplos mais populares de
redes sociais, que podem ser definidas como qualquer plataforma que
permita às pessoas se conectarem mantendo listas estáveis ou não de
relacionamentos para interagir com outras pessoas. (CIPRIANI, 2011, p. 5).

As redes sociais da internet são ambientes que tem como objetivo agrupar, reunir
pessoas, que depois de inscritos, podem apresentar seu perfil com informações pessoais, como
fotos, textos, mensagens, vídeos, além de interagir com outros membros do grupo,
compartilhar informações, trocar ideias. Atualmente é difícil encontrar um jovem que não
possua perfil em alguma rede social da internet, sobre isso nos fala Cipriani (2011):
Os blogs, microblogs como o Twitter, redes sociais como Orkut e Facebook,
wikis, sites de compartilhamento de fotos e vídeo e fóruns de discussão
amplificaram a capacidade de todas as pessoas para se comunicar entre si e
buscarem um pouco mais longe e com grandes facilidades a resposta para
suas perguntas ou atendimento para suas necessidades individuais. Essa
mudança trouxe consigo um significado novo para o individualismo. Mais
do que antes, para tudo o que o homem deseja expressar, ser e tiver vontade
de fazer acontecer, ele encontra espaço amplo para expressar suas escolhas e
uma pequena barreira para que ela se espalhe: apenas o acesso à internet. O
universo das mídias sociais é um aglomerado de indivíduos se expressando
livremente (ao menos até certo ponto) e se relacionando sem limites, e isso
está trazendo grandes impactos para a nossa sociedade. Governos, leis,
religiões, empresas, culturas e valores estão encarando todos os dias novas
consequências desse mundo conectado e é evidente que não sabemos como
lidar com isso. (CIPRIANI, 2011, p. 2).

Após este breve aporte teórico a respeito dos principais termos relacionado a este
artigo, quais sejam: bibliotecas universitárias e redes sociais, a seguir apresentam-se os
materiais e métodos utilizados na pesquisa.

3 MATERIAIS E MÉTODOS

Segundo Gil (2011) a pesquisa é o processo formal e sistemático de desenvolvimento
do método científico e tem como objetivo encontrar respostas para problemas, mediante a
utilização de procedimentos científicos.
Quanto ao nível de pesquisa, o presente estudo pode ser classificado como
exploratório, pois busca-se uma melhor compreensão acerca do problema enunciado na
introdução deste trabalho através da revisão de literatura e da pesquisa.
Quanto ao delineamento da pesquisa pode-se afirmar que se trata de uma pesquisa
bibliográfica, pois foi feita a partir de material já elaborado, como livros e artigos científicos.

4458

�Gil (2011) coloca que a pesquisa bibliográfica tem como vantagem o fato de o pesquisador
poder ampliar seus conhecimentos sobre determinados fenômenos de forma mais ampla do
que quando se pesquisa diretamente. Este tipo de pesquisa tem como finalidade aproximar o
pesquisador do objeto estudado, pois ele passa a ter conhecimento do que já foi escrito, dito
ou filmado sobre o tema da pesquisa.
Pode-se dizer também que a pesquisa é um estudo de caso, pois caracteriza-se pelo
estudo de um ou poucos objetos, no caso a biblioteca universitária e as redes sociais,
possibilitando conhecimentos acerca corpus objetivado.
Para Yin (2005, p. 32 apud GIL, 2011, p. 58) o estudo de caso refere-se a “[...] um
estudo empírico que investiga um fenômeno atual dentro do seu contexto de realidade,
quando as fronteiras entre o fenômeno e o contexto não são claramente definidas [...]”.
Quanto ao instrumento de coleta de dados utiliza-se o questionário, constituído por
uma série de perguntas abertas, fechadas e perguntas de múltipla escolha. Optou-se por
elaborar o questionário no modelo de formulário eletrônico do Google Docs. O questionário
foi enviado por e-mail para um responsável em cada uma das bibliotecas setoriais.
Quanto ao método e a forma de abordar o tema, a presente pesquisa pode ser
classificada como quantitativa e qualitativa, pois em algumas questões analisam-se os dados
de forma quantitativa, enquanto noutras analisam-se as informações coletadas de modo não
quantitativo.

3.1 Universo da Pesquisa

Como universo da pesquisa, escolhemos as bibliotecas universitárias de Instituições de
Ensino Superior públicas de Fortaleza: Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade
Estadual do Ceará (UECE) e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará
(IFCE), este último atende a alunos de cursos técnicos e também de graduação, por este
motivo o incluímos na pesquisa.
A escolha dessas bibliotecas se deu devido à importância de suas respectivas
instituições no Estado do Ceará, para o desenvolvimento do Estado, bem como por termos
conhecimento de que os estudantes universitários são usuários reais e potenciais das redes
sociais.

4459

�As bibliotecas universitárias da UFC e UECE são coordenadas por um órgão central,
que tem como objetivo dar suporte, apoio às bibliotecas para consecução de seu objetivo
maior, que é o de dar suporte as atividades de ensino, pesquisa e extensão das instituições.
O Sistema de Bibliotecas da UFC é coordenado pela Biblioteca Universitária e
compreende doze bibliotecas em Fortaleza e cinco no interior do Estado. Tendo como missão:
Organizar, preservar e disseminar a informação para a produção do
conhecimento, dando suporte às atividades educacionais, científicas,
tecnológicas e culturais da Universidade Federal do Ceará, possibilitando o
crescimento e o desenvolvimento da Instituição e da sociedade.
(UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÀ, c2013).

As bibliotecas que compõem o Sistema de Bibliotecas da UFC, em Fortaleza são:
Biblioteca de Ciências da Saúde; Biblioteca de Ciências e Tecnologia; Biblioteca de Ciências
Humanas; Biblioteca do Curso de Arquitetura; Biblioteca do Curso de Física; Biblioteca do
Curso de Matemática; Biblioteca da Faculdade de Direito; Biblioteca da Faculdade de
Economia, Administração, Atuária e Contabilidade; Biblioteca do Instituto de Ciências do
Mar (Labomar); Biblioteca de Pós-Graduação em Economia; Biblioteca de Pós-Graduação
em Economia Agrícola; Biblioteca de Pós-Graduação em Engenharia.
Na UECE o sistema de bibliotecas é coordenado pela Biblioteca Central. Sua
finalidade é oferecer informações técnico-científicas,

armazenada e/ou gerada na

Universidade, à comunidade acadêmica, através de seus acervos e instalações, como suporte
aos programas de Ensino, Pesquisa e Extensão da UECE. O sistema de bibliotecas da UECE
tem como missão “Possibilitar suporte de informações às atividades educacionais, científicas,
tecnológicas e culturais da UECE e da Sociedade Cearense.” Compõem o sistema, oito
bibliotecas, duas em Fortaleza e seis no interior do Estado.
Em Fortaleza as bibliotecas que compõem o Sistema são: Biblioteca Central
(Biblioteca Prof. Antônio Martins Filho) e Biblioteca do Centro de Humanidades.
O IFCE possui apenas uma biblioteca em Fortaleza, a Biblioteca Engenheiro Waldyr
Diogo de Siqueira, e por isso não possui um órgão central que a coordene, como na UECE e a
UFC. Sua missão é ser “[...] um centro de informação capaz de dar suporte ao ensino,
pesquisa e extensão e promover a democratização do conhecimento.” (INSTITUTO
FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO CEARÁ, c2013).
Desta forma, realizaremos a pesquisa em um total de dezesseis bibliotecas, treze da
Universidade Federal do Ceará, duas da Universidade Estadual do Ceará e uma do Instituto
Federal de Educação, Ciência e Tecnologia.

4460

�4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS

A partir dos coletados e tratados, fizemos uma análise quantitativa e qualitativa das
respostas, levando em consideração os objetivos propostos na pesquisa.
Inicialmente quantificou-se a quantidade de respostas obtidas no questionário, e
quantas bibliotecas das instituições pesquisadas participaram da pesquisa. Dos treze
questionários enviados para as bibliotecas da Universidade Federal do Ceará (UFC) obteve-se
o retorno de doze questionários; foram recebidos dois questionários enviados para as
bibliotecas da Universidade Estadual do Ceará (UECE), e não foi obtido retorno quanto ao
questionário enviado ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará
(IFCE).
Verificou-se em quais redes sociais o participante da pesquisa possui perfil social.
Constatou-se que todos os participantes possuem perfil em pelo menos uma rede social. No
Quadro 1 listam-se as redes sociais utilizadas pelo bibliotecário respondente de cada
biblioteca e através Gráfico 1 evidenciam-se quais as redes sociais mais e menos utilizadas. O
Facebook é a rede social mais utilizada e todos os respondentes o utilizam. Outras redes,
entretanto, não são utilizadas por nenhum dos bibliotecários que responderam a pesquisa,
dentre elas o LibraryThing e o MySpace.

Quadro 1 - Redes sociais em que o participante possui perfil pessoal
BU1
BU2
BU3
BU4
BU5
BU6
BU7
BU8
BU9
BU10
BU11
BU12
BU13
BU14

Facebook
Facebook,
Facebook,
Facebook,
Facebook,
Facebook.
Facebook,
Facebook,
Facebook,
Facebook.
Facebook,
Facebook,
Facebook,
Facebook,

Orkut
Twitter, Blog, Flickr, Youtube, Pinterest
Twitter, Orkut, Flickr, Foursquare, Skoob, Youtube.
Twitter, Orkut, MySpace, Youtube.
Orkut.
Twitter, Orkut, Youtube.
Linkedin.
Orkut, Youtube.
Twitter, Orkut.
Orkut.
Twitter, Orkut.

Fonte: Elaborado pelo autor a partir dos dados da Pesquisa

4461

�Gráfico 1 - Redes sociais em que o participante posui perfil pessoal.
□ Facebook
□ Twitter
□ Orkut
□ Blog
□ Delicious
□ Flickr
□ Foursquare
□ LibraryThing
□ MySpace
□ Skoob
□ Youtube
□ Outro

Fonte: Elaborado pelo autor a partir dos dados da Pesquisa

A partir de uma lista de opções de redes sociais, procura-se identificar quais redes
sociais os bibliotecários das instituições pesquisadas não conheciam. Constatou-se que as
redes sociais LibraryThing e Skoob são as redes sociais menos conhecidas pelos
bibliotecários.
Considerando-se que atualmente não basta possuir perfil em uma rede social, é
necessário também saber usar e procurar explorar seus recursos, procurou-se saber se as redes
sociais são utilizadas de maneira satisfatória. A maioria dos respondentes (nove) acreditam
que utilizam bem as redes sociais em que possuem perfil pessoal.
Como um dos objetivos da pesquisa é o de saber quantas bibliotecas universitárias
públicas de Fortaleza utilizam redes sociais, passou-se a pergunta relativa ao uso que a
biblioteca faz uso de alguma das redes sociais da Internet. A maioria das bibliotecas (nove)
afirma que utilizam alguma rede social, enquanto cinco bibliotecas não utilizam nenhuma
rede social.
Apesar de não ter-se obtido retorno do questionário enviado para a Biblioteca do IFCE
e de uma das Bibliotecas da UFC, realizamos um busca na Internet, através do Google, e em
duas redes sociais da Internet, Facebook e Twitter, e constatou-se que as duas bibliotecas que
não responderam ao questionário possuem pelo menos uma rede social, a Biblioteca do IFCE
possui um perfil no Facebook e a biblioteca da UFC possui um blog relacionado ao curso que
atende.

4462

�Pode-se então afirmar que as bibliotecas estão buscando integrar as novas tecnologias,
novas formas de comunicação e integração com seus usuários no dia a dia, através do uso das
redes sociais, sejam quais forem estas redes.
Perguntou-se tanto aos bibliotecários das unidades de informação que utilizam redes
sociais quanto as que não utilizam, quais seriam os obstáculos à implantação de redes sociais
em bibliotecas universitárias. Para alguns bibliotecários a falta de pessoas para manter a
atualização constante das redes sociais é o principal obstáculo, como podemos visualizar no
Quadro 2 .

Quadro 2 - Obstáculos à implantação de redes sociais em Bus
BU2
BU7
BU10

BU12
BU13

Falta de pessoal que possa estar acessando e/ou atualizando dados constantemente.
Não sei responder.
É importante ver que o profissional bibliotecário de instituições de ensino superior
precisa estar preparado para o bom uso dessa riqueza informativa de forma
inteligente e responsável, a fim de atender as necessidades de todos e contribuir
efetivamente na formação do cidadão.
Definição de escopo e disponibilidade de pessoal.
Basicamente falta de pessoal para manter o serviço.

Fonte: Elaborado pelo autor a partir dos dados da Pesquisa

Para outros profissionais os obstáculos são a aversão e até mesmo desinteresse dos
colegas de classe em colaborar na manutenção das redes sociais, o que em alguns casos, acaba
por sobrecarregar a única pessoa que se dispõe a fazer. Sabe-se que em empresas há estudos e
especialistas que trabalham exclusivamente o assunto mídias e redes sociais, de forma a
agregar valor a sua marca e conquistar clientes, entretanto nas bibliotecas isto não ocorre, não
há um profissional para trabalhar exclusivamente as redes sociais. Então o bibliotecário
acumula ao seu trabalho a função de também gerir uma rede social. Interessante também a
opinião da BU5:
Na minha sincera opinião, não estamos preparados para utilizar todos os
recursos que as redes oferecem. Até mesmo por não conhecer, nem saber a
melhor maneira de utilizá-la (quando e como). Assim, acho que não
conseguimos utilizar bem essas ferramentas (esgotando todos os seus
recursos). Muitas empresas contratam profissionais especialistas somente
para trabalhar as redes sociais para seus clientes ou futuros clientes. (BU5).

A opinião da BU5 nos leva a observar mais um obstáculo que as bibliotecas enfrentam
no uso dos recursos das mídias sociais, a falta de treinamento para o uso dessas ferramentas,

4463

�já que na maioria das vezes a implantação das redes sociais é feita sem nenhum planejamento
e de forma intuitiva pelos profissionais.
Sobre o questionamento da importância do uso das redes sociais na visão dos
bibliotecários das bibliotecas universitárias, verificou-se que apenas uma biblioteca, BU9, não
considera o uso das redes sociais importantes em bibliotecas, e justifica sua resposta da
seguinte forma: “afirmando que ainda não sabemos o que fazer com elas, somente
reproduzimos o que é publicado em outros sites, coloco ainda que quando soubermos inovar,
construir conteúdos é que as redes sociais farão sentido no contexto das BUs.”. Para as
demais bibliotecas as redes sociais possuem grande importância, por seu um meio de
comunicação entre a biblioteca e seus usuários, pela possibilidade de divulgar notícias e
serviços da biblioteca, dando uma maior visibilidade a biblioteca. Além disso, as redes sociais
são utilizadas para que o usuário possa interagir com a biblioteca e vice-versa.
Questionou-se também aos bibliotecários quais benefícios eles acreditam que são
proporcionados pelo uso das ferramentas de redes sociais em bibliotecas.
A BU13 coloca que a obtenção e troca de informações e divulgação dos serviços
oferecidos são os principais benefícios do uso das redes sociais em BUs. Para a BU14 “[...] o
grande benefício é a popularização da imagem da biblioteca, diminuindo as distâncias e
aproximando a biblioteca da comunidade.” A BU3 afirma que ao utilizar as redes sociais, as
bibliotecas universitárias desmistificam a imagem ranzinza e inerte que possuem. A utilização
de redes sociais pelas bibliotecas universitárias possibilita que essas ultrapassem seu espaço
físico e integrem-se, interajam na rede, participando assim do cotidiano dos universitários,
que estão inseridos no contexto das redes sociais.
Quando perguntados se desejam integrar alguma rede social neste ano, três dos cinco
bibliotecários cujas bibliotecas não participam de redes sociais responderam que não,
enquanto dois afirmaram ter interesse em criar uma conta da biblioteca no Facebook. Quanto
aos que já possuem redes sociais, a maioria também não tem interesse em integrar outra rede
social em 2013. Apenas quatro possuem interesse em participar de mais alguma rede social.
Identificar as redes sociais utilizadas pelas bibliotecas universitárias públicas de
Fortaleza foi um dos objetivos propostos na pesquisa. Sabendo que das bibliotecas que
responderam a pesquisa nove utilizam redes sociais, buscou-se então saber quais seriam essas
redes sociais. O Facebook e o Twitter são as ferramentas de redes sociais mais utilizadas pelas
bibliotecas, ambos utilizados por sete bibliotecas.
Sobre as informações veiculadas nas redes sociais destas bibliotecas observou-se que
são informações sobre o funcionamento, serviços da biblioteca, relacionadas ao(s) curso(s)

4464

�que a biblioteca atende, aquisições de novas publicações; e há também informações sobra a
Universidade a qual a biblioteca pertence, dicas culturais.
Os responsáveis por divulgar informações nas redes sociais das bibliotecas geralmente
são os próprios bibliotecários e /ou assistentes administrativos. No caso das bibliotecas que
participaram da pesquisa, a maioria das informações é publicada pelo bibliotecário. A
responsabilidade pelo que é publicado nas redes sociais é compartilhada em oito das nove
bibliotecas.
Quanto as dificuldades encontradas na manutenção, utilização das redes sociais,
alguns dos entrevistados apontaram que a maior dificuldade é a atualização destas redes e a
oferta de boas notícias, esta dificuldade está relacionada à outra, citada pelos profissionais, a
escassez de recursos humanos, já que os bibliotecários tem como prioridade outros serviços
da biblioteca, o que dificulta a atualização da rede, bem como a criação de conteúdos próprios
para elas. Apenas em uma resposta, da BU14, foi afirmado que não há dificuldade, “Não, a
equipe que mantêm as redes sociais possuem domínio sobre a ferramenta.”.
Quanto aos desafios no uso das ferramentas de rede social, percebeu-se que a maioria
das bibliotecas, apesar de reconhecer que existem desafios, não planeja como vencer essa
barreira. Apenas duas bibliotecas elencaram os desafios vivenciados e a forma como planejam
melhorar, vencer os desafios enfrentados.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS

As bibliotecas universitárias vêm acompanhando a evolução das tecnologias de
informação e comunicação, buscando integrar os recursos possíveis as suas atividades. Com a
evolução dessas tecnologias e o surgimento da Internet as formas de comunicação foram
sendo modificadas, não sendo mais necessário o ambiente físico para que as pessoas troquem
informações. As informações podem ser trocadas, compartilhadas em meio digital.
Formam-se então, redes sociais da Internet, em que as pessoas podem criar perfis,
conhecer pessoas novas, adicionar pessoas que já conhecem. As bibliotecas podem e devem
integrar-se a essas redes como forma de comunicar-se, integrarem-se com seus usuários, tão
presentes nessas redes.
Através deste trabalho pode-se constatar que a maioria das bibliotecas universitárias
públicas de Fortaleza está utilizando pelo menos uma rede social da Internet. As redes sociais
mais utilizadas são o Facebook e o Twitter, que inclusive são as redes sociais mais utilizadas
atualmente.

4465

�Os obstáculos que impedem a implantação de redes sociais em bibliotecas é a
necessidade de atualização constante destas redes aliada a falta de profissionais, e
profissionais qualificados para esta atividade, além do desinteresse de alguns profissionais em
utilizar as redes sociais, por não considerá-las como recurso importante para as bibliotecas.
Verificou-se que os bibliotecários que participaram da pesquisa possuem perfil pessoal
em pelo menos uma rede social, entretanto, desconhecem outras redes sociais, como o
LibraryThing e Skoob, que são redes sociais para o compartilhamento de críticas, opiniões
sobre livros, elaboração de resenhas, etc.
Os bibliotecários que participaram da pesquisa consideram as redes sociais
importantes, pois estas dão maior visibilidade à biblioteca, além da possibilidade de
divulgação dos produtos e serviços da biblioteca. Ainda constituem um importante meio de
comunicação entre a biblioteca e usuário, proporcionando interação entre a instituição e os
indivíduos.
Como contribuições modestas desse trabalho ao campo, além das conclusões
expressas nas linhas anteriores, relacionamos a identificação de quantas bibliotecas
universitárias públicas de Fortaleza utilizam redes sociais; o mapeamento e a identificação de
quais as redes sociais utilizadas por essas bibliotecas; a identificação e análise dos principais
obstáculos que impedem a implantação de redes sociais nas bibliotecas; a verificação se se os
bibliotecários destas instituições, participantes da pesquisa, conhecem as redes sociais e
sabem utiliza-las; e por fim a verificação do nível de importância atribuída as rede sociais
pelos bibliotecários.
A partir deste trabalho, vislumbram-se novos questionamentos que podem ser
pesquisados em futuros trabalhos: as bibliotecas estão utilizando de forma adequada às redes
sociais? Qual a visão do usuário sobre as redes sociais das bibliotecas, o que eles acham do
conteúdo que as bibliotecas postam? O que eles gostariam que fossem disponibilizados pelas
bibliotecas? As bibliotecas utilizam alguma ferramenta métrica para contabilizar o alcance de
suas redes sociais?
Enfim, são muitos questionamentos que podem ser trabalhados futuramente.

REFERÊNCIAS

AGUIAR, Gisele Adornato de; SILVA, José Fernando Modesto da.

As bibliotecas

universitárias nas redes sociais: Facebook, Orkut, Myspace e Ning. In: SEMINÁRIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 16., 2010, Rio de Janeiro. [Anais...].

4466

�Rio

de

Janeiro,

2010.

Disponível

em:

&lt;http://www.gapcongressos.com.br/eventos/z0070/trabalhos/final_168.pdf&gt;. Acesso em: 1
jul. 2013.
AGUIAR, Gisele Adornato de. Uso das ferramentas de redes sociais em bibliotecas
universitárias: um estudo exploratório na UNESP, UNICAMP e USP. 2012. Dissertação
(Mestrado em Ciência da Informação) - Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012.
CIPRIANI, Fábio. Estratégia em mídias sociais: como romper o paradoxo das redes sociais
e tornar a concorrência irrelevante. Rio de Janeiro : Elsevier ; São Paulo : Deloitte, 2011.
CUNHA, Murilo Bastos da; CAVALCANTI, Cordélia Robalinho de Oliveira. Biblioteca
universitária. Dicionário de Biblioteconomia e Arquivologia. Brasília: Briquet de Lemos,
2008.
FEIJÓ, Hilda Carolina. A participação das bibliotecas universitárias em redes
cooperativas no Brasil. 2009. Monografia (Graduação em Biblioteconomia) - Universidade
Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2009.
GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2011.
INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO ESTADO DO
CEARÀ.

apresentação.

Biblioteca:

Fortaleza,

c2013.

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4468

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Neste trabalho tem-se por objetivo saber se as bibliotecas de instituições de ensino superior públicas de Fortaleza estão utilizando as ferramentas de rede social da Internet e identificar quais redes sociais estão sendo utilizadas. Apresentam-se os conceitos de biblioteca universitária e redes sociais. A pesquisa é de caráter exploratório com abordagem quantitativa e qualitativa. A técnica de coleta de dados utilizada foi a aplicação de um questionário às bibliotecas da Universidade Federal do Ceará, Instituto Federal de Educação e Ciência e Tecnologia do Estado do Ceará. Constata-se que a maioria das bibliotecas utilizam as redes sociais, entretanto, seu uso é feito com bastante dificuldade, principalmente pela falta de recursos humanos e de planejamento no uso das redes sociais. Entende-se que as redes sociais são importantes ferramentas de comunicação e interação entre as bibliotecas e seus usuários, mas que necessita de planejamento e treinamento por parte dos bibliotecários para melhor uso destes recursos.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PRESERVAÇÃO DIGITAL DE PERIÓDICOS ELETRÔNICOS: PROJETO PORTICO

Maria Helena Ferreira Xavier da Silva
Roberta Jerônimo da Silva
Thaíssa Lage Matias
RESUMO
Os avanços tecnológicos impuseram um grande desafio para a preservação do patrimônio
digital. As bibliotecas de hoje se vêem, cada vez mais, dependentes de artigos eletrônicos
(periódicos acadêmicos), e a preservação, em longo prazo, destes recursos tornou-se uma
necessidade crescente e cada vez mais urgente. O Sistema Portico é um serviço de arquivo
eletrônico criado para atender as necessidades críticas da comunidade acadêmica para um
meio confiável para preservar os periódicos eletrônicos.

Palavras-chave: Periódicos eletrônicos. Preservação digital. Portico.

ABSTRAT
The technological advances have imposed a great challenge for the preservation of digital
heritage. The nowadays libraries turned increasingly dependent on electronic articles
(journals), and the need of preservation of these resources, in the long term, has become
urgent. The Portico System is an electronic archiving service designed to supply the critical
needs of the academic community as a reliable device to preserve electronic journals.

Keywords: Electronic journals. Digital preservation. Portico.

1

INTRODUÇÃO

A preservação digital representa um dos grandes desafios enfrentados pelas Bibliotecas
Universitárias. Atualmente, pesquisa e ensino estão gerando dados, relatórios, publicações,
materiais de ensino e outros meios de comunicação científica em formatos digitais, tornandose cada vez mais dependentes de ferramentas eletrônicas e das bases de dados.
Em grande parte do mundo as universidades carregam consigo dois pilares fundamentais:
a pesquisa e o ensino de fato. N a maioria dos países as pesquisas e estudos científicos
ocorrem dentro das universidades, portanto, é nesse ambiente que florescem grandes estudos e

4439

�se concentram grandes personalidades. Schwartzman (1986) afirma que a concepção de que a
pesquisa científica e a universidade estão ligadas, e, é uma teoria difundida como princípio
básico das políticas educacionais em muitos países. Sendo assim, é notável a relevância da
universidade como protagonista dentro do cenário de produção do conhecimento.
Por outro lado, a produção de conhecimento em grande escala nas universidades
aponta para a necessidade da disseminação e uso do conhecimento produzido. Para que isso
aconteça, são necessárias a criação de políticas de tratamento, organização e disponibilização
desses itens; bem como a divulgação dos mesmos e o uso do maior número possível de
ferramentas tecnológicas para facilitar o acesso.
Assim, assegurar o acesso permanente aos periódicos eletrônicos é o principal motivo
pela qual as Bibliotecas Universitárias precisam pensar nos meios de preservação desses itens.

2 NECESSIDADE DE PRESERVAÇÃO DOS PERIÓDICOS ELETRÔNICOS

As aplicações das novas tecnologias da comunicação nas atividades de informação
motivaram mudanças organizacionais profundas nas estruturas (funções/operações) de
bibliotecas/ unidades de informação, sendo a principal delas o periódico eletrônico. A recente
proliferação dessas publicações eletrônicas, especialmente via Internet, vem levantando uma
cadeia de questionamentos dessas publicações. Conforme Márdero Arellano (2004, p. 16):
Com o aumento da produção de informação em formato digital, tem sido
questionada cada vez mais a importância de se ter garantia a sua
disponibilização e preservação por longos períodos de tempo [...]. Os
objetos digitais não podem ser deixados em formatos obsoletos para serem
transferidos depois de longos períodos de negligência para repositórios
digitais.
A grande aceitação dos periódicos eletrônicos nas Bibliotecas Universitárias decorreu
por meio da explosão bibliográfica existente nos últimos 60 anos. Esse crescimento
exponencial de periódicos científicos ocasionou uma reavaliação dos acervos e de seus
espaços para armazenamento. Como salienta Roger e Hurt (1990 apud CUNHA, 1997, p.80)
“ [...] a grande quantidade de periódicos impressos acaba ocupando um espaço excessivo nas
estantes das bibliotecas universitárias. Cada metro quadrado extra nas bibliotecas representa
um gasto aproximado de U$ 95,00” . Tal fato já tinha sido previsto por Joseph Henri (1981
apud CRUZ, et al, 2003, p.1), quando dizia:

4440

�A humanidade tem seu progresso baseado em pesquisa, estudo e
investigação, que geram saber, conhecimento ou, simplesmente,
informação. E praticamente para cada item de interesse existe algum
registro de saber pertinente. A não ser que essa massa de informações seja
armazenada com ordem e que se especifiquem bem os meios em que nos
irão expor os respectivos conteúdos, tanto a literatura como a ciência
perecerão esmagadas sob seu próprio peso.
Dentre outros problemas, a dificuldade na manutenção das assinaturas devido aos altos
preços que muitas vezes interrompiam a continuidade das coleções, mesmo em grandes
sistemas de bibliotecas. Apesar de a “ [...] informação ser um bem cultural e social, a mesma
passa a ser sustentada através do pagamento de altas cifras” (KRZYZANOWSKI; TARUHN,
1998, p.163). Em decorrência desse fato, Lemos (2006, p. 2) informa:
As críticas aos produtores e ao modelo que ainda predominava na década de
1990 passaram a se concentrar, nos últimos anos, no aumento exagerado dos
preços das assinaturas. A análise de dados estatísticos de 123 bibliotecas
afiliadas à Association of Research Libraries, dos EUA, mostrou que, entre
1986 e 2004, os gastos com a aquisição de periódicos subiram 273%,
enquanto com a compra de livros sofreram uma elevação de 63%. Em 2003­
2004, deu-se um gasto médio superior a 5,5 milhões de dólares com a
assinatura de periódicos. Na mesma época os recursos eletrônicos
consumiram 30% do orçamento destinado a material.
Convém ainda advertir, que a monopolização da informação por editoras de grande
porte, também, empurrou as bibliotecas universitárias para uma rápida aceitação aos
periódicos eletrônicos. Com crescente fusão dos mercados editoriais, ocorre a lei da oferta e
da procura, a demanda de bibliotecas por informações é muito maior do que a concorrência
editorial, logo, as assinaturas dos periódicos eletrônicos tornam-se exageradas e abusivas.
Conforme Lemos (2006, p. 2), apenas 8% dos fornecedores possuem 70% da fatia mundial de
publicações eletrônicas existentes atualmente.
O grupo Reed Elsevier detinha, em 2003, 28,2% do mercado mundial de
informação em CTM, seguida pela Thomson, que adquiriu o ISI, com 9,5%,
Wolters Kluwer, com 9,4%, Springer, com 4,7%, John Wiley, com 3,9%,
American Chemical Society,com 3,6%, Blackwell, com 3,6%, Taylor &amp;
Francis com 3,6%, e o restante (33,6%) distribuído entre diferentes
fornecedores. Ou seja, apenas oito fornecedores concentram quase 70% do
mercado mundial (House of Commons, 2004). Este segmento da indústria
editorial apresenta forte tendência ao monopólio e à cartelização.
Contudo, vale ressaltar que ao apresentar as assinaturas de periódicos eletrônicos, as
editoras aplicam preços flutuantes, mas precisamente, baseados nas necessidades do cliente.
Ou seja, o preço dos pacotes irá depender da quantidade de títulos adquiridos, quais títulos
adquiridos e da quantidade de acessos permitidos. Logo, “ [...] constitui-se de aluguel

4441

�temporário de um serviço e a impossibilidade de conservar uma coleção; a interrupção da
assinatura implica na perda total do acesso ou do acesso parcial conforme pagamento
proporcional ao tempo de uso” (GRUSZYNSKI, 2007, p.4). Ao contrário do periódico em
papel, cuja compra era permanente e ficava a disposição do usuário mesmo após a interrupção
da assinatura. Como corrobora Lemos (2006, p. 5):
O fornecimento de periódicos eletrônicos baseia-se não na compra de um
produto, mas no aluguel ou licenciamento de uso de um serviço por um
prazo delimitado. A interrupção do serviço implica a perda do direito de
acesso. Esse direito poderá ser mantido desde que se continue pagando uma
quantia proporcional ao uso anterior. Em síntese, ao contrário do que
acontece com a publicação impressa, o usuário não conserva uma coleção
mesmo depois de cancelada sua assinatura.
Dentre outros problemas, para Beargrie &amp; Greenstein (1998 apud MÁRDERO
ARELLANO, 2004, p.18) precauções devem ser tomadas para reduzir o perigo da perda de
materiais digitais:
51.
52.
53.
54.
55.

Armazenar em ambientes estáveis e controláveis;
Implementar ciclos de atualização (refreshment) para cópia em nova mídia;
Fazer cópias de preservação (assumindo licenças e permissões de copyrights);
Implementar procedimentos apropriados de manuseio;
Transferir para uma mídia de armazenamento padrão.

Ainda, para Bullock (1999 apud MARDERO ARELLANO, 2008, p. 46) o IPR
(Intelectual Proprity Rights) é um dos principais entraves na preservação dos objetos digitais.
Os direitos de propriedade intelectual (IPR) é uma questão importante, pois tem um impacto
significativo sobre a preservação digital. Sabemos que a lei de IPR foi originada e criada há
anos, quando não havia o pensamento a nível mundial Web. Temos ciência, também, que o
IPR foi estabelecido para os acervos tradicionais (papel), enquanto que para materiais
eletrônicos deixa a desejar. A propriedade intelectual, no âmbito dos materiais digitais, é mais
complexa e importante do que a mídia tradicional e se não forem tomadas decisões como a
legalização da responsabilidade para a preservação digital por parte da biblioteca dos
materiais que são adquiridos por ela, teremos um caos informacional. Segundo M uir (2004
apud MOGHADDAM, 2008, p. 85):
[...]libraries other than legal deposit libraries will probably want to take
responsibility for digital preservation of material they create or purchase.
However, there is a lack of awareness of what the law allows. The current
legal situation in the publishing industry needs to be clarified and changes
to the law could be considered if necessary. Changing copyright law to
facilitate legal deposit is one possibility and this is being pursued in some
countries such as the UK, but this will not help the vast majority of libraries
because legal deposit collections are collections of last resort.

4442

�Não obstante, o conteúdo dos recursos digitais e sua necessidade de software
associado devem ser levados em consideração. Conforme Márdero Arellano (2008, p. 47):
Salvar os bits de um objeto digital é necessário, mas não o suficiente para
preservá-lo. É necessário também conhecer os atributos da aplicação na
qual ele foi criado e com a qual ele pode ser interpretado. O esforço da
preservação engloba também o software e o hardware no qual o objeto
digital pode ser executado, já que eles também podem ficar obsoletos.
Vale considerar a necessidade de haver equipamentos de leitura para essas versões, e,
treinamento tanto para os bibliotecários como para os usuários - já que não é fácil manter-se
atualizado com as mudanças que ocorrem.
Logo, apesar de haver um consenso entre editoras, bibliotecas e usuários sobre as
vantagens que se apresentam ao utilizar as novas tecnologias e a possibilidade de
desdobramentos ao texto de forma eletrônica - já disponível em padrões de publicação e em
formato de impressão - devemos pensar em solucionar prováveis problemas que possam
surgir ao longo dos anos que interfiram no pagamento das assinaturas desses meios de
comunicação eletrônicos, tais como: crescente aumento de assinaturas eletrônicas, falta de
verbas das universidades para a manutenção das mesmas, a regressão de uma economia
instável e com altas inflações - algo que no passado foi o responsável pelo cancelamento de
diversas assinaturas.
Assim, as estratégias institucionais de Universidades, órgãos de pesquisa e as
Bibliotecas têm o dever de modificar e romper essas barreiras para defender a
permanência/manutenção de seus acervos e a livre disseminação dos mesmos aos seus
usuários. A atitude de formar consórcio entre Instituições de Ensino Superior para
disponibilizar aos usuários os periódicos eletrônicos a um custo mais baixo, já é uma
realidade.

3 PROJETO PÓRTICO

As inovações nos meios de comunicação científica no final do século XX e início do
século XXI conflagraram uma nova forma de troca/publicação de informações entre
pesquisadores.

As mesmas culminaram na facilidade de acesso a resultados, trabalhos e

pesquisas de terceiros em todo o mundo. Esses avanços afetam as relações científicas,
profissionais, financeiras, tecnológicas e políticas de um determinado país.
Tal situação gerou diversas maneiras de publicação e distribuição da produção
científica. Antes do advento das TI (tecnologias da informação) a produção era “facilmente

4443

�medida” e “facilmente localizada”, pois existiam apenas alguns modelos de distribuição dos
resultados das pesquisas, como por exemplo: artigos em periódicos ou artigos publicados em
congressos.

Enquanto

hoje,

com

o

desencadeamento

de

inúmeras

possibilidades,

disponibilizado pela iniciativa dos arquivos abertos, pelo movimento do acesso aberto e
principalmente pelo “ [...] modelo de negócio de editoras comerciais de revistas científicas,
que recebem os artigos, às vezes cobrando valores significativos para publicar trabalhos de
pesquisa condicionando a publicação a rigoroso crivo de avaliação” (MASSON, 2008, p.
122), despertou um descontrole da produção científica.
Assim, a comunidade acadêmica e os editores estão aprimorando os meios de
comunicação para suplantar as improbabilidades provocadas pela fragilidade tecnológica. Um
desses meios de comunicação é o Repositório Digital, que tem como força motriz solucionar:
a organização da produção editorial, criar mecanismos de busca e acesso e preservar
conteúdos dos periódicos eletrônicos. O principal objetivo desse mecanismo seria: a
conservação e manutenção dos periódicos eletrônicos assinados e o controle das publicações
nacionais. Conforme Masson (2008, p. 109):
O repositório digital parece ter como objetivo preservar as publicações
criadas em meio digital, ou as que são digitalizadas, referentes a artigos de
periódicos, ou na web, os próprios periódicos e outros eventos, trabalhos de
pesquisa, teses e dissertações para que constituam uma memória
institucional e que possam ser acessíveis a quem quiser consulta-las.
Mediante o reconhecimento da necessidade de preservação de conteúdos eletrônico,
originou-se o Portico, que fornece as bibliotecas e editoras como solução confiável - sem
incorrer em encargos e despesas na criação de criar instâncias complexas e onerosas - uma
infraestrutura tecnológica capaz de garantir que os recursos eletrônicos, que dependemos
todos os dias, sejam acessíveis a futuros pesquisadores, acadêmicos e estudantes. Durante
mais de dois anos, a equipe do projeto trabalhou no desenvolvimento da tecnologia necessária
e participou de inúmeras querelas com editores e bibliotecas até chegarem a um acordo que
conciliasse as necessidades de ambos. De acordo com Kirchhoff (2009, p.480)
Simultaneously, staff engaged in extensive discussions with publishers and
libraries to craft an approach that would balance the needs of both
communities while researching what would be necessary to build a
sustainable business model for the archive.
Portico começou como “arquivo eletrônico” com a missão de ser sustentável. O
mesmo foi lançado pelo JSTOR em 2002 e patrocinado pela Fundação Andrew W. Mellon.
Oficialmente, o projeto foi lançado em 2004 com o apoio financeiro da JSTOR, Ithaka,

4444

�Biblioteca do Congresso e a Fundação Andrew W. Mellon.
In response to this expressed need in 2004, Portico (originally known as the
JSTOR Electronic Archiving Initiative) began to work with the community
to build a technological and economic model that could support the
development, operation, and maintenance of a third party digital
preservation archive. For the first two years, Portico staff worked on the
development of technologies necessary to meet the project’s objectives.
(KIRCHHOFF, 2009, p. 480)
Presentemente, os suportes financeiros são divididos em dois tipos: para o
desenvolvimento inicial de infraestrutura tecnológica e as primeiras operações; e para apoiar o
funcionamento do arquivo ao longo do tempo. Em contrapartida, os principais beneficiários
do sistema (bibliotecas, Instituições Acadêmicas e editoras), também deverão realizar uma
contribuição anual para o arquivo e compartilhar os custos contínuos do sistema.

Como

afirma Fenton (2006, p.84)
[...]The chief beneficiaries of the archive - publishers and academic
institutions - will provide the primary sources of funding; however,
charitable foundations and government agencies will also be expected to
provide support. Publishers are asked to make an annual contribution to the
archive and share with other supporting publishers the ongoing costs to
receive, normalize, store, and migrate journal content. Fees are based on
publishers' total journals revenues (subscription, advertising, licensing) and
range from $250 to $75,000 per year.
Libraries are also asked to make an annual payment to support the ongoing
work of the archive, including the addition of new content to the archive,
maintenance and enhancement of the technological infrastructure, and
format migrations as technology evolves. Library Annual Archive Support
payments are tiered and vary according to a library's self-reported total
Library Materials Expenditure (LME), reflecting Portico's value in
preserving a growing portion of a library collection. Fees range from $1,500
to $24,000 per annum.
Portico está comprometido com a preservação de publicações digitais como:
periódicos eletrônicos, e-books, coleções digitalizadas, etc. A participação nesse sistema
oferece segurança às bibliotecas e editoras conveniadas em relação aos seguintes itens:

Service for Libraries508
•

Security — Portico offers libraries a permanent archive of e-journals,
e-books, and d-collections, providing protection against the potential
loss of access to e-literature integral to a library’s collection.

508 PORTICO. Portico services and benefits. Disponível em: &lt; http://www.portico.org/digitalpreservation/services/#page-1061&gt;. Acesso em: 18 abr. 2012.

4445

�• Coverage — Libraries benefit from preservation of a substantial and
diverse range of content that is important to their users, whether ejournals, e-books, or d-collections.
• Trigger Event Access — Participating libraries are provided with
campus-wide access to archived content when specific trigger events
occur, including when titles are no longer available from the
publisher or other source.
• Post-Cancellation Access — Portico also provides a reliable means to
secure perpetual access when a participating publisher chooses to
designate Portico as a provider of post-cancellation access.

Service for Publishers
•

Protection — The intellectual content of a publisher’s content is
preserved in perpetuity and secure in a carefully managed archive.

• Migration — Original source files of electronic journals are converted
to an archival format. Portico assumes responsibility for future
content migrations.
• Publisher Access — Full access to a publisher’s content via a Portico
web portal is provided. The Portico archive is open to a publisher’s
complete list of scholarly e-journals and e-books and to some dcollections.

Em relação aos “Acontecimentos específicos” ( Trigger Event Access) o arquivo tem
um amplo aparato de continuidade de informação, ou seja, caso venha ocorrer algum tipo
de interrupção na comunicação por parte das editoras, o sistema Portico entra em ação para
sanar esses problemas. Os acontecimentos específicos complicados podem ser:
•

O editor cessa operações;

•

O editor cessa a publicação e a oferta do título;

•

O editor deixa de oferecer títulos antigos;

•

Consequência de uma falha catastrófica e continuada da plataforma do editor.

Além destes, em alguns casos, após o cancelamento de assinaturas de periódicos
eletrônicos, os editores permitem o acesso pós-cancelamento a uma biblioteca através do
arquivo Portico. Como observa Fenton (2006, p.83).

4446

�In addition to these trigger events, both publishers and libraries have
recognized that, in some cases, even after a library has terminated a license
to an electronic resource, it may be necessary for that library to continue to
have ongoing access. This is commonly known as “perpetual access” or
post-cancellation access. A publisher may choose to extend perpetual access
to a library and that access can be provided through the Portico archive if
the publisher desires. In addition, select librarians at participating libraries
are granted password-controlled access to the archive for verification
purposes. This verification access, which is granted to the entire archive, is
not intended to be used as a replacement for commercial document delivery
services or to fulfill interlibrary loan requests. Finally, all publishers
participating in the archive have full access to their own content and any
content for which a trigger event prevails.
Conforme conhecimento de todos, os periódicos publicados em formato digital tende a
ser mais valiosos para as editoras do que aqueles publicados em formato tradicional. Via a
utilização do meio virtual, as mesmas são capazes de aprimorar a formatação do texto,
criar layouts e fazer hiperlinks com imagens. Logo, para incentivar a adesão dos editores
na preservação de seus conteúdos digitais, mediante o uso dos repositórios digitais, o
argumento seria que, através desse meio de comunicação, os mesmos não perderiam as
suas funcionalidades.
Digital content tends to be valuable to content owners for a much
longer period than traditionally true for print because it can be
packaged in new ways and as new products. To encourage
participation in preservation arrangements by content providers, the
archive cannot threaten the content providers’ business needs.
(KIRCHHOFF, 2009, p. 480)
Deste modo, as táticas para perpetuar o acesso permanente à informação e aos
conteúdos dos periódicos eletrônicos não devem ser só discutidas no âmbito acadêmico, mas,
também, no âmbito internacional para que possam combater o controle e monopólio por parte
de grandes corporações editoriais. Além disso, os repositórios digitais continuariam a
preservar os periódicos eletrônicos sem “ [...] abdicar das funcionalidades conferidas pelo
formato digital de conteúdos e da sua conectividade, ou seja, da sua qualidade de estar em
rede e vinculados por hiperlinks a outros documentos” (SAYÃO, 2010, p. 78).

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pesquisa científica contribui para o desenvolvimento e melhoramento de tudo que
nos cerca - desde uma tecnologia simples como um bloco de anotações com uma cola suave;
até algo mais complexo, como o descobrimento de um medicamento para uma patologia

4447

�grave. Diante de tudo que foi exposto, é evidente a importância desse meio de comunicação
científica, que são os periódicos eletrônicos e suas variações.
A preservação digital representa um dos grandes desafios enfrentados pela educação
superior. Instituições Acadêmicas, bibliotecas e editoras estão cada vez mais dependente dos
artigos eletrônicos e outras ferramentas fundamentas no computador.
No entanto, ao mesmo passo em que a utilização de informação digital aumenta, a
responsabilidade pela preservação é prolixa, e os responsáveis - bibliotecas, Instituições de
Ensino e os editores - têm sido lentos para identificar e investir na infraestrutura necessária
para garantir que os registros acadêmicos publicado em formatos eletrônicos continuem
permanentes. A ociosidade coloca a parte digital do registro acadêmico, e a capacidade de
usá-lo em conjunto com outra informação, o que é necessário para o avanço do conhecimento,
cada vez mais em risco, e as soluções requerem acordos únicos dentro da academia para a
partilha de responsabilidade de preservação.
Sendo assim, reflexões como estas objetivam provocar indagações, reações, e por que
não mudanças nos sistemas de comunicação científica para que os mesmos sejam mais
acessíveis e desta forma, possam cumprir com suas funções que é de registrar e preservar o
conhecimento científico para contribuir hoje e sempre com o desenvolvimento e a
continuidade de novos e incansáveis estudos?

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bibliotecas universitárias. Ci. Inf., Brasília, v. 32, n. 2, p. 47-53, maio/ago. 2003. Disponível
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4450

�</text>
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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Preservação digital de periódicos eletrônicos: projeto portico</text>
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                <text>Silva, Maria Helena Ferreira Xavier da, Silva, Roberta Jerônimo da, Matias, Thaíssa Lage</text>
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                <text>2014</text>
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            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
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                <text>pt</text>
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            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
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                <text>Evento</text>
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            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
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              <elementText elementTextId="76785">
                <text>Os avanços tecnológicos impuseram um grande desafio para a preservação do patrimônio digital. As bibliotecas de hoje se vêem, cada vez mais, dependentes de artigos eletrônicos (periódicos acadêmicos), e a preservação, em longo prazo, destes recursos tornou-se uma necessidade crescente e cada vez mais urgente. O Sistema Portico é um serviço de arquivo eletrônico criado para atender as necessidades críticas da comunidade acadêmica para um meio confiável para preservar os periódicos eletrônicos.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PORTAL DE PERIÓDICOS DA UERJ NA PERSPECTIVA DO ACESSO LIVRE:
UMA PROPOSTA.

Ester Aparecida Lima Souza

RESUMO
Analisa o sítio de Revistas Online da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) onde
são disponibilizados periódicos eletrônicos com o objetivo de propor um Portal em
consonância com o movimento de acesso livre à informação. Traz uma reflexão a respeito do
processo de comunicação científica estabelecido atualmente na Universidade. Lista os
periódicos disponibilizados, suas formas de acesso e softwares utilizados. Descreve a
importância de se implantar plataformas de acordo com Open Archives Initiative para a
preservação da memória, ampliação do acesso, entre outras. Sugere que sejam verificados
aspectos como acessibilidade, disponibilidade, interoperabilidade, padronização e preservação
digital, adotando uma metodologia de levantamento bibliográfico sobre o assunto revistas
eletrônicas, descrição dos periódicos eletrônicos disponibilizados pela Universidade e de suas
plataformas tecnológicas com a finalidade de construir um ambiente digital que possa
contemplar todos esses recursos de acesso aberto de forma centralizada. Espera-se contribuir
efetivamente com a possibilidade de se ter um portal de periódicos na perspectiva do acesso
livre com a capacidade de reunir, trocar informações científicas, facilitar as buscas de
assuntos, aumentar a visibilidade das pesquisas e ampliar o acesso a esta produção.
Palavras-Chave: Periódicos eletrônicos. Acesso livre à informação. Portal de periódicos
eletrônicos.
ABSTRACT
Analyzes the Journals Online Web site of the State University of Rio de Janeiro (UERJ)
where electronic journals are available in order to propose a Portal in line with the movement
of free access to information. Brings a reflection on the scholarly communication process
currently established at the University. List electronic journals available, their forms of access
and software used. Describes the importance of deploying platforms according to the Open
Archives Initiative, to preserve the memory, expanding access, among others. Suggests that
aspects are verified as accessibility, availability, interoperability, standardization and digital
preservation, adopting a methodology of bibliographic electronic journals on the subject,
description of electronic journals available from the University, and description of its
technology platforms, with the aim of building a digital environment able to address all these
open access resources centrally. Expected to contribute effectively to the possibility of having
a journal portal from the perspective of free access with the ability to gather, exchange
scientific information, facilitate search subject, increase the visibility of research and expand
access to this production.
Keywords: Electronic journals. Open Access. Scientific information

4425

�1 Introdução
Ao longo do desenvolvimento da humanidade podem-se eleger várias descobertas que
funcionaram como marcos transformadores das relações sociais. Os principais foram sem
dúvida: a imprensa, o rádio, o cinema, a televisão e a internet. A imprensa possibilitou ao
homem maior divulgação do pensamento perpetuou conceitos e estimulou revoluções. As
ideias que até então eram difundidas através da oralidade, teve no livro, jornais, revistas e
folhetos suportes para disseminação da informação. A internet surgiu basicamente de uma
grande rede de computadores militares no período da Guerra Fria

e ninguém poderia

imaginar que essa rede inicialmente criada com objetivos de controlar informações sigilosas,
resultaria na web, um mundo conectado trocando informações com várias finalidades,
inclusive a de entretenimento. A comunicação científica realizada através dos periódicos em
formato papel, o modelo tradicional de divulgação de resultados de pesquisas, foi alterado e
impactado quando passou a ter possibilidade de transmissão desses resultados online.
O movimento de acesso livre à informação científica foi resultante das transformações
impulsionadas pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), vêm afetando o
processo de disseminação da informação entre os pesquisadores. Iniciado na década de 90
preconiza o acesso de forma mais abrangente na web.
As universidades desfrutam de um papel estratégico nesse cenário, em constante
transformação, representado pela inserção de novas tecnologias de informação. Mais do que
apresentar soluções eletrônicas e digitais para resolução de problemas no âmbito da
comunicação é necessário pensar muito sobre elas, avaliando todas as possibilidades e ofertas
disponíveis para evitar duplicação de esforços e desperdício do dinheiro público.
A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) originou-se da Universidade do
Distrito Federal (UDF) com a união de quatro (4) Faculdades. São elas: Faculdade de
Ciências Jurídicas, Faculdade de Ciências Econômicas, de Filosofia, e Faculdade de Ciências
e Letras. Quando a Capital mudou-se para Brasília passando a ser chamada de Universidade
do Estado da Guanabara (UEG). Em 1975 com a fusão dos estados da Guanabara e do Rio de
Janeiro passou a ser conhecida como Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Atualmente oferece cursos de graduação nas áreas de Administração, Ciências Biológicas,
Ciência da Computação, Ciências Contábeis, Ciências Econômicas, Ciências Sociais,

507Guerra Fria segundo a Wikipédia é a designação atribuída ao período histórico de disputas estratégicas e
conflitos indiretos entre os Estados Unidos e a União Soviética, compreendendo o período entre o final
da Segunda Guerra Mundial (1945) e a extinção da União Soviética (1991), um conflito de
ordem política, militar.tecnológica, econômica, social e ideológica entre as duas nações e suas zonas de
influência. Fonte: Disponível em: &lt;http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra Fria&gt; . Acesso em: 10 dez. 2013

4426

�Comunicação Social, Direito, Educação, Enfermagem, Engenharia, Filosofia, Física,
Geografia, Geologia, História, Letras, Matemática, Medicina, Nutrição, Oceanografia,
Odontologia, Psicologia, Serviço Social e Turismo, com habilitações em licenciaturas e
bacharelados, e cursos de pós-graduação: especialização, mestrado e doutorado. São
oferecidos em 30 unidades acadêmicas na cidade do Rio de Janeiro, nos campi do Maracanã,
Duque de Caxias, Nova Friburgo, Resende, São Gonçalo e Teresópolis.
A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) tem sessenta anos de história e ao
longo desse tempo vem prestando inúmeros serviços à população, desenvolvendo vários
projetos de extensão, promovendo cultura e pesquisas, e sempre procurando investir em ações
de divulgação de sua produção científica. Um exemplo dessas ações é a página eletrônica
intitulada Revistas Online, http://www.ueri.br/revistas/, na qual a Instituição divulga 52 links
de periódicos eletrônicos e segundo a própria descrição do sítio são adaptados à internet,
disponíveis na web bastando um clique para que se possa acessá-los. Os periódicos são
produzidos pelos Institutos que fazem parte da Universidade, a avaliação dos artigos é
realizada por membros da comunidade científica de diversas instituições nacionais e
internacionais.
O objetivo deste trabalho é propor uma reflexão sobre o processo de disponibilização
de Revistas Online frente ao movimento de acesso livre à informação.
Os periódicos eletrônicos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro sem dúvida
têm facilitado o acesso à produção científica, porém cabe salientar que existem vários
critérios como os de acessibilidade, disponibilidade, interoperabilidade, padronização dos
assuntos presentes nesse universo de informações, autoarquivamento, modelos de
comunicação científica, direitos autorais e tantos outros que poderiam ser analisados no
intuito de promover discussões sobre a forma atual de divulgação dessas informações.
O periódico eletrônico, além de possibilitar a ampliação do acesso, é uma maneira de
se adequar a dura realidade orçamentária das universidades púbicas no que se refere à
manutenção de assinaturas de revistas nos acervos em suas bibliotecas. A coexistência do
formato de revistas em papel e em meio eletrônico, tem sido muito discutida, porém deve-se
atentar para os problemas tecnológicos envolvidos, que precisam também de análises em suas
políticas de divulgação:

4427

�A convivência das publicações impressas com as eletrônicas ainda ocorrerá
por algum tempo, mas para que ambas sejam aceitas no meio científico os
problemas de qualidade científica e os problemas tecnológicos - sejam de
impressão, sejam de informática - precisam ser objeto de estudos, de
políticas e de decisões, que incluam as revistas brasileiras como parte
indispensável no processo de produção da ciência nacional. (STUMPF,
1998, p. 9 )

Com a criação de Revistas Online a Universidade do Estado do Rio Janeiro, demonstra
a preocupação de buscar soluções em se beneficiar das facilidades da internet contribuindo
com a divulgação da informação, melhorando o acesso e a visibilidade desses artigos. Porém
torna-se necessário a avaliação criteriosa desses links, pois o fato de estarem simplesmente
disponibilizados na web, não significa que os mesmos estão acessíveis. O conceito de
acessibilidade transcende o da disponibilidade, depende inclusive de todo conhecimento
prévio que o usuário da informação deva ter para lidar com ela no meio tecnológico.
Muitos

fatores

fundamentam

a utilização

da

comunicação

eletrônica nas

universidades, dentre eles: a pressão das agências de fomento, da própria instituição, o
determinismo tecnológico e a necessidade de dar destaque às pesquisas desenvolvidas,
aumentando dessa forma o acesso à informação, de acordo com Lawrence:
A disponibilidade online de um artigo pode não aumentar significativamente
acesso e impacto, caso não haja serviços de busca eficientes e abrangentes,
visto que um percentual substancial da literatura precisa ser indexado por
esses serviços antes que os cientistas o considerem útil. (2001 apud COSTA,
2005 p.170)

Várias perguntas podem ser feitas como: todas essas revistas e seus artigos podem ser
acessados e baixados em arquivos pdf ou foram digitalizadas no todo? Estão sendo
produzidas exclusivamente em formato eletrônico, ou formato eletrônico e papel? Para se ter
acesso ao seu conteúdo, é necessário em alguns casos a realização de cadastro? Outra questão
a ser verificada é a da preservação digital, que deve ser vista com muito cuidado por uma
instituição, principalmente de pesquisa e ensino que necessita preservar a memória.
Quanto à preservação, porém, o assunto é mais preocupante [...] a natureza
descentralizada do provimento das revistas por redes não assegura que sua
disponibilidade seja duradoura, e perguntam: onde estarão os textos das
revistas eletrônicas daqui a 5, 10, 50 ou 100 anos? A preservação será uma
tarefa apenas das bibliotecas nacionais? Quem organizará o arquivo das
revistas eletrônicas? (STUMPF, 1996, p. 4)

4428

�Estudar criteriosamente o sítio Revistas Online, como estão sendo disponibilizadas,
divulgadas e acessadas por sua comunidade acadêmica, é um campo rico em pesquisas e
debates a respeito do movimento de acesso livre às publicações científicas brasileiras.
Poderão surgir dessas análises questões como: políticas institucionais de informação,
preservação da memória, acesso livre, interoperabilidade, direitos autorais, atuação de novos
atores nesse processo como as editoras e agências de fomento à pesquisa.
Em países como Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos, embora tenha predominância
de editoras de periódicos científicos, os debates a respeito das políticas e diretrizes no que diz
respeito ao acesso livre ao conhecimento científico estão mais avançados do que no Brasil
aonde vem sendo amplamente utilizado, por isso devemos ficar muito atentos, principalmente
nas posições que estão sendo assumidas nesse tema por universidades, sociedades científicas
e órgãos que financiam pesquisas. (BAPTISTA; COSTA; KURAMOTO; RODRIGUES,
2007).
A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) tem a possibilidade de
potencializar o desenvolvimento de suas pesquisas. Sendo assim é pertinente propor a criação
de uma plataforma na qual seja possível centralizar, organizar, trocar informações e preservar
sua coleção digital. Para o desenvolvimento de um portal com a perspectiva do acesso livre,
será necessário, primeiramente, um estudo da real situação desses periódicos levando em
conta alguns aspectos principais relacionados às categorias propostas por esse movimento
como: filosofia aberta; acesso aberto (interoperabilidade); autoarquivamento; gestão de
editoração, áreas de cobertura; revisores (comitês editoriais). Realizou-se um levantamento
inicial com todos os títulos de periódicos disponibilizados em Revistas Online, a política de
acesso e a plataforma utilizada por cada periódico como é demonstrado nos gráficos abaixo:

Gráfico 1- Revistas Online - tipos de Acesso
Periodicos online da UERJ Tipos de Acesso

■ Acesso Aberto
■ Acesso Fechado

Fonte: http://www.uerj.br/revistas/ (gráfico elaboado pela autora)

4429

�Gráfico 2 - Revistas Online da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) -

Fonte: http://www.uerj.br/revistas/ (gráfico elaboado pela autora)

Dos 52 links listados na página da UERJ, apenas 44 foram observados, pois 7 estavam
com links inválidos. Dos 44 analisados, contatou-se que 42 periódicos (96 %) têm como
política o acesso aberto e somente 2 o acesso fechado. A plataforma utilizada por 23
periódicos é o OJS (Open Journal System), um software desenvolvido pela Universidade
British Columbia que foi customizado e introduzido no Brasil pelo Instituto Brasileiro de
Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) como Sistema Eletrônico de Editoração de
Revistas (SEER) para gestão de publicações eletrônicas, projetado para facilitar o acesso
aberto, com facilidades de apresentação de artigos online. Sua principal vantagem é ser
interoperável com o Dspace, um programa que vem sendo amplamente utilizado por
universidades e instituições de pesquisa na criação de repositórios temáticos e institucionais.
Os outros 21 periódicos não tinham a especificação da plataforma utilizada, necessitando de
uma pesquisa mais profunda para obter a informação.
Esse levantamento inicial mostra que os periódicos na Universidade do Estado do Rio
de Janeiro (UERJ) em sua maioria utiliza o SEER, um software que coopera para a criação de
um portal de periódicos na perspectiva do acesso livre.
Um portal de acesso único, centralizado para os periódicos eletrônicos pode se tornar
um meio mais confiável no momento das buscas de informações, pois o usuário terá uma
visão global de todos os artigos produzidos. Atualmente esta tarefa é feita de forma árdua,
tendo que percorrer link por link ao tentar fazer a busca em cada endereço eletrônico em
separado, quando este poderá disponibilizar a ferramenta de busca. As buscas por autor,
assunto, título e palavras-chave ampliam as possibilidades do usuário encontrar a informação
demandada.

4430

�A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) tem uma Rede de Bibliotecas, a
Rede Sírius e a sua missão principal é a de promover o acesso à informação seguida do
oferecimento de suporte as atividades de ensino, pesquisa e extensão, contribuindo para os
desenvolvimentos cultural, econômico e social do estado do Rio de Janeiro. Ela deve gerar
debates, e consequentes avaliações do seu processo de comunicação científica, contribuindo
com propostas de inserção no movimento de acesso livre. Sendo assim, este trabalho busca
desenvolver um estudo minucioso da disponibilização e acesso dos periódicos eletrônicos na
Universidade. Espera-se obter informações que sirvam de subsídios para a criação de um
portal que permita o acesso de forma integrada, a toda literatura atualmente disponibilizada
em Revistas Online.

1.1 Objetivos: geral e específico
Propor a criação de um portal de periódicos científicos na Universidade do Estado
do Rio de Janeiro (UERJ) na perspectiva do acesso livre e:
a) Realizar levantamento bibliográfico relacionado a portais de periódicos
eletrônicos, e repositórios institucionais, especificamente quanto a integração de
periódicos;
b) Listar os periódicos eletrônicos disponibilizados pela Universidade, quanto a
periodicidade, idade, políticas de acesso e plataforma tecnológica utilizada por
cada periódico;
c) Descrever e analisar os recursos de cada plataforma tecnológica;
d) Propor um modelo que contemple a disponibilização destes recursos através de um
único acesso.

2 Revisão de Literatura
A comunicação científica tem sido objeto de estudo da Ciência da Informação há pelo
menos três décadas e nessas pesquisas, há predominância do enfoque quantitativo para
explicar questões relacionadas com sua produção e o uso da literatura, representadas pelo
estudo da citação. O trabalho científico é resultado de esforços mútuos, toda hipótese lançada,
e até mesmo os resultados e suas comprovações, precisam ser avaliados por seus pares, é uma
construção coletiva com olhares corporativos e cooperativos:

4431

�Os pesquisadores jamais percorrem sozinhos todos os degraus da
cadeia lógico-indutiva, ao contrário, os percorrem em grupos e,
enquanto dividem os frutos de seus esforços, estão também constantes,
e invejosamente verificando, cada um, a contribuição do outro. E
aqueles, para quem as publicações científicas são destinadas, não
formam uma plateia passiva. (MUELLER, 2000, p.14)

Segundo Leite (2009) os periódicos científicos eletrônicos são considerados, um dos
maiores avanços no processo de comunicação científica, porém a sua estruturação lógica,
sofreu poucas alterações desde o seu aparecimento como modelo que se conhece hoje. O que
realmente ocorreu, a modernização no seu formato de publicação, e o maior benefício nessa
inovação sem dúvida é o aumento das possibilidades de acesso aos seus conteúdos.
Foi na Grécia Antiga, berço da Civilização Ocidental que nasceu a troca de
conhecimentos entre seus filósofos, os primeiros colégios invisíveis. Mas somente no século
XVII que a Ciência consolidou seus saberes nos primeiros periódicos científicos que até os
dias atuais tem nesse formato sua aceitação, aprovação e difusão entre seus pares.
Segundo Kuramoto (2006) o americano Eugene Garfield criou o SCI (Science Citation
Index) uma base de referência mundial com citações bibliográficas presentes em artigos de
revistas, definidas segundo a classificação do seu impacto. Em consequência da alta
valorização dos artigos indexados pela SCI e o reconhecimento de suas publicações, os
editores promoveram a alta nos valores do preço de assinaturas de suas revistas, causando
dificuldades em manter atualizados títulos de periódicos nas bibliotecas e instituições de
pesquisas, iniciando assim a crise dos periódicos.
É nesse contexto que surge o movimento de acesso livre à literatura científica mundial,
uma resposta dos pesquisadores com várias manifestações, iniciada na década de 90 e
chegando ao seu apogeu na Convenção de Santa Fé, evento importante por ter lançado como
principal proposta o modelo Open Archives Initiative, e também por ter discutido e
consolidado uma linha de ação voltada para a definição de aspectos técnicos e organizacionais
com a finalidade de possibilitar uma estrutura de publicação científica aberta, garantindo a
interoperabilidade entre as informações disponibilizadas em meio eletrônico. Estabeleceramse os seguintes requisitos para arquivos de e-prints: mecanismos de submissão; sistema de
armazenamento em longo prazo; uma política de gestão para a preservação e submissão dos
documentos; interface aberta que permita terceiros coletar os metadados dos respectivos
arquivos; provedores de dados e de serviços.

4432

�As pesquisas científicas, aquelas que são realizadas nas universidades e financiadas
com recursos públicos deveriam a princípio ser de acesso livre, não sendo isso o que ocorre
realmente no sistema de comunicação científica tradicional, tendo o pesquisador ou qualquer
outra pessoa interessada que pagar por aquilo que foi produzido com apoio do Estado, uma
situação paradoxal segundo Kuramoto (2006).

3 Materiais e Métodos
Nessa seção serão descritos as etapas anteriormente citadas nos objetivos específicos e
os instrumentos necessários para realização das atividades propostas em cada fase do processo
para se chegar a principal meta que é a criação de um Portal de Periódicos Eletrônicos da
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), na perspectiva do acesso livre.
Primeira etapa: Realização de um levantamento bibliográfico sobre portais e repositórios
institucionais que tiveram a experiência de integrar à sua coleção digital, periódicos
eletrônicos. Nessa etapa deverá ser utilizado a rede de computadores, base de dados, catálogos
e fontes de informação, com a finalidade de se obter uma relação de Repositórios
Institucionais e Portais que possam servir de base para a criação de um modelo centralizado
de disponibilização dos periódicos.
Segunda etapa: Descrever os periódicos eletrônicos da UERJ, título a título, elaborando uma
tabela com os seguintes itens a serem analisados segundo critérios como:
a) Periodicidades - anual, semestral, quinzenal, bimestral, quadrimestral, enfim em
que período de tempo que os periódicos são divulgados na instituição.
b) Políticas de acesso - esses periódicos estão com seus artigos disponibilizados em
arquivos abertos e podem ser facilmente recuperados e baixados por qualquer
computador; ou fechado, os artigos não estão disponíveis.
c) Idade do periódico - em que ano cada título começou a ser disponibilizado.
d) Plataforma tecnológica utilizada por cada periódico internet no processo de
editoração eletrônica dessas Revistas.
Terceira etapa - Essa etapa utiliza critérios sugeridos segundo Kuramoto (2005) e pretende
analisar e descrever os recursos de cada plataforma tecnológica, baseando-se nos requisitos
desejáveis para um software de biblioteca digital:
a) Portabilidade-É a capacidade de um pacote de software ser executado em
diferentes ambientes operacionais;

4433

�a) Flexibilidade quanto a definição do padrão de metadados - Possibilidade de oferecer
ao usuário outros padrões de metadados;
b) Uso de padrões de interoperabilidade - Facilidade de integração a outras iniciativas
análogas, criação de redes. Uso de linguagem de marcação XML - Para facilitar a
interoperabilidade entre os sistemas de bibliotecas digitais;
c) Capacidade de tratamento de múltiplos formatos de documentos - Possibilidade de
armazenar vários tipos de formatos como texto, imagem e som;
d) Possuir interfaces ergonômicas e adaptativas - Para facilitar o seu uso por usuários
menos especializados;
e) Facilidade para estruturação dos documentos - poder considerar dois tipos de
estruturação: no todo ou em partes (revista e artigo);
f) Configuração dos procedimentos de indexação - Capacidade de definição dos
metadados em campos de busca ou pontos de acesso, aos registros de uma biblioteca
digital;
g) Possuir módulos de formatação de relatórios - Capacidade de gerar relatórios ou
configurar-se a apresentação de documentos.
Tipologia de pacotes de software para administração de bibliotecas digitais:
•

Caráter genérico - Com capacidade de tratar, organizar, registrar e disseminar
qualquer tipo de documento, por utilizar um padrão de metadados que tem
compatibilidade com o padrão Dublin Core e podem ser utilizados na criação de
qualquer tipo de bibliotecas digitais, como por exemplo: CDSware, E-prints, NouRau, Phronesis, Fedora e Dspace.

•

Caráter específico - Atende somente a determinados tipos de aplicações como
exemplo o OJS, Open Journal Systems, construído pela Universidade Briths
Columbia para administrar periódicos científicos eletrônicos e adaptado pelo IBICT
como SEER, Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas.
Quarta etapa - Deverá ser elaborada e proposta um modelo que consiga reunir
em uma única plataforma os periódicos eletrônicos disponibilizados pela UERJ.

4 Resultados Parciais/Finais
A criação de um portal de acesso único dos periódicos eletrônicos na perspectiva do
acesso livre poderá ser um meio de reúso das informações disponibilizadas tornando-se uma
referência para a comunidade acadêmica e científica, principalmente se os arquivos forem
interoperáveis com outros sistemas informacionais, maximizar o prestígio da instituição,

4434

�valorizar a missão da universidade que se propõe a divulgar à população os resultados de suas
pesquisas, tornando esse processo transparente. Pode vir a ser também, um instrumento eficaz
para reduzir os custos de gestão da informação científica e uma ferramenta potente para
auxiliar nas tomadas de decisões e também pode contribuir para melhorar na gestão dos
direitos intelectuais e de propriedade da Instituição.
Um dos beneficiados com essa proposta será a própria comunidade científica que terá
o fortalecimento do trabalho cooperativo em equipe e um reconhecimento tanto nacional,
quanto internacional e o maior beneficiado será a população em geral tendo um amplo e
irrestrito acesso à informação científica e tecnológica.

5 Considerações Parciais/Finais
A Constituição Federal brasileira, em seu artigo V, inciso XIV, assegura a todos o
acesso à informação, portanto a sua democratização não pode ficar no plano das ideias, é um
dever a ser cumprido e essa tarefa no âmbito do processo de comunicação científica, precisa
ser avaliada e amplamente discutida por toda a sociedade. Com as novas tecnologias de
informação, o que não faltam atualmente são instrumentos e meios para disponibilizá-las, mas
efetivamente isso não tem demonstrado ser suficiente. As universidades estão no centro desse
debate cada vez mais necessário sobre o trabalho cooperativo em rede e da difusão e geração
do conhecimento.
Devemos ter o cuidado de não reproduzir nas ofertas de serviços online, o mesmo caos
informacional que a própria web retrata na fragmentação da informação.
Espera-se que esse projeto possa contribuir efetivamente com a ampliação da
visibilidade dos periódicos eletrônicos disponibilizados pela Universidade do Estado do Rio
de Janeiro (UERJ), pois de acordo com o levantamento realizado são 52 títulos, todos
oriundos da comunicação em artigos resultantes de pesquisas científicas e devido a sua
descentralização, dificulta o tratamento e organização dessas informações de forma
padronizada, tornando difícil uma análise dos dados quantitativos de produção por parte
dessas áreas de pesquisa e até mesmo saber quem produz o que na instituição. A centralização
dessas coleções em um único acesso possibilitará um mapeamento e monitoramento dessas
informações, obtendo indicadores mais precisos dessa produção científica. A facilidade de se
ter uma plataforma que consiga organizar esses periódicos por áreas do conhecimento, pode
servir como uma fonte segura de informação para as agências de fomento interessadas em
investir em desenvolvimento de pesquisas em ciência e tecnologia. A disponibilização das

4435

�descobertas dos pesquisadores em ferramenta de acesso livre pode significar maior
entrosamento e diálogo mais rápido entre seus pares.
O movimento de acesso livre à informação científica propõe estratégias claras e
objetivas de ações como a implantação de repositórios institucionais e temáticos nas
instituições de pesquisas e universidades. A criação deste portal pode ser o início para o
desenvolvimento de um repositório institucional capaz de reunir a produção da UERJ,
incluindo posteriormente outras tipologias como teses, dissertações e trabalhos publicados em
eventos.
A preservação da memória deve ser vista como um dos fatores de suma importância
dentro de uma instituição de pesquisa e ensino, e a criação de um portal de periódicos
eletrônicos na perspectiva do acesso livre deve se preocupar em assegurar que os materiais
digitais continuem acessíveis e disponíveis ao longo do tempo.

Referências
ARAYA, Elizabeth Roxana Mass; VIDOTTI, Silvana Aparecida BorsettiGregorio. Direito
autoral e tecnologia de informação e comunicação no contexto da produção, uso e
disseminação da informação: um olhar para as licenças creative commons. Informação &amp;
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&lt;http://eprints.rclis.orgA 4443/1/10_ARAYA_VIDOTTI_DIREITO_AUT ORAL%5B 1%5D.p
df&gt;. Acesso em: 9 ago. 2013.
BAPTISTA, Ana Alice et al. Comunicação científica: o papel da open archives initiative no
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Florianópolis,

n.

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4438

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Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Analisa o sítio de Revistas Online da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) onde são disponibilizados periódicos eletrônicos com o objetivo de propor um Portal em consonância com o movimento de acesso livre à informação. Traz uma reflexão a respeito do processo de comunicação científica estabelecido atualmente na Universidade. Lista os periódicos disponibilizados, suas formas de acesso e softwares utilizados. Descreve a importância de se implantar plataformas de acordo com Open Archives Initiative para a preservação da memória, ampliação do acesso, entre outras. Sugere que sejam verificados aspectos como acessibilidade,  disponibilidade, interoperabilidade, padronização e preservação digital, adotando uma metodologia de levantamento bibliográfico sobre o assunto revistas eletrônicas, descrição dos periódicos eletrônicos disponibilizados pela Universidade e de suas plataformas tecnológicas com a finalidade de construir um ambiente digital que possa contemplar todos esses recursos de acesso aberto de forma centralizada. Espera-se contribuir efetivamente com a possibilidade de se ter um portal de periódicos na perspectiva do acesso livre com a capacidade de reunir, trocar informações científicas, facilitar as buscas de assuntos, aumentar a visibilidade das pesquisas e ampliar o acesso a esta produção.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PANORAMA DE AQUISIÇÃO DAS BASES DE DADOS VIRTUAIS DAS
UNIVERSIDADES FEDERAIS DO BRASIL
Suenia Oliveira Mendes
Maria Rosivalda da Silva Pereira
RESUMO
Aquisição de material informacional virtual no Brasil. O estudo objetivou identificar as bases
de dados virtuais compradas pelas Universidades Federais brasileiras e disponibilizadas pelas
Bibliotecas Universitárias pela Internet. A pesquisa foi descritiva quantitativa e os dados
foram coletados nos websites das Bibliotecas de 63 Universidades Federais no período entre
10 de fevereiro e 10 de março de 2014. Para análise dos dados, utilizou-se de estatísticas
descritivas. A pesquisa identificou que a maioria das Universidades (63,5%) compra base de
dados, 50,7% das bibliotecas universitárias assinam entre duas e quatro bases de dados,
69,2% oferecem acesso remoto, a região Sudeste é a que mais adquire base de dados e a
Coleção de normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é a mais assinada.
Destaca-se a necessidade de discussões sobre a interação entre os serviços e produtos
oferecidos pelas bibliotecas em face dos recursos eletrônicos.
Palavras-chave: Bases de dados virtuais. Bibliotecas Universitárias. Aquisição de material
informacional virtual.

ABSTRACT
Acquisition of virtual informational material in Brazil. The study aimed to identify the virtual
databases purchased by the Brazilian Federal Universities and University Libraries provided
by the Internet . The research was descriptive and the data were collected from the websites of
libraries from 63 Universities in the period between February 10 and March 10, 2014. For
analysis, we used descriptive statistics. The research identified that most universities (63.5 %)
buy database, 50.7 % of the studied university libraries subscribed two to four databases,
69.2% offer remote access, the Southeast region is that more acquires database, a collection of
standards from the Brazilian Association of Technical Standards is the most signed and the
amount of sectoral variables, distance education courses, ranking the best Brazilian
universities and purchasing relationship between the bases was not significant. It’s important
for new discussion the interaction between the services and products offered into libraries.
Keywords: Virtual Databases. University Libraries. Acquisition of Virtual informational
material.

4411

�1 Introdução
As Universidades Federais, as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) e a
disponibilização de materiais informacionais por meio das Bibliotecas Universitárias se
adequam às novas demandas de consumo informacional e às ofertas do mercado editorial. E
qual é o impacto das mudanças tecnológicas nas Universidades Federais na oferta de
materiais informacionais para sua comunidade acadêmica?
Mediante de tal questionamento, o trabalho objetiva identificar as bases de dados
virtuais compradas pelas Universidades Federais brasileiras e disponibilizadas pelas
Bibliotecas Universitárias pela Internet. Dessa forma, (re)orientando a oferta de materiais
informacionais virtuais disponibilizados pelas Bibliotecas a partir de um contexto de
adaptação tecnológica e Institucional relacionado aos parâmetros de tomadas de decisões
entre os entes públicos.
Não é objetivo deste trabalho, discorrer sobre diferenças de tecnologias (impressa e
digital) ou denominações (eletrônica ou virtual). Portanto, utiliza-se o termo Bases de Dados
Virtuais para aqueles materiais de coleções de informação científica disponibilizados aos
seus compradores - usuários Institucionais - por meio da Internet podendo fazer download,
imprimir ou somente realizar a leitura em tela.
O artigo está dividido em tópicos que evidenciam os métodos e técnicas utilizados no
fazer da pesquisa, na literatura sobre o tema, nos resultados e reflexões que permitem inferir e
verificar convergências e divergências dos achados da investigação possibilitando a discussão
do panorama encontrado.

2 Questões sobre e-books e bases de dados eletrônicas em bibliotecas
As bibliotecas universitárias têm sido celeiro dos acontecimentos que marcam a
comunicação científica, tanto como repositório de informações, como principal difusor de
informações científicas pertinentes aos objetivos institucionais de construção e disseminação
de conhecimentos.
As bases de dados, primeiramente em versões impressas (Chemical Abstracts,
Biological Abstracts, Medline etc.) ganharam versões em linha, que fortaleceram a
recuperação da informação, e possivelmente, o seu uso. No Brasil, certamente a maior
democratização de acesso a bases de dados eletrônicas deu-se com a inserção do Portal de
Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) em
todas as universidades federais e posteriormente nos institutos de pesquisa e em outras
instituições que atendam aos pré-requisitos estabelecidos para acesso.

4412

�Naturalmente, a evolução da ciência, do conhecimento e de seus registros em diversos
suportes apresenta novos desafios às bibliotecas universitárias brasileiras: lidar com os
diversos suportes, mas principalmente, com as questões gerenciais que envolvem esse
material, como a decisão sobre o que comprar, como comprar e, principalmente, como
disponibilizar aos usuários esses recursos informacionais, de forma a otimizar o recurso
investido.
McGarry (1999), teórico que escreveu sobre a interação entre a tecnologia das
comunicações e as facetas do contexto informacional, menciona que
A convergência da tecnologia, da informática com as comunicações afeta a
criação, gestão e uso da informação de modo inédito desde a introdução da
imprensa. [...] O recurso das redes está se tornando um meio de publicação
formal; isto é verdade principalmente na área das pesquisas acadêmicas e
industriais. A convergência de tamanha diversidade de usuários terá um
unificador sobre o estado de díspar da indústria e das profissões da
informação. (MCGARRY, 1999, p. 122, 124).
A pluralidade de formatos para registrar o conhecimento humano traz às bibliotecas
novos desafios relacionados à compra e ao acesso da informação. A questão contratual tem
sido ponto de discussão no Brasil e no exterior. Silva (2013) enfatiza a popularização dos e­
books e da aquisição e disponibilidade desses materiais em bibliotecas, dadas as suas
especificidades. O autor destaca que a aquisição de e-books deve ser feita com bastante
atenção, uma vez que entre as suas desvantagens, apresentam-se questões como o alto custo,
as restrições de editores (direitos autorais) e a exclusão digital, que em alguns casos, podem
superar as grandes vantagens trazidas pela ausência de barreiras de tempo e espaço.
As bases de dados são uma realidade nas bibliotecas universitárias brasileiras, seja
pela iniciativa já consolidada pelo Portal de Periódicos da Capes, seja pela iniciativa própria
de seguir o mercado editorial. No entanto, estudos relacionando um diagnóstico sobre esse
cenário nas bibliotecas universitárias brasileiras ainda são incipientes, talvez pelo pouco
tempo em que o mercado editorial brasileiro vem se diversificando e consolidando com um
catálogo mais diversificado em formato e com produtos virtuais.
Sousa e Vanz (2013) ao fazerem o levantamento de uso de e-books assinados por uma
biblioteca universitária brasileira, na área de Ciências da Saúde, tentaram identificar as
aplicações quanto ao uso, as dificuldades apontadas pelos usuários e as sugestões para a
melhoria do serviço. Encontrou que o idioma (Inglês), predominante na base de dados de e­
books analisada, foi apontado como um dos entraves para o uso da informação eletrônica
disponibilizada pela biblioteca, e ainda, que preferem utilizar livros impressos como principal

4413

�fonte de informação para as atividades acadêmicas, seguidos da internet, dos canais informais
de comunicação científica (professores e colegas), e ainda, que preferem utilizar os artigos
científicos eletrônicos a livros no mesmo formato.
Um dos pontos destacados na pesquisa de Sousa e Vanz (2013) é a disponibilidade de
ferramentas que possibilitam o uso de livros eletrônicos, como leitores de e-books e
computadores portáteis. Dentre aqueles que dispõem desses equipamentos, o uso dos e-books
é maior que entre aqueles que não os possuem. Esse dado chama a atenção para a
disponibilidade, além da informação eletrônica, dos recursos que possam torná-la disponível.
No entanto, destacam Souza e Vanz (2013), que ao comparar o acesso de um material
disponível em formato eletrônico, e o acesso ao mesmo em formato impresso disponível na
biblioteca, ficou o eletrônico com maior quantidade. Aqui, cabe a ressalva de que o material
eletrônico pode, em tese, ser utilizado simultaneamente por mais de um usuário, ao passo que
o impresso, não; assim, um material bibliográfico com poucos exemplares, e disponível
também em formato eletrônico, tratando-se de um item básico de alguma disciplina,
inevitavelmente, o eletrônico irá superar o uso do impresso, uma vez que este tem limitações
de quantidade simultânea de acesso.
Em um levantamento realizado na Universidade do Kansas, por Waters et al. (2014)
sobre as preferências de uso entre livros impressos e e-books, há o apontamento, que naquela
realidade, os livros impressos são mais populares que os formatos eletrônicos disponíveis,
sendo que apenas 33% dos respondentes apontam ter uma leitura mais frequente desse tipo de
material e mesmo assim, ainda preferem o material impresso (das 19 áreas pesquisadas,
apenas em três houve a preferência por e-books).
Das razões sobre o uso de material eletrônico, na pesquisa de Waters et al. (2014), foi
apontado que o relevante para a área não está disponível nesse formato, que os usuários têm
dificuldade de encontrá-los e ainda, que não têm consciência se o material está disponível no
formato eletrônico. Outro apontamento de destaque se refere às limitações de cópia, de
impressão (mesmo no formato eletrônico, a impressão é um fator importante) e as
dificuldades de leitura em tela.
Observa-se que ainda são poucos os estudos aplicados no Brasil sobre essa questão.
Ainda não se tem levantamentos expressivos que forneçam um panorama sobre a assinatura
de bases de dados nas bibliotecas universitárias, principalmente de e-books, as questões que
as levam a assinar, tais como a ampliação de unidades informacionais descentralizadas,
aumento de cursos de Educação à Distância (EAD), uma realidade nas universidades federais,

4414

�e ainda os resultados do uso desse material nas bibliotecas que já têm assinaturas extra-Portal
de Periódicos da Capes.

3 Metodologia
Para atingir o propósito deste estudo foi utilizada, como parâmetro, a pesquisa
descritiva quantitativa nas informações contidas nos websites das Bibliotecas das 63
universidades federais brasileiras investigadas sobre a existência ou não de assinaturas de
bases de dados virtuais diferentes daquelas fornecidas por meio do Portal Periódicos Capes.
Os dados foram coletados no período entre 10 de fevereiro e 10 de março de 2014.
Informa-se que uma das Bibliotecas Universitárias consultada não possui página na Internet.
Esta informação foi reafirmada pela ouvidoria da Instituição.
Para a análise dos dados, utilizou-se estatística descritiva para caracterizar o cenário
em que se encontram as bibliotecas e sobre a assinatura das bases, calculou-se o Coeficiente
de Pearson a fim de encontrar relação entre essas assinaturas com: a existência de bibliotecas
setoriais, e com o acesso remoto a esses recursos informacionais.

4 Resultados
Encontrou-se que 63,5% das Universidades pesquisadas, além do Portal de Periódicos da
Capes, assinam bases de dados virtuais e disponibilizam-nas por meio dos websites das suas
bibliotecas conforme demonstrado no bibliotecas por aquisição de bases .

Gráfico 2 — Frequência de bibliotecas p or aquisição de bases de dados,
2014.

Fonte: Dados da pesquisa.

4415

�Teve-se que 36,5% das bbliotecas pesquisadas não assinam nenhuma base de dados. Destacase que 19% delas assinam uma base de dados e apenas 12,7% das bibliotecas assinam seis ou
mais bases. A maioria, das bibliotecas (50,7%), assina entre duas e quatro bases.
Verificou-se, então, que grande quantidade das bibliotecas pesquisadas busca ter mais
recursos informacionais além daqueles já disponibilizados de forma homogênea a todas as
unidades federais. Essa informação desperta interesse por destacar que bibliotecas têm
necessidades próprias, nem sempre atendidas pelas ofertas realizadas através de portais de
acesso coletivo, exemplo do Portal de Periódicos da Capes, que contribuem para aumentar a
oferta de informações especializadas entre os integrantes das universidades federais e outras
instituições de ensino e pesquisa, mas que não é suficiente para atender a demandas
intrínsecas dessas instituições.
Convém destacar, que assim como o material informacional já costumeiro de
bibliotecas, como impressos, os materiais virtuais requerem estudos adequados que visem a
otimização dos recursos empregados. Quando se trata de material bibliográfico, uma das
questões que se torna visível é a limitação de espaço físico, algo não competente para os
virtuais. No entanto, questões sobre como a biblioteca irá tornar esse material disponível aos
seus usuários devem ser pertinentes no momento da escolha da base de dados, bem como do
tipo de contrato que está sendo realizado.
Outra questão que se pode levantar sobre as bases de dados virtuais refere-se ao acesso
e à disponibilidade aos usuários. Assinar uma base de dados, em instituições públicas, implica
em investimentos de recursos públicos, de que se exige um retorno, sendo refletido como
fonte de qualidade das ferramentas de informação postas à disposição da comunidade
pesquisadora. Desta forma, ter uma infraestrutura adequada para se utilizar essas ferramentas
é indispensável para o seu uso, como por exemplo, possibilitar o acesso remoto, o empréstimo
de equipamentos para uso, espaços específicos nas bibliotecas com a finalidade de acesso a
bases de dados, dentre outras ferramentas que possam facilitar o uso do material eletrônico.
Quando se fez a análise “se haveria alguma relação entre ter bibliotecas setoriais e a
assinatura de bases de dados eletrônicas”, utilizou-se o Coeficiente de Correlação Pearson e
encontrou-se uma relação positiva entre a assinatura de bases de dados e a existência de
bibliotecas setoriais, bem como entre a “assinatura e a disponibilidade de acesso remoto”
desse material, embora em uma correlação menos significativa que a anterior.
Esse resultado já era esperado, uma vez que documentos eletrônicos disponíveis em
rede podem ser acessados simultaneamente, quebrando a barreira de espaço/tempo, o que

4416

�otimiza os acervos de instituições que têm várias setoriais, principalmente, quando estão
geograficamente distantes.
A segunda questão, relacionando a assinatura e o acesso remoto também era esperado,
visto que os recursos eletrônicos online sugerem, em sua estrutura, a possibilidade do acesso
remoto. Embora, conforme demonstrado no das bibliotecas.

Fonte: Dados da , ainda haja um grande percentual de bibliotecas que, ainda, não oferecem
esse serviço.

Gráfico 3 —Acesso remoto das bibliotecas.

Fonte: Dados da pesquisa.

Observou-se, que 69,2% as bibliotecas que assinam bases de dados oferecem acesso
remoto aos seus usuários, para o recurso informacional adquirido. Dessas bibliotecas, foi
identificado a disponibilidade de rede remota por meio do proxy, da virtual private network
(VPN), e de senhas dos sistemas acadêmicos. As demais 30,8% oferecem o acesso restrito aos
ambientes físicos das instituições. A disponibilidade e identificação do material eletrônico foi
apontado no estudo de Waters et al. (2014) como fatores dificultadores do uso de material
eletrônico na Universidade do Kansas, aliados à facilidade de uso das plataformas e à
dificuldade de descoberta do material eletrônico.

4417

�Ao se pesquisar qual a base de dados mais assinada entre as bibliotecas das
universidades federais brasileiras, teve-se que a coleção das normas da ABNT é a mais
frequente, conforme os mais assinadas pelas bibliotecas d.

Gráfico 4 —Bases de dados mais assinadas pelas bibliotecas de universidade
federais brasileiras.

Fonte: Dados da pesquisa.

A Coleção da ABNT está pesente em 31,75% das bibliotecas analisadas. Das
bibliotecas que assinam essa base de dados, em média, adquirem pelo menos mais uma base
de dados.
Dentre estas, destaca-se também, que o Portal da Pesquisa é a presença mais frequente,
seguida pela Springer e pela Ebrary. Observa-se, assim, que não se encontra um padrão de
assinaturas por áreas do conhecimento ou de idiomas, na assinatura de bases de dados virtuais
para as bibliotecas, em complemento ao Portal de Periódicos da Capes. Apenas três delas
assinam somente a ABNT.

4418

�Ao realizar a análise por Região geográfica, tem-se que a distribuição das aquisições de
materiais eletrônicos segue algo semelhante ao acesso do Portal de Periódicos da Capes,
conforme demonstrado no compradas por Região e equiparação .

Gráfico 5 —Base de dados compradas por Região e equiparação ao acesso ao
Portal de Periódicos da Capes.

Fonte: Dados da pesquisa e Capes (2001, 2002, 2003 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009,
2010, 2011, 2012).

A região Sudeste é a que apresenta o maior número de bibliotecas com assinaturas de
bases de dados. Ao fazer a comparação com as estatísticas de acesso ao portal de Periódicos
da Capes, observa-se que, também, essa região é a que apresenta o maior número de acessos a
esse Portal. Para as demais regiões, segue a mesma ordem entre a proporção de acesso ao
Portal de Periódicos da Capes e a assinatura de outras bases de dados eletrônicas.
Infere-se que a regra de equiparação é a habilidade já existente pelos usuários das
Universidades Federais sobre o acesso aos conteúdos virtuais disponibilizados pelo Portal de
Periódicos da Capes.
Deve-se pensar que as demandas atuais tenderão a mudar, pois a geração virtual (Hi
Tech) ainda está chegando nas Universidades brasileiras visto a Internet ter chegado no Brasil
no final da década de 90. Isto é, as pessoas que nasceram a partir do ano de 2000 ainda estão

4419

�chegando nas Instituições de Ensino Superior com suas demandas de uso específicas, desta
forma, as gerações atuais estão se adequando ao que o mercado oferece.
A globalização do consumo fez com que o Brasil se adaptasse e começasse a oferecer
livros virtuais comerciais em português para as Instituições de Ensino Superior no final da
primeira década do século XXI. Exemplo são os e-books das Editoras Zahar, Atheneu e Paper
vendidas no Brasil pela DotLib, o portal Minha Biblioteca e Biblioteca 3.0 entre outros.
Salgado (2009) analisou o impacto das novas tecnologias na indústria editorial brasileira e
verificou a existência de segmentos diferenciados entre os leitores relacionados ao perfil
demográfico, hábitos de leitura e de compra de livros, experiência com novas tecnologias,
preferências e propensão de migração para uma nova plataforma.
O que se pode afirmar, até o exato momento, é que o uso dos materiais virtuais
oferecidos pelas Universidades está se adequando as ofertas do mercado que começam a
atender aos projetos políticos de curso no idioma em português e a demanda dos
pesquisadores.
Em suma, a Figura 1 demonstra que das Universidades Federais investigadas, 63,5%
compram materiais virtuais, e a sua distribuição nas cinco regiões brasileiras. O Sudeste
possui o maior quantitativo de IES que compram bases de dados virtuais.

Figura 1 - Panorama das Bases de dados compradas pelas Universidades Federais do Brasil.

Fonte: Dados da Pesquisa.

A Figura 1 mostra que a isponibilização do acesso remoto e as bibliotecas setoriais

4420

�mostraram relação com a compra de base de dados e as IES por meio das bases oferecem
vários materiais (livros, jornais, revistas, normas entre outros).
O acesso remoto está ligado diretamente ao conceito de acessibilidade que envolve
aspectos de espaço físico, social, digital, isto é, a possibilidade e condição de alcance para
utilização do que se oferece por todos os cidadãos (TORRES; MAZZONI; ALVES, 2002).
Isso significa romper a barreira do espaço e do tempo transformando-os de singular para
plural (espaços e tempos) é disponibilizar, no caso das bases virtuais, a informação de que se
precisa no momento da necessidade de quem precisa.
Sobre a diversidade de materiais disponíveis, em especial, aos livros, Thompson
(2005) fala que o livro tem se adequado aos interesses manufatureiros e que existe um
aumento paralelo de acervos e catálogos virtuais comercializados para as IES em comparação
aos impressos. Exemplo desta situação é a adequação dos materiais informacionais e das
Instituições Federais de Educação brasileiras aos padrões mercadológicos e de demanda do
consumidor (pesquisadores).
A adequação justifica-se pela regulamentação, de 2012, adotada pelo Ministério da
Educação por meio do instrumento de avaliação de cursos de graduação presencial e a
distância do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira
(BRASIL, 2012) que diz os padrões a serem adotados pelas IES brasileiras nos cursos
ofertados. O instrumento ampliou as possibilidades de materiais informacionais (impressos,
virtuais entre outros) que alicerçam a comunidade acadêmica na construção do
conhecimento.
Assim, fica cada vez mais próxima a ideia de convivência pacífica entre o impresso e
o virtual, em uma realidade mais centrada no usuário e no atendimento de suas necessidades
informacionais, como sempre foi o objetivo da biblioteca universitária.

5 Considerações Finais

A pesquisa com o objetivo de identificar as bases de dados virtuais compradas pelas
Universidades Federais brasileiras e disponibilizadas pelas Bibliotecas Universitárias por
meio da Internet teve como destaque que a maioria das Universidades pesquisadas (63,5%)
compram bases de dados, 50,7% das bibliotecas estudadas assinam entre duas e quatro bases,
69,2% oferecem acesso remoto, a região Sudeste é a que mais adquire base de dados e a
Coleção de normas da ABNT é a mais assinada.

4421

�Os achados mostram o panorama brasileiro de compra de bases de dados e várias
reflexões surgem, como é o caso do serviço de comutação bibliográfica que está sendo
afetado visto que, em via de regra, o contratado restringe o fornecimento de cópia por contrato
ou por plataforma de disponibilização do material, assim, os materiais, que poderiam ser
atendidos por comutação bibliográfica, se perdem. Permeiam, também, as questões como o
empréstimo entre bibliotecas, que tanto auxiliam pesquisadores no atendimento de suas
necessidades de informação.
Outra inquietação foi identificar que algumas bases foram compradas por praticamente
todas as Instituições - caso da coleção de normas da ABNT -, dessa forma, o questionamento
é: como otimizar o gasto público diante de interesses comuns? Talvez, a resposta já se tenha,
como é o exemplo dos consórcios entre entes federados, ou mesmo, o Portal de Periódicos da
Capes com vínculo ao Ministério da Educação e sua estratégia de aquisição pautada em
consórcio o que se deve fazer é um maior diálogo entre as Instituições parceiras, pois o Portal
poderia solicitar a mensuração de uso das bases adquiridas por compra a fim de verificar a
viabilidade para aquisição ao seu acervo.
Ressalta-se que, ainda, não se tem registros de avaliação qualitativa dos materiais
virtuais assinados pelas bibliotecas universitárias, principalmente, nos cursos de graduação,
que por seu grande número nas universidades se tornam prioridades na aquisição dos recursos
informacionais.
Poucos estudos brasileiros relacionam o uso desses materiais assinados pelas
bibliotecas, o que se identifica como uma lacuna de pesquisa que pode direcionar as
aquisições em outras instituições, e servir como argumento para a manutenção de assinatura
ou ampliação de compra, nas unidades que já dispõem desses recursos.
Outra lacuna percebida foi a ausência de estudos passíveis de identificar se o material
eletrônico já disponibilizado se encontra em concorrência ou complemento às coleções já
existentes, servindo de apoio à ampliação dos catálogos de bibliotecas como acréscimo de
exemplares aos já existentes.
Para futuras pesquisas complementares, sugere-se estudos de usabilidade e de
marketing do material eletrônico já disponível nas bibliotecas, e o espaço por ele ocupado na
vida acadêmica das Universidades.

4422

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Aquisição de material informacional virtual no Brasil. O estudo objetivou identificar as bases de dados virtuais compradas pelas Universidades Federais brasileiras e disponibilizadas pelas Bibliotecas Universitárias pela Internet. A pesquisa foi descritiva quantitativa e os dados foram coletados nos websites das Bibliotecas de 63 Universidades Federais no período entre 10 de fevereiro e 10 de março de 2014. Para análise dos dados, utilizou-se de estatísticas descritivas. A pesquisa identificou que a maioria das Universidades (63,5%) compra base de dados, 50,7% das bibliotecas universitárias assinam entre duas e quatro bases de dados, 69,2% oferecem acesso remoto, a região Sudeste é a que mais adquire base de dados e a Coleção de normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é a mais assinada. Destaca-se a necessidade de discussões sobre a interação entre os serviços e produtos oferecidos pelas bibliotecas em face dos recursos eletrônicos.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

OS CIBORGUES INTERPRETATIVOS E SUAS RELAÇÕES COM A INCLUSÃO
SOCIODIGITAL: estudo sociométrico em uma biblioteca universitária
Barbara Coelho NEVES,
Makson REIS

RESUMO
Este pôster apresenta o relato de uma pesquisa em andamento sobre as relações dos ciborgues
interpretativos com a inclusão digital no âmbito da biblioteca universitária. O objetivo visa
perceber se o profissional responsável das bibliotecas universitárias está preparado para agir
como ciborgue interpretativo, agindo em prol da promoção da inclusão sociodigital dos
usuários. O método utilizado é descritivo, sendo um estudo de caso com levantamento, com
técnica de coleta de dados realizada a partir da aplicação de teste sociométrico. Os resultados
esperados apóia-se na visão introspectiva do profissional da biblioteca universitária com
relação a sua situação social, na auto avaliação de sua posição no grupo. Assim, encontram-se
neste texto o caminho metodológico, o quadro teórico e os resultados parciais do estudo.
Palavras-Chave: Ciborgues interpretativos; Inclusão sociodigital; Biblioteca Universitária;
Teste sociométrico.

ABSTRACT
This poster/paper presents an account of a research being conducted on the relationship of
interpretive cyborgs with digital inclusion within the university library. The objective seeks to
understand whether the professional responsibility of university libraries is prepared to act as
interpretive cyborg, acting for the promotion of inclusion sociodigital users. The method used
is descriptive, with a case study of a survey, with technical data collection performed from the
application of sociometric test. The expected results relies on introspective vision of
professional university library with respect to their social situation, self assessment of its
position in the group. Thus, in this text are the methodological, theoretical framework and the
partial results of the study.
Keywords: Interpretive cyborgs; Sociodigital inclusion; University Library; Sociometric test.

1 Introdução
A utilização de tecnologia pela sociedade, sobretudo o computador, faz com que as
pessoas busquem pelo acréscimo de habilidades para viver nesta sociedade da informação.
A inclusão sociodigital facilita o acesso ás tecnologias de informação e comunicação,
e está inteiramente relacionada, no mundo atual, com os direitos fundamentais à informação.

4405

�Percebe-se sua convergência com as relações sociais, políticas e econômicas, definindo
características que corroboram com as expectativas de cidadania.
Com a inclusão sociodigital, as bibliotecas passaram a agregar o acesso a diferentes
fontes de informação, buscando atender as novas perspectivas do usuário. O advento da
Internet tem transformado os serviços das unidades de informação. Novos serviços estão
sendo introduzidos, modificando gradualmente a interatividade entre o profissional da
informação e o usuário.
Desse modo, as bibliotecas foram conduzidas a fazerem uma flexibilização do
trabalho, tornando-se necessária a renovação do perfil profissional do bibliotecário. A
atualização do perfil desse profissional é sine qua non para interagir com o novo perfil do
usuário. É impreterível para o bibliotecário, adequar-se aos atuais aparatos tecnológicos
implementadas no ambiente informacional.
Novos aparatos tecnológicos, com destaque para as tecnologias de informação e
comunicação (TIC), têm feito cada vez mais parte do universo bibliotecário, sendo inevitável
às necessidades da biblioteca. O bibliotecário torna-se sujeito destas inovações, sendo
influenciado pelas mass medias. Este movimento que vem acontecendo nos ambientes
informacionais tem se convencionado chamar de ciborgue interpretativo.
Trata-se de uma nova perspectiva para os sujeitos que lidam necessariamente com as
tecnologias e a informação para aumento da performance individual, coletiva e do meio
ambiente. Sendo aqueles com o corpo vivendo com conexões e redes, e se potencializando
para as novas interpretações de si e com outros ciborgues interpretativos.
Com a mordenização da unidade de informação e os novos serviços prestados ao
usuário, tanto a biblioteca quanto o bibliotecário tornaram-se plugados pelo processo de
ciborguização do corpo e do espaço, tendo a inclusão sociodigital como um potencial para
melhorar o acesso à informação, amplificando o acesso ao saber.
Diante disso, questiona-se como se dão as relações de inclusão digital dos ciborgues
interpretativos em uma biblioteca universitária?
Este trabalho abrange os estudos sociométricos em uma biblioteca universitária,
consistindo na análise do profissional bibliotecário acerca de compreendê-lo como um
ciborgue interpretativo perante o uso das tecnologias e suas relações com os usuários da
instituição. O resultado esperado visa perceber se o profissional responsável das bibliotecas
universitárias está preparado para agir como ciborgues interpretativo, agindo em prol da
promoção da inclusão sociodigital dos usuários.

4406

�2 Revisão de Literatura
A tecnologia tem seu desenvolvimento ao longo do tempo, por sujeitos
transformadores, influenciados por suas relações sociais e culturais. Os sujeitos precisam
interagir com a tecnologia compreendendo-a como um organismo estruturante e influenciador
da sociedade. “Há tecnologia onde quer que um dispositivo, aparelho ou máquina for capaz de
encarnar, fora do corpo humano, um saber técnico.” (SANTAELLA, 2004, p.153).
O uso das tecnologias vem criando, em muitos momentos, um hibrido entre homem e
máquina, e também suscita uma condição humana - o processo de virtualização e de
configuração de várias redes. (COUTO; SOUZA; NEVES, 2013). E é essa hibridigização
tanto física, quanto subjetiva (psicossocial) que surge o movimento ciborgue.
Em seu manifesto sobre ciborgue, Haraway, Kunzru e Tadeu colocam questões acerca
da interpretação destas tecnologias pelo ser humano, através de suas transformações culturais
com os meios de comunicação em massa. São instituídos os indivíduos “ciborgues
interpretativos” que, por meio de exigências sociais, são afetados pelas tradições culturais de
uma sociedade.
O ciborgue interpretativo “[...] se constitui pela influência dos mass medias [...]”
(LEMOS, 2008, p.172), estando relacionados com a massificação das redes e seu uso, sendo
influenciados pelo mecanismo de inserção da grande massa de indivíduos no contexto da
sociedade. De acordo com Santaella (2004, p.33), os ciborgues são todos aqueles “[...] em
estado de prontidão conectando-se entre nós e nexos, num roteiro multissequencial e
labiríntico que ele próprio a construir ao interagir com o nós entre palavras, imagens,
documentação, músicas, vídeos, etc.”.
Acredita-se que a discussão sobre os ciborgues interpretativos potencializam a
reflexão sobre a inclusão sociodigital, pois esses ciborgues têm sua capacidade física e
intelectual aumentada pelo o uso de tecnologias.
Compreende-se por inclusão sociodigital, na perspectiva de Neves (2011), não como
um conceito, mas sim um movimento, fortemente influenciado por um discurso político
envolto em uma série de elementos que apontam perspectivas que se baseiam em propostas
voltadas para o acesso, treinamento ou formação.
As bibliotecas têm sido apontadas como espaços que favorecem as ações de inclusão
digital. Sejam por conferir segurança a infraestrutura, sejam por possuírem profissionais que
lidam com a informação e capacitados para lidar com as demandas informacionais dos
usuários.

4407

�Entende-se que nesse eixo é possível perceber associações entre o profissional
bibliotecário e a definição de ciborgue interpretativo. Acredita-se que é nesse contexto de
inclusão sociodigital das bibliotecas universitárias que se visualiza o bibliotecário como
ciborgue interpretativo que precisa, inclusive, lidar com as demandas de outros sujeitos com
níveis variados com relação ao uso das TIC como as que ele próprio experimenta.

3 Materiais e Métodos
Dentro do diagrama da multidisciplinaridade da ciência da informação, o estudo
aborda aspectos da Administração de Sistemas de Informação, bibliometra e Informação
Cultura e Sociedade.
A abordagem metodológica desse estudo é quali-quantitativa, tendo como método a
pesquisa descritiva, segundo o objetivo que se propõe, pois visa descrever características de
determinada população ou fenômeno. De acordo com a seleção de métodos aplicáveis aos
trabalhos oriundos da Ciência da Informação (MUELLER, 2007), a metodologia de pesquisa
compreende em estudo de caso e levantamento, com aplicação de técnica de coleta de dados a
partir de critérios do teste sociométrico.
O estudo sociométrico consiste na elaboração de perguntas, sendo realizada a
tabulação das respostas e elaboração do sociograma. Essa atividade vem sendo realizada a
partir da elaboração de representações gráficas ou pictóricas da tabulação sociométrica dos
bibliotecários. A técnica sociométrica e o sociograma (que é a sua representação gráfica)
admitem verificar como se apresentam as relações sociais no ambiente de trabalho, distinguir
os líderes aceitos e a associação das pessoas, que neste caso compreende-se como situações
propícias à inclusão sociodigital.
O ambiente (campo) desse estudo é a biblioteca universitária e os sujeitos da pesquisa
são principalmente os bibliotecários, sendo que a contextualização apresentará, quando
necessário, elementos da relação entre estes e os usuários. Este eixo será perseguido pelo
método sociométrico, procurando observar as potencialidades da unidade de informação para
inclusão sociodigital.
O instrumento de coleta de dados será o questionário sociométrico. O procedimento de
coleta será o teste de percepção sociométrica, subgrupo do teste sociométrico que, de acordo
com Alues (1974), visa o levantamento das posições que os sujeitos componentes
selecionados percebem possuir em relação ao grupo.

4408

�4 Resultados Parciais/Finais
De acordo com Alues (1974), existe uma característica especial que justifica a grande
difusão do teste sociométrico. Esta característica é a admirável versatilidade e universalidade
de sua aplicação. Desse modo, essa técnica vem sendo utilizada para fornecer preciosas
informações sobre a estrutura psicossocial do grupo de bibliotecário de uma biblioteca
universitária.
Este estudo está em fase de aplicação e levantamento de dados e seu resultado parcial
percebe pontos de atração (escolha) e repulsa (rejeição) no seio do grupo social que vem
sendo aplicado. O próximo passo é analisar os elementos que impulsionam estas relações
nessa estrutura social.

5 Considerações Parciais
Este pôster apresentou o percurso do estudo sobre ciborgues interpretativos e suas
relações com a inclusão sociodigital no contexto da biblioteca universitária. A ideia foi
circunstanciar brevemente o objeto de estudo, por meio das principais reflexões do quadro
teórico e empírico, como também a condução do quadro metodológico realizado até o
momento.
Um dos aspectos mais relevantes deste estudo é a aplicação de uma metodologia
pautada no teste sociométrico, para identificar as percepções do bibliotecário enquanto
ciborgue interpretativo que precisa participar de maneira ativa no processo de inclusão
sociodigital. As considerações parciais deste trabalho vislumbram que o poder de “atração”
(quando o bibliotecário é escolhido pelo usuário como agente mediador de inclusão
sociodigital) lhe confere posição de destaque no grupo que está inserido. O passo seguinte é
analisar os primeiros resultados, visando identificar o que impulsiona o bibliotecário nas
relações com outros ciborgues interpretativos (usuários) e a auto percepção desses
profissionais no âmbito da inclusão sociodigital.

6 Referências

ALUES, Danny J. O teste sociométrico: sociogramas. Porto Alegre: Globo, 1974.
COUTO, E.S.; SOUZA, J.S.; NEVES, B. Coelho. Acepções de tecnologia: ciborgues
interpretativos e cultura digital. Artefactum - revista de estudos em linguagem e tecnologia,
Ano v, n° 1, maio 2013.

4409

�HARAWAY,

Donna;

KUNZRU,

Hari;

TADEU,

Tomaz

(Org.). Antropologia

do

ciborgue: As vertigens do pós-humano. 2. ed. Belo Horizonte: Autentica Editora, 2000. 119
p.
LEMOS, André. Cibercultura: tecnologia e vida social na cultura contemporânea. Porto
Alegre: Sulina, 2008.
MEY, Tim. Pesquisa social: questões, métodos e processos. Porto Alegre: Artméd, 2004.
MUELLER, Suzana P. M. (Org.). Métodos para a pesquisa em Ciência da Informação.
Brasília: Thesaurus, 2007.
NEVES, B. Coelho. Mediação da informação para agentes sociodigitais: o salto. Ciência da
Informação, Brasília, DF, v. 40 n. 3, p.413-424, set./dez. 2011.
SANTAELLA, Lucia. Culturas e artes do pós-humano: da cultura das mídias à
cibercultura. São Paulo: Paulus, 2004.
VERGARA, Sylvia C. Métodos de coleta de dados no campo. São Paulo: Atlas, 2009.

4410

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                <text>Este pôster apresenta o relato de uma pesquisa em andamento sobre as relações dos ciborgues interpretativos com a inclusão digital no âmbito da biblioteca universitária. O objetivo visa perceber se o profissional responsável das bibliotecas universitárias está preparado para agir como ciborgue interpretativo, agindo em prol da promoção da inclusão sociodigital dos usuários. O método utilizado é descritivo, sendo um estudo de caso com levantamento, com técnica de coleta de dados realizada a partir da aplicação de teste sociométrico. Os resultados esperados apóia se na visão introspectiva do profissional da biblioteca universitária com relação a sua situação social, na auto avaliação de sua posição no grupo. Assim, encontram-se neste texto o caminho metodológico, o quadro teórico e os resultados parciais do estudo.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

OS DEZ TÍTULOS DE PERIÓDICOS CIENTÍFICOS INTERNACIONAIS MAIS
CITADOS EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO E BIBLIOTECONOMIA NO
PERÍODO DE 1981-2009 SEGUNDO O FATOR DE IMPACTO
Carla Daniella Teixeira Girard
Erik André de Nazaré Pires
Cristiane Marina Teixeira Girard

RESUMO
Apresenta o contexto de periódicos científicos (histórico, conceitos, funções entre outros),
também descreve sobre a Ciência da Informação e Biblioteconomia. Aborda alguns critérios
de avaliação de periódicos científicos existentes na literatura, e através deles analisa como os
mesmos foram adotados em diferentes estudos. Identifica os principais periódicos de Ciência
da Informação e Biblioteconomia presentes na Web o f Science, segundo o fator de impacto,
analisando sua descrição, temática e sua continuidade. Utilizou-se para descrever os títulos o
CCN, o portal de periódicos da Capes, o site da própria publicação seriada e a base em
questão. Revela a realidade na pesquisa científica em âmbito internacional referente a
periódicos científicos, e importância deste trabalho para agregar valor para a área.
Palavras-chave: Periódicos científicos. Critérios de avaliação. Ciência da Informação.
Biblioteconomia.

ABSTRACT
It approaches the context of scientific journals (history, concepts, functions, etc.), also
describes on Information Science and Library Science. Discusses some criteria for evaluating
scientific journals in the existing literature, and through them looks like they have been
adopted in different studies. Identifies the main journals of Information Science and Library
Science in Web of Science gifts, according to the impact factor, analyzing your description,
theme and continuity. Was used to describe the CCN titles, the journal portal Capes, the site
of serial publication itself and the base in question. Reveals the reality in scientific research at
the international level regarding scientific journals, and importance of this work to add value
to the area.
Keywords: Scientific journals. Evaluation criteria. Information Science. Librarianship.

4382

�1 Introdução
Os periódicos científicos desde seu surgimento constituem um dos principais
suportes de comunicação da ciência entre pesquisadores, estudantes, entre outros.
Consolidam-se como um dos veículos disseminadores de informações que apresentam
elementos essenciais para divulgação e evolução da ciência, também considerado eficiente,
devido sua publicação periódica, por sua produção e disseminação estar vinculada a diversas
atividades de pesquisa. Este recurso também proporciona a recuperação e mantém o público
atualizado sobre as informações científicas e tecnológicas, caracterizam e diferenciam as
áreas do conhecimento.
O periódico com o passar dos anos foi se consolidando no meio científico e assim
evoluindo, adaptando-se as novas necessidades de interatividade e de informações para a
comunidade científica, considerando os avanços tecnológicos, e se permitindo ser mais
acessível em diversos formatos, inclusive eletrônico aumentando a sua disponibilidade e
importância na ciência.
A avaliação dos periódicos é uma necessidade organizacional identificada na
literatura, seja para atingir metas de qualidade da produção científica, seja para justificar o
processo de disseminação da informação.
O periódico científico sustenta-se no propósito da validação do mérito e do método
científico, ou seja, no qual um artigo tem que ser analisado e aprovado pelos pares para ser
publicado, em um processo conhecido por revisão de pares (peer review). Além dessa
primeira abordagem de avaliação, muitos critérios foram idealizados e usados para avaliar e
selecionar periódicos, que foram desenvolvidos por instituições produtoras de bases de dados
e agências de pesquisa e de ciência e tecnologia, para avaliação em um contexto completo.
Assim, esse estudo visa abordar o modo como os periódicos científicos estão sendo avaliados
dando ênfase na qualidade, contribuindo para a divulgação do conhecimento e para o
aprimoramento da produção científica.
O presente trabalho tem como objetivo identificar os periódicos científicos
internacionais da área de Ciência da Informação e Biblioteconomia indexados na Web o f
Science, segundo o critério de fator de impacto. Além disso, pretende-se destacar a
importância do JCR e do fator de impacto, como critério de avaliação de periódicos,
apresentar os diversos critérios de avaliação de periódicos e mostrar a relevância da avaliação
dos periódicos para a produção científica.

4383

�2 Metodologia

Foi realizado uma pesquisa descritiva para demonstrar a situação em que se
encontram as publicações científicas existentes na área de Ciência da Informação e
Biblioteconomia. Pesquisa exploratória, por ser um estudo novo, na Faculdade de
Biblioteconomia da Universidade Federal do Pará (UFPA). Também estudo qualitativo
porque investigou o nível de qualidade dos periódicos dessa área segundo os critérios
avaliativos adotados para as publicações presentes na Web o f Science. Utilizou o JCR a fim de
coletar informações sobre fator de impacto.
Em relação aos procedimentos, primeiramente, foi feito uma seleção e exame do
material bibliográfico referente ao assunto proposto, considerando assim uma pesquisa do tipo
bibliográfica, porque apresentou uma análise por meio do referencial teórico expondo os
principais trabalhos científicos sobre avaliação de qualidade e fundamenta o estudo de
publicações científicas.
Posteriormente, pesquisou-se no JCR os títulos mostrados de periódicos na área da
Ciência da Informação e Biblioteconomia, os quais foram pesquisados por meio do fator de
impacto, através do ranking de periódicos do JCR, analisando sua posição, sua descrição e
quais mudaram de título.
A pesquisa obedeceu as seguintes etapas:
a) obtenção dos títulos obteve-se a relação dos títulos de Ciência da Informação e
Biblioteconomia com a seguinte estratégia: acessou-se a base Web o f Science, com os
seguintes passos: addicional resources; science watch; scy-bytes archive; apareceu o período
de 2008 a 2011, foi feito uma busca em cada mês de um determinado ano desse período, e foi
encontrada a relação mais recente na área em questão referente a agosto de 2010.
Com a relação dos títulos passou-se a etapa seguinte: b) descrição dos títulos: usouse para descrever o CCN, que é um catálogo de acesso público a periódicos nacionais e
internacionais cujas coleções encontram-se em bibliotecas brasileiras. O portal de periódicos
da Capes que reúne conteúdo científico. Com o uso do site do próprio periódico científico. E
também através da Web o f Science, por meio dos seguintes passos:
1- Select a Database;
2- Journal Citation Repourts;
3- selecionar Search for a specific journal e clicar em submit;

4384

�4-

aparece uma tela que realiza Journal seach, pesquisando sobre o periódicos

através do título ou de outros elementos.
Posteriormente, com a identificação do titulo aparece sua descrição e seu fator de
impacto, esses instrumentos são importantes para identificar: data inicial, país de origem, se
cessou e/ou mudou de título.
c) apresentou-se as três colunas com os periódicos que destacam-se por suas citações
e posteriormente, foi feito o desmembrado das colunas da direita para a esquerda e realizou-se
uma comparação entre elas no período de 1981 a 2009 para verificar títulos emergentes, os
que não são mais citados, quais continuam sendo publicados e, finalmente os dez mais citados
em Biblioteconomia e Ciência da Informação segundo o fator de impacto em 2009.

3 Referencial teórico
Os periódicos são recursos importantes para produção do conhecimento contribuindo
para a disseminação da informação científica, para a evolução da ciência e da tecnologia.
Conforme aborda Dias (2006, p. 51):

[...] Os periódicos constituem um importante canal no âmbito da
comunicação formal: em muitas áreas, como nas ciências naturais, exatas e
da vida, são indubitavelmente o principal; em outras, como nas ciências
sociais e humanas, dividem com os livros esse posto, sendo muitas vezes
suplantado por esses [...]
Observando a etimologia da palavra o termo “periódico” é de origem latina
denominada de periodus, cujo significado é espaço de tempo. E no latim temos a palavra
publicação que vem de publicatione, no qual é o ato ou efeito de publicar. Nesse sentido,
percebemos que o periódico foi idealizado para publicar informações com uma necessidade
de frequência regular (FACHIN; HILLESHEIM, 2006, p. 19-20).
Meadows (1999, p. 8) suplementa esse sentido do termo periódico com a seguinte
afirmação:
[...] Entrou em uso comum na segunda metade do século XVIII e se refere a
qualquer publicação que apareça a intervalos determinados e contenha
diversos artigos de diferentes autores. Para tornar ainda mais confusa à
questão, a palavra serial [seriado ou publicação seriada] apareceu no século
XIX para designar qualquer publicação editada em partes sucessivas e
conexas. Em geral, journals (e magazines) são periódicos, mas
principalmente em humanidades há publicações seriadas que desempenham
muitas das funções de um journal. Essas flutuações dos significados das
palavras não são exclusivas da língua inglesa. Em alemão, por exemplo, os
primeiros journals eram muitas vezes designados pela palavra Zeitung. Esta

4385

�veio posteriormente a ser mais associada com jornais e, a partir do século
XIX, a palavra Zeitschrift passou a ser preferida nos títulos de revistas
científicas.
Assim, compreende-se que periódicos são publicações seriadas devido à sua
abrangência, a indicação numérica e sua atribuição de ser destinada a continuidade.
Entretanto, os periódicos apresentam características próprias, como serem feitos em partes ou
fascículos, reunido sobre um título, editado seguindo intervalos regulares, composto por
numeração progressiva ou cronológica, com o propósito de ser contínuo, artigos assinados por
autores, e sob a direção de editores para avaliação e orientação do seu conteúdo.
Machlup et al (1978 apud STUMPF, 1998, p. 2-3):
Dividem os periódicos em dois grandes grupos, de acordo com o tipo de
leitores a que se destinam: os dedicados aos leitores gerais e não
especializados, são os “magazines”, em inglês, e os dedicados aos leitores
especialistas em determinadas áreas ou interessados no tratamento
intelectualizado de um assunto, são os “journals”. Isto significa que os
“magazines” são entendidos como publicações que apresentam contribuições
não científicas, enquanto os “journals” são, por definição, publicações
científicas. Em português, na falta de termos mais apropriados, os
“magazines” são conhecidos por revistas e os “journals” podem ser
denominados tanto por “revistas científicas” quanto por “periódicos
científicos”.
Destacam-se como as principais funções dos periódicos científicos são:

x

Registro público do conhecimento, pois este recurso permite o registro e a

preservação do conhecimento elaborado pelo homem;

x

Função social, pois permite que os responsáveis por sua produção (autores,

editores, etc) tenham reconhecimento e por contribuir com o acesso do conhecimento
à sociedade;

x

É um canal de comunicação que promove a integração entre os pesquisadores,

e serve para o desenvolvimento científico da área e do país em que se insere;

x

Fundamentação da ciência “certificada”, pois a produção do conhecimento

científico é avaliado para posterior publicação, recebendo aval da comunidade
científica;

x

Serve como arquivo ou memória científica do conhecimento;

Assim, percebe-se que os periódicos científicos são de suma importância, porque é
um veículo de comunicação onde aborda a produção do conhecimento e a divulgação do
mesmo, tornando-o reconhecido os autores e os outros responsáveis por sua produção.

4386

�Também servindo para abordar novas vertentes de pesquisas, além de outras peculiaridades
permitindo consolidar o desenvolvimento da ciência.
Conforme Machado (1996, p. 74):
[...] a função de documentar a produção acadêmica e datá-la, de modo a
constituir uma espécie de memória dos momentos mais importantes de
determinado campo do saber. Em geral, é com base na documentação das
revistas que se pode avaliar o pioneirismo de uma pesquisa ou precisar o
momento em que uma questão foi formulada pela primeira vez. [...]

Usando por base nos estudos de Yamamoto (2002), Ferreira e Kryzanowski (2003),
Fachin e Hillesheim (2006); Gonçalves, Ramos e Castro (2006), Bonfá et al (2006) e Palheta
(2007) . Estes autores levantaram na literatura alguns tipos de critérios existentes para análise
de avaliações de periódicos, no qual serão explanados a seguir:
Quanto ao critério de publicação, temos:
Tempo de publicação ou de existência - número de anos que o periódico vem
sendo publicado. Os periódicos mais antigos são mais valorizados.
Regularidade da publicação - um dos critérios mais importantes na avaliação dos
periódicos científicos, pois divulga a correspondência entre o ultimo número de fascículo
publicado e a data da devida entrega do periódico a comunidade científica. Serão
consideradas regulares as publicações que se enquadram com a sua periodicidade proposta
segundo seus regulamentos. Por exemplo, uma revista quadrimestral deverá ter entregue os
quatro números referentes ao ano 2011 e os dois primeiros números de 2012.
Periodicidade - este indica o fluxo da produção científica, atrelando à área
específica adotada pelas publicações periódicas. Recomenda-se que o periódico seja no
mínimo quadrimestral, e dependendo da área pode ser trimestral.
Quanto ao critério de autoridade/gestão editorial, temos:
Comissão executiva - grupo de pessoas analisam questões administrativas e
políticas do periódico. Os nomes dos que fazem parte desse grupo ficam listados nas
primeiras páginas com a denominação de Comissão Editorial, ou devendo constar em uma
listagem dos cargos do quadro executivo (editor, editores associados ou assistentes, secretário,
tesoureiro).

4387

�Editor responsável - responsável técnico da publicação indicado nas primeiras
páginas do periódico.
Diversidade do Conselho Editorial/Científico (reconhecida contribuição na
área) - este composto do Conselho Editorial no grupo de pesquisadores, eleito ou escolhido,
prestando assistência ao editor a tomar decisões sobre os manuscritos a serem publicados. Os
nomes completos dos participantes devem ter os respectivos cargos e vinculação institucional.
Podendo ser consultado com frequência e formado por profissionais reconhecidos nas áreas
nos quais o periódico publica.
Abrangência

geográfica

do

Conselho

Editorial/Científico

(reconhecida

contribuição na área) - o Conselho Editorial deve ser composto por pesquisadores com três
ou mais instituições de pelo menos duas unidades da federação, além daquele de origem do
periódico.
Consultores externos - por pelo menos uma vez por ano, os periódicos devem
publicar uma lista com os pesquisadores externo ao Conselho Editorial, consultados durante o
processo editorial dos manuscritos.
Critérios de arbitragem - detalhes informando aos autores potenciais sobre como
ocorre o processo editorial no qual seu manuscrito será submetido.
Quanto aos critérios de elementos telemáticos, temos:

Os elementos telemáticos são formatos e recursos tecnológicos usados na elaboração de
periódicos científicos on-line. Esse critério busca contribuir como controle de acesso, difusão
e com as ferramentas interativas. No Brasil, não existe norma que respalde esses elementos.
Como constatam Fachin e Hillesheim (2006, p. 128) pois, basearam-se nas recomendações
ergonômicas e de usabilidade do Laboratório de Utilizabilidade da Informática (LablUtil).

Quanto aos critérios editoriais de avaliação, temos:

Como anteriormente descrito no texto o sistema de avaliação da produção científica
que são o sistema de arbitragem (peer review ou refere system) usa o sistemático de árbitros
no assessoramento dos manuscritos referente à sua aceitação quando submetidos para
publicação (PALHETA, 2007, p. 570).

4388

�A transformação do print - o relato impresso, sem a competente avaliação
dos pares - em publication - manuscritos legitimados pela leitura crítica dos
pares, mediante avaliação institucionalizada e assinada por revisores
competentes - dá início ao processo processo de avaliação (Zuckermann;
Merton, 1971 apud Pessanha, 1998,p. 226).

Atualmente é cada vez mais essencial a preocupação da qualidade da produção
científica tanto trabalhando com a forma como com o conteúdo, assim a avaliação se dedica
ao controle com a ética. Então, alguns periódicos adotam códigos de ética para estabelecer o
comportamento dos pesquisadores no emprego dos papéis de autores, avaliadores e editores.
Como aborda. Pessanha ( 1998, p.228):
[...] o sistema de avaliação da literatura científica envolve,além dos aspectos
de forma e conteúdo, problemas éticos. Apesar das conhecidas críticas, o
sistema de arbitragem desempenhou, e vem desempenhando,um papel
crucial no desenvolvimento da ciência [...]

Dois personagens na avaliação são essenciais os: autores e avaliadores. O primeiro
responsável pelo início e fim do processo do trabalho científico e o segundo assessoria esse
processo.

Quanto aos critérios de avaliação de adotados por bases de dados e pelo Qualis, temos:

Neste trabalho foram selecionados as principais bases de dados bibliográficas, de
texto completo, de citações e de periódicos, com diferentes áreas do conhecimento e
informam seus critérios e procedimentos adotados na seleção.(GONÇALVES, RAMOS,
CASTRO, 2006).
No âmbito internacional destaca-se a Embase (Excerpta Medica), Eric (Education
Resources Information Center), LILAS (Literatura Latino-Americana e do Caribe de
Informação em Ciências da Saúde), Medline (Index Medicus e bases especializadas), PsyCinf,
Sociological Abstracts, ScieElo-Scientific Electronic Library Online, Science Citation
Indexes, Journal Citation Reports e Web o f Science, do Institute for Sientific Information
(Thomson ISI) e Latindex. No âmbito nacional destaca-se o programa Qualis-Capes e o
programa de Auxílio a Publicações científicas - CNPq.

4389

�Com este levantamento percebe-se o critério mais usado é a seleção para indexação
do conteúdo científico e depois seguem outros critérios. Como mostra o quadro a seguir:
Quadro 1 - Resumo com os critérios de avaliação de periódicos pelas bases de dados.
Per
iod
icid
ade

EMBASE
ERIC
LILACS
MEDLINE
PsycInfo
Sociologica
l Abstracts
SciElo1
Thomson
ISI2
Latindex3

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raç
ão

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X
X

X

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X

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X
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X

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X

X

X

X
X

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X

X

X
X
X
X
X
X
X
X

Re
vis
ão
por
par
es
X
X
X
X
X

Cor
po
edi
ori
al

X
X
X

X
X

X
X

X

X

X

X

Fonte: Gonçalves, Ramos e Castro (2006, p. 180).
*somente para análise de permanência
1 Base de dados de texto completo e de citações
2 Base de dados de citações
3 Base de dados de revistas

Foi necessária uma explanação mais ampla do Qualis/ Capes devido sua presença
constante nos textos sobre avaliação de periódicos científicos. O Qualis/Capes é considerado
um veiculo de divulgação da produção científica evidenciando a publicação de títulos
nacionais com base na circulação local, nacional e internacional; os periódicos que
apresentam textos completos e os de acesso gratuito. Expressa através de conceitos a analise
dos periódicos científicos. Como esclarece Souza e Paula (2002 apud GONÇALVES;
RAMOS e CASTRO, 2006, p. 183):
O Programa Qualis (http://www.capes.gov.br/) é parte do sistema de
avaliação dos programas de pós-graduação conduzindo pela CAPES, e tem
como objetivo classificar as revistas utilizadas para a divulgação da
produção intelectual de docentes e alunos de pós-graduação, a fim de
enquadrar as publicações em categorias indicativas de sua qualidade
científica (A, B e C) e âmbito de circulação (local, nacional, internacional),
de acordo com critérios definidos por uma comissão de área, formada por
especialistas da comunidade.

4390

�Acredita-se que o princípio do fator de impacto (FI) começou por volta de 1955,
sendo expresso em um artigo na Science por Eugene Garfield, mas só após algum tempo
passou a ser mais difundido. Como esclarece em Sthehl (2005, p. 20): Contudo, foi no início
da década de 60 que, na prática, o FI foi utilizado como instrumento de avaliação de
qualidade das publicações. Garfield e Irving H. Sher (1963) [...].
Este desde seu surgimento proporciona através de seus índices de citações o acesso
às pesquisas no ISI impresso, em CD-ROM ou pela internet. Trabalha selecionando
periódicos de diversas áreas do conhecimento, impressos ou eletrônicos, visando manter uma
cobertura internacional dos periódicos da maior importância e influência. Os periódicos
passam constantemente por revisões, a fim de assegurar o padrão de qualidade e a relevância
dos títulos indexados pela base. Estes procedimentos de seleção e revisão são realizados por
profissionais especializados em sua área de atuação, e também contam com o auxílio de
consultores externos, quando necessário (GONÇALVES; RAMOS; CASTRO, 2006, p. 182).
Um dos modos de análise de periódicos científicos considerados por muitos é o
número de citações, esta servindo de evidência de que periódico está sendo lido e seus artigos
são considerados e causam influência perante a comunidade científica. Para que os usuários
façam uma comparação entre as publicações científicas, e conhecerem aquelas de maior
importância em uma determinada área temática.
Esse tipo de avaliação tomando por base, o fator de impacto das publicações
científicas é fundamentado no campo da bibliometria e cientometria com a análise de citações
de artigos e cada vez mais está difundido nas comunidades científicas.
Segundo Tague-Sutcliffe (1992, p. 1 apud STREHL, 2005, p. 19):

Bibliometria é o estudo dos aspectos quantitativos da produção,
disseminação e uso da informação registrada. Desenvolve padrões e
modelos matemáticos para medir esses processos, usando seus resultados
para elaborar previsões e apoiar tomadas de decisão. Cientometria é o
estudo dos aspectos quantitativos da ciência como uma disciplina ou
atividade econômica. A cientometria é um segmento da sociologia da
ciência, sendo aplicada no desenvolvimento de políticas científicas. Envolve
estudos quantitativos das atividades cientítificas, incluindo a publicação e,
portanto, sobrepondo-se à biblionmetria.

O pesquisador Eugene Garfield, atualmente considerado um dos fundadores da
bibliometria e da cienciometria, responsável pela criação do fator de Impacto. Este firmou-se
como recurso básico para avaliação das publicações científicas em diversas instâncias, sendo
calculado anualmente por meio do Institute of Scientific Information (ISI) para os periódicos
presentes em sua base de dados, e publicado pelo Journal Citation Reports (JCR) com base na

4391

�razão entre o número de citações no presente ano de um periódico e o os últimos dois anos e
os artigos (itens fontes) publicados pelo periódico nesses dois anos.
Este procedimento pode ser entendido como (THOMSON REUTERS, [200-?]):

O fator de impacto é uma medida da frequência em que a média dos artigos
de uma revista foram citados em um determinado ano ou período. É um dos
instrumentos de avaliação fornecidos por Thomson Reuters Journal Citation
Reports ® ( JCR ®).anual Journal Citation Reports fator de impacto é uma
relação entre as citações e últimos itens citáveis publicados: fator de impacto
de uma revista é calculado dividindo-se o número das citações do ano
corrente pela fonte de itens publicados em uma revista durante os dois anos
anteriores.
O fator de impacto, criado com o objetivo de desenvolver a seleção dos periódicos a
serem indexados pelo ISI. Este é considerado conforme a disciplina ou área temática do
periódico. Os periódicos são distribuídos de acordo com o número de citações que recebem e
seu fator de impacto. Segundo (FEREIRA, 2005, p. 284), esse fator pode ser entendido como:
^

a medida da influência de uma publicação, a partir das citações de artigos que

ela recebe ao longo de um espaço de tempo e num dado universo de revistas.
^

medida do valor relativo na curva de citações de revistas de determinada área

do conhecimento.
O fator de impacto é calculado, dividindo-se o número de citações que uma revista
recebe para artigos publicados nos dois, três ou cinco anos anteriores ao ano em cálculo pelo
número de artigos publicados nos mesmos anos. Estudos recorrendo à bibliometria,
cientrometria ou infometria também possibilitam melhor compreensão sobre o universo
documental aos editores e revistas. Como pode se observar pela figura 1 abaixo:

Tabela 1. Fórmula de cálculo do Fator de Impacto anual
FI do ano X = N° de citações do periódico obtidas nos dois
anos anteriores
artigos (substanciais*) publicados nos dois anos anteriores
Fonte - Ruiz, Grego e Braile (2009,p. 274).

O indicador fator de impacto estar relacionado com diversas variáveis, que
caracterizam os diversos campos do conhecimento, mostrando as diferenças entre as áreas
como: circulação do periódico, números de artigo por autores, identificação das áreas de

4392

�pesquisas, entre outras. Considera-se as principais variáveis do FI a obsolescência e a
densidade dos artigos (STREHL, 2005).

Quadro 2- Exemplo do cálculo de fator de impacto do periódico Nature em 1998.
Periódico:
Fator de Impacto:
N0de citações recebidas em 1998
Para os artigos publicados em:

Nature
28,833
1996
1997
96+97
1996
1997
96+97

N0de artigos publicados em:
Cálculo:
Citações recebidas/Número de artigos

27,999
24,505
52,504
885
936
1.821

52.504/1.821
=28,833

Fonte - Journal Citation Reports (apud STREHL, 2005, p. 21).

Outros indicadores publicados no JCR apresentam características para esse quesito,
que são (STREHL, 2005, p. 22):
49. a velocidade com que os novos conhecimento são incorporados à literatura, medida
pelo ISI por meio do índice de citação imediata (ICI);
50. o ritmo de envelhecimento da literatura, representando a meia-vida (MV) das
citações.

Através da citação imediata (ICI) entende-se como o número de vezes que um artigo
de

um

determinado

periódico

quando

citado

no

decorrer

do

seu

ano

de

publicação.(JOURNAL CITATION REPORTS apud STREHL, p. 22).
Percebemos a vida média (MV) de suas citações. Isto significa que o periódico chegou à
metade de sua vida útil no meio científico.
Através da vida média também pode proporcionar a indicação da influência dos
periódicos presentes no ISI, mesmo que sejam menos difundidos que o fator de impacto. A
densidade de uma publicação periódica pode ser definido com o número obtido pelas
referências citadas por artigos de um determinado periódico. (STREHL, 2005, p 23 e 25).
A Ciência da Informação é um campo do conhecimento muito recente, portanto sua
estruturação

apresenta-se

em

construção.

Existem

diversas

abordagens

sobre

a

conceitualização do que seria essa nova área do conhecimento. Podemos demonstrar alguns
conceitos na literatura.
Para Borko (1968 apud OLIVEIRA, 2005, p. 16) a Ciência da Informação pode ser
entendida como a área que atua investigando as propriedades e o comportamento

4393

�informational, e facilitando o processo de acesso e uso da informação. Oliveira (2005, p. 16)
entende como um campo voltado para questionamentos científicos e à prática profissional,
buscando evidências a comunicação do conhecimento humano em seu contexto social,
cultural, institucional ou individual da utilização e suas necessidades informacionais.
Para o (CNPq. AVALIAÇÃO E PERSPECTIVA, 1983, p. 52 apud OLIVEIRA,
2005, p. 17):
Ciência da Informação designa o campo mais amplo, de propósitos
investigativos e analíticos, interdisciplinar por natureza, que tem por objetivo
o estudo dos fenômenos ligados à produção, organização, difusão e
utilização de informações em todos os campos do saber.

Enquanto a Biblioteconomia vem da palavra biblioteca origina-se do termo grego
Bibliotheke, fruto da junção das palavras gregas, que são biblio e teca, cujos sentidos,
respectivamente, livro e depósito. Considera-se assim a biblioteca como um depósito de livros
(CUNHA, 1997 apud SANTOS, 2010, p. 1). Como é um espaço de preservação dos
conhecimentos gerados pela humanidade a partir de diferentes sociedades.
Analisando o contexto histórico das Bibliotecas, percebemos que sua história
acompanha a história da escrita e o modo de armazenamento do conhecimento. Sabe-se de
relatos sobre bibliotecas na Antiguidade, destacou-se nesse período a Biblioteca de
Alexandria. Enquanto na Idade Média, existiam as bibliotecas dos mosteiros, de ordens
religiosas, as de universidade e as particulares.
Desde seu surgimento até meados do tempo da renascença as bibliotecas estavam
vinculadas com a imagem com o objetivo de salvaguardar os acervos, geralmente
pertencentes a eruditos (sacerdotes, membros da religiosos, figuras da elite), onde seu acesso
era restrito ao grande público. A partir da invenção da imprensa por Gutenberg em 1452, o
cenário referente à biblioteca modificou-se a produção e o armazenamento do conhecimento.
Possibilitando a democratização das informações, fazendo aumentar a importância da
biblioteca. (ARAÚJO; OLIVEIRA, 2005, p. 33).
No Brasil a sua origem começa a partir da presença de ordens religiosas enviadas ao
país. Como aborda Araújo e Oliveira (2005, p. 34):

No Brasil, as primeiras bibliotecas foram criadas por ordens religiosas. A
ordem dos jesuítas foi a mais atuante. Em 1549, fundou a Companhia de
Jesus, organização que objetivava catequizar índios e colonos. Nas escolas
daquela Companhia os padres criavam bibliotecas que, aos poucos, se
tornaram as melhores e mais numerosas.[...]

4394

�A Ciência da Informação e a Biblioteconomia possuem áreas de atuação muito
próximas, só que essas duas áreas apresentam paradigmas diferenciados. As duas áreas
precisam atuar juntas para a disseminação de informações, compondo novos conhecimentos.

4 Análise de dados

A partir da consulta na Web o f Science, foi extraído o quadro que apresenta o ranking
dos periódicos referentes à Ciência da Informação e Biblioteconomia abaixo:

Quadro 3 - Títulos mais citados em vinte e oito anos.
Ran
k
1
2

3

4

5

2009 Impact Factor

Impact 1981-2009

Impact 2005-09

MIS
Quarterly
(4.49)
J. American Medical Informatics
Association
(3.97)
Journal of Computer-Mediated
Communication
(3.64)
Journal
of
Informetrics
(3.38)

MIS
Quarterly
(10.33)
J. American Medical
Informatics Association
(6.20)
Information
Systems
Research
(5.31)
Annual
Review
of
Information Science &amp;
Technology
(5.09)
Annual
Review
of Journal
of
Health
Information Science &amp; Technology Communication
(2.93)
(4.17)
Information
Management
(4.11)

&amp;

6

Int.
J.
Computer-Supported
Collaborative
Learning
(2.69)

7

J.
American
Society
for Journal of Management
Systems
Information Sci. &amp; Technology Information
(2.30)
(3.86)
Information
&amp;
Management Scientometrics
(2.28)
(3.43)

8

9

10

J.
of the
Information
(2.25)
Scientometrics
(2.17)

Association
for Journal of Informetrics
Systems (3.24)
J. American Society for
Information
Sci.
&amp;
Technology
(3.14)

MIS
Quarterly
(41.81)
Knowledge Acquisition
(31.57)
Information
Systems
Research
(27.93)
Int. J. of Geographical
Information
Systems
(18.33)
Journal of the American
Society for Information
Science
(15.92)
Annual
Review
of
Information Science &amp;
Technology
(13.05)
Journal of Management
Information
Systems
(11.49)
Int. J. of Computer &amp;
Information
Sciences
(11.21)
Journal
of
Documentation
(10.84)
Information
&amp;
Management
(9.69)

Fonte - Sci-Bytess, 2010.

4395

�De acordo com o quadro acima descrito foi necessário desmembrar as colunas para
melhor análise e descrição dos periódicos, primeiramente foi verificado os títulos no ranking
nos últimos vinte oito anos.

Quadro 4 - Relação e descrição dos títulos de impacto de 1981-2009.
Rank
1

2

3

4

5

6

7

8

Impact 1981-2009
MIS Quarterly
(41.81)
- País de origem: EUA
- Data inicial: 1977
Knowledge Acquisition
(31.57)
- País de origem: Inglaterra
- Data inicial: 1989
Information Systems Research (27.93)
- País de origem: EUA
- Data inicial: 1990
Int. J. of Geographical Information Systems
(18.33)
- País de origem: Inglaterra
- Data inicial: 1987
Journal of the American Society for Information
Science (15.92)
- País de origem: EUA
- Data inicial: 1950
Annual Review of Information Science &amp;
Techonology (13.05)
- País de origem: EUA
- Data inicial: 1966
Journal of Managemente Information Systems
(11.49)
- País de origem: EUA
- Data inicial: 1984
Int. J. of Computer &amp; Information Sciences (11.21)
- País de origem: EUA
- Data inicial: 1972

Observações

Absorvido por: International Journal of
Human Computer Studies

Absorv. por: International Journal of
Geographical Information Science

Cont. por: Journal of the American
Society for Information Science and
Techonology

Cont. por: International Journal of
Parallel Programming

9

Journal of Documentation (10.84)
- País de origem: Inglaterra
- Data inicial: 1945
10
Information &amp; Management
(9.69)
- País de origem: Holanda
- Data inicial: 1977
Fonte - Adaptação da autora com base nas informações no Portal da Capes, CCN e ISI Web of Knowledge.

Através das informações do quadro 7 podemos comparar o fator de impacto de 2005­
09 com os títulos de 1981-2009.

4396

�Quadro 5 - Comparação dos títulos com fator de impacto e descrição de 2005-09 e os títulos de 19812009.
Rank
Impact 1981-2009
Impact 2005-09
Observações
Observações
1

MIS Quarterly
(10.33)
J. American Medical
Informatics
Association (6.20)
- País de origem: EUA
- Data inicial: 1994

Mesma posição

3

Information Systems
Research (5.31)

Mesma posição

4

Annual Review of
Information Science &amp;
Technology
(5.09)

No período
1981-2009
estava na 6a
posição

5

Journal of Health
Communication (4.17)
- País de origem: EUA
- Data inicial: 1996

Título novo

6

Information &amp;
Management (4.11)

No período
1981-2009
estava na 10 a
posição

7

Journal of
Management
Information Systems
4(3.86)

Mesma posição

8

Scientometrics (3.24)
- País de origem:
Holanda
- Data inicial: 1978
Journal of Informetrics
(3.24)
- País de origem:
Holanda
- Data inicial: 2007
J. American Society
for Information Sci. &amp;
Technology
(3.14)

Título novo

2

9

10

Título novo

Título novo

No período
1981-2009
estava na 6a
posição

MIS Quarterly
(41.81)
Knowledge
Acquisition
(31.57)

Information
Systems Research
(27.93)
Int. J. of
Geographical
Information
Systems
(18.33)
Journal of the
American Society
for Information
Science
(15.92)
Annual Review of
Information
Science &amp;
Technology
(13.05)
Journal of
Management
Information
Systems
(11.49)
Int. J. of Computer
&amp; Information
Sciences
(11.21)
Journal of
Documentation
(10.84)

Information &amp;
Management
(9.69)

Mesma posição
Mudou de título e
não consta no
período 2005-09

Mesma posição

Mudou de título e
não consta no
período 2005-09

Mudou de título e
no período 2005-09
foi para 10 a posição

No período 2005­
2009 para 4 a
posição

Mesma posição

Mudou de título e
não consta no
período 2005-09
Título que não
consta no período
2005-09

No período 2005­
2009 para 6 a
posição

Fonte - Adaptação da autora com base nas informações no Portal da Capes, CCN e ISI Web
of Knowledge.

4397

�De acordo, com os dados encontrados no quadro 6, também foi realizada a análise o
fator de impacto dos títulos de 2005-09 e o impacto de 2009.

Quadro 6 - Comparação dos títulos com fator de impacto 2005-09 e impacto e a descrição de
títulos de 2009.
Rank

Impact 2009

1

MIS
Quarterly Mesma posição
(4.49)
J. American Medical Mesma posição
Informatics
Association (3.97)

MIS
Quarterly Mesma posição
(10.33)
J. American Medical Mesma posição
Informatics
Association (6.20)

Journal of Computer- Título novo
Mediated
Communication(3.64)
- País de origem: EUA
- Data inicial: 1995
Journal of Informetrics No período 2005-09
(3.38)
estava na 9 a
posição

Information Systems
Research (5.31)

Título que não
consta no período
2009

Annual Review of
Information Science
&amp;
Technology
(5.09)
Annual Review of No período 2005-09 Journal of Health
Information Science &amp; estava na 4 a Communication
Technology
posição
(4.17)
(2.93)
Int. J.
Computer- Título novo
Information
&amp;
Supported
Management (4.11)
Collaborative
Learning(2.69)
- País de origem: EUA
- Data inicial: 2006

No período 2009
para 5 aposição

J. American Society for
Information Sci. &amp;
Techonology
(2.30)
Information
&amp;
Management
(2.28)
J. of the Association
for
Information
Systems
(2.25)
- País de origem: EUA
- Data inicial: 2000

No período 2005-09 Journal
of
estava na 10 a Management
Information Systems
posição
(3.86)
No período 205-09 Scientometrics
(3.43)
estava 6 a posição

Título que não
consta no período
2009

Scientometrics
(2.17)

No período 2005-09 J. American Society
estava na 8 a for Information Sci.
posição
&amp; Technology
(3.14)

2

3

4

5

6

7

8
9

10

Observações

Título novo

Impact 2005-09

Observações

Título que não
consta no período
2009
No período 2009
para 8 aposição

No período 2009
para 10 aposição

Journal
of No período 2009
Informetrics (3.24)
para 4 aposição

No período 2009
para 7 aposição

Fonte - Adaptação da autora com base nas informações no Portal da Capes, CCN e ISI Web
of Knowledge.

4398

�Seguindo a sequência, das informações referentes ao quadro 6, foi feito a
comparação do fator de impacto dos títulos dos períodos de 2009 e o de 1981-09, mostrando
através dos dados os novos títulos existentes, os títulos permanentes na mesma colocação e
os que transitaram de posição e os que não constam no ano de 2009.

Quadro 7 - Comparação dos títulos com fator de impacto 2009 e impacto de 1981-2009.
Rank

Impact 2009

1

MIS
Quarterly Mesma posição
(4.49)
J. American Medical Título novo
Informatics Association
(3.97)

2

3

4

5

Observações

Impact 1981-09

Observações

MIS
Quarterly Mesma posição
(41.81)
Knowledge
Título que não
Acquisition
consta no período
(31.57)
2009

Information Systems Título que não
Research
consta no período
(27.93)
2009
Journal of Informetrics Título novo
Int. J. of Geographical Título que não
(3.38)
Information Systems consta no período
(18.33)
2009
Annual
Review
of No período 1981­ Journal
of
the Mudou de título e
Information Science &amp; 09 estava na 6
American Society for no período 2009
Technology
posição
Information Science foi para 7
(2.93)
(15.92)
posição
Int.
J.
Computer- Título novo
Annual Review of No período 2009
Supported Collaborative
Information Science foi para 5
Learning(2.69)
&amp;
Technology posição
(13.05)
J. American Society for No período 1981­ Journal
oi Título que não
Information Sci.
&amp; 09 estava na 5
Management
consta no período
Techonology
posição
Information Systems 2009
(2.30)
(11.49)
Information
&amp; No período 1981­ Int. J. of Computer &amp; Título que não
Management
09 estava na 10
Information Sciences consta no período
(2.28)
posição
(11.21)
2009
J. of the Association for Título novo
Journal
o1 Título que não
Information
Systems
Documentation
consta no período
(2.25)
2009
(10.84)
Journal of Computer- Título novo
Mediated
Communication(3.64)

a

a

6

a

7

a

8

a

9

10

Scientometrics
(2.17)

Título novo

Information
&amp; No período 2009
Management
para 8 posição
(9.69)
Fonte - Adaptação da autora com base nas informações no Portal da Capes, CCN e ISI Web of
Knowledge.
a

Através da análise das informações extraídas constatou-se a permanência do título
MIS Quarterly na primeira posição durante esses vinte e oito anos, sendo publicado há 36

4399

�anos. E o mais antigo é o Journal of the American Society for Information Science, a partir de
2001 denominado Journal of the American Society for Information Science and Techonology
com 63 anos de publicação e que continua no ranking. Os títulos em sua maioria são
originados dos Estados Unidos da América. Outro dado importante e o surgimento de títulos
de origem holandesa, o Journal of Informetrics, o Scientometrics e Information &amp;
Management. Na análise verificou-se a publicação de todos os títulos, todos continuam sendo
publicados mesmo aqueles que não encontram-se mais no ranking.
Outros títulos surgiram no decorrer do tempo, que são, Journal American Medical
Informatics Association, Journal of Computer-Mediated Communication, Journal of
Informetrics, International Journal Computer-Supported Collaborative Learning, Journal of
the Association for Information Systems e Scientometrics na análise do período de 1981 a
2009.
Titulos novos apareceram para representar novas temáticas emergentes, por exemplo,
o Journal of Computer-Mediated Communication, International Journal Computer-Supported
Collaborative Learning e Journal of the Association for Information Systems referente a
coluna dos títulos com maior fator de impacto em 2009 como pode ser observado abaixo.

Quadro 8 - Títulos da coluna com maior fator de impacto em 2009.
Rank
1

2009 Impact Factor
MIS Quarterly
(4.49)
2
J. American Medical Informatics Association
(3.97)
3
Journal of Computer-Mediated Communication
(3.64)
4
Journal of Informetrics
(3.38)
5
Annual Review of
Information Science &amp; Technology
(2.93)
6
Int. J. Computer-Supported Collaborative Learning
(2.69)
7
J. American Society for Information Sci. &amp;
Technology
(2.30)
8
Information &amp; Management
(2.28)
9
J. of the Association for Information Systems
(2.25)
10
Scientometrics
(2.17)
Fonte - Adaptação da autora segundo informações da Thomson Reuters, 2013.

4400

�Os dados presentes nos quadros anteriormente mostrados referente à descrição dos
periódicos podem ser consultados no apêndice contendo mais informações dos mesmos.

5 Considerações finais
Os periódicos científicos são um importante veículo da comunicação formal.
Percebe-se pelo seu conceito, histórico e características o quanto contribuiu e ainda contribui
para o de desenvolvimento da ciência. Deve-se principalmente por assumirem inúmeras
funções, tais como registro público do conhecimento, dando reconhecimento aos autores e
disseminando informações. Fazendo com que as atividades científicas sejam disponibilizadas
de forma rápida e eficaz.
Devido a uma crescente produção científica e a facilidade de acesso as publicações
científicas, sentiu-se a necessidade de criar mecanismos que permitissem a avaliação dos
periódicos científicos, para evitar o plágio em produções, a falta de padronização e a
irregularidade entre outros. Visando contribuir com a qualidade da produção científica.
Existem diversos critérios existentes na literatura com a finalidade de avaliar as
publicações científicas, destacam-se: normalização, circulação, periodicidade, fator de
impacto entre outros. Utilizados por vários autores para analisar a produção científica.
Geralmente, esses quesitos avaliativos são criados e usados por agências de pesquisa e de
ciência e tecnologia, por instituições produtoras de bases de dados, órgãos no geral
responsáveis pelo fomento do conhecimento científico.
O critério evidenciado neste trabalho é o fator de impacto pertencente a Web o f
Science do Institute for Scientific Information (ISI), medindo a frequência dos artigos de um
periódico que foi citado em um determinado período. Através do acesso a Web o f Science, no
Sci-Bytes, identificamos os principais títulos científicos segundo o fator de impacto. Mas, para
análise foi necessário escolher uma área específica, nesse caso o estudo baseou-se na
produção de 2009 dos títulos da Ciência da Informação e Biblioteconomia, pois destacam-se
pelo seu foco na disseminação de informações.
Observou-se que os 10 títulos com maior impacto no período de 1981-2009,
demonstrou a permanência do MIS Quarterly na primeira colocação nesses vinte e oito anos
de avaliação de fator de impacto. Mostrando, que os títulos, como por exemplo: Knowledge
Acquisition, International Journal Geographical Information Systems, International Journal
o f Computer &amp; Information Sciences e Journal o f Management, estes atualmente não
apresentam quantidade de citações substanciais para estar no ranking. Identificando os títulos

4401

�novos que apareceram indicando novas áreas de pesquisa, que são, Journal o f ComputerMediated Communication,

International Journal Computer-Supported Collaborative

Learning, Journal o f the Association for Information Systems, Journal o f Informetrics e
Scientometrics.
Encerra-se este trabalho, com a expectativa que o mesmo possa permitir uma melhor
compreensão dos periódicos científicos para a ciência contemporânea. Pois o periódico
científico é um importante veículo para a produção científica. E mostrar o quanto é necessário
realizar avaliações partindo de vários critérios para manter a qualidade da produção e
contribuir para o desenvolvimento da ciência.

Referências
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origem das bibliotecas. In: OLIVEIRA, Marlene de (Org.). Ciência da Informação e
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YAMAMOTO, Oswaldo H. et al. Avaliação de periódicos científicos brasileiros da área da
psicologia. Ciência da Informação, Brasília, DF, v. 31, n. 2, p. 163-177, maio/ago. 2002.
Disponível em: &lt;http://www.scielo.br/pdf/ci/v31n2/12919.pdf&gt;. Acesso em: 22 maio 2012.

4404

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Ciência da Informação&#13;
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                <text>Apresenta o contexto de periódicos científicos (histórico, conceitos, funções entre outros), também descreve sobre a Ciência da Informação e Biblioteconomia. Aborda alguns critérios de avaliação de periódicos científicos existentes na literatura, e através deles analisa como os mesmos foram adotados em diferentes estudos. Identifica os principais periódicos de Ciência da Informação e Biblioteconomia presentes na Web of Science, segundo o fator de impacto, analisando sua descrição, temática e sua continuidade. Utilizou-se para descrever os títulos o CCN, o portal de periódicos da Capes, o site da própria publicação seriada e a base em questão. Revela a realidade na pesquisa científica em âmbito internacional referente a periódicos científicos, e importância deste trabalho para agregar valor para a área.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O LIVRO DIGITAL E A TRÍADE BIBLIOTECAS, MERCADO EDITORIAL E
GOVERNO
Juliani Menezes dos Reis
Helen Beatriz Frota Rozados

RESUMO
Na sociedade da informação, a legislação deve acompanhar a evolução social do conceito de
livro. Este texto tem como objetivo comentar a questão do livro digital, seu mercado editorial,
sua assimilação entre os usuários, o acesso disponibilizado pelas bibliotecas, bem como as
ações governamentais relacionadas a seu custo. Expõe, através de pesquisa bibliográfica e
análise documental, os aspectos anteriormente relacionados, tendo em vista que o mercado
editorial brasileiro, desde 2009, está inserido na comercialização de e-books e a partir de 2012
apresenta lojas físicas comercializando e-readers. Comenta sobre o controle que o mercado
editorial exerce sobre os livros eletrônicos e seu alto preço, muito similar ao livro impresso,
que leva a questionamentos em relação a sua disseminação de maneira democrática. Explana
sobre a importância das bibliotecas oferecerem acesso aos livros digitais para seus usuários e
os entraves hoje existentes. Discorre sobre a necessidade das autoridades reconhecerem que o
livro eletrônico é livro e que o aparelho leitor é parte fundamental para sua leitura, buscando
legislar de forma a baixar ou mesmo garantir a imunidade tributária de ambos. Mapeia ações
jurídicas e governamentais que estão acontecendo, neste sentido. Conclui mostrando a
importância de políticas governamentais que garantam os direitos fundamentais do cidadão de
acesso à cultura, educação e informação, independentemente de sua posição social e
econômica.
Palavras-Chave: E-book; Livro digital; Bibliotecas; Política governamental 4; Carga
tributária.
ABSTRACT
In the information society, legislation should monitor the social evolution of the concept of
the book. This paper aims to review the issue of the digital book, its market; the assimilation
among users; the access provided by libraries; and government actions related to its cost.
Exposes, through a literature review and document analysis, the previously related aspects,
considering that the Brazilian publishing market, since 2009, is inserted in the marketing of e­
books and, from 2012, has physical stores selling e-readers. Comments on the control that the
publishing industry has on electronic books and its high price, very similar to the printed
book, which leads to questions regarding its spread in a democratic manner. Explains the
importance of libraries to provide access, to digital books, for its users and the barriers that
exist today. Discusses the need for authorities to recognize that e-book is a book and the
reader device is fundamental to reading, thus seeking to legislate in order to lower or even
ensure the tax immunity of both. Maps legal and government actions that are happening in
this sense. Concludes by showing the importance of government policies that ensure the

4364

�fundamental rights of citizens to access to culture, education and information, regardless of
their social position and economic status.
Keywords: E-book; Digital book; Libraries; Government policies; Tax burden.

1 Introdução
O alto preço do livro digital levanta questionamentos em relação a sua disseminação
de maneira democrática. Neste sentido, este estudo tem a intenção de investigar a legislação
relacionada à imunidade tributária do livro digital e os preços praticados no Brasil em
comparação com os valores cobrados em outros países, e a problemática que isto causa às
bibliotecas e à democratização da informação aos cidadãos brasileiros.
Os e-books, livros digitais ou livros eletrônicos são veículos de comunicação escrita da
mesma forma que os livros tradicionais. Para Velloso (2012, documento eletrônico não
paginado):
Primeiro, o e-book constitui uma espécie do gênero livro, que não se
singulariza pelo seu conteúdo, mas pela sua forma. É a versão digital dos
tradicionais livros impressos, que pode ser adquirida em meio físico
(sobretudo em CDs) ou digital, mediante download do seu conteúdo.

Para Pinheiro (2011, p. 14), e-book
[...] designa uma publicação em formato digital que, para além de texto,
pode incluir também imagens, vídeo e áudio. Outras designações são livro
digital ou livro digitalizado. Muitas vezes utiliza-se, erradamente, o termo
ebook para designar um e-reader.

Em geral, a estrutura e a organização do livro digital se assemelha a do livro impresso,
ou seja, contém capa, folha de rosto, sumário, capítulos, índices, glossário etc. Contudo,
alguns elementos pré-textuais, como sumário e folha de rosto, e pós-textuais, como índices,
podem ser ocultados, já que a possibilidade de pesquisar palavras dispensa esses elementos.
Os aspectos intrínsecos ao livro eletrônico, possíveis por intermédio dos avanços
tecnológicos, como formato, ampla e rápida difusão do conteúdo e fácil distribuição podem
viabilizar a universalização do livro e, até mesmo, a possibilidade de existência real de uma
biblioteca universal. A internet poderá ser uma grande aliada dos e-books neste processo, pois
o leitor pode com poucos cliques adquirir um e-book em uma livraria virtual. O crescimento
da digitalização de livros também poderá contribuir para a transposição do livro impresso
para o livro digital, bem como sua democratização. Para Procópio (2010, p. 25) “[...] a

4365

�revolução dos eBooks possibilita democratizar o acesso à leitura a um nível ainda mais
abrangente e de uma maneira extraordinária.”.
Por outro lado, a biblioteca precisa atender as necessidades informacionais dos
usuários com seus serviços e produtos. O e-book é um novo produto ofertado pela biblioteca
que envolve diversos serviços que precisam se adaptar a esta nova realidade.
Paralelamente, a indústria editorial brasileira sinaliza que o que ajudou a disseminação
dos e-books no País foi a alta difusão de tablets e smartphones. E aposta em uma lei de
incentivo aos e-readers, que eliminaria a taxação de impostos de importação, com
possibilidades de ser aprovada em breve, o que definiria a tendência de os e-books tornaremse cada vez mais sucesso no Brasil.
Essas três forças - biblioteca, mercado editorial e governo - são os componentes
fundamentais para a definição das políticas que recairão sobre o livro digital e,
consequentemente, a democratização do acesso à leitura e à informação. Estes também são os
aspectos tratados nesse estudo.

2 O Mercado Editorial
Novas formas de publicação e comercialização estão surgindo com o mundo digital.
Para Chartier (1998, p.16) com a era digital “Correm o risco de serem pulverizadas as noções
de autor, editor e distribuidor, que mal se puderam fixar, numa época bastante recente, que
coincide com a industrialização do livro.”. A tecnologia impulsiona mudanças na edição de
livros. A edição eletrônica mistura os papéis de editor, produtor de texto, autor, distribuidor
do livro, que antes eram funções bem definidas e separadas, executadas por indivíduos
diferentes, e agora, são tarefas que podem ser realizadas por uma única pessoa. O livro
eletrônico e as novas formas de produção do livro facilitam a publicação on demand (ou sob
demanda) - neste modelo de negócio o livro é impresso conforme solicitação do cliente/leitor.
Visto por outro ângulo, o mercado editorial exerce controle muito maior sobre livros
eletrônicos do que sobre livros impressos. Para citar um exemplo, “Em julho de 2009, a
Amazon apagou cópias do clássico da Ficção Científica “1984”, de George Orwell, dos
Kindles dos usuários que haviam comprado o título.” (PROCÓPIO, 2010, p. 36). A
explicação da Amazon foi que a versão eletrônica havia sido comprada de uma editora que
não tinha autorização do autor para vendê-lo. Os leitores foram reembolsados, mas ficaram
sem o livro que haviam comprado. As editoras tem mais facilidade de gerência e domínio
sobre os livros em formato eletrônico do que sobre os impressos. Dificilmente uma editora

4366

�conseguiria que os compradores de um livro impresso o devolvessem, mas com os e-books
elas têm autonomia para retirá-los dos aparelhos dos usuários.
O mercado editorial brasileiro desde 2009 está inserido na comercialização de e-books.
Quanto aos aparelhos leitores (e-readers), lojas físicas passaram a comercializá-los em 2012,
mas, até então, a única forma de adquiri-los era em países de primeiro mundo (EUA, Canadá
e Europa). Observa-se que algumas empresas têm acreditado no potencial do Brasil e estão
expandindo seu modelo de negócios. É o caso da Kobo (fabricante de produtos eletrônicos),
que em 2012 realizou uma parceria com a Livraria Cultura. O fruto dessa parceria foi o
lançamento, em 05 de dezembro de 2012, do primeiro e-reader com a marca da rede. Em
entrevista ao Jornal Zero Hora (2012), Sergio Herz explica que
A chegada dos aparelhos faz parte da nossa estratégia de movimentar o
mercado nacional de e-Books e e-readers. A expectativa é tornar a cultura
acessível em todas as plataformas, principalmente em um cenário no qual a
vida digital ganha cada vez mais importância no dia a dia dos brasileiros afirma Sergio Herz, CEO da Livraria Cultura. (2012, documento eletrônico
não paginado).

A Amazon também está investindo no Brasil. Em dezembro de 2012 a Ponto Frio e a
Livraria da Vila passaram a comercializar o Kindle da Amazon por R$ 299,00. “A entrada da
Livraria da Vila como parceira da Amazon na venda de Kindles ocorre em oposição à Livraria
Cultura, que vende o e-reader canadense Kobo Touch no Brasil.” (FOLHA DE SÃO PAULO,
2012, documento eletrônico não paginado). Também em 2012 o Google Play entrou no
mercado brasileiro com aproximadamente 10 mil e-books em português. O livros podem ser
baixados em formato pdf ou ePub e ficam armazenados na conta digital do usuário na nuvem,
ou seja, no ambiente virtual.
A Apple também aposta no mercado brasileiro. A empresa abriu sua loja virtual no
Brasil em outubro de 2012 e oferece um serviço de download de parte do livro em sua
iBookstore para degustação antes do leitor efetivar a compra. Além disso, seus e-books são
compatíveis com outros aparelhos leitores e não somente nos disponíveis pela marca.
Várias empresas e livrarias têm expandido seus negócios no nosso mercado, contudo o
número de lojas, oferta de aparelhos leitores e oferta de livros em formato eletrônico ainda
são incipientes. Apesar disso, em 2012, o catálogo de livros eletrônicos das editoras
praticamente dobrou. É o que mostra Cozer (2012) em pesquisa apresentada na Folha de São
Paulo. Neste processo, algumas editoras conseguiram ter mais de 50% do seu catálogo
convertido. Isso traz certo otimismo ao futuro dos e-books.

4367

�A partir desses dados pode-se perceber que a oferta de livros digitais em português
aumentou consideravelmente nas livrarias brasileiras nos últimos anos, conforme mostra a
pesquisa do site Revolução eBook, realizada em agosto de 2012. O número de e-books
comercializados passou de 11 mil para 16 mil títulos no período de fevereiro a agosto de
2012. Para Melo (2013, documento eletrônico não paginado) “Parece pouco, mas é um grande
progresso: em apenas seis meses, foram colocados à venda mais de 5 mil novos eBooks,
quase 50% de tudo o que era oferecido até fevereiro de 2012.”. Esse aumento na oferta de e­
books retrata que as livrarias tem mostrado mais interesse nessa nova “fatia” do mercado
editorial. E, por consequência, esse crescimento influência de maneira determinante o
interesse dos leitores, que passam a se arriscar nesta nova seara.
As livrarias brasileiras também estão vendendo mais e-books em comparação aos anos
anteriores. Certamente o aumentou da oferta influenciou e motivou a venda dos livros
digitais. Com mais títulos disponíveis nas editoras e livrarias, os e-books ficam em maior
evidência para os leitores. De acordo com pesquisa realizada pelo site Estadão (2013,
documento eletrônico não paginado):
A Companhia das Letras vendeu 400% mais e-books em dezembro de 2012
do que em dezembro de 2011. [...] Na Livraria Cultura, o crescimento
também foi expressivo. Comparando dezembro de 2012 com o de 2011, a
rede vendeu 250% mais e-books. Se o e-reader Kobo tivesse chegado um
pouco antes, talvez os índices fossem ainda melhores.

O lucro obtido por essas empresas as motiva a disputarem a preferência do leitor e,
para isso, utilizam estratégias diferentes visando conseguir sua fidelidade. A Livraria Cultura
tem uma estratégia de venda interessante, na loja são oferecidos aos clientes pequenos folders
do tamanho de livros. Esse material promocional, como a livraria denomina, contém a capa
do livro de um lado e no verso informações, como resumo, formatos disponíveis e formas de
compra (no site ou no caixa). Este folder simula um livro tradicional, porém, apresenta a
propaganda de um livro digital. Já a Amazon disponibiliza aos usuários o “Look Inside”, que
é um serviço de pesquisa por palavras-chave dentro do livro digital realizado antes de adquirir
a obra fisicamente. A intenção é que o leitor possa “degustar” o livro antes de comprá-lo.
Para os leitores brasileiros a concorrência entre livrarias e empresas que
comercializam e-books - seja em lojas físicas ou virtuais - traz muitos benefícios e pode
contribuir para o barateamento dos livros eletrônicos e dos e-readers. O ingresso da Amazon,
Google Play e da parceria da Livraria Cultura e Kobo, marca um grande avanço para o

4368

�mercado editorial brasileiro de e-books e contribui para aceitação deste novo formato de livro
pelos leitores.
No entanto, a realidade atual ainda está marcada pelo alto custo que livros e
equipamentos leitores representa para o consumidor/leitor. “O brasileiro tem anseio por
informação, mas tem um problema que é o preço. Não há justificativa nenhuma para o Brasil
ter o e-reader mais caro do mundo. Antes de chegar às lojas eles sofrem um aumento de 70%
por causa dos impostos.”, declarou Sérgio Hertz, presidente da Livraria Cultura, em entrevista
concedida em maio de 2014 à Folha de São Paulo (BORBA, 2014, documento eletrônico não
paginado).

3 A Questão do Preço
Apesar de haver grande concorrência no mercado editorial de e-books, no Brasil, seu
custo ainda é muito similar ao do livro impresso e, às vezes, até mesmo mais caro. Isto acaba
desmotivando a compra pelos leitores. Uma das causas para os altos preços cobrados pelo
mercado editorial, conforme justifica Procópio (2010, p. 124) se dá porque “[...] a própria Lei
de Moore obriga as empresas de tecnologia a reinventarem quase que diariamente os seus
equipamentos para manterem-se com os seus preços também imediatamente nivelados.”. Os
leitores são bombardeados incessantemente com lançamentos e não chegam a perceber a
baixa dos preços dos aparelhos leitores nem dos livros digitais.
Algumas alternativas têm surgido para tentar tornar os aparelhos leitores mais baratos,
é o caso do projeto alemão Txtr Beagle, que de acordo com Cardoso (2013, documento
eletrônico não paginado) “A idéia é um leitor subsidiado custando em torno de 10 Euros. Esse
leitor seria vendido em lojas de conveniência, papelarias [...]”. O aparelho, que custaria no
Brasil, aproximadamente, R$ 26,00, comporta livros protegidos por Digital Right
Managemant (DRM), em formato ePub e o controle do equipamento, alimentação e
transferência é feito via Bluetooth, através de uma app de smartphones, rodando em Android
ou iOS. Projetos desse porte poderiam ser a solução para evitar ou amenizar a exclusão
digital.
Em relação aos preços dos livros digitais o blog Revolução E-book, realizou, em abril
de 2012, uma pesquisa comparativa entre os valores cobrados por editoras nacionais e
internacionais para e-books e livros impressos. A pesquisa apresenta os valores comparativos
para a Biografia de Steve Jobs, em versão eletrônica e impressa. Os resultados mostram que
há editoras que ainda não comercializam livros eletrônicos, existindo apenas a versão
impressa - é o caso da Fnac. Outras possuem tanto formato impresso quanto a digital.

4369

�A pesquisa aponta que o livro eletrônico, no Brasil, é apenas 14% mais barato que a
versão impressa. Voltando ao caso da Fnac, que possui apenas a versão impressa da Biografia
de Steve Jobs, ela também oferece o valor mais baixo para o livro impresso em relação as
demais livrarias. Esta diferença de valores pode contribuir para que os leitores reflitam e
acabem comprando a versão impressa, já que, em alguns casos, a diferença de valores acaba
sendo pequena para motivar a compra de um livro digital.
Existem grandes diferenças entre os valores cobrados por livros impressos e digitais
no Brasil e no exterior. Cozer (2012) apresenta os resultados de uma pesquisa, realizada para
a Folha de São Paulo, onde mostra as discrepâncias entre os valores de dois best-sellers de
2012: Cinquenta tons de cinza e A guerra dos tronos, em cinco livrarias diferentes. No
primeiro caso pode parecer que o valor é tabelado, pois a Amazon Brasil, Google Play,
Livraria Cultura e Livraria Saraiva o vendem por R$ 22,41. Enquanto que o livro “A guerra
dos tronos” é vendido por uma diferença pequena nas lojas Amazon Brasil e no Google Play.
Comparando os valores cobrados pelos e-books nos Estados Unidos da América e no Brasil,
observa-se que os brasileiros são mais caros, devido à tributação.
Caldas (2013, documento eletrônico não paginado) comenta que
O preço alto no Brasil é pressionado em grande parte pelas editoras,
responsáveis por estipular o valor de capa no país. Nos Estados Unidos, a
redução do preço veio graças à força de um outro personagem na história: o
escritor, que, em certos casos, pode negociar a exposição de sua obra
diretamente com as livrarias virtuais.

Os mesmos títulos possuem valores diferentes conforme a editora ou livraria que o
vende e as editoras também são responsáveis pelos altos valores cobrados pelos e-books no
Brasil. Os editores apostam em uma legislação específica para livros digitais que viria a
contribuir com a diminuição ou mesmo a isenção de taxas, o que possibilitaria o barateamento
dos custos. Criação de Projeto de lei, neste sentido, estaria sendo pensado no âmbito da
Câmara dos Deputados, tendo, inclusive, ocorrido um primeiro seminário para discutir o
assunto, no início de maio de 2014.

4 O Livro Eletrônico nas Bibliotecas
As mudanças na sociedade exigem que as bibliotecas se adaptem a essas novas
condições. Os leitores sob a influência da sociedade da informação exigem que as bibliotecas
ofereçam novos produtos e serviços, como o empréstimo de e-books, pois eles estão
acostumados a buscar informação em diversas fontes, e para que haja interesse na biblioteca é

4370

�necessário que ela esteja atualizada e presente nesta nova realidade. Observa-se que o livro
digital está sendo inserido com muita intensidade nas bibliotecas americanas que perceberam
o que os usuários querem e estão oferecendo esses serviços. No Brasil esta inserção também
está acontecendo, mas em menos escala.
Em 2012, uma pesquisa mostrou que 3/4 das bibliotecas estadunidenses oferecem e­
books para empréstimo (ZICKUHR et al., 2012). Outras bibliotecas estrangeiras oferecem
também o aparelho leitor com os livros digitais escolhidos pelo usuário (SILVA, 2011). No
Brasil, as 54 universidades públicas brasileiras oferecem bases de dados com coleções de e­
books (MAGALHÃES; CERÁVOLO, 2012). Este é um panorama muito otimista, pois
mostra que o Brasil está efetivamente incorporando os livros digitais.
As editoras exercem um papel fundamental na intermediação do acesso da biblioteca
ao livro em formato impresso ou digital. O modelo de negócios das editoras com as
bibliotecas é diferente daquele com consumidores individuais e ocorre através de acordos,
contratos por meio de licitações e pregões. Em alguns casos as distribuidoras intermediam a
negociação entre a biblioteca e a editora, pois comercializam o livro e ficam encarregadas dos
contratos. Há também os agregadores de conteúdo que trabalham com diversas editoras
fornecendo o acesso ao livro digital às bibliotecas através de plataforma on-line (GRIGSON,
2011).
No Brasil algumas bibliotecas estão se revitalizando, oferecendo aos usuários livros
digitais e realizando empréstimo domiciliar do aparelho leitor (BBC BRASIL, 2013).
Contudo, observa-se que algumas editoras, por receio da forma de empréstimo do livro digital
nas bibliotecas ou por causa da insegurança que envolve o direito autoral, têm mostrado
resistência, dificultando a comercialização. É o caso da Hachette que em outubro de 2012
aumentou os preços dos e-books para bibliotecas (PINHEIRO, 2012).
O relatório elaborado pela Associação de Bibliotecas da América (ALA) apontou que
“O crescimento dos e-books estimulou a demanda, mas as bibliotecas têm acesso limitado a
eles por causa de restrições das editoras.” (BBC BRASIL, 2013, documento eletrônico não
paginado). O relatório também destaca que “[...] grandes editoras, como Macmillan, Simon
and Schuster e Hachette, têm se recusado a fornecer livros digitais às bibliotecas.”.
Algumas editoras limitam a 26 acessos, ou seja, o livro só pode ser usado/emprestado
26 vezes, neste caso, ao esgotar-se esse número o livro não poderá mais ser acessado ou
realizado download. Consequentemente, a biblioteca terá que adquirir novamente o título para
fornecer aos usuários. Essas editoras alegam que estão “[...] defendendo os direitos dos

4371

�autores e argumentam que os limites de acesso levam em conta a vida útil que um livro em
papel teria.” (BBC BRASIL, 2013, documento eletrônico não paginado).
As restrições de acesso e o elevado preço do livro digital para bibliotecas constituemse em um obstáculo a aquisição e um duro golpe a disseminação da informação. É comum
bibliotecas sofrerem reduções orçamentárias, que dificultam a aquisição de materiais
bibliográficos e as restrições impostas pelas editoras complicam ainda mais essa situação.
Quanto à aquisição individual de e-books vale destacar que, geralmente, os
fornecedores oferecem um pacote com diversos títulos agrupados por assunto e dificilmente
vendem um único título (GRIGSON, 2011). O preço do livro individual pode ser de 20 a
100% mais caro (SERRA, 2012). O agravante deste modelo de negócios para a biblioteca é
que podem ser comprados títulos que não serão utilizados ou que não são de interesse dos
usuários, mas que estarão no pacote. Algumas empresas estão desenvolvendo projetos pilotos
para negociação com bibliotecas e novos modelos de negócios, pois acreditam que a
incorporação de livros digitais em bibliotecas aumenta visibilidade da editora e,
consequentemente, a comercialização (CRUTCHER, 2013).
Por outro lado, o empréstimo do livro digital pode ser realizado através da plataforma
do fornecedor/editora ou através de empréstimo de aparelhos leitores da biblioteca contendo a
seleção de livros do usuário. No empréstimo de aparelhos leitores, a biblioteca fornece o
tablet ou e-reader ao usuário que pode utilizá-lo no ambiente da biblioteca ou fazer
empréstimo domiciliar por um período pré-determinado com os títulos de seu interesse.
Novas formas de empréstimo estão sendo discutidas. O 3° Congresso Internacional do
Livro Digital, realizado em 2012, pela Câmara Brasileira do Livro, mostrou que existem
muitas dúvidas no que diz respeito a melhor forma de empréstimo aos usuários e novas
possibilidades continuam surgindo. Um dos levantamentos diz respeito a possibilidade de
pagamento por acesso pela biblioteca, neste caso, a biblioteca pagaria um valor determinado
conforme o uso do livro e, caso não fosse utilizado não haveria pagamento (PIZARRO,
2012).
Silva (2011, p. 15) aponta que com o empréstimo de livros digitais “[...] cumpre-se
assim o objetivo da biblioteca de difundir a informação - que já não está mais somente no
livro, além de servir de vitrine para outros produtos e serviços oferecidos.”. O autor destaca
que “As decisões do bibliotecário de adotar o empréstimo de e-books depende de um
entendimento das necessidades atuais dos usuários, não é uma questão de gosto pessoal.”
(SILVA, 2011, p. 96).

4372

�Apesar de o livro eletrônico ser tão caro e as soluções legislativas estarem caminhando
lentamente, os bibliotecários precisam estar atentos às mudanças no perfil dos usuários e estar
preparados para oferecer os serviços que eles procuram. Contudo, não sendo possível adquirir
e-books na biblioteca, uma solução intermediária para os bibliotecários pode ser o
fornecimento de acesso aos livros digitais, disponíveis em domínio público.

5 A Postura Governamental e a Legislação
Na sociedade da informação, a legislação deve acompanhar a evolução social do
conceito de livro. Notadamente, os empecilhos à universalização e à democratização do livro
eletrônico são as relações políticas, econômicas e tributárias que o envolvem. Procópio
entende que
O Governo tem uma missão extremamente importante e imprescindível com
relação ao livro no Brasil e deve urgentemente pensar em resolver essa
questão. A questão da leitura em nosso país está no cerne da educação. Sem
a leitura, sem os livros, não há educação. Talvez pudéssemos fazer uso deste
novo cenário da digitalidade de conteúdo, talvez isso pudesse ajudar no
processo de ensino-aprendizagem. (PROCÓPIO, 2010, p. 204).

Cabe aos governantes o engajamento e a dedicação na elaboração de políticas para a
democratização do uso de aparelhos leitores e e-books, através da imunidade tributária,
incentivando pequenos preços. Dessa forma, para o leitor será mais rentável comprar um e­
reader, por exemplo, e adquirir diversos e-books a um custo baixo, do que comprar livros
tradicionais ou retirá-los por empréstimo em bibliotecas.
Em virtude do avanço tecnológico, existe uma indagação à respeito da extensão da
norma imunizante tributária aos e-books e e-readers. A Constituição Federal de 1988
(BRASIL, 1988) prevê que haja imunidade para livros, conforme o texto a seguir:
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é
vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
VI - instituir impostos sobre:
d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão; [..]

Contudo, deve-se ponderar que em 1988, quando a atual Constituição Federal passou a
vigorar, não existiam pretensões do livro se apresentar em outro formato que não fosse o
papel. Por esse motivo, a referida Constituição não distingue os formatos de livro nem
esclarece sobre a imunidade tributária dos livros eletrônicos, restando dúvidas, controvérsias e
muita especulação a respeito de sua extensão a este tipo de suporte. A imunidade tributária
dos livros eletrônicos e dos aparelhos leitores são temas muito polêmicos nos dias atuais.

4373

�Sobre esse assunto, tramita no Supremo Tribunal Federal, um recurso extraordinário
interposto pelo Estado do Rio de Janeiro,
[...] em que se discute, à luz da alínea “d” do inciso VI do art. 150 da
Constituição Federal, se a imunidade tributária concedida a livros, jornais,
periódicos e ao papel destinado a sua impressão alcança, ou não, suportes
físicos ou imateriais utilizados na veiculação de livro eletrônico. (BRASIL.
Supremo Tribunal Federal, 2001, RE 330817).

Esse processo é uma contestação do Estado do Rio de Janeiro contra a decisão da 11a
Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) que reconheceu a
imunidade relativa ao ICMS na comercialização de enciclopédia jurídica eletrônica em um
mandado de segurança impetrado por uma editora. De acordo com o entendimento do TJ-RJ,
[...] livros, jornais e periódicos são todos os impressos ou gravados, por
quaisquer processos tecnológicos, que transmitem aquelas ideias,
informações, comentários, narrações reais ou fictícias sobre todos os
interesses humanos, por meio de caracteres alfabéticos ou por imagens e,
ainda, por signos. (BRASIL. Supremo Tribunal Federal, 2012).

No recurso ao STF, o Estado do Rio defende que o livro eletrônico é um meio de
difusão de obras culturais diferente do livro impresso e por esse motivo não deve ter
imunidade tributária, da mesma forma que outros meios de comunicação que não são
amparados pelo dispositivo constitucional (BRASIL. Supremo Tribunal Federal, 2012).
Apesar da existência de divergências nas interpretações da norma jurídica, essa deve
acompanhar a evolução tecnológica do livro, para garantir os direitos fundamentais do
cidadão. Menezes (2012, documento eletrônico não paginado) pontua que
A imunidade aos livros é verdadeiro instrumento de garantia de direitos
fundamentais, visando à proteção da liberdade de expressão e a difusão da
cultura. Assim, considerando a finalidade de difusão da informação, seria
lógica a extensão da imunidade tributária aos livros eletrônicos e quaisquer
outros meios modernos de levar informação às pessoas. Há quem argumente
que apenas a elite tem acesso a livros eletrônicos e similares, o que
desestimularia a extensão da imunidade, mas essa seria mais uma razão para
torná-los mais populares com a diminuição do seu custo para a população de
menor renda através da imunidade tributária, já que se sabe que a carga
tributária no nosso país é muito pesada, podendo dobrar o preço de certos
produtos. Manter os tributos sobre tais produtos somente os tornará ainda
mais inacessíveis para a população com menor padrão de vida. A alta carga
tributária não deixa de ser uma forma de restringir a informação por não
permitir que alcance as camadas mais humildes da população, o que é
combatido na nossa Carta Magna: “Art. 220. A manifestação do pensamento,
a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou
veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta
Constituição.”

4374

�O livro eletrônico causou uma revolução no que diz respeito a sua tributação e carece
de mais atenção dos legisladores. As autoridades precisam reconhecer que o livro eletrônico é
livro e, que o aparelho leitor é parte fundamental para sua leitura, da mesma forma que o
papel é para o livro tradicional. Sendo assim, é necessário revisar o texto constitucional e, até
mesmo ampliá-lo através de Emenda Constitucional, estendendo a imunidade tributária aos e­
books e aos aparelhos leitores, a fim de evitar dúvidas sobre esse assunto. Lima (2003, p. 34)
sustenta que
1. O livro eletrônico pode e deve, perfeitamente, ser compreendido no
conceito de livro, contido no artigo 150, VI, d, da Constituição Federal de
1988, utilizando-se a interpretação evolutiva, axiológica e sistemática do
dispositivo imunitório, sem desbordar dos demais perceptivos que compõem
todo o arcabouço constitucional brasileiro.
2. Os insumos que compõem o livro eletrônico devem ser abarcados pela
norma imunizante do art. 150, VI, d, da Lei Maior, que traz expressamente a
desoneração do insumo papel no centenário livro de papel.
3. A norma desonerativa do artigo 150, VI, d, deve alcançar o livro
eletrônico, por tratar-se de um instrumento de garantia de vários dispositivos
constitucionais como a livre manifestação do pensamento (art. 5°, IV) a livre
manifestação da atividade científica e artística (art. 5°, IX) o livre acesso à
informação (art. 5°, XIV) a educação como dever do Estado (art. 205) o
incentivo ao desenvolvimento científico e pesquisa (art. 218), dentre outros.
A esse respeito, o ponto de vista de Velloso (2012, documento eletrônico não
paginado) é o seguinte:
Parece-nos evidente que os livros são imunes, independentemente do seu
formato, sobretudo porque o texto constitucional não faz diferenciação
alguma e o Supremo Tribunal Federal sempre interpretou a imunidade do
art. 150, VI, d, da CF à luz da sua finalidade, chegando a estendê-la aos
álbuns de figurinhas e às listas telefônicas.
Na concepção de Silva os aparelhos leitores devem receber imunidade tributária da
mesma forma que os livros eletrônicos, conforme destaca:
Os leitores de livros eletrônicos ou digitais encontram-se imunizados pela
norma do artigo 150, inciso VI, alínea “d” da Constituição Federal, pelos
mesmos fundamentos que o livro eletrônico e os insumos necessários à
produção do livro de papel encontraram abrigo na imunidade, esses últimos
em recente decisão do STF. A razão de ser da norma constitucional consiste
em não tributar tudo àquilo que sirva de suporte ao desenvolvimento do livro
- estando o aparelho destinado exclusivamente à leitura de livros eletrônicos
ao alcance da imunidade tributária. (2012, p. 5553).
Em 2010, o juiz federal José Henrique Prescendo, da 22° Vara Federal de São Paulo,
garantiu a imunidade tributária ao Kindle. Conforme a decisão:

4375

�Diante do exposto, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE O PEDIDO,
a fim de reconhecer imunidade tributária do produto denominado “Kindle”,
nos termos do art. 150, inciso VI, alínea “d”, da Constituição Federal,
ficando o impetrante dispensado do recolhimento de impostos por ocasião do
desembaraço desse bem. (SÃO PAULO, 2010, documento eletrônico não
paginado).

Assim, abriu-se precedente aos aparelhos similares. O aparelho leitor não pode ser
equiparado ao livro eletrônico, mas é seu insumo principal e por esse motivo também deve
receber imunidade tributária. A imunidade tributária é um fator fundamental para o
barateamento dos aparelhos de leitura, aplicativos e do e-book em si, pois assim o consumidor
tem assegurado seus direitos fundamentais de acesso à cultura, educação e informação,
independentemente da posição social e econômica em que se encontra. Consequentemente, o
reconhecimento da imunidade tributária contribui para o aumento da inclusão digital, para a
disseminação e popularização deste formato de livro.
O suporte informational do livro eletrônico não deve ser motivo para a alta tributação.
Livro eletrônico é livro e, sendo assim, deve ter imunidade tributária. Cabral (2009, p. 32)
pontua que “A imunidade do livro é um instrumento constitucional para assegurar a livre
circulação do pensamento.”. Para o autor,
Se alguém resolvesse editar livros em lâminas de argila, esta operação
estaria imune como acontece com o livro eletrônico. A modernização dos
meios e bases de expressão da arte, no caso, do livro, goza,
constitucionalmente, de imunidade tributária. (CABRAL, 2009, p. 32).

Sergio Herz, presidente executivo da Livraria Cultura, entende que “Não é o livro que
é caro. O Brasil é caro. O sistema tributário no país é muito injusto. Se importar cem Kobos,
preciso pagar o imposto de todos antes mesmo de vender o primeiro [...]”. (ZERO HORA,
2013, documento eletrônico não paginado). Atualmente o imposto sobre produtos
industrializados (IPI) é de 15%, somado a outros impostos, a tributação encarece
demasiadamente o livro eletrônico.
O mercado livreiro também está apostado em um fator que deve jogar os números de
vendas de livros digitais para cima nos próximos meses: a previsão de aprovação das
modificações na Lei 10.753/2010, que institui a Política Nacional do Livro. Uma das
propostas é incluir ‘equipamentos cuja função exclusiva ou primordial seja a leitura de textos
em formato digital’ na lista de isenções da Lei, que isenta livros físicos. Se essa modificação
for aprovada, o preço dos leitores digitais (E-readers) deve cair vertiginosamente, porque os
impostos que incidem sobre importações de aparelhos eletrônicos podem chegar a 60% do

4376

�valor total, de acordo com o relatório da empresa de consultoria alemã Rüdiger Wischenbart
(RW).
Outra possibilidade é a implementação de um Projeto de Lei, no âmbito da Câmara
dos Deputados, que trate do livro digital e, consequentemente, inclua aparelhos para sua
leitura. Neste sentido, foi realizado um seminário, em início de maio de 2014, no intuito de
levantar aspectos a serem contemplados no referido projeto. Sobre este evento a Folha de São
Paulo publicou que o projeto de lei que pretendia dar igual tratamento para livros de papel e
aparelhos digitais de leitura (os e-books) vai mudar o foco e tratar apenas obre o conteúdo das
obras. A proposta original reduziria a tributação sobre esses equipamentos, reduzindo os
preços para os consumidores. A notícia não agradou Amazon e Kobo/Livraria Cultura, que
esperavam expandir suas bases de clientes com o fim do imposto de 60% sobre seus aparelhos
de leitura. Por outro lado, está pavimentado o caminho para a aprovação da lei que elimina
impostos sobre ebooks - o foco exclusivo no conteúdo removeu o principal obstáculo para a
sanção da nova lei pelo governo federal (BORBA, 2014).
O que fica claro é que a visão do governo, expressa nessa reunião na Câmara dos
Deputados é que o livro digital é uma realidade e a preocupação é com democratizar o acesso.
Não há discordância sobre a questão de dar incentivos tributários ao conteúdo digital. O
debate, segundo a deputada Fátima Bezerra (PT-RN), que conduziu a discussão na Câmara,
“[...] está no ponto de vista tributário de desoneração do aparelho”. Para ela a solução seria
adotar um caminho alternativo, utilizando o projeto de lei para equiparar o que é considerado
livro, a partir do tipo de conteúdo (seja em papel ou digital) e deixar a tributação do aparelho
para a conhecida como ‘Lei do Bem’.
Observa-se que para alavancar o mercado brasileiro de e-books as autoridades
precisam se adaptar frente à mudança tecnológica e entender que são necessárias medidas
urgentes de alteração na legislação nacional a fim de popularizar o produto. O fruto dessas
mudanças será melhores condições de acesso ao conhecimento por todos brasileiros, já que o
barateamento dos livros eletrônicos causa motivação nos leitores/consumidores e viabiliza o
fomento às práticas de leitura, independentemente do formato do livro. Dessa forma, a
legislação acompanhará os avanços dessa área, que por consequência, contribuirá para a
formação de cidadãos mais perceptivos e críticos.
Por um lado, as bibliotecas têm o desafio de avaliar a incorporação do livro digital em
seus acervos, visto que, não incorporá-lo significa oposição ao avanço tecnológico e para
atrair mais leitores é necessário se aliar a tecnologia e não afastar-se. Neste viés, a biblioteca
deve observar as necessidades informacionais do usuário, os recursos financeiros disponíveis

4377

�para aquisição de e-books, as formas de preservação desses materiais, a interoperabilidade dos
registros e arquivos e a capacitação da equipe. Assim, a inclusão de livros digitais no acervo
da biblioteca não pode ser uma decisão tomada impulsivamente, pelo contrário, deve ser
analisada minuciosamente para evitar a oferta e depois sua exclusão, pois, dessa forma, a
biblioteca pode perder credibilidade perante os usuários.
Por outro lado, deve-se estar atento ao crescimento na venda dos livros digitais no
mercado nacional, que supera países como os Estados Unidos, segundo projeções da empresa
de consultoria alemã RW. O ingresso da Amazon, Apple, Google Play e Kobo no mercado
brasileiro de e-books marca um grande avanço para a propagação de e-books, contribui para
aceitação deste novo formato de livro pelos leitores e acirra a competição entre as editoras e
livrarias no País. Para os leitores a concorrência entre livrarias em lojas físicas ou virtuais traz
muitos benefícios e pode contribuir para o barateamento dos livros eletrônicos e dos e­
readers.
Ainda é pequena a diferença entre os valores do livro impresso e do livro digital no
Brasil. E, certamente, a baixa dos preços incentivará o aumento nas vendas de e-books e,
consequentemente, sua popularização. Os preços baixos motivariam até mesmo os mais
entusiastas do livro impresso a trocar para o formato digital. As altas taxas cobradas no Brasil
sobre o livro digital e o aparelho leitor, assim como a cobrança do preço de capa estabelecida
pelas editoras também contribuem significativamente para a continuidade dos altos preços.
Ressalta-se que os preços altos cobrados no País estão vinculados ao mercado livreiro,
que define os custos dos livros e que, talvez por medo de perder cada vez mais mercado no
livro impresso, não viabilizam custos mais baixos e efetivamente competitivos para o
mercado de livros digitais. Por outro lado, a tributação incidente sobre o aparelho leitor
encarece bem mais o produto, diminuindo a possibilidade de expansão desse nicho. Soma-se a
isto, o fato de que as autoridades governamentais, por um lado responsáveis pelo
estabelecimento de leis e regras contra a pirataria, viabilizando a segurança digital das obras
criadas, só agora estão começando a pensar em definir políticas que levem ao decréscimo do
custo do livro digital e seus equipamentos de leitura. Importante lembrar também que, além
disto, é necessário adequar a legislação já existente às novas exigências de público e mercado.
Acredita-se que há um longo caminho a percorrer e muitos ajustes precisarão ser feitos
envolvendo editores, bibliotecas e governo, mas entende-se que urge incentivar esta discussão
que se inicia para que a inclusão digital se faça de forma cada vez mais contundente,
promovendo com mais intensidade a cultura e o acesso à informação.

4378

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4379

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4381

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                <text>Na sociedade da informação, a legislação deve acompanhar a evolução social do conceito de livro. Este texto tem como objetivo comentar a questão do livro digital, seu mercado editorial, sua assimilação entre os usuários, o acesso disponibilizado pelas bibliotecas, bem como as ações governamentais relacionadas a seu custo. Expõe, através de pesquisa bibliográfica e análise documental, os aspectos anteriormente relacionados, tendo em vista que o mercado editorial brasileiro, desde 2009, está inserido na comercialização de e-books e a partir de 2012 apresenta lojas físicas comercializando e-readers. Comenta sobre o controle que o mercado editorial exerce sobre os livros eletrônicos e seu alto preço, muito similar ao livro impresso, que leva a questionamentos em relação a sua disseminação de maneira democrática. Explana sobre aimportância das bibliotecas oferecerem acesso aos livros digitais para  eus usuários e os entraves hoje existentes. Discorre sobre a necessidade das autoridades reconhecerem que o livro eletrônico é livro e que o aparelho leitor é parte fundamental para sua leitura, buscando legislar de forma a baixar ou mesmo garantir a imunidade tributária de ambos. Mapeia ações jurídicas e governamentais que estão acontecendo, neste sentido. Conclui mostrando a importância de políticas governamentais que garantam os direitos fundamentais do cidadão de acesso à cultura, educação e informação, independentemente de sua posição social e econômica. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O LIVRO DIGITAL COMO FORMA DE DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO AO
CONHECIMENTO E A CULTURA
Stella Moreira Dourado
Ana Ligia Silva Medeiros

RESUMO
O acesso à cultura e aos bens culturais é direito de todo cidadão, mas nem todos tem acesso.
As tecnologias informacionais e a internet geram várias possibilidades de ampliação do
acesso à cultura para os indivíduos, gerando uma nova cultura - a digital. Neste trabalho,
buscou-se analisar as contribuições das tecnologias informacionais e da internet para um
maior acesso à cultura, utilizando o livro digital, disponibilizado gratuitamente, como veículo
de democratização do acesso ao conhecimento. Para tanto, realizou-se uma pesquisa
bibliográfica e documental sobre cultura e as transformações promovidas pelas tecnologias
informacionais e da internet, ocasionando o surgimento da cultura digital e como essa nova
cultura favorece a democratização do acesso ao conhecimento para a sociedade. Foi realizado
também um levantamento de iniciativas de publicação de livros digitais gratuitos que
permitam uma maior democratização do acesso ao conhecimento e a cultura. Contatou-se que
com a cultura digital, os cidadãos podem participar de forma ampla e colaborativa nas redes
online, se expressando culturalmente e passando de expectadores para atores culturais.
Palavras-Chave: Cultura; Cultura digital; Tecnologias informacionais; Livro digital;
Democratização do acesso ao conhecimento.
ABSTRACT
Access to culture and cultural goods of every citizen is entitled, but not everyone has access.
The information technologies and the internet generate several options for expanding access
to culture for individuals, generating a new culture - the digital. In this study, we sought to
analyze the contributions of information technologies and the Internet to increase access to
culture, using a digital book available for free, as a means of democratizing access to
knowledge. To do so, we performed a bibliographic and documentary research on culture and
the transformations promoted by information technologies and the Internet, causing the
emergence of digital culture and how this new culture favors the democratization of access to
knowledge for society. A survey of initiatives to publish free digital books that allow for
greater democratization of access to knowledge and culture was also performed. It was noted
that with the digital culture, citizens can participate in a wide and collaborative networks in
the online form, expressing culturally and from viewers for cultural actors.
Keywords: Culture; Digital culture; Informational technologies; Digital book;
Democratization of access to knowledge.

4351

�1 INTRODUÇÃO
O acesso à cultura e aos bens culturais é direito de todo cidadão. O acesso à cultura é
importante para a formação de cidadania e para a criação de identidade dos indivíduos.
Contudo, esse acesso, na maioria das vezes é privilegio de camadas sociais com mais poder
aquisitivo. Indivíduos com baixo poder aquisitivo, dependiam de iniciativas culturais públicas
ou de baixo custo tais como bibliotecas, arquivos, museus, centros culturais, teatro e cinema.
O advento das tecnologias informacionais e da internet gerou várias possibilidades de
ampliação do acesso à cultura para os indivíduos, gerando uma nova cultura - a digital. Com
a cultura digital houve várias transformações na indústria cultural, o que permitiu um maior
acesso aos bens culturais, tais como música, cinema, televisão, bibliotecas, livros, entre
outros, por meio da disponibilização gratuita de arquivos digitais na internet.
Diante desse cenário, buscou-se analisar as contribuições das tecnologias
informacionais e da internet para um maior acesso à cultura, utilizando o livro digital,
disponibilizado gratuitamente, como veículo de democratização do acesso ao conhecimento.
Para alcançar o objetivo proposto, realizou-se uma pesquisa bibliográfica e
documental sobre cultura e as transformações promovidas pelas tecnologias informacionais e
da internet, ocasionando o surgimento da cultura digital e como essa nova cultura favorece a
democratização do acesso ao conhecimento para a sociedade. Em seguida foi realizado um
levantamento de iniciativas de publicação de livros digitais gratuitos que permitam uma maior
democratização do acesso ao conhecimento e a cultura.

2 CULTURA, UM DIREITO DO CIDADÃO
Cultura pode ser compreendida como “artefatos, bens, processos técnicos, ideias,
hábitos e valores herdados”, segundo o conceito clássico de Malinovski (1975). Porém, este é
um dos inúmeros conceitos conhecidos para definir cultura. No clássico trabalho de Kroeber e
Kluckhohn (1952) foram encontradas 164 definições, mostrando a complexidade do tema.
Para agravar a compreensão, este termo pode ser abordado sob diversos aspectos, como por
exemplo, o da biologia, da agricultura, da sociologia e da antropologia, entre outros.
A UNESCO elaborou a Declaração do México, durante a Conferência Mundial sobre
Políticas Culturais (MONDIACULT), em 1982, cuja interpretação vem apoiando diversas
políticas públicas em muitos países. A cultura é entendida como:

4352

�[...] todo o conjunto de traços distintivos espirituais, materiais, intelectuais e
emocionais que caracterizam uma sociedade ou grupo social. Ele inclui não
apenas as artes e as letras, mas também os modos de vida, os direitos
fundamentais do ser humano sendo, os sistemas de valores, tradições e
crenças. (UNESCO, 1982).

A marca constante em todas as definições é o homem. Sem o homem não há cultura,
pois este representa suas manifestações, que compreendem tanto os aspectos materiais quanto
os imateriais. Os aspectos materiais correspondem a qualquer tipo de utensílio produzido pela
sociedade, seja um copo, um livro, um tablet, entre outros, e, também, os bens edificados
como igrejas e praças. Nos bens imateriais, ou intangíveis, estão compreendidas as crenças, as
práticas e as habilidades de um povo, como o carnaval, o frevo, o queijo de Minas, as baianas
do acarajé, etc.
O acesso à cultura é considerado um direito do cidadão, sendo um tema que vem
despertando crescente interesse. Atualmente, muito se discute sobre a questão dos direitos
culturais, porém, esta questão não está ainda totalmente determinada devido à grande
quantidade de definições e abordagens. A UNESCO, segundo Machado (2011, p.106)
reconheceu a necessidade de elaborar inventário sobre os direitos culturais. Esta indefinição
da abrangência da área cultural acarreta “a falta de consenso a respeito de quais são os direitos
culturais dá lugar a diferentes maneiras de tipificá-los, nomeá-los e defini-los”. (Machado,
2011, p. 106).
A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 215 considera a cultura um direito de
todos, o que poderia ser um grande avanço para a sociedade, porém as áreas englobadas no
conceito de cultura não estão relacionadas, o que dificulta seu entendimento, bem como a
aplicação deste direito. Machado (2011) alerta, ainda, que o termo cultura é abordado, ainda,
sob diferentes formas na Constituição, verificando que a questão cultural perpassa, segundo o
autor, sete dos nove títulos em que a Constituição se subdivide. Assim, “[...] é lícito concluir
que a cultura é um componente estrutural e estruturante”. (Machado, 2011, p.115).
Em 2010, o Governo Federal lançou o Plano Nacional da Cultura/ PNC elaborado pelo
Ministério da Cultura a partir de seminários e de consultas públicas, representando um grande
avanço na área. Nas metas do PNC (2013) a concepção de cultura é vista de forma ampliada
compreendendo três dimensões: a simbólica, a econômica e a cidadã. Como relação simbólica
pode-se considerar as linguagens artísticas (literatura, artes plásticas, dança etc) e também as
práticas culturais, com os saberes e fazeres, valores e identidade. Já a dimensão econômica
visa incluir a cultura como um fator importante no desenvolvimento econômico, por meio da
geração de empregos e estimulando uma economia criativa. A dimensão cidadã diz respeito

4353

�ao acesso das pessoas aos bens culturais, incluindo os equipamentos culturais, ou seja,
bibliotecas, arquivos, teatros, cinemas, museus e centros culturais, entre outros. Para alcançar
esta meta prevê-se cuidar tanto do fortalecimento da infraestrutura institucional quanto a
capacitação do pessoal envolvido.

3 CULTURA DIGITAL
As técnicas utilizadas pelo homem sempre marcaram a forma de suas manifestações,
influenciando sua maneira de pensar e agir. O avanço das tecnologias da informação e a
internet permitem o estreitamento de barreiras geográficas e possibilitam a livre circulação de
uma infinita quantidade de informações, bem como o surgimento do suporte digital, para a
comunicação e elaboração de conhecimentos. A incorporação social e cultural dessas
tecnologias informacionais e da internet, pode ser considerada uma ruptura, tal como
aconteceu com a disseminação dos tipos móveis por Gutenberg, e pressupõe uma nova
cultura, a cultura digital.
Atingimos o ciberespaço, o espaço onde o homem interage utilizando-se da
interconexão mundial dos computadores. Temos não somente a
infraestrutura material da comunicação, como quantidade ilimitada de
informação que o homem realimenta ao gerar conhecimentos, ao
desenvolver tecnologia, ao navegar nele. (GARCIA, SOUSA, 2011, p. 81).

Na década de 1990, Bill Gates já dava indicativos do surgimento da cultura digital ao
afirmar que
[...] a revolução digital está apenas começando, e a estrada da informação
terá impacto significativo em todas as dimensões da vida humana. No modo
como nos relacionamos com os outros, com o espaço e com o tempo, no
mundo do trabalho e na economia. Essa diversidade de formas sociais
produzidas e modificadas, em que se utiliza a tecnologia de informação e
comunicação, denomina-se cultura digital, termo que ainda não se encontra
consolidado. (GATES, 1995)

Segundo Carvalho Júnior (2009, p. 09) “cultura digital é um termo emergente, vem
sendo apropriado por diferentes setores e incorpora perspectivas diversas sobre o impacto das
tecnologias digitais e da conexão em rede na sociedade”. Lévy afirma que as tecnologias
digitais surgem como a infraestrutura do ciberespaço, novo espaço de comunicação, de
sociabilidade, de organização, de transação e de novo mercado da informação e do
conhecimento, onde o desenvolvimento do digital é “sistematizante e universalizante não
apenas em si mesmo, mas também, em segundo plano, a serviço de outros fenômenos

4354

�tecnossociais que tendem à integração mundial: finanças, comércio, pesquisa científica,
mídias, transportes, produção industrial etc.” (LÉVY, 1999, p. 113)
Para Lévy, (1999) o digital é uma matéria pronta a suportar todas as metamorfoses,
todos os revestimentos, todas as deformações. Através da digitalização, todas as informações
podem ser codificadas: textos, imagens e sons, tornando-se objetos digitais.
Dodebei elaborou, em 2011, um quadro conceitual da cultura digital adaptado da
proposta de Hand (2008) onde traz uma evolução das tecnologias digitais, destacando as
diferenças entre a tecnologia moderna - desenvolvida até o início do século XX e a tecnologia
pós-moderna - baseada na manipulação da informação.

Quadro 1 - Conceitos de Cultura Digital
Tecnologias m odernas
M aterial
C ontínua
O bjetos
D eterm inada
Instru m en tal
A tual
C e n tra d a
Fixa
G overnam ental
Efeitos

Tecnologias pós-m odernas
Discursiva
Discreta
Espaços
Indeterminada
Cultural
Virtual
Descentrada
Móvel
Ingovernável
Performances

Fonte: Dodebei, 2011.

Percebe-se que há diferenças significativas entre as tecnologias modernas e pósmodernas. Dentre elas está o fato de que estas passam a ser descentralizadas e ingovernáveis,
de que são virtuais - cultura digital, e passam de instrumentais para culturais. Pode-se
entender que as tecnologias pós-modernas passam a exercer uma função cultural mais
acentuada que as tecnologias modernas.
O processo de digitalização, uma das principais características da cultura digital,
evoluiu gradativamente e ocasionou grandes mudanças nas indústrias culturais. Segundo Lèvy
(1999) penetrou primeiro na produção e gravação de músicas, mas os microprocessadores e as
memórias digitais tendiam a tornar-se a infraestrutura de produção de todo domínio de
comunicação e aos poucos foi englobando o cinema, a radiotelevisão, o jornalismo, a edição,
a música, as telecomunicações e a informática.

4355

�4

CULTURA

DIGITAL

E

DEMOCRATIZAÇÃO

DO

ACESSO

AO

CONHECIMENTO
O uso intensificado das tecnologias de informação nas últimas décadas vem
facilitando o acesso à cultura pelo cidadão. Este alcance possibilita o estímulo e a facilitação
do processo de inclusão não apenas digital, mas social. Segundo Gil:
A tecnologia sempre foi instrumento de inclusão social, mas agora isso
adquire novo contorno, não mais como incorporação ao mercado, mas como
incorporação à cidadania e ao mercado, garantindo acesso à informação e
barateando os custos dos meios de produção multimídia através de
ferramentas novas que ampliam o potencial criativo do cidadão. Somos
cidadãos e consumidores, emissores e receptores de saber e informação,
seres ao mesmo tempo autônomos e conectados em redes, que são a nova
forma de coletividade. (GIL, 2004).

Segundo Gil (2004) a tecnologia sempre andou de braços dados com a cultura, sendo
que “a revolução tecnológica é, em essência cultural”, pois muda o comportamento do
homem.
O uso pleno da Internet e do software livre cria fantásticas possibilidades de
democratizar os acessos à informação e ao conhecimento, maximizar os
potenciais dos bens e serviços culturais, amplificar os valores que formam o
nosso repertório comum e, portanto, a nossa cultura, e potencializar também
a produção cultural, criando inclusive novas formas de arte (GIL, 2004)

Atualmente, a informação tornou-se mais acessível para a sociedade. Os usuários não
precisam mais enfrentar problemas de acessibilidades ligados ao suporte impresso, físico, eles
“podem viajar diretamente em sua forma digital através de cabos de coxias de cobre, por
fibras óticas ou por via hertziana” (Lévy, 1999, p. 35). Segundo Carvalho Júnior (2009) “este
novo sistema operacional da cultura seria capaz de fomentar ao mesmo tempo criatividade,
produtividade e liberdade, satisfazendo igualmente às demandas tanto de indivíduos quanto de
coletividades”.
Carvalho Júnior fala sobre como as ferramentas digitais possibilitam a construção de
uma cultura participativa, conceito de Benkler (2007):
Com a chegada de ferramentas de colaboração ubíquas, instantâneas e
baratas, torna-se possível promover espaços de debate e construção coletiva
onde modelos de coordenação pública descentralizada podem criar soluções
inovadoras para as questões apresentadas pelo século XXI. Tal
implementação tecnológica no ambiente das redes digitais, aliada ao
conceito de ‘cultura participativa’ de Benkler, cria a possibilidade de se
aproximar perspectivas que antes pareciam excludentes, convidando à
conversa aberta [...] (CARVALHO JÚNIOR, 2009, p. 10)

4356

�Nesse sentido, surgem várias formas de expressão e de comportamentos culturais
viabilizados por meio da rede digital. Artistas, escritores, “blogueiros”, entre outros, utilizam
a rede de forma colaborativa, como espaços de discussão e exposição de ideias, representando
novas formas de expressão cultural.
A biblioteca, uma das instituições responsáveis pelo acesso aos bens culturais,
atravessa, hoje, um momento de adaptação à nova realidade. A utilização das tecnologias
informacionais e da internet possibilita a digitalização do acervo, o trabalho cooperativo entre
as instituições e, principalmente, a quebra das barreiras geográficas e temporais. Estas
instituições, nacionais e internacionais, atravessam um grande desafio decorrente de suas
inserções dentro da cultura digital. Neste sentido, há uma nova perspectiva da atuação social
das instituições de memória, possibilitando aos cidadãos um acesso mais facilitado aos
acervos, até então privilégio de poucos.
A International Federation of Library Associations and Institutions - IFLA, em
parceria com a Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura UNESCO, elaborou o Manifesto para Bibliotecas Digitais, publicado em 2011. Nele, ressaltase a importância das bibliotecas digitais como um fator de inclusão social, pois possibilita o
acesso ao cidadão ao patrimônio produzido pelo homem.
Atenuar a exclusão digital é um fator fundamental para alcançar os Objetivos
de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas. O acesso a recursos de
informação e aos meios de comunicação apoia a saúde e a educação tanto
quanto a cultura e desenvolvimento econômico.
A divulgação de informações capacita os cidadãos a participar na
aprendizagem ao longo da vida e da educação. Informações sobre as
realizações do mundo permitem que todos participem de forma construtiva
no desenvolvimento de seu próprio ambiente social.
Igualdade de acesso ao patrimônio cultural e científico da humanidade é
direito de cada pessoa e ajuda a promover a aprendizagem e a compreensão
da riqueza e da diversidade do mundo, não só para a geração presente, mas
também para as gerações futuras. (IFLA, 2011, p.1).

Percebe-se que, com as tecnologias informacionais e a internet, os indivíduos podem
ter mais acesso à cultura e, além, disso estes podem fazer parte do desenvolvimento de novas
formas de expressão e produção cultural, por meio da participação colaborativa nas redes
digitais. Essas tecnologias e a internet criam possibilidades de democratização de acesso ao
conhecimento, pois permitem maior acesso à informação e aos bens culturais. Com o
estreitamento de fronteiras geográficas e a queda das paredes das bibliotecas, expandiram-se a
cultura e o saber.

4357

�5 O LIVRO DIGITAL COMO FORMA DE DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO AO
CONHECIMENTO E A CULTURA
Historicamente, o livro ficou consolidado como fonte de registro e transmissão do
conhecimento e adquiriu grande representatividade enquanto elemento de preservação,
difusão e popularização da cultura. As atuais tecnologias incorporaram uma nova forma de
circular e sistematizar informações e o livro digital505 tem se destacado como surpreendente
meio de informação possibilitando democratizar o seu acesso a um nível ainda mais alto e de
uma maneira nunca antes pensada uma vez que, centenas de livros e documentos estão
podendo ser acessados com um simples “clique”. (BENÍCIO; SILVA, 2005, p. 12)
A grande variedade de livros digitais disponibilizados online, com acesso gratuito ou
restrito, na sociedade é reflexo do surgimento da cultura digital, onde o constante processo de
inovação tecnológica promovem mudanças comportamentais que alimentam e são
alimentadas pelos meios eletrônicos.
O movimento de acesso livre que propõe o compartilhamento de conhecimentos de
forma equânime é um dos fatores que possibilitam a disponibilização do livro digital como
forma de democratização de acesso ao conhecimento. Com o acesso livre aos livros digitais,
os indivíduos podem ter maior acesso à informação e, consequentemente à cultura, pois
podem acessar gratuitamente as obras por meio de leitura online ou download.
O Projeto Gutenberg, criado em 1971, foi à primeira iniciativa de disponibilizar livros
online gratuitamente. É um projeto internacional, mas possui uma versão em português. Tem
por missão “disponibilizar informação, livros e outros materiais ao público em geral em
formas que a vasta maioria dos computadores, programas e pessoas possam facilmente ler,
usar, citar e pesquisar” (PROJETO GUTENBERG, 2014). Com isso, o projeto disponibiliza
livros digitais que estão em domínio público para download gratuitamente.
Editoras internacionais cada vez mais vêm permitindo o acesso livre aos livros digitais,
participando assim, de um movimento que sublinha questões associadas à responsabilidade
social e à democratização da informação, no sentido de tornar a informação acessível de
forma gratuita para todos. Podemos destacar algumas iniciativas de consórcios de editoras
universitárias internacionais adotaram os livros digitais, permitindo assim uma maior
democratização do conhecimento: Public Knowledge Project (PKP) - Open Monograph

505 O livro digital pode ser entendido como aquele que possui características iguais a da obra impressa, por meio
da conversão integral de livros impressos para o formato digital através da digitalização. Para mais informações
ver: DOURADO, Stella Moreira. Identificando a inovação editorial na cadeia produtiva do livro
universitário brasileiro. 110 f. 2012. Dissertação (Mestrado) - Instituto de Ciência da Informação,
Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2012.

4358

�Press (http://pkp.sfu.ca/omp); Open Access Publishing in European Networks - OAPEN
(http://www.oapen.org/); Open Book Publishers (http://www.openbookpublishers.com/);
University Press Content Consortium - UPCC (http://muse.jhu.edu/about/UPCC.html).
No Brasil, uma grande iniciativa de disponibilização de livros digitais gratuitos, foi o
Portal Domínio Público criado pelo Ministério da Educação em 2004. O portal tem por
objetivo promover o acesso gratuito a obras que estão em domínio público ou que tenha a sua
divulgação já autorizada, e dessa forma pretende contribuir para o desenvolvimento da
educação e da cultura.
Em 2012 foi lançado no Brasil, pela Scientific Electronic Library Online - SciELO, o
SciELO Livros, como o primeiro consórcio brasileiro de livros digitais. A Rede SciELO
Livros tem por objetivo ampliar a visibilidade, acessibilidade, uso e impacto das pesquisas
científicas produzidas nas universidades. Pretende se tornar uma referência na publicação de
livros científicos online, dando uma maior visibilidade à produção acadêmica e científica do
Brasil em âmbito internacional.
O Portal do Livro Aberto do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e
Tecnologia - IBICT que tem por objetivo reunir, divulgar e preservar as publicações oficiais
em ciência, tecnologia e inovação. Disponibilizada para download gratuito obras relacionadas
aos temas de Ciência da Informação e Ciência, Tecnologia e Inovação.
Além das iniciativas de disponibilização de livros digitais gratuitos citadas, existem
muitas outras que permitem que os indivíduos tenham maior acesso à informação e à cultura.
Foram levantadas algumas iniciativas de disponibilização de livros digitais gratuitos,
encontrados por meio da pesquisa bibliográfica e por pesquisa do portal do Google,
disponibilizadas no quadro abaixo.
QUADRO 2 - PLATAFORMAS DE LIVROS DIGITAIS GRATUITOS
Plataforma
Portal
Público

Domínio

Tipo de obras disponibilizadas

Endereço eletrônico

Obras em domínio público. Livros digitais,
imagens, sons e vídeos disponíveis para

&lt;http://www.dominiopublico.gov.br/&gt;

download

Projeto Gutenberg

Obras em domínio público. Livros digitais
disponíveis para download

&lt;http://www.gutenberg.org/wiki/PT_P
rincipal&gt;

Portal
Livros

SciELO

Livros digitais científicos disponíveis para
download e para venda em formato pdf e epub

&lt;http://books.scielo.org&gt;

Cultura Acadêmica UNESP

Livros digitais científicos disponíveis para
download, mediante cadastro

&lt;http://www.culturaacademica.com.br/
&gt;

Projeto
Livro
Eletrônico CNPq

Obras científicas, tecnológicas e de inovação
disponíveis para download

&lt;http://www.cnpq.br/cnpq/livro_eletro
nico/index.htm&gt;

4359

�Portal de Periódicos
da Capes - Livros
Portal
do
Livro
Aberto - IBICT

Livros digitais científicos assinados pelo
Portal de Periódicos da Capes. Podem ser
acessados professores, pesquisadores, alunos e
funcionários vinculados às instituições que
assinam o Portal.
Livros digitais científicos disponíveis para
download

&lt;http://www.periodicos.capes.gov.br/&gt;

&lt; http://livroaberto.ibict.br/&gt;

eLivros-grátis

Livros digitais disponíveis para download.

&lt;http://www.elivros-gratis.net/&gt;

DOAB

Livros digitais científicos estrangeitos
disponíveis para download. Reúne 1928 obras
acadêmicas, revisadas pelos pares, de 62
editoras internacionais.

http ://www. doabooks.org/doab

EbookCult

Livros digitais disponíveis para download.

&lt;https://www.ebookcult.com.br/eBook
s_Gratuitos&gt;

Virtual Books

Livros digitais nacionais
disponíveis para download.

&lt;http://www.virtualbooks.com.br/v2/c
apa/&gt;

Universia Brasil

Livros digitais disponíveis para download

&lt;http://livros.universia.com.br/&gt;

eBooks Brasil

Livros digitais nacionais
disponíveis para download.

&lt;http://www.ebooksbrasil.org/index2.
html&gt;

Livros LabCom

Português
eBooks

Free-

e

e

estrangeiros

estrangeiros

Livros digitais científicos publicados pelo
Laboratório de Comunicação On Line do
Departamento de Comunicação e Artes da
Universidade da Beira Interior (Portugal),
disponíveis para download
Livros digitais nacionais e estrangeiros
disponíveis para download.

&lt;http://www.livroslabcom.ubi.pt/&gt;

&lt;http://portugues.free-ebooks.net/&gt;

Coleção Aplauso Imprensa Oficial

Livros digitais disponíveis para download.

http ://aplauso.imprensaoficial.com.br/l
ista-livros.php

Biblioteca
Digital
Fernando Pessoa

Livros digitais do Fernando
disponíveis para download.

&lt;http://casafernandopessoa.cmlisboa.pt/bdigital/index/title/index.htm
&gt;

Brasiliana - UFRJ

Livros digitais disponíveis para download.

&lt;http://www.brasiliana.com.br/&gt;

Biblioteca Virtual de
Literatura

Livros digitais disponíveis para leitura online

&lt;http://www.biblio.com.br/&gt;

Editorial Molvick

Livros digitais disponíveis para download e
para leitura online

&lt;http://www.molwick.com/pt/livros/&gt;

Estudantes

Livros digitais disponíveis para download

&lt;http://www.estudantes.com.br/bib_vi
rt.asp&gt;

Bartleby

Livros digitais estrangeiros disponíveis para
leitura online, incluindo a coleção "The
Harvard Classics”

&lt;http://www.bartleby.com/&gt;

Open Library

Livros digitais estrangeiros disponíveis para
leitura online e para download

&lt;https://openlibrary.org/&gt;

Bookshelf
Portal da Biblioteca
Digital de Obras
Raras e Especiais da
USP

Pessoa

Livros digitais estrangeiros disponíveis para
download

Coleção de obras raras disponíveis para
download

&lt;http://www.ncbi.nlm. nih.gov/books&gt;

&lt;http://www.obrasraras.usp.br/&gt;

Fonte: Elaboração própria.

4360

�Algumas

editoras

universitárias

brasileiras

também

estão

disponibilizando

gratuitamente livros digitais506. Além da editora da Unesp (Cultura Acadêmica) já foi
mencionada no quadro acima, as editoras da Edufba e da EdiPUCRS também merecem
destaque. A Edufba permite o livre acesso a todas obras do seu catálogo publicadas após o
ano de 2008 e disponibilizadas no Repositório Institucional da UFBA. A EdiPUCRS
disponibiliza cerca de 100 livros digitais, grande parte do seu acervo, gratuitamente em seu
website.
Os resultados encontrados, no que se refere à disponibilização gratuita de livros
digitais, demonstram que as tecnologias informacionais aliadas à internet permitem um maior
acesso à cultura aos cidadãos. Estas são apenas algumas iniciativas de disponibilização de
livros digitais gratuitos. Acredita-se que a tendência é de que cada vez mais surjam mais
iniciativas que permitam uma democratização do conhecimento e do acesso à cultura.

6 CONCLUSÃO
A cultura é uma forma de expressão do homem, seja por meio de criação de artefatos e
de bens, seja por desenvolvimento de técnicas, ideias e hábitos permeados de valores
herdados de geração para geração. Com o advento das tecnologias informacionais e da
internet, o homem passa a se expressar culturalmente em ambiente digital fazendo emergir
assim, a cultura digital.
O acesso à cultura é direito de todo o cidadão e, com os resultados da pesquisa, ficou
evidenciado que as tecnologias da informação e a internet permitem uma ampliação do acesso
à cultura para a sociedade. Percebeu-se a disponibilização de bens culturais em meio digital
de forma gratuita, tais como música, cinema, televisão, bibliotecas e livros, aumentam as
possibilidades de democratização do acesso ao conhecimento e à cultura.
O livro, enquanto bem cultural, é consolidado na sociedade como fonte de registro e
transmissão de conhecimento. É um veículo de preservação e de difusão da cultura e ao ser
disponibilizado no formato digital gratuitamente na internet, potencializa ainda mais sua
função de difusor cultural, possibilitando uma maior democratização do acesso ao
conhecimento e da cultura.
Pelo fato da cultura digital ser uma cultura relativamente nova e levando-se em
consideração as desigualdades socioeconômicas do país, acredita-se que seja necessária a

506 Para mais informações ver: DOURADO, Stella Moreira. Identificando a inovação editorial na cadeia
produtiva do livro universitário brasileiro. 110 f. 2012. Dissertação (Mestrado) - Instituto de Ciência da
Informação, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2012.

4361

�realização de projetos de inclusão social e digital, onde os indivíduos possam ter acesso às
tecnologias informacionais e à internet. Assim, essas pessoas poderão exercer seu direito à
cultura tendo a acesso às iniciativas de democratização do conhecimento levantadas nesta
pesquisa, assim como outras que ainda estão por surgir. Poderão ainda participar de forma
ampla e colaborativa nas redes online, se expressando culturalmente e passando de
expectadores para atores culturais.

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biblitoeca eletrônica. Biblionline, v. 1, n. 2, 2005, v. 1, n. 2, 2005. Disponível em:
&lt;http://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/biblio/article/viewFile/580/418&gt;. Acesso em: 06
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Freedom. Yale University Press, 2007.
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Disponível em: &lt;http://www.dgz.org.br/abr11/Art_01.htm&gt;. Acesso em: 15 abr. 2014.

4362

�GARCIA, Joana Coeli R.; SOUSA, Marckson R. F. Cultura digital: odisseia da tecnologia e
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4363

�</text>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>O acesso à cultura e aos bens culturais é direito de todo cidadão, mas nem todos tem acesso. As tecnologias informacionais e a internet geram várias possibilidades de ampliação do acesso à cultura para os indivíduos, gerando uma nova cultura – a digital. Neste trabalho, buscou-se analisar as contribuições das tecnologias informacionais e da internet para um maior acesso à cultura, utilizando o livro digital, disponibilizado gratuitamente, como veículo de democratização do acesso ao conhecimento. Para tanto, realizou-se uma pesquisa bibliográfica e documental sobre cultura e as transformações promovidas pelas tecnologias informacionais e da internet, ocasionando o surgimento da cultura digital e como essa nova cultura favorece a democratização do acesso ao conhecimento para a sociedade. Foi realizado também um levantamento de iniciativas de publicação de livros digitais gratuitos que permitam uma maior democratização do acesso ao conhecimento e a cultura. Contatou-se que com a cultura digital, os cidadãos podem participar de forma ampla e colaborativa nas redes online, se expressando culturalmente e passando de expectadores para atores culturais.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

NÚCLEO DE EXTENSÃO DO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DO VALE DO SÃO FRANCISCO: UMA PROPOSTA PARA A
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Jaqueline Silva de Souza
José Carlos Sales dos Santos
Ana Paula Lopes da Silva
Lucidio Lopes de Alencar
RESUMO
Objetivo apresentar uma proposta de implantação do Núcleo de Extensão do Sistema
Integrado de Bibliotecas da Universidade Federal do Vale do São Francisco (SIBI/Univasf).
O SIBI é o responsável por orientar o acesso às fontes de informação eletrônicas, a adequação
de publicações ao estilo acadêmico (normalização) e métodos de pesquisas que apoiam as
atividades de ensino e pesquisa da comunidade acadêmica da Univasf. Visualizando o cenário
da Educação a Distância e a disponibilização da ferramenta Modular Object-Oriented
Dynamic Learning Environment, (Moodlej, um software livre, já utilizado pela Secretaria de
Educação a Distância (SEAD) da Univasf. O Núcleo de Extensão do SIBI irá disponibilizar,
através desta plataforma, cursos sobre a utilização de fontes de informações eletrônicas e
normalização de trabalhos científicos. A proposta será desenvolvida em quatro etapas:
diagnóstico das necessidades de informação dos usuários do SIBI, elaboração dos programas
de treinamento à distância, execução através da ferramenta Moodle e avaliação do projeto.
Como conclusão parcial destaca-se a relevância da plataforma de ensino a distância para o
treinamento de servidores do SIBI.
Palavras-Chave: Educação a Distância; Moodle; Biblioteca; Treinamento.

ABSTRACT
Present a proposal for a core deployment of extension of the integrated system for libraries of
Universidade Federal do Vale do São Francisco (SIBI/Univasf). The SIBI is responsible for
direct access to electronic sources of information, the appropriateness of academic-style
publications (normalization) and research methods that support the teaching and research
activities of the academic community of Univasf. Viewing the scenery of distance education
and the provision of Modular Object-Oriented Dynamic tool Learning Environment
(Moodle), a free software, already used by the Secretariat for distance education (SEAD) of
Univasf. The core of SIBI extension will provide, through this platform, courses on the use of
electronic information sources and standardisation of scientific papers. The proposal will be
developed in four stages: diagnosis of the information needs of users of SIBI, elaboration of
training programs from a distance, running through the Moodle tool and evaluation of the
project. As partial conclusion highlights the relevance of distance learning platform for the
training of servers of SIBI.
Keywords : Distance Education ; Moodle ; library ; Training.

4345

�1 INTRODUÇÃO
A inserção das tecnologias da informação e comunicação nas diversas atividades
humanas (saúde, política, economia, outros) proporcionou transformações substantivas no

modus operandi da sociedade contemporânea. Na educação, por exemplo, assiste-se a
mudanças na prática do ensino e aprendizagem, reconfigurando as tradicionais relações entre
docentes e discentes. A Educação a Distância (EAD) constitui uma modalidade educativa que
dispensa, na estrutura, o espaço-temporal na relação entre os docentes e discentes envolvidos
no processo de aprendizagem.
O Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade Federal do Vale do São Francisco
- SIBI/Univasf, vinculado a Reitoria, foi criado com o objetivo de integralizar e padronizar
os serviços de todas as bibliotecas desta Universidade.

Ele é composto por 6 (seis)

bibliotecas, sendo 1 (uma) central localizada no campus Petrolina -PE e 5 (cinco) setoriais,
localizadas nos campi de Ciências Agrárias também em Petrolina -PE, Senhor do Bonfim,
Paulo Afonso e Juazeiro na Bahia e São Raimundo Nonato no Piauí. Alinhado com a
Secretária de Educação a Distância (SEAD), o SIBI visa à promoção e disseminação de
informações diversas para a comunidade acadêmica, sendo responsável pelo treinamento para
acesso às fontes de informações eletrônicas, normalização de trabalhos acadêmicos e métodos
de pesquisa, assim como apoiar as atividades de ensino e pesquisa da comunidade
universitária da Univasf.
O projeto de criação e implantação do Núcleo de Extensão do SIBI subdivide-se em
quatro etapas: diagnóstico situacional das unidades de informação e necessidades dos
usuários, elaboração dos programas de treinamento à distância, execução das etapas através
da Plataforma Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment, o Moodle e
avaliação do projeto. Assim serão realizados os cursos à distância.
A concepção e implementação do projeto estarão engendradas no documento

Referencias de Qualidade para Educação Superior a Distância , elaborado pelo Ministério de
Educação - Secretaria de Educação à Distância.

2 REVISÃO DE LITERATURA
O Moodle é um software livre com o propósito de gerenciar cursos à distância e/ou
presencial, constitui uma aplicação internet/intranet vinculado a um servidor que facilita o
acesso de conteúdos diversos, superando as limitações relacionadas ao tempo e espaço.
Segundo Delgado (2009, p.42):

4346

�O Moodle foi criado com base no conceito das teorias construtivistas, que
possuem a interação e a colaboração como premissa para o processo de
construção do conhecimento. Com base nesse conceito, o próprio software
surge com a ideia de colaboração, ou seja, os usuários do sistema mantém
um portal na internet para colaboração e aprimoramento da ferramenta. Esse
portal facilita a troca de informação e, consequentemente, o aperfeiçoamento
constante do Moodle enquanto ferramenta de educação. Isso significa dizer
que qualquer instituição que utilize o Moodle está colaborando com o seu
desenvolvimento, apenas o divulgando ou mesmo identificando e
solucionando problemas e ainda propondo novas ferramentas e
possibilidades para a atuação dos professores ou tutores (mediadores da
aprendizagem).
A proposta deste projeto visa treinar os profissionais do SIBI, assim como os alunos de
graduação e pós-graduação regularmente matriculados na Univasf, nas atividades/cursos
previstas na plataforma. Importante ressaltar o registro do SIBI no ambiente de ensino à
distância desta Universidade, facilitando a criação de cursos destinados a treinamentos,
disponibilização de vídeos institucionais, documentos e outros.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
&gt; PRIMEIRA ETAPA - DIAGNÓSTICO SITUACIONAL
Esta etapa, relacionada ao diagnóstico, propõe a identificar nas bibliotecas do sistema
as atividades desenvolvidas e direcionadas aos docentes e discentes e técnicos da Instituição,
bem como suas necessidades e elencar as políticas de treinamentos existentes nessas
bibliotecas para a sistematização no ambiente EAD. Desta forma, pretende-se ampliar a
inserção de alunos de graduação e pós-graduação, assim como servidores da universidade, nos
cursos oferecidos pelo SIBI.
A parte inicial da primeira etapa, já foi concluída. No período de 20 a 28/02/2014,
realizamos uma pesquisa com nossos usuários, onde utilizamos o método qualitativo e
quantitativo, e um questionário como instrumento. Assim, avaliamos os nossos serviços, a
estrutura física, o acervo e pessoal (recursos humanos) das nossas bibliotecas. O item 9
(nove), desse questionário, referiu-se aos nossos serviços disponíveis e o resultado da
pesquisa, nesse item, diagnosticamos que 40% dos nossos usuários não conhecem alguns dos
nossos serviços prestados, como: Portal da Capes e bases de dados; Orientação para
normalização de trabalhos acadêmicos; Serviços de Referência; Facebook e pagina do SIBI.
Outro aspecto composto ainda nessa primeira etapa, que ainda não concluímos, consiste
em identificar, entre os servidores do sistema, as competências e habilidades que eles
gostariam de desenvolver a partir do ambiente do ensino à distância. Estas propostas serão

4347

�apresentadas e agrupadas de acordando com as redundâncias das sugestões e afinidades dos
temas escolhidos em uma reunião que está agendada para o mês de agosto de 2014 para assim
identificarmos esses servidores.
&gt;

SEGUNDA ETAPA - DESENVOLVIMENTOS DOS CURSOS
Essa etapa está relacionada à intervenção organizacional.

503

A- Curso: identificação do curso; título; natureza do curso departamento ofertante; prérequisitos exigidos; clientela; carga horária; duração do curso; resumo da proposta;
principais características pedagógicas e de suporte tecnológico; resumo orçamentário
dos custos diretos para seu desenvolvimento.
B- Apresentação do Curso504: histórico e contexto (apresentar os motivos e a importância
do curso dentro do panorama da realidade social e educacional); objetivos gerais;
descrição do conteúdo; apresentação (indicar as disciplinas e temas a serem
contemplados em relação à abordagem ou orientação teórica); plano de curso;
(apresentar a estrutura curricular e as ementas de cada uma das disciplinas do curso);
percurso ensino-aprendizagem (indicar a natureza da aprendizagem visada e os meios
que se pretende utilizar); perfil dos tutores ou de quem irá prestar este apoio e suas
tarefas (perfil: nível de formação, área de formação, experiência profissional, tarefas
particulares, lugar de trabalho, exigências ou aptidões particulares, tarefas: número de
horas de trabalho, correção ou não das avaliações, animação (de que tipo: oficina, por
telefone, seminário, grupos de trabalho, etc.), avaliação do estudante (indicar a
natureza dos instrumentos e critérios de avaliação; avaliação do material do curso
(especificar quais os procedimentos a serem seguidos para avaliar o material antes de
ser utilizado no curso e durante o mesmo); plano de execução; recursos humanos
internos (identificar estes recursos, suas tarefas, o tempo exigido); calendário de
execução; orçamento.
&gt; TERCEIRA ETAPA: EXECUÇÃO DAS ATIVIDADES ATRAVÉS DO MOODLE
Cadastro de alunos e tutores no ambiente virtual de aprendizagem e início dos cursos.
&gt; QUARTA ETAPA: AVALIAÇÃO DO PROJETO
Criação e disponibilização de questionários avaliativos para mensurar a satisfação ou
não de alunos e professores e técnicos quanto ao Núcleo de Extensão e sua metodologia de

2 Propostas elaboradas a partir das proposições de Preti (1996)
3 ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO DOS CURSOS EAD - Adaptação de: Guide d ’elaboration d ’un dossier de
presentation de cours. Télé-université du Quebec, fev. 1991

4348

�aprendizagem, bem como os impactos do projeto no processo de acesso à informação na
comunidade.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Os cursos que serão ofertados pelo Núcleo de Extensão do SIBI/Univasf foram
levantados através de questionário respondido pelos alunos de graduação e pós-graduação e
professores e técnicos da Univasf.
Iremos realizar uma reunião no SIBI para que os servidores através das suas
competências e habilidades apontem seus interesses nos cursos que iremos desenvolver no
ambiente do ensino à distância.

Quadro 1: Cronograma do projeto
Atividades
Primeira
Etapa :

2014.1

Diagnostico X
situacional e Apresentação do projeto e
Identificação dos servidores suas
competências e habilidades.
Segunda Etapa: Desenvolvimento dos
cursos / projetos / Apresentação.
Terceira
Etapa:
Atividades na
plataforma moodle.
Inscrição para os cursos.

2014.2
X

2015.1

X

X

2015.2

X
X

Inicio dos cursos.
Quarta Etapa: Avaliação do projeto.

X
X

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
A Educação a Distância é uma poderosa ferramenta para as bibliotecas no atendimento
das necessidades de seus usuários e uma importante prestação de serviço à comunidade.
Identificou-se que o SIBI/Univasf possui estrutura disponível para a execução do projeto
devido à parceria com a SEAD e apoio da universidade. A meta agora é levantar recursos
humanos e financeiros junto à instituição e executar o planejamento dos cursos para logo
disponibilizá-los à comunidade da Univasf e apresentar futuramente resultados e avaliações
identificadas na implantação do Núcleo de Extensão.

6 REFERÊNCIAS
ESTRUTURA E

ORGANIZAÇÃO DOS

CURSOS EAD

- Adaptação

de:

Guide

d’elaboration d’un dossier de presentation de cours. Télé-université du Quebec, fev. 1991.

4349

�BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação a Distancia. MINISTÉRIO DA
EDUCAÇÃO. Referenciais de Qualidade para Educação Superior a Distância. Brasília:
[MEC],

2007,

Disponível

em:

&lt;http://portal.mec.gov.br/seed/arquivos/pdf/legislacao/refead1.pdf&gt;. Acesso em: 04 jan. 2014.
DELGADO, Laura Maria Miranda, HAGUENAUER, Cristina Jasbinschek. Uso da

plataforma Moodle como apoio ao ensino presencial: um estudo de caso. Rio de Janeiro,
2009.
PRETI, Oreste. Educação a distância: uma prática educativa mediadora e mediatizada. In:
________ . (Org.). Educação a Distância : início e indícios de um percurso. Cuiabá: UFMT,
1996.
PRIMO, Alex. Quão interativo é o hipertexto? Da interface potencial à escrita coletiva.

Fronteiras: Estudos Midiáticos, São Leopoldo, v. 5, n. 2, p. 125-142, 2003.

4350

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Objetivo apresentar uma proposta de implantação do Núcleo de Extensão do Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade Federal do Vale do São Francisco (SIBI/Univasf). O SIBI é o responsável por orientar o acesso às fontes de informação eletrônicas, a adequação de publicações ao estilo acadêmico (normalização) e métodos de pesquisas que apoiam as atividades de ensino e pesquisa da comunidade acadêmica da Univasf. Visualizando o cenário da Educação a Distância e a disponibilização da ferramenta Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment, (Moodle), um software livre, já utilizado pela Secretaria de Educação a Distância (SEAD) da Univasf. O Núcleo de Extensão do SIBI irá disponibilizar, através desta plataforma, cursos sobre a utilização de fontes de informações eletrônicas e normalização de trabalhos científicos. A proposta será desenvolvida em quatro etapas: diagnóstico das necessidades de informação dos usuários do SIBI, elaboração dos programas de treinamento à distância, execução através da ferramenta Moodle e avaliação do projeto. Como conclusão parcial destaca-se a relevância da plataforma de ensino a distância para o treinamento de servidores do SIBI.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

MAPOTECA DIGITAL PARA A PESQUISA GEOGRÁFICA: o caso das linhas de
pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Geografia - Tratamento da Informação
Espacial da PUC Minas
Cássio José de Paula
José Flávio Morais Castro

RESUMO
O avanço das geotecnologias ampliaram as possibilidades de geração de produtos
cartográficos, e com elas a necessidade de estabelecer padrões que possibilitem a integração e
o compartilhamento de dados geoespaciais. O objetivo deste artigo consiste em apresentar um
modelo para armazenamento, recuperação e visualização de mapas em uma Mapoteca Digital
de acesso público, utilizando o software Pergamum. A construção do modelo baseou-se na
análise do processo de criação da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC Minas BDTD PUC Minas, cujo objeto de estudo foram os mapas produzidos pelas linhas de
pesquisa do Programa de Pós-graduação em Geografia - Tratamento da Informação Espacial
da PUC Minas - PPGG-TIE da PUC Minas. A metodologia adotada buscou definir um padrão
de metadados geoespaciais, capaz de descrever os dados utilizados para criação do mapa,
garantindo sua credibilidade e interoperabilidade com outros sistemas. Como resultado, foi
apresentado o protótipo da Mapoteca Digital da PUC Minas utilizando o Pergamum, software
para gerenciamento de serviços de informação adotado pelo Sistema de Bibliotecas da PUC
Minas - SIB PUC Minas, permitindo ao usuário pesquisar e visualizar o mapa e a dissertação
que o originou. A possibilidade de utilização da Mapoteca Digital da PUC Minas, como
recurso didático pedagógico, proporcionará uma melhor compreensão dos fenômenos de
natureza espacial no âmbito da pesquisa geográfica, estabelecendo um elo entre a produção
científica institucional e as demandas por informações geográficas no meio social,
empresarial, acadêmico, científico e tecnológico, fomentando o contato com as
geotecnologias dinamizando o processo de democratização e disseminação das informações
cartográficas e geográficas.
Palavras-chave: Mapoteca digital. Cartografia. Geovisualização. Metadados geoespaciais.
Tratamento da informação espacial.

ABSTRACT
The advancement of geotechnology expanded the possibilities for generation of cartographic
products, and with them the need to establish standards that allow the integration and sharing
this information with the various databases of geospatial data. The objective of this paper is to
present the proposed plan for the creation of the Digital Map Library of PUC Minas, public
access, using Web technologies model construction was based on the observation and analysis
of the process of creating the model Digital Library of Theses and dissertations of PUC Minas

4326

�- BDTD PUC Minas, whose object of study were the maps produced by the research lines of
the Postgraduate program in Geography - Treatment of Spatial Information at PUC Minas PPGG -TIE PUC Minas, observing the principles of geovisualization and modeling of
geospatial data. The methodology adopted sought to define a standard of geospatial metadata
can describe the data used to create the map, ensuring its credibility and interoperability with
other systems. As a result, the prototype of the Digital Map Library of PUC Minas using
Pergamum, software for managing information services adopted by Library System PUC
Minas - SIB PUC Minas, allowing the user to search, view, browse, print, copy, download
map and make the dissertation that originated (available electronically in BDTD ). The
possibility of using Digital Map Library of PUC Minas, as a didactic teaching resource will
provide a better understanding of the phenomena of spatial nature within the geographical
research, establishing a link between the institutional scientific production and demands for
geographic information in the social environment, business, academic, scientific and
technological national, fostering contact with geo streamlining the process of democratization
and dissemination of cartographic and geographic information .
Keywords: Digital map collection. Cartography. Geovisualization. Geospatial metadata.
Treatment of Spatial Information.

1 Introdução
A informação geográfica tem papel estratégico desde os primórdios da humanidade e
vem sendo utilizada em variadas atividades, tais como: orientação, navegação, demarcação de
territórios, representação da superfície terrestre, conhecimento e representação dos recursos
naturais, suporte às estratégias militares, monitoramento da dinâmica de ocupação territorial,
aplicações comerciais e industriais, dentre outras.
A Geografia, juntamente com as demais áreas do conhecimento tem, como uma de
suas finalidades, desenvolver a capacidade de observar, refletir e analisar a realidade de forma
integrada e crítica. O conceito apóia-se no próprio significado etimológico do termo
Geografia - descrição da Terra, cabendo ao estudo geográfico, conforme a visão de Kant,
descrever os fenômenos manifestados na superfície do planeta, sendo uma espécie de síntese
de todas as ciências (MORAIS, 2007).
O

espaço

geográfico

passa

por

inúmeras

transformações,

impulsionado,

principalmente, por cinco fatores: “o formidável avanço tecnológico, a enorme ênfase na
informação, a gradativa e incessante globalização da economia, o desenvolvimento dos
serviços e a importância cada vez maior do conhecimento” (CHIAVENATO, 2002, p.51).
Como ciência fundamental de análise do espaço, a Geografia utiliza de técnicas
cartográficas e de representação gráfica para o tratamento da informação espacial por meio de
mapas, surge assim a “representação cartográfica como meio de construção do conhecimento

4327

�geográfico a partir de conceitos como: localização, orientação, escala, legenda e tipos de
representação” (ANTONELLO; MOURA; TSUKAMOTO, 2006, p. 238).
O avanço das geotecnologias e o crescimento exponencial de dados geoespaciais tem
ampliado as possibilidades de geração de produtos cartográficos, e com elas a necessidade de
estabelecer padrões que possibilitem a integração e o compartilhamento destas informações
com os diversos bancos de dados geoespaciais. Estes dados têm sido utilizados
estrategicamente pelos diversos setores da sociedade civil, governamental e científica
(prefeituras, órgãos de segurança pública, de planejamento urbano e de infraestrutura,
empresas de telecomunicações, marketing e universidades), como instrumento para produção
de mapas (analógicos e digitais) e como suporte na análise espacial, permitindo simular
cenários para tomada de decisões.
Diante deste cenário a construção de uma mapoteca digital, apresenta-se como
alternativa para o armazenamento, tratamento e compartilhamento de informações
geoespaciais via Web. O volume e a qualidade dos produtos cartográficos digitais (mapas,
cartas e imagens), produzidos pelos mestrandos e doutorandos para as teses e dissertações
apresentadas e defendidas junto às linhas de pesquisa do PPGG-TIE da PUC Minas, aliado as
dificuldades de acesso a estas informações, culminaram na proposta deste artigo, que tem
como objetivo principal, desenvolver uma mapoteca digital institucional de acesso público,
utilizando tecnologias padrão Web para visualização de mapas e compartilhamento de dados
geoespaciais online.
Como objetivos específicos, pretendeu-se:
a) propor um novo procedimento para o depósito das teses e dissertações na BDTD
PUC Minas - Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC Minas;
b) definir um padrão de metadados geoespaciais em conformidade com a Comissão
Nacional de Cartografia - CONCAR, para descrição dos dados contidos nos mapas
produzidos para as teses e dissertações pelas linhas de pesquisa do PPGG-TIE da
PUC Minas;
c) criar um banco de dados geoespacial com a finalidade de reunir, organizar,
catalogar e disseminar as informações contidas nos metadados geoespaciais;
d) integrar estas informações ao banco de dados do SIB PUC Minas - Sistema
Integrado de Bibliotecas da PUC Minas, disponibilizando seu conteúdo na Web.
O desenvolvimento de sistemas de disseminação de geoinformações via Web, é um
importante instrumento para a democratização do acesso a informação, como afirma Câmara:

4328

�“U m dos d esafios crescentes para as instituições que lidam com inform ações
geográficas é a publicação de dados através da Internet. Por sua natureza
gráfica e bidim ensional, o ambiente W W W ("World Wide Web") oferece
um a m ídia adequada para a difusão da geoinform ação. A m édio prazo,
espera-se que a disponibilidade “on-line" de grandes bases de dados
espaciais e de ferramentas eficientes de navegação torne a geoinform ação
acessível de form a ampla, sem a necessidade de aquisição de software
esp ecífico .” (C Â M A R A , 2012b, p.5).

A expectativa desta proposta é proporcionar, a partir dos mapas produzidos nas
dissertações e teses desenvolvidas no PPGG-TIE da PUC Minas, um recurso didáticopedagógico que possibilite acesso rápido e eficiente ao conteúdo cartográfico dos
documentos, estabelecendo um elo entre a produção científica institucional e as demandas por
informações geográficas no meio social, empresarial, acadêmico, científico e tecnológico,
fomentando o contato com as geotecnologias e concomitantemente com o processo de
democratização e de disseminação das informações cartográficas e geográficas.

2 Revisão de Literatura
Conhecer e representar o espaço por meio de mapas é o principal objetivo da
Cartografia. O mapa é a forma mais antiga de representação do espaço, cuja origem remonta a
aproximadamente 4.500 anos, eram elaborados em diversos suportes como rocha, argila,
tecido, madeira, couro de animal, conchas, papiro, entre outros meios. O homem representava
o espaço em que vivia por meio de desenhos que tinham como objetivo, registrar informações
que permitissem a sobrevivência e a segurança.
Castro (2012, p. 17), sintetiza a evolução da Cartografia, destacando os períodos que
marcaram sua história, como mostra a Figura 1.
Figura 27: Evolução da Cartografia durante os períodos que marcaram a história
da humanidade

Fonte: CASTRO, 2012, p. 7

4329

�A diversidade de conceitos, definições e estruturas da Cartografia promovem o
surgimento de inúmeras divisões na literatura especializada (RAISZ, 1969; OLIVEIRA, 1983
e 1988). Entretanto, para efeito didático e prático, Castro (2012, p. 45) propõe a divisão da
Cartografia em: Cartografia teórica, Cartografia sistemática, Cartografia temática e
Cartografia analítica (Figura 2).

Figura 2: Divisões da Cartografia.

Fonte: CASTRO, 2012, p. 45
Para Ramos (2005), Cartografia é definida como a ciência e a arte de representar, por
meio de mapas e cartas, o conhecimento da superfície terrestre. O conceito de ciência baseiase no fato de que para alcançar exatidão, ela depende basicamente da astronomia, geodesia e
matemática, o conceito de arte está vinculado à sua subordinação às leis da estética,
simplicidade, clareza e harmonia. A natureza da geografia é fortemente embasada em sua
documentação, que é a referência para o geógrafo organizar o processo mental tanto pela
observação como pela avaliação quantitativa. O mapa tornou-se a principal fonte de
informação geográfica, sua função estratégica possibilita a percepção de padrões e dinâmicas

4330

�espaciais, o estudo integrado dos fenômenos e suas ações no processo de transformação do
meio ambiente.
Segundo Moles, mapas são representações funcionais destinadas a desempenharem
determinadas funções, são elas:
a) a primeira função de um mapa é a de localização cujo objetivo é auxiliar a situar
pessoas e a situar os objetos geográficos;
b) a segunda é a documental e consiste em responder a questões: o que se encontra em
um determinado lugar? Onde se encontra um determinado objeto geográfico? Quais
são suas características como dimensão, declive, distância de nós entre outros;
c) a terceira é o suporte da análise espacial, relacionando-se as questões sobre a natureza
das formas observadas no espaço terrestre e sobre suas relações e sua complexidade;
d) a quarta considera o mapa como campo de aplicação de modelos espaciais,
possibilitando simular e prever eventuais transformações, atuando como canal e
suporte de comunicação entre o cartógrafo e o usuário. (MOLES apud RIMBERT,
1995).

Um dos métodos aplicados na elaboração de mapas é da cognição, que segundo Lima,
envolve atividades mentais como o pensamento, a imaginação, a recordação, a solução de
problemas, a percepção, a aprendizagem da linguagem, que ocorrem diferentemente conforme
a habilidade de cada indivíduo (LIMA apud SANTIL, 2010). Ramos (2005, p. 37), ao
considerar o mapa como veículo de comunicação da informação espacial, destaca que sua
eficiência pode ser mensurada pela capacidade de permitir que o usuário de forma cognitiva
visualize, leia e interprete as informações nele contidas. Este processo de visualização e
interpretação de informações espaciais é denominado "comunicação cartográfica" - (Figura
3).

Figura 3: Sistema de Comunicação Cartográfica.

Fonte: ROBINSON; PETCHENIK apud SIMIELLI, 986.

4331

�Segundo Nogueira (2008, p.111), na comunicação cartográfica os mapas possuem um
valor cognitivo capaz de estimular o usuário a interagir a partir dos seus processos mentais
(percepção, memória, reflexão, motivação e atenção), buscando a análise das informações
temáticas representadas graficamente, por meio dos princípios da "semiologia gráfica"499
utilizando três sistemas: símbolos, lógico e monossêmico. Sua aplicação à Cartografia permite
definir a partir das variáveis visuais e das teorias da informação a representação adequada da
linguagem cartográfica. A linguagem exprime por meio do emprego de um sistema de
símbolos, as expectativas de comunicação da informação com o usuário do mapa, tornando a
Cartografia uma linguagem universal; desta forma, a semiologia gráfica elaborada a partir de
teorias da psicologia e da informação, permite aplicações técnicas sofisticadas de
representação gráfica (JOLY, 2005).
A introdução da informática na Cartografia, aliada à associação de técnicas como a
comunicação cartográfica e a visualização cartográfica, possibilitaram uma relação de
interatividade entre o usuário e os produtos cartográficos.

Para MacEachren e Kraak a

geovisualização integra visualização, Cartografia, análise de imagens, visualização de
informações e análise exploratória de dados (...), para oferecer teorias, métodos e técnicas
para exploração visual, análise, síntese e apresentação de dados espaciais. (MACEACHREN;
KRAAK, 1995).
A visualização cartográfica é um conceito derivado da visualização científica,
podendo ser definido também como visualização geográfica ou geovisualização com ênfase
na análise e na comunicação. Sua proposta é a integrar os recursos da Cartografia digital e o
poder analítico dos sistemas de informação geográfica a bancos de dados espaciais e não
espaciais através de recursos multimídia em ambiente interativo com distribuição por mídia
discreta ou via rede.
O uso dos computadores na Cartografia provocou uma profunda transformação
envolvendo a representação, a comunicação e a produção de mapas, sendo que a
representação cartográfica evoluiu na era da informação digital para uma nova aplicação: a
Cartografia multimídia ou geovisualização. Para Zhou, a Cartografia multimídia é a
associação de diversas mídias como, imagens de vídeo, som e animações aos símbolos

Desenvolvida na França por Jacques Bertin na década de 1960, a semiologia gráfica pode ser entendida como "a ciência
que estuda os sistemas de sinais que o homem utiliza na vida social: línguas, códigos, sinalizações

trata-se de um

método de trabalho cartográfico que envolve "a parte racional do mundo das imagens" (CASTRO, 1993, p. 67).

4332

�gráficos da Cartografia. O mapa migrou para a internet dando início a um novo formato de
gestão desta informação: a mapoteca digital (ZHOU apud SANTIL, 2010).

3 Biblioteca digital e a informação eletrônica
A biblioteca sempre se apropriou das tecnologias para cumprir seu papel de repositório
e disseminador da informação independente do formato em que a informação estiver
acondicionada, assim foi com as fichas em papel, o microfilme, o disquete, CD-ROM e agora
com a web e o armazenamento na nuvem. A maioria das tecnologias ligadas ao
armazenamento de dados, comunicação e disseminação da informação, foram testadas
primeiramente em bibliotecas, influenciando diretamente a sua trajetória ao longo do tempo.
A concepção de novas formas de Disseminação Seletiva da Informação - DSI, só é
possível graças ao fenômeno denominado, coerência das mídias digitais que, segundo Corrêa
e Corrêa (2007), possibilitam a integração de objetos digitais heterogêneos. Os ambientes
digitais incorporam novos perfis de consumidores, reconfigurando produtos e serviços de
informação, obtidos a partir de concepções inéditas ou de processos inovadores de serviços já
consagrados.
As bibliotecas digitais minimizaram as distâncias entre as pessoas e a informação, e
através de suas potencialidades, criaram uma enorme expectativa no que se refere ao processo
de pesquisa e as fontes de informação, explorados em larga escala por instituições
governamentais, educacionais, empresariais e científicas.

Tratadas a partir de recursos

digitalizados, a biblioteca digital representa um espaço sinérgico entre a área da tecnologia da
informação e as outras áreas do conhecimento. Atuando como o repositório institucional de
toda a produção científica, vinculando esta informação aos diversos repositórios e redes de
compartilhamento de informações, proporcionando a visibilidade necessária, para a
comunidade científica. Outro aspecto importante são as possibilidades extraordinárias que se
apresentam para educadores, professores e alunos, estabelecendo um novo canal de
comunicação através das novas metodologias pedagógicas que promovam a eficácia do
processo de ensino e aprendizagem, utilizando ferramentas, técnicas ou recursos de
aprendizado capazes de diminuir as distâncias e ampliar as possibilidades de transferência de
dados, a partir da utilização de conteúdos multimídia, que buscarão a convergência das
informações por intermédio da interatividade e integração de informações das diferentes áreas
do conhecimento.

4333

�Esta nova relação entre a biblioteca e o mundo digital, rompe com as barreiras de
acessibilidade e preservação, que na maioria das vezes, são o grande abismo entre o usuário e
o conteúdo desejado. Neste caso, o formato digital é o suporte que permite a preservação de
forma íntegra e confiável de conteúdos raros e únicos ou frágeis, ao mesmo tempo em que
proporciona acesso universal, instantâneo e multiusuário aos conteúdos. O documento
eletrônico representa um grande avanço na comunicação direta, online, na distribuição e
obtenção de conteúdos através de redes de computadores, na multiplicidade de copias a partir
de uma versão original, no nível de especificidade que é possível tratar as informações
digitais e nas suas possibilidades de reuso.

4 Mapoteca digital
A Cartografia assim como as geotecnologias, foi impactada pelo crescente interesse de
profissionais de diversos setores do conhecimento pelos Sistemas de Informações Geográficas
- SIG, o que ampliou e intensificou a demanda por acesso à informação geográfica, assim
como o crescente uso da Internet, resultando na expansão da produção e do uso maciço de
produtos cartográficos por usuários que nem sempre são especialistas e tão pouco sabem
utilizar um Sistema de Informações Geoespaciais.
A informática democratizou a Cartografia, tornando-a além de um importante meio de
disseminação do conhecimento geográfico, uma importante fonte de pesquisa, permitindo
que, qualquer pessoa com acesso à internet, acesse desde informações quantitativas e imagens
de satélites até sites de pesquisa para localização de lugares (Location Based Services - LBS),
endereços, rotas ou mapas. (RAMOS, 2005).
Estes fatores colaboraram para o aumento da produção eletrônica de documentos
cartográficos, despertando o interesse pela possibilidade de obter de forma online, dados e
versões digitais de produtos cartográficos como, mapas, cartas, carta-imagem, ortofotos, atlas,
estudos geográficos entre outros.
Acompanhando a evolução tecnológica da área, desenvolveu-se a mapoteca digital,
que a princípio, deve constituir-se em um espaço dinâmico que promova a geração, o
compartilhamento e a disseminação do conhecimento geográfico, tornando os dados de
pesquisa acessíveis em escala planetária pelos pesquisadores interessados.
Para Santil (2010), os mapas disponibilizados atualmente como meio de informação
espacial na internet foram concebidos com objetivos diferentes:

4334

�a) Mapas estáticos: não permitem interação com o usuário porque foram gerados em
meio digital para serem impressos ou apenas para visualização no monitor;
b) Hipermapas ou mapas clicáveis: permitem algum nível de interação online com o
usuário;
c) Mapas que permitem a interatividade com o usuário online e tem como expoente
maior o Google Earth.

A infraestrutura oferecida pela internet e seu alcance a um público cada vez maior, é
um fator de impacto para gestão da informação e não deve ser desconsiderado. Com foco no
aumento exponencial do número de usuários os desenvolvedores tem criado aplicativos para
computadores e equipamentos portáteis como, Tablets, Laptops, SmatPhones, PDA (Personal
Digital Assistant), GPS (Global Positioning System), que se adequem de forma rápida e
eficiente às demandas atuais.
Ao determinar o fim das restrições de espaço e tempo ao acesso à informação, o
repositório digital contribui para a redução das desigualdades sociais e regionais através da
democratização da informação, ou seja, o direito de livre acesso à informação. Em sua
essência, estes repositórios constituem-se em um conjunto de recursos eletrônicos e
capacidades técnicas associadas para criar, buscar e usar informações, apresentando-se como
uma extensão dos sistemas de armazenamento e recuperação de informação, que manipulam
dados digitais nos mais variados formatos, operando em um ambiente distribuído.
Os sistemas de gerenciamento da informação voltados para o modelo digital
apresentam possibilidades importantes tais como (CUNHA, 1999):
a) Acesso remoto pelo usuário, por meio de um computador conectado a uma rede;
b) Utilização simultânea e remotamente do mesmo documento por duas ou mais pessoas;
c) Reprodução deste conteúdo tanto no formato impresso como digital;
d) Possibilidade de incorporação de diversos tipos de informação tais como texto, som,
imagem e vídeo;
e) Possibilidade de colaboração entre pesquisadores, que é a chave para a pesquisa e o
desenvolvimento.

5 Biblioteca Digital de Teses e Dissertações - BDTD da PUC Minas
A BDTD PUC Minas é o repositório institucional responsável pelo armazenamento de
toda a produção dos programas de pós-graduação da PUC Minas. Os trabalhos estão

4335

�armazenados no formato PDF (Portable Document Format (formato de arquivo, desenvolvido
pela Adobe Systems, para representar documentos de maneira independente do aplicativo,
do hardware e do sistema operacional usado para criá-los) e estão disponíveis online na
página do SIB da PUC Minas, permitindo acessibilidade e cooperação da produção científica
e tecnológica institucional em escala global.
A BDTD da PUC Minas está organizada por: área do conhecimento; autor; data de
defesa; orientador; programa de pós-graduação e texto completo, sendo que os campos de
pesquisa remetem o usuário a um único resultado, o acesso ao PDF do documento, fazendo
com que sua visualização se realize apenas pela consulta integral ao texto.
O acesso à BDTD da PUC Minas pode ser feito pelas páginas dos Programas de PósGraduação da PUC Minas e do SIB PUC Minas.

6 Mapoteca Digital da PUC Minas
A construção do modelo teve como base a análise das mapotecas digitais existentes no
mercado, observando suas funcionalidades e potencialidades, tendo como proposta,
estabelecer um parâmetro para construção do modelo conceitual, onde o primeiro objeto de
pesquisa foi a BDTD da PUC Minas, e mais especificamente, os mapas produzidos pelos
mestrandos e doutorandos nas três Linhas de Pesquisa do PPGG-TIE da PUC Minas.
O PPGG-TIE da PUC Minas, esta organizado em três linhas de pesquisa, sendo elas
Sistemas de Informações Geográficas, Estudos Urbanos e Regionais e Meio Ambiente. Estas
linhas se dividem em grupos temáticos que conferem um caráter multidisciplinar e
transdisciplinar às atividades, contribuindo qualitativamente para o processo de pesquisa,
produção científica e na formação do corpo discente. As teses e dissertações do defendidas no
PPGG-TIE da PUC Minas são compostas em sua maioria, por mapas e integram o acervo do
repositório institucional denominado Biblioteca Digital de Teses e Dissertações - BDTD da
PUC Minas.
A proposta de desenvolver uma mapoteca digital com base nos princípios da
geovisualização e da modelagem dos dados geoespaciais, teve como motivação, disponibilizar
a visualização da produção cartográfica do PPGG - TIE e definir um padrão de metadados
capaz de garantir a credibilidade e a interoperabilidade das informações com outros sistemas.
O modelo proposto para a Mapoteca Digital PUC Minas é baseado no uso da Internet
ou intranet com arquitetura de cliente/servidor para distribuição de dados, via protocolos FTP
e/ou http. O software adotado para gerenciar o processo de cadastro, pesquisa e visualização

4336

�online das informações é o mesmo utilizado SIB PUC Minas, Pergamum. O Pergamum é um
software de gerenciamento que proporciona versatilidade na modelagem do banco de dados e
a possibilidade de futuras integrações a sistemas nacionais e internacionais de cooperação de
dados e informações. Este sistema permite a consulta e a visualização do mapa de forma
estática no monitor, possibilitando ao usuário, capturar/copiar ou imprimir, devendo sempre
observar a indicação da fonte para uso público.

6.1 Seleção dos Mapas
O desenvolvimento deste trabalho compreendeu a analise de uma amostra de vinte e
sete mapas do total de cento e quarenta e quatro publicações cadastradas no acervo e postadas
na BDTD da PUC Minas, sendo selecionados nove mapas temáticos de cada uma das linhas
de pesquisa em análise espacial do mestrado do PPGG-TIE da PUC Minas, dividindo-se em:
nove mapas da área de Estudos Urbanos e Regionais; nove da área de Meio Ambiente e nove
da área de Sistemas de Informações Geográficas. O objeto de estudo foram os mapas
elaborados por autores de teses ou dissertações, que não possuam nenhum tipo de restrição de
acesso ao conteúdo conforme Lei N° 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, que regulamenta os
Direitos Autorais no Brasil.
A amostragem permitiu a validação dos dados possibilitando a realização dos ajustes
necessários para definição dos metadados que compõe a base de dados geoespacial do
Pergamum, que é a base de informações da Mapoteca Digital da PUC Minas.

6.2 Imagens: captura / tratamento / armazenamento
Para construção do banco de imagens da Mapoteca Digital, foi necessário analisar o
conteúdo das amostras para definição de quais os mapas integrariam o banco de
imagens/mapas. Os critérios utilizados para seleção dos mapas observaram principalmente o
rigor metodológico para sua elaboração, compreendendo a clareza das informações contidas
no mapa, analisadas a partir dos elementos cartográficos (título, fonte, orientação, projeção,
escala e legenda) e da semiologia gráfica utilizada, fatores importantes na comunicação
cartográfica. Um dos fatores de impacto ao se trabalhar com a imagem é a sua qualidade. A
GTI PUC Minas, que é a gerência responsável pela área da Tecnologia da Informação
institucional, preocupada com a capacidade de armazenamento dos servidores, determina que
os arquivos das dissertações depositadas na BDTD, sejam salvos no formato PDF (Portable
Document Format) desenvolvido pela empresa Adobe Systems. Este procedimento, porém,

4337

�compromete o processo de captura e tratamento destas imagens/mapas, pois a baixa resolução
não permite melhorar qualidade da imagem.
Como forma de testar a funcionalidade do modelo, a captura foi realizada a partir
seleção da imagem estática do mapa na tela ativa do computador, diretamente do PDF da
dissertação e salva no diretório denominado “Mapas”. No tratamento das imagens, foi
utilizado

o

software

livre

para

edição

de

imagem,

GIMP

(GNUImage Manipulation Program), porém, em virtude da baixa resolução dos arquivos em
PDF, as intervenções não surtiram o efeito desejado. Após este procedimento as imagens
foram armazenadas no diretório denominado “Capas”, temporariamente mapeado na rede
Administrativa da PUC Minas que é a mesma rede utilizada pelo sistema Pergamum. Com o
objetivo de padronizar o processo de organização e armazenamento das imagens/mapas
dentro do diretório, foi criada uma pasta “Mapas” contendo três subpastas denominadas,
“Estudos Urbanos e Regionais”, “Meio Ambiente” e “Sistemas de Informações Geográficas”,
em observação às linhas de pesquisa do PPGG-TIE da PUC Minas.

6.3 Base de Dados Geoespaciais do Pergamum - tratamento técnico das informações
O tratamento técnico de um mapa requer análise minuciosa, uma vez que reúne
características de livros e imagens, tornando sua descrição bibliografica um pouco mais
complexa, devendo-se acrescentar, notas descritivas que permitam o detalhamento de
informações como escala, projeção, coordenadas geográficas, datas e notas bibliográficas, que
são tão importantes quanto o autor e o título.
Cunha compara o processo de tratamento das informações contidas em um mapa ao
processo do livro onde os dados para sua descrição são obtidos essencialmente da pagina de
rosto, o “mapa, todo ele é uma pagina de rosto, pois os dados estão impressos fora da área
ocupada pelo desenho, distribuídos pelos espaços vazios” (CUNHA, 1999). O processo de
classificação de mapas diferencia-se dos livros por serem classificados primeiramente pelo
lugar e então pelo assunto, ao contrário dos livros onde a primeira informação a ser
considerada é o assunto e posteriormente o lugar.
As datas constituem-se em elementos extremamente importantes, pois são
diferenciadas pelo período de publicação e a reambulação, sendo esta a mais importante por
referir-se ao período que compreendeu a pesquisa e a coleta de dados.
Os mapas que irão compor a Mapoteca Digital da PUC Minas receberão tratamento
individualizado, com número de acervo e seus metadados geoespaciais inseridos no banco de

4338

�dados do Pergamum. Atualmente, o SIB PUC Minas utiliza como formato bibliográfico para
entrada dos metadados o MARC 21500. Sua principal função é promover a comunicação da
informação a partir da permuta de registros, colaborando significativamente para diminuir a
duplicação de esforços garantindo a qualidade e a confiabilidade da informação veiculada. O
formato MARC 21, utiliza para o tratamento das informações o Código de Catalogação
Anglo-Americano - AACR2501 e a Classificação Decimal Universal - CDU502.
Para a modelagem dos metadados cartográficos e geoespaciais, foi utilizada a norma
proposta pela Comissão Nacional de Cartografia - CONCAR (CONCAR, 2009), identificada
como fórum nacional para o desenvolvimento da pesquisa e dos estudos necessários para
implementação de um catalogo nacional de metadados. A parametrização dos produtos
cartográficos observou os seguintes aspectos:
a) Identificar o produtor e a responsabilidade técnica de produção;
b) Garantir a transferência de dados;
c) Possibilitar o controle de qualidade;
d) Propiciar um maior conhecimento quanto ao conteúdo dos dados relevantes ao seu
negócio;
e) Estabelecer um controle eficiente na produção de dados e informações, além de
auditar e informar a qualidade dos dados produzidos;
f) Subsidiar a disseminação e identificar direitos de propriedade de produção e de uso
dos dados;
g) Viabilizar a transferência / intercâmbio / compartilhamento de dados entre sistemas e
organizações;
h) Estabelecer padrões de descritores de dados, diante da enorme e diversificada gama de
informações contidas e disponibilizadas na rede;
i) Propiciar aos usuários, identificar o conteúdo e analisar a adequabilidade dos dados
disponíveis para as suas múltiplas aplicações;
j) Estimular o uso de padrões de metadados, e seu cadastramento;

500 Desenvolvido pela Library o f Congress (USA), o MARC 21 é o padrão adotado internacionalmente,
permitindo o armazenamento e a transferência de dados bibliográficos garantindo a interoperabilidade entre
diferentes softwares de gerenciamento em sistemas de informação.
501 AACR2 é um compêndio de regras para a criação de descritores bibliográficos e para a escolha, construção e
atribuição dos pontos de acesso (cabeçalhos de assunto ou palavras-chave);
502 A CDU é um sistema de classificação documental analítico que utiliza sinais auxiliares para indicar vários
aspectos especiais de um assunto ou a relações entre assuntos. Abrange todas as áreas do conhecimento e se
adequa a qualquer tipo de suporte seja ele, impresso, eletrônico e digital. Sua arquitetura flexível é compatível
tanto com a leitura por máquinas de versões antigas como as mais atuais com sistemas de acesso público on­
line.

4339

�k) Viabilizar os estudos para a definição das linguagens de consulta (semântica e
espacial) de metadados e sistemas de intercâmbio de dados.
A planilha atual para catalogação de materiais cartográficos no SIB PUC Minas,
cadastrada no sistema Pergamum, possui quinze campos para entrada de metadados, sendo
que apenas cinco, destinam-se aos dados geoespaciais. Para o modelo proposto definiu-se
uma planilha com 21 elementos obrigatórios, dos quais quinze são específicos para descrição
dos metadados geoespaciais. Em virtude da especificidade das informações geoespaciais,
observou-se que a identificação destas informações, deve ser realizada por um geógrafo,
como forma de garantir a qualidade e a consistência das informações geográficas.

6.4 Entrada de dados no Sistema Pergamum
O módulo de catalogação do Pergamum possibilita o cadastramento e a customização
de planilhas definindo quais os campos (obrigatórios ou não), necessários para montagem e
alimentação do banco de dados geoespacial. Estes metadados são essenciais para o processo
de organização e recuperação das informações, pois permitirá ao usuário recuperar o mapa a
partir de qualquer metadado utilizado na sua construção, possibilitando um melhor nível de
refinamento no processo de pesquisa.
O Pergamum permite criar vínculos entre metadados e imagens, neste caso, o mapa
digital, resultando no processo de visualização de sua imagem associada aos dados
geoespaciais e a versão digital da dissertação que o originou e que encontra-se depositada na
BDTD da PUC Minas. O sistema esta programado para atualizar automaticamente as
informações e disponibilizá-las na Web a cada duas horas.

6.5 Visualização dos mapas
Para pesquisar o mapa digital no acervo do SIB PUC Minas, o usuário deverá utilizar
o software de gestão de sistemas de bibliotecas Pergamum, utilizado pelo SIB PUC Minas,
que permite ao usuário pesquisar por autor, título ou assunto/palavra-chave, ou seja, qualquer
informação registrada nos metadados do documento, recuperando todos os materiais
existentes no acervo relacionado ao termo de busca. O sistema oferece outras possibilidades
de refinamento da pesquisa utilizando os operadores boleanos E, OU e NÃO, ou
paremetrizando a partir da definição da Unidade de Informação (permite definir em qual das
Bibliotecas do SIB ele deseja pesquisar) e pelo tipo de obra (permite a definição de pesquisa
por tipo de material).

4340

�O resultado desta pesquisa é a imagem miniaturizada dos mapas juntamente com os
dados catalográficos. Ao clicar na miniatura do mapa com o botão direito do mouse, será
aberto em uma nova aba com a imagem estática do mapa em tamanho original, que poderá ser
impressa ou copiada para qualquer dispositivo desde que seja mencionada a fonte. Outra
opção que será disponibilizada ao usuário é o link para a tese ou dissertação de origem do
respectivo mapa disponível na BDTD da PUC Minas, possibilitando uma visão mais
integrada e contextualizada das informações que nortearam a elaboração e a finalidade do
mapa, permitindo inclusive, que usuário amplie sua estratégia de busca realizando o caminho
inverso, ou seja, selecionar as Teses e Dissertações a partir dos mapas temáticos. A
disponibilização das imagens dos mapas seguiu os critérios de autorização junto a CAPES,
resguardando os direitos autorais e definições de acesso.

7 Resultados Parciais/Finais
Como resultado foi apresentado o protótipo da Mapoteca Digital da PUC Minas,
disponibilizando três mapas para pesquisa online. (Figura 7)

Figura 7 - Caixa de pesquisa do Pergamum - Resultado de pesquisa

Fonte: Sistema Pergamum, (2013).

O item selecionao no resultado da pesquisa é o mapa Pedológico da Serra do Cipó Minas Gerais (Figura 8), elaborado por Débora Campos Jansen em sua Dissertação de
mestrado orientada pelo Prof. Luiz Eduardo Panisset Travassos, com o título “Análise
ambiental da área de proteção ambiental Morro da Pedreira e do Parque Nacional da

4341

�Serra do Cipó para a proteção do patrimônio espeleológico”, defendida no PPG em
Geografia - Tratamento da Informação Espacial, em 15/04/2013.

Figura 8 - Resultado de pesquisa (Ítem selecionado)

Mapa pedolóaico da Serra do Cipó. Minas Gerais [mapa digital] / 2013 - f Mapa digital 1

(D

JANSEN, Débora Campos; TRAVASSOS, Luiz Eduardo ramsset. M apa p e d o lo g ico da Serra do Cipo,

® tèJ

M inas Gerais. 2013

Referência

Marc

Çÿ

Fonte: Sistema Pergamum, (2013).

8 Considerações Parciais/Finais
Como observado ao longo deste trabalho, o mapa é cada vez mais utilizado por
geógrafos, pesquisadores, estudantes e outros profissionais que necessitam utilizar seus dados
geográficos para reconhecimento de locais a serem estudados e planejados. No ensino de
Geografia, os docentes têm observado a sua importância como instrumento de pesquisa
indispensável no processo ensino-aprendizagem, utilizando-o cada vez mais como recurso
pedagógico. Ao associarmos o conceito de visualização para o ensino, observamos que os
estímulos visuais são importantes no processo de construção mental do conhecimento,
entendemos que do mesmo modo como os professores usam o giz e o quadro negro, o mapa
também está intrinsecamente ligado ao ensino de Geografia, ou seja, o ensino pelo mapa e
não do mapa, seja ele impresso ou digital, o que confirma a relevância e a aplicabilidade deste
trabalho.
A BDTD da PUC Minas cumpre o seu papel de repositório para a produção científica
institucional, porém a associação de um sistema de gerenciamento da informação eficaz,
permitirá aos usuários explorarem o conteúdo de forma ampla. Neste sentido a construção do
modelo foi realizada com sucesso, a partir do estudo detalhado dos padrões de metadados
geoespaciais nacionais e internacionais e do software de gerenciamento destes dados, em
consonância com os conceitos da Cartografia, da visualização cartográfica e da Ciência da
Informação, essenciais no processo de armazenamento, tratamento, organização e
disseminação da informação geoespacial.

4342

�O modelo desenvolvido encontra-se integrado ao Pergamum, porém, sua efetivação
está vinculada a adoção dos seguintes procedimentos que alteram o protocolo atual de
depósito das teses e dissertações na BDTD, são eles:
a) o preenchimento pelo autor da planilha de metadados geoespaciais referente ao mapa
por ele elaborado. Cada mapa produzido deverá ter a sua planilha gravada em mídia
digital (CD ou DVD). A planilha estará disponível para download na página do
PPGG-TIE, juntamente com a as normas para publicação de teses e dissertações.
b) para garantir a qualidade das imagens que integrarão o banco de imagens, torna-se
necessário que os mapas sejam elaborados no formato PNG com resolução de 200 dpi
e gravados em mídia digital (CD ou DVD). Este procedimento evitará a necessidade
de tratamento da imagem, garantindo a qualidade do produto e sua visualização;
c) as mídias contendo os planilhas e os mapas deverão ser entregues ao setor de
Processamento Técnico da Biblioteca da unidade Coração Eucarístico, juntamente
com processo de depósito da tese ou dissertação na BDTD da PUC Minas. Este setor
ficará responsável pela inserção dos dados e manutenção da base de dados do
pergamum que alimentará a Mapoteca Digital;
d) para que a Mapoteca Digital tenha uma maior visibilidade, propõem-se a instalação de
um link nas principais páginas web da instituição (PPGG - TIE, curso de graduação
em Geografia e do SIB PUC Minas).

Desta forma, esperamos que o modelo proposto estabeleça a comunicação entre a
produção científica institucional e as demandas por informações geográficas no meio social,
empresarial, acadêmico, científico e tecnológico nacional, fomentando o contato com as
geotecnologias e ao mesmo tempo contribuindo com o processo de democratização e de
disseminação das informações cartográficas e geográficas.

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4344

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                <text>Mapoteca digital para a pesquisa geográfica: o caso das linhas de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Geografia- Tratamento da Informação Espacial da PUC Minas</text>
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                <text>O avanço das geotecnologias ampliaram as possibilidades de geração de produtos cartográficos, e com elas a necessidade de estabelecer padrões que possibilitem a integração e o compartilhamento de dados geoespaciais. O objetivo deste artigo consiste em apresentar um modelo para armazenamento, recuperação e visualização de mapas em uma Mapoteca Digital de acesso público, utilizando o software Pergamum. A construção do modelo baseou-se na análise do processo de criação da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC Minas - BDTD PUC Minas, cujo objeto de estudo foram os mapas produzidos pelas linhas de pesquisa do Programa de Pós-graduação em Geografia – Tratamento da Informação Espacial da PUC Minas - PPGG-TIE da PUC Minas. A metodologia adotada buscou definir um padrão de metadados geoespaciais, capaz de descrever os dados utilizados para criação do mapa, garantindo sua credibilidade e interoperabilidade com outros sistemas. Como resultado, foi apresentado o protótipo da Mapoteca Digital da PUC Minas utilizando o Pergamum, software para gerenciamento de serviços de informação adotado pelo Sistema de Bibliotecas da PUC Minas - SIB PUC Minas, permitindo ao usuário pesquisar e visualizar o mapa e a dissertação que o originou. A possibilidade de utilização da Mapoteca Digital da PUC Minas, como recurso didático pedagógico, proporcionará uma melhor compreensão dos fenômenos de natureza espacial no âmbito da pesquisa geográfica, estabelecendo um elo entre a produção científica institucional e as demandas por informações geográficas no meio social, empresarial, acadêmico, científico e tecnológico, fomentando o contato com as geotecnologias dinamizando o processo de democratização e disseminação das informações cartográficas e geográficas.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

LICENCIAMENTO DE LIVROS ELETRÔNICOS E O MODELO DE NEGÓCIOS
PDA (PATRON DRIVEN ACQUISITION)
Liliana Giusti Serra
José Fernando Modesto da Silva

RESUMO
Este trabalho discorre sobre as transformações advindas pelos livros eletrônicos nas
bibliotecas analisando o processo de aquisição alterado da propriedade ao licenciamento do
conteúdo e o modelo de negócios de Aquisição Orientada pelo Usuário (PDA - Patron
Driven Acquisition), vislumbrando a possibilidade de aplicação nas bibliotecas universitárias
brasileiras. A pesquisa consiste em revisão da literatura, predominantemente norte-americana,
sobre o emprego de livros eletrônicos em instituições acadêmicas no modelo PDA e finaliza
com análise das possibilidades de emprego dessa modalidade de aquisição nas bibliotecas
universitárias brasileiras.
Palavras-Chave: Livros eletrônicos; Modelos de negócios; Aquisição orientada pelo usuário;
Bibliotecas universitárias; Licenciamento de conteúdo.
ABSTRACT
This paper discusses the transitions observed in libraries that include e-books in its collection
analyzing the changes in acquisitions process, comparing ownership with content licensing,
and the business model of Patron Driven Acquisition (PDA), envisioning the possibility of
application in Brazilian academic libraries. The survey is a literature review, predominantly
focused in North American production, on the use of e-books in academic institutions using
the PDA model. It finishes analyzing the possibilities of use of this genre of acquisition in
Brazilian academic libraries.
Keywords: E-books; Business models; Patron Driven Acquisition; Academic libraries;
Content licensing.

1 Introdução
A entrada dos livros eletrônicos nas bibliotecas tem causado uma série de
transformações nas atividades e serviços prestados pelos bibliotecários. As mudanças
transitam por áreas como: formação do acervo e desenvolvimento de coleção, leitura digital,
competência em informação, adequação do espaço físico, emprego de dispositivos de leitura,
fornecedores de publicações no formato digital, processo de aquisição e modelos de negócios

4311

�para conteúdo digital licenciado, entre outras. Com os livros eletrônicos a biblioteca não
realiza a aquisição nos mesmos moldes das publicações impressas, mas através de contratos
de licenciamento. Dentre as opções de formas de aquisição, quatro modelos de negócios se
destacam: 1) licenciamento por aquisição perpétua; 2) licenciamento por assinatura; 3) PDA;
e 4) STL.
Os licenciamentos por aquisição perpétua e por assinatura são aplicados no Brasil, em
bibliotecas universitárias. Nos Estados Unidos e na Europa estão em curso outros dois
modelos com características distintas, mas que por vezes atuam de forma complementar: a)
PDA (Patron Driven Acquisition - Aquisição orientada pelo usuário, tradução nossa); e b)
STL (Short Term Loan - Empréstimo de curto prazo, tradução nossa). O presente estudo
caracteriza-se como descritivo, que por meio de revisão da literatura sobre o livro eletrônico,
aborda questões relacionadas ao licenciamento de conteúdo e o modelo de negócios
PDA/DDA, e as possibilidades de aplicação nas bibliotecas universitárias brasileiras. Embora
não esgote o tema, tem o objetivo de alertar ao bibliotecário sobre os desafios para a inclusão
do livro eletrônico no desenvolvimento da coleção.

2 Aquisição x Licenciamento
Dentre os tipos de conteúdo digital presentes nos acervos universitários são destacadas
as obras de acesso aberto (open access), normalmente vinculadas à produção intelectual da
instituição, e composta de livros, obras de referencia, periódicos e artigos de revistas (papers),
fornecendo subsídios para formação e crescimento intelectual do corpo docente e discente. A
utilização de livros eletrônicos apresenta um conjunto de desafios, destacadamente voltados
às questões como a diferença entre aquisição e licenciamento de conteúdo digital. Se com os
livros físicos as bibliotecas tinham preocupações relacionadas aos fornecedores que seriam
contatados, preços, prazos de recebimento dos exemplares, disponibilidade aos usuários etc.,
com os suportes digitais a forma de aquisição é alterada, com riscos de comprometimento do
processo de compra e do acesso pelos usuários. De acordo com Morris &amp; Sibert (2011, cap.6),
o licenciamento de livros eletrônicos ocorre de forma similar a outros conteúdos digitais
como bases de dados assinadas e jornais eletrônicos.
Sheehan (2013, cap.2) discorre que a propriedade é parte e parcela do entendimento
cultural dos livros impressos enquanto os livros eletrônicos alteraram a compreensão do
modelo vinculado a produtos e serviços. Apesar do mercado fonográfico ter experimentado a
onda de digitalização e distribuição de arquivos MP3, o mesmo não ocorreu com os livros em
papel. Enquanto os usuários digitalizavam arquivos sonoros a partir dos suportes que haviam

4312

�comprado (CDs, LPs), esse processo não ocorreu com as publicações impressas. O
crescimento no consumo de livros eletrônicos ocorreu a partir da aquisição de dispositivos de
leitura e não da digitalização de textos por parte dos leitores.
As bibliotecas utilizam a teoria da primeira venda (first sale) há séculos e ao adquirir
uma obra, a mesma pode ser emprestada a outras pessoas ou instituições sem que ocorra a
violação de copyright (MAIA, 2013, p.1; RAO, 2005; SHEEHAN, 2013, cap.2). Essa mesma
teoria também permite que, caso seja interesse da biblioteca, pode ocorrer a revenda, doação
ou troca, sem necessidade de recolher direitos autorais, uma vez que a instituição é
proprietária do objeto físico (MCGUIRE; O’LEARY, 2012, cap.16). Em contrapartida, o
conteúdo presente nesse objeto físico é protegido pelas leis de direitos autorais, que inibe a
reprodução e distribuição sem anuência do autor ou seu representante legal.
O Artigo 37 da de Direitos Autorais - Lei 9.610, de 1998 -, discorre sobre a teoria da
primeira venda:
Art. 37. A aquisição do original de uma obra, ou de exemplar, não confere
ao adquirente qualquer dos direitos patrimoniais do autor, salvo convenção
em contrário entre as partes e os casos previstos nesta Lei (BRASIL, 1998b).
Observando a redação do Artigo 37, Maia (2013, p.3) destaca que os direitos de uso da
publicação física pertencem ao responsável pela sua aquisição (biblioteca) e não pelo portador
(usuários).
A aquisição de livros eletrônicos não é centrada na teoria de primeira venda, mas em
semelhança a programas de computador (EBLIDA, 2013; MAIA, 2013, p.7), é regidos por
contratos de licença, conforme o Artigo 9 da Lei n. 9.609, de 19 de fevereiro de 1998:
Art. 9: O uso de programa de computador no País será objeto de contrato de
licença (BRASIL, 1998).
A possibilidade de empréstimo, revenda ou doação por parte do comprador de licença
de programa de computador é restrita, conforme o Artigo 2, § 5 da Lei 9.609/98:
Art. 2° O regime de proteção à propriedade intelectual de programa de
computador é o conferido às obras literárias pela legislação de direitos
autorais e conexos vigentes no País, observado o disposto nesta Lei.
[...]
§ 5° Inclui-se dentre os direitos assegurados por esta Lei e pela legislação de
direitos autorais e conexos vigentes no País aquele direito exclusivo de
autorizar ou proibir o aluguel comercial, não sendo esse direito exaurível
pela venda, licença ou outra forma de transferência da cópia do programa.

4313

�Analisando o § 5°, Cerqueira (2011, p.60 apud MAIA, 2013, p.5) discorre que existe
restrição de empréstimo, revenda ou doação por parte do comprador de licença de programa
de computador, conforme:
[Os contratos de licença de uso de programas de computador]
fundamentalmente objetivam estabelecer as regras para o uso não exclusivo
de um determinado programa de computador, protegendo a propriedade do
seu produtor. Daí as tradicionais proibições de ceder, vender, dar em
locação, alterar ou fazer cópias sem expressa autorização.
O mesmo entendimento é alcançado por Saavedra (1998, p.29 apud MAIA, 2013, p.6):
Os contratos de licenciamento e cessão de uso são ajustes concernentes ao
direito de autor, firmados pelo titular desses direitos - que não é
necessariamente, o vendedor do exemplar do programa - e o usuário do
software. [...] As cláusulas desses contratos - voltadas à garantia dos
direitos do autor, e não à disciplina das condições do negócio realizado com
o exemplar - limitam a liberdade do adquirente da cópia quanto ao uso do
programa, estabelecendo, por exemplo, a proibição de uso simultâneo do
software em mais de um computador, a proibição de aluguel, de reprodução,
de decomposição, de separação dos seus componentes e assim por diante.
Para a biblioteca, ter a licença de uso e não a propriedade dos livros eletrônicos é um
problema, uma vez que o controle da existência, permanência e utilização das publicações
licenciadas são determinantes para o desenvolvimento de coleções e manutenção dos serviços
prestados. O licenciamento de livros eletrônicos é oferecido pelos fornecedores (editores,
agregadores, distribuidores etc.) através de modelos de negócios.
De acordo com Schell (2011, cap.5) algumas questões devem ser levantadas pelas
bibliotecas ao realizar um contrato de licenciamento de livros eletrônicos:
•

Há pessoa capacitada na equipe para negociar o licenciamento com o fornecedor?

•

Os registros no formato MARC serão disponibilizados pelo fornecedor?

•

Quais usuários terão acesso ao conteúdo licenciado?

•

Como o fornecedor garante o acesso online, suporte e preservação digital dos livros
eletrônicos?

•

Existe a opção de formação de fila de reservas eletrônicas?

•

Dados estatísticos de acesso serão informados pelos fornecedores?

•

É permitido o empréstimo entre bibliotecas?

•

Há conteúdo acessível para deficientes visuais?

•

Existem restrições de acesso?

•

É possível imprimir ou realizar o download do conteúdo licenciado?

•

Como realizar o descarte dos livros eletrônicos?

4314

�Além das questões citadas, recomenda-se que os livros eletrônicos sejam incluídos no
catálogo da biblioteca, proporcionando aos usuários um único local para descoberta dos
títulos contratados. Essa iniciativa é interessante ao usuário pois ele pode identificar os
recursos existentes no acervo (impressos ou eletrônicos), independente de quais fornecedores
foram contratados. Para a biblioteca, a medida corrobora em facilitar a gestão e manutenção
dos contratos com os fornecedores, disponibilizando ou inibindo os títulos no OPAC (Online
Public Access Catalog), de acordo com o licenciamento ou renovações realizados.
Uma questão a ser debatida está relacionada ao descarte de livros eletrônicos. Da mesma
forma ao que ocorre na gestão do acervo físico, títulos eletrônicos precisam ser analisados
frequentemente e descartados quando não pertinentes à coleção. Segundo Crosetto (2012,
cap.6), a biblioteca deve estabelecer critérios para o descarte de livros eletrônicos da mesma
forma que os define para os impressos. A quantidade de títulos disponíveis não define uma
coleção em termos qualitativos. Por não ocupar espaço em estantes e por não ser visível, as
bibliotecas podem não perceber a necessidade de definir uma estratégia que garanta a acurácia
do acervo, com o descarte ocorrendo através de análise dos metadados. A forma de descarte
adotada irá variar de acordo com o modelo de negócios e o fornecedor contratados, podendo
acontecer por iniciativa da biblioteca em não renovar suas licenças.
Apesar de limitados ao controle do licenciamento de conteúdo, e não da propriedade pela
aquisição, diversos modelos de negócios podem ser utilizados para flexibilizar a utilização e
acesso aos livros eletrônicos pelos usuários das bibliotecas. Dentre os modelos de negócios
existentes, será analisado o PDA/DDA.

3 PDA - Aquisição orientada pelo usuário
De acordo com Kent (1979 apud NIXON; FREEMAN; WARD, 2011, cap.1), estudos
realizados a partir da década de 1970 em bibliotecas universitárias norte-americanas
mostraram a ocorrência de baixa circulação das obras selecionadas por bibliotecários. O
estudo de Trueswell (1969 apud NIXON; FREEMAN; WARD, 2011, cap.1) revelou que 80%
das circulações eram realizadas em apenas 20% da coleção. Essa e outras pesquisas
levantaram a hipótese de que talvez os processos de seleção realizados pelos bibliotecários
não atendiam completamente a demanda dos usuários universitários como esperado. Por outro
lado, observou-se que a utilização de obras solicitadas por empréstimo entre bibliotecas
(EEB) atendia a solicitação de consultas, resultando em circulações recorrentes. Pesquisas
indicaram a necessidade de incluir os pedidos de EEB entre as publicações a serem

4315

�adquiridas. Os fatores que levaram a essa decisão foram: a) o custo para realização de EEB; e
b) o tempo necessário para uma obra estar disponível ao usuário.
Sob esse aspecto, as bibliotecas universitárias norte-americanas optaram por priorizar
a aquisição de obras solicitadas por EEB, investindo parte das verbas de aquisições para
atender essas demandas, e conduzindo estudos comparativos das diferenças que poderiam
surgir entre as duas possibilidades acima citadas (a e b). As obras adquiridas por solicitações
de EEB apresentavam alta circulação quando incorporadas aos acervos, mesmo se
comparadas aos títulos adquiridos via seleção tradicional, ainda que só os usuários solicitantes
fizessem uso dessas obras (ANDERSON et al, 2002).
A aquisição orientada ao usuário é utilizada há mais de 10 anos, e novos estudos se
desenvolvem para identificar e analisar os resultados dessas iniciativas, e o seu impacto nos
orçamentos. Com a disponibilidade de livros eletrônicos essa modalidade de aquisição
encontrou terreno fértil para se consolidar, e agilizar o acesso e o licenciamento da publicação
solicitada pelo usuário. Situação que garante um rápido atendimento, sem a necessidade de
verificar preços, estoques e disponibilidade dos fornecedores. A quantidade de EEB diminui
e, em contrapartida, parte do orçamento para aquisição existente acaba designado para atender
essas demandas. Uma série de critérios são estabelecidos visando nortear os procedimentos de
licenciamento. Segundo a revisão bibliográfica realizada por Anderson et al (2002, p.2), o
modelo PDA contribui com a política de desenvolvimento de coleção ao indicar títulos
relevantes ao acervo e dar voz aos usuários, que manifestam seus interesses em áreas
interdisciplinares. No estudo de Price et al (2012, p.6), a circulação de títulos solicitados pelos
usuários mostrou-se maior que os licenciados pela biblioteca. Observam que a frequência de
consulta a longo prazo mostrou-se maior nos títulos selecionados pelos usuários do que os
selecionados pela biblioteca. Apesar de ser considerado revolucionário, é visto como um
modelo aceito e atraente para bibliotecas de diversos segmentos e tamanhos.
Esposito (2012) destaca a controvérsia que existe ao utilizar essa forma de aquisição,
visto por alguns bibliotecários como a perda de integridade no desenvolvimento da coleção,
enquanto outros enxergam uma opção para baixar os custos de aquisição dos títulos realmente
pertinentes. A forma de construir coleções é centrada atualmente na "velocidade", sem a
necessidade de aguardar a concretização de um EEB, tendo acesso ao título desejado em
apenas um clique, e com a possibilidade de realizar “aluguéis” enquanto uma quantidade de
acessos estabelecidos não for alcançado, e, após esse limite, incluir a obra automaticamente
ao acervo através de licenciamento do conteúdo (FISTER, 2010).

4316

�A seleção realizada pela biblioteca muitas vezes sofre interferências com solicitações
de docentes que possuem interesse em áreas específicas ou estudam temas que no futuro não
apresentarão pertinência à coleção. Ocorre, ainda, o recebimento de coleções particulares de
professores aposentados que, apesar de contribuírem com a oferta de títulos, podem ceder
materiais desatualizados ou não aderentes ao plano de ensino dos cursos. Outro fator
recorrente é a falta de comunicação entre docentes e a biblioteca, o que gera a ocorrência da
não solicitação de títulos para inclusão ao acervo (FISTER, 2010).
Oferecido por agregadores de conteúdo, o modelo PDA para livros eletrônicos foi
lançado por volta dos anos 2000 (NIXON; FREEMAN; WARD, 2011, cap.1). Desde seu
lançamento o modelo foi identificado como: Patron Driven Selection (Seleção orientada pelo
usuário, tradução nossa); Patron Driven Initiated (Iniciativa orientada pelo usuário, tradução
nossa); Patron Driven Purchasing (Compra dirigida pelo usuário, tradução nossa); e Demand
Driven Acquisition (Aquisição orientada por demanda, tradução nossa), essa última
denominação é adotada prioritariamente no Reino Unido. Ressalte-se que o modelo também
foi designado de pay-per-view (SCHELL, 2011, cap.5), que atualmente é denominado STL.
No modelo PDA, os fornecedores promovem acesso a todos os títulos de seu catálogo
ou a um conjunto selecionado de títulos, de acordo com o interesse da biblioteca.
Segundo Morris &amp; Sibert (2011, cap.6) e Sheehan (2013, cap.6), os registros MARC
existente no catálogo do fornecedor são inseridos no OPAC da biblioteca, tornando-o um
ponto de descoberta. Os registros MARC são importados com a URL que permite o acesso ao
conteúdo, e que será acessado e controlado pela plataforma do fornecedor. Dessa forma, ao
consultar o catálogo bibliográfico, o usuário pode realizar a leitura dos títulos, mesmo que
eles não tenham sido licenciados pela biblioteca. Em outro modelo de negócios, Caso a obra
seja consultada uma determinada quantidade de vezes, acordada entre a biblioteca e o
fornecedor, um processo de inclusão dessa obra no acervo é iniciada automaticamente
(GRIGSON, 2011, p.29). Já, as obras consultadas em quantidade inferior à estipulada, serão
cobradas como um “aluguel”, com valores proporcionais ao preço do licenciamento variando
entre os fornecedores.
Segundo Sheehan (2013, cap.6), a biblioteca pode definir restrições de acesso por
áreas, assuntos, valor das publicações, temas de interesse da comunidade etc., aos títulos não
contratados. As restrições visam preservar o orçamento e impedir que obras não pertinentes
ou muito caras sejam acessadas. Com o modelo PDA, o OPAC passa a reunir as obras
impressas, os livros eletrônicos licenciados e os não licenciados, todos disponíveis para
consulta.

4317

�Schell (2011, cap.5) destaca que o modelo PDA permite o acesso a uma variedade de
conteúdos que somente serão cobrados se as obras forem consultadas. A biblioteca em
conjunto com o fornecedor define a quantidade de acessos que um título não licenciado terá.
Alcançado esse limite, a cobrança será realizada com inclusão do título ao conjunto de obras
licenciadas pelo pacote de assinaturas contratados (MORRIS; SIBERT, 2011, cap.6).
Para Morris &amp; Sibert (2011, cap.6) e Schell (2011, cap.5) os parâmetros definidos pela
biblioteca podem ser:
•

Número de vezes que um livro eletrônico não licenciado pode ser acessado antes de
ser incluído automaticamente ao conjunto dos licenciados;

•

Tempo limite de confirmação se o recurso foi acessado pelo usuário ou o clique foi
dado por engano (normalmente estabelece-se um período, em torno de cinco minutos);

•

Utilização ou não de um mediador para aprovar a solicitação de acesso feita pelo
usuário;

•

Tipo de acesso: monousuário, limitado ou simultâneo;

•

Garantir que todos os usuários poderão acessar as obras licenciadas, e não apenas os
que dispararam o processo de licenciamento;

•

Valores dos livros eletrônicos que podem ser acessados;

•

Assuntos e disciplinas que serão disponibilizados;

•

Valores dos livros eletrônicos quando acessados de forma temporária (aluguel de curto
prazo) pelo usuário;

•

Valores para licenciamento dos livros eletrônicos adquiridos (aquisição perpétua ou
assinatura) quando o limite de acessos for alcançado;

•

Opção de combinar os modelos PDA e STL, com as obras assinadas por curtos
período de tempo, sem disparar o processo de licenciamento automático.

Alguns fornecedores oferecem, além da contagem do número de acessos realizados, a
contabilização do tempo de visualização da obra como critério para definir se a publicação
não licenciada foi utilizada (NIXON; FREEMAN; WARD, 2011, cap.1).
Os parâmetros podem ser estabelecidos no momento do licenciamento, porém alguns
fornecedores permitem ajustes durante a vigência do contrato, fato que permite à biblioteca
maior controle sobre a utilização dos recursos existentes.
Price (2009, p.3) pontua que a diferença entre a aquisição no modelo PDA e o método
tradicional consiste no tempo de vigência do licenciamento: o usuário dá inicio ao

4318

�licenciamento (temporário ou definitivo) da obra solicitada após o acesso a mesma, enquanto
que para o bibliotecário o licenciamento vigora antes da publicação ser utilizada.
Morris &amp; Sibert (2011, cap.6) comentam da importância de orientar os usuários sobre o uso
desse modelo, conscientizando-os sobre a utilização dos recursos financeiros da biblioteca na
aquisição de títulos realmente pertinentes aos acervos.
Visto sob a ótica dos editores, o modelo PDA também apresenta dúvidas. O editores
receiam por quedas nas vendas, uma vez que livros impressos sem circulação relevante não
serão adquiridos no formato eletrônico ou então, as obras que eram selecionadas pelos
bibliotecários para compor a coleção podem não ser selecionadas pelos usuários. Por outro
lado, com a seleção realizada diretamente pelo usuários, existe a possibilidade de aumento nas
vendas, e a inclusão de obras interdisciplinares ou de necessidade transitória (ESPOSITO,
2012).
O modelo PDA apresenta as seguintes vantagens e desvantagens:
Vantagens
•

Satisfação do usuário (MORRIS; SIBERT, 2011, cap.6; NIXON; FREEMAN;
WARD, 2011, cap.1);

•

Oferta de títulos que o usuário deseja (ESPOSITO, 2012; GRIGSON, 2011, p.29);

•

Rápida disponibilidade e acesso aos títulos, passando de dias para horas de espera
(NIXON; FREEMAN; WARD, 2011, cap.1)

•

Acesso a títulos não licenciados pela biblioteca (SHEEHAN, 2013, cap.6);

•

Processo de aquisição acelerado, com pouca burocracia (SHEEHAN, 2013, cap.6);

•

Combinação variada de negociação entre as bibliotecas e fornecedores para instalação
do programa (SHEEHAN, 2013, cap.6);

•

Disponibilidade das obras para outros usuários (NIXON; FREEMAN; WARD, 2011,
cap.1)

•

Atualização rápida do acervo (ANDERSON et al., 2002, p.2);

•

Aumento da circulação (NIXON; FREEMAN; WARD, 2011, cap.1);

•

Melhor retorno de investimento. A biblioteca paga apenas as obras utilizadas
(GRIGSON, 2011, p.29).

Desvantagens
•

Controle da coleção delegado ao usuário e não ao bibliotecário. Em bibliotecas
universitárias a definição das publicações será feita por usuários transitórios
(SHEEHAN, 2013, cap.6);

4319

�•

Risco de perda no controle do processo de aquisição (POLANKA, 2009, p.121 apud
MORRIS; SIBERT, 2011, cap.6);

•

Baixa oferta de títulos (POLANKA, 2009, p.121 apud MORRIS; SIBERT, 2011,
cap.6; SHEEHAN, 2013, cap.6)

•

Baixa qualidade dos registros em MARC, com URLs direcionando ao conteúdo
diferente do descrito (MORRIS; SIBERT, 2011, cap.6);

•

Risco de menor controle orçamentário. Os recursos consumidos pelos usuários caso a
biblioteca não defina parâmetros de licenciamento (GRIGSON, 2011, p.29);

•

Preferência dos usuários em procurar livros nas estantes por assunto do que no OPAC
(FISTER, 2010);

•

Poucos usuários definem os títulos para aquisição. O que ocasiona uma coleção
desbalanceada (GRIGSON, 2011, p.29);

•

Desenvolvimento da coleção determinada por usuário ou grupo de usuários que
acessam obras não pertinentes ao acervo (PRICE, 2009, p.2).

4 Bibliotecas universitárias brasileiras e o modelo PDA
Não foram localizados relatos de bibliotecas universitárias brasileiras que utilizem o
modelo de negócios PDA. As experiências existentes, e os fornecedores, são centrados nos
modelos de aquisição perpétua e assinatura de livros eletrônicos. Ainda existe, por parte dos
fornecedores, pouca oferta de títulos em português. Atualmente, os bibliotecários brasileiros
podem contratar fornecedores nacionais e estrangeiros, que praticam os modelos existentes. A
falta de relatos de experiência aparenta indicar o desconhecimento das bibliotecas em relação
ao livro eletrônico e às opções de modelos de negócios praticados pelos fornecedores.
Evidentemente esse cenário decorre da própria instabilidade dos modelos de negócios, das
políticas de preços praticadas, e da familiaridade dos bibliotecários e usuários com os livros
eletrônicos, dispositivos de leitura etc.
Observa-se no Brasil a mesma tendência ocorrida nos Estados Unidos e Europa, ou
seja, a inclusão de livros eletrônicos nas bibliotecas ocorre pelo ambiente universitário, com
acesso da comunidade acadêmica aos títulos licenciados. De acordo com Sheehan (2013,
cap.6), as bibliotecas norte-americanas iniciaram a oferta de livros eletrônicos em 1999,
utilizando o fornecedor NetLibrary como complemento às publicações existentes no Projeto
Gutenberg. A autora discorre que a necessidade de informação de usuários acadêmicos é
diferente da de bibliotecas públicas. Pesquisadores, docentes e estudantes universitários,

4320

�possuem necessidades distintas de conteúdo, e usualmente solicitam das bibliotecas que o
acesso aos títulos existentes seja realizado de forma simultânea. As experiências com o
modelo PDA nas bibliotecas universitárias representam a transição da demanda dos usuários
orientada por “apenas no caso de” (just in case) para “na hora certa” (just in time).
Evidentemente, a implantação do modelo PDA resultou em temores por parte dos
bibliotecários com a utilização que os usuários fariam dos títulos não licenciados e o quanto
isso impactaria no orçamento da biblioteca (SHEEHAN, 2013, cap.6). Entretanto, a
possibilidade de utilização de um novo modelo de negócios deve ser implantada com
capacitação da equipe, dos usuários e rigoroso controle orçamentário.
Analisando as opções brasileiras, evidenciam-se dois cenários distintos: o público e o
privado. O processo de aquisição (ou licenciamento) das universidades públicas é
determinado pela Lei de Licitações (Lei n. 8.666, de 21 de junho de 1993), o que pode gerar
dificuldades na contratação de livros eletrônicos ao ser considerado uma aquisição de
programa de computador e não um objeto físico. Caso seja definido o modelo de assinaturas,
dificuldades podem ser vislumbradas nas renovações dos títulos, uma vez que a cada
renovação ocorre alteração dos títulos licenciados. Outro fato importante é que a instituição
não terá a propriedade das obras e sim o seu licenciamento. Isto, provavelmente dificultará as
iniciativas para inclusão desses suportes aos acervos. Se analisada a questão do modelo PDA,
a situação torna-se mais complexa. A legislação vigente, Dificilmente permitirá que as
compras se realizem por solicitação dos usuários sem que um processo licitatório seja
instaurado. Certamente, alternativas legais podem ser encontradas de forma a flexibilizar o
processo, porém até o estabelecimento de uma ordem pode-se levar um bom tempo.
Nas bibliotecas universitárias de instituições privadas a situação apresenta-se
simplificada se comparadas às públicas ao permitir que fornecedores sejam contratados e os
conteúdos licenciados fiquem disponíveis aos usuários. Isso, porém, não isenta essas
instituições de problemas, visto que a prática de negociação com fornecedores não está
definida, além do fato de não termos capacitação específica nessa tarefa. Teme-se que ocorra
nas bibliotecas o questionamento em relação a manutenção de periódicos eletrônicos como o
alto custo envolvido, e no qual paga-se pelo acesso sem ter a propriedade do conteúdo. A
transposição desse cenário para o universo dos livros é simples de ser visualizada, com
entrada e saída de títulos do pacote assinado, muitas vezes sem autonomia da biblioteca para
selecioná-los. Além do investimento constante na manutenção dos títulos no acervo sem as
efetivas contabilizações como patrimônio.

4321

�Apesar de apresentarem bons retrospectos de aplicação em bibliotecas universitárias
norte-americanas, o modelo PDA não é o único utilizado, porém é uma tendência que deve
ser estendida ao Brasil. Tanto nas bibliotecas públicas quanto nas vinculadas às instituições
privadas, a aplicação do modelo PDA depende de forte conscientização dos usuários, sem a
qual as iniciativas não alcançarão sucesso e resultarão em gastos sem o devido retorno dos
investimentos financeiro. Aliado à capacitação da equipe e da comunidade usuária, a
biblioteca deve realizar um rigoroso estudo sobre as possibilidades oferecidas pelos
fornecedores e as práticas utilizadas. É recomendado adoção de critérios mais restritivos nos
primeiros meses de implantação para que a biblioteca identifique a maneira como os
usuárioso fazem uso dos recursos, e para que não ocorra comprometimento do seu orçamento
com licenciamentos transitórios. Diversos fatores contribuem com a definição dos preços de
“aluguel” e de licenciamentos, e a biblioteca deve exigir dos fornecedores transparência das
possibilidades, além do estabelecimento de parâmetros que possibilite a realização de ajustes,
se necessário.
Outra recomendação é trabalhar com um ou poucos fornecedores na implantação do
modelo PDA, acompanhando o uso e os custos envolvidos nos meses iniciais, até poder ser
estabelecido uma média de acessos e licenciamentos realizados.
De acordo com Morris e Sibert (2011, cap.6), as bibliotecas universitárias tem como
missão o irrestrito acesso a publicações alinhado com objetivos educacionais de suas
instituições. Segundo as autoras, as bibliotecas desejam utilizar todos os direitos de acesso
possíveis, para que seus usuários tenham a possibilidade de ler, imprimir, realizar downloads
etc. do conteúdo licenciado. A intenção é o de garantir que o material seja utilizado pelos
usuários de acordo com os cursos e disciplinas oferecidos pela instituição de ensino.

5 Considerações Finais
A introdução de livros eletrônicos representam diversos desafios às bibliotecas. Em
especial, são nítidos no processo de aquisição onde o licenciamento do conteúdo agora é sem
a opção da propriedade. Embora os modelos de negócios não estejam completamente
estabelecidos, fornecedores e bibliotecários analisam as possibilidades existentes. Neste
sentido, iniciativas surgem pois os conteúdos digitais já estão presentes em diversas
instituições. No Brasil, esse movimento ainda é tímido se comparado com a realidade dos
Estados Unidos, onde os livros eletrônicos estão presentes em bibliotecas universitárias há
mais de uma década.

4322

�As bibliotecas universitárias brasileiras devem analisar as transformações impostas
pelo licenciamento de conteúdo em comparação com a propriedade das obras e as
dificuldades que poderão ser enfrentadas com essa nova realidade. Embora não existam a
oferta de muitos títulos em português, e mesmo de fornecedores no país, observa-se um
interesse crescente por parte das bibliotecas em incluir os livros eletrônicos em seus acervos.
Interesse a partir da demanda dos usuários, quanto por iniciativas da própria instituição.
Dentre os modelos de negócios existentes, o modelo PDA representa uma forma
inovadora de licenciamento de conteúdo. Permite a participação dos usuários na seleção das
obras que serão incorporadas ao acervo, tanto para usos transitórios (“aluguéis”), como na
aquisição perpétua ou assinatura. Embora fosse empregado desde a década de 1970, o modelo
de aquisição demandada pelos usuários ganhou destaque, com os livros eletrônicos ao
possibilitar que a solicitação dos mesmos estejam disponíveis com um clique. Pesquisas em
bibliotecas universitárias norte-americanas revelaram que a utilização dos títulos provenientes
do modelo PDA possuem maiores circulações se relacionadas às obras selecionadas pelas
bibliotecas. Vários fatores explicam essas nuances, desde a participação do corpo docente e
discente na sugestão e solicitação de títulos para aquisição, como na possibilidade de acessar
os conteúdos diretamente em computadores ou dispositivos de leitura, flexibilizando o uso
dos recursos, independente de localizações geográficas ou horários de funcionamento. Outro
fator recorrente está centrada na facilidade e agilidade de acesso, que satisfazem a
necessidade de pesquisa dos usuários.
A implantação do modelo PDA deve ser estudada detalhadamente pela biblioteca. Ela
deve definir parâmetros para o emprego do modelo, como conscientizar e capacitar os seus
usuários. Essa capacitação deve ser constante, tanto quanto a divulgação do serviço oferecido
como pela utilização da oferta, evitando investimentos desnecessários ou comprometimento
do orçamento.
O modelo PDA pode ser uma possibilidade interessante para as bibliotecas
universitárias brasileiras, embora não existam, ainda, fornecedores que trabalhem com essa
modalidade no país. As universidades públicas podem se deparar com dificuldades na
implantação do modelo devido às restrições impostas pela Lei das Licitações. As bibliotecas
de universidades privadas, por outro lado, podem realizar aplicações de projetos piloto,
avaliando a utilização feita pelos seus usuários e como o modelo PDA pode alterar o
desenvolvimento de suas coleções.
Esse modelo mostra-se uma opção interessante. Pode representar economia nos
investimentos ao licenciar conteúdo que será efetivamente utilizado pela comunidade

4323

�universitária. Embora os bibliotecários possam preocupar-se com a transferência do controle
no desenvolvimento da coleção, as experiências demonstram que as aquisições demandas
pelos usuários e pelas bibliotecas são complementares. A primeira, da parte dos usuários,
garante a utilização imediata dos títulos acessados, enquanto a segunda, da parte das
bibliotecas, vislumbra uma formação de coleção de longo prazo, focado na preservação e
manutenção de obras para pesquisa na instituição.

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4325

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                <text>Este trabalho discorre sobre as transformações advindas pelos livros eletrônicos nas bibliotecas analisando o processo de aquisição alterado da propriedade ao licenciamento do conteúdo e o modelo de negócios de Aquisição Orientada pelo Usuário (PDA – Patron Driven Acquisition), vislumbrando a possibilidade de aplicação nas bibliotecas universitárias brasileiras. A pesquisa consiste em revisão da literatura, predominantemente norte-americana, sobre o emprego de livros eletrônicos em instituições acadêmicas no modelo PDA e finaliza com análise das possibilidades de emprego dessa modalidade de aquisição nas bibliotecas universitárias brasileiras.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

INCENTIVO À LEITURA DE OBRAS LITERÁRIAS POR MEIO DO QR CODE

Maria Carolina Gonçalves
Thais Mariano Cunha
RESUMO
O Quick Response Code (QR Code) é um código de barras bidimensional utilizado para os
mais diversos fins em diferentes segmentos da sociedade. Diante de sua funcionalidade,
desenvolveu-se o projeto “A biblioteca em suas mãos: o uso do QR Code”, pretendendo
incentivar a leitura, oferecer acesso alternativo às obras literárias clássicas por meio de
dispositivos móveis; promover o marketing da Biblioteca; divulgar o uso desta ferramenta e
obter maior interatividade entre usuário e biblioteca, o projeto disponibilizou marcadores de
páginas com QR Code direcionando para links de 50 obras literárias disponíveis no Portal do
Domínio Público, do Ministério da Educação. O projeto teve como público-alvo a
comunidade interna (discentes, docentes, servidores e terceirizados) e comunidade externa.
Após aplicação de questionário fechado a respeito da iniciativa, obteve-se índice de aprovação
muito satisfatório, tendo sido questionado qual nota, de 0 a 10, o projeto merecia, obteve-se
média 9,3. Ao término do projeto, destaca-se que houve êxito no oferecimento de acesso as
obras literárias por meio de dispositivos móveis com o uso do QR Code, pois o fato dos
usuários poderem acessar livros em qualquer lugar foi bem recebido pelos entrevistados e
também os incentivou a conhecer a Biblioteca pessoalmente.
Palavras-Chave: Incentivo à leitura; Tecnologia; QR Code.

ABSTRACT
The Quick Response Code (QR Code) is a two-dimensional barcode used for different
purposes in different segments of society. Ahead of its functionality, was being developed the
project " The library in your hands: the use of QR Code", aiming to encourage reading, offer
alternative access to classic literary works through mobile devices, promote the marketing of
the Library, promote the use of this tool and get greater interactivity between user and library.
The project has provided bookmarks with QR Code directing to links for 50 literary works
available in the Portal do Domínio Público, of the Ministério da Educação. The project's
target audience the internal community (students, teachers, servants and contractors) and
external community. After application of questionnaire about the initiative, gave very
satisfactory rate. At the end of the project, it is emphasized that there was success in providing
access to literary works through mobile devices using the QR Code, because the fact that
users can access books anywhere was well received by respondents and encouraged they to
know the library in person.
Keywords: Encourage reading; technology; QR Code.

4300

�1 INTRODUÇÃO

Os avanços tecnológicos trazem novos desafios para o contexto das bibliotecas. No
entanto, não devemos considerar esta situação como uma ameaça, e nem vê-la como um
problema, mas devemos ter a concepção que as tecnologias permitem que as Bibliotecas
tenham oportunidade de se adaptar às novas demandas de nossos usuários. O Quick Response
(QR Code) é uma ferramenta que possibilita nos ajudar a melhorar a relação entre Biblioteca,
obras literárias e seus usuários.
O código QR Code, sigla em inglês para "resposta rápida", é um código de barras
bidimensional e o seu funcionamento consiste em capturar a imagem do código com a câmera
fotográfica do smarthphone e tablet. Esse código, após a decodificação, passa a ser um trecho
de texto e/ou um link, que irá redirecionar o acesso ao conteúdo publicado em algum site.
Atualmente, os QR Codes já são utilizados em revistas, propagandas, exposições e
rótulos para guardar endereços (URLs), além de disponibilizar informações detalhadas de
diversos produtos. Diante de sua funcionalidade, o uso do QR Code no âmbito das bibliotecas
justifica-se na possibilidade de promover a leitura de obras literárias mediante uma tecnologia
gratuita.
Diante da funcionalidade gratuita dos códigos QR Code, a Biblioteca Comunitária
elaborou um projeto de extensão intitulado “A Biblioteca em suas mãos: o uso do QR Code”,
que teve apoio financeiro da Pró-Reitoria de Extensão. O objetivo do projeto foi incentivar a
leitura de obras clássicas literárias por meio de dispositivos móveis, seja smartphone e/ou
tablet, utilizando para tanto um novo paradigma de código de barras, o QR Code.
Este artigo tem por objetivo demonstrar como integrar tecnologia ao ambiente da
biblioteca traz benefícios e se configura em uma ferramenta para o incentivo a leitura e a
promoção da imagem de bibliotecas.
Os objetivos específicos do projeto foram os seguintes:
•

Oferecer acesso alternativo às obras literárias clássicas por meio de dispositivos
móveis;

•

Divulgar o uso da ferramenta do QR Code;

•

Promover o marketing da Biblioteca;

•

Obter maior interatividade entre usuário e Biblioteca.
No contexto do nosso projeto, o código QR Code direcionava o link de 50 obras

literárias disponíveis no Portal do Domínio Público, do Ministério da Educação.

4301

�Este projeto foi implementado entre os meses de outubro a dezembro de 2013, pelas
duas bibliotecárias e contou com a participação de cinco bolsistas. O público-alvo foi tanto a
comunidade interna (docentes, discentes, servidores e terceirizados) como a comunidade
externa (população de São João da Boa Vista).

2 REVISÃO DE LITERATURA

O surgimento do código de barras, facilitou os processos de identificação de produtos
e pagamento de faturas no mundo todo e, consequentemente, otimizou o fluxo de
informações. Entretanto, atualmente há um novo paradigma que aparece para revolucionar o
acesso a informação, trazendo uma nova visão para o mundo tecnológico, é a evolução do
código de barras, o qual é denominado como QR Code (Quick Response - Resposta Rápida)
(OKADA; SOUZA, 2011)
Apesar de terem se popularizado somente nos últimos anos, os QR Codes surgiram há
20 anos, em 1994. Eles foram desenvolvidos pela empresa japonesa Denso-Wave, uma
empresa do grupo Toyota, e apareceram com a finalidade de facilitar a identificação das
partes de carros nas fábricas e também o processo de logística como um todo. Eles são uma
espécie de evolução dos códigos de barras tradicionais, ordenando as informações em uma
matriz de duas dimensões. Com isso, eles são capazes de armazenar até 100 vezes mais dados
e caracteres do que os tradicionais códigos de barras. (KARASINSKI, 2014).
O QR Code armazena diversas informações, sob a forma de links, sites, número de
telefone e texto. As informações são guardadas quer na vertical, quer na horizontal e pode ser
lida a partir de qualquer direção. A criação dos códigos QR Codes pode ser feita mediante
ferramentas de gerador disponível gratuitamente na web.
Para realizar a leitura do QR Code, é necessário ter instalado no smartphone ou tablet,
programa específico para seu aparelho. Feito isso, basta aproximar a câmera do dispositivo
móvel do código. Quase instantaneamente, o usuário será direcionado para o link, foto, mapa,
etc. (BERNARDO, 2011).
Uma das vantagens do QR Code é que ele dispensa a necessidade de se digitar
endereços da web, tarefa não muito fácil em muitos celulares. Então, literalmente, é só iniciar
o aplicativo de leitura, apontar o celular para um QR Code para que o conteúdo adicional seja
exibido no navegador de internet.

4302

�Figura 1: Formato do QR Code

Fonte:

http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/201105/entenda-o-que-sao-os-qr-codes-

codigos-li dos-pelos-celul ares.html

Com as inúmeras aplicações deste conceito pode-se constatar que o seu uso na
educação será de grande importância, pois revolucionará a forma como estudantes poderão
entrar em contato com informações de forma rápida e prática, como por exemplo, e
principalmente em lugares voltados para a educação.

3 MATERIAIS E MÉTODOS

Os materiais utilizados para a divulgação dos códigos QR Code foi por meio de 50
marcadores de páginas. Cada marcador de página tinha um código QR Code que direcionava
para o download de uma obra literária. No verso do marcador de páginas constava o título da
obra, o autor e a sinopse da obra a qual o código QR Code direcionava, bem como o telefone,
o endereço, o blog e o facebook da Biblioteca.
Também foram confeccionados cartazes A3 com instruções de como utilizar o QR
Code e também com códigos direcionando para o site, o blog e facebook da Biblioteca e para
as obras literárias. Esses cartazes foram disponibilizados na Academia de Letras da cidade e
também nos ônibus de linha municipal, abrigos de ônibus e terminal rodoviário urbano.
Para iniciar o projeto, decidiu-se pela seleção de 50 obras literárias clássicas que estão
em domínio público e disponíveis gratuitamente na internet. Criou-se códigos QR Code para
disponibilizar o download destas obras à comunidade interna e externa.
A divulgação interna foi realizada a partir de cartazes afixados nos murais da escola e
da Biblioteca por meio das redes sociais e blog da Biblioteca e pelo site institucional do
campus.
Para a divulgação externa do projeto, foram enviados dois ofícios para a Prefeitura
Municipal da cidade. O primeiro Oficio n° 242/2013, referente à solicitação de autorização

4303

�para a divulgação do projeto na praça central, entre os dias 09 e 11 de dezembro de 2013. O
segundo Oficio N° 243/2013 enviado ao Setor de Trânsito da Prefeitura Municipal - SETRAN
referente à autorização para afixar cartazes de divulgação do projeto nos ônibus urbanos,
abrigos de ônibus e no terminal municipal da cidade no período de 09 de dezembro a 09 de
fevereiro de 2014. Em relação ao ofício 243/2013 a Prefeitura encaminhou à SETRAN ofício
188/13 para confirmar autorização da divulgação do projeto de extensão.
A divulgação do projeto foi realizada nos dias 10 e 12 de dezembro de 2013 na praça
central da cidade. Durante a divulgação, os transeuntes eram convidados a conhecer o projeto
e responder o questionário. Nesta oportunidade eram entregues os marcadores de páginas,
folhetos explicativos da Biblioteca e o jornal da Instituição. Embora não previsto no projeto
inicial, os marcadores de páginas também foram distribuídos em semáforos e disponibilizados
em três livrarias da cidade.
Para avaliar como o projeto foi recebido pela comunidade externa, foi elaborado um
questionário fechado com 10 perguntas com o objetivo de pesquisar se a população tinha
conhecimento da Instituição e da Biblioteca e obter as opiniões dos munícipes sobre a
importância da tecnologia QR Code como ferramenta para incentivar à leitura de obras
clássicas de literatura e a avaliação geral do projeto.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS

Os questionários foram impressos e entregues à população ao passar pela tenda de
divulgação.
Foram recolhidas 115 entrevistas no total, sendo a primeira pergunta: “Você conhece a
nossa Instituição de Ensino?”. Dentre as respostas recolhidas, 31 responderam não conhecer a
instituição de ensino. Das 83 restantes, 52 pessoas conheciam a Instituição de Ensino por
meio de algum aluno ou funcionário, 5 através da televisão, 3 através do jornal, 3 da internet,
19 não responderam por qual meio conhecem a Instituição de Ensino e 2 respostas em branco.
A segunda pergunta realizada na entrevista foi se os entrevistados conheciam a
Biblioteca Comunitária. Dentre as respostas recolhidas, 74 entrevistados disseram não ter o
devido conhecimento e 2 respostas estavam em branco. O restante dos entrevistados disse que
conhecem a biblioteca, sendo que 21 conheceram através de algum aluno ou funcionário e 18
não responderam por qual meio conhecem a biblioteca.
Na terceira pergunta “Você frequenta bibliotecas? ”, 54 pessoas responderam que não
têm este hábito e 61 disseram que sim.

4304

�Gráfico 1: Frequência em Bibliotecas
Porcentagem de pessoas aue frequentam
bibliotecas
53%

47%

Sim
Não

Fonte: Elaboração pelas autoras

Referente à quara pergunta: “Você tem hábito de leitura? ” 35 entrevistados disseram
que não possuem o hábito de ler e 80 disseram que sim, destes, 49 leem até dez livros por ano,
13 de onze a vinte, 3 de vinte e um a trinta, 1 de trinta e um a quarenta, 2 de quarenta e um a
cinquenta, 1 de noventa e um a cem e 11 não responderam. Com isso, obtiveram-se os
gráficos 3 e 4 abaixo:

Gráfico 2: Bibliotecas Citadas
Hábito de Leitura
30%

Sim
70%

Não

Fonte: Elaboração pelas autoras

Gráfico 3: Livrs lidos anualmente por pessoa

Fonte: Elaboração pelas autoras

4305

�Na quinta perguta os entrevistados foram questionados se acessam ou não internet via
celular. 39 pessoas não acessam e 76 acessam.
Com o interesse de divulgar o projeto de extensão, na sexta pergunta “Você conhece a
tecnologia QR Code?”, 51 pessoas afirmaram ter o conhecimento da tecnologia e 64
desconhecem. Destas respostas obteve-se o seguinte gráfico:

Gráfico 4: Conhecimento do QR Code

Fonte: Elaboração pelas autoras

Com intuito de s ter um retorno quanto à opinião da população sobre o motivo do
projeto, foi perguntado se os entrevistados consideravam o uso do marcador de página com o
QR Code um incentivo à leitura. Dos 115 entrevistados, 113 responderam que sim, o
marcador teria papel importante no incentivo à leitura, e 2 disseram que não. Tendo estes
dados em mãos, foi feito o seguinte gráfico:

Gráfico 5: Marcador: incentivo à leitura

4306

�Segue abaixo os mdelos de marcadores de página do projeto

Figura 2: Marcador: incentivo à leitura

Fonte: Elabração pelas autoras

Ao serem questionados se utilizariam os QR Codes disponíveis nos marcadores de
página, 91 entrevistados afirmaram que sim. 24 dos entrevistados disseram que não, muitos
deles por não terem acesso a dispositivos móveis. O seguinte gráfico mostra esta relação:

Gráfico 6: Utilização dos QR Codes
0%

Utilização dos QR Codes
21%

0%
Sim
79%

Fonte: Elaboração pelas autoras

4307

�Como o projeto tabém tinha como objetivo a divulgação da biblioteca como
comunitária para a população, os entrevistados foram questionados se teriam interesse ou não
em frequentar a biblioteca após o conhecimento do projeto. Dos entrevistados, 91 disseram
que sim e 24 disseram que não. Estes dados deram origem ao gráfico abaixo:

Gráfico 7: Interesse da população em frequentar a biblioteca

Fonte: Elaboração pelas autoras

A última perguna feita aos entrevistados foi quanto à que nota eles dariam ao projeto,
de 0 a 10. Sendo 0 ruim e 10 ótimo. Dos 115 entrevistados, 71 deram nota dez, 22 deram nota
nove, 15 nota oito, 4 nota sete, 1 nota seis e 2 deram nota cinco. Com as respostas foi feito o
seguinte gráfico:

Gráfico 8: Classificação do Projeto

Classificação do projeto
3% 1%2%

Fonte: Elaboração pelas autoras

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS

Ao término do projeto de extensão “A Biblioteca em suas mãos: o uso do QR Code”,
podemos destacar que houve êxito no oferecimento de acesso as obras literárias por meio de
dispositivos móveis, smarthphones e tablets, com o uso do QR Code, pois o fato dos usuários

4308

�poderem acessar livros em qualquer lugar foi bem recebido pelos municipes entrevistados e
também os incentivou a conhecer a Biblioteca pessoalmente.
Os Marcadores de Páginas com QR Code, que permitem o download de obras
clássicas de literatura, foram a ferramenta utilizada para o incentivo à leitura. Todos os links
disponibilizados em QR Code foram vinculados à ferramenta do Google url shortener, desta
forma é possivel obter dados de quantidade de downloads feitos por dia, total de downloads,
plataformas utilizadas pelo usuário e pais de download. Assim, obtém-se maior controle dos
resultados do projeto, que serão acompanhados pelo coordenador e equipe ao longo de ano de
2014.
Constatou-se que a Biblioteca não era conhecida pela maioria dos entrevistados,
apesar de conhecerem a Instituição de Ensino, e que tão pouco sabiam que ela era aberta à
comunidade. Entretanto, o projeto serviu ao propósito de divulgar essas informações a
comunidade externa, bem como de divulgar a possibilidade de frequentar a Biblioteca e se
tornarem usuários, o que foi bem recebido pelos entrevistados, uma vez a maioria respondeu
que, após conhecer o projeto, gostariam de conhecer pessoalmente a Biblioteca.
Apesar da maioria dos entrevistados não terem o costume de frequentar bibliotecas, o
indice daqueles que consideram ter hábito de leitura foi alto. Foi apreendido informalmente
pelos bolsistas e equipe que os entrevistados, embora gostem e tenham hábito de leitura, não
frequentam a Biblioteca principalmente pelo desconhecimento da existência da mesma e pela
posição geográfica da Biblioteca, situada em um bairro periférico.
Há um desconhecimento da tecnologia QR Code entre os entrevistados, a despeito da
maioria acessar internet pelo celular. Neste ponto, cumpriu-se o objetivo de divulgar a
tecnologia QR Code, uma vez que a maioria dos entrevistados considerou-a uma boa forma
de incentivar a leitura e irão utilizar os códigos disponibilizados pelo projeto.
Finalmente, o indice de aprovação do projeto foi muito satisfatório, tendo sido
questionado qual nota, de 0 a 10, o projeto merecia, obteve-se média 9,3. Outro indicador
positivo foi o fato do contato do Presidente da Câmara Municipal da cidade vizinha, que após
tomar conhecimento do projeto se interessou em implementá-lo na Câmara dos Vereadores.
O projeto possui fundamental valia para a comunidade, pois possibilitará o
conhecimento da Biblioteca e o incentivo à leitura de obras clássicas literárias, de forma
rápida e moderna pela tecnologia QR Code.
Acredita-se que foi uma experiência muito enriquecedora para todos os envolvidos e,
diante da aprovação da maioria dos entrevistados, pretende-se dar continuidade ao projeto no

4309

�próximo ano, para divulgar os acervos de livros técnicos do Campus, bem como implantar o
projeto na Câmara Municipal da cidade vizinha.
A realização do projeto nos mostrou que há necessidade das Bibliotecas em adaptar-se
às novas tecnologias para oferecer serviços de qualidade e ampliar o acesso à informação para
a sua comunidade. A tecnologia QR Code surge para inovar as comunicações e divulgações
de informação, tendo em vista o rápido crescimento e acesso aos smartphones e tablets pela
população. Neste sentido, o uso do QR Code no projeto de extensão “A biblioteca em suas
mãos” permitiu o oferecimento do acesso rápido aos serviços da Biblioteca e tornou-se uma
ferramenta com praticidade para a divulgação da Biblioteca e incentivo à leitura de obras
clássicas de literatura.

6 REFERÊNCIAS

BERNARDO, Leonam. Aprenda a usar o QR Code. Veja São Paulo. 2011. Disponível em:
&lt;http://vejasp.abril.com.br/materia/como-usar-qrcode&gt;. Acesso em: 16 mai. 2014.
KARASINSKI, Lucas. O que significa cada quadrado de um QR Code? Tecmundo. 2013.
Disponível

em:

&lt;http://www.tecmundo.com.br/qr-code/37372-o-que-significa-cada-

quadrado-de-um-qr-code-.htm&gt;. Acesso em: 16 mai. 2014.
OKADA, S. I.; SOUZA, E. M. S. de. Estratégicas de marketing digital na era da busca.
Revista Brasileira de Marketing, São Paulo, v. 10, n. 1, p 46-72. jan. /abr. 2011.

4310

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Documentação&#13;
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                <text>O Quick Response Code (QR Code) é um código de barras bidimensional utilizado para os mais diversos fins em diferentes segmentos da sociedade. Diante de sua funcionalidade, desenvolveu-se o projeto "A biblioteca em suas mãos: o uso do QR Code", pretendendo incentivar a leitura, oferecer acesso alternativo às obras literárias clássicas por meio de dispositivos móveis, promover o marketing da Biblioteca, divulgar o uso desta ferramenta e obter maior interatividade entre usuário e biblioteca, o projeto disponibilizou marcadores de páginas com QR Code direcionando para links de 50 obras literárias disponíveis no Portal do Domínio Público, do Ministério da Educação. O projeto teve como público-alvo a comunidade interna (discentes, docentes, servidores e terceirizados) e comunidade externa. Após aplicação de questionário fechado a respeito da iniciativa, obteve-se índice de aprovação muito satisfatório, tendo sido questionado qual nota, de 0 a 10, o projeto merecia, obteve-se média 9,3. Ao término do projeto, destaca-se que houve êxito no oferecimento de acesso as obras literárias por meio de dispositivos móveis com o uso do QR Code, pois o fato dos usuários poderem acessar livros em qualquer lugar foi bem recebido pelos entrevistados e também os incentivou a conhecer a Biblioteca pessoalmente.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

IMPLANTAÇÃO DE REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL: O CASO DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS
Simone Assis Medeiros
Patrícia Aparecida Ferreira

RESUMO
Dentre os temas que permeiam o campo das políticas públicas no Brasil, observa-se uma
preocupação do Estado em relação às políticas públicas de acesso aberto à produção científica
por intermédio de suas instituições federais de ensino superior. O Instituto Brasileiro de
Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), em parceria com a Financiadora de Estudos e
Projetos (FINEP), vem apoiando as universidades e instituições de pesquisas na
implementação de Repositórios Institucionais (RIs), com a finalidade de promover o acesso e
a divulgação da produção científica brasileira. Com intuito de viabilizar o depósito das
publicações nos repositórios, o IBICT recomenda às instituições que também desenvolvam
uma Política Institucional de Informação (PII) que torne obrigatório o depósito da produção
científica por parte dos pesquisadores nos RIs. A implementação de um RI prevê atividades
que vão desde a escolha do software que será utilizado até a elaboração das políticas que
regerão o funcionamento do repositório. O artigo tem como objetivo descrever o processo
implantação do RIUFLA a partir de um projeto piloto na Universidade Federal de Lavras
(UFLA). Trata-se de uma pesquisa descritiva, o método utilizado foi o estudo de caso e a
coleta de dados usou-se observação participante. Conclui-se que, a experiência do projeto
piloto foi positiva, pois, permitiu compreender não só questões operacionais do RIUFLA,
como também o envolvimento dos pesquisadores. Além disso, foi possível detectar as
primeiras barreiras e limitações do RIUFLA e buscar ações para corrigi-las para
implementação nos demais departamentos.
Palavras-Chave: Repositório Institucional 1; Política Institucional de Informação 2; Acesso
aberto 3.

ABSTRACT
Among the themes that permeate the field of public policies in Brazil, there is a concern of the
state in relation to the public policy of open access to scientific production through its federal
institutions of higher education. The Brazilian Institute of Information in Science and
Technology (IBICT), in partnership with the Financier of Studies and Projects (FINEP), has
been supporting universities and research institutions in the implementation of Institutional
Repositories (IRs), in order to promote access to and dissemination Brazilian scientific
production. In order to facilitate the deposit of publications in repositories, IBICT also
recommends that institutions develop a Policy Corporate Information (PII) that mandating the
deposit of scientific literature by researchers in the IRs. The implementation of an IR provides
activities ranging from choosing the software that will be used to drafting policies that govern
the operation of the repository. The article aims to describe the process of deployment
RIUFLA from a pilot project at the Federal University of Lavras (UFLA). This is a

4281

�descriptive research, the method used was the case study and data collection was used
participant observation. It is concluded that the experience of the pilot project was positive,
therefore allows us to understand not only the RIUFLA operational issues, as well as the
involvement of researchers. Furthermore, it was possible to detect the early barriers and
limitations RIUFLA actions and seek to correct them for implementation in other
departments.
Keywords: Institutional Repository 1; Institutional Information Policy 2; Open Access 3.

1 Introdução

Nos últimos anos, com novas tendências globais, o conhecimento e a informação
tornaram-se fatores críticos para o desenvolvimento e a realização de mudanças,
principalmente na área das tecnologias de comunicação e informação (TICs), as quais têm
afetado grande parte da sociedade.
Apesar das vantagens promovidas pela tecnologia, o processo de comunicação
científica ainda enfrenta muitas barreiras. Um dos problemas encontrados é que somente uma
pequena parcela da produção científica é conhecida na própria instituição e fora dela, devido a
problemas como os altos custos das assinaturas dos periódicos, indexação em bases de dados
e o idioma.
Associado a esta questão, o Acesso Aberto (Open Access - AO) aparece como solução
para

uma

nova

comunicação

científica

colaborativa,

juntamente

com

veículos

complementares, tais como as revistas de acesso aberto e os repositórios digitais.
Esse Movimento pelo Acesso Aberto à Informação Científica permite que usuários
leiam, façam download, copiem, distribuam, imprimam, pesquisem links ou textos completos
de artigos, sem barreiras econômicas, legais ou técnicas na internet (BONGIOVANI;
GOMEZ; MIGUEL, 2012; CASSELA; MORANDO, 2012; XIA, 2012).
A utilização de repositórios é apontada pelos estudiosos na área como principal
solução para o acesso aberto, visto que surgiram como alternativa ao tradicional sistema de
comunicação científica, visando dar acesso imediato e amplo a trabalhos de investigação
resultantes de atividades científicas. Neste cenário, as universidades despontam como
instituições essenciais para na produção do conhecimento científico e constitui um campo
fértil para a aplicação e o estudo da gestão do conhecimento (LEITE, 2009). Dessa forma, as
universidades devem ficar atentas a atribuições importantes sobre acesso, controle, produção e

4282

�distribuição do conhecimento. Assim, a implantação de RIs pelas universidades pode ser vista
como uma oportunidade de mudanças deste panorama.
Segundo Costa e Leite (2009), os repositórios podem ser subdivididos em três tipos: a)
repositórios disciplinares ou temáticos que tratam da produção intelectual de áreas do
conhecimento em particular; b) repositórios de teses e dissertações, que lidam exclusivamente
com teses e dissertações e c) repositórios institucionais (RIs), dedicados à produção
intelectual de uma instituição, especialmente universidades e institutos de pesquisa.
Devido às facilidades promovidas pelo uso das TICs e a promoção do acesso livre,
alguns países estão implementando Políticas de Informação Científica com o propósito de
estimular a divulgação de pesquisas que forem financiadas com recursos públicos. Assim, em
2007, o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) articulou um
projeto junto ao Deputado Rodrigo Rollemberg para a submissão do projeto de lei atualmente
denominado PLS 387/2011, com o propósito de reforçar e dar respaldo às iniciativas de
acesso livre no Brasil. Aderente a este projeto, em 2008, o IBICT em parceria com a
Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), lançou um edital para distribuir às universidades
e instituições de pesquisa públicas brasileiras, kits tecnológicos com o objetivo de viabilizar a
implantação de RIs.
Tendo em vista o apoio destes órgãos e as experiências positivas de várias
universidades, no Brasil e no mundo, quanto à implantação de RIs, a Universidade Federal de
Lavras (UFLA) também se insere neste contexto do acesso livre, buscando a implantação do
seu RI, o qual trará vários benefícios para a comunidade acadêmica, como visibilidade da sua
produção científica e impacto dos resultados das suas pesquisas para a sociedade.

2 Repositório Institucional
A ciência é composta por um conjunto de atores, denominado comunidade científica,
que, segundo Costa (2006), inclui “os pesquisadores, os bibliotecários, os provedores de
acesso à internet, os centros de computação, editores, agências de fomento, etc.”. Esta
comunidade científica definiu que os periódicos científicos (ou revistas científicas) seriam o
canal para a divulgação dos resultados de suas pesquisas. Assim, desde a sua criação, o
periódico científico aparece como principal instrumento para a difusão da informação
científica, tendo sido criado com o objetivo de acelerar o processo de disseminação e dar
visibilidade aos resultados das pesquisas (MIRANDA; PEREIRA, 1996).

4283

�Contudo, a aparente estabilidade do sistema de comunicação científica mundial foi
abalada quando estourou a chamada crise dos periódicos, em meados da década de 1980. O
ponto principal da crise foi à impossibilidade de as bibliotecas universitárias e de pesquisas
americanas continuarem a manter suas coleções de periódicos e a corresponder a uma
crescente demanda de seus usuários (MUELLER, 2006). Esta crise foi consequência da
excessiva elevação nos preços das assinaturas de periódicos científicos, o que dificultou o seu
acesso por parte de pesquisadores de várias partes do globo terrestre. A crise dos periódicos
durou algumas décadas, mas, com o uso das tecnologias, foram se desenvolvendo e se
aprimorando novas formas de disponibilizar o conhecimento cientifico. Um dos grandes
avanços tecnológicos na comunidade cientifica foi à criação dos periódicos científicos
eletrônicos.
Em consequência das dificuldades encontradas pela comunidade científica mundial no
acesso à informação científica, surgiram várias ações, buscando maximizar as formas de
divulgação da comunicação científica. Dentre eles inserem-se os movimentos da “filosofia
aberta”, como a Iniciativa dos Arquivos Abertos (Open Archives Initiative - OAI) e o
Movimento de Acesso Livre a Informação (Open Access Movement - OA). A filosofia aberta
baseia-se nos conceitos de “[i] software aberto (ou livre), para o desenvolvimento de
aplicações em computador; [ii] arquivos abertos, para a interoperabilidade em nível global; e
[iii] acesso aberto - questão mais polêmica - para a disseminação ampla e irrestrita de resultados da pesquisa
científica” (COSTA, 2006, p. 40).
Os principais manifestos em favor do acesso livre foram a Declaração de Budapeste, a
Declaração de Bethesda, a Declaração de Berlim, o Manifesto Brasileiro de Apoio ao Acesso
Livre à Informação Científica no Brasil e o projeto Creative Commons, entre outros. As
primeiras iniciativas de repositórios de acesso aberto ocorreram nos anos 1990. Em 1991, em
Los Alamos, Novo México, EUA, surgiu o primeiro repositório digital de pré-prints ArXiv.org -, desenvolvido no laboratório de física coordenado pelo físico Paul Ginsparg
(MARCONDES; SAYÃO, 2009).
O desenvolvimento de repositórios institucionais surgiu como uma nova estratégia que
permitiu que as universidades assumissem o papel de editoras, modernizando os processos de
publicação e divulgando a produção acadêmica em conteúdo digital.
Para Rodrigues et al. (2004, p. 1), a criação de RI visa dar resposta a duas questões
estratégicas que as universidades enfrentam. São elas:

4284

�a) contribuir para o aumento da visibilidade, estatuto, imagem e “valor”
público da instituição, servindo como indicador tangível da qualidade dessa
universidade e demonstrando a relevância científica, econôm ica e social das
suas atividades de investigação e ensino;
b) contribuir para a reforma do sistema de comunicação científica,
expandindo o acesso aos resultados da investigação, reassumindo o controle
acadêmico sobre a publicação científica, aumentando a competição e
reduzindo o monopólio das revistas científicas, o que se pode traduzir
também em economias para as universidades e as bibliotecas que as servem.

No entanto, como ressaltam Cullen e Chawner (2011), apesar dos argumentos
apresentados quanto aos benefícios significativos com a implantação de RI, tanto para o
pesquisador individual como para a instituição, as evidências sugerem que as comunidades
acadêmicas ainda resistem e têm sido lentas para responder devidas algumas barreiras como
classificação na faculdade, o número de publicações, habilidades técnicas, idade, etc., (KIM,
2011).
De acordo com Xia et al. (2012), devido à falta de motivação suficiente para o
autoarquivamento em RIs, criou-se a necessidade de uma política de mandato, ou seja, de
depósito obrigatório. Este requisito vem sendo aplicado no mundo todo, sendo viabilizado
como fator de sucesso dos RIs. Esta política é contextualizada no próximo tópico.

3 Política Institucional de Informação

Dentre as questões cruciais na implantação de um RI, Kuramoto (2009) destaca a
importância do estabelecimento de políticas que garantam o autodepósito, por parte dos
pesquisadores da instituição. Buscando auxiliar as instituições na formulação e na
implementação dessa política, o IBICT propôs um modelo de política494 com base na proposta
de Harnad (2006), onde prevê a não obrigatoriedade do depósito de documentos que estão sob
contrato de direitos autorais restritivos que impeçam a sua livre divulgação ou que contenham
informações passíveis de serem patenteadas, respeitando, assim, a legislação de direitos
autorais. Esse modelo recomenda que, antes da fase de implantação do RI seja realizada a
definição da política que vai assegurar as ações e as decisões que irão nortear a implantação e
o desenvolvimento do repositório.
Esta política deve conter os objetivos, as diretrizes, as práticas e as intenções
organizacionais que servem para fortalecer as decisões locais (TOMAÉL; SILVA, 2007).

494 O modelo de política é citado por Kuramoto (2009, p. 213-214). Disponível em:
&lt;https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ufba/473/3/implantacao_repositorio_web.pdf&gt;. Acesso em: 12 fev. 2014.

4285

�Ainda deverá assegurar a realização do projeto, auxiliando na tomada de decisões e na
definição de rotinas e responsabilidades que venham garantir o funcionamento do RI.
Apesar da importância de formular e implementar uma política de informação no
contexto das universidades e institutos de pesquisa, para garantir o acesso e a disseminação da
produção científica dessas instituições, ainda existem poucas políticas instituídas no Brasil.
Em pesquisa realizada por Boso (2011) e por meio de pesquisa realizada no Registry
of Open Access Repositories Mandatory Archiving Policies (ROARMAP), foram
identificadas as seguintes instituições federais que têm essa política: Universidade Federal do
Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal do Rio Grande (FURG) Universidade
Federal da Bahia (UFBA), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN),
Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e
Universidade Tecnológica Federal do Paraná, (UTFPR). Além das federais, foram
identificadas outras instituições que mantêm políticas institucionais, como a Escola Nacional
de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP), a Universidade Municipal de São Caetano do Sul
(USCS), a Universidade de São Paulo (USP) e a Fundação Santo André (FSA).
Segundo Kuramoto (2009), nas instituições de ensino superior em que foram
estabelecidos mandatos ou políticas, tornando obrigatórios o registro e o depósito das teses e
dissertações, houve evolução e crescimento de suas respectivas bibliotecas. No entanto, nas
instituições que não tiveram essa preocupação, as bibliotecas digitais continuam estagnadas.
Dessa forma, segundo o autor, verifica-se a importância de se estabelecer uma política ou
mandato obrigatório na instituição. Caso contrário, a iniciativa de registro desta produção
corre sério risco de fracassos.

4 Metodologia

Busca-se, neste trabalho, descrever o processo de formulação da política do
Repositório Institucional da Universidade Federal de Lavras (RIUFLA) e a implementação a
partir de um projeto piloto.
Quanto ao método de pesquisa, este consiste em um estudo de caso que, segundo
Stake (1994), compreende a escolha de um determinado objeto a ser estudado, que pode ser
uma pessoa, um programa, uma instituição, uma empresa ou um determinado grupo de
pessoas que compartilham o mesmo ambiente e a mesma experiência.

4286

�Para a coleta de dados, foi utilizada a observação participante, visto que a
pesquisadora participa do processo de planejamento e implementação da Política Institucional
de Informação e do Repositório Institucional da UFLA. Segundo Martins e Theóphilo (2009)
a observação participante é uma técnica de pesquisa para coleta de informações, onde o
pesquisador torna-se parte integrante de uma estrutura social, e na relação face a face com os
sujeitos da pesquisa realiza a coleta de informações, dados e evidências.

5 Resultados

Nesta seção são apresentados os resultados da pesquisa, os quais foram estruturados de
acordo com o objetivo proposto.

5.1 Formulação e implementação da política do RI: caso UFLA

Atualmente, o IBICT vem atuando na promoção da popularização da informação
científica e tecnológica, com projetos voltados para o movimento do acesso livre ao
conhecimento.
Na perspectiva de promover o desenvolvimento de recursos e a infraestrutura de
informação em ciência e tecnologia para a produção, a socialização e a integração do
conhecimento científico-tecnológico, o IBICT, em parceria com a FINEP, lançou o edital de
chamada FINEP/PCAL/XBDB, no intuito de apoiar projetos de implantação de RI nas
instituições públicas (federais, estaduais e municipais) de ensino e pesquisa, de modo a
possibilitar o registro e proporcionar maior visibilidade e disseminação da produção científica
dessas instituições.
A política aplicada pelo IBICT traçou as normas e a forma de operacionalização dos
RIs pelas instituições de ensino e pesquisa, cabendo especificamente a estas instituições o
compromisso de viabilizar as ações necessárias à implantação, as quais podem formular
diretrizes específicas de acordo com a instituição, desde que essas não sejam contraditórias
com a política traçada pelo IBICT que, em síntese, procura sustentar a execução da
implantação do RI de forma efetiva seguindo instruções do edital.
Nesse contexto de difusão do conhecimento, no qual as instituições de ensino e
pesquisa devem adotar instrumentos para uma maior visibilidade da sua produção científica,
de modo a promover a gestão do conhecimento científico e assegurar a preservação de seus

4287

�documentos, a UFLA identificou, em 2011, uma oportunidade para participar dessa política
desenvolvida pelo IBICT.
A UFLA, como instituição centenária de ensino, pesquisa e extensão, sempre foi
grande produtora de conhecimento científico, mas carecia de formas de divulgação mais
aprimoradas dessa produção para a comunidade acadêmica, bem como para a sociedade.
A universidade já tinha implementado, antes de 2011, algumas iniciativas para ampliar
a divulgação dos resultados das suas pesquisas científicas. Em 2005, por meio da Portaria no
13, da Capes, de 15 de fevereiro de 2006, a Biblioteca Universitária da UFLA implantou a
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD), um dos primeiros passos para tornar
acessível sua produção científica, diante da necessidade de geração e de divulgação de
conhecimentos, bem como também uma forma de prezar pela transparência dos recursos
públicos que financiam as atividades da instituição. Entretanto, essa ação ainda não foi
suficiente para a promoção da difusão de todo o conhecimento produzido pela universidade,
carecendo, assim, de uma iniciativa que pudesse alargar a divulgação das suas produções
científicas.
Visando ampliar a forma de divulgação da produção acadêmica da UFLA, em
dezembro de 2011, por meio de um projeto de mestrado profissional em administração
pública, a autora, lotada na Biblioteca Universitária da UFLA, por meio de um projeto, aderiu
ao edital FINEP/PCAL/XBDB.
Para tanto, foi realizado um levantamento dos dados referentes à série histórica de sua
produção científica, abrangendo o período de 2007/2011, entre artigos, dissertações e teses,
relação de revistas e de livros publicados, cursos de pós-graduação, levantamento de bolsistas
de produtividade e um projeto com a proposta de um cronograma de implantação do
repositório, encaminhando-se ainda, um termo de compromisso institucional, assinado pelo
reitor, com os requisitos obrigatórios citados anteriormente. Quanto à formulação da PII,
exigida pelo órgão, como não havia tempo hábil para aprovação, o IBICT abriu uma exceção
quanto ao prazo, para o posterior envio deste documento.
Embora não houvesse a certeza de contemplação da UFLA com essa política,
procedeu-se à formulação da PIIUFLA, com base no modelo disposto por Kuramoto (2010) e
pela análise das políticas de outras instituições.
Conforme já relatado, a construção de um RI envolve três etapas: planejamento,
implantação e funcionamento - que são interdependentes e constituídas de atividades que
devem ser cumpridas, a fim de que a iniciativa de construção do RI seja bem sucedida (LEITE
et al., 2012). Pautada nessa orientação, a autora propôs o projeto do RIUFLA, dando início à

4288

�elaboração das etapas de planejamento e da implementação, que representam as fases cruciais
para a existência e o seu funcionamento efetivo, e que, posteriormente, subsidiariam a
avaliação do mesmo.
O planejamento do RI foi formulado com base em Leite (2009) e Leite et al. (2012) e
nas diretrizes traçadas pelo IBICT. Algumas etapas do planejamento do RIUFLA foram
descritas na formulação da PIIUFLA, a qual passou, posteriormente, pela avaliação e
aprovação da Comissão Técnica da Biblioteca Universitária da UFLA.
Segundo Leite (2009), a fase de planejamento do repositório institucional é essencial e
deve ser trabalhada em função das seguintes questões expostas na Figura 1.
Figura 1: Etapas para o planejamento e a implantação do repositório

Fonte: Leite (2009, p. 39.

Como o projeto de implantação do RI na UFLA foi realizado mediante a adesão ao
edital FINEP/PCAL/XBDB, os custos de implantação não foram determinados, pois a linha
de apoio foi o kit tecnológico, de forma que os custos foram com recursos humanos e
treinamento. Inicialmente, dentro dessa fase, por meio de portaria da Diretoria da Biblioteca
Universitária da UFLA, constituiu-se a equipe técnica responsável pelo gerenciamento do RI,
formada por cinco profissionais, entre bibliotecários, assistentes administrativos e técnicos em
informática. Após a formação desta equipe, todas as decisões e etapas para a implantação do
RIUFLA eram decididas em conjunto com a autora.
Definida a equipe técnica, foi necessário tomar decisões sobre os procedimentos e
estabelecer as regras de funcionamento do repositório, bem como a definição daquilo que
seria oferecido aos membros da comunidade. Dessa forma, foi necessária a definição do
planejamento de serviços, dos objetivos, além de determinar os documentos que seriam
aceitos. Dessa forma, foram definidos os objetivos do RIUFLA, os conteúdos passíveis de
depósito, os principais usuários e as responsabilidades da Biblioteca.

4289

�O RIUFLA, como um sistema eletrônico que armazena a produção intelectual da
UFLA em formato digital e permite a busca e a recuperação para seu posterior uso, tanto
nacional quanto internacional, pela rede mundial de computadores, tem como principais
objetivos:
a) divulgar toda e qualquer produção intelectual da UFLA, ressalvados os casos de obras
protegidas por contrato de direito de propriedade intelectual ou que contenham
invenções ou modelos de utilidade passíveis de patenteamento, nos termos da
legislação aplicável;
b) garantir, facilitar e ampliar o acesso à produção intelectual, observada a legislação que
rege e disciplina a matéria;
c) potencializar o intercâmbio da UFLA com outras instituições;
d) preservar a produção intelectual da Universidade;
e) subsidiar a gestão de investimentos em pesquisa na Universidade.
Para se concretizar os objetivos propostos, foi necessário que a equipe do RIUFLA
definisse as responsabilidades da biblioteca no gerenciamento do repositório, os quais estão
previstos na PIIUFLA. Dessa forma, ficou determinado que cabe à Biblioteca Universitária da
UFLA a adoção, o desenvolvimento e a manutenção do RIUFLA, como também:
a) aprimorar e apoiar o desenvolvimento de subsistemas de registros de informações,
uma vez que sejam do âmbito da produção intelectual, e demais informações geradas
pela UFLA;
b) criar normas que orientem os departamentos e setores da UFLA sobre o registro e o
depósito da produção intelectual e demais informações geradas pela instituição,
oriundas de atividades nelas desenvolvidas;
c) orientar a organização do conjunto de informações institucionais referentes à produção
intelectual e demais informações geradas pela UFLA;
d) orientar o desenvolvimento de bases de dados que atuam como repositórios
institucionais, agregando informações;
e) orientar sobre o sistema de coleta e divulgação de dados, garantindo a qualidade destes
e a compatibilidade das séries históricas.
Outra etapa importante do planejamento do RI foi à definição dos tipos de documentos
e seus formatos. Esta proposta também foi sugerida por meio da PIIUFLA e avaliados e
aprovados pela Comissão Técnica da Biblioteca da UFLA. Com base na produção acadêmica
da UFLA, estabeleceram-se, inicialmente, os seguintes documentos passiveis de depósito no
RI:
a) artigos publicados em revista científica, na qual haja processo de seleção por meio de
revisão por pares;
b) artigos/trabalhos publicados em eventos científicos, nos quais haja processo de seleção
por meio de revisão por pares;
c) dissertação e tese, após avaliação por banca específica;
d) livros ou capítulos de livros, após avaliação por banca específica da editora;

4290

�e) patentes, desde que não haja cláusula de confidencialidade;
f) resumos de trabalhos, aprovados para apresentação em eventos acadêmico-científicos.
Outros trabalhos poderão ser incluídos no RI, de acordo com as demandas dos
departamentos, mas após passar por análise da equipe técnica do RI. Por outro lado,
estabeleceu-se, por meio da PIIUFLA, que alguns documentos não estarão disponíveis no
repositório, devido a questões legais.
Observada a legislação pertinente, toda a produção intelectual gerada pela UFLA
poderá ser depositada integralmente no RI, o que deve ser realizado imediatamente após a sua
aprovação para publicação, exceto nos seguintes casos:
a) quando caso fortuito impossibilitar o depósito imediato, o autor ou o coautor terão um
prazo máximo de até seis meses, da data de publicação da produção, para depositá-la
no RI;
b) quando se tratar de livros ou capítulos de livros, artigos publicados em revistas
científicas com fins comerciais ou que tenham restrições contratuais relativos a
direitos autorais, ou documentos cujos conteúdos integrem resultados de pesquisas
passíveis de serem patenteadas, ficam desobrigados de depósito integral e imediato no
RIUFLA.
Após a fase do planejamento, iniciou-se a fase da implementação do RI na UFLA, a
qual estava condicionada à aprovação da PIIUFLA e às fases de implantação do projeto
piloto.
A aprovação da PIIUFLA estava condicionada á avaliação de atores da comunidade
universitária, tais como os Conselhos Universitários e a Procuradoria. Esta política foi
encaminhada, pela autora, à Comissão Técnica da Biblioteca da UFLA para análise e
aprovação e, posteriormente,

enviada aos Conselhos

Superiores da universidade.

Primeiramente, foi encaminhada para apreciação no Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e
Extensão (CEPE) que, após apreciação, encaminhou à Procuradoria, para proceder a uma
análise jurídica, ficando neste setor de março a novembro de 2012. A avaliação da
procuradoria demandou um período de tempo extenso, pois, segundo o procurador, os
próprios contornos da política, como direitos autorais, propriedade intelectual, entre outras
questões, levavam à necessidade de uma análise mais profunda.
Após algumas modificações na PII, ela foi desmembrada em duas políticas, a política
de criação do RIUFLA e a PIIUFLA. Em novembro de 2012, a procuradoria encaminhou a
política para o Conselho Universitário (CUNI) e a PII foi aprovada com previsão de revisão
para 180 dias, previsto para maio de 20 13495.

495 Política Institucional de Informação da UFLA. Disponível em: &lt;
http://www.ufla.br/documentos/arquivos/082_13112012.pdf&gt;.

4291

�Em observância à determinação do edital e visando garantir o depósito das publicações
no RI por parte dos pesquisadores, a PIIUFLA foi proposta como sendo de caráter
obrigatório, não sendo aprovada em sua primeira proposição ao CUNI. Provavelmente, a
desaprovação deu-se em virtude ao desconhecimento dessa política e do próprio repositório,
pois naquele momento os atores responsáveis pela análise e aprovação da política
desconheciam o assunto e não houve tempo para divulgação. Quando ocorrer esta revisão,
pretende-se a aprovação da política como obrigatória, pois ela já está sendo divulgada na
universidade.
Vale ressaltar que, no projeto encaminhado ao IBICT, foi definido que a implantação
se iniciaria de forma gradual e setorizada, para, posteriormente, abranger toda a instituição.
Essa decisão deu-se em função das recomendações de Leite (2009) de que a implantação do
repositório passe por um período de atividade experimental, visando identificar as principais
dificuldades operacionais, para, posteriormente, realizar o lançamento oficial na instituição.
Dessa forma, optou-se pelo Departamento de Administração e Economia (DAE), devido ao
vínculo acadêmico da pesquisadora.
Em agosto de 2012, o IBICT encaminhou e-mail informando que a UFLA tinha sido
contemplada com o kit tecnológico e que o mesmo iria ser entregue em outubro, em Brasília,
no I Encontro de Iniciativas do IBICT para a Visibilidade da Ciência Brasileira. Em outubro
de 2012, duas bibliotecárias participaram do referido evento e retiraram o kit tecnológico.
Tendo conhecimento das dificuldades que seriam encontradas na implantação com o
recebimento do kit tecnológico e o início da implantação do repositório, foi necessário definir
os próximos passos para que o projeto piloto fosse implementado. Nesse passo, foram
definidas as políticas, a configuração do sistema, a definição de metadados, a definição de
comunidades e de coleções, os documentos que seriam criados para o projeto piloto, ou seja,
todas as atividades que iriam ao encontro de sua concretização.
Devido ao desconhecimento da operacionalização do sistema, os desafios e as
dificuldades relatadas na literatura também foram enfrentados pela equipe técnica do
RIUFLA. As principais dificuldades enfrentadas foram quanto à elaboração da política de
funcionamento do RI, à capacitação da equipe, às questões relacionadas com a infraestrutura
tecnológica, à definição dos metadados e às questões de direitos autorais.
Associada a essa questão, destaca-se a baixa iniciativa do IBICT em oferecer
treinamento às instituições implementadoras do RI, o que também pode ser considerado como
um fator limitante na implantação do RIUFLA. A equipe da Biblioteca Universitária da
UFLA teve muitas dúvidas operacionais, que somente foram sanadas porque a equipe da

4292

�Universidade Federal de Brasília (UnB) se propôs a ajudar, prestando auxílio por meio de e­
mail e de telefone. Além disso, a equipe envidou esforços em pesquisas pela internet, em que
foram obtidos dois manuais que auxiliaram nesse primeiro momento da implantação, o
Manual de Treinamento da UNB 496 e o Manual do Usuário da Universidade de São Caetano
do Sul497. No andamento da implantação do RI, o IBICT enviou um guia para o
gerenciamento de repositórios digitais criados em Dspace, que subsidiou na implantação da
política em conjunto com os manuais citados.
Quanto à plataforma utilizada para abrigar o repositório, foi utilizado o software
Dspace, que é referência mundial para a implantação de repositórios, devido às suas inúmeras
funcionalidades. O uso do DSpace permite estruturar a informação do repositório, conforme a
estrutura organizacional da instituição, de modo a identificar departamentos, setores, escolas
por meio de comunidades e de coleções (PAVÃO et al., 2008).
Dessa forma, o RIUFLA foi estruturado a partir de comunidades, subcomunidades e
coleções. As comunidades são os departamentos, as subcomunidades os programas de pósgraduação e, dentro de cada comunidade e subcomunidades, suas respectivas coleções. Para o
projeto piloto, foram definidos apenas três tipos de coleções; nas comunidades foram criadas
as coleções para artigos publicados em periódicos, em livros e em capítulos de livros e
trabalhos apresentados em eventos. Para as subcomunidades foram criadas as coleções de
dissertações e teses. Foram criadas 19 comunidades e suas respectivas subcomunidades e
coleções. Futuramente, caso a equipe técnica do RIUFLA resolva inserir as monografias ou
trabalhos de conclusão de curso, para cada departamento deverão ser criadas as
subcomunidades para os cursos de graduação, com suas respectivas coleções.
Após a criação das comunidades e subcomunidades, a próxima etapa foi a definição
dos metadados dos documentos que deveriam ser contemplados no projeto piloto. O Dspace
já vem configurado com um formulário único para todo tipo de documento, cabendo a cada
instituição usar este formulário ou definir um formulário próprio para cada tipo de publicação.
Uma reunião com a equipe técnica foi realizada e devido às características e aos tipos de
informações em cada documento optou-se pelo uso de um formulário para cada tipo de
documento. Assim definiu-se os metadados para cada formulário e a parte da configuração foi
realizada pelo TI.

496 Disponível em: &lt;http://listas.IBICT.br/pipermail/l_repositorios/attachments/20100809 /f9a0939a/attachment0001.pdf&gt;.Acesso em: 17 nov. 2013.
497 Disponível em: &lt;http://repositorio. uscs.edu.br/Manual_RI-USCS.pdf&gt;. Acesso em: 17 dez. 2013.

4293

�Esta tarefa mostrou-se bastante complexa e despendeu bastante tempo por parte da
equipe da Biblioteca da UFLA. Os metadados foram definidos e podem ser vistos no Quadro

Quadro 1: Descrição dos metadados utilizados no RIUFLA
METADADOS
ARTIGO
PERIÓDICOS

TRABALHOS /
EVENTOS

LIVRO

CAPÍTULO DE
LIVRO

DISSERTAÇÃO
TESE

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Resumo/Abstract
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Informações adicionais

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Idioma
dc.rights

-

dc.type

Fonte: Elaborado pe a autora a partir dos metadados do Dublin Core.
O conteúdo do RI é muito importante, mas isso não basta para que este instrumento de
promoção e de divulgação do conhecimento seja eficiente e bem utilizado. Um site bem
configurado, com um layout atrativo, pode chamar a atenção do usuário e mantê-lo
interessado na página. O Dspace já vem com uma configuração padrão, no entanto, é
importante que a instituição trabalhe no visual, de acordo com os objetivos e a estrutura do

4294

�repositório. Dessa forma, a equipe técnica solicitou a confecção do logo do RI para a
Assessoria de Comunicação da UFLA.
Em seguida, definiram-se as políticas de gerenciamento do RI, especificando o tipo de
arquivamento (quem, o quê, quando, quanto) e as licenças. Estas políticas foram expressas em
um documento que busca auxiliar no processo de submissão/depósito do RI. Este documento
é denominado Orientações para uso do repositório institucional da Universidade Federal de
Lavras, que pode ser consultado no site do RIUFLA498.
Em virtude da exoneração do servidor técnico-administrativo da área de informática e
do tempo estipulado pelo IBICT de funcionamento do repositório de até três meses, ficou
definido que, para o projeto piloto, os arquivos seriam depositados pela equipe técnica do
RIUFLA, abrangendo apenas os artigos publicados em revistas. Dessa forma, foi realizado
um levantamento bibliográfico no Lattes, das publicações dos 50 docentes do DAE. O
depósito foi realizado pelos artigos claramente com licenças definidas pelos editores. Deste
levantamento, apenas 132 artigos tinham a Licença Creative Commons e puderam ser
depositados no RI. Em janeiro, após o provimento de cargo de TI por outro servidor técnicoadministrativo, deu-se andamento na configuração da plataforma.
Após a expansão do projeto nos demais departamentos, o depósito ficará sob a
responsabilidade dos autores vinculados à UFLA, como determina as Resoluções CUNI n° 82
e n° 83 e a correção dos metadados, pela equipe técnica do repositório. Como contempla a
PIIUFLA, os artigos científicos publicados a partir de 2013 e outras publicações poderão ser
depositadas no RI até o prazo máximo de seis meses, a partir da data de sua publicação.
O lançamento oficial do RIUFLA no DAE aconteceu no dia 22 de fevereiro de 2013,
na assembléia departamental em que foi apresentado o repositório. Esta apresentação teve
como objetivo mostrar a configuração do sistema, as etapas para a submissão dos documentos
e esclarecer dúvidas operacionais. Vale destacar que um número expressivo de professores
desse departamento naquele momento ainda desconhecia a estrutura e o funcionamento do RI
e fizeram várias ponderações, no sentido de que eles reconheciam a importância desse
instrumento para divulgação e arquivamento das publicações científicas produzidas na UFLA,
entretanto, questionaram a questão do autodepósito, pois, como docentes, eles já têm muitas
atribuições, tornando-se, assim, inviável assumir o depósito das publicações no RI.
O projeto piloto no DAE pode ser considerado como uma estratégia que foi hábil para
implementar a política do repositório da UFLA, pois subsidiou avaliações sobre as principais
498 Disponível em: &lt;http://www.biblioteca.UFLA.br/wordpress/wp-content/uploads/
orienta%C3%87%C3%95es-para-uso-do-reposit%C3%93rio-institucional-da-UFLA.pdf&gt;.

4295

�limitações operacionais e a resistência dos professores em realizar o autodepósito. Esta pode
ser considerada como o principal obstáculo a ser superado, visto que já se passaram mais de
um ano do lançamento do RIUFLA no DAE e poucos docentes realizaram o depósito de suas
publicações. A conscientização dos docentes em relação ao depósito voluntário é, portanto,
um quesito chave na implementação do RIUFLA e deve ser trabalhado continuamente na
comunidade universitária.
Após a implantação do projeto piloto, divulgou-se uma nota para a página institucional
da UFLA, em que toda a comunidade acadêmica da universidade foi convidada a participar do
repositório, realizando o depósito de suas publicações. Além disso, a equipe técnica elaborou
um plano de divulgação nas assembleias dos demais departamentos, o qual iniciou no mês de
março/2013 com termino em agosto/2013, a divulgação foi feita em dezesseis departamentos.
Outras iniciativas foram promovidas, como envio de e-mails para os pesquisadores, notícias
vinculadas na página da Biblioteca, na página da UFLA e a criação de perfil nas redes sociais,
como Facebook e Twitter.
Em síntese, as principais etapas e atividades desenvolvidas para a implantação do
RIUFLA podem ser visualizadas no Quadro 2.
Quadro 2: Fases da implantação do projeto piloto

1a fase
(dezembro/2011
dezembro/2012

a

2a fase
(novembro/2012
janeiro/2013

a

3a fase
(dezembro/2012
fevereiro/2013)

a

4 a fase

(janeiro/2013
fevereiro/2013)

a

5a fase

(março
agosto/2013)

a

Confecção do projeto
Definição da equipe técnica e competências necessárias
Formulação da PII, definindo políticas de conteúdo, acesso, direitos autorais,
preservação digital, etc.
Encaminhamento da PII para os órgãos competentes, para apreciação e
aprovação
Definição do departamento do projeto piloto
Definição de comunidades, subcomunidades e coleções
Levantamento bibliográfico da produção científica dos docentes/pesquisadores
do departamento do projeto piloto no Currículo Lattes
Instalação e configuração do DSpace no servidor
Verificação dos requisitos técnicos e operacionais
Definição do logotipo
Realização de testes na plataforma
Criação de comunidades, subcomunidades e coleções
Definição dos metadados
Treinamento da equipe
Definição das políticas de gerenciamento do RI
Definição das licenças
Alimentação das coleções
Ações de promoção e divulgação do projeto no departamento piloto
Recuperação da informação
Acesso aos documentos
Uso da informação
Ampliação nos demais departamentos
Divulgação do RI nos meios de comunicação e nas assembleias departamentais

Fonte: Elaborado pela autora (2013).

4296

�Na UFLA, o repositório ainda está em fase de desenvolvimento e, devido ao pouco
tempo de implantação, ainda é muito cedo para apresentar resultados concretos. Mas, como
resultado parcial é possível perceber que a implantação trará vários benefícios para a
instituição. Pode-se relatar que, com pouco tempo de implantação, a equipe já esta auxiliando
três instituições que estão iniciando a implantação do repositório, a Universidade Federal de
Alfenas (UNIFAL), a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e o Instituto
Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas, em São João del-Rei.

6 Considerações Finais

No presente estudo, procurou-se compreender o caso de implementação do RI na
UFLA. Para tanto, foi necessário discorrer sobre o processo de formulação dessa política,
descrevendo a proposta do IBICT e as diretrizes que as instituições devem seguir para
implementar o repositório institucional.
Como estratégia para iniciar a implementação, realizou-se um projeto piloto em um
departamento da instituição, o qual foi uma experiência positiva, que permitiu compreender
não só questões operacionais do RIUFLA, como também o envolvimento dos pesquisadores.
Assim, em nível menor, de um departamento, foi possível detectar as suas primeiras
limitações e buscar corrigi-las, o que facilitará a implementação nos outros departamentos. As
ações que visam à implementação e à continuidade do RI na UFLA recai sobre as questões de
obrigatoriedade do depósito, a conscientização de seus pesquisadores e um plano efetivo de
divulgação. Além disso, após a implementação foi possível verificar que questões gerais
norteadas pela política do IBICT foram assumidas pela UFLA.

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Implantação de Repositório Institucional: o caso da Universidade Federal de Lavras</text>
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                <text>Medeiros, Simone Assis, Ferreira, Patrícia Aparecida </text>
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                <text>Dentre os temas que permeiam o campo das políticas públicas no Brasil, observa-se uma preocupação do Estado em relação às políticas públicas de acesso aberto à produção científica por intermédio de suas instituições federais de ensino superior. O Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), vem apoiando as universidades e instituições de pesquisas na implementação de Repositórios Institucionais (RIs), com a finalidade de promover o acesso e a divulgação da produção científica brasileira. Com intuito de viabilizar o depósito das publicações nos repositórios, o IBICT recomenda às instituições que também desenvolvam uma Política Institucional de Informação (PII) que torne obrigatório o depósito da produção científica por parte dos pesquisadores nos RIs. A implementação de um RI prevê atividades que vão desde a escolha do software que será utilizado até a elaboração das políticas que regerão o funcionamento do repositório. O artigo tem como objetivo descrever o processo implantação do RIUFLA a partir de um projeto piloto na Universidade Federal de Lavras (UFLA). Trata-se de uma pesquisa descritiva, o método utilizado foi o estudo de caso e a coleta de dados usou-se observação participante. Conclui-se que, a experiência do projeto piloto foi positiva, pois, permitiu compreender não só questões operacionais do RIUFLA, como também o envolvimento dos pesquisadores. Além disso, foi possível detectar as primeiras barreiras e limitações do RIUFLA e buscar ações para corrigi-las para implementação nos demais departamentos.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

IMPLANTAÇÃO DA BIBLIOTECA DIGITAL DA PRODUÇÃO INTELECTUAL E
CIENTÍFICA DA UNICAMP: UM NOVO FORMATO DE DIVULGAÇÃO DA
PRODUÇÃO CIENTÍFICA DA UNIVERSIDADE
Gislaine Melo de Lima
Elisangela de Moura
Alessandra Karyne Clemente de Souza Neves
Luíz Atílio Vicentini
Regiane Alcantara Eliel
Oscar Eliel
Keite Aparecida Duarte
Daniela Feijó Simões
RESUMO
O presente trabalho relata a experiência da Unicamp, na implantação do seu Repositório
Institucional (RI), Biblioteca Digital da Produção Intelectual e Científica da Unicamp
(BDPIC). O desenvolvimento do projeto que teve parceria com o Conselho de Reitores das
Universidades Estaduais Paulistas (CRUESP) tem como objetivo desenvolver uma
metodologia para implementação de repositórios institucionais universitários, com base em
padrões internacionais de interoperabilidade e acessibilidade da produção intelectual e
científica produzida na universidade. A primeira etapa, que foi considerada entendimento do
sistema, construção do repositório, tratamento dos dados piloto e lançamento do RI, foi
concluída com sucesso dentro do período determinado. Muito trabalho ainda tem para ser
desenvolvido, mas é importante considerar os passos que foram iniciados e dar continuidade
ao projeto, visando sempre à melhoria das atividades e a confiabilidade das informações
publicadas, para crescimento da BDPIC. Deve-se ter como premissa a relevância de um
repositório institucional como um canal para disseminação do conhecimento científico e
intelectual produzido na universidade.
Palavras-Chave: Repositórios institucionais - Experiência; Repositórios institucionais Bibliotecas universitárias; Biblioteca Digital da Produção Intelectual e Científica da Unicamp;
Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas.
ABSTRACT
This paper reports the experience of Unicamp, in implementing its Institutional Repository
(IR), Digital Library Production Intellectual and Scientific Unicamp (BDPIC). The
development project had partnered with the Council of Rectors of State Universities Pauline
(CRUESP) aims to develop a methodology for implementation of university institutional
repositories based on international standards for interoperability and accessibility of
intellectual and scientific production in college. The first step, which was considered
understanding of the system, construction of the repository, processing of data and pilot
launch of RI, was successfully completed within the given period. Much work still has to be

4266

�developed, but it is important to consider the steps that were initiated and continue the project,
always improving the activities and the reliability of the information published, BDPIC
aiming for growth. Should be premised on the importance of an institutional repository as a
channel for dissemination of scientific and intellectual knowledge produced in the university.
Keywords: Institutional repositories - Experience; Institutional repositories - Academic
libraries; Digital Library of Intellectual Production and Scientific Unicamp; Council of
Rectors of Universities State Paulistas

1 Introdução

A distância não tem sido um problema para a comunicação, devido às facilidades que
a internet tem proporcionado. Conversas em tempo real via chat ou em vídeo conferência, são
algumas das vantagens do desenvolvimento tecnológico, o que permite a aproximação das
pessoas independente de qual parte do mundo elas estejam.
Na comunicação científica, tão importante quanto à comunicação informal, é a
comunicação formal, através do registro escrito de pesquisas que estão sendo realizadas e os
seus resultados, sejam estes positivos ou não. A disseminação dessas informações
possibilitam descobertas importantes, como a cura para determinadas doenças e o avanço de
diversas áreas, como a medicina, agricultura entre outras.
Nos últimos anos, o número de publicações em revistas científicas cresceu,
aumentando a produção científica e intelectual dentro das universidades, meio em que mais
ocorre o desenvolvimento de pesquisas. Isso tem gerado uma massa de informação, que
necessita ser reunida, tratada e disseminada para a comunidade acadêmica e sociedade em
geral.
Diante dessa realidade, têm surgido os Repositórios Institucionais (RI) como meio
para disseminar informação e ainda preservar a memória institucional. Além disso, os
repositórios tem sido fonte de análises de sistemas de classificação de universidades, como o
Webometrics Ranking o f World Univesities, que objetiva melhorar a presença das
universidades e instituições de pesquisa na web e promover a publicação em acesso aberto dos
resultados científicos. Essa é uma forma de verificar a visibilidade e o impacto das
publicações realizadas mundialmente.
A Biblioteca Digital da Produção Intelectual e Científica da Unicamp (BDPIC) nasceu
com o propósito de reunir, integrar e publicar a produção científica das três universidades
estaduais de São Paulo, tendo como objetivo de desenvolver uma metodologia para

4267

�implementação de repositórios institucionais universitários, com base em padrões
internacionais de interoperabilidade e acessibilidade da produção intelectual e científica
produzida na Unicamp.
A BDPIC foi desenvolvida em regime de incubadora a partir da plataforma já
desenvolvida para o RI da Universidade de São Paulo (USP). Esse trabalho foi realizado pelo
Sistema de Bibliotecas da Unicamp (SBU) em parceria com o Sistema Integrado de
Bibliotecas (SIBI) da USP. Esta estratégia possibilitou que a equipe de tecnologia do SBU
pudesse iniciar o desenvolvimento do RI e adquirir conhecimento de uma plataforma ainda
não utilizada na Unicamp. (VICENTINI, 2013).
No dia 06 de outubro de 2013, foi lançado o RI Unicamp, com o Repositório da
Produção Científica do CRUESP, na abertura da Conferência Luso Brasileira de Acesso
Aberto (CONFOA), realizado na Biblioteca Brasiliana da USP.

Figura 1: Interface BDPIC Unicamp
Busca Integrada -^ flU E S P

#4
'V *'

Entrar

BD PIC
B ib lio te c a D ig ita l d a P r o d u ç ã o I n te le c tu a l e C ie n tific a d a U n ic a m p

^

■

Z

a

A

A

Página Inicial

Biblioteca Digital da Produção Intelectual e Científica da Unicamp

□
Busca avançada

Todo o repositório
Unidades Unicamp
Datada publicação
Autor
Titula
Assunto
Tino de acesse
Aoéncia de Fomento

A Biblioteca Digital da Produção Intelectual e Científica da Unicamp tem por objetivo reunir e disseminar a produção intelectual, acadêmica e cultural da universidade e preservar sua
memória institucional, além de contribuir para ampliar a visibilidade da instituição e dos seus pesquisadores em âmbito nacional e internacional.
O desenvolvimento dessa Biblioteca Digital está sendo realizado em parceria entre os Sistemas de Bibliotecas da UNICAMP, U SP e U NESP e, conta com o apoio das P ró Reitorias de
Pesquisa das três instituições e da F APESP.
O software de gerenciamento utilizado na estruturação da Biblioteca Digital é o Dspace - Digital Repository System (projeto colaborativo da MIT Libraries e a Hewlett-Packard Company),
desenvolvido para possibilitar a criação de repositórios digitais com funções de captura, distribuição e preservação. É um software de código fonte aberta que fornece facilidades para o
gerenciamento de acervo digital, utilizado para implementação de repositórios institucionais.

Submissões recentes
Directed and elliptic flow of charged particles in C u plus C u collisions at root s(NN)-22.4 GeV
Agakishiev, G ; Aggarwal, M. M.; Ahammed, 1:,Alakhverdyants, A. V.; Alekseev, I.; Alford, J.; Anderson, B. D.; Anson, C . D.; Arktiipkin, D.; Averichev, G . S.; Balewski, J.; Beavis, D. R ;

Visualizar
Autor
Assunto
Data de publicação
Tipo de acesso
Agência de Fomento

Behera, N. K.; Bellwied, R.; Betancourt, M. J.; Betts, R. R.; Btiasin, A.; Bhati, A. K.; Bichsel, H.; Bieltik, J.; Bielcikova, J.; Bland, L. C.; Bordyuztiin, I. G.; Borowski, W.; Bouchet, J.; Braidot, E.;
Brandîn, A. V.; Bridgeman, A.; Brovko, S. G.; Bruna, E.; Bueltmann, S.; Bunzarov, I.; Burton, T. P.; Cai, X. 1:, Caines, H.; Sanchez, M. Calderon de la Barca; Cebra, D.; Cendejas, R.;
Cervantes, M. C.; Chaloupka, P.; Chattopadhyay, S.; Chen, H. F.; Chen, J. H.; Chen, J. Y.; Chen, L ; Cheng, J.; Chem ey, M.; Chikanian, A.; Choi, K. E.; Christie, W.; Chung, P.; Codrington,
1/1. J. M.; Corliss, R.; Cramer, J. G.; Crawford, H. J.; Cui; Leyva, A. Davila; De Silva, L C.; Debbe, R. R.; Dedovfch, T. G.; Deng, J.; Derevschikov, A. A.; Derradi de Souza, R.; Didenko, L ;
Djawotho, P.; Dogra, S. M.; Dong, X.; Drachenberg, J. L ; Draper, J. E.; Du, C . M.; Dunlop, J. C.; Efimov, L G.; Elnimr, M.; Engelage, J.; Eppley, G.; Estienne, M.; Eun, L ; Evdokimov, 0.;
Fatemi, R.; Fedorisin, J.; Fersch, R. G.; Filip, P.; Finch, E.; Fine, V.; Fisyak, Y.; Gagliardi, C. A.; Gangadharan, D. R.; Geurts, F.; Ghosh, P.; Gorbunov, Y. N.; Gordon, A.; Grebenyuk, 0 . G.;
Grosnick, D.; Gupfa, A.; Gupta, S.; Guryn, W.; Haag, B.; Hajkova, 0.; Hamed, A.; Han, L. -X.; Harris, J. W.; Hays-Wehle, J. P.; Heinz, M.; Heppelmann, S.; Hirsch, A.; Hjort, E ; Hoffmann, G.

Estatística

W.; Hofman, D. J.; Huang, B.; Huang, H 1:, Humanic, T. J.; Huo, L ; Igo, G.; Jacobs, P.; Jacobs, W . W.; Jena, C.; Jin, E ; Joseph, J.; Judd, E. G.; Kabana, S.; Kang, K.; Kapitan, J.; Kauder, K.;

Veras estatísticas de uí

Ke, H. W.; Keane, D.; Kechechyan, A.; Kettler, D.; Kikola, D. P.; Kiryluk, J.; Kisiel, A.; Kizka, V.; Klein, S. R.; Knospe, A. G.; Koetke, D. D.; Koflegger, T.; Konzer, J.; Korait, I.; Koroleva, L ;
Korsch, W.; Kotchenda, L.; Kouchpil, V.; Kravtsov, P.; Krueger, K.; Krus, M.; Kumar, L ; Lamont, M. A. C.; Landgraf, J. M.; LaPointe, S.; Lauret, J.; Lebedev, A.; Lednicky, R.; Lee, J. H.;
Leight, W.; LeVine, M. J.; Li, C ; Li, L ; Li, N.; U , W.; Li, X ; Li, X ; Li, Y.; Li, Z. M.; Lima, L M.; Usa, M. A.; Liu, F ; Liu, H.; Liu, J.; Ljubicic, T.; Llope, W. J.; Longacre, R. S.; Lu, Y.; Lukashov, E
V.; Luo.X.; Ma, G. L ; Ma, Y. G.; Mahapatra, D. P.: Majka, R.; Mail, 0 . L; Manweiler, R.; Margetts, S.; Markert, C.; Masui, H.; Matîs, H. S.; McDonald, D.; McShane, T. S.; Meschanin, A.;

H RSS2.0
§3 Atom

Milner, R.; Minaev, N. G.; Mioduszewski, S.; Mitrovski, M. K.; Mohammed, Y.; Mohanty, B.; Mondai, M. M.; Morozov, B.; Morozov, D. A.; Munhoz, M. G.; Mustafa, M. K.; Naglis, M.; Nandi, B. K.:
Nayak, T. K.; Nogach, L V.; Nurushev, S. B.; Odyniec, G.; Ogawa, A.; Oh, K.; Ohlson, A.; Okorokov, V.; Oldag, E. W.; Oliveira, R. A. N.; Oison, D.; Pachr, M.; Page, B. S.; Pal, S. K.; Pandit,
Y.; Panebratsev, Y.; Pawlak, T.; Pei, H.; Peitzmann, T.; Perkins, C.; Peryt, W.; Pile, P.; Planinic, M.; Ploskon, M. A.; Pluta, J.; Plyku, D.; Poljak, N.; Porter, J.; Poskanzer, A. M.; Potukuchi, B. V.
K. S.; Powell, C . B.; Prindle, D.; Pruneau, C.; Pruthi, N. K.; Pujahari, P. R.; Putschke, J.; Qîu, H.; Raniwala, R.; Raniwala, S.; Ray, R. L.; Redwine, R.; Reed, R.; Ritter, H. G.; Roberts, J. B.;
Rogachevskiy, 0 . V.; Romero, J. L ; Ruan, L.; Rusnak, J.; Sahoo, N. R.; Sakrejda, I.; Salur, S.; Sandweiss, J.; Sangafine, E.; Sarkar, A.; Schambach, J.; Scharenberg, R. P.; Schaub, J.;

Fonte: http://uncamp.sibi.usp.br/

2 Revisão de Literatura

4268

�A ciência sempre buscou disseminar seus resultados de pesquisas, buscando alguma
melhoria, evolução e desenvolvimento para sociedade. Sabe-se que os pesquisadores por meio
de suas pesquisas, tem o compromisso de publicar esses resultados para se legitimar, e isso só
ocorre quando divulgado, analisado e comprovado por seus pares. Esse processo é conhecido
como comunicação científica.

Segundo Meadows, a comunicação científica é descrita como sendo:
[...] essência do conhecimento científico, sendo tão vital quanto a própria
pesquisa, pois a esta não cabe reivindicar com legitimidade este nome
enquanto não houver sido analisada e aceita pelos pares. Isso exige
necessariamente que seja comunicada. (MEADOWS, 1999, p. VII).

No decorrer dos tempos, a comunicação científica sofreu grande impacto na forma de
divulgação e acesso das fontes de informações científicas. Essas mudanças propiciaram
grandes avanços, expandindo a forma de comunicação, divulgação e acesso a qual é possível
verificar através da história: em 1895 os belgas Paul Otlet e Henri La Fontaine, preocupados
com o controle bibliográfico universal, decidiram montar em Bruxelas o Instituto
Internacional de Bibliografia; em 1951 surge o termo recuperação da informação, criado por
Calvin Mooer, o qual não se preocupa apenas com o suporte físico, mas com a recuperação e
o acesso à informação; em 1960 começa uma nova linha chamada de ciência nova que
estudamos no dias de hoje como Ciência da Informação e por fim em 1990 com o advento da
Web (Word Wide Web)

cresce o volume de informação

surgindo as Tecnologias da

Informação e Comunicação (TICs).
Com a introdução das TICs, remodelaram as formas de divulgação da comunidade
acadêmica, sobretudo, na forma de publicar e acessar resultados de suas pesquisas, assim
propiciando uma evolução no fluxo de comunicação.
Weitzel afirma que:
[...] a partir da última década do século XX este cenário tem se modificado e
está em pleno estágio de reorganização dos processos e produtos da
comunicação científica, por meio da adoção das tecnologias de informação e
comunicação, e da consolidação de algumas iniciativas, principalmente a
Iniciativa de Arquivos Abertos e o Movimento de Acesso Livre. (WEITZEL,
2006, p. 52).

4269

�Em meio a este fato, surge a questão do controle dessas informações por parte dos
editores, onde ficam com total controle e uso das publicações. Buscando mudanças na cultura
de submissão e divulgação das pesquisas científicas, iniciativas por parte da comunidade
acadêmica foram adotadas, em prol de um Movimento Aberto, onde cientistas buscam novas
formas de divulgação e acesso a essas fontes.
Segundo Leite (2009), a partir desse propósito, o pesquisador Stevan Harnad criou
duas estratégias de ação: a implantação da via dourada e a implantação da via verde. A via
dourada diz respeito à produção e ampla disseminação de periódicos eletrônicos de acesso
aberto na rede. Ao publicarem em periódicos de acesso aberto, os pesquisadores
potencializam a comunicação científica, já que esta via possibilita a ampliação do diálogo
entre os seus pares. Por outro lado a via verde trata-se da criação de repositório institucional
para a organização e disseminação da produção científica das instituições de pesquisa.
Sendo assim, Batista et al. (2007) descreve que as manifestações surgiram em defesa
de um modelo que garantisse o Acesso Livre à Informação e Conhecimento Científico. A
iniciativa de Open Archives iniciou-se por meio da Convenção de Santa Fé (EUA, 1990),
onde Open Archives Initiative (OAI), define os princípios básicos de acesso aberto à produção
científica. Pois sua missão é contribuir para transformação da comunicação científica, tem
como objetivo, definir aspectos técnicos e de suporte organizacional de uma estrutura de
publicação científica aberta.
A partir deste marco, houve diversas ações em todo mundo, focados nos mesmos
princípios. Em meio a essas iniciativas, demais países demonstraram apoio, disseminando
essa filosofia. Dentre eles: Budapeste (2002), Bethesda e Berlin (2003). No Brasil houve
apoio do Manifesto Brasileiro de Apoio ao Acesso Livre à Informação Cientifica (2005),
Declaração de Florianópolis (2006), Carta Aberta à SBPC (2006) e o Projeto de Lei
1120/2007.
O Budapest Initiative Open Access (BOAI) define acesso aberto como:
Disponibilidade gratuita da informação na Internet pública, para que
qualquer usuário a possa ler, baixar, copiar, distribuir, imprimir, com a
possibilidade de buscar ou relacionar todos os textos destes artigos. Revisar
a informação, indexá-la, usá-la como dado para software, ou utilizá-la com
qualquer outro propósito legal, sem empecilhos financeiros, legais ou
técnicos, diferentes do fundamental de ter acesso à própria Internet.
(BOAI, 2014)

4270

�Com essas mudanças, foram ampliadas as formas de divulgação dessas fontes e em
meio ao intenso fluxo informacional gerado, surgiu à necessidade de agrupamento dessas
informações, de forma precisa e confiável.
Desta forma, os Repositórios surgiram no contexto do Acesso Livre, servindo a
sociedade, fomentando e ampliando o acesso a publicação científica, sem custos e barreiras.
Para Viana, Márdero Arellano e Shintaku (2005, p. 3) “repositório digital é uma forma
de armazenamento de objetos digitais que tem a capacidade de manter e gerenciar material
por longos períodos de tempo e prover o acesso apropriado”.
Desta forma, essa ferramenta mantém a memória do material intacta, administra para
usos futuros, preserva o conteúdo, sem restrições legais. E, disponibilizando essas fontes,
contribui para democratização do conhecimento.
De acordo com Leite et al. (2012) os repositórios podem ser categorizados como:
institucionais, temáticos/ disciplinares, de teses e dissertações. No caso deste projeto, foi
implantado o uso do Repositório Institucional de Acesso Aberto porque lida com a produção
científica de uma determinada instituição.
Leite complementa ainda que:
Um repositório institucional de acesso aberto constitui um serviço de
informação científica - em ambiente digital e interoperável - dedicado ao
gerenciamento da produção científica e/ou acadêmica de uma instituição
(universidades ou institutos de pesquisa). Comtempla a reunião,
armazenamento, organização, preservação, recuperação e, sobretudo, a
ampla disseminação da informação científica produzida na instituição.
(LEITE et al, 2012, p. 7)

Outro aspecto levantado por Leite (2009) refere-se que os repositórios institucionais
possuem uma função de gerenciar a informação científica desenvolvida nas atividades de
ensino e pesquisa, e oferecem suporte as mesmas. Sendo assim traz uma série de benefícios
que são percebidos por diferentes segmentos com foco nos pesquisadores, administradores
acadêmicos, universidades e comunidade científica.

■ Pesquisadores: visibilidade de suas descobertas científicas; facilidade de gestão da
produção científica; ambiente seguro; facilidade de identificação; endereço eletrônico
simples; aumento de citações; diminuição da possibilidade de plágio; oferta de
indicadores do impacto dos resultados; Incentiva outros pesquisadores; acesso por
meio de qualquer dispositivo WEB; melhora o entendimento sobre direitos autorais;
supre as demandas das agências de fomentos.

4271

�■ Administradores acadêmicos: oportunidades para o arquivamento e preservação dos
trabalhos em formato digital; termômetro das atividades de pesquisa; facilita a
pesquisa interdisciplinar; reduz a duplicação de registros; automatiza tarefas e a coleta
de metadados por outras fontes.
■ Universidades: aumenta a visibilidade, reputação e prestígio da instituição; maximiza
a eficiência e o compartilhamento de informações; melhora a precisão e completude
dos registros dos documentos acadêmicos da instituição; facilita o gerenciamento dos
direitos de propriedade intelectual da instituição; reduz custos de gestão da informação
científica; ferramenta de marketing; contribui para o processo de avaliação das
atividades de pesquisa; oferece flexibilidade e possibilidade de integração com outros
sistemas de gestão e disseminação da produção científica institucional; contribui para
a missão e valorização da instituição no que diz respeito à transparência, à liberdade
de discurso e à igualdade.
■ Comunidade científica: contribui para a colaboração na pesquisa, por meio da
facilitação de troca livre de informação científica; contribui para o entendimento
público das atividades e esforços de pesquisa; reduz custos (ou pelos menos direciona
sua realocação) associados com assinaturas de periódicos científicos; favorece a
colaboração em escala global na medida em que explicita resultados de pesquisa e põe
autores em evidência.
Partindo dessa premissa, segundo Vicentini,
A criação de um sistema de informação que reúne, preserva, divulga e
permite o acesso à produção intelectual e acadêmica da comunidade
universitária, fez com que a Unicamp por meio de seu Sistema de
Bibliotecas, no ano de 2002 viesse a implantar a sua Biblioteca Digital, com
ênfase nas dissertações e teses, proporcionado o acesso aberto a essa
produção acadêmica local, nacional e internacional sendo 100% das teses
defendidas na universidade e outros documentos. (VICENTINI, 2013, p. 1).

Diante dessa experiência já obtida pelo Sistema de Biblioteca da Unicamp, foi
proposta a criação do Repositório Institucional BDPIC.

2.1 Software DSpace

Para a implantação do RI Unicamp, optou-se por utilizar o software DSpace, fruto do
resultado de pesquisas entre Massachusetts Institute o f Technology (MIT) e a HP em 2002.
Trata-se de um software open source que implementa um repositório digital aberto e permite

4272

�o gerenciamento de grande quantidade de conteúdo e diversos formatos, contribuindo para o
aumento da acessibilidade e visibilidade dos conteúdos digitais que indexa. A arquitetura é
modular permitindo integração de recursos locais e customizações.
O desenvolvimento e suporte técnico do DSpace se dá em comunidade
internacional composta principalmente por analistas de bibliotecários da
área. Além disso, a segurança se dá pela interfase WEB, baseado em
tecnologia XML e JAVA com as páginas montadas através de conversores
XSL/XSLT e folhas de estilo CSS. O controle de acesso para usuário e
grupos de usuários passa por níveis de permissões sincronizados com as
etapas de workflow. O arquivamento de texto completo ocorre em sistemas
de arquivo distribuídos - SRBs. (VICENTINI, 2013, p. 7).

Portanto, vê-se a importância da criação dos repositórios institucionais, pois a pesquisa
que é gerada na universidade gera inovação científica e tecnológica, e o produto final será
inserido para beneficio da sociedade.
Podemos afirmar que iniciativas estão sendo tomadas por parte da Comunidade
Científica, pelo Órgão Nacional Ciência e Tecnologia, pelas Agências de Fomento, pelos
profissionais Bibliotecários que estão se atualizando neste novo contexto da informação
digital, e as bibliotecas mais preparadas visam contribuir com o trabalho desses autores na
produção científica do nosso país. Além disso, “estabelecer um repositório institucional indica
que biblioteca está mudando seu papel de custódia para contribuir ativamente na mudança de
modelo da comunicação científica” (VIANA, MÁRDERO ARELLANO, SHINTAKU, 2005,
p. 7). Essas mudanças estreitam os laços da biblioteca com a universidade, atrai olhares e
investimentos, contribui para valorização profissional, além de contribuir ativamente no
desenvolvimento da instituição.
No entanto, para que os repositórios institucionais consigam alcançar as suas metas, é
de primordial importância envolver os pesquisadores e utilizadores neste inovador sistema de
comunicação científica, pois a participação dos mesmos é fundamental para a manutenção do
repositório, pois assim como cooperam com o fornecimento de conteúdo dos repositórios,
também necessitam colocar à informação técnica científica de outras instituições aí
disponibilizada. Concordando com Marques, Maio (2006) para que possa haver este
compromisso por parte dos autores no auto arquivamento da sua produção intelectual, é
necessário conscientizá-los para a importância deste sistema de comunicação científica, quer
para o desenvolvimento e progresso da própria ciência nos seus diversos campos
disciplinares, como também o seu potencial contributo para a distinção e valorização do seu
trabalho a nível institucional, nacional ou internacional.

4273

�3 Materiais e Métodos
3.1 Coleta de dados
O tipo de material selecionado para compor o início do repositório, foram artigos
publicados em revistas científicas, que tivessem autores da universidade em parceria com
autores da USP e/ou UNESP, somente do ano de 2012.
Para a busca dos artigos e coleta dos dados referenciais, foi utilizada como ferramenta
a Base Web of Science (WOS), da Thomson Reuters, cujo acesso a universidade possui
através da assinatura realizada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (CAPES). A escolha desta base sucedeu-se, por esta indexar um número vasto de
periódicos científicos nacionais e principalmente internacionais, tornando a grande em
conteúdo referencial multidisciplinar.
Foi utilizada a seguinte estratégia de busca no WOS para recuperação dos artigos,
conforme apresenta figura abaixo:

Figura 2: Web of Science - interface de pesquisa

Fonte: http://apps.webofknowledge .com/

A partir dessa estratégia foi recuperado o total de 752 artigos com autores da Unicamp
e USP, e a mesma estratégia utilizada com a UNESP recuperou 204 artigos. Os dados foram
extraídos em maio de 2013.

4274

�Dessa coleta foi utilizado como piloto, os 752 registros de autoria Unicamp e USP,
devido ao fato de ser a amostra maior e atender a quantidade mínima estabelecida, que foi de
700 registros para o início. Além desse critério, necessitaria de mais tempo para trabalhar com
as duas listas, por isso, o tempo também foi outro critério considerado.
Os dados foram exportados do WOS direto para o formato (.txt), e convertidos para
(.xls). Após a conversão para Excel, verificou-se que os dados não estavam com entradas
padronizadas, e antes das informações serem publicadas no repositório, as listas tiveram que
passar por um pré-tratamento.
Houve um aumento na quantidade de registros publicados como piloto, que deveu-se a
parceria com a USP, que cedeu uma lista com 1197 registros semi-prontos, em que havia
autoria da USP com Unicamp de anos anteriores a 2012. Essa lista necessitou a separação dos
autores internos, que estavam como sendo USP e do acréscimo das informações de unidade e
departamento. Dessa quantidade 6 registros foram retirados da lista por não conter autores da
Unicamp.

3.2 Tratamento da Informação

Nesta etapa do trabalho, a equipe discutiu sobre quais dados que deveriam constar no
repositório das três universidades e sobre quais metadados deveriam ser padronizados, para
que não houvesse problemas no momento de fazer a integração dos sistemas em uma única
plataforma.
Os metadados básicos selecionados para compor o repositório foram:
■ Autor institucional
■ Autores (pesquisadores)
■ Título do artigo
■ Imprenta;
■ Resumo;
■ Assunto;
■ Direito de acesso;
■ Origem do registro;
■ Agência financiadora (quando houver)

Outras informações foram utilizadas, e para estas tendo sido criadas um metadados,
como exemplo, o endereço Digital Object Identifier (DOI).

4275

�Considerando a data limite para o lançamento do repositório CRUESP, foi priorizado
o tratamento de informações que eram imprescindíveis conterem no momento da publicação,
pois estava atrelada a estrutura do Dspace. Uma dessas informações eram as unidades e
departamentos aos quais os autores da Unicamp estavam vinculados na universidade quando
feita a publicação do artigo no periódico. Alguns artigos possuíam a informação, porém como
já mencionado anteriormente, as listas exportadas não estavam com as informações
completas.
Após serem estudadas as possibilidades de como deveriam ser colhidas tais
informações, verificou-se que todo o trabalho deveria ser realizado manualmente, ou seja,
dever-se-ia procurá-las em fontes de informações, que até o momento eram desconhecidas.
Com o intuito de ganhar tempo e minimizar esforços, foi considerado que tais dados seriam
coletados somente do primeiro autor dos “autores internos” de cada artigo, pois não seria
possível fazer a ligação da unidade e departamento de todos os autores vinculados à Unicamp
nesse primeiro momento.

Figura 3: Estrutura de unidades e departamentos no Space

BDPIC
fcbbmci
hodaçto SadKTsal
Dujial da

• Cmteia da Bmcaasp

sÇwircftCwMftiniMSwKtttfuitm-CCSBt

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*

«EogtàidlFÿxÿj•füffl11il

Fonte: http://unicamp.sibi.usp.br/community-list

4276

�As fontes de informação utilizada para consulta e coleta dos dados foram:
■ Lista do setor de recursos humanos com nome completo dos docentes,
unidades e departamentos da Unicamp aos quais estavam vinculados;
■ Currículo Lattes;
■ Home Page das faculdades e institutos da Unicamp;
Os artigos que possuíam a informação, mesmo que incompleta, de unidade
(comunidade) e/ou departamento (coleção), tiveram os seus registros trabalhados logo de
imediato, pois necessitava de ser feita a busca de apenas parte da informação.
Com relação aos metadados padrão (autor, título, resumo, palavras-chave, entre
outras), não houve alterações nessa etapa.

3.3 Direitos de acesso

Uma questão de grande importância para o andamento do repositório foi à análise da
política de restrição das revistas/editores. Tal análise é imprescindível que seja realizada,
certificando-se de que não ocorra nenhuma infração contra a lei dos direitos autorais ao
realizar a publicação dos arquivos dos textos completos dentro do repositório.
Para checar essa política, foi utilizado o Sherpa Romeo, um serviço da University of
Nottinghan, atualmente financiado pelo Joint Information Systems Committee (JISC), que
disponibiliza informação atualizada sobre a política de restrição relacionada ao pré-print
(artigo antes da submissão em revista), pós-print (artigo aceito pela revista, após
modificações) e PDF do editor (artigo publicado na revista), e sobre a possibilidade ou não de
publicação na íntegra em repositórios institucionais.
Após a verificação das revistas em que os artigos que constavam na lista foram
publicados, chegou-se a definição de três categorias de acesso para o repositório:
■ Aberto - artigos de revistas/editor com acesso livre, como a Scielo;
■ Fechado - revistas/editor comerciais que não permitem a publicação dos artigos em
repositório;
■ Restrito (IP Unicamp) - revistas/editor comerciais e associações científicas que
permitem a disponibilização dos artigos somente dentro da instituição;

Dentro da quantidade total de publicação, que foi de 1947 registros:
■ 337 - abertos; com texto completo para download;
■ 760 - fechados; sem texto completo;

4277

�■ 850 - restritos; download permitido apenas para usuários vinculados a
Unicamp, necessitando de autenticação de login e senha institucional para
acesso.

4 Resultados Parciais/Finais

Nessa primeira etapa de entendimento do sistema, construção do repositório e
tratamento dos dados para o lançamento, foi concluída com sucesso dentro do período
determinado, que foi de 6 meses.
A BDPIC foi lançada com o total de 1947 registros publicados, que em comparação
com o número de publicações que ainda há de ser realizada, a quantidade é baixa, entretanto,
pode-se considerar o resultado positivo pelo curto período, contando desde o conhecimento da
ferramenta, estruturação, coleta de dados, tratamento e lançamento do repositório.
Os dados que entraram no sistema tiveram o tratamento mínimo das informações e a
estrutura do RI Unicamp seguiu o mesmo padrão da USP, a equipe considerou que
modificações relacionadas a essas áreas deveriam ser deixadas para serem adequadas nas
futuras etapas.
O trabalho de tratamento da informação e a análise de política de acesso são as
atividades que levam maior tempo para serem realizadas, pois necessita da busca de
informação manualmente. Outro fator de atraso ocorreu com as fontes de informação que
foram utilizadas para consulta, por em alguns momentos estarem com a página fora do ar, ou
então não conterem a informação procurada. Nesses casos, foi necessário aguardar o
funcionamento da página, ou descobrir uma nova fonte que pudesse haver a informação
necessária.

5 Considerações Parciais/Finais

Muito trabalho ainda tem para ser desenvolvido, mas é importante considerar os
passos que foram iniciados e dar continuidade ao projeto, visando sempre à melhoria das
atividades, a confiabilidade das informações publicadas, para crescimento da BDPIC. Deve-se
ter como premissa a relevância de um repositório institucional como um canal para
disseminação do conhecimento científico e intelectual produzido na universidade.
Para conclusão desse artigo, façamos algumas considerações:

4278

�Tendo a realidade de que atualmente a plataforma da BDPIC esta hospedada no
servidor da USP, a migração do repositório para a Unicamp é um dos objetivos principais
nessa próxima etapa. Para isso, a coordenação do SBU se mobilizou junto aos órgãos
competentes, explanando a questão atual do repositório e sobre a necessidade de aquisição
dos equipamentos necessários para a migração. Após a devida análise, a solicitação foi
autorizada.
Foi criado um Grupo de Trabalho, composto atualmente pelos autores deste artigo,
com a finalidade de trabalhar na estruturação, gerenciamento BDPIC, e treinamentos que
deverão ser realizados para a comunidade interna da universidade, principalmente as
bibliotecas, sobre o funcionamento e uso do RI.
Um ponto importante para as próximas etapas é a definição das políticas de acesso do
RI Unicamp, assim como a criação de toda a documentação necessária (manuais,
procedimentos, relatórios), a fim de formalizar o uso e trabalho dos produtos e serviços que
serão oferecidos através do repositório.
A padronização dos dados dos registros que já estão publicados e dos que irão entrar
na BDPIC, e a estruturação das entradas para cada tipo de documento que serão publicados, é
de grande importância para a recuperação e organização das informações, além de permitir a
interoperabilidade dos metadados com outros sistemas.
A realização da catalogação analítica, no Sophia, software de gerenciamento do
catálogo da Unicamp (Base Acervus), é um trabalho que também será priorizado no
andamento do repositório. Considera-se importante a recuperação da informação através do
catálogo, além da visibilidade ao repositório.
A migração das teses e dissertações da Biblioteca Digital da Unicamp, para a BDPIC,
é outra atividade que pretende ser realizada. Entende-se a importância da reunião de toda a
produção científica da universidade numa única plataforma para disseminação da informação,
acesso e análises de medição. Além da migração, esta sendo estudada a viabilidade da
inserção do Digital Object Identifier (DOI) nas teses e dissertações defendidas na
universidade. Esse serviço permitirá a localização e divulgação dos trabalhos, com um link
seguro e valor agregado.

6 Referências
BAPTISTA, Ana Alice et al. Comunicação científica: o papel da Open Archives Initiative no
contexto do acesso livre. Enc. Bibl: R. Eletr. Bibliotecon. Ci. Inf., Florianópolis, n. esp., 1°
sem., p. 1-17, 2007.

4279

�UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS. Biblioteca Digital da Produção
Intelectual

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da

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Disponível

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VICENTINI, Luiz Atilio. Repositório institucional da Unicamp (Biblioteca digital da
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da produção científica. Em Questão, Porto Alegre, v. 12, n. 1, p. 51-71, jan./jun. 2006.

4280

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O presente trabalho relata a experiência da Unicamp, na implantação do seu Repositório Institucional (RI), Biblioteca Digital da Produção Intelectual e Científica da Unicamp (BDPIC). O desenvolvimento do projeto que teve parceria com o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (CRUESP) tem como objetivo desenvolver uma metodologia para implementação de repositórios institucionais universitários, com base em padrões internacionais de interoperabilidade e acessibilidade da produção intelectual e científica produzida na universidade. A primeira etapa, que foi considerada entendimento do sistema, construção do repositório, tratamento dos dados piloto e lançamento do RI, foi concluída com sucesso dentro do período determinado. Muito trabalho ainda tem para ser desenvolvido, mas é importante considerar os passos que foram iniciados e dar continuidade ao projeto, visando sempre à melhoria das atividades e a confiabilidade das informações publicadas, para crescimento da BDPIC. Deve-se ter como premissa a relevância de um repositório institucional como um canal para disseminação do conhecimento científico e intelectual produzido na universidade. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

EU CURTO: REDE SOCIAL CORPORATIVA COMO FERRAMENTA DE APOIO A
COMUNICAÇÃO INTERNA NA BIBLIOTECA FEAUSP

Giseli Adornato de Aguiar

RESUMO
O objetivo do trabalho é verificar se a utilização da ferramenta de rede social corporativa
Joincube contribuiu para a melhoria da comunicação interna entre os funcionários da
Biblioteca FEAUSP. A pesquisa se caracteriza como um relato de experiência da implantação
e análise da utilização do Joincube, por meio de uma abordagem quantitativa e qualitativa.
Como resultado, pode-se dizer que a ferramenta Joincube atendeu as expectativas da equipe.
Os problemas detectados são culturais e de relacionamento entre as pessoas. Também,
verifica-se que a ferramenta possibilitou a divulgação de informações e recados de forma mais
rápida, centralizada e eficiente, mas houve pouca colaboração e interação. Apesar disso,
acredita-se que a rede social corporativa contribuiu para a melhoria da comunicação e do
acesso às informações pelos funcionários da Biblioteca FEAUSP.
Palavras-Chave: Rede social corporativa. Comunicação interna. Biblioteca universitária.
Joincube.
ABSTRACT
This study aims to attest whether using a enterprise social media platform - Joincube - has
contributed to improving internal communication among employees of the FEAUSP Library.
Taking a qualitative and quantitative approach, this study comprises a report on the
implementation experience as well as an analysis of Joincube’s use. As a result, it can be
confirmed that Joincube has satisfied the team’s expectations. The problems encountered refer
to differences in culture and to the relationships between people. It was also verified that it
enabled the distribution of information and memos in a faster, more centralized, and more
efficient manner; however, there was little collaboration and interaction. Nevertheless, it is
believed that the enterprise social network has contributed to improving communication and
access to information for employees of the FEAUSP Library.
Keywords: Enterprise social network. Internal communication. Academic library. Joincube.

1 Introdução

A comunicação interna funciona como base de sustentação da comunicação externa.
Todas as pessoas da equipe precisam estar conectadas e integradas para que a informação

4251

�correta seja transmitida e para propiciar um melhor atendimento, produtos e serviços aos
usuários.
Dessa forma, a integração da equipe de uma biblioteca é fundamental, “a comunicação
de duas vias, que informa os funcionários deixando claro porque determinadas decisões são
tomadas e, ao mesmo tempo, estimula os colaboradores a participar, [...] faz com que o
público interno sinta-se corresponsável pelo sucesso da organização.” (MATOS, 2009, p.
100).
A Biblioteca da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da
Universidade de São Paulo (USP) passa por um processo de expansão e modernização da sua
estrutura física e instalações internas desde 2010. A Biblioteca contava com 1.500 m2 e
passou a ter 5.000 m2 distribuídos por dois andares.
Com relação ao quadro de recursos humanos, a Biblioteca conta com 26 funcionários.
O horário de funcionamento é das 7h30 às 22h00, de segunda à sexta-feira, e há seis escalas
de horários de trabalho distribuídas entre os integrantes da equipe.
A Chefia Técnica e uma parte da equipe da Seção de Atendimento ao Usuário se
encontram alojadas no piso superior, a outra parte se encontra no piso térreo, juntamente com
a Seção de Processamento Técnico, a Seção de Aquisição e o Setor de Encadernação,
Preservação e Restauro.
Diante dessa nova configuração física, que se caracteriza pela distância entre os
integrantes da equipe, a comunicação interna entre os funcionários foi prejudicada. A troca de
informações diárias e seu acesso, sem distorções, por toda a equipe, tornou-se uma tarefa
difícil e nem sempre realizada com sucesso.
Somente por meio de uma comunicação interna eficiente, é que se efetiva a troca de
informações. Para Melo (2009) a comunicação interna é um instrumento estratégico para a
instituição, pois não basta ter uma equipe de talento e motivada se ela não estiver bem
informada e se seus integrantes não se comunicarem adequadamente.
Nesse cenário, as redes sociais corporativas surgem como uma possibilidade de
aprimorar a comunicação entre os funcionários de uma instituição, além de permitir
compartilhar, centralizar e disseminar rapidamente as informações essenciais para um bom
funcionamento de uma biblioteca universitária.

4252

�Entre as possibilidades de redes sociais corporativas existentes, optou-se pela
ferramenta denominada Joincube 488 depois da análise dos recursos e de testes realizados com
uma parte dos funcionários da Biblioteca.
Dessa forma, a questão posta é em que medida a utilização de uma ferramenta de rede
social corporativa contribuiu para a melhoria da comunicação interna da Biblioteca
FEAUSP?
O trabalho se caracteriza como um relato de experiência da implantação e utilização
da rede social corporativa Joincube. O objetivo é identificar se houve melhora na troca de
informações e da comunicação entre os funcionários e apresentar as principais contribuições e
desafios encontrados com a adoção da ferramenta Joincube pela Biblioteca FEAUSP.
Embora a utilização das ferramentas de redes sociais seja abordada no contexto das
bibliotecas universitárias, percebe-se na literatura nacional uma carência de estudos focados
no uso dessas ferramentas para a melhoria da gestão de informações e comunicação interna.

2 Revisão de Literatura

2.1 Comunicação interna

Basicamente, a comunicação é o processo de troca de significados entre os indivíduos
por meio de um código comum e envolve dois polos, uma fonte e um destinatário, em um
processo que ocorre através de um meio denominado canal.
De acordo com Bordenave (1985, p. 36), a comunicação
serve para que as pessoas se relacionam entre si, transform ando-se
m utuam ente e a realidade que as rodeia. Pela com unicação as pessoas
com partilham experiências, ideais e sentim entos. Ao se relacionarem como
seres interdependentes, influenciam -se m utuam ente e, juntas, m odificam a
realidade onde estão inseridas.

Já a comunicação interna, segundo Curvello (2002, p. 22), é definida como “o
conjunto de ações que a organização coordena com o objetivo de ouvir, informar, mobilizar,
educar e manter coesão interna em torno de valores que precisam ser reconhecidos e
compartilhados por todos e que podem contribuir para a construção de boa imagem pública.”48

488 Disponível em: &lt;http://www.ioincube.com/nt&gt;.

4253

�Para Gregorio e Rothermel (2013), “a comunicação interna é voltada para os
empregados na tentativa de informar e integrar a equipe dos objetivos e interesses
organizacionais.”
Assim, o conceito de comunicação interna está associado às relações existentes entre
funcionários de uma empresa, organização ou instituição. Mas, sempre com o objetivo de
aperfeiçoar os fluxos informacionais e comunicacionais para propiciar um melhor
atendimento, produtos e serviços ao público externo.
“O público interno deve ser considerado o público prioritário de qualquer organização
porque, embora a organização não viva para o público interno, não permanece sem ele.”
(PINA, 2007, p. 24).
Kunsch489 (1997, p. 128 apud SILVA, p. 224-5) acrescenta que a comunicação interna
deve ser pensada como “uma ferramenta estratégica para compatibilizar os interesses dos
colaboradores e da empresa mediante o estimulo ao diálogo, à troca de informações e
experiências e à participação de todos os níveis.”
Nos dias atuais, as ferramentas de redes sociais (Facebook, Twitter, YouTube etc.)
ampliam as possibilidades comunicacionais. Segundo Li (2011, p. 18), por meio da tecnologia
digital há atualmente uma nova dimensão de compartilhamento, mais simples, expansível e
dinâmico.
Dessa forma, o significado de comunicação no contexto digital se mantém, porém as
variáveis que envolvem o processo se alteram: a realidade ou situação na internet torna-se
qualquer lugar em qualquer tempo; para os interlocutores que participam da transmissão da
mensagem há a possibilidade de interação através de três dispositivos comunicacionais (umum, um-todos e todos-todos); ampliam-se os signos empregados para transmitir as
mensagens: texto, som, imagem e vídeo, ao mesmo tempo ou isoladamente, e há novas
ferramentas de comunicação (redes sociais, chats, e-mail etc.).
O atual momento se caracteriza como “a Era das Conexões, em que o principal valor
está associado às pessoas e às empresas que possuem relacionamentos. As tecnologias de
comunicação facilitam estas interações pessoais e as mídias sociais têm papel de destaque
neste novo contexto.” (MERCIO, 2013, p. 71).

489 KUNSCH, M. M. K. Relações públicas e modernidade: novos paradigmas na comunicação organizacional.
São Paulo: Summus, 1997.

4254

�2.2 Rede Social Corporativa490

A popularização das ferramentas de redes sociais como Facebook, Twitter, Pinterest
etc. e sua rápida aceitação e adoção pelas pessoas de todos segmentos e classes sociais,
estimulou o surgimento de redes sociais aplicadas ao contexto corporativo.
As redes sociais corporativas são “[...] decorrentes do aprimoramento das tecnologias
colaborativas aplicadas tanto na evolução das intranets quanto dos portais corporativos,
associados à percepção de seu ganho cada vez mais tangível e relevante para as
organizações.” (SOUZA, 2012, p. 26).
Para Mercio (2013, p. 70) é preciso destacar que as redes sociais para o público
interno não são apenas um modismo, é uma maneira diferente de interação que surgiu não
apenas com o desenvolvimento das tecnologias, mas com a Geração Y (pessoas nascidas nas
décadas de 1980 e 1990). É a geração conectada, pois nasceu com o acesso facilitado aos
meios eletrônicos. A principal ansiedade dessa geração é a inovação proveniente do
conhecimento compartilhado.
Boyd e Ellison (2007) definem as ferramentas de redes sociais como sendo serviços
baseados na Web que permitem aos indivíduos construir um perfil público ou semi-público
dentro de um sistema, interagir com outros usuários com quem compartilham uma conexão, e
visualizar e percorrer a rede social de cada ator. Para Recuero (2005), uma ferramenta só se
caracteriza como uma rede social na Web quando há interação entre indivíduos ou grupos de
indivíduos (troca de informações, diálogos etc.), e não somente a ligação via software.
Assim, entende-se por rede social da Web as ferramentas que permitem um diálogo de
via múltipla, interação, colaboração e visualização das informações por todos da rede. Nesse
sentido, uma rede social corporativa possui as mesmas características de uma rede social da
Web, porém restrita a um grupo privado.
O que diferencia a rede social corporativa da pública, além da restrição de acesso, são
alguns recursos para o planejamento e a implantação de projetos e/ou tarefas que permitem
que as lideranças das bibliotecas reúnam e coordenem atividades de forma que todos os
participantes tenham acesso às informações e visualizem as contribuições de que cada
integrante ao grupo.

490 Na revisão da literatura foi possível verificar outras terminologias utilizadas e que se apresentam como
sinônimos de “rede social corporativa”, como por exemplo, “rede social interna”, “mídia social interna”, “rede
social privada” e outras.

4255

�De acordo com Radfahrer491 (2012 apud SOUZA, 2012, p. 28), as “redes sociais
privadas” são ferramentas produtivas e menos sujeitas a ruído do que a comunicação por e­
mail ou uma conversa no corredor. Além disso, são ambientes mais seguros do que as redes
sociais públicas para interações entre pessoas de uma mesma empresa.
As redes sociais corporativas permitem uma comunicação mais direta e informal, e a
possibilidade de visualização e da participação de todos os funcionários nos conteúdos
publicados.
A perspectiva de hierarquia acaba por m udar porque o colaborador que está
n a base da hierarquia organizacional passa a ter o m esm o alcance e potencial
para a troca de ideias que o presidente da em presa. A lém disso, o acesso aos
altos executivos da com panhia torna-se possível para todos os colaboradores
apenas com alguns cliques. O relacionam ento torna-se linear podendo ser
utilizado para efetivar um verdadeiro engajam ento dos colaboradores na
estratégia, propósitos e valores da em presa. (M ERCIO, 2013, p. 72).

É importante não perder de vista a razão da utilização de uma rede social corporativa,
além de melhorar a comunicação interna, deve promover um ambiente no qual a disseminação
de informações entre as pessoas contribua para o cumprimento das metas estratégicas, missão
e objetivos da biblioteca.
Há diversas opções de ferramentas de redes sociais corporativas disponíveis no
mercado. Para a escolha da ferramenta que seria utilizada na Biblioteca FEAUSP foi feito
uma

pesquisa

que

identificou

algumas

redes

sociais,

tais

como:

Zyncro

(http://www.zyncro.com/br/ - paga), SuaRede (http://suarede.com.br/ - paga), SocialBase
(http://www.socialbase.com.br/ - paga), Fluig (http://www.fluig.com/ - paga), Elgg
(http://elgg.org/about.php
gratuita),

Jam

- gratuita),

Linkazi

(http://www.linkazi.com/Pages/Oquee

(https://iam4.sapjam.com/site/sign up

-

gratuita)

e

-

Joincube

(http://www.ioincube.com/pt - paga) que foi a ferramenta escolhida.

2.2.1 Joincube

Durante o processo de escolha da rede social corporativa, foram descartadas as opções
pagas (na época o Joincube era gratuito), assim, somente foram testadas as ferramentas
gratuitas. Entre as opções existentes (Elgg, Linkazi, Jam e Joincube), a Joincube se destacou
por causa de seus recursos, aparência e facilidade de manuseio.

491 RADFAHRER, L. Enciclopédia da nuvem: 100 oportunidades e 550 ferramentas on-line para inspirar e
expandir seus negócios. Rio de Janeiro: Campus, Elsevier, 2012.

4256

�O

Joincube (figura 1) é uma rede social corporativa que possibilita que as pessoas de

uma organização se conectem, se comuniquem, acessem e troquem informações, colaborem
entre si e com a organização, planejem tarefas estimulando a produção de conhecimento e a
produtividade. (JOINCUBE, 2012).

Figura 1 - Tela inicial da rede social corporativa Joincube

Fonte: Joincube (2014)

As funcionalidades principis do Joincube são:
1.

Alerta de novas mensagens;

2.

Aplicativos iOS e Android - acesso via celular ao Joincube;

3.

Calendário - para anotações e avisos aos participantes do grupo sobre os principais

eventos, reuniões, informes etc. Pode ser sincronizado com a agenda do Google;
4.

Chat - bate papo online, por meio de conversas privadas;

5.

Compartilhamento de informações - compartilha documentos, vídeos, imagens, links,

apresentações e planilhas, apresenta ainda pastas compartilhadas para armazenar as
informações;
6.

Criação de grupos - criação de grupos de trabalho para projetos ou seções;

7.

Curtir - opção para curtir as mensagens;

8.

Ferramenta de busca - possibilita a pesquisa das informações publicadas;

9.

Ferramenta estatística - para levantamento de dados de uso, conteúdo e produtividade;

10.

Gamificação - distribui pontuação aos integrantes do grupo de acordo com a

participação, colaboração e contribuição à rede social;
11.

Gerenciador de tarefas - permite a criação e o acompanhamento de tarefas,

delimitando a função de cada integrante da equipe;

4257

�12.

Nuvem de tags - apresenta e reúne os termos mais citados;

13.

Videoconferência - comunicação por imagem e voz;

14.

@hashtags492 - são usados como indexadores, facilitando buscas futuras por usuários

ou temas.
Cada integrante do grupo da Biblioteca FEAUSP possui uma página pessoal com o
seu perfil. É possível criar vários grupos.
A ferramenta não permite a customização da tela, mas possibilita que seja
acrescentado o logo da biblioteca, bem como, fotos de seus participantes nos perfis pessoais
(figura 2)

Figura 2 - Tela inicial da rede social corporativa da Biblioteca FEAUSP

Biblioteca FE A U S P

iü Notícias
b

Tarefas

g

Eventos

- Editar grupo

F ilt r a r p o r

Tudo

No que você está trabalhando?

DE ^ EQ

i Û O v* â = 9
Ot

03 Projetos
Sustenta bilidade
■

C o le g a s

S eção de Atendiment. .

«

R o b e rto

- O ntem | 1 grupo

Boa noite O funcionário Jo rge do expediente pediu para avisar
que terá uma reunião no F E A -01 às 11 h s para tratar da Greve na U S P .

$

Ver a todos

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Giseii Adornato de Aguiar curtiu isso

lSr Grupos

Esses são os colegas com os que
você trabalha frequentemente. Só
deve arrastá-los até o novo post.

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P r ó x im o s p a s s o s

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Biblioteca FEAUSP

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T a gs
O miolo da chave está na minha sala. aguardando para ver se ele lo caliza a
chave. S e não ele pagará a multa de R$70.00
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R oberto’•

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8

SINCRONIZAR COM
GOOGLE

Sincronize sua conta de Google e
associe Google Drive a sua conta de
Joincube

Fonte: Joincube (2014)

O suporte técnico da equip do Joincube é rápido e eficiente, o atendimento é em
português e várias funcionalidades foram implantadas a partir de sugestões e problemas
detectados com o uso da ferramenta pelos funcionários da Biblioteca FEAUSP.

3 Materiais e Métodos
O trabalho consiste em um relato de experiência da implantação e utilização da rede
social corporativa Joincube pela Biblioteca da FEAUSP no período de fevereiro de 2014 a
maio de 2014.
492 —Hashtags são compostos pela palavra-chave do assunto antecedida pelo símbolo cerquilha (#).
As hashtags viram hiperlinks dentro da rede, indexáveis pelos mecanismos de busca.” (HASHTAG., 2014).

4258

�O Joincube foi escolhido por ser gratuito e por causa de seus recursos e características.
Os sujeitos envolvidos na análise são os funcionários da Biblioteca FEAUSP,
compostos por 22 participantes da rede social Joincube do total de 26 integrantes da equipe
(incluindo dois estagiários e um monitor).493
Os instrumentos e técnicas utilizadas para a coleta de dados foram: uma ferramenta
estatística disponibilizada pelo próprio Joincube, a aplicação da técnica de pesquisa
denominada observação participante, juntamente com reuniões em que se registravam as
impressões dos participantes da rede social corporativa da Biblioteca FEA.
Segundo Marconi e Lakatos (2008, p. 196), a técnica de pesquisa observação
participante “consiste na participação real do pesquisador com a comunidade ou grupo.” O
observador individual é parte da atividade objeto da pesquisa, ou seja, pertence à mesma
comunidade ou grupo que investiga.
Por meio da observação verificou-se o alcance do conteúdo publicado na rede social,
os tipos de informações e documentos postados, os comentários, as participações etc. Em
paralelo, foram realizadas reuniões periódicas com os funcionários da Seção de Atendimento
ao Usuário para colher impressões e opiniões sobre a ferramenta e identificar as melhorias
possíveis, as dificuldades, os desafios e as vantagens sentidas com o uso do Joincube.
Para atingir os objetivos propostos, adotou-se o método quantitativo (ferramenta
estatística) e qualitativo (observação participante e relatos de experiência dos funcionários).

4 Resultados Parciais

Os dados apresentados se baseiam na ferramenta estatística do Joincube, das
observações realizadas e dos relatos dos funcionários que utilizaram a ferramenta.
O Joincube foi testado, inicialmente, em novembro de 2013, pela equipe da Seção de
Atendimento ao Usuário da Biblioteca da FEAUSP, depois de verificado o potencial da
ferramenta, a partir de janeiro e fevereiro de 2014, os funcionários das outras Seções também
foram cadastrados.
Não foi necessário um treinamento para a utilização do Joincube, somente explicações
básicas, pois os funcionários não tiveram dificuldades no cadastro, preenchimento do perfil e
utilização da ferramenta, credita-se isso a sua interface amigável, intuitiva e parecida com o
Facebook - uma das redes sociais mais populares atualmente.
493 Não participam da rede social corporativa um estagiário, um monitor e dois funcionários que não possuem
familiaridade com as tecnologias em geral.

4259

�As atividades mais realizadas no período de três meses de avaliação foram detectadas
pela ferramenta estatística do Joincube e podem ser verificadas no gráfico 1.

Gráfico 1 - Atividades realizadas pela equipe da Biblioteca FEAUSP
■

Chat

■

Mensagem

■

Comentário

■ Imagem
■

Documento

Fonte: Joincube (2014)

Pela distância física entr os funcionários, o chat se tornou um recurso essencial para a
comunicação rápida, avisos e para manter a aproximação e o relacionamento entre os
funcionários.
Sobre o conteúdo das mensagens, predominaram os recados, principalmente, com
relação à reforma e manutenção do prédio, que ainda se encontra em fase de finalização
(figura 4), e demanda a divulgação de informações constantemente.
Figura 3 - Exemplo de mensagem sobre a reforma e manutenção do prédio da Biblioteca
FEAUSP
A c s s a to - Faz 2 semanas | 1 grupo

Ac

Bom dia,
m anutenção cham ados abertos
1 - verificação do barulho no quadro de iluminação no piso térreo ao lado do
elevador;
2 - registro do banheiro masculino fechado devido ao vazam ento de uma
torneira
Não curtir Comentário
Giseli Adornato de Agui3r, Valéria —

&amp; 2 outras p esso a s curtiram isso

idi

Fonte: Joincube (2014)

4260

�As informações internas sore a reforma da Biblioteca era um problema grave que foi
amenizado com a rede social corporativa. Antes da ferramenta, era difícil que todos tivessem
conhecimento de serviços de manutenção essenciais para o funcionamento da Biblioteca FEA.
Figura 4 - Sugestão de novos procedimentos para um serviço da Biblioteca FEAUSP
V a lé ria

- Fa z 2 m eses | 1 grupo

Acho que precisamos rever o procedimento de reserva na
BibLab Pela segunda vez faço reserva porque esta livre na agenda, mas a sala
já está ocupada
Não curtir Comentário
Sheyla . -zzr^:, Roberto h

&amp; 4 outras pessoas curtiram isso

Mostrar 1 comentários anteriores
Aríete
: Concordo com elas. o agendamento está muito
confuso, este negócio de ter chave no balcão e no andar superior está
gerando problemas no controle das reservas.
Faz 2 meses - Curtir 4 2

Giseli Adornato de Aguiar E importante sempre verificar a agenda antes
de entregar a chave, pois os alunos erram o número da sala e já percebí
que alguns funcionários estão entregando a chave sem verificar a
reserva. Se algum grupo passa do horário, é necessário retirá-los. o
grupo que vem depois não pode ser prejudicado. É necessário avisar
algum funcionário do piso superior, para ir até a sala e informar que o
tempo da reserva finalizou. Com relação a agenda, sempre precisa
atualizar a página da agenda antes de marcar novas reservas, sem
essa atualização não aparecerá as novas reservas feitas por outros
funcionários, daí a coincidência de horários. Não centralizamos tudo no
balcão do térreo, pois há momentos como ontem que vieram 16 grupos
de uma vez e fica inviável para a pessoa do balcão conseguir atender a
todos, por sua vez, não é possível centralizar nas salas do atendimento,
pois nem sempre há pessoas da equipe todo o tempo nas salas,
precisamos ter paciência, com o balcão no piso superior tudo ficará
mais fácil.
Faz 2 meses - Curtir

Roberto h ....... . _ Concentrar no balcão de atendimento irá
sobrecarregar quem estiver lá.
Faz 2 meses - Curtir 4 2

cionar um comentari

Fonte: Joincube (2014)

Foram poucos os conteúdos ublicados que propiciaram a colaboração, a participação e
a troca de opiniões e informações, a função que predominou foi a de uso da ferramenta como
mural de recados. Porém, os poucos casos em que houve temas relacionados aos produtos e
serviços da Biblioteca, a interação, a colaboração e a participação aconteceram como no
exemplo da figura 4.
Além da pouca participação dos funcionários com a criação de tópicos com conteúdos
relacionados a produtos e serviços da Biblioteca, um desafio atual é a diminuição do uso do
Joincube como é possível verificar nos gráficos 2 e 3.

4261

�Gráfico 2 - Índice de produtividade (período de 3 meses)

Gráfico 3 - Histórico de uilização (período de 3 meses)

Fonte: Joincube (2014)

A diminuição do uso do Joicube (gráficos 2 e 3) aconteceu a partir do momento do
cadastro de toda a equipe da Biblioteca na ferramenta. Em razão de problemas de
relacionamentos pessoais, funcionários antes participativos se inibiram diante do acréscimo
dos novos colegas e passaram a publicar menos conteúdos. Além disso, um incidente
relacionado à interpretação de uma mensagem publicada no Joincube criou atrito entre as
Seções da Biblioteca, desestimulando o uso da ferramenta.
Outro desafio detectado é cultural. Foi possível verificar, por meio da estatística de
postagem do Joincube, maior envolvimento e participação dos funcionários da Geração Y.
Dessa forma, é necessário criar uma cultura de uso, os funcionários de todas as gerações
precisam acessar a ferramenta com frequência e mantê-la online durante o expediente, para
que faça parte de sua rotina o novo canal de comunicação.

4262

�Por sua vez, contribuições foram detectadas e se aplicam aos seguintes itens: a
ferramenta proporcionou uma maior visibilidade aos colaboradores mais ativos; estimulou os
menos participativos a se comprometerem mais com os projetos e atividades; ofereceu um
canal de comunicação informal e menos rígido o que possibilitou uma forma mais
descontraída de expressão e isso estimulou a participação dos funcionários (figura 5); a
vantagem de prover um único ponto de contato para todas as fontes de informação; acesso as
informações com menos distorções e maior alcance entre os funcionários.
Figura 5 - Exemplo de mensagem com felicitações para os aniversariantes do mês

Não curtir Comentário
Janaina :

t . Sheyla

b

&amp; 6 outras pesso as curtiram isso

Adicionar um comentário...

Fonte: Joincube (2014).

Como resultado da análisefeita até o momento, pode-se dizer que a rede social
corporativa da Biblioteca FEAUSP apresenta pontos positivos e algumas questões que
precisam ser revistas e repensadas, para um melhor aproveitamento da ferramenta.
Devido a pouca literatura na área sobre o tema, recomenda-se a realização de novos
estudos e pesquisas teóricas e aplicadas.

5 Considerações Parciais

O Joincube atendeu as expectativas da equipe, por isso é uma ferramenta indicada para
utilização em bibliotecas e outras instituições.

4263

�As dificuldades detectadas no relato de experiência deste trabalho são relacionadas aos
desafios culturais e de relacionamento entre as pessoas da equipe. As ferramentas são novas,
mas os problemas continuam os mesmos.
O compartilhamento de arquivos e a divulgação de informações e recados são
importantes e válida a adoção da ferramenta pela Biblioteca, pois de fato trouxe um
diferencial positivo para a comunicação interna. Porém, uma rede social corporativa apresenta
mais possibilidades, elas não se caracterizam apenas como espaços de divulgação e de
comunicação, e sim como espaços de participação, colaboração e interação, em que seus
usuários discutem ideias, produzem conteúdos e trocam conhecimentos coletivamente. No
contexto corporativo, ela pode ser útil também para a gestão do conhecimento.
Sobre os desafios culturais, é necessário convencer internamente o valor desse projeto
(os funcionários de todas as gerações). Acrescenta-se a isso, a antiga cultura organizacional da
instituição. A possibilidade de um funcionário ser ouvido e apresentar suas opiniões quando
não teve um ambiente propicio para isso até então, demanda tempo e paciência, não se pode
exigir uma mudança de postura de uma hora para outra. Em paralelo, é preciso desenvolver
uma cultura em que todos os colaboradores se considerem parte do mecanismo de obtenção e
difusão de informações na instituição.
É importante, também, a mudança de postura de alguns integrantes da equipe. É
necessária a colaboração de todos em iniciativas que procurem melhorar a comunicação
interna da Biblioteca. Agir de forma pessimista às mudanças e considerar a falta de empatia
nas relações de trabalho não é uma postura profissional e pode atrapalhar quem está disposto
a colaborar e a inovar por meio da rede social corporativa. É obrigação das gerências e de
toda equipe buscar ferramentas que contribuam para os processos, produtos e serviços da
biblioteca.
Apesar dos desafios, foi valida a adoção da rede social corporativa, se a tecnologia não
pode solucionar todos os problemas envolvidos na questão, pode pelo menos, ser o meio que
estimule o início das mudanças.
Mesmo diante dessas reflexões, constata-se que a rede social corporativa Joincube
contribuiu para a melhoria da comunicação interna e do acesso às informações pelos
funcionários da Biblioteca FEAUSP.

6 Referências
BORDENAVE, J. E. D. O que é comunicação. 6. ed. São Paulo: Brasiliense, 1985.
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4264

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de Curso (Bacharel em Comunicação Social) - Escola de Comunicações e Artes,
Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012.

4265

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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>O objetivo do trabalho é verificar se a utilização da ferramenta de rede social corporativa Joincube contribuiu para a melhoria da comunicação interna entre os funcionários da Biblioteca FEAUSP. A pesquisa se caracteriza como um relato de experiência da implantação e análise da utilização do Joincube, por meio de uma abordagem quantitativa e qualitativa. Como resultado, pode-se dizer que a ferramenta Joincube atendeu as expectativas da equipe. Os problemas detectados são culturais e de relacionamento entre as pessoas. Também, verifica-se que a ferramenta possibilitou a divulgação de informações e recados de forma mais rápida, centralizada e eficiente, mas houve pouca colaboração e interação. Apesar disso, acredita-se que a rede social corporativa contribuiu para a melhoria da comunicação e do acesso às informações pelos funcionários da Biblioteca FEAUSP.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ESTILOS DE APRENDIZAGEM DOS BIBLIOTECÁRIOS CONCURSEIROS:
ESTUDO COM OS INSCRITOS NA PLATAFORMA BIBLIOTECONOMIA PARA
CONCURSOS
Gustavo Henn
Geysa Flávia Câmara de Lima
RESUMO
Este artigo apresenta a pesquisa realizada com Bibliotecários inscritos no curso
Biblioteconomia para Concursos modalidade à Distância, com o objetivo de conhecer os
estilos que predominam na aprendizagem de ambos os participantes. A teoria dos Estilos de
Aprendizagem adotada (Honey e Mumford,1989; Alonso, 1994; Portilho, 1993, 2009), indica
quatro estilos: ativo, reflexivo, teórico e pragmático. Como instrumento de coleta de dados
utilizou-se o questionário CHAEA - (Cuestionario Honey-Alonso de Estilos de Aprendizaje)
enviado a 1674 alunos, tendo 205 respondidos. Enquanto perfil 60% possuem pós-graduação
e 40% são alunos de graduação ou graduados em Biblioteconomia. O Estilo de Aprendizagem
predominante foi o reflexivo, com 32%. Depois o estilo ativo, 26% e o estilo teórico 24%. Por
fim, o estilo pragmático, com 18%. Acredita-se que a identificação do estilo predominante de
aprendizagem auxilia autores e conteudistas de cursos EAD na área de Biblioteconomia, a
desenvolverem seus objetos de aprendizagem levando em conta os estilos de aprendizagem
dos alunos.
Palavras-Chave: Estilos de Aprendizagem; Biblioteconomia - Concursos; Biblioteconomia EAD; Aprendizagem.

ABSTRACT
This article presents a survey of librarians enrolled in the course for Library Contests Distance
mode, aiming to meet the learning styles that predominate in both participants. The theory
adopted Learning Styles (Honey and Mumford, 1989; Alonso, 1994; Portillo, 1993, 2009),
indicates four styles: active, reflective, theoretical and pragmatic. As an instrument of data
collection used the questionnaire CHAEA - (Cuestionario Honey-Alonso Styles Aprendizaje)
sent to 1674 students, with 205 responded. Profile while 60% have graduate and 40% are
undergraduates or graduates in librarianship. The Learning Style was predominantly
reflective, with 32%. After the active style, 26% and 24% theoretical style. Finally, the
pragmatic style with 18%. It is believed that the identification of the predominant learning
style helps authors and content-distance education courses in the field of librarianship, to
develop their learning objects taking into account the learning styles of students.
Keywords: Learning styles; Librarianship - Contest; Librarianship - Elearning; Learning.

4240

�1 Introdução

O estudo dos processos que envolvem as práticas de ensino e aprendizagem tem sido
objeto de preocupação de pesquisadores e teóricos há várias décadas, tanto na busca de
alternativas facilitadoras para o desencadear do próprio processo de aprendizagem, quanto
para o desvendar dos mecanismos e das práticas educativas que produzem o sucesso ou o
fracasso da aprendizagem.
Sabemos que as pessoas diferem umas das outras em vários aspectos, uns mais visíveis
e outros nem tanto, como é o caso da aprendizagem. Cada um de nós é um ser único. Por isso,
não podemos compreender como as pessoas aprendem somente baseando-nos em teorias de
educação, a maioria delas, tratando a aprendizagem como um processo vivenciado por todos
da mesma maneira.
Elas procuram o que todos temos em comum quando aprendemos. Não se trata de
negar as valiosas contribuições destas teorias para uma compreensão mais geral dos processos
de aprendizagem, mas queremos ir além, procuramos entender no que diferimos uns dos
outros quando aprendemos, para assim poder desenvolver objetos e metodologias de
aprendizagem mais adequadas a fim de otimizar o aprendizado para cada indivíduo.
A consciência da existência dos vários tipos de estilos de aprendizagem permite gerar
estratégias para o desenvolvimento da aprendizagem organizacional. Saber o que faz com que
o indivíduo aprenda com maior facilidade, proporciona a possibilidade de capacitações
específicas e centradas no indivíduo. A formação de grupos homogêneos facilita o
desenvolvimento de programas de capacitação. A heterogeneidade possibilita que haja uma
diversidade salutar ao desenvolvimento organizacional, como em uma reunião de
planejamento, quanto mais formas diferentes de pensar, melhor será desenvolvido, pois mais
situações serão abordadas.
Diante deste cenário, este artigo busca mapear os estilos de aprendizagem dos
Bibliotecários que estão inscritos na plataforma Biblioteconomia Para Concursos
(http://biblioteconomiaparaconcursos.net), tendo em vista o aumento de vagas em concursos
públicos no mercado brasileiro para Bibliotecários.

2 Revisão de Literatura

Os seres humanos têm diferentes estilos de aprendizagem, ou seja, características e
preferências quanto à forma de se apropriar das informações, processá-las e construir novos

4241

�conhecimentos. A competência em uma determinada atividade depende, muitas vezes, da
habilidade em dosar esses diferentes estilos. Por exemplo, há profissionais que são inovadores
e absorvem a realidade de uma forma quase aleatória. Outros tendem a ser metódicos,
observadores e reflexivos. No entanto, desenvolver o equilíbrio entre estilos antagônicos de
aprendizagem é uma forma de proporcionar maiores chances de adaptação às situações do dia
a dia ou às exigências do trabalho.
Existem diversas formas de aprender. Cada indivíduo possui seu estilo próprio de
aprender algo novo. A variedade desses estilos exige diversidade de métodos e de
instrumentos para identificá-los. Dessa forma, são vários os testes para identificar o estilo de
aprendizagem de uma pessoa. A principal utilidade desses testes é auxiliar o estudante e o
professor no desenvolvimento de estratégias voltadas para o correto estilo de aprendizagem.
Embora o aprendizado também ocorra sem que cada estilo de aprendizagem seja atendido,
pesquisas revelam que a qualidade do aprendizado é potencializada quando o ambiente, os
métodos e os recursos utilizados estão alinhados com o estilo de aprendizagem de cada
indivíduo (ADU-FEBIRI, 2002). Os estilos de aprendizagem servem como indicadores
relativamente estáveis de como os alunos percebem, interagem e respondem a seus ambientes
de aprendizagem (AMARAL; BARROS, 2014).
Os estilos de aprendizagem se definem como preferências pessoais características na
forma de um indivíduo processar informação, sentimentos e comportamentos em situações de
aprendizagem (FELDER, 2002; AMARAL e BARROS, 2014). Diversos modelos foram
elaborados para estudos de estilos de aprendizagem, começando a ganhar força na década de
1970, com os trabalhos de Rita e Keneth Dunn, em 1977.
Nas décadas seguintes, os estudos sobre estilos de aprendizagem se consolidaram com os
trabalhos de David Kolb, em 1981; Bert Juch, em 1987; Honey e Munford, em 1988; Felder e
Silverman em 1988, e mais recentemente, Butler em 2003 (KURI, 2004; LINDEMANN,
2008). Os modelos de estilos de aprendizagem classificam os estudantes quanto a sua inserção
nas escalas relativas à maneira pelas quais eles preferem perceber e processar as novas
informações e experiências (KURI, 2004).
Os estilos de aprender não implicam níveis de habilidades, capacidade ou inteligência.
Não existem estilos bons ou maus (SANTOS; AMADI ; OLIVEIRA, 2005).
Alguns estudos mostram que os estilos de aprendizagem não são construtos estáveis,
definidos e permanentes. Nesse sentido, Cardoso (2007) aponta que eles podem ser alterados
conforme o ambiente, a experiência de vida e as características das atividades exercidas. A
preferência por um estilo é apresentada pelo aluno no momento de aprendizagem em que está

4242

�situado, sem a intenção de se apresentar como uma previsão infalível do seu comportamento,
já que os estilos não indicam as suas capacidades de aprendizado. (SILVA; WECHSLER,
2010).
Ainda que a bibliografia existente seja muito ampla e não se tenha um verdadeiro
consenso entre os pesquisadores, é possível agrupar os marcos teóricos sobre os estilos de
aprendizagem em duas grandes categorias: os que aproximam estilos de aprendizagem e
estilos cognitivos do indivíduo e os fundamentam em aspectos psicológicos; e os que
percebem estilos de aprendizagem ligados ao processo de aprendizagem, e sustentam suas
teorias em aspectos da pedagogia (PUPO; TORRES, 2009).
Conceitualiza-se a expressão “estilos de aprendizagem” como a forma específica na
qual o resultado do desenvolvimento da personalidade se manifesta na combinação de
componentes afetivos, cognitivos e metacognitivos durante o processo de interiorização da
experiência histórico-social; aquele que tem um caráter consciente e relativamente estável
para aprender a sentir, pensar e agir (AGUILERA, 2007).
Para a caracterização dos perfis de estilos de aprendizagem, Aguilera (2007) utilizou 3
dimensões:
Dimensão cognitiva: explica a partir de qualidades, particularidades e funções dos
processos psíquicos, as preferências dos estudantes para utilizar determinadas estratégias de
aprendizagem e constitui a base para o desenvolvimento de hábitos, habilidades e
capacidades;
Dimensão afetiva: expressa as relações que o estudante estabelece no processo de
aprendizagem, de acordo com suas necessidades e expercativas futuras. Nela está a
motivação, a força emocional e o seu papel orientador no funcionamento da personalidade;
Dimensão metacognitiva: permite compreender como o estudante mede e regula seu processo
de aprendizagem através de estratégias que garantam sua expressão consciente. Nela se
encontra principalmente o nível de desenvolvimento que alcança a autovalorização.
Conforme Alonso, Gallego e Honey (2002) os estilos de aprendizagem fazem
referência às preferências e tendências altamente individualizadas de cada pessoa. As
especificações dos estilos proposta pelos autores são mais refinadas e foi pensado no contexto
educacional (MARTINS, 2009).
Ainda segundo Alonso, Gallego e Honey (2002), os estilos de aprendizagem podem
ser:
O Estilo Ativo corresponde a sujeitos que adoram estar atualizados, já que são
ansiosos por informações atuais, são falantes e não suportam ficar parados muito tempo

4243

�ouvindo comentários por horas sem interagir. Gostam de discussões em grupo e inovações na
realização de atividades, conseguem resolver com facilidade problemas e sabem lidar com
competições em grupos, tem criatividade nas representações de papéis, palestram e dialogam
com muita habilidade.
O Estilo Reflexivo predomina nos sujeitos que preferem detalhar dados estudados
reunindo informações, pois costumam ser ponderados nas observações e suas conclusões são
refletidas antes da ação. Por serem prudentes eles têm ritmos próprios e peculiares e por isso
compartilham opiniões com outros, visando sempre investigar as informações antes de
concluir algo.
O Estilo Teórico predomina nos sujeitos que são mais questionadores e estão sempre
curiosos em saber a explicação de tudo. Os teóricos gostam de comprovar algo a partir de
métodos e estudos mais complexos; por serem metódicos gostam de clareza em seus
objetivos.
O Estilo Pragmático predomina nos sujeitos que conseguem descobrir técnicas para
sua aprendizagem diária, pois são curiosos em descobrir técnicas novas e experimentá-las
para confirmar se são eficientes e tem validade. Por serem diretos e objetivos em suas ações
preferem se concentrar em questões práticas e que sejam validadas.
Para quem se prepara para concursos, estudar com qualidade é fundamental, posto que
o tempo é um adversário a ser enfrentado em duas frentes: pouco tempo disponível para
estudos, por conta de ocupação com trabalho, família, por um lado, e curto intervalo de tempo
para estudos para uma prova específica, que ocorrem, em geral, 2 meses depois de publicado
o edital do concurso (DOUGLAS, 2005).
Dessa forma, os candidatos a cargos públicos, podem ganhar qualidade e velocidade
na aquisição de conhecimentos caso conheçam os seus estilos de aprendizagem. Quanto mais
o indivíduo tiver uma variedade de formas de assimilação de conteúdos, melhor ele vai
conseguir aprender e construir conhecimentos, preparando-se para as exigências do mundo
atual (AMARAL; BARROS, 2014). O correto entendimento do estilo de aprendizado, pode
proporcionar ao estudante um aprendizado exponencial (SILVA, 2008).
Outro fator de aprendizado que pode ser determinante para uma aprovação é a história
individual do candidato. Castelar et al (2009) encontraram que a
[...] alta renda familiar, escolaridade acima do ensino médio, ser oriundo de
região metropolitana, ter cursado o ensino médio em escola privada e ser
jovem, são fatores que contribuem para aumentar a chance de passar no
concurso.

4244

�Quem faz parte deste grupo tem, segundo os autores, 41 (quarenta e uma) vezes mais
chances de ser aprovado.

3 Materiais e Métodos

Esta pesquisa é descritiva, porque somente mostra a questão dos estilos de
aprendizagem e os elementos que permeiam esse processo a partir das tecnologias.
Para a realização desta pesquisa o instrumento selecionado foi o Questionário de
Estilos de Aprendizagem - CHAE, de Cué, Rincon e Garcia (2009).
O questionário CHAEA, permite identificar e graduar os estilos de aprendizagem,
evidenciando o estilo predominante em cada estudante. Existem quatro estilos de
aprendizagem que podem ser identificados por meio do questionário CHAEA, são eles: Ativo,
Reflexivo Teórico e Pragmático (ALONSO; GALLEGO, 2002). O estilo Ativo é animador,
improvisador, descobridor, espontâneo, temerário; o Teórico, metódico, lógico, objetivo,
crítico, estruturado; o Reflexivo, ponderado, consciente, receptivo, analítico, exaustivo, e o
Pragmático, experimentador, prático, direto, eficaz, realista (BARROS et al, 2010).
O CHAEA foi escolhido por ser o mais bem acabado, ao nosso ver, como se fosse uma
consolidação de vários outros testes anteriores, uma vez que Honey e Mumford estudaram os
estilos de aprendizagem de Kolb, e Catalina Alonso desenvolveu os estudos de Honey e
Munford, adaptando-as ao campo educativo (MARTINS, 2009).
O CHAEA é um questionário extenso, de 80 questões. Existe uma versão menor,
chamada de CHAEA32 (HERNANDEZ; ALONSO, 2013), porém por ser muito recente e
ainda não dispor de bibliografia extensa, preferimos utiliar o CHAEA tradicional baseado em
Cué, Rincon e Garcia (2009). Esperamos em alguns anos poder aplicar o CHAEA32.
A pesquisa foi realizada com uma população caracterizada por: graduados e pósgraduados em Biblioteconomia.
Desenvolvemos o questionário no Google Docs e enviamos por email a todos os
cadastrados na plataforma Biblioteconomia Para Concursos. Foram enviados 1674
questionários e tivemos 205 respondentes com questionários válidos. Nossa coleta
compreendeu o período de 20/10/2013 a 20/11/2013.

4 Resultados Parciais/Finais
Analisando os dados demograficamente, tivemos 88% dos respondentes do sexo
feminino e apenas 12% do sexo masculino. 53% dos respondentes tem entre 26 e 35 anos.

4245

�40% dos respondentes moram na região Sudeste, 19% em São Paulo. 60% dos respondentes
possuem pós-graduação, especialização, mestrado ou doutorado. Apenas 15% dos
respondentes considera seu conhecimento de lingua inglesa bom ou ótimo, enquanto que 53%
o consideram ruim ou muito ruim. 73% consideram seus conhecimentos de Internet como
Bom ou Ótimo. 76% dos respondentes estão atuando no mercado de trabalho na área de
Biblioteconomia.
Sobre os dados acima, pode-se dizer que mostram que apesar de ter aumentado o
número de homens, a Biblioteconomia ainda é uma profissão dominada por mulheres. Porém,
mais importante que isso, evidencia-se algo que várias pesquisas apontam, que as mulheres
gostam mais de estudar do que os homens.
A faixa etária entre 26 e 35 anos é a faixa etária normal de quem quer se estabelecer
profissionalmente, e também a faixa em que as pessoas estão se formando (54% dos
entrevistas concluiu o curso há menos de 5 anos).
A Região Sudeste é que tem mais espaços de atuação para os bibliotecários, por isso
também consideramos como esperado o número de respondentes atuando nessa região.
O que surpreendeu foi ter 60% dos respondentes com pós-graduação. Isso, a nosso ver,
corrobora que o tempo de estudo aumentou, mas os empregos no setor privado não valorizam
isso, de modo que o concurso público acaba se tornando bastante atraente para os pósgraduados. Isso só poderia ser confirmado com mais pesquisas. Pode-se considerar haver
facilidade e incentivo para a educação continuada, já que boa parte das universidades federais
e estaduais que ofertam o curso de graduação em Biblioteconomia também oferecem cursos
de pós-graduação. Outrossim, o aprendizado contínuo faz com que as pessoas busquem
sempre estudar, logo fazem vários cursos.
Por outro lado, é preciso dizer que, as pós-graduações não preparam para concurso.
Afinal de contas, esse não é o objetivo delas. Assim, quanto mais cedo se decidir estudar para
concursos, ou não, é melhor.
Apenas 15% deram notas 4 ou 5 para o seu domínio do inglês. Ao passo que 73%
consideram seus conhecimentos de Internet bom ou ótimo. Para o desenvolvimento do
aprendizado em cursos baseados em tecnologia e para o aprendizado contínuo em geral, onde
as principais fontes estão em inglês, é fundamental ter um bom nível de inglês e um bom nível
de uso de Internet. Do contrário perde-se muito conteúdo ou por não ser capaz de entender ou
por não ser capaz de encontrar. E isso pode resultar num abismo entre os competentes (aqui,
entendidos como os que são capazes de fazer buscas e ler conteúdos em inglês) e os não
competentes.

4246

�No curso, procuramos sempre referenciar fontes interessantes e temos materiais em
português de Portugal e em espanhol. Porém, já houve casos de encontrarmos uma resposta
para uma dúvida apenas em um documento em inglês. Por sorte, a aluna interessada dominava
o idioma. Mas vários outros alunos tiveram acesso apenas à nossa tradução de parte do texto.
O estilo predominante foi o estilo reflexivo, com 32%. Depois o estilo ativo, 26% e o
estilo teórico, 24%. Por fim, o estilo pragmático, com 18%.
O resultado de predominância do estilo reflexivo consideramos normal, pois vários
que lemos, com estudantes universitários, apontavam para esse estilo. Mas ficamos felizes,
pois, este também parece ser um estilo de aprendizagem que aproveita bem um curso online
(FREITAS; CARVALHO, 2013), com vários recursos, vários objetos de aprendizagem, onde
é fundamental a reflexão antes do uso. Então estudar primeiro para depois usar o
conhecimento. Em outras palavras, estudar por vários objetos de aprendizagem para só então
ir praticar, ou seja, resolver questões e provas.
Os que tem forte influência do estilo ativo tendem a ir primeiramente resolver as
questões e as provas, sem ter estudado tanto. Isso prejudica o aprendizado, pois quando se
acerta se acredita que sabe o assunto, não estuda mais; se erra, não é capaz de identificar onde
errou, pois não estudou.
Este é o geral. Porém, quando começamos a fazer uma análise a partir de dados
demográficos, encontramos alguns pontos. Quando analisamos apenas os pós-graduados, que
constituiram um total de 110 respostas válidas das 176, encontramos uma variação para baixo
do estilo pragmático (caiu de 18 para 15%) e um aumento no estilo ativo, também de 3 pontos
percentuais (de 26 para 29%). Quando fechamos apenas nos profissionais que atuam na área,
cai ainda mais o estilo pragmático (de 18 para 13%) enquanto o estilo ativo sobe de 26 para
30%. É curioso esse aumento somente no estilo ativo, pelos “perigos” desse estilo apontados
acima. Os estilos reflexivo e teórico não sofrem mudança no percentual total quando
separamos os grupos por formação acadêmica e entre os que atuam na área de
biblioteconomia. No entanto, quando confrontamos apenas os dados de quem está atuando na
área e é pós graduado, tivemos um aumento do estilo reflexivo para 36% das pessoas (4
pontos acima da média) e um aumento do estilo teórico para 30%.

5 Considerações Parciais/Finais

A pesquisa mostrou que os Bibliotecários que se preparam para concursos tem, em sua
maioria, pós-graduação. Esses anos de estudos, embora a pesquisa não possa comprovar,

4247

�tendem a fortalecer o Estilo Reflexivo, que foi o mais indicado. O Estilo Reflexivo favorece
bastante o aprendizado para concursos, e, talvez, o próprio formato do curso tenha ajudado a
chegar nesse resultado. O que poderia ser comprovado se a pesquisa tivesse sido respondida
apenas por quem já fez o curso Biblioteconomia Para Concursos.
O estilo pragmático foi o menos apontado, o que pode ser uma surpresa em
comparação com a profissão de bibliotecário, que é vista por muitos como uma profissão
pragmática. Estudos futuros sobre estilos de aprendizagem com bibliotecários em outras
abordagens podem ajudar a entender melhor isso.
Julgamos que esta pesquisa cumpriu seu objetivo ao identificar os estilos de
aprendizagem dos bibliotecários que estudam para concursos. Mais estudos são necessários
para um melhor aproveitamento desta bem como de outras pesquisas. Também sugerimos o
uso de outros métodos de estilos de aprendizagem, para poder ampliar esse espectro da
aprendizagem do bibliotecário.
Esperamos que esta pesquisa auxilie os autores e conteudistas de cursos EAD na área
de biblioteconomia, para que possam desenvolver seus objetos de aprendizagem levando em
conta os estilos de aprendizagem dos bibliotecários. Se esta pesquisa servir para isso, terá
servido para além do que se propôs.

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4250

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>2014</text>
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                <text>Este artigo apresenta a pesquisa realizada com Bibliotecários inscritos no curso Biblioteconomia para Concursos modalidade à Distância, com o objetivo de conhecer os estilos que predominam na aprendizagem de ambos os participantes. A teoria dos Estilos de Aprendizagem adotada (Honey e Mumford,1989, Alonso, 1994, Portilho, 1993, 2009), indica quatro estilos: ativo, reflexivo, teórico e pragmático. Como instrumento de coleta de dados utilizou-se o questionário CHAEA - (Cuestionario Honey-Alonso de Estilos de Aprendizaje) enviado a 1674 alunos, tendo 205 respondidos. Enquanto perfil 60% possuem pós-graduação e 40% são alunos de graduação ou graduados em Biblioteconomia. O Estilo de Aprendizagem predominante foi o reflexivo, com 32%. Depois o estilo ativo, 26% e o estilo teórico 24%. Por fim, o estilo pragmático, com 18%. Acredita-se que a identificação do estilo predominante de aprendizagem auxilia autores e conteudistas de cursos EAD na área de Biblioteconomia, a desenvolverem seus objetos de aprendizagem levando em conta os estilos de aprendizagem dos alunos.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

DISPOSITIVOS MÓVEIS NO CONTEXTO EDUCACIONAL
Teresa Avalos Pereira

RESUMO
As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) estão em todas as áreas do
conhecimento e, através da internet, conectam bancos, empresas, editoras, centros de
informação, bibliotecas, instituições de ensino etc. O objetivo deste trabalho é investigar
como os dispositivos móveis podem ser utilizados por professores de ensino superior em sala
de aula. Trata também da adaptação da biblioteca a um modelo que incorpore as novas
Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) no seu cotidiano, para melhor
atender alunos da Universidade. Sinaliza para a necessidade de uma reflexão sobre essa nova
escola, os papéis dos estudantes, docentes e bibliotecários, sobretudo, o que os gestores das
bibliotecas estão fazendo para que haja inclusão digital e informacional, frente a essa nova
realidade. Conclui-se que a incorporação das tecnologias no contexto pedagógico e nas
bibliotecas ainda é um desafio para todos os envolvidos.
Palavras-Chave: Tecnologia Educacional. Aplicativos Móveis. Informação. Ensino Superior.
Docentes.
ABSTRACT
The Information and Communication Technologies (ICT) are in all areas of knowledge, and
through the internet, connect banks, corporations, publishers, information centers, libraries,
educational institutions etc. The objective of this work is to investigate how mobile devices
can be used by higher education teachers in the classroom. Also deals with the adaptation of
the library to a model that incorporates the new Digital Information and Communication
Technologies (TDIC) in their daily lives, to better serve students of the University. Signals the
need for further reflection on this new school, the roles of students, teachers and librarians
especially, what the library managers are doing to be informational and digital inclusion,
facing the reality presented. It is concluded that the incorporation of technology in the
teaching context and libraries is still a challenge for everyone involved.
Keywords: Educational Technology. Mobile Applications. Information. Higher Education.
Teachers.

1 Introdução
A descoberta da internet e seus avanços interferiram exponencialmente na educação
atual e, com a utilização das tecnologias móveis, essas mudanças estão impactando
principalmente o Ensino Superior. Os sistemas de informação e as redes de computadores

4229

�estão desempenhando um papel primordial na criação desse ambiente cooperativo e, é através
dessas ferramentas que se dará a comunicação.
De acordo com Lévy (2004), novas maneiras de pensar e conviver são elaboradas no
mundo das telecomunicações e da informática. O que pode agregar maior peso a essas
tecnologias é a interação e a colaboração de cada uma delas. Em outras palavras, o trabalho
colaborativo e a gestão do conhecimento também envolvem aspectos humanos, culturais e de
gestão. Conectados à rede, as distâncias diminuíram, a informação pode ser acessada de
qualquer lugar do mundo e em qualquer hora.
As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) envolvem muito mais que
computadores; referem-se às tecnologias que são usadas para transmitir, processar, armazenar,
criar, visualizar, compartilhar ou trocar informações eletronicamente. Incluem tecnologias
como rádio, televisão, vídeo, DVD, sistemas de satélite, videoconferência e dispositivos
móveis - telefones celulares, smartphones, netbooks, tablets etc. (UNITED NATIONS
EDUCATIONAL, SCIENTIFIC AND CULTURAL ORGANIZATION, 2005).
Silva (2012) complementa que computadores, celulares e tablets, conectados na rede
mundial, favorecem e potencializam a mediação docente interativa, como perspectiva de
modificação da comunicação em sala de aula e fora dela.
A importância das novas TIC na sala de aula, juntamente com as tradicionais,
precisam ser pensadas em um projeto de educação. Questões fundamentais precisam ser
respondidas como qual tipo de sociedade se quer para o futuro e como se deve incorporar as
TIC nas práticas pedagógicas dos professores. Conforme ANTONIO (2014), a necessidade de
adaptar a escola para a incorporação das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação
(TDIC) é um desafio para docentes, gestores das instituições e de políticas públicas, pois
todos ainda encontram dificuldade em encarar essa nova realidade à luz de seus velhos
paradigmas.
A inclusão digital, segundo Santos (2006), diz respeito ao acesso dos cidadãos às
tecnologias digitais, em condições favoráveis de apropriação do seu potencial, para o
desenvolvimento pessoal e coletivo. Na esfera organizacional, a ênfase está no uso das
tecnologias nos segmentos da sociedade: mercado, universidades, escolas, bibliotecas. Desse
modo, o uso de mídias não se restringe na democratização do acesso aos meios de
comunicação e às tecnologias, sendo preciso incorporá-las aos processos de aprender, ensinar
e gerir a escola, a fim de criar condições para que professores, alunos e gestores as utilizem
como instrumentos culturais.

4230

�A formação dos professores e o trabalho colaborativo em torno de um projeto
pedagógico consistente vão fazer parte de uma nova educação nos processos de ensino e
aprendizagem. Os educadores não precisam ser especialistas nessas tecnologias e sim, ter
acesso a elas, saber como se usa, conhecer seus recursos, para poderem usá-las com a
finalidade de renovar e melhorar suas aulas. É preciso que os docentes de Ensino Superior
façam a ponte do técnico e o pedagógico, dominem os recursos das tecnologias e integrem
tudo isso no cotidiano educativo.
Nesse contexto, os desafios da “Educação 3.0”, denominada por Fava (2014) como um
novo modelo de educação, mais digital, interativa e focada no aluno, são: como propiciar essa
formação; que alterações são requeridas para constituir um ambiente onde o aluno possa
adquirir habilidades necessárias para atuar nessa sociedade do conhecimento; qual é o papel
do professor nesse processo de aprendizagem; qual é o papel das novas tecnologias no
processo educacional. Portanto, este trabalho busca investigar a introdução das TIC, em
especial os dispositivos móveis no processo de ensino e aprendizagem.

2 Revisão de Literatura
Sobre a disponibilidade, acesso, uso e apropriação das TIC em escolas e práticas
pedagógicas dos professores, o Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da
Comunicação (2012) mostra que a internet é praticamente universalizada entre 99% dos
docentes brasileiros. A maioria não encontra grande dificuldade na utilização de um editor de
texto e na preparação de apresentações, como o PowerPoint, por exemplo. Por outro lado,
40% dos usuários não têm dificuldade em usar planilhas e programas de multimídia, som e
imagem. Participar de fóruns de discussão ficou em 58%, criar ou atualizar blogs, em 31%;
postar filmes ou vídeos atingiu 39%; usar a internet para ligações telefônicas alcançou 28%;
baixar e instalar programas, ficou em 40% e participar de cursos a distância, em 58%.
Interessante observar, no entanto, que 31% dos professores nunca realizaram um curso online.
Percebe-se, assim, que a apropriação das TIC pelos respondentes da pesquisa ainda está
distante do ideal.
O Centre for Learning and Performance Technologies - C4LPT (Centro de
Aprendizagem e Desenvolvimento Tecnológico) é um site que se especializou em pesquisas
sobre as novas ferramentas de aprendizagem disponíveis na Internet, com a finalidade de
contribuir com o docente no enriquecimento de suas aulas. O C4LPT define “Ferramentas de
Aprendizagem” como qualquer software ou serviço que se usa para o próprio aprendizado

4231

�pessoal ou profissional, para o ensino ou treinamento online, ou para a criação de educação a
distância (CENTRE FOR LEARNING &amp; PERFORMANCE TECHNOLOGIES, 2013).
Desde 2007, o Centro aplica um questionário aos professores do mundo todo com a
seguinte pergunta: “Qual é ferramenta virtual mais importante do ano no campo do ensino?”
Os professores votam em seus recursos preferidos e no final de cada ano o resultado é
divulgado no site. O C4LPT divulga as 100 maiores ferramentas utilizadas na educação (Top
100 Tools for Learning). Verifica-se o uso de diferentes tecnologias, algumas ainda
desconhecidas no Brasil, mas que já demonstram um enorme potencial.
As 10 ferramentas mais importantes votadas nos três últimos anos são apresentadas
abaixo (Quadro 1).

Quadro 1 - As 10 ferramentas mais utilizadas nos anos 2011, 2012 e 2013
2011

2012

2013

1. T w itter

1. T w itter

1. T w itter

2. Y ouT ube

2. Y ouT ube

2. G o o g leD rive/D o cs

3. G o o g le D o cs

3. G o o g le D o cs

3. YouTube

4. Skyp e

4. G o o g le S ea rch

4. G oogle Search

5. W ordP ress

5. W ordP ress

5. P o w e rP o in t

6. D ro p b o x

6. D ro p b o x

6. E vern o te

7. P re zi

7. Skype

7. D ro p b o x

8. M o o d le

8. P o w e rP o in t

8. W ordP ress

9. S lid eS h a re

9. F a c e b o o k

9. F a c e b o o k

10. G lo g ster E D U

10. W ikipedia

10. G oogle + /H angout

Fonte: Centre for Learning &amp; Performance Technologies, 2013

Pode-se observar que o Twitter consegue o 1°. lugar no ranking, nos três anos
consecutivos, vindo o YouTube em 2°. lugar e em 3°., o Google Drive/Docs, por 2 anos
consecutivos (2011 e 2012). Já em 2013, houve uma inversão, ficando o Google Drive/Docs
em 2°. lugar e o YouTube passou para a 3a. posição.
O Twitter se consolidou como uma das ferramentas mais usadas no mundo e também
pelos brasileiros, em especial por grupos dedicados à educação. É imbatível quando se trata
de encontrar, rapidamente, links e redes interessantes de ensino.

4232

�O uso de vídeos do YouTube na educação é indiscutível. Existem, inclusive, inúmeros
canais com conteúdos educacionais, documentários, imagens, palestras e apresentações de
quase todas as áreas de interesse e, no caso da educação; um bom exemplo é o TeachersTube,
muito usado pelos professores. Enfim, é uma fonte de pesquisa inesgotável.
O Google Drive é uma evolução do Google Docs, um serviço de armazenamento e
sincronização de arquivos, oferecendo edição de documentos, planilhas de cálculo,
formulários, apresentações etc. Ideal para trabalhos feitos a várias mãos ou com intuito
colaborativo.

2.1 Web 2.0 na Educação
O termo Web 2.0, cunhado por Tim O’Reilly (2005), durante a Web 2.0 Conference,
em 2004, é definido como uma plataforma, um serviço continuamente renovado e atualizado,
que fica melhor quanto mais as pessoas a utilizam, incluindo suas próprias informações para
serem compartilhados com outros usuários, criando, assim, uma “arquitetura de participação”.
A pesquisa aponta previsões sobre o impacto de tecnologias emergentes no ensino e na
aprendizagem. Piva Jr. (2013) traz alguns conceitos e sugestões de utilizações de ferramentas
na educação como o vencedor dos últimos três anos, o servidor para microblog Twitter, uma
das ferramentas mais atuais da Web 2.0, com um potencial enorme, tanto no ensino presencial
quanto a distância, possibilitando uma comunicação em tempo real, para atividades
colaborativas e interativas.
Grande parte das ferramentas já pode ser acessada também através de dispositivos
móveis. Para isso, basta baixar os seus respectivos aplicativos para que alunos e professores
possam acessá-las de qualquer lugar a qualquer hora.

A aprendizagem móvel, chamada de

m-learning ou mobile learning, conforme Santos e Silva (2006), é o desdobramento da
Educação a Distância (EAD) que ocorreu através das TIC, ou seja, a fusão de diversas
tecnologias de processamento e comunicação de dados.
Sendo assim, os conteúdos em formato digital assumem papel de destaque e oferecem
novas formas de trabalho e de aprendizagem. De acordo com Tori (2010), as tecnologias
interativas reduzem as distâncias, aproximam alunos e professores para melhor aproveitar
ambientes e conteúdos, não importando espaço e tempo. Daí a criação do termo ‘educação
sem distância’, como o autor defende, seja na sala de aula, no laboratório, no ambiente virtual
ou numa mistura desses cenários.
A escola atual já é nativa digital e, como denomina Marc Prensky, seus alunos são
“nativos digitais”, ou seja, os que nasceram depois de 1983 já cresceram com essa farta

4233

�tecnologia (FAVA, 2014). Eles não têm receios e dúvidas quanto ao uso das TIC em suas
atividades cotidianas. Prensky também é o criador do termo “imigrantes digitais”, os que não
nasceram na era digital, mas que estão aprendendo a usá-las, no caso, os professores.
Os nativos digitais gostam de jogos, de trabalhar em rede e não de maneira linear.
Desse modo, os professores pré-internet precisam correr para reduzir essas diferenças. Na
educação baseada em tecnologias interativas, diversas novas mídias, diferentes das
tradicionais (livros, revistas, apostilas, transparências, fitas, slides, CDs ou DVDs) também
podem se incorporar às diversas opções oferecidas aos educadores (TORI, 2010).

2.2 As Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação
A redução significativa dos preços dos celulares, smartphones e tablets, nos últimos
anos, fizeram com que houvesse mais acesso a essas tecnologias, até então inacessíveis a
grande parte da população. Logicamente, o uso dos aparelhos celulares é voltado à
comunicação entre os usuários para enviar e receber chamadas e mensagens, porém, cabe aos
educadores ampliar e explorar as potencialidades dessas ferramentas para o processo
educacional, visto que os jovens acessam internet, brincam em jogos, estão nas redes sociais,
consultam mapas, leem livros eletrônicos e baixam uma infinidade de aplicativos.
A sociedade onde vivem esses jovens faz uso ostensivo das Tecnologias Digitais de
Informação e Comunicação (TDIC), conjunto de diferentes mídias, diferenciando-se pela
presença das tecnologias digitais. Independentemente das políticas locais, estaduais ou
federais relativas às novas tecnologias, elas existem dentro da escola, ainda que na forma de
um smartphone. Por outro lado, muitos professores e gestores ainda são órfãos pedagógicos
de uma escola que, de repente, se viu perdida nas últimas duas décadas com as novas
tecnologias (ANTONIO, 2014).
Os aplicativos e recursos que compõem a Web 2.0 poderão ter um impacto importante
na escola que utiliza recursos das TDIC; eles não estão limitados somente à educação online,
poderão impactar também a educação presencial. A facilidade de converter o conteúdo da
Web para os dispositivos móveis possibilita que os alunos acessem o material que os
professores postam, de qualquer lugar em seus notebooks, tablets e smartphones (MATTAR,
2013). Portanto, as tecnologias móveis fazem as trocas de conhecimento ultrapassarem os
limites da sala de aula.
De acordo com Kenski (2007), as TIC podem aprimorar significativamente o processo
educativo, mas, novamente, precisam ser compreendidas e incorporadas pedagogicamente.
Sendo assim, cursos de formação para professores são fundamentais para que isso aconteça:

4234

�trabalhar as possibilidades dos dispositivos móveis, a temática de experiência e de
desenvolvimento, inclusive criando seus próprios conteúdos digitais. O docente pode
contribuir com o conhecimento pedagógico que ele já tem e, com a ajuda das tecnologias,
poderá lançar mão dos inúmeros recursos tecnológicos em suas aulas.
Falar de uma educação renovada não quer dizer usar tecnologias avançadas, e sim,
fazer uma educação dialógica, mais próxima do aluno, que respeita e contempla o ponto de
vista do aluno e o tempo de aprendizagem de cada um. Em outras palavras, não basta
capacitar o professor apenas para o uso da tecnologia dentro da dimensão conteudista em que
ele já está inserido, mas oferecer-lhe formação pedagógica para o uso efetivo das novas
tecnologias, inclusive utilizando os dispositivos móveis.
Nesse contexto, as novas tecnologias representam oportunidades de inovação
tecnológica e pedagógica, no entanto é preciso que haja capacitação dos professores não só
para seu domínio próprio, como para sua prática pedagógica. A capacitação de gestores
também é importante, pois estes vão lidar com as novas demandas vindas de inovações
tecnológicas, sem as quais todos estarão defasados e sem condições de trabalhar para uma
escola do século XXI.

2.3 As novas tecnologias e a Biblioteca
Internet móvel é o próximo passo para as bibliotecas. O aumento exponencial da
utilização de dispositivos móveis prevê um recurso inexplorado para a entrega de recursos da
biblioteca aos seus públicos. É como se ter “a porta aberta”, pois os alunos, jovens digitais, já
estão usando seus dispositivos nesse ambiente e a biblioteca não pode estar alheia a essa
interação.
Cursos online e outros serviços devem ser disponibilizados aos usuários, como dados
em dispositivos móveis, normalmente através do uso de informação codificada em códigos de
barra 2D para serem lidos usando um telefone com câmara, por exemplo. A biblioteca
inserida nas redes sociais (Blog, Twitter, YouTube, Facebook) também chama a atenção dos
alunos, fazendo com que eles se informem de novidades e participem mais. Seus portais
devem ser adequados, com links para livros completos e sites de interesse.
Na visão de Tori (2010), as redes sociais, blogs, wikis, tags, editores online de textos,
planilhas, apresentações e outras mídias, serviços e conteúdos, criados e enriquecidos pelos
próprios usuários da Web 2.0, são recursos ricos para motivar, envolver e aproximar os
alunos.

4235

�Estudar o ambiente local e utilizadores (condições técnicas e perfil de utilização),
promover projetos-piloto (parcerias), participar nas estratégias institucionais (m-learning,
serviços de redes e comunicação) e facilitar o acesso aos conteúdos digitais da biblioteca são
estratégias para se partilhar, resolver problemas e alcançar sucesso.
Os educadores precisam ser criativos, motivando e estimulando os jovens a se
apropriarem dessas ferramentas, usando também o laboratório, a sala de multimídia, a
telessala, a biblioteca. No entanto, não adianta só aprender a mexer nesses dispositivos, e sim
gerar nos alunos uma reflexão de como e para quê eles estão sendo usados. Os atuais docentes
se formaram no século XX, mas precisam refletir que a escola e os alunos estão no século
XXI. Assim também os bibliotecários precisam estar atualizados para melhor atender seus
novos usuários.

3 Materiais e Métodos
Através de conceitos e revisão de literatura, foi feito um levantamento bibliográfico
sobre Tecnologias Educacionais nas bases de dados ERIC, Scielo, Google Escolar e livros.
Para complementar, é apresentado também um recorte de estudo de mestrado. A abordagem é
quantitativa e a amostra, aleatória simples. A população foi de 1510 professores dos Cursos
Superiores da UNIFESP, São Paulo. Para a coleta de dados foi utilizado um questionário de
perguntas fechadas sobre o uso de ferramentas de TIC.
4 Resultados Finais
Dos 191 respondentes, 2 afirmaram não utilizar computadores, portanto, o universo de
análise para as demais questões foi de 189 professores. Pode-se verificar na tabela abaixo o
uso das 10 ferramentas de TIC mais usadas pelos docentes (Tabela 1).

Tabela 1 - Frequências de uso das ferramentas de TIC mais utilizadas
U so d as F er ra m e n ta s de T IC

N

Usa computador
Acessa internet

189
189

Pesquisa em Bases de Dados de Saúde
Utiliza Programa de Apresentação

178
175

Faz uso de Buscadores ou metabuscadores
Envia e-mail

169
159

Sugere sites específicos em saúde
Usa Programa de Análise Estatística
Disponibiliza vídeos

139
108
96

Fonte: Resultado sobre o uso das TIC pelos docentes

4236

�De acordo com os resultados acima apresentados, percebe-se que a apropriação e uso
das tecnologias depende do interesse dos profissionais envolvidos, de fazer as escolhas para a
melhoria da aprendizagem de seus alunos, oferecendo tecnologias interativas na redução de
distâncias em ensino e aprendizagem.
Da mesma forma que disponibilizar uma biblioteca equipada aos alunos e professores
é condição necessária para um curso convencional, a qualidade do conteúdo digital também é
necessária, porém não suficiente para a qualidade final da atividade de aprendizagem.

5 Considerações Finais
Este estudo indica fortemente a necessidade em ampliar o projeto de educação digital
para uma apropriação efetiva e mais aprimorada dessas tecnologias. Elas podem trazer
grandes mudanças em metodologias de ensino, sendo que a inovação não está somente na
introdução e utilização das TIC. Na visão de Moran (2012), mediação pedagógica é a
integração das tecnologias e das metodologias de trabalhar com a comunicação oral, a escrita
e o audiovisual. Portanto, os docentes devem integrar as tecnologias novas às já conhecidas
técnicas convencionais e utilizá-las como mediação facilitadora do processo de ensino e
aprendizagem.
Na perspectiva de Sigulem (1997), a partir da compreensão das mudanças, das funções
dos educadores, dos avanços tecnológicos, do volume de novas ferramentas desenvolvidas,
não era mais possível continuar educando da maneira como vinha acontecendo há anos.
Para corroborar com Sigulem (1997), Carlini (2008) coloca que há décadas o professor
de ensino superior tem se formado de acordo com um modelo hierarquizado e inflexível,
focado no conteúdo, na mensuração do conhecimento adquirido pelo aluno e na figura do
docente. Esse tipo de atuação “há muito já não atende às necessidades impostas pela demanda
de produção e de disponibilizar conhecimento, e nem às necessidades de aprendizagem dos
alunos” (CARLINI, 2008, p. 93).
Projetos de capacitação tecnológica e didático-pedagógica, devem ser implementados
e desenvolvidos nas Instituições de Ensino Superior para o desenvolvimento profissional dos
educadores, principalmente com respeito à didática para a docência superior, trabalhando
conteúdos voltados ao uso de novas tecnologias educacionais (AZEVEDO; JOSGRILBERG;
LIMA, 2012).
São muitos os desafios dos professores, como “estimular o aluno para a autonomia,
despertar seu espírito inventivo, auxiliar no desenvolvimento da capacidade de refletir e
criticar a realidade, expressando-se por meio de sua autoria” (RICARDO, 2013, p. 26).

4237

�Nesse contexto, a universidade deve se adaptar ao processo de evolução tecnológica,
exigindo mudanças nas políticas, currículos e práticas. Mais do que prover as instituições com
computadores e oferecer cursos instrumentais, informática na educação implica na
apropriação crítica da tecnologia, no desenvolvimento de estratégias, por meio das quais estes
recursos venham a favorecer nova postura em relação ao conhecimento.
É urgente a necessidade de haver mais formação pedagógica e tecnológica para
incorporação e integração das TIC no processo de ensino e aprendizagem; de adaptar o
currículo às necessidades e características dos alunos e do contexto atual; ter claros os
verdadeiros papéis do professor, da gestão escolar, da biblioteca e da sociedade. Sendo assim,
não é dispensável lembrar que nenhuma reforma educacional terá valor se a formação dos
docentes não for priorizada.

6 Referências
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ANTONIO, J. C. Professor digital.

[S.l.: s.n.],

17 fev. 2014. Disponível em:

&lt;http://professordigital.wordpress.com/2014/02/17/a-escola-nativa-digital-e-seus-professoresorfaos-pedagogicos&gt;. Acesso em: 4 maio 2014.
AZEVEDO, A. B.; JOSGRILBERG, F. B.; LIMA, F. J. S. Educação e tecnologia na
universidade: concepções e práticas. São Bernardo do Campo, SP: Universidade Metodista
de São Paulo, 2012.
CARLINI, A. L. O professor do ensino superior e a inclusão digital. In: CARLINI, A. L.;
SCARPATO, M. (Org.). Ensino superior: questões sobre a formação do professor. São
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4239

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Ciência da Informação&#13;
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) estão em todas as áreas do conhecimento e, através da internet, conectam bancos, empresas, editoras, centros de informação, bibliotecas, instituições de ensino etc. O objetivo deste trabalho é investigar como os dispositivos móveis podem ser utilizados por professores de ensino superior em sala de aula. Trata também da adaptação da biblioteca a um modelo que incorpore as novas Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) no seu cotidiano, para melhor atender alunos da Universidade. Sinaliza para a necessidade de uma reflexão sobre essa nova escola, os papéis dos estudantes, docentes e bibliotecários, sobretudo, o que os gestores das bibliotecas estão fazendo para que haja inclusão digital e informacional, frente a essa nova realidade. Conclui-se que a incorporação das tecnologias no contexto pedagógico e nas bibliotecas ainda é um desafio para todos os envolvidos.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

DISPONIBILIZAÇÃO DE DISSERTAÇÕES E TESES NA BIBLIOTECA DIGITAL
DE TESES E DISSERTAÇÕES DA USP APÓS PARECER DA PROCURADORIA
GERAL DA USP PG.P2809/2013 QUE ISENTA A UNIVERSIDADE DA
AUTORIZAÇÃO DOS AUTORES: RELATO DA EXPERIÊNCIA DO SBI/IFSC/USP
Natalina Ribeiro Ziemath
Célia Maria Diegues
Ana Mara Prado
Tania Ortin Almeida
RESUMO:
O presente trabalho relata a experiência do Serviço de Biblioteca e Informação do Instituto de
Física de São Carlos da Universidade de São Paulo - SBI/IFSC/USP, em parceria com o
Serviço de Pós-Graduação do IFSC, para viabilizar o cumprimento do parecer PG.P
2809/2013 de 19.08.2013. Este parecer isenta a USP da autorização dos autores para inserir as
teses e dissertações defendidas antes da Portaria COPGr n° 5401 de 17.04.2007 de outubro de
2007, na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade de São Paulo - BDTDUSP. A submissão está sendo possível, entre outras ações, com a colaboração dos
orientadores em preencher formulários com informações faltantes e imprescindíveis para a
submissão e visibilidade do documento. O objetivo é preservar, disponibilizar e divulgar o
conhecimento gerado através dos trabalhos das defesas. Espera-se contribuir para que as
comunidades brasileira e internacional tenham acesso integral aos textos digitais das teses e
dissertações defendidas no IFSC/USP.
Palavras-chave: Repositórios digitais; Bibliotecas digitais; Teses e dissertações; Preservação
da informação digital; Divulgação da informação digital.
ABSTRACT:
This paper reports the experience of Library and Information Service of the Institute of
Physics of São Carlos, University of São Paulo - SBI / IFSC / USP, in partnership with the
Office of Graduate Studies of the IFSC, to enable the fulfillment of the legal opinion PG. P
2809/2013 of 08.19.2013. This legal opinion exempts the USP of the authors permission to
insert theses and dissertations defended before CoPGr Ordinance 5401 of 17.04.2007 October
2007 in the Digital Library of Theses and Dissertations, University of São Paulo - USP BDTD . The submission is being made possible, among other things, with the cooperation of
supervisors to fill out forms with missing and essential for the submission and visibility of
document information. The goal is to preserve, promote and make available the knowledge
generated through the work of the defenses. It is expected to contribute to the brazilian and
international communities have full access to the digital text of theses and dissertations in
IFSC / USP.
Keywords: Digital repositories; Digital libraries; Theses anddissertations; Preservation of
digital information; Dissemination of digital information.

4222

�1 Introdução
O Serviço de Biblioteca e Informação do Instituto de Física de São Carlos da
Universidade de São Paulo (SBI/IFSC/USP) tem por missão promover o acesso e incentivar o
uso e a geração da informação, contribuindo para a qualidade do ensino, pesquisa e extensão,
em Física e áreas afins, com a utilização eficaz dos recursos públicos. Desta forma, sua equipe
sempre buscou oferecer serviços e produtos de qualidade aos seus usuários.
A Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade de São Paulo (BDTDUSP) oferece para a comunidade científica muitas oportunidades, das quais destacamos:
visibilidade dos resultados provenientes das defesas de teses e dissertações das unidades da
USP; possibilidade de coibir possíveis plágios; facilidade na identificação dos temas já
publicados pelos alunos ingressantes nos Programas de Pós-Graduação.
Diante dessas possibilidades, o SBI digitalizou todo o seu acervo de teses e
dissertações, que estava em papel, referente ao Programa de Pós-Graduação em Física do
IFSC e também ao Programa Interunidades em Ciências e Engenharia de Materiais Materiais,
sendo que, a coordenação deste último, foi de responsabilidade do IFSC até 06.12.2010.
O objetivo principal deste processo foi a disponibilização na BDTD após obtenção de
autorização do autor e também assegurar a preservação deste material.
Em um primeiro momento não foi possível a disponibilização de todas as teses e
dissertações na BDTD/USP, pois, se fazia necessário obter as autorizações dos autores para
aquelas defendidas até 17.04.2007. Com a publicação da Portaria COPGr 5401 de 17.04.2007,
ficou regulamentado a obrigatoriedade da disponibilização das teses e dissertações na
Biblioteca Digital, salvo pedido de retenção devidamente justificado através de requerimento
pelo prazo de dois anos (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 2001).
As dificuldades na obtenção dessas autorizações foram muitas, apesar das várias
tentativas. Em consequência disto, aproximadamente 45% das teses e dissertações não
puderam ser disponibilizadas na BDTD. A equipe da Biblioteca pesquisou soluções que
outras instituições adotaram para que a inserção das teses e dissertações fosse possível em
suas Bibliotecas Digitais. Teve conhecimento da solução encontrada pela Biblioteca da
Fundação Getúlio Vargas (FGV/RJ), que foi avalizada pela Consultoria Jurídica daquela
instituição.
A biblioteca FGV primeiramente enviou aos diretores das Escolas um documento
mostrando a importância da digitalização do acervo retrospectivo e solicitando autorização
para disponibilização desse material, mediante dificuldade em localizar e contactar os autores.
Depois de autorizado, o material foi disponibilizado e inserido em cada registro uma nota

4223

�solicitando que caso esse trabalho fosse protegido por direitos autorais externos a instituição,
os autores deveriam entrar em contato para que fossem tomadas as devidas providências.
(informação pessoal)

. Com base nesta informação, a equipe do SBI, com o apoio do

presidente da Comissão de Pós-Graduação/IFSC, elaborou uma consulta a Procuradoria Geral
da USP sobre a possibilidade de fazer uso da mesma política adotada pela FGV. A
Procuradoria Geral da Universidade, após análise da solicitação, emitiu o parecer
PG.P.2809/2013, favoravelmente a disponibilização de todas as teses e dissertações
defendidas na Universidade anteriormente a 17.04.2007 na BDTD, proferindo o seguinte
deferimento:
[...] entendemos pela possibilidade de a Unidade interessada inserir na
BDTD os trabalhos científicos cujos autores não foram localizados para,
expressamente, autorizarem a pretendida divulgação, providência essa que se
mostra perfeitamente razoável, na medida em que propicia a difusão do
conhecimento científico e consequentemente, o pleno desenvolvimento das
atividades institucionais da Universidade (UNIVERSIDADE DE SÃO
PAULO, 2013).
De posse do parecer favorável, foram definidas as etapas necessárias para o depósito
na BDTD, que estão relatadas no item 3.

2 Revisão teórica
Biblioteca digital no conceito de Cunha (2001) e Moreira (1998) é uma coleção de
documentos eminentemente digitais, independentemente se foram criados na forma digital ou
digitalizados a partir de documentos impressos, e que permite, por meio do uso de redes de
computadores, compartilhar a informação instantânea e facilmente.
A Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade de São Paulo foi criada
para disponibilizar na internet o conhecimento produzido pelos trabalhos defendidos na USP,
permitindo que as comunidades brasileira e internacional possam ter em mãos a versão digital
completa das teses e dissertações. A Biblioteca Digital foi inaugurada em 2001 juntamente
com o portal do conhecimento (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 2001).
De acordo com Kuramoto (2006), a construção da Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações (BDTD) pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia
(IBICT) é reconhecida como primeiro passo para a inserção do Brasil ao movimento mundial
do acesso aberto as informações científicas.

487BACHA, Marcia Nunes. Biblioteca digital FGV. Mensagem recebida por marcia.bacha@fgv.br em
03.10.2012.

4224

�No que se refere ao Movimento do Acesso Aberto ou Acesso Livre, Freitas, Maia e
Leite(2011), afirmam que os repositórios institucionais surgiram como uma alternativa ao
modelo tradicional de comunicação científica, visando à criação de condições para que esta
informação esteja disponível gratuitamente na internet, possibilitando o acesso a toda
comunidade e proporcionando visibilidade e rapidez na troca de informações. Neste sentido,
os repositórios digitais contribuem para o movimento de acesso livre, promovendo a
divulgação dos resultados das pesquisas na web.
E é nesse contexto que surge a iniciativa do SBI/IFSC de disponibilizar na
BDTD/USP as teses e dissertações defendidas no IFSC e viabilizar o cumprimento do parecer
PG.P 2809/2013, uma vez que a digitalização das teses e dissertações já havia sido realizada.

3 Materiais e métodos
As principais etapas para realização do trabalho foram:
3.1) Obtenção de dados faltantes e imprescindíveis para a disponibilização do trabalho na
BDTD:
a) Definição do modelo de formulário a ser enviado para os orientadores, contendo as
informações sobre a dissertação ou tese a ser depositada na BDTD, conforme apresentado
abaixo:

Figura 1 - Formulário para preenchimentode dados pelos orientadores

Fonte: Elaborado pela equipe do SBI/IFSC.

4225

�b) Envio dos formulários para os orientadores por e-mail, para o preenchimento dos dados
faltantes, exemplo: título e palavras-chave em inglês/português e abstract e oficio
esclarecendo quanto ao seu objetivo;
c) Cobrança dos formulários via e-mail, telefone e quando necessário, através de contato
pessoal;
d) Elaboração de relatório como total de formulários enviados, de respostas obtidas,
apontando as possíveis causas donão sucesso na obtenção das respostas.

3.2) Disponibilização na BDTD:
a) Solicitação ao Serviço de Pós-Graduação do IFSC de um login e senha para a submissão da
tese ou dissertação na BDTD;
b) Acesso ao sistema de geração do conteúdo digital (sitehttp://pandora.cisc.usp.br/), para
realizar a submissão, preenchendo todos os campos solicitados referentes ao trabalho;
c) Revisão e aprovação do documento submetido pela biblioteca por parte do Serviço de Pósgraduação do IFSC.
d) Após recebimento da aprovação, fazer a catalogação da tese ou dissertação na BDTD e
inserção do link de acesso ao documento no Banco Bibliográfico da USP/ DEDALUS.

4 Resultados parciais
Estão sendo realizadas as submissões das teses e dissertações do programa de pósgraduação do IFSC, das quais houve o retorno dos formulários preenchidos pelos orientadores
na BDTD. Será feita a tradução para o idioma inglês do título e palavras-chave, com apoio de
professores da área, para os trabalhos que não tiveram essas informações pelos formulários
enviados. Entende-se que estes dados são muito importantes para a visibilidade e recuperação
do documento. Finalizada esta etapa, serão realizadas discussões para a futura submissão das
teses e dissertações referentes ao Programa de Pós-graduação Interunidades em Ciência e
Engenharia de Materiais que foi de responsabilidade do IFSC até 06.12.2010.

5 Considerações Finais
O foco principal deste trabalho foi a disponibilização das teses e dissertações na
BDTD, propiciando o acesso e a recuperação com a maior completude possível de dados. A
submissão das teses e dissertações poderia ter sido realizada de forma mais simplista, ou seja,
apenas com o preenchimento de alguns campos com a informação “dado não constante do
documento original”, mas isso não permitiria a recuperação do documento de forma plena.

4226

�A questão do idioma foi uma das preocupações existentes e, por esta razão, insistiu-se
na obtenção destes dados com auxílio dos orientadores ou com a colaboração de profissionais
qualificados. Desta forma, a recuperação terá maior abrangência, aumentando, assim, a
visibilidade da produção intelectual da USP.
Com esta ação, acredita-se ter colaborado de forma significativa para ampliar a
visibilidade da produção gerada pelo IFSC. Isto possibilitou,também, a geração de
indicadores e análises bibliométricas da produção científica e suas derivações, uma vez que a
BDTD-USP é uma fonte de informação consolidada, considerada uma biblioteca digital de
grande representatividade para a pesquisa acadêmica. Em 2013 a BDTD-USP contava com
43.752 títulos, entre dissertações de mestrado e teses de doutorado. Registrou 13.113.110
downloads no mesmo ano (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 2014).
Espera-se também que a iniciativa e experiência relatadascontribuam para que as
demais bibliotecas da USP e de outras Instituições utilizem mecanismos semelhantes para
preservar e disponibilizar seus acervos em Bibliotecas Digitais.

6 Referências

BACHA, Márcia Nunes; ALMEIDA, Maria do Socorro G. de. Construindo a Biblioteca
Digital da FGV. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS,
SNBU, 17. 2012, Gramado. Anais eletrônicos... Porto Alegre: UFRG, 2012.11p. Disponível
em:&lt;http://snbu2012.com.br/anais/index.php&gt;. Acesso em: 23 abr. 2014.
CUNHA, Murilo Bastos. Para saber mais: fontes de informação em ciência e tecnologia.
Brasília: Briquet de Lemos/Livros, 2001.
FREITAS, Marilia Augusta; MAIA, Luanna Cezar; LEITE, Fernando César Lima. Acesso
aberto como estratégia de disseminação e preservação da produção científica discente: a
Biblioteca Digital de Monografias da Universidade de Brasília. Biblioteca Universitária,
Belo Horizonte, v.1, n.1, p. 71-80, jan./jun. 2011.
KURAMOTO, Hélio. Informação científica: proposta de um novo modelo para o Brasil.
Ciência da Informação, Brasília, DF, v. 35, n. 2, p. 91-102, maio/ago. 2006.
MOREIRA, Walter. Biblioteca tradicional x biblioteca virtual: modelos de recuperação
da informação. 1998. 90p. Dissertação (Mestrado em Biblioteconomia) - Pontifícia
Universidade Católica de Campinas, Campinas, 1998.
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Biblioteca Digital de Teses e Dissertações. Disponível
em: &lt;http://www.teses.usp.br&gt;. Acesso em: 16 abr.2014 e 22 abr. 2014.

4227

�UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Procuradoria Geral - Escritório Regional de São
Carlos.Parecer n° 2809 de 19 ago. 2013. Autoriza a inserção dos trabalhos científicos na
BDTD, cujos autores não foram localizados para autorizarem a pretendida divulgação. São
Carlos: 2013. 5p.
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Resolução n° 5401 de 17 de abril de 2007.Regulamenta
a disponibilização de dissertações e teses no Portal da Universidade de São Paulo. Diário
Oficial

do

Estado

de

São

Paulo,

SP,

18

abr.2007.

Disponível

em:

&lt;http://citrus.uspnet.usp.br/sibi/Portaria-Resolucao/res 5401.htm&gt;. Acesso em: abr.2014.

4228

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Disponibilização de dissertações e teses na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP após parecer da Procuradoria Geral da USP PG.P2809/2013 que isenta a universidade da autorização dos autores: relato da experiência do SBI/IFSC/USP</text>
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                <text>Ziemath, Natalina Ribeiro, Diegues,Célia Maria, Prado, Ana Maria, Almeida, Tania Ortin</text>
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                <text>O presente trabalho relata a experiência do Serviço de Biblioteca e Informação do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo – SBI/IFSC/USP, em parceria com o Serviço de Pós-Graduação do IFSC, para viabilizar o cumprimento do parecer PG.P2809/2013 de 19.08.2013. Este parecer isenta a USP da autorização dos autores para inserir as teses e dissertações defendidas antes da Portaria COPGr nº 5401 de 17.04.2007 de outubro de 2007, na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade de São Paulo – BDTDUSP. A submissão está sendo possível, entre outras ações, com a colaboração dos orientadores em preencher formulários com informações faltantes e imprescindíveis para a submissão e visibilidade do documento. O objetivo é preservar, disponibilizar e divulgar o conhecimento gerado através dos trabalhos das defesas. Espera-se contribuir para que as comunidades brasileira e internacional tenham acesso integral aos textos digitais das teses e dissertações defendidas no IFSC/USP.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

DIGITALIZAÇÃO RETROSPECTIVA DA PRODUÇÃO TÉCNICO-CIENTÍFICA
DA EMBRAPA MILHO E SORGO RELATO DE EXPERIÊNCIA
Rosângela Lacerda Castro
Maria da Conceição Sant'ana Marques
Vânia Palhares Fernandino Fonseca
RESUMO
Este artigo descreve o trabalho de digitalização retrospectiva da produção técnico-científica
da Embrapa Milho e Sorgo. O objetivo dessa ação foi converter em formato digital as
publicações produzidas pelos empregados da Empresa e disponibilizá-las nos repositórios
digitais para ampliar a visibilidade da produção técnico-científica da Embrapa Milho e Sorgo
além de preservar a memória institucional. Relata os critérios adotados para converter o
material impresso em formato PDF e os equipamentos e ferramentas utilizados pela equipe
para a realização desta tarefa. Foram consideradas questões de direito de propriedade e de
reprodução para não infringir a lei de direitos autorais. Foram avaliadas as estatísticas de
downloads e acessos à produção técnico-cientifica da Embrapa Milho e Sorgo nos
repositórios digitais da Embrapa, a fim de consolidar os objetivos deste estudo.
Palavras-Chave: Produção científica; Produção técnica; Embrapa; Repositório institucional.
Pesquisa agropecuária.
ABSTRACT
This paper describes the work of retrospective digitization of scientific-technical production
at Embrapa Maize and Sorghum. The purpose of this action was to convert to digital format
publications produced by employees of the company and make them available in digital
repositories to expand the visibility of scientific and technical production of Embrapa Maize
and Sorghum, besides preserving its institutional memory. It reports the criteria adopted to
convert printed material into PDF format and the equipment and tools used by the team to
complete this task. In order not to infringe on copyright law, issues of property rights and
reproduction were considered. The statistics of downloads and access of Embrapa Maize and
Sorghum technical and scientific production were assessed in digital repositories of Embrapa
to consolidate the objectives of this study.
Keywords: Scientific production; Technical production; Embrapa; Institutional repository.
Agricultural research.

1 Introdução
A Embrapa Milho e Sorgo abriga, em sua estrutura, uma biblioteca que desde a sua
criação, em 1975, reúne um importante acervo produzido ou adquirido pela Empresa sobre os

4210

�produtos milho e sorgo e áreas afins, além de toda a produção técnico-científica de seus
pesquisadores.

Seus

clientes

são:

empregados

da empresa,

bolsistas,

estagiários,

pesquisadores, técnicos, estudantes, produtores, entre outros. Os recursos humanos da
biblioteca constituem-se de uma bibliotecária e duas assistentes.
O acervo documental é composto por 23.333 itens (livros, anais e proceedings,
folhetos, teses, obras de referência, CDs, fitas de vídeo, DVDs) e seu acervo de periódicos
contém 36.311 fascículos distribuídos em 702 títulos. Além do acervo documental e do
acervo de periódicos, também fazem parte do acervo da biblioteca a produção técnicocientífica dos pesquisadores e analistas da Embrapa Milho e Sorgo, que atualmente possui
9.559 registros, e é esta coleção que é objeto deste estudo.
A produção técnico-científica da Embrapa Milho e Sorgo corresponde a todos os
trabalhos de autoria ou coautoria de pesquisadores e analistas, publicados internamente pela
Embrapa, ou externamente, bem como os documentos editados pela própria instituição.
Contempla trabalhos técnicos, como artigo de divulgação na mídia, séries técnicas
publicadas pela Embrapa (Circular Técnica, Comunicado Técnico, Boletim de Pesquisa e
Desenvolvimento, Documentos), fôlderes, coleções da Embrapa e trabalhos científicos, como
artigos em periódico indexado, artigos em anais de congresso, capítulos em livro, resumos em
anais de congresso, teses e dissertações.
Considerando que promover o acesso à informação é um dos principais objetivos na
missão da biblioteca e que a internet é cada vez mais onipresente, é imprescindível estar
alinhado às novas tecnologias e às novas formas de acesso à informação para cumprirmos
essa missão.
Segundo Sanou (2014), até o final de 2014, haverá cerca de 3 bilhões de usuários de
internet, dois terços deles serão de países em desenvolvimento e o número de assinaturas de
banda larga móvel chegará a 2,3 bilhões.
Neste mundo cada vez mais conectado, as pessoas preferem o acesso imediato à
informação, e a realidade é que a facilidade de acesso afeta a disposição do usuário em
consultar o documento fisicamente. Por conseguinte, as formas de acesso à coleção da
produção técnico-cientifica da Embrapa Milho e Sorgo, que eram realizadas através de
consulta na própria biblioteca, empréstimo domiciliar ou por sistemas de comutação
bibliográfica, precisavam ser revistas para que essa coleção não ficasse restrita às formas de
acesso convencionais.
Nesse contexto, em 2011, a Embrapa lançou novos produtos de informação do Sistema
Embrapa de Bibliotecas. São os repositórios informacionais Alice e Infoteca-e, que foram

4211

�desenvolvidos a partir das bases de dados gerenciadas pelas bibliotecas das Unidades da
Embrapa, por meio do sistema Ainfo477, e foram criados para armazenar a produção técnicocientífica da Embrapa e permitir o acesso livre e com texto na íntegra de todas as publicações
técnico-científicas da Empresa.

Figura 1 - Homepage do Alice

Fonte: http://www.alice.cnptia.embrapa.br

Figura 2 - Homepage do Infoteca-e

Fonte: http://www.infoteca.cnptia.embrapa.br

477 Ainfo é um software de gerenciamento de bibliotecas desenvolvido e adotado pela Embrapa para gerenciar o
acervo de suas bibliotecas, compreendendo a organização e o controle, até a disseminação de informações, tanto
em meio físico como eletrônico (digital).

4212

�Em onsonância com a tendência digital, a equipe da biblioteca, com o objetivo de
ampliar o acesso e a visibilidade da produção técnico-científica, bem como resguardar a
memória institucional, iniciou em 2011 a digitalização da coleção da produção técnicocientífica da Embrapa Milho e Sorgo para compor os repositórios institucionais da Embrapa.
A digitalização consiste em transformar as publicações impressas em arquivos digitais
por meio de equipamento e software digitalizador (escaner)

.

2 Revisão de Literatura

As informações registradas em papel estão limitadas a um espaço físico específico, o
que consequentemente dificulta o acesso a essas informações remotamente (SILVA, 2006).
Silva (2006) afirma também que o papel está sujeito à deterioração pelo manuseio e
pela ação de agentes ambientais.
Partindo-se do pressuposto que a produção técnico-científica é um acervo com valor
de memória para a Embrapa Milho e Sorgo, por contemplar o registro dos resultados de
pesquisas desenvolvidas pelos seus pesquisadores, é imprescindível que esse acervo seja
preservado e, não obstante, seja também disponibilizado para que a sociedade tenha
conhecimento e acesso aos trabalhos desenvolvidos pela instituição.
Para que essa ação seja alcançada, a Embrapa desenvolveu dois repositórios digitais
para armazenar e disponibilizar a produção técnico-científica da instituição, o repositório
Alice e o Infoteca-e.
Para Weitzel (2006), os repositórios digitais são como bibliotecas digitais ou
bibliografias constituídas pela própria comunidade, e sua função é permitir o acesso
organizado e livre a toda a produção científica.
Ainda segundo Weitzel

(2006),

os repositórios institucionais estimulam a

disseminação e o uso da produção científica, mas também espelham a memória institucional.
Para que a produção técnico-científica esteja disponível nos repositórios é necessário
que seja feita a digitalização dessa coleção e o upload do arquivo digitalizado para o Ainfo,
que, além de gerenciar o acervo das bibliotecas, alimenta os repositórios digitais da Embrapa.
Contudo, iniciar um processo de digitalização requer planejamento prévio, e,
conforme Nascimento et al. (2006), esse planejamento deve considerar as seguintes questões:
S Qual o trabalho a ser feito;

478 http://pt.wikipedia.org/wiki/Digitalização

4213

�S Como será feito (padrões, especificações, modelos bem sucedidos);
S Quem deverá fazer;
S Onde será feito;
S Quanto tempo será gasto;
S Quanto custará.
Ademais, outros fatores também devem ser analisados antes de iniciar o processo de
digitalização, como aspectos relacionados a propriedade intelectual que podem trazer
implicações legais, uma vez que essa ação implica copiar e, por isso, as leis sobre direito
autoral devem ser consideradas, de modo a resguardar legalmente a instituição.
Portanto, é necessário ter a autorização do autor para disponibilizar publicamente o
material digitalizado, a não ser que a publicação seja de domínio público ou a empresa possua
os direitos autorais sobre a produção intelectual de seus empregados.
De acordo com a Resolução Normativa 14/2001, que regulamenta as questões de
direito de autor na Embrapa, os direitos patrimoniais de todas as produções intelectuais que
sejam concebidas ou elaboradas por empregado da Embrapa, em decorrência ou em conexão
com as atividades desenvolvidas dentro da Empresa, bem como por terceiro que tenha sido
contratado para a execução da tarefa que implique, direta ou indiretamente, na produção de
obras, tais como escrito técnico ou científico ou científico ou de divulgação científica,
fotografia, desenho, pintura, aquarela, audiovisual, programa de computador, compilação e
base de dados, pertencem exclusivamente à Embrapa e a efetivação da Norma se dá pela
assinatura de termos de cessão de direitos patrimoniais do autor à Empresa (EMBRAPA,
2001).
Mas, se as publicações não são de domínio público, e a empresa não controla os
direitos autorais, é necessário identificar o detentor dos direitos autorais e solicitar permissão
para disponibilizar a publicação, ou simplesmente não disponibilizá-la para o público externo.
É importante ressaltar que toda a produção técnico-científica da Embrapa Milho e
Sorgo foi digitalizada independentemente de a Embrapa possuir os direitos da obra ou de ela
estar em domínio público, mas, atentos a questões de direito do autor, disponibilizamos nos
repositórios digitais apenas a produção técnico-científica produzida no âmbito da Embrapa ou
publicada em outros canais de domínio público.
Outro fator que deve ser analisado antes de iniciar a digitalização é a fragilidade das
publicações antigas uma vez que a digitalização é uma forma de preservar o original e não um
meio de descartá-lo, conforme afirmam Nardino e Caregnato (2005), apud Greenhalgh (2011,
p. 161-162):

4214

�Pretende-se, desta forma, contribuir para uma reflexão acerca da fragilidade da
informação registrada em papel e da responsabilidade do bibliotecário em
manter vivos esses registros. É importante destacar que a questão do
documento eletrônico é aqui colocada como um novo suporte para o registro
de informações, que surge não para substituir o livro impresso, mas para
complementá-lo em suas limitações.

Nascimento et al. (2006, p. 13) descrevem como princípios gerais da digitalização:
S

Escanear na maior resolução possível;

S

Escanear em nível de qualidade apropriado para evitar o retrabalho no
futuro;

S

Criar e armazenar um arquivo mestre que poderá ser utilizado para
produzir arquivos de imagens derivadas que atendam a uma variedade de
necessidades atuais e futuras;

S

Preferir sistemas não proprietários;

S

Utilizar formatos de arquivos e técnicas de compressão em conformidade
com os padrões mais amplamente utilizados pelas comunidades que
utilizam as informações da Embrapa;

S

Criar cópias de segurança de todos os arquivos em mídias estáveis;

S

Criar metadados significativos para os arquivos de imagens ou coleções;

S

Armazenar a mídia em ambiente apropriado;

S

Documentar estratégias de migração para transferência de dados através
das gerações de tecnologia.

Seguindo esses princípios, para a digitalização de texto, recomenda-se a resolução 300
dpi, e sugere-se a adoção de formatos como PDF (Portable Document Format) da Adobe479,
que é um formato de arquivo alternativo para criação e exibição de arquivos de textos na Web
(NASCIMENTO et al., 2006, p. 29).
Quanto ao armazenamento, vale ressaltar que o processo de digitalização requer a
criação de uma infraestrutura para arquivar todo o material digitalizado (NASCIMENTO et
al., 2006).
Greenhalgh (2011) corrobora essa afirmação ao dizer que é preciso adotar medidas
para garantir a preservação dos arquivos digitais como o armazenamento destes em local
diferente ao da coleção.
Além destes princípios, deve-se atentar para a preservação dos documentos
digitalizados. Além de armazenar os documentos no formato PDF, a Embrapa adota alguns
critérios como o uso de link persistente para acesso aos documentos, infraestrutura de
479 O download do Adobe Acrobat é grátis e a versão permite aos usuários visualizar os documentos em seus
computadores.

4215

�armazenamento de dados adequada e realização de cópia de segurança interna e em locais
diferentes.
Sem a aplicação de estratégias de preservação não há garantia de acesso aos
documentos o longo prazo (ARELLANO, 2004).

3 Materiais e Métodos

O registro da produção técnico-cientifica da Embrapa Milho e Sorgo teve início em
1976, quando toda a produção dos pesquisadores da Unidade era encaminhada para a
biblioteca para o devido registro e armazenamento.
Em 1980, decidiu-se armazenar a produção dos pesquisadores em pastas individuais,
as quais continham o trabalho original ou uma cópia impressa dos trabalhos de sua autoria ou
coautoria.
Esse processo foi executado até 2011, quando decidiu-se digitalizar toda essa
produção técnico-científica organizada nas pastas.

A partir deste momento, a biblioteca

continuou recebendo todos dos trabalhos dos pesquisadores mas, apenas um trabalho original
ou uma cópia eram incluídos no acervo, independentemente se outros coautores eram
pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo.
Iniciou-se então a preparação da produção técnico-científica para o processo de
digitalização.
A primeira ação foi separar apenas o trabalho original ou cópia, eliminando
duplicações de trabalhos em coautoria que estavam em pastas de pesquisadores coautores.
Essa ação resultou na otimização do espaço ocupado pelas pastas e na efetiva
produção técnico-científica a ser digitalizada.
No tocante ao registro, toda a produção técnico-científica já estava registrada no
Ainfo, e este registro englobava apenas a inclusão de metadados que identificavam a
publicação. Mas, embora todos os registros estivessem na base de dados, estes não podiam ser
recuperados pois não continham o texto em formato digital e consequentemente não
permitiam o compartilhamento eletrônico desses documentos.
Com a criação dos repositórios institucionais na Embrapa, o repositório Infoteca-e
para informações técnicas e o repositório Alice para informações científicas, desenvolveu-se
também em 2011, uma nova versão do Ainfo que permitiu o armazenamento digital dos
documentos no próprio sistema no momento da catalogação para alimentar os repositórios

4216

�digitais da Empresa, o que motivou a execução do projeto de digitalização retrospectiva de
toda a produção técnico-científica e a promoção do acesso a essas publicações.
Concomitantemente, a coordenação do Sistema Embrapa de Bibliotecas encaminhou
às bibliotecas da Embrapa, algumas orientações para a digitalização da produção técnicocientífica:
S Usar sempre a configuração texto, nunca imagem.
S Procurar delimitar a área exata a ser escaneada, evitando a necessidade de edição das
páginas geradas (bordas pretas);
S Se a publicação for muito grande é recomendável reduzir ao máximo a definição em
dpis480 ou pixels481 (procurando não deixar abaixo de uma qualidade mínima) para que
o arquivo não fique muito pesado;
S

Em casos de publicações muito extensas fazer em duas ou três partes e uni-las
posteriormente;

S Evitar gerar nomes de arquivos com espaços em branco ou caracteres acentuados ou
com ç (o que pode impedir a abertura do arquivo);
S Depois de salvar cada arquivo, abrir para conferir se não está com problema
(corrompido) e se a publicação foi reproduzida corretamente;
S Verificar o melhor fluxo para inserção no Ainfo (computador e pasta onde arquivos
serão salvos compartilhada, backup em CD/DVD).
Em março de 2011, iniciou-se o trabalho de digitalização e nessa época eram apenas
372 documentos disponíveis no repositório Infoteca-e, que correspondiam a arquivos
de registros carregados automaticamente pela Embrapa Informática Agropecuária para o
lançamento dos repositórios.
O trabalho envolveu toda a equipe da biblioteca e foi dividido em três etapas:
46. Digitalização de todos os trabalhos de autores ou coautores da Embrapa Milho e Sorgo
que não tinham arquivo eletrônico disponível (realizada pelas assistentes);
47. Upload de todos os trabalhos digitalizados (realizada pela bibliotecária);
48. Upload de todos os trabalhos de autores ou coautores da Embrapa Milho e Sorgo em:

480 DPI significa Dots Per Inch, em português Pontos por Polegada, conceito também conhecido pela sigla PPP.
Representa o número de pontos que podem ser encontrados em uma polegada de uma determinada imagem. É
comum pessoas se referirem ao DPI como resolução da imagem. Disponível em:
&lt;http://www.significados.com.br/dpi/&gt;. Acesso em: 15 maio 2014.
481 Um pixel é o menor ponto que forma uma imagem digital, sendo que o conjunto de milhares de pixels
formam a imagem inteira. Disponível em: &lt;http://pt.wikipedia.org/wiki/Pixel&gt;. Acesso em: 15 maio 2014.

4217

�S publicações técnicas que já estavam disponíveis no formato PDF na página de
publicações da Embrapa Milho e Sorgo;
S resumos e artigos em anais de congresso disponíveis em CDs no formato PDF com
autoria ou coautoria de empregados da Embrapa Milho e Sorgo;
S artigos científicos publicados em periódicos brasileiros, disponíveis no SciELO e no
Portal Capes de autoria ou coautoria de pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo.
Esta terceira etapa foi realizada pela bibliotecária e otimizou o trabalho de inserção de
arquivos digitais uma vez que estes artigos já estavam disponíveis em formato PDF bastando
apenas fazer o upload para o Ainfo.
Para executar o trabalho, utilizou-se um computador e um escâner de mesa

e para

upload dos arquivos digitalizados nos repositórios utilizou-se o sistema de gerenciamento de
bibliotecas Ainfo.
Norteados pelas orientações da coordenação do Sistema Embrapa de Bibliotecas,
definiu-se alguns procedimentos para a realização do trabalho:
S Retirar todos os clips e grampos das publicações antes de digitalizá-las;
S

Digitalizar as publicações no formato PDF pesquisável;

S

Verificar a qualidade dos arquivos digitalizados;

S

Criar pastas e subpastas no servidor para armazenar os arquivos de acordo com

o tipo de publicação;
S

Salvar os arquivos nas pastas e subpastas correspondentes;

S

Nomear o arquivo com as duas primeiras palavras do título do trabalho. Ex:

Controlequimico.
OBS: Acrescentar números a títulos iguais da mesma subpasta.
Ex: Controle_quimico_1; Controle_quimico_2.
S

Manter uma cópia em papel de cada documento no acervo de separatas;

S

Ao fazer upload do arquivo no Ainfo, no campo “Disponível na Base de

Dados”, selecionar a opção “Totalmente - catalogação e texto completo”, para
publicações que são de domínio público ou publicadas pela Embrapa ou
selecionar a opção “Parcialmente - apenas catalogação”, para publicações que
não são de acesso livre e não foram publicadas pela Embrapa.
Enfatiza-se que, mesmo aquelas publicações que não estavam disponíveis em acesso
aberto e as quais a Embrapa não tinha o direito patrimonial, foram inseridas em nossa base482

482 Modelo HP Scanjet G4050.

4218

�local para compor o acervo da produção científica de nossa unidade no formato digital e assim
resguardar a memória técnico-científica da Embrapa Milho e Sorgo.
Finalizou-se o trabalho de digitalização retrospectiva da produção técnico-científica da
Embrapa Milho e Sorgo em maio de 2013. Foram 8.199 documentos digitalizados; dentre
estes, 7.505 documentos estão disponíveis totalmente (1.080 no repositório Infoteca-e, 4.903
no repositório Alice e 1.522 documentos foram digitalizados, mas não foram incluídos em
nenhum dos repositórios e estão disponíveis para acesso através da BDPA - Base de Dados da
Pesquisa Agropecuária

) e 694 documentos estão disponíveis parcialmente, ou seja, foram

digitalizados, mas, em respeito às questões de direito patrimonial, não foram disponibilizados
nos repositórios digitais e nem na BDPA. Portanto, 91% dos documentos digitalizados estão
disponíveis com texto completo e 9% dos documentos digitalizados não estão disponíveis
para acesso ao texto completo.

4 Resultados
O trabalho de digitalização retrospectiva da produção técnico-científica da Embrapa
Milho e Sorgo possibilitou a inclusão dessas publicações nos repositórios digitais da Embrapa
permitindo o acesso através da internet de publicações que antes eram acessíveis somente no
âmbito das bibliotecas da Embrapa ou por meio de sistemas de comutação.
Como resultados deste trabalho, destaca-se a representatividade que a coleção da
Embrapa Milho e Sorgo adquiriu nos repositórios digitais da Embrapa, o aumento da
visibilidade de sua produção técnico-cientifica e a preservação da memória institucional.
Quando iniciou-se o trabalho de digitalização, a Embrapa Milho e Sorgo possuía
apenas 372 publicações no repositório Infoteca-e e nenhuma publicação no repositório Alice.
Hoje a coleção da Embrapa Milho e Sorgo nos repositórios conta com 1.198 publicações na
Infoteca e 5.481 publicações no Alice483484.
Esses dados são atualizados constantemente uma vez que o registro e upload da
produção científica da Embrapa Milho e Sorgo é realizada diariamente no Ainfo.
O resultado mais expressivo desse trabalho é o número de consultas e downloads das
publicações da Embrapa Milho e Sorgo nos repositórios, descrito nos gráficos 1 e 2.
A coleção da Embrapa Milho e Sorgo no repositório Infoteca-e, contabilizou no ano de
2011, 18.732 downloads e 23.338 consultas. Em 2012, foram efetuados 49.385 downloads e
56.334 consultas. No ano de 2013 contabilizou 72.678 downloads e 75.311 consultas. Em
483 http://www.bdpa.cnptia.embrapa.br
484 Dados coletados em 16 de maio de 2014.

4219

�2014, a coleção da Embrapa Milho e Sorgo no repositório Infoteca-e já conta com 25.231
downloads e 23.374 consultas485.

Gráfico 1

Downloads e consultas na coleção da Embrapa Milho e Sorgo no repositório Infoteca-e
80000
60000
40000

Downloads

20000

Consultas

0
2011

2012

2013

2014

F onte: R e p o sitó r io In fo te c a -e - h ttp ://w w w .in fo e c a .c n p tia .e m b r a p a .b r

Desde a sua criação, a coleção da Embrapa Milho e Sorgo no repositório Infoteca-e já
totalizou 166.027 downloads e 178.357 consultas.
No repositório Alice, a coleção da Embrapa Milho e Sorgo contabilizou em 2011
44.910 downloads e 40.610 consultas. Em 2012 foram 144.428 downloads e 98.415 consultas.
No ano de 2013 foram 183.581 downloads e 185.989 consultas. Em 2014, a coleção da
Embrapa Milho e Sorgo no repositório Alice já conta com 79.009 downloads e 65.445
consultas486, como mostra o gráfico 2.

Gráfico2 - Downloads e consultas na coleção da Embrapa Milho e Sorgo no repositório Alice
200000
150000
100000

Downloads
Consultas

50000
0
2011

2012

2013

2014

Fonte: Repositório Alice - http:// w w w .alice.cnpti.em brapa.br
Desde a sua criação, a coleção da Embrapa Milho e Sorgo no repositório Alice totaliza
451.929 downloads e 390.459 consultas.
485 Dados coletados em 16 de maio de 2014.
486 Dados coletados em 16 de maio de 2014.

4220

�5 Considerações Finais
No mundo cada vez mais digital o acesso à informação é recurso estratégico para
desenvolvimento e inovação.
Serviços inovadores, como os repositórios digitais, surgem para facilitar o acesso à
informação e, cada vez mais, a biblioteca deve viabilizar novas formas de acesso a suas
coleções e a seus acervos.
Nesse sentido, a digitalização de publicações impressas, é um instrumento que permite
alimentar os repositórios digitais possibilitando assim o acesso a informação que antes estava
restrita a um espaço físico.
Além de tornar viável o acesso à informação, os repositórios também permitem a
realização de várias estatísticas nas coleções que podem servir para estudos bibliométricos de
análises de uso por assunto, autor, entre outros.

Referências
ARELLANO, M. A. Preservação de documentos digitais. Ciência da Informação, Brasília,
v. 33, n. 2, p. 15-27, maio/ago. 2004.
EMBRAPA. Resolução Normativa 14 de 8 de junho de 2001. Regulamenta no âmbito da
Embrapa, as questões de direito de autor e daqueles que lhe são conexos. Boletim de
Comunicações Administrativas, Brasília, ano 27, n. 25, p. 10-19, 11 jun. 2001.
GREENHALGH, R. D. Digitalização de obras raras: algumas considerações. Perspectivas
em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v.16, n.3, p.159-167, jul./set. 2011.
NASCIMENTO, A. C. A. de A. et al. Guia para digitalização de documentos: versão 2.0.
Brasília: Embrapa, 2006. Disponível em:
&lt;http://www.sct.embrapa.br/goi/manuais/GuiaDigitalizacao.pdf&gt;. Acesso em: 05 maio 2014.
SANOU, B. The world in 2014: ICT factors and figures. Switzerland, Geneva: International
Telecommunication

Union,

2014.

Disponível

em:

&lt;http://www.itu.int/en/ITU-

D/Statistics/Documents/facts/ICTFactsFigures2014-e.pdf&gt;. Acesso em: 09 maio 2014.
Director of the ITU Telecommunication Development Bureau.
SILVA, R. R. G. da. Procedimentos básicos de seleção de documentos para conversão digital:
elementos de atualização profissional em setores de duas instituições públicas federais.
Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v.11 n. 3, p. 433-444, set./dez.
2006
WEITZEL, S. da R. Reflexões sobre os repositórios institucionais. In: CONGRESSO
BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 29., 2006, Brasília. Anais... Brasília:
Intercom, 2006.

4221

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Este artigo descreve o trabalho de digitalização retrospectiva da produção técnico-científica da Embrapa Milho e Sorgo. O objetivo dessa ação foi converter em formato digital as publicações produzidas pelos empregados da Empresa e disponibilizá-las nos repositórios digitais para ampliar a visibilidade da produção técnico-científica da Embrapa Milho e Sorgo além de preservar a memória institucional. Relata os critérios adotados para converter o material impresso em formato PDF e os equipamentos e ferramentas utilizados pela equipe para a realização desta tarefa. Foram consideradas questões de direito de propriedade e de reprodução para não infringir a lei de direitos autorais. Foram avaliadas as estatísticas de downloads e acessos à produção técnico-cientifica da Embrapa Milho e Sorgo nos repositórios digitais da Embrapa, a fim de consolidar os objetivos deste estudo. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

DA EPISTEMOLOGIA DE PRESERVAÇÃO À QUESTÃO EMERGENT DA
PRESERVAÇÃO DE ACERVOS DIGITAIS: UM OLHAR APLICADO ÀS
BIBLIOTECAS DE PÓS-GRADUAÇÃO DA FIOCRUZ
Manoel Silva Barata
Gustavo Silva Saldanha

RESUMO
O presente trabalho busca apresentar uma contribuição teórica ao domínio da preservação nos
estudos biblioteconômicos, principalmente no que tange às informações científicas
armazenadas em suportes digitais. Para tanto, percorre-se três linhas gerais: a) análise
filosófico-epistemológica: reflexão sobre a razão filosófica para “preservar” e o papel
“teórico” da preservação no contexto da Biblioteconomia; b) análise técnico- política:
reflexão sobre a construção de modelos de políticas de implantação e de práticas
preservacionistas; e c) análise empírica: reflexão comparada entre os elementos filosóficoepistemológicos e aqueles técnico - políticos no contexto das práticas preservacionistas da
Fiocruz. A partir da construção destes objetivos, prossegue-se pela revisão de literatura na
área e aplicação de entrevistas com alguns profissionais bibliotecários atuantes da Rede de
Bibliotecas da Fiocruz que nos permitiram obter algumas contribuições teóricas sobre a
prática da Preservação Digital do ponto de vista biblioteconômico.
Palavras-Chave: Preservação Digital; Biblioteconomia; Epistemologia; Ética Profissional.

ABSTRACT
This study aims to present a theoretical contribution to the field of preservation studies in
librarianship especially in regard to scientific information stored on digital media. To do so ,
we will cover three general routes : a) philosophical- epistemological analysis : reflection on
the philosophical reason to "preserve" and " theoretical " role of preservation in the context of
librarianship ; b ) technical and policy analysis : reflections on building models of policy
implementation and preservationists practices ; c ) empirical analysis : reflection compared
between the philosophical- epistemological and those technical elements - political practices
in the context of preservationists Fiocruz . From the construction of these goals, we proceed
by reviewing literature in the area of application and interviews with some active librarians
Library Network Fiocruz that allowed us to get some theoretical contributions on the practice
of Digital Preservation from the point of view of library
Keywords: Digital Preservation; librarianship; epistemology; professional ethics

4195

�1 Introdução
O presente trabalho apresenta os primeiros resultados da dissertação em andamento no
Curso de Mestrado Profissional em Biblioteconomia oferecido pela Universidade Federal do
Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO. Este busca apresentar uma contribuição teórica ao
domínio da preservação nos estudos biblioteconômicos, principalmente no que tange às
informações científicas armazenadas em suportes digitais. Para tanto, percorre-se três linhas
gerais: a) análise filosófico-epistemológica: reflexão sobre a razão filosófica para “preservar”
e o papel “teórico” da preservação no contexto da Biblioteconomia; b) análise técnicopolítica: reflexão sobre a construção de modelos de políticas de implantação e de práticas
preservacionistas; e c) análise empírica: reflexão comparada entre os elementos filosóficoepistemológicos e aqueles técnico - políticos no contexto das práticas preservacionistas nas
bibliotecas da Fundação Oswaldo Cruz - Fiocruz. A partir da construção destes objetivos,
prossegue-se pela revisão de literatura na área e aplicação de entrevistas com alguns
profissionais bibliotecários atuantes da Rede de Bibliotecas da Fiocruz, possibilitando a
obtenção de algumas contribuições teóricas sobre a prática da preservação digital do ponto de
vista biblioteconômico.
Presente

no contexto

de fundamentação

do pensamento biblioteconômico-

informacional, o conceito de “preservação” responde por um conjunto de práticas que teceu
desde uma subterminologia a diferentes abordagens e tendências ao longo do processo de
produção e uso dos artefatos tratados como “registros do conhecimento”. O desenvolvimento,
no século passado, de tecnologias de “propagação” de dados, como televisão e rádio, em
paralelo com o desenvolvimento de tecnologias de “propagação” e “retenção”, como Internet
e telefonia móvel, colocou em pauta a aparente dicotomia entre “preservacionistas” e
“acessistas”, ou teóricos da preservação, de um lado, e teóricos do acesso, de outro.
Na epistemologia da Biblioteconomia e Ciência da Informação, este movimento
resulta, em alguns olhares, na relação conflituosa entre uma escola francesa, de fundo
humanista, e uma escola inglesa e estadunidense, de fundo tecnicista. Esta situação demarca,
desde já, a importância teórico-conceitual da “preservação” como ponto de inflexão do
pensamento biblioteconômico-informacional. Se observada a configuração atual de nosso
contexto sociotécnico, pautada pela web e seus potenciais de produção em rede e colaborativa,
a “questão da preservação” ganha em evidência e emergência. Em paralelo às técnicas e
abordagens teórico-práticas, pergunta-se, pois, como se dá o aprofundamento do estudo da
“preservação” no campo e seu potencial de correlação com a operacionalização de
determinadas abordagens.

4196

�Neste sentido, vê-se necessária, em certa medida, a preocupação com a visão
biblioteconômica - histórica sobre as atuais práticas de preservação digital, para que se torne
possível estabelecer novos conhecimentos e direcionamentos que venham a contribuir para as
soluções e os dilemas da “questão da preservação” no contexto digital. Da argumentação
epistemológica busca-se perceber o vínculo entre abordagem e as políticas institucionais que
ainda estão por serem construídas, tendo como eixo principal a preservação dos documentos
científicos em formato digital para as futuras gerações sobre a curadoria do profissional
bibliotecário, assim como a partir de teorias e leis da Biblioteconomia.

2 Contexto epistemológico: início de um “estado da arte” sobre a “preservação” no
pensamento biblioteconômico-informacional.
É fato que, historicamente, diversos autores como, Paul Otlet (1934), já manifestavam
sua preocupação com a preservação da informação para as futuras gerações - como é
observado, principalmente, em seu “Tratado de Documentação”, na seção dedicada à
conservação, alteração e destruição do livro e do documento. Assim como historiador, teórico
e bibliotecário Serrai (1975), se preocupava com a preservação das obras científicas, como
suporte da “memória coletiva das experiências existenciais, cientificas e culturais, seja do
indivíduo, seja da sociedade”. Com o passar do tempo os suportes informacionais evoluíram,
desde as tábuas de argila, papiros, papel, microfilme e mais recentemente aos suportes digitais
da informação.
A preservação aponta para domínios dos mais aplicados aos mais abstratos dentro da
Biblioteconomia e Ciência da Informação. Questões como memória e ética da informação,
por exemplo, representam dois solos discursivos que não podem estar desligados da discussão
sobre preservação

e indicam

arenas

de

debate

de relevância incontestável

na

contemporaneidade. Se reunidas com as noções de política, economia e sociedade; revela-se a
complexidade e a potência do significado do conceito de preservação e de sua aplicação. Isto
serve de alerta para a necessidade de um método filosófico que possa atentar para uma
epistemologia histórica do conceito, visando à ampla e profunda discussão sobre os gestos
atuais de compreensão dos motivos pelos quais se pode ou se deve preservar e em quais
condições.
Algumas questões de fundo que se apresentam ao “dilema da preservação” estão: o
que preservar? Para quem preservar? Como preservar? Onde preservar? Tais argumentações
apontam, simultaneamente, para respostas estritamente vinculadas ao terreno da aplicação.

4197

�Isto demonstra como uma “epistemologia da preservação” está intimamente posicionada em
um núcleo de tensão entre teoria e prática, entre reflexão e ação. O “dilema da preservação
digital”, neste sentido, abre-se como uma unidade de argumentação e de atuação central
dentro das reflexões filosóficas da Biblioteconomia e Ciência da Informação hoje. Deste
modo, entre um método filosófico e métodos indutivos, percebe-se a emergência do estudo.
Dentro deste contexto de profundas mudanças tecnológicas contemporâneas e do
crescente processo de migração do acervo bibliográfico científico do suporte impresso para o
digital, faz se necessário revisitar teorias da Biblioteconomia e Ciência da Informação em
autores como Solange Puntel Mostafa, Miguel Ángel Redón Rojas e Shyiali Ramamrita
Ranganathan, na busca por embasamento teórico que contribuam com a dinâmica da
informação, das bibliotecas e de seus suportes, assim, consequentemente, será possível a
identificação de possíveis contribuições à preservação da informação científica em meio
digital para as futuras gerações no ambiente das bibliotecas.
Mostafa (1985) pensa a Biblioteconomia como uma ciência que constitui a sua prática
social quando contribui com a prática educativa dentro de seu contexto social. Para tanto a
Biblioteconomia necessita de embasamento e de uma sustentação teórica dentro das Ciências
Sociais, pois a biblioteca é uma organização social que possui a missão de preservar e
disseminar a informação registrada em algum tipo de suporte para as futuras gerações, suporte
representado neste trabalho pelo conceito geral de Paul Otlet (1934), biblión que se entende
por todo registro da informação, seja texto, gráfico, plástico, ícone ou imagem sobre qualquer
material, do tablete de argila ao digital, incluindo, por exemplo: livros, documentos,
periódicos, documentos digitais, imagens, etc., de forma a garantir uma sociedade que
perpetue sua memória coletiva. Neste mesmo sentido
Butler aparece como iniciador de “uma nova abordagem da
Biblioteconomia” - onde ele deseja entender a Biblioteconomia numa visão
sistêmica, privilegiando as questões filosóficas dos propósitos e finalidades.
Ele afirma que a Biblioteconomia se posiciona na questão para ser discutida
em qualquer sistema das ciências sociais, porque a biblioteca é uma unidade
essencial na organização social, ela é um aparato social das transferências
dessa memória à consciência dos indivíduos, através dos livros, que são um
mecanismo social de preservação da memória racial. (BUTLER, 1933 apud
MOSTAFA, 1985, p.34)
Para Butler (1933 apud Mostafa, 1985) o livro é o suporte escolhido para representar o
registro físico da informação que pertencente ao conjunto da memória coletiva da sociedade,
necessita ser preservado para que as futuras gerações não percam o acumulado do
conhecimento das gerações passadas, da mesma forma que a biblioteca por toda sua história,

4198

�foi à organização social responsável por essa guarda e proteção, para que só posteriormente
fosse também encarregada de disseminar a informação.
Ranganathan (2009) apresenta como contribuições ao domínio da preservação em seus
enunciados da terceira lei - (Para cada livro seu leitor) e da quinta lei - (A biblioteca é um
organismo em crescimento), preocupações teóricas de sua época que ainda hoje estão
relacionadas com a preservação do conhecimento científico para as futuras gerações, quando
em sua terceira lei realiza reflexões sobre a organização do biblión e de seus respectivos
pontos de acesso no catálogo, subtende-se que uma coleção desorganizada não há como se
encontrar a informação que se procura, que dirá preservá-la. Já em sua quinta lei, o autor usa
uma metáfora sobre a biblioteca como sendo um “organismo biológico” que necessita se
desenvolver constantemente para não correr o risco de paralisar e perecer. Este risco ainda
presente nos dias atuais se repete há muitos anos, pois diante dos avanços tecnológicos e
sociais, a biblioteca necessita de constante atualização, pois como já era alertado por Serrai há
aproximados quarenta anos atrás,
Séculos de imobilidade fizeram da biblioteca um organismo estático, que
não consegue adequar-se rapidamente e interagir com os fenômenos
dinâmicos, que são causa e efeito da produção editorial e do movimento de
ideias. Estas por sua vez, são dinamizadas pelas mudanças da realidade
provocadas pelo desenvolvimento tecnológico, etc. Na assim chamada idade
moderna, que chega até nossos dias, a estrutura da biblioteca é obrigada a
modificar-se continuamente até que mude também seu significado e sua
natureza. (SERRAI, 1975, p.147).
Rendón Rojas (2005) nos ajuda a compreender como uma ciência biblioteconômica
fundamentada pode favorecer na resposta de questionamentos, como estes levantados
anteriormente, relacionando-as as atividades práticas do bibliotecário que sempre constituiu
um fator marcante na história das bibliotecas. Segundo o autor, diferentemente de outras
correntes filosóficas do estudo científico,
Se bem existe uma nova realidade, que nos obriga a readaptar e desenvolver
o conhecimento, que nos proporciona o elemento de inovação, também é
certo que não deve partir do nada, o qual salva a tradição. A questão não é
substituir um conhecimento por outros, mas sim aprofundar, complementar,
desenvolver uns conhecimentos que se têm. (RENDÓN ROJAS, 2005, p.21)
O conhecimento científico dentro de uma área de atuação como a Biblioteconomia,
deve acompanhar as mudanças de maneira responsável e atenta aos ensinamentos de autores
acadêmicos e nas boas práticas do passado, pois como nos apresenta Rendón Rojas, a melhor
maneira de fazer conhecimento é conhecendo e aproveitando as estruturas do passado como
base para adaptá-las as novas formas de pensar, atualizar e realizar. Por exemplo: aquele

4199

�bibliotecário que atuava somente descrevendo e classificando em fichas catalográficas
datilografadas; atualmente, também poderá fazê-lo em bases de dados bibliográficas
automatizadas, ou seja, hoje este profissional, dentre outras atribuições, terá facilidade em
alimentar, padronizar os repositórios de informações digitais, de forma a dar prosseguimento
em sua missão profissional de preservar e disseminar a informação.
Para além das questões técnicas e tecnológicas continuamente mutáveis, o contexto
biblioteconômico passa por diversas transformações, oriundas da própria evolução da
sociedade como um todo, pois como nos relembra Rendón Rojas,
o que importa neste momento é o fato de sabermos que o homem é um ser
social, que a biblioteca é uma instituição social, que o documento e o
conhecimento têm um caráter social e de que a Biblioteconomia pertence ao
campo das Ciências Sociais. (RENDÓN ROJAS, 2005, p.58).
Fazendo com que a Biblioteconomia fundamente sua objetividade em sua prática
social, através das atividades realizadas pelas bibliotecas com o objetivo geral de satisfazer as
necessidades informacionais de seus usuários. Pois, é “no mundo biblioteconômico onde se
está possibilitando que o sujeito encontre seus interlocutores e desta maneira se realize como
sujeito.” (RENDÓN ROJAS, 2005, p.72).
Neste contexto social em que a Biblioteconomia está inserida é onde reside o
compromisso ético do profissional bibliotecário com a sociedade e com sua própria forma de
atuar, pois como já no século XIX lembrava Benjamim Franklin Ramiz Galvão (Diretor da
Biblioteca Nacional, 1870 - 1882).
Nos nossos dias, em que a vastidão dos conhecimentos humanos se-dilata de
um modo assombroso, em que a atividade dos escriptores é cem vezes
maior, em que todas as classes sociaes vão com anxiedade procurar o pão do
espírito outr’ora reservado a um numero selecto e privilegiado de felizes,
quanto mais difficil é a tarefa do bibliotecário! Cumpre que tenha um saber
excepcional e sobretudo variado, sem presumpção nem altivez, um juízo
seguro e superior às sugestões de doctrina ou aos preconceitos de eschola; a
mais esmerada polidez e natural singeleza sem descair na condescência
banal e compromettedora; [...] amor indefesso ao trabalho, enthusiamo pela
profissão, espírito aberto a todas as conquistas, coração generoso e leal.
(GALVÃO, 1885 apud OLIVEIRA, 2011, p.150)
Além deste compromisso ético e do amor pela profissão, nota-se que à sociedade atual
coloca para o profissional bibliotecário mais alguns desafios: o desafio do aprendizado
contínuo, do trabalho cooperativo, do desenvolvimento e reformulação de padrões e
instrumentos racionais de trabalho, pois atualmente em Biblioteconomia, “o objeto tradicional
da disciplina: o livro e a biblioteca escapam, transformam e deslocam para outros fenômenos

4200

�(documentos, bases de dados, redes, centro de documentação, bibliotecas eletrônicas); que
muito se distanciam de serem semelhantes ao que se vinha gerenciando”. (RENDÓN ROJAS,
2005, p.150).

3 Materiais e Métodos

Primeiramente realizaram-se revisões na literatura biblioteconômica, com foco no
domínio da preservação, traçando reflexões sobre a forma como se pensava a preservação da
informação, esta que hoje migra rapidamente para o suporte digital, procurando identificar a
preocupação dos autores analisados, assim como comprovar a importância da utilização de
conceitos históricos epistemológicos como forma de garantir a preservação da informação
científica para as futuras gerações. Posteriormente levantaram-se dados preliminares através
de entrevistas com profissionais atuantes nas bibliotecas que compõem atualmente a Rede de
Bibliotecas da Fiocruz, com o objetivo de realizar uma reflexão comparada entre os elementos
filosófico-epistemológicos e aquelas técnicas - políticas no contexto das práticas de
preservação digital das bibliotecas da Fiocruz.
Nestas entrevistas foram levantados dados quantitativos e qualitativos da pesquisa
empreendida. Esta etapa possibilitou uma interpretação de ordem qualitativa, quando
confrontada com os dados levantados na pesquisa teórica, pois a entrevista é uma ferramenta
que permite um contato direto entre entrevistado e entrevistador,
A situação em que se desenvolve a entrevista é, em si mesma, uma situação
social em que entrevistador e entrevistado interagem, isto é, se influenciam
um ao outro, não apenas através das palavras que pronunciam, mas também
pela inflexão de voz, gestos, expressões fisionômicas, modo de olhar,
aparência e demais atrações pessoais e manifestação do comportamento.
(NOGUEIRA, 1968 apud CUNHA, 1982, p.9).
Desta forma as entrevistas foram realizadas com formulários previamente
estruturados, como espaços paralelos para garantir o direito a criticas e sugestões. Como por
exemplo: o modelo abaixo, baseado no “Meio Ideológico” proposto por Paul Otlet e o da
“Biblioteca é um organismo em crescimento” de Ranganathan:
Tabela 1 - Cooperação entre profissionais de preservação digital
In d ica d o res

P erg u n ta

Cooperação entre profissionais Caso exista, como avalia a
envolvidos com a preservação cooperação
entre
os
digital
profissionais envolvidos com a
preservação digital?
Fonte: adaptação de (OTLET, 1934).

R esp o sta s

- Pequeno
- Moderado
- Grande
- Justificativa

4201

�Tabela 2 - Racionalização nas atividades de preservação digital
In d ica d o res

P erg u n ta

Racionalização das atividades Caso exista, Como avalia a
atuais de preservação na racionalização,
ou
biblioteca analisada.
inteligibilidade das atividades
propostas atualmente para a
preservação
digital
na
biblioteca?
Fonte: adaptação de (OTLET, 1934).

R esp o sta s

- Pequeno
- Moderado
- Grande
- Justificativa

Tabela 3 - Padronização nas atividades de preservação digital
In d ica d o res

P erg u n ta

Padronização das atividades de Caso exista, Como avalia a
preservação na equipe de padronização das atividades de
preservação da biblioteca preservação digital?
analisada.
Fonte: adaptação de (OTLET, 1934).

R esp o sta s

- Pequeno
- Moderado
- Grande
- Justificativa

Tabela 4 - Crescimento do acervo digital
In d ica d o res

P erg u n ta

Crescimento
dentro
biblioteca do acervo
periódicos eletrônicos.

da Caso possua, como avalia o
de atual crescimento do acervo de
periódicos eletrônicos em
proporção ao mesmo acervo em
papel?
Crescimento
dentro
da Caso possua, como avalia o
biblioteca do acervo de livros atual crescimento do acervo de
eletrônicos.
livros eletrônicos em proporção
ao mesmo acervo em papel?
Fonte: adaptação de (RANGAN ATHAN, 2009).

R esp o sta s

- Pequeno
- Moderado
- Grande
- Justificativa
- Pequeno
- Moderado
- Grande
- Justificativa

Tabela 5 - Crescimento da demanda pelo acervo digital - Usuários/Instituição
In d ica d o res

P erg u n ta

R esp o sta s

Crescimento da demanda dos Caso possua, como avalia o atual
usuários por acervo em formato crescimento da demanda dos
usuários por publicações em
digital.
formato digital?
Crescimento
da
demanda Caso possua, como avalia o atual
Institucional por acervo em crescimento
da
demanda
Institucional por publicações em
formato digital.
formato digital de uma maneira
global?
Fonte: adaptação de (RANGAN ATHAN, 2009).

- Pequeno
- Moderado
- Grande
- Justificativa
- Pequeno
- Moderado
- Grande
- Justificativa

Tabela 6 - Crescimento da equipe capacitada em preservação digital
In d ica d o res

P erg u n ta

Crescimento
dentro
da Caso ocorrido, Como avalia o
biblioteca
da
equipe crescimento dos profissionais
capacitada em preservação capacitados dentro da biblioteca
para a preservação digital?
digital.
Fonte: adaptação de (RANGANATHAN, 2009).

R esp o sta s

- Pequeno
- Moderado
- Grande
- Justificativa

4202

�4 Resultados Parciais

Antes da análise preliminar sobre os dados levantados a título de pré-teste faz se
necessário esclarecer que os dados levantados nas entrevistas são preliminares e representam
aproximadamente 25% do universo total de entrevistados na fase de levantamento de dados
definitiva.
Dentre as diversas análises quantitativas possíveis, destacam-se quatro como seguem
nos gráficos abaixo, complementados por alguns tópicos qualitativos relacionados com as
respectivas questões quantitativas:

4.1

Crescimento do acervo de periódicos e livros eletrônicos em comparação com o acervo

em papel.
a) Análise quantitativa:
Gráfico 1: Crescimento Acervo - Eletrônico X Papel

No gráfico acima, observa-se que ocrescimento de acervo de periódicos em formato
eletrônico é maior do que o em formato em papel, além disso, é maior que o crescimento de e­
books, este último que por sua vez representa um pequeno crescimento na realidade da
instituição analisada.

b) Alguns tópicos qualitativos relacionados, denotados a partir de análise sobre os dados
levantados e tabulados:
43. Há uma grande preocupação institucional com a preservação digital;

4203

�44. Hoje os bibliotecários se preocupam, por não se ter garantias quanto à propriedade
definitiva nas maiorias dos contratos com as editoras de periódicos eletrônicos;

45. Os e-books são mais fáceis de serem adquiridos de forma perpétua junto à maioria das
editoras, mesmo assim o crescimento deste suporte informacional é considerado
pequeno na Instituição.
4.2

Avaliação sobre a demanda por publicações eletrônicas pelos usuários, instituição e a

correlação com a quantidade de profissionais capacitados em preservação digital.
^ Análise quantitativa:
Gráfico 2: Demanda por publicações eletrônicas - Usuários e Instituição X Profissionais
capacitados em preservação digital

No gráfico acima, observa-se que equanto a demanda dos usuários por publicações
eletrônicas é considerada moderada, já a demanda da instituição de maneira global é
considerada grande para a maioria dos entrevistados. Agora com relação ao número de
profissionais capacitados para atender a estas respectivas demandas, foram consideradas
pequenas pela maioria absoluta dos entrevistados neste pré-teste.
^ Alguns tópicos qualitativos relacionados, denotados a partir de análise sobre os dados
levantados e tabulados.
^ O crescimento da demanda por publicações eletrônicas é considerado moderado,
quando se pensa nos periódicos eletrônicos especificamente, pois o E-book ainda
apresenta um crescimento pequeno;

4204

�x O usuário quando vai à instituição informativa (biblioteca) ele está interessado em
satisfazer suas necessidades de informação, independentemente dos suportes em que
estas estejam;
^

O crescimento da demanda institucional por publicações eletrônicas, principalmente o
periódico, é uma tendência social e econômica que já vem ocorrendo há algum tempo;

^ A falta de capacitação em preservação digital faz com que os profissionais envolvidos
com estas atividades fiquem preocupados, pois o “Como fazer? De que forma?” em
grande parte, ainda está em desenvolvimento.
4.3

Avaliação sobre a cooperação profissional, padronização e racionalização das atividades

no universo dos processos de preservação digital cujo compromisso ético e social decai de
alguma forma sobre as bibliotecas.

a) Análise quantitativa:
Gráfico 3: Cooperação profissional X Padronização de atividades X Racionalização de
atividades - (em preservação digital)

No gráfico acima, observa-se co relação à cooperação dos profissionais envolvidos
com a preservação digital é considerada grande pela maioria dos entrevistados. No entanto
outros critérios importantes para serem pensados no momento de uma preservação digital

4205

�eficaz foram considerados pequenos, como a padronização e a racionalização das atividades
em preservação digital.

b) Alguns tópicos qualitativos relacionados, denotados a partir de análise sobre os dados
levantados e tabulados:

Cooperação existe dentro das unidades, em programas institucionais, através de reuniões
entre grupos de interesse ao tema, mais ainda precisamos pensar a preservação digital
de maneira mais ampla;
Tanto a padronização, quanto a racionalização das atividades em preservação digital são
pensadas, mais em grande parte, ainda estão em desenvolvimento, por isso são
consideradas como sendo pequenas para o nível de exigência e qualidade que se
almeja alcançar.
Esta preocupação com a preservação digital se dá no âmbito das assinaturas de periódicos
eletrônicas, dos e-books que são nato-digitais e também com relação aos processos
institucionais de digitalização de diversas tipologias de acervos.
O ARCA - Repositório Institucional da Fiocruz é lembrado diversas vezes como sendo
uma metodologia, ou ferramenta que colabora com a padronização e com a
racionalização das atividades de preservação dos objetos digitais oriundos da
Instituição.

5 Considerações Parciais
Como resultado preliminar deste trabalho em desenvolvimento já é possível
compreender e retirar algumas contribuições para os processos de preservação digital do
ponto de vista biblioteconômico, principalmente aqueles éticos epistemológicos preocupados
com a preservação da informação para as futuras gerações.
Primeiramente relacionadas às questões teóricas levantadas por Ranganathan em
análise reflexiva com dados do levantamento empírico, observa-se que há um crescimento
relevante do acervo de periódicos eletrônicos e ainda pequeno dos e-books, devido
principalmente à tendência do mercado editorial, porque ao usuário o que importa, quando
este procura por uma instituição informativa é satisfazer sua necessidade de informação,
independentemente do suporte em que esta informação esteja registrada. Neste contexto a
responsabilidade social e ética pela preservação da informação científica para as futuras
gerações perpassa pelas atividades profissionais do bibliotecário, que de modo nenhum pode

4206

�se eximir de procurar contribuir de alguma forma neste sentido, seja através da busca
incessante por soluções junto aos editores de periódicos científicos, seja estabelecendo rotinas
de backups em computadores existentes dentro de sua instituição informativa, seja
alimentando repositórios institucionais, etc.
Com relação às questões teóricas levantadas por Paul Otlet em análise reflexiva com
dados do levantamento empírico, constata-se que a cooperação entre os profissionais
envolvidos com a preservação digital se faz necessária, mas que sozinha não garante uma
preservação eficaz. A questão da padronização das atividades em preservação deve estar
alinhada as metas e missão institucional, assim como a racionalização das atividades devem
fazer parte das reflexões no âmbito das reuniões e fóruns colaborativos, pois a padronização
das atividades em preservação faz com que a instituição fale o mesmo idioma
preservacionista. Com relação à racionalização das atividades devem ser pensados tanto no
âmbito estratégico, quanto replicado aos níveis operacionais da instituição em forma de
políticas, guias, manuais, tutoriais, etc.
Em síntese, nesta análise preliminar, percebe-se que o trabalho tem muito a crescer
com o aumento do número de pesquisas e com o detalhamento das análises técnico-políticas e
filosófico-epistemológicas a serem refinadas nas próximas etapas deste trabalho.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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                <text>Da epistemologia de preservação à questão emergente da preservação de acervos digitais: um olhar aplicado às Bibliotecas de Pós-Graduação da FIOCRUZ</text>
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                <text>Barata, Manoel Silva, Saldanha, Gustavo Silva</text>
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                <text>O presente trabalho busca apresentar uma contribuição teórica ao domínio da preservação nos estudos biblioteconômicos, principalmente no que tange às informações científicas armazenadas em suportes digitais. Para tanto, percorre-se três linhas gerais: a) análise filosófico-epistemológica: reflexão sobre a razão filosófica para "preservar" e o papel "teórico" da preservação no contexto da Biblioteconomia, b) análise técnico- política: reflexão sobre a construção de modelos de políticas de implantação e de práticas preservacionistas, e c) análise empírica: reflexão comparada entre os elementos filosóficoe-pistemológicos e aqueles técnico – políticos no contexto das práticas preservacionistas da Fiocruz. A partir da construção destes objetivos, prossegue-se pela revisão de literatura na área e aplicação de entrevistas com alguns profissionais bibliotecários atuantes da Rede de Bibliotecas da Fiocruz que nos permitiram obter algumas contribuições teóricas sobre a prática da Preservação Digital do ponto de vista biblioteconômico.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

CURSO DE NORMALIZAÇÃO DE TRABALHOS TÉCNICO-CIENTÍFICOS A
DISTÂNCIA: AVALIAÇÃO DA METODOLOGIA APLICADA

Teresinha Teterycz
Sandra Helena Schiavon

RESUMO
Este artigo originou-se da análise da avaliação de reação aplicada aos participantes do Curso
de Normalização de Trabalhos Técnicos Científicos de acordo com as normas da ABNT, na
modalidade a distância, elaborado pelo Sistema Integrado de Bibliotecas, que foi
desenvolvido no Ambiente Virtual de Aprendizagem Eureka, de propriedade da Pontifícia
Universidade Católica do Paraná. Esta avaliação contém questões sobre a proposta
metodológica utilizada no curso, e tem por finalidade avaliar a qualidade e a viabilidade da
metodologia e recursos tecnológicos utilizados. O curso foi estruturado em sete unidades,
tendo como objetivo, capacitar os participantes na compreensão e aplicação das normas
técnicas para elaboração de trabalhos técnicos científicos. Em um universo de 185 avaliações,
foram respondidas 136. Para a análise do presente estudo foram selecionadas oito questões
que abordam os itens que se referem a metodologia e material didático. Conclui-se que a
proposta do curso tem atingido seu objetivo que é oferecer um ensino à distância de
qualidade, porém, faz-se necessário concentrar mais atenção para a solução das dificuldades
observadas.
Palavras-Chave: Ensino a distância. Publicações científicas. Normalização. Biblioteca
Universitária.
ABSTRACT
This article originated from the analysis of evaluation of applied reaction course participants
of Scientific Technical Works Normalization according to the ABNT, in distance mode,
prepared by the Library Integrated System, wich was developed in the Virtual Learning
Environment Eureka, owned by Pontifícia Universidade Católica do Paraná. This assessment
contains questions about the methodological approach used in the course, and aims to
evaluate the quality and feasibility of the methodology and technological resources used. The
course was structured into seven units, aiming, empower participants in the understanding and
application of the technical standards for preparation of technical scientific works. In a
universe of 185 reviews, 136 were answered. For the analysis of this study we have selected
eight questions that address the items that refer to methodology and didactic material. It is
concluded, however, it is necessary to focus more attention to the solution of the difficulties
observed.
Keywords: Distance education. Scientific publications. Normalização. University Library.

4181

�1 INTRODUÇÃO

As transformações constantes na sociedade impactam diretamente na percepção das
pessoas no mundo e nas configurações de educação. O uso das tecnologias digitais de
informação e comunicação que aceleram essa transformação, alteram também, a maneira de
ensinar e de aprender, quando estes novos recursos somam-se aos recursos tradicionais no
processo de ensino-aprendizagem.
Segundo Kenski apud Mendonça e Mendonça (2011, p. 109), “o homem transita
culturalmente mediado pelas tecnologias que lhe são contemporâneas. Elas transformam suas
maneiras de pensar, sentir e agir, mudam também suas formas de se comunicar e de adquirir
conhecimento.”
Para Romeiro (2011, p. 69), “a educação é mecanismo de manutenção da sociedade
[...] e tem contribuído na consolidação de uma nova forma de ensinar e de aprender mais
atualizada com as tendências do tempo presente.”
Atento a essa nova era tecnológica, o Sistema Integrado de Bibliotecas da PUCPR,
tem oferecido serviços, utilizando-se dessa nova modalidade de educação.
Na Era Digital, as Tecnologias de Informações e Comunicação estão cada vez mais
inseridas na educação “as redes sociais, a interatividade, as mídias de um modo geral estão
presentes no dia a dia dos estudantes e numa velocidade assombrosa.” (ALMEIDA; MOURA,
2013, p. 54).
O presente estudo não tem como prioridade aprofundar a discussão referente a EaD e
as variadas metodologias aplicadas para a referida modalidade de educação, e sim avaliar a
metodologia adotada para o curso de Normalização de Trabalhos Técnicos Científicos de
acordo com as normas da ABNT ministrado pelo Sistema Integrado de Bibliotecas da
Pontifícia Universidade Católica do Paraná.

2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E METODOLOGIA DE ENSINO

A oficialização dos cursos a distância no Brasil consta na Lei 9.394 de 1996, que
estabelece no artigo 80 a validade e incentivo a essa modalidade de ensino.

4182

�Art. 80. O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de
programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de
ensino, e de educação continuada.
1° A educação a distância, organizada com abertura e regime especiais, será
oferecida por instituições especificamente credenciadas pela União.
§ 2° A União regulamentará os requisitos para a realização de exames e
registro de diploma relativos a cursos de educação a distância.
§ 3° As normas para produção, controle e avaliação de programas de
educação a distância e a autorização para sua implementação, caberão aos
respectivos sistemas de ensino, podendo haver cooperação e integração entre
os diferentes sistemas. (BRASIL, 1996).

A origem e evolução da educação a distância divide-se em três fases distintas,
classificadas de acordo com a metodologia e recursos tecnológicos utilizados. A primeira fase
foi o ensino por correspondência seguida com a tele-educação, e atualmente, com os variados
recursos da tecnologia de comunicação e informação, a fase da internet.
Os recursos de informação e comunicação facilitam o processo de ensinoaprendizagem

e estimulam

a colaboração

entre

os participantes

(MENDONÇA;

MENDONÇA, 2011.). “As tecnologias interativas, sobretudo, vêm evidenciando, na
educação a distância, o que deveria ser o cerne de qualquer processo de educação: a interação
e a interlocução entre todos os que estão envolvidos nesse processo.” (MORAN, 2003, apud
MENDONÇA; MENDONÇA, 2011, p. 113).
Moraes (2002, p. 203) afirma que “em qualquer situação de aprendizagem, a interação
entre participantes é de extrema importância. É por meio das interações que se torna possível
a troca de experiências, o estabelecimento de parcerias e cooperação”.
No que se refere ao sistema de gestão do curso a distância, de acordo com Oliveira
(2010) é necessário estar fundamentada nos princípios da democracia e participação. Estão
integrados ao processo da referida gestão, os sistemas de avaliação, de acompanhamento, de
apoio ao estudante, da produção de material didático e da comunicação.
Ainda segundo o autor (2010, p. 18), na gestão democrática e participativa “todos os
sujeitos envolvidos no processo educacional são considerados partes importantes, pois são
coparticipantes, colaboradores no pensar, no fazer, nas responsabilidades, nas avaliações, nas
tomadas de decisão.”
Para Aires e Lopes (2010, p. 241)
os requisitos da EaD focados em processos interativos e participativos, na
dialogicidade, na construção coletiva do conhecimento e a aprendizagem
colaborativa em comunidades de trabalho em rede, têm se refletido, também,
na definição de opções de organização e gestão de sistemas de EaD ajustadas
a essas perspectivas pedagógicas na oferta educacional.

4183

�Para Haguenauer (2005, p. 1),“pedagogia por projetos, trabalho colaborativo,
inteligências múltiplas, resoluções de problemas, desenvolvimento de competências,
autonomia, pró-atividade, aprender a aprender, são métodos, técnicas, estratégias e posturas”
eficientes tanto no ensino presencial como a distância.
Moore e Kearsley (2004), afirmam que a principal característica de Educação a
Distância é a separação física e atemporal entre alunos e professores, e que a provisão e
relacionamento se dá por recursos artificiais de comunicação.
No que se refere à avaliação os mesmos autores destacam a importância da análise da
EaD numa perspectiva sistêmica, considerando o conteúdo, formato de comunicação,
interação, ambiente de aprendizagem e gestão do curso.

2.1 METODOLOGIA UTILIZADA NO CURSO DE NORMALIZAÇÃO DE TRABALHOS
TÉCNICOS CIENTÍFICOS DO SIBI/PUCPR

O Curso de Normalização de Trabalhos Técnicos Científicos do SIBI/PUCPR sob a
modalidade à distância, foi desenvolvido no Ambiente Virtual de Aprendizagem Eureka de
propriedade da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, para cursos à distância e
presenciais.
O Eureka é um ambiente virtual de aprendizagem colaborativa que oferece diferentes
possibilidades de interação e integração de alunos-professor e vice-versa, “favorecendo a
construção coletiva do conhecimento na medida que viabiliza a organização do processo e
permite a crítica como método. A tese, a antítese e a síntese podem ser livremente exercidas.”
(FERREIRA, 2003, p. 95).
A Plataforma Eureka com funcionalidades síncronas e assíncronas propicia a
comunicação entre todos os participantes. Oferece ainda, funções administrativas para apoiar
o professor no processo de gerenciamento de salas. Características, que dispensam
habilidades extras por parte dos usuários.
Na comunicação síncrona aluno e professor estão em tempo real na sala de estudos via
chat, teleconferências e outros recursos tecnológicos. Já na assíncrona, aluno e professor não
se encontram na sala ao mesmo tempo, o diálogo é por meio de fórum e e-mail. No curso em
questão o sistema de comunicação utilizado é o assíncrono.
O conteúdo do curso tem como base as normas da Associação Brasileira de Normas

4184

�Técnicas para documentação e informação. A estrutura contempla sete unidades, cujo
objetivo, é fazer com que os participantes compreendam a aplicação das normas técnicas para
elaboração de trabalhos técnicos científicos, visando habilidades em:
a) reconhecer diferentes tipos de trabalhos acadêmicos e sua estrutura;
b) compreender os elementos que compõem a estrutura dos diferentes tipos de
trabalhos acadêmicos;
c) padronizar a redação do texto;
d) compreender os diferentes tipos de citações em documentos e regras para
elaboração de referências;
e) formatar trabalho acadêmico.
O curso foi elaborado a partir de um Plano de Trabalho que contempla o conteúdo
ministrado, com base em uma metodologia colaborativa, utilizando-se de recursos
tecnológicos interativos.
Silva et al. (2011, p. 13), afirmam que “na educação a distância, o material didático
destaca-se como artefato basilar que alicerça o contexto e o cenário do processo de ensino e
de aprendizagem.”
Entendendo que nessa modalidade o aluno não deve ficar isolado no processo de
estudo, o curso em questão tem sua base em material didático interativo fazendo uso de
diversos recursos tecnológicos para que o mesmo tenha participação ativa e colaborativa na
construção do ensino-aprendizagem, juntamente com os professores e demais colegas.
Para dinâmica e interação entre os alunos e professores na construção do ensinoaprendizagem e do conhecimento, foram criados fóruns de discussão onde são apresentados
vídeos e textos referentes ao tema estudado. Nos fóruns, os alunos postam comentários sobre
o que compreenderam do conteúdo dos vídeos e textos, trocando experiências com os
professores e colegas.
O curso disponibiliza fóruns de dúvidas referente ao conteúdo do curso em cada
unidade. Ao final de cada unidade o aluno encontra uma auto avaliação, possibilitando assim
uma análise do conhecimento adquirido. A avaliação da aprendizagem se dá pela participação
nos fóruns de discussão, provas online e na última unidade do curso, o aluno deve elaborar a
formatação de um trabalho acadêmico, para desenvolver na prática o conteúdo trabalhado no
decorrer do curso, atividade esta que conta em 50% (cinquenta por cento) da avaliação final,
cuja média é 7.0 (sete).

4185

�3 MATERIAIS E MÉTODOS

O modelo teórico-metodológico que se adotou nesta pesquisa foi de natureza
quantitativa para avaliar as questões mensuráveis do questionário, mais adequada para apurar
opiniões e atitudes explícitas e conscientes dos pesquisados. Já para a análise dos conteúdos
dos fóruns de dúvidas, fez-se uso da pesquisa qualitativa, pois permite a interpretação e
comparação de eventuais contradições com as respostas das questões analisadas
quantitativamente.
A pesquisa quantitativa permite a mensuração de variáveis pré-estabelecidas
verificando e explicando a influência sobre as variáveis estudadas mediante análise de
frequência de incidências e correlações estatísticas. (MINAYO, 2010).
Segundo Minayo (2010), a pesquisa qualitativa responde a questões particulares de
uma realidade não quantificável, que é o universo de significados, crenças, motivos,
aspirações, valores e atitudes.
O estudo qualitativo permite revelar detalhes de dados que facilitam a exploração
maior de eventuais contradições e paradoxos, entre as quais estão as diferenças entre o
discurso e o comportamento. (BARROS; LEHFELD, 2003).
Para Flick (2009), a construção da pesquisa qualitativa não se dá a partir de uma teoria
ou abordagem metodológica única, pois adota várias posturas e métodos, entre eles a
observação, entrevistas, questionários e análise do conteúdo de documentos.
Chizzotti (1998), afirma que várias técnicas são privilegiadas na pesquisa qualitativa,
entre elas a utilizada neste estudo que é a análise de conteúdo.
Análise de conteúdo é um método de tratamento da informação, cuja técnica se aplica
à análise de textos escritos ou de qualquer comunicação. O “objetivo da análise é
compreender criticamente o sentido das comunicações, seu conteúdo manifesto ou latente, as
significações explícitas ou ocultas.” (CHIZZOTTI, 1998, p. 98).
Para finalizar o curso o aluno tem como última atividade a “avaliação de reação” que
contém questões sobre a proposta metodológica utilizada. O questionário de avaliação contém
14 questões que abordam a metodologia, recursos tecnológicos e a atuação da coordenação e
tutores. A finalidade é avaliar a qualidade e a viabilidade da metodologia utilizada.
Em um universo de 185 avaliações foram respondidas 136, portanto, os resultados
apresentados referem-se ao total de 136 avaliações. Para a análise do presente estudo, foram
selecionadas oito questões que abordam os itens que se referem a metodologia e recursos
didáticos e tecnológicos.

4186

�Após a tabulação dos dados das questões apresentadas em formato de gráfico, no
próximo item, fez-se uma análise de conteúdo dos fóruns de dúvidas, com uma visão
comparativa, avaliando os pontos negativos da avaliação com os comentários registrados nos
fóruns.

4 RESULTADOS

No presente item apresentam-se, os resultados da pesquisa em formato de gráficos
acompanhados da análise comparativa com o conteúdo dos fóruns de dúvidas.
Os dados apresentados nos gráficos 1 ao 4 referem-se às atividades propostas no curso.
Segundo Almeida (2003) Para ensinar em ambientes virtuais de aprendizagem é necessário
organizar situações de aprendizagem, planejar e propor atividades, disponibilizar materiais de
apoio, ter um mediador e orientador do aluno que possa identificar suas representações de
pensamento; fornecer informações relevantes, incentivar a busca de distintas fontes de
informações e propiciar a inter-aprendizagem e a aprendizagem significativa do aluno.

Gráfico 1: Clareza das atividades
Questão 1 -Clareza das atividades

Sem opinião
Concordo totalm ente
Concordo parcialmente
Discordo parcialmente
Discordo totalm ente

Fonte: as autoras, 2014.

Do total, 71% dos aluns concordam totalmente com a clareza das atividades, 27%
concordam parcialmente e 2% discordam totalmente. Quando comparada com as dúvidas
postadas nos fóruns, observou-se que os participantes que discordaram tiveram dificuldades
nesse quesito devido a uma leitura pouco minuciosa do Plano de Trabalho e demais
orientações, conforme relatórios de acesso ao material didático.

4187

�Gráfico 2:
distância?

As atividades foram condizentes com a carga horária prevista para estudo à

Questão 2 - As atividades foram condizentes com a carga horária
prevista para estudo à distância?

■ Sem opinião
■ Concordo totalmente
■ Concordo parcialmente
■ Discordo parcialmente
■ Discordo totalmente

Fonte: as autoras, 2014.

Com relação as atividade, 69% dos alunos concordam totalmente que as atividades
foram condizentes com a carga horária prevista para o estudo a distância.

Concordam

parcialmente 26%, para as opções discordam parcialmente, discordam totalmente e sem
opinião os alunos responderam 3%, 1%, 1% respectivamente.
Comparando com as solicitações de prazos extras, observou-se que independente da
carga horária muitos participantes tiveram dificuldades na organização e planejamento dos
estudos.

Gráfico 3: As atividades foram pertinentes à proposta do curso?
Questão 3 - As atividades foram pertinentes à proposta do curso?

■ Sem opinião
■ Concordo totalmente
■ Concordo parcialmente
■ Discordo parcialmente
■ Discordo totalmente

Fonte: as autoras, 2014.

A grande maioria, ou sej, 88% dos alunos concordam totalmente que as atividades
foram pertinentes à proposta do curso, 10% concordam parcialmente e apenas 2% discordam
parcialmente.

4188

�Gráfico 4: O grau de profundidade e abrangência dos conteúdos estiveram de acordo com as
suas expectativas?
Questão 4 - O grau de profundidade e abrangência dos conteúdos
estiveram de acordo com as suas expectativas?

■ Sem opinião
■ Concordo totalm ente
■ Concordo parcialmente
Discordo parcialmente
■ Discordo totalm ente

Fonte: as autoras, 2014.

Quanto ao grau de profunidade e abrangência dos conteúdos, 69% dos alunos
concordam totalmente que estiveram de acordo com suas expectativas. Os participantes 27

%

concordam parcialmente e 4% discordam parcialmente e/ou não omitiram opinião.
As questões 5, 6 e 7 abordam questões relativas ao material de apoio/didático. A
concepção do material didático deve partir “de uma proposta multidisciplinar que vai de
encontro à comunicação, à tecnologia e aos meios de articulação pedagógica”, construídos
para serem dinâmicos, atraentes e diversificados. O material didático deve ser elaborado com
articulação a um ambiente virtual de aprendizagem, organizado, flexível, com interface de
fácil acesso e interação, proporcionando ao estudante segurança na realização das atividades e
auxiliando no desenvolvimento da capacidade reflexiva. (LOBATO, 2009).

Gráfico 5: O material de apoio era pertinente e atualizado?
Questão 5 - 0 material de apoio era pertinente e atualizado?

S e m o p in iã o
C o n c o r d o t o t a lm e n t e
C o n c o r d o p a r c ia lm e n te
D is c o rd o p a r c ia lm e n te
D is c o rd o to t a m e n te

Fonte: as autoras, 2014.

4189

�A opção concordo totalmnte se o material de apoio era pertinente e atualizado foi de
86% dos alunos, seguido de 12% para concordo parcialmente e 2% discordo parcialmente.
Como o material didático tem como base a última edição das normas da ABNT, entende-se
que a discordância refere-se a pertinência do material disponibilizado.

Gráfico 6: O material de apoio disponibilizado foi adequado à realização das atividades?
Questão 6 - O material de apoio disponibilizado foi adequado à realização
das atividades?

■ Sem opinião
■ Concordo totalm ente
■ Concordo parcialmente
Discordo parcialmente
■ Discordo totalm ente

Fonte: as autoras, 2014.

Três quartos ou 75% dos lunos concordam totalmente que o material de apoio
disponibilizado foi adequado para a realização das atividades, concordam parcialmente 21% e
discordam parcialmente 4%.

Gráfico 7: O material de apoio recomendado pôde ser facilmente obtido?
Questão 7 - O material de apoio recomendado pôde ser facilmente
obtido?

■ Sem opinião
■ Concordo totalm ente
■ Concordo parcialmente
Discordo parcialmente
■ Discordo totalm ente

Fonte: as autoras, 2014.

4190

�Quanto a facilidade de bter o material de apoio recomendado, os percentuais estão
mais distribuídos: concordam totalmente 59%, concordam parcialmente 32%, discordam
parcialmente 5%, discordam totalmente e sem opinião 2% cada.
Observou-se, que alguns dos participantes tiveram dificuldades em acessar o material
que estava disponível na plataforma do curso, mesmo com as orientações e facilidade da
interface de acesso, dificuldades estas, relacionadas ao uso de tecnologias de informação e
comunicação.
Quanto aos critérios de avaliação tratados no gráfico 8, sob a ótica dos autores Bassani
e Behar (2006) e Hoffmann (2001), um sistema de avaliação deve levar em conta aspectos
qualitativos e quantitativos, com testes on-line e correção automática pelo sistema, produção
individual envolvendo pesquisas e elaboração de textos, e análise de interações dos alunos
com tutores e colegas por meio de fóruns, chats, etc. Aspectos estes aplicados no curso em
questão.

Gráfico 8: Os critérios de avaliação estabelecidos estavam claros e bem definidos?
Questão 8 - Os critérios de avaliação estabelecidos estavam claros e bem
definidos?

■ Sem opinião
■ Concordo totalmente
■ Concordo parcialmente
Discordo parcialmente
■ Discordo totalmente

Fonte: as autoras, 2014.

Concordam totalmente se s critérios de avaliação estabelecidos estavam claros e bem
definidos foi a opção escolhida por 69% dos alunos. Concordam parcialmente 24%, 5%
discordam parcialmente. Para as opções discordo parcialmente e sem opinião 1% cada.
Assim como na primeira questão, quando comparada com as dúvidas postadas nos
fóruns, observou-se que os participantes que discordaram tiveram alguma dificuldade nesse
quesito devido a uma leitura pouco minuciosa do Plano de Trabalho e demais orientações.

4191

�5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O resultado das avaliações nos mostra que a metodologia e recursos utilizados no
curso tem tido resultados positivos. Das avaliações analisadas verificou-se que 71% dos
alunos concordaram totalmente que as atividades estavam claras, 69% concordaram
totalmente que as atividades estavam condizentes com a carga horária, 88% concordaram
totalmente que as atividades foram pertinentes à proposta do curso, 69% concordam
totalmente que a abrangência do curso estava de acordo com suas expectativas, 86 %
concordam totalmente que o material de apoio era pertinente e atualizado e 75% que o
material foi adequado, quanto a facilidade de obter o material recomendado 59% concordam
totalmente e 69% concordam totalmente que os critérios da avaliação estabelecidos estavam
claros e bem definidos. O resultado das avaliações, nos mostra que a metodologia e recursos
utilizados no curso tem tido resultados positivos.
Para a conclusão final do estudo, fez-se a análise comparativa das dúvidas publicadas
nos fóruns pelos participantes e percebeu-se que os pontos avaliados como negativos nas
questões aqui estudadas, estão ligados a dificuldades de uso das tecnologias de informação e
comunicação, leitura pouco atenciosa das orientações e do Plano de Trabalho.
Diante disto, conclui-se que a proposta do curso tem atingido seu objetivo, que é
oferecer um ensino a distância de qualidade, porém, faz-se necessário concentrar mais atenção
para a solução das dificuldades observadas.

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4194

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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              <name>Creator</name>
              <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Curso de normalização de trabalhos técnico-científico a distância: avaliação da metodologia apliacada</text>
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                <text>Teterycz, Teresinha, Schiavon, Sandra Helena</text>
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                <text>2014</text>
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            <name>Type</name>
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            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
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              <elementText elementTextId="76614">
                <text>Este artigo originou-se da análise da avaliação de reação aplicada aos participantes do Curso de Normalização de Trabalhos Técnicos Científicos de acordo com as normas da ABNT, na modalidade a distância, elaborado pelo Sistema Integrado de Bibliotecas, que foi desenvolvido no Ambiente Virtual de Aprendizagem Eureka, de propriedade da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Esta avaliação contém questões sobre a proposta metodológica utilizada no curso, e tem por finalidade avaliar a qualidade e a viabilidade da metodologia e recursos tecnológicos utilizados. O curso foi estruturado em sete unidades, tendo como objetivo, capacitar os participantes na compreensão e aplicação das normas técnicas para elaboração de trabalhos técnicos científicos. Em um universo de 185 avaliações, foram respondidas 136. Para a análise do presente estudo foram selecionadas oito questões que abordam os itens que se referem a metodologia e material didático. Conclui-se que a proposta do curso tem atingido seu objetivo que é oferecer um ensino à distância de qualidade, porém, faz-se necessário concentrar mais atenção para a solução das dificuldades observadas.</text>
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            <name>PDF Text</name>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

CRIAÇÃO DE UM CURSO A DISTANCIA PARA CAPACITAÇÃO DE USUÁRIOS
QUANTO A ESTRUTURAÇÃO E NORMALIZAÇÃO DE TRABALHOS
ACADÊMICOS: RELATO DE EXPERIÊNCIA DO SBI/IFSC-USP
Maria Helena Di Francisco
Ana Mara Prado
Maria Cristina Dziabas
Sabrina di Salvo Mastrantonio
Luciana Brasil Martinez
Maria Neusa Azevedo
Vilma Del Grossi Coutinho
Caio Cesar Nascimento Moreira
RESUMO
A criação de um curso a distância, utilizando o ambiente virtual de aprendizagem Moodle,
tem como finalidade capacitar e orientar os alunos de graduação e pós-graduação quanto à
normalização e estruturação de trabalhos acadêmicos, de acordo com as normas da ABNTAssociação Brasileira de Normas Técnicas. O curso a distância foi estruturado em 4 módulos
e cada um deles possui tópicos específicos, sem aulas presenciais, que englobam informações
sobre elaboração de referências, citações em documentos, normalização e estrutura de
trabalhos acadêmicos e gerenciador de referências. A avaliação de cada módulo é composta
por exercícios específicos relacionados a cada assunto tratado nos tópicos. A equipe do
Serviço de Atendimento ao Usuário da Biblioteca é responsável pela atualização do conteúdo
e tutoria. A biblioteca já possui uma boa experiência com a capacitação de usuários no
formato de aulas presenciais, ministradas em algumas disciplinas do curso de graduação e
pós-graduação do Instituto de Física de São Carlos - IFSC da Universidade de São Paulo USP, desde 2004. Como resultado desta experiência, em 2013, resolvemos ampliar a oferta
desta capacitação, por meio da criação de um curso a distância para atender maior número de
usuários, pois a educação a distância tornou-se um instrumento valioso no ensino, oferecendo
flexibilidade nos horários, especificidade nos conteúdos, sem reduzir a qualidade da
aprendizagem.
Palavras-chave: Educação à distância; Bibliotecas universitárias; Capacitação de usuários.

ABSTRACT
The creation of a distance course using the virtual learning environment Moodle aims to
empower and guide undergraduate and postgraduate students regarding the standardization
and structuring of academic papers in accordance with the standards of ABNT - Brazilian
Association of Technical Standards. The distance learning coursewas structured in 4 modules
and each one has specific topics without regular classes which include information on
preparing references, citations in documents, standardization and structure of academic papers

4168

�and references manager. The evaluation of each module consists of specific exercises related
to topics in each subject matter. The staff at the Care Center User Library is responsible for
updating the content and mentoring. The library already has a good experience with the
training of users in face- taught in some subjects of the undergraduate and postgraduate
students of the Institute of Physics of São Carlos format - IFSC , University of São Paulo USP since 2004 .As a resultof this experience, in 2013 wedecided to expandthe provisionof
thistraining, through the creationofa distance courseto meetmore users, as distance
educationhas becomea valuable toolin teaching, offeringflexibility inschedules,
specificityincontent, without reducingthe quality of learning.
Keywords: Distance education; University libraries; Users training.

1 Introdução
O Serviço de Biblioteca e Informação do Instituto de Física de São Carlos - SBI/IFSC
possui um Programa de Capacitação de Usuário, denominado PCU, cujo objetivo é a
orientação do aluno no uso das fontes de informação e normalização de documentos
científicos por meio de aulas presenciais. O programa também abrange visita orientada à
biblioteca; recepção de calouros; apresentação dos serviços e produtos oferecidos pela
biblioteca; treinamentos para o acesso as bases de dados; capacitação para normas da ABNT
sobre: estruturação e normalização de trabalhos acadêmicos, citações em documentos,
elaboração de referências e resumos. Para uma efetiva aplicação do programa de capacitação,
estabelecemos parcerias com alguns docentes, que disponibilizam algumas de suas aulas para
que possamos ministrar os treinamentos. Isto tem nos proporcionado bons resultados, um
deles foi a oportunidade de organizarmos juntamente com um docente a “Semana da Escrita
Científica do IFSC”, um evento de grande interesse para a comunidade local e externa,
atraindo aproximadamente 300 participantes/ano. O evento é composto por palestras,
minicursos e oficinas e este ano terá sua quinta edição. Com isso, conseguimos uma
aproximação bastante satisfatória com os docentes e alunos, cumprindo nosso papel de agente
de informação e fazendo com que nossos serviços e produtos sejam mais divulgados e
valorizados.
Resolvemos então, a partir destas experiências presenciais até o momento, criar um
curso a distância sobre “Estruturação e Normalização de Trabalhos Acadêmicos”, com o
objetivo de complementar a capacitação tradicional, sem o intuito de substituí-la. Para tal, o
conteúdo até então utilizado, foi complementado e adaptado para um ambiente virtual de
aprendizagem,

lotado na plataforma Modular

Object-Oriented Dynamic Learning

Environment(Moodle), que é um software livre, amplamente utilizado por educadores e

4169

�alunos de todo o mundo. O público alvo são os alunos de graduação, que chegam a
Universidade sem conhecimento das normas técnicas para elaboração dos seus relatórios,
resumos, pôsteres, trabalhos de conclusão de curso (TCC), entre outros. Pretendemos também
auxiliar os alunos de pós-graduação, norteando-os quanto à utilização das normas técnicas
para a elaboração de dissertações, teses e artigos científicos.

2 Revisão de literatura
Os serviços oferecidos pelas bibliotecas, bem como a infraestrutura de gestão do
acervo bibliográfico vem passando por reestruturações significativas, devido aos avanços
conquistados pelo desenvolvimento da tecnologia. Neste cenário, uma nova gama de
atividades é oferecida aos usuários pelos profissionais da informação. (OLIVEIRA et al.,
2013)
Marcada pelas novas tecnologias da informação e comunicação (TICs), as bibliotecas
desempenham não somente o papel de guardar e preservar, mas também de disponibilizar a
informação, e a Educação a Distância (EaD) vem bem de encontro à isso. Analisando a
história das bibliotecas, vemos que em cada período, tal como as distintas gerações de EaD,
elas também estão ligadas a suportes e técnicas que lhes dão características próprias, no
decorrer do tempo, conceituando-as de acordo com sua época.(SANTOS FILHO;
GIANNASI-KAIMEN, 2009)
Antônio (2013) aponta a tendência dos programas de capacitação e treinamento de
usuários, o qual visa capacitar os usuários quanto ao uso dos recursos informacionais
disponíveis, migrarem para os ambientes de aprendizagens virtuais, como o Moodle, de forma
a atingir maior público e aproveitar as novas ferramentas de comunicação e interatividade
destes ambientes. Costa et al. (2012), no mesmo sentido, alerta que a crescente demanda pela
EaD tem feito com que as universidades revisem seus cursos, investindo e adaptando-os à
nova realidade - onde conhecimento e inovações tecnológicas avançam rapidamente - o que se
estende às bibliotecas, na oferta de serviços e produtos aos seus usuários.
Simão Neto (2002) ressalta que, para a melhor compreensão das escolhas em relação
às tecnologias, mídias e metodologias utilizadas em um curso a distância, é importante
considerarmos algumas expectativas e objetivos. Para tal, apresenta uma lista com as
expectativas e desejos mais comuns em relação à EaD:
1. Vencer distâncias
2. Reduzir o custo
3. Reduzir o tempo de estudo

4170

�4. Ampliar escolhas
5. Facilitar o acesso
6. Diversificar o espaço
7. Aumentar a colaboração
8. Mudar as formas de ensinar e aprender
Dependendo do objetivo e do público alvo pretendido, faz-se a escolha e uso dos
meios e recursos tecnológicos mais adequados.
Na modalidade EaD, o aluno é co-responsável pelo seu processo de aprendizagem, por
meio do desenvolvimento de competências, habilidades, atitudes e hábitos de estudo, bem
como pela construção de conhecimento. Além disso, o aluno pode escolher o tempo e o local
que lhe forem adequados, sem a participação em tempo integral de um professor. Por sua vez,
o educador (professor e/ou tutor) atua como mediador deste processo a distância, em presença
física ou virtual, participando do processo de aprendizagem do aluno e o orientando a se
organizar com os prazos, permanecendo atento às necessidades sociais e dos saberes de cada
disciplina. (LIMA, 2014)
Baseado nas expectativas citadas por Simão Neto (2002) e na nova tendência de
criação de cursos EaD mencionada por Costa et al. (2012), estruturamos o curso aqui descrito.
Optamos por utilizar a plataforma Moodle que é um software livre que pode ser baixado,
customizado e utilizado sem custos. Segundo Alencar et al. (2011), o Moodle, assim como
qualquer outro Learning Management System (LMS), permite ao professor gerenciar um curso
a distância, que engloba as etapas de planejamento, implementação e gestão do aprendizado a
distância. A plataforma funciona como um apoio didático online, uma vez que disponibiliza
ao professor a escolha de ferramentas como fóruns, chat, diários, dentre outras que se
enquadram dentro do objetivo proposto para a disciplina. Também proporciona um espaço de
aprendizagem dinâmico, baseado na colaboração mútua dos participantes, cooperativismo,
compartilhamento de materiais, pesquisas, coletas e revisão de tarefas, avaliação e registro de
notas.

3 Materiais e métodos
O curso em questão é ministrado sob a modalidade à distância, desenvolvido no
ambiente virtual de aprendizagem do CISC - Centro de Informática de São Carlos da
Universidade de São Paulo, que utiliza a plataforma Moodle.

4171

�O ambiente Moodle foi configurado para atender às necessidades do curso. Além do
conteúdo teórico, dividido em módulos, algumas ferramentas foram escolhidas para auxiliar a
comunicação entre tutores e alunos, são elas:
Fórum de notícias: pode ser utilizado para comunicação de assuntos gerais, como divulgação
de eventos que possam ser de interesse aos alunos do curso, mas também pode tratar de
assuntos da disciplina, como abertura de um novo tópico ou módulo do curso (Figura 1).
Fórum de discussão: ferramenta de interação assíncrona, permitindo que os alunos discutam
um tema ou tirem suas dúvidas. O fórum de discussão quando utilizado como fórum de
dúvidas, propicia aos alunos exposição de suas dúvidas aos tutores e ao mesmo tempo,
compartilham com os colegas, que podem ajudá-los a esclarecer ou aprender com as respostas
dos tutores (Figura 2).
Chat: interação síncrona (isto é, em tempo real) entre tutores e alunos ou mesmo entre os
alunos. Possibilita que o atendimento às dúvidas ou dificuldades, ou até mesmo discussões
sobre determinado assunto, aconteçam de forma mais dinâmica (Figura 3).

Figura 1 - Fórum de notícias

Fonte: ENSINO...

4172

�Figura 2 - Fórum de discussão

Fonte: ENSINO..
Figura 3 -Chat

Fonte: ENSINO...

3.1 Estrutura do curso
O coteúdo do curso foi dividido em 4 módulos, sendo os módulos 1, 2 e 3 sobre as
normas da ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas e o módulo 4 trata
especificamente do Gerenciador de Referências EndNote Basic da Thomson Reuters
(Figuras4 e 5). Cada um dos módulos foi dividido em tópicos e foram propostos exercícios
relativos aos respectivos assuntos abordados. O intuito desta subdivisão foi facilitar a
assimilação do conteúdo e a proposta de exercícios visa o acompanhamento do aprendizado

4173

�pelos tutores, bem como as dificuldades enfrentadas pelos alunos neste processo. Os módulos
1 e 2 do curso já estão disponíveis no ambiente virtual. Os demais módulos estão em fase de
elaboração e a previsão para disponibilizá-los é o segundo semestre de 2014.

Figura 4 - Página inicial do curso

Fonte: ENSINO.

Figura 5-Módulo 1 Elaboração de Referências

Fonte: ENSINO...

4174

�Módulo 1 - Elaboração de Referências
Este módulo tem como objetivo geral orientar os alunos na elaboração de referências
de acordo com as normas da ABNT NBR 6023.
Os objetivos específicos são:
a) ressaltara importância da normalização na elaboração de documentos e fornecer
subsídios para que os alunos reconheçam os elementos essenciais e complementares que
possibilitam a identificação individual de um documento (Tópico 1);
b) apresentar a sequência padronizada dos elementos das referências nas diferentes
normas e orientar, em relação à norma ABNT, sobre as regras gerais de apresentação das
referências, quanto ao formato e ordenação das mesmas (Tópico 2);
c) detalhar os elementos das referências, apresentando as variações possíveis para cada
um deles, facilitando ao aluno a identificação dos mesmos (Tópico 3);
d) orientar a elaboração de referências de diferentes tipos de documentos, fornecendo
modelos e exemplos variados (Tópico 4);
Módulo 2 - Citação
O objetivo geral deste módulo é apresentar as características oficiais para a criação de
citações em todos os tipos de documentos, nos quais seja necessário o emprego das Normas
da ABNT NBR 10520 - Citações em documentos.
Os objetivos específicos são:
a) apresentar a norma que rege a citação em documentos,ressaltando a importância em
mencionar a fonte consultada na elaboração de trabalhos acadêmicos, para dar credibilidade
ao mesmo, bem como evitar o plágio (Tópico 1);
b) descrever e exemplificar os diferentes tipos de citação (Tópico 2);
c) comentar sobre alguns casos específicos de citação, bem como detalhar o
significado e aplicação das expressões latinas (Tópico 3);
d) orientar quanto aos diferentes tipos de sistemas de chamada, autor-data e numérico,
comentando sobre as vantagens e desvantagens de cada um deles (Tópico 4)
Módulo 3-Apresentação de trabalhos acadêmicos
Este módulo está em fase de elaboração pela equipe responsável e nele serão tratados
os conceitos gerais dos trabalhos acadêmicos, tais como: regras gerais de apresentação (fonte,
espacejamento, margem, paginação, numeração progressiva, listas de figuras, tabelas,
símbolos, sumário, anexos, apêndices e sistemas de chamada: numérico e autor-data, etc...). O
objetivo é auxiliar os alunos na estruturação e organização das suas dissertações, teses, TCCse
na submissão dos artigos científicos, tendo com base a norma da ABNT NBR

4175

�14724:Informação e documentação - Trabalhos acadêmicos -Apresentação. Um trabalho bem
estruturado permite uma leitura mais coesa e facilidade na obtenção de informações dentro do
documento e isso se dá pela padronização das informações segundo a norma mencionada.
Módulo 4-Gerenciador de Referências
Outro módulo, ainda em fase de elaboração, é o do gerenciador EndNote Basic
desenvolvido pela Thomson Reuters e disponível para toda comunidade USP, que permite
armazenamento, organização das referências recuperadas nas bases de dados e possibilita a
inclusão de citações e referências na elaboração de um texto. Seu conteúdo envolve ainda o
gerenciamento de pastas, compartilhamento com outras pessoas com permissão para leitura

ou edição, verifica a duplicidade de referências, padronização segundo as normas
internacionais e nacional, além do armazenamento dos arquivos PDFs e figuras recuperados.
O principal objetivo na utilização dos gerenciadores de referências é facilitar a gestão das
referências, propiciando a otimização no desenvolvimento dos trabalhos acadêmicos, bem
como, a padronização das referências conforme o estilo adotado pelas Instituições.Para cada
um dos módulos, um conjunto de exercícios foi sugerido para fixação do conteúdo. Dentre as
opções do Moodle, foram utilizados dois tipos de exercícios:
Tarefa: o aluno deve postar um documento, como resposta a atividade proposta (Figura 6).
Questionário: o aluno deve escolher uma opção de resposta entre as sugeridas, a partir de
uma questão objetiva (Figura 7).
Para cada uma das atividades propostas,foi configurada a edição de notas que pode ser
automática, quando a atividade for um questionário, por exemplo, ou adicionada pelo tutor,
quando for uma atividade do tipo tarefa (Figura 8).

Figura 6 - Modelo de exercício: tarefa

4176

�Figura 7 -Modelo de exercício: questionário
H o m e P a g e ► M eus cursos ► E S T R U T U R A Ç Ã O E N O R M A L IZ A Ç Ã O DE TR A B A L H O S A C A D Ê M IC O S ► M O D U L O 1 - EL A B O R A Ç Ã O DE R E F E R Ê N C IA S ► E xercidos tópico 2 ► V isu alizaç ão prévia

Navegação do
questionário

Question

□ rã000

Mamed out or
1.60

1

Finish a tte m p t...

\

T em p o restanteO:58:49
Start a rev, previev

Id entifiq u e a norm a correspondente às seguintes referendas:

r**ereo

\&lt;r.

Andrade C. T. etal. (2013). Photodynamic therapy for non-melanoma skin
cancer. In: P. Vereecken (Ed.). Highlights in skin cancer, (pp. 233-248).
Rijeka: Intech.

^cdiquesoon

|Navegação

ANDRADE, C. T. et al. Photodynamic therapy for non-melanoma skin
cancer. In VEREECKEN, P., ed. Highlights in skin cancer. Rijeka: Intech,
2013. p. 233-248.

Configurações
Andrade CT, et al. Photodynamic therapy for non-melanoma skin cancer.
In: Vereecken P, editor. Highlights in skin cancer. Rijeka: Intech, 2013. p.
233-248.

ANDRADE, C. T. et al. Photodynamic therapy for non-melanoma skin
cancer. In: VEREECKEN, P. (Ed.) Highlights in skin cancer. Rijeka: Intech,
2013. p. 233-248.

Escolher

▼

Fonte: ENSINO....

Figura 8 - Relatório de notas

Fonte: ENSINO...

4177

�A equipe do Serviço de Atendiment ao Usuário da Biblioteca é responsável pela
manutenção, atualização do conteúdo e tutoria. Foi contratado um bolsista com recursos da
Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP através do Programa Aprender com
Cultura e Extensão, para estudar os recursos e ferramentas disponíveis na plataforma, e fazer
a customização, com o objetivo de atender as necessidades relativas à disponibilização de
conteúdos, acompanhamento da participação de alunos, execução de tarefas, chats para
contatar os tutores responsáveis por cada módulo e avaliações.
Contamos com o apoio de alguns alunos do IFSC e estagiários do curso de
Biblioteconomia da Universidade Federal de São Carlos (escolhidos de forma aleatória), para
os testes dos dois módulos já prontos, pois apesar das revisões feitas pela própria equipe,
algumas sugestões e críticas foram apontadas por eles e corrigidas pela equipe responsável.

4 Resultados parciais
A criação deste curso foi uma oportunidade de aprendizado também para a equipe
envolvida, uma vez que nos proporcionou o conhecimento do funcionamento da plataforma
Moodle (inserção de conteúdos, funcionalidades e customização). Até o presente momento, os
módulos 1 e 2 do curso já foram finalizados e avaliados pelos alunos mencionados no item 3 e
disponibilizados no ambiente virtual. Os demais módulos estão em fase de elaboração, com
previsão de disponibilização para o segundo semestre de 2014.
A experiência na construção deste curso foi desafiadora para a equipe responsável,
pois exigiu a disposição de repensar e ampliar o método de capacitação, até então presencial,
para virtual. Tivemos também que fazer o exercício de nos colocarmos no papel do aluno e
refletir qual a melhor maneira de abordar os assuntos, pois o aluno deverá ter capacidade de
compreender e responder aos exercícios propostos de acordo com o entendimento absorvido
ao ler o conteúdo descrito em cada tópico.

5 Considerações Finais
Entendemos que investir nesse formato educacional foi extremamente benéfico, uma
vez que a EaD possibilita que as variáveis tempo e local sejam administradas pelos alunos de
acordo com seu ritmo, os quais podem gerenciar seu processo de aprendizagem.
Além disso, a sala de aula virtual permite um atendimento personalizado, por meio da
possibilidade de maior interação entre tutores e alunos.
Acreditamos que a criação deste curso, na modalidade EaD, possa atender uma
demanda maior de alunos, com a oportunidade de se beneficiarem com informações

4178

�relevantes sobre estruturação e normalização de trabalhos acadêmicos, informações estas, que
podem auxiliar no desenvolvimento de suas pesquisas e trabalhos acadêmicos.
Em uma segunda etapa, pretendemos buscar parcerias com alguns docentes do IFSC
para que esse curso seja utilizado como uma ferramenta de capacitação dentro de suas
disciplinas e também propormos à Comissão de Graduação do IFSC, que o mesmo faça parte
da grade curricular do IFSC como uma disciplina optativa.
Esperamos que esta iniciativa abra oportunidades para o desenvolvimento de outros
cursos e treinamentos oferecidos pela biblioteca, conforme a demanda de interesse e novas
necessidades dos usuários.

6 Referências
ALENCAR, A. S. et al. O Moodle como ferramenta didática. In: CONGRESSO NACIONAL
UNIVERSIDADE, EAD E SOFTWARE LIVRE, 2., 2011, Belo Horizonte. Anais... Belo
Horizonte: UFMG, 2011. v 2, n. 2, p. 1-5.
ANTONIO, A. D. A biblioteca universitária no contexto da educação a distância. In:
CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA
DA INFORMAÇÃO, 25., 2013, Florianópolis. A n a is . São Paulo: FEBAB, 2013. v.25, p.
1456-1467.
COSTA, M. E. O. et al. Sistema de bibliotecas da UFMG: criação de um setor de apoio às
bibliotecas

pólos

da

EAD.

In:

SEMINÁRIO

NACIONAL

DE

BIBLIOTECAS

UNIVERSITÁRIAS, 17., 2012, Gramado. A n a is . Porto Alegre: UFRGS, 2012. p. 1-12.
ENSINO a distancia do CISC: estruturação e normalização de trabalhos acadêmicos. 2014.
Disponível em: &lt;ead.cisc.usp.br/course/view.php?id=14&gt;. Acesso em: 14 abr.2014.
LIMA, V. S. As raízes e singularidades da EaD. Disponível em:
&lt;http://sembarreirasparaeducar.blogspot.com.br/2008/10/httpwwweducacaoadistanciaorgbrsit
e.html.&gt; Acesso em: 12 abr. 2014.
OLIVEIRA, J. P. et al. Aprimoramento profissional e EAD no Sistema de Bibliotecas da
UFMG: aplicabilidade do Moodle e Camtasia Studio na capacitação virtual. In:
CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA
DA INFORMAÇÃO, 25., 2013, Florianópolis. A n a is . São Paulo: FEBAB, 2013. v. 25, p.
2903-2913.
SANTOS FILHO, J. M.; GIANNASI-KAIMEN, M. J.Biblioteca digital como recurso
informacional no ensino superior a distância (EaD): uma análise das instituições de ensino

4179

�superior (IESs) credenciadas para programas de EaD na região Sul do país. Informação &amp;
Sociedade: estudos, João Pessoa, v. 19, n.3, p. 87-97, set./dez. 2009. Disponível em:
&lt;http://www.ies.ufpb.br/ojs/index.php/ies/article/view/2390/3129&gt;. Acesso em: 08 abr. 2014.
SIMÃO NETO, A. Planejando EAD: uma tipologia das formas de educação a distância com
base nos meios utilizados e no grau de interação entre os agentes. Colabor@, v. 1, n. 4, p. 51­
68, maio 2002.
Disponível

em:

&lt;http://pead.ucpel.tche.br/revistas/index.php/colabora/article/viewFile/33/31&gt;. Acesso em: 10
abr.2014.

4180

�</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A criação de um curso a distância, utilizando o ambiente virtual de aprendizagem Moodle, tem como finalidade capacitar e orientar os alunos de graduação e pós-graduação quanto à normalização e estruturação de trabalhos acadêmicos, de acordo com as normas da ABNTAssociação Brasileira de Normas Técnicas. O curso a distância foi estruturado em 4 módulos e cada um deles possui tópicos específicos, sem aulas presenciais, que englobam informações sobre elaboração de referências, citações em documentos, normalização e estrutura de trabalhos acadêmicos e gerenciador de referências. A avaliação de cada módulo é composta por exercícios específicos relacionados a cada assunto tratado nos tópicos. A equipe do Serviço de Atendimento ao Usuário da Biblioteca é responsável pela atualização do conteúdo e tutoria. A biblioteca já possui uma boa experiência com a capacitação de usuários no formato de aulas presenciais, ministradas em algumas disciplinas do curso de graduação e pós-graduação do Instituto de Física de São Carlos - IFSC da Universidade de São Paulo – USP, desde 2004. Como resultado desta experiência, em 2013, resolvemos ampliar a oferta desta capacitação, por meio da criação de um curso a distância para atender maior número de usuários, pois  a educação a distância tornou-se um instrumento valioso no ensino, oferecendo flexibilidade nos horários, especificidade nos conteúdos, sem reduzir a qualidade da aprendizagem. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS E A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: UM ESTUDO
DE USUÁRIOS

Maria Elizabeth Oliveira Costa

RESUMO
A pesquisa trata do tema Educação a Distância (EaD), Bibliotecas Polo e os Recursos
Informacionais disponibilizados aos alunos da EaD. Faz uma abordagem sobre a EaD, o
desenvolvimento dessa modalidade de ensino; sua contribuição social, para que chegue aos
lugares mais remotos do país. O espaço da pesquisa é a Universidade Federal de Minas Gerais
(UFMG) e o foco é o acesso à informação técnica cientifica pelos alunos dos cursos dessa
modalidade. A pesquisa é de natureza exploratória e de abordagem quali-quantitativa e busca
conhecer a visão dos usuários desta modalidade de ensino a partir de um “estudo de usuários”
permitindo conhecer as necessidades informacionais desses usuários.

Palavras-Chave: Educação a Distância; Bibliotecas Polo de Apoio presencial; Universidade
Federal de Minas Gerais.
ABSTRACT
The research deals with the theme Distance Education, Libraries and Information Resources
available to students of DL. It makes an approach to distance education, the development of
this type of education and its social contribution to reach the most remote places of the
country. The institution researched is the Federal University of Minas Gerais (UFMG) and
focused access to scientific and technical informacion by students of courses in the distance.
The research is exploratory and qualitative and quantitative approach.and tep was to analyze
the views of users of this distance mode. And it was a “study of users” to know their opinion.
So you could have the clarity o f the information needs of these users.

Keywords: Distance Learning; Support poles of distance education; Federal University of
Minas Gerais (UFMG).

1 Introdução
O uso das tecnologias da informação e da comunicação (TIC’s), aliados aos processos
educacionais, tem possibilitado novas oportunidades de ensino às pessoas, permitindo mais
informação e, consequentemente, mais conhecimento. O uso das tecnologias tem contribuído
para o avanço do ensino, principalmente na modalidade de ensino a distância.

4154

�Desde a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação aprovada em 1996, o pais
avançou significadamente. Reconhece-se que há, por parte do governo federal, interesse em
contribuir para um maior desenvolvimento da educação reduzindo as dificuldades de acesso.
Hoje o país apresenta maiores oportunidades para as pessoas antes excluídas. E a
prática da educação a distância tem contribuído para o desenvolvimento do País. É um novo
país despontando no horizonte. O horizonte das igualdades, das oportunidades, da qualidade
de vida, da inclusão social. É a evolução da educação, e consequentemente, da sociedade.
Dessa forma, justifica-se o envolvimento das Bibliotecas Universitárias e Sistema de
Bibliotecas, órgãos ou estruturas responsáveis pelas bibliotecas presenciais, em trazer a
informação técnica cientifica para os usuários da Educação a Distância, e assim,
consolidarem essa infraestrutura, para o apoio técnico às bibliotecas dos pólos, localizadas
em diferentes municípios do Estado, onde a universidade oferece cursos em EaD.
A pesquisa visa identificar o acesso à informação técnico-científica que os alunos da
modalidade à distância têm ao seu dispor. O objetivo dessas análises é verificar o que as
bibliotecas dos polos possuem e, em que as Instituições de Ensino Superior a partir dos
Sistemas de Bibliotecas ou Biblioteca Central, ou mesmo as Bibliotecas Universitárias
poderiam contribuir em relação ao oferecimento de serviços e produtos, já existentes para os
alunos presenciais, aos alunos dessa modalidade, que frequentam os polos de apoio
presencial.
Esta parte da pesquisa compreende a análise centrada no estudo realizado com os
usuários dos cursos na modalidade à distância. Como meio de coleta das informações foi
utilizado um questionário on-line com a finalidade de identificar o acesso aos recursos
informacionais, os mecanismos de busca pela informação e o acesso às fontes de informação
dessa modalidade de ensino, bem como verificar a frequência, desses alunos, às bibliotecas
dos polos e o tipo de material bibliográfico utilizado por eles.

2 Revisão de Literatura
Figueiredo (1999) considera duas abordagens que podem ser aplicadas aos estudos de
usuários: a tradicional (estudos dirigidos aos sistemas de informação) e a alternativa (estudos
dirigidos aos próprios usuários da informação). DeLone e McLean (1992) corroboram quando
dizem que “a natureza da utilização do sistema poderia ser dirigida para determinar se a
funcionalidade completa de um sistema está sendo usada para os seus usuários” .
De acordo com Garcez; Rados (2002, p. 13), nos anos de 1980,

4155

�[...] houve grande preocupação com estudos de usuários presenciais. Porém,
no final da década, houve uma paralisia temporária nessas investigações. Na
década de 1990, tais estudos começam a eclodir, propiciados pela explosão
da gestão de qualidade total nas organizações. Desde então, começaram a
serem intensificados os estudos de usuários a distância, e as bibliotecas
acadêmicas passam a ter uma preocupação maior em fazer parcerias com os
programas de educação a distância.
O crescimento do setor [EAD] tem tido uma verdadeira “explosão” . Segundo Litto
(2009), o Brasil está agora tomando seu devido lugar entre os países que fazem amplo uso de
EaD para dar acesso ao conhecimento, e à certificação de competências, a camadas cada vez
maiores da população.
A biblioteca universitária é um fator preponderante e imprescindível no ambiente de
ensino à distância. Seu principal objetivo é oferecer apoio didático, científico e pedagógico,
atendendo a comunidade acadêmica e os usuários que podem vir a utilizar seus recursos
informacionais. Entretanto, é necessário que haja um planejamento para disseminar as
informações de uma maneira eficaz e eficiente que chegue ao maior número de usuários
possível (SIMIONATO et. a l, 2010).
Para a disponibilização dos recursos informacionais e apoio técnico-científico aos alunos,
a EaD precisa contar com a infraestrutura das bibliotecas universitárias e sistemas de
bibliotecas já existentes e trabalhar em parcerias (com estas) para o atendimento aos alunos.
Longo (2009, p. 215) afirma que “ [...] é nesse contexto que, para o viajante cansado, a linha
do horizonte parece tecer um novo significado: o de que existe, enfim, uma possibilidade
plausível na distância - antiga inimiga transmutada em nova aliada - na emersão de um novo
paradigma educacional: a EAD” .

3 Estudos de Usuários da EaD
A fase da pesquisa consistiu na análise dos resultados do estudo de usos e usuários.
Assim, um questionário foi elaborado com objetivo de definir o perfil do aluno na modalidade
à distância, investigar a frequência de uso das bibliotecas polo e de seus produtos e serviços,
bem como o grau de conhecimento destes [produtos e serviços] pelos estudantes. O estudo
ainda buscou detectar o grau de interesse do corpo discente em participar de treinamentos e
receber orientações sobre os serviços oferecidos pelas bibliotecas polo e pela Biblioteca
Universitária. O presente estudo ocorreu na Universidade Federal de Minas Gerais, e o
publico alvo foram os alunos de cinco polos de apoio presencial onde a Universidade oferece
o curso na modalidade a distância sendo utilizado o software Quatrics para esse estudo.

4156

�Deste modo, a partir da coleta de dados foi diagnosticado o comportamento de busca de
informação e as principais demandas informacionais que surgem durante a trajetória
acadêmica dos alunos dos cursos de graduação na modalidade à distância na UFMG.
Foram selecionados para este estudo os alunos dos polos das cidades de Bom Despacho,
Buritis, Formiga, Governador Valadares e Montes Claros, polos situados no Estado de Minas
Gerais onde a UFMG oferece cursos nessa modalidade.

4 Resultados finais
A pesquisa teve por finalidade conhecer como os alunos da EaD têm acesso às fontes,
produtos e serviços informacionais no apoio as atividades acadêmicas.

Dentre os 714

estudantes ativos nos cursos, para os quais foram enviados os questionários, 130 responderam
a pesquisa.

4.1 Distribuição de alunos por polo
Os polos com maior número de alunos são os dos municípios de Araçuaí, com 544
alunos e Governador Valadares, com 545 alunos enquanto, Uberaba e Januária, são os polos
que possuem menor quantidade de alunos, com 46 e 35, respectivamente, o equivalente a 2%,
somando o percentual dos dois polos (GRAF. 1). Nos Polos com maior numero de alunos
observou-se que estes polos possuem uma infraestrutura adequada e, por isso, atraem mais
estudantes. A EaD/UFMG possuía, à época da pesquisa, um total de 3.081 alunos, conforme
indica o GRAF.1.

GRÁFICO 1 - Distribuição geral dealunos por Polo (número absoluto) - 2013
Fonte: Pesquisa da autora, 2013.

4157

�Os questionários foram enviados para 1.222 alunos que estavam vinculados a esses
polos. Ao receber o questionário foi percebido que parte dos alunos já tinham se formado e
alguns tinham realizado trancamento da matrícula. Assim, conforme TAB.1 observa-se que
somente 714 estudantes desses polos possuem vínculo ativo.

TABELA 1
Distribuição de alunos e ex-alunos dos cinco polos de EaD visitados - 2013
Polos da EAD
Alunos
Ex-alunos
Quantidade
total
alunos e ex-alunos
Bom Despacho

76

-

76

Buritis

19

50

69

Formiga

123

78

201

Governador Valadares

297

248

545

Montes Claros

199

132

331

TOTAL

714

508

1.222

de

Fonte: Pesquisa da autora, 2013.

4.2 Distribuição de alunos por curso

A quantidade de alunos por curso está distribuída conforme TAB. 2. Nota-se que o
curso de graduação a distância que detém a maior parcela de alunos é o curso de Pedagogia, e
em seguida, os cursos de Ciências Biológicas, Química, Matemática e Geografia.
TABELA 2
Distribuição geral de alunos por curso - 2013

Alunos
Ciências Biológicas
Geografia
Matemática
Pedagogia
Química

TOTAL

Quantidade
775
305
453
1.025
523

3081

Fonte: Pesquisa da autora, 2013

4158

�Através da TAB. 3, vê-se que os dois cursos de graduação com maiores quantidades de
alunos é também o curso da maioria dos respondentes da pesquisa. O curso de Pedagogia,
seguido do curso de Ciências Biológicas, corresponde uma parcela de 66% do total de alunos
que preencheram o questionário.

Cursos

Valores Absolutos

%

Ciências Biológicas

40

31%

Geografia

1

10

8%

Matemática

1
1

18

14%

15

12%

45

35%

Química
Pedagogia
TABELA 3

Distribuição de alunos por curso ofertados pelos cinco polos - 2013
Fonte: Pesquisa da autora, 2013

4.3 Perfil dos usuários na modalidade de ensino a distância

Pode-se notar, conforme TAB.4, que 39% dos alunos estão entre 31 a 40 anos e
corresponde a maior parcela da faixa etária. Em seguida, com 22%, estão os alunos acima de
40 anos, e 15% na faixa de 26 e 30 anos.

TABELA 4
Distribuição de alunos por faixa etária - 2013

Fonte: Pesquisa da autora, 2013.

4159

�De acordo com os resultados obtidos, pode-se concluir que as pessoas que buscam o
ensino na modalidade à distância estão em uma faixa etária de maior amadurecimento. Alguns
estudos, como os de Ferreira e Mendonça (2007, p. 7), comprovam essa realidade, pois “são
profissionais que estão em plena capacidade produtiva e optam pela EAD para aumentarem
seus conhecimentos [...]” . Ainda segundo outras pesquisas, o aluno on-line “típico” é
geralmente descrito como alguém que tem mais de 25 anos de idade, sendo esta uma
característica encontrada também nos dados coletados a seguir.
A TAB. 5 atesta que as mulheres buscam mais a educação à distância. Conforme
afirmam Ferreira e Mendonça (2007), as pessoas optam pelas comodidades oferecidas por um
curso a distância, pois fazem o acesso de suas casas obedecendo às suas agendas individuais
em relação ao horário e tempo de estudo.
TABELA 5
Valores
Absolutos

Sexo
Masculino
Feminino

36

28%

93

72%

Distribuição de alunos por gênero - 2013
Fonte: Pesquisa da autora, 2013.

Observa-se na TAB.6 que 57% dos alunos usam as bibliotecas dos polos de
apoio para as atividades de pesquisa. A pesquisa qualitativa mostra que mesmo com
uma infraestrutura inadequada e falta de material informacional, ainda assim, os
alunos usam as bibliotecas Polo para estudo.
TABELA 6
Número de alunos que utilizam ou não a biblioteca do polo
Respostas

Sim
Não. Por quais motivos não
utiliza?

Valores
Absolutos

%

73

57%

55

43%

Fonte: Pesquisa da autora, 2013.

4160

�4.4 O não uso da biblioteca

Os motivos da ausência desses universitários nas bibliotecas são diversos. De acordo
com os dados qualitativos, conclui-se que alguns alunos dizem não utilizar a biblioteca do
Polo por falta ou escassez de materiais informacionais. Outros falam no atendimento e prazo
de devolução do material informacional e, ainda, porque a biblioteca do polo está distante de
sua residência. Entre os alunos que não frequentam a biblioteca do polo (TAB. 7), 13%
responderam que utilizam as bibliotecas do campus da UFMG.

TABELA 7
Outras bibliotecas utilizadas pelos alunos da EaD/UFMG - 2013
Outras bibliotecas

Valores
Absolutos

%

Biblioteca Central da
UFMG

1

6

5%

Biblioteca da UFMG
da sua área de
conhecimento

■

10

8%

Outras. Quais?

35

27%

Biblioteca Pública da
cidade local

48

37%

54

42%

Não utilize
Fonte: Pesquisa da autora, 2013.

Alguns alunos preferem utilizar outras bibliotecas devido à localização mais próxima de
suas residências, além de ser mais fácil de cumprir o prazo de devolução dos materiais
bibliográficos. A TAB. 8 indica que 37% usam a biblioteca pública da cidade local, e 27%
utilizam outras unidades.
Ainda em relação ao uso das bibliotecas, 42% dos estudantes responderam que não
utilizam nenhuma biblioteca. Também, foi constatado que a facilidade de encontrar fontes de
informação na Internet, aliada à comodidade de possuírem seus próprios livros e apostilas,
fazem

com

que estes não procurem

bibliotecas para

suprirem

suas necessidades

informacionais.

4161

�4.5 Uso dos produtos e serviços oferecidos pelas bibliotecas

O grau de conhecimento dos serviços e produtos informacionais oferecidos (ou que
podem vir a ser oferecidos) pelas bibliotecas também, foi analisado pela pesquisa. Por
intermédio dela, examinou-se o acervo, as bases de dados, a Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações, o catálogo on-line da Biblioteca, o serviço de comutação bibliográfica e o Portal
de Periódicos da Capes. Os resultados foram tabulados e apresentados no GRAF. 2. Vê-se que
apenas 28,68% dos alunos conhecem bem o acervo da biblioteca e, menos de 9% dos
estudantes conhecem os demais produtos disponibilizados para fins acadêmico-científicos.

GRÁFICO 2- Conhecimento dos produtos e serviços ferecidos pelo SB/UFMG
Fonte: Pesquisa da Autora, 2013.

A partir das análises anteriores, percebeu-se que as bibliotecas dos polos
possuem acervo reduzido. Pode-se inferir, por meio dessa questão, que a maioria
dos alunos da EaD da UFMG desconhecem ou conhecem pouco os serviços
informacionais digitais ofertados pelas bibliotecas dos cursos presenciais e, que
podem ser oferecidos nos polos, o que pode ser confirmado na TAB. 8.

4162

�TABELA 8
Serviços ofertados pelo SB/UFMG e o grau de conhecimento pelos alunos da EaD

Serviços

Não
conheço

Conheço
pouco

Conheço bem

Acervo da biblioteca

26

66

37

129

Base de Dados

57

58

10

125

Biblioteca Digital de Teses
e Dissertações

58

57

11

126

Catálogo
biblioteca

72

45

10

127

85

35

5

125

55

10

127

Comutação
(COMUT)

Online

da

Bibliográfica

Portal de Periódicos da
62
Capes
Fonte: Pesquisa da autora, 2013.

TOTAL

O produto informacional mais utilizado para elaboração de estudos e trabalhos
acadêmicos pelos alunos da EaD/UFMG é a Internet, com 76%, sendo que a maioria a utiliza
diariamente.
Percebe-se que as bases de dados, o Portal de Periódicos da Capes e a Biblioteca Digital
de Teses e Dissertações, bem como o catálogo on-line da biblioteca e o COMUT, são
subutilizados pelos alunos da modalidade à distância. Contudo, o serviço de comutação
bibliográfica é o que possui maior percentual de não utilização.
De acordo com o GRAF. 3, observa-se que grande parte dos alunos utiliza o acervo da
biblioteca apenas uma vez por mês, e somente 13,49% a consultam todos os dias. Esse fato se
deve a falta de material adequado ou mesmo insuficiente disponibilizado pelas bibliotecas dos
Polos. A pesquisa qualitativa mostra que, nas bibliotecas dos Polos, faltam inclusive livros da
bibliografia básica dos cursos.

4163

�GRAFICO 3 - Grau de utilização dos produtos e servços informacionais
Fonte: Pesquisa da Autora, 2013.

Dessa forma, faz-se necessário estabelecer uma política de desenvolvimento de acervo
que possibilite equipar as bibliotecas dos polos, com uma coleção diversificada e,
principalmente, com o acervo solicitado na bibliografia básica dos cursos. È necessário
também a definição de um programa de orientação e treinamento na utilização dos produtos e

4164

�serviços informacionais on-line existentes, buscando uma melhor usabilidade de seus recursos
de informação por parte do consulente.
Grande parte dos respondentes tem alto grau de interesse em participar de treinamentos e
receber orientações sobre os serviços informacionais oferecidos pelas Bibliotecas, conforme
indica o GRAF. 4. De acordo com Edwirges, “de nada adiantaria montar um grande acervo
com diversos livros atualizados, sem jamais chamar atenção dos usuários, por isso é
importante um estudo de usuários profundo, para pesquisar seus interesses e objetivos com a
biblioteca universitária” . E ainda segundo Figueiredo (1979, p. 79) o estudo de usuários:
São investigações que se fazem para se saber o que os indivíduos precisam
em matéria de informação, ou então, para se saber as necessidades de
informação por parte dos usuários de uma biblioteca ou de um centro de
informação estão sendo satisfeitas de maneira adequada.
GRÁFICO 4 - Grau de interesse dos alunos em particpar de treinamentos e receber
orientações sobre os produtos e serviços disponíveis

Fonte: Pesquisa da autora, 2013.

4165

�5 Considerações Finais

Fazer com que os indivíduos tenham acesso à informação, ao conhecimento e aos
recursos informacionais necessários para o seu aprendizado é uma tarefa do Estado, dos
órgãos governamentais, das instituições de ensino envolvidas no processo. Hoje, há
participação de inúmeras instituições públicas e privadas que estão ofertando a modalidade de
educação à distância. Assim o investimento é necessário para que o aluno da EaD tenha ao
seu dispor todo o material necessário para acesso à informação técnico-científica.
Os serviços e produtos informacionais oferecidos pelas bibliotecas e que podem ser
estendidos aos usuários da EaD, dentre eles estão: as Bases de Dados, Biblioteca Digital de
Teses e Dissertações, Catálogo on-line da Biblioteca, Serviço de COMUT e o Portal de
Periódicos da Capes (instituição consorciada). No entanto, a porcentagem de conhecimento
dessas fontes de informação pelos alunos da EaD é relativamente baixa. De acordo com
Tozoni-Reis (2007), é preciso articular a produção de conhecimentos, ação educativa e
participação, numa perspectiva necessariamente transformadora da realidade.
A partir dessas análises, faz-se necessário que as bibliotecas das IES, responsáveis pelos
cursos do ensino a distância, divulguem e ofereçam treinamentos dos produtos e serviços para
os alunos dos cursos dessa modalidade, possibilitando um maior conhecimento das diversas
fontes de informação e, portanto, um maior uso, tornando-os usuários reais da biblioteca e dos
serviços informacionais oferecidos pelas Bibliotecas Universitárias ou pelos Sistemas de
Bibliotecas.
Em relação às bibliotecas das IES, estas precisam buscar solução na criação de diretrizes
e contribuir com as bibliotecas dos polos e, automaticamente, com a educação à distância no
país. As bibliotecas acadêmicas devem se adaptar aos novos tempos para irem de encontro às
necessidades dos usuários atuais, sendo eles: “usuário presencial, ou remoto” .

Referências
BRASIL. Decreto n. 5.622 de 19 de dezembro de 2005. Regulamenta o Art. 80 da Lei no
9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.

Diário

Oficial

da

União,

Brasília,

DF,

20

dez.

2005.

Disponível

em:

&lt;http://portal.mec.gov.br/sesu/arquivos/pdf/portarias/dec5.622.pdf&gt;. Acesso em: 10 set. 2012.
DELONE, W. H.; MCLEAN, E. R. Information system success: the quest for dependent
variable. Information Systems Research, [S. l.], v. 3, p. 60-95, 1992.

4166

�EDUVIRGES, Joelson Ramos. A importância do usuário no desenvolvimento de coleções em
bibliotecas

universitárias.

Disponível

http://rabci.org/rabci/sites/default/files/ARTIGO%20DE%20USUARIOS-3 1.pdf.

em:
Acesso

em:20 dez.2013
FERREIRA, Z. N.; MENDONÇA, G. A. de A.; MENDONÇA, A. F. de. O perfil do aluno de
educação a distância no ambiente teleduc. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA, 13, 2007, Curitiba. Anais... Curitiba: [CIETEP], 2007.
FIGUEIREDO, N. M. Estudos de uso e usuários da informação. Brasília: IBICT, 1999.
__________________ . Avaliação de coleções e estudo de usuários. Brasília: ABDF. 1979.p.
96.
__________________ . Usuários. I n :______ Paradigmas modernos da Ciência da Informação.
São Paulo: Polis/APB, 1999. p. 11-33.
GARCEZ, E. M. S.; RADOS, G. J. V. Biblioteca híbrida: um novo enfoque no suporte à
educação a distância. Ciência da Informação, Brasília, v. 31, n. 2, p. 44-51, maio/ago. 2002.

LITTO., F. M. O. Retrato Frente e Verso da Aprendizagem a Distância no Brasil. ETD:
Educação Temática Digital, Campinas, v. 10, n. 2, p. 108-122, jun. 2009.
LONGO, C. R. J. EaD na pós-graduação. In: LITTO, F. M.; FORMIGA, M. (Org.). Educação

a Distância: o estado da arte. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009. p. 215-222.
SIMIONATO, A. C. et. al. Proposta de serviço de disseminação da informação para

biblioteca universitária. 2010. 31 f. Trabalho acadêmico (Graduação em Biblioteconomia) Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista, Marília, 2010.
TOZONI-REIS, M. F. de C. A pesquisa-ação-participativa em educação ambiental: reflexões
teóricas. São Paulo: Annablume, 2007.

4167

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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              <name>Coverage</name>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Bibliotecas universitárias e a educação a distância: um estudo de usuários</text>
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                <text>Costa, Maria Elizabeth Oliveira</text>
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                <text>A pesquisa trata do tema Educação a Distância (EaD), Bibliotecas Polo e os Recursos Informacionais disponibilizados aos alunos da EaD. Faz uma abordagem sobre a EaD, o desenvolvimento dessa modalidade de ensino, sua contribuição social, para que chegue aos lugares mais remotos do país. O espaço da pesquisa é a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o foco é o acesso à informação técnica cientifica pelos alunos dos cursos dessa modalidade. A pesquisa é de natureza exploratória e de abordagem quali-quantitativa e busca conhecer a visão dos usuários desta modalidade de ensino a partir de um "estudo de usuários" permitindo conhecer as necessidades informacionais desses usuários.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

BIBLIOTECAS FÍSICAS EM EDUCAÇÃO VIRTUAL: UMA VERDADE
INCONVENIENTE, UMA OBSERVAÇÃO PERTINENTE.
Fabiane Freitas
Yaciara Mendes Duarte
Claudio Gottschalg Duque
RESUMO
O estudo teve como objetivo examinar as atuais exigências do Ministério da Educação (MEC)
para as bibliotecas presenciais, dos cursos de educação a distância, e a real necessidade da
existência de acervos físicos, conforme as especificações do MEC, para os discentes desta
metodologia. Para isso, foi feito uma revisão bibliográfica sobre a metodologia de ensino a
distância, bibliotecas universitárias e as normas para as bibliotecas presenciais. Para verificar
a utilização destes acervos, foi feito um estudo de caso em duas unidades de informação
voltadas para o público de EAD. Esta averiguação foi efetuada a partir de entrevistas com os
gestores das unidades e análise de dados dos sistemas de circulação de materiais da
instituição. A observação prática realizada mostrou que a proposta de acervos físicos,
conforme feita atualmente, não condiz com a realidade e com o intuito do ensino a distância.
Pode-se concluir, neste caso, que os critérios de avaliação, propostos pelo MEC, não
contemplam as peculiaridades existentes na modalidade, focando-se mais na realidade
presencial e abstendo-se, em alguns casos, das ferramentas que disponibilizam conteúdos em
meio digital. Esta situação pode ser levada para o contexto de outras universidades e se tornar
mais uma fonte de reflexão dentro da realidade de outros cursos e instituições.
Palavras-Chave: Biblioteca presencial. Educação a distância. Biblioteca universitária.
Normas do Ministério da Educação.
ABSTRACT
The study aimed to examine the current requirements of the Ministry of Education (MEC) for
physical libraries, distance education courses, and the real need of the existence of physical
collections, specified by the MEC for the students of this methodology. For this, we made a
literature review on the methodology of distance education, university libraries and standards
for physical libraries. To verify the use of these collections, we made a case study in two units
of information geared for the public DE. This investigation was conducted through interviews
with unit managers and analysis of movement of material systems of the institution. The
practical observation has disclosed that the proposed physical collections, as currently done, is
not consistent with reality and with the aim of distance education. It can be concluded in this
case that the evaluation criteria proposed by MEC, do not contemplate the peculiarities
existing in the modality, focusing more on face reality and refraining, in some cases, the tools
that deliver content in digital media . This can be taken into the context of other universities
and become a source of reflection within the reality of other courses and institutions.
Keywords: Libraries. Distance learning. Academic library. Ministry of Education and
Culture regulations.

4138

�Introdução

A utilização de novas tecnologias para o auxílio da educação formal não é novidade.
Nas últimas duas décadas os brasileiros, de maneira geral, testemunharam grandes mudanças
sociais, advindas de uma economia mais forte e mais liberal, o que propiciou a facilitação ao
acesso a produtos e serviços diretamente relacionados à Comunicação Mediada por
Computador (CMC). Devido a isto, o Brasil hoje tem mais linhas habilitadas de telefones
celulares que habitantes (ANATEL, 2013) (e consequentemente, principalmente devido aos
preços dos aparelhos com acesso a Web e os preços dos serviços Web cobrados pelas
operadoras, mais usuários da Web do que proprietários de computadores pessoais). Esta
prosperidade socioeconômica influenciou de maneira positiva e rápida o contexto educacional
brasileiro. A difusão desses dispositivos permitiu que os educadores e pesquisadores
acadêmicos se atentassem para este fato e passassem a se utilizar destes recursos
informacionais no auxílio da educação formal.
A busca, identificação e consulta de material didático-pedagógico, tais como livros,
apostilas, manuais etc. é obrigação tanto do docente quanto do discente. Ao docente cabe
orientar, indicar, “ensinar o caminho das pedras” e ao discente de hoje cabe pró-atividade,
maior independência das escolhas/sugestões dos docentes e até mesmo um olhar mais crítico
e mais especificista com relação ao material necessário para a sua titulação,
independentemente do nível em que este discente se encontre.
Vários estudiosos, educadores e pesquisadores, que trabalham com Educação a
Distância (EAD) tanto do ponto de vista prático quanto teórico, discordam em vários aspectos
relacionados a utilização de novas tecnologias na educação, porém, todos concordam que a
EAD pode e deve se apropriar de alguns aspectos da educação tradicional para o
enriquecimento da experiência didático-pedagógica deste “novo” aluno, que também é um
usuário mais “ostensivo” das CMCs enquanto aluno.

1 Educação a distância (EAD)

A comunicação humana tende a ser direcionada para a maximização da relevância e,
com isso, todo estímulo ostensivo que pode e deve ser utilizado pelo emissor/comunicador
(intenção informativa e comunicativa) pressupõe-se ótimo. O estímulo tem que ser relevante o
suficiente para que mereça o esforço de processamento da recepção/audiência e tem que ser
compatível com as habilidades e preferências do emissor/comunicador. A relevância é

4139

�diretamente proporcional à relação entre a inferência por parte da recepção/audiência e o
efeito cognitivo, que deve ser positivo, advindo desta inferência. Portanto, quanto menor a
ostensividade do

emissor/comunicador e quanto maior a inferência positiva da

recepção/audiência, mais relevante é o estímulo, consequentemente mais eficiente e eficaz é a
comunicação (SPERBER; WILSON, 1995).
A EAD tende a exacerbar o problema da comunicação humana, entretanto, ela é fruto
dos avanços tecnológicos que proporcionaram mudanças em diversos setores, entre eles,
também na área de educação. Para atender as novas necessidades da sociedade foram
necessárias algumas rupturas na educação tradicional, e com isso fez mister repensar a
comunicação professor/aluno. O aparecimento de novas mídias, a Internet e o acesso mais
rápido e fácil às informações se tornaram atributos da educação de hoje, mas os educadores,
os professores em geral, ainda apresentam problemas com relação à utilização das CMCs
enquanto ferramental profissional (AFONSO; GOTTSCHALG-DUQUE, 2014).
A atual conjuntura política e econômica encontrou na modalidade de ensino a
distância um atrativo financeiro viável, que atendesse as exigências pedagógicas, para a
educação de nível superior. Com o auxílio das novas tecnologias da informação e
comunicação, esta modalidade começou a satisfazer as atuais necessidades de ensino das
pessoas adultas (PRETI, 1998).
Com a dificuldade das pessoas em transitarem nas grandes cidades, o tempo
demandado no trabalho, com a família e demais atividades, a EAD se tornou uma ferramenta
ideal. O indivíduo que deseja estudar, vê nesta metodologia uma possibilidade de organizar
sua grade horária e evitar grandes deslocamentos. Nunes (1994, p. 7), considera “um recurso
de incalculável importância como modo apropriado para atender a grandes contingentes de
alunos de forma mais efetiva que outras modalidades e sem riscos de reduzir a qualidade dos
serviços oferecidos em decorrência da ampliação da clientela atendida".
A maior parte das definições de EAD ressalta a distância física entre professores e
alunos, independente se a forma de contato seja por meio de suporte eletrônico ou não. Para
Moore (1973) ela é um conjunto de métodos de aprendizado onde professores e alunos estão
em espaços distintos, podendo ser por meio impresso, eletrônico ou outro, sem o intermédio
humano. Alguns autores vão além das questões da distância entre as pessoas e os métodos de
ensino, chegam a ressaltar a organização do sistema, como Peters (1994). Ele concatena a
EAD com a produção industrial e a divisão do trabalho, comparando a mecanização e divisão
de tarefas deste período, com a metodologia, automação e processos do ensino a distância.

4140

�No Brasil, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (BRASIL, 1996), em seu artigo 80,
ampara legalmente a EAD e coloca sobre a responsabilidade do Poder Público o incentivo do
desenvolvimento e veiculação de seus programas de ensino. Já o Decreto n° 5.622 de 2005,
regulamenta e estabelece as diretrizes do artigo 80, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação
(BRASIL, 2005). Nele, a educação a distância é definida como:
[...] modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos
processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e
tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores
desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos.

A maioria das pessoas associa a EAD apenas às novas tecnologias. Porém, esta
metodologia é mais antiga do que muitos imaginam. No Brasil, já existiam cursos por
correspondência antes de 1900, de acordo com anúncios em jornais de circulação no Rio de
Janeiro, do qual ofereciam cursos profissionalizantes. Já na década de 70 surgiu o primeiro
curso da Open University inglesa, responsável por popularizar a EAD. Nos Estados Unidos,
há relatos de experiências com este método, desde o século XIX. (LITTO; FORMIGA, 2013).
Em períodos anteriores outros instrumentos eram utilizados para este processo, como o envio
de correspondências. Com os avanços tecnológicos, como a fibra ótica, as redes de
computadores e televisão a cabo, houve uma popularização e diminuição de custos
(MORAES, 2010).
A EAD, tanto “antiga” quanto “nova”, prima por ofertar todo o material didático
necessário para o aluno obter a certificação. Os Alunos recebiam/recebem o material didático
organizado pelo professor, entretanto, devido as novas tecnologias, os recursos didáticopedagógicos permitem que este material seja similar ou até mesmo superior ao ofertado em
cursos presenciais e pode até mesmo superar a relação de contato presencial existente em sala
de aula, visto que a comunicação via email e/ou chat permite um contato direto e unívoco
entre aluno e professor e/ou aluno e tutor.
No final da década de 90 surgiram grandes sistemas de educação a distância para o
nível superior. Começando pela Europa, e, posteriormente, Canadá e Estados Unidos, para
depois ser difundida nos demais países tidos como desenvolvidos e muitos em
desenvolvimento também (GUIMARÃES, 1996). Na mesma década, a inserção da
informação online também foi essencial para a evolução do método.
O Brasil, há décadas, também desenvolve programas de EAD, entre eles podemos
ressaltar o Projeto Minerva, 1970, o Telecurso de 2° Grau , 1978, o Telecurso 2000 ,1995, a
TV Escola ,1996, e o Consórcio Interuniversitário de Educação Continuada a Distância -

4141

�Brasilead, 1993, constituído, na década de 90, por 53 instituições públicas de nível superior
(PRETI, 1998). “Em 2012, alcançou-se a incrível marca de 5.772.466 matriculados em cursos
de EAD no país. Neste mesmo ano, em relação a 2011, houve um aumento de 52,5% no
número de matrículas na modalidade EAD” (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA, 2013, p. 21).
Em pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas e Administração da Educação, a
partir dos Pareceres do Conselho Nacional de Educação e Portarias do Ministério da
Educação, foi constatado que atualmente existem 251 instituições de ensino superior
credenciadas para programas de educação à distância, no Brasil. A maior parte delas,
localizadas na Região Sudeste. No Distrito Federal, constam apenas sete instituições deste
caráter (INSTITUTO DE PESQUISAS E ADMINISTRAÇÃO DA EDUCAÇÃO, 2014).
Hoje, com as facilidades de acesso à Internet, os novos aparelhos eletrônicos, o baixo
custo de armazenamento da informação, novas plataformas, a web 2.0/3.0, dentre outras
evoluções, permitem que em muitas regiões do mundo, altere-se a forma de abordagem que os
professores utilizam para a comunicação com os alunos. A nova ordem social e econômica,
mais os avanços tecnológicos, propiciam um ambiente favorável a EAD. Contudo, se essas
inovações tecnológicas geram olhares somente voltados para os meios de transmissão da
proposta e não para os objetivos pedagógicos e aos sujeitos/alunos a serem atendidos, a
qualidade do ensino fica comprometida (PRETI, 1998). Não se pode pensar primeiramente na
tecnologia a ser utilizada, é preciso ter em foco que a meta principal é o aprendizado.
Há muitas razões para observar atentamente os diferentes processos
de evolução da EAD. Uma delas é a percepção de que há mais de um
caminho para essa evolução - diferentes modelos, com diferentes
contextos, diferentes padrões de dificuldade na implementação e na
aceitação (difusão) (MORAES, 2010, p.30).

O uso das tecnologias de informação necessita ser reformulado para o ensino a
distância. É importante que os alunos saibam utilizar os recursos da melhor forma possível
(BLATTMANN, 2001), o que muitas vezes não ocorre em nosso país. As diferenças regionais
e a má qualidade no ensino básico interferem diretamente no desempenho futuro desses
alunos. Muitos deles tiveram pouco ou nenhum contato com ferramentas digitais e outros não
possuem um grau de conhecimento necessário para fazer parte de um método de ensino mais
autônomo. (MORAN, 2009)
Além dos problemas com o uso da tecnologia, tanto por parte dos cursos à distância
quanto pelos alunos, também existem outras dificuldades. No Brasil a transmissão dos

4142

�conteúdos de EAD tem custos elevados. O Código Brasileiro de Comunicações prevê que esta
transmissão seja mais barata para o ensino a distância, contudo isto não ocorre. A tarifação
para a educação é praticamente a mesma de páginas eletrônicas de outras naturezas. Outro
ponto negativo do qual tem muita relação com este trabalho, é a necessidade de desenvolver
atividades em polos presenciais, como encontros e avaliações (OLIVEIRA, 2009). Partindo
do pressuposto que a EAD serve, entre outras razões, justamente para evitar o deslocamento
dos indivíduos, a avaliação e a prestação de outros serviços à distância, desta modalidade, se
fazem necessários para que a proposta do método esteja de acordo com seus objetivos.
O Censo EAD.BR, realizado no ano de 2012, apresentou os principais obstáculos do
ensino de EAD, em pesquisa realizada em todo o território nacional. Entre eles, os mais
destacados foram a resistência dos educadores e educandos à modalidade, os desafios
organizacionais das instituições e, o mais destacado, a evasão de educandos. Em 2012 a
evasão dos alunos de cursos tidos como completos à distância, e não disciplinas isoladas, foi
de 11,74%. Entre os principais motivos para a evasão foram citados a falta de tempo para o
estudo, custo financeiro e, o que chama muita atenção, a falta de adaptação à metodologia
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA, 2013).
O crescimento do número de alunos também mostrou uma diferenciação do seu
respectivo perfil nos últimos anos. Há pouco tempo, cerca de 10 anos, a média de idade dos
alunos era de 40 anos de idade. Em 2012, o decréscimo da idade média dos alunos foi tão
significativo que 50% deles estavam na faixa etária de 18 a 30 anos. Além desta mudança,
também foi detectado que a maior parte da população é formada por pessoas do sexo
feminino, representada por 55% do contingente. Como era esperado, notou-se que grande
parte dos estudantes acumulam os estudos e a jornada de trabalho: “[...] a maior porcentagem
ficou com os alunos de pós-graduação, com 84,53% [...] e 89,69% nos não corporativos”
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA, 2013, p. 94). São alunos
que muitas vezes não têm condições de frequentar uma faculdade todos os dias, mas mesmo
assim, buscam a ascensão profissional. Ao contrário dos cursos presenciais, onde os alunos
têm dificuldade em organizar seu tempo, e dos quais, de acordo com Cunha:
[...] as faculdades e universidades estão centradas no corpo docente.
Os professores decidem o que lecionar, como, quando, e onde o
aprendizado ocorrerá. Os estudantes precisam viajar até o campus
para aprender; precisam vencer os obstáculos burocráticos do
vestibular, das limitações nas ofertas de disciplinas e dos rígidos
horários escolares (CUNHA, 2000, p.73).

4143

�Ainda há preconceito no país com a utilização desta modalidade, mas já há consciência
que para se atender todas as regiões do Brasil, este tipo de ensino se faz necessário. É notável
que a EAD já influencia também os cursos presenciais. Cada vez mais estes usam seus
métodos para flexibilizar a necessidade da presença física dos professores e alunos. Em uma
sociedade mais conectada é possível alcançar uma aprendizagem participativa e integrada
onde haja a manutenção de vínculos afetivos, com o apoio da tecnologia.

2 Bibliotecas universitárias

A educação brasileira construída em diferentes etapas, conta com diferentes formas de
apresentar a biblioteca e seus suportes de informação, já que estes também se adaptam às
diversas necessidades informacionais e realidades dos seus usuários.
A educação básica tem como propósito a partir da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) os
seguintes princípios:

“desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum

indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e
em estudos posteriores” (BRASIL, 1996).
A biblioteca para o público da educação básica desenvolve habilidades de leitura e
fomenta a investigação e a pesquisa escolar. No contexto do ensino superior, esse papel se
transforma para atender as demandas científicas que esta etapa educacional requer.
Segundo o artigo 227 da Constituição Federal, as universidades “gozam de autonomia
didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao
princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão” (BRASIL, 1988).
Neste caso, a biblioteca universitária tem um papel de apoio às atividades de pesquisa
e de apoio a aprendizagem profissional. Segundo Cunha (2010):
As bibliotecas universitárias são organizações complexas, com múltiplas
funções e uma série de procedimentos, produtos e serviços que foram
desenvolvidos ao longo de décadas. No entanto, o seu propósito fundamental
permaneceu o mesmo, isto é: proporcionar acesso ao conhecimento. Esse
acesso ao conhecimento é que irá permitir que o estudante, o professor e o
pesquisador possam realizar suas aprendizagens ao longo da vida.

O acesso à informação é premissa fundamental para a construção de conhecimento
dentro das instituições de ensino superior. A partir deste câmbio entre as informações, alunos,
docentes e pesquisadores, é que se percebem as mudanças e os progressos científicos nas
diversas áreas do conhecimento.

4144

�De acordo com Machado (2009, p. 30), a importância da biblioteca universitária é
crucial para a construção do saber e ferramenta para o trabalho científico:
Elas [as bibliotecas universitárias] estão sempre buscando a melhoria e o
aumento dos seus acervos, seja através da aquisição de manuscritos, revistas,
obras de referências, assinaturas eletrônicas, bases de dados,
desenvolvimento de bibliotecas virtuais, digitais e eletrônicas, blogs,
comunidades, ou quaisquer outras formas de fixação do pensamento.

Como as tecnologias da informação e a Internet provocam, a todo momento, intensas
mudanças no processo de aprendizado e na própria forma de acesso a informação, é
necessário que os professores se adaptem à essas novas tecnologias (AFONSO;
GOTTSCHALG-DUQUE, 2014). Os acervos que subsidiam as pesquisas encontram-se de
diferentes formas e suportes, não sendo mais apenas o livro como fonte de pesquisa no
contexto universitário. O acervo virtual é composto de Objetos de Aprendizado (OAs), que se
encontram disponibilizados em Repositórios de Objetos de Aprendizado (ROAs), que
desempenham um papel preponderante no desenvolvimento do alunado (AFONSO;
GOTTSCHALG-DUQUE, 2014).
A biblioteca universitária, buscando acompanhar as crescentes transformações no
ambiente tecnológico, acadêmico e educacional, também alterou a sua estrutura, produtos e
serviços para atender a comunidade que cada vez é mais exigente.
As bibliotecas começam a se transformar: nota-se uma preocupação
crescente em atender o usuário com o máximo de rapidez e eficiência, maior
preocupação com o acesso à informação em detrimento da posse do
documento, minimizando-se as limitações de tempo e espaço na busca da
informação. As coleções e os serviços foram complementados com novos
formatos e novas versões, tudo isso, certamente, facilitado pela utilização
das novas tecnologias (MARCONDES; MENDONÇA; CARVALHO,
2006).

A biblioteca física também precisa ter meios para atender este público conectado, mas
necessitante de informações de qualidade, com a confiabilidade que o acervo físico
proporciona. Neste caso, uma biblioteca digital/virtual não é apenas a disponibilização de
links ou livros digitais. É necessário refletir sobre aspectos relacionados à acessibilidade,
interatividade, confiabilidade dos conteúdos, dentre outros.
Alguns autores abordam um hibridismo para os serviços oferecidos pelas bibliotecas.
Segundo Garcéz e Rados (2002, p. 45) a “biblioteca híbrida deve integrar o acesso a
diferentes tecnologias para o mundo da biblioteca digital e através de diferentes mídias. [...]

4145

�deve refletir o estado transacional da biblioteca, que hoje não pode ser completamente
impressa nem completamente digital”.
De acordo com o Stantards for Distance Learning Library Services (SDLS),
desenvolvido pela Association of College &amp; Ressearch Library (ACRL, 2008), a biblioteca
universitária para atender o seu público EAD deve trabalhar com os seguintes aspectos:
serviços de referência e orientação online, programas de treinamento, recursos informacionais
que atendam demandas fora do ambiente físico da biblioteca, auxilio com equipamentos e
recursos digitais, parceria com outras bibliotecas, entrega rápida de documentos, dentre
outros.
Mueller (2000) argumenta que ainda existe uma grande dificuldade no oferecimento
dos serviços aos alunos de ensino à distância. É preciso um planejamento do sistema de
informação, não tão somente a extensão dos serviços tradicionais.
Para Garcez e Rados (2002, p. 47) este usuário off campus, deve ter acesso à
informação da seguinte forma:
O processo de acesso à informação, para o usuário off campus, inicia-se via
Internet, correio eletrônico, telefone e fax, ou mesmo localmente em
bibliotecas consorciadas; o usuário efetua a busca por informação, que pode
ser pormeio de acesso às bases de dados, como biblioteca híbrida (digital e
local), isto é, fontes internas e/ou catálogos Opac local (Online Public
Access Catalogue) (telnet/web) e Copac (Curl Online Public Access
Catalogue), recursos remotos da Web e canais informais, que estão
disponibilizados no home site das bibliotecas acadêmicas;escolhe a(s)
base(s) e efetua a pesquisa e obtém a informação.

Portanto, entende-se que são diferentes suportes necessários para disponibilizar
informação de qualidade para este usuário real, mas não físico. É necessário preocupar-se com
as maneiras de deixa-lo sempre informado com os novos serviços e produtos da biblioteca.
A ACRL (2008) afirma que esta modalidade de ensino dá a oportunidade aos
bibliotecários de mudarem os paradigmas de suas práticas profissionais, onde a postura
protecionista e tecnicista se transforma em uma atuação dinâmica, com geração de conteúdos
informacionais e de serviços cada vez mais rápidos e direcionados às necessidades específicas
de seus usuários.

3 Normas do MEC: histórico, critérios de avaliação e aplicabilidade

Dentre os critérios avaliativos dos cursos presenciais e a distância, diversos aspectos
são considerados para a mensuração da qualidade dos cursos. A biblioteca também passa por

4146

�avaliação, já que compõe como parte da nota a ser atribuída aos cursos superiores. O
Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
Anísio Teixeira (INEP) ficaram responsáveis pelo acompanhamento dos cursos presenciais e
a distância.
Com a criação do Sistema Nacional da Educação Superior (SINAES) instituído pela
Lei 10.861 de 14 de abril de 2004, estabeleceram-se diretrizes de avaliação dos cursos
superiores.
Até chegar aos modelos atuais de avaliação, muitas modificações foram feitas. O
primeiro modelo foi instituído em 1977, com a avaliação da pós-graduação pela Coordenação
de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (CAPES), embora outras iniciativas tenham
aparecido na década de 50 e 60 como, por exemplo, o plano ATCON e do relatório Pereira
Matos, no período militar, contudo, buscando uma forma de controle das instituições
(ZANDAVALLI, 2009).
Também tivemos como critérios avaliadores o Relatório do Grupo Executivo para a
Reformulação do Ensino Superior (GERES) em 1986, Programa de Avaliação das
Universidades Brasileiras (PAIUB) em 1993, que foram se adaptando até chegar a forma atual
de avaliação (ZANDAVALLI, 2009).
A avaliação em EAD é bastante similar a avaliação presencial, onde se verifica os
seguintes aspectos: concepção de educação e currículo; sistemas de comunicação; material
didático; avaliação; equipe multidisciplinar; infraestrutura de apoio; gestão acadêmicoadministrativa; sustentabilidade financeira. (BRASIL, 2007).
Para as bibliotecas, os requisitos mínimos para atender aos usuários e à legislação são:
[...] possuir acervo atualizado, amplo e compatível com as disciplinas dos
cursos ofertados. Seguindo a concepção de amplitude de meios de
comunicação e informação da educação a distância, o material oferecido na
biblioteca deve ser disponibilizado em diferentes mídias. É importante,
também, que a biblioteca esteja informatizada, permitindo que sejam
realizadas consultas on-line, solicitação virtual de empréstimos dos livros,
entre outras atividades de pesquisa que facilitem o acesso ao conhecimento.
Além disso, a biblioteca deve dispor em seu espaço interno de salas de
estudos individuais e em grupo (BRASIL, 2007).

O que se observa que apesar do curso ser a distância, ainda se exige um espaço físico
pelo MEC. Mesmo que um acervo virtual atualizado seja disponibilizado à comunidade
acadêmica, contando com diversos recursos midiáticos digitais para complementar tal
modalidade de ensino, ainda sim é necessário um ambiente nos polos presenciais.

4147

�Nos indicadores de avaliação, foca-se ainda nas quantidades mínimas por aluno, sem
contemplar para critérios avaliativos outros recursos midiáticos como parte do acervo da
biblioteca. Encontra-se na parte de Tecnologias da Informação e Comunicação o seguinte
indicador:
São recursos didáticos constituídos por diferentes mídias e tecnologias,
síncronas e assíncronas, tais como ambientes virtuais e suas ferramentas,
redes sociais e suas ferramentas, fóruns eletrônicos, blogs, chats, tecnologias
de telefonia, teleconferências, videoconferências, TV convencional, TV
digital e interativa, rádio, programas específicos de computadores
(softwares), objetos de aprendizagem, conteúdos disponibilizados em
suportes tradicionais (livros) ou em suportes eletrônicos (CD, DVD,
Memória Flash, etc.), entre outros (BRASIL, 2007).

Embora as avaliações sejam parte do controle de qualidade das instituições de ensino
superior, existem críticas às atuais práticas, pois, argumenta-se que a avaliação é parcial e não
contextualizada às diversas realidades existentes no Brasil.

4 Estudo de caso: bibliotecas físicas em EAD

Para consolidar as informações teóricas do artigo e ponderar a situação dos alunos de
EAD em relação à utilização das bibliotecas presenciais, foi feito um estudo de caso em uma
instituição, localizada no Distrito Federal, no mês de Abril do ano 2014. Para este trabalho,
não foi autorizada a divulgação da razão social desta organização. Por isso, para uma melhor
compreensão do texto, ela será identificada como Instituição X.
A Instituição X é uma organização de renome, presente em grande parte do território
nacional. No Distrito Federal ela possui 3 unidades voltadas para cursos presenciais de
graduação e pós-graduação. Além disto, também há mais 26 outras unidades, conhecidas
como polos, para cursos de aprendizado a distância, de graduação e pós-graduação, no próprio
Distrito Federal, em diferentes estados e também em outros países.
Para a obtenção dos dados foi realizada uma entrevista aberta com o gestor e um dos
coordenadores da biblioteca desta empresa. Ambos são bibliotecários com vasta experiência
em bibliotecas universitárias. São habituados a realizar o acompanhamento das visitas de
avaliação de cursos presenciais e a distância, efetuadas pelo Ministério da Educação, no que
tange as bibliotecas. Além das entrevistas, foi realizado um levantamento estatístico do uso de
duas bibliotecas presenciais, uma no Distrito Federal e outra na cidade de Anápolis,
localizada no estado de Goiás.

4148

�Todos os polos de EAD da Instituição X possuem biblioteca presencial, conforme
exigência do Ministério da Educação, inclusive os polos situados em outros países. Por fazer
parte de uma série de associações com outras organizações, as bibliotecas presenciais da
Instituição X ficam situadas em dois tipos de espaço físico, são eles: escolas e faculdades de
organizações associadas. A Instituição X aproveita o convênio firmado com outras empresas
para utilizar o ambiente de suas respectivas bibliotecas presenciais, já existentes em outras
cidades. A única localidade que não utiliza do convênio para dispor da biblioteca presencial é
o Distrito Federal, pois nele já possui uma biblioteca para os alunos de cursos presenciais da
Instituição X.
A vantagem de se utilizar bibliotecas de outras empresas já existentes nas cidades em
que iniciará um polo EAD é que o custo para implantação é bem menor. Tanto no que se
refere aos recursos humanos, que serão aproveitados deste local já existente, quanto aos
recursos materiais, dos quais também serão aproveitados. A desvantagem é que, como
algumas vezes a empresa associada não é uma organização de nível superior e também não
atende os mesmos cursos do polo de EAD da Instituição X, situado naquela localidade, não há
uma adequação ideal dos serviços da biblioteca para o tipo de usuário específico da
Instituição X.
Em relação ao acervo, a Instituição X envia os materiais bibliográficos, em suporte
impresso (livros e periódicos), para os seus polos de EAD, onde estão as bibliotecas de
organizações associadas. Estes materiais são adquiridos conforme as requisições de cada um
dos cursos de EAD, obedecendo as exigências do Ministério da Educação. Além dos
materiais impressos, a Instituição X possui um rico acervo digital, formado por livros e
revistas eletrônicas, bases de dados e repositórios. Contudo, de acordo com as informações
repassadas na entrevista, os avaliadores do Ministério da Educação se atêm, na maioria das
vezes, apenas aos livros impressos, dando pouca visibilidade aos periódicos e materiais
digitais. O gestor e coordenador entrevistados relataram que mesmo sendo avaliação de
cursos a distância, o foco dado pelos avaliadores é mesmo na contagem de materiais do
acervo presencial, mais especificamente, do acervo de livros impressos.
Quanto a utilização destes acervos pelos alunos de EAD, ambos entrevistados
disseram que, de acordo com suas percepções, o uso é muito baixo. Para comprovar esta
informação foi realizado um levantamento estatístico no sistema da biblioteca de dois polos
de ensino a distância. Informações como quantidade de empréstimo, alunos e número de
exemplares foram comparadas para fazer este levantamento.

4149

�Primeiramente, na biblioteca da localidade Distrito Federal, foram obtidos os seguintes
dados: em um universo de 3.500 alunos de EAD foram realizados 82 empréstimos do acervo
físico, de janeiro a abril de 2014; no universo de 14.000 estudantes do método presencial,
foram realizados mais de 200.000 empréstimos do acervo físico, de janeiro a abril de 2014.
Na biblioteca da cidade de Anápolis obteve-se os seguintes dados: em 8 anos de
existência da biblioteca deste polo, apenas 1 empréstimo foi realizado. Atualmente, constam
26 alunos matriculados e 796 exemplares na biblioteca presencial. Contudo, durante este
período de oito anos, com certeza, o número de alunos excede a contagem atual de 26
estudantes. Como neste polo em Anápolis não há aluno da metodologia presencial, não foi
feito um comparativo entre as duas informações.
Quando questionado aos entrevistados se a falta de utilização por parte dos alunos de
EAD poderia ser por ausência de divulgação dos serviços da biblioteca, eles disseram que não
é este o problema. Já que a divulgação é feita de três formas. A primeira, realizada no
primeiro encontro presencial obrigatório dos estudantes, no mesmo dia em que eles recebem
informações de como utilizar as ferramentas de aprendizagem e todos os serviços da
Instituição X. Neste encontro, há um momento reservado apenas para explicar a utilização dos
serviços da biblioteca. A segunda, por meio do site da instituição. A última, por meio da
divulgação de materiais impressos e mensagens eletrônicas que são enviadas aos estudantes.
Uma segunda questão levantada aos entrevistados quanto a falta de uso da biblioteca
presencial foi a acessibilidade física e digital pelos alunos de EAD. Em relação a
acessibilidade física, o gestor e o coordenador informaram que as bibliotecas ficam em locais
acessíveis. Quanto a acessibilidade das ferramentas digitais que auxiliam os alunos de EAD a
conhecer o acervo, foi informado que a maior parte delas ficam em locais bem visíveis, de
fácil acesso e que são de uso simples. Contudo, há algumas exceções de conteúdos e
assinaturas voltados apenas para este público específico que, de acordo com os entrevistados,
poderiam ficar em locais com mais visibilidade na página da instituição.

5 Conclusão

A partir do exposto no aspecto teórico e prático deste artigo, pode-se observar que os
critérios de avaliação propostos pelo MEC, não contemplam as peculiaridades existentes na
modalidade de ensino a distância, focando-se mais na realidade presencial. Os aspectos
tecnológicos necessários e as questões subjetivas dos estudantes em relação a interação com
as plataformas oferecidas pelas unidades de informação não entram no rol avaliativo. Com

4150

�isso, os dados sobre os rendimentos e satisfação dos usuários em relação aos recursos são
imprecisos.
Na observação prática realizada na Instituição X foi verificado que as exigências
cobradas na avaliação do MEC não condizem com o perfil dos alunos de EAD, tal como foi
explicitado acima. Os acervos presenciais não são utilizados de forma eficaz e não existe um
acompanhamento do uso dos recursos digitais.
Tal distanciamento percebido entre a legislação e a realidade encontrada neste estudo,
gera inquietações a respeito do papel da biblioteca universitária presencial e seu desafio para
ser de fato um recurso informacional para o aluno virtual. Com isso, surgem questionamentos
a respeito aos critérios estabelecidos e as reais necessidades de um público tão especifico.
O papel do bibliotecário diante desta nova modalidade é ir de encontro aos objetivos
da EAD. Esta, que visa facilitar o acesso ao ensino de forma a evitar o deslocamento dos
estudantes e também proporcionar maior autonomia na aprendizagem. A biblioteca necessita
oferecer recursos condizentes a esta proposta, mantendo a qualidade e disponibilidade de
conteúdos que acrescente insumos ao progresso intelectual de seus clientes.
É necessário ter critérios de avaliação diferenciados a cada uma das metodologias
educacionais: presencial e EAD.

Avaliar cada metodologia de acordo com as suas

especificidades, focando, no caso presencial, o acervo físico, o ambiente e seus demais
recursos. Na perspectiva virtual, mensurar, com mais propriedade os recursos digitais, como a
qualidade das bases de dados, materiais digitais como e-book e periódicos eletrônicos, além
do suporte ao aluno na sua interação com as plataformas disponibilizadas pela biblioteca.

6 Referências

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docentes dos cursos de graduação em licenciatura brasileiros sobre os Repositórios de
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Bibliotecas físicas em educação virtual: uma verdade inconveniente, uma observação pertinente</text>
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                <text>Freitas, Fabiane, Duarte, Yaciara Mendes, Duque, Claudio Gottschalg</text>
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                <text>O estudo teve como objetivo examinar as atuais exigências do Ministério da Educação (MEC) para as bibliotecas presenciais, dos cursos de educação a distância, e a real necessidade da existência de acervos físicos, conforme as especificações do MEC, para os discentes desta metodologia. Para isso, foi feito uma revisão bibliográfica sobre a metodologia de ensino a distância, bibliotecas universitárias e as normas para as bibliotecas presenciais. Para verificar a utilização destes acervos, foi feito um estudo de caso em duas unidades de informação voltadas para o público de EAD. Esta averiguação foi efetuada a partir de entrevistas com os gestores das unidades e análise de dados dos sistemas de circulação de materiais da instituição. A observação prática realizada mostrou que a proposta de acervos físicos, conforme feita atualmente, não condiz com a realidade e com o intuito do ensino a distância. Pode-se concluir, neste caso, que os critérios de avaliação, propostos pelo MEC, não contemplam as peculiaridades existentes na modalidade, focando-se mais na realidade presencial e abstendo-se, em alguns casos, das ferramentas que disponibilizam conteúdos em meio digital. Esta situação pode ser levada para o contexto de outras universidades e se tornar mais uma fonte de reflexão dentro da realidade de outros cursos e instituições.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

BIBLIOTECAS E REPOSITÓRIOS DIGITAIS: REFLEXÕES, TECNOLOGIAS E
APLICAÇÕES
Divino Ignacio Ribeiro Jr
Andreza Caroline Possenti Zucatto
RESUMO:
As Bibliotecas e Repositórios Digitais passaram por transformações de natureza teórica
(conceitos, modelos de gestão) e aplicada (evolução tecnológica) sendo caracterizados por
uma dinâmica que requer dos profissionais constante reflexão e atualização. Assim, o objetivo
desse artigo é apresentar uma série de reflexões acerca da evolução dos conceitos de ambos Bibliotecas e Repositórios Digitais e de suas tecnologias. Com base em levantamento
bibliográfico e nas experiências de pesquisa aplicada dos autores, é apresentada uma
perspectiva conceitual, reflexões sobre a evolução dos conceitos, tecnologias comumente
envolvidas. Por fim, entende-se que o conceito de Biblioteca Digital atingiu um nível de
maturidade compatível com processos de gestão e aplicação; os Repositórios Digitais são
vistos como serviços aplicáveis além do âmbito acadêmico, cujas tecnologias evoluem
rapidamente e que requerem do bibliotecário constante atualização.
Palavras-chave:Bibliotecas Digitais, Repositórios
Tecnologias Aplicadas às Bibliotecas Digitais

Digitais,

OAI-PMH,

SWORD,

ABSTRACT:
Libraries and Digital Repositories has been through transformations of a theoretical nature (
concepts , business models ) and applied ( technological evolution ) being characterized by a
dynamic that requires the constant reflection and professional growing. Thus , the aim of this
paper is to present a series of reflections on the evolution of the concepts of both - Libraries
and Digital Repositories and its technologies . Based on literature review and the experiences
of the authors applied research, a conceptual perspective , reflections on the evolution of
concepts , technologies commonly involved is presented . Finally , it is understood that the
concept of Digital Library has reached a level of maturity consistent with management
processes and application ; Digital repositories are seen as applicable services beyond the
academic realm , whose technologies evolve rapidly and require constant updating librarian .
Keywords: Digital Libraries , Digital Repositories , OAI - PMH , SWORD , Technologies for
Digital Libraries

Introdução
É amplamente conhecido o fato que nos últimos sessenta anos a popularização das
Tecnologias da Informação e Comunicação - TIC trouxe muitas mudanças de ordem

4119

�econômica, social e cultural. Informação e Conhecimento passam a ser vistos como bens de
consumo e insumos de produção, ofertados por serviços especializados providos por empresas
e profissionais com formação multidisciplinar, caracterizando um novo tipo de mercado e de
formação.
Tal paradigma socioeconômico se sustenta, inicialmente, sobre a popularização da
infraestrutura de telecomunicações, com o registro crescente de domicílios com computador e
uso da Internet. Dados da pesquisa TIC Domicílios 2010 realizada pelo Comitê Gestor da
Internet no Brasil nos mostram que cada ano mais e mais pessoas têm acesso à Internet e
computador em suas residências, e tal tendência se verifica até os dias atuais; a quantidade de
domicílios com computador aumentou mais de 120% de 2005 a 2010, e com acesso a internet
cerca de 110% no mesmo período.Se esses indicadores470 seguirem essa tendência, em cerca
de 10 anos a maior parte da população do Brasil terá acesso à Internet e computador em suas
casas.
Nessa linha de pensamento, Sayão et al. (2009) afirmam que o século XXI consolida a
cultura da disseminação da informação eletrônica por meio da Internet, do acesso às fontes de
informação e dos canais de comunicação, como listas de discussão, blogs, chats, mídias
sociais, entre outros.Essa cultura da disseminação da informação eletrônica movimenta a
indústria de equipamentos de informática, telecomunicação e outros, que utilizam tecnologias
com fins computacionais e para comunicação em rede; impulsiona o mercado de serviços de
telefonia móvel, acesso à Internet, serviços de telefonia VoIP - Voice over IP, sistemas de
IPTV - transmissão de sinal de TV através de canais de dados, entre outros setores.
Há fortes investimentos na ‘geração de demanda’ para que a população continue
aderindo a novos serviços; por exemplo, sobre as empresas de telecomunicação pode-se dizer
que elas não vendem ‘celulares’ ou ‘planos de telefonia e dados’ - todo esforço de marketing
é focado para vender ‘conectividade’, formar e alimentar a necessidade de estar sempre
‘conectado’ e ‘acessível’. A partir daí instala-se um processo retroalimentado: a população
desenvolve essa necessidade de consumo de serviços de telecomunicação, impulsionada pelas
empresas que os fornecem. Outros mercados, como o de aplicativos para telefonia móvel,
oferecem serviços de software em vários segmentos, criando novas demandas de consumo.
Além do aspecto econômico, há as dimensões sociais e culturais. Os impactos da
cultura digital permeiam a formação de novas gerações, influenciando a maneira como
pensam, escrevem e se comunicam.

470 O portal CETIC.BR publicou a série de indicadores 2013, disponível em www.cetic.br

4120

�As bibliotecas digitais, os repositórios temáticos e institucionais e as revistas
eletrônicas, trazem em seu bojo o objetivo de possibilitar o acesso à informação de forma
rápida e precisa, buscando satisfazer as necessidades de informação e documentosde seus
usuários, e também, facilitar a vida dos mesmos, pois a partir deste momento, eles não
precisam mais se deslocar até um lugar físico e acessar material impresso para obter a
informação desejada.

Repositórios Digitais
O surgimento dos Repositórios Institucionais é, em última análise, o resultado de um
processo de mudanças no processo de comunicação científica ocorrido nos últimos anos.
A história do surgimento dos Repositórios Institucionais tem relação com o
crescimento do mercado editorial de periódicos científicos.
Resumidamente, os periódicos científicos deveriam levar à comunidade acadêmica e à
população em geral os resultados da atividade científica, que em muitas situações era
financiada com recursos públicos. O acesso a esses resultados, necessário à continuidade e a
evolução de novas pesquisas, só era possível por parte de quem pudesse pagar os custos das
assinaturas restringindo assim a comunicação científica para instituições com recursos
suficientes para custeá-las, excluindo a comunidade acadêmica que não tivesse recursos
financeiros para pagar pelo acesso.
Além da dificuldade de acesso, esse modelo de negócio do mercado editorial instalou
um círculo vicioso: a obrigação de publicar em revistas científicas reconhecidas pelas
comunidades acadêmicas, já absorvidas por grandes grupos desse mercado editorial; as
métricas de impacto e de produtividade consideram de maneira preponderante as revistas que
pertencem a esse círculo restrito ao mercado editorial.
Tal situação culminou no que a literatura chama de “crise do periódico científico” no
final dos anos 90 o que motivou, segundo Kuramoto (2006) o seguinte fato:
Em julho de 1999, Paul Ginsparg, Rick Luce e Herbert Van de Sompel
fizeram uma chamada para uma reunião exploratória entre os responsáveis
por repositórios de eprints acadêmicos, a Convenção de Santa Fé. A partir
desse evento, foi criada a Open ArchivesInitiative (OAI). A meta principal
dessa iniciativa é contribuir de forma concentrada para a transformação da
comunicação científica. A linha de ação proposta para essa transformação é
a definição de aspectos técnicos e de suporte organizacional de uma estrutura
de publicação científica aberta, na qual ambas, a camada comercial e livre,
possam se estabelecer.

4121

�Esse foi o marco inicial para o que se conhece atualmente como Iniciativa de
Arquivos Abertos (Open ArchivesInitiative —OAI). A partir de então se verifica a realização
de diversas ações para consolidação de tecnologias, trocas de experiências, realização de
eventos (Workshops, Seminários, entre outros) dirigidos à promoção e criação de
Repositórios Institucionais. Esses repositórios são definidos por Sayão et al. (2009, p.09)na
seguinte forma:
Uma versão completa da obra e todos os materiais suplementares,
incluindo uma cópia da licença, como acima definida, é depositada e,
portanto, publicada em um formato eletrônico normalizado e
apropriado em pelo menos um repositório que utilize normas técnicas
adequadas (como as definições estabelecidas pelo modelo Open
Archives) e que seja mantido por uma instituição acadêmica,
sociedade científica, organismo governamental, ou outra organização
estabelecida que pretenda promover o acesso livre, a distribuição
irrestrita, a interoperabilidade e o arquivamento a longo prazo.
Há várias definições de Repositórios na literatura, amplamente conhecidas. Porém, há
que se observar uma flexibilização dos usos dos Repositórios, para além da academia.
Vejamos a seguinte definição:
Englobam a produção científica de determinada instituição, mais comumente
institutos de pesquisa e universidades. Hospedam geralmente uma coleção
de documentos de pesquisa (pré-prints e pós-prints), embora possam incluir
relatórios técnicos, manuscritos, dados, videoclipes e imagens, além de
conter dados administrativos de apoio à instituição, como arquivo local de
documentação, teses, dissertações, livros e outros - (BOSO, 2011, p.35);

O conceito de Repositório tem sido adaptado por conta de novos usos desse tipo de
produto de informação. Há dezenas de exemplos de Repositórios destinados à publicação de
acervos e obras literárias completas (ex: Brasiliana Digital 471) e outros tipos de acervos
digitais, como materiais em áudio e vídeo (ex: Instituto Paulo Freire

).

Tais repositórios não têm o mesmo escopo e finalidade daqueles criados em âmbito
acadêmico, mas possuem as mesmas características essenciais do que podemos denominar
simplesmente Repositório Digital.Com base nas definições da literatura e nas experiências
institucionais, podemos definir um produto de informação como Repositório Digital quando
ele possuir as seguintes características:
•

Ser uma versão completa da obra e todos os materiais suplementares, incluindo
uma cópia da licença, depositada com o material;4712

471 Visite o site da Brasiliana Digital em http://www.brasiliana.usp.br/bbd
472 Visite o Centro de Referência Paulo Freire: http://acervo.paulofreire.org

4122

�•

Publicada com padrões tecnológicos aderentes a normas técnicas de preservação
digital (como as definições estabelecidas pelo modelo Open Archives e o modelo
OAIS);

•

Mantido por uma instituição acadêmica, sociedade científica, organismo
governamental, setor privado, ou outra organização estabelecida que pretenda
promover o acesso, a distribuição, a interoperabilidade e o arquivamento em longo
prazo.

Bibliotecas Digitais
O conceito de Biblioteca Digital evoluiu bastante ao longo dos anos. Influenciado pela
inserção das TIC nas Bibliotecas, esse conceito ganhou vários matizes. Drabenstott e Burman
(1997) nos contam que concepções de uma ‘biblioteca do futuro ‘ ou uma ‘biblioteca
inteligente’ estão registradas na literatura desde os anos 60. Os autores citam o trabalho de J.
C. R. Llicklider, intitulado Librariesofthe juture, visualizando um cenário avançado de busca
de documentos legíveis por computador, acessando simultaneamente várias bases de dados.
Na época em que esse artigo foi publicado pelas autoras, elas identificaram 15
definições sobre bibliotecas digitais, entre as quais destacam: biblioteca digital, biblioteca
eletrônica, biblioteca virtual, biblioteca biônica, biblioteca sem paredes, biblioteca do futuro,
máquina eletrônica.
Elas enumeram os recursos oferecidos por esse tipo de biblioteca (preservamos as
ideias com a mesma terminologia da época):
•

Acessoa coleções de diversas bibliotecas para bases de dados e outras fontes;

•

Livros virtuais;

•

Redes de catálogos on-line;

•

Conexão de qualquer lugar, por meio de equipamentos especializados;

•

Disponibilidade 'infinita' de coleções;

•

Acesso e transferência de conteúdos 'quantas vezes forem necessárias, sem
constrangimento';

•

Acesso a arquivos na íntegra, imagens digitais, audiovisuais, animações, sem
precisar sair de casa, via modem e tecnologias eletrônicas.

Em 1999 Murilo Bastos da Cunha publicou um artigo intitulado ‘Desafios na
construção de uma biblioteca digital’no qual ele trata de temas sobre a possibilidade de uma
biblioteca digital, seus paradigmas, apresentando questões como: a) ainda existirão livros no

4123

�futuro?b) deve-se continuar a assinar periódicos impressos, em cd-rom ou aguardar o
periódico totalmente eletrônico?O autor aborda em seu texto os alguns aspectos que devem
ser considerados na construção de uma biblioteca digital, entre os quais se destacam:
•

Catalogação, classificação e indexação: acervos digitais requerem tratamento
diferenciado, em alguns aspectos, dos documentos físicos. Por exemplo, faria
sentido usar algum sistema de classificação para localizar o documento, quando na
realidade, esses documentos são localizados por meio de uma interface de busca?

•

Periódicos: naquela época os sistemas de construção de periódicos eletrônicos não
faziam parte do dia a dia das bibliotecas. Segundo o autor, em 1998 no Brasil,
haviam 133 títulos de periódicos eletrônicos, construídos com tecnologias
baseadas em html. O futuro dos periódicos nesse contexto ainda era uma questão
muito nebulosa, segundo o autor;

•

Serviço de Referência: o bibliotecário de referência deixará de existir? Será
substituído por um 'serviço de referência eletrônica'?

•

Preservação: como preservar os documentos digitais e seus suportes?

•

Tecnologias: como lidar com a obsolescência da tecnologia da informação?

Algumas dessas questões, ainda que antigas, são pertinentes; o enfoque ou o tipo de
pergunta no escopo de cada tema mudou ao longo dos anos, mas alguns desses temas ainda
estão presentes quando se trata da criação de bibliotecas digitais.
Quase dez anos depois, o mesmo autor resgata a temática em seu artigo intitulado ‘Das
bibliotecas convencionais às digitais: diferenças e convergências’, com uma discussão mais
concreta do que as que relatamos neste texto.
Ele aponta as seguintes diferenças:
•

A organização da Informação: o tratamento documentário, o armazenamento e a
recuperação guardam diferenças substanciais, mas os métodos e processos das
bibliotecas convencionais não desapareceram, pelo contrário, foram adaptados
para o mundo digital; na convencional, 'o usuário vai à biblioteca', na digital, a
'biblioteca vai ao usuário’;

•

O acesso à informação: o paradigma da integração de fontes de informação é um
requisito indispensável;

•

O aspecto econômico: na biblioteca digital, é possível, por meio da integração,
dispor acesso a um número grande de fontes, com custos relativamente reduzidos
em relação à biblioteca convencional;

4124

�•

O incremento da cooperação de serviços entre as bibliotecas, uma vez que as
tecnologias e padrões facilitaram a comunicação entre diferentes plataformas de
maneira rápida e com baixo custo.

As mudanças sobre a concepção das Bibliotecas Digitais ocorrem no mundo todo. Isso
pode ser verificado a partir das discussões realizadas pela IFLA - InternationalFederationof
Library Associations

, uma instituição internacional que representa os interesses de

bibliotecas e serviços de informação e seus usuários, na condição de um agente global que
representa os profissionais ligados à Biblioteconomia e Ciência da Informação.
No Manifesto da IFLA para Bibliotecas Digitais encontramos a importância, o papel,
missão, objetivos e recomendações para a criação dessas bibliotecas. Vejamos alguns trechos
do Manifesto (tradução livre pelos autores):
Atenuar a exclusão digital é um fator fundamental para alcançar os Objetivos
de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas. O acesso a recursos de
informação e aos meios de comunicação apoia a saúde e a educação
tanto quanto a cultura e desenvolvimento econômico. [grifo nosso] ...as
bibliotecas operam digitalmente e os seus serviços digitais tornam
acessível um novo canal para o universo de conhecimento e da
informação, conectando culturas através de fronteiras geográficas e
sociais. [grifo nosso]
(...) Para cumprir essa missão buscam-se os seguintes objetivos:
• Apoiar a digitalização, acesso e preservação do patrimônio cultural e
científico.
• Criar sistemas interoperáveis de biblioteca digital para promover padrões
de livre acesso.
• Apoiar o papel essencial das bibliotecas e serviços de informação na
promoção de normas comuns e as melhores práticas.
• Criar a consciência da necessidade urgente de garantir a acessibilidade
permanente do material digital.
• Ligar as bibliotecas digitais de pesquisa de alta velocidade e redes de
desenvolvimento.
• Aproveitar-se da maior convergência de meios de comunicação e papéis
institucionais para criar e disseminar conteúdo digital.(IFLA, 2011)

A história

das

Bibliotecas

Digitais

possui

uma trajetória

permeada

por

questionamentos e experiências. É possível observar a evolução e a distinção de produtos e
conceitos, juntamente com a evolução das TIC, sua inserção na sociedade e amadurecimento
dos seus modelos de negócio.
No âmbito acadêmico, um dos focos de discussão está na preocupação em se delimitar
‘o que é’ e ‘quais os papéis’ de uma biblioteca digital (isso também se aplica no caso dos473

473 Saiba mais sobre a IFLA em http://www.ifla.org/about/more

4125

�repositórios). É uma discussão necessária, mas não suficiente para subsidiar a criação de tais
bibliotecas.
É possível verificar na literatura recente que uma Biblioteca Digital não se reduz às
suas tecnologias; Biblioteca Digital não é um software, nem somente um acervo digital. Ela é,
antes de tudo, uma Biblioteca, e como tal, possui caráter institucional, missão, valores,
serviços, processos de gestão e avaliação, pessoas, infraestrutura.
Outro fato a ser observado é que as Bibliotecas convivem com a ‘tradição’ preservação de acervos físicos e a ‘atualidade’ - gestão da informação; seus processos e
produtos transitam entre esses dois paradigmas. Miranda (1993) já havia constatado essa
dualidade há cerca de vinte anos, ao afirmar que as bibliotecas estão se transformando de
organizações centradas em coleções físicas para organizações centradas no acesso à
informação. Assim, as bibliotecas convivem com dois paradigmas que norteiam seus serviços:
o paradigma do acervo e do suporte físico, com seus processos orientados ao tratamento
documentário, com serviços que permitem acesso a documentos e o paradigma da informação
e do suporte digital, com processos orientados ao acesso à informação, gestão de conteúdo e
fluxos de informação.

Evolução Tecnológica: o fio condutor das mudanças das Unidades de Informação
Ao longo do século passado as Unidades de Informação, em especial as bibliotecas,
sofreram mudanças intensas com os impactos da absorção das Tecnologias da Informação e
Comunicação (TIC), com ênfase no contexto de seus processos internos e da criação de
serviços. A evolução das TIC também provocou a criação de novos suportes de informação e
de novos canais de comunicação, que igualmente provocaram mudanças nos processos e
serviços das Bibliotecas.
Uma das razões que podemos considerar é o fato de que as mudanças organizacionais
no contexto das unidades de informação, relativas à absorção das tecnologias da informação e
comunicação, não ocorrem de forma brusca ou repentina. Isso pode ser verificado com uma
rápida análise da história da absorção das tecnologias da informação e comunicação; vejamos
a ilustração a seguir:

4126

�Figura 22 - Visão geral da absorção das Tecnologias da Informação e
Comunicação pelas Unidades de Informação

Fonte: autores

Os primeiros relatos de uso do computador nas unidades de informação datam da
mesma época em que os computadores passaram a integrar a rotina das organizações.O
modelo de computação vigente nos anos 50 e 60 era predominantemente centralizado, com
pouca ou nenhuma interação com os usuários dos setores da organização e sem uso de
interfaces por meio de vídeo.
Um importante passo foi a popularização das redes de computadores. Paralelamente à
diminuição de tamanho daqueles enormes computadores e do aumento da capacidade de
processamento computacional, essa época foi marcada pelo surgimento dos catálogos on-line
que permitiam a consulta às bases de dados via terminais dentro da organização.
A evolução e a miniaturização dos circuitos eletrônicos possibilitaram a criação dos
mini e microcomputadores, e a consequente popularização do que se denominou na época
como Personal Computer - PC. Isso potencializou a disseminação das Redes de
Computadores nas organizações, mudando radicalmente o conceito e o papel da
informatização nas organizações.
Outro importante marco foi a popularização das tecnologias para digitalização,
verificada especialmente nos anos 80. A facilidade de obtenção de scanners forçou a redução
dos custos de aquisição e impulsionou um segmento de mercado muito importante para o
contexto das unidades de informação de uma forma geral: GED - Gerenciamento Eletrônico
de Documentos, ou mais recentemente, ECM - Enterprise ContentManagment.

4127

�Por muitos anos uma das principais dificuldades da popularização da infraestrutura
para GED foi o custo dos dispositivos de armazenamento de dados. O custo por megabyte era
elevado, especialmente para o armazenamento magnético (discos rígidos) e os recursos para
armazenamento óptico (CD-ROM e posteriormente em DVD) eram limitados e de difícil
conservação.
Hoje em dia as tecnologias de scanners evoluíram bastante, há uma enorme variedade
de tipos de tecnologias de hardware e software, empresas especializadas em oferecer serviços
de digitalização com uma relação custo-benefício muito atraente para as organizações. Em
relação ao armazenamento, o custo é medido em Terabytes (e não mais em Megabytes, uma
escala 1024 vezes menor) e suas tecnologias e serviços evoluíram bastante, especialmente
aqueles que proveem a virtualização e armazenamento em nuvem.
A concepção tecnológica das Bibliotecas e Repositórios Digitais da atualidade só foi
possível a partir da evolução dos padrões de engenharia de software para Web. O surigimento
de novas linguagens de programação, softwares especializados em aplicativos com
arquiteturas desenvolvidas para funcionar de maneira distribuída pela Internet constituem-se a
base para as tecnologias, e consequentemente, para existência do que entendemos atualmente
como Biblioteca Digital.
Como foi apresentado anteriormente, esse ‘fio condutor’ é um fator importante para
redefinição dos paradigmas das Bibliotecas. Dessa maneira, podemos afirmar que essas
instituições convivem com o ‘passado’ e com o ‘futuro’, lidando com processos de gestão e
de serviços que atendem

Tecnologias da Informação aplicadas em Bibliotecas Digitais
As bibliotecas e repositórios digitais só existem a partir das Tecnologias da
Informação e Comunicação - TIC, e da sua popularização. Ao longo dos anos as unidades de
informação têm absorvido as TIC para seu contexto organizacional e isso fez com que
houvesse diversas mudanças em âmbito interno, nos processos de gestão e na maneira com
que essas unidades se relacionam com seus usuários.
Tecnologias da Informação e Comunicação - são recursos (insumos para processos da
organização) baseados em tecnologias de computação e de comunicação em rede com
capacidade para: a) Coletar e armazenar dados; b) Processar dados e produzir informação a
partir deles; c) Recuperar dados e informações necessários aos processos operacionais e aos

4128

�de gestão; d) Conectar pessoas e setores da organização; e) Criar canais de comunicação
intraorganizacionais e com o ambiente externo à organização.
Limitando esse conceito ao nível organizacional, temos alguns papéis fundamentais
das TIC, na forma a seguir: a) Automação: aumentar a capacidade de auto-regulagem, autocorreção, auto-execução de processos ou eventos; b) Informatização: traduzir eventos e
processos em dados, e submetê-los ao processamento para transformação em outros dados ou
informações, com valor agregado; c) Recuperação da Informação: prover acesso a
documentos e informação; d) Comunicação: criar canais de comunicação com mecanismos
de controle e gestão; e) Serviços baseados em Informação: criar novos serviços baseados
em plataformas tecnológicas.
Figura 23 - Relação entre os níveis de TIC e perfis profissionais

Fonte: autores

A importância do papel das TIC depende do contexto em que ela está e do tipo de
competências requeridas para sua gestão e utilização.
No nível mais essencial, o de Infraesturutura de TIC, estão: equipamentos de
interconexão de rede, cabeamento estruturado, redes sem fio, servidores de rede (virtualizados
ou não), entre outros. Junto a essa infraestrutura estão pessoas com competências e
habilidades para manter esses recursos operacionais, para gerenciar seu funcionamento,
segurança e acesso.
No nível Ferramental de Software encontramos os recursos de apoio à gestão e uso
dos recursos de Infraestrutura de TIC, como as plataformas de rede (sistemas operacionais de
rede, diretórios, gerência de interconexão, firewall, sistemas para virtualização de servidores,

4129

�serviço de VoIP, de videoconferência, sistemas de mensagens), ferramentas de escritório,
Sistemas de Gerenciamento de Bases de Dados - SGBD, softwares para apoiar a gestão de
projetos, workflow, entre outros recursos que apoiem a criação de produtos e serviços da
organização.
No nível Produtos e Serviços de Informação encontramos softwares de importância
mais próxima às atividades-fim da organização, dependentes dos recursos das camadas
anteriores, e ligados diretamente às atividades finalísticas da organização: Softwares para
Repositórios Digitais, ambientes colaborativos (wikis, blogs), ferramentas de GED e ECM
voltadas para o cliente final, ferramentas para Gestão de Bibliotecas (acervo, circulação,
aquisição, etc.), gestão de arquivos físicos e digitais, entre outros.
No nível Suporte aos Processos de Gestão da Informação encontramos os recursos
que dão apoio direto ao processo decisório, ao planejamento e gestão de políticas da
organização. Tecnologias comumente envolvidas neste nível são recursos para Inteligência
Competitiva, Business Intelligence, Datawarehouse, recursos gerenciais de Enterprise
resourceplanning - ERP e outros recursos tecnológicos pertinentes a processos diretos de
Gestão da Informação.
Estabelecer o impacto final da aplicação de TIC no contexto de Bibliotecas Digitais
segue o mesmo princípio; é necessário conhecer como elas funcionam, seus benefícios e
custos (custo não se resume à questão financeira para sua aquisição, mas à sua manutenção e
absorção pela organização).
Existe uma crença comum a muitos profissionais da informação de que as TIC sempre
trazem benefícios, que a sua agregação é sempre boa para a organização. Isso cria uma visão
distorcida em relação aos reais impactos da adoção de uma TIC em um dado contexto
organizacional, acarretando prejuízos e problemas de ordem operacional e de gestão. Pelas
mesmas razõesacredita-se que esses prejuízos foram trazidos pelas TIC adotadas, quando na
verdade, o prejuízo operacional e de gestão foi causado por um processo decisório equivocado
que resultou no mau dimensionamento de requisitos para a incorporação das TIC.

Interoperabilidade: conceito chave para Bibliotecas e Repositórios Digitais
Por quais razões deve-se optar pela interoperabilidade de sistemas? Podemos enumerar
as seguintes razões: a) Presume a operação com mútuas trocas de dados; b) Possibilidade de
Integração de dados no funcionamento entre sistemas; c) Software é algo complexo para
construir; d) Cada funcionalidade requer um esforço grande para desenvolvimento; e) Evita-se

4130

�‘reinventar a roda’: alguém cria rodas com tamanhos padronizados, e a questão se resume a
‘qual roda devo usar’; f) Evita-se o retrabalho na implantação de software; g) Possibilita o
compartilhamento de recursos e de esforços.
No contexto dos Repositórios Digitais, a interoperabilidade é promovida por
tecnologias que regem os processos de comunicação, compartilhamento e troca de dados. Na
atualidade a interoperabilidade entre sistemas de Bibliotecas e Repositórios Digitais é pensada
em termos de padronização de Metadados e de Protocolos de Comunicação.
Duval et al. (2002, p.11) definem metadados como sendo dados estruturados sobre
dados. Metadados ou Metadata é a descrição de dados sobre dados. Souza et al. (2000)
apontam como vantagens os seguintes itens:
a) possibilitar a interoperabilidade entre as diversas fontes de dados; b)
definir a linguagem de consulta; c) permitir a agilidade e o acesso com
qualidade na recuperação da informação; d) propiciar o intercâmbio
informacional.

A padronização de Metadados é necessária por conta dos seguintes fatores: a) facilitar
a implantação de sistemas que precisam trocar informações; b) padronizar o processo de
Descrição dos Documentos; c) permitir que qualquer desenvolvedor crie seu software com
padrões de aceitação de mercado. Metadados não padronizados ou específicos para um
determinado tipo de documento tem diversas desvantagens, entre as quais: a) evitam o
compartilhamento de dados; b) requerem processos de conversão complexos e caros; c) São
contrários às boas políticas de Preservação Digital.
O Dublin Core MetadataInitiative (DCMI) é um projeto destinado a organizar as
informações nas páginas da WEB, com o objetivo de estabelecer padrões de catalogação e
classificação das informações no meio eletrônico. O DCMI apresenta um conjunto de 15
elementos de metadados (descritos mais adiante), considerados mínimos para facilitar a
recuperação da informação do documento eletrônico. Segundo Souza et al. (2000):
O Dublin Core, pode ser definido como sendo o conjunto de elementos de
metadados planejado para facilitar a descrição de recursos eletrônicos. A
expectativa é de que os autores e Websites, que não possuam conhecimentos
em catalogação, possuam capacidade de usar o Dublin Core para descrição
de recursos eletrônicos, tornando suas produções mais visíveis aos
mecanismos de busca e sistemas de recuperação.

O conjunto de descritores do DC pode estar intrínseco no próprio documento descrito
- por meio da linguagem HTML (HiperTextMarkupLanguage), XML e outras, ou, de acordo
com o recurso necessário, a meta-informação pode estar separada do recurso utilizado para a

4131

�catalogação.Duval et al. (2002)explicam que os metadados DC podem ser usados
nasseguintes formas: a) embeddedmetadata (metadados embarcados no documento) pode ser
minerado (ou seja, pode ser rastreado na internet por um motor de busca), o que aumenta sua
visibilidade e pode incentivar os criadores a implementar metadados em seu recurso;
Um exemplo de código HTML com os metadados embarcados no documento é
mostrado a seguir:
&lt;1i nk r el ="schema.DC" h r ef="h t t p :/ / p u r 1 . o r g/DC/elements/1.l/"&gt;
&lt;META NAME="DC.t i t l e " CONTENT="Dubiin Core Metadata i n i t i a t i v e fDCMl)
Home Page"&gt;
&lt;META NAME="DC.description" CONTENT="The Dublin core Metadata
i n i t i a t i v e i s an open forum engaged i n the development of i n t e r o p e r a b le
o n lin e metadata standards th a t support a broad range of purposes and
business models. DCMI' s a c t i v i t i e s in c lu d e
consensus-driven working
groups, global conferences and workshops, standards l i a i s o n , and
ed u catio n al e f f o r t s t o
promote widespread acceptance of metadata
standards and p r a c t i c e s . '&gt;
&lt;META N A M E = "D C .d a te " CONTENT=" 2 0 0 4 - 0 6 - 1 4 " &gt;

&lt;META
&lt;m e t a
&lt;META
&lt;META

NAME="DC.format" CONTENT="text/html"&gt;
na me ="d c . c o n t r i b u t o r " c o n t e n t ="Du b i i n co re Metadata i n i t i a t i v e " &gt;
NAME="DC.language" CONTENT="en"&gt;
NAME="content-Type" CONTENT="text/html; ch a rse t= iso -88 5 9 -l"&gt;

Figura 24 - Exemplo de tas DCM I embarcadas no código HTML de um
documento da Web

b) associatedmetadata é mantido em arquivos associados ao recurso que descrevem,
eles podem ou não serem minerados; a principal vantagem desse tipo de metadado é que ele
facilita o controle sem alterar o conteúdo do recurso, mas esse benefício é pago ao custo da
simplicidade, exigindo co-gerenciamento dos arquivos de recursos e dos arquivos de
metadados.
Interoperabilidade: O Protocolo OAI-PMH
A

origem

do

Protocolo

OAI-PMH

(Open

ArchivesInitiativeProtocol for

MetadataHarvesting) é parte da Iniciativa Open Archives (Arquivos Abertos), ou OAI,
originada da Convenção de Santa Fé (Novo México) no final de 1999, objetivando promover
soluções de interoperabilidade que facilitem uma disseminação eficiente dos conteúdos
digitais, com caraterísticas técnicas livres de restrições econômicas e independentes de
plataforma.
Trata-se de um padrão aberto, do ponto de vista de sua arquitetura, não significando
acesso gratuito ou ilimitado às informações constantes dos repositórios que fazem parte da
Iniciativa.

A sua base é a possibilidade de compartilhar seus metadados, por meio de

processos que regem o intercâmbio (protocolo), com papéis e tecnologias previamente
definidos.

4132

�Os participantes desses processos são divididos em Provedores de Dados (Data
Providers ou DP) e Provedores de Serviços (Service Providers ou SP). Os provedores de
dados mantêm repositórios de documentos digitais que implementam o protocolo OAI-PMH
como forma de expor os metadados de seus documentos. Já os provedores de serviços
oferecem buscas a estes metadados ou outros serviços que visam agregar valor ao serviço,
além de funcionarem como provedor de dados.
O protocolo OAI-PMH introduz o conceito de MetadataHarvesting (em português:
colheita de metadados), um processo pelo qual os provedores de serviços, a partir da lista de
repositórios dos provedores de dados, realizam periodicamente uma busca a estes provedores
de dados, "colhendo" e armazenando os metadados para exibição sob a forma de consultas
efetuadas pelos usuários.

Figura 25 - Arquitetura de Serviços baseada no OAI-PMH

Fonte: autores

Dessa maneira torna-se possível agrgar e conectar coleções de diferentes documentos,
de diferentes locais e de diferentes plataformas.A comunicação entre os hosts é regida por um
protocolo de requisições e respostas definidas na forma de comandos (denominados

4133

�verbos474) que são transmitidos via URI no endereço do Repositório. Vejamos um exemplo:
abra um navegador de sua preferência, copie e cole a seguinte URI na barra de endereço:
http://www.labtecgc.udesc.br/oai-ex/request?verb=Identify.
A resposta enviada pelo Provedor de Dados pode ser na forma XML, ou ainda na
forma de uma interface amigável. Vejamos um exemplo na forma XML vindo da Revista
Ciência da Informação:

Figura 26 - Reposta de uma Requisição Identify para um provedor de dados

20

0

1
2

3
4
5
6

7
S

9
10
11
12

13
14
15
16
17
IS
30
31

iiiiiiiii

30

I

i i i i i i i i |i

40
i i i

50
i

60

70

i i i i i i i i i i i i i

SQ

i i i i i i i i i i i i i i i i i i i i

&lt;?xml version="l.0" encoding=nUTF-8"?&gt;
COAI-PMH xmlns="http://www.openarchives.org/OAI/2.0/"
xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance"
xsi :schemaLocation=nhttp ://www. openarchives .org/OAI/2.0/
i http ://www.openarchives.org/OAI/2.O/OAI-PMH.xsd"&gt;
EJ
&lt;responseDate&gt;2014-08-llT17:04 :43Z&lt;/responseDate&gt;
&lt;reguest verb="Identify"&gt;http://revista.ibict.br/ciinf/index.php/ciinf/oai&lt;/reguest&gt;
Cldentify &gt;
□
&lt;repositoryName&gt;Ciência da Informação&lt;/repositoryNaiue&gt;
&lt;baseURL&gt;http://revista.ibict.br/ciinf/index.php/ciinf/oai&lt;/baseURL&gt;
&lt;protocolVersion&gt;2.0&lt;/protocolVersion&gt;
i &lt;adminEinail&gt;raiitton@ibict .br&lt;/adminEmail&gt;
! &lt;earliestDatestamp&gt;1972-06-30T03:00:00Z&lt;/earliestDatestamp&gt;
! &lt;deletedRecord&gt;no&lt;/deletedRecord&gt;
! &lt;granularity&gt;YYYY-MM-DDThh:rnm: ssZ&lt;/granularity&gt;
&lt;compression&gt;gzip&lt;/compression&gt;
&lt;compression&gt;deflate&lt;/compression&gt;
________&lt;description&gt;___________________________________________________________________
&lt;/Identify&gt;
&lt;/OAI-PMH

Î

Fonte: autores
O intercâmbio de metadados dos docuentos é realizado na forma de um “diálogo”
entre os hosts envolvidos, conferindo a confiabilidade e integridade necessárias.Esse processo
precisa ser configurado para que ele ocorra de maneira automática. Por exemplo, pode-se

474
A
especificação
completa
do
http://www.openarchives.org/OAI/openarchivesprotocol.html

OAI-PMH

está

disponível

em:

4134

�escolher somente determinadas coleções e a política de atualização, que pode ser somente
para itens modificados (com ou sem exclusão) ou para a coleção inteira. Existe um conjunto
de ‘verbos’, que representam comandos que regem a troca de metadados entre os serviços.
Detalhes sobre o protocolo OAI-PMH e sua especificação são detalhados no trabalho de
Cardoso Jr. (2007)

Interoperabilidade: O Protocolo SWORD
O protocolo SWORD (SimpleWeb-serviceOfferingRepositoryDeposit) tem o objetivo
de estabelecer um conjunto de regras e parâmetros para que diferentes aplicativos possam
realizar o depósito de itens num repositório. Por exemplo, é possível que um periódico
eletrônico implementado com o software Open Journal System (OJS) faça o depósito de um
artigo automaticamente num repositório digital implementado com o software DSpace. Outro
exemplo interessante é do aplicativo Moodle

: ele possui um plug-in por meio do qual, ao

fazer o cadastro de um objeto de aprendizagem, ele faz o depósito automático em um
repositório implementado com Dspace.
Segundo Stuart Lewis (2012) esse protocolo começou a ser desenvolvido em 2007
com a finalidade de atender uma demanda de integração entre diferentes softwares,
repositórios digitais ou não. Na atualidade, existem diversos tipos de software para
repositórios digitais, e a interoperabilidade entre softwares de gestão documental ou que
contenham documentos que devem estar nos repositórios é cada vez mais demandada.
No Brasil, o SWORD ainda é desconhecido e é pouco explorado enquanto ferramenta
de integração entre plataformas. No entanto, estão disponíveis no portal do SWORD475476
ferramentas para os desenvolvedores nas plataformas mais conhecidas há APIs - (bibliotecas
de software) para todas as linguagens de programação para WEB e softwares muito populares
como o Moodle, Dspace e OJS já dispõe de interfaces estáveis e funcionais.

Considerações finais
Repositórios e Bibliotecas Digitais podem ser vistos como ‘paradigmas’ em evolução.
A preservação do conhecimento, do patrimônio cultural, científico e histórico está fortemente
associada a investimentos em infraestruturas e serviços baseados nessa forma de preservação,
memória e disseminação da informação e conhecimento.

475 Saiba mais sobre esse plugin em https://moodle.org/plugins/view.php?plugin=repository_sword_upload
476 Saiba mais em http://swordapp.org

4135

�Muitas instituições ainda têm dificuldades em absorver processos de gestão e
conhecimento tecnológico para manter serviços de acesso à informação e documentos digitais
por meio de repositórios e bibliotecas digitais.
A realidade dessas iniciativas é caracterizada por empreitadas de natureza
multidisciplinar, envolvendo profissionais da Ciência da Informação, Tecnologias da
Informação e Administração. Somente a conjunção de habilidades e competências dessas três
áreas viabilizam a criação e a sustentabilidade de um projeto que objetiva, em primeira
instância, apoiar a digitalização, acesso e preservação do patrimônio cultural e científico,
respeitando as questões relativas à propriedade intelectual, com sistemas computacionais
capazes de ‘sobreviver’ à obsolescência tecnológica.
Os pesquisadores e bibliotecários ainda precisam de uma integração mais efetiva para
que essas tecnologias tenham seu uso efetivo - no sentido de prover mudanças e inovação nos contextos organizacionais. Isso deve ocorrer nos processos de ensino e formação de novos
profissionais: novas gerações de bibliotecários, sensíveis e conhecedores do valor das TIC é
que conseguirão transformar os paradigmas e valores ligados às Bibliotecas Digitais e aos
Repositórios. Somente dessa maneira os Repositórios e Bibliotecas Digitais poderão romper
fronteiras e limitações vivenciadas pelas organizações.

REFERÊNCIAS
Boso, Augiza Karla. Repositórios de instituições federais de ensino superior e suas
políticas: análise sob o aspecto das fontes informacionais. (2011).

150 f. dissertação

(Mestre em Ciência da Informação) - Departamento de Ciência da Informação, Universidade
Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2011.
CARDOSO JR., Marcos José de M. Clio-i: interoperabilidade entre repositórios digitais
utilizando o protocolo OAI-PMH. (2007).

137 f. Dissertação (Mestre em Ciência da

Computação) - Centro de Informática, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2007.
Disponível em:&lt;http://www.cin.ufpe.br/~rbcp/dissertacoes/dissertacaoCARDOSO.pdf&gt;.
Cunha, Murilo Bastos da. Das bibliotecas convencionais às digitais: diferenças e
convergências. Perspectivas em Ciência da Informação, v. 13, p.2-17, 2008. Disponível
em:&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci arttext&amp;pid=S141399362008000100002&amp;nrm=iso&gt;.
Cunha, Murilo Bastos da. Desafios na construção de uma biblioteca digital. Ciência da
Informação,

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1999.

Disponível

4136

�em:&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci arttext&amp;pid=S010019651999000300003&amp;nrm=iso&gt;.
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Disponível

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Científica da FAED’ com DSpace: Relato de Experiência Revista ACB, Florianópolis, v. 17,
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eletrônica: utilização do padrão Dublin Core. Ciência da Informação, v. 29, p. 93-102,
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Stuart LEWIS, Pablo de CASTRO, Richard JONES. SWORD: Facilitating Deposit Scenarios.
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Disponível

em: &lt;http://www.dlib.org/dlib/ianuary12/lewis/01lewis.html&gt;.

4137

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>As Bibliotecas e Repositórios Digitais passaram por transformações de natureza teórica (conceitos, modelos de gestão) e aplicada (evolução tecnológica) sendo caracterizados por uma dinâmica que requer dos profissionais constante reflexão e atualização. Assim, o objetivo desse artigo é apresentar uma série de reflexões acerca da evolução dosconceitos de ambos – Bibliotecas e Repositórios Digitais e de suas tecnologias. Com base em levantamento bibliográfico e nas experiências de pesquisa aplicada dos autores, é apresentada uma perspectiva conceitual, reflexões sobre a evolução dos conceitos, tecnologias comumente envolvidas. Por fim, entende-se que o conceito de Biblioteca Digital atingiu um nível de maturidade compatível com processos de gestão e aplicação, os Repositórios Digitais são vistos como serviços aplicáveis além do âmbito acadêmico, cujas tecnologias evoluem rapidamente e que requerem do bibliotecário constante atualização.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

BIBLIOTECA DIGITAL DE TESES E DISSERTAÇÕES DA FURG: O
AUTOARQUIVAMENTO COMO UMA PROPOSTA DE CONSOLIDAÇÃO
ENQUANTO FONTE DE PRESERVAÇÃO E DISSEMINAÇÃO DA PESQUISA
CIENTÍFICA
Vania da Costa Machado

RESUMO
O presente trabalho tem por objetivo propor um novo processo para o depósito de teses e
dissertações na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade Federal do Rio
Grande (BDTD-FURG), a partir da utilização da funcionalidade de autoarquivamento. Em um
primeiro momento foi traçado o panorama da atual situação da BDTD-FURG, a partir da
realização de um levantamento de dados com vistas a identificar o percentual das teses e
dissertações inseridas na BDTD-FURG em relação ao número de titulados nos cursos de pósgraduação stricto sensu da FURG. Com base no diagnóstico realizado, pôde-se perceber que
apenas 44,1% das dissertações e 50,7% das teses defendidas, respectivamente, nos cursos de
mestrado e doutorado da FURG, entre os anos de 2006 e 2012, foram inseridas na BDTDFURG. Dessa forma, 55% dos trabalhos defendidos durante esse período deixaram de ser
inseridos na BDTD-FURG, pois não acompanhavam cópia digital. Como consequência ao
baixo percentual de teses e dissertações inseridas na BDTD-FURG, a FURG ocupava, em
2012, apenas o 54° lugar no ranking nacional de inserções na BDTD. Acredita-se que esse
panorama está relacionado ao fato da entrega do exemplar em formato digital ser facultativa e
também à morosidade do processo de envio dos trabalhos à biblioteca para inserção. Propõese, então, uma nova configuração do processo de depósito das teses e dissertações na BDTDFURG, a partir da utilização da funcionalidade de autoarquivamento, bem como a elaboração
de portaria que estabeleça a obrigatoriedade desse depósito.
Palavras-Chave: Bibliotecas digitais. Biblioteca Digital de Teses e Dissertações.
Universidade Federal do Rio Grande. Autoarquivamento.

ABSTRACT
This paper aims to propose a novel process for the deposit of theses and dissertations in the
Digital Library of Theses and Dissertations at Federal University of Rio Grande (BDTDFURG), from the use of self-archiving functionality. At first was drawn the panorama of the
current situation of BDTD-FURG based on the realization to survey data in with objective to
identify the percentage of theses and dissertations inserted in the BDTD-FURG in relation to
the number of students receiving the title in the courses of postgraduate of FURG. Based on
the diagnosis made, it can be noticed that only 44.1% of the dissertations and 50.7% of the
theses defended in the context of post-graduate programs of FURG, between the years 2006
and 2012, were included in the BDTD - FURG. Thus, 55 % of defended jobs during this
period are no inserted into BDTD-FURG because no digital copies accompanying. As a

4100

�consequence of the low percentage of theses and dissertations inserted in BDTD-FURG, the
FURG occupied in 2012, only the 54th place in the national ranking of BDTD insertions. It is
believed that this situation is related to the fact the delivery of the digital copy be optional and
also with the delay in the process of the jobs were sent to the library for insertion. Then
proposes a new configuration for the deposit process of theses and dissertations in BDTDFURG, from the use of self-archiving functionality, as well as the preparation of an regulation
that establishes the obligation of the deposit.
Keywords: Digital library of theses and dissertations. Federal University of Rio Grande. Self­
archiving.

1 Introdução
Para Meadows (1999, p. 161), “a realização de pesquisas e a comunicação de seus
resultados são atividades inseparáveis”. Segundo ele, a comunicação científica é tão
importante para a ciência quanto a própria pesquisa, pois a “esta não cabe reivindicar com
legitimidade este nome enquanto não houver sido analisada e aceita pelos pares. Isso exige,
necessariamente, que seja comunicada.” (MEADOWS, 1999, p. vii).
Além disso, ainda de acordo com Meadows (1999), o processo de geração e
acumulação do conhecimento é também baseado na comunicação, pois envolve a divulgação
de informações sobre a própria pesquisa em contrapartida ao recebimento de informações
sobre outros trabalhos que estejam sendo desenvolvidos.
Teses e dissertações constituem-se em uma preciosa fonte de informação para o
desenvolvimento da pesquisa e realimentação desse ciclo de geração e acumulação do
conhecimento. São consideradas um tipo de literatura cinzenta, visto que não são editadas
comercialmente, o que dificulta tanto o acesso a essas obras quanto sua preservação
(CAMPELLO; CEDÓN; KREMER, 2003; PAVÃO et al., 2004). Na grande maioria das
vezes, principalmente por questões de falta de espaço físico para seu armazenamento, essas
obras possuem apenas um exemplar disponível no acervo das bibliotecas. Com o uso
contínuo, acabam se deteriorando, além de ficarem expostas a situações de não devolução do
material, furto de páginas ou mesmo de toda a obra e, por ser um material não editado, sua
reposição no acervo torna-se bastante difícil.
Com a evolução e a proliferação das tecnologias de comunicação, que viabilizou a
publicação eletrônica de documentos e a disponibilização de textos integrais, as bibliotecas
digitais passaram a ser importantes mecanismos de preservação desses documentos, uma vez
que não sofrem desgaste com o manuseio e ficam armazenados e preservados digitalmente.
Além disso, as bibliotecas digitais são, também, segundo Cruz et al. (2004, p. 2), "entidades

4101

�capazes de vencer as limitações espaço-temporais naturais impostas a objetos físicos (livros,
estantes, salas, prédios), permitindo novas sistemáticas de trabalho e oportunidades”.
Seguindo essa tendência, a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade
Federal do Rio Grande (BDTD- FURG)462 foi implementada, a partir do Consórcio Nacional
de Bibliotecas Digitais de Teses e Dissertações do Instituto Brasileiro de Informação em
Ciência e Tecnologia (IBICT), com o objetivo de armazenar, disponibilizar e preservar as
teses e dissertações produzidas na Universidade. No entanto, percebeu-se que um número
bastante elevado de teses e dissertações deixam de ser inseridas na BDTD-FURG, pois não há
a exigência da entrega de uma cópia das teses e dissertações em formato digital. Além disso,
também foi observado que o processo de envio desses documentos para a inserção na BDTDFURG é bastante moroso e acarreta uma demora bastante acentuada entre a defesa do trabalho
e sua disponibilização on-line.
A partir destas constatações e tendo em vista a importância da BDTD-FURG enquanto
fonte de preservação, disponibilização e divulgação da atividade científica da Universidade,
buscou-se realizar um diagnóstico da atual situação dos depósitos das teses e dissertações na
BDTD-FURG, com vistas a propor ações para otimizar o processo de depósito desses
documentos e, consequentemente, elevar o percentual de inserções, almejando 100% de
depósitos.

2 Revisão de Literatura
Para Murilo Bastos Cunha (2008, p. 50), a biblioteca digital “armazena documentos e
informações em formato digital em sistema automatizado, geralmente em rede, que pode ser
consultado a partir de terminais remotos”, constituindo-se na
combinação de uma coleção de objetos digitais (repositório), descrições
desses objetos (metadados), o conjunto de usuários e os sistemas que
oferecem vários serviços, como captação, indexação, catalogação, busca,
recuperação, provisão, arquivamento e preservação de dados ou
informações. (CUNHA, M., 2008, p. 50).
A criação de bibliotecas digitais de teses e dissertações ampliou sobremaneira a
possibilidade de acesso a esses documentos, além de contribuir com seu armazenamento e
preservação, pois oferece aos pesquisadores acesso remoto sem restrições físicas de espaço e
tempo, ubiquidade, facilidade de pesquisa, baixo custo e “uma variedade de serviços que
permitirão aos usuários tirar melhor proveito dos dados representados, organizados e
disponibilizados em mídia eletrônica” (CRUZ et al., 2004, p. 2).

462 http://www.argo.furg.br/?BDTD

4102

�Segundo Pacheco e Kern (2001), citando pesquisa realizada por Lawrence, artigos
disponíveis on-line são mais citados do que os não disponíveis. Dessa forma, a
disponibilização de trabalhos nessas bibliotecas digitais traz benefícios tanto para os
pesquisadores, que têm suas pesquisas divulgadas mundialmente, aumentando sua
visibilidade entre seus pares e comunidade científica, bem como para a instituição de ensino à
qual ele está vinculado, pois esta tem a oportunidade de expor a qualidade das pesquisas que
produz.
Nessa perspectiva, o desenvolvimento da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações
(BDTD)463 pelo IBICT, representou um significativo avanço em termos de tratamento da
informação em seus diversos meios e formatos, de disponibilização da produção científica
brasileira e de ampliação de acesso aos recursos informacionais. Além disso, segundo
Jacqueline de Araújo Cunha (2009, p. 105),
do ponto de vista da memória científica, o consórcio nacional das
Bibliotecas Digitais de Teses e Dissertações é de extrema importância visto
que ela proporciona a efetivação de sua função social. Transforma a grande
massa documental, de trabalhos de teses e dissertações, antes estocada no
acervo das bibliotecas universitárias, em recursos informacionais com
maiores possibilidades de uso, trazendo ao público um rico acervo
informacional, cujo valor científico foi atestado através do crivo de uma
banca examinadora.
A BDTD é um projeto coordenado pelo IBICT, "que integra os sistemas de
informação de teses e dissertações existentes nas instituições de ensino e pesquisa brasileiras
e também estimula o registro e a publicação de teses e dissertações em meio eletrônico",
proporcionando

maior visibilidade

da

produção

científica nacional

(INSTITUTO

BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA, 2010).
Seu percussor foi uma base de dados cooperativa, implantada pelo IBICT em 1995,
que integrava referências bibliográficas de teses e dissertações de 17 instituições de ensino
superior e contava, à época, com cerca de 121 mil registros. Com a proliferação de
tecnologias que viabilizam a publicação eletrônica de documentos e seguindo uma tendência
mundial, em janeiro de 2001, o IBICT constituiu um grupo de estudos com especialistas de
diversas instituições, entre elas, Bireme, CNPq, USP, PUC-Rio e UFSC, com o objetivo de
analisar questões relativas à disponibilização dos textos completos de teses e dissertações na
Internet e, a partir dessas análises, elaborar a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e
Dissertações. A partir desses estudos, foram desenvolvidos o Padrão Brasileiro de Metadados
de Teses e Dissertações (MTD-BR) e o Sistema de Publicação Eletrônica de Teses e
463 http://bdtd.ibict.br/

4103

�Dissertações (TEDE) (INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E
TECNOLOGIA, 2010).
Para as instituições que já possuíam suas bibliotecas digitais de teses e dissertações, o
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (2010) promoveu a integração
dessas à BDTD Nacional através da implementação da camada do Protocolo OAI-PMH em
seu repositório, gerando, dessa forma, registros de metadados compatíveis com o padrão
MTD-BR. Para as instituições que não possuíam bibliotecas digitais de teses e dissertações, o
IBICT distribuiu, gratuitamente, um pacote tecnológico contento o Sistema TEDE já
implementado, o MTD-BR, a camada do Protocolo OAI-PMH, metodologia de implantação,
manuais operacionais e de usuário, documentação e treinamento, o que possibilitou a
implementação da biblioteca digital nas instituições de ensino e pesquisa e sua integração à
BDTD Nacional.
A metodologia desenvolvida pelo IBICT para publicação das teses e dissertações
oferece duas modalidades de alimentação: o autodepósito ou autoarquivamento, onde,
seguindo o modelo Open Archives464, o próprio autor faz o registro e o upload de sua tese ou
dissertação e a biblioteca fica responsável somente pela conferência e publicação das
informações registradas, diminuindo, dessa forma, o número de profissionais necessários para
realização das submissões; e o depósito centralizado nas bibliotecas das instituições, no qual
as bibliotecas ficam responsáveis por obter, em parceria com as secretarias dos programas de
pós-graduação, a autorização dos autores, registrar os metadados e fazer os uploads dos textos
integrais das teses e dissertações, o que requer um número maior de profissionais treinados, já
que todos os procedimentos de submissão são feitos pelos profissionais das bibliotecas
(KURAMOTO, 2006).
A tecnologia de coleta automática de metadados (harvesting), utilizada pela BDTD,
funciona da seguinte forma: os dados inseridos pelas bibliotecas digitais das instituições de
ensino e pesquisa, que fazem parte Consórcio Brasileiro de Teses e Dissertações, alimentam
uma base centralizada (BDTD Nacional), que é, por sua vez, objeto de coleta por outros
provedores de serviços, em especial pelo sistema da Networked Digital Library of Theses and
Dissertations (NDLTD)465, uma organização internacional dedicada a disponibilizar textos

464 “O modelo Open Archives é um conjunto de padrões, protocolos e ideais para o estabelecimento de
interoperabilidade entre dois ou mais repositórios digitais. Um dos padrões estabelecido nesse modelo é o OAIPMH - Open Archives Initiative Protocol fo r Metadata Harvesting. Trata-se de um protocolo para realizar a
coleta de metadados dos registros de um repositório” (KURAMOTO, 2006a).
465 http://www.ndltd.org/

4104

�completos de teses e dissertações de diversas instituições distribuídas em vários países.
(INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA, 2010).
Em termos gerais, a BDTD promove não só maior visibilidade da produção
científica e tecnológica brasileira no contexto nacional e internacional, mas
também gera capacitação nacional nas tecnologias de informação e
comunicação usadas para implementação de bibliotecas digitais. Ao usuário
final, além das funcionalidades tradicionais de acesso integrado aos
conteúdos de teses e dissertações defendidas no Brasil, o portal permite
maior interação com os seus usuários mediante a disponibilização de novos
produtos, tais como serviços especiais: estante digital, serviço de alerta,
gerenciador de repositórios e indicadores de produção e de pesquisa.
(INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E
TECNOLOGIA, 2010).
Nesse contexto, a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade Federal
do Rio Grande (BDTD-FURG) foi criada no dia 18 de julho de 2006, a partir da inserção das
primeiras 30 teses e dissertações com texto integral, seguindo recomendação do IBICT. Entre
as 29 instituições participantes do workshop para implantação da BDTD, realizado em
Brasília no período de 04 a 12 de abril de 2006, a FURG foi a 4a instituição a cumprir o prazo
o que garantiu o kit tecnológico recebido através de doação do IBICT no referido treinamento.
Em 2013, a BDTD-FURG passou a funcionar de forma integrada ao Sistema de
Administração de Bibliotecas ARGO e, a partir dessa integração, novas funcionalidades
foram criadas pelo Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI) da FURG, dentre elas:
a) a busca integrada na BDTD e no catálogo online do Sistema de Bibliotecas (SiB),
permitindo, dessa forma, que em uma única busca, o usuário recupere tanto as teses
e dissertações disponíveis no acervo físico da biblioteca quanto em meio digital;
b) a exibição do número mensal de downloads e de visualizações de cada tese ou
dissertação;
c) a visualização do número de downloads por país;
d) a possibilidade de autoarquivamento.
Desde a sua criação, as submissões das teses e dissertação na BDTD-FURG são
realizadas na Biblioteca Central de acordo com o seguinte procedimento:
a) o aluno pós-graduando entrega uma cópia digital, em formato pdf, da versão final
da sua tese ou dissertação à secretaria do programa de pós-graduação e preenche o
Termo de Autorização para Publicação de Teses e Dissertações Eletrônicas na
BDTD-FURG466;
b) a secretaria do programa de pós-graduação envia à Biblioteca Central a cópia da
466 Disponível em: http://www.biblioteca.furg.br/images/stories/Termo_de_Autorizao_BDTD.pdf

4105

�dissertação em meio digital juntamente com o Termo de Autorização para
Publicação de Teses e Dissertações Eletrônicas na BDTD-FURG preenchido pelo
autor;
c) a Biblioteca Central recebe as cópias digitais das teses e dissertações enviadas pelos
programas de pós-graduação e procede a inserção dos metadados, o upload do texto
completo, quando assim o autor permitir, a publicação online dos trabalhos.
Esse trâmite de envio das teses e dissertações para a inserção na BDTD-FURG,
somado à inexistência de uma regulamentação interna da Universidade que torne obrigatório a
entrega em meio digital desses trabalhos, visando sua posterior inserção, torna o processo de
alimentação da BDTD-FURG bastante lento e pouco eficiente. Vários projetos de divulgação
e conscientização da importância de inserção de teses e dissertações na BDTD-FURG foram
realizados desde a sua implementação, no entanto, não foram obtidos resultados satisfatórios.
Dessa forma, tendo em vista a relevância da BDTD-FURG enquanto fonte de
divulgação da produção científica da Universidade, foi realizada uma pesquisa que buscou
identificar o percentual das teses e dissertações inseridas na BDTD-FURG em relação ao
número de titulados nos cursos de pós-graduação stricto sensu da FURG, para que, a partir
desse diagnóstico, tenha-se um panorama efetivo da situação da BDTD-FURG para que ações
possam ser propostas.

3 Procedimentos metodológicos
De acordo com o critério de classificação proposto por Appolinário (2006), o presente
trabalho caracteriza-se como um estudo de caso, realizado a partir de uma pesquisa
documental, de natureza quantitativa e qualitativa.
Para efetivação do diagnóstico pretendido, foi realizado um levantamento estatístico
das inserções de teses e dissertações na BDTD-FURG entre os anos de 2006 e 2012 e
solicitado, junto à Diretoria de Pós-Graduação (DIPOSG), dados relativos às titulações
ocorridas, durante esse mesmo período, no âmbito dos programas de pós-graduação stricto
sensu da FURG.
Após a coleta dos dados, verificou-se, através de cálculos de percentagem, a proporção
entre o número de titulados e o número de teses e dissertações inseridas na BDTD-FURG.
Além disso também foi analisado o período entre a data de defesa do trabalho e sua
publicação na BDTD-FURG, afim de identificar a lentidão desse processo.

4106

�4 Análise dos resultados
A partir dos dados coletados e compilados na tabela 1, podemos perceber que somente
44,1% do total de dissertações de mestrado defendidas no período de 2006 a 2012 foram
inseridas na BDTD-FURG. Dentre os cursos de mestrado oferecidos até o ano de 2012 pela
FURG, apenas os cursos de mestrado em Enfermagem e em Educação em Ciências: Química
da Vida e Saúde tiveram 100% dos trabalhos defendidos inseridos na biblioteca digital.
Através da tabela 1 e do gráfico 1, nota-se que, dentre os dezessete467 cursos, cinco
não tiveram nenhuma dissertação inserida na BDTD-FURG, sendo eles os cursos de mestrado
em Ciências da Saúde, Ciências Fisiológicas - Fisiologia Animal Comparada, Gerenciamento
Costeiro, Física, e Modelagem Computacional. Além destes, outros quatro cursos (Engenharia
e Ciências de Alimentos, Geografia, História da Literatura e Oceanografia Física, Química e
Geológica) tiveram entre uma e cinco dissertações inseridas, não ultrapassando o percentual
de 10% dos trabalhos defendidos.
Tabela 1 - Relação percentual entre o número de titulados por curso de mestrado da FURG e número
de dissertações inseridas na BDTD/FURG, no período de 2006 a 2012.______________________
Curso (ano de criação)

Titulados Dissertações BDTD

60
26
Aquicultura
38
24
Biologia de Ambientes Aquáticos Continentais (2005)
79
Ciências da Saúde (2004)
57
Ciências Fisiológicas - Fisiol. Animal Comparada (1999)
Educação (2012)
126
117
Educação Ambiental (1993)
26
26
Ed. em Ciências: Química da Vida e Saúde (2005)
Enfermagem (2000)
97
97
Engenharia de Computação (2012)
87
05
Engenharia e Ciências de Alimentos (1995)
45
21
Engenharia Oceânica (1994)
01
Física (2010)
41
01
Geografia (2006)
08
Gerenciamento Costeiro (2010)
79
02
História da Literatura (2001)
Mestrado Profissional em História (2012)
Mestrado Profissional em Matemática (2010)
31
Modelagem Computacional (2006)
72
51
Oceanografia Biológica (1980)
49
03
Oceanografia Física, Química e Geológica (1995)
41
40
Química Tecnológica e Ambiental (2005)
TOTAL
937
413
Fontes: Diretoria de Pós-Graduação - DIPOSG - FURG
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações - BDTD/FURG - 04/2013
Plano de Desenvolvimento Institucional FURG 2007-2010
Nota: Sinal convencional utilizado:
Dado
numéricos
igual
a
zero
não
resultante

%
43,3
63,2
92,8
100,0
100,0
5,7
46,7
2,4
2,5
70,8
6,1
97,6

44,1

de

arredondamento.

467Até dezembro de 2012 existiamvinte e um cursos de mestrado na FURG, no entanto, quatro foram criados
entre os anos 2010 e 2012 e, por isso, ainda não haviam titulados.

4107

�Gráfico 1 - Comparativo entre o número de titulados nos cursos de mestrado da FURG e as dissertações
inseridas na BDTD-FURG, no período de 2006 a 2012
40
41

Química Tecnológica e Ambiental
Oceanografia Física, Química e Geológica
Oceanografia Biológica
Modelagem Computacional
■' 2

História da Literatura
Gerenciamento Costeiro

79
J 8

Geografia
Física

■ Dissertações
inseridas na BDTD

01
21

Engenharia Oceânica

■ Titulados

Engenharia e Ciências de Alimentos
Enfermagem
Ed. em Ciências: Química da Vida e Saúde

______________ 26

26

117

Educação Ambiental
0

Ciências Fisiológicas - Fisiol. Animal Comparada

0

Ciências da Saúde

79

.

24

Biologia de Ambientes Aquáticos Continentais
Aqüicultura

é
0

20

38
60
------------------- ----------- ------------------- -------------------- -------------------- }
40
60
80
100
120
140

Em relação aos cursos de doutorado (tabela 2 e gráfico 2), apenas 50,7% das teses
defendidas entre os anos de 2006 e 2012 foram inseridas na BDTD-FURG. Os cursos de
Doutorado em Educação Ambiental, Educação em Ciências: Química da Vida e Saúde e
Enfermagem enviaram 100% de seus trabalhos defendidos para inserção na BDTD-FURG e
quatro cursos (Aquicultura, Ciências Fisiológicas - Fisiologia Animal Comparada, Engenharia
e Ciências de Alimentos e Oceanografia Física, Química e Geológica) em um universo de
oito468 cursos de doutoramento oferecidos pela FURG até 2012, não tiveram nenhum de seus
trabalhos inseridos na BDTD-FURG.

468 Até dezembro de 2012 existiam onze cursos de doutorado na FURG, no entanto, três deles foram criados
entre os anos 2010 e 2012 e, por isso, ainda não haviam titulados.

4108

�Tabela 2 - Relação percentual entre o número de titulados por curso de Doutorado da FURG
e número de teses inseridas na BDTD/FURG, no período de 2006 a 2012.
Titulados Teses BDTD
Curso (ano de criação)
09
Aquicultura (2007)
Ciências da Saúde (2010)
Ciências Fisiológicas - Fisiol. Animal Comparada (2005) 15
29
29
Educação Ambiental (2005)
07
Educação em Ciências: Química da Vida e Saúde (2009) 07
Enfermagem (2009)
05
05
27
Engenharia e Ciências de Alimentos (2004)
História da Literatura (2011)
37
33
Oceanografia Biológica (1992)
17
Oceanografia Física, Química e Geológica (2004)
Química (2012)
TOTAL
146
74
Fontes: Diretoria de Pós-Graduação - DIPOSG - FURG
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações - BDTD/FURG (04/2013)
Plano de Desenvolvimento Institucional FURG 2007-2010
Nota: Sinal convencional utilizado:
- Dado numéricos igual a zero não resultante de arredondamento.

%
100,0
100,0
100,0
89,2
50,7

Gráfico 2 - Comparativo entre o número de titulados nos cursos de
doutorado da FURG e as teses inseridas na BDTD-FURG, no período de 2006
a 2012
Oceanografia Física, Química e Geológica
Oceanografia Biológica

37

Engenharia e Ciências de Alimentos
Enfermagem
Educação em Ciências: Química da Vida e Saúde
Educação Ambiental
Ciências Fisiológicas - Fisiol. Animal Comparada
Aquicultura
0

10

Teses inseridas na BDTD

20

30

40

■ Titulados

No gráfico 3, a grande diferença entre o número total de titulados nos cursos de pósgraduação stricto sensu da FURG e o número de trabalhos inseridos na BDTD-FURG fica
bastante visível e preocupante, 55% dos trabalhos defendidos no âmbito dos cursos de

4109

�mestrado e doutorado da FURG, entre os anos de 2006 e 2012, não foram inseridos na
BDTD-FURG, deixando de serem disponibilizados remotamente, em nível mundial.

Como consequência ao baixo percentual de teses e dissertações inseridas na BDTDFURG, a instituição ocupa apenas o 54° lugar no ranking nacional de inserções na BDTD
(Quadro 1), enquanto que, se a totalidade dos trabalhos defendidos fossem inseridos, a FURG
poderia estar ocupando uma melhor colocação.

Quadro 1 - Indicadores nacionais de produção da BDTD por instituição de defesa, em
14/02/2012.
Instituição
1 - UNICAMP
2 - USP
3 - UFRGS
4 - PUC-SP
5 - UFMG
6 - UFPE
7 - PUC-Rio
8 - UNB
9 - UFSCAR
10 - PUCRS
11 - UFRN
12 - UFSM
13 - UFV
14 - UFU

Doutor
12496
12580
4094
2197
1796
1276
1370
1227
1313
861
694
477
861
320

Mestre
23121
19118
11677
6541
5180
5383
4619
4209
2721
2721
2874
2867
2096
2233

Total
35617
31698
15771
8738
6976
6659
5989
5436
4034
3582
3568
3344
2957
2553

4110

�15 - INPE
16 - UFBA
17 - UERJ
18 - ITA
19 - UFC
20 - UEL
21 - UFG
22 - UFLA
23 - UFPB
24 - UFSC
25 - UPM
26 - Unifesp
27 - UCB
28 - UFRRJ
29 - BDTD
METODISTA
30 - UFAL
31 - UDESC
32 - PUCPR
33 - UFJF
34 - UNIVALI
35 - UFRPE
36 - UCG
37 - UFMS
38 - UFS

653
447
441
349
324
212
278
485
246
478
96
453
22
224

1629
1736
1556
1555
1435
1477
1314
1103
1202
873
1206
671
1039
784

2282
2183
1997
1904
1759
1689
1592
1588
1448
1351
1302
1124
1061
1008

149

834

983

84
1
6
45
11
165
4
36
33

868
942
867
821
808
652
803
752
741

952
943
873
866
819
817
807
788
774

Instituição

Doutor

Mestre

Total

39 - UNIOESTE
40 - FURB
41 - UNISINOS
42 - IBICT
43 - UFMA
44 - UFES
45 - PUC Campinas
46 - UNIFOR
47 - UFOP
48 - UFPEL
49 - UECE
50 - UEPG
51 - UCDB
52 - UCS
53 - UFPA

7
0
78
622
23
19
84
1
36
116
31
0
2
8
25

642
649
561
8
592
588
470
553
502
396
460
405
377
356
335

649
649
639
630
615
607
554
554
538
512
491
405
379
364
360

54 - FURG

31

313

344

55 - Unisantos
56 - UNICAP
57 - FECAP
58 - EST
59 - Uninove

0
0
0
45
3

295
291
280
231
267

295
291
280
276
270

-

4111

�60 - INPA
51
211
262
61 - UNOESTE
0
235
235
0
228
228
62 - UNIVATES
63 - UCPEL
4
214
218
64 - Fiocruz
93
105
198
65 - FAMERP
90
103
193
156
157
66 - Ibmec São Paulo 1
67 - UNG
1
138
139
68 - UTP
0
135
135
69 - EG FJP
0
133
133
70 - UAM
0
130
130
71 - UFGD
10
120
130
72 - LNCC
52
66
118
73 - UFF
28
90
118
74 - CDTN
0
101
101
75 - UNICID
0
97
97
76 - IPT / Cenatec
0
91
91
87
91
77 - UNICENTRO 4
0
89
89
78 - UNITAU
79 - UEPB
0
79
79
80 - UFERSA
8
70
78
81 - DEP
29
46
75
82 - UTFPR
4
68
72
83 - UNAERP
10
59
69
0
66
66
84 - UNIFENAS
85 - UFTM
14
51
65
Fonte: IBICT - http://bdtdj.ibict.br/inc icadores/graficoRS.isp? cod1=&amp;cod2=&amp;cod3

Outro problema enfrentado é a demora no envio das teses e dissertações às bibliotecas
do SiB. Em alguns casos, o período entre a defesa do trabalho e o seu envio à biblioteca pelos
programas de pós-graduação chega a ser de dois anos. Durante esse período, esses trabalhos
deixam de ser disponibilizados, acarretando prejuízo tanto para autores, que deixam de ter
suas pesquisas acessadas e citadas em outros trabalhos, quanto para pesquisadores externos,
que deixam de ter acesso a essas preciosas fontes de informação.

5 O autoarquivamento como proposta
A partir do diagnóstico realizado, são sugeridas ações com vistas a modificar o
panorama vigente, almejando a inserção de 100% das teses e dissertações defendidas no
âmbito dos programas de pós-graduação da FURG e buscando facilitar e agilizar o processo
de depósito desses documentos na BDTD-FURG.

4112

�A exigência da entrega de um exemplar em formato digital das teses e dissertações
produzidas pelos programas de doutorado e mestrado reconhecidos, consta na Portaria n° 013,
de 15 de fevereiro de 2006, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (CAPES), artigo 1, parágrafo 1: “os programas de pós-graduação exigirão dos pósgraduandos, a entrega de teses e dissertações em formato eletrônico, simultânea à
apresentação em papel”, para divulgação e acesso público às dissertações e teses, por meio da
Internet. A divulgação desses documentos, além de servir para fins de acompanhamento e
avaliação destinados à renovação periódica dos reconhecimentos dos cursos de pósgraduação, também possibilita que a sociedade tenha acesso rápido, fácil e livre de barreiras
geográficas ao conhecimento gerado na universidade e subsidiado por recursos advindos da
própria sociedade.
Embasados pela Portaria n° 013/2006 da CAPES, propomos a elaboração, pela PróReitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPESP), de ato normativo que torne obrigatório,
além da entrega do exemplar impresso, o depósito na BDTD-FURG de uma cópia em meio
digital das teses e dissertações defendidas no âmbito dos cursos de pós-graduação stricto
sensu da FURG.
Para facilitar e agilizar o processo de inserção e disponibilização desses documentos,
propomos a utilização da funcionalidade de autoarquivamento, disponível na BDTD-FURG
após a sua integração ao Sistema de Administração de Bibliotecas ARGO.
A criação e utilização da nova funcionalidade de autoarquivamento eliminará o
demorado e ineficiente trâmite de inserção atual, formando um novo fluxo de procedimentos
(quadro 2), agilizando sobremaneira o processo de submissão na BDTD, pois o próprio autor
faz o registro dos metadados, o upload do arquivo de sua tese ou dissertação e o aceite do
termo de publicação no Sistemas FURG469, não sendo mais necessário que o programa de
pós-graduação envie uma cópia em meio digital para a biblioteca. Em casos de pesquisas que
envolvam patentes ou necessitem de exclusividade para publicação em periódicos científicos,
serão disponibilizados apenas os metadados ou partes dos trabalhos (introdução,
metodologia), o texto completo do documento permanecerá retido até a data informada pelo
autor para publicação on-line.

6 O "Sistemas FURG" constitui-se em um conjunto integrado de vários sistemas, desenvolvidos pelo Núcleo de
Tecnologia de Informação da FURG, que gerenciam diversos processos da Universidade, dentre eles estão: o
Sistema Acadêmico, Sistema de Recursos Humanos, Sistema de Patrimônio, Sistema Financeiro, Sistema de
Administração de Bibliotecas ARGO, Sistema de Emissão de Documentos, etc.

4113

�Sendo assim, o depósito de trabalhos na BDTD-FURG seguiria o fluxo descrito abaixo
e explicitado no quadro 2:
a) autodepósito da tese ou dissertação: através do seu perfil de discente no Sistemas
FURG, o autor declara concordar e autorizar a publicação de seu trabalho na
BDTD-FURG, insere os metadados do trabalho e faz o upload do arquivo com o
texto completo ou parte dele, no caso em que envolva registro de patente ou
ineditismo na publicação;
b) envio de e-mail ao orientador: o sistema envia automaticamente um e-mail ao
orientador solicitando a ele que dê ciência à tese ou dissertação;
c) ciência do orientador: o orientador, através de seu perfil de docente no Sistemas
FURG, irá analisar o referido trabalho e, estando esse de acordo com o homologado
pela da banca examinadora, irá referendá-lo. Caso o trabalho apresente problemas, o
orientador, através do sistema, deverá remeter o registro de volta ao autor
informando quais os problemas encontrados, para que as correções possam ser
executadas. O registro ficará disponível para a análise e ciência do orientador por
dez dias, se dentro desse período o orientador não realizar o procedimento, a
biblioteca poderá fazer a publicação do trabalho mesmo sem o aval do professor
orientador;
d) envio de e-mail à coordenação do programa de pós-graduação: após a análise
do orientador, o sistema envia automaticamente um e-mail ao coordenador do
programa de pós-graduação, solicitando a ele que dê ciência à tese ou dissertação;
e) ciência do coordenador: o coordenador, através do seu perfil no Sistemas FURG,
irá analisar o referido trabalho e, estando esse de acordo com o homologado pela
banca examinadora, irá referendá-lo. Caso o trabalho apresente problemas, o
coordenador, através do sistema, deverá remeter o registro de volta ao autor
informando quais os problemas encontrados, para que as correções possam ser
executadas. O registro ficará disponível para a análise e ciência do coordenador por
dez dias, se dentro desse período o procedimento não for realizado, a biblioteca
poderá fazer a publicação do trabalho mesmo sem o aval do coordenador do
programa de pós-graduação;
f) conferência dos metadados e publicação: o Sistema de Bibliotecas irá proceder a
análise dos metadados e as possíveis correções necessárias. Caso sejam detectados
maiores problemas nos metadados ou no arquivo depositado, a biblioteca poderá
enviar o trabalho de volta ao autor, via sistema, indicando os problemas a serem

4114

�corrigidos. Estando os metadados de acordo com os parâmetros estabelecidos pelo
Padrão Brasileiro de Metadados de Teses e Dissertações (MTD2-BR), o arquivo
inserido pelo autor será convertido para o formato pdf, caso esteja em outro
formato, e protegido contra alterações. Será realizada uma consulta ao catálogo do
SiB e, se a tese ou dissertação já estiver incorporada ao acervo físico da biblioteca,
seu registro na BDTD-FURG será vinculado ao seu registro no ARGO, permitindo,
dessa forma, que durante a pesquisa o usuário recupere os dois formatos
disponíveis. Ao final, será realizada a publicação do trabalho e a liberação do
acesso, conforme especificado pelo autor.

6 Considerações finais
A partir do panorama traçado, fica evidente o baixo percentual de depósitos realizados
na BDTD-FURG. Atribuímos esse baixo percentual, principalmente, ao processo de depósito
atualmente em vigor, bastante moroso e ineficiente.
Acreditamos que a adoção da funcionalidade de autoarquivamento irá trazer maior
dinâmica e eficiência ao processo, solucionando os dois grandes problemas que hoje impedem
um maior desenvolvimento da BDTD-FURG, que são o baixo número de trabalhos inseridos
e a demora no envio desses trabalhos às bibliotecas do SiB. Além disso, as etapas que
envolvem a análise e validação dos dados pelo orientador e pelo coordenador do curso,
garantem maior confiabilidade e legitimidade aos documentos disponibilizados.
Outro ponto importante é que a BDTD-FURG funcionará de forma integrada ao
Sistema Acadêmico da FURG, fornecendo informações a este último no momento da
disponibilização da tese ou dissertação, de forma a garantir um maior controle das
submissões.
Dessa forma, entendemos que a elaboração de ato normativo, que torne o depósito das
teses e dissertações na BDTD-FURG um requisito para obtenção do grau, aliado à
implantação e utilização do processo de autoarquivamento, é fator preponderante para que se
alcance a meta almejada de inserir, na BDTD-FURG, 100% das teses e dissertações
defendidas na Instituição, modificando, dessa maneira, o panorama vigente e elevando a
visibilidade da produção científica da Universidade.

4115

�Quadro 2 - Fluxograma do processo de autoarquivamento de teses e dissertações na BDTD-FURG
Envio
automático de
e-mail para o

Autoarquivamento da
tese ou dissertação

Prazo de 10 dias

O arquivo é
devolvido ao

Orientador
analisou os

aluno, com a
identificação do(s)
problema(s)

Não

dados?

Envio automático
de e-mail para o
coordenador

I
Coordenador

Não

-------- ►

analisou os
dados?

Prazo de 10 dias

\

^ Sim
O arquivo é
devolvido ao aluno,
com a identificação

Não

Sim

Os dados

◄------- ^

estão ok?

do(s) problema(s)

Coordenador

Não

analisou os
dados?

^Sim
Valida dos dados

O arquivo é
devolvido ao

1

Não

aluno, com a
identificação
do(s)

Conferência dos
metadados, formato do

Os
metadados
estão ok?

arquivo e proteção do
documento.

^ Sim
Disponibilização da
Pesquisa
no ARGO

-►

O material já
existe no

Não
Publicação

relação dos trabalhos
publicados na BDTDFURG para o Sistema
Acadêmico

^ im

Legenda
Aluno de pós-graduação
Orientador

Vincular ao registro
do ARGO

Coordenador do PPG
Processo automatizado Sistemas FURG
Biblioteca

Início/Fim
Pontos de Decisão

4116

�7 Referências
APPOLINÁRIO, Fabio. Metodologia da ciência: filosofia e prática da pesquisa. São Paulo:
Thomson, 2006.
BRASIL. Ministério da Educação. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior. Portaria n° 013, de 15 de fevereiro de 2006. Institui a divulgação digital das teses e
dissertações produzidas pelos programas de doutorado e mestrado reconhecidos. Disponível
em:

&lt;http://www.capes.gov.br/images/stories/download/legislacao/Portaria 013 2006.pdf&gt;.

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CAMPELLO, Bernadete

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CEDÓN, Beatriz Valadares; KREMER,

Jannette

Marguerite. Fontes de informação para pesquisadores e profissionais. Belo Horizonte: Ed.
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COLEPICOLO, Eliane. Qual a diferença entre o Portal de Teses da Capes e as BDTDs do
IBICT?. In: SeABD/BCo/UFSCAR - Seção de Acesso às Bases de Dados. Disponível em:
&lt;http://www.seabd.bco.ufscar.br/index.php/menu-sri-news/100-menu-sri-referencia/289diferenca-portais-teses-dissertacoes.html&gt;. Acesso em 02 mar. 2012.
CUNHA, Jacqueline de Araújo. Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações: uma
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Informação) - Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2009. Disponível em:
&lt;http://repositorio.ufrn.br:8080/ispui/handle/1/6161&gt;. Acesso em: 10 set. 2013.
CUNHA, Murilo Bastos; CAVALCANTI, Cordélia Robalinho de Oliveira. Dicionário de
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KURAMOTO, Hélio. O modelo Open Archives: como funciona?. In: Blog do Kuramoto.
2006. Disponível em: &lt;http://kuramoto.blog.br/2006/09/23/o-modelo-open-archives-comofunciona/&gt;. Acesso em: 10 set. 2013.
MEADOWS, A. J. A comunicação científica. Brasília: Briquet de Lemos, 1999.
PACHECO, Roberto Carlos dos Santos; KERN, Vinícius Medina. Transparência e gestão do
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4117

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4118

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da FURG: o autoarquivamento como uma proposta de consolidação enquanto fonte de preservação e disseminação da pesquisa científica</text>
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                <text>O presente trabalho tem por objetivo propor um novo processo para o depósito de teses e dissertações na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade Federal do Rio Grande (BDTD-FURG), a partir da utilização da funcionalidade de autoarquivamento. Em um primeiro momento foi traçado o panorama da atual situação da BDTD-FURG, a partir da realização de um levantamento de dados com vistas a identificar o percentual das teses e dissertações inseridas na BDTD-FURG em relação ao número de titulados nos cursos de pósgraduação stricto sensu da FURG. Com base no diagnóstico realizado, pôde-se perceber que apenas 44,1% das dissertações e 50,7% das teses defendidas, respectivamente, nos cursos de mestrado e doutorado da FURG, entre os anos de 2006 e 2012, foram inseridas na BDTDFURG. Dessa forma, 55% dos trabalhos defendidos durante esse período deixaram de ser inseridos na BDTD FURG, pois não acompanhavam cópia digital. Como consequência ao baixo percentual de teses e dissertações inseridas na BDTD-FURG, a FURG ocupava, em 2012, apenas o 54º lugar no ranking nacional de inserções na BDTD. Acredita-se que esse panorama está relacionado ao fato da entrega do exemplar em formato digital ser facultativa e também à morosidade do processo de envio dos trabalhos à biblioteca para inserção. Propõe-se, então, uma nova configuração do processo de depósito das teses e dissertações na BDTD-FURG, a partir da utilização da funcionalidade de autoarquivamento, bem como a elaboração de portaria que estabeleça a obrigatoriedade desse depósito. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

BIBLIOTECA DIGITAL DE MONOGRAFIAS DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE
FEIRA DE SANTANA: acertando na recuperação e democratização da produção
acadêmica
Isabel Cristina Nascimento Santana
Maria do Carmo Sá Barreto Ferreira
Rejane Maria Rosa Ribeiro
Marijalma Oliveira Campos
Abraão Vieira Maia
RESUMO
Aborda sobre a criação do repositório de monografias dos cursos de graduação e
especialização da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), intitulado de Biblioteca
Digital de Monografias (BDM), cujo objetivo é armazenar, preservar e divulgar essa produção
acadêmica em formato digital, sendo gerida pela Biblioteca Central Julieta Carteado (BCJC).
Três etapas foram necessárias para criação da BDM: o planejamento, o desenvolvimento, a
implantação. Entre os benefícios temos: a portabilidade e o ganho do espaço que seria
necessário para acomodar o acervo de monografias nas estantes já que o conteúdo (digital)
está armazenado em um servidor, acessível na internet; é ecologicamente correto por não
consumir papel; os mecanismos de busca agilizam e deixam mais eficaz a localização do
documento; maior divulgação e democratização do acesso à produção das monografias; e
disponibilização e preservação da produção acadêmica. Com isso, a BCJC busca alcançar a
excelência nos produtos e serviços prestados à comunidade universitária da UEFS.
Palavras-Chave: Repositório Institucional. Biblioteca digital. Monografias.

ABSTRACT
Tackles about repository creation of monographs of undergraduate specialization and the
Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), entitled Digital Library Monographs
(BDM), whose purpose is to store, preserve and promote this academic production in digital
format, being managed by the Biblioteca Central Julieta Carteado (BCJC). Three steps were
necessary to create the BDM: planning, development, deployment. Among the benefits are:
portability and gain the space that would be needed to accommodate the collection of
monographs on the shelves since the content (digital) is stored in an accessible Internet server;
is environmentally friendly by not consuming paper; search engines and streamline leave
most effective location of the document; wider dissemination and democratization of access
to the production of monographs; and availability and preservation of academic production.
Thus, the search BCJC achieve excellence in products and services to the university
community UEFS.
Keywords: Institutional repository. Digital library. Monographs.

4094

�1 Introdução

Com a explosão da informação, a facilidade de publicar e a política de aquisição das
bibliotecas voltadas cada vez mais para ações cooperativas, a exemplo dos consórcios, os
acervos estão crescendo, porém o mesmo não se pode dizer dos espaços físicos. Para superar
esse problema as bibliotecas estão adotando soluções com base nas tecnologias da
informação, como adquirir obras eletrônicas e criar os repositórios institucionais (RI), que
democratizam o acesso à produção acadêmica, científica e cultural das Instituições de Ensino
Superior. Essa alternativa também pode ser a solução ideal para a guarda e disponibilização
das monografias apresentadas como trabalho de conclusão de curso de graduação e de cursos
de pós-graduação lato sensu.
Neste contexto, a UEFS iniciou seu repositório com a Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações (BDTD) do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT)
e em seguida com a criação da Biblioteca Digital de Monografias (BDM).
Vale ressaltar, que a biblioteca digital é uma ferramenta que oferece várias vantagens,
tais como: permite o acesso remoto e simultâneo pelos usuários; não necessita de espaço
físico para armazenamento do acervo; preserva a memória da instituição; e promove maior
visibilidade à produção acadêmica e científica.
Atualmente, a UEFS mantém 27 (vinte e sete) cursos regulares de graduação, sendo 14
(catorze) bacharelados e 13 (treze) licenciaturas; além de 23 (vinte e três) cursos de pósgraduação lato sensu, e 17 (dezessete) cursos stricto sensu, nas diversas áreas do
conhecimento. Diante dessa realidade, que gera um grande número de monografias,
dissertações e teses, produzidas a cada semestre na Universidade, e pela falta de espaço na
BCJC para acondicioná-las, foi necessária a criação de espaços virtuais que pudessem
armazenar as informações produzidas, sem nenhum prejuízo para o autor e nem para o usuário
e, ainda, disponibilizando um acesso livre e rápido na recuperação da informação. Pois,
segundo Lawrence (2001, p. 521) “Para maior impacto e de mais rápido progresso científico,
autores e editores devem procurar fazer pesquisa de fácil acesso”.
A BDM é um repositório de acesso aberto, que tem o objetivo de armazenar e divulgar
a produção acadêmica, especificamente as monografias dos cursos de graduação e
especialização da UEFS. Essa iniciativa, da BCJC em parceria com a Assessoria Especial de
Informática da UEFS, é uma importante inovação, que permite o recebimento do grande
número de monografias produzidas pela comunidade acadêmica, sem comprometer o espaço
físico da Biblioteca Central.

4095

�2 Revisão de Literatura

Com a evolução tecnológica, as bibliotecas universitárias têm buscado alternativas
para qualificar os serviços e produtos, visando satisfazer as necessidades dos usuários.
Segundo Cunha (1999, p. 2) “apesar das dificuldades financeiras que tradicionalmente a
biblioteca enfrenta, as novas tecnologias foram, paulatinamente, incorporadas às suas
atividades, provocando mudanças internas e na maneira de prover produtos e serviços aos
usuários”.
As bibliotecas sempre conviveram com problemas relativos às instalações e espaços
físicos insuficientes para armazenar seus acervos e disponibilizar os serviços aos usuários.
Esta realidade se amplificou nos dias atuais, principalmente com o evidente crescimento das
universidades, sendo uma grande preocupação dos gestores das bibliotecas. Para Cunha
(1999, p. 4) “cada biblioteca deve avaliar cuidadosamente o seu espaço, levando em conta que
o programa de disponibilidade da informação combinará, por alguns anos, numa forma
híbrida, o uso tradicional do suporte em papel com a ampla gama dos suportes digitais.
Segundo a Wikipédia “os Repositórios Institucionais são sistemas de informação que
servem para armazenar, preservar, organizar e disseminar amplamente os resultados de
pesquisa de instituições de ensino e pesquisa, utilizando um software”. No Brasil o software
mais usado na criação de RI é o DSpace.
Com o passar do tempo, os repositórios se estenderam a toda produção institucional:
técnico, científica e cultural, se transformando na memória da instituição. Para Lynch (2003)
repositório é um conjunto de serviços que uma universidade oferece - aos membros de sua
comunidade - a fim de gerenciar e disseminar materiais digitais criados pela instituição e
membros da comunidade.
Atualmente, a sociedade da informação considera necessária a preservação de acervos
e, consequentemente, da memória institucional, utilizando suportes digitais. Portanto, cresce o
número de repositórios institucionais no Brasil.

3 Materiais e Métodos

O projeto de criação da BDM, iniciado em janeiro de 2011, foi executado em três
etapas: o planejamento, o desenvolvimento e a implantação.
A BCJC enxergou uma oportunidade para criar um repositório de monografias dos
cursos de graduação e especialização da UEFS nos mesmos parâmetros do Sistema de

4096

�publicação Eletrônica (TEDE) e da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UEFS
(BDTD) cedidos pelo IBICT, contando para tanto com a Assessoria Especial de Informática.
Durante o planejamento foi realizado estudo de viabilidade através de análise técnica e
levantamento de requisitos com os usuários, decidindo-se por aproveitar o sistema orientado à
código aberto do TEDE/BDTD para enquadrá-lo à nova necessidade da instituição, a BDM.
No desenvolvimento foi utilizada toda infraestrutura (equipamento,

sistema

operacional, aplicativo de proteção dos trabalhos a serem armazenados, código fonte e o
banco de dados), bem como as regras de negócio do sistema TEDE/BDTD (critérios, normas,
validações). A partir da documentação original foram identificadas todas as funcionalidades
do sistema e levantados os pontos a serem alterados através da reutilização do código fonte.
Para a implantação, em fevereiro de 2014, foi feita uma comunicação junto aos
colegiados de graduação e as coordenações dos cursos de especialização, para a sensibilização
quanto à importância da biblioteca digital e da alimentação da base, através do envio dos
trabalhos monográficos à BCJC.
Nesses primeiros meses da implantação, foram incluídas na BDM 16 monografias do
curso de Bacharelado em Direito e em Física. Outras monografias foram recebidas pela
biblioteca, porém estão aguardando o termo de autorização assinado para inclusão na
biblioteca digital.

Figura 1: Página de busca da BDM

Fonte: http://tede.uefs.br/monografias/tde_busca/idex.php
Com a colaboração da Assessoria de Comunicação da UEFS foi realizada uma ampla
divulgação da BDM para a comunidade interna e externa, bem como matéria publicada no
número 37 do BC Informa - Informativo do Sistema Integrado de Bibliotecas da UEFS. Além
disso, foi colocado na home page da BCJC um texto explicativo sobre a BDM com link para
baixar o termo de autorização. Pois, para ter sua monografia inserida na BDM, o autor deve
assinar o termo de autorização, permitindo a inclusão do seu trabalho na biblioteca digital,
além de entregar o trabalho no formato Word, que é convertido para PDF no próprio sistema.

4097

�Figura 2: Termo de Autorização
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA
SISTEMA INTEGRADO DE BIBLIOTECAS
BIBLIOTECA CENTRAL JULIETA CARTEADO

TERMO DE AUTORIZAÇÃO

Na qualidade de titular dos direitos de autor da monografia, autorizo o Sistema
Integrado de Bibliotecas da Universidade Estadual de Feira de Santana (SISBI-UEFS) a
disponibilizar através do site, sem ressarcimento dos direitos autorais, de acordo com a
Lei n° 9610/98, o texto integral do trabalho abaixo citado, conforme permissões
assinaladas, para fins de leitura, impressão e/ou download, a título de divulgação da
produção científica brasileira, a partir desta data.

Identificação do material bibliográfico:

( ) Monografia de conclusão de curso de graduação
( ) Monografia de Programa de pós-graduação

Identificação da Monografia:
Autor:________________________________________________________________
Lattes:________________________________________________________________
E-mail:________________________________________________________________
RG:

CPF:

Fonte: BCJC

4 Resultados Parciais/Finais

Com a implantação da BDM a BCJC ganhou com a portabilidade e o espaço que seria
necessário para acomodar o acervo de monografias nas estantes já que o conteúdo (digital)
está armazenado em um servidor, acessível na internet, reduzindo assim os problemas com
espaço fí pico. Outro beneficio alcançado está relacionado à imagem da biblioteca perante a
comunidade univeositária, pois a BDM é ecologicamente correta por não consumir papel. Os

4098

�mecanismos de busca online agilizam e deixam mais eficaz a localização do documento,
facilitando a recuperação na pesquisa.

5 Considerações Parciais/Finais

Com a BDM esperamos formar a coleção digital completa das monografias,
contemplando todos os cursos de graduação e especialização da UEFS, dando visibilidade as
produções acadêmicas de todas as áreas.
Considerando a frase dita por Lawrence (2001, p. 521) “Os artigos disponíveis
gratuitamente on-line são citados mais freqüentemente”, acreditamos que com a Biblioteca
Digital de Monografias da UEFS as produções acadêmicas poderão ser incorporadas ao
acervo, trazendo os seguintes benefícios: maior divulgação e democratização do acesso à
produção dos trabalhos acadêmicos; solução para o problema de espaço físico insuficiente
para acomodar as monografias; e disponibilização e preservação da produção acadêmica.
Com essa ação, a BCJC busca alcançar a excelência nos produtos e serviços prestados
à comunidade universitária da UEFS.

6 Referências
CUNHA, Murilo Bastos da. Desafios na construção de uma biblioteca digital. Ciência da
Informação, Brasília, v. 28, n. 3, set./dez. 1999. Disponível em:&lt; www.scielo.br/scielo.php.&gt;
Acesso em: 15 abr. 2014.
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1996.
LAWRENCE, Steve. Online or invisible? Nature, v. 411, n. 6837, p. 521, 2001. Disponível
em: &lt; http://www.idemployee.id.tue.nl/g.w.m.rauterberg/publications/CITESEER2001onlinenature.pdf&gt;. Acesso em: 27 mar. 2014.
LYNCH, Clifford A. Institutional Repositories: essential infrastructure for scholarship in the
Digital

Age.

ARL,

n.

226,

p.

1-7,

Feb.

2003.

Disponível

em:

&lt;http://www.arl.org/storage/documents/publications/arl-br-226.pdf&gt;. Acesso em: 22 abr.
2014.
REPOSITORIO

Institucional.

Disponível

em:

&lt;http://pt.wikipedia.org/wiki/Repositório institucional&gt;. Acesso em: 05 mar. 2014.

4099

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                <text>Aborda sobre a criação do repositório de monografias dos cursos de graduação e especialização da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), intitulado de Biblioteca Digital de Monografias (BDM), cujo objetivo é armazenar, preservar e divulgar essa produção acadêmica em formato digital, sendo gerida pela Biblioteca Central Julieta Carteado (BCJC). Três etapas foram necessárias para criação da BDM: o planejamento, o desenvolvimento, a implantação. Entre os benefícios temos: a portabilidade e o ganho do espaço que seria necessário para acomodar o acervo de monografias nas estantes já que o conteúdo (digital) está armazenado em um servidor, acessível na internet, é ecologicamente correto por não consumir papel, os mecanismos de busca agilizam e deixam mais eficaz a localização do documento, maior divulgação e democratização do acesso à produção das monografias, e disponibilização e preservação da produção acadêmica. Com isso, a BCJC busca alcançar a excelência nos produtos e serviços prestados à comunidade universitária da UEFS. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

BIBLIOTECA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOQUÍMICA: blog como ferramenta de
difusão de informações
Verônica de Souza Gomes
Margarete Gomes Borba

RESUMO
A Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica em junho de 2013 disponibilizou na internet
o seu blog, com o objetivo de criar um canal de comunicação e de tornar mais visível os seus
produtos e serviços dentro e fora do âmbito acadêmico em que está inserida. O blog é uma de
muitas ferramentas, e tem se tornado um grande aliado das bibliotecas no que diz respeito à
rapidez com que as informações são compartilhadas e o alcance que tem atingido.
Palavras-Chave: Blog; Fonte de informação; Biblioteca.

ABSTRACT
The geochemistry graduate library provided its blog on the internet in July 2013. The service
has the objective of creating a communication channel making its products and services more
visible both inside and outside the academic context in which it is inserted. The blog is one of
many resourceful communication tools, and it has become a great ally of the libraries with
regard to the speed with which information is shared and the range that it has achieved.
Keywords: Blog; Information source; Library.

1 Introdução
Com os avanços tecnológicos a internet se tornou uma grande aliada da sociedade da
informação, por ser uma ferramenta de fácil acesso, com ampla informação, por disponibilizar
com rapidez os conteúdos e para um número de pessoas que impressiona (PAIVA; SANTOS,
2012). Em meio a essas mudanças surgiram às redes sociais que modificou a forma como as
informações são compartilhadas. E consequentemente houve o desenvolvimento da Web 2.0
que proporcionou uma maior interação dos usuários com os sites.
Conforme Cipriani (2008) blog é uma página de internet fácil de implementar, acessar
e manusear. É muito utilizado para divulgar coisas pessoais (diário) ou informações/serviços

4088

�de uma instituição. Ainda resalta que “os blogs fazem o papel de catalisador de notícias ou
fatos relevantes. São um verdadeiro canal de marketing boca-a-boca”.
Na atual sociedade se nota a preocupação do bibliotecário em estar inserido no
universo da comunicação em rede, acompanhar as evoluções tecnológicas. Deste modo, a
Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica (BGQ) tem se preocupado com a divulgação e
usabilidade do seu acervo, assim como dos seus serviços. A partir daí surgiu à necessidade da
criação/implantação de um canal de comunicação entre a BGQ e a comunidade acadêmica do
Programa de Pós-Graduação em Geoquímica da Universidade Federal Fluminense (UFF) - e
a criação de um blog é o nosso objetivo.

2 Revisão de Literatura
Para Blattmann e Silva (2007) cada vez mais tem surgido espaços que possibilitam a
maior interação dos usuários, onde podem fazer modificações nos conteúdos e criar novos
ambientes hipertextuais. Tudo isso devido ao novo modelo de Internet, ou seja, a Web 2.0, e
foi desta forma que surgiu o blog, uma das muitas ferramentas como portais, sites, Facebook,
chats, existentes nesse novo ambiente.
Mas o que é Web 2.0? Existem diversas definições, mas uma nova concepção tem
colocado como sendo um espaço de colaboração, interação e participação comunitária.
Se antes a Web era estruturada por meio de sites que colocava, todo o
conteúdo on-line, de maneira estática sem oferecer a possibilidade de
interação aos internautas, agora é possível criar uma conexão por meio das
comunidades de usuários com interesses em comum, resultando do uso da
plataforma mais aberta e dinâmica. (BLATTMANN; SILVA, 2007, p. 299).

Também não existe uma definição precisa para o que seja um blog, mas ele se tornou
uma ferramenta de comunição com grande importância. Segundo Malini (2008, p. 34), o
surgimento do blog se deu a partir de 1997 com a terminologia weblog, intitulado pelo norteamericano Jorn Barger para se referir ao seu jornal online Robot Wisdom. E o “ termo era um
acrônimo derivado das palavras web e log (diário ou bloco de anotações) e expressava um site
que hiperligava páginas interessantes encontradas na internet.'’”
Segundo Santos e Rocha (2012) “os blogs são conteúdos digitais onde se publicam
textos (posts) sobre assuntos variados em ordem cronológica. Podem apresentar outros
recursos de multimídia como vídeos, áudio, fotografias e músicas”. De início os blogs
funcionavam mais como diários eletrônicos. A partir de 2001 eles passaram a ter um caráter
mais informativo. Cada vez mais popularizado, ele vem sendo aperfeiçoado, e adquirindo

4089

�diferentes funções e classificações do tipo: educacionais, corporativos e organizacionais,
profissionais, entre outras.
Nesse contexto, essas inovações devem ser inseridas no cotidiano das bibliotecas, pois
permite a ampliação da disseminação e uso da informação, além de se tornar um grande canal
de comunicação entre diversas pessoas e países. A biblioteca deve se reinventar, modernizar a
democratização da informação, criar um ambiente de colaboração com os seus usuários.
Contudo, segundo Paiva e Santos (2012) deve-se ter cuidado com o conteúdo/informação a
ser exposto, as fontes de informação devem ser confiáveis, “[...] o que está muito mais a cargo
de instituições [...]”, que acaba atribuindo aos conteúdos à qualidade de informação científica.
De acordo com Primo (2008) o blog da Biblioteca Universitária costuma ser
classificado como profissional do tipo informativo cujos
[...] posts deste blog individual voltam-se principalmente para a divulgação
de textos sobre a área de atuação do profissional e/ou para a
reprodução/reescrita de notícias sobre tal tema encontradas em outros
lugares. Dependendo da freqüência de publicação e das novidades relatadas,
estes blogs podem se tornar material de referência e atualização para um
determinado segmento. (PRIMO, 2008, p. 6).

Vale ressaltar que o blog não substitui a página web da empresa, pois essas contêm
informações catalogadas onde só é possível uma consulta e não uma interatividade, diferente
do blog. Deste modo ele pode ser uma ferramenta a mais na reinvenção das bibliotecas.

3 Materiais e Métodos
A princípio a iniciativa de se criar um blog para a BGQ partiu de uma funcionária (a
autora) ao perceber a necessidade da biblioteca estar mais interagida com a comunidade do
Programa de Geoquímica - um dos mais tradicionais cursos de Pós-Graduação na área de
geociências do Brasil, tendo sido implementado em 1972 na UFF.
A biblioteca busca reunir toda a produção científica do Programa de Geoquímica.
Deste modo entendemos que tudo que for adquirido pela biblioteca e os seus serviços devem
não apenas ser divulgados para que os usuários tenham conhecimento e haja mais
visibilidade, mas que estejam disponíveis no próprio blog quando possível, buscando agilizar
o acesso às informações.
Em novembro de 2012 começou o processo de criação do blog. Inicialmente foi feito
um levantamento na internet de documentos que falassem de como desenvolver e utilizar um
blog. Foram selecionados trabalhos de eventos, artigos de periódicos e livros, além da parte
bibliográfica buscou-se experiências de colegas de trabalho e visitas em blogs de bibliotecas

4090

�universitárias, tanto da própria instituição como de outras. Dentro das pesquisas realizadas foi
visto qual serviço de hospedagem para blogs estaria sendo empregado, por se tratar de uma
instituição sem fins lucrativos o mesmo teria que ser gratuito e também de fácil manuseio, já
que a equipe nunca trabalhou em uma ferramenta desse tipo.
A princípio duas pessoas estariam responsáveis pelo layout e gerenciamento. Depois
do layout pronto os demais estariam ajudando com relação à descrição de alguns tópicos no
blog e também com relação às postagens, auxiliando na busca de notícias do dia-a-dia.

4 Resultados Parciais/Finais
Os estudos e pesquisas realizados, além de trazer mais conhecimentos sobre o tema,
também ajudou no desenvolvimento do trabalho. Aproveitando que a biblioteca já possuía
uma conta de email no Google e optou-se por utilizar o serviço de hospedagem do Blogspot,
com versão em português, os serviços são gratuitos e não é complicado de usar. O
conhecimento de uma estagiária em programas de computadores como o Photoshop também
nos auxiliou bastante em relação ao layout do blog.
No processo de criação do blog tivemos que definir alguns itens importantes no
desenvolvimento e na edição do mesmo (PAIVA, 2012):
Propósito - criar um canal de comunicação entre a BGQ e comunidade acadêmica.
Público alvo - em princípio toda a comunidade do Programa de Pós-Graduação em
Geoquímica, mas concluímos que podemos ir além.
Postagens - primeiro identificar fontes de informação para compartilhar notícias
científicas ou do dia-dia referentes às linhas de pesquisa do curso, noticiar acontecimentos
que abranjam a Biblioteca e a Universidade, dente outras notícias do tipo - cursos e concursos
abertos.
Disponibilizar - os serviços oferecidos pela biblioteca, às fontes de informação e sites
interessantes da área, divulgar as novas aquisições, relacionar a produção científica
anualmente (tornando também acessível por meio de um link), tutoriais, abertura de sugestões
e comentários, entre outros.
O blog da BGQ só ficou pronto para divulgação em 28 de junho de 2013 devido às
limitações de pessoal para o desenvolvimento do mesmo e os trabalhos paralelos. A
divulgação foi feita por email para o sistema de bibliotecas da UFF, para professores e alunos
do Programa de Geoquímica, colocou-se cartazes na biblioteca e na sua entrada, e também
pusemos uma imagem do blog com o endereço como papel de parede nos computadores

4091

�utilizados pelos usuários. A figura 1 mostra como ficou o blog da Biblioteca de PósGraduação em Geoquímica.

l-igura 1: Pagina do blog da BCQ

Biblioteca de Pós-GraduaçSo
em Geoquímica ^

M f C atálogo

Fonte: http://bgqulF.blogspot.com. hiV

Após divulgação recebemos elogios dos professores e alunos do Programa de
Geoquímica, pois o blog tornou-se mais um meio de comunicação do curso, não só para a
comunidade acadêmica da UFF, mas também para o mundo. Servindo assim como um meio
de ampliar a visibilidade do curso e possibilitar o acesso a produções dos mesmos.

5 Considerações Parciais/Finais
Nos dias atuais a tecnologia é uma grande aliada das bibliotecas, principalmente
quando se quer ter rapidez na disseminação da informação, além de atingir um público bem
maior em um curto espaço de tempo. E a cada dia tem crescido o número de bibliotecas que
vem utilizando o blog e outras ferramentas em prol de compartilhar informações.
Verificou-se que a implementação do blog na BGQ trouxe os resultados que
esperávamos, de ser um canal de comunicação da biblioteca com a comunidade acadêmica. E
já de início tivemos a participação da comunidade, solicitando algumas inclusões no blog. E é
isso que queremos, que os usuários se expressem, participem, sejam com comentários,
inserção de links, sugestões. Pois só assim poderemos oferecer serviços com maior qualidade
e mais adequados as suas reais necessidades.

4092

�Contudo apesar dos elogios e participações ainda é preciso aperfeiçoar alguns tópicos,
pois faltou uma especificidade maior das fontes de informação para serem utilizadas nas
postagens. Assim, o próximo passo é fazer: um levantamento das fontes de onde poderemos
selecionar notícias e uma avaliação de usabilidade. Com o propósito de que o blog venha
fazer a diferença e não seja apenas mais um no mundo da internet.

6 Referências
BARROS, Moreno Albuquerque de. Blogs e bibliotecários. In: ENCONTRO NACIONAL
DOS ESTUDANTES DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO, CIÊNCIA E
GESTÃO DA INFORMAÇÃO, 27., 2004, Recife. Anais... Recife, 2004. Disponível em:
&lt;

http://eprints.rclis.org/bitstream/10760/9300/17blogs_e_bibliotec%C3%A1rios.pdf

&gt;.

Acesso em: 05 maio 2014.
BLATTMAN, Ursula; SILVA, Fabiano Couto Corrêa da. Colaboração e interação na Web 2.0
e Biblioteca 2.0. Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 12, n.
2, p. 191-215, jul./dez., 2007.
CIPRIANI, Fabio. Blog corporativo. 2. ed. São Paulo: Novatec, 2008. 201 p.
MALINI, Fábio. Por uma genealogia da blogosfera: considerações históricas (1997 a 2001).
Lugar Comum, Rio de Janeiro, n. 23-24, p. 33-47, 2008.
PAIVA, Eliane Bezerra; SANTOS, Edilene Toscano Galdino. O blog como ferramenta para
dinamizar o uso das fontes de informação na biblioteca universitária. In: SEMINÁRIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 17., 2012, Gramado. Anais...
Gramado, 2012.
PRIMO, Alex. Blogs e seus gêneros: Avaliação estatística dos 50 blogs mais populares em
língua portuguesa. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO,
33., 2008, Natal. Anais..., Natal: Intercom, 2008.
SANTOS, Ester Laodiceia; ROCHA, Suely Margareth da. Estudo da usabilidade e avaliação
da qualidade do blog Bibliojurídica, da Biblioteca da Faculdade de Direito da Universidade
Federal de Minas. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS,
17., 2012, Gramado. Anais... Gramado, 2012.
SILVA, Edson Souza. As mídias sociais no sistema de bibliotecas da PUC-Rio: uma
experiência. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 17.,
2012, Gramado. Anais... Gramado, 2012.

4093

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                <text>A Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica em junho de 2013 disponibilizou na internet o seu blog, com o objetivo de criar um canal de comunicação e de tornar mais visível os seus produtos e serviços dentro e fora do âmbito acadêmico em que está inserida. O blog é uma de muitas ferramentas, e tem se tornado um grande aliado das bibliotecas no que diz respeito à rapidez com que as informações são compartilhadas e o alcance que tem atingido.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

AVALIAÇÃO DO USO DOS LIVROS ELETRÔNICOS DO ACERVO DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ PELOS ESTUDANTES DOS
PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO
Amélia Landim Barrocas
Virgínia Bentes Pinto

RESUMO
O meio acadêmico passa por uma rápida difusão da informação com a introdução dos novos
suportes de comunicação advindos das novas tecnologias que facilitam a produção e o acesso
à informação. Dentre esses suportes encontra-se o livro eletrônico, a mais nova modalidade
do livro, que vem se inovando ao longo do tempo. A Universidade Federal do Ceará-UFC, em
2009, passou a incorporar esse tipo de livro em seu acervo e disponibilizá-lo como fonte
alternativa de informação para a pesquisa, ensino e extensão. É na intenção de saber as
práticas de uso desses livros que foi desenvolvida uma pesquisa cujo objetivo básico consiste
em investigar a utilização efetiva, pelos estudantes dos programas de pós-graduação da UFC,
dos livros eletrônicos comprados e disponibilizados no sistema de bibliotecas dessa
Instituição. A pesquisa optou por uma metodologia quanti-qualitativa, por meio de
questionários eletrônicos elaborados e aplicados através da ferramenta Google docs. Trata-se
de um estudo exploratório, com uma amostragem não probabilística contemplando 163
estudantes participantes. O método de sustentação da análise dos dados é o funcionalista,
realizado por meio de estudo de casos. Os resultados evidenciam que 60% dos pesquisados
não têm conhecimento do acervo de livros eletrônicos da UFC. O principal motivo revelado
para tal desconhecimento é a fragilidade na divulgação desse acervo. Entretanto, os alunos
que responderam conhecer tal acervo disseram ter tomado conhecimento pelo site da UFC, e
o principal motivo que os levou a usá-lo foi por ser de acesso gratuito. No que se refere ao
quesito importância, tanto os discentes que têm conhecimento quanto aqueles que
responderam não conhecer este acervo o avaliam como muito importante para a comunidade
universitária. Em conclusão, consideramos que, sendo o livro eletrônico uma nova
modalidade, ainda não esteja sendo devidamente absorvido por esse público, talvez pela
cultura de uso do livro impresso.
Palavras-Chave: Livro eletrônico; Avaliação; Informação; Biblioteca Universitária; PósGraduação.

ABSTRACT
The academic environment undergoes rapid dissemination of information to the introduction
of new media communication consequences of new technologies that facilitate the production
and access to information. Among these supports is the electronic book, the newest form of
the book, which has been innovating over time. The Federal University of Ceará - UFC, in
2009, came to include such books in their collections and make them available as an
alternative source of information for research, teaching and extension. It is the intention to

4068

�know the practical use of those books that a survey was developed with the basic objective is
to investigate the effective use of electronic books purchased and available at the library
system of the UFC , by students of the postgraduate programs of the institution. The research
methodology works with quantitative and qualitative data, collected through electronic
questionnaires, developed and applied through Google docs tool. This is an exploratory study
using a non- probability sample comprising 163 students participating. The method of
supporting the data analysis is the functionalist, conducted through case studies. The results
show that 60 % of respondents are unaware of the collection of electronic books UFC. The
main reason for who don’t know the existence of this of collection is revealed the weakness in
the dissemination of this collection. However, students who responded said they know of such
collections have been aware at the UFC website and the main reason that led them to use it
was to be free access. With regard to the question importance, both students who have
knowledge and those who responded did not know this stock evaluate it as very important to
the university community. In conclusion, we believe that being in a new electronic book form
is not properly absorbed by this audience, perhaps the culture of use of the printed book.
Keywords: Electronic book; Evaluation; Information; University Library; Graduate degree.

1 Introdução
Os impactos das novas tecnologias eletrônicas e digitais da informação e da
comunicação ocasionaram a rápida difusão da informação e o desenvolvimento da
globalização, sobretudo, no meio acadêmico, com a introdução de novos suportes de registro
do conhecimento que facilitam a produção e o acesso à informação. Dentre esses suportes
encontra-se o livro eletrônico, a versão mais atualizada do livro, que veio inovando seu
suporte físico e o formato de registro ao longo da história, desde sua confecção em tiras de
seda, argila, tábuas, papiro, pergaminho, papel até o mais atual, o digital.
O livro eletrônico oportuniza a acessibilidade, sobretudo, com as políticas de inclusão
as quais oferecem ao leitor contato com vários livros ao mesmo tempo, possibilitando maior
difusão da informação (PATRIOTA; CUNHA, 2006). Esses livros são capazes de
proporcionar aos usuários maior comodidade, uma vez que podem ser acessados 24 horas por
dia, de qualquer máquina instalada nas instituições ou fora de seu espaço físico. Estão
disponíveis 365 dias por ano, transcendendo as barreiras de tempo e espaço, possibilitando
consultas simultâneas, com ausência de fila de espera para o empréstimo e sem necessidade
de reservas, dando a possibilidade de ter uma biblioteca inteira em um computador por meio
de downloads de capítulos em computadores pessoais, tabletes ou até mesmo em telefones
celulares.
Com o intento de fazer parte dessa nova realidade, o Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal do Ceará (UFC) também passa a adquirir, por compra, um acervo de
livros eletrônicos, como exigência de um novo modelo de ensino. Assim, desde 2009 passou a

4069

�comprar livros eletrônicos das mais variadas áreas do conhecimento com a finalidade de
disponibilizá-los a toda a comunidade universitária e assim oferecer mais uma alternativa
como fonte de informação para a pesquisa, o ensino e a extensão. Contudo, ao vivenciar
práticas de trabalho em uma dessas bibliotecas e em conversas informais com os usuários,
notou-se que esse novo suporte ainda não se configura em fonte de estudos, como era de se
esperar, por parte dessa comunidade.
Observando esse fato e com a oportunidade de desenvolver uma pesquisa no Mestrado
Profissional em Políticas Públicas e Gestão da Educação Superior da Universidade Federal do
Ceará (POLEDUC), é que se propõe este estudo, de modo a buscar respostas ao seguinte
questionamento, que orienta os rumos deste trabalho: Quais fatores são considerados
determinantes para o uso, pelos estudantes dos programas de pós-graduação da UFC,
dos livros eletrônicos comprados e disponibilizados no sistema de bibliotecas dessa
Instituição, contemplados com esse tipo de acervo?
Com a finalidade de responder à indagação acima, definiu-se como objetivo geral
desta pesquisa: investigar os fatores considerados determinantes para o uso, pelos
estudantes dos programas de pós-graduação da Universidade Federal do Ceará, dos
livros eletrônicos que fazem parte do acervo do Sistema de Bibliotecas dessa Instituição.
Decorrem deste os seguintes objetivos específicos:
a) Identificar o grau de conhecimento dos estudantes dos programas de pósgraduação da UFC sobre a existência dos livros eletrônicos comprados e
disponibilizados no Sistema de Bibliotecas dessa universidade e as estratégias
de acesso e uso desse acervo;
b) Investigar se os estudantes de pós-graduação têm o habito de usar em suas
atividades acadêmicas e de pesquisa os livros eletrônicos adquiridos pela UFC
para seus cursos;
c) Averiguar se professores de pós-graduação da UFC indicam livros eletrônicos,
comprados e disponibilizados por essa Instituição em suas bibliografias;
d) Avaliar a importância e satisfação do uso do livro eletrônico do acervo das
Bibliotecas da UFC nas atividades de pesquisas acadêmicas por parte dos
estudantes de Pós Graduação da UFC.

2 Algumas considerações sobre o livro eletrônico
A invenção das mais modernas tecnologias de informação e de comunicação,
materializadas na sua versão eletrônica e digital, trouxe e vai continuar trazendo novidades

4070

�pervasivas inimagináveis de expansão e alcance que atinge a sociedade como um todo. Esse
fato teve maior expressividade com o surgimento da Internet e do Sistema World Wide Web
(WWW) que favorece a produção, registro, acesso e disseminação do conhecimento em
suportes e formatos outros que não o impresso, fazendo, inclusive, surgir o chamado
documento multimídia que associa textos verbais e não verbais em sua construção. Nessa
mesma linha de pensamento, Cesca (2005, p.20) ressalta que a Internet sofreu uma “revolução
com o surgimento da World Wide Web (WWW)”, sistema de hipertextos que facilita a
navegação do usuário por meio de links clicáveis que levam a outros sites. Esse novo sistema
facilita o acesso do usuário, permitindo que sites incorporem e compartilhem, por exemplo,
imagens, textos, vídeos, sons e gráficos, tendo como principais padrões o protocolo de
comunicação Hypertext Transfer Protocol (HTTP).
Dentro desse contexto surge o livro eletrônico, que ainda não tem uma denominação
única, sendo denominado de e-Book, i-Book, Livro Eletrônico, Hipertexto, Livro Digital,
entre outros. Entretanto, para o que se propõe nesse trabalho, cita-se o levantamento feito por
Dias, Vieira e Silva (2013) no quadro 1:

Quadro 1 - Acepções relativas ao conceito de livro eletrônico
No. de
Acepções relativas ao conceito de livro eletrônico
Autor(es)
ordem
Um livro digital é apenas uma grande coleção estruturada de bits
que podem ser transportados em CD-ROM ou em outros meios de
(LYNCH, 2001,
armazenamento ou entregues através de uma conexão de rede, e
que é projetado para ser visualizado em uma combinação de
1
tradução nossa)
hardware e software que vão desde terminais burros a navegadores
Web em computadores pessoais, até os novos dispositivos leitores
de livro [...].
Os livros eletrônicos comumente em uso hoje são primeiramente
representações computadorizadas de livros físicos. Podem ser
imagens escaneadas de páginas (visíveis como PDFs), ou fluxos de (CARDEN, 2008,
2
texto formatáveis que são reconstruídos por um aplicativo de
tradução nossa)
software para assemelhar-se a páginas em um dispositivo de
leitura.
No entanto, no que diz respeito ao e-book, sua representação
(LOPEZ SUAREZ;
mental tem escassa concretude, e oscila entre a realidade de um
LARRANAGA
dispositivo ou suporte para visualização (desde os primeiros que
3
RUBIO, 2010,
apareceram no mercado, até o mais sofisticado, como o Kindle da
tradução nossa)
Amazon) e o texto processado digitalmente que nele se insere.
Um livro eletrônico (e-book) é uma publicação digital que pode
consistir em texto, imagens ou uma combinação de ambos. Um
(TECHNOPEDIA,
livro eletrônico pode ser lido em um dispositivo digital proprietário
4
2012, tradução nossa)
(e-reader) ou em um computador, o que requer um software
especial.

Fonte: &lt;http://wrco.ccsa.ufpb.br/wrco/?p=182&gt;.

4071

�O que muitos pesquisadores questionam é se “o livro eletrônico”, com suas múltiplas
funcionalidades, tomará o espaço de uma das maravilhas do século XV, “o livro impresso”.
Podemos notar que na atualidade um complementa a falta do outro, mas se um substituirá o
outro, isso só o tempo poderá mostrar.

3 Avaliação e estudo da informação
3.1 Discutindo avaliação
A avaliação está presente no cotidiano dos seres humanos desde os primórdios da
sociedade, como uma forma de proceder a escolhas ou emitir e estabelecer valores sobre
satisfação de desempenho independentemente se no âmbito escolar, organizacional ou
pessoal. A palavra avaliar vem do latim a-valere, que significa dar valor a. Tal palavra passa
a ganhar uma estrutura conceitual de atribuição de um valor ou qualidade a alguma coisa, ato
ou curso de ação, implicando um posicionamento positivo ou negativo em relação ao objeto,
ato ou curso de ação avaliado (LUCKESI, 2000).
Segundo Dias Sobrinho (2001), as primeiras formas de avaliação surgiram através das
necessidades de sobrevivência; avaliar é uma capacidade inerente do ser humano, ela está
presente no cotidiano dos indivíduos. Corroborando essa ideia, Vianna (2000, p. 22) ratifica
que “Desde o início do processo civilizatório houve alguma forma de avaliação. Ousaríamos
dizer que a avaliação surgiu com o próprio homem [...] o homem observa, o homem julga,
isto é, avalia”.
Justamente por isso, Gonçalves (2005, p. 7) defende a avaliação como uma “[...]
proposta que não pode estar indissociada da compreensão da dinâmica da vida social, pois a
avaliação é permeada pelos movimentos e pelas mudanças dos fenômenos históricos”.
Apoiando essa ideia, Andriola e Souza (2010, p. 55) ajuízam que a “[...] cultura de
avaliação é um processo que demanda tempo, continuidade, informação e reflexão, capaz
de provocar consciência institucional e novas atitudes mentais.” Portanto, ela não deve ser
vista apenas como um processo informal, muito pelo contrário, precisa ser formalizada
com “O uso sistemático de informações e critérios acurados para atribuir valores e justificar
juízos de valor”. A diferença entre a avaliação informal e a formal é que a informal nem
sempre é prevista e, consequentemente, os avaliados não sabem que estão sendo avaliados.
Por isso, deve ser conduzida com ética
Nessa acepção, pode-se considerar que a avaliação traz em sua semântica algo que
carece de uma referência: um projeto institucional, um projeto político-pedagógico, que é o
objetivo a ser atingido em função do qual a avaliação tem sentido.

4072

�3.2 Estudo do uso da informação
No contexto da Ciência da Informação, o termo “informação” apresenta várias
definições. Para Silva e Ribeiro (2002), as definições para a palavra “informação” dependem
do processo que a produz, ou seja, a informação deve ser vista por meio das interações
inerentes ao processo informacional. Eles explicam que informação se constitui no conjunto
de representações mentais codificadas socialmente, contextualizadas e passíveis de serem
registradas em qualquer suporte material e, portanto, comunicadas de forma assíncrona e
multidirecionada.
Wersig e Neveling (1975, p. 12) argumentam que o termo “informação” somente pode
ser definido em relação às necessidades informacionais dos usuários, ou seja, em contextos de
uso “[...] tanto como redução de incertezas causadas como comunicação de dados quanto
como dados usados para reduzir a incerteza.” Nesse sentido, os autores sistematizam e
descrevem as seis principais abordagens da informação:
1) Abordagem Estrutural: orientada para a matéria. A informação existe
independente da sua apreensão pelo ser humano;
2) Abordagem do Conhecimento: afirma que o conhecimento elaborado à base da
percepção das estruturas da natureza é “informação”;
3) Abordagem da Mensagem: relacionada com a teoria matemática da
comunicação, “informação” frequentemente torna-se sinônimo de “mensagem”;
4) Abordagem do Significado: existe relação com a abordagem da “mensagem”,
entretanto considera como “informação” somente o significado da mensagem;
5) Abordagem do efeito: orientada para o receptor, afirma que a “informação”
somente ocorre como um efeito específico em um processo específico, levando em
consideração o receptor;
6) Abordagem do Processo: “informação” vista não como um componente do
processo, mas sim como o próprio processo.
A partir das limitações inerentes às várias abordagens, os autores fazem uma
proposta para o entendimento do que seja informação na perspectiva da Ciência da
Informação, como uma ciência baseada na noção de necessidades de informação de certas
pessoas. “O termo básico informação pode ser entendido somente se definido em relação a
estas necessidades de informação: tanto como redução de incertezas causada como
comunicação de dados quanto como dados usados para reduzir a incerteza” (WERSIG;
NEVELING, 1975, p. 12).

4073

�Choo (2006, p. 85), em seu livro A Organização do Conhecimento, descreve a
informação sob o ponto de vista do comportamento humano, que envolve três dimensões: a
cognitiva, a emocional e a situacional.
• A abordagem cognitiva de criação de significado desenvolvida e aplicada por
Brenda Dervin;
• As reações emocionais que acompanham o processo de busca da informação
identificadas por Carol Kuhthau;
• As dimensões situacionais do ambiente em que a informação é usada, proposta
por Robert Taylor.
As três perspectivas têm em comum o pressuposto de que a informação é
construída nos pensamentos dos usuários, e fica disponível na vida e no
ambiente de trabalho, cujas condições determinam seu uso e sua utilidade.
As três perspectivas contribuem para um melhor entendimento da
experiência humana de busca e uso da informação. Cada perspectiva lança
sua própria luz sobre as escolhas e ações nos principais estágios do
comportamento do emprego da informação: necessidade, busca e uso da
informação. (CHOO, 2006, p.85).

Pode-se inferir que o usuário se movimenta, a partir de seu estado inicial de
conhecimento ou estado anômalo do conhecimento, para a resolução do problema em questão.

3 Materiais e Métodos
A metodologia norteadora deste estudo apoia-se na pesquisa exploratória, com uma
amostragem não probabilística, pois, devido à estratégia de coleta de dados, pensou-se ser
inviável uma amostra definitiva. O método que sustenta essa análise é o funcionalista, haja
vista que este método estuda a sociedade do ponto de vista da função de suas unidades, isto é,
como um sistema organizado de atividades, entre outras coisas. Quanto à abordagem, optouse por uma de cunho quanti-qualitativo, por buscar traduzir em números opiniões e
informações para classificá-las e analisá-las, bem como estruturar as falas dos participantes da
pesquisa.
A efetivação da pesquisa empírica deu-se por meio de um questionário aplicado à
população de estudantes dos programas de pós-graduação da Universidade Federal do Ceará,
contemplados pelo acervo de livros eletrônicos, com amostra constituída por 163 participantes
distribuídos nos programas de pós-graduação dos centros, faculdades e institutos, a saber:
Física (Centro de Ciências), Tecnologia de Alimentos (Centro de Ciências Agrárias), História
(Centro de Humanidades), Direito (Faculdade de Direito), Economia (Faculdade de
Economia, Administração, Atuárias e Contabilidade), Enfermagem (Faculdade de Farmácia,

4074

�Odontologia e Enfermagem), Medicina Coletiva (Faculdade de Medicina), Comunicação
Social (Instituto de Cultura e Arte), POLEDUC (Representando os cursos de mestrado
profissional).
O questionário foi o instrumento de coleta de dados, elaborado e aplicado por meio da
ferramenta Google Docs, tendo ficado disponível durante 30 dias na Internet. Após tal
período, não se contabilizaram as respostas enviadas.

4 Análise dos dados e discussão dos resultados
Após a coleta dos dados, passou-se a analisá-los à luz do problema e dos objetivos da
pesquisa. Assim, a estruturação dos questionários foi feita levando-se em conta dois tipos de
questões: aquelas referentes ao conhecimento que os participantes têm do acervo de livros
eletrônicos e aquelas concernentes aos que não têm conhecimento desse acervo.
De posse dos dados coletados no estudo empírico, foi possível estruturá-los conforme
as seguintes categorias: caracterização dos participantes; nível de conhecimento dos
pesquisados sobre a existência dos livros eletrônicos comprados e disponibilizados pela UFC;
conhecimento sobre as estratégias de acesso e uso do acervo de livros eletrônicos da UFC;
hábito de uso dos livros eletrônicos em suas atividades acadêmicas e de pesquisa; indicação
de livros eletrônicos por professores de pós-graduação em suas bibliografias; importância e
satisfação do uso dos livros eletrônicos comprados e disponibilizados pela UFC. Para
resguardar a identidade dos participantes, tomou-se a decisão de identificar os questionados
com “E” de estudante, seguido de números arábicos, conforme o modelo (E1...).

a) Caracterização dos participantes
O total de participantes da pesquisa que responderam aos questionários foi de 163
discentes. Destaca-se que o maior número de respondentes está matriculado nos seguintes
Programas de Pós-graduação: Enfermagem, com 52 %; seguido de Física, que obteve 33%; e
o POLEDUC, com 30%, conforme podem ser observados na Tabela 1.

4075

�Tabela 1 - Caracterização dos participantes da pesquisa
CURSOS
FÍSICA

ALUNOS

%

29

18%

TECNOL. ALIMENTOS

15

9%

ENFERMAGEM

53

32%

HISTÓRIA

7

4%

DIREITO

9

6%

ECONOMIA

10

6%

MEDICINA COLETIVA

9

6%

POLEDUC

24

15%

COMUNICAÇÃO SOCIAL

7

4%

TOTAL

163

100

Fonte: Dados da pesquisa.

Ao observar esses dados, percebe-se que os programas de Pós-Graduação que menos
participaram foram História e Comunicação Social. Esse fato pode ser decorrente da reduzida
presença de livros eletrônicos disponibilizados para esses cursos, o que constatamos em uma
pesquisa empírica. Porém, lembramos que estamos avaliando um projeto piloto da UFC.

b) Nível de conhecimento dos pesquisados sobre a existência dos livros
eletrônicos comprados e disponibilizados pela UFC
Desde que a UFC começou a adquirir o acervo de livros eletrônicos, a Biblioteca
Universitária disponibiliza as coleções em sua página na web. Entretanto, a impressão que se
tinha era de que a comunidade acadêmica parecia não ter conhecimento desse tipo de acervo.
Viu-se nessa pesquisa, portanto, a oportunidade de verificar tal inquietação por meio de
questões que se propunham a saber se os investigados tinham conhecimento da existência
desses livros. Para tanto, apresentou-se um rol de alternativas, a fim de que assinalassem
aquela que mais lhes conviesse. As respostas a esse questionamento encontram-se no gráfico
1.

4076

�Gráfico 1 - Conhecimento do acervo de livros eletrônicos disponibilizados
pela UFC

Fonte: Dados da pesquisa.
Com base no gráfico 1, oserva-se que houve alteração de resposta (Sim; Sim, mas
nunca acessei e Não). Analisando as respostas dos 163 discentes, chegou-se à conclusão que
mais da metade da população investigada não tem conhecimento desse acervo disponibilizado
pela UFC, pois 60% responderam “Não”, 34% responderam “Sim”, enquanto que 6%
responderam “Sim, mas nunca acessei”.
Ainda nessa categoria, buscou-se identificar que fatores têm contribuído para que essa
população investigada desconheça essa coleção. Do mesmo modo anterior, apresentou-se aos
investigados que desconhecem a disponibilidade desse acervo uma lista de opções solicitando
que apontassem aquelas cujos fatores mais contribuíam para tal fato. A alternativa mais
assinalada foi a “fragilidade da instituição na divulgação dos livros eletrônicos pela Biblioteca
Universitária”, com 47% dos discentes. Veja-se o gráfico 2.
Gráfico 2 - Fatores que contribuem para o desconhecimento dos livros eletrônicos
Fragilidade da
instituição na
divulgação dos
livros eletrônicos
pela Biblioteca
Universitária

Outros

Não sente-se
m otivado para
buscar inform ações
de serviços e acervo
da Biblioteca.
16%

Falta de divulgação
por parte de
professores.
24%

por parte de
professores.

Fragilidade da
instituição na
divulgação dos livros
eletrô n icos pela
Biblioteca
Un iversitária
47%

Não gostar de 1er
em ambiente
virtual

Nao sente-se
motivado para
buscar informações
de serviços e
acervo da
Biblioteca.
Outros

Fonte: Dados da pesquisa.

4077

�Além da fragilidade nadivulgação, apontada pelos respondentes, também merece
destaque a resposta que contempla a “falta de divulgação por parte dos professores”, com
24%. Isso demonstra a necessidade de uma interação maior entre a Biblioteca Universitária,
professores e estudantes dos programas de Pós-Graduação. Outro fator evidenciado foi “não
se sente motivado para buscar informações”, por 16% dos discentes.
Ainda na mesma linha, foi perguntado aos discentes que participaram do estudo
empírico e que têm conhecimento desse acervo como tomaram ciência deste.
Gráfico 3 - Meio através do qual os discentes tomaram conhecimento dos
livros eletrônicos

Fonte: Dados da pesquisa.
Pode-se notar que a resosta mais predominante nessa amostra foi aquela referente ao
site da UFC, com 58% do total, seguida de amigos e professores, ambos com 11%. Na
realidade, esperava-se que houvesse maior divulgação desse acervo por parte dos professores
e orientadores.
Observando as respostas entre os discentes que têm conhecimento dos livros
eletrônicos com as respostas dos discentes que não têm conhecimento desse acervo (gráficos
2 e 3), nota-se certa disparidade, pois os discentes que conhecem o acervo responderam ter
tomado ciência desse acervo pelo site da UFC, enquanto, no gráfico 2, os discentes que
desconhecem esse tipo de acervo, em sua maioria, responderam não ter tomado conhecimento
desse acervo devido à “fragilidade da instituição na divulgação dos livros eletrônicos por
parte da Biblioteca Universitária”.

c) Conhecimento sobre as estratégias de acesso e uso do acervo de livros
eletrônicos da UFC
A biblioteca tem como objetivo satisfazer as necessidades de seus usuários,
fornecendo as mais diversas facilidades naquilo que eles desejam obter em produtos/serviços,

4078

�por meio da oferta de informações necessárias para o sucesso de suas pesquisas. Diante dessa
realidade, buscou-se nessa categoria identificar o conhecimento que os participantes da
pesquisa têm sobre as estratégias de acesso e uso de livros eletrônicos, conforme apresentado
no gráfico 4.
Gráfico 4 - Sabem como ter acesso e uso

Fonte: Dados da pesquisa.
Na amostra analisada 71%responderam saber como ter acesso e utilizar estes livros no
acervo da UFC, enquanto 39% responderam não saber.
Questionou-se também aos discentes qual o principal motivo que os levou a utilizar o
livro eletrônico. Para a obtenção das respostas foi feito uma lista de itens para que marcassem
o que mais lhes convinha.
Gráfico 5 - Principal motivo de utilização dos livros eletrônicos pelos
discentes

Fonte: Dados da pesquisa.
Dos 40 discentes questioados, os resultados indicam que houve um maior percentual
de respostas nas duas categorias: “Por ser gratuito pelo portal da UFC”, com 27%; e “ampla
disponibilidade”, por 21% dos sujeitos. Nota-se que o motivo: “gosta mais de ler em obra
eletrônica” não foi citado por nenhum respondente.
Nesse próximo seguimento, os atores interrogados são discentes dos programas de
Pós-Graduação

que não têm

conhecimento

dos livros

eletrônicos comprados

e

disponibilizados pela UFC. A eles foi perguntado se gostam de ler em ambiente virtual, uma

4079

�vez que esse ambiente parece já fazer parte do cotidiano dessa comunidade. Como pode ser
observado no gráfico 6, a maioria dos questionados respondeu sim para tal questão.

Gráfico 6 - Discentes que não têm conhecimento do acervo de livros eletrônicos na UFC,
mas gostam de ler em ambiente virtual

Fonte: Dados da pesquisa.
A maioria os atores questionados que não têm conhecimento do acervo de livros
eletrônicos disponibilizados pela UFC responderam que gostam de ler em ambiente virtual.
Neste mesmo entendimento, foi perguntado a estes mesmos respondentes se além de
gostar de ler já tinham feito alguma pesquisa em ambiente virtual. A maioria deles afirmou
que sim. Veja no gráfico 7.

Gráfico 7 - Discentes que não têm conhecimento do acervo de livros eletrônicos
comprados pela UFC, mas que leem e fazem pesquisas em ambiente virtual

Fonte: Dados da pesquisa.
Nesse gráfico, ficou eviente que a maioria dos estudantes que não têm conhecimento
dos livros eletrônicos disponibilizados pela UFC lê e faz pesquisas em ambiente virtual, com
97% dos participantes. Possivelmente esteja existindo uma reorganização na forma de leitura,
considerando as novas tecnologias por parte dos participantes.
É interessante citar um comentário feito por um discente:

4080

�Isso permite professores e alunos consultar, em sala de aula, surgida alguma
dúvida, um grande número de livros, indo diretamente às páginas onde estão
os trechos sobre os quais se discute. (E1)

Foi perguntado ainda a esses mesmos investigados (discentes que não têm
conhecimento do acervo de livros eletrônicos na UFC) se preferiam a leitura por meio de
livros convencionais (impressos), eletrônicos ou ambos. Mais uma vez, ficou evidente o
interesse destes pelo livro impresso. Mesmo que o gráfico 7 demonstre que 95% dos
respondentes tenham afirmado que leem e fazem pesquisas em ambiente virtual, o gráfico 8
demonstra suas preferências pelo livro impresso.

Gráfico 8 - Preferência pela leitura impressa, eletrônica ou ambas

Fonte: Dados da pesquisa.

Nessa análise fica explíito que a maioria dos discentes, com 70%, tem preferência pelo
livro impresso. Sabemos, pela literatura, que os motivos para a baixa aceitação do livro
eletrônico podem ser vários: leitura lenta e cansativa, desconforto da leitura em tela,
necessidade da disponibilidade de aparelhos tecnológicos, entre outros.

d) Hábito de uso dos livros eletrônicos em suas atividades acadêmicas e de
pesquisa
Nessa caracterização, foi indagado aos discentes que têm conhecimento dos livros
eletrônicos disponibilizados pela UFC quantos livros eletrônicos da Instituição eles haviam
utilizado nos últimos meses. As respostas encontram-se no gráfico 9.

4081

�Gráfico 9 - Número de livros utilizados

Fonte: Dados da pesquisa.

Em decorrência da análie, logo foi percebida a pouca utilização dos livros eletrônicos
pelos estudantes, com 53%. Entende-se que esse fato seja atribuído a vários motivos: falta de
cultura de ler um livro eletrônico; o fato de os livros eletrônicos não contemplarem as
necessidades de seus cursos; em razão de o acervo ter sido adquirido como projeto piloto
(sem a participação dos professores); ou simplesmente resistência ao novo. Para ratificar esse
entendimento seguem algumas justificativas:
Prefiro os livros impressos, pois não consigo ler em um tablet. ( E.1)
A língua e acesso à internet. (E.2)
Resistência à mudança de hábito. (E.3)
Resistência de alguns professores, principalmente os mais maduros, que
ainda não têm familiaridade com eles e com a internet. (E.4)

Perguntou-se ainda aos inquiridos que têm conhecimento dos livros eletrônicos na
UFC qual o grau de familiaridade com essa mídia. As respostas evidenciam certo equilíbrio
entre “familiar”, com 35%, e “pouco familiar”, com 32% dos respondentes. Os resultados
podem ser mais bem visualizados no gráfico 10.
Gráfico 10 - Grau de familiaridade dos discentes que têm conhecimento do acervo de
livros eletrônicos comprados e disponibilizados pela UFC

Fonte: Dados da pesquisa.

4082

�Os achados da pesquis evidenciam que, mesmos estando em um século em que as
tecnologias se renovam e se multiplicam todos os dias, os investigados ainda não se tornaram
tão familiarizados com os livros eletrônicos como se esperava, com apenas 18% dos
respondentes se dizendo muito familiar a este tipo de mídia.

d) Indicação de livros eletrônicos por professores de pós-graduação, em suas
bibliografias.
Nessa caracterização foi perguntado aos discentes que têm conhecimento do acervo
eletrônico na UFC se professores e orientadores indicam esse tipo de acervo nas bibliografias
de suas disciplinas. Os resultados desses achados evidenciam, com 73%, que os professores
não indicam esse tipo de acervo em suas bibliografias. Talvez seja esse um dos fatores que
contribuem para o não uso desses livros. Mais uma vez, entendemos ser necessário que haja
uma política que venha mobilizar “para o melhor uso desse acervo”, pois, do contrário, a UFC
estará investindo grandes recursos financeiros e o retorno será insignificante.

e) Importância e satisfação do uso dos livros eletrônicos comprados e
disponibilizados pela UFC.
Nessa característica foi perguntado aos discentes que têm conhecimento do acervo de
livros eletrônico na UFC qual o grau de importância desse acervo para eles. Nesse quesito,
também se levaram em consideração outros aspectos, como a leitura e uso para pesquisas. Os
resultados da pesquisa apontam que para estes inquiridos o acervo de livros eletrônicos é
importante (38%) ou muito importante (39%) conforme o gráfico 11.
Gráfico 11 - Grau de importância de acervo eletrônico para os discentes que conhecem
o acervo comprado e disponibilizado pela UFC

Fonte: Dados da pesquisa.

4083

�Percebe-se no gráfico cima que o grau de importância do acervo de livros eletrônicos
para os discentes que conhecem a disponibilidade desses livros tem quase os mesmos graus:
tanto para “muito importante” com 39% como para importante com 38%, ficando o grau
pouco importante com 23%. Possivelmente, para esses pesquisados, o manuseio pelo
computador vai oportunizar a interatividade na busca de conteúdos.
Nessa mesma ideia, questionou-se também se os discentes que desconhecem o acervo
de livros eletrônicos da UFC consideram importante este tipo de acervo.

Gráfico 12 - Importância de acervo eletrônico para docentes e discentes que
desconhecem o acervo comprado e disponibilizado pela UFC
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Fonte: Dados da pesquisa.
Nessa análise pode-se ve que, entre os discentes que desconhecem o acervo de livros
eletrônicos, o grau de importância que prevaleceu foi o “muito importante” com 49%, logo
em seguida o “importante” com 40%, ficando “pouco importante” com apenas 11%. Pode-se
salientar que os discentes que desconhecem o acervo de livros eletrônicos acham este tipo de
acervo mais importante que os que têm conhecimento desse acervo.
E por último foi perguntado aos investigados (que têm conhecimento dos livros
eletrônicos disponibilizados pela UFC) qual o grau de satisfação destes com este acervo.
Gráfico 13 - Grau de satisfação dos discentes que têm conhecimento dos livros
eletrônicos comprados e disponibilizados pela UFC.

Fonte: Dados da pesquisa.

4084

�Neste gráfico evidencia-e como os estudantes dos programas de Pós-Graduação estão
pouco satisfeitos com este tipo de acervo (47% dos questionados).

5 Considerações finais
A intenção desta pesquisa foi trazer questões que suscitam um aspecto importante da
avaliação aplicada ao contexto do acervo de livros eletrônicos comprados e disponibilizados
no Sistema de Bibliotecas da UFC. Para tanto, foram apresentadas as reflexões conclusivas
desta pesquisa, levando em consideração seus objetivos específicos.
No objetivo que buscou identificar o grau de conhecimento dos estudantes de pósgraduação da UFC sobre a existência dos livros eletrônicos comprados e disponibilizados pela
UFC nos cursos por eles contemplados, ficou evidente que a maioria dos discentes que
participaram da pesquisa respondeu não conhecer este acervo, embora tal coleção já conte
com mais de 8000 títulos. Ainda nesse objetivo, ficou evidente que os fatores que mais
influenciaram para o conhecimento e uso desse acervo foram: a gratuidade pelo portal da
UFC, a ampla disponibilidade e a praticidade.
Com relação ao objetivo de verificar se os discentes de pós-graduação da UFC
conhecem as estratégias de acesso e uso do acervo de livros eletrônicos a eles destinados, os
achados da pesquisa evidenciaram que os discentes, em sua maioria, sabem como ter acesso e
como usar este acervo.
Quanto ao objetivo de investigar se discentes têm o hábito de usar os livros eletrônicos
em suas atividades acadêmicas, verificou-se que mais da metade desse público nunca utilizou
um livro do acervo eletrônico. Os fatores apontados para isso foram: falta de conhecimento do
acervo; o fato de os livros eletrônicos não contemplarem as necessidades dos cursos;
insegurança quanto ao conteúdo e a relação de afetividade e prazer proporcionada pelo livro
impresso.
De posse desses resultados pode-se inferir que, embora já exista uma divulgação
desses livros, muito ainda precisa ser feito. Isso, talvez, possa ser resolvido por meio de uma
campanha envolvendo Biblioteca, professores e alunos. Outra proposta seria tornar o acervo
de livros eletrônicos mais atraente, comprando livros que realmente supram as necessidades
dos usuários, para que eles passem a vê-lo como mais uma fonte de informação para suas
pesquisas.
Em que concerne ao objetivo de averiguar se os professores de pós-graduação da UFC
indicam livros eletrônicos em suas bibliografias, ficou evidente que essa prática ainda não se
configura efetivamente no âmbito da UFC. Neste item, pode-se levar em conta que, sendo

4085

�essa a primeira compra para um projeto piloto experimental, não tenha havido uma consulta
prévia aos docentes sobre suas bibliografias, o que revela a necessidade de uma participação
mais efetiva por parte dos professores na próxima compra. Acredita-se que uma ação
importante nesse aspecto seria que a Política de Formação e Desenvolvimento de Acervo do
Sistema de Bibliotecas da UFC também fosse adotada na aquisição desses livros.
O último objetivo analisado foi a importância e a satisfação no uso dos livros
eletrônicos dos acervos da UFC nas atividades acadêmicas nos programas de pós-graduação.
A análise evidenciou que o grau de importância para os discentes que não conhecem o acervo
da UFC foi maior do que para os que conhecem este acervo. Quanto ao quesito satisfação,
47% dos sujeitos investigados responderam estar pouco satisfeitos com o acervo de livros
eletrônicos.
Diante do exposto, pode-se inferir que a falta de conhecimento, hábito e uso seja
provocada pelos seguintes fatores:
a) o fato mais preponderante de todos foi de o público ter resistência ao novo: não
querer “trocar o cheiro do papel” por um “livro inodoro como o eletrônico”;
b) o fato de os livros eletrônicos não serem específicos para as áreas de atuação
dos investigados, que, por isso, não sentem necessidades nem motivação para pesquisá-los;
c) o fato de não constarem em suas bibliografias;
d) a falta de uma divulgação mais expressiva por parte da instituição, para chamar
a atenção de toda a comunidade universitária para essa nova mídia disponibilizada pela UFC.
e) a necessidade de o livro eletrônico precisar de uma ferramenta para o acesso.
Portanto, considera-se que os objetivos da pesquisa foram atingidos, pois os fatores
que mais contribuíram para sua realização podem ser analisados e revertidos a favor desse
acervo.

6 Referências
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das unidades acadêmicas da Universidade Federal do Ceará (UFC) acerca da autoavaliação
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4087

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                <text>O meio acadêmico passa por uma rápida difusão da informação com a introdução dos novos suportes de comunicação advindos das novas tecnologias que facilitam a produção e o acesso à informação. Dentre esses suportes encontra-se o livro eletrônico, a mais nova modalidade do livro, que vem se inovando ao longo do tempo. A Universidade Federal do Ceará-UFC, em 2009, passou a incorporar esse tipo de livro em seu acervo e disponibilizá-lo como fonte alternativa de informação para a pesquisa, ensino e extensão. É na intenção de saber as práticas de uso desses livros que foi desenvolvida uma pesquisa cujo objetivo básico consiste em investigar a utilização efetiva, pelos estudantes dos programas de pós-graduação da UFC, dos livros eletrônicos comprados e disponibilizados no sistema de bibliotecas dessa Instituição. A pesquisa optou por uma metodologia quanti-qualitativa, por meio de questionários eletrônicos elaborados e aplicados através da ferramenta Google docs. Trata-se de um estudo exploratório, com uma amostragem não probabilística contemplando 163 estudantes participantes. O método de sustentação da análise dos dados é o funcionalista, realizado por meio de estudo de casos. Os resultados evidenciam que 60% dos pesquisados não têm conhecimento do acervo de livros eletrônicos da UFC. O principal motivo revelado para tal desconhecimento é a fragilidade na divulgação desse acervo. Entretanto, os alunos que responderam conhecer tal acervo disseram ter tomado conhecimento pelo site da UFC, e o principal motivo que os levou a usá-lo foi por ser de acesso gratuito. No que se refere ao quesito importância, tanto os discentes que têm conhecimento quanto aqueles que responderam não conhecer este acervo o avaliam como muito importante para a comunidade universitária. Em conclusão, consideramos que, sendo o livro eletrônico uma nova modalidade, ainda não esteja sendo devidamente absorvido por esse público, talvez pela cultura de uso do livro impresso. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

AUMENTANDO O ALCANCE E A VISIBILIDADE DE CATÁLOGOS ONLINE E
REPOSITÓRIOS INSTITUCIONAIS COM A AJUDA DO GOOGLE.
Giuliano Ferreira

RESUMO
Este trabalho propõe uma série de procedimentos para aumentar o alcance, a visibilidade e o
número de acessos de Catálogos Online, conhecidos como Online Public Access Catalogs
(OPACs), e Repositórios Institucionais, com a ajuda do sistema de buscas do Google. Analisa
as diversas abordagens dos mecanismos de buscas da Internet e os compara com sistemas de
pesquisas institucionais, particularmente de bibliotecas universitárias. Apresenta os objetivos
por trás do processo de otimização dos catálogos e repositórios. Descreve os procedimentos
utilizados no desenvolvimento e apresenta detalhes do sistema planejado para o
gerenciamento da mesma. Aponta as medidas adotadas para prover um melhor funcionamento
do sistema. Destaca as mudanças de comportamento dos pesquisadores atuais e propõe uma
nova abordagem para alcançar, monitorar e atender esses usuários. Analisa, então, os
resultados parciais alcançados durante o período do projeto piloto. Conclui, apontando os
aspectos vantajosos que devem ser considerados na implantação de um projeto dessa
natureza.
Palavras-Chave: OPAC; Catálogo online; Repositório Institucional; Biblioteca digital;
Indexação; Mecanismos de busca; Google; Programação; Web;
ABSTRACT
This paper proposes a series of procedures to increase the reach, visibility and the numbers of
access of Online Public Access Catalogs (OPACs) and Institutional Repositories with the help
of the Google search tool. It analyzes various approaches to Internet search engines and
compares them with institutional research systems, particularly university libraries. It presents
the objectives behind the optimization process of repositories and catalogs. It describes the
procedures used in the development and provides details of the planned features for managing
the same system. It identifies measures adopted to provide a better functioning system. It
highlights the changes in behavior of current researchers and proposes a new approach to
reach, monitor and serve these users. It then analyzes the partial results achieved during the
period of the pilot project. And it concludes, pointing out the beneficial aspects that should be
considered in the implementation of such a project.
Keywords : OPAC; Online catalog; Institutional repository; Digital library; Indexing; Search
engines; Google; Programming; Web;

4053

�1 Introdução
Novos desafios se colocam diariamente em todos os setores da sociedade, em virtude
das grandes transformações resultantes da evolução das tecnologias da informação. As
bibliotecas universitárias, neste contexto, não são exceção.
Existe hoje um grande esforço sendo feito nestas instituições com o intuito de atender
à sua comunidade e prover acesso aos seus documentos, estejam eles fisicamente localizados
nas dependências da biblioteca, armazenados digitalmente em seus servidores, ou na nuvem,
através das assinaturas das bases de dados e demais links catalogados no sistema.
O grupo de consumidores destas informações deixa de ser formado apenas pelos
usuários membros da comunidade local da instituição e passa a ser composto por todas as
camadas da sociedade. Existe uma demanda crescente por serviços de recuperação de
informações.
Porém, no ponto de vista deste usuário consumidor da informação, também existe um
desafio, que é justamente saber onde buscar essas informações. Como cada instituição
desenvolve sua própria solução de recuperação de informações, com diferentes níveis de
profundidade e eficiência, que são influenciados por diversos fatores, entre os quais, apoio
institucional, investimento financeiro, acesso às tecnologias atuais, capacitação da equipe,
parcerias e outros facilitadores, nem sempre este usuário encontrará o que precisa em uma
única ferramenta de busca. Essa diversidade de soluções, em vez de facilitar, acaba por
dificultar a pesquisa do usuário, que ou fica limitado pelo alcance da ferramenta de busca de
sua instituição, ou fica perdido diante de tantas outras ferramentas que estão espalhadas pela
Internet.
Como mencionado por Karen G. Schneider (2006), em seu artigo “How OPACs Suck’,
as ferramentas de buscas oferecidas pelos catálogos tradicionais sofrem com uma série de
deficiências quando comparadas com um sistema de buscas potente, como o Google. Estas
deficiências vão desde a ausência de um bom ranking de relevância com uma ordenação de
resultados decentes, a falta de uma recuperação por termos correlacionados, a inexistência de
correções ortográficas, de um pobre refinamento de buscas, até a necessidade de repetir a
busca diversas vezes em outras bases de dados, entre outros fatores limitadores.
O que acaba se percebendo é que este usuário passa a optar por iniciar a sua pesquisa
em um motor de busca global, como o Google, visto que o mesmo passa uma impressão de

4054

�estar buscando em todos os lugares de uma vez só, deixando as ferramentas de buscas
institucionais que ele conhece para um momento posterior, ou apenas para refinar suas
pesquisas.
Esta nova realidade pode ser vista como uma ameaça, porém simultaneamente como
uma oportunidade que as bibliotecas não podem desperdiçar. Ou seja, isto significa que para
atender este usuário e fornecer as informações que ele precisa é necessário também capturá-lo
no momento em que está realizando suas pesquisas em buscadores, como o Google, e entregar
para ele o seu conteúdo.
Como dizia o autor John Martin, desde 1939: “Se não pode vencê-los, junte-se a eles”.
Portanto, ciente de que seu usuário pode estar em qualquer localização, de que o mesmo está
limitado à capacidade de recuperação do sistema institucional, perdido diante da diversidade
de ferramentas, e que devido a todos estes fatores ele acaba iniciando suas pesquisas no
Google, é de fundamental importância que todo o conteúdo dos OPACS e repositórios
institucionais estejam indexados no motor de buscas do Google, para que possam ser
recuperados e os usuários sejam, então, direcionados para o site da instituição, com o intuito
de acessar estes documentos seja fisicamente ou através de download.
Neste momento, encontramos outro desafio, que felizmente pode ser convertido em
oportunidade através da série de procedimentos proposta neste trabalho. A principal
dificuldade encontrada nesta etapa é que buscadores, como o Google, utilizam bots (robôs de
busca automatizados), que são responsáveis por indexar todo conteúdo que esteja disponível
na Internet e que esteja acessível para os bots. E é neste ponto que a maioria das instituições
esbarra com algumas limitações. Para que o conteúdo seja indexado pelo Google, ele precisa
estar localizado em uma parte do seu servidor que não esteja protegida de acesso externo
pelos bots e, normalmente, precisa estar contido em documentos estáticos, ou seja, em
arquivos, na sua maioria em formato texto, gravados no disco rígido dos servidores.
No entanto, na maioria dos sistemas de bibliotecas universitárias, os metadados das
obras estão gravados em um Sistema Gerenciador de Banco de Dados (protegido e privado),
armazenados em tabelas e acessados somente pelos sistemas das instituições através de um
script (código de programação), que lê a informação do Banco de Dados e exibe para o
usuário em uma página web, que está sendo gerada dinamicamente no momento em que ele
faz uma pesquisa e clica no link da obra.
O problema é que, por padrão, o conteúdo que é mostrado para o usuário nestas
páginas dinâmicas não é indexado pelo Google, exatamente pelo fato dos metadados estarem
gravados no Banco de Dados e não em arquivos no formato texto no servidor, ficando

4055

�invisíveis para o motor de buscas e, consequentemente, não sendo recuperados pelo usuário
através do buscador.
O objetivo da técnica proposta neste trabalho é exatamente disponibilizar para o
Google todas as informações sobre as obras do catálogo, permitindo que sejam indexados
pelos bots e posteriormente recuperados pelo usuário quando ele estiver realizando sua
pesquisa inicial no motor de buscas global, capturando, assim, este usuário e provendo acesso
a todo o conteúdo de sua instituição.
Ao trazer usuários que vêm diretamente dos mecanismos de buscas tradicionais para
os seus catálogos e repositórios, pôde-se observar durante o período do projeto piloto um
aumento considerável no número de acessos. Observou-se também um aumento significativo
na qualidade das informações sobre esse visitante. Antes da customização, a informação,
quando existia, era meramente quantitativa e indicava somente o número de pessoas que
teriam acessado um determinado arquivo, por exemplo. Após a customização, todos os
acessos são monitorados por uma ferramenta de análise chamada Google Analytics, que, além
da quantidade de acessos, fornece uma série de outras informações sobre o usuário visitante,
como: de onde ele veio; quais termos de busca foram digitados; qual dispositivo e sistema
operacional utilizou. Com isto está sendo possível traçar um perfil bem mais detalhado deste
usuário, permitindo assim que sejam desenvolvidos melhores serviços para lhe atender.
Após o período de implantação do projeto piloto, que contou com apenas algumas
customizações, concluiu-se que todo esforço e investimento dedicado a aperfeiçoar a
indexação dos catálogos online e dos repositórios acadêmicos, através das ferramentas de
busca, são totalmente justificados por todos os motivos que serão apresentados, entre os quais,
pelo aumento na quantidade de acessos e pela riqueza das informações relevantes do perfil do
usuário.

2 Revisão de Literatura
Os OPACs e Repositórios Institucionais vêm sendo um importante foco de discussão
nas bibliotecas; seu alcance, visibilidade, número de acessos e o perfil do usuário visitante
tornaram-se tópicos de debates em congressos, artigos de periódicos e diversas outras
iniciativas que têm pelo menos um objetivo em comum: atender as necessidades do usuário.
Embora essa discussão seja relativamente recente nas instituições brasileiras, há um
bom tempo vem sendo debatida por autores estrangeiros. Desde 2006, Lorcan Dempsey já
comentava sobre a necessidade de atender o usuário de uma forma mais abrangente, se
aproveitando das vantagens de um ambiente em rede:

4056

�Grande parte da discussão é sobre como melhorar a experiência do usuário
do catálogo, o que é uma aspiração razoável. No entanto, nós realmente
precisamos colocar isso no contexto de um conjunto mais abrangente de
questões sobre descoberta de informação e sobre a evolução contínua dos
sistemas de bibliotecas, incluindo o catálogo, em um ambiente de rede em
mudança. Neste ambiente, os usuários estão descobrindo cada vez mais
recursos em locais diferentes do que no catálogo. (DEMPSEY, 2006, p. 1,
tradução nossa)

Os primeiros esforços por aqui foram voltados para centralizar a busca do usuário
através de uma única ferramenta. Primeiro, vieram os metabuscadores, que pretendiam
unificar o processo de pesquisa, proporcionando uma única caixa de busca para encontrar
recursos em diversas bases de dados de uma só vez. Como essas pesquisas eram feitas em
tempo real nas bases de dados, algumas vezes o desempenho do tempo de resposta e da
disponibilidade dos recursos não era muito agradável.
No momento, a atenção está voltada para as ferramentas de descoberta, que ao invés
de buscar em tempo real em cada base de dados, indexa previamente todo o conteúdo das
mesmas e fornece a informação com um tempo de resposta bem menor.
Ambos os esforços têm como objetivo unificar o catálogo local com os outros recursos
disponíveis digitalmente na rede, como os periódicos localizados nas bases de dados
assinadas pelas bibliotecas, além de outros recursos eletrônicos fora do catálogo. Isto, com
certeza, revolucionou a forma como o usuário pesquisa e recupera informações.
Porém a discussão proposta neste trabalho é um pouco mais profunda do que isso.
Ainda em 2006, Dempsey já alertava para a problemática em torno da extrema diversidade de
recursos disponíveis e de ferramentas espalhadas pela rede mundial de computadores:

Hoje, vivemos em um mundo diferente. Agora, os recursos de informação
são relativamente abundantes, e a atenção do usuário é relativamente
escassa. Os usuários têm muitos recursos disponíveis para eles e não podem
gastar muito tempo em nenhum deles. Muitas ferramentas de busca estão
disponíveis lado a lado na rede, e grandes recursos consolidados surgiram na
forma de ferramentas de busca. Mesmo dentro da biblioteca, já existem
várias ferramentas de busca disponíveis na rede (para repositórios locais,
bancos de dados, periódicos, etc.). O usuário está repleto de oportunidades.
Não existe um recurso que seja o foco único de atenção do usuário. Na
verdade, a rede agora é o foco de atenção do usuário, e a 'coleção' disponível
é um conjunto enorme de recursos, muito maior do que a coleção local
catalogada das bibliotecas. O usuário deseja descobrir e usar muito mais do
que está na coleção local catalogada. (...) Eu acho que essa mudança coloca
grandes questões para o futuro do catálogo, e está ligada à diferença entre a
descoberta (identificação de recursos de interesse) e localização
(identificação de onde esses recursos de interesse estão realmente
disponíveis). (DEMPSEY, 2006, p. 1, tradução nossa)

4057

�A ferramenta de buscas do Google assumiu boa parte desse processo de pesquisa
inicial do usuário. Agora, ele está acostumado a começar suas pesquisas através de um
buscador global, para então refinar a pesquisa nas bases de dados mais específicas que ele tem
conhecimento. Só que, como já citado, existe uma infinidade de ferramentas disponíveis, o
que acaba confundindo o usuário e dificultando sua pesquisa.
O ideal, então, seria aproveitar todo o poder de indexação e recuperação com precisão
de uma ferramenta robusta, como o Google, e direcionar esforços para fornecer a esta
ferramenta o máximo de informações contidas nos catálogos online e nos repositórios
institucionais, para que o usuário já possa recuperar e acessar diretamente o que deseja ainda
na fase inicial de suas pesquisas em um único lugar que ele já está acostumado a utilizar.
Esta abordagem traz diversas vantagens tanto para o usuário quanto para instituição.
Primeiramente, ela facilita a pesquisa do usuário, disponibilizando no Google as informações
que só seriam recuperadas quando ele estivesse utilizando o sistema de buscas da instituição.
Este processo cria um atalho para o acesso direto ao conteúdo desejado e, em contrapartida,
traz este usuário para dentro do catálogo ou repositório. Ou seja, muitas vezes a instituição
passa a ganhar, através deste acesso, um novo usuário, que antes poderia desconhecer o seu
catálogo e seus mecanismos de busca.
À medida que os metadados disponibilizados forem sendo indexados pelo Google e
ganhando um ranking de posicionamento e relevância maiores nesta ferramenta, a tendência é
que o alcance, a visibilidade e o número de acessos realizados aos catálogos e repositórios das
instituições aumentem consideravelmente, contribuindo para as estatísticas e para o
crescimento e o reconhecimento do catálogo institucional perante os usuários. Do ponto de
vista técnico, alguns ajustes devem ser feitos tanto no lado do servidor da instituição, quanto
nos registros bibliográficos do catálogo, para que este processo ocorra com mais precisão. O
autor Mark Jackson (2010), explica em seu artigo, as alterações que devem ser implantadas no
servidor para conseguir submeter e rastrear os seus documentos através do Google Analytics,
e Patrick Griffi (2009), explica os ajustes nos registros bibliográficos para otimizar esta
descoberta.
Outra vantagem inerente desta estratégia é que o usuário pode tirar proveito dos outros
recursos incorporados na pesquisa do Google, que muitas vezes não estão presentes nas
ferramentas de busca ao catálogo, como uma ordenação decente dos resultados, baseada em
relevância, e não em ordem alfabética (como ainda vemos em muitas instituições), ou até
mesmo de uma correção ortográfica e sugestões de pesquisa, para os casos de erros de
digitação ou uso de plurais, diminutivos, acentos, prefixos, entre outros problemas que os

4058

�usuários já estão acostumados a encontrar durante suas pesquisas, mas que, felizmente, os
mecanismos de busca como o Google e as mais recentes ferramentas de descoberta de
bibliotecas já vêm tentando minimizar.
Em 2006, Karen G. Schneider criticava os catálogos online pela falta de uma série de
recursos básicos incorporados aos mecanismos de busca, que até hoje, em 2014, no Brasil,
ainda não vemos implantados nos catálogos online de uma grande parte das instituições:
Os usuários que se queixam de que o seu catálogo on-line é difícil de
pesquisar não são estúpidos; eles estão simplesmente apontando o óbvio.
Classificação por relevância é apenas uma das muitas funcionalidades
básicas dos mecanismos de busca que estão faltando nos catálogos on-line.
(...) Por que os fornecedores de catálogos online não oferecem, em primeiro
lugar, uma busca de verdade? E por que não exigimos isso? Poupe o tempo
do leitor! (SCHNEIDER, 2006, p. 1, tradução nossa)

Além dos recursos já citados, que estão ausentes nos catálogos online, temos ainda a
questão da frágil adaptação dos resultados de busca nestes sistemas. Ferramentas como o
Google vão transformando seus resultados se baseando nas frequências com que os termos de
buscas vão sendo utilizados e também pelos documentos que são mais acessados pelos
usuários, ou seja, o resultado é dinâmico e depende do comportamento do usuário perante os
dados recuperados. Já os catálogos online, em sua maioria, são estáticos e apresentam sempre
os resultados na mesma ordem pré-estabelecida. Isto atrasa o pesquisador e dificulta o
processo de localização dos documentos que estão sendo mais acessados para aqueles termos
de busca.
Muitos são os autores estrangeiros que defendem um sistema de busca institucional
mais parecido com o Google. Os artigos escritos por Karl Fast (2004), Janifer Gatenby (2007)
e Aaron Tay (2012), ressaltam estes fatores e defendem que sejam feitas mudanças radicais na
forma como são recuperados os registros, e principalmente nos recursos de filtragem,
apresentação e ordenação dos resultados das pesquisas nestes sistemas.
O que se percebe neste momento, no país e de maneira geral, são instituições
investindo muito em sistemas integrados e em ferramentas pouco personalizáveis, que muitas
vezes não possuem sequer estes recursos básicos, e ao mesmo tempo, pouco se ouve falar
sobre aproveitar os mecanismos de busca já consolidados, indexando as bases de dados dos
catálogos e repositórios no Google, para ajudar no processo de localização e recuperação dos
documentos mais importantes e mais relevantes para os usuários.
Do ponto de vista da instituição, deveria ser de interesse primário conhecer e entender
melhor o perfil dos usuários que acessam seus catálogos e repositórios sejam eles usuários

4059

�locais pertencentes à comunidade institucional ou até mesmo os eventuais usuários visitantes
de outras localizações, que utilizam seus sistemas através da rede para recuperar as
informações

que

precisam.

Este

método

pretende

aperfeiçoar

a captura

destas

informações para dar subsídio à tomada de decisões das instituições que estão visando atender
melhor os seus usuários.
O presente trabalho pretende levantar esta discussão e também motivar outras
instituições a aplicarem esta série de procedimentos em seus catálogos e repositórios, pois se
trata de uma solução relativamente simples de adotar e que depende de poucos recursos
humanos e financeiros, afinal, após todos os esforços empenhados em conjunto pelas
bibliotecas, o maior beneficiado, com certeza, será sempre o usuário final.

3 Materiais e Métodos
O método proposto neste trabalho pretende explicar duas abordagens diferentes com o
intuito de aumentar o alcance, a visibilidade e o número de acessos dos OPACs e repositórios
institucionais. De início, analisa-se o acesso aos acervos digitais, normalmente presentes nos
repositórios como obras em Portable Document Format (PDF). Em seguida, analisa-se a
indexação e o acesso aos Catálogos Online das instituições. Ambas as abordagens visam
melhorar a recuperação destes dados a partir de ferramentas de busca, como o Google.
A série de procedimentos, como um todo, consiste em realizar alterações em alguns
arquivos específicos de configuração nos servidores da instituição e submeter essas alterações
para o motor de pesquisas do Google, com o intuito de indexar na ferramenta de busca o
conteúdo dos documentos digitais e também todo conteúdo do catálogo armazenado nos
bancos de dados institucionais, possibilitando o acesso aos metadados dos OPACs e
repositórios diretamente do Google.
Além do aumento de alcance e visibilidade, outro objetivo proposto pela técnica é o de
capturar alguns dados dos usuários que realizam estes acessos, utilizando uma ferramenta de
monitoramento que permite registrar toda uma gama de informações sobre o acesso realizado,
por exemplo, quais termos de busca foram utilizados para encontrar uma determinada obra, a
partir de qual dispositivo foi feito o acesso, bem como dados sobre este dispositivo, como
sistema operacional, resolução de tela, navegador utilizado. Também é possível capturar
dados demográficos e geográficos, como idade, língua falada, países e cidades que mais
acessaram, ou dados comportamentais, como tempo de acesso e distinção entre usuários
novos e frequentes. É possível, inclusive, visualizar os acessos aos documentos em tempo
real.

4060

�A série de procedimentos pode ser dividida em sete etapas principais: Mapeamento,
Registro, Desenvolvimento, Configuração, Submissão, Monitoramento e Análise, que serão
descritas em detalhes a seguir.
A primeira etapa necessária é o Mapeamento, onde se deve traçar um panorama da
situação atual do servidor institucional. Nesta etapa, os administradores da rede devem utilizar
ferramentas de monitoramento de logs para mapear o número de acessos diretos aos arquivos
do servidor. Entende-se por acesso direto todo acesso feito aos arquivos por parte do usuário,
sem que ele tenha que passar pelo sistema integrado de buscas da instituição para recuperar o
arquivo. Ou seja, a intenção neste momento é compreender o alcance dos documentos fora do
ambiente do seu próprio sistema, além de identificar as desvantagens com relação à
imprecisão e ausência de dados qualitativos que são fornecidos por uma solução baseada em
análise de logs. Como grande parte das instituições, por padrão, ainda não indexam seus
catálogos online no Google, os dados relativos aos acessos diretos às páginas com as
informações dos acervos do catálogo, possivelmente, estarão zerados, mas será possível, pelo
menos, capturar os dados de acesso aos arquivos PDFs, sejam eles do catálogo ou dos
repositórios, mas que já estavam em locais do servidor com acesso liberado aos bots de
indexação do Google.
Na segunda etapa, chamada de Registro, é necessário criar uma conta na ferramenta
Google Analytics, cadastrar um novo Perfil, que será utilizado para o projeto, e gerar um
Código de Rastreamento, que será utilizado nas próximas etapas.
A partir da terceira etapa, conhecida por Desenvolvimento, torna-se necessário utilizar
recursos das linguagens de programação, como o PHP: Hypertext Preprocessor (PHP), para
se criar um script de mineração, que será responsável por recuperar os metadados dos acervos
no banco de dados e gerar as páginas web estáticas no formato HyperText Markup Language
(HTML). Estas páginas serão utilizadas na etapa de Submissão, disponibilizando estes dados
pro Google, para que possam ser indexados e recuperados pelo usuário quando pesquisar,
utilizando os termos que estejam contidos nelas. Este script deve ter acesso ao banco de dados
institucional, e será necessário desenvolver uma consulta SQL especificamente para recuperar
os metadados que se deseja que sejam a serem indexados pelo buscador. Devem-se incluir,
nesse momento, alguns dos fatores citados por Brian Dean (2013), em seu artigo sobre os 200
fatores que aumentam a chance do Google elevar o ranking dos seus documentos no
algoritmo do motor de busca na hora da recuperação.
Ainda na etapa de Desenvolvimento, deve-se criar um script de interceptação que será
utilizado na etapa de Configuração e será responsável por interceptar e processar os acessos

4061

�feitos diretamente aos arquivos PDFs armazenados no servidor. Alex Moore (2013), em seu
artigo, explica os procedimentos para realizar esta interceptação.
Para que seja possível monitorar todos estes acessos, tanto aos PDFs quanto aos dados
do catálogo, estes scripts devem incluir o Código de Rastreamento do Google Analytics no
código fonte, possibilitando a captura dos dados já citados sobre o visitante.
A quarta etapa, de Configuração, contempla as alterações que devem ser feitas em
arquivos do servidor, para que se possa registrar os acessos e preparar o serviço para a etapa
de Redirecionamento. (No projeto piloto, no qual foi implantada essa série de procedimentos,
foi utilizado o Servidor de Hyper Text Transfer Protocol (HTTP) Apache, porém os
procedimentos aqui listados podem ser efetuados em outros serviços similares). Nesta etapa,
altera-se o arquivo htaccess do Servidor Apache, para que as tentativas de acesso direto aos
PDFs sejam capturadas pelo script de interceptação criado na etapa de Desenvolvimento e
registradas no Google Analytics, para que sejam avaliadas posteriormente na etapa de Análise.
Na quinta etapa, chamada de Submissão, inicia-se a integração com o Google, que
possibilita a indexação das páginas HTML, geradas pelo script de mineração na etapa de
Desenvolvimento. Esta integração é realizada pela geração de um arquivo de configuração
chamado de SiteMap, que deve ser composto por uma lista de Universal Resource Locators
(URLs), sendo uma para cada acervo que se deseja indexar. Ou seja, uma instituição que
deseja indexar duzentos mil itens do seu catálogo, deve gerar um arquivo de SiteMap com
duzentas mil URLs, cada uma apontando para o endereço do script de mineração e indicando
como parâmetro o código do acervo que será indexado. Recomenda-se incluir também, neste
arquivo de SiteMap, os endereços de acesso aos arquivos PDFs do catálogo ou dos
repositórios, para garantir que sejam indexados corretamente pelo Google. Todas as
definições dos arquivos SiteMap podem ser encontradas no Site oficial através do endereço:
sitemap.org.
Este arquivo de SiteMap, uma vez preenchido, deve ser enviado para o Google através
de uma suíte de ferramentas chamada de WebMaster Tools, possibilitando ao buscador
acessar e indexar os dados do catálogo que, anteriormente, estavam restritos à base de dados
da instituição.
Nesta etapa, também é necessário verificar se os diretórios onde estão localizados os
arquivos PDF no servidor possuem as devidas permissões configuradas, para que seja
possível ao Google acessar todos os dados disponíveis.
A sexta etapa é a de Monitoramento, onde será utilizada a ferramenta Google
Analytics para visualizar e acompanhar a evolução dos acessos aos documentos. A partir

4062

�desta ferramenta, é possível extrair dados detalhados sobre o visitante, permitindo à
instituição conhecer o perfil do usuário, além de compreender quais documentos estão sendo
mais requisitados nos seus catálogos e repositórios.
Ainda na etapa de Monitoramento, se torna possível comparar os dados obtidos na
etapa de Mapeamento com os dados atuais fornecidos pela ferramenta Google Analytics,
depois das otimizações realizadas nos servidores. Esta ferramenta é essencial para esta etapa e
também para a etapa de Análise, pois fornece diversas opções de filtragem dos resultados e
muitas combinações de dados, o que possibilita uma análise profunda das mudanças ocorridas
pela implantação dos métodos propostos neste trabalho. Nesta etapa, é importante definir
alguns índices de performance, para que se possa realizar uma série de comparações e gerar
um relatório com uma avaliação de desempenho, confrontando a etapa de Mapeamento com a
de Monitoramento.
A última etapa é a de Análise, na qual serão avaliados os relatórios, contendo todos os
dados dos visitantes e das obras acessadas, e, a partir desta análise, serão definidas as novas
metas e os procedimentos de aperfeiçoamento na disponibilização de documentos para os
usuários, através das ferramentas de busca, como o Google.
Deve se levar em conta, nesta etapa, os dados quantitativos e qualitativos que foram
levantados nas outras etapas, e compreender como eles afetam os acessos aos catálogos e
repositórios institucionais.
É importante compreender que esta série de procedimentos funciona como um ciclo,
que deve ser aperfeiçoado constantemente, ou seja, deve-se, a partir desta análise, verificar os
resultados obtidos nas outras etapas, compreender as partes que ainda não estão funcionando
como deveriam e que ainda podem ser otimizadas e, então, definir as mudanças que serão
feitas no processo, com o intuito de capturar ainda mais dados dos visitantes e dos
documentos acessados. Ao final de alguns ciclos, realizando este ajuste fino, espera-se que a
instituição tenha um bom controle sobre quem são, de onde vêm, e o que procuram os seus
visitantes.

4 Resultados Parciais/Finais
Para que fosse possível experimentar a série de procedimentos proposta neste trabalho,
optou-se pela criação de um pequeno projeto piloto, que foi constituído inicialmente por 100
obras digitais, selecionadas aleatoriamente do catálogo institucional.

4063

�Depois de implantadas todas as etapas explicadas anteriormente na série de
procedimentos, foi possível perceber as diversas nuances e observar fatores tanto positivos
quanto negativos de uma solução desta natureza.
O primeiro fator positivo observado foi o aumento no número de acessos aos
documentos, quando comparados com as estatísticas de acessos retiradas pela ferramenta de
análise de logs do servidor Apache. Houve um aumento de duzentos por cento (200%) nos
acessos detectados pelo Google Analytics em relação aos capturados pelo método tradicional
de análise de logs do servidor. É importante ressaltar que o método de análise de logs muitas
vezes não é preciso, portanto, somente ao implantar toda a série de procedimentos e observar
a mudança dos dados em longo prazo é que poderá se obter dados mais confiáveis e que
podem não refletir os dados obtidos durante a fase do projeto piloto.
O segundo fator positivo que chamou a atenção foi o percentual de acessos aos
documentos PDFs, que vinham direto da ferramenta de buscas do Google. Aproximadamente
dois terços dos acessos (72%) estavam sendo direcionados diretamente das pesquisas
realizadas no Google pelos termos de busca que foram localizados nestes documentos. Este
fator influencia diretamente os dados sobre os usuários que podem ser recuperados, visto que,
antes da implantação da série de procedimentos, não era possível capturar informações sobre
estes visitantes que são direcionados pelo Google, e sim apenas daqueles visitantes que
acessavam os documentos a partir da ferramenta de pesquisa da instituição.
O terceiro fator positivo foi devido à quantidade de informações relacionadas ao
usuário visitante que pôde ser capturada. Entender os interesses e predileções dos usuários,
obter informações detalhadas sobre a origem, sobre os dispositivos utilizados, sobre a
natureza do acesso e, finalmente, sobre o destino do usuário dentro do catálogo institucional
torna-se essencial em uma época tão competitiva e com tantas opções de pesquisa para os
usuários. Estas informações possibilitam que as instituições conheçam melhor os seus
usuários, adaptem os seus serviços atuais e inclusive criem novos serviços para atender esta
demanda crescente.
Com relação aos fatores negativos da implantação de uma solução deste tipo,
destacam-se as dificuldades técnicas no processo de configuração, programação e implantação
da série de procedimentos. Devido à diversidade de soluções e ferramentas disponíveis no
mercado, nem sempre os passos explicados neste trabalho poderão ser executados sem
eventualidades. Outro fator negativo deve-se ao fato de muitas instituições brasileiras,
principalmente bibliotecas universitárias, não possuírem uma equipe de automação dedicada

4064

�exclusivamente ao Departamento de Bibliotecas e Documentação, o que pode dificultar muito
a implantação da série de procedimentos em sua totalidade.
Entende-se, no entanto, que as vantagens identificadas superam as dificuldades
encontradas e espera-se que o desempenho da série de procedimentos seja satisfatório quando
implantada em todo o catálogo, após a fase do projeto piloto estar concluída.
Espera-se também que outras instituições se sintam motivadas a aplicar esta série de
procedimentos com o intuito de aumentar o alcance das obras pertencentes em seus catálogos
e de facilitar a pesquisa dos usuários, disponibilizando para eles as informações contidas em
seu catálogo no Google, permitindo a localização e o acesso direto ao documento sem a
necessidade de outros sistemas de busca intermediários, porém contabilizando e capturando
informações sobre estes acessos.

5 Considerações Parciais/Finais
A discussão apresentada aqui propõe uma nova abordagem em torno da
disponibilização de documentos através da rede; faz uma reflexão sobre as limitações
encontradas pelo usuário durante a recuperação destes documentos entre tantas ferramentas; e
conclui apresentando uma série de procedimentos para aperfeiçoar o alcance, os acessos e a
visibilidade dos catálogos online e repositórios institucionais. Há tempos, autores, como
Dempsey (2006), vêm alertando para a necessidade de mudanças neste sentido:
Em um mundo pré-internet, onde os recursos de informação eram
relativamente escassos e a atenção relativamente abundante, os usuários
construíram o seu fluxo de trabalho em torno da biblioteca. Em um mundo
conectado, onde os recursos de informação são relativamente abundantes e a
atenção é relativamente escassa, não podemos esperar que isso aconteça. De
fato a biblioteca precisa pensar em maneiras de construir os seus recursos em
torno de todo o fluxo de trabalho do usuário. Nós não podemos esperar mais
que o usuário venha ao site da biblioteca. (DEMPSEY, 2006, p. 1, tradução
nossa)

Apesar das dificuldades técnicas e de toda a escassez de recursos humanos e materiais,
detectadas em muitas instituições brasileiras, espera-se um saldo positivo destes fatores,
tornando válido o investimento em soluções voltadas para a otimização de catálogos online e
repositórios institucionais, visto que houve aumento tanto das informações quantitativas sobre
os acessos quanto dos dados qualitativos sobre os visitantes, o que justificaria os esforços de
um trabalho contínuo, visando à construção de um catálogo que permeie o fluxo de trabalho
dos usuários durante suas pesquisas. Em todos estes casos, o horizonte de ação deve passar
pela incorporação dessas práticas pela instituição.
Conclui-se, portanto, através deste estudo, que com as mudanças de comportamento
dos pesquisadores e com o aumento da demanda para que as informações estejam disponíveis

4065

�em todo o fluxo de pesquisa do usuário, torna-se essencial que as instituições responsáveis
por estes dados realizem todos os esforços possíveis para que as suas informações estejam
propriamente indexadas e recuperáveis através de mecanismos de buscas globais, como o
Google. Os usuários agradecem.

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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Aumentando o alcance e a visibilidade de catálogo online e repositórios institucionais com a ajuda do Google</text>
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            <name>Date</name>
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            <description>The nature or genre of the resource</description>
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                <text>Este trabalho propõe uma série de procedimentos para aumentar o alcance, a visibilidade e o número de acessos de Catálogos Online, conhecidos como Online Public Access Catalogs (OPACs), e Repositórios Institucionais, com a ajuda do sistema de buscas do Google. Analisa as diversas abordagens dos mecanismos de buscas da Internet e os compara com sistemas de pesquisas institucionais, particularmente de bibliotecas universitárias. Apresenta os objetivos por trás do processo de otimização dos catálogos e repositórios. Descreve os procedimentos utilizados no desenvolvimento e apresenta detalhes do sistema planejado para o gerenciamento da mesma. Aponta as medidas adotadas para prover um melhor funcionamento do sistema. Destaca as mudanças de comportamento dos pesquisadores atuais e propõe uma nova abordagem para alcançar, monitorar e atender esses usuários. Analisa, então, os resultados parciais alcançados durante o período do projeto piloto. Conclui, apontando os aspectos vantajosos que devem ser considerados na implantação de um projeto dessa natureza. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ARQUITETURA DA INFORMAÇÃO APLICADA A BIBLIOTECAS DIGITAIS DE
TESES E DISSERTAÇÕES: análise da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e
Dissertações do IBICT
Kelly Cristiane Santos MORAIS
Gercina Ângela Borém de Oliveira LIMA

RESUMO
O objetivo geral desta pesquisa de mestrado, que se encontra em andamento, é analisar o
conjunto e a estrutura de dados de uma biblioteca digital, e extrair e avaliar as contribuições
preconizadas da Arquitetura da Informação, face às abordagens provenientes da
Biblioteconomia e da Ciência da Informação. Seus objetivos específicos são: a) avaliar as
contribuições da Arquitetura da Informação, para melhorar o planejamento de bibliotecas
digitais de teses e dissertações; b) mapear os problemas da Arquitetura da Informação da
Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações; c) propor uma Arquitetura da
Informação para a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações, baseada nos
fundamentos teóricos e metodológicos da Biblioteconomia e Ciência da Informação, para
facilitar o processo de organização e recuperação da informação neste espaço digital. O tipo
de pesquisa é exploratório e aplicado, e faz uso da revisão bibliográfica como percurso
metodológico. Espera-se que esse trabalho possa contribuir para a melhoria do website da
Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações do IBICT e também refletir sobre a
aplicação do conceito de Arquitetura da Informação em bibliotecas digitais.
Palavras-chave: Biblioteca Digital; Arquitetura da Informação; Organização e Representação
da Informação.
ABSTRACT
The overall purpose of this Master’s research, which has been developed, is to analyze the
data structure and the set of a digital library and extract and evaluate the Information
Architecture proposed contributions, compared to approaches from, the Library and
Information Science. The paper specific objectives are: a) to evaluate the contributions of
Information Architecture to improve digital library of theses and dissertations planning; b ) to
map the problems of the Information Architecture of the Brazilian Digital Theses and
Dissertations Library; c ) to propose an Information Architecture of the Brazilian Digital
Theses and Dissertations Library based on the theoretical foundations and methodological of
the Library and the Information Science, to facilitate the organization process and retrieval of
information in this digital space. The type of research is exploratory and applied, makes use
of literature review and methodological approach. It is hoped the research will contribute to
the improvement of the IBICT Brazilian Digital Library of Theses and Dissertations website
and also to reflect on the application of the concept of Information Architecture for digital
libraries.
Keywords: Digital Library; Information Architecture; Organization and Representation of
Information.

4047

�1 INTRODUÇÃO
Com a sofisticação dos recursos tecnológicos, principalmente com a invenção do
computador, houve a necessidade de estudar outras formas de organização, de tratamento e de
recuperação da informação, para facilitar a sua disponibilização no meio digital. Isso porque
os novos recursos tecnológicos trouxeram outros canais, meios e suportes para armazenar e
disseminar as informações. Entre eles, pode-se citar: as bibliotecas digitais, a Internet e a
Web. A biblioteca digital utiliza-se dos recursos tecnológicos para armazenar e disponibilizar
suas informações, facilitando principalmente o acesso remoto aos documentos digitais pelos
usuários, através da Internet. A Internet modificou a forma de disponibilizar e acessar a
informação, uma vez que “recursos informacionais que anteriormente, apesar de acessíveis
por redes, eram sistemas ilhados, podem, na Internet, ser oferecidos de maneira integrada”
(CENDÓN, 2007, p. 276). Com a criação da World Wide Web por Tim Berners-Lee, a
Internet ganhou um impulso e surgiu um novo meio de comunicação de massa, que nas
últimas décadas foi espalhado rapidamente pelo mundo, e desencadeou uma nova forma de
disseminar a informação, a Web.
Embora esses novos recursos favoreçam o acesso e a transmissão da informação, a
falta de planejamento na construção e manutenção de um espaço informacional digital pode
ocasionar o insucesso do ambiente. Os usuários podem ficar perdidos durante a busca por
informações e/ou considerarem difícil à utilização desse espaço, optando por outros sistemas
de informação. Para melhorar a eficácia e eficiência dos websites, a Arquitetura da
Informação tem sido apontada na literatura como uma área que pode auxiliar nos processos de
planejamento informacional, organização e estruturação das informações.
Face ao exposto, o objetivo geral desta pesquisa de mestrado, que se encontra em
andamento, é analisar o conjunto e a estrutura de dados de uma biblioteca digital, e extrair e
avaliar as contribuições preconizadas pela Arquitetura da Informação, face às abordagens
provenientes da Biblioteconomia e da Ciência da Informação. Os objetivos específicos da
pesquisa consistem em: avaliar as contribuições da Arquitetura da Informação para melhorar
o planejamento de bibliotecas digitais de teses e dissertações; mapear os problemas da
Arquitetura da Informação da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações; propor
uma Arquitetura da Informação para a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações,
baseada nos fundamentos teóricos e metodológicos da Biblioteconomia e Ciência da
Informação, para facilitar o processo de organização e recuperação da informação neste
espaço digital.

4048

�2 REVISÃO DE LITERATURA
As bibliotecas digitais de teses e dissertações ocupam um espaço importante dentro da
história das bibliotecas digitais (BDs), uma vez que o formato digital permitiu uma maior
divulgação das teses e dissertações, promovendo a disseminação das pesquisas acadêmicas.
Essas iniciativas facilitam o acesso e a interlocução entre os grupos de pesquisas e evitam a
duplicação delas, além de facilitar o acesso dessas informações para a sociedade em geral.
Porém, assim como as bibliotecas tradicionais, para serem construídas, as BDs devem
ser planejadas, para efetivamente atender à necessidade informacional do seu público
potencial. O planejamento visa produzir conhecimento sobre a biblioteca que se pretende
implantar ou reformular, e define a estrutura para sua construção/reformulação, assim como
planeja e gerencia o seu ciclo informacional. A falta de planejamento em BDs pode favorecer
a desorientação do usuário durante a navegação no ambiente informacional, causando-lhe o
sentimento de estar perdido diante da complexidade do hipertexto que requer algum princípio
de ordem para acessá-lo (VIDOTTI, SANT’ ANA, 2006).
A Arquitetura da Informação (AI) nasceu do desejo de arquitetar as informações para
facilitar a compreensão e a recuperação da informação pelos usuários, através da elaboração
de projetos para criação e reformulação de espaços de informação. Com o tempo, surgiram
abordagens que aplicam esse conceito em ambientes informacionais digitais. Atualmente é
uma das áreas que estuda a organização da informação no espaço digital, utilizando-se de
conceitos advindos da Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação
(ROBREDO, 2008).
Existem várias definições para AI na literatura da área. Assim, não existe uma
definição única e compartilhada pelos teóricos; pelo contrário, a AI se apresenta como um
termo ambíguo, com múltiplas visões e aplicações (GUTÍERREZ, 2010).
Para fins desta pesquisa, será utilizada a abordagem de Rosenfeld e Morville (2006),
que aplica a AI para construção de websites, e o entendimento de que a AI é a combinação
articulada de cinco componentes que irão formar o website:
•

Sistema de organização: faz a organização do website através do agrupamento e
categorização das informações;

•

Sistema de rotulação: preocupa-se em representar os conceitos presentes no website;

•

Sistema de navegação: tem por função mostrar para o usuário em que local ele está
navegando dentro do website. Indica também o caminho que ele deve percorrer para
chegar até o local que está procurando;

4049

�•

Sistema de busca: é projetado para permitir a recuperação da informação, por meio da
especificação das perguntas, que podem ser realizadas pelo usuário e as respostas a
serem obtidas;

•

Tesauro, Vocabulário controlado e Metadados: auxiliam e interligam todos os demais
sistemas (RESEFELD; MORVILLE, 2006).
A escolha dessa definição como diretriz para esta pesquisa é pelo fato dos autores

estudarem a aplicação da AI em ambientes digitais no contexto da Ciência da Informação, e
também por oferecerem uma metodologia para construção de websites.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A pesquisa é do tipo exploratório e aplicado. Quanto à forma de abordagem, é de
cunho qualitativo, especificamente classificado como um estudo de caso. Optou-se por esse
método para entender como a AI deve ser aplicada na construção e reformulação de
bibliotecas digitais de teses e dissertações.
O universo da pesquisa será o website da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e
Dissertações (BDTD), do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia
(IBICT), que tem por objetivo disponibilizar o registro bibliográfico e a publicação eletrônica
de teses e dissertações existentes nos acervos das instituições de ensino superior (IES)
brasileiras. Para alcançar os objetivos da pesquisa, seguiu-se o seguinte percurso
metodológico:
Na primeira etapa, realizou-se o levantamento bibliográfico sobre os principais temas
que embasam essa pesquisa: Bibliotecas Digitais, Organização e Representação da
Informação e Arquitetura da Informação. Essa consulta foi realizada nas grandes bases de
dados da Ciência da Informação e áreas correlatas, como: Portal CAPES, Library Information
Science Abstracts (LISA), Annual Review o f Information Science and Technology (ARIST),
Journal o f the American Society for Information Science and Technology (JASIST), nas
bibliotecas digitais de teses e dissertações de diferentes instituições e em revistas nacionais.
Os critérios para a seleção do material bibliográfico utilizados nesta pesquisa foram assuntos
pertinentes às temáticas principais de obras nos idiomas português, espanhol e inglês.
Na segunda etapa, realizou-se a leitura da literatura bibliográfica, compreensão da
Arquitetura da Informação e os elementos que a compõe.
Na terceira etapa, realizou-se a coleta de dados a partir da observação direta não
participante do website da BDTD, no qual foi analisada a disposição das informações no
ambiente, de modo a verificar a presença e ausência dos elementos da AI, de acordo com o

4050

�modelo de Arquitetura da Informação para bibliotecas digitais, desenvolvido na pesquisa de
Camargo (2004).
Na quarta etapa, será realizada a avaliação da AI do website da BDTD. O website vai
ser avaliado a partir de uma abordagem qualitativa, de acordo com os pressupostos da
Arquitetura da Informação. Será feita a análise crítica dos elementos da AI encontrados na
coleta de dados, do ponto de vista se o uso desses elementos aproxima-se ou afasta-se das
orientações teórico-metodológicas. A avaliação também verificará possíveis ausências dos
elementos da AI e o impacto que isso provoca para o website, de acordo com as orientações
teórico-metodológicas.
Os procedimentos metodológicos adotados foram: 1) Levantamento bibliográfico; 2)
Fundamentação teórica - metodológica; 3) Coleta de dados; 4) Análise de dados e proposta de
melhorias na AI da BDTD.

4 RESULTADOS PARCIAIS
As pesquisas realizadas em bases de dados para o levantamento bibliográfico
retornaram vasta literatura sobre os assuntos Biblioteca Digital e Organização e
Representação da Informação. No entanto, para o assunto Arquitetura da Informação,
observaram-se poucos trabalhos científicos publicados. Deve-se ressaltar que este número é
ainda menor para abordagens que estudam a Arquitetura da Informação em BDs.
A revisão de literatura aponta que, através da avaliação de usabilidade de um website,
é possível levantar problemas e buscar soluções que culminarão em suas possíveis
remodelações. Nessa perspectiva, a literatura demonstra também que essa reformulação deve
ser feita sob a ótica da Arquitetura da Informação, que deve estruturar e organizar websites
para ajudar os usuários a satisfazerem suas necessidades de informação de forma efetiva.
Portanto, a satisfação do usuário na utilização de um website está ligada a Arquitetura da
Informação (LIMA, 2012).
Durante a coleta de dados realizada através do acesso à BDTD foram encontrados
elementos pertencentes a todos os sistemas da arquitetura da informação. Por outro lado,
foram observados problemas com alguns elementos, como falhas de hipertexto, rótulos
ambíguos e usabilidade inconsistente. Também foram identificadas ausências de elementos
importantes como mapa do site, breadcrumbs e taxonomias.
Espera-se que, através da avaliação crítica dos dados coletados, se possa propor uma
melhoria da Arquitetura da Informação da BDTD. Além disso, a pesquisa pretende explorar o
conceito de Arquitetura da Informação aplicada a bibliotecas digitais de teses e dissertações,

4051

�buscando refletir as particularidades desse ambiente informacional e quais componentes e
elementos da AI devem ser utilizados para construção e reformulação desse tipo de biblioteca.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
Estudos realizados na Ciência da Informação apontam a importância da reflexão e
utilização da Arquitetura da Informação para construção e reformulação de espaços
informacionais digitais. Espera-se que essa pesquisa possa contribuir para a reflexão de
possíveis soluções para organização da informação em ambiente digital, especificamente na
aplicação da Arquitetura da Informação como metodologia para construção de websites de
bibliotecas digitais de teses e dissertações.

6 REFERÊNCIAS
CAMARGO, Liriane Soares de Araújo de. Arquitetura da Informação para biblioteca
digital personalizável. 2004. 142 f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade Estadual Paulista. Marília. 2004.
CENDÓN, Beatriz Valadares. A Internet. In: CAMPELLO, Bernadete Santos; CENDÓN,
Beatriz Valadares.; KREMER, Jeannette Marguerite. [orgs]. Fontes de informação para
pesquisadores e profissionais. Belo Horizonte: UFMG, 2007. p. [275]-300.
GUTIÉRREZ, Mario Pérez - Montoro. Arquitectura de la información em entornos web.
Gijón: Trea, 2010. 404 p.
LIMA, Izabel França de. Bibliotecas digitais: modelo metodológico para avaliação de
usabilidade. 2012. 242 f. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) - Escola de Ciência da
Informação da Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte. 2012.
ROBREDO, Jaime. et. Al. Reflexões sobre fundamentos da Arquitetura da Informação. In:
Encontro Nacional de Ciência da Informação e Biblioteconomia, 9.,2008, São Paulo. Anais...
São Paulo: Universidade de São Paulo, 2008.
ROSENFELD, Louis; MORVILLE, Peter. Information architecture for the World Wide
Web. 3. ed. Sebastopol: O’Reilly, 2006. 504 p.
VIDOTTI, Silvana Aparecida Borsetti Gregorio; SANT’ANA, Ricardo Gonçalves. Infra estrutura tecnológica de uma biblioteca digital: elementos básicos. IN: Marcondes, C.H.;
Kuramoto, H.; Toutain, L.B.; Sayão, L.[orgs.] Bibliotecas Digitais: Saberes e Práticas. 2.ed.
Salvador: UFBA, 2006. 77 - 93.

4052

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Arquitetura da informação aplicada a bibliotecas digitais de teses e dissertações: análise da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações do IBICT</text>
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                <text>O objetivo geral desta pesquisa de mestrado, que se encontra em andamento, é analisar o conjunto e a estrutura de dados de uma biblioteca digital, e extrair e avaliar as contribuições preconizadas da Arquitetura da Informação, face às abordagens provenientes da Biblioteconomia e da Ciência da Informação. Seus objetivos específicos são: a) avaliar as contribuições da Arquitetura da Informação, para melhorar o planejamento de bibliotecas digitais de teses e dissertações, b) mapear os problemas da Arquitetura da Informação da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações, c) propor uma Arquitetura da Informação para a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações, baseada nos fundamentos teóricos e metodológicos da Biblioteconomia e Ciência da Informação, para facilitar o processo de organização e recuperação da informação neste espaço digital. O tipo de pesquisa é exploratório e aplicado, e faz uso da revisão bibliográfica como percurso metodológico. Espera-se que esse trabalho possa contribuir para a melhoria do website da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações do IBICT e também refletir sobre a aplicação do conceito de Arquitetura da Informação em bibliotecas digitais.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A INSERÇÃO DO LIVRO ELETRÔNICO NA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: UM
RELATO DE EXPERIÊNCIA
Mírian Cristina de Lima
Leonilha Maria Brasileiro Lessa

RESUMO
Este estudo visa retratar de forma ampla a realidade de uma Biblioteca Universitária com
relação à inserção dos livros eletrônicos, contextualiza sobre o livro digital e o papel do
bibliotecário. Tem como objetivo analisar o contexto, compreender os processos de aquisição,
os modelos de negócio, as formas de divulgação e o comportamento dos bibliotecários.
Utilizamos o método descritivo para configurar este relato de experiência, embasado em um
levantamento bibliográfico. Nas considerações finais observa-se que a inserção dos livros
eletrônicos é um processo inevitável e que a biblioteca e os bibliotecários devem se adaptar e
atualizar com base nas mudanças.
Palavras-Chave: Livro eletrônico. Biblioteca Universitária. Competência informacional.

ABSTRACT
This study aims to portray broadly the reality of a University Library regarding the integration
of electronic books, digital and paper contextualizes the role of the librarian. Our goel is to
analyze the context, to understand the processes of acquisition, business models, the forms of
dissemination and the behavior of the librarians. We use the descriptive method to illustrate
this case study, based on a bibliographical survey. In the final considerations it is observed
that the integration of electronic books is an inevitable process and that the library and
librarians must adapt and update based on changes.
Keywords: Electronic book. University Library. Information literacy.

1 Introdução
As novas tecnologias estão alterando nossas atividades, nossa visão de mundo e a
forma como interagimos. Tratada por alguns como necessidades básicas, as tecnologias e a
conexão com a Internet estão cada vez mais presentes em pequenas ações do cotidiano: como
pagar uma conta, receber o resultado de um exame, fazer compras, etc. Diante deste novo
cenário globalizado, onde as informações podem ser acessadas de todos os lugares e ao

4035

�mesmo tempo, as bibliotecas universitárias estão tendo que se reinventar para acompanhar
estas mudanças, rompendo definitivamente a barreira do ambiente estático.
Algumas bibliotecas estão percebendo uma queda no número de empréstimos e no
acesso de usuários a biblioteca, neste momento os bibliotecários devem buscar formas de se
aproximarem dos usuários, ofertando outros produtos e serviços, não mais só os livros físicos.
Ainda é mágica a sensação de encontrar na biblioteca o livro desejado, mas há também
uma frustração ao descobrir que todos estão emprestados. Este é um momento propício para
conquistar um novo leitor para o mundo digital, informando que a instituição oferece livros
digitais.
A decisão pelo livro eletrônico oferece muitas vantagens os usuários, como: a
praticidade do acesso através de dispositivos móveis; a quebra de barreiras geográficas, o
usuário não precisa se deslocar fisicamente até a biblioteca; disponibilidade de acesso a obra
24 horas por dia, 7 dias por semana; o usuário não tem uma cota máxima de livros que podem
ser emprestados; não se preocupar com renovações e muito menos em pagar multa por atraso.
Todavia este processo também apresenta desvantagens, problemas no acesso, falta de
comunicação com relação aos títulos que são inseridos ou retirados da plataforma, etc. Muitos
pontos ainda devem ser discutidos pela classe biblioteconômica, que com certeza terá grandes
desafios pela frente.
Durante algum tempo as bibliotecas universitárias encontraram dificuldade em ter
acesso a propostas de negócio de livros digitais acadêmicos em português. Quando as
primeiras propostas apareceram era nítida a confusão e as dúvidas com relação ao produto que
estava sendo oferecido e aos modelos de negócio, como o preço a ser cobrado seria calculado
e como estes livros eletrônicos seriam acessados. Os editores nacionais estavam cautelosos
com relação a possível perda de vendas dos livros físicos e as possíveis facilidades da
pirataria digital, eles não conseguiam vislumbrar ou entender o novo cenário tecnológico que
estava se construindo.
Hoje o mercado de livros digitais está em pleno processo de expansão, neste contexto
são as bibliotecas universitárias que estão passando por um processo de adaptação à nova
realidade, pois a inserção dos e-books revoluciona também atividades que por muitos anos
ficaram engessadas, como o processo de aquisição.
Se a biblioteca está mudando os profissionais da informação também mudarão, eles
devem rever suas competências e procurar ampliá-las em prol deste movimento.
Esta pesquisa de cunho descritivo surgiu do desejo de explicar algumas situações a
partir da prática de uma biblioteca universitária como relação à seleção, aquisição e

4036

�divulgação dos livros eletrônicos. Os dados empíricos apresentados neste trabalho têm como
objetivo fomentar os estudos sobre a inserção dos livros eletrônicos nas bibliotecas
universitárias, levantando pontos de discussão como: os modelos de negócio impostos, o
modelo de gestão das bibliotecas, problemas com relação à interface das plataformas de
acesso aos livros digitais, às práticas dos bibliotecários neste contexto e as formas de
divulgação para comunidade acadêmica.

2 Revisão de Literatura
O livro eletrônico
Não se pode falar sobre livro eletrônico sem citar Vannevar Bush que é considerado o
precursor do hipertexto através do seu projeto Memex. Segundo Cunha (2008, p. 4): “[...]
Bush previu um sistema parecido com o hipertexto, e o MEMEX - que seria um computador
provido com um banco de dados, contendo a literatura técnico-científica necessária ao
exercício profissional do pesquisador moderno[..]”.
Existem muitas teorias controversas com relação ao precursor dos e-books, mas na
realidade o que realmente tornou esta utopia possível foi o surgimento da Internet esta nova
mídia que é capaz de efetuar a junção entre massividade e interatividade promovendo ao seu
redor uma revolução no próprio conceito de comunidade e cenário comunicacional.
Chartier (1999, p. 134) “Com o texto eletrônico, enfim, parece estar ao alcance de
nossos olhos e de nossas mãos um sonho muito antigo da humanidade, que se poderia resumir
em duas palavras, universalidade e interatividade.”
Este dinamismo apresentou uma nova possibilidade ou um novo caminho como canal
de divulgação científica. A conexão entre computadores diferentes, com sistemas
operacionais diversos, possibilitando a troca de arquivos, a discussão de resultados,
visualização de pesquisas em andamento, informações sobre novas publicações, etc.
Neves (2004, p. 1) afirma: “O advento do fenômeno chamado INTERNET veio
provocar uma verdadeira revolução no ordenamento das coisas no mundo da informação e do
conhecimento”.
A comunicação digital pode ser através de textos, som, imagens e suas múltiplas
combinações, o que nos remete ao hipertexto. Segundo Levy (1993): “[...]um hipertexto é um
conjunto de nós ligados por conexões. Os nós podem ser palavras, páginas, imagens, gráficos
ou partes de gráficos, sequências sonoras, documentos complexos que podem eles mesmos ser
hipertextos.”

4037

�Neste contexto surge o livro eletrônico, também denominado livro digital, e-livro ou e­
book, um novo recurso informacional que está ganhando cada vez mais espaço,
principalmente por algumas características específicas, como: a facilidade do acesso através
da web, por dispor de várias extensões/formatos e ser compatível com dispositivos eletrônicos
como: notebooks, tables, smartphones, e-readers, etc.
Vasileiou, Hartley e Rowley (2012, tradução nossa) relatam que: “E-books
representam um desafio interessante para bibliotecas acadêmicas, e há muitas perguntas sobre
a gestão da introdução e desenvolvimento de coleções e-books e serviços.”
Com parcimônia foram surgindo iniciativas que visavam o acesso aberto às coleções
de livros através da internet, entretanto estas ações se dedicavam a livros já em domínio
público e obras com licença creative commons, o interesse das bibliotecas universitárias vão
além

das obras literárias, buscam as obras científicas e acadêmicas relacionadas

principalmente às bibliografias das disciplinas.

O perfil do bibliotecário
Se o acesso à informação está mudando os profissionais da informação devem aceitar
as mudanças e adaptar-se fazendo com que a profissão não se torne obsoleta. O fato do
usuário não se dirigir fisicamente a biblioteca em busca de uma obra, não diminuirá o trabalho
do bibliotecário, pois a importância da profissão está em saber organizar, selecionar e
disseminar a informação, independente do suporte.
Jesuz e Jovanovich (2013, p. 1) afirmam que:“O impresso e o digital aparecem juntos
como opções diferentes e complementares na aquisição de informação e conhecimento. As
publicações eletrônicas têm apresentado várias possibilidades de acesso, o que faz com que as
bibliotecas revejam novas maneiras de acesso à informação, incluindo esses novos suportes.”
A criação de uma biblioteca digital tem características semelhantes à biblioteca
convencional, o objetivo é facilitar o acesso aos recursos informacionais. Segundo Serra e
Silva (2013): “Este recurso propicia discussões não apenas culturais relacionadas à leitura
impressa ou na forma digital, mas nas descobertas e modificações na gestão das unidades de
informação que o bibliotecário deve proporcionar.”
São múltiplas as tarefas que devem ser realizadas pelos profissionais da informação,
dentre elas: análise dos recursos e das interfaces, a interoperabilidade das plataformas dos
livros eletrônicos, avaliação dos títulos, etc. Este panorama exige do bibliotecário o
desenvolvimento da competência informacional, também denominada information literacy.

4038

�[...] a competência informacional está no cerne do aprendizado ao longo da
vida. Ela capacita as pessoas em todos os caminhos da vida para buscar,
avaliar, usar e criar a informação de forma efetiva para atingir suas metas
pessoais, sociais, ocupacionais e educacionais. É um direito humano básico
em um mundo digital e promove a inclusão social em todas as nações
(INTERNATIONAL FEDERATION OF LIBRARY ASSOCIATIONS
AND INSTITUTIONS, 2005)

Serão exigidas novas habilidades destes profissionais, ele passará a ser instrutor, pois
capacitará os usuários através de treinamentos para utilização do acervo digital. A ALA
(American Library Association) define uma pessoa competente em informação como:
[...] capaz de reconhecer quando precisa de informação e possuir habilidade
para localizar, avaliar e usar efetivamente a informação [...]. Em última
análise, pessoas que tem competência informacional são aquelas que
aprenderam a aprender. Essas pessoas sabem como aprender, porque sabem
como a informação está organizada, como encontrar a informação e como
usar a informação, de tal forma que possam aprender com elas. (ALA, 1989)

3 Materiais e Métodos
Esta pesquisa explicativa visa retratar de forma ampla a realidade uma biblioteca
universitária com relação à inserção dos livros eletrônicos, o maior objetivo é analisar o
contexto, compreender os processos e o comportamento dos bibliotecários, através de um
relato de experiência.

4 Resultados Parciais/Finais
Há um longo caminho para que os livros eletrônicos sejam disponibilizados pelas
bibliotecas universitárias, ele é iniciado pelas inúmeras visitas dos vendedores com diversas
ofertas, não existe uma padronização com relação aos modelos de negócio, os fornecedores
apresentam propostas com formas diferentes de calcular o valor das obras digitais/plataforma,
alguns calculam pelo número de usuários reais, na prática, o vendedor solicita o número de
alunos matriculados nos cursos que ele considera atender com a sua coleção digital, outros
fornecedores solicitam o número total de alunos da instituição para definir um valor da
proposta, entende que todos são potenciais usuários da plataforma ofertada. Os valores ainda
não são os almejados pelas instituições, pois no caso modelo de assinatura o que está sendo
adquirido é a licença para o uso, ou seja, o livro eletrônico não é da biblioteca. Já o livro
físico é incorporado ao acervo e passa ser um patrimônio da instituição, por isto os valores
das obras digitais deveriam se repensados de forma justa.

4039

�Nos últimos anos houve um aumento na oferta, principalmente com relação a
plataformas com títulos em português, novas empresas surgiram e outras que não trabalhavam
com estes recursos passaram a trabalhar, todavia o curto espaço de tempo e a sede pelo
mercado fez com que vendedores fossem lançados no mercado para oferecer algo que nem
mesmo eles conheciam. O primeiro contato nem sempre trazia boas impressões, pois
perguntas relativamente básicas no meio biblioteconômico e tecnológico não são respondidas
pelos vendedores. Muitas vezes estas perguntas são respondidas através dos acessos as
plataformas durante os testes, leituras de artigos, participação em eventos da área e dos
diálogos com os pares de outras bibliotecas universitárias. Neste ponto do processo os
bibliotecários com competência informacional e experiência em bases de dados digitais
conseguem se destacar.
Mediante a inserção dos livros eletrônicos na biblioteca alguns pontos são passivos de
discussão:
1. Não há seleção dos títulos por parte da biblioteca, ou seja, o acervo digital nem sempre
atende todas as expectativas dos usuários/bibliotecários. Títulos sem grande expressividade
fazem parte dos pacotes, enquanto os livros base para alguns cursos da graduação/pósgraduação não estão inseridos. Conforme Serra (2012, p. 6): “Normalmente os pacotes são
formados por títulos que são definidos pelos editores, onde as obras na versão impressa já
apresentaram vendagem significativa, porém encontram-se estabilizadas, representando um
baixo risco no montante das vendas.”
2. Cláusulas contratuais definem que pode haver inserção, retirada e atualização de títulos,
mediante aviso prévio, esta comunicação muitas vezes é falha. O que compromete trabalhos
como os de análise das bibliografias das disciplinas em uma IES. O MEC informa em seu
“Instrumento de Avaliação de Cursos de Graduação presencial e a distância” atualizado em
maio de 2012, informa que os cálculos relativos aos critérios de análise da bibliografia básica
(BB) são diferenciado para as bibliotecas que possuem acervo virtual (pelo menos 1 título
virtual por unidade curricular), alterando assim a proporção de alunos por exemplar físico.
Além do constante investimento de manutenção do acervo, ao renovar os
pacotes, a biblioteca está efetuando um pagamento contínuo para garantir o
acesso aos e-books que já possui, na forma de um aluguel permanente paga-se para utilizar a obra, porém ela não pertence ao acervo e pode ser
retirada da coleção caso não seja concretizada a renovação ou fique
indisponível pelo distribuidor. (SERRA, 2012, p. 6)

3. Como as bibliotecas acabam assinando/comprando com vários fornecedores para conseguir
um acervo digital mais diversificado depara-se com alguns problemas de ordem prática, como

4040

�por exemplo: os trâmites jurídicos (contratos mal elaborados, com cláusulas que só garantem
os direitos dos fornecedores e não os dos clientes e os problemas técnicos da plataformas.
Para ilustrar este relato de experiência citou-se o caso de uma biblioteca universitária.
A biblioteca sempre teve como prioridade a compra/assinatura de livros eletrônicos em
português. A primeira experiência foi um contrato no modelo compra perpétua, o fornecedor
ofereceu pacotes de títulos por área do conhecimento, optou-se por 99 títulos, de duas
editoras. A plataforma de acesso oferece poucos recursos e tem como condição a visualização
dos títulos não assinados apenas como demonstração, fato que frustra os usuários, os
fornecedores acreditam que esta é uma forma de induzir novas compras.
A forma de visualização dos livros é definida pelos editores, um disponibiliza os livros
em e-pub (permitindo apenas seleção de pequenos trechos) e o outro em pdf (downloads e
impressões liberadas).
Dentre os formatos mais comuns de e-books estão o PDF, que necessita do leitor
Acrobat Reader, o formato HTML precisa de um navegador de Internet para ser aberto e o epub já é o formato especifico para os livros digitais.
Em 2012 uma nova proposta surgiu, o modelo de negócio ofertado foi um contrato de
assinatura. Neste caso os títulos não poderiam ser escolhidos; o acesso é realizado pela
plataforma do fornecedor; o pacote inclui todos os títulos da base, todavia a inserção e
exclusão de títulos. A plataforma apresenta alguns recursos interessantes, como: interface
amigável, divisão das obras por áreas do conhecimento, recursos de busca simples e
avançada, acesso multiusuários, estante de favoritos, anotações, marcadores, aplicativo para
tablets, compatibilidade com programas de acessibilidade, impressão de até 50% da obra
mediante compra de cotas e desconto na compra de livros físicos.
Em 2013 mais uma coleção foi assinada no modelo assinatura, ela oferece recursos
parecidos com a segunda plataforma, mas disponibiliza um número maior de títulos, a
vantagem da impressão sem custos, compartilhamento de comentários/ marcações com
amigos, utilização do web-app, expressão utilizada para explicar a plataforma se adequa a
qualquer dispositivo sem a necessidade do usuário baixar o aplicativo.
Ainda no ano de 2013 uma quarta base foi avaliada, também no modelo de assinatura,
muitos títulos atendiam às disciplinas, a plataforma é esteticamente atrativa e oferece vários
recursos. Começamos com o trial, processo comum durante a análise das bases, os
fornecedores/representantes liberam temporariamente a plataforma para que os bibliotecários
possam realizar testes, divulgar internamente entre docentes e discentes para colher opiniões,
etc. Após meses de avaliação e a autorização da instituição optamos por assinar mais uma

4041

�base de e-books, o objetivo era ampliar o “catálogo” de obras digitais. Como nos processos
anteriores os analistas da informação começaram efetivamente a trabalhar na implantação,
pois sempre optamos pelo acesso direto dos usuários as plataformas pela área de acesso
restrito a comunidade acadêmica da instituição, evitando assim o desgaste dos usuários em
criar contas e definir senhas para acessar cada base. Durante a implantação percebeu-se o
tempo de resposta da base dentro da interface da instituição era de quase 30 segundos (o que
não é aceitável no ambiente virtual), este problema logo foi exposto ao fornecedor que
contratou uma empresa para melhorar o acesso, meses se passaram e o problema não foi
sanado. Levando a instituição a difícil decisão de rescindir o contrato, os fornecedores não
questionaram a decisão e logo após o fato a vendedora admitiu que eles não estavam
preparados tecnologicamente para disponibilizar todos os títulos virtuais, que as assinaturas
anteriores eram de poucos títulos.
Esta experiência foi desgastante para os participantes, mas ótimas lições foram
retiradas, o grau de exigência e detalhamento dos requisitos durante os processos de análise
ficaram mais rigorosos. Hoje também há o entendimento, adquirido pela prática, que durante
as negociações todas as promessas são feitas pelos vendedores, mas que nem sempre são
cumpridas.
O gráfico a seguir mostra o crescimento do número de títulos adquiridos pela
biblioteca citada, neste relato após as assinaturas dos contratos.

Gráfico 1: Crescimento do número de títulos eletrônicos na biblioteca

Fonte: Dados da pesquisa.

4042

�Devido ao crescimento o acervo digital sugiram novas atividades, pois além do
gerenciamento acervo físico, os bibliotecários devem gerenciar o acervo digital. Para isto o
profissional da informação deve começar a avaliar os modelos de negócio, recursos e as
formas de acesso, após a assinatura as questões são outras, inicia-se o trabalho de análise dos
títulos, como as bibliotecas universitárias são regidas pelos instrumentos do MEC.
Uma das primeiras iniciativas foi a verificação dos títulos digitais, se estavam nas
bibliografias básicas e complementares das disciplinas ofertados pela instituição, estudo feito
por disciplina, curso e centro; quais obras já existem em formato físico na biblioteca; a
terceira atividade é a sugestão de livros digitais no momento da solicitação das compras dos
livros físicos, atualização de bibliografias, etc. Podemos visualizar no gráfico a seguir um
exemplo de mapeamento por centro do número de títulos que atendem as bibliográficas básica
ou complementar. São eles CCS- Centro de Ciências da Saúde, CCT- Centro de Ciências
Tecnológicas, CCG- Centro de Ciências da Comunicação e da Gestão, CCJ- Centro de
Ciências Jurídicas.

Gráfico 2: Porcentagem dos títulos que atendem as disciplinas por Centro

Fonte: Dados da pesquisa.

Como outros recursos d biblioteca temos o interesse de quantificar o uso, para isto
dependemos dos fornecedores, já que as plataformas não disponibilizam recursos
administrativos para bibliotecas, dos três fornecedores citados apenas um envia regularmente
os relatórios, os outros, mesmo com frequentes solicitações demoram a enviar. O que
inviabiliza estudos quantitativos mensais.

4043

�Como as bibliotecas universitárias estão cada vez mais buscando ampliar as coleções
digitais e cada fornecedor/empresas oferecem os conteúdos em interfaces próprias surgiram
no mercado as “ferramentas de descoberta” que preconizam a possibilidade de unificar
através de uma interface a busca em todas as bases disponibilizadas pela biblioteca (físicas e
digitais), para isto o fornecedor da ferramenta necessita que os metadados dos documentos
eletrônicos sejam enviados, formando assim um grande banco de dados, as bibliotecas que
dispõe destas ferramentas ativam as bases dos editores primários

na sua conta de

administrador, resgatando assim os dados e em alguns casos redirecionando o usuário para o
documento na íntegra.

O problema é que este diálogo ainda está em fase inicial e

categoricamente só está acontecendo por imposição dos clientes, as bibliotecas universitárias.
Quando uma biblioteca universitária opta por um recurso como os livros eletrônicos
gera muita expectativa na comunidade acadêmica, por isto várias ações devem ser realizadas
de divulgação devem ser realizadas, com o objetivo de informar. Como estratégia utilizada
pela instituição podemos citar a técnica do “3C’s” (comunicar, conscientizar e capacitar):
comunicar os recursos através dos canais internos oferecidos pela instituição, conscientizar a
comunidade de que estes recursos fazem parte da mudança de paradigmas tecnológicos e
capacitar através dos treinamentos ofertados pela biblioteca.

5 Considerações Parciais/Finais
São otimistas as previsões feitas para os livros eletrônicos, as futuras gerações poderão
desfrutar mais ainda desta forma de acessar as informações, afinal as novas tecnologias estão
trazendo cada vez mais adereços, como: redes de alta velocidade, dispositivos compactos e
sofisticados, etc.
Chartier (1999) relata a importância da aceitação das mudanças por parte das
bibliotecas: “Aquela biblioteca que der um passo nesse processo irá renascer. As que
conservarem alguma visão idílica do passado correrão grande risco e terão tão pouca
oportunidade de serem reconhecidas como instituições sociais necessárias.”
Este artigo se propôs a mostrar a realidade de uma instituição de ensino superior,
através de um relato direto e sincero de experiências positivas e negativas da inserção dos
livros eletrônicos. De todos os modelos disponíveis no mercado consideramos a assinatura
mais viável, pois neste caso os clientes tem uma voz ativa para exigir melhorias nas
plataformas. Solicitações feitas aos fornecedores que oferecem o modelo de compra perpétua
parecem em vão, não percebemos interesse em apresentar novas soluções para problemas
existentes.

4044

�Percebe-se atualmente uma articulação de várias instituições em prol da criação de
grupos de trabalho para discussão, dentro os pontos abordados estão: a forma como os livros
eletrônicos estão sendo ofertados (compra perpétua, acesso, assinatura, etc); o tipo de formato
(pdf, html, e-pub, etc);

patrimoniamento dos itens adquiridos por assinatura/compra;

plataformas e estatísticas de uso.
Alguns temas citados neste artigo merecem aprofundamento em publicações futuras,
dentre eles: a competência informacional por parte dos profissionais da biblioteconomia no
que tange aos novos recursos (bases de dados de periódicos e livros eletrônicos) oferecidos
pelas bibliotecas universitárias e as ferramentas de descoberta. Objetivando auxiliar
profissionais de outras instituições, que estão iniciando o processo de inserção dos livros
eletrônicos em suas bibliotecas.
Conclui-se que no cerne da universidade, berço da produção científica, ambiente do
espaço crítico e de reflexão, o livro eletrônico encontra um terreno para criar raízes e para se
fortalecer.

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technological

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4046

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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            <description>The nature or genre of the resource</description>
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            <description>An account of the resource</description>
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                <text>Este estudo visa retratar de forma ampla a realidade de uma Biblioteca Universitária com relação à inserção dos livros eletrônicos, contextualiza sobre o livro digital e o papel do bibliotecário. Tem como objetivo analisar o contexto, compreender os processos de aquisição, os modelos de negócio, as formas de divulgação e o comportamento dos bibliotecários. Utilizamos o método descritivo para configurar este relato de experiência, embasado em um levantamento bibliográfico. Nas considerações finais observa-se que a inserção dos livros eletrônicos é um processo inevitável e que a biblioteca e os bibliotecários devem se adaptar e atualizar com base nas mudanças.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A INSERÇÃO DE LIVROS ELETRÔNICOS EM UMA BIBLIOTECA
UNIVERSITÁRIA: O RELATO DE EXPERIENCIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL
DE SANTA MARIA
Marinez Moral Montana
Marisa Severo Correa

RESUMO
Este trabalho contextualiza através da análise de fontes bibliográficas e relato de experiência a
temática da inserção dos livros eletrônicos na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
Essa elucidação tem por objetivo mostrar o processo metodológico adotado pela Biblioteca
Central da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), na tomada de decisão de aplicar
recursos orçamentários nos modelos de negócios de livros eletrônicos. Inicialmente o relato
descreve a UFSM em sua estrutura educacional e geográfica. Expõe o Sistema de Bibliotecas
e o funcionamento referente à formação e desenvolvimento das coleções, com ênfase na
aquisição centralizada. Apresenta conceitos sobre livros eletrônicos e os modelos de negócios
disponíveis no mercado. Destaca a metodologia adotada. Relata o processo de inserção da
temática na instituição e aponta os resultados finais.
Palavras-Chave: Livros Eletrônicos; Universidade Federal de Santa Maria; Gestão de
Recursos.

ABSTRACT
This work contextualizes through the analysis of literature sources and reporting experience
the theme of integration of electronic books in the Universidade Federal de Santa Maria
(UFSM). This elucidation is to show the methodological process adopted by the Central
Library of the Federal Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), in making the decision
to apply budgetary resources in the business models of electronic books. Initially the report
describes UFSM in their educational and geographical structure. Exposes the Library System
and operation relating to the formation and development of the collections, with an emphasis
on centralized acquisition. Presents concepts about electronic books and business models
available on the market. Highlights the methodology adopted. Describes the process of
insertion of thematic in the institution and indicate final results.
Keywords: Electronics Books; Universidade Federal de Santa Maria; Resource Management.

4024

�1 Introdução

A partir das facilidades advindas com o acesso às redes de comunicação, mudanças
significativas ocorreram nas formas de produção, disseminação e aplicação do saber.
Atualmente, a transmissão do conhecimento se propaga independentemente das estruturas
tradicionais de fontes de informação. Suportes eletrônicos oriundos dos avanços tecnológicos
ocupam espaço gradativamente maior no mercado. Alternativas foram lançadas em termos de
estruturas e possibilidades de acesso, exigindo das bibliotecas, uma reformulação em seus
métodos de gerenciamento, visando à inserção dessas novas tecnologias.
Dentre as alternativas tecnológicas na área de disseminação do conhecimento surgiu o
livro eletrônico, uma ferramenta que ultrapassa barreiras físicas e que estabelece novos
desafios e discussões. Segundo Reis e Rozado (2013, p.1), “O livro digital é um desses
produtos inovadores gerados pela sociedade, agora denominada de sociedade da informação”.
Estar inserido nesse novo contexto informacional é preocupação permanente das bibliotecas
universitárias das instituições de ensino superior. Estudos e planejamento são necessários para
superar os desafios que o tema requer.

Assim também nas Bibliotecas da Universidade

Federal de Santa Maria essa temática está sendo debatida.
A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) está localizada no centro geográfico
do estado do Rio Grande do Sul, distante 290 km da capital do estado, Porto Alegre. Foi
criada em 14 de dezembro de 1960. O corpo discente é constituído de 29.101 estudantes, em
todas as modalidades de ensino. O quadro de pessoal conta com 4.395 servidores, incluindo
1.847 docentes do ensino superior, docentes de educação básica, técnica e tecnológica e 2.815
técnico-administrativos em educação. (UNIVERSIDADE..., [2014?])
A UFSM oferece 332 cursos, nas modalidades presencial e a distância, sendo 150
cursos de graduação, 140 de pós-graduação, 9 de ensino médio, e 33 pós-médio, distribuídos
nos campi dos municípios de Santa Maria, Silveira Martins, Frederico Westphalen e Palmeira
das Missões. O campus central localiza-se em Santa Maria. (UFSM..., 2012)
A atual estrutura estabelece a constituição de dez Unidades Universitárias: Centro de
Artes e Letras (CAL), Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE), Centro de Ciências
Rurais (CCR), Centro de Ciências da Saúde (CCS), Centro de Ciências Sociais e Humanas
(CCSH), Centro de Educação (CE), Centro de Educação Física e Desportos (CEFD), Centro
de Educação Superior Norte/RS (CESNORS), Centro de Tecnologia (CT) e Unidade
Descentralizada de Educação Superior da Universidade Federal de Santa Maria em Silveira

4025

�Martins/RS (UDESSM). Além disso, a Instituição possui três unidades de educação básica,
técnica e tecnológica: o Colégio Técnico Industrial de Santa Maria (CTISM), o Colégio
Politécnico da Universidade Federal de Santa Maria e o Colégio Agrícola de Frederico
Westphalen (CAFW). (UFSM..., 2012)
O Sistema de Bibliotecas da UFSM é constituído de uma Biblioteca Central e 12
Bibliotecas Setoriais, totalizando 13 bibliotecas, sendo 9 em Santa Maria e 4 nas demais
localidades.
A aquisição de material bibliográfico para todas as bibliotecas é centralizada na
Biblioteca Central e executada pela Divisão de Aquisição que administra e gerencia o
orçamento da Universidade destinado à formação e desenvolvimento das coleções. Devido ao
elevado número de sugestões de bibliografia enviadas, os recursos orçamentários são
insuficientes para o atendimento integral dos pedidos, necessitando assim estabelecer
prioridades no atendimento. Essa prioridade é definida para atender inicialmente as
solicitações docentes, as bibliografias básicas e complementares dos cursos novos e as
bibliografias dos cursos que apresentem alterações nos projetos político pedagógicos.
Os títulos selecionados para inclusão nos processos de compra originam-se nas
sugestões enviadas pela comunidade universitária mediante formulário acessado na página da
Biblioteca na Internet.

O preenchimento do formulário e posterior envio estão

permanentemente disponíveis.
O propósito desse artigo é descrever a experiência da Biblioteca Central da UFSM, na
tomada de decisão de aplicar recursos orçamentários nos modelos de negócios de livros
eletrônicos. Essa decisão gerou análises e estudos, visando atender as necessidades e
expectativas de oferecer novos suportes tecnológicos de pesquisa à comunidade universitária.

2 Revisão de Literatura

O conhecimento foi perpetuado ao longo da história da humanidade por meio de
diferentes formatos. As formas de acesso à informação foram sendo alteradas e com o auxilio
da tecnologia, houve a inserção de novas ferramentas. As bibliotecas não ficaram à margem
dessas mudanças e atualmente a disseminação do conhecimento conta com um suporte a mais,
denominado livro eletrônico.
Segundo Cavalcanti e Cunha (2008), livro eletrônico ou livro digital é um material que
foi transformado para a forma eletrônica, ou inicialmente criado em meio digital. De acordo

4026

�com Reis e Rozado (2013), a leitura de um livro eletrônico ou também chamado de e-book **,
pode ser feita através de diferentes suportes como: tablet,*notebook*, smartphone*, e-readers
(leitores de livros eletrônicos), celular, entre outros.
Os autores Duarte et al. (2013; p.2) apud Wilson e Landoni (2001), trazem um
conceito mais extensivo sobre o assunto
a definição de livros eletrônicos engloba três diferentes aspectos, a saber: a)
dispositivos de hardware que permitem aos leitores acessarem conteúdos; b)
aplicações de software, usadas para visualizar conteúdo online e; c) o
conteúdo que é visualizado através de um dispositivo de hardware ou de
aplicações de software.
Apesar de o livro digital atualmente estar em ampla ascensão e ser caracterizado como
uma novidade tecnológica em termos de suporte a informação, segundo Silva (2013, p.3)
apud Procópio (2010), o assunto “vem sendo discutido desde os anos 1990, embora seu
mercado tenha ganhado força no fim da primeira década do século XXI. Contudo, para os
usuários em geral, o formato ainda é uma novidade”. Ao que tudo indica os e-books são
ferramentas que terão cada vez mais espaço no mercado editorial.
Os modelos de negócios apresentados pelos editores são diversificados e visam tornar
os produtos interessantes às instituições, além de manter a proteção contra a distribuição
indevida e garantir os seus lucros. Nesse trabalho será abordada a aquisição de e-books por
compra perpétua e a assinatura.
A compra perpétua se caracteriza como a aquisição permanente do material e segundo
Nascimento (2013, p.1) “o e-book adquirido passa a ser de propriedade da biblioteca, como se
fosse um exemplar impresso”. As instituições podem adquirir através da compra, coleções
fechadas de livros eletrônicos, ou escolher título a título, sendo essa última forma semelhante
à aquisição de livros impressos. Os materiais são disponibilizados para os usuários,
geralmente por meio de acesso on-line a uma página do fornecedor. Muitos editores já
oferecem a opção de inserção do endereço no catálogo eletrônico da biblioteca, o que
possibilita acesso ao material diretamente do sistema da unidade de informação. “Por não
prover à editora controle do uso e por ser altamente suscetível à distribuição ilegal, os custos

* e-books: abreviação em inglês do termo eletronic book que significa - Livro eletrônico.
* Tablet - Computador portátil de pouca espessura e com tela sensível ao toque.
* Notebook - computador portátil, espécie de laptop com peso de cerca de 2 kg
* Smartphone - É um telefone celular e a expressão significa telefone inteligente em português, possui sistema
operacional.
* On-line - conectado direto ou remotamente a um computador e pronto para uso.

4027

�para aquisição permanente são, frequentemente, muito onerosos e acarretam em baixo
interesse pelas bibliotecas” (SERRA, 2013, p.8).
Na modalidade de compra perpétua, as bibliotecas precisam tomar certas precauções
para se certificar que o acesso ao material adquirido por compra será realmente mantido.
A fim de garantir que os e-books adquiridos sob esse modelo sejam
realmente de acesso perpétuo, é necessário avaliar como o fornecedor
pretende manter o acesso a longo prazo. Assim, o contrato ou licença de uso
deve ter cláusulas que preveem o que ocorre se o formato atual do livro se
tornar obsoleto, ou se o fornecedor sair do mercado ou perder o direito de
distribuir algum título. (NASCIMENTO, 2013, p.3)
Em qualquer das formas de aquisição identificam-se aspectos positivos e negativos.
No caso específico da compra perpétua, uma desvantagem se refere à edição, pois a aquisição
corresponde a edição específica, não havendo atualizações automáticas. Como vantagem
pode-se elencar a disponibilização do título para toda a comunidade acadêmica, sem a
necessidade de adquirir mais exemplares do mesmo título, como nas edições impressas.
Analisando essa forma de aquisição, pode-se considerar que é mais apropriada para as áreas
do conhecimento em que a necessidade de atualização dos conteúdos é menos imediata, não
havendo a necessidade de lançamentos anuais de novas edições.
O modelo assinatura é outra forma de aquisição amplamente divulgada pelos editores.
No padrão compra o material se torna do cliente, já no caso das assinaturas, as bibliotecas
alugam o acesso aos conteúdos por um período de tempo (SILVA, 2013).
Atualmente, existe a opção de assinatura de pacotes fechados, ou seja, a assinatura
refere-se ao acesso das coleções na íntegra, sem escolha de títulos individualmente. Uma das
desvantagens desse sistema fechado, conforme Serra (2012, p.6) é que “muitas vezes as obras
ofertadas são substituídas do pacote, o que desagrada aos bibliotecários, pois o controle da
coleção disponível a seus usuários passa a ser gerenciado pelos editores e provedores de
conteúdo”. Contudo, pelas análises de propostas de fornecedores, alguns já disponibilizam
assinaturas, onde o cliente escolhe os títulos que deseja que façam parte de seu pacote,
tornando as coleções assinadas personalizadas de acordo com as demandas e contribuindo
assim para a formação gerenciada das coleções das bibliotecas (FAGUNDES, 2012). Os
contratos firmados podem ser anuais, bianuais ou de período maior. Essa determinação de
período de tempo vai de acordo com o recurso disponível para investimento nas assinaturas
(NASCIMENTO, 2013).
É importante refletir sobre o tipo de material disponibilizado pelos fornecedores em
seus pacotes. Segundo Serra e Silva (2012, p.12):

4028

�Normalmente os pacotes são formados por títulos que são definidos pelos
editores, onde as obras na versão impressa já apresentaram vendagem
significativa, porém encontram-se estabilizadas, representando um baixo risco
no montante das vendas. Desta forma, a versão do livro no formato digital não
causará impacto negativo na receita da editora, caso as vendas eletrônicas não
se confirmem.
No modelo assinatura, as instituições não são proprietárias dos conteúdos, o que
constitui uma desvantagem, pois, assim que a assinatura não é renovada todo o conteúdo fica
indisponível. Segundo Serra (2013, p.6), “Algumas instituições podem considerar esta prática
não interessante, pois o investimento anual será alto, não representando um crescimento do
patrimônio da biblioteca”. Alguns editores oferecem em seus modelos, as atualizações das
edições pertencentes à coleção de forma automática e sem nenhum custo adicional para o
assinante, assim como acréscimos de títulos durante o período de assinatura.
Os modelos de negócios e os custos oferecidos pelas empresas que trabalham com e­
books não seguem um padrão. É importante que cada biblioteca universitária que planeje se
tornar adepta desta ferramenta avalie as necessidades da instituição a qual está inserida, e
escolha o modelo que melhor satisfaça as demandas existentes e a disponibilidade de recursos
financeiros.

3 Materiais e Métodos
A metodologia utilizada neste trabalho é baseada inicialmente em revisão de
bibliografia sobre o assunto, a fim de fornecer fundamentação teórica acerca do tema. Além
disso, foi considerado paralelamente o conhecimento empírico, ou seja, elaborado a partir da
experiência de trabalho da Divisão de Aquisição e de questões pertinentes à instituição.

4 O processo de inserção de livros eletrônicos no Sistema de Bibliotecas da UFSM

A crescente oferta de títulos de livros disponíveis como e-book, que segundo
Nascimento (2013, p.1) “é um livro cujo conteúdo é apresentado de forma digital”. Essa
situação aliada a outros fatores gerou por parte da Divisão de Aquisição da Biblioteca Central
da UFSM, análise criteriosa para a tomada de decisão de quais títulos e de que forma
disponibilizar esse novo formato à comunidade acadêmica. A diversidade de editoras e tipos
de negócios utilizados para comercialização no Brasil, demonstra que o mercado ainda esta
tentando adaptar-se aos interesses tanto dos editores, quanto dos usuários finais.

4029

�A partir de 2008 com a aplicação do Programa de Reestruturação das Universidades
(REUNI) na UFSM, houve a criação de novos cursos, bem como a ampliação de vagas nos
cursos já existentes. Essas ações foram possíveis graças a recursos garantidos pelo referido
Programa. Todo o aporte financeiro previsto contemplou os anos de 2008 a 2012, totalizando
5 anos. Após a conclusão do Programa, fez-se necessário a manutenção dos acervos
bibliográficos atualizados, considerando a intensa produção bibliográfica em todas as áreas do
conhecimento, tanto dos cursos novos quanto dos cursos já existentes. A partir de 2013, com
o término do repasse de recursos extras, o orçamento da Biblioteca destinado à aquisição de
material bibliográfico permaneceu com a parcela representativa no orçamento geral da
Universidade idêntica ao período anterior ao Reuni e tendo uma comunidade mais numerosa
para atender.
A inserção dos livros eletrônicos na UFSM teve início, com a identificação da
demanda desses suportes na instituição. Alguns fatores internos da instituição foram
considerados relevantes para a decisão de aplicar recursos nessa nova tecnologia, tais como:
•

Necessidade de aquisição de inúmeros exemplares de um mesmo título para atender as
diversas unidades da Instituição, localizados em municípios distintos, em vista de que
cursos idênticos são oferecidos em mais de um local;

•

Aplicação de recurso na compra de muitos exemplares de um mesmo título para
atender turmas de alunos numerosas; (FAGUNDES, 2012)

•

Espaço físico limitado para o crescimento da coleção, fato comum em diversas
bibliotecas do sistema;

•

Averiguação da existência de títulos nacionais solicitados pela comunidade acadêmica
na versão impressa, também disponibilizada no mercado no formato de e-book;

•

Verificação da existência de títulos de livros nacionais nas bibliotecas da UFSM que
apresentam número expressivo de empréstimos e reservas e que se encontram
disponíveis no formato eletrônico.
A ideia inicial para inserção de livros eletrônicos na coleção bibliográfica da UFSM

foi a de escolher um curso com carências de material impresso no acervo disponível. Essa
proposta definiu como escolha o curso de Meteorologia, e se iniciaram consultas para
encontrar modelos de negócios que atendessem especificamente as características desse curso.
Ao desenvolver o tema, porém, ficou claro que o processo de aquisição dos livros
eletrônicos na instituição teria que obedecer a uma metodologia. A partir do conjunto de

4030

�necessidades identificadas foi feito um estudo sobre o tema, utilizando fontes bibliográficas
disponíveis.
A partir dos estudos, surgiram as primeiras decisões em relação aos tipos de materiais
que seriam adequados para melhor responder as demandas. A primeira decisão foi de
abandonar a idéia de atender cursos em separado e tentar adquirir produtos que abrangessem o
maior número de áreas relacionadas aos cursos oferecidos pela instituição.
O segundo passo foi em relação ao idioma dos materiais, para o primeiro ano de
experiência o português foi definido com o intuito de facilitar o processo de adaptação da
comunidade acadêmica e incentivar o uso desse novo suporte. Dentre os outros critérios
desejados estava o acesso simultâneo ilimitado, o acesso remoto em qualquer horário e bases
com relatórios de estatísticas de uso. Além disso, surgiu o interesse de oferecer de forma on­
line as normas técnicas.
O estudo dos modelos de negócios disponíveis no mercado brasileiro foi o terceiro
passo na ação continuada. Esse estudo consistiu de consultas a páginas na internet, contatos
por telefone e e-mail e também apresentação de produtos por parte dos fornecedores e
editores de livros eletrônicos.
A outra etapa do processo constituiu-se na análise das propostas dos modelos
apresentados à universidade. Um comparativo entre as demandas da instituição e os modelos
de negócios apresentados foi realizado, com o intuito de analisar as propostas comerciais e
identificar a que melhor se adequava as necessidades da universidade. A continuação da
inserção dos materiais ocorreu com o período de testes gratuitos de produtos préselecionados.
A fase final ocorreu com a negociação após a seleção do modelo assinatura de livros
eletrônicos de bases com conteúdo em português, com acesso simultâneo ilimitado e que
atendessem a várias áreas do conhecimento. Foram assinadas duas bases de livros eletrônicos
e parte de uma base de normas técnicas de acordo com a disponibilidade existente de recurso.

5 Resultados Parciais/Finais
Após as análises e estudos pertinentes ao tema, foi decidido pela aplicação dos
recursos inicialmente em e-books em português. O formato de negócio escolhido restringiu-se
a modalidade de assinatura com acessos simultâneos ilimitados, 24 h por dia.

4031

�Foram escolhidos e assinados três contratos que permitem acesso a livros e materiais
eletrônicos, com empresas distintas. Destas, duas com acesso através de login* e senha,
possibilitando assim, consulta ao material fora do ambiente da Universidade, e uma assinatura
de normas técnicas com acesso permitido somente nos equipamentos da Universidade, ou
seja, através do Internet Protocol (IP)* das máquinas. As assinaturas tiveram início a partir de
janeiro e fevereiro de 2014.
Os contratos apresentaram situações diferenciadas para os títulos negociados, que são:
•

Um dos contratos possibilitou o acesso a normas técnicas nacionais, com
escolha de 100 títulos de interesse para os diversos cursos da Universidade;

•

Outra escolha recaiu sobre uma coleção de cerca de 4.200 títulos em português
de editoras conhecidas e referenciais no mercado brasileiro e de caráter
multidisciplinar. A assinatura prevê a disponibilidade total da coleção, sem
possibilidade de escolha e com inclusão frequente de títulos;

•

E por fim, um contrato com escolha de 14 títulos referentes a área da saúde.

6 Considerações Parciais/Finais
Considera-se como próximas atividades, o estudo e análise das estatísticas de
utilização dos títulos disponibilizados eletronicamente, fundamentando assim adequações que
se fizerem necessárias para as escolhas efetuadas. Paralelamente, encaminhamentos estão
sendo direcionados à administração central da Universidade na tentativa de aumentar
gradativamente à parcela do orçamento geral destinado a atualização dos acervos
bibliográficos.
Além disso, durante o ano corrente proceder-se-á consultas de opinião aos usuários do
sistema de bibliotecas, verificando a aceitação do novo serviço. Iniciativas de divulgação para
promover o acesso dos materiais disponibilizados como e-books já estão incorporados aos
treinamentos na instituição.
Concluindo essa abordagem, salienta-se a importância das bibliotecas manterem-se
atentas as novas tendências e serviços que as redes de comunicação possibilitam,
acompanhando e atendendo as necessidades de seu público alvo.

*
*

Login - Código com o qual um usuário se identifica para acessar o servidor de uma rede.
Internet Protocol - Protocolo de comunicação da Internet.

4032

�7 Referências
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4034

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A inserção de livros eletrônicos em uma biblioteca universitária: o relato de experiência da Universidade Federal de Santa Maria</text>
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                <text>Montana, Marinez Moral, Correa, Marisa Severo</text>
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                <text>Este trabalho contextualiza através da análise de fontes bibliográficas e relato de experiência a temática da inserção dos livros eletrônicos na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Essa elucidação tem por objetivo mostrar o processo metodológico adotado pela Biblioteca Central da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), na tomada de decisão de aplicar recursos orçamentários nos modelos de negócios de livros eletrônicos. Inicialmente o relato descreve a UFSM em sua estrutura educacional e geográfica. Expõe o Sistema de Bibliotecas e o funcionamento referente à formação e desenvolvimento das coleções, com ênfase na aquisição centralizada. Apresenta conceitos sobre livros eletrônicos e os modelos de negócios disponíveis no mercado. Destaca a metodologia adotada. Relata o processo de inserção da temática na instituição e aponta os resultados finais. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A INSERÇÃO DA BIBLIOTECA VIRTUAL DE LIVROS ELETRÔNICOS NA
COMUNIDADE ACADÊMICA DA UFRPE
Elisabeth da Silva Araújo
Vania Ferreira da Silva
Maria Wellita Bezerra dos Santos Bastos
Edson Cordeiro do Nascimento
Marleide Guedes de Souza
RESUMO
Todo desafio vivenciado nos dirige para o campo das grandes surpresas. Relatar a experiência
da UFRPE com livros eletrônicos e uma biblioteca virtual é objetivo desse trabalho, assim
como discutir o planejamento para inserção dessa nova ferramenta no dia a dia da
comunidade acadêmica da UFRPE. Percebemos que um planejamento adequado a realidade
da sua comunidade acadêmica facilita a inserção e uso de uma nova ferramenta.
Palavras-Chave: Biblioteca Virtual; Livros Eletrônicos; Ebooks; Ebrary.

ABSTRACT
Every challenge that we experience directs us to the field of big surprises. The aim of this
work is to report UFRPE’s experience with electronic books and a virtual library in order to
discuss the planning for insertion of this new tool on a day to day basis for the UFRPE
academic community . We realise that proper planning, suitable to the reality of the academic
community makes it easy to insert and use a new tool.
Keywords: Virtual Library; Electronics books; Ebooks; Ebrary.

1 Introdução
A Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) conta com cursos de
graduação, pós-graduação e ensino técnico. Com um Sistema de Bibliotecas composto por 4
bibliotecas: Biblioteca do Campus Dois Irmãos (Sede), Biblioteca da Unidade Acadêmica de
Garanhuns, Biblioteca da Unidade Acadêmica de Serra Talhada e Biblioteca do Colégio Dom
Agostinho Ilkas (Localizada no município de São Lourenço da Mata).
Em todas as Bibliotecas citadas é comum e recorrente à aquisição de livros, nas quais
a prioridade é sempre os livros das grades curriculares. Ampliar o acervo para o mundo digital

4019

�nos pareceu uma boa oportunidade para o oferecimento de uma bibliografia complementar às
pesquisas nos mais diversos campos do saber com os quais dialoga a UFRPE.
As barreiras linguísticas e tecnológicas de alguns usuários ainda são temas de debates
em rodas de bibliotecários quando o assunto é a implantação de uma Biblioteca Virtual, que
na sua maioria tem em torno de 60 a 70%461 do seu acervo em língua estrangeira. Não
adotamos essa percepção, entendemos que embora essas barreiras existam, precisam ser
trabalhadas e minimizadas.
A informação ao longo dos tempos passeou por diversos suportes, do papiro ao
pergaminho, até a impressa de Gutemberg, e o homem foi acompanhando essa tecnologia.
Essas novas tendências que propiciam o design de bibliotecas eletrônicas virtuais/ digitais, permitem uma ampliação nunca antes imaginada para a
disposição de coleções e recursos informacionais, exigindo padrões para a
interoperabilidade de conteúdos, de busca e recuperação, e oferta de serviços
via rede Internet. (ROSETTO, 2008, p. 127-128).
Apresentar a Biblioteca Virtual como uma fonte de informação e como ferramenta é
um desafio para muitas bibliotecas nas quais o suporte físico ainda é levado em consideração
pelos usuários e bibliotecários. A proposta desse trabalho é discutir a implantação da
Biblioteca Virtual de Livros Eletrônicos Ebrary na UFRPE, o planejamento e estratégias
adotados para tal inserção e uso.

2 Ações para aquisição, implantação e disseminação da Ebrary

No primeiro momento, antes da aquisição da base, um grupo de bibliotecários
convidados pela Gestão do Sistema de Bibliotecas da UFRPE se reuniu para discutir sobre a
aquisição, assim como analisar a Biblioteca Virtual. Os critérios estabelecidos para análise
foram estes:

461

S

Cobertura das áreas de conhecimento da UFRPE;

S

Acesso a Biblioteca Virtual dentro e fora do espaço físico da UFRPE;

S

As editoras presentes no catálogo da Biblioteca Virtual;

S

Ferramentas disponíveis para interação do usuário;

S

Formas de download e quantidade de páginas;

S

Suporte técnico e Help desk.

Ebrary, 2014.

4020

�Após essa análise e testes, foi possível através de negociação com a Proquest
(Empresa responsável pela Ebrary) disponibilizar antes do fechamento da compra a Biblioteca
Virtual para uso da comunidade acadêmica da UFRPE.
Passado o processo das avaliações, a Direção do Sistema de Bibliotecas da UFRPE
elaborou o termo de compra, e posteriores trâmites para aquisição. Assim que a aquisição foi
concluída em julho de 2013, a Gestão do Sistema de Bibliotecas elegeu através de portaria
publicada no Diário da União, uma gestora para coordenação e promoção da Biblioteca
Virtual de Livros Eletrônicos na instituição.
2.1 Inserindo novos ares
A implantação da Biblioteca Virtual de Livros Eletrônicos envolveu a equipe da
Biblioteca e do Núcleo de Tecnologia da Instituição (NTI), optamos por utilizar as faixas de
IP’s que davam acesso ao Portal Capes para disponibilizar também a Ebrary, dentro de todo o
Campus da UFRPE.
Para o uso externo utilizamos o mesmo procedimento adotado na época para o uso do
Portal Capes que é a configuração do proxy. O NTI já tinha disponibilizado o tutorial para
configuração do proxy, e o Sistema de Bibliotecas da UFRPE criou um pequeno tutorial
informando o passo de como acessar a Ebrary em espaço internos ou externos a UFPRE,
incluindo o tutorial do NTI.
2.2 Apresentando um novo acervo e tecendo laços
Para apresentação do Acervo Online planejamos um grande lançamento no Campus de
Dois Irmãos, na Unidade Acadêmica de Serra Talhada e na Unidade Acadêmica de
Garanhuns. Toda a comunidade acadêmica foi convidada para o evento.
Convidamos uma representante da Proquest para demonstrar o uso da Biblioteca
Virtual de Livros Eletrônicos na sede no Campus de Dois Irmãos. Nas Unidades Acadêmicas
a apresentação foi realizada pela Gestora da Biblioteca Virtual de Livros Eletrônicos Ebrary
na UFRPE.
Entendendo que para fortalecer laços, é necessário criar estratégias para o melhor uso
da Ebrary na Instituição, a gestão elaborou algumas ações:
S Disponibilização através do site da Instituição e redes sociais treinamentos para

toda comunidade acadêmica;
S Divulgação dos tutoriais e passo a passo para uso da Biblioteca Virtual Ebrary;
S Criação de um tutorial para uso da Ebrary em ambiente interno ou externo a

UFRPE;

4021

�S Inserção do treinamento para uso da Ebrary em nosso serviço de Visita dirigida
à Biblioteca, oferecidos normalmente para alunos calouros de graduação e pósgraduação;
S Criação de uma parceria com a equipe da Biblioteca responsável pelo
treinamento do Portal Capes, disponibilizando assim, o treinamento de ambas
as ferramentas em uma único momento.
Através das ações apresentadas foi possível estreitar o laço dos usuários com o novo
acervo online. A cada treinamento oferecido, divulgamos a importância dos usuários
disseminarem para outros colegas o conhecimento adquirido.

3 Fortalecendo laços e colhendo investimentos

Após 8 meses de uso da Biblioteca Virtual de Livros Eletrônicos realizamos diversos
acompanhamentos e foi possível através de relatórios visualizar que a Ebrary na UFRPE
estava sendo utilizada. Percebemos então, uma boa aceitação dos usuários.
Seguem alguns dados dos últimos 8 meses de utilização da Biblioteca Virtual de
Livros Eletrônicos Ebrary na UFRPE.

Tabela 1 - Detalhada por período (04/2013 a 03/2014)
Categoria Páginas

Páginas

Visitadas copiadas

15.643

Todas

170

Páginas

Documentos Sessões

impressas do Usuário

313

1409

de

Download Download
de

de título

Usuário Capítulo

completo

2234

336

628

Fonte: Biblioteca Virtual de Livros Eletrônicos Ebrary UFRPE, 2014.

Embora a implantação da Ebrary tenha ocorrido somente em agosto de 2013 na sessão
de relatórios da Biblioteca Virtual só é possível retirar o relatório com esse período.
Através da tabela podemos visualizar o uso da Biblioteca Virtual durante oito meses.
Percebemos que os usuários se interessaram mais pelo download de capítulos (628
downloads) e pela interface de interação com o texto na base, que dispõe de recursos para
marcação de texto, notas, tradução, entre outros (1409 documentos do usuário), do que o
download completo do livro através do adobe digital editions ou do aplicativo em tablets e
androids.

4022

�As classes temáticas com maior número de acessos na Biblioteca Virtual de Livros
Eletrônicos da UFRPE são:
1°

Lugar:

Ciências

2°

Lugar:

Ciência

3°

Lugar:

Engenharia

4°

Lugar:

Negócios

5°

Lugar:

com

5.477

páginas

visitadas

Computação

com

2.073

páginas

acessadas

e

Tecnologia

com

1.649

páginas

acessadas

e

Economia

com

915

páginas

acessadas

da

Medicina

com

849

páginas

acessadas

6° Lugar: Educação com 694 páginas acessadas
Esse panorama apresentam um pouco da vivência que tivemos com a base nos últimos
8 meses, e nos oferece uma melhor conhecimento do uso da Biblioteca Virtual de Livros
Eletrônicos na nossa instituição.

4 Considerações finais
A aquisição de uma nova ferramenta é sempre um desafio, principalmente quando se
envolve o recurso da Universidade. Para tal empreitada, é necessário planejamento e
estratégias que façam valer tal investimento.
O Sistema de Bibliotecas da UFRPE refletiu sobre a inserção de uma Biblioteca
Virtual, não como parâmetro para fazer parte do que é usual, mas sim, pensando na
comunidade na qual está inserida e na possibilidade de uso de uma ferramenta que
complementasse seu acervo físico.
Pensando e refletindo sobre o tema Bibliotecas Virtuais, trabalhamos em conjunto para
o fortalecimento da pesquisa em nossa instituição, ampliando os recursos existentes e criando
metas para divulgação dos novos recursos.

5 Referências
BIBLIOTECA

Virtual

de

Livros

Eletrônicos

da

UFRPE.

Disponível

em:

&lt;

http://site.ebrarv.com/lib/ufrpe/home.action?force=1&gt;. Acesso em: 05 abr. 2014.
EBRARY: a Proquest Business. Disponível em: &lt;http://www.ebrary.com/corp/&gt;. Acesso em:
25 mar. 2014.
ROSETTO, M. Bibliotecas digitais: cenários e perspectivas. Revista Brasileira de
Biblioteconomia e Documentação, Nova Série, São Paulo, v.4, n.1, p. 101-130, jan./jun..
2008.

4023

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Todo desafio vivenciado nos dirige para o campo das grandes surpresas. Relatar a experiência da UFRPE com livros eletrônicos e uma biblioteca virtual é objetivo desse trabalho, assim como discutir o planejamento para inserção dessa nova ferramenta no dia a dia da comunidade acadêmica da UFRPE. Percebemos que um planejamento adequado a realidade da sua comunidade acadêmica facilita a inserção e uso de uma nova ferramenta.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A IMPORTÂNCIA DA BIBLIOTECA PARA A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: EM
FOCO A EAD NA UFMG
Sinay Santos Silva de Araujo

RESUMO
Este trabalho aborda a importância da biblioteca para a educação a distância (EaD) e
apresenta dados sobre as necessidades informacionais dos alunos da EaD na Universidade
Federal de Minas Gerais (UFMG). Faz um breve histórico da EaD na UFMG. Mostra a
opinião dos alunos sobre o acesso às bibliotecas dos polos e a qualidade do acervo dessas
bibliotecas. Apresenta os discursos dos alunos sobre as dificuldades para realizar o curso, suas
rotinas de estudo e as fontes de informação usadas para estudo e pesquisa. Esses dados foram
sistematizados no estudo que investigou a formação da cultura informacional na modalidade
de educação a distância. Foi utilizado como referencial teórico a Teoria das Representações
Sociais e a técnica do DSC (Discurso do Sujeito Coletivo), desenvolvida por Lefevre e
Lefevre. As necessidades informacionais dos alunos da EaD estão relacionadas com vários
fatores e apenas a biblioteca física instalada no polo de apoio presencial, não atende
satisfatoriamente essas necessidades. Outras formas de acesso a informação precisam ser
pensadas, visando atender as demandas informacionais específicas desses alunos.
Palavras-Chave: Bibliotecas; Educação a distância; Necessidades informacionais; Fontes de
informação; Representações sociais.
ABSTRACT
This paper discusses the importance of the library to distance education (DE) and presents
data on the informational needs of distance education students at the Federal University of
Minas Gerais (UFMG). Makes a brief history of the DE in the UFMG. Shows the students'
opinions about access libraries of the poles and the quality of library collections libraries.
Presents the students' discourse on the difficulties for the course, their routines and study the
sources of information used for study and research. These data were systematized in the study
that investigated the formation of informational culture in the distance education modality. It
was used as a theoretical framework the Social Representation Theory and the technique of
CSD (Discourse of the Collective Subject) developed by Lefevre and Lefevre. The
informational needs of students in distance education are related to several factors and not just
the physical library installed on the pole -face support, not satisfactorily meet these needs.
Other forms of access to information need to be thought, to meet the specific informational
needs of these students.
Keywords: Libraries; Distance education; Informational needs; Sources of information;
Social representations.

4000

�1 Introdução
A educação a distância (EaD) surgiu no cenário internacional como uma proposta de
democratização do ensino. A ideia era que essa modalidade educacional permitisse que a
população dispersa geograficamente e/ou marginalizada dos sistemas convencionais de
educação tivessem acesso a educação (CORREA, 2007; LITWIN, 2001a). Pressupunha que
as distâncias geográficas entre os estudantes e as instituições de ensino poderiam ser
superadas com o uso de tecnologias educacionais. Ao longo desse percurso “a incredulidade,
a suspeita ou a simpatia” (LITWIN, 2001a, p. 9) acompanharam essa modalidade
educacional.
Na literatura da área, identificam-se várias concepções de educação a distância (REIS,
2002). A concepção que traz as características mais consensuais da EaD consideram-na como
uma educação planejada, na qual os conteúdos são sistematizados de forma a permitir a
aprendizagem independente e flexível (auto-estudo). Esses conteúdos são mediados pelas
tecnologias de informação e comunicação (TIC) que permitem também a interação (fluxo
informacional) entre professor-aluno, aluno-aluno e aluno-professor (ARAUJO, 2011).
No contexto atual, com a expansão da Internet, a educação a distância ganhou
destaque, tanto na área da educação, como na área econômica. A educação superior é o
segmento educacional que mais pode se beneficiar com soluções apresentadas pelas
tecnologias educacionais para modalidade a distância (VALENTE, 2003; DEMO, 2005). Isso
porque, pressupõe-se que nessa fase educacional, os estudantes possuem as habilidades e
competências informacionais para conduzir o seu próprio processo de aprendizagem. Assim, a
oferta de cursos superiores (graduação e pós-graduação) é vista como uma solução viável para
atender as demandas por formação profissional de jovens e adultos que querem se inserir no
mercado de trabalho capitalista (KIPNIS, 2009) ou que não tem como acessar o ensino
presencial.
Entretanto, um dos maiores desafios da educação superior se refere às habilidades
individuais e coletivas no uso da informação por parte dos estudantes. As instituições de
ensino superior enfrentam dificuldades, pois a capacidade de realização de pesquisa,
planejamento, gestão, avaliação e uso de fontes de informação por parte dos alunos é
deficiente. Há casos em que o aluno inicia o processo de letramento informacional, digital e
acadêmico quando entra na universidade (CAVALCANTE, 2006).
Seja como for, a EaD é uma alternativa de ensino/aprendizagem para atender,
principalmente, as demandas por educação superior decorrentes de fatores como: a defasagem
de escolarização e de analfabetismo da população, carga horária de trabalho dos estudantes

4001

�(CORREA, 2007), localização geografia distante dos centros de ensino. E essa alternativa
educacional, se desenvolvida por meio de políticas públicas, que visem melhorar o acesso e a
qualidade educacional de uma população, então ela tem um inegável valor (GODOY, 2009).
Em país com altos índices de defasagem na formação superior, como o Brasil, acredita-se que
a educação a distância seja uma forma de levar a formação superior a aqueles que não podem
acessá-la no ensino presencial.
Mas, para alcançar esse objetivo, não basta aumentar a oferta de vagas nos cursos
superiores e expandir o sistema educacional a distância. Conhecer as necessidades
informacionais dos estudantes é fundamental para avaliar os serviços de informação
oferecidos pelas instituições de ensino. No caso da EaD, faz-se necessário à realização de
estudos que procurem conhecer a realidade informacional dos alunos envolvidos nessa
modalidade educacional.
Nesse sentido, este trabalho aborda a importância da biblioteca para a educação a
distância (EaD) e apresenta dados sobre as necessidades informacionais dos alunos da EaD na
UFMG. Faz um breve histórico da EaD na UFMG. Mostra a opinião dos alunos sobre o
acesso às bibliotecas dos polos e a qualidade do acervo dessas bibliotecas. Apresenta os
discursos dos alunos sobre as dificuldades para realizar o curso, suas rotinas de estudo e as
fontes de informação usadas para estudo e pesquisa. Esses dados foram sistematizados no
estudo (pesquisa de mestrado) que investigou a formação da cultura informacional na
modalidade de educação a distância (ARAUJO, 2011).

2 Referencial Teórico
Na pesquisa foi utilizado como referencial teórico a Teoria das Representações Sociais
e a técnica do DSC (Discurso do Sujeito Coletivo). Também apresentou um breve histórico da
educação superior a distância no Brasil e na UFMG. E falou sobre a importância da biblioteca
para a educação a distância.

2.1 A Teoria das Representações Sociais e o Discurso do Sujeito Coletivo
As representações sociais são elementos simbólicos que os homens expressam
mediante o uso de palavras e de gestos para explicitar o que pensam. São constituídas por
“informações, imagens, crenças, valores, opiniões, elementos culturais, ideológicos etc.”
(JODELET, 2001, p. 38). É por meio das representações que formulamos opiniões sobre
determinado fato, objeto, pessoa etc. Essas representações baseiam nas expectativas que
desenvolvemos a respeito do objeto ou situação, ou seja, são “ancoradas no âmbito da

4002

�situação real e concreta dos indivíduos que as emitem” (FRANCO, 2004, 170). Podem ser
entendidas como uma forma de construir e representar a realidade social. Possuem relações
com a linguagem, a ideologia e o imaginário social e são socialmente construídas. Tem o
papel de orientar as condutas, os comportamentos e as práticas sociais e culturais dos
indivíduos (ALVES-MAZZOTTI, 1994, p. 60).
Jodelet (2001, p. 22) caracteriza as representações sociais como “uma forma de
conhecimento, socialmente elaborada e partilhada, com um objetivo prático, e que contribui
para a construção de uma realidade comum a um conjunto social”.
A Teoria de Representações Sociais (TRS) é usada para explicar os fenômenos
humanos a partir de uma perspectiva coletiva, mas sem perder de vista a individualidade de
cada sujeito. Representa tanto o conhecimento de senso comum (ou popular), como do
contexto sociocultural em que os indivíduos estão inseridos (FRANCO, 2004).
A proposta do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) foi desenvolvida por Fernando
Lefevre e Ana Maria Lefevre no final da década de 1990. A técnica é usada para realizar
“pesquisas de opinião, de representação social ou, mais genericamente, de atribuição social de
sentido” (LEFEVRE; LEFEVRE, 2005, p. 16) baseadas nos pressupostos da Teoria das
Representações Sociais. “É uma proposta de organização e tabulação de dados qualitativos de
natureza verbal, obtidos de depoimentos, artigos de jornais, matérias de revistas semanais,
cartas, papers, revistas especializadas etc.” (LEFEVRE; LEFEVRE, 2005, p. 16).
O DSC é considerado uma técnica de organização do material verbal. Consiste em
reunir, sob a forma de discursos únicos, redigidos na primeira pessoa do singular, conteúdos
de depoimentos com sentidos semelhantes.

2.2 Educação superior a distância no Brasil
A história da educação a distância no Brasil não é recente (ALVES, 2009). No Brasil,
a introdução da EaD na educação superior ganhou impulso na década de 1990. Segundo
Chaves Filho (2007, p. 85-86), alguns fatores que permearam o cenário nacional foram
propícios para o desenvolvimento da educação superior a distância no país. Estes fatores são:
a) desenvolvimento de novas metodologias educacionais, principalmente, relacionadas com as
tecnologias digitais; b) arcabouço legal na área da educação que propiciou abertura e
incentivo para a EaD no país; c) pressão por expansão e interiorização da oferta de vagas na
educação superior; d) ações de fomento, no âmbito das políticas públicas, voltadas
principalmente para a formação de professores da educação básica, desenvolvidas pelo

4003

�Ministério da Educação, esferas governamentais e pelos sistemas de ensino, que estão fazendo
uso da modalidade de educação a distância.
A legislação sobre educação a distância no Brasil passou por várias reformulações ao
longo da sua história. Com a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, a
educação a distância passou a ser possível em todos os níveis. Com relação aos cursos
superiores, foi um avanço na legislação, a portaria458 do MEC que permite que as
universidades, centros universitários e faculdades ofereçam 20% dos conteúdos de cursos
presenciais reconhecidos, na modalidade a distância (ALVES, 2009).
No Brasil, o primeiro curso de graduação oferecido na modalidade EaD foi implantado
pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), em 1994. É o curso de licenciatura em
Educação Básica, que visava formar professores para atuar nas series iniciais do ensino
fundamental (ALVES, 2009; KIPNIS, 2009).

2.3 Universidade Aberta do Brasil
No momento, a Universidade Aberta do Brasil (UAB) é o programa de educação
superior a distância de maior destaque e alcance no país. Ele foi instituído pelo decreto
5.800/06 de 8 de julho de 2006, e tem como objetivo instrumentalizar as ações das
universidades públicas, na oferta de EaD.
Apesar do nome, a UAB “não é uma universidade propriamente dita, mas sim um
consórcio de instituições públicas de ensino superior. Além disso, também não é aberta, uma
vez que, não possui todos os princípios norteadores desse sistema” (ALVES, 2009, p. 11).
Segundo o discurso oficial
A Universidade Aberta do Brasil é um sistema integrado por universidades
públicas que oferece cursos de nível superior para camadas da população que
têm dificuldade de acesso à formação universitária, por meio do uso da
metodologia da educação a distância. O público em geral é atendido, mas os
professores que atuam na educação básica têm prioridade de formação,
seguidos dos dirigentes, gestores e trabalhadores em educação básica dos
estados, municípios e do Distrito Federal (PORTAL UAB459).

O Sistema UAB funciona como articulador entre as instituições públicas de ensino
superior (IPES) e os governos estaduais e municipais, com vistas a atender às demandas
locais por educação superior. Em 2014, a rede UAB é administrada pela Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes).
458 Portaria MEC N° 4.059/04 que trata da oferta de 20% da carga horária dos cursos superiores a distância.
459 Disponível em:
http://www.uab.capes.gov.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=6&amp;Itemid=18 Acesso em: 13
maio. 2014.

4004

�Então, por meio da UAB a educação a distância foi introduzida nas Instituições
Públicas de Ensino Superior (IPES) brasileiras. Para ofertar cursos na modalidade educação a
distância, o município deve montar um polo de apoio presencial, com laboratórios de
informática, biologia, química e física, além de biblioteca. Os recursos humanos concernentes
à equipe técnica, administrativa e docente de cada polo serão os seguintes: o coordenador do
polo, o técnico em informática, um bibliotecário, um auxiliar para a secretaria e os tutores
presenciais (ZUIN, 2006, p. 943). Essa infraestrutura conta com o apoio dos governos
municipais e estaduais. Já a elaboração e implementação dos cursos é de responsabilidade das
IPES de todo país, que desenvolvem material didático e pedagógico do curso e usam a
infraestrutura montada pelo município para a execução descentralizada de algumas das
funções didático-administrativas do curso (PORTAL UAB460).
Essa forma de funcionamento mostra que as bibliotecas universitárias federais não
fazem parte, diretamente, da educação a distância desenvolvidas nas IPES, principalmente na
rede UAB. Um motivo para essa falta de participação pode ser o fato da responsabilidade pela
criação e manutenção dos serviços de informação nos polos, dentro do sistema UAB, ser do
mantenedor do polo, geralmente do município.

2.4 Educação Superior a Distância na UFMG
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) é uma instituição pública de ensino
superior, fundada em 1927. A história da educação a distância na UFMG começou a partir de
1996, pelo desenvolvimento de projetos específicos, como por exemplo, a instalação da
Cátedra da UNESCO de Formação Docente na Modalidade de Educação a Distância. E, o
desenvolvimento de projetos específicos como Programa de Informática na Escola (Proinfo I)
e o (Proinfo II) (OLIVEIRA; MORAES, 2009).
Em 2002, a UFMG participou do Projeto Veredas. Esse projeto foi implementado e
coordenado pela Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais (SEE-MG) e tinham
como objetivo oferecer o Curso Normal Superior do Projeto Veredas - Formação Superior de
Professores para professores em exercício nos anos iniciais do ensino fundamental e na
educação infantil de escolas públicas de Minas Gerais. Em 2007, foi formada a Rede Veredas
com objetivo de oferecer uma segunda oferta do curso, nos mesmos moldes da oferta anterior.
Nessa rede a UFMG atua como Coordenadora Geral.

460 Disponível em:
http://www.uab.capes.gov.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=6&amp;Itemid=18 Acesso em: 13
maio. 2014

4005

�Quadro 1 - Panorama sobre a educação a distância na UFMG
Ano
Ações/Realizações
1996

Instalação da Cátedra da UNESCO de Formação Docente na Modalidade de
Educação a Distância.

1996

Participação no Programa de Informática na Escola (Proinfo I) e o (Proinfo
II).

2002

Participação no Projeto Veredas que oferece o Curso Normal Superior do
Projeto Veredas - Formação Superior de Professores.

2003

Implantação do Centro de Apoio à Educação a Distância - CAED, vinculado
à Pró-Reitoria de Graduação.

2004

Credenciamento, para a oferta de programas e cursos de pós-graduação lato
sensu a distância.

2005

Recebe parecer (CNE/CES N°:200/2005) favorável a oferta de cursos
superiores a distância.

2005

Participa dos editais do Pró-licenciatura que permitiu a oferta de dois cursos Licenciatura em Ciências Biológicas e em Química a distância.

2006

Participa do primeiro edital da UAB para a oferta de vários cursos a
distância.

2007

Coordena a Rede Veredas, que oferece pela segunda vez o Curso Normal
Superior do Projeto Veredas - Formação Superior de Professores.

2007

Participa do segundo edital da UAB para a oferta do curso Licenciatura em
Matemática a distância, entre outros.

2008

Início dos cursos de graduação vinculados aos programas ao Pró-licenciatura
e rede UAB

Fonte: (ARAUJO, 2011, p.97)

Existem também iniciativas de EaD nas unidades/órgãos acadêmicos da Instituição
voltadas para o ensino presencial. Atualmente, destaca-se o curso “Língua Inglesa
Instrumental I e II” ofertado pela Faculdade de Letras (FALE) no âmbito do Programa de
Reestruturação

e Expansão

das Universidades

Federais

(REUNI),

no qual

são

disponibilizadas vagas para alunos dos cursos presenciais (ZARATE, 2009, p. 26).
O Quadro 1 apresenta um panorama sobre algumas ações realizadas na UFMG
relacionadas com a educação a distância ao longo desse período.
A UFMG faz parte do sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB) como umas das
Instituições de Ensino Superior (IES) que oferecem cursos superiores, na modalidade a

4006

�distância. A Instituição oferece cursos de graduação (licenciatura e bacharelado),
especialização e extensão.

2.5 Importância da biblioteca para a educação a distância
O acesso a informação complementar para estudo e pesquisa é um dos fatores que
interfere na qualidade de um curso a distância. Segundo Blattmann (2000), “compete às
bibliotecas proporcionarem acesso à informação aos usuários da instituição educacional” e é
responsabilidade da biblioteca oferecer aos estudantes da EaD os mesmos serviços oferecidos
para os estudantes do ensino presencial.
"As bibliotecas, como parte integrante das instituições acadêmicas, como
fornecedoras de informações e prestadoras de serviços, devem atender às
demandas informacionais da sua comunidade, apoiar as atividades
acadêmicas, garantir serviços eficientes e eficazes, bem como contribuir para
a qualidade dos cursos a distância oferecidos pelas instituições às quais
servem" (MATTOS FILHA; CIANCONI, 2010, p. 129).

As recomendações do Ministério da Educação (MEC) contidas nos Referenciais de
qualidade para a educação superior a distância (2007) especificam que na questão do espaço
físico é necessário "a existência de bibliotecas nos polos, com acervo mínimo para possibilitar
acesso aos estudantes a bibliografia, além do material didático utilizado no curso” (BRASIL,
2007, p. 19).
O referencial descreve a biblioteca do polo da seguinte forma:
“As bibliotecas dos polos devem possuir acervo atualizado, amplo e
compatível com as disciplinas dos cursos ofertados. Seguindo a concepção
de amplitude de meio de comunicação e informação da educação a distância,
o material oferecido na biblioteca deve ser disponibilizado em diferentes
mídias. É importante, também que a biblioteca esteja informatizada,
permitindo que sejam realizadas consultas on-line, solicitação virtual de
empréstimo de livros, entre outras atividades de pesquisa que facilitem o
acesso ao conhecimento. Além disso, a biblioteca deve dispor em seu espaço
interno de salas individuais e em grupo” (BRASIL, 2007, p. 26).

Na área tecnológica, argumenta que os profissionais devem atuar nos polos de apoio
presencial em atividades de suporte técnico para laboratórios e bibliotecas. Já nas
coordenações dos cursos e nos centro de educação a distância, tem a função de auxiliar o
planejamento do curso, apoiar professores conteudistas na produção de materiais didáticos em
diversas mídias, “bem como a responsabilidade pelo suporte e desenvolvimento dos sistemas
de informática e suporte técnico aos estudantes” (BRASIL, 2007, p. 19). Nesse quesito,
pressupõe que os bibliotecários das instituições devem desenvolver e implantar sistemas de
informação que atendam os estudantes da EaD.

4007

�Administrativamente, a biblioteca do polo deve dar suporte às atividades presenciais,
com distribuição e recebimento de material didático. Mas, “não exime a instituição de dispor
de centro de documentação e informação ou midiateca (que articulam bibliotecas, videotecas,
audiotecas, hemerotecas e infotecas etc.) para promover suporte a estudantes, tutores e
professores” (BRASIL, 2007, p. 24).
Nesse sentido, ressalta a fala de Mattos filha e Cianconi (2010, p. 136) que diz:
Os bibliotecários que atendem ao público de curso a distância, precisam dar
especial atenção à necessidade de interatividade entre os estudantes, visto
que esses alunos só darão importância à biblioteca e aos serviços oferecidos,
a partir do momento em que os profissionais da informação sejam mais
participativos nos ambientes virtuais atuando como facilitadores, não criando
bloqueios ou dificuldades para acessar as informações e os serviços das
bibliotecas (MATTOS FILHA, CIANCONI, 2010, p. 136).

Na prática, os serviços de informação não são oferecidos para os estudantes da EaD
como deveria. Pois, os bibliotecários que atendem ao público a distância, muitas vezes não
estão preparados para oferecer serviços on-line e os alunos da EaD também não possuem a
cultura informacional necessária para buscar por esses serviços.

3 Metodologia
A pesquisa tomou por referência os discursos dos sujeitos envolvidos nos cursos de
licenciatura em Ciências Biológicas, Matemática, Normal Superior/Pedagogia e Química, na
modalidade a distância da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A pesquisa de
mestrado foi realizada em três fases.
Na primeira fase, realizou-se uma caracterização histórica e social dos polos de apoio
presencial em que os cursos se realizam. Em 2010, os cursos analisados eram oferecidos em
polos de apoio presencial localizados em doze cidades do interior de Minas Gerais: Araçuaí,
Buritis, Campos Gerais, Conceição do Mato Dentro, Conselheiro Lafaiete, Corinto, Formiga,
Frutal, Governador Valadares, Montes Claros, Teófilo Otoni e Uberaba.
Na segunda fase traçou-se o perfil dos alunos e suas representações sobre o curso e o
polo ao qual estão vinculados, a partir dos dados coletados por meio de questionário
eletrônico respondidos por 192 alunos dos quatro cursos. Nesse artigo apresenta-se os dados
sobre o acesso as bibliotecas dos polos e sobre a qualidade do acervo dessas bibliotecas.
Na terceira fase da pesquisa fez-se um aprofundamento e verticalização qualitativa dos
discursos. Nessa fase, participaram alunos, professores e tutores vinculados aos cursos de
licenciatura em Ciências Biológicas e Matemática, modalidade a distância da UFMG. A

4008

�amostra de alunos foi composta por acessibilidade, formada por quinze alunos que tinham
participado da segunda etapa e se dispuseram a participar, respondendo ao questionário aberto
eletrônico.
Nesse artigo, apresenta os discursos dos alunos sobre as dificuldades para realizar o
curso, suas rotinas de estudos e sobre as fontes de informação usadas para estudo e pesquisa.
Os participantes foram identificados da seguinte forma: alunos: A1, A2, ...., A15. No processo
de construção dos discursos, usamos o software QualiQuantSoft, desenvolvido pela SPI Sales &amp; Paschoal Informática, baseado no método do DSC.

4 Apresentação e análise dos dados
Os dados e discursos coletivos produzidos e apresentados não tem intenção de serem
conclusivos em relação ao fenômeno estudado, mas acredita-se que são um suporte
fundamental na compreensão das necessidades informacionais dos alunos da educação a
distância na UFMG e também em outras instituições.
4.1 As bibliotecas dos polos de apoio presencial
Conforme já mencionado, no questionário da segunda fase da pesquisa os alunos
avaliaram alguns itens sobre a infraestrutura do polo. Nesse trabalho apresenta os dados sobre
o acesso às bibliotecas dos polos analisados e sobre a qualidade do acervo dessas bibliotecas.
Tabela 1 - Acesso as bibliotecas dos polos
Polos

Notas*
1

2

3

4

5

Araçuaí
Buritis
Conceição do Mato Dentro
Conselheiro Lafaiete
Formiga
Frutal
Governador Valadares
Montes Claros
Teófilo Otoni
Uberaba

4

3

7

8

13

2

3

14

5
1

1

1
13

4
4

2
4
3

5
2

4

3
1
1

4
3

9

18

6

4

4

2

3
1

5
2

15
3

4

1

Freq. de notas

27

20

36

60

49

% do total da frequência

14

10,5

19

31

25,5

Total
de
participantes

35
1
7
28
26
6
49
18
10
12
192

Fonte: Elaborado pela autora com base nos dados da pesquisa realizada em 2010.
*Notas de 1 a 5, sendo que o 1 significava “pouco satisfatório” e o 5 “muito satisfatório”.

4009

�De modo geral, as avaliações sobre o acesso as bibliotecas dos polos analisados foram
positivas (Tabela 1). A maioria dos votos ficaram concentrados nas notas 4 (31%) e 5
(25,5%). Entretanto, chama atenção o polo de Formiga, em que metade dos participantes do
polo (13 alunos) deram nota 1 para o acesso a biblioteca do polo.
As notas para a qualidade do acervo das bibliotecas dos polos ficaram concentradas
nas notas 3 (26%) e 4 (30%), significando que o acervo é bom, mas ainda precisa melhorar
(Tabela 2). Entretanto, nesse quesito, o polo de Formiga novamente se destacou
negativamente, sendo que 15 participantes do total de 26 deram nota 1 para a qualidade do
acervo da biblioteca.

Tabela 1 - Qualidade do acervo das bibliotecas dos polos
Notas*
Polos

Araçuaí
Buritis
Conceição do Mato Dentro
Conselheiro Lafaiete
Formiga
Frutal
Governador Valadares
Montes Claros
Teófilo Otoni
Uberaba

1
1

2
4
1

3
10

4

3

2
6
4

1

15

5
5
2
3

Total
de
participantes

35
1
7
28
26
6
49
18
10
12

8
10
4
3
15
1
1
4
4
6
13
6
20
3
1
6
1
7
1
2
1
3
3
3
1
4
4
29
30
50
58
25
192
Total das notas
13
100
% do total da frequência
15
16
26
30
Fonte: Elaborado pela autora com base nos dados da pesquisa realizado em 2010
*Notas de 1 a 5, sendo que o 1 significava “pouco satisfatório” e o 5 “muito satisfatório” .
Nesse sentido, pode-se inferir que o acesso e o acervo das bibliotecas dos polos pesquisados é
bom, mas o polo de Formiga apresenta sérios problemas com relação a biblioteca.

4.2 As dificuldades dos alunos para realização do curso
As dificuldades para realizar o curso apontadas pelos alunos foram agrupadas em oito
categorias. O Quadro 2 apresenta essas categorias e os DSC construídos com base nas ideias
centrais semelhantes e/ou complementares emitidas pelos alunos. Algumas são bem
específicas e foram expressadas apenas em uma resposta.

Quadro 2 - Dificuldades dos alunos para a realização do curso

4010

�Categorias

DSC
ALUNOS - A Didática é muito tumultuada. Falta de apoio em algumas
disciplinas, ás vezes o cronograma é publicado na véspera do encontro.
Falta de um material de apoio para pesquisas em casa. Falta de mais
A - Didática e organização
exemplares disponíveis para o estudo. O retorno às perguntas ainda é
do curso
lento. Além disso temos pouco tempo para a realização de muitas
"tarefas" e a satisfação no curso, às vezes, deixam a desejar. (A ll, A8,
A13, A2, A1, A6)
ALUNOS - Falta de condições de deslocar de minha casa até o polo.
B - Distância geográfica Isso causa a impossibilidade de procurar a tutoria para um possível
auxílio para fazer os trabalhos e também acesso às literaturas
do polo
disponíveis no polo. (A6, A7, A15)________________________________
ALUNOS - Estudar sozinha. Minha única dificuldade é não ter aulas.
C - Adaptar a modalidade Não está dando para construir o conhecimento sozinha o tempo todo.
Acostumar e lidar com o modelo de estudo que pra mim é novo, causa
educação a distância
dificuldade de aprendizagem. (A3, A10, A15, A5)
ALUNOS - Penso que as maiores dificuldades estão sendo conciliar,
D - Conciliar estudo e vida casa, família, meus filhos, com a escola. Conciliar estudos e trabalho.
A correria de casa e trabalho. Não tenho tempo para estudar mais. (A4,
pessoal
A15, A7, A12)_________________________________________________
ALUNOS - Falta de recursos financeiros. Um emprego satisfatório na
E - Falta de recursos
área. Também o que eu ganho não dá para pagar a internet. (A5, A6,
financeiros
A14)_________________________________________________________
F - Relacionamento com
ALUNOS - Relacionamento com os colegas e com os tutores
os colegas e com os
presenciais (A9)
tutores presenciais_______
G - Limitação no uso dos
recursos tecnológicos

ALUNOS - Minha maior dificuldade é minha limitação nos recursos
tecnológicos. Nãopequei o “bum ” das tecnologias. (A14)

H - Acesso precário a
recurso de computador e ALUNOS - Péssima rede de internet, muito lenta. (A15)
internet_______________________________________________________________________________
Fonte: (ARAÚJO, 2011, p.161)

A didática e organização do curso foi considerada pelos alunos como muito
tumultuada. Eles apontaram que suas dificuldades no curso estão relacionadas com: a falta de
apoio em algumas disciplinas; a falta de um material de apoio para pesquisas em casa; a
falta de mais exemplares disponíveis para o estudo; a lentidão das respostas, o pouco tempo
para a realização de muitas "tarefas" e a insatisfação no curso.
A distância geográfica do polo também contribui para que os alunos tenham
dificuldades no curso, pois lhes faltam condições de deslocar de suas casa até o polo e isso
causa a impossibilidade de procurar a tutoria para um possível auxílio para fazer os
trabalhos e também acesso às literaturas disponíveis na biblioteca do polo.
Mas, adaptar-se a modalidade educação a distância também é um problema
para os alunos. Eles sentem dificuldades para acostumar e lidar com o modelo de estudo a
distância e reconhecem isso. No DSC afirmam que suas maiores dificuldades é não ter aulas.

4011

�Por outro lado, com a mesma representatividade da dificuldade para se adaptar a
modalidade a distância, os alunos apontam que a maior dificuldade é conciliar estudo e vida
pessoal. Ou seja, eles acham que suas maiores dificuldades estão sendo conciliar, casa,
família, meus filhos, com a escola.
A falta de recursos financeiros também foi apontada como uma dificuldade para
a realização do curso, pois alegam que não encontram um emprego satisfatório na área e o
que ganham não dá para pagar a internet, por exemplo.
Os motivos específicos apontadas apenas por uma resposta são: relacionamento
com os colegas e com os tutores presenciais; limitação no uso dos recursos tecnológicos e
acesso precário a recurso de computador e internet.
A maioria das dificuldades dos alunos estão inter-relacionadas e dependem de
situações e/ou fatores externos: o curso, a distância do polo, a família, o trabalho, as
condições financeiras, os tutores e os colegas e os recursos tecnológicos. Apenas a dificuldade
de lidar com a modalidade educação a distância e a limitação no uso dos recursos
tecnológicos podem ser consideradas dificuldades pessoais, ou seja, que dependem da
superação do próprio aluno e, teoricamente, da falta de letramento informacional acadêmico.

4.3 Rotinas de estudo dos alunos
Na questão sobre as rotinas de estudo optou-se por não construir um DSC, pois
apesar dos depoimentos serem semelhantes, cada discurso carrega as características
específicas da realidade de cada sujeito. Assim o Quadro 3 apresenta as rotinas de estudo de
cada aluno entrevistado.
Cada rotina de estudo está relacionada com a vida pessoal do sujeito. Cada aluno
procura se adaptar a sua realidade. Estudam depois do trabalho e/ou depois que o filho dorme.
Estudam no horário do almoço, domingos e feriados e/ou quando tem um tempo livre.
Estudam pela manhã e/ou a tarde. Procuram o local e o horário que lhes permitem concentrar
melhor, mesmo que seja o “porão” das suas casas. Alguns não são muito metódicos,
acompanham as disciplinas como podem, mas todos esperam conseguir terminar o curso.
Aqui chamamos novamente atenção para o modelo de biblioteca implantado nos
polos. As rotinas de estudo mostram que os alunos estudam em muitos espaços e lugares
diferentes. Entretanto, a biblioteca do polo não foi citada por nenhum aluno. Considerando
que esses alunos precisam de fontes de informação (obras de referências, por exemplo) no
momento em que estão estudando, então, supõe-se que os serviços de informação para esses
alunos devem levar em consideração a dificuldade que o aluno tem de acessar a biblioteca do

4012

�polo. Outras formas de acesso a esse tipo de informação precisam ser pensadas, visando
atender as necessidades informacionais específicas desses alunos.
Quadro 3 ■- Rotinas de estudo dos alunos
Alunos
Rotina de estudo

A1

Olha, geralmente estudo das 5:00 da manhã até as 9:00 e também, quando tem muito
trabalho ou prova costumo estudar das 20:00 as 22:30. Não consigo estudar com barulho e
aqui em casa é muito complicado, mas pego meus materiais e vou estudar no "porão" da
minha casa, apesar que lá embaixo não é um lugar apropriado para estudar, consigo
captar muito mais informações, quando estou sozinha acompanhada apenas dos meus
livros.

A2

Quase todo o tempo livre estou lendo, assistindo algo a respeito que estudo. Estudo no
intervalo de almoço, a noite (já estudei até 2hs da manhã), domingos feriados, todos os
dias estudo um pouco.

A3

Estudo de 13:00 às 17:00 em casa (2afeira à 6feira), 19:00 às 21:00 no polo (3afeira à
6feira), sábado 8:00 às 17:00 (polo), domingo descanso.

A4
A5
A6

A7
A8
A9
A10
A11
A12

Estudo sempre que posso, no polo ou em casa, sempre que tenho um tempo, além daquele
que estipulei para estudar, eu estudo.
Em uma mesa com cadeira após o trabalho. 2 horas de estudo diário. Estudo na maior
parte a disciplina que pra mim é mais difícil.
Estudo bastante, estou sempre acompanhando, mas preciso também organizar outras
coisas, mas passo horas no computador fazendo pesquisas, respondendo fóruns, fazendo
enquetes entre colegas.
Antes de ir para trabalho, só faço alguma atividade se fo r urgente. Geralmente estudo
todos os dias á noite entre ás 19:00 h e as 02:00 h. Estudo pelo menos 5 horas todos os
dias, este é o meu mínimo.
Estudo a noite, depois que chego do trabalho e meu filho dorme.
No primeiro semestre tinha uma rotina de estudo de 12 horas por dia, no segundo semestre
passei a estudar 8 horas por dia, hoje tento manter uma rotina de 5 a 6 horas diárias.
Em casa, arrumo casa, estudo, olho a internet na minha sala, faço almoço e vou estudando.
Tudo isso entre as 09 e 11:30 da manhã.
Sempre estudo na parte da tarde, pois é o horário que estou mais sozinha e posso me
concentrar melhor.
Nossa, sobre isso ai é difícil falar porque eu sempre estudo nas horas vagas, porque eu
trabalho de manhã, tarde e até umas 8 e meia da noite. Então geralmente, chego, descanso
um pouco e estudo mais a noite porque é o horário que tenho mais tempo.

A13

Estudo em casa; às vezes em grupo, mas a grande parte do tempo sozinha. Costumo
estudar mais a noite pois trabalho de dia.

A14

Não é muito metódica, depende da internet, da minha amiga que me deixa usar o
computador dela. É difícil, mas espero prosseguir. Não desistir porque cheguei até aqui,
até onde não achava que conseguiria. Quando não trabalho á noite dedico umas 3h por
semana ou até mais se eu pudesse. Acompanho as disciplinas como posso. As vezes estresso
com tanta coisa.

A15

Eu tenho 2 horas de almoço que normalmente os utilizo para pesquisar tudo que aborda o
assunto que estiver estudando. Vou salvando e adicionando aos favoritos. Quando dá
tempo vou lendo também para selecionar os melhores textos. Reinicio normalmente às
18:00, quando vou lendo e anotando as dúvidas sobre os assuntos importantes. Ainda não
consigo adaptar bem o meu horário as disciplinas do curso. As vezes dou prioridade a uma
e acabo esquecendo outra.
Fonte: (ARAÚJO, 2011, p.163-164)

4013

�4.4 Fontes de informação para estudo e pesquisa
As principais fontes de informação usadas pelos alunos para pesquisar e tirar
dúvidas estão expostas no Quadro 4. Nessa questão optou-se por mostrar todas as respostas
apresentadas pelos alunos. Pois, as fontes usadas, apesar de semelhantes, têm suas
especificidades.
Quadro 4 - Fontes de informação usadas pelos alunos para estudo e pesquisa
Alunos F ontes
A1
Livros que tenho em casa e internet
A2

Internet (principalmente), livros e revistas

A3

Moodle, internet, livros, tutoria presencial

A4

A internet, os livros do polo e da biblioteca particular ou pública, professores. Sempre que
vejo um professor, quero alguma informação com ele.

A5

Internet somente no polo e livros da biblioteca do polo

A6
A7

A8

A9
A10
A11

Utilizo sites da USP, Portal São Francisco, ICB UFMG, livros da biblioteca que são
oferecidos para os alunos mesmo com tantas burocracias e etc...
Infelizmente não tenho uma biblioteca a disposição, pois eu moro a 70 km do polo, me
restando a internet, grupos de estudos on-line, que faço com alguns colegas, e meus tutores
presenciais, também on-line, que estão sempre dispostos a ajudar.
Internet e livros da biblioteca da faculdade
Livros, livros, livros... Busco livros na biblioteca e principalmente com amigos que me
emprestaram muitos livros. Às vezes, busco informações na internet e alguns amigos me
mandam livros pela internet também, mas tenho certa dificuldade em entender as coisas
que leio no computador, prefiro os livros no papel.
Livros na biblioteca onde trabalho, internet, revista e troca de informações com colegas.
Livros e internet, pois o moodle dificulta mais. Acho que fa zer perguntas pessoalmente é
bem melhor que por computador, você se expressa muito melhor pessoalmente.

A12

Procuro profissionais da minha cidade, como professores que estudei o ensino médio.

A13

Livros, revistas, jornais, internet, documentários

A14

Ainda gosto muito dos livros, se pudesse compraria livros científicos. Assino Revista
M undo Jovem, Nova Escola, Super interessante, porque ajudam a dar uma visão diferente.
Pesquiso no Google, mas gostaria de ter acesso à biblioteca da UFMG

A15

Uso os sites da internet principalmente, livros didáticos, os fascículos quando disponíveis
para nós impresso ou na plataforma, nos livros da biblioteca, revistas e jornais on-line.
Fonte: (ARAÚJO, 2011, p.166)

As principais fontes de informação usadas pelos alunos são: a internet (13
citações) e os livros (12 citações) conforme mostra o Gráfico 1. Os periódicos foram citados
cinco vezes e os professores da região duas vezes. Outros recursos como colegas,

4014

�documentários, grupo de estudo on-line, a tutoria presencial e o moodle apareceram apenas
uma vez.
Gráfico 1: Fontes de informação usadas pelos alunos
Fontes de informação usadas pelos alunos para
pesquisar e tirar dúvidas

Colegas

□ Documentários

□ Grupo de estudo online

Internet

□ Livros

□ Moodle

Periódicos

□ Professor da região

□ Tutoria

Fonte: (ARAÚJO, 2011, p.167)

Pelos depoimentos, paece que apenas cinco alunos (A4, A5, A6, A9, A14) citaram
os livros da biblioteca do polo, como fontes de informação que eles usam para tirar dúvidas e
pesquisar. Nesse sentido, vale ressaltar o que diz o A5 “livros da biblioteca que são
oferecidos para os alunos mesmo com tantas burocracias”. Ou seja, parece que existem
dificuldades para os alunos acessarem os livros da biblioteca do polo.
O participante A14 diz o seguinte: “Ainda gosto muito dos livros, se pudesse
compraria livros científicos. [...]. Pesquiso no Google, mas gostaria de ter acesso à
biblioteca da UFMG”. Relembrando a recomendação do Referencial de qualidade para
educação superior a distância (BRASIL, 2007, p. 19) sobre “sistema de empréstimo de livros
e periódicos ligado à sede da IES” pode-se inferir que essa recomendação tem fundamento,
pois esse também é o desejo de alguns alunos. Em 2010, esse esse serviço ainda não era
oferecido pelo Sistema de Bibliotecas da UFMG para os alunos da EaD.

5 Considerações finais
Nos DSCs referente as fontes de informação, os alunos queixam-se da falta de
fontes para consulta e estudo em casa, uma vez que a maioria não tem condições de frequentar
a biblioteca do polo para consultar as obras de referência. Com relação as necessidades
informacionais, os alunos desejam que os cursos ofereçam mais recursos audiovisuais para
auxiliar o processo de aprendizagem.

4015

�Nesse sentido, fica evidente que apenas a biblioteca física instalada no polo de
apoio presencial, conforme recomendação dos Referenciais de qualidade para educação
superior a distância (BRASIL, 2007) não atende satisfatoriamente as necessidades
informacionais dos alunos. A utilização de recursos digitais de informação, como os portais
de periódicos, as bibliotecas digitais, enciclopédias e dicionários eletrônicos poderia ser uma
saída para amenizar os problemas de acesso à informação dos alunos.
Mas, não basta criar sistemas digitais de informação, uma vez que os alunos têm
dificuldades de lidar com as tecnologias de informação. Nesse caso, um programa de
letramento informacional para orientar o uso eficiente e eficaz da informação digital seria
necessário, pois pelos DSCs percebeu-se que os estudantes tentam buscar informação na
internet, principalmente no Google, mas não sabem explorar recursos como portais de
periódicos e as bibliotecas digitais.

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Disponível em: &lt;http://www.scielo.br/pdf/icse/v7n12/v7n12a09.pdf&gt;. Acesso em: 11 fev.
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ZÁRATE, Daniele Cláudia Matta Fagundes. Formação de professores em serviço e a
distância: um estudo de caso do Pró-licenciatura - MEC -UFMG. 156 f. 2009. Dissertação
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ZUIN, ANTONIO A. S. Educação a distância ou educação distante?: o Programa
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Disponível

em:

&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S010173302006000300014&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt&gt; Acesso em: 24 fev. 2010.

4018

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                <text>Este trabalho aborda a importância da biblioteca para a educação a distância (EaD) e apresenta dados sobre as necessidades informacionais dos alunos da EaD na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Faz um breve histórico da EaD na UFMG. Mostra a opinião dos alunos sobre o acesso às bibliotecas dos polos e a qualidade do acervo dessas bibliotecas. Apresenta os discursos dos alunos sobre as dificuldades para realizar o curso, suas rotinas de estudo e as fontes de informação usadas para estudo e pesquisa. Esses dados foram sistematizados no estudo que investigou a formação da cultura informacional na modalidade de educação a distância. Foi utilizado como referencial teórico a Teoria das Representações Sociais e a técnica do DSC (Discurso do Sujeito Coletivo), desenvolvida por Lefevre e Lefevre. As necessidades informacionais dos alunos da EaD estão relacionadas com vários fatores e apenas a biblioteca física instalada no polo de apoio presencial, não atende satisfatoriamente essas necessidades. Outras formas de acesso a informação precisam ser pensadas, visando atender as demandas informacionais específicas desses alunos.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A GESTÃO DA BIBLIOTECA DIGITAL PAULO FREIRE NOS MÚLTIPLOS
CAMINHOS DA CONVERGÊNCIA
Rayane Soares de Sousa Santos
Edna Gusmão de Góes Brennand

RESUMO
O presente artigo é resultado de pesquisa desenvolvida para a implementação da Biblioteca
Digital Paulo Freire (BDPF), projeto de pesquisa interdisciplinar envolvendo as áreas de
Ciência da Informação, Educação e Engenharia da Computação. O objetivo principal é o
disponibilizar os pressupostos filosóficos, sociológicos e pedagógicos do pensamento
freireano, para dar suporte a ações educativas democráticas que tenham como vetor o
desenvolvimento de competências de participação social, facilitando a inserção dos sujeitos
educacionais na sociedade da informação e do conhecimento. A metodologia utilizada para
seu desenvolvimento englobou as seguintes fases essenciais: criação de modelo conceitual;
escolha de tecnologias adequadas de hardware e software; construção do protótipo;
construção da interface; aquisição e digitalização dos documentos; modelagem dos dados;
elaboração de mecanismos de recuperação dos documentos; testes de usabilidade e
disponibilização de conteúdos multimídia. Para selecão de documentos, recorreu-se a quatro
princípios metodológicos: exaustividade, representatividade, homogeneidade e adequação. A
gestão do processo de geração e disponibilização dos documentos da BDPF leva em conta o
cenário da geração de novos processos, ferramentas e modelos. Com a convergência digital,
são inúmeras as possibilidades de uso de sistemas digitais de informação, uma vez que a
conexão em rede dos bancos de dados digitais, das ferramentas interativas como redes sociais,
fazem emergir formas de comunicação cada vez mais abertas e multimodais.
Palavras-chave: Gestão da informação. Biblioteca digital. Convergência digital.

1 INTRODUÇÃO

Esse artigo é oriundo de estudos desenvolvidos no âmbito do grupo de pesquisa
Cultura Digital e Educação e envolve produções acadêmicas da Universidade Federal da
Paraíba (UFPB), desenvolvidas no Laboratório de Vídeo Digital (LAVID), Mestrado
Professional em Gestão nas Organizações Aprendentes (MPGOA)

e Programa de Pós-

Graduação em Educação (PPGE), abordando aspectos relacionados ao estágio atual de
desenvolvimento da Sociedade Cognitiva, com ênfase para o debate sobre

tecnologias

digitais e formação humana, espaços de aprendizagem virtuais que vêm se fortalecido através

3985

�de estratégias de busca de informação e conhecimento dentro e fora das instituições
formativas tradicionais. Parte do princípio de que não é nova a constatação de que as
instituições como a escola, a universidade, os centros de pesquisa, bibliotecas, empresas, etc.,
não dão conta de colocar à disposição das pessoas os múltiplos acervos de bens culturais
produzidos pelas sociedades; que também não é nova a discussão sobre a necessidade da
promoção da educação ao longo da vida como forma de democratização do acesso aos bens
culturais.
Nossas pesquisas envolvem a busca pela compreensãodas formas encontradas por
grupos sociais específicos para usar as tecnologias digitais no desenvolver de novas
habilidades e competências em um mundo em crescente exigência do uso das inteligências
para interpretar os códigos culturais, interagir socialmente, adquirir competências para a vida
e para a carreira e para colaborar com a ampliação de trocas culturais nos mundos da vida
particular.A pesquisa busca, nas interfaces entre a Educação, as Ciências Cognitivas e a
Ciência da Informação e Ciência da Computação, nuances de aproximação para subsidiar a
construção de uma ferramenta que disponibilize saberes educacionais, contribuindo para
articular usos e apropriações das novas configurações das redes de informação e
conhecimento.
O aumento da velocidade de transmissão de mensagens, a quantidade de transmissão
de informação e a multiplicação de fontes e tipos de informação parece ser uma característica
fundamental da sociedade do conhecimento ou sociedade cognitiva. Baseada na permanente
necessidade de aquisição e troca de conhecimentos, esse estágio civilizatório tem como marca
a constatação de que ensinar e aprender é um processo contínuo ao longo da vida. Estudos e
experiências neste domínio abriram largas infovias para a compreensão de que este tipo de
aprendizagem tem sido reestruturado pela entrada, em cena, de artefatos tecnológicos que têm
modificado de forma recorrente o processo de comunicação humana. Comunicar através de
redes digitais tem se tornado um fenômeno que ultrapassa as relações humanas, assumindo o
sentido de participação permanente através de um sistema de múltiplos canais que incluem
gestos, olhares, silêncios e, sobretudo, partilhas.
Neste século, o sentido de aprender e comunicar assume definitivamente o sentido de
partilhar por meio das vias digitais, desenhando dinamicamente múltiplas possibilidades de
encontros e tipos de informação diferenciados. Participar desse processo tem sido o objetivo
da Bilioteca Digital Paulo Freire (BDPF), como uma biblioteca temática na Universidade
Federal da Paraíba (UFPB).

3986

�2 O CONTEXTO DA PESQUISA

Os avanços dos meios de comunicação têm trazido novas formas de disseminação e
produção da escrita. Nesse contexto, os livros em sua forma convencional têm assumido um
lugar periférico na sociedade do conhecimento, reestruturando o papel atual das bibliotecas.
Apesar de parecer que esta é uma discussão antiga, ela ocupa lugar de destaque no cotidiano
dos profissionais das áreas de informação e comunicação. A acessibilidade a todas as formas
de bens culturais, nas últimas décadas, não tem possuído mais o foco no acervo físico, mas,
nas necessidades dos usuários que, cada vez mais, requerem respostas de forma rápida e
dinâmica, independente da maneira pela qual a informação e o conhecimento são produzidos
e armazenados.
A importância de acessibilidade à informação e ao conhecimento com autonomia, para
Paulo Freire, é fundamental ao processo de ensino e aprendizagem. Freire (1987) afirma que é
imprescindível, no momento da construção dos saberes, a valorização da realidade
sociocultural e da autonomia dos sujeitos, pois assim, o nível de interação e confiança entre
esses e o educador aumentará, desenvolvendo-se estratégias para utilização adequada das
ferramentas de acessibilidade para acesso irrestrito a conteúdos educacionais.
Nesse contexto, as bibliotecas digitais (BD's) se colocam como uma ferramenta de
socialização de conhecimento, pois permitem armazenar e disseminar conteúdos em formato
digital, acessíveis via rede de computadores e gerenciadas através de serviços associados
(BRENNAND, 2011). Embora não se considerem as bibliotecas digitais como nova
ferramenta de inclusão, mas como um mecanismo eficiente de inclusão, elas diferem das
bibliotecas convencionais em vários aspectos, e de acordo com Cunha (2008), podemos
apontar suas características principais: tem um potencial informacional maior que o da
biblioteca convencional, pois permite combinar as estruturas e a coleta de informação
tradicional com a representação digital dos materiais; permite novos formatos dos
documentos, compostos por variados componentes multimídia.
Podemos entender,a partir do autor,que o foco da BD está no acesso fácil e rápido à
informação com a flexiblidade de disseminar documentos digitais que já estão em domínio
público, bem como, colocar à disposição da comunidade, os conteúdos de forma, geralmente,
gratuita. Elas estimulam as ações cooperativas entre acervos, reduzindo custos e dividindo
experiências. Os documentos presentes nas BD's podem ser preservados por mais tempo; e
podem permitir às pessoas com limitações motoraso acesso remoto.Essas características

3987

�básicas permiti-nos inferirque as bibliotecas digitais são importantes ferramentas para
promover a acessibilidade à informação, desempenhando, assim, um papel indispensável nos
processos educacionais.
A Biblioteca Digital Paulo Freire (www.paulofreire.ufpb.br) é uma biblioteca digital
temático-especializada, ou seja, possui em seu acervo conteúdos sobre vida e obra de Paulo
Freire, disponibilizando-os de forma democrática e de maneira acessível, obras deste e sobre
este importante educador. A ideia de criação da BDPF foi fundamentada no pensamento do
autor e na sua luta pela democratização da educação.A principal meta desta biblioteca é:
[...] disponibilizar os pressupostos filosóficos, sociológicos e pedagógicos do
pensamento freireano, para dar suporte a ações educativas democráticas que
tenham como vetor o desenvolvimento de competências de participação
social, facilitando a inserção dos sujeitos educacionais na sociedade da
informação e do conhecimento.(BRENNAND, 2011, p. 32).

Para Paulo Freire, a educação deve ter como pressuposto basilar, desenvolver o
pensamento crítico de professores e alunos de forma conjunta e colaborativa. Com isso,
podemos dizer que a Biblioteca Digital Paulo Freire tem como função fundamental subsidiar
o fortalecimento de uma educação libertadora e democrática. Tendo sua interface pensada
para permitir o fácil acesso a usuários, com pouco conhecimento de tecnologias digitais, tem a
preocupação de permitir o acesso rápido a informações seguras e de qualidade, podendo, a
BDPF, ser considerada como um instrumento de inclusão digital.
Tendo em vista a grande quantidade de informações sobre Paulo Freire que estão
dispersas nos diferentes suportes informacionais, seja em papel, CD, DVD entre outros, ou
em diversos formatos e a dispersão geográfica desses, esta pesquisa estuda estratégias
tecnológicas para reunir essas informações em um único domínio e disponibilizá-las de forma
rápida e eficiente, permitindo acessibilidade a alunos e professores dos diversos níveis de
ensino, mesmo que aqueles não tenham conhecimento da tecnologia.

3 PROBLEMA DE PESQUISA

Um estudo desenvolvido pela Organização das Nações Unidas para a
Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, 2010) assinala que as tecnologias digitais são
fundamentais para aprimorar as competências educacionais e o desenvolvimento social.
Mostra as mudanças ocorridas nas últimas décadas com relação ao acesso à ciência e seus
benefícios. Segundo o relatório, um mundo bipolar, no qual a ciência e a tecnologia (C&amp;T)

3988

�eram dominadas pela Tríade composta por União Europeia, Japão e EUA, está se
transformando gradualmente em um mundo multipolar com um crescente número de centros
de pesquisa públicos e privados, de Norte a Sul no globo.
Um dos cenários destacados neste documento é a maneira como a geopolítica da
ciência moldará o futuro: na parceria e na cooperação. O documento nos permite assinalar a
importância crucial singular das redes digitais nas conquistas sociais do período histórico de
rápido crescimento global, entre 1996 e 2007. A América Latina e o Brasil são destacados na
arrancada de crescimento, guiada pelas tecnologias digitais e a crescente participação e o
desenvolvimento de matrizes institucionais globais. Entretanto, se realizarmos uma
comparação simples entre o papel importante atribuído às tecnologias digitais no
desenvolvimento científico e tecnológico, a importância do acesso ao conhecimento e à
informação para a democratização social e a qualidade da educação pública, assinalaremos os
primeiros problemas. Inovação parece ser uma categoria que ainda não chegou à grande parte
das escolas fundamentais e grandes contingentes de Faculdades privadas que dão o acesso ao
ensino superior de cerca de 60% dos jovens brasileiros.
Pesquisa realizada pelo Ministério da Educação do Brasil (2012) aponta ainda
a falta de cultura digital nas escolas. Das 143 mil instituições de Ensino Fundamental do país,
cerca de 17 mil contam com laboratórios de informática, segundo dados do Ministério. As
tecnologias digitais dão impulso à inovação do ensino, mas grande parte de jovens e crianças
acessam as redes fora da escola.Há um ritmo desigual entre a dinâmica do avanço científico e
tecnológico e a chamada fratura digital que vem sendo acentuada. Alunos e professores da
educação fundamental e superior ainda possuem acesso diferenciados à cultura digital e às
questões relativas ao acesso a banda larga e dispositivos de mídia.Foi nesse cenário de
acessibilidade diferenciada que surgem as perguntas norteadoras desta pesquisa: como
disponibilizar em formato digital o legado educacional de Paulo Freire? Como contribuir para
minimizar os problemas de acesso ao seu pensamento?É possível através da digitalização de
conteúdos freireanos abrir espaços de acesso à sua mensagem educacional?
No contexto da convergência tecnológica, as bibliotecas digitais surgem como um
novo conceito de armazenamento e disseminação da informação e do conhecimento, e podem
ser entendidas como uma coleção de conteúdos culturais armazenados em formato digital,
acessíveis via rede de computadores e gerenciadas através de serviços associados
(BRENNAND, 2011). As Bibliotecas Digitais, por sua própria constituição e natureza, são
repositórios de documentos nos mais diversos formatos e de inúmeros serviços para o fácil
acesso aos seus arquivos e a fomentação da interatividade entre os seus usuários. De tal

3989

�maneira, podem potencialmente suportar e implementar diversas das atividades pedagógicas e
servir como um ambiente de aprendizagem, ou mesmo apoiar os já existentes, mesmo
remotamente.
A “Pesquisa Analítica: Bibliotecas Digitais na Educação” (Analytical Survey: Digital
Libraries in Education), realizada pela UNESCO no ano de 2003, tece considerações acerca
da importância das bibliotecas digitais e seu uso na educação, apontando possibilidades,
funções, serviços, conteúdos, materiais, associado ao processo de ensino e aprendizagem.A
Biblioteca Digital na Educação (BDE), segundo a UNESCO (2003), é:
Um espaço de informação, no qual estudantes estão movendo-se
intelectualmente, entrando em contato com novas informações, e
trabalhando com o professor e outros estudantes para dar sentido ao que eles
encontram. [...] É considerada uma reunião de serviços e coleções das
bibliotecas que operam juntos para criar uma comunidade digital de
aprendizagem. (UNESCO, 2003, p. 7-11).

Essas bibliotecas têm por objetivos: satisfazer as necessidades de estudantes
individualmente e colaborativamente; habilitar recursos humanos para o uso dinâmico de
materiais para aprendizagem em formatos digitais;promover o acesso a coleções de qualidade,
bem como, serviços disponíveis dentro e fora da rede; auxiliar na geração, partilha e uso do
conhecimento; assessorar comunidades existentes e facilitar o surgimento de novas
comunidades depesquisa e educação;ajudar faculdades e estudantes a encontrar e usar
conteúdos digitais com serviços para assisti-los na avaliação da qualidade e da utilidade;
facilitar a troca interinstitucional de materiais educativos.
Nesse contexto, situamos a relevância dos estudos que geraram a Biblioteca Digital
Paulo Freire. São alguns dos objetivos principais: recuperar em formato digital o acervo
concernente à vida e obra de Paulo Freire; estudar estratégias para produção e disseminação
de conhecimento com formatos multimídia; desenvolver metodologias de organização e
digitalização de conteúdos e disponibilização de acervos culturais, educacionais e históricos
através da integração de textos, material iconográfico, vídeo e áudio; avaliar tecnologias
estratégicas para geração de conteúdos digitais; desenvolver formas de gerenciamento de
recursos de infraestrutura em hardware e software para dar suporte aos sistemas de
informações com conteúdos digitais no que se refere à segurança, controle, organização,
disponibilização e acesso; formar estudantes, docentes, pesquisadores e usuários, de forma
geral, para utilização de serviços através da utilização de conteúdos digitais como fonte de
pesquisa.

3990

�4 METODOLOGIA
Devido ao volume de materiais selecionados nessa fase, decidimos recolher
uma amostra representativa do material a ser analisado, baseando-nos em quatro princípios
básicos propostos por Richardson (1999), tais como: exaustividade, representatividade,
homogeneidade e adequação. O princípio da exaustividade permite uma busca de todo o
material susceptível de recuperação que possa expandir o conteúdo freireano. A utilização
desse princípio se justifica porque serve para cobrir o material localizado nas bibliotecas,
centros de informação e sistemas eletrônicos espalhados pelo Brasil e pelo mundo com vistas
à disponibilização. Para fins de operacionalização dos materiais que aprecem em sua
exaustividade, complexidade e variabilidade, optou-se por dividi-lo em grandes temas.
O princípio da representatividade surge como possibilidade de generalizar os
resultados da análise por meio da disponibilização eletrônica do material ao conjunto da vida
e obra , considerando-se que o conteúdo recuperado deve retratar fielmente o pensamento de
Paulo Freire. O princípio da homogeneidade consistiu em considerar que esse conteúdo
recuperado obedece a critérios precisos, isto é, a um formato digital em que se observa o
critério de indexação. Além disso, esse conteúdo deverá estar voltado exclusivamente aos
objetivos propostos. O princípio da adequação consistiu na seleção de conteúdo visando
atender, coerentemente, aos objetivos delineados para a Biblioteca Digital. Esta pretende ser
um referencial de pesquisa que poderá ser acessado em qualquer hora e em qualquer lugar, se
constituindo um espaço democrático, propiciando o acesso sem restrições de todo material
informativo, e dando suporte à educação e à aprendizagem em todos os níveis. (BRENANND
et al, 2000).
Esses princípios serviram de ponto de partida para análise do material contido em
diferentes suportes materiais, passível de ser recuperado, possibilitando a compreensão de que
a recuperação do conteúdo é uma operação de busca seletiva que envolve a riqueza de suas
interrelações e aspectos particulares. Desta forma, “o que temos de fazer não é definir [o
conceito de recuperação], isoladamente, nem tampouco o que ele envolve como um fato dado
simplesmente descrevê-lo ou explicá-lo, mas pelo contrário, assumir perante ela uma atitude
comprometida” (FREIRE, 1982, p. 96). A análise do material é a base da análise do conteúdo
que pergunta como tratar o material. Esta fase consiste na codificação, categorização e
quantificação da informação.
A codificação do material é um processo que consiste em agrupar os dados brutos em
unidades que permitem uma descrição das características relevantes do conteúdo. Os dados do

3991

�conteúdo freireano foram transformados em unidades que permitiram uma representação
desse conteúdo. Esta codificação exigiu a objetividade, sistematização e generalização
(disponibilização). A organização do conteúdo inclui três etapas básicas: determinação das
unidades de registro: que unidades de conteúdo serão consideradas?; escolha das regras de
organização: que organização pode ser dada?; definição das categorias de análise. As
especificidades da pesquisa aplicadas à Biblioteca Digital Paulo Freire podem ser acessadas
em www.paulofreire.ufpb.br.
A metodologia do trabalho foi pautada a partir da integração dos subprojetos:
Construção do modelo de dados dos sistemas de informações com conteúdos digitais;
Especificações de requisitos para busca e recuperação; Armazenamento e disponibilização de
documentos; Sistemática para digitalização do acervo. A partir de amplas discussões e
estudos, o sistema de implementação das funções que dinamizaram essas bibliotecas na Web
(busca, consulta a bando de dados etc) foi desenvolvido na linguagem Java (ou seja, o sistema
era um Servlet). Os resultados oferecidos pelo Servlet eram interpretados por páginas Java
Server Pages (JSPs).
Testado o modelo conceitual do banco de dados e resolvidos os problemas inerentes à
implementação em computador, os estudos voltados à organização do conteúdo, política de
busca, armazenamento, recuperação e disponibilização do acervo e a política de indexação
tomam corpo, uma vez conhecidas as possibilidades de publicação de vários tipos de
documentos. Em função dos estudos mais avançados, em termos de busca e recuperação de
documentos, a BDPF foi escolhida para montagem do primeiro Protótipo. A montagem de
protótipos é desenvolvida a partir dos subprojetos, aglutinando as diversas competências da
equipe interdisciplinar.O Sistema Gerenciador de Banco de Dados (SGBD) - É um programa
que provê armazenamento e consulta de uma grande quantidade de informações. Optamos,
então, pelo SGBD PostgreSQL, porque além de atender aos requisitos listados acima, é
gratuito. Também é importante lembrar que o mesmo roda em várias plataformas, inclusive as
de livre distribuição, como o Linux. A construção de uma Biblioteca Digital engloba quatro
fases essenciais: (1) aquisição e digitalização dos documentos; (2) construção da interface; (3)
modelagem dos dados e (4) elaboração do mecanismo de recuperação dos documentos.
O pressuposto metodológico é que a recuperação do conteúdo em sistemas de
informação ou unidades de informação, bibliotecas públicas, bibliotecas universitárias,
bibliotecas especializadas entre outras, supõe a utilização de estratégias de busca, as quais
aqui conceituamos como um conjunto de decisões tomadas e relacionadas aos procedimentos
para recuperação do conteúdo nos banco de dados e imagens, bibliografias e outros materiais

3992

�que se tornaram objetos de busca.

5 GESTÃO DO PROCESSO: alguns frames

A modelagem conceituai e a implementação em computador da Biblioteca Digital
Paulo Freire estão sob a responsabilidade de uma equipe interdisciplinar da UFPB,
envolvendo o Mestrado Profissional em Gestão nas Organizações Aprendentes (MPGOA),
Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE),o Departamento de Ciência da Informação
(DCI) e o Laboratório de Vídeo Digital (LAVID), do Centro de Informática.
Procuramos

envolver

os

campos

específicos

a

partir

da

concepção

de

interdisciplinaridade, onde as disciplinas não foram diluídas, ao contrário, mantiveram sua
individualidade, mas sendo integradas pela concepção democrática do acesso à cultura de
Paulo Freire. As questões teóricas que envolvem o Projeto estão construídas de forma
interdisciplinar envolvendo as bases do pensamento de Paulo Freire, as questões que
envolvem a democratização da informação, os estudos do usuário e a convergência digital.As
diversas atividades envolvem uma gama de conceitos e categorias específicas: modelagem de
dados, criação da interface, programação em computador, teste do sistema, construção da
infraestrutura para disponibilização na Internet, monitoramento da biblioteca digital quando
em execução na Internet e, finalmente, a revisão e a atualização de conteúdo, quando
necessário.

5.1 Processos de gerenciamento

A seguir, descrevemos alguns dos processos de gerenciamento da Biblioteca Digital
Paulo Freire, extraídos do projeto de pesquisa, utilizados e testados no momento de sua
criação, e também atuais no funcionamento cotidiano da biblioteca, bem como, é apresentada
uma análise recente dos dados de acesso desta biblioteca.

5.1.1 Testes e gerenciamento do fórum
Para garantir um relacionamento mais interativo com os nossos usuários
estudamos a estrutura de um Fórum para complementar os serviços que oferecemos e atender
melhor as expectativas dos usuários. Nele serão postados avisos, vídeos tutoriais, anúncios de
congressos, lançamentos de livros entre outras coisas, além de um espaço para que sejam

3993

�postadas mensagens pelos próprios usuários, mediante seu cadastramento, com sugestões ou
discussões sobre as temáticas relacionadas à educação, Paulo Freire, ou as demais temáticas
dos documentos contidos em nosso acervo.

5.1.2 Administração do e-mail da Biblioteca Digital Paulo Freire
Uma conta de e-mail é utilizada para possibilitar uma maior interação com o
usuário. Eles podem nos enviar mensagens de duas maneiras: de forma direta, através do e­
mail do particular, enviando mensagens parapolenses@gmail.com (link disponível na opção
Contato do menu da Biblioteca), ou preenchendo um formulário disponível na opção
Contato, que é enviado diretamente para nossa caixa de e-mail.
Nosso endereço eletrônico recebe diariamente correspondências de usuários
brasileiros e estrangeiros, com agradecimentos, felicitações, questões a respeito de
referências, indicações de livros, assim como, sugestões e dificuldades encontradas pelos eles.
Seguem abaixo algumas mensagens recebidas:
"Parabéns pelo acervo, estou fazendo uma especialização em saúde com
ênfase em educação popular e vou usar o acervo para o meu trabalho." (E­
mail enviado por usuário de Porto Alegre - RS, em 13 de setembro de 2011).
"Hello, I would like to have contact with Brazilian professors experts in
Paulo Freire during my research about the Freire "pedagogie de la
esperanza". Would you please, send me some name, emails or telephones of
possible professors in this area?I will appreciate your help." (E-mail enviado
por usuário de Toronto - Canadá, em 20 de setembro de 2012).
"Boa tarde!
Meu nome é XXX e eu trabalho para o Jornal Educadores em Rede, uma
publicação da Rede Pitágoras. Para próxima edição do jornal vamos fazer
uma matéria sobre Paulo Freire e gostaríamos de saber se podemos utilizar
alguma imagem do acervo. Se sim, como devemos colocar o crédito?Desde
já agradeço sua atenção e aguardo retorno." (E-mail enviado por usuária de
Palhoça - SC, em 19 de julho de 2013).

5.1.3 Sistema de gerenciamento de atividades
Utiliza um sistema de gerenciamento on-line, o JIRA, onde as atividades previstas
no plano de trabalho são cadastradas, conforme a Imagem 1. Nele ficam registradas
informações sobre todas as tarefas executadas como, por exemplo, a data de início e de
término, o responsável pela atividade, as tarefas relacionadas, e ainda há a possibilidade de
postar comentários acerca do desenvolvimento das mesmas.

3994

�Imagem 1 - Visualização do gerenciador de atividades
Navegador de Pendências

® views - #

toois

Exibindo as pendências 1 até 14 de 14 pendências encontradas.
T
0

a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a

Resumo

Res

Criado

Atualizado

Responsável

Em progresso

NÃO RESOLVIDO

15/Fev/11

20/F ev/l 1

Camvle Araúio

Relatório técnico-científico parcial

ejji Em progresso

NÃO RESOLVIDO

07/Fev/11

0S/Fev/11

Camvle Araúio

Reunião com bolsista do projeto Ação Comunicativa, Eliana

iÿ&gt; Resolvida

Feito

03/Fev/11

03/FBV/11

Camvle Araúio

NÃO RESOLVIDO

02/Fev/11

1S/FBV/11

Camvle Araúio

i^J&gt; Resolvida

Feito

31/J«n/11

07/Fev/11

Camvle Araúio

ij&gt;Q Em progresso

NÃO RESOLVIDO

16/DezMO

11/FBV/11

Camvle Araúio

Em progresso

NÃO RESOLVIDO

16/Dez/10

16/Dez/10

Camvle Araúio

i^Q Em progresso

NÃO RESOLVIDO

16/Dezr'10

16/Dez/IO

Camvle Araúio

Em progresso

NÃO RESOLVIDO

14/DezHQ

15/Dez/10

Camvle Araúio

13/Dezí10

14/Dez/1G

Camvle Araúio

10Ætez/10

20/Dez/10

Camvle Araúio

03/DezT10

10/Dez/10

Camvle Araúio

BDPF-25

Adicionando livro "Aprendendo com a própria história Vol II"

BDFF-23
BDPF-22
BDPF-21

Verificando e respondendo emails

BDPF-20

Listar as atividades realizadas até agora e enviar para Edna

BDPF-15

Recuperação de informação

BDPF-17

Instalar programa para poder gravar tutorials com telas

BDPF-16

BDRF-15

Status

Em progresso

G Faz.er backup do banco com os dados atuais
BDPF-15

Atualizar banco de dados com informações mais concretas

BDFF-14

Criar planilha com nome dos arquivos disponibilizados na BDPF

^

BDPF-13

Organizar os documentos deixados pelos bolsistas anteriores

iÿ» Resolvida

BDPF-6

Leitura do livro ESPAÇO PÚBLICO VIRTUAL

^

Resolvida

BDPF-4

BDPF-2

^

Resolvida

Feito

02/Dez/10

03/Dez/10

Camvle Araúio

Resolvida

F „i,0

25/Mov/IO

03/Dez/10

Camvle Araúio

Resolvida

F

”'3

Feito
F

”'3

Leitura dos relatórios de Atividades anteriores
BDPF-1

Reunião com os bolsistas da Paulo Freire

Fonte: Dados do autor.

5.2.4 Monitoramento de acesos
O monitoramento de acessos foi realizado através da ferramenta Google
Analytics, como ilustrado na Imagem 2. Esta atividade nos possibilita coletar informações
sobre os hits de acesso, podendo então ser traçado, futuramente, um perfil dos visitantes, que
nos permitirá desenvolver atividades de acordo com suas necessidades e expectativas,
elevando a fidelidade de nossos usuários, ou seja, um estudo de usuário.
Imagem 2 - Acessos (em uniades) x Tempo (em dias)

Um exemplo dosdados coletados é que, no período de 1 de fevereiro a 25 de março de
2012, a Biblioteca Digital Paulo Freire recebeu 15.545 acessos. Seguem a baixo alguns dados
coletados:
a) apenas 27,81% dos usuários visitaram apenas a primeira página da BDPF;
b) os usuários permanecem em média quatro minutos e treze segundos no site;
c) os usuários percorrem cerca de seis páginas por visita;

3995

�d) 82,36% das visualizações são realizadas por novos visitantes;
e) 50,32% dos usuários chegam ao site através de ferramentas de busca da internet;
f) 37,19% dos usuários chegaram a biblioteca através de links em outros sites;
g) 12,48% dos usuários chegaram a biblioteca de forma direta, ou seja, digitando o endereço
no navegador.

A Imagem 3 mostra que os 15.545 acessos originaram-se de 66 países distintos.

Imagem 3 - Acessos por país

y
visits___________________
1

M

B

13,719

Fonte: Google Analytics.

Acompanhe na Tabela 1as estatísticas, abaixo, dos países com maior acesso.

Tabela 10 - Países com maior acesso
Ranking País
1°
Brasil
2°
Argentina
3°
Portugal
4°
México
5°
Estados Unidos
6°
Chile
7°
Espanha
8°
Colômbia
9°
Venezuela
10°
Uruguai
Fonte: Resultados da pesquisa.

Acessos
13.719
399
191
189
147
123
109
100
67
65

3996

�Sendo o Brasil o país líder em número de acessos, visualizaremos agora a Imagem 4
que mostra a distribuição dos 13.719 acessos no país, foram oriundos de 541 cidades.
Imagem 4 - Distribuição dos acessos no Brasil

Fonte: Google Analytics

Também é possível observar na Tabela 2 que a maioria dos acessos ocorreu em
cidades localizadas na região sudeste, estando João Pessoa, cidade de origem da BDPF,
apenas em 10° lugar.

Tabela 2 - Cidades com maior números de acessos
Ranking País
1°
São Paulo
2°
Rio de Janeiro
3°
Belo Horizonte
4°
Brasília
5°
Recife
Salvador
6°
7°
Porto Alegre
8°
Fortaleza
9°
Curitiba
10°
João Pessoa
Fonte: Resultados da pesquisa.

Acessos
1.749
1.384
887
600
589
532
461
448
363
277

3997

�6 CONSIDERAÇÕES FINAIS: A BDPF como lócus de circulação aberta da informação

A gestão do processo de geração e disponibilização dos documentos da BDPF leva em
conta o cenário da geração de novos processos, ferramentas e modelos. Com a convergência
digital, são inúmeras as possibilidades de uso de sistemas digitais de informação, uma vez que
a conexão em rede dos bancos de dados digitais, das ferramentas interativas como redes
sociais, fazem emergir formas de comunicação cada vez mais abertas e multimodais.
Convergência digital é aqui entendida como a tendência de utilização de uma única
infraestrutura de tecnologia de telecomunicações para prover serviços que em momentos
anteriores requeriam equipamentos, canais de comunicação, protocolos e padrões
independentes como o rádio, a televisão, as redes de computadores e telefonia.
A convergência digital transforma a maneira como a informação é expressa e os
métodos que são usados para gerenciá-la e disseminá-la. Esse processo ocasiona mudanças
que estimulam alterações importantes na maneira como as pessoas criam, armazenam, usam e
disseminam a informação e as transformam em conhecimento. Permite, conforme argumenta
Lévy (2009), a emergência de redes de saberes nunca antes conhecidas. Cria e fortalece
formas sociais, novas instituições, organizações econômicas e políticas, interfaces de
comunicação, novos ambientes cognitivos favorecendo modos de conhecimentos distintos:
mitos, teorias, simulações. Este novo espaço favorece conexões e sinergias entre inteligências
individuais, interesses e competências e o encontro de módulos cognitivos comuns. A BDPF é
gerenciada de forma que se torne cada vez mais uma ferramenta de inclusão.

REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
Anísio Teixeira (INEP). Sinopse Estatística da Educação Superior. Brasília, DF, 2011.
BRENNAND, E. G. G. Projeto: concepção e implementação da biblioteca digital Paulo
Freire. João Pessoa: UFPB, 2000.
______; ALBUQUERQUE, M. E. B. C. (Org). Paulo Freire: diálogos e redes digitais. João
Pessoa: EdUFPB, 2011. 278 p.
CUNHA, Murilo Bastos da. Das bibliotecas convencionais às digitais: diferenças e
convergências. Perspectivas em Ciência da Informação, v. 13, n.1, p. 2-17, jan./abr.,
2008.Disponível em: &lt;http://www.scielo.br/pdf/pci/v13n1/v13n1a02.pdf&gt;. Acesso em: 03
fev. 2014.

3998

�FREIRE, Paulo. Ação cultural para a liberdade e outros escritos. Rio de Janeiro: Paz e
Terra, 1982.
______. Pedagogia do Oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
LEVY, Pierre. A inteligência coletiva:por uma antropologia do ciberespaço. São Paulo:
Loyola, 1994.
MENDES, R. Uma nova forma de divulgação dos pensamentos freireanos: a Biblioteca
Digital Paulo Freire. In: ENCONTRO INTERNACIONAL FÓRUM PAULO FREIRE, 6.,
2008.
UNESCO. Relatório sobre Ciência.Organização das Nações Unidas para a Educação a
Ciência

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a

Cultura.

Representação

do

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3999

�</text>
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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Coverage</name>
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                  <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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            <name>Title</name>
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                <text>A Gestão da Biblioteca Digtal Paulo Freire nos múltipos caminhos da convergência</text>
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                <text>Santos, Rayane Soares de Sousa, Brennand, Edna Gusmão de Góes</text>
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                <text>O presente artigo é resultado de pesquisa desenvolvida para a implementação da Biblioteca Digital Paulo Freire (BDPF), projeto de pesquisa interdisciplinar envolvendo as áreas de Ciência da Informação, Educação e Engenharia da Computação. O objetivo principal é o disponibilizar os pressupostos filosóficos, sociológicos e pedagógicos do pensamento freireano, para dar suporte a ações educativas democráticas que tenham como vetor o desenvolvimento de competências de participação social, facilitando a inserção dos sujeitos educacionais na sociedade da informação e do conhecimento. A metodologia utilizada para seu desenvolvimento englobou as seguintes fases essenciais: criação de modelo conceitual, escolha de tecnologias adequadas de hardware e software, construção do protótipo, construção da interface, aquisição e digitalização dos documentos, modelagem dos dados, elaboração de mecanismos de recuperação dos documentos, testes de usabilidade e disponibilização de conteúdos multimídia. Para selecão de documentos, recorreu-se a quatro princípios metodológicos: exaustividade, representatividade, homogeneidade e adequação. A gestão do processo de geração e disponibilização dos documentos da BDPF leva em conta o cenário da geração de novos processos, ferramentas e modelos. Com a convergência digital, são inúmeras as possibilidades de uso de sistemas digitais de informação, uma vez que a conexão em rede dos bancos de dados digitais, das ferramentas interativas como redes sociais, fazem emergir formas de comunicação cada vez mais abertas e multimodais. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A CONVERSÃO DE REGISTROS NA IMPLANTAÇÃO DE REPOSITÓRIOS
INSTITUCIONAIS: O CASO DO REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL UNESP
Fabrício Silva Assumpção
Renata Eleuterio da Silva
Jaider Andrade Ferreira
Flávia Maria Bastos
RESUMO
O Repositório Institucional UNESP foi criado em 2013 e, para sua implantação, foi povoado
com dados obtidos de forma automática. Considerando a experiência realizada na UNESP,
este trabalho tem por objetivo apresentar os processos utilizados para a conversão dos
registros coletados de três diferentes fontes de dados (Web o f Science, SciELO e Scopus) para
inclusão no repositório. A partir da coleta dos registros, os padrões de metadados da Web of
Science, da SciELO e da Scopus foram mapeados para o perfil de aplicação de metadados
utilizado no repositório. Os registros foram coletados como arquivos XML e, para sua
conversão, foram elaboradas folhas de estilo utilizando a linguagem XSLT. Após essa
conversão, os arquivos XML foram convertidos em arquivos CSV e, então, importados no
Repositório. Conclui-se que os processos de conversão utilizados permitiram alcançar as
metas iniciais do Repositório e evitaram a necessidade de inclusão dos registros de forma
manual.
Palavras-Chave: Repositório institucional; Conversão de registros; Folha de estilos XSLT;
DSpace; Padrão de metadados.
ABSTRACT
The UNESP Institutional Repository was started in 2013 and, for its implementation, it was
populated with data harvested automatically from three distinct sources (Web of Science,
SciELO and Scopus). Based on UNESP’s case, this paper aims to present the process used in
the conversion of records from three distinct sources (Web of Science, SciELO and Scopus)
for inclusion into the repository. After the harvesting, the Web of Science, the SciELO and
the Scopus metadata standards were mapped to the metadata application profile used in the
UNESP Institutional Repository. Since records were harvested as XML files, we created
stylesheets using XSLT to transform these files in XML files in accordance with DSpace
markup language and the application profile. From this point, the XML files were converted
to CSV files in order to be imported into the Repository. We conclude that the conversion
process allowed us to achieve the initial goals of Repository and to avoid the manual entering
of records.
Keywords: Institutional repository; Record conversion; XSLT stylesheet; DSpace; Metadata
standards.

3971

�1 Introdução
O desenvolvimento dos repositórios institucionais, de modo geral, tem ocorrido de
forma “orgânica” a partir da criação de um ambiente digital designado para tal finalidade e da
conscientização da comunidade usuária sobre a importância e a necessidade do depósito de
sua produção em um repositório de acesso aberto. Assim, repositórios institucionais com um
desenvolvimento “orgânico” estão presentes em diversos tipos de instituições, tais como as
universidades, mesmo que, em muitos casos, não haja o autoarquivamento e a necessidade do
depósito da produção não surja com a conscientização, mas com a obrigação.
Inserida num contexto global de universidades que visam à disseminação e à
preservação de sua produção por meio de repositórios, a Universidade Estadual Paulista
“Júlio de Mesquita Filho” (UNESP) iniciou em 2013 um projeto para a implantação do
Repositório Institucional UNESP448. Esse repositório, junto aos repositórios da Universidade
de São Paulo (USP)449 e da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)450, faria parte
do Repositório da Produção Científica do CRUESP (Conselho de Reitores das Universidades
Estaduais Paulistas)451.
Para a inauguração do Repositório CRUESP, realizada em outubro de 2013, a UNESP
definiu como objetivo incluir no Repositório o máximo possível da produção científica da
Universidade. Assim, foi definida como meta inicial para a implantação a inclusão da
produção científica de pesquisadores vinculados à Universidade indexada nas bases de dados
Web o f Science e Scopus e publicada em periódicos da Scientific Electronic Library Online
(SciELO). Para alcançar essa meta de maneira eficiente, tendo em vista o prazo para a
inauguração do Repositório CRUESP e do próprio Repositório Institucional UNESP, foram
utilizados processos de coleta, de conversão e de importação automática dos registros
referentes a essa produção científica.
Considerando a experiência realizada na UNESP, este trabalho tem por objetivo
apresentar os processos utilizados para a conversão dos registros das três diferentes fontes de
dados (Web o f Science, SciELO e Scopus) para inclusão no Repositório Institucional UNESP.

2 O Repositório Institucional UNESP
O Repositório Institucional UNESP surgiu a partir da Portaria UNESP número 88, de
28 de fevereiro de 2013, que instituiu o Grupo Gestor da Política do Repositório Institucional
448Disponível em: &lt;http://repositorio.unesp.br&gt;.
449Disponível em: &lt;http://producao.usp.br&gt;.
450Disponível em: &lt;http://unicamp.sibi.usp.br&gt;.
451 Disponível em: &lt;http://cruesp.sibi.usp.br&gt;.

3972

�UNESP, “encarregado do desenvolvimento, implantação e manutenção do repositório
institucional da universidade”, e definiu os propósitos do Repositório: “armazenar, preservar,
divulgar e dar acesso à produção científica, acadêmica e administrativa da Universidade”
(UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA, 2013, p. 47).
Entre os membros do Grupo Gestor e responsável pela coordenação executiva do
projeto, está a Coordenadoria Geral de Bibliotecas da UNESP (CGB) na figura de sua
coordenadora. Entre as atribuições da CGB está garantir a inclusão da produção no
Repositório junto à Equipe Técnica, formada por bibliotecários e analistas de sistemas.
Durante a etapa de implantação, foram definidas quatro metas que refletiam o objetivo
do Repositório em seu estágio inicial:
1. inclusão da produção científica institucional publicada no período de 2008 a 2012 e
indexada na Web o f Science ;
2. inclusão da produção científica institucional publicada em periódicos da SciELO452453;
3. inclusão da produção científica institucional publicada no período de 1976454 a 2007 e
indexada na Web o f Science;
4. inclusão da produção científica institucional indexada na Scopus455.
Para a inauguração do Repositório, que ocorreu em outubro de 2013, apenas a
primeira meta deveria ser alcançada, sendo que as demais poderiam ser alcançadas após a
inauguração.
Considerando o prazo para a inauguração, a quantidade de documentos abrangidos
pela primeira meta (aproximadamente 16.400 documentos distribuídos principalmente entre
artigos e trabalhos publicados em anais de eventos) e a indisponibilidade de recursos humanos
para a inclusão de forma manual, o Grupo Gestor e a Equipe Técnica buscaram estabelecer
processos que possibilitassem a inclusão automática.
A partir desses processos, foi possível alcançar a primeira e a segunda metas antes de
outubro de 2013, de modo que, em sua inauguração, o Repositório contava com cerca de
28.400 registros, aproximadamente 16.400 provenientes da Web o f Science e 12 mil da
SciELO. Utilizando-se desses processos, foi possível alcançar a terceira e quarta metas em
fevereiro e em maio de 2014, respectivamente.
Os processos utilizados para a inclusão dos dados de forma automática
compreenderam diversas atividades, entre elas a coleta, a conversão e a importação dos
452Disponível em: &lt;http://wokinfo.com&gt;.
453Disponível em: &lt;http://scielo.br&gt;.
454 O ano de 1976 foi definido como data limite para a coleta da produção científica da UNESP por ser o ano de
criação desta universidade.
455 Disponível em: &lt;http://scopus.com&gt;.

3973

�registros. Para a atividade de coleta de registros da Web o f Science foi utilizado seu web
service456, que permitiu recuperar registros em Extensible Markup Language (XML)
(Linguagem de Marcação Extensível). Os registros da SciELO também foram coletados em
XML a partir da interface da própria SciELO. Já os registros da Scopus, também em XML,
por não estarem disponíveis gratuitamente, foram adquiridos mediante compra. Os processos
utilizados na conversão dos registros, que são o foco deste trabalho e têm em sua base os
registros em XML, são descritos nas seções seguintes.

3 A conversão de registros utilizando folhas de estilo XSLT
Os registros das três fontes de dados (Web o f Science, SciELO e Scopus) foram
coletados como arquivos XML. Segundo o World Wide Web Consortium (W3C) (2012,
tradução nossa), “originalmente projetada para vencer os desafios da publicação eletrônica em
larga escala, a XML está desempenhando um papel de crescente importância na troca de uma
ampla variedade de dados na Web e em outros lugares”. Essa tecnologia, desenvolvida pelo
W3C na década de 1990, é amplamente disseminada, relacionada a outras tecnologias e
utilizada em uma diversidade de aplicações de informática.
Uma das tecnologias relacionadas à XML é a Extensible Stylesheet Language for
Transformation (XSLT) (Linguagem Extensível para Folhas de Estilo de Transformação),
linguagem utilizada na transformação de arquivos XML. Com essa linguagem são criadas
folhas de estilo que permitem transformar arquivos XML estruturados com uma linguagem de
marcação em arquivos XML estruturados de acordo com outras linguagens de marcação ou
mesmo em arquivos que não sejam XML, por exemplo, arquivos de texto simples (W3C,
2007).
As folhas de estilo XSLT são documentos contendo conjuntos de regras escritas com a
linguagem XSLT que, de modo geral, indicam ao software responsável pela transformação o
que ele deve fazer com os dados de um arquivo XML para transformá-lo em outro arquivo.
O software responsável pela transformação, também chamado de processador de
transformação, recebe o arquivo XML a ser transformado e a folha de estilo XSLT que
contém as regras de transformação. Com base nas regras presentes na folha de estilo, o
software realiza as transformações gerando um novo arquivo. Entre essas transformações
estão desde o simples acréscimo ou a alteração de um dado até a reorganização de todo o456
456Um web service é um método de comunicação entre dois dispositivos eletrônicos em uma rede. O web service
da Web of Science é um serviço sem custos adicionais, disponível aos assinantes da base de dados. Mais
informações sobre o serviço podem ser encontradas em:
&lt;http://wokinfo.com/products tools/products/related/webservices&gt;.

3974

�conteúdo do arquivo de modo que o mesmo fique em acordo com outra linguagem de
marcação. A transformação utilizando uma folha de estilo XSLT é ilustrada na Figura 1.
Figura 1: Transformação utilizando uma folha de estilo XSLT.
Folha de estilo XSLT
(linguagem A para B )

Arquivo de entrada

Arquivo de saída

Arquivo XML
(linguagem de
marcação "A")

Arquivo XML
(linguagem de
marcação "B")
Processador de
transformaçao

Fonte: Elaborada pelos autores.
Ao receber o arquvo XML de entrada, o processador de transformação consulta a folha
de estilo e, com base em suas regras, gera o arquivo de saída, seja ele um arquivo XML ou
não. Cabe notar que, ao realizar a transformação, o arquivo de entrada não é alterado, seu
conteúdo é que é enviado para o arquivo de saída de acordo com as regras de transformação.
Cada uma das fontes de dados utilizadas (Web o f Science, SciELO, Scopus) faz uso de
uma linguagem de marcação diferente para a descrição de seus registros utilizando a XML. A
Figura 2 ilustra as diferenças entre as três linguagens de marcação por meio de exemplos de
como o título de um artigo é representado em cada uma delas.
Figura 2: Título de um artigo em um registro da Web of Science, da SciELO e da Scopus.
&lt;titles count: "4 "&gt;
&lt;title type=”source"&gt;PERSPECTIVAS EM CIÊNCIA DA INFORMACAO&lt;/title&gt;
ctitle type="source_abbrev"&gt;PERSPECT CIENC INF&lt;/title&gt;
&lt;title type="abbrev_iso"&gt;Pespect. Cienc. Inf.&lt;/title&gt;
&lt;title type= "item"&gt;Decision making models and their relationship with organic
information&lt;/title&gt;
&lt;/titles&gt;
&lt;title-group&gt;
&lt;article-title xmldang: "pt"x![CDATA[Modelos de tomada de decisão e sua relação
com a informação orgânica]]x/article-title&gt;
&lt;article-title xmldang: "en"x![CDATA[Decision making models and their relationship
with organic information]]x/article-title&gt;
&lt;/title-group&gt;
&lt;citation-title&gt;
&lt;titletext original="n" xml:lang="eng"&gt;Decision making models and their relationship
with organic information&lt;/titletext&gt;
&lt;titletext original: "y" xml:lang="por"&gt;Modelos de tomada de decisão e sua relação
com a informação orgânica&lt;/títletext&gt;
&lt;/citation-title&gt;

Fonte: Elaborada pelos autores a partir de registrs coletados da Web of Science, da SciELO e da Scopus.

3975

�Como mostrado na Figura 2, as linguagens de marcação das três fontes utilizam
diferentes tags XML para representar o título do artigo: title, article-title e titletext. Observase também a utilização de diferentes normas para a indicação do idioma do título (atributo
xml:lang): a SciELO utiliza a norma ISO 639-1 (dois caracteres: pt, en) e a Scopus utiliza a
ISO 639-2 (três caracteres: eng, por), enquanto que a Web o f Science não indica qual é o
idioma do título. Há, nos registros da Scopus, uma indicação se o título é o título original do
artigo (original= ”y ”) ou se é um título traduzido (original= ”n ”).

Para a descrição dos documentos no Repositório é utilizado um conjunto de metadados
criado a partir do padrão de metadados Dublin Core e levando em consideração as
necessidades de descrição em tal repositório e as possibilidades do software DSpace. Esse
conjunto de metadados é denominado Perfil de Aplicação de Metadados do Repositório
Institucional UNESP.
Para os propósitos de importação e de exportação no Repositório, os registros criados
com o Perfil de Aplicação podem ser representados de duas maneiras: como arquivos XML e
como arquivos de texto simples com valores separado por vírgulas (Comma-Separated
Values) (CSV). Na importação e na exportação via XML, é utilizada junto aos metadados do
Perfil de Aplicação uma linguagem de marcação do próprio DSpace. Um fragmento de um
registro criado com o Perfil de Aplicação e com a linguagem de marcação do DSpace é
apresentado na Figura 3.

Figura 3: Registro criado com o Perfil de Aplicação e com a linguagem de marcação do
DSpace.
&lt;dublin_coreschema="dc"&gt;
&lt;dcvalue element="contributor" qualifier-' author” language="pt"&gt;Manzione, Rodrigo Lilla [UNESP)&lt;/dcvalue&gt;
&lt;dcvalue element="contributor" qualifier "author" language="pt"&gt;Marcuzzo, Francisco Fernando
Noronha&lt;/dcvalue&gt;
&lt;dcvalue element="contributor" qualifier=”author" language="pt"&gt;Wendland, Edson Cezar&lt;/dcvalue&gt;
&lt;dcvalue element^ "date" qualifier-"issued"&gt;2012-09-01&lt;/dcvalue&gt;
&lt;dcvalueelement="ídentifier"&gt;http://dx.doi,org/10.1590/S0100-204X201200í)900022&lt;/dcvalue&gt;
&lt;dcvalue element="language" qualifier "iso"&gt;pt&lt;/dcvalue&gt;
&lt;dcvalue element-"relation" qualifier="isPartOf" language="pt"&gt;Pesquisa Agropecuária Brasileira&lt;/dcvalue&gt;
&lt;dcvalue element="subject" language="pt"&gt;água subterrânea&lt;/dcvalue&gt;
&lt;dcvalue element="subject" language="pt"&gt;geoestatistíca&lt;/dcvalue&gt;
&lt;dcvalue element^"subject" language="en"&gt;groundwater&lt;/dcvalue&gt;
&lt;dcvalue ‘1er en "subject" language "en"&gt;geostatistics&lt;/dcvalue&gt;
&lt;dcvalueelement="title" language="pt"&gt;lntegraçãode modelos espaciais e temporais para prediçõesde níveis
freát icos extre mos&lt;/d cval ue &gt;
&lt;dcvalue element= "title" qualifier="alternative" language="en"&gt;lntegration of spatial and temporal models to
predict extreme watertable depths&lt;/dcvalue&gt;
&lt;dcvalue element-"type" language="pt"&gt;Artigo&lt;/dcvalue&gt;
&lt;/dublin_core&gt;

Fonte: Elaborada pelos autores.

3976

�Uma vez que os reistros coletados estavam em arquivos XML utilizando distintos
padrões de metadados e distintas linguagens de marcação e que, para a importação no
DSpace, era necessário obter os registros de acordo com o Perfil de Aplicação e com a
linguagem de marcação do DSpace, optou-se pela utilização de folhas de estilo XSLT como
meios para a conversão desses registros.
A utilização de folhas de estilo XSLT na conversão de registros está presente em
alguns estudos que relatam os procedimentos e os instrumentos utilizados na conversão
(KEITH, 2004; KEENAN, 2010; KURTH; RUDDY; RUPP, 2004; RUDIC; SURLA, 2009) e
no modelo para conversão de registros para os Formatos MARC 21 elaborado por Assumpção
(2013).
Considerando que os registros coletados utilizavam linguagens de marcação
diferentes, precisariam ser criadas três folhas de estilo, cada uma tendo como origem uma
linguagem de marcação e como destino a linguagem de marcação do DSpace. A partir da
escolha pela utilização de folhas de estilo XSLT, foram definidas e executadas as etapas do
processo de conversão: mapeamentos, elaboração das folhas de estilo, conversão e importação
no Repositório. Essas três etapas são apresentadas nas seções seguintes.

4 Mapeamentos
Para os propósitos deste trabalho, os elementos ou campos para a descrição
apresentados nas linguagens de marcação da Web o f Science, da SciELO e da Scopus são
entendidos como metadados, enquanto que os conjuntos desses campos são entendidos como
padrões de metadados. De forma semelhante, o Perfil de Aplicação é considerado um padrão
de metadados no contexto do Repositório e seus campos são considerados metadados.
Considerando que a conversão utilizando folhas de estilo tem por base o conceito de
“de - para” (de um metadado no padrão de origem para um metadado no padrão de destino),
foi necessário mapear os metadados dos três padrões de origem para os metadados do Perfil
de Aplicação (padrão de destino) para que as folhas de estilo pudessem ser elaboradas.
Esse processo de identificação de relacionamentos existentes entre metadados
semanticamente equivalentes de diferentes padrões é denominado mapeamento ou
crosswalking e resulta em um mapa (crosswalk) que provê uma representação visual dos
relacionamentos, das equivalências e das lacunas entre os padrões de metadados mapeados
(KURTH; RUDDY; RUPP, 2004, p. 154; ST. PIERRE; LAPLANT, 1998; WOODLEY,
2008, p. 3).
A partir do mapeamento dos três padrões foram estabelecidos três mapas:

3977

�Web o f Science para o Perfil de Aplicação;
•

SciELO para o Perfil de Aplicação;

•

Scopus para o Perfil de Aplicação.
Esses mapas foram representados em quadros, como o exemplificado no Quadro 1.

Quadro 1: Fragmento do mapa “Web of Science para o Perfil de Aplicação”.
Web of Science
(padrão de origem)

names/name/last_name
names/name/first_name

Perfil de Aplicação
(padrão de destino)

Repetível

Observações

dc.contributor.author

Sim

Unir os dois metadados
separando-os utilizando
uma vírgula.

addresses/address_name/ad dc.contributor.institution
dress_spec

Sim

pub_info/@sortdate
pub_info/@pubyear

Não

dc.date.issued

abstracts/abstract/abstract_t dc.description.abstract
ext

Sim

fund_ack/grants/grant/grant dc.description. sponsorship
_agency

Sim

identifiers/identifier[@type
='issn']

dc.identifier.issn

Sim

titles/title[@type='source']

dc.relation.isPartOf

Não

keywords/keyword

dc.subject

Sim

titles/title[@type='item']

dc.title

Não

Utilizar o @pubyear
apenas se o @sortdate não
estiver
presente
no
registro.

O título do periódico está
todo em maiúsculas,
corrigir deixando em
maiúsculas apenas a
inicial de cada palavra.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Como mostrado no Quadro 1, foram acrescentadas aos mapas informações que
auxiliaram na elaboração das folhas de estilo, tais como:
•

a indicação sobre a possibilidade de múltiplas ocorrências de um metadado, ou seja, se
o metadado é repetível ou não;

•

a indicação sobre como proceder quando o conteúdo de dois ou mais metadados do
padrão de origem precisa reunido em um único metadado do padrão de destino;

3978

�a indicação sobre como proceder quando há no padrão de origem mais de um
metadado correspondente a um único metadado no padrão de destino (correspondência
muitos-para-um);
•

a indicação sobre as alterações necessárias ao conteúdo do metadado, por exemplo, a
capitalização e a transformação de códigos em valores textuais e vice-versa.

5 Elaboração de folhas de estilo XSLT e conversão de registros
A partir dos mapas indicando as correspondências entre os metadados utilizados pelas
distintas fontes de dados e pelo Perfil de Aplicação, foram elaboradas três folhas de estilo.
Para essa atividade foi utilizada versão 2.0 da linguagem XSLT (W3C, 2007) e o Oxygen
XML Editor457, software utilizado para a criação e a edição de documentos XML e que dispõe
de processadores de transformação necessários à conversão dos registros.
Seguindo as correspondências indicadas nos mapas, os conteúdos de alguns metadados
dos padrões de origem foram simplesmente enviados para os metadados do padrão de destino
(Perfil de Aplicação). Nesses casos em que não foi necessária a alteração do conteúdo, foram
incluídas na folha de estilo regras de transformação semelhantes à apresentada na Figura 4.

Figura 4: Regra de transformação em que não há alteração no conteúdo do metadado.

&lt;xsl:for-each select="head/citation-info/author-keywords/author-keyword"&gt;
&lt;dcvalue element=,,subject"&gt;
&lt;xsl:value-of select="."/&gt;
&lt;/dcvalue&gt;
&lt;/xsl:for-each&gt;
Fonte: Elaborada pelos autores.

A regra de transfrmação apresentada na Figura 4 indica ao processador de
transformação: para cada ocorrência do metadado author-keyword em um registro da Scopus,
crie um metadado subject e insira nesse metadado o conteúdo do metadado author-keyword.
Com essa regra, cada palavra-chave presente no registro da Scopus foi inserida em um
metadado subject do registro de destino.
Em alguns casos, no entanto, o conteúdo do metadado de origem não pôde ser
simplesmente enviado para o metadado de destino, sendo necessária a adequação desse
457 Disponível em: &lt;http://oxygenxml.com/&gt;.

3979

�conteúdo durante a transformação de modo que ficasse de acordo com o padrão para o
preenchimento dos campos estabelecido para o Repositório. Alguns desses casos incluíram: a
devida capitalização das palavras que estavam com todas as letras em maiúsculo; a adequação
dos códigos de idiomas e dos tipos de documentos; e a padronização do nome da UNESP, das
principais instituições com as quais ela mantém parcerias e das principais agências de
fomento/financiamento nacionais.
Para a padronização do nome da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São
Paulo (FAPESP), por exemplo, foi dada ao processador de transformação a seguinte
instrução: caso a agência de fomento presente no registro de origem seja “Fundação de
Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo”, “São Paulo Research Foundation” ou
“FAPESP”, insira no registro de destino “Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São
Paulo (FAPESP)” (forma padronizada para a inserção no Repositório).
Para garantir que o resultado da conversão estivesse de acordo com o Perfil de
Aplicação e com o padrão para o preenchimento dos campos, durante e após a elaboração das
folhas de estilo foram realizados testes para verificar a adequação dos registros convertidos
aos resultados esperados.
Após a finalização de cada folha de estilo, que ocorreu em diferentes momentos da
implantação do Repositório, os registros coletados em XML foram inseridos no processador
de transformação. O processador de transformação, por sua vez, processou os registros e, com
base nas regras de transformação da folha de estilo, converte-os, apresentando como resultado
arquivos XML contendo registros de acordo com o Perfil de Aplicação e seguindo a
linguagem de marcação do DSpace.

6 Conversão para CSV e importação
Após a conversão, os registros precisavam ser importados no Repositório. Entre os
métodos para importação de registros disponíveis no software utilizado no Repositório, o
DSpace, há a importação em massa por meio de arquivos de texto simples contendo valores
separados por vírgula (CSV). Esse arquivos assemelham-se às planilhas dos programas
Microsoft Office Excel e LibreOffice Calc, em que cada coluna representa um metadado e
cada linha representa um registro.
Considerando a necessidade da importação de registros em massa no Repositório, foi
decidido pela utilização de arquivos CSV como o meio para a inserção dos registros
convertidos. Desse modo, os arquivos XML resultantes da conversão dos registros da Web o f
Science, da SciELO e da Scopus precisariam ser convertidos em arquivos CSV.

3980

�Como mencionado, as folhas de estilo XSLT podem ser utilizadas para a conversão de
arquivos XML tanto em arquivos XML de acordo com outras linguagens de marcação, quanto
em arquivos de outros tipos, por exemplos, arquivos de texto simples. Essa possibilidade fez
com que as folhas de estilo fossem escolhidas também para a segunda conversão (de arquivos
XML para arquivos CSV).
Cabe observar que a segunda conversão não incluiu alterações nos metadados e nem
em seus conteúdos, podendo ser entendida apenas como uma reorganização dos registros para
atender a uma necessidade de importação do DSpace.
Após a elaboração da folha de estilo e a segunda conversão, os registros foram então
importados no Repositório. A partir da importação a Equipe Técnica prosseguiu com as
demais atividades para a implantação do Repositório.

7 Considerações finais
O processo de conversão de registros para inclusão em repositórios institucionais,
assim como todo o processo de implantação e de gestão desses repositórios, deve ser
realizado de forma interdisciplinar, congregando, na medida do possível, conhecimentos de
profissionais de distintas áreas, entre elas a Biblioteconomia e a Ciência da Computação.
A participação de bibliotecários no processo de conversão ocorre principalmente no
estudo e no mapeamento dos padrões de metadados e na validação dos resultados obtidos com
a conversão. Essas atividades requerem a participação de bibliotecários não apenas por
demandarem aspectos da disciplina de catalogação, disciplina presente no núcleo da
Biblioteconomia, mas, também, pelos bibliotecários terem o conhecimento, ou a capacidade
de obtê-lo, sobre o papel da produção científica nas universidades e, de forma mais ampla,
sobre a comunicação científica e os agentes nela envolvidos (pesquisadores, leitores,
publicadores, bases de dados, universidades, agências de fomento, etc.).
Apesar de terem seu papel definido, os bibliotecários não devem ter sua atuação
limitada a essas atividades na conversão de registros. O que se observa, a partir da experiência
da UNESP, é a necessidade dos bibliotecários ultrapassarem os limites tradicionalmente
colocados pela Biblioteconomia em busca de conhecimentos de outras áreas que possam ser
úteis ao desenvolvimento de suas atividades e a um reposicionamento da Biblioteconomia e
da biblioteca universitária diante das necessidades das universidades no cenário informacional
atual.
No caso do Repositório Institucional UNESP, os bibliotecários da Equipe Técnica
puderam desempenhar algumas atividades que, por sua natureza, seriam delegadas aos

3981

�analistas de sistemas, tais como a coleta dos dados pelo web service da Web o f Science e a
elaboração das folhas de estilo. Isso se deu, principalmente, em razão desses bibliotecários
buscarem em outras áreas os conhecimentos necessários ao desenvolvimento dessas
atividades.
Após a conversão e a importação dos registros, foram necessárias ações para a
padronização, a inserção e a remoção de dados, considerando, principalmente, que nem todos
os dados necessários ao Repositório puderam ser obtidos a partir dos registros coletados da
Web o f Science, da SciELO e da Scopus, e que alguns dados, os nomes dos autores e das
instituições, por exemplo, nem sempre são indicados de forma consistente, sendo possível, em
uma mesma fonte de dados, encontrar diferentes formas desses nomes. Essas ações, em sua
maior parte, tiveram de ser realizadas manualmente pela Equipe Técnica.
Além dessas ações de padronização, de inserção e de remoção de dados, foram
executadas pela Equipe Técnica ações para a verificação das condições de acesso (acesso
aberto ou acesso restrito) e das permissões para o arquivamento (arquivamento em
repositórios institucionais permitido ou não) e para a coleta dos documentos, nos casos em
que o arquivamento em repositórios institucionais era permitido. Essas ações foram realizadas
considerando uma característica essencial dos repositórios institucionais: prover o acesso
aberto e preservar os documentos, não apenas seus registros ou metadados.
Após a inclusão da produção científica indexada na Web o f Science e na Scopus e
publicada em periódicos da SciELO, uma das próximas etapas do Repositório será a inclusão
das teses e das dissertações defendidas na Universidade. Para essa inclusão serão reutilizados
os registros no Formato MARC 21 para Dados Bibliográficos criados pela Rede de
Bibliotecas da UNESP e também o processo de conversão por meio de folhas de estilo XSLT,
sendo conduzidas as etapas de mapeamento e de elaboração de folhas de estilo de forma
semelhante à descrita neste trabalho.
Além de ter possibilitado o alcance das quatro metas definidas para o estágio inicial do
Repositório Institucional UNESP, poupando esforços manuais tanto dos pesquisadores quanto
dos servidores, a inclusão dos registros de forma automática permite projetar para a
comunidade da UNESP os benefícios da existência de um repositório institucional. Nesse
sentido, é possível, então, fomentar na comunidade uma cultura de depósito da produção
científica que auxilie no desenvolvimento do Repositório enquanto produto e serviço de
informação que representa a Universidade.
Essa inclusão automática também se apresenta como um diferencial, não
necessariamente exclusivo da UNESP, que favorece o convencimento dos gestores da

3982

�Universidade quanto à necessidade de recursos específicos que possibilitem a continuidade do
trabalho iniciado com a implantação do Repositório.
Considerando os resultados da conversão e da inclusão automática dos registros no
Repositório Institucional UNESP, espera-se que este trabalho contribua com as instituições
que almejam realizar o povoamento de seus repositórios por meio da coleta de dados de
maneira automática.

Referências
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em folhas de estilo XSLT. 135 f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista, Marília, 2013. Disponível
em:

&lt;http://www.marilia.unesp.br/Home/Pos-

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KURTH, M.; RUDDY, D.; RUPP, N. Repurposing MARC metadata: using digital project
experience to develop a metadata management design. Library Hi Tech, v. 22, n. 2, p. 153­
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Diário Oficial do Estado de São Paulo, Executivo, São Paulo, 01 mar. 2013. Caderno 1, p.
47.

3983

�W3C.

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WOODLEY, M. S. Crosswalks, Metadata Harvesting, Federated Searching, Metasearching:
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&lt;http://www.getty.edu/research/publications/electronic publications/intrometadata/path.pdf&gt;.
Acesso em: 14 maio 2014.

3984

�</text>
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                <text>Assumpção, Fabrício Silva, Silva, Renata Eleutério da, Ferreira, Jaider Andrade, Bastos, Flávia Maria</text>
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            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <text>O Repositório Institucional UNESP foi criado em 2013 e, para sua implantação, foi povoado com dados obtidos de forma automática. Considerando a experiência realizada na UNESP, este trabalho tem por objetivo apresentar os processos utilizados para a conversão dos registros coletados de três diferentes fontes de dados (Web of Science, SciELO e Scopus) para inclusão no repositório. A partir da coleta dos registros, os padrões de metadados da Web of Science, da SciELO e da Scopus foram mapeados para o perfil de aplicação de metadados utilizado no repositório. Os registros foram coletados como arquivos XML e, para sua conversão, foram elaboradas folhas de estilo utilizando a linguagem XSLT. Após essa conversão, os arquivos XML foram convertidos em arquivos CSV e, então, importados no Repositório. Conclui-se que os processos de conversão utilizados permitiram alcançar as metas iniciais do Repositório e evitaram a necessidade de inclusão dos registros de forma manual.</text>
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                  <elementText elementTextId="76462">
                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA SOB O IMPACTO DA MÍDIA DIGITAL: O CASO
DO PORTAL DE PERIÓDICOS ELETRÔNICOS DA UNIVERSIDADE FEDERAL
DO RIO GRANDE DO NORTE
Maria Aniolly Queiroz Maia
Thiago Rodrigues Dantas
Clediane de Araújo Guedes
Maria da Conceição Queiroz Maia
Samya Maria Queiroz Maia,
Leandro Luis de Almeida Cunha

RESUMO
Aborda o Ciberespaço como a inserção das pessoas no mundo virtual e digital. Trata a
cibercultura como uma cultura desenvolvida a partir dos novos comportamentos sociais
oriundos da internet. Explana sobre a comunicação científica na mídia digital com abordagem
nas revistas científicas eletrônicas. Enfoca o portal de periódicos eletrônicos da Universidade
Federal do Rio Grande do Norte como uma ferramenta que possibilitou a produção e
divulgação da informação científica. Enfatiza a criação de revistas científicas como uma
tendência social, considerando baixos custos na tiragem dos exemplares. Objetiva abordar a
criação de revistas científicas em formato digital como uma nova tendência social. A
metodologia utilizada adotou como procedimentos para o seu desenvolvimento, pesquisas
bibliográficas e eletrônicas. Conclui que dentre as vinte e duas revistas, treze foram criadas
efetivamente na mídia digital Portal de Periódicos Eletrônicos da Universidade Federal do Rio
Grande do Norte.
Palavras-Chave: Comunicação científica; Mídia digital; Revistas eletrônicas; Portal de
Periódicos Eletrônicos; Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
ABSTRACT
Addresses the Cyberspace as the integration of those virtual and digital world. It cyberculture
as a culture developed from the new coming of the internet social behaviors. Explains the
scientific communication in the digital media approach in electronic scientific journals.
Focuses on the e-journal portal of the Universidade Federal do Rio Grande do Norte as a tool
that enabled the production and dissemination of scientific information. Emphasizes the
creation of scientific journals as a social trend, considering the low cost of the copies run.
Aims to approach the creation of scientific journals in digital format as a new social trend.
The methodology adopted as procedures for its development, and electronic bibliographic
searches. Concludes that among the twenty-two journals, thirteen were actually created in
digital media Portal de Periódicos Eletrônicos da Universidade Federal do Rio Grande do
Norte.
Keywords: Scientific communication; Digital media; Electronic journals; Portal of Electronic
Journals; Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

3965

�1 Introdução
A sociedade atual vivencia constantes mudanças no que concernem as formas de
comunicação utilizadas pelos indivíduos. Existem diversas maneiras de se comunicar e uma
delas é através da comunicação científica. Um dos meios utilizados para possibilitar a
comunicação científica diz respeito á divulgação de informações através das revistas
científicas em formato digital. Nesse sentido, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(UFRN) desenvolveu o Portal de Periódicos Eletrônicos que possibilita a pesquisa das
produções científicas publicadas nos periódicos dessa instituição.
O Portal de Periódicos Eletrônicos da UFRN atualmente abriga vinte e duas revistas
científicas eletrônicas, onde treze dessas revistas já se desenvolveram na mídia digital.
Nesse sentido, este trabalho propõe expor a tendência de criação de revistas científicas
em formato digital. Como procedimentos metodológicos foram desenvolvidos pesquisas
bibliográficas e eletrônicas, e análise de bases de dados para efetivação do estudo de caso.
Este último, em função de se querer interpretar a realidade particular das revistas que
integram o portal.

2 Cultura no ciberespaço
O ciberespaço é um termo de origem americana, desenvolvido em 1984, pelo escritor
William Gibson em seu romance de ficção científica Neuromancien. No livro, o termo
Ciberespaço designa o universo das redes digitais. A partir desse romance, o termo foi
imediatamente empregado pelos usuários e criadores de redes digitais (RIBEIRO et al.,
[200_?]).
Nesse contexto a sociedade adquire novos comportamentos, em decorrência deste
espaço. Esses comportamentos estão relacionados à cultura do ciberespaço, conhecida como
cibercultura.
A cibercultura corresponde à forma sociocultural que surge da relação simbiótica entre
a sociedade, a cultura e as tecnologias de base micro-eletrônica que se desenvolveram com a
convergência das telecomunicações com a informática na década de 70 (LEMOS; CUNHA,
2003).
As informações disponibilizadas pela internet garantem aos usuários uma maior
rapidez, no tocante ao limite de tempo e espaço. Isso contribui para a minimização de custos,
com relação ao deslocamento de um indivíduo.

3966

�2.1 Comunicação científica na mídia digital
A comunicação científica pode ser definida como o conjunto de atividades associadas
à produção, disseminação e uso da informação, desde o momento em que o cientista concebe
uma ideia para pesquisar, até que a informação acerca dos resultados seja aceita como
constituinte do conhecimento científico (MIRANDA, 1996). Trata-se de um processo que
envolve o pesquisador e a comunidade científica, que por sua vez faz uso dessa informação
para beneficiar a sociedade e possibilitar novos estudos científicos.
A comunicação situa-se no próprio coração da ciência. É para ela tão vital
quanto à própria pesquisa, pois a esta não cabe reivindicar com legitimidade
este nome enquanto não houver sido analisada e aceita pelos pares. Isso
exige, necessariamente, que seja comunicada. Ademais, o apoio às
atividades científicas é dispendioso, e os recursos financeiros que lhes são
alocados serão desperdiçados a menos que os resultados das pesquisas sejam
mostrados aos públicos pertinentes. Qualquer que seja o ângulo pelo qual a
examinemos, a comunicação eficiente e eficaz constitui parte essencial do
processo de investigação científica. (M EADOW S, 1999, p.7).

Nessa perspectiva, a comunicação científica pode ser entendida como um canal
onde é possível a divulgação da ciência pelos seus pares, independente de seus suportes.
A comunicação científica está diretamente relacionada à divulgação de informações
científicas, estas que por sua vez poderão estar armazenadas em revistas científicas que
utilizam mídias digitais.
Os periódicos científicos em mídia digital são canais de divulgação da informação
científica, promovendo acesso à informação em intervalos de tempo cada vez menores. Além
de garantir maior visibilidade à pesquisa e ao pesquisador.

2.2 Periódicos científicos eletrônicos
Os periódicos científicos surgiram no século XVII como uma evolução do sistema
particular e privado de comunicação que era realizado através de cartas enviadas pelos
homens de ciência (Galileu, Kepler, Copérnico e Francis Bacon) e seus amigos, relatando
suas descobertas mais recentes (STUMPF, 1994). Anteriormente, a ciência era feita por
filósofos, que faziam uso da argumentação de dedução para explicar determinados fenômenos
naturais.
Os periódicos científicos eletrônicos são publicações continuadas indefinidamente,
apresentam procedimentos de controle de qualidade dos trabalhos publicados, e
disponibilizam o texto completo através de acesso online. Os mesmos podem ter (ou não)
uma versão impressa ou em outro tipo de suporte (OLIVEIRA, 2006).

3967

�3 Portal de Periódicos Eletrônicos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
O Portal de Periódicos Eletrônicos da UFRN é uma ferramenta que abriga as revistas
científicas eletrônicas da Instituição, de modo a garantir maior visibilidade da produção
científica da comunidade acadêmica. Trata-se de um ambiente que promove a editoração e
gestão de informações científicas, garantindo maior comodidade ao usuário e visibilidade à
produção científica.
A ferramenta que o Portal utiliza, corresponde ao Sistema Eletrônico de Editoração de
Revistas (SEER), que por sua vez é uma ferramenta eletrônica de editoração de revistas
traduzida pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), a partir
da versão do Open Journal Sistem (OJS).
Trata-se de um projeto da Biblioteca Central Zila Mamede (BCZM), em parceria com
a Editora da UFRN (EDUFRN), Pró-Reitoria de Pesquisa (PROPESQ), Pró-Reitoria de PósGraduação (PPG), Pró-Reitoria de Extensão (PROEX) e o Departamento de Ciência da
Informação (DECIN), tendo em vista a necessidade de abrigar em um único ambiente
eletrônico as publicações científicas da UFRN, de modo a garantir maior visibilidade desta
produção.
Atualmente o Portal abriga vinte e dois periódicos científicos eletrônicos, conforme
descrição a seguir:
Quadro 1: Lista de Periódicos que integram o Portal de Periódicos Eletrônicos da UFRN
Art Research Journal______________________________________________________________
Bagoas - Estudos gays: gêneros e sexualidades______________________________________________
Imburana: revista do Núcleo Câmara Cascudo de Estudos Norte-Rio-Grandenses________________

Journal o f Surgical And Clinical Research
Mneme - Revista de Humanidades_________________________________________________________
Princípios: Revista de Filosofia____________________________________________________________
Revista Ambiente Contábil________________________________________________________________
Revista Brasileira de Inovação Tecnológica em Saúde________________________________________
Revista Constituição e Garantia de Direitos_________________________________________________
Revista Cronos__________________________________________________________________________
Revista de Fisioterapia Respiratória e CardioVascular________________________________________
Revista de Turismo Contemporâneo________________________________________________________
Revista Direito E-nergia__________________________________________________________________
Revista Educação em Questão_____________________________________________________________
Revista Extensão e Sociedade_____________________________________________________________
Revista Inter-Legere______________________________________________________________________
Revista Odisseia_________________________________________________________________________
Revista Porto____________________________________________________________________________
Revista PublICa_________________________________________________________________________
Saberes: Revista interdisciplinar de Filosofia e Educação_____________________________________
Sociedade e Território____________________________________________________________________
Vivência: Revista de Antropologia_________________________________________________________

Fonte: Elaborado pelo autor

3968

�Desse total de 22 (vinte e dois) periódicos que integram o Portal de Periódicos Eletrônicos
da UFRN, 13 (treze) revistas nasceram efetivamente no Portal de Periódicos Eletrônicos da
instituição. Conforme descrição abaixo:

Quadro 2: Lista de Periódicos que integram o Portal de Periódicos Eletrônicos da UFRN
desenvolvidos efetivamente em formato digital
Art Research Journal,_____________________________________________________________
Imburana: revista do Núcleo Câmara Cascudo de Estudos Norte-Rio-Grandenses_____________

Journal o f Surgical And Clinical Research____________________________________________
Mneme - Revista de Humanidades________________________________________________________
Revista Constituição e Garantia de Direitos________________________________________________
Revista de Fisioterapia Respiratória e CardioVascular______________________________________
Revista de Turismo Contemporâneo______________________________________________________
Revista Direito E-nergia_________________________________________________________________
Revista Extensão e Sociedade____________________________________________________________
Revista Inter-Legere_____________________________________________________________________
Revista PublICa_________________________________________________________________________
Saberes: Revista interdisciplinar de Filosofia e Educação___________________________________
Sociedade e Território___________________________________________________________________

Fonte: Elaborado pelo autor

Nessa perspectiva observa-se uma tendência social no que se refere ao
desenvolvimento de revistas em formato digital, sejam elas de caráter científico ou não. Para
tanto, acredita-se que os novos comportamentos de usuários, que por sua vez estão cada vez
mais antenados no que concerne ao acesso às informações através da rede mundial de
computadores (internet), gastos na editoração de uma revista em formato digital, levando em
consideração principalmente os altos custos com a tiragem dos periódicos, são justificativas
para a construção dos periódicos em formato eletrônico.

3.1 Materiais e Métodos
Utilizou-se de pesquisa acadêmica teórica documental e análise de base de dados para
efetivação de um estudo de caso.

3.2 Resultados Parciais/Finais
Observou-se uma tendência na produção da comunicação científica em mídias digitais,
no universo de periódicos científicos, com recorte no Portal de Periódicos Eletrônicos da
Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

3969

�4 Considerações Parciais/Finais
O ciberespaço e as mídias digitais possibilitaram a comunicação científica um nicho
de produção acadêmica em constante desenvolvimento. Os portais de periódicos científicos
eletrônicos assumiram o papel de divulgadores de revistas científicas eletrônicas em todo
país, facilitando assim a comunicação científica no mundo. Podemos constatar com recorte no
Portal de Periódicos Eletrônicos da UFRN, uma forte tendência de criação de novos
periódicos em formato digital, visto sua grande expansão e “baixo custo”, assim como a
facilidade de acesso e a globalização mundial e eletrônica no acesso a informação.

5 Referências
LEMOS, A. ; CUNHA, P. (Orgs). Olhares sobre a cibercultura. Porto Alegre: Sulina, 2003.
MEADOWS, A. J. A comunicação científica. Tradução de Antonio Agenor Briquet de
Lemos. Brasília: Briquet de Lemos, 1999.
MIRANDA , D. B. O periódico científico como veículo de comunicação: uma revista de
literatura. Ciência da Informação. Brasília, v.25, n.3,

1996. Disponível em: &lt;

http://www.ibict.br/cionline&gt; Acesso em: 27 abr. 2014.
OLIVEIRA, E. B. P. M. Uso de periódicos científicos por docentes e pós-graduandos do
Instituto de Geociências da USP. 2006. 139f. Dissertação (Mestrado em Ciência da
Informação) - Escola de Comunicação e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006.
PORTAL DE PERIÓDICOS ELETRÔNICOS DA UFRN. [2010]. Disponível em: &lt;
http://periodicos.ufrn.br/&gt;. Acesso em: 01. maio. 2014.
RIBEIRO, et al. Informação e ciberespaço. Belo Horizonte, [200_?].
STUMPF, I.R.C. Revistas universitárias: projetos inacabados. 1994. 302f. Tese (Doutorado
em Ciências da Comunicação) - Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo,
São Paulo, 1994.

3970

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Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Aborda o Ciberespaço como a inserção das pessoas no mundo virtual e digital. Trata a cibercultura como uma cultura desenvolvida a partir dos novos comportamentos sociais oriundos da internet. Explana sobre a comunicação científica na mídia digital com abordagem nas revistas científicas eletrônicas. Enfoca o portal de periódicos eletrônicos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como uma ferramenta que possibilitou a produção e divulgação da informação científica. Enfatiza a criação de revistas científicas como uma tendência social, considerando baixos custos na tiragem dos exemplares. Objetiva abordar a criação de revistas científicas em formato digital como uma nova tendência social. A metodologia utilizada adotou como procedimentos para o seu desenvolvimento, pesquisas bibliográficas e eletrônicas. Conclui que dentre as vinte e duas revistas, treze foram criadas efetivamente na mídia digital Portal de Periódicos Eletrônicos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A BIBLIOTECA VIRTUAL EM SAÚDE DA SECRETARIA MUNICIPAL DA SAÚDE
DE SÃO PAULO COMO UMA FERRAMENTA PARA A GESTÃO DO
CONHECIMENTO

Marine Fumiyo Otake Arakaki
Mônica da Silva Peres

RESUMO
Este trabalho tem por objetivo descrever o processo de trabalho adotado para a implantação
da Biblioteca Virtual em Saúde da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (BVS SMS
São Paulo). A BVS SMS São Paulo surgiu da necessidade em constituir um sistema de
gestão de informação e do conhecimento capaz de promover a acessibilidade, a disseminação,
o compartilhamento e principalmente o estabelecimento de um trabalho em rede utilizando-se
de tecnologia e metodologia comum, que possibilitasse a convergência da informação e do
conhecimento produzido por profissionais que atuam nas diferentes áreas técnicas da
Secretaria Municipal da Saúde.
Palavras-Chave: Bibliotecas Virtuais; Gestão do Conhecimento; Gestão da Informação.

ABSTRACT
This paper has the objective describe the work process used to implant the Biblioteca Virtul
em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo (BVS SMS São Paulo). The BVS
SMS São Paulo came from the need to build a information and knowledge management
system capable that was capable to promote access, spread, share and above all establish an
network using the usual technology and methodology, giving the possibility the information
and the knowledge that was produced by the professional who works in different technical
areas of the Secretária Municipal da Saúde to converge.
Keywords: Virtual Libraries; Knowledge Management; Information Management.

1 Introdução
Este trabalho tem por objetivo descrever o processo de trabalho adotado para a
implantação da Biblioteca Virtual em Saúde da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo
(BVS SMS São Paulo).

3959

�A BVS foi idealizada em 2008 pela Escola Municipal de Saúde (EMS) da
Coordenação de Gestão de Pessoas (CGP) da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) para ser a
Biblioteca Virtual em Saúde do Centro de Formação dos Trabalhadores da Saúde (CEFOR),
atual Escola Municipal de Saúde.
Em agosto de 2010 quando foi estabelecido o convênio de cooperação técnica com o
Centro Latino Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME) para o
desenvolvimento da BVS o projeto foi reformulado para que a Biblioteca Virtual em Saúde
fosse da Secretaria Municipal da Saúde.
A reformulação do projeto foi necessária e motivada pela necessidade de implantar
uma ferramenta disponível por meio eletrônico, que possibilitasse a reunião, organização,
sistematização, promoção, ampliação e principalmente o acesso a informação e ao
conhecimento gerado no âmbito da Secretaria Municipal da Saúde, que se encontravam
espalhados em diversos espaços.
A disponibilização de uma plataforma de comunicação colaborativa em rede com
diferentes atores, em um trabalho cooperativo, descentralizado e convergente possibilitou
melhor interação entre as áreas para atualizar, formar e capacitar pessoas, e acima de tudo,
garantir o provimento e o compartilhamento da informação e do conhecimento produzido
pelos profissionais que atuam na SMS.

2 Revisão de Literatura
A proposta da Biblioteca Virtual em Saúde, como espaço virtual de convergência na
Internet do trabalho cooperativo em informação científica e técnica em saúde, foi aprovada
em março de 1998, na 5a Reunião do Sistema Latino-Americano e do Caribe de Informação
em Ciências da Saúde, realizada em São José, Costa Rica, que contou com a participação de
representantes do sistema nacionais de informação científica e técnica em saúde de todos os
países da América Latina e da grande maioria das ilhas do Caribe. Em conjunto, acordaram
registrar o lançamento da BVS na Declaração de São José Rumo à Biblioteca Virtual em
Saúde, comprometendo-se com sua construção coletiva (BIREME, 1998).
A BVS é produto da evolução de três décadas do programa de cooperação técnica em
informação científica na América Latina e Caribe. Sob a liderança da OPAS/OMS, o
programa é coordenado e implantado pela BIREME, seu centro especializado, desde a sua
criação em 1967. Na sua evolução, o programa adotou sucessivos paradigmas de gestão e
operação de produtos e serviços na estrutura da comunicação científica, sempre funcionando
em rede e buscando atender às necessidades de informação do sistema nacionais de pesquisa,

3960

�ensino e atenção à saúde. O programa iniciou-se com a rede de bibliotecas especializadas,
enriquecida anos mais tarde com a função de centros de informação e indexação, a seguir
como sistema de sistemas nacionais de informação e, a partir de 1998, com a biblioteca
virtual

operando na Internet.

Seu portal

operado pela BIREME está no sítio

&lt;www.bvsaúde.org&gt;.
Como princípios, a BVS busca a equidade no acesso à informação em saúde; a
promoção de alianças e consórcios para maximizar o uso compartilhado de recursos; a
promoção do trabalho cooperativo e do intercâmbio de experiências; seu desenvolvimento e
operação descentralizados em todos os níveis; o desenvolvimento baseado nas condições
locais; e o estabelecimento e aplicação de mecanismos integrados de avaliação e controle de
qualidade.

3 Materiais e Métodos
A Coordenação de Gestão de Pessoas da Secretaria Municipal da Saúde, por meio da
Escola Municipal de Saúde, propôs o convênio com o Centro Latino-Americano e do Caribe de
Informação em Ciências da Saúde, para a implantação da BVS SMS São Paulo.
A proposta idealizada estabelecia um novo padrão de relação e interação entre as áreas
técnicas e seus profissionais, por meio da organização do trabalho em rede, de modo
cooperativo e descentralizado, aliado ao uso de tecnologia avançada e de uma metodologia
reconhecida e consolidada pela BIREME.
A rede BVS SMS São Paulo é formada pelas 19 áreas técnicas da Secretaria Municipal
da Saúde:
o
Assessoria Técnica da Informação (ATTI)
o
Autarquia Hospitalar Municipal (AHM)
o
Comitê de Ética em Pesquisa (CEP)
o
Coordenação da Atenção Básica
o
Coordenação de Apoio e Desenvolvimento a Gerencia Hospitalar
(COGERH)
o
Coordenação de Epidemiologia e Informação (CEInfo)
o
Coordenação de Gestão de Pessoas (CGP)
o
Coordenação de Vigilância em Saúde (COVISA)
o
Coordenação do Sistema Municipal de Regulação, Controle, Avaliação
e Auditoria (CSMRCAA)
o
Coordenadoria Regional de Saúde Centro-Oeste
o
Coordenadoria Regional de Saúde Leste
o
Coordenadoria Regional de Saúde Norte
o
Coordenadoria Regional de Saúde Sudeste

3961

�Coordenadoria Regional de Saúde Sul
Escola Municipal de Saúde
Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM)
Núcleo de Planejamento
Programa Municipal de DST/Aids
Rede Proteção a Mãe Paulistana

o
o
o
o
o
o

Com as áreas técnicas da SMS definidas, a BIREME realizou capacitações no uso de
diversas ferramentas para a gestão da informação da BVS. Foram constituídas as instâncias do
Comitê Consultivo; Comitê Executivo e Secretaria Executiva, que são as instâncias que fazem
o gerenciamento das ações da BVS, cada qual desenvolvendo o seu papel.
Para promover a participação descentralizada no uso das novas tecnologias para
operação, manutenção e fortalecimento da BVS, foram realizadas também reuniões e visitas
técnicas monitoradas para a sensibilização e apresentação do projeto.

4 Resultados
A partir de um trabalho em rede e com uma equipe engajada, foi possível construir de
maneira compartilhada a 1a Biblioteca Virtual em Saúde de uma instância municipal
brasileira. A BVS SMS Paulo foi lançada em 23 de agosto de 2011, apresenta um recente
histórico de desenvolvimento e fortalecimento como uma ferramenta estratégica na gestão do
conhecimento.
Com acesso livre, gratuito e equitativo, a BVS SMS São Paulo colabora para a
redução de deslocamentos na cidade de São Paulo, por meio do uso da tecnologia, diminuindo
custos operacionais e permitindo que os profissionais conheçam as melhores práticas e, dessa
forma, as tomadas de decisões e a formulação de políticas de saúde sejam baseadas em
informações atualizadas.
Conquistou-se, em tempo recorde, uma BVS conformada e disponível com
resultado potencializado, pelo permanente trabalho coletivo, integrado e descentralizado,
entre técnicos, gestores e usuários. Tais profissionais cooperam para a manutenção,
fortalecimento e ampliação do fluxo de informação. Prova disto é que, atualmente, contamos
com mais 8.000 documentos inseridos em sua base, podendo ser visualizados em texto
completo; e com mais de 70.000 acessos no portal.
Em 2012,

após um ano da implantação da BVS

BIREME/OPAS/OMS

concedeu a certificação,

SMS

São Paulo,

a

como reconhecimento do trabalho

desenvolvido, que envolveu não apenas uma área, mas a Secretaria Municipal da Saúde, que

3962

�incentivou a participação de seus trabalhadores, valorizou seus saberes, fomentou e
reconheceu o trabalho colaborativo.
5 Considerações finais
A implantação da BVS SMS São Paulo possibilitou uma de mudança de cultura,
quebrando paradigma na busca a equidade no acesso à informação em saúde; a promoção de
alianças para maximizar o uso compartilhado de recursos; a promoção do trabalho
cooperativo e do intercâmbio de experiências;

seu desenvolvimento e operação

descentralizados em todos os níveis.
A Secretaria Municipal da Saúde do município de São Paulo se constitui como vitrine
de suas ações relacionadas a saúde coletiva e pública aos demais municípios brasileiros em
uma posição de vanguarda.
Entre outras ações, a BVS SMS São Paulo traduz uma das inovações e surgiu da
necessidade de implantar novas ferramentas eletrônicas que possibilitassem o estabelecimento
de um novo padrão de relação e interação entre as diversas áreas técnicas e seus profissionais,
por meio da organização do trabalho cooperativo e descentralizado, aliada ao uso de
tecnologia avançada e de uma metodologia reconhecida e consolidada pela BIREME.
O modelo previu a captação da produção técnica, científica, informativa e de ensino,
que é o resultado do trabalho das pessoas que são depositárias do patrimônio intelectual da
instituição, favorecendo a construção de conhecimento estratégico e com isso, a agilidade nas
respostas às demandas de saúde.
Desse modo o acesso ao conhecimento e a informação gerada pelos profissionais na
rede de serviços, colabora com a socialização e com a gestão do conhecimento e
conseqüentemente, com a melhoria da saúde pública.

6 Referências
1. ARAKAKI, M.F.O. et al. Biblioteca Virtual em Saúde da cidade de São Paulo: uma
construção coletiva. São Paulo: Escola Municipal de Saúde, 2011. 11p.
2.BIREME/OPAS/OMS.

Guia

da BVS

2011:

consulta pública.

Disponível

em:

http://guiabvs2011.bvsalud.org/. Acesso em: 9 jan. 2014.
3. BIREME/OPAS/OMS. O papel da rede brasileira de informação em ciências da saúde
na

construção

da

Biblioteca

Virtual

em

Saúde.

Disponível

em

&lt;http://www.bireme.br/bvs/P/snbu_doc.htm. &gt; Acesso em: 9 ja. 2014.
4. NONAKA, I.; TAKEUCHI, H. Gestão do conhecimento. Porto Alegre: Bookman
Companhia, 2008. 319p.

3963

�5.SÃO PAULO (Cidade). Secretaria da Saúde. Documento de apoio ao processo de
planejamento estratégico da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo. São Paulo:
SMS, set. 2013. 133p.
6.SÃO PAULO(Cidade). Secretaria da Saúde. Biblioteca Virtual em Saúde. Estatísticas de
acesso.

São

Paulo,

2014.

Disponível

em:

&lt;http://logs.bireme.br/cgi-

bin/awstats.pl?config=sms-sp-bvs-br&gt;. Acesso em: 04 de abr. 2014.

3964

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A biblioteca virtual em saúde da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo como uma ferramenta para a Gestão do Conhecimento </text>
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                <text>Arakaki, Marine Fumiyo Otake, Peres, Mônica da Silva</text>
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                <text>Este trabalho tem por objetivo descrever o processo de trabalho adotado para a implantação da Biblioteca Virtual em Saúde da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (BVS SMS São Paulo). A BVS SMS São Paulo surgiu da necessidade em constituir um sistema de gestão de informação e do conhecimento capaz de promover a acessibilidade, a disseminação, o compartilhamento e principalmente o estabelecimento de um trabalho em rede utilizando-se de tecnologia e metodologia comum, que possibilitasse a convergência da informação e do conhecimento produzido por profissionais que atuam nas diferentes áreas técnicas da Secretaria Municipal da Saúde.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA E O COMPARTILHAMENTO DE
INFORMAÇÕES: UM BREVE ESTUDO EM PORTUGAL E NO NORDESTE DO
BRASIL
Ana Roberta Sousa Mota

RESUMO
O estudo tem por objetivo principal analisar, com base na literatura especializada em
bibliotecas universitárias e redes sociais, como está ocorrendo o uso das Tecnologias Digitais
nas Bibliotecas Universitárias para disseminar informações. Aborda conceitos de informação,
biblioteca universitária, redes sociais e tecnologia da informação e comunicação. Enfatiza a
importância das novas tecnologias de comunicação e informação para disseminação de
informações relativos a produtos e serviços de uma biblioteca. A metodologia empregada
baseou-se na investigação bibliográfica e levantamento em sítios de bibliotecas, na internet,
que utilizam redes sociais. Pretende-se obter um panorama do uso de redes sociais em
bibliotecas brasileiras e portuguesas e propor o uso dessa tecnologia e nova forma de se
relacionar para determinar ações visando inovar os serviçoes e atender as necessidades
informacionais dos usuárioses com a maior objetividade e precisão.
Palavras-chave: Biblioteca Universitária; Redes Sociais; Tecnologia da Informação e
Comunicação.

1 Introdução
Com a criação da internet os serviços das bibliotecas se modificaram e a proporção da
explosão bibliográfica acresceu à medida que as tecnologias de comunicação se
desenvolveram. A grande rede mundial ampliou as possibilidades de comunicação e
investigação, Guimarães (2005, p. 159) ressalta que “com a introdução World Wibe Web, a
internet se tornou um dos principais recursos de comunicação no mundo atual.” Enquanto
Souto (2003, p. 74) afirma que “com o uso do computador a literatura científica aumentou nos
últimos anos. As facilidades de acesso permitidas pela internet contribuíram para o aumento
dessa produção científica”. Tais fatores contribuíram para a proliferação de: textos, artigos,
livros

digitais,

resenhas,

relatórios,

pré-prints, teses,

dissertações,

chats,

e-mails,

videoconferências e sites, além dos multimédias, definidos pela APDSI (2007) como

3943

�“tecnologias da informação que permitem a utilização simultânea de vários tipos de dados
digitais (textuais, visuais e sonoros) no interior de uma mesma aplicação ou de um mesmo
suporte” o mesmo tempo em que a internet facilitou o acesso à informação e a comunicação
tornou também à medida e a organização deste conteúdo um desafio para sociedade.
A apresentação deste contexto fez com que muitos questionassem sobre a permanência
das bibliotecas, devido às facilidades que a tecnologia proporciona, porém, comungamos com
Cunha (2007) ao afirmar que as bibliotecas sempre acompanharam e venceram os novos
paradigmas tecnológicos, e o papel das bibliotecas de armazenar, disponibilizar e facilitar o
acesso à informação ampliou-se para o ambiente virtual, fazendo com que as mesmas se
adaptem as mudanças e aperfeiçoem os serviços oferecidos.
A relevância das informações para o desenvolvimento social e organizacional é
notória por toda sua ênfase na sociedade contemporânea. A utilização adequada de
informações que circulam nas instituições configura-se em um contexto e representa uma
vantagem competitiva, além de se inserir no desenvolvimento estratégico. Inovações
tecnológicas e diversas possibilidades de comunicação têm contribuído para a interação entre
ambientes, indivíduos e informações, permitindo maior coesão e alcance de resultados
desejados.
O desenvolvimento das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) e os novos
meios de disseminação da comunicação científica, disponíveis na web, representam para as
instituições de ensino uma das principais vitrines para divulgação da produção científica
institucional e de seus investigadores. Tendo como principio a web como plataforma, a
criação da web 2.0 em 2004 (O’REILLY, 2005 apud BRITO, 2011), considerada como a
segunda geração de comunidades e serviços, vem proporcionando a criação de ferramentas
multimídias de grande relevância na comunicação. Blogs, fóruns de discussão, wikis, sistemas
RSS, redes sociais dentre outros, vem reforçando ainda mais a importância do espaço virtual
como canal informal de comunicação científica. De acordo com Primo (2007), a web 2.0
potencializa as formas de publicação, compartilhamento e organização de informações,
expandindo assim os espaços para a integração entre os participantes deste processo, pois os
utilizadores de bibliotecas podem tanto modificar quanto criar novos conteúdos e novos
ambientes hipertextuais.
No ambiente universitário, as bibliotecas estão aderindo cada vez mais as TIC como
ferramenta de disseminação do conhecimento e dos serviços oferecidos à comunidade
acadêmica. Nessa perspectiva, algumas das redes sociais, disponíveis na web 2.0, como o

3944

�Twitter, Facebook, LinkedIn e Slideshare tem se configurado de grande relevância na
disseminação de informações e serviços oferecidos para a comunidade acadêmica.
Adentrando ao contexto acadêmico, sabe-se que é uma realidade a utilização de redes
sociais como recurso didático nos processos de ensino, investigação e extensão. No entanto,
como afirma Brito (2011), num mundo onde a informação é produzida e disponibilizada de
forma significativa em meio eletrônico, esse recurso ainda não é explorado de forma integral.
Nesse ambiente de mudanças tecnológicas, atribuindo autonomia aos investigadores e
observando as atividades desenvolvidas nas bibliotecas universitárias que iremos verificar a
inserção dos novos paradigmas de Informação e Comunicação em Plataformas Digitais e
vislumbrar um pouco de como as bibliotecas universitárias estão inserindo a promoção e
utilização de produtos e serviços, através das redes sociais?

2. A Biblioteca Universitária em um espaço interativo
Falar em biblioteca universitária é falar em organizar, dispor e disseminar
informações, para tanto, faz-se necessário compreender um pouco sobre o conceito de
informação, entendido por Silva e Ribeiro (2002, p. 37) como um “Conjunto estruturado de
representações mentais e emocionais codificadas (signos e símbolos) e modeladas com/pela
interacção social, passíveis de serem registradas num qualquer suporte material e, portanto,
comunicadas de forma assíncrona e multi-direccionada” a informação é o insumo básico da
biblioteca, através dela ocorre o desenvolvimento de produtos e serviços em uma biblioteca,
Mangue afirma que a biblioteca universitária é focalizada como um sistema de comunicação
da informação,
no qual os registros são adquiridos, representados e organizados com a
finalidade de torná-lo acessível aos utilizadores; um sistema orgânico de
atividades que envolvem a produção e registros de conhecimentos, recursos
materiais e humanos necessários para servir de suporte às funções básicas
em instituições de nível superior. Elas são sistemas abertos de produção e
transmissão de conhecimento para atender às demandas sociais (Mangue,
2007, p.28).

As bibliotecas universitárias são consideradas um dos pilares da vida acadêmica, sua
função principal é a de “subsidiar as atividades de ensino, de investigação e de extensão
desenvolvidas nas universidades, mediante a provisão de recursos informacionais seletivos,
diversificados e organizados.” (SILVEIRA, 2009, p. 127). Durante séculos as bibliotecas tem
sido, como afirma Cunha (2000), “o ponto focal da universidade, com suas coleções
impressas preservando o conhecimento da civilização”. Atualmente a informação está

3945

�disponível em formas variadas, tais como: textos, gráficos, sons, algoritmos, simulações de
realidades virtuais, distribuídas em redes computacionais, acessível a uma maior quantidade
de pessoas, que ultrapassa à academia. A materialidade das informações produzidas em
universidades é vista em livros, dissertações, teses, artigos de periódicos, patentes e outros
documentos produzidos por seus docentes, alunos e investigadores.
As bibliotecas também contribuem para a construção do conhecimento ao prover
acesso, dinamizar, socializar, divulgar essa produção e também disponibilizar instrumentos
que facilitem o acesso, o uso da informação nas diversas áreas do conhecimento humano. As
plataformas digitais, definidas por Ramos (2013) como “Sistemas de suporte ao registro,
processamento, transformação e comunicação de informação em formato digital, constituídos
por dispositivos tecnológicos, hardware e/ou software, online ou offline, e por procedimentos
organizacionais e funcionais adequados a contextos de utilização e a usuários específicos” são
um marco para as bibliotecas e exige do bibliotecário habilidades e competência para uso das
TIC em plataformas digitais, são essenciais aos bibliotecários, principalmente os de referência
deverão conhecer as novas tecnologias, transformando o instrumental da referência tradicional
para as bibliotecas se tornarem competitivas ao mercado informacional, possibilitando o a
disponibilização de informação com valor agregado. Um novo comportamento é exigido aos
bibliotecários, o de mediador entre serviços em plataformas digitais e os usuários, Silva
(2010, p.25) afirma que a mediação é destinada, em especial, aos
info-incluídos e os born digital ou nativos da internet. Os serviços de
informação multiplicaram-se e complexificaram-se até se instalarem na
internet e, aqui, a função mediadora de comunicação no espaço social e a
função mediadora institucional, com as estratégias comunicacionais
específicas dos respectivos actores e agentes, não desapareceram, nem
tendem, necessariamente, a desaparecer, mas podem transformar-se e
coexistir com um emergente novo tipo de mediação - deslocalizada ou
dispersa (na internet/redes conexas), institucional, colectiva, grupal, pessoal
e até anónima, interactiva e colaborativa. Possíveis traços caracterizadores,
entre os quais importa destacar a interação e os processos colaborativos,
sociais, de participação cívica, espontânea e militante.

Diante do contexto apresentado pelas novas TIC em plataformas digitais, é de extrema
importância que as bibliotecas se adaptem e seus profissionais se aperfeiçoem para oferecer
novos serviços, onde Ferreira (2012, p. 4) denomina “high touch (serviço de referência
personalizado), refere-se à interacção humana e a “transacções” interpessoais que se efectuam
entre o utilizador e o bibliotecário de referência e serviço high tech (serviço de referência
eletrônica)”. Assim, o conflito existente no passado entre a cultura da tecnologia (fria,
impessoal, ameaçadora) e a cultura da biblioteca (reconfortante, pessoal) poderá deixar de

3946

�fazer sentido. A implementação dessas novas tecnologias pode proporcionar novos desafios,
consequentes do crescimento exponencial de recursos disponibilizados, recentes necessidades
identificadas, aumento das expectativas dos usuários, múltiplas formas de comunicação, mas
principalmente novas oportunidades, levando a redefinir seu papel na sociedade da
informação.

2.1. As redes sociais digitais em bibliotecas universitárias

O ser humano é um ser, essencialmente social, quando pequenino, ainda na barriga da
mãe já utiliza algumas formas de se comunicar, ao nascer já vêm ao mundo se comunicando,
através do ato de chorar, ao longo da vida, as relações humanas são feitas baseada na troca,
sejam de palavras, gestos ou olhares estamos sempre em contato com o outro. Ao longo da
vida integramos a sociedade através das ligações familiares, de estudo (na escola) e de
trabalho, assim dá-se as relações, criam-se os laços e os círculos. Na web não é diferente e
com o aparecimento da Web 2.0 definida como
a mudança para uma internet como plataforma, e um entendimento das
regras para obter sucesso nesta nova plataforma. Entre outras, a regra mais
importante é desenvolver aplicativos que aproveitem os efeitos de rede para
se tornarem melhores quanto mais são usados pelas pessoas, aproveitando
a inteligência coletiva O'Reilly (2006, p.1) .

Falar em redes é trazer Castells (1999) para a discussão de uma sociedade globalizada,
onde os fluxos definem o espaço. Compreendemos as portas do século XXI, a dimensão
global inédita desses fluxos de capital, de pessoas, da política e, mais importante, da
tecnologia e da informação, Castells influenciou novas noções decorrentes de uma
reestruturação organizacional da sociedade, que viriam a se tornar chaves explicativas para a
contemporaneidade. Inovador em suas teses, é dele o conceito de Estado-Rede. Para o teórico,
o mundo mudou, desfazendo-se a estratificação vertical que caracterizaria o estado das coisas
no mundo o qual conhecíamos até pouco tempo atrás, rumo a uma tendência de
horizontalidade nas relações sociais, econômicas e culturais entre os homens.
Diante da lógica organizacional, localizada em torno do espaço de fluxos mais
diversos, apresentam-se redes flexíveis e moles ao invés de cadeias verticais duras; nós
tenazes ao invés da concentração da informação e do desenvolvimento em centros rígidos de
agrupamento. O conceito definido por Castells (1999) indica, nesse novo estado de coisas,
princípios como “desterritorialidade”, autoridade institucional compartilhada, assimetria

3947

�reconhecida, relações inter-nodais, descentralização articulada de gestão, flexibilidade no
gerenciamento, subsidiariedade e horizontalidade. Decorre da concepção de Estado-Rede a
idéia de que é possível, em termos práticos, a estruturação do não-estruturável, preservando a
inovação e propiciando os saltos de desenvolvimento. O desenvolvimento é explícito e é fácil
observamos uma mudança de comportamento entre as pessoas e consequentemente nas
instituições e nas bibliotecas universitárias.
De acordo com Castells (1999, p.46) uma característica importante da sociedade
informacional, ainda que não esgote todo o seu significado é, “a lógica de sua estrutura
básica em redes, o que explica o uso do conceito de 'sociedade em rede”. Ao surgir a
sociedade em rede torna-se possível o desenvolvimento das novas tecnologias da informação
que, “agruparam-se em torno de redes de empresas, organizações e instituições para formar
um novo paradigma sociotécnico” (Castells, 1999, p.77) cujos aspectos centrais, representam
a base material da sociedade da informação.
Portanto, Castells aborda cinco aspectos centrais do novo paradigma: a informação é
matéria-prima; as novas tecnologias penetram em todas as atividades humanas; a lógica de
redes em qualquer sistema ou conjunto de relações usando essas novas tecnologias; a
flexibilidade de organização e reorganização de processos, organizações e instituições; e, por
fim, a crescente convergência de tecnologias específicas para um sistema altamente integrado,
conduzindo a uma interdependência entre biologia e microeletrônica (Castells, 1999, p. 78).
A aplicação da ideia do uso das tecnologias web 2.0 aos serviços e coleções das
bibliotecas tem sido classificada como Biblioteca 2.0. O termo “Biblioteca 2.0 foi concebido
em 2005 por Michael Casey, em seu blog LibraryCrunch, podendo ser aplicado além dos
serviços e inovações tecnológicas” (Maness, 2007, p. 44). Em seguida, outros bibliotecários
iniciaram uma investigação conceitual do significado da Biblioteca 2.0, considerando-se a
existência de controvérsias acerca da definição e de sua importância relativa. Maness (2007,
p. 44), apresenta sua definição em 2006, como “a aplicação de interação, colaboração, e
tecnologias multimídia baseadas em web para serviços e coleções de bibliotecas baseados em
web”. E acrescenta a teoria quatro elementos fundamentais: é centrada no utilizador; oferece
uma experiência multimídia; é socialmente rica; e é comunitariamente inovadora. Portanto,
entendemos que a biblioteca 2.0 é uma comunidade virtual focada no utilizador,
possibilitando dinamismo e interatividade para criar, localizar e compartilhar informações on­
line, através do uso da tecnologia e das plataformas digitais. É cada vez mais crescente o
número de ferramentas disponíveis na web que utilizam o paradigma da informação e
comunicação em plataformas digitais. A seguir, alguns exemplos do tipo de ferramenta e de

3948

�como elas podem ser aproveitadas para promoção e disponibilização de serviços e produtos
em uma biblioteca universitária:
Blogs e Microbloggings são páginas onde são publicados pequenos artigos contendo
informações, ideias, notícias, de forma cronológica por uma ou várias pessoas. Combina
texto, imagens, links, websites e mídias. Possibilitam maior interação que o website
tradicional por haver inclusão de mensagens em forma de comentários. Para Maness (2007, p.
47) os “blogs são novas formas de publicação”. Nas bibliotecas universitárias podem ser
utilizados para comunicação com os usuários para informar sobre novos aquisições, divulgar
serviços/produtos, dicas de investigação, de leitura etc. Os microbloggings são blogs com
textos curtos. O Twitter pode ser utilizado como exemplo e permite aos usuários o envio de
mensagens curtas, com até 140 caracteres. Nas bibliotecas podem ser utilizados para efetuar
contato direto com os usuários, fornecer informações gerais, divulgar eventos, investigações,
acervos, clubes de leitura, de forma resumida.
Wikis é uma ferramenta de escrita colaborativa que possibilita a criação de página web
aberta cujo objetivo é o de publicar a informação colaborativamente, onde o utilizador poderá
publicar e modificar o que está disponível. Como exemplos de aplicações dessa ferramenta
destaca-se a enciclopédia online Wikipédia, os livros e textos didáticos Wikibooks, os
dicionários Wiktionaires (BLATTMANN; SILVA, 2007). Nas bibliotecas podem ser
utilizadas para que o utilizador participe na elaboração de conteúdos, em projetos, na
capacitação de usuários, em salas on-line de estudo em grupo.
Alimentadores RSS (Really Simple Sindication) é uma ferramenta da web para
capturar automaticamente e distribuir conteúdos de websites, especialmente aqueles que são
atualizados frequentemente. O RSS permite ao utilizador assinar somente o conteúdo
selecionado conforme a sua necessidade, recebendo as informações automaticamente, sem
consultar os websites de origem para conhecer as ultimas informações. Nas bibliotecas podem
ser utilizados para atualizações sobre novidades no acervo, novos serviços, novos conteúdos
nas bases de dados (MANESS, 2007, p. 48).
Etiquetas (tags) é uma ferramenta que permite ao utilizador indexar de forma informal
e pessoal, com o uso de palavras-chave, o conteúdo de seu interesse (imagem, vídeo, blog,
livro) para facilitar a investigação e a recuperação da informação. Nas bibliotecas as tags
possibilitam aos usuários a criação de cabeçalhos de assunto para a fonte de informação que
tiverem em mãos (MANESS, 2007, p. 48).
Mensagens instantâneas/Chats é uma tecnologia que possibilita a comunicação em
tempo real entre as pessoas e a interação. Nas bibliotecas podem ser utilizadas para

3949

�disponibilizar serviços de referência por bate-papo, onde é possível a comunicação síncrona
entre bibliotecário e utilizador. Servem para divulgação de produtos e serviços, tirar dúvidas.
É o contato direto com o utilizador.
Redes sociais são uma tecnologia que permite a reunião de pessoas para compartilhar
dados pessoais, perfis ou interesses em comum. MySpace e Facebook são redes populares
para perfis pessoais. O Delicious permite o compartilhamento de recursos web. O Flickr
possibilita aos usuários compartilhamento de imagens. LibraryThing permite que os usuários
cataloguem, compartilhem e recomendem livros entre si, através de blogs, da adição de tags
em seus livros (MANESS, 2007). Redes sociais são definidas por Marteleto e Tomael (2005)
“modo como as diferentes instituições ou campos sociais se estruturam e determinam as ações
e representações dos sujeitos sociais”, elas enfatizam as relações entre as diversas unidades de
interação originaram-se na sociologia, na psicologia social e na antropologia (prisma multi e
interdisciplinar); surge a partir da Sociometria, nos anos 30. Atores e suas ações são vistos
como interdependentes e não como unidades independentes e autônomas, as relações entre os
atores são canais para transferência de recursos. Nas bibliotecas todas essas redes sociais
disponíveis em plataformas digitais podem ser utilizadas para aumentar a visibilidade da
instituição na web, permitir a formação de grupos com interesses comuns à biblioteca
universitária, a instituição ou a grupos de investigação científica, serve como leitura e
investigação, além de compartilhar informações e dinamizar os serviços oferecidos por uma
biblioteca universitária.
Os sítios de compartilhamento nos permitem o compartilhamento de conteúdos, a
exemplo o YouTube que permite a disponibilização de vídeos e o SlideShare para slides. Nas
bibliotecas podem ser utilizados para compartilhar vídeos e slides sobre a biblioteca e sobre a
instituição, além de promover as atividades realizadas e disponibilizar tutoriais.

3. O Caminho percorrido

O trabalho investigativo apoiou-se na literatura existente acerca da informação,
comunicação, novos paradigmas da informação e comunicação em plataformas digitais e
redes sociais. Realizamos uma pesquisa bibliográfica na internet com o uso da B-ON
(Biblioteca do Conhecimento Online), Google acadêmico e sítios de revistas eletrônicas
especializadas para o levantamento de conceitos e teorias acerca dos temas abordados.
Posteriormente, realizamos um levantamento das principais universidades no Nordeste
do Brasil e em Portugal, através do Google encontramos 9 (nove) Universidades Federais no

3950

�Brasil e 9 (nove) Universidades em Portugal. A saber são elas, no Brasil: Universidade
Federal do Piauí, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Universidade Federal da
Paraíba, Universidade Federal do Maranhão, Universidade Federal da Bahia, Universidade
Federal de Alagoas, Universidade Federal do Ceará e Universidade Federal de Sergipe; em
Portugal: Universidade do Porto, Universidade de Aveiro, Universidade de Coimbra,
Universidade de Évora, Universidade do Minho, Universidade do Algarve e Universidade
Católica Portuguesa.
A partir daí, navegou-se nos sítios das bibliotecas dessas universidades para identificar
a existência de links para redes de compartilhamento de informações, chamadas neste trabalho
de redes sociais. A seguir, discutiremos sobre o que encontramos nestes sítios de bibliotecas
de universidades brasileiras e portuguesas e quais redes sociais utilizadas por estes espaços de
organização e disponibilização de informações que visam subsidiar os investigadores na
construção do conhecimento.
Vale salientar que a investigação levou em consideração apenas as informações
disponibilizadas na página oficial das bibliotecas das universidades acima citadas, haja vista a
característica de institucionalização e o reconhecimento científico das informações ali
disponibilizadas.

4. As bibliotecas universitárias e as redes sociais no Nordeste do Brasil e em Portugal

Em nossa investigação através da web, encontramos e elegemos 18 universidades para
investigação, no Brasil escolhemos as Universidades Federais do Nordeste e em Portugal as
Universidades mais conceituadas. Neste momento ao entrar nos sítios das bibliotecas eleitas
para investigação, procuramos identificar links que reportavam a redes sociais e demais sítios
de compartilhamento de informações em textos, vídeos e imagens. A seguir apresentaremos o
Quadro 1 com o resultado encontrado.

3951

�Quadro 1 - Ferramentas de compartilhamento de informações utilizadas em bibliotecas
universitárias
U n iv ersid a d e

S ítio

F erra m en ta
w eb 2.0

Universidade Federal do Piauí (Brasil)
Universidade Federal da Paraíba (Brasil)

http://www.ufpi.br/bccb
http://www.biblioteca.ufpb.br

Universidade Federal do Rio Grande do
Norte (Brasil)

http://www.bczm.ufrn.br/site

Universidade Federal de Permanbuco
(Brasil)
Universidade Federal do Maranhão
(Brasil)
Universidade Federal da Bahia (Brasil)

http ://www.ufpe.br/sib

Nenhuma
Twitter,
facebook
youtube
Twitter,
facebook
flickr
Nenhuma

http://www.biblioteca.ufma.br

Nenhuma

http://www.sibi.ufba.br

Universidade
(Brasil)
Universidade
Universidade
Universidade
Universidade

http ://www .sibi.ufal .br

Twitter
youtube
Nenhuma

Federal

de

Alagoas

Federal do Ceará (Brasil)
Federal de Sergipe (Brasil)
do Porto (Portugal)
de Aveiro (Portugal)

Universidade de Coimbra (Portugal)
Universidade de Évora (Portugal)

Universidade do Algarve (Portugal)
Universidade do Minho (Portugal)
Universidade de Lisboa (Portugal)

Universidade da Madeira (Portugal)

Universidade dos Açores (Portugal)

e

e

e

http://www.biblioteca.ufc.br
http ://bibliotecas.ufs.br
http ://biblioteca.up.pt
http://www.ua.pt/sbidm/biblioteca/

Nenhuma
Twitter
Nenhuma
Twitter,
facebook,
youtube, blog e
slideshare
http ://www.uc.pt/sibuc
Youtube
Twitter,
http ://www.bib.uevora.pt/
facebook,
Google + e RSS
e
http ://www.ualg.pt/home/pt/content Facebook
flickr
/bibliotecas-1
Twitter,
http ://www .sdum .uminho.pt/
facebook e RSS
Twitter,
http ://www.ulisboa.pt/home facebook
e
page/viver/bibliotecas-e-livrarias/
youtube
http://www3.uma.pt/Sectores/SDA/ Nenhuma
index.php?IDM=PT&amp;menu item=
2
http ://www .sdoc .uac .pt/
RSS

Fonte: dados da pesquisa, 2013

O quadro 1 nos demonstra um total de 27 ambientes de compartilhamento de
informações, percebe-se também que das 18 universidades investigadas 7 (sete) não têm rede
social em plataforma digital para compartilhamento de informações das bibliotecas, enquanto
11 (onze) utilizam algum mecanismo para compartilhar informações via redes sociais na web.
Abaixo apresentamos as ferramentas utilizadas nas bibliotecas.

3952

�Gráfico 1 - Ferramentas utilizadas pelas bibliotecas

■ Twitter
■ Face book
■ Youtube
■ Flickr
■ RSS
■ SlideShare
■ Blog
■ Google +

Fonte: dados da pesquisa, 2013.

No gráfico 1 notase que o twitter é a rede social mais utilizada, sendo identificada em
8 (oito) universidade, seguida pelo facebook com 7 (sete) universidades a utilizar e youtube
com 5 (cinco) universidades usando-o. Flickr e RSS também são utilizados por duas
universidades e o Slideshare, Google + e o blog são usados pela biblioteca de uma
universidade. Como vimos, com o advento das tecnologias da informação e comunicação os
serviços tem se expandido cada vez mais para os ambientes digitais. Os dados acima
apresentados nos fazem refletir sobre a inserção das redes sociais nas bibliotecas
universitárias, é cedo para afirmar, mas parece ser uma tendência que as bibliotecas utilizem
estas ferramentas de compartilhamento, principalmente pelo fato de estar onde seu utilizador
está.
Dando continuidade a nossa análise, com base nas informações coletadas e
apresentadas no quadro 1 e no gráfico 2, podemos afirmar que as bibliotecas de universidades
portuguesas utilizam mais as redes sociais do que as bibliotecas de universidades da região
nordeste do Brasil, das 9 (nove) bibliotecas portuguesas apenas duas não utilizam as redes
sociais, enquanto no nordeste do Brasil 5 (cinco) das 9 (nove) bibliotecas consultadas não
utilizam nenhum tipo de rede social digital disponível em seus sítios oficiais.

3953

�Gráfico 2 - Utilização de redes sociais

Fonte: dados da pesquisa, 2013.

Ainda refletindo obre o que encontramos na investigação, no gráfico 2, percebe-se que
a Universidade de Aveiro e a Universidade de Évora estão à frente na utilização das redes
sociais, ambas utilizam 4 (quatro) tipos de redes sociais, seguidas pelas Universidade Federal
da Paraíba, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Universidade de Lisboa e
Universidade do Minho com 3 (três) redes sociais. Ainda analisando, identificamos a
Universidade Federal da Bahia e a Universidade do Algarve com 2 (dois) tipos de redes
sociais, enquanto a Universidade Federal de Sergipe, Universidade de Coimbra e a
Universidade dos Açores fazem uso de um tipo de rede social.
Diante desse panorama podemos afirmar que as redes sociais estão chegando às
bibliotecas universitárias e em Portugal mais vastamente do que no Brasil e nos leva a refletir
se é uma questão cultural, algum tipo de resistência, falta de habilidades e competências dos
bibliotecários responsáveis pelas bibliotecas ou alguma restrição institucional? Questões

3954

�como essas nos enveredam a investigar mais, principalmente sobre os reflexos das redes
sociais na vida de seus usuários.
A utilização de novos recursos da Web acelera o processo de socialização da
informação e em espaços mais interativos e participativos. O incentivo ao trabalho
cooperativo fornecido por recursos que podem criar o ambiente necessário para mudar a
forma de acessar, obter, criar e publicar informações em diferentes setores, principalmente
nos educacionais e sociais.
As bibliotecas universitárias devem ampliar suas fronteiras e vislumbrar possibilidades
de inovar suas atividades a partir do aumento na utilização e exploração e TIC, especialmente
da web. Atitudes pró-ativas para oferecer e disponibilizar informações institucionais de
produtos e serviços, implantação de novas ações de comunicação com seus usuários. É
necessário analisar e discutir o potencial dessas tecnologias e estabelecer estratégias para seu
gerenciamento e implementação. Repensar a prestação de serviços/produtos oferecidos
tradicionalmente e fornecer outros que facilitem a vida do utilizador para que ele tenha acesso
e esteja capacitado para utilizar a biblioteca e seus recursos informacionais na sua totalidade,
independente de seu local físico, bem como esteja instrumentalizado para o uso das novas
tecnologias para torná-los independentes na busca de informações. Porém, oferecer estes
novos produtos e serviços é algo que necessita de recursos humanos, materiais, financeiros,
tecnológicos disponíveis.

5. Algumas considerações

As conclusões desta investigação não findam por aqui. Porém, o exercício ora
explicitado em forma de artigo, nos fez refletir sobre questões que merecem um maior
aprofundamento. Com a evolução das bibliotecas e advento de TIC as bibliotecas
universitárias têm se inserindo paulatinamente nos novos paradigmas da informação e
comunicação em plataformas digitais, algumas de forma pró-ativa utilizando as redes sociais
para disponibilizar maior acesso as informações a própria biblioteca. Percebemos que ainda
existem lacunas a serem preenchidas, principalmente, pelo fato de muitas bibliotecas não estar
inseridas nesses espaços de compartilhamento de informações. Percebe-se que informações
têm sido geradas e distribuídas em maior escala. Textos, imagens e vídeos são produzidos em
larga escala e disponibilizados com um clique, seja pelo computador ou pelos dispositivos
móveis. Acredita-se que, diante deste contexto, as bibliotecas universitárias não podem ficar

3955

�distantes de tal realidade e para que elas se insiram neste meio é preciso uma pró-ação do
bibliotecário e das instituições a quem estão ligados. É preciso perceber que os usuários estão
circulando nestes novos espaços e é lá que a biblioteca também deve estar para auxiliá-lo e
motivá-los ao compartilhamento de informações produzidas. Deve haver uma maior interação
entre a biblioteca universitária e o usuário para que ambos percebam que a troca é um
caminho que trará o diferencial competitivo. No mundo globalizado que vivemos esta troca é
necessária e para tanto se pressupõe que a vinculação de recursos de intermediação interativa
da informação possibilitadas pelo avanço das plataformas interativas, reconhecidas como web
2.0, possa não só aproximar os usuários dos serviços/produtos de informação promovidos pela
biblioteca, mas também retroalimentará o próprio sistema de informação na medida em que,
ao utilizar esses recursos interativos, usuário e bibliotecário também estarão produzindo novas
informações que fazem parte da constituição da própria Biblioteca. Investigações recentes
realizadas em âmbito nacional e internacional demonstram que estes recursos interativos 2.0
ainda são pouco utilizados no Brasil e nossa investigação constata essa afirmação, fatores
tecnológicos, humanos e sociais estão atrelados a isto. Entretanto, nos espaços em que estes
recursos estão sendo inseridos tem ocorrido maior aproximação e apropriação do usuário
sobre os conhecimentos buscados na Biblioteca.
Diante do que refletimos, sugerimos que as bibliotecas ofereçam além de serviços
locais, outros tipos de serviços que facilitem a vida do usuário, dando-lhe autossuficiência, já
que atualmente muitos recursos informacionais estão distribuídos e disponíveis em rede.
Portanto, o bibliotecário deve estar onde o usuário está, buscando o diálogo presencial e/ou
virtual com o usuário para interpretar-lhe os meios, as formas de acesso à informação,
vislumbrando sempre atender a necessidade informacional do usuário. O diálogo será o que
diferenciará e marcará a qualidade dos serviços/produtos disponibilizados pela biblioteca aos
usuários de bibliotecas em plataformas digitais ou fisicamente.

6. Referências

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da

Sociedade

da

Informação.

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reflexões. Ciência da Informação, Brasília, v. 38, n. 2, p. 126-141, maio/ago. 2009.
Disponível em: &lt;http://revista.ibict.br/index.php/ciinf/article/viewArticle/1072&gt;. Acesso em:
15 set. 2010.

3958

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Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>A biblioteca universitária e o compartilhamento de informações: um breve estudo em Portugal e no nordeste do Brasil</text>
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                <text>O estudo tem por objetivo principal analisar, com base na literatura especializada em bibliotecas universitárias e redes sociais, como está ocorrendo o uso das Tecnologias Digitais nas Bibliotecas Universitárias para disseminar informações. Aborda conceitos de informação, biblioteca universitária, redes sociais e tecnologia da informação e comunicação. Enfatiza a importância das novas tecnologias de comunicação e informação para disseminação de informações relativos a produtos e serviços de uma biblioteca. A metodologia empregada baseou-se na investigação bibliográfica e levantamento em sítios de bibliotecas, na internet, que utilizam redes sociais. Pretende-se obter um panorama do uso de redes sociais em bibliotecas brasileiras e portuguesas e propor o uso dessa tecnologia e nova forma de se relacionar para determinar ações visando inovar os serviçoes e atender as necessidades informacionais dos usuárioses com a maior objetividade e precisão. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

WEBMARKETING APLICADO À BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: O WEBSITE
COMO FERRAMENTA DE PROMOÇÃO
Rubens da Costa Silva Filho

RESUMO
A temática a ser abordada no projeto de pesquisa de mestrado será a promoção de unidades de
informação através de técnicas de webmarketing, visando aumento de usuários nos seus
ambientes físico e virtual, a Biblioteca da Escola de Enfermagem da UFRGS será objeto desta
pesquisa. A presença da biblioteca na internet facilita a promoção de seus serviços e produtos
aos seus usuários, além disso possibilita agregar usuários potenciais para a biblioteca,
conhecê-los e oferecer-lhes produtos que vão de encontro às suas necessidades. A biblioteca
pode valer-se de recursos da própria web e integrá-los aos serviços já existentes no meio
físico, potencializando seus recursos. A aplicação de técnicas de marketing em bibliotecas
auxilia muito na obtenção de novos usuários onde estes tem acesso a uma gama de serviços e
produtos que antes a barreira física os distanciava. O trabalho a ser desenvolvido caracterizase como um estudo de caso, que pretende investigar formas de maximizar o uso da Biblioteca
da Escola de Enfermagem da UFRGS, através de técnicas de marketing aplicadas em
ambientes eletrônicos onde a biblioteca está inserida, site, blog, redes sociais e email. Em
avaliação preliminar foi detectada uma demanda não apenas institucional da biblioteca. Após
a finalização da pesquisa espera-se um aumento em torno de 50% no número de usuários da
biblioteca. O estudo também espera através de campanhas promocionais vinculadas à
ferramenta tecnológica a ser desenvolvida, fidelizar o público na utilização dos produtos e
serviços desenvolvidos e oferecidos pela biblioteca.
Palavras-Chave: Cibercultura; Biblioteca Universitária; Marketing.

ABSTRACT
The topic to be addressed in the design of master's research will be to promote information
units through web marketing techniques, aiming to increase users in their physical and virtual
environments, the Library of Nursing School at UFRGS, will be the subject of this research.
The presence of the library on the internet facilitates the promotion of their services and
products to their users in addition enables add potential users to the library, meet them and
provide them with products that meet your needs. The library can make use of web resources
itself and integrate them with existing services in the physical environment, leveraging their
resources. The application of marketing techniques in libraries helps a lot in getting new users
where they have access to a range of services and products before the physical barrier
distanced. The work being performed is characterized as a case study, we will investigate
ways to maximize the use of the Library of the School of Nursing at UFRGS , through
marketing techniques applied in electronic environments where the library is located, site,

3934

�blog, email and social networks. In preliminary assessment not only an institutional demand
library was detected. After completion of the survey is expected to increase around 50 % in
the number of library users. The study also hopes through promotional campaigns linked to
technological tool to be developed, retain the public in the use of products and services
developed and offered by the library.
Keywords: Cyberculture; University library; Marketing.

1 Introdução
A biblioteca universitária tradicional passa atualmente por um paradoxo, com o
incremento de novas ferramentas que auxiliam o acesso à informação científica de forma
independente e automática pelo usuário. A migração do público destas bibliotecas para a
imensidão de recursos tecnológicos a serviço da informação, disponíveis aos seus usuários,
como bases de dados digitais de livros e periódicos, sistemas automatizados de busca,
repositórios e bibliotecas digitais entre outros recursos, torna-os autônomos em relação ao que
seria até então a fonte mais segura para suas necessidades informacionais, a biblioteca
acadêmica. Cabe aos gestores das bibliotecas universitárias lançarem mão de recursos que
cativem novamente seus antigos usuários e que ao mesmo tempo amplie seu alcance à
possíveis usuários potenciais. A adoção de ferramentas de marketing, aplicadas à biblioteca
universitária, pode proporcionar um elevado grau de interação com o ambiente onde a
biblioteca se insere, fomentando a realização de trocas entre ela e seus usuários com foco nos
objetivos aos quais ambos busquem.
A temática a ser abordada no projeto de pesquisa de mestrado será a promoção de
unidades de informação através de técnicas de webmarketing, visando aumento de usuários
nos seus ambientes físico e virtual. O objetivo geral do trabalho será desenvolver um
ambiente virtual que promova a Biblioteca da Escola de Enfermagem da UFRGS, através de
técnicas de marketing aplicadas em um contexto virtual, visando o aumento do fluxo de
usuários nos meios físico e virtual. Já os objetivos específicos a serem alcançados na pesquisa
serão: a identificação das necessidades dos atuais usuários da biblioteca; a identificação dos
usuários potenciais que possam a vir a usar a biblioteca; e a construção de um ambiente
virtual que promova a biblioteca aumentando seu número de usuários.

3935

�2 Revisão de Literatura
No contexto atual, onde a grande maioria das pessoas está conectada à internet, faz-se
mais do que necessário que o gestor de uma biblioteca acadêmica reflita na inserção da
biblioteca ao qual esteja responsável no mundo virtual. A infinidade de recursos eletrônicos
disponíveis aos pesquisadores torna a biblioteca universitária cada vez menos atraente, já que
este usuário não encontra mais barreiras físicas e temporais para o acesso à informação.
Os gestores de unidades de informação devem preocupar-se com a importância na
promoção das bibliotecas e para o site como novo instrumento destinado a essa atividade,
uma vez que os websites podem vir a melhorar a imagem da biblioteca junto a sua
comunidade, além de contribuir para o aumento de seu uso (GUIMARÃES, 2007).
Quando a biblioteca possui uma orientação voltada para o usuário, este tem o papel
central em todas as atividades desenvolvidas do setor, portanto qualquer atividade de
promoção da biblioteca deve ter como ponto fundamental as necessidades informacionais dos
seus usuários. Um plano de marketing voltado para a biblioteca deve ser flexível, adaptável e
aberto ao ambiente externo da biblioteca.
Quando se fala em bibliotecas, o negócio é a informação, ou melhor, o
acesso a informação. Portanto torna-se necessário que o gestor de uma
biblioteca conheça bem seu cliente para poder elaborar planos e estratégias
visando a plena satisfação destes ao acesso a informação (OLIVEIRA, 2008,
p.178.).

Guimarães (2007) sugere que a presença das bibliotecas universitárias na Internet pode
ser enriquecida com a criação dos websites de forma integrada com a filosofia gerencial de
marketing. O processo de interação entre biblioteca e seu público encontra na produção de um
website um grande aliado, uma vez que:
A comunicação entre a biblioteca e os seus diversos públicos, por meio do
website, deve ser bidirecional e simétrica, visando a alcançar os objetivos
organizacionais em equilíbrio com os interesses e as necessidades dos
públicos (GUIMARÃES, 2007, p.158).

A presença da biblioteca na internet facilita a promoção de seus serviços e produtos
aos seus usuários, além disso possibilita agregar usuários potenciais para a biblioteca,
conhecê-los e oferecer-lhes produtos que vão ao encontro das suas necessidades. A biblioteca
pode valer-se de recursos da própria web e integrá-los aos serviços já existentes no meio
físico, potencializando seus recursos.
Para Chaim (2007) um website funciona como um objeto que agrega conteúdo,
informações e estratégias. Esta ferramenta faz uso de aplicações e tecnologias utilitárias

3936

�geralmente provenientes de um provedor de serviço da Internet dentre outras vantagens ela
permite resguardar a produção intelectual, limitar a produção de cópias em papel, conhecer os
consumidores da informação, personalizar conteúdos em função das necessidades do públicoalvo e interagir com a comunidade que se utiliza da biblioteca. Chaim, no mesmo trabalho,
ainda cita a interatividade e a personalização como elementos que podem ser explorados nos
websites das bibliotecas onde as informações necessárias para atender às exigências de
usuários estão contidas na navegação, podendo se apresentar de duas formas: através de
páginas estáticas, onde só contém texto, ou disponíveis como páginas dinâmicas, que fazem
uso de bancos de dados como fontes de informação, as quais comunicam benefícios,
divulgam produtos e serviços, criam condições para efetivar transações e esclarecem dúvidas
e questionamentos de seus usuários.
No ambiente da web, os sites das bibliotecas universitárias podem ser utilizados não
apenas para disponibilizar produtos e serviços, informações, instruções, mas também como
um valioso canal de comunicação entre as bibliotecas e seus públicos. Quanto maior for a
interação, este como um dos objetivos do marketing, entre a unidade de informação e seu
usuário, melhor será aprimorado o relacionamento entre as partes. (GUIMARÃES, 2007).
A utilização de websites como agente de promoção da biblioteca universitária
encontra hoje na literatura administrativa diferentes denominações, tais como webmarketing,
marketing na web, marketing na internet, ou ainda, e-marketing. A aplicação de técnicas de
marketing em bibliotecas auxilia muito na obtenção de novos usuários onde estes tem acesso
a uma gama de serviços e produtos que antes a barreira física os distanciava.

3 Materiais e Métodos
O trabalho a ser desenvolvido caracteriza-se como um estudo de caso, que pretende
investigar formas de maximizar o uso da Biblioteca da Escola de Enfermagem da UFRGS,
através de técnicas de marketing aplicadas em ambientes eletrônicos onde a biblioteca está
inserida, site, blog, redes sociais e email.
Para a coleta de dados referentes a identificação e o comportamento de acesso do
público que visita o site da biblioteca será utilizada a ferramenta de webmetria Google
Analytics. Será desenvolvido um questionário, com questões abertas e fechadas como
instrumento de coleta de dados para fornecer os dados referentes às necessidades dos usuários
atuais da biblioteca, dependendo de sua característica, docente, discente, técnicoadministrativo e público em geral. Também serão utilizados dados do Instituto Nacional de

3937

�Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
para a construção do objeto de estudo.

4 Resultados Parciais
A partir de outubro de 2014 o site inicia um processo de remodelação voltado para as
necessidades dos usuários institucionais, promovendo ao seu usuário maior identificação e
interação com a biblioteca.
Figura 1 - Site da biblioteca da Escola de Enfermagem UFRGS em construção

Fonte: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 014.

5 Considerações Parciais
Após a análise dos dados e da identificação das necessidades dos usuários reais e
potenciais da biblioteca, pretende-se analisar qual a ferramenta virtual mais eficiente para a
promoção dos produtos e serviços da Biblioteca da Escola de Enfermagem da UFRGS,
fazendo-se uso de técnicas de marketing em ambiente virtual, visando o aumento do número
de usuários.
Para Amaral (2011) o marketing na ciência da informação sugere que a tarefa das
bibliotecas e demais centros de informação não seja apenas a de satisfazer as necessidades de
informação momentâneas dos usuários, mas a de procurar inovar na oferta de produtos e
serviços que sejam capazes de atender aos interesses da clientela no futuro.

3938

�Após a finalização da pesquisa espera-se um aumento em torno de 50% no número de
usuários da biblioteca. O estudo também espera, através de campanhas promocionais
vinculadas à ferramenta tecnológica a ser desenvolvida, fidelizar o público na utilização dos
produtos e serviços desenvolvidos e oferecidos pela biblioteca.

Referências
AMARAL, Sueli Angélica do. Marketing da informação: abordagem inovadora para a gestão
de unidades de informação. Revista Percursos, Florianópolis, v.12, n.2, p. 22-38, 2011.
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Sueli (Org.). Marketing na ciência da informação. Brasília, DF: UnB, 2007. p. 97-120.
GUIMARÃES, Tatiara. Técnicas de marketing em websites de bibliotecas universitárias
brasileiras. In: AMARAL, Sueli (Org). Marketing na ciência da informação. Brasília, DF:
UnB, 2007. p.143-160.
OLIVEIRA, Daniela Assis de. Utilização de um plano estratégico de marketing como
instrumento decisório na gestão da biblioteca do SESC de Florianópolis. Revista ACB,
Florianópolis,

v.13,

n.1,

p.

174-188,

2008.

Disponível

em:

&lt;http://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/548/673&gt;. Acesso em: 15 mar. 2014.

3939

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Webmarketing aplicado à biblioteca universitária: o website como ferramenta de promoção</text>
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                <text>A temática a ser abordada no projeto de pesquisa de mestrado será a promoção de unidades de informação através de técnicas de webmarketing, visando aumento de usuários nos seus ambientes físico e virtual, a Biblioteca da Escola de Enfermagem da UFRGS será objeto desta pesquisa. A presença da biblioteca na internet facilita a promoção de seus serviços e produtos aos seus usuários, além disso possibilita agregar usuários potenciais para a biblioteca, conhecê-los e oferecer-lhes produtos que vão de encontro às suas necessidades. A biblioteca pode valer-se de recursos da própria web e integrá-los aos serviços já existentes no meio físico, potencializando seus recursos. A aplicação de técnicas de marketing em bibliotecas auxilia muito na obtenção de novos usuários onde estes tem acesso a uma gama de serviços e produtos que antes a barreira física os distanciava. O trabalho a ser desenvolvido caracterizase como um estudo de caso, que pretende investigar formas de maximizar o uso da Biblioteca da Escola de Enfermagem da UFRGS, através de técnicas de marketing aplicadas em ambientes eletrônicos onde a biblioteca está inserida, site, blog, redes sociais e email. Em avaliação preliminar foi detectada uma demanda não apenas institucional da biblioteca. Após a finalização da pesquisa espera-se um aumento em torno de 50% no número de usuários da biblioteca. O estudo também espera através de campanhas promocionais vinculadas à ferramenta tecnológica a ser desenvolvida, fidelizar o público na utilização dos produtos e serviços desenvolvidos e oferecidos pela biblioteca.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

VOCABULÁRIOS CONTROLADOS ESPECIALIZADOS: uma proposta para a sua
construção
Vera Maria Araujo Pigozzi de Araujo
Maria Hedy Lubisco Pandolfi
Michel Maya Aranalde
Ana Lúcia Pinto
RESUMO
Este trabalho tem como objetivo oferecer uma proposta para a construção de vocabulários
controlados especializados, com fundamentação teórica nas Linguagens Documentárias e
Estudos da Linguagem, mais especificamente, em Estudos de Terminologia e Teoria da
Enunciação. Os principais teóricos que sustentaram esta proposta, fruto de pesquisa
desenvolvida no doutorado com esse propósito, foram Araujo (1995), Benveniste, Bevilacqua,
Brãscher, Cabré, Ciapuscio, Finatto, Flores e Tagnin. Foi sob este referencial que uma equipe
formada predominantemente por bibliotecários do Núcleo de Pesquisa e Documentação em
Filosofia Balthazar Barbosa Filho e da Biblioteca Setorial de Ciências Sociais e
Humanidades, órgãos vinculados à Universidade Federal do Rio Grande do Sul, desenvolveu
vocabulários controlados especializados visando ao processamento técnico de suas obras, em
diferentes subáreas da Filosofia, como: filosofia platônica, aristotélica, tomista, kantiana,
cartesiana, leibniziana, filosofia antiga, medieval, moderna e filosofia da ciência. A
experiência desenvolvida levou a concluir-se que: 1) os vocabulários controlados
especializados de subáreas de conhecimento mais gerais, como filosofia antiga, medieval e a
moderna, devem ter unidades de representação do conhecimento de maior abrangência
conceitual; 2) os vocabulários controlados especializados de subáreas de conhecimento mais
específicas, como filosofia platônica, aristotélica, tomista e demais citadas, favorecem o uso
de linguagens de maior precisão e especificidade.
Palavras-Chave: Linguagens documentárias. Vocabulários controlados especializados.
Estudos da Linguagem. Estudos de Terminologia. Teoria da Enunciação. Filosofia.
ABSTRACT
The main objective of this paper is to propose a methodology for the construction of
specialized controlled vocabularies, with theoretical grounding in Documentary Language and
Language Studies, more specifically, in Terminology Studies and Theory of Enunciation. The
main theorists who supported this proposal, that is the result of a research developed in
doctors degree, were Araujo (1995), Benveniste, Bevilacqua, Brãscher, Cabré, Ciapuscio,
Finatto, Flores and Tagnin. It was under this referential that a team, predominantly formed by
librarians, of Núcleo de Pesquisa e Documentação em Filosofia Balthazar Barbosa Filho
(NPDFIL) and Biblioteca Setorial de Ciências Sociais e Humanidades (BSCSH), organs of
the Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), it developed specialized controlled
vocabularies, aiming at the technical processing of its works, in different sub-areas of

3918

�Philosophy, as platonic Philosophy, aristotelian Philosophy, Thomistic philosophy, Kantian
philosophy, Cartesian philosophy, Leibniz's philosophy, Ancient philosophy, Medieval
philosophy, Modern philosophy and Philosophy of science. The experience developed in the
NPDFIL and in the BSCSH let us to conclude that: 1) the specialized controlled vocabularies
of sub-areas of knowledge more general, such as Ancient philosophy, Medieval philosophy
and Modern philosophy, for example, must have units of representation of the knowledge
with wider coverage conceptual; 2) the specialized controlled vocabularies of sub-areas of
knowledge more specific, such as Platonic philosophy, Aristotelian philosophy, Thomistic
philosophy, Kantian philosophy, Cartesian philosophy and Leibniz’s philosophy promote the
use of languages of great precision and specificity.
Keywords: Documentary language ; Specialized controlled vocabularies ; Language Studies ;
Terminology Studies ; Theory of Enunciation ; Philosophy.
1 Introdução
Este trabalho tem como propósito apresentar a experiência de um grupo formado por
bibliotecários441 que exercem atividades no Núcleo de Pesquisa Balthazar Barbosa Filho
(NPDFIL) e na Biblioteca Setorial de Ciências Sociais e Humanidades (BSCSH), ambos
vinculados à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A esta equipe acrescentase a participação efetiva de um Assistente em Administração442, com conhecimento no campo
da Biblioteconomia e na área da Filosofia, no que diz respeito à construção de ferramentas nas
áreas e subáreas temáticas que se propõem a oferecer pontos de acesso para o processamento
técnico do acervo documental do Núcleo e da Biblioteca.
Do ponto de vista teórico, esta proposta é o resultado de pesquisa desenvolvida no
doutorado (ARAUJO, 2006) por uma das autoras deste trabalho e, do ponto de vista prático,
decorre das atividades desenvolvidas pela equipe citada. A fundamentação teórica se respalda
em Linguagens Documentárias e Estudos da Linguagem, mais especificamente nos Estudos
de Terminologia e Teoria da Enunciação. As principais contribuições para o desenvolvimento
da proposta desenvolvida no doutorado têm origem nas ideias dos seguintes pesquisadores:
Cleci Regina Bevilacqua, Guiomar Elena Ciapuscio, Émile Benveniste, Maria José Bocorny
Finatto, Maria Teresa Cabré, Marisa Brascher, Stella Ester Ortweiler Tagnin, Valdir do
Nascimento Flores e Vania Maria Rodrigues Hermes de Araujo.
Esta proposta reflete a experiência da construção de vocabulários controlados
especializados nas subáreas da Filosofia. Acredita-se que ela possa ser estendida para as

441 Dentre os bibliotecários que fazem parte da equipe, um tem graduação em Filosofia.
442 O Assistente em Administração é graduando do Curso de Biblioteconomia e foi graduando do Curso de
Filosofia.

3919

�diferentes áreas das Ciências Sociais e Humanidades e para as Ciências Médicas e Exatas,
embora sujeita à testagem.
Tendo estabelecido os Estudos da Linguagem como o referencial que sustentou a
investigação em Ciência da Informação, a referida proposta formula as seguintes questões de
pesquisa:
1) de que modo os Estudos de Terminologia e a Teoria da Enunciação podem
contribuir para a construção de vocabulários controlados especializados?
2) até que ponto uma Unidade Lexical de Representação da Informação Especializada
(ULRIE) é mais adequada que um Descritor para representar a informação indexada e
assegurar a preservação da referência desta unidade de informação na passagem do processo
de indexação para o processo de busca da informação e recuperação de documentos?
Para a construção dos vocabulários controlados especializados partiu-se do
entendimento que:
1) a relação que se estabelece entre os interlocutores de um Sistema de Recuperação
da Informação (SRI) é de intersubjetividade;
2) bibliotecários, usuários e SRI são interlocutores dos processos de indexação, assim
como dos processos de busca da informação e recuperação de documentos;
3) as unidades terminológicas, as unidades fraseológicas especializadas, os binômios e
as paráfrases expressam o conhecimento especializado;
4) os vocabulários controlados especializados devem ser representativos das
linguagens dos especialistas e revistos e atualizados sempre que necessário;
5) uma ULRIE precisa retratar conceitos e noções de um domínio;
6) a língua necessita ser entendida em seu contexto de uso.
O problema que se apresenta aos bibliotecários das áreas da Filosofia e das Ciências
Sociais e Humanidades nas atividades de processamento temático dos documentos é a falta
dessas ferramentas, o que justifica a construção de vocabulários controlados especializados
nas subáreas da Filosofia.

1.1 Justificativa
Ante o problema exposto e, assim, na perspectiva de construir tais ferramentas, na
pesquisa de doutorado se propôs uma ampla discussão no domínio da Ciência da Informação,
no âmbito das Linguagens Documentárias e dos SRI, a partir dos Estudos da Linguagem. Ela
evoluiu a partir da articulação do conhecimento produzido nessas áreas. Ainda com a
finalidade de construir vocabulários controlados especializados, desenvolveu-se uma reflexão

3920

�sobre a eficácia dos SRI em sua relação com os usuários, assim como sobre as Linguagens
Documentárias quanto à representação da informação indexada e armazenada nesses
Sistemas.
Neste trabalho, a discussão está centrada na experiência de construção de vocabulários
controlados especializados para o exercício das atividades de indexação no NPDFIL e na
BSCSH. Por não se tratar do foco de interesse deste estudo, não se aprofundará a discussão
sobre os SRI e nem a construção de um corpus para a geração de vocabulários controlados
especializados.
O NPDFIL443, desde sua criação, teve como propósito tornar-se referência no Brasil
para a área de Filosofia, não apenas pela excelência de seu acervo, mas também pelo
processamento

técnico

criterioso

ali

desenvolvido.

O

acervo

é

constituído

de

aproximadamente 8.000 (oito mil) documentos de especial qualidade sobre Filosofia. A esta
coleção foram incorporadas obras oriundas de projetos desenvolvidos por professores de
programas de pós-graduação em Filosofia da Universidade. Deste modo, o acervo do Núcleo
se diferencia do acervo de bibliotecas universitárias, por armazenar uma temática bem
específica e privilegiar a aquisição de obras na língua original. A grande maioria dessas obras
foi adquirida pelo professor Balthazar Barbosa Filho e são de autoria de filósofos clássicos e
de seus principais comentadores, no idioma original, em diferentes períodos filosóficos.
Comentadores, no âmbito da Filosofia, são os teóricos/filósofos que dedicam boa parte da
vida a analisar e interpretar as obras de outros filósofos. A leitura de textos produzidos pelos
comentadores é importante para o aprofundamento das ideias sobre os filósofos analisados;
daí sua relevância para a composição de um acervo na área da Filosofia.
Com a criação de vocabulários controlados especializados nos diferentes domínios da
coleção do NPDFIL, tinha-se como propósito oferecer aos usuários dos sistemas
automatizados de bibliotecas um tratamento documental diferenciado daqueles adotados pela
maioria das bibliotecas universitárias. A representação temática da coleção documental do
NPDFIL sustenta-se no seguinte entendimento: precisão conceitual, contextualização da
informação indexada e uso de termos genéricos e específicos. É importante salientar que a
preocupação com o desenvolvimento de um processamento técnico com tais características
não se restringiu à indexação temática, uma vez que se optou por uma catalogação detalhada,
mediante a aplicação do nível 3 do Código de Catalogação Anglo-americano (2004).

443 Para maiores informações, ver o site: &lt;http://www.ufrgs.br/npf/index.php/pagina/sobre/historia/Hist%C3%B3ria&gt;.

3921

�1.2 Objetivos
Os objetivos estabelecidos para o desenvolvimento dos vocabulários controlados
especializados são os seguintes:
1) identificar parâmetros enunciativos e terminológicos para a construção de
vocabulários controlados especializados;
2) oferecer uma nova concepção de descritores, passando a entendê-los como unidades
semânticas e como representantes das unidades terminológicas (UT), das unidades
fraseológicas especializadas (UFE) e dos binômios, um tipo especial de UFE. Tais unidades
passam a ser reconhecidas por ULRIE, ou seja, por Unidades Lexicais de Representação da
Informação Especializada;
3) propor a arquitetura de uma base de dados para o registro da terminologia de uma
área de conhecimento, de modo a viabilizar a construção de vocabulários controlados
especializados.

2 Revisão de Literatura
Os vocabulários controlados especializados, construídos nas diferentes subáreas da
Filosofia, visam a utilizar a terminologia empregada pelos especialistas em seu contexto de
uso, de modo a obter uma comunicação altamente satisfatória entre os Sistemas de
Recuperação da Informação (SRI) e os usuários. Esses vocabulários estabelecem, como sua
unidade de informação, as Unidades Lexicais de Representação da Informação Especializada
(ULRIE). Seu referencial teórico encontra-se fundamentado nos Estudos de Terminologia e
na Teoria da Enunciação.
As ULRIE são representadas, indistintamente, por unidades terminológicas
expressando conceitos, e por unidades fraseológicas especializadas expressando noções
representativas de um domínio, formadas por, pelo menos, um conceito. Serão concebidas,
também, por binômios - noções formadas por dois conceitos -, uma vez que a terminologia
filosófica é marcada pelo uso dessas unidades lexicais. Pelo fato de tais unidades se fazerem
presentes na comunicação especializada entre filósofos, elas têm necessariamente que se
constituir em pontos de acesso para a recuperação das informações contidas nos documentos.
Trazer a comunicação especializada para o contexto da pesquisa foi importante porque
evidenciou um aspecto relevante desse tipo de comunicação, que é o uso de uma terminologia
padronizada. Observando as características que predominam na Comunicação Especializada a objetividade, o uso sistemático de termos técnico-científicos, o esforço por alcançar a
concisão, assim como a precisão e a adequação - percebe-se que a comunicação especializada

3922

�tende a ser mais eficaz. Pela busca da concisão, procura-se diminuir a possibilidade de se
produzir distorções na comunicação; com a precisão é possível satisfazer aos propósitos da
temática técnico-científica e da comunicação entre especialistas; e, segundo as circunstâncias,
com a adequação para a situação comunicativa em que se produz, é viável adaptar-se às
características dos interlocutores e ao respectivo nível de conhecimento sobre o assunto.
Foi com o propósito de tornar mais eficaz a comunicação entre especialistas e,
consequentemente, a comunicação que se estabelece entre SRI e usuários, que se propôs a
construção de vocabulários controlados especializados que façam uso não apenas de
conceitos, mas também de noções representativas de um domínio. Sob esse entendimento,
recomendaram-se o uso de binômios consagrados na área filosófica, o emprego de
qualificadores, modificadores e paráfrases. Explicitando esse entendimento, fazem-se os
esclarecimentos que seguem.
No âmbito da pesquisa desenvolvida no doutorado, a unidade terminológica foi
entendida de modo semelhante às palavras, mas se distingue delas por sua condição de
produção e de recepção, assim como pelo seu modo de significação. É uma unidade
discursiva que procede do léxico e que integra aspectos linguísticos, cognitivos e
comunicativos. Representa um conceito, percebido como unidade especializada de um
domínio.
No conjunto de suas características formais, os termos se apresentam tanto como
unidades simples quanto complexas. O termo simples é constituído por apenas um radical e o
termo complexo por dois ou mais radicais. Filosofia, Ética, Lógica, Dialética, Anamnese,
Aretê, Diairesis e Eudaimonia são entendidos como unidades simples, mas Filosofia antiga,
Filosofia platônica, Filosofia política e Dualismo antropológico, por exemplo, como unidades
complexas. Quanto à sua estrutura morfossintática e léxico-semântica, o termo pode se
apresentar também como termo composto, sendo formado, assim como o termo complexo,
por dois ou mais radicais, mas se diferenciando dessa última estrutura pelo alto grau de
lexicalização e por ser representado graficamente pela utilização do hífen, tal como ocorre
com os termos Filosofia greco-romana, Médio-platonismo, Meta-empírico, Não-ser e Neoaristotelismo.
Ainda sob o ponto de vista da forma, os termos apresentam outras configurações
sígnicas, entendendo-se como signos verbais plenos as siglas, os acrônimos e as abreviaturas
e, como signos não-verbais, as fórmulas. Somam-se a essas configurações as formas
abreviadas representadas no discurso especializado sob a denominação reduzida de um termo
ou de um sintagma terminológico. No âmbito da Filosofia platônica isso ocorre com a

3923

�unidade terminológica Academia para referir-se à Academia platônica. Os termos
reconhecidos como sintagmas terminológicos predominam na comunicação especializada.
Quanto ao grau de lexicalização, enumeram-se os seguintes critérios de avaliação:
imprevisibilidade semântica, maneabilidade, recorrência, co-ocorrência, estabilidade e
memorização. Pelo critério de imprevisibilidade semântica o interpretante conhece o sentido
de cada palavra do sintagma separadamente, mas não obrigatoriamente compreende o sentido
particular do termo sintagmático. Quanto mais imprevisível é o sentido de um sintagma,
maiores são as possibilidades de ele ser lexicalizado.
A sua identificação em um discurso especializado nem sempre é fácil, mas os Estudos
de Terminologia propõem uma série de critérios, que se fundamentam no grau de
lexicalização dos sintagmas e que auxiliam o terminólogo nessa difícil tarefa. Uma das
grandes dificuldades no reconhecimento de um sintagma terminológico é a sua delimitação,
especialmente para quem não é especialista da área; a observação de algumas regularidades
constitutivas auxilia nessa tarefa.
As unidades fraseológicas especializadas, conforme Bevilacqua (2005, p. 244), são
[...] unidades formadas por um núcleo eventivo, considerado como tal por
ser de base verbal ou derivado de verbo (nominalização ou participio), e por
um núcleo terminológico (termo). Entre estes dois núcleos se estabelecem
relações sintáticas, mas principalmente semânticas, determinadas pelas
propriedades do texto em que são utilizadas. Portanto, são unidades que se
conformam no e pelo texto em que são utilizadas. Cumprem, tal como os
termos, a função de representar e transmitir conhecimento especializado.
Para os que consideram a fraseologia sob uma perspectiva terminológica, há o
entendimento de que é necessário estabelecer limites entre os sintagmas, ou unidades
complexas de base nominal que podem se caracterizar como termos, e os sintagmas
considerados fraseológicos. Dentre os argumentos que utilizam para identificar cada uma
dessas unidades - UT e UFE -, citamos dois: do ponto de vista sintático, as UT são
predominantemente de categoria nominal, enquanto que as UFE, de categoria verbal; e do
ponto de vista semântico, as UT são definidas como unidades léxicas de caráter
denominativo, referindo-se a um conceito, enquanto que as UFE são de caráter relacional,
resultantes da combinação de conceitos.
Entendemos por binômios, tal como Tagnin (2005), um tipo especial de colocação que
é formada por duas palavras pertencentes à mesma categoria gramatical. Elas são ligadas por
uma conjunção ou preposição, tal como ‘bem e mal’; às vezes, vêm precedidas de preposição,
a exemplo da expressão, em língua comum, ‘da cabeça aos pés’. Quanto ao aspecto sintático,

3924

�o binômio se caracteriza pela combinação de seus elementos, de forma convencionada. No
nível semântico, os binômios podem se caracterizar por serem idiomáticos ou nãoidiomáticos. No âmbito da Filosofia, há inúmeros binômios que se constituem como ULRIE,
tais como: ‘bem e mal’ (S + Conj. + S)444; ‘ato e potência’ (S + Conj. + S); ‘certeza e dúvida’
(S + Conj. + S); ‘conceito e objeto’ (S + Conj. + S); ‘sentido e referência’ (S + Conj. + S).
Qualificadores, segundo Brãscher e Carlan (2010, p. 168), “[...] são termos agregados
entre parênteses aos descritores para delimitar seu significado e eliminar a homografia. Ex.:
tênis (esporte); tênis (calçado).” Ou ainda: Valor (Filosofia), Valor (Finanças) e Valor
(Economia).
Ainda segundo Brãscher (1999, p. 8), modificadores são “[...] os termos de uso
frequente e de significado geral que, geralmente, expressam ações ou atributos e que são
utilizados de forma combinada com descritores, esclarecendo ou delimitando o significado
dos mesmos.” Exemplificando: Autenticidade (aspectos filosóficos), Meio-ambiente (aspectos
éticos), Filosofia moderna (influência no judaísmo).
Paráfrases, por sua vez, são termos ou expressões usados de forma combinada com
uma ULRIE. Elas contêm a mesma informação das ULRIE, são utilizadas como ponto de
acesso e são usadas entre parênteses. Visam a oferecer ao usuário uma unidade de informação
de maior densidade informativa e apresentam, como vantagem, agilizar a representatividade
de pontos de acesso e reduzir o número de remissivas de um Sistema. Como exemplo, cita-se:
Diotima (sacerdotisa de Mantiqueia).
Em alguns casos, ainda foi recomendado o uso do termo na língua original, conforme
ficou consagrado em um domínio, seguido do termo na forma como é reconhecido na língua
do catalogador. No Vocabulário controlado especializado de ULRIEs em filosofia platônica e
platonismo foram usadas, por exemplo, as seguintes ULRIE: Anamnese (Teoria da
reminiscência), Eudaimonia (Felicidade), Nous (Inteligência), Physis (Natureza).
Com o propósito de contextualizar ou especificar o sentido de uma ULRIE, em alguns
casos sugeriu-se reunir as formas variantes de um mesmo conceito em uma única unidade
lexical, tal como: Alcibiades Menor (Segundo Alcibiades) e Mito da caverna (Alegoria da
caverna)445.
A relevância de se construir vocabulários controlados especializados nas subáreas da
Filosofia revela-se pelas seguintes razões:

444 Significado das abreviaturas utilizadas: S (substantivo) e Conj. (conjunção).
445 O diálogo de Platão intitulado Alcibíades Menor é também conhecido na filosofia platônica como Segundo
Alcibiades e o mito platônico Mito da caverna como Alegoria da caverna.

3925

�1) na revisão de literatura não foram identificados vocabulários controlados
especializados na área da Filosofia, nem em suas subáreas, que satisfizessem às necessidades
de pesquisa dos usuários de sistemas automatizados de bibliotecas universitárias;
2) nos catálogos coletivos consultados, em busca da terminologia empregada para a
representação temática de documentos, não foram identificadas unidades de representação da
informação que representassem satisfatoriamente a temática do documento processado. A
maioria dos descritores utilizados é genérica; raramente são encontradas unidades específicas
de representação da informação;
3) a recuperação de documentos por sua temática é pouco produtiva. Isso ocorre pela
falta de vocabulários controlados especializados que subsidiem a execução das tarefas de
indexação temática;
4) o uso de diferentes verbalizações para representar um mesmo conceito ou noção
representativa de um domínio é usual em catálogos de bibliotecas. Tal fato gera prejuízos na
recuperação de documentos e resulta da falta de ferramentas apropriadas para sua indexação.
Sob o olhar da Teoria da Enunciação de Benveniste, trazemos como contribuição para
as Linguagens Documentárias e para a construção de vocabulários controlados especializados
os seguintes conceitos e noções: enunciação, linguagem (língua em ação), língua, estrutura,
semiótica,

semântica,

significado,

sentido,

subjetividade, intersubjetividade, locutor,

referência, contexto e categorias de pessoa, espaço e tempo. A partir dessas noções, foi
possível refletir sobre o funcionamento da língua. A contribuição que a Teoria da Enunciação
oferece para a construção de vocabulários controlados especializados justifica-se pelas
seguintes razões:
1) por viabilizar um olhar enunciativo no âmbito dos SRI e das linguagens
documentárias, permitindo considerar peculiaridades que são próprias do tipo de relação que
se constitui entre os SRI e os usuários, mas que não são visíveis nos modelos de comunicação
apresentados na literatura documentária;
2) por instaurar um pensamento diferenciado acerca da linguagem na discussão das
questões que envolvem esta pesquisa;
3) por entender que é pela linguagem que o homem se inter-relaciona, recebe e
transmite uma mensagem;
4) por inserir as noções de subjetividade, intersubjetividade e referência no contexto
da comunicação;
5) por ser uma teoria que olha para o estudo da língua do ponto de vista do sentido, e
que permite desenvolver uma reflexão sobre a construção do sentido de um descritor na

3926

�passagem do processo de indexação para o processo de busca da informação e recuperação de
documentos;
6)

por tornar possível inserir o bibliotecário na relação que se estabelece entre SRI e

usuários, tornando o profissional constitutivo dessa relação e situando os dois - bibliotecário e
usuário - como agentes do processo que conduz à produção do conhecimento.

3 Materiais e Métodos
Pela excelência do acervo do Núcleo, considera-se necessário descrever cada
documento de forma exaustiva. Sob o ponto de vista da representação descritiva e visando ao
atendimento de um usuário especializado, o NPDFIL adotou o nível 3 do Código de
Catalogação Anglo-americano, segunda edição (AACR2). Quanto à ferramenta usada visando
à otimização do serviço de catalogação, foi usado o MARC 2 1446, ferramenta adotada pelo
Sistema de Bibliotecas da UFRGS, ao qual o NPDFIL e a BSCSH estão vinculados. O
software utilizado para o registro de dados e adotado pelo mesmo Sistema é o Aleph.
Para a classificação dos documentos foi adotado um sistema especial de classificação.
A coleção do NPDFIL foi classificada segundo critérios estabelecidos pelos professores
coordenadores do Núcleo, com o suporte técnico de bibliotecários; tais critérios visavam
atender às necessidades dos usuários do Núcleo. Desse modo as obras foram agrupadas sob
três critérios principais: coleção de autores clássicos (AC 100), coleção de comentadores (BS
100) e coleção geral. A coleção de comentadores é considerada bibliografia secundária, e o
acervo geral, por sua vez, agrupa a coleção de obras das diferentes áreas da Filosofia que não
se enquadraram nos critérios de coleção de autores clássicos e de coleção de comentadores.
Para o acervo geral foram estabelecidas as seguintes classes: 030 (dicionários e
enciclopédias), 100 (Filosofia), 101 (teoria e metodologia da Filosofia), 103 (dicionários de
Filosofia), 109 (História da Filosofia), 110 (Ontologia e Metafísica), 120 (Teoria do
Conhecimento), 140 (Filosofia da Linguagem), 160 (Lógica), 170 (Ética), 180 (Filosofia
antiga), 189 (Filosofia medieval), 190 FM (Filosofia moderna) e 190 FC (Filosofia
contemporânea). Para assuntos de outras áreas de conhecimento, determinou-se o uso das
classes gerais do Dewey, com especificações para as abordagens filosóficas das diferentes
classes, tais como: Filosofia política (320.01) e Filosofia do direito (340.1). Para a
classificação de autoria, foi adotada a tabela Cutter-Sanborn.

446 Formato MARC - Machine Readable Cataloging / Catalogação Legível por Computador. O MARC 21
permite que o registro seja legível por máquina e viabiliza o intercâmbio de registros.

3927

�Sob os propósitos de representação temática, optou-se pelo equilíbrio entre os níveis
de exaustividade e de especificidade, mas sempre procurando alcançar a precisão conceitual e
a contextualização da informação indexada. Isso significa dizer que os conceitos e noções
representativas de um domínio, presentes no texto a ser indexado, devem fazer uso de
palavras ou expressões que representem, com precisão e especificidade, o que está sendo
indexado. Essa representação deve estar fundamentada nas noções advindas dos Estudos de
Terminologia, tais como unidades terminológicas e unidades fraseológicas especializadas; nas
noções que os Estudos da Linguagem oferecem em seu referencial, tais como binômios e
paráfrases; e nas noções que se inserem no quadro conceitual da Ciência da Informação, como
qualificadores e modificadores.
Para os casos de variação foram utilizadas as paráfrases e as formas variantes de um
mesmo nome em uma única unidade lexical. Em alguns casos, ainda foi usado o termo
original consagrado na área, de forma associada com o termo expresso na língua do
catalogador. Assim, por exemplo, o assunto Ética deve estar representado de forma específica,
conforme é tratado na área de conhecimento da Filosofia. No âmbito da Filosofia, esse tema
admite outras representações, tais como: Ética platônica, Ética aristotélica e Ética kantiana.
Tendo em vista a construção de vocabulários controlados especializados, foram
estabelecidos os seguintes critérios:
1) processar as obras do NPDFIL por grupos temáticos. A área de Filosofia antiga foi
selecionada para dar início às atividades de processamento técnico: primeiramente, a coleção
AC 100, logo a seguir, a coleção BS 100 e, por fim, a coleção geral. Para cada filósofo e tema
processado, construiu-se um vocabulário controlado especializado. Quando do início do
processamento da coleção geral relativa à Filosofia antiga, já se contava com um vocabulário
bastante rico para ser utilizado. Nesse processo, percebeu-se a dificuldade de utilizar uma
terminologia específica em vocabulários controlados especializados de temas mais genéricos,
como Filosofia antiga, por exemplo. Notou-se, também, que a terminologia específica era
mais adequada aos vocabulários controlados especializados mais específicos. Assim, optou-se
por utilizar os termos específicos apenas para os vocabulários específicos. Academia
platônica e Ética aristotélica, por exemplo, constituíam uma terminologia utilizada apenas nos
vocabulários controlados relativos a Platão e a Aristóteles, mas não no vocabulário controlado
de Filosofia antiga. No vocabulário de Filosofia antiga, optou-se por utilizar apenas as ULRIE
Filosofia antiga, Filosofia platônica, Filosofia aristotélica, Ética e a terminologia que
correspondia a um maior número de filósofos;

3928

�2) identificar os assuntos tratados na obra, a partir do exame das diferentes partes do
livro, ou seja, a partir da leitura técnica do documento. Nessa leitura devem ser examinadas,
dentre outras, as seguintes partes da obra: título, resumo, sumário, introdução, parágrafos de
abertura de capítulos e conclusões. Sempre que necessário, a leitura técnica deve ser
complementada com pesquisas em websites, especialmente quando se busca indexações
específicas para representar o documento tematicamente;
3) atestar, dentre as unidades lexicais de discurso selecionadas para representar um
conceito, qual a de maior uso entre os especialistas da área. A pesquisa sobre a frequência dos
termos deve ser feita no Google Acadêmico;
4) construir vocabulários controlados especializados contendo duas listas: uma lista
com as unidades recomendadas para uso, e as unidades aceitas como válidas para a
representação da informação, mas não recomendadas para uso, e uma lista com a relação de
filósofos relacionados à temática. Sob esta orientação, foram construídos vocabulários para
Filosofia antiga, Filosofia platônica, Filosofia aristotélica e Epicurismo entre outros;
5) estabelecer a arquitetura da base de dados para o registro da terminologia de uma área
de conhecimento, a partir da definição do software a ser utilizado e dos campos a serem
criados. Quanto aos softwares, sugeriram-se o Microsoft Word, o Microsoft Excel e/ou
Microsoft Access.

Em relação aos campos, foram estabelecidos os seguintes como

essenciais:
a) ULRIE (Unidade Lexical de Representação da Informação Especializada) representa tanto a unidade terminológica, como a unidade fraseológica
especializada recomendada para uso, por ser a mais representativa de um domínio;
b) ULDE (Unidade Lexical de Discurso Especializado) - representa conceitos e
noções de um domínio e pode vir a ser ULRIE. Ela pode ser composta de uma ou
mais palavras que contém traços semânticos e/ou pragmáticos característicos da
área temática, podendo ser a forma lexical plena ou reduzida, como sigla,
acrônimo, abreviatura e fórmula. Além de configurar-se como possível candidato
ao estatuto de ULRIE, uma ULDE configura-se também como possível remissiva,
ampliando significativamente o total de pontos de acesso de um vocabulário
controlado especializado;
c) USE, USE TAMBÉM (entendidos como campos fixos);
d) RA (Relação Associativa) - é uma ULRIE que mantém qualquer tipo de relação
associativa - hierárquica ou não-hierárquica - com as unidades lexicais registradas
no campo ULRIE;

3929

�e) FR (no caso da Filosofia refere-se aos Filósofos Relacionados ao tema indexado) é uma ULRIE que representa o filósofo relacionado com a unidade lexical
registrada no campo ULRIE;
6)

a estrutura recomendada para os vocabulários controlados especializados447 é a

seguinte:
a) lista das ULRIE e ULDE da área temática;
b) lista dos filósofos relacionados;
c) glossário das ULRIE.

4 Resultados Parciais
Como resultados parciais dos princípios estabelecidos para a construção de
vocabulários controlados especializados estão a construção de vários deles em diferentes
subáreas da Filosofia e, desta forma, o suprimento de uma das falhas que se apresentam ao
bibliotecário que indexa obras das áreas da Filosofia. Graças a esses vocabulários, tem sido
possível representar os documentos processados de modo mais específico e preciso, assim
como fazer uso da terminologia que melhor representa um conceito.

5 Considerações Finais
A investigação feita sobre a natureza e funcionamento das Linguagens Documentárias
no âmbito dos Estudos da Linguagem foi altamente produtiva. A partir do referencial
utilizado para a construção dos vocabulários controlados especializados - Estudos de
Terminologia e Teoria da Enunciação - foi possível evidenciar e fundamentar como
extremamente subjetivo o processo de indexação. Esta característica se constata pela
diversidade de descritores utilizados para a representação temática de um documento.
Sob este referencial, foi possível atribuir aos descritores de uma base de dados uma
nova concepção. Com base nesta pesquisa os descritores passam a ser entendidos como
ULRIE e representados por unidades terminológicas, unidades fraseológicas especializadas,
binômios e paráfrases, além de fazerem uso de qualificadores e de modificadores. O uso do
termo na língua original foi considerado válido, uma vez que ele é um importante ponto de
acesso por representar a linguagem utilizada pelo especialista.

447 Para visualizar uma amostra dos vocabulários controlados especializados referentes à Filosofia antiga e
Filosofia platônica e Platonismo consultar os Apêndices I e J, respectivamente, da tese de doutorado de Araujo
(2013). Para visualizar a lista dos filósofos relacionados, consultar o Apêndice K da referida tese.

3930

�A falta de consistência dos catálogos, um dos problemas enfrentados pelo bibliotecário
que indexa e pelo usuário que consulta as bases de dados bibliográficas, tem origem, dentre
outras razões, no fato de que os conceitos de uma área temática estão sujeitos à variação
conceitual. Para minimizar os problemas decorrentes da variação conceitual, foi utilizado o
recurso da paráfrase.
O modelo de vocabulário controlado especializado, sugerido na pesquisa efetuada no
doutorado de Araújo (2006) e aplicado no NPDFIL e BSCSH, teve como propósito oferecer
subsídios para a criação de uma ferramenta de fácil construção. Do ponto de vista prático,
recomenda-se sejam construídos vocabulários controlados especializados por áreas e subáreas
do conhecimento, na medida em que os documentos de uma coleção documental forem sendo
processados. Recomenda-se ainda o uso de uma especificidade maior em vocabulários
controlados especializados.
Em uma perspectiva mais audaciosa, acredita-se que seria de interesse para as
universidades brasileiras a formação de grupos de pesquisa temáticos para a criação de
vocabulários controlados especializados em diferentes áreas e subáreas de conhecimento. Por
oportuno, registra-se, ainda, que embora o bibliotecário tenha condições de desenvolver tais
vocabulários, é necessária a consulta aos pesquisadores em alguns casos.

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                <text>Este trabalho tem como objetivo oferecer uma proposta para a construção de vocabulários controlados especializados, com fundamentação teórica nas Linguagens Documentárias e Estudos da Linguagem, mais especificamente, em Estudos de Terminologia e Teoria da Enunciação. Os principais teóricos que sustentaram esta proposta, fruto de pesquisa desenvolvida no doutorado com esse propósito, foram Araujo (1995), Benveniste, Bevilacqua, Bräscher, Cabré, Ciapuscio, Finatto, Flores e Tagnin. Foi sob este referencial que uma equipe formada predominantemente por bibliotecários do Núcleo de Pesquisa e Documentação em Filosofia Balthazar Barbosa Filho e da Biblioteca Setorial de Ciências Sociais e Humanidades, órgãos vinculados à Universidade Federal do Rio Grande do Sul, desenvolveu vocabulários controlados especializados visando ao processamento técnico de suas obras, em diferentes subáreas da Filosofia, como: filosofia platônica, aristotélica, tomista, kantiana, cartesiana, leibniziana, filosofia antiga, medieval, moderna e filosofia da ciência. A experiência desenvolvida levou a concluir-se que: 1) os vocabulários controlados especializados de subáreas de conhecimento mais gerais, como filosofia antiga, medieval e a moderna, devem ter unidades de representação do conhecimento de maior abrangência conceitual, 2) os vocabulários controlados especializados de subáreas de conhecimento mais específicas, como filosofia platônica, aristotélica, tomista e demais citadas, favorecem o uso de linguagens de maior precisão e especificidade.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014
VIII SEMANA DO LIVRO E DA BIBLIOTECA DA UFLA: 100 ANOS DE VINÍCIUS
DE MORAES - RELATO DO EVENTO
Daniele Ribeiro Faria
Nivaldo Oliveira
Regina Flexa Ribeiro Proença
Rosiane Maria Oliveira

RESUMO
Este relato apresenta todos os acontecimentos da VIII Semana do Livro e da Biblioteca da
Universidade Federal de Lavras (VIII SLBU/UFLA). Esse evento foi desenvolvido por uma
comissão organizadora composta por servidores da Biblioteca Universitária da UFLA
(BU/UFLA), em parceria com professores e alunos da UFLA e com as escolas da cidade de
Lavras, MG. A VIII SLBU aconteceu de 21 a 24 de outubro de 2013 e teve como tema “100
anos de nascimento de Vinícius de Moraes (19/10/1913 - 09/07/1980)”, uma importante
personalidade da música popular, da literatura e da cultura do Brasil. A programação da
semana foi composta por aula-show, exposições, minicurso, debate de filme e atrações sobre
Vinícius de Moraes, além da inauguração do projeto “Biblioteca Itinerante - Ônibus UFLA”.
A SLBU teve a finalidade de unir atrações culturais aos eventos acadêmicos, aproximando
cada vez mais o público universitário para a semana. Portanto, o objetivo deste relato é
apresentar a organização e os eventos que aconteceram na VIII SLBU, com destaque para os
100 anos de Vinícius de Moraes, momento em que foi possível disseminar, relembrar e
proporcionar mais conhecimento acerca da vida e obra do homenageado.
Palavras-chave: Semana do Livro e da Biblioteca da UFLA (SLBU); Vinícius de Moraes.

ABSTRACT
This report displays all the events of the VIII Book and Library Week at the Federal
University of Lavras (VIII BLW/UFLA). This event was created by a steering committee
composed of the University Library staff in partnership with UFLA teachers and students and
with schools in the city of Lavras, in the state of Minas Gerais. The VIII BLW happened on
October 21st-24th 2013, and celebrated the centenary of Vinícius de Moraes’ birth
(10/19/1913-07/09/1980), an important and outstanding personality of Brazilian popular
music, literature and culture. The week schedule was consisted by interactive lectures,
exhibitions, a short course, and debates of films and attractions about Vinicius de Moraes. In
addition the project “Travelling Library-UFLA Bus" was launched. The BLW purpose was to
unite cultural attractions and academic events, increasingly approaching the University
audience to the week. Therefore, the aim of this report is to present the organization and the
events that took place in the VIII BLW, highlighting the 100 years of Vinicius de Moraes,
when it was possible to disseminate, recall and provide more knowledge about the honoree’s
life and work.
Keywords: Book and Library Week at the Federal University of Lavras (BLW/UFLA);
Vinícius de Moraes.

3902

�1 Introdução
A Semana Nacional do Livro e da Biblioteca foi instituída pelo Decreto n° 84.631, de
9 de abril de 1980, com início em 23 de outubro e término em 29 do mesmo mês. Conforme o
decreto, nessa semana, atividades folclóricas e culturais devem ser levadas a efeito em todo o
país. Em 2013, as comemorações foram realizadas no período de 21 a 24 deste mesmo mês.
Na Universidade Federal de Lavras (UFLA), este evento, que teve em 2013, sua 8a
edição, tem o nome de Semana do Livro e da Biblioteca da UFLA (VIII SLBU). Trata-se de
uma realização da UFLA e é organizado, anualmente, pela Biblioteca Universitária
(BU/UFLA), que instituiu uma comissão interdisciplinar composta por pedagoga,
bibliotecários, técnicos em tecnologia da informação, assistentes e auxiliares.
O tema escolhido para a VIII Semana do Livro e da Biblioteca da UFLA de 2013 foi a
vida e a obra de Vinícius de Moraes (1913-1980), em virtude das comemorações do
centenário de seu nascimento. O homenageado foi poeta, compositor, dramaturgo, jornalista e
diplomata, mas, antes de tudo, um apaixonado, tendo deixado um enorme legado para a
cultura brasileira. Sua obra é vasta e de riquíssimo valor artístico e cultural, o que faz com que
o “poetinha”, como era comumente chamado, fosse reconhecido em todo o mundo.
Sabendo da importância que Vinícius de Moraes tem para nossa cultura, a comissão
organizadora da SLBU trouxe essa homenagem para a sua 8a edição, com o objetivo de
divulgar, relembrar e proporcionar mais conhecimento acerca da sua vida e obra, tanto para a
comunidade acadêmica, como para a comunidade externa de Lavras e região. As atividades
propostas tiveram o intuito de perpassar as várias facetas de sua obra, como a música, a
literatura, a dramaturgia e a sua própria biografia. Além disso, como programação especial,
houve o lançamento do projeto “Biblioteca Itinerante - Ônibus UFLA”, cujo objetivo é
promover a cidadania por meio da educação e da cultura, favorecendo o processo de formação
social e o incentivo à leitura.
Dentre as atividades programadas destacaram-se uma aula-show sobre Vinícius de
Moraes e exposições sobre vida e a obra do poeta, com a participação de várias escolas de
Lavras, exibição de filme, minicursos, atrações culturais e atividades virtuais.
É importante lembrar que o livre acesso à obra de Vinícius de Moraes pela internet só
foi possível devido à raríssima liberação dos direitos autorais pela família do poeta, por meio
da VM Empreendimentos Artísticos e Culturais, que detém os direitos sobre a obra do autor.
De acordo com a Lei de Direitos Autorais em vigor, na época do falecimento de Vinícius de
Moraes, seus poemas só entrariam em domínio público depois da morte do último herdeiro
direto ou 60 anos após sua morte, isto é, em 2040.

3903

�Este relato tem o objetivo de apresentar a organização e os eventos que aconteceram
na VIII Semana do Livro e da Biblioteca, com destaque para aos 100 anos de nascimento de
Vinícius de Moraes.

2 Revisão de literatura439
Esta breve apresentação sobre as faces e ângulos dos muitos Vinícius que cruzaram o
século XX do Brasil está distante de ser totalmente completa, pela sua magnitude e riqueza.
Segundo o Portal Vinícius de Moraes (2014), trata-se da vida e da obra de um artista pleno,
que deixou sua marca indelével em cada um de seus parceiros e em cada integrante do seu
público. Em cada verso lido ou cantado, em cada poesia ou canção que trazem a assinatura de
Vinícius, há uma promessa de felicidade para todos.
Abaixo é descrita uma síntese cronológica da trajetória de Vinícius de Moraes:
a) Marcus Vinícius da Cruz e Mello Moraes, ou simplesmente Vinícius de Moraes,
nasceu no Rio de Janeiro, dia 19 de outubro de 1913, filho do funcionário público e
poeta Clodoaldo Pereira da Silva e da pianista Lídia Cruz;
b) em 1924 ingressou no colégio jesuíta Santo Inácio, onde fez os estudos secundários.
Nessa época formou, com colegas, um pequeno grupo musical e começou a compor;
c) em 1929, iniciou o curso de Direito na Faculdade Nacional do Rio de Janeiro e, em
1933, ano de sua formatura, publicou seu primeiro livro, "O caminho para a distância".
Vinícius nunca exerceu a advocacia;
d) foi censor cinematográfico, até 1938, quando foi para Londres estudar inglês e
literatura na Universidade de Oxford. Nesse período trabalhou na BBC, rádio
londrina;
e) em 1943, foi aprovado no concurso para diplomata e foi para os Estados Unidos, onde
assumiu o posto de vice-cônsul em Los Angeles. Serviu também em Montevidéu e
em Paris;
f) voltou para o Brasil em 1964 e foi aposentado compulsoriamente, em 1968, pelo Ato
Institucional n° 5;
g) fez parcerias musicais com Toquinho, Tom Jobim, Baden Powell, João Gilberto,
Francis Hayme, Carlos Lyra , Chico Buarque e Miúcha entre outros;
h) a música “Garota de Ipanema”, feita em parceria com Antônio Carlos Jobim, é a
música brasileira mais conhecida no exterior;
439 Síntese baseada nas informações do Portal Vinícius de Moraes. Disponível em:
&lt;http://www.Vinlciusdemoraes.com.br/&gt;. Acesso em: 14 abr. 2014.

3904

�i) compôs a trilha sonora do filme Orfeu Negro, premiado com a Palma de Ouro no
Festival de Cinema de Cannes, na França (1959) e vencedor do Oscar de melhor filme
estrangeiro (1960);
j) a partir de 1969, consolidou sua parceria com o violonista Toquinho, com que fez
shows no Brasil e no exterior;
k) as crianças e os animais serviram de inspiração para Vinícius, no final da década de
1970;
l) foi poeta, compositor, dramaturgo;
m) casou-se nove vezes e teve cinco filhos;
n) morreu na madrugada do dia 9 de julho de 1980, após ter passado a noite compondo
com Toquinho, em sua casa no Rio de Janeiro, devido a problemas decorrentes de uma
isquemia cerebral;
o) No dia 8 de setembro de 2006 foi homenageado pelo governo brasileiro com sua
reintegração post mortem aos quadros do Ministério das Relações Exteriores.
Vinícius de Moraes se imortalizou. Suas obras continuam lidas e admiradas, e suas
composições são interpretadas constantemente. Quem contribui para a cultura jamais será
esquecido.

3 Materiais e métodos
Com o propósito de atingir os objetivos do evento, foram executadas as seguintes
etapas:
a) reuniões periódicas, juntamente com a diretoria da BU/UFLA e outros setores
envolvidos;
b) debate e aprovação da programação, do convite e das demais peças publicitárias, com
a comissão organizadora;
c) seleção de docentes e envio de convites para que colaborassem na realização de
palestras, minicursos e atrações culturais;
d) criação de um site para o evento440, linkado ao site da BU/UFLA, para inscrição dos
participantes nas atividades ofertadas na programação da semana;
e) contato com as escolas de Lavras, para que os alunos preparassem e enviassem
material educativo e artístico sobre Vinícius de Moraes, para ser apresentado nas
exposições no hall da BU/UFLA e na Biblioteca Itinerante;
440 Site da VIII Semana do Livro e da Biblioteca da UFLA. Disponível em: &lt;http//:www.biblioteca.ufla.br/slbu&gt;.
Acesso em: 14 maio 2014.

3905

�f) convites enviados às escolas para visitas à Biblioteca Itinerante - Ônibus UFLA;
g) convites enviados às autoridades da universidade e do município;
h) divulgação da programação em parceria com o Sistema de Comunicação da UFLA;
i) confecção de camiseta promocional, Anexo A;
j) preparação e organização da aula-show sobre Vinícius de Moraes;
k) seleção de perguntas e respostas sobre a vida e a obra de Vinícius de Moraes para a
criação de um quiz virtual, disponível no site da VIII SLBU;
l) preparação e organização para a exibição do filme “Orfeu Negro”;
m) preparação e organização para as atrações culturais realizadas na Coordenadoria de
Atendimento ao Usuário da BU/UFLA;
n) organização de uma equipe, composta por servidores e bolsistas da biblioteca, para dar
suporte às visitas à Biblioteca Itinerante nos bairros Cohab e Jardim Floresta, da
cidade de Lavras;
o) preparação e organização para a apresentação do projeto “Biblioteca Itinerante Ônibus UFLA” na praça Augusto Silva, em Lavras;
p) organização e acompanhamento da visita técnica da Escola Municipal Umbelina
Azevedo Avelar e do Centro Educacional NDE/UFLA à biblioteca;
q) preparação e organização da homenagem aos servidores da biblioteca;
r) preparativos para a inauguração do Espaço de Integração destinado aos servidores da
biblioteca;
s) cobertura e relato das atividades do evento por meio do site e das redes sociais da
BU/UFLA;
t) conferência, divulgação e premiação dos nomes dos ganhadores do quiz virtual.

4 Relato do evento
Neste tópico descreve-se, detalhadamente, cada projeto desenvolvido na programação
da VIII Semana do Livro da Biblioteca da UFLA.

4.1 Aula-show sobre Vinícius de Moraes

Na abertura da VIII SLBU, foi realizada uma aula-show com o professor Dr. Roniere
Menezes, do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG) e os
músicos Lígia Jacques Leonel e Rogério Leonel Costa, com duração de 1 hora e 30 minutos
(Figura 1).

3906

�Figura 10: Arte de divulgação da TV indoor na entrada da Biblioteca Universitária

O professor Roniere Menezes abriu o evento com uma pequena palestra sobre a vida e
a obra de Vinícius de Moraes e, em seguida, convidou os músicos ao palco. Na apresentação
mesclaram-se análises de canções, comentários sobre contexto sociocultural, leitura de
poemas e um show musical do violonista Rogério Leonel e da cantora Lígia Jacques.Entre
uma composição e outra, foram feitas reflexões relativas à importância de Vinícius na
transformação do cenário artístico nacional do sec. XX. A aula-show estabeleceu amplos
diálogos entre reflexão e emoção, marcas do poeta, compositor e diplomata.
Para abertura da semana e para conquistar um público maior nessa atração, a seleção
dos nomes para compor a aula-show deu-se de forma criteriosa, pois conseguiu unir o
conhecimento acadêmico à apresentação musical de forma mais descontraída, atraindo, assim,
diferentes públicos e dando mais visibilidade à SLBU no âmbito universitário e na
comunidade.
A aula-show foi a grande atração da semana e com um público estimado em mais de
300 pessoas, o que evidencia o tamanho sucesso da mesma. O público ali presente pode
desfrutar de momentos prazerosos ao ouvir a boa música desse ícone da cultura popular
brasileira e muitos saíram de lá emocionados. Com esses resultados bastante satisfatórios,
conclui-se que a escolha da atração foi bastante acertada e conseguiu superar as expectativas
da organização.

4.2 Exposições: “Vinícius em Pensamento ” e “Vinícius Vida e Obra”

As homenagens por todo o Brasil no centenário de seu nascimento deram uma
dimensão da sua grandeza. Vinícius de Moraes foi uma das personalidades mais marcantes na
música popular, na literatura e na cultura do Brasil e está entre os nomes mais importantes da

3907

�literatura brasileira, além de sua relevância para a nossa música ser indiscutível. A elaboração
das exposições seguiu as seguintes etapas:
a) 1a: seleção dos títulos de livros mais conhecidos de Vinícius de Moraes;
b) 2a: preparo das mesas expositoras com as obras selecionadas;
c) 3a: preparo de murais e painéis;
d) 4 a: confecção de cartazes com frases, poesias e canções, estimulando a leitura;
e) 5a: afixação de cartazes.
As exposições foram organizadas a partir de pesquisas e da reunião de materiais da
própria BU/UFLA e de livros cedidos do acervo da Biblioteca do Centro Universitário de
Lavras (Unilavras), do acervo da Biblioteca da Faculdade Adventista de Minas Gerais
(Fadminas) e de fotografias do acervo pessoal de Renato Libeck e outros colaboradores,
sendo expostas em duas alas da Biblioteca, organizados da seguinte forma:
Ala I: painel com momentos marcantes da carreira de Vinícius de Moraes, destacando
o filme “Orfeu Negro”, a música “Rosa de Hiroshima” e algumas entrevistas e fotos.
Ala III: utilizando 3 cristaleiras, foram exposto documentos e objetos relacionados a
vida e obra do artista, conforme a seguinte distribuição:
Cristaleira 1
a) Vinícius Musical - Discos, CDs, DVDs, principais parceiros, curiosidades, letras de
músicas e reportagens, entre outros;
b) Vinícius de Moraes como enredo da escola de samba União da Ilha, em 2013:
“Vinícius, no plural. Paixão, poesia e carnaval”;
c) Destaque para “Garota de Ipanema”, segunda música mais executada no mundo, que
teve sua trajetória retratada em um banner.
Cristaleira 2: Vinícius infantil - livro, objetos, discos e CDs relacionados ao projeto
“Arca de Noé”, Figuras 2 e 3.
Cristaleira 3
a) Vinícius literário: livros, sonetos, poesias, peças, fotos e entrevistas, entre outros;
b) banner com a biografia, em tópicos, do homenageado.

3908

�Figura 11: Cristaleira 2: Vinícius Infantil

Figura 12: Visão das três cristaleiras

As exposções de frases, poesia e letras musicais foram importantes, por divulgarem,
difundirem e homenagearem o centenário de nascimento de Vinícius de Moraes, estimulando
os usuários a ler. Grande parte dos usuários demonstrou interesse pelas obras expostas durante
a semana.

4.3 Releitura da obra de Vinícius de Moraes

O projeto teve por objetivo dialogar com os estudantes das escolas de Lavras e
desenvolver trabalhos sobre a obra de Vinícius de Moraes. A interação com a comunidade
lavrense é um dos alvos de extensão da BU/UFLA, que incentiva as escolas a formarem uma
parceria enriquecedora para ambas as partes.
O projeto de releitura da obra de Vinícius de Moraes previa a participação dos
estudantes das escolas públicas e particulares de Lavras. Nesse sentido, foram realizados
contatos, via telefone e e-mail, previamente informando e convidando-os a participarem e a
contribuírem com trabalhos realizados pelos alunos de todas as faixas etárias. Posteriormente,
um ofício-convite foi entregue em mãos. Houve, ainda, uma reunião com a secretária de
Educação, Cláudia das Neves Vieira Lopes Carvalho, que se comprometeu a divulgar o
projeto nas escolas, reforçando a parceria com a BU/UFLA. A secretária da educação esteve
presente na abertura da VIII SLBU, compondo a mesa de autoridades.
Seguindo a temática proposta, as escolas deveriam trabalhar, de diversas maneiras, a
vida e a obra de Vinícius de Moraes. Nas Figuras 4 a 9 mostram-se trabalhos de algumas
escolas participantes.

3909

�Figura 13: Releituras de poesias
de Vinícius de Moraes da Escola
Municipal Doutora Dâmina

Figura 14: Varal sobre a vida e obra do
poeta criado pela Escola Estadual Azarias
Ribeiro

Figura 15: Pinéis do olégio
Unilavras

Figura 16: Painéis da Escola Municipal
Umbelina Azevedo Avellar

Figura 17: Trbalho artstico do
Centro Educacional AUNDE
UFLA

Figura 18: Alunos do CEMEI Antônio
Cândido de Souza confeccionando álbuns
sobre a obra de Vinícius

3910

�As exposições aconteceram de 18 a 28 de otubro. pós o período de exposição, os
trabalhos foram devolvidos às escolas, juntamente com uma carta de agradecimento. As
visitas dos alunos foram agendadas, tendo comparecido representantes da Escola Municipal
Umbelina Azevedo Avellar (Figura 10) e do Centro Educacional AUNDE/UFLA (Figura 11).

Figura 19: Alunos da Escola Figura 20:
Alunos
do Cenro
Municipal Umbelina Azevedo Avellar Educacional AUNDE UFLA em visita
em visita realizada no dia 24/10
realizada no dia 24/10

Após a visita explicativa e guiada da expoição, os alunos foram encaminhados ao
anfiteatro da BU/UFLA, onde realizaram atividades com a poesia “As borboletas” (Figura
12). Houve apresentação dos alunos que, na ocasião, cantaram “Garota de Ipanema”.
Figura 21: Cartaz do poema “As borboletas”
A s borboletas
B ran cas
A z u is
A m a r e la s
E p reta s
B rincam
N a lu z
A s b ela s
B o rb o leta s
B o rb o leta s b ran cas
S ão a leg re s e fra n ca s.
B o rb o leta s a z u is
G o s ta m de m u ita lu z .
A s a m a relin h a s
S ão tã o b o n itin h a s!
E as p reta s, e n tã o
O h , que escu rid ã o !

3911

�Apesar da grandiosidade de Vinícius de Moraes com artista e poeta, existem alunos de
escolas públicas e privadas que têm pouco ou nenhum conhecimento a respeito de sua vida e
obra. Sendo assim, o projeto de releitura da sua obra desafiou a criatividade dos alunos, por
meio da confecção de trabalhos, apresentando a eles um pouco da história de um importante
ícone da cultura brasileira, com as visitas às exposições na BU/UFLA.

4.4 Quiz virtual e website da VIIISLBU
O objetivo foi criar um canal de comunicação para o evento, que pudesse oferecer
conteúdos relacionados ao tema da SLBU, informar sobre as atividades e obter feedback dos
participantes. Com o crescente número de usuários conectados, a internet se tornou uma
importante ferramenta de comunicação e, sendo assim, é importante que um evento dessa
proporção ofereça soluções virtuais de comunicação e interação.
É importante estimular o usuário a buscar informações ligadas ao tema da SLBU e,
além disso, a ferramenta interativa atraiu maior número de visitas ao site do evento,
contribuindo para a sua divulgação. Interagir com usuários, oferecer uma maneira divertida
para testar o conhecimento e, ao mesmo tempo, estimular o usuário a buscar mais
informações ligadas ao tema da SLBU foram os objetivos do quiz virtual sobre Vinícius de
Moraes (Figura 13).

Figura 13: Logo do site da VIII SLBU sobre o quiz virtual

Para realização do quiz virtual foram desenvolvidas as seguintes ações:
a) definição da ferramenta utilizada (plugin do wordpress);
b) definição das regras;
c) seleção de perguntas e respostas;
d) inserção dos conteúdos no sistema;
e) importação dos usuários por meio do Sistema Pergamum - BU/UFLA.
Para a criação do site da VIII SLBU, foram desenvolvidas as seguintes ações:
a) seleção do conteúdo a ser disponibilizado no site;

3912

�b) definição do layout;
c) configuração do servidor, banco de dados e site;
d) inserção dos conteúdos pré-selecionados.

Levando em consideração o curto período de duração do evento, o site da VIII SLBU
teve acessos significativos, recebendo boa quantidade de comentários, contendo sugestões e
críticas. Com relação ao quiz, o resultado foi expressivo, com a participação de mais de 50
usuários de várias categorias, entre eles graduandos, pós-graduandos, servidores técnicoadministrativos e professores.

4.5 Atrações culturais
As atrações culturais temáticas tinham o objetivo de trazer um pouco da obra de
Vinícius de Moraes em um espaço de grande circulação da biblioteca. Dessa forma, os
usuários puderam dedicar alguns minutos para prestigiar essas atrações, sem prejuízo das
atividades acadêmicas, já que elas aconteciam no horário de almoço, momento em que muitos
aproveitavam para um rápido descanso.
Diante da importância de Vinícius de Moraes, a VIII SLBU reconheceu o momento
propício para trazer ao seu ambiente alguns momentos de descontração para seus usuários,
seja com recital de poesia ou com um pequeno repertório musical para homenagear o poeta.
Na terça-feira, dia 22, a atração cultural da VIII SLBU teve a participação do professor
Dr. Luis Marcelo Tavares de Carvalho, do Departamento de Ciências Florestais (DCF) e seus
convidados, Binho Sebá (voz), Diógenes (percussão), Leonardo e Beatriz (voz), no horário do
almoço, no hall da biblioteca (Figura 14). O público que ali passava pode desfrutar de um
momento de descontração, ao som de grandes clássicos de Vinícius de Moraes.

Figura 14: Atração cultural

(Grupo de músicos formado por professores, docentes e membros da comunidade)

3913

�Na quinta-feira, dia 24, a atração cultural ficupor conta do recital “Vinícius em palavras”,
realizado no setor de circulação da biblioteca. Os estudantes do curso de Letras, Eduardo
Guimarães (voz) e Clélio Souza (teclado) prestaram uma belíssima homenagem ao poeta,
revisitando alguns de seus muitos poemas. Algumas pessoas que ali passavam pararam para
assistir a apresentação.

4.6 Minicurso - Vinícius de Moraes: diálogos entre poesia e música
O minicurso teve o objetivo de traçar um panorama da obra de Vinícius de Moraes,
apresentando as nuances presentes em várias fases de sua criação, na música e na poesia, e
oferecer aos estudantes da UFLA a oportunidade de ampliarem seus conhecimentos acerca da
trajetória poética de Vinícius e de sua contribuição para a música brasileira.

Figura 15: Arte de divulgação da TV indoor na entrada da Biblioteca Universitária

Uma das finalidades da SLBU é unir atrações culturais a eventos acadêmicos,
aproximando cada vez mais o público universitário. Sendo assim, considerou-se a importância
de trazer um minicurso de caráter acadêmico, ministrado por Lucas Ferreira e Cristiane
Penoni, do grupo “Literatura e outras linguagens”, sob a coordenação da professora Dra.
Andrea Portolomeos, do Departamento de Ciência Humanas (DCH). Na noite de 23 de
outubro, o anfiteatro da BU/UFLA teve lotação máxima, cerca de 130 pessoas, para a
apresentação do minicurso “Vinícius de Moraes: diálogos entre poesia e música”. O apoio do
Departamento de Ciências Humanas foi imprescindível para a realização do minicurso e a
parceria foi bastante produtiva, uma vez que a procura por inscrições foi grande, atingindo o
seu limite.

3914

�4.7 Orfeu Negro (Orphée Noir, 1958)

No dia 22 de outubro, como parte da programação da SLBU, foi exibido o filme Orfeu
Negro (1958).

Figura 16: Arte de divulgação da TV indoor na entrada da Biblioteca Universitária

O filme, que é uma adaptação da peça Orfeu da Conceição, de Vinícius de Morais,
teve produção franco-brasileira e, na ocasião, foi o vencedor do Oscar de filme estrangeiro.
Após a exibição, houve um debate acerca do filme. Foi observado como o samba e as
alegorias carnavalescas estão presentes em todos os momentos do filme, fazendo do carnaval
do Rio de Janeiro um personagem a mais no enredo. Foi no ritmo de samba que essa versão
brasileira do mito de Orfeu e Eurídice foi desenvolvida, adaptando-se todos os detalhes à
realidade do país. Um dos pontos mais marcantes do filme é a busca de Orfeu por Eurídice,
que havia morrido. Enquanto o mito o leva ao mundo dos mortos, governado por Hades, o
Orfeu Negro é levado a um terreiro de candomblé, que ressalta o misticismo religioso como
uma característica forte da cultura brasileira.
Após a apresentação do filme houve um debate direcionado pelo Professor Fabiano
Lemes Ribeiro e segundo o relato do debate, a maior divergência de opiniões esteve na
caracterização do Brasil e do brasileiro pelo filme. Alguns apontaram que a caracterização foi
estereotipada e o Carnaval tomou proporções muito maiores que a realidade. O que ficou
claro foi que a representação não foi inteiramente brasileira, mas sim, do povo carioca. O Rio
de Janeiro é bem representado pelo filme, porém, como o Brasil é um país grande e de
culturas diferentes, não se pode dizer que todo o seu povo está caracterizado no enredo de
Orfeu Negro. O debate foi intenso em vários pontos, porém os presentes na exibição
concordaram que o longa é uma belíssima obra e que vale a pena sua divulgação.

3915

�5 Considerações finais
Como já ressaltado, Vinícius de Moraes, poeta, compositor, dramaturgo, jornalista e
diplomata, foi uma das personalidades mais marcantes na música popular, na literatura e na
cultura do Brasil. Além de sua relevância para a música ser indiscutível, Vinícius se situa
entre as personalidades brasileiras mais importantes.
A VIII SLBU trouxe um aprendizado, de forma interativa e prazerosa, sobre a vida e a
obra de Vinícius de Moraes para a comunidade acadêmica da UFLA, aberto também à
comunidade de Lavras e região.
Para o sucesso de sua realização foram imprescindíveis o comprometimento e os
esforços da comissão organizadora em cada detalhe da VIII SLBU, além das parcerias com as
escolas de Lavras e com os professores dos Departamentos de Ciências Humanas,
Departamento de Ciências Exatas, Departamentos de Direito, Departamento de Ciências
Florestais e alunos da UFLA, para que a programação pudesse ser tão diversificada e atrativa.
Um dos legados deixados pela VIII SLBU refere-se à implantação do Projeto de
Biblioteca Itinerante - Ônibus UFLA, lançado durante o evento, busca promover a cidadania
por meio da educação e da cultura, favorecendo o processo de formação social. Visa ainda,
ultrapassar as fronteiras do espaço tradicional da Biblioteca Universitária e incentivar o hábito
e o prazer pela leitura, na comunidade de Lavras e região, oferecendo empréstimo de livros,
exposições didático-científicas e atividades lúdicas e culturais.
Enfim, a SLBU teve a finalidade de unir atrações culturais aos eventos acadêmicos,
atraindo o público universitário. Foi possível atingir os objetivos propostos, que foram os de
divulgar, relembrar e proporcionar mais conhecimento acerca da vida e obra de um grande
brasileiro.

Referências
UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS. Biblioteca Central. III Semana do Livro e da
Biblioteca da UFLA: biblioteca central: 50 anos de informação e conhecimento: relatório do
evento. Lavras: UFLA, 2008.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS. Biblioteca Central. IV Semana do Livro e da
Biblioteca da UFLA: biblioteca: ponte entre o real e o virtual, informação acessível a todos:
relatório do evento. Lavras: UFLA, 2009.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS. Biblioteca Central. V Semana do Livro e da
Biblioteca da UFLA: formação universitária: leitura como base do conhecimento: relatório
do evento. Lavras: UFLA, 2010.

3916

�UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS. Biblioteca Universitária. VI Semana do Livro
e da biblioteca da UFLA: disseminação da informação x tecnologia da informação: relatório
do evento. Lavras: UFLA, 2011.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS. Biblioteca Universitária. VII Semana do Livro
e da biblioteca da UFLA: leitura, conhecimento e inovação: relatório do evento. Lavras:
UFLA, 2012.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS. Biblioteca Universitária. VIII Semana do
Livro e da biblioteca da UFLA: 100 anos de Vinícius de Moraes: relatório do evento.
Lavras: UFLA, 2013.
VINICIUS DE MORAES. Vida e obra. Rio de Janeiro, 2014. Disponível em:
&lt;http://www.viniciusdemoraes.com.br/&gt;. Acesso em: 14 abr. 2014.

Anexo A: Camiseta promocional

Após a criação da logo, foi produzida uma camiseta promocional, distribuída durante a
VIII SLBU. Brindes (camisetas) personalizados têm um grande potencial na divulgação de
marcas, de organizações ou de eventos. Nos últimos anos, tem sido considerada uma das
maiores sensações no mundo da comunicação e do marketing. Sempre que os usuários
vestirem, ou até mesmo olharem, para o brinde recebido (as camisetas), com toda certeza irão
associá-lo à instituição ou ao evento (FABRICA DE IDEIAS, 2014), nesse caso, o Projeto
Biblioteca Itinerante-Ônibus UFLA.

3917

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>VIII Semana do Livro e da Biblioteca da UFLA: 100 anos de Vinícius de Moraes- Relato do evento</text>
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                <text>Este relato apresenta todos os acontecimentos da VIII Semana do Livro e da Biblioteca da Universidade Federal de Lavras (VIII SLBU/UFLA). Esse evento foi desenvolvido por uma comissão organizadora composta por servidores da Biblioteca Universitária da UFLA (BU/UFLA), em parceria com professores e alunos da UFLA e com as escolas da cidade de Lavras, MG. A VIII SLBU aconteceu de 21 a 24 de outubro de 2013 e teve como tema "100 anos de nascimento de Vinícius de Moraes (19/10/1913 – 09/07/1980)", uma importante personalidade da música popular, da literatura e da cultura do Brasil. A programação da semana foi composta por aula-show, exposições, minicurso, debate de filme e atrações sobre Vinícius de Moraes, além da inauguração do projeto "Biblioteca Itinerante Ônibus UFLA". A SLBU teve a finalidade de unir atrações culturais aos eventos acadêmicos, aproximando cada vez mais o público universitário para a semana. Portanto, o objetivo deste relato é apresentar a organização e os eventos que aconteceram na VIII SLBU, com destaque para os 100 anos de Vinícius de Moraes, momento em que foi possível disseminar, relembrar e proporcionar mais conhecimento acerca da vida e obra do homenageado.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

VALORAÇÃO DE ACERVO COM BASE NO GERENCIAMENTO DE RISCOS: UM
EXERCÍCIO NO ACERVO DA BIBLIOTECA DA FACULDADE DE
BIBLIOTECONOMIA E COMUNICAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO
GRANDE DO SUL (FABICO/UFRGS)
Miriam Moema Loss
Ismael Maynard Bernini

RESUMO
Relata a experiência de valoração do acervo de uma biblioteca universitária brasileira, como o
primeiro passo na abordagem da metodologia do gerenciamento de riscos, como parte do
Projeto de Extensão Conservação de Acervos: gerenciamento ambiental e estudos sobre
desastresno âmbito do gerenciamento de riscos, da UFRGS.Fornece um panorama sobre
alguns aspectos da Biblioteca, acerca do seu histórico, contexto administrativo e
principalmente da valoração inicial do seu acervo. Apresenta o resultado da avaliação do
acervo com gráficos e tabelas,como forma de possibilitar o aproveitamento da metodologia
outros acervos da Universidade.
Palavras-Chave:Conservação preventiva; Gerenciamento de riscos; Acervo; Biblioteca
universitária.
ABSTRACT
Reports the experienceof valuation of the collections in a brazilianuniversity library, as the
firststep inthe methodologyof risk managementapproachas part of theExtended Project
Conservation o f the Collections: environmental managementanddisasterstudieswithin therisk
management, in theUFRGS. Providesan overview ofsome aspects of thelibrary, about
theirhistorical,administrative
contextand
especiallythe
initialvaluation
ofits
collections.Presents the resultsof thereviewof the valuationwith graphs andtables, in order to
make possible the useof the methodologyto other collectionsof the University.
Keywords Preventive conservation; Risk management; Collections; University library.

1 Introdução
Esse exercício consiste em um dos estudos que compõe oProjeto de Extensão
Conservação de Acervos: gerenciamentoambiental e estudos sobre desastresno âmbito do
gerenciamento de riscos, coordenado pela Professora Doutora Jeniffer Alves Cuty, do

3887

�Departamento de Ciências da Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
(DCI/UFRGS) e pela Conservadora Lorete Matos, da Biblioteca Central da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul (BC/UFRGS), cujo objetivo é propiciar um aprimoramento da
metodologia de diagnóstico de conservação em consonância com o Gerenciamento de Riscos,
em acervos de arquivos, bibliotecas e museus ligados à UFRGS. O

propósito

desse

documento é fornecer um panorama sobre alguns aspectos da Biblioteca da Faculdade de
Biblioteconomia e Comunicação (Fabico), acerca do seu histórico, contexto administrativo e
principalmente da valoração inicial do seu acervo, visando o gerenciamento de riscos e o
futuroaproveitamento da metodologia para profissionais que atuem em outros acervos da
Universidade.
Por se constituir na primeira etapa do processo de gerenciamento de riscos, o contexto
da instituição onde o acervo está armazenado é necessário para que se tenha um completo
entendimento da instituição e seus ambientes, interno e externo, do acervo e do
gerenciamento em si,proporcionando um panorama geral do processo.

2 Gerenciamento de riscos em coleções
Todas as atividades de uma organização envolvem certo grau de risco. Segundo a
norma da ABNT, “risco é o efeito da incerteza nos objetivos”, sendo efeito definido como um
desvio em relação ao esperado, podendo ser positivo ou negativo(ASSOCIAÇÃO..., 2009,
p.1).
Asorganizações gerenciam o risco, identificando-o, analisando-o e, em seguida,
avaliando-o. Ao longo de todo este processosistemático e lógico, elas comunicam e consultam
partes interessadas, monitorando e analisando criticamenteo risco bem como os controles que
o modificam, a fim de assegurar que nenhum tratamento adicional seja necessário.
Para isso, é necessário o estabelecimento de princípios que precisam ser atendidos
para tornar a gestão de riscos eficaz.
O gerenciamento de riscos pressupõe a implantação de um processo de gestãocontínuo
na organização e o apoio e envolvimento de todos os seus segmentos. Segundo a norma
técnica australiana e neo-zelandesa, esse processo é constituído por cinco etapas sequenciais,
e duas contínuas:
a) estabelecimento do contexto:onde os riscos serão gerenciados;
b) identificação dos riscos de forma sistemática e abrangente;
c) análise dos riscos :quantificar sua magnitude, ou seja, sua probabilidade
de ocorrência e o impacto esperado;

3888

�d) avaliação dos riscos:decidir quais riscosserão tratados e com que
prioridade;
e) tratamento dos riscos identificados como prioridade para reduzi-los a
níveis aceitáveis.

As duas etapas contínuas e necessárias ao sucesso do gerenciamento de riscos são a
consulta e comunicação com todas as partes interessadas e o monitoramentoe revisão de todo
o processo. (STANDARDS AUSTRALIA, 2004 apud HOLLÓS; PEDERSOLI JR., 2009).
Ao estabelecer o contexto da organização, seu ambiente, interno e externo,seus
objetivos, as pessoasenvolvidas e a diversidade dos critérios de riscos, a organização
estabelece o processo de gerenciamento de riscos que poderá revelar e avaliar a natureza e a
complexidade de seus riscos. (ASSOCIAÇÃO..., 2009).
Por se constituir na primeira etapa do processo de gerenciamento de riscos, o contexto
da instituição onde o acervo está armazenado é necessário para que se tenha um completo
entendimento da instituição e seus ambientes, interno e externo, do acervo e do
gerenciamento em si, proporcionando um panorama geral do processo.

3 Um pouco de história: estabelecendo o contexto
A Biblioteca iniciou suas atividades em 29 de setembro de 1959, na então Escola de
Biblioteconomia e Documentação junto à Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS.
Somente em 23 de agosto de 1966 foi conferida a autonomia da Escola de Biblioteconomia,
desvinculando-se administrativamente da Faculdade de Ciências Econômicas. A partir de
então a Biblioteca passa a existir de fato, mesmo que ainda instalada no prédio da Faculdade
de Ciências Econômicas, contigua à Biblioteca da Faculdade de Ciências Econômicas.
Com a reforma universitária de 1968

, o curso de Biblioteconomia, sediado na

Faculdade de Ciências Econômicas, e o curso de Jornalismo,proveniente da então Faculdade
de Filosofia, Ciência e Letras, unem-se formando a Faculdade de Biblioteconomia e
Comunicação - Fabico, ocupando sua sede atual.
Em 1972 a Biblioteca é instalada no quarto andar do então novo prédio sede, onde
permanece até hoje, sendo seu acervo constituído pelas partes respectivas do acervo da
Biblioteca da Faculdade de Ciências Econômicas e Biblioteca da Faculdade de Filosofia. No
decorrer das décadas seguintes, a Biblioteca passou por diversas mudanças de espaço físico,
437Decreto n° 62.997, de 16 dejulho de 1968. Disponível em: &lt;http://www2.camara.gov.br/legin/fed/decret/19601969/decreto-62997-16-julho-1968-404329-publicacao-1-pe.html&gt;. Acesso em: 22 ago. 2011.

3889

�layuot, equipe, mas também na qualidade de seu acervo bem como em seus serviços e
produtos.
O espaço ocupado pela Biblioteca não foi planejado para essa finalidade, sendo
adaptado, no decorrer dos anos, conforme a necessidade de crescimento do acervo. Desta
forma,em 1986, quando da primeira ampliação de espaço, foram a ele agregadas duas áreas de
uso comum do prédio (banheiros masculino e feminino) e a área de circulação (corredores),
além de duas salas de aula. Assim a área da Biblioteca passou de 135m

para 311,84m

ocupando as alas leste, oeste e sul do prédio.
A distribuição desse espaço foi se dando de acordo com a necessidade e com a
disponibilidade de recursos da época. Assim, existe no recinto da Biblioteca, um banheiro de
uso interno, com cerca de 26m , que foi o banheiro feminino do andar. O banheiro masculino
serve atualmente como sala de reserva técnica ou depósito de material bibliográfico, estando
lá armazenadas coleções inteiras de periódicos de caráter histórico, coleções não-correntes,
devidamente acondicionadas com papel neutro e identificadas por titulo e ano.

A

porta

principal de acesso à Biblioteca foi instalada no corredor do andar, outra área anexada
posteriormente, avançando mais 5m da área de circulação do prédio.

Em

2003,

a

Biblioteca inicia a ocupação de mais um espaço do andar: a sala destinada a funcionar como
Laboratório de Conservação e Restauro do então Departamento de Biblioteconomia,que
estava ociosa. A Biblioteca passou a utilizar essa sala como oficina de pequenos reparos e
preservação de acervo, onde são executadas as atividades referentes à manutenção e
conservação do seu acervo.Nessa sala trabalha um servidor da Biblioteca, devidamente
treinado nas técnicas de conservação e pequenos reparos, auxiliado por bolsistas. Lá são
executados serviços de reforço na estrutura física de livros e periódicos e pequenos reparos no
acervo impresso danificado pelo uso.
A partir de 2006, a Biblioteca começou a adotar uma linha de trabalho voltada para a
prevenção, de forma que todo e qualquer material que venha a ser incorporado ao acervo,
passe pelo setor para ser preparado de forma a resistir ao uso contínuo e permanecer por mais
tempo sem sofrer qualquer tipo de intervenção na sua estrutura física.

Atualmente

conta

com obras especializadas, atuais e históricas, das áreas de Arquivologia, Biblioteconomia,
Museologia, Relações Públicas, Publicidade e Propaganda,Jornalismo e áreas afins.
Para melhor compreender a realidade atual e as carências, a Figura 1, ilustra o espaço
ocupado pela Biblioteca no quanto andar do prédio, assinalado em amarelo.

3890

�Figura 1 - Representação do espaço físico atual da iblioteca da Fabico (em amarelo).

Fonte: Dados da pesquisa.

A área ocupada pela Biblioteca corresponde aproximadamente a 55% da área total do
quarto andar do prédio da Faculdade, como pode ser observado na figura acima. Com a
conclusão da próxima reforma passaria a ocupar praticamente a totalidade da área, com
exceção das áreas de circulação e hall dos elevadores. Esta nova área servirá para área de
consulta e salas de estudo (individual e em grupo).

3 As Coleções
Segundo Adriana Cox Hollós e José Luiz Pedersoli Jr,
[...] um programa eficaz de preservação documental implica em um
conhecimento detalhado do acervo sob a guarda de uma determinada
instituição, de seu(s) valor(es) e uso(s), bem como dos riscos de deterioração
e perda de valor a que está sujeito. (HOLLÓS; PERDERSOLIJR., 2009,
p.73).

Nessa etapa, serão descritos e categorizados os itens que compõem o acervo, incluindo
a identificação daqueles que seriam os mais importantes para a instituição, aqueles que
definem a sua identidade, assim como outras categorias de importância relativa no acervo.
Com a definição de importância relativa é possível distribuir o valor total de um
acervo entre os itens que o compõem, como os mais importantes, os de importância acima
da média, e aqueles de importância mediana. (MATTOS, 2013)438.

438 Documento eletrônico.

3891

�Jayme Spinelli e José Luiz Pedersoli Jr. indicam os seguintes aspectos a serem
ponderados na valoração do acervo, em resposta a situações de emergência:
S
S
S
S
S
S

Valor econômico ou raridade do documento;
Ser insubstituível;
Valor especial para o cumprimento da missão ou objetivos da instituição;
Valor científico;
Importância para o país, cidade ou região;
Documentos com o selo Memória do Mundo. (SPINELLI;
PEDERSOLIJR., 2011, p.99).

O acervo da Biblioteca da Fabico está composto basicamente de material impresso das
áreas específicas dos seis cursos de graduação (Arquivologia, Biblioteconomia, Museologia, e
Comunicação, com suas três habilitações: Relações Públicas, Publicidade e Propaganda e
Jornalismo) e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação. Além do
material impresso, também estão presentes no acervo,materiais especiais como CDs, DVDs,
VHS, microfilmes, microfichas e documentos eletrônicos.
Outras áreas complementares também se encontram representadas no acervo. São elas:
Administração, Cinema, Filosofia, Fotografia, História, Literatura, Marketing, Metodologia
da Pesquisa, Semiologia, Sociologia, Turismo, entre outras.
O acervo de livros, atualmente com cerca de 14.777 títulos (29.991 volumes) e o
acervo de periódicos, com 518 títulos, estão divididos da seguinte forma, nas áreas específicas
dos cursos de graduação:
S

Arquivologia: 417 títulos de livros; 12 títulos de periódicos;

S

Biblioteconomia e Ciência da Informação: 2.154 títulos de livros;150
títulos de periódicos;

S

Comunicação:5.297 títulos de livros; 235 títulos de periódicos;

S

Museologia:192 títulos de livros;

S

Outras áreas: 6.717 títulos de livros; 113títulos de periódicos.

8 títulos de periódicos;

As coleções estão armazenadas em estantes de aço, face dupla, de acesso livre aos
usuários, estando separados por tipo de material: livros, periódicos, livros de referência,
periódicos de referência, teses e dissertações, trabalhos de conclusão de curso impressos. Em
arquivos de aço, de pastas suspensas, encontra-se a coleção de folhetos, também de acesso
livre aos usuários. Em um armário de aço, fechado, no balcão de atendimento, encontram-se
os CDs, DVDs e algumas fitas em VHS.

3892

�Os itens, tanto de livros quanto de periódicos, considerados de pouca consulta ou de
caráter histórico, foram retirados do acervo geral e dispostos em uma sala denominada
inicialmente de reserva técnica ou depósito. Nesse ambiente foram armazenados livros e
periódicos, em estantes de aço, face simples, ao longo das paredes. Os livros estão em ordem
de classificação, como no acervo geral, e a coleção de periódicos, em ordem alfabética de
título e cronológica, devidamente acondicionados em pacotes de papel neutro e com a
indicação do título e período da coleção. Os jornais ou revistas de caráter histórico foram
acondicionados em pastas ou caixas em polionda e devidamente identificados. Esses itens não
estão disponíveis para empréstimo, somente para consulta eventual e mediante solicitação.
Ainda existe parte desse material armazenado junto ao acervo corrente, aguardando
nova avaliação ou desbastamento. No momento a sala de reserva técnica ou depósito
encontra-se com sua capacidade esgotada.
Futuramente, com a nova reforma da Biblioteca, pretende-se disponibilizar o acesso,
mesmo que restrito, a esse acervo, em ambiente adequado de armazenagem, proporcionado
um panorama das várias fases da história das áreas da Arquivologia, Biblioteconomia,
Comunicação e Museologia para pesquisadores e para as futuras gerações de profissionais.
Essa coleção seria denominada Histórica (H) contendo publicações relevantes para as
áreas da Arquivologia, Biblioteconomia, Comunicação e Museologia, através do tempo.
Inicialmente essa coleção está constituída pelos seguintes itens:
a) publicações de autores renomados das áreas em questão;
b) publicações históricas da e sobre a Fabico;
c) materiais de divulgação ou informativos produzidos no âmbito da
Fabico, por alunos e/ou professores;
d) toda a produção intelectual do corpo docente e técnico da Fabico;
e) trabalhos de conclusão de discentes dos cursos de graduação e pósgraduação da Fabico (TCCs, dissertações e teses);
f) coleção de convites de formatura dos cursos de graduação em
Biblioteconomia e Comunicação;
g) coleção de revistas em quadrinhos do Tintin;
h) coleção de jornais e revistas considerados históricos por sua pequena
circulação ou por se tratar de marcos do jornalismo brasileiro.
O grupo de bibliotecários da Biblioteca, levantou itens que julgou importantes, tanto
pelo seu caráter histórico quanto pela relevância para as áreas, com a finalidade de se tentar

3893

�atribuir valor a eles. Esses itens foram pesquisados em acervos de outras bibliotecas, arquivos
e museus no Brasil.
As instituições pesquisadas, além da UFRGS, foram: Pontifícia Universidade Católica
do Rio Grande do Sul, Fundação Universidade do Rio Grande, Universidade de São Paulo,
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Biblioteca
Nacional, Arquivo Nacional, Museu de Comunicação Hipólito José da Costa, Universidade
do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), Universidade Federal de Santa Catarina, Universidade
Federal da Bahia, Universidade Federal Fluminense.
Do resultado das pesquisas nos acervos, constatou-se que a Biblioteca da Fabico tem,
em seu acervo, itens que não foram localizados em qualquer outra biblioteca de instituição
pública ou privada de ensino das suas áreas específicas.
Esses itens, inicialmente serão considerados de grande valor, seja pela sua ausência em
outras bibliotecas ou arquivos, seja pelo caráter histórico do seu conteúdo, relevante para o
desenvolvimento ou estudo da área do conhecimento em questão.
Assim, diante do conjunto geral do acervo da Biblioteca da Fabico, podemos inferir
que um percentual desse acervo, pode ser considerado muito relevante ou valioso e que pode
ser considerado importante na análise da valoração da coleção.
No Gráfico 1, está representado, por títulos, o acervo de livros das áreas dos cursos
de graduação da Fabico.

Gráfico 1 - Coleção de livros do acervo da Biblioteca da Fabico separados por área
dos cursos de graduação
Livros (títulos)
417; 3%

2.154; 15%

6.717; 45%

5.297; 36%

Arquivologia
Biblioteconomia
Comunicação
Museologia
Outras áreas

192; 1%

Fonte: Dados da Biblioteca

Com base no Gráfico 1 pode-se verificar a grande concentração de títulos presentes no
acervo da área geral Comunicação (36%), em contraponto às áreas da Arquivologia,

3894

�Biblioteconomia e Museologia, que somadas não chegam a 20% do acervo total de livros.
Somente por esse aspecto pode-se inferir que essas áreas conhecidamente de baixo índice de
publicações, podem ser consideradas inicialmente com algum valor, nem que seja pela
ausência de similares no mercado editorial. Constituem-se de publicações de baixa tiragem e
sem novas edições ou atualizações, sendo de difícil reposição ou aquisição no mercado. São
em sua maioria editadas por associações de classe, pequenas editoras ou ainda órgãos
públicos.
A área de Biblioteconomia por representar a área mais antiga na constituição do acervo da
Biblioteca, possui maior quantidade de títulos. As duas outras áreas, Arquivologia e
Museologia, por se tratar de cursos relativamente recentes, com menos de 20 anos de
existência na instituição, ainda estão em fase de formação de acervo.

Ainda assim, as

publicações foram levantadas para avaliação.
No Gráfico 2, a representação da coleção de periódicos, por títulos, separados pelas
áreas de concentração dos cursos de graduação.

Gráfico 2 - Coleção de títulos de periódicos do acervo da Biblioteca da Fabico separados por
área dos cursos de graduação
Periódicos (títulos)
12; 2%
113; 22%
8 2%

235; 45%

150; 29%

Arquivologia
Bibioteconomia
Comunicação
Museologia
Outras áreas

Fonte: Dados da Biblioteca

Da mesma forma que oslivros, a coleção de periódicos da área geral Comunicação é
muito maior do que as demais, levando a confirmar a ideia de que por si só essas
publicações,que não se encontram disponíveis no comércio, podem ser consideradas de
relativo valor para a instituição.

3895

�Nas áreas de Biblioteconomia e Ciência da Informação, cuja quantidade de títulos é de
2.154, os livros constituem o maior contingente de itens que foram considerados com algum
valor para o acervo. Destacou-se cerca de 35% desse acervo para ser avaliado quanto à
disponibilidade em outras bibliotecas ou arquivos e também no mercado. Entre eles
encontramos as publicações de eventos da área, ocorridos no Brasil e no Rio Grande do Sul,
sendo itens não disponíveis em qualquer outra biblioteca. Esses foram considerados de grande
valor, seguidos de outros itens de valor médio ou ainda baixo, conforme o Gráfico 3.
Uma publicação especificamente que foi editada em 1985, pela Associação RioGrandense de Bibliotecários, alusiva aos 35 anos do Curso de Biblioteconomia da UFRGS,
também foi tratada como obra de grande valor, por não ter sido localizada em nenhuma outra
instituição.
Quanto aos periódicos da área, apenas um título fez parte do levantamento: Palavrachave, periódico editado pela Associação de Paulista de Bibliotecários. Título não encontrado
em nenhuma das bibliotecas pesquisadas, somente na Biblioteca Nacional, mas com a coleção
incompleta. Os demais títulos da área foram considerados de médio valor para o acervo.
Na área da Comunicação, os periódicos constituíram o maior contingente de itens
valorados, sendo na sua maioria jornais editados em períodos específicos da história da
imprensa e da comunicação brasileiras, assim como títulos estrangeiros de períodos históricos
da década de 1960 e do início do século XX. São 21 títulos, a saber:
Y

ActualitéPublicitaire

Y

Cadernos de Jornalismo (Porto Alegre)

Y

Cadernos de Jornalismo (Rio de Janeiro)

Y

Cadernos de Jornalismo e Comunicação

Y

Coojornal

Y

O Estado do Rio Grande

Y

Guia de Filmes

Y

Hora do Povo

Y

L ’Illustration

Y

Movimento

Y

Opinião

Y

O Pasquim

Y

O Pasquim21

Y

O Planeta Diário

Y

O Rio Grande Semanal

3896

�S

Paralelo (Porto Alegre)

S

Pato Macho

S

Publicidade Brasileira

S

Realidade

S

Seleções

S

Utopia.

Além desses periódicos, foi incluída a coleção dos veículos-laboratório do Curso de
Comunicação da UFRGS: o jornal denominado Três por Quatro e a revista intitulada
Sextante, ambos de periodicidade semestral, oriundos de disciplinas de final de curso da
ênfase Jornalismo, do curso de Comunicação Social.
Uma obra da área de rádio foi considerada de grande valor, pois sua presença não foi
localizada em nenhuma das bibliotecas e arquivos pesquisados. Ela trata de esquetes de
radionovela.
No Gráfico 3, estão representados os tipos de publicações consideradas de grande
valor, pelo fato de se tratar de materiais produzidos na instituição, teses, dissertações e
trabalhos de conclusão de curso, assim como documentos produzidos pelo corpo docente e
técnico da Faculdade, constituindo a produção intelectual e os documentos produzidos por
alunos no âmbito da Fabico.

Gráfico 3 - Acervo considerado de valor alto da Biblioteca da Fabico

3897

�A produção da instituião também foi considerada muito valiosa, por estar toda
concentrada na Biblioteca da Fabico, repositório institucional da produção docente da
Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação. Esse acervo está assim distribuído:
a) 2.394 TCCs, sendo 946 impressos ou somente em arquivo eletrônico na
Biblioteca (CD-ROM);
b) 244 teses e dissertações do Programa de Pós-Graduação em
Comunicação e Informação (PPGCom);
c) 4.505 itens da produção intelectual da Faculdade entre livros folhetos,
trabalhos apresentados em eventos, artigos de periódicos, entre outros.
Com base nesse levantamento inicial, pode-se apresentar a distribuição percentual do
valor do acervo por tipo de material e área de abrangência, considerando como base o acervo
geral da Biblioteca da Fabico que consta de 30.642 títulos entre livros, periódicos, teses,
dissertações, TCCs, folhetos, CDRs, DVDs.
No Gráfico 4, está demonstrada a distribuição de valor no acervo geral da Biblioteca
da Fabico, incluindo todos os materiais. Essa distribuição foi considerada globalmente, sendo
passível de análise mais detalhada futuramente, com base em outros critérios de pesquisa bem
como da avaliação de especialistas e docentes da instituição.

Gráfico 4 - Valoração geral do acervo da Biblioteca da Fabico
Valoracão serai do acervo da Biblioteca da Fabico ÍDor
título)

6.119; 20%
Alto
17.169; 56%

7.354; 24%

Médio
Baixo

Fonte: Dados da Biblioteca

3898

�Considerando esse exerício de valoração do acervo, pode-se preliminarmente
identificar, através do quadro abaixo, os critérios de determinação de valor do acervo da
Biblioteca da Fabico.

Quadro 1 - Quantificação preliminar da importância relativa dos títulos do acervo da
Biblioteca da Fabico

Categoria
de Valor

Descrição da coleção

Quantidade
de títulos

Jornais e periódicos de caráter
histórico e que simbolizam
marcos na área da imprensa e da
comunicação
brasileira
e
estrangeira.

21

Livro da área de Museologia
sendo considerado a primeira
publicação da área no Brasil.

1

Livros da área de Arquivologia
não localizados em outras
bibliotecas.

3

Livros da área Biblioteconomia.

348

Contribuiçãode
cada categoria
para o valor total
da coleção (%)

Contribuiçãode
cada item para
o valor total da
coleção (%)

ALTO

de

15

Periódico
da
área
Biblioteconomia não localizada
a coleção completaem outras
bibliotecas.

1

Livros da área
Comunicação.

geral

Produção
intelectual
docentes
e técnicos
Faculdade.

dos
da

4.505

Publicações da Faculdade.

35

Teses e dissertações defendidas
no PPGCom.

244

TCCs impressos

946

SUBTOTAL ITENS VALOR ALTO

20%

6.119

20%

0,003

3899

�Categoria de
Valor

MÉDIO

Descrição da coleção

Quantidade
de títulos

Livros da área Arquivologia,

117

Livros da área Biblioteconomia.

810

Livros
da
Comunicação

1.735

área

geral

Livros da área Museologia.

51

Periódicos do acervo da área
Arquivologia

9

Periódicos do acervo da área
Biblioteconomia.

62

Periódicos do acervo da área
geral Comunicação.

75

Periódicos do acervo da área
Museologia

5

Demais títulos do acervo das
áreas específicas dos cursos

4.363

Categoria de
Valor

Descrição da coleção

Quantidade
de títulos

Demais títulos de livros do
acervo das áreas correlatas.
Livros da área Arquivologia,
Livros
da
Comunicação

área

Contribuiçãode
cada item para
o valor total da
coleção (%)

24%

7.354

SUBTOTAL ITENS VALOR MÉDIO

Contribuiçãode
cada categoria
para o valor total
da coleção (%)

24%
Contribuiçãode
cada categoria
para o valor total
da coleção (%)

0,003
Contribuiçãode
cada item para
o valor total da
coleção (%)

4.252

234

geral
4.550

Livros da área Museologia.
104

BAIXO

Periódicos do acervo da área
Arquivologia

4

Periódicos do acervo da área
Biblioteconomia.

125

Periódicos do acervo da área
geral Comunicação.

135

Periódicos do acervo da área
Museologia

4

Outros títulos
do acervo
incluindo livros, periódicos e
demais materiais

7.761

SUBTOTAL ITENS VALOR BAIXO
TOTAL GERAL DO ACERVO

17.169
30.642

56%

56%
100

0,003

3900

�Com os dados reunidos no quadro 1, pode-se dizer que grande parte do acervo da
Biblioteca da Fabico (56%), de acordo com esse estudo preliminar, pode ser considerado de
baixo valor, por se tratar de material que, no momento da avaliação, foi considerado de fácil
reposição.

4 Considerações finais
Essa análise deve ser revista e reavaliada, com base na consulta a especialistas das
áreas de concentração do acervo e também em uma pesquisa mais aprofundada dos itens que
compõe a coleção.
As instituições responsáveis pela salvaguarda de acervos, devem ter a exata
consciência da sua missão perante as gerações futuras, no sentido de preservar a história e
manter o patrimônio cultural, de certa forma, íntegro, com a menor perda de valor possível.
Esse exercício serviu como uma primeira avaliação do acervo com base no seu valor,
constituindo-se em uma atividade de grande complexidade, pois requer o conhecimento
aprofundado dos itens presentes no acervo e uma total sintonia com as áreas específicas
representadas no acervo.

Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Gestão de riscos: princípios e
diretrizes. Rio de Janeiro, 2009. (ABNT ISO 31000/2009).
HOLLÓS Adriana Cox; PEDERSOLI JR.,José Luiz.Gerenciamento de riscos: uma
abordagem interdisciplinar. Jornal Acesso, Salvador, v.3, n.1, p. 72-81, abr. 2009.
MATTOS, Lorete. Conservação de acervos UFRGS: estabelecendo o contexto. Porto
Alegre, 2013.
Disponível em: http://conservacaoufrgs.wordpress.com/propostas-paraencontros/Acesso em: 12 maio 2014.
OGDEM, Sherelyn (Ed.). Administração de emergências. Rio de Janeiro: CPBA, 2001.
SCHREINER, Heloisa Benetti. Sistema CALCO/UFRGS Automação na Biblioteca Central
da UFRGS. Revista de Biblioteconomia de Brasília, v. 8, n. 12, jul./dez. 1980. p. 113.
SPINELLI JUNIOR, Jaime. Introdução à conservação de acervos bibliográficos:
experiência da Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro: FBN, 1995. p. 37.
TRINKLEY, Michael. Considerações sobre preservação na construção e reforma de
bibliotecas: planejamento para preservação. 2. Ed. Rio de Janeiro: CPBA, 2001. p. 16.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. Relatório: reitorado do Prof.
ElyseuPaglioli: 13 de agosto de 1952 a 13 de abril de 1964. Porto Alegre: Gráfica da URGS,
[1964?].

3901

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                <text>Relata a experiência de valoração do acervo de uma biblioteca universitária brasileira, como o primeiro passo na abordagem da metodologia do gerenciamento de riscos, como parte do Projeto de Extensão Conservação de Acervos: gerenciamento ambiental e estudos  sobre desastresno âmbito do gerenciamento de riscos, da UFRGS.Fornece um panorama sobre alguns aspectos da Biblioteca, acerca do seu histórico, contexto administrativo e principalmente da valoração inicial do seu acervo. Apresenta o resultado da avaliação do acervo com gráficos e tabelas,como forma de possibilitar o aproveitamento da metodologia outros acervos da Universidade.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

USABILIDADE E ACESSIBILIDADE NOS ESPAÇOS VIRTUAIS DAS
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS FEDERAIS BRASILEIRAS PARA USUÁRIOS
SURDOS
Claudiana Almeida de Souza Gomes
Marcia Heloisa Tavares de Figueredo Lima

RESUMO
Trata da temática que inclusão do surdo em ambientes virtuais e dos padrões de
acessibilidade e usabilidade como essenciais para o exercício do direito à informação deste
cidadão. Para tanto aborda questões relacionadas à aquisição da linguagem da leitura, do
domínio da escrita, da alfabetização e do letramento para enfatizar a dificuldade encontrada
por este usuário nos ambientes tanto físicos quanto virtuais. Aborda o conceito de direito à
informação co-relacionando com o direito ao acesso a documentos de cunho público, bem
como todo tipo de informação contida em espaços físicos ou não, e que não tenham caráter
sigiloso. Aponta para os ambientes virtuais das bibliotecas federais brasileiras a fim de
verificar pelas recomendações de acessibilidade e heurísticas de usabilidade, se estes
ambientes informacionais proporcionam uma interação com a interface de seus sites que
permitam navegabilidade deste tipo de usuário. Enfoca a questão da legislação como princípio
norteador para que o surdo exerça seus direitos de acesso e uso à informação em todos os
setores de cunho público. O recorte foi realizado nos sistemas de bibliotecas universitárias
federais que agrupem em seu site, todas as unidades de informação das Universidades
Federais pesquisadas, a fim de para mapear se este espaço atende às recomendações e padrões
que permitam o acesso e navegação para inclusão do usuário surdo nos espaços acadêmicos
virtuais.
Palavras-chave: Bibliotecas Universitárias
informação. Direitos dos surdos.

.Acessibilidade.

Usabilidade.

Direito

à

ABSTRACT
It's a thematic of the inclusion of the deaf in virtual environments and standards of
accessibility and usability as essential to the exercise of the right to information of this citizen.
For that addresses issues related to language acquisition of reading, the domain of writing,
literacy and literacies to emphasize the difficulty encountered by this user in both physical
and virtual environments. Discusses the concept of right to information co-relating with the
right to access public documents imprint, as well as all kinds of information in physical space
or not, and have not confidential. Points to the virtual environments of the Brazilian federal
libraries to check the accessibility guidelines and usability heuristics, if these information
environments provide an interaction with the interface of your sites that allow this type of
user navigation. Focuses on the question of law as the guiding principle for the Deaf exercise
their rights of access and use of information in all areas of a public nature. The clipping was
performed in systems that involve federal university libraries on your site, all information

3874

�units of Federal Universities surveyed, in order to map up this space meets the
recommendations and standards enabling access and navigation to include deaf user
academics in virtual spaces.
Keywords: University Libraries. Accessibility. Usability. Right to information. Rights of the
Deaf.

1 Introdução
O tema em que se insere o presente trabalho, diz respeito ao direito de acesso para
surdos em bibliotecas universitárias federais por meio de seus espaços virtuais, considerandose o direito de acesso como uma das manifestações do direito à informação (LIMA et al,
2012, p.6).
A percepção da ausência de profissionais devidamente preparados para o atendimento a
usuários surdos, assim denominado na literatura, por se tratar de indivíduo sem resíduo
auditivo ou com surdez severa ou profunda, (FALCÃO, 2010) em órgãos públicos, chamou à
atenção para as fontes que tratam o assunto para que essa investigação tomasse corpo. As
bibliotecas universitárias devem estar preparadas para atender às reais necessidades de
informação desses cidadãos, não somente pela imposição da lei e dos decretos que visam o
acesso aos ambientes físicos e virtuais às informações. Os órgãos públicos por força da lei,
devem viabilizar o acesso á informação através de sítios na internet obedecendo aos requisitos
descritos na Lei de Acesso para que o cidadão possa acessar o que lhe interessa de qualquer
lugar, de forma clara e com eficiência (BRASIL, 2011).
De acordo com o artigo 5°, §XIV da CF/88 “é assegurado a todos o acesso à
informação...” (BRASIL, 1988). O surdo também está inserido neste universo, apesar de suas
limitações sensoriais e aprendizado diferenciado. Esta discussão visa demonstrar que tais
limitações podem ser amenizadas com o uso da tecnologia. Conforme a literatura que trata do
tema de aprendizagem do surdo. Rosa e Cruz (2001,p.43) ratificam a opinião segundo a qual a
Internet é um instrumento de inserção do surdo na sociedade, pois propicia uma interação que
não é encontrada, algumas vezes, na relação física surdo-ouvinte por conta das barreiras
comunicacionais da língua de ambos. Além dos problemas de ordem social e econômica que
impedem esses excluídos de obter acesso às tecnologias de informação (custo do
equipamento, gastos com provedores, tarifas de eletricidade, etc.), outro problema também
pode mantê-los à margem do processo inclusivo de construção do conhecimento conforme

3875

�atesta Garnham434 (2000) citado por Mattos e Santos (2009, p.122) que é: “[...]a capacidade
de compreensão dos conteúdos gerados pela Internet e pelos equipamentos de TIC [...].”.
Incluir não significa apenas mensurar que tais usuários são capazes de compreender
plenamente os conteúdos oferecidos somente porque estão diante de um computador com
acesso à Internet. (MATTOS; SANTOS, 2009). A leitura do mundo no universo do surdo
passa por aparatos mediadores, para que este não só compreenda, mas também produza
conhecimento. Essa mediação pode utilizar não só símbolos que traduzam os conceitos do
mundo escrito, como criar linguagens artificiais que facilitem a comunicação entre os grupos.
De acordo com Dorziat (1995, p.34) existem várias metodologias de comunicação para
os indivíduos surdos, entre elas, a mais conhecida é linguagem gestual-visual: “Os sinais
como uma língua propriamente dita, são associados, pela maioria das pessoas da comunidade
surda. Essa língua é fluente entre os surdos [...]”
Dias (2006, p.111) menciona que: “Por definição, acessibilidade é uma categoria de
usabilidade”. Portanto, a avaliação dos sites das bibliotecas universitárias federais brasileiras
englobará tanto a usabilidade quanto a acessibilidade, pois conforme autora citada, ambos
estão interligados tecnicamente. “Um software ou site que não é acessível a uma determinada
pessoa tão pouco pode ser considerado eficaz, eficiente ou mesmo agradável a essa pessoa.”
A mudança de paradigma tecnológico traz consigo também novas práticas de leitura e
escrita. A passagem das formas orais de transmissão pedagógica para o escrito foi lenta, em
contra partida , da escrita em papel para uma escrita na tela, a passagem tem sido mais rápida
na contemporaneidade, ambas geram novas formas de leitura, de abordagem do escrito
(FRADE, 2006).
Alguns autores como Roger Chartier se debruçam sobre o aspecto social das práticas de
leitura e escrita, ora destacando o sentido revolucionário destas, ora enfatizando a
permanência de novos artefatos que influenciam em nossas práticas de leitura e escrita. Em
contrapartida, Pierre Levy435

(2004

apud Frade, 2006) aponta para as conseqüências

cognitivas que essas novas tecnologias trazem consigo com a estrutura do hipertexto gerando
novos gêneros textuais e a introdução de uma cultura digital.
O uso da tecnologia nos faz repensar em novos lugares e modos de aprendizagem, de
alfabetização. Mas até que ponto todos os problemas referentes à alfabetização tradicional

434 GARNHAM, N. La Sociedad de la Información como ideologia: Una crítica. Artículo publicado en el libro.
Primer foro de las comunicaciones: Desafios de la Sociedad de la Información em América Latina y Europa,
UNICOM / Lom Ediciones, Santiago de Chile, 2000. p. 57-68.
435 LEVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: 34, 2004.

3876

�seriam solucionados com a ajuda da tecnologia? Decodificar o texto na tela será suficiente
para que o indivíduo seja letrado?
A discussão pertinente acerca dos termos: alfabetização e letramento, para alguns
autores, passa pelo processo social da escrita e da leitura. Para Soares (2002), letramento é um
estado que vai além do saber ler e escrever. Trata-se, segundo a autora, do uso social da
escrita no papel, apesar de sua etimologia remeter a idéia de letra escrita.
Não basta somente dominar a técnica ou aprender o sistema de escrita - que remete ao
conceito de alfabetização, conhecer as letras - é necessária uma participação nas práticas
sociais que envolvem a cultura escrita e a construção de conhecimentos a partir destas.
Somente o aprendizado do sistema de escrita sem uma integração com valores e
sociabilidades, não garante a inserção do sujeito no contexto social conforme atesta Frade
(2006, p.61): “E como essas práticas não se disseminam igualmente para todos, constatamos,
cada vez mais, o fenômeno da exclusão”.
De forma análoga, nas sociedades que utilizam a escrita, o analfabetismo está
relacionado com a falta de domínio e aprendizagem do sistema de escrita da linguagem. Isso
pressupõe a compreensão do funcionamento de um sistema, bem como sua relação com a
pauta sonora dos signos deste sistema - manifestação oral. (SOARES, 2002)
Sendo assim, as tecnologias alteram o modo como nos relacionamos com a escrita e a
leitura, Frade (2006, p.68) reforça: “Em síntese, podemos dizer que, para cada alteração nas
tecnologias de escrita, deveríamos pensar em novos gestos e possibilidades cognitivas e, por
extensão, em novas pedagogias”.
Na atualidade, os entusiastas (e mesmo os críticos) das novas tecnologias defendem a
posição de que os aparatos tecnológicos transformaram a relação entre cultura linguagem e
escrita. Através do uso de recursos multimídias é possível mesclar várias formas de
comunicação, criando uma terceira, híbrida - oral, visual e escrita: “Contar com a
simultaneidade de recursos, como o oral, o escrito e a imagem fixa e em movimento, talvez
seja uma grande novidade[...] possível de ser materializada na tela com as múltiplas
linguagens de que dispomos (FRADE, 2006, p.81).
O uso da imagem fixa, com o apoio de legendas, já era bem utilizado em textos
impressos e sua convergência com o texto narrado, propicia ao leitor, o desenvolvimento
cognitivo oriundo dos primórdios do aprendizado pautado em uma leitura oralizada pelo
mestre para fixação do texto pelo aprendiz, um “ouvinte exclusivo” - daí a palavra exclusivo
remeter aos dois sentidos - o de totalidade e o de exclusão. Segundo os autores que assim
pensam como Chartier (1999), a tecnologia não rompeu, mas transformou os novos modos de

3877

�ler e escrever em superficies multifacetadas, diminuindo o esforço físico e intelectual do
sujeito leitor.
No tocante à desigualdade de pessoas com deficiência, a história não os tratou como
seres em igualdade de condições com os outros indivíduos. Alguns relatos históricos são
impressionantes sob o ponto de vista da sociedade moderna em relação ao tratamento que o
surdo recebia no seio de diversas civilizações. Na Grécia, berço da democracia, eles eram
recomendados a se unirem a outros na mesma situação (surdos) e que seus filhos não fossem
criados. Em caso de guerra, esses “inúteis” deveriam morrer para dar salvaguarda a sobrevida
dos “perfeitos”. O código de Manu (códigos de preceitos), não dava aos surdos direitos
sucessórios por conta da “deformidade” física igualando-os aos loucos. Na Índia antiga,
pessoas deficientes eram atiradas no rio Ganges. A eutanásia também foi utilizada para a
“purificação” da nação alemã durante o regime nazista, que eliminava os deficientes, velhos e
loucos (NOVAES, 2010).
Hoje, apesar de notar-se uma evolução, afinal ninguém mais mata uma pessoa por ser
surda ou a envia primeiro à guerra, os deficientes atualmente são tratados de forma
assistencialista, sem o devido cuidado por sua integridade intelectual e capacidade criativa.
Para se estabelecer a comunicação entre a comunidade surda e seus pares, bem como os
ouvintes, foi necessário o reconhecimento da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) através
da Lei Federal 10.436, de 24 de abril de 2002, assinada, pelo então, presidente Fernando
Henrique Cardoso. Esta Lei discorre sobre o uso de LIBRAS no País, reconhecendo-a como
meio legal de comunicação e expressão, só assim, o surdo pode aprender em seu próprio
idioma. Três anos depois, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva regulamentou a referida lei
pelo Decreto 5.626, de 22 de dezembro de 2005. No capitulo 8, artigo 26 e parágrafo 1° do
decreto fica claro que o poder público, empresas concessionárias de serviços públicos e os
órgãos da administração pública federal, direta e indireta, devem garantir às pessoas surdas o
tratamento diferenciado, por meio do uso, difusão, tradução e interpretação de LIBRAS,
realizados por servidores e empregados capacitados para essa função. O parágrafo primeiro
registra: “As instituições de que trata o caput devem dispor de, pelo menos, cinco por cento
de servidores, funcionários e empregados capacitados para o uso e interpretação de LIBRAS”.
Como vemos, o Estado vem implementando diretrizes legais para tornar mais acessível
a informação a esse tipo de cidadão.

Nossa preocupação gira em torno das diretrizes

estabelecidas de forma legal, enquanto manifestação de políticas públicas, se estas geram
ações práticas no cotidiano dos órgãos públicos, mais particularmente, na biblioteca
universitária. Se leis existem para garantir o acesso do cidadão com deficiência, então como

3878

�órgãos públicos ainda carecem de pessoal especializado? E nos ambientes virtuais, as
instituições estão preparadas para atender e orientar esse tipo de usuário? Partindo da
afirmativa, baseada na literatura que trata do tema de comunicação do surdo, de que este
indivíduo necessita de uma linguagem diferenciada para compreender determinados
conteúdos, chegamos a seguinte questão: os sites das bibliotecas estão adequados ao universo
deste usuário?
A informação tem sido referida como primordial para a inserção do ser humano como
cidadão na fruição das oportunidades que são oferecidas pela cidade e o Estado de acordo
com Souza (2007, p.13):
A capacidade de obter informação e gerar conhecimento é atualmente um
fator fundamental a toda a comunidade, pois se apresenta como ferramentas
indispensáveis à efetividade da cidadania fundamentada no poder que a
informação tem para a atual sociedade.

Sendo assim, a inexistência e/ou inadequação de mecanismos eficientes para a inclusão
do usuário surdo nas instituições sociais torna-o, de certo modo, um ser vivente - não
qualificado para viver em uma comunidade política - na concepção de Agamben (2002, p.9),
uma pessoa reduzida à mera existência biológica: “zoé, que exprimia o simples fato de viver
comum a todos os seres vivos (animais, homens e deuses)" contra uma "bíos, que indicava a
forma ou maneira de viver própria de um indivíduo ou de um grupo”.
O surdo aprende mais lentamente em um mundo predominantemente escrito, por e estar
em desvantagem em relação ao ouvinte pois não recebe a mesma quantidade de estímulos
para que articule o pensamento e forme os conceitos (CAMPBELL, 2009). Com a inclusão do
surdo na escola regular e também, no ensino superior, o problema da compreensão dos
conteúdos se agravou, os motivos são óbvios: nem todas as escolas possuem intérprete de
LIBRAS, e a maioria dos professores não está preparada para este tipo de aluno.
O histórico da educação de surdos foi de fato permeado de atos institucionais que em
nada melhorava a visão estigmatizada de um ser inferior aos demais, considerados como
“normais”.
Para Foucault (2001, P.81) eram considerados anormais todos que não se enquadravam
em um modelo proposto pela sociedade. Deveriam ser curados para voltarem ao convívio
social ou serem punidos com o rigor da lei por atos hediondos (monstruosos) praticados
contra um sistema de normas já estabelecido. Veiga-Neto (2012, p.73) menciona a partir das
reflexões Foucaultianas, que a anormalidade teve até certo ponto características peculiares
que a credenciou como modelo negativo e positivo das instâncias de poder. Ao mesmo tempo

3879

�em que excluem o anormal em dois casos distintos: o monstro - o indivíduo normal - que
infringiu a norma da lei e o pestifero - o enfermo - sendo este último curável e por isso, está
fora do âmbito jurídico, ao contrário do monstro que deve ser afastado do convívio social.
Embora ambos sejam anormais. Entretanto, estão debaixo de uma mesma norma: “O normal
e o anormal, estando previstos pela norma, são casos da norma, isto é, estão na norma, sob
uma mesma norma.” Um se localiza em uma noção jurídica, enquanto o outro, na noção
médica. (FOUCAULT, 2001). O surdo se encaixa na descrição de anormalidade foucaultinana
do curável por isso, as ações advindas da médica para torná-lo “aceitável” aos padrões de
“normalidade” impostos pela sociedade.
No espaço virtual esse quadro não muda muito, se este indivíduo tem dificuldade de
leitura, imagine na Web, que é um espaço predominantemente escrito? Por isso é necessário,
que assim como os ambientes físicos necessitam de um intérprete, os espaços virtuais também
devem criar meios para que o conteúdo seja compreensível para este tipo de usuário.
Não se trata apenas de criar mecanismos de acesso, mas também, analisar as práticas
sociais no decurso do ciclo informacional. Partimos da reflexão do ambiente físico e
identificamos uma lacuna na atenção para minorias na prestação de serviços. Em um mundo
em que as Tecnologias de informação e comunicação ampliam o ambiente de vivência e
convivência do cidadão. Nossa reflexão, dirigir-se-á para a preocupação de que haja também
ambientes virtuais acessíveis, nos quais o acesso seja possível e o cidadão obtenha a
informação de que necessita.
As bibliotecas universitárias acompanham o ritmo desses sistemas de processamento e
gerenciamento da informação, com foco em uma recuperação cada vez mais eficiente. Sua
virtualização visa apresentar

ao usuário remoto seus serviços bem como auxiliá-lo na

recuperação mais precisa da informação e na utilização eficiente de suas fontes para pesquisa
através de seu site, promovendo acessibilidade para que pessoas com necessidades especiais,
possam usufruir dos serviços e produtos de informação através de interfaces amigáveis e
utilizáveis.
O objetivo deste trabalho foi investigar quantas e quais bibliotecas de universidades
federais brasileiras aplicam as recomendações internacionais de acessibilidade sugeridos pelo
World Wide Web Consortium (W3C) para Web 2.0 e padrões de usabilidade para facilitar a
navegação em seus sites pelo cidadão surdo. Os objetivos específicos

voltaram-se

a

quantificar absoluta e relativamente as bibliotecas de universidades federais brasileiras que
disponibilizam sites acessíveis; identificar quais as bibliotecas de universidades federais
brasileiras que disponibilizam sites acessíveis a surdos; analisar as interfaces com base nos

3880

�padrões de acessibilidade e usabilidade dos sites considerados acessíveis em uma amostra
delimitada do conjunto de bibliotecas de universidades federais brasileiras que possuem
somente um site para todo o sistema de bibliotecas.

2 Revisão de Literatura
Foram utilizadas para a fundamentação do trabalho, fontes da área de Educação que
tratam a aquisição da linguagem pela criança surda, as dificuldades de leitura e escrita como
também a evolução dos suportes e a discussão sobre letramento e alfabetização. Dentro dessa
discussão, foram levantadas também questões sobre a legislação vigente e suas implicações
na vida do cidadão surdo. Também foi consultada a literatura que ressalta os conceitos
metodológicos sobre usabilidade e acessibilidade, bem como as técnicas de avaliação e
problemas de interação na interface homem-computador agregadas as recomendações de
acessibilidade para surdos em ambientes virtuais de aprendizagem, baseadas no trabalho de
Abreu (2010) e no W3C, para avaliação dos sites das bibliotecas universitárias federais
brasileiras.

3 Materiais e Métodos
Para a elaboração da pesquisa, foi realizada uma pesquisa bibliográfica com uma
abordagem interdisciplinar, com possibilidades de diálogo entre os campos da Ciência da
Informação, da Informática, do Direito e Educação. O aporte foi transversal de maneira que o
estudo teve um caráter teórico bibliográfico sobre temas específicos como as recomendações
de acessibilidade, os padrões de usabilidade, o direito de acesso advindas de outras áreas,
como a Informática e a Educação, porque a própria cobertura temática interdisciplinar da
Ciência da Informação assim permite e necessita. Em um segundo momento, foi necessária
uma abordagem de cunho teórico-experimental com o objetivo de analisar a acessibilidade e
usabilidade como pontos principais para o exercício do direito à informação no contexto
virtual. Dentro deste contexto, foi realizado um levantamento dos sistemas de bibliotecas
universitárias federais brasileiras que possuem um site para seu sistema de bibliotecas através
de navegação e verificação pelo pesquisador. Os dados foram transcritos formulário para
identificação das instituições que se encontravam nessa situação. O formulário para a
avaliação das heurísticas baseado nas pesquisas de Nielsen (1993), nos estudos de usabilidade
de Dias (2006) e Torrezan (2009). Este foi aplicado na segunda fase da pesquisa para avaliar a
usabilidade dos sites dos sistemas baseado nas dez (10) heurísticas de usabilidade de Nielsen.
Esse instrumento de coleta para a avaliação heurística foi construído à luz da literatura que

3881

�trata do tema de usabilidade, baseado em Dias (2006), Torrezan (2009) e Nielsen (1993);
(2007)436. O recurso de Breadcrumbs (“migalhas de pão”) foi inserido na lista do formulário,
por ser considerado por Torrezan (2009, p.39) como um item utilizado com mais freqüência
pelos usuários de sites para uma navegação mais eficiente. Sua estruturação se desenvolveu
da seguinte forma: relação das heurísticas de usabilidade, relação dos recursos a serem
verificados no site, comentários do avaliador e nível de satisfação. Em relação ao nível de
satisfação do avaliador, foi atribuída uma escala de pontuação baseado no modelo de Nielsen
(2005) apud Pereira (2011, p.60) que vai de 0 (zero) à 3. Pela característica da pesquisa de
apenas verificar e não corrigir os problemas encontrados nos sites, foco específico da escala
de pontuação em Engenharia de Sistemas, optou-se por uma pontuação mais simplificada, em
que zero (0) significa que o recurso não atende a heurística correspondente, um (1) atende à
heurística descrita e dois (2) atende parcialmente a recomendação descrita no formulário. Em
uma última fase do trabalho, foi feita a avaliação das recomendações de acessibilidade do
W3C adaptadas para o usuário surdo, conforme trabalho de Abreu (2010, p.37). A adaptação
se deu em razão da generalidade das recomendações do W3C, direcionadas para vários tipos
de usuários com dificuldades diversas. Ambas as verificações se completam, pois mesmo que
elementos de acessibilidade façam parte da interface de alguns sites pesquisados, a utilização
correta ou não desses ambientes, dependerá da facilidade no uso por quem navega.

4 Resultados Parciais/Finais
O levantamento foi realizado com 63 universidades federais brasileiras, de acordo com
o site do Ministério da Educação. Foram encontradas 51 Instituições Federais de Ensino
Superior com site que agrega todas as unidades informação de seus sistemas de bibliotecas, o
que representou um percentual de 89% do total pesquisado. Os resultados das verificações de
acessibilidades nos sistemas selecionados, foram baseados no trabalho de Abreu (2010) que
adaptou das recomendações do W3C, oito (8) recomendações de acessibilidade para usuários
surdos em sites na web a saber: Transcrição de textos para arquivos de MP3, Equivalentes
textuais para conteúdo visual, documentos adaptados para Libras-Português, Tutorial em
vídeo legendado ou "avatar" em Libras, descrição de vídeos com legendas simplificadas ou
em LIBRAS, divisão da informação em pequenos blocos com linguagem simples, opção de
informação Libras-Português transcrito ou em LIBRAS e, finalmente, se o site possui algum
aplicativo tradutor em LIBRAS.

436 NIELSEN, J. ; LORANGER, H. - Usabilidade na web. Rio de Janeiro : Elsevier, 2007.

3882

�Dentre os 51 sistemas pesquisados, somente sete (7), foram selecionados pois
atenderam pelo menos a duas (2) recomendações de acessibilidade: "Equivalentes textuais
para conteúdo visual" e "Divisão da Informação em Pequenos blocos de linguagem simples".
Do restante dos sistemas da pesquisa, vinte e cinco (25), atenderam

a somente uma

recomendação. Enquanto que, os outros dezenove (19), não contemplaram nenhuma
recomendação em suas interfaces. Foram descartadas para a avaliação de usabilidade,
realizado posteriormente, dois sistemas de bibliotecas, um da Região Sul e outro da Região
Sudeste, por apresentarem poucos links e/ou comandos, bem como a necessidade de login e
senha para acesso a determinadas áreas, o que inviabilizou a navegação naquele momento. A
avaliação heurística de usabilidade, foi realizada através de formulário estruturado com as dez
(10) recomendações segundo Nielsen (1993) para a construção e utilização de sites:
Visibilidade do estado atual do sistema, Compatibilidade do sistema com o mundo real,
Controle e liberdade do usuário, Consistências e padrões, Prevenção de erros,
Reconhecimento ao invés de memorização, Flexibilidade e eficiência no uso, Projeto estético
e minimalista, Diagnostica e corrige erros e Ajuda e documentação. A interface do site do
sistema de bibliotecas da universidade federal de ciências da saúde de porto alegre (UFCSPA)
foi a que demonstrou através da avaliação de usabilidade, ser o site mais utilizável conforme
as heurísticas. Entretanto, sua interface é essencialmente escrita, o que conforme a literatura
que trata do desenvolvimento da linguagem no surdo, pode prejudicar a navegação já que
este tipo de usuário utiliza da Linguagem de Sinais para compreender o mundo.

5 Considerações Parciais/Finais
Nos dias atuais é fato que, as tecnologias nas áreas de comunicação e informação têm
provocado mudanças no desempenho das atividades das bibliotecas e conseqüentemente na
política de prestação de serviços exigindo uma nova postura do profissional da informação.
Apesar de todas as previsões sobre a extinção do livro e da própria biblioteca, este espaço tem
sobrevivido e agregado a seu rol de serviços, bases de dados, novos suportes e ambientes de
informação através da rede mundial de computadores. Não serão as tecnologias que trarão o
fim nas bibliotecas, estas mudarão seu perfil e a cada dia, ampliarão seu leque de atividades.
Contudo, apesar da maioria dos sistemas de bibliotecas pesquisados atenderem as
heurísticas de usabilidade que são de certa forma, utilizáveis para usuários ouvintes, pode-se
observar que o surdo não foi privilegiado na construção de interfaces compatíveis com suas
necessidades. Somente sete sistemas em um universo de cinqüenta e um, apresentaram duas
recomendações de acessibilidade. Porém não basta somente delegar responsabilidades à

3883

�tecnologia, o domínio e compreensão da linguagem nos ambientes virtuais é primordial para o
uso e acesso, e isso, passa pela educação, que também é um direito a ser garantido através de
ações públicas promovidas pelo Estado para a inclusão do cidadão surdo.

6 REFERÊNCIAS
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alfabetização com libras. Dissertação (Mestrado) em Ciência da Computação. UFMG, 2010.
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Constituição Federal; altera a Lei no 8.112, de 11 de dezembro de 1990; revoga a Lei
no 11.111, de 5 de maio de 2005, e dispositivos da Lei no 8.159, de 8 de janeiro de 1991; e dá
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                <text>Trata da temática que inclusão do surdo em ambientes virtuais e dos padrões de acessibilidade e usabilidade como essenciais para o exercício do direito à informação deste cidadão. Para tanto aborda questões  à aquisição da linguagem da leitura, do domínio da escrita, da alfabetização e do letramento para enfatizar a dificuldade encontrada por este usuário nos ambientes tanto físicos quanto virtuais. Aborda o conceito de direito à informação co-relacionando com o direito ao acesso a documentos de cunho público, bem como todo tipo de informação contida em espaços físicos ou não, e que não tenham caráter sigiloso. Aponta para os ambientes virtuais das bibliotecas federais brasileiras a fim de verificar pelas recomendações de acessibilidade e heurísticas de usabilidade, se estes ambientes informacionais proporcionam uma interação com a interface de seus sites que permitam navegabilidade deste tipo de usuário. Enfoca a questão da legislação como princípio norteador para que o surdo exerça seus direitos de acesso e uso à informação em todos os setores de cunho público. O recorte foi realizado nos sistemas de bibliotecas universitárias federais que agrupem em seu site, todas as unidades de informação das Universidades Federais pesquisadas, a fim de para mapear se este espaço atende às recomendações e padrões que permitam o acesso e navegação para inclusão do usuário surdo nos espaços acadêmicos virtuais. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

UMA NOVA REALIDADE: sistema eletrônico de gerenciamento de informações no
SISTEMOTECA da UFPB
Ediane Toscano Galdino Carvalho
Aderaldo da Silva Lima Neto

RESUMO
As bibliotecas universitárias devem proporcionar aos seus usuários um ambiente compatível
com as mudanças da sociedade contemporânea que são necessárias e irreversíveis. Dessa
forma, a aquisição de um sistema eletrônico de gerenciamento de informações é fundamental.
A pesquisa objetiva verificar o processo de mudança do sistema de gerenciamento eletrônico
de informações ORTODOCS para o Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas
(SIGAA). Teve como ambiente de pesquisa o SISTEMOTECA da UFPB e instrumento de
coleta de dados o questionário aplicado a bibliotecários ligados diretamente as atividades
técnicas. Como resultado, observou-se que a necessidade de mudança de sistema eletrônico de
informações foi relevante, solucionando situações técnicas e operacionais imediatas no
SISTEMOTECA. Este fato é verificado principalmente devido os direitos de uso de o SIGAA
ter sido adquirido pela UFPB, como também por ser um sistema eletrônico integrado,
podendo compartilhar dados entre os setores desta universidade.
Palavras-Chave: Sistema de Gerenciamento Eletrônico de Informação. Automação em
bibliotecas universitárias. Sistema de Bibliotecas da UFPB (SISTEMOTECA).

ABSTRACT
The university libraries should propitiate to their users an environment compatible with the
changes in the contemporary society which are necessary and irreversible. This way, the
acquisition of an electronic system of information management is fundamental. The research
aims to verify the changing process of the system of electronic management of information
ORTODOCS to the Integrated System of Management of Academic Activities (SIGAA). The
research environment was the SISTEMOTECA of UFPB and the tool for data collection was
a questionnaire applied with librarians that work directly with technical activities. As a result,
it is observed that the necessity of changing the electronic system of information is relevant,
solving immediate technical and operational situations on SISTEMOTECA. This fact is
mainly verified due to the copyright of SIGAA has been acquired by UFPB as well as it is an
integrated electronic system that can share data between the sectors of this university.
Key-words: System of Electronic Management of Information. Automation in University
Libraries. System of Libraries of UFPB (SISTEMOTECA).

3860

�1 INTRODUÇÃO
A rotina da sociedade contemporânea tomou novo rumo com a amplitude de
atividades realizadas a partir do computador e contemporaneamente pelo ambiente virtual.
Neste sentido, as bibliotecas tenderam a seguir este caminho promissor, pois os serviços
tornaram-se mais funcionais com a utilização efetiva da internet.
O impacto deste cenário no mundo informacional direciona as instituições a tomarem
nova postura adequando o processo informacional diante das possibilidades exigidas pelo
ambiente eletrônico e virtual. Para tanto, a biblioteca está influenciada diretamente em todos
os serviços realizados e a aplicação das tecnologias são fundamentais em todo o processo,
tornando o gerenciamento das rotinas de trabalho rápidas, eficientes e eficazes.
O Brasil iniciou na década de 80 a automação de suas bibliotecas. A necessidade de
acompanhar as mudanças mundiais no que se refere a tecnologia levou a área de
biblioteconomia a estudar com maior profundidade o desenvolvimento de softwares adequado
ao gerenciamento dos serviços nas bibliotecas.
Atualmente existe uma variedade de sistemas de automação ou sistemas eletrônicos de
gerenciamento que atende as necessidades gerais em uma biblioteca, dessa forma, a qualidade
na disponibilização dos serviços merece um alto investimento na aquisição de sistemas de
qualidade.
Para o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) (199?),
automação de bibliotecas são as diferentes utilizações dadas a equipamentos de
processamento eletrônico de dados em atividades ligadas à administração em bibliotecas,
centros de documentação, serviço de informação e órgãos similares. Essas atividades incluem
a seleção e aquisição de material bibliográfico, catalogação, recuperação de referências,
serviços de empréstimos, edição de boletins de notificação corrente e outros instrumentos de
disseminação de informações, além de tarefas de natureza financeira ou contábil.
A tomada de decisão em automatizar uma biblioteca perpassa por todo o processo de
gerenciamento institucional. Existem duas situações para a escolha de um sistema de
automação: a primeira é quando os serviços aos usuários e as atividades administrativas da
biblioteca ainda não estão utilizando nenhum sistema e o outro é quando na biblioteca já
existe um sistema, no entanto, os gestores tomam a decisão de mudança para outro sistema.
Essa mudança reflete principalmente no oferecimento de maior qualidade nos serviços e
atividades.
Esta pesquisa tem como objetivo verificar o processo de mudança do Sistema de
automação ORTODOCS utilizado pelo SISTEMOTECA/UFPB, para o atual sistema

3861

�eletrônico de gerenciamento de informações: Sistema Integrado de Gestão de Atividades
Acadêmicas (SIGAA). O SIGAA é um sistema que gerencia todas as atividades da
Universidade Federal da Paraíba.
Dessa forma, o estudo em tela possibilita aos profissionais da área de informática e da
área da biblioteconomia, conhecer as diferenças entre um sistema que gerencia apenas as
atividades de uma biblioteca e outro que amplia as alternativas de gerenciamento de toda uma
instituição.

2 BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
Com o surgimento das escolas de ensino superior, entre o final do século XIX e o
início do século XX, impulsionou a criação de bibliotecas ligadas a essas instituições.
É importante destacar que em 1901 no governo presidente Campos Sales, foi
aprovado uma determinação de que todas as escolas de ensino superior e secundário
mantivessem bibliotecas. Esta assertiva encontra-se no 19° capítulo do Código dos Institutos
Oficiais de Ensino Superior e Secundário ligados ao Ministério da Justiça e Negócios
Interiores. (LEMOS; MACEDO, 1974).
A biblioteca de uma universidade é um instrumento essencial no processo de
ensino/aprendizagem e fundamental no ensino superior. Sua função atende a própria
instituição universitária que é de ensino, pesquisa e extensão, contribuindo com o
desenvolvimento social, cultural, tecnológico e científico do país. Por isso, as bibliotecas
devem participar ativamente do sistema educacional desenvolvido pela universidade.
Segundo Cunha (2010, p.72),
as bibliotecas universitárias são organizações complexas, com múltiplas
funções e uma série de procedimentos, produtos e serviços que foram
desenvolvidos ao longo de décadas. No entanto, o seu propósito fundamental
permaneceu o mesmo, isto é: proporcionar acesso ao conhecimento. Esse
acesso ao conhecimento é que irá permitir que o estudante, o professor e o
pesquisador possam realizar suas aprendizagens.

A biblioteca universitária no Brasil atualmente está em constante crescimento devido
as várias reformas universitárias, como exemplo a criação de vários cursos superiores,
ocasionando um aumento na aquisição de documentos e nos serviços das bibliotecas
universitárias.
Com o aumento na quantidade de cursos oferecidos pelas universidades brasileiras,
aumenta-se também o contingente de alunos e as bibliotecas podem se tornar inviáveis caso

3862

�não sejam visualizadas como alicerce fundamental na construção do saber e conhecimento.
Nesta perspectiva, a biblioteca universitária vive um momento de expansão pela busca de
novos valores e de soluções para o processo de gerenciamento da informação.
Diante deste contexto, as bibliotecas por estarem no cumprimento de suas funções
informacionais nas universidades, devem proporcionar aos seus usuários um ambiente
compatível com o ambiente virtual, estando preparadas para realmente funcionar como
agentes positivos das mudanças necessárias e irreversíveis na sociedade.

3 Tendências e oportunidades na biblioteca informatizada

As atividades acadêmicas nas universidades estão sendo influenciadas e modificadas
de acordo com as mudanças vividas na sociedade que está continuamente em processo de
mudança a partir do surgimento de tecnologias cada vez mais eletrônicas e virtuais, dessa
forma, ocasionam novas perspectivas no oferecimento dos serviços das bibliotecas
universitárias.
Segundo Cunha (2000), as inovações devem ser estabelecidas a partir da ênfase no
atendimento, no financiamento, no balcão de referência eletrônico, no suporte a programas de
ensino à distância e agentes inteligentes. O autor afirma ainda que a biblioteca sempre foi
referência na vanguarda das tecnologias informacionais como: a passagem dos manuscritos
para os textos impressos, o acesso as bases de dados, o uso do CD-ROM, a biblioteca digital e
virtual, dessa forma, demonstra essa evolução na figura abaixo.

Figura 1 - Evolução tecnológica da biblioteca

3863

�Acredita-se que as bibliotecas universitárias brasileiras estejam todas automatizadas.
Em decorrência disso, há a necessidade de ampliação nos recursos financeiros para a provisão
de equipamentos mais potentes e modernos.
Segundo Guinchat e Menou (1994, p.223) “os sistemas de informação precisam
manipular grandes quantidades de dados para realizar tarefas relativamente simples e
repetitivas”. Para tanto, demanda pessoal especializado, equipamentos direcionados para o
gerenciamento eletrônico de informações de tratamento e de comunicação.
Nos últimos tempos, o aumento da velocidade das CPUs, o incremento da velocidade
de transmissão de dados e redução drástica nos custos das memórias de massa barateou os
custos e aumentou a potencialidade dos recursos informáticos.
A velocidade de transmissão de dados agora passa a contar com redes de alta
velocidade. Os usuários das bibliotecas têm acesso a grandes arquivos de dados, utilizam
aplicações multimídias e outros tipos de produtos/serviços que demandam alta confiabilidade
e velocidade de transmissão.
Diante desta perspectiva, Vieira (2014), fala sobre a tendência atualmente no acesso
a informação que a partir do sucesso da internet, o armazenamento e a troca de informações
brevemente se consolidará a partir do acesso na cloud, ou seja, o acesso nas nuvens, onde se
pode utilizar servidores terceirizados acessíveis a partir da internet.
Os recursos informacionais oferecidos pelas bibliotecas devem levar em
consideração a demanda de usuários que a cada dia interage com o ambiente virtual. A
comunidade acadêmica universitária parece clamar por ações significativas que tornem o
acesso a informação com qualidade e eficiência.
Dessa forma, os sistemas de gerenciamento de informações devem acompanhar o
processo de exigência da demanda existente na comunidade a qual a biblioteca está inserida,
neste caso, ao elaborar um projeto de aquisição de um sistema de gerenciamento de
informações, torna-se necessário a observância de critérios como credibilidade, tecnologia
funcional, adoção de padrões normativos da biblioteconomia, facilidade na inserção e
recuperação da informação. A estas exigências, deve-se incluir a necessidade de ampliação do
acesso e uso da informação com as tendências de ambientes eletrônicos, digitais e virtuais.

3864

�4 Sistemas de gerenciamento de dados no SISTEMOTECA / UFPB: Ortodocs e Sistema
Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas (SIGAA)

A pesquisa se deu no Sistema de Bibliotecas (SISTEMOTECA) da Universidade
Federal da Paraíba (UFPB). O processo de estruturação e implantação desse Sistema teve
início a partir de 1976 com a junção do acervo das treze Bibliotecas Setoriais. Após esse
momento começou a contratação de Bibliotecários, atualização do acervo de livros e
periódicos, elaboração e aprovação do regulamento do Sistema de Bibliotecas, criação de
novos serviços e a construção do prédio definitivo da Biblioteca Central com uma área
construída de 8.500m2.
Em 1980 foi oficializado o regulamento do Sistema de Bibliotecas, aprovado pelo
Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (CONSEPE), através da resolução N°
31/2009 (Processo n°23074. 0007933/09-90), que determina as diretrizes quanto à formação e
funcionamento do Sistema de Bibliotecas. (UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA,
2009).
O SISTEMOTECA é formado por Bibliotecas que trabalham com a coleta, o
tratamento, o armazenamento, a recuperação e a disseminação de informações, como apoio
aos programas de ensino, pesquisa e extensão da UFPB.
Atualmente, o Sistema de Bibliotecas apresenta a seguinte formação: 1 Biblioteca
Central (coordenadora do sistema) e 13 Bibliotecas setoriais localizadas nos 4 campi, sendo
elas; Campus I - João Pessoa - Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Sociais Aplicadas
(BS/CCSA), Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Humanas Letras e Artes
(BS/CCHLA), Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Exatas e da Natureza (BS/CCEN),
Biblioteca Setorial do Centro Ciências da Saúde (BS/CCS), Biblioteca Setorial do Centro de
Ciências Jurídicas (BS/CCJ), Biblioteca Setorial do Centro de Educação (BS/CE), Biblioteca
Setorial do Centro de Tecnologia (BS/CT), Biblioteca Setorial do Núcleo de Documento e
Informação Histórica Regional (BS/NDHIR), Biblioteca Setorial do Hospital Universitário
(BS/HU), Biblioteca Setorial de Direitos Humanos); Campus II - Areia - Biblioteca Setorial
de Areia (BSA); Campus III - Bananeiras - Biblioteca Setorial de Bananeiras (BSB);
Campus IV - Mamanguape/Rio Tinto - Biblioteca Setorial do Litoral Norte (BS/LN).
(UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA, 2009).
As atividades principais de acordo com o regimento são:

3865

�I. selecionar e adquirir material documental que interesse ao ensino, a
pesquisa e a extensão;
II. efetuar os registros que permitam assegurar o controle e a avaliação do
material documental;
III. tratar o material documental de acordo com os processos técnicos
adotados;
IV. fazer circular, para fins de disseminação de informações junto ao
usuário, as coleções bibliográficas e audiovisuais;
V. oferecer serviços de documentação e informação para apoio aos
programas de ensino de graduação, pós-graduação, pesquisa e extensão.
(UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA, 2009, p. 3).

A Biblioteca Central, sediada no Campus I, é responsável pela coordenação geral das
atividades do SISTEMOTECA a função de suprir com informações as atividades de ensino,
pesquisa e extensão da UFPB.
As bibliotecas setoriais são subordinadas tecnicamente com relação a:
• compra de material documental a partir do processo de Pregão eletrônico;
• registro dos documentos;
• sistema de classificação (CDU);
• catalogação;
• sistema eletrônico de gerenciamento de dados.
O SISTEMOTECA teve suas atividades automatizadas a partir da década de 80,
quando adquiriu o sistema Ortodocs que foi substituído pelo Sistema Integrado de Gestão de
Atividades Acadêmicas (SIGAA) em 10 de abril de 2012.
O Sistema Ortodocs é um sistema de gerenciamento de dados criado, desenvolvido e
gerenciado pela empresa Potiron Informática, com sede na cidade de São Paulo e laboratório
tecnológico em Campinas-SP. A Potiron Informática atua como empresa de Tecnologia da
Informação (TI), dedicando-se ao ramo de softwares para empresas de todos os portes. De
acordo com Côrte et. al. (1999) a Potiron Informática surgiu com o objetivo de informatizar
bibliotecas individuais ou interligadas em redes. Possui o formato de intercâmbio a partir do
padrão MARC, do protocolo Z39.50 e da norma ISO 2709. Sua atuação no SISTEMOTECA
iniciou no ano de 2000, com a finalidade prioritária de automatizar todas as operações,
processos e atividades rotineiras da unidade. (VIEIRA; MACHADO, 2013).
A implantação e implementação do Ortodocs na UFPB foi inicialmente com o
módulo de processos técnicos que se responsabiliza pelo tratamento dos documentos como a
inserção dos dados dos documentos a partir da catalogação. Após a implantação do módulo de
processos técnicos, foi implantado o módulo de circulação, responsável pelo cadastro dos
usuários, empréstimo, devolução e renovação dos documentos e a busca no catálogo.

3866

�Passado praticamente uma década foi iniciado o processo de realização da
catalogação do acervo de CDs e DVDs na Seção de Multimeios e na Seção de Periódicos com
a catalogação dos periódicos.
Inclui-se ainda o acervo de cordéis com suas capas digitalizadas existentes no
Programa de Pesquisa em Literatura Popular (PPLP). O processo de catalogação deste acervo
ocorreu durante o período de 2008 e 2009, sendo suspenso devido a saída da bibliotecária
para a função de docente na mesma universidade.
O Ortodocs ficou ativo no SISTEMOTECA até o ano de 2012, quando foi
substituído pelo atual sistema de gerenciamento eletrônico de dados, o Sistema Integrado de
Gestão de Atividades Acadêmicas (SIGAA).
O SIGAA é um sistema de gerenciamento eletrônico da informação que atua desde a
área processual de uma instituição até a área de recuperação da informação, abrangendo toda
estrutura institucional,

tendo como proposta fundamental

gerenciar os processos

administrativos e técnicos da área interna da instituição.
Foi criado em 2000 pela equipe de técnicos/funcionários da Superintendência de
Informática da UFRN com a missão de consolidar um sistema eficaz na gestão do fluxo de
informações administrativas, técnicas e operacionais e como objetivo inicial de prover o
gerenciamento eletrônico das atividades da própria instituição (VIEIRA; MACHADO, 2013).
A iniciativa se deu pelo fato de que os sistemas informacionais da UFRN estavam
fragmentados, refletindo a falta de conexão e fluxo informacional, surgindo a necessidade de
unificação e integração dos sistemas numa única base de dados para dar maior autenticidade
às informações geradas como suporte às tomadas de decisões.
Segundo Ziulkoski (2010) o SIGAA é uma plataforma desenvolvida em ambiente
web para atender as necessidades de gestão e planejamento de uma instituição de ensino, seja
ela pública ou privada, permitindo a otimização dos recursos físicos, humanos, materiais e
financeiros.
Antes da criação da Superintendência de Informática (SINFO) os sistemas eram
desenvolvidos de forma isolada, utilizando-se cada um de uma base de dados e tecnologia
diferente, existindo uma complexidade do cruzamento de informações e a falta de
padronização da entrada de dados, dificultando o seu gerenciamento. (LIMA; RAMOS,
2011).
Dentro desse contexto, a SINFO cria então os seguintes sistemas: SIGAA
(acadêmico), SIPAC (patrimonial) e SIGRH (recursos humanos). Esta pesquisa aborda o
SIGAA - módulo Biblioteca.

3867

�A UFPB adquiriu o SIGAA, com seus diversos módulos, em 2010, através do Termo
de Cooperação n° 01/2010 da Universidade Federal da Paraíba - UFPB com a Universidade
Federal do Rio Grande do Norte - UFRN, foi oficializado em 2011, ocasionando a
implantação do sistema integrado de gestão acadêmica, administrativa e de recursos humanos,
bem como a gerência de seus dados. O termo também garante a capacitação e transferência de
tecnologia da UFRN para a UFPB e a integração dos sistemas do governo federal como o
SIAFI, SIAPE, SIASG e outros de interesse mútuo entre os partícipes.
O SIGAA foi implantado no SISTEMOTECA, a partir do “módulo biblioteca” que
contempla a vida acadêmica da comunidade universitária, e o gerenciamento dos serviços
automatizados de catalogação dos documentos e dos serviços de circulação (cadastro,
empréstimo, devolução e renovação.
O SIGAA permite:
•

Relatórios impressos por qualquer operador habilitado, podendo ser impressos de

forma imediata sem necessidade de solicitação prévia;
•

Permite multi-filtro na busca, facilitando as estratégias de pesquisa;

•

Permite o filtro por biblioteca e coleção;

•

Estruturado para Sistema de Biblioteca e não apenas para uma biblioteca;

•

Permite a utilização de diferentes classificações em bibliotecas, podendo cada

uma ter o seu número de chamada utilizando-se da mesma catalogação;
•

Cada modificação de catalogação possui registro das mudanças;

•

Em casos de Livros, Dissertações ou teses com CD, basta incluí-lo como anexo;

•

Sistema programado para acusar erro de MARC automaticamente, não permitindo

a continuidade da catalogação.
A substituição do Ortodocs pelo SIGAA se deu a partir de 2012 na Biblioteca Setorial
do Centro de Ciências da Saúde (CCS) como biblioteca piloto, basicamente nos módulos de
circulação com os dados dos usuários e de catalogação para os acervos de livros. A escolha se
deu pelo fato de apresentar as condições necessárias ao processo de migração dos dados. Em
seguida, realizou-se a migração dos dados da biblioteca central e da biblioteca setorial do
CCEN. As outras bibliotecas setoriais também se adequaram ao processo.

3868

�5 O caminho trilhado

A pesquisa é um estudo de caso, por ser um processo específico para o
desenvolvimento de uma investigação particular.
Mediante a perspectiva de obtenção dos objetivos propostos, a pesquisa foi
desenvolvida mediante a abordagem qualitativa, pretendendo entender a funcionalidade e
benefícios do SIGAA - Módulo Biblioteca - no Sistema de Bibliotecas da UFPB.
Os sujeitos escolhidos foram 9 (nove) bibliotecários, sendo distribuídos na Biblioteca
Central, na biblioteca setorial do CCEN, na biblioteca setorial do CCS e na biblioteca setorial
do CCSA. Desse total, 5 responderam ao instrumento de coleta de dados da pesquisa que foi o
questionário com questões abertas e fechadas.

6 Analisando as questões do instrumento de dados

Para a realização da análise, foi necessário a interpretação dos dados existentes no
questionário e utilizaram-se as perguntas do mesmo como caminho para constituir os
resultados finais.
A pergunta inicial do questionário se referiu ao perfil dos bibliotecários. Dos 5 (cinco)
respondentes, 2 (dois) bibliotecários têm de 1(um) a 5 (cinco) anos de experiência, 2(dois)
bibliotecários tem de 5 (cinco) a 10 (dez) anos de experiência e 1(um) bibliotecário tem mais
de 10 (dez) anos de experiência. Em relação a formação, apenas 1 (um) bibliotecário tem
formação de graduação em biblioteconomia, e 4 (quatro) bibliotecários além da graduação
possuem mestrado em Ciência da informação. No que diz respeito ao cargo que desempenha
dentro de cada unidade de informação onde atua, apenas 2 (dois) bibliotecários exercem o
cargo de chefia.
Após a identificação do perfil dos respondentes, as perguntas do questionário foram de
âmbito diverso que possibilitou realizar uma análise contextual do processo de implantação
do SIGAA em substituição ao Ortodocs no Sistema de Bibliotecas da UFPB, como também
do conhecimento técnico dos bibliotecários (sujeitos da pesquisa).
A implantação do módulo biblioteca do SIGAA foi dividida em duas partes: O módulo
processos técnicos e o módulo circulação. O processo se deu primeiramente no processo
técnico e por fim chegou à circulação, os quais demandaram esforços tanto dos bibliotecários
das Bibliotecas envolvidas como do Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI) da UFPB, a

3869

�fim de tornar o resultado desse processo um momento ímpar de avanço no que diz respeito à
forma de gerir o SISTEMOTECA.
Após a consolidação do projeto piloto na BS/CCS, o NTI começou gradativamente a
fazer a migração dos dados nas outras bibliotecas do SISTEMOTECA. Atualmente todas as
unidades do sistema já estão funcionando com o módulo de catalogação do SIGAA.
De acordo com as repostas, identificou-se que todos os bibliotecários respondentes
têm conhecimento sobre a importância da automação e uso de sistemas adequados para cada
tipo de biblioteca, este dado coletado e percebido fortalece a ideia de que as informações dos
respondentes nesta pesquisa correspondem a pensamentos coerentes de quem lida no dia a dia
com essas tecnologias.
A respeito do uso de outros sistemas de automação de bibliotecas, todos os
bibliotecários relataram já ter usado mais de um sistema. Dentre os softwares que mais se
destacaram para todos os bibliotecários, foram estes: Ortodocs, SIGAA (UFRN), BibLivre,
SIABI e Pergamun. O fato de terem usado esses sistemas não caracteriza o domínio absoluto
de todos eles, apenas identifica o conhecimento global dentro do campo de softwares para
automação de bibliotecas.
Os resultados demonstraram ainda que o novo sistema trouxe satisfação para a maioria
dos bibliotecários. Alguns relatam que muitos processos foram simplificados, de forma que as
informações estão sendo geridas e disponibilizadas com mais eficiência e eficácia. Isso
favorece não apenas o profissional bibliotecário, mas principalmente o usuário que se sente
satisfeito em sua solicitação.
Segundo os bibliotecários a importância do novo sistema foi refletida em toda a
instituição e possui os seguintes atributos:
•

Possibilidade de realmente efetivar a integração de todas as

bibliotecas que fazem parte do sistema;
•

Vinculação do cadastro de alunos matriculados e servidores

ativos em todas as instâncias da Universidade;
•

Quanto ao suporte técnico que é de responsabilidade do

NTI/UFPB, facilitando assim a solução de eventuais problemas;
•

Opções de regras de política no sistema, a exemplo da política

de empréstimo;
•

Possibilidade de emissão de relatórios por qualquer operador

habilitado, podendo ser impressos de forma imediata sem necessidade

3870

�de solicitação prévia (empréstimos, débitos, etc.);
•

Permite opções de multi-filtro na busca, facilitando as

estratégias de pesquisa;
•

Permite a customização, ou seja, modificações no sistema à

atender as possíveis necessidades da demanda.

Apenas 1 (um) bibliotecário citou um ponto negativo ao seu entender, expressando
que
o layout de apresentação para o usuário ainda não estava adequado, poderia
ser mais “limpo” tomando o preenchimento na busca mais simplificado,
favorecendo assim a recuperação dos resultados de forma mais eficiente.

Ao analisarmos separadamente os dois sistemas, Ortodocs e o SIGAA, verifica-se
algumas semelhanças nas funcionalidades e características das informações na sua interface,
como por exemplo: formato web e catálogo online, porém, se diferenciam e distanciam
quando da execução das tarefas nos dois ambientes.

7 Considerações Finais

A pesquisa mostrou pontos importantes referentes as mudanças ocorridas a partir da
substituição do Ortodocs pelo SIGAA.
O sistema SIGAA por gerenciar todos os processos administrativos, acadêmicos e
técnicos da UFPB, trouxe como maior benefício para toda a universidade, o fato da integração
dos setores pelo cadastro único de alunos e servidores, o qual simplifica o serviço de cada
operador de cada setor, refletindo na melhor funcionalidade dos serviços.
Com relação ao módulo do SIGAA/Biblioteca é um sistema mais sólido e completo
que o Ortodocs e portanto exige mais conhecimento para a sua operacionalização.
Durante o processo de migração dos dados de um sistema para outro, observou-se a
existência de inconsistência dos dados, no entanto, ao serem verificadas pelos bibliotecários e
pelos analistas de sistemas da universidade foram corrigidas de acordo com o grau de
necessidade, ficando a responsabilidade pelas correções a cargo do NTI.
Dessa forma, quanto a manutenção do sistema, fica comprovado que existe
compromisso pelo pessoal técnico, como também o sistema é eficaz pois oferece a condição
de flexibilidade, podendo se moldar a novos ajustes e adaptar às necessidades e funções
desempenhadas pelos operadores de cada segmento.

3871

�Foi verificado que o SIGAA é um sistema seguro, tendo em vista que as operações de
backup e manutenção são desenvolvidas internamente na unidade pelo NTI da própria UFPB,
outro aspecto positivo percebido é que a UFPB adquiriu os direitos de uso do sistema,
diferentemente do Ortodocs, pois o backup era realizado a partir dos servidores da biblioteca
central ligados diretamente nos servidores gerais da Potiron em São Paulo e a manutenção
técnica com relação ao sistema era realizada pelos técnicos da Potiron.
No sistema Ortodocs, mensalmente era renovada a assinatura do contrato, por meio de
pagamento. Enquanto que o contrato do SIGAA não tem essa despesa mensal, o que
demonstra um lado positivo para a UFPB.
Diante deste contexto, as instituições universitárias devem estabelecer um
planejamento de aquisição de um Sistema de Gerenciamento Eletrônico de Informações que
atendam todas as atividades, setores e serviços existentes no âmbito de sua função e objetivo,
gerando maior aproveitamento da inserção dos dados, pois todas as atividades podem estar
interligadas, facilitando o processo gerencial.

REFERÊNCIAS
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origem das bibliotecas. In: OLIVEIRA, Marlene de. (Coord.). Ciência da Informação e
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Ciência da Informação&#13;
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                <text>As bibliotecas universitárias devem proporcionar aos seus usuários um ambiente compatível com as mudanças da sociedade contemporânea que são necessárias e irreversíveis. Dessa forma, a aquisição de um sistema eletrônico de gerenciamento de informações é fundamental. A pesquisa objetiva verificar o processo de mudança do sistema de gerenciamento eletrônico de informações ORTODOCS para o Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas (SIGAA). Teve como ambiente de pesquisa o SISTEMOTECA da UFPB e instrumento de coleta de dados o questionário aplicado a bibliotecários ligados diretamente as atividades técnicas. Como resultado, observou-se que a necessidade de mudança de sistema eletrônico de informações foi relevante, solucionando situações técnicas e operacionais imediatas no SISTEMOTECA. Este fato é verificado principalmente devido os direitos de uso de o SIGAA ter sido adquirido pela UFPB, como também por ser um sistema eletrônico integrado, podendo compartilhar dados entre os setores desta universidade. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

UM OLHAR SOBRE O ACERVO DE OBRAS RARAS DO MUSEU DE ARTE DE
SÃO PAULO ASSIS CHATEAUBRIAND - MASP
Ivani Di Grazia Costa
Luciana Maria Napoleone
Magda de Oliveira Guimarães
Luiza Wainer
RESUMO
O presente estudo descreve a experiência sobre a organização de 400 obras raras pertencentes
ao acervo bibliográfico da Biblioteca e Centro de Documentação do Museu de Arte de São
Paulo Assis Chateaubrind - MASP. Demonstra a elaboração de uma metodologia para
identificar livros raros e estabelece padrões para duas categorias: as obras raras e as obras
especiais. Apresenta a catalogação descritiva em MARC21 para essas obras principalmente
o detalhamento, as especificidades e o histórico de cada obra como documento único.
Palavras-Chave: 1 Obras raras ; 2 Biblioteca de Artes ; 3 Metodologia ; 4 Catalogação
descritiva ; 5. Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, MASP

ABSTRACT
Describes the experience of the Library and Documentation Center of São Paulo Museum of
Art during the project Organization and conservation o f 400 rare books from the São Paulo
Art Museum Library and Documentation Centre’s Rare Book Collection. Illustrates the
elaboration of a methodology to identify rare books that differentiates and establishes
identification standards for two categories: books that are proven rare and books that are
circumstantially rare. Depicts how the descriptive cataloging of rare and special works is done
by library staff, concerning themselves with a high level of information that represents the
physical aspects of the work, its contents, and the collection as a whole.
Keywords: 1 Rare books ; 2 Art Library ; 3 Methodology 4 Descriptive Cataloging 5 São
Paulo Museum o f Art Assis Chateaubriand, MASP

APRESENTAÇÃO
A Biblioteca e Centro de Documentação do MASP possui um rico acervo de livros e
catálogos na área de artes plásticas, arquitetura e história da arte com enfoque na coleção de
obras de arte do museu. Para suprir as necessidades dos pesquisadores, em 1977, Pietro Maria
Bardi e Lina Bo Bardi doaram ao museu a sua biblioteca especializada.

3849

�Do núcleo inicial de materiais bibliográficos doados pelo casal Bardi destaca-se a
coleção de obras raras; uma valiosa seleção de obras dos séculos XVI a XIX sobre história da
arte e arquitetura.
Entre os anos de 2005 e 2006, foi desenvolvido o projeto intitulado Organização e
conservação de 400 obras raras da Coleção de Obras Raras da Biblioteca do Museu de Arte
de São Paulo, a partir do qual foi possível estabelecer uma metodologia para identificação e
catalogação da coleção.
O processo de elaboração da metodologia permitiu a combinação do conhecimento
especializado de tratamento de obras raras oferecido por um consultor em obras raras com
larga experiência na área, e a prática da equipe da biblioteca no tocante à representação
descritiva e temática das obras bibliográficas do acervo de artes.
A partir do projeto e com a catalogação de novos documentos, raros ou não, foi
construído um novo olhar sobre o acervo, que possibilitou a identificação de elementos de
descrição até então despercebidos, permitindo uma catalogação mais apurada e um
conhecimento mais profundo da coleção. O trabalho relata a experiência da Biblioteca na
aplicação da metodologia elaborada após a finalização do projeto, tendo como um dos
principais resultados o desenvolvimento de competências para o tratamento da coleção de
obras raras e especiais.

OBRA RARA E ESPECIAL: CRITÉRIOS PARA IDENTIFICAÇÃO
Definir o que é obra rara é uma atividade complexa. Ana Virginia Pinheiro (2009,
p.31-33) resume a dificuldade da definição de raridade bibliográfica através de alguns
precedentes e mitos. Cada livro possui uma história cultural, como, onde e quando foi editado,
além disso, aponta a autora a fragilidade dos argumentos para a definição das características
da raridade. Já os mitos resumem-se em “todo livro antigo é raro” ou “um livro é raro quando
é o único existente no mundo”. A autora considera cinco aspectos para a identificação de uma
obra rara: 1 limite histórico; 2 aspectos bibliológicos; 3 valor cultural; 4 pesquisa
bibliográfica; e 5 características do exemplar.
Mindlin (2008) e Reifschneider (2008) destacam aspectos físicos ao abordar os
critérios de avaliação de uma obra, observando itens como possuir dedicatória e autógrafos,
anotações manuscritas, marcas de posse, encadernação (inclusive exóticas e feita por
encadernadores “mestre”), edições de luxo, traduções de autores renomados, edições
clandestinas e vários outros aspectos podem estabelecer um lugar de destaque em uma
coleção.

3850

�Para Oliveira (1985 apud NARDINO; CAREGNATO, 2006) as obras raras podem ser
conceituadas em duas categorias “obras comprovadamente raras e obras circunstancialmente
raras”. Obras podem ser consideradas raras pelas indicações da bibliografia ou por critérios
estabelecidos pela instituição que as abriga.
A pesquisa bibliográfica ou a pesquisa do título colabora com a descrição e definição
da importância histórica de uma obra rara. Existem dicionários, enciclopédias especializadas e
catálogos de bibliotecas, que podem ser consultados, além de catálogos de venda impressos
ou disponibilizados na internet.
Para determinar se um exemplar é raro ou especial, é necessário estabelecer
parâmetros que nos levem a elaboração de uma metodologia própria, que pode variar de
acordo com a instituição, principalmente quando se trata de obras especiais. Como é revelado
por Nardino e Garagnato (2006, p.386) “Por possuírem objetivos distintos, cada biblioteca
deve estudar detalhadamente seu perfil e elaborar uma política que determine os critérios que
serão adotados para melhor atender às necessidades de seus usuários”.

METODOLOGIA ADOTADA PELA BIBLIOTECA DO MASP
As decisões e procedimentos adotados durante o projeto de organização e conservação
de obras raras foram compilados em um documento, Metodologia de Catalogação de Obras
Raras e Especiais de 2007 e, posteriormente, integrados ao Manual de Catalogação utilizado
na Biblioteca do MASP.
Adotado o princípio apresentado por Nardino e Caregnato - obras comprovadamente
raras e obras circunstancialmente raras - e avaliando a coleção de obras incluídas no projeto,
concluiu-se que poderiam ser divididas em dois níveis: obras raras (aquelas consideradas
raras sob qualquer aspecto de avaliação) e obras especiais (aquelas que apresentam alguma
característica de raridade embora não possam ser incluídas no primeiro nível).
Foram definidos critérios de identificação objetivos como data de publicação, tiragem
limitada, e também critérios em parte subjetivos, referentes a tipo de encadernação, de
ilustração ou obras consideradas históricas.
Para a identificação de obras raras, os critérios mais significativos estabelecidos
referiam-se à data de publicação, sendo a data limite para o Brasil diferente da data de
referência para publicações estrangeiras, em virtude da instalação tardia da imprensa no país,
apenas no início do século 19.
Os critérios adotados para identificação de obras raras foram os seguintes:

3851

�•

Obras publicadas até 1850 no exterior433 ;

•

Obras publicadas no Brasil até 1900;

•

Publicações

de luxo com tiragens limitadas e ilustrações originais

independentemente da data;
•

Obras com poucos exemplares existentes / conhecidos.

Para a identificação de obras especiais (circunstancialmente raras), os critérios
adotados foram mais diversificados, porém foram agrupados em dois blocos. O primeiro deles
abrangia critérios relativos às características físicas da obra (encadernação, ilustrações,
formato), importância histórica para a área de artes e existência de poucos exemplares. O
segundo bloco reunia obras especiais para a instituição, relativas à história e memória do
Museu e de seus fundadores.
No primeiro grupo, os critérios adotados para identificação de obras especiais foram os
seguintes:
•
Obras com poucos exemplares existentes / conhecidos no Brasil;
•
Obras de formato grande (LGR) ou de formato muito pequeno ou com material
adicional / suplementar;
•
Obras com ilustrações de qualidade artística (qualidade de impressão);
•
Obras com encadernação especial (ex. encadernação vitoriana ou encadernação
artesanal.);
•
Obras históricas que datam do período inicial de cada movimento artístico
Foram ainda considerados especiais para a instituição, integrantes do segundo grupo,
exemplares pertencidos à coleção de P. M. Bardi e Lina Bo Bardi que apresentem:
•
obras com dedicatórias importantes
•
obras com dedicatória para P.M. Bardi ou relacionadas ao MASP
•
obras com anotações de Lina Bo Bardi ou P.M. Bardi;
•
obras de/sobre o P.M. Bardi
•
obras de/sobre Assis Chateaubriand e outros diretores do Museu
•
obras publicadas pelo MASP
As obras especiais, identificadas pela sua importância para a memória institucional do
MASP, certamente não seriam consideradas especiais em outras bibliotecas. Entretanto, sua
identificação e preservação são essenciais para o museu, tanto para a preservação de sua
memória, quanto para o atendimento de pesquisadores que procuram informações sobre a
história e atuação do MASP.

O AACR2, item 2.12, considera como monografias impressas antigas os “livros, folhetos e cartazes
publicados antes de 1821, nos países que seguem as convenções européias de editoração. ”

3852

�PROCESSAMENTO TÉCNICO DE OBRAS RARAS E ESPECIAIS
Optou-se pelo alto nível de detalhamento das obras, apresentando informações que
possam retratar os aspectos físicos do livro e seu conteúdo.
A metodologia foi baseada no “Descriptive Cataloging o f Rare Books”, 2nd edition, da
Library of Congress, e no “Examples to accompany Descriptive Cataloging o f Rare Books”,
como parâmetro para a catalogação das obras raras, juntamente com as normas de catalogação
já utilizadas na Biblioteca do MASP, baseadas no AACR2.
Há normas específicas do AARC2 para as monografias impressas antigas nos itens
2.12 a 2.18 e também regras para títulos uniformes de incunábulos nos itens 25.3 e 25.4
O trabalho de representação descritiva segue os parâmetros definidos na metodologia,
e a informação é registrada na base local MASP21 que tem seus campos configurados em
MARC, para os quais foram definidas orientações específicas de preenchimento, de acordo
com as normas de catalogação e fontes de indexação adotadas. Como uma obra rara pode ser
tanto um livro como um catálogo ou um periódico, neste quadro de campos específicos
estarão enumerados também campos que podem ser utilizados para os tipos de materiais:
livro, catálogo, periódico, analítica de livro e analítica de periódico. Alguns campos
específicos de obras raras e especiais são: 091, 098, 563, 925.

Tabela 1 : Campos Marc
910
041
091
098
100
110
111
130
210
222
240
245
246
250
260
300
310
321
362
440
500
501
504

Tipo de material
Idioma
Localização de obras raras
Localização original
Autor pessoal
Autor corporativo - entrada principal
Evento - entrada principal
Título uniforme (entrada principal)
Título abreviado
Título chave
Título uniforme
Título
Variação do Título
Edição
Imprenta
Descrição física
Periodicidade corrente
Periodicidade anterior
Área de numeração - informação de datas de publicação e/ou volume
Série
Notas gerais
Nota Com
Nota de bibliografia

3853

�505
Nota de conteúdo
506
Nota de Restrição de Acesso
508
Nota de Crédito
510
Nota de citação / referência
530
Nota de disponibilidade de forma física adicional
534
Nota de versão original
535
Nota de localização de originais /duplicatas
536
Nota de informação sobre financiamento
544
Nota de localização de outros materiais de arquivo
545
Dados biográficos ou históricos
546
Nota de idioma
561
Nota de histórico de procedência
562
Nota de identificação de cópia ou versão
563
Encadernação
581
Nota de publicações sobre materiais descritos
583
Nota de ação
585
Nota de exposição
586
Nota de premiação
591
Comentários sobre a obra descrita
600
Assunto - Nome pessoal
610
Assunto - Entidade /Autor corporativo
611
Assunto - Evento
630
Assunto - Título uniforme
650
Assunto - Termos tópicos
651
Assunto - Nomes geográficos
653
Assunto - Termos livres
655
Assunto - Gênero/Forma
656
Assunto - Ocupação
657
Assunto - Função
658
Assunto - Curriculum
690
Assunto Local
699
Assunto Adicional
700
Autor secundário
710
Autor corporativo - Entrada secundária
711
Evento - entrada secundária
740
Título analítico relacionado não controlado - Entrada secundária
772
Título Relacionado - Entrada de Registro Fonte
773
Entrada Analítica - Item Hospedeiro
780
Entrada de título anterior
785
Entrada de título posterior
856
Acesso e Localização Eletrônica
901
Tombo
902
Aquisição
903
Dados de catalogação
915
Coleção de periódicos
925
Diagnóstico de conservação
931
Link para imagem
Fonte: Manual de catalogação
Visando um trabalho de catalogação completo e preciso, a pesquisa é realizada em
fontes bibliográficas disponíveis na Biblioteca do MASP e em sites de renomadas instituições
que abrigam acervos de obras raras e antiquários.

3854

�Durante esse processo são identificadas instituições que possuem exemplares similares
aos da biblioteca (com a mesma datação ou de edição diferente).
Antecipando a expectativa de acesso por parte dos pesquisadores e buscando a
facilitação da consulta, sempre que possível, são incluídas nos registros informações sobre as
condições de consulta, a existência de edições em outras bibliotecas e a disponibilidade do
título em outras bibliotecas digitais.
A indexação em um registro é realizada após a consulta no Vocabulário Controlado,
complementada por várias ferramentas de indexação nacionais e estrangeiras:

RANGANATHAN E O ACESSO ÀS OBRAS RARAS E ESPECIAIS
Sob alguns aspectos, as Leis de Ranganathan influenciaram a tomada de decisões
quanto ao tratamento de obras raras e especiais.
S. H. Ranganathan (1892-1972), pensador e bibliotecário indiano, considerado o pai
da Biblioteconomia na Índia, elaborou as Cinco Leis da Biblioteconomia em 1931.
A Figura 1 representa um exercício de reflexão da equipe da Biblioteca do MASP.
Resume as Leis de Ranganathan, traduzidas para a área da Ciência da Informação, e suas
respectivas influencias no tratamento de obras raras e especiais. Este exercício pode ser
refeito por ocasião de uma avaliação da metodologia empregada, para seu aprimoramento.

Tabela 2 : Influência das Leis de Ranganathan no tratamento de obras raras e especiais
Leis da Ciência da Informação Influência das leis para o tratamento da coleção de
(Rajagopalan e Rajan)
obras raras
1 A informação é para o uso
Registros bibliográficos das obras raras e especiais
disponíveis no banco de dados na Internet
Divulgação da forma de consulta já no registro bibliográfico
: Consulta mediante solicitação por escrito e agendamento
2 A cada usuário sua informação Informações relevantes para a área de arte e arquitetura
cadastradas no registro bibliográfico
3 Cada informação a seu usuário Registro detalhado das obras raras e especiais do ponto de
vista físico e temático
4 Economize o tempo do usuário Informações para facilitar o acesso às obras : condições de
/ Economize o tempo dos consulta, existência de edições em outras bibliotecas e para
compra, disponibilidade do título em outras bibliotecas
cientistas da informação
digitais, etc
5 O sistema de informação é um Ajustes no banco de dados para facilitar o acesso e a
organismo em crescimento
pesquisa
Monitoramento do log de acesso
Fonte: adaptação de BEFFA, Maria Lucia; NAPOLEONE, Luciana Maria. Estruturando a informação para um
sistema virtual centrado no usuário: a avaliação do website do Serviço de Biblioteca e Documentação da
Faculdade de Direito da USP. In: FERREIRA, Sueli Mara Pinto; SAVARD, Réjean (Ed.). The virtual client: a
new paradigm for improving client relations in libraries and information services: Satellite Meeting, São Paulo,
August 18-10, 2004. München: K.G. Saur, 2005. p.60.

3855

�A análise das Leis de Ranganathan trazem à discussão o binômio preservação e acesso
de obras raras e especiais.
REIFSCHNEIDER (2008) observa que tratar uma obra como rara não significa “(...)
restringir seu acesso, mas preservar algo que dificilmente poderá ser substituído. O
desconhecimento leva à não-preservação e, portanto, à indisponibilidade de obras raras a
pesquisadores”, no futuro.
Uma vez que o livro raro normalmente tem acesso restrito por questões de preservação
e segurança, faz-se necessário uma metodologia de catalogação abrangente que reproduza ao
pesquisador as informações necessárias, para que ele possa conhecer o material e solicitar ou
não sua consulta de acordo com suas necessidades.
Pela análise dos arquivos de log de acesso, arquivos gerados pela utilização de um
banco de dados ou um OPAC na Internet, no caso o banco de dados bibliográficos da
Biblioteca do MASP, verifica-se que há procura significativa por obras raras e especiais.
REIFSCHNEIDER (2008) trata desse aspecto da consulta a obras raras, observando
que a disponibilização digital ajuda o pesquisador que necessita do conteúdo informacional,
como o texto do livro, por exemplo, suprindo assim a demanda e mantendo a preservação do
material que será consultado em ocasião de real necessidade, como em pesquisas que se
tratem dos aspectos materiais do objeto (aspectos bibliológicos, informações de encadernação
como costura, encadernação, textura).

CONSIDERAÇÕES FINAIS
A identificação da coleção especial e rara é a principal dificuldade para o tratamento e
descrição do material. O estudo de padrões e experiências similares permite o estabelecimento
de critérios de identificação, de parâmetros para seu tratamento e definição de políticas de
conservação e acesso. Neste sentido a documentação dos critérios de identificação de obras
raras e especiais e das decisões referentes à catalogação das obras, através da indicação
específica do preenchimento dos campos MARC existentes na base de dados da Biblioteca foi
e ainda é imprescindível para a continuidade do trabalho, para a formação de novos
integrantes da equipe e para a consistência dos dados cadastrados no banco de dados.
Os critérios de raridade “devem ser avaliados sob as perspectivas do curador, do
gerente da instituição ou “dono” do acervo; e do leitor. E, enfim, devem ser formalizadas
recomendações metodológicas, que acumulem o universo de valores e circunstâncias
envolvidas— (PINHEIRO, 2009, p.33). O monitoramento e avaliação periódica da

3856

�metodologia empregada são necessários com o intuito de aprimorá-la, ampliando assim as
possibilidades de recuperação da informação e de estudo sobre a coleção.
O conhecimento da coleção, seu histórico, sua procedência, seu conteúdo constitui um
dos fatores pra sua adequada descrição e o estabelecimento de relações da obra com a
memória da instituição, aliado ao conhecimento especializado de obras raras e do domínio de
técnicas de catalogação e indexação, permite o reconhecimento dos elementos importantes e
incomuns para descrição dos diversos itens da coleção.
O livro raro e especial constitui tanto suporte da informação bibliográfica como objeto
museológico ou histórico, e seu tratamento e descrição deve contemplar ambos os aspectos.
A metodologia desenvolvida durante o projeto possibilitou a uma visão conjunta da
coleção, permitindo o delineamento mais preciso da visão de P. M. Bardi enquanto historiador
e bibliófilo. Os três grupos originais da coleção, arte, arquitetura e miscelânea, representam
como as opções de P.M. Bardi para seleção de obras significativas para seu estudo e trabalho
como historiador e crítico de arte.
O trabalho de divulgação supõe igualmente o domínio e conhecimento da coleção e
suas potencialidades. Provavelmente a descrição sucinta dos documentos sem a visão do
conjunto da coleção e do acervo bibliográfico, em geral, provocaria a perda de informação de
pesquisa e de memória institucional. Do ponto de vista da recuperação da informação, os
pesquisadores não encontrariam uma informação desejada e buscariam em outras instituições.
Finalmente, o registro bibliográfico de obras raras e especiais pode ser considerado
como fonte de pesquisa para outras bibliotecas, uma vez que o catálogo está disponibilizado
na internet (http://masp.art.br/masp2010/biblioteca catalogo online.php).

REFERÊNCIAS
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como questão epistemológica e política: um novo paradigma para curadores de acervos
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BEFFA, Maria Lucia; NAPOLEONE, Luciana Maria. Estruturando a informação para um sistema virtual
centrado no usuário: a avaliação do website do Serviço de Biblioteca e Documentação da Faculdade de Direito
da USP. In: FERREIRA, Sueli Mara Pinto; SAVARD, Réjean (Ed.). The virtual client: a new paradigm for
improving client relations in libraries and information services: Satellite Meeting, São Paulo, August 18-10,
2004. München: K.G. Saur, 2005. p.49-71.

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3859

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>Um olhar sobre o acervo de obras raras do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand- MASP</text>
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                <text>Costa, Ivani Di Grazia, Napoleone, Luciana Maria, Guimarães, Magda de Oliveira, Winer, Luiza</text>
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                <text>O presente estudo descreve a experiência sobre a organização de 400 obras raras pertencentes ao acervo bibliográfico da Biblioteca e Centro de Documentação do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubrind - MASP. Demonstra a elaboração de uma metodologia para identificar livros raros e estabelece padrões para duas categorias: as obras raras e as obras especiais. Apresenta a catalogação descritiva em MARC21 para essas obras principalmente o detalhamento, as especificidades e o histórico de cada obra como documento único.</text>
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                  <elementText elementTextId="76372">
                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

TRÊS ANOS DE REDES SOCIAIS NA BIBLIOTECA DA UNESPE DE ILHA
SOLTEIRA: AVALIAÇÃO NA PERCEPÇÃO DOS USUÁRIOS
Raiane da Silva Santos
João Josué Barbosa
Sandra Maria Clemente de Souza

RESUMO
Este estudo objetivou avaliar a importância da implantação das redes sociais na Biblioteca da
Unesp de Ilha Solteira, a partir da percepção dos usuários. Utilizou-se, como método, a
realização de uma pesquisa através de um formulário onde foram questionados os
conhecimentos dos perfis da biblioteca nas redes sociais e levantadas a visão de importância
para a melhoria dos serviços biblioteconômicos. Resultou-se no retorno de 216 respostas,
onde a maioria dos usuários colocou-se a favor dos serviços implantados na biblioteca.
Considera-se, portanto, que a biblioteca está no caminho certo por se integrar as redes sociais,
onde estão presentes a maioria de seu público alvo, e por sempre propor inovações em prol
dos usuários.

Palavras-Chave: Biblioteca 2.0; Redes sociais; Disseminação da informação; Percepção dos
usuários.
ABSTRACT
This study aimed to evaluate the importance of the implementation of social networking in the
Library o f UNESP Single Island, from the perception of users. Was used as a method to
conduct a survey using a form where they were questioned the expertise o f library profiles in
social networks and raised the importance of vision for the improvement of library services.
Resulted in the return of 216 responses, where most users put themselves in favor of services
implemented in the library. Therefore it is considered that the library is on the right path by
integrating social networks, which are present most of his audience, and always propose
innovations for the benefit of users.

Keywords: Library 2.0; Social networks; Dissemination of information; Perception of users.

1 INTRODUÇÃO
Desde 2011, a Biblioteca da Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira (Biblioteca F.
E.) introduziu, como produtos e serviços, os perfis de redes sociais a fim de maximizar a
disseminação da informação e a interação biblioteca/usuário.

3834

�A fim de justificar esta necessidade, Santos, Souza e Barbosa (2012, p. 2) afirmam
que:
O público usuário da biblioteca é composto, em sua maioria, por alunos de
graduação e pós-graduação, cujas gerações predominantes compreendem as
chamadas Y e Z. Tais gerações apresentam perfis que denotam o alto uso de
recursos eletrônicos como principal meio de acesso às informações. Deste
modo, cabe aos profissionais da informação à adaptação a esse novo contexto,
valendo-se das vantagens advindas do surgimento das ferramentas 2.0, tais
como blog, facebook, twitter, orkut, flicker, youtube, e issuu, que possuem
características interativas e participativas, além de possibilitar a
disponibilização de informações em formato dinâmico, acelerado e eficaz,
permitindo a participação dos usuários na construção do conhecimento.
Nesta perspectiva, o projeto foi instituído e está em atividade até os dias atuais. No
entanto, surgiu alguns questionamento referente à opinião dos usuários durante os 3 (três)
anos de aplicação destas ferramentas na biblioteca:
a) os usuários consideram importante a biblioteca possuir estes perfis nas redes
sociais? Por quê?
b) os usuários conhecem os perfis da biblioteca nas redes sociais? Como
conheceram?
A fim de responder estas e outras indagações, este trabalho realizou uma pesquisa de
opinião através de um levantamento de dados com usuários da Biblioteca F. E.
Assim, este estudo será apresentado em 6 capítulos, iniciando-se por esta introdução,
passando para o capítulo 2 em que trará um breve histórico dos 3 (três) anos de redes sociais
da biblioteca. Posteriormente, apresenta-se o capítulo 3 com os materiais e métodos utilizados
para a pesquisa. Depois, expõe-se os resultados parciais e finais no capítulo 4. Já, no capítulo
5, coloca-se as considerações parciais e finais e finaliza-se, no capítulo 6, com as referências
utilizadas para a elaboração deste trabalho.

2 AS REDES SOCIAIS NA BIBLIOTECA F. E.: um breve histórico dos 3 anos de
implantação
Desde 2011 a Biblioteca F. E. tem trabalhado em ambiente 2.0 através da implantação
dos perfis de redes sociais da biblioteca. Esta implantação se deu por meio da elaboração de
um projeto que teve início por um levantamento com os usuários a fim de identificar quais
redes sociais eram mais utilizadas pelo público alvo.
Santos, Souza e Barbosa (2012) afirmam que o levantamento contou com uma amostra
de 146 usuários, resultando na criação do perfil da biblioteca no facebook, orkut e twitter.
Posteriormente, com a decadência do orkut nestes últimos anos, desativou-se o perfil da

3835

�Biblioteca F. E. nesta rede, mantendo-se somente as outras duas. Atualmente, o facebook é a
rede social mais utilizada pelos os usuários para se contatarem com a biblioteca.
A Biblioteca F. E., a partir do surgimento de outras necessidades - armazenamento e
compartilhamentos de suas produções de fotos, vídeos e arquivos em pdf - criou-se outras
três redes sociais: flickr, youtube e issuu. Contudo, ainda considerou-se necessário a
elaboração de um Blog para a biblioteca, a fim de que este se tornasse o principal meio de
disseminação da informação devido às suas características que permitiam as postagens de
informações com a possibilidade de compartilhamento em todas as redes sociais. Ademais, as
fotos, vídeos e arquivos em pdf armazenados nas redes flickr, youtube e issuu,
respectivamente, poderiam ser incorporados em um só ambiente.
A função do blog na Biblioteca F. E. é apresentada por Santos, Souza e Barbosa
(2013, p. 5):
[...] disponibilizar informações relevantes à seus usuários, em todos os seus
aspectos. Tais informações postadas são compartilhadas nas duas redes de
relacionamento que a biblioteca está inserida: facebook e twitter. Os vídeos
que estão no youtube, bem como as fotos do flickr e os arquivos do issuu estão
armazenados no blog para ser facilmente visualizados pelos leitores, e também
compartilhados nas redes de relacionamento.
A figura 1 é capaz de ilustra o fluxo informacional da Biblioteca F. E., com todas as
suas redes sociais, em ambiente 2.0.

Figura 1 - Fluxo informacional da Biblioteca F. E. em ambiente 2.0

Fonte: Santos, Souza e Barbosa (2013, p. 6)
Desta forma, observa-se que o youtube, flickr e issuu atuam somente como
armazenadores de arquivos para serem inseridos no blog e não com a função de redes de
relacionamentos. Estes arquivos são levados aos usuários através do próprio blog, onde os

3836

�leitores interagem por meio de seus comentários, como também através das redes de
relacionamento - facebook e twitter - propiciando a interação de maneira informal. (SANTOS,
SOUZA, BARBOSA, 2013)
Desde o início do projeto, as ferramentas de redes sociais sempre estiveram se
inovando, implementando informações ou novos serviços. A estatística de visualização ou de
utilização do serviço de referência virtual sempre esteve em uma constante crescente. Para
melhor ilustrar esta afirmativa, considera-se importante apresentar as figura 2, onde
demonstra os números de visualizações do Blog desde seu início.

Figura 2 - Estatística de visualização do Blog

Fonte: Serviço Técnico de Biblioteca e Documentação (2014)

Com a imagem acima, é possível verificar que o Blog da Biblioteca F. E. recebeu, até
este mês (maio de 2014), 73. 642 visitas. Este número equivale há uma média de 2.231 visitas
mensais, já que teve início em agosto de 2011. Todavia, são necessários novos estudos que
apresentam o número de visitas ideal para a página da Biblioteca F. E. O que se tem de
concreto é o retorno positivo por meio dos usuários, o que já se faz acreditar que desde a
implantação do projeto, obteve-se um bom resultado.

3837

�3 MATERIAIS E MÉTODOS
Neste capítulo serão apresentados os materiais utilizados e os procedimentos adotados
para o desenvolvimento deste estudo.

3.1 Caracterização e instrumento de coleta de dados
Este trabalho caracteriza-se como pesquisa descritiva que, segundo Cervo, Bervian e
Silva (2007, p. 61), “ [...] observa, registra, analisa e correlaciona os fatos ou fenômenos
(variáveis) sem manipulá-los. Procura descobrir com maior precisão possível, a frequência
com que um fenômeno ocorre, sua relação e conexão com outros, sua natureza e
característica” .
Quanto a sua forma, caracteriza-se como pesquisa de opinião, pois “ [...] procura saber
atitudes, pontos de vista e preferências das pessoas a respeito de algum assunto, com o
objetivo de tomar decisões” . (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007, p. 62)
O instrumento utilizado para a coleta de dados foi um questionário, elaborado através
da ferramenta online Google Docs e enviado por e-mail a todos os discentes, docentes e
servidores técnico-administrativos, como também disponibilizado no blog, facebook e twitter.
Ademais, impresso e fornecido na biblioteca, com o intuito de atingir o maior número de
usuários.
Como vantagens, este instrumento apresenta a facilidade de tabulação e a análise dos
dados como um todo, e a não exigência da participação ativa do pesquisador, o que ajuda a
reduzir a influencia deste sobre os resultados. (MASCARENHAS, 2012)
Contudo, é oportuno afixar as considerações de Diehl e Tatim (2006) que alertam que
boa parte dos questionários nunca é devolvida para o pesquisador (cerca de 70%). Outra
desvantagem apontada por eles é a incerteza de quem realmente respondeu as questões.

3.2 Elaboração das perguntas
A pré-elaboração do questionário buscou definir os tópicos a serem investigados,
enunciando 4 (quatro) deles: a) identificação do usuário (excluídas as pessoais); b) utilização
de redes sociais; c) percepção sobre a importância dos perfis da biblioteca nas redes sociais; e
d) identificação das fontes de tráfegos para as ferramentas 2.0 da biblioteca.
Partindo desta premissa, o questionário foi elaborado contendo 10 questões mistas
(abertas e fechadas), com perguntas claras e objetivas, evitando-se frases ambíguas para
facilitar a compreensão. O layout foi desenvolvido com aparência simples e espaço suficiente
para o preenchimento das questões abertas.

3838

�Outro ponto executado anteriormente a aplicação da pesquisa foi a realização de um
estudo piloto a fim de identificar possíveis falhas de ortografia e/ou linguagem. Para tanto, foi
enviado o questionário aos 13 (treze) colaboradores técnico-administrativos lotados na
biblioteca, cuja função foi a realização de uma análise crítica no instrumento.

Os

procedimentos adotados nos parágrafos supracitados foram embasados no estudo de
Mascarenhas (2012, p. 72, grifo do autor), onde orienta:

O primeiro passo é dividir uma lista em tópicos. [...] é essencial que os tópicos
listados estejam de acordo com os objetivos gerais e específicos [...]. A partir
daí, podemos criar duas ou três perguntas para cada tópico. [...] dependo do
objetivo de sua pesquisa, é natural que esses números variem um pouco. O
layout do questionário é outro ponto fundamental. É importante deixar espaço
suficiente para as respostas e distribuir bem as perguntas pela página,
facilitando ao máximo a leitura. Antes de você chamar os participantes que
você quer pesquisa de verdade, faça um estudo piloto para verificar se algum
errinho passou despercebido.

Ainda, considera-se importante ressaltar as vantagens e desvantagens da utilização de
perguntas abertas e fechadas em um questionário. A primeira permite que o participante fique
livre para responder o que quiser. No entanto, o desafio está na análise dos dados. Já, a
segunda, facilita a compilação dos dados, contudo, apresenta um número limitado de escolha
das respostas. (MASCARENHAS, 2007)
O autor ainda relembra que “as perguntas fechadas são divididas em quatros subtipos
principais: dicotômicas; múltipla escolha; ordinais; e intervalares” . (MASCARENHAS, 2007,
p. 73). Nesta pesquisa, foram utilizados nas perguntas fechadas os tipos dicotômicos e de
múltipla escolha, que são, respectivamente, quando o pesquisado só tem duas opções (sim ou
não) e quando oferece uma lista com mais de duas opções. Abaixo, na figura 3, segue a
imagem do questionário aplicado aos usuários.

3839

�Figura 3 - Questionário aplicado
Pesquisa sobre as Redes Sociais utilizadas pelos
usuários da Biblioteca F.E.
‘ O b r ig a tó r io
Q u a l o a n o d o s e u n a s c im e n to ? '

V o c ê é: •

G

A lu n o d e G ra d u a ç ã o
A lu n o d e P ó s -g ra o u a ç à c

G

D o c e n te
F u n c io n á r io

V o c ê u tiliz a R e d e s S o c ia is ? •

G S im
O

N ão

Q u a is ?
M a rq u e q u a n ta s a lte rn a tiv a s fo re m n e o e ssá ria s
Faœ boor
Q

T w itte r

□

Oricut

□

Y o u tu b e

O B log
G o o g le -*
M yS pace

Lintedin
S

A s * fm

0

O u tro

C o m q u a l fr e q u ê n c ia ?
O

D ia r ia m e n te - d e 1 a 2 hora s

O

D ia r ia m e n te - d e 2 a * h o ra s

O

D ia r ia m e n te - d e * a t hora s
D ia r ia m e n te • a c im a d e € h o ra s

G S e m a n a lm e n te • a té 5 hora s
O

S o m e n te n o s fin a is d e s e m a n a

G

O u tro |

|

V o c ê a c h a im p o rta n te q u e a B ib lio te c a F. E. e s te ja in s e r id a n a s R e d e s S o c ia is ?

Q S im
O M io

P or quê?

_______________________________________ á
V o c ê c o n h e c e o s p e rfis d a B ib lio te c a F E n a s R e d e s S o c ia is ? *
O S im
O Mão
Q u a is ?
□

B lo g

F sceboos
□ T w itter
L . Y o u tu b e
F lic *r
L . Issuu

Com o os conheceu? *
O O rie n ta d o p o r fu n c io n á rio s n a B ib lio te c a F.E
A tra v é s d a p a g in a da B ib lio te c a n o s ite da FE IS
In d ic a ç ã o d e a m ig o s
O P esq u isa - o G o o g le

C o m p a rtilh a m e n to d e a m ig o s n o F ace b o o k
Q M ão m e le m b re
O M ão c o n h e ç o os p e rfis d a B ib lio te c a F. E. na s R edes S o c ia is
G O u tro : |

|

E n v iar |
N u n e s e n v ie s e n h a s e m F o rm u lá rio s G o o g le

Fonte: Elaboração do autor.

3840

�3.3 Análise e interpretação dos dados
A análise e interpretação dos dados teve início após o recebimento dos questionários
respondidos, os quais ficaram disponíveis aos usuários pelo período de duas semanas.
Todavia, este trabalho não é tão simples, exigindo do pesquisador um planejamento a fim de
conseguir uma maneira eficiente de trabalhar com todas as informações obtidas. Assim sendo,
a análise e interpretação foram organizadas baseando-se nos estudos de Mascarenhas (2007)
em que divide esta etapa em quatro fases: a) seleção; b) classificação; c) codificação; e d)
representação.
As orientações para estas fases são apresentadas pelo autor, como:
Seleção - o objetivo é verificar os dados com cuidado para detectar se há erros
ou informações confusas ou incompletas.
Classificação - os dados são divididos em categorias de acordo com um
critério. Dados qualitativos são classificados com base na ausência ou
presença de determinada qualidade. [...] já a classificação dos dados
quantitativos leva em consideração valores numéricos [...]. Nenhum dado
pode ficar de fora das categorias. Além disso, as categorias devem ser
definidas de tal forma que cada dado só pertença a uma delas.
Codificação - quando usamos o método quantitativo, devemos usar símbolos
(letras ou números) para representar cada categoria que usamos. Mais adiante,
isso facilita o tratamento dos dados. E se o método for qualitativo? Nesse
caso, devemos dar um nome para cada categoria. A escolha do nome deve
refletir o tipo de dado que agrupamos na categoria em questão.
Representação - a representação ajuda a enxergar com clareza como os dados
se relacionam com nossa pergunta de pesquisa. Dados quantitativos são mais
fáceis de visualizar em gráficos ou tabelas. Já, os dados qualitativos podem ser
representados nas formas de textos, itens ou quadros comparativos [...].
(MASCARENHAS, 2007, p. 83-84, grifo do autor).
Deste modo, na fase de seleção, foram analisadas todas as respostas com a finalidade
de identificar e corrigir, se necessário, possíveis erros em informações, como também, buscar
o entendimento para as informações confusas.
Na fase de classificação, foram criadas as categorias dos dados qualitativos,
dividindoas em: a) idade (pergunta 1); e b) importância das redes sociais (pergunta 7). Para os
dados quantitativos, os critérios foram classificados em: a) categoria de usuário (pergunta 2);
b) utilização das redes sociais (perguntas 3, 4 e 5); c) consideração de importância das redes
sociais para a biblioteca (pergunta 6); e d) conhecimentos dos perfis da biblioteca nas redes
sociais (perguntas 8, 9 e 10).
A codificação dos dados qualitativos utilizou-se dos nomes das categorias citadas
acima. Já, para os dados quantitativos, foram definidas as letras A, B, C e D, respectivamente,

3841

�para cada categoria.
Na representação, optou-se por utilizar textos para os dados qualitativos e gráficos
para os quantitativos, por considerar que estes tornarão a análise mais clara e objetiva.
No próximo capítulo, a partir da visualização dos dados utilizando os métodos
sobreditos, facilitará o entendimento do leitor para o formato adotado nesta pesquisa.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Os usuários da Biblioteca são compreendido por cerca de 2.320 alunos de graduação,
866 pós-graduandos, 233 docentes e 367 servidores. Durante as duas semanas de aplicação da
pesquisa, obteve-se como retorno 216 questionários respondidos (165 online e 51 impressos).
Este número representa 5,7% do universo da pesquisa.

4.1 Dados quantitativos
Para a apresentação dos resultados quanto aos dados quantitativos, conforme explanado no
capítulo anterior, utilizou-se da classificação em categorias e da codificação alfabética,
ficando da seguinte forma:
a) a categoria A representa a classe de perguntas “categoria de usuários”;
b) a categoria B representa a classe de perguntas “utilização das redes sociais”;
c) a categoria C representa a classe de perguntas “consideração de importância das
redes sociais para a biblioteca”;
d) a categoria D representa a classe das perguntas “conhecimentos dos perfis da
biblioteca nas redes sociais” .
Deste modo, o gráfico 1 apresenta as respostas da categoria A.

Gráfico 1: Categoria A: categoria dos usuários

3842

�Com o gráfico acima foi possível verificar que a categoria que mais respondeu ao
questionário foi a de alunos de graduação. No entanto, foi explanado anteriormente que esta é
a maior categoria.
A categoria B representa a utilização das redes sociais pelos usuários. Para tanto,
segue o gráfico 2, 3 e 4 para estas apresentações.

Gráfico 2: Categoria B: utilização ou não das redes sociais

Fonte: Elaboração do autor.

Gráfico 3: Categoria B: redes sociais utilizadas

Fonte: Elaboração do autor.

3843

�Gráfico 4: Categoria B: frequência de utilização de redes sociais

Fonte: Elaboração do autor.
Com os gráficos acima, ficou nítida a grande utilização das redes sociais pelos
usuários da biblioteca, tendo como as redes mais utilizadas o facebook e o youtube. A
frequência com que estes usuários estão conectados é de 1 a 2 horas diariamente, seguido de 2
a 4 horas, todos os dias.
Para ilustrar a percepção de importância da Biblioteca F. E. por estar presente nas
redes sociais, segue o gráfico 5, apresentando os dados:

Gráfico 5: Categoria C: importância da Biblioteca nas redes sociais

Fonte: Elaboração do autor.
Acima, foi possível verificar que a grande maioria dos usuários considera importante a
Biblioteca F. E. presente nas redes sociais.
A fim de identificar o conhecimento dos usuários sobre os perfis da biblioteca nestas
redes, apresenta-se os gráficos 6, 7 e 8.

3844

�Gráfico 6: Categoria D: conhecimento ou não dos perfis da Biblioteca F. E.

Fonte: Elaboração do autor.

Gráfico 7: Categoria D: perfis conhecidos

■ Blog
■ Faoebook
■ Twitter
■ Yúulubc
■ Flitkr
■ IttUII

Fonte: Elaboração do autor.

Gráfico 8: Categoria D: forma de conhecimento dos perfis da biblioteca

Fonte: Elaboração do autor.

3845

�Com os gráficos acima, pode-se verificar que a maioria dos participantes não conhece
os perfis da biblioteca nas redes sociais. No entanto, as redes conhecidas são somente o blog e
o facebook. Ainda, dos usuários que conhecem os perfis da biblioteca, estes informaram que a
página da biblioteca foi o principal meio de divulgação destes perfis, seguido de orientações
dos funcionários, compartilhamento nas redes sociais e indicação de amigos.

4.2 Dados qualitativos
Para a apresentação dos resultados quanto aos dados qualitativos, utilizou-se da
classificação e da codificação em duas categorias: idade e importância das redes sociais.
Para tanto, os dados serão representados em forma de texto, conforme explicado no
capítulo anterior.

1 ) Idade
A idade dos participantes da pesquisa ficou entre 18 e 50 anos, compreendendo, portanto, dos
alunos de graduação aos docentes.

2) Importância das redes sociais
Dos participantes que consideraram importante que a Biblioteca F. E. tenha os perfis nas
redes sociais, os motivos foram:
a) canal de comunicação que atinge todos os alunos;
b) maior número de pessoas que recebem as informações;
c) meio de interação capaz de receber críticas, elogios e sugestões;
d) meio rápido de comunicação;
e) melhora a aproximação com os usuários;
f) facilita a divulgação de informações;
g) facilita o fluxo de informação entre os alunos;
h) ser o meio de comunicação mais utilizado pelos jovens;
i) melhor visibilidade.

Dos participantes que não consideraram importantes, os motivos foram:
a) sem identificação de vantagens;
b) comunicação através de e-mail já é suficiente;
c) nem todos usam redes sociais;
d) não faz diferença.

3846

�Após estas apresentações, o próximo capítulo explana as considerações a partir destes
resultados.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
A primeira consideração que é possível se fazer é que apenas uma pequena porção do
público alvo da biblioteca não utiliza redes sociais. Só por este motivo, já acredita-se
importante que a Biblioteca F. E. esteja presente neste ambiente.
Logo, esta afirmativa foi confirmada também na percepção dos usuários, ficando
apenas uma pequena minoria que não concorda com isso.
Neste momento, é importante trazer os números onde demonstram que a maioria dos
usuários participantes (114) não conhecem os perfis da biblioteca nas redes sociais. Desta
forma, é correto afirmar (e é visível nos dados recebidos) que os usuários que não consideram
importante a presença da biblioteca nas redes também não tem conhecimento destes perfis.
Ainda assim, muitos, mesmo sem conhecer os perfis, acreditam que é importante por
já possuírem a percepção da facilidade e rapidez de comunicação e a possibilidade de atingir
um grande número de leitores.
Outro aspecto é quanto às redes sociais mais conhecidas. Os usuários que conhecem os
perfis da Biblioteca F. E. apontaram somente o facebook e o blog. Como foi explicitado no
capítulo 2, que as outras redes sociais (flickr, youtube e issuu) serviam apenas como
armazenadores de conteúdos para serem postados no blog e compartilhados no facebook e
twitter, o objetivo era que apenas estas três fossem conhecidas.
Deste modo, acredita-se que há a necessidade de um novo estudo a fim de identificar a
necessidade de manutenção do twitter como ferramenta da biblioteca, pois, como pode ser
visto no gráfico 7, esta rede também não é muito utilizada pelos publico alvo.
Ainda, ao verificar as fontes de tráfego para as redes sociais, foi perceptível que a
página da biblioteca no site da universidade tem fundamental importância para a divulgação
das redes sociais da biblioteca. Neste cenário, foi identificado também que o trabalho de
informação prestado pelos funcionários também teve grande valia para que os 102
participantes conhecessem anteriormente os perfis da biblioteca.
Todavia, acredita-se que seja necessário um trabalho mais eficiente de divulgação, já
que a maioria dos participantes ainda não conhecem as redes sociais da biblioteca, que está
em funcionamento há três anos.
Finalmente, acredita-se que os profissionais da informação tem o dever de se adequar
às necessidades dos usuários com o intuito de atender as demandas e se justificar como uma

3847

�unidade de informação. Desta forma, considera-se que a Biblioteca F. E. está no caminho
certo devido aos servidos de inovação implantados em prol dos usuários.

6 REFERÊNCIAS
CERVO, A. L.; BERVIAN, P. A.; SILVA, R. da. Metodologia científica. 6. ed. São Paulo:
Pearson, 2007.
DIEHL, A. A.; TATIM, D. C. Pesquisa em ciências sociais aplicadas: métodos e técnicas. São
Paulo: Pearson, 2006.
MASCARENHAS, S. A. (Org.) Metodologia científica. São Paulo: Pearson, 2012.
PASSOS, K. G. F. dos. Avaliação da qualidade dos serviços em unidades de informação:
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em:

&lt;http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/informacao/article/viewFile/10236/pdf_9&gt;.

Acesso em: 18 abr. 2014.
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3848

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Este estudo objetivou avaliar a importância da implantação das redes sociais na Biblioteca da Unesp de Ilha Solteira, a partir da percepção dos usuários. Utilizou-se, como método, a realização de uma pesquisa através de um formulário onde foram questionados os conhecimentos dos perfis da biblioteca nas redes sociais e levantadas a visão de importância para a melhoria dos serviços biblioteconômicos. Resultou-se no retorno de 216 respostas, onde a maioria dos usuários colocou-se a favor dos serviços implantados na biblioteca. Considera-se, portanto, que a biblioteca está no caminho certo por se integrar as redes sociais, onde estão presentes a maioria de seu público alvo, e por sempre propor inovações em prol dos usuários. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

UM OLHAR PARA OS ACERVOS RAROS E ESPECIAIS NO COLÉGIO PEDRO II:
CONFIGURAÇÃO ATUAL E DIAGNÓSTICO DE SUAS COLEÇÕES
Tatyana Marques de Macedo Cardoso
Priscila de Assunção Barreto Côrbo
RESUMO
O presente artigo apresenta um estudo sobre acervos raros e especiais. Aponta os conceitos e
definições sobre a temática na perspectiva de especialistas da área. Trata das coleções
especiais e acervos raros do Colégio Pedro II, uma instituição tradicional de ensino, que vem
ao longo de sua trajetória de 176 anos de existência atuando para o desenvolvimento da
educação brasileira. Em especial, identifica as obras raras do acervo antigo e das coleções
especiais da Biblioteca Histórica e do conjunto bibliográfico, arquivístico e iconográfico do
Núcleo de Documentação e Memória do Colégio Pedro II. Aponta, ainda, um estudo sobre os
critérios de raridade bibliográfica adotados pela Instituição, bem como a forma para
tratamento e preservação de seus acervos raros e coleções especiais.
Palavras-Chave: Colégio Pedro II. Patrimônio histórico-cultural. Núcleo de Documentação e
Memória. Biblioteca Histórica. Acervos raros. Acervos especiais.
ABSTRACT
This article presents a study on rare and special collections. It deals with the concepts and
definitions on the topic from the perspective of specialists. It approaches the special
collections and rare collections of Pedro II School, a traditional educational institution that
has been working on the development of Brazilian education along its historical path of 176
years. In particular, it identifies the rare works of ancient collections and special collections of
the Historical Library, and items from the bibliographic, archival and iconographic collection
of the Center for Documentation and Memory at Pedro II School. It shows a study of
bibliographical rarity criteria adopted by the institution and how his rare collections and
special collections are processed and preserved.
Keywords: Pedro II School. Historical and cultural heritage. Center for Documentation and
Memory. Historical Library. Rare collections. Special collections.

1 INTRODUÇÃO
Nos dias atuais a questão que envolve o conceito de raridade bibliográfica ainda
levanta uma série de dúvidas aos curadores de acervos, sobretudo, quanto ao estabelecimento
do que seria classificado como antigo, raro, único e precioso. Um acervo para ser considerado

3815

�raro ou especial deve se enquadrar em alguns critérios, que assim o qualifique,
diferenciando-o dos demais.
O problema a ser considerado implica na definição de conceitos como: O que é livro
raro? O que é acervo especial? Como diferenciar um acervo raro de um acervo especial? Estas
questões são complexas e envolvem fatores e circunstâncias subjetivas.
A literatura brasileira sobre livros raros remete a dois grandes estudiosos do tema: Ana
Virgínia Pinheiro e Rubens Borba de Moraes, sendo eles bibliotecários e especialistas na área.
Para Moraes (2005, p. 67), o que faz um livro ser considerado raro é a procura por ele:
“O valor de um livro nada tem a ver com sua idade. A procura é que torna um livro valioso. O
que o torna procurado é ser desejado por muita gente, e o que o fez desejado é um conjunto de
fatores, de particularidades inerentes à obra”. Essas particularidades foram abordadas pelo
autor, no seu livro O bibliófilo aprendiz, uma espécie de manual para bibliófilos, mas de
grande valia para leigos. De acordo com Pinheiro (1989),
cada livro é um universo restrito de manifestações culturais - originais e
acrescentadas”. Porém, de maneira bastante simplificada, pode-se dizer que
livro raro é aquele difícil de encontrar por ser muito antigo, ou por tratar-se
de um exemplar manuscrito, ou ainda por ter pertencido a uma personalidade
de reconhecida projeção e influência no país e mesmo fora dele (por
exemplo: imperadores, reis, presidentes), ou reconhecidamente importantes
para determinada área do conhecimento (física, biologia, matemática e
outras). (PINHEIRO, 1989, p.1).

Como podemos observar, um livro pode ser considerado raro por várias razões:
apresentação ou valor afetivo; encadernação ou ilustrações; material sobre o qual foi feita a
impressão; edição que saiu de uma célebre tipografia ou por ser a primeira edição.
O livro raro justifica, por si próprio, a importância e a necessidade de mais estudos
que promovam seu conhecimento e preservação. Esses livros condensam, sob a fragilidade de
sua aparência, o conteúdo intelectual que revela todo o esforço humano em busca do
desenvolvimento científico, social e cultural. As ideias, os pensamentos, os fatos e
informações contidos em suas páginas merecem ser preservados para manter e transmitir essa
preciosa herança cultural.
Toda essa argumentação encerra um forte apelo à questão da preservação da história
da humanidade, da identidade cultural de um povo. É de fundamental importância a existência
de um patrimônio conhecido, de uma memória preservada para que se possa definir uma
identidade cultural. A identidade cultural pode ser inicialmente captada através da história ou
pelo conjunto de obras que a explicam: mitos, costumes, produção literária e artística, música,

3816

�monumentos, língua e tradições, em resumo, o patrimônio cultural. Os objetos que o
compõem, símbolos da ação humana e testemunhos da trajetória das sociedades, são valiosos
portadores de mensagens e refletem na sua configuração, na sua forma, no seu material, no
seu acabamento, as características do grupo social que os criou, bem como as relações sociais
implícitas em cada atividade.
Neste contexto, Carter (2014) considera que,
O patrimônio histórico-cultural de uma nação não abrange apenas
edificações e monumentos ou sua tradição sociocultural, mas também seus
bens culturais, tangíveis e intangíveis, como o conhecimento que produz, a
documentação que registra esse conhecimento e suas formas de
divulgação.(CAN CLINI, 1994 apud CARTER, 2014, p.2).

No caso dos livros, particularmente, a determinação de elementos que os identifiquem
como raros e/ou preciosos componentes de um patrimônio cultural não é uma tarefa fácil,
bem como diferenciar um acervo raro de um acervo especial. Torna-se necessário, portanto,
sistematizar uma metodologia a fim de explicitar e justificar os critérios adotados para
identificar livros raros dentro de uma coleção, que pode ser especial.
Desta forma, não podemos afirmar que toda coleção especial mantém acervo com
obras antigas ou mesmo obras raras. É preciso identificar as características de cada coleção.
A classificação “especial” visa identificar a coleção segundo suas características
extrínsecas e intrínsecas, além de definir o papel das coleções bibliográficas oriundas da
aquisição de acervos particulares. As características extrínsecas são aquelas que estabelecem
as relações do objeto observado com outros objetos; as características intrínsecas são as que
constituem o próprio objeto, como o seu valor monetário ou simbólico, por exemplo.
O Colégio Pedro II, instituição tradicional de ensino, fundado em 1837, reúne coleções
especiais e com obras raras que pertencem a Biblioteca Histórica. As coleções especiais foram
formadas a partir de doações de ilustres docentes, discentes e ex-alunos e de coleções
existentes na antiga biblioteca do Externato do Colégio Pedro II.
O acervo antigo é composto por obras de assuntos gerais, nos diversos ramos do
conhecimento, entre os séculos XVI e XX, que são consideradas raras e/ou preciosas devido a
sua importância histórico-cultural. Difere-se das coleções especiais por se tratar de obras que,
em princípio, não podem ser facilmente adquiridas e nas quais a Instituição, por sua área de
interesse (valor institucional), atribui importância na sua manutenção e preservação. São obras
que inicialmente não podem ser substituídas ou descartadas sem causar prejuízo à missão
institucional, à sua relação com outros itens do acervo e ao valor de pesquisa.

3817

�Além das coleções especiais e do acervo antigo, o Colégio mantém obras de
importância histórica e institucional no Núcleo de Documentação e Memória (NUDOM), que
é composto por um conjunto bibliográfico, arquivístico e iconográfico. São acervos de
importância ímpar para a Instituição, pois remetem as atividades de ensino e ao cotidiano da
administração escolar e retratam a história da educação brasileira. Por esse motivo, são
considerados especiais e raros para a guarda e preservação.
O presente trabalho tem por objetivo identificar os acervos raros e especiais do
Colégio Pedro II, apresentar os critérios de raridade bibliográfica adotados na Instituição e,
particularmente, mostrar a forma de tratamento e preservação das coleções custodiadas pelo
NUDOM.
A revisão de literatura especializada realizada neste estudo concentrou-se
principalmente em livros e artigos científicos da área. Buscaram-se parâmetros para definição
de conceitos sobre acervos raros e especiais. Recorreu-se às publicações de estudiosos do
tema, destacando-se entre eles Pinheiro (1989) e Moraes (2005). Para o levantamento de
dados sobre os acervos do NUDOM e Biblioteca Histórica, foram consultados documentos
institucionais pertencentes aos setores. Destacam-se entre os materiais informacionais os
catálogos e inventários contendo a descrição de cada item documental. O material coletado
constituiu-se uma das fontes principais para a análise de dados.

2 O COLÉGIO PEDRO II

O Colégio Pedro II (CPII), fundado em 02 de dezembro de 1837, caracteriza-se como
uma instituição de ensino básico, profissional e superior, pluricurricular e multicampi,
especializada na oferta de educação básica e de licenciaturas.
Ao longo dos anos, essa tradicional instituição produziu diversos documentos históricos
gerados a partir das suas próprias atividades de ensino. Além disso, adquiriu importante
acervo com obras gerais destinadas à sua comunidade docente e discente. Assim, para
proteger e manter o seu patrimônio documental fez-se necessário criar espaços destinados à
guarda e à preservação de suas fontes, evitando-se os riscos da efemeridade.
Desta forma, o Colégio reúne diferentes espaços de “guarda de memória”, tais como: a
Biblioteca Histórica e o Núcleo de Documentação e Memória, sendo este último a principal
fonte de informação para o estudo da história da educação brasileira.
A seguir, será apresentada a Biblioteca Histórica e suas coleções especiais. Tais
coleções assumem considerável relevância para a Instituição, uma vez que agregam valor

3818

�informational, histórico, associativo (quando tem relação a algum indivíduo, lugar ou grupo
eminente) e monetário.

2.1 Biblioteca Histórica

A Biblioteca Histórica é composta por coleções especiais, raras e/ou preciosas, que
refletem a influência humanística na formação do corpo docente e discente do Colégio Pedro
II. Tem por objetivo disseminar a preservação do patrimônio histórico-cultural brasileiro,
além de subsidiar os trabalhos de pesquisa científica em nível de graduação e pós-graduação.
As coleções estão divididas em duas partes: Acervo Antigo e Coleções Especiais.
O Acervo Antigo é composto por obras de assuntos gerais, nos diversos ramos do
conhecimento, grande parte em francês. Reúne livros e periódicos do século XVI até o início
do século XX, perfazendo um total aproximado de 20.000 volumes. Incluem-se textos que
fundamentam a educação do Brasil desde o século XIX.
Destacam-se neste acervo, sejam por seu valor bibliográfico, histórico, cultural, literário
ou pecuniário, as seguintes obras:
- Lexicon Graecolatinun Nouum, de Joannes Scapula, de 1580 (obra mais antiga do
acervo);
- Dictionnaariun octolingus, de Ambrogio Calepino, de 1663 (obra de grande
importância, seu autor passou a ser usado como sinônimo par adicionário);
- Historia Genealogica da Casa Real Portugueza, de Antonio Caetano de Souza, de
1735.
- Vocabulario Portuguez e Latino, de Raphael Bluteau, de 1712;
- Chronica do Emperador Clarimundo, de João de Barros, de 1843;
- Apologie de Socrate, de Platão, de 1845;

Podemos ainda destacar obras de autores gregos e latinos, nas línguas originais e em
edições bilíngues, de diversas áreas do conhecimento como segue no gráfico abaixo:

3819

�Gráfico 1: Áreas do conhecimento

As Coleções Especiais são constituídas por acervos pessoais doados ao Colégio Pedro II
por professores e alunos eminentes, ou ainda, pela família desses. Encontram-se reunidas as
seguintes Coleções:
- Biblioteca Professor Cândido Jucá Filho: reúne 4.000 volumes, formada, basicamente,
por publicações especializadas em Filologia. Possui valiosas primeiras edições de clássicos da
Literatura Brasileira e grande número de obras de José de Alencar, e sobre ele, que era área de
estudos deste Professor. Destaca-se, também, o acervo de Literatura Portuguesa,
especialmente a coleção Camiliana, e obras de referência. É composta, ainda, de arquivos
pessoais, fichas de pesquisa filológica, manuscritos e publicações de sua autoria;
- Biblioteca Professor Roberto Bandeira Accioli: constituída, basicamente, por livros de
História, em especial sobre Antiguidade Clássica, grande parte em Francês, Legislação de
Ensino e assuntos afins, com um total aproximado de 5.000 volumes;
- Biblioteca Professor Haroldo Lisboa da Cunha: constituída, basicamente, por livros de
Ciências Exatas, especialmente Matemática, e assuntos afins, com o total de 1.050 títulos e,
aproximadamente, 2.000 volumes;
- Biblioteca Hélio Thys: reflete a formação humanística e eclética deste jornalista, aluno
emérito do Colégio, com um acervo bastante diversificado onde se destacam obras na área de
Comunicação. Reúne toda sua obra literária, inclusive textos inéditos, e sua produção para
jornais, revistas, rádio e televisão, com um total aproximado de 4.000 volumes.

3820

�2.2 Núcleo de Documentação e Memória

O Núcleo de Documentação e Memória (NUDOM) foi criado em 22 de agosto de 1995
para tratar, preservar e divulgar a produção intelectual da Instituição desde sua fundação. O
NUDOM é um núcleo de documentação institucional de pesquisa interdepartamental. Tem
como missão reunir, organizar, tratar, preservar e disponibilizar seu acervo documental aos
servidores do Colégio Pedro II e aos pesquisadores externos à Instituição.
Por ser “um organismo em crescimento”, de acordo com a 5a Lei da Biblioteconomia, o
Núcleo expandirá o seu acervo em virtude das constantes doações. O NUDOM, por reunir
coleções especiais que pertenceram a renomadas personalidades do meio institucional, não
realiza empréstimos para os pesquisadores e/ou a reprodução de obras consideradas raras. As
consultas são realizadas no próprio local, com restrição de acesso à sala de guarda.
Segundo as especificidades de pesquisa e necessidades informacionais da Instituição, o
Núcleo não mantém assinaturas de periódicos, os documentos incorporados ao acervo são
adquiridos a partir de doação e permuta.
Atualmente, o NUDOM desenvolve projetos de pesquisa na comunidade escolar junto
aos professores e alunos da Instituição e configura-se como um laboratório de pesquisa. O
Programa de Residência Docente, em especial, é um curso de extensão baseado na formação
continuada dos professores de Ensino Fundamental e Médio, em atividade nas redes
municipal e estadual do Estado do Rio de Janeiro.
Com restrição de acesso aos documentos digitalizados que, por medida de preservação,
devem ser acessados somente por CD-ROM, o NUDOM permite a reprodução de partes da
obra por meio de fotografia - sendo necessária a assinatura do Termo de Cessão de Uso de
Imagens -, ou cópia. A reprodução do documento por meio de cópia deverá respeitar as
condições físicas da obra, bem como os critérios de raridade estabelecidos na Política de
Desenvolvimento de Coleções do Acervo do NUDOM.
Entretanto, o Núcleo ainda não possui uma base de dados para os registros
bibliográficos ou mesmo um repositório institucional para salvaguardar os documentos
digitais. A informatização no Colégio Pedro II é uma das metas previstas na nova gestão.
Para facilitar a consulta ao acervo, estão à disposição dos pesquisadores um catálogo
em fichas e um catálogo de teses e dissertações; um inventário analítico com registro de
autoridade do Fundo CPII (acervo arquivístico); um sumário corrente dos periódicos avulsos;
e CD-ROM com o conteúdo das obras já digitalizadas do acervo histórico.

3821

�2.3 Acervos raros e especiais do NUDOM

O acervo documental deste Núcleo é composto por um conjunto bibliográfico,
iconográfico e arquivístico. Dos itens documentais que compõem o acervo bibliográfico
destacam-se os que datam dos primeiros anos da fundação do Colégio, representados por
Livros Didáticos de diferentes disciplinas produzidos nos séculos XIX e XX; Regulamentos e
Regimentos; Relatórios dos Diretores; Obras de Referência; Programas de Ensino desde
1856; Coleção das Leis do Brasil de 1808 a 1962; Teses de Concursos para a Cátedra de 1878
a 1975; Anuários elaborados pelo diretor geral no exercício da função referentes ao período
de 1914 a 1961; Monografias de cursos de especialização; Teses de Doutorado e Dissertações
de Mestrado dos funcionários do CPII, incluindo os trabalhos realizados por pesquisadores
externos que retratam a história da educação tendo como fonte de pesquisa o Colégio
Pedro II e, obras de memorialistas, professores e ex-alunos.
O acervo iconográfico é representado por um conjunto de fotografias da Família
Imperial, do Rio Antigo, dos campi do Colégio Pedro II, de professores, alunos e eventos
realizados no próprio Colégio.
O acervo arquivístico (acervo histórico ou Fundo arquivístico) é a principal fonte de
informação do NUDOM. Constituído por um conjunto de obras manuscritas do século XIX e
XX, este Fundo remete as atividades de ensino e ao cotidiano da administração escolar,
através de documentos que foram organizados e avaliados de acordo com a proveniência, o
tipo documental, o conteúdo e os potenciais informativos desta documentação. Está
classificado em séries e subséries. Destacam-se as seguintes obras: Atas da Congregação;
livros de Atas de Concursos de Professores para ingresso no CPII; primeiro livro de Avisos
do Imperial Colégio de Pedro II de 1838; livros de Matrícula de alunos; livros de Exames
Preparatórios; Ofícios enviados e recebidos; avisos do Ministério do Império; livros de
Ocorrências Disciplinares; livros de Colação de Grau e Bancos de Honra; livros de
Contabilidade; livros de Nomeações de professores e funcionários. Um quantitativo de
aproximadamente 600 livros encadernados e 60 pastas com documentação avulsa, totalizando,
em média, 18 mil itens.
Este acervo histórico retrata a infraestrutura e as funções institucionais, ou seja, suas
atividades-meio e atividades-fim. Compreende os documentos gerados por essa Instituição
necessários à sua criação, ao seu funcionamento e ao exercício das atividades que justificam
sua existência.

3822

�O NUDOM reúne, portanto, documentos considerados raros e/ou preciosos devido à sua
importância histórica, cultural e patrimonial. Seu acervo documental formou-se a partir de
doações de servidores da instituição (docentes, discentes e ex-alunos) e de coleções presentes
em outros campi, que foram devidamente selecionadas e acondicionadas neste Núcleo, no
campus Centro.

3 CRITÉRIOS DE RARIDADE BIBLIOGRÁFICA

Em torno da questão da raridade bibliográfica, verifica-se uma grande variedade de
opiniões na escassa literatura existente sobre esse assunto. O caráter relativo, presente no
conceito de raridade, é amplamente explorado pelos especialistas da área, como podemos
observar a seguir:
Como sabemos, o conceito de raridade, sendo relativo ao tempo e espaço, é
passível de interpretações, quanto ao equilíbrio de valores extrínsecos como:
escrita, ilustração, encadernação e principalmente os intrínsecos:
bibliográficos e particularidades, que tornam as obras raras, preciosas ou
curiosas, deixando portanto de ser absoluto (SILVA, 1981apud FROES,
1995, p.33).
A raridade não é um termo absoluto, invariável e de grau constante, devendo
ser relativa aos países e regiões. Alguns critérios são indiscutíveis: os
incunábulos, as primeiras edições dos clássicos, a primeira produção
tipográfica de uma determinada área geográfica e obras com tiragens
reduzidas. Outros critérios passam pelo crivo de pontos de vista diferentes:
livros de história local, obras escassas no mercado livreiro, livros com
particularidades que se distinguem de outras edições, obras destruídas das
quais só restam poucos exemplares (SILVA; LANE, 1990 apud FROES,
1995, p.33).

Para Pinheiro (1989), raridade bibliográfica está relacionada, primeiramente, ao
caráter artesanal da obra. A autora confirma a ideia de que só a antiguidade de uma obra não
caracteriza a sua raridade, pois está diretamente ligada aos aspectos bibliológicos, por
exemplo: colofão, colunas, assinaturas, etc.
Além dos detalhes técnicos e bibliológicos, a autora destaca a importância de se
distinguir entre raro, único e precioso:
Raro: é aquilo que é tratado sob esta acepção em qualquer lugar - o que é
raro no Brasil, também o é na América do Norte, Ásia, Europa.
Único: remete a ideia de ‘exemplar único conhecido’, revelando-se a
existência de acervos potencialmente raros, não identificados, em
bibliotecas, aqrquivos e museus guardiões de livros. Quando se identifica um
exemplar, não se pode ter a certeza de que ele seja efetivamente um
exemplar único, no mundo. (PINHEIRO, 1989, apud SOARES, 2009, p. 29).

3823

�Precioso ou de raridade relativa: abrange as noções de posse e identidade.
Cada curador de acervo deve encarregar-se de acumular aquelas coleções
que, em princípio, seriam da sua exclusiva competência, em função da
missão da pessoa (física ou jurídica) que representa. (PINHEIRO, 1989,
apud SOARES, 2009, p. 29).

A determinação de critérios para enfoque da raridade bibliográfica das bibliotecas
implica, segundo Pinheiro (1989), na abordagem do caráter bibliológico das obras e na ênfase
da influência social, econômica e cultural sofrida por todas as autoridades que contribuíram
na elaboração física e intelectual de uma obra.
Ainda de acordo com Pinheiro (2004), compete ao bibliotecário, curador ou “dono” do
acervo determinar e avaliar os critérios de raridade de seus itens, como também formalizar a
metodologia adotada. A autora dedicou-se ao levantamento de critérios adotados por
instituições públicas e privadas e esse estudo gerou uma metodologia para critérios que
podem ou não serem adotados.
No caso do Colégio Pedro II, especificamente, o NUDOM, levamos em consideração
os critérios adotados por Pinheiro (1989), que envolvem, principalmente os seguintes
aspectos: limite histórico; aspectos bibliológicos; valor cultural; pesquisa bibliográfica;
características do exemplar.
Pinheiro (1989) considera para o limite histórico todo o período que caracteriza a
produção artesanal de impressos demarcado com as principais datas da evolução tecnológica
do livro: do século XV, princípio da imprensa até antes de 1801, marco do início da produção
industrial de livros. Aborda todo o período que caracteriza a fase inicial da produção de
impressos em qualquer lugar - por exemplo, o século XIX, quando foram publicados os
primeiros incunábulos brasileiros com a criação da Imprensa Régia e também todo o período
que caracteriza uma fase histórica, demarcada em função do conjunto bibliográfico (âmbito,
objetivo, utilização, assunto, etc) e/ou do interesse do colecionador.
Os aspectos bibliológicos envolvem a arte do trabalho tipográfico; a natureza e
características dos materiais utilizados como suporte na impressão, tais como: papel de linho,
pergaminho, marcas d’água, tintas, encadernações originais luxuosas, edições de luxo.
Também se referem as ilustrações, desde que reproduzidas por métodos artesanais, não
fotomecânicos, tais como: xilogravura, água forte, aquarela, etc.
Com relação ao valor cultural destacam-se: edições limitadas e esgotadas, especiais e
fac-similares, personalizadas e numeradas, críticas, definitivas e diplomáticas; assuntos
tratados à luz da época em que foram pensados e escritos: obras científicas que datam do
período inicial de ascensão daquela ciência; histórias de descobrimentos e de colonização;

3824

�teses; obras impressas em circunstâncias pouco convenientes a esta arte, tais como guerra,
seca, fome, etc; memórias históricas de famílias nobres e usos e costumes; edições
censuradas, interditadas e expurgadas; obras “desaparecidas”, face às contingências do tempo
e da sorte; edições contrafeitas e emissões; edições originais, etc; edições de artífices
renomados e/ou considerados na história das artes que representam, tais como tipógrafos,
impressores, editores, desenhistas, etc; edições de clássicos, assim considerados nas histórias
das literaturas específicas.
A pesquisa bibliográfica aponta os seguintes caracteres da obra/exemplar: unicidade e
raridade, sob o ponto de vista de bibliógrafos, bibliófilos e especialistas no assunto da obra;
preciosidade e celebridade, referindo-se àquelas obras mais procuradas por bibliófilos e/ou
mais estudadas por eruditos; curiosidade, referindo-se aquelas obras em que o assunto foi
tratado de maneira “sui generis” ou de apresentação tipográfica incomum.
As características do exemplar referem-se as marcas de propriedade, tais como: exlibris, super-libris, assinaturas (indicando que aquele exemplar pertenceu a um conjunto
bibliográfico de personalidade famosa e/ou importante), marcas de fogo, marcas de
artífices/comerciantes renomados e/ou considerados no mercado de livros, tais como livreiros,
restauradores, etc; dedicatórias de personalidades famosas e/ou importantes.
No NUDOM, em especial, são consideradas obras raras e/ou valiosas aquelas que
retratam a realidade da instituição ou aquelas que “resgatam” a memória do Colégio Pedro II,
destas:
- obras publicadas até o séc. XVII;
- obras brasileiras do séc. XIX (especialmente até 1850);
- obras manuscritas;
- primeiras edições;
- edições especiais;
- ilustradas por artistas de renome ou pelos próprios autores;
- obras importantes como documentos das atividades internas do Colégio Pedro II,
reflexo de sua ação e atuação;
- clássicos em todos os ramos da atividade humana;
- obras consagradas no ensino do Colégio Pedro II;
- obras esgotadas e não reeditadas;
- fac-similares.

Outros critérios considerados quanto à raridade bibliográfica dos exemplares:

3825

�- com dedicatórias manuscritas dos autores;
- autografados pelos autores;
- com dedicatórias e/ou autógrafos importantes;
- com anotações importantes (que podem ser do autor, de um possuidor ou leitor
interessado, acrescentando, corrigindo, esclarecendo ou comentando o texto);
- com marcas de propriedade: assinaturas, nomes, iniciais, ex-libris, carimbos e
brasões.
- que comprovadamente pertençam a personalidades importantes;
- que tenham pertencido ou que pertençam à docentes, discentes ou ex-alunos do
Colégio Pedro II;
- com encadernação de luxo ou curiosa;
- que contenha alguma particularidade ou característica própria, que os distinga dos
demais.
Tendo em vista a natureza do documento a ser tratado (obras raras) e da sua
importância para a memória nacional e institucional, a escolha de ações de organização e
preservação, na Biblioteconomia de livros raros, deve refletir na política e nas linhas de
acervo. “A falta dessas definições leva ao colecionismo mórbido e nostálgico, onde tudo deve
ser guardado e nada pode ser subtraído, desencadeando o inevitável colapso da biblioteca
como organismo vivo que é” (PINHEIRO, 2004, p. 5)

3.1 Organização da coleção

O acervo bibliográfico do NUDOM está organizado nas estantes pelo sobrenome e
nome do autor, respectivamente. As coleções estão divididas por assuntos, da seguinte forma:
- Memória Histórica: engloba os livros registrados por renomados e ilustres escritores
que, de alguma maneira, versa sobre o Colégio Pedro II em seus escritos ou cujos autores são
ou foram do Colégio Pedro II;
- Livros didáticos: reúne os livros didáticos adotados pelo Colégio Pedro II no
decorrer de sua evolução histórica, nas mais variadas disciplinas (inglês, matemática, história,
geografia, alemão, física, francês, química, etc);
- Obras de referência: a coleção é formada por dicionários, enciclopédias, manuais,
guias, bibliografias, etc., ou seja, publicações que foram planejadas e escritas para que a elas
se recorram para obter informações, e não para serem lidas na íntegra;

3826

�- Coleção Geraldo Pinto Vieira: pertencente a um ilustre e renomado professor de
História e ex-aluno da Instituição, da década de 1940, membro fundador do NUDOM. Sua
coleção também está organizada por assuntos, quais sejam: Euclides da Cunha,
Sebastianismo, Religião, Literatura de Cordel, Obras gerais, periódicos e livros que tratam
sobre D. Pedro II, Livros didáticos, Padre Cícero;
- Coleção Rio de Janeiro: formada por obras que abordam a história do Rio de Janeiro;
- Coleção D. Pedro II: obras que pertenceram ao Imperador, bem como obras que
abordam sobre sua vida e sua história;
- Coleção de Factas: documento interno produzido pelo Colégio Pedro II, que trata de
portarias que nomeiam, exoneram, movimentam, entre outros, os servidores da instituição;
- Periódicos: são artigos que abordam o Colégio Pedro II, de maneira geral, ou, artigos
que foram escritos por membros Instituição;
- Coleção de Leis do Brasil: coleção publicada pela Imprensa Nacional. Inclui Cartas
de Leis, Decretos, Alvarás, Cartas Régias, Leis e Decisões imperiais;
- Educação: obras que versam sobre a história da educação, de uma maneira geral,
bem como, leis, programas gerais de ensino, regimentos e regulamentos sobre o Colégio
Pedro II.
O conjunto bibliográfico deste Núcleo está dimensionado conforme mostra o gráfico
abaixo:
Gráfico 2: Conjunto Bibliográfico do NUDOM

Conjunto Bibliográfico
Educação
Coleções de Leis do Brasil
Periódicos
Coleção de Factas
Coleção D. Pedro II
Coleção Rio de Janeiro
Coleção Geraldo Pinto Vieira
Obras de Referência
Livros Didáticos
Memória Histórica

Fonte: Inventário de obras do NUDOM
O aervo iconográfico ainda precisa ser organizado e tratado, mas, o esquema de
classificação a ser adotado será por assunto, tais como: dependências do Colégio Pedro II,
docentes, discentes, Reitores, entre outros.

3827

�O acervo arquivístico ou histórico está organizado em séries e subséries e a ordenação
adotada é a cronológica. Cada série, com sua respectiva subsérie, recebe um código, por
exemplo: Atas da Congregação (BR RJCPII - DOC/ACO), onde se lê: Brasil, Rio de Janeiro,
Colégio Pedro II, série Docentes, subsérie Atas da Congregação (Gráfico 3).

Gráfico 3 - Quadro das series e subseries

Cada livo do acervo histórico recebe uma espécie de marcador de livro, feita em papel
alcalino, contendo no alto a classificação adotada (código), conforme exposto anteriormente.
Como já foi dito, essa coleção de obras raras requer um tratamento diferenciado,
caracterizado por uma descrição bibliográfica minuciosa que garanta a perfeita identificação
do exemplar com vistas a valorizá-lo e protegê-lo. Nesse sentido, o NUDOM elaborou
recentemente planilha para descrever seu acervo histórico. Toda essa planilha será impressa
posteriormente, após revisão de todos os dados, constituindo o catálogo impresso desse
acervo. Acervo este considerado raro, e, consequentemente, especial para o Colégio Pedro II.
Segue exemplo abaixo na Figura 1:

3828

�Figura 1 - Série Docente - Subsérie Conselho Departamental
Autor: Colégio Pedro II
Título: Livro de registro de atas das reuniões do Conselho Departamental do CP II
Assinaturas/marcas: Período: 1954 - 1961
País: Brasil
Estado: Rio de Janeiro
Cidade: Rio de Janeiro
Localização: Núcleo de Documentação e Memória - Campus Centro
Classificação: BR RJCPII - DOC/COD__________________________________
Dados técnicos:
altura: 33,6 cm
peso:____ largura: 24 cm espessura: 4 cm
suporte: papel número de páginas: 200_____________________
Tipo de Encadernação:
Couro ( ) Tecido ( )

Material sintético (x)

Papel ( )

Outros ( )

Tipos de problemas na Encadernação:
Capa solta-Frente (x)
Capa solta-Verso ( )
Lombada solta ( )
Costura danificada ( )
Cadernos soltos ( )
Lombada perdida ( )
Sobrecapa danificada ( )
Outros ( ) - especificar:_________________________________________
Tratamento indicado:
CONSERVAÇÃO: Higienização (x) Amarrar com cadarço ( ) Tratamento do Couro ( )
Acondicionamento em caixas especiais ( ) Acondicionamento em pasta ( )
RESTAURAÇÃO: Total ( ) Parcial: Lombada nova ( ) Guardas novas ( )
Obs.: Higienização realizada no segundo semestre de 2013 pelo NUDOM.___________________
Âmbito e conteúdo:
Livro destinado ao registro das atas das reuniões do Conselho Departamental.

Fonte: Acervo NUDOM.

Alguns procedimentos básicos estão sendo realizados, tais como a higienização das
obras e o monitoramento do ambiente. Como não há um laboratório próprio para a
restauração/conservação das obras raras do Colégio Pedro II, o tratamento e os cuidados com
a preservação do acervo ficam comprometidos. Apesar da preocupação com a preservação da
cultura e da memória institucional, a referida instituição de ensino ainda não proporciona ao
seu acervo condições de divulgação e preservação ideais.

3829

�3.2 Preservação e diagnóstico de conservação das coleções de obras raras

Os itens incluídos no diagnóstico de conservação procuram detectar a ação de agentes
deteriorantes sobre os livros, reflexo da política de preservação adotada pela Instituição. O
Colégio Pedro II ainda não possui a sua política de preservação. Os critérios para sua
instauração estão sendo estudados com base nas experiências de outras instituições que já tem
definidos e finalizados seus projetos de preservação de documentos. Os cuidados com o
acervo estão sendo discutidos recentemente, uma vez que a atividade-fim do Colégio sempre
foi o ensino e não a preservação de seus documentos.
A preservação de acervos (materiais bibliográficos e não bibliográficos) é uma questão
que vem ganhando importância nos últimos tempos. O problema da preservação passou a
abranger todos os responsáveis por acervos culturais ou que deles se utilizam, reforçando a
necessidade de uma atitude consciente de preservação que deve estar presente desde a limpeza
até a utilização do material pelo usuário.
Sabendo da importância da preservação, que envolve os mais diversos aspectos
administrativos de bibliotecas, arquivos e centros de informação, incluindo decisões políticas,
recursos humanos e financeiros, projetos de edifícios de instalações, seleção e aquisição de
material, armazenamento e distribuição física do acervo, treinamento de pessoal e educação
do usuário, além de técnicas e métodos específicos para preservação, os cuidados com uma
coleção de obras raras devem ser redobrados. Deve-se levar em conta a antiguidade e a
fragilidade do material, bem como as condições adversas enfrentadas desde a sua formação,
perpassando por todo o ciclo de vida desta coleção.
São diversos os agentes de deterioração de acervos documentais: a acidez associada a
deterioração do papel, a iluminação capaz de fragilizar os materiais constitutivos dos
documentos, induzindo um processo de “envelhecimento acelerado”. Temperatura e umidade
não controladas também provocam alterações na umidade relativa, que por sua vez influencia
a umidade estrutural dos materiais, provocando muitas vezes danos irreversíveis. Fungos,
insetos e roedores, poluição atmosférica e a própria ação do homem constituem outros
“vilões” capazes de degradar os documentos.
Por esse motivo, é de fundamental importância o diagnóstico das obras. Através da
elaboração da planilha para a constituição do cátalogo do acervo histórico do NUDOM foi
possível identificar cuidadosamente cada obra e as necessidades para restauro e conservação.

3830

�A presença de poeira, além de ser um fator ambiental ligado à poluição atmosférica,
indica a ausência de medidas simples de conservação, como a higienização periódoca do
acervo.
Em 2013 foi realizada a higienização de todo o acervo histórico do NUDOM. Além da
poeira, foram encontradas manchas nos livros, verificando-se que o principal problema de
conservação das coleções de obras raras é a acidez do papel detectada pelo odor característico,
folhas amareladas e quebradiças, em geral presentes nos livros antigos.
Também foram detectados problemas na encadernação das obras (livros sem capa,
sem lombadas, com as costuras danificadas). Foi possível perceber a passagem de insetos
bibliófagos (como traças e cupins deixando furos e rasgos nos papéis dos documentos), cuja
causa pode ser atribuída à falta de controle de umidade e temperatura.
As salas destinadas à guarda do acervo histórico não possuem ar condicionado e nem
desumidificadores de ar. Recentemente foi colocado um termohigrômetro em uma das salas
de guarda para medir a temperatura e a umidade do ambiente e os resultados dessa medição
estão longe dos índices recomendados na literatura da área. Também não há filtros
absorventes de radiação ultravioleta nas salas de guarda, ou seja, a luz solar acaba incidindo
sobre os livros, mesmo que tentemos minimizar essa incidência, com medidas simples, como
a vedação das janelas. Além desses agentes deteriorantes a poeira continua sendo o maior
“vilão”, tendo em vista o entorno da Insituição que fica na Av. Marechal Floriano, no Centro
do Rio de Janeiro, onde há grande fluxo de carros e alto índice de poluição no ar.
A realização de pequenos reparos em obras muito danificadas, assim como a
restauração dessas obras são medidas que devem ser implementadas no Colégio Pedro II,
especificamente, no NUDOM. Infelizmente, não há investimento em recurso para esse fim na
própria Instituição, tampouco profissionais com formação especializada para o tratamento e
restauração das coleções raras/especiais.
Soma-se a isso a falta de uma política de preservação, que visa retardar a deterioração
e possibilitar o pleno uso a todos os documentos sob sua custódia. Apesar disso, busca-se
melhores condições de trabalho, pois já existe por parte da Instituição uma conscientização
dos principais responsáveis pela direção do Colégio Pedro II no que diz respeito a preservação
de seu patrimonio histórico-cultural.
São inúmeras as necessidades relacionadas à coleção de obras raras e especiais. Cabe
aos bibliotecários gerenciar suas coleções, conhecer as causas de deterioração dos materiais,
diagnosticar os danos sofridos pelos livros e até prescrever medidas de prevenção, mesmo
sabendo que a instituição de ensino em questão tem o seu orçamento pouco representativo em

3831

�relação às necessidades de manutenção e conservação do edifício e do acervo, seus recursos
humanos reduzidos e a falta de espaço físico apropriado para a manutenção desse tipo de
acervo histórico.
Diante de tantas dificuldades, ainda é possível evitar a total degradação do acervo,
mediante pequenas ações, tais como: a higienização periódica dos acervos históricos; a
monitaração do meio ambiente; parcerias e consórios de instâncias governamentais, agências
de fomento, bancos, comércio, indústria; elaboração de projeto para preservação e
conservação dos acervos; e, estabelecimento de critérios para a digitalização dos documentos.
A digitalização do acervo histório já vem gradativamente sendo realizada pelo Laboratório de
Digitalização do Acervo Histórico. Tal prática futuramente será expandida a todos os acervos
raros e coleções especiais como forma viável para a salvaguarda do patrimonio históricocultural do Colégio Pedro II.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente trabalho procurou mostrar a realidade do Colégio Pedro II, no que tange às
suas coleções raras/especiais. A preocupação e a responsabilidade de conservar uma
importante parcela do patrimônio histórico-cultural desta renomada instituição de ensino
devem garantir às gerações futuras o seu acesso. Sendo assim, as ações de gestão
biblioteconômica não mais comportam apenas atividades puramente técnicas. Numa época em
que o tema preservação do patrimônio torna-se amplamente discutido é imprescindível ter em
mente que uma política de preservação produz excelentes resultados que subsidiam a
implementação de medidas e ações voltadas para a preservação das coleções. Sendo missão
dos profissionais da documentação preservar a documentação para o futuro e prover o acesso
também no presente, esse pensamento se torna uma condição sine qua non.
O primeiro passo para o desenvolvimento de uma Política de Preservação parte do
inventário e diagnóstico da coleção. Assim o gestor ou curador poderá identificar a situação
real de suas coleções, cada item se individualiza, conhece-se seu real valor. Essa etapa
contribui para a tomada de decisão quanto às prioridades e no que tange a segurança das
coleções, oferecendo condições para articular medidas de sua salvaguarda.
Atividades voltadas para a preservação das coleções deveriam ser prioridades de
qualquer biblioteca de memória, centros de informação ou arquivos, uma vez que estão
relacionadas com o acesso e o uso de materiais como fontes de informação para a pesquisa.
Tal atividade não é luxo; é uma atividade necessária, considerando que “os livros são para

3832

�usar” (1a lei da Biblioteconomia, de acordo com Ranganathan). Através do uso,
inevitavelmente há o desgaste e consequentemente, a deterioração do documento.
Ainda com a restrição de investimentos em recursos financeiros, humanos e
tecnológicos, os profissionais que atuam no NUDOM não medem esforços para garantir a
preservação da memória educacional brasileira e a memória do Colégio Pedro II.
A importância, para o pesquisador, de ter contato com a fonte primária da informação
de seu interesse revela-se na qualidade dos resultados obtidos na pesquisa. O uso de fontes
primárias em pesquisas só será possível futuramente se a sociedade, a instituição de guarda e
o governo tiverem consciência do valor da preservação de seu patrimônio histórico-cultural.

REFERÊNCIAS
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inadiável. Disponível em: &lt;http:// www.informacaoesociedade.ufpb.br/html/IS1420402&gt;.
Acesso em: mar. 2014.
FROES, Rosana Carla. Obras raras no Brasil: estudo dos critérios de raridade bibliográfica,
tratamento técnico e preservação das coleções.

1995. 157 p. Dissertação (Mestrado em

Biblioteconomia) - Universidade Federal de Minas Gerais, Minas Gerais, 1995.
MORAES, Rubens Borba de. O bibliófilo aprendiz. Ou, prosa de um velho colecionador
para ser lida por quem gosta de livros, mas pode também servir de pequeno guia aos que
desejam formar uma coleção de obras

raras, antigas ou modernas. Brasília: Briquet de

Lemos, 2005.
PINHEIRO, Ana Virgínia Teixeira da Paz. Que é livro raro? Uma metodologia para o
estabelecimento de critérios de raridade bibliográfica. Rio de Janeiro: Presença, 1989. 71 p.
______. O espírito e o corpo do livro raro: fragmentos de uma teoria para ver e tocar. Revista
Museu: cultura levada a sério, Rio de Janeiro, 2004. Disponível em: &lt;http://
www.revistamuseu.com.br/artigos/art_.asp?id=1674&gt;. Acesso em: mar. 2014.
SOARES, Suelen Garcia. Organização e preservação de livros raros na Biblioteca
Nacional do Rio de Janeiro. 92 p. 2009. Monografia (Trabalho de Conclusão de Curso) Universidade de Brasília, Brasília, 2009.

3833

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                <text>O presente artigo apresenta um estudo sobre acervos raros e especiais. Aponta os conceitos e definições sobre a temática na perspectiva de especialistas da área. Trata das coleções especiais e acervos raros do Colégio Pedro II, uma instituição tradicional de ensino, que vem ao longo de sua trajetória de 176 anos de existência atuando para o desenvolvimento da educação brasileira. Em especial, identifica as obras raras do acervo antigo e das coleções especiais da Biblioteca Histórica e do conjunto bibliográfico, arquivístico e iconográfico do Núcleo de Documentação e Memória do Colégio Pedro II. Aponta, ainda, um estudo sobre os critérios de raridade bibliográfica adotados pela Instituição, bem como a forma para tratamento e preservação de seus acervos raros e coleções especiais.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

TRATAMENTO TÉCNICO INFORMACIONAL DE DISCOS SONOROS: UMA
ABORDAGEM VOLTADA PARA A ANÁLISE, REPRESENTAÇÃO E
ORGANIZAÇÃO DE ACERVOS MUSICAIS
Everton Rodrigues Barbosa
Elizabeth Sachi Kanzaki Ribeiro
David Barbalho Pereira
RESUMO
Aborda o tratamento técnico informacional de discos sonoros na Biblioteca Especializada em
Música Pe. Jaime Diniz, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Caracteriza os
discos sonoros enquanto suporte informacional.Relata as dificuldades encontradas no
processo de tratamento da informação musical em materiais especiais. Objetiva estabelecer
diretrizes para a análise, representação e organização do acervo de discos sonoros. Utiliza a
pesquisa bibliográfica em fontes impressas e eletrônicas para o suporte teórico, tendo como
metodologia o estudo de caso. Conclui que as regras e padrões para o tratamento técnico da
informação no campo da Biblioteconomia podem sofrer adaptações para melhor representar o
conteúdo musical dos discos sonoros, considerando a necessidade do profissional da
informação em aperfeiçoar seus conhecimentos em música.
Palavras-Chave:Discos sonoros; Música; Catalogação; Análise de conteúdo; Recuperação da
informação.
ABSTRACT
This study discusses about how to organize sound discs collections at the Biblioteca de
Música Pe. Jaime Diniz fromUniversidade Federal do Rio Grande do Norte. It aims to
introduce the sound discs as informational records, and investigate thedifficulties to organize
thesekinds of documents. This study purposes specifically to establish guidelines
proceduresfor the information analysis, representation and organization of sound discs
collections. It utilizes the bibliographic and electronic research, and analyses this case in
qualitative form. It concludes that the rules and standards for the technical procedures of
information on the science libraryfield should be adapted to improve themanagement musical
documentscollections, and the librarianshave to honing their skills in music field.
Keywords: Sound discs; Music; Cataloging; Content analysis; Information retrieval.

1 Introdução
Na sociedade atual, marcada pela convergência das novas tecnologias de informação e
comunicação, as bibliotecas enfrentam a tarefa de expandir suas atividades, promovendo o
acesso a informações em seus vários suportes.

3796

�É sabido que a proliferação de materiais não bibliográficos trouxe novos desafios aos
profissionais da informação na tarefa de incorporar os chamados multimeios aos acervos das
instituições. Nesse sentido, Perota (1997) afirma que as bibliotecas precisam estar prontas
para fornecer acesso aos suportes tradicionais e também dispor de recursos e serviços que
garantam o acesso aos materiais não bibliográficos, pois esses apresentam características
peculiares e portanto, necessitam de tratamento adequado para sua organização, preservação e
utilização.
Apesar de se observar estudos consolidados no campo da biblioteconomia referente às
áreas da representação descritiva e temática da informação, algumas bibliotecas enfrentam
dificuldades para tratar adequadamente os materiais especiais, pois dependendo do processo
adotado, a recuperação e até mesmo o uso desses materiais podem se tornar um problema.
Isso posto, o estudo pretende estabelecer diretrizes para o tratamento técnico
informacional de discos sonoros, considerando as dificuldades enfrentadas, oportunidades e
ganhos no processo de análise, representação descritiva e organização dos discos que
compõem o acervo da Biblioteca Setorial Especializada Pe. Jaime Diniz, situada na Escola de
Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
Pretende-se especificamente relatar como foi realizado o processo de análise
documental a partir do diagnóstico do acervo, identificação do gênero musical, forma de
composição, categorização dos discos e adaptações realizados com o intuito de melhor
representar o conteúdo dos documentos.
Para isso, buscou-se caracterizar os discos sonoros enquanto suporte informacional
elevantar questões sobre o tratamento técnico, considerando os processos de análise e
representação de conteúdo, para posteriormente propor melhorias em sua organização.

2 Discos Sonoros Enquanto Suporte Informational
As gravações de som se apresentam sob o registro de ondas sonoras em diferentes
tipos de suportes físicos. No seu processo de gravação, o registro das ondas sonoras é
capturado através de um equipamento elétrico ou eletrônico, e registrado em suporte físico
apresentado sob a forma de registro magnético (fitas cassetes e discos de vinil), ou sinais
eletrônicos digitalizados (compactdiscs). Esse suporte físico, que contém o som, é
denominado registro sonoro. (RIBEIRO, 2012).
De acordo com St-Laurente (2001, p. 9), os registros sonoros são “[...] artefatos
legíveis por máquinas; são documentos em que a integridade da informação contida está
diretamente relacionada ao bem-estar físico do artefato”. Desse modo, não somente o

3797

�tratamento técnico informacional, mas tambémos equipamentos tecnológicos necessários para
viabilizar o acesso aos conteúdos desses registrosdevem ser considerados.
Analisando as características físicas e de conteúdo dasgravações sonoras, o
termo“disco sonoro” é utilizado para denominar o tipo de artefato que se pretende estudar,
pois a coleção é formada apenas por discos de vinil (Long-plays) e discos compactos
(CDs).Vale ressaltar também que o termo disco sonoro se refere a um disco (suporte) que
carrega um conteúdo sonoro, podendo ele ser musical ou não. Nessa perspectiva, e
considerando o estudo específico em um acervo musical, o conteúdo dos discos, bem como
sua análise documental, se dá observando a forma de composição e apresentação musical.
Enquanto objeto de análise, a música deve servista não apenas como um fenômeno
físico, mas também, como um método de interação social. Suas formas de registro são fontes
de pesquisa que colaboram para o entendimento de aspectos da cultura, hábitos, costumes e
memória de um povo, constituindo objetos de estudo no campo da etnomusicologia.
Numa abordagem musicológica, Pinto (2001, p. 251) afirma que “A gravação do
acontecimento musical é de fundamental importância, pois a avaliação posterior deste aspecto
depende exclusivamente do registro musical”. O referido autor ainda ressalta que a música
registradaé considerada objeto de investigação das estruturas do som e configurações
musicais -aspectos importantes para a análise de paisagens sonoras num contexto
antropológico e cultural.
Enquanto fontes de informação, os discos sonoros constituem documentos básicos
para audição. A utilização desses materiais pelos alunos de música constitui uma ferramenta
importante para a pesquisa, seja no campo da análise, apreciação, execução ou interpretação
musical.
Portanto, o tratamento técnico e informatização desses acervos são de interesse das
instituições que dão suporte aos alunos e pesquisadores especialistas em música, oferecendo
meios para tornar possível a busca, recuperação e acesso aos documentos, e com isso suprir
suas necessidades informacionais.

3 Tratamento Técnico Informacional dos Discos Sonoros
O processo de tratamento da informação é realizado por meio de técnicas que
permitem encontrar um item específico em um acervo documental. Esses procedimentos
compreendem o levantamento das características físicas e de assunto de um material para fins
de organização, busca e recuperação.

3798

�No campo da biblioteconomia, a catalogação é a disciplina que lida com a
representação descritiva da informação, e seu conjunto de regras é aplicável a qualquer
recurso informacional. Assim, Santos e Ribeiro (2003, p. 26) entendem a catalogação como:
[...] um conjunto convencional de informações determinadas, a partir do
exame de um documento onde são extraídas as informações descritas de
acordo com regras fixas para se identificar e descrever este documento. A
catalogação é conhecida também como Representação Descritiva, pois
vai fornecer uma descrição única e precisa deste documento, servindo
também para estabelecer as entradas de autor e prover informação
bibliográfica adequada para identificar uma obra.
No que diz respeito às regras para descrição, destaca-se o Código de Catalogação
Anglo-Americano (AACR). Amplamente difundido no Brasil, o código é adotado nos Cursos
de Biblioteconomia e utilizado como ferramenta para proceder a catalogação de acervos em
grande parte das bibliotecas do país.
Devido aos avanços tecnológicos e a prospecção de novos suportes informacionais,
surge em âmbito internacional, uma nova proposta de norma para catalogação, denominada
ResourceDescriptionand Access(RDA), no português: Descrição de Acesso e Recursos.
Segundo Oliver (2011), o RDA pretende preencher as lacunas existentes no AACR, no
que concernem aos recursos digitais, o agrupamento de registros bibliográficos e as relações
entre as obras e seus criadores. De acordo com o autor, essas mudanças facilitarão o processo
de recuperação da informação, bem como o entendimento dos usuários quanto às diferenças
entre edições, traduções ou formatos físicos de uma mesma obra.
Algumas bibliotecas no exterior já estão implantando o RDA como regra para
catalogação. Porém, no Brasil, o RDA ainda não foi concebido como um código vigente,
devido principalmente à necessidade de tradução e ausência de estudos práticos consolidados.
Dessa forma, pretende-se utilizar como suporte teórico apenas o código AACR.
Não apenas no campo das regras, a representação descritiva sofreu tamanha evolução
com o advento dos sistemas de bibliotecas e o Machine Readable Cataloging (MARC),
formato MARC 21. Essa demanda surgiu com a necessidade de facilitar o intercâmbio de
registros bibliográficos entre bibliotecas, permitindo não somente a padronização, como
também a facilitaçãodo processo de recuperação e preservação desses registros, agora legíveis
por computadores. (ZAFALON, 2008).
Além da representação descritiva, o processo de tratamento da informação incluia
análise de assuntos, que segundo Naves (1996, p. 215), consiste em extrair conceitos que

3799

�traduzam a essência de um documento, tendo em vista a entrada de dados em um sistema de
informação para posterior busca e recuperação.
Ambos os processos compreendem o estudo de regras e padrões de metadados no
campo da biblioteconomia,quesão adaptáveis e aplicados a qualquer recurso bibliográfico, ou
não bibliográfico, como é o caso dos discos sonoros, considerados itens informacionais e
portanto, passíveis de serem tratados tecnicamente para fins de recuperação e uso.
O profissional bibliotecário, na função de mediador da informação, domina as técnicas
para tratar adequadamente diferentes tipos de acervos.Todavia, o tratamento informacional
desses materiais exige um nível mínimo de conhecimento musical, haja vista sua importância
para alunos e pesquisadores especializados em música.
Nessa perspectiva, vale ressaltar as dificuldades encontradas pelo profissional da
informação, no que se refere à análise e representação do conteúdo musical e considerando o
entendimento dos seguintes aspectos:
a) Forma de composição musical:
O músico pesquisador comumente utiliza linguagem musical para efetuar buscas nos
acervos especializados. Nessa perspectiva, a dificuldade do catalogador é identificar a forma
em que a música se apresenta nos discos sonoros para melhorar a indexação dos itens nos
catálogos. Em alguns casos, é possível identificar a forma da música através do título da obra.
O processo de criação musical utiliza como base a estrutura tonal, maior ou menor, em
uma escala de oito notas musicais (Dó, Ré, Mí, Fá, Sol, Lá, Sí). Porém, para que a peça
musical seja construída, o compositor utiliza de uma variedade de materiais musicais para
preencher essa estrutura básica, dando forma, continuidade e equilíbrio à música. De acordo
com Bennett (1986, p. 9), a palavra “forma” é usada para “descrever a maneira pela qual o
compositor atinge esse equilíbrio, ao dispor e colocar em ordem suas ideias musicais”.
A forma musical nada mais é que a estrutura das composições, sejam elas eruditas ou
populares. As formas mais tradicionais conhecidas são: Rondó; forma canção; sonata-allegro;
temas e variações; forma binária e ternária; concerto; forma estrófica e forma moderna.
b) Instrumentação e orquestração:
Bennett (1986) afirma que esse é o campo da música onde se analisa como a orquestra
pode ser usada para representar o pensamento musical por meio da combinação de
instrumentos musicais. Para a realização da análise documental, é preciso possuir uma noção
geral sobre grupos de instrumentos e vozes. Dependendo da formação instrumental, é possível
identificar não somente características harmônicas e melódicas da peça musical, como
também, o período e fase da música ao longo da história. Por exemplo, a orquestra de câmara,

3800

�que é composta por um pequeno grupo de instrumentos musicais, surgiu no Período Clássico
da música.
Portando, o entendimento desses aspectos auxilia o catalogador tanto na descrição
física, como de conteúdo, pois, a partir de análise é possível identificar para quais
instrumentos a obra se destina, se é uma obra destinada a um instrumento solista ou um
conjunto musical, identificar as partes da música, etc.
c)

Transposições e arranjos:

De acordo com Grove (2009, p. 958), a transposição musical é a mudança de notação
ou execução da música para uma altura diferente daquele em que foi originalmente concebida.
Já o arranjo, em música, é uma reelaboração ou adaptação de uma composição musical para a
execução de um grupo específico de vozes ou instrumentos musicais. Isso consiste
basicamente em reescrever uma obra já composta para uma combinação sonora diferente da
original (GUEST, 1996).
Esse aspecto se relaciona principalmente com a originalidade das obras. Uma peça
musical transposta ou arranjada sofreu alterações e portanto, os responsáveis por tais
mudançasmerecem destaque.
d) Formas variantes dos títulos:
Os títulos das obras musicais, especialmente as eruditas, podem se apresentar em
diferentes formas, que variam de acordo com o idioma, o título em que a obra é mais
conhecida, títulos com detalhes dos meios de execução da peça musical, número da parte e
seções da obra, e até mesmo a escala musical em que foi composta.
A problemática das formas variantes do título ainda é mais abrangente, pois é possível
observar títulos diferentes em uma mesma fonte de informação. Os produtores, distribuidores
e responsáveis gráficos pelo design das capas nos discos sonoros podem apresentar o título de
forma diferente em duas ou mais partes da obra. Como exemplo, observa-se que muitas vezes
o título encontrado na capa difere do encontrado no rótulo do disco.
Os aspectos mencionados anteriormente demonstram que os profissionais da
informação devem possuir o mínimo de conhecimento musical para tratar adequadamente o
conteúdo informacional dos discos sonoros, haja vista a necessidade de proporcionar ao
usuário especialista qualidade no processo de busca e recuperação da informação.
Os instrumentos técnicos para representação da informação, como AACR e códigos de
classificação apresentam, apesar de consolidados, certo tipo de limitação quanto ao tratamento
de discos sonoros. Na prática, a estrutura da descrição é muito rígida e necessita ser adaptada.

3801

�Nesse sentido, as bibliotecas necessitam adequar tais regras de representação à realidade da
massa documental a ser tratada, observando o público a que se destina.

4 Percurso Metodológico
O estudo caracteriza-se como uma pesquisa exploratória descritiva, pois apresenta o
fenômeno por meio de observações sistemáticas. Segundo Gil (2007), esse tipo de pesquisa
procura descrever as características de determinada população ou fenômeno, estabelecendo
relações entre variáveis.
Quanto à forma de abordagem, a pesquisa caracteriza-se como qualitativa descritiva,
pois pretende investigar a necessidade de propor melhorias no tratamento técnico
informacional de discos sonoros. Para isso, será preciso realizar o levantamento das
características desse fenômeno,e posteriormente, fazer o tratamento lógico secundário dos
dados coletados.
O método utiliza o estudo de caso, que segundo Severino (2007), trata-se de uma
pesquisa de um caso particular e representativo que assume uma estratégia de investigação,
buscando examinar fenômeno através de múltiplos métodos de recolha e tratamento de dados
sobre uma ou algumas entidades (pessoas, grupos ou organizações).
O lócus da pesquisa é a Biblioteca Setorial Pe. Jaime Diniz, especializada em música,
situada na Escola de Música da UFRN, Campus Central, localizada na Cidade do Natal, RN.
A unidade foi fundada em 1969e integra o Sistema de Bibliotecas da referida universidade.
Seu acervo é composto por livros, obras de referências, periódicos, partituras e multimeios,
que compreendem materiais sonoros e visuais.
O objeto de estudo é o acervo de discos sonoros pertencentes à biblioteca, composto
por discos de vinil (Long-plays - LPs) e discos compactos (Compact Discs - CDs).
O estudo contou com pesquisa bibliográfica e eletrônica em livros, periódicos, e
endereços eletrônicos pertinentes ao assunto, colaborando com a fundamentação teórica e
identificação do instrumento de coleta de dados.
A coleta de dados foi realizada a partir de diagnóstico, no qualse buscou identificar as
características, forma de organização e acondicionamento do acervo, para posteriormente
propor melhorias no tratamento técnico informacional dos discos sonoros.

4.1 Características, organização e acondicionamento do acervo de discos sonoros
O acervo de discos sonoros é composto por aproximadamente 6500 discos de vinil
(Long-plays - LPs) e 2.522 discos compactos (Compact Discs - CDs), em sua maioria

3802

�adquiridos por doação - principalmente os LPs. De modo geral, os materiais apresentam-se
em bom estado de conservação.
O gênero musical varia entre música erudita e popular, apresentado em diferentes
formações instrumentais e estilos de composição, música para instrumentos solistas, com e
sem acompanhamento, conjuntos musicais, orquestras de câmara, música vocal, grupos e
intérpretes populares, óperas completas, trechos de óperas, partes orquestrais, etc.
Os discos sonoros apresentavam duas formas de organização: os discos de vinil eram
organizados em móveis de estilo discoteca, agrupados por gênero (popular ou erudito),
dispostos em ordem alfabética de compositores ou intérpretes - quando esses se apresentam
como entrada principal no catálogo -, ou por ordem alfabética de título, para o caso de discos
com diversos compositores ou intérpretes (coletâneas).

Fotografia 1 - Organização dos discos de vinil

Fonte: Os Autores (2006).

Os discos compactos (CDs são organizados apenas por ordem numérica sequencial,
sem que haja uma analise do gênero, compositores ou intérpretes. Assim, são acondicionados
em estantes próprias para discos compactos.

3803

�Fotografia 2 - Organização dos discos compactos (CDs)

Fonte: Os Autores (2009).

Uma das principais difiuldades encontradas no processo de tratamento técnico dos
discos sonoros se relaciona ao processo de busca e recuperação da informação, decorrente da
forma de organização que adotava apenas o agrupamento por gênero, intérprete ou
compositores.
O conhecimento da área de música demandado pelos profissionais para proceder a
catalogação dos discos sonoros representou dificuldade no processo de análise documental.

5 Proposição de Melhorias para o Tratamento Técnico Informacional dos Discos
Sonoros
A partir do diagnóstico, prosseguiu-se com os encaminhamentos para a proposta de
melhorias no processo de representação descritiva, análise de conteúdo musical e organização
dos discos sonoros no acervo.

a) Quanto às adaptações para representação descritiva dos discos sonoros
Para dar início ao processo de catalogação no sistema automatizado, foi feita uma
revisão da literatura sobre a catalogação de registros sonoros, com o objetivo de padronizar a
entrada de dados, tendo como base os campos MARC e os capítulos do AACR2 referentes a
entradas principais e adicionais (Capítulos 21-26) e ainda o capítulo 6, que aborda a
catalogação de materiais sonoros (Gravação de som).

3804

�Através da revisão, foi possível identificar estruturas rígidas nas regras de catalogação,
principalmente no campo de títulos e indicação de responsabilidades. Entende-se que o
conjunto de regras apresentadas pelo código pretendia, na época em que foi criado, conduzir a
busca de materiais em catálogos de fichas. Portanto, a desconstrução de algumas regras a
seguir, se baseia unicamente nas possibilidades de busca que os catálogos automatizados
oferecem.
A primeira regra a ser analisada é entrada principal para autorias. De acordo com o
AACR, a entrada de autoria nos catálogos deve ser feita pelo autor ou intérprete principal,
com entradas secundárias para os demais, se forem até três autores. Porém, sabe-se que na
música, os arranjadores e compositores são considerados responsáveis pelo processo de
criação da peça musical, encontrados em grande quantidade nos itens, e portanto, merecendo
destaque na descrição.
Essa limitação na regra pode dificultar o processo de busca e recuperação da
informação, pois muitas vezes o usuário de música procura a biblioteca a fim de recuperar
peças musicais e compositores específicos, presentes em muitos casos, apenas nas faixas de
áudio dos discos sonoros.
Como a catalogação no sistema automatizado utiliza os campos do formato MARC, e
esse oferece diversas possibilidades para entrada e recuperação de dados, buscou-se descrever
todos os responsáveis pelas faixas de áudio no campo 700 (Entrada secundária para nome
pessoal), utilizada para entrada secundária de compositores ou intérpretes que não foram
definidos como entrada principal.

Q uadro 1 - Entradas secundárias para nome pessoal no formato MARC
EXEMPLO NA DESCRIÇÃO
700 1# $aDonato, João, $d 1934- $eCompos.
700 1# $aRipper, João Guilherme.$eArr.________________________________________
Fonte: Os Autores (2014).

No que se refere à área de título, a principal dificuldade encontrada se dá quando o
item possui duas ou mais obras, de pessoas ou entidades diferentes, e não apresenta um título
coletivo. Nesse caso, a regra nos orienta a proceder a entrada principal pela primeira obra,
usando a forma autor/título e, na área de responsabilidade, repetir o autor da primeira obra na
ordem direta, seguido do título/autor da segunda obra, como mostra o exemplo a seguir431:

431 Exemplo extraído de Ribeiro (2002, p.6-21), obedecendo a regra (R 25.33A).

3805

�Tchaikovsky, PiotrIliich, 1840-1893.
Piano concerto no. 1 [gravação de som] / Peter Tchaikovsky. Piano
concerto no. 2 / Sergei Rachmaninov. -

No sistema automatizado, o subcampo c do campo 245 (Título principal), corresponde
às responsabilidades sobre a obra e, sendo incapaz de recuperar títulos, torna-se desnecessário
preenchê-lo com os dados do segundo título. Dessa forma, optou-se por descrever o segundo
título e seu respectivo autor apenas nas entradas secundárias, nos campos 700 (Entrada
secundária - nome pessoal) e 740 (Entrada secundária - título adicional).

Quadro 2 - Entrada secundária para títulos adicionais no formato MARC
EXEMPLO NA DESCRIÇÃO
100 1# $a_Tchaikovsky, PiotrIliich, $d1840-1893.
245 1# $a_Piano concerto no. 1 / $h [gravação de som] $c_Peter Tchaikovsky. 700 1# $a_Rachmaninov, Sergei, $d 1873-1943. $e Compos.
740 #2 $a_Piano concerto no. 2._______________________________________________
Fonte:Os Autores (2014).

É comum encontrar em discos sonoros formas variantes do título de uma mesma obra.
Os títulos podem se apresentar em idiomas diferentes, inclusive, acompanhadas da
informação referente ao número de partes da música, instrumentação e tonalidade das peças
musicais.
O AACR recomenta que os títulos equivalentes (ou paralelos) devem ser registrados
na ordem indicada, ou seja, título principal seguido do título em outro idioma, precedido pelo
sinal de igualdade (=)432 :
Lehár, Franz, 1870-1948.
Die lustige Witwe [gravação de som] = The merry widow / Franz Lehár. -

Nesse caso, optou-se por utilizar apenas o campo 246 (Formas variantes do título) para
transcrever títulos equivalentes, pois muitos dos discos sonoros possuem diversos títulos
equivalentes em outros idiomas, dificultando assim a visualização e o entendimento dos
usuários na recuperação dos registros através do catálogo on-line.

432 Exemplo extraído de Ribeiro (2002, p.6-23) obedecendo a regra (R 1.1D).

3806

�Quadro 3 - Entrada para títulos equivalentes no formato MARC
EXEMPLO NA DESCRIÇÃO
100 1# $aFranz, Lehár, $d1870-1948.
245 1# $aDie lustige Witwe / $h [gravação de som] $cLehár Franz. 246 31 $a The merry widow..
Fonte: Os Autores (2014).
b) Quanto à análise do conteúdo musical dos discos sonoros
É sabido que a análise documental realizada em materiais destinados a públicos
especializados demanda, principalmente, o conhecimento do catalogador quanto ao assunto
que compreende o acervo. Nesta oportunidade, o profissional que trata acervos especializados
em música, necessita possuir conhecimento mínimo das formas de apresentação musical para
proceder às atividades de catalogação, indexação e classificação.
A primeira etapa nesse processo é identificar a instrumentação e gênero musical
apresentados no disco. De posse desses elementos,o tratamento técnico se torna mais simples,
dependendo apenas do catalogador selecionar o termo que mais expressa o conteúdo do disco.
Visando melhorar o processo de análise e seleção de termos, propõe-se um esquema
de análise de conteúdo que considera os objetos de análise, tais como a forma de apresentação
musical, os meios de execução (instrumentação), gênero, nacionalidade e período de
composição.
Quadro 4 - Análise do conteúdo e seleção dos termos
Objetos de análise
Instrumentação/Vozes

Gênero musical/Nacionalidade
Forma/Instrumentação

Nacionalidade
do
compositor/Período da música
Fonte: Os Autores (2014).

Exemplos de Termos
Música para piano Música para violoncelo Coros (Música) Canções Música de câmara - Trio (Violinos e violoncelo)
Música popular - Brasil
Jazz - Estados Unidos
Rock - Inglaterra
Sinfonias Sonatas (Piano) Concertos (Oboé) Ópera Música alemã - Período barroco

É importante lembrar que a padronização dos termos se torna fundamental, pois
permite a redução de duplicidade,possibilitando também que outras pessoas envolvidas no
processo de indexação selecionem um único termo para representar determinado grupo
temático.

3807

�Outra problemática encontrada, inerente ao processo de análise documental e
representação descritiva, é o emprego do título uniforme para música. É comum observar
obras idênticas utilizando expressões distintas.Dessa forma, o emprego do título uniforme é
necessário para identificar uma mesma obra em suas diferentes edições. (KOTH, 2008).
As bibliotecas utilizam títulos uniformes para a entrada de registros em seus
catálogos,com o objetivo único de identificar e agrupar obras musicais por compositores,
sejam elas impressas ou registros sonoros. O emprego dessa forma de agrupamento funciona
como instrumento facilitador no processo de recuperação da informação.
Nessa perspectiva, muitos catalogadores encontram dificuldades quanto ao
entendimento da forma, instrumentação e escalas musicais - elementos necessários para
composição do título uniforme para música -, pois em muitos casos, esses não estão
expressos na fonte principal de informação.
Para solucionar esse ponto, buscou-se estabelecer diretrizes para a identificação desses
elementos no item, observando o conhecimento demandado pelo catalogador e o local onde
essas informações comumente são encontradas no documento:
Quadro 5 - Diretrizes para identificação dos elementos do título uniforme no item
E le m e n to s d o títu lo
u n ifo r m e

C o n h ecim en to d em a n d a d o

- Nacionalidade do compositor, período
em
que a obra foi composta;
Forma de composição - Formação
instrumental e estilo
musical da época.
- Identificar transcrições, formas de
acompanhamentos, reduções;
Meios de execução
- Denominação dos diversos tipos de
instrumentos musicais em diversos
idiomas.
- Identificar o número e/ou
representações
das
obras
de
Número da parte ou compositores clássicos,
referenciadas
seção da obra
por sua catalogação temática e em
ordem cronológica.
Conhecimento
mínimo
das
Escala musical
representações de escalas musicais,
inclusive em diversos idiomas.
Fonte: Os Autores (2014).

Id e n tific a ç ã o n os iten s

Notas gerais ou notas biográficas
dos compositores presente nas
contracapas ou encartes dos
discos sonoros.
Detalhes
dos
intérpretes
responsáveis pela execução das
peças musicais, geralmente
descritos nas notas gerais, fichas
de créditos ou faixas sonoras.
Expresso nos títulos das obras,
contido nos rótulos, notas de
encartes e faixas sonoras.
Expresso nos títulos das obras,
contido nos rótulos, notas de
encartes e faixas sonoras.

Quando identificados, esses elementos são registrados no campo 240 (Título
uniforme), cada um em seu subcampo apropriado, como mostra o exemplo a seguir.
Quadro 6 - Entrada para títulos uniformes no formato MARC
EXEMPLO NA DESCRIÇÃO
240 10 $aSonatas, $m violoncelo, piano, $nno. 5, op. 5, $r G menor
Fonte: Os Autores (2014).

3808

�Como mencionado anteriormente, para proceder a catalogação, o profissional da
informação necessita possuir conhecimento mínimo na área de música. Quando se torna
difícil o processo de análise documental, esse precisa recorrer a fontes de informação
especializadas, com o objetivo de esclarecer dúvidas e buscar suporte a sua descrição.
Nessa oportunidade, foram identificadas algumas fontes de informação externas que
oferecem auxílio para a representação descritiva e análise de conteúdo musical.

Quadro 7 - Fontes auxiliares de informação para pesquisa em música
Fontes impressas

Conteúdos
Possui cerca de 10.500 verbetes, entre
compositores, conceitos, instrumentos, instituições,
intérpretes, títulos de obras musicais, lista de obras
de grandes compositores, incluindo verbetes
relativos ao mundo musical brasileiro.
Breve resumo da história da música ocidental,
cobrindo todos os campos importantes, em
particular aquele que diz respeito ao
reconhecimento dos estilos e períodos musicais.

GROVE, George. Dicionário Grove de
música: edição concisa. Editado por Stanley
Sadie. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009. 1048
p
BENNETT, Roy. Uma breve historia da
musica. Rio de Janeiro: J. Zahar, 1986. 80 p.
(Cadernos de música da Universidade de
Cambridge)
BENNETT, Roy. Forma e estrutura na
música. 2. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, Oferece uma introdução às formas e estruturas
2010. 79 p. (Cadernos de Música da musicais mais simples.
Universidade de Cambridge)
Apresenta os instrumentos musicais que compõe a
BENNETT, Roy. Instrumentos da orquestra.
orquestra sinfônica moderna, desde o processo de
Rio de Janeiro: J. Zahar, 1985. 76p. (Cadernos
fabricação, características e suas funções no
de Música da Universidade de Cambridge)
conjunto orquestral.
Fontes eletrônicas
Conteúdos
INTERNATIONAL
MUSIC
SCORE
Lista de compositores e suas obras. Apresenta
LIBRARY PROJECT - MSLP. [Wilmington,
do
período
de
composição,
DE,
2014].
Disponível
em detalhes
instrumentação, datas de primeira execução e em
&lt;http://imslp.org/wiki/P%C3%A 1gina_inicial&gt;.
alguns casos, disponibiliza partituras completas.
Acesso em: 26 fev. 2014.
INSTITUTO CRAVO ALBÍN. Dicionário
Cravo Albin de música brasileira. [Rio de
Breve apanhado sobre a vida e obra de
Janeiro,
2014].
Disponível
em:
compositores da música popular brasileira.
&lt;http://www.dicionariompb.com.br/&gt; . Acesso
em: 26 fev. 2014.
OXFORD MUSIC ON LINE. [New York:
Oxford University Press, 2014]. Disponível em:
Compêndios, dicionário de música (Grove on-line)
&lt;http://www.oxfordmusiconline.com/public/boo
e enciclopédia da música popular.
k/omo_gmo&gt;. Acesso em: 26 fev. 2014. Acesso
em: 26 fev. 2014.
NAXOS. Classical Music: Streaming Classical Catálogo de gravações musicais, tracklist de
Music. [Franklin, TN: Naxos, 2014]. Disponível gravações sonoras, artes das capas, libretos de
em: &lt;http://www.naxos.com/&gt;.
óperas, biografia de compositores, glossários, etc.
THE LIBRARY OF CONGRESS. Library of
Busca de autoridades: assuntos, nomes, títulos,
Congress Authorities. [Washington, DC: The
séries e entidades coletivas.
Library of Congress, 2014].
Fonte: Os Autores (2014).

3809

�c) Quanto à classificação e organização dos discos sonoros no acervo
Passados os processos de análise documental para representar descritivamente os itens
no catálogo, segue-se o processo de organização dos discos no acervo.
A categorização dos discos sonoros em seus respectivos eixos temáticos foi realizada
com o auxílio de alunos de música, observando o gênero musical, a forma de composição e a
instrumentação presente nos discos sonoros. A partir dessa análise, buscou-se elaborar
umquadro com as categoriais, a classificação específica do item de acordo com a
Classificação Decimal Universal (CDU) e diretrizes para a sua aplicação no momento de
proceder a classificação.
Quadro 8 - Categorias e classes da música
Categorias

Classe

Música popular - Diversos

78.067.26

Música popular
Masculinos
Música popular
musicais

-

Solos

78.067.26

Grupos 78.067.26

Carnaval
Música Sacra

78.067.26
783

Música vocal

784

Música vocal - Trechos
Canções

784.2
784.3

Concertos Diversos

785.6

Quando usar?
Disco com vários intérpretes e compositores
da MPB (Coletâneas).
Intérpretes masculinos em destaque sejam
eles compositores ou não das obras contidas
no disco.
Grupos musicais ou bandas em destaque
sejam eles compositores ou não das obras
contidas no disco.
Samba-enredos, machinas de carnaval, etc.
Música religiosa, missas, oratórios, etc.
Árias e canções em um único disco,
transposições para canto e piano, etc.
Trechos de óperas, cantatas, etc.
Canções ou lieder.
Concertos para vários instrumentos, ou
concerto grosso.

Fonte: Os Autores (2014).

A categorização se baseou inicialmente pela distinção entre popular e erudito. Em
seguida, se observou a necessidade de separar os discos por conjuntos de instrumentos,
considerando o instrumento solista em destaque, e não a formação instrumental pura e
simplesmente. Por exemplo, os concertos em que há um instrumento solista acompanhado de
orquestras ou outro instrumento,são classificados de acordo com o instrumento principal.
Deve-se ressaltar queem alguns casos dessa etapa, foi necessário categorizar os discos
de acordo com a forma de composição da peça musical. Esses casos se aplicaram aos discos
contendo sinfonias, música sacra, balés e óperas, por apresentarem uma formação
instrumental complexa e em grande quantidade no acervo.

3810

�Quanto à categorização dos discos de música popular, esses foram organizados
observando o gênero e a quantidade de intérpretes no disco. Foram separados em intérpretes
masculinos, femininos, grupos musicais e diversos - quando observadas as três categorias
anteriores em um mesmo item. Assim como procedido na música erudita, alguns gêneros
populares foram agrupados separadamente, devido à quantidade e relevância, como os discos
de jazz, samba, carnaval e rock.
O uso da classificação numérica (CDU) foi necessário, pois o quantitativo dos itens do
acervo é incorporado ao relatório gerencial, gerado automaticamente pelo sistema. Nesse
relatório, devem constar as quantidades de discos sonoros por áreas do conhecimento do
CNPQ, exigidas pelo MEC. Essa relação é feita automaticamente pelo sistema e usa como
parâmetro, a classificação.
Para minimizar a dificuldade de encontrar o item no acervo pela classificação, utilizase uma segunda localização, que recebe o nome da categoria do disco. Essa sinalização é
inserida no sistema e na etiqueta do item, permitindo assim que usuário encontre facilmente o
material na estante.

Fotografia 3 -Sinalização e acondicionamento dos discos sonoros (LPs)

Fonte: Os Autores (2014).

O armazenamento dos discs compactos (CDs) permanece com a organização por
sequência numérica, devido a disposição das estantes, pois percebeu-se que a ordenação
numérica facilita o processo de recuperação e inserção dos itens nas prateleiras.

3811

�Fotografia 4 - Sinalização e acondicionamento dos CDs

Fonte: Os Autores (2014).

As informações referenes à CDU, cutter, coleção e categoria são inseridas no sistema
utilizando os mesmos padrões de dados adotados para o processamento dos LPs, incluindo a
numeração sequencial para que o usuário possa localizar os itens no acervo.

6 Considerações Finais
Os discos sonorosapresentam conteúdo musical capaz de dar suporte informacional à
alunos e pesquisadores especialistas da área de música. O tratamento técnico desses materiais
e disponibilização adequados se torna um desafio para bibliotecas e centros de informação
especializados, na tentativa de melhorar os processos de busca, recuperação e uso do acervo.
Foi constatado que as regras para a representação descritiva no campo da
biblioteconomia, apesar de rígidas quando se trata de materiais especiais, podem ser aplicadas
e adaptadas às realidades das bibliotecas com acervos musicais.
No caso dos discos sonoros, a partir do diagnóstico, foi possível identificar algumas
dificuldades no processo de tratamento e recuperação da informação. Nesta oportunidade,
foram levantadas algumas necessidades de melhorias nos processos de descrição, análise e
organização do acervo musical da Biblioteca Pe. Jaime Diniz,e posteriormente estabelecidas
algumas diretrizes visando àpadronização de metadados.
O estudo colaborou com o levantamento das demandas de informação, necessárias ao
profissional bibliotecário para proceder o tratamento técnico de acervos musicais. Com isso,
foram identificadas algumas fontes de informação especializadas que facilitaram o processo
de análise documental. É importante ressaltar que além da consulta às fontes, o profissional

3812

�necessita estreitar laços com pesquisadores e alunos de música, visando atender com
eficiência suas demandas de informação.
A pesquisa atingiu seus objetivos, na medida em que através das dificuldades
encontradas, propôs melhorias no processamento técnico do acervo de discos sonoros e
contribuindo para o aprimoramento das técnicas já utilizadas, bem como servindo como base
para discussões e elaboração de estudos futuros em acervos especiais.
Deste modo, as unidades de informação precisam cumprir com sua missão em toda a
sua plenitude, considerando todo e qualquer investimento para incorporar os discos sonoros
ao acervo, informatizando e tratando-os adequadamente para sua organização e preservação.
Isso justifica a necessidade premente de coletar e tratar a massa documental, melhorando seu
armazenamento e recuperaçãoe minimizando as barreiras entre a técnica biblioteconômica e
as necessidades informacionais de sua clientela.

Referências
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(Cadernos de Música da Universidade de Cambridge)
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3814

�</text>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Tratamento técnico informacional de discos sonoros: uma abordagem voltada para a análise, representação e organização de acervos musicais</text>
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                <text>Aborda o tratamento técnico informacional de discos sonoros na Biblioteca Especializada em Música Pe. Jaime Diniz, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Caracteriza os discos sonoros enquanto suporte informacional.Relata as dificuldades encontradas no processo de tratamento da informação musical em materiais especiais. Objetiva estabelecer diretrizes para a análise, representação e organização do acervo de discos sonoros. Utiliza a pesquisa bibliográfica em fontes impressas e eletrônicas para o suporte teórico, tendo como metodologia o estudo de caso. Conclui que as regras e padrões para o tratamento técnico da informação no campo da Biblioteconomia podem sofrer adaptações para melhor representar o conteúdo musical dos discos sonoros, considerando a necessidade do profissional da informação em aperfeiçoar seus conhecimentos em música.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

TRATAMENTO DA INFORMAÇÃO E AS ATIVIDADES DE EXTENSÃO NA
FORMAÇÃO DO ALUNO DE BIBLIOTECONOMIA
Flavia Geane Dos Santos
Mariza Ines Da Silva Pinheiro

RESUMO
O trabalho apresenta um relato de experiência das atividades realizadas no CD/NUPEDUFMT por quatro alunas de Biblioteconomia no Programa de Bolsa de Extensão. O objetivo é
mostrar a importância da bolsa de extensão nas práticas em Biblioteconomia no processo de
ensino e aprendizagem dos discentes. Aborda conceitos de Programa de Bolsas de Extensão,
um pequeno histórico do Centro de documentação do Núcleo de Pesquisa em Educação e
sobre as práticas em Biblioteconomia. Os envolvidos no projeto relatam as vantagens para a
carreira profissional e a importância de organizar e disponibilizar de forma acessível às
informações. O resultado das atividades realizadas durante dois anos de grande valia para o
desempenho profissional dos acadêmicos. Conclui-se que participar de bolsa de extensão
favorece a universidade e, consequentemente, o aprendizado do aluno/bolsista.
Palavras-chave: 1. Tratamento da informação; 2. Organização documental; 3. Programa de
Bolsa de Extensão; 4. Núcleo de Pesquisa em Educação; 5. Práticas em Biblioteconomia.
ABSTRACT
The paper presents an experience report of activities undertaken on the CD / NUPED UFMTfour students of Library Extension Program Scholarship. The aim is to show the importance
of the scholarship extension practices in library in the teaching and learning process of
students. Discusses concepts Scholarship Program Extension, a historic Little Documentation
Center of Research on Education and on of library practices. Involved in the project reported
the advantages for careers and the importance of organizing and making available affordably
to information. The result of the activities carried out during two years of great value to the
professional performance of academics. We conclude that participated in additional fund
favors the university and hence student learning / scholarship.
Keywords: 1 Information Processing; 2 Documentary Organization; 3 Extension Program
Scholarship; 4 Center for Research in Education; 5 Practices in library

3786

�1 INTRODUÇÃO
O profissional bibliotecário atua em diversos centros informacionais, empresas,
indústrias, universidades entre outras instituições. Nesses espaços desempenha como gestor
atividades técnicas que abrange o tratamento, a recuperação e a disseminação da informação.
Essas funções técnicas exigem do bibliotecário, dedicação e conhecimento das regras e
dos códigos como os de catalogação, classificação, indexação, descrição da obras, entre
outros, fazendo com que o trabalho se torne prazeroso e de qualidade.
Neste contexto, este relato visa demonstrar a importância das atividades práticas do
bolsista de extensão em prol do conhecimento do futuro bibliotecário, ou seja, um
intercâmbio de conhecimento teórico-prático estabelecido entre os bolsistas e o coordenador
do projeto de extensão denominado “Organização do Centro de Documentação do Núcleo de
documentação em educação - CD/NUPED”.
As ações realizadas ajudam no processo de conhecimento vivenciado como bolsista e,
consequentemente, também no desenvolvimento da melhor compreensão dos conceitos e sua
aplicação na prática, visando sanar muitas dúvidas no momento de trabalhar como
profissional.
Sabe-se que muitos alunos quando estão na fase final do curso, apresentam algumas
dúvidas e inquietações referente a atuação da profissão. Neste aspecto, a presença do
professor/coordenador neste acompanhamento das atividades é fundamental para que o aluno
se sinta seguro e possa entender o caminho cognitivo.
A informação sempre foi um elemento imprescindível na vida das pessoas e cada vez
mais se precisa dela por ser um recurso social vital, um agregador em todo processo
educacional e, tornando-se assim, um direito de todo indivíduo.
Sobre esses aspectos, certamente, tanto a biblioteca como um centro documental e/ou
informacional apresenta inúmeras informações que poderão contribuir para o enriquecimento
cultural da comunidade.
Assim, este relato de experiência tem como o objetivo mostrar a importância e a
satisfação dos quatro bolsistas que trabalharam neste projeto de extensão realizado no Centro
de documentação do Núcleo de Pesquisa em Educação - CD/NUPED.

2 PROGRAMA DE BOLSAS DE EXTENSÃO
A oportunidade de poder organizar um centro de informação e/ou documentação rico
em diversidade de materiais bibliográficos é ímpar. Através dela, foi possível entender melhor
a trajetória de atividades pela qual o futuro bibliotecário passará nas etapas do processo

3787

�técnico; as dúvidas, as inseguranças; as decisões, os acertos e os erros; o aprender a trabalhar
em equipe; os encontros e os desencontros; as sugestões válidas e as invalidas; mas o que
importou foi o aprendizado que deixou um legado de conhecimentos.
Neste caso, o Programa de Bolsas de Extensão oferecido pela UFMT, proporcionou
experiência na vida dos alunos de Biblioteconomia que trabalharam por dois anos nesta
unidade informacional. Portanto para a UFRGS, (2014), os objetivos do Programa de Bolsas
de Extensão contribuem para a formação acadêmica, profissional e cidadã de estudantes de
graduação, proporcionando experiências junto à comunidade interna e externa, através da
participação efetiva em Ações de Extensão, além de viabilizar o desenvolvimento de ações
que promovam a interação transformadora entre a universidade e os demais setores da
sociedade, fortalecendo, assim, a institucionalização das atividades de Extensão no âmbito das
Unidades Acadêmicas.
As bolsas de extensão oferecidas nas universidades ajudam o desenvolvimento
cognitivo do aluno e dão continuidade do conhecimento adquirido em sala de aula. A prática
nutrida pelas teorias ajuda na formação acadêmica mostrando novos horizontes e facilitando a
aprendizagem dos discentes.
O bolsista de extensão, além de desenvolver atividades inerentes ao curso, ele também
se beneficia de auxílio financeiro (Bolsa de Extensão) dispensado a um determinado
programa ou projeto de extensão, inscrito no edital PBEXT, com vistas a desempenhar
atividades vinculadas ao respectivo programa ou projeto. (UFMT, 2013).
Para Nascimento (2012/2013), o intuito da extensão é contribuir com a formação do
aluno universitário, favorecendo sua competência profissional. Esta competência diz respeito
a algo que extrapola o conhecimento adquirido e sua aplicação imediata, e estimula a atitude
investigativa e questionadora.
Diante dessa perspectiva, a atividade de extensão estimula e, consequentemente,
contribui na formação do aluno no processo de ensino-aprendizagem.

3 CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO DO NÚCLEO DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO
- CD/NUPED
O Centro de Documentação (CD) é vinculada ao Núcleo de Pesquisa em Educação
(NUPED) da Universidade Federal de Mato Grosso, campus de Rondonópolis e sua
idealização foi a partir das necessidades da pesquisa interinstitucional “Cartilhas escolares:
ideários, práticas pedagógicas e editoriais: construção de repertórios analíticos e de

3788

�conhecimento sobre a história da alfabetização, do livro, da leitura e das práticas editoriais MG/RS/MT", em 2011.
O projeto de organização tem a intenção de tornar acessível e compartilhar,
primeiramente de maneira virtual, os conhecimentos produzidos e armazenados em relação a
historia da educação, tornando possível para os usuários, como os alunos, professores,
pesquisadores e comunidade acesso aos documentos, e que estes, possam servir de norte para
(re)constituição ou identificação da História da Educação de Mato Grosso.
Possui um acervo com diversos tipos de materiais (livros, trabalhos monográficos,
cartilhas, cartas, cadernos, diários de classe, atas, cartazes, fotos, boletins) e no suporte
impresso (fita cassete, disco vinil etc.) iniciamos o projeto com o tratamento de livros e
cartilhas que totalizaram aproximadamente 600 obras. Tem como objetivo resgatar a memória
da História da Educação local e regional por meio do levantamento, aquisição, tratamento,
preservação,

socialização e disponibilização de fontes ou documentos históricos,

principalmente, para a comunidade acadêmica, pesquisadores, mas também para a sociedade
em geral, ou seja, usuários potenciais do acervo.

4 PRÁTICAS BIBLIOTECONÔMICAS
A profissão do Bibliotecário, no decorrer dos anos, vem apresentando algumas
tendências. Sabe-se que nas abordagens contemporâneas, a tecnologia trouxe algumas
mudanças no sistema profissional.
Tal sistematização não excluiu algumas técnicas que o estudante de Biblioteconomia
precisa no conhecimento inicial de seus estudos, tais como as atividades e designações do
tratamento da informação.
O tratamento da informação que engloba a “Representação Descritiva e Temática são
áreas da Biblioteconomia que possibilitam organização, armazenamento, recuperação e
disseminação

do

acervo

das unidades

informacionais”

(PEREIRA;

LAURINDO;

SANTIAGO, 2011, p. 368).
A importância da inserção das atividades de práticas no decorrer do curso é
fundamental para o ensino-prendizado do discente.
O trabalho acadêmico, segundo Nascimento (2012/2013, p. 2) “favorece a
aproximação entre universidade e sociedade, a auto-reflexão crítica, a emancipação teórica e
prática dos estudantes e o significado social do trabalho acadêmico.”
Para que as informações contidas nos documentos do CD/NUPED possam ser
disponibilizadas, faz-se necessário o trabalho de processamento técnico, assim, para Silva e

3789

�Araújo (2003, p. 43 ) é “seção que aplica as técnicas da Biblioteconomia no tratamento dos
documentos, visando a recuperação da informação: a catalogar, a classificar, indexar,
preparo para o empréstimo [...] ”.

5 CAMINHO METODOLÓGICO
As atividades de organização do CD/NUPED iniciaram-se em novembro de 2011 com
a realização do diagnóstico no qual foram observadas questões relacionadas a documentação
existente e seus respectivos suportes, espaço físico, mobiliário, equipamentos e materiais
disponíveis.

Figura 1 - Processo de separação e analise dos materiais do CD/NUPED/Rondonópolis

Fonte: Acervo do Centro de Documentação (2011).

Em seguida foi elaborado o Projeto Para Organização CD/NUPED, apresentando a
situação encontrada no diagnóstico e as propostas de ações para a organização documental do
centro. Este projeto foi apresentado e aprovado pela professora coordenadora do Centro de
Documentação e no desenvolvimento das atividades de organização e de tratamento da
informação e contou com quatro alunas de graduação de Biblioteconomia.
Seguindo os objetivos do projeto, no inicio do ano de 2012 iniciaram-se as atividades
de seleção, avaliação e limpeza dos documentos, separando-os por sua tipologia dos materiais

3790

�bibliográficos (livros, cartilhas, trabalhos monográficos, cadernos, diários, atas, cartazes,
fotos, boletins, etc.) conforme as seguintes etapas:
a) Avaliação do estado físico do material, isolando aqueles que requerem restauração;
b) Limpeza;
c) Carimbagem do material;
d) Registro (tombo) dos itens no livro de tombamento;
e) Classificação (CDU- Classificação Decimal Universal) e catalogação dos itens,
incluindo descrição física e temática (indexação) orientados pelas normas do AACR2
(Código de Catalogação Anglo Americano);
f) Inserção dos dados na base de dados no sistema PHL;
g) Emissão de etiquetas e etiquetagem;
h) Arquivamento.

As atividades do processo de analise da documentação são demonstrados, nas figuras
2 e 3, a seguir.

Figura 2 e 3 - Processo de analise dos materiais do CD/NUPED/Rondonópolis

Fonte: Acervo do Centro de Documentação (2011).

3791

�Fonte: Acervo do Centro de Documentação (2011).

Pr último foi realizado a digitalização das capas das cartilhas, com o objetivo de
melhor visualizar estas fontes de informação na base de dados do Centro de Documentação. A
seguir citamos dois exemplos de capas de cartilha digitalizadas.

Figura 4 e 5 - Cartilha de Alfabetização do CD/NUPED/Rondonópolis

onte
Acervo do Centro de Documentação (2013).

3792

�Dve-se salientar, entretanto, que primeiramente foram realizados o tratamento técnico
das cartilhas e livros considerados pelo setor como prioridades. A biblioteca sendo um setor
mutante tem sempre muito que fazer.
O trabalho se torna relevante na medida em que permite uma reflexão sobre a
contribuição que proporcionou aos envolvidos no processo.

6

REFLEXÃO

DA

EXPERIÊNCIA

DAS

BOLSISTAS

NO

PROCESSO

ORGANIZACIONAL
Nos dois anos de atividades a oportunidade de trabalhar no CD/NUPED na UFMT em
Rondonópolis foi de suma importância, proporcionou de forma positiva, o aumento do
conhecimento das práticas biblioteconômicas que compõem o processo técnico.
Cada etapa tinha sua particularidade, umas mais simples, outras mais complexas, que,
muitas vezes, gerou dúvidas e incertezas, fazendo o aluno buscar informações as normas que
regem esse tipo de atividade e com orientações do bibliotecário coordenador do projeto.
(Bolsista A).
Para a bolsista B, na relação entre teoria durante as aulas e prática fomos expostos a
situações que servirão de experiência para o futuro.
Através da vivência das atividades pude por em prática a teoria adquirida em sala de
aula, tais como, a seleção, avaliação, classificação, catalogação entre outros. As atividades
foram realizadas sempre em grupo sendo construído e mantido um convívio adequado e
agradável entre a supervisora e os demais estagiários. (Bolsista C).
A bolsista D menciona que a teoria foi excelente, aprendi coisas que realmente só
consegui ver na prática e contribuiu significativamente na minha vida profissional e pessoal.
Foi uma experiência maravilhosa e sugiro que o projeto continue sempre, assim poderá dar
oportunidades para outros alunos de Biblioteconomia.
Durante o período em que participei neste projeto consegui em cada atividade
realizada visualizar as teorias apreendidas na sala de aula e entender suas relações, aplicandoas no dia a dia na prática. (Bolsista A).

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A atividade da bolsa de extensão é uma das atividades usadas para prática da vivência
profissional acadêmica, com ela é capaz de sintetizar os conhecimentos apreendidos na sala
de aula e transformá-los em ações, demonstrando de forma clara como é a rotina de um
profissional, sendo um complemento no desenvolvimento e formação do futuro profissional.

3793

�O mercado de trabalho exige bons profissionais e a bolsa de extensão pode acrescentar
conhecimentos para a prática profissional, e para isso requer do aluno disposição, boa
vontade, leitura e estudo para que direcione os trabalhos de acordo com objetivos pretendidos
no projeto.
Desta forma, preparar o estudante de biblioteconomia para ser mediador da
informação, e também para ser agente potencializador das atividades técnicas, informacionais
e sociais em prol do bem à sociedade.
Acredita-se que os resultados mencionados neste relato, poderão subsidiar possíveis
ações e propostas de políticas de gestão da informação que visem auxiliar no os acadêmicos a
exercer atividades da sua profissão.
Enfim, cabe salientar, também, que o trabalho do bolsista é um conjunto de desafios
que exige comprometimento nas ações para efetivar a formação dos educandos e, no caso do
Centro de Documentação estudado, propiciou a prática de uma boa ação em benefício dos
integrantes da Universidade.
Há que se considerar, para finalizar, as palavras de Prado (2005) diz que o
fundamental é que o professor possa observar e dialogar com seu aluno para compreender
suas dúvidas, inquietações, expectativas e necessidades, e, ao propor atividades, colocar em
negociação as próprias intenções, objetivos e diretrizes, de modo que desperte no aluno a
curiosidade e o desejo pelo aprender.

REFERÊNCIAS
NASCIMENTO, Ives Romero Tavares do. A indissociabilidade entre pesquisa e extensão
nas Universidades: o caso da ITES/UFBA. Revista NAU Social - v.3, n.5, p. 41-46 Nov
2012/Abr

2013.

Disponível

em:

&lt;http://www.periodicos.adm.ufba.br/index.php/rs/article/viewFile/244/193 &gt;. Acesso em: 01
maio. 2014.
PEREIRA, Ana Maria; LAURINDO, Danielle Bianchi Rachadel; SANTIAGO, Silvana Adir.
Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v.16, n.1, p. 358-380
jan./jun., 2011. Disponível em: &lt;http://revista.acbsc.org.br/racb&gt;. Acesso em: 21 abr. 2014.
PRADO, Maria E. B. Brito. Tecnologia, currículo e projetos. In: ALMEIDA, Maria Elizabeth
B. de; MORAN, José Manuel (org). Integração das tecnologías na educação: salto para o
futuro.

Brasilia:

MEC,

2005.

Disponível

em:

&lt;http://tvescola.mec.gov.br/images/stories/publicacoes/salto para o futuro/livro salto tecno
logias.pdf &gt; . Acesso em: 20 abr. 2014.

3794

�SILVA, Divina Aparecida da; ARAUJO, Iza Antunes. Auxiliar de biblioteca: técnicas e
práticas para formação profissional. 4. ed. Brasília: Thesaurus, 2003. 152 p.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. PRÓ-REITORIA DE
EXTENSÃO.

Programa

de

Bolsas

de

Extensão

2014.

Disponível

em:

&lt;http://www.ufrgs.br/prorext/arquivos-diversos/programa-de-fomento-a-extensao/programade-bolsas- da-extensao-2014&gt;. Acesso em: 03 maio 2014.

3795

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                <text>O trabalho apresenta um relato de experiência das atividades realizadas no CD/NUPEDUFMT por quatro alunas de Biblioteconomia no Programa de Bolsa de Extensão. O objetivo é mostrar a importância da bolsa de extensão nas práticas em Biblioteconomia no processo de ensino e aprendizagem dos discentes. Aborda conceitos de Programa de Bolsas de Extensão, um pequeno histórico do Centro de documentação do Núcleo de Pesquisa em Educação e sobre as práticas em Biblioteconomia. Os envolvidos no projeto relatam as vantagens para a carreira profissional e a importância de organizar e disponibilizar de forma acessível às informações. O resultado das atividades realizadas durante dois anos de grande valia para o desempenho profissional dos acadêmicos. Conclui-se que participar de bolsa de extensão favorece a universidade e, consequentemente, o aprendizado do aluno/bolsista. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

TEMPLATE DE NORMALIZAÇÃO EM LATEX: RELATO DE EXPERIÊNCIA DA
UFJF
Lívia Ferreira Coutinho Alonso
Larissa Carvalho Pinheiro
José Barbosa Gomes
RESUMO
O trabalho apresenta um relato de experiência que ocorreu na Universidade Federal de Juiz de
Fora, no qual foi desenvolvido um projeto que busca contribuir com o aluno na normalização
de seus trabalhos acadêmicos, assim elaborou-se um template para trabalhos acadêmicos da
UFJF em LaTeX. Este projeto tem como objetivo geral auxiliar os usuários na normalização
de seus trabalhos acadêmicos. Os objetivos específicos são: incentivar e difundir a
normalização de acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT); atender
usuários que utilizam o editor de texto LaTeX. No desenvolver deste trabalho são
apresentados alguns aspectos teóricos sobre: o serviço de referencia e a normalização
bibliográfica; e apresentação e vantagens do LaTeX. Em seguida, é descrito o relato de
experiência do projeto de construção do modelo de normalização de trabalho acadêmico em
LaTeX da UFJF. Consideramos ao final de nosso projeto que a normalização bibliográfica é
de grande valia nas universidades devido aos benefícios oferecidos pela uniformização e
deve-se buscar atender toda a comunidade acadêmica, pensando nas especificidades de cada
área nos editores de textos.
Palavras-Chave: Normalização; LaTeX; Template.

ABSTRACT
The paper presents an experience report that took place at Universidade Federal de Juiz de
Fora, in which a project was developed in order to seek a student contribution regarding the
normalization of their academic work. To accomplish this task, we prepared a template for
academic papers called UFJF in LaTeX. This project has the objective of assisting users in the
normalization of their academic papers . The specific objectives are: encourage and
disseminate the normalization according to Associação Brasileira de Normas Técnicas (
ABNT ) ; meet users using the LaTeX text editor. In order to develop this study, some
theoretical aspects are presented about the service reference and bibliographic
standardization; and presentation and advantages of LaTeX. This way, it describes the
experience report of the construction project of the standardization of academic work in
LaTeX UFJF model. We consider the end of our project that bibliographic standardization is
of great value in universities because of the benefits offered by standardization and it should
seek to serve the entire academic community , considering the specificities of each area in text
editors .
Keywords: Standardization; LaTeX; Template.

3781

�1 INTRODUÇÃO
Neste trabalho é apresentado um relato de experiência que ocorreu na Universidade
Federal de Juiz de Fora. O Centro de Difusão do Conhecimento (CDC) em parceria com o
professor José Barbosa, do Departamento de Matemática do Instituto de Ciências Exatas,
desenvolveu um template em LaTeX normalizado de acordo com as normas da ABNT para
trabalhos de conclusão de curso, seja monografias, dissertações ou teses.
Este projeto tem como objetivo geral auxiliar os usuários na normalização de seus
trabalhos acadêmicos. Os objetivos específicos são: incentivar e difundir a normalização de
acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT); atender usuários que
utilizam o editor de texto LaTeX.
Primeiramente, são apresentados alguns aspectos teóricos sobre: o serviço de
referência e a normalização bibliográfica e apresentação e vantagens do LaTeX. A seguir, é
descrito o relato de experiência do projeto de construção do modelo de normalização de
trabalho acadêmico em LaTeX da UFJF. Por fim, são expressas algumas considerações finais.

2 SERVIÇO DE REFERÊNCIA: NORMALIZAÇÃO BIBLIOGRÁFICA
O principal papel de uma biblioteca universitária é o de suprir as necessidades
informacionais do ensino, da pesquisa e da extensão. Na busca por fornecer informações a
essa trindade as bibliotecas universitárias desenvolvem o serviço de referência, no qual
oferece informações mais específicas à necessidade do usuário, um atendimento
personalizado. Para Grogan (2001, p.7), o serviço de referência “[...] consiste na assistência
efetivamente prestada ao usuário, procurando fornecer acesso rápido e seguro à informação”.
No serviço de referência uma das atividades realizadas é a orientação sobre a
normalização bibliográfica. No Brasil, a responsável pela normalização técnica é a ABNT,
mais especificamente o comitê ABNT/CB-14 - intitulado Informação e Documentação que
regulamenta as normas sobre a normalização do trabalho acadêmico.
De acordo com o comitê, seu âmbito de atuação é: “Normalização no campo da
informação e documentação compreendendo as práticas relativas a bibliotecas, centro de
documentação e informação, serviços de indexação, resumos, arquivos, ciência da informação
e publicação” (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006a)
A ABNT apresenta alguns benefícios quantitativos e qualitativos da normalização,
abaixo estão listados os que são inerentes ao processo de normalização bibliográfica
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006b):

3782

�Qualitativo:
-

A uniformização da produção

-

A possibilidade de registro do conhecimento

Quantitativos:
39.

Fornecimento de procedimentos

40.

Aumento de produtividade

41.

Melhoria da quali dade

42.

Controle de processos

Observa-se assim que o serviço de referência, no que tange a normalização, é a
orientação do usuário na utilização das regras que padronizam suas produções, no caso da
Universidade, os trabalhos científicos. Na comunidade científica é exigida a normalização
para uma melhor apresentação dos conteúdos e identificação de suas fontes.

3 LaTeX
O LaTeX é um sistema de preparação de textos impressos de alta qualidade
tipográfica, especialmente para textos matemáticos. Ele foi desenvolvido por Leslie Lamport
a partir do programa TeX (sistema de processamento de textos desenvolvido em 1977) criado
por Donald Knuth. Algumas de suas vantagens são: escritas de fórmulas matemáticas
complexas usando apenas comandos e obtendo uma apresentação visual agradável; ambos
TeX e LaTeX são programas livres, permitindo que existam versões para praticamente todo o
sistema operacional disponível; mudança da formatação do texto inteiro com apenas mudança
de alguns comandos; facilidade na criação de estruturas complexas como bibliografia, notas
de rodapé, sumário e citações. (SANTOS, 2012).
Atualmente, é utilizado inclusive para produção de textos de livros com fórmulas
matemáticas, devido à qualidade dos textos produzidos e à facilidade de manipulação de
textos maiores como de livros, de dissertações ou teses.

4 RELATO DE EXPERIÊNCIA
O CDC tem interesse em padronizar a normalização dos trabalhos acadêmicos da
UFJF, de acordo com as normas da ABNT, para tanto oferece alguns serviços como:
treinamento para grupos, normalmente oferecido no final de cada curso, próximo a disciplina
de elaboração do trabalho de conclusão de curso ou sob demanda; orientações individuais aos
alunos e ficha catalográfica automatizada disponível na página da biblioteca. Além disso,

3783

�disponibiliza um manual de normalização e a coleção ABNT on-line. Como complementação
a estes serviços foi criado um modelo em LaTeX com a aplicação das normas de forma que
facilite ainda mais sua utilização.
Esse projeto iniciou-se com a demanda dos usuários do Mestrado em Modelagem
Computacional de um modelo de normalização no LaTeX e foi identificado que era uma
demanda de toda a área de exatas, que já trabalhava com o software e carecia de um modelo
respaldado pela instituição. Assim, duas bibliotecárias do sistema de biblioteca se dispuseram
a participar de um curso de LaTeX. O curso ajudou com algumas informações iniciais, como
conceitos e utilização do modelo, mas a necessidade dos usuários da biblioteca ia mais além,
eles queriam que desenvolvesse um modelo da UFJF. “Embora a utilização de estilos prontos
de documento seja fácil, a criação de novos modelos leva muito tempo, sendo que nem
sempre é possível encontrar modelos de documento que estejam em conformidade com o
requerido por muitas instituições.” (FERNANDES, 2010, p.4).
Para isso precisaríamos de uma pessoa que entendesse de programação em LaTeX,
que criasse o modelo da UFJF e o atualizasse quando necessário. Buscamos na Universidade
alguém que pudesse nos auxiliar e encontramos alguns professores que já trabalhavam com o
modelo em LaTeX adaptado e desatualizado, aproveitado de outras instituições. Os docentes
se dispuseram a corrigir o modelo que utilizavam, mas não tinham experiência como
programador para desenvolver um novo e não poderiam se comprometer com futuras
atualizações.
Também interessado no desenvolvimento desse modelo o professor José Barbosa, em
uma feliz coincidência, procurou o sistema de bibliotecas pedindo auxílio para a normalização
do modelo em LaTeX que ele estava produzindo.
O intuito da biblioteca e do professor era o mesmo de conceber o modelo. Assim, foi
realizada uma parceira para sua elaboração, a biblioteca subsidiava com a padronização e a
normalização de um modelo de trabalho acadêmico para a Universidade e o professor
desenvolveria o modelo no LaTeX.
A experiência de trabalhar em conjunto foi muito proveitosa, foram várias etapas
realizadas no processo. Primeiramente foi criado um modelo para a instituição de acordo com
a ABNT com algumas padronizações da UFJF para as opções que a ABNT permite, como por
exemplo, optamos pela fonte Times New Roman. Posteriormente, reunimos com o professor
José Barbosa e apresentamos o modelo: conforme ele desenvolvia no LaTeX fazíamos as
correções para adequar à ABNT.

3784

�Ao final concluímos o projeto com um modelo de trabalho acadêmico da UFJF
normalizado de acordo com as normas da ABNT em Latex, que será disponibilizado na
página da biblioteca.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
A normalização bibliográfica é de grande valia nas universidades devido aos
benefícios oferecidos pela uniformização. Assim, terá uma facilidade na propagação dos
trabalhos que irão ter uma padronização de qualidade.
Buscando atender toda a comunidade acadêmica, não devemos pensar somente no
editor Word, pois existem editores que fornecem recursos mais específicos para outras áreas e
assim podemos atender melhor nossos usuários.
Observa-se também a importância do trabalho em conjunto, sem uma parceria não
seria possível a execução desse projeto.

6 REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT/CB-14 - informação e
documentação.

2006a

Disponível

em:

&lt;http://abnt.iso.org/livelink/livelink/fetch/14025021/cb14.pdf?nodeid=14091437&amp;vernum=0
&gt;. Acesso em: 20 abr. 2014
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Normalização. 2006b. Disponível
em: &lt;http://www.abnt.org.br/m3.asp?cod_pagina=931&gt;. Acesso em: 20 abr. 2014
FERNANDES, R. O que é o Latex? Primeiros passos. [S.l.]: Pplware, 2010. Disponível em:
&lt;http://pplware.sapo.pt/tutoriais/o-que-e-o-latex.pdf.&gt; Acesso em 25 abr. 2014
GROGAN, D. A prática do serviço de referência. Brasília: Briquet de Lemos, 2001.
SANTOS,

Reginaldo

J.

Introdução

ao

LaTeX.

2012.

Disponível

em:

&lt;http://www.mat.ufmg.br/~regi/topicos/intlat.pdf.&gt; Acesso em 24 abr. 2014

3785

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                <text>O trabalho apresenta um relato de experiência que ocorreu na Universidade Federal de Juiz de Fora, no qual foi desenvolvido um projeto que busca contribuir com o aluno na normalização de seus trabalhos acadêmicos, assim elaborou-se um template para trabalhos acadêmicos da UFJF em LaTeX. Este projeto tem como objetivo geral auxiliar os usuários na normalização de seus trabalhos acadêmicos. Os objetivos específicos são: incentivar e difundir a normalização de acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), atender usuários que utilizam o editor de texto LaTeX. No desenvolver deste trabalho são apresentados alguns aspectos teóricos sobre: o serviço de referencia e a normalização bibliográfica, e apresentação e vantagens do LaTeX. Em seguida, é descrito o relato de experiência do projeto de construção do modelo de normalização de trabalho acadêmico em LaTeX da UFJF. Consideramos ao final de nosso projeto que a normalização bibliográfica é de grande valia nas universidades devido aos benefícios oferecidos pela uniformização e deve-se buscar atender toda a comunidade acadêmica, pensando nas especificidades de cada área nos editores de textos.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

TECNÓLOGO EM BIBLIOTECONOMIA: reflexões acerca da realidade brasileira

Helen Beatriz Frota Rozados
Francisca Rosaline Leite Mota
Maria Raimunda Sousa Sampaio
RESUMO
Discute a questão da inserção do profissional Tecnólogo nos Conselhos Regionais de
Biblioteconomia (CRBs), a partir da possibilidade de o Projeto de Lei 2245/2007 ser
aprovado, tornando-se lei. Conceitua o profissional Tecnólogo, diferenciando-o do Técnico.
Discorre sobre a história e o desenvolvimento da referida profissão no Brasil e a legislação
que acompanha este desenvolvimento. Comenta como alguns Conselhos Profissionais
regulamentam a inserção destes profissionais em seus quadros. Sugere que estudos
aprofundados sejam feitos junto a outras entidades de classe e a Instituições de Ensino
Superior (IES), no sentido de definir o perfil, as competências e as áreas de atuação deste
profissional, no campo da Biblioteconomia. Indica medidas que podem ser adotadas para que
o Sistema CFB/CRBs inclua estes profissionais em seus Conselhos Regionais. Conclui que
este profissional pode vir a suprir carências mercadológicas e que ele não representa uma
ameaça ao profissional bibliotecário, protegido pela Lei n° 4.084/62.
Palavras-Chave:Tecnólogo. Bibliotecário. Projeto de Lei 2245/2007. Sistema CFB/CRBs.
FormaçãoProfissional.
ABSTRACT
A discussion of the issue of integration of the technologist in the Regional Councils of
Librarianship (CRBs ), considering the possibility of approval of Law Project 2245/2007,
thus
becoming
a
law. The
professional
technologist
is
conceptualized,
establishing the difference from a technician . The history and development of this
profession in Brazil and the legislation that accompanies this development are
presented. Comments are included on how some Professional Councils regulate the inclusion
of these professionals on their staff. A suggestion is made that in-depth studies be conducted
with other associations and Higher Education Institutions (IEs ), to define the profile, skills
and areas of expertise of this professional, in the field of librarianship . Ways that may make
it possible for the CFB / CRBs System to include these professionals in their Regional
Councils are indicated. It concludes that this technologist can come to meet the market
demands and does not represent a threat to the professional librarian, protected by Law No.
4.084/62.
Keywords: Technologist. Librarian. Law Project 2245/2007. CFB /CRBs System.
Vocational Training.

3769

�1 INTRODUÇÃO
O Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB), como os demais Conselhos
Profissionais constituídos, através de seu Sistema CFB/CRBs, tem a responsabilidade de
regulamentar e fiscalizar a atuação profissional nos campos abrangidos pela Biblioteconomia.
Atualmente, sua atuação restringe-se à regulamentação dos diplomados em cursos superiores
de Biblioteconomia.
No entanto, se tem ciência que o Ministério da Educação vem fortalecendo políticas
voltadas à implementação da educação profissional tecnológica no País, já existindo diversos
cursos, em diferentes áreas do conhecimento, sendo seus egressos reconhecidos pelos
Conselhos Profissionais aos quais se enquadram. Dentro desse panorama, e com o advento de
Projeto de Lei específico (PL 2245/2007), o CFB entende que deve colaborar com a ação
governamental, estudando, desde agora, não apenas as formas de inserção do Tecnólogo no
Sistema CFB/CRBs, mas também, por meio de sua Comissão Permanente de Ensino,
contribuindo com sugestões relacionadas a aspectos que envolvam este profissional, sua
formação e inserção no mercado de trabalho.
Dentro desta ótica, o presente trabalho pretende ser um documento de apoio e abrir
caminho para uma discussão mais ampla que envolva, além do Sistema CFB/CRBs,
Instituições de Ensino Superior (IES) e demais entidades vinculadas à área da
Biblioteconomia, como a Associação Brasileira de Educação em Ciência da Informação
(ABECIN), Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e
Instituições (FEBAB), Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da
Informação (ANCIB).

2 TECNÓLOGO: QUEM SÃO E NO QUE SE DIFERENCIAM DO TÉCNICO
Pela legislação educacional brasileira, torna-se Tecnólogo aquele que obtém um
diploma, após a integralização de um curso superior de tecnologia. Esses cursos definem-se
por serem abertos a candidatos que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e se
estruturam para abranger áreas especializadas e atender necessidades de setores específicos da
economia.
Referindo-se à educação profissional de nível tecnológico, o artigo 1° da Resolução
CNE/CP 3, de 18 de dezembro de 2002, institui:

3770

�A educação profissional de nível tecnológico, integrada às diferentes formas
de educação, ao trabalho, à ciência e à tecnologia, objetiva garantir aos
cidadãos o direito à aquisição de competências profissionais que os tornem
aptos para a inserção em setores profissionais nos quais haja utilização de
tecnologias. (BRASIL, 2002, documento não paginado).

No processo de concepção do Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia, os
debates permitiram a identificação de um referencial básico comum de grande importância.
Segundo Machado (2008), tomou-se como consenso o entendimento de que esses cursos
visam formar profissionais para utilizar, desenvolver ou adaptar tecnologias sempre com o
conhecimento das implicações daí decorrentes e de suas relações com o processo produtivo, a
pessoa humana e a sociedade. Tais cursos devem estimular o pensamento reflexivo, a
autonomia intelectual, a capacidade empreendedora, a compreensão global do processo
tecnológico, em suas causas e efeitos e a capacidade de interagir e pensar de forma
interdisciplinar. Além disto, visam promover uma formação básica e conceitual que assegure
a possibilidade de continuidade de estudos em nível de pós-graduação, inclusive de stricto
sensu.
Esses elementos, citados pela autora, podem ser encontrados na Resolução CNE/CP 3, já
citada, que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a organização e o
funcionamento dos cursos superiores de tecnologia. Seu artigo 2° define como deveres:
[...] para os cursos de educação profissional de nível tecnológico que serão
designados como cursos superiores de tecnologia:
I - incentivar o desenvolvimento da capacidade empreendedora e da
compreensão do processo tecnológico, em suas causas e efeitos;
II - incentivar a produção e a inovação científico-tecnológica, e suas
respectivas aplicações no mundo do trabalho;
III - desenvolver competências profissionais tecnológicas, gerais e
específicas, para a gestão de processos e a produção de bens e \serviços;
IV - propiciar a compreensão e a avaliação dos impactos sociais, econômicos
e ambientais resultantes da produção, gestão e incorporação de novas
tecnologias;
V - promover a capacidade de continuar aprendendo e de acompanhar as
mudanças nas condições de trabalho, bem como propiciar o prosseguimento
de estudos em cursos de pós-graduação;
VI - adotar a flexibilidade, a interdisciplinaridade, a contextualização e a
atualização permanente dos cursos e seus currículos;
VII - garantir a identidade do perfil profissional de conclusão de curso e da
respectiva organização curricular. (BRASIL, 2002, documento não
paginado).

Os Tecnólogos podem lidar com tecnologias físicas, quando suas atividades se
concentram sobre processos mecânicos, térmicos e eletromagnéticos, presentes no

3771

�funcionamento de ferramentas, máquinas, equipamentos, mecanismos e instalações. Podem,
também, se ocupar de tecnologias simbólicas, quando se debruçam sobre processos e modos
de percepção e de intelecção, utilizam modelos teóricos para a concepção da realidade natural
e social e de avaliação, recorrendo aos signos, códigos, indicadores, parâmetros, bancos de
dados, conceitos.
Diferentemente do Tecnólogo, o Técnico é formado por meio de um curso de nível
médio, que pode ser oferecido separadamente ou integrado ao ensino médio. Neste caso, o
aluno faz dois cursos ao mesmo tempo.
O Técnico em Biblioteconomia, por exemplo, segundo o Catálogo Nacional de Cursos
Técnicos, executa atividades técnico-administrativas e socioeducativas relacionadas à rotina
de bibliotecas e de centros de documentação e de informação. Auxilia nas atividades de
organização e recuperação da informação, bem como nas atividades de orientação aos
usuários. Auxilia no processo de disseminação de informações em ambientes físicos e
virtuais. Executa atividades técnico-administrativas e socioeducativas de rotina. Organiza o
ambiente destinado ao usuário (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2012). Pela descrição das
atividades, pode-se perceber que este profissional pode auxiliar o bibliotecário em várias
atividades e processos dentro de um ambiente de informação. Já o papel do Tecnólogo seria
restrito a uma determinada área de atuação, mas com deveres mais amplos, conforme
comentado anteriormente, ao se fazer referência a CNE/CP 3.
A pesar de muitos confundirem ‘Tecnólogo’ com ‘Técnico’, é importante frisar que a
graduação tecnológica é mais abrangente, uma vez que, além de conhecimentos das técnicas como fazer - esta formação oferece a base teórica - porque fazer.
Essa diferença também está estabelecida na Classificação Brasileira de Ocupações
(CBO), documento que estabelece os parâmetros para a contratação de qualquer
profissional, na qual é possível observar a existência de um grande grupo, o Grupo Técnicos
de Nível Médio, que compreende:
a) técnicos polivalentes
b) técnicos de nível médio das ciências físicas, químicas, engenharia e afins
c) técnicos de nível médio das ciências biológicas,bioquímicas, da saúde e afins
d) professores leigos de nível médio
e) técnicos de nível médio em serviços de transporte
f) técnicos de nível médio das ciências administrativas
g) técnicos de nível médio dos serviços culturais, das comunicações e dos desportos
h) outros técnicos de nível médio (CBO, 2010)

3772

�A CBO enfatiza que este grupo não compreende “Profissionais de nível superior (exceto
alguns tecnólogos), cuja denominação de “técnico” foi consagrada no mercado”.

3 PROFISSÃO TECNÓLOGO: HISTÓRIA E DESENVOLVIMENTO

O acelerado avanço tecnológico da indústria brasileira, a partir dos anos 60, levou à
carência de profissionais que tivessem uma formação mais alinhada com o setor produtivo
industrial, em especial que preenchessem a lacuna das ações demandadas, na época, entre um
engenheiro pleno e um técnico de nível médio.
Na ocasião, a pressuposição era a de que a universidade regular formava profissionais
mais voltados para uma visão global do processo e menos ao ‘saber fazer’, quando a
necessidade do sistema econômico vigente apontava e direcionava a demanda para uma
educação voltada às especificidades buscadas pelo setor produtivo (ROMANELLI, 2003).
Prova disso é que no ano de 1960, por exemplo, era de 73% o déficit de pessoal com
qualificação de nível intermediário no mercado, valor este aumentando para 79%, em 1970.
Tal situação conduziu o governo à incentivar a criação de cursos de ‘curta duração’. A
motivação partiu de experiências positivas de outros no gênero, como: CollegesofAdvanced
Technology, na Inglaterra; Juniors Colleges, nos EUA; InstitutesUniversitaires de
Technologie, na França; TankiDaigaku, no Japão (PETEROSSI, 1980). No entender de Sousa
(1977, p. 37), os cursos de curta duração, naquele momento, eram “[...] apresentados como
uma forma conveniente, social e economicamente, de fazer face à crescente demanda por
educação de nível superior, através da diversificação, inclusive espacial, da oferta de
oportunidades”.
No Brasil, a capacitação em nível superior, de cursos de curta duração, foi inaugurada
pela criação do curso de Engenharia de Operação (que, após sua extinção, deu origem ao
curso de bacharelado em Engenharia Industrial, cuja duração foi igualada aos demais cursos
de engenharia). Este novo tipo de curso tinha como característica uma formação
intermediária, mais voltado a áreas específicas do setor produtivo, com ênfase na prática e
com um tempo reduzido de formação (e, consequentemente, um currículo mais enxuto), ou
seja: capacitação de uma força de trabalho para atuar em funções operativas (SOARES,
1982).
Inicialmente, estes cursos subordinavam-se a faculdades que ofereciam a possibilidade
de graduação em engenharia. Posteriormente, passaram a funcionar de forma autônoma.

3773

�Tinham como características uma formação prática maior do que a do engenheiro pleno, por
meio de trabalhos práticos e laboratoriais, oficinas, estágio industrial.
Por outro lado, neste ínterim, o Instituto de Pesquisa Econômica Social Aplicada
(IPEA) apresentou seu Plano Trienal (1968 - 1970), recomendando destinar os cursos
superiores plenos para pessoas intelectualmente ‘mais dotadas'. Isto fortificou a ideia de que
os engenheiros operacionais seriam responsáveis pela execução de atividades produtivas mais
operacionais e pontuais, excluindo-os de tarefas que exigissem conhecimentos aprofundados,
posicionamento crítico e interesse científico.
Neste viés, Peterossi (1980) sinaliza que os caminhos de capacitação, então traçados
para o ensino superior, subdividiam-se em duas categorias: a) capacitação de profissionais
ajustados a funções de variadas profissões intermediárias (professores secundaristas,
engenheiros operacionais, tecnólogos, profissionais especializados na área paramédica e
técnicos laboratoristas); b) formação de universitários com nível mais especializado (médicos,
engenheiros, arquitetos). Sousa (1977) entende que tal diferenciação entre categorias
profissionais em nível superior acabou por acentuar o distanciamento entre os denominados
cursos 'nobres' e os 'menos nobres'.
Em um estímulo à ampliação do leque de ofertas, o Decreto-Lei n. 547, de 18 de abril
de 1969, autorizou as Escolas Técnicas Federais a organizarem e fazerem funcionar cursos
profissionais superiores de curta duração, dentre eles, o curso de Engenharia de Operação,
pois elas já possuíam a infraestrutura necessária. Isto colaborou para que, a partir do início da
década de 70, muitos destes cursos tenham sido criados para minimizar a escassez de
profissionais de nível intermediário com maior capacitação.
O I Plano Setorial de Educação e Cultura (MEC), cobrindo o período 1972/1974,
previa incentivo especial para cursos de curta duração. O Programa de Desenvolvimento de
Ensino Médio e Superior de Curta Duração (PRODEM) trazia, em seu bojo, o Projeto 19, cuja
proposta era contribuir para que a juventude brasileira se ajustasse às exigências oriundas do
desenvolvimento tecnológico e científico do País. Pelo Projeto 19 “Considera-se carreira de
curta duração aquela cujo termo médio de integralização do tempo de curso não passaria de 3
(três) anos.” O Projeto englobava a formação de tecnólogos, destacando as particularidades
dos cursos: ser terminais (destinados a alunos que fossem direto para o mercado de trabalho);
estar em sintonia com as demandas do mercado de trabalho regional e nacional; ser extintos,
quando o mercado de trabalho ficasse saturado; formar profissionais destinados ao ‘fazer’;
construir uma identidade própria, distanciada da universidade. (BRASIL, 1971). O
desenvolvimento do referido Projeto contribuiu para que o MEC desse especial atenção a este

3774

�tipo de curso, implantando vários em diferentes áreas de atuação e localidades. Assim, 28
destes cursos passaram a funcionar em dezenove instituições de ensino, cobrindo quase a
totalidade das regiões brasileiras (SOARES, 1982).
A Reforma Universitária (Lei n° 5.540/68) abriu espaço para cursos de formação de
Tecnólogos, objetivando suprir as demandas advindas das áreas industrial e mercadológica,
incentivando a criação da primeira faculdade de tecnologia do Brasil, a Fundação Educacional
de Bauru (1970) (VITORETTE, 2001).
Na década de 70, o País vive o denominado ‘Milagre Brasileiro’, decorrente do
processo de desenvolvimento generalizado, no qual a setor produtivo passa a demandar
trabalhadores mais capacitados. Esse processo impulsiona a criação de cursos superiores de
tecnologia, voltados à formação de profissionais mais sintonizados com as novas necessidades
produtivas e tecnológicas. Os modelos adotados para estes cursos basearam-se nos da
Alemanha, França e Estados Unidos, com duração de 2 ou 3 anos. (SOARES, 1982).
A partir de então, o MEC buscou incentivar mais a expansão dos cursos que
formavam tecnólogos. O Projeto 15, do II Plano Setorial de Educação e Cultura (período
1975-1979) reiterou a importância das carreiras de curta duração, estabelecidas pelo Projeto
19. Aquele Projeto recomendava às instituições que realizassem rigorosa pesquisa de mercado
para: estabelecer as áreas de necessidade de criação dos cursos, o número de vagas
relacionadas tanto à infraestrutura da instituição quanto à inserção do tecnólogo no mercado
de trabalho; diminuir vagas e/ou desativar cursos, de acordo com a saturação do mercado
(BRASIL, 1974). O fato da maior parte das instituições não ter acatado as recomendações
comprometeu a qualidade dos cursos.
Em 1980, a Resolução CFE 12/80 determinou que o profissional formado em curso de
tecnólogo deveria ser denominado Tecnólogo, em sua respectiva área de formação.
Importante ressaltar que os Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFETs)
(hoje substituídos pelos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia) somente
começaram a ofertar cursos superiores de tecnologia em 1993, através da Lei n. 8.711/93.
Por outro lado, no que concerne ao Tecnólogo, a CBO (2010) afirma que “[...] os
debates sobre a criação dos Cursos Superiores de Tecnologia de curta duração (CST),
iniciaram-se em 1963, com a expansão industrial”. Tais cursos tomaram maior vulto nas
décadas de 60 e 70 e no decurso histórico foi possível registrar em 2006, quando da
elaboração do Catálogo de Cursos Superiores de Tecnologia, um total de 3.500 cursos.
Aquela época as denominações dos referidos cursos já somavam 1.200 títulos, o que causou
dificuldades para o Ministério da Educação categorizar os cursos, visto a existência de:

3775

�a) títulos que sugerem extensão maior que o conteúdo;
b) títulos distintos com conteúdos iguais;
c) outros com denominação idêntica e conteúdo diverso e titulações em especialização
extrema. (CBO, 2010)
A CBO apresenta considerações importantes quando fala das dificuldades enfrentadas
para o enquadramento dos profissionais tecnólogos. O primeiro ponto relaciona-se a diferença
existente entre formação e ocupação. É possível se ter uma determinada formação, contudo a
ocupação exercida pode ser outra diferente. Outro ponto é a questão do equívoco de se
considerar cargo como ocupação. Assim, para facilitar a organização, a CBO distribuiu os
Tecnólogos em três grandes grupos “[...] tomando como base o conteúdo das atividades
desenvolvidas pela titulação a ser incluída.”. (CBO, 2010, documento eletrônico).
É importante ressaltar que o número de cursos não parou de crescer e o último Censo
da Educação Superior, publicado em 2013, registra, em 2011, um total de 5.478 cursos
tecnológicos. Isto representa um crescimento de 56,5%, em 5 anos (INSTITUTO ..., 2013).
Atualmente, a formação do tecnólogo situa-se no terceiro nível de educação
profissional, considerado como curso superior, destinado a egressos dos ensinos médio e
técnico, devendo ser estruturado de acordo com as demandas dos diferentes setores da
economia, contemplando as áreas especializadas e conferindo o diploma de Tecnólogo. Neste
sentido, o Tecnólogo pode ser concebido como um técnico de nível superior, formado para
atividades condizentes à tecnologia, com especificidades próprias e objetivadas.
Importante salientar que os tecnólogos são profissionais capacitados a entender os
processos produtivos (visão holística) e suas tendências. Paralelamente deverão possuir uma
forte preparação em determinada especialidade da área de atuação profissional ao qual estão
relacionados (vertente tecnológica definida por tendências de desenvolvimento), devendo ser
profissionais preparados para pensar globalmente e agir localmente (VITORETTE, 2001;
ALMEIDA, 2003).
Duas são as características do perfil que se espera desses profissionais: a) foco na
inovação tecnológica; b) competências de aplicação, desenvolvimento e difusão de
tecnologias e capacidade para gerir processos tecnológicos e produção de bens e serviços.
Provavelmente, fruto deste crescimento e do interesse do governo em incentivar a
formação desse tipo de profissional, atualmente, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto
de Lei n° 2245/2007, de autoria do Deputado Reginaldo Lopes, que trata de regulamentar a
profissão do Tecnólogo e dá outras providências. O referido projeto encontra-se em discussão
intensa e merece um olhar cuidadoso, pois terá impacto direto no mercado de trabalho, com a
criação de novos postos e o suprimento de demandas que não conseguem ser atendidas em

3776

�sua plenitude, em decorrência do número insuficiente de profissionais com formação superior
ou qualificação especializada para o desenvolvimento de certas atividades.

4 O TECNÓLOGO E OS CONSELHOS PROFISSIONAIS: O OLHAR DO SISTEMA
CFB/CRBS
As colocações feitas até este momento deixam claro que os cursos superiores de
tecnologia são uma modalidade de ensino superior específica e diferenciada, que vieram para
responder à exigência urgente, tanto do mercado quanto da elevada demanda social pelo
ensino superior. Soma-se a isto o fato de que o número de cursos superiores que forma este
tipo de profissional vem crescendo sistematicamente e, consequentemente, mais tecnólogos
passam a ocupar cargos nas diferentes áreas do conhecimento.
Este panorama conduz a reflexões sobre a importância de os Conselhos Profissionais
proporcionarem a possibilidade de registro do Tecnólogo em seus Conselhos Regionais. A
justificativa baseia-se em dois pilares: por um lado a organização que os contrata; por outro, o
próprio profissional. Para as organizações, uma importante vantagem obtida com este tipo de
registro é a segurança para a contratante, devido à fiscalização ética da atuação do profissional
que estes conselhos conferem. Por outro lado, a afiliação do profissional ao conselho também
trará benefícios, uma vez que dará a eles o aporte da fiscalização, no que concerne ao
cumprimento efetivo de suas atribuições profissionais. Soma-se a isto o fato de que o
profissional devidamente registrado conta com acesso a informações atualizadas e a
atualizações e/ou alterações da legislação vigente na área.
Se, por um lado, esta ainda não é uma realidade de Conselho Federal de
Biblioteconomia (CFB) e de seus Regionais, o processo de registro de Tecnólogos já é uma
realidade em outros Conselhos Profissionais, em especial nas áreas de administração, saúde,
química, engenharia, sendo este último o primeiro a oficializar tal situação.
Na perspectiva de regularização desse profissional junto aos Conselhos Regionais de
Biblioteconomia (CRBs), a Comissão de Ensino do CFB entendeu importante estudar os
aspectos que permeiam este processo, incluindo o levantamento das práticas estabelecidas nos
Conselhos Profissionais, especialmente os de Engenharia e Agricultura, Fisioterapia,
Economia, Química e Administração, que já definiram essa filiação. Este estudo permitiu
verificar que o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Administração (CFA/CRA),
por exemplo, possuem sólida documentação sobre o assunto e, por ser uma área de
aproximação com a Biblioteconomia, fornecem subsídios interessantes ao estudo. Ressalta-se

3777

�aqui a publicação Guia de Orientação Profissional do Tecnólogo em Determinada Area da
Administração (MELLO, 2012).
Alguns aspectos deste levantamento devem ser destacados. Inicialmente, fica claro
que o Tecnólogo tem atuação em um campo específico da área do conhecimento em questão,
correspondendo a uma área de habilitação. O segundo aspecto relevante é que os Conselhos
Federais oficializam o reconhecimento destas habilitações, através de Resoluções. Estas
resoluções legalizam a possibilidade de registro do Tecnólogo nos respectivos Conselhos
Regionais e, inclusive, definem suas atribuições. Outro aspecto também importante é que, nas
Resoluções expedidas pelos Conselhos Profissionais, tem sido norma que a atuação dos
mesmos se subordine a de um profissional bacharel na área. Também a anuidade paga pelos
Tecnólogos é menor, em relação à recolhida pelos bacharéis. É importante ressaltar que, neste
processo, são considerados apenas os cursos reconhecidos pelo Ministério de Educação e
Cultura (MEC).
O Sistema CFB/CRB, atento à tramitação do Projeto de Lei 2245/2007, entendeu
necessário debruçar-se sobre o tema, preparando-se para acolher este tipo de profissional,
quando da transformação do referido Projeto em Lei Federal. A primeira coisa a ser pensada é
que esse tipo de curso superior abrange apenas uma área específica do campo do
conhecimento da área em questão. Neste sentido, e indo ao encontro do que os outros
Conselhos profissionais já fazem, a indicação do Sistema CFB/CRBs é que sejam mapeadas
estas áreas específicas. O CFA, por exemplo, definiram-as em 13 eixos, baseados nas áreas
estabelecidas pelo Catálogo Nacional dos Cursos Superiores de Tecnologia, eixos estes que
também são os a ser seguidos pelas IES (MELLO, 2012). Isto significa que é imperativo que
tanto o Sistema como as IES que pretendem oferecer cursos para Tecnólogos na área de
Biblioteconomia já tenham mapeado que habilitações (eixos, áreas especializadas) seriam
importantes ser cobertos por estes cursos. Este mapeamento deve ser feito com a participação
de todas as instituições vinculadas à Biblioteconomia, a partir de pesquisas e prospecção do
mercado de trabalho atual, buscando verificar as lacunas e as demandas profissionais e, a
partir daí, traçar as áreas específicas de atuação do Tecnólogo na área de Biblioteconomia.
Com relação a que habilitações seriam interessantes serem sugeridas para que as (IES)
ofereçam cursos de graduação em Tecnologia, o Sistema CFB/CRBs pode auxiliar, no sentido
de sinalizar o que o mercado está demandando. Mas é de suma importância que estes perfis
desejados e nichos de mercado a serem contemplados sejam discutidos juntamente com outras
instituições da área, como a ABECIN, FEBAB, ANCIB, mesmo que neste primeiro momento

3778

�a autarquia já sinalize a área de Bibliotecas Escolares como uma com forte apelo, devido a Lei
12.244/2010.
No entanto, a Comissão de Educação ousa sugerir outras áreas, além da Biblioteca
Escolar. São elas: Biblioteca Pública, Gestão da Informação, Mediação da Informação,
Arquitetura da Informação, por exemplo. São habilitações que se entende ter potencial e ser
de interesse para se transformar em cursos tecnológicos, tanto para o mercado de trabalho
quanto para as pessoas que se interessarão por eles, feita novamente a ressalva que é
fundamental o envolvimento das instituições vinculadas/interessadas na Biblioteconomia e a
percepção do mercado de trabalho sobre estes aspectos.
A partir implementação dos cursos e da formação desses profissionais, a forma legal
de oficializar seu ingresso nos conselhos regionais seria por meio de Resolução, emanada pela
autarquia, no caso o CFB. Para regulamentar sua atuação, o profissional tecnólogo deverá ter
formação em um dos cursos então reconhecidos na área da Biblioteconomia, também
reconhecidos pelo MEC e estar atuando nos campos profissionais relacionados à área. Como
tem sido a prática corrente no MEC, nesta ocasião cursos já deverão estar descrito no
Catálogo Nacional dos Cursos Superiores de Tecnologia.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Frente à perspectiva de uma futura aprovação da Lei dos Tecnólogos e a consequente
absorção destes profissionais no mercado de trabalho, entende-se que a preocupação do CFB
em garantir o registro profissional dessa categoria demonstra o apoio do Sistema CFB/CRBs a
uma demanda do Ministério da Educação, ao que se refere à implementação da política da
educação profissional e tecnológica no País.
No tocante à repercussão no contexto da Biblioteconomia, o Projeto de Lei n°
2245/2007 pode representar uma alternativa, no sentido de suprir as carências mercadológicas
que já estão surgindo, a partir da promulgação da Lei n° 12.244, de 24 de maio de 2010, que
trata da universalização da Biblioteca Escolar no Brasil, sem mencionar outros projetos de lei
aos quais o CFB tem feito frente, como os relacionados ao livro, à biblioteca, aos direitos
autorais.
Por outro lado, é importante registrar que o profissional tecnólogo não apresenta uma
ameaça ao Bibliotecário. Este se encontra devidamente resguardado pela Lei n° 4.084, de 30
de junho de 1962, que dispõe sobre a profissão de bibliotecário e regula seu exercício. É
necessário vislumbrar o Tecnólogo como um importante parceiro para o crescimento e

3779

�desenvolvimento da área, no Brasil, aumentando e reforçando a visibilidade da
Biblioteconomia na nossa sociedade.

6 REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Marilis Lemos De. Da formulação à implementação análise das políticas
governamentais de educação profissional no Brasil. 2003. 256 f. Tese (Doutorado em
Política Científica e Tecnológica) - Instituto de Geociências da Universidade Estadual de
Campinas, Campinas, 2003.
BRASIL. Plano Setorial de Educação e Cultura (1972-1974). Brasília: MEC, 1971.
BRASIL. Plano Setorial de Educação e Cultura (1975-1979). Brasília: MEC, 1974.
BRASIL. CNE/CP. Resolução n. 03, de 18 de dezembro de 2002. Institui as Diretrizes
Curriculares Nacionais Gerais para a organização e o funcionamento dos cursos superiores de
tecnologia. Diário Oficial: Brasília, 23 dez. 2002.
BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Classificação Brasileira de Ocupações CBO-02. Brasília: SPES, 2002. Disponível em: &lt;http://www.mtecbo.gov.br/cbosite&gt;. Acesso
em: 25 abr. 2014.
INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO
TEIXEIRA. Censo da Educação Básica: 2012 - resumo técnico. Brasília, INEP, 2013.
MACHADO, Lucília Regina de Souza. O Profissional Tecnólogo e sua Formação. In:
BUENO, Maria Sylvia Simões; ALVES, Giovanni (org). Trabalho, Educação e Formação
Profissional: perspectivas do capitalismo global. Campinas: Autores Associados, 2008.
MELLO, Sebastião Luiz de. Guia de Orientação Profissional de Tecnólogo em
Determinada Área da Administração. Brasília: CFA/CRAS, 2012.
MINISTÉRIO DE EDUCAÇÃO. Catálogo Nacional de Cursos Técnicos. Brasília, 2012.
PETEROSSI, Helena Gemignani. Educação e Mercado de Trabalho: análise crítica dos
cursos de tecnologia. São Paulo: Edições Loyola, 1980.
ROMANELLI, Otaíza de Oliveira. História da Educação no Brasil: 1930-1973. 28. ed.
Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.
SOARES, Rosemary Dore. Formação de Técnicos de Nível Superior no Brasil: do
engenheiro de operação ao tecnólogo. Dissertação mestrado. Curitiba: FAE, 1982.
SOUSA, Edson Machado de. Definições e Experiências: Estrutura e Conteúdo. In: BRASIL.
MEC/DAU. Estudos sobre a Formação de Tecnólogos. Brasília: MEC/DAU/UFMT, 1977.
P. 32-68.
VITORETTE, Jacqueline Maria Barbosa. A Implantação dos Cursos Superiores de
Tecnologia no CEFET-PR. 2001. 131 f Dissertação (Mestrado em Tecnologia) - Centro
Federal de Educação Tecnológica do Paraná (CEFET/PR - Unidade Curitiba), Curitiba, 2001.

3780

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                <text>Tecnólogo em Biblioteconomia: reflexões acerca da realidade brasileira</text>
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                <text>Discute a questão da inserção do profissional Tecnólogo nos Conselhos Regionais de Biblioteconomia (CRBs), a partir da possibilidade de o Projeto de Lei 2245/2007 ser aprovado, tornando-se lei. Conceitua o profissional Tecnólogo, diferenciando-o do Técnico. Discorre sobre a história e o desenvolvimento da referida profissão no Brasil e a legislação que acompanha este desenvolvimento. Comenta como alguns Conselhos Profissionais regulamentam a inserção destes profissionais em seus quadros. Sugere que estudos aprofundados sejam feitos junto a outras entidades de classe e a Instituições de Ensino Superior (IES), no sentido de definir o perfil, as competências e as áreas de atuação deste profissional, no campo da Biblioteconomia. Indica medidas que podem ser adotadas para que o Sistema CFB/CRBs inclua estes profissionais em seus Conselhos Regionais. Conclui que este profissional pode vir a suprir carências mercadológicas e que ele não representa uma ameaça ao profissional bibliotecário, protegido pela Lei nº 4.084/62.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO BIBLIOGRÁFICA E A RECUPERAÇÃO DA
INFORMAÇÃO: QUAL O NÍVEL DE SATISFAÇÃO DO USUÁRIO NESTE
PROCESSO?
Luciana Candida da Silva
Vitor Paiva Machado Martins de Araújo

RESUMO
Trata-se de um estudo de satisfação do usuário em relação ao sistema de classificação adotado
pelas bibliotecas da Universidade Federal de Goiás (UFG). Para tanto, investigou-se os
hábitos, os procedimentos de busca e a satisfação na recuperação do material informacional
no acervo da unidade setorial Campus Coletar Natal e Silva-UFG. A pesquisa foi realizada
com 10 usuários frequentadores da unidade escolhida para amostragem, sendo utilizado um
questionário como instrumento de coleta de dados. Feita a análise, concluiu-se que, em uma
biblioteca universitária, a classificação bibliográfica constitui um instrumento de
comunicação entre o público e a informação registrada, e que, para satisfazer as demandas
informacionais dos usuários, é preciso estabelecer o serviço de treinamento presencial de uso
da biblioteca, bem como melhorar os serviços já existentes, a fim de facilitar a busca e
recuperação de um item documentário.
Palavras-Chave: Organização e Recuperação da Informação; Sistema de Classificação;
Classificação Decimal Universal; Satisfação de usuários - Bibliotecas universitárias.

ABSTRACT
This is a study of user satisfaction with respect to the classification system adopted by the
libraries of the “Universidade Federal de Goiás” (UFG). To this end, was investigated the
habits, search procedures and satisfaction in the recovery of informational material in the
sectoral unit’s collection of “Campus Colemar Natal e Silva - UFG”. The research was
carried out with 10 regular users of the chosen sampling unit, being used a questionnaire as a
tool for data collection. Through data analysis, it is concluded that, in a university library,
bibliographic classification is an instrument of communication between the public and the
information recorded, and to meet the informational needs of users, it is necessary to establish
the service trainings classroom of library use, as well as improve existing services in order to
facilitate search and retrieval of a documentary item.
Keywords: Organization and Information Retrieval; Classification System; Universal
Decimal Classification; User satisfaction - University libraries.

3754

�1 Introdução
A organização da informação é uma preocupação do homem desde os tempos remotos,
quando os pensadores de diferentes épocas começaram a estabelecer formas de dividir,
esquematizar e hierarquizar o conhecimento humano. As classificações, em pleno
aperfeiçoamento pelos estudiosos, deram origem às classificações bibliográficas, com o
objetivo de estabelecer as relações entre documentos para facilitar a sua localização.
Segundo Piedade (1977), as classificações bibliográficas podem ser entendidas como
um processo de agrupar os livros pelos assuntos de que tratam, representados principalmente
por números. As classificações bibliográficas mais utilizadas em bibliotecas universitárias,
são, atualmente, a Classificação Decimal de Dewey (CDD) e a Classificação Decimal
Universal (CDU), as quais funcionam de forma efetiva para a organização de acervos. Porém,
as discussões em torno da organização da informação ganharam força quando se constatou a
mudança de paradigma de posse da informação para o acesso à informação, nas áreas de
Biblioteconomia e Ciência da Informação. De acordo Naves e Kuramoto (2006), a
necessidade de informação e a sua satisfação por parte do usuário são fatores fundamentais
para o trabalho do profissional da informação. Nesse sentido, pretendeu-se responder, então,
alguns questionamentos.
Será que, de fato, os usuários das bibliotecas estão satisfeitos com o sistema de
classificação bibliográfica da unidade que usam/frequentam e conseguem recuperar a
informação que precisam? A classificação, embora de uso imprescindível à fluidez da
biblioteca, não apresenta problemas no processo de comunicação com o usuário? E o
profissional? O que faz face a estes acontecimentos? Estas são algumas das indagações que
deram origem a este estudo e que suscitam curiosidade no profissional bibliotecário, bem
como nos estudante de Biblioteconomia, ao estudar tal contexto na disciplina “Linguagens de
Classificação”.
Esta pesquisa teve como objetivo conhecer a satisfação do usuário quanto ao sistema
de classificação bibliográfica adotado para organização e recuperação do material
informacional da Biblioteca Setorial do Campus Coletar Natal e Silva, da Universidade
Federal de Goiás. Para tanto, estudou-se os hábitos e procedimentos de busca, bem como o
nível de satisfação dos usuários dessa unidade, além de fazer um apanhado teórico sobre as
principais definições nessa órbita. Ao final, faz-se um apontamento das possíveis soluções
para a questão que será explanada.
É pertinente ao trabalho apresentar, a priori., a classificação por uma ótica mais
generalizada. Ela é, segundo Piedade (1977), um processo de agrupar e dividir em classes,

3755

�levantando critérios de semelhança ou diferença. É uma atividade mental inerente ao homem,
que o acompanha antes dele tomar consciência disso, para que compreenda o mundo a sua
volta. Burke (2003) diz que, por muitos anos, grandes filósofos tentaram compreender o
pensamento humano e classificavam seu processo criativo e intelectual. A bibliográfica, por
sua vez, está aplicada ao material informacional para melhor organizá-lo e controlá-lo. Diz ao
tratamento técnico da informação, em que o assunto é decodificado e representado por
números arábicos, seguindo uma lógica hierárquica. A biblioteca em questão utiliza a
Classificação Decimal Universal, uma das possibilidades de se classificar o conhecimento de
forma mais elástica e adaptável às necessidades próprias.
É necessário afirmar que o estudo considera a classificação uma atividade cotidiana do
profissional bibliotecário, visto que o eixo de toda prática estrutura-se a partir da recuperação
da informação, para que consiga organizá-la e disponibilizá-la com eficiência. Interpreta-se a
classificação, de forma mais metafórica, como um identificador do livro na biblioteca e o
número de chamada, seguindo esta lógica, seu endereço na estante.
Já dizia o célebre Ranganathan que o bibliotecário precisa poupar o tempo do leitor,
no caso, o usuário, e que a prática competente da organização e tratamento da informação
possibilita a sua recuperação efetiva. Nesse sentido, propõe-se analisar a comunicação entre o
usuário e o acervo bibliográfico da biblioteca setorial Campus Coletar Natal e Silva da UFG,
pois entende-se que não é simplesmente saber classificar o material bibliográfico, mas
compreende-lo como um identificador num contexto de muitas informações e procurar saber
se, depois de todo processo, de fato há um diálogo do usuário com o material informacional
que ele precisa.

2 Sistemas de Classificação

As classificações bibliográficas tiveram suas origens na classificação do conhecimento
humano, segundo o ponto de vista de seus idealizadoress, que, de acordo com Barbosa (1969),
foi Platão, em 428-347 a.C, o primeiro a agrupá-los segundo bases filosóficas. Mais tarde,
Porfírio, em sua celebre Árvore, deu o primeiro exemplo de uma classificação binária. Foi

Cassiodoro que, ao dividir as Artes Liberais, originou o Trivium e Quatrivium, usados depois
como currículo nas escolas da Idade Média. Burke (2003) utilizou o tripé intelectual
“currículos, bibliotecas e enciclopédias” para examinar como a classificação do conhecimento
acadêmico entrava na prática cotidiana das universidades européias. Gessner deu à história da

3756

�classificação o primeiro exemplo de arranjo de livros de acordo com o uso cientifico da
época, de modo que o seu sistema é considerado por muitos como o primeiro de classificação
bibliográfica. Mas foi Fracis Bacon, com a Chart of Learning, quem mais influenciou os
modernos sistemas de classificação, tal como os de Harris Jefferson, Cutter e Library of
Congress.
De acordo com Piedade (1977), a classificação bibliográfica é a representação
temática do documento, que consiste num processo de decodificação do assunto do
documento em números, seguindo uma lógica sistemática de hierarquização o conhecimento,
para aprimorar a busca, melhor identificar e recuperar a informação. Aplica-se, então, à
disposição e localização físico-espacial de documentos nas estantes, em catálogos, em
bibliografias, e tem caráter prático e de grande aplicabilidade em acervos físicos. Pode-se
dizer que é, senão, o endereço da informação e do material bibliográfico num contexto de
milhares de itens, que possibilita individualizá-lo para encontrá-lo.
Apresentam a ideia de forma hierárquica, numa relação de coordenação, subordinação
e superordenação. Em suma: “Adota-se como princípio fundamental a divisibilidade do
todo”.

2.1 Classificação Decimal Universal

A classificação Decimal Universal teve sua origem no sistema de Dewey, publicada
pela primeira vez em 1876. Em 1895, realizou-se em Bruxelas a Conferência Internacional de
Bibliografia (IIB) e o Repertório Bibliográfico Universal (RBU). Foram encarregados de
organizar as bases dessas organizações o advogado Paul Otlet e Henry La Fontaine, instigados
por um sentimento mútuo. O intuito, a principio, era planejar um controle por assunto, para
melhor responder às necessidades dos pesquisdores, no caso, seus usuários.
A Classificação Decimal Universal (CDU) é um sistema internacional de classificação
de documentos, cuja base está no conceito de que o conhecimento humano pode ser dividido
em 10 classes principais e estas, por sua vez, podem ser infinitamente divididas numa

hierarquia decimal. (IBICT, 2013). A CDU tem a finalidade de organizar os documentos de
forma a reuni-los nas estantes, por assuntos comuns e afins.
Lançando mão das palavras de Souza (2010, p. 27), “a CDU é compreendida como uma
linguagem de indexação e de recuperação de todo o conhecimento registrado em que cada
assunto é simbolizado por um código baseado nos números arábicos”. Com ela é possível

3757

�fazer um mapeamento do pensamento humano, apresentando seus desdobramentos, partindo
sempre do geral para o específico. Localiza-se o assunto na tabela principal e parte para as
auxiliares a fim de especificar e individualizar o documento.
Apresenta tabelas auxiliares de língua, forma, lugar, raça e tempo. Por fim, há um índice
alfabético que complementa sua estrutura. Segundo Miranda (1996), caracteriza-se como um
instrumento de representação e recuperação da informação, utilizadas, principalmente, no
âmbito biblioteconômico, com a finalidade de estabelecer uma comunicação entre os registros
do conhecimento humano - armazenados em uma unidade de informação - e os usuários da
mesma, facilitando a localização, identificação, armazenamento e recuperação de item
documentário. Além disso, trabalha em função da orientação do usuário no que tange ao
mapeamento do assunto dentro de uma área de conhecimento e ainda a sistematização do
conteúdo destes itens documentários a serem representados pelos profissionais da informação.
O IBICT, em 1996, publicou um estudo sobre o estado da CDU e as perspectivas de
seu desenvolvimento e utilização. Foi destacado que este sistema não deve ser visto dentro da
Biblioteconomia apenas como instrumento para atribuir simples notação a um documento,
mas como uma verdadeira linguagem universal, adotada para as atividades de classificação
em unidades de informação. Nesse sentido, a CDU não pode ser considerada, simplesmente,
um código de endereçamento do documento nas estantes, mas como um código para a
organização do conhecimento em sistemas de recuperação da informação.
A exposição de Miranda (1996) vem ao encontro da proposta deste estudo, ao afirmar
que a CDU foi criada para a classificação bibliográfica e não para a classificação
bibliotecária, ou seja, foi criada para a organização de assuntos em um repertório
bibliográfico, para facilitar o acesso dos usuários até o documento organizado e armazenado
nas estantes.

2.2 Organização e Recuperação da Informação em Bibliotecas Universitárias

A biblioteca universitária compreende uma unidade de informação inserida em
instituições de ensino superior. Segundo Ferreira (1980), serve de apoio ao ensino, pesquisa,
extensão e gestão por meio da prestação de serviços aos alunos de graduação, pós-graduação,
professores e funcionários da instituição na qual está inserida. Elas são disseminadoras de
grande parte das informações que circulam em um ambiente acadêmico, por isso devem estar
preparadas em todos os aspectos para receber as demandas informacionais da comunidade
acadêmica, visando à recuperação plena da informação por parte dos usuários.

3758

�De acordo com Oliveira (2009) a recuperação do conteúdo que é abrigado nas
bibliotecas universitárias se dá devido ao trabalho de organização do acervo que está
intrinsecamente ligado ao sistema de classificação adotado. Fujita (2005, p. 12) afirma que as
bibliotecas universitárias possuem três funções básicas, que tangem a armazenagem,
organização e acesso ao conhecimento. Segue:
•
Armazenagem do conhecimento: desenvolvimento de coleções,
memória da produção científica e tecnológica, preservação e conservação;
•
Organização do conhecimento: qualidade de tratamento temático e
descritivo que favoreça o intercâmbio de registros entre bibliotecas e sua
recuperação;
•
A cesso ao conhecimento: a exigência de informação transcende o
valor, o lugar e a forma e necessita de acesso. Por isso devemos pensar não
só em fornecer a informação, mas possibilitar o acesso simultâneo de todos.

Sabe-se que a organização é imprescindível à recuperação da informação. É ela quem
possibilita que os materiais estejam em seus devidos lugares, classificados por assunto e
agrupados por semelhança. O sistema de classificação cumpre o papel importante de guiar o
usuário à sua informação e pode ser considerado, de acordo com Gigante (1995), como o
layout da biblioteca. A qualidade no tratamento temático mencionado por Fujita (2005)
refere-se à etapa da organização da informação em que se insere a classificação. Por
intermédio dos sistemas bibliográficos é possível codificar o assunto em números
possibilitando a localização do documento, visando a sua recuperação.
A forma em que as informações estão dispostas e prontas à localização, muito
depende da organização para sua disponibilização. Para Choo (2006), recuperar uma
informação é disponibilizá-la ao usuário, que a solicita por necessidades espontâneas e/ou
induzidas, objetivando construir significado, produzir novo conhecimento e tomar decisões,
sejam pessoais e/ou administrativas.
Tem-se que:
“[...] processo de recuperação de informação compreende basicamente três
etapas: indexar, armazenar e recuperar. Inserida neste processo as bibliotecas
e os demais serviços de informação construíram suas bases de dados que
podem ser acessadas por m eio das redes de telecomunicações em nível
nacional e internacional.” (Pereira et al, 2009).

É possível compreender que a classificação bibliográfica é uma atividade inerente ao
atendimento às necessidades informacionais dos usuários.
Para este estudo, a recuperação refere-se à facilidade de acesso à informação impressa,
organizada e armazenada para o usuário final, pois a organização sistematizada de

3759

�documentos por meio da CDU tem a função de permitir que o usuário localize o maior
número possível de itens relevantes, desde que bem capacitados.

3 Materiais e Métodos

A metodologia considerada mais apropriada para esta pesquisa inclui: o método de
estudo de caso, pesquisa qualitativa, bibliográfica e levantamento de dados. A pesquisa
classifica-se, quanto aos seus objetivos, como qualitativa, ao buscar interpretar as repostas dos
participantes e atribuir significados ao processo de busca e recuperação da informação no
acervo da biblioteca selecionada.
O tipo de pesquisa classifica-se em bibliográfica e levantamento de dados, pois
identifica, através da revisão de literatura, a importância dos sistemas de classificação
bibliográficas para organização e recuperação da informação em um contexto de bibliotecas
universitárias. Quanto ao levantamento de dados, pelo fato de propor investigar, por meio de
uma amostragem, se a classificação utilizada atende satisfatoriamente aos usuários na
recuperação da informação impressa ou se esse sistema está se constituindo em apenas uma
satisfação bibliotecária, ou seja, na organização e manutenção de estantes.
Foi feita uma pesquisa prévia na Base de Dados Referenciais de Artigos de Periódicos
em Ciência da Informação, a BRAPCI, com intuito de fundamentar o estudo, ressaltando
princípios de classificação, organização, recuperação da informação e satisfação de usuário e
foi esclarecida a limitação do estudo.
De acordo com Gil (1996) um estudo de caso consiste em delimitar a unidade que
constitui o estudo, coleta, análise e interpretação dos dados e, por fim, a redação do relatório
final. A unidade de estudo escolhida é a biblioteca setorial Campus Colemar Natal e Silva, da
Universidade Federal de Goiás, comumente chamada de biblioteca do campus I da UFG O
motivo pelo qual partiu a escolha, diz ao fato de a unidade a primeira biblioteca desta
instituição, onde ficam localizados os livros, principalmente, da área de saúde, engenharias e
direito.
O sistema de bibliotecas da UFG (SIBI-UFG) possui oito bibliotecas, sendo quatro
situadas na cidade de Goiânia e quatro no interior do Estado de Goiás. A amostragem
constitui-se em 25% do total de bibliotecas localizadas na capital e 12% do total de
bibliotecas do SIBI-UFG Dessa amostragem escolheu-se, de forma aleatória, dez usuários
que utilizam a biblioteca selecionada.
A técnica utilizada para a coleta de dados foi o questionário, composto por questões

3760

�abertas e fechadas. A escolha do questionário ocorreu por proporcionar o alcance de um
número maior de pessoas, e mais liberdade e autonomia para os participantes responderem. A
elaboração do questionário baseou-se na literatura sobre estudo de usuário e sistemas de
classificação, com objetivo de conhecer os hábitos, procedimentos de busca, satisfação e
sugestão dos usuários.
A análise foi realizada, a partir dos dados coletados em julho de 2013, os quais foram
tabulados em formato de porcentagem para as questões fechadas e a análise das perguntas
abertas foi realizada por meio das respostas mais recorrentes. As informações foram dispostas
em gráficos, para fornecer um panorama da relação sistema de classificação-usuário.

3.1 Biblioteca Setorial Campus Colemar Natal e Silva- Campus I da UFG

A Biblioteca Setorial Campus Colemar Natal e Silva (BSCAMI) compõe uma
das bibliotecas que fazem parte do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Goiás
(Sibi/UFG). Quanto aos aspectos históricos, ressalta-se que, por volta da década de 80, um
acordo da UFG com o Ministério da Educação possibilitou a construção de um prédio
específico para a biblioteca no Campus 2, que passou a ser a biblioteca central (BC) da UFG.
A mudança exigiu a divisão do acervo existente entre duas bibliotecas: Biblioteca Central, no
Campus Samambaia, e Biblioteca Campus Colemar Natal e Silva, praça universitária.
O Sibi/UFG reúne cerca de 200 mil volumes de livros e mais de 1.900 fitas em VHS e
em DVD, além de um banco de teses e dissertações.
A biblioteca atende alunos de graduação, pós-graduação e servidores da UFG e a
missão da instituição é atender com qualidade, rapidez e eficiência as necessidades e
expectativas do ensino, pesquisa e extensão na UFG. Para isso, se propõe a oferecer serviços e
produtos em informação que acompanhem as transformações tecnológicas e sociais. O
material bibliográfico, por sua vez, está organizado de acordo com o seu suporte físico,
finalidade e assunto tratado.
O acesso ao material bibliográfico é livre (ou aberto) e a unidade conta com serviços
como solicitação de comutação bibliográfica, acesso ao Portal Capes, empréstimo domiciliar,
levantamento bibliográfico, dentre outros.

A biblioteca possui salas de leitura coletiva e

individual, videoteca, espaço para periódicos, sala de obras raras, para cursos e treinamentos,
sala didática de informática entre outros espaços.

3761

�Ao final da pesquisa será possível verificar a opinião do usuário com relação ao
atendimento das informações expostas no regulamento naquilo que se refere à facilidade de
uso e recuperação de documentos no acervo da instituição.

4 Resultados Finais

Para conhecer a satisfação do usuário com relação ao sistema de classificação
bibliográfico, as questões foram elaboradas a partir das variáveis “hábitos, procedimentos de
busca e satisfação na recuperação do material bibliográfico”.
A pesquisa apresentou que, dos 10 participantes, todos são alunos de cursos da
graduação da UFG, numa faixa etária de 18 a 23 anos de idade, sendo que 7 dos respondentes
são homens e 3 são mulheres. Os alunos participantes são dos cursos de Engenharia Elétrica,
Civil e Mecânica, Agronomia, Publicidade e Propaganda, Estatística e Ciências Sociais. Esses
cursos são ofertados, em sua maioria, no campus 1, local onde é sediada a biblioteca em
estudo.
A primeira etapa da pesquisa pretendeu conhecer a frequência de uso dos participantes
na biblioteca da UFG, e obteve que 50% dos usuários frequentam pelo menos uma vez por
semana, 30% com até três vezes por semana, 10% até três vezes por semana. Apenas um
participante frequenta a biblioteca todos os dias. Entende-se que a maioria dos participantes
vai à biblioteca toda semana em função dos prazos de devolução ou renovação de livros que
ocorrem a cada sete dias.

Gráfico 1 - Frequência de uso da biblioteca

10%

■ Todos os dias
■ Até três vezes por
semana
■ Uma vez por semana

50%

■ Uma vez a cada quinze
dias

Fonte: Dados da Pesquisa (2013)

3762

�Em seguida, questionou aos alunos qual era a finalidade irem à biblioteca. Obteve que
60% vão à biblioteca para estudar, 20% para fazer pesquisas, 10% para realizar trabalhos e
10% para realizar leituras diversas, conforme dados apresentados no gráfico 2.

Gráfico 2 - Finalidades de uso da biblioteca

Fonte: Dados da Pesquisa (2013)

Os gráficos 1 e 2 indicam que a biblioteca é um ambiente propício à intelecção e
estímulo ao estudo, uma vez que a maioria vai para estudar, embora com baixa frequência.
Com relação à variável procedimento de busca do material bibliográfico, questionou-

se aos participantes como eles fazem para localizar um material específico em meio a tantos
outros, e foi constatado que 100% deles pesquisam nos terminais de consulta dispostos no
saguão da biblioteca e vão direto ao acervo. Ninguém respondeu que solicita o apoio de um
atendente. Logo, perguntou-se qual o tempo em que gastam para localizar tais documentos
desejados, já que a biblioteca possui mais de 50 mil exemplares de livros, obteve como
resposta que 70% encontram o material em um período de 1 a 5 minutos e 30% de 5 a 15
minutos e ninguém informou que leva mais de meia hora para localizar um livro na estante.
Pretendeu saber se recebem treinamentos de uso da biblioteca e qual a modalidade do
treinamento e verificou que 90% marcaram a opção sim na modalidade a distância e 10%
disseram não ter feito o treinamento oferecido pela biblioteca.
Na variável satisfação, questionou aos participantes se consideram fácil o processo de
encontrar os materiais nas estantes, obteve como resposta que 80% consideram fácil e 20%
consideram difícil.

3763

�Gráfico 3 - Facilidade no processo de busca do material bibliográfico

Fonte: Dados da Pesquisa (2013)

Em seguida perguntou se o material procurado é encontrado e 70% responderam que
não localizam o material bibliográfico desejado.

Gráfico 4 - Localização do material bibliográfico

Fonte: Dados da Pesquisa (2013)

No que se refere à satisfação com a qualidade dos serviços de organização dos livros,
os usuários informaram em sua maioria, 80%, que estão satisfeitos e que não precisam
melhorar e nem realizar treinamentos presenciais.

3764

�Gráfico 5 - Satisfação com relação à organização do acervo

Fonte: Dados da Pesquisa (2013)

Os gráficos 3, 4 e 5 possibilitam inferências quanto à satisfação dos usuários. Sabe-se
que a maioria recebeu o treinamento de uso, realizado online pelo site da biblioteca, no
entanto, enquanto muitos dos usuários dizem que consideram fácil o processo de encontrar o
material bibliográfico que precisam e consideram satisfeitos com o sistema de classificação.
Nota-se, então, uma aparente contradição nos procedimentos. Somente no espaço deixado às
críticas e sugestões à biblioteca que se pode perceber onde reside a explicação para a possível
contradição, sabendo que muitos dos usuários percebem que o livro consta no sistema, mas
não estão na estante. É possível perceber, aqui, o quão importante é o sistema de classificação
e como ele dialoga com usuário, pois, uma vez que o material não está na estante, no seu
endereço, o usuário não consegue recuperar a informação que precisa.
Neste espaço, ainda citam problemas como a busca feita com pressa, a dificuldade de
visualização das etiquetas, a dificuldade de localização das estantes, possibilidade de
treinamento presencial, controle de retirada dos livros e acervo desatualizado.

5 Considerações Finais

Pensar os sistemas de classificação bibliográfica tendo como ângulo a recuperação da
informação é uma oportunidade enriquecedora, na medida em que se toma conhecimento do
sistema de classificação adotado, dos usuários da unidade, do contexto em que serão
analisados, no processo de diálogo entre acervo e usuário, na classificação como endereço e

3765

�no processo de comunicação que se estabelece. Além das questões teóricas, a possibilidade de
fazer um estudo prático é rara e induz o estudante a um contato com a realidade de trabalho
do profissional. Neste caso, pode-se dizer que assegura-se a prática profissional do
bibliotecário, na medida em que os usuários chegam às suas informações, pois o trabalho
bem realizado edifica uma ponte entre a informação e sua necessidade.
Ao final do estudo, pode-se, enfim, responder às questões que suscitaram no início da
pesquisa. Sabendo disso, quanto à questão primeira que foi proposta - “Será que, de fato, os
usuários das bibliotecas estão satisfeitos com o sistema de classificação bibliográfica da
unidade que usam/frequentam e conseguem recuperar a informação que tanto precisam?” pode-se dizer que o usuário em questão considera-se satisfeito com o processo de busca e
recuperação do material informacional ao qual demanda, muito embora, em sua grande
maioria, eles não encontrem o material que precisem. Embora pareça uma questão incoerente,
fatores externos e inerentes à classificação bibliotecária (já supracitada) aqui interferem. Além
disso, a devolução do livro à estante num lugar indevido, a pressa na busca e a dificuldade de
visualização do material que está (ou não) em suas respectivas estantes impossibilita a
recuperação precisa dessa informação.
Levanta-se aqui a segunda proposição -

“A classificação, embora de uso

imprescindível à fluidez da biblioteca, não apresenta problemas no processo de comunicação
com o usuário?” - por considerar a classificação, de fato, uma atividade imprescindível à
recuperação da informação e que dá a localização do material nas estantes da biblioteca. No
entanto, nesse processo de comunicação, há ruidos que impossibilitam a maioria dos usuários
recuperarem o material que necessitam, por fatores diversos, como os já supracitados. Além
disso, lança-se mão da terceira questão. Ela é inevitável - “O que faz o profissional diante
destes acontecimentos?” - e, não obstante, intrínseca ao cotidiano de uma unidade de
informação, pois, uma vez que o bibliotecário trabalha em função da recuperação efetiva da
informação, deve usar de artifícios que assegurem que seu “cliente” está, de fato, satisfeito.
No caso explanado anteriormente, há grande necessidade de se fazer treinamento de
uso da biblioteca presencial e proporcinor um mecanismo de feedback e maior proximidade
com a satisfação desse usuário, a fins de que a instituição se adeque às demandas e possa,
assim, melhor atendê-lo. Nesse sentido, o bibliotecário é, então, o mediador e facilitador, o
qual deve dirimir os “ruídos”quanto à dificuldade de recuperação.
É necessário salientar, contudo, que, embora nota-se boa satisfação com relação à
biblioteca e seu sistema de classificação, tem-se aqui uma questão frágil, que merece atenção,
estudo e proposições de mudança, pois, se o usuário não chega à informação que precisa, há

3766

�um ruído na comunicação entre o sistema de classificação- material bibliográfico- usuário, e
portanto, o profissional bibliotecário deve repensar sua prática a fim de fazer com que se
estabeleça uma recuperação da informação competente e que atenda às necessidades dos
usuários de sua unidade.

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
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                <text>Trata-se de um estudo de satisfação do usuário em relação ao sistema de classificação adotado pelas bibliotecas da Universidade Federal de Goiás (UFG). Para tanto, investigou-se os hábitos, os procedimentos de busca e a satisfação na recuperação do material informacional no acervo da unidade setorial Campus Coletar Natal e Silva-UFG. A pesquisa foi realizada com 10 usuários frequentadores da unidade escolhida para amostragem, sendo utilizado um questionário como instrumento de coleta de dados. Feita a análise, concluiu-se que, em uma biblioteca universitária, a classificação bibliográfica constitui um instrumento de comunicação entre o público e a informação registrada, e que, para satisfazer as demandas informacionais dos usuários, é preciso estabelecer o serviço de treinamento presencial de uso da biblioteca, bem como melhorar os serviços já existentes, a fim de facilitar a busca e recuperação de um item documentário.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO EM BIBLIOTECAS DE ARTE: O USO NA
REDARTE/RJ

Klara Martha Wanderley Freire

RESUMO
O estudo tem como objetivo identificar os sistemas de classificação documentária utilizados
em cada Unidade de Informação componente da Rede de Bibliotecas e Centros de Informação
em Arte no Estado do Rio de Janeiro (REDARTE/RJ), bem como descobrir se na visão
particular do classificador destas organizações o sistema de classificação utilizado mostra-se
adequado aos propósitos de representação dos assuntos do acervo de sua unidade. Para tal,
utiliza-se de questionário disponibilizado via web. No referencial teórico versa sobre a
organização da informação e do conhecimento e o ato da classificação. Por fim, exibe seus
resultados, sendo, com mais da metade, a CDD a mais utilizada dentre as bibliotecas da Rede
e a opinião, quanto à adequação do sistema à representação dos itens do acervo, demonstrou
ser positiva quando da utilização da CDU e de sistema próprio. Quanto à utilização da CDD,
nem todos concordaram com sua total efetividade na representação.

Palavras-Chave: Sistemas de Classificação. Bibliotecas de Arte. Classificação Decimal de
Dewey. Classificação Decimal Universal. Organização da Informação e do Conhecimento.
ABSTRACT
The study aims to identify the documentary classification systems used in each unit of the
Rede de Bibliotecas e Centros de Informação em Arte no Estado do Rio de Janeiro
(REDARTE/RJ), as well as find out if, in the particular view of the unit’s
classifiers, the classification system used proves to be adequate for the subjects representation
purposes in their collection. To this end, we use a questionnaire made available via
web. The theoretical framework discusses about the organization of information and
knowledge and the act of classification. Finally, it displays its results: CDD is the most used
among REDARTE/RJ libraries. Librarian's opinion about the adequacy of the items
representation proved to be positive when using the UDC and personal systems. Regarding
the DDC use, not everyone agreed with its overall effectiveness in representation.

Keywords: Classification Systems. Art Libraries. Dewey Decimal Classification. Universal
Decimal Classification. Organisation of Information and Knowledge.

3736

�1 INTRODUÇÃO
Já inerente ao ser humano há a necessidade de organizar, dar ordem , a fatos,
situações, elementos. Ajuntam-se coisas por suas diferenças e semelhanças, na tentativa de
que façam sentido umas junto às outras, seguindo determinado critério de organização.
Deste modo, pode-se dizer que é da natureza humana o ato de classificar.
“A [...] arte de classificar [é] tão antiga quanto a humanidade” (DAHLBERG, 1979).
O homem classifica, desde sempre e o faz para uma posterior recuperação daquilo que foi

ordenado. Esta necessidade contínua faz da classificação uma disciplina atemporal e
essencial. Classificar é preciso!
O termo “classificar” nasce do latim classis, nome dado à divisão de grupos do povo
romano. Zedler, no ano de 1733, em seu Universal Lexicon, cunha o termo utilizando-se de
duas palavras latinas classis e facere para expor uma divisão de apelações do Direito Civil.
Apenas ao final do século XVIII, passa a ser aplicada para ordenação das ciências
(PEIDADE, 1983).
De acordo com Souza (2010, p.13), classificação “é o processo de reunir coisas, ideias
ou seres, em grupos, de acordo com seu grau de semelhança” . Na área de Documentação, as

classificações bibliográficas são hoje chamadas documentárias e “tiveram suas origens
[...] na classificação dos conhecimentos humanos, tendo sido Platão o primeiro a agrupá-los
segundo bases filosóficas. A classificação mais conhecida é a de Aristóteles, discípulo de
Platão” (BARBOSA, 1969 apud SOUZA, 2010, p.13).
São vários os sistemas de classificação documentária existentes, dentre eles, os
principais apontados na literatura da área são: a Expansive Classification, de Charles Ammi
Cutter, Library of Congress Classification (LCC), Brown e sua Subject Classification, Bliss e
a Bibliographie classification, Colon Classification do matemático indiano Ranganathan, a
Decimal Classfication, de Melvil Dewey e a Classificação Decimal Universal de Paul Otlet e
Henri La Fontaine. “Os sistemas mundialmente mais utilizados são: a Classificação Decimal
de Dewey (CDD), e a Classificação Decimal Universal (CDU)” (GASPAR; REIS, 2010, p.1).
Devido à popularidade de aplicação, a CDD e CDU deverão ter destaque nesta
pesquisa, assim sendo, é importante mencionar que a CDD é um sistema geral de organização
do conhecimento continuamente atualizada para acompanhar as transformações pelas quais as
ciências passam; é utilizada em 138 países, dos quais alguns deles (mais de sessenta nações)
usam o sistema para organizar sua bibliografia nacional; foi traduzida para mais de 30
idiomas. Concebida por Melvil Dewey em 1873, foi publicado pela primeira vez apenas em
1876. Inicialmente, esta classificação dividia os livros em grandes categorias, logo após

3737

�começa a alocá-los em categorias distribuídas de forma fixa e física nas estantes. Então,
Dewey decide atribuir números decimais para representar o assunto de cada livro não mais
obedecendo à ordem física. A classificação se desenvolve, como dito anteriormente, até os
dias atuais (MITCHELL; VIZINE-GOETZ, 2009).
A CDU, por sua vez, surge a partir da 19° edição da CDD. O Manual Du Repertoire
Bibliographique Universal, ou Classificação de Bruxelas, fora desenvolvida pelos belgas Paul
Otlet e Henri La Fontaine “no intuito de criar um meio de controle e identificação
bibliográfica”, publicada de 1904 a 1907. Já sua segunda edição, vem somente em 1927, com
o título Classification Decimale Universelle (edição francesa). No ano de 1933 publicam a
Edição - Padrão Internacional, a chamada Máster Reference File. Dos anos 1934 a 1948, foi
publica-se a 3° edição em alemão. Sua língua oficial é o inglês (ANDRADE; BRUNA;
SALES, 2011, p.37). De acordo com o site do UDC Consortium, que detém os direitos sobre
a CDU, ela é utilizada em mais de 130 países e publicada em mais de 40 línguas (UDC
CONSORTIUM, c2013).
Diversos como os sistemas de classificação, são os tipos de Unidades de Informação
(U.I.) que fazem uso destes. O site do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas ([2013?])
preconiza que “o tipo de uma biblioteca é determinado pelas funções e serviços que oferece,
pela comunidade que atende, e pelo seu vinculo institucional.” O SNBP nomeia nove tipos,
sendo eles: Biblioteca pública; Biblioteca pública temática; Biblioteca comunitária; Ponto de
Leitura; Biblioteca Nacional; Biblioteca Escolar; Biblioteca Universitária; Biblioteca
Especializada e Biblioteca/Centro de Referência.
Agrupando alguns dos tipos de bibliotecas acima citados, a Rede de Bibliotecas e
Centros de Informação em Arte no Estado do Rio de Janeiro (REDARTE/RJ) “é uma rede de
instituições com acervos na área de arte no Rio de Janeiro e em Niterói. Seu objetivo principal
é facilitar o acesso à informação disponível em um conjunto expressivo e representativo de
acervos em arte” (REDE DE BIBLIOTECAS E CENTROS DE INFORMAÇÃO EM ARTE
NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, c2013). A rede é composta, atualmente, por 31
bibliotecas427 - que serão conhecidas ao longo do estudo - que unem-se em trabalho
cooperativo, em prol da disseminação de informação em arte.*31

427 A fonte principal de informação para a construção deste trabalho é o site da Rede. Porém, o sítio eletrônico
encontra-se desatualizado, contando 34 bibliotecas e disponibilizando a informação de apenas 30. Entretanto,
através de conversas via e-mail com a presidente da REDARTE/RJ, descobriu-se que hoje integrariam a rede 31
unidades. Dessas, uma ainda encontra-se inoperante por estar em fase de processamento de seu material e duas
fazem parte de universidade privada atualmente descredenciada pelo Ministério da Educação (MEC). Assim, das
31 bibliotecas, serão alvo da pesquisa apenas 28 destas. É importante salientar que este foi o quadro
encontrado quando da realização da pesquisa nos meses de janeiro e fevereiro de 2014; o estudo aqui relatado é

3738

�Tendo cada uma destas U.I. um tipo de público a atender, um tipo de material a tratar,
objetivos diversos, e uma série de peculiaridades, torna-se uma curiosidade e uma necessidade
saber quais, dentre os principais sistemas de classificação documentária, são de fato utilizados
para o trabalho de classificação, atividade esta realizada há séculos pelos bibliotecários para
localização de seus livros nas estantes do acervo. Assim sendo, é objetivo geral deste trabalho
conhecer os sistemas de classificação das 28 unidades ativas da rede supracitada e a visão
dos bibliotecários sobre o assunto. Como objetivos específicos, pretende levantar os sistemas

utilizados, bem como saber se, na visão particular do bibliotecário inquirido, os sistemas
escolhidos atendem aos propósitos de representação dos assuntos do acervo de sua
unidade.
O presente estudo, do ponto de vista dos procedimentos técnicos, caracteriza-se como
uma pesquisa de campo. Possui natureza básica, sem aplicação imediata e caráter quantitativo.
Trata-se de uma pesquisa exploratória e descritiva (PRODANOV; FREITAS, 2013).
Admitem-se como hipóteses que, de acordo com a literatura da área, as classificações mais
utilizadas mundialmente são a CDD e a CDU. Por observação, sabe-se que no Brasil o
sistema mais utilizado é a CDD e a maioria dos bibliotecários concorda que, por estar mais
familiarizada com ela, a mesma atenda aos objetivos de representação dos assuntos de seu
acervo. Assim, acredita-se que as bibliotecas participantes da REDARTE/RJ, em sua maioria,
façam uso da Classificação de Dewey e os profissionais sintam-se satisfeitos com a aplicação
desta. São essas hipóteses que o presente estudo tenta confirmar ou refutar.
Encontrar uma resposta para essas questões, neste caso particular da REDARTE/RJ,
pode se mostrar relevante para influenciar positivamente a escolha de um sistema de

classificação adequado para uma unidade a ser criada na mesma área de assunto. Além disso,
é importante deixar registrado, através dos resultados que esta pesquisa pretende alcançar até o presente momento não há nenhuma outra do gênero com enfoque na REDARTE/RJ que sistemas são utilizados a fim de cooperar com o trabalho colaborativo desenvolvido
entre as bibliotecas da rede, dentre outras providências que podem surgir desta proposta de
estudo.

2 REVISÃO DE LITERATURA
O quadro a seguir, deverá guiar o estudo aqui apresentado:

baseado em monografia de pós-graduação latu sensu levado à banca examinadora pela autora em maio deste
mesmo ano.

3739

�Quadro 1 - Representação Documentária

Fonte:(DODEBEI, 2002, p. 43 apud OLIVEIRA; ARAUJO, 2012, p. 21, grifo nosso).

Os elementos em destaque serão o foco da revisão de literatura. Assim, a

Classificação Bibliográfica (ou Classificação Documentária), que é um instrumento para
executar a representação do conhecimento e também uma linguagem documentária deverão
ter maior atenção. O campo teórico-metodológico a ser discutido será a organização do

conhecimento (ou informação)

. É relevante mencionar que, como bem colocado por

Soares e Lunardelli (2013), a representação da informação (ou representação documentária) é
um aspecto prático da organização da informação.
O clássico Dicionário Aurélio (2010, p. 1518) possui o seguinte verbete para

ORGANIZAR :
organizar [Do fr. Organiser.] V.t.d. 1. Constituir o organismo de;
estabelecer as bases de; ordenar, arranjar; dispor. 2. Dar às partes de (um
corpo)a disposição necessária para as funções a que ele se desina. 3. Adm.
Alocar recursos, ordenar tarefas e atribuir responsabilidades de modo a
possibilitar o cumprimento dos objetivos da organização. P. 4. Tornar
definitiva uma organização; constituir-se; formar-se.428

428 Na literatura de Ciência da Informação, vários autores fazem uso do termo “organização da informação”
enquanto outros, tratando do mesmo assunto, utilizam “organização do conhecimento”. Este trabalho não
pretende discutir a questão da diferenciação entre os termos. Aqui os dois deverão ser entendidos como
sinônimos. Brascher e Café, ainda no ano de 2008, com artigo submetido ao IX Encontro Nacional de Pesquisa
em Ciência da Informação, mostram a falta de consenso entre os estudiosos da área sobre esses conceitos
(BRASCHER; CAFÉ, 2008).

3740

�Nos domínios da Ciência da Informação, Café e Sales (2010, p. 118), definem
organização da informação como “um processo de arranjo de acervos tradicionais ou
eletrônicos realizado por meio da descrição física e de conteúdo (assunto) de seus objetos
informacionais” . Segundo esses mesmos autores, a descrição física, a dita representação
descritiva, ocorre através da catalogação, tendo como resultado do processo um documento ou
suporte físico representado utilizando-se normas e formatos padronizados, como o Código de
Catalogação Anglo-Americano (AACR2).

Já a descrição do assunto, a representação

temática, dentre outras denominações encontradas na literatura, é feita a partir da
classificação, indexação e resumo ou condensação documental. Será essa a definição aqui
considerada.
Nesta mesma linha de raciocínio, Fujita (2003), citada por Fujita, Rubi e Boccato
(2009, p. 21, grifo nosso), apontam que
a organização da informação compreende as atividades e operações do
tratamento da informação, envolvendo para isso o conhecimento teórico e
metodológico disponível tanto para o tratamento descritivo do suporte
material da informação quanto para o tratamento temático de conteúdo
da informação. O tratamento descritivo refere-se propriamente à
catalogação, ou seja, à representação descritiva da forma física do
documento (autor, título, edição, casa publicadora, data, número de páginas
etc.). O tratamento temático, em bibliotecas, diz respeito ao assunto tratado
no documento, ou seja, compreende a análise documentária como área
teórica e metodológica que abrange as atividades de classificação,
elaboração de resumos, indexação e catalogação de assunto,
considerando as diferentes finalidades de recuperação da informação.
Assim, “verifica-se na literatura que o tratamento da informação consiste em dois
processos dicotômicos, distintos entre si, porém dependentes um do outro” (SOUSA;
ALMEIDA, 2012, p. 24).
Sobre esse assunto, bem define Guimarães (2009, p. [105], grifo nosso),
Especificamente no âmbito da organização da informação, atividade de
natureza eminentemente mediadora, dois universos de descortinam: o
primeiro, ligado ao acesso físico aos documentos e o segundo, de natureza
mais complexa, voltado para o acesso ao conteúdo informational [...] Podese dizer, assim, que a distinção entre tais abordagens reside na busca do o
que (materialização) e do sobre o que (teor) que convivem no âmbito do
documento.
O processo de natureza mais complexa de representação do conteúdo informational
sobre o qual discorre o autor refere-se à representação temática da informação, feita através da
classificação, indexação e condensação mencionadas acima nas palavras de outros autores.
Quanto à natureza mediadora, muitos estudiosos da área chamam atenção para o fato de que a

3741

�organização do conhecimento, feita através da representação documentária, como qualquer
representação, não é o próprio documento, não é a própria informação em si, mas um elo, uma
ponte, entre aquilo que se busca e o usuário. A esse respeito Sousa (2013, p. 132), na
introdução de seu artigo, menciona que
A abordagem da representação temática no contexto das bibliotecas parte da
premissa de investigação que a ligação entre documento e usuário é
estabelecida pela informação documentária, que perfaz a representação
temática. Assim, o trajeto da informação até a sua representação no catálogo,
abrangendo todos os itens que compõem o acervo, é entendida como parte
enlaçada pelo tratamento ou organização da informação.
Claramente, a grande importância da organização se dá pelo fato de que se precisa
encontrar rapidamente aquilo que se procura. De nada adianta uma ordenação falha na
recuperação. A organização só cumpre o seu papel se o ato de encontrar as informações se
realiza de forma efetiva, uma vez que “nós organizamos porque precisamos recuperar”
(TAYLOR, 2004, p. 1 apud VICTORINO; BRÀSCHER, 2009).
A respeito das classificações, Pereira e outros (2009), mencionam a existência de três
tipos:
A classificação social é aquela intrínseca ao ser humano, fazendo parte de
sua natureza. É algo que constitui a personalidade de uma pessoa, atuando
diariamente para a organização mental dela. Por isso, elas podem classificar
apenas o que lhe interessam. A classificação filosófica é uma classificação
mais elaborada e sofisticada, voltada para a definição e hierarquização do
conhecimento humano. Já a classificação bibliográfica se preocupa com a
organização e a disposição física de documentos, visando com isso, a sua
recuperação. Busca ordenar, para arquivar e ter acesso ao documento em
estantes ou nos arquivos.
“Em qualquer processo de sistematização do conhecimento nas mais diversas
necessidades de busca de informação, a Classificação é a principal atividade envolvida”
(SOUZA, 2012). Classificar é um talento inato ao ser humano. Desde criança, o homem
organiza, sobretudo categoriza/classifica as coisas a sua volta, a fim de distingui-las entre si.
Carlan (2010, p. 67, grifo nosso), sobre o talento natural do homem para a
categorização/classificação/organização dos objetos a sua volta, frisa que
A classificação é um processo mental que está incorporado ao nosso
cotidiano, desde quando temos consciência e armazenamos algum
conhecimento. Enquanto fenômeno social, as pessoas classificam
intuitivamente as coisas, o tempo todo. Com isso, a proposta inicial da
classificação é facilitar as operações da mente quando se percebe e guarda na
memória as características dos objetos em questão.

3742

�Para Campos, Gomes e Oliveira (2013, grifo nosso) citando também Sayers (1955, p.

7),
Organização do Conhecimento pode ser definida como a condição de
representação do conhecimento para propósitos específicos. Como o próprio
nome denota, organizar um dado domínio implica em classificar, separar
por semelhanças e diferenças, estabelecer relações de identidade, de
similaridade e de associações e expressar tais relações através de classes de
conceitos, visando um processo de aprendizagem e de compreensão mental
em princípio: “A classificação é primariamente uma operação mental.
Somente agregamos coisas em uma determinada ordem quando esta ordem
se encontra em nossa mente, nós não podemos arranjar coisas em uma ordem
que não existe em nossa mente. É este processo mental que é o verdadeiro
significado de classificação.”
Concordando com o exposto, Silva e Lima (2011, p. 306, grifo nosso), pregam que
A categorização é uma atividade cognitiva fundamental. Representa uma
função essencial nos processos de memória, linguagem, raciocínio e
resolução de problemas. É uma atividade que ocorre sempre que dois ou
mais objetos, seres ou acontecimentos diferentes são agrupados devido a
certa semelhança ou parecença entre si.
Logo, compreende-se que o ato de classificar faz parte da cognição humana, algo que
o homem necessita fazer para manter uma relação com o mundo e se comunicar com ele,
numa constante troca. Percebe-se, também, a linha tênue - quiçá inexiste! - entre organização
do conhecimento e classificação. Classificar, categorizar é organizar!

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A busca do referencial teórico deu-se em bases online e publicações impressas da área,
sendo realizada nas línguas portuguesa e inglesa. Uma vez que os estudos de representação do
conhecimento são de grande escopo e os termos para referir-se ao assunto são diversos, na
busca

serão

utilizadas

Documentária/Bibliográfica”,

apenas

as

seguintes

“Representação

palavras-chave:

Temática”,

“Classificação

“Organização

do

Conhecimento/Informação”, “ Sistema de classificação”, “Classificação Decimal de Dewey”,
“Classificação Decimal Universal” e “Biblioteca de Arte”, esta última combinada com as
citadas anteriormente, utilizando-se o plural - quando couber - como alternativa para
recuperação de mais informações, por meio de buscas simples e avançada, adotando outras
estratégias caso se mostre necessário. A pesquisa priorizou publicações produzidas nos anos
de 2009 a 2013; eventualmente, foram usados clássicos da área.
O cenário do estudo será as bibliotecas da REDARTE/RJ, das componentes apenas 28
serão avaliadas pelos motivos já expostos na introdução. Tem-se como sujeitos do estudo

3743

�qualquer profissional bibliotecário atuante nas bibliotecas-cenário. Para levantamento dos
dados propostos nos objetivos foi utilizado um questionário online enviado aos participantes,
com 3 perguntas fechadas e uma aberta, sendo elas:

- Qual a sua Unidade de Informação?

- Qual sistema de classificação é utilizado em sua Unidade de Informação?
( ) CDD ( ) CDU ( ) Outro:_____________ .

- Acredita que este sistema atende às necessidades de representação do conhecimento, no
momento da tarefa de classificação, dos itens pertencentes ao acervo?
( ) Sim ( ) Não ( ) Em parte

- Justifique sua resposta.

Por ter natureza fortemente quantitativa, a análise dos dados coletados deu-se
utilizando uma ferramenta eletrônica de cálculo de dados e construção de gráficos que serão
apresentados nos resultados da pesquisa.

4 RESULTADOS FINAIS
No quadro a seguir, são apresentadas as bibliotecas componentes da REDARTE/RJ e
seus respectivos sistemas de classificação

3744

�Tabela 1 - Bibliotecas da REDARTE/RJ e sistemas de classificação utilizados
B IB L IO T E C A

SIST E M A

B IB L IO T E C A
M useu de A rte C ontem porânea
de N iterói (M A C de N iterói).
D ivisão de T eoria e P esquisa

SIST E M A

CDD

CDD

C asa D aros. B iblioteca

CDD

C C BB

CDU

C C JF

CDD

M useu de H istória e A rte do Rio
de Janeiro. B iblioteca (antigo
M useu do Ingá)
PU C -R J. D ivisão de B ibliotecas e
D ocum entação

C entro N acional de F olclore e
C ultura P op u lar . B iblioteca
A m adeu A m aral

U E R J. C entro de E ducação e
H um anidades. B iblioteca B

CDU

CDU

CDU

FU N A R T E . C ED O C

CDD

U ER J. E scola Superior de
D esenho Industrial (ESD I).
B iblioteca
U FF. B iblioteca C entral do
G ragoatá

CDU

E SP M Rio

Próprio429

U FR J. E scola de B elas A rtes.
B iblioteca Prof. A lfredo Galvão

CDD

G oethe-Institut Rio de
Janeiro. B iblioteca
IB E U . B iblioteca

CDD

U FR J. E scola de M úsica.
B iblioteca A lberto N epom uceno

CDD

IPH A N . P aço Im perial.
B iblioteca P aulo Santos

CDU

CDD

IPH A N . B ib lioteca N oronha
Santos

CDD

U FR J. F aculdade de A rq u itetu ra
e U rbanism o. B iblioteca Lucio
C osta
U FR J. F aculdade de Letras.
B iblioteca José de A len car

Instituto C ervantes do R io de
Janeiro. B ib lioteca José
G arcia N ieto

CDU

U N IC A R IO C A . B iblioteca
A rnaldo N iskier

CDD

M A M Rio de Janeiro.
B iblioteca

CDD

U N IR IO . B iblioteca Setorial do
C entro de Letras e A rtes

CDD

M inC . IB R A M . M useus
C astro M aya. B iblioteca

CDD

U niverC idade. D ireção G eral de
B ibliotecas. B iblioteca

X

M inC . IB R A M . M useu
H istórico N acional. B iblioteca

CDD

U niverC idade. B iblioteca da
U nidade Ipanem a

X

M inC . IB R A M . M useu
N acional de B elas A rtes.
B iblioteca, M ed iateca A raújo
P orto A legre
M inC . IB R A M . M useu V illa­
Lobos. B iblioteca

CDD

CDD

CDD

CDD

M useu de A rte do Rio. B iblioteca

X
Própria430

Fonte: Elaboração própria.
429 Segundo a biblioteca, o sistema próprio seria uma mistura de CDD e CDU.
430 A bibliotecária responsável pela resposta do questionário explica que o sistema utilizado funciona da seguinte
forma: os livros são classificados de acordo com seu tema e, dentro dos temas, recebem número sequencial por
ordem de chegada ao acervo. Como o acervo é focado na vida de Villa-Lobos (História do Rio, Modernismo,
Educação Musical, Instrumentos Musicais etc.), a biblioteca torna-se extremamente especializada.

3745

�Gráfico 1 - Sistemas de classificação utilizados pelas Unidades de Informação da
REDARTE/RJ

Fonte: Elaboração própria.

Respondendo às questões levantadas quando do início da pesquisa, foi comprovado
que as bibliotecas da REDARTE/RJ utilizam, em sua maioria (68%, o que equivale a 19
unidades), a Classificação Decimal de Dewey. Com um percentual bastante baixo aparece a
Classificação de Bruxelas (25% ou 7 unidades). Apenas 7% (2 unidades) utilizam outros
sistemas, apontados por elas como próprios - algumas vezes baseados em sistemas existentes,
como o caso do Instituto Goethe. Nenhuma faz uso de outras classificações apresentadas na
literatura da área.
Neste estudo não foi perguntado o motivo pelo qual determinado sistema foi
escolhido, porém nota-se que muitas vezes a escolha de um sistema pode estar ligada a razões
externas às vontades e objetivos de cada unidade. Por exemplo, na REDARTE/RJ há 4
bibliotecas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), todas coordenadas pelo
Sistema de Bibliotecas e Informações da UFRJ (SibI/UFRJ). Utilizam a CDD, entretanto, é
provável que a escolha deste sistema específico tenha surgido do órgão de coordenação, não
cabendo às unidades uma análise para a eleição de um sistema que poderia - ou não - melhor
servir à representação dos assuntos do acervo. O que acontece também com as duas U.I.s
pertencentes à Rede Sirius, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

3746

�Gráfico 2 - Opinião dos bibliotecários sobre a efetividade da classificação utilizada para
representação do conhecimento dos itens no acervo.

Fonte: Elaboração própria.

De maneira geral, os bibliotecários das bibliotecas componentes da REDARTE/RJ
mostram-se satisfeitos com a representação feita através dos sistemas que utilizam (75%). O
restante da porcentagem, 25%, apresenta satisfação parcial em relação ao assunto.
Muitos bibliotecários, quando da justificava de suas respostas, mencionaram a
existência de outros tipos de materiais - uma das características marcantes de uma biblioteca
especializada - e a inadequação dos sistemas CDD ou CDU para tal suporte. A maioria
costuma utilizar sistemas próprios para organizar DVDs, VHSs, catálogos dentre outros
materiais especiais típicos de bibliotecas de arte. A apresentação desses motivos colaborou
para a parcialidade dos vinte e cinco por cento apresentados acima.
Também foi apontada a adequação dos sistemas para melhor atender à representação;
como na Faculdade de Letras da UFRJ, que à notação da CDD um elemento para
diferenciação de autores é adicionado. A biblioteca do MAC, na cidade de Niterói, também
faz uso de um recurso de diferenciação para artistas. A do IBEU, em alguns itens - não foram
mencionados quais tipos -, utiliza classificação alfanumérica própria para facilitar a
localização por parte dos usuários. Nos resultados ora avaliados, os bibliotecários que
classificam através da CDD e mencionaram o atendimento apenas parcial da representação de
seu acervo por meio deste esquema, são claros ao afirmar que têm dificuldades em ser mais
específicos utilizando esse sistema de estrutura mais rígida que a CDU.
Por boa parte dos respondentes do questionário, tanto aqueles que fazem uso da CDD
quanto os que usam CDU, foi citada a possibilidade de criação de outras classes mais
específicas dentro destes sistemas por mostrarem uma hierarquia bem estruturada. Todavia,

3747

�essa qualidade foi principalmente mencionada pelos que utilizam CDD. A característica
“flexibilidade” foi apontada por uma das bibliotecas que representa seus itens utilizando a
CDU. De fato, a Decimal Universal, sendo um esquema facetado, analítico-sintético
apresenta-se mais flexível.

Tabela 2 - Quantidade de bibliotecários que utilizam CDD e acreditam que o sistema
atende plenamente às necessidades de representação do acervo:____________________
Bibliotecários que utilizam CDD
Acredita que o sistema atende às demandas
de representação da informação dos itens
de seu acervo
19
12
Fonte: Elaboração própria.

Tabela 3 - Quantidade de bibliotecários que utilizam CDU e acreditam que o sistema
atende plenamente às necessidades de representação do acervo:
Bibliotecários que utilizam CDU
Acredita que o sistema atende às demandas
de representação da informação dos itens
de seu acervo
7
7
Fonte: Elaboração própria.

Tabela 4 - Quantidade de bibliotecários que utilizam sistema próprio e acreditam que o
mesmo atende plenamente às necessidades de representação do acervo:
Bibliotecários que utilizam sistema próprio Acredita que o sistema atende às demandas
de representação da informação dos itens
de seu acervo
2
2
Fonte: Elaboração própria.

Nas tabelas acima, ao interpretar os dados, é interessante notar que nem todos os
bibliotecários que utilizam a CDD acreditam piamente que a mesma atenda totalmente a
representação temática de seus itens. Dos 19 que utilizam a classificação de Dewey, 7
responderam que ela atenderia apenas EM PARTE. Já para os que fazem uso da CDU, todos
concordaram que ela atende plenamente. De acordo com a literatura, a CDU seria mais
apropriada para a classificação de bibliotecas focadas em determinado assunto, ou seja,
especializadas. Inclusive, essa característica da CDU é apontada em um dos questionários por
bibliotecária que atua em unidade especializada. Por outra bibliotecária também atuante em
biblioteca especializada, porém fazendo uso da CDD, foi mencionada a dificuldade em
representar a área de artes, tão cheia de especificidades.

3748

�Gráfico 3 - Comparação entre as opiniões sobre a efetividade da representação temática
dos sistemas pelos bibliotecários da REDARTE/RJ

Fonte: Elaboração própria.

É relevante salientar que a concordânciada efetividade do sistema utilizado entre os
bibliotecários que classificam por meio da CDU mostrou-se superior a dos que usam CDD
(como mostra o gráfico 3), tornando uma das crenças iniciais deste estudo falha. Mesmo
sendo comprovado que em sua maioria as bibliotecas da REDARTE/RJ utiliza a CDD, nem
todos os bibliotecários afirmam sua total efetividade na representação dos itens. O total
atendimento da representação por parte da CDD foi citado principalmente por bibliotecas
universitárias e mencionado o fato de serem mais abrangentes e não precisarem da
especificidade que um sistema como a CDU ofereceria. Em um dos questionários, o
conhecimento da ferramenta também foi citado como um ponto para acreditar que o esquema
utilizado atende às necessidades do acervo.
Das 2 unidades que utilizam sistemas próprios notou-se que os profissionais
concordam que as classificações atendem perfeitamente a representação temática do acervo,
bem como sua recuperação. Talvez essa resposta deva-se ao fato de que foram desenvolvidos
tendo em vista um determinado contexto, atendendo às peculiaridades manifestadas pela
comunidade de usuários e modus operandi de cada unidade.

3749

�5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As bibliotecas que compõe a REDARTE/RJ disseminam informações na área de artes,
porém, é importante salientar que muitas dessas U.I.s não são especializadas em arte no
sentido em que a escassa literatura sobre o assunto preconiza. Assim, a visão de cada
biblioteca, suas funções e atividades, de acordo com sua tipologia, pode ser um fator a
influenciar a escolha de determinado sistema de classificação. Pode-se considerar, pelo
apresentado neste estudo, que não existe um sistema de classificação certo ou errado, apenas
mais ou menos indicado para cada objetivo/propósito.
A existência de outros suportes além de livros a serem representados e classificados é
uma questão importante na adoção de um sistema de classificação. Neste estudo, observou-se
a utilização de sistemas próprios para a ordenação de DVDs, VHSs e afins. Na tentativa de
explorar ao máximo as possibilidades dos sistemas, os bibliotecários adicionam outros
recursos às notações, mesmo quando não se trata de materiais especiais. Notou-se também
que, no caso das bibliotecas da REDARTE/RJ, sistemas próprios tendem a satisfazer, já que
foram desenvolvidos tendo em vista um determinado contexto. Todos os bibliotecários que
utilizam CDU para classificação de seus acervos concordaram que o esquema atende
plenamente à representação de seus itens, o que não ocorreu com a CDD.
De fato, os sistemas mais utilizados na amostra pesquisada são CDD e CDU, nesta
ordem, não sendo diferente do que é visto na literatura e observado pelos profissionais da
área. Realmente, a Classificação de Bruxelas e, principalmente, o sistema de Dewey parecem
predominar na representação temática das bibliotecas brasileiras.
É importante ressaltar que a aplicação dos questionários foi direcionada a universo
muito pequeno e restrito de bibliotecários. Portanto, isso é apenas uma pequena amostra de
opiniões dos muitos profissionais atuantes em U.I.s por todo Brasil, trata-se de uma
porcentagem reduzidíssima. Aqui foi investigada a opinião individual do bibliotecário sobre o
sistema que utiliza, o que pode levar a respostas tendenciosas, entretanto serve de guia para a
visão dos classificadores diante do uso dos sistemas que acompanham suas tarefas
diariamente.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O estudo tem como objetivo identificar os sistemas de classificação documentária utilizados em cada Unidade de Informação componente da Rede de Bibliotecas e Centros de Informação em Arte no Estado do Rio de Janeiro (REDARTE/RJ), bem como descobrir se na visão particular do classificador destas organizações o sistema de classificação utilizado mostra-se adequado aos propósitos de representação dos assuntos do acervo de sua unidade. Para tal, utiliza-se de questionário disponibilizado via web. No referencial teórico versa sobre a organização da informação e do conhecimento e o ato da classificação. Por fim, exibe seus resultados, sendo, com mais da metade, a CDD a mais utilizada dentre as bibliotecas da Rede e a opinião, quanto à adequação do sistema à representação dos itens do acervo, demonstrou ser positiva quando da utilização da CDU e de sistema próprio. Quanto à utilização da CDD, nem todos concordaram com sua total efetividade na representação.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

SETOR DE MEMÓRIA DA FACE/UFMG: questões práticas e implicações
epistemológicas
Carlos Alberto Avila Araujo
Leonardo Vasconcelos Renault
Fabiana Pereira Santos
Tiago Miquéias Viana
Mikael Vinicius de Souza Barbosa
RESUMO
Relata a experiência de reestruturação do Setor de Memória da Faculdade de Ciências
Econômicas da UFMG. Aborda o processo de descrição e tratamento dos documentos do
setor. O acervo da Memória é composto, essencialmente, por registros
acadêmicos/administrativos: diários de classe, atas de reuniões, coleções de alguns
professores e registros de eventos. Possui, ainda, alguns livros e peças museológicas. O
estudo e tratamento dos documentos se basearam nas regras de descrição do Código de
Catalogação Anglo-Americano - AACR2 para a Biblioteconomia, das propostas descritivas
do International Council of Museums - ICOM para a Museologia e dos padrões da Norma
Brasileira de Descrição Arquivística - NOBRADE no escopo da Arquivologia. O processo
envolveu uma equipe interdisciplinar composta de pessoas das áreas de Museologia,
Arquivologia, Biblioteconomia, Informática e Ciência da Informação. A ideia de interrelação
dessas áreas e desses profissionais se deu em função do cenário institucional da UFMG, onde
cursos de graduação de Biblioteconomia, Arquivologia e Museologia estão sediados em uma
Escola de Ciência da Informação. Conclui-se que no tratamento dos problemas relacionados
com memória evidencia-se a necessidade de atuação em parceria e cooperação, destas áreas
entre si e delas com demais campos científicos. Há, pois, uma ligação entre as propostas
contemporâneas da Arquivologia, da Biblioteconomia e da Museologia, com esse quadro
desenhado pelas tendências atuais de pesquisa em Ciência da Informação.
Palavras chave: Coleções Especiais, Memória Institucional, Biblioteconomia, Arquivologia,
Museologia
ABSTRACT
Reports the experience of restructuring of the memory Sector of the Faculty of economic
sciences, UFMG. Discusses the process of description and information treatment of the
sector's documents. The memory collection is composed mainly by academic/administrative
records: class diaries, minutes of meetings, collections of some teachers and event
registrations. It also has some books and museum records. The study and treatment of the
documents relied on rules of description of the Anglo-American cataloguing rules-AACR2
for library science, of the descriptive proposals of the International Council of Museums ICOM for museum studies and the Brazilian standard of archival description-NOBRADE in
scope of archival science. The process involved an interdisciplinary team composed of people

3724

�from the areas of Museum Studies, Archival Science, Library Science, Computer Science and
Information Science. The idea of interrelation of these areas with these professionals its
possible with the current relation of the institutional setting of the UFMG, where
undergraduate courses of Library Science, Archival Science and Museum Studies are
headquartered in a School of Information Science. It is concluded that in the treatment of
problems of the this project was evidenced the need for partnership and cooperation in these
areas with each other and with other scientific fields. There is therefore a link between
contemporary proposals of Archival Science, Library Science and Museum Studies, with this
framework designed by the current trends of research in Information Science.
Keywords: Special Collections, Institutional Memory, Library Science, Archival Science,
Museum Studies

1 MEMÓRIAS REMOTAS

A construção de um setor de memória convoca diferentes saberes, diferentes campos
científicos. Realizar uma “gestão da memória” implica, necessariamente, a atuação em
parceria entre profissionais de áreas distintas. Ao mesmo tempo, as áreas envolvidas com esse
trabalho saem, também elas, afetadas por esse encontro, isto é, a temática da memória
também possibilita o incremento de conceitos, teorias e métodos das áreas de conhecimento
que se envolvem em sua gestão.
Falar das disciplinas envolvidas na questão da memória poderia evocar discussões
sobre a Comunicação, a História, a Administração, entre outras. No caso do Setor de Memória
da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais FACE/UFMG, ocorreu particularmente o envolvimento dos campos da Ciência da
Informação, da Arquivologia, da Biblioteconomia e da Museologia. Tal escolha não se deu de
maneira aleatória. Ela se relaciona com um cenário institucional da UFMG, onde cursos de
graduação em Arquivologia, em Biblioteconomia e em Museologia estão sediados em uma
mesma escola, a Escola de Ciência da Informação - ECI, o que implica uma mesma intenção
de aproximação colocada tanto no campo científico como no setor de memória.
O setor de Memória da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG se encontra
abrigado nas dependências da Biblioteca Professor Emílio Guimarães Moura. O acervo da
Memória Institucional da FACE foi idealizado no ano de 1991, durante as comemorações do
cinqüentenário da faculdade, vindo a ser criado por meio do “Projeto Memória FACE” no ano
de 2008 com a finalidade de preservar documentos que permitam reconstituir a história
institucional

da FACE.

Este

acervo

é

composto,

essencialmente,

por

registros

3725

�acadêmicos/administrativos: diários de classe, atas de reuniões, coleções de alguns
professores e registros de eventos. Possui ainda alguns livros e peças museológicas.
No ano de 2012 por meio do projeto de reestruturação do setor, formulou-se novas
frentes de trabalho. Inicialmente, captou-se recursos junto à FACE por intermédio da
Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais IPEAD no intuito de digitalizar algumas peças do acervo. Dessa forma institui-se parceria
entre o IPEAD e o Arquivo Público Mineiro - APM resultando na digitalização de parte
significativa do acervo.
Outra etapa muito importante foi o estudo dos campos para descrever os objetos do
acervo. Na perspectiva de um olhar mais amplo buscou-se mapear padrões descritivos das
áreas de Arquivologia, Biblioteconomia e Museologia para formar um único padrão descritivo
que desse conta da multiplicidade da equipe que formou o projeto, bem como das
características difusas do acervo. O estudo se baseou nas regras de descrição do Código de
Catalogação Anglo-Americano - AACR2 para a Biblioteconomia, das propostas descritivas
do International Council of Museums - ICOM para a Museologia e dos padrões da Norma
Brasileira de Descrição Arquivística - NOBRADE no escopo da Arquivologia.
Delineada a planilha principal partiu-se para a estruturação do banco de dados de
modo que a perspectiva de fundos (proposta pela Arquivologia) se somasse a outras formas de
topologia do acervo, como por exemplo, a estruturação por assunto, autoria e até mesmo a
perspectiva de um olhar espacial (característica da Museologia) através da navegabilidade no
site.
Paralelo a estas iniciativas foi proposto um grupo de estudos com característica
interdisciplinar que problematizou textos das três áreas envolvidas e de assuntos transversais
como, por exemplo, a questão da memória. Estas reflexões foram fundamentais para o
entendimento do que é o setor de memória no contexto da FACE e com isto delinou-se quais
seriam as ações cabíveis no escopo dos trabalhos desenvolvidos pela equipe, posto que:
A curiosidade pelos lugares onde a memória se cristaliza e se refugia está
ligada a este momento particular da nossa história. Momento de articulação
onde a consciência da ruptura com o passado se confunde com o sentimento
de uma memória esfacelada, mas onde o esfacelamento desperta ainda
memória suficiente para se colocar o problema de sua encarnação. O
sentimento de continuidade torna-se residual aos locais. Há locais de
memória porque não há mais meios de memória (NORA, 1993, p.7).

3726

�Esta curiosidade motivou a vinda de uma equipe interdisciplinar424 que contou com
três bolsistas de Museologia (na maioria do tempo), um professor da ECI/UFMG como
orientador, uma arquivista (que se desligou do projeto recentemente), dois bibliotecários (foi
agregado mais um bibliotecário recentemente totalizando três) e um analista de sistemas. Para
o grupo de estudos agregou-se ainda mais dois estudantes de pós-graduação da ECIUFMG425.
Os trabalhos continuam em pleno desenvolvimento tendo à frente agora uma
bibliotecária em substituição à arquivista que se desligou da instituição. A perspectiva atual é
de materialização do lugar da memória da FACE para que, numa projeção futura, possa se
constituir cada vez mais em meio de (re)conhecimento e (re)construção de sua própria
história.

2

REFLEXOS NO CAMPO TEÓRICO

Como evidenciado nas discussões acima, a temática da memória envolve diferentes
aspectos: salvaguarda, disponibilização, identidade institucional, entre outros. Cada área
envolvida é “provocada” de maneira diferente pela interação destes aspectos, principalmente
com a criação de demandas novas, tais como uma maior complexidade na visualização e no
tratamento dos problemas e da necessidade de se ter modelos mais atentos, justamente, a essa
interrelação.
No campo da Arquivologia, tais reflexos se relacionam com diversas contribuições
teóricas, entre as quais destacam-se as contribuições de Tanodi (2009), que define o objeto de
estudo da Arquivologia não como sendo os arquivos ou os documentos mas sim a
“arquivalia”, isto é, a ação arquivística que se realiza sobre os diferentes produtos da ação
humana. Outra contribuição é a noção de “arquivo total” de Silva et al (1998), isto é, a ideia
de que a Arquivologia deve ser mais do que um conhecimento instrumental e técnico e de que
o arquivo é mais do que a mera soma de “fundo” mais “serviço”, é uma unidade integral

424 Para a consecução da proposta, foi formalizado um projeto, tendo à frente a arquivista Janda Tamara de Sousa
e o bibliotecário Leonardo Vasconcelos Renault, além da bibliotecária Fabiana Pereira dos Santos, do
profissional de computação Daniel Felippe Bernardino Corrêa (que estruturou o banco de dados), dos bolsistas
do curso de Museologia Bárbara Lempp, Thiago Miquéias e Mikael Barbosa e da bolsista do curso de
Biblioteconomia Gilmara Silva. Participou também a bibliotecária Letícia Alves Vieira como monitora dos
estagiários no ultimo trimestre de 2013.
425 O grupo foi coordenado pelo professor da ECI Carlos Alberto Ávila Araújo e participaram dele todos os
membros da equipe, além de um doutorando (José Alimateia Aquino Ramos) e uma mestranda (Gabrielle
Francinne de Souza Carvalho Tanus) do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UFMG que
no momento desenvolviam pesquisas relacionadas à mesma temática.

3727

�aberta ao contexto dinâmico e histórico que o substancializa. Também a proposta de uma
Arquivologia pós-moderna por Cook (1997) deve ser considerada, na medida em que ela
representa a crítica à ideia de arquivo como algo pronto, acabado, e do arquivista como um
profissional neutro a lidar com a massa documental. Em sua discussão, Cook postula que o
arquivista é um mediador do processo de construção da memória coletiva por meio da ação
dos arquivos. Nesse sentido, o objeto da Arquivologia não seriam os arquivos ou os
documentos, mas sim os processos, as dinâmicas de criação dos documentos e as relações
entre os sujeitos envolvidos - os arquivos são, assim, profundamente carregados de influência
de quem os cria e da sociedade em que se inserem.
No campo da Biblioteconomia, merecem destaque os estudos que apresentam a ideia
de mediação como central para o campo (ALMEIDA JR, 2009), proporcionando uma
mudança de perspectiva do entendimento da ação bibliotecária: de uma noção difusora, de
transmissão de conhecimentos, para um entendimento dialógico, de construção conjunta de
conhecimentos entre distintos atores. Esse caráter mediador ganha relevância no contexto
digital, em que um novo cenário convoca à construção de novas intervenções por parte da
biblioteca (PÉREZ PULIDO; HERRERA MORILLAS, 2005). Nesta mesma linha está a
“Nova Biblioteconomia” (LANKES, 2011), que vê como missão central desta área a
promoção de condições para a criação de conhecimento por parte de diferentes comunidades;
e as reflexões que relacionam a biblioteca com o conceito de “esfera pública”, isto é, como
promotora da participação ativa dos cidadãos na sociedade da informação (VENTURA,
2002).
Já na Museologia, a definição do objeto de estudo da área promovida por Stránsky
(2008) como sendo não o museu, mas o “museal” (ou a musealização), isto é, uma
determinada dimensão da ação humana presente nos mais diversos contextos - inclusive, mas
não só, no museu - traz todo um redirecionamento para o campo. Fernández de Paz e Agudo
Torrico (1999) ressaltam que a discussão sobre a musealização traz uma problematização
sobre quais bens ou objetos serão musealizados, isto é, que serão destacados como de especial
significado dentro de um contexto cultural - e ainda, uma vez realizado esse processo, de que
forma eles serão interpretados na realidade museal. Nesta mesma linha está a proposta da
“Nova Museologia”, a partir das ideias de Georges-Henri Rivière e Hugues de Varine-Bohan,
que propuseram repensar o significado da própria instituição museu. Nessa visão, os museus
deveriam envolver as comunidades locais no processo de tratar e cuidar de seu patrimônio.
Propõe-se assim uma mudança no sentido do museu: de lugar de entrega de um
conhecimento a uma comunidade (transmissão), para lugar construído pela própria

3728

�comunidade - veículo de expressão de uma identidade (MAIRESSE; DESVALLÉS, 2005).
Numa perspectiva distinta, o impacto das tecnologias digitais tem suscitado novas reflexões,
como a área denominada Museum Informatics., que trata das interações sociotécnicas (entre as
pessoas, a informação e a tecnologia) nos espaços museais (MARTY; JONES, 2008).
No campo da Ciência da Informação, é possível identificar a aproximação com estas
ideias em, pelo menos, duas grandes perspectivas de estudo. A primeira é a ideia de inserção
dos fenômenos informacionais em contextos sociohistóricos específicos, envolvendo autores
distintos como García Gutiérrez (2008), Day (2001), Braman (2004) e que é muito bem
expressa pelo conceito de “regime de informação” de Frohmann (2008): para se entender
como algo se torna “informação”, é preciso analisar a inserção dos fenômenos informacionais
em contextos concretos os quais eles se realizam. Tal abordagem conduz necessariamente a
um modelo global de compreensão, incluindo as dimensões técnicas, tecnológicas,
econômicas, jurídicas, regulatórias, sociais, culturais, entre outras.
A segunda perspectiva se constrói a partir da ideia de “ação informacional”. A origem
dessa ideia remonta à proposta de criação de uma disciplina específica, a Epistemologia
Social, por Shera (1977), ainda nos anos 1960 - uma disciplina dedicada ao estudo de todos os
meios e processos por meio dos quais o conhecimento circula, integra-se e coordena-se no
contexto de uma determinada coletividade. Tal ideia foi levada adiante por Wersig (1993),
que propunha que a Ciência da Informação não deveria ser uma ciência dos documentos ou
dos procedimentos de tratamento técnico destes documentos, mas sim uma área voltada para a
reflexão sobre os processos de construção, circulação e apropriação destes documentos. A
especificidade desta perspectiva é apresentada por Capurro (2009) que, para definir
informação, remonta aos conceitos gregos de eidos (ideia) e morphé (forma), significando
“dar forma a algo”. Estudar informação é assim construir um olhar que se inscreve no âmbito
da ação humana sobre o mundo (“in-formar”) e a partir do mundo (se “in-formar”). Ou seja,
os seres humanos, em suas diferentes ações no mundo (produzir pesquisa científica, construir
sua identidade, monitorar o ambiente mercadológico, testemunhar direitos e deveres, etc),
produzem registros materiais, documentos - eles in-formam. É essa ação de produzir registros
materiais que é a informação, que é o objeto de estudo da CI. A CI não estuda a ação
administrativa, política, cultural, etc, em si mesmas, mas apenas naquilo que elas têm de
informacional. Ao mesmo tempo, os seres humanos, também em suas diferentes ações (podese citar as mesmas ou outras, como tomar decisões de investimentos, testemunhar
determinados direitos, comunicar-se com os outros, etc), utilizam documentos, registros
materiais - os seres humanos se in-formam. É também essa ação de utilizar, se apropriar dos

3729

�registros de conhecimento que é a informação, e que é também objeto de estudo da CI. Além
disso, no movimento de produzir registros, os seres humanos constroem um repertório
coletivo, um acervo social de conhecimento - enfim, memória. E é acessando esse acervo ou
essa memória que os mesmos seres humanos também se informam.
Há, pois, uma ligação entre as propostas contemporâneas da Arquivologia, da
Biblioteconomia e da Museologia, com esse quadro desenhado pelas tendências atuais de
pesquisa em Ciência da Informação. Essa ligação pode ser interpretada, pois, como um
sinalizador da importância que pode ter, em termos de incremento teórico e conceitual, uma
maior aproximação e um diálogo mais efetivo entre essas áreas.
O tratamento dos problemas relacionados com memória evidencia a necessidade de
atuação em parceria e cooperação, destas áreas entre si e delas com demais campos
científicos. Ao mesmo tempo, como se pretendeu demonstrar, o cenário teórico
contemporâneo (resultante da evolução do conhecimento científico nestas áreas) é claramente
favorável a essa cooperação e à demanda por complexidade.
Portanto, a noção de “memória” atua como conceito articulador de diferentes saberes. A
criação e a condução de setores de memória mostra-se, assim, um espaço excelente para a
promoção de fertilização inter/transdisciplinar entre as áreas. Contribuiu para a articulação
das relações entre as dimensões administrativa e científica, para o cumprimento das três
“missões” da universidade (ensino, pesquisa e extensão) e, ainda, como espaço laboratorial
dos cursos de graduação, para o tensionamento de teorias e produção de novos
conhecimentos.

3

OPERAÇÃO MEMÓRIA (PROCEDIMENTOS)

A primeira etapa do projeto de memória da FACE foi coordenada pela arquivista
Janda Tâmara que juntamente com o apoio, para definir as pré-diretrizes documentais, do
professor Galba426 realizaram a estruturação do arranjo em sua fase inicial, definindo as
coleções de fundo bibliográfico e textual.
Após estruturado em hierarquias de tópicos e subtópicos, procedimento em que o
conteúdo documental foi analisado e organizado de acordo com os temas, natureza e suporte
dos acervos, passamos pela etapa de busca de possíveis locais para digitalização (tratamento

426 Professor Galba Di Mambro, Professor do Departamento de História da Universidade Federal de Juiz de Fora
e Diretor do Arquivo Histórico UFJF.

3730

�digital) dos documentos em Belo Horizonte. Foi firmada uma parceria entre o IPEAD e
APM, a qual digitalizou parte do acervo.
Antes do processo de digitalização fomos orientados a manter as características físicas
dos documentos originais, (como rabiscos e comentários nas páginas, rasgos e alguns reparos,
pois o acervo seria tratado no APM) os códigos atribuídos deveriam ser registrados e
anexados juntos aos objetos, para evitar possíveis confusões entre os documentos físicos,
digitais e facilitar o manuseio entre eles. Após esse processo, os documentos foram
identificados com códigos escrito a lápis de grafita macia. Findo este processo, iniciou-se a
preparação do acervo para digitalização no APM.
O procedimento de trabalho adotado pelo APM consiste na utilização de dois tipos de
formatos no processo de digitalização de documentos textuais: o formato TIFF (para fins de
preservação) e o formato JPEG (para fins de recuperação e acesso). Os equipamentos para a
digitalização e todo o maquinário envolvido em cada etapa do processo, trabalhavam ligados
em rede, sendo uma máquina com grande capacidade de armazenamento e processamento de
dados, a matriz responsável por reunir e salvar todo o conteúdo produzido. Todo o acervo
digitalizado, por uma medida de segurança, foi gravado em uma fita com a capacidade de 40
GB e arquivado em um local específico, com identificação do conteúdo tratado e separado
pelo nome da instituição em que o serviço foi prestado.
Nesse contato com a instituição APM não se pode deixar de relatar uma valiosa
experiência que, apesar de não estar presente no planejamento inicial, foi de grande
importância para o projeto. Trata-se do aprendizado sobre processos básicos de restauração,
limpeza e encadernação dos documentos que foram levados, o que possibilitou o
entendimento de algumas técnicas, conhecimento de ferramentas e materiais utilizados para a
limpeza e reparo.
Após o processo de digitalização e entrega dos materiais, retornou-se o trabalho de
representação dos objetos tendo como referência a planilha Arquivo, Biblioteca e Museu ABM a qual gerou um banco de dados para ser alimentado tendo os seguintes campos como
referência:

3731

�Quadro 1 - Campos de descrição ABM
ABM
Código identificador
Nome da Coleção
Título principal
Título da unidade de descrição
Autor
Edição (número)
Data
Editor (editora e local)
Tipo de publicação
Procedência

Condições de reprodução
Idioma
Características físicas
Localização dos originais
Material e técnica
Descrição do objeto
Assunto
Arranjo

BRFACE
Solenidades
Encontro de administração
Memória FACE
Araújo, Elizabete Ribeiro de; Cunha, Denise
Ribeiro
19
Maio de 1987
FACE- Belo Horizonte
Boletim Informativo
Reprodução Comemorativa do 35° aniversario
do curso de administração da faculdade de
ciências econômicas e 60° da Universidade
Federal de Minas Gerais
Acesso ao Formato Digital- Ao OriginalFotocópia- (...)
Português
Memória FACE
Gênero textual em papel
Vocabulário não controlado
Organizado por fundos

Fonte: Elaborado pelos próprios autores

Por fim procedeu-se à uma organização final com o objetivo de continuidade do
processo de descrição dos objetos que ainda se encontra em curso.

4 AUSÊNCIAS (DIFICULDADES DE RETENÇÃO DA MEMÓRIA)

Acredita-se que é válido falar sobre alguns problemas que atravessamos no decorrer
desse caminho. O primeiro deles foi a dificuldade de entendimento do papel do outro no
projeto. Por estar lidando com objetos de diferentes formatos ainda não sabíamos qual o
melhor tratamento para cada um deles, nem qual melhor instrumento que deveria ser
utilizado. Estávamos no momento em que havia profissionais da área arquivística e
biblioteconômica, porém ainda não havia ocorrido a discussão sobre os limites e
possibilidades de cada profissional no processo. Após levantamento dos objetos da Memória
FACE, pesquisado e pensado sobre as possibilidades foi decidido que a organização inicial se
daria de forma arquivística. Assim, foi desenvolvido o sistema de organização dos objetos
através de fundos.

3732

�No projeto que envolveu sujeitos de diferentes áreas do conhecimento sempre houve a
preocupação de congregar os saberes dessas diferentes áreas. Muito se aprendeu e foi
desenvolvido nesta experiência. A partir das reuniões e das trocas de e-mails, sempre
tomando como ponto de partida os documentos existentes na Memória FACE e as formas de
representação destes documentos/objetos nas áreas de arquivologia, biblioteconomia e
museologia foram construídos os campos para representação dos itens.
Outra dificuldade que passamos foi de cunho administrativo, porém de vital
importância para o desenvolvimento do projeto, que foi a contratação dos bolsistas. O valor
das bolsas que nos foram cedidas era baixo e pouco atrativo, assim a carga horária era
pequena e os bolsistas ficavam muito pouco tempo se dedicando ao projeto,
conseqüentemente tivemos que aumentar o prazo para término do mesmo. Dois bolsistas
saíram do projeto, o que demandou esforço para seleção, contratação e treinamento de novas
pessoas.
Como já foi citada anteriormente a digitalização dos documentos foi realizada através
de um convenio com uma entidade governamental, assim tivemos que nos adequar a seus
prazos e formas de trabalho. Os arquivos digitais quando devolvidos eram verificados e
renomeados um a um. Em algumas ocasiões houve desencontros, nem sempre conseguíamos
alinhar os esforços e entrar num entendimento. Esta experiência foi de grande valia para nós,
pois vivenciamos uma forma de trabalho diferente da que estávamos inseridos.
Com o fim da digitalização, a tabela para inserção de dados criada e banco de dados
construído iniciou-se o trabalho de descrição dos objetos, porém por um problema técnico
perdemos os dados e o processo de descrição teve que recomeçar novamente.
O projeto da Memória FACE apresentou muitos desafios para a equipe, pois nos
deparamos com objetos de formatos variados e inovamos ao tratá-los de uma forma que
agregasse saberes de três áreas: arquivologia, biblioteconomia e museologia. A idéia de
congregar profissionais de diversas áreas trouxe muitas discussões válidas e enriquecedoras.
O legado que o projeto deixa é o respeito e o reconhecimento do saber e da singularidade do
outro. Ainda temos muito que caminhar, pois a Memória da FACE continua em construção e
esta memória deve ser conhecida.

5 MEMORABILIA (MEMÓRIAS DIGNAS DE NOTA)

Em geral o que podemos pontuar é uma experiência rica em sua diversidade de olhares
e fazeres reunidos sob a égide do projeto para o Setor de Memória da FACE/UFMG.

3733

�Evidentemente o estranhamento que o outro provoca nos provocou também alguns percalços
e aprendizados mútuos. Este processo que ainda continua em curso e do qual pretendemos
edificar como algo a ser lembrado.
Nos resta continuar a edificar a memória, ainda que trabalhando com os fragmentos e
as exceções, mas com a certeza de um trabalho que não se esgota aqui e que tampouco
vislumbra a noção de totalidade. O que se propõe é um começo, uma possibilidade para a
construção de um projeto de memória, dentro das limitações do setor, para a Faculdade de
Ciências Econômicas da UFMG.

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3735

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Araújo, Carlos Alberto Avila, et al.</text>
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                <text>Relata a experiência de reestruturação do Setor de Memória da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG. Aborda o processo de descrição e tratamento dos documentos do setor. O acervo da Memória é composto, essencialmente, por registros acadêmicos/administrativos: diários de classe, atas de reuniões, coleções de alguns professores e registros de eventos. Possui, ainda, alguns livros e peças museológicas. O estudo e tratamento dos documentos se basearam nas regras de descrição do Código de Catalogação Anglo-Americano - AACR2 para a Biblioteconomia, das propostas descritivas do International Council of Museums - ICOM para a Museologia e dos padrões da Norma Brasileira de Descrição Arquivística - NOBRADE no escopo da Arquivologia. O processo envolveu uma equipe interdisciplinar composta de pessoas das áreas de Museologia, Arquivologia, Biblioteconomia, Informática e Ciência da Informação. A ideia de interrelação dessas áreas e desses profissionais se deu em função do cenário institucional da UFMG, onde cursos de graduação de Biblioteconomia, Arquivologia e Museologia estão sediados em uma Escola de Ciência da Informação. Conclui-se que no tratamento dos problemas relacionados com memória evidencia-se a necessidade de atuação em parceria e cooperação, destas áreas entre si e delas com demais campos científicos. Há, pois, uma ligação entre as propostas contemporâneas da Arquivologia, da Biblioteconomia e da Museologia, com esse quadro desenhado pelas tendências atuais de pesquisa em Ciência da Informação.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

SERVIÇO DE REFERÊNCIA VIRTUAL: PROPOSTA PARA AVALIAÇÃO

Aécio Oberdam dos Santos
Edilene Maria da Silva
RESUMO
As novas tecnologias da informação favorecem o surgimento do serviço de referência virtual
(SRV), trata-se de um novo modelo de serviço de referência onde o usuário conectado a Web
pode realizar sua pesquisa com comodidade e eficiência de qualquer lugar através de acesso
remoto, orientado pelo bibliotecário. O trabalho procura demonstrar que o SRV não é
simplesmente a comunicação entre o usuário e o bibliotecário. Na verdade, trata-se de uma
rede de conhecimentos técnicos disponíveis na web, organizados e pautados pelo trabalho de
mediação da informação. Realizou-se a análise de duas bibliotecas virtuais que possuem as
características de SRV, segundo critérios pesquisados e utilizados na área de Ciência da
informação. Acrescentou-se a estes o critério ferramentas de interatividade. Trata-se de uma
pesquisa qualitativa, observando se as bibliotecas atendem os requisitos para o funcionamento
do serviço de referência virtual.

Palavras-chave: Serviço de referência. Serviço de referência virtual. Biblioteca virtual.
Serviços de informação. Usabilidade.
ABSTRACT
The new information technologies favor the emergence o f virtual reference service (SRV), it
is a new reference service model where the user connected to the Web can conduct your
search comfortably and efficiently from anywhere through remote access guided by the
librarian. The work aims to show that the SRV is not simply the communication between the
user and the librarian, in fact, it is a network of expertise available on the Web, organized and
guided by the work of mediation of information. We conducted the analysis in two virtual
libraries that have the characteristics of SRV, researched and criteria used in the field of
information science. Added to these criteria the instructional tools. It is a qualitative research,
noting that libraries meet the requirements for the operation of virtual reference service.

Keywords: Reference service. Virtual reference service. Virtual Library. Information
services. Usability.

1. INTRODUÇÃO
As tecnologias da informação e da comunicação permitem o acesso mais rápido e
eficiente à informação desejada, é notável a capacidade da internet como canal de
comunicação e acesso ao conhecimento. Tais aspectos favorecem o surgimento de novos

3703

�modelos de serviços de informação, onde o usuário pode realizar sua pesquisa em sua própria
casa ou em qualquer outro lugar com rapidez e comodidade. Trata-se de novas tendências que
são cada vez mais adotadas pelas bibliotecas.
Nesse contexto surgem possibilidades de se ofertar novos serviços de informação. As
bibliotecas têm passado por mudanças marcantes, com a inclusão de novos recursos
tecnológicos e formas diferenciadas de interatividade entre os bibliotecários e seus usuários,
além de alternativas que proporcionam a sistematização do acesso ao conhecimento. A
tecnologia da informação aliada a práticas de gestão e diretrizes eficazes pode alterar as
formas de busca e produção de conhecimento. Diante dessa alteração a biblioteca no século
XXI deve pautar seu trabalho pela adoção de tecnologias que possibilitem ampliar e
aperfeiçoar novas formas de prestação de serviços de informação.
As tecnologias de informação tornaram-se uma importante aliada na prestação de
Serviços de referência. O Serviço de referência é a prestação de serviços de informação com
base nas necessidades de informação dos usuários, de acordo com Grogan (1995, p.8):
Os usuários das bibliotecas, auxiliados pelo bibliotecário de referência tem
melhores condições de mais bem aproveitarem o acervo de uma biblioteca
do que o fariam sem essa assistência. Esta ‘maximização de recursos’
constitui o princípio que se encontra no próprio conceito de biblioteca, que é
o compartilhamento e uso coletivo dos registros gráficos em benefício da
sociedade como um todo e dos indivíduos que a constituem.
É nessa perspectiva que ganha espaço uma nova forma de serviço de referência, o
Serviço de referência virtual (SRV). Para Siqueira (2010), o serviço de referência virtual é
aquele que através da interface da rede virtual permite a interação entre o profissional da
informação e o usuário, disponibilizando recursos a partir da tecnologia comunicacional da
rede para além do ambiente físico da biblioteca. A American Library Association (2004)
define o:
Serviço de referência usado eletronicamente, em tempo real, no qual os
usuários utilizam computadores ou outra tecnologia da internet para se
comunicarem com os bibliotecários sem estarem fisicamente presentes. Os
canais de comunicação usados frequentemente no serviço de referência
incluem a videoconferência, serviços de voz na internet, correio eletrônico e
mensagem instantânea.
Existem dois tipos principais de serviço de referência virtual: o sincrônico, onde a
interação é realizada em tempo real e o assincrônico, onde o tempo de resposta na interação
varia de minutos a dias. O Serviço de referência virtual caracteriza-se como um valioso
instrumento de comunicação que diminui as distâncias entre o usuário e a informação, nesta

3704

�perspectiva a informação tem a internet como seu principal canal de comunicação e, dessa
maneira, ampliam-se as oportunidades de obter, armazenar, tratar, comunicar e disponibilizar
informação.
Nos últimos anos as bibliotecas reformularam o modus operandi, impulsionadas pela
adoção de tecnologias que possibilitam a ampliação dos serviços, e pelo acréscimo em suas
rotinas de ferramentas de gestão, como planejamento, avaliação e certificações, gestão da
qualidade e marketing.
Isso faz com que as bibliotecas sejam reconhecidas como espaços informativos onde a
racionalidade no trabalho, o controle, a facilidade de armazenamento, geração e disseminação
da informação associados a instrumentos de gestão eficientes e tecnologias se tornem
imperativos de sua manutenção e crescimento. Milanesi (1983, p.4) afirma que quanto mais
uma biblioteca propicia uma multiplicidade de informações, mais ela estará chegando ao seu
objetivo. Para atingir seus objetivos, ou seja, prestar serviços de informação com qualidade é
necessário avaliar como esses funcionam e como eles estão sendo ofertados.
A ausência de um padrão de avaliação que verifique o funcionamento eficiente de um
SRV é um dos fatores que motivam a reflexão sobre os SRVs, como avaliar serviços de
referência ofertados via Web? Como traçar uma diretriz que permita avaliar o bom
funcionamento de um SRV? Nosso objetivo geral é avaliar o funcionamento de dois serviços
de referência virtual quanto à interatividade, coleções estruturadas em ambiente digital e os
processos acesso e mediação da informação. E os objetivos específicos se constituíram em:
identificar os conceitos, características e tendências do serviço referência tradicional e virtual;
e analisar e escolher um conjunto de critérios adequados para avaliar o funcionamento do
SRV.

2. JUSTIFICATIVA
Tendo em vista a importância do tema, no contexto de constantes mudanças
ocasionadas pela inclusão de tecnologias da informação e comunicação nas bibliotecas
brasileiras, resolvemos direcionar o trabalho a estudos sobre serviço de referência virtual,
motivado por razões de aptidão e identificação pessoal com o tema serviço de referência, e
também pela ausência de um padrão de avaliação que avalie a qualidade e funcionalidade do
mencionado serviço.
Para isso escolhemos duas bibliotecas virtuais que oferecem serviços de referência
virtual e, são estruturadas com características específicas de mediação da informação,

3705

�mantendo ferramentas de comunicação e interatividade com os usuários entre outros aspectos,
contidas em suas respectivas páginas na web. Para Rowley (2002, p. 21) a biblioteca virtual:
Não implica localização física, seja para o usuário final seja para a fonte. O
usuário pode acessar a informação a partir de qualquer ponto e a informação
estar em qualquer lugar. Há um sentido de aleatoriedade, pois é irrelevante
para o usuário saber onde a informação é mantida.

É também chamada de biblioteca de realidade virtual ou “cibernética”, em função da
mesma depender da tecnologia digital para existir. Em outras palavras, depende de um
programa que reproduza o ambiente de uma biblioteca criando um cenário de pesquisa,
imersão e interação.
A proposta desta pesquisa se justifica pela necessidade de refletir sobre as constantes
mudanças relacionadas à inclusão de novas tecnologias de informação nas bibliotecas. Pois,
são estas mudanças que direcionam radicalmente a forma de atuação dos profissionais e a
estruturação dos serviços de bibliotecas. São instrumentos cada vez mais adotados, em função
dos seus benefícios como a agilidade e a eficiência, possibilitando uma nova dinâmica ao
acesso à informação desejada. Mas, ao mesmo tempo merece reflexões críticas para que seu
uso seja cada vez mais justificado, melhorado e aprimorado.

3. SERVIÇO DE REFERÊNCIA
A Primeira menção ao serviço de referência aconteceu na primeira reunião da ALA
(American Library Association), ocorrida em 1876, num trabalho publicado por Samuel
Sweet Green, responsável pela primeira proposta de assistência pessoal aos usuários das
bibliotecas, a partir daí se verificou a necessidade de realizar o empréstimo, com orientação e
auxílio ao leitor. A partir dessa ideia houve a evolução no sentido de fornecer uma resposta
imediata a uma consulta específica, e a etapa seguinte foi a de auxiliar o leitor na pesquisa
bibliográfica, tarefa que demanda mais tempo, esforço e conhecimento. Para Ranganathan
(2009, p. 287):
O serviço de referência é o motivo fundamental e a culminância de todas as
práticas biblioteconômicas. Suas variedades, o quê, o por que e o como, a
preparação para elas, a variedade dos materiais bibliográficos e de
referência necessários para o seu desempenho eficiente e a organização do
tempo do pessoal em relação a elas - tudo isto é extraído das cinco leis em
Reference and bibliography (1940).

3706

�O serviço de referência seguiu uma tendência e conquistou um local de destaque na
área de Biblioteconomia e documentação, caracterizando-se como uma atividade fim na
biblioteca, e de contato direto com o usuário. De acordo com Macedo (1990):
O Serviço de referência em sentido amplo é considerado a interface entre
informação e usuário, tendo à frente o bibliotecário de referência,
respondendo questões e auxiliando o usuário, por meio de conhecimentos
profissionais.
É por meio do serviço de referência que se pode facilitar o acesso e a utilização de
recursos informacionais, e se percebe com mais clareza a função principal de uma biblioteca atender a uma determinada clientela facilitando e promovendo o uso da informação solicitada.
De acordo com Grogan (1995, p.8):
O Serviço de referência, porém é mais do que um expediente para a
comunidade do usuário. Um dos fatos da vida das bibliotecas é que grande
parte do material constante do acervo precisa ser deliberadamente utilizado
para proporcionar algum benefício.
O Serviço de referência e informação tem entre outras finalidades garantir a fluidez da
informação, para Kenneth Whitaker citado por Grogan (1995, p.8):
A finalidade dos serviços de referência e informação é permitir que as
informações fluam eficientemente entre as fontes de informação e quem
precisa de informações. Sem que o Bibliotecário aproxime a fonte do
usuário, esse fluxo jamais existirá ou só existirá de modo ineficiente.
É no serviço de referência que se tem o produto final de toda uma cadeia de serviços
interligados que convergem para o oferecimento de informação a um público específico de
uma biblioteca. Alencar (1996, p.73) salienta:
Quando se referem a principal função do serviço de referência como sendo
dar acesso à informação, isso pode ser interpretado da seguinte forma: fazer
com que o usuário encontre a informação desejada. Em outras palavras,
satisfazer o usuário que é a segunda categoria mais apontada pelos sujeitos.
Desse modo, a análise das categorias acesso à informação e satisfazer o
usuário parece apontar para o mesmo significado. Dar acesso à informação e
satisfazer o usuário pode ser interpretado como funções gerais de qualquer
balcão de informações. O serviço de referência é um tipo de balcão, também;
contudo, possui ações específicas.
O serviço de referência promove o uso da biblioteca e de seus recursos, podendo fazer
desde a divulgação de informações gerais sobre os serviços e seu funcionamento a realização
de treinamento para os usuários melhor aproveitarem os serviços oferecidos, além disso,

3707

�permite ampliar as possibilidades de conhecer as exigências e expectativas dos usuários. Para
Grandi (1982, p.11):
O Serviço de referência concretiza o objetivo máximo da biblioteca: servir a
comunidade, a sua avaliação e demonstração das tarefas executadas
funcionam como uma forma de legitimar a própria existência da biblioteca
frente à instituição ou á clientela a qual serve.
O Serviço de referência pode servir como termômetro da biblioteca, pois se constitui o
local onde são percebidos, os aspectos negativos e positivos dos outros setores. Nesse
contexto surge a importância da realização de pesquisas de avaliação para que as eventuais
falhas sejam detectadas. Para Grandi (1982, p.11), no entanto, embora importante não é
dedicada muita atenção na avaliação do serviço de referência. Ou melhor, este é um dos
setores relegados, quando existente (o que é raro).

3.1 SERVIÇO DE REFERÊNCIA VIRTUAL
A tecnologia da informação possibilita intensas mudanças nos modos de produção,
disseminação e acesso à informação utilizada pela sociedade. Nas bibliotecas essa utilização
fica cada vez mais evidente com a adoção de tecnologias que possibilitam o acesso e o uso da
informação por meio virtual. Sendo assim, o serviço de referência torna-se uma ferramenta
que amplia o alcance das bibliotecas para além da sua clientela, com a disponibilização de
informações, guias, resumos, catálogos, informações úteis, além da possibilidade da interação
do usuário com o bibliotecário via web, o serviço de referência virtual é uma alternativa para
facilitar e aperfeiçoar o acesso à informação. Na definição de Moreno e Santos (2009, p.4):
O Serviço de referência digital pode ser um serviço de filtragem de
informação em bases de dados de recursos digitais disponíveis na Web que
consiste na utilização da tecnologia de agentes a fim de proporcionar ao
usuário uma interface capaz de atender as suas necessidades informacionais.
O Serviço de referência virtual é muito mais que simplesmente a comunicação em
tempo real do usuário com o bibliotecário, corresponde a uma rede de conhecimentos técnicos
disponíveis num ambiente virtual. O acesso a catálogos eletrônicos de bibliotecas e unidades
de informação na Web é uma realidade comumente adotada principalmente por instituições
que têm a pesquisa como um fator preponderante na sua missão.
Com o avanço das tecnologias, muitas bibliotecas passaram a ofertar o Serviço de
Referência virtual com o objetivo de facilitar o acesso à informação de forma remota. A
orientação, o auxílio e a intermediação, são processos agora realizados de maneira cada vez
mais rápida e eficiente.
Para Oliveira e Bertholino (2000, p.8), são serviços e produtos que racionalizam o uso
de coleções e otimização de recursos informacionais e desvincula o acesso a informação

3708

�intermediada por profissionais. Nós compreendemos que o SRV é indubitavelmente uma
ferramenta que possibilita aperfeiçoar tarefas nas bibliotecas, porém isso não desvincula a
participação do bibliotecário nesse processo, pois a intermediação da informação não deixa de
ser indispensável, apenas abandona o estágio presencial e passa a ser remoto.
Nesta perspectiva a internet é um aliado indispensável para o desenvolvimento do
serviço de referência virtual, cada vez mais, produtos podem ser oferecidos de maneira ágil e
dinâmica ampliando o universo das fontes de informações. Contudo, é preciso fazer reflexões
numa perspectiva crítica, embora a internet ofereça grandes vantagens aos usuários dos
serviços de referência virtuais, eles podem enfrentar problemas caso haja: dificuldades para
formular expressões de busca para recuperar a informação; ausência de requisitos básicos de
usabilidade e navegabilidade; interface não adequada, que se constituem em problemas que
podem comprometer a recuperação da informação. De acordo com Le Coadic (2004, p. 49):
A usabilidade mede até que ponto um produto de informação, um sistema de
informação, um serviço de informação ou uma informação se prestam ao
uso. É um conceito fundamental ao lado dos conceitos de utilidade, eficácia
e confiabilidade.

Pela definição constante da Norma ISO 9241 citada por Vilella (2003) a usabilidade
compreende “a extensão em que um produto pode ser usado por usuários específicos para
alcançar objetivos específicos com eficácia, eficiência e satisfação num contexto específico de
uso” . Para Mendes (1997, p.44):
A interface com o usuário neste caso é a estrutura que tem o papel de
traduzir todas as informações externas ao sistema especialista que interajam
com ele, seja alimentando-o por informações oriundas de fontes diversas,
sejam resultantes de informações advindas do usuário, mediante perguntas
e/ou respostas. (MENDES, 1997, p. 44)

Para este trabalho adotaremos a definição de Serviço de referência virtual
elaborada por Silva e Beuttenmuller (2005, p.79):
Como um recurso eletrônico que objetiva atender aos usuários que
buscam nas bibliotecas virtuais a informação digital. Este serviço vem
atender aos mesmos objetivos do SR tradicional, sendo destaque nas
bibliotecas virtuais por usar a Internet como um recurso que amplia o
universo de informações e facilita o ‘contato’, ao menos virtual, entre o
usuário e o bibliotecário.

Por compreender a importância dessa nova forma de prestação de serviços de
informação, entendemos que o serviço de referência virtual deve ser visto como um serviço

3709

�importante que se alinhe aos objetivos da instituição a qual está subordinado. Ao
mencionarmos alinhamento de objetivos entramos na seara da administração e dos seus
processos de planejamento, organização, direção e avaliação, pois compreendemos que o
SRV deve ter clareza de seus objetivos, bem como, seus critérios de avaliação para mensurar
a eficiência e eficácia do serviço prestado.
Entendemos também a importância da avaliação, pois ela permite entre outros
benefícios o conhecimento de informações relevantes, identificação de possíveis falhas, e
correção de equívocos. O SRV constitui uma forma de prestação de serviços de informação
que necessita desde a sua criação desenvolver o processo de avaliação compreendendo-o
como instrumento que direcione melhorias para que a coletividade usufrua de bens e serviços
de qualidade.

4. AVALIAÇAO DE SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO
A busca por uma metodologia eficiente para avaliação de um serviço de informação
deve levar em consideração características específicas do serviço a ser avaliado. A principal
função de uma avaliação diz respeito a produzir conhecimentos sobre a organização que está
sendo avaliada. De acordo com Almeida (2009, p.12):
Avaliar é atribuir valor, julgar mérito e relevância, medir o grau de eficiência
e eficácia e o impacto causado pelas ações de determinada organização ou
pela implementação de políticas, programas e projetos de informação.
(ALMEIDA, 2009, p. 12)
Num serviço de informação, avaliar consiste em identificar ou coletar dados sobre
serviços ou atividades estabelecendo os devidos critérios de mensuração do desempenho para
determinar a qualidade, grau de satisfação dos usuários e o alcance de metas e objetivos.
A avaliação é um instrumento necessário para direcionar ou redirecionar a execução
de ações, atividades e programas. A avaliação é um processo determinante para saber o que
deve ou não ser mudado num serviço de informação, é um processo indispensável para
determinação de prioridades. Para Almeida (2009, p. 27):

Ao fornecer informação e conhecimento para a tomada de decisões, a
avaliação identifica e busca soluções para problemas, confere viabilidade e
exequibilidade ao planejamento e permite melhorar o seu impacto sobre o
público-alvo e o processo de gestão interna. Quanto mais precisa for a
análise da organização, do contexto e dos públicos, mais realistas e viáveis
serão os objetivos, mais adequados os meios propostos e maior a
possibilidade de satisfação do público.

3710

�O processo de avaliação dependendo da abordagem metodológica pode ser
quantitativa, qualitativa ou pluralista. Quantitativa: quando utiliza metodologias baseadas na
estatística e na experimentação controlada, dá ênfase na mensuração quantificando metas e
resultados. Qualitativa: quando utiliza metodologias baseadas na sociologia, antropologia, ou
na história oral com ênfase nos agentes do processo. Pluralista: Consiste na mensuração não
apenas quantitativa dos benefícios e males de um programa ou ação, mas que também
qualifique decisões, processos, resultados e impactos sociais.
No processo de avaliação dois termos são imprescindíveis: eficiência e eficácia. Para
Almeida (2009) eficiência está relacionada ao processo, ou seja, a realização dos
procedimentos de forma correta e econômica. Já a eficácia se relaciona aos resultados, isto
significa que o serviço fornece aos usuários a informação desejada com rapidez e precisão.
Dentre as vantagens de um processo de avaliação destacamos as seguintes:
possibilidade de análise direta dos dados; força demonstrativa; inferência para outros
contextos; interação; permite compreender a dinâmica interna de programas e atividades;
permite compreender muitos aspectos de programas e serviços; avaliação de resultados
difusos e não específicos. Dentre as desvantagens: o significado é sempre sacrificado em
detrimento do rigor matemático exigido pela análise; não permite análise das relações; os
resultados podem ser considerados como verdade absoluta; pode conduzir a uma excessiva
coleta de dados; depende de uma capacidade maior de análise do avaliador; exige maior uso
do recurso tempo.
Para analisar a funcionalidade dos SRVs das bibliotecas fizemos readequações dos
critérios indicados por Weitzel (2000) para avaliar e selecionar documentos eletrônicos.
Acrescentamos o critério ferramentas de interatividade, pois a web 2.0 e suas ferramentas se
constituem importantes instrumentos para disseminação e mediação da informação.
Após estudo desconsideramos outros critérios, como por exemplo, a ISO 2789 information and documentation - International library statistics - por concentrar-se na
quantificação de usuários, acesso, tipos e downloads de documentos. E esses critérios não se
coadunam com o objetivo desta pesquisa. Os critérios adotados são os seguintes:

4.1 Autoridade
Diz respeito à autoria de uma publicação que pode ser eletrônica ou não, sendo de
natureza intelectual, editorial, ou simplesmente técnica. Esse critério permite uma orientação
em relação à reputação do autor ou autores do documento, contudo não isenta o usuário da
responsabilidade de pesquisar outras fontes de informação sobre o autor.

3711

�Para o SRV observamos informações referentes à clareza sobre a manutenção e
responsabilidade institucional

do serviço; informações acerca do acervo,

áreas do

conhecimento, autores e tipos de materiais; equipe responsável pelo serviço. São itens que
podem indicar a confiabilidade das informações disponibilizadas.

4.2 Atualidade
É o critério que tem como função conhecer se o que está publicado é atual, é preciso
fornecer informações que proporcione ao usuário a noção mínima das datas de publicação ou
edição do documento consultado. Para o SRV observamos itens referentes às datas de
atualização da própria página do serviço; apontadores referentes a notícias e informações
recentes; além de inclusão sobre informações de novos materiais no acervo, são aspectos que
podem indicar credibilidade às informações disponibilizadas.

4.3 Objetividade
Diz respeito à imparcialidade, esse critério têm a função de avaliar o documento sob o
prisma da imparcialidade, para saber se o assunto tratado no documento está sendo abordado
de maneira justa, sem favoritismos a teorias, ou correntes ideológicas. É preciso que tanto o
usuário quanto o bibliotecário estejam atentos para usar e gerenciar respectivamente
informações da maneira mais justa, clara e verdadeira.
Este critério foi readequado para observar os seguintes itens nos SRVs: a exposição
clara das propostas, missão e objetivos do serviço; a existência de alguma forma de
propaganda ou tentativa de venda de algum produto ou serviço. Esses itens possibilitam ao
usuário observar credibilidade e confiabilidade do serviço e das informações disponibilizadas.

4.4 Acesso
Esse critério objetiva saber se existem pré-requisitos básicos para o acesso a página
desejada, tais como instalação de software ou hardwares. Envolvem também aspectos como a
velocidade de conexão da página ou site, o fato da página ou site estarem disponíveis na rede
não significa necessariamente que o serviço é de fácil acesso.

4.5 Aparência
É um critério que está relacionado com a estética ou design, e com a disposição das
informações na página ou simplesmente a Arquitetura das informações publicadas em relação
à organização de conteúdos. Considerando que o critério é recomendado para avaliar

3712

�documentos eletrônicos, adequamos os itens para analisar os SRVS, os seguintes itens serão
observados: leiaute, cores e imagens, navegabilidade e disposição de informações.

4.6 Ferramentas de Interatividade
Constitui-se num critério distinto dos demais que analisa se os SRV possui
ferramentas que possibilitem o contato do bibliotecário responsável pelo serviço com o
usuário, nesse aspecto é comum bibliotecas adotarem redes sociais como facebook, twitter, e
orkut para essas possibilidades.
É cada vez mais crescente a quantidade de informações que são disponibilizadas
diariamente na internet, diante deste panorama é necessário que saibamos usar critérios que
permitam garantir que os materiais informacionais que estamos usando sejam confiáveis.
A internet oferece possibilidades para manipulação e modificação de sites e
documentos, em geral com auxílio de softwares cada vez mais sofisticados e com finalidades
diversas, essas variáveis dão margem para que pessoas de má fé violem os limites do direito
autoral, por exemplo. É preciso que consideremos essas variáveis ao usar serviços de
referência de bibliotecas virtuais, para que as pesquisas sejam sempre pautadas pela segurança
de recuperar informações confiáveis, diante desses aspectos aqui apresentados a avaliação é
um procedimento que se faz necessário, e também pertinente para tais circunstâncias.

5. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Trata-se de uma pesquisa qualitativa a qual iremos utilizar o método de estudo de
caso. Faremos avaliação para averiguar aspectos relacionados à qualidade dos serviços de
duas bibliotecas virtuais que oferecem serviços de referência virtual. Para Gil (2010, p.37):
Estudo de caso é uma modalidade de pesquisa amplamente utilizada nas
ciências biomédicas e sociais. Consiste no estudo profundo e exaustivo de
um ou poucos objetos, de maneira que permita seu amplo e detalhado
conhecimento, tarefa praticamente impossível mediante outros
delineamentos já considerados.
Para Vergara (2010, p. 44):
Estudo de caso é um circunscrito a uma ou poucas unidades, entendidas
essas como pessoa, família, produto, empresa, órgão público, comunidade ou
mesmo país. Tem caráter de profundidade e detalhamento. Pode ou não ser
realizado no campo. Utiliza métodos diferenciados de coleta de dados.
Assim realizamos uma análise das bibliotecas por meio da simulação de pesquisa por
assunto, acessando as páginas na web e verificando se as mesmas contemplam os critérios

3713

�descritos no capítulo anterior. Optamos por dispensar alguns critérios postos na literatura por
compreender que estavam além do objetivo da pesquisa.
A primeira biblioteca analisada foi a biblioteca de Arte da Fundação Calouste
Gulbenkian de Portugal uma biblioteca que conta com serviços de orientação e apoio
especializado na definição de estratégias de pesquisa, e a para responder questões breves e de
carácter factual na área das Artes Visuais e Arquitetura. Uma biblioteca temática que mantêm
em sua página diversas ferramentas, como catálogos, fale conosco, links úteis, além de
coleções de documentos digitalizados, entre outros. Possui um SRV disponível na página
principal, acessado através do link serviço de referência.
A segunda biblioteca analisada foi a biblioteca virtual do governo do estado de São
Paulo, uma biblioteca que fora criada para atender o público interno da administração pública
estadual, e que se tornou um serviço de informação acessível a qualquer usuário da internet. A
biblioteca trabalha na recepção das mensagens eletrônicas enviadas pelos usuários, por
diversos sites e pelo portal do governo do estado, trata-se de um serviço de eletrônico de
referência e informação, e mesmo não possuindo um acervo especializado, oferece alguns
documentos para download em sua página. Apesar de não apresentar-se de forma explícita
como um SRV, suas funções e características lhe configuram como tal.
A escolha das duas bibliotecas deve-se ao fato de apresentarem características de
serviços de referência virtual, pois disponibilizam informações, orientação à pesquisa,
downloads de documentos, bases de dados e bibliografias, além de um processo claro de
mediação da informação, e instrumentos que permitem ao usuário realizar uma pesquisa com
rapidez e comodidade.
Esses critérios foram escolhidos por uma razão objetiva: por meio deles é possível
conhecer se o SRV apresenta requisitos mínimos que possibilitem avaliar a eficiência do
funcionamento dos serviços nas páginas das bibliotecas virtuais.

Acesso: É o critério que avalia as informações da página relativas ao item facilidade de
acesso. Avaliaremos este critério observando os seguintes pontos:
•

São exigidos softwares específicos para acessar as informações da página ou site;

•

A página ou site foram formatados para o uso de um browser específico ou existe a
alternativa de acesso direto ao texto;

•

Tempo para carregar página ou site;

•

O Acesso é gratuito;

3714

�•

É necessário cadastramento para acessar, mesmo que o uso da página ou site seja
gratuito;

Aparência: É o critério que avalia os padrões do design e da arquitetura da informação da
página, para Cutler (1998) citado por Wetzel (2000, p.11): Design é o que possibilita a
compreensão total daquilo que se mostra. Já a Arquitetura da informação se refere à
orientação aos usuários para que seja possível eles navegarem de forma fácil e eficiente, ou
seja, eles saibam devidamente onde se encontram e para onde desejam ir. Observamos os
seguintes pontos:
•

Leiaute da página, cores e imagens foram elaborados de forma que proporciona ao
usuário a compreensão do SRV;

•

Apresentação do SRV de forma geral;

•

É de fácil leitura e navegabilidade;

•

Apresenta ferramentas de busca e filtros;

•

Apresentação dos resultados das pesquisas realizadas;

•

O arranjo é claro, lógico e útil.

Atualidade: É o critério que visa avaliar as informações publicadas, sob a perspectiva da
atualidade, observando se estão devidamente adequadas neste aspecto. Observamos os
seguintes itens:
•

A data da última atualização do serviço;

•

Apontadores para notícias recentes;

•

Informações ou alertas sobre a inclusão de novos materiais;

Autoridade: É um critério que objetiva definir a qualidade do material a partir da reputação e
notoriedade do autor, editor, ou patrocinador. Analisamos este critério observando os
seguintes pontos:
•

Clareza sobre a manutenção e responsabilidade institucional do SRV;

•

Apresenta informações acerca do acervo, áreas de conhecimentos, autores, tipos de
materiais;

•

Informações relativas à equipe responsável pelo SRV.

Objetividade: É o critério que visa avaliar se a informação disponibilizada é clara, isenta,
imparcial, desprovida de tendências, ou propagandas e sob qual finalidade a informação foi
publicada. Observamos:
•

A apresentação das propostas, a missão e objetivos do Serviço na página;

3715

�•

A existência de alguma forma de propaganda ou tentativa de venda de algum produto
ou serviço.

Ferramentas de interatividade: é um critério escolhido para identificar

quais são os

instrumentos adotados pelo SRV para possibilitar o contato do Bibliotecário com o usuário.
•

Uso de redes sociais;

•

Disponibilidade de bibliotecários para a tarefa de consulta em linha;

•

Fale conosco, e-mails, telefones.

7. RESULTADOS
As duas bibliotecas analisadas realizam um trabalho interessante do ponto de vista do
serviço de referência e informação, percebemos que em ambas existe um processo de
mediação claro entre usuário e acervo, especialmente na biblioteca de São Paulo, onde
conseguimos constatar por meio do serviço fale conosco e redes sociais.
A biblioteca portuguesa possui na sua página da web o serviço de referência virtual,
disponibilizado como uma extensão dos serviços prestados na biblioteca física. Já a biblioteca
paulista reproduz o modelo da biblioteca virtual, sem espaço físico para armazenamento de
coleções, contudo, possui uma coleção organizada e disponibilizada por meio de ferramentas
tecnológicas e web.
Realizamos a pesquisa testando cada um dos serviços, por meio de simulação de
pesquisas por assuntos, percorrendo possíveis caminhos utilizados por usuários em busca de
informação, e testamos parte das ferramentas disponibilizadas nos dois serviços. As
simulações de pesquisa nos permitem as seguintes conclusões:
Em relação ao critério ACESSO os dois serviços apresentam os requisitos mínimos
relativos à agilidade e gratuidade: não exige o uso de softwares e browsers específicos para
acessar e/ou baixar as informações; o carregamento da página é rápido e descomplicado; não
solicita cadastro de usuário, ou seja, qualquer pessoa que precisar da informação poderá
acessar o serviço sem restrições e dificuldades.
No critério APARÊNCIA, os sites apresentam leiaute, imagens e cores adequadas para
leitura e compreensão do conteúdo. A biblioteca paulista apresenta links, resumos,
bibliografias, índices e indica as distinções dos documentos apresentados. Já a biblioteca
portuguesa apresenta os títulos dos documentos e ao clicar nos títulos esses remetem a ficha
catalográfica. Há uma coleção digital disponível que remete a ficha e ao documento em
formato pdf.

3716

�Em relação aos itens leitura e navegabilidade as bibliotecas apresentam informações e
ícones bem dispostos, organizados e estruturados, isso facilita a navegação, contribui para que
o usuário poupe o seu tempo na recuperação e busca da informação pretendida, são aspectos
positivos, que refletem e evidenciam uma preocupação com o usuário, uma arquitetura e um
design que permitem a facilidade de aprender a navegar, ou seja, reduz o tempo e os esforços
exigidos para alcançar agilidade e facilidade de uso, assim permitem ao usuário atingir o
estágio de usabilidade.
Na Biblioteca de arte existe uma apresentação formal do SRV, bem como de todas as
suas ferramentas e horários de atendimento. Já Biblioteca do governo de São Paulo, embora
não haja a explicitação que a página se constitui um serviço de referência, as informações
acerca do serviço torna possível compreender um trabalho interessante de mediação da
informação via web.
No item, Ferramentas de busca e filtros, simulamos pesquisas com alguns termos ou
frases, e o resultado foi o seguinte: a Biblioteca de arte oferece aos usuários filtros de
resultados, ou seja, ao apresentar os resultados da pesquisa o usuário pode refinar por data,
tipo de material e outros, mas se o usuário optar em fazer uma busca avançada com o uso de
combinação termos, por exemplo booleanos, o sistema busca não permite.
Durante o teste com a biblioteca de arte foram realizadas pesquisas com o termo “artes
na época medieval” para compreender a ferramenta filtros, tivemos que refazer a frase por
algumas vezes, por exemplo, “arte no período medieval” e “arte período medieval”, e ainda
assim não conseguimos recuperar a informação. Observamos que a falta de ferramentas de
busca avançada e o uso de frases provoca problema ao usuário para recuperar a informação
desejada.
Vale ressaltar que o catálogo da biblioteca de arte é estruturado por coleções, se por
um lado facilita a compreensão do acervo, por outro pode dificultar o acesso à informação se
o assunto pesquisado estiver contido apenas numa coleção específica. Essa é uma condição
que vai requerer conhecimento e experiência sobre estratégias de buscas por parte do usuário,
e nesse contexto, usuários novatos que não têm familiaridade com o uso de catálogos online
como fonte de informação, certamente enfrentariam problemas para encontrar os caminhos da
informação almejada.
No caso da Biblioteca paulista a busca não apresenta meios para filtrar ou combinar
termos, contudo a ferramenta de pesquisa possibilita a pesquisa por termos isolados ou frases,
e daí pode-se inferir que o catálogo foi estruturado de forma similar aos buscadores da
internet, ou seja, para recuperar informação independente da habilidade ou competência

3717

�informational do usuário - do leigo ao especialista. Simulando uma situação em que um
usuário desconheça estratégias de busca e queira pesquisar “poluição provocada pelo
trânsito”, conseguiu-se recuperar resultados pertinentes - informações e vídeos - com o termo
usado, e além dos resultados dos documentos da biblioteca, o site ainda aponta para outros
sites de busca na web no canto direito da página.
As duas bibliotecas apresentam arranjos claros, lógicos e úteis. A Biblioteca de arte ao
apresentar os resultados das buscas poderia fornecer também o resumo dos documentos, um
aspecto que facilitaria a tarefa do usuário na escolha da informação desejada.
Em relação ao critério ATUALIDADE, a Biblioteca de arte não foi aprovada em
nenhum dos itens, não divulga notícias e informações recentes sobre a inclusão de novos
materiais no acervo, além de não possuir alertas de novas informações. Esse aspecto pode
comprometer a escolha do usuário se houver alguma dúvida em relação à inclusão de novos
materiais e de informações publicadas recentemente. Como a biblioteca é um organismo em
crescimento, o acréscimo de novos materiais ou links que remetam a informação recente se
constitui em aspectos que evidenciam credibilidade, compromisso, e responsabilidade na
prestação de serviços de informação. Nós compreendemos que toda biblioteca deve manter
uma política permanente de atualização e seleção de novos documentos no seu acervo.
Já a biblioteca paulista mesmo não informando a data da última atualização, informa
de maneira satisfatória, notícias, informações recentes, bem como alertas de novos
documentos incluídos no acervo, no geral a biblioteca paulista apresentou melhores resultados
neste critério.
Em relação ao critério AUTORIDADE, observamos as questões referentes à
manutenção e responsabilidade institucional do SRV, descrição da equipe envolvida, e
apresentação de informações relativas a áreas de conhecimento, autores e tipos de materiais
ou documentos disponíveis. As duas bibliotecas apresentam com clareza as informações sobre
a responsabilidade institucional dos serviços, a de arte é a Fundação Calouste Gulbenkian e a
de São Paulo é a Subsecretaria de Comunicação da Casa Civil. Entretanto, as duas bibliotecas
não mencionam a equipe ou profissional responsável pelo SRV, podemos afirmar que ambas
deveriam dar mais destaque a responsabilidade específica do SRV, esse aspecto confere
credibilidade ao serviço, ao indicar os profissionais envolvidos. A biblioteca paulista nos
informou que possui uma equipe de especialistas responsáveis, coordenados por uma
bibliotecária, porém eles não são mencionados na página do serviço.
A biblioteca de arte apresenta informações sobre autores, coleções, tipos de materiais,
destacando as áreas de literatura e artes. A biblioteca paulista divide os assuntos por

3718

�categorias: cidadania, legislação e governo, São Paulo, turismo e temas diversos, mas sem
detalhes para autores e tipo de materiais, contudo, vale ressaltar que ela tem uma proposta
diferenciada, pois oferece um serviço de filtragem de informações em bases de dados de
recursos digitais disponíveis na Web, com uma interface agradável que auxilia o usuário na
busca pela informação, características presentes na literatura de Moreno e Santos.
Em relação ao critério de OBJETIVIDADE, as bibliotecas não expõem as propostas,
missão e objetivos dos SRVs. A divulgação da proposta, missão, e objetivos de um serviço de
informação, demonstram clareza em relação às razões da criação do serviço e a quem ele se
dirige. Além disso, o torna mais confiável, do ponto de vista da credibilidade.
Inexiste qualquer tipo de propaganda de produto ou serviço, o que representa um
aspecto positivo

garantindo

isenção,

imparcialidade

e responsabilidade

ao

serviço,

disponibilizado a uma grande massa de pessoas que buscam informação todos os dias na web.
A biblioteca de São Paulo disponibiliza informações sobre ações governamentais porque faz
parte da proposta do serviço, contudo não representa formas de propaganda do governo.
No critério FERRAMENTAS DE INTERATIVIDADE a biblioteca de arte teve um
desempenho longe do ideal na avaliação, não usa redes sociais, afirma em sua página possuir
bibliotecário disponível para consulta em linha, porém acessamos diversas vezes em
diferentes horários e não conseguimos realizar um teste, além disso, pedimos informações por
meio do serviço “fale conosco” e não tivemos resposta em tempo hábil.
Já a biblioteca do governo de São Paulo faz o uso de redes sociais, inclusive com links
em sua página principal, porém não possui bibliotecário para fazer consulta em linha, em
compensação o serviço “fale conosco” nos respondeu de forma satisfatória, fornecendo as
informações solicitadas rapidamente via serviço assincrônico. Podemos afirmar que a
biblioteca paulista teve um desempenho superior ao da biblioteca portuguesa, mesmo não
possuindo um serviço de consulta sincrônico.
Para sintetizar os resultados elaboramos um quadro que reúne os critérios e os
serviços, e os qualifica da seguinte da forma: SIM - quando atendeu a todos os requisitos;
PARCIALMENTE - quando atendeu parte dos requisitos; NÃO - ao não atender nenhum dos
requisitos.

3719

�Quadro 1: Síntese dos critérios

CRITÉRIOS
Acesso
Aparência
Atualidade
Autoridade
Objetividade
Interatividade

BIBLIOTECA ARTE
Sim
Parcialmente
Não
Parcialmente
Parcialmente
Não

BIBLIOTECA SP
Sim
Parcialmente
Sim
Parcialmente
Parcialmente
Sim

Ao observar o quadro podemos afirmar que a biblioteca paulista obteve um melhor
desempenho na avaliação da pesquisa, em função da eficiência de suas ferramentas de busca e
de processos de interação com o usuário, especialmente através do fale conosco e uso de redes
sociais. A bibliotecária nos respondeu rápida e eficientemente, nos fornecendo informações,
isso é muito importante, pois a atenção com o usuário é um fator primordial para um
atendimento de qualidade em unidades de informação,

seja ela física ou virtual.

Embora a biblioteca de arte tenha tido desempenho inferior, vale ressaltar como
ponto positivo a organização formal do serviço, apresentado como uma extensão do serviço
oferecido na biblioteca física, além de uma página dotada de leiaute agradável e com
requisitos básicos de navegabilidade e usabilidade.

8. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O serviço de referência virtual é um modelo de prestação de serviços que permite
racionalizar e aperfeiçoar tarefas que são realizadas nas bibliotecas físicas de forma
tradicional, aliado a comunicação em tempo real encurta as distâncias, reduz os custos, e
proporciona comodidade ao usuário que nem sempre tem disponibilidade para se deslocar até
a biblioteca. O SRV é uma atividade que está em consonância com a quarta lei da
biblioteconomia: “poupe o tempo do leitor” . Para Ranganathan (2009, p. 226) as bibliotecas
devem ofertar balcões de atendimento em posição visível para atrair a atenção do usuário
antes mesmo de ele usar a biblioteca.
O conceito de serviço de referência rápida e, a orientação para se colocar um balcão de
informação visível, é perfeitamente compatível com as características e objetivos pelos quais
os SRVS são criados. O SRV é um “balcão de informação disponível na WEB”, onde são
dadas respostas a perguntas de maneira rápida, objetiva e eficiente, de modo a atrair a atenção
do público leitor para que eles sejam usuários permanentes dos serviços ofertados.
O SRV também pode ser entendido por meio da quinta lei da Biblioteconomia: “A
biblioteca é um organismo em crescimento” . Conforme Ranganathan (2009, p. 241) “é um

3720

�fato biológico indiscutível que somente o organismo que se desenvolve é o que sobrevive.
Um organismo que pare de se desenvolver acabará por se paralisar e perecer” . A biblioteca se
renova e se expande por meio do uso da internet para ofertar serviços, divulgar seu acervo e
se comunicar com o usuário. O SRV é uma forma das bibliotecas crescerem, disponibilizando
novos serviços, atraindo e conquistando novos leitores, e assumindo novos formatos. Pois um
organismo em crescimento absorve matéria nova, elimina matéria antiga, se desenvolve e
assume novas aparências e formas.
Não restam dúvidas, quando uma biblioteca cria um SRV estará crescendo, se
modernizando, melhorando serviços e consequentemente ganhando novos clientes, além de
ser também uma estratégia de divulgação. É verdade que, para que essas tarefas se
concretizem existem requisitos básicos como, pessoal qualificado, recursos financeiros e
materiais, segundo Arellano (2001 p. 12) iniciar um SRV requer levar em consideração como
ele se encaixa na missão da biblioteca e na cultura da instituição, especialmente sua aceitação
pela gerência e demais pessoas envolvidas, para contar com a infraestrutura necessária para o
projeto. A criação do SRV não deve ser encarado como um custo ou gasto apenas, e sim
como um investimento para toda biblioteca que almeja crescer e satisfazer sua clientela.
Nosso trabalho procurou acrescentar novos conhecimentos sobre Serviços de
referência, apontando caminhos para avaliação de SRVs, demonstrando sua importância, seus
benefícios, e afirmando que uma de suas finalidades é potencializar a realização das
atividades do serviço de referência tradicional, ao aliar a tecnologia da informação ao serviço,
e procurar atender de maneira satisfatória e eficaz as necessidades informacionais dos
usuários.
A tecnologia é um aliado imprescindível na busca pela qualidade dos serviços, é nessa
perspectiva que o profissional bibliotecário deve estar preparado para encarar e vencer novos
desafios no dia a dia, provenientes das mudanças ocasionadas pelo surgimento de novas
tecnologias, executando funções em ambientes diversificados de trabalho, utilizando
diferentes ferramentas para realizar as tarefas primordiais de mediador e disseminador da
informação.

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Transinformação, Campinas, v. 8, n. 2, p. 65-82, maio/ago., 1996.
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de

Arte

Fundação

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Biblioteca

virtual

do

governo

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estado

de

São

Paulo:

http://www.bibliotecavirtual.sp.gov.br/index.php

3723

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>As novas tecnologias da informação favorecem o surgimento do serviço de referência virtual (SRV), trata-se de um novo modelo de serviço de referência onde o usuário conectado a Web pode realizar sua pesquisa com comodidade e eficiência de qualquer lugar através de acesso remoto, orientado pelo bibliotecário. O trabalho procura demonstrar que o SRV não é simplesmente a comunicação entre o usuário e o bibliotecário. Na verdade, trata-se de uma rede de conhecimentos técnicos disponíveis na web, organizados e pautados pelo trabalho de mediação da informação. Realizou-se a análise de duas bibliotecas virtuais que possuem as características de SRV, segundo critérios pesquisados e utilizados na área de Ciência da informação. Acrescentou-se a estes o critério ferramentas de interatividade. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, observando se as bibliotecas atendem os requisitos para o funcionamento do serviço de referência virtual.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

SERVIÇO DE REFERENCIA VIRTUAL DA HEMEROTECA DA REDE DE
BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE DE PASSO FUNDO: RELATO DE CASO
Fernanda Spíndola
Laíde Muhl
Schirlei Teresinha da Silva Vaz

RESUMO
Relata a experiência do setor de periódicos da Universidade de Passo Fundo com seu serviço
de referência virtual via correio eletrônico, oferecido aos seus usuários dos sete campi
espalhados em diferentes cidades do Rio Grande do Sul. Utiliza métodos quantitativos e
qualitativos para analisar as mensagens enviadas entre os meses de fevereiro e março de 2014,
analisando de forma mais aprofundada as questões com mais procura, Conclui destacando a
importância do serviço e a necessidade da implantação de novos recursos, como aplicativos e
redes sociais para atender melhor as demandas, expandindo para todos os setores de
atendimento da Rede de Bibliotecas.
Palavras-Chave: Serviço de referência; Serviço de referência virtual; Tecnologias da
informação; Bibliotecário de referência; Biblioteca universitária.

ABSTRACT
Reports the experience of the periodic sector of the University of Passo Fundo with your
virtual reference service via email, offered its users the seven campuses in different cities of
Rio Grande do Sul uses quantitative and qualitative methods to analyze the messages sent
between the months of February and March 2014, analyzing in more depth the issues in more
demand, concludes emphasizing the importance of service and the need to implement new
features like apps and social networks to better meet the demands, expanding to all sectors
service of the Library.
Keywords: Reference service; Virtual reference service; Information technologies; Reference
librarian; University library.

1 INTRODUÇÃO
Há muito o serviço de referência em bibliotecas universitárias vem sendo repensado e
readequado ao ritmo de sua nova comunidade acadêmica, comunidade esta que se encontra
cada vez mais inserida no meio virtual e consequentemente exige um serviço mais dinâmico,

3698

�com diferentes interfaces de atendimento. O serviço de referência virtual vem de encontro a
estas novas necessidades e está presente na grande maioria das bibliotecas universitárias,
sejam públicas e privadas. Seus serviços são dos mais variados, abrangendo bases de dados,
periódicos eletrônicos, tutoriais online, etc.
Para delimitação deste relato de caso, procuramos descrever a experiência do setor de
periódicos da Rede de Bibliotecas da Universidade de Passo Fundo (UPF), chamado
Hemeroteca, com seu serviço de referência virtual oferecido através de e-mail aos usuários
localizados nos sete campi da UPF, nas seguintes cidades do Rio Grande do Sul: Passo
Fundo, Carazinho, Casca, Lagoa Vermelha, Palmeira das Missões, Sarandi e Soledade. O
serviço oferecido através do e-mail do setor (hemeroteca@upf.br) busca atender somente
questões referentes a acesso às bases de dados, senhas de assinaturas eletrônicas de periódicos
e auxílio a levantamentos bibliográficos de artigos de periódicos. Para outras demandas de
referencia, a Rede de Bibliotecas oferece canais específicos, como os e-mails do Setor de
Referência e o Setor de Direção. Desta forma buscou-se identificar as principais demandas
dos usuários através da análise de dados e identificar necessidades de melhorias no serviço
prestado.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Analisando a linha do tempo das bibliotecas, podemos considerar o serviço de
referência uma atividade relativamente recente em sua história, conforme Grogan (2001) a
gênese dessa prática se deu somente ao final do século XIX, embora exista desde os
primórdios das unidades de informação, somente a partir deste período a comunidade
bibliotecária passou a aprimorar técnicas e desenvolver teorias a respeito. No decorrer das
últimas décadas, o surgimento das novas tecnologias da informação forçaram o
desenvolvimento de novas teorias e práticas acerca deste serviço, e mudanças consideráveis se
deram nos setores de referência, segundo Almeida Junior, (2003, p.56) “o serviço de
referência e informação deixa de ser um pequeno espaço isolado, caracterizado por uma mesa
onde se instalava um bibliotecário e uma estante com obras de referência”.
Dentro desta perspectiva, aliados ao avanço vertiginoso das tecnologias da
informação, surgiram os serviços de referência virtuais, o surgimento destas tecnologias
conforme Figueiredo (1996, p.38) permitiu que as unidades de informação oferecessem um
serviço de maior qualidade e com um custo aceitável. Outras vantagens determinantes como
aponta Moyo (2004, p. 223), é a determinação de um ponto de auxílio os usuários, aumento
da acessibilidade do profissional bibliotecário pela comunidade acadêmica e o acesso remoto

3699

�de usuários, fator determinante para bibliotecas universitárias com unidades distribuídas em
grandes áreas geográficas, como no caso da Rede de Bibliotecas da UPF.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Para a elaboração do presente relato de caso, foram utilizados métodos quantitativos,
sendo selecionados e-mails enviados entre o os meses de fevereiro de 2014 e de março de
2014 para o endereço eletrônico do setor de periódicos: hemeroteca@upf.br. Para a análise
documental (análise dos e-mails recebidos), foi utilizado o método qualitativo, verificando o
conteúdo de cada mensagem.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Conforme os dados analisados foram obtidos os seguintes dados parciais, apresentados
no gráfico a seguir:

Gráfico 1 - Resultados dos e-mails analisados.
□ Bases de Dados
(Acesso)
■ Cadastro Rede Cafe

13%

□ Senhas Periodicos
E letrô n ico s

□ Pesquisa Bibliográfica

Outros

Fonte: Gráfico elaborado pelas autoras

Ao total foram analisados 226 e-mails recebidos entre os dois meses selecionados.
Através dos dados parciais expostos no gráfico podemos observar a grande procura por
senhas dos periódicos eletrônicos assinados pela instituição, que oferece estas senhas aos seus
usuários para acesso fora da biblioteca, ao contrário da maioria das bibliotecas universitárias,
que permite somente acesso local no setor de referência. A grande procura por estes acessos
remotos demonstra a aceitação da comunidade a estas novas ferramentas, que permitem o
acesso de periódicos assinados pela universidade em dispositivos como tablets e smartphones.

3700

�Outra demanda considerável são as bases de dados, sendo a maioria dos
questionamentos acerca das bases de dados disponíveis, acesso e cadastro na Rede Acadêmica
Confederada (Rede Acadêmica Confederada), a procura por informações referentes a estes
acessos se justifica pelo trabalho de divulgação e capacitação junto aos cursos de graduação e
pós-graduação.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Considerando os dados analisados, podemos concluir que o serviço de referência
virtual se tornou tão vital quanto o serviço presencial, sendo um braço de longo alcance dos
profissionais bibliotecários.
Com o surgimento das novas tecnologias da informação, o serviço de referencia
virtual tornou-se uma importante ferramenta para os usuários, pois permite que as mais
variadas informações sejam acessadas facilmente, sem a necessidade de deslocamento físico
aos centros de informações. A rapidez com que as informações são obtidas, pelo usuário,
além da qualidade desta informação, torna o serviço de referência virtual um recurso
indispensável na construção do conhecimento.
Destaca-se também que o serviço de referencia virtual tornou-se uma importante ferramenta
de comunicação e marketing, colaborando de forma efetiva na divulgação de recursos
informacionais disponibilizados pela instituição.
Como estudo preliminar, consideramos o serviço de grande relevância para a
comunidade de usuários da Universidade de Passo Fundo, com bases nos dados coletados e
analisados, serão estudados novos recursos a serem implantados, como o desenvolvimento de
aplicativos para smartphones e tablets, bem como o uso de redes sociais no serviço de
referência virtual, não só no setor de periódicos mas em todos os setores de atendimentos ao
usuário.

6 REFERÊNCIAS
ACCART, Jean-Philippe. Serviço de referência: do presencial ao virtual. Brasilia, DF:
Briquet de Lemos, 2012.
ALMEIDA JUNIOR, Oswaldo Francisco de. Biblioteca pública: avaliação de serviços.
Londrina: Eduel, 2003. Disponível em:&lt;http://www.brapci.ufpr.br/download.php?dd0=18694
&gt;. Acesso em: 07 maio 2014.
FIGUEIREDO, Nice Menezes de. Textos avançados em referência e informação. São
Paulo: Associação Paulista de Bibliotecários, 1996. 167p.

3701

�GROGAN, Denis. A prática do serviço de referência. Brasília: Briquet de Lemos, 2001.
196p.
MOYO, L. M. Electronic libraries and the emergence of new service paradigms. The
Electronic

Library,

v.

22,

n.3,

p.

220-230,

2004.

Disponível

em:

&lt;

http://www.emeraldinsight.com/iournals.htm?articleid=862056&gt;. Acesso em: 08 maio 2014.
OLIVEIRA, Nirlei Maria; BERTHOLINO, Maria Luzia Fernandes. Usuários remotos e
serviços de referência (SR(s)) disponíveis nas home pages das bibliotecas universitárias. In:
SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 2000. Disponível
em: http://snbu.bvs.br/snbu2000/docs/pt/doc/t013.doc. Acesso em: 08 maio 2014.

3702

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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

SANÇÃO NA DEVOLUÇÃO: UMA PRÁTICA DE CARÁTER SOCIAL E
EDUCATIVO
Thais Cristiane Campos de Moraes

RESUMO
O presente trabalho tem como objetivo discutir o mecanismo de sanção na devolução de
documentos agregados a programas educativos, além de divulgar a prática de caráter social
dessa temática realizada na Divisão de Biblioteca (DIBD) da Escola Superior de Agricultura
“Luiz de Queiroz” (ESALQ). A metodologia consistiu de um estudo sobre o tema e
benchmarking com outras bibliotecas universitárias. Foi desenvolvido um projeto
denominado “Semana do Perdão”, que constituiu na promoção de uma campanha de
conscientização e recuperação do material em atraso, utilizando como caráter educativo
doações de leite. O resultado foi alcançado, considerando a realização da campanha e a
recuperação de 52,3% dos materiais em atraso, num total de 168 obras, além de arrecadar 98
litros de leite que foram doados a uma entidade social. Os resultados permitiram ainda
visibilidade externa e repercussão positiva à imagem da DIBD, sinalizada como uma prática
de sucesso a ser seguida. Cabe ressaltar que as mudanças e os desafios ocorridos nas
bibliotecas obrigam os seus profissionais a um questionamento e a uma avaliação quanto aos
serviços prestados, com vista a ações e atitudes educativas frente ao cenário social
contemporâneo.
Palavras-chave:
Sanção;
Suspenção em bibliotecas; Formação profissional;
Responsabilidade social

ABSTRACT
This paper propose to discuss about penalty mechanism in returning documents aggregated
educational programs, and promote social pratice of this theme realized at the Divisão de
Biblioteca (DIBD) in Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ). The
methodology consisted of a study about the theme and benchmarking with other libraries
university. Was developed a project called "Semana do Perdão" to promote an awareness
campaign and recovery of overdue materials, using donations of milk as education character .
The result was achieved considering the realization of campaign and 52.3% recovery of
material in arrears, a total of 168 books, in addition to collect 98 liters of milk were given a
social entity. The results also allowed external visibility and positive impact on the image of
DIBD, signalized as a successful practice to be followed. It is noteworthy that the changes
and challenges occurring in libraries require their professionals to questioning and a review
about the services provided in order to actions and attitudes against the contemporary social
scene.
Keywords: Penalty; Suspension in libraries; Professional formation; Social responsibility

3686

�1 INTRODUÇÃO
O presente trabalho tem como objetivo geral discutir o mecanismo de sanção na
devolução de documentos agregados a programas educativos, além de divulgar a prática de
caráter social dessa temática realizada na Divisão de Biblioteca (DIBD) da Escola Superior de
Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ).
O empreendedorismo social como prática a ser desenvolvida pelas bibliotecas
enquadra-se na reflexão sobre a importância de estarmos atentos a necessidades e
oportunidades que consolidam o papel social das bibliotecas perante os novos desafios da
sociedade contemporânea.
Nesse contexto, foi desenvolvido pela DIBD um projeto denominado “Semana do
Perdão” que constituiu na promoção de uma campanha de conscientização e recuperação do
material em atraso. A proposta visou contribuir com a política de responsabilidade social da
instituição, de modo a apoiar e beneficiar entidades sociais em ações voluntárias.
O trabalho se justifica uma vez que permitiu conscientizar os usuários da importância
da pontualidade na devolução do material emprestado, utilizando doações de leite como
caráter educativo, e não meramente punitivo. Possibilitou aos usuários inadimplentes, a
regularização da pendência referente à devolução das obras na Biblioteca da ESALQ de modo
a liberá-los para uso dos serviços de Empréstimo Unificado, COMUT e EEB.
Os objetivos específicos foram: recuperar os materiais bibliográficos com devolução
em atraso, permitindo a disponibilidade das obras para outros usuários que tenham interesse
no documento; aproveitar os benefícios da campanha de “anistia” em prol da responsabilidade
social; proporcionar vantagens ao usuário para regularizar sua situação com a biblioteca,
reforçando a importância do cumprimento do regulamento e alertando sobre os compromissos
assumidos.
Além de contribuir com o debate sobre a temática, iniciativas como esta buscam
evidenciar o papel da biblioteca na formação de futuros profissionais não apenas no âmbito do
desenvolvimento acadêmico e da pesquisa, mas também no desenvolvimento ético e social de
seus usuários.

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
A busca por referências bibliográficas sobre a temática permitiu identificar a quase
inexistência de abordagens nessa frente de trabalho, levantando a hipótese de que há pouca
motivação dos profissionais da área em discutir a sanção na devolução de documentos aliados
a programas educativos.

3687

�Partindo do princípio que a universidade tem um efeito transformador na sociedade, é
um espaço de formação e produção de conhecimento, também deve formar cidadãos capazes
de reforçar a importância de sua atuação na sociedade, o cumprimento de direitos e deveres,
promovendo ações educativas para a construção da cidadania.
Assim, projetar novas ações a serviço da comunidade, somando esforços e
estimulando parcerias em todos os níveis e áreas de conhecimento, pode ser um processo que
leva à compreensão de que a questão social com a qual nos deparamos no momento atual
pode ser amenizada através dos caminhos da ciência.
Em paralelo, Souza (2013) enfatiza que
a biblioteca universitária deve atuar não apenas como facilitadora
do acesso à informação, mas também como co-participe no
processo de formação de profissionais capazes de compreender e
exercitar a ética, a experiência coletiva e a cidadania.

Em se tratando de bibliotecas brasileiras, Santos et al. (2013) enfatiza que “é muito
comum a adoção da suspensão do usuário dos serviços da biblioteca quando esses atrasam na
devolução de documentos que tomam por empréstimo”.
Entretanto, parece que muitos profissionais se esquecem que a biblioteca tem uma
“razão de ser” que precisa estar acima dos demais interesses. Souto (2005) comenta que “a
principal razão de existência de uma Unidade de Informação consiste em permitir que a
informação circule e não apenas esteja à disposição dos usuários”.
Para Souto (2005), ainda que a biblioteca dentro de um ambiente acadêmico exista
para auxiliar o processo de ensino aprendizagem, como fica o impedimento de utilizar seus
serviços quando o aluno atrasa o livro? “Será que essa deve ser a preocupação de um
bibliotecário? Será que é assim que ele se tornará um cidadão consciente?”
Com uma visão mais abrangente Souza (2013) crê que
uma atitude educativa frente o expediente da sanção e a outras
demandas passíveis de ação da biblioteca universitária poderá
corroborar com a missão da universidade, despertando na
consciência da comunidade a qual serve o sentido de
responsabilidade para com o patrimônio público.

Para o autor, a questão maior é a necessidade de educar:
uma vez que a realidade demonstra que na cultura brasileira há
séria fragilidade de educação para o uso correto do patrimônio
público e da consciência de responsabilidade social devida por
cada cidadão, independente da classe social e do poder econômico
do sujeito, no caso o usuário.

3688

�Nesse paralelo, Santos et al. (2013) comenta a realidade dos profissionais
bibliotecários e aborda “à carência de empenho para formação continuada e a formação de
competências para o desenvolvimento de reflexões críticas, capazes de elaborar programas
educativos que envolvam a comunidade”.
Para Souza (2013), a concepção de valor e sentido das práticas de trabalho do
profissional da informação tem sua origem nas diretrizes de atuação da categoria, com uma
concepção ainda tecnicista, sinalizando a necessidade de cada bibliotecário refletir sobre o
pensamento coletivo.
Segundo Santos et al. (2013):
os profissionais da informação começam a perceber que a
relação biblioteca e usuário não podem limitar-se à simples
prática mecânica de receber e emprestar documentos, punir os
que não cumprem as regras ou prestar informações automáticas
sem qualquer comprometimento com a sua educação global.
Tais argumentos validam a iniciativa do desenvolvimento do projeto apresentado
denominado “Semana do Perdão”, promovendo a conscientização dos usuários e a
recuperação do material em atraso. Permite criar cidadãos conscientes de seu papel na
sociedade, tendo em vista a responsabilidade social. Além disso, é possível constatar a visão
alargada dos profissionais nas demandas exigidas e nos novos papéis do bibliotecário frente
às constantes mudanças.
Este cenário reflete parte da realidade com o qual os profissionais da informação tem
que conviver e necessariamente transformar. O debate acerca do tema possibilita estimular a
reflexão, principalmente sobre o comportamento em nosso campo de atuação e o papel que
nele desempenhamos. Segundo Souto (2005), quanto mais consciência tivermos de nosso
verdadeiro papel na sociedade e da responsabilidade social, maior será a possibilidade de
conseguirmos modificar nossa postura profissional.

3 MATERIAL E MÉTODOS
A metodologia utilizada iniciou com um estudo sobre o assunto e benchmarking com
outras bibliotecas universitárias, de modo a agilizar o procedimento por meio da aplicação
customizada de práticas de sucesso de organizações similares.
Para o desenvolvimento do projeto foi realizado um planejamento, constituído por
ações, equipes, prazos e meta, conforme ilustrado na tabela 1.

3689

�Tabela 1 - Descrição das ações do projeto
Ação Atividade
1

2

Equipe

Datas

% Status

Planejamento: realizar benchmarking, definir Campanha
(projeto piloto) e equipe, estabelecer critérios /metodologia/
divulgação e formato para pesquisa de satisfação
(viabilidade da proposta) para se tornar sistêmica.
Encaminhar à divulgação já elaborada e os meios de
comunicação de interesse (público alvo) ao Processo
responsável.

3
Realizar a Campanha na DIBD e aplicar a pesquisa de
satisfação aos usuários participantes
4
Compilar os dados da pesquisa de satisfação e apresentar os
resultados do projeto piloto à gerente de Projetos.

O período definido para a campanha inicialmente foi aleatório, porém houve a
possibilidade em atrelar de forma estratégica ao evento “Semana do Livro e da Biblioteca”,
considerando a possibilidade de uma maior circulação de usuários na biblioteca.
A campanha foi direcionada aos usuários inscritos na DIBD de modo que trocassem a
sua suspensão (prevista no regulamento) por doação de leite. A regra foi aplicada para a
suspensão de material(is) devolvido(s) em atraso(s) e para o desbloqueio da suspensão já
aplicada nas bibliotecas da ESALQ, no período da campanha, sendo considerado doação de 1
litro de leite integral para cada material em atraso.
A participação na campanha foi voluntária, ou seja, o usuário poderia optar pela
suspensão padrão.
Para o bom andamento e gerenciamento do projeto, foram utilizadas algumas
ferramentas de controle. Dentre elas:
• Materiais para controle estatístico dos participantes na campanha (Figura 1):

Estatística - Semana do Perdão na DIBD (29/10 a 06/11/13)

Selecione a Categoria
No.USP / Quantidade Devolução de Desbloqueio
ID
de doação
material
em suspensão
atraso
aplicada

Data

de Observação
já

/
/

Figura 1 - Estatísti ca de controle

3690

�• Pesquisa sobre a proposta da “Semana do Perdão” para avaliar o impacto ocorrido
sobre a estratégia adotada (Figura 2):

Figura2 -P esquisade opinião sobr e a campanha
C om o soube da C a m panha?
Faceb ook

C a rta z e s

I- ! B a lc ã o d e e m p ré stim o

E -m a il

C o le g a s

O u tro s :____________________________________

V o c ê a c h a q u e a “S e m a n a do p e rd ã o ” d e v e ria a c o n te ce r a n u a lm e n te ?
S im

N ão

O q u e v o c ê pre feriria d o a r?
I- ! Leite

A lim e n to n ão p e re cív e l

O u tro s :_________________________

C a s o já te n h a a tra s a d o na d e v o lu ç ã o d e m aterial, q u a l o p rin cipal m otivo ?
E s q u e c im e n to d a d a ta d e d e v o lu ç ã o

I

I D e s c o n h e c ia a “R e n o v a ç ã o o n lin e ”

E x e m p la r ú n ico e co m b a stan te p ro cu ra p e lo s a lu n o s
|~~| O u tro s :____________________________________

•Informações para divulgação no site da DIBD (Figura 3):

Figura 3 - Conteúdo do site da DIBD

3691

�• Conteúdo paa divulgação nos diversos meios de comunicação: facebook, e-mail
ACOM, Twitter, cartazes (Figura 4):

Figura 4 - Cartaz de divulgação
Está com material atrasado na Biblioteca?
Bloqueado para fazer empréstimo?

Participe da Semana do Perdão
D e 29/10 a 01/11/2013, o s u su á rios in scritos nas
B ib lioteca s d a E S A L Q (Central e L E S ) po derão tro car sua
su s p e n sã o por d o a çã o d e leite.

• Tutorial de apoo na operacionalização da rotina para orientar a equipe no subsistema
de Circulação do Aleph.
• Espaço adequado para armazenamento das doações.

Durante a fase de desenvolvimento do projeto foi prevista a análise de riscos, cuja
finalidade foi identificar as ameaças mais prováveis de ocorrência, analisando as
vulnerabilidades encontradas na organização e possibilitando a tomada de decisão em relação
as suas soluções ou redução de ocorrências.
Desse modo, o principal risco identificado e que poderia impactar no sucesso do
projeto foi em relação a não aceitação dos usuários quanto a proposta da campanha realizada.
E o maior desafio para o alcance do objetivo proposto foi idealizar e promover algo
atraente de modo a proporcionar vantagens aos usuários para que ocorresse a devolução das
obras em atraso, aliando a responsabilidade social.

4 RESULTADOS
Esta atividade, desenvolvida como um projeto piloto, foi incorporada a sistemática da
DIBD e será adotada pelo “Processo Atendimento e Orientação ao Usuário” anualmente.
A meta desse projeto foi alcançada, uma vez que houve a realização da campanha e a
recuperação de 52,3% (88) dos materiais em atraso, num total de 168 obras, sendo os
indicadores e metas representados na figura 5.

3692

�Figura 5 - Indicadores e metas

A campanha obteve omo resultado 98 litros de leite que foram doados tanto para a
troca de suspensão, como voluntariamente por outros usuários que aprovaram a proposta.
Pela parceria já existente com a DIBD, as doações foram encaminhadas ao CACC Centro de Apoio a Crianças com Câncer, localizado em Piracicaba. A entidade atende
portadores de neoplasia (câncer) e doenças hematológicas, sem condições financeiras
(total/parcial), oferecendo suporte na alimentação, medicação, fraldas, leite, suplementos e
complementos alimentares, entre outros, proporcionando uma melhor qualidade no tratamento
de seus pacientes.
A pesquisa realizada junto aos usuários no balcão de atendimento demonstrou que a
campanha teve um impacto positivo, sendo aceita por 100% dos respondentes (152 pessoas) e
sinalizada por eles como uma iniciativa que deveria ocorrer anualmente, bem como a proposta
para a realização da campanha mensalmente (2 pessoas) e semestralmente (1 pessoa).
Através da pesquisa foi possível identificar quais dos formatos de divulgação obteve
maior alcance aos usuários, evidenciada no gráfico 1.

3693

�Gráfico 1 - Canal de divulgação
66

Balcão de
em préstim o

E-mail

Cartazes

Facebook

Colegas

Os usuários respoderam também sobre a preferência pelo tipo de doação a ser feita,
em campanhas dessa natureza, representada no gráfico 2.

Gráfico 2 - Preferência pelo tipo de doação

100

leite

a lim ento não perecível

Estraificando essa pergunta, houve ainda outras observações dos respondentes, como:
- Alimento e Leite = 14 pessoas
- Leite, Alimento e Outros (leite em pó) = 6 pessoas
- Leite e Outros (“qualquer coisa”) = 2 pessoas
- Sabonete e pasta de dente = 1 pessoa

A pesquisa permitiu ainda detectar qual o principal motivo dos atrasos na devolução
de material, conforme apresentado no gráfico 3.

3694

�Gráfico 3 - Motivo do atraso na devolução
88

27

20

13
4

Esquecim ento da

Nunca atrasaram

Exem plar único e

D esconhecia a

data de devolução

m aterial

com bastante

"renovação on-

procura

line"

O utros

Estratiicando a opção “Outros” motivos de atraso na devolução, temos: “Para terminar
a leitura”; “Prazo curto”; “Viagem sem acesso à internet”; “Esqueci-me da renovação on­
line”; “Livro foi roubado junto com a mochila”; “Não possuir computador e deixar para
última hora”; “Viagem”, “Queria ficar mais tempo com o livro”, “Esquecimento do material
em outro Estado”.
Comentários, sugestões e elogios também foram registrados na pesquisa pelos
usuários, tanto da campanha, quanto de ordem técnica e operacional do empréstimo, o que
demonstra sucesso da proposta realizada:
• “Excelente a iniciativa! Acredito inclusive que poderia ser maior a relação de troca,
como 3 litros de leite por material atrasado, tenho essa posição em face do grande número de
dias de punição que serão perdoados”.
• “Muito bom, adorei a iniciativa, poderia ser realizado mais vezes”.
• “Essa campanha deveria acontecer todo o tempo, ajudaria muitas instituições”.
• “Ótima campanha”.
• “No site do DEDALUS poderia ter um tutorial explicando todas as operações que
são possíveis realizar no site”.
• “O sistema está enviando e-mail de aviso somente 1 vez (7 dias antes) depois já é
enviado o e-mail da cobrança”.
Os resultados permitiram ainda visibilidade externa e repercussão positiva à imagem
da DIBD com a proposta da “Semana do Perdão”. A divulgação através do facebook à

3695

�comunidade, aos profissionais da área e às outras bibliotecas, obteve inúmeros elogios e um
alcance em mais de 1750 pessoas que “curtiram” a campanha e a compartilharam como uma
prática de sucesso a ser seguida.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As mudanças e os desafios ocorridos nas bibliotecas obrigam os seus profissionais a
um questionamento e a uma avaliação quanto aos serviços prestados. O mesmo se passa com
os papéis desempenhados pelos bibliotecários que devem refletir sobre a natureza, os
objetivos e a missão das bibliotecas, os seus conhecimentos, competências e papel
profissional, tendo em vista ações e atitudes educativas frente ao cenário social
contemporâneo.
Além de alcançar o objetivo proposto na recuperação das obras em atraso e na
conscientização dos usuários quanto ao uso do patrimônio público, o projeto contribuiu
também com a política de responsabilidade social da DIBD, uma vez que resultou no
desenvolvimento de ações éticas e socialmente responsáveis voltadas à comunidade,
despertando nos usuários a consciência da cidadania.
Entretanto, convergindo com a proposta de Santos et al. (2013), observou-se que é
necessário o debate sobre a questão da sanção por atraso na devolução de documentos,
elaborando um modelo coerente e educativo.
Pretende-se compartilhar esse projeto e a metodologia utilizada (proposta,
procedimentos, ferramentas utilizadas e resultados) com o Sistema de Bibliotecas da USP
(SIBi) de modo a propor uma campanha sistêmica para as bibliotecas da USP, considerando
que ações integradas podem ser um ótima estratégia para a transformação da situação atual,
incorporando tais práticas no cotidiano das bibliotecas.

REFERÊNCIAS
SANTOS, S.M.D. et al. Biblioteca universitária e sanção por atraso na devolução de
documentos: punir ou educar: qual é o projeto? In: CONGRESSO BRASILEIRO DE
BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 25., 2013,
Florianópolis. Anais... Disponível em: &lt;http://portal.febab.org.br/anais/article/view/1614&gt;.
Acesso em: 22 abr. 2014.
SOUTO, L.F. O profissional da informação em tempos de mudanças. Campinas: Ed.
Alínea, 2005. 102 p.

3696

�SOUZA, F.C. de. Valor e sentido do código de ética do CFB (Conselho Federal de
Biblioteconomia) [CE-CFB] para o bibliotecário brasileiro atuante em biblioteca
universitária: relatório de pesquisa. Marília: UNESP, Faculdade de Filosofia e Ciências,
Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, 2013. 186 p. Disponível em:
&lt;http://eprints.rclis.org/18817/7/relatorio%20cientifico%20FINAL.pdf&gt;. Acesso em: 12 abr.
2014.

3697

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>O presente trabalho tem como objetivo discutir o mecanismo de sanção na devolução de documentos agregados a programas educativos, além de divulgar a prática de caráter social dessa temática realizada na Divisão de Biblioteca (DIBD) da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (ESALQ). A metodologia consistiu de um estudo sobre o tema e benchmarking com outras bibliotecas universitárias. Foi desenvolvido um projeto denominado "Semana do Perdão", que constituiu na promoção de uma campanha de conscientização e recuperação do material em atraso, utilizando como caráter educativo doações de leite. O resultado foi alcançado, considerando a realização da campanha e a recuperação de 52,3% dos materiais em atraso, num total de 168 obras, além de arrecadar 98 litros de leite que foram doados a uma entidade social. Os resultados permitiram ainda visibilidade externa e repercussão positiva à imagem da DIBD, sinalizada como uma prática de sucesso a ser seguida. Cabe ressaltar que as mudanças e os desafios ocorridos nas bibliotecas obrigam os seus profissionais a um questionamento e a uma avaliação quanto aos serviços prestados, com vista a ações e atitudes educativas frente ao cenário social contemporâneo.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

SALÃO DE LEITURA DA BIBLIOTECA NILO PEÇANHA DO IFPB CAMPUS
JOÃO PESSOA: uma questão de leitura, formatos e suportes
Lucrécia Camilo Camilo de Lima

RESUMO
Estudo realizado com os usuários do Salão de Leitura da Biblioteca Nilo Peçanha (BNP), do
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB), campus João Pessoa,
com o objetivo de investigar as necessidades de informação dos usuários reais da referida
biblioteca, no que se refere a tipos de suportes e formatos de leitura, tendo em vista o novo
contexto de leitura virtual e os novos modelos de suportes/formatos, com a web e as novas
tecnologias da informação e comunicação. A metodologia aplicada foi estudo de caso com a
técnica de questionários com perguntas objetivas e subjetivas. Tivemos como base os
assuntos: necessidades de informação, formatos e suportes de informação para a leitura,
leitura e bibliotecas universitárias. Resultados apontam que a predominância no gênero dos
usuários reais do Salão de Leitura da BNP, foi o sexo masculino. E, na categoria técnicos e
superior, os que mais responderam as questões da pesquisa foram os cursos técnicos e
superiores: os técnicos com 50% e superior com 38%, o menor índice foi para os cursos da
categoria tecnológicos, com 12%. E as faixas etárias que obtiveram um maior índice foram:
13 a 18 anos e 18 a 25 anos, para os cursos técnicos e cursos superiores, respectivamente.
Entre as preferências dos usuários reais por suportes/formatos de leitura: os livros impressos e
as leituras através da web obtiveram um maior índice. Pretende-se através desse estudo
colaborar para que a BNP, possa planejar e tomar decisões assertivas na seleção, aquisição
de livros e formatos/suportes de leitura, conforme as necessidades demandadas nessa
pesquisa, a fim de tornar os serviços com eficiência e buscar a satisfação dos usuários da
BNP.
Palavras-Chave: Necessidades informacionais. Estudo de usuários. Formato de leitura.
Suporte de leitura. Biblioteca universitária.
ABSTRACT
Study conducted with users in the Hall Library's reading Nilo Peçanha ( BNP ) , of the
Federal Institute of Education , Science and Technology of Paraiba ( IFPB ) , Joao Pessoa
campus , aiming to investigate the information needs of real users of that library, in respect to
media types and formats of reading , given the new context of virtual reading and new types
of media / formats , with the Web and new technologies of information and communication .
The methodology was applied to the case study technique questionnaires with objective and
subjective questions . We are building upon the issues : information needs, and information
media formats for reading and academic libraries . Results indicate that the prevalence in the
genre of real users of the lecture hall of the BNP , was the male. And in technical and higher
category were most likely answered the survey questions : technicians with 50 % and above
38% , the lowest rate for the courses was the technological category , with 12 % . And that

3670

�age group had the highest rates were: 13-18 years and 18-25 years, for the technical courses
and higher, respectively courses . Between the preferences of actual users for media / reading
formats : printed books and readings through the Web had the highest index. Through this
study we intend to cooperate so that the BNP can plan and make assertive decisions in the
selection , purchase of books and formats / media read as the needs required , in this research ,
in order to render the services efficiently and seek satisfaction users of the BNP.
Keywords : informational needs . User's study. Reading format . Support reading. University
library.

1 INTRODUÇÃO
A internet é considerada por muitos como um dos grandes fenômenos do
desenvolvimento das sociedades humanas. Como tipos móveis de Gutenberg
ou a televisão, ela também altera as relações econômicas, sociais, políticas e
culturais. Hoje, já não se trata de ser contrário ou favorável a este fato, mas
compreendê-lo e utilizar o seu potencial informacional hospedado nas redes
interativas multimídias internacionais (CUNHA, 2010, p. 148).

O contexto atual das

bibliotecas universitárias demonstram o poder das novas

tecnologias - quem adquire conhecimento e sabe manusear essas novas ferramentas e
suportes torna-se imbuído de poder, pois o conhecimento/saber gera poder. As bibliotecas
possuem responsabilidade

educativa e social para com os usuários e um dos objetivos é

disseminar a informação, ou seja, fazer movimentar a informação e atender as buscas
oriundas dos usuários - estudantes, funcionários, professores e pesquisadores. Ao
disponibilizar documentos/material adequados aos estudos e pesquisas, ela estar cumprindo
seu papel educativo. Geralmente, as bibliotecas universitárias dispõem de uma extensa lista
de produtos e serviços de informação para que os usuários possam estudar no próprio
recinto, ou até mesmo em outros locais através da internet. As bibliotecas dependendo da
categoria em que estejam - escolar, pública, especializada

ou universitária, simples ou

sofisticada todas tem seu papel educativo e social. Resgatam história, nos âmbitos: local,
regional no país e global. Nos últimos anos estamos vivenciando muitas mudanças - antes os
livros, revistas e demais veículos de leitura somente estavam disponíveis de forma impressa.
No entanto, atualmente, existem uma vastidão de formatos e suportes para se fazer uma
leitura, e, como

seria difícil ou para melhor dizer impossível imaginar a aquisição do

saber/conhecimento sem a presença de livros para através da leitura chegar a informação
desejada. O que dizer dos leitores/usuários de bibliotecas ou unidades de informação diante de
uma imensidão de recursos informacionais? O que é mais interessante? A leitura com livros
impressos ou em outros formatos? ou seja, como esses usuários preferem fazer as suas buscas

3671

�por informação : através de livros convencionais ou com outros novos formatos? Quais são
as preferências informacionais? Em termos de formatos para leitura? O que preferem ler livros impressos, ou a leitura através da Web, E-Books, CD-Rom, Smartfones, Tablet...etc.?
Através desses

questionamentos decidimos

desenvolver esse estudo, observando essas

questões - para saber quais as necessidades informacionais dos usuários reais do Salão de
Leitura da Biblioteca Nilo Peçanha, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia
da Paraíba, campus João Pessoa.
A Biblioteca Nilo Peçanha é considerada universitária por atender aos cursos
superiores nas categorias: licenciatura, bacharelado e tecnológicos. Todavia, ela também
oferece seus produtos e serviços a outras modalidades de cursos técnicos: nas modalidades
integrados e subsequentes, além de atender aos alunos dos cursos PROEJA - uma modalidade
de educação de jovens e adultos e a Pós-Graduação Lato Sensu e Stricto Sensu:
especialização, mestrado e doutorado. Com

esse estudo pretendemos verificar os

questionamentos ora levantados. O IFPB, disponibiliza cursos

nas categorias: técnico,

superior e tecnológico. Esse Instituto foi instituído através da Lei 11.892 de 29 de dezembro
de 2008,

de Centro Federal de Educação e Tecnologia para Rede Federal de Educação

Profissional e Científica, e concebidos em 2008, possui perfil diferenciados pois,

em uma

mesma Instituição, oferece diferentes modalidades de ensino, reformulados. Eles são dotados
dos seguintes objetivos estabelecidos pela Lei ora citada, através do art. 7°, que estabelece:

Ministrar Educação Profissional, Tecnológica e Técnica de nível médio,
ministrar, em nível de Educação superior: a) cursos superiores de tecnologia;
b) cursos de licenciatura; c) cursos de bacharelado e engenharia, visando à
formação de profissionais para os diferentes setores da economia e áreas do
conhecimento; d) cursos de pós-graduação lato sensu de aperfeiçoamento e
especialização, visando à formação de especialistas nas diferentes áreas do
conhecimento; e) cursos de pós-graduação stricto sensu de mestrado e
doutorado, que contribuam para promover o estabelecimento de bases
sólidas em Educação, Ciência e Tecnologia, com vistas ao processo de
geração e inovação tecnológica (BRASIL, 2008, apud LIMA; ALMEIDA,
2013).

2 CONTEXTO DA PESQUISA
O contexto da pesquisa foi o Salão de leitura localizado no piso superior da Biblioteca
Nilo Peçanha do IFPB, campus João Pessoa, ao lado do Acervo geral, possui mesas e
cadeiras adequadas com ambiente climatizado para estudo individual e em grupo. O acervo
geral é constituído por livros técnicos, didáticos, literatura, artes,

religião, entre outros

assuntos do conhecimento humano, totalizando 27.000 exemplares. O acervo é formado por

3672

�livros impressos, periódicos; obras de referências e a produção acadêmica: TCC, dissertação e
tese de doutorado além de possuir materiais em CD-Rom e DVD, uma base de dados de
livros - Ebrary e um Portal de periódicos da CAPES. O ambiente é composto de: recepção,
guarda volumes, empréstimo, salão de estudo, sala de computadores, hall de exposição, salão
de leitura, cabines para estudo individual, setor de coleções especiais, processamento da
coleção, assistência ao usuário, e o acesso é livre até as estantes. Com essa pesquisa pretendese descobrir quais as preferências informacionais no tocante a: suportes informacionais de
leitura, cujo objetivo é descobrir quais são as preferências de informação dos usuários reais da
BNP, a pesquisa foi realizada no Salão de leitura, com os usuários reais in loco. O IFPB,
campus João Pessoa oferece a sua clientela os seguintes cursos, de acordo com o quadro 1, a
seguir:

Quadro 1 - Cursos disponibilizados pelo IFPB, campus João Pessoa, ao público
Categoria

Cursos

Cursos
superiores
tecnologia

de

Cursos
superiores
de
licenciatura
Cursos
superiores
de
bacharelado
Cursos
técnicos
integrados
Cursos
técnicos
subsequentes
Pós-Graduação
Lato

Sensu
Pós-Graduação
Sensu

Stricto

Automação industrial, Construção de Edifícios, Design de
Interiores,
Geoprocessamento, Gestão Ambiental,
Gestão
Comercial, Negócios Imobiliários, Redes de Computadores,
Sistemas para internet, Sistemas de Telecomunicações.
Química e Letras a distância com habilitação em português
Administração, Direito e Engenharia Elétrica
Contabilidade, Controle Ambiental, Edificações, Eletrônica,
Eletrotécnica, Mecânica e Instrumento Musical
Edificações, Eletrônica, Eletrotécnica, Equipamentos Biomédicos,
Instrumento Musical, Mecânica, Secretariado, PROEJA
Aperfeiçoamento e Especialização.
Mestrado e Doutorado.

Fonte: www.ifpb.edu.br

3 NECESSIDADES INFORMACIONAIS

A compreensão das necessidades de cada indivíduo em relação à informação
é complexa e se modifica constantemente. O conhecimento do usuário é a
base
da orientação e da concepção dos serviços de informação,
considerando suas características, atitudes, necessidades e demandas. Esses
serviços devem ser planejados de acordo com os usuários e a comunidade a
ser atingida, com a natureza de suas necessidades de informação e seus
padrões de comportamento na busca e no uso da informação, de modo a
maximizar a eficiência de tais serviços (DIAS; PIRES, p.7, 2013).

3673

�Essa compreensão dessas necessidades dos usuários em relação à informação realmente,
como bem expressa a autora acima - é complexa e difícil, pois, há mudanças constantemente
nos usuários, e saber o que o usuário realmente quer torna-se tarefa complicada pois requer
dos gestores conhecimento dessas necessidades, e não vislumbramos outro modo de conhecer
a não ser, realizando estudos. A palavra necessidade segundo o Dicionário de Aurélio quer
dizer privação dos bens necessários, indigência, pobreza, passar por privações e o verbo
necessitar explora melhor o que queremos expressar sobre necessidade: sentir necessidade
de; exigir, reclamar, precisar de algo, ter necessidade ou obrigação de. No contexto da
biblioteca, os usuários precisam de material para fazer suas pesquisas e as suas necessidades
são por livros, revistas, acesso a internet e o de melhor que unidade de informação possua
para poder cumprir suas tarefas escolares ou algo mais, além do que imaginamos. Traduzir
essas necessidades torna-se

tarefa

difícil sem o conhecimento dessas preferências por

informação que eles possuem. Como afirma Ranganathan (1931), na sua primeira Lei da
Biblioteconomia - ‘os livros são para usar’

significa dizer que os livros/materiais das

bibliotecas devem estar em conformidade com as necessidades dos seus usuários, para que
haja uso, porque a biblioteca somente tem sentido se seus produtos/ serviços tiverem alguma
utilidade, ou seja, se forem usados.
E o que é necessidade? Entende-se por necessidade a carência por informação que o
usuário demonstra e quer adquirir para realizar suas tarefas escolares ou não. Eles podem
querer informação além dos muros escolares. Assim, existe a internet para sanar essas
necessidades. Atualmente, os usuários além de procurar informação dentro da biblioteca,
podem fazer suas pesquisas de qualquer lugar, e usar formatos e suportes diversos até
mesmo de um telefone mais sofisticado como um Smartfone. Em questão de segundos ele faz
um giro virtual ao mundo através da Web, por qualquer suportes/formatos que chegue até a
informação, pois, as novas tecnologias estão aí para isso - facilitar o acesso a informação.
Sendo assim, as bibliotecas também precisam dispor dessas novas tecnologias para não
estacionar e ficar sem poder atender aos usuários - peça fundamental de uma unidade de
informação.

3674

�Quadro 2 - Tipologia das necessidades de informação
Tipos de Necessidades

Descrição

Do conhecimento
Da ação

Necessidade derivada do desejo de saber.
Derivada de necessidades materiais exigidas para realizar
atividades humanas, profissionais e pessoais: trabalhar ir de
um lugar a outro, comer, dormir, reproduzir-se.
É um estado de privação de alguma satisfação básica. Em
relação à informação, a necessidade é definida como a
procura de informação para satisfazer uma necessidade
específica.
São carências por satisfações específicas para atender a essas
necessidades mais profundas. Desejo é o que o indivíduo
gostaria de ter, podendo ou não coincidir com as suas
necessidades.
São desejos por produtos específicos que são respaldados pela
habilidade e disposição de comprá-los; pode ser negativa,
inexistente, latente, declinante, irregular, plena, excessiva e
indesejada.
É definido como o que o indivíduo realmente utiliza em
matéria de informação, podendo ou não ter sido expresso.

Da necessidade humana

Dos desejos

Das demandas

Do uso

Fonte: Le Coadic (1996).

E o que é dizer do termo preferência informacional? Preferência é o ato ou efeito de
preferir, predileção; enquanto que o verbo preferir quer dizer dar primazia, escolher, ter
predileção por, preferível, preferido, preferente conforme o Dicionário de Aurélio. Quando
entramos no contexto dos usuários; entende-se que são as preferências que eles possuem por
livros, revistas e outros formatos e suportes de leitura, ao pesquisar. A preferência de leitura
em formatos convencionais ou não, é pessoal. Depende do gosto do leitor, cada leitor possui
uma forma diferente de escolher. Em se tratando de preferência informacional, significa que
são as escolhas feitas por usuários na busca da informação. Para melhor entendimento dos
termos usados nesse estudo e, mais precisamente termo - usuário real, a seguir alguns termos
para facilitar a compreensão:
a) Usuário - é um indivíduo que utiliza ou desfruta de algum serviço coletivo, ligado ao
público ou particular. Para a Biblioteconomia é todo aquele que solicita ou utiliza o serviço ou
produto de informação de uma biblioteca.
b) Usuários reais ou efetivos - são os usuários conhecidos que realmente utilizam os produtos
e serviços da unidade de informação.
c) Usuários potenciais - são formados pelo total de usuários que não utilizam os serviços de
uma unidade de informação, mas podem utilizar algum dia.
d) Estudos da comunidade - de acordo com Dias e Pires (2013) o termo comunidade é
utilizado quando se quer referir ao público que frequenta ou poderia frequentar a biblioteca

3675

�pública. Para a biblioteca universitária a comunidade são os corpos docente, discente e
funcionários. Para Vergueiro (1989), a comunidade não é constituída somente de usuários
reais, mas inclui todos os usuários potenciais, ou seja, os usuários que ainda não utilizam os
serviços da biblioteca, mas um dia poderão utilizar esses serviços.

3.1 Suportes e formatos
Como estamos discorrendo nesse estudo sobre preferências informacionais em termos
de leitura e suportes/formatos para se chegar a informação começamos a tratar dos principais
significados dos termos usados nesse ensaio a começar por suportes e formatos atuais,
preferências e necessidades de leitura. Pois, a compreensão desse estudo depende do
conhecimento dos significados de alguns termos ligados a pesquisa como por exemplo:
documento o que é Documento? é todo registro material de informação. Sendo assim, por
mais diversificados que sejam os documentos, costumam apresentar elementos com
características comuns tais como: suporte, forma, formato, gênero, espécie, tipo e contexto de
produção. Esses elementos possuem definições técnicas que embora parecidos, existem
diferenças em cada expressão, assim definidos conforme o quadro 3, abaixo:

Quadro 3 - Elementos Característicos dos Documentos
Elemento

Definição Técnica

Exemplo

Suportes

Material sobre o qual as informações são
registradas.
Estágio de preparação e de transmissão de
documentos.
Configuração física de um suporte, de acordo com
a natureza e o modo como foi confeccionado.

Fita magnética, filme de nitrato,
papel.
Original,
cópia,
minuta,
rascunho.
Caderno, cartaz, diapositivo,
folha, livro, mapa, planta, rolo
de filme, [impresso, CD-Rom,

Forma
Formato

Gênero

Configuração que assume um documento de
acordo com o sistema de signos utilizado na
comunicação de seu conteúdo.

Espécie

Configuração que assume um documento de
acordo com a disposição e a natureza das
informações nele contidas.
Configuração
que
assume
uma
espécie
documental, de acordo com a atividade que a
gerou.

Tipo

DVD, internet].
Documentação
audiovisual,
documentação
fonográfica,
documentação
iconográfica,
documentação textual.
Boletim, certidão, declaração,
relatório.
Boletim de ocorrência, boletim
de frequência e rendimento
escolar, certidão de nascimento,
certidão de óbito, declaração de
bens, declaração de imposto de
renda, relatório de atividades,
relatório de fiscalização.

Fonte: Dicionário de terminologia arquivista, 1996.

3676

�Há autores que defendem a continuação dos livros impressos nas estantes da
biblioteca. Todavia existem os estudiosos que são contrários e acham que o fim dos livros
impressos está se aproximando. O livro impresso é extremamente adequado a finalidade que
foi originalmente concebido. É um objeto prático e não precisa de qualquer fonte externa de
energia, com exceção da leitura à noite. É portátil, facilitando sua remoção de um lugar para
outro. Além disso, é importante reconhecer que as tecnologias computacionais, ao invés de
prejudicar a produção de livros, torna-os mais eficientes. Esses são alguns argumentos para a
permanência do livro. Como afirmam Crawford e Gorman (1995, p. 18), “ os livros são o
resultado de uma tecnologia altamente refinada - a impressão - desenvolvida por vários anos
e que obteve maior custo-efetividade e tornou-se mais apropriada pela tecnologia de
computador de hoje”. Quando passa para a questão do armazenamento o documento
eletrônico ganha do impresso, no custo a opção mais econômica de produção é no formato
eletrônico. Existem várias variáveis que necessitam de estudos, pois esses novos formatos,
assim como os impressos possuem seguidores a favor ou não. Como esse estudo trata das
preferências de suportes/formatos de leitura, os resultados dirão quais são os preferidos pelos
leitores do Salão de Leitura da BNP, se através dos formatos eletrônicos ou nos formatos
impressos - o estudo irá revelar.

3.2 Leitura
Ler é adquirir conhecimento e vislumbrar novos horizontes. É tomar posse do saber, e
gerar poder. Pois ao ler, estamos adquirindo conhecimento que pode transformar vidas. Com a
leitura ampliam-se as chances de conseguir vencer na vida: pessoal, profissional , acadêmica,
dentre outras. Pois ela pode direcionar um indivíduo para o que é melhor, dependendo da
forma como é adquirida.
A leitura era considerada como um simples meio de receber uma mensagem
importante. Atualmente, define-se o ato de ler, por si mesmo, como um processo mental de
vários níveis, que contribui para o desenvolvimento do intelecto - pois é um dos meios mais
eficazes do desenvolvimento sistemático da linguagem e da personalidade. Ela é uma maneira
exemplar de se chegar a aprendizagem, ou seja, quando você ler - automaticamente, estar
gerando conhecimento e aprendendo (BAMBERGER, 1977).
Ao ler você não está apenas decifrando códigos, mas entendendo as ideias e as
mensagens contidas em um texto; mais do que isso, atribuindo sentido às palavras escritas e
impressas, conforme o entendimento de cada leitor, dando a interpretação pessoal do que leu.

3677

�4 MATERIAIS E MÉTODOS
Nessa pesquisa tivemos como população alvo os usuários reais do Salão de Leitura da
Biblioteca Nilo Peçanha, do IFPB, campus João Pessoa, ou seja, usuários que estavam
presentes e utilizando seus produtos e serviços no referido recinto, dos Cursos: Técnicos,
Superiores e Tecnológicos. A metodologia que desenvolvemos nesse estudo de usuários foi
estudo de caso, com a técnica - questionário e as questões de cunho objetivo e subjetivo onde
averiguamos as necessidades / as preferências informacionais desses usuários em relação aos
suportes/formatos, ou seja, as ferramentas usadas para leitura: livros impressos, via CD-Rom,
via WEB, dentre outros; categoria dos cursos: técnico, superior e tecnológicos; o quantitativo
de usuários por categoria de cursos que fizeram parte da pesquisa e a faixa etária. Os
questionários foram aplicados em um período delimitado de 15 dias, nos horários: manhã e
tarde, durante o mês de março de 2014, no Salão de Leitura com os usuários reais. Foram
distribuídos 130 questionários apenas 111 responderam, ficando 19 sem responder.

5 RESULTADOS
Para a construção dos dados dessa pesquisa foram utilizados os seguintes
instrumentos: questionários com dados quantitativos e qualitativos

dos cursos técnicos,

tecnológicos e superiores que participaram da pesquisa, e os temas abordados para base dessa
análise foram os dados: Preferências de leitura por formatos e suportes, Categoria dos cursos,
Gênero dos usuários e a Faixa etária.

Gráfico 1 - Categoria dos Cursos dos usuários reais da BNP

De acordo com o gráfico1 acima a categoria dos cursos dos usuários reais do Salão de
Leitura da BNP, campus João Pessoa que fizeram parte desse estudo são: cursos técnicos com
50% dos usuários reais que responderam aos questionários aplicados, em segundo lugar com

3678

�38% os usuários dos cursos superiores e os tecnológicos tiveram o menor índice com 12% de
presença nesse estudo.

Gráfico 2 - Gênero dos Usuários reais da BNP (Cursos Técnicos)420

De acordo com os dados o gráfico 2 acima 51 % dos usuários reais do Salão de Leitura
da BNP, campus João Pessoa dos Cursos técnicos, pertencem ao sexo masculino e 49%, são
do sexo feminino.

Gráfico 3 - Gênero dos Usuários reais da BNP (Cursos Superiores)421

O gráfico acima apresnta os resultados da pesquisa sobre os gêneros masculino e
feminino, dos usuários reais do Salão de Leitura da BNP, Cursos superiores 52% fazem parte
do sexo masculino e 48% do sexo feminino.

420 Técnico: Contabilidade, Controle ambiental, Edificações, Eletrônica e Eletrotécnica.
421 Superior: Bacharelado em Engenharia Elétrica, Bacharelado em Administração e Licenciatura em Química.

3679

�Gráfico 4 - Gênero dos Usuários reais da BNP (Cursos Tecnológicos)422

Fonte: pesquisa da autora

Neste gráfico 4 observmos o quesito gênero, referente aos usuários reais do Salão de leitura
da BNP, na categoria Cursos tecnológicos, 64 % dos usuários pertencem ao sexo masculino e
para o sexo feminino apenas 36 %.

Gráfico 5 - Faixa etária dos Usuários reais da BNP (Cursos Técnicos)

O gráfico acima mostra faixa etária dos usuários reais do Salão de Leitura da BNP,
referente aos cursos técnicos, 80% dos usuários pesquisados estão inseridos na faixa etária
com idade de 13 a 18 anos e 20% são da faixa etária de 18 a 25 anos. Isso faz-nos
compreender que nessa categoria de cursos os alunos em sua maioria pertencem a faixa etária
menor, ou seja, estão concentrado na primeira faixa etária.

422 Tecnológico: Geoprocessamento, Gestão Ambiental, Redes de computadores e Construção de Edifícios.

3680

�Gráfico 6 - Faixa etária dos Usuários reais da BNP (Cursos Superiores)

B 13 a 18 anos
B 18 a 25 anos
M 25 a 35 anos
B 35 a 40 anos
B 40 a 45 anos
U Acima de 45

Fonte: pesquisa da autora

Nesse gráfico 6, os usurios reais do Salão de Leitura da Biblioteca Nilo Peçanha, do
IFPB, campus João Pessoa dos cursos superiores estão concentrados na faixa etária com idade
entre 18 a 25 anos com um percentual de 64% e, em segundo lugar apresenta-se a faixa etária
com idade de 25 a 35 anos com 24%, As faixas etárias 13 a 18 anos e 35 a 40 anos obtiveram
5% cada, somando 10% e faixa etária de 40 a 45 anos 2%. Restante das alternativas não
pontuaram.

Gráfico 7 - Faixa etária dos usuários reais da BNP (Cursos Tecnológicos)

Nesse gráfico dos aluno dos Cursos tecnológicos os usuários reais da faixa etária com
maior índice foi a idade de 18 a 25 anos, com 50%. A faixa etária de 25 a 35 anos obteve o
índice de 36%. Enquanto que as faixas etárias de 35 a 40 anos e 40 a 45 anos, tiveram um
mesmo percentual somando 14%. Para a idade de acima de 45 anos não houve registro.
Conclui-se que nesses cursos tecnológicos os alunos, em sua maioria pertencem às faixas
etárias de 18 até 35 anos.

3681

�Gráfico 8 - Preferências por leitura em formatos e suportes (Cursos Superiores)

Fonte: pesquisa da autora

O gráfico 8

, mstra as preferências de leitura dos cursos superiores. Na alternativa

‘Livro impresso o curso de Bacharelado em Engenharia Elétrica registrou seu maior índice
72,70%, seguido de ‘Documentos em base de dados da Instituição’ com 18, 30%, e por
último ficou ‘Periódicos eletrônicos’ com 9%. No curso de Bacharelado em Administração o
item ‘Livros impressos’ ficou com a maior percentagem 50%, seguido da alternativa ‘leitura
através da Web’ 16,60%, no suporte ‘Documentos da Base de dados da Instituição’ apenas
9,20%. Periódicos eletrônicos 7,60%, ‘Anais em meio eletrônico’ 3,70% e na alternativa ‘Não
opinou/não sabe’1,80%. Nas demais alternativas do curso de Administração não aconteceu
preferências por formatos. Para o curso de Licenciatura em Química o maior percentual
registrado foi em ‘Livros impressos’ 33,40%. ‘Periódicos impressos e leitura através da Web’
com 26,60, cada perfazendo um total de 53,20%, para o curso de Química. ‘Periódicos
impressos e Anais impressos’ obtiveram 6,70% cada, somando 13,40%. Observa-se que os
maiores índices para esses cursos superiores partiram das alternativas para leitura em: Livros
impressos , através da Web, Periódicos impressos e Documentos em base de dados da
Instituição. As alternativas ‘Documentos em CD-Rom e Outros’ não consta percentual. A
seguir as preferências de leitura dos cursos Tecnológicos, no gráfico 9, abaixo.

423 Os dados desse estudo foram computados separadamente e lançados no gráfico. Após a Soma dos dados por
cada curso chega-se a percentagem total de 100%, nos gráficos 8, 9 e 10.

3682

�Gráfico 9 - Preferências por leitura em formatos e suportes (Cursos Tecnológicos)

Fonte: pesquisa da autora
O gráfico 9 refere-se as preferências de leitura em suportes/formatos dos usuários reais
no Salão de Leitura da BNP dos cursos tecnológicos: Geoprocessamento, Gestão Ambiental,
Redes de Computadores e Construção de Edifícios. O curso de Tecnologia em
Geoprocessamento obteve seu maior índice para a alternativa de leitura formato ‘Livros
impressos’ com 100% de preferência. O curso de Tecnologia em Gestão Ambiental chegou a
46,20% na alternativa ‘Livros impressos’ seu melhor índice. No suporte “através da Web” a
preferência foi de 30,70%. Nos Itens ‘periódicos impressos, ‘Periódicos eletrônicos’ e ‘Anais
em meio eletrônico’ obtiveram índices iguais de 7,70%, a soma dos três é igual a 23,10%.
Demais alternativas de leitura não foram pontuados. No Curso de Tecnologia em Redes de
Computadores o maior índice foi para ‘Livros impressos’ com 60% na preferência de leitura,
nos itens: ‘Através da Web” e ‘Outros’ 20% cada, totalizando 40%. Os demais suportes não
pontuaram nas preferências. No curso Tecnologia em Construção de Edifícios o índice mais
alto e único foi para Livros impressos 100%. Os maiores índices de preferências de leitura
para essa categoria de cursos tecnológicos ficaram com os ‘Livros impressos’ e ‘Através da
Web’.
Gráfico 10 - Preferências por leitura em formatos e suportes (Cursos Técnicos)

Fonte: pesquisa da autora

3683

�O gráfico 10 acima, mostra os resultados do estudo realizado no Salão de Leitura, da
BNP dos cursos técnicos de: Contabilidade, Controle ambiental, Edificações, Eletrônica e
Eletrotécnica. O maior índice para o curso Técnico em Contabilidade foi de 53,40% para
‘Livros impressos’, seguido por ‘Através da Web’ com 46,60%. O curso técnico em Controle
ambiental o maior percentual foi para ’Livros impressos’ com 65%, ‘Através da Web’ 15%,
‘Periódicos impressos’ com o índice de 10%. ‘Periódicos eletrônicos’ e ‘Anais em meio
eletrônico’ obtiveram menor índice 5% cada, totalizando 10%, no referido curso de Controle
ambiental. No curso de Edificações a preferência de leitura pontuou ‘Livros impressos’ com
50%, enquanto que ‘Através da Web ficou com o segundo lugar 37,60%. ‘Periódicos
impressos e Periódicos eletrônicos’ com 6,20% cada, somando 12,40%. O curso técnico em
Eletrônica na preferência de leitura para ‘Livros impressos’ a percentagem foi de 62,50% e
‘Através da Web 37,50%. No curso técnico em Eletrotécnica o maior índice 50%, para o
formato ‘Livros impressos,’ seguido do item ‘Através da Web com 32,30%, ‘Periódico
impresso’ com 7,20%, as alternativas: ‘Periódicos impressos’, ‘Anais impressos’ e
‘Documentos em base de dados da Instituição’ obtiveram o índice de 3,50% para cada,
totalizando 10,50%.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A leitura está presente em todo o universo educacional e a biblioteca dentro deste
contexto, precisa incentivar o hábito de leitura nos seus usuários, não apenas no recinto da
biblioteca, mas além das suas paredes, através da web em suportes convencionais ou não,
para cumprir seu papel diante da comunidade. Gerando leitores aprendizes e formadores de
opinião. Sendo assim, ela precisa ser vista como disseminadora de informação e garantir seu
lugar no espaço educacional, criando formas de atrair os usuários através da divulgação dos
serviços e produtos de informações que ela abriga para os usuários reais ou em potencial.
Tendo em vista o rumo em que o estudo foi direcionado, observa-se que

os

suportes/formatos de leitura preferidos pelos os usuários do Salão de leitura da BNP,
concentraram-se no livro impresso e a pesquisa através da web. Apesar de atualmente existir
estudiosos que defendem a extinção do livro impresso, nota-se que se depender dos usuários
reais do Salão de Leitura da BNP, eles continuarão a existir competindo com outros
formatos/suportes. Pretende-se através desse estudo contribuir com a BNP, para que as suas
decisões sejam assertivas, e atendam as necessidades dos usuários nos seguintes tópicos:
■ Planejamento
■ Tomadas de decisão

3684

�■ Seleção de livros
■ Aquisição de livros impressos e com outros formatos/suportes.

7 REFERÊNCIAS
BAMBERGER, Richard. Como incentivar o hábito da leitura.Tradução: Octávio Mendes
Cajado. São Paulo: Cultrix; Brasília: INL, 1977, 117 p.
BRASIL. Lei 11.892, de 29 de dezembro de 2008. Institui a Rede Federal de Educação
Profissional, Científica e Tecnológica, e de outras providências. Diário Oficial [da]
República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 30 de dez. 2008.
CRAWFORD, Walt; GORMAN, Michael. Future libraries: dreams, madness &amp; reality.
Chicago and London: American Library Association, 1995.
CUNHA, Murilo Bastos da. Manual de fontes de informação. Brasília: Briquet de Lemos /
Livros, 2010. 182p.
DIAS, Maria Matilde Kronka; PIRES, Daniela. Uso e usuários da informação. São Carlos:
EdUFScar, 2013.(Série apontamentos).
DICIONÁRIO de terminologia arquivística. São Paulo: AAB-SP, 1996.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário da língua portuguesa. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, 2002, 1838p.
HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da Língua
Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.
LE COADIC, Y. F. A ciência da informação. Brasília: Briquet de Lemos/Livros, 1996.
LIMA, Lucrécia Camilo de; ALMEIDA, Ivanise Andrade de Melo. Necessidades
informacionais dos servidores da Biblioteca Nilo Peçanha do IFPB, campus João Pessoa:
buscando competências. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA,
DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 24., 2013. Florianópolis, SC.
Anais...

Florianópolis,

SC:

FEBAB,

2013.

Disponível

em:&lt;

http://www.xxvcbbd.Febab.org.br/&gt;. Acesso em: 15 fev. 2014.
VERGUEIRO, Waldomiro de Castro Santos. Desenvolvimento de coleções. São Paulo:
Polis; APD, 1989.(Coleção Palavra-chave, 1).

3685

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Salão de Leitura da Biblioteca Nilo Peçanha do IFPB Campus João Pessoa: uma questão de leitura, formatos e suportes</text>
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                <text>Estudo realizado com os usuários do Salão de Leitura da Biblioteca Nilo Peçanha (BNP), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB), campus João Pessoa, com o objetivo de investigar as necessidades de informação dos usuários reais da referida biblioteca, no que se refere a tipos de suportes e formatos de leitura, tendo em vista o novo contexto de leitura virtual e os novos modelos de suportes/formatos, com a web e as novas tecnologias da informação e comunicação. A metodologia aplicada foi estudo de caso com a técnica de questionários com perguntas objetivas e subjetivas. Tivemos como base os assuntos: necessidades de informação, formatos e suportes de informação para a leitura, leitura e bibliotecas universitárias. Resultados apontam que a predominância no gênero dos usuários reais do Salão de Leitura da BNP, foi o sexo masculino. E, na categoria técnicos e superior, os que mais responderam as questões da pesquisa foram os cursos técnicos e superiores: os técnicos com 50% e superior com 38%, o menor índice foi para os cursos da categoria tecnológicos, com 12%. E as faixas etárias que obtiveram um maior índice foram: 13 a 18 anos e 18 a 25 anos, para os cursos técnicos e cursos superiores, respectivamente. Entre as preferências dos usuários reais por suportes/formatos de leitura: os livros impressos e as leituras através da web obtiveram um maior índice. Pretende-se através desse estudo colaborar para que a BNP, possa planejar e tomar decisões assertivas na seleção, aquisição de livros e formatos/suportes de leitura, conforme as necessidades demandadas nessa pesquisa, a fim de tornar os serviços com eficiência e buscar a satisfação dos usuários da BNP.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

REVISITANDO AS ORIGENS DA BIBLIOTECONOMIA NO BRASIL:
história, ensino e perfil do profissional da informação.

Cláudia Regina dos Anjos
Cássia Rosania Nogueira dos Santos
Jorge Sebastião Gentil Junior
Leandro Pacheco de Melo
Maria Ione Caser da Costa
Márcia Saraiva Carvalho

RESUMO
Este trabalho apresenta uma abordagem histórica do curso de Biblioteconomia no Brasil e seu
processo de ensino, aponta as mudanças sofridas na atividade profissional do bibliotecário
brasileiro e demonstra as transformações sofridas no currículo de biblioteconomia ao longo do
tempo. Para isso, foram levantados os acontecimentos ocorridos no ambiente
biblioteconômico desde os seus primórdios no Brasil até os dias atuais.

Palavras-Chave: Biblioteconomia; História da Biblioteconomia; Ensino de Biblioteconomia;
Bibliotecário.
ABSTRACT
This historic abordagem trabalho do apresenta uma Librarianship course no Brasil e seu
processo ensino, as Mudanças sofridas aponta profissional do brasileiro na atividade
bibliotecário and as expected Show Transformações librarianship curriculum sofridas not ao
longo do tempo. To isso, foram os raised acontecimentos ocorridos librarianship from os seus
no environment no Brasil até os primórdios Atuais days.

Keywords: Librarianship; History of the Librarianship; School of Librarianship; Librarian.

1 INTRODUÇÃO
As transformações tecnológicas do século XXI têm transformado radicalmente o
ambiente biblioteconômico. As Escolas de biblioteconomia em todo país estão preocupadas
com o rumo da biblioteconomia no Brasil e com o desempenho do profissional bibliotecário.
Estamos num momento de reflexão sobre o fazer biblioteconômico.

3649

�O

presente artigo é fruto desse momento, pois foi gerado em uma disciplina do curso de

mestrado profissional em biblioteconomia com objetivo de contribuir para o debate. Da gama

de possibilidades de conduzir essa reflexão, optou-se por escolher três segmentos para serem
mencionados nesse estudo: história, ensino e perfil do profissional da informação. Uma
diretriz cronológica foi adotada para evidenciar toda revisão de literatura realizada sobre o
assunto.
2 PR ELÚ D IO DA B IB LIO T EC O N O M IA NO BRASIL
Souza (1990), Nastri (1992), Castro (2000), Almeida (2012) e Oliveira, Carvalho, Souza
(2009) sintetizam a cronologia

a seguir como ápice dos acontecimentos relevantes da

biblioteconomia brasileira, iniciada em 1582, data de aparição da primeira biblioteca
monástica no Brasil, localizada em um colégio dos jesuítas, cuja maior era a do Colégio dos
Jesuítas da Bahia, que contava com alguns milhares de livros, em sua maioria, manuscritos,
numa época em que a imprensa no Brasil era proibida até o ano de 2001, data em que foram
estabelecidas as diretrizes curriculares e as Escolas de biblioteconomia brasileiras adquiriram
mais flexibilidade e autonomia para estabelecer seus projetos pedagógicos:
1582

As primeiras bibliotecas foram organizadas pelos padres Jesuítas em seus colégios,
sendo a primeira, na Bahia, onde também surgiu a primeira biblioteca monástica,
com a fundação em 1582, de um mosteiro beneditino elevado a categoria de abadia
em 1584.

1810

A realeza portuguesa, sentindo-se ameaçada, com a invasão das tropas francesas a
Portugal, buscou refúgio na sua colônia brasileira, trazendo consigo, uma numerosa
coleção de livros, que deu origem à Biblioteca Real que mais tarde passaria a
chamar-se Biblioteca Nacional (BN).

1811

Inaugura-se a Biblioteca Pública da Bahia, três anos antes da abertura ao público da
Biblioteca Real, criada em 1810. A Biblioteca da Bahia tem ainda outra vantagem
sobre a Real Biblioteca, porque esta resultou de uma circunstância histórica - a
vinda da família real portuguesa para o Brasil - enquanto aquela surgiu de acordo
com um plano muito bem concebido, inspirado em bibliotecas públicas que
apareceram no séc. XVIII nos Estados Unidos e na Europa.

1814

A biblioteca só abriu suas portas, para o público. Acomodada no hospital da Ordem
Terceira do Carmo, foi transferida para o antigo cemitério da mesma ordem. Ficou
até 1858, quando se mudou para a Rua do Passeio, onde hoje funciona a Escola
Nacional de Música. A transferência foi promovida pelo monge beneditino Camilo
de Monserrate (1818-1870).

1821

1903

D. Pedro regulamentou a liberdade de impressão e abriu caminho para o aumento
da produção de livros no Brasil.

Criação do primeiro curso da América Latina pelo Conselho de Mulheres da
Argentina, em Buenos Aires.

3650

�1911

Criação do curso de biblioteconomia da Biblioteca Nacional, segundo América
Latina, terceiro do mundo (funcionava nos porões da BN). Antecedido apenas pelos
cursos da École de Chartes na França e pelo curso do Columbia College, em Nova
York nos Estados Unidos respectivamente.

1915

O curso da Biblioteca Nacional tornou efetivo e funcionou na biblioteca por mais
de 5 (cinco) décadas.

1920

O ensino da biblioteconomia passaria ao nível superior nos Estados Unidos.

1922

Extinção do curso da Biblioteca Nacional.

1929

Estrutura-se o segundo curso do país, no Instituto Mackenzie em São Paulo, com as
seguintes matérias básicas: Catalogação, Classificação, Referência e Organização.

1931

Restabelecido com novas bases o curso da Biblioteca Nacional pelo Decreto 20.673
em 17/11/1931, agora com a duração de dois anos.

1935

Deixa de existir o curso oferecido pelo Instituto Mackenzie.

1938

Foi fundada a Associação Paulista de Bibliotecários - a mais antiga do Brasil.

1940

1942

1944

1945

Extinção do curso do Instituto Mackenzie e ressurge como Escola de
Biblioteconomia, hoje Fundação Escola de Sociologia e Política (FESP). O curso
visava dar sustentação à rede de bibliotecas públicas da capital paulista. Com o
estímulo da difusão da visão americana em São Paulo, houve a difusão das
bibliotecas públicas na cidade de São Paulo e a criação da Escola de
Biblioteconomia. Com o fim da guerra, o domínio no campo da ciência,
especialmente na produção de energia nuclear, era entendido como questão de
soberania.
Implantado o curso da Escola de Biblioteconomia da Bahia - Salvador, BA
(integrada à Universidade da Bahia em 1958).
Implantado o Curso de Biblioteconomia da Faculdade de Filosofia "Sedes
Sapientae”, São Paulo - SP, cujas atividades foram encerradas em 1960.
Implantado o curso de Biblioteconomia da Faculdade de Filosofia, Ciências e
Letras da Universidade de São Paulo, SP. Esse curso era conhecido como "Curso
do Sr. Aquiles Raspantin". As atividades do curso foram encerradas e não existe
uma data referencial para tal fato na documentação encontrada.
Implantado o curso da Faculdade de Biblioteconomia da Universidade Católica de
Campinas - Campinas, SP.

1947

Implantado o curso da Escola de Biblioteconomia e Documentação da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul- Porto Alegre, RS.

1948

Implantado o Curso de Biblioteconomia Nossa Senhora de Sion - São Paulo, SP,

3651

�cujas atividades foram encerradas em 1949. Neste mesmo ano, foi implantado o
Curso de Biblioteconomia da Prefeitura Municipal do Recife - Recife, PE, cujas
atividades foram encerradas em 1950. Posteriormente vinculado à Universidade
Federal de Pernambuco. Nesse mesmo período, pesquisadores brasileiros criam a
Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.

1949/
1951

Realizados estudos para a criação de um órgão para conduzir as pesquisas
científicas no Brasil, que se concretizou com a criação do CNPq e a Conferência
sobre o Desenvolvimento dos Serviços de Bibliotecas Públicas na América Latina
na Biblioteca Municipal de São Paulo.

DÉCADA DE 50 - OS PROFISSIONAIS DA ÁREA INICIARAM SUA LUTA PARA SE
FIRMAREM COMO CLASSE PROFISSIONAL DE NÍVEL SUPERIOR.

1950

1951

Implantado o Curso de Biblioteconomia e Documentação da Universidade Federal
de Pernambuco - Recife, PE. Implantado o curso da Escola de Biblioteconomia de
Minas Gerais - Belo Horizonte, MG (incorporada à Universidade de Minas Gerais
em 1963).
Implantado o Curso de Biblioteconomia do Instituto Caetano de Campos - São
Paulo, SP (Atividades encerradas em 1972 ou 1953; divergência na documentação
consultada).

1952

Implantado o Curso de Biblioteconomia e Documentação da Universidade Federal
do Paraná - Curitiba, PR.

1953

Primeiro Congresso de Bibliotecas do Distrito Federal, em Brasília.

1954

Primeiro Congresso Brasileiro de Biblioteconomia (e Documentação) - em Recife o CBBD, sob os auspícios do Departamento de Documentação e Cultura da
Prefeitura da Cidade. A partir do segundo, realizado em Salvador, eles se dizem de
Biblioteconomia e Documentação. [Em 2002, o nome mudou para Congresso
Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação]. Criação
do Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD), com o apoio da
UNESCO.

1955

O Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD) lança o primeiro
curso de pós-graduação (especialização) na área, o Curso Documentação Científica
(CDC). Implantado o Curso de Biblioteconomia da Biblioteca Pública do
Amazonas - Manaus, AM. As atividades foram encerradas e não existe referência à
data na documentação consultada.

1957

Implantado o curso da Escola de Biblioteconomia e Documentação da Associação
da Companhia de Santa Úrsula - Rio de Janeiro, RJ.

1958

A Portaria no. 162 do Ministério do trabalho, de 07.10.1958, reconhecia a
Biblioteconomia como profissão liberal.

3652

�DÉCADA DE 60 - A PROFISSÃO PASSOU A SER CONSIDERADA DE NÍVEL
SUPERIOR, REGULAMENTADA PELA LEI N. 4.0874/62.
1960 /
1980

1962

1965

1967

1969

1974

1975

1976

Houve padronização dos currículos mínimos.

Decreto n. 550, de 1 de fevereiro de 1962, alterou o Regulamento dos cursos da
Biblioteca Nacional e estabeleceu as disciplinas dos mesmos. O curso passou de 2
para 3 anos de duração elevando-o a Nível Superior. A Lei n. 4.084, de 30/06/1962,
regulamentada pelo Decreto no. 56.725, de 16/08/1965, passou a dispor sobre as
atividades profissionais dos bibliotecários em todo o Brasil, e consagra a expressão
Bacharel em Biblioteconomia e Doutor em Biblioteconomia.
Regulamentação da profissão através do Decreto n. 56.725, de 16 de agosto de
1965. Eleição do primeiro Conselho Federal de Biblioteconomia.
Fundada, em Belo Horizonte, a Associação Brasileira de Escolas de
Biblioteconomia e Documentação (ABEBD), hoje Associação Brasileira de
Educação em Ciência da Informação (ABECIN).
O Curso de Biblioteconomia da Biblioteca Nacional passou a pertencer a
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).
Implantado o Curso de Biblioteconomia da Fundação Universidade do Rio Grande
do Sul, Rio Grande, RS, data imprecisa na bibliografia, porém registrada conforme
histórico do curso no site da instituição.
Implantado o curso da Faculdade de Biblioteconomia e Documentação Tereza
D'Avila de Lorena,SP.
Implantado o curso da Faculdade de Biblioteconomia das Faculdades Integradas
Teresa D'Avila Santo André, SP (divergências: 1974 ou 1976). Também nesse ano,
implantado o Curso de Escola de Biblioteconomia da Universidade Federal Minas
Gerais.

1977

Implantado o Curso de Faculdade de Biblioteconomia da Pontifícia Universidade
Católica de Campinas. Implantado o Curso de Biblioteconomia da Faculdade de
Filosofia, Ciências e Letras de Catanduva, SP (divergências: 1976 ou 1977).
Implantado, também nesse ano, o Curso de Biblioteconomia e Documentação da
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - Marília, SP.

1978

Implantado o Departamento de Biblioteconomia da Universidade de Brasília - DF.
Também implantado o Departamento de Biblioteconomia e Documentação da
Universidade Federal da Paraíba.

1980

Implantado o Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Goiás Goiânia, GO. Houve 2 (dois) Encontros Nacionais de Ensino em Biblioteconomia e
Documentação, 5 (cinco) Encontros do CBBD e 8 (oito) Encontros Nacionais de
Estudantes de Biblioteconomia e Documentação (ENEBD). Fundação da
Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Ciência da Informação e
Biblioteconomia (ANCIB), que também viria a ser uma forte propulsora da
produção de conhecimentos em Biblioteconomia e CI no Brasil. Nesse mesmo ano,
houve a criação de duas revistas: a Transinformação da PUCCAMP e a Revista de
Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS.

3653

�1981

Implantado o Curso da Faculdade de Biblioteconomia Teresa Martin do Instituto
Educacional Teresa Martin - São Paulo, SP.

1984

Implantado o Curso de Biblioteconomia das Faculdades Integradas Tiradentes Aracajú, SE.

1985

Implantado o Curso da Faculdade de Biblioteconomia e Botucatu da Associação de
Ensino de Botucatu - Botucatu, SP (Atividades interrompidas em 1986).
Foram estabelecidas as diretrizes curriculares e as escolas de Biblioteconomia
brasileiras adquiriram mais flexibilidade e autonomia para estabelecer seus projetos
pedagógicos

2001

Fonte: Nastri (1992); Castro (2000); Souza (1990); Almeida (2012) e Oliveira, Carvalho;
Souza (2009).
3 O ENSINO DA BIBLIOTECONOMIA NO BRASIL
O curso de Biblioteconomia no Brasil surgiu primeiramente nos estados do Rio de
Janeiro e São Paulo. No Rio de Janeiro iniciou no ano de 1911, na Biblioteca Nacional, com
predominância humanística, e formava o “erudito-guardião” . No estado de São Paulo, o curso
surgiu no ano de 1929, no Mackenzie College, voltado para uma visão técnica relacionada ao
processo de organização de serviços de informações.
A polêmica entre Rio e São Paulo, quantos aos aspectos técnicos, foi marcante. Para ele,
um exemplo ilustrativo dessa rivalidade:
[...] deu-se com relação à permanência ou não das reticências nas fichas
catalográficas, quando na folha de rosto de um livro não houvesse
informações relativas à autoria. Enquanto os bibliotecários paulistas
consideravam as reticências desnecessárias, os bibliotecários cariocas os
julgavam imprescindíveis. (CASTRO 2000 apud ALMEIDA, 2012, p.103).
O autor acredita que a história do ensino da biblioteconomia no Brasil pode ser dividida
em 6 (seis) fases:
FASE I

FASE II

FASE III

FASE IV

1879-1928
1929-1939
1940-1961
1962-1969
Movimento
Predomínio Consolidação Uniformização
fundador da do modelo e expansão do dos conteúdos
Bibliotecono
pragmático modelo
pedagógicos e
mia no Brasil, americano
pragmático
regulamentação
da profissão.
de influência em relação americano
humanística
ao modelo
francesa, sob a humanista
liderança da francês
anterior.
Biblioteca
Nacional.
Fonte: (CASTRO, 2000, p. 26-29) e (ALMEIDA, 2012, p.7).

FASE V

FASE VI

1970-1995
Crescimento
quantitativo
dos cursos e
novas
metodologias
e abordagens
emprestados
de
outros
campos do
saber.

2001
Estabeleciment
o das diretrizes
curriculares
nacionais para
os cursos de
graduação em
Biblioteconomi
a e implantação
de novos cursos
no país.

3654

�4 OS PIONEIROS DA BIBLIOTECONOMIA BRASILEIRA
Muitos bibliotecários deram sua contribuição social e cultural para o Brasil, muitos
comungaram o mesmo objetivo de disseminar informação e conhecimento e promover o
desenvolvimento cultural e social do nosso país.

Destacam-se como os primeiros

bibliotecários brasileiros:

Antonio da Costa (1647-1722), francês, irmão da Companhia de Jesus, conhecia quase
todos os ofícios ligados ao livro, tais como: tipógrafo, impressor, encadernador e
bibliotecário. Foi diretor da biblioteca do Colégio da Bahia, organizando seu catálogo
(primeiro instrumento biblioteconômico produzido no Brasil, um catálogo sistemático com o
respectivo índice temático e onomástico). Também classificou toda a biblioteca por assuntos,
com índice com os nomes dos autores.

Pedro Gomes Ferrão Castelo Branco que imprimiu, pela Tipographia de Manuel
Antônio da Silva, o segundo texto biblioteconômico, o Plano para o estabelecimento de huma

bibliotheca publica na cidade de S. Salvador Bahia de Todos os Santos. Tendo sido
reproduzido integralmente no jornal editado por Hipólito da Costa em Londres.

Antonio Ferrão Muniz Aragão (bisneto de Pedro) também dirigiu a Biblioteca Pública
da Bahia, escrevendo um ensaio sobre a classificação das ciências, impresso em 1878, nele a
palavra cibernética foi pela primeira vez usada, em língua portuguesa.

Benjamim Franklin Ramiz Galvão - Barão (1846-1938), médico e humanista,
professor de Grego no colégio Pedro II, gaucho, efetuou a primeira grande reforma da
Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, consubstanciada no Decreto n° 6.141, de 04 de março
de 1876, quando a dirigiu, de 1870 a 1882. Realizou em 01 de julho de 1879 o primeiro
concurso público para preenchimento de uma vaga de “oficial de biblioteca”, concurso através
do qual ingressou no quadro de funcionários o historiador Capistrano de Abreu. Iniciou a
publicação dos Anais da Biblioteca Nacional em 1876, e a ele deve-se também a Exposição
Histórica do Brasil. Também organizou o Catálogo do Real Gabinete Português de Leitura.

Manuel Cícero Peregrino da Silva (1866-1956), educador e jurista pernambucano,
também dirigiu a Biblioteca Nacional (1900-1924), promovendo a inauguração do atual
edifício em 29 de outubro de 1910. Uma reforma consubstanciada no regimento aprovado

3655

�pelo Decreto n° 8.835 de 11 de julho de 1911. Criou o Curso de Biblioteconomia (primeiro
da América latina e terceiro do mundo. O curso foi efetivamente iniciado em 1915, e dava
ênfase especial ao aspecto cultural e informativo, e se preocupava menos com o enfoque
técnico. Passou por várias reformas, estando presentemente integrado na Universidade
Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).

Rubem Borba de Moraes (1899-1986), historiador e bibliógrafo paulista organizador
da Biblioteca Pública Municipal de São Paulo, hoje Biblioteca Mário de Andrade, e, em 1936,
após regressar dos Estados Unidos, enviado pelo Departamento de Cultura para estudar a
organização e funcionamento das bibliotecas, inicia a reorganização da Biblioteca Municipal
e cria o segundo curso de biblioteconomia, tendo sido este, posteriormente absorvido pela
Escola de Sociologia e Política. Foi o promotor da terceira grande reforma da Biblioteca
Nacional, que dirigiu de 1945 a 1957, editou o Manual bibliográfico de estudos brasileiros
(1949) e autor da Bibliographia brasiliana (1958 e segunda edição de 1983).

Alfredo do Vale Cabral, em 1880, publicou a 'Bibliografia da língua Tupi ou Guarani
também chamada de língua geral do Brasil.

João de Saldanha da Gama em 1884, publicou o 'Plano do catálogo sistemático da
Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro';

5 O CURRÍCULO DE BIBLIOTECONOMIA NO BRASIL
A história mostra que o ensino de Biblioteconomia começou pelas questões
humanísticas e seguiu por questões técnicas obtendo grande evolução até atingir os níveis de
graduação e pós-graduação (mestrado e doutorado).
O Projeto Político Pedagógico do Curso de Bacharelado em Biblioteconomia da
UNIRIO (2010) observa que no começo o ensino de Biblioteconomia ficava a cargo dos
diretores de seção da Biblioteca Nacional e eram formados pelas seguintes disciplinas básicas:
•

Bibliografia;

•

Paleografia e Diplomática;

•

Iconografia e Numismática.

3656

�No Rio de Janeiro na década de 40 o curso da Biblioteca Nacional foi reformado. Passa
a promover uma formação básica profissional, em princípio, útil a qualquer tipo de biblioteca.
Os cursos ficaram, então, constituídos:

•

C urso F undam ental de Biblioteconomia (1° ANO) - destinado a preparar candidatos

aos serviços auxiliares de biblioteca, com as seguintes disciplinas:
a) Organização de Bibliotecas; b) Catalogação e Classificação;
c) Bibliografia e Referência; d) História do Livro e das Bibliotecas.

•

C urso Superior de Biblioteconomia (2° ANO) - destinado a preparar os candidatos

aos serviços especializados e de direção de bibliotecas, com as seguintes disciplinas:
Organização e Administração de Bibliotecas;
1

Catalogação e Classificação;

2

História da Literatura (aplicada à Bibliografia);

3

Disciplina Optativa - Noções de Paleografia e Catalogação de Manuscritos e de Livros
Raros e Preciosos; Iconografia; Bibliotecas de Música; Bibliotecas Infantis e
Escolares; Bibliotecas Especializadas

e Bibliotecas Universitárias; Bibliotecas

Públicas ou qualquer disciplina ou grupos de disciplinas cursadas na Faculdade
Nacional de Filosofia, ou instituto congênere, sobre assuntos de interesse para a
cultura do bibliotecário.

•

Cursos Avulsos - Conservação e Restauração de Livros, Estampas e Documentos;

Bibliografia

de Balzac;

Iconografia;

Paleografia;

Documentação;

Literatura

Latino-

Americana, dentre outros, destinados a atualizar os conhecimentos dos bibliotecários já
formados.
Em 1962, o Decreto n°. 550, reformula o Curso de Biblioteconomia da Biblioteca
Nacional, passando de 2 para 3 anos de duração, elevando-o a Nível Superior. É fixado o
Currículo do Curso da seguinte forma:

3657

�1° ANO
Técnica do Serviço de Referência
•
•
•
•

2° ANO
3° ANO Catalogação
Organização e Técnica de Especializada
Documentação
Bibliografia Geral;
• Bibliografia Especializada;
• Classificação
Especializada;
Introdução À Catalogação e • Catalogação e Classificação;
Classificação;
• Literatura
e
Bibliografia • Produção
de
Literária;
Documentos;
Organização e Administração de
Bibliotecas;
• Introdução à Cultura Histórica • Paleografia;
e Sociológica.
Introdução à Cultura
História do Livro e das
Filosófica e Artística.
Bibliotecas

NOTA: Além destas quinze disciplinas obrigatórias, o aluno para diplomar-se, ficava
obrigado a prestar exame em um curso avulso, dentre os vários oferecidos pela Biblioteca
Nacional.

O primeiro currículo mínimo estabelecido por meio do Parecer n° 326, datado de

16/11/1962 e homologado pela Portaria Ministerial de 04/12/1962, compreendia as
seguintes matérias:
•

História do Livro e das Bibliotecas;

•

História da Literatura;

•

História da Arte;

•

Introdução aos Estudos Históricos e Sociais;

•

Evolução do Pensamento Filosófico e Científico;

•

Organização e Administração de Bibliotecas;

•

Catalogação e Classificação;

•

Bibliografia e Referência;

•

Documentação;

•

Paleografia.

O currículo mínimo do Curso de Biblioteconomia, segundo a Resolução CFE n° 8

de 29/10/1982, passou então a constituir-se de três grupos de matérias:

a) Matérias de Fundamentação Geral:
•

Comunicação

•

Aspectos Sociais, Políticos e Econômicos do Brasil Contemporâneo

•

História da Cultura

3658

�b) Matérias Instrumentais:
•

Lógica

•

Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa

•

Língua Estrangeira Moderna

•

Métodos e Técnicas de Pesquisa

c) Matérias de Formação Profissional:
•

Informação Aplicada à Biblioteconomia

•

Produção dos Registros do Conhecimento

•

Formação e Desenvolvimento de Coleções

•

Controle Bibliográfico dos Registros do Conhecimento

•

Disseminação da Informação

•

Administração de Bibliotecas

Desde 1996, deixou de existir os currículos mínimo e plenos e passam a vigorar áreas
curriculares assim estabelecidas:
•

Fundamentos Teóricos da Biblioteconomia e da Ciência da Informação

•

Organização e Tratamento da Informação

•

Recursos e Serviços de Informação

•

Gestão de Unidades de Informação

•

Tecnologia da Informação

•

Pesquisa

Considerou-se conveniente trabalhar o ensino das tecnologias da informação e a
pesquisa. A opção foi, assim, manter quatro grandes áreas:

•

Fundamentos Teóricos da Biblioteconomia e da Ciência da Informação

•

Organização e Recuperação da Informação

•

Recursos e Serviços de Informação

•

Gestão da Informação e de Unidades de Informação

Em 2001, foram aprovadas as Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de
Biblioteconomia, que determinam as seguintes competências e habilidades aos graduados:

3659

�Competências gerais:
• Gerar produtos a partir dos conhecimentos adquiridos e divulgá-los;
• Formular e executar políticas institucionais;
• Elaborar, coordenar, executar e avaliar planos, programas e projetos;
• Utilizar racionalmente os recursos disponíveis;
• Desenvolver e utilizar novas tecnologias;
• Traduzir as necessidades de indivíduos, grupos e comunidades nas respectivas áreas de
atuação;
• Desenvolver atividades profissionais autônomas, de modo a orientar, dirigir, assessorar,
prestar consultoria, realizar perícias e emitir laudos técnicos e pareceres;
• Responder a demandas sociais de informação produzidas pelas transformações tecnológicas
que caracterizam o mundo contemporâneo.

Competências específicas:
• Interagir e agregar valor nos processos de geração, transferência e uso da informação, em
todo e qualquer ambiente;
• Criticar, investigar, propor, planejar, executar e avaliar recursos e produtos de informação;
• Trabalhar com fontes de informação de qualquer natureza;
• Processar a informação registrada em diferentes tipos de suporte, mediante a aplicação de
conhecimentos teóricos e práticos de coleta, processamento, armazenamento e difusão da
informação;
• Realizar pesquisas relativas a produtos, processamento, transferência e uso da informação.

6 O ENSINO DE BIBLIOTECONOMIA NO BRASIL SEGUNDO ALGUNS AUTORES

FRANCISCO DAS CHAGAS DE SOUZA, 1991.
[...] o ensino de Biblioteconomia no Brasil vive um viés e que esse fato tem
contribuído para que a construção escolar do bibliotecário brasileiro seja
fortemente concentrada nos aspectos da organização documental. Isso tem
sido resultado de uma cultura profissional bibliotecária voltada para a
estocagem de informação. Essa cultura, conforme se viu, atende a interesses
internacionais e bitola a capacidade de criação dos nossos profissionais, na
medida em que a escola de Biblioteconomia a aceita e desenvolve seu
ensino nessa direção.
Naturalmente, ficaram apontados os motivos porque a construção escolar do
bibliotecário brasileiro, hoje, não é diferente. Na verdade, a escola continua
a trabalhar na mesma perspectiva do passado e, inclusive, não parece ser

3660

�capaz de fazer uma leitura do mercado e a análise de novas exigências.
Mas, de tudo isso, o que fica como preocupação é como será a construção
do bibliotecário brasileiro de amanhã. Em razão disso, é que se deve
perscrutar de forma muito realista as tendências do mercado bibliotecário
brasileiro, pois estas é que determinarão os rumos da profissão, caso se
considere que a profissão e seu profissional devem responder a exigências
de mercado. E por falar em mercado, é preciso que a escola de
Biblioteconomia insira, de forma concreta, entre as suas prioridades de
ensino, com a densidade necessária, os aspectos que levem o profissional
bibliotecário brasileiro a dar a devida importância ao objeto de trabalho
usuário. Mas não uma visão estereotipada de usuário, e sim o indivíduo,
com as suas peculiaridades, em função de sua participação na realidade de
nossa sociedade. Só assim, será possível a sobrevivência dessa profissão,
embora com perfil provavelmente diferente deste de hoje (SOUZA, 1991, p.
187).
[...] No Brasil mesmo, durante todo o século XIX, ocorreram várias
atividades significativas para a prática bibliotecária, seja representada pela
vinda do núcleo do acervo da futura biblioteca nacional brasileira, seja pelas
inovações tecnológicas introduzidas no catálogo do Gabinete Português de
Leitura do Rio de Janeiro ou ainda por iniciativas de intelectuais brasileiros,
no sentido de dotar o país de uma estrutura na Biblioteca Nacional,
compatível com bibliotecas similares de países desenvolvidos. Todavia
deve ser ressaltado que tais iniciativas fogem, na realidade, à influência
portuguesa e tomam como fontes ora os Estados Unidos, ora a Bélgica, ora
a Inglaterra (SOUZA, 1990, p. 20).
[...] Foi necessário que a Biblioteca Nacional fosse comandada por um
outro reformador cuja direção iniciou em 1900. Esse reformador, o
pernambucano Manuel Cícero Peregrino da Silva que além de conseguir
edificar um prédio novo, criou algumas outras atividades como um
programa de conferências, um prêmio para estímulo à pesquisa
bibliográfica e também o curso de biblioteconomia que, segundo Edson
Nery da Fonseca, foi o primeiro da América Latina e o terceiro do mundo.
Criado ern1911 como parte do decreto n. 8.835 que estabelecia o
Regulamento da Biblioteca NacionaI. O Curso adotou como parâmetro da
École de Chartes, de Paris. Apesar de todo o esforço empreendido o mesmo
não iniciou antes de 1915. Sua duração era de 1 (um) ano e para freqüentálo os candidatos deveriam ter concluído um Curso de Humanidades e
submeterem-se a um exame de admissão (SOUZA, 1990, p. 33).
[...] Curso de Biblioteconomia criado no País, dentro de um contexto sóciopolítico-econômico resultante de mudanças profundas, veio a se
caracterizar como um momento marcante por significar uma mudança de
trajetória da Biblioteconomia no País, deixando patente ainda uma vez
mais a sua vinculação à classe dominante. Desde a idéia até os alunos, o
Curso, salvo raras particularidades, é um projeto da elite como toda a
Biblioteconomia brasileira dos anos 40 e 50 próximos [...] (SOUZA, 1990,
p. 45).
[...] O curso tinha quatro disciplinas: Bibliografia, Diplomática,
Iconografia e Numismática. E de acordo com; Edson Nery da Fonseca os
conteúdos técnicos de catalogação, classificação, organização e
administração de bibliotecas eram ministrados na disciplina Bibliografia
[...] (SOUZA, 1990, p. 33).

3661

�MARLENE OLIVEIRA; GABRIELLE FRANCINNE CARVALHO; GUSTAVO TANUS
SOUZA, 2009.
[...] de um modo geral o ensino da Biblioteconomia e percebe uma: a)
Predominância do ensino prático (e, muitas vezes, exageradamente
tecnicista) em detrimento do estudo dos aspectos teóricos e fundamentais
dos problemas biblioteconômicos; b) ausência de uma abordagem integrada
das atividades e serviços da Biblioteconomia/Documentação que faça uso
das técnicas de analise de sistemas e encare as diversas disciplinas como um
todo orgânico e não como partes isoladas e estanques; c) fidelidade
dogmática a códigos de catalogação, normas de documentação e sistemas de
classificação, muitas vezes idolatrados com cegueira que não vislumbram
os fins que devem servir e ignorância do processo de entropia a que estão
sujeitos em face da dinâmica da informação documental, do avanço da
tecnologia da informação e da psicologia dos usuários (OLIVEIRA;
CARVALHO; SOUZA, 2009, p. 19).
[...] O primeiro curso de mestrado iniciou-se em 1970, no antigo Instituto
Brasileiro de Bibliografia e Documentação - IBBD, que a partir de 1976,
passou a ser chamado de Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e
Tecnologia - IBCIT. A partir de então a Biblioteconomia passa a estreitar
seus laços com a recente Ciência da Informação. Percebe-se, então, que
tanto os cursos de graduação em Biblioteconomia quanto os PPGCI
atuantes têm sua maioria na região Sudeste com 16 (dezesseis) cursos de
Biblioteconomia, seguido do Nordeste com 8 (oito), o Sul com 6 (seis),
Centro-Oeste com 4 (quatro), e somente 2 (dois) no Norte. Os PPGCI
também estão, em maioria, na região Sudeste com 5 (cinco): USP, UNESP,
IBICT/UFRJ, UFF, UFMG, o Nordeste com 3 (três), UFPB, UFBA, UFPE,
o Sul com 2(dois), na UFSC e na UEL, com mestrado profissional, e o
Centro-oeste com 1(um) na UNB. A região Norte não conta com nenhum
PPGCI. Percebe-se que todos os PPGCI estão ligados a centros, escolas ou
departamentos que oferecem também graduação em Biblioteconomia com
exceção do IBICT/UFRJ que não se não tem vínculos acadêmicos e/ou
administrativos com o curso de graduação de Biblioteconomia da UFRJ [...]
a prática bibliotecária brasileira não pode ser a mesma que ocorre em outros
países e, realmente, não o é dadas as nossas condições sóciohistóricas. Por
essa circunstância, as técnicas e procedimentos operacionais utilizados,
também não poderiam ser as mesmas adotadas em outros países. A
aceitação do transplante só poderia ser inquestionável se fossemos igual
aquela sociedade, como não somos, nem haveríamos de ser, pois o povo
brasileiro no que tange as questões sociais, culturais e éticas apresentam um
miríade de interpretações. Assim, “talvez por esta diferença de visões é que
a Biblioteconomia praticada e ensinada no Brasil pareça ainda muito
estranha para a maior parte da sociedade do país. (SOUZA, 1997, p. 9-10
apud OLIVEIRA; CARVALHO; SOUZA, 2009, p. 19).
[...] No Brasil, desde a criação do primeiro curso em 1911 pela Biblioteca
Nacional do Rio de Janeiro até 2009, dois anos antes do seu centenário,
totaliza-se 36 cursos regulares em funcionamento para seu ensino, muitos
destes cursos tiveram sua criação ao longo da história aqui retratada,
podendo perceber a criação mais recente somente de um, no estado de São
Paulo, o qual remonta ao ano de 2009 (OLIVEIRA; CARVALHO;
SOUZA, 2009, p. 21).

3662

�ANTÔNIO AGENOR BRIQUET DE LEMOS, 1973.
[...] A partir de 1915, data em que começou a funcionar o primeiro curso, o
ensino da Biblioteconomia evoluiu bastante, existindo atualmente 19 cursos
de graduação, 1 de pós-graduação em nível de mestrado e 1 de
especialização, em 14 unidades da Federação. Os cursos de graduação
apresentam conteúdo relativamente homogêneo, havendo diferenças quanto
à duração das disciplinas que os compõem e, mais recentemente, na
abordagem dos tópicos relativos à Mecanização e Automação. A causa
principal dessa homogeneidade é o currículo mínimo que todos os cursos
são obrigados a seguir. A evolução dos estudos teóricos no campo da
organização de sistemas de recuperação de informações tem apresentado
resultados importantes e revelado princípios fundamentais que deveriam ser
incorporados organicamente ao ensino da Biblioteconomia (LEMOS, 1973,
p.1).

CRISTINA DOTTA ORTEGA, 2004.
[...] Na década de 50, Margaret Egan e Jesse Shera, membros da Escola de
Biblioteconomia de Chicago, avaliam que a atenção dos bibliotecários
durante os anos anteriores esteve voltada para a revolução da comunicação
de massa e seu provável efeito sobre os serviços de biblioteca para o leitor
em geral, enquanto poucos se preocuparam com a revolução da organização
e serviços de biblioteca, a qual foi tratada por outro campo, nomeado
"comunicação da informação especializada" e desenvolvido por
documentalistas e especialistas de informação. Shera apontou a própria
Escola como uma das principais responsáveis pela repulsa dos
bibliotecários por habilidades técnicas (ORTEGA, 2004).
J. H. SHERA,1977.
[...] O objetivo da biblioteconomia seja qual for o nível intelectual em que
deve operar é aumentar a utilidade social dos registros gráficos, seja para
atender à criança analfabeta absorta em seu primeiro livro de gravuras, ou
um erudito absorvido em alguma indagação esotérica. Portanto, se a
biblioteconomia deve servir à sociedade em toda extensão de suas
potencialidades, deve ser muito mais do que um monte de truques para
encontrar um determinado livro numa estante particular, para um consulente
particular. Certamente é isso também, mas fundamentalmente
biblioteconomia é a gerência do conhecimento. Por isso, estes novos
mecanismos projetadas para manipular conhecimentos a fim de que o
homem possa alcançar melhor compreensão do universo no qual se
encontra, são de especial interesse para o bibliotecário. Pois o bibliotecário
fará mal sua tarefa se não compreender todo o papel do conhecimento na
sociedade que ele serve e a parte que as máquinas podem realizar no
processo da"ligação do tempo". O bibliotecário é o supremo "ligador do
tempo", e a sua disciplina é a mais interdisciplinar de todas, pois é a
ordenação, relação e estruturação do conhecimento e dos conceitos.
(SHERA, 1977, p. 11).

3663

�KIRA TARAPANOFF, 1990.
[...] Coube à Universidade de Brasília, em 1964, o pioneirismo de realizar a
primeira experiência de um curso de mestrado em Biblioteconomia e
Documentação no País [...] Por razões as mais diversas, em 1965 o curso foi
suspenso [...] (TARAPANOFF, 1985 apud SOUZA, 1990, p. 105).

7 MUDANÇAS SOFRIDAS NA ATIVIDADE PROFISSIONAL DO PROFISSIONAL
DA INFORMAÇÃO

Lojkine (1995 apud ANJOS, 2008) afirma que a era da informação mudou o perfil de
várias áreas profissionais e isso não foi diferente com a biblioteconomia. Assim, os
bibliotecários tiveram que acompanhar essas mudanças para exercer, com plenitude, suas
atividades profissionais. As transformações sofridas por este personagem ao longo do último
século são evidenciadas no quadro a seguir:

PERFIL DO PROFISSIONAL
INÍCIO
Possuía uma visão humanista, ligado a cultura e as artes sob forte influência
DO SÉCULO XX francesa, devido a origem do curso de biblioteconomia estar ligada a École
ATÉ A DÉCADA DE Nationale des Chartes, em Paris.
30
Passa a receber uma formação mais técnica sob influência norte americana,
DÉCADA DE 30
devido a criação dos primeiros cursos paulistas em biblioteconomia
direcionados ao ensino técnico, originados da School of Library Economy,
fundada por Melvil Dewey na cidade de Columbia, em Nova York.
Acontece o primeiro congresso, Congresso Brasileiro de Biblioteconomia em
DÉCADA DE 50
1954 no Recife, originando uma maior participação dos profissionais e uma
educação continuada dos mesmos.
A profissão passa a ser reconhecida oficialmente em nível superior, sendo
DÉCADA DE 60
estabelecida uma legislação profissional e sendo criados os primeiros órgãos
de classe.
São criados os primeiros cursos de pós-graduação, desenvolvendo assim, a
DÉCADA DE 70
pesquisa e o surgimento dos primeiros periódicos nacionais voltados para
biblioteconomia e ciência da informação, aumentando a disseminação da
informação dentro da área.
Passa a ter um perfil de agente cultural e da informação. Sendo direcionado à
DÉCADA DE 80
entidades educacionais e, muitas vezes, atuando como educador.
Com o crescimento editorial e com o avanço das novas tecnologias de
INÍCIO
informação ele passa a ser um profissional da informação e, nesse momento,
DA
torna-se o “Moderno profissional da informação” e passa a ser considerado
DÉCADA DE 90
um “Moderno gerente informational”.
Panorama do perfil do bibliotecário e da educação continuada no Século XX:

Fonte: Anjos (2008, p. 3).

3664

�8 A FORMAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO BRASILEIRO
A formação do bibliotecário no país é resultado de dois modelos distintos de ensino: o
modelo francês e o modelo norte-americano. Hoje o Brasil conta com 39 escolas de
biblioteconomia espalhadas por todas regiões do país conforme o quadro:

CURSOS DE BIBLIOTECONOMIA EXISTENTES POR REGIÃO
QUANTIDADE DE CURSOS
REGIÕES

TOTAL

FEDERAIS/ ESTADUAIS

PARTICULARES

NORTE

2

0

2

NORDESTE

8

0

8

CENTRO-OESTE

3

2

5

SUDESTE

7

10

17

SUL

6

1

7

TOTAL

26

13

39

Cursos de biblioteconomia existentes por região

Fonte: Site do Conselho Regional de Biblioteconomia 6° Região MG/ES. Acesso em:
6/5/2014

As instituições que ministram o curso de biblioteconomia no Brasil são:
INSTITUIÇÕES QUE MINISTRAM O CURSO DE BIBLIOTECONOMIA NO BRASIL
(Segundo INEP)
INSTITUIÇÃO

CIDADE/UF

SUDESTE
Universidade Santa Ursula - USU

RIO DE JANEIRO-RJ

Universidade Federal Fluminense - UFF

NITEROI-RJ

Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ

RIO DE JANEIRO-RJ

Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO

RIO DE JANEIRO-RJ

Universidade Federal do Espírito Santo - UFES

VITORIA-ES

Escola Superior de Ensino Anísio Teixeira - CESAT

SERRA-ES

Centro Universitário Assunção - UniFAI

SAO PAULO-SP

Instituto Manchester Paulista de Ensino Superior - IMAPES

SOROCABA-SP

Faculdade de Biblioteconomia e Ciência da Informação - FaBCI

SAO PAULO-SP

Universidade Federal de São Carlos - UFSCAR

SAO CARLOS-SP

Universidade de São Paulo - USP

SAO PAULO-SP

3665

�Faculdades Integradas Coração de Jesus - FAINC

SANTO ANDRE-SP

Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesauita Filho - UNESP

MARILIA-SP

Pontifícia Universidade Católica de Campinas - PUC-Campinas

CAMPINAS-SP

Faculdade de Ciências da Informação de Caratinga - FCIC

CARATINGA-MG

Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG

BELO HORIZONTE-MG

Centro Universitário de Formiga - UNIFORMG

FORMIGA-MG

SUL
Pontifícia Universidade Católica do Paraná - PUCPR

CURITIBA-PR

Universidade Estadual de Londrina - UEL

LONDRINA-PR

Fundação Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC

FLORIANOPOLIS-SC

Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC

FLORIANOPOLIS-SC

Fundação Universidade Federal do Rio Grande - FURG

RIO GRANDE-RS

Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS

PORTO ALEGRE-RS

CENTRO-OESTE
Universidade Federal de Goiás - UFG

GOIANIA-GO

Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT

RONDONOPOLIS-MT

Instituto de Ensino Superior da Funlec - IESF

CAMPO GRANDE-MS

NORDESTE
Universidade Federal da Paraíba - UFPB

JOAO PESSOA-PB

Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN

NATAL-RN

Universidade Federal do Maranhão - UFMA

SAO LUIS-MA

Universidade Federal da Bahia - UFBA

SALVADOR-BA

Universidade Federal de Pernambuco - UFPE

RECIFE-PE

Universidade Federal do Ceará - UFC

FORTALEZA-CE

Universidade Estadual do Piauí - UESPI

TERESINA-PI

Universidade Federal do Ceará - UFC

JUAZEIRO DO NORTECE

NORTE
Universidade Federal do Pará - UFPA

BELEM-PA

Universidade Federal do Amazonas - UFAM

MANAUS-AM

Instituições que ministram o curso de biblioteconomia no Brasil (Segundo INEP).

Fonte: Site do Conselho Regional de Biblioteconomia 6° Região MG/ES. Acesso em:
6/5/2014

3666

�9 PUBLICAÇÕES DO PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO
Como retrato e resultado do ensino de Biblioteconomia, a produção científica e
publicações da área se fazem iminentes de ser divulgadas e disseminadas. Desta forma, as
publicações periódicas passam a ser necessariamente implementadas. Seguem, então, algumas
publicações:
PUBLICAÇÕES
PERIÓDICAS
PRIMÁRIAS:

PUBLICAÇÃO
PERIÓDICA
SECUNDÁRIA:

PUBLICAÇÕES
FORMATOS
ELETRÔNICOS:

EM

Ciência
da
informação
(semestral, IBICT, 1972)
- Revista da Escola de
biblioteconomia
da
UFMG
(semestral 1972)
Revista
brasileira
de
biblioteconomia e documentação
(trimestral, Federação Brasileira
de Associações de Bibliotecários
- FEBAB, 1973)
- Revista de biblioteconomia de
Brasília (semestral, Departamento
de
Biblioteconomia
da
Universidade de Brasília e
Associação dos Bibliotecários do
Distrito Federal, 1973)

- Bibliografia brasileira de
ciência
da
informação,
iniciada em 1960 como
Bibliografia brasileira de
documentação, adotou o atual
título
a
partir
do
vol.6(1980/1983).

DataGramaZero,
Encontros
bibli, Intexto, Informação &amp;
informação, Revista digital de
biblioteconomia e ciência da
informação, Informação &amp;
sociedade
:
estudos,
Perspectivas em ciência da
informação (que substituiu a
Revista
da
Escola
de
Biblioteconomia da UFMG) e
Transinformação.

10 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Observou-se com este trabalho um panorama geral do ensino de biblioteconomia no
Brasil e as diversas mudanças de conteúdos com o passar dos anos. Essa trajetória de
transformações sofridas no processo educacional é decorrência das necessidades sociais.
Nesse contexto, é imprescindível que as Escolas de biblioteconomia estejam sempre atentas a
necessidade de evolução dos Currículos. Constatou-se também a visão de alguns autores
renomados sobre o perfil do profissional bibliotecário brasileiro.

REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Neilia Barros Ferreira de. Biblioteconomia no Brasil: análise dos fatos
históricos da criação e do desenvolvimento do ensino. Dissertação (mestrado) - Universidade
de Brasília, Faculdade de Ciência da Informação, Programa de Pós-Graduação em Ciência da
Informação,

2012.

Disponível

em:

&lt;

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FONSECA, Edson Nery da. Introdução à biblioteconomia. 2. ed. Brasília: Briquet de
Lemos Livros, 2007.
GUIMARÃES, José Augusto Chaves. Moderno profissional da informação: elementos para
sua formação no Brasil. In: SEMINARIO DE ESTUDOS DE INFORMAÇÃO, 1., 1996,
Niterói. Anais. Niterói: Universidade Federal Fluminense, 1996.
LEMOS, Antônio Agenor Briquet de. Estado atual do ensino da Biblioteconomia no Brasil e a
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LOJKINE, Jean. A revolução informacional. São Paulo: Cortez, 1995.
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3669

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Revisitando as origens da Bibliteconomia no Brasil: história, ensino e perfil do profissional da informação</text>
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                <text>Anjos, Cláudia Regina dos, et al.</text>
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                <text>Este trabalho apresenta uma abordagem histórica do curso de Biblioteconomia no Brasil e seu processo de ensino, aponta as mudanças sofridas na atividade profissional do bibliotecário brasileiro e demonstra as transformações sofridas no currículo de biblioteconomia ao longo do tempo. Para isso, foram levantados os acontecimentos ocorridos no ambiente biblioteconômico desde os seus primórdios no Brasil até os dias atuais.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

RESTAURAÇÃO DO ACERVO DE OBRAS RARAS E ESPECIAIS DA DIVISÃO DE
BIBLIOTECA E DOCUMENTAÇÃO DO CONJUNTO DAS QUÍMICAS/USP
Edna Tiemi Yokoti Watanabe
Marina Mayumi Yamashita
José Francisco Silva
Maria Tereza Magalhães Santos
Marlene Aparecida Vieira
RESUMO
Este trabalho descreve as ações desenvolvidas no projeto de restauração de obras raras e
especiais, da Divisão de Biblioteca e Documentação do Conjunto das Químicas da USP,
contemplado pela Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP - PRCEU. Por se
tratar de obras de grande valor científico e cultural adotaram-se medidas criteriosas na seleção
e na restauração dessas obras, inclusive na contratação de profissionais qualificados,
eliminando o risco de tratamento incorreto e perdas irreparáveis. O projeto permitiu reduzir o
processo de deterioração, prolongar o tempo de vida do acervo bibliográfico e proporcionar
aos usuários, de hoje e de gerações futuras, condições de pesquisa em obras de valor
inestimável e, principalmente, garantir o acesso à informação.
Palavras-Chave: Obras raras; Preservação de acervos; Conservação de acervos; Restauração
de coleções.
ABSTRACT
This paper describes the actions developed and taken in the restoration of rare and special
books stored at Document and Library Division in the Chemical Department of USP
contemplated by the Pro-Rectorship for Culture and Extension of USP - PRCEU. Due to the
high scientific and cultural value of special measures were taken selected criteria the selection
and restoration the works stored. This involves also hiring highly qualified professionals
eliminating the risk of mistreatment and irreparable losses. The project has hampered the
process of deterioration and has extended the life of bibliographic collection, in order to
provide research conditions of invaluable works as well as access to information for the
current users and future generations.
Keywords: Preservation of collections; Conservation of collections; Restoration collections.

1 INTRODUÇÃO
A Divisão de Biblioteca e Documentação do Conjunto das Químicas da Universidade
de São Paulo (DBDCQ/USP) reúne os acervos bibliográficos da Faculdade de Ciências

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�Farmacêuticas e do Instituto de Química da USP, contando com uma coleção de 636 volumes
de obras raras e especiais do século XVIII e XIX, sendo muitas delas exemplares únicos.
Devemos de uma maneira simplificada, dizer que livro raro é aquele livro antigo, de
autor célebre, com conteúdo polêmico, papel de trapo com muitas ilustrações, escritos com
tinta ferrogálica, exemplares manuscritos ou “ainda ter pertencido a uma personalidade de
reconhecida projeção e influência no país e mesmo fora dele (por exemplo: imperadores, reis,
presidentes), ou reconhecidamente importantes para determinada área do conhecimento
(física, biologia, matemática e outras)” (RODRIGUES, 2006, p.115).
Por estar em local inadequado alguns exemplares foram infestados por brocas
(Anobiideos) e no ano de 2011, realizou-se a desinfestação em grande escala por atmosfera de
anóxia com controle e monitoramento contínuo, não tóxico e junto a esse tratamento essas
obras foram higienizadas superficialmente (YAMASHITA et al., 2013).
Paralelamente ao serviço de higienização, realizou-se uma análise das condições
dessas obras e, juntamente com o responsável do Setor de Obras Raras e Especiais,
diagnosticou-se que devido principalmente à fragilidade das encadernações e problemas de
armazenamento, muitas destas obras apresentavam danos de diferentes origens e com
características variadas quanto ao tipo de encadernação, revestimento, dimensões e estavam
com a longevidade reduzida. Os principais danos encontrados foram: lombada danificada,
costura fragilizada, acidez e, em alguns casos, o livro como um todo.
As obras que se encontravam mais fragilizadas, isto é, com a lombada e capas soltas
foram amarradas com cadarço de algodão, pois havia um sério risco de perdê-la sendo que
muitas delas já tinham perdido a sua lombada (Foto 1).

Foto 1 - Acervo de obras raras e especiais

Fonte: Marina M. Yamashita

Considerando o grande valor científico e cultural desse acervo, não só para a USP
como para toda comunidade acadêmica e científica, a DBDCQ aproveitou a oportunidade da
Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP (PRCEU) com o Programa de

3643

�Editais 2012 que instituía apoio financeiro a projetos nas áreas de “Preservação de acervos e
patrimônio cultural na USP, memória USP e intercâmbio das atividades de cultura e extensão
na USP” e submeteu dois projetos: “Restauração do Acervo de Obras Raras e Especiais” e
“Readequação de Espaço Físico para Implantação dos Centros de Memória da Faculdade de
Ciências Farmacêuticas e do Instituto de Química da USP”, onde será abrigado, de forma
adequada, esse acervo de Obras Raras e Especiais. Ambos os projetos foram contemplados.
O objetivo deste trabalho é descrever as ações realizadas no projeto de restauração de
obras raras e especiais, o tratamento, as intervenções que foram executadas nesse acervo e as
dificuldades encontradas durante a sua execução. Acreditamos que, ao expor esta experiência,
há o compartilhamento de informações e troca de conhecimentos entre os profissionais da
área, pois a restauração incorreta acarreta danos irreparáveis podendo até descaracterizar a
obra como rara.
Ressaltando o valor destas obras o Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade
de São Paulo (SIBi/USP), digitalizou e disponibilizou algumas delas, como por exemplo:
“Oeuvre de Lavoisier” e “Oeuvres completes de Buffon” na Biblioteca Digital de Obras Raras
e Especiais, que podem ser pesquisadas no site http://www.obrasraras.usp.br.

2 METODOLOGIA
Para a contratação da empresa e execução do serviço foi realizada a modalidade
licitação - pregão e coube à DBDCQ a elaboração do memorial descritivo, onde se procurou
detalhar pormenorizadamente as especificações técnicas incluindo a exigência de
comprovação de formação (experiência mínima de 2 anos na área) como também
apresentação de fotos de trabalhos já realizados, comparando o antes e o depois da
intervenção. Além disso, foi exigido conservar, ao máximo, a integridade e a originalidade da
obra e que os diferentes danos também fossem tratados de maneira criteriosa.
Do total de 636 obras deste acervo foram selecionadas 100 (cem) para serem
restauradas de acordo com os seguintes critérios: lombada solta e/ou faltante, encadernação
fragilizada e obras das áreas de Química e Farmácia.
Por se tratar de material valioso procurou eliminar o risco de tratamento incorreto no
processo de restauração que poderia causar danos irreparáveis. Com este intuito foi contratada
uma empresa especializada em restauro de papel e obras raras que executou o serviço,
conforme descrição no Edital:
a) Preparo do couro de substituição ou tratamento do couro da lombada a ser recuperado.

3644

�b) Higienização mecânica folha por folha, utilizando pó de borracha, bisturi e trincha para
remoção da sujidade da superfície das folhas eliminando excrementos de insetos e quando
necessárias intervenções anteriores.
c) Para os exemplares que necessitem de nova costura, a mesma seria feita com cadarço e
linha 100% algodão, respeitando a cor do livro.
d) Serviços de restauro como velaturas, enxertos, remendos seriam confeccionados com
materiais próprios para restauro, papel japonês de diversas gramaturas, texturas e tonalidades,
adesivos de metil celulose todos com características de reversibilidade.
e) Nenhum exemplar seria guilhotinado.
f) Utilização de couro atanado para encadernação e papel marmorizado artesanalmente.
g) Novas guardas ou restauro das guardas com papel de pH neutro.
h) Ao final do trabalho será entregue um relatório com documentação técnica e fotográfica.

3 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
O processo de restauração exigiu a utilização de materiais de boa qualidade,
resistência física, durabilidade, compatibilidade com o original sempre respeitando o princípio
da reversibilidade, incluindo papel japonês e materiais importados.
As obras foram separadas em três lotes, e antes de serem entregues à empresa
contratada, foi preenchida uma ficha de diagnóstico do estado de conservação de cada obra.
No ateliê todos os exemplares foram fotografados e cada obra recebeu um envelope
com nome do autor e número de tombo onde foram guardadas lombadas soltas, Ex libris,
etiquetas e pedaços de folhas que se encontravam dentro dos livros. Após o processo de
registro fotográfico, os livros que necessitavam de novas costuras foram desmontados e
higienizados (Foto 2).
A higienização foi mecânica, folha por folha para remoção da sujidade da superfície
das folhas eliminando excrementos de insetos (Foto 3).

Foto 2 - Idtificação da obra

Foto 3 - Higienização

Fonte: Nilza Sakai

Fonte: Nilza Sakai

3645

�Foram executados serviços de restauros como velaturas, enxertos, remendos com
materiais próprios para restauro (papel japonês de diversas gramaturas, texturas e
tonalidades), utilização de Book Keeper para desacidificação das folhas que se encontravam
muito ácidas, Álcool P.A a 50% ou 70% e cola metil celulose dependendo da necessidade do
uso (Foto 4).
Para a costura foi utilizado cadarço e linha de algodão seguindo a encadernação
original. Nas guardas utilizou-se papel de pH neutro e papel marmorizado artesanalmente e,
quando possível, as guardas originais foram mantidas (Foto 5).

Foto 4 - Restauração da folha

Fonte: Nilza Sakai

Foto 5 - Restauração da capa

Fonte: Nilza Sakai

Obras que possuíam papel de seda acidificado entre as gravuras, foram substituídas
por papel japonês. A hidratação da lombada, quando reaproveitada, foi realizada com mistura
de óleo mineral, vegetal e animal (Foto 6).
Para o revestimento da capa, quando da impossibilidade de reaproveitá-la, foi utilizado
couro atanado pintado artesanalmente de acordo com a capa original e, quando possível foi
mantida a original (Foto 7).

Foto 6 - Recuperação da lombada

Fonte: Nilza Sakai

Foto 7 - Recuperação da capa

Fonte: Nilza Sakai

Quando não foi possível utilizar a mesma lombada às obras receberam douração a
ouro ou etiqueta em couro.

3646

�Finalizando o processo de restauração das obras, todos os exemplares receberam
impermeabilização do couro para maior durabilidade e também foram recolocados os Ex
libris e as etiquetas dos exemplares quando possuíam (Foto 8).

Foto 8 - Obras restauradas

Fonte: Nilza Saai

Após o recebimento das obras, realizou-se a conferência com as respectivas fichas de
diagnóstico observando as especificações exigidas e a qualidade do serviço, e as obras que
não atenderam as exigências foram devolvidas para correções. A empresa cumpriu o prazo
estabelecido para a realização dos serviços.

4 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
A maior dificuldade encontrada para execução do projeto foi na contratação de pessoal
qualificado que por ser na modalidade licitação - pregão, vence quem apresentar o menor
preço. A DBDCQ, na elaboração do edital, detalhou a descrição do objeto, exigindo
experiência comprovada dos restauradores e uso de material adequado e de qualidade visando
o sucesso da licitação.
A responsabilidade em tratar uma obra rara é tão grande que se encontra em
tramitação, na Câmara dos Deputados, uma proposta que
prevê a hipótese de dispensa do processo licitatório para compra ou
restauração de obras de arte e de objetos históricos, desde que tenham
autenticidade certificada e sejam compatíveis com as finalidades do órgão ou
entidade. A medida está prevista no Projeto de Lei 4672/12, do deputado
Stepan Nercessian - PPS-RJ (SOUZA, 2013).

O projeto permitiu reduzir o processo de deterioração e prolongar o tempo de vida do
acervo bibliográfico que se encontra sob a guarda da DBDCQ/USP e proporcionar aos
usuários de hoje e de gerações futuras condições de pesquisa em obras de valor inestimável e,
principalmente, garantir o acesso à informação.

3647

�Salientamos a importância de iniciativas de Programas que visem à preservação de
acervos, do patrimônio cultural, da memória e atividades de cultura e extensão, como o
PRCEU que foi uma iniciativa pioneira na Universidade e que veio atender as necessidades de
vários setores.

5 REFERÊNCIAS
RODRIGUES, M. C. Como definir e identificar obras raras? Critérios adotados pela
Biblioteca Central da Universidade de Caxias do Sul.

Ci. Inf., v. 35, n. 1, p. 115-121,

jan./abr. 2006. Disponivel em: &lt;http://eprints.rclis.org/8336/1/v35n1a12.pdf&gt;. Acesso em: 7
abr. 2014.
SOUZA, M. Projeto prevê dispensa de licitação para compra e restauração de livros raros.
Disponivel

em:

&lt;http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/educacao-e-

cultura/434808-proieto-preve-dispensa-de-licitacao-para-compra-e-restauracao-de-livrosraros.html&gt;. Acesso em: 15 abr. 2014.
YAMASHITA, Marina Mayumi et al. Desinfestação por atmosfera anóxia: método utilizado
pela Biblioteca do Conjunto das Químicas/USP.

Rev. Digit. Bibliotecon. Cienc. Inf., v.11,

n.1, p.155-163, 2013. Disponível em: &lt;http://www.sbu.unicamp.br/seer/ojs/index.php&gt;.
Acesso em: 11 abr. 2014.

3648

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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

REDEFINIÇÃO DO ESPAÇO FÍSICO DA BIBLIOTECA SETORIAL DO CENTRO
TÉCNICO-CIENTÍFICO DA PUC-RIO
Dolores Rodriguez Perez

RESUMO
Apresenta-se o Projeto de redefinição do espaço físico da Biblioteca Setorial do Centro
Técnico e Científico da PUC-Rio, balizada pelo estudo de usuários e pela avaliação do seu
acervo, mostrando a nova tendência das bibliotecas universitárias, como espaços voltados, às
tarefas acadêmicas, ao trabalho cooperativo, à construção do conhecimento coletivo, à troca
de saberes, mais do que servindo de repositórios de livros. O redimensionamento da
biblioteca, com um novo layout, possibilitou ampliar em 64% a capacidade de assentos para
estudo, passando de 90 lugares para 148. Os dados estatísticos do fluxo de usuários já
mostram o aumento expressivo alcançado, após a reforma, nos dois primeiros meses de
funcionamento, com novas instalações, confirmando o novo papel da biblioteca.
Palavras-Chave: Layout de biblioteca; Biblioteca universitária; Estudo de usuários;
Avaliação de coleções; Descarte de livros; Pontifícia Universidade Católica do Rio de
Janeiro. Centro Técnico-Científico; Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
Divisão de Bibliotecas e Documentação; Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
Biblioteca Setorial do Centro Técnico-Científico.
ABSTRACT
It presents the physical space of the redefining Project of Centro Técnico-Científico Branch
Library of Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, based on the user survey and
on the collection assessement, showing the new university library trend, as spaces focus to the
academic tasks, to the coworking, to the construction of the collective and exchanging
knowledge, rather than book repositories. The new layout of the library allowed to enlarge in
64% the capacity of studying areas, increasing from 90 to 148 seats. The statistics data of the
user flow presented, have already shown an expressive increase, after the library make out,
during the first two months of the its functioning, confirming its new role.
Keywords: Library layout; University library; User survey; Collection assessement; book
weeding; Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Centro Técnico-Científico;
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Divisão de Bibliotecas e Documentação;
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Branch Library of the Centro TécnicoCientífico.

3631

�1 INTRODUÇÃO
As bibliotecas universitárias têm passado, nos últimos quinze anos, por um período de
intensas transformações, onde as tecnologias da informação e da comunicação foram a alavanca
dessa transição, que se reflete na forma como a informação é registrada, comunicada,
disseminada e recuperada, nos serviços desenvolvidos e oferecidos , no comportamento, nas
demandas e expectativas dos usuários e nas competências e habilidades necessárias aos
profissionais e aos membros da comunidade universitária.
Embora o livro ainda exerça um papel central, o aparecimento crescente de outros
formatos e mídias tem favorecido às bibliotecas ofertar serviços modernos, ao mesmo tempo
que seus usuários podem utilizar de outras maneiras seus espaços físicos. Segundo Niegaard
(2011), três condições são essenciais ao se repensar a estrutura física e o layout da biblioteca: a)
hábitos dos usuários com novas mídias; b) mudanças nos recursos e tarefas da biblioteca,
descritas frequentemente de coleções para conexões e de transações para relações; e c) transição
dos processos do trabalho manual para automático, incluindo o desenvolvimento de autoatendimento de serviços.
Estudo desenvolvido pelo LEED (Leadership in Energy and Environmental Design)419,
em 2008, sobre bibliotecas verdes nos Estados Unidos da América, revelou que, além da
importância na conservação de energia, os espaços destinados aos usuários, mais que livros, têm
alcançado maior destaque (LODER, 2010).
Anderson (2011) fez algumas predições para os próximos dez anos, o futuro das
coleções da biblioteca não serão as coleções. Na era do acesso on-line, as buscas/pesquisas em
textos completos já apresentam impactos na forma como são descobertos os documentos. A
maioria das demandas de informação em tempo real será atendida por um dinâmico acesso a um
fluxo de informação virtualmente ilimitado e não por um estoque pré-selecionado de
informação.
Este trabalho tem por objetivo apresentar a redefinição do espaço físico da Biblioteca
Setorial do Centro Técnico-Científico da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
(BS/CTC-PUC-Rio) para atender a demanda manifestada, principalmente, pelo corpo discente
da Universidade, por mais ambientes para estudo individual e trabalhos em grupo.

Esta

necessidade, além de observada no cotidiano das bibliotecas, foi registrada no estudo de

419 LEED is a certification program that rates the design, construction, and operation of Green buildings. The
U.S. Green Building Council, a nonprofit based in Washington, D.C. coordinates the program.
www.usgbc.org/Default.aspx

3632

�usuários da comunidade de professores e alunos de pós-graduação do CTC, realizado entre
2008 e 2009 (MARANHÃO; OLIVEIRA, 2010).
Para o planejamento de um novo layout para a BS/CTC, que atendesse às expectativas e
interesse dos usuários, procedeu-se, também, à avaliação prévia do acervo da Biblioteca.
O repensar um novo espaço para a Biblioteca da BS/CTC vem ratificar a tendência das
bibliotecas acadêmicas como lugares de concentração física, eletrônica e intelectual, mais que
repositórios de livros, procurados por alunos e professores para realizarem seus trabalhos
acadêmicos (LODER, 2010).

2 A PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO/O CENTRO
TÉCNICO E CIENTÍFICO/ A DIVISÃO DE BIBLIOTECAS E DOCUMENTAÇÃO
A Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) é uma instituição de
ensino privado, com 49 cursos de graduação, 27 cursos de mestrado, 22 de doutorado, 55 cursos
de especialização e 45 de extensão nas diversas áreas do conhecimento.

Sua estrutura está

dividida em quatro centros acadêmicos: Centro de Ciências Sociais (CCS), Centro de Teologia e
Ciências Humanas (CTCH, Centro Técnico-Científico (CTC) e Centro de Ciências Biológicas e
de Medicina (CCBM). A Universidade reúne cerca de 12.800 alunos de graduação, 2.689 de
pós-graduação, 1.350 professores e 1.583 funcionários.
O Centro Técnico-Científico engloba os departamentos: Engenharia Civil, Engenharia
Elétrica, Engenharia Industrial, Engenharia de Materiais, Engenharia Mecânica, Física,
Informática, Matemática e Química, com 307 professores e 1.064 alunos de pós-graduação e
3.836 alunos de graduação.
A Divisão de Bibliotecas e Documentação (DBD) é um órgão de apoio ao ensino, à
pesquisa e à extensão da Universidade e coordena o Sistema de Bibliotecas da PUC-Rio. Sua
missão é facilitar o acesso e a difusão de recursos de informação e colaborar com os processos
de criação do conhecimento, a fim de contribuir na consecução dos objetivos da Universidade.
O Sistema de Bibliotecas compõe-se da Biblioteca Central e cinco Bibliotecas Setoriais, com
acervos voltados, prioritariamente à pos-graduação: Biblioteca Setorial dos Centros de Ciências
Sociais e Teologia e Ciências Humanas (BS/CCS-CTCH); Biblioteca Setorial do Centro
Técnico-Científico (BS/CTC); Biblioteca Setorial de Informática; Biblioteca Setorial do Centro
de Estudos em Telecomunicações (BS/CETUC); e Biblioteca Setorial de Biologia (BS/BIO).
Os serviços ofertados compreendem: consulta ao acervo, consulta on-line, empréstimo
domiciliar e entre bibliotecas, renovação, inclusive on-line e reserva de obras emprestadas, autoserviço de cópia, comutação bibliográfica virtual, acesso a periódicos, bases de dados on-

3633

�line e teses e livros digitais, orientação e treinamento no uso dos recursos informacionais,
visitas guiadas, sala de estudo em grupo, sala de treinamento, elaboração de ficha catalográfica,
serviço de alerta para as novas aquisições, acesso remoto, acesso à rede wireless e atendimento
on-line, via chat.
A Biblioteca Setorial do Centro Técnico-Científico, apesar de destinada prioritariamente
à pós-graduação dos cursos dos departamentos do CTC, tem seu espaço físico e infraestrutura
muito utilizados pelos alunos da graduação, atendendo, também, aos funcionários, ex-alunos e
comunidade externa.

3 ESTUDO DE USUÁRIOS
A biblioteca universitária desempenha papel fundamental no apoio às atividades de
ensino, pesquisa e extensão e para tanto deve estar atenta e acompanhar os diversos programas
desenvolvidos pela Universidade.
Para identificar os hábitos e interesses dos usuários, nessa era de profundas mudanças e
avanços tecnológicos, os estudos de usuários são imprescindíveis para que a biblioteca possa
planejar e adequar-se à comunidade que atende.
Seguindo essa linha de ação foi realizada, entre 2008 e 2009, uma pesquisa sobre a
comunidade de professores e alunos de pós-graduação do CTC da PUC-Rio com os objetivos de
conhecer o perfil da comunidade, o seu grau de satisfação em relação aos serviços e
infraestrutura, conhecer as fontes e os meios utilizados para suprir suas necessidades de
informação e levantar demandas e expectativas quanto à Biblioteca (MARANHÃO;
OLIVEIRA, 2010).
Para fins deste trabalho foram destacados dessa pesquisa os resultados que serviram
para a tomada de decisão à redefinição e redimensionamento do espaço físico da BS/CTC.
Todos os demais resultados dessa pesquisa foram apresentados no XVI SNBU (MARANHÃO;
OLIVEIRA, 2010).
Na época do estudo, o público alvo era de aproximadamente 860 usuários potenciais,
sendo 185 professores e 675 alunos dos cursos de mestrado, doutorado e especialização. Desse
total geral, 80,3% dos respondentes eram alunos de mestrado ou doutorado; 50,58% utilizavam
a BS/CTC presencialmente; 43,52% utilizavam remotamente; e apenas 6,59% informaram não
utilizar a BS/CTC e sim outras bibliotecas da PUC - Biblioteca Central, BS/Informática e
bibliotecas de outras instituições.
Com relação à infraestrutura, 90,10% consideraram ambiente para estudo individual
muito importante ou importante; 71,42% avaliaram como muito importante ou importante

3634

�espaço para estudo em grupo; 86,80% o consideraram sala com recursos computacionais,
acesso à Internet muito importante ou importante.
Outra indicação significativa que levou a Universidade a repensar os espaços dessa
Biblioteca foi o elevado percentual de respondentes (90,10%) informarem a importância do
espaço para estudo individual, sala com recursos multimídia e 71,42% consideraram muito
importante ou importante espaço para estudo em grupo. Embora 65,88% (alunos de pósgraduação) não utilizavam as salas de estudo em grupo e de recursos eletrônicos, talvez porque
não os atendessem, e ao mesmo tempo, na pesquisa, estes usuários se queixaram do barulho na
sala, frequentada em sua maior parte por alunos de graduação do CTC.
Na avaliação do acervo notou-se a tendência atual das coleções - material impresso foi
bem avaliado, porém os periódicos on-line receberam melhor avaliação, uma vez que a
maioria das assinaturas das revistas técnico-científicas foram suspensas à medida que se
tornaram disponíveis on-line, tornando-se a preferência pelo uso dos acervos on-line, a partir
de qualquer computador no campus e fora dele e através do acervo remoto.

4 AVALIAÇÃO DO ACERVO
A constatação do interesse e a preferência dos usuários pela informação em meio
eletrônico, a demanda por espaços físicos e infraestrutura adequada, como sala de leitura,
estudo e acesso à Internet e rede wireless, manifestados no estudo de usuários da BS/CTC
suscitaram a avaliação do acervo físico para posterior redimensionamento dos espaços da
Biblioteca.
Em 2013, foi realizada a avaliação do acervo impresso de livros e folhetos com o
objetivo de identificar material obsoleto, mudança de interesses dos usuários e duplicações
desnecessárias para apoiar o processo de descarte ou desbaste.

4.1 Metodologia
Os métodos tradicionais de avaliação dividem-se em quantitativos: tamanho e
crescimento e qualitativos: julgamento por especialistas; uso de bibliografias como padrão,
bibliografias publicadas, bibliografias elaboradas especialmente e análise de uso real. O
julgamento por especialistas é chamado de “impressionista” e aplicado principalmente em
bibliotecas universitárias e de pesquisa (LANCASTER, 1996, p. 28).
A opção pelo julgamento por especialistas justifica-se porque os acervos são formados
a partir das bibliografias adotadas pelos cursos, de acordo com os Planos Pedagógicos. As
indicações, por sua vez são encaminhadas para a Biblioteca adquirir. Logo, os

3635

�professores/especialistas conhecem esse acervo e sua pertinência e atualização com os
programas de ensino e pesquisa.

4.1.1 Avaliação qualitativa/julgamento por especialistas
A primeira etapa constituiu-se da avaliação qualitativa realizada com o apoio dos
departamentos do CTC, através do julgamento do acervo pelos professores/especialistas.
Foram gerados, pelo sistema da Biblioteca, relatórios por assunto, de acordo com as
subdivisões do sistema de Classificação de Dewey, adotado pela Biblioteca. Esses relatórios
foram encaminhados aos Departamentos do CTC, que indicaram os professores/especialistas
para a avaliação do acervo. Alguns relatórios (assuntos) foram encaminhados a mais de um
departamento, por se tratarem de assuntos relacionados. Avaliaram os livros os seguintes
departamentos/cursos: Arquitetura, Engenharia Ambiental, Engenharia Civil, Engenharia
Elétrica, Engenharia Industrial, Engenharia de Materiais, Engenharia Mecânica, Informática e
Metrologia. Ainda não devolveram a avaliação: Engenharia Química, Física, Matemática e
Química.
Identificaram-se alguns assuntos que não pertenciam às áreas do CTC e os relatórios
foram enviados aos respectivos departamentos, a saber: Ciências Biológicas, Economia,
Educação, Filosofia e Psicologia.
Todos os relatórios foram enviados aos diretores dos departamentos ou coordenadores
de curso com uma circular explicativa acerca da avaliação dos livros, visando à manutenção
de um acervo que acompanhe e apoie o desenvolvimento do ensino e da pesquisa, nas áreas
do CTC e a melhor utilização do espaço físico da Biblioteca. Aos avaliadores foram
encaminhadas algumas orientações para registrarem as observações necessárias nos relatórios.
Foram sugeridos alguns critérios, como a existência de várias edições e/ou exemplares de um
mesmo título/autor, desnecessários; livros que não interessam mais ou desatualizados e
podem ser retirados da coleção.
O

acervo

avaliado

constituiu-se

de

24.839

títulos

de

livros

e

32.387

exemplares/volumes. Nesses itens incluíram-se os folhetos. O retorno dos relatórios dos
departamentos durou aproximadamente seis meses, com resultados parciais, tendo em vista
que algumas áreas não devolveram a avaliação: 866 exemplares (2,67%) descartados para
doação e 107 exemplares ((0,33%) remanejados para a Biblioteca Central (BC) e Biblioteca
Setorial do Centro de Ciências Sociais e Centro de Teologia e Ciências Humanas (BS/CCSCTCH).

3636

�Foram também transferidas para a Biblioteca Central as séries monográficas em
Matemática, no total de 1.268 exemplares (3,9%).
Nesta

avaliação

parcial

foram

descartados

do

acervo

2.241

exemplares,

correspondendo a 6,9% dos livros da BS/CTC.

4.1.2 Análise de Uso
Na segunda etapa da avaliação realizou-se a análise de uso do acervo de livros para
identificar os itens sem utilização e transferi-los para um armazém externo, onde é mantido
acervo com baixo uso. Nesta análise não houve distribuição por assuntos.
Definiram-se os seguintes parâmetros: todos os exemplares com uso zero, de
empréstimo ou de consulta na Biblioteca, nos últimos oito anos (2006-10/9/13) e que tenham
entrado no acervo até 31 de dezembro de 2010.
Entraram nesta análise de uso 23.479 títulos e 28.833 exemplares. Apresentaram
circulação, de acordo com os parâmetros definidos, 7.168 exemplares, representando 24,86%
dos livros analisados.

Os resultados desta análise são confirmados por Lancaster (1996,

p.52), que no padrão de uso de livros numa biblioteca, uma quantidade bastante pequena de
itens responde por uma grande proporção de todos os usos, e a maioria dos itens tem pouco,
se é que tem algum uso.
4.1.3 Remanejamento de Coleções
Simultaneamente à avaliação do acervo de livros, outras coleções foram transferidas
para possibilitar o redimensionamento dos espaços da BS/CTC, a saber:
a) Periódicos (487 títulos e 15.267 v./fasc.) - foram transferidos para depósito externo;
b) Coleção de referência - obras não usadas foram para depósito externo;

5 PROJETO DE REDEFINIÇÃO DO ESPAÇO FÍSICO DA BS/CTC
Após a confirmação do espaço que seria liberado com a retirada do acervo da BS/CTC
e consequente redução do espaço a ser ocupado, o Escritório Modelo de Arquitetura e Design
da PUC-Rio (EMAUD) elaborou o Projeto de redefinição da Biblioteca.
Temporariamente a BS/CTC esteve fechada, durante os meses de janeiro até 20 de
março de 2014 para a reforma de adequação dos espaços e atendimento às necessidades e
sugestões dos usuários.
A Biblioteca continuou com a mesma área total de 387,47 m , porém obteve-se uma
ampliação com um aumento total de 58 lugares nos três espaços: sala de estudo em grupo,

3637

�sala multimídia e a sala de estudo individual, que podem ser observados no Quadro 1 Ampliação de lugares.
Quadro 1 - Ampliação de lugares

Espaços
Estudo em grupo
Estudo individual
Multimídia
Total

Lugares
Até 2013
50
36
4
90

2014
94
45
9
148

A planta baixa da Biblioteca apresenta o novo layout, no Anexo A.

5.1 Equipamentos e Mobiliário
Todos os equipamentos anteriormente usados foram mantidos, após a reforma. Foi
adquirido um novo sistema de segurança, para a porta principal da Biblioteca, visto que o
antigo já não estava atendendo.
As mesas de estudo individual e de estudo em grupo permaneceram. Novas mesas
coletivas, estilo plataforma, foram alocadas no espaço ampliado da sala de estudo em grupo,
todas com instalações elétricas. Houve necessidade de comprar cadeiras para esses novos
lugares. A Biblioteca já utiliza a rede wireless desde 2009.
O acervo de livros e a coleção de referência que permaneceram na Biblioteca foram
organizados em estantes deslizantes que abrigavam os periódicos na estrutura anterior e mais
algumas estantes deslizantes recebidas por doação da Superintendência de Recursos Humanos
da PUC-Rio.
Serão adquiridos laptops para a sala multimídia, para dar mais flexibilidade ao seu uso
nos treinamentos que a Biblioteca Central ministra aos usuários.

6 RESULTADOS
O redimensionamento da Biblioteca, com um novo layout, possibilitou ampliar a
capacidade de lugares para estudos em 64%, passando de 90 para 148 lugares.
É evidente o grau de satisfação dos usuários que utilizam os novos espaços da
Biblioteca para seus estudos em grupo ou individual. Como pode ser observado no gráfico 1, o
fluxo dos usuários alcançou um aumento expressivo, com as novas instalações.

3638

�Gráfico 1 - Fluxo de usuários - 013/2014

Obs: a) jan./19 mar./2014 a Biblioteca estve em reforma.
b) Contagem do fluxo a partir de 14/4/2014.

7 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
O estudo de usuários e a avaliação do acervo aplicados na Biblioteca do CTC
permitiram conhecer as demandas dos usuários e sugestões, seus hábitos, balizando, assim, a
redefinição do espaço físico e sua consolidação. O apoio da Universidade na execução do
Projeto foi imprescindível.
Os recentes dados estatísticos, após a reforma, já demonstram efetivamente o novo
papel das bibliotecas acadêmicas, nem tanto repositórios de acervo, mas espaços e ambientes
propícios, facilitadores da educação e aprendizagem, desenvolvendo a troca de saberes, de
conhecimento e de convivência (BILANDZIC; FOTH, 2013).
Conclui-se que a avaliação dos serviços e o conhecimento dos usuários, de suas
expectativas e interesses, que também sofrem mudanças, devem ser ações regulares das
bibliotecas para buscarem sua melhor adequação.

8 REFERÊNCIAS
ANDERSON, Rick. Collections 2021: the future of the library collection is not a collection.
Based on a paper presented at UKSG Conference, 34, 2011, Harrogate. Serials, v. 24, n. 3,
Nov.

2011.

Disponível

em:

http://web.b.ebscohost.com/ehost/pdfviewer/pdfviewer?vid=9&amp;sid=041c6866-1d24-405b94aa-ee7f4a034b34%40sessionmgr113&amp;hid=125 . Acesso em 05 maio 2014.

3639

�BILANDZIC, Mark; FOTH, Marcus. Libraries as coworking spaces: understanding user
motivations and perceived barriers to social learning. Library Hi Tech, v. 31, n. 2, p. 254­
273,

2013.

Disponível

em:

http://www.emeraldinsight.com/iournals.htm?issn=0737-

8831&amp;volume=31&amp;issue=2. Acesso em: 06 maio 2014.
LANCASTER,F.W. Avaliação de serviços de bibliotecas. Trad. de Antonio Agenor Briquet
de Lemos. Brasília, DF: Briquet de Lemos, 1996. 356 p.
LODER, Michael Westcott. Libraries with a Future: How Are Academic Library Usage and
Green Demands Changing Building Designs? College &amp; Research Libraries, v. 71, n. 4, p.
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Jul. 2010.

Disponível em: http://crl.acrl.org/content/71/4/348.full.pdf+html .

Acesso em: 09 maio 2014.
MARANHÃO, Ana Maria Neves; OLIVEIRA, Monica Elisa Santiago. Estudo da
comunidade de professores e alunos de pós-graduação do Centro Técnico Científico da PUCRio. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 16, 2010, Rio
de Janeiro. Anais... 1 pendrive.
NIEGAARD, Hellen. Library space and digital challenges. Library Trends, v.60, n.1, p.
174-186,

Summer

2011.

Disponível

em:

http://muse.ihu.edu/iournals/library trends/v060/60.1.niegaard.pdf. Acesso em: 06 maio
2014.

3640

�P RO D U C ED BY AN A U T O D E S K EDUCATIO NAL PRO DUCT

ANEXO A

3641

�</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Apresenta-se o Projeto de redefinição do espaço físico da Biblioteca Setorial do Centro Técnico e Científico da PUC-Rio, balizada pelo estudo de usuários e pela avaliação do seu acervo, mostrando a nova tendência das bibliotecas universitárias, como espaços voltados, às tarefas acadêmicas, ao trabalho cooperativo, à construção do conhecimento coletivo, à troca de saberes, mais do que servindo de repositórios de livros. O redimensionamento da biblioteca, com um novo layout, possibilitou ampliar em 64% a capacidade de assentos para estudo, passando de 90 lugares para 148. Os dados estatísticos do fluxo de usuários já mostram o aumento expressivo alcançado, após a reforma, nos dois primeiros meses de funcionamento, com novas instalações, confirmando o novo papel da biblioteca.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

REDE SOCIAL: DISSEMINAÇÃO DA INFORMAÇÃO E SERVIÇO DE
REFERÊNCIA NA BIBLIOTECA CENTRAL DA UFRPE
Edson Cordeiro do Nascimento
Vania Ferreira da Silva
Maria Wellita Bezerra dos Santos Bastos
Elisabeth da Silva Araújo

RESUMO
Relata como o uso de uma rede social facilita a comunicação com os usuários, servindo
também como vitrine para outros serviços da Biblioteca. Através do estudo de caso foi
possível identificar demandas e definir a melhor forma de atuação do bibliotecário de
referência, criando um espaço mais interativo e participativo, despertando no usuário o papel
de colaborador nesse novo ambiente.
Palavras-Chave: Rede social; Biblioteca; Usuários; Comunicação.

ABSTRACT
Report how the use of a social networking facilitates the communication with users, and can
alert for other services of the Library. By a case study we can identify demands and define the
better way to librarian procedure, creatings an interactive and participative space, and induces
the user for the role of cooperator at this new environment.
Key-words: Social networking; Library; User; Communication

1 INTRODUÇÃO
As bibliotecas universitárias estão cada vez mais se atualizando no que diz respeito às
novas tecnologias de comunicação e informação, tentando desenvolver competências para
atender as necessidades de seu público, através do uso de canais de comunicação que
ofereçam rápido acesso e atendimento às necessidades de informação de seus usuários.
Os estudos sobre redes sociais na CI surgem, no Brasil, a partir do final dos
anos 90, associados, como em outros domínios de conhecimento, aos
processos advindos da globalização econômica e da mundialização cultural
no contexto da ampliação da comunicação e dos fluxos informacionais
mediados pelas novas tecnologias. (MARTELETO, 2010, p.33).

3626

�A biblioteca universitária tem como missão atender a comunidade acadêmica nas suas
atividades de ensino, pesquisa e extensão, oferecendo serviços de informação. Nesse processo
é importante que a biblioteca esteja em diálogo com seu público.
As redes sociais além de serem ferramentas de fácil acesso à informação criam um
processo dinâmico de trocas, criando elo entre instituições e seus usuários.
Esse trabalho tem como objetivo demonstrar como o uso estratégico de uma rede
social (Facebook) tem cooperado para a divulgação e melhoria dos serviços e produtos
oferecidos pela Biblioteca Central da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Além
disso, apreciar como o uso das redes sociais proporciona um melhor diálogo da Biblioteca
com seus usuários, identificando seu perfil e suas demandas.
Para alcançarmos os objetivos desse trabalho, a metodologia utilizada foi o estudo de
caso. Como ferramenta, utilizamos os registros gerados pelo Facebook da Biblioteca através
da coleta de dados e atendimentos realizados na rede social.

2 ANALISANDO O USO DO FACEBOOK DA BIBLIOTECA CENTRAL DA UFRPE
A partir de 2012, o planejamento para melhoria dos serviços da Biblioteca Central da
UFRPE passou a ter como um dos focos principais criar ferramentas para melhor
comunicação e interatividade da Biblioteca com a comunidade acadêmica da UFRPE.
No primeiro momento, criamos o perfil da Biblioteca Central da UFRPE no Facebook,
que teve como objetivo central disponibilizar aos usuários informações como: horário da
biblioteca, serviços, capacitações e comunicados. Até então, esses comunicados só eram
feitos através do setor de comunicação, que publicava essas informações na página
institucional da UFRPE. Devido ao grande fluxo no setor de comunicação, nem sempre as
informações eram divulgadas em tempo hábil e ficavam pouco tempo em destaque no site
oficial. Além disso, esse canal não nos oferecia a possibilidade de troca com os usuários. A
partir dessa necessidade de melhor divulgação dos comunicados e das ações da Biblioteca,
que adentramos nesse universo Web 2.0.
Em maio de 2012 disponiilizamos o perfil da Biblioteca Central da UFRPE e
começamos a divulgar informações sobre seus serviços e funcionamento. Passamos também a
analisar a interação dos usuários com nosso novo canal de comunicação. Dessa forma, o
usuário assume o papel de colaborador e o bibliotecário de agente social e interacionista
(VIEIRA; CARVALHO; LAZZARIN, 2008, p. 3).

3627

�Figura 1 - Imagem do Facebook da Biblioteca.

Fonte: As autoras, 2014.

No final de maio e começo de junho, verificamos que os usuários da Biblioteca
Central da UFRPE começaram a interagir com o perfil da Biblioteca Central da UFRPE no
Facebook para tirar dúvidas ou fazer críticas sobre os serviços da Biblioteca e dessa forma,
geraram uma maior demanda para o Serviço de Referência Online, “Certamente está próximo
o tempo em que a referência Web será indistinguível da referência face-a-face; bibliotecários
e usuários verão e escutarão uns aos outros, e compartilharão telas e arquivos.” (MANSESS,
2007, p. 47).
No primeiro mês de uso do perfil da Biblioteca no Facebook recebemos em torno de
30 atendimentos online, em sua maioria sobre os serviços da Biblioteca e consultas. Os
exemplos que seguem nos fizeram entender a necessidade dos usuários por um serviço de
referência online e, por sua vez, como aponta Maness (2007), a necessidade dos usuários
participarem da criação do seu conteúdo.

Dúvidas/Interações
Boa tarde! Mesmo com a greve, as multas estão sendo computadas normalmente?
Porque esqueci minha senha da biblioteca, quando achei minhas anotações com a
senha eu já estava com os 3 títulos vencidos, tentei regularizar minha situação
mas não consegui. Grata desde já pela atenção, Usuário 1.

3628

�(Usuário falando sobre um Projeto da Biblioteca, o Troca de saberes, que oferece
palestras com profissionais das áreas correlatas com a UFRPE)
Quando será que vai ocorrer um novo conjunto de palestras sobre a área de
Biologia (licenciatura)? Usuário 2.
Olá, estava fazendo intercambio e voltei durante a greve. Como faço para poder
pegar livros novamente? Estou matriculado como intercambista, afinal o primeiro
semestre ainda não acabou. Posso usar uma declaração do coordenador do
curso? Estou numa situação especial pois estive 2 anos fora da Rural em
intercâmbio. Usuário 3.
Boa Tarde, pode me tirar uma duvida a respeito do acervo disponível ?
vocês tem obras de ficção tbm ou somente obras didaticas ? Usuário 4.
Como faço pra reservar um livro? Não consigo fazer isso. Usuário 5.
A universidade oferece bolsa para os alunos dentro da Biblioteca? Usuário 6.
Pessoal, bom dia! Ouvi falar uma vez que o COMUT da BC da UFRPE faz uma
ponte entre artigos científicos PAGOS e os alunos da instituição. Alguém poderia
me informar melhor esse procedimento? Como não tive acesso a uns artigos, pois
são pagos, gostaria de comprá-los. Aí é que entra a BC, pois pelo que ouvi ela faz
essa compra para os alunos. Alguém sabe dizer? Usuário 7.
(Usuário falando sobre o acesso a Biblioteca Digital)
Consegui configurar o proxy, muito simples. O catálogo é realmente extenso.
Parabéns pela iniciativa. Acho que o NTI ou alguém um dos cursos de informática
poderia

providenciar

Eu mesmo faria,

um

vídeo

didático

de

auxílio.

se tivesse tempo. Não leva 1min para configurar.

Uma sugestão: Poderiam fazer um documento explicando como funcionam os
downloads/empréstimos e fixar no site da universidade. Usuário 8,

As mensagens apresentadas ocorreram de forma síncronas (com interação no batepapo) e assíncrona (com mensagens nos posts da biblioteca). Segundo Maness (2007) é
importante essa forma de comunicação numa Biblioteca 2.0, pois

3629

�as redes sociais permitem que bibliotecários e usuários não somente
interajam e também compartilhem e também transformem recursos
dinamicamente em um meio eletrônico; assim sendo os usuários podem criar
vínculos com a rede das bibliotecas universitárias, ver o que outros usuários
têm em comum com suas necessidades de informação, baseado em perfis
similares, demografias, fontes previamente acessadas e um grande números
de dados que os usuários fornecem. (MANSESS, 2007, p. 50).

Redes sociais de Bibliotecas devem ser usadas para interação do usuário com o
Bibliotecário, produzindo um fluxo de informação que seja demandada de ambas as partes, a
fim de que as relações não sejam apenas de recepção, ou mesmo que o Facebook da
Biblioteca torne-se apenas um mural.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Analisando o Facebook da Biblioteca Central da UFRPE podemos considerar que sua
implantação, embora tenha sido inicialmente para fins de comunicação, nos alertou para
necessidade de entender que o usuário necessitava de mais uma ferramenta para serviços de
referência, além de um espaço para interagir com a Biblioteca. Assim, criamos também uma
Fanpage no Facebook, a fim de oferecer uma visibilidade maior de nossas publicações, e
oferecer ao usuário outro canal de interação com a Biblioteca.
Percebemos também, com a criação da página do Facebook, que muitos usuários
criam seus conteúdos e disponibilizam na página da Biblioteca para interação com outros
usuários, em sua maioria relativos a cursos, congressos, e outras demandas da Universidade.
Dessa forma, realinhamos nosso objetivo com a criação do Facebook, entendendo que,
para além de um mural de comunicação, o mesmo deve ser um espaço de interação e
colaboração entre usuários e biblioteca.

4 REFERÊNCIAS
MANESS, Jack M. Teoria da biblioteca 2.0: web 2.0 e suas implicações para as bibliotecas.
Informação &amp; Sociedade: Estudos, João Pessoa, v. 17, n.1, p. 43-51, jan./abr., 2007.
MARTELETO, R. Redes sociais, mediação e apropriação de informações: situando campos,
objetos e conceitos na pesquisa em Ciência da Informação. Pesquisa Brasileira em Ciência
da Informação, Brasília, v.3, n.1, p.27-46, jan./dez. 2010.
VIEIRA, D. V.; CARVALHO, E. B. de; LAZZARIN, F. A. Uma Proposta de modelo
baseado na Web 2.0 para as bibliotecas das Universidades Federais. In: ENCONTRO
NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIADA INFORMAÇÃO, 9., 2008, São Paulo.
Anais...
São
Paulo,
2008.
Disponível
em:
&lt;http://www.bax.com.br/teaching/courses/bibliotecasdigitais/referencias/PROPOSTA.pdf&gt;.
Acesso em: 03 mar. 2014.

3630

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                <text>Relata como o uso de uma rede social facilita a comunicação com os usuários, servindo também como vitrine para outros serviços da Biblioteca. Através do estudo de caso foi possível identificar demandas e definir a melhor forma de atuação do bibliotecário de referência, criando um espaço mais interativo e participativo, despertando no usuário o papel de colaborador nesse novo ambiente.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

RECURSO, DESCRIÇÃO E ACESSO - RDA: BREVE DESCRIÇÃO

Raildo de Sousa Machado

RESUMO
Expõe a forma que as mudanças nos suportes informacionais alteraram o ambiente das
bibliotecas e como os serviços oferecidos pelas bibliotecas precisaram adequar-se a forma de
os catalogar. O objetivo geral que norteou a construção do presente trabalho buscou analisar a
necessidade e o desenvolvimento da norma internacional de catalogação, a RDA (Recurso:
Descrição e Acesso). Os objetivos específicos deram corpo a este trabalho e procurou estudar
as mudanças nos suportes informacionais que motivaram a revisão do AACR2 e
consequentemente o nascimento da RDA. Analisar o surgimento e os principais objetivos da
RDA, o novo código de catalogação; Conceituar os modelos de registros, Functional
Requeriments for Bibliographic Records (FRBR) e Functional Requeriments for Authority
Data (FRAD), que fundamentaram a construção da RDA desenrolaram os objetivos
específicos. O desenvolvimento deste trabalho se deu por meio de pesquisa bibliográfica, por
ter estudado as principais obras publicadas sobre o assunto proposto, sendo livros, artigos de
periódicos, sites na Internet. Utilizou-se, também, a pesquisa exploratória que, por meio da
pesquisa bibliográfica, proporcionou maior familiaridade com as obras que tratam do assunto
abordado, além de traduções para o português de relatórios e artigos referentes a RDA.
Palavras-chave: Recurso Descrição e Acesso - RDA. Códigos de catalogação. Catalogação
descritiva.
ABSTRACT
Exposes the way that changes in informational media altered the environment of libraries and
how the services offered by the libraries needed to adapt to the shape of the catalog. The
general objective that guided the construction of the present study was to examine the need
and development of international cataloging standard, RDA (Resource: Description and
Access). Specific objective gave substance to this work and sought to study changes in
informational media that prompted the revision of AACR2 and hence the birth of the RDA.
Analyze the rise and the main objectives of the RDA, the new cataloging code; Conceptualize
models of records, Functional Requeriments for Bibliographic Records (FRBR) and
Functional Requeriments for Authority Data (FRAD), which underlie the construction of
RDA unfolded specific objective. The development of this work was given by means of
literature, having studied the major works published about the proposed subject, with books,
journal articles, and websites. It was also used the exploratory research through the literature
search resulted in a greater familiarity with the works that deal with the subject matter, as well
as translations into Portuguese reports and articles concerning the RDA.
Keywords: Resource: Description and Access - RDA. Cataloging codes. Descriptive
cataloging.

3607

�1 INTRODUÇÃO
As ferramentas criadas pelo homem desde os tempos pré-históricos, sempre visavam
uma forma de simplificar os trabalhos por eles desenvolvidos, e à medida que foram sendo
criadas outras necessidades também foram surgindo e exigindo que novas formas de
instrumentos, ou instrumentos adequados às necessidades, fossem estudadas, criadas, testadas
e aplicadas. E isso ocorreu durante todo o processo do desenvolvimento humano. Foi assim
com as formas de registrar informação, evoluindo do tempo em que eram fixadas nas paredes
das cavernas até chegar aos tempos das mais altas tecnologias.
A catalogação descritiva, como um dos serviços de uma Unidade Informacional (UI),
não deixou de ser modificada e a cada período foi adequando-se às novidades. Com o
ambiente eletrônico estas mudanças foram ainda mais intensas.

2 A EVOLUÇÃO DOS SUPORTES INFORMACIONAIS
A necessidade do homem de registrar as observações que tinha ao seu redor o levou a
experimentar várias ferramentas como suportes para os registros. Vários autores relacionam
uma série destes suportes que foram, e outros que ainda são, usados com a intenção de
perpetuar informações, destacando que o ser humano sempre usou o que tinha a sua
disposição, empregando para isso pedra, materiais inorgânicos e orgânicos à base de tintas
vegetais e minerais, como a argila, ossos, conchas, marfim, folhas de palmeiras, bambu,
metal, cascas de árvores, madeira, couro, papiro, velino, pergaminho, seda, o papel e mais
recentemente, o meio digital.
As páginas “de Gutenberg”, com o passar do tempo, aos poucos foram tendo que
dividir espaço com o texto imaterial. E da mesma forma que ocorreram grandes mudanças
com a chegada da imprensa, assim acontece com os formatos atuais, acarretando alterações
não só nos suportes informacionais, mas, também, na disposição do ambiente, nas técnicas de
tratamentos dos materiais e na maneira de sua disponibilização.
As tecnologias trazidas por Gutenberg deram um novo rumo aos suportes já que
proporcionaram maior agilidade nas impressões contribuindo assim para uma mediação mais
intensa da informação, tornando o livro mais acessível aos diferentes setores da sociedade.
Foi neste ambiente de transformações que se deu início a chamada “explosão da informação”,
que alterou significativamente o universo informacional.
Com o resultado dessas significativas mudanças ocorridas nos suportes informacionais
é impossível que a forma de armazenar, selecionar, recuperar e disseminar as informações
contidas nesses suportes continue inalterada. Essa decorrência cria novas necessidades que

3608

�exigem que as antigas regras modifiquem-se e entrem em harmonia com as realidades atuais
das UI, adequando-se o suporte, o ambiente, os usuários e o profissional, à nova era da
informação.

3 FRBR E FRAD: BREVE ESTUDO
3.1 FRBR
Longe de se impor como um código de catalogação, os FRBR são base para a
construção de padrões, regras e formas de códigos, orientando na estruturação destes códigos.
Os FRBR são um modelo conceitual. A esse respeito Mey e Silveira (2009, p. 17)
esclarecem que “modelo” pode ser considerado “como representação de algo; conceitual
implica a modelagem de coisas, processos ou abstrações, de forma a sintetizar e sistematizar
sistemas teóricos ou fenômenos com vistas à aplicação”, reforçando assim, o estabelecimento
dos FRBR não com a finalidade de se tornarem normas catalográficas, mas de orientarem a
construção destas.
Com foco nas necessidades dos usuários, tanto o usuário final como o profissional
catalogador, os FRBR propõem-se a relacionar dados das entidades de forma que estes dados
auxiliem, eficientemente, a recuperação e acesso aos suportes informacionais por parte dos
consulentes. Com esse objetivo, os FRBR buscam o que os usuários têm como necessidades e
usam os dados que são estratégicos para a recuperação. Santos e Corrêa (2009, p. 31-32)
descrevendo os FRBR, acentuam que “o documento estabelece conceitos novos incluindo
metadados (visando facilitar a inclusão e a navegação dos dados no meio digital), que,
futuramente, darão origem ao novo Código Internacional de Catalogação, cujo objetivo
principal será a satisfação do usuário”, ratificando o objetivo de servir de auxilio aos usuários,
tanto o usuário final como o catalogador.
Os FRBR trabalham com quatro tarefas básicas usadas pelos consulentes na busca por
um conteúdo. São apresentadas pela International Federation of Library Associations and
Institutions (IFLA) (1998, p. 82, tradução nossa):
•

•

•

Encontrar entidades que correspondam aos critérios de busca formulados
pelo usuário (isto é, localizar tanto uma única entidade quanto um
conjunto de entidades num arquivo ou base de dados como resultado de
uma busca que empregue um atributo ou uma relação da entidade);
Identificar uma entidade (isto é, confirmar que a entidade descrita
corresponde à entidade procurada, ou distinguir entre duas ou mais
entidades com características similares);
Selecionar uma entidade que seja apropriada às necessidades do usuário
(isto é, escolher uma entidade que atenda aos requisitos do usuário no

3609

�•

que se refere a conteúdo, formato físico, etc., ou recusar uma entidade
que seja inadequada para as necessidades do usuário);
Adquirir ou obter acesso à entidade descrita (isto é, adquirir uma
entidade por meio de compra, empréstimo, etc., ou ter acesso
eletronicamente a uma entidade por meio de uma conexão em linha com
um computador remoto).

Estas quatro tarefas formam o ponto de partida usado pelos FRBR com objetivo de
tornar os suportes recuperáveis de forma fácil e objetiva proporcionando aos usuários
satisfação em suas buscas. No entanto, Denton (2007, p. 42, tradução nossa) esclarece que, na
verdade, as
tarefas dos usuários são descendentes dos Objetos de Cutter. Por exemplo,
encontrar um livro do qual o autor seja conhecido torna-se encontrar todas as
manifestações que englobam as obras que determinada pessoa física ou
jurídica é responsável e encontrar uma manifestação particular quando o(s)
nome (s) de pessoa(s) e/ou corporação seja(m) conhecido(s).

O autor supracitado enfatiza ainda que apesar da forte ligação das “tarefas do usuário”
com os “objetos de Cutter”, os FRBR são mais extensos por não limitar o usuário,
permitindo-o fazer uma busca por qualquer um dos atributos de qualquer entidade.
Resultado de um exame dos requisitos funcionais dos registros bibliográficos, os
FRBR foram aprovados em 1997 pelo Standing Committee on Cataloging da IFLA, como
relatório final e teve sua publicação em 1998 (OLIVER, 2011). Na introdução do Functional
Requirements for Bibliographic Records: Final Report (IFLA, 1998) fica evidente as demais
razões que motivaram a sua construção. Dentre essas razões pode-se destacar a questão do
crescimento da catalogação cooperativa ou compartilhada, que se tornou uma necessidade que
começou a contar com a força das novas tecnologias que deram impulso para a aplicação da
catalogação compartilhada. A própria demanda causada pela chegada das novas tecnologias
formaram fatores que também influenciaram no exame feito pela IFLA na catalogação prática
e teórica em âmbito internacional, exame este que deu resultado aos FRBR.
Um ponto decisivo para a elaboração dos FRBR foi a questão dos custos com a
catalogação que seria resolvida com a redução “pela minimização de duplicatas de
catalogação” (IFLA, 1998, p. 1, tradução nossa). Neste sentido, vale ainda resaltar a intenção
da IFLA em propor um modelo que simplificasse a elaboração de códigos catalográficos e,
consequentemente, o processo catalográfico, apoiando o surgimento das mutações acarretadas
pela constante inovação das tecnologias buscando assim “acomodar mudanças emanadas das
emergentes novas formas de publicações eletrônicas e os adventos de acesso a recursos
informacionais em rede” (IFLA, 1998, p. 1, tradução nossa).

3610

�3.2 FRAD
O FRAD é uma extensão dos FRBR, porém com ênfase nos dados de autoridades.
Adotou os nomes Functional Requirements and Numbering for Authority Records
(FRANAR), Functional Requirements for Subject Authority Records (FRSAR) e finalmente,
Functional Requirements for Authority Data (FRAD) que ainda está em fase de
desenvolvimento.
Os Requisitos Funcionais para Dados de Autoridade, como os FRBR, usam tarefas de
usuários e repetem algumas das entidades, mas com foco nos dados de autoridade. De acordo
com Mey e Silveira (2009, p. 39) ficaram assim divididas e conceituadas:
•

•
•

•

Encontrar uma entidade ou conjunto de entidades correspondentes a
um critério determinado, ou explorar o universo de entidades
bibliográficas utilizando seus atributos e relações;
Identificar uma entidade ou validar a forma do nome a ser usado
como ponto de acesso controlado;
Situar uma pessoa, uma entidade coletiva, uma obra etc. em
determinado contexto; esclarecer a relação entre duas ou mais pessoas,
entidades coletivas, obras etc. e um nome pelo qual esta pessoa,
entidade coletiva etc. é conhecida;
Justificar indicando a fonte na qual se baseia o ponto de acesso
controlado, a razão da escolha do nome ou de sua forma pelo criador
do dado de autoridade.

Situar e justificar são as novidades apresentadas pelos dados de autoridade e visam
não apenas conhecer a autoridade, mas, também, explicar por meio de bases autorizadas as
formas que se apresentam. As entidades também receberam acréscimos para suprir as
necessidades exigidas pelos dados de autoridades com significações próprias.
Assim como os FRBR, o FRAD objetiva relacionar os atributos das entidades para
facilitar a busca por parte dos usuários, além de servir de referencial tanto para catalogadores
como para o desenvolvimento de novas regras e novos códigos de catalogação.

3.3 Os FRBR, o FRAD e a RDA
Os modelos FRBR e o FRAD serviram de base para a construção da RDA por terem
uma grande aceitação por agências catalogadoras e por terem se estabelecido como
importantes modelos conceituais para a catalogação.
Oliver (2011, p. 17) enfatiza que “estes modelos moldaram a estrutura da RDA e
influenciaram a linguagem empregada nas instruções”. Desta forma não há como usar a RDA
sem um conhecimento prévio dos conceitos aplicados nos FRBR e FRAD. A autora frisa

3611

�ainda que ao analisar as relações colocadas pela RDA ficam claras a sua ligação com tais
modelos conceituais.

4 RECURSOS: DESCRIÇÃO E ACESSO (RDA)
As alterações causadas pelas novas tecnologias tiveram sua relevância no final do
século XX, relevância essa que levou, no início do século XXI, à revisão dos Princípios
Internacionais de Catalogação. Estes princípios, mais conhecidos como Princípios de Paris,
objetivaram auxiliar a normalização internacional na catalogação, sendo o primeiro passo
relevante para a padronização da catalogação. Os resultados das revisões, que se tornaram
necessárias em vista do corrente uso dos On-line Public Access Catalogs (OPACs), estão
materializados na Declaração de Princípios Internacionais de Catalogação (IFLA, 2009),
lançado pela IFLA, em 2009, sucede e expande o âmbito dos Princípios de Paris dando um
panorama geral das normas de catalogação em âmbito internacional, estabelecendo diretrizes
para o serviço catalográfico e definindo regras a serem usadas na construção de códigos de
catalogação. A IFLA (2009, p. 2), neste documento, deixa claro que os princípios deliberados
“aplicam-se a registros bibliográficos e de autoridade e a catálogos correntes de bibliotecas.
Os princípios podem também ser aplicados a bibliografias e outros ficheiros (arquivos) de
dados criados por bibliotecas, arquivos, museus e outras comunidades”, expandindo assim o
número de instituições que serão beneficiadas com esses Princípios. O centro dos princípios
está em oferecer maior facilidade de utilização dos catálogos pelo usuário.
Várias ações ocorreram, e ocorrem, no âmbito biblioteconômico objetivando
acompanhar e usufruir dos benefícios das tecnologias disponíveis, adequando-se a elas para
melhor desenvolver atividades dentro das UIs e buscando atender da melhor maneira possível
o usuário, traçando metas para que os códigos sejam de fácil uso e estejam de acordo com o
que busca a comunidade que o utiliza.
Como parte destas ações, em 2004 deu-se início as revisões do Código de Catalogação
Anglo-Americano, 2a edição, (AACR2) tendo como alvo torná-las compatíveis e capazes de
atender os catálogos em linha e padronizar o registro de novos suportes, porém sem deixar de
lado os antigos, presentes nas Uls antes da revolução das novas mídias, uma vez que o
AACR2 foi desenvolvido para catálogos em ficha, destinadas à catalogação de livros,
periódicos e demais materiais impressos e físicos. Ainda que os materiais impressos tenham
sido a base para o desenvolvimento do AACR deixaram de ser predominantes nas bibliotecas,
tendo, inclusive, que dividir espaço com suportes não físicos, não palpáveis. Oliver (2011, p.
3) aponta que “embora regras destinadas a outras mídias hajam sido enxertadas no código,

3612

�nunca houve uma metodologia coesiva e logicamente coerente da descrição de conteúdo,
mídia e suporte” deixando, desta forma, com que os novos suportes de conteúdos ficassem
desprovidos de regras que os catalogassem e tornassem seu acesso possível. Knight (2010, p.
2, tradução nossa) enfatiza que as necessidades da revisão do AACR2
culminou na Conferência Internacional para os Princípios e
Desenvolvimento Futuro das AACR realizado em Toronto, em 1997. Alguns
dos problemas que esta conferência focou foi melhorar o tratamento de uma
série de recursos, questões entre o conteúdo intelectual e o suporte deste
conteúdo e a função das regras de catalogação no ambiente online.

Buscando, assim, uma adequação bem como uma ampliação das regras, com o intuito
de acomodar as novas mídias. Esta revisão resultaria no AACR3, que tinha como responsável
o Joint Steering Committee for Revision o f AACR. Mey e Silveira (2009, p. 90) ressaltam que
“a revisão provocou mudanças substanciais e acarretou, em 2005, o desenvolvimento de um
sucessor do AACR2, a RDA”. Sob o encargo agora do Joint Steering Committee for
Development o f RDA, esta norma salta os limites anglo-americanos e pretende consolidar-se
como uma norma internacional, visto que contou com a cooperação de vários códigos
nacionais, observando suas aplicações e necessidades regionais, permitindo sua flexibilidade e
seu uso internacional.
Modesto (2008) define a RDA como uma
proposta de padrão sucessora ao AACR2 [...], seu desenvolvimento
caracteriza-se por uma mudança na direção de ser um código internacional
(ou de aceitação global), que diferentemente do atual (em uso), não se regule
por regras rígidas, mas por diretrizes de ampla aplicação, e com foco
centrado no usuário e nas suas necessidades de informação.

Sendo assim, as regras rigorosas do AACR2 darão lugar a uma norma que se propõe
oferecer padrões de fácil utilização e que adequa-se à realidade de todas as bibliotecas.

4.1 Objetivos iniciais da RDA
Os objetivos norteiam a construção da RDA, focando os ambientes que a usará bem
como cobrir as necessidades atuais e futuras do serviço catalográfico. Além de ter sido
desenvolvida com a pretensão de tornar-se uma norma internacional, a RDA foi criada para o
ambiente digital, uma vez que a revolução das novas tecnologias alterou os formatos em que
se encontram os conteúdos, bem como a forma de elaborar e utilizar os catálogos.
Quanto a essas alterações, Oliver (2011, p. 2) enfatiza que

3613

�não somente por causa da rápida proliferação de novos tipos de publicações,
novas formas de conteúdo e novos suportes de conteúdo, mas também
porque a passagem para um ambiente de rede em linha alterou
qualitativamente a maneira como a biblioteca e seus usuários realizam suas
atividades.

A biblioteca, que tem o perfil de seus usuários modificado, exige agora que sejam
desenvolvidas atividades que condigam com o ambiente que o usuário vivencia dentro e fora
da UI, atendendo assim, por meio dos OPACs e otimizando os serviços prestados e
relacionando-os com as novidades tecnológicas. Assim, a RDA, baseando-se nos FRBR e nos
FRAD, traz a proposta de oferecer registros que se relacionam entre si, bem como com os
seus autores - sejam eles pessoa, família ou corporação e suas variantes quanto à forma de
apresentação do nome - título, título equivalente em outra língua e, até mesmo, a forma de
escrita da obra.
A RDA busca abranger não apenas o ambiente digital, mas também descrever os
materiais já presentes na biblioteca, diga-se, os materiais impressos, sem deixar de trazer
proposta para os futuros suportes que ainda farão parte da vida dos usuários e que serão
exigidos nas UIs. Oliver (2011, p. 3) confirma isso ao dizer que a RDA “oferece os princípios
e as instruções para registro de dados de recursos hoje conhecidos e os que ainda venham a
ser desenvolvidos”.
Mas o objetivo que mais tem chamado a atenção é que esta norma foi desenvolvida
pensando no usuário e na barreira existente entre ele e a informação, traçando o caminho para
a remoção dessa barreira, levando-o à obtenção do conteúdo desejado, independente do
suporte.
O Joint Steering Committee for Development o f RDA - JSC/RDA (2009a, p. 2) define
recurso como um objeto, palpável ou não, capaz de armazenar informação e indica os passos
para que este recurso chegue ao usuário. Parafraseando o modelo conceitual dos FRBR, o
JSC/RDA (2009a, p. 2, tradução nossa) diz que a descoberta de recurso engloba as seguintes
tarefas do usuário:
•
•
•
•

Encontrar - para encontrar recursos que correspondam à pesquisa inicial do usuário;
Identificar - para confirmar que este recurso descrito corresponde ao recurso
solicitado, ou distinguir entre dois ou mais recursos com características similares;
Selecionar - para selecionar um recurso que seja apropriado ao que o usuário precisa;
Obter - para adquirir ou acessar o recurso descrito.

Logo, a RDA oferece subsídio ao usuário para que encontre o recurso desejado e uma
vez encontrado que seja avaliado, devendo aceitar ou descartar; se aceito, deve selecionar o

3614

�recurso que lhe seja mais favorável e então obtê-lo, por compra, empréstimo ou consulta.
Desta forma, a RDA se estabelece como uma norma que atende as necessidades catalográficas
dos catalogadores, mas baseando-se nas necessidades e formas de o usuário ter acesso a
informação.

4. 2 Objetivos da RDA
Os objetivos que regem o desenvolvimento da RDA foram elaborados com a intenção
de fazer com que determinado RECURSO - seja ele impresso ou não, palpável ou não - fosse
DESCRITO pelo catalogador e ACESSADO pelo usuário de maneira simples e eficiente.
Definir recurso, descrição e acesso, será de grande valia para se estabelecer os objetivos
regentes da RDA.
Os recursos antes eram as próprias obras, livros, periódicos, etc. que compunham os
acervos. Hoje, no entanto, voltando ao sentido mais real da palavra, os recursos funcionam
como o meio entre a informação e o usuário, independentemente de formato. A descrição é
uma prática utilizada por catalogadores para, como o nome já diz, descrever os recursos
informacionais individualizando-os, tornando-os singulares quando comparados a outros
recursos registrados nas UIs. O acesso é o fim, é o momento em que se dá o desfecho do
trabalho de se descrever o recurso, que uma vez descrito poderá ser acessado por meio dos
catálogos, fazendo útil o recurso e satisfeito o usuário.
A seguir serão expostos os objetivos conforme foram colocados pelo JSC/RDA
(2009a), destacando-se que estes objetivos norteiam as regras da norma internacional.
•

Abrangência - determina que as normas e as instruções devam compreender
todos os conteúdos que os catálogos representam;

•

Consistência - exige que as normas e as instruções sejam consistentes em sua
criação, evitando contradições;

•

Claridade - veta a ambiguidade nas normas e instruções, exigindo simplicidade
e clareza na sua elaboração;

•

Racionalidade - não permite a arbitrariedade e requer racionalidade na
elaboração de suas normas e instruções;

•

Circulação - determinante para os novos recursos, exige que as normas e
instruções sejam desenvolvidas objetivando cobrir a variedade, a natureza e as
características dos recursos e conteúdos atuais e futuros;

3615

�Compatibilidade - as normas e as instruções devem obedecer aos princípios
internacionais de catalogação;
•

Adaptabilidade - as normas e as instruções devem ser adaptáveis a
necessidades especificas de diversas comunidades, sendo desta forma uma
norma aberta a novas mudanças;

•

De uso fácil e eficiente - determina que as normas e as instruções sejam fácies
sem deixar de serem eficientes, visando otimizar a utilização pelo usuário.

Tais objetivos deixam clara a intenção que a RDA tem de tornar-se uma norma
elaborada pensando no usuário, além de procurar ser uma norma compreensiva capaz de
propor regulamentos para continuar descrevendo os recursos existentes, mas focando na
velocidade com que a tecnologia tem evoluído e se inserido nas UIs e transformando, suportes
e conteúdos informacionais. O objetivo “circulação” é o grande diferencial em relação ao
AACR2, pois, além de continuar oferecendo regras para o registro de impressos, auxilia os
suportes atuais e futuros, permitindo que futuras grandes alterações na norma sejam
dispensáveis.
4. 3 Princípios da RDA
São os princípios que estabelecem as regras que fundamentam a RDA. Neles fica claro
a linha básica que a norma deve seguir, sempre focalizando o usuário e o ambiente digital.
Os princípios estabelecidos pelo Joint Steering Committee for Development o f RDA
indicam os elementos básicos que regem a construção da norma, indo da generalidade à
especificidade, exigindo que a norma cumpra os seus objetivos. Os princípios, ratificando os
objetivos, abordam a necessidade de se descrever um recurso de tal forma que o seu acesso
seja fácil e eficiente, potencializando a recuperação por parte do usuário.
O JSC/RDA (2009a) estabelece que a norma internacional deve obedecer ao princípio
da
•

Generalização - as normas e instruções básicas devem cobrir os diversos
recursos informacionais, este princípio deve ser aplicado, também, aos pontos
de acesso, nomes e títulos;

•

Especificidade -

as normas e instruções devem tratar os recursos

individualmente, quanto ao tipo específico de conteúdo, nome, título e a
relação feita entre eles;

3616

�•

Não redundância - inibe as repetições dispensáveis, tonando a RDA uma
norma prática, objetiva;

•

Terminologia - estabelece que as normas e instruções da RDA devem estar
ligadas aos termos e conceitos dos FRBR e dos FRAD;

•

Estrutura de referência - determina que cada norma e instrução precisa ter
relação com as normas e instruções gerais, bem como localizar as que são de
relevância para suas aplicações.

O princípio da generalização expõe que basicamente as orientações devem atingir
todos os suportes, sendo que os vários tipos de pontos de acesso devem obedecer a este
princípio. Mesmo com princípio geral, a norma exige a individualização dos itens, os tratando
como únicos em relação a seus pontos de acesso, evitando assim as reproduções e
redundâncias, que fazem com que os catálogos fiquem inchados tornando com que o processo
de recuperação seja confuso e impreciso. O princípio da terminologia é o que dá sustento
para a RDA ser uma norma de uso internacional, por ter suas diretrizes intimamente ligadas
aos modelos conceituais FRBR e FRAD, que visam uma normalização da prática de registros
de suportes e conteúdos. A estrutura de referência faz com que a norma seja altamente
coerente, possibilitando o uso de instruções especificas para registros que exijam tal
especificidade.
4.4 O AACR2 e a RDA: algumas mudanças
Como mencionado anteriormente, a RDA se preocupa com as necessidades do
usuário, por esse motivo adota características que visam o melhor uso pelo consulente. De
outro lado tem-se o AACR2 que em decorrência de algumas regras inflexíveis limita a
representação de elementos importantes no processo de busca de uma obra, como por
exemplo, a descrição de uma obra com mais de três autores, o que será visto a seguir com a
regra dos três.
Serão apresentadas, também, algumas mudanças que modificam diretamente naquilo
que o catalogador acostumou-se a fazer ou descrever. Destaca-se a questão de:
a) regra dos três: a RDA parte do princípio em que uma obra que tenha mais de três
autores pode ser recuperada por qualquer um dos autores e não apenas pelo principal
ou primeiro citado. Determina que a entrada principal seja pelo primeiro autor citado e
os demais registrados como pontos de acesso secundários.

3617

�b) título essencial: no AACR2 descreve-se o título, subtítulo e outras informações sobre o
título, a RDA descreve somente o essencial, ou seja, o título principal. Opcionalmente
as demais informações sobre este podem ser acrescentadas.
c) datas: como cita Oliver (2011, p. 72), “a RDA apresenta elementos de dados
específicos para cada tipo de data: data de publicação, data de produção, data de
fabricação, data de copyright”.
4. 5 Laços com o AACR2
Apesar de algumas necessidades não serem mais providas pelo AACR2, como a
inextensibilidade para a descrição de novos recursos, a comunidade catalográfica não deixa de
reconhecer o quanto determinadas bases ainda são de extrema importância para o desempenho
da prática da catalogação.
Em sua apresentação o AACR2 - Revisão de 2002 -, Ann Huthwaite, Presidente do
Joint Steering Committee for Revision (JSC), deixa claro que o Comitê se esforçará para que
novas revisões sejam feitas para suprir as necessidades surgidas com os novos suportes
informacionais.
Estou confiante de que o JSC, juntamente com Committee o f Principals fo r
AACR, continuará a fazer uma abordagem estratégica para planejar a
evolução do código, e como resultado tornará viável um padrão para
descrição bibliográfica a acesso no futuro (HUTHWAITE, 2005, p. xxvii).

Como a pretensão inicial era a revisão do AACR2 que resultaria no AACR3, é
indissociável a relação da RDA com o AACR2. O novo código toma algumas das bases do
AACR2, permitindo, inclusive, que ambientes usem a RDA sem prejuízos quanto aos
materiais já registrados utilizando o AACR2.
O JSC/RDA (2009b, p. 1, tradução nossa) deixa claro que a RDA foi “construída em
fundações estabelecidas pelo Código Anglo-Americano de Catalogação” e as alterações
ficaram por conta das necessidades exigidas pelas tecnologias que mudaram não só o
ambiente das bibliotecas, mas, também, arquivos, museus, editoras, etc., locais em que a RDA
pretende subsidiar.
Oliver (2011, p. 46) destaca que “a RDA introduz mudanças significativas, porém
continuam existindo vínculos importantes entre AACR2 e RDA”, mostrando desta forma que
o novo código propõe ser uma continuidade do AACR2, no entanto, com um nome diferente
que objetiva sair da atmosfera dos países criadores e alcançar a comunidade internacional. A
autora supracitada expõe ainda que a estrutura de administração da RDA é a mesma que do
AACR2 e apesar da mudança do nome de Joint Steering Committee for Revision o f AACR

3618

�para Joint Steering Committee for Development o f RDA, é, basicamente, este mesmo Comitê
que terá a responsabilidade das revisões futuras da RDA, as entidades reponsáveis pelo
JSC/RDA são: American Library Association; Autralian Committee on Cataloguing; British
Library; Canadian Committee on Cataloguing; Chartered Institute o f Library and
Information Professionals (CILIP) e Library o f Congress (LC); mais uma forte ligação com o
AACR2 são as, já citadas anteriormente, bases que foram utilizadas na construção da nova
norma, que pelo excelente desempenho da antiga norma, bem como o fato de ter sido usado
para orientar a catalogação em diversos países, indo além do ambiente Anglo-Americano,
proporcionou alicerces importantes e solidificados para o estabelecimento do código
internacional; outra ligação que cabe destaque é quanto às instruções, a RDA apresenta novas
diretrizes, mas algumas presentes no AACR2 são de tamanha importância que não poderiam
deixar de ser aproveitadas; a compatibilidade dos registros é outra ponte entre as normas,
sendo um beneficio para as UI que já usavam o AACR2 e que passarão a adotar os padrões da
RDA, sendo assim o serviço catalográfico adaptar-se-á facilmente as normas de descrição
acrescidas; vale destacar ainda que a nova norma é, na verdade, o resultado de uma revisão
profunda da antiga norma em que se propunha melhorá-la fazendo com que os desfalques
gerados com a chegada das novas tecnologias fossem habilmente supridos com as alterações
resultantes na RDA.
Os laços ficam evidentes também no conteúdo da RDA que em alguns pontos remete
ao que correspondia anteriormente no AACR2, como pode ser visto na figura 6 que mostra
uma tabela no lado esquerdo que permite ver os itens do AACR2 e a que corresponde na
RDA.
Figura 1 - AACR na RDA

Fonte: ALA (2010).

3619

�4. 6 Funcionalidade
Com o foo no ambiente digital, a RDA apresenta uma estrutura flexível e extensível
que visa cobrir todos os suportes, tanto antigos como novos, presentes nas UI.
A nova norma traz padrões, baseados no AACR2, porém criados para dar apoio aos
suportes e aos catálogos online, proporcionando uma forma de apresentar os registros de
forma para que sejam de fácil acesso (FUSCO, 2011, p. 35).
O JSC/RDA (2009b, p. 1-2, tradução nossa) destaca que

os modelos FRBR e FRAD fornecem a RDA uma estrutura subjacente que
tem o escopo necessário para apoiar a cobertura completa de todos os tipos
de conteúdo e mídia, a flexibilidade e extensibilidade necessária para
acomodar novas características de recursos emergentes, e a adaptabilidade
necessária para a produção de dados para funcionar dentro de uma vasta
gama de ambientes tecnológicos.

Com isso a nova norma expande sua área de atuação, sem deixar de atender os
suportes já existentes nas UIs no momento da implantação da RDA. Sua função flexível
permite a tolerância de se aplicar as normas de registros aos suportes que as exigem, detalhar
os dados do registro quando estes se mostrarem necessários. Já a função extensível atende a
questão das frequentes mudanças, que com o surgimento dos novos suportes informacionais
não se fará necessária uma nova revisão da norma, mas apenas o uso da abertura para os
novos suportes informacionais. Tal afirmação também deixa claro o intento de se tornar uma
norma não usada apenas em bibliotecas, mas pretende alcançar os ambientes que lidem com
informação, mesmo que não seja informação para fins de pesquisa.

4. 6. 1 Acesso à RDA
A figura 2 mostra a tela inicial da RDA que pode ser acessada no endereço
http://access.rdatoolkit.org/ na qual se visualiza à esquerda, o sumário. Conforme explica
Silva et al. (2012, p. 116), a RDA “é composta por 38 capítulos, sendo que o capítulo 0 é a
introdução; 10 seções, nas quais se encontram 37 capítulos; e 13 apêndices”. Ainda segundo
os autores, determinados capítulos ainda não estão inteiramente desenvolvidos, mas o capítulo
divulgado serve como base para o aprimoramento futuro.

3620

�Figura 2 - tela inicial da RDA.

Fonte: ALA (2010).
Ou pode ser adquirida o obra imressa nos seguintes endereços:
•

http://www.rdatoolkit.org/subscribe

•

http://www.alastore.ala.org/detail.aspx?ID=3065

•

http://www.cla.ca/source/Orders/index.cfm?secti
on=Shop&amp;task=3&amp;CATEGORY=PUBSRDA&amp;P
RODUCT TYPE=SALES&amp;SKU=10931R

•

http://www.facetpublishing.co.uk/title.php?id=74
94&amp;category code=910

Figura 3 - R

R D A
Fonte: ALA (2010).

4. 7 Pretensão internacional
A RDA tem como países responsáveis os Estados Unidos, o Reino Unido, o Canadá e
a Austrália, porém isso não significa que seja de uso apenas destes países. Como dito
anteriormente, um dos motivos para a mudança do nome de AACR3 para RDA é justamente

3621

�tirar o foco do ambiente Anglo-Americano, fazendo com que a norma tome proporções mais
extensas que o AACR2 que mesmo adotando esse nome tornou-se o código usado em vários
países que não faziam parte o grupo responsável.
Segundo Oliver (2011, p. 8) “para que uma norma tenha credibilidade e seja aceita, é
importante que esteja em harmonia com as normas internacionais vigentes e compartilhe o
mesmo entendimento quanto à natureza e uso dos dados bibliográficos”. Logo, a ligação da
RDA com os Princípios de Paris, que são princípios aceitos no mundo catalográfico e que
norteiam as normas de catalogação, bem como os FRBR e FRAD que também são altamente
aceitos pelas agências catalogadoras e que proveem a nomenclatura e conceitos da sociedade
universal de catalogação permitem que a RDA seja uma substituta do AACR2. O comitê
organizador procurou ouvir os grupos, comissões e bibliotecas de diferentes nacionalidades
que usam o AACR2, não deixando de ouvir também aqueles que trabalham com códigos
próprios na intenção de fazer com que a RDA fosse apropriada para o uso em contexto
internacional.
A International Standard Bibliographic Description (ISBD) também tem sua parcela
de contribuição para fazer da RDA uma norma internacional. Criada pela IFLA, a ISBD
auxilia a criação de descrição bibliográfica e expõe os elementos necessários para a descrição
de um recurso. E por ser aceita internacionalmente, a ISBD segue como uma das normas que
subsidiaram o desenvolvimento do código internacional.
O propósito de se firmar como uma norma usada em âmbito internacional terá
continuidade conforme a RDA for sendo usada e as novas atualizações tornarem-se
necessárias. Nesse processo futuro a norma se estabelecerá como referencial de catalogação
universal.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As novas tecnologias trouxeram uma nova forma de fazer, reproduzir, armazenar e
utilizar a informação registrada em suportes que foram mudando conforme as alterações
ocorridas no meio em que estão inseridas. Neste contexto, tornou-se necessária a avaliação
dos formatos de suportes usados em bibliotecas e como é imprescindível que sejam feitas
adequações à novos suportes, bem como aos serviços desenvolvidos e prestados pelas UIs.
O catálogo, como um dos principais atingidos pela chegada das novas tecnologias,
teve suas formas de apresentação e sua estrutura alteradas dos catálogos em ficha de papel
para os automatizados, expandindo assim sua área de alcance.

3622

�As próprias regras usadas na catalogação, em âmbito mundial, sentiram a necessidade
de se ajustarem as mudanças e usufruírem dos benefícios oferecidos pela nova forma de
ordenar os registros bibliográficos dentro dos catálogos. Os antigos Princípios de Paris, de
1961, passaram por alterações para servirem aos novos públicos surgidos e com as suas
necessidades.
Esses temas outrora tratados, objetivaram formar um pano de fundo para o
estabelecimento de uma nova forma de catalogar não mais apenas livros, mas, também, novos
suportes e novos conteúdos que tem em si registrada algum tipo de informação útil a alguém
em algum lugar; lugar este que se torna cada vez menos distante se a forma de catalogar usa
de maneira eficiente as ferramentas que tem a seu dispor.
Diante de tantas mudanças é evidente que o principal instrumento de auxílio à
catalogação usado atualmente, o AACR2, passasse por revisões que expandisse seu campo de
abrangência, e servisse de apoio para a descrição dos suportes que estão constantemente
alterando-se. E como o AACR2, por sua importante contribuição a catalogação, deixou de ser
usado apenas no ambiente Anglo-Americano, passando a ser adotado em vários países, fez-se
necessária a mudança, também, no nome para RDA.
É neste contexto que surge a RDA com seus objetivos, seus princípios, sua estrutura
focada no usuário, o principal interessado nos serviços prestados pelas bibliotecas. O presente
trabalho teve como objetivo traçar o caminho de códigos até a chegada da RDA, justificando
os meios que levaram ao seu desenvolvimento. O estudo aplicado permitiu fazer um breve
plano de fundo da catalogação, dos catálogos e dos códigos, evidenciando a forma como a
comunidade catalográfica mundial se esforçou no sentido de estabelecer regras que
padronizassem os registros de dados bibliográficos e permitissem, inclusive, o intercâmbio
desses dados, contribuindo assim para uma catalogação cooperativa entre diversos países.
O estudo dos modelos conceituais FRBR e FRAD, que são a base da RDA,
proporcionou melhor entendimento do funcionamento da norma, bem como o importante
auxílio que estes modelos prestam ao serviço catalográfico e o desenvolvimento de novos
códigos.
Diante disso, verifica-se que a biblioteca, como um ambiente em constante
crescimento, como enfatiza Ranganathan (2009) em sua quinta lei da Biblioteconomia, não
deve e nem pode se fechar as mudanças causadas pelas novas tecnologias e tão pouco deixar
de usar em seu benefício e em benefício dos usuários toda a adição que estas novidades
trazem.

3623

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RDA

table

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3625

�</text>
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                <text>Expõe a forma que as mudanças nos suportes informacionais alteraram o ambiente das bibliotecas e como os serviços oferecidos pelas bibliotecas precisaram adequar-se a forma de os catalogar. O objetivo geral que norteou a construção do presente trabalho buscou analisar a necessidade e o desenvolvimento da norma internacional de catalogação, a RDA (Recurso: Descrição e Acesso). Os objetivos específicos deram corpo a este trabalho e procurou estudar as mudanças nos suportes informacionais que motivaram a revisão do AACR2 e consequentemente o nascimento da RDA. Analisar o surgimento e os principais objetivos da RDA, o novo código de catalogação, Conceituar os modelos de registros, Functional Requeriments for Bibliographic Records (FRBR) e Functional Requeriments for Authority Data (FRAD), que fundamentaram a construção da RDA desenrolaram os objetivos específicos. O desenvolvimento deste trabalho se deu por meio de pesquisa bibliográfica, por ter estudado as principais obras publicadas sobre o assunto proposto, sendo livros, artigos de periódicos, sites na Internet. Utilizou-se, também, a pesquisa exploratória que, por meio da pesquisa bibliográfica, proporcionou maior familiaridade com as obras que tratam do assunto abordado, além de traduções para o português de relatórios e artigos referentes a RDA.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

QUALIDADE NO PROCESSO DE AVALIAÇÃO DAS BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS: O CASO DO SERVIÇO DE REFERÊNCIA DA BIBLIOTECA
CENTRAL DA UECE
Thelma Marylanda Silva de Melo
Virgínia Bentes Pinto

RESUMO
Tem-se como objetivo avaliar a qualidade dos serviços disponibilizados pelo setor de
referência da Biblioteca Central da Universidade Estadual do Ceará (UECE), aos estudantes
dos cursos de pós-graduação strictu sensu. Trata-se de uma pesquisa de caráter exploratório,
de natureza quantiqualitativa. Na estratégia de pesquisa foi usado o estudo de caso. A coleta
de dados foi feita, mediante questionário semiestruturado. Diagnosticou-se que os estudantes
desconhecem os serviços oferecidos pelo setor. Espera-se que a UECE utilize esses resultados
a fim de proporcionar alternativas com relação à biblioteca central, de modo geral, pois, com
a expansão dos novos cursos de graduação e pós-graduação, é de esperar que nas ações de
planejamento da universidade a biblioteca seja efetivamente contemplada.

Palavras-Chave: Biblioteca universitária; Qualidade do serviço de referência; Avaliação de
serviços.
ABSTRACT
Thus, this research aims to evaluate the quality of the services provided by the reference
sector of the Central Library from the Universidade Estadual do Ceará (State University of
Ceara/UECE), to the strict sensu. This is an exploratory and also qualitative and quantitative.
In the research strategy it was used the case study. Data collection was done through a semi­
structured questionnaire. It was diagnosed in the results that the students do not know the
services offered in the sector. It is hoped that this university to use these results in order to
provide alternatives concerning the central library, in general, because of the expansion of
new undergraduate and graduate courses, it is expected that the planning activities of the
university library is effectively addressed.

Keywords: University library; Reference services quality; Services evaluation.

1 INTRODUÇÃO
O século XX promoveu mudanças profundas nas organizações. Para agilizar esse
processo, as empresas precisaram se apoiar em técnicas administrativas, no sentido de garantir
a lucratividade.

3601

�Na literatura especializada nacional, na área da Ciência da Informação, o termo
“qualidade” vem ganhando força, sendo muito extenso os relatos e experiências adquiridas
por meio da obtenção da qualidade (VALLS; VERGUEIRO, 2006).
Hoje, a qualidade é fator essencial para que as empresas sobrevivam, sendo perseguida
por grande parte das organizações. São diversos pontos de vistas exigindo investimento em
informação científica e tecnológica em diversos suportes, dando aos clientes serviços e
produtos que satisfaçam as necessidades competitivas de um mercado cada vez mais
globalizado.
Conforme as considerações expostas, o objetivo da pesquisa é avaliar a qualidade dos
serviços oferecidos pelo setor de referência da Biblioteca Central Prof. Antônio Martins Filho,
da Universidade Estadual do Ceará (UECE), aos estudantes dos Cursos de Pós-Graduação
desta universidade, a partir de uma política pública de informação para o setor cujo problema
é: De que modo está sendo avaliada a qualidades desses serviços para esses estudantes?
Como justificativa, destaca-se a importância deste trabalho pelo fato de perceber que
as mudanças que veem ocorrendo na sociedade contemporânea exigem o atender os usuários
com qualidade, visando a satisfação e avaliação dos serviços prestados a comunidade
acadêmica.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Segundo Bentes Pinto (1993, p. 133), “a qualidade está merecendo destaque cada vez
mais acentuado na sociedade atual, principalmente no que diz respeito ao fornecimento de
produtos e serviços abrangendo também as próprias condições de vida.” Porém, obter qualidade
total não é somente melhorar o desenvolvimento sociopolítico, técnico e econômico das nações,
mas fundamentalmente a melhoria da qualidade de vida dos indivíduos (BENTES PINTO, 1993).
Partindo dessa premissa, as bibliotecas, em geral, vivem em constante evolução, no
âmbito tecnológico e gerencial e, nas universitárias, não poderia ser diferente, porque buscam
melhorias para garantir um ambiente satisfatório aos usuários, visto que, o produto é a
informação, que cada dia se transforma em termos de atualização e evolução de conceitos,
hábitos e procedimentos da sociedade atual.
No Brasil, os primeiros relatos sobre a aplicação da qualidade nos serviços de
informação surgiram em meados da década de 1990 com alguns trabalhos pioneiros acerca da
temática praticados nas indústrias. Em destaque: Areco (1992), Belluzzo e Macedo (1993),
Bentes Pinto (1993), Rocha e Gomes (1993), Rocha Filho (1995), Silva et al. (1995),
Vergueiro (1995), Barbalho (1996), Valls e Vergueiro (2006). Portanto, como podemos

3602

�observar, foi nas escolas e faculdades de Biblioteconomia, hoje Ciência da Informação, que o
tema da qualidade em bibliotecas ganhou notoriedade, por meio de estudos e análises teóricas
desenvolvidas, segundo corrobora Valls e Vergueiro (2006).
Melhorar a qualidade dos serviços de informação nas bibliotecas universitárias
implica, hoje, deixar seu usuário satisfeito com a qualidade do que lhe é oferecido,
preocupação esta prioritária, por parte dos bibliotecários que administram os serviços e
treinam seu “s ta ff para satisfazer clientela, conquistando reconhecimento perante a
comunidade universitária. Nesta perspectiva, Belluzzo e Macedo (1993, p. 124) afirmam: “o
interesse pela qualidade em serviços de informação em bibliotecas universitárias surgiu como
resultado da preocupação com a questão do treinamento de recursos humanos em bibliotecas
universitárias” .
A literatura sobre a qualidade dos serviços ofertados pelas bibliotecas demonstra que o
foco da atenção se deslocou dos processos (sistemas) para os usuários (BEZERRA, 2010).
Hoje as avaliações geridas pelas bibliotecas universitárias buscam obter a percepção do
usuário em relação a todas as dimensões que compõem o sistema biblioteca.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Neste estudo, foi adotada a pesquisa de caráter exploratório, que proporciona uma
visão geral de determinado fato, na qual o pesquisador terá contato com a realidade e,
segundo Severino (2007, p. 123), “busca apenas levantar informações sobre um determinado
objeto, delimitando assim um campo de trabalho mapeando as condições de manifestação
desse objeto.” Utilizou a pesquisa exploratória, tendo em vista, proporcionar maior
familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito e por se caracterizar em
um estudo de caso da biblioteca ora em estudo.
Na estratégia de pesquisa, adotou-se a postura metodológica do estudo de caso. O
mesmo pode ser sobre indivíduos, instituições, comunidade etc.” (GIL, 1999).
O campo de realização do estudo foi a Biblioteca Central (BC) Professor Antônio
Martins Filho, da Universidade Estadual do Ceará. O instrumento de coleta de dados
constituiu-se de um questionário semiestruturado. A utilização do questionário serviu para
avaliar a opinião dos respondentes com relação ao objetivo proposto.
A pesquisa empírica foi realizada com os estudantes dos Cursos de Pós-Graduação Stricto
Sensu, do Campus do Itaperi da UECE, selecionados de modo intencional, em função dos cursos
presentes no Campus do Itaperi. A coleta de dados foi realizada com a aplicação, por meio
eletrônico, dos questionários, de acordo com o número ofertado de vagas dos mestrados e

3603

�doutorados do Campus do Itaperi da UECE. A pesquisadora recebeu 50 questionários, dos
quais foi possível realizar análises estatísticas cabíveis. Esses questionários foram enviados
durante os meses de novembro e dezembro de 2011.
Após o levantamento dos dados, foram estes organizados em gráficos e tabela, quando
foi realizada uma análise quantitativa. Fez-se, ainda, a análise qualitativa, compreendendo
uma realidade específica e investigando um fenômeno atual dentro do seu real contexto. Os
dados foram processados na planilha eletrônica EXCEL.

4 RESULTADOS FINAIS
Visando a uma melhor compreensão dos resultados, adotou-se, para cada fala dos
sujeitos da pesquisa, letras maiúsculas seguidas de algarismos arábicos, conforme ilustrado a
seguir: Mestrandos (M1 a M43) e Doutorandos (D1 a D50).
O propósito primordial desta pesquisa é avaliar a qualidade dos serviços oferecidos
pelo setor de referência da Biblioteca Central Prof. Antônio Martins Filho, da UECE, pelos
estudantes dos cursos de pós-graduação strictu sensu desta universidade, visando a uma
proposta de política pública de informação.
Notamos, no Gráfico 1, que 48% dos respondentes disseram “sim”, ou seja,
consideram os serviços relevantes às suas necessidades acadêmicas, isto é, o que eles
conhecem, satisfaz o que é procurado para suas atividades. Os 46% restantes responderam
“não”, afirmando que alguns dos serviços são limitados e desatualizados, longe do desejável
em relação à quantidade, qualidade e variedade. Estes fatores são observados nos relatos
abaixo:
“o pouco acesso às bases de dados.” (M6)
“falta de organização e planejamento da biblioteca em geral, inclusive, esse setor.”
(M5)
“periódico impresso, desatualizado e não corrente para pesquisa.” (M4)
“demora na abertura dos setores, áudio, vídeo e no levantamento bibliográfico.”
(M2)

Outros participantes apontaram desconhecer os produtos e serviços oferecidos pela
BC, como pode ser observado nos depoimentos
“desconheço os serviços do setor.” (M27)
“não sei só visitei” (M34)
“pouco utilizei a biblioteca da UECE” (M46)

Essas respostas nos dão uma pista da necessidade de se pensar em um planejamento de
marketing, de modo a visibilizar as ações da BC junto à comunidade acadêmica da UECE.

3604

�Reconhecemos que os treinamentos de usuários, feitos sempre no inicio de cada semestre, são
uma forma de divulgação. No entanto, devido a não continuidade deles ao longo do semestre,
em razão da deficiência de pessoal para esta atividade, é de se esperar que os usuários nem se
dêem conta de que esses serviços existem, continuamente, na BC.

Gráfico 1 - Os serviços oferecidos no atendimento pelo setor de referência da BC

5 CONSIDERAÇÕS FINAIS
O presente diagnóstico revelou que os estudantes desconhecem alguns dos serviços
oferecidos pelo setor de referência e seu uso para o estudo e a pesquisa. Portanto, nesse
aspecto, percebe-se a necessidade da promoção dos serviços oferecidos pelo setor, visto que a
maioria dos respondentes desconhece o serviço de referência. Ainda neste quesito, foi
colocada a falta de treinamento para o uso de ferramentas auxiliares da recuperação da
informação, no que diz respeito aos serviços oferecidos.
Acredita-se que o serviço de referência das bibliotecas, em especial as universitárias,
seja a porta de entrada para os usuários, pois iria direcioná-los em suas consultas locais ou
remotas e no uso dos recursos informacionais. E que, sem a avaliação, etapa que possibilita a
melhoria dos serviços e produtos e promove a qualidade que faz a diferença entre o que o
serviço oferece e o que de fato o cliente anseia desse serviço, não se teria, de fato, a satisfação
do usuário.
Nesta perspectiva e ainda como resultado da pesquisa, recomenda-se:
a) aumento e atualização do acervo bibliográfico pertinente as obras de referência
b) envolvimento da administração superior com a biblioteca no processo de aplicação
da qualidade e avaliação dos serviços/produtos;
c) estabelecimento de melhorias contínuas dos produtos e serviços a serem prestados.

3605

�Espera-se ainda, que este trabalho possa fornecer contribuições para todos aqueles que
se interessam pelo tema “serviço de referência” e, também, para que a UECE utilize esses
resultados a fim de proporcionar alternativas com relação à biblioteca central, de modo geral,
pois, com a expansão dos novos cursos de graduação e pós-graduação, é de se esperar que nas
ações de planejamento da universidade a biblioteca seja efetivamente contemplada..

6 REFERÊNCIAS
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BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO

E

CIÊNCIA DA

INFORMAÇÃO

E

ENCONTRO NACIONAL EM INFORMAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO JURÍDICA, 4.,
1992, São Paulo. Anais... São Paulo: APB, 1992, p. 98-103.
BARBALHO, C. R. S. Gestão pela qualidade: referencial teórico. Transinformação,
Campinas, v. 8, n. 3, p. 97-120, set./dez. 1996.
BELLUZZO, R. C. B.; MACEDO, N. D. de. A gestão da qualidade em serviços de
informação: contribuição para uma base teórica. Ci. Inf., v. 22, n. 2, p. 124-32, maio/ago.
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BENTES PINTO, V. Informação: a chave para a qualidade total. C. Inf., Brasília, v. 22, n. 2,
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BEZERRA, N. A. Avaliação da qualidade dos serviços das bibliotecas universitárias

segundo os usuários discentes. Dissertação (Mestrado Profissional em Políticas Públicas e
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GIL. A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999. 206 p.
ROCHA, E. C.; GOMES, S. H. de A. Gestão de qualidade e unidade de informação. Ciência

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ROCHA FILHO, J. Q. da. Qualidade total em serviços de informação: o caso da siderúrgica
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SILVA, A. M. dos S. et al. O plano da gestão da qualidade e sua implantação na rede de

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VALLS, V. M.; VERGUEIRO, W. de C. S. A gestão da qualidade em serviços de informação
no Brasil: uma nova revisão de literatura, 1997 a 2006. Perspectiva em Ciência da

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VERGUEIRO, W. Gestão da qualidade em bibliotecas públicas: o difícil caminho para as
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3606

�</text>
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                <text>Tem-se como objetivo avaliar a qualidade dos serviços disponibilizados pelo setor de referência da Biblioteca Central da Universidade Estadual do Ceará (UECE), aos estudantes dos cursos de pós-graduação strictu sensu. Trata-se de uma pesquisa de caráter exploratório, de natureza quantiqualitativa. Na estratégia de pesquisa foi usado o estudo de caso. A coleta de dados foi feita, mediante questionário semiestruturado. Diagnosticou-se que os estudantes desconhecem os serviços oferecidos pelo setor. Espera-se que a UECE utilize esses resultados a fim de proporcionar alternativas com relação à biblioteca central, de modo geral, pois, com a expansão dos novos cursos de graduação e pós-graduação, é de esperar que nas ações de planejamento da universidade a biblioteca seja efetivamente contemplada.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PUBLICAR ARTIGOS EM REVISTAS BRASILEIRAS EM CIÊNCIA DA
INFORMAÇÃO: UMA ANÁLISE ENTRE O TEMPO DE SUBMISSÃO E
ACEITAÇÃO DOS MANUSCRISTOS
Ivone Job
Ana Gabriela Clipes Ferreira
Ana Maria Mattos
Sônia Regina Zanotto
RESUMO
Este é um trabalho de caráter descritivo exploratório que apresenta uma reflexão sobre um dos
indicadores de gestão editorial de revistas científicas na área da Ciência da Informação: o
tempo de publicação dos artigos científicos. Os dados empíricos desta pesquisa estendeu sua
ação a três publicações: Transinformação, Informação &amp; Sociedade: estudos e Perspectivas
em Ciência da Informação; selecionados por serem classificadas com extrato Qualis A1
(triênio 2010-2012). Os indicadores propostos são as datas de submissão e de publicação dos
artigos no intuito de verificar a agilidade do fluxo editorial e na perspectiva de acompanhar os
padrões de qualidade estabelecidos pela produção das revistas. Foram analisados 274 artigos
com tempo médio de publicação de 237,82 dias, mínimo 0 (zero) e máximo de 1.051 dias.
Consideramos a análise desse indicador importante porque dá transparência ao processo
aumentando a visibilidade e a credibilidade das revistas brasileiras.
Palavras-chave: Comunicação científica. Periódicos científicos. Bibliometria.

ABSTRACT
This is a descriptive exploratory study that reflects on one of the indicators of editorial
management of scientific journals in the field of Library and Information Science: the time of
publication of scientific articles. The empirical data of this research has extended its action to
three scientific journals: Transinformação, Informação &amp; Sociedade: estudos and
Perspectivas em Ciência da Informação; which were selected because they are classified as
A1 stratum Qualis (2010-2012). The proposed indicators are the dates of submission and
publication of articles in order to verify agility editorial flow and the prospect of follow
established quality standards for the production of scientific journals. We analyzed 274
articles with an average time of publication of 237.82 days, minimum of 0 (zero) days and a
maximum of 1,051 days. We consider the analysis of this indicator important because it gives
transparency to the process by increasing the visibility and credibility of Brazilian journals.
Keywords: Scientific communication. Scientific journals. Bibliometry.

3584

�1 INTRODUÇÃO
O processo de avaliação por pares é o crivo da qualidade nas publicações científicas.
Em meio a um número crescente de artigos submetidos às revistas, em contraponto com a
necessidade em publicar resultados, faz-se que, cada vez mais, seja indispensável certificação
da qualidade da informação.
Se por um lado, o avanço das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs)
possibilitou uma migração em massa de revistas científicas para o meio digital, bem como o
surgimento de novos títulos, as mesmas TICs dificultam o encaminhamento de originais aos
pareceristas. Seja pelo número elevado de artigos, seja pelo número de especialistas no campo
de conhecimento específico. Mendes e Marziale (2001) afirmam que nas áreas de pesquisa
emergentes o número de pesquisadores experientes é restrito. Sendo o documento de mais de
uma década atrás, é possível inferir que atualmente existe dificuldade em localizar
especialistas na área do conhecimento que possam avaliar manuscritos é uma etapa complexa
do processo editorial.
Como uma das consequências, observam-se revistas com números atrasados e artigos
com tempo de aprovação elevado que prejudicam sua indexação nas bases de dados mais
visadas. Outro resultado do tempo elevado para aceitação e publicação de artigos são os dados
defasados prejudicando o andamento do ciclo da comunicação científica.
Durante a construção da sociedade moderna, principalmente por causa das TICs, a
percepção do tempo e do espaço tem se alterado. Vergara e Vieira (2005, p. 116) asseveram
que a dimensão tempo-espaço é uma categoria bastante útil para a compreensão das
organizações, “pois é no tempo-espaço que estruturas, processos, tomadas de decisão,
modelos de gestão, tecnologias, poder, enfim as tradicionais categorias de análise ocorrem.”
O objetivo principal desse artigo é a análise do tempo entre o recebimento e aceitação
de artigos nas revistas científicas em Ciência da Informação que se destacam por sua
qualidade sendo classificados pelos pesquisadores da área como Qualis A1 no triênio 2010­
2012 (CAPES, 2013). Paralelamente a esse objetivo, serão tecidas considerações acerca do
atual estado do processo editorial das revistas brasileiras, com foco em Ciências Sociais
Aplicadas. Os objetivos específicos são:
• verificar as médias de dias entre submissão e publicação dos artigos em cada
revista;
• estabelecer uma média entre as revistas;
• informar os prazos de avaliação a que são submetidos os manuscritos;

3585

�• observar a moda e os dados discrepantes em cada revista (máxima e mínima)
identificando esses artigos e as possíveis causas destas excepcionalidades; e
• comparar o percentual de submissões, rejeições e aceites anuais em cada revista e
no conjunto das três revistas analisadas.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Um indicador importante para a avaliação da gestão editorial de revistas é a declaração
de prazos recepção/revisão/aceitação/publicação dos artigos (DELGADO-LÓPEZ-CÓZAR;
RUIZ-PÉREZ; JIMÉNEZ-CONTRERAS, 2006). São critérios de qualidade analisados pelas
bases de dados ao examinar as revistas, por se entender que revelam uma transparência
quantificável, não somente quando tornam públicas essas datas, mas quando utiliza
estatísticas sobre as taxas de submissão, aceitação e rejeição dos manuscritos que recebem e
as disponibilizam para os autores e leitores.
Raramente encontra-se uma revista que declare seus prazos para revisão e, se os
declaram, às vezes não os cumprem. Na maioria, as revistas, incluem as datas de recepção e
aceitação em seus artigos. Para ilustrar apresentam-se na Tabela 1 os tempos médios do
processo editorial de revistas em Educação Física e Esportes em que o menor tempo entre a
recepção do manuscrito e sua publicação foi de um pouco mais de 1 ano (12,18) e o maior
prazo foi de 1 ano e meio (18,44):

Tabela 1: Tempo médio, em meses, consumidos no processo editorial
TEMPO MÉDIO (mês)
REVISTA
RECEPÇÃO/ACEITAÇÃO

ACEITAÇÃO/PUBLICAÇÃO

RECEPÇÃO/PUBLICAÇÃO

Motriz

8,95 (±4,14)

3,24 (±2,19)

12,18 (±3,77)

Movimento

5,58 (±3,09)

-

-

RPD

12,03 (±8,02)

4,80 (±1)

16,83 (±8,12)

RIMCAFD

8,29 (±5,77)

10,15 (±4,84)

18,44 (±5,94)

Fonte: VILLLAMÓN et al., 2012, p. 284

Em geral, autores observam os prazos do processo editorial para decidir em qual
revista vão publicar. Não pode haver demora na publicação dos resultados quando se
considera o ineditismo das descobertas. Além disso, os investigadores dependem da
publicação de suas pesquisas, pois necessitam pontuar continuamente sua produção científica.
Os intervalos entre a recepção, o aceite e a publicação de um artigo permitem conhecer a

3586

�atualidade de um estudo e, em caso de conflito, estabelecer prioridades nas descobertas
científicas. O tempo transcorrido entre esses momentos pode resultar também em indicativo
da gestão e eficácia dos processos editoriais.
Não obstante, os editores devem cuidar para que a redução dos prazos não se realize
em detrimento da qualidade da avaliação (ALLEONI, 2012). De fato, períodos longos entre a
recepção e a aceitação definitiva podem dever-se ao fato de o artigo ter sido devolvido uma
ou várias vezes, ao autor para sua modificação, seguindo as recomendações dos revisores. Em
qualquer caso, se as revistas mostram recorrentemente extensos períodos entre o aceite e a
publicação há que atribuir-se à política editorial, que provoca uma defasagem entre o número
de artigos aceitos e sua capacidade de publicação conforme os fascículos que editam a cada
ano.
A questão de tempo está associada a outro problema do autor: mais importante do que
sobre o que se está pesquisando é a pergunta qual o Qualis da revista em que devo publicar?
Desde o primeiro artigo que alunos de mestrado e doutorado no Brasil escrevem são
orientados a optar primeiro pelo extrato Qualis. “Assim, o problema da função e relevância
social das pesquisas científicas, bem como as questões sobre que conhecimento e para qual
formação tornam-se secundárias priorizando a preocupação onde publicar e quanto vale.”
(KUNZ, 2012, p. 9).
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) trabalha
com uma classificação para revistas científicas, o WebQualis, que na área de Ciências Sociais
Aplicadas I (CSAI) envolve três campos do conhecimento: Comunicação, Ciências da
Informação e Museologia. Portanto toda a produção acadêmica técnica e científica dos cursos
pertencentes a esses três campos adota como critério de classificação de suas revistas
científicas os estratos A1, A2, B1, B2, B3, B4, B5 e C (CAPES, 2013), sendo o ranking do
Journal Citation Reports (JCR) requisito mínimo para o alcance de classificação nos estratos
superiores (A1 e A2).
No momento da avaliação da produção científica do corpo docente e discente dos
programas de pós-graduação esses estratos são ponto chave. A partir da classificação dada a
cada revista científica, a CAPES atribui um valor quantitativo aos artigos de acordo com o
WebQualis em que a publicação ocorre, indo de 100 pontos para aqueles publicados em A1 a
cinco pontos aqueles publicados em B5 e nenhum ponto sendo atribuído às publicações em
revistas em estrato C (CAPES, 2013).
Há críticas a esse sistema brasileiro de avaliação, usado por todas as áreas, além de
outros critérios bibliométricos associados, exatamente por se apoiar em critérios unicamente

3587

�quantitativos para avaliação dos programas de pós-graduação: o cientista que mais publica é
mais produtivo, sem se levar em conta a qualidade do que ele escreve; o pesquisador mais
citado é considerado um notável, mesmo quando são usadas formas de aumentar o número de
citações que leva a vantagens no momento de receber subvenções de fontes financiadoras, etc.
E assim, esta forma de avaliação leva-nos a perceber o conhecimento científico como
mercadoria. É esta a regra que está posta para avaliar produção científica no Brasil, enquanto
alternativas melhores e talvez mais justas sejam propostas.

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Para esta pesquisa, de natureza descritiva exploratória, selecionaram-se as revistas da
área de Ciências Sociais Aplicadas I que publicam artigos em Ciência da Informação
classificadas pela CAPES com Qualis A1 no último triênio (2010-2012). Após consulta na
base WebQualis, as revistas selecionadas foram: Transinformação, Informação &amp; Sociedade:
estudos e Perspectivas em Ciência da Informação. As revistas selecionadas apresentam Fator
de Impacto em 2011 e 2012 no JCR (Tabela 2).

Tabela 2: Fator de Impacto 2011 e 2012 no JCR
TÍTULO

FI (2011)

FI (2012)

Transinformação

0.083

0.167

Informação e Sociedade: estudos

0.015

0.155

Perspectivas em Ciência da Informação

0.106

0.101

Fonte:

http://admin-

apps.webofknowledge.com.ez45.periodicos.capes.gov.br/JCR/JCR?RQ=LIST_SUMMA
RY_JOURNAL

Comparando-se o Fator de Impacto de 2011 e 2012 as revistas selecionadas revelaram
um comportamento que pode ser considerado positivo: a Transinformação o dobrou, a
Informação a Sociedade: estudos o aumentou dez vezes, e as Perspectivas em Ciência da
Informação apresentou uma queda insignificante. A seguir, são apresentados um breve
histórico e a descrição das revistas objeto deste estudo.
A revista Transinformação415 (e-ISSN 2318-0889, ISSN 0103-3786) é editada
quadrimestralmente pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas desde 1989. Sua
415 http://periodicos.puc-campinas.edu.br/seer/index.php/transinfo/index

3588

�proposta editorial é publicar artigos nos campos científicos da Ciência da Informação,
Biblioteconomia, Arquivologia, Museologia suas subáreas e interfaces. Encontra-se indexada
nas bases de dados Scientific Eletronic Library Online (SciELO), Web o f Science, JCR Social
Science, Scopus, Latindex e CLASE. O conselho editorial é composto de membros
pesquisadores de várias instituiçoes nacionais e internacionais. Os manuscritos submetidos à
revista passam por um processo de avaliação quanto ao seu mérito e conveniência de
publicação. É feita uma pré-análise por editores e conselheiros que avaliam se os manuscritos
têm originalidade, pertinência, qualidade acadêmica e relevância para os campos de
conhecimento cobertos pelo escopo da revista. Caso sejam considerados inadequados ou de
prioridade científica insuficiente, os manuscritos podem ser rejeitados nesta pré-análise. Os
manuscritos aprovados serão encaminhados para o processo de avaliação pelos pares, no
sistema blind review, por dois revisores ad hoc selecionados pelos editores. Em caso de
desacordo, o artigo será enviado a um terceiro avaliador. Um dos revisores poderá ser
escolhido por indicação dos autores. Caso haja algum conflito de interesse por parte dos
revisores, o Comitê Editorial encaminhará o manuscrito a outro revisor ad hoc. Depois deste
processo os autores recebem uma comunicação sobre a situação do manuscrito: aprovação,
recomendação de nova análise ou recusa.
Informação &amp; Sociedade: estudos (I&amp;S)416, (e-ISSN 1809-4783), é uma publicação
vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal
da Paraíba (PPGCI/UFPB). Divulga trabalhos de contribuição para o desenvolvimento de
novos conhecimentos entre pesquisadores, docentes, discentes e profissionais em Ciência da
Informação, Biblioteconomia e áreas afins, proporcionando a reflexão sobre estes temas no
Brasil e no mundo. Também publica sistematicamente, os resumos das dissertações aprovadas
no PPGCI/UFPB. A política editorial da I&amp;S adota a estrita revisão por pares e vem sendo
publicada ininterruptamente desde 1991. A I&amp;S está indexada em Web o f Science, LISA,
INFOBILA, CLASE, LATINDEX, DOAJ e OAister.
Perspectivas em Ciência da Informação (PCI)417 (e-ISSN 1981-5344; ISSN 1413­
9936) é uma revista de periodicidade trimestral editada desde 1996 pela Escola de Ciência da
Informação da Universidade Federal de Minas Gerais (ECI/UFMG). É continuação da Revista
da Escola de Biblioteconomia da UFMG, publicada entre 1972 e 1995. Tem como objetivo a
divulgação da produção intelectual realizada nas áreas de Ciência da Informação,

416 http://www.ies.ufpb.br/ois2/index.php/ies
417 http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci

3589

�Biblioteconomia, Arquivologia, Comunicação, Administração e Tecnologia da Informação.
Sua versão on-line pode ser lida em dois canais: na SciELO e no Portal de Periódicos
da UFMG. A PCI utiliza o Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas (SEER). O corpo
editorial é composto por um editor, conselho editorial com membros exclusivamente da
ECI/UFMG e conselho consultivo com membros de instituições nacionais e internacionais.
Além da SciELO está indexada nas bases DOAJ, INFOBILA, INSPEC, International
Bibliographie der Rezensionen Wissenschaftlicher Literatur/International Bibliographie of
Book, Reviews o f Scholarly Literature, ISI Web o f Knowledge, Latindex, LISA, Library
Literature, PASCAL e Scopus.
A PCI publica artigos originais, relatos de pesquisa, estudos teóricos, revisões de
literatura, relatos de experiências, traduções e resenhas. Na coleta de dados se observou a
presença de resumos de teses e dissertações defendidas na ECI/UFMG. Os trabalhos são
encaminhados a três membros do conselho editorial e consultivo. A avaliação é realizada no
sistema blind review (PERSPECTIVAS..., 2014).

3.1 COLETA DE DADOS
Os dados empíricos foram coletados diretamente nos artigos das revistas publicados
nos últimos três anos completos, independente da revista estar sendo publicada em dia ou com
atraso. Foram coletadas as datas de submissão e aceitação, desconsiderando-se as datas
intermediárias. A coleta foi realizada no período de 01 e 06 de abril de 2014. O resultado da
coleta foi o seguinte:
a) Transinformação: aceita cinco tipos de publicações: Original, Revisão, Ensaio,
Comunicação e Tradução. Somente Original e Comunicação não são publicados “a
convite” e serão objetos desta investigação. Foram coletados três anos completos,
nove edições: 2011 23(1-3), 2012 24(1-3) e 2013 25(1-3), totalizando 53 artigos.
b) I&amp;S: também foram coletados três anos completos, nove edições: 2011 21(1-3),
2012 22(1-3) e 2013 23(1-3), totalizando 113 artigos. Descartou-se 15 artigos por
não apresentarem as datas de avaliação e o número especial publicado em 2012.
Restaram para a análise, 98 artigos entre Artigos de revisão, Memórias Científicas
Originais, Relatos de Pesquisa, Relato de experiência, Comunicações de
Trabalhos/Pesquisas em Andamento.
c) PCI: Foram coletados três anos completos, doze edições: 2011 16(1-4), 2012 17(14) e 2013 18(1-4) totalizando 135 artigos. Todavia, 12 artigos foram excluídos por

3590

�não conterem data ou estar incompleta ou ainda incorreta. Para a análise, portanto,
foram considerados 123 artigos.
Buscou-se também, no menu das revistas analisadas, a seção de “Estatísticas”
oferecida pelo sistema SEER adotado pelas três revistas, para auxiliar nas avaliações de
submissão, rejeição e aceite de manuscritos.

3.2 TRATAMENTO DOS DADOS
Após a coleta de dados, organizados em planilha eletrônica, foi necessária a revisão
dos mesmos. Nem todos os artigos continham a data de recebimento e aceitação e em outros a
data estava imprecisa ou incompleta (como, por exemplo, ano 201, não sendo possível indicar
o intervalo de tempo entre o recebimento e a aceitação). Estes dados foram desconsiderados
na pesquisa. As demais datas, como artigo recebido e aceito no mesmo dia, foram
considerados, bem como edições inteiras com a mesma data de aceitação dos diversos artigos
da publicação. Provavelmente esses não foram avaliados pelos pares, podem ter sido
avaliados somente pelo comitê editorial ou foram realizados a convite, apesar de não
mencionar esta exceção no artigo.
Quanto a esclarecimentos de prazos de avaliação na seção de instruções aos autores ou
em outra parte das revistas, não foram localizados. A seção de estatísticas somente está
disponível na PCI.

4 ANÁLISE DOS RESULTADOS
No total, após a limpeza dos dados, foram tabulados 274 artigos das três revistas
(Tabela 3).

Tabela 3: Número de artigos examinados por revista
TÍTULO

# ARTIGO

(%)

Transinformação

53

19,35

Informação e Sociedade: estudos

98

35,76

Perspectivas em Ciência da Informação

123

44,89

TOTAL

274

100

Fonte: Dados da pesquisa

3591

�Organizados e tratados os dados, os resultados indicam que a média de dias entre
recebimento de todas as revistas é de 237,82 dias. O intervalo máximo entre recepção e
aceitação foi de 1.051 dias. Já o intervalo mínimo foi de 0 (zero) dias. Na PCI, a média foi de
308,33 dias, sendo o máximo intervalo de tempo apontando na coleta 1.051 dias e o intervalo
mínimo de 15 dias. I&amp;C apresentou a média de 195,4 dias, tendo o intervalo máximo de
tempo 529 dias e o mínimo de 0 (zero) dias. A revista Transinformação, menor amostra do
conjunto, apresenta a menor média: são 157,13 dias entre a submissão e a aceitação do artigo.
O intervalo máximo foi 531 dias e o mínimo 10 dias. Ilustram-se os resultados a seguir na
Tabela 4.

Tabela 4: Intervalo médio, mínimo e máximo (dias) entre recebimento e publicação
INTERVALO (dias)
REVISTA
MÉDIA

MÍNIMO

MÁXIMO

Amostra total (três revistas, 274 artigos)

237,82

0

1.051

Informação &amp; Sociedade: estudos

195,40

0

529

Perspectiva em Ciência da Informação

308,33

15

1.051

Transinformação

157,13

10

531

Fonte: dados da pesquisa

O artigo que levou quase três anos (1.051 dias) para ser publicado na PCI, Reflexões
epistemológicas no contexto do Orkut: ética da informação, sociabilidade, liberdade e
identidade, de autoria de Marcos Antonio Alexandre Bezerra e Eliany Alvarenga de Araújo,
submetido em 2008 e publicado em 2011, é um típico exemplo da defasagem de informação
que um artigo pode ter por questões do processo editorial. Quando o artigo foi publicado em
2011, o Orkut, criado em 2004, já estava sendo substituído por seus usuários pelo Facebook,
que em 2012 atingiu a marca de 1 bilhão de usuários ativos

.

Os intervalos máximos de submissão da I&amp;S e da Transinformação podem ser
considerados próximos, assim como estão próximos os intervalos mínimos da revista
Perspectivas em Ciência da Informação e Transinformação. Os dados podem ser mais bem
visualizados no Gráfico 1.

418 http://www1.folha.uol.com.br/tec/2012/10/1163808-facebook-mostra-o-raio-x-de-1-bilhao-de-usuarios.shtml

3592

�Gráfico 1: Intervalo médio, mínimo e máximo (dias) entre recebimento e publicação

Fonte: Dados da pesquisa

As médias ano a ano (201-2013) na amostra contendo as três revistas (274 artigos)
apontaram que, embora 2012 apresente uma diminuição do intervalo, em 2013 o intervalo
volta a aumentar (Gráfico 2):

Gráfico 2: Intervalo entre recebimento e aceitação em dias, por ano

011

:012

013

276,73

179

232,48

Fonte: Dados da pesquisa

Durante a coleta de dado, constatou-se que todas as revistas estavam em dia com a
periodicidade. Um dos critérios para a indexação de revistas científicas em determinadas
bases de dados, bem como sua permanência, é justamente a periodicidade regular.
Apesar de ter publicação regular, a média de tempo entre a submissão e a publicação
pode ser considerada alta. E alguns intervalos entre a submissão e aceitação dos artigos são
elevados: 1.051 dias foi o maior tempo da amostra, mas é possível observar outros intervalos

3593

�altos. Quando a demora é de mais de um ano, os dados da pesquisa a serem publicados no
artigo podem ficar defasados, tornando aquela publicação pouco atraente para os leitores e,
inclusive, receber menos citações em comparação com pesquisas publicadas com assuntos
relevantes e atuais.
Na Transinformação o artigo com menor tempo entre submissão e publicação foi
Evaluación de sitios web de postgrados biomédicos en Espana de autoria de María-Dolores
Olvera-Lobo, María Aguilar-Soto e Elvira Ruiz-de-Osma afiliadas a Universidad de Granada,
escrito em língua espanhola submetido, avaliado e publicado em dez dias em 2012. Por outro
lado, o artigo com maior tempo entre submissão e publicação, 531 dias, foi Documentary
languages and knowledge organization systems in the context of the semantic web de 2013,
escrito em inglês por Marilda Lopes Ginez de Lara, professora da USP. Observou-se durante a
coleta que a grande maioria dos artigos é publicada em língua portuguesa, muito embora as
revistas aceitem e publiquem artigos em inglês e espanhol. Ou seja, trata-se de artigos out
liners e diferenciados que esta análise não alcança os motivos para a diferença no tempo
decorrido entre a submissão e publicação dos dois extremos (mínimo e máximo). A moda na
revista Transinformação, três artigos, tem um intervalo de tempo entre a submissão e a
publicação igual a 149 dias.
Na Informação e Sociedade: estudos, o artigo recebido em 02/10/2011 e aceito para
publicação em 21/03/2013, configurando 529 dias para a publicação foi Elementos
tecnológicos de edição, manipulação e uso de livros digitais; escrito por Wagner Junqueira
Araújo, Robéria de Lourdes de Vasconcelos Andrade, Fabíola Mota de Moraes e Janiele
Lopes dos Santos. Já o artigo Curadoria digital: um novo patamar para preservação de dados
digitais de pesquisa de Luis Fernando Sayão e Luana Farias Sales, recebido e aprovado no
memsmo dia: 22/02/2012.
Pavan e Stumpf (2009, p. 82) questionaram editores sobre o tempo médio que um
artigo leva para ser avaliado (desde a submissão pelo autor até a decisão final) em revistas da
Ciência da Informação:
[...] quatro editores indicaram um período de até quatro meses e outro
informou um período que pode levar mais de quatro meses, não
especificando o tempo. Um editor não assinalou nenhuma das opções da
questão. Castro, Negrão e Zaher (1996) encontraram em periódicos da área
da saúde tempo médio semelhante ao das revistas de Ciência da Informação.
O tempo entre a avaliação inicial do trabalho, a avaliação pelos consultores e
a aprovação ou rejeição verificado pelas pesquisadoras foi em torno de
quatro meses.

3594

�Nas publicações analisadas neste estudo, todas as médias foram superiores a quatro
meses de espera para a publicação. Outras informações seriam importantes para se realizar
uma análise profunda da questão de tempo na gestão editorial, tais como uma seção de
estatísticas da revista e informações aos pesquisadores sobre o tempo provável de avaliação.
Nas revistas analisadas neste estudo somente a PCI abre sua estatística como mostra a Tabela
5.
Esta estatística é gerada automaticamente pelo sistema SEER e é decisão do editor
torná-la acessível, ou não. Deve-se levar em consideração que para o SEER gerar todos esses
dados, o fluxo editorial deve passar pelo editor e que os índices de aprovação e rejeição se
referem também a manuscritos submetidos nos anos anteriores, porque alguns levam mais de
ano para obterem seu resultado. Portanto, a tabela não fecha em 100%. Observa-se que o
fluxo é em média de 200 submissões/ano e o sistema de avaliação utilizado pela revista é peer
review. Cada manuscrito exigirá, no mínimo, dois avaliadores, um volume de trabalho para
um corpo de pareceristas extremamente grande. Pensemos que esses mesmos avaliadores o
são também em outras revistas da área. Portanto, julgar matematicamente, não resolve o
problema. É necessário um conjunto de esforços entre os pesquisadores que fazem a ciência
funcionar e uma gestão editorial preparada para tal envergadura.

Tabela 5: Estatísticas do fluxo de gestão dos manuscritos da PCI, período 2012 a 2014
OCORRÊNCIA

2012

2013

2014

Edições publicadas

4

4

1

Itens publicados

72

39

8

Total de submissões

199

195

58

Avaliados pelos pares

81

59

8

74 (91%)

58 (98%)

8 (100%)

7 (9%)

1 (2%)

0

Tempo de avaliação

136

64

0

Tempo até a publicação

164

136

0

Aceito
Rejeitado

Fonte: Dados retirados da seção de estatística da Perspectivas em Ciência da
Informação
anos
2012-2014.
Disponível
em:
http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/about/statistics?statisticsYear=2014.
Acesso em: 21 abr. 2014.

3595

�5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao finalizar este trabalho podemos afirmar que atingimos alguns objetivos propostos:
o objetivo principal em que analisamos o tempo entre o recebimento e aceitação de artigos nas
revistas PCI, Transinformação e I&amp;S, classificados pelos pesquisadores da área como Qualis
A1 no triênio 2010-2012. Quanto aos objetivos específicos tivemos oportunidade de verificar
as médias de dias entre submissão e publicação dos artigos em cada revista; estabelecer uma
média entre as revistas; informar os prazos de avaliação a que são submetidos os manuscritos;
observar a moda e os dados discrepantes em cada revista (máximo e mínimo) identificando
esses artigos e as possíveis causas destas excepcionalidades.
No entanto, o objetivo de comparar o percentual de submissões, rejeições e aceites
anuais em cada revista e no conjunto das três revistas analisadas não foi atingido. As revistas
estudadas não disponibilizam estas estatísticas, com exceção para a PCI. Esta informação
seria de extrema utilidade para os gestores e pesquisadores. A editoração de revistas têm
muitas etapas, da submissão à publicação do original, que podem comprometer sua eficiência
no tempo-espaço.
Geralmente se atribui a rotina mais delicada e morosa na avaliação de um original a
revisão pelos pares (peer review). Nesta etapa, a ausência de uma maior sistematização e a
falta de um treinamento formal para a execução da revisão levou Araújo (2012, p. e32) a
escrever mais de vinte sugestões práticas para uma atuação mais “proficua e eficiente para a
revisão.” Por outro lado, a normalização do manuscrito, etapa que deveria ser cumprida a
priori pelos autores, requer muitas vezes um retrabalho ao corpo editorial, dado o
desconhecimento das normas por parte dos pesquisadores para comunicar adequadamente os
resultados de suas pesquisas (RODRIGUES, LIMA, GARCIA, 1998).
Outros estudos reportaram problemas semelhantes. Pavan e Stumpf (2009, p. 78)
tiveram dificuldades em obter dados e informações com os editores de revistas de Ciência da
Informação. Afirmaram ser até compreensível que: “os editores não desejem tornar públicas
determinadas informações, mas ao mesmo tempo fica a impressão de que algo importante do
processo está sendo ocultado.” Considera-se principalmente que a visibilidade do processo e a
confiança nas revistas ficam abaladas com a falta de informações aos pesquisadores.
Villamón et al. (2012) em estudo com cinco títulos de revistas de Educação Física e
Esportes brasileiras e espanholas verificaram que somente uma revela o prazo aproximado de
resposta aos autores: em torno de 4 meses e mais 12 meses para a publicação (Tabela 1). Os
autores consideram essencial a informação de prazos do processo na hora de selecionar o
destino de seus artigos seja porque a publicação dos resultados não pode demorar-se pela

3596

�natureza e alcance do trabalho ou porque os pesquisadores precisam creditar continuamente
sua produção científica. E também, em casos de conflito de ineditismo, essas datas são
essenciais para estabelecer os achados científicos. Além disso, revelar e cumprir prazos é um
indicativo de eficácia de gestão nos processos editoriais.
Job (2013) entrevistou editores de revistas brasileiras e eles manifestaram a
dificuldade em obter dentro do tempo solicitado os pareceres dos avaliadores aos manuscritos
das revistas, até por isso não expõem os dados estatísticos. Geralmente os avaliadores têm de
2 a 3 semanas para responderem, mas esquecem, então são lembrados e, às vezes, respondem
que não estão em condições de realizar a tarefa. Novo avaliador é designado e mais três
semanas se vão. Ocorrem outros problemas apontados pelos editores que atrasam o processo
de resposta: precisam editar pareceres porque há “grosserias, problemas, equívocos teóricos,
preconceito teórico, então a gente lê tudo, compõe os pareceres e faz a devolução” [...] ou
“que não dá para passar para o autor, têm pareceres que são muito complicados, não tem nada
e nenhum subsídio que garanta uma rejeição de um artigo porque não tem um parecer na
prática” (p. 112). Consideram como solução profissionalizar as equipes editoriais e efetuar
pagamento aos avaliadores por parecer.
Serra, Ferreira, Fiates (2008) observam que na maioria das revistas da área de
administração há demora de pareceres e alto índice de rejeição, em torno de 90%,
independente do Qualis a que pertencem. A situação decorrente é a grande dificuldade para os
pesquisadores escoarem suas produções e apontam quatro problemas e causas relacionados
com a avaliação de artigos acadêmicos: avaliação de qualidade questionável, infração aos
direitos do autor, processo de revisão muito longo e ausência de feedback do trabalho para os
avaliadores (p. 6). O feedback seria desejável mas incorreria em maior dispêndio de tempo no
trabalho dos editores que geralmente, possuem uma pequena equipe, nos casos das revistas
brasileiras.
Mueller (1999) é taxativa: a ciência brasileira se reflete nas revistas científicas que
edita e nossos cientistas, a exemplo de seus colegas estrangeiros, dão prioridade as revistas de
maior prestígio e circulação para enviar os seus manuscritos, ou seja, as revistas científicas
internacionais. Contrariando Mueller (1999), e apesar da demora na publicação, o estudo de
Mattos (2011) revela a preferência dos autores, no caso doutores em Administração formados
pela UFRGS, por publicarem seus trabalhos em revistas científicas indexadas nacionais. O
que se percebe, entretanto, é a importância do tempo-espaço na eficiência da gestão
administrativa da revista científica, quem sabe, passando a ser gerenciada profissionalmente o
que poderá qualificá-la mais e mais.

3597

�As revistas que foram objeto desta pesquisa são notadamente reconhecidas na Ciência
da Informação pela qualidade de seus artigos. Esta afirmativa é corroborada e ilustrada pelo
Fator de Impacto que elas apresentam (Tabela 2), pela classificação Qualis A1 no último
triênio (2010-2012) e pela indexação em conceituadas bases de dados. Dessa forma, os
pesquisadores terão uma tendência em publicar seus resultados nestas revistas, com o intuito
de ter visibilidade e, como consequência, há um crescimento de submissões de artigos e
sobrecarga de trabalho de avaliação para os pareceristas.
Como sugestão para diminuir a tempo entre a submissão e a publicação de originais
propomos a profissionalização das pessoas envolvidas na gestão editorial de uma forma geral.
Apesar de a avaliação ser duplamente e às cegas torna-se necessário valorizar os bons
avaliadores, atentos aos prazos e ágeis em avaliar, bem como formar ou instruir novos
avaliadores. Esta recomendação se deve a notória dificuldade em se encontrar especialistas
conforme o avanço da ciência. Mendes e Marziale (2001) afirmam que o crescimento das
revistas científicas não absorve o número de revisores especializados em determinadas áreas na enfermagem, no caso do editorial da Revista Latino-Americana de Enfermagem, de autoria
de Mendes e Marziale (2001) - e, consequentemente, não atendem a demanda e o ritmo
desejados numa publicação periódica. King e Tenopir (1998) dizem que os atrasos na
publicação são, em sua maioria, por causa da intervenção humana, incluindo a edição,
revisão, entre outros. Assim, finalizamos reconhecendo a importância da avaliação por pares,
fundamental para a ciência, bem como a complexidade e a demanda de tempo que o trabalho
exige.

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3600

�</text>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
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                <text>Publicar artigos em Revistas Brasileiras em Ciência da Informação: uma análise entre o tempo de submissão e aceitação dos manuscritos</text>
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                <text>Job, Ivone, Ferreira, Ana Gabriela Clipes, Mattos, Ana Maria, Zanotto, Sônia Regina</text>
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            <name>Coverage</name>
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                <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
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            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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                <text>UFMG</text>
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                <text>Este é um trabalho de caráter descritivo exploratório que apresenta uma reflexão sobre um dos indicadores de gestão editorial de revistas científicas na área da Ciência da Informação: o tempo de publicação dos artigos científicos. Os dados empíricos desta pesquisa estendeu sua ação a três publicações: Transinformação, Informação &amp; Sociedade: estudos e Perspectivas em Ciência da Informação, selecionados por serem classificadas com extrato Qualis A1 (triênio 2010-2012). Os indicadores propostos são as datas de submissão e de publicação dos artigos no intuito de verificar a agilidade do fluxo editorial e na perspectiva de acompanhar os padrões de qualidade estabelecidos pela produção das revistas. Foram analisados 274 artigos com tempo médio de publicação de 237,82 dias, mínimo 0 (zero) e máximo de 1.051 dias. Consideramos a análise desse indicador importante porque dá transparência ao processo aumentando a visibilidade e a credibilidade das revistas brasileiras.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PROPOSTA DE MIGRAÇÃO DE SOFTWARE DE GERENCIAMENTO NO SETOR
DE PERIÓDICOS DA FACULDADE SANTA TEREZINHA (CEST)
Juliana Rabelo do Carmo
Vilma Ferreira Carvalho
Marcos Aurelio Pereira Veiga
Natacha Oliveira Pinto
Cenidalva Miranda de Sousa Teixeira

RESUMO
Aborda o processo de automação na Biblioteca Universitária, na perspectiva da migração de
software para seu gerenciamento, com vistas à organização e recuperação efetiva da
informação no setor de periódicos da Faculdade Santa Terezinha (CEST), em São LuísMaranhão. Caracteriza a Biblioteca estudada, bem como seus produtos e serviços. Analisa o
setor de periódicos da Biblioteca Universitária Galeana Melo Batista, e as problemáticas de
interoperabilidade de dados e comunicação com o sistema vigente na Biblioteca fato que
ocasiona dificuldades na recuperação da informação. Nesse sentido, as motivações e objetivos
desta pesquisa consistem na necessidade de implementação de software livre no setor de
periódicos, como medida para solucionar a problemática existente. Emprega a metodologia de
pesquisa de campo, com abordagem exploratória e descritiva para coleta de dados. Apresenta
a estruturação das atividades que serão desenvolvidas no decorrer deste processo. Indica o
software Biblivre como ferramenta para a automação no setor de periódicos do CEST, suas
características e adequações às necessidades estabelecidas. Conclui indicando que uma das
maiores questões de recuperação da informação no setor de periódicos, seja por fatores
práticos, quanto de adequação do sistema, reflete diretamente na recuperação da informação,
o que origina a necessidade de buscar medidas para suprir esta necessidade. Portanto, a
automação de Bibliotecas Universitárias, em especial com uso de softwares livres, consiste
em uma ferramenta eficaz para a organização, controle, disponibilização e recuperação da
informação para os usuários no ambiente universitário.
Palavras-Chave: Automação de bibliotecas; Biblioteca Universitária; Software livre;
Biblivre.
ABSTRACT
Addresses the automation process in the University Library , in the perspective of software
migration for its management, with a view to the effective organization and retrieval of
information in the periodic sector of Saint Therese School ( CEST ) in São Luís, Maranhão .
Library features studied , as well as their products and services . Analyzes the industry
journals Galeana Melo Baptist University Library , and the problems of interoperability and
data communication with the existing system in the Library fact which causes difficulties in
information retrieval . In this sense , the motivations and goals of this research is the need of

3574

�implementation of free software in the periodic sector , as a measure to solve the existing
problems . Employs the methodology of field research with exploratory and descriptive
approach to data collection . Presents the structure of the activities that will be developed
during this process. Biblivre indicates the software as a tool for automation in the periodic
sector CEST , their characteristics and adaptations to established needs . Concludes by
indicating that one of the biggest issues of information retrieval in the periodic sector, either
by practical factors such as system suitability , reflects directly in information retrieval ,
leading to the need to seek measures to meet this need . Therefore , the automation of
University libraries , in particular with the use of free software , consists of an effective tool
for the organization , control , delivery and retrieval of information for users in the university
environment.
Keywords: Library automation; University Library; Free software; Biblivre.

1 INTRODUÇÃO
A Biblioteca Universitária tem seu surgimento às Universidades visando refletir
nas matérias ou disciplinas lecionadas nos cursos de graduação, com o intuito de contribuir
para o progresso da ciência e, desse modo, se constituir como propulsoras do conhecimento
científico ao disponibilizar o acesso à informação em diferentes suportes e por meio de seus
serviços.
Tendo em vista essa questão, as missões da Biblioteca Universitária caracterizamse por servir de apoio ao corpo docente na expansão e relação entre as aulas expostas e outros
referenciais teóricos; fornecer informação científica para consolidação da produção científica
nas Universidades, o que pode resultar na visibilidade e desenvolvimento da Instituição em
âmbito local, regional e nacional.
Convém ainda ressaltar que este estudo trata-se de uma extensão do projeto de
pesquisa sobre “Softwares livres em bibliotecas públicas escolares na área Itaqui-Bacanga”,
onde se percebeu a necessidade que outros tipos de bibliotecas, como no caso da Biblioteca
Universitária do CEST- em especial no setor de periódicos que carece de medidas
emergenciais-, de solucionar problemáticas relacionadas ao gerenciamento de sistemas de
informação.
Levando em consideração esta questão, e as inquietações levantadas durante a
disciplina Automação em Unidades de Informação, a finalidade desta proposta de migração
de software tem como objetivos e motivações: a implementação do software livre no setor de
periódicos, bem como a estruturação das atividades que serão desenvolvidas neste processo;
recuperação eficaz da informação; economia de recursos para a Instituição, haja vista que o
uso dos softwares livres não necessita de custos para sua aquisição e manutenção.

3575

�O impacto esperado desta migração está na localização, acesso e recuperação da
informação contida nos periódicos da Biblioteca Raimunda Galeana Melo Batista em relação
aos seus usuários, e ainda controle e organização das atividades desenvolvidas neste setor.

2 CARACTERIZAÇÃO DO AMBIENTE DE ESTUDO
A Biblioteca Raimunda Galeana Melo Batista foi originada no momento do
surgimento da Faculdade Santa Terezinha (CEST) no ano de 1998, com a missão de “[...] dar
apoio aos programas de ensino, pesquisa e extensão da instituição, no atendimento às
demandas de informação, bem como oferecer colaboração técnica científica, na sua área de
atuação” (FACULDADE SANTA TEREZINHA CEST, 2013)
Tendo como público os alunos de graduação e pós-graduação, professores,
colaboradores da Instituição e da APAE e do público em geral, o seu acervo contempla as
seguintes áreas: Administração, Direito, Gestão Ambiental, Enfermagem, Nutrição, Terapia
Ocupacional, Fisioterapia e Fonoaudiologia.
Em relação ao espaço físico, a Biblioteca possui prédio próprio de 537,55 m2,
distribuídos em três espaços: setor administrativo e processamento técnico, setor de indexação
de periódicos, salão de leitura, 16 cabines de estudo individual, sala de vídeo com capacidade
de 20 pessoas, 7 salas de estudo em grupo com capacidades entre 4 e 8 pessoas, setor de
referência e acervo, além de 4 computadores para consulta do acervo. Vale ressaltar que a
Biblioteca proporciona ainda, boa acessibilidade para pessoas portadoras de deficiência.
O acervo da Biblioteca compõe-se de livros, CD’s, DVD’s, dicionários, guias,
atlas, catálogos, normas técnicas para elaboração de trabalhos padronizada da Instituição,
jornais, revistas, periódicos científicos nacionais e internacionais, monografias de graduação e
pós-graduação, e conta ainda com uma coleção de material cartográfico, para uso do Curso de
Gestão Ambiental. Todos os tipos de materiais disponibilizados pela biblioteca, encontram-se
classificados por meio da Classificação Decimal Universal (CDU) e pela Tabela de Cutter, e
inseridos no sistema RM Biblios de gestão da Biblioteca, que além do controle do acervo,
emite relatórios e etiquetas específicas do processamento técnico.

2.1 Serviços oferecidos
Visando a contribuição do ensino-aprendizagem apregoado pela Instituição, a
Biblioteca dispõe dos seguintes serviços e produtos:
•

Atendimento aos usuários na recuperação de informações;

•

Horário de funcionamento ininterrupto;

3576

�•

Consulta ao acervo (local e online);

•

Reserva e renovação de livros e outros materiais via Internet;

•

Empréstimo domiciliar;

•

Empréstimo de adaptadores para notebook;

•

Empréstimo de pincel para quadro branco;

•

Cobertura Wi-fi;

•

Comutação bibliográfica;

•

Acesso às bases de dados científicas nacionais e internacionais;

•

Normalização de trabalhos acadêmicos;

•

Disponibilização de catálogos sobre as monografias produzidas na Instituição.

O serviço de circulação de materiais bibliográficos, bem como os outros serviços,
obedecem à Resolução n° 041/2005 - CEPE (CEST) composta por 20 artigos e encontra-se
em fase de atualização. Dentre as considerações elucidadas no Regimento, o período de
empréstimo é assegurado na Tabela 1:

Tabela 1: Prazos e tipos de empréstimos realizados na Biblioteca CEST
CATEGORIA

QUANTIDADES
DE
OBRAS
3 livros no prazo normal;
3 livros para pesquisa
local

PRAZO
NORMAL
7 dias

Colaboradores CEST
e APAE

3 livros no prazo normal;
3 livros para pesquisa
local

7 dias

Docentes

3 livros no prazo normal;
3 livros para pesquisa
local

15 dias

Alunos de graduação
e pós-graduação

PESQUISA LOCAL
Prazo até as 21h30minh
do dia do empréstimo,
exceto nos sábados com
prazo até as 12h00minh.
Prazo até as 21h30minh
do dia do empréstimo,
exceto nos sábados com
prazo até as 12h00minh.
Prazo até as 21h30minh
do dia do empréstimo,
exceto nos sábados, com
prazo até as 12h00minh.

Fonte: Resolução n° 041/2005 - CEPE (CEST)

A Biblioteca possui uma equipe de recursos humanos composta por 3
bibliotecárias e 5 auxiliares de biblioteca para auxiliar os usuários. A Biblioteca funciona de
segunda à sexta das 08:00 h às 21:30 h e aos sábados das 08:00 h às 12:00 h.

3577

�2.2 Setores da Biblioteca
A Biblioteca possui 3 setores, com suas atividades descritas abaixo:
•

Referência: auxílio dos usuários no processo de busca e recuperação da
informação no sistema RM Biblios por meio de levantamento bibliográfico; execução
dos processos de circulação como empréstimo, devolução, renovação, impressão de
recibos de multas, e ainda a elaboração de fichas catalográficas para os discentes de
graduação e pós graduação em fase de conclusão de curso.

•

Processamento técnico: classificação de livros, monografias, CDs e DVDs
utilizando a Classificação Decimal Universal (CDU) e a Tabela de Cutter nas obras;
inserção dos dados do material tais como autor, título, editora, ano de publicação,
entre outros dados, no sistema RM Biblios, que gera o número do tombo, etiquetas de
identificação do material, como: etiquetas de bolso, de código de barras, de
classificação e notação do autor.

•

Periódicos: indexação de revistas científicas nacionais e internacionais
assinadas pela instituição e inserção no sistema vigente, chamado Sistema de
Indexação de Periódicos (SIP).

3 PROPOSTA DE MIGRAÇÃO DE SOFTWARE NO SETOR DE PERIÓDICOS
Uma das maiores problemáticas encontradas na Biblioteca trata-se do software de
gerenciamento da biblioteca, o RM Biblios que foi uma adaptação do sistema TOTVS para
bibliotecas - um software proprietário e/ou comercial -, que possui muitas falhas práticas, fato
que se reflete também o sistema de indexação de periódicos (SIP).
O sistema SIP que não se comunica e não está integrado com o RM Biblios, o que
indica a ausência do profissional da informação na escolha do sistema que mais se adapte às
necessidades da unidade da informação e ocasiona dificuldades na recuperação da
informação, em especial na seção de periódicos.
Partindo desse princípio, Côrte et al. (2002) afirma que para a aquisição ou troca
de sistemas de automação de bibliotecas, torna-se necessária a organização em etapas a serem
cumpridas, a qual demanda algum tempo e muita dedicação dos profissionais envolvidos,
sendo, porém, altamente compensadora em termos de resultados obtidos. Tais etapas
consistem em:
1)

Decisão
A escolha de migração de software no setor de periódicos partiu das inquietações
levantadas pela administração da biblioteca, que perpassava por entraves para solução

3578

�da questão como os altos custos para solucionar a problemática de recuperação da
informação dos periódicos indexados, haja vista, a ausência de interoperabilidade do
setor atual.
2)

Visitas
As avaliações sobre o sistema atual do setor (SIP) foi acompanhado de perto, durante
o período de estágio obrigatório na Instituição, onde foram levantados problemas
operacionais em confronto com as necessidades dos usuários, que muitas vezes
desconheciam esta função da Biblioteca. Dentre os requisitos mínimos e exigências
observadas para migração de software entre o sistema atual e o proposto, destacamos:
requisitos de software para servidor e cliente; custos, taxas de manutenção; segurança,
backup e integridade dos dados; qualidade dos serviços oferecidos pelo sistema;
suporte técnico; funcionalidades adequadas para o setor envolvido.

3)

Migração
Tendo como base a aceitação de todos os pré-requisitos oferecidos pelo software
proposto, torna-se essencial a observação da questão da portabilidades de dados do
sistema atual (SIP), que não possui esta função, o que evidencia a necessidade de
atualização de sistema, por meio de novos fluxos de trabalho para adequação ao
sistema proposto.

3.1 Software proposto: Biblivre
Na primeira década do século XXI, o programa Biblioteca Livre (Biblivre) se
constituiu como um dos pioneiros no acesso ao livro no Brasil com o auxílio da informática.
A partir de 2008, o software Biblioteca Livre (Biblivre) obteve o apoio da Fundação
Biblioteca Nacional, com o reconhecimento de uma trajetória bem sucedida no trabalho
realizado para a difusão de processos de informatização em bibliotecas do país. Idealizado há
mais de dez anos pela Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional (SABIN), na época sob a
presidência de Paulo Fernando Marcondes Ferraz, o Biblivre cresceu a ponto de se tornar uma
referência na modernização das bibliotecas brasileiras.
Desde o início, o programa se norteou pelo acesso livre ao software, que pode ser
utilizado, gratuitamente, por instituições públicas e privadas. Os bons resultados têm
despertado interesse cada vez maior de instituições no exterior, como em países onde a falta
de recursos muitas vezes impede ou atrasa o acesso a tecnologias avançadas para a difusão do
conhecimento.

3579

�A criação da versão internacional, desenvolvida sob a direção executiva de
Ubaldo Santos Miranda, busca atender a essa crescente procura. O Biblivre começou a ser
elaborado em 2001, quando foi aprovado pelo Ministério da Cultura (Minc), através da Lei
Rouanet (n. 8.313/91) para o incentivo ao desenvolvimento sociocultural. Em meados de
2004, a IBM Brasil firmou convênio com a SABIN, já então sob a presidência de Jean-Luis
de Lacerda Soares, para patrociná-lo. A COPPE/UFRJ contribuiu com apoio ao
desenvolvimento do projeto, nas versões, 1.0 e 2.0.
O conjunto de programas criados recebeu o nome de Biblivre. Em 2007, o
Instituto Itaú Cultural tornou-se o patrocinador exclusivo do projeto. Em outubro de 2010 foi
lançada com grande repercussão a versão internacional, também conhecida como versão 3.0
(Português, Inglês e Espanhol).
Os programas que compõem o Biblivre 3 formam uma aplicação cliente-servidor
baseada na internet, modelo computacional que permite a intercomunicação em rede de
qualquer porte, isto é, composta por 2 ou mais computadores e outros dispositivos ligados
entre si e compartilhando dados, utilizando-se de recursos da internet para acesso, protocolos
e requisitos de segurança.
O programa cliente, utilizado pelos usuários para acessar o Biblivre 3, é um
browser, comumente chamado de navegador de internet. Os navegadores recomendados são:
• Mozilla Firefox (versão 3.5 ou superior);
• Google Chrome (versão 2.0 ou superior);
• Apple Safari (versão 4.0 ou superior);
• Microsoft Internet Explorer (versão 6.0 ou superior).

O servidor é composto por vários módulos, escritos na linguagem JAVA, que são
executados através do servidor de aplicação Apache Tomcat 6.0. Os módulos que compõem o
sistema são a Busca, Circulação, Catalogação, Aquisição, Administração e Ajuda.
O software Biblivre atualmente serve como referência por ser um dos mais
utilizados em bibliotecas a âmbito nacional e internacional. Tendo em vista esse ideal,
destacamos as funcionalidades que podem vir a beneficiar a Unidade de Informação
contemplada com o seu uso:

3580

�Gerencial
Gerenciamento de diferentes tipos de materiais (bibliográfico, museológico, etc.);
Avaliação de demanda de informação (obras utilizadas por período);
Segurança e integridade dos dados;
Alta capacidade de armazenamento.
Seleção e aquisição
Permite uma avaliação quantitativa e qualitativa do acervo para uma análise de seleção e
aquisição dos materiais bibliográficos;
Controle de listas de sugestão, seleção, aquisição, reclamações e recebimento de material;
Controle financeiro dos recursos orçamentários para aquisição de material bibliográfico;
Controle de fornecedores por compra e doação;
Mala direta para editoras e instituições com as quais mantém intercâmbio de publicações;
Controle de assinatura de periódicos.
Circulação de materiais
Entrada e atualização de dados on-line;
Controle e rapidez na rotina de empréstimo, renovação e reserva;
Renovação e reserva on-line;
Disseminação seletiva de informação (envio de informações de interesse para os usuários).
Classificação e Catalogação
Padronização de catalogação e classificação;
Pesquisa e importação de registro de outra biblioteca (intercâmbio).
Pesquisa
Pesquisa do acervo qualquer computador ligado a internet;
Pesquisa ou filtragem por tipo de material bibliográfico;
Acesso simultâneo de usuários às bases de dados.
Relatórios
Impressão de relatórios e etiquetas.
Fonte: Oliveira (2011, p. 3)

No que diz respeito ao Setor de Periódicos, especificamente, o Biblivre dispõe dos
serviços: catalogação no formato MARC; controle de coleção de periódicos em seus
fascículos, por títulos, por volumes e respectivos números ou fascículos de um mesmo título
de periódico; exportação e importação de catalogações para bases de dados do Biblivre

3581

�instalada em outro computador; utiliza Tabela de Cutter; possibilita alteração, exclusão e
exportação de registros; e bloqueio de obras de referência.

4 CONCLUSÃO
A Biblioteca da Faculdade CEST encontra-se bem estruturada, com seus
procedimentos e rotinas bem organizadas, possui um quantitativo de recursos humanos que
apoiam os serviços prestados pela Instituição, o que resulta de uma visão ampliada da gestora
da Biblioteca, fato que reflete diretamente na qualidade e visibilidade da Biblioteca no CEST.
Porém, percebe-se que tais resultados podem se tornar ainda maiores, haja vista
que uma das maiores problemáticas encontradas trata-se do software de gerenciamento da
biblioteca, o RM Biblios que foi uma adaptação do sistema TOTVS para bibliotecas - um
software proprietário e/ou comercial -, que possui muitas falhas práticas, e também o sistema
de indexação de periódicos (SIP), que não se comunica e não está integrado com o RM
Biblios, o que indica a ausência do profissional da informação na escolha do sistema que mais
se adapte às necessidades da unidade da informação e ocasiona dificuldades na recuperação
da informação, em especial na seção de periódicos.
Portanto, para que a Biblioteca Universitária possa cumprir a sua função de
integrar-se ao ensino, pesquisa e extensão, faz-se necessário o fortalecimento do elo entre
biblioteca e alunos, fato que pode ser efetivado a partir de medidas de organização e
gerenciamento dos processos da biblioteca, em especial no setor de periódicos, que fornece
informações sobre atualizações e muitas vezes inovações nas áreas de conhecimento em
questão.
Diante dos dados expostos com a pesquisa, nota-se que por meio do uso de
software livre a disponibilização, recuperação e apropriação de tais conteúdos se tornam
efetivos, tanto por parte da Instituição, ao adquirir um produto que não requer custos, quanto
para os usuários que utilizam esta ferramenta para ter acesso à informação.

REFERÊNCIAS
CÔRTE, Adelaide Ramos et al. Automação de bibliotecas e centros de documentação: o
processo de documentação: o processo de avaliação e seleção de softwares. Ciência da
Informação, Brasília: IBICT, v. 28, n. 3, p. 241-256, set./dez., 1999.
FACULDADE

SANTA

TEREZINHA

CEST.

Biblioteca.

Disponível

em:

&lt;http://www.cest.edu.br/index.php?voz=nav/biblioteca&gt;. Acesso em: 10 dez. 2013.

3582

�FACULDADE SANTA TEREZINHA CEST. Resolução n° 041/2005 - CEPE. São Luís:
Faculdade Santa Terezinha CEST, 2005.
OLIVEIRA, Victor Barroso. Projeto piloto para implantação do sistema de biblioteca
“Biblivre” nas escolas da rede estadual do Espírito Santo. In: CONGRESSO BRASILEIRO
DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 24.,
2011. Maceió. Anais... Maceió: CBBD, 2011. p. 1-11.

3583

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Aborda o processo de automação na Biblioteca Universitária, na perspectiva da migração de software para seu gerenciamento, com vistas à organização e recuperação efetiva da informação no setor de periódicos da Faculdade Santa Terezinha (CEST), em São LuísMaranhão. Caracteriza a Biblioteca estudada, bem como seus produtos e serviços. Analisa o setor de periódicos da Biblioteca Universitária Galeana Melo Batista, e as problemáticas de interoperabilidade de dados e comunicação com o sistema vigente na Biblioteca fato que ocasiona dificuldades na recuperação da informação. Nesse sentido, as motivações e objetivos desta pesquisa consistem na necessidade de implementação de software livre no setor de periódicos, como medida para solucionar a problemática existente. Emprega a metodologia de pesquisa de campo, com abordagem exploratória e descritiva para coleta de dados. Apresenta a estruturação das atividades que serão desenvolvidas no decorrer deste processo. Indica o software Biblivre como ferramenta para a automação no setor de periódicos do CEST, suas características e adequações às necessidades estabelecidas. Conclui indicando que uma das maiores questões de recuperação da informação no setor de periódicos, seja por fatores práticos, quanto de adequação do sistema, reflete diretamente na recuperação da informação, o que origina a necessidade de buscar medidas para suprir esta necessidade. Portanto, a automação de Bibliotecas Universitárias, em especial com uso de softwares livres, consiste em uma ferramenta eficaz para a organização, controle, disponibilização e recuperação da informação para os usuários no ambiente universitário.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PROGRAMA DE CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE PRESERVAÇÃO DE ACERVOS: a
experiência da Biblioteca Central Cesar Lattes - UNICAMP
Fernanda Cristina Festa Mira
Isabela Nascimento Pereira
RESUMO
A preservação dos livros nas bibliotecas universitárias é essencial para a manutenção da
pesquisa e do ensino. Pensando nessa questão a Biblioteca Central Cesar Lattes implementou
o Programa de Conscientização Sobre Preservação de Acervos. Através da organização de
oficinas visou orientar seus funcionários, estagiários e bolsistas sobre os perigos e cuidados
com os acervos. As oficinas dividiram-se em duas partes: uma teórica com a apresentação dos
fatores de deterioração dos acervos e pequenas medidas que podem evitar danos as obras e a
segunda parte foi uma visita técnica ao laboratório de conservação da Diretoria de Coleções
Especiais e Obras Raras. Diante da receptividade dos participantes pretendemos expandir essa
experiência às demais bibliotecas do Sistema de Bibliotecas da Unicamp.
Palavras-Chave: Preservação de acervos. Capacitação profissional. Fatores de deterioração.

ABSTRACT
With regard to maintaining research and teaching, book preservation remains essential in the
context of university libraries. Aimed at this issue, the Cesar Lattes Central Library of
Unicamp has created the Programa de Conscientização sobre Preservação de Acervos
[“Collections Preservation Awareness Program”]. This program corresponds to the
organization of workshops to library employees, interns and scholarship holders about the
danger and care towards book collections. The workshops were divided into two parts: one
theoretical part (presentation about factors of deterioration of books and measures on avoiding
damage to collections), along with a practical part (technical visitation to the conservation lab
of the Administration of Special Collections and Rare Books at Unicamp). Considering the
receptibility of the participants, we intend to diffuse this experience to the remaining libraries
of Unicamp Library System (SBU) in the future.
Keywords: Preservation of collections. Professional training. Factors deterioration.

1 INTRODUÇÃO
Extrair dados deste ou daquele documento, deste ou daquele livro, interpretar uma
imagem, seja ela fotográfica ou tridimensional, são alguns dos atos que compõem a pesquisa
científica, mas, para tal é necessário que haja um suporte material capaz de sustentar as
informações. A procura por um determinado livro somente ocorre porque a informação

3563

�contida nele é importante ou interessa àquele que o procura, mas havendo grandes danos ao
papel, tanto o manuseio quanto a leitura podem ser comprometidos.
O principal vetor de degradação dos acervos é o próprio homem. Os descuidos e
acidentes, muitas vezes ocasionados pela falta de informação, podem comprometer livros e
documentos: janelas esquecidas abertas em dia de chuva; limpezas inadequadas de prateleiras,
livros e pisos; livros remendados com fitas adesivas; o ato de comer ou beber sobre os livros
ou dentro dos acervos, etc. Estes são apenas alguns poucos exemplos do que pode acontecer.
Entretanto, através da criação e incentivo de projetos que envolvam a educação para a
conservação e preservação pode-se retardar a degradação dos materiais bibliográficos.
Através de uma orientação adequada sobre cuidados básicos com acervos, o
funcionário, pesquisador ou usuário também passa a ser um agente facilitador. Existem
medidas extremamente simples que podem evitar grandes danos aos documentos, basta que
haja orientação e boa vontade. Não comer ou beber dentro dos acervos; fazer vistorias
periódicas para verificar se não há infestação de insetos; cuidados com a limpeza do
ambiente; não retirar os livros da prateleira pegando-os pela lombada; acomodar
adequadamente os livros nas prateleiras e outras tantas atitudes que podem contribuir para a
longevidade de livros e documentos.
Comprometida com a conservação dos acervos da Unicamp, a Diretoria de Coleções
Especiais e Obras Raras da Biblioteca Central Cesar Lattes413, no segundo semestre de 2012,
iniciou o Programa de Conscientização Sobre Preservação de Acervos, com o slogan
“Preservação, compartilhe essa ideia!”. O objetivo deste programa foi orientar e
conscientizar os funcionários sobre o manuseio e preservação do material bibliográfico.
O programa incluiu uma exposição de obras deterioradas pelo mau uso, a confecção de
um mural e de um folder com dicas de preservação, além de oficinas de conservação
direcionadas especialmente aos funcionários da Biblioteca Central Cesar Lattes e Biblioteca
da Área de Engenharia e Arquitetura.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Frequentemente as bibliotecas associam a noção de conservação aos livros e
documentos raros ou antigos, esquecendo-se das obras contemporâneas.

413 A Biblioteca Central Cesar Lattes (BCCL) integra o Sistema de Bibliotecas da Unicamp (SBU), o qual é
composto de 27 bibliotecas, sendo uma central, uma de área e as demais alocadas nas Unidades de Ensino e
Pesquisa e Centros e Núcleos. No prédio da BCCL encontram-se alocadas a coordenação do SBU e a Biblioteca
da Área de Engenharia e Arquitetura (BAE).

3564

�Mas eu penso que a noção de conservação deve ser ainda estendida, e isso
por várias razões. Antes disso precisaria saber o que distingue um livro
antigo de um livro moderno, pois aonde está a fronteira? No limite se
poderia dizer que, não há livro antigo, nem livro moderno, mas um objeto
que se chama livro, e que esta em evolução constante, desde há cinco
milênios. Entretanto conserva-se esta distinção, porque é cômoda, mas
devemos reconhecer que a fronteira pode variar muito, dependendo do ponto
de vista em que nos colocamos (LABARRE, 1991, p. 26-27).

Pensando na conservação do acervo circulante da Biblioteca Central Cesar Lattes, a
Diretoria de Coleções Especiais e Obras Raras resolveu promover uma oficina de
Conservação para funcionários, estagiários e bolsistas.
Segundo Manual... (2005) os fatores de degradação se dividem em quatro grupos:
•

•
•

•

Agentes físicos:
o Iluminação;
o Temperatura e Umidade Relativa.
Agentes químicos:
o Poluição atmosférica.
Agentes biológicos:
o Fungos;
o Insetos;
o Roedores.
Agentes humanos:
o Manuseio;
o Condições construtivas.

Spinelli (2007) acrescenta a esses fatores dois outros que são as características
constitutivas do papel e as catástrofes, como inundações e incêndios.
Já Callol (2013) divide os fatores de deterioração entre internos e externos. Os
internos, denominados “vícios inerentes”, dizem respeito às qualidades inerentes ao material,
como por exemplo, a qualidade da polpa utilizada, da cola, dos aditivos químicos, da acidez,
da presença de composto metálicos etc. “Estes fatores não podem ser controlados, pois o livro
ou o documento, uma vez elaborados, não podem ter modificados seu método e sua forma de
elaboração” (CALLOL, 2013, p. 28). Entre os fatores externos a autora destaca: umidade
relativa, temperatura, poluição atmosférica, processos e tratamentos inadequados, desastres e
atos de vandalismo; e ainda afirma que:
“Estes fatores, segundo a natureza dos agentes produtores do dano, normalmente se
classificam em químicos, biológicos e ecológicos (Vaillant; Valentín, 1996). Sobre eles

3565

�podemos atuar e podemos modificá-los, estabelecendo as condições adequadas, de acordo
com os requisitos dos materiais constituintes.” (CALLOL, 2013, p. 29).
Para este trabalho discutiremos apenas as características extrínsecas de deterioração,
considerando os agentes físicos, químicos, biológicos e humanos, e apresentando algumas
recomendações apresentadas pelos autores mencionados.

Agentes físicos
Iluminação
A luz visível, natural ou artificial, e as radiações ultravioleta e infravermelha são
prejudiciais aos acervos, pois contribuem no processo de oxidação do papel. Como
consequência o papel sofre descoloração, amarelecimento ou escurecimento; além do
esmaecimento das cores das tintas, encadernações e ilustrações. “Qualquer exposição à luz,
mesmo por breve período de tempo, causa danos, e esses danos são cumulativos e
irreversíveis, já que as reações iniciadas pelo efeito da luz continuam a ocorrer mesmo depois
de removida a causa.” (MANUAL..., 2005, p. 22).
As recomendações para sanar essa questão são o uso de cortinas, persianas, brisesoleil, películas protetoras em janelas e lâmpadas. Esses recursos amenizam a exposição à luz
e também contribuem para o controle da temperatura do ambiente.

Temperatura e Umidade Relativa
A umidade relativa (UR) corresponde a “relação percentual entre a quantidade de
vapor de água presente no ar de um ambiente, a uma determinada temperatura, e a quantidade
máxima de vapor de água que o ar desse ambiente pode conter, na mesma temperatura.”
(Manual..., 2005, p. 24). A umidade pode ser proveniente de infiltrações, do entorno, caso
esteja próximo a rios, lagos ou outra fonte de água, ela também interfere na temperatura do
local.
Equipamentos de ar condicionado e desumidificadores podem ser utilizados,
entretanto seu uso deve ser contínuo, isto é, 24h por dia, sete dias por semana. O uso apenas
durante o horário de funcionamento, quando funcionários e usuários estão no local, sendo
tudo desligado ao fim do expediente, pode ocasionar flutuações de umidade e temperatura e
isso facilita a proliferação de fungos e bactérias, além do ataque de insetos.
De acordo com Spinelli (2007) o ideal é que a temperatura esteja entre 20 a 22°C e a
UR entre 50 e 60%.

3566

�Agentes químicos
Poluição atmosférica e _poeira
Alguns gases, provenientes da queima de combustíveis, de ceras aplicadas sobre o
pisos e móveis, ou outros produtos químicos podem sofrer uma reação química e acelerar o
processo de envelhecimento do papel, por exemplo. Por isso, é importante tomar cuidado com
os produtos de limpeza utilizados para limpeza do ambiente em que se encontra o acervo.
A poeira também é danosa aos acervos, pois ela funciona como um abrasivo, uma lixa,
que pode comprometer tanto o miolo do livro quanto sua encadernação. O acúmulo de poeira
torna o ambiente sujo e propicia o aparecimento de inseto e a proliferação de fungos e
bactérias.
Nesse caso a recomendação é manter o ambiente higienizado, com boa ventilação e
tomar cuidado com entradas e saídas próximas a ruas, avenidas, estacionamentos etc.

Agentes biológicos
Fungos e bactérias
Segundo Callol (2013) os fungos também são conhecidos como “mofos” ou “fungos
bolorentos” e crescem sobre qualquer substrato que ofereça os nutrientes necessários ao seu
desenvolvimento, o que inclui papel, adesivos, couro, têxteis e outros suportes orgânicos.
As condições para seu desenvolvimento são as seguintes: pH entre 4 e 6; UR superior a 70%;
temperatura próxima ou superior a 30°C. As oscilações desses parâmetros também favorecem
a proliferação dos fungos.
Já as condições ideais para o desenvolvimento das bactérias são: pH neutro, entre 7-8;
temperatura entre 25°C e 37°C, sendo que algumas espécies podem suportar 0°C ou
temperaturas superiores a 45°C; algumas podem excretar substâncias ou excrementos sobre a
superfície dos materiais. No entanto, em condições desfavoráveis algumas bactérias podem
entrar num período de latência até que as condições ideais reapareçam. Na forma de esporos
as bactérias também podem ser transportadas pelo vento e permanecer no estado de latência.
Por isso, o controle ambiental é de fundamental importância. Acervos e ambientes
devem ser higienizados periodicamente; vistoria a procura de fontes de umidade e água
também devem ser frequentes; além de orientação adequada aos funcionários.

3567

�Insetos
•

Traças (Tisanuro)

A forma mais comum em acervos é a Lepisma saccharina, L., conhecidas também
como traça-dos-livros ou peixe de prata. Vive em lugares úmidos; tem hábitos noturnos;
durante o dia se abrigam em caixas de papelão, gavetas, livros etc.; alimenta-se de materiais
que contenham amido, de constituintes do papel e tecidos de algodão; por precisarem de
pequenas quantidades de proteínas também se alimentam de insetos mortos e colas de origem
animal; produz desgastes superficiais e irregulares. (CALLOL, 2013).

•

Cupins (Isópteros)

Existem várias espécies, mas destacam-se dois grupos que são altamente prejudiciais
aos acervos: cupins subterrâneos e cupins de madeira seca. Os primeiros alojam-se em raízes
de árvores próximas aos edifícios e madeiras estruturais. Os segundos instalam-se nos acervos
através dos móveis de madeira ou da construção de galerias nas paredes. Ambas espécies
vivem em colônias e gostam de lugares escuros, o que dificulta sua detecção, e podem causar
imensos danos aos acervos. (CALLOL, 2013; MANUAL..., 2005).

•

Broca (Coleópera)

O seu período larval é o mais danoso, pois fazem furos de forma irregular e galerias
superficiais. A fêmea adulta coloca seus ovos que eclodem liberando as larvas, as quais
começam a cavar galerias. As larvas crescem a medida que vão cavando, o que torna
crescente o diâmetro das galerias.

•

Piolho-de-livro (Corrodentia)

Alimentam-se de fungos e restos de insetos mortos. Causa danos aos adesivos do
papel. Por ser muito pequeno é de difícil detecção.
•

Baratas (Blattoidea)

Gostam de ambientes úmidos; escondem-se da luminosidade; tem hábitos noturnos;
atacam papel, adesivos, gomas, couros e pergaminhos; “produzem desgastes superficiais com
contornos irregulares e, ocasionalmente, manchas esbranquiçadas e buracos com forma de
vírgula nos suportes. As manchas são produzidas pelo líquido fecal destes insetos.”
(CALLOL, 2013, p. 38).

3568

�Roedores
Os ratos não utilizam o papel como fonte de alimento, mas sim como substrato na
construção de seu ninho.
Recomendações _para _prevenção de agentes biológicos
•
•
•
•
•
•
•

Verificação e limpeza adequada de pisos, estantes e mobiliários;
Inspeção constante dos acervos e dos mobiliários de madeira;
Evitar o uso de caixas de papelão ou de madeira, especialmente se estiverem
apoiadas diretamente sobre o chão;
Remoção diária do lixo antes do horário noturno;
Fechar frestas e rachaduras em pisos, batentes e paredes;
Tampar ralos e esgotos;
Proibir a ingestão de comidas e bebidas no acervo e em áreas próximas.

Agente Humano
O homem pode causar danos irreversíveis aos acervos. O manuseio e armazenamento
inadequados como o uso de clipes metálicos, fitas adesivas, cópias Xerox, etc, são apenas
algumas das causas. Para evitar alguns danos causados pelo homem elencamos algumas
recomendações:
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•

Não comer próximo aos acervos a fim de evitar atrair insetos e roedores;
Em dias de chuvas os funcionários devem orientar os usuários sobre o uso de
sacos plásticos para evitar a umidade;
Caso seja necessário utilizar fotocopiadoras ou digitalizadoras evite forçar a
lombada dos livros;
Tomar cuidado com livros de grande formato, já que sua estrutura é mais
frágil;
Não molhar os dedos com saliva para virar as páginas, pois além de estragar o
papel pode ser prejudicial a sua saúde;
Não usar fitas adesivas para reparar os livros;
Os livros que estiverem com capas soltas devem ser amarrados com cordão de
algodão e jamais utilizar elásticos;
Evitar carimbos e etiquetas e quando não for possível tomar cuidado para não
encobrir informações e colocá-los de ponta cabeça, por exemplo;
Usar sempre marcadores de páginas apropriados. Lápis, clipes ou outros
objetos não são apropriados;
Nunca retirar os livros da estante puxando-os pela lombada;
Cuidado ao colocar ou retirar livros dos carrinhos de transporte;
Evitar anotações sobre os livros para não deixar marcas em sua capa;
Não apoiar braços e cotovelos sobre os livros.

3569

�3 MATERIAIS E MÉTODOS
A Unicamp através da Agencia para a Formação Profissional da Unicamp - AFPU414
criou o Programa de Excelência no Atendimento ao Cliente - PEAC, cujos objetivos são:
Desenvolver os fundamentos da Excelência no Atendimento ao Público; Promover o resgate
de conceito de valor e de respeitabilidade do serviço público; Promover a compreensão do
conceito de visão sistêmica e buscar a conscientização do profissional, como agente
transformador de seu contexto; Desenvolver a comunicação e habilidades no relacionamento
interpessoal; Estimular a integração entre equipes e lideranças para implantação e manutenção
de padrões de atendimento específicos, conforme as diretrizes de excelência; Aprofundar
estudos junto aos trabalhadores da área de saúde da Unicamp acerca da Política Nacional de
Saúde.
O curso foi realizado no primeiro semestre de 2012 e dele surgiu a proposta da
elaboração de um folder com dicas de preservação, com a finalidade de iniciar uma campanha
de conscientização de professores, alunos, funcionários e demais usuários das bibliotecas da
universidade. Como forma de divulgação, os folders são entregues durante as visitas guiadas
realizadas pela comunidade interna e externa a Universidade, aos alunos que participam do
Programa Ciência e Arte nas Férias, aos novos funcionários da Universidade durante a
Oficina de Ingressantes e demais eventos.

Capa do folder

414 Agência é responsável pelo planejamento e execução das ações institucionais destinados ao desenvolvimento
e qualificação de servidores técnicos administrativos ao apoio às atividades de ensino, pesquisa e extensão,
incluindo órgãos e unidades da Universidade. Disponível em: &lt;http://www.afpu.unicamp.br/a-afpu.php&gt;.

3570

�Dicas de Preservação:
Em dias de chuva redobre os cuidados! Atenção com sombrinha
ou guarda-chuva molhados dentro de bolsas e mochilas. E lembre-se,
não é guarda-chuva para proteger a sua cabeça!
Não apoie o cotovelo sobre livros ou revistas.
Não coma próximo aos livros ou dentro da biblioteca, pois restos de
comida atraem insetos. As baratas também gostam de papel!
tome cuidado com os alimentos dentro da mochila e junto com livros
e cadernos.
Muito cuidado, não molhe o dedo com saliva para virar as páginas, pois além de
estragar o papel pode ser perigoso para a sua saúde.
Use sempre marcadores de página apropriados. Lápis, clipes ou outros
objetos não são adequados, também não dobre o canto da página,
pois isso estraga o livro.
(

C)

Ao emprestar ou consultar livros de grande formato tenha cuidado, porque eles
geralmente são pesados e sua estrutura é frágil.
Não use qualquer tipo de fita adesiva para "consertar” os
livros, pois sua cola pode estragar ainda mais o papel.
Não faça anotações ou rabisque os livros que são de uso público, mesm o'
que a lápis. As anotações que são importantes para você podem não ser
para outro usuário.
Caso seja necessário tirar cópia de capítulo de livro tenha cuidado, jamais force a
abertura dele, pois a encadernação pode ser comprometida.
Cuidado ao colocar ou retirar os livros de estantes ou carrinhos.
LEMBRE-SE
Cada livro danificado é um investimento perdido, pois outros livros poderiam ser
comprados.
O livro danificado hoje pode fazer falta amanhã!

Partes internas do folder

Dando continuidade à campanha de conscientização iniciamos, no segundo semestre
de 2012, o Programa de Conscientização Sobre Preservação de Acervos, com o slogan
“Preservação, compartilhe essa ideia!”. O objetivo foi orientar e conscientizar os
funcionários, estagiários e bolsistas sobre o manuseio e preservação do material bibliográfico
da BCCL e BAE.
As oficinas ocorreram no mês de setembro de 2012 e contaram com a participação de
48 funcionários, entre técnicos, bibliotecários, estagiários e bolsistas, divididos em seis
turmas, entre os períodos da manhã e tarde, isso para que todos pudessem participar.
As oficinas foram estruturadas em duas partes, uma teórica e outra de visitação ao
laboratório de conservação. Durante a exposição teórica foram abordados os fatores físicos,
biológicos, químicos e humanos de degradação dos acervos, sempre acompanhados de dicas

3571

�do que fazer para evitá-las. Também foi aberto um espaço para que os participantes tirassem
suas dúvidas ou apresentassem exemplos vivenciados.
Depois de participarem da apresentação teórica os presentes eram convidados a
conhecer o laboratório. Certamente que muitos já o conheciam, afinal todos os presentes eram
colegas de trabalho, mas a ideia era que o fizessem a partir de outra perspectiva. O intuito da
visita foi mostrar que os livros que precisam de alguma intervenção percorrem um longo
processo, que vai desde a higienização até a reencadernação. Foram apresentados os
equipamentos, ferramentas, materiais, equipamentos de proteção individual, enfim todo o
necessário para o trabalho de colocar o livro novamente em condições de uso.

Outro produto fruto do programa foi a elaboraçãod um mural, produzido em acrílico
adesivado, para ser afixado nas áreas de acervo.

4 RESULTADOS

3572

�A receptividade e interesse dos partcipantes foram surpreendentes porque, para muitos deles,
o assunto parecia ser algo complexo, que envolvia conhecimentos técnicos e equipamentos
específicos, no entanto através da oficina perceberam que pequenas ações inseridas na rotina
de trabalho podem fazer toda a diferença.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esperamos que com essas oficinas os participantes desenvolvam uma consciência sobre os
cuidados com os livros, e também pretendemos estendê-las ao Sistema de Bibliotecas da
Unicamp no intuito de que as pessoas compartilhem esses conhecimentos com outros
profissionais e usuários.

6 REFERÊNCIAS
CALLOL, Milagros Vaillant. Biodeterioração do patrimônio histórico documental:
alternativas para sua erradicação e controle. Rio de Janeiro: Museu de Astronomia e Ciências
Afins; Fundação Casa de Rui Barbosa, 2013.
CASSARES, Norma Cianflone. Como Fazer Conservação Preventiva em Arquivos e
Bibliotecas. São Paulo: Arquivo do Estado e Imprensa Oficial, 2000. 80 p. Disponível em:
&lt;http://www.arquivoestado.sp.gov.br/saesp/texto_pdf_14_Como%20fazer%20conservacao%
20preventiva%20em%20arquivos%20e%20bibliotecas.pdf&gt;. Acesso em : jul. 2012.
LABARRE, Albert. Razões e Finalidades da Conservação. Boletim do Centro de Memória
Unicamp, Campinas, v. 3, n. 5, p. 25-35, jan./jun. 1991.
MANUAL de conservação preventiva de documentos: papel e filme. São Paulo: Universidade
de São Paulo, 2005.
MILLEVSKI, R. J. Manual de pequenos reparos em livros. 2°. ed. Rio de Janeiro: Projeto
de Conservação Preventiva em Bibliotecas e Arquivos, 2001. Vol.13.
SPINELLI JUNIOR, Jayme. Conservação de acervos bibliográficos e documentais. Rio de
Janeiro, RJ: Fundação Biblioteca Nacional, 1997.

3573

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Programa de conscientização sobre preservação de acervos: a experiência da Biblioteca Central Cesar Lattes- UniCamp</text>
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                <text>Mira, Fernanda Cristina Festa, Pereira, Isabela Nascimento</text>
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                <text>A preservação dos livros nas bibliotecas universitárias é essencial para a manutenção da pesquisa e do ensino. Pensando nessa questão a Biblioteca Central Cesar Lattes implementou o Programa de Conscientização Sobre Preservação de Acervos. Através da organização de oficinas visou orientar seus funcionários, estagiários e bolsistas sobre os perigos e cuidados com os acervos. As oficinas dividiram-se em duas partes: uma teórica com a apresentação dos fatores de deterioração dos acervos e pequenas medidas que podem evitar danos as obras e a segunda parte foi uma visita técnica ao laboratório de conservação da Diretoria de Coleções Especiais e Obras Raras. Diante da receptividade dos participantes pretendemos expandir essa experiência às demais bibliotecas do Sistema de Bibliotecas da Unicamp.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PRODUÇÃO DE INFORMAÇÃO PARA O GERENCIAMENTO DE OBRAS
ESGOTADAS EM ACERVOS DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
Rosa Maria Apel Mesquita
Cleusa Pavan
Riovaldo Alves de Mesquita

RESUMO
Analisa 84 livros esgotados (25%), dentre 336 referenciados nos planos de ensino de
disciplinas oferecidas pelo Instituto de Física/UFRGS no primeiro semestre de 2013. Verifica
que a Biblioteca possui 58 livros do número total de esgotados, dentre esses 22 também estão
disponíveis no SBUFRGS. A disponibilidade das obras esgotadas em sebo on-line, em outro
idioma e em versão eletrônica foi, respectivamente, 46, 19 e 1. Em relação às obras esgotadas,
considera-se que estudos desse tipo auxiliam o bibliotecário na formação e desenvolvimento
do acervo em bibliotecas universitárias.
Palavras-Chave: Política de desenvolvimento
universitária. Planos de ensino.

de

coleções.

Aquisição.

Biblioteca

ABSTRACT
This paper analyzes 84 out-of-print books, among 336 books referenced in the curriculum of
courses offered by the UFRGS Institute of Physics in the first semester of 2013. It was found
that the Institute of Physics library has 58 titles of the out-of-print books and, among these, 22
are also available in other libraries at UFRGS. The number of out-of-print titles available in
used books online stores, the availability of editions in other languages and the availability in
electronic version was respectively 46, 19 and 1. Studies like this help librarians to manage
and develop college libraries.
Keywords: Collection development policy. Acquisiton. University library. Educational plans.

1 INTRODUÇÃO
Dentre seus muitos desafios, as bibliotecas universitárias precisam atender às
necessidades informacionais dos professores e alunos em relação às bibliografias dos cursos
de graduação, desenvolvendo um acervo de livros e de outros materiais consonante com os
projetos pedagógicos. Equacionar orçamentos insuficientes para a manutenção do acervo e

3551

�demandas de usuários em um número cada vez maior é uma tarefa que acompanha muitos
bibliotecários no Brasil, principalmente do setor público.
O Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades
Federais (REUNI) do Governo brasileiro provocou esse aumento de discentes e docentes nas
bibliotecas universitárias, com a criação de novos cursos ou ampliação de vagas em cursos
existentes. No ano de 2010, o Instituto de Física (IF) da Universidade Federal do Rio Grande
do Sul (UFRGS) reformulou o curso de graduação em Física, criando quatro ênfases
(Pesquisa Básica, Materiais e Nanotecnologia, Física Computacional e Astrofísica), e criou o
curso de Engenharia Física, em parceria com a Escola de Engenharia. Esse tipo de mudança
reforça a necessidade de um monitoramento frequente do acervo das bibliotecas, a fim de
verificar se o mesmo possui a bibliografia referenciada nos planos de ensino das disciplinas
ministradas pelos professores.
A Biblioteca do IF integra o Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul (SBUFRGS) que utiliza o BiblioGrad (STREHL et al., 2011) para a gestão de
verbas destinadas à compra de livros em papel para os cursos de graduação, considerando os
planos de ensino de cada disciplina. A Biblioteca Central distribui os recursos para as
bibliotecas setoriais, separadamente entre títulos nacionais e estrangeiros, conforme o valor
médio de toda a lista de livros do SBUFRGS.
De posse de dados observados em estudo anterior de Mesquita e Pavan, (2012),
percebeu-se a necessidade de aprofundar alguns aspectos relacionados às obras esgotadas
comercialmente, a fim da Biblioteca antecipar-se às necessidades da comunidade de usuários,
listar os títulos para serem adquiridos por doação ou permuta, estabelecer prioridades para a
encadernação e o restauro, comunicar a situação de não comercialização das obras aos
professores e monitorar essa situação.
Portanto, o objetivo principal deste trabalho é analisar os livros referenciados nos
planos de ensino (PE) de disciplinas oferecidas no primeiro semestre de 2013 pelo IF que
estão esgotados na editora. Os objetivos específicos são verificar a situação dessas obras
quanto:
a. ao tipo de bibliografia;
b. a quantidade de disciplinas que as referenciam;
c. a quantidade de publicações nacionais e estrangeiras;
d. à disponibilidade da versão eletrônica;
e. à disponibilidade de edição em outro idioma;
f. à disponibilidade em sebo on-line;

3552

�g. à temporalidade;
h. à área do conhecimento;
i. à disponibilidade em outra biblioteca do SBUFRGS;
j. à situação na Biblioteca:
- quantidade de itens;
- tipo de status de circulação e de processamento técnico.
Como consequência deste trabalho, algumas diretrizes sobre as obras esgotadas serão
elaboradas para incluir na Política de Desenvolvimento de Coleções (PDC) da Biblioteca do
IF.

2 REFERENCIAL TEÓRICO
Muitas questões permeiam o trabalho do bibliotecário responsável pela aquisição de
livros, entre elas: o custo elevado em determinadas áreas do conhecimento, como ciência e
tecnologia; a publicação frequente de novas edições sem mudanças significativas no texto; a
disponibilidade de versão eletrônica e novos modelos de compra; a manutenção do núcleo
básico de títulos; a captação de recursos financeiros e o atendimento da necessidade dos
usuários. Por tudo isso, é essencial que o bibliotecário, como gestor, reúna e sistematize
informações que o ajudarão nessas questões diárias e na tomada de decisão.
De acordo com Maciel e Mendonça (2006, p. 14), a tomada de decisão é “[...] o
processo de identificação de um problema específico e a seleção de uma linha de ação para
resolvê-lo ou para aproveitar uma oportunidade.”.
Ferreira e Oliveira (1989) consideram que as decisões bem-sucedidas requerem
habilidade do administrador, sendo a qualidade da informação o fator mais significativo que
dependerá essa habilidade. Corroboram Maciel e Mendonça (2006) ao indicar que a
informação reduz a incerteza ao tomar decisões e é um denominador comum às funções
administrativas de planejamento, organização, direção e avaliação.
O bibliotecário tem como fonte regular de informações para a aquisição de livros o
próprio sistema automatizado que controla a circulação de documentos e o cadastro de
usuários. Outras informações não são rapidamente obtidas, mas precisam ser coletadas. As
formas de coleta podem ser por meio da realização de estudos bibliométricos e estudos de
usuários; do acompanhamento das políticas governamentais e institucionais; da verificação de
lançamento de editais voltados para algum aspecto que pode interessar às bibliotecas, do
acompanhamento da situação comercial da obra no mercado editorial, e do estudo dos
projetos pedagógicos dos cursos de graduação, dentre outras.

3553

�Estudar os planos de ensino e a bibliografia indicada pelos professores demonstra-se
ser uma necessidade para alavancar o desenvolvimento e a formação de coleção em
bibliotecas universitárias. Cassin et al. (2004) verificaram a disponibilidade, nas bibliotecas
da Universidade de São Paulo (USP), da bibliografia básica do curso de graduação em
Engenharia de Produção Mecânica, da Escola de Engenharia de São Carlos. Cristianini e
Moraes (2006) readequaram o acervo para os cursos de graduação da área de Ciências da
Computação, a partir dos programas das disciplinas.
O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC, 2008), ao realizar um
levantamento da bibliografia de 13 cursos de graduação de universidades públicas e privadas,
detectou que 34% de livros, em média, não estavam disponíveis nas bibliotecas, sendo que
44% desses sequer encontravam-se à venda. Em 2012, o mesmo Instituto repetiu o
levantamento com duas universidades paulistas (USP e PUCSP) e os números encontrados
foram: os títulos indisponíveis nas bibliotecas somam 17,5% na primeira universidade e
16,3% na segunda; e desses títulos 46,2% e 30,8%, respectivamente, também não foram
encontrados no mercado editorial (IDEC, 2012). Em outra pesquisa foi verificada uma
variação de 26% a 31% de publicações esgotadas utilizadas nos PE em cursos de graduação
(CRAVEIRO, MACHADO E ORTELLADO, 2008). Para os autores, esse percentual
surpreende por dois fatos: a falta de acesso pelos alunos a um quarto desses livros e o
mercado editorial não voltar seu olhar para reedição e reimpressão dos livros técnicocientíficos.
Para corroborar, o relatório Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro
(CÂMARA BRASILEIRA DO LIVRO, 2013), da Fundação Instituto de Pesquisas
Econômicas da Universidade de São Paulo (FIPE/USP), encomendado pela Câmara Brasileira
do Livro (CBL) e pelo Sindicato dos Editores de Livros (SNEL), revelou que as reimpressões
sofreram queda de 2,93% (37,78 mil exemplares reimpressos em 2011 e 36,68 mil, em 2012).
Assim, os bibliotecários que concentram esforços em produzir e analisar informação
possuem mais subsídios para auxiliar a tomada de decisão na aquisição de materiais e na
avaliação do acervo. Dias e Andrade (2012) lembram que as unidades de informação
competem por recursos, demandas e interesses, sendo a gestão da informação essencial para a
administração dessas unidades ao necessitar de justificativas para investimentos.
Esses investimentos costumam ser escassos nas instituições públicas. Elaborar uma
previsão orçamentária permite planejar os investimentos para alcançar os objetivos
estipulados para o acervo, além da biblioteca ter maior credibilidade e possibilidades de
negociação (Andrade; Vergueiro, 1996).

3554

�Por fim, compete aos bibliotecários avaliar constantemente o acervo e manter lista de
compra atualizada para suprir as necessidades curriculares, apoiando as atividades de ensino
nas universidades.

3 METODOLOGIA
Este estudo bibliométrico teve por objeto os 84 livros esgotados no mercado editorial
do total de 336 citados nos PE de 100 disciplinas ofertadas pelo IF no primeiro semestre de
2013. A coleta foi realizada em dezembro de 2013, sendo os dados tabulados em planilhas
eletrônicas do programa MSEXCEL® e apresentados na próxima seção em forma de tabelas.
Para verificar a situação comercial, a existência da obra em outro idioma e em versão
eletrônica, consultou-se os sites da Livraria Cultura e Amazon. O site das editoras, quando
existente, foi acessado para confirmar a informação em caso de dúvidas.
Quanto à disponibilidade das obras em sebo on-line, optou-se por consultar o site da
Estante Virtual, pois é um portal que reúne sebos e livreiros do Brasil, apresentando mais de
11 milhões de livros usados, seminovos e novos (ESTANTE VIRTUAL, 2014).
Abaixo, encontra-se a definição dos termos empregados no estudo:
a. Tipo de bibliografia: três categorias empregadas nos PE denominadas de
Bibliografia Básica Essencial (BBE), Bibliografia Básica (BB) e Bibliografia
Complementar (BC);
b. Temporalidade: data de publicação da obra;
c. Status de circulação e de processamento técnico: categorias utilizadas pelo
SBUFRGS e adotadas pela Biblioteca do IF. São três status: Regular
(empréstimo por 7 ou 14 dias, de acordo com categoria do usuário); Consulta
local (empréstimo por 3 horas ou fim de semana) e Encadernação.

4 RESULTADOS
Muitas editoras responsáveis pela publicação dos livros analisados não estão mais
presentes no mercado ou formaram novo grupo editorial, por meio de aquisições,
incorporações ou parcerias. Essas alterações causam dificuldades para a obtenção de
informações sobre a comercialização das obras. Outra constatação é quanto à falta de
informações nos catálogos on-line das editoras sobre a situação comercial dos títulos. Esse
problema gera a necessidade de contato pela Biblioteca, porém, algumas vezes, a solicitação
por informações não é atendida, dificultando a atualização da listagem de livros para
aquisição.

3555

�A Tabela 1 apresenta a quantidade de obras referenciadas nos PE, conforme a origem
da publicação (nacional ou estrangeira) e a possibilidade de aquisição (esgotada ou não
esgotada). Verifica-se que, dos 336 livros, 84 (25%) encontram-se esgotados. Em estudo
anterior, Mesquita e Pavan (2012) observaram que o percentual de obras esgotadas nos PE de
84 disciplinas foi 14,3%. Ou seja, no presente estudo a proporção de obras não disponíveis
para compra é quase o dobro daquela encontrada em 2012.
Desagregando-se o total por origem de publicação, verifica-se que as obras publicadas
no Brasil representam 38,1% do total, mas mais da metade dos títulos esgotados. Além disso,
um terço das obras nacionais encontra-se esgotada. Os percentuais de obras esgotadas pode
ser um indicador da necessidade de identificar alternativas às obras indicadas nos PE, para
que a Biblioteca atenda às demandas do projeto pedagógico dos cursos de graduação do IF.
Tabela 1
Obras referenciadas nos planos de ensino, conforme a origem da
Situação
Nacionalidade

Total
N ã o e s g o ta d a

E s g o ta d a

N úm ero de obras
E stra n g e ira
N a c io n a l
T o ta l

167

41

208

85

43

128

252

84

336

P ercentual por situação de esgotada
E stra n g e iro

80,3

19,7

100,0

N a c io n a l

66,4

33,6

100,0

T o ta l

75,0

25,0

100,0

E stra n g e iro

66,3

48,8

61,9

N a c io n a l

33,7

51,2

38,1

100,0

100,0

100,0

P ercentual por nacionalidade

T o ta l

Fonte: Tabulacão dos autores.

Das cem disciplinas que apresentam bibliografia, 45 referenciam pelo menos uma das
84 obras esgotadas. A Tabela 2 mostra a distribuição das obras esgotadas, conforme o número
de vezes que foram referenciadas e o Tipo de bibliografia em que foram classificadas pelos
docentes. O total geral na Tabela é de 85, porque uma obra foi classificada em uma disciplina
como BB e em outra como BC, sendo contada duas vezes. Constata-se que, das 85

3556

�classificações em que as obras foram enquadradas, 76 tiveram apenas uma citação, seis foram
citadas duas vezes e três obras foram citadas três vezes, totalizando 97 citações.
Tabela 2
Frequência de citações de obras esgotadas nos planos de ensino,
Frequência de
citação

Tipo de Bibliografia
BBE

1

BB

Total
BC

Uma

13

42

21

76

Duas

1

4

1

6

Três

0

2

1

3

Total

14

48

23

85

Fonte: Tabulação dos autores.

Quanto à disponibilidade de versão eletrônica, apenas entre as publicações
estrangeiras foi encontrada uma obra. Tal título está sob responsabilidade da Academic Press,
do grupo Elsevier, que costuma oferecer diversos recursos on-line com conteúdo científico
(ACADEMIC PRESS, 2007). Para Gustavo Mello (2012, p. 450): "[...] a expectativa é de que
os livros digitais ainda vão demorar a configurar uma parcela significativa do mercado
brasileiro." Entretanto, conforme informações apresentadas pelo autor, no mercado britânico e
americano, a comercialização de livros digitais aumenta em ritmo superior a dos livros
impressos.
A Tabela 3 apresenta a origem da publicação, a disponibilidade em mais de um idioma
e a oferta da obra em sebo on-line, conforme o tipo de bibliografia em que a obra foi
classificada. Em relação à origem, observa-se equilíbrio nos números entre estrangeira (42) e
nacional (43) por Tipo de bibliografia. Quanto à disponibilidade em outro idioma, foram
encontradas somente 19 publicações (5 BBE, 13 BB e 1 BC). No portal da Estante Virtual
localizou-se 11 obras como BBE, 25 BB e 10 BC.
A relação de obras esgotadas que possuem publicação em outro idioma será repassada
aos docentes responsáveis pelas disciplinas para que eles estudem se a substituição da obra no
PE é possível. Quanto às obras disponíveis para comercialização no site Estante Virtual, será
investigado pelas bibliotecárias as possibilidades de captação de recursos que permitam a
aquisição de livros usados.

3557

�Tabela 3

Tipo de Bibliografia conforme a origem da publicação, a
Tipo de Bibliografia
Item
BBE
BB
BC
Total
Origem
Estrangeira

3

21

18

42

Nacional

11

27

5

43

Total

14

48

23

85

Outro idioma
Não

9

35

22

66

Sim

5

13

1

19

Total

14

48

23

85

Sebo on-line
Não

3

23

13

39

Sim

11

25

10

46

Total

14

48

23

85

Fonte: Tabulacão dos autores.

Conforme observa-se na Tabela 4, próximo da metade dos livros possuem data de
publicação até o ano de 1979 (41 obras de 84). O livro com a data mais antiga de publicação é
1953 e o mais atual é 2011. As obras publicadas nas duas últimas décadas merecem
acompanhamento, pois podem ser objeto de nova edição na forma impressa ou eletrônica.
Tabela 4
Obras esgotadas, agrupadas por ano de
Período

Q uantidade de obras

Frequência

Acumulado

1953 a 1959

5

5

1960 a 1969

11

16

1970 a 1979

25

41

1980 a 1989

15

56

1990 a 1999

15

71

2000 a 2009

8

79

2010 a 2011

5

84

Total
Fonte: Tabulacão dos autores.

84

Os assuntos de que os livros tratam são apresentados a seguir em ordem decrescente
de ocorrência (Tabela 5). Aquele com o maior número é Física Geral, seguido de Astronomia
e Matemática, com 21, 17 e 10 ocorrências, respectivamente. Esses três assuntos representam
48 do total de 84 obras analisadas. Os demais assuntos apresentaram um até oito ocorrências.

3558

�Tabela 5

Obras esgotadas, agrupadas por área de
Á rea de conhecim ento

Frequência

F ÍS IC A G E R A L

21

A S T R O N O M IA

17

M A T E M Á T IC A

10

EDUCAÇÃO

8

H IS T Ó R IA D A CIÊN CIA

7

M E C Â N IC A Q U Â N T IC A

5

E N G E N H A R IA E LÉTR IC A

4

CO M PU TA ÇÃ O

2

F ÍS IC A N U C L E A R

2

G EO FÍSIC A

2

Ó T IC A

2

B IO E N G E N H A R IA

1

F ÍS IC A D A M A T E R IA C O N D E N S A D A

1

SO C IO L O G IA D A C IÊN C IA

1

T E R M O D IN Â M IC A

1
84

Total Geral
Fonte: Tabulação dos autores.

Na Tabela 6 apresenta-se a disponibilidade das obras na Biblioteca do IF e no
SBUFRGS. Das 84 obras esgotadas, a Biblioteca possui em seu acervo 58, sendo que 22
também estão disponíveis no SBUFRGS. Trazem maior preocupação para o gerenciamento
do acervo e para o atendimento das necessidades dos alunos, as 26 publicações não
disponíveis na Biblioteca e, dentre elas, as 11 não existentes no SBUFRGS.
Tabela 6

Situação das obras

SBU FRG S
E x iste n tes

Biblioteca IF

Total

N ã o e x is te n te s

22

36

58

N ã o e x is te n te s

15

11

26

Total

37

47

84

E x iste n tes

Fonte: Tabulação dos autores.

A frequência das obras na Biblioteca do IF pode ser visualizada na Tabela 7. São 42
obras com status Regular, indicando a necessidade de alteração do status de empréstimo para
Consulta local de no mínimo um exemplar. Outras duas obras possuem status Consulta Local.

3559

�A combinação de status ocorreu da seguinte forma: quatro obras Regular e Consulta local;
uma Consulta local e Encadernação; três Regular e Encadernação e três Regular, Consulta
local e Encadernação.
A combinação adequada para a Biblioteca é manter pelo menos um exemplar com
status Consulta local. Em relação às obras identificadas com o status Encadernação, é
prioritário encaminhar os exemplares para conserto.
Tabela 7
Frequência das obras na Biblioteca do IF, por
Status de circulação e processamento técnico
Status
R e g u la r

Frequência
45

C o n s u lta lo cal

2

E n c a d e rn a ç ã o

0

R e g u la r e C o n s u lta lo cal

4

E n c a d e rn a ç ã o e C o n s u lta local

1

R e g u la r e E n c a d e rn a ç ã o

3

R e g u la r, C o n s u lta lo ca l e E n c a d e rn a ç ã o

3

N enhum

26

Total

84

Fonte: Tabulação dos autores.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O custo elevado das publicações técnico-científicas acarreta à maior parte dos
universitários certa dependência do acervo disponível nas bibliotecas. Ao mesmo tempo, o
acervo das bibliotecas não atende à demanda dos discentes em sua totalidade.
Sabe-se que os planos de ensino elaborados pelos docentes, para guiar o ensino da
matéria em sala de aula, apresentam as leituras obrigatórias para a aprendizagem e a formação
de novos profissionais. São nesses instrumentos do professor que os bibliotecários devem
nortear a compra de livros para os cursos de graduação, formando o núcleo de obras
necessárias para o ensino.
O percentual de 25% de obras esgotadas, entre aquelas referenciadas nos PE de
disciplinas analisadas, é significativo por conta da impossibilidade de aquisição de novos
exemplares para atender aos alunos. Deve-se ressaltar que a Biblioteca do IF possui 58 obras
entre as esgotadas e o SBUFRGS 15.
Os resultados deste estudo permitem delinear diretrizes para a PDC da Biblioteca do
IF no que se refere às obras esgotadas usadas pela graduação, entre elas: manter no mínimo

3560

�um exemplar com o status de empréstimo Consulta local, enviar prioritariamente para o
serviço de encadernação os exemplares retirados do acervo; adquirir pelo menos um exemplar
da obra em outro idioma e manter lista atualizada da situação comercial dos títulos.
Ainda, pretende-se verificar com o docente responsável pela disciplina a possibilidade
de substituição da obra esgotada por outro título ou pela mesma obra em outro idioma,
quando existir. Os dados de circulação (números de empréstimo e reserva na Biblioteca)
deverão ser coletados para análise. Outra tentativa de contato com as editoras, caso sejam
ativas, será realizada para questionar sobre a existência de projetos de reedição de títulos
esgotados ou de publicação de nova edição.
Considera-se que investigações dessa natureza são relevantes para a formação do
acervo, pois torna o bibliotecário pró-ativo no processo de aquisição de livros e atenua o
problema das obras esgotadas e referenciadas nos PE.

REFERÊNCIAS
ACADEMIC

PRESS.

Trusted

scholarly

excellence.

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Disponível

em:

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3561

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3562

�</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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              <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>UFMG</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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            <description>A name given to the resource</description>
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                <text>Produção de informação para o gerenciamento de obras esgotadas em acervos de bibliotecas universitárias</text>
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            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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                <text>Mesquita, Rosa Maria Apel, Pava, Cleusa, Mesquita, Riovaldo Alves de</text>
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            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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                <text>Analisa 84 livros esgotados (25%), dentre 336 referenciados nos planos de ensino de disciplinas oferecidas pelo Instituto de Física/UFRGS no primeiro semestre de 2013. Verifica que a Biblioteca possui 58 livros do número total de esgotados, dentre esses 22 também estão disponíveis no SBUFRGS. A disponibilidade das obras esgotadas em sebo on-line, em outro idioma e em versão eletrônica foi, respectivamente, 46, 19 e 1. Em relação às obras esgotadas, considera-se que estudos desse tipo auxiliam o bibliotecário na formação e desenvolvimento do acervo em bibliotecas universitárias.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PROCESSAMENTO DA LINGUAGEM NATURAL NA ÁREA DE MÚSICA: técnicas
e tecnologias

Juliana Rabelo do Carmo
Valdirene Pereira da Conceição

RESUMO
Estudo exploratório sobre extração automática de conceitos com base no Processamento da
Linguagem Natural (PLN). O objetivo da pesquisa consiste em analisar o cenário práticoconceitual da extração automática, visando a sistematização e organização de ferramentas de
gestão terminológica e recuperação da informação por meio da estruturação de um
vocabulário da área de Música. Apresenta os fundamentos da representação da informação e
explica as ferramentas semânticas para interpretação organizada de estruturas do
conhecimento, bem como as expressões de conceitos de um domínio, que representam a
maior proximidade entre a linguagem ou termos utilizados pelos usuários em sistemas de
buscas. Discorre sobre a categorização de domínios de especialidade fundamentada por
Ranganathan. Expõe o PLN como sub-área da Linguística Computacional, que propicia a
extração de termos com maior precisão semântica para recuperação da informação em
sistemas de busca automatizados. Caracteriza os níveis, limitações e a arquitetura do PLN em
bancos de dados, representados pelo léxico e acessado por analisadores léxicos, sintáticos e
semânticos. Indica as tipologias de softwares para processamento de corpus e extratores de
candidatos a termos, dividindo-os em três categorias: estatísticos, linguísticos e híbridos.
Aborda o Domínio Musical em suas várias facetas de expressão, artística, antropológica e
representação da informação musical. A metodologia e a descrição da pesquisa caracteriza-se
como pesquisa aplicada, de natureza descritiva, utiliza os procedimentos de pesquisa
bibliográfica e documental das áreas de CI, Linguística, Computação e Música, assumindo
assim, o caráter interdisciplinar. Emprega o modelo de pesquisa em PLN, com o corpus
composto pela amostra de 10 dissertações e 10 teses, disponíveis em 11 bases de dados de
Programas de Pós Graduação em Música no Brasil e na Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações (BDTD), e 30 artigos de revistas científicas especializadas em Música, ambos os
gêneros técnico-científicos produzidos entre os anos de 2003 à 2013. Utiliza o ambiente
colaborativo de gestão terminológica, E-termos, para extração automática de termos, que irão
compor o vocabulário controlado do domínio musical. Apresenta como resultados um corpora
classificado como grande em termos quantitativos, composto por 424 textos com um total de
9.482.246 palavras, fato que implica na obtenção de um nível de representatividade alta de
termos, classificada como médio-grande para construção do vocabulário de Música. Mostra as
etapas executadas pelo E-termos para compilação, análise de corpus, contadores de freqüência
e extração automática de termos. Apresenta o comparativo entre as categorias estruturadas por
indexação manual e extração automática. Conclui indicando que a extração automática
baseada em PLN constitui-se de uma ferramenta efetiva para a tradução da linguagem natural,

3532

�utilizando as expressões utilizadas para a busca da informação como objetos lingüísticos e
rapidez na construção de terminologias.
Palavras-Chave: Processamento da Linguagem Natural
Informação; Semântica Lexical; Domínio de Música.

(PLN); Representação da

ABSTRACT
Exploratory study on automatic extraction of concepts based on Natural Language Processing
(PLN). The objective of the research is to analyze the practical and conceptual scenario of
automatic extraction, aimed at systematizing and organizing terminology management and
retrieval of information by structuring a vocabulary of the music area tools. Presents the
fundamentals of information representation and explains the semantic tools to organized
structures of knowledge interpretation, as well as expressions of concepts in a domain,
representing the closeness between the language or terms used by users in search systems.
Discusses the categorization of domains supported by Ranganathan specialty. Exposes the
PLN as a sub-field of Computational Linguistics, which facilitates the extraction of terms
with higher accuracy for semantic information retrieval in the automated search systems.
Features levels, limitations and the architecture of PLN in databases, represented by the
lexicon and accessed by lexical, syntactic and semantic parsers. Indicates the types of
software for processing and corpus extractors candidate terms, dividing them into three
categories: statistical, linguistic and hybrids. Domain addresses the Musical in its various
facets of expression, artistic, anthropological and representation of musical information. The
methodology and the description of the research is characterized as applied, theoretical and
exploratory research includes procedures for bibliographic research and document the areas of
CI, Linguistics, Computer Music, thus providing the interdisciplinary character. Employs the
research model in PLN, with the corpus of the sample of 10 dissertations and 10 theses
available in 11 databases of Graduate Programs in Music in Brazil and the Digital Library of
Theses and Dissertations (BDTD), and 30 articles in technical journals in Music, both
technical and scientific genres produced between the years 2003 to 2013. Uses collaborative
environment terminology management, E-terms for automatic extraction of terms, which will
compose the controlled vocabulary of the music sector . Displays results as one corpora
classified as large in quantitative terms, composed of 424 texts with a total of 9,482,246
words, a fact that implies in obtaining a high level of representativeness of terms, classified as
medium-to large vocabulary building Music . Shows the steps performed by the E-terms to
build, corpus analysis, frequency counters and automatic extraction of terms. Presents the
comparison between the structured for manual indexing and automatic extraction categories.
Concludes indicating that the automatic extraction based on PLN constitutes an effective tool
for the translation of natural language, using the keywords used for the search of information
as linguistic objects and speed in building terminologies.
Keywords: Natural Language Processing (PLN); Representation of Information; Lexical
Semantics; Domain Music.

1 INTRODUÇÃO
A necessidade de estudos na perspectiva da representação e recuperação da
informação em documentos musicais possui uma longa trajetória de discussões na área da
Ciência da Informação, uma vez que os catálogos bibliográficos não compreendem a

3533

�linguagem de indexação de modo a suprir as necessidades dos usuários na realização de
buscas. Antonio (1994, p. 3) apregoa que
[...] as dificuldades da comunidade musical na busca e sistematização das
informações são crescentes [...] Essa situação aponta para a necessidade de
desenvolver estudos que visem conhecer e sistematizar as condições da
pesquisa e da organização da informação em música.

Outro ponto que apoia essa problemática consiste na escassez de ferramentas para
pesquisa nos acervos de música, conforme expõe Mannis (2006, p. 2) “[...] não são muitas as
fontes de documentação musical no Brasil possuindo acervos catalogados em sistemas
automatizados [...]”. Ou seja, urge a necessidade de ação do bibliotecário frente a esse cenário
e considera-se o importante papel do profissional da informação com conhecimento em
assuntos específicos para possibilitar maior possibilidade de operacionalização de materiais
com características peculiares.
As motivações que levaram à sistematização da terminologia desta área do
conhecimento, e o consequente interesse pela elaboração de um vocabulário são originadas
por diferentes ordens: profissional, na Ciência da informação, no sentido de identificar
ferramentas de representação da informação musical, bem como da necessidade de
instrumentos de controle terminológico nesta área que possibilite a identificação dos itens
lexicais recorrentes.
O objetivo dessa pesquisa está em analisar o cenário prático-conceitual da
extração automática e representação da informação, com ênfase na sistematização,
organização e o uso de ferramentas de gestão terminológica para fins de recuperação da
informação por meio da estruturação de um vocabulário controlado do domínio musical, com
vistas a compreender como estes conceitos extraídos contribuem para representar tais
materiais como fontes de informação.
Concomitante aos propósitos apresentados, a discussão proposta pretende, antes
da atribuição de categorias e conceitos/léxicos para construção de um vocabulário, aborda o
léxico musical, apontando para a interpretação correta dos termos tratados, situando-os na
perspectiva da representação da informação, além de conferir-lhe o respectivo significado e
possibilitando relações entre outros conceitos.

2 REPRESENTAÇÃO DA INFORMAÇÃO E SEUS FUNDAMENTOS
A Ciência da Informação é uma disciplina que investiga as propriedades e o
comportamento da informação, as forças que governam seu fluxo e os meios de

3534

�processamento para otimizar sua acessibilidade e utilização. Fundamenta-se através da
produção, coleta, organização, armazenagem, recuperação, interpretação, transmissão,
transformação e utilização da informação.
O termo recuperação da informação, cunhado por Mooers (1951) buscava
representar “[...] aspectos intelectuais da descrição de informações e suas especificidades para
a busca, além de quaisquer sistemas, técnicas ou máquinas empregados para o desempenho da
operação.”. Oliveira (2011) corrobora ainda apresentando três questões implícitas no
enunciado de Mooers: a) como descrever intelectualmente a informação; b) como especificar
intelectualmente a busca; e, c) que sistemas, técnicas ou máquinas devem ser empregados.
Convém ainda ressaltar a explosão de informações científicas, que originou a
necessidade de uma documentação automatizada, tornando fundamental o uso das
contribuições da Linguística para suprir as necessidades da documentação neste contexto.
Resgatando os ideais da Semântica sobre significado, as suas contribuições para a indexação
são significativas no que diz respeito à pesquisa em processamento automático de texto, em
especial, nos estudos de indexação automática onde se buscam soluções baseadas no modelo
lingüístico.
Para tanto, o processo de Indexação destaca-se por entender que esta é a etapa que
está diretamente relacionada com a busca dos usuários, que também são considerados
instrumentos de representação, organização e recuperação da informação nas bases de dados.
Robredo (2005, p. 165) complementa ainda que “a indexação consiste em indicar o conteúdo
temático de uma unidade de informação, mediante a atribuição de um ou mais termos (ou
códigos) ao documento, de forma a caracterizá-lo de forma unívoca.”.
Um aspecto para análise da Indexação consiste nas dificuldades de extrair de
forma precisa os assuntos a serem buscados pelos usuários, Mai (2001, p. 606) explica a
limitação ao expor que:

Seria quase impossível, naturalmente, para qualquer pessoa ou, neste caso,
qualquer indexador, precisar todas as idéias e significados que estivessem
associados a qualquer documento, posto que sempre haverá idéias e
significados potenciais que diferentes pessoas em diferentes momentos e
lugares poderão descobrir nesse documento. Além do que, seria quase
impossível prever com exatidão quais das inúmeras idéias e significados que
estivessem associados ao documento seriam especificamente úteis para os
usuários ou dariam ao documento alguma utilidade duradoura. É de máxima
importância reconhecer e aceitar essa indefinição fundamental. O indexador
deve compreender, desde o início, que jamais descobrirá todas as idéias e
significados que estariam associados ao documento e que, portanto, não é
possível descrever todas essas idéias e significados.

3535

�Para suprir essa lacuna, alguns fatores possuem influência na exatidão no processo
de busca dos termos descritores, ou seja, por meio da adequação de critérios pode-se obter a
qualidade da Indexação, apoiada nas considerações de Guinchat e Menou (1994, p. 180), no
que diz respeito aos pontos: exaustividade; seletividade; especificidade; e uniformidade,
porém, Dias e Naves (2007, p. 33) revelam que tais critérios são difíceis de serem
operacionalizados. Tais questões precisam ser observadas visando obter uma indexação
orientada para o usuário, conforme adverte Mai (2000, p. 294):
Se se focalizar exclusivamente o aspecto da representação, ignorando os
usuários futuros, corre-se o risco de representar os documentos de uma
forma que não terá qualquer serventia para os usuários. Um indexador que
não dê muita atenção nos usuários poderá optar por representar assuntos de
documentos que não tenham interesse para eles, ou usar um vocabulário
diferente do vocabulário deles, ou representar o assunto em nível que seja
muito genérico ou muito específico para eles. No entanto, se o indexador der
excessiva atenção aos usuários do sistema, poderá representar os
documentos numa forma tal que a representação temática dos documentos
somente atenda aos usuários atuais e às necessidades de informação atuais.

Trata-se da observação da linguagem natural utilizada pelo usuário para descrever
um determinado assunto; da percepção do indexador para esse aspecto; e a aplicação da
linguagem documentária. Compreendem-se as linguagens documentárias como “[...] o
conjunto de termos, providos ou não de regras sintáticas, utilizadas para representar conteúdos
de documentos técnico-científicos com fins de classificação ou busca retrospectiva de
informações [...]” (GARDIN apud CINTRA et al., 2002, p. 35), com o intuito de facilitar a
comunicação entre a linguagem natural dos usuários e a unidade de informação, bem como
representar os conteúdos dos documentos. (TRISTÃO; FACHIN; ALARCON, 2004).

2.1 Compreendendo a categorização de domínios de especialidade
Ranganathan (1967) estrutura cinco idéias (ou categorias) fundamentais, que
podem ser compreendidas como “[...] categorias as mais genéricas possíveis e passíveis de se
manifestarem de diversas formas, capazes de hospedar todos os objetos da natureza até então
conhecidos pelo Homem, e de classificá-los de acordo com sua natureza conceitual, cada um
numa e somente numa categoria.”, ou seja, os níveis elencados servem como bases para uma
classificação flexível de um determinado domínio, bem como as relações conceituais
existentes nas categorias. As Cinco Categorias Fundamentais são apresentadas do seguinte
modo:

3536

�Há cinco e somente cinco Categorias Fundamentais; são elas: Tempo,
Espaço, Energia, Matéria e Personalidade. Estes termos e as idéias denotadas
são usadas estritamente no contexto da disciplina de classificação. Não têm
nada a ver com seu emprego em Metafísica ou Física. Em nosso contexto,
seu significado pode ser visto somente nas declarações sobre as facetas de
um assunto - sua separação e sequência. Este conjunto de categorias
fundamentais é, em síntese, denotado pelas iniciais PMEST.
(RANGANATHAN, 1967, p. 398, grifo nosso).
Para o autor, as facetas equivalem a ramificações dentro de um assunto para fins
de classificação, sendo atribuídos a cada categoria os seguintes sentidos: Tempo, onde se
atribui aspectos como milênio, século, década, ano, etc., características específicas como dia,
noite, verão e inverno, e qualidade meteorológica como úmido, seco, tormentoso; Espaço, no
que diz respeito aos ambientes geográficos da Terra, dentro e fora dela, tais como países,
estados, etc.; Energia, onde suas as manifestações de uma espécie sobre a outra, exigindo
assim um cuidado maior para sua compreensão, haja vista que esta ação pode ocorrer entre
espécies de entidade, inanimada, animada, conceitual, intelectual e intuitiva.
Expõe ainda as facetas: Matéria, sendo que esta categoria subdivide-se em duas
espécies, material e propriedade, e consiste basicamente na percepção que as propriedades
estão, na maioria das vezes, intrinsecamente ligadas ao material, constituindo-se assim como
uma de suas propriedades; e por fim, a Personalidade, que se apresenta indefinível por
Ranganathan, cabendo a sua atribuição somente no caso de negação à todas as outras
categorias. Ranganathan mostra ainda que cada categoria de um domínio de conhecimento
possui renques e cadeias para organização dos conceitos em estruturas classificatórias
hierárquicas.
Para o teórico, os renques e cadeias se diferem de acordo com as características de
divisão: enquanto os renques formam séries horizontais, a partir de uma única característica,
listando assim todos os conceitos relacionados de um aspecto, enquanto nas cadeias cada
conceito possui uma característica a mais ou a menos, podendo ser descendente ou ascendente
(CAMPOS; GOMES, 2003, p. 161). Entende-se a categorização como estruturas de
ordenação para fenômenos agrupados e relacionados, com base em suas diferenças, com base
na “[...] ocorrência de características comuns em diversos membros, ou seja, o conceito na sua
mais ampla extensão.” (ARTÊNCIO, 2007, p. 72).
Isso significa dizer que a categorização nada mais é do que a estruturação de
conceitos gerais de um domínio que se relacionam com os conceitos específicos de acordo
com seus atributos. O exemplo na Tabela x apresenta alguns exemplos de categorizações do
domínio musical.

3537

�Tabela 1: Exemplos de categorias, subcategorias e termos do domínio de Música
CATEGORIAS
Instrumentos musicais

SUBCATEGORIAS
• Instrumentos de sopro
•

TERMOS/DESCRITORES
Flauta doce
Tuba

Instrumentos de cordas Violão
Guitarra
Contra-baixo

Fonte: a autora

O exemplo mostra que dentro de cada categoria existem várias subordinações de
acordo com as características dos conceitos, como por exemplo, na categoria instrumentos
musicais, as subcategorias subsequentes podem ser instrumentos de sopro, instrumentos de
cordas, etc., de acordo com o exemplo citado. As subcategorias irão abrigar os termos de
acordo com o nível de especificidade são vinculados os conceitos pertencentes a cada
categoria, fato que reforça a ideia de categoria enquanto conceitos gerais de um domínio.
Em suma, a categorização utiliza o princípio de associação para representar um
domínio ou conceito, ou seja, quando a categoria Música é citada para busca, a necessidade
específica de informação pode ser relacionada a instrumentos musicais, gêneros, partituras,
Etnomusicologia, entre outros aspectos deste domínio.
Desse modo, considera-se a categorização como uma forma de organização de
Sistemas de Recuperação da Informação com a finalidade de facilitar a recuperação da
informação, sendo consideradas flexíveis e mutáveis de acordo com a abordagem a ser
utilizada de um conceito.

3 PROCESSAMENTO DA LINGUAGEM NATURAL (PLN): algumas considerações
Dentre os vários eixos de estudo da área de Computação, a Inteligência Artificial
centraliza-se em desenvolver métodos para que os computadores realizem tarefas de modo a
simular a inteligência humana na resolução de problemas. A comunicação e o uso da
linguagem em sistemas originaram a necessidade da tradução da linguagem humana para a
linguagem artificial, utilizada pelos computadores, constituindo assim uma de suas bases de
estudo.
Nesta perspectiva, como um ramo da IA surge a Linguística Computacional, que é
definida por Vieira e Lima (2001, p. 1) como “[...] a área de conhecimento que explora as
relações entre linguística e informática, tornando possível a construção de sistemas com
capacidade de reconhecer e produzir informação apresentada em linguagem natural.”. A

3538

�Linguística Computacional possui duas sub-áreas, que compreendem a Linguística de Corpus
e o PLN.
O PLN tem sido estudado pela área da CI na perspectiva teórica, em especial no
campo da Indexação e Recuperação da Informação, por entender que os softwares baseados
neste modelo propiciam a extração de termos com maior precisão semântica para recuperação
da informação em sistemas de busca automatizados. McDonald e Yazdani (1990, p. 176)
corroboram com a assertiva de que “[...] a pesquisa em PLN pode proporcionar insights
bastante úteis sobre processos e representações da linguagem na mente humana, apontando,
assim, para a verdadeira IA.”. Em suma, a aplicação do PLN refere-se às áreas de: acesso a
banco de dados; recuperação da informação; extração da informação; tradução automática e
geração de resumos.
O PLN subdivide-se em níveis de análise e/ou estudo que compreendem: a
interpretação, onde são desenvolvidas questões relativas ao estudo da língua de modo que as
palavras se tornem compreensíveis pelo computador e, consequentemente, o armazenamento
para que ocorra a utilização destas palavras em sistemas, tomando como exemplo os
tradutores (ou chatterbots); e de geração, que ocorre de forma inversa, a partir da inclusão de
termos ou expressões, o computador adquire a capacidade de traduzir a compreensão do
sistema para a linguagem natural por meio de estruturações semânticas pré-determinadas, no
caso dos resumos e palavras-chave.
Nesta perspectiva, o PLN enquanto Sistema baseado no Conhecimento utiliza-se
de cinco alicerces: gramática, léxico e o modelo de discurso, ou seja, as informações sobre a
língua; modelo de domínio, a ser aplicado; e modelo do usuário que utiliza o sistema
(NUNES et al., 1999). O nível morfológico consiste na definição da estrutura de palavras,
bem como a significação e função de cada palavra na frase (adjetivo, substantivo, verbo, etc.);
nível sintático, por meio da análise da construção gramatical, suas relações entre unidades
linguísticas e sua colocação (sujeito, predicado verbal, etc.); nível semântico, onde as palavras
são analisadas pelo seu significado, a partir da análise sintática; nível do discurso,
compreensão do significado da palavra a partir do contexto em que ele está inserido; nível
pragmático, onde ocorre a compreensão do conteúdo da frase ou texto, a partir da
determinação de sua tipologia (pergunta, afirmação) (NUNES et al., 1999).
Em contrapartida, dentre as vantagens do uso do PLN estão: a eliminação da
necessidade de adaptação a formas inusitadas de interação, cuja construção gramatical
costuma ser de difícil aprendizado e domínio, a exemplo das linguagens de consulta de
bancos de dados (NUNES, 2007, apud NANTES, 2008, p. 26); o usuário não precisa entender

3539

�o funcionamento de um banco de dados, ele apenas deseja que o resultado da pesquisa seja
mostrado de forma simples e objetiva (GARIBA et al., 2005 apud OLIVEIRA; TONIN;
PRIETCH, 2010, p. 2); é possível ainda, o entendimento de consulta com erros (termos
digitados erroneamente) e incompletas, buscando por palavras próximas e pelo contexto da
conversação (SILVA; LIMA, 2007, p. 2). Para tanto, basta que o usuário tenha um
conhecimento básico da área - e ainda, assunto ou domínio -, da especialidade da base de
dados.
3.1 Softwares de processamento de corpus
Na Linguística de corpus, o corpus de um determinado léxico pode ser analisado
por várias óticas e/ou critérios. Candido Junior (2008, p. 3) explica que:
Os softwares para processamento de córpus podem ser agrupados em quatro
grandes categorias, de acordo com a etapa de construção de córpus na qual
são usadas: compilação de textos (por exemplo, reconhecedores ópticos de
caracteres ou mineradores Web), anotação (por exemplo, editores de XML e
etiquetadores sintáticos), acesso a córpus (por exemplo, concordanceadores e
contadores de frequências) e extração de conhecimento (por exemplo,
tradutores de máquinas e sumarizadores).
Isso significa dizer que em suma o processamento de corpus visa a extração de
termos precisos o que nos remete à Terminologia, tendo como resultado principal deste
processo, a constituição de glossários, dicionários, vocabulários controlados e tesauros, com
auxílio das ferramentas computacionais, que no caso são os softwares extratores. De acordo
com Bagot (1999), a metodologia para utilização de termos ou sistemas extratores de
candidatos a termos classificam-se em três categorias: sistemas baseados em conhecimento
estatístico; sistemas baseados em conhecimento linguístico e; sistemas híbridos, dentre os
quais destacamos como exemplo, por tipologias:
•

Estatísticos: Pacote NSP (N-gram Statistics Pack-age); Corpógrafo; XExtractor;

•

Linguísticos: WebCorp, Unitex, GATE (General Architecture for Text Engineering);
LácioWeb; Syntex; ExatoLP;

•

Híbridos: OntoGen.

A partir destas considerações iniciais, vale ressaltar que o PLN não é um modelo
de recuperação da informação, e sim um método de interação que pode ser efetivado em
sistemas de informação (ou bancos de dados específicos) visando interpretar de forma mais
precisa possível a linguagem dos usuários, focando o texto, uma vez que as expressões
utilizadas para busca da informação são constituintes dos objetos linguísticos.

3540

�4 O DOMÍNIO MUSICAL COMO MEIO DE EXPRESSÃO
A Música é um elemento fundamental nas diversas dimensões da vida humana.
Como dado coletivo, social, a música reflete o meio ou a situação em que estamos inseridos.
E neste mesmo sentido, marca e identifica gerações. Compõe-se por informações de cunho
artístico, que diverge da informação textual pela forma de expressão do seu conteúdo, que
podem ser representados por sons, partituras, áudio digital, entre outros, que possuem uma
linguagem que necessitam de representações específicas.
Na perspectiva filosófica educacional as influências das Artes, em especial a
Música, tiveram seus reflexos registrados na história. Na Grécia, a Música era diretamente
relacionada à Filosofia e à Educação, acreditava-se que os seus efeitos agiam diretamente
sobre a mente, corpo e alma, e por estes motivos, eram restritas somente aos cidadãos livres.
A Música trata-se de um elemento antropológico-cultural, que embora se origine e
se desenvolva na esfera dos sentimentos, das emoções, do gosto pessoal, da sensibilidade e da
subjetividade, tem também uma objetividade, cujas fontes se encontram no ambiente natural,
histórico e social do povo. Para Queiroz (2000, p. 17)
O conteúdo musical trata da mensagem, de caráter emocional, presente na
música. Ou dizendo de outro modo, o conteúdo musical é aquilo que a
música transmite, o estado que a música porta. E, por mais contestação que
possa haver quanto à definição do quê ela porta, deve ser claro que algo ela
porta. [...] quando verdadeiramente artístico, dá testemunho da verdade e da
harmonia possível a vida - em uma forma compreensível à sensibilidade
emocional.

Assim, pode-se afirmar que a Música reflete o que somos, o nosso modo de ser,
de pensar as coisas, de relacionar-se com as pessoas e com o universo, ou seja, “[...] a música
é uma arte eminentemente social, portanto, vinculada a sua época e ao seu lugar, suscetível às
variações da sociedade incluindo evolução tecnológica.” (FERREIRA, 2001, p. 92).
Merriam (1964, apud HUMES, 2004) expõe que a Música constitui-se como um
produto da cultura de um povo. Hummes ressalta dez funções da Música na Etnomusicologia,
apresentada por Merriam, a saber: 1) expressão emocional; 2) prazer estético; 3) divertimento;
4) comunicação; 5) representação; 6) reação física; 7) impor conformidade às normas sociais;
8) validação das funções sociais e dos ritos religiosos; 9) contribuição para a continuidade e
estabilidade da cultura e; 10) contribuição para a integração da sociedade. Estes elementos são
resultados de processos e interpretações sociais, representados em diferentes formas.
Entende-se que a Música além de uma expressão artística, é entendida também
como uma forma de linguagem, capaz de exprimir as realidades cotidianas, fato este que

3541

�justifica as expressões musicais próprias de cada civilização ou povo, caracterizando-se como
um instrumento de identidade e transformação social.

5 MATERIAIS E MÉTODOS
O estudo trata-se de pesquisa aplicada (gerando aplicações práticas, dirigidas para
problemas específicos), de natureza descritiva e exploratória. Descritiva, por caracterizar o
desenvolvimento e apresentação dos resultados do processo de extração automática de termos.
E ainda, de natureza exploratória ao propor de um vocabulário de um domínio de conceitos,
com base no agrupamento de itens lexicais especializados, no caso, do campo musical.
A estruturação de um corpus, ou seja, a definição de “[...] uma coleção de
documentos coletados dentro de determinados padrões ou exigências, para a realização de
estudos linguísticos ou computacionais de aprendizagem de máquina.” (SILVEIRA, 2008, p.
29), ou seja, uma amostra da linguagem que irá compor o objeto da pesquisa em formato
eletrônico, sendo especializado por se tratar de um domínio do conhecimento.
O corpus de Música envolveu etapas definidas, como levantamento de teses e
dissertações do domínio de Música, produzidas nos principais Programas de Pós Graduação
em Música dos Centros/Instituições no Brasil, além de artigos científicos de revistas deste
campo: Universidade de Campinas (UNICAMP); Universidade Federal do Rio Grande do Sul
(UFRGS); Universidade Federal do Paraná (UFPR); Universidade Federal do Rio Grande do
Norte (UFRN); Universidade Federal da Bahia (UFBA); Escola de Música (UFMG); Revista
eletrônica de Musicologia; PERCEPTA - Revista de cognição musical; Música em
perspectiva; Per Musi - Revista acadêmica de Música; Música e cultura - Revista da
Associação Brasileira de Etnomusicologia; Música em contexto; Revista Opus.
A definição da amostra compreende o período de 2003 à 2013, com corpus não
estruturado, dentre os quais foram selecionados o quantitativo de 10 dissertações, 10 teses e
em média 30 artigos - haja vista que a maioria das revistas possuem 2 publicações anuais -,
produzidos por ano em todos os programas e/ou revistas citados. Vale ressaltar que tais
documentos foram obtidos em formato eletrônico e em pdf, por meio de pesquisas na Web
nos repositórios digitais dos Programas/Revistas citados.
A escolha dos corpora dos Programas de Pós Graduação e Revistas citadas
pautaram-se no fato de se tratar dos principais centros e veículos de comunicação científica do
país voltados para a Música que disponibilizam suas produções em formato eletrônico em
seus repositórios institucionais, se tornando assim fontes de literatura especializada. A seleção
justifica-se ainda por tais Programas/Revistas se constituírem como fonte de coleta tanto dos

3542

�conceitos quanto dos itens lexicais recorrentes no domínio de Música, contribuindo assim
para solucionar a problemática da inexistência de instrumentos de controle terminológico para
este domínio.

5.1 Extração automática de termos
A sistematização do vocabulário de Música na pesquisa abrange o uso do
ambiente colaborativo de gestão terminológica, e-Termos, em especial, no que diz respeito a
utilização de uma funcionalidade de extração de termos deste ambiente, viabilizada pelo uso
do software estatístico, o Pacote N-gram Stastistic Package (NSP) em sua interface.
Desse modo, a extração automática a candidatos de termos tem com base o
Processamento da Linguagem Natural, visando maior extração do conhecimento semântico
dos textos processados. As etapas de fundamentação metodológicas são: a) Busca e seleção de
fontes não estruturadas, no caso, teses e dissertações disponíveis em formato eletrônico e em
pdf nas bases de dados definidas; b) Compilação do corpus: esta etapa envolve o
armazenamento do corpus; c) Manipulação dos arquivos do corpus; d) Inclusão dos textos do
corpus no e-Termos; e) Levantamento e análise da lista de unigramas, bigramas, trigramas e
tetragramas, que correspondem a termos compostos por uma, duas, três ou quatro unidades,
respectivamente, realizado pelo software Pacote NSP, integrado ao e-Termos; f) Limpeza das
listas geradas, com eliminação de unidades que não correspondem a termos; g)Validação:
escolha de julgadores, pertencentes a área abordada pelo vocabulário e preparação do material
a ser conduzido para os julgadores para definição dos critérios para escolha dos termos
definitivos; h) Identificação das categorias; i) Organização e apresentação do vocabulário de
Música.

6 RESULTADOS E DISCUSSÕES
O objetivo desta seção é apresentar a metodologia de desenvolvimento do vocabulário
musical, que utiliza o pacote NSP para realização da extração estatística de candidatos de
termos. Devido o seu funcionamento ser via linha de comandos, o E-termos criou um
ambiente com interface para o usuário para auxiliar na construção de vocabulários baseada em
PLN.
A abordagem utilizada é considerada semi-automática, devido à intervenção humana,
que abarca quatro etapas principais: 1) construção de um vocabulário do Domínio Musical
por meio da Indexação manual; 2) Compilação e processamento automático do corpus no

3543

�ambiente E-termos; 3) Extração automática de candidatos a termos; e 4) Cálculo da
freqüência dos termos candidatos ao vocabulário, por meio de tarefas manuais e automáticas.

6.1 Sistematização manual preliminar do domínio
A leitura técnica preliminar do corpus, em especial de informações contidas no título,
palavras-chave, resumo, título das seções, introdução e conclusão, torna possível a extração
manual de candidatos a termos, com base na técnica da Indexação, haja vista que tais
informações embasarão o vocabulário do domínio musical.
A motivação por este tipo de procedimento está, principalmente, no registro destas
informações, entendidas aqui como categorias, ou seja, possíveis termos descritores, e itens
lexicais,

que posteriormente

serão

comparadas

aos termos

que

serão

extraídos

automaticamente, visando analisar as aproximações dos resultados obtidos.
Após a indexação manual, fase que prepara a lista de termos em que a extração se
baseia, e retoma-se o ideal de categorização a partir dos 699 textos, sendo estes, 358
dissertações, 100 teses e 241 artigos científicos indexados manualmente, que geraram o
quantitativo de 29 categorias conceituais que abrigam as unidades lexicais que representam o
Domínio Musical. Algumas das categorizações obtidas e as subcategorias sistematizadas
estão dispostas abaixo, conforme a ocorrência dos termos nos textos. Vale ressaltar que em
todas as subcategorias estão abarcados vários itens lexicais desta especialidade.
Música vocal
Canto
Coro a capella (sopranos, contraltos, tenores, baixos)
Instrumentos musicais
Instrumentos de cordas (contrabaixo, violão, harpa, guitarra, viola, violina, cavaquinho,
violoncelo)
Instrumentos de sopro (saxofone, fagote, trombone, trompete, trompa, clarineta, flauta)
Processos composicionais
Ciclos vitais (ambiguidade de conceitos, movimento cíclico de eterno retorno, vir-a-ser,
simetrias)
Avaliação de produção musical (matérias, expressão, forma, valor)
Gêneros
Baião, pop, funk, dobrado, samba, bolero, missa, bossa nova, marchinha, modinha, xote,
maracatu, música sacra, música popular, seresta, choro, valsa, bossa nova, cantoria de cego,
repente, hip hop.
Escrita Musical
Conteúdo rítmico
Conteúdo melódico
Perfomance

3544

�Posição da mão, articulação e ângulo dos dedos, tipos de articulação, movimentos do pulso,
absorção do peso, movimento corporal, emissão do som, memorização.
Educação musical
Formal, informal, aprendizagem midiática, habilidades profissionais, ensino, modelos.
Ao final do processo compilatório, obteve-se um corpus médio-grande constituído por
9.482.246 palavras, extraídos de 424 textos selecionados para o processamento de texto,
extraídos de 14 fontes diferentes, entre produções técnico-científica de Programas de Pós
Graduação e revistas científicas. Vale ressaltar que o quantitativo inicial de textos que
participaram da indexação manual foi de 699 textos, com os cortes de 275 textos, tendo assim,
como produto final 424 textos participantes.
Em termos quantitativos para fins de processamento automático pela plataforma Etermos, o corte citado justifica-se pela necessidade da exclusão dos textos que tiveram
problemáticas tanto no momento da conversão do formato PDF para txt, para processamento
do texto. Os documentos digitalizados também perpassaram pelo mesmo entrave, fato que, no
caso do gênero Teses, justifica a redução de textos participantes no processamento de textos.

6.2 Estruturação automática do domínio
A pesquisa utilizou as ferramentas da plataforma colaborativa E-termos, apresentada
em seções anteriores, que fornece acesso livre e gratuito. Para ter acesso é necessário a
realização de um cadastro, e em seguida o pesquisador precisa propor um projeto para utilizar
as ferramentas disponíveis.
O valor do corte inferior, ou seja, o quantitativo mínimo de frequência para que uma
unidade lexical se candidate a termo, foi estruturada de acordo com a observação da
frequência mínima de termos úteis, conforme apresenta a Tabela 6.

Tabela 2: Valor dos cortes de frequência (termos desconsiderados) por gênero
GÊNERO

TAMANHO DO CÓRPUS

Teses

937.292

Dissertações

6.875.501

Artigos científicos

1.669.453

CORTE DE FREQUÊNCIA
(QUANTITATIVO)
100 para unigramas
10 para bigramas e trigramas
100 para unigramas
10 para bigramas
10 trigramas
100 para unigramas
10 para bigramas e trigramas

Fonte: dados da pesquisa

3545

�Inicialmente foram observadas todas as frequências mínimas, e feita a limpeza manual
de termos, para se estabelecer um quantitativo válido. Apesar de não haver um consenso na
literatura da área sobre os valores de corte, Rijsbergen (1979) afirma que “[...] uma certa
arbitrariedade está envolvida na determinação dos pontos de corte, bem como na curva
imaginária, os quais são estabelecidos por tentativa de erro.”. Nesse sentido, o corte de
frequência da pesquisa se baseou nos parâmetros quantitativos de palavras que constituem os
corpus, e ainda, de acordo com aqueles que mesmo com frequência baixa, no caso 10 (dez),
se constituem como termos úteis.
Após a limpeza manual das listas de unigramas, bigramas e trigramas, por gênero
textual, geradas pelo E-termos, e da eliminação das palavras que não se constituem
necessariamente como um termo. Esse processo teve como resultado o comparativo entre os
candidatos a termos por extração estatística e o número final de termos, resultantes da
compilação de todos os gêneros textuais para uma visão geral dos dados de processamento de
textos na Tabela 7.

Tabela 3: Comparativo entre números de candidatos por extração estatística e número final
de termos
N-gram

NÚMERO DE CANDIDATOS DO NSP N° FINAL
(Dissertações, teses e artigos)
TERMOS

Unigramas
Bigramas
Trigramas
Total

4.880.851
673.644
927.961
6.482.456

DE

930
513
226
1.669

Fonte: dados da pesquisa
Tais dados mostram que é possível afirmar que, neste caso, quanto maior o número de
unidades que compõe o termo, maior o número de candidatos a termos, devido a função
“Frequência simples” disponibilizada pelo pacote NSP, integrado ao E-termos. Outro fator
que levou à grande redução de termos finais em relação aos candidatos extraídos pelo pacote
NSP se deu pela grande quantidade de “sujeira” nos textos processados, a exemplo disso,
podemos citar palavras com as acentuações que atrapalham o processo de extração e,
consequentemente, descarta alguns termos que poderiam vir a ser úteis.
Em suma, ao final do processo de extração automática de termos obteve-se, em geral,
um quantitativo de 930 unigramas, 513 bigramas e 226 trigramas, dos três gêneros textuais
analisados, totalizando 1230 termos considerados úteis e representativos para domínio
musical.

3546

�Tais considerações mostram que, apesar de o método estatístico gerar ruídos, ou seja,
palavras que não possuem valor terminológico, este método é de extrema importância para
fins de indexação, tradução, construção de tesauros, entre outras ferramentas de representação
e recuperação da informação por proporcionar automatizar a identificação e seleção de
unidades lexicais de um corpus, ao proporcionar rapidez na construção de Terminologias.
Os subsídios apontados a partir desta análise mostram que a extração automática de
termos baseada em freqüência estatística, facilitada pelo ambiente E-termos, permite o
aprimoramento das técnicas e reforça a precisão no processo de Indexação. Espera-se ter
demonstrado o percurso para estruturação de um vocabulário com os subsídios do
Processamento da Linguagem Natural para construção de vocabulários.

5 CONCLUSÃO
A pesquisa se deteve em abordar a prática da indexação e representação da informação
para estruturação do vocabulário do domínio musical no período de uma década, de 2003 a
2013, com a finalidade de analisar os léxicos produzidos nesta área e relacioná-los com outros
conceitos, por meio da categorização.
Dentre os objetivos da análise prático-conceitual da indexação, destacam-se como
resultados os instrumentos de representação da informação musical, como catálogos, índices e
tesauros com o objetivo de servir como recurso e/ou ferramenta informacional auxiliar para
pesquisadores e interessados em geral na busca e recuperação da informação musical. Porém,
percebe-se que os instrumentos existentes ainda são escassos e falhos no que diz respeito ao
conteúdo dos documentos, para o suprimento da necessidade informacional de seus usuários.
Em se tratando da área de Música, não foi localizada obra lexicográfica e/ou
terminológica sobre o domínio, com contribuições dos aportes automáticos, em especial de
PLN, para sua estruturação, o que evidencia a contribuição desta pesquisa ao tentar minimizar
a carência de informações sobre o controle do léxico utilizado pela área musical.
Observa-se ainda a importância da categorização para a identificação de assuntos de
um domínio de especialidade, devido à possibilidade de abordagem facetada de conteúdos
que permite a visualização de uma área do conhecimento como um todo sistematizado, e
viabilizando relações com outros conceitos.
O resultado deste processo foi a atribuição de 29 categorias, sendo que destas, as que
tiveram mais termos agregados na Indexação Manual foram Prática interpretativa (121
termos), Processo composicional (100 termos) e Educação Musical (97 termos). A extração
automática por meio do E-termos, por sua vez, mostrou-se eficaz ao apresentar um

3547

�quantitativo de 922 itens lexicais, entre unigramas, bigramas e trigramas que podem
aprimorar a construção de vocabulários fundamentados em PLN.
Com relação à análise comparativa entre os processos manual e automático de
extração de termos, a convergência entre estes dois métodos consiste na subjetividade humana
para seleção e correção dos termos encontrados, porém, vale ressaltar que a intersecção entre
as categorias obtidas por Indexação manual e as categorias geradas por extração automática
alcançaram índices de frequências diferentes durante o processo. Isso significa que, nem todos
os termos elencados no método manual foram extraídos automaticamente.
Nesse sentido, a escolha pelo método estatístico se deu pelo fato de a frequência
apresentar um quantitativo maior de descritores significativos, que proporcionam uma
representação e recuperação mais precisa de termos, além da rapidez na extração diante de
grandes volumes de textos.
O PLN mostrou-se como uma ferramenta eficaz para processamento de grandes
volumes de dados, com muito a contribuir no que diz respeito à redução do tempo de
desempenho de tarefas de mineração de textos e ao possibilitar a identificação dos termos
mais utilizados para representação de um domínio. Apesar destas contribuições, destaca-se
que a intervenção humana ainda é necessária para a limpeza dos materiais obtidos e para a
validação dos resultados.
Espera-se ter proposto uma metodologia para elaboração de novas representações de
domínios, com o intuito de aprimorar as técnicas e ferramentas de representação da
informação utilizadas na Ciência da Informação.

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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Documentação&#13;
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                <text>Estudo exploratório sobre extração automática de conceitos com base no Processamento da Linguagem Natural (PLN). O objetivo da pesquisa consiste em analisar o cenário práticoconceitual da extração automática, visando a sistematização e organização de ferramentas de gestão terminológica e recuperação da informação por meio da estruturação de um vocabulário da área de Música. Apresenta os fundamentos da representação da informação e explica as ferramentas semânticas para interpretação organizada de estruturas do conhecimento, bem como as expressões de conceitos de um domínio, que representam a maior proximidade entre a linguagem ou termos utilizados pelos usuários em sistemas de buscas. Discorre sobre a categorização de domínios de especialidade fundamentada por Ranganathan. Expõe o PLN como sub-área da Linguística Computacional, que propicia a extração de termos com maior precisão semântica para recuperação da informação em sistemas de busca automatizados. Caracteriza os níveis, limitações e a arquitetura do PLN em bancos de dados, representados pelo léxico e acessado por analisadores léxicos, sintáticos e semânticos. Indica as tipologias de softwares para processamento de corpus e extratores de candidatos a termos, dividindo-os em três categorias: estatísticos, linguísticos e híbridos. Aborda o Domínio Musical em suas várias facetas de expressão, artística, antropológica e representação da informação musical. A metodologia e a descrição da pesquisa caracteriza-se como pesquisa aplicada, de natureza descritiva, utiliza os procedimentos de pesquisa bibliográfica e documental das áreas de CI, Linguística, Computação e Música, assumindo assim, o caráter interdisciplinar. Emprega o modelo de pesquisa em PLN, com o corpus composto pela amostra de 10 dissertações e 10 teses, disponíveis em 11 bases de dados de Programas de Pós Graduação em Música no Brasil e na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD), e 30 artigos de revistas científicas especializadas em Música, ambos os gêneros técnico-científicos produzidos entre os anos de 2003 à 2013. Utiliza o ambiente colaborativo de gestão terminológica, E-termos, para extração automática de termos, que irão compor o vocabulário controlado do domínio musical. Apresenta como resultados um corpora classificado como grande em termos quantitativos, composto por 424 textos com um total de 9.482.246 palavras, fato que implica na obtenção de um nível de representatividade alta de termos, classificada como médio-grande para construção do vocabulário de Música. Mostra as etapas executadas pelo E-termos para compilação, análise de corpus, contadores de freqüência e extração automática de termos. Apresenta o comparativo entre as categorias estruturadas por indexação manual e extração automática. Conclui indicando que a extração automática baseada em PLN constitui-se de uma ferramenta efetiva para a tradução da linguagem natural, utilizando as expressões utilizadas para a busca da informação como objetos lingüísticos e rapidez na construção de terminologias.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PRESERVANDO A MEMÓRIA DO CENTRO DE MEMÓRIA DO SISTEMA DE
BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL MINAS GERAIS: UMA
EXPOSIÇÃO PARA FICAR NA HISTÓRIA
Cleide Vieira Faria
Marcia Dias Donato Moreira
Ana Elias Paulo
RESUMO
O objetivo deste artigo é mostrar a importância do trabalho realizado para preservar a
memória do Sistema de Bibliotecas da UFMG - SB/UFMG, que teve como processo inicial a
criação do Centro de Memória do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Minas
Gerais (CEME-SB/UFMG). Criado com o propósito de preservar todo e qualquer tipo de
material, que fez e faz parte do SB/UFMG, o CEME surgiu em 2011, tendo em vista a falta de
materiais que contavam a sua história. O objetivo inicial do CEME é a criação de um acervo
a partir da reunião de documentação oral e escrita, além de materiais iconográficos e
museográficos. Esse acervo será disponibilizado aos professores, alunos, pesquisadores e o
público em geral. Além disso, o CEME pretende realizar uma exposição fotográfica sobre os
ex-diretores e vice-diretores da BU/UFMG. Neste sentido espera-se que através do CEME e
por meio dos projetos desenvolvidos por ele, que seja divulgada não só a importância do
sistema de bibliotecas (responsável pelo provimento de informações para o desenvolvimento
das atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão realizadas na Universidade), mas também o
trabalho e a luta daqueles que estiveram presentes tanto criação, quanto no desenvolvimento
do sistema de bibliotecas da UFMG.
Palavras-chave: Centro de Memória. Exposição Fotográfica. Documentação Oral. Materiais
Iconográficos Museográficos. Resgate Histórico.

ABSTRACT
The purpose of this article is to show the importance of the work done to preserve the
memory of the Library System of UFMG - SB / UFMG, which had the initial process of the
creation of the Memory Center Library System of the Federal University of Minas Gerais
(CEME- SB / UFMG). Created with the purpose of preserving any type of material, and that
made part of the SB / UFMG, the CEME appeared in 2011, in view of the lack of materials
that told their story. The initial objective of the CEME is the creation of a collection from the
meeting of oral and written documentation, and iconographic and museographic materials.
This collection will be available to teachers, students, researchers and the general public. In
addition, the CEME plans to hold a photo exhibition on the former directors and deputy
directors of the BU / UFMG. In this sense it is expected that through the CEME and through
projects developed by it, to be disclosed not only the importance of the library system
(responsible for providing information for the development of Teaching, Research and

3527

�Extension activities at the University) but also the work and struggle of those who attended
both creation, as in the development of the library system of UFMG.
Keywords: Memory Center. Photographic Exhibition. Oral documentation. Iconographic
museographic materials. Rescue History.

1 INTRODUÇÃO
Quando se fala em Centro de Memória é natural que se tenha em mente um ambiente
cujo objetivo é o de preservar e resgatar a história, um espaço onde a memória preservada
poderá ser também utilizada como referencial para pesquisas acadêmicas. Mas antes de tudo,
devemos pensar no real significado da palavra memória e na sua importância mediante a
criação de um sistema como o CEME. Quando utilizamos a palavra memória como meio de
repensar a história, e tê-la como instrumento de transformação, pretende-se com este ato
impedir que tudo que foi realizado por determinada instituição seja esquecido. O autor
Maurice Halbwachs, citado por POLLAK, (1989 p.3) relata que deve ser enfatizado a força
dos diferentes pontos de referência que estruturam nossa memória e que a inserem na
memória da coletividade a que pertencemos. No mundo da informação e conhecimento a
memória indica a direção e fornece a informação necessária para nortear as ações e o
planejamento. A memória tem ainda o poder de reforçar a identidade fazendo com que
determinada instituição se reconheça como organização.
Foi pensando na possibilidade de desaparecimento de informações que será
organizada uma exposição cujo objetivo é o de relatar a participação de todas as ex-diretorias
e atual diretoria da Biblioteca Universitária da UFMG (BU/UFMG). Desta forma, pretende-se
demonstrar em uma linha do tempo a atuação de cada um, sua contribuição e projetos para
melhor funcionamento e integração do SB/UFMG. Além disso, definir o público-alvo,
selecionar as fotos dos ex-diretores e vice-diretores da Biblioteca Universitária, que fizeram
parte da implementação do SB/UFMG assim fornecer dados para posteriores pesquisas e
amplo material de estudo que apontaram fatos importantes do desempenho dos personagens
do SB/UFMG. Também visa evidenciar a importância da participação de ex- diretores e exvice-diretores e atual diretoria. Para tanto, faz parte dos objetivos da exposição a ser realizado
ressaltar o desempenho de todos os que assumiram esta responsabilidade de preservar a
memória.

3528

�2 REVISÃO DE LITERATURA
Memória
Como material de revisão de literatura utilizamos artigos dos seguintes autores,
Maurice Halbwachs, Pierre Nora, Jacques Le Goff e Michael Pollack, que são experts em
assuntos ligados a questões relativas à preservação da memória e história, também citamos
alguns trechos de seus textos neste pôster, para ressaltar a importância de se criar centros de
memórias em todas as unidades de informação, seja bibliotecas ou outros locais que tenham
por princípio divulgar a informação constante na história preservando assim, a memória.
De acordo com Halbwachs , as percepções acrescentadas pela memória histórica
acontecem quando:
“[...] os quadros coletivos da memória não se resumem em datas, nomes e
fórmulas, que eles representam correntes de pensamento e de experiência
onde reencontramos nosso passado porque este foi atravessado por isso
tudo”. HALBWACHS (2004, p. 71).
Segundo Le Goff (1924, p.477), “a memória, onde cresce a história, que por sua vez a
alimenta, procura salvar o passado para servir o presente e o futuro[...]”. Le Goff ressalta
nesse pequeno trecho a importância da palavra memória. Quando falamos de memória logo
pensamos em fatos passados, em acontecimentos sem talvez imaginar a importância ou a
relevância que muitos desses fatos têm para o nosso próprio futuro. Para o autor,
“[...] a memória é um elemento constituinte do sentimento de identidade,
tanto individual como coletiva, na medida em que ela é também um fator
extremamente importante do sentimento de continuidade e de coerência de
uma pessoa ou de um grupo em sua reconstrução de si [...]”. (POLLAK,
1992,p.5).
O resgate da memória não é só um ato de preservação, ele é também um ato de
reconstrução e construção. Reconstrói-se o passado para que se construa o presente e o futuro.
“Museus, arquivos, cemitérios e coleções, festas, aniversários, tratados,
processos verbais, monumentos, santuários, associações são os marcos
testemunhais de uma outra era, das ilusões da eternidade [...] Os lugares de
memória nascem e vivem do sentimento que não há memória espontânea,
que é preciso criar arquivos, que é preciso manter aniversários, organizar,
pronunciar elogios fúnebres, notariar atas, porque essas operações não são
naturais.” (NORA, 1993, p. 13)
MATERIAIS E MÉTODOS
Os métodos utilizados para a realização da pesquisa que dará origem a exposição em
questão foram realizados por meio de investigação documental e entrevista oral com
personagens atuantes. As pesquisas foram realizadas nas bases de dados físicas, digitais da

3529

�UFMG e Biblioteca Universitária (BU). E também através de entrevista oral com a
bibliotecária mais antiga do Sistema de Bibliotecas, Maria Helena Santos, profissional que
embora esteja aposentada, atualmente é voluntária na instituição, e prontamente se colocou a
disposição da coordenadora do projeto fornecendo todas as informações necessárias que ela
dispunha para atender a pesquisa, as quais foram colhidas através de conversa pessoal entre
Maria Helena e as autoras do presente estudo.
Na pesquisa em base de dados física, buscamos informações com o setor de arquivo e
com a secretaria da diretoria da BU/UFMG, que se prontificou a autorizar a pesquisa de
documentos que se encontravam em seus arquivos.
A pesquisa em base de dados digital, contou com a colaboração de Glaucia Faria,
Produtora do Repositório de Comunicação da UFMG, e Adriana Lemos Torres, coordenadora
do Acervo Fotográfico, do Núcleo de Divulgação Científica- NDC- que faz parte do
CEDECOM- Centro de Comunicação da UFMG.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Almejamos alcançar resultados positivos com a realização de uma exposição sobre os
ex-diretores e vice-diretores, e da atual diretoria, que possa mostrar aos usuários do Sistema
de Bibliotecas da UFMG, e para que os usuários possam conhecer, quais os personagens
atuaram e atuam na implantação/ implementação do SB/UFMG; bem como conhecer uma
parte da história da BC/UFMG.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Tendo em vista a necessidade de se preservar a memória num contexto histórico, a
Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Minas Gerais- BU/UFMG constrói o
Centro de Memória do Sistema de Bibliotecas da UFMG, CEME-SB/UFMG, com o qual
pretende não só preservar a memória, como também a história da organização do Sistema de
Bibliotecas, desta instituição.
O mesmo será ponto de referência para pesquisadores, estudioso e interessado em
realizar estudos sobre o sistema e suas funções, visando assim proporcionar um atendimento
de qualidade a todos que dela fazem uso. Surgindo então o ensejo de se realizar uma
exposição que mostre a evolução do sistema, através dos tempos, ressaltando o que mais se
destaca e o que de importante foi realizado pelos ex-diretores, vice-diretores e está sendo
realizado pela atual diretoria.

3530

�REFERÊNCIAS
CURY, Marília Xavier. Exposição: concepção, montagem e avaliação - São Paulo:
Annablume, 2005, 162 p.
HALBWACHS, Maurice. A Memória Coletiva. Tradução: Laís Teles Benoir. São Paulo:
Centauro, 2004.
LE GOFF, Jacques. História e memória. Tradução: Bernardo Leitão [et al.] - Campinas, SP,
Editora da UNICAMP, 1990.(Coleção Repertórios)
NORA, Pierre. Entre memória e história: a problemática dos lugares. Projeto História.
São Paulo: PUC-SP. N° 10, p. 12. 1993.
POLLAK, Michael. Memória, Esquecimento, Silêncio. Estudos Históricos, Rio de Janeiro,
vol.

2,

n.

3,

1989,

p.

3-15.

Texto.

www.uel.br/cch/cdph/arqtxt/Memoria_esquecimento_silencio.pdf

Disponível
Acesso:

em:

06/mai/2014

12h25min
POLLAK, Michael. Memória e identidade social. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, vol. 5,
n. 10, 1992, p. 200-212.

3531

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                <text>O objetivo deste artigo é mostrar a importância do trabalho realizado para preservar a memória do Sistema de Bibliotecas da UFMG – SB/UFMG, que teve como processo inicial a criação do Centro de Memória do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Minas Gerais (CEME-SB/UFMG). Criado com o propósito de preservar todo e qualquer tipo de material, que fez e faz parte do SB/UFMG, o CEME surgiu em 2011, tendo em vista a falta de materiais que contavam a sua história. O objetivo inicial do CEME é a criação de um acervo a partir da reunião de documentação oral e escrita, além de materiais iconográficos e museográficos. Esse acervo será disponibilizado aos professores, alunos, pesquisadores e o público em geral. Além disso, o CEME pretende realizar uma exposição fotográfica sobre os ex-diretores e vice-diretores da BU/UFMG. Neste sentido espera se que através do CEME e por meio dos projetos desenvolvidos por ele, que seja divulgada não só a importância do sistema de bibliotecas (responsável pelo provimento de informações para o desenvolvimento das atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão realizadas na Universidade), mas também o trabalho e a luta daqueles que estiveram presentes tanto criação, quanto no desenvolvimento do sistema de bibliotecas da UFMG.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PRÁTICAS DE USUÁRIOS POTENCIAIS DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA:
USO DE FONTES DE INFORMAÇÃO EM ARQUIVOLOGIA
Edilene Toscano Galdino dos Santos
Eliane Bezerra Paiva
Genoveva Batista do Nascimento
RESUMO
Visando colaborar com a biblioteca universitária no conhecimento das necessidades
informacionais de seus usuários potenciais, realizou-se uma pesquisa de cunho exploratório
com o objetivo investigar o uso das fontes de informação utilizadas pelos alunos concluintes
do Curso de Graduação em Arquivologia da Universidade Federal da Paraíba, do período de
2011 a 2013. A metodologia incluiu uma pesquisa bibliográfica e uma pesquisa documental,
que abrangeu a análise das referências dos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) dos
alunos. Para a análise dos dados adotou-se uma abordagem quanti-qualitativa. Os resultados
da pesquisa apontam para o uso diversificado de fontes de informação, com ênfase na língua
portuguesa e cronologia recente. O tipo de fonte de informação mais utilizado pelos
concluintes foram os livros, os quais fundamentam as ideias abordadas nos TCCs. O segundo
tipo de fonte mais utilizado foram os artigos de periódicos que, embora tenham uma relativa
vantagem em relação aos livros, devido a uma expressiva quantidade apresentada em formato
eletrônico, não superaram os livros em formato impresso. A Internet e a legislação foram
outras tipologias muito usadas, revelando que o curso emprega uma base conceitual baseada
em legislação.Também foram utilizadas: teses, dissertações, monografias e dicionários
especializados em Arquivologia. Outros tipos de fontes de informação como tabelas de
temporalidade, atas, regimentos, normas técnicas, editais, diagnósticos, apostilas (textos), etc.
também estavam presentes, mas em menor proporção. Conclui-se que, embora a Internet seja
um recurso muito difundido nos dias atuais, os livros impressos constituem a fonte de
informação mais utilizada pelos alunos de Arquivologia.
Palavras-Chave: Biblioteca Universitária. Usuários Potenciais. Fonte de Informação. Estudo
de Usuários. Arquivologia.

ABSTRACT
In the intent of collaborating with university library in the knowledge of informational needs
of its potential users, it is developed an exploratory research that aims to investigate the use of
sources of information used by the graduating students of Archivology in the Federal
University of Paraíba, from 2011 to 2013. The methodology has included a bibliographical
and a documental research that covered the analysis of references of the Completion of
Course Works (TCC) of the students. In the data analysis it was adopted a quantitativequalitative approach. The research results indicate the diversified use of sources of
information, with emphasis on the Portuguese Language and recent chronology. The most

3510

�used source of information by the students are books, which fundament the ideas developed in
the TCCs. The second most used source of information are journals that, although they
present a relative advantage in relation to books due to an expressive quantity of them are
presented in electronic format, they do not surpass the printed books. Internet and legislation
are other typologies very used, revealing that the course has a conceptual basis based on
legislation. There are also used thesis, dissertations, monographs and specialized dictionaries
in Archivology. Other kinds of sources of information such as temporality tables, minutes,
bylaws, technical standards, notices, diagnoses, handouts (texts), etc are also present, but in
lower proportion. Therefore, it is concluded that, although Internet is a very widespread
nowadays, the printed books constitute the most used source of information by the
Archivology students.
Key-words: University Library. Potential Users. Source of Information. User Studies.
Archivology.

1 INTRODUÇÃO
Um dos principais objetivos da biblioteca universitária é dar apoio às atividades de
ensino, pesquisa e extensão da sua instituição mantenedora, disponibilizando à comunidade
acadêmica recursos que atendam às suas necessidades informacionais. E para atingir tal
objetivo a biblioteca necessita conhecer as demandas de sua comunidade.
A comunidade usuária de uma biblioteca é composta de: usuários reais, aqueles que
efetivamente utilizam os recursos da biblioteca, e usuários potenciais, aqueles a quem a
biblioteca visa atender (SANZ CASADO,1994). Em se tratando da biblioteca universitária, os
usuários potenciais correspondem a toda a comunidade universitária, composta por alunos,
professores, pesquisadores e servidores da instituição. Conhecer as necessidades de
informação dos seus usuários torna-se, então, uma tarefa essencial para a biblioteca
universitária, para que possa atender aos anseios da sua clientela.
Visando colaborar com a biblioteca universitária no conhecimento das necessidades
informacionais de seus usuários potenciais, realizou-se uma pesquisa de cunho exploratório
com o objetivo investigar o uso das fontes de informação utilizadas pelos alunos concluintes
do Curso de Graduação em Arquivologia da Universidade Federal da Paraíba. O presente
texto é o relato dessa pesquisa, que teve como questões motivadoras as seguintes: Quais as
fontes de informação utilizadas pelos concluintes do Curso de Arquivologia? Como se
configuram essas fontes?
Entendemos que o uso das fontes de informação revela a satisfação das necessidades
informacionais dos usuários. Os resultados obtidos na pesquisa podem colaborar com a
biblioteca universitária no processo de gestão das suas coleções da área de Arquivologia.

3511

�Assim, justificamos a realização da pesquisa que se configura como um estudo de uso das
fontes de informação arquivísticas.
Como campo de pesquisa voltado à prática científica, os estudos de usuários tem se
revelado uma importante área da Ciência da Informação, visto que tem apresentado as fontes
às quais o usuário recorre para a realização de suas pesquisas científicas.
Para Araújo (2012, p. 146) o Estudo de Usuário é uma prática que tem se mostrado
como ferramenta para “avaliação de fontes de informação disponíveis e dos serviços
oferecidos pelas bibliotecas”. No que se refere às fontes de informação, é visível a prática
contemporânea de pesquisa com a utilização da Internet, em que periódicos eletrônicos
multiplicam-se, repositórios de acesso livre ganharam credibilidade com informação cada vez
mais advinda de pesquisas com rigor metodológico, além das bibliotecas manterem-se como
importantes centros de informação para pesquisas científicas, automatizando seus catálogos,
tudo isto em favorecimento da busca e uso da informação pelo usuário.
Nesse contexto, as fontes de informação se inserem em uma nova perspectiva
contemporânea de uso de forma que Tomaél et al. (2001, p. 2) afirmam que
todos terão que buscar novos conhecimentos e habilidades, não
necessariamente sobre tecnologias eletrônicas ou sobre documentos. Será
preciso desenvolver aptidão literária “cibercultura” envolvendo uma prática
não necessariamente sobre tecnologias eletrônicas ou sobre documentos.
Será holística, entendendo como a tecnologia eletrônica (e a não-eletrônica)
gerencia a informação para seu uso efetivo. As mudanças devem ser
apreendidas e consolidadas.

Dessa forma, o usuário passa a ter novas possibilidades de fontes de informação, tendo
que adquirir novos hábitos com habilidades específicas para lidar não apenas com as fontes
tradicionais, mas com novas modalidades de acesso à informação com foco na produção de
novos conhecimentos.
A biblioteca já não é apenas uma depositária de acervos impressos passando a agregar
em sua estrutura recursos informáticos que possibilitam acesso rápido a fontes de informação,
sendo inserida em sua prática de educação de usuário a formação de competência
informacional para um usuário que demanda por informação em bases de dados
disponibilizadas pela biblioteca.
Ainda que a Internet seja o mecanismo mais divulgado no mundo contemporâneo
como forma de acesso à informação, a biblioteca universitária ainda goza de certo prestígio
por conter informação especializada a cada curso do âmbito da universidade. Isto indica que,
a biblioteca universitária pode ser considerada como um filtro de informação, visto que a

3512

�Internet por meio do google, a exemplo, fornece ao usuário uma revocação maior que sua
necessidade de informação útil, ao passo que ao se recorrer a uma base de dados específica
existente na biblioteca universitária, a revocação pode ser alta, porém a margem de
informação útil aumenta por estar em bases de dados especializadas.
Nessa perspectiva, a literatura científica especializada evolui a partir da geração de
pesquisas que se desenvolvem em determinada área do conhecimento e são responsáveis pelo
aparecimento de diversas formas de comunicação científica. Ao mesmo tempo em que
comunicam o conhecimento, essas diferentes formas de comunicação científica se constituem
em fontes de informação, ao serem utilizadas pela comunidade científica na construção de
novos conhecimentos.
Torna-se, assim, importante, conhecer as fontes de informação utilizadas por cientistas
e pesquisadores, pois, estas podem demonstrar as tendências de pesquisa e os rumos de
determinada área do conhecimento. Ao mesmo tempo, as unidades de informação carecem
conhecer as fontes de informação utilizadas por determinada clientela para que possam atingir
os objetivos de atender às necessidades de informação de seus usuários.
Consideramos que é uma tarefa imprescindível para as unidades de informação
conhecerem as práticas informacionais de seus usuários, o que justifica a realização da
pesquisa sobre o uso das fontes de informação pelos concluintes do Curso de Arquivologia,
pois, o uso dessas fontes configura-se numa prática informacional desses alunos, que,
potencialmente, são usuários da biblioteca universitária. Conforme Araújo (2001, p.32) as
práticas informacionais correspondem a "ações de recepção, geração e transferência da
informação que se desenvolvem através de circuitos comunicacionais".
Em sua estruturação, o presente texto está composto por essa introdução, uma breve
revisão da literatura sobre estudos de usuários e fontes de informação, os procedimentos
metodológicos, que contemplam a trajetória da pesquisa e o seu ambiente, que é o curso de
Arquivologia da UFPB, os resultados obtidos, interpretados sob uma abordagem quantiqualitativa e as conclusões alcançadas na pesquisa.

2 REVISANDO A LITERATURA: USUÁRIOS E FONTES DE INFORMAÇÃO
Os Estudos de Usuários são pesquisa desenvolvidas para investigar o que os
indivíduos necessitam em matéria de informação ou para conhecer se as necessidades
informacionais de usuários de uma determinada unidade de informação estão sendo satisfeitas
(FIGUEIREDO, 1994)

3513

�Conforme relatam Gasque e Costa (2010), as primeiras pesquisas no campo dos
Estudos de Usuários foram impulsionadas por dois eventos ocorridos após a década de 1940:
a Conferência de Informação Científica da Royal Society, em 1948, no Reino Unido e a
Conferência Internacional de Informação Cientifica, em 1958, nos Estados Unidos. As
discussões oriundas desses dois eventos despertaram a atenção dos seus participantes e da
comunidade internacional para a importância de tais estudos.
Inicialmente, os Estudos de Usuários desenvolveram-se a partir do comportamento do
público comum de bibliotecas públicas ou do uso das fontes de informação por cientistas. Ao
longo do tempo, os estudos evoluíram do foco do sistema para o usuário (CENDÓN; ROLIM,
2013).
Os Estudos de Usuários podem ser classificados em dois grandes grupos, que se
caracterizam conforme abordagem adotada. Os estudos da Abordagem Tradicional enfocam
os sistemas de informação (conteúdo e/ou tecnologia), enquanto que os da Abordagem
Alternativa são centrados no usuário da informação. A presente pesquisa se insere na
Abordagem Alternativa, pois, voltamos nossa atenção para o usuário como elemento central
dos sistemas de informação, daí a proposta de estudar as fontes de informação por eles
utilizadas.
Os estudos sobre fontes de informação estão inseridos na área da organização da
informação, ligada à Ciência da Informação e à Biblioteconomia. Tradicionalmente, nesses
estudos, predomina, o paradigma positivista e sob esse enfoque todos os documentos gerados
pelo sistema de comunicação científica são considerados fontes de informação.
A história das fontes de informação se mescla com a história das bibliografias que se
inicia na Antiguidade e se estende até os dias atuais, incluindo listas de manuscritos
(consideradas ancestrais da bibliografia), autobibliografias, além de repertórios impressos até
as bibliografias especializadas.
O conceito de fonte de informação é amplo e remete a inúmeros tipos de recursos
informacionais.

Conforme Cunha (2001, p. viii), o conceito de fonte de informação [...]

“pode abranger manuscritos e publicações impressas, além de objetos, como amostras
minerais, obras de arte ou peças museológicas” [...].
As formas de classificações das fontes variam conforme os objetivos propostos.
Mueller (2003) relata que as fontes produzidas, ao longo do processo de pesquisa, podem ser
classificadas como primárias, secundárias e terciárias. As fontes primárias são aquelas
produzidas com a interferência direta do autor da pesquisa e incluem relatórios técnicos, teses
e dissertações, patentes, normas técnicas, trabalhos apresentados em eventos científicos, como

3514

�congressos, conferências, simpósios, etc., e artigos científicos. As fontes secundárias surgem
para facilitar o uso do conhecimento disperso nas fontes primárias. Tais fontes apresentam a
informação filtrada e organizada. São as enciclopédias, os dicionários, os manuais, as tabelas,
as revisões de literatura, os tratados, certas monografias, os anuários, os livros-texto, entre
outras. As fontes terciárias servem para guiar os usuários para as fontes primárias e
secundárias e incluem as bibliografias, os serviços de indexação e de resumo, os guias de
literatura, os catálogos coletivos, os diretórios, etc.
Como toda classificação é arbitrária, existem autores que distinguem apenas fontes
primárias e secundárias. As primárias correspondem à literatura propriamente dita, e as
secundárias, aos serviços bibliográficos.
Os estudos desenvolvidos na década de 1980, no contexto das empresas e
organizações, contribuíram para o estabelecimento de novos critérios para a classificação das
fontes de informação em: fontes externas ou internas à organização, documentais e informais.
As fontes documentais compreendem documentos de várias naturezas, como livros,
periódicos, filmes, etc.; e as fontes informais emanam de contatos informais, conversas,
depoimentos, entrevistas, entre outras.
Outra forma de classificação das fontes surgiu a partir da explosão da informação e da
emergência do controle bibliográfico especializado. Surge então outra classificação: as fontes
de informação gerais e as fontes especializadas. As fontes gerais correspondem a obras que
incluem diversos assuntos, enquanto as fontes especializadas abrangem áreas de assuntos
específicas (CAMPELLO; MAGALHÃES, 1997).
As fontes de informação especializadas tiveram origem a partir do surgimento dos
grandes serviços bibliográficos, no final do século XIX e início do século XX, e abrangiam
grandes áreas de assunto, como Química, Engenharia, Zoologia e Medicina. Na atualidade,
esses serviços constituem empreendimentos comerciais, que atendem a uma clientela
específica, e apresentam serviços sob medida (CAMPELLO; MAGALHÃES, 1997).
A emergência da Internet possibilitou o aparecimento de inúmeras fontes de
informação que constituem produtos elaborados sob medida para atender a necessidades
específicas de usuários dos diversos segmentos sociais.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Os materiais utilizados para o desenvolvimento da pesquisa foram constituídos dos
Trabalhos de Conclusão de Curso dos alunos do Curso de Arquivologia da UFPB.

3515

�No que se refere à tipologia, a pesquisa realizada foi de cunho exploratório uma vez
que não tínhamos conhecimento sobre o uso de fontes de informações pelos alunos de
Arquivologia da UFPB e, conforme Richardson (2009, p.66) esse tipo de pesquisa ocorre
"quando não se tem informação sobre determinado tema e se deseja conhecer o fenômeno”.
Inicialmente, realizamos uma pesquisa bibliográfica, considerada por Marconi e
Lakatos (2007, p. 43), "um procedimento formal, com método de pensamento reflexivo que
requer um tratamento científico e constitui-se no caminho para se conhecer a realidade ou
para descobrir verdades parciais". Essa pesquisa constou de um levantamento bibliográfico
sobre usuários e fontes de informação, para compor o aporte teórico do estudo.
Também realizamos uma pesquisa documental. Segundo Santos,
A pesquisa documental, é realizada em fontes como tabelas estatísticas,
cartas, pareceres, fotografias, atas, relatórios, obras originais de qualquer
natureza (pintura, escultura, desenho, etc.), notas, diários, projetos de lei,
ofícios, discursos, mapas, testamentos, inventários, informativos,
depoimentos orais e escritos, certidões, correspondência pessoal ou
comercial, documentos informativos arquivados em repartições públicas,
associações, igrejas, hospitais, sindicatos. (SANTOS, 2000).
A pesquisa documental correspondeu ao levantamento dos TCCs dos concluintes do
Curso de Graduação em Arquivologia da UFPB do período compreendido de 2011 a 2013 que
depositaram cópias dos seus trabalhos na Coordenação do referido Curso. Assim, o universo
da pesquisa correspondeu aos 12 TCCs depositados.
Ao encerrarem o Curso de Graduação em Arquivologia na UFPB os concluintes optam
por fazerem em seu TCC, um artigo científico, um projeto de pesquisa ou de intervenção em
arquivos ou uma monografia. Assim, no referido período, até a data do início da pesquisa,
foram depositados 12 TCCs, em formato de CD-ROM e impresso, os quais constituíram o
universo da pesquisa.
A partir da leitura dos trabalhos, realizamos uma análise das referências indicadas nos
TCCs para levantar as fontes de informação utilizadas pelos concluintes. A coleta de dados
ocorreu no mês de abril de 2014.
Para analisar as fontes de informação utilizadas pelos concluintes de Arquivologia,
optamos por uma abordagem quanti-qualitativa por entendermos que "a integração das
abordagens quantitativa e qualitativa permite que o pesquisador faça um cruzamento de suas
conclusões de modo a ter maior confiança que seus dados não são produto de um
procedimento específico ou de alguma situação particular" (GOLDENBERG, 2004, p. 62), o
que pode esclarecer melhor o fenômeno estudado.

3516

�Os procedimentos de análise incluíram a criação de categorias de análise sob a ótica da
Análise de Conteúdo de Bardin (BARDIN, 2010). Elegemos as seguintes categorias de
análise: tipologia, cronologia, idiomas e elite de autores das fontes de informação. Optamos
por apresentar os dados coletados através de tabelas, visando melhor compreensão dos
resultados obtidos na pesquisa.
3.1 O Curso de Arquivologia da UFPB
Antes de adentrar na análise das fontes de informação utilizadas pelos concluintes,
torna-se necessário fazer um breve histórico do Curso de Arquivologia da UFPB.
Tendo como premissa a formação do profissional arquivista, regulamentado
pela lei de n° 6.546/1978, o Curso de Graduação em Arquivologia da Universidade Federal da
Paraíba - UFPB, nasce a partir do Programa de Expansão das Universidades Federais REUNI, lançado pelo Governo Federal no ano de 2007. Assim, o curso de Arquivologia foi
criado na modalidade de Bacharelado, sendo este vinculado ao Departamento de Ciência da
Informação - DCI da UFPB, através da Resolução 42/2008.
O curso é constituído por 184 créditos, integralizado uma carga horária de 2.760
horas-aula, oferecido no turno noturno, tendo duração mínima de 5 e máximo de 8 anos para a
formação profissional.
A primeira turma do curso de Arquivologia teve entrada no segundo semestre do ano
de 2008. A aula foi celebrada pelo professor Armando Malheiros, a convite do Departamento
de Ciência da Informação da UFPB, sendo proferido no dia 29 de novembro de 2008. Os
primeiros graduados da turma pioneira formaram-se no ano de 2013, embora alguns alunos
tenham antecipado seus TCCs por motivo de abreviação do curso.
O curso surge como o intuito de formar profissionais para atuarem nos arquivos, nas
mais diversas atividades, sendo a mais destacada a gestão de documentos. Conforme consta
do Projeto Político Pedagógico do Curso de Arquivologia da UFPB (UNIVERSIDADE...,
2008, p. 9), esta atividade visa:
[...] garantir que a informação esteja disponível quando e onde seja
necessária a organização e aos cidadãos; assegurar a eliminação [de
documentos] que não tenham valor administrativo fiscal e legal; assegurar o
uso adequado do gerenciamento eletrônico da informação; contribuir para o
acesso e preservação dos documentos de caráter permanente.

Portanto, para que estes objetivos possam se fundamentar o curso em pauta
contempla em sua grade curricular,

3517

�[...] conteúdos básicos profissionais e complementares a fim de formar uma
estrutura programática que permita ao aluno uma formação que lhe dê
condições de fazer opções diferenciadas para mundo do trabalho. (FREIRE;
SILVA, 2013, p. 36)

Contudo, a criação do Curso de Arquivologia da UFPB, mostra em sua estrutura
curricular componentes que se conectam, se interligam, no intuito de apresentar aos
acadêmicos contextos e características de cunho social, através da vivência e das práticas
arquivísticas atuais, tendo como premissa a qualificação do profissional arquivista.

4 RESULTADOS FINAIS
A partir da análise dos trabalhos que foram depositados na Coordenação do Curso de
Arquivologia, realizamos um levantamento dos títulos dos TCC e seus respectivos autores,
conforme consta do Quadro1, a seguir:
Quadro 1: Relação dos Concluintes e seus respectivos TCC
1

CONCLUINTE
NASCIMENTO, M.S.

2

RODRIGUES, S.F.

3

SANTOS, J.L.

4

SIQUEIRA NETO, W.

5
6

SOUZA, V.A.A.
TAVARES, D.W.S.

7

ARAÚJO, R.M.G.

8

OLIVEIRA, J.T.R.

9

BANDEIRA, P.M.

10

LEITE, J.R.

11

MEDEIROS, S.R.S.D.

12

SOUSA, D.E.L.

TÍTULO DO TCC
Os profissionais de arquivo de instituição federal de
ensino superior: uma análise do perfil dos arquivistas e
técnicos de arquivo atuantes na UFPB Campus I- João
Pessoa.
Arquivo privado condominial: análise a partir da
aplicação prática de um plano de gestão documental no
Residencial Parque dos Ipês- PB.
A segurança da informação em acervos arquivísticos:
estudo de caso no Arquivo Geral da Pró-Reitoria
Administrativa da Universidade Federal da Paraíba.
Legislação arquivística: um estudo sobre as fontes do
direito arquivístico.
Arion Farias: retrato de um acervo privado pessoal.
A miopia do olhar: representações sociais dos alunos de
Arquivologia e Biblioteconomia da UFPB a respeito do
Curso de Arquivologia e da profissão arquivística.
A gestão da informação arquivística em ambientes
públicos e sua adaptação à Lei 12.527/2011: um olhar
sobre os arquivos das atividades meios e fins dos
hospitais públicos municipais de João Pessoa.
Gestão documental: proposta de implantação na
Secretaria de Administração do Ministério da Fazenda
na Paraíba/SAMF-PB.
O caso da editoração da PBCIB: um olhar do arquivista
sobre a editoração científica.
Práticas arquivísticas como estratégias de organização
de prontuários pertencentes à Unidade de Saúde da
Família Água Fria da cidade de João Pessoa.
Instituições arquivísticas: propostas de ações educativas
na Fundação Casa de José Américo e no Arquivo
Afonso Pereira na cidade de João Pessoa- PB
A cosmologia das águias: entre átomos e bits.

Natureza
Monografia

Monografia

Monografia

Monografia
Monografia
Monografia

Projeto

Projeto

Artigo
Artigo

Artigo

Artigo

Fonte: Dados da pesquisa

3518

�A análise do Quadro 1, revela que a maioria dos concluintes de Arquivologia optou
por realizar em seu trabalho de conclusão de curso uma monografia. Isto indica que, mesmo
tendo outras opções, a monografia ainda é o trabalho de conclusão de curso que mais
representa a conclusão de uma jornada de um curso superior. O artigo ficou em segundo
lugar, revelando que a opção pelo artigo se dá pela rapidez, visto que sua estrutura em
extensão é menor que a monografia. Observamos que isto ocorreu pelo fato de a alguns
alunos terem abreviado o curso, sobretudo, devido à exiguidade do tempo disponível ao aluno
para conclusão das tarefas peculiares a esse momento acadêmico. O trabalhos em forma de
projeto podem revelar uma atuação no campo de trabalho, em que há um aproveitamento da
experiência em instituições que já se constituem ambiente de prática do concluinte.
No que se refere aos temas tratados nos TCCs, estes foram muito variados, dentre
quais podemos destacar: Perfil do profissional arquivista; Gestão documental em arquivo
privado; Segurança da informação em acervos; Fontes do direito arquivístico; Arquivo
privado pessoal; Perspectiva dos alunos sobre o curso de Arquivologia; Lei de Acesso à
Informação; Gestão de documentos em arquivo público; Editoração científica; Práticas
arquivísticas; Educação patrimonial e Tecnologia da informação.

5.1 Fontes de informação utilizadas pelos concluintes
A análise das referências apresentadas nos TCCs revelou a presença de uma tipologia
diversificada de fontes de informação utilizadas pelos concluintes do Curso de Arquivologia
da UFPB. A Tabela 1, a seguir, apresenta os diversos tipos de fontes de informação e os
respectivos percentuais correspondentes.
Tabela 1: Tipologia das fontes de informação utilizadas
TIPO DE FONTE
Livros
Artigos de periódicos
Leis e decretos
Internet
Anais de eventos
Dissertações
Dicionários
Monografias
Teses
Outros
TOTAL

NÚMERO
147
49
42
42
20
10
7
5
3
13
338

PERCENTUAL
43,5%
14,5%
12,4%
12,4%
6,0%
3,0%
2,0%
1,5%
0,9%
3,8%
100%

Fonte: Dados da pesquisa 2014

3519

�Os dados apresentados na Tabela 1, revelam que, embora estejamos em uma
Sociedade da Informação em grande parte devido à facilidade de acesso à informação por
meio eletrônico, a maior parte das fontes de pesquisa que os alunos recorreram correspondeu
aos livros, com 43,5%. Observamos na pesquisa que a maioria desses livros estão em formato
impresso, ou seja, a opção dos alunos ainda se concentra em um fonte de informação formal
e, também, pode ser considerada um ponto tradicional na busca por informação.
O artigo de periódico como fonte de informação foi usado por 14,5% dos alunos,
sendo esta uma fonte de informação primária, de acesso fácil devido ao advento do periódico
eletrônico.
Sendo um curso que se utiliza em sua prática profissional de uma estrutura legal, as
fontes de legislação foram contempladas com 12,4% de uso para a construção dos Trabalhos
de Conclusão de Curso. Com o mesmo percentual de legislação, o uso das fontes identificadas
como sendo de Internet correspondeu a 12,4%, atingindo ambos os tipos de fontes o terceiro
lugar de uso pelos alunos do Curso de Arquivologia.
Os anais de eventos (congressos, seminários, simpósios, etc) alcançaram o percentual
de 6%, revelando o uso da literatura cinzenta, e a credibilidade que a mesma apresenta para
compor um trabalho com uma metodologia científica.
Percentuais menores alcançaram as teses (0,9%), dissertações (3,0%) e monografias
(1,5%). Inferimos que estes resultados tenham ocorrido devido ao Curso de Arquivologia ser
novo e ainda não haver um acervo dessas fontes (dissertações e teses). Contudo, vale ressaltar
a existência e disponibilidade na Internet da Base de Dados de Teses e Dissertações (BDTD)
do Instituto Brasileiro de Informação Ciência e Tecnologia (IBICT). Supomos que o que pode
ocorrer é o desconhecimento, por parte dos concluintes, da disponibilidade dessa importante
fonte de informação para o desenvolvimento dos trabalhos de acadêmicos.
Ainda que pareça uma margem percentual baixa de uso, os dicionários representam
2% das fontes utilizadas pelos concluintes. A interpretação desse dado quantitativo é que há
um uso significativo dessa fonte de informação, pois há uma busca pelos significados dos
termos técnicos da área de Arquivologia que ajudam a esclarecer o conteúdo que foi
desenvolvido.
Outras tipologias de fontes de informação aprecem com um percentual de 3,8%. Este
dado mostra que há um uso de fontes primárias como: atas, regimento, editais e diagnósticos.
Mas também foram usados tabela de temporalidade, apostila (texto) e normas técnicas.

3520

�5.2 Elite de autores
A partir dos dados coletados na pesquisa elencamos os autores mais citados nos
Trabalhos de Conclusão de Curso dos alunos do Curso de Arquivologia. A Tabela 2,
apresenta a seguir os autores por ordem dos mais citados:

Tabela 2: Elite de autores
AUTOR
BELLOTTO, H.L.
PAES, M.L.
LOPES, L.C.
ROUSSEAU, J.; COUTURE, C.
SCHELENBERG, T.R.
ARQUIVO NACIONAL
DUARTE, Z.
GIL, A.C.
CONARQ
JARDIM, J.M.
LE GOFF,
MARQUES, A.A.C.
SÁ-SILVA, J.R.; ALMEIDA,C.D.;GUINDANI, J.F.
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
DEMAIS AUTORES (1= 0,29%)
TOTAL

NÚMERO
7
6
4
4
4
3
3
3
2
2
2
2
2
2
292
338

PORCENTAGEM
2,0%
1,7%
1,2%
1,2%
1,2%
0,9%
0,9%
0,9%
0,6%
0,6%
0,6%
0,6%
0,6%
0,6%
86,4%
100%

Fonte: Dados da pesquisa 2014

Conforme dados apresentados na Tabela 2, dentre as 338 referências apresentadas nos
TCCs dos alunos de Arquivologia, 292 autores foram citados apenas uma vez, o que
correspondeu a 0,2% das citações.

A pesquisa apontou Heloísa Liberalli Bellotto como

autora mais citada, tendo sido referenciada sete vezes (2,0%) dentre o total dos trabalhos
pesquisados. A autora aborda temáticas sobre linguagens documentárias e questões inerentes
a gestão de arquivos permanentes, assim, é bastante utilizada uma vez que as temáticas de
pesquisa dos alunos de Arquivologia estão direcionadas em sua maioria, para aplicação das
práticas arquivísticas, especificamente a gestão dos documentos arquivísticos. Em segundo
lugar, apareceu Marilena Leite Paes, referenciada seis vezes (1,7%). A citada autora aborda
questões sobre a Arquivologia, enfocando a teoria e a prática arquivística através de uma
linguagem concisa e fácil de ser compreendida. Já o autores Luiz Carlos Lopes, Jean-Yves
Rousseau e Carol Couture, Theodore R. Schellenberg, citados quatros vezes cada (1,2%),
referenciam em suas obras assuntos sobre a moderna arquivística administrativa, discorre
sobre a importância da avaliação dos documentos, bem como, a importância de se constituir
uma arquivística integrada, respectivamente. O Arquivo Nacional e a autora Zeny Duarte,

3521

�citados três vezes (0,9%), são reportados respectivamente, o primeiro por trazer em seu
dicionário de descrição arquivística termos e conceitos utilizados na área, o que facilita o
entendimento do pesquisador, por se tratar de uma fonte específica. Sendo a autora citada em
trabalhos cujas temáticas são direcionada à preservação de acervos documentais, bem como,
arquivos de família e pessoal. Os autores citados duas vezes (0,6%), são fontes tidas como
complementares por tratarem de assuntos específicos da arquivística, a exemplo do Conselho
Nacional de Arquivos (CONARQ), que propõe diretrizes para os arquivos e o autor José
Maria Jardim, que elenca em seus estudos e publicações temáticas focadas na gestão e
políticas de arquivos e interdisciplinares como Jacques Le Goff, Jackson Ronie Sá-Silva,
Cristovão Domingos de Almeida e Joel Felipe Guindani, que tratam sobre pesquisa
documental.
Cada área do conhecimento possui sua elite de autores que representa os principais
teóricos daquele campo do saber. Reconhecidamente, "o capital científico possui sua lei
própria de acumulação, sendo normalmente adquirido pela produção científica reconhecida
para o progresso da ciência e legitimada como importante para os agentes científicos"(CAFÉ
et al., 2011, p. 21). Assim, ressaltamos a importância da elite de autores identificada na
pesquisa. Essa elite é reconhecida nessa área do conhecimento não apenas pela quantidade de
suas publicações científicas, mas, sobretudo, por suas ligações a grupos de pesquisas e
instituições de ensino.

5.3 Cronologia das fontes de informação
Conforme as datas em que foram publicadas as fontes de informação, utilizadas pelos
concluintes do Curso de Arquivologia da UFPB, estão distribuídas na Tabela 3, a seguir:

Tabela 3: Cronologia das fontes de informação
PERÍODO
1920-1929
1930-1939
1940-1949
1950-1959
1960-1969
1970-1979
1980-1989
1990-1999
2000-2009
2010TOTAL

NÚMERO
1
2
3
0
4
9
13
67
168
71
338

PERCENTUAL
0,3%
0,6%
0,9%
0%
1,2%
2,7%
3,8%
19,8%
49,7%
21,0%
100%

Fonte: Dados da pesquisa 2014

3522

�A Tabela 3 apresenta a cronologia das fontes de informação usadas pelos alunos de
Arquivologia. No que se refere às data de publicação das fontes de informação, a maioria dos
concluintes utilizou o maior número de fontes de informação referentes ao período de 2000 a
2009 (49,7%) e ao período de 2010 à atualidade (21,0%).

Estes dados demonstram a

preocupação dos alunos em utilizarem literatura recente. Percebemos que as fontes citadas
pelos alunos referentes aos períodos mais antigos (1920-1929, 1930-1939 e 1940-1949)
atingiram percentuais menores de citação (0,3%, 0,6% e 0,9%, respectivamente) e
constituem-se em fontes legislativas, tais como Leis e Decretos. Também constatamos que
não ocorreu nenhuma citação referente ao período de 1950-1959.
5.4

No que refere aos idiomas utilizados pelos alunos do Curso de Arquivologia na

composição de seus TCCs, os resultados da pesquisa são apresentados na Tabela 4, a seguir:

Tabela 4. Idiomas das fontes consultadas
IDIOMA
Português
Inglês
Francês
Espanhol
Total

QUANTIDADE
331
4
2
1
338

PORCENTAGEM
97,9
1,2
0,6
0,3
100

Fonte: Dados da pesquisa 2014

A pesquisa identificou que a maioria dos concluintes usa como idioma a língua
vernácula, em seguida está a língua inglesa com um insignificante 1,18%. O francês e o
espanhol têm um uso quase nulo (0,6% e 0,3%, respectivamente). Inferimos que os alunos
ainda não dominam as línguas estrangeiras.Fica evidente a barreira linguística, visto que, é
fato pela experiência em sala de aula que os alunos não são versados em idiomas, embora
haja o esforço atual de uma ação governamental com o “inglês sem fronteiras” em dotar o
aluno brasileiro de uma segunda língua, neste caso específico a língua inglesa (BRASIL,
2013). Este problema não se reflete apenas em TCCs, mas segue adiante com a produção
científica brasileira tendo pouca abrangência internacional, porque é publicada, em sua
maioria, em língua portuguesa enquanto o idioma adotado na ciência mundial é o inglês
(PACKER, 2011).

3523

�5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A pesquisa desenvolvida para investigar as fontes de informação utilizadas pelos
alunos concluintes do Curso de Graduação em Arquivologia da Universidade Federal da
Paraíba, demonstrou que os alunos utilizaram uma grande variedade de fontes de informação
na construção dos seus TCCs. Certamente, que essa variedade de fontes utilizadas ocorreu em
consequência da grande diversidade de temas abordados nos trabalhos dos alunos.
Embora as fontes de informação utilizadas pelos alunos de Arquivologia sejam em sua
maioria pertencentes ao século XXI, em que há predominância da Internet para o acesso e uso
da informação, o livro impresso ainda detêm um grande prestígio por parte dos alunos de
Arquivologia, pois elegeram essa fonte de informação como a mais utilizada para uma nova
geração de informação científica.
As fontes utilizadas, em sua maioria, são recentes do que inferimos a preocupação dos
concluintes em utilizar literatura atualizada. No que concerne aos idiomas das fontes
utilizadas pelos alunos, a maioria é a língua portuguesa. Inferimos que isso se deve ao fato
deste idioma ser a língua pátria. Quanto aos autores mais citados, estes são os mais indicados
em sala de aula no Curso de Arquivologia da UFPB, apontando de certa forma que serão os
mais utilizados pelos alunos em suas pesquisas, visto que, estes autores são os mais
explorados e referenciados no contexto acadêmico arquivístico. No Brasil, a Arquivologia
ainda é uma área com publicações específicas incipiente, ocasionado falta de materiais no
levantamento das fontes.
A realização da pesquisa deixa claro a importância da biblioteca universitária
conhecer que tipos de fontes de informação são utilizados por seus usuários potenciais, pois
isto pode revelar as suas necessidades de informação. E, certamente, para que a biblioteca
realize a gestão de suas coleções, de forma eficaz, torna-se necessário conhecer o que seus
usuários necessitam para, a partir daí, prover o seu acervo, de forma a atender às reais
necessidades da comunidade universitária.
Recomendamos que a biblioteca universitária conheça seus usuários potenciais por
meio da realização de outras pesquisas que possam demonstrar o uso e o interesse de seus
usuários potenciais, indo além da área de Arquivologia, mas, também, abrangendo outras
áreas do conhecimento, para que a biblioteca possa realizar a contento as suas funções de
mantenedora de recursos informacionais de excelência.

3524

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3526

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <name>Publisher</name>
              <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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                  <text>UFMG</text>
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                <text>Práticas de usuários potenciais da biblioteca universitária: uso de fontes de informação em arquivologia</text>
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                <text>Santos, Edilene Toscano Galdino, Paiva, Eliane Bezerra, Nascimento, Genoveva Batista do</text>
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                <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
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                <text>Visando colaborar com a biblioteca universitária no conhecimento das necessidades informacionais de seus usuários potenciais, realizou-se uma pesquisa de cunho exploratório com o objetivo investigar o uso das fontes de informação utilizadas pelos alunos concluintes do Curso de Graduação em Arquivologia da Universidade Federal da Paraíba, do período de 2011 a 2013. A metodologia incluiu uma pesquisa bibliográfica e uma pesquisa documental, que abrangeu a análise das referências dos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) dos alunos. Para a análise dos dados adotou-se uma abordagem quanti-qualitativa. Os resultados da pesquisa apontam para o uso diversificado de fontes de informação, com ênfase na língua portuguesa e cronologia recente. O tipo de fonte de informação mais utilizado pelos concluintes foram os livros, os quais fundamentam as ideias abordadas nos TCCs. O segundo tipo de fonte mais utilizado foram os artigos de periódicos que, embora tenham uma relativa vantagem em relação aos livros, devido a uma expressiva quantidade apresentada em formato eletrônico, não superaram os livros em formato impresso. A Internet e a legislação foram outras tipologias muito usadas, revelando que o curso emprega uma base conceitual baseada em legislação.Também foram utilizadas: teses, dissertações, monografias e dicionários especializados em Arquivologia. Outros tipos de fontes de informação como tabelas de temporalidade, atas, regimentos, normas técnicas, editais, diagnósticos, apostilas (textos), etc. também estavam presentes, mas em menor proporção. Conclui-se que, embora a Internet seja um recurso muito difundido nos dias atuais, os livros impressos constituem a fonte de informação mais utilizada pelos alunos de Arquivologia.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PRÁTICAS DE TREINAMENTO E PORTAL DE PERIÓDICOS: UM ESTUDO
SOBRE A UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO
Angela Maria Raimundo
Jussara Santos Silva
Sione Galvão Rodrigues
RESUMO
O Portal de Periódicos da CAPES é uma importante fonte de informação, pois contribui,
significativamente, para o desenvolvimento do ensino e de pesquisas em diversos contextos.
Destarte, quanto ao uso do referido portal, este artigo tem como objetivo descrever e analisar
experiências a partir de treinamentos realizados junto à comunidade acadêmica da
Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP. Os treinamentos são viabilizados por meio de
alguns instrumentos metodológicos como, por exemplo, palestras, demonstrações acerca do
uso do portal e, por conseguinte, de atividades práticas a serem realizadas pelos discentes e
pelos docentes. A partir dos dados coletados e das análises desenvolvidas, evidenciou-se a
necessidade de uma estruturação profícua para a realização dos treinamentos, os quais
aperfeiçoarão a busca do conhecimento pelo usuário-pesquisador.
Palavras-Chave: 1. Pesquisa bibliográfica. 2. Portal da CAPES. 3. Fontes de informação. 4.
Tecnologias da Informação. 5. Usuário-Pesquisador.
ABSTRACT
The Scientific Journals Portal CAPES is an important source of information; because it
contributes, significantly, to the development of teaching and research in different contexts.
Thus, regarding the use of this portal, this article aims to describe and analyze experiences
from conducted training to the academic community of the Federal University of Ouro Preto UFOP. The trainings are conducted by some methodological tools such as, lectures,
demonstrations on the use of the portal and, therefore, by practical activities performed by
students and teachers. From the data collected and the analysis developed, it was
demonstrated the necessity of a useful structure for carrying out the training, which will
improve the search for knowledge by the user-researcher.
Key words: 1. Bibliographic Search. 2. Portal CAPES. 3. Sources of information. 4.
Information Technology. 5. Researcher-User.

1 INTRODUÇÃO
Com as novas tecnologias presentes no cotidiano das bibliotecas e de seus
profissionais, alguns serviços oferecidos pelas bibliotecas não são mais presenciais, podendo

3505

�ser remotos ou virtuais. Um destes serviços que sofreu alteração ao longo dos anos foi o
“Serviço de Referência das Bibliotecas Universitárias”. Nesse particular, inicialmente,
tínhamos a relação bibliotecário-usuário e uma grande demanda pelo serviço de referência nas
bibliotecas universitárias, contudo, com o aumento do número de documentos digitais e a
possibilidade de acessá-los, houve uma redução na procura por esse tipo de atendimento
(CUNHA, 2010).
Outrossim, uma ferramenta que contribuiu para independência do usuário em suas
pesquisas foi o surgimento do Portal de Periódicos da CAPES, o qual permite ao pesquisador
estabelecer suas próprias estratégias de busca em bases de documentos digitais. Esse novo
comportamento fez com que os bibliotecários de referência se voltassem para outro serviço
oferecido pelas bibliotecas: o treinamento de usuários.
Nesse trabalho, descreveremos e analisaremos experiências a partir de treinamentos
relativos ao uso do Portal de Periódicos da CAPES junto à comunidade acadêmica da
Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP.

2 REVISÃO DE LITERATURA
O Portal de Periódicos da Capes é uma biblioteca virtual que reúne e disponibiliza às
instituições de ensino e pesquisa no Brasil uma diversidade expressiva da produção científica
mundial, pois conta atualmente com um acervo de mais de 33 mil periódicos nacionais e
internacionais, com 130 bases referenciais, dez bases dedicadas exclusivamente a patentes,
além de livros, enciclopédias e obras de referência, normas técnicas, estatísticas e conteúdo
audiovisual.
Nesse contexto, o presente artigo tem como objetivo analisar a não compreensão dos
pesquisadores/usuários quanto ao uso das ferramentas do Portal de Periódicos da Capes
durante os treinamentos ministrados na Universidade Federal de Ouro Preto pelo SISBIN
(Sistema de Bibliotecas e Informação) ao longo de todos os semestres letivos, de acordo com
a demanda dos discentes e docentes, utilizando-se os laboratórios de computação das
unidades acadêmicas.
No decorrer destes treinamentos, observou-se que mesmo com o avanço da internet e
de outras tecnologias, as quais permitem a utilização de recursos que possibilitam publicar, e
trocar mensagens com outros usuários em tempo real, os pesquisadores/usuários que
participam do treinamento do Portal da Capes ainda têm dificuldade em lidar com as
ferramentas de buscas nas bases de dados.

3506

�Há várias questões que podem exploradas acerca desta problemática como, por
exemplo, o fato de alguns considerarem a interface de busca confusa, devido a mudanças
constantes no portal e, também, ao conhecimento parco dos usuários acerca das línguas
estrangeiras presentes nas ferramentas de busca.
Torna-se relevante mencionar que as ferramentas usadas no portal de periódicos da
CAPES devem ser mais divulgadas e exploradas, à medida que os pesquisadores/usuários
devem saber filtrar e focar bem no seu objetivo, o que lhes permitirá, de certo modo, controlar
o processo de busca de informação.
O aperfeiçoamento do processo de busca pode ser reverberado por meio de
treinamento, de infraestrutura específica e de equipes capacitadas que atendam de modo
eficiente aos pesquisadores/usuários.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Foram analisadas as práticas de treinamento que se balizavam em palestras e
demonstrações, os quais permitem a interação significativa dos usuários participantes, pois
viabilizam a expressão de dúvidas e de dificuldades acerca da utilização das ferramentas do
Portal CAPES. Os equipamentos utilizados durante as exposições foram: computador com
acesso à rede internet e projetor multimídia.
Paralelamente, visando um treinamento mais interativo com os usuários, utilizavam-se
os laboratórios de informática disponíveis na Instituição, para que o usuário pudesse
acompanhar passo a passo o acesso às ferramentas do Portal.
Caso houvesse problemas de acesso à Internet, seria utilizado apenas o projetor
multimídia, buscando-se apresentar as principais informações sobre as ferramentas e as
estratégias para manuseá-las. Os treinamentos duravam aproximadamente duas horas,
variando de acordo com o quantitativo dos usuários participantes.
Verificamos que o Sistema de Bibliotecas e Informação - SISBIN necessita de um
local próprio para realizar estes treinamentos de maneira mais assídua e periódica, para poder
atingir o maior número de usuários por ano. Assim, os usuários se manteriam atualizados
quanto à evolução e ao uso de novas ferramentas do Portal de Periódicos da Capes, bem como
também quanto a outras ferramentas de pesquisa existentes na internet e em outras
instituições.

3507

�4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Ao longo desses anos realizando os treinamentos do Portal de Periódicos da Capes,
para professores, pesquisadores, alunos de graduação e pós-graduação, auxiliares de
biblioteca, bibliotecários, observamos diferentes comportamentos frente às novas ferramentas
de pesquisas oferecidas como, por exemplo, dificuldades no manuseio das ferramentas de
busca, operadores boleanos etc.
Sendo o Portal composto de um número grande de documentos disponíveis para
acesso, é necessário que o usuário-pesquisador defina com clareza e precisão os termos no
momento da pesquisa. Observamos durante os treinamentos que existem muitas dificuldades
na elaboração de uma estratégia de busca. De acordo com Dias, Naves e Moura (2001), a área
do conhecimento define a estratégia específica de recuperação da informação, e somente
algumas estratégias são generalizantes. Portanto, é fundamental que enfatizemos estes
aspectos nas práticas de apresentação e de uso do Portal. Outrossim, o tempo de duas horas
não é suficiente para dar orientação mais específica para o usuário-pesquisador acerca do uso
profícuo do Portal da CAPES.
Em alguns treinamentos, detectou-se a dificuldade de alguns usuários no que diz
respeito ao domínio da língua inglesa. Entretanto, reforçamos a importância do uso do idioma
inglês, pois o uso exclusivo do idioma português limita os resultados das pesquisas.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Apesar de não termos uma estrutura ideal para a realização dos treinamentos, tal como
local adequado e bibliotecário designado, exclusivamente, para essa atividade, sempre há
demanda expressiva por esse serviço.
O interesse majoritário da comunidade acadêmica na realização dos treinamentos
demonstra que se tivéssemos uma equipe de bibliotecários desenvolvendo exclusivamente as
práticas de treinamento junto ao Portal CAPES, os resultados de participação dos usuários
seriam mais representativos e qualitativos.
A implantação de treinamentos periódicos é fundamental, pois a comunidade
acadêmica varia ao longo dos anos, surgindo novos usuários nas bibliotecas e,
consequentemente, novos pesquisadores.

6 REFERÊNCIAS
CAPES. Portal de Periódicos da Capes.Disponível em: www.periodicos.capes.gov.br.&gt;
Acesso em : 04 mar.2013.

3508

�CUNHA, M. B. da. A biblioteca universitária na encruzilhada. DataGramaZero - Revista de
Ciência

da

Informação,

v.11,

n.6,

dez.2010.

Disponível

em:

http://www.dgz.org.br/dez10/Art 07.htm. Acesso em: 09/04/2013.
DIAS, E. W., NAVES, M. M. L., MOURA, M..A.. O usuário-pesquisador e a análise de
assunto. Perspectivas em Ciência da Informação, v.6, n.2, p. 205-221, jul./dez. 2001.
Disponível em: &lt;http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/view&gt; Acesso
em: 09/04/2013.
GIL, A.C. Como elaborar projetos de pesquisa. 5.ed. São Paulo: Atlas, 2010.184p.

3509

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                <text>O Portal de Periódicos da CAPES é uma importante fonte de informação, pois contribui, significativamente, para o desenvolvimento do ensino e de pesquisas em diversos contextos. Destarte, quanto ao uso do referido portal, este artigo tem como objetivo descrever e analisar experiências a partir de treinamentos realizados junto à comunidade acadêmica da Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP. Os treinamentos são viabilizados por meio de alguns instrumentos metodológicos como, por exemplo, palestras, demonstrações acerca do uso do portal e, por conseguinte, de atividades práticas a serem realizadas pelos discentes e pelos docentes. A partir dos dados coletados e das análises desenvolvidas, evidenciou-se a necessidade de uma estruturação profícua para a realização dos treinamentos, os quais aperfeiçoarão a busca do conhecimento pelo usuário-pesquisador.
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                    <text>XVIII SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
SNBU 2014

PRÁTICAS DE LEITURA LITERÁRIA DOS USUÁRIOS DA BIBLIOTECADO IFES
CAMPUS SÃO MATEUS: UM OLHAR SOBRE OS REGISTROS DE
EMPRÉSTIMOS
Rossanna dos Santos Santana Rubim

RESUMO
Objetiva identificar práticas de leitura literária possíveis no âmbito de um grupo de usuários
da comunidade acadêmica do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), circunscritos ao
campus São Mateus, numa perspectiva da História Cultural,tendo como principal aporte
teórico o historiador do livro e da leitura: Roger Chartier. Relatórios gerados pela Biblioteca
fazendo uso do Sistema Integrado de Bibliotecas Pergamum®, compreendendo os anos de
2011 e 2012, serviram de base para a análise. Propôs-se tambémconfrontar os dados
levantados com os rankings da rede social Skoob408, onde leitores de localizações geográficas
e faixas etárias variadas compartilham registros de leitura, seja ela consolidada, intencionada
ou frustrada. A análise dos dados deu conta de caracterizar grupo de leitores literários com
preferências pelas literaturas ditas de massa, sendo que a comparação dos dados coletados
com rankings da rede Skoob permitiu dizer que as figurações de leitura dos leitores do
campus São Mateus vão ao encontro do ali disposto. Verificou-se a importância de promover
melhor conhecimento desse leitor globalizado, apontando também para a necessidade de
estudos outros nesse sentido, tais como os relacionados aos diferentes suportes para escrita.
Palavras-chave: Práticas de leitura; Leitura literária; Figurações de leitores.

ABSTRACT
It aims to identify possible literary reading practices within a group o f users from academic
community at the Instituto Federal do EspíritoSanto (Ifes) , circumscribed in São Mateus
campus, from the perspective of Cultural History ,using as the main theoretical contribution
the books and reading’s historian: Roger Chartier . Reports generated by the library, through
the use of Pergamum® Integrated System for Libraries, comprising the years 2011 and 2012,
has served as analysis base. It’s also proposed to compare the data collected with the rankings
of the social network Skoob, where readers from different geographical locations and age
groups share reading records, whether consolidated, meaningful or frustrated. The data
analysis realized has characterized a group of literary readers with mass’ literatures
preferences, and the comparison of the data collected with Skoob network rankings allowed to
say that the reading figurations of theSão Mateuscampus’ readers will meet those provisions.
It was verified the importance of promoting better understanding of this global reader , which
can come to potentialize actions of reading mediation , such as those related to different
supports of reading.
Keywords: Reading practice, Literary reading; Figurations of readers.
408Rede social cujo propósito é coletarregistros de leituras diversas, sendo alimentada pelos membros
cadastrados (www.skoob.com.br).

3489

�1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Acreditando na importância

de promover estudos

que favoreçam

melhor

conhecimento de usuários de bibliotecas e na busca de certa compreensão de como se figuram
nesse espaço, enquanto leitores literários, é que se apresenta esse trabalho.
Tem como principal objetivo identificar práticas de leitura literária de certo grupo de
usuários, circunscrito ao Instituto Federal do Espírito Santo - campus São Mateus, cotejando
os dados levantados com os disponíveis em rede social nacional de leitura, o Skoob, na
expectativa de vislumbrar, mesmo que superficialmente, aspectos que se entrecruzem, dando
conta de verificar como que a observação de certo ambiente pode auxiliar na compreensão do
um universo mais complexo: o de leitores literários do mundo dito “globalizado”.
O presente importa tanto aos Estudos Literários quanto aos Estudos de Usuários, uma
vez que ambos empenham-se na implementação de ações de mediação da leitura e
consequente conhecimento das questões que perpassam as mesmas.

2 SUBSÍDIOS TEÓRICO-METODOLÓGICOS
Para fundamentar a abordagem desse trabalho serão observadas as considerações de
Roger Chartier, no que se refere à aplicabilidade do olhar da História Cultural no processo de
investigação de práticas inerentes a uma comunidade específica, uma vez que, para o autor, “a
história cultural [...] tem por principal objecto identificar o modo como em diferentes lugares
e momentos uma determinada realidade social é construída, pensada, dada a ler” (1990, p. 16­
17). O autor afirma também que:
A definição de história cultural pode, [no contexto da reflexão efetuada
sobre as noções de representação, prática e apropriação], encontrar-se
alterada. Por um lado, é preciso pensá-la como análise do trabalho de
representação, isto é, das classificações e das exclusões que constituem, na
sua diferença radical, as configurações sociais e conceptuais próprias de
um tempo ou de um espaço (CHARTIER, 1990, p. 27, grifo nosso).
Dessa forma, define-se a comunidade de usuários, potenciais409 e reais, dos serviços da
biblioteca do Ifes Campus São Mateus como sujeito da pesquisa, sendo os relatórios de
circulação de materiais as fontes primárias de coletas de dados, na tentativa de identificar
práticas de leitura literária, ali manifestadas, buscando uma melhor percepção social desse
meio, o que é valorizado por Chartier quanto ele afirma que:
409Denomina-se usuário potencial —
pessoa, grupo ou entidade cujas atividades vinculam-se, direta ou
indiretamente, ao atendimento da missão e dos objetivos estratégicos da organização ou comunidade na qual está
inserida a unidade de informação e podem vir a ser utilizadores dos serviços ou produtos desta unidade”
(CUNHA; CAVALCANTI, 2008, p. 373).

3490

�As percepções do social não são de forma alguma discursos neutros:
produzem estratégias e práticas (sociais, escolares, políticas) que tendem a
impor uma autoridade à custa de outros, por elas menosprezados, a
legitimar um projecto reformador ou a justificar, para os próprios
indivíduos, as suas escolhas e condutas (1990, p. 17).
Ainda baseando-se em Chartier (1990), pode-se dizer desse trabalho que tenha
perspectivas fenomenológicas, quando prioriza o estudo de valores e comportamentos mais
restritos (p. 18).
Espera-se ser possível visualizar se figura-se uma postura “anárquica” do leitor desse
lócus, em relação aos ditos cânones, considerando o discutido por Petrucci (1999) sobre
questões inerentes à chamada “leitura de massa”.
De tudo que foi dito até agora resulta evidente que justamente nas áreas
culturalmente mais adiantadas (Estados Unidos e Europa) vai ganhando
terreno uma forma de leitura de massa que alguns propõem definir
precipitadamente como “pós-modema” e que se configura como “anárquica,
egoística, egocêntrica”, baseada num único imperativo: “leio o que bem
entendo”. [...] ela [a leitura anárquica] nasceu, sobretudo por causa da crise
das estruturas institucionais e ideológicas que até agora haviam sustentado a
preexistente “ordem da leitura”, isto é, a escola como pedagogia da leitura
no interior de determinado repertório de textos autoritários; a Igreja como
propagandista da leitura dirigida a fins devocionais e morais; a cultura
progressista e democratizante que via na leitura um valor absoluto para a
formação do cidadão ideal. Mas ela também é fruto direto de uma
alfabetização de massa mais forte, do acesso ao livro de um número
muito maior de leitores do que há trinta ou cinquenta anos, da crise de

oferta da indústria editorial diante de uma demanda caoticamente nova em
termos de gostos e em termos numéricos. (PETRUCCI, 1999, p. 218, grifo
nosso).
Será observado intervalo temporal de 01/01/2011 a 31/12/2012 (dois anos), período no
qual se baseou a geração de relatórios, com o intuito de potencializar os resultados obtidos,
uma vez que houve dois prolongados momentos de movimento paradista grevista no decorrer
do período citado, valorizando também a identificação de características que venham a
possibilitar possíveis figurações dos leitores literários pertencentes à comunidade que ora se
apresenta como alvo de análise, tais como gênero e curso no qual se encontra matriculado.
A análise será pautada prioritariamente nos relatórios emitidos no Pergamum®, não
sendo possível identificar a faixa etária do usuário real, dado este desconsiderado na
elaboração dos modelos dos referidos documentos em associação com os registros de
circulação, sendo escolhidos os seguintes documentos para análise:
•

Estatística de empréstimo por classificação;

•

Relatório de títulos mais emprestados por área de conhecimento (até a 20a colocação);

3491

�•

Levantamento bibliográfico por classificação;

•

Relação de materiais emprestados: empréstimos no período de 01/01/2011 a
31/12/2012.

Também

serão tabulados dados provenientes de relatório, fornecido pela

Coordenadoria de Registros Acadêmicos, responsável institucional pelos registros de
ingressantes e egressos, contendo dados de distribuição de alunos conforme curso, gênero e
período de matrícula, dentro do intervalo temporal definido, uma vez que há cursos com
períodos semestrais e anuais.
Pretende-se confrontar os apontamentos aqui possíveis com os rankings da rede social
de leitura Skoob, atualizados automaticamente a cada alteração feita pelos seus membros
(inclusão de títulos, alteração de estágio de leitura, manifestações de desejos de leitura),
colocando assim em questão a pertinência dos dados aqui apresentados frente aos diferentes
tempos e espaços das práticas de leitura, o que ao fim, é o principal foco desse trabalho.

3 A BIBLIOTECA DO IFES CAMPUS SÃO MATEUS E OS SEUS USUÁRIOS
O Ifes é uma instituição cuja missão é “promover educação profissional e tecnológica
de excelência, por meio do ensino, pesquisa e extensão, com foco no desenvolvimento
humano sustentável” (INSTITUTO FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO, 2009). Quando da
realização dessa pesquisa, o instituto possuía 17 campi em funcionamento, dentre eles, o
campus São Mateus, que iniciou suas atividades em agosto de 2006. Nesse campus, apesar de
contar com profissional bibliotecário desde sua abertura, a unidade informacional (biblioteca)
iniciou suas atividades no início de 2007, com acervo incipiente, sem a disponibilização de
títulos literários. O desenvolvimento do acervo literário se deu de forma orgânica, ora
absorvendo doações de origens diversas (usuários internos e externos, programas como o
Plano Nacional Biblioteca na Escola - PNBE) ora mediante realização de procedimentos de
compras em atendimento às demandas dos usuários leitores e da necessidade de suporte ao
que se apresenta no currículo da disciplina Língua Portuguesa e Literatura.
A organização dos livros, de acordo com suas classes de assunto, é feita com base na
22a edição da Classificação Decimal de Dewey410(CDD), esquema de classificação
desenvolvido pelo bibliotecário americano Melvil Dewey, que utiliza sistema decimal para a410

410A primeira versão desse esquema foi publicada em 1876, sofrendo alterações variadas até a atualidade. A
Online Computer Library Center, Inc. (OCLC) é responsável pelas ações de revisão e edição de tal publicação,
sendo única detentora de seus direitos autorias (DEWEY, 2003).

3492

�divisão de cada classe de assuntos em subclasses, formando a notação (CUNHA;
CAVALCANTI, 2008, p. 85), a qual norteia a disposição dos livros nas estantes.O Quadro1
ilustra as características de formação do acervo de literatura literária da biblioteca do Ifes
campus São Mateus, de acordo com os agrupamentos de classes nas quais os títulos são
inseridos quando da realização do processamento técnico411.

Quadrol

-

Composição

do

acervo

literário

a

partir

de

análise

do

relatório“Levantamento bibliográfico por classificação”
Notação
CDD
808.89

Literatura Infanto-Juvenil

Classificação

Quantidade
Títulos
Exemplares
139
145

811

Poesia Norte-Americana

3

813

Ficção Norte-Americana

80

3
102

818
820
822

Literatura Norte-Americana - Miscelânea
Literatura Inglesa
Teatro Inglês (Shakespeare)

2
1
11

2
2
11

823

Ficção Inglesa

93

93

823.1
824
828
831
833
838
839.31
839.823
841
843
843.1
846
851
853
853.1
862
863

Contos Ingleses
Ensaios Ingleses
Literatura Inglesa - Miscelânea
Poesia Alemã
Ficção Alemã
Literatura Alemã - Miscelânea
Literatura Holandesa
Ficção Norueguesa
Poesia Francesa
Ficção Francesa
Contos Franceses
Cartas Francesas
Poesia Italiana
Ficção Italiana
Contos Italianos
Teatro Língua Espanhola
Ficção Língua Espanhola

1
1
4
1
3
1
1
2
1
26
1
1
1
4
1
1
9

1
1
4
1
3
1
1
6
1
34
1
1
1
4
1
1
9

869.1

Poesia Brasileira e Portuguesa

73

114

869.2

Teatro Brasileiro e Português

11

23

869.3

Ficção Brasileira e Portuguesa

190

335

869.5
869.6
869.7

Discursos Brasileiros e Portugueses
Cartas Brasileiras e Portuguesas
Sátiras Brasileiras e Portuguesas

1
1
1

3
1
1

869.8

Literatura Brasileira e Portuguesa - Miscelânea

128

165

880.8
883
889.3

Literatura Grega Clássica - Miscelânea
Poesia Épica Grega
Ficção Grega

1
4
1

1
4
1

411Processamento técnico é o “conjunto de atividades às quais um documento é sucessivamente submetido até ser
considerado pronto para ser incluído no acervo e ser usado pela biblioteca” (CUNHA; CAVALCANTI, 2008, p.
293).

3493

�891.593
891.7
891.71
89.73
891.731
891.85
891.853
891.863
892.7
892.78
893.1
895.63

Ficção Afegã
Literatura Russa
Poesia Russa
Ficção Russa
Contos Russos
Literatura Polonesa
Ficção Polonesa
Ficção Tcheca
Literatura Árabe
Literatura Árabe - Miscelânea
Literatura Egípcia
Ficção Japonesa

Total geral

2
1
1
3
2
1
1
2
2
1
1
1

4
1
1
3
2
1
1
2
2
1
1
1

817

1097

Fonte: INSTITUTO FEDERAL DO ESPIRITO SANTO, 2013b.

Elaborada com base nas informações constantes no relatório Levantamento
bibliográfico por classificação(INSTITUTO FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO, 2013b), o
Quadro1 dá conta de caracterizar um acervo variado, disposto de forma a criar opções e ir ao
encontro dos anseios dos usuários reais, presentes e sempre manifestantes de seus desejos de
leitura. Também se observa a predominância de títulos pertencentes às classes literárias:
Literatura infanto-juvenil (muitos títulos dessa classe são provenientes de repasses do PNBE),
Ficção americana, Ficção inglesa e os relacionados à Literatura portuguesa e brasileira
(diversidade atribuída a trabalho de seleção com vistas a dar suporte à disciplina de Língua
Portuguesa e Literatura).
Ainda no mérito do destaque de classes predominantes no acervo ora descrito, de
forma a promover certa compreensão de sua formação, alguns autores ali presentes devem ser
destacados, tais como:
•

Literatura infanto-juvenil:Adriana Falcão, Ana Maria Machado, Fernando Sabino,
Heloisa Prieto, Julio Emilio Braz, Luc Besson, Maria Clara Machado, Marina
Colansanti, Moacir Scliar, Monteiro Lobato, Ricardo Azevedo, Ziraldo;

•

Ficçãonorte-americana: Anne Rice, Dan Brown, F. Scott Fitzgerald, Henry James, L.
J. Smith, Nicholas Sparks, Noah Gordon, P. C. Cast, Ray Bradbury, Stephenie Meyer,
William P. Young;

•

Ficçãoinglesa: A. J. Cronin, Agatha Christie, Arthur Conan Doyle, Bernard Cornwell,
Emily Bronte, J. K. Rowling, J. R. R. Tolkien, Jane Austen, Ken Follet, Lewis Carroll,
Marian Keyes, Oscar Wilde, Robert Louis Stevenson;

•

Poesia portuguesa e brasileira: Arnaldo Antunes, Carlos Drummond de Andrade,
Casimiro de Abreu, Cecília Meireles, Cruz e Souza, Fernando Pessoa, Gonçalves

3494

�Dias, Haroldo de Campos, Luís de Camões, Manoel de Barros, Manuel Bandeira,
Mário de Andrade, Paulo Leminski, Tomás Antônio Gonzaga;
•

Ficção brasileira e portuguesa: Aluísio Azevedo, Álvares de Azevedo, Eça de
Queiroz, Érico Veríssimo, Graça Aranha, Jô Soares, Joaquim Manoel Macedo, Jorge
Amado, José de Alencar, José Lins do Rego, Lima Barreto, Machado de Assis,
Manuel Antônio de Almeida, Paulo Coelho, Reinaldo dos Santos Neves;

•

Literatura brasileira e portuguesa - Miscelânea: Adélia Prado, Elisa Lucinda,
Ferreira Gullar, Lourenço Diaféria, Luís da Câmara Cascudo, Luís Fernando
Veríssimo, Luiz Vilela, Marçal Aquino, Murilo Rubião, Paulo Mendes Campos,
Stanislaw Ponte Preta, Thiago de Mello.

O apontamento dos autores acima não foi realizado com a pretensão de defini-los
como sendo canônicos ou não. Figuram tais nomes aqui como meros instrumentos
ilustrativos, selecionados aleatoriamente durante a leitura dos documentos que são objeto de
avaliação desse estudo, com o intuito de confirmar a variedade de oferta de títulos de
literatura literária que porventura fique implícita pela apresentação de dados noQuadro1.
De forma geral, encontravam-se então cadastrados no sistema de gestão de acervo 817
títulos literários, totalizando 1097 exemplares disponíveis para circulação, o que pode ser
relevante se considerado o quantitativo de usuários potenciais dos serviços da biblioteca
ativos no período definido para análise, o que pode ser visualizado no Quadro 2.
Observa-se que existe predominância do gênero masculino na comunidade acadêmica,
excetuando-se os casos dos cursos técnicos integrados ao ensino médio, nos quais tal
predominância não é acentuada.
Mesmo que não tenham sido fornecidos relatórios com dados relativos à faixa etária
da comunidade pesquisada, fundamentando-se em uma percepção possível a partir da
convivência cotidiana com os sujeitos, afirma-se que há acentuada predominância de público
de adolescentes e jovens.

3495

�Quadro2 - Usuários potenciais para o período de 01/01/2011 a 31/12/2012, divididos por
cursos e gêneros (quantitativo médio)*________ __________________________________
Gênero

Ano
2011

2012

Masculino
Feminino

85
6

117
12

Total
Média para os dois anos

91
110

129

154
79

113
60

233
203

173

Média para os dois anos

Masculino
Feminino

167
98

135
76

Total
Média para os dois anos

265
238

211

Masculino
Téc em Mecânica Feminino
Integrado ao Ensino
Total
Médio

55
50

70
60

105
118

130

Masculino
Téc. em Eletrotécnica Feminino
Integrado ao Ensino
Total
Médio

63
40

77
52

103
116
111
896

129

Curso

Engenharia
Mecânica

Masculino
Técnico
em Feminino
MecânicaConcomitante Total
Técnico
Eletrotécnica
Concomitante

em

Média para os dois anos

Média para os dois anos
Servidores e estagiários Total
Média geral de usuários para os dois anos

* Houve necessidade de trabalhar com valores médios por ano, devido ao formato diferenciado de
divisão de períodos letivos (Engenharia e Concomitantes dividem-se em semestres letivos).
Fonte: Sistema Acadêmico, 2013.

4 ANÁLISE DO HISTÓRICO DE EMPRÉSTIMOS
Uma vez já apresentadas as características dos usuários que compõem a comunidade
acadêmica do Ifes campus São Mateus, usuários potenciais dos serviços da biblioteca, serão
analisados osregistros inerentes aos movimentos de circulação de materiais literários. Para tal
serão apresentados dados provenientes da análise dos seguintes documentos gerados pelo
Sistema Pergamum®: Relatório de materiais emprestados: empréstimos no período de
01/01/2011 a 31/12/2012, Estatística de empréstimo por classificação e Relatório de títulos
mais emprestados por área de conhecimento (até a 20a colocação).
Inicialmente, a tabulação dos dados constantes no Relatório de materiais
emprestados: empréstimos no período de 01/01/2011 a 31/12/2012(INSTITUTO FEDERAL
DO ESPÍRITO SANTO, 2013c) evidenciam que 303 (33,82%) dos 896 usuários potenciais
para o período pesquisado configuraram-se como usuários reais dos serviços de empréstimo
de literatura literária do acervo da biblioteca do Ifes campus São Mateus. Desses usuários
reais, identificam-se 140 do sexo masculino (46,2%) e 163 do sexo feminino (58,2%).

3496

�Gráfico 1 - Total de empréstimo de acervo literário no período de 01/01/2011 a
31/12/2012 - categoria curso x gênero.

Fonte: INSTITUTO FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO, 2013 c.
O Gráfico 1apresenta o quantitativo de empréstimos literários realizados no intervalo
temporal aqui citado, considerando as categorias relativas ao curso e gênero do usuário. Em
relação a tal apresentação, cabem algumas observações:
•
•

•

•

no cômputo geral de usuários reais, sobressaíram-se, de forma acentuada, os de gênero
feminino;
excetuando-se as turmas de Engenharia Mecânica e Técnico em Mecânica
Concomitante, há expressivo destaque para as alunas dos demais cursos, o que
favorece a afirmação de que a parte substancial dos empréstimos é feita para os
usuários do sexo feminino;
o quantitativo de empréstimos registrados pelos usuários matriculados nos cursos da
área de Mecânica pode ter sido afetado por uma questão de infraestrutura inerente à
realidade do Ifes campus São Mateus, que opera em duas instalações físicas
distanciadas por aproximadamente 7 km, ficando a biblioteca localizada no bairro
Litorâneo, cujo acesso é pouco favorecido pela rede de transporte municipal;
pode-se afirmar que há grande número de adolescentes usuários, uma vez que a maior
quantidade de registros de empréstimos é apresentada nas turmas dos cursos
vinculados ao ensino médio: Técnico Integrado em Eletrotécnica e Técnico Integrado
em Mecânica, sendo que este último, mesmo diante das limitações geográficas, se faz
pontualmente representado nos registros de empréstimos;

3497

�Na tentativa de trazer a conhecimento o que tem sido lido pelo usuário real
caracterizado até aqui, será demonstrada noQuadro3 a quantidade de empréstimos realizadas,
ordenadas de forma decrescente e tendo como referência as classes e subclasses de vários
tipos de literatura, tomando-se o esquema da CDD como referência.

Quadro3 - Quantidades de empréstimos por área do conhecimento - período 01/01/2011
a 31/12/2012
Quantidade de
NotaçãoCDD
Classificação
Empréstimos
813
890
Ficção Norte-Americana
823
883
Ficção Inglesa
869.3
368
Ficção Brasileira e Portuguesa
869.8
162
Literatura Brasileira e Portuguesa - Miscelânea
808.89
Literatura Infanto-Juvenil
120
843
89
Ficção Francesa
869.1
55
Poesia Brasileira e Portuguesa
891.593
55
Ficção Afegã
808.8
51
Antologias de mais de duas literaturas
863
17
Ficção da Língua Espanhola
839.82
17
Ficção Norueguesa
869.2
17
Teatro Português e Brasileiro
839.31
15
Literatura Holandesa
828
13
Literatura Inglesa - Miscelânea
822.33
11
Teatro Inglês (Shakespeare)
838
10
Literatura Alemã - Miscelânea
891.7
8
Literatura Russa
808.86
6
Carta - Coletânea
839.823
6
Ficção Norueguesa
818
5
Literatura Norte-Americana - Miscelânea
851
5
Poesia Italiana
883
5
Poesia Épica Grega
891.85
5
Literatura Polonesa
846
3
Cartas Francesas
820
2
Literatura Inglesa
824
2
Ensaios Ingleses
841
2
Poesia Francesa
853
2
Romance Italiano
868
2
Literatura Espanhola - Miscelânea
891.863
2
Ficção Tcheca
895.63
2
Ficção Japonesa
811
1
Poesia Norte-Americana
823.1
1
Contos Ingleses
843.1
1
Contos Franceses
891.731
1
Contos Russos
891.853
1
Ficção Polonesa
Fonte:
INSTITUTO
FEDERAL
DO
ESPÍRITO
SANTO,
2013 a.

3498

�OQuadro 3 apresenta destaque gráfico para as três classes com maior número de
registro de empréstimo, números esses que se diferenciam dos demais de forma acentuada. Há
ainda uma diferença importante nos quantitativos da segunda e da terceira colocação, que se
distanciam em 515 empréstimos. Tais dados levam a crer que há certa inclinação à leitura de
títulos de literatura estrangeira, mais precisamente a norte-americana e a inglesa.
Mesmo diante do distanciamento citado, perceptível a partir da leitura dos dados
relativos às classes literárias, os empréstimos de títulos de Ficção Brasileira e Portuguesa se
fazem presentes no cotidiano dos leitores do Ifes campus São Mateus, restando apenas
especular se para cumprimento de atividades curriculares ou se para atendimento aos anseios
do leitor que se compraza dessa representação literária. Questionamentos não passíveis de
respostas por meio da simples análise dos registros de empréstimo.

Quadro 4 - Os títulos de literatura mais emprestados (5 primeiras colocações) no
período 01/01/2011 a 31/12/2012 ____________________________________ __________
Classe

Colocação

1°
2°
3°
4°
5°

Título/Autor

A cabana/ William P. Young
Anjos e demônios/ Dan Brown
Ficção Americana
Diários do vampiro [II/ L. J. Smith
O código Da Vinci/ Dan Brown
Crepúsculo/ Stephenie Meyer
As crônicas de Nárnia/ C. S. Lewis
1°
O menino do pijama listrado/ John Boyne
2°
Melancia/ MarianKeyes
3°
Ficção Inglesa
Harry Potter e a pedra filosofal/ J. K. Rowling
4°
Harry Potter e a câmara secreta/ J. K. Rowling
Como viver eternamente/ Sally Nicholls
5°
O Senhor dos anéis/ J. R. R. Tolkien
1°
O vendedor de sonhos/ Augusto Cury
2°
Vidas secas/ Graciliano Ramos
Assassinatos na Academia Brasileira de Letras/
Jô Soares
3°
Ensaio sobre a cegueira/ José Saramago
Memórias de um sargento de milícias/ Manuel
Ficção Brasileira e
Antônio de Almeida
Portuguesa
A escrava Isaura/ Bernardo Guimarães
O semeador de ideias/ Augusto Cury
4°
O clube dos anjos/ Luís Fernando Veríssimo
O Xangô de Baker Street/ JôSoares
Iracema/ José de Alencar
5°
Senhora/ José de Alencar
Fonte: INSTITUTO FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO, 2013d.

Quantidade
de
empréstimos

71
57
39
37
31
60
60
31
29
28
25
25
21
13
11
11
11
10
10
10
10
9
9

3499

�No Quadro 4, apresentado anteriormente, as três categorias destacadas quando da
tabulação de quantidade de empréstimo por classes (Ficção Americana, Ficção Inglesa e
Ficção Brasileira e Portuguesa) são tomadas como referência para listar os títulos que ocupam
as 5 primeiras colocações dentre os mais emprestados.
Nota-se um comportamento diferenciado na evolução decrescente de registros de
empréstimo por classe, principalmente se mais colocações forem transcritas, o que não se fez
possível haja vista a brevidade necessária à produção desse trabalho. Porém, mesmo não
trazidas para o texto, a análise dos registros dispostos no Relatório de títulos mais
emprestados por área de conhecimento (INSTITUTO FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO,
2013d), dá margem a algumas percepções, como por exemplo: as diferenças apresentadas nos
quantitativos de empréstimos das categorias de Ficção Norte-Americana e Inglesa, de acordo
com as colocações, diminuem de forma mais discreta do que as diferenças relativas à
categoria Ficção Brasileira e Portuguesa. O primeiro colocado dessa categoria registra 21
empréstimos, equiparando-se ao 7° colocado da classe Ficção Inglesa (O morro dos ventos
uivantes/ Emile Bronte) e ao 10° colocado da Ficção Norte-Americana (Fortaleza Digital/Dan
Brown).
Comparando os dados de composição do acervo e os de movimentos de empréstimo,
constata-se também que não houve empréstimos de títulos de algumas categorias literárias,
tais como: Contos Italianos, Ficção Alemã, Ficção Grega, Ficção Italiana, Ficção Russa,
Literatura Árabe, Literatura Árabe - Miscelânea, Literatura Egípcia, Literatura Grega Clássica
- Miscelânea, Literatura Holandesa, Poesia Alemã, Sátiras Brasileiras e Portuguesas, Teatro
Língua Espanhola.

5 REDES SOCIAIS DE LEITURA: O SKOOB EM CENA
Antes que se apresentem considerações de encerramento, no intuito de verificar,
timidamente, como se apresentariam as percepções relativas às preferências de leitura,
identificadas a partir desse estudo, se confrontadas com fontes externas que expressassem
dados relativos ao cenário da leitura literária, serão essas percepções comparadas com dois
dosrankings disponibilizados pela rede social brasileira de leitura Skoob

, relativos à prática

de leitura, sendo: Top Mais Lidos (baseado na totalização de livros efetivamente lidos, assim
classificados pelo membro da rede social)e Top Favoritos.

412 O nome é uma referência à palavra inglesabooks (livros).

3500

�Pontue-se que o Skoob não tem pretensões em relação a classificar o leitor que se
torna usuário, não lhe atribuindo categorias ou apresentando dados estatísticos para os
mesmos. O objetivo principal de utilização é a manifestação explícita dos atos de que
envolvam a leitura de um livro, desde o desejo manifesto de fazê-lo ao simples ato de
abandonar a leitura. O usuário da rede pode acessar o cadastro de um livro, ou até mesmo
criar um, caso não exista, compartilhando com os demais seu ritmo de leitura, a nota dada à
obra, se configura-se favorito, se tem desejo de obtê-lo, se está realizando releitura etc.
Os rankings gerados pelo Skoob recuperam 100 colocações cada. Porém, foi realizado
recorte da tela destacando somente até a 20a colocação, mesmo limite estabelecido para
emissão dos relatórios de títulos mais emprestados no Sistema Pergamum®. As Figuras 1 e 2,
apresentadas a seguir, trazem os registros de livros cadastrados como mais lidos e os
considerados “favoritos” pelos membros da rede social, quando do período de coletas de
dados (21 de junho de 2013), uma vez que tais “relatórios” são atualizados automaticamente,
na medida em que são realizadas interferências por parte dos usuários.
Figura 1 - Print screen Skoob - Top Mais Lidos

Fonte: SKOOB, 2013.
Figura 2 - Print screen Skoob- Top Favoritos

Fonte: SKOOB, 2013.

3501

�A Figura 1, que representa o rnking de títulos mais lidos pelos membros do Skoob,
considerando até a 20a colocação, dispõe:7 títulos pertencentes à categoria Ficção Inglesa, 11
da Ficção Norte-Americana, 1 da Ficção Francesa e 1 da Ficção Brasileira e Portuguesa. Já a
Figura 2, que representa o ranking dos títulos considerados favoritos pelos membros da rede,
dispõe: 11 títulos da categoria Ficção Norte-Americana, 8 da Ficção Inglesa e 1 da Ficção
Francesa. Em relação a essas duas listas, observa-se a recorrência de alguns títulos que
ocupam tanto posições de destaque entre os mais lidos quanto entre os favoritos.
Ao confrontar essas listas com os dados obtidos a partir da análise das práticas dos
usuários dos serviços da biblioteca do Ifes campus São Mateus, é possível observar a
ocorrência comum de alguns títulos apontados como mais emprestados pelos usuários reais da
Instituição. Uma leitura mais detalhada do Relatório de títulos emprestados por área do
conhecimento (INSTITUTO FEDERAL DO ESPIRITO SANTO, 2013d) permite também
identificar a ocorrência de empréstimo de quase todos os títulos ilustrados em ambas as
figuras, ocupando colocações diferenciadas. Registra-se a exceção de ocorrência apenas do
título “A culpa é das estrelas”, de autoria do americano John Green.
Assim, não seria imprudente dizer que a comunidade de leitores literários, objeto de
estudo desse trabalho, no que se refere às suas preferências, está inserida num contexto mais
amplo, que extrapola os limites da instituição a qual estão vinculados.Igualmente, é possível
afirmar que a projeção ora realizada dá a entender que há validade nos dados coletados para o
propósito do estudo, mesmo observada a variação temporal entre os documentos avaliados,
que são referentes a momentos findos, imutáveis; e os dados provenientes da rede social, que
sofrem mudanças baseadas nas condições de alteração frequentes de usuários, buscando trazer
informações de preferências de certa forma “contextualizadas” ao momento atual.

6 LEITURAS OUTRAS QUE SE FAZEM POSSÍVEIS
Uma vez feita a leitura de todos os documentos propostos, poderia ser dito dos leitores
literários do Ifes campus São Mateus que são em sua maior parte adolescentes e jovens, com
predominância importante feminina e que apresentam grande interesse por literaturas
estrangeiras não canônicas, proposições estas baseadas principalmente nas informações
provenientes dos relatórios de onde constam os levantamentos de empréstimos realizados.
Essa propensão à leitura literária de massa vai ao encontro do observado porPetrucci
(1999) sobre mudanças que tem se apresentando nas práticas de leitura. Configura-se
entãouma “desordem na leitura”, sendo caracterizado o leitor como “anárquico”.O olhar do
autor, embora temporalmente distancie-se mais de dez anos da pesquisa aqui retratada, vai ao

3502

�encontro de questionamentos atuais a respeito do que realmente move o dito leitor anárquico,
este que “lê o que bem entende”. Busca-se, enfim, compreender como mediar leitura literária
em tempos de globalização, o que talvez pudesse se dizer ser uma ação um tanto quanto
pretensiosa.
O universo aqui detalhado favorece ainda inquietações no âmbito das motivações de
leitura, fomentando questões a respeito das razões que impulsionam leitores jovens quando de
suas escolhas de leitura. Seriam tais escolhas definidas por necessidades correspondentes às
situações vividas por cada um, ressalvadas as peculiaridades que a distinguem? Para
Bamberger (1986, 11), esse seria um cenário.
Não se questiona ou se coaduna com o proposto pelo autor citado, mas frente ao
apresentado claramente como preferência do público ora analisado, reforça-se a importância
de buscar compreensão dos modos e opções de leitura do leitor contemporâneo. Porém, o
presente exposto não dá conta de discutir essa temática e nem de trazer à luz considerações
factuais sobre os comportamentos de leitores literários, enviesados aos fatores motivadores.
Vislumbra-se a possibilidade de dar continuidade a uma proposta de pesquisa que
procure entender as práticas das quais esse trabalho tenta dar conta, não deixando de importarse com o “processo de apropriação do texto”, considerando aí também os diversos suportes ao
texto hoje existentes, o que para Chartier (1999) está diretamente relacionado à história das
leituras e dos leitores.
Pensando ter deixando contribuições válidas para os estudos de compreensão das
práticas de leitura literária possíveis atualmente, encerra-se esse estudo, não acreditando ter
apontado para posicionamentos definitivos, mas na expectativa de propiciar debates outros
com o objetivo de melhor compreender como o leitor se apropria do texto, tanto para
implementação de ações de cumprimento ao currículo acadêmico quanto para melhor
integração com a aldeia global de leitores, com características que são estranhas a muitos, e
quese apresenta cada vez mais fortalecida.

REFERÊNCIAS
BAMBERGER, Richard. Como incentivar o hábito de leitura. 1. ed. São Paulo: Cultrix,
1986.
CHARTIER, Roger. Por uma sociologia histórica das práticas culturais. In: ______. A
história cultural entre práticas e representações. 2. ed. Rio de Janeiro: Difel, 1990. p. 13 a
28. (Memória e sociedade).

3503

�______. Leituras e leitores “populares” da Renascença ao período clássico. In: CAVALLO,
Guglielmo; CHARTIER, Roger. História da leitura no mundo ocidental 2. São Paulo:
Ática, 1999.
CUNHA, Murilo Bastos da; CAVALCANTI, Cordélia Robalinho de Oliveira. Dicionário de
biblioteconomia e arquivologia. Brasília: Briquet de Lemos, 2008.
DEWEY, Melvil. Dewey decimal classification and relative index.22. ed. Dublin, Ohio:
OCLC, 2003.
INSTITUTO FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO [site]. Identidade [missão]. Vitória: Ifes,
2009. Disponível em: &lt;http://www.ifes.edu.br/institucional/33-identidade&gt;. Acesso em 5
maio 2013.
INSTITUTO FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO. Estatística de empréstimo por
classificação .[São Mateus, ES]: [Ifes], 2013a. 71 p. Relatório gerado em 09 maio 2013
utilizando o Sistema Integrado de Bibliotecas Pergamum®.
______. Levantamento bibliográfico por classificação. [São Mateus, ES]: [Ifes], 2013b. 71
p. Relatório gerado em 09 maio 2013 utilizando o Sistema Integrado de Bibliotecas
Pergamum®.
______. Relação de material emprestado: período de 01/01/2011 a 31/12/2012. [São
Mateus, ES]: [Ifes], 2013c. 365 p. Relatório gerado em 09 maio 2013 utilizando o Sistema
Integrado

de

Bibliotecas

Pergamum®

.

______. Relatório de títulos mais emprestados por área de conhecimento.[São Mateus,
ES]: [Ifes], 2013d. 37 p. Relatório gerado em 09 maio 2013 utilizando o Sistema Integrado de
Bibliotecas

Pergamum®.

PETRUCCI, Armando. Ler por ler: um futuro para a leitura. In: CAVALLO, Guglielmo;
CHARTIER, Roger. História da leitura no mundo ocidental 2. São Paulo: Ática, 1999.
SISTEMA ACADÊMICO. Relatório quantitativo de alunos matriculados em 2011 e 2012.
[São Mateus]: s.n., 2013. Relatório emitido em 01 jun 2013 utilizando o Sistema Acadêmico
Qualidata.
SKOOB

[site].Top

mais.S.l.:

s.n.,

2013.

Disponível

em:

&lt;http://www.skoob.com.br/livro/top_mais/&gt;. Acesso em 20 jun 2013.

3504

�</text>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Objetiva identificar práticas de leitura literária possíveis no âmbito de um grupo de usuários da comunidade acadêmica do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), circunscritos ao campus São Mateus, numa perspectiva da História Cultural,tendo como principal aporte teórico o historiador do livro e da leitura: Roger Chartier. Relatórios gerados pela Biblioteca fazendo uso do Sistema Integrado de Bibliotecas Pergamum®, compreendendo os anos de 2011 e 2012, serviram de base para a análise. Propôs-se tambémconfrontar os dados levantados com os rankings da rede social Skoob408, onde leitores de localizações geográficas e faixas etárias variadas compartilham registros de leitura, seja ela consolidada, intencionada ou frustrada. A análise dos dados deu conta de caracterizar grupo de leitores literários com preferências pelas literaturas ditas de massa, sendo que a comparação dos dados coletados com rankings da rede Skoob permitiu dizer que as figurações de leitura dos leitores do campus São Mateus vão ao encontro do ali disposto. Verificou-se a importância de promover melhor conhecimento desse leitor globalizado, apontando também para a necessidade de estudos outros nesse sentido, tais como os relacionados aos diferentes suportes para escrita.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PRÁTICA PROFISSIONAL CURRICULAR DO CURSO DE BIBLIOTECONOMIA
DA FURG: A EXPERIÊNCIA DA BIBLIOTECA SETORIAL DA PÓS-GRADUAÇÃO
EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL - SALA VERDE JUDITH CORTESÃO
Cibele Vasconcelos Dziekaniak
Graziele Oliveira

RESUMO
O artigo relata a experiência da Biblioteca Setorial da Pós-Graduação em Educação
Ambiental - Sala Verde Judith Cortesão, da Universidade Federal do Rio Grande (FURG),
como local de realização da Prática Profissional Curricular do Curso de Biblioteconomia da
FURG. Retrata a importância da parceria desta biblioteca para a realização contínua dos
estágios curriculares, uma vez que contribui tanto para o aprimoramento acadêmico dos
alunos, quanto para o aprimoramento dos serviços de informação prestados, visto que a
diversidade das atividades desenvolvidas pelos estagiários contribuem para o
desenvolvimento de novos projetos, produtos e serviços, assim como auxiliam no fluxo diário
das atividades técnicas, culturais e sociais. Aborda a metodologia de estágio curricular
obrigatório utilizada pelo Curso de Biblioteconomia da FURG, denominada em seu Projeto
Pedagógico como Prática Profissional Curricular. Parte da premissa de que esta metodologia
estimula o discente na busca de soluções para os problemas com que se depara no dia-a-dia de
uma unidade informational, enfatizando o trabalho em equipe, bem como permite ao educando
a vivência dos conteúdos teóricos e metodológicos estudados, além de oportunizar o
aprimoramento de suas habilidades, de modo a facilitar suas escolhas no mercado de trabalho,
conforme suas aptidões e interesses. Conclui que a realização da Prática Profissional
Curricular na referida biblioteca atingiu os objetivos da bibliotecária coordenadora, da
estagiária e do Curso de Biblioteconomia, uma vez que contribuiu tanto para o aprimoramento
da organização e dos serviços de informação prestados, como também alcançou os objetivos
propostos no plano de estágio. Portanto, a Prática Profissional Curricular realizada
proporcionou à estagiária, além do aprendizado técnico, o aprendizado social e cultural.
Palavras-Chave: Prática Profissional Curricular; Curso de Biblioteconomia da FURG;
Serviços de informação; Biblioteca universitária; Projeto Sala Verde.

ABSTRACT
The article reports the experience Sector Library of Post-Graduation in Environmental
Education - Judith Cortesão Green Room, of the Federal University of Rio Grande (FURG),
as a local of the Professional Curriculum Practice of FURG Library Course. It portrays the
importance of this library partnership for the continued implementation of internships, since it
not only contributes to the academic improvement of the students but also for the
improvement of information services provided, considering that the diversity of activities
undertaken by trainees contribute to the development of new projects, products and services,
as well as they help the daily flow of technical, cultural and social activities. It studied the

3475

�methodology used by the compulsory internship applied by the Library course at FURG,
named in its pedagogical project as Professional Curricular Practice. It assumes that this
methodology encourages students to seek solutions to the problems they would face on a dayto-day informational unit, emphasizing teamwork and that it allows the student to experience
the theoretical and methodological concepts studied. Besides, this methodology provides the
opportunity for enhancing their skills, in order to facilitate their choices in the labor market,
according to their abilities and interests. It concludes that the Professional Practice Course in
the referred library achieved the objectives of the librarian coordinator, of the intern, and
those of the Library Course, since the unit contributed to the improvement of the organization
and information of the provided services, as well as achieved the objectives of the internship
plan and of the pedagogical course design. Therefore, the Professional Curricular Practice
provided to the intern, beyond the technical knowledge, social and cultural learning.
Keywords: Professional Curricular Practice; FURG Library Course; Information services;
University library; Green Room Project.

1 INTRODUÇÃO
Definir unidades informacionais aptas e que tenham interesse na realização contínua
dos estágios curriculares dos Cursos de Biblioteconomia não é algo tão simples assim. Além
do interesse da unidade informacional, a mesma tem que ser uma unidade promissora e que
agregue valor às atividades práticas desenvolvidas pelos estagiários.
O mesmo ocorre com o Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Rio
Grande (FURG). Conseguir vagas necessárias nas unidades de informação existentes na
cidade de Rio Grande/RS e região para a realização dos estágios tornou-se um árduo trabalho,
visto que o número de vagas oferecidas para cursar Biblioteconomia foi ampliado no decorrer
dos anos.
Sendo assim, o Curso de Biblioteconomia da FURG requer, em média, 40 vagas para
a realização dos estágios curriculares obrigatórios dos discentes em unidades informacionais
parceiras e promissoras. A partir de 2006, o curso implementou uma nova metodologia para a
realização dos estágios, denominada em seu Projeto Pedagógico como “Prática Profissional
Curricular”. Esta metodologia exige que os estágios permaneçam organicamente vinculados às
disciplinas, a fim de permitir ao educando a vivência dos conteúdos teóricos e metodológicos
estudados, que tenham caráter colegiado e que estejam sob a responsabilidade de um
Coordenador de Estágios Supervisionados, que deve ser indicado pelo Colegiado do Curso,
dentre os professores da FURG da área de Biblioteconomia (FURG, 2006).
A Biblioteca Setorial da Pós-Graduação em Educação Ambiental - Sala Verde Judith
Cortesão da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) foi fundada em agosto de 2006 e
ofereceu poucas oportunidades de estágios, visto que passou alguns anos sem atuação diária

3476

�de um bibliotecário. A partir de 2012, a biblioteca passou a contar com a gestão de uma
bibliotecária, sendo possível novamente a realização de estágios no local.
A procura por esta biblioteca para a realização da Prática Profissional Curricular do
Curso de Biblioteconomia da FURG, após retorno de um bibliotecário coordenador, não se
deu pelo Curso de Biblioteconomia, nem mesmo foi a biblioteca que ofereceu a vaga, mas se
deu a pedido de uma discente do curso. Após consentimento da bibliotecária coordenadora da
biblioteca, a discente solicitou vaga à coordenação de estágios do curso, que justificou sua
decisão positiva, em razão da diversidade das atividades desenvolvidas por esta unidade de
informação, da experiência da bibliotecária coordenadora e da sua atuação interdisciplinar no
ensino, pesquisa e extensão.
Tal experiência retrata a importância da parceria da Biblioteca Setorial da PósGraduação em Educação Ambiental - Sala Verde Judith Cortesão com o Curso de
Biblioteconomia para a realização contínua dos estágios curriculares, uma vez que contribui
tanto para o aprimoramento acadêmico dos alunos, quanto para o aprimoramento da
organização e dos serviços de informação prestados por ela, visto que a diversidade das
atividades desenvolvidas pelos estagiários contribuem para o desenvolvimento de novos
projetos, produtos e serviços, assim como auxiliam no fluxo diário das atividades técnicas,
culturais e sociais.
Parte-se da premissa de que a realização da Prática Profissional Curricular do Curso de
Biblioteconomia da FURG nesta biblioteca universitária corrobora com a metodologia
proposta pelo Projeto Pedagógico do Curso para a realização dos estágios, visto que estimula
o discente na busca de soluções para os problemas com que se depara no dia-a-dia de uma
unidade informational, estimula o trabalho em equipe, bem como permite ao educando a
vivência dos conteúdos teóricos e metodológicos estudados, além de oportunizar o
aprimoramento de suas habilidades, de modo a facilitar suas escolhas no mercado de trabalho,
conforme suas aptidões e interesses.
Objetiva-se com este estudo relatar a experiência da Biblioteca Setorial da PósGraduação em Educação Ambiental - Sala Verde Judith Cortesão como local de realização da
Prática Profissional Curricular do Curso de Biblioteconomia da FURG, por meio do relato das
contribuições técnicas, sociais e culturais oferecidas aos estagiários, bem como descreve a
metodologia desenvolvida pela bibliotecária coordenadora e utilizada para a organização e
execução das atividades práticas e interdisciplinares a serem realizadas, a fim de atingirem os
objetivos propostos nos plano de estágio.

3477

�O estudo aponta para a importância da parceria desta unidade de informação com o
Curso de Biblioteconomia da FURG para a realização permanente dos estágios e a ampliação
de vagas, já que esta oferece aos discentes a possibilidade de exercerem plenamente todas as
atividades técnicas da área biblioteconômica, bem como o aprendizado social e cultural, visto
que se trata não apenas de uma biblioteca universitária, mas também de uma biblioteca
especializada nas temáticas de meio ambiente, ecologia e educação ambiental, onde são
desenvolvidos projetos de extensão à comunidade local e regional, e por fazer parte também
de um projeto, coordenado pela Diretoria de Educação Ambiental do Ministério do Meio
Ambiente (DEA/MMA) denominado “Projeto Sala Verde”405.

2 ESTÁGIO CURRICULAR OBRIGATÓRIO
O estágio curricular obrigatório oportuniza aos discentes assimilarem a teoria da sala
de aula com a prática, ou seja, conhecerem a realidade do dia a dia e o que é indispensável
para o futuro profissional preparar-se para ingressar no mercado de trabalho. Deste modo, é
possível perceber o que o acadêmico ainda necessita aprender ou aperfeiçoar-se, isto é, por
meio do estágio se torna possível identificar as deficiências e falhas do seu aprendizado,
podendo assim, aprimorar sua formação.
Fujino e Vasconcelos (2010, p. 41) destacam que:
O estágio como atividade essencialmente pedagógica deve ser capaz de
estimular o conhecimento crítico da realidade social e sensibilizar o aluno
para o atendimento de necessidades sociais balizadas por valores éticos que
devem orientar sua prática profissional.

Com a publicação da Lei n° 6.494, de 7 de dezembro de 1977, conhecida como Lei do
Estágio, se estabeleceu maior aproximação entre o mercado de trabalho e a educação. De
acordo com a referida Lei, considera-se estágio curricular:
As atividades de aprendizado social, profissional e cultural, proporcionadas
ao estudante pela participação em situações reais de vida e trabalho em seu
meio, sendo realizadas na comunidade em geral, ou junto a pessoas jurídicas
de direito público ou privado sob responsabilidade e coordenação da
instituição de ensino. (BRASIL, 1977, p. 1).

Destaca-se que o Decreto n° 87.497 - que dispõe sobre o estágio de estudantes de
estabelecimentos de ensino superior e de 2° grau regular e supletivo, nos limites que

405 O Projeto Sala Verde estimula a implantação de espaços socioambientais pelo país, com o escopo de
constituir-se em um Centro de Informação e Formação Ambiental. O MMA está em processo de atualização do
cadastro das salas, porém, constam no site do Ministério do Meio Ambiente, 159 Salas Verdes em todo o
território brasileiro e foram abertas, por meio de edital, mais 100 novas vagas (BRASIL, 2013).

3478

�especifica e dá outras providências - regulamentado pela Lei n° 6.494, de 07 de dezembro de
1977 - só foi sancionado em 18 de agosto de 1982.
Entretanto, somente depois da publicação da Lei n° 11.788, de 25 de setembro de
2008, a qual revoga a Lei n° 6.494, se consolidou a relação estudantes versus mercado de
trabalho. Tal Lei define os parâmetros que regulamentam as contratações, bem como
estabelece direitos e deveres dos estudantes, das empresas e das instituições de ensino.
A Lei n° 11.788 caracteriza duas modalidades de estágios:
O estágio poderá ser obrigatório ou não-obrigatório, conforme determinação
das diretrizes curriculares da etapa, modalidade e área de ensino e do projeto
pedagógico do curso. § 1o Estágio obrigatório é aquele definido como tal no
projeto do curso, cuja carga horária é requisito para aprovação e obtenção de
diploma. § 2o Estágio não-obrigatório é aquele desenvolvido como atividade
opcional, acrescida à carga horária regular e obrigatória. (BRASIL, 2008, p.
1).

Portanto, o estágio curricular obrigatório complementa a formação do estudante, o que
permite o aumento dos conhecimentos dentro da área de estudo, sejam estes teóricos ou
práticos, e oportuniza aos acadêmicos acompanharem as rotinas diárias de trabalho de
profissionais experientes.
Embora saibamos que a prática do estágio curricular nos Cursos de Graduação em
Biblioteconomia se torna indispensável para sua conclusão, considera-se importante
refletirmos sobre sua concepção e composição das atividades nele desenvolvidas, uma vez
que este apresenta papel chave, pois permite ao acadêmico aliar a prática às teorias
biblioteconômicas, além de aproximá-lo da complexidade do mercado de trabalho, de modo a
ampliar a formação acadêmica e profissional por meio das vivências em situações reais, bem
como estimular o espírito crítico e inovador na busca por soluções para as dificuldades
encontradas. Além disso, o estágio obrigatório possibilita ao acadêmico ampliar seus
conhecimentos em relação ao ambiente de atuação profissional e atividades exercidas pelo
bibliotecário.
A seguir, apresenta-se a concepção e composição das atividades desenvolvidas no
estágio curricular obrigatório do Curso de Graduação em Biblioteconomia da FURG, objeto
do referido estudo.

2.1 Estágio curricular obrigatório no Curso de Biblioteconomia da FURG
O Curso de Graduação em Biblioteconomia da FURG começou suas atividades em
1975. Da criação do curso até o ano de 1999, eram ofertadas apenas 25 vagas, porém, no ano

3479

�2000, foi realizada uma nova alteração curricular e o curso passou a oferecer 35 vagas
(FURG, 2006). Já a partir do ano de 2007, até os dias atuais, são ofertadas 40 vagas. Este
aumento se deu em decorrência de uma das ações integrantes do Plano de Desenvolvimento
da Educação (PDE), que foi o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das
Universidades Federais Brasileiras REUNI406 (FURG, 2009). Sendo assim, torna-se oportuno
destacar que, com a expansão das vagas, o curso necessitou ampliar suas parcerias para a
realização dos estágios curriculares obrigatórios nas unidades informacionais locais e
regionais.
O estágio curricular obrigatório sofreu ao longo dos anos diversas alterações. No ano
de 2000 foi dado novo tratamento aos estágios curriculares, que foram reunidos numa
disciplina, Prática em Biblioteca, de 270 horas-aula (ou 18 créditos), oferecida somente no 8°
período. Com o novo Projeto Pedagógico do curso, apresentado em 2006, foi concebida nova
metodologia para os estágios curriculares, sendo oferecidos três estágios curriculares,
distribuídos a partir do 4° período, além das disciplinas Prática Profissional I e II, alocadas no
7° e 8° períodos (FURG, 2006).
A prática profissional curricular tem caráter obrigatório e será cursada em
dois blocos: o primeiro, constituído por três Estágios, de 2 créditos
(correspondentes a 30 horas-aula) cada um, alocados no 4°, 5° e 6° períodos
e organizados na forma de um programa; o segundo, constituído por duas
disciplinas, denominadas Prática Profissional I, alocada no 7° período, e
Profissional II, alocada no 8° período. Ambos estes blocos de atividades
caracterizam-se como práticas pré-profissionais e são regidas pela Lei n°
6.494/77, posteriormente regulamentada pelo Decreto-Lei n° 87.497/87. [...]
Os estágios parciais, organizados como programa - o Programa de Estágios
Parciais - , visam proporcionar aos educandos a execução de atividades
práticas em situação real, isto é, em bibliotecas e unidades de informação da
própria Universidade, das escolas das redes municipal, estadual e particular,
na Biblioteca Rio-Grandense e em outras bibliotecas ou unidades de
informação, desde que previamente credenciadas pela COMCUR. (FURG,
2006, p. 19-20).

Segundo o Projeto Pedagógico (2006) do curso, para obtenção do grau de Bacharel em
Biblioteconomia, o discente deverá cumprir uma carga horária mínima de 3.000 horas-aula e
carga horária máxima de 3.260 horas-aula de atividades pedagógicas, com destaque para 360
horas-aula de estágios e práticas curriculares.

406 O Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais Brasileiras
(REUNI) é uma das ações integrantes ao Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). Com o REUNI, o
Governo Federal adotou uma série de medidas, a fim de retomar o crescimento do ensino superior público. As
ações do programa contemplam o aumento de vagas nos cursos de graduação, a ampliação da oferta de cursos
noturnos, a promoção de inovações pedagógicas e o combate à evasão, entre outras metas [...]. (BRASIL, 2010,
p. 1).

3480

�Abaixo, apresenta-se a distribuição das disciplinas da área de formação Prática
Profissional Curricular, suas ementas, créditos e os períodos em que são oferecidas.

Quadro 01 - Distribuição das disciplinas da área de formação Prática Profissional Curricular
Área

Disciplina
Estágio I
Estágio II

Prática
Profissional
Curricular

Estágio III
Prática
Profissional
I
Prática
Profissional
II

Ementa
Atividades de estágio curricular:
Programa de Estágios Parciais.
Atividades de estágio curricular:
Programa de Estágios Parciais.
Atividades de estágio curricular:
Programa de Estágios Parciais.
Elaboração do projeto de estágio
curricular, a ser cumprido em
unidades
ou
serviços
de
informação.
Execução do estágio curricular,
com apresentação de relatório
final.

Créditos

Tipo

Período

02

Obrigatória

4°

02

Obrigatória

5°

02

Obrigatória

6°

03

Obrigatória

7°

15

Obrigatória

8°

Fonte: Adaptado do Projeto Pedagógico do Curso de Biblioteconomia da FURG (FURG,
2006).

Percebe-se com a análise do quadro acima, após a implementação da nova
metodologia, que o discente, desde o 4° período do curso, já começa a ter experiências
práticas em unidades de informação, juntamente com as disciplinas teóricas do curso. Este
processo auxilia o aluno a vivenciar tais teorias e amplia os questionamentos enquanto
aprendizes, visto que tal vivência prática os encoraja e os incentiva ao diálogo com seus
docentes, permitindo uma interlocução, a partir de situações da realidade social concreta em
que se encontram.
Entretanto, com esta vasta gama de disciplinas, aumenta mais ainda o número
necessário de unidades de informação para a realização de tais práticas. Portanto, sugere-se a
divulgação nas mídias e redes sociais sobre a necessidade de vagas para estágios na cidade e
região, a fim de ampliar as parcerias com as bibliotecas locais e regionais e capitarem
unidades de grande porte, com diversidade de serviços, produtos e projetos, pois este
apresenta responsabilidade na capitação de espaços diferenciados, aptos e promissores, visto
que os discentes não apresentam discernimento ainda do que seja uma biblioteca apta e
promissora para a realização de um estágio.

3481

�2.2 Biblioteca Setorial da Pós-Graduação em Educação Ambiental - Sala Verde Judith
Cortesão
As bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) pertencem ao Sistema
de Bibliotecas (SiB) e estão voltadas para o ensino, pesquisa e extensão. Possuem em seus
acervos, além de livros, periódicos especializados - impressos e online, CDs, DVDs, teses,
dissertações, monografias, trabalhos de conclusão de curso, bases de dados, mapas, jogos,
obras em Braille, entre outros. O SiB, por meio do catálogo online, denominado Sistema
ARGO, oferece consulta integrada aos acervos de todas as suas bibliotecas.
A Biblioteca Setorial da Pós-Graduação em Educação Ambiental - Sala Verde Judith
Cortesão, além de biblioteca universitária setorial, faz parte do Projeto Sala Verde,
coordenado pela Diretoria de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente
(DEA/MMA), que estimula a implantação de espaços socioambientais pelo país, com o
escopo de constituir-se em um Centro de Informação e Formação Ambiental.
Em 2005, a FURG e o Programa de Pós-Graduação em Educação Ambiental (PPGEA)
foram contemplados com a implantação de uma Sala Verde. Em agosto de 2006, a Sala Verde
Judith Cortesão tornou-se Biblioteca Setorial do Sistema de Bibliotecas (SiB) da FURG e
passou a denominar-se Biblioteca Setorial da Pós-Graduação em Educação Ambiental - Sala
Verde Judith Cortesão.
O acervo da Biblioteca é constituído por diversas áreas do conhecimento, totalizando
aproximadamente cinco mil obras, com ênfase em Meio Ambiente, Ecologia e Educação
Ambiental. Fazem parte da coleção da biblioteca: o acervo pessoal da Prof8. Dr3. Judith
Cortesão; o acervo da antiga biblioteca do PPGEA; materiais recebidos do Ministério do
Meio Ambiente; livros; teses, dissertações, monografias, trabalhos de conclusão de curso;
folhetos; periódicos; CD’s; DVD’s; jogos; mapas, entre outros.
A biblioteca oferece os seguintes produtos e serviços: processamento técnico dos
materiais informacionais; empréstimos, reservas, renovações; consultas ao acervo, COMUT;
treinamentos e pesquisas no Portal Periódicos Capes; treinamentos de usuários; confecção de
fichas catalográficas (teses e dissertações defendidas no PPGEA); acesso à ABNT on-line;
orientação na normalização de trabalhos acadêmicos; cadastro e acesso à Biblioteca Digital de
Teses e Dissertações (BDTD) da FURG; e-books Springer; projetos de extensão e atividades
de disseminação da informação ambiental junto à comunidade.
A Biblioteca Setorial da Pós-Graduação em Educação Ambiental Sala Verde Judith
Cortesão além de biblioteca universitária, também pode ser considerada uma biblioteca
especializada, visto que se dedica a um assunto ou grupo de assuntos específicos. Segundo

3482

�Ashworth (1967, p. 632), "a biblioteca especializada é uma biblioteca quase exclusivamente
dedicada a publicações sobre um assunto ou sobre um grupo de assuntos em particular”.
Na mesma linha de pensamento, Cesarino (1978, p. 231) conceitua as bibliotecas
especializadas como:
Unidades pertencentes a instituições governamentais, particulares ou
associações formalmente organizadas com o objetivo de fornecer ao usuário
a informação relevante de que ele necessita, em um campo específico ou
assunto”. Para Figueiredo (1978, p. 160), este tipo de biblioteca “tem como
escopo armazenar, organizar e a disseminar as informações afins do local
onde esta está inserida.

Desta forma, pode-se concluir que biblioteca especializada407 é uma unidade de
informação que possui um acervo especializado designado a satisfazer as necessidades
informacionais de um público específico. Estas são distintivas, especialmente em relação ao
acervo, que é mais seletivo e atual, comparado aos das bibliotecas tradicionais, como das
bibliotecas públicas, escolares e universitárias, que possuem acervos mais diversificados em
termos de áreas de conhecimento.
Entretanto, por ser a Educação Ambiental um tema transversal no ensino, a Biblioteca
Setorial da Pós-Graduação em Educação Ambiental Sala Verde Judith Cortesão atende toda
comunidade acadêmica da FURG e comunidade em geral da região e está sob a
responsabilidade de uma bibliotecária com mais de 10 anos de experiência em gestão de
bibliotecas, possui titulação de mestre e participa do Programa de Pós-Graduação em
Educação Ambiental como aluna especial do doutorado.
Diante dos dados apresentados, percebe-se que esta unidade de informação é dinâmica
e oferece atividades diversificadas e necessárias para o aprendizado interdisciplinar dos
discentes, podendo proporcionar aos estagiários, além do aprendizado técnico, o aprendizado
social e cultural. Destaca-se, portanto, a importância da parceria desta biblioteca para a
realização contínua dos estágios curriculares, uma vez que tais práticas contribuem tanto para
o aprimoramento acadêmico dos alunos, quanto para o aprimoramento e agilidade dos
serviços de organização e informação prestados.

407 As bibliografias utilizadas na definição do conceito de bibliotecas especializadas não são atuais, pois não
foram localizadas tais definições em bibliografias recentes. Deste modo, foi possível constatar que a literatura
na área da Biblioteconomia carece de conceitos atuais sobre bibliotecas especializadas. Esta conclusão se dá,
após várias pesquisas realizadas em diversos periódicos das áreas de Ciência da Informação e Biblioteconomia e
em livros de Biblioteconomia disponíveis no acervo do SiB-FURG. Assim, tornou-se necessário utilizar os
conceitos de bibliotecas especializadas retirados de livros publicados nas décadas de setenta e oitenta.

3483

�3 MATERIAIS E MÉTODOS
O trabalho relata a experiência da Biblioteca Setorial da Pós-Graduação em Educação
Ambiental - Sala Verde Judith Cortesão da Universidade Federal do Rio Grande (FURG)
como local de realização da Prática Profissional Curricular do Curso de Biblioteconomia da
FURG,, sob a gestão de uma bibliotecária, bem como as atividades.
A fim de obter bons resultados com a experiência que estava posta e tornar-se um
local permanente para a realização dos estágios curriculares do Curso de Biblioteconomia da
FURG foi desenvolvida pela bibliotecária coordenadora uma metodologia utilizada na
organização e execução das atividades práticas e interdisciplinares a serem realizadas pelos
estagiários, a fim de que atinjam seus objetivos propostos no plano de estágio e experimentem
atividades diversificadas, de cunho social e cultural.
Inicialmente, a bibliotecária estabelece uma conversa informal com o estagiário, a fim
de conhecer suas vivências durante a realização do curso. Após, solicita ao estagiário um
breve relato sobre as suas principais dúvidas e dificuldades na área biblioteconômica, para
que seja dada maior ênfase nelas durante a realização do estágio. Nesta conversa, são
repassados e discutidos alguns princípios norteadores para a execução do estágio.
Princípios norteadores para a execução do estágio:
- Esgotar todas as fontes de pesquisa antes de recorrer ao bibliotecário: Os discentes
precisam, primeiramente, esgotar todas as fontes de pesquisas (manuais, catálogos decisórios,
bases de dados de outras bibliotecas, entre outras ferramentas que eliminem as dúvidas) e só
após recorrer ao profissional bibliotecário atuante na unidade informacional. Esta ação
estimula no discente o senso de pesquisador, a sua autonomia e independência, além de não
sobrecarregar o bibliotecário, que não está responsável apenas pela orientação do aluno, mas
também fazer a gestão da unidade e suas atividades diárias sob sua responsabilidade.
- Ferramentas diárias de trabalho: todos os manuais, tabelas, códigos e demais
ferramentas de trabalho diárias são impressas ou emprestadas e apresentadas individualmente
para o estagiário. Dessa forma, ele fica de posse, sem precisar ficar solicitando-as ao
bibliotecário, denotando mais autonomia e familiaridade com as ferramentas, podendo fazer
suas anotações nos seus próprios manuais.
-Estudo prévio das ferramentas diárias de trabalho, blog, site e documentos internos:
o estagiário começa suas atividades com o estudo e leitura das informações institucionais da
biblioteca, a fim de familiarizar-se com seu local de trabalho e ter conhecimento para
informar os usuários sobre a localização das mais diversas informações solicitadas no dia-adia. O mesmo acontece com as ferramentas diárias de trabalho, todas são estudadas,

3484

�analisadas e grifadas, conforme dúvidas, sugestões ou mesmo desconhecimento por parte do
aluno, durante sua formação.
- Plano de estágio: o plano de estágio é revisto juntamente com o aluno e validado
após ajustes, sugestões e prioridades.
- Processamento técnico: o estagiário irá praticar a catalogação, indexação,
classificação, notação de autor, dentre outros processos, de variados tipos de informações
bibliográficas, com o intuito de praticar o processamento técnico de materiais não
convencionais também, uma vez que não é comumente trabalhado em sala de aula e
apresentam grande dificuldade no início da prática da atividade.
- Gestão de bibliotecas: Além da parte técnica, a bibliotecária - que possui experiência
e mestrado na área de Administração de Bibliotecas Universitárias repassa conceitos,
indicações de textos para leitura e instruções referentes à prática da administração de
bibliotecas. Após, os alunos são instigados a resolverem problemas administrativos diários,
praticando assim a gestão da biblioteca.
- Instrumentos de comunicação com equipe e usuários: são abordados, desenvolvidos
e utilizados pelos estagiários diversos instrumentos de comunicação, indispensáveis para a
boa gestão de uma biblioteca e um bom atendimento aos usuários, tais como: organização de
reuniões; troca de e-mails periódicos; site ou blog com informações claras; intranet para
comunicação interna e para postar manuais, normas, atas; publicação de um boletim mensal
para divulgação de produtos, serviços e projetos... dentre outros.
- Pertencimento: desenvolver no estagiário o pertencimento à biblioteca, valorizando
suas sugestões, críticas, opiniões, diálogo e contribuições para novos produtos, serviços e
projetos. Isso o manterá motivado durante seu estágio, o fará “sentir-se parte” da equipe.
- Consenso e a democracia: O mais importante neste processo é criar um ambiente em
que todos sejam respeitados e todas as contribuições sejam avaliadas. Desse modo, ensiná-los
que ao tomar uma decisão, levar em consideração o consenso e a democracia em meio a sua
equipe.
- Trabalho em equipe: valorização da equipe, motivação, capacitação, promoção de
cursos, dinâmicas, participação em congressos, seminários para atualização, com intuito de
propiciar novos caminhos, ideias e horizontes.
- Ergonomia: ambiente de trabalho apropriado, instalações físicas confortáveis,
ambientes prazerosos. Oferecer bons treinamentos; isso fará a diferença depois no
atendimento,

quando um funcionário/estagiário chegar novo no grupo,

recebê-lo

3485

�pessoalmente, apresentar as metas, o setor, a equipe, passar o perfil desejado para o cargo, o
que se espera dele, os procedimentos e normas.
- Conhecer o perfil dos seus usuários: estudo de usuários, caixas de sugestões, site
com espaço para o usuário opinar sobre os serviços e produtos oferecidos.
- Relatórios estatísticos (tanto de acervo, de serviços, e de RH), pois tudo na
administração dependerá deles (para comprovar, solicitar, provar ou subsidiar algo).
- Promoção de campanhas sociais: (responsabilidade social e ambiental): multas
alternativas (brinquedos, leite, alimentos, gincanas, natal solidário...).
- Elaboração e execução de Projetos: sociais, pesquisa e extensão, ideais também para
arrecadar recursos para a biblioteca, concorrer a editais.
- Ser também um bibliotecário pesquisador: ne ão apenas um técnico (promover
palestras, publicação de livros, artigos...). Viver em constante aprendizado, desenvolver
pesquisa, fazer mestrado e doutorado. Na gestão de bibliotecas, isso faz toda a diferença.
- Atendimento aos usuários: esta atividade é uma das mais importantes dentro de uma
biblioteca, pois seu objeto principal é o usuário. Portanto, não se pode deixar de lado o
planejamento e as estratégias que visem atingir seu principal objetivo: satisfação do usuário.
- Relatório diário das atividades: ao longo do estágio o aluno registra todas as suas
atividades diárias desenvolvidas. Este método facilita a redação do relatório final de estágio
que deve ser entregue ao seu coordenador.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Com a realização do estágio curricular na Biblioteca Setorial da Pós-Graduação em
Educação Ambiental - Sala Verde Judith Cortesão, torna-se possível colocar em prática as
teorias da sala de aula, principalmente com a ajuda e supervisão de um bibliotecário
experiente, bem como refletir que, muito embora se tenha um embasamento teórico a cerca de
certo assunto, na prática, as situações são adversas.
Logo, teve-se como resultados uma aproximação da complexidade do mercado de
trabalho e uma ampliação da formação profissional através da vivência em situações reais. O
que estimulou o espírito crítico e inovador através da busca por soluções para as dificuldades,
assim como possibilitou a apreensão de um maior conhecimento sobre o local e atividades
exercidas.
Está prevista uma ampliação do espaço físico da Biblioteca Setorial da Pós-Graduação
em Educação Ambiental - Sala Verde Judith Cortesão. Com isso, pretende-se aumentar as
vagas para os estágios curriculares, uma vez as atividades desenvolvidas pelos estagiários

3486

�contribuem para o desenvolvimento de novos projetos, produtos e serviços, assim como
auxiliam no fluxo diário das atividades técnicas, culturais e sociais.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Conclui que a metodologia desenvolvida pelo Curso de Biblioteconomia da FURG na
realização da Prática Profissional Curricular estimula o discente na busca de soluções para os
problemas com que se depara no dia-a-dia de uma unidade informational, enfatizando o
trabalho em equipe, bem como permite ao educando a vivência dos conteúdos teóricos e
metodológicos estudados, além de oportunizar o aprimoramento de suas habilidades, de modo
a facilitar suas escolhas no mercado de trabalho, conforme suas aptidões e interesses.
Portanto, a realização da Prática Profissional Curricular na Biblioteca Setorial da PósGraduação em Educação Ambiental - Sala Verde Judith Cortesão atingiu os objetivos da
bibliotecária coordenadora, da estagiária e do Curso de Biblioteconomia, uma vez que
contribuiu tanto para o aprimoramento da organização e dos serviços de informação
prestados, como também alcançou os objetivos propostos nos planos de estágio.
Sendo assim, a Prática Profissional Curricular realizada na referida biblioteca
proporciona ao estagiário, além do aprendizado técnico, o aprendizado social e cultural. Esta
experiência validou a metodologia desenvolvida pela bibliotecária coordenadora e ampliou as
atividades desenvolvidas nos estágios.

6 REFERÊNCIAS
ASHWORTH, Wilfred. Manual de bibliotecas especializadas e de serviços informativos.
Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1967.
BRASIL. Decreto n° 87.497, de 18 de agosto de 1982. Regulamenta a Lei n° 6.494, de 07 de
dezembro de 1977, que dispõe sobre o estágio de estudantes de estabelecimentos de ensino
superior e de 2° grau regular e supletivo, nos limites que especifica e dá outras providências.
Disponível em: &lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D87497.htm&gt;. Acesso em: 20
nov. 2013.
______. Lei n° 6.494, de 7 de dezembro de 1977. Dispõe sobre os estágios de estudantes de
estabelecimento de ensino superior e ensino profissionalizante do 2° Grau e Supletivo e dá
outras providências. Disponível em: &lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6494.htm&gt;.
Acesso em: 20 nov. 2013.

3487

�______. Lei n° 11.788, de 25 de setembro de 2008. Dispõe sobre o estágio de estudantes.
Disponível em:&lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11788.htm&gt;.
Acesso em: 20 nov. 2013.
______. Ministério da Educação. Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e
Expansão das Universidades Federais (REUNI). Brasil: MEC, 2010. Disponível em:
&lt;http://reuni.mec.gov.br/o-que-e-o-reuni&gt;. Acesso em: 20 nov. 2013.
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Cidadania Ambiental. Departamento de Educação Ambiental. Projeto Sala Verde. 2013.
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Informação,

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&lt;http://www.revista.acbsc.org.br/index. php/racb/article/download/600/695&gt;. Acesso em: 20
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referência. Boletim ABDF, Brasília, v. 4. n. 1, p. 28-37, jan./mar. 1981.
UNIVERSIDADE

FEDERAL

acompanhamento do

REUNI.

DO

RIO

Rio

GRANDE

Grade:

(FURG).

FURG,

2009.

Formulário

de

Disponível

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&lt;http://www.prograd.furg.br/images/stories/arquivos/relatorior.pdf&gt;. Acesso em: 20 mar.
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2006.

3488

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                <text>O artigo relata a experiência da Biblioteca Setorial da Pós-Graduação em Educação Ambiental - Sala Verde Judith Cortesão, da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), como local de realização da Prática Profissional Curricular do Curso de Biblioteconomia da FURG. Retrata a importância da parceria desta biblioteca para a realização contínua dos estágios curriculares, uma vez que contribui tanto para o aprimoramento acadêmico dos alunos, quanto para o aprimoramento dos serviços de informação prestados, visto que a diversidade das atividades desenvolvidas pelos estagiários contribuem para o desenvolvimento de novos projetos, produtos e serviços, assim como auxiliam no fluxo diário das atividades técnicas, culturais e sociais. Aborda a metodologia de estágio curricular obrigatório utilizada pelo Curso de Biblioteconomia da FURG, denominada em seu Projeto Pedagógico como Prática Profissional Curricular. Parte da premissa de que esta metodologia estimula o discente na busca de soluções para os problemas com que se depara no dia-a-dia de uma unidade informacional, enfatizando o trabalho em equipe, bem como permite ao educando a vivência dos conteúdos teóricos e metodológicos estudados, além de oportunizar o aprimoramento de suas habilidades, de modo a facilitar suas escolhas no mercado de trabalho, conforme suas aptidões e interesses. Conclui que a realização da Prática Profissional Curricular na referida biblioteca atingiu os objetivos da bibliotecária coordenadora, da estagiária e do Curso de Biblioteconomia, uma vez que contribuiu tanto para o aprimoramento da organização e dos serviços de informação prestados, como também alcançou os objetivos propostos no plano de estágio. Portanto, a Prática Profissional Curricular realizada proporcionou à estagiária, além do aprendizado técnico, o aprendizado social e cultural.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

POR UMA ATUAÇÃO EMPÁTICA DO BIBLIOTECÁRIO DE REFERÊNCIA NA
CONTEMPORANEIDADE
Adriana da Silva Ornellas
Patrícia Vargas Alencar

RESUMO
A empatia é um conceito que busca, através do entendimento do outro por sua própria
perspectiva e comportamento, maior harmonia nas relações humanas e, consequentemente, no
modo como nos comunicamos com o outro. Sendo a empatia um conceito de importante
consideração na relação entre Bibliotecário de Referência e o usuário, esse artigo tem como
objetivo discorrer acerca dos pormenores do Serviço de referência como um processo
comunicacional em que as habilidades comportamentais e sociais do bibliotecário podem
determinar a construção de sua imagem pelo usuário. Através do discurso de autores da área e
de pesquisas acadêmicas acerca da dinâmica entre o Bibliotecário de referência e o usuário,
discutimos em que medida as habilidades do bibliotecário em conduzir a interação no Serviço
de referência possuem peso na opinião do usuário. A pesquisa aponta para a necessidade de
reflexão e aperfeiçoamento no que se refere ao Serviço de Referência mais empático.
Palavras-Chave: Bibliotecário de referência; Habilidades sociais; Relação interpessal;
Empatia; Processo comunicacional.
ABSTRACT
Empathy is a concept that seeks, through understanding each other by their own perspective
and behavior, greater harmony in human relations and, consequently, in how we communicate
with each other. Being a concept of empathy important consideration in the relationship
between Reference Librarian and the patron, this article aims to argue about the details of the
service reference as a communication process in which behavioral and social skills of the
librarian may decide to build your image user. Through speech writers in the field of
academic and research about the dynamics between the reference librarian and the patron, we
discuss to what extent the skills of the librarian to conduct the interaction in service reference
have weight in the opinion of the patron. The research points to the need for reflection and
improvement with regard to the Reference Service more empathic.
Keywords: Reference librarian;
Communication process.

Social

skills; Interpersonal relationship; Empathy;

3458

�1 INTRODUÇÃO
Este trabalho é parte integrante da pesquisa realizada para o Mestrado Profissional em
Biblioteconomia, do Programa de Pós-Graduação em Biblioteconomia da UNIRIO, por
intermédio da qual, buscamos investigar a interação entre o Bibliotecário de referência e o
usuário durante o Serviço de Referência. Neste artigo, discutimos o processo comunicativo no
serviço de referência, considerando, para tanto, as visões de teóricos e estudiosos sobre as
habilidades do Bibliotecário na interação com o usuário. Trata-se de um estudo cuja
contribuição é a reflexão da prática interacional no Serviço de referência baseado na empatia
- habilidade apontada como fundamental na otimização de relações interpessoais.
Como afirma Lankes

(2011, p. 13), a missão do bibliotecário na atualidade é

“melhorar a sociedade através da assistência na criação do conhecimento em suas
comunidades”.393394 Baseando-nos nessa missão, investigar as influências que determinam o
sucesso ou fracasso da interação entre o Bibliotecário de referência e o usuário durante a
interação entre esses dois sujeitos traz significativas contribuições para os estudos
biblioteconômicos acerca do Serviço de referência.
Para auxiliar na análise dessa interação, utilizamos o conceito de empatia como
catalizador das habilidades pessoais e comportamentais do Bibliotecário de referência que o
auxiliarão na condução mais eficiente de sua relação com o usuário.
O papel do Bibliotecário é mais sutil e importante do que uma análise superficial pode
prover pois, como observou Oddone (1998), o bibliotecário não é um profissional que apenas
administra uma coleção informacional mas, através do tratamento e disponibilização desses
insumos, faz parte de processos que vão além do simples tratamento técnico e
disponibilização da informação, fazendo parte da produção de conhecimento dentro da
sociedade. Em suas palavras:
A prática profissional do bibliotecário, tantas vezes descrita como
meramente tecnicista e burocratizante, não deveria nem poderia constituir-se
apenas pelo domínio dessas técnicas e procedimentos. Muito mais relevante
é o papel que lhe está reservado nos processos de comunicação e
transferência da informação e de mediação na construção do conhecimento.
(ODDONE, 1998)
Essa mudança de paradigma da posse da informação para sua disponibilização coloca
o bibliotecário no centro de um novo processo priorizando a comunicação e o aprendizado do
393 R. D. Lankes é professor de Biblioteconomia na Universidade de Syracuse e seu livro “The atlas of new
Librarianship” ganhou o prêmio de melhor livro de Biblioteconomia em 2012.
394 “The mission of librarians is to improve society though facilitating knowledge creation in their communities”
(LANKES, 2011, p. 11)

3459

�usuário, tornando o bibliotecário um colaborador no processo de criação do conhecimento na
sociedade, assim como prioriza Lankes:
No lugar de se preocupar com conceitos externos como informação (ou pior,
registros de conhecimento), foca a Biblioteoconomia diretamente no
comportamento e nos efeitos dos serviços nos indivíduos. Na essência, o
valor de um livro ou bibliotecário deve ser avaliado de acordo com a sua
habilidade de aprender. (...) Então a biblioteca onde as pessoas estão
aprendendo e construindo conhecimento pode não ter livros, computadores,
DVDs ou nem prédio. Mas terá bibliotecários auxiliando no processo de
criação do conhecimento.395 (LANKES, 2011, p. 23) (tradução nossa)

Por isso, abordar o bibliotecário como um dos protagonistas do processo de criação do
conhecimento é fundamental para construir as bases do novo paradigma que circundam a
biblioteca e a Biblioteconomia.
A comunicação que acontece durante a relação interpessoal entre Bibliotecário de
referência e usuário revela-se como campo fértil para o aperfeiçoamento do Serviço de
Referência. É dentro dessa ótica que discorrermos acerca desse tema, tomando como base a
atuação empática do Bibliotecário.

2 Serviço de referência e o processo comunicacional entre bibliotecário e usuário
Podemos caracterizar a relação que acontece entre o Bibliotecário de referência e o
usuário como uma relação de serviço pois
trabalhar no serviço de referência é exercer uma profissão que presta um
serviço, pois seu exercício depende essencialmente da demanda do usuário e
da resposta oferecida. A noção de serviço adquire todo o sentido na medida
em que o usuário participa ativamente da produção desse serviço: por meio
de sua demanda, pelas informações que possui, ele contribui com elementos
essenciais para o resultado final. Pode-se então falar de coprodução na
medida em que o serviço é ‘coproduzido’ pelo seu usuário: a organização
desse serviço é oferecida como um conjunto que agrupa o sistema de
documentação (a infraestrutura) e o sistema de produção do serviço
(servuction). Estabelece-se uma relação de serviço com o usuário.
(ACCART, 2012, p. 18)

Nesse ponto, reside a contradição dos serviços que necessitam da interação pois, ao
mesmo tempo que esta relação está inserida dentro de um contexto organizacional, ela só

395 “It changes the focus of the work of librarians from artifacts and the products of learning (like books, web
pages, and DVDs) to the learning process. Rather than being concerned with some externalized concept such as
information (or, worse “recorded knowledge”), it places the focus of librarianship squarely on behavior and the
effects of services on the individual. In essence, the value of a book, or librarian for that matter, is evaluated
against the need of the library member’s ability to learn. (...) So a library where people are learning and building
their knowledge may have no books, no computers, no DVDs, and no building.” (LANKES, 2011, p. 23)

3460

�acontece a partir de uma interação. E o decorrer dessa interação que definirá se o resultado do
atendimento foi ou não bem sucedido.
Grogan (2001) também ressaltou que o Serviço de referência é baseado numa relação
de serviço: o Bibliotecário de referência está realizando um atendimento pessoal, apesar de a
prática dessa atividade se basear na busca técnica em fontes de informação, a atividade
técnica necessita passar antes pelo atendimento pessoal, tornando a interação entre os dois
sujeitos extremamente decisiva:
É impossível estudar qualquer aspecto do processo de referência sem estar
informado de quanto o mesmo depende inevitavelmente para seu êxito dos
atributos pessoais do bibliotecário. Isso implica não os dotes profissionais
como intimidade com as fontes de referência ou domínio das técnicas de
buscas informatizadas, [mas] uma vasta cultura geral ou até mesmo a
experiência em lidar com os consulentes, mas aqueles atributos pessoais
humanos, inatos ou adquiridos, como simpatia, criatividade, confiança e
outros mais. É claro que essas qualidades admiráveis deveriam estar
presentes em todos nós, e, no caso das profissões voltadas para a prestação
de serviços, são indispensáveis. Os bibliotecários de referência que carecem
dessas virtudes padecem sob o peso de uma carga permanente, que amiúde
se mostrará tão opressiva que serão incapazes de se erguerem para atender
de modo satisfatório às necessidades dos usuários. (GROGAN, 2001, p. 26)
O Bibliotecário de referência não é um mero atendente da biblioteca que recepciona o
usuário e faz a ponte entre sua demanda e o que a biblioteca disponiliza para supri-la. Sua
intervenção nessa situação é mais sutil do que se aparenta em um primeiro momento e o seu
comportamento durante essa mediação é decisivo para a satisfação do usuário e para a
imagem da biblioteca.
Em consonância com esse argumento, o Committee on Behavioral Guidelines for
Reference and Information Services (Comitê de Orientação Comportamental para Serviços de
Informação e Referência396397), pertencente à Reference Services Association (RUSA) criado
pela American Library Association (ALA) que tem a intenção de “identificar e recomendar
atributos comportamentais que podem ser observados e correlacionados com uma percepção
positiva dos usuários sobre a performance dos bibliotecários de referência

” (AMERICAN,

2004), categorizou alguns atributos que podem ser verificados como influenciáveis na opinião
dos usuários a respeito do comportamento do bibliotecário.
Os atributos foram os seguintes:

396 Tradução nossa.
397 “(...) to identify and recommend observable behavioral attributes that could be correlated with positive patron
perceptions of reference librarian performance.” (AMERICAN, 2004)

3461

�a) visibilidade/acessibilidade: “Para se ter uma operação de referência bemsucedida é essencial que o bibliotecário de referência seja acessível. Se
atua de forma tradicional/presencial ou remota virtualmente, o primeiro
passo do bibliotecário ao iniciar a entrevista de referência é fazer
com que o usuário se sinta confortável e não em uma situação que
pode ser percebida como intimidadora, confusa, ou esmagadora. A

resposta inicial do bibliotecário em qualquer situação de referência
define o tom para todo o processo de comunicação, e influencia a
profundidade e nível de interação. (...)” (AMERICAN, 2004) (grifo
nosso)
b) Interesse: “um bibliotecário de sucesso demonstra um alto grau de
interesse imparcial na atividade de referência. Embora nem todas as
consultas sejam de interesse do bibliotecário, ele deve abraçar a
necessidade informacional de cada usuário e deve ser comprometido em
fornecer a ajuda de forma eficaz. Bibliotecários que demonstram um
alto nível de interesse nas demandas dos usuários irão gerar um
maior nível de satisfação; (...)” (AMERICAN, 2004) (grifo nosso)

c) capacidade de ouvir e questionar: “a entrevista de referência é o coração
do serviço de referência e é crucial para o sucesso do processo. O
bibliotecário deve identificar de forma eficaz as necessidades de
informação do usuário de uma forma que o deixe à vontade.
Habilidades eficazes de escuta e questionamento são necessários
para uma interação positiva ; (...)” (AMERICAN, 2004) (grifo nosso)

d) investigador: “o processo de busca é a parte da atividade de referência
em que o comportamento e precisão se cruzam. Sem uma busca eficaz,
não é só a informação desejada que será improvável de ser encontrada,
mas os usuários que ficarão desanimados também. Muitos aspectos da
procura, que conduzem a resultados exatos dependem do
comportamento do bibliotecário; (...)” (AMERICAN, 2004) (grifo

nosso)
e) acompanhamento: “o fornecimento de informação não é o fim da
atividade de referência. O bibliotecário de referência é responsável por
determinar se o usuário está satisfeito com os resultados da pesquisa,
levantando até outras fontes para o usuário, incluindo aquelas que não
estão disponíveis na biblioteca local. (AMERICAN, 2004) (tradução
nossa)
Podemos notar que todos os atributos envolvem características comportamentais. Até
mesmo a pesquisa que, a princípio, utilizaria apenas recursos tecnológicos e fontes de
informação, necessita de uma determinada habilidade comportamental em sua condução,
influenciando a decisão de até que ponto se deve permanecer na busca ou não.
Assim, o Bibliotecário de referência não deve desenvolver apenas suas competências
técnicas da profissão biblioteconômica, mas também observar como o seu comportamento
pessoal e social irá influenciar na sua interação com o usuário de modo a não comprometer a
atividade de referência.
É oportuno esclarecer que não estamos pregando a predominância das competências
sociais e pessoais do Bibliotecário de referência sobre as competências técnicas. Entretanto,
para que seja alcançado um sucesso a longo prazo nos atendimentos do Serviço de referência,

3462

�é fundamental a análise de como as competências sociais e pessoais estão alterando os
resultados dos atendimentos desse setor.
As competências técnicas, sociais e comportamentais devem ser complementares formando um perfil multidisciplinar - e observadas a partir de um uma visão holística que as
considere igualitárias: não basta encontrar uma informação para garantir a fidelização do
usuário ao uso da biblioteca. O atendimento como o usuário foi recebido irá determinar o
desejo (ou não) do usuário voltar à biblioteca ou pedir ajuda novamente ao Bibliotecário de
referência.
Bonnet e McAlexander (2012), ao pesquisar sobre o que influencia o usuário a pedir
ou não ajuda ao bibliotecário, identificaram a comunicação não-verbal como primeiro item
decisivo na acessibilidade do BR:
Comportamento não-verbal, em particular, é essencial para a comunicação
interpessoal e, consequentemente, para as interações no serviço de
referência, pois elas são ‘irrepreensivelmente impactantes’ (DEPAULO,
1992)398. Entretanto, resultados de estudos em bibliotecas que avaliaram
comportamentos e acessibilidade têm sido variados. Kazlauskas (1976)399
observou que as posturas corporais e as expressões faciais dos funcionários
de quatro bibliotecas acadêmicas, atribuindo características positivas e
negativas da comunicação não-verbal a 148 interações. O autor concluiu que
os bibliotecários com comportamento não-verbal positivo (definido assim
como contato visual, postura e movimento corporal e alegria) produziu o
mesmo comportamento em resposta nos usuários, o que é chamado de efeito
contagioso. (tradução nossa)400 (BONNET; MCALEXANDER, 2012, p.
335)

Assim, podemos concluir que não é apenas o encontro ou a falha na busca da demanda
do usuário que influencia a sua satisfação. Accart (2012), devido a esses aspectos que vão
além das questões técnicas e bibliográficas, diz que três aspectos determinam o sucesso do
Serviço de referência: dispor de (1) recursos, (2) informação e (3) pessoal qualificado que
possua excelente capacidade de relacionamento.

398 DEPAULO, B. M. Nonverbal behaviorand self-presentation. Psychological Bulletin, v. 2, n. 111, p. 203-243,
1992.
399 KAZLAUKAS, E. An exploratory study: a kinesic analysis of academic library public service points. The
journal of academic librarianship, n. 2, p. 130-134, 1976.
400 “Nonverbal behaviors in particular are essential to interpersonal communication and, consequently, to
reference interactions, given that they are “irrepressibly impactful” (DePaulo, 1992). However, results of library
studies that assessed behaviors and approachability have been mixed. Kazlauskas (1976) observed the body
postures and facial expressions among staff at public service points in four academic libraries,assigning positive
and negative characteristics of nonverbal communication to 148 interactions. The author concluded that
librarians' positive nonverbal behavior (defined variably as eye contact, body posture and movement, and
cheerfulness) yielded the same behavioral response from library users, also known as a contagion effect.”
(BONNET; MCALEXANDER, 2012, p. 335).

3463

�Baseando-nos nessa premissa e nos argumentos anteriores, concluimos que a atividade
de referência não pode ser analisada excluindo-se o binômio do relacionamento Bibliotecário
de referência-usuário pois
as habilidades de comunicação são essencias para bibliotecários:
bibliotecários têm de se comunicar o tempo todo - escrita e verbalmente.
Tem de ser capaz de falar em público - há palestras, workshops e reuniões
que formam a maior parte da interação com os departamentos. Tem que ser
capaz de solucionar problemas via e-mail. Tem que comunicar novas idéias
com sucesso e obter apoio para elas. Tem que comunicar más notícias e boas
notícias401. (ANYANGUE, 2013). (tradução nossa)
Francisco (2013) alerta que, mesmo assim, os estudos sobre o processo
comunicacional dentro da biblioteca são comumente acerca do tratamento e disseminação da
informação e do conhecimento. Pouco se fala na comunicação humana que acontece na
interação entre BR e usuário.
Assim como a comunicação que acontece nos processos informacionais, a
comunicação presente na interação BR-usuário é complexa e necessita de observação para
que haja aperfeiçoamento visto que a comunicação acontece através processo simbólico que
existe não apenas na linguagem verbal:
a comunicação humana é um processo constante, complexo e ativo que se
distingue da comunicação animal por seu conteúdo simbólico, isto é, as
pessoas são capazes de compreender, interpretar, elaborar e modificar signos
e símbolos. A comunicação se dá sempre, aliás, é impossível não comunicar.
Mesmo calados, emitimos mensagens, pois, de acordo com a psicanálise, é
difícil saber se o comportamento humano é intencional ou não, devido às
intenções inconscientes, por isso, pode-se classificar tudo o que o homem faz
em sociedade, até mesmo o silêncio, como comunicação. Uma vez que este
pode significar concordância, indiferença, desprezo. Dessa forma, o processo
de comunicação se dá pelos seguintes componentes: emissor, que elabora e
põe em circulação a mensagem; receptor, que a recebe e interpreta; a
mensagem, a informação; meio, suporte físico através do qual se transmite a
mensagem; código, sistema de referência em função do qual se elabora e
interpreta a mensagem e o contexto, que é a situação social, histórica,
geográfica e psicológica do ato de comunicação em questão. (FRANCISCO,
2013)
Portanto, de acordo com esse cenário, o processo de comunicação humana não pode
ser entendido como um processo mecânico, em que existe um emissor e um receptor. A
comunicação humana é balizada por influências externas e intrínsecas aos sujeitos que a
401 —
Communications skills are key for a librarian: Librarians have to communicate all the time - written and
verbal. You have to be able to speak in public - there are talks and workshops and meeting which form the bulk
of your interaction with the departments. You have to be able to trouble-shoot via email. You have to
communicate new ideas successfully and get support for them. You have to communicate bad news, good
news.”(ANYANGUE, 2013).

3464

�realizam, ou seja, durante o processo comunicacional diversos aspectos articulam-se na
produção de sentidos através dos vários simbolismos da linguagem (verbal e não verbal,
aspectos psicológicos ou físicos) que os sujeitos participantes da interação emanam,
consciente ou inconscientemente.
Sobre isso, Witter (1986) elucida que
Os aspectos psicológicos envolvidos na relação entre o bibliotecário e o
usuário são complexos, variados e possivelmente, por esta razão,
insuficientemente estudados. Por um lado tem-se o bibliotecário que, se
está caracterizado enquanto profissional com funções e papéis a
desempenhar, em um nível aceitável, é praticamente desconhecido como
pessoa, como ser psicológico, especialmente nos países onde a pesquisa
na área é ainda inexistente. Por outro lado, encontra-se o usuário que
tem merecido mais atenção a nível de pesquisa mas que é ainda
insuficientemente conhecido. Quando essas pessoas interagem em ação,
de ambas as partes, um vasto complexo de variáveis vai influir
decisivamente na quantidade, na qualidade, na direção, no êxito do
relacionamento. Entre essas variáveis estão: motivação, necessidades

imediatas, atitudes, valores, autocontrole, auto-imagem, sociabilidade,
conhecimento, afetividade, e outras tantas características psicológicas que
marcam a individualidade de cada pessoa. (grifo nosso)
Grogan (2001, p. 2) salienta que “tão importante quanto o componente bibliográfico
do SR é o elemento humano, sua natureza de intrínseca reciprocidade, comumente face-a-face
(...)”.
Inazawa e Baptista (2012, p. 118) apresentaram a competência conversacional como
sendo “o uso da comunicação através de conhecimentos, habilidades, atitudes e valores, com
o propósito de aumentar o entendimento e a cooperação entre os indivíduos”, ou seja, uma
comunicação com o intuito de compreender o outro, não apenas entender o significado
conotativo do que o outro comunica, mas também o contexto onde o outro se encontra, suas
motivações, suas crenças, suas características pessoais e, a partir da assimilação da
compreensão desses atributos, a realização da comunicação de modo mais efetivo e humano.
Possuir competência conversacional significa se preocupar com quem o outro é e, a
partir, desse conhecimento, construir estratégias de comunicação que não o macularão e,
assim, evitar que essas características deturpem o objetivo da comunicação e numa visão
macro, desviem o objetivo do atendimento à demanda informacional do usuário.
Inazawa e Baptista (2012, p. 179) ainda trazem o conceito de “escutar afetivo” para
esse contexto e explicam:

3465

�Com o emprego da competência conversacional do “escutar efetivo” de
Echeverría (2003), o bibliotecário ampliaria a sua capacidade de ouvir,
processar e compreender o contexto da mensagem, não somente averiguando
a escuta através da reprodução oral de um resumo ao usuário do que
entendeu sobre sua questão de referência, mas, também, checando as
inquietudes quanto ao pedido (a importância do pedido, a urgência, a pressão
por prazos, etc.). (...)

Esse escutar afetivo precisa essencialmente das características pessoais do BR para se
realizar e necessita que ele tenha um alto nível de inteligência interpessoal. Goleman (2012, p.
63) diz que a “capacidade de compreender outras pessoas” é uma aptidão da inteligência
interpessoal que significa entender o que “as motiva, como trabalham, como trabalhar
cooperativamente com elas. As pessoas que trabalham em vendas, políticos, professores,
clínicos e líderes religiosos bem-sucedidos provavelmente são todos indivíduos com alto grau
de inteligência interpessoal”.
O autor ainda afirma (GOLEMAN, 2012, p. 63) que “o âmago da inteligência
interpessoal inclui a capacidade de discernir e responder adequadamente ao humor,
temperamento, motivação e desejo de outras pessoas.”
Esses entendimentos nos levam diretamente para o conceito de empatia que é, a grosso
modo, colocar-se no lugar do outro. Goleman (2012, p. 67) estabele a empatia como a aptidão
pessoal fundamental para as interações humanas: “as pessoas empáticas estão mais
sintonizadas com os sutis sinais do mundo externo que indicam o que os outros precisam ou o
que querem. Isso as torna bons profissionais no campo assistencial, no ensino, nas vendas e
administração.”
Essa capacidade intencional de querer colocar-se no lugar do outro para compreendêlo nos remete aos termos e expressões que Accart (2012) utiliza para se referir ao modo como
deve acontecer o encontro no Serviço de referência: ele diz que esse encontro deve ser uma
“assistência pessoal” (p. 14), um “aconselhamento e acompanhamento personalizado” (p. 16),
uma recepção com “atitude amigável e atenciosa” (p. 19), o BR deve saber “ouvir
atentamente” (p. 19), ter “vontade de (...) compreender” (p. 20) e ter “capacidade de
relacionamento” (p. 32) e “amabilidade” (p. 33), em que “o contato é decisivo” (p. 34), deve
“saber ouvir, ter prazer em se comunicar, mostrar-se disponível” (p. 80), “mostrar
curiosidade, criatividade, iniciativa, abertura de espírito, discrição e adaptabilidade” (p. 81) e
“competência de ouvir” (p. 82).
O Bibliotecário de referência é um dos protagonistas na interação que ocorre no
Serviço de referência juntamente com o usuário e ambos estão sujeitos a interferências das

3466

�suas características pessoais. Por isso, é importante levantar a questão do estudo de conceitos
que possibilitem que essa interação ocorra de forma mais positiva a longo prazo e torne o
relacionamento entre o Bibliotecário de referência e o usuário um facilitador para que as
questões e demandas informacionais aconteçam.
Isso demonstra a importância de se levar em conta a empatia no Serviço de referência
e também nas relações humanas como um todo. A empatia vem sendo estudada de maneira a
tornar as interações entre os sujeitos mais compreensivas e humanas, configurando-se como
um conceito de existência essencial no ambiente do Serviço de referência, em que a
construção de uma atmosfera propícia para a realização de uma comunicação bem sucedida é
primordial para o sucesso do atendimento ao usuário.

3 AIMPORTÂNCIA DA EMPATIA NAS RELAÇÕES HUMANAS
A empatia é um conceito que vem sendo discutido amplamente visando otimizar as
interações, objetivando uma melhor convivência com o próximo no nível entre pares e social.
Sua importância existe em todos os tipos de relacionamentos - pessoal ou profissional - e
profundidade - relações duradouras ou aleatórias. Desse modo, iremos abordar a empatia
como modo de aprimorar a relação entre o Bibliotecário de referência e o usuário.
As discussões sobre a empatia mostram uma preocupação em garantir e propagar uma
boa relação de convívio e, a partir disso, chegar-se a uma sociedade melhor e mais humana.
Esse conceito está no cerne dos estudos de Roman Krznaric e é definida como:
A arte de se pôr no lugar do outro e ver o mundo de sua perspectiva. Ela
requer um salto da imaginação, de modo que sejamos capazes de olhar pelos
olhos dos outros e compreender as crenças, experiências, esperanças e os
medos que moldam suas visões do mundo. Tecnicamente conhecida pelos
psicólogos como “empatia cognitiva”, não é uma questão de sentir pena de
alguém - isso é comiseração ou piedade -, mas de tentar nos transportar para
o personagem e a realidade vivida de outrem (KRZNARIC, 2013, p. 69).

Sampaio, Camino e Roazzi (2009, p. 213) apontam que a origem do conceito de
empatia está nos estudos de apreciação estética e que, quando transportado para a interação
humana, descreve
a capacidade de conhecer a consciência de outra pessoa e de raciocinar de
maneira análoga a ela através de um processo de imitação interna, sendo
que, por meio dessa capacidade, pessoas com o mesmo nível intelectual e
moral poderiam compreender umas às outras.

A apreciação artística ser a origem dos estudos da empatia encontra justificativa no
fato de que, para se entender uma pintura é necessário, muitas vezes, colocar-se no lugar do

3467

�artista, pensar como ele pensa para buscar os motivos daquela pintura ser como é. Assim, a
empatia passou a ser uma habilidade para ser realizada não apenas para se entender uma
pintura ou qualquer outro objeto artístico, mas pessoas também, sendo a
possibilidade de entrar no sentimento, estar dentro, estar presente, viver com
e como o outro o seu pathos, paixão, sofrimento e doença. Na Psicologia, o
primeiro autor a utilizar o termo Empatia (Einfülhlung) foi Titchener, em seu
livro Elementary Psychology of the thought processes (1909). Para
Titchener, a noção de Einfülhlung se refere à capacidade de poder saber
sobre a consciência de outra pessoa e raciocionar de maneira análoga a ela,
por meio de um processo de imitação interna. (GALVÃO, 2010, p. 72)

Entretanto, os estudos do primatólogo Frans de Waal (2010) trazem o conhecimento
de que a empatia é uma habilidade também exercida por outros mamíferos e que se constituiu
como uma atitude decisiva na sobrevivência dos animais e também na sua evolução, pois
somos seres essencialmente grupais e a conexão com o outro determinou a sobrevivência e
evolução de grupos.
Assim, a colaboração e a preocupação com o outro é um traço evolutivo
caracterizando o que Wall (2010, p. 59) chamou de autointeresse “esclarecido” pois colaborar
e ajudar o outro também nos traz benefícios individuais e explica:
Existe algo como o autointeresse “esclarecido”, que nos leva a trabalhar em
prol de uma sociedade que sirva aos nossos melhores interesses. Tanto os
ricos como os pobres dependem do mesmo sistema de esgotos, das mesmas
autoestradas e do mesmo sistema de leis. Todos nós precisamos da defesa
nacional, do sistema educacional e do sistema de saúde. Uma sociedade
funciona como um contrato.

Podemos dizer então que garantir que o outro tenha as suas condições de
sobrevivência também pode ser uma garantia da nossa própria sobrevivência posto que
vivemos em sociedade e, a princípio, o que ocorre ao outro, também nos afeta.
Sendo assim, os estudos sobre a empatia podem ter tido origem na apreciação artística
mas ela é praticada desde sempre como um modo de sobrevivência pois, sem a cooperação
mútua, a evolução poderia não ter acontecido da maneira como ocorreu: “Em outras palavras,
a capacidade de operar em grupo e de construir uma rede de sustentação é uma habilidade de
sobrevivência decisiva.” (WAAL, 2010, p. 55)
Assim como os estudos originais da empatia, Waal também atribui o início da prática
da empatia à imitação e chamou essa atitude de sincronização inconsciente:

3468

�O contágio do bocejo reflete a sincronização inconsciente, inscrita
profundamente na nossa espécie, assim como em muitas outras espécies
animais. A sincronia pode se manifestar pela cópia de pequenos movimentos
corporais, como o bocejo, mas ocorre também numa escala maior,
envolvendo as viagens e os deslocamentos dos grupos. (WAAL, 2010, p. 77)

É por essas constatações que Goleman (2012, p. 125) afirma que a “empatia é um
dado da biologia” e complementa chamando esse tipo de imitação de mímica motora que é
“algo que sentimos pelo o que o outro está vivenciando, sem, contudo, sentir o que esse outro
está sentindo”, ou seja, simplesmente imitamos o sentimento do outro.
É nesse pedido de tentarmos pensar a partir da percepção do outro e não com a nossa
própria percepção que reside a capacidade de intervenção da empatia nas relações
interpessoais e, por isso, a empatia é considerada uma competência social (FORMIGA, 2012).
Quanto à isso, Krznaric (2013, p. 69) esclarece:
A empatia nos vem naturalmente, e nós a exercemos o tempo todo, muitas
vezes sem nos dar conta disso. Quando uma amiga nos conta que acaba de
ser abandonada pelo marido, pensamos na raiva e rejeição que ela deve estar
sentindo, e tentamos ser sensíveis às suas necessidades. Se temos um colega
que não está conseguindo concluir suas tarefas no prazo, podemos decidir
não o pressionar a trabalhar até mais tarde por sabermos que sua mãe está
sucumbindo ao Alzheimer e ele está ocupado cuidando dela. Olhar a vida do
ponto de vista do outro não só nos permite reconhecer suas dores ou alegrias,
mas pode nos estimular a agir em favor dele. “Imaginar como é ser uma
pessoa diferente da que somos está no cerne de nossa humanidade”, escreve
o romancista Ian McEwan, “é a essência da compaixão e o início da
moralidade”.

Krznaric (2013, p. 70) lembra muito bem que não devemos confundir “nos colocar no
lugar do outro” com a velha máxima que diz que “não devemos fazer ao outro o que não
gostaríamos que nos fizessem” e explica que
embora essa seja uma noção valiosa, não é empatia, pois envolve considerar
você - com suas próprias ideias - desejaria ser tratado. A empatia é mais
difícil, requer que imaginemos as ideias dos outros e que ajamos em
conformidade com elas. George Bernard Shaw compreendeu a diferença
quando observou: “Não faça aos outros o que gostaria que eles lhe fizessem
- eles podem ter gostos diferentes dos nossos”

Por isso, o conceito de empatia é tão importante para profissionais que exercem tarefas
que demandam a interação direta com o outro e que precisam compreender atitudes diferentes
das suas próprias para tomar decisões de como agir. E tão importante quanto e acima de tudo,
é preciso respeitar a diversidade das pessoas e, sendo a biblioteca um local onde,
normalmente, o uso é realizado por sujeitos de diferentes tipos, personalidades, crenças etc. é
imprescindível que o Bibliotecário de referência seja dotado da capacidade de interagir com o

3469

�outro diferente de si mesmo sem manifestar preconceitos ou através de seu atendimento
sobrepor seus valores em detrimento dos valores do usuário.
A esse respeito, Birdi, Wilson e Tso (2009) empreenderam uma pesquisa objetivando
investigar as relações entre os bibliotecários de uma biblioteca pública e uma comunidade de
minoria étnica (chineses) cuja biblioteca possuia bibliotecários da mesma etnia e de etnia
diferente, ou seja, os autores queriam descobrir se a diferença de etnia causava atritos ou
problemas durante o atendimento e, após a pesquisa, concluíram que a empatia se mostrou ser
uma habilidade com papel de facilitadora da comunicação entre bibliotecários e os usuários
nesse contexto, e que a etnia não mostrou ser uma característica decisiva no atendimento mas,
sim, o comportamento do bibliotecário.
Eles chegaram a essa conclusão através de depoimentos desses usuários que
demonstraram conseguir identificar intuitivamente os bibliotecários que acreditavam ser mais
solícitos e se dirigiam a eles para pedir ajuda independente dele ser chinês ou não:
Questões culturais a parte, poderia ser sugerido que, se um membro da
equipe da biblioteca está motivado para tentar entender as necessidades e
desejos de um usuário - tendo a consciência ou a espontaneidade de se
envolver totalmente em uma ... experiência individual - e possuir algumas
habilidades para atribuir um sentido a todas as necessidades e desejos do
usuário, esse bibliotecário, portanto, teria uma maior capacidade empática.402
(BIRDI, WILSON, TSO, 2009, p. 87) (tradução nossa)
Os autores também apontam que essa atitude empática pode ser aperfeiçoada através
do conhecimento da cultura do usuário pois isso facilita a atitude empática de pensar a partir
das perspectivas do usuário e refletir sobre suas dificuldades e, consequentemente, na busca
por entender melhor a demanda desse usuário. Nas palavras de um dos bibliotecários
participantes da pesquisa, esse exercício é fundamental para se compreender as atitudes do
usuário dentro da biblioteca:
Você tem que tentar se colocar no lugar dele e imaginar como se sentiria ao
entrar através da porta de um lugar estranho e fazer perguntas em uma
linguagem que provavelmente não é sua primeira língua. Então, imagina que
não é fácil. Você deve tentar entender como essas pessoas podem estar
sentindo não importa a cultura delas403. (BIRDI, WILSON, TSO, 2009, p.
86) (tradução nossa)
402“Cultural issues apart, it could be suggest that if a member of library staff is motivated to try to understand the
needs and wants of a library user - having the conscious or spontaneous commitment to engage fully with...
individual experience - and possesses certain diagnostic skills with which to make 'constructive sense' of those
needs and wants, he ou she would therefore have a greater empathie ability.” (BIRDI, WILSON, TSO, 2009, p.
87)
403 “You have to got try to put yourself in their position and imagine what you would feel like walking through
the door into a strange place and asking question in a language that probably not your first language. So you
know it is not easy. You should try and understand how these people might be feeling no matter what culture
they come from” (BIRDI, WILSON, TSO, 2009, p. 86)

3470

�Agada e Weaver (1997, p. 4) já haviam afirmado que a empatia é uma característica
imprescindível para as profissões que apresentam um perfil de aconselhamento como é o caso
da mediação feita pelo BR:
A compreensão pela empatia é definida como a capacidade de perceber e
entender os sentimentos relacionados às expressões verbais e ao
comportamento do outro e saber comunicar e entender essa percepção
precisamente. Empatia é um componente central na filosofia do serviço
centrado no usuário e um atributo indispensável para as profissões que
prestam atendimento404:
Para essa interação ter uma probabilidade maior de sucesso e não macular a demanda
informacional, é necessário que haja uma preocupação de como ocorre a sua condução e a
observação por parte do Bibliotecário de referência em como ele pode se comporta para
aperfeiçoá-la. Para tanto, o desenvolvimento da empatia se mostra como sendo uma base que
pode assegurar que o relacionamento entre Bibliotecário de referência e usuário aconteça sem
empecilhos. Facilitanto, assim, a acessibilidade e uso dos recursos informacionais pelo
usuário e possibilitanto maior êxito na missão do bibliotecário estipulada por Lankes (2011).
Timbó (2002) discorre teoricamente acerca da influência das características pessoais
do Bibliotecário de referência e usuário, seu discurso se foca na questão da melhor forma de
conduzir a entrevista de referência, como por exemplo, a capacidade de entendimento pelo
Bibliotecário de referência sobre a questão posta pelo usuário e da sua sabedoria em extrair
mais informações do usuário quando o entendimento não estiver claro, sendo necessário o uso
de suas competências sociais e pessoais para saber lidar adequadamente durante essa situação:
Para atender de forma precisa e prática no setor de referência, o bibliotecário
precisa ter o equilíbrio das emoções, pois a cada entrevista de referência ele
irá se deparar com usuários e emoções diferentes, variando de timidez até
agressividade, mesmo que não expressa em linguagem falada, mas sempre
percebida no comportamento não verbal de cada indivíduo na situação de
requisição de ajuda no processo de referência.
A autora (TIMBÓ, 2002, p. 84) ainda pontua o conceito de Inteligência emocional de
Goleman (2012) contextualizando a pertinência desse conceito em nossa sociedade
contemporânea:

404 “Empathie understanding has been defined as the capacity to perceive and understand the feelings related to
the verbal and behavioral expressions of another and to communicate this perception and understanding,
precisely. Empathy is a core component of the user-centered service philosophy and an indispensable attribute
for the helping professions.” (AGADA; WEAVER, 1997, p. 4)

3471

�Goleman iniciou seu estudo sobre a inteligência emocional devido ao grande
estresse social pelo qual passam os países modernos. Ele acredita que a
tendência é para uma autonomia cada vez maior do indivíduo, o que traz, por
sua vez, menos solidariedade e mais competitividade, às vezes brutal, como
acontece nas universidades e nos locais de trabalho. Desde então, o
desenvolvimento da inteligência emocional foi considerado como essencial
para o desenvolvimento e sucesso das relações humanas.
Como já destacado, ser empático não tem a ver com ser simpático ou caridoso, a
empatia é uma forma de ver o mundo e (tentar) entender as pessoas ao seu redor, é uma
filosofia de vida que se desenvolve aos poucos conforme vamos exercitanto-a e se baseia
numa vontade sincera de aperfeiçoamento pessoal que não se separa dos aspectos
profissionais da vida do sujeito.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considerando que é fundamental que, além do atendimento à sua demanda
informacional, o usuário se sinta bem atendido, é relevante que o bibliotecário se preocupe
como seu próprio comportamento face à maneira como o usuário se sente durante esse
encontro.
Nesta oportunidade, destacamos a empatia que, sendo uma habilidade social que visa
aumentar a harmonia nas interações humanas através da atitude de colocar-se no lugar do
outro, proporciona uma maior compreensão daquele com quem estamos nos comunicando e
de seu contexto.
Sendo assim, a empatia se configura como um conceito que busca aperfeiçoar a
compreensão que temos do outro a partir de suas próprias perspectivas e visões, facilitanto
nossa comunicação. E, consequentemente, quando transportada para uma relação de serviço
como o Serviço de referência, minimiza interferências ou ruídos na relação entre o
Bibliotecário de referência e o usuário.

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Lemos, 2012.
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                <text>A empatia é um conceito que busca, através do entendimento do outro por sua própria perspectiva e comportamento, maior harmonia nas relações humanas e, consequentemente, no modo como nos comunicamos com o outro. Sendo a empatia um conceito de importante consideração na relação entre Bibliotecário de Referência e o usuário, esse artigo tem como objetivo discorrer acerca dos pormenores do Serviço de referência como um processo comunicacional em que as habilidades comportamentais e sociais do bibliotecário podem determinar a construção de sua imagem pelo usuário. Através do discurso de autores da área e de pesquisas  acadêmicas acerca da dinâmica entre o Bibliotecário de referência e o usuário, discutimos em que medida as habilidades do bibliotecário em conduzir a interação no Serviço de referência possuem peso na opinião do usuário. A pesquisa aponta para a necessidade de reflexão e aperfeiçoamento no que se refere ao Serviço de Referência mais empático.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

POLITICAS DE DESENVOLVIMENTO DE ACERVO ELETRÔNICO E DIGITAL
NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS DO NORDESTE
Aline Vieira Nascimento
Eliene Gomes Vieira do Nascimento
RESUMO
O estudo apresenta a atual situação das políticas de desenvolvimento de acervos eletrônicos
nas bibliotecas universitárias públicas do nordeste do país. Aborda a elaboração e o
estabelecimento de políticas de desenvolvimento de acervos nas bibliotecas universitárias,
bem como se as mesmas contemplam os acervos eletrônicos. Discute a importância deste tipo
de acervo na atual realidade das comunidades acadêmicas, bem como os requisitos
necessários para constituir uma política que contemple os diversos tipos de materiais
informacionais disponíveis nas bibliotecas universitárias.
Palavras-Chave: Desenvolvimento de acervo. Políticas de Informação. Biblioteca
Universitária. Acervo Eletrônico. Acervo Digital.
ABSTRACT
The study presents the current situation of the development policies of electronic holdings in
public university libraries in the northeast. Discusses the development and establishment of
development policies of collections in university libraries, as well as whether they include the
electronic holdings. Discusses the importance of this type of collection in the current reality
of academic communities, as well as the requirements necessary to constitute a policy that
addresses the various types of informational materials available in university libraries.
Keywords: Collection development. Information policies. University library. Electronic
collections. Digital collections.

1 INTRODUÇÃO
Com o avanço das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) um número
considerável de instituições passou por mudanças substanciais e, mesmo aquelas que ainda
não conseguiram incorporar essas alterações em suas atividades, trouxeram para o seu eixo
norteador a necessidade de se reinventar, em decorrência da explosão tecnológica.
Neste cenário, apresenta-se a instituição biblioteca universitária com a atividade de
Desenvolvimento de Coleções, que trabalha essencialmente com planejamento e gestão de

3446

�documentos, como foco principal desta discussão. Nessa concepção, Dias, Silva e Cervante
(2013, p. 49), argumentam que,
Com o avanço das TIC, é fundamental inferir que as atividades que envolvem
o Desenvolvimento de Coleções transformaram-se substancialmente e ao
modelo, por ela empregada, foram adicionados elementos resultantes
dessa explosão tecnológica, como, por exemplo, os documentos
eletrônicos. Esse tema tem sido amplamente discutido na literatura nacional e
internacional.

Com base nessa afirmação, evidencia-se a necessidade de mais reflexões por parte dos
gestores de biblioteca universitária na tarefa de elaboração de politica de desenvolvimento de
acervo. Não esquecendo que o importante é que reflita a necessidades dos usuários a qual ela
serve, e a busca por estratégias para torna-la efetiva na atualização de fontes de informação
digital e eletrônica. Atualmente, trabalhamos com demandas de informações impressas,
digitais e eletrônicas, todas essas fontes têm diferentes características quanto à aquisição,
armazenamento e avaliação.
Nesta perspectiva, este estudo surgiu da necessidade de atualização da política de
acervo do sistema de bibliotecas da Universidade Federal do Ceará-UFC, tendo como base
teórica o desenvolvimento de coleções e acervos eletrônicos (MIRANDA, 2007; WEITZEL,
2002, 2006; VERGUEIRO, 1989) e o levantamento da realidade das Bibliotecas de
Instituições de ensino superior situadas no nordeste, partindo da mesma realidade sócio
econômica e educacional que a UFC está inserida.
Com esse propósito, traçamos como objetivo verificar se as políticas de
desenvolvimento de coleção das bibliotecas destas instituições, já explicitadas e
disponibilizadas em seus respectivos sites, dão ênfase aos acervos eletrônico e digital, já que o
desenvolvimento de coleção tem como principal finalidade selecionar e disponibilizar fontes
de informação, atuais e retrospectivas de forma planejada e estratégica para suprir às
demandas informacionais da comunidade usuária, e aqui de forma particular o
desenvolvimento de coleção das bibliotecas universitárias que conforme definição de Miranda
(2007, p.17),
Dever ser um processo ininterrupto permanecendo em constante evolução. No
entanto, é necessário elaborar uma política de desenvolvimento da coleção que
conglomere os objetivos dos planos de ensino da instituição, no tocante a
englobar a literatura básica e complementar, com a finalidade de subsidiar a
tomada de decisão no processo de seleção, considerando todos os fatores
relevantes aos interesses da comunidade acadêmica, como também avaliar a
coleção periodicamente para preservar a qualidade e a idoneidade do cervo.

3447

�2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Desenvolvimentos de Coleções e Novas demandas Informacionais
A necessidade e importância do processo de desenvolvimento de coleções para a
organização do conhecimento é reconhecido desde a antiguidade, e sua evolução é
proveniente de acontecimentos históricos como: a) a explosão bibliográfica que proporcionou
reflexões a cerca de novas metodologias para atender uma nova demanda voltada ao acesso à
informação; b) O advento da internet suscitando a explosão informacional que faz emergir
novas possibilidades e conflitos a serem administrados pelo profissional bibliotecário
(WEITZEL, 2002).
Esses acontecimentos históricos são analisados por Weitzel (2002, p.66), nessa
perspectiva,
Assim como o fenômeno da explosão bibliográfica delineou cenário
favorável ao florescimento da área de desenvolvimento de coleções,
alterando o paradigma centrado no armazenamento para o acesso, o advento
da Internet, que num primeiro momento legitima esse novo modelo,
reproduz hoje a explosão informacional em meio digital de modo
instantâneo. Esse novo fenômeno suscita, por um lado, questionamento a
respeito da perenidade das coleções digitais disponíveis na Internet e sua
influência no conhecimento científico consagrado. Por outro, reforça a
importância do processo de desenvolvimento de coleções enquanto
instrumento para identificar, selecionar e categorizar o conhecimento
registrado disperso no mundo da informação.

Com base na reflexão de que o desenvolvimento de coleção de qualquer unidade de
informação está inserido em um contexto histórico e, que seu desenvolvimento e critérios
servem como instrumentos de organização do conhecimento, evidencia-se a necessidade de
perceber todas as particularidades inerentes a fatores como missão da instituição e as
demandas inerentes à área. Nesse sentido, buscamos na literatura científica as características
institucionais das bibliotecas universitárias.

2.2 Desenvolvimento de Coleções em bibliotecas Universitárias
Desenvolvimento de coleções é um assunto que tem bastante relevância na literatura
referente às bibliotecas universitárias, porém, em meio eletrônico, esta ainda é uma literatura
que requer ser explorada e que se desenvolve lentamente.
De acordo Nascimento e Santos (2012) gerenciar coleções é um trabalho que requer
um conjunto de parcerias, principalmente nas bibliotecas universitárias, que passa pela
administração da instituição, pelo usuário que irá utilizar as bibliografias até chegar ao seu
objetivo, que é disponibilizar a informação, evitando assim que haja um abarrotamento no

3448

�acervo. Para isto se faz necessário uma política de desenvolvimento de coleções. Para
Vergueiro (1989, p. 4) esta abordagem é entendida como composto por vários componentes: o
uso, conhecimento e biblioteconomia. Segundo Tarapanof (1981) a função da biblioteca
universitária é prover a infraestrutura bibliográfica, documentária e informacional para apoiar
as atividades da universidade e atender as necessidades informacionais dos usuários, membros
da comunidade acadêmica.
Para Klaes (1991, p.221) a atividade de desenvolvimento de coleções constitui um
processo criterioso de expansão e atualização de acervos para atender às demandas da
comunidade universitária. Para isso, se faz necessárias elaborações de políticas de
informações que norteiem a atividade de desenvolvimento de coleções. É finalidade das
políticas de informação coordenar ações que visam integrar as bibliotecas à realidade
educacional e administrativa da universidade, implementando políticas de planejamento,
fomento à pesquisa, gerenciamento das tecnologias e desenvolvimento de coleções e serviços
de informação.
Uma das funções que mais necessita de atenção no gerenciamento de uma biblioteca
universitária é o desenvolvimento de coleções. O objetivo desse processo é incorporar às
bibliotecas a política educacional e administrativa da universidade, bem como, dar apoio aos
programas de ensino, pesquisa e extensão, incentivando a produção técnico-científica e
artística dessas instituições. Deste processo depende a formação, o desenvolvimento racional
e equilibrado do material de informação que irá subsidiar efetivamente as necessidades
informacionais da comunidade universitária. Deve-se considerar também que esta temática
tem sido destacada na literatura como uma das mais importantes atividades intelectuais do
bibliotecário, muito embora a mesma literatura reporte a dificuldade de tornar a teoria a uma
prática sistemática.
Atualmente as bibliotecas universitárias vêm atualizando seu acervo não apenas com
materiais impressos. Outros tipos de materiais vêm conquistando a usabilidade dos usuários,
isso implica que as bibliotecas universitárias terão também que administrar o
desenvolvimento de diversos tipos de acervos: o impresso, o digital e o eletrônico. Para isso,
se faz necessário à elaboração de uma política de desenvolvimento de coleções que observe
questões relativas ao: a) tipo de material que será inserido no acervo (se trata de material
impresso, eletrônico ou digital); b) a condição física deste material (se for impresso), ou ainda
o formato (para documentos eletrônicos, dependendo do formato a informação correrá o risco
de se tornar inacessível), e a licença de uso (para documentos digitais); c) a importância do
material para as diversas áreas do conhecimento inerentes à comunidade universitária; e d) o

3449

�momento ideal para retirar esse material do acervo (no caso do documento digital muitas
informações acabam se tornando obsoletas e continuam circulando na rede, sem nem um
controle por parte do gestor).

2.2.1 Acervo digital e eletrônico
O avanço tecnológico trouxe para as bibliotecas a necessidade de aquisição não apenas
de materiais impressos, mas também documentos disponíveis em diversos suportes
eletrônicos. Segundo Cunha (2000) “as necessidades informacionais da sociedade determinam
as aplicações do conhecimento provocado nas universidades e essa gama de atividades
certamente tem reflexos na biblioteca universitária, especialmente no acervo e na provisão de
produtos e serviços”. Nesse sentido, se faz necessário a inserção do material eletrônico na
realidade acadêmica, nos seus diversos formatos e disponibilidade de forma que sejam
recuperáveis em qualquer ambiente virtual, assim sejam solicitados, como se refere Paul Otlet
(1934) em seu “Traité de La Documentacion” no qual afirma ser o conhecimento algo
transcendente ao local que o abriga e buscava possibilitar o acesso universal ao conhecimento
registrado.
Para Weitzel, o acervo digital (2002 p. 65) possui duas características que lhes são
fundamentais: a grande capacidade de armazenamento e a facilidade de manipulação de
dados.
Entende-se por acervo digital aquele que, depois de publicado, registrado e
disponibilizado, pode ser acessado em meio virtual ou eletrônico, podendo ser constituído por
diversos tipos de materiais informacionais

. Lerox (2007, p.3) diz que o acervo digital é

composto por documento digitalizados disponíveis em texto integral. Em relação ao acervo
eletrônico, este é caracterizado como todo material informacional publicado, registrado e
disponível em diversos dispositivos de hardware

, podendo ser acessados em máquina que

possua entradas USB, HDMI ou CD e DVD. Como também é definido pelo Glossário da
Câmara Técnica do Documento Eletrônico em que o “documento eletrônico é uma unidade de
registro de informações, acessível por meio de um equipamento eletrônico”.
De acordo com o Manifesto da IFLA para Bibliotecas Digitais as coleções digitais são
criadas, geridas e disponibilizadas de tal forma a serem facilmente e economicamente
disponíveis para uso de uma comunidade definida ou um conjunto de comunidades (IFLA,

391 Materiais informacionais no universo de uma biblioteca universitária podem ser descritos como: livros, sejam
eles impressos ou e books; periódicos; folhetos;
392 Dispositivos de hardware são os cds, dvds, pendrives, hd externos e similares.

3450

�2011). Porém, este tipo de coleção ainda não se configura como algo a ser articulado pelos
“programas, cursos e seus respectivos coordenadores, quando da elaboração de suas
bibliografias básicas, ou mesmo faz parte das estratégias do desenvolvimento de coleções nas
bibliotecas” (ASHCROFT E WATTS, 2004, p. 285).
Atualmente os e books ou “livro eletrônico” é o tipo de material que constituem a
maior parte dos acervos digitais, e a aquisição deste tipo de material requer, por parte dos
bibliotecários, atenção no que tange à licença, direitos de uso, e tempo de uso, pois muitas
coleções adquiridas pelas instituições funcionam como um consórcio em que o direito de
acesso é adquirido por meio de licenças para uso por tempo limitado. Como descrito nas
palavras de San Jose Pacios,
Os bibliotecários têm agora que analisar produtos, levando em consideração
a qualidade do conteúdo proposto, não apenas em relação às necessidades
dos utilizadores, mas também em relação ao seu preço e para o nível de
controlo existente sobre os produtos que está sendo assinando (SAN JOSE E
PACIOS 2005).

Dessa forma, o bibliotecário deverá atentar-se não somente para a usabilidade do
acervo eletrônico e digital, mas também para o tempo em que o livro estará disponível para
uso e seu custo-benefício.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A pesquisa se desenvolveu a partir da análise das políticas de desenvolvimento de
acervos das bibliotecas universitárias de instituições públicas de ensino superior do nordeste
do Brasil, disponibilizadas na internet. Inicialmente foram elencadas as instituições de ensino
superior no nordeste e posteriormente foi analisado cuidadosamente o sítio dessas instituições,
a fim de encontrar uma página da biblioteca ou a política de desenvolvimento de acervos da
instituição. Após esta análise, foram recolhidas todas as políticas existentes e entre elas as que
contemplam os acervos digitais e eletrônicos com o auxilio de um protocolo. Baseado no
referencial teórico evidenciou-se critérios utilizados nas políticas para desenvolvimento de
acervos eletrônicos e digitais.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Após levantamento, através da internet, das bibliotecas universitárias pesquisadas,
constataram-se as que disponibilizam suas políticas de desenvolvimento de coleções no
nordeste do Brasil, e as que não disponibilizam, conforme mostra o quadro 1:

3451

�QUADRO 1- Bibliotecas universitárias e suas políticas de desenvolvimento de acervo
CEARÁ
U niversidade F ederal do
C eará
(UFC)
U niversidade F ederal de Integração
L uso-A fro-B rasileira (U N IL A B )
Instituto F ederal do C eará (IFCE)
U niversidade F ederal do C ariri
ALAGOAS
U niversidade F ederal de A lagoas
(U FA L)
Instituto F ederal de A lagoas (IF AL)
B A H IA
U niversidade F ederal da
B ahia
(U FBA )
Instituto F ederal da B ah ia (IFBA)
U niversidade F ederal do R ecôncavo
da B ah ia (U FR B)

P O L ÍT IC A D E D E SE N V O L V IM E N T O D O A C E R V O

http://www.biblioteca.ufc.br/ima2es/stories/arquivos/bibliotecaunive
rsitaria/politicadedesenvolvimentodoacervo.pdf
http://www.unilab.edu.br/wpcontent/uploads/2012/09/Instru%C3%A7%C3%B5es-parapreenchimento-das-planilhas.pdf
Não foi encontrado
Não foi encontrado
P O L ÍT IC A D E D E SE N V O L V IM E N T O D O A C E R V O

Não foi encontrado
Não foi encontrado
P O L ÍT IC A D E D E SE N V O L V IM E N T O D O A C E R V O

http://www.sibi.ufba.br/sites/default/files/Politica%20Forma%C3%
A7%C3%A3o%20Desenvolvimento%20Colecoes.pdf
Não foi encontrado
Não foi encontrada uma política, mas critérios para doação de livros.

U niversidade F ederal do V ale do São
F rancisco
MARANHÃO
U niversidade F ederal do M aranhão
(U FM A )
Instituto
F ederal
do
M aranhão
(IFM A )
P A R A ÍB A
U niversidade F ederal da P araíb a
(U FPB)
Instituto F ederal da P araíb a (IFPB)

Possui um documento com todos os serviços e inclui a aquisição de
material informacional.

U niversidade F ederal de C am pina
G rande (U FC G )
PERNAM BUCO
Instituto F ederal de E ducação Cs. e
T ecnologia de P ernam buco (IFPE)
U niversidade
F ederal
de
P ernam buco (U FPE)
U niversidade
F ederal
R ural
de
P ernam buco (U FR PE)
P IA U Í
U niversidade
F ederal
do
P iau í
(U FPI)
Instituto F ederal do P iau í (IFPI)
R IO G R A N D E D O N O R T E
U niversidade F ederal do Rio G rande
do N orte (U FR N )
Instituto F ederal do Rio G rande do
N orte (IFR N )
U niversidade F ederal R ural do Sem iÁ rido (U FER SA )
SE R G IPE
U niversidade F ederal de Sergipe
(UFS)
Instituto F ederal de Sergipe (IFS)

Não foi encontrada

P O L ÍT IC A D E D E SE N V O L V IM E N T O D O A C E R V O

Possui um termo de doações de materiais informacionais
Não foi encontrada
P O L ÍT IC A D E D E SE N V O L V IM E N T O D O A C E R V O

Possui apenas um termo de doação
Não foi encontrada

P O L ÍT IC A D E D E SE N V O L V IM E N T O D O A C E R V O

Não foi encontrada
Possui um termo de doação
Não foi encontrada
P O L ÍT IC A D E D E SE N V O L V IM E N T O D O A C E R V O

http://www.ufpi.br/bccb/index/pa2ina/id/5469
Não foi encontrada
P O L ÍT IC A D E D E SE N V O L V IM E N T O D O A C E R V O

Encontra-se dentro do regimento
Não foi encontrada
Não foi encontrada
P O L ÍT IC A D E D E SE N V O L V IM E N T O D O A C E R V O

Não foi encontrada
Não foi encontrada

Fonte: elaboração dos pesquisadores

3452

�O resultado da pesquisa realizada na internet mostrou que das 25 bibliotecas
universitárias encontradas, apenas 16% (Gráfico 1) destas possuem uma política de
desenvolvimento de coleções estabelecida, contra 84% de bibliotecas universitárias que não
possuem uma política desenvolvida ou em desenvolvimento.
Gráfico 1 - Bibliotecas que possuem política de desenvolvimento de acervo
Politicas de Desenvolvimento de Acervos no Nordeste do
Brasil
Ceará
Alagoas
33,30%

Bahia

50%

Maranhão
Paraíba
50%

Pernambuco

25%

Piauí
Rio Grande do Norte

Fonte: elaboração dos pesquisadores
Das 21 biblioecas restantes 23,80% (Gráfico 2) possuem em sua página virtual um
termo de doação de materiais informacionais e uma nota explicativa pontuando a forma como
é realizada, na respectiva instituição, a compra de livros.

Gráfico 2 - Bibliotecas que possuem termo de doação na página virtual
Bibliotecas que possuem termo de doação na página virtual
0% 0,00%

0%

Ceará
Alagoas

33%
50%

Bahia
Maranhão
Paraíba

33%

Pernambuco
Piauí
50%

Rio Grande do Norte
Sergipe

Fonte: elaboração dos pesquisadores

3453

�Com base nas nformações encontradas nos sítios das bibliotecas universitárias das
instituições federais de ensino superior e elencadas nos resultados do gráfico 1, elaborou-se
um segundo protocolo com o objetivo de analisar as referidas políticas, conforme ilustra o
quadro 2 a seguir:

Quadro 2 - Protocolo de Análise das Políticas de Desenvolvimento
UNIVERSIDADE

ESTRUTURA DA POLÍTICA EM
QUE
ETAPA
ACERVO
DE DESENVOLVIMENTO DE APARECE
COLEÇÃO
ELETRÔNICO
E
DIGITAL

Universidade Federal do Possui uma política estruturada A política não contempla
baseada na missão da instituição e como se desenvolve o acervo
Ceará (UFC)

Universidade Federal de
Integração
Luso-AfroBrasileira (UNILAB)
Universidade Federal da
Bahia (UFBA)

que abrange a seleção de todo
tipo de material bibliográfico,
aquisição, desbastamento e a
participação
da
comunidade
acadêmica na aquisição de
material informacional. A política
está em fase de reavaliação.
A política se desenvolve baseada
na aquisição de livros de qualquer
formato e língua e conta com a
participação
de
toda
a
comunidade acadêmica.
A política se desenvolve baseada
na missão da instituição e
contempla o processo de seleção;
aquisição;
desbastamento;
avaliação da coleção; revisão da
política de desenvolvimento de
coleção em todos os tipos de
formato, seja eletrônico e digital

Universidade Federal do Intitulada “política de aquisição
de livros”, abrange a compra,
Piauí (UFPI)
doação e permuta e cita alguns
critérios utilizados na aquisição
por compra, bem como de onde
provêm os recursos financeiros.

digital e eletrônico, nem
específica quais critérios são
utilizados para a compra de e
book, periódicos e outros
tipos de materiais.

Menciona a compra de livros
eletrônicos,
mas
não
estabelece critérios para a
mesma.
Para as bibliotecas, constitui
em importante ponto de
mudança o acesso às redes
de informações, internet, e­
books e bases de dados.
Percebe-se a preocupação
com
acervo
digital
e
eletrônico em todas as etapas,
porém não orienta nenhuma
especificidade
para
esse
material, usa-se o mesmo
critério
do
material
convencional.
Em nenhum momento é
mencionado no documento o
acervo em formato eletrônico
e digital.

Fonte: elaboração dos pesquisadores

Foi constatado que, das políticas analisadas, três mencionam em algum momento que
possuem em seu acervo documentos eletrônicos e/ou digitais, mas não estabelecem critérios
específicos para esse tipo de material, e em duas delas fica subentendido que o processo é o

3454

�mesmo utilizado para livros impressos. Na política de desenvolvimento da Universidade
Federal da Bahia - UFBA é contemplado o estabelecimento de critérios para inserção de
documentos nos repositórios digitais. Estes critérios são importantes visto que, na atual
realidade das bibliotecas universitárias, os repositórios estão sendo implantados e os seus
acervos vêm crescendo sem o devido controle bibliográfico. Outra observação a ser registrada
é que nas bibliotecas que possuem o termo de doação na sua página, o termo não contempla a
aquisição de diversos tipos de materiais informacionais, mas que na relação dos serviços os
diversos tipos de material bibliográfico são contemplados, como por exemplo: cd, dvd,
folhetos, etc.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
As políticas de desenvolvimento de acervos surgiram para evitar o crescimento
desordenado dos documentos e orientar os profissionais nas decisões a serem tomadas no
decorrer da atualização dos acervos. Weitzel (2006, p.18) enfatiza que as políticas de
desenvolvimento são “um instrumento importante para desencadear o processo de formação e
desenvolvimento de coleções, constituindo-se num documento formal elaborado pela equipe
responsável pelas atividades que apoiam o processo de desenvolvimento de coleções como
um todo”.
Nesse sentido, refletimos sobre a importância de se estabelecer uma política de
desenvolvimento de acervos dentro da biblioteca universitária, que por sua vez são
consideradas peças fundamentais na concretização da missão da Universidade, ajudando-a a
cumprir as atividades de pesquisa, ensino e extensão. Dessa forma, a biblioteca universitária
deverá estar sempre alerta aos avanços tecnológicos no que tange ao acesso à informação.
Os documentos eletrônicos e digitais devem ter atenção parecida com a desprendida
aos documentos impressos e com o diferencial que estão disponíveis em formatos variados,
nesse sentido Al Fadhli e Johnson (apud Dias, Silva e Cervantes 2012) corroboram afirmando
que “é essencial um planejamento amplamente difundido, muito semelhante a política de
planejamento impresso", visto que os documentos em meio eletrônico e digital possuem uma
vida útil menor que os documentos impressos, pelo fato de que as informações estão
crescendo aceleradamente.
O estudo nos mostrou que esse ainda é um assunto deficiente para as bibliotecas
universitárias e instituições de ensino superior do nordeste, e que precisa ter maior atenção,
mas que ao mesmo tempo, o acervo eletrônico e digital é algo que está sendo descoberto pelos
gestores em informação, e na medida em que os acervos são demandados pelos usuários, cabe

3455

�aos gestores identificar e explorar novas metodologias e ações para se efetivar o acesso à
informação de forma qualitativa. Recomendamos que na elaboração de uma política de
desenvolvimento para acervos eletrônicos e digitais, seja dada a devida atenção para o
descarte e desbastamento desse material que também se torna obsoleto, mas que permanece
por um período longo disponível na internet. Para isso é imprescindível que as políticas de
desenvolvimento de acervo estejam em constante avaliação para que sejam atualizadas na
medida em que for necessário.

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
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                <text>Políticas de desenvolvimento de acervo eletrônico e digital nas universidades públicas do nordeste</text>
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                <text>Nascimento, Aline Vieira, Nascimento, Eliene Gomes Vieira do</text>
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            <name>Date</name>
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                <text>2014</text>
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            <description>A language of the resource</description>
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            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
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                <text>Evento</text>
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            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
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              <elementText elementTextId="76101">
                <text>O estudo apresenta a atual situação das políticas de desenvolvimento de  acervos eletrônicos nas bibliotecas universitárias públicas do nordeste do país. Aborda a elaboração e o estabelecimento de políticas de desenvolvimento de acervos nas bibliotecas universitárias, bem como se as mesmas contemplam os acervos eletrônicos. Discute a importância deste tipo de acervo na atual realidade das comunidades acadêmicas, bem como os requisitos necessários para constituir uma política que contemple os diversos tipos de materiais informacionais disponíveis nas bibliotecas universitárias.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PARTICIPAÇÃO DOS DOCENTES NO PROCESSO DE AQUISIÇÃO DE LIVROS
DA BIBLIOTECA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA (UNESP CAMPUS DE RIO CLARO)

Vivian Rosa Storti
Regina Maria Seneda
Ana Paula Santulo Custódio de Medeiros
Márcia Correa Bueno Degasperi
Adriana Aparecida Puerta

RESUMO
As atividades de seleção e aquisição de materiais bibliográficos são de vital importância para
a qualidade do acervo e para melhor atendimento às necessidades da comunidade usuária da
biblioteca universitária que atua como suporte aos três pilares da universidade: ensino,
pesquisa e extensão. Perante a disponibilidade de recursos financeiros para o desenvolvimento
do acervo e para sua melhor alocação, faz-se necessária a rigorosa seleção de livros a serem
adquiridos. A Biblioteca da Unesp - Câmpus de Rio Claro realiza essa seleção a partir das
indicações dos docentes e busca aprimorar esta etapa do processo ao propor e manter um
canal de comunicação, por correio eletrônico, entre biblioteca e docentes. Este artigo visa
discorrer sobre o fluxo do serviço de aquisição de obras para compor o acervo da biblioteca e
descrever o resultado deste processo para indicação e seleção dos materiais bibliográficos.
Foram apresentados, por meio de gráficos e comentários, os resultados desta comunicação
biblioteca/docentes para aperfeiçoar a lista de pedido de compras e a importância da melhoria
e continuidade deste trabalho.
Palavras-Chave: Aquisição de materiais. Seleção
biblioteca/docente. Unesp. Biblioteca universitária.

bibliográfica.

Comunicação

ABSTRACT
The activities of selection and acquisition of library material are of vital importance to the
quality of the collection and to better meet the needs of the user community of the university
library, which acts as a support to the three pillars of the university: teaching, research and
extension. In face of the availability of financial resources to the collection development and
for a better distribution, it's need a rigorous selection of the books to be bought. The Library
of Unesp - campus Rio Claro makes this selection according to the indications and search for
improve this stage of the process by proposing and keeping a channel of communication, by
electronic mail, between library and professors. This article aims to discuss the service of
acquisition of books to compose the library collection and to describe the results of this

3434

�process stage of indication and selection. Results of the communication between
library/professors to improve the list of buying requests were presented through charts and
comments and has showed the importance of improving and continuing this work.
Keywords: Acquisition of materials. Bibliographic selection. Communication library/
professors. Unesp. University library.

1 Introdução
Em Rio Claro (SP), a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”
(Unesp), teve sua origem como instituto isolado na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras
(FCL), criada pelo Governo do Estado em 1957. A partir do ano de 1976, a FCL passa a
integrar a Unesp, compreendendo hoje: o Instituto de Biociências (IB), o Instituto de
Geociências e Ciências Exatas (IGCE) e o Centro de Estudos Ambientais (CEA) e oferece 10
cursos de graduação e 16 programas de pós-graduação.
A Unesp é uma das três maiores universidades do Estado de São Paulo, tamanha
proporção ocasiona cada vez mais a busca pela qualidade e melhoria do ensino ofertado e de
sua infraestrutura. Um dos requisitos avaliados quando do reconhecimento de cursos pelo
Ministério da Educação (MEC) é o acervo da biblioteca, que deve ser atual e possuir obras em
quantidade suficiente para os alunos do câmpus.
Visando esses aspectos, a Coordenadoria Geral de Bibliotecas (CGB), responsável
tecnicamente pela Rede de Bibliotecas da Unesp, participa junto à Reitoria por meio do Plano
de Desenvolvimento Institucional (PDI) da ação 33 “Estabelecer políticas de desenvolvimento
de coleções e de obras raras para a Rede de Bibliotecas da Unesp” (UNIVERSIDADE ...,
2009), ação que assegura o direcionamento de verba anual para a aquisição de materiais
bibliográficos.
Em contrapartida à disponibilidade de verba, há a dificuldade em selecionar quais
materiais, dentre toda a gama disponível, serão adquiridos para compor o acervo da rede de
bibliotecas e assim proporcionar aos usuários um maior e melhor suporte para o estudo, a
pesquisa e a extensão.
Para resolver essa lacuna, a Biblioteca da Unesp - Câmpus de Rio Claro desenvolveu
um programa para pedido de aquisição de livros, no qual o docente acessa o sistema e informa
os dados do material bibliográfico que julga ser importante haver no acervo de acordo com as
aulas por eles ministradas. O sistema, então, gera uma lista automática com as informações
dos materiais solicitados, contudo, faz-se necessário o contato com os docentes a fim de

3435

�resolver dúvidas existentes sobre os pedidos, além de fornecer um retorno sobre a situação do
pedido efetuado. Essa proposta tem funcionado de forma positiva no processo de seleção e
aquisição e também qualificado a compra de livros didáticos.
Com o exposto, este trabalho visa discorrer sobre o fluxo de serviço da elaboração da
lista de obras a serem adquiridas, selecionando os pedidos dos docentes, as quantidades
solicitadas e o valor da verba recebida pela Reitoria para a aquisição de obras para compor o
acervo da Biblioteca da Unesp - Câmpus de Rio Claro.

2 A Biblioteca da Unesp - Câmpus de Rio Claro
A Biblioteca da Unesp - Câmpus de Rio Claro iniciou suas atividades em 1958, sendo
hoje subordinada administrativamente ao Instituto de Biociências e tecnicamente à
Coordenadoria Geral de Bibliotecas (UNIVERSIDADE..., 2013). Integra a Rede de
Bibliotecas da Unesp, em um total de 34 bibliotecas que utilizam o software Aleph (versão
20) formando o catálogo bibliográfico Athena. Seu acervo é composto por 93.836 itens de
materiais bibliográficos (livros, teses, TCCs, CDs, mapas, dentre outros) e 184.702 fascículos
de periódicos. A maior parte dos serviços está informatizada e pode ser acessado através do
endereço http://www.rc.unesp.br/biblioteca (consulta ao acervo, renovação, reservas, EEB,
Comut, ficha catalográfica, pedido de compra de livro, inscrição em treinamentos e oficinas).
Possui

acesso

a

C@thedra

(http://www.unesp.br/portal#!/cgb/bibliotecas-

digitais/cthedra-biblioteca-digital-teses/), banco

de teses

e dissertações,

e C@pelo

(http://www.unesp.br/portal#!/cgb/bibliotecas-digitais/cpelo-biblioteca-digital-tcc/), banco de
trabalhos de conclusão de curso produzidos na Universidade. Possui acesso também ao
Parthenon (http://www.parthenon.biblioteca.unesp.br), sistema de busca integrada aos
diferentes conteúdos, suportes e mídias dos recursos disponíveis. Em 2013, foram
disponibilizados mais de 3.000 e-books sendo mil de pesquisa e 2.000 didáticos e foram
inaugurados o Repositório CRUESP (http://cruesp.sibi.usp.br) que oferece acesso à produção
científica

e

acadêmica

da

Usp,

Unesp

e

Unicamp

e

o

Repositório

Unesp

(http://unesp.br/repositorio) que oferece acesso à produção científica, acadêmica, artística,
técnica e administrativa da Unesp.
Possui 15 netbooks para serem emprestados aos usuários dentro da biblioteca por 4
horas renováveis e ainda a tecnologia RFID (radiofrequência) para segurança do acervo e
modernização das rotinas de atendimento com o autoempréstimo e a autodevolução sendo
esta última por 24 horas.

3436

�3 Revisão de Literatura
O desenvolvimento de coleções é um trabalho de planejamento.

A formação do

acervo é um processo abordado sob uma perspectiva sistêmica e as atividades ligadas à
construção da coleção não podem ser encaradas isoladamente (VERGUEIRO, 1989).
A aquisição de material bibliográfico é uma tarefa de responsabilidade para as
bibliotecas universitárias, uma vez que a maioria conta com poucos recursos financeiros. A
seleção de obras é um processo de decisões constantes que influenciam em aspectos
financeiros e qualitativos da biblioteca. Esta etapa da aquisição é fundamental para que ocorra
maior aproveitamento dos recursos disponíveis para a realização da compra.
A aquisição, para Dias e Pires (2003, p. 42), “é o processo de agregar materiais a
coleção, seja por compra, doação ou intercâmbio, segundo um fluxo administrativo linear e
controlado”. Este processo é a execução das decisões tomadas na seleção, ou seja, é o
procedimento destinado à obtenção dos documentos, cabendo a identificação, localização dos
itens para compra, escolha de fornecedores, cotação de valores e sua posterior obtenção para o
acervo. “O papel da aquisição no processo é localizar e assegurar a posse, para a biblioteca,
daqueles materiais que foram definidos pela seleção” (PUERTA, AMARAL, GRACIOSO,
2010, p. 8).
A aquisição envolve dois itens básicos: orçamento e alocação de recursos. Segundo
Miranda (2007, p. 13), “antes da compra devem ser previamente definidos os recursos
financeiros, para permitir uma visão concreta do que se pode contar”. Andrade e Vergueiro
(1996, p. 19) salientam que, na prática, o orçamento previsto para aquisição de materiais nem
sempre corresponde aos recursos liberados, ocasionando que nem todas as necessidades
consideradas prioritárias serão atendidas.
Na Unesp, desde 2000, a aquisição de material bibliográfico é norteada pela Portaria
Unesp n° 486, de 18 de outubro de 2000 que determina “Diretrizes para o Desenvolvimento
dos Acervos da Rede de Bibliotecas da UNESP” onde, em seu artigo 3° diz:

A Reitoria no orçamento de cada ano deverá encaminhar para aprovação do
Conselho de Administração e Desenvolvimento da Unesp (CADE) proposta
de 1,5 a 2,0% do orçamento anual global da Universidade destinados à
aquisição de material bibliográfico.

Desta forma, há verba anual para a aquisição de livros para a graduação (livros
didáticos) de acordo com os cursos e áreas de cada Campi. A CGB, após análise do valor do
livro por área do conhecimento (exatas, humanas, biológicas e tecnológicas), pelos cursos

3437

�existentes nas Unidades Administrativas da Unesp e quantidade de alunos por curso,
determina a verba para cada biblioteca da Rede e a Reitoria a repassa na forma de
compromisso para as Unidades.
O gerenciamento desse compromisso recebido pela Biblioteca da Unesp - Câmpus de
Rio Claro é realizado pelo Módulo de Aquisição do Aleph (MEDEIROS, PUERTA,
DEGASPERI, 2012). Com essa ferramenta há o controle do uso da verba por livraria
inclusive com relação a títulos esgotados e as respectivas substituições de forma eficaz.
Porém, a fase intermediária do processo, ou seja, o contato com os docentes sobre as dúvidas
dos pedidos ainda não estava sistematizado, o que acarretava possíveis falhas e
descontentamentos ao final da seleção, sendo necessário adotar um procedimento para
minimizar essa questão.

4 Materiais e Métodos
Ao receber o compromisso anual para aquisição de livros didáticos, as bibliotecas da
Unesp são responsáveis por organizar a lista de pedidos de compra conforme artigo 6° da
Portaria Unesp 486 de 2000 (UNIVERSIDADE ..., 2000, p. 2)
Para a utilização dos recursos repassados pela Reitoria, do Programa de
Aquisição de Livros e Outros Materiais não Periódicos caberá às Bibliotecas
da Rede: elaborar as listagens e adquirir as obras nacionais e estrangeiras,
em conformidade com os procedimentos estabelecidos pela Runesp, de
acordo com a legislação vigente.
Em Rio Claro, o compromisso recebido para o ano de 2014 deve ser empenhado até o
dia 05 de agosto de 2014. Neste ano, foram trabalhados, aproximadamente, 1500 pedidos.
Visando atender melhor às necessidades dos usuários da biblioteca, os livros são
adquiridos respeitando as indicações dos docentes que realizam seus pedidos através do
formulário disponível na página da biblioteca (http://www2.rc.unesp.br/biblioteca/novo3sstati/faplivros/usuario/). Desta maneira, apenas materiais de interesse da comunidade do
Câmpus são incluídos na aquisição.
Para melhor administrar os pedidos dos docentes, que podem realizar a solicitação sem
limite de pedidos, a biblioteca utiliza um programa desenvolvido na própria unidade que
concentra os serviços de: Comut, Empréstimo entre bibliotecas (EEB), pedido de livros para
compra, ficha catalográfica, agendamento de treinamento e palestras, entre outros.
O formulário de aquisição de livros (Figura 1) possui os campos a serem preenchidos:
dados do solicitante (nome, e-mail, categoria, departamento e disciplinas ministradas) e dados

3438

�do livro (científico ou didático, autores, título, ISBN, idioma, série, editora, ano, edição,
volumes, exemplares, moeda, preço unitário e um campo aberto para observações).

Figura 1 - Formulário de preenchimento para aquisição de livros

Fonte: Sistema 3S
O sistema permite aos docentes, além do cadastro dos pedidos de livros para
aquisição, a visualização destes pedidos em forma de relatório (Figura 2).

3439

�Figura 2 - Visualização dos pedidos realizados

Fonte: Sistema 3S
O programa é utilizado para gerar a lista de livros didáticos a ser adquirida com a
verba da Reitoria e também projetos específicos como o Faplivros da FAPESP.
No ano de 2013, o sistema foi aprimorado, possibilitando o envio de correio eletrônico
aos docentes. Este contato eletrônico passou a ser utilizado para o esclarecimento de dúvidas
com relação aos pedidos, seja quanto ao número de exemplares, manutenção do título na lista
e aviso ao docente quando a obra não foi localizada, está esgotada ou já possui exemplares na
biblioteca (Figura 3).
Figura 3 - Formulário de envio de e-mail

Fonte: Sistema 3S

3440

�Perante um contato mais eficaz com o docente responsável pelo pedido da obra, o
tempo de espera pela resposta sobre dúvidas acerca do material solicitado passou a ser mais
curto, agilizando o processo de seleção e aquisição e favorecendo a qualidade dos pedidos da
lista.
Esta forma de comunicação visa à objetividade e o esclarecimento de incertezas.
Abaixo seguem descritos alguns exemplos:
•

Realização de pedido de compra de obras já assinadas na forma de e-books pela
Unesp;

•

Solicitação de livros os quais a biblioteca já possui no acervo, sendo informado ao
docente o número de exemplares, a quantidade de empréstimos e reservas no último
ano, questionando a real necessidade de aquisição de novos exemplares;

•

Divergência entre dados informados no pedido e dados localizados nos catálogos das
editoras e livrarias;

•

Confirmação da necessidade de maior quantidade de exemplares quando mais de um
docente faz pedido da mesma obra;

•

Esclarecimentos sobre obras não localizadas na busca em livrarias e editoras,
solicitando ao docente dados para confirmação e sugestão de locais onde a obra poderá
ser localizada;

•

Informação de que a obra encontra-se esgotada, solicitando a confirmação que o
pedido seja mantido ou cancelado.

5 Resultados Finais
Em 2014, de fevereiro a abril, foram realizados 584 contatos por correio eletrônico
enviados pelo próprio sistema aos docentes, obtendo 291 retornos com as especificações a
seguir:
•

138 títulos indicados puderam ser retirados da lista e 153 títulos foram mantidos,
ambos com a concordância do solicitante, como descrevemos abaixo:

•

91 títulos existentes na biblioteca, sendo: 16 pedidos mantidos e 75 pedidos
cancelados, considerando não haver necessidade de compra de mais exemplares;

•

137 títulos esgotados, sendo: 80 pedidos mantidos para compra futura e 57 pedidos
cancelados;

•

81 títulos que não foram localizados em livrarias e editoras, sendo: 59 pedidos
mantidos e 22 pedidos cancelados.

•

Totalizando 309 pedidos, haja vista que, 18 pedidos a biblioteca já possuía o título e

3441

�estava esgotado na editora ou a biblioteca já possuía e não foi localizado, por isso a
quantidade acima de 291.

Conforme mostra o Gráfico 1, a biblioteca recebeu um retorno de 49,83% dos correios
eletrônicos enviados. Considerando-se que é o primeiro ano que se realiza este trabalho, tevese um bom percentual de respostas, sendo necessário intensificar a participação dos docentes
neste processo.
Gráfico 1 - Quantidade e percentual dos retornos aos contatos enviados

Fonte: Elaborado pelos autores
Este trabalho também mostrou que muitos docentes desconhecem as obras que
compõem o acervo, pois solicitam títulos que a biblioteca possui em quantidades de
exemplares suficientes para atender a comunidade acadêmica. De acordo com o Gráfico 2,
destes pedidos, apenas 17,58% solicitaram que a biblioteca aumentasse o número de
exemplares.
Gráfico 2 - Percentual de pedidos mantidos ou cancelados de obras que a
biblioteca já possui

Fonte: Elaborado pelos autores

3442

�No entanto, apesar de várias obras solicitadas estarem esgotadas ou não terem sido
localizadas nas livrarias e editoras, os docentes preferem, em sua maioria, manter o pedido
para que sejam adquiridas em uma próxima reimpressão ou edição, conforme mostram os
Gráficos 3 e 4.

Gráfico 3 - Percentual de pedidos mantidos ou cancelados das obras esgotadas

Fonte: Elaborado pelos autores
Gráfico 4 - Percentual de pedidos mantidos ou cancelados das obras não
localizadas

Fonte: Elaborado pelos autores
Pode-se ainda ressaltar que alguns docentes utilizaram o contato para enviar sugestões,
justificativas e observações, tais como:
•

Possibilidade de doação da obra pelo próprio autor, não havendo necessidade de
compra;

3443

�•

Solicitação de levantamento de quantidade de empréstimos e reservas de títulos
utilizados em disciplinas;

•

Informação de pedidos que poderiam ser cancelados por haver obras correlatas;

•

Solicitação de que o pedido fosse mantido para aquisição de nova edição;

•

Solicitação de maior quantidade de exemplares;

•

Questionamento quanto à necessidade de manter pedidos de obras esgotadas e como
proceder nesses casos;

•

Justificativa da utilização das obras utilizadas tanto na graduação quanto na pós
graduação;

•

Solicitação de dados da obra para conferência do pedido;

•

Percepção da pouca procura dos alunos a respeito do material bibliográfico indicado;

•

Compreensão da falta de familiaridade com a biblioteca ao solicitar obras que já
constituem o acervo;

•

Sugestão de mudança de classificação de obras do acervo com assuntos mais
pertinentes e agrupamento de assuntos diversos em uma mesma seção;

•

Elogios ao trabalho minucioso da biblioteca.

6 Considerações Finais
Por meio da sistematização deste processo, foi possível estabelecer um canal de
contato com os docentes, fazendo com que eles participassem mais ativamente da seleção,
possibilitando assim uma melhor otimização do dinheiro público, consequentemente, a
melhoria qualitativa e quantitativa do acervo. Ao analisar a quantidade de títulos com a
quantidade de exemplares pode-se observar que há uma melhora considerável para os alunos
da graduação com relação à bibliografia básica (521 títulos x 1162 exemplares), em uma
primeira aquisição. Considera-se também que a constatação de aproximadamente 50% de
retorno dos docentes aos questionamentos sugere confiabilidade no trabalho exercido pelos
bibliotecários. Importante ressaltar que em Rio Claro, desde o início do recebimento do
compromisso para aquisição de livros didáticos, não há distribuição da verba por curso, sendo
que todos os docentes do Câmpus devem enviar as suas solicitações. Este foi um acordo feito
desde o início e que já demonstrou a confiança neste serviço.
Sem o apoio dos docentes seria muito difícil o cancelamento dos pedidos, pois eles são
os responsáveis pela indicação da bibliografia. Com o cancelamento de vários pedidos pela
indicação do próprio solicitante, baseado nas informações enviadas por correio eletrônico
através do próprio sistema, foi possível um melhor aproveitamento do recurso aumentando a

3444

�quantidade de exemplares das obras mais emprestadas.
Concluí-se que, este canal de comunicação estabelecido foi muito produtivo para
ambos, docentes e biblioteca, pois o objetivo final é dotar o acervo de acordo com a demanda
dos nossos usuários.

7 Referências
ANDRADE, D.; VERGUEIRO, W. Aquisição de materiais de informação. Brasília:
Briquet de Lemos, 1996.
DIAS, M. M. K.; PIRES, D. Formação e desenvolvimento de coleções de serviços de
informação. São Carlos: EdUFSCar, 2003.
MEDEIROS, A. P. S. C.; PUERTA, A. A.; DEGASPERI, M. C. B. A utilização dos
orçamentos hierárquicos do sistema Aleph no processo de aquisição de material bibliográfico
pela biblioteca da Unesp Câmpus de Rio Claro. In.: SEMINÁRIO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 17., Gramado. Anais... Gramado: UFRGS, 2012.
Disponível em: &lt;http://www.snbu2012.com.br/anais/pdf/4QTF.pdf&gt;. Acesso em: 07 abr.
2014.
MIRANDA, A. C. C. de. Desenvolvimento de coleções em bibliotecas universitárias. Revista
Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas, v. 4, n. 2, p. 01-19,
jan./jun. 2007. p. 13
PUERTA, A. A.; AMARAL, R. M.; GRACIOSO, L. S. Uso de tecnologias da informação e
comunicação para participação de usuário na formação e no desenvolvimento de coleções. In.:
SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 16., Rio de Janeiro.
Anais... Rio de Janeiro: UFRJ, 2010. p. 1-14. Disponível em:
&lt;http://www.siglinux.nce.ufrj.br/~gtbib/site/wp-content/uploads/2010/10/desenvolvimentocolecoes.pdf&gt;. Acesso em: 07 abr. 2014.
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA (UNESP). Biblioteca: histórico. 2013.
Disponível em: &lt;http://ib.rc.unesp.br/#!/biblioteca/biblioteca/institucional/historico/&gt;. Acesso
em: 20 abr. 2014.
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA (UNESP). Plano de Desenvolvimento
Institucional. 2009. Disponível em: &lt;https://ape.unesp.br/pdi/execucao/PDI_Unesp.pdf&gt;.
Acesso em: 22 abr. 2014.
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA (UNESP). Portaria 486 de 18 de outubro de
2000. Estabelece as Diretrizes para o Desenvolvimento de Acervos da Rede de Bibliotecas da
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”. Disponível em:
&lt;http://www.biblioteca.unesp.br/portal/intranet/arquivos/pdf/Portaria%20Unesp%204862000%20-%201.pdf&gt;. Acesso em: 19 abr. 2014.
VERGUEIRO, W. Desenvolvimento de coleções. São Paulo: Polis, 1989.

3445

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Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>As atividades de seleção e aquisição de materiais bibliográficos são de vital importância para a qualidade do acervo e para melhor atendimento às necessidades da comunidade usuária da biblioteca universitária que atua como suporte aos três pilares da universidade: ensino, pesquisa e extensão. Perante a disponibilidade de recursos financeiros para o desenvolvimento do acervo e para sua melhor alocação, faz-se necessária a rigorosa seleção de livros a serem adquiridos. A Biblioteca da Unesp - Câmpus de Rio Claro realiza essa seleção a partir das indicações dos docentes e busca aprimorar esta etapa do processo ao propor e manter um canal de comunicação, por correio eletrônico, entre biblioteca e docentes. Este artigo visa discorrer sobre o fluxo do serviço de aquisição de obras para compor o acervo da biblioteca e descrever o resultado deste processo para indicação e seleção dos materiais bibliográficos. Foram apresentados, por meio de gráficos e comentários, os resultados desta comunicação biblioteca/docentes para aperfeiçoar a lista de pedido de compras e a importância da melhoria e continuidade deste trabalho.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

POLÍTICA DE INDEXAÇÃO NO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

Ana Paula Araújo Cabral da Silva
Édina Maria Gomes da Cunha Pureza
Elisa Alves de Oliveira
Inês Maria De Gasperin
Magda Helena Behrmann
Miriam Velci Fernandes
Renata Cristina Grun
Vanessa Inácio de Souza
RESUMO
Relata a experiência de elaboração da Política de Indexação para o Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A partir do diagnóstico do processo de
indexação e das entradas de assunto no catálogo, são apresentadas as principais etapas da
criação da Política de Indexação e descritos seus principais elementos. Como complemento
essencial, refere características e habilidades do bibliotecário indexador destacando estes
aspectos como definitivos para o sucesso do processo. Após ressaltar a importância do
controle e avaliação do uso da Política de Indexação, finaliza com considerações referentes à
importância da utilização de uma política de indexação para entradas de assunto, visando à
eficiência do trabalho do indexador e à qualidade na recuperação da informação.
Palavras-chave: Política de indexação; Indexação (Biblioteconomia).

ABSTRACT
Reports the experience of elaborating the Indexing Policy for the Universidade Federal do Rio
Grande do Sul Library System. Starting from the diagnosis of the subject entries and of the
indexing process, the main stages of the Indexing Policy creation are described, as well as its
critic elements. As an essential complement, refers to the indexer librarian characteristics and
abilities highlighting some aspects as definitive for the success of the process. After
emphasizing the importance of controlling and evaluating the Indexing Policy use, concludes
with considerations regarding the worth of using a policy, aiming indexing best practices and
accuracy in information retrieval.
Keywords: Indexing policy; Indexing.

3423

�1 INTRODUÇÃO
O volume de informações gerenciadas nas bibliotecas universitárias exige políticas
que orientem os processos de trabalho. Em sistemas centralizados tais dispositivos atuam
regulando e padronizando as atividades técnicas e, em sistemas descentralizados assumem
papel determinante, especialmente no tratamento técnico da informação, pois, além de nortear
e padronizar as atividades, evita que as inconsistências se multipliquem levando qualquer
sistema potencialmente promissor ao caos. Neste sentido o processo de indexação deve ser
consolidado através de diretrizes para a representação temática de documentos, promovendo
maior consistência nos catálogos automatizados e consequentemente qualificando a
recuperação da informação.
A necessidade de avaliação de um sistema descentralizado levou a direção do Sistema
de Bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (SBUFRGS) à criação de
fóruns especiais para discussões técnicas regulares que garantissem a qualificação de seus
bibliotecários e a excelência dos serviços prestados. Tais fóruns, denominados Grupos de
Estudos, visam, entre outros objetivos, a ampliação de conhecimentos com produção de
documentos técnicos podendo, inclusive, gerar propostas de políticas a serem discutidas pelo
SBUFRGS. Dentro deste contexto, o Grupo de Estudos em Indexação (GEI), formado por
oito bibliotecárias, vem acompanhando, nos últimos anos, o trabalho de indexação
desenvolvido nas bibliotecas do SBUFRGS, assumindo a responsabilidade de elaborar uma
política de indexação que elimine as inconsistências nas entradas de assuntos dos catálogos de
autoridade, refletidas no catálogo bibliográfico.
A partir do exposto, os principais objetivos da Política de Indexação são padronizar os
procedimentos quanto ao tratamento técnico da informação, contribuir para a melhoria na
recuperação da informação e possibilitar a otimização dos recursos humanos e financeiros
disponíveis.
Conforme Rubi e Fujita (2003, p. 67), a política de indexação:
[...] será norteadora de princípios e critérios que servirão de guia na tomada
de decisões para otimização do serviço e racionalização dos processos. Podese dizer então, que a política de indexação é uma decisão administrativa
indispensável a um sistema de recuperação de informação, pois, somente
depois de seu estabelecimento, é que o sistema em questão poderá definir
suas características principais.
O objetivo geral deste artigo é relatar a experiência do Grupo de Estudos de Indexação
no processo de elaboração da Política de Indexação.

3424

�Tem como objetivos específicos:
a) relatar as etapas para a estruturação dessa Política para o SBUFRGS;
b) discutir os conceitos inerentes ao processo de indexação.

2 CONTEXTUALIZAÇÃO
A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com sede em Porto Alegre,
capital do Estado, é uma instituição centenária, reconhecida nacional e internacionalmente
pela excelência no ensino e na pesquisa. Ministra cursos em todas as áreas do conhecimento e
em todos os níveis, desde o Ensino Fundamental até a Pós-Graduação.
A UFRGS está organizada em 4 campi em Porto Alegre (Centro, Saúde, Olímpico e
Vale) e em outros municípios do Estado do Rio Grande do Sul (Centro de Estudos Costeiros,
Limnológicos e Marinhos - CECLIMAR, em Imbé e Estação Experimental Agronômica, em
Eldorado do Sul).
Dentro da estrutura da UFRGS, a Biblioteca Central é um órgão suplementar
vinculado diretamente ao Reitor e Vice-Reitor e, por delegação de competência, à PróReitoria de Coordenação Acadêmica. A Biblioteca Central coordena tecnicamente o
SBUFRGS, que é composto por 30 bibliotecas setoriais especializadas, uma biblioteca de
ensino fundamental e médio e uma biblioteca depositária da documentação da Organização
das Nações Unidas (ONU).
Uma função primordial do SBUFRGS é prover infraestrutura bibliográfica,
documentária e informacional para apoiar as atividades da Universidade, centrando seus
objetivos nas necessidades informacionais do indivíduo, membro da comunidade
universitária, constituída de alunos de graduação, pós-graduação, ensino fundamental, ensino
médio; docentes e servidores técnico-administrativos. Paralelamente ao contexto acadêmico,
tem compromisso com a sociedade não vinculada à Universidade que se efetiva através da
prestação de serviços, proporcionando o acesso à informação, à leitura e a outros recursos
disponíveis que são instrumentos de transformação dessa sociedade.
As bibliotecas do SBUFRGS estão vinculadas administrativamente às Unidades de
Ensino, possuem acervo próprio e oferecem serviços independentes. Apesar da distância
física entre elas, da variedade de acervo e de usuários, atuam de forma cooperativa no que se
refere às políticas gerais para o desenvolvimento de coleções, automação dos serviços,
catalogação e outros. O processamento técnico é descentralizado, contudo obedece às
políticas do SBUFRGS.

3425

�Em 1989, foi implantado o Sistema de Automação de Bibliotecas (SABi) que
atualmente adota o software Aleph para gerenciar as atividades e serviços oferecidos à
comunidade usuária. O Aleph é composto por módulos que, entre outras funções, possibilitam
o registro e a recuperação de informações bibliográficas através do catálogo on-line.
(UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL, [2014])

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Desde 2009, em reuniões semanais, o GEI busca subsídios que fundamentem
as decisões da Política de Indexação. Para tal, foram utilizadas duas fontes de informação:
a) literatura especializada da área;
b) conhecimento tácito dos indexadores.
No que diz respeito à literatura especializada, foram realizados levantamentos
bibliográficos em bases de dados nacionais e internacionais. Apesar da escassez de
documentos pertinentes à pesquisa, foram identificadas informações relevantes, referentes a
diretrizes e conceitos que fundamentaram o trabalho. Os principais autores utilizados foram
Carneiro (1985), Lancaster (2004), Rubi e Fujita (2003).
O conhecimento tácito dos indexadores do SBUFRGS foi fundamental para solucionar
questões específicas. Reuniões técnicas, consultas ao SABi e aplicação de questionários
foram os procedimentos adotados para a troca de experiências com os indexadores, as quais
serviram de subsídios para a tomada de decisões.

4 POLÍTICA DE INDEXAÇÃO DO SBUFRGS COMO RESULTADO
Na elaboração da Política de Indexação foram consideradas as características da
UFRGS e do SBUFRGS, principalmente os desafios inerentes à produção de um catálogo
bibliográfico a partir de atividades descentralizadas.
Neste contexto, foi elaborada a Política de Indexação, cujos principais tópicos são
apresentados a seguir.

4.1 Processo de indexação
A Política de Indexação do SBUFRGS elegeu a Norma Brasileira (NBR) 12676388, da
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), como principal fonte para auxiliar no

388 Métodos para análise de documentos: determinação de seus assuntos e seleção de termos de indexação:
procedimento.

3426

�processo de indexação. Segundo essa NBR, o processo de indexação consiste de três etapas:
análise conceituai, identificação dos conceitos e tradução.

4.1.1 Análise conceituai
“Análise conceituai é o conjunto de procedimentos efetuados com a finalidade de
representar o conteúdo dos documentos.” (CUNHA, 1989, p. 17).
A análise dos documentos depende de uma leitura técnica que garanta que nenhuma
informação seja negligenciada. Para isso, devem ser consideradas as seguintes partes do
documento, segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (1992, p. 2):
a)
b)
c)
d)
e)
f)
g)

título e subtítulo;
resumo, se houver;
sumário;
introdução;
ilustrações, diagramas, tabelas e seus títulos explicativos;
palavras ou grupo de palavras em destaque (sublinhadas, impressas
em tipos diferentes, etc.);
referências bibliográficas.

A orientação da Política do SBUFRGS é não indexar por qualquer um destes
elementos isoladamente, pois em muitos casos eles não representam o conteúdo do
documento em sua totalidade.

4.1.2 Identificação dos conceitos
A identificação dos conceitos é a etapa na qual o indexador identifica os elementos
essenciais na descrição do assunto.
O indexador deve adotar uma abordagem sistemática para realizar essa etapa,
garantindo assim a fidelidade ao documento. Para essa sistematização, a Associação Brasileira
de Normas Técnicas (1992, p. 2) apresenta questões que contemplam a diversidade de acervo
e a interdisciplinaridade do assunto, características do SBUFRGS. São elas:
a)
b)
c)
d)
e)
f)
g)
h)

qual o assunto de que trata o documento?
como se define o assunto em termos de teorias, hipóteses, etc.?
o assunto contém uma ação, uma operação, um processo?
o documento trata do agente dessa ação, operação, processo, etc.?
o documento se refere a métodos, técnicas e instrumentos especiais?
esses aspectos foram considerados no contexto de um local ou
ambiente especial?
foram identificadas variáveis dependentes ou independentes?
o assunto foi considerado sob um ponto de vista interdisciplinar? (por
ex.: um estudo sociológico da religião)

3427

�4.1.3 Tradução
Segundo Lancaster (2004), a etapa de tradução envolve a conversão dos assuntos
extraídos na análise conceitual de um documento num determinado conjunto de termos de
indexação.
O SBUFRGS não dispõe de um vocabulário controlado que contemple todas as áreas
do conhecimento. Nesse contexto, o Catálogo de Autoridades é o principal instrumento para
controle de entrada de assuntos no SABi. Cada biblioteca é responsável pelo registro e
armazenamento de documentos de áreas específicas, assim como pela definição da entrada de
assunto a elas correspondente. No entanto, algumas bibliotecas utilizam instrumentos de
controle de vocabulário

no seu processo de indexação. Nestes casos, a Política orienta que

o uso desses instrumentos seja limitado a sua área de conhecimento.
Outra orientação da Política é que assuntos comuns a mais de uma biblioteca, e que
gerem dúvidas quanto à definição da sua entrada, devem ser analisados e aprovados
conjuntamente. Para dirimir estas e outras dúvidas que eventualmente possam ocorrer durante
o processo de indexação, foi elaborado um manual com as rotinas e procedimentos de
indexação o qual deve ser utilizado com a Política.

4.2 Elementos da Política de Indexação
Os elementos que compõem a Política de Indexação do SBUFRGS são: cobertura do
assunto, exaustividade, especificidade e linguagem.

4.2.1 Cobertura do assunto
O conhecimento se desenvolve de modo interdisciplinar, mas o foco da representação
temática deve estar relacionado com as necessidades de informação do público-alvo das
bibliotecas.
Considerando que as bibliotecas setoriais do SBUFRGS são responsáveis pela
formação e desenvolvimento de coleções, priorizando os assuntos relativos às áreas do
conhecimento por elas abrangidas, cada biblioteca enfatizará os temas relativos à sua
comunidade usuária. Diante disto, naturalmente, uma mesma obra poderá ter vários enfoques
na representação temática.

389

Tesauros, listas de cabeçalhos de assuntos etc.

3428

�4.2.2 Exaustividade
Lancaster (1979, p. 193) define exaustividade como "[...] uma medida de extensão em
que todos os assuntos discutidos em certo documento são reconhecidos na operação de
indexação e traduzidos na linguagem do sistema." A quantidade de termos atribuídos a um
documento está diretamente relacionada à precisão e revocação. O tipo de documento poderá
determinar o nível de exaustividade da indexação (CARNEIRO, 1985).
A Política de Indexação do SBUFRGS recomenda o uso de níveis de exaustividade, de
acordo com os diversos tipos de documentos existentes nas bibliotecas. Essa recomendação
foi construída a partir de questionário enviado aos bibliotecários em 2010, com o objetivo de
identificar a tipologia documental no SBUFRGS, bem como o nível de exaustividade
utilizado para representar os assuntos desses documentos.
A partir dos resultados obtidos, foi elaborado um quadro, reproduzido parcialmente a
seguir:
Quadro 1 - Números de descritores por tipo de documento
Tipos de documentos
Analíticas de periódicos
Dicionários
Dissertações
Livros
Mapas
Programas de computador
Teses
Trabalhos de eventos
Fonte: Silva et al. (2014).

Quantidade de descritores por documentos
até 2
até 3
até 4
até 5
até 8
X
X
X
X
X
X
X
X

4.2.3 Especificidade
Para Lancaster (2004, p. 34), “[...] um tópico deve ser indexado sob o termo mais
específico que o abranja completamente.” Por abrangência, entende-se o uso de termos exatos
e não genéricos, pois, numa hierarquia de assuntos, um termo específico está subordinado ao
termo genérico. No entanto a utilização concomitante dos termos genérico e específico é
redundante, visto que no conceito do termo específico já está contido o conceito do termo
genérico.
Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (1992, p. 3): “A especificidade
se refere ao grau de precisão com que um termo define determinado conceito no documento.
Ocorre perda de especificidade quando um conceito é representado por um termo com
significado mais genérico.”

3429

�Na Política de Indexação do SBUFRGS, o princípio da especificidade na determinação
dos descritores de um documento foi considerado prioritário. Por isso, foram estabelecidas as
seguintes diretrizes:

a) área temática da biblioteca: a especificidade pode variar de acordo com a
cobertura de assunto de cada biblioteca. Sendo assim:
- quando o assunto for da área temática da biblioteca, o indexador deve utilizar o
termo mais específico,
- quando o assunto não for da área temática da biblioteca, o indexador poderá
utilizar um termo mais genérico,
b) abrangência do assunto do documento: os documentos que tratam de vários
assuntos específicos, dentro da mesma hierarquia, podem ter seus assuntos
representados individualmente ou enquadrados na “Regra de Três”. Esta regra
propõe que quando mais de três descritores de uma mesma hierarquia são
discutidos num documento, a indexação deve ser feita pelo termo imediatamente
superior na hierarquia.

4.2.4 Linguagem controlada
A linguagem controlada é aquela construída com o objetivo de eliminar possíveis
problemas do vocabulário natural (como a ambiguidade), facilitar a entrada e a saída de dados
em um sistema de informações e permitir uma maior consistência na indexação. A Política de
Indexação recomenda o emprego de uma linguagem controlada e pós-coordenada que é a
linguagem que combina ou coordena os termos no momento da busca. Corroborou para esta
decisão o fato de que essa é a linguagem mais recomendada para sistemas automatizados.
Entretanto

a

linguagem

pós-coordenada

não

exclui

totalmente

o

uso

de

subcampos/subcabeçalhos. Segundo Lancaster (2004, p. 196):
Num sistema pós-coordenado, aplicam-se os subcabeçalhos de forma muito
parecida com o modo como são aplicados nos tradicionais catálogos de
assuntos das bibliotecas. Os melhores candidatos a subcabeçalhos são
aqueles termos que seriam potencialmente aplicáveis a muitos dos outros
termos do vocabulário.
No SBUFRGS esses subcabeçalhos são representados nos subcampos x, v, y e z,
recursos disponíveis no formato Machine Readable Cataloging (MARC).

3430

�O uso do subcampo a (descritor), combinado com os subcampos x, v, y, z, (subdivisão
geral, forma, tempo e lugar, respectivamente) dentro de critérios pré-estabelecidos390, não
caracteriza pré-coordenação. Este recurso é usado para aumentar o nível de especificidade
quanto ao assunto e quanto aos limites de forma, tempo e lugar, reduzindo as falsas
associações e qualificando a recuperação da informação.

5 COMPETÊNCIAS E HABILIDADES DO BIBLIOTECÁRIO INDEXADOR
O desempenho das atividades de indexação requer um profissional com habilidades e
competências específicas. Nesse sentido, com base na literatura e na prática diária do
bibliotecário, foi identificado o perfil desejável deste profissional:
a)

conhecer as áreas de assuntos tratados;

b)

conhecer e aplicar as políticas da instituição;

c)

identificar as necessidades informacionais dos usuários;

d)

possuir bom nível de concentração e capacidade de interpretação
de texto;

e)

observar os princípios de imparcialidade e coerência;

f)

dialogar e/ou negociar questões de indexação;

g)

participar de capacitações dentro de sua área de atuação.

Com base nessas características, o gestor pode dispor de mais um instrumento para
facilitar a seleção de pessoal. Além disso, o próprio bibliotecário, conhecendo essas
particularidades, tem subsídios para melhorar o desempenho de suas funções e buscar
aperfeiçoamento.
No contexto do SBUFRGS, é importante que o bibliotecário atue de forma
cooperativa, e, portanto, tenha consciência de que suas decisões podem interferir diretamente
na indexação do sistema como um todo.

6 CONTROLE E AVALIAÇÃO DO USO DA POLÍTICA DE INDEXAÇÃO
A aplicação da Política de Indexação exige um constante processo de avaliação e
controle, a partir de parâmetros estabelecidos. Conforme Lopes (1985, p. 243):

390 Os critérios para o uso desses subcampos estão detalhados no Manual de Rotinas e Procedimentos de
Indexação.

3431

�O processo de avaliação está ligado à observação do desempenho de uma
determinada atividade e à obtenção de dados que possam subsidiar decisões
administrativas [...]. Como toda atividade gerencial, a avaliação deve ser
precedida de cuidadoso planejamento, a fim de que os resultados possam
corresponder aos objetivos que a motivaram.
Sob o aspecto da aplicação da Política de Indexação no SBUFRGS, os principais
parâmetros que poderão ser avaliados são: a especificidade, segundo a cobertura de assunto; a
exaustividade, de acordo com a tipologia documental; e o uso da linguagem controlada e póscoordenada. Sob o aspecto da aplicação do Manual de Rotinas e Procedimentos de Indexação
poderão ser avaliados: o preenchimento de campos e subcampos específicos e a padronização
de entradas de assuntos.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O acompanhamento sistemático do processo de indexação desenvolvido nas
bibliotecas do SBUFRGS acusou a urgência na elaboração de uma Política de Indexação que
balizasse esta atividade desenvolvida de forma descentralizada no Sistema.
A partir do estabelecimento de diretrizes para as etapas do processo de indexação,
espera-se uma uniformização nos procedimentos de análise conceitual, identificação de
conceitos e tradução. Como resultado disso, acredita-se numa qualificação na recuperação da
informação.
Para que a aplicação da Política de Indexação cumpra com esses objetivos, os
elementos cobertura de assunto, exaustividade, especificidade e linguagem são de
fundamental importância.
Nesse sentido, a cobertura de assunto de cada biblioteca setorial determinará o grau de
especificidade e influenciará o nível de exaustividade que será aplicado no tratamento da
informação.
A exaustividade e a especificidade são os elementos que interferem diretamente na
qualidade da recuperação da informação e no índice de revocação. A partir da definição dos
níveis de exaustividade e das diretrizes estabelecidas para a especificidade, espera-se uma
melhoria na indexação, proporcionando, com isso, a recuperação de informações objetivas e
relevantes para o usuário.
Com relação à linguagem controlada e pós-coordenada, considera-se que o uso dos
subcampos MARC para subdivisão geral, forma, tempo e lugar, minimizará as falsas
associações de conceitos, aumentando também a pertinência dos resultados de busca e,
consequentemente, a satisfação dos usuários.

3432

�A exaustividade, a especificidade e a linguagem estão sujeitas a avaliação e controle
para verificar se as diretrizes estabelecidas pela Política de Indexação estão sendo observadas
e os objetivos propostos estão sendo alcançados.
Considerando a estrutura descentralizada do SBUFRGS, a Política de Indexação
ressaltou a importância do diálogo e da negociação entre os bibliotecários de uma mesma
biblioteca, bem como entre os bibliotecários das demais bibliotecas.
Acredita-se que o resultado oriundo da aplicação da Política de Indexação, pautada
pelo Manual de Rotinas e Procedimentos de Indexação, além de reduzir as inconsistências das
entradas de assunto, contribuirá para que o bibliotecário indexador adote melhores práticas em
seu trabalho.

8 REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT. NBR 12676: Métodos
para análise de documentos: determinação de seus assuntos e seleção de termos de indexação:
procedimento. Rio de Janeiro, 1992.
CARNEIRO, Marília Vidigal. Diretrizes para uma política de indexação. Revista da Escola
de Biblioteconomia da UFMG, Belo Horizonte, v. 14, n. 2, p. 221-241, set. 1985.
CUNHA, Isabel Maria Ribeiro Ferin. Contribuição para a formulação de um quadro
conceitual em análise documental. In: _______. Análise documentária: considerações
teóricas e experimentações. São Paulo: FEBAB, 1989.
LANCASTER, Frederick Wilfrid. Information retrieval systems: characteristics, testing and
evaluation. 2nd ed. New York: J. Wiley, 1979.
LANCASTER, Frederick Wilfrid. Indexação e resumos. 2. ed. Brasília: Briquet de Lemos,
2004.
LOPES, Eunice de Faria. Avaliação de serviços de indexação e resumo: critérios, medidas e
metodologia. Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG, Belo Horizonte, v. 14, n. 2,
p. 242-256, set. 1985.
RUBI, Milena Polsinelli; FUJITA, Mariângela Spotti Lopes. Elementos de política de
indexação em manuais de indexação em sistemas de informação especializados. Perspectivas
em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 8, n. 1, p. 66-77, jan./jun. 2003.
SILVA, Ana Paula Araújo Cabral da et al. Política de Indexação para o Sistema de
Bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: UFRGS, 2014.
No prelo.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. Biblioteca Central. SABi.
[2014]. Disponível em: &lt;http://www.biblioteca.ufrgs.br/sabi.htm &gt;. Acesso em: 23 abr. 2014.

3433

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          <name>Dublin Core</name>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
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                <text>Política de indexação no Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul</text>
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              <elementText elementTextId="76083">
                <text>Relata a experiência de elaboração da Política de Indexação para o Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A partir do diagnóstico do processo de indexação e das entradas de assunto no catálogo, são apresentadas as principais etapas da criação da Política de Indexação e descritos seus principais elementos. Como complemento essencial, refere características e habilidades do bibliotecário indexador destacando estes aspectos como definitivos para o sucesso do processo. Após ressaltar a importância do controle e avaliação do uso da Política de Indexação, finaliza com considerações referentes à importância da utilização de uma política de indexação para entradas de assunto, visando à eficiência do trabalho do indexador e à qualidade na recuperação da informação.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PANORAMA DOS PROGRAMAS DE CAPACITAÇÃO DE USUÁRIOS DAS
BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
Daniele da Fonseca
Alberto Calil Junior

RESUMO
Traça um panorama quali-quantitativo das ações de capacitação de usuários realizadas pelas
bibliotecas que compõe o Sistema de Bibliotecas e Informação da UFRJ - SIBI. A população
analisada foi composta por 24 bibliotecas, o equivalente a 56% do total da rede. A pesquisa
empírica foi realizada através da aplicação de questionários on-line, encaminhados aos
bibliotecários responsáveis por cada uma das bibliotecas. Os resultados demonstraram que são
executadas atividades voltadas para a educação de usuários, porém os programas existentes
não estão padronizados e não possuem as fases de planejamento, execução e avaliação bem
delineadas, conforme exposto na literatura.
Palavras-Chave: Biblioteca universitária. Educação de usuários. Programa de educação de
usuários.
ABSTRACT
The current research shows a quantitative and qualitative overview of the users training
activities executed by the libraries that takes part of the Sistema de Bibliotecas e Informação
da UFRJ - SIBI. The study sample consisted of 24 libraries, the equivalent of 56% of the total
network. The empirical research was carried out as an on-line form applied to the librarians
responsible for each library. The results demonstrates that activities are executed in order to
educate the users, although the existing programs are not standardized and do not presents an
outlined planning, implementation and evaluation phases, as stated in the literature.
Keywords: University library. User education. User education program.

1 INTRODUÇÃO
As práticas voltadas para promover a aproximação entre os serviços e recursos
informacionais de uma unidade de informação e seus usuários já se constituem elementos
importantes, tanto da reflexão quanto das atividades dos bibliotecários. Dentre esses, a
educação de usuários, que é entendida em linhas gerais, como o processo que visa promover
nos usuários de bibliotecas, o desenvolvimento de habilidades voltadas para a otimização dos
recursos informacionais, já é parte do cotidiano das bibliotecas universitárias brasileiras.

3411

�Ao longo dos anos, tais ações vêm ganhando importância no quadro geral dos serviços
oferecidos pelas bibliotecas universitárias. Particularmente, porque tais ações estão entre as
que permitem às bibliotecas oferecer aos usuários a oportunidade de desenvolver a
competência em informação. Nesta perspectiva, compreendemos que o cenário das bibliotecas
universitárias, por sua dinâmica e perfil, se apresenta como um espaço adequado para o
desenvolvimento de tais competências, cada vez mais imprescindíveis na sociedade atual.
A motivação pela escolha deste tema surgiu a partir da experiência profissional nos
últimos anos, capacitando o corpo discente na busca por insumos informacionais para o
desenvolvimento de suas pesquisas, bem como de projeto de pesquisa atualmente
desenvolvido no âmbito do Mestrado Profissional em Biblioteconomia da UNIRIO.
O objetivo geral da pesquisa, é traçar um panorama quali-quantitativo das ações de
capacitação de usuários oferecidas pelas bibliotecas que integram o Sistema de Bibliotecas e
Informação da UFRJ - SIBI, para que possamos futuramente traçar um perfil e desenvolver
uma proposta de melhoria para os programas de capacitação já existentes.

2 REVISÃO DE LITERATURA
O termo educação de usuários é definido por Cunha e Calvacanti (2008, p. 142) como
sendo "os programas que ajudam a alcançar a destreza na utilização do potencial
informacional existente no acervo."
Belluzzo (1989) conceitua os programas de educação de usuários como o conjunto de
ações planejadas e desenvolvidas continuamente de acordo com as características e
necessidades do usuário para que a biblioteca facilite a interiorização de comportamentos
adequados ao uso eficiente de seus recursos informacionais.
A mesma autora afirma que a formação de usuários pode ser trabalhada através de
quatro diferentes tipos de ações: educação de usuários, treinamento de usuários, instruções
aos usuários e orientações aos usuários. Podemos verificar a descrição de cada uma destas
ações o no quadro abaixo:

3412

�Quadro 1 - Ações para a educação de usuários
Educação de usuários

Desenvolvimento das habilidades informacionais de cada
indivíduo, além do conhecimento relativo a conduta no uso da
biblioteca.

Treinamento de usuários

Desenvolvimento de competência para a utilização de determinado
produto informational (Ex: uso de bases de dados e Portal Capes)

Instruções aos usuários

Apresentação dos recursos informacionais da Biblioteca, para que
estes possam ser utilizados da melhor forma pelos usuários.

Orientações aos usuários

Apresentação do modo como a biblioteca funciona. Nesse
momento são oferecidas informações pontuais, como horário de
funcionamento, acesso as redes wifi, etc (Ex. visita guiada)

Fonte: Belluzzo, 1989

Segundo Dias e Pires (2004) os programas de educação de usuários podem ser
divididos em dois grupos: os formais e os informais.
Para as autoras, os programas informais têm como objetivo a divulgação dos serviços
e produtos da Biblioteca. Enquadram-se nesse perfil as visitas guiadas e as palestras. Nesse
momento ocorre o primeiro contato entre usuários e funcionários.
Já os programas formais de educação de usuário são considerados por Dias e Pires
(2004) como um processo contínuo, que tem como principal objetivo a interação entre o
usuário e a biblioteca e a busca pelo uso eficaz das fontes de informação disponibilizadas.
Dentro dos programas formais de educação de usuários, se enquadram as orientações para
normalização de trabalhos acadêmicos.
Lau (2007) afirma que um bom programa de habilidades informacionais para usuários
inclui um amplo leque de opções regulares e complementares para apoiar a aprendizagem, as
quais incluem:
a) oferecer sessões de capacitação, quando solicitadas pelo pessoal docente;
b) preparar e distribuir material impresso para cada atividade;
c) realizar as sessões nas aulas ou em outros cenários que possam estar também
adequados como a biblioteca;
d) identificar os docentes que oferecem oportunidades de habilidades informacionais
à biblioteca;
e) reservar datas para realização das atividades com os usuários.

3413

�As autoras, Dias e Pires (2004), ainda apontam três fases como diretrizes para a
elaboração de um programa de educação de usuários: o planejamento, a execução e a
avaliação.
No momento do planejamento, cada ação deve ser elaborada através de etapas lógicas
como: conhecer o ambiente institucional, os meios disponíveis para a execução das atividades
e o público alvo; definir os objetivos; determinar conteúdo; selecionar os procedimentos
(palestras, exercícios a serem oferecidos) e recursos de ensino (material audiovisual, folhetos,
computadores); elaboração de um plano de ensino (definição de carga horária, seleção do
instrutor, data/ período, etc).
Na fase de execução é realizada a divulgação do programa e providenciado o material
a ser utilizado, como slides, os folhetos ou apostilhas explicativas e aplicação das práticas.
A etapa de avaliação tem como objetivo verificar como o programa muda o
conhecimento e aptidões dos participantes. Também é nesse momento que se deve verificar a
eficácia das atividades determinando se ela deve ou não ser redefinida e aperfeiçoada.
Considerando como missão da biblioteca universitária a promoção do acesso e uso das
fontes de informação, e tendo o objetivo de subsidiar a construção do conhecimento, esta
passa a exercer uma função de mediadora da informação, disponibilizando além de
serviços/produtos à comunidade acadêmica, um arcabouço teórico e informações estratégicas
para o desenvolvimento das pesquisas científicas e tecnológicas, assumindo o papel de um
espaço de práticas de aprendizagem. (NOVELLI, 2012)
Dessa forma podemos considerar a educação de usuário como uma das funções de
destaque da biblioteca universitária, sendo esta considerada como um lugar apropriado para
que esses pesquisadores em formação desenvolvam suas habilidades informacionais.
Segundo Pasquarelli (1993 apud HATSCHBACH, 2002, p. 13):
"A Universidade tem como responsabilidade estimular a curiosidade
intelectual do estudante estimulando a verificação das constantes expansões
no seu campo de estudo. Este ponto é fundamental para evitar que um
egresso da universidade caia em processo de desatualização, devido à
incapacidade de trabalho intelectual sem a presença de um professor e pelo
desconhecimento de como e onde colher informações, analisá-las e utilizálas".

Uma vez que a informação se tornou o principal insumo para a geração de
conhecimento, o uso independente e crítico dos recursos informacionais surge como um
diferencial.

3414

�Para Campello (2009), com a crescente demanda de utilização de fontes de
informação, o usuário tem a oportunidade de praticar suas habilidades informacionais,
tornando-se um pesquisador cada vez mais competente e eficaz, auxiliado por professores e
bibliotecários, que podem contribuir, cada um, em pontos específicos do processo.
Nesse cenário, de emergência das tecnologias da informação e da comunicação e de
conformação da chamada sociedade da informação, surge o termo competência em
informação, que segundo Dudziak (2003, p. 28), pode ser definido com “um processo
contínuo de internalização dos fundamentos de conceito, atitudes e de habilidades necessárias
à compreensão e interação permanente com o universo informacional e sua dinâmica, de
modo a proporcionar um aprendizado ao longo da vida".
Ainda de acordo com segundo Dudziak (2001), uma das definições mais disseminadas
para o termo competência em informação é a elaborada pela ALA - American Library
Association (1989, p. 1) segundo a qual:
“Para ser competente em informação, uma pessoa deve ser capaz de
reconhecer quando a informação é necessária e ter a habilidade para
localizar, avaliar e usar efetivamente a informação [...] Pessoas competentes
informacionais são aquelas que aprenderam a aprender”. (AMERICAN
LIBRARY ASSOCIATION, 1989, p. 1)

Nesse contexto, ressalta-se que o processo de capacitação deve tornar os usuários
agentes ativos e independentes, para que vislumbrem em seus conhecimentos adquiridos e
suas competências a possibilidade de contribuir para o desenvolvimento de soluções que
possam ser úteis à sociedade.
Desta forma, a presente pesquisa busca delinear o panorama das atividades de
capacitação de usuários desenvolvidas pelas Bibliotecas da UFRJ, baseando-se nos conceitos
apresentados na literatura estudada.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A pesquisa empírica foi realizada tendo como universo as bibliotecas que fazem parte
do Sistema de Bibliotecas e Informação da UFRJ - SIBI.
O estudo foi estruturado em duas etapas: o embasamento teórico, através da revisão de
literatura e o estudo exploratório junto as 43 bibliotecas do Sistema. 387
387 O Sistema de Bibliotecas e Informação da UFRJ possui 46 Unidades de Informação, incluindo 43
Bibliotecas, 1Central de Memória Acadêmica, 1 Seção de Memória e Arquivo do Museu Nacional e 1 Centro de
Memória de Documentação de línguas indígenas. Para efeito dessa pesquisa consideraremos apenas as
Bibliotecas.

3415

�Como instrumento de pesquisa, foi adotado um questionário on-line, com dez
perguntas abertas sobre as atividades desenvolvidas para usuários dentro das Bibliotecas.
O questionário era composto das seguintes questões:
1) Nome da biblioteca;
2) Centro a qual pertence;
3) N° de usuários cadastrados na Biblioteca;
4) A Biblioteca oferece algum tipo de atividade relacionada com a educação de
usuários?
5) Como são oferecidas estas atividades?
6) Qual o conteúdo dessas atividades?
7) Qual a periodicidade das atividades?
8) Que categoria de usuários são beneficiados por estas atividades?
9) Existe algum plano/planejamento pré-estabelecido pela biblioteca para a realização
dessas atividades?
10) É realizado algum tipo de avaliação após a atividade? Como ocorre esta avaliação?
Esse instrumento foi encaminhado aos bibliotecários responsáveis por cada Biblioteca.
Sendo que dos 43 questionários enviados, obteve-se um retorno de 24 respostas, ou seja, 56%
do total de bibliotecas da UFRJ, em um prazo de 20 dias.
A avaliação dos questionários se deu através de uma análise quali-quantitativa das
respostas, visando traçar um panorama das ações que envolvem a educação de usuários dentro
das bibliotecas da UFRJ.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
A seguir, apresentaremos o resultado das respostas aos questionários.
Das 24 bibliotecas que responderam a pesquisa, 21 promovem algum tipo de atividade
relacionada a educação de usuários. Esse total equivalente a 88% do universo das respostas,
como podemos observar no gráfico abaixo:

Gráfico 1 - Bibliotecas que realizam atividades

Sim

Fonte: Os Autores (2014)

3416

�Dentre as atividades oferecidas pelas bibliotecas identificou-se sete diferentes tipos
que se enquadram nas ações especificadas na literatura por Belluzzo (1989). São elas:

Quadro 2 - Atividades oferecidas
Atividade

Descriçã o das atividades

Treinamento

Apresentação do Portal Capes, bases de dados, bases de
livros eletrônicos assinadas pela Universidade e
orientações sobre serviços, produtos oferecidos e uso da
biblioteca

20

Visita Guiada

Visita as instalações físicas, apresentação das políticas
de uso e setores da biblioteca e informações sobre o
acervo e localização espacial dos documentos.

5

Aula ministrada Construção de pesquisa bibliográfica, apresentação do
dentro
de uso de operadores booleanos; apresentação do Portal
disciplina
Capes e principais bases de dados; acompanhamento na
elaboração dos protocolos de busca para publicação e
revisões sistemáticas.

1

Curso

Apresentação das principais fontes de informação;
tipologias de bases de dados; gerenciadores de
referências, discussão sobre o uso e acesso as fontes
informacionais eletrônicas.

1

Tutorial
internet

na Guia para normalização de trabalhos acadêmicos;
material didático sobre bases de dados

2

Oficina

Consolidação das informações fornecidas pelo guia de
normalização de trabalhos acadêmicos, buscas no Portal
Capes

1

Atividades
cultural

Não especificada

1

Quantitativo

Fonte: Os Autores (2014)

Ressalta-se que as referidas atividades, para o caso das bibliotecas pesquisadas, não
são excludentes, ou seja, ocorreram casos em que uma biblioteca adota mais de uma
modalidade no que se refere as atividades oferecidas para os usuários.
Já em relação ao conteúdo ministrado durante as atividades de capacitação foi
possível, a partir das respostas apresentadas, identificar seis categorias, conforme podemos
visualizar no quadro abaixo.

3417

�Quadro 3 - Conteúdo oferecido
Conteú do

Quantitativo

Acesso ao Portal Capes

11

Acesso a bases de dados ligadas as áreas afins

14

Apresentação de serviços e produtos oferecidos pelas Bibliotecas

13

Utilização de operadores boleanos

2

Apresentação das instalações da biblioteca e utilização do acervo

4

Normas para trabalhos acadêmicos

2

Fonte: Os Autores (2014)

A respeito da periodicidade das atividades oferecidas: nove bibliotecas indicam
práticas semestrais; oito realizam conforme a demanda de usuários e professores; duas
afirmam que as ações ocorrem tanto semestralmente, quanto sob demanda e outras duas
bibliotecas oferecem as atividades apenas anualmente.

Em relação ao público alvo das ações de capacitção, apenas uma biblioteca declarou
que oferece as atividades unicamente para os alunos de graduação; três afirmam que somente
os alunos de pós graduação são o seu público alvo e 16 direcionam as ações tanto para
discentes de graduação, como os de pós-graduação. Uma biblioteca ressalta que também é
oferecido um curso de capacitação em fontes de informação científica para a comunidade
acadêmica em geral, a fim de prepará-los para os processos seletivos de mestrado e
doutorado.

3418

�Figura 2 -Público Alvo

Fonte: Os Autores (2014)

Três bibliotecas mencionaram, mesmo não sendo uma questão levantada durante a
pesquisa, que disponibilizam material didático com conteúdo informativo, como por exemplo:
folders, guias de uso e tutoriais em blogs.
Em relação ao planejamento das ações de capacitação de usuários, apenas três
bibliotecas afirmaram que não realizam nenhum tipo de planejamento. As demais possuem
calendários pré-estabelecidos com as atividades a serem desenvolvidas durante o
ano/semestre; além de um roteiro a ser seguido durante as apresentações.
Quanto a avaliação realizada após as atividades com usuários, apenas cinco bibliotecas
aplicam algum tipo de verificação a respeito da qualidade das capacitações realizadas.

Gráfico 2 - Bibliotecas que realizam avaliações após as atividades

Fonte: Os Autores (2014)

Em relação ao número de usuários cadastrados nas Bbliotecas, três informaram que
possuem menos de 100 inscritos. Treze bibliotecas possuem mais de 100 usuários cadastrados
e sete possuem mais de 1000. Uma biblioteca pesquisada não forneceu esta informação.

3419

�5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Com base nas repostas obtidas através da pesquisa, ressaltamos alguns pontos que
merecem ser destacados
Constatou-se que os treinamentos para o Portal Capes e bases de dados, seguidas pelas
visitas guiadas e apresentação de serviços e produtos oferecidos, são as ações mais praticadas
pelas Bibliotecas.
Verificou-se que na maioria dos casos esses treinamentos ocorrem semestralmente ou
sempre que solicitados por professores ou alunos, em qualquer época do ano.
Percebeu-se ainda que as bibliotecas que afirmaram não realizar nenhum tipo de
atividade (três) são unidades pequenas, com menos de 100 usuários inscritos. Uma das
hipóteses é que essa demanda seja suprida pelas bibliotecas de maior porte dos respectivos
centros acadêmicos ou através dos treinamentos oferecidos diretamente pelo SIBI.
Os treinamentos organizados pelo SIBI tem o objetivo de suprir a demanda
informacional da comunidade acadêmica da UFRJ como um todo. O conteúdo dessas
capacitações é composto pelas informações gerais sobre o SIBI, utilização do Portal Capes e
de bases de dados específicas assinadas pela Instituição. São ministrados por bibliotecários
multiplicadores, representantes de bibliotecas da UFRJ de diferentes áreas, capacitados em
diversas bases de dados. Em geral, estes bibliotecários são os responsáveis pelas ações de
educação de usuários dentro de suas respectivas bibliotecas. Essas atividades ocorrem ao
menos duas vezes a cada semestre, nos dois maiores Campus da Universidade: Praia
Vermelha e Fundão.
De modo geral, constatamos que as bibliotecas da UFRJ trabalham a educação de
usuários baseando-se nas ações indicadas por Belluzzo na literatura apresentada, como: os
treinamentos e cursos onde são desenvolvidas competências para o uso do Portal Capes e de
outras bases de dados assinadas pela Instituição; orientações sobre serviços e produtos
oferecidos e sobre uso da biblioteca; visitas guiadas, onde são apresentadas as instalações
físicas das bibliotecas, políticas e informações de uso sobre o acervo e os recursos
informacionais oferecidos; tutoriais e oficinas com orientações para elaboração de trabalhos
acadêmicos e uso de operadores booleanos.
No entanto, percebemos que, apesar de oferecerem atividades que se enquadram tanto
em programas de educação aos usuários formais como informais, as bibliotecas não possuem
a fase de avaliação bem delineada, conforme exposto na literatura por Dias e Paes. Podemos
averiguar que, conforme apresentado no universo estudado, somente cinco bibliotecas

3420

�realizam algum tipo de verificação a respeito da qualidade e resultados obtido através das
ações de educação para usuários.
Dessa forma, devido a ausência de uma avaliação regular das práticas de capacitações,
não é possível mensurar de forma concreta se os objetivos estão sendo alcançados e
efetivamente quais os resultados obtidos.
As etapas correspondentes as fases de planejamento são observadas através da
preparação de um calendário prévio para a execução das atividades e da elaboração de um
roteiro com o conteúdo para as apresentações. Já a fase de execução pode ser evidenciada pela
aplicação das capacitações de usuários em si e distribuição de materiais de apoio.
Diante do exposto, fica claro que as práticas de educação de usuários são consideradas
relevantes dentro do Sistema de Bibliotecas da UFRJ, por serem uma das principais
contribuições das Bibliotecas à produção do conhecimento e circulação da informação no
mundo acadêmico. Porém consideramos importante uma padronização básica da fase de
avaliação dos programas, visando melhorar cada vez mais os serviços oferecidos a fim de
atender da melhor maneira possível os usuários.
As informações apresentadas neste artigo representam apenas um levantamento de
dados inicial sobre o panorama das atividades de educação de usuários desenvolvidas pelas
bibliotecas da UFRJ, podendo servir de referência para o desenvolvimento de propostas de
melhorias das políticas para a educação de usuários dentro da Universidade.

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3422

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Traça um panorama quali-quantitativo das ações de capacitação de usuários realizadas pelas bibliotecas que compõe o Sistema de Bibliotecas e Informação da UFRJ – SIBI. A população analisada foi composta por 24 bibliotecas, o equivalente a 56% do total da rede. A pesquisa empírica foi realizada através da aplicação de questionários on-line, encaminhados aos bibliotecários responsáveis por cada uma das bibliotecas. Os resultados demonstraram que são executadas atividades voltadas para a educação de usuários, porém os programas existentes não estão padronizados e não possuem as fases de planejamento, execução e avaliação bem delineadas, conforme exposto na literatura.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

OS IMPACTOS DAS MUDANÇAS NA LEI DE DIREITOS AUTORAIS BRASILEIRA
NO SERVIÇO DE REFERÊNCIA
Maria Cristina Szarota Barrios
Mariana Granado de Souza Queiroz

RESUMO
O presente trabalho tem por objetivo abordar os reais impactos da Lei n° 9.610/98 (Lei 9.610,
de 19 de fevereiro de 1998), regulamentadora dos direitos autorais no Brasil, no serviço de
referência realizado tanto no âmbito acadêmico quanto no âmbito jurídico especializado. Visa
ainda analisar quais seriam os impactos se as mudanças propostas pelo Ministério da Cultura
fossem incorporadas à lei. Tal interesse decorre do impacto direto no serviço de referência
realizado cotidianamente por ambas as autoras. Há previsão de hipóteses muito restritivas na
atual lei de direitos autorais brasileira. Pela interpretação literal e seguida de forma rígida, há
limitações na extração de cópias, digitalização e até empréstimo de materiais bibliográficos
das bibliotecas, atividades corriqueiras de um serviço de referência. Adotamos a definição de
serviço de referência como o processo de mediação entre os usuários e os documentos
existentes disponíveis na unidade de informação. Pode-se concluir que em decorrência das
restrições excessivas impostas pela legislação brasileira de direitos autorais há limitação de
acesso aos documentos demandados. A metodologia adotada constitui-se no levantamento
bibliográfico acerca dos conceitos e dos históricos do serviço de referência e dos direitos
autorais no Brasil; e na comparação entre a lei vigente e a lei proposta pelo Ministério da
Cultura, bem como os possíveis impactos na adoção das mudanças que estão sendo propostas
para a lei atual. Os resultados demonstram que muitas das práticas adotadas por bibliotecas,
hoje consideradas ilegais, não mais o seriam após a inclusão das alterações sugeridas.
Concluímos que é indispensável e urgente a adoção das mudanças na lei de direitos autorais
brasileira, uma vez que o desenvolvimento social, humano, cultural e científico está atrelado
ao efetivo acesso aos bens culturais produzidos pela sociedade
Palavras-Chave: Serviço de Referência; Lei de Direitos Autorais; Brasil.

ABSTRACT
This research has the objective to analyses the real impacts of the Law number 9.610/98 (Law
number 9.610, published in 19th February 1998), the Brazilian Copyright law, in reference
services done in the academic environment and in the juristic specialized area. This research
also aims to analyze which would be the impacts if this law had been changed by the proposal
of Brazilian Culture Department. Our interest in this matter is a result of diary work, since we
both are references librarians. In this law there are highly restrictive clauses. According them,
there are restrictions to copy, digitalize and even to lend books, activities extremely common
in a reference service. We consider as definition to reference service the process in which the
librarian acts in order to promote the access of the patrons to the documents available in the
library of which they need. There are limitations in the access to documents and information

3405

�demanded as a result of the excessive restrictions of the Brazilian copyright law. The
methodology adopt to develop this research are: the bibliography survey about the concepts
and histories of reference services, Brazilian copyright law; and the drew comparisons
between the present copyright law and Department Culture copyright law proposal - and its
possible effects if the suggested changes in the law were being adopted. The results of the
research demonstrate that many of the usual practices of libraries are, nowadays, illegal.
However, no longer wouldn’t be they considered illegal, if the proposed changes by Culture
Department were adopted. In a nutshell, it is essential and urgent the adoption of the changes
in the Brazilian copyright law since the social, human, cultural and scientific development are
afforded by the access to cultural wealth.
Keywords: Reference Service; Copyright Law; Brazil.

1 INTRODUÇÃO
A vigente lei de direitos autorais (Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998) brasileira
busca proteger os direitos que os autores possuem sobre suas produções, ao mesmo tempo em
que limita diversas atividades realizadas nos serviços de referências de bibliotecas. Atividades
estas, como reprodução e até mesmo empréstimo de materiais bibliográficos, podem ser
barradas pela lei se esta for interpretada de forma literal e seguida rigidamente. No entanto, o
Ministério da Cultura está propondo que sejam feitas alterações na lei, de modo a flexibilizar
e assim beneficiar a sociedade no que tange o acesso à informação. Essas mudanças propostas
atingiriam de modo benéfico o trabalho realizado nos serviços de referência, incluindo as
atividades desempenhadas pelas autoras deste trabalho, que atuam como bibliotecárias de
referência. Este breve trabalho pretende elucidar objetivamente alguns dos reais impactos que
as alterações propostas na lei causariam positivamente em atividades do serviço de referência.
Cabe ressaltar que o foco encontra-se naquelas que envolvam os materiais bibliográficos,
principalmente livros, folhetos e periódicos, por comporem a maior parte dos acervos nas
bibliotecas nas quais as autoras atuam.

2 DIREITOS AUTORAIS, A PROPOSTA DE ALTERAÇÃO DA LEI 9.610/98 E
SERVIÇO DE REFERÊNCIA
No Brasil, o direito autoral pertence ao ramo do Direito Privado, regulando assim as
relações jurídicas surgidas desde a criação até a posterior utilização econômica das obras
elaboradas. (BITTAR, 1994, p.4, 8). O direito autoral é algo extremamente especial e
complexo, pois se trata de uma ideia criativa ou expressão intelectual exteriorizada, inserida

3406

�em um suporte e materializada em uma obra, convivendo assim tanto o aspecto material
quanto imaterial (CABRAL, 2000, p.42; BITTAR, 1994, p.9, 21).
Segundo Cabral (2000, p.47), Bittar (1994, p.42-43) e Accart (2012, p.93), os direitos
autorais compõem-se do direito moral, relativo à personalidade e de caráter perpétuo, e o
direito patrimonial, associado ao material que suporta a ideia ou criação e de caráter
monetário. Ambos os direitos associam-se para proteger o autor desde a concepção, passando
pela materialização até a circulação da obra.
O serviço de referência pode ser definido como o ponto inicial entre o usuário e a
biblioteca, na figura do bibliotecário de referência, que estabelece o contato entre o usuário e
os documentos existentes disponíveis na biblioteca, requisitados por aquele (ACCART, 2012,
p.20; EIRÃO, 2009, p.69). Conforme Accart (2012, p.6), Eirão (2009, p.69) e Grogan (2001,
p.8, 22), os bibliotecários constituem o vital elo entre os usuários e a informação, e essa
interação que ocorre entre os usuários e o bibliotecário de referência constitui o principal foco
do serviço de informação oferecido, de modo que, através dessa interação, os usuários
consigam ter maior acesso aos materiais das bibliotecas e atendam às suas necessidades
informacionais. Para tanto, alerta Accart (2012, p.92), além das competências técnicas, os
bibliotecários de referência devem possuir conhecimentos dos aspectos jurídicos envolvidos
em grande parte das tarefas por eles executadas, como os direitos autorais, por exemplo.
Eirão (2009, p.78) informa que os usuários de hoje querem que uma grande parcela
dos materiais existentes nas bibliotecas esteja disponível em formato digital, pois muitos
desejam receber rapidamente a informação de que necessitam, via online, dispensando a
necessidade de deslocamentos. Desse modo, quando tais materiais não estão no formato
digital, e é necessário promover acesso rápido ao seu conteúdo, muitas vezes por meio de sua
digitalização ou extração de cópias impressas.
Bittar (1994, p.65) afirma que a reprografia é um fenômeno que interfere fortemente
na questão dos direitos autorais, de modo que diversas situações estão atreladas a essa prática,
como dificuldades financeiras para adquirir materiais, tendo em vista o custo existente;
dificuldade de acesso a obras estrangeiras; necessidade de uso de um grande volume de obras,
como na produção de trabalhos escolares, acadêmicos ou científicos. Pode-se acrescentar à
lista casos em que as obras demandadas estão esgotadas, não foram mais reeditadas ou
reimpressas, não podendo ser compradas pelos interessados. Mas na atual lei de direitos
autorais brasileira há previsão de hipóteses muito restritivas, limitando tais procedimentos
para a proteção dos direitos autorais.

3407

�Essas restrições, no entanto, que se estabelecem para defender os direitos dos autores
“não deve refletir somente os interesses comerciais e de curto prazo assimilando, de maneira
simplista,

a informação como bem de consumo, reduzindo-a a simples objeto

comercializável." (MICHEL, 1997). Para o autor, o direito à informação deve estar em
sintonia com os direitos autorais, de modo a criar uma situação equilibrada entre os titulares
dos direitos e os usuários, tendo em vista que o intercâmbio da informação a enriquece, além
de ela constituir-se em “bem cultural e social, um valor de progresso e cultura”. (MICHEL,
1997).
Tendo em vista essa concepção de melhorar e ampliar o acesso à informação, de
maneira justa e legal, que o Ministério da Cultura propôs diversas alterações na lei de direitos
autorais atual. Tais alterações irão impactar positivamente em algumas atividades realizadas
nos serviços de referência, e alguns desses impactos serão expostos a seguir.

3 IMPACTOS DA ALTERAÇÃO DA LEI 9.610/98 NO SERVIÇO DE REFERÊNCIA
Analisando a proposta de mudança da Lei 9.610/98, levando-se em consideração as
situações cotidianas que oficialmente violam a atual lei, pode-se pensar nas seguintes
hipóteses:
O usuário, devidamente cadastrado na biblioteca, deseja emprestar um livro. Situação
atual: ele não pode emprestar, pois a biblioteca não possui o direito de distribuição sobre a
obra. Com a mudança da lei: o empréstimo poderá ser realizado, tanto de forma pessoal como
via EEB.
O usuário deseja fazer uma cópia (impressa ou digital) de um livro esgotado há muito
tempo, existente na biblioteca, que não foi reeditado, nem reimpresso e que não está em
domínio público. Situação atual: ele não pode copiar, pois é permitida apenas a reprodução de
pequenos trechos (e a lei não estabelece um padrão), para uso privado. Com a mudança da lei:
poderá ser feita a reprodução, desde que não haja finalidade comercial e não esteja à venda a
última publicação.
O usuário deseja fazer uma cópia impressa de capítulos de um livro que ainda está à
venda e a biblioteca possui, mas aquele não tem condições financeiras para comprar. Situação
atual: ele não pode fazer a cópia, pois a lei permite apenas reprodução de pequenos trechos.
Com a mudança da lei: poderá ser feita a cópia, desde que realizada pelo próprio usuário e
para uso privado.
O serviço de referência necessita possuir, em formato digital, uma obra de referência
que é muito utilizada e já está deteriorada, a qual não está disponível no mercado em formato

3408

�digital, mas que será disponibilizada para consulta em apenas um terminal da biblioteca.
Situação atual: a cópia digital não pode ser produzida, pois a biblioteca não possui os direitos
de reprodução sobre a obra. Com a mudança da lei: a biblioteca (assim como museus, centros
de documentação, arquivos etc.) poderá realizar a cópia, desde que seja com a finalidade de
conservar, preservar ou arquivar, e que não haja intuito comercial.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A lei de direitos autorais vigente no Brasil impõe muitas restrições que limitam o
acesso a documentos e informações demandados. Este acesso é necessário e muito importante
para que haja o desenvolvimento em diversos campos, tais como social, humano, científico e
cultural. Com a adoção das mudanças propostas pelo Ministério da Cultura para a Lei
9.610/98, no caso específico das bibliotecas, diversos procedimentos e práticas que são
diariamente realizados e atualmente configuram-se ilegais, não serão mais assim
considerados. Dessa maneira, bibliotecas e sociedade serão beneficiadas, com ampliação de
acesso às informações disponíveis de modo legalizado, correto e mais justo.

5 REFERÊNCIAS
ACCART, Jean-Philippe. Serviço de referência: do presencial ao virtual. Tradução de
Antônio. Agenor Briquet de Lemos. Brasília: Briquet de Lemos, 2012. 312 p.
BITTAR, Carlos Alberto. Direito de autor. 2.ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1994.
168 p.
BRASIL. Lei n° 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Diário Oficial [da] Republica do Brasil,
Poder Executivo, Brasília, DF, 20 fev. 1998. Seção 1, edição 36, p. 11. Disponível em:
&lt;http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/isp/visualiza/index.isp?iornal=1&amp;pagina=11&amp;data=20/02
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BRASIL. Ministério da Cultura. Lei 9610/98. Atualizada com as mudanças da Minuta do
Anteprojeto de Lei que está em Consulta Pública. 12 Jun. 2010. Disponível em: &lt;
http://www2.cultura.gov.br/consultadireitoautoral/lei-961098-consolidada/&gt;. Acesso em: 3
mai. 2014.
CABRAL, Plínio Cabral. Direito autoral: dúvidas e controvérsias. 2.ed. São Paulo: Harbra,
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EIRÃO, Thiago Gomes. Disseminação seletiva da informação: uma abordagem. Revista
Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas, v. 7, n. 1, 2009. Disponível

3409

�em: &lt;http://www.sbu.unicamp.br/seer/ois/index.php/rbci/article/view/412&gt;. Acesso em: 2 de
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GROGAN, Denis. A prática do serviço de referência. Tradução de Antônio. Agenor Briquet
de Lemos. Brasília: Briquet de Lemos, 1995. 196 p.
MICHEL, Jean. Direito de autor, direito de cópia e direito á informação: o ponto de vista e a
ação das associações de profissionais da informação e da documentação. Ciência da
Informação,

Brasília,

v.

26,

n.

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1997.

Disponível

em:

&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci arttext&amp;pid=S0100-19651997000200005&gt;.
Acesso em: 3 maio 2014.

3410

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                <text>O presente trabalho tem por objetivo abordar os reais impactos da Lei nº 9.610/98 (Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998), regulamentadora dos direitos autorais no Brasil, no serviço de referência realizado tanto no âmbito acadêmico quanto no âmbito jurídico especializado. Visa ainda analisar quais seriam os impactos se as mudanças propostas pelo Ministério da Cultura fossem incorporadas à lei. Tal interesse decorre do impacto direto no serviço de referência realizado cotidianamente por ambas as autoras. Há previsão de hipóteses muito restritivas na atual lei de direitos autorais brasileira. Pela interpretação literal e seguida de forma rígida, há limitações na extração de cópias, digitalização e até empréstimo de materiais bibliográficos das bibliotecas, atividades corriqueiras de um serviço de referência. Adotamos a definição de serviço de referência como o processo de mediação entre os usuários e os documentos existentes disponíveis na unidade de informação. Pode-se concluir que em decorrência das restrições excessivas impostas pela legislação brasileira de direitos autorais há limitação de acesso aos documentos demandados. A metodologia adotada constitui-se no levantamento bibliográfico acerca dos conceitos e dos históricos do serviço de referência e dos direitos autorais no Brasil, e na comparação entre a lei vigente e a lei proposta pelo Ministério da Cultura, bem como os possíveis impactos na adoção das mudanças que estão sendo propostas para a lei atual. Os resultados demonstram que muitas das práticas adotadas por bibliotecas, hoje consideradas ilegais, não mais o seriam após a inclusão das alterações sugeridas. Concluímos que é indispensável e urgente a adoção das mudanças na lei de direitos autorais brasileira, uma vez que o desenvolvimento social, humano, cultural e científico está atrelado ao efetivo acesso aos bens culturais produzidos pela sociedade.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014
ORIENTAÇÃO CONTINUADA DE USUÁRIOS EM BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Adriana Campos Jana Caamano,
Kárin Ribeiro Nascimento Cardoso
Silvia Maria Gago da Costa
Tania Nascimento Costa
RESUMO
Apresenta a experiência da Biblioteca do Centro Biomédico B (CB/B) da Rede Sirius - Rede
de Bibliotecas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro durante o processo de
implantação do Programa de Orientação Continuada para os seus usuários, o qual prevê
palestras, treinamentos e assistência personalizada para busca bibliográfica e padronização de
trabalhos acadêmicos. O conceito de orientação continuada, voltado para os serviços da
biblioteca, surgiu da percepção de que o estudante universitário, ao longo de sua vida
acadêmica, tem necessidades de informação diferentes e, portanto, demanda que os
bibliotecários ofereçam abordagens diferentes em cada fase. A experiência obtida com a
implantação do Programa reforçou a necessidade de consolidar o vínculo entre os usuários e a
biblioteca por meio do acolhimento aos novos alunos e da ampliação de palestras específicas
a cada necessidade, como a busca bibliográfica. Assim, acredita-se que a oferta dos serviços
aliada à interação com os usuários possibilitam uma atmosfera amistosa onde o
comprometimento da equipe se reflete na motivação do usuário, e nesse contexto agrega-se
valor à instituição biblioteca.
Palavras-chave: Treinamento de usuário; Competência informacional; Orientação
continuada; Biblioteca universitária.
ABSTRACT
Presents the experiment realized at the Library of Biomedical Center B (CB/B) from Sirius
Network - Universidade do Estado do Rio de Janeiro Libraries Network, during the process
of implementation of the Program of Continuing Orientation of its users which foresees
lectures, training and personalized assistance for bibliographical researches and
standardization of academic tasks. The concept of continuing orientation regarding the
services of the library emerged from the recognition that the students of the university have
different needs throughout their academic lives and for that it is demanded that the librarians
offer different approaches for each one of these phases. The obtained experience from the
implementation of the Program reinforced the necessity of consolidating the bond between the
students and the library by welcoming new students and the enlargement of specific lectures
according to each necessity found, such as bibliographical research. So, it is believed that
services supply combined with the interaction with users enable a friendly atmosphere where
the team commitment is reflected in the motivation of the user, and in this context aggregates
up value to the library institution.
Keywords: User training; Informational competence; Continuing orientation; University
library.

3398

�1 INTRODUÇÃO
O presente trabalho apresenta a iniciativa da equipe de bibliotecários da Biblioteca do
Centro Biomédico B (CB/B) da Rede Sirius - Rede de Bibliotecas da Universidade do Estado
do Rio de Janeiro (UERJ) de estabelecer um Programa de Orientação Continuada para seus
usuários.
Em conjunto com as Faculdades de Enfermagem e Odontologia, o Programa prevê o
acolhimento aos novos alunos por meio de palestra sobre todas as atividades da biblioteca,
seu espaço e seus serviços. Também disponibiliza uma “agenda do aluno” para oferecer
orientações personalizadas para pesquisa bibliográfica e revisão dos trabalhos acadêmicos.
Com esse apoio aos alunos os bibliotecários buscam, não só capacitar o corpo discente
das faculdades para realizar pesquisas bibliográficas, mas estabelecer um atendimento
humanizado, visando possibilitar que o estudante se sinta acolhido e motivado a buscar, cada
vez mais, obter o melhor desempenho em sua vida acadêmica.
Assim, espera-se que a oferta dos serviços aliada à interação com os usuários
possibilite uma atmosfera amistosa onde o comprometimento da equipe de bibliotecários se
reflita na motivação do usuário e nesse contexto agregue valor à instituição biblioteca.

2 REVISÃO DE LITERATURA
O surgimento de novas tecnologias de informação tem impactado, de um modo geral,
a vida da humanidade. Os impactos da revolução tecnológica em instituições como as
universidades, e mais especificamente as bibliotecas universitárias, determinam um cenário
desafiador para os bibliotecários.
Na perspectiva desse trabalho o desafio maior seria como agregar valor aos produtos e
serviços da biblioteca universitária quando, aparentemente, os inúmeros recursos tecnológicos
disponíveis tornam os usuários independentes na busca da informação. (MARQUETIS, 2012)
Assim, em tempos de mudanças e incertezas determinadas pelos avanços tecnológicos,
faz-se necessário repensar a missão da biblioteca universitária, sem perder de vista seu
objetivo principal como definiu Cunha (2010):
[...] o seu propósito fundamental permaneceu o mesmo, isto é: proporcionar
acesso ao conhecimento. Esse acesso ao conhecimento é que irá permitir que
o estudante, o professor e o pesquisador possam realizar suas aprendizagens
ao longo da vida. [...] Dentro do contexto do ensino superior, especialmente,
quando os usuários querem informações confiáveis, eles se voltavam para a
biblioteca universitária quase como a única fonte provedora das informações
demandadas (Cunha, 2010, p.6).

3399

�Outro aspecto importante a se considerar é que “apesar de toda a evolução tecnológica
- e mesmo por causa dela - a necessidade de se conhecer as fontes e saber identificar e
promover o acesso à informação pertinente continua sendo tão importante quanto sempre foi
para os profissionais que se dedicam ao atendimento ao usuário” (MULLER, 2000, p.13).
Dessa forma, manter o foco no usuário parece ser fundamental na busca do
provimento da informação adequada e confiável. Para Dudziak, Gabriel e Villela (2000, p.12)
“a cada avanço tecnológico, a educação de usuários dos Serviços de Informação torna-se mais
importante.”
A importância da interação com o usuário, bem como o relevante papel do serviço de
referência, ficou bem delineado no texto de Grogan (1995, p. 36):
“O impulso que desencadeia a atividade denominada serviço de referência é
a questão formulada pelo usuário da biblioteca. E aí jaz o segredo da
inabalável crença dos bibliotecários de referência, segundo a qual o trabalho
que executam constitui a quintessência da biblioteconomia. Para esses
bibliotecários são inteiramente supérfluas as advertências acerca da
‘centralidade do usuário’, pois todo seu mister gira em torno do usuário, com
quem se defrontam todos os dias”
Para uma perfeita sintonia entre os serviços oferecidos e as necessidades de
informação demandadas, parece fundamental melhorar a interação com o usuário, criando um
ambiente acolhedor. “O bibliotecário deve estabelecer uma rotina de atendimento na qual seja
considerada, ao receber o usuário, a escuta atenta para análise de suas necessidades”
(SOUZA, 2011).

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A inauguração em 2006 da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD) da
Universidade do estado do Rio de Janeiro (UERJ) suscitou a necessidade de aprimorar os
requisitos de padronização dos trabalhos acadêmicos.
Neste contexto, em 2007 foi publicada a 1a edição do Roteiro para Apresentação das
Teses e Dissertações da UERJ. Após essa iniciativa professores e alunos passaram a
demandar o auxílio dos bibliotecários para revisarem seus trabalhos acadêmicos conforme a
padronização de apresentação estabelecida no Roteiro.
A partir do ano de 2008, a equipe de bibliotecários da Biblioteca CB/B (Quadro 1)
começou a perceber mudanças no perfil dos serviços demandados pelos usuários.

3400

�Quadro 1: Quantitativo de bibliotecários por ano
Ano
2008
2009
2010
2011
2012
2013

Bibliotecário Bibliotecário chefe
4
1
3
1
3
1
3
1
3
1
2
1

As percepções dos bibliotecários obtidas diante deste complexo cenário geraram várias
ações pontuais voltadas para a capacitação dos usuários. Tais ações foram se consolidando e
se somando ao longo do tempo, até formar o Programa de Orientação Continuada da
Biblioteca CB/B (Quadro 2).

Quadro 2 - Palestras e turmas contempladas
P a lestra s

C u rso

Padronização de Teses
Odontologia
e Dissertações da UERJ Enfermagem
Biblioteca: que lugar é
este?
Busca bibliográfica on­
line

Odontologia
Enfermagem
Odontologia
Enfermagem

T u rm as

Mestrado, Doutorado, Especialização
Mestrado, Doutorado, Residência, Graduação (8°
período)
Graduação (1° período)
Especialização
Graduação (8° e 9° períodos), Residência, Mestrado

Em 2009 foi elaborada a palestra Padronização de Teses e Dissertações da UERJ
para a BDTD. Esta ação foi voltada para atender aos alunos dos cursos de Mestrado e
Doutorado das Faculdades de Enfermagem e Odontologia. Atualmente a palestra está em sua
4a edição e seu objetivo é apresentar o Roteiro para Apresentação das Teses e Dissertações
da UERJ, assim como orientar sobre os pontos mais complexos ligados a formatação e a
normatização do trabalho acadêmico.
Dando continuidade às atividades em 2010, foi elaborada a palestra Biblioteca: que
lugar é este? Esta palestra visava o acolhimento dos alunos do primeiro período. O título da
palestra foi sugerido pela professora da disciplina de Metodologia da Pesquisa Científica da
Faculdade de Enfermagem e a equipe de bibliotecários desenvolveu o tema.
Em sua 9a edição a palestra informa sobre: as normas de uso, o regulamento, os
serviços oferecidos, além de orientar os alunos sobre como localizar o livro na estante,
realizar empréstimos e como realizar buscas no catálogo on-line.

3401

�Ainda em 2010 o professor tutor do Grupo PET Odontologia solicitou um curso sobre
busca bibliográfica. Era uma novidade, pois apesar de existir o serviço de busca individual
disponível na biblioteca, nunca havia sido realizado um treinamento em grupo. Então, como
era algo inovador, os bibliotecários abraçaram o desafio e elaboraram a palestra Busca
bibliográfica on-line.
A palestra está em sua 7a edição e visa orientar os alunos sobre: realização de busca
bibliográfica nas principais bases de dados da área de saúde, formulação de estratégias de
busca, recursos de busca e localização e acesso aos documentos.
Além das palestras, para a orientação de normalização de trabalhos acadêmicos e de
busca bibliográfica foi disponibilizada uma “agenda do aluno”, através da qual se estabelece
dia e hora para um atendimento personalizado.
Ainda fazem parte deste programa de Orientação Continuada os serviços de
Catalogação na Fonte e o Serviço Cooperativo de Acesso a Documentos (SCAD).

4 RESULTADOS PARCIAIS
Todas as iniciativas e ações da equipe de bibliotecários da Biblioteca CB/B, ao longo
de quase seis anos de interação com os usuários, contribuiram para que um número
significativo de alunos conhecessem melhor a biblioteca e ficassem mais confiantes para
solicitar ajuda especializada (Quadro)

Quadro 3 - Registro de atendimentos personalizados: agenda do aluno padronização de
teses e dissertações
Ano
2009
2010
2011
2012
2013

Padronização
Busca bibliográfica
Padronização
Busca bibliográfica
Padronização
Busca bibliográfica
Padronização
Busca bibliográfica
Padronização
Busca bibliográfica
Total
de
atendimentos

Odontologia
40
18
28
10
22
4
27
6
15
9

Enfermagem
33
20
36
13
15
9
15
9
13
18

Totais
73
38
64
23
37
13
42
15
28
27

179

181

360

Houve uma percepção de que a acolhida aos novos alunos transmite tranquilidade e
confiança permitindo que usem a biblioteca com mais autonomia e responsabilidade.

3402

�Constatou-se também que a procura por orientações sobre Padronização foi
diminuindo à medida que a palestra de Padronização foi implementada e consequentemente as
teses e dissertações ficaram mais bem formatadas.
A palestra de busca bibliográfica tornou os alunos mais independentes em relação à
localização do documento, diminuindo a solicitação de cópias pelo Programa de Comutação
Bibliográfica (COMUT). Por outro lado aumentou a procura de atendimento individualizado
para auxílio com a estratégia de busca.
Por fim, a experiência adquirida no aprimoramento e consolidação do Programa de
Orientação Continuada tem demonstrado que o comprometimento da equipe de bibliotecários
com os serviços oferecidos trouxe maior visibilidade à Biblioteca e uma interação maior com
os usuários.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A prática da implementação de ações de capacitação tirou a equipe da biblioteca de
sua zona de conforto decorrente da rotina cotidiana, mas a experiência trouxe novas
expectativas e percepções de como ela pode fazer a diferença na Universidade.
Estas atividades permitiram a reflexão sobre a importância de se prover serviços de
qualidade na biblioteca, pois é visível a evolução dos alunos durante a sua vida acadêmica à
medida que aprendem a utilizar a biblioteca e a informação de forma mais eficaz.
Como trabalho futuro, percebe-se a necessidade de estruturar um curso que conteria os
temas tratados nas palestras. A ementa deste curso contemplaria os respectivos temas com
uma carga horária que permitisse a abordagem detalhada do conteúdo, com exemplos práticos
e exercícios para fixação.

6 REFERÊNCIAS
CUNHA, Murilo Bastos da Cunha. A biblioteca universitária na encruzilhada. Data Grama
Zero - Revista de Ciência da Informação. v.11, n.6, dez. 2010. 22p.
DUDZIAK, Elisabeth Adriana; GABRIEL, Maria Aparecida; VILLELA, Maria Cristina
Olaio. A educação de usuários de bibliotecas universitárias frente à sociedade do
conhecimento e sua inserção nos novos paradigmas educacionais. In: SEMINÁRIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 11., 2000. Florianópolis. Anais...
Florianópolis: UFSC, 2000
GROGAN, Denis. A prática do serviço de referência. Brasília, DF: Briquet de Lemos,
1995. 196p.

3403

�MARQUETIS, Eliana Marciela. As competências e habilidades dos profissionais da
informação vistas pelos seus usuários: algumas reflexões. In: CONGRESSO NACIONAL DE
BIBLIOTECÁRIOS, ARQUIVISTAS E DOCUMENTALISTAS,

11., 2012, Lisboa.

Interação, acesso e valor social. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2012.
MUELLER, Suzana Pinheiro Machado. A ciência, o sistema de comunicação científica e a
literatura científica. In: CAMPELLO, B. S.; CENDÓN, B.V.; KREMER, J. M. (Org.) Fontes
de informação para pesquisadores e profissionais. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2000. cap.
1.
SOUZA, Andréa Batista et al. Um novo olhar sobre a humanização no atendimento em
bibliotecas públicas. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E
DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 24., 2011, Maceió, Alagoas. Sistema
de informação multiculturalidade e inclusão social. Maceió, Alagoas: 2011.

3404

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Apresenta a experiência da Biblioteca do Centro Biomédico B (CB/B) da Rede Sirius – Rede de Bibliotecas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro durante o processo de implantação do Programa de Orientação Continuada para os seus usuários, o qual prevê palestras, treinamentos e assistência personalizada para busca bibliográfica e padronização de trabalhos acadêmicos. O conceito de orientação continuada, voltado para os serviços da biblioteca, surgiu da percepção de que o estudante universitário, ao longo de sua vida acadêmica, tem necessidades de informação diferentes e, portanto, demanda que os bibliotecários ofereçam abordagens diferentes em cada fase. A experiência obtida com a implantação do Programa reforçou a necessidade de consolidar o vínculo entre os usuários e a biblioteca por meio do acolhimento aos novos alunos e da ampliação de palestras específicas a cada necessidade, como a busca bibliográfica. Assim, acredita-se que a oferta dos serviços aliada à interação com os usuários possibilitam uma atmosfera amistosa onde o comprometimento da equipe se reflete na motivação do usuário, e nesse contexto agrega-se valor à instituição biblioteca.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ORGANIZAÇÃO DA BIBLIOTECA DO ACERVO HISTÓRICO DO CENTRO DE
MEMÓRIA DA MEDICINA - CEMEMOR
Ethel Mizrahy Cuperschmid
Elza Helena de Almeida Hugo
Carla Cristina Vieira de Oliveira
Angélica Siqueira de Castro
Sarah Campos Cardoso
Maria do Carmo Salazar Martina
RESUMO
Descreve-se o trabalho de organização do acervo antigo e de obras preciosas e/ou raras da
Biblioteca do CEMEMOR - Centro de Memória de Medicina de Minas Gerais, sediado na
Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. São descritos os padrões de
seleção das obras e critérios de raridade para a coleção bem como os avanços em sua
organização, o que vêm garantindo a divulgação e o acesso à literatura médica para os
profissionais da área da saúde em específico e toda a comunidade em geral.
Palavras-chave: Obra rara; Biblioteca de Medicina; Organização de Acervo; História da
Medicina
ABSTRACT
Describes the work of organizing the old collection of rare and precious works books of the
Library of CEMEMOR - Memory Center of Medicine of Minas Gerais, located at the Faculty
of Medicine, Federal University of Minas Gerais. Standards and criteria for selection of the
works of rarity for the collection as well as advances in its organization, ensuring access to
medical literature for professionals in the health area in particular and all community at large.
Keywords: Rare books,
Medicine

Library of Medicine, Collection Organization,

History of

1 INTRODUÇÃO
Os Centros de Memória surgiram no Brasil na década de 70, quando as instituições
públicas e privadas sentiram a necessidade de preservação da “memória institucional". As
universidades, detentoras de grandes acervos bibliográficos, saíram na frente, estimuladas que
foram pelo próprio MEC, que recomendava a preservação e organização dos acervos
documentais brasileiros. Reunindo fontes originais de pesquisa, baseados em determinados

3385

�assuntos ou criados em torno de temas específicos, estes Centros de Memória e/ou
Documentação tornaram-se característicos das universidades brasileiras, objetivando a
preservação do patrimônio bibliográfico e arquivístico, e em alguns casos, até parte do
museológico.
Segundo Camargo (1999, p.50), os Centros de Memória:

[...] apresentam como característica fundamental a proposta de trabalho que
envolve a reunião, a preservação e a organização de arquivos e coleções
(geralmente compostos de documentos originais, as “fontes primárias”) e de
conjuntos documentais diversos (de natureza bibliográfica ou arquivística,
originais ou cópias) reunidos sob o critério do valor histórico e informativo,
em torno de temas ou de períodos da história. Trabalha-se, portanto, com
informação especializada.

Neste sentido, o CEMEMOR, Centro de Memória da Medicina de Minas Gerais, foi
inaugurado em 1977 e formalizado pela Resolução 02/79 do Conselho Departamental da
Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, em 12 de junho de 1979.
Também oferece a disciplina História da Medicina semestralmente desde 1978, como
optativa, aberta a estudantes, docentes, funcionários, e demais interessados.
Seus coordenadores foram: Prof. João Amílcar Salgado (idealizador e ainda membro
atuante do CEMEMOR, cujos esforços proporcionaram a formação de grande parte do acervo
existente), Prof. Luiz Cisalpino Carneiro, Prof. Ronaldo Simões Coelho e Prof. Sebastião
Natanael Silva Gusmão e Prof. Ajax Pinto Ferreira.
O CEMEMOR ocupa uma área nobre do 1° andar da Faculdade de Medicina da
UFMG, distribuído num conjunto de 8 salas, denominadas salas Borges da Costa, Clóvis
Salgado, Ezequiel Dias, Guimarães Rosa, Baeta Viana, Samuel Libânio, Adelmo Lodi, e
Biblioteca Dermatológica Prof. Oswaldo Costa.
O CEMEMOR possui ainda o Horto Frei Veloso (Campus Saúde da UFMG), que se
destina ao plantio de ervas medicinais e ao estudo da farmacopéia natural tradicional, e
funciona no prédio anexo à Faculdade de Medicina, aos fundos da Biblioteca J. Baeta Vianna.
O Centro de Memória possui, pela variedade de seu acervo, características ao mesmo
tempo de:
•

Museu (objetos tridimensionais tais como: instrumentos médico-cirúrgicos,

móveis,

peças de vestuário, quadros, esculturas, etc.);
•

Biblioteca (livros, teses, folhetos, periódicos, separatas);

•

Arquivo (documentos diversos, fotografias e convites de formatura de ex-alunos, fotos
históricas, correspondências, etc.).

3386

�O CEMEMOR apesar de deter em seu espaço físico um acervo tão valioso, possui
uma infra-estrutura muito aquém do necessário para uma correta salvaguarda, pesquisa,
segurança e correta conservação dos exemplares que dispõe. Não conta com nenhum sistema
de iluminação ou ventilação adequadas e nenhum sistema de segurança para o acervo.
É interessante observar que a Resolução 02/79 não estabelecia a criação de uma
Biblioteca e nem de um Arquivo. No entanto, estas coleções passaram a ser os maiores
atrativos do CEMEMOR, seja pela raridade de seus exemplares, seja pela importância de seus
doadores.
O acervo bibliográfico está constituído de, aproximadamente, 15.000 exemplares entre
livros, teses, periódicos e folhetos. Nele podemos encontrar obras raras e preciosas, e será
doravante denominado acervo histórico.
Grande parte destas obras é do século XIX, quando a comunicação científica médica
era basicamente publicada em francês e alemão.
O acervo do CEMEMOR foi formado, desde sua inauguração em 1977,
principalmente, de doações de professores e profissionais egressos dos cursos, muitos destes
de reconhecimento internacional cujas obras doadas tornaram-se raras, quer seja pela
relevância do conhecimento comunicado, pela data de publicação das obras, ou devido à
magnitude de seu proprietário e doador, tais como: Oswaldo Costa, Miguel Couto,
Washington Pires, Eduardo Borges da Costa, Baeta Vianna, Pedro Nava, Mário Hugo
Ladeira, entre outros, o que justifica, sobretudo, a preservação, a difusão e a divulgação do
acervo.
Doações chegavam, a todo momento, de colaboradores do Centro de Memória, de
entusiastas da história e da ciência médica, de familiares de médicos falecidos, etc.
De acordo com Fontanelli (2005, p.14),
[...] a missão do centro de memória e a função que os documentos
preservados e organizados representam são questões fundamentais a se levar
em conta durante o processo de constituição do setor, para que as atividades
e o valor atribuído aos documentos ou mesmo sua missão não sejam
desvirtuados.

É importante registrar que o CEMEMOR quando criado, não tinha definido a sua
abrangência ou “campo de atuação”. Ou seja, não se estabelecia, até então, se a memória a ser
resguardada seria apenas a da Faculdade de Medicina, ou a história da medicina de Minas
Gerais, ou a história da medicina no Brasil ou no mundo.

3387

�Neste sentido, a falta de uma política de seleção pré-estabelecida e sem critérios de
limite histórico, propiciou o recebimento de obras de todas as áreas do conhecimento e de
todas as datas, gerando um volume enorme de exemplares em duplicatas e de obras sem
interesse ou relevância para o CEMEMOR. Este artigo é baseado em monografia de 2010 que
descreve a trajetória da organização do acervo bibliográfico na instituição (HUGO,2010).

2 REVISÃO DA LITERATURA
Os Centros de Memória centram-se em modos distintos do eixo memória-nação de
construção da relação entre memória e história. Os Centros de Memória de memória de
empresas ou mesmo universitários tomam a iniciativa de preservar sua memória como
história, como imortalização e como legitimação. Segundo Fonseca (2013, p.17) Por este
motivo reúnem acervos relacionados a elas mesmas para direcionar leituras acerca de suas
próprias trajetórias e de seus sujeitos ao longo do tempo. O foco central abrange a
organização ou reorganização de memórias individuais e coletivas, o reforço de identidades, a
preservação de espaços coletivos e legados culturais.
Considera-se Patrimônio cultural o conjunto de produções tangíveis e intangíveis do
ser humano e seus contextos sociais e naturais que constituem objeto de interesse a ser
preservado para futuras gerações. Já o Patrimônio Cultural Científico inclui o conhecimento
científico e tecnológico produzido pelo homem que são testemunhos dos processos científicos
e do desenvolvimento tecnológico. No Brasil, este Patrimônio tangível encontra-se nas
Universidades e parte dele ainda está por ser “descoberto”.
Os Centros de Memória criados em muitas universidades brasileiras desde a década de
1970, já se tornaram um fenômeno comum ao ambiente universitário. Em geral é um espaço
institucional propício ao trabalho interdisciplinar. Segundo Camargo (1999, p.50), sua
proposta de trabalho envolve a reunião, a preservação e a organização de arquivos e coleções,
bem como a de conjuntos documentais diversos reunidos sob o critério do valor histórico e
informativo, em torno de temas ou períodos da história.
Estes Centros são lugares de memória e funcionam como receptáculos e difusores de
conhecimento e informação, ou seja, espera-se que eles sejam capazes de acionar mecanismos
de reavivamento da memória voltada ao ensino, pesquisa e extensão.
Em sua missão de preservar o Patrimônio e os bens culturais, o CEMEMOR percebeu
a importância de definir a raridade e a preciosidade das obras bibliográficas de seu acervo.
Com esta medida, torna-se possível democratizar o acesso e promover a transformação do
conhecimento do público, uma vez que ele terá acesso à informação especializada.

3388

�A definição de raridade de um livro depende de diversos fatores, como por exemplo, o
material usado em sua confecção, a primeira edição, a importância histórica, indicações de
propriedade, entre outros. Apenas a antiguidade de uma obra não caracteriza a sua raridade. A
raridade ou preciosidade de uma obra é determinada por sua procura e por particularidades
inerentes a cada exemplar.
No Brasil existem controvérsias entre bibliotecários, curadores e bibliófilos quanto ao
significado de uma obra rara, o que faz com que cada instituição elabore seus próprios
critérios, a maioria das vezes baseados nas experiências de outras instituições, e na
determinação de raridade adotada pela Biblioteca Nacional, localizada no Rio de Janeiro.
O valor de um livro antigo depende do estado em que se encontra, da encadernação
que possui ou de alguma particularidade que o exemplar apresenta, ou seja, nem todos os
exemplares de uma obra rara valem o mesmo preço. A procedência de um livro é muito
importante para avaliá-lo, bem como uma assinatura, um ex-libris, uma anotação feita por um
livreiro ou leiloeiro, o tipo de encadernação, etc.
O valor de mercado ou a dificuldade de localização de uma obra não é o principal fator
para se considerar uma obra como rara, mas sim o seu conteúdo e a importância histórica do
mesmo.
Para se elaborar critérios, deve-se estabelecer uma metodologia de pesquisa
bibliográfica em catálogos on-line, dicionários e outras obras de referências especializadas,
levando-se em conta a historicidade da obra e observando o contexto no qual a obra está
inserida.
A análise desses critérios deve ser realizada, no mínimo, sob uma das
seguintes perspectivas: a) a do bibliotecário, em face de um acervo
considerado antigo; b) a do gerente da instituição, perante um acervo que
desconhece e considera “valioso”, por constituir parte da história da
instituição; e c) a do usuário, que sintetiza as perspectivas anteriores.
(PINHEIRO, 1989, p.21).

Baseado nas recomendações da Biblioteca Nacional e na literatura disponível, decidiuse estabelecer alguns critérios de raridade para uma primeira triagem no acervo histórico do
CEMEMOR.
•

Definição do limite histórico: foram consideradas todas as obras médicas editadas no
Brasil até 1900, todas as obras estrangeiras dos séculos XVI, XVII e XVIII, e as obras
do século XIX selecionadas por especialistas da área;

•

Observação dos aspectos bibliológicos: foram observadas as edições luxuosas, os
suportes de impressão, as ilustrações e beleza tipográfica, as obras manuscritas, os

3389

�volumes produzidos artesanalmente, etc.;
•

Observação do valor cultural da obra: foram analisados os aspectos da memória
institucional e autores renomados, as primeiras edições e tiragens limitadas, os facsimilares, as edições esgotadas e/ou censuradas, as coleções especiais e edições
populares, as obras cientificas que datam do período inicial de ascensão da ciência
médica, memórias históricas de famílias nobres e usos e costumes, edições de
clássicos, etc.;

•

Características do exemplar: foram avaliadas as marcas de propriedade, os ex-libris, as
dedicatórias,

as

assinaturas

de personalidades

ou

professores

ilustres,

de

encadernadores, comerciantes ou livreiros, restauradores, anotações na obra, etc;
•

Pesquisa bibliográfica: foram feitas consultas a especialistas da área médica que
apontaram características das obras tais como unicidade, relevância e raridade e
pesquisa em sites que disponibilizam coleções de obras raras tais como a Biblioteca
Nacional, Biblioteca de Manguinhos, Biblioteca Nacional da França, National Library
o f Medicine e Library o f Congress.
A Biblioteca Nacional estende o conceito de obra rara para livros publicados no Brasil

até a data de 1841. No entanto, partindo do princípio de se tratar de obras específicas da área
médica, achou-se por bem definir no CEMEMOR todas as obras publicadas no Brasil no
século XIX como obras raras e/ou preciosas.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
O Centro de Memória, quando fundado, possuía a função original de organização de
informações e atualmente ele passou a exercer também uma atividade de preservação e de
organização de fontes originais de pesquisa.
Uma particularidade do CEMEMOR é aproximar fonte de informação e pesquisa do
interessado, seja ele aluno, professor, curioso ou pesquisador. Também tem como missão a
guarda de fontes documentais produzidas pelo poder público que estão em risco de se perder
ou prestes a ser danificadas e torna-las acessíveis á consulta pública.
Castelfranchi (2010, p.14-15) afirma que “a ciência, assim como a arte, a filosofia, a
religião, o esporte, é uma parte importante de nossa cultura, que os cidadãos têm direito de
usufruir e apreciar”.
Recuperar, organizar, dar a conhecer a memória da empresa não é juntar em álbuns
velhas fotografias amareladas, papéis envelhecidos. É usá-la a favor do futuro da organização
e seus objetivos presentes (NASSAR, 2004).

3390

�Conforme muito bem traduz Worcman (2004), “a memória tampouco é um depósito
de tudo o que nos aconteceu. A memória é, por excelência, seletiva”.
O CEMEMOR acumulou durante mais de 30 anos de existência, uma quantidade de
livros, periódicos, documentos, instrumentos cirúrgicos, quadros, fotos e objetos diversos de
inestimável valor histórico, que se encontravam armazenados e resguardados dos usuários,
sem tratamento e conhecimento da comunidade.
O primeiro passo no sentido de organizar esse material e assim poder disponibilizá-los
para consulta e pesquisa, foi a implementação de uma organização baseada na seleção,
inventário, conhecimento e conservação do acervo.
Segundo Mambro (2012, p.5), o acervo de um Centro de Memória é constituído pelas
seguintes modalidades de documentos/informações:
• Arquivo Institucional composto de documentos arquivísticos da instituição ou de um
setor da instituição;
• Arquivo Informacional composto de informações sobre a produção científica da área;
• Acervos Recolhidos que podem ser de natureza arquivística, bibliográfica ou coleções
documentais diversas.
A organização do “acervo histórico” do CEMEMOR por meio do tratamento técnico
constituído pela descrição física, do conteúdo e registro do patrimônio utilizando sistemas de
bases de dados a serem definidos posteriormente, constituir-se-á em mais uma fonte de
informação, sendo imprescindível para:
•

A visibilidade global do acervo existente no Centro de Memória;

•

A disponibilização das informações do acervo total na WEB para acesso amplo e
irrestrito;

•

A pesquisa histórica e comparativa do desenvolvimento das ciências médicas
registradas cronologicamente no acervo bibliográfico.
Para que o Centro de Memória cumpra a sua finalidade, necessário se faz que a

organização de seu acervo, a preservação das fontes documentais, a acessibilidade aos
exemplares raros e preciosos e a disponibilidade das informações neles contidas sejam
garantidas.
Estas obras encontram-se ainda ausentes de qualquer catálogo on line da Instituição,
armazenadas, com acesso restrito ao público, o que justifica sua imediata organização. A
coleção de obras raras é considerada prioridade. As obras preciosas do acervo histórico serão
trabalhadas na sequência.

3391

�O objetivo da ação da equipe do CEMEMOR é organizar o acervo bibliográfico
histórico no sentido de restaurar, preservar e conservar um patrimônio científico universitário
que é público, garantindo o acesso à literatura médica para os profissionais da área da saúde
em específico, e toda a comunidade em geral.
As etapas deste processo são:
•

Selecionar o acervo bibliográfico por área, assunto, data, autor, título etc;

•

Acondicionar a coleção em local seguro e em ambiente adequado;

•

Inventariar as obras;

•

Salvaguardar as obras já em processo de deteriorização;

•

Analisar a coleção identificada, destacando-se seu valor e raridade;

•

Estabelecer uma política para definição de obras preciosas e/ou raras;

•

Identificar as obras preciosas e/ou raras, através de apoio bibliográfico e experiência
da equipe;

•

Patrimoniar e agregar valor a esta coleção;

•

Viabilizar a restauração e higienização técnica das obras;

•

Proporcionar o tratamento técnico deste acervo, utilizando padrões nacionais e/ou
internacionais de catalogação, indexação e classificação;

•

Incluir a coleção no sistema Pergamum da UFMG;

•

Elaborar catálogo de obras preciosas e/ou raras; e

•

Promover a divulgação da coleção e valorização da Biblioteca.

A primeira etapa do trabalho foi concentrar, num mesmo espaço físico, toda a coleção
bibliográfica que estava armazenada em diferentes locais, pois os mesmos eram totalmente
inadequados. Nesta etapa foram selecionados:
•

Livros e periódicos médicos separados por especialidade;

•

Livros de outras áreas (direito, religião, geografia, gramáticas, história, etc.);

•

Periódicos de assuntos diversos;

•

Obras de referência (dicionários, enciclopédias, etc.);

•

Obras de literatura, etc.
Em seguida, devido a obras no espaço da biblioteca, as obras foram retiradas do local

e passaram por uma segunda seleção. Neste estágio foram separadas as obras em duplicidade
do acervo histórico do CEMEMOR, em duplicidade com o Sistema Pergamum da UFMG e
aquelas que se encontravam fora do corte cronológico estabelecido (até dezembro de 1959).

3392

�Desta forma, de setembro de 2012 a janeiro de 2014, 2.222 exemplares foram
acomodados em 126 caixas de tamanhos variados:
•

Em duplicidade com o Sistema de Bibliotecas foram preenchidas 74 caixas,
totalizando 1.153 obras;

•

Em duplicidade com o acervo do CEMEMOR foram 13 caixas com 236 livros;

•

Fora do corte foram encontrados 630 livros que perfizeram 34 caixas;

•

Fora do corte e em duplicata - tanto no CEMEMOR quanto no Sistema de Bibliotecas
- foram encontrados 200 livros que ocuparam 5 caixas.
Estas 126 caixas encontram-se na Galeria Antônio Gomide, cada uma contendo a

listagem com referência, número do acervo - no Sistema de Biblioteca - e observações gerais
como a sua condição material, marca de propriedade, dedicatória dentre outros.
Este universo de 2.222 exemplares passará por uma comissão de avaliação e seleção,
posteriormente o que não estiver de acordo com a política de desenvolvimento do acervo do
CEMEMOR será encaminhada para outras bibliotecas e centros de memória da medicina no
Brasil na modalidade de doação.
Esta etapa, que incluiu a avaliação da coleção e permitiu a constatação esta era
demasiada numerosa, uma vez que havia muitas duplicatas que podiam e deviam ser
encaminhadas para outras instituições. Assim, a identificação e o conhecimento da coleção
foram fundamentais para a racionalização do acervo, conforme a missão do CEMEMOR.
A seleção das obras que irão compor o acervo histórico da biblioteca do CEMEMOR,
também foram avaliados as assinaturas, as dedicatórias, aquelas em melhor estado de
conservação, ou com qualquer outra característica de destaque, como ex-libris.
A etapa de limpeza do acervo foi de fundamental importância, devido às péssimas
condições de conservação. As coleções foram higienizadas manualmente, usando o aspirador
Rainbow - filtragem das sujidades do ar e dos livros por meio de turbilhonamento,
proporcionando uma limpeza mais eficiente, acomodando as sujeiras na água.
Depois de higienizados e acomodados em estantes de aço os livros de encadernação de
couro receberam o tratamento com a cera CR 185 Leather dressing, e foram revestidos com
lombadas de Poliéster para receberem a etiqueta de localização na estante. Foram usadas as
Etiquetas 0080 - 252959 PIMACO transparentes 25,4 x 66,7, para se preservar ao máximo as
características das encadernações das obras.
Os livros de brochura foram tratados de maneira diferenciada, só higienizados com o
aspirador e revestidos em sua totalidade com jaquetas confeccionadas de Poliéster tipo cristal

3393

�401 - (75 mil / larg. 1,00m - comp. 50m / 76mm / Op.8465). Também receberam etiquetas de
localização na lombada.
No início de 2014, em limpeza semestral terceirizada, foram localizados traços de
insetos xilofágicos. Foi solicitada a consultoria de bibliotecária especializada em conservação
e restauro de obras raras que passou recomendação específica de limpeza, acomodação e
quarentena das obras. Assim, as obras serão novamente avaliadas antes de retornarem às
estantes.
A terceira etapa foi o inventário das obras, feito em arquivo/planilha Excel, constando
os dados técnicos da obra (referência bibliográfica) e características especiais como
dedicatórias, assinaturas, carimbos, etc.
A decisão tomada para o andamento desta etapa foi a de mantermos na coleção apenas
as obras médicas, observando-se o limite histórico da década de 50 (sujeito a alterações
futuras). Foram listados os livros dos séculos 18, 19 e início do século 20 até 1959.
Exemplo:
OBSERVAÇÕES

ÍTEM

ANO

DESCRIÇÃO

1835

TAVERNIER, A. Manuel de clinique chirugicale. Obra para reparo.
Deuxième édition. Paris: Libraire de Deville Cavellin. Encadernada. Doação 1
549p.
de Washington Pires.

A organização dos livros constituiu-se basicamente do armazenamento cronológico
dos mesmos nas estantes. As etiquetas receberam a seguinte identificação:

1887
LATTEUX
(Patologia Clínica)

(ano de publicação da obra)
(sobrenome do autor)
(especialidade)

Após o término do inventário de cada especialidade médica, foi feita a divulgação da
mesma na página do CEMEMOR http://www.medicina.ufmg.br/cememor/, link Material
Didático / Acervo, para que a comunidade acadêmica e demais interessados pudessem
acompanhar o andamento dos trabalhos.
O processo de organização do acervo do CEMEMOR foi minucioso e desafiador
devido à precariedade e às condições escassas em que foi realizado, mas procurou-se observar
métodos e técnicas da ciência da informação e aplicou-se a todo o momento o bom senso e o
estabelecimento da promoção da conservação, guarda e preservação, acesso e proteção do
acervo.

3394

�A partir de 2012 as obras raras começaram a ser inseridas no Sistema Pergamum Sistema Integrado de Bibliotecas. Trata-se de um sistema informatizado de gerenciamento de
dados que utiliza o formato MARC 21, direcionado aos diversos tipos de Centros de
Informação. O Sistema contempla as principais funções de uma Biblioteca, funcionando de
forma integrada da aquisição ao empréstimo, com o objetivo de facilitar a gestão dos centros
de informação, melhorando a rotina diária com os seus usuários. Tem como principal objetivo
aproveitar as ideias de cada Instituição a fim de mantê-lo atualizado e atuante no mercado,
tornando-o capaz de gerenciar qualquer tipo de documento. Desta forma, o acervo estará mais
acessível para o pesquisador e será acessado de qualquer lugar do mundo, atingindo um
público mais amplo do que aquele da página do CEMEMOR.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Hoje, os Centros de Memória assumem o papel de centros de referência para
estudantes e pesquisadores que buscam conhecer a cultura e a história de determinada
localidade ou de determinada área.
Portanto, estes centros devem estabelecer uma política de preservação de seus acervos
históricos, tornando-os acessíveis ao público de maneira eficaz e responsável, garantindo a
memória da instituição. Devem fazer com que, por meio dessa documentação preservada,
desenvolvam-se pesquisas que tragam benefícios para o futuro resgatando-se elementos
culturais do passado.
Desde 2007, quando os esforços para a revitalização do CEMEMOR iniciaram, já
contamos com equipe formada de historiador, pesquisador e bibliotecário. Conforme os
projetos aprovados em editais há um número flutuante de estagiários de diversas áreas do
conhecimento - História, Letras, Museologia, Conservação e Restauro, Arquivologia.
Também contamos com pesquisador voluntário desde 2009 e atividade de especialista da área
de Ciência da Informação durante um ano - 2012.
O CEMEMOR faz parte da Rede de Museus e Espaços de Ciência e Cultura da
UFMG, composta de 17 espaços, dentre museus e centros de memória. Espera-se que ao
participar de um grupo que pretende discutir, estabelecer normas e procedimentos e promover
o patrimônio científico universitário, o CEMEMOR se beneficie de acordos firmados entre a
Rede e cursos regulares de graduação como Conservação e Restauro, Ciência da Informação,
Arquivologia e Museologia.
Entre 2008 e 2009 foram feitos estudos para a inclusão do acervo no sistema PHL Personal Home Library. Este sistema é uma aplicação Web especialmente desenvolvida para

3395

�administração de coleções e serviços de bibliotecas e centros de informações.
Foi concebido como uma alternativa moderna e eficiente às bibliotecas e usuários com poucos
recursos (financeiro e de pessoal) e que pretendem organizar suas coleções, automatizar
rotinas e serviços e/ou disponibilizar e compartilhar seus catálogos através da Web. Esta
alternativa não funcionou por motivo de falta de assistência do fornecedor. Entretanto, desde
março de 2012, a Biblioteca CEMEMOR participa do sistema Pergamum.
Através de um acordo com o então diretor da Faculdade de Farmácia, prof. Lauro
Mello, a bibliotecária Simone Aparecida dos Santos, trabalhou uma vez por semana na
catalogação das obras raras. Apesar da complexidade desta atividade foram catalogados 81
títulos. Assim, as obras raras passaram a ser visíveis no catálogo via pesquisa. Ficou
estabelecido que o acervo não será emprestado, haverá apenas consulta local. As obras não
terão número de patrimônio da Biblioteca Universitária, utilizarão o código de registro não
patrimoniável.
Vale ressaltar que o CEMEMOR depois de 6 anos de esforços conseguiu para o seu
quadro

permanente

um

funcionário

do

quadro

da

UFMG,

no

cargo

bibliotecário/documentalista.
Ao finalizar o trabalho de seleção e formação da coleção de obras preciosas e/ou raras
da Biblioteca do CEMEMOR da UFMG espera-se contribuir para a valorização do livro raro,
criar uma memória institucional e local da área médica, e buscar a preservação deste
conhecimento para as gerações futuras. Acervos raros devem ser usados como fonte de
pesquisa para gerar novas informações, pois informações antigas, transportadas para uma
nova geração e inseridas no cotidiano de uma realidade existente no presente, servem de base
para a criação de informações futuras.
O Centro de Memória deverá se empenhar em tornar-se um centro de referência de
pesquisa da área médica, em parceria com os demais espaços de formação desta Faculdade,
em especial com a Biblioteca J.Baeta Vianna e em consonância com a vocação que esta
instituição pública vem desenvolvendo desde o início de suas atividades.

REFERÊNCIAS
BIBLIOTECA NACIONAL. (Brasil) PLANOR. Critérios de raridade empregados para a
qualificação
de
obras
raras.
Disponível
em:
&lt;http://www.bn.br/planor/
documentos/criterioraridadedioraplanor.doc&gt;. Acesso em fev. 2014
CASTELFRANCHI, Yurij. Por que comunicar temas de ciência e tecnologia ao público?
(Muitas respostas óbvias... mais uma necessária). In: Jornalismo e ciência: uma perspectiva
ibero-americana.

3396

�Rio de Janeiro: Museu da Vida, Casa Oswaldo Cruz, Fiocruz, 2010. p. 13-21. Disponível em:
http://www.museudavida.fiocruz.br/media/Livro%20NEDC%20web.pdf Acesso em maio de
2014.
CAMARGO, Célia R. Os Centros de documentação das universidades: tendências e
perspectivas. In: SILVA, Zélia Lopes da (org). Arquivos, patrimônio e memória:
trajetórias e perspectivas. São Paulo: Ed. UNESP/FAPESP: 1999. p.49-63.
FONSECA, Thais Nívea de Lima e. História, Memória e Documento. In: LINHALES, Meili
Assbú; NASCIMENTO, Adalso (org). Organizando arquivos, produzindo nexos:
experiência de um Centro de Memória. Belo Horizonte, MG: Traço Fino, 2013. p 15-22.
FONTANELLI, Silvana Aparecida. Centro de Memória e Ciência da Informação: uma
interação necessária. 2005. 106f. Trabalho de conclusão de curso (TCC) apresentado ao
Departamento de Biblioteconomia e Documentação da Escola de Comunicações e Artes da
Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005.
HUGO, Elza Helena de Almeida. A trajetória da organização do acervo histórico do
Centro de Memória da Medicina de Minas Gerais. 2010.

64 f. Monografia. Belo

Horizonte: Faculdades Integradas de Jacarepaguá, 2010.
LINHALES, Meili Assbú ; NASCIMENTO, Adalso (org). Organizando arquivos,
produzindo nexos: experiência de um Centro de Memória. Belo Horizonte, MG: Traço Fino,
2013. 200p.
MAMBRO, Galba Di. Centro de Documentação e Memória. Juiz de Fora : Universidade
Federal de Juiz de Fora, Instituto de Ciências Humanas, Departamento de História, março de
2012. 7p.
NASSAR, Paulo. Sem memória, o futuro fica suspenso no ar. In NASSAR, Paulo, (org).
Memória de empresa: história e comunicação de mãos dadas, a construir o futuro das
organizações. São Paulo: Aberje, 2004.pp 15-22.
PINHEIRO, Ana Virgínia Teixeira da Paz. Que é livro raro? : uma metodologia para o
estabelecimento de critérios de raridade bibliográfica. Rio de Janeiro: Presença, 1989.
SISTEMA Pergamum. Disponível em: &lt;http://www.pergamum.pucpr.br/redepergamum/
informacoes.php&gt; Acesso em 09/05/2014
SISTEMA PHL. Disponível em:

&lt;http://www.elysio.com.br/&gt;Acesso em 09/05/2014

WORCMAN, Karen. Memória do futuro: um desafio. In: NASSAR, P. (Org.). Memória de
empresa: história e comunicação de mãos dadas, a construir o futuro das organizações. São
Paulo: ABERJ Editorial, 2004, p. 23-30.

3397

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Descreve-se o trabalho de organização do acervo antigo e de obras preciosas e/ou raras da Biblioteca do CEMEMOR – Centro de Memória de Medicina de Minas Gerais, sediado na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. São descritos os padrões de seleção das obras e critérios de raridade para a coleção bem como os avanços em sua organização, o que vêm garantindo a divulgação e o acesso à literatura médica para os profissionais da área da saúde em específico e toda a comunidade em geral. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O USO DOS RECURSOS DE INTERATIVIDADE PELO SERVIÇO DE
REFERÊNCIA, EM UMA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
Maria Fazanelli Crestana
Marcia Elisa Garcia De Grandi

RESUMO
No cenário atual em que a biblioteca universitária assume cada vez mais novos papeis, ao
inserir-se efetivamente no ambiente acadêmico, é necessário oferecer também novos serviços,
principalmente aqueles que tem como base as tecnologias da informação, além de capacitar
suas equipes para as atividades relacionadas aos processos de ensino e aprendizagem. Este
trabalho relata a experiência da Biblioteca Central da Faculdade de Medicina da USP, que fez
adequações no seu espaço e nos seus processos de trabalho para oferecer novos serviços no
Projeto Biblioteca Interativa. Entre as iniciativas do projeto está um espaço equipado com
ferramentas tecnológicas, principalmente as de conectividade, e ambiente de socialização, que
permite oferecer, novas atividades no apoio ao ensino médico de graduação, além da clássica
referência e atendimento ao usuário. Em funcionamento há cerca de um ano, também
disponibiliza equipamentos móveis com conteúdo das disciplinas do ciclo básico do curso de
medicina. Neste período é possível afirmar que alunos e professores têm incorporado, aos
poucos, estes serviços nas suas disciplinas e estudo, embora implique em algumas mudanças
de comportamento,
Palavras-Chave: Serviço de Referência; Biblioteca Universitária; Interatividade; Ensino e
Aprendizagem
ABSTRACT
At the present scenario, where the university library is increasingly taking on new roles to
insert themselves effectively in the academic setting, it is also necessary to offer new services,
especially those incorporating information technologies, as well as to develop their teams to
run activities related to teaching and learning processes. This paper reports the experience of
the Central Library of the Medicine College - University of São Paulo, thatpromoted
adjustments in the space and working processes to deliver new services with the Interactive
Library Project. Among the initiatives, refers to a space equipped with technological tools for
connectivity and social interaction environment that allows new activities in support of
undergraduate medical education, going beyond the classical reference and user services. In
operation for about a year, the Interactive Library also provides mobile devices loaded with
course materials and textbooks related to the first three-years of the medical course. So far, it
seems that students and teachers have incorporated, gradually, these services in their
discipline and study, although it involves some behavior changes.
Keywords:Reference Services; University Library; Interactivity; Teaching and Learning

3379

�1 INTRODUÇÃO
A

biblioteca

universitária

vem

adotando

algumas

estratégias

visando

o

estabelecimento de parcerias junto aos diversos segmentos e atividades da comunidade
universitária. Mais do que nunca, torna-se necessário que a biblioteca esteja alinhada aos
objetivos pedagógicos da universidade de forma a atender às demandas derivadas da
incorporação de novas metodologias de ensino e aprendizagem.
A realização das atividades advindas da adoção dessas estratégias acontece, na sua
maioria, na área de contato direto com o usuário, que no caso da Biblioteca Central da
Divisão de Biblioteca e Documentação da Faculdade de Medicina da Universidade de São
Paulo (DBD/FMUSP), é o Serviço de Acesso à Informação - SAI, responsável pelos
processos de circulação de materiais, serviço de referência, pesquisas e levantamentos
bibliográficos, treinamento de usuários, padronização e catalogação das dissertações e teses
defendidas na FMUSP, instruções e apoio para publicação, além da participação dos
bibliotecários em disciplina presencial e a distância, de responsabilidade da Biblioteca.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Tradicionalmente, a biblioteca universitária desempenha atividades de seleção,
aquisição, tratamento e armazenamento da informação, além de capacitar os seus usuários na
busca, interpretação e uso destes recursos informacionais, com o objetivo de apoiar o ensino,
a aprendizagem e a pesquisa. O impacto massivo das tecnologias digitais e de rede vem
provocando mudanças significativas no desempenho dessas atividades, impulsionando a
biblioteca universitária a assumir novos papeis no processo de ensino e aprendizagem
(NEAL, 2012).
Exige-se que a biblioteca universitária transcenda a posição de provedora de serviços
para se tornar parceira dentro do ambiente acadêmico, alinhando-se às necessidades e
expectativas da comunidade. O futuro da biblioteca acadêmica vem sendo apresentado e
discutido dentro do contexto de mudanças da tecnologia, dos usuários, de suas expectativas,
dos serviços, das responsabilidades, fatores que representam desafios para a sua natureza,
liderança, sustentabilidade e integridade organizacionais (PROKOPCIK, KRIVIENE, 2013).
As mudanças impostas às bibliotecas universitárias são um reflexo imediato das
transformações pelas quais vem passando as instituições de ensino superior. Massis (2013)
relata algumas iniciativas em universidades norte-americanas, onde os conteúdos, pagos ou de
livre acesso, e livros-textos adotados são oferecidos aos alunos, em formato digital,
armazenados em dispositivos móveis. Aponta que, mesmo em casos mais extremos, como a

3380

�Kansas State University, que abriga a primeira biblioteca inteiramente digital, o papel da
biblioteca ainda é essencial para o processo de ensino e aprendizagem, exercendo atividades
complementares de assistência especializada à pesquisa e instrução bibliográfica, com o
objetivo de fornecer aos alunos o reforço intelectual apropriado.
Com o impacto da tecnologia nos currículos e métodos de ensino, a biblioteca
universitária vem sendo pressionada a reformular o desenvolvimento e fornecimento de
serviços e produtos, levando em consideração as necessidades e expectativas dos alunos
familiarizados com a tecnologia. Os espaços tradicionais vêm sendo substituídos por
instalações dotadas de equipamentos multimídia, salas de estudo individual e em grupo, áreas
de descanso, disponibilidade de recursos multifuncionais e interativos para atividades de
estudo colaborativo. Difunde-se, assim, o conceito e implementação de “learning commons”,
resultado de parcerias com os setores acadêmicos e de tecnologia da informação, que garante
à biblioteca a manutenção do status de local central dentro da universidade, oferecendo à
comunidade acadêmica recursos e serviços de ponta (MASSIS, 2010).
Alexander et al. (2011) aponta as mudanças ocorridas na reestruturação dos serviços
da University of Michigan Library em atendimento às demandas tecnológicas, áreas
curriculares emergentes e necessidades específicas de diferentes grupos de usuários, com
destaque para a interação da biblioteca com os professores e a construção de comunidades de
aprendizagem colaborativas. Observa que os bibliotecários dedicam-se a atividades que vão
além dos serviços de referência e orientação, com foco no desenvolvimento de atividades e
serviços baseados na compreensão das necessidades atuais dos alunos de graduação e na
incorporação do conceito de aprendizagem ao longo da vida.

3 MATERIAIS E MÉTODO
A partir de visitas a bibliotecas médicas de instituições de ensino consideradas
benchmark, no momento em que a Faculdade de Medicina discutia o currículo médico, a
Biblioteca Central também movimentou-se para adequar seus serviços e alinhar-se com as
diretrizes da formação médica.
Com as tratativas iniciadas ainda no ano de 2012, foi determinada a área da Biblioteca
para ocupar as instalações do que se chama Biblioteca Interativa, neste caso, o seu
componente de instalação física. A proposta da Biblioteca Interativa previaa formação de um
repositório de produção científica, a participação da Biblioteca Central nos processos de
aprendizagem e a adequação do espaço físico da Biblioteca para a oferta e utilização de
tecnologia da informação.

3381

�No que se refere à modernização das instalações, foi escolhida uma área de quatro
salas de estudo em grupo e um salão de leitura localizados no segundo andar para criação do
novo espaço destinado aos alunos dos quatro cursos de graduação da Faculdade: medicina,
fonoaudiologia, fisioterapia e terapia ocupacional.
Após a definição do local, foi formulado um projeto para a adequação da rede de
lógica com conectividade e interatividade de internet, wi-fi e por cabo, aumento da
capacidade da rede elétrica e a instalação de novos equipamentos que permitem aos usuários,
estando neste espaço, participar remotamente das atividades de ensino, que acontecem em
anfiteatros ou salas de aula localizadas em outras áreas da Faculdade de Medicina.
A Biblioteca Central busca constantemente alinhar-se às diretrizes de ensino,
formação e aperfeiçoamento dos profissionais de saúde dos cursos da FM: medicina,
fonoaudiologia, fisioterapia e terapia ocupacional. Pontualmente, para atender à modernização
do ensino médico e a reforma curricular do curso de medicina, realizou Projeto de Adequação
para provimento de informação médica em diferentes suportes e com o propósito de acolher
estes usuários em espaços adequados para a realização do processo de aprendizagem com
atividades realizadas além das salas de aula. O estabelecimento de parceria e colaboração
permanente entre as equipes da Biblioteca e o corpo docente é essencial para que a instituição
obtenha bons resultados na formação de médicos, na efetiva assistência à saúde e na garantia
de que novas gerações recebam educação médica de qualidade.
Em continuidade ao projeto de criação deste espaço, a Biblioteca Central promoveu
uma reformulação do acervo de livros, com a transferência de títulos publicados até o ano
2000 para a Biblioteca de Polo Pacaembu. A adaptação deste espaço para armazenamento do
acervo mais antigo de livros e grandes coleções de índices e bibliografias impressas vem ao
encontro de tendências verificadas no cenário internacional de bibliotecas universitárias, que
preconizam o aproveitamento das áreas liberadas para implementação de novos serviços e
provisão de novos recursos que viabilizem a convivência, a socialização e a exploração plena
da tecnologia de informação pela comunidade acadêmica.
Dessa forma, o remanejamento do acervo mais antigo da Biblioteca permitirá a criação
de novas salas de estudo individual, além da ampliação do número de computadores para
pesquisa e aprimoramento da área de atendimento, tendo em vista a natureza diversificada dos
formatos de informação e equipamentos disponíveis aos usuários em geral e, particularmente,
aos alunos de graduação.

3382

�4 RESULTADOS PARCIAIS
Foram instaladas no salão poltronas confortáveis para o uso de tablets e notebooks,
com mesas baixas, projetor multimídia e tela retrátil, além de fones de ouvido individuais com
transmissores wi-fi, uma vez que esta atividade acontece no período em que a Biblioteca está
aberta e o espaço é integrado a outras áreas de estudo e pesquisa, que requerem silêncio.
Contíguo a este espaço, quatro salas de estudo em grupo foram então mobiliadas com uma
mesa grande e seis cadeiras ergonômicas, equipamentos all-in-one com teclados e mouses
sem fio, TVs LED e mesas interativas.
O conjunto destes recursos é destinado às atividades de geração do conhecimento de
modo compartilhado, uma vez que, de acordo com as reformas pretendidas no ensino médico
de graduação, as aulas tradicionais tem menor duração e os alunos são incentivados à
formação de grupos de estudo para desenvolver o conteúdo dado em aula em outros espaços,
sempre de forma compartilhada. Essas salas são previamente agendadas para uso de grupos de
alunos, que fazem reservas e se responsabilizam por manter a integridade física do mobiliário
e dos equipamentos durante o período de uso. O agendamento privilegia a reserva para grupos
de alunos, com pelo menos três componentes, com interesse em um mesmo conteúdo, e desse
modo busca-se garantir que a totalidade de alunos da graduação possa usufruir destes
serviços.
Para complementar as pesquisas em livros, periódicos e bases de dados, parte dos
conteúdos das disciplinas dos três primeiros anos (o ciclo básico)estão instalados em 40
tablets acondicionados em armário adequado para que estejam permanentemente
“carregados”.
Os tablets e fones de ouvido são emprestados no mesmo sistema automatizado de
empréstimo de livros, para uso local, aos alunos de graduação do curso de medicina.
Membros da equipe da Biblioteca ficam à disposição desses usuários para auxiliar no uso da
tecnologia e solução de eventuais dificuldades de acesso à informação.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

3383

�A Biblioteca Central, alinada às políticas e planos institucionais da FMUSP, vem
implementando mudanças contínuas na sua infraestrutura e provisão de serviços, de forma a
firmar-se como espaço central de aprendizagem, convivência e colaboração, sem negligenciar
a formação continuada de sua equipe, preparando-a para o atendimento de uma comunidade
composta pelos chamados “nativos digitais”, principalmente alunos ingressantes nos cursos
de graduação, ao lado de representantes da geração que passou ou vem passando pela
transição da informação impressa para a eletrônica.Antecipando-se às novas demandas, com
esta iniciativa a Biblioteca colabora para mudanças de comportamento na busca da
informação e na construção do conhecimento em saúde, entendendo ainda que a consolidação
desse processo não é imediata.

6 REFERÊNCIAS
ALEXANDER, L. et al. MLibrary concepts for redefining reference. Journal of Library
Administration, Philadelphia, v. 51, n. 4, p. 326-342, 2011.

Disponível em:

&lt;http://www.tandfonline.com/doi/pdf/10.1080/01930826.2011.556957#.U3icldJdV8E&gt;.
Acesso em: 20 Abr. 2014.
MASSIS, B.E.

The academic library becomes the academic learning commons. New

Library World, Bingley,

v.

111,

n.

3/4,

p.

161-163,

2010.

Disponível

em:

&lt;http://www.emeraldinsight.com/iournals.htm?issn=03074803&amp;volume=111&amp;issue=3/4&amp;articleid=1847016&amp;show=html&gt;. Acesso em: 18 Abr. 2014.
MASSIS, B. E. The “bookless” curriculum and the academic library. New Library World,
Bingley,

v.

114,

n.

9/10,

p.

443-446,

2013.

&lt;http://www.emeraldinsight.com/iournals.htm?articleid=17097634&gt;.

Disponível

em:

Acesso em: 20 Abr.

2014.
NEAL, J.G. Opportinities for systematic change in the academic research library: elements of
the post-digital library.

Insights, Newbury, v.25, n.1, march 2012.

Disponível em:

&lt;http://uksg.metapress.com/content/g65474p7w2838843/&gt;. Acesso em: 20 Abr. 2014.
PROKOPCIK, M.; KRIVIENE, I. Managing change in academic library: the case of Vilnius
University Library.

Library, 57, 2/3, 2013. Disponível em: &lt;http://knjiznica.zbds-

zveza.si/index.php/kniiznica/article/viewFile/217/207&gt;. Acesso em: 18 Abr. 2014.

3384

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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>No cenário atual em que a biblioteca universitária assume cada vez mais novos papeis, ao inserir-se efetivamente no ambiente acadêmico, é necessário oferecer também novos serviços, principalmente aqueles que tem como base as tecnologias da informação, além de capacitar suas equipes para as atividades relacionadas aos processos de ensino e aprendizagem. Este trabalho relata a experiência da Biblioteca Central da Faculdade de Medicina da USP, que fez adequações no seu espaço e nos seus processos de trabalho para oferecer novos serviços no Projeto Biblioteca Interativa. Entre as iniciativas do projeto está um espaço equipado com ferramentas tecnológicas, principalmente as de conectividade, e ambiente de socialização, que permite oferecer, novas atividades no apoio ao ensino médico de graduação, além da clássica referência e atendimento ao usuário. Em funcionamento há cerca de um ano, também disponibiliza equipamentos móveis com conteúdo das disciplinas do ciclo básico do curso de medicina. Neste período é possível afirmar que alunos e professores têm incorporado, aos poucos, estes serviços nas suas disciplinas e estudo, embora implique em algumas mudanças de comportamento.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O USO DO FACEBOOK COMO FERRAMENTA DO SERVIÇO DE REFERÊNCIA

Debora Do Nascimento
Hebe de Deus Freire
Joana Ceia Costa
Leticia Aparecida de Araújo
RESUMO
O “serviço de referência” tem o objetivo de auxiliar os usuários na recuperação da informação
poupando-lhes tempo e agilizando seu acesso a elas. Esse processo pode ser mais eficaz
através dos recursos tecnológicos como o Facebook, em evidência na sociedade atualmente.
Este trabalho surgiu da necessidade de aproximação na relação Biblioteca/usuário e da
possibilidade de oferecer uma alternativa de comunicação com o serviço de referência da
Biblioteca. Partindo da observação de que a maioria dos usuários utiliza frequentemente as
redes sociais, pretende-se avaliar se a relação entre o serviço de referência e os usuários pode
ser aprimorada através delas. Serão propostas, a partir daí, formas de aproximação do usuário
com a biblioteca universitária e seus serviços. Esta avaliação será contínua devido à
intermitência deste tipo de recurso e das relações com seus usuários.
Palavras-Chave: Serviço de referência virtual; redes sociais na internet; Facebook.

ABSTRACT
The reference service aims to help users recover information, saving time and speeding up
their access to them. This process may be more effective through technologic resources as
Facebook, so broadly used in society nowadays. This research came from the need of a closer
library-user relation and from an opportunity of providing the user with an alternate way of
communicating with the library reference service. Due to the fact that most of the users
frequently access social networks, the intention is to recognize whether the interaction
between user and the library reference system can be improved through social networking or
not. Then, ways to make the relation between the user and the library and its services closer
will be proposed. This evaluation shall be constantly made, due to how unstable these
services’ relations with their users are.
Keywords: Virtual reference service; internet social networks; Facebook.

1 INTRODUÇÃO
“O serviço de referência de uma biblioteca é aquela parte do sistema que se incube
particularmente da tarefa de guiar o leitor no uso da biblioteca e, sobretudo, no

3373

�aproveitamento dos recursos” (PLACER, 1968, p.22). Embora o autor mencione os recursos
locais do acervo, utilizamos aqui o conceito de recursos de forma mais ampla, englobando
todas as ferramentas e serviços disponibilizados na biblioteca bem como as competências dos
bibliotecários de referência. Atualmente, esses novos recursos - em sua maioria - são
relacionados às ferramentas tecnológicas advindas da internet e seus derivados.
Segundo Castells (2006, p.89), “em fins da década de 1990, o poder da comunicação
da Internet, juntamente com os novos progressos em telecomunicações e computação
provocaram mais uma grande mudança tecnológica”. Esse poder influenciou claramente as
bibliotecas e unidades de informação, como podemos observar através da implantação de
processos de automação e modernização de acervos, rotinas, catálogos etc. em grande parte
das instituições de informação, culminando no que hoje é chamado de bibliotecas híbridas que possuem acervos físicos tradicionais e acervos e/ou recursos digitais, eletrônicos e
virtuais.
Esse poder da comunicação, aliado aos recursos oferecidos pela internet, resultou no
aumento gradativo das interações interpessoais mediadas pela internet. Entre esses recursos,
os que mais se popularizaram mundialmente nas últimas décadas foram os espaços virtuais de
interação denominados redes sociais. Dentre eles, o que mais tem chamado atenção e ganhado
espaço é o Facebook.
O Facebook surgiu em 2004 e segundo a página oficial brasileira da rede “a missão do
Facebook é dar às pessoas o poder de compartilhar informações [...]. Milhões de pessoas
usam o Facebook para [...] conhecer mais as pessoas com quem você se relaciona”
(FACEBOOK, 2004), ou seja, a intenção da rede é criar vínculos maiores em relações sociais
pré-existentes. Cavalcante e Silva (2013) ressaltam que “as redes sociais na internet devem
ser utilizadas de maneira efetiva alcançando visibilidade na weV\ Pensando nisso, a
Biblioteca de Rio das Ostras decidiu criar uma página no facebook.
A Biblioteca de Rio das Ostras é uma das 26 unidades que compõem o Sistema de
Bibliotecas da Universidade Federal Fluminense, e situa-se no interior do Estado do Rio de
Janeiro, em um dos antigos polos (hoje campi) que integram o projeto de interiorização da
Universidade.
A página da Biblioteca no facebook foi criada com a intenção de atender a crescente
demanda de estreitamento no relacionamento da Biblioteca com seus usuários. Dentre as

3374

�razões do aumento desta demanda destacamos como principais a defasagem da equipe de
funcionários e a entrada crescente de alunos especialmente em consequência do Reuni

.

O Reuni foi instituído pelo Decreto n° 6.096, de 24 de abril de 2007, denominado
Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais
(BRASIL, 2007). Tem como objetivo a expansão da educação superior buscando ampliar o
acesso e a permanência no nível de graduação na educação superior no país. Algumas de suas
metas mais importantes, como a diminuição da evasão, ocupação das vagas ociosas e
especialmente o aumento das vagas de ingresso sobrecarregaram as universidades e os
serviços prestados aos alunos.
Dentro desse contexto, o presente texto tem como objetivo descrever a fase inicial da
experiência do Projeto “Bibliotecas e Mídias Sociais”, nascido a partir do trabalho final (com
tema de mesmo nome) do Curso de Capacitação em Gestão Universitária, ministrado pela
Universidade Federal Fluminense e que ainda está em andamento. O projeto tinha como
objetivo geral avaliar a relação entre o serviço de referência e as mídias sociais na biblioteca
de Rio das Ostras, verificando seu impacto na utilização dos serviços pelos usuários. Nesta
primeira fase, queremos verificar de que forma o facebook pode estreitar as relações entre a
instituição, principalmente entre o serviço de referência e seus usuários. Posteriormente,
pretendemos analisar quais serviços podem ser oferecidos aos usuários através dessa
ferramenta, investigando os interesses e necessidades dos usuários.

2 REVISÃO DE LITERATURA
A defasagem de um corpo técnico suficiente para atender rapidamente as demandas
dos usuários poderia ser parcialmente suprida se parte das “questões de referência”,
especialmente as “consultas de caráter administrativo e de orientação espacial” (GROGAN,
2001, p.37), fossem sanadas antes da chegada do usuário à biblioteca visto que são
normalmente pontuais e de natureza simples. Ressaltamos aqui a utilização do termo “serviço
de referência” não como um setor da unidade, mas sim como descrito por Grogan no sentido
de “assistência efetivamente prestada ao usuário que necessita de informação” (2001, p.50).
Essa assistência não necessita ser presencial, uma vez que atualmente os recursos
tecnológicos possibilitam uma comunicação quase tão rápida e eficiente “pois, permitindo um
rápido intercâmbio de informações, o serviço de referência tirará vantagem disso se estiver
conectado com outros serviços de referência...” (ACCART, 2012, p. 133).

386 O projeto duplicou o número de ingressantes em algumas instituições, segundo site do Mec.

3375

�O serviço de referência pode ser considerado como o caminho mais curto entre a
informação e o usuário.
Nunca é demais repetir que entre o bibliotecário de referência e o livro não
existe qualquer conexão inevitável e eterna. A substância do serviço de
referência é a informação e não determinado artefato físico. (GROGAN,
2001, p. 29).

Um dos conceitos chave que norteiam o projeto é o de mediação da informação. Como
mediadores, temos o dever de levar ao usuário à informação desejada da forma mais eficiente
possível, poupando-o, inclusive, do deslocamento desnecessário e ampliando nossa área e
forma de atuação e utilizando as ferramentas mais confortáveis, desde que estejam
disponíveis.
Uma das origens do conceito de mediação (ou intermediação) está no
desenvolvimento das tecnologias da informação que permitem orientar de
forma diferenciada os serviços. Os campos de atuação dos profissionais da
informação se ampliaram consideravelmente (ACCART, 2012, p.15).

Não há aqui a pretensão de criar um serviço de referência virtual altamente
especializado, e sim minimizar dificuldades de acesso às informações referentes à Biblioteca e
diminuir a sobrecarga no atendimento presencial.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Trata-se de uma investigação onde se pretende avaliar se a relação entre o serviço de
referência e os usuários pode ser aprimorada através do uso das redes sociais, em especial o
Facebook.
Será realizado um levantamento das seguintes questões, através de observação in loco
e questionários [aplicados tanto presencial quanto virtualmente] e direcionados aos usuários
reais e potenciais da Biblioteca:
•
Os recursos oferecidos pela universidade atendem a demanda do serviço de
referência da biblioteca?
•
O Facebook pode ser utilizado para suprir uma possível defasagem de recursos
no contato com o usuário?
•
Essa pode ser uma ferramenta utilizada para aumentar o contato entre o usuário
e a biblioteca?
•
O usuário tem interesse na utilização do Facebook como meio de comunicação
com a biblioteca?
•
É possível que esse recurso seja utilizado por outras bibliotecas do sistema da
Universidade?

3376

�4 RESULTADOS PARCIAIS
A página da Biblioteca no facebook foi criada em maio de 2012 e desde então tem
passado por diversas análises sobre o conteúdo publicado, o conteúdo mais curtido e os
conteúdos mais visualizados, bem como os horários de maior acesso. Pouco mais de 7% do
total atual de usuários da página já entrou em contato por mensagem para esclarecimento de
dúvidas, solicitação de serviços e contato em geral com a Biblioteca. A interação na página
varia entre 10% e 50% dependendo do horário e dos cursos para os quais as postagens são
direcionadas. Por ser uma Biblioteca multidisciplinar, atendendo a seis cursos de interesses
diversos (dois das áreas tecnológicas, três de humanas e uma de saúde), a relevância de
postagens para os usuários costuma ficar na proporção de 25% a 40% para cada usuário, se
somarmos as postagens especializadas aos gerais (de interesse comum: leitura, conteúdos
online, notícias da universidade etc.). Há uma interação maior dos usuários das áreas
tecnológicas do que das áreas de humanas. Cada curtida de usuário aumenta em 100% o
alcance inicial básico, com alguns usuários chegando a aumentar em 300% o alcance de uma
postagem.
Os longos períodos de greve desde a criação da página dificultaram a manutenção da
mesma e interação dos usuários, visto que são longos períodos com pouca ou nenhuma
postagem, aonde a interação muitas vezes foi inexistente.
Notamos que, em relação aos conteúdos mais visualizados e compartilhados, as
informações da Universidade e calendários despertam maior interesse. As informações
voltadas para as áreas de graduação ainda têm pouca visualização e um número insignificante
de “curtidas”, o que significa que ainda necessita ser adequada ao público. As fotos são
recordistas tanto em comentários quanto em curtidas.
Observando em um prazo maior de que maneira o Facebook pode estreitar as relações
com a instituição, principalmente entre o serviço de referência e seus usuários, pretendemos
propor formas de aproximação desse usuário com a biblioteca e seus serviços. O projeto
deverá ser continuado, analisando sistematicamente os serviços que poderão ser oferecidos
aos usuários através dessas ferramentas e investigando os interesses e necessidades dos
usuários.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
Através da análise dos dados que serão colhidos no questionário e da avaliação da
interação dos usuários pelo facebook, pretendemos mensurar as expectativas geradas com a
utilização desta rede, sua eficiência e eficácia em relação à comunicação entre o usuário e a

3377

�biblioteca, se seu uso promoveu melhoria nessa comunicação e quais os instrumentos
necessários ao aprimoramento contínuo do uso dessa ferramenta no âmbito da Biblioteca.

6 REFERÊNCIAS
ACCART, Jean-Philippe. Serviço de referência: do presencial ao virtual. Brasília (DF):
Briquet de Lemos, 2012.
BRASIL. Ministério da Educação. Decreto n. 6.096, de 24 de abril de 2007. Disponível em:
&lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Decreto/D6096.htm&gt;.

Acesso

em: 03 ago. 2014.
CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 2006.
CAVALCANTE, Caroline Pazini; SILVA, José Fernando Modesto da. O uso do facebook por
bibliotecas públicas localizadas na cidade de São Paulo. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE
BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO, 25., 2013, Florianópolis, SC, Anais do
CBBD, Florianópolis, SC, 2013. Disponível em: &lt; file:///E:/SNBU%202014/1285-1298-1PB.pdf&gt;. Acesso em: 03 ago. 2014.
CRUZ, Ruleandson do Carmo. Redes sociais virtuais: premissas teóricas ao estudo em ciência
da informação. TransInformação, Campinas, v. 22, n. 3, p. 255-272, set./dez. 2010.
GROGAN, Dennis. A prática do serviço de referência. Brasília (DF): Briquet de Lemos,
2001.
FACEBOOK.

Facebook

Brasil.

Página

oficial

[online],

2004.

Disponível

em:

&lt;https://www.facebook.com/FacebookBrasil/info&gt;. Acesso em: 03 ago. 2014.
PLACER, Xavier. Técnica do serviço de referência. Rio de Janeiro: Associação Brasileira
de Bibliotecários, 1968.
TOMAEL, Maria Inês. Redes de conhecimento. DataGramazero: Revista de Ciência da
Informação, v. 9, n. 2, abr. 2008. Disponível em: http://www.dgz.org.br/abr08/Art_04.htm
Acesso em: 10 mar. 2014

3378

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>Nascimento, Debora do, Frieire, Hebe de Deus, Costa, Joana Ceia, Araujo, Leticia Aparecida de</text>
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                <text>O "serviço de referência" tem o objetivo de auxiliar os usuários na recuperação da informação poupando-lhes tempo e agilizando seu acesso a elas. Esse processo pode ser mais eficaz através dos recursos tecnológicos como o Facebook, em evidência na sociedade atualmente. Este trabalho surgiu da necessidade de aproximação na relação Biblioteca/usuário e da possibilidade de oferecer uma alternativa de comunicação com o serviço de referência da Biblioteca. Partindo da observação de que a maioria dos usuários utiliza frequentemente as redes sociais, pretende-se avaliar se a relação entre o serviço de referência e os usuários pode ser aprimorada através delas. Serão propostas, a partir daí, formas de aproximação do usuário com a biblioteca universitária e seus serviços. Esta avaliação será contínua devido à intermitência deste tipo de recurso e das relações com seus usuários.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O
USO DAS REDES SOCIAIS COMO FERRAMENTA PARA O MARKETING
DIGITAL EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO: o caso do SISTEMOTECA da UFCG
Walqueline Silva Araújo
Márcio Bezerra Silva

RESUMO
Pesquisa em andamento que discorre acerca da utilização das redes sociais pelos
bibliotecários gestores (BG) do Sistema de Bibliotecas (SISTEMOTECA) da Universidade
Federal de Campina Grande (UFCG) como meio para a promoção do marketing digital em
bibliotecas. Apresenta o marketing digital (webmarketing) enquanto contribuidor no
gerenciamento de bibliotecas a partir de recursos oriundos da World Wide Web (WWW),
especialmente as redes sociais. Objetiva analisar o (possível) uso das redes sociais pelas
unidades que compõe o SISTEMOTECA da UFCG enquanto ferramentas tecnológicas para o
marketing de produtos e serviços. Apresenta, a partir das técnicas de pesquisa bibliográfica e
exploratória, além de um questionário semiestruturado como instrumento para obtenção dos
dados, que metade dos BG possui Mestrado, a maioria adota o marketing como filosofia de
gestão, elencam diversos motivos como barreiras para a adoção do marketing digital, bem
como reconhecem a importância e os benefícios da adoção do marketing digital em
bibliotecas. Conclui-se, até aqui, que a partir do crescente impacto que as ferramentas de
tecnologia da informação e comunicação (TIC) têm oferecido a sociedade moderna, o
SISTEMOTECA não deve ficar alheio aos recentes avanços da tecnologia, ou seja, fazer uso
dessas ferramentas para o enriquecimento das relações com seus usuários, que por sua vez
estão cada vez mais conectados via Internet.
Palavras-Chave: Marketing em Bibliotecas; Marketing Digital; Webmarketing; Redes
Sociais.
ABSTRACT
Investigation in course that talks about the use of social networks by managers librarians
(ML) of the Federal University of Campina Grande (FUCG) Library System
(SISTEMOTECA) as a means for the promotion of digital marketing in libraries. Presents the
digital marketing (webmarketing) while contributing in library management from resources
from the World Wide Web (WWW), especially social networks. Want analyze the (possible)
use of social networks by the units that compose the SISTEMOTECA FUCG while
technological tools for marketing products and services. Presents, from the techniques of
literature and exploratory research, plus a semi-structured questionnaire as an instrument for
data collection, half of ML have academic master, the majority adopts the marketing as
management philosophy, they list several reasons as barriers to adoption digital marketing,
well as they recognize the importance and benefits of the adoption of digital marketing in
libraries. We conclude thus far that from the growing impact that the tools of information
technology and communication (ICT) have offered modern society, the SISTEMOTECA

3366

�should not remain indifferent to recent advances in technology, i.e. make use of these tools for
enriching relationships with their users, which in turn are increasingly connected via the
Internet.
Keywords: Marketing in Librarie; Digital Marketing; Webmarketing; Social Networks.

1 INTRODUÇÃO
A Internet dos tempos atuais usa a World Wide Web (WWW) como plataforma, não
exigindo a obrigatoriedade da instalação de recursos de software nos computadores locais.
Como exemplos, mais especificamente canais de comunicação, enquanto enfoque do trabalho,
podemos citar os blogs, redes de relacionamento, álbum de imagens, editores colaborativos de
documentos entre outros. Esses recursos, denominados no linguajar da Web de aplicações
(app), teoricamente fornecem o suporte necessário às bibliotecas, já que permitem a
divulgação de produtos e serviços disponibilizados de forma interativa e objetiva.

Nesse

sentido destacam-se as redes de relacionamento, sendo canais que apresentam potencialidades
nas novas formas de comunicação entre as pessoas, onde as bibliotecas podem promover o
que denominamos de webmarketing ou marketing digital, definido por Reedy, Schullo e
Zimmerman (2001, p. 26) como “todas atividades online ou eletrônicas que facilitam a
produção e a comercialização de produtos ou serviços para satisfazer os desejos e as
necessidades do consumidor”. O marketing digital, realizado em redes sociais como o
Facebook

, proporciona um maior alcance, rapidez, dinamicidade e menor custo em relação

às formas tradicionais de marketing. Sendo assim, no presente artigo o contexto supracitado
cria uma linha tênue com a realidade do Sistema de Bibliotecas (SISTEMOTECA) da
Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), onde iniciaram-se discussões sobre o uso
das redes sociais digitais no sistema. Neste sentido, os problemas de pesquisa são: As
unidades que compõe a SISTEMOTECA da UFCG fazem uso das redes sociais digitais?
Quais os benefícios do uso das redes sociais digitais em um plano de marketing digital?
Pretende-se, de forma ampla, analisar o (possível) uso das redes sociais pelas unidades que
compõe a SISTEMOTECA da UFCG enquanto ferramentas tecnológicas para o marketing de
produtos e serviços, e de maneira específica discutir a aplicação do marketing digital em
unidades de informação e estudar os benefícios da adoção das redes sociais pelas bibliotecas
que compõe o SISTEMOTECA da UFCG.

383

Link: https://www.facebook.com/

3367

�2 REDES SOCIAIS E MARKETING EM BIBLIOTECAS (DO TRADICIONAL AO
DIGITAL)
Vivemos atualmente em um cenário social que apresenta diversas formas de
comunicação, ou seja, uma sociedade organizada em rede. A forte influência tecnológica vem
exercendo um papel primordial nesse cenário, causando mudanças significativas e
irreversíveis no modo como as pessoas se comunicam e interagem em rede. Nesse sentido,
uma rede social, especificamente na Internet, se constitui por meio das pessoas em interação,
socializando informações e se comunicando em ambientes virtuais, propiciando assim a
construção dessas redes, como nos definem Rodrigues e Tomaél (2008, p. 17) quando
defendem que “[...] o conhecimento dos canais de comunicação e do posicionamento de um
ator [...] pode contribuir para um melhor aproveitamento dos fluxos de informação [...], visto
serem as redes sociais caracterizadas por um conjunto de interações entre indivíduos [...]”.
Mattelart e Mattelart (2006, p. 160) complementam a discussão afirmando que “a rede
compõe-se de indivíduos conectados entre si por fluxos estruturados de comunicação”.
Direcionando a discussão às bibliotecas, estas precisar estar atentas à influência
tecnológica e aos recursos das redes sociais, fazendo uso de canais para a promoção do
marketing de seus produtos e serviços de informação, dentre os quais destacamos o Facebook,
o Twitter e diversos app com interface para tablet e smartphone.
Inevitavelmente, encarar tais ferramentas é associá-las às práticas diárias das
bibliotecas no processo de disseminação da informação. Nesta relação entre as redes sociais e
a prática do marketing bibliotecário cria-se uma interseção denominada Marketing Digital
(webmarketing) em Bibliotecas, atitude que vem se apresentando a fim de atender a uma nova
demanda e novo perfil de usuário, que tem mudado constantemente e a cada dia mais
exigente. Significa o conjunto de ações de marketing intermediadas por canais eletrônicos
como a Internet. O marketing digital vem se apresentando a fim de atender a novas demandas
e ao novo perfil do usuário, que tem mudado constantemente e que está a cada dia mais
exigente. Melgarejo (2007, p.1) afirma que a “utilização das tecnologias da informação e
comunicação impõe novas estratégias, dentre elas a do marketing digital, para que a biblioteca
possa expandir seu campo de atuação, ampliando a sua função de catalisadora e
disseminadora de produtos e serviços de informação”.
A implantação da filosofia de gestão voltada para o marketing digital tende a
contribuir enormemente no gerenciamento de bibliotecas, mostrando um novo segmento de
atividades utilizando o auxílio da Internet. Conhecer a Internet, seus recursos digitais e canais
de relacionamento constituem-se em uma forma eficaz de dinamizar as atividades da

3368

�biblioteca, atraindo e fidelizando os usuários que consideram essencial essa nova forma de se
comunicar.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A primeira etapa da pesquisa constituiu-se de um levantamento bibliográfico que
abrangeu a leitura, análise e interpretação de livros, periódicos, textos entre outros, sobre
marketing digital, bibliotecas e redes sociais. Na segunda etapa usamos a técnica de pesquisa
exploratória para compreender a opiniões dos sujeitos pesquisados em paralelo a literatura
levantada. Quanto à delimitação do campo de pesquisa, este foi representado pelo
SISTEMOTECA da UFCG. Os pesquisados foram os bibliotecários gestores (BG) que atuam
no próprio sistema, totalizando seis (6) sujeitos. Por fim, o instrumento de coleta de dados
adotado, a partir de uma abordagem quali-quantitativa, foi o questionário, sendo classificado
como semiestruturado, já que era formado de perguntas abertas e fechadas (de múltipla
escolha).

4 RESULTADOS PARCIAIS
A pesquisa buscou responder os problemas apresentados a partir do perfil dos BG, o
que pensam sobre o marketing digital e implementação em suas bibliotecas.

Tabela 1: Nível de formação acadêmica do BG
Nível5S¥
Mestrado
Especialização
Graduação
Total

Valor Absoluto
03

Valor Percentual (%)
50,0%

02
35,0%
01
15,0%
06
100,0%
Fonte: Dados da pesquisa, 2014.

Tabela 2: Cursou alguma disciplina sobre marketing durante seu percurso acadêmico
Cursou Disciplina Valor Absoluto
SIM
04
NÃO
Total

384

Valor Percentual (%)
70,0%

02
30,0%
06
100,0%
Fonte: Dados da pesquisa, 2014.

Os níveis Doutorado e Pós Doutorado obtiveram 00,0%.

3369

�Tabela 3: Adota do marketing como filosofia de gestão em sua Biblioteca
Adota o Marketing
SIM

Valor Absoluto
04

Valor Percentual (%)
70,0%

NÃO

02

30,0%

Total

06
100,0%
Fonte: Dados da pesquisa, 2014.

Houve unanimidade quanto à importância que a adoção do marketing pode
proporcionar se utilizado como filosofia de gestão, entre os seis (100%) pesquisados.
Questionados sobre os elementos considerados como barreiras para a adoção do
marketing na biblioteca, obtivemos dos BG1 que “as pessoas que não querem, em muitos
casos, ter o contato permanente com o usuário. Além de para isso, o trabalho que demanda é
enorme”. Para o BG2 seria “falta de conhecimento técnico, demandas sem foco em qualidade
na produtividade, adoção de medidas de gestão que não levam em conta o usuário da
biblioteca”. Já o BG3 citou “a falta de tempo e de ferramentas. Acho muito disperso fazer
parte de um sistema de bibliotecas onde não existe um portal institucional para dar mais
visibilidade às bibliotecas e suas atividades. O que temos são iniciativas isoladas que não
condizem com a realidade de um sistema de bibliotecas onde cada gestor utiliza um canal de
comunicação diferente com o seu público”. Por sua vez, o BG4 elencou a “falta de
planejamento, falta de metas, a instituição não visa o lucro”. O BG5 informou a “pouca
parceria entre o setor de tecnologia da informação e biblioteca”. Por fim, para 0 BG6 seria a
“falta de Infraestrutura adequada nos recursos computacionais; falta de capacitação,
sistemática dos servidores na utilização dos recursos computacionais e bibliotecários em
geral; [e] mais abertura para atualização do sitio da biblioteca na instituição”. Em suma, as
barreiras apresentadas pelos BG se resumiram à falta de tempo e de infraestrutura adequada.
Considerando a importância da utilização das Redes Sociais como Facebook, Twitter
etc. enquanto meios para a promoção do marketing digital, todos (100%) dos BG avaliaram
como importante, ferramentas que podem auxiliar na disseminação de informações.

3370

�Tabela 7: Indica a existência (ou não) e valor (estimado) do impacto que a filosofia de
marketing tem proporcionado para as bibliotecas que adotam
BG5S5 Valor Estimado
BG 4 10
BG 6 9
BG 1 8
BG 2 6
Fonte: Dados da pesquisa, 2014.

Considerando os resultados coletados verificamos que os BG do SISTEMOTECA da
UFCG, em sua maioria, adotam o marketing como filosofia de gestão, Mesmo elencando
diversos motivos considerados como barreiras, todos reconhecem a importância e os
benefícios que sua adoção pode proporcionar à biblioteca. Com base nisso, afirmamos que os
avanços nas tecnologias da informação e comunicação (TIC), especialmente nos aspectos de
acesso e disseminação da informação, estão apontando novos caminhos para o
estabelecimento de laços entre as bibliotecas e seus usuários, que por sua vez estão cada vez
mais conectados via Internet.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
O presente estudo objetivou avaliar a percepção que os BG do SISTEMOTECA da
UFCG têm quanto ao uso do marketing como filosofia de gestão. Buscou-se saber a visão que
os bibliotecários tinham quanto ao uso das Redes Sociais como ferramentas enquanto suporte
ao relacionamento (digital) entre a biblioteca e seus usuários, como também seu uso para o
acesso e disseminação de informações sobre seus produtos e serviços informacionais. Com o
crescente impacto que as ferramentas de TIC têm oferecido a sociedade moderna, o
SISTEMOTECA não pode e nem deve ficar alheio aos recentes avanços da tecnologia, ou
seja, fazer uso dessas ferramentas para o enriquecimento das relações com seus usuários, bem
como dar visibilidade aos seus produtos e serviços de informação.

6 REFERÊNCIAS
MATTELART, A.; MATTELART, M. História das teorias da comunicação. 9. ed São
Paulo: Loyola, 2006.

385

Os BG 3 e 5 responderam adotando a opção “Não adota o marketing”.

3371

�MELGAREJO, C. R. Marketing Digital em Bibliotecas. Mato Grosso do Sul: Universidade
Federal do Mato Grosso do Sul - UFMS, 2007. (Trabalho apresentado no Seminário
Internacional de Bibliotecas Digitais Brasil).
PINHO, José Benedito. Publicidade e Vendas na Internet: Técnicas e Estratégias. São
Paulo: Summus Editorial, 2000.
REEDY, J; SCHULLO, S. &amp; ZIMMERNAN, K. Marketing eletrônico. São Paulo:
Bookman 2001.
RODRIGUES, Jorge Luis; TOMAÉL, Maria Inês. As redes sociais e o uso da informação
entre os pesquisadores de alimentos funcionais da UEL. Revista Digital de Biblioteconomia
e Ciência da Informação, Campinas, v. 6, n. 1, p. 15-37, jul./dez. 2008.

3372

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          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>Pesquisa em andamento que discorre acerca da utilização das redes sociais pelos bibliotecários gestores (BG) do Sistema de Bibliotecas (SISTEMOTECA) da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) como meio para a promoção do marketing digital em bibliotecas. Apresenta o marketing digital (webmarketing) enquanto contribuidor no gerenciamento de bibliotecas a partir de recursos oriundos da World Wide Web (WWW), especialmente as redes sociais. Objetiva analisar o (possível) uso das redes sociais pelas unidades que compõe o SISTEMOTECA da UFCG enquanto ferramentas tecnológicas para o marketing de produtos e serviços. Apresenta, a partir das técnicas de pesquisa bibliográfica e exploratória, além de um questionário semiestruturado como instrumento para obtenção dos dados, que metade dos BG possui Mestrado, a maioria adota o marketing como filosofia de gestão, elencam diversos motivos como barreiras para a adoção do marketing digital, bem como reconhecem a importância e os benefícios da adoção do marketing digital em bibliotecas. Conclui-se, até aqui, que a partir do crescente impacto que as ferramentas de tecnologia da informação e comunicação (TIC) têm oferecido a sociedade moderna, o SISTEMOTECA não deve ficar alheio aos recentes avanços da tecnologia, ou seja, fazer uso dessas ferramentas para o enriquecimento das relações com seus usuários, que por sua vez estão cada vez mais conectados via Internet.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O UNIVERSO DA LEITURA E DO LEITOR E ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO
DO INSTITUTO FEDERAL DO RIO DE JANEIRO - IFRJ - CAMPUS NILÓPOLIS
Cintia Luciano de Paiva
Cássia Rosania Nogueira dos Santos
Josiane Borges Pacheco

RESUMO
Analisa a leitura e o leitor como objetos de estudo da teoria da leitura. Interpreta e tabula os
dados coletados por questionário acerca do usuário em questão. Aborda a importância da
atuação do profissional bibliotecário do Instituto Federal do Rio de Janeiro - IFRJ - Campus
Nilópolis como agente de formação do leitor.
Palavras- Chave: Leitura; Leitor; Bibliotecário; Biblioteca - IFRJ - Campus Nilópolis.

ABSTRACT
Analyzes the reading and the reader as objects of study of the reading theory. Interprets and
tabulates the data collected by questionnaire about the user in question. Discusses the
importance of the role of the librarian professional of IFRJ - Campus Nilópolis like reader
formation agent.
Keywords: Reading; Reader; Librarian; IFRJ - Campus Nilópolis Library.

1

INTRODUÇÃO
O presente trabalho faz uma abordagem sobre a leitura e o leitor como objeto principal

de estudo dos leitores da biblioteca do IFRJ - Campus Nilópolis e atuação dos seus
profissionais, além de explicar os perfis de leitores. Para dar conta deste estudo foi necessário
fazer um levantamento bibliográfico a respeito do tema principal “o universo da leitura e do
leitor e a atuação do profissional bibliotecário do IFRJ - Campus Nilópolis”. Foi adotada a
metodologia de pesquisa documental através de fontes primárias e secundárias. Com a
aplicação deste instrumento de coleta de dados e um questionário foram demonstrados a
necessidade da contribuição do bibliotecário para o universo da leitura e de seu leitor.

3360

�2

REVISÃO DE LITERATURA
Definir leitura é uma tarefa um tanto quanto exaustiva e ao mesmo tempo prazerosa.

Como leitura é um termo amplo, pode ter diversos significados. Define-se leitura como ato,
arte ou hábito de ler; aquilo que se lê; operação de percorrer, em um meio físico, sequências
de marcas codificadas que representam informações registradas, e reconvertê-las à forma
anterior (como imagens, sons, dados para processamento) (FERREIRA, 2008, p. 312).
Segundo Bamberger (1988), a leitura compreende várias fases de desenvolvimento e
acima de tudo, é um processo perceptivo de reconhecimento de símbolos, seguido de
transferência para conceitos intelectuais. “Essa tarefa mental se amplia num processo
reflexivo à proporção que as ideias se ligam em unidades de pensamento cada vez maiores. O
processo mental, no entanto, não consiste apenas nas ideias percebidas, mas também na sua
interpretação e avaliação. Para todas as finalidades práticas, tais processos não podem
separar-se um do outro; fundem-se no ato da leitura” (BAMBERGER, 1988, p. 23).

3

MATERIAIS E MÉTODOS
Foram distribuídos para 100 usuários, um questionário composto por 9 (nove)

questões acerca da escolaridade, frequência em leitura sobre os seus suportes de informação,
tempo de leitura, gosto pela leitura, a biblioteca como ambiente ideal para leitura e também a
satisfação das necessidades informacionais do usuário, reforçando assim, a biblioteca como
conhecedora de seu usuário para entender e suprir as suas demandas.
Os resultados da pesquisa são apresentados nas tabelas 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9
descritas a seguir.

Tabela 1 - Frequência na leitura
Artigos Científicos
Perfil dos Participantes
Ensino m édio
Graduação
Pós-graduação
Servidores
Revistas
Perfil dos Participantes
Ensino m édio
Graduação
Pós-graduação
Servidores
Jornais

Todos os dias
23%
18%
50%
50%
Todos os dias
15%
24%
44%
18%

U m a vez
sem ana
26%
25%
20%
23%

por

U m a vez
sem ana
47%
28%
44%
30%

por

Uma
mês
23%
27%
20%
24%

vez

Uma
mês
26%
26%
6%
2%

vez

por

N unca
28%
30%
10%
3%

por

N unca
12%
22%
6%
50%

3361

�Perfil dos Participantes

Todos os dias

Ensino m édio
Graduação
Pós-graduação
Servidores

49%
25%
50%
60%

Livros técnicos
Perfil dos Participantes

Todos os dias

Ensino m édio
Graduação
Pós-graduação
Servidores
Livros em geral
Perfil dos Participantes

13%
10%
10%
23%
Todos os dias

Ensino m édio
Graduação
Pós-graduação
Servidores

40%
50%
60%
17%

U m a vez
sem ana
25%
29%
23%
25%

por

U m a vez
sem ana
50%
30%
50%
21%

por

U m a vez
sem ana
25%
26%
8%
30%

por

Uma
mês
26%
10%
5%

vez

Uma
mês
27%
35%
25%
5%

vez

Uma
mês
35%
14%
25%
26%

vez

por

N unca
26%
20%
17%
10%

por

N unca
10%
25%
15%
51%

por

N unca
10%
7%
27%

Fonte: Pacheco; Paiva; Santos (2014)

Tabela 2 - Tipo de suporte em relação à preferência de leitura
Perfil dos Participantes
Ensino m édio
Graduação
Pós-graduação
Servidores

Im presso
90%
75%
77%
58%

D igital
10%
25%
23%
42%

Fonte: Pacheco; Paiva; Santos (2014)

Tabela 3 - Tempo reservado para leitura
Perfil dos Participantes
Ensino m édio
Graduação
Pós-graduação
Servidores

Suficiente
50%
40%
30%
55%

Insuficiente
50%
60%
70%
45%

Fonte: Pacheco; Paiva; Santos (2014)

Tabela 4 - Principais barreiras para a frequência na leitura
Perfil dos Participantes

Tem po

Ensino m édio
Graduação
Pós-graduação
Servidores

68%
80%
70%
95%

C ondições
financeiras
14%
5%
10%
-

D ificuldades
no
uso da biblioteca
18%
15%
5%
5%

Fonte: Pacheco; Paiva; Santos (2014)

3362

�Tabela 5 - Gosto pela leitura
Sim
75%
90%
100%
75%

Perfil dos Participantes
Ensino m édio
Graduação
Pós-graduação
Servidores

N ão
25%
10%
25%

Fonte: Pacheco; Paiva; Santos (2014)

Tabela 6 - Empréstimo de livro apenas por lazer
Perfil dos Participantes
Ensino m édio
Graduação
Pós-graduação
Servidores

Sim
45%
50%
55%
35%

N ão
45%
40%
30%
45%

N ão se recorda
10%
10%
5%
20%

N ão respondeu
10%
-

Fonte: Pacheco; Paiva; Santos (2014)

Tabela 7 - A biblioteca do IFRJ - Campus Nilópolis é ideal para leitura?
Perfil dos Participantes
Ensino m édio
Graduação
Pós-graduação
Servidores

Sim
60%
40%
75%
90%

N ão
40%
60%
15%
10%

N ão respondeu
10%
-

Fonte: Pacheco; Paiva; Santos (2014)

Tabela 8 - É possível encontrar a informação que deseja na biblioteca do campus?
Perfil dos Participantes

Sim

Não

Às vezes

Não respondeu

Ensino médio

25%

5%

70%

-

Graduação

30%

15%

55%

-

Pós-graduação

10%

-

55%

35%

Servidores

40%

5%

40%

15%

Fonte: Pacheco; Paiva; Santos (2014)

Tabela 9 - Satisfação das necessidades informacionais em relação ao acervo
Perfil
dos
Participantes
Ensino m édio
Graduação
Pós-graduação
Servidores

Ótim o

Bom

R egular

Ruim

D esconheço

N ão respondeu

5%
45%
20%

63%
30%
35%

27%
55%
20%
20%

5%
10%
5%

5%
20%

35%
-

Fonte: Pacheco; Paiva; Santos (2014)

3363

�Gráfico 1 - A biblioteca do IFRJ - Campus Nilópolis é ideal para leitura?

0,9
0,8
0,7
0,6

□ Sim

0,5

□ Não

0,4

□ Não respondeu

0,3
0,2
0,1
0

Ensino Médio

Graduação

Pós-graduação

Servidores

Fonte: Paiva (2014)

Gráfico 2 - Satisfação das necessidades informacionais em relação ao acervo

0,7
0,6
0,5

□ Ótimo
□ Bom

0,4

□ Regular

0,3

□ Ruim

0,2

□ Desconheço
□ Não respondeu

0,1
0

Ensino médio

Graduação

Pós-graduação

Servidores

Fonte: Paiva (2014)

4

RESULTADOS PARCIAIS/ INAIS
Para incentivar o uso da biblioteca para os alunos da graduação e da pós-graduação e

consequentemente aumentar o hábito da leitura, a biblioteca deve inovar na forma de oferecer

3364

�os seus produtos, pois muitos alunos não tomam conhecimento dos documentos que são
publicados dentro da sua área.
Face aos resultados obtidos pode-se perceber que ao se considerar a biblioteca como
local ideal para leitura (Gráfico 1), boa parte dos leitores a consideram e ainda se mostram
satisfeitos. Além disso, para os usuários (médio/técnico, graduação e pós-graduação) o acervo
que a biblioteca atualmente oferece pode ser considerado satisfatório. (Gráfico 2).

5

CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
A importância da leitura e de seu leitor para Biblioteca do Campus Nilópolis não se

limita apenas em um ato de diversão, ou seja, o seu sentido é amplo, a formação de cidadãos
críticos, sendo indispensável para o exercício da cidadania, na medida em que faz com que o
indivíduo seja capaz de compreender o significado das coisas.
Enfim, os resultados mostraram que todos procuram a biblioteca para uma leitura com
fins específicos. Sendo assim, a mesma deverá apresentar atividades para cada público,
especificando as suas características e o interesse do mesmo, através de um estudo de usuário.
Neste estudo será possível conhecer suas verdadeiras necessidades. Desta forma, a biblioteca
do campus criará políticas de incentivo à leitura, como por exemplo, feira anual do livro,
premiações para textos criados pelos alunos, sejam eles textos poéticos, crônicas, romances
ou contos, além de palestras com autores e editores de obras, e de revistas científicas.

6

REFERÊNCIAS

BAMBERGER, Richard. Como incentivar o hábito de leitura. 4. ed. São Paulo: Ática,
1988. 109 p.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Aurélio: o dicionário da língua portuguesa. 2. ed.
Curitiba: Ed. Positivo, 2008. 544 p.
MARTINS, Maria Helena. O que é leitura. 19. ed. São Paulo: Brasiliense, 2004. 93 p.

3365

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          <name>Dublin Core</name>
          <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>O universo da leitura e do leitor e atuação do bibliotecário do Instituto Federal do Rio de Janeiro- IFRJ- Campus Nilópolis</text>
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                <text>Paiva, Cintia Luciano de, Santos, Cássia Rosania Nogueira dos, Pacheco, Josiane Borges</text>
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                <text>Analisa a leitura e o leitor como objetos de estudo da teoria da leitura. Interpreta e tabula os dados coletados por questionário acerca do usuário em questão. Aborda a importância da atuação do profissional bibliotecário do Instituto Federal do Rio de Janeiro - IFRJ – Campus Nilópolis como agente de formação do leitor.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O TRATAMENTO DA INFORMAÇÃO EM PARTITURAS MUSICAIS: UM
ESTUDO DE CASO DA BIBLIOTECA JOAQUIM CARDOZO DO CENTRO DE
ARTES E COMUNICAÇÃO DA UFPE
Andréa Carla Melo Marinho
Alice Maria Dos Santos Costa
Maria Valéria Baltar De Abreu Vasconcelos
Francisco Arrais Nascimento
RESUMO
A partitura pode ser definida como uma "forma de música escrita ou impressa que abriga todo
um conjunto de elementos da notação musical, de maneira a representar visualmente a
coordenação musical, garantindo com maior ou menor precisão a sua execução". Assim
percebe-se a necessidade de um tratamento temático especifico que dê ao material a devida
representação e visibilidade para uma melhor recuperação da informação contida nos
documentos. O estudo tem por objetivo discutir o processo de reestruturação do acervo de
partituras da Biblioteca Joaquim Cardozo (BJC), no âmbito da representação descritiva e
temática dos documentos. Para tanto se fez uso de pesquisa exploratória sob a forma de
estudo de caso, apoiado em estudo bibliográfico sobre o tratamento da informação em
partituras musicais do acervo da BJC. Percebe-se a partir da literatura na área de ciência da
informação que apesar da evolução nos processos de organização da informação existem
ainda dificuldades que emergem no contexto do tratamento da informação em obras especiais,
tais como as partituras musicais.
Palavras-Chave: Organização da informação; Tratamento da informação; Recuperação da
informação; Partituras; Obra musical.
ABSTRACT
The score can be defined as a "form of music written or printed that houses a whole set of
elements of musical notation, in order to visually represent the musical coordination, ensuring
more or less precisely its implementation." Thus we see the need for a specific thematic
treatment that gives the material proper representation and visibility for better retrieval of
information contained in the documents. The study aims to discuss the process of
restructuring the collection of scores Library Joaquim Cardozo (BJC), under the descriptive
and thematic representation of the documents. For both made use of exploratory research in
the form of case study, supported by bibliographic study on the processing of information in
the sheet music collection of BJC. It is noticed from the literature in the field of information
science that despite the developments in the process of organizing information there are still
difficulties that arise in the context of information processing in special works, such as
musical scores.
Keywords: Information organization; Information treatment; Information retrieval; Sheet
music; Musical work.

3350

�1 INTRODUÇÃO
Os processos de organização da informação se desenvolvem à medida que os
documentos se apresentam em diferentes meios e suportes. Sendo assim, os instrumentos
utilizados para a descrição física e temática desses documentos exigem uma atualização para
atender essa demanda de tratamento da informação de acordo com as peculiaridades de cada
suporte e natureza da informação.
Nesse tocante ao adentrarmos o universo do tratamento de documentos especiais que
compõem os acervos de instituições de ensino e/ou especializadas, a exemplo das partituras
musicais, que apresentam características específicas no que se refere ao conteúdo e
apresentação dos elementos descritivos, emergem problemas em sua aplicação tanto com
relação a técnicas quanto a tecnologias. Segundo Carvalho e Cavalcanti (2011):
Alguns autores revisados afirmam a extrema subjetividade da indexação no trato
documental da partitura em virtude de sua natureza não bibliográfica e não textual,
cuja complexidade quando identifica características e estruturas musicais
pertinentes ao movimento estilístico da obra, suscitam discussões em torno da
conceituação e identificação exata das formas e estruturas musicais, inclusive entre
músicos e pesquisadores. Todavia, deve-se ter em mente que tais elementos são
termos consolidados pela Musicologia380, e, portanto, referem-se à maneira como a
comunidade musical lê e dialoga a sua informação.
Assim, os profissionais da informação que atuam em acervos musicais enfrentam
algumas dificuldades na organização desses documentos devido às suas especificidades, que
suscitam uma maior discussão a respeito dos elementos de análise e representação dessas
estruturas para fins de disponibilização das coleções.
Dessa forma, percebe-se a necessidade de um diálogo mais próximo com os usuários
dessa informação, no caso os músicos, para compreender melhor a estrutura desses
documentos e verificar de que maneira se dá o processo de busca e recuperação desses
documentos nos sistemas de informação.
No âmbito das instituições de ensino, esses usuários são os alunos e professores dos
cursos de música, que além das partituras, buscam os documentos textuais que fundamentam
a prática de sua atividade artística e acadêmica, bem como a produção do conhecimento.
Sendo assim, a Biblioteca Universitária tem como missão organizar, disseminar e gerenciar a
informação para fins de recuperação dos documentos pela comunidade acadêmica,
contribuindo com o ensino, a pesquisa e a extensão.

380 A musicología auxilia nesse contexto interdisciplinar ao apontar os aspectos da estética analítica da
composição musical e suas representações sociais.

3351

�No caso da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o Sistema Integrado de
Bibliotecas (SIB) é composto de treze Bibliotecas, sendo uma Biblioteca Central (BC), dez
Bibliotecas setoriais lotadas nos Centros Acadêmicos e duas Bibliotecas nos campi avançados
situados nas cidades de Vitória de Santo Antão e Caruaru.
A Biblioteca Joaquim Cardozo (BJC) faz parte do Centro de Artes e Comunicação
(CAC), composto pelos departamentos de Arquitetura e Urbanismo, Artes Visuais, Ciência da
Informação, Comunicação Social, Design, Expressão Gráfica, Letras, Música e Teoria da
Arte. Seu acervo é composto de livros, periódicos, material multimídia, obras raras e
partituras musicais, que se constitui como o objeto dessa pesquisa.
A BJC teve sua origem na Escola de Belas Artes (EBA), onde funcionavam os Cursos
de Arquitetura, Escultura e Pintura. (BARBOSA, 2014). A mesma foi regida pelo Decreto n°
19.852 de 11 de abril de 1931, o mesmo que regulamentou o funcionamento da Escola de
Belas Artes do Rio de Janeiro. Esse decreto foi alterado pelo de n° 22.897 de 6 de julho de
1933. Consta em Ata que a fundação e inauguração da EBA aconteceram em 29 de março e
20 de agosto de 1932 respectivamente e seu fundador e diretor interino por dois anos foi o
artista plástico e professor Vicente Murillo La Grega (CAMARA, 1984).
Em 1960 foi fundado o Curso de Bacharelado em Música da EBA da Universidade do
Recife, que funcionava em um prédio em frente à Escola. Em 1972 o Curso de Licenciatura
em Música da UFPE foi criado, começou a funcionar em 1973, autorizado através do Parecer
n° 2154/78, de 5 de julho de 1978 e reconhecido pelo Decreto n° 82.167, de 24 de agosto de
1978, publicado no Diário Oficial da União.
No ano de 1975 deu-se a fundação do CAC, resultante da junção da Escola de Belas
Artes de Pernambuco, da Faculdade de Arquitetura do Recife, do Departamento de Letras e
do Curso de Biblioteconomia. Durante os anos de 1976 a 1977 o Curso de Licenciatura em
Música passou a fazer parte do Curso de Licenciatura em Educação Artística, de acordo com
a Resolução n° 23/73, que pertencia ao Departamento de Teoria da Arte e os alunos poderiam
optar por fazer habilitação em música, mas em 1978 foi reaberto o Curso de Licenciatura em
Música vinculado ao Departamento de Música

.

O acervo do Curso de Música da EBA passou a fazer parte da UFPE e inicialmente foi
depositado na BC e posteriormente, na BJC, conhecida como Biblioteca do CAC e a coleção

381 As informações referentes à fundação do Curso de Música foram retiradas do Projeto Pedagógico do Curso de Licenciatura em Música, em dezembro de
2008.

3352

�de partituras foi incorporada ao acervo da biblioteca, onde passou a receber tratamento
técnico, bem como os cuidados de conservação e preservação de tais documentos.
Sendo assim, a pesquisa tem como objetivo geral discutir o processo de reestruturação
do acervo de partituras da Biblioteca Joaquim Cardozo, no âmbito da representação descritiva
e temática dos documentos e se desdobram como objetivos específicos:
•

Estabelecer elementos essenciais para a recuperação da informação;

•

Disponibilizar o acervo através da Rede Pergamum;

•

Possibilitar o empréstimo de partituras a comunidade acadêmica;

•

Manter a preservação da coleção de partituras da instituição.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Segundo Sadie (1997, p. 702) a partitura é definida como sendo uma "forma de música
escrita ou impressa que abriga todo um conjunto de elementos da notação musical, de maneira
a representar visualmente a coordenação musical, garantindo com maior ou menor precisão a
sua execução". A informação da tipologia pode ser redigida na capa ou folha de rosto sendo a
segunda a principal fonte de informação dos dados descritivos do documento.
Ainda segundo o autor, a depender do tipo de obra e escolha da forma de execução,
temos tradicionalmente cinco formatos de publicação:
•

Partitura regente;

•

Partitura miniatura;

•

Partitura aberta;

•

Redução para piano;

•

Partitura condensada.

A partir da identificação dessas peculiaridades percebe-se a necessidade de um
tratamento temático especifico que dê ao material a devida representação e visibilidade para
uma melhor recuperação da informação contida nas partituras.
Assim, segundo Guimarães (2008), partindo da concepção social, materializada e
cíclica do conhecimento, o foco recai sobre a busca pela compreensão, organização e
representação desse conhecimento para torná-lo disponível a um número maior de pessoas.
Nessa perspectiva, podemos entender que o conteúdo nas partituras musicais pode
caracterizar-se enquanto informação que precisa ser organizada para uma melhor recuperação.

3353

�3 MATERIAIS E MÉTODOS
O trabalho em questão trata-se de uma pesquisa exploratória sob a forma de estudo de
caso, apoiado em estudo bibliográfico sobre o tratamento da informação em partituras
musicais do acervo da BJC.
A coleção de partituras da BJC está localizada na sala da Coleção Especial da Unidade
de Informação, é constituído de 2434 títulos e 3480 exemplares, além de 88 títulos e 95
exemplares de songbooks

e o acesso é realizado no local. Faz parte desta coleção obras de

grandes compositores clássicos; dentre elas, obras completas de Mozart, Bach, Beethoven;
algumas raras como as de Villa-Lobos e Carlos Gomes.
O processo de aquisição é por meio de doações de professores e ex-alunos da
instituição e algumas partituras são adquiridas por compra através da Biblioteca Central. Uma
vez que são consideradas como documentos frágeis devido à quantidade reduzida de páginas e
do papel fino, que, com o manuseio constante, podem ser danificadas em pouco tempo, o seu
acondicionamento recebe uma atenção especial. Algumas são encadernadas, outras estão
encapadas com papel alcalino branco ou em capas de cartolina. As encadernadas estão
armazenadas em estantes e as encapadas em armários verticais.
Com o decorrer do tempo a coleção de partituras foi passando por várias mudanças em
seu processo de organização e armazenamento. No princípio as partituras não tinham nenhum
preparo técnico e eram armazenadas em caixas apropriadas para folhetos, o que ocasionou
danos a estrutura de tal acervo, como se pode observar na ilustração abaixo:
Figura 1: Acondicionamento do acervo de partituras da BJC na década de 1990

Fonte: Acervo dos autores
382 Livro impresso com tablaturas e/ou partituras instrumentais, de uma ou mais bandas, ou músicos. Na maioria
das vezes, porta um conteúdo oficial, que pode ter sido escrito pelo próprio compositor das músicas, ou até
revisto pelo mesmo.

3354

�Em um segundo momento deu-se início ao tratamento técnico da coleção sob a forma
de fichas impressas. Ressalta-se que nem todo acervo estava catalogado.
Na década de 1990 foi aplicada uma nova técnica de organizar a coleção de partituras
na BJC. As mesmas passaram a ser ordenadas por meio de um arranjo, compreendido da
seguinte forma:
1. Identificava-se a letra inicial do sobrenome do compositor;
2. Acrescia-se a sigla PP, referente a Partituras e Partes;
3. Em seguida era acrescido um número de ordem de aquisição do item pela
biblioteca. Tal número era composto por cinco algarismos para dar margem ao
registro.
Exemplo: B/PP0001 - B/PP0002, a primeira partitura era de Bach e a segunda de
Beethoven e assim sucessivamente. Foi identificado que tal arranjo não era consistente para a
recuperação dos documentos, tanto na pesquisa como na localização das partituras, pois
apresentava uma inconsistência na distinção de alguns documentos gerando falha de registro.
Na última década compreendeu-se que tal organização dessa coleção era ineficiente,
uma vez que apresentava o problema citado anteriormente e com isso deu-se lastro a uma
abertura dialógica entre os profissionais da unidade de informação com relação a uma
proposta de reorganização do acervo.
Tal abertura contribuiu para a inserção de profissionais da área de música no processo
de organização de tal acervo de partituras. A partir do “Projeto Acervo Musical” do
Departamento de Música da UFPE em parceria com os profissionais da informação da BJC
foi elaborado um aperfeiçoamento do preparo técnico desse material.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
O Projeto Acervo Musical teve início no ano de 2012 e conta com uma equipe
multidisciplinar composta por uma professora do Departamento de Música que coordena o
projeto dando suporte informacional em relação às características desse tipo de material, por
dois alunos do Curso de Música que são responsáveis pela identificação dos elementos
constitutivos da partitura e preenchimento das planilhas de metadados e uma bibliotecária,
responsável pela revisão das planilhas e classificação, catalogação e indexação dos
documentos no sistema de automação da instituição.
A reestruturação da coleção de partituras compreende duas etapas:
1. Higienização e acondicionamento da coleção;
2. Tratamento técnico da coleção (classificação, catalogação e indexação).

3355

�Na primeira etapa os documentos foram submetidos ao processo de varredura (limpeza
mecânica com trincha macia), triagem dos volumes que necessitaram de intervenções
posteriores, segundo normas e padrões recomendados, e usando material adequado e de boa
qualidade. A forma de arquivamento existente era em pastas de polietileno, o que não era
adequado, pois danificava as partituras com o tempo. O acondicionamento atual é feito em
capas com papel alta alvura na gramatura adequada.
Na segunda etapa foi definida a utilização do Sistema de Classificação Decimal de
Dewey (CDD) para a localização dos documentos no acervo. Como já foi citado, não havia
um critério de classificação das partituras por assunto e sim por ordem de chegada. A partir
da análise dos profissionais de música juntamente com os profissionais da informação se pode
identificar por meio da simbologia musical (notas) presente na partitura a finalidade
instrumental para que a mesma se destina, ou seja, para qual instrumento se destina. Dessa
forma é determinado o número de classificação do documento conforme a tabela abaixo:

Figura 2: Tabela de classificações atribuídas às partituras.
CÓDIGO
ASSUNTO
780
Música
782
Música vocal
782.1
Ópera
782.5
Vozes mistas
782.6
Vozes femininas
782.7
Vozes infantis
782.8
Vozes masculinas
783
Música para solista
784
Música para orquestra
784.2
Orquestras sinfônicas
¡784.9
Banda de Música (Charanga)
786
Teclado e percussão
786.2
Pianos e clavicórdio
786.4
Cravos
786.5
Órgão
786.7
Instrumento eletrônico
786.8
Percussão
787
Instrumentos de corda
787.2
Violinos
787.3
Viola
787.4
Violoncelo
787.5
Contrabaixo
787.9
Harpas
788
Instrumento de sopro
¡788.3
Flauta
788.7
Saxofones
Fonte: elaborado pelos autores.

3356

�A catalogação on-line do acervo segue o Código de Catalogação Anglo-Americano
(AACR2) e é feita por meio da inserção dos metadados no Sistema Pergamum/PUC Paraná, o
qual o Sistema de Bibliotecas da UFPE faz parte.
A Catalogação de partituras na BJC é feita de acordo com os campos do formato
MARC 21 adotado pelo Sistema, tendo como base as catalogações já existentes na Rede
Pergamum, além de consultar o catálogo de partituras da Biblioteca Nacional (BN) e o
catálogo da Library of Congress (LC). Os metadados utilizados são:
&gt;
&gt;
&gt;
&gt;
&gt;
&gt;
&gt;
&gt;
&gt;
&gt;
&gt;
&gt;

Nome do compositor
Título principal
Sub-título (se houver)
Indicação de responsabilidade
Edição
Imprenta (local: editora, ano)
Descrição física
Série
Notas
Conteúdo
Assuntos
Entradas secundárias (nome do autor, organizador, compilador, arranjador e títulos
secundários).
De acordo com Perota (1997) após o título principal acrescenta-se a designação geral

do material “música” entre colchetes e no campo de descrição física registra o número de
unidades físicas do item e a designação específica do material e o número de páginas entre
parênteses mais o número de partes (se houver).
Antes de alimentar o sistema com os dados acima citados são registrados em uma
planilha elaborada pela equipe do Projeto Acervo Musical da BJC, tal planilha serve como
instrumento de descrição e controle dos registros, bem como as definições e peculiaridades
dos dados desse tipo de material com o auxílio dos profissionais de música que compõem a
equipe do projeto, conforme a figura a seguir:

3357

�Figura 3: Planilha de metadados para inserção no sistema

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CENTRO DE ARTES E COMUNICAÇÃO
BIBLIOTECA JOAQUIM CARDOSO/DEPARTAMENTO DE MÚSICA
Autor (compositor)
N
Título
Subtítulo
Cidade
Editora

.

Ano
N° de Páginas
N° de Chapa ou
N° de Editor

Nota Geral

Nota de Conteúdo (título da
música e seu código, Ex:
Kassation in G, KV 63).

Assunto
Obs: incluir o período
Instrumento
Gênero musical
Tonalidade musical
N° de Chamada
N° de Acervo
PROJETO O ACERVO MUSICAL DA BJC: UM ESTUDO INTRODUTORIO

Fonte: Projeto Acervo Musical vinculado ao Departaento de Música da Universidade
Federal de Pernambuco - UFPE
Após todo o processo de tratamento temático e descritivo da informação, são geradas
pelo Sistema Pergamum as seguintes etiquetas: composta com lombada, código de barra
composto e etiqueta de aquisição.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Percebe-se a partir da literatura na área de Ciência da Informação que apesar da
evolução nos processos de Organização da Informação existem ainda dificuldades que
emergem no contexto do tratamento da informação em obras especiais, tais como as partituras
musicais.
Assim o trabalho em questão contribui para a discussão no âmbito da organização de
acervos musicais no país, uma vez que não há uma padronização nos procedimentos com
relação ao tratamento da informação musical. Ressalta-se que o acervo analisado ao receber
um tratamento adequado se tornou mais organizado, facilitando a localização das partituras, o
que se reflete em uma melhor recuperação da informação pela comunidade acadêmica da
instituição, bem como contribui para a comunicação e visualização dessa informação a

3358

�potenciais usuários fora da instituição, uma vez que o acervo é disponibilizado por meio da
Rede Pergamum, sistema automatizado de bibliotecas disponível on-line.

6 REFERÊNCIAS
BARBOSA, Virginia. Escola de Belas Artes de Pernambuco. Recife, 2009. Disponível em:
&lt; http://basilio.fndai.gov.br/pesquisaescolar&gt;. Acesso em: 24 abr. 2014.
BRASIL. Lei n. 8.159, de 8 de janeiro de 1991. Diário Oficial [da] República Federativa
do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 9 jan. 1991. Seção 1, p. 455-456.
CÂMARA, Aurora Christina Dornellas (Coord.). A Escola de Belas Artes de Pernambuco:
contribuição para a cultura pernambucana. Recife: UFPE, 1984. 43 p.
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CÓDIGO de catalogação anglo-americano. 2.ed. rev. 2002.

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2004.COTTA, André Henrique Guerra. Música. In: CAMPELLO, Bernadete Santos (Org.).
Formas e expressões do conhecimento: introdução às fontes de informação. Belo Horizonte:
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________. O tratamento da informação em acervos de manuscritos musicais brasileiros.
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DEWEY, Melvil. Dewey decimal classification and relative índex. 22.ed. Dublin, Ohio:
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GUIMARÃES, José Augusto Chaves. A dimensão teórica do tratamento temático da
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KnowledgeOrganization (ISKO). Revista Ibero-americana de Ciência da Informação
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PEROTA, Maria Luiza Loures Rocha (Org.). Multimeios: seleção, aquisição, processamento,
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RIBEIRO, Antonia Motta de Castro Memória. AACR2: Anglo-American cataloguing rules:
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SADIE, Stanley. Dicionário Grove de música: edição concisa. Rio de Janeiro: Zahar, 1994.
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arquivo da Orquestra Sinfônica da Paraíba - OSPB. Biblionline, João Pessoa, v.5, n.1/2,
2009.

3359

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>A partitura pode ser definida como uma "forma de música escrita ou impressa que abriga todo um conjunto de elementos da notação musical, de maneira a representar visualmente a coordenação musical, garantindo com maior ou menor precisão a sua execução". Assim percebe-se a necessidade de um tratamento temático especifico que dê ao material a devida representação e visibilidade para uma melhor recuperação da informação contida nos documentos. O estudo tem por objetivo discutir o processo de reestruturação do acervo de partituras da Biblioteca Joaquim Cardozo (BJC), no âmbito da representação descritiva e temática dos documentos. Para tanto se fez uso de pesquisa exploratória sob a forma de estudo de caso, apoiado em estudo bibliográfico sobre o tratamento da informação em partituras musicais do acervo da BJC. Percebe-se a partir da literatura na área de ciência da informação que apesar da evolução nos processos de organização da informação existem ainda dificuldades que emergem no contexto do tratamento da informação em obras especiais, tais como as partituras musicais.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SN0BU 2014

O
SERVIÇO DE REFERÊNCIA E A EDUCAÇÃO DE USUÁRIOS FRENTE ÀS
NOVAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇAO E DA COMUNICAÇÃO: um estudo na
Biblioteca Central da UFMA
Tatiana Cotrim Serra Freire
Kelia Rachel Alves da Silva
Maria Stela Martins Veloso
RESUMO
Analisa a forma como o serviço de referência da Biblioteca Central da Universidade Federal
do Maranhão (UFMA) desenvolve as atividades de educação de usuários tendo em vista a
implementação das novas Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs). Trata-se de
uma pesquisa de cunho qualitativo que utilizou como instrumento de coleta de dados
entrevistas semiestruturadas com os bibliotecários do Setor de Referência. Os resultados
revelaram que o referido setor desenvolve atividades de educação de usuários somente com os
alunos recém-chegados na universidade. Constata que a falta de interesse dos usuários é um
dos principais fatores que contribui para a não efetividade das ações planejadas e conclui que
há necessidade de conquistar o usuário estabelecendo um canal de comunicação eficaz deste
com o Setor de Referência.
Palavras-chave: Educação de usuários; Serviço de referência; Biblioteca universitária;
Tecnologias da informação e da comunicação; Sistemas de informação.

ABSTRACT
Examines how the reference service of central library of Universidade Federal do Maranhão
develops activities of user education with a view to implementation of new Information
Technologies and Communication (TICs). It is a qualitative study that used as instrument to
data collection semi structured interviews with librarians of reference sector. The results
revealed that the sector develops educational activities only with the news students of the
university. Notes that the lack of interest of the users is a factor that contributes to the planned
actions do not become effective and concludes that is necessary to conquer the user
establishing a channel of effective communication with the sector this reference.
Keywords: User education; Reference service; University library; Information technologies
and communication; Information systems.

3335

�1 INTRODUÇÃO
O advento das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) ocasionou mudanças
significativas nos hábitos de uso da informação nas bibliotecas universitárias, impulsionandoas a buscarem processos de modernização de suas estruturas, assim como maior otimização na
prestação de serviços à comunidade usuária.
Diante disso, a educação de usuários tem se tornado imprescindível à medida em que
viabiliza a comunicação e a interação entre bibliotecário e usuário. Por isso, não basta apenas
ter acesso as TICs, sobretudo, é preciso saber utilizá-las eficazmente.
Neste contexto, a Biblioteca Central da Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
vem disponibilizando, cada vez mais, produtos e serviços por meio da implementação das
TICs. Por esse motivo, esta pesquisa pretende identificar a forma como a Biblioteca Central
vem desenvolvendo atividades voltadas para a educação de usuários no que diz respeito à
integração usuário/TICs/bibliotecário, visando estabelecer um canal de comunicação que
permita oferecer um serviço mais ágil de busca e uso da informação.

2 REVISÃO DE LITERATURA

As Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) causaram importantes
mudanças para as bibliotecas, especialmente as universitárias, pois à medida que foram se
expandindo, novos recursos informacionais foram sendo criados e incorporados às
bibliotecas, trazendo inovações em seus suportes informacionais e em suas estruturas,
“passando do pergaminho ao CD-ROM, das fichas perfuradas ao catálogo online, das estantes
em madeira às bases e bancos de dados.” (RIBEIRO, 2011, p. 1).
O aumento exponencial da informação científica, fato também relacionado com o
desenvolvimento das TICs, provocou um grande acúmulo de novos conhecimentos, fazendo
com que as bibliotecas adotassem diferentes suportes informacionais para armazenamento,
tratamento e disseminação da informação. Esta nova conduta da biblioteca rompeu com um
dos maiores paradigmas existentes nessas instituições: a posse da informação, que antes era
resguardada e restrita a poucos leitores, começa a ceder espaço para movimentos cuja
finalidade é promover o acesso daqueles (CUNHA, 2000; SOUTO, 2004).
No Brasil, as primeiras experiências relacionadas à educação de usuários iniciaram-se
em 1955 com a bibliotecária Terezine Arantes Ferraz, a qual instaurou os primeiros cursos de
orientação de usuários para a pesquisa bibliográfica em bibliotecas universitárias (OTA,
1990). Ao longo do tempo e de acordo com a finalidade, a educação de usuários passou a

3336

�receber outras denominações, tais como orientação, treinamento, formação, ensino,
aprendizagem (MENDES; PEREIRA, 2008; OTA, 1990).
A educação de usuários pode ser entendida como um processo onde o usuário adquire
comportamentos adequados em relação à utilização da biblioteca e desenvolve habilidades
necessárias para a interação permanente com os sistemas informatizados (BELLUZZO,
1989).
Os programas destinados à educação de usuários podem ser classificados em formais e
informais: os formais podem ser treinamentos, capacitações etc. e os informais ou não
institucionais, que surgiram com a evolução das tecnologias e a grande demanda pela
informação, são desenvolvidos online por meio da educação à distância (DIAS; PIRES, 2004;
MELLO et al., 1999).
Para Oliveira e Bertholino (2000), a educação de usuários é importante porque tem
uma relação direta com o uso eficaz que estes usuários podem fazer da biblioteca, evitando
assim a subutilização das mesmas e dos centros de informação.
Na opinião de Garcêz e Rados (2002), a gestão e o planejamento bibliotecário voltado
para a educação de usuários tornam-se ainda mais importante pelo fato das formas
tradicionais de aquisição de informação estarem sendo substituídas pelos formatos online,
pelos downloads e pelas pesquisas científicas desenvolvidas nas bibliotecas universitárias,
sendo que as pesquisas realizadas por meio das ferramentas de busca da internet precisam
avançar para a utilização dos portais e bases de dados referenciais de periódicos.
No entanto, enfatiza-se aqui que a educação de usuários para o uso da informação
mediada pelas TICs não deve se preocupar apenas com o saber-fazer e com o tecnicismo, mas
também em promover o uso eficaz da informação online e dos sistemas de informação
adotados pelas bibliotecas. Para Cunha et al. (2005), a capacitação dos usuários para o uso das
TICs é o primeiro passo para que se possibilite a inserção destes na cultura digital.
A dificuldade em localizar a informação mediada por essas novas tecnologias pode
revelar uma falta de habilidade em lidar com as ferramentas, fato que pode ser observado no
dia a dia do usuário na biblioteca: grande volume de informações recuperadas, demora na
localização do material identificado na busca, informações não relevantes ou que não
correspondem ao que este usuário procura, entre outros.
Nesse contexto, Souto (2004) comenta a necessidade de desenvolver projetos de
educação de usuários, pelo fato de uma grande quantidade de informação encontrar-se
disponível em meio eletrônico, dificultando o acesso daqueles que não possuem o domínio
das formas, das técnicas e métodos de acesso. Este pensamento também é compartilhado por

3337

�Bax (1997), que afirma que a grande quantidade de coleções de dados interligados por redes
de computadores está longe de implicar em acessibilidade natural e sem esforço por parte dos
usuários.
Cunha (2000) destaca que, mesmo com os mecanismos de busca disponíveis na
internet, muitos usuários ainda necessitam do apoio do bibliotecário para otimizarem suas
navegações. Há também uma quantidade crescente de clientes que desejam aprender a ir
direto às fontes de informação.
O mesmo acontece com os sistemas de informação adotados pelas bibliotecas. Como
afirma Bax (1997), desde a década de 1980, com o advento da microinformática, as interfaces
dos sistemas informacionais têm conseguido obter sucesso quanto ao provimento de
facilidades para a manipulação de objetos, mas o crescente aumento, tanto da complexidade
como de dados disponíveis nos sistemas, acabou tornando essa manipulação direta
insuficiente.
No entanto, alguns autores têm demonstrado que as bibliotecas universitárias estão se
preocupando mais com a funcionalidade do sistema adotado ou com a sua infraestrutura do
que com a chegada da informação até o usuário. Figueiredo (1987) e Mello et al. (1999)
afirmam que, atualmente as bibliotecas escolhem os seus sistemas de informação baseando-se
na lei do menor esforço, isto é, os sistemas são escolhidos muito mais em função de seu
acesso físico ou da facilidade no uso, do que por conter a informação que será útil ao usuário.
Esta lei também é aplicada aos usuários quando buscam a informação, pois “muitas vezes o
usuário só reconhece uma necessidade de informação quando os meios de satisfazê-la estão
acessíveis”. (ALMEIDA; AITA, 2009, p. 236).
Para Garcêz e Rados (2002, p. 46):
Os gerenciadores de informações estão muito preocupados em conceituar
bibliotecas, nomeando-as das mais variadas formas, de acordo com suas
características. Porém, o que os usuários realmente querem é que suas
expectativas sejam atendidas, não lhes importando [...] se a biblioteca é
virtual, eletrônica, digital, convencional e assim por diante. E, se estas
mídias não estiverem integradas, sempre existirão falhas na prestação dos
serviços, e o atendimento às expectativas dos usuários não terá a qualidade
esperada.

Quanto aos sistemas de informação das bibliotecas, Figueiredo (1987, p. 76) destaca
que, em muitas bibliotecas, “após o estabelecimento do serviço de informação, pouco esforço
é desprendido para promovê-lo e para atrair os usuários, e para avaliar a eficiência no uso dos
serviços/produtos que estão sendo oferecidos.”

3338

�A educação de usuários apresenta-se, portanto, como o meio encontrado pelas
bibliotecas para suprir a lacuna que separa a informação do usuário. Educá-lo para o uso
eficaz da informação mediada pelas novas tecnologias significa prepará-los para serem
capazes de desenvolverem aptidões necessárias para localizar e recuperar a informação de que
realmente necessitam, diminuindo o tempo entre a busca e a localização de tal informação.
Entende-se, portanto, que a educação de usuários tem como objetivo principal
maximizar o uso da informação pelo usuário, pois o ciclo informacional só tem suas
eficiência e eficácia garantidas quando este usuário apresenta aptidão em recuperar a
informação de que realmente necessita.
Daí a importância da biblioteca universitária voltar sua gestão para a educação do
usuário, de modo que o ciclo da busca, recuperação e uso da informação realmente alcance o
resultado esperado.
A melhoria da qualidade dos serviços disponibilizados para os usuários de uma
biblioteca universitária é esperada com a implementação de novas tecnologias, as quais, além
de possibilitarem o aumento da produtividade, facilita a armazenagem, a recuperação e a
disseminação da informação, bem como a colaboração entre bibliotecas de qualquer lugar do
mundo.
Ao longo dos anos, as atividades das bibliotecas vêm evoluindo juntamente com o
avanço das tecnologias. Cunha (2000, p. 75) comenta sobre esses avanços:
A passagem dos manuscritos para a utilização de textos impressos, o acesso
a base de dados bibliográficos armazenados nos grandes bancos de dados, o
uso do CDROM e o advento da biblioteca digital, no final dos anos 90,
altamente dependente das diversas tecnologias de informação, demonstram
que, nos últimos 150 anos, as bibliotecas sempre acompanharam e venceram
os novos paradigmas tecnológicos.

As tecnologias provocaram alterações em todos os setores das bibliotecas e no
desenvolvimento das técnicas praticadas na instituição. O setor de referência é um dos que
mais tem sofrido mudanças ao longo dos tempos, tanto pela implementação de novos serviços
como pela reformulação dos que já existem. Diante desse panorama, cabe ao serviço de
referência expandir suas fronteiras para além do balcão de atendimento e da coleção de
referência. Por isso, o compartilhamento de recursos deve ser a nova tônica de tal serviço na
biblioteca.
A inclusão das novas tecnologias na área de referência das bibliotecas expande o
universo de busca à medida que potencializa o atendimento das necessidades informacionais
da clientela e provoca uma significativa mudança no perfil de seus usuários. Com uma

3339

�comunidade usuária mais atuante, mais preparada e, consequentemente, mais exigente, muda
a fisionomia do serviço de referência.
Atualmente, cada vez mais as buscas informatizadas fazem parte do cenário do serviço
de referência, alterando substancialmente a imagem que o usuário tem da biblioteca. São
inúmeros os buscadores ou motores de busca (search engines) nacionais e internacionais
disponíveis na internet (Yahoo, Google Acadêmico, Hotbot, Inktomi, Infoseek,, Bookmark’s,
Excite, Metaminer, Radaruol, Ask, Prossiga etc.), bem como inúmeras são as bibliotecas
virtuais nas mais diversas áreas e com os mais diversos serviços, dentre eles os repositórios
institucionais, os portais de periódico eletrônico, os e-books, o correio eletrônico, a
transferências de arquivos, as listas de discussão etc., todos sempre com ênfase na World
Wide Web (WWWou simplesmente Web), uma verdadeira cadeia de informações.
Diante dessa proporção, é preciso saber garimpar a informação, pois, segundo Souza
(1997, p. 101), “[...] não existe ferramenta perfeita. É nesta perspectiva que se insere o papel
do profissional da informação cuja competência técnica poderá superar as deficiências que o
uso inadequado de ferramentas digitais pode representar ao resultado da busca de informações
na internet.”
Entretanto, entende-se que a internet não é uma estrutura perfeita, acabada, visto que
os processos de busca apresentam ainda muitas falhas, tais como: oferta excessiva de dados,
informações equivocadas, falta de informação, carência de precisão etc.
Nesse sentido, Cunha (1999, p. 83), acrescenta que, “devido à precariedade dos
mecanismos ou ferramentas de busca utilizadas para recuperar informações relevantes, ainda
há muita coisa que o intermediário da informação precisa fazer.”

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Para analisar a forma como o serviço de referência da Biblioteca Central da UFMA
desenvolve as atividades de educação de usuários tendo em vista a implementação das novas
Tecnologias da Informação e da Comunicação, optou-se por uma pesquisa descritiva de
cunho qualitativo, onde foi utilizado como instrumento de coleta de dados um questionário
com perguntas abertas e fechadas, aplicado a 06 (seis) bibliotecários do Setor de Referência.
Foram escolhidos os profissionais responsáveis pelo setor pelo fato de que, segundo
Rostirolla (2006, p. 30), “o setor de referência de uma biblioteca universitária é o local onde o
usuário busca orientações e auxílio dos bibliotecários para satisfação de suas necessidades de
informação.”

3340

�4 RESULTADOS FINAIS
Para melhor alcance dos objetivos da pesquisa, optou-se, primeiramente, por
caracterizar o público potencial da Biblioteca Central e os profissionais que realizam o
atendimento no Setor de Referência.

4.1 Caracterização do público e dos profissionais
Após análise dos dados coletados, evidenciou-se que a grande maioria dos usuários da
biblioteca é dos cursos de graduação.
No tocante às pessoas que trabalham na Biblioteca, identificou-se que as atividades do
serviço de referência são desenvolvidas por 04 (quatro) bibliotecários especialistas, 02 (dois)
bibliotecários com mestrado, 01 (um) técnico administrativo de nível médio e 28 (vinte e oito)
bolsistas. Entretanto, destaca-se que o bibliotecário é o profissional capacitado para o
atendimento no referido setor por ter, de acordo com Terra (2001, p. 71), "conhecimento,
competências e habilidades necessárias para informar sobre o uso da biblioteca, sobre os
produtos bibliotecários disponíveis, sobre a coleção de referência e sobre a própria
biblioteca."

4.2 Desenvolvimento de programas que habilitem os usuários para utilizarem os serviços
e recursos disponibilizados pela Biblioteca
Perguntados sobre se a Biblioteca Central desenvolve algum programa ou atividade
que capacite os usuários para utilização dos produtos, serviços e recursos informacionais,
90% dos entrevistados responderam que sim. Entretanto percebeu-se que estas se restringiam,
na maioria das vezes, a visitas orientadas e palestras.

4.3 Aspectos a serem priorizados nos programas de educação de usuários
Perguntou-se para os sujeitos se eles consideravam necessária a educação de usuários
e que aspectos deveriam ser priorizados nos treinamentos. Todos os entrevistados
responderam positivamente à primeira questão justificando que apenas uma minoria dos
usuários da Biblioteca consegue ser independente na utilização dos recursos tecnológicos,
enquanto a grande maioria não consegue satisfazer suas necessidades informacionais,
solicitando quase sempre o auxílio do funcionário que se encontra no balcão de referência.
Os sujeitos consideram que, nos treinamentos, devem ser priorizadas orientações para
a utilização eficaz das ferramentas tecnológicas disponibilizadas e orientações para busca do

3341

�material bibliográfico no acervo, tendo em vista que a biblioteca recebe usuários com perfis
diferenciados, conforme enumerados por Carvalho (2008, p. 89):
a) os experientes: usuários de bibliotecas que, pelo hábito de utilizar seus serviços
frequentemente, encontram exatamente o que procuram, ou quando precisam de ajuda,
conseguem formular perguntas com clareza;
b) os com objetivos definidos, mas com dificuldades de expressão: são os grupos de
usuários que sabem o que querem, mas não conseguem expressar adequadamente suas
palavras;
c) os inexperientes: grupos de usuários que não têm certeza - clareza, quanto ao que
precisam.
De acordo com esse pensamento, Garcêz e Rados (2002, p. 47) complementam:
As bibliotecas acadêmicas, para competir no mercado, devem flexibilizar suas
operações de serviços e, com isto, ampliar sua faixa de mercado, ou seja, elas
devem possuir operações diferenciadas para cada tipo de usuário (eficácia),
uma vez que estes possuem necessidades e expectativas individualizadas.

Assim, compreende-se que são necessárias algumas habilidades para que os usuários,
independentemente da categoria, consigam recuperar a informação em qualquer formato, de
forma rápida, precisa e eficaz.
Corroborando com esse pensamento, Bertholino (1999), afirma que os usuários
precisam conhecer as estratégias de busca para obter resultados relevantes. E é nesse contexto
que se insere o bibliotecário de referência, que é o profissional capacitado para orientar e
treinar sua comunidade acadêmica de forma simples e objetiva a utilizar os recursos
disponíveis.

4.4 Existência de programas de educação de usuários
Com esta pergunta, procurou-se investigar a existência de programas de educação de
usuários na biblioteca, porque, segundo Rostirolla (2006), a educação de usuários é valiosa
para ensinar uma comunidade de usuários a ser mais produtiva, reflexiva e capaz de explorar
mais eficientemente a informação.
Apenas dois dos entrevistados consideram que a biblioteca não realiza educação de
usuários, contrapondo-se aos demais, que afirmam que apesar da pouca expressividade, as
atividades de educação de usuários estão presentes no dia a dia da biblioteca.

3342

�Em se tratando da existência de um programa específico de educação de usuários,
identificamos, por meio das entrevistas, que os bibliotecários realizam formalmente algumas
atividades de educação de usuários (visitas orientadas e palestras) e, outras vezes, de maneira
informal, de acordo com as necessidades apresentadas no momento do atendimento.
Portanto, em linhas gerais, as conversas com os sujeitos da pesquisa deixaram claro o
reconhecimento da importância dos programas de educação de usuários, o que nos leva a
inferir que os profissionais entrevistados têm conhecimento dos benefícios e das melhorias
que podem advir com o desenvolvimento desses programas, que, de acordo com o
pensamento de Belluzzo (1989, p. 48) devem partir de
Ações planejadas e desenvolvidas continuamente, de acordo com as
características e necessidades do usuário para que a biblioteca seja um
instrumento educativo facilitador da interiorização de comportamentos
adequados ao uso eficiente de seus recursos informacionais e da interação
permanente com os sistemas de informação.

Corroboramos com o pensamento de Belluzzo (1989), acreditando que no âmbito
universitário, a educação de usuários tem grande representatividade para a comunidade
acadêmica como um todo, pois é no ambiente da biblioteca que eles devem encontrar o apoio
bibliográfico que irá suprir suas necessidades de informação e/ou de pesquisa.

4.5 Existência de um planejamento voltado para programas de educação de usuários
Conforme declarado nas entrevistas, existe um planejamento voltado para o
desenvolvimento das atividades de educação de usuários destinado somente aos alunos
ingressantes na universidade. Entretanto 70% dos profissionais entrevistados afirmaram que
há um total desinteresse dos alunos em participar nessas atividades, fator que influencia na
falta de estímulo dos bibliotecários.
Mesmo considerando os fatos citados, acredita-se que há, no meio acadêmico, o
interesse em utilizar os recursos disponíveis na rede. Desse modo, cabe à biblioteca
empenhar-se em oferecer treinamentos e capacitações à sua comunidade, visto que, no atual
contexto onde predominam as tecnologias da informação, esses usuários tornam-se também
cada vez mais exigentes com a qualidade dos serviços oferecidos, fazendo, segundo Cuenca,
Noronha e Alvarez (2008, p. 11), com que “as bibliotecas busquem cumprir seu papel
educacional, apoiando as atividades institucionais e centrando seus serviços nas necessidades
informacionais de seus usuários.”

3343

�Baseado nisso, entende-se que a biblioteca universitária deve gerir com competência a
educação de usuários, analisando seus interesses e dificuldades, para então habilitá-los para
utilizar os serviços e produtos oferecidos, inclusive orientando-os quanto às estratégias que
compõem o processo de busca e recuperação da informação. Assim a biblioteca estará
cumprindo seu verdadeiro papel que é:
[...] estar voltado para o ensino e à pesquisa e aos serviços prestados à
comunidade ‘em função do atendimento das necessidades e solicitações’ da
comunidade como um todo e, especialmente, da comunidade acadêmica,
proporcionando a esta o acesso imediato ao conhecimento e à informação.
(BELLUZZO, 1989, p. 74).

Assim, a biblioteca funcionará não somente como um ambiente de apoio ao processo
ensino-aprendizagem, mas também contribuirá para a inserção do usuário no universo da
pesquisa acadêmica.

4.6 Avaliação dos programas de educação de usuários
Questionados sobre como avaliavam os programas de educação de usuários, os dados
demonstram que 30% dos entrevistados consideram razoável a educação de usuários da
Biblioteca Central e os outros 60% avaliam como fraco. Os sujeitos consideram que a grande
demanda

de

usuários

na

referida

biblioteca

sobrecarrega

os

profissionais

e,

consequentemente, influencia na ineficácia dos programas de educação de usuários.
Diante do exposto e baseado em estudos de alguns autores, infere-se que a realidade
da Biblioteca Central da UFMA é a mesma da maioria das bibliotecas universitárias
brasileiras, as quais passam ainda por um processo de adaptação para atender a demanda
dessa nova sociedade da informação que surgiu com o acelerado avanço das tecnologias.
Atualmente,
as
bibliotecas
universitárias
brasileiras
convivem
constantemente com problemas estruturais e organizacionais, com
orçamento reduzido e pessoal insuficiente. Esta situação lamentável
obrigatoriamente influencia negativamente na gestão da informação
armazenada e no modo como as instituições produzem, obtêm, distribuem e
usam a informação e o conhecimento, sendo os recursos tecnológicos o
instrumento facilitador deste processo. (MIGUEL; AMARAL, 2008, p. 3).

Nesse contexto de mudanças os recursos tecnológicos precisam ser democratizados.
Entretanto, para isso, é necessário que haja uma adequação de infraestrutura física e
tecnológica nas bibliotecas universitárias; da mesma forma, os profissionais que nelas
trabalham precisam ter uma nova postura diante dos desafios que se apresentam.

3344

�[...] a explosão informacional, ampliada pelas tecnologias de informação e
da comunicação, criou inúmeras barreiras de acesso á informação com o
número ilimitado de falta de informação e falta de competência dos usuários
da informação, perante as novas ferramentas de acesso disponíveis.
(CARVALHO, 2008, p. 99).

Portanto, para que sejam transpostas as barreiras no uso dos sistemas informacionais, a
gestão da biblioteca precisa primeiramente entender a importância da interação do usuário
com os sistemas, a fim de evitar a subutilização das tecnologias, e, então, elaborar estratégias
e procedimentos focados na capacitação para utilização das ferramentas disponíveis. Daí
espera-se que o bibliotecário, que está na linha de frente no atendimento a esse usuário, tenha
não somente competência, mas também, e principalmente, esteja ciente do seu papel enquanto
orientador no uso dos sistemas de informação e/ou executor da pesquisa.
Nesse sentido Tarapanoff et al. (1997), considera que os bibliotecários são os
mediadores entre o mundo digital e o real, cabendo a eles portanto garantir a comunicação e a
satisfação do usuário no momento do uso das necessidades informacionais.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

As TICs trouxeram avanços para todos os serviços bibliotecários e promoveram
mudanças em todos os setores das bibliotecas e, principalmente, em seus setores de
referência.
A sociedade atual exige uma renovação das bibliotecas universitárias e dos
profissionais da informação, visto que os usuários têm uma nova postura, são mais exigentes,
não tem tempo a perder e requerem uma busca de informação de forma segura e precisa.
Nesse sentido, Ferreira et al. (2006, p. 25) comenta:
A chamada Sociedade da Informação demanda um novo modelo de
biblioteca universitária. Ele imprime novas formas de desenvolvimento de
serviços; pressupõe uma biblioteca com profissionais capacitados para
interagir com as fontes de informação on-line, além de dispor de uma
infraestrutura compatível com expansão da informação em meio digital, que
proporcione aos usuários a interação com as fontes de informação on-line
como suporte de aprendizagem e pesquisa.

Dessa forma, torna-se necessário que as atividades desenvolvidas pela biblioteca
visem à plena utilização da informação em qualquer que seja o seu suporte. A biblioteca
universitária, enquanto principal vetor de disseminação da informação no meio científico,
precisa acompanhar todo esse processo evolutivo de inovação tecnológica e adequar seus

3345

�serviços e produtos visando possibilitar ao usuário cada vez mais o uso dos recursos
informacionais contemporâneos.
O profissional da informação, frente a essas mudanças, deve estar preparado para
executar as atividades que surgem a cada dia, utilizando novas ferramentas e desenvolvendo
novas metodologias. O bibliotecário deve, portanto, inovar suas práticas, com o objetivo de
otimizar o uso dos recursos informacionais disponibilizados na biblioteca, focando não
somente o processo de busca e acesso à informação, mas também a criação de uma
infraestrutura de pesquisa e o desenvolvimento de programas para a capacitação dos usuários.
Assim, se antes a atividade do bibliotecário era restrita apenas aos limites físicos de
uma biblioteca ou de uma coleção, hoje, com a difusão das tecnologias, os serviços da área de
informação devem transpor as barreiras físicas e institucionais, pois o usuário também deixa
de ser passivo e passa a ser interativo.
Nesse contexto, uma das funções desse profissional frente às mudanças é participar da
construção do conhecimento de seus usuários e, para isso, precisa ser diferenciado, ter
dinamismo e não estar restrito ao universo de quatro paredes de uma biblioteca.
À luz das respostas obtidas, conclui-se que as atividades de educação de usuários na
Biblioteca Central da UFMA são desenvolvidas de forma quase imperceptível, provavelmente
pelo fato do público alvo restringir-se aos alunos recém-chegados na universidade, e também
pela falta de interesse dos usuários em participar dos treinamentos, ou mesmo pela falta de
iniciativa dos profissionais. Todos esses fatores podem ter gerado um círculo vicioso de
acomodação.
Diante desse contexto, acredita-se que os profissionais que estão à frente do Setor de
Referência da Biblioteca Central devem desenvolver uma gestão focada primeiramente em
uma política de divulgação dos serviços oferecidos pela biblioteca e, adotar uma postura próativa em relação à comunidade acadêmica, buscando reconquistar aqueles usuários que, por
algum motivo, se afastaram pela falta de habilidade para utilizar as novas tecnologias, ou
conquistar aqueles que ainda não conhecem os serviços e produtos disponibilizados,
estabelecendo um canal de comunicação eficaz entre os dois.
Após conquistas e reconquistas, o bibliotecário de referência deverá utilizar
metodologias adequadas para capacitar esses usuários para o uso correto dos recursos
informacionais disponibilizados pela Biblioteca Central, pois é essencial que o usuário tenha
habilidades para satisfazer suas necessidades informacionais de forma autônoma.
Daí a importância do planejamento de um programa sistematizado de educação de
usuários que trará benefícios tanto para os que disponibilizam quanto para aqueles que

3346

�utilizam os produtos e serviços da Biblioteca Central. Para o sucesso desse programa, o
planejamento deve levar em consideração as características e as necessidades informacionais
daqueles que utilizam tais produtos e serviços.
Com o usuário capacitado, será suprida uma lacuna existente entre este e os materiais
disponibilizados na biblioteca universitária. Assim, a biblioteca universitária deixará de ser
vista pelo velho paradigma de guarda e conservação do acervo para ser reconhecida como de
espaço de apropriação do conhecimento e gerenciamento de acesso à informação.
Diante de tal realidade, sugerem-se algumas ações que, se desenvolvidas poderão
constituir instrumentos fundamentais para otimizar os serviços oferecidos no serviço de
referência:
a) promoção de mudanças não somente na estrutura física e organizacional da
biblioteca, mas e, principalmente, na ampliação e na gestão de seus serviços;
b) disponibilização de recursos que possibilitem a recuperação da informação de
forma a atender às necessidades de seus usuários;
c) desenvolvimento de atividades que estimulem a utilização dos recursos digitais,
possibilitando aos usuários uma maior compreensão das suas características e
aplicabilidade;
d) desenvolvimento de programas de educação de usuários voltados para alunos de
graduação e pós-graduação visando capacitá-los para o uso das ferramentas
informacionais disponíveis na biblioteca;
e) disponibilização de um número maior de bibliotecários para o Setor de Referência,
que consiga atender a demanda de usuários.
Enfim, acredita-se que o cenário atual exige dos gestores das bibliotecas uma reflexão
e principalmente uma revisão dos métodos adotados de forma que possam assegurar aos seus
usuários a oferta de produtos e serviços de excelência que proporcionem as mesmas facilidade
e flexibilidade no acesso à informação.

6 REFERÊNCIAS
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Transinformação, Campinas, v. 21, n. 3, p. 235-47, set./dez. 2009. Disponível em:
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O serviço de referência e a educação de usuários frente às novas recnologias da informação e da comunicação: um estudo na Biblioteca Central da UFMA</text>
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                <text>Freire, Tatiana Cotrim Serra, Silva, Kelia Rachel Alves da, Veloso, Maria Stela Martins</text>
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                <text>Analisa a forma como o serviço de referência da Biblioteca Central da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) desenvolve as atividades de educação de usuários tendo em vista a implementação das novas Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs). Trata-se de uma pesquisa de cunho qualitativo que utilizou como instrumento de coleta de dados entrevistas semiestruturadas com os bibliotecários do Setor de Referência. Os resultados revelaram que o referido setor desenvolve atividades de educação de usuários somente com os alunos recém-chegados na universidade. Constata que a falta de interesse dos usuários é um dos principais fatores que contribui para a não efetividade das ações planejadas e conclui que há necessidade de conquistar o usuário estabelecendo um canal de comunicação eficaz deste com o Setor de Referência. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O SERVIÇO DE REFERÊNCIA DA BIBLIOTECA CENTRAL DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DA PARAÍBA: ESTUDO SOBRE O NÍVEL DE SATISFAÇÃO DOS SEUS
USUÁRIOS
Genoveva Batista Nascimento
Rosana Amâncio Pereira
Dulce Amélia Brito Neves

RESUMO
O Serviço de Referência de uma unidade de informação é um dos mais importantes serviços
prestados aos usuários, um serviço humanista onde o tratamento deve ser de alta presteza,
permitindo que eles adquiram informações sobre o uso de serviços e produtos da unidade.
Esta pesquisa objetiva analisar o nível de satisfação dos usuários da Biblioteca Central da
Universidade Federal da Paraíba - UFPB, campus I João Pessoa, quanto ao serviço de
referência desta. O universo da pesquisa é composto por 30 (trinta) usuários escolhidos de
forma aleatória. Como instrumento da pesquisa, utilizou-se o questionário. Trata-se, portanto,
de uma pesquisa de caráter descritivo e exploratório, tendo abordagens quantitativas e
qualitativas. Os resultados obtidos indicam que os usuários da Biblioteca Central são, em sua
maioria, estudantes de graduação do sexo feminino com idade de até 25 anos, dos cursos de
Engenharia de Alimentos, Engenharia Mecânica, Farmácia e Biblioteconomia, vão à
biblioteca a fim de realizar pesquisa acadêmica, de duas a três vezes por semana. Obtiveramse afirmações positivas referentes à ajuda prestada pelo bibliotecário de referência. Conclui-se
que os usuários desconhecem parte dos serviços prestados pela Biblioteca Central e que, para
a melhoria destes serviços é imprescindível que sejam feitas divulgações dos mesmos, além
de colocar à frente funcionários mais dinâmicos. Para um bom funcionamento de uma
biblioteca, não basta haver um acervo atualizado: é preciso que haja funcionários dedicados e
capacitados para caminhar para uma evolução do saber. O serviço de referência precisa
interagir com o usuário, só assim o nível de satisfação do mesmo com o serviço estará cada
dia mais elevado.
Palavras-chave: Serviço de referência. Satisfação do usuário. Biblioteca Central da
Universidade Federal da Paraíba.
ABSTRACT
The Reference Service is an unit of information is one of that is most important services
provided to users, an humanist service where treatment should be more agility, allowing them
acquire information about the use of services and library products. This research, exploratory
and descriptive use quantitative and qualitative approaches, aims to analyse the level of
satisfaction of users of the Central Library of the Federal University of Paraíba campus of
João Pessoa, as to the reference of this service. Survey consists of thirty (30) members chosen

3315

�at random. The instrument was used questionnaire. The results indicate that users of the
Central Library are mostly graduate females aged up to 25 years , the courses of Food
Engineering , Mechanical Engineering , Pharmacy and Librarianship, that go to the library in
order to perform academic research , two to three times per week. Obtained positive
statements concerning aid provided by the reference librarian. It is concluded that users are
unaware of the services provided by the Central Library and to the improvement of these
services is essential that disclosures thereof are made, and put forward more dynamic staff .
For correct operation of a library, not just be an updated library : there must be dedicated and
able to walk to a development of knowledge workers . The referral service must interact with
the user , just so the level of satisfaction with the service will be even higher every day.
Key-words: Reference Service. User satisfaction library. Central Library of the Federal
University of Paraíba

1 INTRODUÇÃO
Toda biblioteca busca como resultado final a satisfação do usuário e para isso é
necessário que haja um retorno da instituição/usuário e usuário/instituição em relação ao
serviço de referência prestado. Assim, é importante que as instituições utilizem os resultados
dos estudos realizados sobre a satisfação dos usuários, neste âmbito, objetivando melhorias e
tomadas de decisão em geral. De acordo com Xavier e Belluzzo (1996, p. 3):

Qualquer Biblioteca pretende atingir como meta final à satisfação do
usuário, sendo o ponto convergente dos serviços, meios e fins o atendimento
com eficiência e eficácia. O ponto final da transferência da informação é o
chamado Serviço de Referência e da sua qualidade depende o
reconhecimento e valorização da biblioteca por uma sociedade que precisa
de informação para o seu avanço social, cultural, científico e tecnológico.

Ademais, cresce a cada dia o número de serviços de informação oferecidos pelas
instituições. Contudo, é necessário que as bibliotecas verifiquem se o seu cliente/usuário está
satisfeito para não correr o risco de perdê-lo. E tão importante quanto oferecer um serviço é
saber se o mesmo foi realizado com presteza. O usuário é, portanto, a pessoa mais indicada
para julgar a qualidade do serviço que recebe, pois ele é o elemento chave na instituição já
que todos os serviços são realizados em função dele. Essa satisfação pode ser medida de
várias formas desde que a unidade consiga identificar se a necessidade informacional do seu
usuário foi sanada ou não.
O serviço de referência é “[...] uma atividade essencialmente humana, que atende a
uma das necessidades mais profundamente arraigadas da espécie, que é o anseio de conhecer
e compreender” (GROGAN, 1995, p.22).

3316

�Visto que uma das atividades mais importantes da biblioteca é a assistência pessoal
prestada pelo bibliotecário aos usuários em busca de informação, a pesquisa visa avaliar como
este serviço está sendo desempenhado na Biblioteca Central da Universidade Federal da
Paraíba - Campus I, João Pessoa - PB. Assim, a questão que norteia nossa pesquisa é “A
Biblioteca Central oferece um serviço de referência satisfatório para os seus usuários?”.
Destarte, esta pesquisa tem como intuito contribuir para a área da Biblioteconomia,
disseminando sobre os serviços de referência oferecidos pela Biblioteca Central da UFPB a
comunidade acadêmica, professores, servidores entre outros, através do olhar dos seus
usuários. Visa, também, apresentar informações que fomentem a elaboração de outras
pesquisas semelhantes por outros pesquisadores.

2 ESTUDO DE USUÁRIOS: uma breve revisão
De acordo com Choo (2003), o estudo de usuários é uma temática que vem sendo
pesquisada desde a década de 40 por bibliotecários e/ou administradores de centros de
informação, laboratórios, etc. que precisavam de dados para planejar seus serviços.
A partir daquele momento, tais estudos passaram por diversas e diferentes fases
durante o século passado:
Inicialmente, no final da década de 40, os estudos de usuário tinham como objetivo
agilizar e aperfeiçoar serviços e produtos prestados pelas bibliotecas. Estes estudos
restringiram-se à área de Ciências Exatas. Na década de 50 intensificam-se os estudos sobre o
uso da informação entre grupos específicos de usuários, abrangendo já, as Ciências Aplicadas.
Só na década de 60 é que se enfatiza o comportamento dos usuários; surgindo estudos de
fluxo da informação, canais formais e informais. Os tecnólogos e educadores começam a ser
pesquisados. Já na década de 70, a preocupação maior passa a ser o usuário e a satisfação de
suas necessidades de informação, atendendo a outras áreas do conhecimento tais como:
humanidades, ciências sociais e administrativas. Datam dessa década, os primeiros trabalhos
na literatura especializada sobre o tema. A partir de 80, os estudos estão voltados à avaliação
de satisfação e desempenho.
De acordo com a evolução natural, a cada década foram aparecendo novos estudos na
área. Estudos esses cada vez mais aprofundados, sem perder a essência, que é identificar as
necessidades dos usuários. Diante dessas novas descobertas vieram os diversos conceitos de
Estudos de Usuários na visão de vários estudiosos.
De acordo com Figueiredo (1991, p. 24):

3317

�Os estudos de usuários se baseiam em técnicas usadas nas ciências sociais
para observar ou questionar os usuários dos sistemas de informação com o
objetivo de entender as suas necessidades, preferências, opiniões e
avaliações a respeito de serviços que a eles são oferecidos.

Além disso, Figueiredo (1979, p. 87) explica que as descobertas nos “resultados dos
estudos de usuários, embora não usualmente generalizáveis, oferecem, contudo uma visão
ampla dos problemas e tendências dos usuários na consulta das bibliotecas e/ou de suas
coleções”.
Portanto, estudos de usuários são estudos realizados para identificar as necessidades e
os desejos dos usuários de uma determinada biblioteca, no intuito de satisfazer essas
necessidades e aumentar, nesses usuários, o grau de questionamento em relação aos serviços
que lhes são oferecidos e para realizar melhorias na forma como essas informações estão
sendo disponibilizadas.
Pode-se perceber ainda, que o estudo de usuários pode ser utilizado como uma
ferramenta importantíssima para a administração das unidades de informações, a fim de
prestarem seus serviços aos usuários de forma satisfatória e com qualidade.

2.1 Usuários da informação
Pode-se dizer que o usuário é a razão de existir de uma biblioteca, pois
para eles estão direcionados todos os serviços desta. Segundo Guinchat e Menou (1994), o
usuário é um elemento fundamental de todos os sistemas de informação, visto que a única
justificativa das atividades deste sistema é a transferência de informação entre dois ou mais
interlocutores distantes no espaço e no tempo.
Ainda de acordo com os autores supracitados, o usuário é um agente essencial na
concepção, avaliação, enriquecimento, adaptação, estímulo e funcionamento de qualquer
sistema de informação. Ele é um fator dinâmico, mas pode ser também, um fator de
resistência se desconhece os mecanismos da informação e se retém informações.
Dessa forma, pode-se entender que usuário da informação é todo e qualquer sujeito
que possui necessidades informacionais e procuram supri-las na biblioteca ou em outro
ambiente que possa satisfazê-las.
Uma vez que para Moraes, o usuário da informação é aquele que é favorecido e, para
Sanz Casado, ele já é usuário pelo simples fato de necessitar da informação, Chocen
diferencia usuário de consumidor da informação, onde o usuário é o que obtém a informação

3318

�nos sistemas de informação descritos por Moraes e passa a ser consumidor ao se apropriar e
utilizar dessa informação.
Tendo em vista todas as abordagens feitas pelos autores, conclui-se que usuário da
informação é o indivíduo que busca a informação, e que faz uso de espaços nas unidades de
informação, para suprir suas necessidades informacionais, lembrando que o usuário da
informação não é apenas aquele que faz uso da leitura para conseguir a informação que
deseja, mas, também, o que utiliza qualquer serviço oferecido como suporte informacional em
uma unidade de informação.
O usuário é um agente essencial na concepção, avaliação, enriquecimento, adaptação,
estímulo e funcionamento de qualquer sistema de informação (GUINCHAT; MENOU, 1994).
O termo usuário pode ser encontrado nas obras literárias ainda como consulentes ou
clientes. Consulente foi um termo bastante utilizado, porém, aos poucos, foi caindo em
desuso. Clientes, por sua vez, é uma visão mais voltada para a questão administrativa, que vê
o usuário como aquele que adquire algo.
Silva (2006, p. 23, grifo nosso) explica que existe uma ampla classificação dos
usuários em várias categorias, especificando-as como:
a) Usuários reais: são aqueles indivíduos que utilizam frequentemente os
serviços de informação;
b) Usuários potenciais: são aqueles indivíduos a quem se destinam os
serviços de informação;
c) Usuários internos: são aquelas pessoas, grupos ou entidades que estão
subordinadas administrativamente ou metodologicamente à mesma
gestão que a unidade de informação;
d) Usuários externos: são aquelas pessoas, grupos ou entidades que não
estão subordinadas administrativamente ou metodologicamente à
mesma gestão que a unidade de informação;
e) Clientes: são aqueles indivíduos que pagam por um produto ou
serviço, trazendo em si uma relação monetária mercantil.

Essas definições são importantes e primordiais para conhecer melhor todas as
categorias dos usuários, saber diferenciá-los e poder identificá-los com mais facilidade,
principalmente quando o foco do trabalho é conhecer o perfil, necessidades e satisfação dos
usuários que frequentam a biblioteca.

3 BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
A história das bibliotecas acompanha a história da escrita e do registro do
conhecimento humano.

3319

�A origem da palavra biblioteca vem do grego Biblion+tcheka, tal termo quando
traduzido, biblioteca seria a junção de biblio = livro com teca = caixa, logo seria uma “caixa
de livros”. Esse termo foi bastante utilizado, pois só se tinha uma noção de biblioteca apenas
como espaço físico.
Com o passar dos anos, esse termo foi evoluindo juntamente com a formação, as
práticas e ações dos bibliotecários. Atualmente a biblioteca é vista por muitos teóricos como
sinônimo de inclusão informacional, pois possui um papel muito importante que é o de guarda
da memória coletiva e disseminação da informação.
Existem vários tipos de bibliotecas: elas podem ser escolares, universitárias,
especializadas, comunitárias e infantis; algumas dessas podendo ser de iniciativa pública ou
privada.
Este trabalho se detém à Biblioteca Universitária (BU) que, como o próprio nome já
fala, é vinculada a uma Instituição de Ensino Superior (IES), podendo ser pública ou privada.
A biblioteca universitária está a serviço dos estudantes, docentes e técnicos, ou seja,
tem como principal função atender às necessidades informacionais da comunidade acadêmica,
quanto ao ensino, pesquisa e extensão, por isso precisa oferecer boa qualidade nos seus
serviços, pois, para que a universidade tenha um bom desenvolvimento, ela depende da
excelência desses serviços.
A biblioteca universitária tem como missão a transmissão do conhecimento,
participando, de forma ativa, intracurricular, dando suporte para o ensino, pesquisa e
extensão. Visam também promover a toda comunidade universitária o acesso, consulta e
recuperação de informação especializada e atualizada, em harmonia com as necessidades e
exigências da formação educacional superior (LIMA, 2013, p.18).
A biblioteca universitária, em seu organograma, é dividida pela diretoria
administrativa e por divisões/setores que fornecem variados serviços aos usuários. Um desses
serviços é o de Referência, o qual será abordado, com ênfase, por se tratar do objeto de
pesquisa deste trabalho.

4 O SERVIÇO DE REFERÊNCIA
O Serviço de Referência (SR) de uma unidade de informação é um dos mais
importantes serviços prestados aos usuários, por se tratar de um serviço que dá as boas vindas
ao usuário. É a porta de entrada da biblioteca, permitindo que ele adquira informações sobre o
uso dos serviços e produtos da unidade.

3320

�Silva e Araújo (2008), falam do Serviço de Referência, como setor ou seção muito
importante, pois é o responsável por executar os serviços fins da biblioteca, atende
diretamente os usuários e requer pessoal capacitado.
Para Maciel e Mendonça (2008, p. 33, grifo nosso), o serviço de referência:
Compreende todas as atividades voltadas, direta ou indiretamente à
prestação de serviços ao usuário. Inclui a divulgação de informações
gerais sobre a biblioteca, como endereço, horário de funcionamento, assim
como as específicas, voltadas para um segmento pré-determinado. Promove
o uso do sistema e de seus recursos e, para isso, desenvolve atividades de
treinamento pessoal da clientela na utilização do acervo, catálogos, bases e o
acesso às bibliotecas virtuais. Realiza e orienta as atividades de pesquisa
escolar e documental. Incentiva eventos, tais como as noites de autógrafos,
palestras, exposições e conferências. Estimula a hora-do-conto, as feiras e
trocas de livros, os varais de cordel, etc.

No tocante ao atendimento do usuário, pode-se dizer que os serviços mais procurados
são por orientação quanto: aos estudos e às pesquisas; ao uso dos catálogos de busca; ao uso
das obras de referência.
Segundo Figueiredo (1992), a função de referência/ informação é considerada como a
mais significativa prestada pelo profissional bibliotecário, já que é através dela que a
biblioteca se manifesta ao usuário. É pelo setor de referência/ informação que se realiza a
transferência de informação necessária ao usuário para o seu estudo/ pesquisa.
Da mesma forma, expõe Guinchat e Menou (1994, p. 347), “a difusão da informação é
a razão de ser das unidades de informação e deve ser sua preocupação principal”.
Acredita-se que este serviço se acentua em importância no contexto das bibliotecas
universitárias, uma vez que são destinadas a atender às necessidades de estudo, consulta e
pesquisa de professores e alunos universitários (ARAÚJO; OLIVEIRA, 2005).
Pode-se assim entender que o serviço de referência através de uma estrutura bem
definida atua como suporte para as atividades de Ensino/ Pesquisa/ Extensão da universidade
(FIGUEIREDO, 1992).

5 O PAPEL DO BIBLIOTECÁRIO NO SERVIÇO DE REFERÊNCIA
Visto que o Serviço de Referência tem que ser dinâmico e é de extrema importância
em unidade de informação torna-se necessária a presença de um profissional qualificado que
possa interagir e entender as necessidades do usuário de maneira satisfatória.
De acordo com Figueiredo (1991, p.54),

3321

�Para o fornecimento de serviços de referência/informação as bibliotecas
precisam manter pessoal capacitado, não somente para bem atuar com base
num bom relacionamento na equipe de trabalho, mas, principalmente, com o
usuário, a quem devem prestar serviço de maneira competente, tanto
profissionalmente como do ponto de vista individual.

Entende-se que o Bibliotecário de referência tem a função de promover o acesso às
mais variadas fontes de informação. Para desenvolver uma atividade na qual está face a face
com o usuário, é necessário que possua habilidades e competências que devem ser
desenvolvidas para facilitar o acesso à informação pelo usuário.
Figueiredo (1991) evidencia que para estabelecer a equipe que trabalhará com esse
serviço, se devem fazer alguns questionamentos e se preocupar com o tamanho da demanda
desse serviço, pessoal adequado para atender aos grupos particulares de usuários bem como
para se trabalhar individualmente.
O papel do bibliotecário, segundo Dudziak (2001), se resume em três enfoques: como
intermediário da informação, como mediador do conhecimento e como educador.
Recomenda-se ao bibliotecário utilizar além das habilidades técnicas no
manuseio e instrução do acervo que a biblioteca possui, conhecer e empregar
os aspectos fundamentais nas relações humanas, tais como: acessibilidade, a
auto-imagem positiva, reservar tempo suficiente para a entrevista, ser
paciente e amistoso, demonstrar sem superioridade que domina os
instrumentos de acesso às questões (CHAGAS, 2000, p. 5).

Conforme Silva (2006 p. 48): “O trabalho deste profissional caracteriza-se pela
comunicação formal ou informal no sentido de orientar, seja pelo contato direto e pessoal ou
por mecanismos que possibilitam o acesso à informação solicitada”.
Segundo Grogan (1995, p. 22):

Se os bibliotecários de referência se empenhassem em lembrar
constantemente a si próprios que o que estão fazendo não é simplesmente
fornecer informações, mas atender a essas necessidades cognitivas, isso
serviria para neutralizar uma tendência, amiúde censurada, de que parecem
dar mais atenção à consulta do que ao consulente. Efetivamente é preciso
possuir conhecimentos bibliográficos e proficiência para fazer as busca, a
fim de fornecer uma resposta tecnicamente competente [...].

Maciel e Mendonça (2008), revelam que os usuários atendidos pelo bibliotecário de
referência possuem mais chances de melhor aproveitarem o acervo de uma biblioteca, do que
o fariam sem esse auxílio, daí a importância da presença desse profissional.

3322

�Para tanto, se faz necessário lembrar que estão desempenhando uma atividade
essencialmente humana e lidar com pessoas é bem diferente das atividades técnicas. Ás vezes
o usuário deixa de frequentar uma unidade de informação não por falta de êxito na busca, mas
pela forma como foi tratado pelos bibliotecários. Faz-se necessário que o bibliotecário de
referência seja atencioso e disposto a ajudar.
Ainda segundo Grogan (1995, p. 60, grifo nosso):
É impossível estudar qualquer aspecto do processo de referência sem estar
informado do quanto o mesmo depende inevitavelmente para seu êxito dos
atributos pessoais do bibliotecário. Isso implica não os dotes profissionais,
como intimidade com as fontes de referência ou domínio das técnicas de
busca informatizadas, uma vasta cultura geral ou até mesmo a experiência
em lidar com os consulentes, mas aqueles atributos pessoais humanos,
inatos ou adquiridos, como simpatia, criatividade, confiança e outros
mais.
Sendo assim, é muito importante que o administrador conheça o perfil do bibliotecário
antes de indicá-lo para essa função, como também é preciso que o bibliotecário faça uma
autocrítica com relação à sua prestação de serviço aos usuários.

6 A BIBLIOTECA CENTRAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA: O
AMBIENTE DA PESQUISA
Segundo informações extraídas do sítio da Biblioteca Central da UFPB

, a biblioteca

foi criada no ano de 1961 no Regimento da UFPB, mas só a partir de 11 de agosto de 1967 foi
que surgiram os primeiros passos para sua criação efetiva no campus de João Pessoa. O
projeto para estruturação intitulado como "Teoria da Biblioteca Central" foi elaborado pelo
renomado professor universitário e bibliotecário Edson Nery da Fonseca.
A construção foi iniciada, mas não foi concluída. Foi instalada provisoriamente numa
pequena sala do Instituto de Matemática, passando para a Biblioteca da Escola de Engenharia;
posteriormente foi transferida para o prédio da antiga Faculdade de Educação e, por fim, para
um edifício anexo ao da reitoria.
No final de 1976 teve início todo o processo de estruturação e implantação da
Biblioteca Central, a partir da junção do acervo das treze Bibliotecas Setoriais.
Partindo então para a contratação de bibliotecários, atualização do acervo de livros e
periódicos, elaboração e aprovação do regulamento do Sistema de Bibliotecas, criação de
novos serviços, automação dos técnicos, entre outros, culminando com a construção do prédio
definitivo da Biblioteca Central com uma área construída de 8.500m2.
379Disponível em: http://www.biblioteca.ufpb.br/. Acesso em: 06 de Out. 2013.

3323

�Em 1980 o regulamento do Sistema de Bibliotecas foi aprovado pelo Conselho
Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (CONSEPE).
A Biblioteca Central está localizada no campus I da UFPB em João Pessoa - PB. É a
maior biblioteca universitária do estado e o mais importante espaço de informação e
orientação aos diversos segmentos universitários e à comunidade em geral.
Possui a missão de dar suporte informacional aos programas de ensino, pesquisa e
extensão da UFPB. Seu funcionamento é de segunda à sexta-feira das 07h30 min. às 22h e aos
sábados das 8h às 13h.

6.1 O Serviço de Referência na Biblioteca Central da Universidade Federal da Paraíba
O Setor de Referencia está localizado no térreo da BC a aproximadamente 20 (vinte)
metros da entrada da biblioteca, a função primordial do seu trabalho é a informação direta ao
usuário. Não tem muita informação formal sobre este setor. O mesmo tem os relatórios
internos que não podem ser divulgados e também o regimento da Biblioteca.
O setor oferece à comunidade universitária serviços relacionados à educação, cultura e
pesquisa, na promoção de exposições.
De acordo com o Regimento Interno da Biblioteca central - UFPB, no seu Art. 26
onde constam as seguintes competências e atribuições das seções da Divisão de Serviços ao
Usuário - DSU no parágrafo I, que fala da seção de referência - SER. a) auxiliar os leitores
na aquisição do conhecimento dos métodos mais efetivos de utilização do material existente
na BIBLIOTECA CENTRAL servindo de parâmetro para o SISTEMOTECA dos serviços
que estas põem à sua disposição, ajudando-os a conhecer, outrossim, o alcance e caráter das
bibliotecas;b) elaborar normas gerais e rotinas específicas para execução do serviço de
referência;c) colaborar com a Seção de Seleção e com a Seção de Intercâmbio na seleção do
material a ser adquirido por compra, permuta ou doação, especificamente em relação às obras
de referência; d) manter atualizadas as coleções de referência;e) promover a publicidade das
coleções e dos serviços prestados pela BIBLIOTECA CENTRAL e SISTEMOTECA;f)
programar e organizar exposições, audições e conferência;g) fornecer informações solicitadas
pessoalmente, por telefone ou por correspondência;h) localizar documentos solicitados;i)
coletar estatísticas organizadas pelas seções e em colaboração com a Assessoria, elaborar a
estatística geral;j) executar outras atividades pertinentes aos serviços de referência.

3324

�7 METODOLOGIA
Pesquisa de cunho descritivo, tendo as abordagens quanti-qualitativa para análise dos
dados. Através da pesquisa quantitativa, conjugada com a qualitativa, é possível obter,
quantitativamente, dados numéricos e, qualitativamente, conceitos, atitudes e opiniões dos
entrevistados sobre o problema pesquisado. Busca uma explicação objetiva baseada em
descrição e manipulação estatística.
Os sujeitos da pesquisa correspondem a trinta (30) usuários da Biblioteca Central da
Universidade Federal da Paraíba, que se dispuseram a participar da pesquisa respondendo o
questionário, instrumento para coleta dos dados. Os pesquisados foram informados sobre o
objetivo da pesquisa.
A ferramenta de coleta de dados escolhida para a pesquisa, direcionada aos usuários da
biblioteca, foi o questionário, composto de doze (12) questões, sendo três (03) abertas e nove
(09) fechadas, abordando o perfil do usuário, grau de satisfação e uso da biblioteca.

8 RESULTADOS DA PESQUISA
Os questionários foram codificados e numerados como U1, U2, U3, correspondente a
usuário 1, usuário 2, usuário 3 e assim consecutivamente, como forma de preservar a
identidade de cada pesquisado. Depois de codificados os questionários, os dados foram
tabulados e os resultados obtidos originaram os gráficos.
Na primeira questão traçou-se o perfil do usuário da biblioteca, a partir das variáveis:
sexo, faixa etária e categoria de usuário.
Quanto ao sexo, as respostas revelam que dos 30 usuários que responderam ao
questionário, 57% (cinquenta e sete por cento) são do sexo feminino e 43% (quarenta e três
por cento) do sexo masculino. Acredita-se que o número de usuários do sexo feminino seja
maior que o de sexo masculino em vista de sua predominância entre os alunos da graduação
ativos da UFPB no campus de João Pessoa, representando 52, 67% (cinquenta e dois vírgula
sessenta e sete por cento) (UFPB, 2013).
Os dados relativos à idade revelam que 77% (setenta e sete por cento) dos sujeitos têm
até 25 anos e 23% (vinte e três por cento) estão entre 25 e 35 anos. Nenhum dos sujeitos tem
mais de 35 anos.
Acredita-se que seja pelo fato de a maioria dos jovens ainda não ter adentrado ao
mercado de trabalho, tendo seu tempo mais livre e, assim, utilizando-o na biblioteca para
pesquisas e estudos.

3325

�Quanto à categoria dos usuários, as respostas revelam que 93% (noventa e três por
cento) são alunos da graduação; 3,5 % (três e meio por cento) são funcionários e 3,5% (três e
meio por cento) são estudantes de pós-graduação. Nenhum professor ou usuário da
comunidade externa respondeu ao questionário.
Quanto aos alunos de graduação, responderam ao questionário 01 (um) de
Administração, 01 (um) de Arquitetura, 03 (três) de Biblioteconomia, 01 (um) de Educação
Física, 01 (um) de Enfermagem, 04 (quatro) de Engenharia de Alimentos, (01) um de
Engenharia de Materiais, 04 (quatro) de Engenharia Mecânica, 03 (três) de Farmácia, 01 (um)
de Filosofia, 02 (dois) de Física, 02 (dois) de Odontologia, 01 (um) de Pedagogia, 02 (dois) de
Química Industrial e 01 (um) de Serviço Social.
Quanto aos estudantes de pós-graduação, teve 01 (um) de Economia. Quanto aos
funcionários, teve apenas 01 (um), sendo o mesmo Bibliotecário da biblioteca setorial de
Bananeiras.
Observa-se, assim, que prevalece o número de graduandos que se utilizam da BC.
Volta-se à questão do tempo livre destes usuários. Os pós-graduandos geralmente estão
inseridos no mercado de trabalho e não dispõem de tanto tempo disponível quanto aqueles,
bem como os funcionários e professores, que, segundo a pesquisa, raramente utilizam os
serviços oferecidos e/ou do espaço da BC.
Quando indagados sobre os motivos que os levam a visitarem a biblioteca, as respostas
mostram que 63% (sessenta e três por cento) dos usuários vão à biblioteca apenas para fazer
pesquisa acadêmica, 10% (dez por cento) vão apenas para ler ou por entretenimento e 7%
(sete por cento) responderam que vão por outros motivos como (estudos, projetos de extensão
e estágio). O total de 20% (vinte por cento) dos usuários marcou mais de uma opção, 10%
(dez por cento) vão à biblioteca tanto para pesquisa acadêmica quanto para ler por
entretenimento, 7% (sete por cento) tanto por pesquisa acadêmica quanto por outros motivos e
3% (três por cento) vão para ler por entretenimento, entre outras coisas.
Grande parte dos usuários utiliza o espaço da BC para estudos e realização de
pesquisas acadêmicas, portanto verificou-se a importância da qualidade e atualização do
acervo, além do ótimo atendimento ao usuário se tornando um ambiente propício e agradável
também para leitura e entretenimento.
Na questão sobre a frequência dos usuários à biblioteca, os dados mostram que 40%
(quarenta por cento) dos usuários vão à biblioteca de duas a três vezes por semana; 27%
(vinte e sete por cento) vão todos os dias; 17% (dezessete por cento) vão uma vez por mês;

3326

�10% (dez por cento) não costumam visitar a biblioteca; 3% (três) visitam uma vez por
semana; e 3% (três) a visitam de 15 em 15 dias.
Assim, pode-se inferir que a biblioteca possui uma frequência de uso elevada, já que a
maioria dos usuários, 40% (quarenta por cento) costuma visitá-la de duas a três vezes por
semana e 27% (vinte e sete por cento) visita diariamente, por ter um bom serviço de
atendimento ao usuário, além de ótimo relacionamento com os leitores e usuários da
biblioteca, amplas e cômodas instalações, propiciando bom espaço de leitura e também
agradável para descanso, apesar de a biblioteca não ser um espaço destinado ao descansar e
sim, para estudos e pesquisas.
Quanto as principais atividades que fazem quando vão à biblioteca. As atividades
predominantes entre os usuários foram as de pesquisa, uso do espaço para estudo e realização
de trabalhos, realização de empréstimo/devolução de livros.
Na questão em que pergunta se usuários têm conhecimento de que a biblioteca tem um
Setor de Referência (balcão de informação ao usuário), constatou-se através das respostas dos
pesquisados que 83% (oitenta e três por cento) conhecem o serviço e apenas 17% (dezessete
por cento) não o conhecem.
Acredita-se que falta uma maior divulgação quanto aos serviços oferecidos pela
Biblioteca dado o número de usuários que não têm conhecimento destes.
Quanto à ajuda recebida pelo serviço de referência, em suas buscas na biblioteca, os
resultados apontam que 67% (sessenta e sete por cento) dos usuários já foram ajudados por
meio do SR da BC-UFPB, e que 33% (trinta e três por cento) responderam que não.
Dos sujeitos da pesquisa, 33% (trinta e três por cento) dos usuários nunca foram
ajudados pelo bibliotecário de referência. Acredita-se que parte deles seja os 17% (dezessete
por cento), dos sujeitos da pesquisa, que anteriormente disseram não conhecer esse serviço e
os outros 16% (dezesseis por cento) preferem ter autonomia na busca, como alterar o sistema
de busca se necessário, confiar mais na própria busca, sem opiniões de terceiros ou por já
conhecer a biblioteca.
Os usuários que responderam afirmativamente na questão anterior, ainda fora
indagados sobre o êxito na ajuda recebida pelo SR. Os dados demonstram que, 90% (noventa
por cento) dos usuários que foram ajudados pelo SR tiveram êxito e 10% (dez por cento) não.
Tal porcentagem revela um índice elevado de eficiência no serviço de referência. No
entanto, é preciso aumentar sua eficiência, pois 10% dos usuários que já foram atendidos pelo
SR não obtiveram êxito na ajuda. Esse resultado mostra alguma ineficiência do serviço que
deve ser melhorado.

3327

�Os usuários atribuíram uma nota ao SR da BC, onde a nota 0 (zero) seria para
atendimento péssimo; 01 (um) ruim; 02 (dois) regular; 03 (três) bom; 04 (quatro) para ótimo
e 05 (cinco) quando o considerar excelente.
Pode-se observar que 28% (vinte e oito por cento) dos usuários deram nota quatro,
pois consideram o serviço muito bom; 24% (vinte e quatro por cento) deram nota dois, por
considerar o serviço como regular; 17% (dezessete por cento) deram nota três, por considerar
bom; 14% (quatorze por cento) deram nota um, por considerar ruim; 10% (dez por cento)
deram nota cinco, por considerá-lo excelente; e 7% (sete por cento) dos pesquisados deram
nota zero, por considerarem péssimo.
No geral, pode-se destacar o atendimento ao usuário como muito bom, visto que o
maior percentual obtido com os dados da pesquisa foi de 28%(vinte e oito por cento) dos
usuários. Isso é o reflexo da busca pelos profissionais que realizam esse serviço, em garantir
um ótimo atendimento e prestação de serviços aos usuários.
Buscando saber se o usuário conhece os serviços oferecidos pela BC-UFPB, tais
como: a) serviço de referência, b) empréstimo, c) serviço de renovação on-line, d) acesso ao
portal da CAPES, e) Serviço do COMUT- Comutação Bibliográfica e f) Serviço de
normalização de publicações e orientação quanto ao uso das Normas da ABNT, cada letra
com quatro alternativas: Conheço e utilizo com frequência, conheço e utilizo vez em quando,
conheço e não utilizo e, não conheço.
Notou-se que 73% (setenta e três por cento) responderam que conhecem o SR e
utilizam vez em quando; 20% (vinte por cento) conhecem, mas não o utilizam e 7% (sete por
cento) não o conhecem. Assim, constatou-se que os números são positivos, mas carecem de
uma melhora, tendo em vista que 7% (sete por cento) ainda não conhecem o SR, e, apesar de
ser um número relativamente pequeno, é, também, um número considerável.
Quanto ao empréstimo, 53% (cinquenta e três por cento) conhecem-no e utilizam-no
com frequência; 40% (quarenta por cento) conhecem-no e utilizam-no de vez em quando e
7% (sete por cento) o conhecem, mas não o utilizam. Observou-se uma diferença gritante
quanto aos dois serviços pesquisados, tendo em vista que todos têm conhecimento da
existência do serviço de empréstimo. Outra diferença é que, enquanto os 7% (sete por cento)
do SR são consideráveis, os 7% (sete por cento) que não utilizam o serviço de empréstimos é
um número razoável.
Percebeu-se que 43% (quarenta e três por cento) dos usuários responderam que
conhecem e utilizam com frequência o serviço de renovação eletrônica; 30% (trinta por cento)
conhecem e utilizam vez em quando; 20% (vinte por cento) conhecem e não utilizam e 7%

3328

�(sete por cento) não o conhecem. Um dado importante a ser observado é o fato de 7% (sete
por cento) dos usuários da BC não terem, sequer, conhecimento da existência de um serviço
oferecido pela biblioteca. É preciso que haja uma maior divulgação de todos os serviços
oferecidos pela mesma.
Quanto ao conhecimento e uso da sala de acesso ao portal da CAPES, 40% (quarenta
por cento) dos usuários responderam que conhecem e utilizam vez em quando; 30% (trinta
por cento) conhecem e não utilizam; 27% (vinte e sete por cento) não conhecem e 3% (três
por cento) conhecem e utilizam com frequência. É grande o número de usuários que,
simplesmente, não conhecem este serviço que tem uma importância significativa para a
biblioteca. O Portal da CAPES se mostra um serviço de alta qualidade, que dá ao cliente da
biblioteca a opção de buscar outro meio de pesquisa que não o livro propriamente dito, de
buscar um meio pelo qual, talvez, a informação esteja mais atualizada e de buscar, ainda, uma
informação comparada com outros países. O volume de periódicos, da base de dados do portal
CAPES é significativo.
Quanto ao conhecimento e uso do serviço de comutação bibliográfica, as informações
demonstram que 73% (setenta e três por cento) dos usuários não o conhecem; 14% (quatorze
por cento) conhecem, mas não o utilizam; e 13% (treze por cento) conhecem e o utilizam vez
em quando. Outro dado que nos chama a atenção é o desconhecimento do COMUT. Apesar
de não ser um serviço muito utilizado pelos usuários, o seu desconhecimento é injustificável.
Pode haver serviços que não sejam muito utilizados pelos usuários, mas não se justifica o
serviço não ser conhecido.
A partir dos dados obtidos sobre o conhecimento e uso do serviço de normalização de
publicações e orientação quanto ao uso das normas da ABNT, observou-se que 57%
(cinquenta e sete por cento) dos usuários não o conhecem; 23% (vinte e três por cento)
conhecem e não o utilizam; 17% (dezessete por cento) conhecem e o utilizam vez em quando
e 3% (três por cento) conhecem e utilizam com frequência. Este se caracteriza como outro
serviço bastante relevante e que, lamentavelmente, não é conhecido por mais da metade
daqueles que frequentam a BC. É um número alarmante que necessita de mudanças. O serviço
ora mencionado é utilizado a todo o instante, ainda que não seja prestado pela BC,
demonstrando assim, sua importância. A falta de conhecimento da existência deste é
justificada pela ausência de política de divulgação que deveria ser desenvolvida dentro e fora
da BC.
Quanto ao atendimento prestado pelo bibliotecário de referência, os resultados da
pesquisa mostram o total de 40% (quarenta por cento) dos usuários o considerou bom; 27%

3329

�(vinte e sete por cento) o consideraram médio; 13% (treze por cento) consideram-no ruim;
13% (treze por cento) consideram ótimo, e 7% (sete por cento) desconhecem o serviço. Ao
que observou-se, os percentuais foram bem divididos, onde a maioria dos questionados têm
uma boa impressão do serviço ora oferecido. Entretanto, faz-se mister melhorar tal serviço a
ponto de ao menos um maior número de consulentes tomarem conhecimento deste serviço
que carrega consigo uma carga de indispensabilidade.
O SR é um serviço em construção junto à biblioteca. As vulnerabilidades do serviço
devem ser consideradas para melhorar o trabalho e construir um elo entre profissional e o
usuário, para que o profissional possa suprir a necessidade de informação do usuário.
Adiante, para identificar do que os usuários mais sentem falta, perguntou-se o que
falta no SR da BC - UFPB para ser considerado um serviço satisfatório para seus usuários.
Foi quase que unânime a questão da divulgação do serviço, além da boa vontade dos
funcionários que ali estão para prestarem o mesmo; aproximação com o usuário, além de um
número maior de funcionários mais capacitados.
A falta de orientação é uma das principais vulnerabilidades apontadas por alguns
usuários. Isso deve ser tomado como base para um processo de capacitação de alguns
funcionários. Um processo de reeducação de alguns profissionais deve ser elaborado com um
plano estratégico de marketing para a ampliação do serviço com atenção para suprir a
necessidade de informação do usuário como principal objetivo.

9 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir das informações obtidas, através da colaboração dos usuários da Biblioteca
Central da Universidade Federal da Paraíba - UFPB, os resultados apontaram que os usuários
da biblioteca são, em sua maioria, estudantes de graduação do sexo feminino, com idade de
até 25 anos, dos cursos de Engenharia de Alimentos, Engenharia Mecânica, Farmácia e
Biblioteconomia, e que a maioria vai à biblioteca para pesquisa acadêmica, de duas a três
vezes por semana, tem o conhecimento do SR e já foi ajudado pelo bibliotecário de referência,
onde teve êxito na busca, considerando o serviço de regular a ótimo, sendo que uma pequena
parte o considera péssimo.
Ao analisar o nível de satisfação do usuário com o serviço de referência detectou-se
um bom nível de satisfação dos usuários que o utilizam, pela capacidade de suprir a
necessidade de informação de grande parte dos usuários com restrições por parte de alguns
funcionários identificados pelos entrevistados que não têm estímulo para o serviço. Portanto,

3330

�deve-se abrir o espaço para aqueles que gostam da área tornando o trabalho mais dinâmico
para melhor atender ao usuário.
Quanto ao conhecimento e uso dos serviços, grande parte dos usuários conhece e
utiliza de vez em quando o serviço de referência; conhece e utiliza com frequência o
empréstimo; conhece e utiliza com frequência o serviço de renovação on-line; conhece e
utilizam, de vez em quando, o portal da CAPES; não conhece o serviço de comutação
bibliográfica e, não conhece o serviço de normalização de publicação e orientação quanto às
normas da ABNT. Quanto ao atendimento pelos bibliotecários de referência a maioria o
considera de médio a bom.
Desta forma, importa-se dizer que, para a melhoria destes serviços é imprescindível
que sejam feitas divulgações dos mesmos, além de colocar à frente funcionários capacitados.
É relevante mencionar que, para um bom funcionamento de uma biblioteca, não basta haver
um acervo atualizado; é preciso que hajam funcionários dedicados e capacitados para
caminhar para uma evolução do saber. Assim, como os livros não chegam sozinhos às suas
estantes, alguns usuários não encontram suas desejadas informações sem a intermediação de
um profissional com boa vontade em atendê-lo e um bom serviço para oferecê-lo.
Portanto, os usuários precisam de maior atenção por parte do serviço de referência
identificando quando o pesquisador necessita de ajuda na busca, seja ela feita no catálogo de
busca, seja nas estantes buscando a informação na qual ele precisa encontrar. Dessa forma, a
proatividade deve ser uma característica fundamental para o desenvolvimento de um SR que
supra a necessidade informacional. No caso da biblioteca da UFPB, a identificação dos
funcionários desse serviço é importante para que o pesquisador saiba a quem buscar ajuda
durante sua pesquisa. Essa já é uma boa alternativa para a realidade da instituição, visto que
essa foi uma das vulnerabilidades encontradas no serviço de referência.
Propõe-se que seja elaborado um plano de marketing para uma melhor divulgação dos
serviços oferecidos pela BC para seus usuários. Dentro os serviços que precisam ser
melhorados está o SR pela identificação de algumas vulnerabilidades do serviço; pois, a real
satisfação dos usuários depende do planejamento adequado para oferta dos produtos e
serviços das unidades de informação, assim como um curso de capacitação voltada para a área
psicológica dirigido aos bibliotecários de referência. Conforme ressalta Grogan, na revisão de
literatura, é imprescindível lembrar que o SR é, antes de tudo, uma atividade humana e, lidar
com pessoas nem sempre é fácil. O SR precisa interagir com o usuário. Só assim, o nível de
satisfação do mesmo com o serviço estará cada dia mais elevado.

3331

�O apoio institucional é importante para melhorar o SR por meio da autoavaliação
como instrumento de satisfação do funcionário através da busca de novos conhecimentos e da
ampliação à assistência ao pesquisador fornecendo a informação necessária à satisfação do
usuário. A capacitação é uma forma de amplitude do conhecimento e, aliada a experiência
pode se tornar uma ferramenta de crescimento do trabalho voltando-se para a necessidade do
usuário.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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                <text>Nascimento, Genoveva Batista, Pereira, Rosana Amâncio, Neves, Dulce Amélia Brito</text>
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                <text>O Serviço de Referência de uma unidade de informação é um dos mais importantes serviços prestados aos usuários, um serviço humanista onde o tratamento deve ser de alta presteza, permitindo que eles adquiram informações sobre o uso de serviços e produtos da unidade. Esta pesquisa objetiva analisar o nível de satisfação dos usuários da Biblioteca Central da Universidade Federal da Paraíba - UFPB, campus I João Pessoa, quanto ao serviço de referência desta. O universo da pesquisa é composto por 30 (trinta) usuários escolhidos de forma aleatória. Como instrumento da pesquisa, utilizou-se o questionário. Trata-se, portanto, de uma pesquisa de caráter descritivo e exploratório, tendo abordagens quantitativas e qualitativas. Os resultados obtidos indicam que os usuários da Biblioteca Central são, em sua maioria, estudantes de graduação do sexo feminino com idade de até 25 anos, dos cursos de Engenharia de Alimentos, Engenharia Mecânica, Farmácia e Biblioteconomia, vão à biblioteca a fim de realizar pesquisa acadêmica, de duas a três vezes por semana. Obtiveramse afirmações positivas referentes à ajuda prestada pelo bibliotecário de referência. Conclui-se que os usuários desconhecem parte dos serviços prestados pela Biblioteca Central e que, para a melhoria destes serviços é imprescindível que sejam feitas divulgações dos mesmos, além de colocar à frente funcionários mais dinâmicos. Para um bom funcionamento de uma biblioteca, não basta haver um acervo atualizado: é preciso que haja funcionários dedicados e capacitados para caminhar para uma evolução do saber. O serviço de referência precisa interagir com o usuário, só assim o nível de satisfação do mesmo com o serviço estará cada dia mais elevado.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PANORAMA HISTÓRICO DA ATIVIDADE REALIZADA PELA BIBLIOTECA DA
UNESP - CAMPUS DE BOTUCATU-RUBIÃO JUNIOR
Luciana Pizzani
Rosemary Cristina da Silva

RESUMO
Este trabalho tem como objetivo apresentar um panorama histórico do trabalho de indexação
de periódicos na base de dados LILACS, realizado na Seção Técnica de Referência,
Atendimento ao Usuário e Documentação da Divisão Técnica de Biblioteca e Documentação
da Unesp, campus Botucatu-Rubião Junior. A parceria efetuada entre a BIREME e a
biblioteca universitária já na década de 1982 reflete a preocupação em promover a
disseminação e uso da informação científica em saúde a todos os seus usuários.
Palavras-Chave: Indexação; Representação da Informação; Biblioteca Universitária.

ABSTRACT
This work aims to present an overview of the historic panorama of work of indexing journals
in LILACS database, held at the Technical Reference Section, Service User and Technical
Documentation Library and Documentation Division of UNESP, Botucatu campus-Rubiao
Junior. The partnership made between BIREME and Technical Division of Library and
Documentation in the decade from 1982 reflects the concern to promote the dissemination
and use of scientific information on the health of all its users.
Keywords: Indexing; Representation of Information; University Library.

1 INTRODUÇÃO
A Análise Documentária é definida como um conjunto de procedimentos
metodológicos aplicáveis ao conteúdo informacional de documentos, tendo em vista a
recuperação da informação. Seu principal objetivo, ao analisar textos, é tratá-los através da
condensação e representação para fins de recuperação (MEDEIROS, 1999).
A indexação e a elaboração de resumos, elementos de condensação e representação,
são consideradas tarefas documentárias, que graficamente, podem ser representadas na Figura
1.

3302

�Figura 1: Representação descritiva da informação

Fonte: Elaborada pelos autores.

A indexação é uma das partes mais importantes da analise documentaria. É o ato de
identificar e descrever o conteúdo de um documento com termos representativos dos seus
assuntos e que constituem uma linguagem de indexação (ABNT, 1992).
Os termos representativos dos conteúdos (os descritores) são extraídos dos
vocabulários contralados ou tesauros que expressam os conceitos de uma ou varias áreas do
conhecimento (ABNT, 1992).
A Divisão Técnica de Biblioteca e Documentação da UNESP, campus BotucatuRubião Junior, realiza há 32 anos a indexação de periódicos em bases de dados, mais
especificamente, na base de dados LILACS - Literatura Latino-Americana e do Caribe em
Ciências da Saúde, que é uma base cooperativa do Sistema BIREME que compreende a
literatura relativa às Ciências da Saúde.
Sendo assim, esse trabalho tem como objetivo apresentar o panorama histórico do
desenvolvimento da atividade de indexação realizada em parceria com a BIREME, na Seção
Técnica de Referência, Atendimento ao Usuário e Documentação da Divisão Técnica de
Biblioteca e Documentação da UNESP, campus Botucatu-Rubião Junior.

2 O SISTEMA BIREME
A BIREME é um centro especializado em informação científica e técnica em Saúde
para a região da América Latina e Caribe.
Neste momento resumiremos as partes mais importantes para entendermos a finalidade
da instituição e como ela faz a seleção do material para inserção nas bases que compõe o
sistema. Utilizaremos como fonte informacional o site da Bireme (www.bireme.br), que
disponibiliza todo o histórico da instituição.

3303

�A BIREME está estabelecida no Brasil desde 1967, com o nome de Biblioteca
Regional de Medicina (que originou a sigla BIREME), atendendo desde o princípio à
demanda crescente de literatura científica atualizada por parte dos sistemas nacionais de saúde
e das comunidades de pesquisadores, profissionais e estudantes. Posteriormente, em 1982,
passou a chamar-se Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da
Saúde (conservando, porém, sua sigla), para melhor expressar as suas funções orientadas ao
fortalecimento e ampliação do fluxo de informação científica e técnica em saúde em toda a
região.
Os principais fundamentos que dão origem e suporte à existência da BIREME são:
acesso à informação científico-técnica para o desenvolvimento da saúde; a necessidade de
desenvolver a capacidade dos países da América Latina e do Caribe de operar as fontes de
informação em saúde de forma cooperativa e eficiente; a necessidade de promover o uso e de
responder às demandas de informação em saúde dos governos, dos sistemas de saúde e das
instituições de ensino e investigação.
A BIREME coordena e realiza atividades de cooperação técnica em gestão de
informação e conhecimento científico com o objetivo de fortalecer e ampliar o fluxo de
informação científica em saúde no Brasil e nos demais países da América Latina e Caribe,
como condição essencial para o desenvolvimento da saúde, incluindo planejamento, gestão,
promoção, investigação, educação e atenção.
O convênio que fundamenta a BIREME é renovado a cada cinco anos pelos membros
do Comitê Assessor Nacional da instituição (OPAS, Ministério da Saúde do Brasil, Ministério
da Educação e Cultura do Brasil, Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo e Universidade
Federal de São Paulo - UNIFESP). Esta última oferece a infraestrutura física necessária ao
estabelecimento da instituição.
Com o surgimento e consolidação da internet como meio predominante de informação
e comunicação, o modelo de cooperação técnica evoluiu, a partir de 1998, para a construção e
desenvolvimento da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) como espaço comum de
convergência do trabalho cooperativo de produtores, intermediários e usuários de informação.
A BVS promove o desenvolvimento de uma rede de fontes de informação científica e técnica
com acesso universal na internet. Pela primeira vez abre-se a possibilidade real de acesso
equitativo à informação em saúde.
A BIREME tem a Biblioteca Virtual em Saúde como modelo para a gestão de
informação e conhecimento, o qual envolve a cooperação e convergência de instituições,
sistemas, redes e iniciativas de produtores, intermediários e usuários na operação de redes de

3304

�fontes de informação locais, nacionais, regionais e internacionais, privilegiando o acesso
aberto e universal.
Hoje todos os países da América Latina e Caribe participam direta ou indiretamente
dos produtos e serviços cooperativos promovidos pela BVS.
A BVS é simulada em um espaço virtual da internet formada pela coleção ou rede de
fontes de informação em saúde da Região. Usuários de diferentes níveis e localização podem
interagir e navegar no espaço de uma ou várias fontes de informação, independentemente de
sua localização física. As fontes de informação são geradas, atualizadas, armazenadas e
operadas na internet por produtores, integradores e intermediários, de modo descentralizado,
obedecendo a metodologias comuns para sua integração na BVS.
A BVS organiza a informação em uma estrutura que integra e interconecta bases de
dados referenciais, diretórios de especialistas, eventos e instituições, catálogo de recursos de
informação disponíveis na internet, coleções de textos completos, com destaque para a
coleção SciELO (Scientific Electronic Library Online) de periódicos científicos, serviços de
disseminação seletiva de informação, fontes de informação de apoio à educação.
O espaço da BVS constitui, portanto, uma rede dinâmica de fontes de informação
descentralizada a partir da qual se pode recuperar e extrair informação e conhecimento para
subsidiar os processos de decisão em saúde.
Para a inserção de documentos nas bases de dados foi criada uma metodologia
denominada Metodologia LILACS, constituída de normas, manuais, guias e aplicativos
destinados à coleta, seleção, descrição, indexação de documentos e geração de bases de dados.
Atualmente fazem parte desse sistema as bases: LILACS, BBO, BDENF, MEDCARIB e
bases de dados nacionais dos países da América Latina.
Essa metodologia foi desenvolvida a partir de 1982 e surgiu diante da necessidade de
padrões comuns para o tratamento descentralizado da literatura científica-técnica em saúde
produzida na América Latina e Caribe.
A cobertura temática envolve toda a área de Ciências da Saúde, num sentido bem
amplo, cobrindo todas as áreas que tenham relação com a saúde humana: Medicina, Saúde
Pública, Odontologia, Enfermagem, Veterinária, Engenharia Sanitária, Farmácia e Química,
Biologia, Nutrição, Psicologia, Ecologia e Ambiente, etc.
Em termos gerais, a cobertura temática está expressa, em linguagem documentária, no
DeCS - Descritores em Ciências da Saúde, vocabulário controlado que auxilia o
documentalista na análise do conteúdo dos documentos a serem ingressados, assim como na
sua posterior recuperação.

3305

�O DeCS é uma tradução ao português e espanhol do Medical Subject Headings
(MeSH), produzido pela U.S. National Library of Medicine, com uma ampliação para as áreas
de Saúde Pública, Homeopatía, Ciência e Saúde e Vigilância Sanitária. A expansão para a
área de Saúde Pública deu-se principalmente para atender às necessidades dos Centros
Especializados e Programas da Organização Pan-Americana da Saúde no que se refere ao
tratamento da informação gerada por essas instituições. Nessa categoria foram incorporados
temas como: administração e planejamento em saúde, prestação de cuidados de saúde,
epidemiologia e bioestatística, demografía, saúde ambiental, nutrição, etc.
Os limites para a cobertura temática não são rígidos e devem ser estabelecidos com
bom senso, observando principalmente as áreas afins como, por exemplo, Engenharia
Sanitária, Farmácia e Química, Veterinária, Biologia. Devem ser considerados os documentos
de interesse à saúde humana.
Com relação à cobertura cronológica, serão incluídos documentos originados a partir
de 1982, dando-se preferência ao processamento de material mais recente, para contribuir
para a atualidade da base de dados.
Para a cobertura geográfica, incluem documentos de autores latino-americanos e do
Caribe e/ou publicados nos países da Região e também os produzidos pela Organização Pan­
Americana da Saúde, seus programas e centros especializados.
Com relação ao idioma, somente serão considerados para inclusão os documentos em
espanhol, português, inglês e francês.

O vocabulário do sistema é trilíngue -

português/espanhol/inglês - e os documentos poderão ser indexados e recuperados por
qualquer um desses idiomas.
Os periódicos a serem incluídos serão selecionados por Comitês de Seleção
designados em cada país ou Centro Especializado. Esse comitê determinará os títulos a serem
incluídos e o seu nível de seleção, isto é, se o título deve ser analisado em sua totalidade (capa
a capa) ou de forma seletiva, extraindo-se deles somente artigos de interesse para BVS.
Ela contém artigos de cerca de 877 revistas mais conceituadas da área da saúde,
atingindo mais de 500 mil registros, e outros documentos tais como: teses, capítulos de teses,
livros, capítulos de livros, anais de congressos ou conferências, relatórios técnico-científicos e
publicações governamentais. Está disponível em três idiomas: português, espanhol e inglês.

3306

�3 A UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JULIO DE MESQUITA FILHO” UNESP378
A UNESP é uma das maiores e mais importantes universidades brasileiras, com
destacada atuação no ensino, na pesquisa e na extensão de serviços à comunidade.
Mantida pelo Governo do Estado de São Paulo, é uma das três universidades públicas
de ensino gratuito, ao lado da USP (Universidade de São Paulo) e da UNICAMP
(Universidade Estadual de Campinas).
Criada em 1976, a partir de institutos isolados de ensino superior que existiam em
várias regiões do Estado de São Paulo, a UNESP tem 32 unidades, que oferecem 169 opções
de cursos de graduação em 64 profissões de nível superior, que formam, por ano, 6 mil novos
profissionais e são responsáveis por 115 programas de Pós-Graduação, que oferecem 110
mestrados acadêmicos, 4 mestrados profissionais e 91 doutorados acadêmicos.
A infraestrutura da Universidade inclui 1.900 laboratórios e 30 bibliotecas, com 900
mil livros. Além disso, há, à disposição de alunos e professores, museus, hortos, biotérios,
jardins botânicos e cinco fazendas experimentais, perfazendo uma área total de 62,8 milhões
de m , sendo 745,4 mil m de área construída.
A Divisão Técnica de Biblioteca e Documentação abriga um acervo e oferece serviços
de informação de apoio ás atividades de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas pelas
Unidades do Campus de Botucatu: Faculdade de Medicina de Botucatu, Faculdade de
Medicina Veterinária e Zootecnia e Instituto de Biociências de Botucatu. O acervo está
especialmente voltado para as áreas de graduação em Medicina, Enfermagem, Medicina
Veterinária, Zootecnia, Biologia, Nutrição e Física Médica; programas de pós-graduação nas
áreas de Medicina Humana, Medicina Veterinária e Biologia, residências em Medicina e
Medicina Veterinária, e cursos de aprimoramento e especialização ofertados pelas Unidades
locais.
Foi criada em 1964 com a missão de contribuir ao desenvolvimento integral da
sociedade, promovendo o acesso e a produção do conhecimento, nas Unidades do Campus de
Botucatu e UNESP, prioritariamente, e também a todo cidadão, por meio de atendimento
direto, ou por intermédio da participação de sistemas locais, regionais e internacionais de
informação.

378 Informações disponibilizadas no site: http://www.unesp.br

3307

�Oferece vários serviços, entre eles: alimentação de bases de dados, assessoria de
publicações, comutação, empréstimo entre bibliotecas, fotocópias, cursos e treinamentos
sobre pesquisas em bases de dados e normalização de trabalhos científicos.
Desde 1982, a Divisão Técnica de Biblioteca e Documentação firmou convênio com a
BIREME, se tornando um centro cooperante da Biblioteca Virtual em Saúde e assim poder
realizar o trabalho de indexação de periódicos na área das Ciências da Saúde. Para isso, os
bibliotecários responsáveis pela indexação receberam treinamentos sobre os princípios
teóricos e metodológicos colaborativos na metodologia LILACS, possibilitando o
desenvolvimento de processos e aplicação de procedimentos no âmbito da representação de
conhecimento na área das Ciências da Saúde e afins.
Centros cooperantes são bibliotecas, unidades ou centros de informação de
universidades, associações ou sociedades responsáveis por angariar a produção científica da
instituição e da área, descrevendo e indexando de forma mais específica possível de modo a
primar pela qualidade dos dados fornecidos para a pesquisa científica (BIREME, 2013).
Segundo o manual de gestão da LILACS (BIREME, 2013) são diversos os
compromissos que um centro cooperante tende a firmar com a Biblioteca Virtual em Saúde,
entre eles:
■

Controle Bibliográfico
■ Selecionar, reunir, organizar, disseminar e manter atualizada a fonte de informação
LILACS e sua base local. Os documentos são:
■ Monografias, teses e documentos não-convencionais deverão ser processados
aqueles relacionados à área de atuação da instituição bem como aqueles
produzidos pela seu corpo de profissionais/docentes;
■ Títulos de periódicos deverão ser processados somente aqueles cuja publicação
tenha sido previamente indicada pela BIREME ou Centro Coordenador Nacional;

■

Acesso à informação
■ Promover o intercâmbio de publicações entre os integrantes da rede, visando a
atualização e ampla cobertura temática das coleções nas bibliotecas;
■

Promover o uso da LILACS por meio de atividades de pesquisa para usuários finais;

■ Assegurar o acesso ao texto completo dos documentos registrados na LILACS
localizados em sua biblioteca.
■

Rede
■ Compartilhar experiências com os membros da rede;

3308

�■ Contribuir para o treinamento de pessoal de outras bibliotecas da Rede quanto à
utilização da metodologia LILACS para processamento bibliográfico;
■

Gestão da base de dados e da metodologia
■ Atualizar periodicamente os aplicativos utilizados para o processo de descrição e
indexação com a sua versão mais atualizada e atualizar tabelas de títulos abreviados
de revistas LILACS e descritores DeCS;
■ Contribuir com a atualização da metodologia e tecnologia LILACS.

A cooperação teve início com um contrato estabelecido entre as partes e foram
ministrados treinamentos promovidos pela BIREME aos bibliotecários responsáveis pela
indexação e primeiramente foram atribuídos três títulos para indexação, que são: Revista de
Ciências Biomédicas (atualmente com o título Annual Review of Biological Scineces);
Revista de Ciências Farmacêuticas (hoje Revista de Ciências Farmacêuticas Básica e
Aplicada) e Revista de Odontologia da Unesp.
Com o passar do tempo foram incorporados cinco novos títulos e a Revista de
Odontologia da UNESP foi atribuída a outro centro cooperante. Portanto, atualmente são
indexados sete títulos correntes na base de dados LILACS.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A Seção Técnica de Referência, Atendimento ao Usuário e Documentação, por
intermédio de duas bibliotecárias, realiza a indexação na base de dados LILACS de sete
títulos de periódicos, são eles:
1) Journal of Venomous Animals and Toxins including Tropic Diseases (JVATiTD): é
uma publicação interdisciplinar de acesso aberto, dedicado à investigação sobre todos
os aspectos de toxinas, animais peçonhentos, doenças infecciosas, parasitologia,
imunologia e seus derivados desde 1995. É o jornal oficial do Centro de Estudos de
Venenos e Animais Peçonhentos (CEVAP), uma unidade da Universidade Estadual
Paulista (UNESP), sua periodicidade é semestral sendo distribuída inicialmente aos
pesquisadores em disquetes de 3,5' e em 2013 transferida automaticamente para
BioMed Central.

2) Revista Motriz: A Motriz é uma revista científica trimestral publicada pelo
Departamento de Educação Física, Instituto de Biociências, Universidade Estadual
Paulista de Rio Claro, Estado de São Paulo, Brasil. Foi lançada em 1995, incentivando

3309

�submissões de artigos de profissionais e pesquisadores em todas as áreas da ciência do
movimento humano, incluindo assuntos da educação física e esporte, fisioterapia,
educação especial, psicologia esportiva, biomecánica, biodinâmica, treinamento
desportivo, atividade física, morfologia e saúde, coordenação e controle de motor de
habilidades, imagem corporal, modernidade e pós-modernidade, fisiologia endócrinometabólica e exercício físico, educação física, movimento e estados de humor,
preparação profissional e para o mercado, e outros temas relevantes na área.

3) Revista de Ciências Farmacêuticas Básica e Aplicada, publica trabalhos científicos
originais e trabalhos de revisões no formato eletrônico e impresso, contribuindo para o
avanço científico e tecnológico, nacional e internacional nas áreas de Ciências
Farmacêuticas e afins. É editada pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da
Universidade Estadual Paulista - UNESP, primeiramente com o título Revista de
Ciências Farmacêuticas (1983) e a partir de 2005 alterou o título para Revista de
Ciêncas Farmacêuticas Básica e Aplicada.

4) Revista da Sociedade Brasileira de Clinica Medica, a Revista da Sociedade Brasileira
de Clínica Médica é o maior órgão representativo da SBCM no que diz respeito à
ciência. Foi lançada em 2003 e sua periodicidade é trimestral.
5) Interface - Comunicação, Saúde, Educação, é uma publicação interdisciplinar,
trimestral, editada pela UNESP (Laboratório de Educação e Comunicação em Saúde,
Departamento de Saúde Pública, Faculdade de Medicina de Botucatu e Instituto de
Biociências de Botucatu). Foi lançada em agosto de 1997 com a intenção de estimular
o debate e a difusão de conhecimento em torno das questões contemporâneas que
desafiam o campo da Saúde e sua articulação com a Comunicação e Educação, com
especial interesse pelo ensino das profissões de saúde, enquanto uma de suas
dimensões de prática e pesquisa.
6) Annual Review of Biomedical Sciences (ARBS) . Publicada em 1981 com o título de
Revista de Ciências Biomédicas, em 1999 passou ser denominada Annual Review of
Biomedical Sciences. Com um volume por ano, aborda diversos temas na área das
Ciências Biomédicas, como Bioquímica, Genética, Morfologia, Fisiologia, Psicologia,
Comportamento, Ecologia e Evolução.

3310

�7) Reprodução &amp; Climaterio: A revista Reprodução &amp; Climatério, anteriormente
denominada Reprodução, é o órgão oficial de divulgação da Sociedade Brasileira de
Reprodução Humana, Sociedade Brasileira de Ginecologia Endócrina e Associação
Brasileira do Climatério. Suas atividades foram iniciadas em 1995 e a distribuição é
feita a todos os sócios das sociedades participantes e aos principais serviços
universitários da América Latina.
Os dados apresentados a seguir têm a proposta de representar como vem se
comportando estatisticamente o serviço de Indexação realizado pela Divisão Técnica de
Biblioteca e Documentação da UNESP, campus Botucatu-Rubião Junior.
Na Tabela 1 estão identificados os títulos dos periódicos e o número total de artigos
indexados no período de 1981 a 2013.

Tabela 1: Periódicos e número de artigos indexados no período de 1981 a 2013
P erió d ico

P erío d o

T em p o
em anos

T otal de
até 2013

Annual Review of Biomedical
Sciences
Revista
de
Ciências
Farmacêuticas
Básica
e
Aplicada
Reprodução &amp; Climatério
Journal of Venomous Animals
and Toxins including Tropic
Diseases
Interface
Revista da Sociedade Brasileira
de Clínica Médica
Motriz
Total
Fonte: www.bireme.br

1981 a 2011

32

176

1983 a 2013

30

752

1995 a 2011
1995 a 2013

16
18

416
594

1997 a 2013
2003 a 2013

17
10

855
665

2007 a 2013

07

artigos

in d ex a d o s

569
4027

O Gráfico 1 aponta a evolução das indexações ao longo do tempo, ou seja, o processo
de indexação realizado ao longo de 32 anos de cooperação técnica entre a BIREME e a
Biblioteca Universitária com a finalidade de disponibilizar acesso à informação técnico e
científica na área das Ciências da Saúde produzida na América Latina e Caribe.

3311

�Gráfico 1: Evolução das indexações realizadas ao longo do tempo

0

Indexações realizadas ao longo do tempo
438439

427

0

0

4 1 .0

0
0
0

241

0

Q u a n tid a d e

337
295

0

____H 143
109 1 0 8
g2

86

88

90

m

■

■

2013

2012

2011

2010

2009

2008

2007

2006

2005

2004

2003

2002

2001

1999

e

2000

1 M 1 1 1 1
1998

U
1996

1995

1994

1993

1991

1990

1989

1988

1987

1986

1985

1984

1983

1982

1981

1992

T Y li

3

0

„ «jo

S" 1 9 9 7

0

93

Fonte: www.bireme.br

Os dados da Tabela 1 e doGráfico 1 demonstram a evolução em números de artigos
indexados na base de dados LILACS. Nota-se que, nos últimos 10 anos, o volume de artigos
publicados nos periódicos indexados vem aumentando consideravelmente nesse período.
Esse aumento no processo de indexação está relacionado com o crescimento da
produção científica nas diversas áreas do conhecimento, incluindo a área das ciências da
saúde. Um dos fatores que consideramos contribuir para esse aumento é o sistema de
avaliação dos programas de pós-graduação das instituições de ensino superior pelas agências
de fomento como a CAPES e FAPESP. Essas agências vêm utilizando o número de artigos
publicados para distribuir recursos para a ciência. Por isso, segundo Donato e Oliveira (2006),
os pesquisadores estão publicando cada vez mais trabalhos científicos para alcançar um
posicionamento profissional favorável.
Esse fato demandou a criação de novos periódicos científicos com qualidade e
excelência que permitissem a sua inclusão e, principalmente, a permanência em bases de
dados eletrônicas como a LILACS. Para isso, houve a necessidade dos editores das revistas
científicas adequar-se aos critérios estabelecidos como indicadores de qualidade desses
periódicos, tais como: conteúdo, revisão por pares, comitê editorial, regularidade de
publicação, periodicidade, tempo de existência, normalização e apresentação gráfica.
O desenvolvimento acelerado das publicações eletrônicas online na Internet, incluindo
os periódicos científicos, nas últimas décadas teve aceitação geral por parte dos autores,

3312

�publicadores, bibliotecários e usuários, o que fomentou a utilização desse meio na promoção
da comunicação em geral e nos resultados das pesquisas científicas (PACKER, 2005).
Conforme relata Packer (2005), a Internet provocou a reestruturação da comunicação
científica clássica em papel e passa a ser o meio de produção e operação da comunicação
científica que, alem de aportar como tecnologia de meio de publicação, surge também a
dimensão de caráter político, que preconiza o conhecimento científico como bem público, o
que demandou um novo modo de produção do fluxo de informação na comunicação
científica. Essa reestruturação vem ao encontro dos objetivos dos programas de cooperação
técnica impulsionando a criação das Bibliotecas Virtuais, fortalecendo cada vez mais os
movimentos open access, dos repositórios pessoais, institucionais e temáticos.
Sendo assim, a LILACS por manter uma política de indexação rigorosa, atualizada e
baseada em padrões internacionais para operação descentralizada em centenas de centros
cooperantes nos idiomas inglês, português e espanhol é hoje o mais importante e abrangente
índice da literatura científica e técnica da América Latina e Caribe, contribuindo para o
aumento da visibilidade, acesso e qualidade da informação em saúde nas Regiões da América
Latina e Caribe.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A indexação de artigos de periódicos na base de dados LILACS como serviço
oferecido pela Divisão Técnica de Biblioteca e Documentação da UNESP, campus BotucatuRubião Junior vem crescendo ao longo dos anos, conforme demonstrado estatisticamente
neste trabalho, consolidando-se como um produto do programa de cooperação técnica em
informação científica em Saúde.
Isto é possível graças à adoção de uma parceria entre a BIREME e a Biblioteca
Universitária à qual agrega a função de centro de informação e de serviço de indexação aos
serviços ofertados pelos centros de informação.
Essa atividade colaborativa com a BIREME, que vem sendo realizada ao longo de 32
anos, representa também o esforço da biblioteca universitária especializada em Saúde em
superar as suas próprias limitações de estrutura tradicional de visibilidade e acesso à
comunicação científica publicada nacionalmente.

3313

�6 REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12676: métodos para
análise de documentos - determinação de seus assuntos e seleção de termos de indexação. Rio
de Janeiro, 1992. 4 p.
BIREME. OPAS. OMS. Manual de gestão da FI LILACS. 2013. Disponível em:
http://wiki.bireme.org/pt/index.php/Manual_de_gest%C3%A3o_da_FI_LILACS&gt;.

Acesso

em: 20 maio 2014.
DONATO, H. M.; OLIVEIRA, C. F. Patologia mamária: avaliação da actividade científica
nacional através de indicadores bibliométricos (1995 julho 2005). Acta Médica Portuguesa,
v. 19, p. 225-234, 2006.
MEDEIROS, R. Tratamento do texto jornalístico escrito à luz da análise documentária: o caso
do resumo. Informação e Sociedade, v. 9, n. 2, p. 1-5, 1999.
PACKER, A. L. A construção coletiva da Biblioteca Virtual em Saúde. Interface (Botucatu),
v. 19, n. 17, p. 248-272, 2005.

3314

�</text>
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                <text>Este trabalho tem como objetivo apresentar um panorama histórico do trabalho de indexação de periódicos na base de dados LILACS, realizado na Seção Técnica de Referência, Atendimento ao Usuário e Documentação da Divisão Técnica de Biblioteca e Documentação da Unesp, campus Botucatu-Rubião Junior. A parceria efetuada entre a BIREME e a biblioteca universitária já na década de 1982 reflete a preocupação em promover a disseminação e uso da informação científica em saúde a todos os seus usuários.
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O SERVIÇO DE PESQUISA BIBLIOGRÁFICA OFERECIDO PELA BIBLIOTECA
DE CIÊNCIAS JURÍDICAS DO SISTEMA DE BIBLIOTECAS (SiBi) DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ (UFPR)
Paula Carina Araújo

RESUMO
Descreve e avalia a pesquisa bibliográfica como um serviço de informação oferecido pelo
Setor de Referência e Informação da Biblioteca de Ciências Jurídicas do Sistema de
Bibliotecas (SiBi) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) sob o ponto de vista do
usuário. Desenvolve uma pesquisa quantitativa, qualitativa, exploratória e emprega o estudo
de usuário como técnica de pesquisa. Os dados foram coletados por meio de um questionário
eletrônico composto por dez perguntas e aplicou a Escala Likert para quatro delas. Constata
que a Biblioteca de Ciências Jurídicas tem cumprido o objetivo do serviço, pois a avaliação
dos usuários foi excelente e indicou que eles estão satisfeitos com as pesquisas bibliográficas
realizadas.
Palavras-Chave: Pesquisa bibliográfica; Levantamento bibliográfico;
Informação; Biblioteca universitária; Setor de referência e informação.

Serviço

de

ABSTRACT
It describes and evaluates the bibliographical research as an information service offered by
Reference and Information Sector of Law Library of Sistema de Bibliotecas (SiBi) of
Universidade Federal do Paraná (UFPR) by the user’s point of view. It develops a
quantitative, qualitative and exploratory research and it employs user’s study as a research
technique. The data was collected through an electronic questionnaire composed by ten
questions and applied the Likert Scale in four of them. It finds that Law Library has
accomplished the objective of the service, because the user’s evaluation was excellent and
indicated that they are satisfied with bibliographical researches made.
Keywords: Bibliographical research; Bibliographical survey; Information service; Academic
Library; Reference and information sector.

1 INTRODUÇÃO
A pesquisa permeia todas as atividades desenvolvidas na universidade, seja no ensino,
pesquisa ou extensão. As bibliotecas universitárias têm como objetivo apoiar esses setores da
universidade de modo a proporcionar o desenvolvimento de novas pesquisas, o
aperfeiçoamento da competência informacional da comunidade acadêmica e o consequente

3283

�desenvolvimento de inovação que atingirá não só os pesquisadores, docentes e discentes, mas,
a comunidade em geral.
O Sistema de Bibliotecas (SiBi) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) tem como
missão: “ofertar à comunidade universitária, e também para a comunidade em geral, controle
e acesso adequados a informações em Ciência e Tecnologia, reconhecidos como essenciais
para

as

atividades

universitárias,

de

cunho

acadêmico

e

administrativo

[...]”.

(UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ, 2010). Tendo em vista sua missão, muitas
bibliotecas do SiBi/UFPR oferecem o serviço denominado Pesquisa Bibliográfica, definido
como “um levantamento bibliográfico sobre um determinado assunto ou autor em bases de
dados e outras fontes de informação”. (UFPR, [2014]).
Na Biblioteca de Ciências Jurídicas, uma das unidades do SiBi/UFPR, o serviço
começou a ser oferecido no segundo semestre de 2009. Entretanto, ganhou força no início do
ano de 2013 quando a divulgação do serviço foi intensificada por e-mail, durante os cursos de
capacitação oferecidos pelo SiBi/UFPR, apresentação da biblioteca para os calouros e com a
ajuda dos docentes do curso de graduação e pós-graduação em Direito.
Nesse contexto, apresenta-se como objetivo geral avaliar o serviço de Pesquisa
Bibliográfica oferecido pela Biblioteca de Ciências Jurídicas do SiBi/UFPR sob o ponto de
vista do usuário. Entende-se que o estudo de usuários é a melhor forma para tal avaliação e
representa uma importante ferramenta gerencial.
O serviço de pesquisa bibliográfica é relativamente novo na Biblioteca de Ciências
Jurídicas, por isso, conhecer a opinião dos usuários é essencial para sua avaliação e
aperfeiçoamento, de modo a suprir as necessidades informacionais daqueles que fazem uso do
serviço. Além disso, a biblioteca busca a excelência nos serviços que oferece e, este estudo é
essencial para o alcance desse patamar.

2 PESQUISA BIBLIOGRÁFICA
A pesquisa é uma atividade básica da ciência na sua indagação e construção da
realidade. Pode ainda ser considerada como uma atividade orientada à busca de conhecimento
que utiliza instrumentos teóricos metodológicos para construir o conhecimento (BUFREM,
2010). Sabe-se que a pesquisa científica permeia todas as atividades nas universidades e
institutos de pesquisa, por exemplo. Daí a importância de descrever suas diversas facetas, em
especial nesse estudo, a pesquisa bibliográfica.
A pesquisa bibliográfica é descrita, inicialmente, a partir de um conceito restrito, como
denomina Macedo (1996, p. 13). “É a busca de informações bibliográficas, seleção de

3284

�documentos que se relacionam com o problema de pesquisa [...] e o respectivo fichamento das
referências para que sejam posteriormente utilizadas [...]”. A autora afirma que pode ser
considerado o primeiro passo da pesquisa científica e tem como objetivo revisar a literatura
existente e não repetir o tema de estudo ou experimentação que, por ventura, já tenham sido
feitos.
Outro conceito, apresentado por Cervo, Bervian e Silva (2007, p.61) é de que:
A pesquisa bibliográfica é o meio de formação por excelência e constitui o
procedimento básico para os estudos monográficos, pelos quais se busca
domínio do estado da arte sobre determinado tema. Como trabalho científico
original, constitui a pesquisa propriamente dita na área das ciências
humanas. Como resumo de assunto, constitui geralmente o primeiro passo de
qualquer pesquisa científica. Os alunos de todos os níveis acadêmicos
devem, portanto, ser iniciados nos métodos e nas técnicas de pesquisa
bibliográfica.
Pizzani et al. (2012, p. 57) afirma que o fluxo da pesquisa bibliográfica é formado
pelas seguintes etapas: delimitação do tema-problema, levantamento e fichamento das
citações relevantes, pesquisa na internet para localização de material bibliográfico,
aprofundamento e expansão da busca, relação das fontes a serem obtidas, localização das
fontes, leitura e sumarização e redação do trabalho.
Muitas vezes a pesquisa bibliográfica é caracterizada como revisão de literatura ou
revisão bibliográfica. A revisão de literatura é apenas um pré-requisito para a realização de
qualquer pesquisa, o que não é compreendido por muitos. “A pesquisa bibliográfica implica
em um conjunto ordenado de procedimentos de busca por soluções, atento ao objeto de
estudo, e que, por isso, não pode ser aleatório”. (LIMA, MIOTO, 2007, p. 38). Os autores
afirmar ainda que a pesquisa bibliográfica fundamenta teoricamente o objeto de estudo e vai
além da simples observação de dados contidos em fontes pesquisadas, uma vez que destaca a
teoria e a compreensão crítica do significado existente no objeto de estudo.
O termo pesquisa bibliográfica também é conceituado sob outro ponto de vista. Ao
constatar a necessidade de educação de usuários em bibliotecas universitárias, Cunha (1986,
p. 177) afirma que naquela época eram encontrados textos que se referiam à atividade de
educação de usuários como orientação bibliográfica, pesquisa bibliográfica e instrução sobre
o uso da biblioteca, de forma errônea.
Para que não haja confusão de conceitos, o autor esclarece que a pesquisa bibliográfica
é uma atividade que “preocupa-se em capacitar o estudante a obter a informação, necessária
para uma finalidade específica, através do amplo uso dos recursos e materiais disponíveis na

3285

�biblioteca. Preocupa-se com problemas da recuperação da informação”. (FAJLLBRANT,
1976, p.14 apud CUNHA, 1986, p. 177).
Percebe-se que esse conceito define pesquisa bibliográfica como um serviço ofertado
pelas bibliotecas, especialmente as universitárias e especializadas, ou seja, o levantamento
bibliográfico sobre um determinado assunto ou autor em fontes de informação que possam
atender às necessidades de informação dos usuários.
A pesquisa bibliográfica utiliza a consulta aos documentos bibliográficos para cumprir
o objetivo de encontrar respostas aos problemas de pesquisa. Portanto, para localizar o
material bibliográfico que apoiará a pesquisa, é necessário conhecer a organização dos textos,
das bibliotecas e dos bancos de dados, bem como saber utilizá-los. (CERVO, BERVIAN,
SILVA, 2007, p. 29).
Ao discutir o tema pesquisa bibliográfica, Macedo (1996, p.7) afirma que na década de
1980 observava os alunos envergonhados e confusos consultando catálogos e publicações nas
estantes. Destaca que esses educandos ficavam ainda mais perplexos quando iniciavam a
cópia de passagens de livros e enciclopédias. Reitera que até 1994 a situação perdura, embora
as bibliotecas estivessem, naquele momento, iniciando a informatização. Ainda previu que
com a criação das bibliotecas digitais na virada do século, grandes transformações
aconteceriam.
Nesse mesmo contexto das bibliotecas, um conceito amplo de pesquisa bibliográfica
também é apresentado por Macedo (1996, p. 13-14) como o planejamento inicial de qualquer
trabalho de pesquisa e envolve vários procedimentos metodológicos que podem ser descritos
nas seguintes etapas:
a) Procura-se identificar, localizar e obter documentos pertinentes ao estudo
de um tema bem delineado, levantando-se a bibliografia básica; b) elabora-se
um esquema provisório (temas e subtemas do futuro trabalho) e um rol de
descritores (em português e outras línguas) para servir de guia na fase de
anotações dos dados de leitura; c) transcrevem-se em fichas, segundo
critérios, os dados de leitura (resumos, transcrições, notas, etc.); d)
enriquece-se o primeiro levantamento pelas bibliografias constantes nos
documentos analisados, organizando-se em conjunto de fichas de anotação
para documentar o trabalho (citações de texto); e) prepara-se o sumário do
trabalho (reformulando-se o esquema provisório) e dá-se início à redação da
monografia subsidiada pelas fichas de anotação.
Há poucos registros na literatura sobre o serviço de pesquisa bibliográfica em
bibliotecas e a maioria deles é da década de 1980 (POLKE, 1972; GONÇALVEZ, 1975;
NOCETTI, 1980; PEREIRA; PEREIRA, 1983; MACEDO, 1982; SOUZA, 1984; CALDAS,
1984; VILLARES, 1989).

3286

�O Departamento de Informação e Documentação, da Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (EMBRAPA), iniciou, em 1979, o Programa Automatizado de Pesquisas
Informacionais Retrospectivas (PAPIR). Seu desenvolvimento teve como objetivo suprir a
demanda por bibliografias retrospectivas. A operacionalização do serviço era realizada em
cinco etapas: 1) preenchimento dos formulários pelos pesquisadores; 2) processamento
técnico; 3) recuperação das informações; 4) controle de qualidade; 5) expedição das listagens
(NOCETTI, 1980).
Pereira e Pereira (1983) descreveram a experiência do Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal da Paraíba. A ideia do oferecimento desse serviço surgiu da maior
atenção voltada para os cursos de pós-graduação da universidade, nível em que a maioria das
pesquisas é desenvolvida. As autoras afirmam que a implantação do serviço representaria um
rompimento de estruturas arcaicas e possibilitaria a valorização do trabalho do bibliotecário.
A experiência da Biblioteca Central da Universidade de Brasília foi relatada por
Villares (1989). A equipe de referência dessa biblioteca oferecia o serviço antes mesmo do
surgimento das bases de dados on-line e, a autora informa que com o surgimento dos novos
recursos informacionais eletrônicos o serviço foi intensificado e sua operacionalização se
tornou mais fácil. Nessa instituição o serviço era oferecido, naquela época, para os docentes e
discentes dos cursos de pós-graduação e para seu desenvolvimento era necessário:
identificação precisa do assunto, a escolha das palavras-chaves ou descritores na língua usada
na fonte a ser consultada e a definição dos aspectos limitativos do interesse do usuário sobre o
assunto.
Ao estudar a viabilidade para propor um padrão de formulários para a solicitação do
serviço de pesquisa bibliográfica em bibliotecas especializadas, Souza (1984) constatou, a
partir da revisão de literatura, que não há um consenso entre os autores quanto à terminologia
do serviço de pesquisa bibliográfica, chamado por alguns de levantamento bibliográfico,
busca na literatura, levantamento da literatura, investigação bibliográfica, etc. No próprio
artigo em alguns momentos o serviço é chamado de pesquisa bibliográfica e em outros de
levantamento bibliográfico.
Cervo, Bervian e Silva (2007, p. 79-81) apontam o levantamento bibliográfico, leitura
de reconhecimento, apontamentos e anotações como as etapas da pesquisa bibliográfica.
Afirmam que na fase de levantamento é necessário fazer “a identificação e localização de toda
a bibliografia necessária para o trabalho, até para saber o que há disponível na biblioteca de
sua instituição, o que precisa ser adquirido, o que precisa ser fotocopiado e o que o estudante
tem em seu próprio acervo”.

3287

�Seguindo essas mesma linha, afirma-se que antes de iniciar a pesquisa bibliográfica é
importante que se tenha claro e definido o tema da pesquisa. “[...] o pesquisador deve
formular um título para o seu levantamento bibliográfico e identificar os termos que
expressem o seu conteúdo, não só no idioma português, como também em outros,
principalmente em inglês por ser o idioma de grande acesso mundial”. (VOLPATO, 2000).
Polke (1972, p. 46) divide o levantamento bibliográfico em: fase preparatória e fase de
execução. A fase preparatória e composta de algumas etapas: estudo de assunto, tradução dos
termos para outros idiomas, delimitação do período e das línguas ou áreas geográficas,
levantamento e estudo de fontes adequadas à pesquisa. Já a fase de execução divide-se em:
identificação e localização dos trabalhos.
A partir da literatura revisada até aqui foi possível perceber que o termo pesquisa
bibliográfica é mais amplo do que levantamento bibliográfico e, se forem avaliados os dois
conceitos, o mais adequado para designar o serviço prestado pelas bibliotecas é levantamento
bibliográfico. Polke (1972, p. 46) concorda com esse pensamente e afirma que: “A pesquisa
bibliográfica pode-se chamar, talvez com maior propriedade de levantamento bibliográfico,
restringindo o quase abuso que se vem atribuindo à palavra pesquisa”.
Apesar de chegar a essa constatação, para fins desse estudo será utilizado o termo
pesquisa bibliográfica para designar o serviço oferecido pela Biblioteca de Ciências Jurídicas
da UFPR, tendo em vista que esse é o nome atribuído ao serviço, até o momento, para todo o
SiBi/UFPR. Entretanto, recomenda-se uma reflexão sobre o conceito mais adequado para
designar esse serviço e sua possível modificação.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Esta pesquisa é caracterizada como quantitativa e qualitativa, pois buscou reconhecer a
percepção de um grupo sobre o serviço de Pesquisa Bibliográfica oferecido pela Biblioteca de
Ciências Jurídicas do SiBi/UFPR, ou seja, recorreu à compreensão de um fato, por meio de
dados coletados durante a pesquisa e, posteriormente, realizou a análise dos mesmos sob as
duas perspectivas.
Ainda com relação aos objetivos, a pesquisa é considerada exploratória uma vez que
pretendeu conhecer um campo pouco estudado recentemente na área de serviços de
informação. A pesquisa exploratória “têm como objetivo proporcionar maior familiaridade
com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito [...]”. (GIL, 1996, p.45). O estudo de
usuários foi utilizado como técnica de pesquisa, cujos objetivos são “coletar dados para criar

3288

�e/ou avaliar produtos e serviços informacionais, bem como entender melhor o fluxo da
transferência da informação”. (BAPTISTA; CUNHA, 2007, p. 169).
Para a coleta de dados foi utilizado o questionário eletrônico elaborado por meio do
programa Google Drive e enviado por e-mail para 77 usuários que solicitaram uma ou mais
Pesquisas Bibliográficas no ano de 2013, os quais representam a população da pesquisa.
Responderam ao questionário 40 pessoas, o equivalente a 51,9% dos respondentes.
O questionário eletrônico foi composto por 10 perguntas: quatro de múltipla escolha,
duas abertas e quatro nas quais foram diluídos os itens de avaliação do serviço e por meio das
quais os pesquisados deveriam indicar seu grau de concordância ou discordância por meio da
Escala Likert de cinco pontos - onde 1 é considerado “não concordo” e 5 “concordo
plenamente”.
Os dados coletados serão apresentados em quadros e analisados por meio de categorias
que exprimam a avaliação do serviço. Foram criadas quatro categorias para a análise dos
resultados, a saber: tempo de resposta à solicitação, conteúdo da resposta à pesquisa, fontes de
informação e forma de solicitação e envio da pesquisa.
Segundo Bardin (2002) as categorias são seções ou classes que reúnem um grupo de
elementos sob um título genérico e essa reunião é feita com base nas características comuns
dos mesmos. A categorização é uma operação de classificação de elementos que fazem parte
de um conjunto. O agrupamento é feito por gênero (analogia), a partir de critérios prédefinidos.

4 O SERVIÇO DE PESQUISA BIBLIOGRÁFICA OFERECIDO PELA BIBLIOTECA
DE CIÊNCIAS JURÍDICAS
A Pesquisa Bibliográfica é um dos serviços oferecidos pelo Setor de Referência e
Informação das bibliotecas do SiBi/UFPR e cada biblioteca estabelece a forma como o
serviço é oferecido. Na Biblioteca de Ciências Jurídicas o serviço é oferecido para toda a
comunidade acadêmica (docentes, discentes e servidores), desde que a pesquisa tenha alguma
relação com a área de ciências jurídicas, já que esta é a especialidade da biblioteca.
Para solicitar o serviço é necessário preencher um formulário, preferencialmente, no
Setor de Referência e Informação da Biblioteca, tendo em vista que muitas vezes é necessário
realizar uma entrevista de referência para esclarecer a necessidade de informação do usuário.
Entretanto, o formulário também está disponível no Portal da Informação, site do SiBi/UFPR.
Esse formulário é dividido em três partes, a saber:

3289

�a) Identificação do usuário: são solicitadas informações como nome, data, curso, matrícula,
categoria de usuário, telefone, e-mail e finalidade da pesquisa;
b) Pesquisa: nesta seção o usuário deve informar o tema e área de pesquisa, possíveis
palavras-chave, idioma, tipo de material e cobertura de tempo;
c) Controle da biblioteca: ao receber a solicitação, a biblioteca inicia o controle da mesma,
para isso é anotada a data de recebimento, data prevista para envio da resposta à pesquisa,
data de envio, qual o tipo de material localizado e em quais bases de dados a pesquisa foi
realizada.
Ao receber uma solicitação de pesquisa bibliográfica, muitas vezes é preciso conversar
com o aluno para entender seu tema, questionar quem é o orientador, entre outras perguntas
que fazem parte de uma boa entrevista de referência o que, posteriormente, facilitará o
trabalho do bibliotecário para encontrar exatamente a informação de que o usuário precisa.
De posse da solicitação de pesquisa, o bibliotecário analisa os itens do campo
“Pesquisa” do formulário. Atenta para o tema da pesquisa, palavras-chave, indicação de
idioma e recorte de tempo. A partir disso, ele identifica as bases de dados que, possivelmente,
retornarão resultados pertinentes ao tema da pesquisa. Geralmente a pesquisa é iniciada em
bases de dados multidisciplinares para depois partir para bases específicas.
Antes de iniciar a pesquisa, o bibliotecário verifica a necessidade de identificar outras
palavras-chave, de fazer a tradução das mesmas e cria as estratégias de busca necessárias para
realizar a pesquisa bibliográfica. Nesse estágio, o formulário é utilizado para fazer as
anotações necessárias manter um histórico de pesquisa.
Ao localizar as referências, são criadas as listas de materiais bibliográficos
recuperados para serem enviadas aos usuários por e-mail, posteriormente. No e-mail são
anexadas as listas e é informado ao usuário em quais bases a pesquisa foi realizada, também é
solicitado que ele envie sua opinião se a pesquisa satisfez sua necessidade de informação e,
caso precise, é possível refazer a estratégia de busca, mudar as palavras-chaves, tudo para
atender ao usuário da melhor forma possível.
Por fim, o usuário faz a seleção do material bibliográfico do seu interesse e pede
auxílio ao Setor de Referência e Informação para localizar esses documentos. O bibliotecário,
por sua vez, busca o material no acervo do SiBi/UFPR, nas redes informais

que participar,

pelo serviço de comutação bibliográfica e empréstimo entre bibliotecas. Em último caso,
orienta o aluno a entrar em contato com o próprio autor para ter acesso ao documento.
377 Entende-se por redes informais as listas de discussão da área, meio comum de conseguir material disponível
em outros acervos, colegas que trabalham em outras instituições, etc.

3290

�Em todo esse processo, conhecer a opinião dos usuários com relação a esse serviço,
uma vez que foi no ano de 2013 que houve um aumento significativo do número de
solicitações, é uma das formas de reconhecer os pontos fortes e fracos para melhorar cada vez
mais de modo a atender as necessidades dos usuários.
Nas seções seguintes será apresentado o perfil dos 40 respondentes da pesquisa, bem
como a avaliação dos serviços sob seu ponto de vista.
4.1 Caracterização dos Respondentes e das Pesquisas Solicitadas
Entre os respondentes 36 (90%) são alunos de graduação, 2 (5%) alunos de pósgraduação e 1 (2,5%) professor e 1(2,5%) servidor, conforme o Quadro 1. Acredita-se que os
alunos de graduação utilizaram mais o serviço, devido à divulgação realizada durante a
apresentação da biblioteca, mas, principalmente pela explicação sobre o serviço e divulgação
durante um evento promovido por um professor para a graduação: "Como elaborar uma
pesquisa jurídica: aspectos práticos".

Quadro 1: Tipo de usuário
TIPO DE USUÁRIO
Aluno de Graduação
Aluno de Pós-graduação
Professor
Servidor

QUANTIDADE
36 (90%)
2 (5%)
1 (2,5%)
1(2,5%)

Fonte: A autora
Quando questionados sobre o meio pelo qual tomaram conhecimento sobre o serviço
de pesquisa bibliográfica, a maioria (17 - 42,5%) afirmou que foi pela divulgação de um
professor, o que pode ser também justificada pela realização do evento citado anteriormente,
mas, também pelo apoio de outros professores do curso ao divulgarem em sala de aula e
durante as orientações. Pode-se constatar ainda que os próprios colegas (37,5%) comentam
uns com os outros sobre o serviço, o que também auxilia para que o mesmo seja utilizado.
Ao perceber que apenas 6 (15%) dos alunos tomaram conhecimento do serviço pela
Biblioteca, é possível afirmar que há necessidade da criação de uma estratégia de divulgação
do serviço. Outras formas apontadas pelos alunos foram pela coordenação do curso de Direito
e durante uma palestra.

3291

�Quadro 2: Meio pelo qual tomou conhecimento sobre o serviço de pesquisa bibliográfica
MEIO
Portal da Informação
Mídias sociais (blog, facebook, etc)
Professor
Colega
Biblioteca de Ciências Jurídicas
Outro

QUANTIDADE
0
0
17 (42,5%)
15 (37,5)
6 (15%)
2 (5%)

Fonte: A autora

Eles foram questionados quanto à finalidade da pesquisa. Como a maioria das
solicitações partiu de alunos de graduação, o desenvolvimento da monografia (24 - 60%) foi
a finalidade mais indicada. Outros para a escrita de projeto de monografia, artigo científico,
projeto de pesquisa, dissertação e trabalho acadêmico, como está apresentado no Quadro 3.

Quadro 3: Finalidade da pesquisa
FINALIDADE DA PESQUISA
Artigo científico
Trabalho acadêmico
Projeto de pesquisa
Projeto de monografia
Monografia
Dissertação
Tese
Outro

QUANTIDADE
4 (10%)
1 (2,5%)
3 (7,5%)
6 (15%)
24 (60%)
2 (5%)
0
0

Fonte: A autora

Cabe ressaltar que a finalidade do serviço de pesquisa bibliográfica não é fazer todo o
trabalho pelo pesquisador, mas, auxiliá-lo quando tiverem dificuldade. Entende-se que o
desenvolvimento da monografia é um dos momentos cruciais da vida acadêmica, como nesta
pesquisa a maioria dos respondentes são alunos de graduação, entende-se que esse é o
momento em que mais precisam de auxílio, seja do orientador ou dos bibliotecários com a
pesquisa bibliográfica e normalização da monografia.
A área em que a maioria das pesquisas se concentra é o Direito Civil (9 - 22,5%), em
segundo lugar estão o Direito Administrativo e Direito Penal com 6 (15%) indicações cada.
Na categoria outros, foram indicadas as áreas: Biodireito, Direito da União Europeia, Direito
Urbanístico, Direitos Humanos, Extensão Popular, Políticas Públicas, Teoria do Estado e
Ciência Política.

3292

�Quadro 4: Área de pesquisa
ÁREA DA PESQUISA
Direito administrativo
Direito ambiental
Direito civil
Direito comercial
Direito constitucional
Direito econômico
Direito do trabalho
Direito internacional
Direito penal
Direito processual civil
Direito processual penal
Direito tributário
Filosofia do direito
História do direito
Teoria do direito
Outro

QUANTIDADE
6 (15%)
0
9 (22,5%)
1 (2,5%)
3 (7,5%)
0
2 (5%)
3 (7,5)
6 (15%)
2 (5%)
1 (2,5%)
0
0
0
0
7 (17,5%)

Fonte: A autora

4.2 Avaliação do Serviço de Pesquisa Bibliográfica Oferecido pela Biblioteca de Ciências
Jurídicas

O serviço de pesquisa bibliográfica foi avaliado a partir da opinião dos usuários que
solicitaram o serviço no ano de 2013, por meio de um questionário eletrônico. Cabe ressaltar
que será adotada a prática de enviar esse questionário eletrônico para todos os usuários que
solicitarem o serviço para que a avaliação seja permanente.

3293

�Quadro 5: Avaliação do serviço de pesquisa bibliográfica oferecido pela Biblioteca de
Ciências Jurídicas da UFPR.
CATEGORIAS DE AVALIÇÃO
TEMPO
DE
RESPOSTA
SOLICITAÇÃO

ESCALA LIKERT
À

1

1
(2,5%)
A pesquisa foi enviada antes do prazo 14
(35%)
estabelecido.
9
A pesquisa foi enviada no prazo estabelecido
(22,5%)
A pesquisa foi enviada depois do prazo 31
(77,5%)
estabelecido
CONTEÚDO
DA
RESPOSTA
À
PESQUISA
A lista de materiais enviada atendeu às 1
necessidades da pesquisa.
(2,5%)
Foi necessário realizar outra pesquisa para 4
(10%)
suprir minhas necessidades
O número de referências enviadas foi 6
(15%)
suficiente.
FONTES DE INFORMAÇÃO
As fontes de informação enviadas são 0
confiáveis.
As bases de dados utilizadas para a pesquisa 0
cobrem as áreas da pesquisa solicitada.
Já tinha conhecimento da maioria das fontes 7
de informação utilizadas como recurso para a
(17,5%)
pesquisa.
FORMA DE SOLICITAÇÃO E ENVIO
DA PESQUISA
O formulário de solicitação de pesquisa
bibliográfica é compreensível e contempla 0
todas as informações necessárias para a
solicitação
O envio do resultado da pesquisa bibliográfica 0
por e-mail é prático e eficiente.
O envio do resultado da pesquisa bibliográfica 1
em forma de listas em arquivos separados por
(2,5%)
bases de dados pesquisadas é eficiente.
As informações indicadas no cabeçalho do
resultado da pesquisa bibliográfica são muito 1
importantes para entendimento do resultado da (2,5%)
pesquisa.
Todos os requisitos que você indicou no 1
formulário de solicitação foram atendidos na
(2,5%)
resposta ao pedido.
Fonte: A autora
O prazo estabelecido é suficiente.

2

3

4

5

5
(12,5%)
6
(15%)
2
(5%)
1
(2,5%)

6
(15%)
5
12,5%)
4
(10%)
1
(2,5%)

8
(20%)
3
(7,5%)
2
(5%)
4
(10%)

20
(50%)
12
(30%)
23
(57,5%)
3
7,5%)

4
(10%)
4
(10%)
4
(10%)

5
11
19
12,5%) (27,5%) (47,5%)
7
10
15
(37,5%)
(17,5%) (25%)
9
12
9
(22,5%) (30%)
(22,5%)

4
(10%)

2
8
30
(20%)
(75%)
(5%)
7
11
18
(17,5%) (27,5%) (45%)

12
(30%)

17
3
(42,5%) (7,5%)

2
(5%)

13
11
14
(32,5%) (27,5%) (35%)

1
(2,5%)

1
(2,5%)

6
(15%)

0

6
(15%)

7
26
(17,5%) (65%)

0

6
(15%)

9
24
(22,5%) (60%)

1
(2,5%)

7
8
(17,5%) (20%)

0

1
(2,5%)

32
(80%)

23
(57,5%)

As respostas foram divididas em quatro categorias, a saber: tempo de resposta à
solicitação, conteúdo da resposta à pesquisa, fontes de informação e forma de solicitação e

3294

�envio da pesquisa. A apresentação e análise dos dados foram feitas a partir dessas categorias
que foram divididas nas seções apresentadas a seguir.

4.2.1 Tempo de resposta à solicitação
A Biblioteca de Ciências Jurídicas estabeleceu o prazo de 10 a 15 dias úteis para
resposta aos pedidos de pesquisa bibliográfica. Esse prazo foi definido logo que o serviço
começou a ser oferecido e após avaliar o número de servidores que realizariam as pesquisas
(um bibliotecário de referência), a demanda de trabalho, etc.
A primeira categoria de análise dessa pesquisa é “Tempo de Resposta à Solicitação”.
A maioria dos respondentes considerou o prazo estabelecido suficiente, pois 20 (50%)
pessoas indicaram concordar plenamente, 8 (20%) indicaram o número 4 na Escala Likert, o
que mostra que concordam que o prazo é suficiente. Apenas 1 (2,5%) usuário respondeu não
concordar.
O Setor de Referência e Informação é o responsável por inúmeros serviços: comutação
bibliográfica, empréstimo entre bibliotecas, capacitação de usuários, orientações acadêmicas,
entre outros. Para gerenciar o oferecimento de todos esses serviços é necessário o
estabelecimento de prazos que possam ser cumpridos de forma a bem atender ao usuário.
Os usuários também foram questionados se receberam o resultado da pesquisa antes,
após ou no prazo estabelecido. Dos 40 respondentes, 12 (30%) afirmaram receber a pesquisa
antes do prazo estabelecido e 23 (57,5%) afirmaram terem recebido no prazo estabelecido, o
que representa o esforço da biblioteca para prestar o serviço da melhor forma possível,
atender às expectativas dos usuários e até mesmo superá-las. Apenas 3 (7,5%) respondentes
informaram concordar plenamente e 4 (10%) concordaram terem recebido a pesquisa depois
do prazo.
4.2.2 Conteúdo das respostas à pesquisa
Três questionamentos foram feitos quanto ao conteúdo da resposta à pesquisa
bibliográfica. Primeiramente, os usuários foram questionados se a lista de materiais enviada
atendeu às necessidades da pesquisa, 19 (47,5%) dos pesquisados responderam que
concordam plenamente e 11 (22,5%) que concordam. Apenas 1 (2,5%) dos respondentes
afirmou que sua necessidade de pesquisa não foi atendida. Houve 4 (10%) indicações para a
escala 2 e a escala 3 recebeu 5 (12,5%) indicações. Provavelmente, a pesquisa não atendeu
totalmente a necessidade de informação desses últimos respondentes.
Pode-se afirmar que o serviço de pesquisa bibliográfica tem cumprido seu objetivo de
auxiliar os alunos no levantamento de bibliografia pertinente aos temas de pesquisa que estão

3295

�sendo desenvolvidos, a partir dos resultados obtidos neste estudo. Cabe ressaltar que no e­
mail com a resposta à pesquisa sempre foi enviada uma observação pedindo um feedback dos
usuários sobre a quantidade de referências, bem como seu conteúdo.
Entre os respondentes, 15 (37,5%) concordaram plenamente que precisaram realizar
outra pesquisa bibliográfica para suprir sua necessidade de informação e 11 (27,5%)
concordaram com a mesma afirmação. Esses dados podem ser avaliados de dois pontos de
vista, primeiramente, acredita-se que a biblioteca pode melhorar sua pesquisa e uma das
formas é investir na entrevista de referência, que foi feita apenas em alguns casos, tendo em
vista que o bibliotecário de referência está na biblioteca no período da manhã e início da
tarde. Quando o usuário solicita o serviço fora desse horário, ele o faz apenas preenchendo o
formulário sem ser feito nenhum questionamento.
Ao realizar o levantamento bibliográfico o bibliotecário tenta se aproximar ao máximo
do tema de pesquisa informado no formulário. Se por exemplo, é solicitada uma pesquisa para
o tema “Família Solidária (Eudemonista)” e são indicadas palavras-chave específicas para
esse assunto, o bibliotecário se limita a localizar material bibliográfico sobre esse tema, pois
pressupõe que os usuários estejam familiarizados com o assunto Direito de Família (geral), o
qual é bem mais simples de ser encontrado nas diversas fontes de informação. Talvez, por
isso a pesquisa fique defasada em determinado momento, já que na escrita científica é preciso
partir do geral para o específico para esclarecer um conceito, teoria, etc.
Ainda é possível inferir que o resultado indicado acima pode retratar algo que é
comum no desenvolvimento das pesquisas, sua primeira fase inclui o levantamento
bibliográfico e ele a acompanhará até o final. Para solucionar esse “problema” é possível
seguir a recomendação de Nocetti (1980) e incluir o item “Extensão da pesquisa” no
formulário, campo onde o usuário poderá informar se deseja uma pesquisa ampla,
procurando captar todas as referências relevantes, ainda que sejam recuperadas referências
irrelevantes, ou ainda uma pesquisa restrita, procurando captar algumas referências, mas
com o mínimo de referências irrelevantes.
Quanto ao número de referências bibliográficas enviadas como resposta à pesquisa
bibliográfica, a maioria concorda plenamente (9 - 22,5%) ou apenas concorda (12 - 30%) que
a quantidade enviada foi suficiente para a elaboração do estudo. Com relação a esse item, a
equipe de referência tem grande preocupação no momento de elaborar as estratégias de busca.
Pois, sabe-se que atualmente vivenciamos um excesso de informação, especialmente, ao
buscar-se informação na internet.

3296

�Pode ser que, ao solicitarem o serviço, o excesso de informação represente um
problema para o usuário, por isso, mesmo depois de levantados os materiais bibliográficos, o
bibliotecário de referência faz uma segunda seleção para certificar-se de que está enviando
somente o que será útil para o usuário. Caso ele encontre dificuldade para realizar uma busca
precisa, há um segundo contato por e-mail ou telefone com o usuário para melhorar a busca.
Aqui, mais uma vez a revisão do formulário e inserção do item “Extensão da pesquisa” pode
ser muito útil para adequar-se às expectativas dos usuários.
4.2.3 Fontes de informação
Ao serem questionados sobre as fontes de informação utilizadas para a realização da
pesquisa bibliográfica, 30 (75%) respondentes concordaram plenamente e 8 (20%) concordam
que as fontes envidas eram confiáveis e 2 usuários indicaram a escala 3 como resposta. Os
bibliotecários são especialista no uso, seleção, avaliação e até mesmo auxílio para a criação de
fontes de informação, portanto, eles são os profissionais mais indicados para indicar as
melhores fontes de informação a serem utilizadas para uma pesquisa científica em
determinada área.
Também foi feita a afirmação “as bases de dados utilizadas para a pesquisa cobrem as
áreas da pesquisa solicitada”, 18 (45%) dos pesquisados concordaram plenamente e 11
(27,5%) concordaram com a afirmação. Apenas 4 (10%) não concordaram e indicaram a
escala 2. Nesse quesito a biblioteca também tem cumprido seu papel. Contatou-se que seria
importante inserir um espaço para comentários para que os que não concordam possam inserir
suas sugestões de melhoria.
Ainda relacionado às fontes de informação, tentou-se saber se os respondentes “já
tinham conhecimento da maioria das fontes de informação utilizadas como recurso para a
pesquisa. A maioria das indicações (17 - 42,5%) foi para a escala 3, o que significa o meio
termo, provavelmente, eles conheciam apenas parte das fontes utilizadas. Apenas 1 (2,5%)
usuário indicou a escala 5 e 3 respondentes (7,5%) a escala 4, o que representa que eles já
tinham conhecimento da maioria das fontes de informação.
Nesse contexto, percebe-se que há um bom espaço para os bibliotecários atuarem
como educadores e desenvolverem as capacitações para que os usuários tomem conhecimento
das principais bases da sua área e também possam utilizá-las. Além disso, percebe-se por
essas respostas que a pesquisa bibliográfica foi útil para auxiliá-lo a conhecer novas fontes de
informação, bases, artigos, livros, etc, que podem representar um diferencial em suas
pesquisas.

3297

�4.2.4 Forma de solicitação e envio da pesquisa
Entre os respondentes, 14 (35%) concordaram plenamente de 11 (27,5%) concordaram
que o formulário de solicitação de pesquisa bibliográfica é compreensível e contempla todas
as informações necessárias para a solicitação. O envio da pesquisa por e-mail foi considerado
prático e eficiente por quase todos os pesquisados, pois 32 (80%) concordaram plenamente e
6 (15%) concordaram. Pode-se afirmar que o formulário e o meio de envio da pesquisa
bibliográfica atendem às necessidades dos usuários e também do bibliotecário de referência.
Os resultados das pesquisas bibliográficas são enviados em arquivos Word em forma
de listas de materiais bibliográficos. Cada arquivo corresponde aos resultados obtidos em
determinada base de dados e dentro de cada arquivo os resultados são divididos pela forma de
busca, para isso, é inserido um cabeçalho no início da página indicando: nome da base de
dados, termo de busca, campo de pesquisa, recorte de tempo, tipo de material e número de
registros localizados para aquela busca (FIGURA 1).
Figura 1: Modelo de resposta às pesquisas bibliográficas

RVBI
Term os de busca: "consentimento informado" and ética
Cam po: Assunto
Recorte de tempo:
Material: Artigos
7 registros

Número do registro:
1
Autor Bajotto, Alethéia Peters.
Título: Consentimento informado : cuidados para o recrutamento de populações vulneráveis
/Alethéia Peters Bajotto, José Roberto Goldim. Em: Revista bioética, v. 20, n. 2, p. 226-231 2012.
Assunto
Ética médica.
Direito à informação.
Relação médico paciente, aspectos jurídicos.
Marginalidade social.
Secund: Goldim, José Roberto.
Tipo mat: Artigo de revista
No.sist: 000952650
SEN
MJU

Número do registro:
2
Autor Gogliano, Daisy.
Título: O consentimento esclarecido em matéria de bioética: ilusão e exclusão de
responsabilidade / Daisv Gogliano. - _______________________________________

Fonte: A autora.

Fez-se a afirmação “o envi do resultado da pesquisa bibliográfica em forma de listas
em arquivos separados por bases de dados pesquisadas é eficiente” e, a maioria dos
respondentes (26 - 65%) concordou plenamente com a afirmação, outros 7 (17,5%) apenas
concordaram.
A maioria dos respondentes (23 - 57,5%) concordou plenamente que “todos os
requisitos indicados no formulário de solicitação foram atendidos na resposta ao pedido”,
como tipos de materiais (livros, artigos, jurisprudência, etc), idioma (português, inglês,

3298

�espanhol, etc.), entre outros. Também concordaram com a afirmação 8 (20%) usuários e
apenas 1 (2,5%) usuário não concordou com a afirmação indicando a escala 1.
É possível afirmar que a biblioteca está atendendo às necessidades de informação dos
usuários com relação ao conteúdo, uma vez que para todas houve uma avaliação positiva
nesta categoria.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A implantação do serviço de pesquisa bibliográfica em todas as bibliotecas do
SiBi/UFPR encontrou certa resistência entre os bibliotecários de referência no início. Muitos
desses profissionais defendiam a ideia de que o aluno deve apenas ser orientado a realizar
suas pesquisas para que se torne independente. A equipe da Biblioteca de Ciências Jurídicas
também acredita nisso e auxilia para que o aluno desenvolva sua competência informacional,
entretanto, há estágios da vida acadêmica e determinadas pesquisas para as quais os
acadêmicos necessitam de auxílio especializado. Acredita-se que o bibliotecário é o
profissional que pode ajudar, ele é capacitado para a busca e recuperação da informação em
todas as áreas do conhecimento e, em determinados momentos sua participação é essencial.
Por meio deste estudo de usuários, especialmente, ao verificarmos o perfil daqueles
que solicitaram as pesquisas em 2013, pode-se afirmar que será necessária maior divulgação
do serviço para os alunos de pós-graduação e docentes, pois, a maioria das solicitações foi
feita por alunos de graduação nesse período. Cabe ainda destacar que é necessário destacar o
objetivo do serviço, durante a divulgação, e sua utilidade para os usuários, para que ele tenha
conhecimento de que a pesquisa bibliográfica funciona como apoio às dificuldades
encontradas por ele.
O serviço de pesquisa bibliográfica foi muito bem avaliado pelos usuários nas quatro
categorias (tempo de resposta à solicitação, conteúdo da resposta à pesquisa, fontes de
informação e forma de solicitação e envio da pesquisa). Portanto, pode-se afirmar que a
biblioteca tem cumprido seu objetivo relacionado ao oferecimento desse serviço.
A indicação por parte dos usuários de que eles precisaram realizar outros
levantamentos após receberem a resposta à solicitação de pesquisa foi o único item que
indicou a necessidade de investir ainda mais na entrevista de referência e na revisão do
formulário de solicitação para preencher esse gap, conforme foi sugerido detalhadamente no
capítulo de apresentação e análise dos dados.
A partir do referencial teórico utilizado para este estudo, sugere-se uma reflexão junto
ao SiBi/UFPR para determinar a melhor nomenclatura para designar o serviço aqui descrito e

3299

�hoje chamado de pesquisa bibliográfica. Conforme a literatura, talvez o melhor nome seja
“levantamento bibliográfico”, pois a pesquisa bibliográfica exige a escolha de métodos,
leitura e análise dos documentos localização, portanto, é mais ampla do que o trabalho
realizado pelos bibliotecários como serviço de informação nas bibliotecas.
Pode-se afirmar que esse é um serviço essencial em bibliotecas universitárias e
especializadas e deve estar presente cada vez mais nessas unidades de informação. Sugere-se
como estudos futuros: avaliar a evolução do serviço na biblioteca em questão, inclusive a
avaliação dos usuários com o passar dos anos e realizar um levantamento de quais Instituições
de Ensino Superior (IES) oferecem esse serviço e de que forma ele é oferecido.

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em:
15
abr.
2014.
VOLPATO, E. S. N. Pesquisa bibliográfica em ciências biomédicas. J. Pneumol., São
Paulo, v. 26, n. 2, p. 77-80, mar./abr. 2000.

3301

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                <text>Descreve e avalia a pesquisa bibliográfica como um serviço de informação oferecido pelo Setor de Referência e Informação da Biblioteca de Ciências Jurídicas do Sistema de Bibliotecas (SiBi) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) sob o ponto de vista do usuário. Desenvolve uma pesquisa quantitativa, qualitativa, exploratória e emprega o estudo de usuário como técnica de pesquisa. Os dados foram coletados por meio de um questionário eletrônico composto por dez perguntas e aplicou a Escala Likert para quatro delas. Constata que a Biblioteca de Ciências Jurídicas tem cumprido o objetivo do serviço, pois a avaliação dos usuários foi excelente e indicou que eles estão satisfeitos com as pesquisas bibliográficas realizadas.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PRESERVAÇÃO E CONSERVAÇÃO DOCUMENTAL: FORMAÇÃO E ATUAÇÃO
DO BIBLIOTECÁRIO
Iandra Marcela Honorato Fernandes
Márcia Regina Silva
RESUMO
O objetivo deste trabalho é refletir sobre a formação e atuação do bibliotecário no que
concerne à área de preservação e conservação documental. Para tal, foram analisadas as
matrizes curriculares dos cursos de Biblioteconomia e Ciência da Informação das
Universidades do Estado de São Paulo quanto ao oferecimento de disciplinas obrigatórias ou
optativas nessa área. Foram também realizadas entrevistas com profissionais e aplicados
questionários a estudantes de graduação. Verificou-se que apenas um curso oferece uma
disciplina obrigatória que abarca conteúdos relacionados à preservação e conservação
documental. As entrevistas revelaram que os profissionais buscaram adquirir competências
relacionadas à preservação e conservação documental em ambientes externos a universidades.
Já a análise das respostas obtidas com a aplicação dos questionários, demonstra receptividade
dos estudantes no aprendizado desse conteúdo. Os resultados obtidos revelam uma lacuna no
ensino de graduação quanto ao conteúdo relacionado à preservação e conservação
documental, sinalizando a necessidade dos cursos de graduação em Biblioteconomia e
Ciência da Informação se responsabilizarem pela formação do bibliotecário no que se refere a
sua atuação com excelência na gestão documental, envolvendo a avaliação de acervos e a
tomada de decisão quanto à conservação e a preservação documental.
Palavras-Chave: Conservação documental; Preservação
bibliotecário; Atuação profissional; Perfil profissional.

documental; Formação do

ABSTRACT
The objective of this paper is to discuss the training and activities of the librarian regarding
the area of preservation and conservation documentary. To this end, the curriculum matrices
of courses of Librarianship and Information Science of the University of São Paulo as the
offering of mandatory or optional subjects were analyzed in this area. Were also conducted
interviews with practitioners and applied questionnaires to undergraduate students. It was
found that only one course offers a compulsory subject that includes content related to the
preservation and conservation documentary. The interviews revealed that professionals
seeking to acquire related to the preservation and conservation documentary Outside the
Universities environments skills. However, the analysis of responses to questionnaires,
demonstrates the responsiveness of students in learning that content. The results reveal a gap
in higher education in relation to the preservation and conservation of documentary content,
noting the need for undergraduate courses in Library and Information be responsible for the
training of librarians in their performance with excellence in document management,

3266

�involving the evaluation of collections and decisions relating to the conservation and
preservation of the documentary.
Keywords: Conservation of documents; Document Preservation; Librarian Training;
Professional practice; Professional profile.

1 INTRODUÇÃO
Devido à configuração atual do mercado de trabalho do segmento informacional,
distintas competências informacionais estão sendo acrescentadas ao perfil do bibliotecário. A
incorporação de documentos digitais nos acervos das bibliotecas talvez tenha sido o elemento
propulsor para repensar a atuação desse profissional, que mesmo experiente com a
organização e disseminação da informação, passa agora a exercer, com mais frequência, a
mediação extramuros da biblioteca, visando atender às necessidades informacionais de
usuários já acostumados com a manipulação de recursos tecnológicos diversos, como
celulares, tablets e e-readers, que permitem o acesso à Internet para obtenção de informações
de qualquer natureza.
Diante do processo de globalização e da rápida difusão das tecnologias de informação
e comunicação, o perfil do bibliotecário não poderia permanecer o mesmo. Sabendo que este
profissional lida com a informação e, por sua vez, a informação adquire as mais variadas
formas, esse profissional precisa estar atento às mudanças ocorridas tanto no mercado de
trabalho, quanto nas novas áreas de atuação (VIAPIANA, 2008).
Embora seja importante que este profissional acompanhe as necessidades do usuário
inserido no cenário tecnológico, percebe-se que o mesmo ainda não tem uma participação
efetiva nas tarefas que envolvem a preservação e conservação de documentos, sejam no
formato digital ou impresso.
Esta lacuna talvez seja decorrente da formação desses profissionais, já que nos
currículos dos cursos de Biblioteconomia e Ciência da Informação no Brasil há pouca ênfase
em disciplinas específicas de preservação e conservação de acervos, corroborando para que
haja poucos profissionais preparados para salvaguardar documentos impressos ou digitais que
necessitem de tratamentos específicos.
A conservação e preservação documental é um conceito em evolução. Segundo Hollós
(2010, p. 13) “a preservação, para além da conservação física dos suportes materiais,
constitui-se hoje como parte de um corpo representado também pela gestão, o acesso e a
difusão da informação e do conhecimento”. Complementando o aspecto de gestão dado ao

3267

�processo de preservação e conservação documental, Cownay (2001) salienta que a
preservação é uma atividade de administração e gerenciamento de recursos, compreendendo
políticas, procedimentos e processos que podem retardar a deterioração dos materiais e
promover o acesso à informação, intensificando sua importância funcional.
A desmaterialização dos acervos de bibliotecas, ou seja, a incorporação de obras digitais
ou mesmo a digitalização de obras impressas é um processo que vem evoluindo rapidamente
nesses ambientes informacionais, no entanto, deve ocorrer concomitantemente com o
processo de conservação e preservação de acervos físicos. A digitalização de acervos pode
contribuir para a conservação documental, mas não descarta a necessidade de atuação de um
profissional qualificado para o desenvolvimento de meios e métodos de preservação e
conservação que possam retardar as ações severas humanas, do tempo e do ambiente que
podem provocar a degradação do documento.
Sendo assim, o objetivo deste trabalho é refletir sobre a formação e atuação do
bibliotecário no que concerne a área de preservação e conservação documental. Para tal,
foram analisadas as matrizes curriculares dos cursos de Biblioteconomia e Ciências da
Informação das Universidades do Estado de São Paulo quanto ao oferecimento de disciplinas
obrigatórias ou optativas na área de preservação e conservação de documentos, bem como
foram realizadas entrevistas com profissionais que atuam nessa área e aplicados questionários
a estudantes de graduação do curso de Ciências da Informação, Documentação e
Biblioteconomia da Universidade de São Paulo.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Os documentos físicos estão propensos a se deteriorarem com o tempo, no entanto,
entende-se que um livro impresso, por exemplo, pode ser preservado por séculos se for bem
armazenado e receber os cuidados necessários para sua conservação. Hoje existem inúmeras
técnicas que são utilizadas com esta finalidade.
Assim como as pessoas, os livros impressos têm um ciclo de vida útil, que abrange
desde sua criação até o momento em que, devido a seu estado de conservação, não pode mais
ser utilizado. Para prolongar a vida útil de um livro é necessário adotar medidas de
conservação e preservação, que são conjuntos de práticas que previnem e evitam que o
documento seja danificado pela ação do tempo e outras circunstâncias.
Segundo Caldeira (2004), a política moderna para a longevidade dos suportes
informacionais orienta-se pela luta contra as causas de deterioração, na busca do maior

3268

�prolongamento possível da vida útil de livros e documentos. Dentro dessa perspectiva,
padrões de conduta devem ser adotados e harmonizados.
Conforme ressalta Caldeira (2004, p.15)
a conservação preventiva surgiu, solidamente como campo de trabalho e
pesquisa científica, nos Estados Unidos, na década de 80, estabelecendose como atividade responsável por todas as ações tomadas para retardar a
deterioração e prevenir danos aos bens culturais por meio da provisão de
adequadas condições ambientais e humanas.

Para Cassares (2000) a preservação é um conjunto de medidas e estratégias de ordem
administrativa, política e operacional que contribuem direta ou indiretamente para a
preservação da integridade dos materiais. Já a conservação é um conjunto de ações
estabilizadoras que visam desacelerar a degradação de documentos ou objetos por meio de
controle ambiental e tratamentos (higienização, reparos e acondicionamento).
É necessário conhecer a natureza dos componentes que constituem os materiais dos
acervos e seu comportamento diante dos fatores de degradação, tornando mais fácil detectar
os elementos nocivos e seu possível tratamento.
Acervos de bibliotecas são constituídos em geral por livros, mas também por mapas,
fotografias, revistas, manuscritos, entre outros, que utilizam o papel como suporte. Por mais
variada que seja a composição do papel, esse é constituído em sua maior parte de celulose, e
cabe-nos encontrar soluções que permitam melhorar suas condições, para que esse dure por
muitas gerações sem precisar de restauro. Esses acervos estão sujeitos a um contínuo processo
de deterioração por serem basicamente constituídos de matéria orgânica. Essa deterioração
pode ser acelerada se o acondicionamento for feito de forma indevida, levando o documento a
um estado de perda total.
A maior causa de deterioração de documentos é a acidez do papel. Ambientes quentes
e úmidos também geram grandes danos, pois causam reações químicas que enfraquecem as
cadeias moleculares de celulose, fragilizando o papel. Esses fatores, entre outros, são
chamados de agentes de deterioração e são classificados da seguinte forma: fatores
ambientais, fatores biológicos, intervenções impróprias, agentes biológicos, furtos e
vandalismo.

(CASSARES,

2000;

CONWAY,

2001;

OGDEN,

2001;

PALETTA;

YAMASHITA; PENILHA, 2004).
Para a biblioteca, tradicionalmente mantenedora do conhecimento, sabedoria e
experiência coletiva da sociedade, as implicações geradas com a deterioração são sérias. Qual
o propósito de adquirir, catalogar e guardar vastas coleções, se os próprios materiais vão se
deteriorando na metade da sua vida útil? Estimativas confiáveis e uma série de levantamentos

3269

�das condições, feitas em larga escala, sugerem que o papel de 25% ou mais dos volumes de
importantes coleções tornou-se extremamente quebradiço. (MERRIL-OLDHAN, 2001).
A biblioteca é mais que um espaço arquitetônico “é um lugar de diálogo com o
passado, de criação e inovação, e a conservação só tem sentido como fermento dos saberes e
motor do conhecimento, a serviço da coletividade”. (BARATIN, 1995, p.45).
Embora no Brasil a atuação do bibliotecário em projetos de conservação e preservação
documental não seja tão divulgada, há inúmeras experiências na qual este profissional faz
parte. O Laboratório de Conservação Preventiva de Documentos da Biblioteca de
Manguinhos, por exemplo, executa atividades de conservação preventiva de documentos e é
coordenado por uma bibliotecária. Este laboratório é uma oficina com equipamentos e
materiais, que possibilitam a prática de atividades como: higienização, monitoramento
ambiental, encadernação, acondicionamento e pequenos reparos, procedimentos estes que
possam assegurar ao acervo a mais longa vida útil possível.
A Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin também é outro exemplo de projeto de
conservação e preservação que conta com a atuação de bibliotecários. Inaugurada no dia 23 de
março de 2013 na Cidade Universitária, a biblioteca foi criada para abrigar a coleção de Guita
e José Mindlin, doada pela família Mindlin à Universidade de São Paulo. O edifício com mais
de 20 mil metros quadrados, além de abrigar a coleção, possui um Laboratório de
Conservação e Restauro.
Outro exemplo que merece ser destacado é a Biblioteca do Mosteiro de São Bento da
Bahia, uma das primeiras bibliotecas constituídas no país. Possui um acervo acumulado ao
longo de mais de quatro séculos, contando com uma biblioteca de livros raros com cerca de
13.000 volumes. Desde a Idade Média, a Biblioteca é um dos quatro pilares de uma abadia
Beneditina, de acordo com um provérbio medieval: claustrum sine armario quase castrum
sine armamentarium. (Mosteiro sem biblioteca é como quartel sem arsenal)376.
A preocupação de aumentar e, principalmente, de preservar o acervo bibliográfico,
sempre foi um objetivo de grande importância para os monges. Hoje o Mosteiro conta com
uma nova área para a guarda dos livros e um moderno laboratório de conservação e restauro
com equipamentos que permitem o desenvolvimento adequado de tratamento e preservação
de suporte papel segundo procedimentos internacionais.
Com a preocupação de preservar o patrimônio e compartilhar com a sociedade esse
conhecimento, o Mosteiro criou um projeto de restauração de livros raros e a Biblioteca
376 Provérbio medieval descrito na apresentação da Biblioteca de Livros Raros do Mosteiro de São Bento da Bahia.
Disponível em http://www.saobento.org/livrosraros/projeto.html

3270

�Digital de Livros Raros. Este projeto atingiu dois focos da preservação de acervos, isto é, a
restauração dos livros proporcionou a conservação do suporte, e a digitalização promoveu a
preservação do conteúdo informacional, que em longo prazo preservará o próprio documento.
Um profissional que atua na área de preservação e conservação documental não é um
artista ou um artesão, é um profissional que domina teorias e técnicas fundamentais para a
intervenção em qualquer suporte.
Hoje é possível a migração de dados existentes em obras impressas para mídias
digitais. Esse processo de digitalização é visto como uma alternativa viável que possibilita, ao
mesmo tempo, preservar o original e facilitar o acesso à informação. Com o documento
eletrônico e as redes de informação, é possível organizar bibliotecas digitais, que possibilitam
o acesso a indivíduos que se encontram em qualquer localidade sem o condicionamento da
presença física na biblioteca.
De acordo com Chepesiuk (2001, p. 54) “[...] a digitalização ajuda a preservar os
materiais frágeis, tirando-os de circulação e promovendo seu acesso através de um formato
alternativo, reduzindo assim os riscos aos quais estariam sujeitos através do manuseio”. Além
disso, o usuário tem a possibilidade de imprimir o documento acessado, mantendo sua cópia
pessoal para anotações particulares e livrando, assim, o original deste risco.
Ao mesmo tempo em que o documento eletrônico propicia a preservação da obra rara,
poupando-a dos riscos do manuseio, o uso isolado do processo de digitalização como medida
de preservação para acervos bibliográficos ainda não está consolidado em função da
instabilidade do ambiente digital.
Assim como o documento impresso, o documento eletrônico também está ameaçado
diante de condições inadequadas de armazenamento, fatores ambientais negativos, desgaste
causado pela ação de agentes biológicos, além das ameaças oferecidas pelo próprio homem.
Por ser inteiramente dependente de um equipamento para prover o acesso à informação nele
registrada, a durabilidade do documento eletrônico está ainda condicionada à expectativa de
vida dos sistemas de acesso.
Após a conversão dos originais em cópias digitais, o documento eletrônico passa a ser
o novo foco das iniciativas de preservação. Entende-se por preservação digital o
“planejamento, alocação de recursos e aplicação de métodos e tecnologias para assegurar que
a informação digital permaneça acessível e utilizável” (HEDSTROM, 1996).
Preservar o patrimônio humano registrado em suportes digitais para as gerações
futuras é uma preocupação presente no Manifesto para a Preservação Digital da UNESCO.
Esta deve ser também uma preocupação permanente do profissional bibliotecário, que deve

3271

�gerenciar a melhor maneira para manter disponível o acesso à informação contida no
documento eletrônico.
No que se refere à biblioteca digital, sua principal vantagem é permitir o acesso
simultâneo a documentos como obra rara, por exemplo, que geralmente é constituída de
exemplar único. Outra vantagem é a possibilidade de manipulação de imagem digital gerada a
partir da digitalização de um documento original, pois é possível representar com maior
clareza o conteúdo da obra digitalizada, podendo-se corrigir eventuais imperfeições dos
originais.
Ainda que as vantagens da biblioteca digital para conservação de acervos fossem
resumidas apenas à possibilidade do acesso remoto, já valeria todo o esforço, uma vez que
esta forma de acesso protege a obra rara dos riscos aos quais estaria sujeita numa consulta
tradicional. Além disso, a biblioteca digital é uma excelente maneira de divulgação do acervo
da biblioteca física.
Outro ponto importante a ser destacado diz respeito à necessidade do
bibliotecário conhecer a constituição do acervo sob sua responsabilidade. Mesmo que nem
todos os acervos contenham obras raras, é importante que um bibliotecário também saiba
identificar se uma obra é rara ou não, para que não se corra o risco de perder importantes
obras por não terem sido identificadas e não terem recebido os cuidados necessários.
José Mindlin, dono da maior biblioteca particular de obras raras da América Latina,
admitia ficar atrapalhado quando lhe perguntavam o que é um livro raro, pois dizia que é das
coisas que a gente sabe, mas não consegue definir plenamente. “O livro pode ser raro, por
exemplo, por terem sido impressos poucos exemplares[...], pelo interesse do texto, por ser
uma primeira edição”(MINDLIN, 1997, p.29).
As obras raras, na realidade, podem ser conceituadas, em duas grandes categorias:
obras comprovadamente raras e obras circunstancialmente raras. Na primeira categoria
encontram-se obras que se enquadram no critério cronológico, ou seja, obras que abrangem
determinado limite histórico. Neste caso, é possível citar os manuscritos ou os incunábulos,
por exemplo. As obras circunstancialmente raras são aquelas que se enquadram em critérios
preestabelecidos por instituições ou colecionadores, podendo não ser consideradas raras em
outros contextos.
Como se vê, são muitos os critérios que podem determinar a raridade de um livro. No
Brasil, por exemplo, entre os critérios de raridade de uma obra estão as obras publicadas no
século XIX, a partir da criação da Imprensa Régia, as primeiras obras impressas de conjunto
bibliográfico, como coleções de primeiros números de diversos períodos, características

3272

�bibliográficas de obras produzidas artesanalmente, independente da época de sua publicação,
etc.
Por possuírem objetivos distintos, cada biblioteca deve estudar detalhadamente seu
perfil e elaborar uma política que determine os critérios que serão adotados para melhor
atender às necessidades de seus usuários. Sendo assim, uma obra considerada rara em
determinada instituição, pode não o ser em outra. Na Biblioteca do Mosteiro de São Bento da
Bahia, por exemplo, os livros são considerados raros, pois se enquadram na maioria dos
critérios apresentados. Muitos dos livros foram escritos antes do período anterior a produção
tipográfica, muitas dessas obras possuem uma beleza tipográfica, algumas escritas em
pergaminhos, obras censuradas, etc. Muito provavelmente as obras consideradas raras no
Mosteiro de São Bento da Bahia, também seriam consideradas raras em qualquer outra
biblioteca, devido a essas peculiaridades.
É importante que a configuração atual do perfil do bibliotecário abarque tanto
competências informacionais de escopo tecnológico, que envolva o desenvolvimento de
produtos e serviços informacionais, como competências informacionais teóricas e técnicas
relacionadas à conservação e preservação de documentos impressos e digitais.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Para alcançar o objetivo deste trabalho foi necessária uma série de estratégias de
análise: análise documental, observação, entrevista e questionário. Essas estratégias visaram
obter informações sobre profissionais, estudantes, cursos e instituições, associando assim os
agentes envolvidos na atuação do bibliotecário na área de conservação e preservação
documental.
Primeiramente, foi realizada análise documental da matriz curricular dos principais
cursos Biblioteconomia e Ciência da Informação do Estado de São Paulo. A escolha por
analisar somente a matriz curricular dos cursos oferecidos no Estado de São Paulo reside no
fato de que neste Estado concentram-se importantes instituições, bem como pela existência de
um nicho de mercado para atuação de bibliotecários competentes no que concernem as tarefas
relacionadas à preservação e conservação documental. A matriz curricular foi recuperada no
próprio site das instituições ou solicitada por e-mail. Verificou-se neste documento a
existência de disciplinas que abordavam conteúdos relacionados à conservação e/ou
preservação documental.
Em um segundo momento, foram realizadas visitas in loco a instituições que
trabalham com a preservação e conservação documental - Biblioteca Mario de Andrade,

3273

�Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin e Arquivo Público do Estado de São Paulo. Nessas
visitas foi observada a dinâmica para o desenvolvimento de atividades dessa natureza. As
instituições visitadas foram escolhidas por possuírem acervos especiais e/ou raros, que
necessitam de cuidados rigorosos para a conservação e preservação documental. As
observações foram anotadas e utilizadas como complementação na análise dos resultados
obtidos com as entrevistas realizadas com os profissionais que atuam nestas instituições.
Optou-se por realizar entrevista semi-estruturada com quatro bibliotecários que atuam
ou já atuaram no desenvolvimento de práticas de preservação e conservação documental nas
instituições referidas anteriormente. A escolha pela entrevista semi-estruturada deveu-se à
maior flexibilidade, pois foi possível formular novas questões de acordo com o desenrolar da
conversa. Como forma de preservar os sujeitos entrevistados, os mesmos serão identificados
como PROFISSIONAL 1, PROFISSIONAL 2, PROFISSIONAL 3 e PROFISSIONAL 4.
Para verificar a percepção de estudantes em relação à temática, foi oferecido durante a
X Semana do curso de Ciências da Informação, Documentação e Biblioteconomia da
Faculdade de Filosofia, Comunicação e Informação da Universidade de São Paulo um
minicurso, abordando teoria e técnicas relacionadas conservação e preservação documental.
No final do minicurso os alunos foram convidados a responder um questionário com intuito
de refletir sobre o conteúdo ensinado.

4 RESULTADOS FINAIS
O levantamento de dados permitiu uma reflexão sobre a formação do bibliotecário e
sobre sua atuação na área de conservação e preservação documental. Como forma de
organização dos resultados apresenta-se a fragmentação desses resultados em: matriz
curricular, atuação profissional e formação acadêmica.
4.1 Matriz curricular dos cursos de Biblioteconomia e Ciência da Informação
Segundo as diretrizes curriculares para os cursos de Biblioteconomia no Brasil, o
profissional da informação Bibliotecário deve: “enfrentar com proficiência e criatividade os
problemas de sua prática profissional, produzir e difundir conhecimento, refletir criticamente
sobre a realidade que o envolve, buscar aprimoramento contínuo, observar padrões éticos de
conduta”. (BRASIL, 2001).
O atual profissional da informação pode ser denominado como aquele que de uma
forma ou de outra faz da informação a sua ferramenta de trabalho, ou seja, o profissional da
informação pode ser um arquivista, um administrador, um jornalista, um bibliotecário, um
museólogo ou até mesmo um analista de sistema. Mas apenas um desses profissionais é capaz

3274

�de participar do processo de geração, disseminação, recuperação, gerenciamento, conservação
e utilização da informação: o bibliotecário.
A busca por novos espaços no mercado de trabalho tem feito com que os profissionais
da informação busquem competências além daquelas aprendidas em seu curso de graduação.
Embora os cursos de Biblioteconomia e Ciências da Informação estejam ligados à
documentação, as disciplinas na área de Conservação e Preservação, por exemplo, quando são
oferecidas, na maioria das vezes, não são obrigatórias. Conforme Lino, Hannesch e Azevedo
(2006 p.2):
num momento em que os cursos de Biblioteconomia, em suas
reformulações curriculares, decidem que a cadeira de “conservaçãorestauração” deve ser optativa (quando muito) e em que há um aumento
de cursos com ênfase na gestão, mas que não consideram a conservação
como inerente a essa atividade, como ponderar sobre “preservação do
patrimônio” ou, ainda, “preservação da memória?

Sem conhecimento básico sobre as ações a serem tomadas em relação à preservação,
esse profissional não saberá como agir de forma adequada. Lino, Hannesch e Azevedo (2006,
p.2) consideram que
um bibliotecário não necessita ser um técnico de conservaçãorestauração, muito menos que aplique as técnicas, antes, ele deve ter o
conhecimento e o envolvimento com esta ciência, que o capacita a
entender melhor as necessidades do acervo sob sua custódia e a
contribuir para um melhor desenvolvimento das atividades de
conservação e restauração do acervo.

Considerando a necessidade desse conhecimento para atuação do bibliotecário, a
presente pesquisa analisou a matriz curricular dos cursos de Biblioteconomia do Estado de
São Paulo, quanto à presença de disciplinas que visem o desenvolvimento dos graduandos na
área de conservação e preservação.
As universidades que tiveram seus currículos analisados foram: Universidade de São
Paulo - campus São Paulo; Universidade de São Paulo - campus Ribeirão Preto;
Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho - campus Marília; Universidade
Federal de São Carlos e Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.
A partir da análise dos currículos dos cursos de Biblioteconomia observou-se que dois
dos cinco cursos possuem disciplinas que abordam conteúdos relacionados à preservação e
conservação. Os dois cursos são: o curso de Biblioteconomia da Universidade Estadual
Paulista Julio de Mesquita Filho, campus Marília, que oferece a disciplina optativa
“Preservação em Unidades de Informação” e o curso de Biblioteconomia da Fundação Escola

3275

�de Sociologia e Política de São Paulo, que oferece a disciplina obrigatória “Introdução a
Preservação e Conservação de Acervo”.
Verificou-se que a disciplina com este conteúdo é obrigatória somente no curso da
Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESP). O objetivo geral dessa
disciplina, segundo o Plano de ensino do curso 2012 é: “Orientar e esclarecer os alunos na
execução de um plano de conservação e de ações adequadas que assegurem a preservação de
acervos bibliográficos e documentais”.
A disciplina aborda o seguinte conteúdo: Conservação, Conservação preventiva,
Conservação Curativa e Restauração: Conceitos; Materiais que Constituem os Documentos:
papiro, pergaminho, papel, história do papel e história da encadernação; Causas de
Deterioração: Agentes físicos, Mecânicos, Químicos e Biológicos; Diagnóstico: Diagnóstico
de Conservação de Acervo Bibliográfico e Documental; Rotinas de Conservação:
Higienização, Controle de Microorganismos e Insetos, Pequenos Reparos, Encadernação,
Conservação de Encadernações, Acondicionamento e Manuseio Adequado; Administração de
Programa de Conservação: Especificações para Edifícios, Prevenção e Controle de Incêndios
e Inundações, Prevenção e Combate a Insetos Roedores, Condições Ambientais,
Armazenamento e Plano de Emergência.
Essa disciplina, com carga horária de sessenta e oito horas, contempla tantos aspectos
teóricos, como aspectos técnicos. Tais conhecimentos são importantes para todos os
bibliotecários, mesmo aqueles que não atuam diretamente no processo de conservação e
preservação documental, já que a identificação de documentos afetados por pragas, ambientes
impróprios ao armazenamento e/ ou ações que podem prejudicar o documento, são atividades
que devem fazer parte da rotina de trabalho do bibliotecário.
A FESP destaca-se por oferecer disciplinas no campo da conservação e preservação de
acervo, tanto na graduação como na pós-graduação. O curso de Biblioteconomia desta
instituição demonstra entender que o profissional precisa saber lidar com as novas
tecnologias, mas deve também ter competências para preservar e conservar todo o tipo de
suporte.
4.2 Atuação do bibliotecário na área de Conservação e Preservação documental
As entrevistas realizadas com profissionais visaram buscar aportes que confirmem ou
refutem a importância da inclusão de disciplinas da área de conservação e preservação de
acervo nos currículos dos cursos de Biblioteconomia e Ciências da Informação.
Para apresentação das entrevistas concedidas optou-se por categorizar as respostas de
acordo com as perguntas dirigidas aos entrevistados: 1) presença de disciplinas voltadas para

3276

�a conservação e preservação documental nos cursos de Biblioteconomia e Ciência da
Informação; 2) aquisição de conhecimentos relacionados à conservação e preservação
documental e; 3) prática profissional: habilidades técnicas para o processo de Conservação e
Preservação de acervo.
4.2.1 Presença de disciplinas voltadas para a conservação e preservação documental nos
cursos de Biblioteconomia e Ciência da Informação
Sobre a importância de disciplinas voltadas à conservação e preservação documental
na matriz curricular dos cursos de Biblioteconomia e Ciências da Informação, os profissionais
foram unânimes ao responder que seria muito importante que os cursos oferecessem
disciplinas dessa natureza.
Destaca-se a fala da PROFISSIONAL 1 : a inclusão de disciplinas na área de
conservação e preservação de acervos é de extrema importância e sua inclusão nos cursos de
Biblioteconomia “deveria ser pra ontem ”, pois a cada dia que passa, mais acervos sofrem
deteriorações de diversas naturezas, pois o bibliotecário responsável, na maioria das vezes,
não consegue identificar o problema no início, fazendo com que atinja proporções que podem
levar a grandes prejuízos.
Caldeira (2004) fez um levantamento no qual comprova que os cursos de
Biblioteconomia não preparam seus futuros profissionais para lidar com a conservação e
preservação de acervos. Segundo a autora,

O ensino superior ministrado nas escolas de Biblioteconomia brasileiras
concentra-se no processo de geração, disseminação, recuperação,
gerenciamento e utilização da informação. Questões referentes ao
resguardo protetivo do acervo estão circunscritas a um menor número de
disciplinas (tais como estudo da preservação, da conservação e da
restauração) e a poucas instituições. Questões especificamente
direcionadas para a conservação preventiva não são enfocadas
academicamente por esses cursos. (CALDEIRA, 2004, p. 36)

A inexistência de disciplinas de conservação e preservação nas grades curriculares dos
cursos de Biblioteconomia certamente privilegiará o bibliotecário apto a organizar e
disseminar a informação, mas não a proteger o suporte informacional da degradação.
4.2.2 Aquisição de conhecimentos relacionados à conservação e preservação documental
Hoje há muitos cursos voltados para a área de conservação, preservação e restauro.
Estes cursos geralmente são ofertados por instituições como: ABER - Associação Brasileira
de Encadernação e Restauro, ABRACOR- Associação Brasileira de ConservadoresRestauradores de Bens Culturais, ARQ-SP - Associação Arquivística do Estado de São Paulo,

3277

�Templo da Arte, entre outros. O conteúdo desses cursos gira em torno da conservação e
restauro em suporte de papel.
Das quatro entrevistadas apenas uma profissional afirmou ter adquirido conhecimentos
específicos da área de conservação e preservação durante sua graduação em Biblioteconomia.
Esta profissional graduou-se na FESP, como já referido, única instituição que possui em sua
matriz curricular uma disciplina obrigatória com conteúdo relacionado a esta área. Esta
profissional (PROFISSIONAL 2) ressaltou que em seu trabalho é preciso, por exemplo,
conhecer os tipos de papel para avaliar o tipo de encadernação mais pertinente a cada
documento.
Já a PROFISSIONAL 3 aprofundou seus conhecimentos de Conservação e
Preservação em cursos ofertados por várias instituições. Hoje trabalha com obras raras, o que
exige competências singulares para o tratamento documental. Sendo assim, a profissional
ressalta a importância de disciplinas dessa natureza nos cursos de Biblioteconomia.
Embora muitas instituições ofereçam cursos reconhecidos nessa área, é importante
ressaltar que esses cursos são não são gratuitos e, geralmente, tem um custo elevado, ou seja,
aqueles que pretendem realizá-los devem investir um valor considerável. Assim, estudantes
de graduação dificilmente conseguem cursá-los, o que justifica a principal afirmativa desse
trabalho que é a necessidade de oferecimento de cursos dessa natureza nos cursos de
graduação em Biblioteconomia e Ciências da Informação.
4.2.3 Prática profissional: habilidades técnicas para o processo de Conservação e
Preservação de acervo
Todo tratamento de conservação deve ser desenvolvido por um especialista que tenha
conhecimento técnico-científico sobre a obra, seus materiais constitutivos e suas técnicas de
construção. Também deve ser capaz de avaliar seu estado de conservação, as causas de sua
deterioração e ter capacidade de intervir para manter a integridade da coleção.
A PROFISSIONAL 1 exemplifica que ao trabalhar com jornal, por exemplo, é preciso
saber manuseá-lo adequadamente, dada a sua constituição física que possui maior
suscetibilidade à danificações por manuseio. A PROFISSIONAL 2 ressalta a necessidade de
saber diferenciar os tipos de materiais e encadernações, assim como saber a melhor
climatização para cada tipologia documental. Já a PROFISSIONAL 3 afirma que é de
extrema necessidade saber identificar os materiais que necessitam de intervenções mais
profundas, daqueles que necessitam apenas de uma higienização e pequenos reparos. A
PROFISSIONAL 4 além de utilizar conhecimentos específicos da área de preservação e
conservação no trabalho também trabalha na capacitação de profissionais.

3278

�Muitos bibliotecários se preocupam com as obras de seu acervo e sabem do risco que
eles podem correr, mas muitos não possuem treinamento específico para lidar com esses
problemas. Neste caso, o conhecimento sobre as técnicas de conservação e preservação
documental é primordial, mesmo que o profissional não tenha habilidades para trabalhar nesta
área, esse conhecimento será válido para a avaliação do acervo e identificação de problemas.
A preservação e a conservação não podem ser tratadas como uma atividade isolada de
um único setor e devem estar presentes nas políticas, procedimentos e serviços institucionais.
Segundo Ryckman (1997, p.45 apud GRIEBLER; MATTOS, 2008, p. 39) “muitas desculpas
rondam as ações de preservação, tais como falta de tempo, dinheiro e conhecimento técnico.”
Porém, é preciso vencer essas desculpas, sob pena de perder por absoluta ineficácia a
memória de nossa cultura para as pragas, acondicionamento inadequado e manuseio de forma
a deteriorar os livros por completo.
Os acervos de bibliotecas, museus, arquivos, instituições culturais, necessitam de
preservação e conservação. Observando o cotidiano de muitas instituições, verificou-se a
quantidade de danos às coleções por roubos, danos por climatização, acondicionamento e
manuseio inadequado. Nas bibliotecas, os livros sofrem ações diretas de fatores como: luz,
temperatura, umidade, poluição, ataque de pragas e fungos. O controle desses agentes
ambientais torna-se fundamental para a preservação de um acervo.
A PROFISSIONAL 3 afirma que mesmo que o profissional não atue diretamente em
bibliotecas, ele poderá atuar em Museus, Arquivos, Bibliotecas escolares, Centros de
Memória, entre outros que provavelmente terão materiais (livros, revistas, papéis, objetos,
obras de arte, etc) que precisam ser preservados para serem acessados no futuro.
É de fundamental importância que o bibliotecário saiba identificar esses problemas em
seu acervo, pois é no seu dia a dia, no vai e vem entre as estantes que se percebem problemas
como infiltrações, ataque de pragas, temperatura inadequada. Mas para saber identificar esses
problemas o profissional da informação deve ter o conhecimento mínimo sobre conservação e
preservação. De acordo com a PROFISSIONAL 1 o conhecimento sobre conservação
preventiva é válido para a avaliação do acervo e identificação de problemas, uma vez que tal
conhecimento contribui para prolongar a vida dos materiais de um acervo e promove ajuda a
mantê-los em boas condições. A PROFISSIONAL 2 concorda com essa afirmação: quando a
identificação do problema é feita no início as chances de perda são menores.
Como já ressaltado anteriormente, ter conhecimento em Conservação e Preservação é
de suma importância. Saber conhecer o acervo em que se trabalha faz parte do cotidiano de
um bibliotecário, que não deve apenas saber catalogar, classificar e disseminar a informação,

3279

�mas manter seu acervo vivo, por muitas gerações. São atitudes simples que podem fazer essa
diferença. Conservar e preservar um acervo não precisa ser uma atividade onerosa, mas uma
atividade simples e rotineira que mantenha o acervo em segurança.

4.3 Formação acadêmica - Minicurso: bases para preservação e conservação de acervo
Entre os dias 14 e 18 de outubro de 2013 foi realizada a 10a Semana de Estudos em
Ciências da Informação e Documentação da USP de Ribeirão Preto. Nesta semana foi
oferecido o minicurso intitulado “Bases para a Preservação e Conservação de Acervo”. Nesse
minicurso foram abordados conceitos de conservação, de preservação e restauro, além dos
fatores de deterioração dos acervos e princípios básicos de higienização documental. No final
do minicurso, como forma verificar a percepção dos alunos sobre o conteúdo em questão,
aplicou-se um questionário visando levantar: se os estudantes gostariam de se aprofundar no
assunto; se o conteúdo do minicurso poderia ser aplicado na prática profissional e se eles
acreditam que os cursos de Ciências da Informação e Biblioteconomia deveriam ter
disciplinas nessa área.
Os 20 estudantes que participaram do minicurso se dispuseram a responder o
questionário. A análise dos questionários respondidos surpreendeu pela unanimidade
afirmativa nas três questões. Todos gostariam de aprofundar as temáticas abordadas no
minicurso, todos acreditam que podem aplicar os conhecimentos aprendidos e todos
sinalizaram a importância do oferecimento de disciplina com essa vertente no curso. As
respostas ainda foram complementadas por comentários elogiosos em relação ao conteúdo do
minicurso. Em relação à participação no minicurso, observou-se receptividade e participação
dos estudantes.
Com base nos resultados obtidos, infere-se a real necessidade latente da oferta, nos
cursos de Biblioteconomia e Ciência da Informação, de disciplina ou mesmo oficinas e/ou
cursos que possam dar conta de abarcar as competências e habilidades que são exigidas dos
bibliotecários no desenvolvimento de atividades relacionadas à conservação e preservação de
acervos.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O conhecimento dos fatores relacionados à conservação e a preservação documental,
ou seja, sua conceituação, seu histórico, suas diretrizes, seus procedimentos e metodologias,
contribui para a melhor tomada de decisão de profissionais bibliotecários que atuam nas

3280

�diversas unidades informacionais e que são responsáveis pela formação e desenvolvimento de
coleções bem como pela gestão informacional.
É importante repensar o ensino de conteúdos relacionados à conservação e a
preservação documental nos cursos de Biblioteconomia e Ciências da Informação. A
conservação e a preservação de acervos estão ligadas a documentos históricos, raros e
especiais. Esses documentos necessitam de atenção especial, pois a maioria é insubstituível
em caso de perdas ou degradações maiores. Porém, é importante ressaltar que os suportes
informacionais “mais jovens”, também necessitam de cuidados, caso contrário, se deteriorarão
rapidamente e dificilmente chegarão às gerações futuras.
Os fatores analisados - opinião de profissionais que atuam na área e de estudantes do
curso de Ciências da Informação, Documentação e Biblioteconomia - corroboram com a ideia
de inserção de conteúdos relacionados à conservação e preservação documental. Entende-se
que os estudantes não precisam sair da Universidade como conservadores profissionais, mas
com conhecimentos específicos que possam contribuir para a identificação de problemas e
proposições de soluções que assegurem a integridade dos acervos.
Vale destacar ainda que mesmo em formato digital o documento necessita ser
preservado. Documentos digitalizados são constituídos de dois suportes (digital e físico) e
ambos precisam de atenção já que as mídias mudam constantemente: o que é moderno hoje,
amanhã pode se tornar obsoleto.
É importante registrar também que a falta de disciplinas desse âmbito nos cursos de
graduação comprometem a pesquisa na área. Este fato pode ser comprovado pela reduzida
literatura da área, traduzida em grande parte por uma literatura técnica voltada para manuais e
apostilas.

6 REFERÊNCIAS
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3282

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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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            <name>Title</name>
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                <text>Preservação e conservação documental: formação e atuação do bibliotecário</text>
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                <text>Fernandes, Iandra Marcela Honorato, Silva, Márcia Regina</text>
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            <name>Coverage</name>
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                <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
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            <name>Publisher</name>
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            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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                <text>O objetivo deste trabalho é refletir sobre a formação e atuação do bibliotecário no que concerne à área de preservação e conservação documental. Para tal, foram analisadas as matrizes curriculares dos cursos de Biblioteconomia e Ciência da Informação das Universidades do Estado de São Paulo quanto ao oferecimento de disciplinas obrigatórias ou optativas nessa área. Foram também realizadas entrevistas com profissionais e aplicados questionários a estudantes de graduação. Verificou-se que apenas um curso oferece uma disciplina obrigatória que abarca conteúdos relacionados à preservação e conservação documental. As entrevistas revelaram que os profissionais buscaram adquirir competências relacionadas à preservação e conservação documental em ambientes externos a universidades. Já a análise das respostas obtidas com a aplicação dos questionários, demonstra receptividade dos estudantes no aprendizado desse conteúdo. Os resultados obtidos revelam uma lacuna no ensino de graduação quanto ao conteúdo relacionado à preservação e conservação documental, sinalizando a necessidade dos cursos de graduação em Biblioteconomia e Ciência da Informação se responsabilizarem pela formação do bibliotecário no que se refere a sua atuação com excelência na gestão documental, envolvendo a avaliação de acervos e a tomada de decisão quanto à conservação e a preservação documental.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O RETRATO DO PROFISSIONAL BIBLIOTECÁRIO NO NORTE DE MINAS: UM
RELATO DE EXPERIÊNCIA DO DIA DO BIBLIOTECÁRIO, NO ICA/ UFMG
Rachel Bragança de Carvalho
Nádia Cristina de Oliveira Pires

RESUMO
Caracterização do profissional bibliotecário que atua no norte de Minas Gerais e para isso foi
preciso mapear através de pesquisa os profissionais atuantes, tal como a origem de sua
formação, a sua área de atuação no mercado, em quais setores estão inseridos e também a sua
satisfação quanto à escolha da cidade onde mora, pois a maioria é de outras regiões.

Palavras-Chave: Bibliotecário no Norte
Bibliotecário - mobilidade.

de Minas Gerais; Mercado

de Trabalho;

ABSTRACT
Characterization of the professional librarian who works in north Minas Gerais and it was
necessary to map the search through practicing professionals as the source of its formation, its
area of operation in the market, which sectors are included as well as their satisfaction select
the city where you live, because most are from other regions.

Keywords: Librarian in North Minas Gerais; Labour Market; Librarian - mobility

INTRODUÇÃO
O objetivo principal da pesquisa é caracterizar o profissional Bibliotecário
que atua na região do norte de Minas Gerais. Como objetivos secundários identificar a origem
desses profissionais; analisar o mercado de trabalho, carga horária, faixa salarial oferecida
nessa região, além do nível de satisfação pessoal em residir no Norte de Minas; verificar a
oferta de ensino continuado voltado para o profissional bibliotecário e em qual modalidade,
ensino à distância (EAD) ou presencial, configura-se para qualificação.

REVISÃO DE LITERATURA
No estudo apresentado por Arruda et al. (2000), de título Educação,
trabalho e o delineamento de novos perfis profissionais: o bibliotecário em questão, foi

3256

�analisado o panorama mundial em relação à empregabilidade, o nível que ocorre a
capacitação do profissional e as exigências de novos requerimentos do mundo do trabalho.
Souza e Nastri (1996) com intuito de caracterizar o mercado de trabalho do
bibliotecário no interior do Estado de São Paulo utilizou os dados dos profissionais
registrados no CRB-8, nas categorias: definitivo e provisório. A coleta de dados foi feita
através de um questionário adaptado do instrumento elaborado pela Assessoria da
CAPES/INEP e utilizado no estudo de NASTRI (1988), previamente testado.
Nesse estudo foi verificado que os profissionais bibliotecários, dentre
alguns quesitos, que 77,62% estavam trabalhando e que 22,38% não estavam. Que dentre o
universo dos que estavam trabalhando 88,29% trabalhavam apenas em uma instituição,
enquanto que 10,81% tinham dois empregos e 0,90% tinham três ou mais. Sendo que a
maioria era na área de biblioteconomia (SOUZA, NASTRI, 1996).
As pesquisadoras Souza e Nastri (1996, p. 196) abordaram também o tipo
de instituição que os profissionais estavam trabalhando, dividindo em: governo federal,
governo estadual, governo municipal, empresa pública ou de economia mista, empresa
privada ou como autônomo. Verificou-se que 32,43% estavam trabalhando em instituições do
governo municipal; 29,73% se encontravam em instituições do governo estadual e 18,92% em
empresas privadas. Uma pequena porcentagem, 9,9% atuava em instituições do governo
federal; 5,41% em empresa pública ou de economia mista e 1,80% como autônomo.

MATERIAIS E MÉTODOS
Em evento realizado para comemorar o “Dia do Bibliotecário” no Instituto
de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)372, procurou-se
contatar o maior número possível de Bibliotecários da região do norte de Minas Gerais. Ao
final do evento, foram aplicados questionários (ver apêndice B) para obterem-se informações
sobre o retrato do profissional Bibliotecário nessa região. Em seguida, efetuou-se o processo
de análise e interpretação dos dados alcançados. Após esse processo, os dados foram
tabulados em forma de tabelas e gráficos que facilitassem a visualização dos resultados.
Seguimos então para o processo de análise e interpretação dos dados alcançados em forma de
tabela (ver apêndice A).
A

princípio,

procurou-se

identificar

quais

instituições

possuíam

bibliotecários em seu quadro funcional. Quando identificado esse profissional, foram

372 Evento realizado no dia 25/03/2014

3257

�enviados e-mails com a programação do dia do evento. Foram feitas 13 ligações telefônicas
que resultaram na informação de 18 e-mails, dos quais 14 confirmaram e desses apenas um
não compareceu; quatro não confirmaram e não compareceram.

RESULTADOS PARCIAIS/ FINAIS
A primeira questão do questionário não se trata de uma pergunta, mas para
identificação do nome do participante do evento. Sua identificação também não era
obrigatória. Sendo assim, esta questão não possui fator importante que agregue valor. (Ver
apêndice B)
Na questão de número dois, foi tratada a nacionalidade e naturalidade e o
resultado obtido foi 100% são brasileiros e se dividem em, conforme gráfico 1 abaixo:

Gráfico 1: Nacionalidade/ naturalidade

Fonte: Resultado do questionário obtido pelas autoas.

Conquanto no quesito 3 e 4, profissão na carteira e instituição em que se
formou, os resultados são: onze dos treze profissionais pesquisados são registrados como
bibliotecário, um atua além de bibliotecário atua também como professor, e um como técnico
universitário; 57% deles se formaram na Universidade Federal de Minas Gerais, seguidos de
43% no Centro Universitário de Formiga. (Ver apêndice A)
As questões relativas à instituição em que trabalha e o tipo de instituição
(questões 5 e 6) houve uma predominância em biblioteca universitária e instituição pública,
mas observou-se que esses profissionais também prestam serviços em instituições privadas
concomitantemente, como foi comprovado na questão (8) mais adiante. (Ver apêndice A)
No quesito carga horária (questão 7) foi observado que os profissionais
cumprem, conforme gráfico 2 abaixo:

3258

�Gráfico 2: - Carga horária Semanal

Fonte: Resultado do questionário obtido pelas autoas.

Na questão 8, trabalha em mais de uma instituição foi observado que 43%
dos profissionais trabalham em mais de uma instituição e que 57% apenas em uma instituição.
Como constatado no questionário, a maioria dos profissionais trabalha em bibliotecas públicas
universitárias, dentre eles, estão os que atuam nas públicas e privadas concomitantemente.
Percebeu-se pelas respostas que existe bibliotecário atuando também em bibliotecas escolares
e centros de documentação.
A faixa salarial dos profissionais da região do norte de Minas, abordada na
questão (9). (Ver gráfico 3, abaixo)

Gráfico 3: Faixa Salarial dos Bibliotecários do Norte de Minas

Fonte: Resultado do questionário obtido pelas autoas.

Se a valorização e a necessidade do profissional bibliotecário na região do
norte de Minas Gerais são grandes, em resposta aos questionários, constatou-se que a faixa
salarial é acima da média na região, pois a maioria recebe acima de R$3.000,00 (Três mil
reais) por mês.
No quesito que trata do índice da satisfação quanto residir na cidade atual
(questão 10), foi percebido que a maioria (93%) gosta de residir no norte de Minas Gerais. Na

3259

�questão 11, caso a resposta fosse negativa, onde gostaria de residir apenas; 7% responderam
que não gostaria de residir no norte de Minas, sendo a capital mineira a localização escolhida.
Quanto ao quesito qualificação (questão 12) foi observado que a maioria
dos pesquisados tem especialização, dos quais 54% fizeram EAD, enquanto que, 15% têm
mestrado. Dos pesquisados, não houve qualificação de doutorado. (Ver gráfico 4 abaixo). No
quesito qualificação lato sensu, observou-se que os respondentes em sua maioria fizeram na
modalidade a distância (EAD).

Gráfico 4: Qualificação dos Bibliotecários do Norte de Minas

A questão (13) que tratava da satisfação quanto ao evento houve uma
predominância entre os profissionais participantes em qualificá-lo como muito bom e ótimo.
Enquanto que, a forma de divulgação que o profissional tomou conhecimento da realização do
evento “Dia do Bibliotecário” (questão 14), 34% respondeu por telefone, 33% outro

, 17%

e-mail, 8% pelo site da BU373374 e 8% pelo site do CRB-6375. (Ver apêndice A)
A questão (15) pedia a opinião dos pesquisados quanto a uma melhor
divulgação (Ver resultado no Apêndice A); já as questões de números (16, 17 e 18) pediam
sugestão para o próximo “Dia do Bibliotecário” quanto a divulgação, atividades/ eventos e
uma forma de estabelecer rede de contatos entre os profissionais, estas questões eram
discursivas e não fazem parte do objetivo deste trabalho atual, serão repassadas ao Conselho
Regional de Biblioteconomia 6° Região (CRB-6) posteriormente.

373 Colega de profissão e/ou trabalho.
374 Sistema de Bibliotecas da UFMG. Disponível em: &lt; https://www.bu.ufmg.br/&gt;.
375 Conselho Regional de Biblioteconomia 6° Região. Disponível em: &lt; http://www.crb6.org.br/&gt;.

3260

�CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/ FINAIS
Ao contrário do que acontece em outras profissões, a questão de
profissionais que migram de outros países não foi verificado entre os profissionais
bibliotecários que participaram no evento do “Dia do Bibliotecário” no ICA, em Montes
Claros. Em contra partida, constatou-se que existe um número pequeno de bibliotecários da
região do norte de Minas Gerais, observou-se que a maioria é oriunda de outras regiões de
Minas Gerais e até outro estado. Constatamos que para suprir as necessidades da região do
norte de Minas Gerais, seria necessário que existisse alguma instituição de ensino para a
formação de Bibliotecários nessa região.

REFERÊNCIAS
ARRUDA, Maria da Conceição Calmon, et al.

Educação, trabalho e delineamento de

novos perfis profissionais: o bibliotecário em questão. Ci. In f, Brasília, v. 29, n. 3, p. 14-24,
set./dez. 2000. Disponível em: &lt;http://www.scielo.br/pdf/ci/v29n3/a02v29n3.pdf&gt;. Acesso
em: 10 maio 2014.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRÁFIA E ESTATÍSTICA. Disponível em: &lt;
http://www.ibge.gov.br/home/&gt;. Acesso em: 15 abr. 2014.
PREFEITURA

DE

MONTES

CLAROS.

Disponível

em:

&lt;

http://www.montesclaros.mg.gov.br/cidade/aspectos_gerais.htm&gt;. Acesso em: 14 abr. 2014.
SOUZA, Marta Alves; Nastri, Rosemeire Marino. Análise do mercado de trabalho no

interior do Estado de São Paulo. Perspec. Ci. Inf., Belo Horizonte, v.1, n.2, p. 189 - 206,
jul./dez.

1996.

Disponível

em:

&lt;

http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/view/64&gt;. Acesso em: 10 maio
2014.

3261

�APÊNDICE A - DADOS COLETADOS DA PESQUISA
PESQUISA DE SATISFAÇÃO - DIA DO BIBLIOTECÁRIO
Análise de dados
Questão 2 - QT. Questão 3 - QT. Questão 4 QT. Questão
nacionalidade/

Profissão na

naturalidade

carteira

Instituição
Instituição
em

- QT. Questão 6 QT. Questão 7 - QT. Questão 8 QT.

5

em

que trabalha

Instituição

Carga

- Trabalha

horária

em

mais

de

uma

que

instituição

formou
Montes Claros/ 22% Bibliotecário

11

UFMG

MG
Belo

14

Pública

13

Até 20 horas

2

Sim

57%

1

Privada

5

Até 30 horas

9

Não

43%

Até 44 horas

6

Em branco

1

Universitária
21% Bibliotecário/ 1

Horizonte/ MG
Formiga/ MG

57% Biblioteca

professor
36% Técnica

Unifor/
MG

1

43% Biblioteca
Escolar
Centro
Pesquisa

universitária

de 1
e

Documentação
Salvador/

7%

Branco

1

Bahia
Mesquita/ MG

7%

Brumadinho/

7%

MG

3262

�Questão 9 - QT. Questão 10 - QT. Questão
Faixa salarial

Gosta

de

11

residir

na

cidade atual

QT. Questão 12 - Fez QT. Questão
-

QT. Questão 14 - QT. Questão
15 - Você

alguma

13 - O que

Como

Senão,

qualificação, se

você

ficou

acredita

onde

sim qual

achou

sabendo do

que

Evento

do

divulgação

Dia

do

foi

gostaria

do

evento?

de residir

você

0%

Sim

93% Outra

a

á

ideal?

Bibliotecário
Até R$1.200

QT.

0

Especialização

16% Ruim

0

E-mail

17% Sim

12

Capital

1

Especialização(P) 15% Bom

0

Telefone

34% Não

1

Qual

0

Especialização

6

Site da BU

8%

1

7

Site do CRB- 8%

cidade
Até R$2.000

20% Não

Até R$3.000

7%

7%

região
Acima

de 73%

54% Muito

(EAD)
Mestrado (P)

Em branco

Bom
15% Ótimo

R$3.000

6
Mestrado (EAD)

0%

Doutorado(P)

0%

Outro

33%

Doutorado(EAD) 0%
Total de participantes: 14

Legenda:
QT: Quantidade

3263

�APÉNDICE B - Questionário aplicado no “Dia do Bibliotecário”

PESQUISA DE SATISFAÇÃO - DIA DO BIBLIOTECÁRIO
1. Nome (não obrigatório):_______________________________
Nacionalidade/Naturalidade:___________________________
3 . Profissão na carteira:_________________________________
4. Instituição em que formou:_____________________________
5. Instituição em que trabalha:
Biblioteca Escolar □
Biblioteca Pública □
2.

6. Instituição
□Pública
□ Privada
7. Carga horária:
□ Até 20 horas □ Até 30 horas
□ Até 44 horas

�/

/

Biblioteca Universitária □
Empresa □
Outro:

3264

�8. Trabalha em mais de uma instituição:
Sim □ Não □
9. Faixa salarial:
□ Até R$ 1.200,00 □ Até R$ 2.000,00 □ Até R$ 3.000,00 □ Superior a R$ 3.0000
10. Gosta de residir na cidade atual (Norte de Minas)?
Sim □ Não □
11. Se não, onde gostaria de residir:
□ Outra cidade □ Capital □ Qual região?__________________________
12. Fez alguma qualificação, se sim qual? □Sim □Não
□ Especialização □ Presencial □ EAD (Ensino a Distância)
□ Mestrado
□ Presencial □ EAD (Ensino a Distância)
□ Doutorado
□ Presencial □ EAD (Ensino a Distância)
□ Outro:___________________________________________________________
13. O que você achou do evento?
□ Ruim □ Bom □ Muito Bom □ Ótimo
14. Como você ficou sabendo do Evento do Dia do Bibliotecário?
□ E-mail □ Telefone □ Site da BU □ Site do CRB-6 □ Outro:____________
15. Você acredita que a divulgação foi à ideal?
Sim □
Não □
16. Se não, em sua opinião qual seria a melhor divulgação?______________________
17. O que você sugere para o próximo Dia do Bibliotecário?

18. Para que haja maior interação entre os bibliotecários do Norte de Minas, o que você sugere?

A Biblioteca do Instituto de Ciências Agrárias agradece pela colaboração!

3265

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O retrato do profissional bibliotecário no norte de Minas: um relato de esperiência do dia do bibliotecário, no ICA/UFMG</text>
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                <text>Caracterização do profissional bibliotecário que atua no norte de Minas Gerais e para isso foinpreciso mapear através de pesquisa os profissionais atuantes, tal como a origem de sua formação, a sua área de atuação no mercado, em quais setores estão inseridos e também a sua satisfação quanto à escolha da cidade onde mora, pois a maioria é de outras regiões.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014
O PODER DAS REDES SOCIAIS NA PRÁTICA DO SERVIÇO DE REFERÊNCIA
EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
Giane da Paz Ferreira Silva
Jaciane Freire Santana
Ana Lígia Feliciano dos Santos
Roseane Souza de Mendonça
RESUMO
Os avanços das tecnologias e os apelos das mídias tornam os usuários cada vez mais
exigentes, sobretudo no meio acadêmico. Nas bibliotecas universitárias o impacto dessas
mudanças tem sido maior no Serviço de Referência, exigindo do profissional da informação
um aprendizado contínuo. Nesta perspectiva, o objetivo deste estudo é apresentar o Facebook
como principal rede social utilizada pela Biblioteca Setorial do Centro Acadêmico de Vitória
(CAV/UFPE) como ferramenta estratégica do Serviço de Referência para promover maior
interação com os usuários onde quer que eles estejam. A metodologia utilizada foi o estudo de
caso, mediante pesquisa exploratória a partir da análise do Facebook da biblioteca após seu
processo de transformação em uma página institucional, com uma agenda temática
permanente baseada no interesse de seus seguidores. Para coleta de dados foram utilizadas a
pesquisa documental e análise das informações gerenciais e dados estatísticos obtidos
diretamente na página do Facebook. O resultado do estudo indicou que utilizar essa rede
social se constitui numa nova perspectiva de divulgação dos serviços e de interação com os
usuários em tempo real. Da mesma forma, a possibilidade de gerenciar as informações a partir
do envolvimento dos seus seguidores configura-se em um elemento estratégico para as
bibliotecas universitárias.
Palavras-Chave: Redes sociais; Serviço de Referência; Bibliotecas universitárias; Facebook.
ABSTRACT
Technology’s advances and media’s appeals make the users more exigents, especially in the
academic environment. At Universities' libraries the impact of this changes has been bigger in
Reference Service, requiring of the information’s professional an unbroken knowledge.
Thereby, this study objective is to introduce the Facebook as the main social network used in
Setorial Library of the Vitória's Academic Center (Centro Acadêmico de Vitória CAV/UFPE) as strategic tool of Reference Service to promote a better interaction with the
users, wherever they are. The methodology used was a case study, by an exploratory research
through the analysis of the library's Facebook after a transformation process of your
followers in an institutional page, with a permanent thematic agenda based on followers’
wishes. For data collection was used the documental research, analysis of management
informations, and statistic informations obtained straight from the Facebook’s page. The
study result demonstrated that using this social network is a new perspective to services
propagation and interaction with the user in a real time. Therefore, the possibility to manage
the information from the involvement of its followers is a strategic element for Universities’
libraries.
Keywords: Social Networking; Reference Service; Universities’s Libraries; Facebook.

3244

�1 INTRODUÇÃO
As bibliotecas universitárias são desafiadas constantemente a inovarem na prestação
de serviços como forma de se fazerem presentes e acompanharem de perto as mudanças
tecnológicas e de perfil dos usuários da informação. Deste modo, no momento onde os
avanços da tecnologia e os apelos das mídias tornam os usuários cada vez mais exigentes é no
Serviço de Referência das bibliotecas que se observa o maior impacto.
Então é sob essa perspectiva que o profissional da informação se depara com usuários
totalmente voltados para o uso de recursos eletrônicos, extremamente preocupados com o
fator tempo e questionadores sobre os mais diferentes temas. Por outro lado, as mídias
tornam-se obsoletas rapidamente, a carência de pessoal para fazer atendimento de ponta é
grande e o universo de informação que circula na rede é inalcançável. Por essa razão, de que
forma o Serviço de Referência pode acompanhar esse mundo em mudança e esse usuário que
caminha juntamente a passos largos?
Desde a década de 90, já era notório o poder extraordinário da internet e como afirma
Castells (1999, p.378)
[...] Criaram-se várias redes comerciais de serviços por computadores que
ofereciam serviços baseados em uma grade organizada, com preços
adaptados. Mas a capacidade da rede é tal que a maior parte do processo de
comunicação era, e ainda é, grandemente espontâneo, não organizado e
diversificado na finalidade e adesão. De fato, os interesses comerciais e
governamentais são coincidentes quanto ao favorecimento da expansão do
uso da rede: quanto maior a diversidade de mensagens e de participantes,
mais alta será a massa crítica da rede e mais alto, o valor.
Sem dúvida alguma, tanto a internet quanto o desenvolvimento das tecnologias da
informação causaram forte impacto na sociedade. Mas, analisando a afirmativa acima e
contextualizando para os dias atuais, os serviços que circulam na rede de fato só aumentam e
em contrapartida no mundo acadêmico esse nicho é ainda maior, a massa crítica está ainda
mais presente e essa realidade para todos é lugar comum. Por outro lado, a explosão
informacional exige profissionais capazes de criar filtros, articular ideias e buscar recursos
informacionais que permitam que a informação alcance seu fim de maneira ágil, segura,
organizada e com credibilidade, poupando o tempo dessas pessoas. E poupar o tempo das
pessoas, foi uma responsabilidade desde sempre dos bibliotecários amparados na quarta lei de
Ranganathan: ‘poupe o tempo do leitor’, tão propagada no mundo da Biblioteconomia
(FIGUEIREDO, 1992). Assim, fica lançado o desafio aos bibliotecários do Século XXI, se
vire nos trinta e fique por dentro de tudo, se antecipe à demanda e localize rapidamente aquela
informação tão preciosa nessa emaranhada teia que é a Web.

3245

�Diante do exposto, a equipe de bibliotecários da Biblioteca Setorial do Centro
Acadêmico de Vitória (BIBCAV/UFPE), resolveu aceitar o desafio e para tal lançou mão do
uso das redes sociais na prática do Serviço de Referência como aliadas no processo de
interação com os usuários.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Na definição de Martins e Ribeiro (1986, p. 10), a palavra referência é proveniente do
latim, referentia, que tem como significado a ação de referir, relatar, contar. Quanto ao verbo
referir, proveniente do latim, refere, pode ser traduzido como o ato de responder, repetir,
informar. Neste sentido, um Serviço de informação tem como função social investigar o que
se conhece sobre determinado assunto, proporcionando ao usuário tanta informação quanto
seja necessária para preencher uma lacuna em seu conhecimento (FOSKETT, 1969).
Tradicionalmente as bibliotecas universitárias ocupam lugar de destaque pela
prestação de serviços de referência aos usuários. O Serviço de Referência como concebido na
atualidade teve sua menção pela primeira vez nos anais da 1a. Conferência American Library
Association (ALA), realizada em 1876, na Philadelphia, Estados Unidos.
No período de 1870 a 1950, predominantemente, o Serviço de Referência estava
relacionado ao auxílio do bibliotecário aos leitores no momento da utilização de livros,
ficando restrito ao espaço da biblioteca e tendo por finalidade o estudo e pesquisa.
(MORENO, 2005). Hoje com o uso intensivo das redes e com os recursos tecnológicos
disponíveis o Serviço de Referência extrapola as barreiras físicas e geográficas. Todavia a
prestação do serviço não pode deixar de privilegiar quatro importantes funções como descreve
Mangas (2007) no quadro a seguir:
Quadro 1 - Funções do Serviço de Referência
FUNÇÕES DO SERVIÇO DESCRIÇÃO
DE REFERÊNCIA
ACOLHER
Receber com simpatia e profissionalismo os usuários. [...] O
Serviço de Referência é o serviço por excelência que faz a ponte
entre a biblioteca e a comunidade a quem serve. Cabe ao
bibliotecário de referência desempenhar o papel de relações
públicas.
INFORMAR
Resolver as perguntas e as pesquisas dos usuários.
FORMAR
ORIENTAR

Ensinar os usuários na utilização dos serviços e dos recursos da
biblioteca.
[...] Ajudar os usuários dentro da biblioteca na localização das
obras ou encaminhá-los para os serviços que melhor possam
responder às suas necessidades Aconselhar os utilizadores na
seleção de uma obra, fonte ou recurso de informação.

Fonte: MANGAS, 2007.

3246

�O Serviço de Referência na era digital traz na essência os mesmos preceitos do serviço
presencial, porém, integra a possibilidade de servir como portal para outras fontes de
informação atraindo um maior número de usuários e auxiliando na recuperação da informação
em menor tempo.
Com o objetivo de dar maior agilidade no atendimento às questões de referência, os
serviços de referência virtual surgiram no final da década de 80, nos EUA em paralelo com a
disponibilização dos catálogos das bibliotecas na internet. (ARELLANO, 2001). No Brasil,
as bibliotecas virtuais surgiram na época da popularização da internet na década de 90 e
provocaram mudanças na forma de organizar a informação e disponibilizar os serviços. Por
outro lado, o perfil do usuário também se transformou e o contato com as bibliotecas deixou
de ser apenas físico. Apesar das mudanças ocorridas a finalidade do Serviço de Referência e
informação continua sendo permitir que as informações fluam eficientemente entre as fontes
de informação e quem precisa de informação. (WHITAKER, 1985 apud GROGAN, 2001).
Por essa razão, atualmente as redes sociais surgem como importantes meios de
comunicação e ferramentas do Serviço de Referência, sendo impossível negar a forma como
influenciam e mudam a vida e rotina das pessoas, seja pela agilidade de comunicação,
interação ou poder de atração. Observa-se hoje inúmeras formas de comunicações digitais,
bate-papo, twitter, Orkut, Facebook, Linkedin, sem contar com outros meios facilitadores
como o Skype, Hangouts, Viber e assim por diante. A questão é: Como tornar essas
ferramentas aliadas no Serviço de Referência, tirando o máximo de proveito das vantagens
oferecidas? Nessa perspectiva, a concepção do uso das redes sociais está atrelada ao seu papel
na sociedade do conhecimento, assim definida a sociedade na qual a informação tem valor
primordial.
Sob esse olhar, este trabalho tem como foco apresentar especialmente o uso de uma
página de fãs ou seguidores no Facebook (Fan Page), como ferramenta estratégica de
comunicação com os usuários da biblioteca.
Para tanto, é importante historiar um pouco como surgiu a biblioteca do Centro
Acadêmico de Vitória (CAV). Trata-se de uma biblioteca setorial integrante do sistema de
bibliotecas da UFPE, que atualmente é composto por 13 unidades, onze no Campus Recife e
duas no interior do Estado.
Nos últimos anos a interiorização do ensino superior como política do Governo
Federal concorreu para que a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) fosse levada ao
interior do estado de Pernambuco, visando proporcionar a população de várias cidades do
Agreste e Zona da Mata o acesso ao ensino público, gratuito e de qualidade. A iniciativa deu

3247

�origem à implantação de dois novos Campi da UFPE nas cidades de Caruaru e Vitória de
Santo Antão, a partir do ano de 2006. Como consequência, não menos relevantes, foram os
esforços para realizar a expansão das bibliotecas universitárias com vistas a promover o
acesso à informação à comunidade universitária e a população em geral.
Atualmente o Campus Vitória já oferece dois mestrados e seis graduações a 1.378
alunos, além de contar com 106 residentes, sendo um espaço de referência para a população
da Zona da Mata pernambucana, a formação de recursos humanos na área de saúde e na oferta
de ações de extensão universitária (REYNALDO, 2014).
Essa realidade demonstra que apesar da criação das bibliotecas universitárias ocorrer
nos mais diferentes contextos e em realidades muitas vezes adversas, fatores como a
insuficiência de recursos humanos para oferecer serviços de informação tão almejados pelos
usuários, não devem se constituir em obstáculos para vencer desafios. Frente a isso a
Biblioteca Setorial do CAV desde sua criação em 2006, tem direcionado seus esforços para a
prestação de serviços de qualidade aos seus usuários.
Além dos serviços de rotina comuns a uma biblioteca universitária, a Biblioteca
oferece serviços como a pesquisa em bases de dados e os treinamentos no Portal de
Periódicos da Capes para acesso ao texto completo das publicações científicas nacionais e
estrangeiras; disponibiliza o catálogo online; serviço de renovação e reserva de livros via
internet; tutoriais eletrônicos de serviços; biblioteca digital institucional BDTD/UFPE;
repositório institucional do CAV; realiza disseminação seletiva da informação e promove a
interação constante com os usuários através das redes sociais.
Diante da possibilidade de utilizar algumas plataformas Web para diferentes fins
como: publicação (Blog, Weblog, Web TV, Microblog, Youtube, Twitter), discussão (Fórum,
Grupos de trabalho), compartilhamento (Youtube, Slideshare, Flirck, Dropbox, Pinterest,
Instagram, WhatsApp), relacionamento (Facebook, Hi5, Orkut, Linkedin), agregação
(motores de busca) e colaboração (Wiki collaboration, Email).
Acerca das redes sociais Pontes e Santos (2011, p.4) apontam que estas atuam como
um processo dinâmico de trocas de informações, contribuindo para a interligação de
indivíduos através da distribuição de informação e da comunicação. Para corroborar essa
informação Bernardino, Suaiden e Cuevas-Cerveró (2014) consideram que a popularização
das redes sociais como canais de comunicação tanto formais quanto informais surge como
forma de se obter informação rápida, atualizada e de maior alcance.
A história do Facebook foi registrada no filme “A Rede Social” que mostra a criação
do site de relacionamentos mais popular da internet. A rede surgiu como uma ideia inovadora

3248

�de um jovem estudante da Universidade de Harvard, nos EUA, durante o ano de 2004. Nos
anos que se seguiram à fundação do Facebook as bibliotecas universitárias passaram a utilizar
a rede social como verdadeira aliada na prestação de serviços.
Com o intuito de dar visibilidade à biblioteca, informar, atuar como um canal de
comunicação, trabalhar em tempo real, facilitar o acesso, gerenciar algumas atividades de
atendimento ao público, divulgar a produção científica, criar a memória institucional a partir
de um banco de imagens, disponibilizar ferramentas de capacitação científica e promover a
disseminação seletiva da informação, a partir de 2012 utilizou-se o Facebook como principal
rede social.
Essa realidade motivou o uso do Facebook como ferramenta do Serviço de Referência
partindo da experiência e observações diretas realizadas in loco. Muitas das informações
institucionais e operacionais emergenciais criadas na unidade não chegavam aos usuários, ou
quando acontecia, ocorriam muitas vezes tardiamente. Assim, a adesão e formulação da
página no Facebook primaram em promover maior divulgação da biblioteca entre os usuários
da própria Universidade.
Entretanto, após alguns meses de uso do Facebook a preocupação era: o que fazer para
atingir um número maior de usuários e disseminar o maior número de informações possíveis?
Para isso, alguns questionamentos surgiram: Como promover maior divulgação da biblioteca
do CAV no Facebook? Como fazer Marketing viral no Facebook? Como atrair mais usuários
(professores, alunos e a comunidade em geral) para o Facebook? Quais as estratégias de
marketing para as redes sociais? E como elaborar as melhores postagens para manter os
usuários sempre interessados no Facebook da Biblioteca?
Para atingir esse objetivo optou-se por adotar uma página de fãs para a biblioteca371
(ou fan page termo em inglês) diferentemente do primeiro uso do Facebook pela biblioteca
que era

através de um perfil, porém esse tipo de conta tem caráter altamente pessoal. Na

prática esse perfil permite procurar amigos, conectar-se, publicar imagens, textos e vídeos, de
forma compartilhada ou privada com os contatos. Entretanto, os perfis tem um limite de até
cinco mil amigos, situação que não é interessante quando se trata de uma instituição.
Esse tipo de página é voltado para propósitos de utilização profissional com a criação
de conteúdos direcionada àqueles que têm um particular interesse na instituição ou
organização. Desta forma, essa opção está sendo cada vez mais utilizada para divulgar os
produtos e serviços através da publicação de imagens, textos e vídeos.

Isto porque,

371Disponível em: https://www.Facebook.com/bibliotecaCAV

3249

�diferentemente de um perfil, onde apenas os amigos podem acessar os conteúdos, uma página
de fãs está disponível a todos (seguidores ou não) e são passíveis de serem indexadas pelos
motores de busca. Não existe limitação para a quantidade de fãs e qualquer indivíduo pode
seguir a página ou tornar-se fã sem necessidade da autorização prévia do administrador.
Da mesma forma, é permitido ao administrador excluir um seguidor se houver
necessidade e do ponto de vista gerencial é possível obter dados estatísticos sobre as visitas e
participação dos fãs nos temas abordados na página. Outro fator é que para fins de controle da
página, semanalmente é enviado um e-mail para o administrador com dados estatísticos sobre
as atividades (número de interações, entradas e saídas de fãs, feedback aos conteúdos
inseridos, entre outros). Essas informações foram decisivas para a biblioteca no processo de
tomada de decisão pela migração do perfil pessoal para uma página de fãs.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Para a consecução do trabalho optou-se por realizar uma pesquisa exploratória,
buscando o levantamento teórico sobre o tema, investigando as nuances do objeto,
concorrendo para o aprimoramento de ideias e descoberta de intuições. (MICHEL, 2009). O
método utilizado foi o estudo de caso este, para Yin (2005), e Calazans (2007) é um estudo
empírico que investiga o fenômeno atual dentro do seu contexto de realidade, quando as
fronteiras entre o fenômeno e o contexto não são claramente definidas e no qual são utilizadas
várias fontes de evidência.
Por essa razão o presente estudo ateve-se a seu objeto de pesquisa que tratou o uso do
Facebook como ferramenta do Serviço de Referência na Biblioteca Setorial do Centro
Acadêmico de Vitória (CAV/UFPE), atento ao processo de mudança de configuração do
perfil da página da Biblioteca do CAV no Facebook. Para tal procedimento, foi realizado
inicialmente um levantamento documental sobre as vantagens e desvantagens de uso do
Facebook. Em seguida, buscou-se analisar quais as variáveis que interferiam no uso e alcance
dessa rede social com o objetivo de facilitar o processo de tomada de decisão. Na fase de
mudança, foi necessário o envolvimento da equipe, gerando uma série de discussões para
proceder à reformulação da página.
Como forma de tornar a página da biblioteca mais atrativa aos seguidores e atrair
novos, foram definidas algumas estratégias para manutenção e vivacidade. O ponto de partida
foi o estabelecimento de uma agenda das principais temáticas a serem tratadas na rede social.
O cronograma foi estruturado com dias fixos para cada temática (Vide Figura 1).

3250

�Figura 8: Cronograma de publicações para o Facebook da biblioteca

Segunda
U m li v r o n a j a n e l a
(d iv u lg a çã o dos e­
bo o ks g ra tu ito s)

Terça

D ia ria m e n te

C iê n c ia à v is ta
(n o vid a d e s e
re su lta d o s
científicos)

I n f o r m e s da
Bi b l i o t e c a / l n s t i t u i ç ã o

Quarta
Quinta
E n c o n t r o às q u in ta s
(d iv u lg a ç ã o de
a g e n d a c u ltu ra l)

R IC — R ep o sitó rio
In stitu c io n al do CAV
(d e s t a q u e para o
c o n h e c im e n to gerado
no Centro)

A partir do estabelecimento destas diretrizes paa alimentação da página no Facebook a
equipe de bibliotecários tem unido esforços no sentido de formular conteúdos que prezem
pela ética, especialmente porque as publicações divulgadas recaem sobre a instituição e/ou
organização.

4 RESULTADOS PARCIAIS
Para atrair os usuários e manter um canal de comunicação mais ágil e eficiente a
presença da Biblioteca Setorial do CAV nas Redes Sociais foi um passo fundamental, pois
essa experiência tem permitido que o público acompanhe e se mantenha informado sobre seus
produtos e serviços além de permitir a criação de estratégias de divulgação e disseminação da
informação totalmente focada em seus interesses.
Os resultados dentre outros dados apontam que a Disseminação Seletiva da
Informação (DSI) é um conceito válido e útil para a disseminação de conteúdos por ser
considerada uma das técnicas mais eficazes para o controle, seleção e divulgação do que é
publicado no mundo. (STRONG, 2004). Neste contexto, as redes sociais são surgem como
aliadas neste processo, sobretudo, no âmbito das bibliotecas universitárias.
Ao migrar a página em abril de 2013, o perfil da biblioteca estava conectado a 689
amigos. Atualmente a página possui mais de 1000 seguidores, já foram realizadas 313
postagens durante o período.

3251

�Ao analisar as publicações postadas percebe-se que entre os seguidores as postagens
com fotos despertam maior interesse do público atingindo um maior alcance e envolvimento,
conforme Figura 2.

Figura 9: Alcance e envolvimento dos seguidores da página por tipo de
publicação

Fonte: Facebook, 2014.
Considerando as 100 publicaões de maior destaque, conforme Gráfico abaixo, é
possível inferir que o público seguidor da página tem acompanhado mais efetivamente as
postagens cujos temas são referentes às notícias da própria Universidade, na sequência
destacam-se as relativas à Biblioteca do Campus Vitória. Esse dado é bastante revelador, pois
demonstra que o Facebook está contribuindo para minimizar problemas crônicos de
comunicação no âmbito da instituição.
Gráfico 1: As 100 publicações da página de maior destaque
U m liv ro na J a n e la
C iê n c ia à v is ta
R I C — R e p o s itó r io
In s t it u c io n a l d o C A V
E n c o n t r o à s q u in ta s
F ic a a D ica
In fo r m e s d a B ib lio te c a d o
CAV
In fo r m e s U n iv e r s id a d e e
C a m p u s V itó ria
O u tr o s

Fonte: Facebook, 2014

3252

�Analisando os dados geradospela página e considerando que o Centro Acadêmico de
Vitória é uma unidade da UFPE criada no interior do Estado de Pernambuco, o Gráfico
abaixo demonstra que os seguidores da página representam de fato o público alvo do Campus.
Pois atualmente 62% dos fãs são oriundos de cidades do interior de Pernambuco. No processo
de interiorização esse dado é relevante para traçar políticas de informação direcionadas a esse
público, uma vez que se evidencia a democratização do acesso as novas tecnologias.

Gráfico 2: Mapeamento dos usuários por região

Dentre os resultados apresetados acima, é importante ressaltar que vários outros
indicadores podem ser obtidos a partir das configurações de gerenciamento da página. Estes
elementos podem se constituir em verdadeiros instrumentos para se traçar políticas
instituicionais voltadas para atender os interesses da comunidade que sem dúvida é: a razão
da existência de todas as bibliotecas.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo indicou que o uso do Facebook na Biblioteca Setorial do Centro Acadêmico
de Vitória como ferramenta do Serviço de Referência tem se constituído numa nova
perspectiva de divulgação dos serviços e de interação com os usuários em tempo real.
Através do Facebook tem sido possível se antecipar as necessidades dos usuários;
promover a atualização dos profissionais da biblioteca no uso de ferramentas tecnológicas e
consolidar essa rede social como mais um eficiente canal de comunicação. Graças ao uso
dessa ferramenta interativa a biblioteca tem contribuído para dar maior visibilidade à
produção científica da Universidade; proceder à disseminação seletiva da informação através

3253

�da divulgação dos materiais em seus diferentes suportes, bem como divulgar eventos e
notícias da instituição e disponibilizar ferramentas de capacitação científica para os usuários.
Outrossim, é importante destacar que trata-se de um trabalho de construção coletiva
que tem exigido novas competências e um aprendizado contínuo por parte da equipe. Por essa
razão, há uma agregação de valor decorrente do leque de possibilidades das redes sociais,
como elementos estratégicos para as bibliotecas universitárias no século XXI.

6 REFERÊNCIAS
A REDE social. Direção de David Fincher. Produção de Scott Rudin, Dana Brunetti, Michael
de Luca, Ceán Chaffin. Intérpretes: Jesse Eisenberg, Andrew Garfield, Rashida Jones, Brenda
Song, Justin Timberlake, John Getz, Dakota Johnson, Mark Saul, Brian Palermo. Roteiro:
Aaron Sorkin. 2010. 1 DVD (117 min.), son., color. Legendado.
BERNARDINO, Maria Cleide Rodrigues; SUAIDEN, Emir José; CUEVAS-CERVERÓ,
Aurora. O uso do Facebook pelas bibliotecas públicas do estado do Ceará. CID: Revista de
Ciência da Informação e Documentação, v. 5, n. 1, p. 112-123, mar. 2014.Disponível em:
&lt;http://www.revistas.usp.br/incid/article/view/64334&gt;. Acesso em: 02 Abr. 2014.
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CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999. (A era da
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Inf., Brasília, v.21, n.3, p. 186-191, set/dez. 1992.
FOSKETT, Douglas John. Serviço de informação em bibliotecas. São Paulo: Polígono,
1969.
GROGAN, Denis Joseph. A prática do serviço de referência. Brasília: Briquet de Lemos,
2001.
YIN, Robert K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 3.ed. Porto Alegre: Bookman,
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�MARTINS, Myriam Gusmão; RIBEIRO, Maria de Lourdes Guimarães. Serviço de
referência e assistência aos leitores. Porto Alegre: UFRGS, 1986.
MICHEL, Maria Helena. Metodologia e pesquisa científica em ciências sociais: um guia
prático para acompanhamento da disciplina e elaboração de trabalhos monográficos. 2.ed. São
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MORENO, Patrícia da Silva. Serviço de referência digital: uma análise apoiada em agentes
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3255

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Silva, Giane da Paz F., Santana, Jaciane Freire, Santos, Ana Lígia Feliciano dos, Mendonça, Roseane Souza de</text>
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                <text>Os avanços das tecnologias e os apelos das mídias tornam os usuários cada vez mais exigentes, sobretudo no meio acadêmico. Nas bibliotecas universitárias o impacto dessas mudanças tem sido maior no Serviço de Referência, exigindo do profissional da informação um aprendizado contínuo. Nesta perspectiva, o objetivo deste estudo é apresentar o Facebook como principal rede social utilizada pela Biblioteca Setorial do Centro Acadêmico de Vitória (CAV/UFPE) como ferramenta estratégica do Serviço de Referência para promover maior interação com os usuários onde quer que eles estejam. A metodologia utilizada foi o estudo de caso, mediante pesquisa exploratória a partir da análise do Facebook da biblioteca após seu processo de transformação em uma página institucional, com uma agenda temática permanente baseada no interesse de seus seguidores. Para coleta de dados foram utilizadas a pesquisa documental e análise das informações gerenciais e dados estatísticos obtidos diretamente na página do Facebook. O resultado do estudo indicou que utilizar essa rede social se constitui numa nova perspectiva de divulgação dos serviços e de interação com os usuários em tempo real. Da mesma forma, a possibilidade de gerenciar as informações a partir do envolvimento dos seus seguidores configura-se em um elemento estratégico para as bibliotecas universitárias. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O PLANO ESTRATÉGICO DE MARKETING DA BIBLIOTECA OCTÁVIO
BARBOSA, DO SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL
Rebecca dos Santos Dias
Roberta Pereira da Silva de Paula
RESUMO
O presente trabalho se insere na linha de pesquisa sobre Organização e Serviços de
Informação. Tem como objetivo apresentar o plano estratégico de marketing da Biblioteca
Octávio Barbosa, do Serviço Geológico do Brasil, tendo como principal propósito a
divulgação de ações. A compreensão dos conceitos principais de marketing permite a
utilização do planejamento e das ferramentas disponíveis para criação e aplicação de um
plano de ação. Os resultados apresentam alguns instrumentos de comunicação de marketing
que permitem a divulgação dos serviços e produtos disponíveis na Biblioteca. Assim, a
elaboração de um plano de marketing constitui um relevante instrumento para o aumento da
qualidade dos serviços que a Biblioteca dispõe.
Palavras-chave: Marketing em Bibliotecas; Marketing de Serviços; Plano de Marketing;
CPRM.
ABSTRACT
This work belongs to the line of research about Organization and Information Services. It has
as objective to present the strategic marketing plan Octavio Barbosa Library, the Geological
Survey of Brazil, with the primary purpose of the dissemination actions. The understanding of
key marketing concepts allows the use of planning and the tools available for creating and
implementing a plan of action. The results present some tools of marketing communication
that allow the dissemination of services and products available in the Library. Thus, the
development of a marketing plan is an important tool for increasing the quality of services
that the library offers.
Keywords: Marketing Libraries; Marketing Services; Marketing Plan; CPRM

1 INTRODUÇÃO
Nas últimas décadas os princípios de marketing se intensificaram e estão presentes nas
mais diferentes organizações com ou sem fins lucrativos, tais como: ONGs, igrejas, museus,
bibliotecas, dentre outras.

3232

�O marketing em bibliotecas tornou-se imprescindível diante da sociedade atual, que
faz levantar questões como: qual o valor da biblioteca para a sua comunidade? Qual
relacionamento é estabelecido entre a biblioteca e seus usuários?
É importante destacar que o marketing é um processo dinâmico e resultante de ações
integradas, o que exige a atuação de todos da organização, com o fim de que as metas sejam
alcançadas e o foco na satisfação do cliente e do mercado nunca seja perdido. Trata-se de um
instrumento gerencial contínuo, e a tarefa da administração de marketing é influenciar o nível,
a ocasião e o tipo de demanda, de modo que a organização possa atingir seus objetivos.
Para Kotler e Keller (2006) a comunicação de marketing é o meio pelo qual as
empresas buscam informar, persuadir e lembrar os consumidores - direta ou indiretamente sobre os produtos e marcas que comercializam. Seis itens podem ser determinados no Mix de
Comunicação de marketing, conforme os exemplos a seguir:
•

Propaganda - Anúncio impresso e eletrônico, catálogos, outdoor.

•

Promoção de vendas - Brinde, sorteio, exposição.

•

Eventos e experiências - Diversão, arte, visitas.

•

Relações Públicas - Kit para a empresa, palestras, revista corporativa.

•

Vendas Pessoais - Apresentação de vendas, reuniões, amostras.

•

Marketing Direto - Telemarketing, venda pela TV.
O aumento das atividades de serviços, tal como sua disponibilidade, propulsionou a

prática para além do setor lucrativo. Dessa maneira, a utilização do marketing torna-se
importante também para organizações e instituições sem fins lucrativos, pois através dele é
possível valorizar o produto ou o serviço oferecido. No marketing de Serviços existe a
preocupação fundamental com a qualidade, que representa o diferencial em relação ao
marketing de produtos.
É necessário ressaltar que os objetivos de uma proposta de marketing devem ser,
sobretudo, realistas, concretos, mensuráveis e bem definidos no tempo. Diversas ferramentas
para análise de cenário, internas e externas a organização, como a Análise SWOT (Strengths,
Weaknesses, Opportunities e Threats), devem ser aplicados para que com o conhecimento da
situação real proporcione uma adequada proposta.
A fundamentação teórica do processo de marketing demonstra que pode ser aplicado a
organizações como Bibliotecas e ampliar, assim, a comunicação com seu público alvo. Nesse
sentido, este trabalho tem como objetivo apresentar o plano estratégico de marketing da

3233

�Biblioteca Octávio Barbosa, assim como divulgar as ações que estão sendo desenvolvidas no
decorrer no plano.
Criada em 1971, com o objetivo de promover a informação especializada em
geociências para a comunidade técnico-científica gerada pela CPRM, a Biblioteca Octavio
Barbosa - Biblioteca Central da Rede Ametista, Rede de Bibliotecas do Serviço Geológico do
Brasil contempla dois acervos diversificados e volumosos, onde as coleções de documentos
convencionais - como obras de referências, livros, teses, dissertações e periódicos - estão
incorporadas a uma área de aproximadamente de 470m2. Já o acervo de multimeios contempla
uma significativa coleção de documentos fotocartográficos, ocupando uma área de
aproximadamente de 440m2.
A Biblioteca Octávio Barbosa tem como missão fomentar e incentivar a utilização de
dados e informações, contribuindo para o desenvolvimento geocientífico da sociedade. Sua
visão é contribuir para transformar o Serviço Geológico do Brasil em centro de excelência no
país na disseminação de dados e informações geocientíficas.
Os objetivos principais são: atuar como depositária da produção técnico-científica da
empresa, processar a informação técnica, gerenciar as coleções e em especial promover a sua
disseminação e disponibilização para o universo de usuários.
Por seguinte apresentamos os princípios conceituais sobre o marketing em bibliotecas,
seguido do plano estratégico de marketing que poderão trazer importantes contribuições para
que outras bibliotecas ou unidades de informação possam elaborar ou atualizar o seu próprio
plano.

2 O MARKETING EM BIBLIOTECAS
Muitos são os conceitos referentes à utilização do marketing em Bibliotecas. A seguir
serão apresentados alguns destes conceitos básicos.
A adoção de marketing em organizações que não visam o lucro, como as bibliotecas e
unidades de informação, tem se ampliado devido à crescente necessidade que estas
organizações encontram com as mudanças e a concorrência, e por isso buscam maior eficácia
de seus serviços.
O marketing de serviços apresenta uma abordagem dinâmica, pois os serviços são
intangíveis e indicam que a relação e interação com o cliente é de caráter simultâneo. Como a
função principal do marketing é a satisfação dos desejos do mercado-alvo, a aplicação do
marketing em Bibliotecas surge com o propósito de aumentar a qualidade dos serviços
prestados e transformar positivamente a imagem da organização.

3234

�Para Weinstock (1976 apud Amaral e Silveira, 1993) o essencial na aplicação das
técnicas de marketing em bibliotecas é começar com as observações ou hipóteses baseadas na
avaliação das necessidades e desejos dos usuários. A biblioteca deve esclarecer e identificar
sua função para si mesma e para o meio em que está inserida. Através do marketing, a
biblioteca é capaz de convencer a organização em que está vinculada e a comunidade a
respeito da importância e utilidade de seus serviços.
Para a implantação do marketing em Bibliotecas, medidas gerenciais e administrativas
deverão ser tomadas. Algumas destas ações são: análise e identificação de mercado, definição
de estratégias, otimização do uso da informação e a interação com outros setores.
Kotler (1989) afirma que as rápidas mudanças tecnológicas são as causas da procura
das bibliotecas pelo marketing. O mesmo autor afirma que existem sete situações de demanda
em que o marketing pode influenciar. A que mais encontramos atualmente em unidades de
informação é a demanda declinante, que pode ser reestimulada através de novos mercadosalvo, transformando as características das ofertas ou desenvolvendo comunicações mais
eficazes.
Como no marketing de Serviços existe preocupação fundamental com a qualidade,
Kotler (1989) salienta que deverão ser aplicadas técnicas adicionais de marketing para o caso
dos serviços. Os elementos estratégicos que são incluídos no marketing Mix para os bens
(produto, distribuição, preço e comunicação), serão acrescidos de mais três (pessoas, processo
e evidência física).
As mudanças na área de Biblioteconomia fizeram com que o foco maior da atividade
seja sempre o usuário, pois não há finalidade no ofício do bibliotecário se a informação não
for disseminada e chegue a quem precisa. Por isso, o trabalho de um bibliotecário não é tão
distinto do ofício de um vendedor que convence o cliente a comprar determinado produto que
se adeque a sua necessidade.
A utilização do marketing pode trazer diversos benefícios à biblioteca. Através dele
passa-se a questionar o relacionamento entre a biblioteca e o público e favorece a relação de
troca entre eles, obtendo com isso a fidelidade e o reconhecimento. Ao buscar as estratégias
de marketing, os funcionários quebram o imobilismo tradicional que tanto se caracteriza no
profissional bibliotecário. Além disso, a organização encontra no marketing os recursos para
demonstrar à comunidade a importância de sua razão de existir.
Os princípios apresentados acima sobre o marketing em bibliotecas fornecem
conceitos que possibilitarão as análises para estruturar um Plano Estratégico de Marketing
para bibliotecas e unidades de informação.

3235

�2.1 O Plano de Marketing
O Plano de Marketing é a parte onde deve estar prescrita a identificação das
informações, a análise e os resultados do processo de definição de estratégias e o modo como
elas serão implantadas. Segundo Westwood (1996) o Plano de Marketing é como um mapa
que revela à organização a direção a seguir e as estratégias utilizadas para se chegar aonde
deseja.
A ausência de um Plano de Marketing pode acarretar em falta de organização, falta de
coordenação entre os elementos escolhidos e também perda de oportunidades. O Plano de
Marketing deverá conter a missão e a visão da organização, indicando o segmento dos
utilizadores, as estratégias a serem aplicadas e a avaliação das atividades desenvolvidas.
Na criação e aplicação de marketing é de extrema importância conhecer a Biblioteca
que receberá a proposta. O marketing só pode ser aplicado com conhecimento completo da
situação da biblioteca, o que se pode classificar como um mapeamento, a fim de que as
estratégias sejam bem estabelecidas, agindo de maneira eficaz.
A proposta do marketing será delimitada pela missão da Biblioteca e projetada pela
visão da mesma, assim como os objetivos que serão norteadores no processo.

2.2 O Plano de Marketing da Biblioteca Octavio Barbosa
A Biblioteca Octavio Barbosa possui metas e objetivos que deseja alcançar em prol da
otimização de seus serviços. Na decisão de aderir ao marketing, a elaboração de um Plano de
Marketing é essencial para que as atividades estratégicas estejam claras e bem definidas.
Tomamos como base para a formação do nosso plano estratégico de marketing o método de
estudo estabelecido por Breda (2012). A seguir apresenta-se a estrutura do Plano.

1 - Apresentação O principal objetivo da Biblioteca Octavio Barbosa é disponibilizar
informações geológicas para a comunidade técnico-científica, geradas na CPRM - Serviço
Geológico do Brasil. Este Plano de Marketing busca oferecer um mapeamento da Biblioteca
que permite a análise de aspectos negativos, reforços dos aspectos positivos e propostas de
inovações na gestão objetivando a excelência nos serviços de recuperação da informação.

2 - OBJETIVOS DO MARKETING
Objetivo 1: Promoção e divulgação. A Biblioteca pretende divulgar e promover seus
serviços ao passo que se tornem conhecidos por seu segmento-alvo.

3236

�Objetivo 2: Imagem e reafirmação. A Biblioteca almeja transformar a imagem de seus
serviços e reafirmar sua função dentro da organização e da comunidade.
Objetivo 3: Qualidade. A Biblioteca pretende usar táticas para aprimorar a qualidade
de seus serviços.

3 - ANÁLISE AMBIENTAL: AMBIENTE INTERNO E EXTERNO
A análise ambiental é realizada através da Análise SWOT
•

Forças (ambiente interno) - localização, instalações da biblioteca, imagem da
instituição, grande quantidade de recursos informacionais, equipe dinâmica, recursos
tecnológicos adequados, espírito de colaboração entre a equipe;

•

Oportunidades (ambiente interno) - praticamente não há concorrência, parcerias,
convênios, conferências, emergência de novas competências e saberes;

•

Fraquezas (ambiente externo) - verbas governamentais, ausência de estudos de
avaliação de serviços, ausência de convênios com outras instituições, ausência de
estratégia de marketing, falta de um canal de comunicação direta com o público alvo,
ausência de planejamento estratégico;

•

Ameaças (ambiente externo) - mudanças tecnológicas, ausência de inserção nas redes
sociais, verbas governamentais insuficientes.

4 - SEGMENTAÇÃO DO MERCADO - SEGMENTO ALVO
O mercado alvo ou segmentação do mercado da Biblioteca Octavio Barbosa é formado
por empregados, estudantes, consultores, pesquisadores, professores, instituições e a
comunidade em geral.

5 - POSICIONAMENTO
A Biblioteca Octavio Barbosa objetiva alcançar um bom posicionamento perante os
segmentos envolvidos e fortalecer a sua imagem, de modo que pontos positivos sobressaiam.
Nesse sentido, realizamos um estudo de usuários com o objetivo de diagnosticar as
necessidades informacionais de usuários.

6 - ORÇAMENTO
O orçamento é previsto no planejamento estratégico anual.

3237

�7 - IMPLEMENTAÇÃO DO PLANO DE AÇÃO
Uma vez estabelecidos os objetivos, é essencial também determinar ações para
alcançá-los. Para o cumprimento dessas ações o processo deve estar explanado de forma clara,
em que o prazo, o responsável e o custo da ação sejam citados. O Plano de Ação de Marketing
pode ser resumido conforme a exemplificação abaixo.

Descrição da ação: Divulgação de um novo serviço
Responsável: Chefia da Biblioteca
Custo estimado: R$ 1.400,00
Cronologia: em seis meses
Observações complementares: Elaboração de banner, folder e marcadores de página.

8 - AVALIAÇÃO
A avaliação deverá ser realizada periodicamente com o objetivo de avaliar os
resultados e adotar medidas para assegurar que os objetivos sejam alcançados.

9 - MARKETING-MIX:
As variáveis de promoção das organizações, compostas por sete P’s, conforme Kotler
(1989) serão aplicadas na Biblioteca. São eles: Produto, Preço, Distribuição, Pessoas,
Processo, Evidência Física e Comunicação.
•

Produto ou serviços
Assim como toda unidade de informação, a Biblioteca oferece diversos produtos e

serviços de acordo com os setores de aquisição, processamento técnico, referência e
multimeios, tais como: seleção, desbaste e descarte de publicações, COMUT, normatizações,
pesquisas bibliográficas, dentre outros.
•

Preço
A Biblioteca Octavio Barbosa, além de oferecer serviços, também trabalha com a

venda de produtos, como: mapas e livros. Os preços são determinados pela instituição.
•

Distribuição
A Biblioteca Octavio Barbosa está situada no prédio da CPRM no Rio de Janeiro e

está distribuída em parte central e multimeios.
•

Pessoas

3238

�O grupo de pessoas na Biblioteca Octavio Barbosa é composto por Bibliotecários,
Apoio Técnico e Estagiários.
•

Processo
A gestão realizada com qualidade é essencial para eficácia da organização. Para esta

gestão é necessário estabelecer instruções internas, procedimentos a serem seguidos e tutoriais
específicos. No momento a Biblioteca está atualizando suas instruções.
•

Evidência física
Positivos: espaço acolhedor, silencioso, temperatura agradável, mesas de estudo,

limpeza.
Negativos: pouca sinalização.
•

Comunicação
A informação exige clareza para ser transmitida aos usuários afim de que a

comunicação não seja complexa. Ela deve existir para que a Biblioteca torne conhecidos seus
serviços, suas vantagens e indique aos usuários como obter esses serviços. O principal meio
de comunicação da Biblioteca ocorre através de e-mail.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Para alcance do objetivo utilizou-se inicialmente a pesquisa bibliográfica, onde se fez
o levantamento dos principais conceitos de marketing em bibliotecas para identificar os
parâmetros para estruturação do plano estratégico de marketing. Em seguida elaboramos um
esquema de eventos da biblioteca que serão utilizados ao longo do ano, conforme a seguir.
Como meio de ampliar sua comunicação, no quadro acima estão elencadas propostas
de eventos que estão sendo realizados na Biblioteca Octavio Barbosa.
As ações do plano estratégico de marketing iniciaram em 2013 e são desenvolvidas
pela equipe da Biblioteca. Sempre atuamos em colaboração com outros setores da empresa,
tais como: divisão de editoração, divisão de marketing e divisão de informática, que auxiliam
nas ações do plano.
Identificamos os eventos mais pertinentes a partir de sugestões dos próprios clientes e
partir de demandas internas.

3239

�Quadro 1: Esquema de eventos a serem realizados ao longo do ano

E v en to

N om e
E v en to

do

O b jetiv o

P erio d icid a d e

Novas
Aquisições

Novidades na Conhecer
o Quadrimestral
Biblioteca
acervo recémincorporado

L ocal

M aterial

Biblioteca

Faixa
de
chamada

Eventos
de Congresso
Divulgar
os Ocasionalmente Congressos,
Geociências
Brasileiro de serviços
feiras,
simpósios
Geologia
informacionais
e os produtos
de
Geociências
da CPRM para
o público
Promover
a Anual
Encontro com Conversa
Biblioteca;
escritores
Literária com troca
de
Auditório
Autor
informações
entre autores e
leitores
Lançamento de Conhecer e
Ler:
livros
Lançamento
de Livro
Seminários
II Encontro da
Rede Ametista

Concursos

Trazer
atualidades
biblioteca

Semestral

Datas
comemorativas

Dia
do
Bibliotecário;
Aniversário
da CPRM;
Aniversário
da Biblioteca
Ambientação da Conhecendo a
Biblioteca
Biblioteca da
CPRM

Destacar
e Mensal
prover
informações
sobre a área
comemorativa

Datashow
transmissão
online

Biblioteca

Datashow,
brindes

Auditório

Folder,
blocos, pasta,
caneta,
marcadores

Biblioteca

Enquete
virtual

Biblioteca

Cartaz,
mural,
digital

a

Promover
Bienal
encontros entre
pesquisadores,
estudantes,
funcionários e
afins.
Como deve se Escolha
de Eventualmente
chamar?
nome para um
novo serviço

Folder

Ambientar os Ocasionalmente Biblioteca
novos
funcionários

tela

Folder com
guia

Fonte: As autoras

4 RESULTADOS
Apresentamos a seguir as ações de promoção e divulgação que a Biblioteca Octávio
Barbosa vem realizando através da comunicação de marketing.

3240

�No desenvolvimento das ações do plano foram observados aumentos referentes à
procura dos serviços pessoalmente e através de e-mails, que são contabilizados através de
relatórios estatísticos de frequência de uso.

Os resultados são avaliados de maneira

quantitativa e qualitativa.

No contexto da propaganda, estruturamos um banner e um anúncio eletrônico.
F i g u r a 1: B a n n e r

p a d r o n iz a d o

O Banner foi desenvolvido com o apoio da divisão de editoração da instituição,
divulgando informações sobre os serviços e produtos da Biblioteca.

F i g u r a 2: An ú n c io

e l e t r ô n ic o

I jc ia m a is ,
le ia s e m p r e !
A Biblioteca O ctávio B a rb o sa disponibiliza livros de
literatura para todos o s c olaborad ores do ER J.

Do c lássico ao best-seller!

P a s s e na biblioteca, faça se u em préstim o e
aproveite a leitura.

“A leitun de um Lcsn livro é um diálcgo incessente:

O anúncio eletrônico oi desenvolvido com o apoio da divisão de informática e
distribuído via e-mail institucional, divulgando uma ação de incentivo a leitura para os
funcionários da instituição. De maneira espontânea tivemos um retorno imediato a essa ação
através do e-mail da Biblioteca, conforme abaixo:

3241

�Cliente 1 : Gostei muito! O incentivo a leitura é o primeiro passo a grandes
conquistas!
Cliente 2: Que ótima notícia! Vou ficar freguesa. Parabéns e sucesso!
Cliente 3: Poderiam enviar a lista para escolher? Adorei a ideia!
Cliente 4: Que legal! Não sabia! Achei que era só de geologia...

Ou t r a

a ç ã o e m d e s e n v o l v im e n t o é a p r o m o ç ã o d a b i b i o t e c a a t r a v é s d e e v e n t o s

NA ÁREA DE GEOCIÊNCIAS .

NA

QUAL OS BIBLIOTECÁRIOS, EVENTUALMENTE, APRESENTAM

OS SERVIÇOS E PRODUTOS DA BIBLIOTECA EM STANDS DE CONGRESSOS .

APÓS

ESSE TIPO DE

AÇÃO AS SOLICITAÇÕES VIA E - MAIL DOBRAM .

F igura 3:

foto do stand da biblioteca em congresso

F onte: B log da CPRM
OUTRAS AÇÕES ESTÃO SENDO DESNVOLVIDAS NO
EVENTOS, DESTACAMOS AS SEGUINTES :
Am b ie n t a ç ã o d e n o v o s f u n c i o n á r io s a t r a v é s d e

CONTEXTO DO NOSSO ESQUEMA DE
v is i t a s g u i a d a s ; p r o m o ç ã o e m

DATAS COMEMORATIVAS ATRAVÉS DE ANÚNCIO ELETRÔNICO , DISTRIBUIÇÃO DE FOLDERS
COM O REGULAMENTO DA BIBLIOTECA , DENTRE OUTRAS AÇÕES .

APÓS

ESSAS AÇÕES DE PROMOÇÃO E DIVULGAÇÃO É POSSÍVEL OBSERVAR UM AUMENTO

SIGNIFICATIVO NA UTILIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DA BIBLIOTECA DE MANEIRA PRESENCIAL OU
VIRTUAL, ATRAVÉS DA FREQUÊNCIA DE USO .

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesta construção, objetivou-se esclarecer os conceitos essenciais a respeito do
marketing e sua utilização em Bibliotecas, e obter subsídios para a elaboração de um plano

3242

�estratégico de marketing, no qual pretende servir de apoio para inovações na comunicação e,
assim, obter resultados, como o aumento da demanda e o reconhecimento da comunidade e
seu público alvo.
A literatura mostrou que é cada vez mais importante a utilização do marketing em
Bibliotecas e Unidades de Informação devido a constantes mudanças informacionais e
tecnológicas que ampliam a concorrência.
Viu-se que o marketing também funciona como um grande mecanismo para conhecer
as necessidades do segmento-alvo de uma organização onde o foco é o serviço. Com isso, a
biblioteca torna-se apta a aumentar a qualidade de seus serviços, alcançando melhor seus
objetivos e garantindo uma clientela fiel.
Nesse sentido, identificamos no mix de comunicação à importância da distribuição de
treinamentos constantes e divulgação de catálogos, boletins, folhetos, tutoriais, assim como a
promoção de palestras, visitas guiadas, exposições e sorteios, dentre outros recursos para
diferentes segmentos que se deseja alcançar.
O quadro Lista de Eventos na Biblioteca revelou variadas propostas de eventos para as
Bibliotecas e Unidades de Informação no qual podem ser utilizadas em variados contextos de
relevância estratégica.
A construção de um Plano de Marketing da Biblioteca Octavio Barbosa fez-se
essencial para o esclarecimento das estratégias que deverão ser utilizadas e do controle que
deverá ser periodicamente realizado.

6 REFERÊNCIAS
AMARAL, Sueli Angélica do; SILVEIRA, Amélia. Marketing em unidades de informação:
estudos brasileiros. Brasília: IBICT, 1993.
BREDA, Maria da Graça Mónica. O plano de marketing em serviços públicos: aplicação aos
SBIDM da UA. Orientadora: Cláudia Sofia Magalhães de Carvalho. Aveiro, 2012. 132f.
Dissertação (Mestrado em Administração e Gestão Pública)-Departamento de Ciências
Sociais, Políticas e do Território, Universidade de Aveiro, Aveiro, 2012.
KOTLER, Philip. Princípios de Marketing. Editora: Prentice-Hall, 1989.
KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane. Administração de Marketing. 12. ed. São Paulo:
Pearson Prentice - Hall, 2006.
WESTWOOD, John. O Plano de Marketing. 2. ed. São Paulo: Makron, 1996.

3243

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>O plano estratégico de marketing da Biblioteca Octávio Barbosa, do Serviço Geológico do Brasil</text>
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                <text>O presente trabalho se insere na linha de pesquisa sobre Organização e Serviços de Informação. Tem como objetivo apresentar o plano estratégico de marketing da Biblioteca Octávio Barbosa, do Serviço Geológico do Brasil, tendo como principal propósito a divulgação de ações. A compreensão dos conceitos principais de marketing permite a utilização do planejamento e das ferramentas disponíveis para criação e aplicação de um plano de ação. Os resultados apresentam alguns instrumentos de comunicação de marketing que permitem a divulgação dos serviços e produtos disponíveis na Biblioteca. Assim, a elaboração de um plano de marketing constitui um relevante instrumento para o aumento da qualidade dos serviços que a Biblioteca dispõe.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O PERFIL DO PROFISSIONAL BIBLIOTECÁRIO E A SUPERVISÃO TÉCNICA DE
SEÇÃO: UM ESTUDO DE CASO DA UNESP
Ana Carolina Gonçalves Bet
Roniberto Morato do Amaral
RESUMO
Um dos desafios inerentes à gestão do setor de processamento técnico de uma biblioteca
universitária perpassa pelo modo e consequente desdobramento da função de chefia em
relação à equipe de trabalho. Nessa perspectiva, esta pesquisa teve como objetivoa
identificação e análise do perfil de liderança do profissional bibliotecário no desempenho da
função de supervisor técnico de seção de uma biblioteca universitária. O método de pesquisa
utilizado foi o estudo de caso e a unidade caso foi a Universidade Estadual Paulista “Júlio de
Mesquita Filho” - UNESP, foram aplicados questionários a três supervisores da Seção
Técnica de Aquisição e Tratamento da Informação - STATI de campi distintos. Como
resultado foi constatado que a literatura e a pesquisa empírica são correlatas, de modo que a
organização é uma das competências primordiais à função de supervisão que implica na
constituição do conceito de perfil equilibrado. Conclui-se que o perfil de liderança medeia
entre atributos inatos ao indivíduo bem como a formação técnico-cientifica especifica à
função biblioteconômica.
Palavras-Chave: Gestão em unidades de informação; Perfil de liderança; Processamento
técnico; UNESP;
ABSTRACT
One of the inherentchallenges of managingan university library’s technical processing
department go through the way and consequent deployment of the manager
functionconcerning the staff. In this perspective, this research turns to the identification and
analysis of the professional librarian leadership profile performing the task of technical
section supervision in an university library. The research method used was the case study in
theUniversidadeEstadualPaulista " Julio de MesquitaFilho” - UNESP, where was applied
some questionnaires to three Information Treatment and Acquisition Technical Section
supervisors, in distinct units. As a result it was found that the empirical research and literature
are correlated, in a way that the “organization” is one of the primordial characteristic to the
supervision function, which implies in the constitution of the balanced profile concept. We
conclude that the leadership profile mediates between innate attributes to the subject as well
as the technical- scientific specific formation to the library science function.
Keywords:Managementof informationunits; Leadership profile; Technical processing;
UNESP;

3225

�1 INTRODUÇÃO
O contexto atual das bibliotecas universitárias compreende várias mudanças
tecnológicas e sociais, em especial na atuação dos bibliotecários no papel de gestor junto a
função biblioteconômica de tratamento técnico. Novas demandas e necessidades determinam
os rumos da gestão das bibliotecas universitárias: o compartilhamento e reuso da informação,
a complexidade do tratamento técnico, a gestão de novos suportes e o acesso à informação
demandada pela comunidade acadêmica, entre outras. Diante desse contexto algumas
questões podem ser levantadas: existe um perfil para o profissional bibliotecário desempenhar
a função de Chefia? Alguns pesquisadores se dedicaram à temática da gestão em bibliotecas,
sobre diversos aspectos. Porém, na literatura que versa sobre a atuação do bibliotecário no
contexto das bibliotecas universitárias (VALENTIM, 2000; 2002; 2004; SOUTO, 2005;
SANTOS, 2000; SILVA, 2005; RUCHEL, 2010) não abordam o perfil de liderança do
bibliotecário gestor na função biblioteconômica de tratamento técnico. Conhecer o perfil de
liderança do bibliotecário e a sua atuação profissional como gestor poderá contribuir para a
melhoria dos serviços prestados à comunidade acadêmica, para a eficiência e eficácia dos
processos de trabalho da biblioteca, e ainda, para o desenvolvimento profissional dos
indivíduos que atuam como gestores. Assim, o objetivo geral desta pesquisa consistiu na
identificação e análise do perfil de liderança do bibliotecário que atua como gestor na função
de supervisor do setor de tratamento técnico, no contexto das bibliotecas universitárias. Dessa
forma, esta pesquisa justifica-se por fornecer alguns subsídios teóricos e práticos que
possibilitam ampliar o conhecimento sobre o perfil de liderança do bibliotecário na atuação da
função de gestor. Os resultados aqui alcançados podem contribuir para a melhoria dos
serviços prestados à comunidade acadêmica, para a eficiência e eficácia dos processos de
trabalho na biblioteca, e ainda, para o desenvolvimento profissional dos indivíduos que atuam
ou que pretendem atuar como gestores.

2 REVISÃO DE LITERATURA
A atuação do bibliotecário em tempos de avanços das tecnologias de informação e
comunicação (TIC), principalmente diante da diversidade de usuários, demandas e serviços de
informação, não se converte em um mero disseminador da informação, de modo que esse
contexto exige do bibliotecário, além de atuar nas atividades técnicas, a atenção ao exercício
de atividades, que envolvam a administração, bem como a gerência de setores da biblioteca.
Segundo Bergue (2010, p. 17) o termo gestão pode ser compreendido como sinônimo
de administração, um processo complexo que compreende as seguintes atividades: 1)

3226

�planejamento: consiste na organização de ações conscientes voltadas à definição das
prioridades de execução de um ou vários objetivos); 2) organização - envolve o
estabelecimento da estrutura organizacional; 3) direção: visa implementar e conduzir formas
eficientes para a execução do planejamento e; 4) controle: realiza a verificação dos resultados
do planejamento, também podem compreender ações corretivas com a finalidade de alcançar
os resultados planejados ou previstos. Pinto; Gonzalés (2010, p.56) argumentam que a
administração de uma biblioteca exige do bibliotecário conhecimentos que possibilitem
exercer o papel de comando e a coordenação das atividades nela desenvolvidas.
No contexto organizacional das bibliotecas universitáriaso bibliotecário, na atuação
como gestor, tem a responsabilidade de desenvolver ações orientadas por uma filosofia de
relação com pessoasde forma a enaltecer o trabalho e dignificar o ser humano, em especial
por intermédio do exercício da liderança (CHIAVENATO, 1997; PINTO; GONZALÉS,
2010, p.56). Caso a atividade de liderança se converta em apenas o estabelecimento de
“ordens”, ou seja, delegar atividades, ignorando as expectativas e potencialidades individuais
e coletivas da equipe, o trabalho se constituirá de modo mecânico, o que acarretará prejuízos
para as relações interpessoais no ambiente de trabalho. Nesta perspectiva, duas tipologias de
liderança orientam as discussões propostas (MUNIZ 2004):
a) Perfil inato: refere-se a tudo o que é inerente ao indivíduo ou que está presente desde
o seu nascimento, o que é nato ou tão somente natural a alguma coisa ou alguém. Este
perfil compreende as características pessoais específicas do indivíduo, que viabilizamo
desempenho de sua função de gestão, e ainda, o diferencia dos seus liderados, tais
características não seriam passíveis de serem adquiridas por intermédio, por exemplo,
de treinamentos, a liderança seria uma habilidade inata ao indivíduo. No contexto
desta pesquisa, o perfil inato pode revelar algumas formas de lideranças, como por
exemplo: a) o “espírito” de liderança; b) tendência natural a tomar frente às situações
que envolvam a tomada de decisões e; c) objetividade (enquanto uma forma de
postura) nas decisões;
b) Perfil construído (científico):envolve a conscientização do aspecto cientifico da
gestão, procurando desfazer a concepção de chefia estabelecida sem embasamento
teórico, ou seja, a chefia de acordo com os desejos ou interesses particulares do gestor.
Nessa perspectiva Santos (2000, p. 113) argumenta que se faz necessário ao indivíduo
gestor “ser um especialista na área de conhecimento onde atua, conhecendo os
recursos informacionais disponíveis e as técnicas de tratamento da documentação e
demonstrando domínio das tecnologias mais avançadas.

3227

�A gestão de equipes, por sua vez, exige um cuidado especial, pois essa prática decorre
da relação entre diversos sujeitos e, com efeito, cada um deles possui suas características,
qualidades e limitações. Portanto, caberia ao profissional gestor estabelecer a mediação e a
flexibilidade no relacionamento em equipe, através de uma comunicação clara e embasada,
uma vez que a falha nesta pode desencadear desafetos e consequentemente gerar conflitos.
Outro aspecto fundamental para a gestão é o domínio dos conhecimentos técnicos necessários
para gerir o setor, certo que sob a orientação destes, as atitudes diante dos desafios cotidianos
estarão ancoradas em procedimentos científicos e não em devaneios ou delírios de grandeza
que o status do cargo pode fazer emergir no gestor despreparado. Assim, alguns problemas
circundam as duas perspectivas de perfis quanto a liderança. Um gestor convicto que o perfil
inato lhe garante todas as condições para atuar, pode incorrer suas decisões de modo
autoritário (ao faltar elementos que favoreçam a expressão das ideias), imediatista na tomada
de decisões, sem embasamento teórico e tão pouco atualizado. Em outro sentido, o gestor que
se orienta pelo modelo de perfil construído (científico), pode se converter em uma espécie de
“advogado de regras”, inflexível diante das normas e procedimentos burocráticos, assim as
determinações das atividades parecem mecânicas, com isso, apresenta certas dificuldades na
tomada de decisões. A mediação entre as capacidades inatas e as aprendidas com o auxílio da
ciência, geram os subsídios necessários que qualificam o bibliotecário como um gestor. Se,
em hipótese, nenhum individuo é totalmente desprovido de habilidades que caracterizam um
gestor e, nenhuma teoria científica de gestão é plenamente efetiva ou verdadeira, parece
forçoso afirmar que o perfil adequado para o gestor seja o equilibrado, uma vez que este não
se estabelece a partir do confronto ou da exclusão dos outros dois perfis, mas pelo
estreitamento e inter-relação destes. Diante destes sintéticos apontamentos, o perfil
equilibrado envolveria as atribuições tanto do perfil inato quanto do perfil construído
(científico). No entanto, permanece uma questão: e se não somente as “qualidades” sejam
herdadas, mas também os “defeitos” dos perfis inato e construído? Por sua natureza, o perfil
equilibrado tenderia a estimular o gestor a colocar em evidência os critérios que orientam suas
ações, tais como a reflexão, o diálogo, a organização e o planejamento

3

MATERIAIS E MÉTODOS
Esta pesquisa é do tipo exploratória de natureza qualitativa (GIL, 2012). O método de

pesquisa utilizado foi o estudo de caso(YIN, 2001).

A unidade caso foi a UNESP -

Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), pelo fato de que as
bibliotecas da UNESP compreendem em seu organograma o cargo de gestor do STATI -

3228

�Seção Técnica de Aquisição e Tratamento da Informação. Mediante a leitura e análise da
literatura foram elaboradas considerações a respeito do perfil do bibliotecário supervisor,
buscando compreender a existência bem como as características inerentes a atividade de
supervisão técnica de setor. Visando compreender de modo empírico a atuação dos
bibliotecários na função de gestor, foi analisado, por intermédio de quatro documentos
oficiais, a estrutura organizacional da Rede de Bibliotecas da unidade caso, mas
especificamente o setor da STATI: 1) O primeiro, de 1994, consiste na publicação do volume
I da coleção de Recursos Humanos, Informação &amp; Qualidade intitulado “Gerência de
bibliotecas universitárias para a Qualidade Total: planejamento e seleção”; 2) O segundo, por
volta de 1999 (no documento não está especificado a data de elaboração), consiste em um
documento disponibilizado pela CGB intitulado “Atribuições de Competências”, cujo
conteúdo detalha as atribuições dos Bibliotecários (Diretor, Supervisores Técnicos de Seção e
Bibliotecários); 3) O terceiro, a publicação da “PORTARIA UNESP-89, DE 5-3-2009”, que
regulamenta a fixação das atribuições das unidades administrativas que integram a estrutura
da UNESP e; 4) O quarto, a publicação da “PORTARIA UNESP-469, de 25-7-2012”, que
está em vigência, não prevê alterações ou acréscimos às atribuições do STATI, somente aos
outros setores da UNESP. O método de pesquisa também compreendeu a coleta de
informações por intermédio da aplicação de um questionário aberto (GIL 2012), encaminhado
por e-mail a três bibliotecárias supervisoras, que atuam nas unidades da Rede de Bibliotecas
da UNESP. A escolha das unidadesse deu pela facilidade de acesso, sendo as unidades: 1)
Faculdade Estadual “Júlio de Mesquita Filho” - Campus Experimental de Tupã; 2) Faculdade
de Ciências Farmacêuticas de Araraquara e; 3) Faculdade de Odontologia de Araraquara.

4 RESULTADOS
Em consonância com o objetivo desta pesquisa, foi utilizada uma molduraanalítica
para a apresentação dos resultados, orientada pelas seguintes categorias:
a) Paralelo entre teoria e prática: as atividades desenvolvidas no STATI: De acordo
com a Portaria UNESP-469, de 25-7-2012 (a vigente), onde são elencadas as
atividades a serem desenvolvidas pelos servidores na STATI, foi possível observar
que do ponto de vista técnico os bibliotecários supervisores executam o que está
previsto na Portaria. Porém, as apresentações das perspectivas dos entrevistados não
reproduzem pormenorizadamente todas as atividades previstas na Portaria, pois estes
se limitaram com efeito, a destacar o que julgaram de mais pertinente em sua atividade
diária, o que não significa que eles não executam o que está predito na Portaria;

3229

�b) Perfil do supervisor do STATI: A partir da argumentação acerca das atribuições
necessárias ao gestor, sendo elas o planejamento, a organização, a direção e o controle
(BERGUE, 2010),percebemos que os três entrevistados estão alinhados à perspectiva
teórica de modo que estas orientações se assemelham com uma forma de método
característico da atividade de gestão. O ponto comum entre a relação teoria e prática
que podemos salientar é a tendência à organização, uma vez que o setor de tratamento
técnico de uma biblioteca universitária depende exclusivamente do ordenamento
estrutural de suas atividades (PINTO,1993);
c) Principais características do perfil: Entendendo que a organização abrange a
totalidade do que denominamos nesta pesquisa de perfil, podemos destacar algumas
características peculiares que lhe servem de base: objetividade na tomada de decisões,
conhecimento técnico e flexibilidade. Com efeito, o trabalho em equipe determina a
execução adequada das atividades bem como permite a harmonia e a união no
ambiente de trabalho. Isso nos remete a pensar no papel decisivo do supervisor: a
liderança;
d) Liderança: inata, construída ou equilibrada?A partir do estabelecimento do sentido
dos conceitos de lideranças inata e construída, detectamos, com o exame do conteúdo
das respostas, que os supervisores, predominantemente, afirmam que a liderança não
pode se converter em um mero mecanismo técnico tampouco ter origem nas aptidões
subjetivas do supervisor. Desse modo, pressupomos a existência de um terceiro perfil:
o perfil equilibrado, conforme discutido no referencial teórico. A mediação entre as
capacidades inatas e as aprendidas com o auxílio da ciência, geram os subsídios
necessários que qualificam o bibliotecário como um gestor. Se, em hipótese, nenhum
indivíduo é totalmente desprovido de habilidades que caracterizam um gestor e,
nenhuma teoria científica de gestão é plenamente efetiva ou verdadeira, parece
conveniente afirmar que o perfil adequado para o gestor seja o equilibrado, uma vez
que este não se estabelece a partir do confronto ou da exclusão dos outros dois perfis,
mas pelo estreitamento e inter-relação destes

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Com base no referencial teórico aqui apresentado e na investigação empírica realizada
é possível afirmar que a principal característica a ser destacada na atuação do bibliotecário
como gestor da unidade caso, seja a organização. A demanda própria ao setor do STATI da
unidade caso depende do ordenamento das atividades para que estas não impliquem, em

3230

�última instância, no tratamento e disseminação inadequados da informação. As outras
categorias que estruturam a gestão - o planejamento, a direção e o controle - gravitam em
torno da organização. Com relação ao perfil de liderança, foi possível destacar a importância
na articulação entre o “ímpeto de liderar” (perfil inato) e o conhecimento científico implícito a
atividade (perfil construído). Dessa forma, as decisões tomadas pelo bibliotecário gestor
tendem a estar ancoradas na objetividade bem como no respaldo teórico que fundamenta a
decisão, para que esta não pareça arbitrária.
Conclui-se que o perfil de liderança medeia entre atributos inatos ao sujeito bem como
a formação técnico-cientifica especifica à função biblioteconômica, o que culmina no
desenvolvimento de um perfil equilibrado.

REFERÊNCIAS
BERGUE, S. T. Gestão de pessoas em organizações públicas. 3. ed. Caxias do Sul: Educs,
2010.
CHIAVENATO, I. Gerenciando pessoas: o passo decisivo para administração participativa.
3.ed. São Paulo: Makron Books, 1997.
GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6.ed. São Paulo: Atlas, 2012.
MUNIZ, M. B. A. O papel do líder no gerenciamento das diferenças individuais. 2004.
62f. Monografia de Especialização (MBA de Administração Judiciária) - FGV, RJ, 2004.
PINTO, A. L.; GONZÁLES, J. A. M. O profissional bibliotecário como gestor de pessoas.
Rev. Eletr. Bibliotecon. Ci. Inf. Florianópolis, v.15, n.29, p.52-65, 2010.
PINTO, V.B. Informação: a chave para qualidade total. Ciência da Informação, Brasilia,
v.22, n.2, p.133-137, maio/ago. 1993.
RUCHEL, G. Bibliotecário: gestor da informação. 2010. 124 f. Monografia (Trabalho de
Conclusão de Curso de Biblioteconomia) - Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação UFRGS, PO, 2010.
SANTOS, J. P. O perfil do profissional bibliotecário. In: VALENTIM, M. L. P. (Org.). O
profissional da informação: formação, perfil e atuação profissional. São Paulo: Polis, 2000.
SILVA, F. C. C. Bibliotecários especialistas: guia de especialidades e recursos
informacionais. Brasília: Thesaurus, 2005.
SOUTO, L. F. O profissional da informação em tempo de mudanças. Campinas: Alínea,
2005.
VALENTIM, M. L. P. (Org). O profissional da informação: formação, perfil e atuação
profissional. São Paulo: Polis, 2000.
________. Formação do profissional da informação. São Paulo: Polis, 2002.
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YIN, Robert K. Estudo de caso: planejamento e método. 2.ed. Porto Alegre: Bookman, 2001.

3231

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                <text>Um dos desafios inerentes à gestão do setor de processamento técnico de uma biblioteca universitária perpassa pelo modo e consequente desdobramento da função de chefia em relação à equipe de trabalho. Nessa perspectiva, esta pesquisa teve como objetivo a identificação e análise do perfil de liderança do profissional bibliotecário no desempenho da função de supervisor técnico de seção de uma biblioteca universitária. O método de pesquisa utilizado foi o estudo de caso e a unidade caso foi a Universidade Estadual Paulista ―Júlio de Mesquita Filho‖ - UNESP, foram aplicados questionários a três supervisores da Seção Técnica de Aquisição e Tratamento da Informação – STATI de campi distintos. Como resultado foi constatado que a literatura e a pesquisa empírica são correlatas, de modo que a organização é uma das competências primordiais à função de supervisão que implica na constituição do conceito de perfil equilibrado. Conclui-se que o perfil de liderança medeia entre atributos inatos ao indivíduo bem como a formação técnico-cientifica especifica à função biblioteconômica. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O PERFIL DO BIBLIOTECÁRIO UNIVERSITÁRIO: UMA PESQUISA NA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS (UFT) E NA UNIVERSIDADE
FEDERAL DE GOIÁS (UFG)
Esdra Basilio
Núbia Nogueira Nascimento

RESUMO
Neste trabalho buscamos observar como os bibliotecários (as) são compreendidos pelos
usuários de bibliotecas universitárias federais. O estudo foi realizado em duas bibliotecas
universitárias, na região norte, Universidade Federal do Tocantins (UFT). E na região centro
oeste, Universidade Federal de Goiás (UFG). A metodologia utilizada possui uma abordagem
pelo método quantitativo (survey) e qualitativo. Para a coleta de dados foram aplicados
questionários nas respectivas bibliotecas das instituições (UFT) e (UFG). A amostra foi
composta por seis perguntas fechadas, as perguntas compõem uma relação direta sobre a
profissão do bibliotecário (a) bem como as características sobre o seu perfil, relacionado à
construção da autoimagem do bibliotecário universitário.

Palavras- Chave: Bibliotecas universitárias ; Bibliotecário (a); Perfil; Representações sociais.

ABSTRACT
In this work we try to perceive how librarians are understood by users of libraries of federal
university. The study was conducted in two university libraries in northern Universidade
Federal do Tocantins (UFT) and in the Central-West Region: Universidade Federal de Goiás
(UFG). The methodology used by the study was ‘Survey’, known as quantitative and
qualitative method. For data collection, questionnaires were applied in the respective libraries
(UFT) and (UFG). The questionnaire consists of six closed questions, these questions
comprise a direct relationship on the profession of the librarian and its features on your profile
related to construction of the self-image like university librarian.

Keywords: University libraries; Librarian; Profile; Social representations.

1 INTRODUÇÃO
A profissão do bibliotecário (a) bem como o seu perfil, ainda nos dias atuais é um
tabu, quando o assunto está diretamente relacionado à sua autoimagem. Um dos propósitos
deste trabalho é refletir sobre a imagem do profissional bibliotecário (a) universitário e
também perceber a relação entre a construção e a reafirmação dos estereótipos estabelecidos

3214

�pela sociedade contemporânea. Também, compreender a percepção dos usuários em relação
às competências e habilidades dos bibliotecários atuantes nas seguintes bibliotecas
universitárias: Universidade Federal

de Goiás, Campus universitário de Catalão e

Universidade Federal do Tocantins Campus universitário de Porto Nacional. Neste sentido
teremos uma visão geográfica sobre a opinião de uma amostra dos universitários da região
norte e da região centro-oeste. Para obter as respostas foram distribuídos questionários aos
estudantes universitários, de forma aleatória, nas duas universidades, contabilizados um total
de vinte questionários respondidos.
A figura do bibliotecário enquanto guardião da informação está obsoleta, com as
tecnologias da informação e novas sociabilidades, o profissional da informação deve se
adequar ao novo cenário da sociedade da informação. De acordo com Castells (2000, p.17) “ a
revolução da tecnologia da informação e a reestruturação do capitalismo introduziram uma
nova forma de sociedade, a sociedade em rede’’, onde a informação esta alocada em
diferentes mídias interativas. Entendemos que é imprescindível

que o profissional

bibliotecário possua competências necessárias para lidar com as mudanças tecnológicas.
Segundo Morigi e Pavan (2004, p.123) ''as bibliotecas universitárias, ao utilizar e incorporar
em suas práticas cotidianas as tecnologias de informação e comunicação alteraram as formas
de

sociabilidade,

implicando

o

redimensionamento,

construindo

novas

formas

de

sociabilidade''.

2 REVISÃO DE LITERATURA
A interação face a face foi durante muito tempo o meio de comunicação mais usual, os
grupos tribais se interagiam em um mesmo espaço e tempo, assim, a linguagem era o
principal meio de comunicação. O aparecimento da escrita provocou transformações na forma
de transmitir o conhecimento. Com a invenção da imprensa por Gutenberg no século XV e a
revolução do computador no século XX, sem dúvida foi o início para a explosão da
informação e os variados tipos de mídias existentes na atualidade. À medida que aconteciam
mudanças na informação, à sociedade, de certa maneira, sentiu-se a necessidade de
acompanhá-la especialmente para adequar as novas tecnologias.
Entendemos que o bibliotecário (a) e/ou profissional da informação deve facilitar o
acesso a informação e procurar atender as demandas dos usuários. Para tanto o bibliotecário
(a) deve ser proativo e procurar a atender os usuários de acordo com as demandas específicas
de cada um, compreendendo a sua individualidade. Segundo Ortega y Gasset (2006) o
surgimento do bibliotecário é uma herança da Renascença, quando o livro, este visto como

3215

�um símbolo sagrado, legislativo, torna-se um aspecto social no qual a partir deste momento
necessita de um profissional diferenciado com objetivo de facilitar a informação de forma
rápida e precisa, surge então o Bibliotecário (a).
Nas Bibliotecas Universitárias o público e bem heterogêneo cada usuário tem as suas
particularidades como denomina Bourdieu (2001) cada indivíduo possui um “ Capital
Cultural’’, que é constituído a partir da nossa trajetória de vida e o lugar em que ocupamos na
sociedade. Neste sentido, pensamos o conceito de representação a partir de Roger Chartier
(2001) um historiador cultural, para este autor, a representação é pensada como um sistema de
valores onde é constituído pelo imaginário social que é formado a partir de nossas
sensibilidades e também através dos símbolos. Podemos observar que as representações do
profissional bibliotecário (a) é reafirmada através dos estereótipos que são observados e
criados pela sociedade e pela mídia massiva.
Para Pesavento (2005) as representações são portadoras do simbólico, ou seja, dizem
mais do que aquilo que mostram ou enunciam, carregam sentidos ocultos que são construídos
social e historicamente. A imagem do bibliotecário (a) e reafirmada pelas reproduções que
constituem os estereótipos, por exemplo, a figura do bibliotecário (a) do sexo feminino que
impreterivelmente usa óculos, cabelos presos à maioria das vezes com penteados estilo
coques, com roupas antiquadas

, na maioria das vezes consideradas muito séria ou mesmo

“brega e cafona” como vestidos e saias longas. São essas características que ainda permeiam o
imaginário da sociedade, ao nosso ver, esse estereótipo é concretizado pelas mídias e pela
atual sociedade, de certa forma, acaba influenciando a percepção dos alunos gerando assim
um sentimento de opressão diante destes profissionais. Neste sentido, torna-os préconceituosos, ou seja, estabelecem conceitos abstratos e previamente interpretados na maioria
imposta pela mídia massiva sem nenhum rigor ou mesmo com definições e conceitos prontos
com afirmações negativas e cristalizadas. Walter e Galvão (2007, p. 28) esclarecem que ''os
estereótipos só têm interesse se compartilhados pelos membros do grupo e é importante
compreender porque e como eles são compartilhados''. No cenário atual também podemos
usar essas características mencionadas anteriormente vista de forma negativa, agora, como
reafirmações positivas do estereótipo do bibliotecário por usar esses adereços atribuem à
imagem de “certinho (a), sério (a), inteligente, responsável” entre outras qualidades.

370 Usamos a expressão antiquada, não no sentido etimológico e negativo da palavra, mas para descrever aquele
indivíduo que possui uma identidade e características próprias e que não acompanha o que a indústria cultural
oferece bem como as “tendências da moda”.

3216

�Dentre os estereótipos, situam-se aqueles que definem o bibliotecário como
profissional apático, passivo, com pouca capacidade de articulação política e
de organização com seus pares em entidades de classe. Sua imagem também
é associada àquela pessoa mal humorada e antipática, que impõe normas e
sanções aos usuários, se relacionando com eles de maneira autoritária em
vez de carismática (SOUTO, 2005, apud FRAGA; MATTOS; CASSA,
2008, p. 153).

Ainda conforme os autores Walter e Baptista (2007, p. 29) salientam que “ deve-se
ressaltar que os estereótipos não devem ser associados apenas a conceitos negativos, como
nas origens dos estudos sobre eles, mas por aquilo que é entendido e expresso pelo senso
comum’’. Assim, entendemos que a imagem do bibliotecário (a) está intrínsecamente
relacionada a relações de poder, e este poder está diretamente relacionado à sua autoestima.
Segundo Grandall (1973 apud OLIVEIRA, 1983) define autoestima como o gosto e o respeito
que o indivíduo tem por si, também a “valorização de si mesmo” (FERREIRA, 2008, p. 155).
Ou seja, o bibliotecário (a) é aquilo que representa, a forma de agir, pensar, autonomia de
decisão e suas vestimentas, são valores que estão diretamente relacionados às características
próprias do indivíduo, impossível de ser comparada, mensurada ou transmitida.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Conforme Fachin (2003) o questionário consiste em um enumerado de questões que
são submetidas a um determinado grupo com objetivo de obter respostas para a coleta de
informações. A metodologia utilizada para esta pesquisa foi o instrumento de coleta de dados
e a técnica dos questionários que foram aplicados no primeiro semestre de 2014 em dias
aleatórios. De acordo com Freitas et. al (2000, p. 105) o método survey “aborda
principalmente via questionário ou guias de entrevista” ainda segundo o autor este tipo de
método é apropriado quando a pesquisa deseja responder questões do tipo: “o quê? por quê?
como? e quanto?” . Nas respectivas bibliotecas das instituições Universidade Federal do
Tocantins (UFT) Campus de Porto Nacional e Universidade Federal de Goiás (UFG),
Regional Catalão. O questionário utilizado foi composto por perguntas fechadas, totalizando
seis perguntas. A população participante foi compreendida por vinte usuários universitários,
distribuídos em dez participantes da regional de Catalão é dez do campus Porto Nacional.
Para concretização da pesquisa foram aplicados aleatoriamente esta amostragem de
questionários para alguns universitários, com objetivo de obter resultados sobre o perfil do
bibliotecário nas bibliotecas universitárias. Para ampliar a nossa discussão segue no (Quadro
1), as seis perguntas que foram aplicadas aos universitários.

3217

�Quadro1 - Questionário aplicado aos universitários da UFT e UFG
1 Qual seu grau de instrução?
(
) Graduação
(
) Mestrado

(

) Doutorado

2 V ocê conhece o bibliotecário (a) da sua instituição?
(
) sim
(
) não
3 N a sua opinião como é visto o bibliotecário (a) na sua instituição de ensino?
(
) ativo
(
) obsoleto
(

) regular

4 Você sabe quais os serviços e atividades desenvolvida pelos bibliotecários (as) no interior da
biblioteca?
(
) sim
(
) não
5 Quais os serviço que você mais usa no interior da biblioteca?
( ) empréstimo
(
) consulta local
(
) Portal Capes
6 Em sua opinião, qual o estereótipo do Bibliotecário (a) nos dias atuais
( ) jovem
(
) meia-idade - 35 aos 58 anos
(
) terceira-idade

Fonte: Elaborado pelas autoras.

Para melhor compreensão, segue o (Gráfico 1), com as respostas obtidas pelos
universitários da região norte e centro-oeste. Quanto ao grau de instrução, podemos verificar
que a maioria dos universitários que participaram da pesquisa são alunos da graduação em
ambas as instituições.
Gráfico 1 - Grau de instrução

Fonte: Elaborado pelas autoras.

A segunda pergunt está diretamente ligada ao conhecimento que os alunos têm sobre
o bibliotecário (a) e os serviços que são realizados no interior da biblioteca. No (Gráfico 2),
podemos analisar que na (UFT) todos os alunos entrevistados conhecem o bibliotecário (a), ao
ponto que na (UFG), em um montante de dez alunos, apenas sete estudantes conhecem o
bibliotecário (a) e tem conhecimento sobre as atividades desenvolvidas na unidade de

3218

�informação. Este se torna um ponto positivo, aqui podemos verificar a participação atuante do
bibliotecário (a), a ponto de ser visto e reconhecido pela comunidade acadêmica.
Gráfico 2 - Bibliotecário (a) e os serviços

Fonte: Elaborado pelas autoras.

Ainda no (Gráfico2), corresponde a pergunta dois e quatro disponível no (Quadro 1),
as duas perguntas estão diretamente relacionadas. A pergunta faz menção se os usuários
conheciam o bibliotecário (a) e os serviços por eles realizados. Para este gráfico podemos
observar que na (UFT) todos os indivíduos que participaram da pesquisa conheciam o
bibliotecário (a) em contrapartida na (UFG) apenas 40%. Já os serviços desenvolvidos pelos
profissionais houve um resultado inverso. A (UFG) houve um índice de 70% dos
entrevistados conheciam as atividades que o bibliotecário (a) desenvolve no interior da
biblioteca, enquanto a (UFT) houve um índice inferior, apenas 40% tem conhecimento sobre
as atividades, aqui podemos mencionar a falta de informação e/ou interesse dos universitários
sobre alguns serviços ainda pouco utilizados ou desconhecidos pela comunidade acadêmica
como: Portal Capes, Bases de Dados, Comut, Normalização de trabalhos acadêmicos entre
outros. Neste sentido:
Segundo a percepção dos usuários, o bibliotecário ainda se encontra nos
níveis de organizador de documentos, ainda não é visto como um
profissional com capacidades pedagógicas que possa orientar ou mesmo
aconselhar o pesquisador nas fases de desenvolvimento de suas pesquisas,
visto que sua formação na graduação lhe possibilita espaços de
aprendizagem para acompanhar pesquisas mais especificas nas diversas
áreas do conhecimento em que possa atuar. O seu conhecimento em tais
áreas acontece quase que de forma intuitiva e através da experiência
profissional vivenciada em seu cotidiano (SOUSA, 2009, p. 79).

3219

�Assim, podemos afirmar que os usuários da (UFT) tem pouco conhecimento sobre as
atividades e as áreas que o profissional da informação atua, pois ainda permanecem préconceitos que o bibliotecário é apenas um guardião de livros e não de informação.
Gráfico 3 - Perfil do bibliotecário

3
0
8

2
5

Reg­
ObsAtivo

UFT

UFG

Fonte: Elaborado pelas autoras.
Nesta pergunta fia evidente a percepção dos usuários em relação à figura do
bibliotecário (a) da sua instituição, tornando positiva ou negativa. Ao observar o (Gráfico 3)
podemos verificar que os usuários em sua maioria, nas duas instituições consideram o
bibliotecário (a) um indivíduo ativo, ou seja, atuante na sua área de trabalho. Aqui, podemos
mencionar uma contradição visível no (Gráfico 2), em que os alunos entrevistados da (UFT) a
maioria não conhecem os serviços do bibliotecário, entretanto, consideram como profissionais
ativos. Podemos observar que a imagem do bibliotecário (a) e/ou profissional da informação
nas duas instituições pesquisadas (UFT) e (UFG) está sempre exercendo suas atividades, a
ponto de oferecer informações bem como mostrar os resultados do trabalho desenvolvido na
comunidade acadêmica.
Com o resultados obtidos no (Gráfico 4), é perceptível que a maioria dos usuários
utilizam o empréstimo domiciliar como o serviço mais utilizado na biblioteca das instituições
(UFT) e (UFG). Na segunda opção destaca-se o serviço de consulta local. Assim, podemos
afirmar que o livro físico é de fácil locomoção e leitura acessível em diversos locais, ainda é
uma das principais fontes consultadas pelos alunos universitários nessas instituições.
Enquanto as informações digitais, serviço ainda pouco conhecido e/ou utilizado pelos
usuários dessas instituições como: e-books, artigos, resumos, entre outros, por depender de

3220

�uma fonte de energia e um suporte físico para transmitir a informação como: computador,
notbook, tablete, torna-o inacessível a vários lugares.
Gráfico 4 - Serviço utilizado na biblioteca

Conforme Silva, Conceição e Braga (2004, p. 135),
A biblioteca universitária está diretamente ligada ao ensino superior e é
uma instituição fundamental para auxiliar no processo de aprendizagem.
Sua influência está ligada ao auxílio, ao ensino, à pesquisa, ao atendimento
a estudantes universitários e à comunidade em geral. Seu papel é suprir as
necessidades de informações técnicas, científicas e literárias ao ensino, à
pesquisa e à extensão.

Podemos mencionar que nas duas instituições o serviço de empréstimo está como o
mais “utilizado” pelos usuários, percebemos que ocorre uma falta de conhecimento e
informação da comunidade acadêmica dos demais serviços que a biblioteca oferece e que o
profissional da informação pode auxiliar. Essa discussão está diretamente relacionada o que
foi analisado no (Gráfico 2), sobre os serviços da biblioteca e as atividades desempenhadas
pelos bibliotecários (as).
Gráfico 5 - Faixa etária do bibliotecário

3221

�A ltima pergunta do questionário corresponde a idade média do bibliotecário nos dias
atuais visto pela comunidade acadêmica. A maioria dos usuários tanto a (UFT) quanto a
(UFG) responderam que o bibliotecário (a) da instituição possui meia idade, o que
corresponde de 35 á 58 anos, este foi o índice de maior resposta. Para nossa surpresa, isso
revela que o estereótipo do bibliotecário (a) com idade avançada o “idoso” está modificando o
imaginário da sociedade acadêmica. O perfil de bibliotecário (a) jovem está presente na
contemporaneidade e no cenário das bibliotecas universitárias brasileiras, com forte tendência
ao crescimento. O estereótipo do profissional bibliotecário (a) é ressignificado pela sociedade
através das nossas práticas sociais, no sentido de, talvez mudar um pouco o pensamento das
pessoas de que o bibliotecário (a) são velhos, desatualizados e atrasados. Também somos
jovens, atuais, informados cientificamente e tecnologicamente.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Em um estudo realizado por Oliveira (1983), identificou três fatores que são
responsáveis pelas atitudes profissionais do bibliotecário: natureza do trabalho bibliotecário, o
salário e por fim o comportamento profissional. Ao dar ênfase ao terceiro item
“comportamento profissional” que atribuímos valor ao de “perfil profissional” nos dias atuais.
Neste estudo a autora afirma que o tipo de biblioteca influencia o comportamento profissional
do bibliotecário que também “contribuem para a variação na opinião dos profissionais as
variáveis seleção, chefia e idade” (OLIVEIRA, 1983, p. 64).
O fato dos bibliotecários possuírem uma autoestima positiva em relação à
sua profissão indica que eles acreditam na natureza e na importância do
trabalho bibliotecário, baseado em valores ocupacionais e pessoais
(inovação, independência, cultura, profundidade, criatividade, desenvoltura,
espirito liberal e liderança). (OLIVEIRA, 1983, p. 66).

Na citação anterior podemos observar que mesmo com o passar dos anos os termos
utilizados que representa a autoestima como: desenvoltura, espirito liberal, cultura. É o que
hoje está representado pela competitividade na organização,

cultura organizacional,

empreendedorismo,

e/ou

ações

desenvolvidas

pelos

bibliotecários

profissionais

da

informação, capazes de proporcionar o entusiasmo e admiração da equipe de trabalho, neste
sentido elevando sua autoestima.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Os bibliotecários (as) são agentes educadores, que tem como função principal
intermediar a informação junto ao usuário. Nessa perspectiva, podemos ressaltar a ampla

3222

�responsabilidade que o profissional da informação possui. Todo bibliotecário (a) deve
desenvolver habilidades para ser proativo sensível à realidade sociocultural que o cerca e
refletir sobre os seus valores ocupacionais. O perfil do bibliotecário (a) bem como suas
características e suas necessidades de mudança é um tema que estará sempre em discussão.
Neste sentido, podemos afirmar que o perfil do profissional está no próprio indivíduo e a
maneira de como se vê e como os outros veem. Torna-se uma questão pessoal por isso
impossível de ser transmitida e transferida como se existissem uma fórmula certa de se vestir
e uma lista de critérios e combinações a serem seguidas.
Em nossa profissão, a existência das normas é de suma importância para que existam
padrões e métodos. Diferentemente na vida pessoal do bibliotecário (a) no qual pode ser
confundido com sua prática diária de trabalho aplicado às regras, métodos e padrões,
comparando-nos aos códigos internacionais padronizados, umas das principais fontes de
trabalho. Pertencemos à geração contemporânea, ainda somos metódicos e padronizados.
Somos uma mistura de praticidade, teoria e habilidades.
Com os resultados obtidos pela pesquisa por meio das respostas podemos verificar
que ainda nos dias atuais o bibliotecário (a) ainda é visto como uma pessoa de meia a terceira
idade faixa etária dos 35 aos 58 anos. Isso nos faz refletir nas inversões de conceitos sobre o
estereótipo do bibliotecário (a) por meio da mídia massiva apresentadas pelos meios de
comunicação em alguns programas televisivos como os filmes, seriados, novelas o
personagem do bibliotecário (a) aqui especificadamente do gênero feminino, tinha uma forte
tendência negativa. Na maioria, destacava adereços que identificava como: coques no cabelo,
óculos de grau, roupas antigas entre outros. Características psicológicas como pessoas
introvertidas, tímidas, ainda tais características, sem dúvida reafirma o estereótipo que
personifica o profissional bibliotecário (a) ainda permanecem com as pessoas. Com esta
pesquisa podemos afirmar que a visão negativa do Bibliotecário (a) e/ou profissional da
informação está cada dia menos, e que os jovens bibliotecários (as) estão mudando os
conceitos negativos impostos pela sociedade tanto em seu estereótipo quanto ao que diz
respeito ao velho, atrasado e desatualizado por jovem, atuais e capazes.

6 REFERÊNCIAS
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CATTANI, Afrânio (Org.). Escritos de educação. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 2001. p.73-79.
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revisado conforme o acordo ortográfico. 7. ed. Curitiba, PR: Positivo, 2008.
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3224

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Neste trabalho buscamos observar como os bibliotecários (as) são compreendidos pelos usuários de bibliotecas universitárias federais. O estudo foi realizado em duas bibliotecas universitárias, na região norte, Universidade Federal do Tocantins (UFT). E na região centro oeste, Universidade Federal de Goiás (UFG). A metodologia utilizada possui uma abordagem pelo método quantitativo (survey) e qualitativo. Para a coleta de dados foram aplicados questionários nas respectivas bibliotecas das instituições (UFT) e (UFG). A amostra foi composta por seis perguntas fechadas, as perguntas compõem uma relação direta sobre a profissão do bibliotecário (a) bem como as características sobre o seu perfil, relacionado à construção da autoimagem do bibliotecário universitário.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O MODELO CONCEITUAL FRBR: ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA NO SNBU
(2006-2012)
Viviane de Oliveira Solano
Vinicius de Souza Tolentino

RESUMO
Os eventos científicos são considerados ambientes propícios de divulgação de estudos e
práticas que são desenvolvidas por uma área do conhecimento. O modelo conceituai FRBR
apresenta-se como um novo entendimento do processo de representação dos documentos,
implicando mudanças na atuação do bibliotecário frente às novas demandas e debates que
emanam da prática catalográfica. Diante dessa evidência, buscou-se mapear a produção dos
artigos referentes ao modelo conceitual FRBR, apresentados no Seminário Nacional de
Bibliotecas Universitárias (SNBU), período de 2006 a 2012. As análises foram realizadas com
as seguintes categorias: produtividade sobre a temática, conteúdo e referências utilizadas.
Foram encontrados apenas três artigos dentre os 1.129 trabalhos orais e pôsteres analisados.
Ressalta-se que a temática modelo conceitual FRBR tem sido pouco utilizada nos eventos do
SNBU.
Palavras-Chave: FRBR; Modelo conceitual; Seminário
Universitárias (SNBU); Bibliometria; Análise de citações.

Nacional

de

Bibliotecas

ABSTRACT
The scientific events are considered enabling environments of disseminating and studies and
practices that are developed over an area of knowledge. The FRBR conceptual model is
presented as a new understanding of the representation of documents process, involving
changes in the role of librarian forward to new demands and discussions emanating from
cataloging practice. Given this evidence, this research has a goal to map the production of
articles concerning the FRBR conceptual model, presented at the Seminário Nacional de
Bibliotecas Universitárias (SNBU), period 2006-2012. Analyses were performed with the
following categories: productivity on the theme, content and references. Only three articles
were found among the 1,129 oral papers and posters analyzed. It is emphasized that the theme
FRBR conceptual model has been rarely used in the event SNBU.
Keywords: FRBR; Conceptual model; Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
(SNBU); Bibliometrics; Citation Analysis.

3200

�1 INTRODUÇÃO
Todo conhecimento seja ele científico, tecnológico ou prático é originado de
pesquisas, tendo como processo principal a comunicação científica, formando o delineamento
da literatura científica. Essas publicações vêm no formato de relatórios, trabalhos
apresentados em congressos, palestras, artigos de periódicos, livros em seus variados suportes
e outros (MUELLER, 2000). Sendo essa produção técnico-científica algo tangível e
mensurável, é passível de ser submetida à análise de suas publicações em diversificados
segmentos.
As técnicas bibliométricas usadas para fornecer indicadores a partir da análise da
produção técnico-científica contribuem para avaliar a produtividade de pesquisadores,
identificar instituições e centros de pesquisas mais desenvolvidos em determinada área,
reconhecer e entender como certo assunto se apresenta num dado domínio de conhecimento.
A catalogação descritiva no cenário da Organização da Informação vem se
fortalecendo, aperfeiçoando e se comprometendo com estudos mais aprofundados sobre a
representação da informação nos últimos anos.
Nesse panorama apresentam-se os estudos do modelo conceitual Requisitos
Funcionais para Registros Bibliográficos (FRBR) que oferece uma diferente perspectiva da
estruturação de registros bibliográficos para todos os tipos de materiais e tarefas de usuários
associadas com os recursos descritos em catálogos, bibliografias e outras ferramentas
bibliográficas. De acordo com Silva e Santos (2012) os FRBR, elaborados para serem livres
de implementações, são vistos de maneira positiva pela comunidade científica, todavia, são
poucas unidades de informação que tornaram seus conceitos úteis na prática em seus
catálogos, mesmo muitos anos depois de sua primeira publicação no ano de 1998.
Sabe-se que os eventos científicos e profissionais consolidaram-se no âmbito da
biblioteconomia brasileira, como espaços para a reflexão sobre as práticas profissionais e
divulgação das pesquisas científicas da área, configurando-se como uma excelente
oportunidade para a promoção do diálogo entre a teoria e a prática.
O Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU) centra-se nas
necessidades dos bibliotecários e usuários de unidades de informação voltadas para
instituições de ensino superior no país, constituindo um fórum de debates e intercâmbio de
ideias, onde profissionais vinculados à Biblioteconomia e Ciência da Informação fazem
reflexões e análises dos problemas e das preocupações do setor num determinado momento
histórico. Vem sendo realizado desde 1978 quando ocorreu a primeira edição na Universidade

3201

�Federal Fluminense (UFF) com o tema ‘A biblioteca como suporte do ensino e da pesquisa no
desenvolvimento nacional’ (CUNHA et al, 2000).
Diante do exposto, o estudo ora apresentado deseja mapear o desenvolvimento de
pesquisas referentes à temática FRBR, por parte dos profissionais de Biblioteconomia, no
âmbito do SNBU, no período de 2006 a 2012. Deste modo, surgiu a indagação geral: como se
delineia a produção de trabalhos referente ao modelo conceitual FRBR, no âmbito do SNBU
nos últimos anos (2006-2012)? Para responder a este questionamento, derivaram-se os
demais: qual a representatividade dessa temática, do ponto de vista quantitativo de sua
produção? Qual a abordagem dos estudos apresentados e quais as fontes utilizadas pelos
autores para a elaboração dos mesmos?
Este artigo é motivado pela inquietação, enquanto profissionais da área, de perceber
que o modelo conceitual FRBR apresenta-se como um ‘novo olhar’ sobre o entendimento do
processo de representação dos documentos. Isto implica mudanças na atuação do bibliotecário
frente às novas demandas e debates que emanam da prática catalográfica.
O trabalho segue a estrutura: na primeira seção apresenta-se uma breve caracterização
do modelo conceitual FRBR, posteriormente, o aporte teórico dos estudos métricos, seguido
dos materiais e métodos, dos resultados e, por fim, são apresentadas as considerações finais.

2 REQUISITOS FUNCIONAIS PARA REGISTROS BIBLIOGRÁFICOS - FRBR
A principal proposta dos FRBR é fornecer uma estrutura clara para relacionar dados
de registros bibliográficos às necessidades dos usuários e mais, recomendar um nível básico
de funcionalidade dos registros criados por agências bibliográficas nacionais. Os FRBR foram
elaborados segundo o modelo conceitual do tipo entidade-relacionamento. Este modelo foi
desenvolvido por Peter Chen362, na década de 70, e provém de conceitos acerca da
modelagem de banco de dados. Desse modo, modelos conceituais do tipo entidaderelacionamento (ou E-R) são criados para melhorar o design das bases de dados e para tornálas úteis em suas buscas.
O modelo conceitual FRBR é constituído por três elementos: entidades, atributos e
relacionamentos. Entidade pode ser compreendida como “algo que possui um caráter unitário
e auto-contido; algo que tem existência independente ou separada; uma abstração, conceito
ideal, objeto de pensamento ou transcendental” (DECLARAÇÃO..., 2009, p. 10). Os
atributos são um conjunto de características das entidades; abrangem geralmente a uma
362 CHEN, P. O método entidade-relacionamento p a ra projeto lógico de banco de dados. São Paulo: Makron
Books, 1990.

3202

�entidade incluindo não só as características físicas, mas também aspectos que podem ser
caracterizados como informação identificadora (por exemplo, informações que aparecem na
folha de rosto ou capa do documento). E, por último, os relacionamentos como qualquer
classe de associações entre os atributos das entidades (IFLA, 2008).
Os FRBR são compostos por dez entidades363 que se dividem em três grupos. São eles:
GRUPO 1 - reúne as entidades que compreendem o produto do trabalho intelectual e
ou artístico. Esse grupo traz o grande diferencial na forma como o profissional deve perceber
o objeto de informação no momento da sua descrição: obra, expressão, manifestação e item.
Dentre as entidades do grupo 1, apenas as duas últimas refletem a forma física, uma vez que
se referem aos elementos concretos do documento, diferentes das duas primeiras que se
definem pelo conteúdo intelectual ou artístico do documento.
GRUPO 2 - reúne as entidades responsáveis pelo conteúdo intelectual e ou artístico
ou, ainda, responsáveis pela produção física, pela disseminação ou pela guarda das entidades
do primeiro grupo, sendo elas: pessoa e entidade coletiva.
GRUPO 3 - reúne as entidades consideradas como assuntos das obras: conceito,
objeto, evento e lugar.
Apresenta a seguir breve descrição teórica sobre os estudos métricos no intuito de
fundamentar as análises realizadas.

3 ESTUDOS MÉTRICOS
O processo de produção da ciência envolve basicamente dois segmentos: o produtor
científico (pesquisador) e seu produto (publicações). As outras variáveis presentes são do
contexto em que ambos se inserem, onde relacionam-se o produto, o seu público consumidor,
a preocupação com o impacto que causa e quais razões determinam seu curso, caracterizando
um contexto específico, uma comunidade.
As técnicas de visualização e mapeamento da atividade científica e tecnológica em
apoio aos métodos e técnicas de tratamento e análise de informação passaram a ser utilizadas
de forma vigorosa e recorrente desde a década de 70. De acordo com Santos e Kobashi (2009)
a análise estatística da informação bibliográfica e a elaboração de modelos de mensuração da
informação não são esforços recentes, mas práticas consolidadas na Biblioteconomia e

363 Não é objetivo do presente trabalho, aprofundar e discutir as definições das entidades, atributos e
relacionamentos. Para maior compreensão consultar o documento: IFLA Study Group on the Functional
Requirements for Bibliographic Records. Functional requirements for bibliographic records: final report.
Munich: Saur, 1998. (IFLA UBCIM publications new series; vol.
19). Disponível em:
&lt;www.ifla.org/V n/s13/frbr&gt; Acesso em: 10 fev. 2014.

3203

�Ciência da Informação. Embora as primeiras iniciativas tenham surgido no século XIX, é em
meados do século XX que os estudos métricos da informação ganham força e legitimidade.
A bibliometria surgiu como “sintoma de necessidade do estudo e da avaliação das
atividades de produção e comunicação científica” (ARAÚJO, 2006, p. 12). Nesse sentido, as
técnicas bibliométricas têm como objetos de análise a produção, a circulação e o consumo da
produção científica, sendo compostas por estudos descritivos, compilações de dados e
estatísticas. Assim, quanto mais solidificada estiver uma ciência, maior probabilidade dos
autores produzirem múltiplos artigos em um dado período de tempo (GUEDES;
BORSCHIVER, 2005, p. 5).
Encontra-se nos estudos bibliométricos a análise de citações de documentos,
compreendendo que o conjunto de referências (citações) utilizadas na elaboração de um
documento evidencia “elos entre indivíduos, instituições e áreas de pesquisa” (RODRIGUES,
1982, p. 36). A partir dos dados bibliográficos pode-se descobrir, por exemplo: autores mais
citados, mais produtivos, impacto de autores, procedência geográfica e/ou institucional dos
autores mais influentes em determinado campo de pesquisa, tipo de documento mais
utilizado, idade média da literatura e obsolescência da literatura, dentre outros (ARAÚJO,
2006). Logo, a “análise de citações é considerada a mais relevante devido à contribuição que
pode prestar ao identificar e descrever os padrões na produção do conhecimento científico”
(ARAÚJO, 2006, p.18).
Neste sentido, as citações podem dar autoridade e credibilidade para os fatos citados
no texto; fornecer ao leitor referências importantes sobre o campo de estudo em questão e a
contribuição de autores predecessores para o trabalho atual. Em síntese, a análise de citações
de um trabalho contribui para avaliar a informação coletada pelo tipo de literatura utilizada,
direciona o leitor para outras fontes de informação sobre o assunto, e ainda favorece o
reconhecimento de um autor em particular, entre os pares.
Na próxima seção serão apresentados os procedimentos metodológicos que nortearam
o desenvolvimento do trabalho.

4 MATERIAIS E MÉTODOS
Trata-se de uma pesquisa de abordagem quantitativa e de natureza descritiva em que
houve manipulação de documentos cuja análise de seus dados é apresentada no resultado da
pesquisa (MICHEL, 2009). Para tanto, realizou-se a análise documental dos trabalhos
apresentados nos SNBUs. O recorte cronológico compreendeu as publicações que abordam
questões referentes ao modelo conceitual FRBR no período entre 2006 e 2012. Tal escolha

3204

�justifica-se pelo fato da temática ganhar visibilidade nas discussões, no âmbito cientifico e
profissional brasileiro a partir de 2005, segundo levantamentos e leituras anteriores.
Para a coleta dos dados foram utilizadas as plataformas disponíveis na web e/ou CDROMs dos anais, conforme a disponibilidade.
Para seleção dos trabalhos, foram utilizados os descritores: Requisitos Funcionais para
Registros Bibliográficos, FRBR, Functional Requirements for Bibliographic Description,
Modelo Conceitual, identificados nos campos títulos, resumos e palavras-chave dos artigos.
Na compilação dos resultados foram criadas três categorias quanto à:
1. Produtividade sobre a temática: quantitativo dos trabalhos referentes à temática FRBR
nas quatro edições do SNBU;
2. Conteúdo: foram realizadas leituras e fichamentos na intenção de identificar
brevemente o conteúdo dos artigos recuperados;
3. Referências utilizadas na elaboração dos trabalhos selecionados: análise de citações,
segundo as subcategorias:
a) Número de referências utilizadas na elaboração dos trabalhos selecionados;
b) Idioma das referências - classificadas em português, inglês, espanhol e
francês;
c) Tipologia dos documentos citados - classificados em artigo de periódico,
livro, artigo em anais de congresso, artigo de divulgação na mídia364,
manual/código, monografia (tese, dissertação e trabalho de conclusão de
curso), relatório, cartilha e material didático.
d) Temporalidade dos documentos - de acordo com o ano de publicação;
e) Autores mais citados e suas respectivas obras.
5 RESULTADOS
A seguir são apresentados os resultados das análises conforme sequência proposta nos
procedimentos metodológicos da seção anterior.

5.1 Quanto à produtividade sobre a temática
Identificou-se 1.129 trabalhos apresentados, no período de 2006 a 2012, incluindo
trabalhos orais e pôsteres.
Na primeira edição analisada, do ano de 2006, foram apresentados 339 trabalhos, no
entanto, nenhum artigo enquadrou-se nos critérios da pesquisa.

364 São textos analíticos para a imprensa que transmitem a opinião do autor sobre determinado tema (ARAÚJO;
MIRANDA, 2009, p. 3).

3205

�No SNBU de 2008 verificou-se o total 231 trabalhos. Desses, quatro artigos foram
selecionados. Entretanto, foram realizadas descrições de três, pois na utilização do descritor
‘modelo conceituai’, foi encontrado o título “Modelo conceituai de mapoteca digital aplicado
à saúde pública” dos autores Silva e Ribeiro365. Após leitura do artigo percebeu-se que tal
estudo não possuía aderência com a proposta da pesquisa.
No evento de 2010 foram encontrados 269 trabalhos, todavia nenhum artigo foi
identificado com os descritores definidos para a pesquisa. Semelhantemente, no último evento
pesquisado, ocorrido em 2012, foram 290 trabalhos no total e nenhum atendeu os critérios da
pesquisa.

5.2 Quanto ao conteúdo
Tendo em vista que nos de 2006, 2010 e 2012 não foram encontrados trabalhos que
atendessem aos critérios da pesquisa, a presente sessão apresentará brevemente o conteúdo
dos três artigos identificados no ano de 2008.
Pacheco e Alvarenga (2008) estudaram o ponto de acesso título uniforme de registros
bibliográficos, em seus aspectos teóricos e empíricos, abordando seu conceito, funções,
formação e o uso na recuperação de documentos em sistemas de informação. Enfatizaram a
construção de títulos uniformes para documentos musicais, considerando os níveis de
manifestação e expressão de acordo com o modelo conceitual FRBR. Concluíram em linhas
gerais: a) o título uniforme é sempre aquele que foi atribuído pelo autor/compositor, na língua
original, ainda que a obra seja conhecida por outros títulos ou pelo mesmo título, mas em
outra língua; b) o título uniforme é sempre o da obra, mesmo se tratando de uma tradução, ou
em obras musicais, transcrição, arranjo ou redução. Assim, o mesmo título uniforme é o
cabeçalho que agrupa todas as expressões de uma mesma obra. Salientaram ainda, que o título
uniforme não descreve ou explica qualquer aspecto de uma obra, mas apenas e somente a
identificam de forma unívoca.
Knorich et al (2008) apresentaram um estudo investigativo dos aspectos teórico e
prático sobre o modelo FRBR. O método contemplou a pesquisa documental e o
levantamento de experiências. Consideraram a hipótese de que o modelo FRBR venha a ser a
nova filosofia no campo da representação descritiva. Assim, o estudo objetivou fornecer ao
Departamento Técnico do Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo

365 SILVA, L. O. M.; RIBEIRO, A. M. Modelo conceitual de mapoteca digital aplicado à saúde pública. In:
SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 15., São Paulo, 2008. Anais... São Paulo:
CRUESP, 2008. SNBU. Disponível em: &lt; http://www.sbu.unicamp.br/snbu2008/&gt;. Acesso em: 2 maio 2014

3206

�(SIBi USP) um estudo preliminar. Além disso, tentaram colaborar para que o modelo seja
mais conhecido entre os bibliotecários deste departamento, o que vem ao encontro da filosofia
do Sistema sobre a inovação e atualização permanente da equipe de profissionais atuantes. Os
resultados indicaram que a literatura em português ainda é incipiente, sendo a compreensão
do tema dependente da literatura inglesa. Como vantagens da implementação prática do
modelo FRBR, ressaltaram a forma de exibição das informações ao usuário e a facilidade na
catalogação dos registros. Concluíram, na época, que não havia relato da prática, visto que
não encontraram efetiva aplicação no Brasil e, como consequência, não identificaram
pesquisas relatando a satisfação do usuário com relação ao modelo. Por último, colocaram
que em nível internacional os estudos também estão em andamento.
Macambyra e Estorniolo Filho (2008) focalizaram no estudo de questões específicas
ao tratamento da informação no âmbito das coleções de imagens fotográficas da área de artes.
Apontaram

que

coleções

de

grandes bibliotecas universitárias

permanecem

sem

processamento ou tratadas de forma inadequada e, que as técnicas desenvolvidas para
tratamento de textos não têm bons resultados quando aplicadas a imagens, o que leva as
instituições a criarem normas locais. Citaram os FRBR e o conjunto de normas Cataloging
Cultural Objects (CCO)366 como propostas que tentam resolver os principais problemas do
tratamento de imagens fotográficas. Sintetizaram ao final que existe um campo de reflexão a
ser explorado, do qual poderá surgir uma alternativa ao antigo problema de adequar sistemas
locais muito especializados a um ambiente de padrões rígidos que raramente compreende as
necessidades do pesquisador em arte.
Os estudos analisados anteriormente podem ser visualizados a seguir no quadro 1
segundo ano, autores e síntese do conteúdo da publicação.
Quadro 1: Síntese dos trabalhos apresentados no SNBU sobre a temática modelo
conceituai FRBR
SÍNTESE
ANO AUTORES
Enfatizaram a construção de títulos uniformes para documentos
e
2008 PACHECO
musicais, considerando os níveis de manifestação e expressão de
ALVARENGA
acordo com o modelo conceituai FRBR.
Apresentaram um estudo investigativo dos aspectos teórico e
2008 KNORICH et al
prático sobre o modelo conceituai FRBR para a atualização da
equipe dos profissionais do SIBi USP.
MACAMBYRA e Propuseram os FRBR como uma das propostas que tentam resolver
2008 ESTORNIOLO
os principais problemas do tratamento da informação no âmbito das
FILHO
coleções de imagens fotográficas da área de artes.
Fonte: EElaborado pelos autores (2014).
366 No site da Visual Resources Association há um resumo das normas e outras informações sobre o CCO.
Disponível em: &lt;http://www.vraweb.org/ccoweb/&gt;.

3207

�Diante do exposto, constatou-se que a temática do FRBR concentrou-se na edição do
SNBU de 2008 com apenas três trabalhos, correspondendo a 1,29% do total de 231 trabalhos
apresentados no ano de 2008, e, 0,26% do total 1.129 trabalhos no período analisado (2006­
2012).
A título de conhecimento, apesar de não apresentar os descritores nos campos títulos,
resumos e palavras-chave, pode ser mencionado o artigo de Lehmkuhl et al (2012) na última
edição do SNBU que apresentou uma análise dos testes realizados pela Library o f Congress
utilizando a norma Resource Description and Access (RDA) no Format for Bibliografic Data
(MARC 21) a fim de comparar tais registros com registros existentes elaborados de acordo
com as normas do Código de Catalogação Anglo-Americano, 2a edição (AACR2).
Concluíram que serão necessárias diversas alterações e mesmo uma mudança de mentalidade
dos profissionais da informação para que os conceitos dos FRBR e FRAD367 sejam adotados
em sua total dimensão, na aplicação da RDA.

5.3. Quanto às referências utilizadas na elaboração dos trabalhos selecionados: análise de
citações
Os resultados encontrados a partir da tabulação dos dados que compõem as referências
utilizadas na elaboração dos trabalhos analisados são apresentados segundo as subcategorias:
a) Número de referências utilizadas: 47 total.
b) Idioma das referências: conforme demonstra a tabela 1, verifica-se em primeiro lugar a
influência da literatura no idioma inglês (61,7%), em seguida o português (36,2%) e
apenas uma ocorrência no idioma francês (2,1%). Tal fato atesta o domínio dos
autores em um idioma diferente do que foi gerada a publicação.
Tabela 1- Número de artigos e porcentagem por idioma
IDIOMA
PORTUGUÊS
INGLÊS
FRANCÊS
TOTAL

QUANTIDADE
18
28
1
47

%
38,30
59,57
2,13
100,00

Fonte: Dados da pesquisa (2014).

c) Tipologia dos ocumentos citados: a tabela 2 apresenta a relação das diferentes
tipologias documentais citadas nas comunicações. Do total de 47 citações, 38,30% são

Functional
Requirements
for
Authority
Data.
Disponível
&lt;http://www.ifla.org/files/assets/cataloguing/frad /frad_2009-es.pdf&gt;. Acesso em: 4 maio 2014.

em:

3208

�de ‘Artigos de Periódico’, obtendo maior representatividade, em seguida ‘Livro’ com
21,28%. O percentual de citações ‘Artigo em Anais de Congresso’, ‘Artigo de
divulgação na mídia’, ‘Manual/código’, ‘Monografia’ (tese, dissertação, trabalho de
conclusão de curso) e ‘Relatório’, apresentam equilíbrio de citações com 6,38% cada.
Por último, ‘Cartilha’ e ‘Material didático’, correspondem a 4,26% do total das
citações. Fazendo uma correlação entre idioma e tipologia observou-se que 67,85%
do somatório quantitativo ‘Artigo de Periódico’ e ‘Livro’, de maior representatividade
no quadro 2, estão no idioma inglês.

Tabela 2- Tipologia dos documentos citados
TIPOLOGIA
Artigo de Periódico
Livro
Artigo em Anais de Congresso
Artigo de divulgação na mídia
Manual/código
Monografia (tese, dissertação, trabalho de conclusão de curso)
Relatório
Cartilha
Material didático
TOTAL
Fonte: Elaborado pelos autores (2014).

QUANTIDADE
18
10
3
3
3
3
3
2
2
47

%
38,30
21,28
6,38
6,38
6,38
6,38
6,38
4,26
4,26
100

d) Temporalidde dos documentos: a análise foi realizada tendo como referência o SNBU
do ano de 2008. De acordo com os intervalos (6 em 6 anos) apresentados na tabela 3,
nota-se maior concentração entre os anos 1999-2004 (34,04%) e acima de 2004
(36,17%), somando 70,21% correspondente ao total de referências. Percebe-se a
utilização de uma bibliografia de certo modo recente e atualizada na elaboração dos
artigos apresentados na referida edição.
Tabela 3- Temporalidade dos documentos citados
Ano de publicação

Quantidade

%

A cim a 2004

17

36,17

1999-2004

16

34,04

1993-1998

8

17,02

1988-1993

5

10,64

Sem data368

1

2,13

47
100
Total
Fonte: Elaborado pelos autores (2014).
368

Não foi identificada na referência a data de publicação da mesma.

3209

�e) Autores mais citados e suas respectivas obras: foi utilizada a autoria absoluta (não
considerando a posição dos coautores), identificando um total de 68 autores citados
(incluindo autores corporativos- entidades e instituições). Destes, apenas quatro
autores receberam mais de uma citação. O mais citado foi SMIRAGLIA, R. P. que
obteve quatro citações (5,88%) cuja literatura se refere à obras musicais; seguido da
International Federation o f Library Associations And Institutions (IFLA) e
MORENO, F. P. com três citações cada (4,41%), por último, MARDERO
ARELLANO, M (2,94%) que juntos abordaram especificamente o modelo conceitual
FRBR. No que se refere às obras, a mais citada, com três citações, corresponde ao
título

“Functional

Requirements

for

Bibliographic

Records:

final

report”,

posteriormente, a obra “Requisitos funcionais para registros bibliográficos-FRBR:
uma apresentação” com duas citações. O quadro 2 demonstra que na presente análise,
não houve concentração significativa no âmbito de um autor e/ou obra.

Quadro 2: Produtividade de autores e obras mais citadas
N°
CITAÇÕES/ TÍTULOS CITADOS
AUTOR
1. Works as entities for information retrieval.
2. Describing music materials: a manual for descriptive
cataloging of printed and recorded music, music videos and
archival music collections: for use with AACR2 and APPM.
SMIRAGLIA, R. P. 4
3. Shelflisting music guidelines for use with the Library of
Congress classification.
4. Uniform titles for music: an exercise in collocating works.

AUTORES

IFLA

3

MORENO, F. P.

3

MÁRDERO
ARELLANO, M.

2

1. Functional requirements for bibliographic records: final
report.
1. Requisitos funcionais para registros bibliográficos-FRBR:
uma apresentação.
2. Requisitos funcionais para registros bibliográficos FRBR:
um estudo no catálogo da Rede Bibliodata.
1. Requisitos funcionais para registros bibliográficos-FRBR:
uma apresentação.

Fonte: Elaborado pe os autores (2014).

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ressalta-se que houve grande dificuldade na coleta de dados a partir dos anais do
evento, pois alguns não foram encontrados nos sites das instituições organizadoras. Foram
presenciadas duas situações: o XIV SNBU ocorrido em 2006 em Salvador não se encontra

3210

�disponível online; e o XVI SNBU, realizado em 2010 no Rio de Janeiro, não está disponível
no próprio site do evento, sendo encontrado em outro site369 Tendo em vista o exposto,
recomenda-se a criação de uma base de dados que inclua toda a produção técnico-científica
dos eventos anteriores, facilitando o acesso e recuperação de informações, constituindo assim
a própria memória do evento.
Afirma-se que os objetivos incialmente propostos foram atingidos. Mostraram-se
evidentes as contribuições dos estudos bibliométricos aliados às análises do conteúdo das
comunicações, possibilitando o delineamento do real panorama do tema FRBR no âmbito das
discussões das edições do SNBU. E ainda, contribuíram para entender melhor a amplitude e a
natureza das atividades de pesquisa em relação à referida temática.
Salienta-se que esta pesquisa constitui uma investigação exploratória inicial, sem uma
avaliação mais detalhada. Não obstante, espera-se contribuir para que seja estimulada a
discussão da temática FRBR no âmbito das bibliotecas universitárias, considerando que o
SNBU é um local propício para tal realização, uma vez que este evento congrega pessoas com
interesses comuns, estimulam a troca e compartilhamento do conhecimento, e a criação de
novas parcerias ou grupos.
É oportuno destacar iniciativas da inserção da temática FRBR no evento. Em 2006,
aconteceu o minicurso intitulado ‘FRBR Requisitos Funcionais para Registros Bibliográficos’
(carga horária 6 horas) ministrado por Fernanda Passini Moreno; após 6 anos, na edição de
2012, também houve um curso (carga horária 4 horas) ministrado por Eliane Serrão Alves
Mey intitulado ‘Bases atuais da catalogação com FRBR e RDA’. Atesta-se que a temática foi
debatida no evento, porém não se refletiu significativamente na elaboração de trabalhos.
Há indícios não averiguados que os trabalhos referentes ao FRBR tenham sido
direcionados para outros eventos comuns da área de Biblioteconomia. Nesse entendimento,
enseja-se a continuidade de estudos sobre o viés ora apresentado, no âmbito de outros
eventos, tanto científicos quanto profissionais, por exemplo, Encontro Nacional de
Catalogadores (ENACAT), Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e
Ciência da Informação (CBBD) dentre outros, pois contribuem para reforço teórico ou prático
da catalogação.

369 Endereço eletrônico onde foi encontrado os anais do SNBU do ano de 2010. Disponível em:
&lt;http://www.gapcongressos.com.br/eventos/z0070/trabalhos_pesquisa.asp7pagM&gt;.

3211

�REFERÊNCIAS
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Alegre, v. 12, n. 1, p. 11-32, jan./jun. 2006.
ARAÚJO, G. P. de; MIRANDA, F. V. C. de. Manual de redação para artigos de
divulgação na mídia. Planaltina, DF: Embrapa Cerrados, 2009. 16 p.
CUNHA, Miriam Vieira da et al. Os seminários nacionais de bibliotecas universitárias e a
temática

centrada

na

formação

profissional.

In:

SEMINÁRIO

NACIONAL

DE

BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 10., Florianópolis, 2000. Anais eletrônicos... [CDROM]
DECLARAÇÃO dos Princípios Internacionais de Catalogação. 2009. Tradução de Lídia
Alvarenga

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Márcia

Milton

Vianna.

Disponível

em:

&lt;http://www.ifla.org/files/cataloguing/icp/icp_2009-pt.pdf&gt;. Acesso em: 10 fev. 2014.
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6., Salvador. Anais... Salvador: CINFORM, 2005. 18 p.
IFLA Study Group on the Functional Requirements for Bibliographic Records. Requisitos
funcionais para registros bibliográficos: relatório final. Lisboa: Biblioteca Nacional de
Portugal, 2008. Tradução Fernanda Maria Guedes de Campos.
IFLA Study Group on the Functional Requirements for Bibliographic Records. Functional
requirements for bibliographic records: final report. Munich: Saur, 1998. (IFLA UBCIM
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KNORICH, E. M. G. et al. FRBR - Requisitos Funcionais para Registros Bibliográficos:
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LEHMKUHL, K. M.; PINHEIRO, L. V. MACHADO, R. B. Possibilidades e desafios para a
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(RDA). In:

SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 17.,

Gramado, 2012. Anais... Disponível em: &lt;http://www.snbu2012.com.br/anais/&gt;. Acesso em: 2
maio 2014.

3212

�MACAMBYRA, M. M.; ESTORNIOLO FILHO, J. L. Propostas para tratamento de imagens
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Paulo, 2008.

Anais...

São

Paulo:

CRUESP, 2008.

SNBU.

Disponível

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&lt;

http://www.sbu.unicamp.br/snbu2008/&gt;. Acesso em: 2 maio 2014.
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MUELLER, S. P. M. A ciência, o sistema de comunicação científica e a literatura. In:
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In: SEMINÁRIO NACIONAL DE

BIBLIOTECAS

Paulo, 2008.

UNIVERSITÁRIAS,

15.,

São

Anais...

São

Paulo:

CRUESP, 2008. SNBU. Disponível em: &lt; http://www.sbu.unicamp.br/snbu2008/&gt;. Acesso
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RODRIGUES, M. da P. L. Citações nas dissertações de mestrado em ciência da informação.
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2012.

3213

�</text>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>Os eventos científicos são considerados ambientes propícios de divulgação de estudos e práticas que são desenvolvidas por uma área do conhecimento. O modelo conceitual FRBR apresenta-se como um novo entendimento do processo de representação dos documentos, implicando mudanças na atuação do bibliotecário frente às novas demandas e debates que emanam da prática catalográfica. Diante dessa evidência, buscou-se mapear a produção dos artigos referentes ao modelo conceitual FRBR, apresentados no Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU), período de 2006 a 2012. As análises foram realizadas com as seguintes categorias: produtividade sobre a temática, conteúdo e referências utilizadas. Foram encontrados apenas três artigos dentre os 1.129 trabalhos orais e pôsteres analisados. Ressalta-se que a temática modelo conceitual FRBR tem sido pouco utilizada nos eventos do SNBU.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O MARKETING DIGITAL NAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS COMO
ESTRATÉGIA DE APROXIMAÇÃO COM O USUÁRIO
Marilene Lobo Abreu Barbosa
Ana Paula Santos Souza Teixeira
Aida Varela Varela
RESUMO
A problemática que motivou este estudo foi a percepção, até mesmo com base em reiterados
registros na literatura da área de biblioteconomia, de que há um vácuo entre o que realiza a
biblioteca e o que sabe o usuário a respeito disto, fato que cada vez aumenta mais a distância
entre ambos. Neste sentido, objetivou-se averiguar os benefícios de inserir o marketing
digital, como recurso de divulgação dos serviços e produtos da biblioteca universitária, aqui
representada pelo Sistema de Bibliotecas da UFBA (SIBI/UFBA), onde se aplicou o estudo de
caso, escolhido como método da pesquisa de campo. A estratégia de ação procurou
contemplar o marketing desde a fase do planejamento estratégico da organização, inclusive
usando recursos das redes sociais, sobretudo o twitter. O referencial teórico referendou os
benefícios da aplicação do marketing como instrumento de divulgação, principalmente
quando associado ao planejamento e com a aplicação das redes sociais. O estudo de caso
mostrou que o planejamento estratégico da unidade estudada ainda está em fase de concepção,
mas que não está sendo considerada a inclusão do marketing em sua estrutura, no entanto o
SIBI/UFBA usa as ferramentas das redes sociais, ainda que de modo incipiente e aleatório.
Conclui-se que a associação do marketing digital ao planejamento estratégico, bem como o
uso das redes sociais para sua divulgação, potencializa o uso dos produtos e serviços
divulgados, bem como aumenta a chance de aproximação do usuário com a biblioteca.
Palavras-chave: Biblioteca universitária; Marketing digital; Planejamento estratégico; Redes
Sociais.
ABSTRACT
The problem that motivated this study was the perception, even based on repeated reports in
the literature of librarianship, that there is a gap between what the library performs and what
the user knows about it, the fact that each time further increases the distance between them. In
this sense, it is aimed to investigate the benefits of entering the digital marketing from
strategic planning and mediated by tools of social networks especially Twitter, as a strategy to
disseminate the products and services of the university library, here represented by the
Library System UFBA (SIBI/UFBA), where was the case study took place, chosen as the
method of fieldwork. The theoretical framework endorsed the benefits of applying marketing
as a publicizing tool, especially when associated with the planning and implementation of
social networks. The case study shows that the strategic planning unit of study is still in the
design stage, but is not being considered marketing in its structure, however the SIBI/UFBA
uses the tools of social networking even if is incipient and random. It can be concluded that

3180

�the combination of digital marketing to strategic planning, as well as the use of social
networking to its propagation enhances the use of the products and services advertised, and
increases the chance of rapprochement with the library user.
Keywords: University library; Digital marketing; Strategic planning; Social network.

1 INTRODUÇÃO
A internet é um ambiente que vem aumentando a capacidade de comunicação entre os
bibliotecários e os usuários, com a diversificação dos serviços disponíveis, que não se limita à
troca e à disseminação de informação, mas torna-se um espaço repleto de sites, com uma
diversidade de conteúdos e operações, que permitem a realização de atividades de ensinoaprendizagem, pesquisa, divertimento e comércio eletrônico.
E é nesse ambiente tecnológico que surge o marketing digital com a finalidade de
ampliar ainda mais essa comunicação. Nessa conjuntura, apresentam-se as redes sociais na
internet como ferramentas de marketing digital que incrementam a promoção de produtos e
serviços, além de favorecer a interação do usuário com a biblioteca, neste caso, com a
biblioteca universitária.
Maior sucesso ainda pode ser alcançado pela biblioteca universitária tanto em seu
funcionamento, quanto em seus resultados, se o programa de marketing estiver associado,
desde sua concepção, ao planejamento estratégico, como uma ferramenta capaz de anteciparse à aplicação de qualquer processo gerencial, levantando as características do ambiente
externo e da clientela potencial da biblioteca. Deste modo, o marketing aumenta a
possibilidade de a biblioteca alcançar maior número de usuários, por meio de divulgação mais
intensiva dos serviços que presta, como também de fidelizar esta clientela, na medida em que
está sempre pronta para atender satisfatoriamente suas necessidades de informação,
prestando-lhe serviços de qualidade. De modo seguro, pode-se afirmar que o marketing
contribui, fortemente, para que a biblioteca atinja seus objetivos organizacionais e sociais.
Deste modo, elaborou-se a seguinte questão de pesquisa: o marketing digital,
reconhecido como uma ferramenta capaz de incrementar a divulgação dos produtos e serviços
da biblioteca universitária, aqui representada pela Biblioteca Universitária Reitor Macedo
Costa, levaria à intensificação do contato do usuário com esta biblioteca?
A literatura da área de administração aponta como eficaz a inserção do marketing no
planejamento estratégico, na perspectiva de identificar a necessidade da clientela e,
especificamente no âmbito das bibliotecas universitárias, González-Fernández-Villavicencio

3181

�(2012, p. 567) sugere que as bibliotecas incorporem planos de marketing aos seus planos
estratégicos, a fim de melhor conhecer e atender as necessidades informacionais dos usuários,
reforçando a ideia de que a inserção do marketing no planejamento estratégico das bibliotecas
universitárias intensifica a possibilidade de melhor atendimento às necessidades do usuário,
pois proporciona a oportunidade de realização de serviços e produtos diretamente focados no
interesse do usuário.
Isto posto, estabeleceu-se como objetivo geral, averiguar os benefícios de inserir o
marketing digital, a partir do planejamento estratégico, mediado por ferramentas das redes
sociais, como estratégia de divulgação dos serviços e produtos do SIBI-UFBA, inclusive na
expectativa de aproximação do sistema com seus usuários. Na perspectiva de cumprir o
objetivo geral, adotaram-se, como objetivos específicos: verificar a pertinência do uso das
redes sociais como instrumento de marketing; compreender a dinâmica da biblioteca 2.0, seu
sentido e ações; diagnosticar como o SIBI-UFBA está utilizando os sites das redes sociais na
internet; descrever o uso das ferramentas da biblioteca 2.0 por parte dos bibliotecários. Para
cumprir tais objetivos realizou-se uma pesquisa de natureza exploratória, aplicando-se,
como método, o estudo de caso, cujo ambiente de pesquisa foi o já citado Sistema de
Bibliotecas da UFBA. A expectativa do estudo foi tornar visível aos usuários os serviços e
produtos oferecidos pela biblioteca universitária, ampliando o uso destes, bem como
intensificar a aproximação do usuário com a biblioteca.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Visando subsidiar a pesquisa de campo, buscou-se fundamentação na literatura da
área, contemplando temáticas relacionadas com o foco do estudo, tais como: biblioteca
universitária, marketing digital, ferramentas da web 2.0, redes sociais etc.

2.1 Biblioteca Universitária
Concebida como um lastro de conhecimento subjacente e estimulante ao ensino e ao
acesso à ciência, a biblioteca universitária acompanha as políticas e concepções da
universidade, mediando o processo dinâmico de aprendizagem e o desenvolvimento cognitivo
do sujeito, na direção da apreensão do conhecimento científico, havendo, assim, um
embricamento de ideias e ações. É importante esclarecer, no entanto, que a função da
biblioteca universitária, neste movimento de ensinar, aprender, pesquisar, inovar e criar,
transcende ao apoio à sala de aula, às atividades laboratoriais e extensionistas, à pesquisa de

3182

�campo etc., pois que, suas ações e serviços potencializam a formação do habitus de
aprendizagem contínua e de internalização da atitude científica.
Naturalmente que, para cumprir sua missão, a biblioteca universitária precisa ser
administrada, passando pelos processos gerenciais, de planejamento, organização, execução e
controle de seu funcionamento e de seus serviços. Por outro lado, para prestar serviços aos
usuários, é sabido que a biblioteca precisa organizar os recursos informacionais e disseminálos entre eles. Para tanto, lança mão de princípios, métodos e técnicas que compõem o corpus
de conhecimento da biblioteconomia, bem como da administração e, nos últimos tempos, fazse imprescindível a aplicação das soluções das tecnologias da informação e da comunicação TIC. É neste sentido que tanto Amaral (2001), quanto González-Fernández-Villavicencio
(2012) atrelam a atividade da divulgação dos serviços da biblioteca ao marketing, associado
ao planejamento estratégico, isto porque o planejamento é a ação gerencial que leva a
organização a alcançar os objetivos propostos, enquanto o marketing é uma técnica gerencial
que estuda o ambiente externo, procurando identificar as oportunidades e ameaças deste
ambiente, bem como o perfil da clientela, seus interesses e especificidades.
Deste modo, o marketing subsidia o planejamento com informações da realidade
concreta, dando-lhe a possibilidade de maior acerto na escolha das estratégias de ação e na
tomada de decisão. Assim, o planejamento pode projetar serviços de informação mais
adequados e com mais qualidade, para atender mais eficientemente ao usuário. Diante do
exposto, pode-se afirmar que o planejamento tem um papel fundamental para a
sustentabilidade da instituição atuando como alicerce para seu desenvolvimento. Para
Almeida (2005, p. 2), “o planejamento é o oposto da improvisação”, nele devem constar ações
necessárias para conseguir alcançar todos os objetivos. De fato, o planejamento é a primeira
função administrativa, isto porque ele orienta todo o processo administrativo, que se completa
com as funções de organização, execução controle e avaliação. Ou seja, no planejamento
estão explícitos, o negócio da organização, sua missão e objetivos, além das estratégias para
alcançar os objetivos. Faz sentido, portanto, que o marketing, como estratégia de divulgação,
esteja contemplado no planejamento estratégico.

2.2 O Marketing Digital como Meio de Promoção dos Serviços da Biblioteca
O marketing é considerado um instrumento gerencial que visa melhorar o desempenho
das organizações, mediante o conhecimento das demandas de sua clientela e a oferta de
serviços customizados. Deste modo, a utilização do marketing, na BU, permite a criação, o
desenvolvimento, a promoção e a disseminação dos produtos e serviços de informação, a

3183

�serem consumidos e utilizados pelos usuários, cuja aplicação pode ser considerada um meio
de aumentar a produtividade das unidades de informação, modificando suas atividades
tradicionais e contribuindo para o desenvolvimento de estratégias de mudança de sua imagem.
A internet, atuando como um novo canal de distribuição dessas informações, opera
como fonte potencializadora na difusão da informação, efetivando-se como um poderoso
instrumento para a promoção de produtos e serviços da BU.
Com a inserção da biblioteca universitária no ambiente da web 2.0, os bibliotecários
estão redimensionando seus trabalhos com os usuários, de forma a promover de maneira
dinâmica e interativa seus produtos e serviços.
As características e especificações dos produtos e serviços no planejamento estratégico
são decididas a partir das necessidades do ambiente interno e do ambiente externo, sendo o
setor funcional de marketing responsável por pesquisar informações sobre ameaças e
oportunidades no mercado, pesquisar clientes, fornecedores e concorrentes, além de outros
componentes do ambiente externo à instituição, observando sempre os resultados que se
almeja alcançar posteriormente, e, nesta perspectiva o bibliotecário deve determinar,
antecipadamente, “o que, por que, como, quem deve fazer, o quanto custa, quando e onde
deve ser feito.” (MACIEL; MENDONÇA, 2006, p. 44).
Partindo dessas premissas, Amaral (2001, p. 72) ressalta a importância da
convergência do planejamento estratégico e do marketing para solucionar as necessidades dos
usuários, afirmando que:
A razão para a incorporação do planejamento no processo de marketing
fundamenta-se na necessidade de tomada de decisão. Planejamento e
marketing, em conjunto, permitem trabalhar dentro de um esquema
organizado que oferece forte e adequada estrutura como suporte a variadas
decisões e implementação de atividades.
Por outro lado, González-Fernández-Villavicencio (2012, p. 569) afirma que a
associação do marketing ao planejamento, a partir do setor de referência é motivada por
quatro fatores: “a saída dos espaços físicos habituais; a oferta de serviços virtuais e móveis; o
uso de ferramentas da web social e a colaboração entre os profissionais”.
Cabe frisar que o bibliotecário necessita conhecer ferramentas e técnicas de marketing,
bem como dominar competências referentes à web 2.0, para melhor aplicá-las à sua unidade e
tornar o negócio da biblioteca um diferencial competitivo, na medida em que as técnicas de
marketing ajudam a elucidar as necessidades de informação do usuário, enquanto o uso das
ferramentas da web 2.0 favorecem a interação entre o usuário e o bibliotecário, tendo em vista

3184

�que a própria expressão web 2.0 traz consigo, “o conceito de troca de informações e coparticipação dos internautas com sites e serviços virtuais disponíveis no ciberespaço”,
conforme Brito e Silva (2010, p. 23).

2.3 Ferramentas da Web 2.0 na Biblioteca Universitária
Ressalta-se que, na plataforma web 2.0, está implícito o valor que é dado à integração
entre os sujeitos sociais, entre grupos e instituições e, sobretudo, à possibilidade que tem o
usuário de criar, sugerir e inovar, em termos de conteúdos. Sobre esta característica da web
social, Primo (2007) destaca seu poder de incentivar a organização e a disseminação de
informações, ampliando os espaços de diálogo entre os atores sociais, bem como de
incrementar novos tipos de publicações.
O’ Reilly (2005) aponta as principais vantagens da web 2.0, quais sejam: interfaces
variadas e versáteis; quanto mais usuário melhor, pois é sua participação que torna o sistema
mais rico e melhor; a maior parte dos sistemas disponíveis é gratuita; há facilidade no
armazenamento de dados e criação de páginas online; as informações das páginas podem ser
editadas pelos usuários que assim o desejarem; o trabalho no modelo de plataforma favorece o
uso de vários aplicativos, o que torna os sistemas mais ricos e eficazes; as informações são
atualizadas rapidamente, de modo colaborativo, favorecendo à diversidade de conteúdo e à
agilidade da atualização; e os atores, em geral, agregam-se, formando “comunidades”, em
geral motivadas por uma mesma temática.
O uso dos mecanismos e ferramentas da web 2.0 permite transformar a biblioteca
universitária em um ambiente mais atrativo, proporcionando, ao usuário, modificar conteúdos
e criar novos ambientes sociais, ou seja, a BU passa a oferecer mais canais de comunicação à
sua comunidade usuária.

Deste modo, a web 2.0, configurada como uma plataforma

tecnológica colaborativa, pode ser vista como um recurso que, além de potencializar a
interação usuário, biblioteca e bibliotecário, proporciona as condições para a criação de
serviços e produtos informacionais customizados, de acordo com o interesse e vontade do
usuário, promovendo também sua autonomia, neste processo de comunicação mediado pelas
soluções de tecnologias da informação e da comunicação.
A literatura da área da biblioteconomia e da ciência da informação vem mostrando
que já há um forte movimento, identificado como Biblioteca 2.0, envolvendo bibliotecas e
bibliotecários, nesta perspectiva de aplicação da web 2.0 como plataforma para divulgação de
seus serviços, como forma de levar a biblioteca até o usuário. Corroborando esta assertiva os
autores abaixo citados afirmam:

3185

�O coração da biblioteca 2.0 é a mudança centrada no usuário. É um modelo que visa a
implementar serviços de biblioteca, na perspectiva da mudança intencional e
constante, com a participação do usuário na criação e transformação dos serviços,
tanto virtuais quanto físicos, levando sempre em conta o processo de avaliação. O
objetivo é atender bem os clientes atuais, com a melhoria e oferta orientada de
serviços, bem como alcançar novos usuários. Cada componente do processo por si só
é um passo na direção de atender às demandas dos usuários, contudo, é através da
aplicação combinada de todos estes processos e recursos que se pode alcançar o
propósito da Biblioteca 2.0 (CASEY; SAVASTINUK, 2006, s.p.).
Alguns tipos de ferramentas da web 2.0 que os bibliotecários têm usado mais
frequentemente na biblioteca universitária são: o chat, o RSS ou RSS Feeds, o blog, os wikis, o
facebook, o twitter, o youtube etc. Em face do exposto, os bibliotecários precisam estar
atentos às mudanças que ocorrem com a implantação dos recursos disponíveis na biblioteca
2.0, isso pelo fato de que eles vão precisar estar aptos tanto a pô-los em prática como a vencer
a barreira da resistência de se adaptar a uma nova tecnologia.
Neste contexto, Maness (2007, p. 45) assim define a biblioteca 2.0:
[...] uma comunidade virtual centrada no usuário. Ela é socialmente rica,
quase sempre um espaço eletrônico igualitário. Enquanto que o Bibliotecário
2.0 deveria atuar como um facilitador e prover suporte, ele ou ela não é
necessariamente o primeiro responsável pela criação do conteúdo. Os
usuários interagem e criam recursos (conteúdo) uns com os outros e com os
bibliotecários. De várias formas, é uma realidade virtual para bibliotecas,
uma manifestação Web da biblioteca como lugar.
As redes sociais favorecem e facilitam a participação e a colaboração do usuário,
chegando este a contribuir, diretamente, nas postagens e elaboração dos conteúdos. Essa nova
configuração do ambiente virtual redefiniu os perfis do usuário e do bibliotecário, no qual o
primeiro passa a possuir autonomia para manusear o conteúdo disponível na rede “Podemos
perceber, desse modo, na web 2.0, a ocorrência de modificações no papel do usuário, que
passará a interagir, selecionar e controlar as informações de forma a ampliar o seu papel de
agente e ator.” (MEIRELLES, 2007, p.1). Já o segundo, passa a atuar como um intermediário
entre o usuário e o computador, para garantir maior precisão na busca da informação, ou seja,
o bibliotecário passará a ter uma atitude de mediador da informação e alfabetizador
informacional.

3186

�2.4 As Redes Sociais como Instrumento de Marketing Digital para a Biblioteca Universitária:
o uso do twitter
Com o surgimento da web 2.0, o serviço de referência tradicional vem sofrendo
mudanças em sua estrutura, pois o número de visitas presenciais nas bibliotecas vem
diminuindo, daí a importância da inserção das redes sociais como solução para mudar essa
vertente.
Diante dessa realidade, as mídias sociais são vistas pelo setor gerencial como um pilar
estratégico representando interação social de indivíduos com objetivos, valores, ideias e
interesses em comum.

Elas surgem exatamente dessa necessidade do ser humano em

compartilhar com o outro, interesses, ideais, preferências etc. Neste sentido, Tomaél (2005, p.
93) declara que “As redes sociais constituem uma das estratégias subjacentes utilizadas pela
sociedade para o compartilhamento da informação e do conhecimento”.
Ainda para o serviço de referência, as mídias sociais devem ser utilizadas como uma
estratégia de marketing para aproximar o usuário do bibliotecário. De acordo com Oliveira e
Bertholino (2000 apud MORENO; SANTOS, 2005), “a Internet marca, nitidamente, a
ampliação dos serviços de referência que, agora, podem dar atendimento em tempo real para
os usuários”.
O uso dessas mídias sociais melhoraria muito o atendimento no serviço de referência
seja porque o público de uma BU é especializado, seja porque é um público dinâmico, o certo
é que nesse espaço as informações mudam constantemente e os usuários precisam se manter
atualizados. Figueiredo (1992, p.162) afirma que: “[...] serviços online permitiram à
biblioteca oferecer um nível mais alto de serviço, por um custo aceitável, com grande presteza
e pequeno trabalho adicional para a equipe de pessoal”.
Essas redes sociais são cada vez mais facilmente apropriadas pelos indivíduos. Podese citar, por exemplo, o e-mail, o aparelho celular, as redes de compartilhamentos P2P (Peer
to Peer - pessoa para pessoa), e também os blogs e, ainda, os mais recentes microblogs. Um
microblog é uma variação dos blogs, nos quais existe alguma limitação, geralmente no
tamanho dosposts e, dentre os microblogs existentes hoje, o Twitter é o que mais se destaca.
O Twitter foi criado em 2006 por Jack Dorsey e é um serviço gratuito que permite a
publicação de mensagens de até 140 caracteres.
Os benefícios de uma BU possuir uma conta no Twitter são vários, considerando-se
como principais:
a) marketing: como não poderia deixar de ser o Twitter serviria para divulgar os
serviços oferecidos pela biblioteca, comunicações e as novidades;

3187

�b) atualização quanto aos dias e horário de funcionamento: informar os usuários
sobre qualquer alteração que por acaso venham acontecer facilitando o trabalho
do setor administrativo;
c) DSI - Disseminação Seletiva da Informação: o Twitter, como canal de
comunicação direto entre bibliotecário e usuário pode ser utilizado para
Disseminação Seletiva da Informação;
d) alerta bibliográfico: divulgar as aquisições feitas pela biblioteca, além de links
para acesso a bases de dados;
e) eventos: além de divulgar as aquisições a ferramenta também se aplicaria na
divulgação dos eventos promovidos pela biblioteca ou pela Universidade;
f) ferramenta de avaliação: neste caso o uso do Twitter serviria para analisar a
imagem da instituição, sendo possível verificar quais as necessidades dos usuários
real e potencial.
Entretanto não basta simplesmente criar uma conta no Twitter, é preciso que haja um
planejamento prévio e, neste ínterim, Fabrício (2011) afirma que:
O marketing nas mídias sociais exige planejamento e método. É necessário
ter quem cuide, quem crie e quem atualize as redes sociais, pois criar por
criar não basta, é preciso ter algo novo, é preciso ser inovador, aliás,
inovador é a palavra do marketing, onde é essencial inovar, ousar e
certamente não é diferente dentro das redes sociais, para se conseguir
seguidores no Twitter por exemplo, é preciso ter conteúdo e postar neste,
algo que atraia, que chame à atenção dos usuários.
Portanto, para uma biblioteca criar uma conta no Twitter, não significa apenas criar
uma conta no microblog e dizer que acompanha as tecnologias da web 2.0, é preciso estar
atento aos tweets de seus seguidores e não deixar de respondê-los, postar informações
interessantes e atualizá-las, já que uma BU também precisa estar em constante atualização.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A metodologia utilizada nessa pesquisa consistiu, de inicio, em uma revisão da
literatura especializada sobre o tema e depois de uma pesquisa de campo, com aplicação do
método do estudo de caso, tomando como universo o Sistema de Bibliotecas da UFBA
(SIBI/UFBA). A pesquisa foi realizada em etapas diferentes, de modo exploratório-descritivo
e abordagem qualitativa, cujas minúcias são apresentadas no item dos procedimentos
metodológicos.

3188

�Para melhor compreender o objeto de estudo e fundamentar as ações da pesquisa
empírica foi feita, inicialmente, a pesquisa bibliográfica e a leitura proficiente e a reflexão
sobre os textos selecionados contribuiu para que se estabelecesse o referencial teórico do
estudo, etapa básica para o aprofundamento do conhecimento sobre diversos ângulos do
assunto em pauta e para o desenvolvimento da pesquisa.
Um outro passo da pesquisa, foi o acompanhamento e a observação direta do site da
rede social Twitter, utilizada pelo web site do SIBI/UFBA, com a finalidade de coletar dados
para identificar o fluxo de acesso dos usuários assim como acompanhar a atualização desta
ferramenta. Escolheu-se o Twitter para essa observação, em virtude do site ser “[...] uma
importante ferramenta de divulgação de informações dos serviços da biblioteca universitária,
dos recursos que ela possui e de informações do ambiente acadêmico em que ela se encontra.”
(OLIVEIRA; SHIRAYAMA, 2012, p. 3).
Complementando a pesquisa, desta vez, objetivando averiguar a existência do
planejamento estratégico no SIBI/UFBA e sua associação ao marketing, realizou-se outra
etapa, com abordagem descritiva de cunho qualitativo, com a aplicação de entrevista
orientada aplicada com a superintendente do SIBI/UFBA.

4 RESULTADOS
Constituído por uma infraestrutura voltada à execução dos serviços de gestão dos
recursos informacionais, o SIBI/UFBA oferece diversos serviços de suporte às atividades de
ensino, pesquisa e extensão. Além da conservação e armazenagem dos acervos
informacionais, este Sistema presta alguns serviços direta e pessoalmente ao usuário e outros
são colocados à disposição do público por meio eletrônico (internet ou consulta em bases de
dados locais). O SIBI/UFBA possui um site onde estão destacados serviços a distância para
toda a comunidade acadêmica como, por exemplo, consulta ao Cátalogo Pergamum, às
Bibliotecas Virtuais, ao acervo de e-books, ao Portal CAPES, entre outras bases de dados.
Na Figura 1 está representada a interface do web site do SIBI/UFBA.

3189

�Figura 1 - Web site do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal da Bahia

Fonte: www.sibi.ufba.br.

No site há também acess aos sites de redes sociais como o Twitter, Youtube e
Facebook nos quais são divulgados produtos e serviços para a comunidade acadêmica,
conforme Figura 1.

Figura 2 - Divulgação do SIBI/UFBA no Facebook

Fonte: http://www.facebook.com/people/Sibi-Ufba/10002709780184

3190

�5 SERVIÇOS OFERECIDOS PELO SIBI/UFBA
O SIBI/UFBA, constituído das bibliotecas setoriais de Saúde, de Exatas, de Filosofia e
Ciências Humanas, além das setoriais atreladas às unidades de ensino, tem a função de
proporcionar serviços bibliotecários e de informação à comunidade universitária, de modo a
contribuir para o desenvolvimento dos programas de ensino, pesquisa e extensão; reunir,
organizar, manter e divulgar a produção intelectual da UFBA e promover atividades culturais
de interesse da comunidade.
A Biblioteca Universitária Reitor Macedo Costa (BURMC) é uma das bibliotecas
setoriais do SIBI. Sua Seção de Referência é um setor que oferece, além de acervo de
pesquisa, treinamento para a comunidade acadêmica, estando localizado no térreo da
BURMC. O treinamento aos estudantes de graduação e a visita guiada são realizados no
início de cada semestre e contemplam a utilização do catálogo online Pergamum, a
organização do acervo, com visita local e explanação sobre disposição do material nas
estantes. Há também distribuições de folders sobre o funcionamento das bibliotecas, com
cronograma de cursos oferecidos por esta, dentre eles o Programa de Treinamento de
Usuários em Bases de Dados.
Além de seu público-alvo ser a comunidade da UFBA, a Seção de Referência da
BURMC também atende à comunidade externa, proporcionando-lhe não só a consulta aos
seus acervos como aos demais serviços a seguir indicados, com exceção do empréstimo
domiciliar e da normalização bibliográfica. Outros serviços são também prestados a usuários
de outras regiões do país e do exterior, via Correios, fax, correio eletrônico e telefone.
Os serviços que a Seção de Referência da BURMC oferece são361:
a) auxílio ao usuário: orientação individualizada ao usuário na busca de informações
e na utilização do acervo;
b) pesquisa bibliográfica: orientação para pesquisa e levantamentos bibliográficos,
com o auxílio do bibliotecário, sobre temas de interesse do usuário em base de
dados online;
c) CCN (Catálogo Coletivo Nacional de Publicações Seriadas): localização de
periódicos por meio do Catálogo Coletivo Nacional;
d) comutação bibliográfica: obtenção de cópias de artigos de periódicos, teses e
anais de congressos - via Internet pelo software Ariel e outros meios -, localizados
em bibliotecas do país, mediante pagamento de uma taxa. Embora esse serviço
361 Todas as informações foram extraídas do sítio do Sistema de Bibliotecas da UFBA,
http://www.bibliotecacentral.ufba.br/.

3191

�seja, normalmente, realizado através do COMUT (Programa de Comutação
Bibliográfica, CAPES/IBICT), cópias são também solicitadas a bibliotecas que
não integram essa rede;
e) consulta ao acervo: consulta local a dicionários, enciclopédias, catálogos de
universidade, catálogos de teses, indicadores, guias, bibliografias, índices,
abstracts, dentre outros;
f) visitas guiadas: agendadas previamente para grupos de até 10 pessoas, propicia o
conhecimento da estrutura da Biblioteca Central e dos serviços que oferece;
g) treinamento de usuários: objetiva divulgar o Portal de Periódicos da CAPES e
qualificar as pessoas na utilização da ferramenta em atividades de ensino e
pesquisa, além de outras bases de acesso público disponíveis na internet;
h) programa de orientação e treinamento de usuários de bibliotecas: destinado
aos calouros da Universidade, objetiva proporcionar uma visão geral do
funcionamento das bibliotecas do SIBI/UFBA e dos seus serviços;
i) catalogação na fonte: a catalogação na fonte gera uma ficha catalográfica, a qual
é impressa no verso da página de rosto de um livro, tese, dissertação ou
monografia. A ficha deve ser feita quando a obra está em fase de impressão e é
obrigatória para efeito de depósito legal e recomendada pela Associação Brasileira
de Normas Técnicas (ABNT). Para a elaboração da ficha catalográfica, o
bibliotecário segue as regras do Código de catalogação Anglo-Americano;
j) normalização bibliográfica: orientação para a normalização de trabalhos
acadêmicos através das normas da ABNT.

6 APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS
Neste item, incluem-se as duas fases da pesquisa de campo, constituída do
acompanhamento e observação do uso das redes sociais na Biblioteca Universitária Reitor
Macedo Costa, bem como a aplicação de entrevista orientada com a Superintendente do
SIBI/UFBA e a análise e discussão desta entrevista.

6.1 Uso das Redes Sociais
No Sistema Integrado de Bibliotecas da UFBA foi possível identificar a utilização dos
sites de redes sociais: Youtube, Facebook, Blog e o Twitter. Eles são utilizados como recursos

3192

�de alerta para os usuários ou interessados em obterem informações disponibilizadas pela
unidade. Para a observação direta foram selecionados alguns critérios baseados nos serviços
que o SIBI/UFBA oferece, associados aos recursos que Twitter possui, a saber:
a) disponibilização de informações sobre os serviços do SIBI/UFBA;
b) disponibilização de links de fontes de informações;
c) quantidade de publicações;
d) quantidade de retwitters;
e) periodicidade das atualizações.

No primeiro momento da análise observou-se a interface do Twiiter do SIBI/UFBA
(Figura 3), quando se verificou que há somente 81 seguidores, quando há mais de 30 mil
alunos matriculados (CIÊNCIA..., 2011).

Outro aspecto relevante é o fato do design do

microblog do Sistema não ser atrativo visualmente, pois segue um padrão de cor preta com a
logomarca em tamanho reduzido.

Figura 3 - Interface do Twitter do SIBI/UFBA

Fonte: https: //twitter.com/sibiufba.

A página do witter é utilizada também como veículo de comunicação de informes da
biblioteca, tais como mudanças no horário de serviços e produtos oferecidos, além do
compartilhamento de assuntos relevantes da Universidade. A página reproduz, ainda, os links
das publicações do Blog do próprio Sistema.
Com base nos números contidos no perfil do Twiiter do SIBI/UFBA (Figura 4), foi
possível analisar, até o momento da coleta, os seguintes dados: foram 20 mensagens (tweets)

3193

�enviadas, 12 usuários seguidos (following), enquanto 82 usuários seguem (followers) o perfil
da biblioteca; este trajeto teve iniciou em janeiro de 2010 (criação do perfil).
Diante do que foi referenciado na literatura, é pertinente aferir que o Twitter não está
sendo um ambiente propício à disseminação de informações, assim como não está
funcionando de maneira eficiente na promoção dos produtos e serviços do SIBI/UFBA.
Constatou-se a disponibilização de alguns links de fontes de informações como, por
exemplo, o acesso gratuito ao Banco de Dados EBSCO Discovery Service, no entanto foi
observada a ausência de retwitters nos dois últimos tweets analisados.
Observou-se também que as atualizações das publicações do SIBI/UFBA não se faz
sistematicamente, constatando-se que o tempo de atualização das postagens dos tweets
demoram em média 6 meses, conforme a Figura 4, na qual o post do tweet anterior foi feita
em setembro de 2012 e a última em março de 2013.

Figura 4 - Atualização de tweets da conta do Twitter do SIBI/UFBA

Fonte: https: //twitter.com/sibiufba

Dentre algumas possibilidades de utilização do Twitter em uma BU, é possível
destacar: apresentação de notícias da unidade (novas aquisições), estabelecer e manter
contatos; estreitar relação com os usuários; aumentar a visibilidade da BU na web,
disponibilização de serviço de referência e sugestão de leitura.

3194

�6.2 Planejamento e Marketing no SIBI/UFBA: analisando e discutindo os resultados
da aplicação da entrevista.
A entrevista, aplicada com a bibliotecária superintendente do SIBI/UFBA, buscou
identificar, principalmente, a existência de um plano de marketing associado ao planejamento
estratégico e a inserção, neste plano, do uso dos sites das redes sociais.
Sobre as perguntas 1 e 2, que versam sobre o planejamento estratégico e o plano de
marketing, a superintendente respondeu que o planejamento estratégico está em fase de
elaboração e que não há um plano de marketing associado ao planejamento estratégico, e que,
para a elaboração deste planejamento, foi feita uma “[...] pesquisa de opinião sobre os
serviços prestados pelas bibliotecas do sistema.”
Segundo González-Fernández-Villavicencio (2012) a biblioteca deve elaborar seu
planejamento estratégico concomitantemente ao plano de marketing, visando possibilitar a
harmonização das necessidades informacionais dos usuários com os produtos e serviços
disponibilizados pela biblioteca.
As perguntas 3 e 4 versam sobre os benefícios do planejamento estratégico com o
plano de marketing e no caso de não haver um plano de marketing, foi perguntado de que
modo eram coletados os dados sobre o perfil do usuário -

a bibliotecária respondeu do

mesmo modo que na primeira questão, pois, por enquanto, não há um planejamento
estratégico no SIBI/UFBA, já que este se encontra em fase de elaboração.
Já a pergunta 5 versa sobre quais ações o SIBI/UFBA desenvolve como ação de
marketing de divulgação. A superintendente selecionou as seguintes ações que o Sistema
desenvolve: “participação na ACTA; divulgação na Lista Todos; realização de exposições;
divulgação no UFBA em pauta; participação em Lista de bibliotecários; Eventos culturais Centenário de ilustres da literatura brasileira, Consciência Negra, Semana do Livro e da
Biblioteca, Meio Ambiente (Sustentabilidade), palestras, treinamentos.”
Na pergunta 6, indagada sobre que setor e qual o profissional são responsáveis por
realizar ações de marketing, a bibliotecária respondeu que o setor responsável é “a Seção de
Referência” e a pessoa que realiza estas ações é a bibliotecária chefe do referido setor.”
De acordo com González-Fernández-Villavicencio (2012), o bibliotecário da Seção de
Referência é o responsável por promover os serviços da biblioteca, aumentando sua
visibilidade e acessibilidade diante de sua comunidade acadêmica e para isso, utiliza também
ferramentas colaborativas das redes sociais da internet, adotando assim, uma atitude mais
proativa.

3195

�Na pergunta 7, que aborda a peridiocidade das atualizações dos sites de redes sociais
na internet: Youtube, Facebook, Blog e o Twitter do SIBI/UFBA, a bibliotecária
superintendente
contestou que a “Atualização é acumulativa, notícias novas substituem as mais antigas de
acordo com os acontecimentos importantes para divulgação.”
No entanto, conforme resposta da bibliotecária superintendente na questão 5, são
diversas as ações de marketing de divulgação - tradicional e digital - que o SIBI/UFBA
desenvolve, contudo algumas dessas ações não são divulgadas nas redes sociais da internet de
maneira periódica para a comunidade acadêmica. O exemplo da observação direta realizada
no Twitter efetivada no primeiro momento da pesquisa demonstra essa ausência de
atualização dessa ferramenta.
Na pergunta 8, que se refere ao processo de avaliação dos serviços oferecidos pelo
SIBI/UFBA, foi perguntado se existia e qual era o método usado para medir a satisfação do
usuário, a bibliotecária respondeu que o método utilizado era somente por meio de
“entrevistas”.
De acordo com González-Fernández-Villavicencio (2012), além da utilização da
entrevista, a avaliação da satisfação do usuário, no que se refere aos serviços oferecidos pelo
Setor de Referência, os quais são considerados ações de marketing, pode também ser medida
e posteriormente avaliada por meio de programas estatísticos. A referida autora destaca, por
exemplo, o método do LibQUAL+, que consiste em um instrumento usado para avaliar a
qualidade dos serviços oferecidos por uma biblioteca, no qual é feito o levantamento de
dados, ajudando os gestores a identificarem as práticas aplicadas para em seguida, avaliar as
deficiências e a alocação dos recursos. (PENÉ; ROZEMBLUM, 2010).
A partir das informações coletadas, ficou evidente que a bibliotecária tem
conhecimento da importância da elaboração de um planejamento estratégico associado ao
plano de marketing, no entanto, por alguma razão, o planejamento estratégico que está sendo
elaborado no SIBI/UFBA ainda não está incorporando esta prática. Ações de marketing
digital são executadas pelo SIBI/UFBA, porém não de forma programada e sistemática, nem
mesmo sob diretrizes e políticas estabelecidas. Percebe-se, também, que a ausência de
atualização periódica da ferramenta social Twitter, é um fator que propicia o afastamento do
usuário deste espaço virtual do SIBI/UFBA.

3196

�7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O referencial teórico credita o marketing como uma estratégia eficiente na divulgação
de serviços e produtos das bibliotecas universitárias, bem como um meio de aproximação do
usuário com a biblioteca e os bibliotecários, sobretudo se associado ao planejamento
estratégico e com a divulgação por meio das redes sociais, enquanto o estudo empírico
comprovou o não uso sistemático do marketing na instituição estudada, bem como a ausência
de programação relativa ao marketing no planejamento estratégico.
Sugere-se, assim, que as bibliotecas universitárias passem a utilizar, sistematicamente,
as estratégias de marketing, suas técnicas e ferramentas concebendo-as desde o planejamento
estratégico, na perspectiva de aumentar consideravelmente a possibilidade de alcançar os
objetivos traçados no planejamento, além de atrair seu público leitor. Para isso, é necessário,
no entanto, que a unidade de informação adote uma abordagem de administração orientada
para o marketing digital, e com isso, passe a elaborar e executar planos regulares para
promoção e divulgação de seus serviços na internet, sobretudo usando os recursos das redes
sociais.
Pelos resultados, pode-se inferir, também, que uma das funções primordiais do Twitter
é possibilitar respostas rápidas entre o usuário e a BU de forma que ele siga, comente,
pergunte e responda, construindo assim maior proximidade entre ambos. Em linhas gerais,
percebe-se que, por ser uma ferramenta útil na estratégia do marketing digital, o Twitter, ao
ser aplicado de maneira eficaz no SIBI/UFBA, proporcionará aos profissionais bibliotecários
trabalhar o relacionamento com seus usuários além de estimulá-los a interagir com as
bibliotecas do Sistema, possibilitando diálogos e trocas de conhecimentos.
Deve-se destacar ainda, que a web 2, ao introduzir recursos que possibilitam a
colaboração dos diversos atores sociais via rede, tais como as tecnologias wiki, o twitter, o
MSN, os fóruns de discussão, etc. introduz novas formas de aprendizagem potencializando a
aceleração da construção do conhecimento, que, neste contexto, se faz de modo colaborativo,
quebrando a unilateralidade e a hegemonia científica na construção do conhecimento.
Por fim, sugere-se que estudos sobre este tema sejam aprofundados, no sentido de
ampliar a compreensão desta temática e a produção científica sobre o tema, culminando, deste
modo, no enriquecimento científico da área, até porque, apesar do rigor científico aplicado a
este estudo, pelo fato de se tratar de um estudo de caso, são muito restritas as evidências dos
resultados não se podendo, portanto, fazer generalizações.

3197

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3199

�</text>
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Documentação&#13;
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                <text>A problemática que motivou este estudo foi a percepção, até mesmo com base em reiterados registros na literatura da área de biblioteconomia, de que há um vácuo entre o que realiza a biblioteca e o que sabe o usuário a respeito disto, fato que cada vez aumenta mais a distância entre ambos. Neste sentido, objetivou-se averiguar os benefícios de inserir o marketing digital, como recurso de divulgação dos serviços e produtos da biblioteca universitária, aqui representada pelo Sistema de Bibliotecas da UFBA (SIBI/UFBA), onde se aplicou o estudo de caso, escolhido como método da pesquisa de campo. A estratégia de ação procurou contemplar o marketing desde a fase do planejamento estratégico da organização, inclusive usando recursos das redes sociais, sobretudo o twitter. O referencial teórico referendou os benefícios da aplicação do marketing como instrumento de divulgação, principalmente quando associado ao planejamento e com a aplicação das redes sociais. O estudo de caso mostrou que o planejamento estratégico da unidade estudada ainda está em fase de concepção, mas que não está sendo considerada a inclusão do marketing em sua estrutura, no entanto o SIBI/UFBA usa as ferramentas das redes sociais, ainda que de modo incipiente e aleatório. Conclui-se que a associação do marketing digital ao planejamento estratégico, bem como o uso das redes sociais para sua divulgação, potencializa o uso dos produtos e serviços divulgados, bem como aumenta a chance de aproximação do usuário com a biblioteca.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O LIVRO RARO NA BIBLIOTECA CENTRAL ZILA MAMEDE

Tércia Maria Souza de Moura Marques
Kalline Bezerra da Silva Flor
Renata Jovita Granze de Oliveira

RESUMO
Apresenta a coleção de obras raras da Biblioteca Central “Zila Mamede” - BCZM, unidade
suplementar da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Constitui-se em um relato de
experiência que objetiva por um lado, apresentar os critérios de raridade adotados pela
Instituição para classificação de raridade e/ou preciosidade, por outro apresentar uma
metodologia para execução do tratamento da coleção no que concerne a sua conservação e
preservação, visto que o livro raro, entendido como objeto cultural de disseminação do
conhecimento é, também, valorizado como objeto de memória, através do qual é possível
recuperar os conhecimentos desenvolvidos ao longo da história da humanidade. Assim, a
investigação é conduzida gradativamente, revelando questionamentos a respeito do tratamento
apropriado que deve ser aplicado e quais argumentos legitimam uma obra como rara, única ou
preciosa. Sugere que é fundamental atentar para as atividades realizadas com uma equipe
adequada, com uma interpretação bibliológicamente encorpada e sensível, em que não se
predomine a premissa de “velho, antigo, portanto raro”.
Palavras-Chave: Biblioteca universitária; Obras Raras; Critérios de raridade bibliográfica.

ABSTRACT
This paper presents the rare books collection of The “Zila Mamede” Central Library (BCZM),
a supplementary unit of the Federal University of Rio Grande do Norte (UFRN). It consists of
an experience report which aims, on one hand, present the criteria of rarity adopted by the
Institution; on the other hand, this study aims to present a methodology for the execution of
the treatment of the collection, concerning its conservation and preservation. The rare book,
understood as a cultural object of dissemination of knowledge, is also valued as a memoir
object through which it is possible to retrieve the knowledge developed throughout the history
of mankind. Thus, this investigation is conducted gradually, revealing questions about the
proper treatment and what arguments justify a book as rare, unique or precious. It suggests
that it is fundamental to notice the activities carried out by a proper team, with a
bibliologically sturdy and sensitive, in which being "old" does not equal being rare.
Keywords: University library; Rare books; Criteria of bibliographical rarity.

3163

�1 INTRODUÇÃO
A Biblioteca Central “Zila Mamede” - BCZM, unidade suplementar da Universidade
Federal do Rio Grande do Norte - UFRN, tem um acervo informacional constituído, segundo
dados fornecidos pelo Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas - SIGAA, no
dia 23 de abril de 2014 por trezentos e cinquenta e oito mil, oitocentos e quarenta e oito
volumes que começou a ser formado a partir da junção dos acervos das primeiras escolas e
faculdades de ensino superior que, em conformidade com Souza (1984) foram: Escola de
Serviço social de Natal ( instalada em 2 de junho de 1945 por iniciativa da Ação Católica,
especialmente pela Juventude Feminina Brasileira de Natal), Faculdade de Farmácia e
Odontologia de Natal (criada por Decreto-Lei Estadual n° 682, de 3 de fevereiro de 1947),
Faculdade de Direito de Natal (Lei Estadual n° 149, de 15 de agosto de 1949), Faculdade de
Medicina de Natal (Decreto Estadual n° 37.931, de 20 de setembro de 1955), Faculdade de
Filosofia de Natal (Decreto Federal n° 40573, de 18 de dezembro de 1956 e da Escola de
engenharia de Natal (Lei Estadual n° 2.045, de 11 de setembro de 1957), nessa ordem, bem
como da aquisição nos anos de 1974 a 1978 de sete bibliotecas particulares a saber: prof.
Othon de Oliveira, Prof. Edgar Barbosa, Prof. Ewerton Cortês, Prof. José Bonifácio, Dr.
Gerardo Dantas Barreto, Prof. Américo de Oliveira Costa e Dr. Oswaldo Lamartine de Farias
(UNIVERSIDADE,1979, p.126-130).
Ao darmos inicio aos estudos da coleção de raridades da Biblioteca Central “Zila
Mamede” identificamos que a mesma contém obras com mais de 300 anos, sendo a mais
antiga o Castrioto Lusitano. Parte I. Entrepresa, e restauração de Pernanbuco, &amp; das
Capitanias confinantes. Varios e bellicos sucçcessos entre Portuguezes e Belgas. Acontecidos
pello discurso do vinte e quatro annos, e tirados de noticias, relações e memorias certas.
Oferecido a João Fernandes Vieira Castrioto Lusitano e por elle dedicados ao Principe D.
Pedro. Lisboa, na Impressão de Antonio Craesbeeck de Mello, obra de Rafael de Jesus,
datada de 1679. Trata-se, segundo o Manual bibliographico portuguez de livros raros,
clássicos e curiosos, coordenado por Ricardo Pinto de Matos de 1878 (p. 332), “de livro raro
e estimado”.
Além do Castrioto Lusitano e do Manual bibliographico portuguez, a Biblioteca
Central “Zila Mamede” organizou uma coleção intitulada obras raras, formada por 1213
volumes em livros, 9 títulos de periódicos com 346 fascículos e 4.332 folhetos de cordel,
armazenados em um espaço amplo, mas que ainda necessita de adequações em sua estrutura
física, no que concerne as condições de acondicionamento da coleção (iluminação, umidade,
entre outros), bem ainda em suas áreas de leitura, e de tratamento técnico da coleção.

3164

�Esse conhecimento preliminar suscita algumas inquietações - existem em meio ao
acervo circulante obras de estimado valor histórico e cultural e, portanto, que precisam de
tratamento diferenciado? Foi estabelecido critérios de raridade para subsidiar a recolha de
obras das coleções circulante e de desbaste para guarda na coleção de obras raras? Foi
sistematizada alguma metodologia para tratamento da coleção com vistas a sua conservação?
Essas inquietações se avolumam na medida em que conhecemos o acervo de obras raras e o
acervo circulante da Biblioteca Central “Zila Mamede”, nesse último identificamos, mesmo
em uma avaliação superficial, obras raras, sejam por sua data de publicação ou pelo seu
conteúdo.
Assim, torna-se premente a necessidade da realização de estudos que venham a
responder tais questionamentos, bem como que possa viabilizar uma avaliação de toda a
coleção circulante com vistas à identificação de obras com características de raridade e/ou
preciosidade para constituir a sua coleção de obras raras e com isso garantir um
acondicionamento adequado com vistas a sua conservação e preservação, bem como a sua
divulgação, acessibilidade e uso uma vez que o livro raro pode representar o resgate de uma
fase histórica ou nos apresentar um conhecimento que nos faça compreender o presente.

2 O QUE É UMA OBRA RARA?
Na tentativa de definir o que seja “obra rara” nos apropriamos inicialmente do trabalho
de Koni (2010) e da aproximação que a mesma faz entre monumento e obra rara. Para essa
aproximação ela nos apresenta o conceito de monumento segundo Riegl (2008, p. 23), para
quem monumento é toda obra criada pelo homem com o objetivo de conservar presente e viva
na consciência das gerações futuras a lembrança, uma ação ou destino. Podemos imprimir
esse conceito à obra rara, no nosso estudo especificamente ao livro raro? Se pensarmos que o
homem, através do livro pode expressar todas as suas descobertas a muitas gerações futuras,
possibilitando o entendimento histórico e ainda o desenvolvimento de novos conhecimentos,
sim.
Recorremos ainda a Cambi (1999, p.35) que nos diz que “a história é o exercício da
memória realizada para compreender o presente e para nele ler as possibilidades de futuro a
construir, a escolher, a tornar possível”.
Então o livro raro, entendido como objeto cultural de disseminação do conhecimento
humano, passa a ser também valorizado como objeto de memória, uma vez que através dele é
possível recuperar os conhecimentos educacionais, históricos, religiosos, literatos, científicos

3165

�e técnicos desenvolvidos ao longo da história da humanidade. O livro então carrega a história
da evolução humana, a resgata e, também, a projeta para o futuro.
Conceituado livro raro, surge uma nova inquietação - como reconhecer um livro raro,
um objeto de memória? recorremos desta feita, aos conhecimentos de Pinheiro (2001) e
através dela vimos que para pensarmos na construção de critérios de raridade é preciso ter
claro 3 conceitos fundamentais: raro, único e precioso, para quem raro “é aquilo que é raro
em qualquer lugar do mundo”, havendo, portanto um consenso; único - único exemplar
conhecido no mundo e precioso - as coleções importantes para uma instituição, particular.
Pinheiro (2001) nos esclarece ainda, que tão fundamental quanto os conceitos é termos
uma metodologia de trabalho rigorosamente detalhada e para tanto nos sugere cinco aspectos
para observação das obras: limite histórico, aspecto bibliológico, valor cultural, pesquisa
bibliográfica e características do material e ao que nos parece são esses os aspectos
norteadores dos critérios utilizados pela Biblioteca Nacional do Brasil e, por conseguinte
foram adotados pela Biblioteca Central “Zila Mamede”.

3 CRITÉRIOS DE RARIDADE PARA A BIBLIOTECA CENTRAL “ZILA
MAMEDE” - BCZM
Para a constituição dos seus critérios de raridade e/ou preciosidade a Biblioteca
Central “Zila Mamede” lançou mão, a princípio, dos critérios internacionalmente
reconhecidos e amplamente divulgados pela Biblioteca Nacional do Brasil, que tem sede no
Rio de Janeiro, entendendo que essa instituição é a guardiã da memória cultural e intelectual
do Brasil, portanto paradigma na temática. Os critérios de raridade e/ou preciosidade ficam
assim entendidos:
• Primeiras impressões (século XV ao XVI) - equivalente ao Limite histórico apontado por
Pinheiro (2001)
Em meados do século XV, como escreveu Lucien Febvre (2000), surgiu o tipo móvel
fabricado em metal que “revolucionaria a produção de livros”, uma vez que mudaria todo um
processo produtivo, sendo a Bíblia de Gutenberg ou a Bíblia de 42 linhas, a primeira
publicação impressa por volta do ano de 1455.
Os demais livros impressos até 1500, denominados Incunábulos - livro impresso nos
primeiros tempos da imprensa com tipos móveis (não manuscrito) mantiveram alguns
costumes dos manuscritos uma vez que continuaram iniciando as suas obras com Incipit que
significa “aqui começa”, contendo muitas vezes o nome do autor e o título da obra; o Explicit
- “aqui termina”, informação que aparece no final dos primeiros livros, fornecendo, algumas

3166

�vezes, o nome do autor e o título da obra. Outras características mantidas dizem respeito à
manutenção do uso de caracteres góticos, de textos compactos e em duas colunas, do largo
uso de abreviaturas, de iluminuras - adornos, de xilogravuras, da ausência da paginação (às
vezes folheados), do emprego de glosas (comentários feitos nas margens do livro), registros,
assinaturas, reclamos, grandes formatos (in-folio), texto em latim (3/4 das obras), livros
litúrgicos (a maioria), literatura antiga e obras jurídicas (1/10 da produção), com a utilização
de papel fabricado a base de trapo, e portanto, apresentando as seguintes características:
grosso, desigual e de cor amarelada. Tudo isso segundo a Biblioteca Nacional ([2000])
justifica “o critério cronológico já determinar a raridade da obra”(grifo nosso).
• Impressões dos séculos XVII e XVIII
Os séculos XVII e XVIII se destacam pela industrialização do processo produtivo do
livro na Europa, pelo aparecimento de grandes nomes da literatura mundial como Cervantes,
Shakespeare, Molière e outros, e, pela instalação do estabelecimento oficial para tipógrafos,
gravadores, impressores como exemplo a Typographie Royale (França), Oficina da
Universidade de Oxford (Inglaterra); Oficina dos Plantin (Antuérpia) e dos Elzevieres
(Holanda).
• Brasil, Século XIX
No Brasil a produção gráfica se desenvolve a partir do Segundo Reinado razão pela
qual, a exemplo da Biblioteca Nacional estendemos o conceito de obra rara até 1841. Essa
decisão se justifica na medida em que se confirma que a tipografia oficial no Brasil data de 13
de maio de 1808 com a criação da Impressão Régia, por D. João VI, em que o primeiro
documento impresso no Brasil - um folheto com a Relação dos despachos publicados na corte
pelo expediente da Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros - foi produzido no Rio de
Janeiro, em 13 de maio de 1808 na Impressão Régia.
Até a Independência do Brasil em 1822 a Impressão Régia mantinha o monopólio da
imprensa no Rio e Janeiro, mesmo que a partir do ano de 1811 tenha iniciado a expansão da
tipografia no Brasil com a primeira tipografia particular estabelecida na Bahia. A partir desse
feito outras províncias em conformidade com a Biblioteca Nacional passam a adquirir os seus
prelos: Bahia em 1811, Pernambuco em 1815, Paraíba em 1817, Pará em 1822, Ceará em
1824, São Paulo e Rio Grande do Sul em 1827, Goiás em 1830, Santa Catarina e Alagoas em
1831. O Rio Grande do Norte, em particular, recebeu seu primeiro prelo da província do
Recife no ano de 1832, no entanto as publicações oficiais continuaram a ser impressas em
Olinda, Estado de Pernambuco até o ano de 1878. (HALLEWELL, 1985, p.121).

3167

�• Edições especiais (de luxo para bibliófilos) - São as edições elaboradas segundo o modelo
de livros antigos, que utilizam papel de boa qualidade, folhas soltas em cadernos, ilustradas
artesanalmente por algum artista de renome, geralmente in folio e colocadas em caixas, com
tiragem limitada e podendo ter a assinatura do autor.
Uma obra pode também ser avaliada como rara pelo seu valor extrínseco:
encadernações em couro, pergaminho, veludos, gravadas a ouro, com filetes e seixas
douradas, etc. Segundo Mello (apud GONÇALVES, 2008) a história da encadernação começa
junto a história do livro, a partir da necessidade de proteger os pesados códices e
pergaminhos. Contudo, foi se desenvolvendo ao longo dos séculos trazendo em cada período
um estilo próprio sendo por ele reconhecido. Segundo a Associação Brasileira de
Encadernação e Restauro as principais características das encadernações ao longo dos tempos
são:
Séculos VIII - XI
Encadernações em pele de cervo, porco e tecido. Cabeceado de alinhavo, sendo as capas de
madeira grosseira. Guardas ausentes ou uma de pergaminho. Cortes aparados. Decoração
simples.
Séculos XII - XIII
Cobertura de antílope, couros tingidos e pergaminho. Costura sobre nervos. Pranchas de
madeira como capas. Lombadas achatadas ou ligeiramente arredondadas. Cabeceado em
ponto de seleiro. Cortes aparados. Títulos sobre os cortes. Guardas de pergaminho. Decoração
mais variada, com fechos.
Séculos XIV - XV
Livros menos imponentes. Surgem novas técnicas e materiais. Passagem do pergaminho ao
papel. Utilizam-se vaqueta, carneiro e porco. Meia encadernação (fim do século XV).
Encadernações de tecidos (sedas-brocados). Costura sobre nervos. A lombada começa a
arredondar-se. Nervos salientes, em geral duplos marcados na pele. Cabeceado trançado de fio
ou tirinhas de pele. Guardas de pergaminho ou papel branco. Surgem os cortes decorados,
dourados ou coloridos para manuscritos. Decoração com filetes ou ferrinhos estampados a
frio. Placas, cantoneiras e fechos.
Século XVI
Aparecem as encadernações de pequenos formatos. Estilos da renascença, incluindo as
encadernações Aldinas. Coberturas de tecido até 1530. Aparecimento do marroquim tingido
de várias cores nas encadernações de luxo a partir de 1537. No final do século aparecem as
encadernações flexíveis em pergaminho. Costura de nervos marcados e banda de pergaminho

3168

�reforçando o entrenervo da cabeça e do pé. Desaparecimento das pranchas de madeira como
capas. Papelões compostos de papéis contra-colados. Cortes aparados, dourados ou cinzelados
para encadernações de grandes ornamentos. Lombada pouco decorada, sem título, depois
florões e título incompleto. Capas estampadas a frio. Aparição das dourações.
Século XVII
Cobertura de pergaminho, pele de carneiro, marroquim e vaqueta para encadernações de luxo.
Costura sobre nervos simples ou duplos. Lombada com banda de pergaminho reforçando o
lombo. Cabeceado em cores. Guardas brancas até 1640, depois coloridas, penteado fino em
sete cores. Capas de cartões rígidos feitos com várias camadas de papéis. Cortes aparados,
pintados nas cores vermelho ou azul e dourados para as encadernações de luxo. Decoração no
início, com riqueza de ornatos, depois, de excessiva sobriedade no final da época de Luiz
XIV.
Século XVIII
Cobertura em couro. Meia encadernação para os livros comuns no final do século. Marroquim
para as encadernações de luxo. Costura entre nervos. Lombada com nervos longos no final do
século. Cabeceado de várias cores. Guardas de seda ou couro. Papéis de cores variadas. Capas
de papelões de várias camadas. Cortes tingidos de vermelho, às vezes marmorizados e
dourados para os de luxo. Títulos inteiros no final do século. Algumas encadernações com
mosaicos. Surge a decoração com estampagem ou impressão com placa matriz, substituindo
os ferros avulsos.
Século XIX
Aparecimento da encadernação industrial, cartonagem simples ou à Bradel, capa solta. De
1830 a 1850, expande-se a encadernação francesa, com reflexos em Portugal e no Brasil.
Aparecimento da costura sobre cadarços. Nervos falsos. Cortes marmorizados combinando
com as guardas. Cortes dourados nas encadernações de luxo.
Século XX
Encadernações em couros diversos, percalina (tecido recoberto com resina não plástica
colorida). Durante a Semana de Arte Moderna (11-18 de fevereiro de 1922), surgem florões e
estilos de encadernações alusivos ao evento. Encadernações meia cana/canaleta, início do
século, muito resistente e lombo quadrado para folhas soltas, final do século, resistência e
abertura deixando a desejar.
Pinheiro (2001, p. 30) define outros aspectos que equivalem ao valor cultural das
obras raras:

3169

�• Edições clandestinas
As obras são consideradas Clandestinas por motivos morais, religiosos, políticos ou
por pirataria editorial. No Brasil até 1808 todo livro publicado seria considerado clandestino,
pois até essa data obras compostas no Brasil deveriam ser publicadas na Europa ou manteremse na forma manuscrita.
• Edições de tiragens reduzidas
São edições em papel especial, numerados e geralmente assinadas. Podem incluir a
indicação do proprietário para o exemplar numerado. Pode ocorrer a utilização de tipos
diferentes de papel numa mesma edição e para cada tipo é dada uma nova numeração. São,
enfim, edições limitadas com um número específico de exemplares, geralmente reduzidos.
• Exemplares com anotações manuscritas de importância, incluindo dedicatórias;
Obras que tragam dedicatórias dos autores das obras, de reis, de governantes ou
autógrafos de celebridades, bem como comentários sobre o conteúdo da obra.
• Obras esgotadas.
Edições consagradas esgotadas e não reeditadas.

Pinheiro (2001, p. 31) ainda aponta outras características de valor cultural:
Assuntos tratados à luz da época em que foram pensados e escritos;
Obras científicas que datam do período inicial de ascensão daquela ciência;
Histórias de descobrimentos e de colonização;
Teses; obras impressas em circunstâncias pouco convenientes a esta arte, tais
como guerra, seca, fome ...
Memórias históricas de família nobres e usos e costumes;
Edições censuradas, interditadas e expurgadas;
Obras “desaprecidas”, face às contingências do tempo e da sorte;
Edições contrafeitas358 e emissões;
Edições príncipes, primitivas e originais;
Edições populares, especialmente romances e folhetos literários, panfletos,
papéis impressos, folhas volantes;
Edições de artífices renomados e/ou considerados na história das artes que
representam tais como tipógrafos, impressores, editores, desenhistas,
pintores, gravadores;
Edições de clássicos, assim considerados nas histórias das literaturas
específicas.

Como visto anteriormente, Pinheiro (2001, p. 31) ainda aponta dois aspectos a serem
observados no estudo de raridades - a pesquisa bibliográfica e as características do exemplar.
Para o primeiro, a autora destaca que é preciso pesquisar nas fontes de informação
bibliográficas, buscando as seguintes características na obra:
358 O mesmo que divergentes, mas com a nítida intenção de assemelhá-las.

3170

�a) unicidade e rareza, sob o ponto de vista de bibliógrafos, bibliófilos e
especialistas no assunto da obra;
b) preciosidade e celebridade, referindo-se àquelas obras mais procuradas
por bibliófilos - por quaisquer razões - e/ou mais estudadas por eruditos;
c) curiosidade - referindo-se àquelas obras em que o assunto foi tratado de
maneira “sui generis” ou de apresentação tipográfica incomum;
d) nas fontes de informação comerciais, que vão avaliar, em espécie, cada
unidade bibliográfica - o preço passa a ser indicador de “raridade”.

No que se refere a características do exemplar Pinheiro (2001, p. 32), lista os aspectos
que se referem a elementos acrescentados a unidade bibliográfica em período posterior a sua
publicação, como:
Marcas de propriedade: ex-libris359, super-libris360, assinaturas indicado que
aquele exemplar pertenceu a um conjunto bibliográfico de personalidade
famoso e/ou importante, marcas de fogo;
Marcas de artífices/comerciantes renomados e/ou considerados no mercado
livresco, tais como encadernadores, restauradores, livreiros, etc;
Dedicatórias de/a personalidades famosas e/ou importantes.

Pinheiro (2001, p.32-33) ao apontar uma metodologia para determinação de critérios
de raridade afirma que não quis determinar princípios irremovíveis e que partiu da premissa
de que não existe uma realidade objetiva e que suposições devem adequar-se ao contexto, ao
momento crítico e a uma situação particular.
A Biblioteca Nacional, por sua vez coloca que outros critérios, adequados aos
interesses específicos de bibliotecas e/ou colecionadores, podem e devem ser acrescidos,
contudo, enfatiza que a classificação de qualquer obra dentro destes padrões, exige um apoio
bibliográfico.
Assim, tendo como base os argumentos de Pinheiro e da Biblioteca Nacional, a
Biblioteca Central “Zila Mamede” optou por estabelecer alguns critérios que chamou de
“Critérios Institucionais” que, doravante descrevemos.

3.1 Critérios Institucionais
Em conformidade com Hallewell (1985, p.121) o Rio Grande do Norte, recebeu o seu
primeiro prelo, da Província do Recife no ano de 1932, continuando as publicações oficiais
sendo impressas em Olinda/PE até o ano de 1878. Assim, amparado nas pesquisas de
Hallewel (1985), ficou definido que as obras impressas no Rio Grande do Norte até início do

359ex libris - marcas de propriedades que identificam uma personalidade ou coleção documentando e
comprovando sua origem
360 Super-libres - marca de propriedade de um livro gravada na encadernação da obra.

3171

�século XX, ano de 1901 serão tratadas e acondicionadas como raridade. Marca-se assim,
como raro os primeiros 23 anos de publicação impressa no Rio Grande do Norte.
As Publicações da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como os relatórios
de gestão, as publicações da Editora e outros;
Port-fólios com lâminas soltas - pois essas possuem valor estimável no mercado
livreiro, uma vez que despertam interesse não só em colecionadores, mas também em
decoradores de ambientes. Estar em obras raras implica, portanto garantir a segurança desse
acervo;
Miniaturas - por serem em geral manufaturas;
Folhetos e panfletos por serem representativos de época e cultura, como por exemplo,
a Literatura de Cordel e panfletos de movimentos literários e políticos.
Proposto os critérios para nortear à avaliação e a seleção de obras do acervo da
Biblioteca Central “Zila Mamede” em suas coleções circulante, desbaste e de referência, o
passo seguinte, foi pensar os procedimentos para tratamento dessas obras visando o seu
adequado acondicionamento, bem como sua conservação, preservação e principalmente a sua
disseminação.

4 CONSTRUINDO UM MANUAL DE PROCEDIMENTOS
Cientes do valor cultural das obras sob a sua guarda, foram adotados alguns
procedimentos técnicos e específicos, voltados prioritariamente à conservação e preservação
das obras: tombamento e identificação da coleção, tratamento técnico, crescimento da
coleção, tratamento para conservação, restauração e preservação, bem ainda o atendimento ao
usuário.

Tombamento e identificação das obras raras
O tombamento das obras é feito através do Sistema Integrado de Patrimônio,
Administração e Contratos (SIPAC), o qual gera um termo de responsabilidade constando os
números de patrimônio para cada bem, especificação do documento, forma de aquisição,
fornecedor, preço e respectivas quantidades.
Na identificação das obras são realizados os procedimentos de preenchimento das
informações extraídas do Termo de Responsabilidade com utilização de grafite. (Em se
tratando de obra rara ou preciosa não deverá ser usado carimbo, nem tão pouco tinta para a
escrita das informações). Concluídas essas atividades, as obras são encaminhadas à
Coordenadoria de Processos Técnicos para fins de execução do tratamento técnico dos bens.

3172

�Tratamento técnico: análise descritiva e temática
As atividades de catalogação e classificação são realizadas por meio do Sistema
Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas, possibilitando aos usuários a busca e
recuperação de informações sobre o acervo de obras raras seja por autor, título ou assunto,
através do catálogo on-line disponível no site da biblioteca: www.bczm.ufrn.br.
As obras raras ou preciosas seguem os padrões de catalogação adotados pela
Biblioteca Central “Zila Mamede”, sendo todo o tratamento técnico das mesmas executados
pela Coordenadoria de Processos Técnicos, cabendo ao bibliotecário responsável pela coleção
preencher o campo 590 (notas locais), quando necessário.
Na avaliação das obras são identificadas as características de raridade ou preciosidade
das obras que justifiquem a sua armazenagem na sala de obras raras. Para tanto, são usados os
critérios de raridade proposto, bem ainda o glossário elaborado pela equipe de obras raras, o
manual do encadernador do Instituto do Emprego e Formação Profissional de Coimbra, entre
outras fontes consideradas pertinentes.
Faz-se necessário, também, uma pesquisa nos acervos raros de outras instituições:
Fundação Biblioteca Nacional (Rio de Janeiro), Real Biblioteca Espanhola, Biblioteca
Nacional da França, Biblioteca Nacional de Portugal, Biblioteca Nacional de Londres,
Biblioteca do Congresso Norte-Americano, universidades brasileiras para citar algumas.
Entretanto, a preparação final é executada na Sala de Obras Raras. Esse procedimento
envolve inicialmente à limpeza folha a folha da obra, na fixação na fita de papel Ph neutro das
etiquetas de identificação e de código de barras, na conferência das anotações técnicas no
verso da folha de rosto e, em seguida, no encaminhamento da obra para armazenagem no
acervo.

Arranjo e organização das estantes
A organização do acervo de obras raras é realizada por assunto, de acordo com a
Classificação Decimal Universal (CDU), estruturada em tabelas principais e auxiliares,
possibilitando o agrupamento das obras por área de conhecimento. As obras estão separadas
por tipo de material - Obras de Referência, Livros, Periódicos, Folhetos de Cordel.
Para o arranjo das estantes é seguida a ordem de arquivamento vertical dos símbolos
da CDU, a qual se baseia na progressão do geral para o particular.

3173

�Tratamento para conservação, preservação e restauração
Os cuidados com a coleção visam a sua conservação e preservação, haja vista entender
que a capacidade de resistir à ação mecânica sobre livros e documentos, esta diretamente
relacionada com as condições ambientais em que esses materiais são manuseados e
acondicionados.
Dentre os agentes de degradação de acervos documentais, os agentes biológicos,
notadamente insetos (tisanuros representado pela família das traças (peixe de prata);
ortópteros - representados pela família dos besouros - e isópteros representado pela família
dos cupins), fungos e roedores, constituem certamente ameaças sérias devido aos danos que
podem gerar, por vezes irreparáveis. Em razão disso, vigilância e controle de proliferação
devem constituir um cuidado permanente dentro da política de preservação do acervo.
Com vistas à garantia da conservação, preservação e restauração das obras que
constituem o acervo de obras raras e preciosas da Biblioteca Central “Zila Mamede”, foi
definida uma rotina que se inicia com a higienização folha a folha das obras, usando, sempre,
equipamento de proteção individual (luvas, máscara e óculos).
Esse procedimento consiste em limpar com pincel adequado, toda a obra (capas,
lombos, cortes e folhas) sempre no sentido da margem inferior para a superior. Ressalta-se a
necessidade de extremo cuidado na execução desse procedimento, pois o emprego de força
excessiva poderá danificar as obras, visto que, em geral chegam a sala de obras raras já
fragilizadas pelo desgaste natural do tempo, do modo inapropriado de guarda ou pelo mal uso.
Durante a limpeza, observar a existência ou não de vestígios de broca - furos, rasgos
nas páginas, cadernos ou folhas soltas, e registrar no formulário Ficha de Avaliação das Obras
Raras e Preciosas.
Ainda com o intento de conservação e preservação das obras, orienta-se que as
mesmas sejam, a cada três meses, movimentadas, afastadas umas das outras, para que assim
circule o ar e se evite a proliferação de insetos.

3174

�DICAS PARA LIMPEZA EM BIBLIOTECAS______________________________
•
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Retire os livros, uma prateleira por vez, em pilhas de 30 a 40 cm e coloque sobre uma
mesa longe da estante[...]
Coloque as pilhas com a lombada do livro voltada para a esquerda, e conforme vai
limpando cada pilha coloque-os com a lombada voltada para a direita, o que permite
não modificar a ordem em que estavam.
Comece sempre pela prateleira superior da estante e vá descendo.
Com uma trincha (pincel largo e chato) macia, retire a poeira dos cortes (3 lados do
livro). Sempre que usar o pincel ou a trincha faça-o em direção contrária à pessoa.
Abra o livro e passe a trincha junto ao lombo, no interior das capas.
Com um pano seco, limpe o lado externo das capas e da lombada.
Oxigene o livro, folheando-o por inteiro e depois dê uma batida leve sobre a mesa para
retirar o pó que tenha ficado e também para verificar se há pó produzido por broca ou
cupim.
Durante todo o processo observe bem se o livro não tem brocas, nem outros insetos.
Tire o pó das estantes e se forem de madeira jamais use lustra móveis, nem outros
produtos, cuja química danifica o papel.
Reponha os livros nas estantes sem apertá-los e nunca os encoste ao fundo das estantes.
Se o ambiente é úmido, coloque atrás tampinhas ou pires com sílica gel e/ou use um
desumificador de ar.
O ideal é repetir todo este processo a cada 6 meses ou fazê-lo em rodízio._____________

Fonte: Araújo (2010, p. 7).

Ao término da limpeza, se forem observados danos às obras, essas deverão ser
encaminhadas à Coordenadoria de Processos Técnicos para providências junto ao Setor de
Restauração.
Para a manutenção de um ambiente adequado a conservação do acervo, faz-se
necessária também à higienização da área física conforme procedimentos descritos a seguir:
Limpeza das estantes: trimestralmente, nos meses de janeiro, abril, julho e outubro. Esta
deverá ser executada pela equipe de apoio sob o acompanhamento e orientação do
responsável pela sala de obras raras. A limpeza deverá ser feita com a utilização de pano
úmido, em mistura de água e álcool. Para tanto, os livros deverão ser cuidadosamente
retirados das prateleiras e colocados em carrinhos. Em seguida, mediante a certeza de que as
prateleiras estejam completamente limpas e secas os livros deverão ser inseridos nas estantes,
após também passarem por uma limpeza individual, externa.
Limpeza dos livros: trimestralmente, concomitante a limpeza das estantes, utilizando
espanador ou pano seco nas áreas externas dos documentos.
Limpeza do piso: diária, com utilização de mope de algodão ou aspirador. Jamais limpar as
áreas de acervo com utilização de vassouras.
Limpeza das janelas e portas: semanal, com utilização de flanela e álcool ou outro produto
apropriado para esse fim.

3175

�Limpeza do ar condicionado: quinzenalmente, mediante limpeza dos filtros com água
corrente. A revisão geral do equipamento deverá seguir as cláusulas do contrato de
manutenção vigente na Universidade.
Ainda visando à conservação e preservação das obras faz-se necessário o controle da
iluminação, tanto natural, quanto artificial, e também, a umidade relativa do ar que deverá ser
mantida em 45%, conforme recomendação da Biblioteca Mário de Andrade. Ademais, torna­
se imprescindível um bom acondicionamento das obras em suportes apropriados conforme
orientações dos modelos apresentados por Araújo (2010).
Restauração
Em vistoria periódica, ou durante a higienização das obras, seja no recebimento das
mesmas ou durante as rotinas de trabalho, ao ser identificada obras com necessidade de
restauro, essas deverão ser encaminhadas a Coordenadoria de Processos Técnicos, Setor de
Restauração, acompanhado de relatório em que conste: número de sistema, número de
registro, referência, descrição do dano, bem como a orientação a Coordenadoria de Processos
Técnicos. Imprescindível, também, informar no Sistema Integrado de Gestão de Atividades
Acadêmicas a transferência de setores da obra.
Atendimento ao Usuário
As obras que constituem o acervo de obras raras e preciosas da Biblioteca Central
“Zila Mamede”, não são de livre acesso, mas estão disponíveis para a consulta local, não
sendo permitido o empréstimo (domiciliar, especial ou para fotocópia). A consulta as obras
somente é feita dentro do espaço “sala de obras raras”, obedecendo o horário de
funcionamento da biblioteca e com a presença de um servidor.
Aos usuários é fornecido o documento solicitado, bem como luvas e máscaras, e ainda,
as instruções quanto ao manuseio adequado das obras: não marcar às páginas; não rabiscar;
não se apoiar sobre o documento; não forçar a encadernação; não recolocar o material na
estante.
É facultado ao usuário a possibilidade de fazer fotografia das obras, desde que não use
o dispositivo Flash. Entretanto, não é permitida a fotocópia das obras.
O atendimento a visita programada deverá ser realizada com agendamento prévio
junto ao Setor de Informação e Referência. Os visitantes serão encaminhados até a sala de
Obras Raras onde receberão informações quanto às especificidades da coleção bem como os
critérios para o acesso e uso das obras.

3176

�Exposição de obras raras
As obras da coleção de raridades e/ou preciosidades poderão ser utilizadas nas
exposições internas da Biblioteca Central “Zila Mamede”, desde que em mobiliário adequado
e levando-se em consideração os critérios de segurança, conservação e preservação,
estabelecidos por um comitê da National Information Standards Organization (NISO).
O uso das obras da coleção em exposições externas somente serão liberadas mediante
documento de autorização da direção da Biblioteca Central “Zila Mamede” e em consonância
com os trâmites legais vigentes na instituição.
Inventário da coleção
O inventário da coleção deverá ser realizado anualmente, de preferência no mês de
dezembro. A metodologia adotada será executada mediante o levantamento da coleção a partir
da impressão da “listagem geral do acervo” gerado pelo Sistema Integrado de Gestão de
Atividades Acadêmicas, na aba Relatórios, para posterior conferência nas estantes.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As inquietações apresentadas no início desse trabalho como visto, foram em parte
sanadas: a Biblioteca Central “Zila Mamede” possui uma proposta de critérios de raridade,
que embora ainda não tenha sido aprovada, tem norteado o trabalho de avaliação das obras
que constituem sua coleção de obras raras. Ao mesmo tempo, um manual das rotinas a serem
desenvolvidas na sala de obras raras, com vistas, principalmente, a conservação e preservação
das obras sob a sua guarda foi escrito e aprovado. Contudo, falta ainda, em parceria com a
equipe de bibliotecários estabelecer uma rotina de avaliação das coleções circulante e de
desbaste, principalmente, para fins de identificação de obras raras ou preciosas para a guarda
apropriada.
Trabalhar com obras raras, portanto, exige conhecimento da história do livro, mas
também experiência com a atividade, pois como nos aponta Pinheiro (2005 apud
RODRIGUES; CALHEIROS; COSTA, [200-?]) não basta o conhecimento dessa História,
pois, tão importante quanto, é a convivência diária com livros raros, uma vez que o “ver” e o
“tocar” o livro raro, rotineiramente, irá favorecer a revelação contínua de aspectos
bibliológicos, muitas vezes, não indicados na literatura.
Portanto, é importante capacitar toda a equipe de bibliotecários para que estejam aptos
a identificar no acervo, obras com características de raridade, esquecendo a premissa “velho,
antigo, portanto raro”. Sugerimos então, como fundamental, a constituição de uma equipe de

3177

�obras raras, para que essa mantenha o contato diário e rotineiro de avaliação o que, por
conseguinte proporcionará o olhar bibliológico apurado necessário para a atividade.

6 REFERÊNCIAS
ARAÚJO, Diná Marques Pereira. Introdução às técnicas de acondicionamento e
higienização de livros raros e especiais: atividades da Oficina de Conservação da Divisão de
Coleções Especiais. Belo Horizonte: Biblioteca Universitária, Sistema de Bibliotecas/UFMG,
Divisão de Coleções Especiais, 2010.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENCADERNAÇÃO E RESTAURO. Breve histórico da
encadernação: principais características das encadernações ao longo dos séculos. Disponível
em: &lt;www.aber.org.br.&gt;. Acesso em: 15 de maio de 2014.
BIBLIOTECA NACIONAL (Brasil). Divisão de Obras Raras. Planor. Critérios de raridade
[e] Catálogo Coletivo do Patrimônio Bibliográfico Nacional - CPBN: séculos XV e XVI.
Rio de Janeiro: FBN, [2000]. 1 CD-ROM : il. son., color. Sistema requerido: Windows 95.
Compact Disc. Sonopress: 17595/00.
CAMBI, Franco. História da pedagogia. Tradução de Àlvaro Lorencine. São Paulo: UNESP,
1999.
GONÇALVES, Edmar Mores. Estudo das estruturas das encadernações de livros do
século XIX na coleção Rui Barbosa: uma contribuição para a conservação-restauração de
livros raros no Brasil. Belo Horizonte, 2008. 100 f. Dissertação (Mestrado em Belas Artes) Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2008.
HALLEWELL, Laurece. O livro no Brasil (sua história). Tradução de Maria da Penha
Villalobos e Lólio Lourenço de Oliveira. São Paulo: EDUSP, 1985.
INSTITUTO DO EMPREGO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL. Manual de encadernação.
Coimbra: CEARTE, 2007. Disponível em: &lt;http://opac.iefp.pt&gt;. Acesso em: 6 nov. 2012.
JESUS, Raphael de. Castrioto lusitano. Lisboa: Antônio Craesbeeck de Mello, 1679.
MATOS, Ricardo Pinto de (Coord). Manual bibliographico portuguez de livros raros,
clássicos e curiosos. Porto: Portuense, 1878.
OGDEN, Sherelyn (Ed.). Meio ambiente. Tradução Elizabeth Larkin Nascimento, Francisco
de Castro Azevedo. 2. ed. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2001.
PINHEIRO, Ana Virgínia Teixeira da Paz Pinheiro. Que é livro raro? uma metodologia para
o estabelecimento de critérios de raridade bibliográfica. Rio de Janeiro: Presença, 1989.
RODRIGUES, Alessandra Hermógenes; CALHEIROS, Maria Fernandes; COSTA, Patrícia
da Silva. Análise bibliológica de livros raros: a preservação ao “pé da letra”, [200-?].

3178

�Disponível em: &lt;http://www.bn.br/planor/documentos/ARTIGOS/AnaliseBibliologica.pdf&gt;.
Acesso em: 11 de nov. 2011.
SOUZA, Itamar de. Universidade para que? Para quem? Natal: Clima, 1984.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE. Relatório: Administração
Domingos Gomes de Lima 1975/1979. Natal: Editora Universitária, 1979.
______. Regulamento do Sistema de Bibliotecas da UFRN. Natal: UFRN, 2013.

3179

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Apresenta a coleção de obras raras da Biblioteca Central ―Zila Mamede‖ - BCZM, unidade suplementar da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Constitui-se em um relato de experiência que objetiva por um lado, apresentar os critérios de raridade adotados pela Instituição para classificação de raridade e/ou preciosidade, por outro apresentar uma metodologia para execução do tratamento da coleção no que concerne a sua conservação e preservação, visto que o livro raro, entendido como objeto cultural de disseminação do conhecimento é, também, valorizado como objeto de memória, através do qual é possível recuperar os conhecimentos desenvolvidos ao longo da história da humanidade. Assim, a investigação é conduzida gradativamente, revelando questionamentos a respeito do tratamento apropriado que deve ser aplicado e quais argumentos legitimam uma obra como rara, única ou preciosa. Sugere que é fundamental atentar para as atividades realizadas com uma equipe adequada, com uma interpretação bibliológicamente encorpada e sensível, em que não se predomine a premissa de ―velho, antigo, portanto raro‖.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O INCENTIVO À LEITURA DE TIRINHAS NAS “REFEIÇÕES COM MAFALDA”

Paulo Vítor Oliveira
Márcia Maria Palhares

RESUMO
Introdução: apresenta um projeto de incentivo à leitura realizado numa biblioteca escolar
utilizando, como material principal, as tirinhas da MAFALDA durante o período das refeições
do Colégio São Francisco Xavier em Ipatinga-MG. Objetivo: influenciar a prática da
leitura, a decodificação de textos e interpretação de imagens, auxiliando nos estudos e na
formação dos alunos. Método: distribuir tirinhas da MAFALDA na cantina e refeitório da
instituição, juntamente com o folder explicativo do projeto. Resultados parciais: durante o
período de sua realização, os resultados foram alcançados. Eles serão mensurados depois de
um ano de realização do projeto. Conclusão: esse tipo de prática de incentivo à leitura pode
ser aplicado não somente no espaço físico da biblioteca ou sala de aula, mas em todo âmbito
escolar, possibilitando a prática e o gosto pela leitura nos momentos das refeições.
Palavras-Chave: Leitura. Educação. Biblioteca Escolar. Práticas educativas.

ABSTRACT
Introduction: introduces a project undertaken to promote reading in a school library using, as
main material the strips of MAFALDA during meals of São Francisco Xavier School in
Ipatinga-MG. Objective: to influence the practice of reading, decoding texts and
interpretation of images, assisting in studies and in the training of students. Method:
distribute of MAFALDA strips in the canteen and cafeteria of the institution, along with the
explanatory brochure of the project. Partial results: during the period of its implementation
the results were achieved. They will be measured after a year of realization of the project.
Conclusion: this kind of practice to promote reading can be applied not only in the physical
space of the library or classroom, but throughout the school environment, enabling the
practice and love of reading at meal times.

1 INTRODUÇÃO
As tirinhas surgiram da ideia de fazer histórias curtas, de forma que a leitura do
texto seja rápida, bem-humorada e de fácil compreensão, afinal no dia a dia todo gênero
textual tem sua funcionalidade.

3158

�As tirinhas são recursos eficazes pelas suas características humorísticas, por
procurar ter um roteiro curioso, por seus personagens cativantes, além de serem
construídas por diálogos que lembram o dia a dia.
O projeto “Refeições com MAFALDA” que está sendo realizado no Colégio São
Francisco Xavier em Ipatinga-MG, visa incentivar a leitura e impulsionar o imaginário dos
leitores.
Tal proposta representa contribuir para ampliar o diálogo e a interpretação das
tirinhas, bem como a troca de experiências entre os alunos, professores e todos os que
participam do projeto.

2 REVISÃO DE LITERATURA
MAFALDA é uma personagem de histórias em quadrinhos escrita e traduzida
em imagens pelo cartunista argentino Joaquín Salvador Lavado, mais conhecido como
Quino. Ela animou as tiras cultuadas por fãs em todo o planeta de 1964 a 1973.
MAFALDA era uma menina inconformada com o contexto mundial e se popularizou por
toda a Europa e América Latina. A personagem nasceu em 1962 pronta para
protagonizar um cartoon publicitário publicado no jornal argentino Clarín. A tira de
MAFALDA foi lançada no exemplar de 29 de setembro de 1964, mas somente
MAFALDA e seus progenitores foram apresentados nesta edição; o personagem Filipe é
acrescentado em janeiro de 1965. Uma semana depois, MAFALDA ressurgiu em versão
diária no El Mundo de Buenos Aires. Em 2 de junho de 1968, a história em quadrinhos
renasceu no jornal Siete Días Illustrados. No dia 25 de junho de 1973 Quino encerrou a
publicação das tiras de MAFALDA. Depois disso ele, raras vezes a ressuscitou, apenas em
momentos muito vinculados à imagem da personagem, como as lutas pelos Direitos
Humanos (SANTANA, [2014]).
A leitura ajuda a desenvolver a reflexão e o espírito crítico, e é a melhor forma de
compreender a si e ao mundo. É também o ato de decifrar ou interpretar bem o sentido das
coisas por meio de textos e imagens. A biblioteca é um espaço privilegiado de interação,
expressão e reflexão acerca das práticas de leitura. É um lugar de formação de leitores e
práticas vivenciadas de leitura prazerosa. Esse projeto propicia o acesso à leitura por meio da
interpretação de imagens das tirinhas da MAFALDA e suscita o interesse pela leitura
provocando o imaginário interpretativo dos leitores. A construção de ambientes favoráveis à
“prática da leitura das tirinhas da MAFALDA”, visa: possibilitar a leitura crítica da mídia,

3159

�dessacralizar o texto impresso; trabalhar com diferentes gêneros de texto (ALFASOL,
[2014]).
De acordo como Brasil (1997) o melhor domínio da língua e seus códigos se
alcançam quando se entende como ela é utilizada no contexto da produção do conhecimento
científico, da convivência, do trabalho ou das práticas sociais.
De acordo com Vasconcelos (2001) a leitura desse tipo de texto desenvolve a
percepção visual do leitor e estimula a sua imaginação, consequentemente contribuindo para
o desenvolvimento intelectual.
As ilustrações são simples, sem detalhes em excesso e, ao mesmo tempo, ricas em
significados. Sua relevância, então, decorre também do fato de criar a atmosfera do texto,
desse modo incentivando o potencial imaginário de quem lê (WERNECK, 1998).
Nesse sentido, o ato de ler é compreendido como um processo discursivo no qual se
inserem os sujeitos produtores, autor-leitor, ambos historicamente determinados e
ideologicamente constituídos (CORACINI, 1995). Alia-se também o próprio conceito de
letramento que corresponde ao uso da leitura e da escrita em práticas sociais, como meio de
interagir com o mundo a sua volta, repensando sua própria condição (SILVA, 2010).
As tirinhas da MAFALDA podem ser percebidas como um produto artístico
possível, tanto para promover comunicação em um nível estético, quanto para sugerir
questionamentos de uma realidade social.
Diante disso, Koch e Elias (2006) também enfatizaram que a leitura tem um
propósito regulador de interação entre conteúdo do texto e leitor. Portanto a leitura é, pois,
uma atividade interativa altamente complexa de produção de sentidos, que se realiza não
somente na superfície textual, é uma atividade na qual se levam em conta, as experiências e
os conhecimentos do leitor.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A execução do projeto foi desenvolvida pelo biblioteconomista com participação da
estagiária de comunicação do Colégio São Francisco Xavier em Ipatinga-MG, em atividades
como criação de imagem do projeto, seleção de tirinhas, confecção de marca página e folder
explicativo.
O projeto foi realizado no refeitório do Colégio São Francisco Xavier, para os
colaboradores e na cantina para os alunos em conformidade com o título do projeto

3160

�“Refeições com a MAFALDA”. Porém, o projeto se expadiu aos demais setores: direção,
coordenação e equipe administrativa.
As mesas do refeitório/cantina, foram cobertas de tirinhas da MAFALDA, foi
entregue a todos os colaboradores e alunos um folder explicativo sobre a MAFALDA e
um marcador de página. Este projeto envolveu a observação em um ambiente natural
para alunos e colaboradores, acarretando assim a interpretação e análise de dados
utilizando descrições e narrativas.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Dentro do tempo de aplicação do projeto “Refeições com MAFALDA” já é possível
colher alguns resultados, pois os leitores das tirinhas da MAFALDA já começam a conhecer
os diversos gêneros da linguagem de quadrinhos, principalmente nas tirinhas. Descobrem a
importância da leitura e entendimento do humor das tiras, sobretudo, a partir das tirinhas da
MAFALDA que visam subsidiar um tipo diferente de leitura.
De acordo com Brasil (1997) que trazem como um dos objetivos da educação utilizar
diversas linguagens como meio para produzir, expressar, comunicar, interpretar e usufruir das
várias produções culturais.
O que se espera ao final desse projeto é que a leitura das tirinhas da MAFALDA
proporcione a percepção do humor, da crítica social, da ambiguidade, sempre presente nesse
gênero, o que exigem várias habilidades de leitura e interpretações.
O projeto “Refeições com MAFALDA” tem como objetivo despertar o gosto, o
interesse do aluno pelo universo das tiras, especificamente as da MAFALDA. Com esse
método de leitura, espera-se que, após a leitura de várias tiras, os alunos já estejam
familiarizados com o tema abordado, bem como com as reações das personagens e com o tipo
de crítica que essa tira faz.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
A Biblioteca José Amilar da Silveira do Colégio São Francisco Xavier incentiva a
leitura não só no seu espaço físico, mas em todo âmbito escolar. Conciliar a prática de
leitura nos momentos das refeições é um hábito que almejamos tonar-se rotina no colégio,
gerando conhecimento, disseminação da informação e momentos de prazer aos nossos
alunos e colaboradores.
Como é uma experiência que está em andamento, é de suma importância observar se
os alunos estão participando e se os objetivos estão atingidos. A avaliação é feita em

3161

�diferentes momentos e visa verificar se os alunos conseguiram: desenvolver habilidades de
ler e interpretar tirinhas; identificar os personagens nas tirinhas e conhece-los; perceber e
comparar a finalidade de um texto da tirinha; desenvolver atitudes de interação e de troca de
experiências em grupos.
Por se tratar em um projeto em andamento seus resultados finais serão avaliados ao
final de um ano de aplicação. Ao se ter conhecimento do andamento do projeto é possível
perceber que é promissor e desperta o gosto pela leitura de uma forma involuntária.

6 REFERÊNCIAS
ALFASOL.

Incentivo

à

leitura.

[2014].

Disponível

em:&lt;http://www.alfabetizacao.org.br/site/incentivo_leitura.asp&gt;. Acesso em: 18 abr. 2014.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros
Curriculares Nacionais: Língua Portuguesa. Brasília, 1997.
CORACINI, M. J. R. F. (Org.). O jogo discursivo na aula de leitura: língua materna e
língua estrangeira. Campinas, SP: Pontes, 1995.
KOCH, I. V., ELIAS, V. M. Ler e compreender os sentidos do texto. 2a ed. São Paulo:
Contexto, 2006.
QUINO. 10 anos com Mafalda. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010.
SANTANA, A. L.

InfoEscola: Navegando e Aprendendo. Biografias. Mafalda. [2014].

Disponível em:&lt; http://www.infoescola.com/biografias/mafalda/&gt;. Acesso em: 15 mar. 2014.
SILVA, A. G. A leitura de charges e “tirinhas” como recurso pedagógico na educação de
jovens e adultos surdos”. In: Seminário Nacional “O Professor e a Leitura do Jornal”, 5.,
2010., Campinas. Resumos... Campinas, SP: UNICAMP/FE ; ALB, 2010. Disponível em:&lt;
http://alb.com.br/arquivo-morto/portal/5seminario/CADERNO.pdf&gt;. Acesso em: 19 mar.
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VASCONCELOS, F. C. O aprendizado da leitura de imagens no livro de literatura infantil:
reflexões com base na obra noite de cão. In: ENCONTRO NACIONAL DE LITERATURA
INFANTO-JUVENIL E ENSINO, 4., 2012., Campina Grande. Anais... Campina Grande:
UFCG,

2012.

Disponível

em:&lt;

http://editorarealize.com.br/revistas/enlije/trabalhos/3fd1d287157b1b842a14439d29ea109d
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WERNECK, R. Y. M. Leitura de imagens. Belo Horizonte. Presença Pedagógica, Belo
Horizonte, v. 4, n. 19, . p. 102-106, jan./fev. 1998.

3162

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                <text>O incentivo à leitura de tirinhas nas "Refeições com Mafalda"</text>
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                <text>Introdução: apresenta um projeto de incentivo à leitura realizado numa biblioteca escolar utilizando, como material principal, as tirinhas da MAFALDA durante o período das refeições do Colégio São Francisco Xavier em Ipatinga-MG. Objetivo: influenciar a prática da leitura, a decodificação de textos e interpretação de imagens, auxiliando nos estudos e na formação dos alunos. Método: distribuir tirinhas da MAFALDA na cantina e refeitório da instituição, juntamente com o folder explicativo do projeto. Resultados parciais: durante o período de sua realização, os resultados foram alcançados. Eles serão mensurados depois de um ano de realização do projeto. Conclusão: esse tipo de prática de incentivo à leitura pode ser aplicado não somente no espaço físico da biblioteca ou sala de aula, mas em todo âmbito escolar, possibilitando a prática e o gosto pela leitura nos momentos das refeições.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O FACEBOOK COMO CANAL DE COMUNICAÇÃO E INTERAÇÃO NAS
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: O CASO DA UFRGS
Adaiane Oliveira da Silva
Helen Beatriz Frota Rozados
Geraldo Ribas Machado
RESUMO
Tem como objetivo estudar a comunicação das bibliotecas universitárias da UFRGS com suas
comunidades usuárias por intermédio do Facebook, assim como as interações ocorridas nesta
rede social virtual, a partir dos conteúdos publicados por estas unidades de informação.
Apresenta uma pesquisa descritiva e exploratória, com um universo de oito bibliotecas que
aderiram ao uso do Facebook. Com relação ao procedimento técnico utilizado, emprega a
pesquisa de campo, com abordagem quanti-qualitativa. Os dados quantitativos são levantados
por meio de formulário, através de observações sistemáticas; os qualitativos por meio de
entrevistas estruturadas, aplicadas junto aos responsáveis pela manutenção do Facebook. Para
a análise dos dados quantitativos, utiliza a estatística; para os qualitativos, o método análise de
conteúdo. Quanto aos resultados, mostra que menos da metade das bibliotecas universitárias
da UFRGS possui Facebook, sendo que o perfil é a forma de presença mais incidente. Exibe
os tipos de informações divulgados pelas bibliotecas e as interações ocorridas nestes (curtir,
comentar e compartilhar), de modo que as informações não relacionadas à biblioteca, mas
suscetíveis a interessar os usuários são o tipo mais frequente. Averigua como foram criadas as
contas do Facebook pelas bibliotecas, assim como a forma que estas as mantêm. Conclui que
a maioria das bibliotecas da UFRGS que possui Facebook, apesar de não ter realizado um
planejamento para a implantação da conta, comunica informações que possam ser
interessantes e úteis à sua comunidade usuária e recebe um retorno por meio das interações,
embora, às vezes, pequeno.
Palavras-Chave: Biblioteca universitária. Rede social virtual. Facebook. Comunicação
virtual.
ABSTRACT
It has as purpose to study the communication of university libraries from UFRGS along with
their user communities through the Facebook, as well as the occurring interactions in this
virtual social network from the published contents by these information unities. It presents a
descriptive and exploratory research in amount of eight libraries that adhered the Facebook
using. Related to the utilized technical procedure, it uses the field survey with quantitative and
qualitative approach. The qualitative datas are collected through a form by systematic
observations. The quantitative ones are collected through structured interviews, applied
together with those responsible for the Facebook maintenance. It utilizes statistics to analyze
the quantitative data and the content analysis method to the qualitative data. The result shows
that less than half of the university libraries from UFRGS have Facebook, even the profile

3141

�being the most frequent form of presence. It displays the types of information reported by the
libraries and their occurred interactions (To like, to comment and to share), so that the
information not related to the library, susceptible to interest the users though, be the most
frequent type. It ascertains how the Facebook accounts were created by the libraries, as well
as they have been maintained by them. It concludes that the most of UFRGS libraries that has
Facebook, in spite of not doing a planning for the account implantation, communicates
information that can be interesting and useful to its user community and receives feedback
through interaction, though, sometimes, small.
Keywords: University library. Virtual social network. Facebook. Virtual communication.

1 INTRODUÇÃO
O desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação (TICs) tem
transformado as formas de comunicação entre as pessoas. Com relação à internet, a partir da
Web 2.0, surgiram novas maneiras de as pessoas se comunicarem e interagirem, fazendo uso
de recursos específicos. Dentre essas possibilidades, atualmente, os sites de redes sociais vêm
se destacando por sua grande aceitação e uso pelos usuários da Rede.
Devido à popularidade crescente destas ferramentas, as organizações vêm,
sucessivamente, marcando presença nelas, de modo a ter um relacionamento mais efetivo com
seus públicos. Nesse sentido, muitas bibliotecas encontram nos sites de redes sociais uma
nova forma de se aproximar e interagir com suas comunidades usuárias, como profere
Margaix Arnal (2008, p. 591, tradução nossa):
[...] as bibliotecas têm começado a marcar sua presença nestes sites, para
estarem onde os usuários estão, utilizar as mesmas plataformas e canais de
comunicação que eles e seguir sendo relevantes no contexto de sua
experiência do uso da internet.
Sabe-se que as bibliotecas também são importantes canais de comunicação. No
esquema de meio, mensagem e receptor, o uso da internet como meio, a preocupação com a
divulgação de um conteúdo que vá atingir seu público alvo, que é a mensagem, garantirá a
recepção da mesma, sua audiência, incentivando, assim, a interação. Neste sentido considera­
se que uma biblioteca é uma emissora de comunicação. E como emissora de comunicação, o
uso de redes sociais é fundamental.
Dentre os sites de redes sociais mais acessados no mundo, está o Facebook, criado em
2004 pelo estudante universitário Mark Zuckerberg e alguns colegas. Além disto, essa
ferramenta apresenta diversas funcionalidades que permitem comunicação e interação entre
seus usuários, elementos estes relevantes às bibliotecas universitárias. Estes aspectos
justificam a escolha do Facebook entre os sites de redes sociais para constituir o estudo,

3142

�adicionado ao fato de que, atualmente, é nítido seu expressivo número de usuários. Este fato é
comprovado pelo comScore (2013) ao afirmar que: “O Facebook ascendeu como um forte
líder da categoria, com quase 44 milhões de visitantes únicos em dezembro de 2012, 22% a
mais que no ano anterior.”.
Quanto à escolha pelas bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
(UFRGS), os autores já tinham vínculo com algumas contas do Facebook destas unidades de
informação, o que os levaram a querer estudá-las. Logo, o objetivo deste trabalho foi estudar a
comunicação das bibliotecas universitárias da UFRGS com suas comunidades usuárias por
intermédio do Facebook, assim como as interações ocorridas nesta rede social virtual, a partir
dos conteúdos publicados por estas unidades de informação.
Acredita-se que o Facebook pode ser uma ferramenta útil às bibliotecas universitárias,
se for empregado de maneira adequada, podendo proporcionar uma maior visibilidade à
biblioteca. Como a literatura sobre o assunto ainda é escassa, principalmente a brasileira, a
pesquisa desenvolvida pode contribuir com a mesma e incentivar outros estudos sobre o tema.

2 BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS NO CONTEXTO DA WEB
Cunha (2010, não paginado) relata que “As bibliotecas universitárias são organizações
complexas, com múltiplas funções e uma série de procedimentos, produtos e serviços que
foram desenvolvidos ao longo de décadas.”. Como as bibliotecas universitárias oferecem
suporte aos processos de ensino, pesquisa e extensão das universidades e faculdades, suas
instituições mantenedoras, elas precisam estar vinculadas à cultura destas, de maneira a
ampará-las em seus processos. Destacando esta relação entre as bibliotecas e as universidades,
Ferreira (1980, p. 7) aponta que
Assim como a universidade deve estar voltada para as necessidades
educacionais, culturais, científicas e tecnológicas do País, as bibliotecas
devem trabalhar visando a esses mesmos objetivos, condicionadas que são às
finalidades fundamentais da universidade. Por isso, as bibliotecas devem
participar ativamente do sistema educacional desenvolvido pela
universidade.
Ainda, é essencial que as bibliotecas universitárias acompanhem as mudanças que vêm
ocorrendo com o avanço das novas tecnologias de informação e comunicação, impulsionadas
pelo uso da internet. Neste sentido, Aguiar (2012, p. 31) expõe que
[...] o advento do computador que, aliado à criação da internet, trouxe
alterações na rotina de trabalho do bibliotecário, no acesso às informações
pelo usuário e no processo de comunicação e interação entre os
bibliotecários e seu público.

3143

�Portanto, a partir da implementação da Web 2.0 nas bibliotecas, os bibliotecários e
suas equipes precisam estar preparados para extrair as vantagens e os benefícios dos recursos
oferecidos por esta fase da web, com o intuito de suprir as necessidades informacionais dos
usuários, oferecendo a estes novas formas de acessar as informações, de se comunicar e de
interagir entre si e com os profissionais da biblioteca.
O’Really (2005) comenta que a Web 2.0 possui um centro gravitacional, e não
fronteiras rígidas, o que a define como
[...] um conjunto de princípios e práticas que interligam um verdadeiro
sistema solar de sites que demonstram alguns ou todos esses princípios e que
estão a distâncias variadas do centro. (O’REALLY, 2005, p. 2).
Silva (2010) complementa que neste ambiente o cenário é de participação, de maneira
que o usuário pode criar e organizar conteúdo, utilizando diversas mídias e interagindo com
outros usuários.
Assim, a Web 2.0 possibilita que as bibliotecas façam uso de suas ferramentas, de
maneira que estas unidades de informação possam interagir com as comunidades usuárias,
criar e compartilhar informações, tornando-as muito mais dinâmicas. Ou seja, as bibliotecas
podem empregar as tecnologias oferecidas por esta plataforma para se comunicarem,
aperfeiçoarem-se, desenvolvendo-se e se aproximando de seus usuários.
Arroyo Vázquez e Merlo Vega (2007) discorrem que a Web 2.0 abre novas
possibilidades de comunicação e de informação nas atividades das bibliotecas e na prestação
de serviços aos usuários. Este envolvimento da biblioteca com o ambiente da Web 2.0 levou,
em 2005, Michael Casey, no blog LibraryCrunch, cunhar o termo biblioteca 2.0, que passou a
ser adotado amplamente pela comunidade bibliotecária, ao se referir ao relacionamento das
atividades desenvolvidas pelas bibliotecas com o uso das ferramentas desta fase de evolução
da Web, bem como os serviços e produtos daí advindos e a possibilidade da aproximação,
interativa, com sua comunidade usuária .
Brito e Silva (2010) ressaltam algumas ferramentas que podem ser aplicadas nestas
unidades de informação: mensagens instantâneas, sites de compartilhamento, blogs,
bookmarking social e redes sociais. Neste último caso, segundo os autores, destacam-se o
Facebook e o MySpace.

3 BIBLIOTECAS NAS REDES SOCIAIS
Entende-se por rede social a interação de um conjunto de pessoas ou organizações
ligadas entre si por objetivos comuns. Recuero (2009, p. 25) define: “Rede social é gente, é

3144

�interação, é troca social. É um grupo de pessoas, compreendido através de uma metáfora de
estrutura, a estrutura de rede.”. Com a Web 2.0, as redes sociais passaram a atuar, também, de
modo

virtual,

através

de

ferramentas

que

permitem

interação,

comunicação

e

compartilhamento de conteúdos, enfim, as características necessárias para a formação de uma
rede social. Dessa forma, os usos destas ferramentas no ambiente virtual levam à
denominação de redes sociais virtuais.
Aguiar (2012) afirma que estas ferramentas são conhecidas, ainda, como sites de redes
sociais, plataforma de redes sociais, softwares sociais, redes sociais na Web, ou Web 2.0 e
redes sociais da internet. Para Boyd e Ellison (2007), sites de redes sociais são serviços
baseados na web que permitem aos usuários: construir um perfil público ou semi-público
dentro de um sistema, interagir com quem eles compartilham uma conexão, além de poderem
visualizar e percorrer sua lista de conexões dentro do sistema.
Como já citado na introdução, dentre os sites de redes sociais o Facebook, atualmente,
é o preferido pelos usuários. Além disso, pesquisas indicam que o público jovem lidera a
audiência da internet, o que se pressupõe ser um forte indicativo de participação nas redes
sociais virtuais. Deste modo, “A audiência da internet no Brasil continua relativamente
jovem, com 18% dos usuários com idades entre 18-24 anos e 30% entre 25-34.”
(COMSCORE, 2013).
O Facebook, portanto, pode ser uma boa ferramenta às bibliotecas universitárias, já
que possui um maior número de acessos e usuários, levando em consideração que a maioria
destes é jovem, o que aumentam as chances de serem universitários.
Margaix Arnal (2008) recomenda a presença do Facebook nas bibliotecas
universitárias, tendo em vista que: possui um considerável número de membros; tem uma
cultura universitária que possibilita a biblioteca encontrar seu espaço mais facilmente; está
mais aberto a novos usuários; dispõe de uma grande quantidade de aplicativos disponíveis; há
muitas possibilidades de desenvolver outros aplicativos que se ajustem às necessidades das
bibliotecas.
Já Aguiar (2012) relata dificuldades e vantagens da biblioteca universitária estar
presente do Facebook. Com relação às dificuldades, destaca: atualização contínua do
conteúdo; gerenciamento do perfil e manifestação do público. Quanto às vantagens, cita:
maior interação entre a biblioteca e seu público; divulgação de produtos e serviços da
biblioteca; chat para atendimento on-line. Ainda para a autora:

3145

�O Facebook podería ser utilizado como um espaço de divulgação e troca de
informações, sugestões, críticas e comentários relacionados a produções
científicas acadêmicas, um canal que possibilitasse não somente a
comunicação entre os usuários e as bibliotecas, mas entre os próprios
usuários (pesquisadores, docentes e discentes). (AGUIAR, 2013, p. 72).
Dessa forma, o Facebook pode ser empregado como um canal de comunicação para
divulgar diversas informações da biblioteca, assim como outras que possam interessar sua
comunidade usuária. Além disso, este site de rede social permite diversas formas de interação,
destacando-se a possibilidade dos usuários poderem interagir com as postagens da biblioteca,
caso lhes sejam conveniente, a partir das opções curtir, comentar e compartilhar.
Percebe-se que essas formas de interação possibilitam à instituição, de uma maneira
ou de outra, saber se suas publicações atraem os usuários e o que os mesmos pensam sobre o
que foi publicado. Além do que, as informações postadas podem ser disseminadas pela
comunidade usuária, dando um maior alcance às mesmas. Assim, por meio dessas interações,
a instituição pode observar o que causa mais impacto em sua comunidade usuária, podendo
selecionar melhor as informações a serem publicadas, de modo a satisfazer seus usuários.
Apesar das evidências apontarem o Facebook como o site de rede social mais
apropriado às bibliotecas universitárias, antes de optar por ele devem-se ter alguns cuidados
para obter sucesso com a escolha.
É importante mencionar que para possuir uma boa comunicação e interação com a
comunidade usuária através de uma rede social virtual, é necessário escolher e manter, de
forma adequada, a que mais se adapta à realidade dos usuários da instituição. Para Margaix
Arnal (2008b, p. 52, tradução nossa): “A presença da biblioteca nos sites de redes sociais tem
que ser planejada e muito cuidada. É difícil conseguir contatos, uma vez que se consiga, tem
que cuidar.”.
Ainda, o autor expõe sobre os serviços 2.0 para as bibliotecas. Como rede social
virtual pertence a essa categoria, pode-se empregar, neste estudo, suas indicações. Segundo o
autor, para implantar esses serviços deve-se ter um porquê, uma justificativa, objetivos claros
e que se enquadre na estratégica de serviços da biblioteca e com suas formas de comunicação.
Farkas

o cn

(2007 apud MARGAIX ARNAL, 2008b) relata que um dos elementos-chave para a

implantação desses serviços com êxito é a cobertura das necessidades da comunidade usuária.

357 FARKAS, Meredith G. Social software in libraries: building collaboration, communication, and community
online. Medford, N.J.: Information Today, 2007. Apud MARGAIX ARNAL, 2008b.

3146

�Neste contexto, Margaix Arnal (2008) profere que é conveniente estabelecer uma
estratégica de seleção do site de rede social mais adequado à biblioteca, sendo que o critério
principal dessa escolha é as preferências dos usuários.
Após a escolha do site de rede social, é imprescindível planejar a maneira como será
feita sua manutenção para que o mesmo seja atrativo aos usuários. Margaix Arnal (2008b)
considera o conteúdo como elemento-chave desta ferramenta. Portanto, é essencial pensar no
conteúdo a ser postado, de forma que este tenha utilidade aos usuários, fazendo com que se
interessarem pelo site de rede social da instituição. Ainda, Yamaschita, Cassares e Valência
(2012) sinalizam que é preciso publicar conteúdo de forma regular, sendo que a periodicidade
deve ser definida pela instituição.
Uma boa escolha e manutenção do site de rede social tende a torná-lo útil às
bibliotecas universitárias, de maneira a facilitar a comunicação e a interação. Para Margaix
Arnal (2008), uma vez que a biblioteca tenha decidido trabalhar com o Facebook, é necessária
a escolha do tipo de presença mais adequada à mesma: página, perfil ou grupo. Dessa
maneira, as bibliotecas precisam optar por uma forma de apresentação de acordo com o que
pretendem alcançar, apesar de que a forma de presença mais indicada, para as organizações, é
a página (fanpage). Para que esta escolha seja a mais adequada à biblioteca, é necessário que
haja um conhecimento das principais características de cada uma.
Com relação às páginas, o Facebook (2013) expõe que estas são semelhantes às linhas
de tempo pessoais (perfis) e permitem que empresas, marcas, organizações e celebridades se
conectem e se comuniquem amplamente com pessoas que as curtem. Ainda, fornecem
informações para ajudar seus administradores a entender como as pessoas estão interagindo
com elas. As pessoas podem curtir uma página para visualizar atualizações desta em seus
Feeds de Notícias.
Margaix Arnal (2008) considera, a respeito das páginas: são pensadas para as
organizações, possuindo ferramentas mais adequadas para estas; os usuários podem registrar­
se livremente como fãs; existem inúmeros recursos de estatísticas que fornecem informações
sobre acessos e atividades dos usuários; não há como realizar publicações em murais alheios,
comentar as fotos ou status etc.; podem ter vários administradores; oferecem à organização
uma imagem mais respeitável e com maior visibilidade. Outra questão interessante, conforme
o Facebook (2013), é que “[...] não há limite quanto ao número de pessoas que podem curtir
uma página [...].” Isso difere do perfil.
O perfil é a linha do tempo e deve ser criado para pessoas. Para o Facebook (2013),
linha do tempo é a coleção de fotos, histórias e experiências que contam a história de uma

3147

�pessoa. Conforme o site, as linhas do tempo pessoais são direcionadas ao uso por indivíduos,
os representando. Portanto, devem ser mantidas sob o nome de um indivíduo.
Garcia Giménez (2010) apresenta algumas características do perfil: é possível regular
o acesso aos conteúdos postados; permite chegar aos usuários potenciais de maneira direta e
pessoal; apresenta maior capacidade de gerar marca e perfil diferenciado, além de consciência
de grupo; possui uma limitação no número de amigos, somente 5.000; não é permitido delegar
a gestão.
Além disso, o perfil tem disponível um recurso de bate-papo, possibilitando a
conversação em tempo real. Para Margaix Arnal (2008), uma das principais vantagens de
aderir o perfil à biblioteca é a existência de muitos aplicativos disponíveis. Dessa forma, a
biblioteca tem opções de personalizar sua presença no Facebook, deixando-a mais atrativa
para seus usuários.
Além de perfis e páginas, outra forma de presença no Facebook é através dos Grupos.
Conforme Facebook (2013), eles oferecem um espaço fechado para a formação de pequenos
grupos de pessoas com o objetivo destas se comunicarem sobre interesses em comum. No
entender de Margaix Arnal (2008), muitas bibliotecas optam pela criação de grupos, sendo
que estes podem ser criados de modo gratuito por qualquer usuário e há como outros
indivíduos aderirem ao grupo por iniciativa própria ou por meio de convite de seus membros.
Entretanto, atualmente, é verificado que somente usuários portadores de conta de perfil
podem criar um grupo. Ainda, quanto à questão de adesão ao grupo por iniciativa própria, isso
só é possível se as configurações de privacidade do grupo permitir, já que se pode ocultar a
existência do grupo, de forma que somente os membros podem convidar outros usuários.
Como pode ser observado, a presença do Facebook nas bibliotecas universitárias exige
dedicação, de modo que seja atrativa e útil às suas comunidades usuárias. De nada adianta
estar presente no Facebook e não aproveitar os benefícios que esta rede social virtual pode
proporcionar.

4 MATERIAIS E MÉTODOS
Para se conduzir a investigação proposta, com abordagem quanti-qualitativa, utilizouse a pesquisa de campo como procedimento técnico, envolvendo o levantamento e a análise
bibliográfica e a construção de instrumentos de coleta de dados, com uso de técnicas
específicas para a análise e crítica dos dados obtidos. Em relação ao tipo de investigação, a
pesquisa definiu-se como descritiva e exploratória. Já o universo da pesquisa constituiu-se
pelas bibliotecas universitárias da UFRGS que utilizam a rede social virtual Facebook.

3148

�A fase da coleta de dados deu-se em dois momentos. O primeiro baseou-se em
observações sistemáticas nos Facebooks das bibliotecas, considerando, basicamente, dados
quantitativos, já que mensurou variáveis por meio do levantamento de frequências, tendo,
portanto, uma abordagem quantitativa. O segundo caracterizou-se pela coleta de dados com
abordagem qualitativa, uma vez que os mesmos foram coletados através de entrevistas
realizadas juntos aos responsáveis pela manutenção do Facebook de cada biblioteca analisada,
levantando suas opiniões e percepções. Para a realização da coleta de dados empregaram-se
dois instrumentos: um formulário especificamente criado para anotar as observações
sistemáticas feitas no Facebook de cada biblioteca estudada e um roteiro de entrevista
estruturada.
Quanto ao procedimento da coleta de dados, no mês de setembro de 2013,
verificaram-se as bibliotecas universitárias existentes na UFRGS. Feito isto, buscaram-se as
que possuem presença no Facebook, por meio da opção de pesquisa oferecida pela
ferramenta. Após, efetuaram-se observações que cobriram os meses de maio e junho de 2013
nos Facebooks das bibliotecas. Concomitantemente à coleta de dados das observações,
contatou-se, via telefone, com os responsáveis pela manutenção das contas dos Facebooks das
bibliotecas em estudo para marcar as entrevistas.
Concluída a coleta dos dados através das observações sistemáticas realizou-se a
análise dos mesmos, a partir de distribuições em gráficos no software Microsoft Office Excel,
de modo a visualizar melhor os resultados obtidos. No que diz respeito à análise dos dados
coletados nas entrevistas, empregou-se o método denominado análise de conteúdo.

5 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Para a realização da pesquisa efetuou-se, em um primeiro momento, o levantamento
das bibliotecas universitárias da UFRGS que se conectam com suas comunidades usuárias por
meio do Facebook, o que é mostrado no Gráfico 1.
Gráfico 1- Bibliotecas universitárias da UFRGS que utilizam o Facebook

Fonte: dados da pesquisa (2013)

3149

�Percebe-se que a maioria das bibliotecas universitárias da UFRGS não aderiu ao uso
do Facebook: das trinta bibliotecas deste tipo, nove possuem uma conta e vinte e uma, não, o
que representa 30% e 70% do total, respectivamente. No entanto, apenas oito bibliotecas
constituíram o estudo, já que uma das contas foi criada quando a coleta de dados estava sendo
realizada, não contemplando, portanto, o período estipulado para a análise. Após o
levantamento das bibliotecas, efetuaram-se as observações sistemáticas e as entrevistas.

5.1 OBSERVAÇÕES SISTEMÁTICAS
Inicialmente, verificou-se a forma como as bibliotecas se apresentam no Facebook. O
resultado é apontado no Gráfico 2.
Gráfico 2 - Formas de apresentação no Facebook das bibliotecas da UFRGS - maio-jun./2013

r--------------------------------------------------------------------- \
■ 5 ( 62 ,5 %)

■ S é rie l;
G ru p o ;0

V______________________________________________

)

Fonte: dados da pesquisa

De acordo com o grfico, das oito bibliotecas que possuem Facebook, cinco,
representando 62,5% do total têm um perfil como forma de apresentação. Quanto à página, o
tipo de presença indicado pelo Facebook para instituições, duas bibliotecas aderiram a ela
(25%). Ainda, uma das unidades de informação do estudo possui, além do perfil, uma página
(12,5%). Nenhuma optou pela formação de grupo para conectar-se aos seus usuários. Nota-se
que, apesar do Facebook recomendar o uso de página para instituições, a maioria das
bibliotecas optou pelo perfil. Para o Facebook (2013), o perfil representa um indivíduo e deve
ser mantido sob o nome do mesmo. Portanto, utilizar um perfil para uma instituição não está
de acordo com os termos do Facebook.
Conferiu-se também que tipo de informação as bibliotecas em estudo divulgam por
intermédio do Facebook, de forma a descobrir o que pretendem comunicar às suas
comunidades usuárias. O Gráfico 3 aponta esta investigação.

3150

�Gráfico 3 - Tipos de informações divulgados pelas bibliotecas que utilizam o Facebook maio- jun./2013

Fonte: dados da pesquisa (2013)

Por intermdio da análise do gráfico, durante os meses de maio e junho de 2013, as
bibliotecas divulgaram em suas páginas e perfis cento e três postagens referentes às
informações não relacionadas à biblioteca, mas suscetíveis a interessar os usuários,
representando 33,8% do total (trezentos e cinco) de conteúdos divulgados. Nesta categoria,
enquadra-se qualquer postagem feita pelas bibliotecas, cujo conteúdo não tenha relação com a
unidade de informação que o divulgou, mas que pode ser importante à comunidade usuária,
com exceção dos eventos realizados por outras instituições. Estes foram colocados em uma
categoria distinta com noventa e nove publicações (32,5%). Percebe-se que a maioria das
informações divulgadas nestas duas categorias está associada com as áreas de estudo
contempladas pelas bibliotecas, o que pode ser útil às suas comunidades usuárias.
Quanto aos serviços oferecidos pelas bibliotecas, constata-se que este tipo de
informação ficou em terceiro lugar, correspondendo a sessenta e duas publicações (20,3%).
Cabe ressaltar que a maior parte destas publicações diz respeito à divulgação de novas
aquisições das bibliotecas, assim como a de eventos organizados ou promovidos pelas
referidas unidades de informação.
Em último lugar das categorias de tipos de informação, com quarenta e uma postagens
(13,4%), está a de informações sobre a biblioteca. Nesta, enquadrou-se todas as informações
publicadas referentes às bibliotecas, com exceção dos seus serviços. Dentre as referidas
publicações, destaca-se a de horários de funcionamento, principalmente quando há alguma
alteração emergencial, como um horário diferente do normal.
No que se refere às interações, o Facebook oferece ferramentas que as possibilitam,
como as opções curtir, comentar e compartilhar atreladas às publicações realizadas nessa rede

3151

�social virtual. Dessa forma, de acordo com o Gráfico 4, levantaram-se as ocorrências destas
interações a partir dos conteúdos divulgados.

Gráfico 4 - Interações nas publicações das bibliotecas da UFRGS que utilizam o Facebook maio-jun./2013

Fonte: dados da pesquisa

Das postagens realzadas pelas bibliotecas surtiram mil trezentas e cinquenta e seis
interações dentre as opções curtir, comentar e compartilhar. Destas, a que teve maior
ocorrência foi a curtir, com novecentas e doze curtidas, o que representa 67,3% do total.
Após, encontra-se a opção compartilhar com trezentos e oitenta e nove compartilhamentos, ou
seja, 28,7% das interações, menos da metade das curtidas. Por último, está a comentar, com
4% da totalidade, contabilizando cinquenta e cinco comentários.
Pela perspectiva do Facebook (2013) curtir algo que alguém publica é uma maneira
fácil de dizer a esse indivíduo que a postagem foi apreciada. Portanto, a partir disso, pode-se
afirmar que os usuários, dentre as opções de interações, mais apreciaram as informações
publicadas do que as disseminaram entre os seus contatos, o que limitou a visibilidade que
estas poderiam ter, já que segundo Penteado e Avanzi (2013, p. 11), o compartilhamento “[...]
seria uma forma explícita de passar adiante uma informação de uma outra fonte, aumentando
sua visibilidade.”. Quanto à opção comentar, a interação menos realizada nas publicações das
bibliotecas, Corrêa (2013) relata que esta consente aos usuários executar comentários sobre
algum post que os interessem, tendo a possibilidade de receber um feedback de volta.
A partir da percepção de Corrêa e acrescentando que nem todos os comentários
necessitam de feedback, pois, inúmeras vezes, não mencionam qualquer dúvida, elogio ou
crítica, é imprescindível analisá-los com mais precisão. Dos cinquenta e cinco comentários,
vinte e seis, equivalentes a 47,3% do total realizam-se pelos usuários e não incitavam um

3152

�retorno das bibliotecas. Já as bibliotecas efetuaram quinze comentários (27,3%) com o intuito
de responder os quatorzes feitos pelos usuários que necessitavam de respostas (25,4%),
demonstrando comprometimento com sua conta no Facebook.

5.2 ENTREVISTAS
Quanto às entrevistas realizadas junto aos responsáveis pela manutenção do Facebook,
são apontadas as perguntas com suas respectivas análises. É importante ressaltar que a
comunicação e a interação no Facebook podem ser aprimoradas se a implementação da conta
for feita de forma planejada e se houver uma manutenção adequada desta rede social virtual.
A primeira questão desejou levantar as razões que levaram as bibliotecas a querer estar
presentes no Facebook e se as mesmas tiveram algum objetivo quanto a isto. No que concerne
às razões, a partir das respostas recebidas, percebe-se que a maior parte das bibliotecas quis
estar presente no Facebook para se aproximar de seus usuários, por entender que os mesmos
encontram-se nesta rede social virtual. Nessa perspectiva, enquadram-se, também, as que
mencionaram melhorar a comunicação com seus usuários (duas) e a que desejava ampliar o
contato com estes, pois, para isso, é necessário estar onde a comunidade usuária se encontra.
Não há como melhorar a comunicação em uma rede social virtual se o público almejado não
estiver conectado a esta. Ainda, dois respondentes indicaram como razão para a utilização do
Facebook a complementação de informações dos sites oficiais de suas bibliotecas.
Referente aos objetivos, quatro respondentes mencionaram que o objetivo de terem
criado uma conta no Facebook, praticamente, foi o de servir como um canal de comunicação
para a divulgação dos vários tipos de informações, como notícias, serviços, cursos etc. Além
disso, três pretendiam estar onde os usuários estão, sendo que um respondente, apesar disso,
não soube dizer se teve um objetivo muito definido na criação da conta. De todos os
entrevistados, duas respostas foram relativas à falta de planejamento para a criação da
presença no Facebook. Entretanto, um deles relatou que, atualmente, a biblioteca possui
objetivos claros.
Em outra questão procurou-se descobrir quais os motivos de escolha quanto à criação
da conta do Facebook como página/perfil. Pelas respostas obtidas, a maioria das bibliotecas
criou sua conta no Facebook não pelos recursos que esta oferece e, sim, ou por
desconhecimento das funcionalidades de cada tipo de conta para perceber a diferença entre
elas e adotar a mais adequada às suas necessidades, ou criou por falta de planejamento, não
refletindo no que poderia explorar.

3153

�É valido mencionar que duas bibliotecas criaram suas contas (perfil e página) em
função de recursos peculiares a cada uma destas: bate-papo e informações da página
(mencionadas muitas vezes como estatísticas). O bate-papo, conhecido também como chat, é
um recurso específico do perfil, sendo muito utilizado pelas bibliotecas para atendimento
virtual aos alunos. Há autores que veem como benefício a utilização deste recurso nas
bibliotecas universitárias. Neste sentido, Aguiar (2012) considera vantajoso o uso do chat
para atendimento on-line, enquanto Dickson e Holley (2010) sugerem a utilização dessa
funcionalidade do Facebook. Com relação às estatísticas, estas são recursos oferecidos pelas
páginas, que, de acordo com Margaix Arnal (2008, p. 594, tradução nossa), “[...] fornecem
informações sobre acessos e atividades dos usuários.”.
Também foi questionada a frequência média da ocorrência de novas atualizações no
Facebook. A maior parte dos respondentes relatou que as atualizações acontecem quando há
uma demanda, algo importante para ser publicado, ou seja, não tem uma periodicidade para
postagens. Entretanto, dois destes expuseram que, diariamente, procuram notícias para serem
divulgadas e outro, apesar de publicar quando há demanda, deu uma periodicidade
aproximada.
Como já exposto, para Yamaschita, Cassares e Valência (2012), em um site de rede
social deve-se publicar conteúdo de forma regular, sendo que a periodicidade deve ser
determinada pela instituição. Já Dickson e Holley (2010) afirmam que, em uma pesquisa
realizada com estudantes, foi apontado que estes não desejam perder tempo com mensagens
frequentes e irrelevantes publicadas nos sites de redes sociais da biblioteca.
Neste sentido, apesar da periodicidade de atualização ser importante, não é adequado
publicar informações somente para ter mais atualizações, é necessário que os conteúdos sejam
relevantes à comunidade usuária. Por outro lado, a ocorrência de escassez de novas
informações no Facebook pode reduzir o interesse dos usuários pela ferramenta. Desse modo,
evidencia-se a necessidade de um controle entre o excesso e a carência de informações. A
partir dessas constatações, nota-se que a maioria das bibliotecas em estudo, apesar não ter
uma periodicidade definida, deixou evidente que as postagens acontecem quando há
informações que possam interessar seus usuários, o que está correto, no ponto de vista de não
saturá-los com conteúdos desnecessários.

6 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Como as redes sociais virtuais estão cada vez mais presentes na rotina dos indivíduos,
principalmente na dos jovens, como formas de comunicação e interação, é viável que as

3154

�bibliotecas universitárias modernizem-se, de modo a fazer uso delas para se aproximar de
seus usuários. Dentre estas ferramentas, atualmente, encontra-se o Facebook, a rede social
virtual, segundo estatísticas, mais utilizada pelos indivíduos e que está em ascensão, o que
pode indicar benefícios às bibliotecas universitárias, caso a empreguem de forma adequada.
Portanto, as bibliotecas podem utilizar o Facebook como um canal de comunicação e
interação com seus usuários, divulgando as mais variadas informações a estes. Além disso,
com base nessas divulgações, os usuários têm a opção de interagir com o que é postado,
permitindo à biblioteca saber se o que divulga desperta o interesse da sua comunidade
usuária.
Verificou-se que a maioria das bibliotecas da UFRGS que possuem Facebook, apesar
de não ter realizado um planejamento para a implantação da conta, comunicam informações
que possam ser interessantes e úteis às suas comunidades e recebem um retorno por meio das
interações, embora, às vezes, pequeno. Percebe-se, entretanto, que estas instituições podem
aprimorar sua presença no Facebook, atraindo de modo mais efetivo suas comunidades
usuárias. Não basta somente ter uma conta no Facebook, é necessário todo um cuidado para
conquistar novos usuários e manter os já existentes de forma satisfatória.
Por fim, por meio de cuidados específicos, o Facebook pode ser integrado à biblioteca
universitária como um canal eficiente de comunicação e interação, permitindo que esta amplie
e estreite relações com sua comunidade usuária e adquira maior visibilidade.

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                <text>Tem como objetivo estudar a comunicação das bibliotecas universitárias da UFRGS com suas comunidades usuárias por intermédio do Facebook, assim como as interações ocorridas nesta rede social virtual, a partir dos conteúdos publicados por estas unidades de informação. Apresenta uma pesquisa descritiva e exploratória, com um universo de oito bibliotecas que aderiram ao uso do Facebook. Com relação ao procedimento técnico utilizado, emprega a pesquisa de campo, com abordagem quanti-qualitativa. Os dados quantitativos são levantados por meio de formulário, através de observações sistemáticas, os qualitativos por meio de entrevistas estruturadas, aplicadas junto aos responsáveis pela manutenção do Facebook. Para a análise dos dados quantitativos, utiliza a estatística, para os qualitativos, o método análise de conteúdo. Quanto aos resultados, mostra que menos da metade das bibliotecas universitárias da UFRGS possui Facebook, sendo que o perfil é a forma de presença mais incidente. Exibe os tipos de informações divulgados pelas bibliotecas e as interações ocorridas nestes (curtir, comentar e compartilhar), de modo que as informações não relacionadas à biblioteca, mas suscetíveis a interessar os usuários são o tipo mais frequente. Averigua como foram criadas as contas do Facebook pelas bibliotecas, assim como a forma que estas as mantêm. Conclui que a maioria das bibliotecas da UFRGS que possui Facebook, apesar de não ter realizado um planejamento para a implantação da conta, comunica informações que possam ser interessantes e úteis à sua comunidade usuária e recebe um retorno por meio das interações, embora, às vezes, pequeno.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O CRM NO CONTEXTO DAS BIBLIOTECAS: PROPOSTA DE IMPLEMENTAÇÃO
NA BIBLIOTECA CENTRAL DO CEFET/RJ
Lívia da Fraga Lima
Rogerio Atem de Carvalho

RESUMO
Apresenta uma proposta de implementação do Customer Relationship Management (CRM) na
Biblioteca Central do CEFET/RJ, a partir do Modelo DDI e do Modelo dos Quatro Pilares do
CRM. A metodologia utilizada foi o estudo de caso e, para tanto, foram coletados dados por
meio de aplicação de questionário específico aos usuários da referida biblioteca, na tentativa
de se identificar os pontos fortes e fracos e, por consequência, as oportunidades de melhorias
em termos de gestão do relacionamento com o cliente no âmbito da biblioteca objeto do
estudo. Foi realizado amplo levantamento bibliográfico para identificar os trabalhos que mais
poderiam contribuir com a elaboração da proposta em questão. Os resultados evidenciaram
que é possível que, por meio do CRM, as bibliotecas adotem o foco no usuário e que muitos
dos elementos de CRM já são contemplados pelo sistema de gerenciamento de acervos
adotado pela Biblioteca Central do CEFET/RJ à luz dos modelos abordados. Constatou-se
que, com a adoção do CRM, as bibliotecas poderão atingir maior satisfação de seus usuários e
excelência operacional.

Palavras-Chave: Marketing de relacionamento; CRM; Gestão estratégica de bibliotecas.
Estudo de usuários.
ABSTRACT
This paper presents a proposal for implementing Customer Relationship Management (CRM)
in the Central Library of CEFET / RJ as the DDI Model and Model of the Four Pillars of
CRM. The methodology used was the case study and, therefore, data through application specific questionnaire to the users of that library, in an attempt to identify the strengths and
weaknesses were collected and, therefore, opportunities for improvements in management of
customer relationships within the library object of study. Extensive literature survey was
conducted to identify studies that could contribute most to the development of the proposal.
The results showed that it is possible that, through CRM, libraries adopt the focus on the user
and that many of the elements of CRM are already covered by the collections management
system adopted by the Central Library o f CEFET / RJ in the light of the models. It was found
that, with the adoption of CRM , libraries can achieve higher user satisfaction and operational
excellence.

Keywords: Relationship marketing; CRM; Strategic management of libraries; Study users.

3128

�1 INTRODUÇÃO
As bibliotecas em nossa sociedade atual, a sociedade da informação, precisam se
reinventar e se utilizar de novas e modernas formas de gestão, uma vez que hoje enfrentam a
concorrência da Internet, a qual oferece uma enorme quantidade de informação e, por
questões de facilidade e comodidade, é muito mais fácil as pessoas buscarem as informações
que necessitam na rede do que nas bibliotecas que, até então, exerciam com de maneira
monopolizada a função de disponibilizar a informação.
Muitos bibliotecários acreditam saber o que seus usuários desejam sem a necessidade
de consultá-los ou, então, acreditam que a “caixa de sugestões” é suficiente para identificar os
desejos e as necessidades dos usuários. No entanto, as bibliotecas necessitam buscar formas e
modelos que possibilitem avanços e desenvolvimento na forma de gestão de seus processos,
estrutura e serviços e ir além da “caixa de sugestão” para identificar tais desejos e
necessidades, o que tem sido imperativo no alcance daqueles avanços (FINGER; CASTRO;
COSTA, 2007).
Nesse contexto, a implementação do Customer Relationship Management (CRM) seria
uma alternativa para que as bibliotecas conseguissem alcançar com êxito os seus objetivos,
conhecendo exatamente as necessidades de seus usuários, a fim de atendê-los da maneira
adequada, oferecendo serviços de informação de qualidade. A saber: atendimento das
necessidades informacionais de seus usuários, melhoria da qualidade dos serviços oferecidos
e melhoria da relação entre bibliotecas e usuários. Ressalta-se que a Tecnologia da
Informação (TI) é uma aliada nesse processo, pois procura viabilizar a operacionalização das
estratégias e dos processos de CRM.
Face ao exposto, o presente artigo, transpor os conceitos do CRM do contexto
empresarial para o contexto das bibliotecas, tem como objetivo apresentar uma proposta para
implementação do CRM na Biblioteca Central do Centro Federal de Educação Tecnológica
Celso Suckow da Fonseca (CEFET/RJ), a partir do Modelo DDI e do Modelo dos Quatro
Pilares do CRM. Dessa maneira, contribui fundamentalmente para o fortalecimento teórico
dos estudos de Biblioteconomia voltados para a gestão estratégica de bibliotecas e gestão do
relacionamento com o cliente/usuário, disseminando tais conhecimentos e formas de
aplicação. Assim, servirá como um instrumento de apoio às bibliotecas que desejam implantar
o CRM.
Acredita-se que trabalhar as concepções das bibliotecas, sejam elas acadêmicas,
universitárias, especializadas, dentre outras, com base nas necessidades e nas relações com

3129

�seus clientes pode contribuir muito para o desenvolvimento das organizações às quais estão
vinculadas, conforme salientam Finger, Castro e Costa (2007).
Além

das

contribuições

apresentadas,

este

estudo

justifica-se

também

pela

originalidade de seu enfoque e pela contribuição social do mesmo, pois, ao implementar o
CRM em bibliotecas, estas se preocuparão mais com o acesso aos materiais do acervo por
parte de seus usuários e atuarão de maneira mais incisiva na disseminação do conhecimento, o
que, sem dúvida, servirá de base para uma melhor atuação do bibliotecário brasileiro.

2 REVISÃO DE LITERATURA
A melhoria dos processos internos das bibliotecas, no que tange à agilidade e
eficiência, e dos serviços oferecidos aos clientes/usuários constitui um verdadeiro desafio. De
fato, acaba por ser um verdadeiro desafio para as bibliotecas que, ainda hoje, se preocupam
muito com as questões técnicas inerentes à organização de acervos em detrimento das
questões de acesso dos materiais pelo usuário, em função das necessidades reais de cada um
deles, exatamente conforme Silva (2003, p. 63) afirmou:
Normalmente, quando se prende a minúcias técnicas e aos “esotéricos”
sistemas de classificação, o bibliotecário não enxerga nem mesmo as
necessidades mais urgentes da comunidade a que serve. Preocupado em
conferir os dez ou doze dígitos que compõem a notação de classificação da
obra em preparo técnico, o bibliotecário não percebe que ela é esperada
ansiosamente por inumeráveis leitores. Porém, somente quando estiver
devidamente encerrado o processamento técnico é que o livro ficará à
disposição dos usuários. Aí talvez já seja tarde demais...
Contudo, a fim de atender às pressões com vistas ao avanço e desenvolvimento em
sua forma de gestão, tanto de processos, como estrutura e serviços, diversas Bibliotecas
Universitárias (BUs) têm buscado novas formas e modelos que possibilitem alcançá-los
(FINGER; CASTRO, 2004). Por esse motivo, atualmente, o bibliotecário gestor tenta
acompanhar as novas tendências e paradigmas administrativos, tentando adaptá-los à
realidade da biblioteca (NEVES; SOUZA; LUCAS, 2006).
O marketing se apresenta como solução para esse caso, no entanto, o marketing de
relacionamento se apresenta como uma melhor solução em relação ao marketing tradicional, o
qual está em fase de declínio. Para as bibliotecas que, conforme foi mencionado
anteriormente, muitas das vezes parecem desconsiderar o seu cliente/usuário bem como suas
reais necessidades, a adoção do marketing de relacionamento viria a propiciar melhores

3130

�desempenhos e resultados, uma vez que procura criar um bom relacionamento da empresa
com os clientes, identificando suas reais necessidades e atendendo-as de maneira satisfatória.
Peppers e Rogers (1997, p. 85) afirmam que:
O marketing de relacionamento era a maneira de fazer negócios antes da
Revolução Industrial, antes dos produtos de massa e antes da grande mídia.
Os proprietários de um armazém, banco, barbearía ou estábulo pensavam em
seu negócio basicamente em termo de “participação do cliente”. O lojista
era, antes do século XX, um executivo de marketing de relacionamento que
cuidava dos clientes como indivíduos. Ele carregava o banco de dados na
cabeça.
Segundo Vavra (1993)

existem uma

série

de termos para marketing

de

relacionamento, tais como: marketing com banco de dados (database marketing), marketing
individualizado, micromarketing, marketing personalizado, marketing one to one, marketing
de retenção, marketing de frequência,

marketing de relacionamento,

marketing de

segmentação, marketing integrado, marketing interativo, marketing de diálogo, marketing de
currículo e marketing de nichos. No entanto, marketing de relacionamento será o termo
adotado na presente pesquisa.
No marketing de relacionamento a empresa interage com o cliente de maneira a
segmentá-los e diferenciá-los, oferecendo produtos de acordo com as necessidades e os
desejos de cada tipo de cliente. Assim, a empresa busca um relacionamento de longo prazo
baseado na confiança e na lealdade junto a seus consumidores finais.
O marketing de relacionamento tem três componentes-chave identificados por Vavra
(1993). São eles: qualidade, serviços ao cliente e pós-marketing. Trata-se de uma abordagem
da administração estratégica. Ele é usado como uma opção para as organizações que tem o
lucro por objetivo, o que não é o caso das bibliotecas. Contudo, Oliveira (1998, p. 174), ao
fazer uma revisão da literatura internacional, ressalta que “enquanto alguns possam questionar
a aplicabilidade dos princípios administrativos à gerência de bibliotecas, uma questão está
bem

clara:

instituições

sem

fins

lucrativos

estão

ativamente

adotando

práticas

administrativas” . Dessa forma, Oliveira e Pereira (2003, p. 27) afirmam que para as unidades
de informação “uma maneira de tentar ‘sobreviver’ é se articular em termos de marketing de
seus produtos/serviços, por meio do marketing de relacionamento” .
O CRM, enquanto filosofia de gestão, é criado a partir da identificação da
necessidade de centralização no cliente pelas empresas, por essa razão, diversas empresas
começaram a se voltar para a melhoria do seu relacionamento com seus clientes.

3131

�Autores que abordam o CRM o definem de formas variadas. Alguns o definem como
uma filosofia, outros como uma estratégia de negócio, outros ainda como uma ferramenta
tecnológica. Existem, inclusive, autores que apresentam outras definições, no entanto, nesta
pesquisa considera-se apenas as três definições iniciais mencionadas. O que é um consenso
entre todos eles é que o CRM é uma abordagem da administração estratégica e faz parte do
marketing de relacionamento.
Valls, Souza e Beretta (2011) apresentam o CRM como estratégia gerencial,
enunciando a seguinte definição:
A Gestão de Relacionamento com o Cliente (CRM) é uma estratégia
empresarial que coloca o cliente como elemento central dos processos do
negócio, entendendo e antecipando suas necessidades com o objetivo de
atendê-las da melhor forma. A implantação do CRM embora esteja ligada à
utilização de soluções tecnológicas, é muito mais ampla do que isso, pois
envolve toda a filosofia e práticas gerenciais de produtos e serviços voltados
ao cliente, objetivando processos e padrões bem definidos e mensuráveis.
(VALLS; SOUZ; BERETTA, 2011, p. 14).
A definição apresentada pelo Gartner Group é a seguinte:

CRM é uma estratégia de negócio voltada ao entendimento e à antecipação
das necessidades dos clientes atuais e potenciais de uma empresa. Do ponto
de vista tecnológico, o CRM envolve capturar os dados do cliente ao longo
de toda a empresa, consolidar todos os dados capturados interna e
externamente em um banco de dados central, analisar os dados consolidados,
distribuir os resultados dessa análise aos vários pontos de contato com o
cliente através de qualquer ponto de contato com a empresa. (PEPPERS;
ROGERS, 2004, p. 48).
De acordo com as definições de CRM apresentadas, pode-se definir os estudos de
usuários como a primeira tentativa no campo da Biblioteconomia de se realizar a gestão do
relacionamento com o cliente, pois, de acordo com as definições apresentadas por Figueiredo
(1994), constituem uma ação necessária para que a biblioteca identifique exatamente as
necessidades e desejos de seus clientes e os transforme em demanda de produtos e serviços de
informação, com vistas a apoiar o desenvolvimento de coleções.
Greenberg (2010), afirma que a TI oferece subsídios para operacionalização das
estratégias e processos de CRM, tendo importância fundamental para que a organização possa
interagir com seus clientes, criando diversos canais de contato, processando informações e
transformando-as em conhecimento.

3132

�De acordo com os autores Newell (2000), Valls, Souza e Beretta (2011), o CRM
promove a fidelização de clientes, ao melhorar a qualidade dos serviços oferecidos pela
organização, bem como a relação destas com aqueles, conforme mencionam Finger e Castro
(2004).
Peppers e Rogers (2004) propõem quatro passos básicos para um processo de
implementação de um programa de CRM: identificar, diferenciar, interagir e personalizar.

Identificar: consiste na identificação dos clientes da organização, coletando o maior
número possível de dados. É fundamental identificar os clientes para que se possa estabelecer
uma boa relação com eles, caso contrário a relação fica comprometida. Desta forma, é
necessário conhecer os clientes individualmente, com riqueza de detalhes. Uma vez que é
feita uma boa identificação, é possível que haja reconhecimento deles em todos os pontos de
contato.

Diferenciar: após identificar os clientes, é possível diferenciá-los a fim de que a
empresa possa priorizar seus esforços. Essa diferenciação pode ser feita de duas maneiras:
pelo nível de valor para sua empresa e pelas necessidades que têm de produtos e serviços de
sua empresa. Uma vez que são estabelecidas as diferenciações, a empresa pode direcionar e
priorizar seus esforços no sentido de aproveitar os clientes de maior valor, bem como
personalizar seu comportamento baseado nas necessidades individuais de serviços pelos
clientes.

Interagir: consiste na interação da empresa com seus clientes. A empresa deve
estabelecer uma boa interação com estes últimos, buscando, a partir da mesma, a melhoria de
qualidade de seus serviços/produtos. Isso significa estabelecer quais as melhores formas de
interação e comunicação com os clientes, em função de custo e preferência, bem como
analisar quais as formas mais úteis em termos de retorno de informação sobre o cliente e seu
comportamento. Uma interação eficaz ajuda a fortalecer as relações com os clientes.

Personalizar: ao conhecer os clientes individualmente na fase da identificação, é
possível personalizar os serviços/produtos da empresa para cada um deles a fim de melhor
atendê-los. Personalizar é uma forma que a empresa encontra para se adaptar às necessidades
individuais expressas pelo cliente.
Madruga (2010, p. 97) desenvolveu uma metodologia, que chamou de DDI, para
implementar a visão de CRM nas organizações e que, segundo ele, é a etapa que deve ser
antecedente aos investimentos em CRM em termos de solução tecnológica, as quais são
descritas a seguir:

3133

�1. Discutir :
a) O planejamento estratégico para ser orientado ao cliente;
b) A estrutura organizacional das áreas de contato com o cliente;
c) As estratégias, os processos e procedimentos de negócios para serem alinhados
com a nova visão;
d) O foco da organização e a relação com clientes e fornecedores.

2. Descartar:
a) Crenças enraizadas que colocam o cliente como o “mal necessário”;
b) Atitudes gerenciais que levam o subordinado a dependência e falta de autonomia.
c) A ideia de que uma boa propaganda resolve todos os problemas de
relacionamento e satisfação dos clientes;
d) A crença de que o marketing é sinônimo exclusivamente de criatividade e
inimigo de controles internos e externos que beneficiam os clientes.

3. Integrar :
a) A visão dos sistemas legados com novos sistemas;
b) Todos os processos e interface que influenciam de alguma maneira os clientes;
c) Os pontos de contato com o cliente, seja em que mídia ou região for;
d) Treinar as pessoas com a nova visão e com o novo ambiente de mudança para
que reajam favoravelmente.

Assim, face às definições apresentadas para CRM, conclui-se que ele pode propiciar
um melhor atendimento ao cliente/usuário e, consequentemente, uma mudança na própria
gestão de bibliotecas, com um melhor alcance de seus objetivos. Afinal, o bibliotecário
precisa entender que para sobreviver ele tem que sair da cômoda posição de receptor e
executor e assumir o papel de protagonista nessa história.
Nesse contexto, sabendo-se que as bibliotecas podem ser beneficiadas com a
utilização de novas e modernas formas de gestão, o CRM se constitui como uma ferramenta
estratégica do marketing de relacionamento, cujo foco está no gerenciamento das relações
entre as organizações e os seus clientes atuais e potenciais. Assim, a implementação do CRM
nas bibliotecas colaboraria para o alcance de seus objetivos de suprir as necessidades
informacionais dos seus clientes, melhorando a qualidade dos serviços oferecidos e a relação
entre bibliotecas e usuários.

3134

�3 MATERIAIS E MÉTODOS
Para a realização do estudo adotou-se dois métodos de investigação: estudo de caso e
revisão de literatura. Na realização do estudo de caso foi aplicado o instrumento chamado de
Escala de Relacionamento com Clientes (ERC), criado e validado por Rozzett e Demo (2010)
a fim de mensurar o grau de relacionamento entre empresas e seus clientes. O universo
trabalhado correspondeu ao total de usuários da Biblioteca Central do CEFET/RJ que
possuíam cadastro ativo até a data de 31/01/2014, totalizando 2.006 usuários até a data de
10/09/2013, data de início da aplicação do questionário. Não foi selecionada nenhuma
amostra para a aplicação do questionário e, portanto, o questionário foi enviado para todos os
usuários mencionados, compreendendo estudantes de ensino médio/técnico, estudantes do
ensino pós-médio, estudantes da graduação, estudantes do curso de tecnólogo, estudantes da
pós-graduação, professores e servidores técnico-administrativos. O envio do questionário foi
feito por e-mail e a taxa de retorno foi de, aproximadamente, 23,7% (476 respondentes).

Para a revisão de literatura, foi realizado levantamento bibliográfico de fontes que
pudessem subsidiar a discussão por meio da análise bibliográfica dos materiais encontrados
nas buscas. As buscas foram feitas em catálogos de bibliotecas e na Internet, em mecanismos
de busca como Google e Google Acadêmico; em bancos de teses e dissertações de
instituições específicas e na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD); na
base Scopus, do Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de
Nível Superior (CAPES) e na Scientific Eletronic Library Online (SciELO). Dessa forma, os
tipos de publicações envolvidos para a formulação da base teórica deste estudo foram os
seguintes: livros, artigos científicos e trabalhos apresentados em eventos da área de
Biblioteconomia e Documentação.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
A proposta a ser apresentada foi feita com base no Modelo DDI, de Madruga (2010),
e no Modelo dos Quatro Pilares do CRM, de Peppers e Rogers (2004), com o objetivo de
melhor atender aos seus usuários, investindo na qualidade de seus produtos e serviços e na
construção de um relacionamento mais próximo dos usuários, otimizando a satisfação dos
mesmos. Salienta-se que os dados coletados por meio do questionário aplicados aos usuários
da biblioteca contribuíram consideravelmente para a elaboração da proposta, uma vez que foi
possível identificar os pontos fracos e fortes e as oportunidades de melhorias em termos de
gestão do relacionamento com o cliente no contexto da biblioteca em questão.

3135

�Modelo DDI
Discutir: o planejamento estratégico da biblioteca para ser orientado ao usuário; a
estrutura organizacional das áreas de contato com o usuário, redesenhando os processos de
atendimento; as estratégias, processos e procedimentos do setor para serem alinhados com a
nova visão; o foco da biblioteca e a relação com usuários e fornecedores; o processamento
técnico para que seja acelerado o processo de inclusão de obras e que seja dada preferência de
inclusão no sistema aos livros que são mais procurados; formação de um grupo
multidisciplinar formado pelo bibliotecário, por um analista de sistemas e por um
programador, de acordo com Lucas e Souza (2007); e uma nova forma de recompensa a fim
de incentivar os colaboradores a desenvolverem relacionamentos com os usuários.
Descartar: crenças enraizadas que colocam o usuário como o “mal necessário”;
atitudes gerenciais que levam o subordinado a dependência e falta de autonomia; a ideia de
que uma boa propaganda resolve todos os problemas de relacionamento e satisfação dos
clientes/usuários; a crença de que marketing é sinônimo exclusivamente de criatividade e
inimigo de controles internos e externos que beneficiam os clientes; a ideia que o
bibliotecários tem de pressupor o que o usuário deseja, sem ao menos consultá-los; a ideia de
que todo usuário tem pleno conhecimento sobre o uso da biblioteca; a ideia de que a
biblioteca, por ser necessária para os alunos, não precisa realizar ações de marketing.
Integrar: todos os processos e interface que influenciam de alguma maneira os
usuários; os pontos de contato com o cliente, seja em que mídia ou região for: telefone, e­
mail, Terminal Web, dentre outros; treinar as pessoas com a nova visão e com o novo
ambiente de mudança para que reajam favoravelmente; o sistema de cadastro utilizado pela
biblioteca com outros sistemas da instituição, permitindo um olhar mais amplo sobre os
usuários.

Modelo dos Quatro Pilares
Os quatro passos apresentados por Peppers e Rogers (2004) são passos sequenciais.
No entanto, de acordo com a figura apresentada, no momento da interação, pode resultar em
informações que impliquem na identificação do usuário, voltando para o primeiro passo
(identificar) e refazendo, se necessário for, as políticas e os parâmetros estabelecidos
(diferenciar), para então, personalizar o serviço ou produto. Na Figura 1, as setas com
preenchimento na cor preta indicam o sentido do fluxo da informação referente a cada passo.
Já as setas com sombreamento da cor cinza indicam a sequência dos passos envolvidos na
implementação do CRM.

3136

�Figura 1: Processo de CRM na Biblioteca Central doCEFET/RJ

Fonte: A autora (2013)

O sistema de gerenciamento de acervos (Sophia)
Entre a implementação da visão de CRM e a implementação do CRM de fato, tem
um ínterim que corresponde ao período em que deve ser escolhida a tecnologia, ou seja, o
sistema de CRM que será utilizado. Para tanto, Madruga (2010) estabelece as etapas para se
contratar uma solução de CRM. Neves, Souza e Lucas (2006) fundamentaram teoricamente a
relação dos quatro pilares do CRM (identificar, diferenciar, interagir e personalizar) com os
módulos usuário dos softwares utilizados na administração de BUs. De maneira similar,
buscou-se verificar quais elementos de CRM são contemplados pelo sistema utilizado pela
biblioteca. Verificou-se que muitas das funções apresentadas na proposta são contempladas
pelo sistema utilizado pela biblioteca à luz do modelo dos Quatro Pilares do CRM, de Peppers
e Rogers (2004). Dessa forma, verificou-se que o Sophia cumpre a função de um software de
CRM à luz do Modelo dos Quatro Pilares e do Modelo DDI.

3137

�5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Os resultados evidenciaram que é possível às bibliotecas acadêmicas adotarem o foco
no usuário, por meio do CRM. Assim, a adoção do CRM por aquelas implica na maior
satisfação dos usuários, uma vez que, de acordo com o presente estudo, foi demonstrado que é
possível eliminar críticas relativas aos vários aspectos da biblioteca, seja em relação ao
atendimento, acervo, infraestrutura, dentre outros.
Verificou-se que o sistema de gerenciamento adotado pela Biblioteca Central do
CEFET/RJ, à luz dos modelos do Modelo dos Quatro Pilares do CRM e do Modelo DDI,
cumprem a função de um software voltado para o CRM. Já em relação às técnicas e
tecnologias de data warehouse e data mining, que devem ser utilizadas no desenvolvimento
de um software de CRM, não se pode afirmar que ele cumpre a função de sistema de CRM,
pois não foi analisado tal aspecto. De modo que, caso a biblioteca opte pela implementação de
um sistema próprio de CRM, será necessário fazer um planejamento e orçamento antes de
qualquer tipo de ação para implementação do marketing de relacionamento e da infraestrutura
de CRM.
Outro ponto importante e que foi apresentado na revisão de literatura em relação ao
CRM é que não se trata de uma iniciativa que tem que ser implementada como um bloco
único. Além de ser possível, é indicado que essa iniciativa seja implementada aos poucos,
como, por exemplo, a algum processo específico, com poucos clientes, avançando
gradualmente à medida que a cultura vai sendo assimilada pela organização e os resultados
vão sendo comprovados. Afinal, uma vez convencida de sua filosofia, a organização pode,
aos poucos, começar a modificar seu comportamento em relação aos clientes. Assim, a
realização do teste-piloto se deu com esse propósito.
Na transposição dos conceitos do CRM do contexto empresarial para o contexto das
bibliotecas e unidades de informação, verificou-se que o marketing como filosofia gerencial
para as unidades de informação ainda não venceu o medo de seus bibliotecários e/ou gestores.
Desse modo, a adoção do marketing por bibliotecas ainda hoje não é visto como um
imperativo para o funcionamento das mesmas. No entanto, tal adoção se justifica por tornar as
bibliotecas mais eficazes na obtenção de seus objetivos.
É interessante implementar o CRM em bibliotecas, não pelo retorno financeiro,
conforme acontecem quando da sua implementação em empresas, mas para atingir maior
satisfação dos usuários e excelência operacional. Além disso, possibilita maior interação da
biblioteca com o cliente para melhor atender suas necessidades de uso e acesso à informação,

3138

�melhoria nos serviços oferecidos e na tomada de decisão, por permitir melhor planejamento e
qualidade das mesmas.

6 REFERÊNCIAS
FIGUEIREDO, N. M. Estudos de uso e usuários da informação. Brasília: IBICT, 1994.
FINGER, A. B.; CASTRO, G. Mudança na gestão das bibliotecas universitárias públicas
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NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 13., 2004, Natal. Anais eletrônicos...
Natal: UFRN, 2004. 1 CD-ROM.
_________ ; _________ ; COSTA, M. D. Gestão de bibliotecas universitárias com a
implementação do customer relationship management (CRM). In: AMARAL, S. A. (Org.).

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GREENBERG, P. CRM at the speed of light : social CRM strategies, tools, and techniques
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LUCAS, E. R. O.; SOUZA, N. A. Disseminação seletiva da informação em bibliotecas
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Informação,

Londrina,

v.12,

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3140

�</text>
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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O CRM no contexto das bibliotecas: proposta de implementação na Biblioteca Central do CEFET/RJ</text>
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                <text>Lima, Lívia da Fraga, Carvalho, Rogerio Atem de</text>
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                <text>Apresenta uma proposta de implementação do Customer Relationship Management (CRM) na Biblioteca Central do CEFET/RJ, a partir do Modelo DDI e do Modelo dos Quatro Pilares do CRM. A metodologia utilizada foi o estudo de caso e, para tanto, foram coletados dados por meio de aplicação de questionário específico aos usuários da referida biblioteca, na tentativa de se identificar os pontos fortes e fracos e, por consequência, as oportunidades de melhorias em termos de gestão do relacionamento com o cliente no âmbito da biblioteca objeto do estudo. Foi realizado amplo levantamento bibliográfico para identificar os trabalhos que mais poderiam contribuir com a elaboração da proposta em questão. Os resultados evidenciaram que é possível que, por meio do CRM, as bibliotecas adotem o foco no usuário e que muitos dos elementos de CRM já são contemplados pelo sistema de gerenciamento de acervos adotado pela Biblioteca Central do CEFET/RJ à luz dos modelos abordados. Constatou-se que, com a adoção do CRM, as bibliotecas poderão atingir maior satisfação de seus usuários e excelência operacional.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O
BOLETIM INFORMATIVO DAS BIBLIOTECAS DO COLÉGIO SÃO
FRANCISCO XAVIER NO MUNICÍPIO DE IPATINGA (MG) COMO
FERRAMENTA DE CONTRIBUIÇÃO NA DISSEMINAÇÃO SELETIVA DA
INFORMAÇÃO
Paulo Vítor Oliveira
Alejandro de Campos Pinheiro

RESUMO
Relata a importância do Boletim Informativo como ferramenta de divulgação de informações
e atividades internas das bibliotecas do Colégio São Francisco Xavier. Aborda reflexões sobre
os conceitos de Marketing em unidades de informação, bem como a relevância para a
divulgação de produtos e serviços realizados pela biblioteca. Apresenta conceitos sobre a
Disseminação Seletiva da Informação e os produtos que podem ser gerados, como o Boletim
Informativo. Esse instrumento é produzido no meio digital em formato p d f com publicação
online na intranet da Fundação São Francisco Xavier e encaminhado por e-mail a todos os
alunos, professores, coordenadores e demais colaboradores. Objetiva-se criar um canal de
difusão de informações de interesse dos usuários. As informações selecionadas para compor o
boletim variam de acordo com o mês vigente e a demanda das bibliotecas. São retiradas
informações de base de dados da área da saúde, publicações online dos jornais locais do
município de Ipatinga e informações relevantes direcionadas à comunidade escolar. Pretendese identificar, por meio desta pesquisa, se o Boletim Informativo atende a antecipação à
demanda dos seus usuários, qual a importância dele para a instituição, se ele de fato é um
instrumento que contribui na difusão da informação para alunos, professores e outros
profissionais da instituição, se fortalece o marketing e a área de atuação das bibliotecas.

Palavras-chave: Colégio São Francisco Xavier. Boletim informativo. Marketing em unidades
de informação. Disseminação seletiva da informação.

ABSTRACT
Reported the importance of the Newsletter as information disclosure and internal activities of
the libraries of São Francisco Xavier School. It discusses the reflections on the concepts of
Marketing in units of information and its relevance to the promotion of products and services
provided by the library. It presents concepts on Selective Dissemination of Information and
products that can be generated, as the Newsletter. This instrument is produced in digital form
in pdf format online publication intranet São Francisco Xavier Foundation and sent email to
all students, teachers, coordinator and other employees. The objective is to create a channel
for the dissemination information of interest to users. Selected to compose the newsletter
information varies according to the current month and the demand of libraries. Information
database o f health, online publications of local newspapers Ipatinga targeted and relevant

3113

�information to the school community are taken. It is intended to identify, through this
research, the newsletter serves anticipation of demand of their users, why it's important for the
institution , if it is indeed a tool that helps in the dissemination information to students,
teachers and other professional institution , strengthens marketing and practice area libraries.

Keywords: São Francisco Xavier School. Newsletter. Marketing information units. Selective
dissemination information.
1 INTRODUÇÃO
A Segunda Guerra Mundial foi um acontecimento histórico que alterou o destino de
grande parcela da humanidade. Milhares de vidas ceifadas nos quase seis anos de guerra,
principalmente no continente europeu, onde ocorreu maior parte do conflito; afetou o campo
político, econômico e científico de todo o mundo. Com o fim da batalha, Estados Unidos e
União Soviética se destacaram como as duas maiores potências do período e como possuíam
ideologias distintas, propiciaram um clima antagônico nas diversas áreas da política e da
economia. O contexto da informação também passou por profundas mudanças, inclusive, foi a
partir da Segunda Guerra Mundial que ocorreu o ápice da explosão bibliográfica, pois os
grandes investimentos governamentais em pesquisa e em desenvolvimento promoveram
avanços científicos e tecnológicos que impulsionaram a comunicação científica formal,
resultando na multiplicação de publicações. Weitzel (2002, p. 63) salienta que:
o processo de aquisição e comunicação formal do conhecimento
especializado, caracterizado pelo ciclo documentário, desencadeou a
necessidade de maior controle bibliográfico para facilitar a busca por
material de relevância específica destinado a apoiar novas pesquisas.
Sendo assim, já não era mais possível colecionar em bibliotecas tudo o
que foi publicado no mundo, nem tampouco saber ou ler tudo na
mesma velocidade na qual a informação estava sendo produzida.
O excesso de publicações impossibilitava que pesquisadores, cientistas e demais
profissionais obtivessem acesso a tudo aquilo que era produzido. De forma a direcionar a
informação pertinente e de interesse a cada usuário, Hans Peter Luhn, a partir da década de 50
e 60, desenvolveu a Disseminação Seletiva da Informação (DSI) com o intuito de reduzir o
trabalho dos cientistas na busca de informações concernentes para o trabalho de pesquisa
(EIRÃO, 2009, p. 21-22).
Esta ferramenta foi fundamental para auxiliar na busca e na recuperação de
publicações e/ou informação relevante, na metade do século XX, ainda continua em uso por
diversas unidades de informação. Visto como uma forma de antecipação da demanda, a
Disseminação Seletiva da Informação por meio de um Boletim Informativo é utilizada pelas

3114

�bibliotecas José Amilar da Silveira e Professor Augusto Tavares de Rezende, que
respectivamente, compõem as unidades I e II do Colégio São Francisco Xavier.
Pretende-se identificar, por meio dessa pesquisa, se o Boletim Informativo atende a
antecipação à demanda dos seus usuários, qual a sua importância para a instituição, se ele de
fato é um instrumento que contribui na difusão da informação para alunos, professores e
outros profissionais da instituição, se fortalece o marketing e a área de atuação das
bibliotecas.

2 HISTÓRICO E DESCRIÇÃO DAS UNIDADES DE INFORMAÇÃO

A história do Colégio São Francisco Xavier (CSFX) é construída com a participação
de professores, alunos, famílias e a sociedade. O nome do colégio é uma homenagem a São
Francisco Xavier, santo educador e missionário jesuíta que dedicou grande parte de sua vida
às missões no oriente.
A

instituição

(USIMINAS)

foi

criada

pelas

Usinas

Siderúrgicas

de

Minas

Gerais

com o objetivo de garantir ensino e educação de qualidade aos filhos dos

empregados e às crianças da comunidade que surgia ao redor da empresa. Suas atividades
começaram em dezembro de 1961, embora sua inauguração oficial tenha sido realizada em 15
de junho de 1962.
No início, a direção e a administração do colégio foram designadas aos padres
Jesuítas, que praticavam o modelo de educação clássica europeia, com base curricular voltada
para a formação humanística.
Em dezembro de 1969, a USIMINAS criou a Fundação São Francisco Xavier, que ao
assumir a administração do colégio, acrescentou-se à Proposta Pedagógica inicial dos
padres jesuítas, a formação técnico-profissionalizante no Ensino Médio e a criação de
cursos

na

área

de

Metalurgia,

Enfermagem

e

Magistério.

Em meados de 1990, o CSFX iniciou uma série de alterações para atender às novas
orientações da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), tais como as
mudanças no projeto pedagógico da escola, que permitiram melhor ajustamento da proposta
educacional à realidade.

355 USIMINAS: É uma das maiores empresas siderúrgicas do País. Busca continuamente a excelência na
produção e comercialização de aços planos, conquistando índices de desempenho e práticas de padrão mundial
sem perder de vista a dimensão social. Disponível em: &lt;http://www2.camara.leg.br/atividadelegislativa/comissoes/comissoes-mistas/cpcms/siglario2/u/USIMINAS.html&gt;. Acesso em: 11 maio 2014.

3115

�Em Agosto de 2010, o Colégio São Francisco Xavier criou a unidade II, no bairro do
Horto, voltada para o segmento dos cursos técnicos em: Enfermagem, Análises Clínicas,
Mecânica, Administração, Segurança do Trabalho e Informática.
Atualmente o CSFX conta, em seu quadro de colaboradores, com 142 professores
distribuídos nos segmentos: Educação Infantil e Ensino Fundamental I - 41; Ensino
Fundamental II e Ensino Médio - 63; Cursos Técnicos - 38. Em relação ao corpo
administrativo, consta com 81 profissionais, 9 estagiários, 36 colaboradores da área de
conservação e limpeza e um total de 2810 alunos.

BIBLIOTECA JOSÉ AMILAR DA SILVEIRA

A Biblioteca José Amilar da Silveira é uma biblioteca escolar que funciona de segunda
a sexta-feira, das 7h às 17h30min. Tem por finalidade prestar serviços de informação e
documentação à comunidade interna e externa da unidade I do Colégio São Francisco Xavier,
atendendo à Educação Infantil, ao Ensino Fundamental I e II e ao Ensino Médio. Composto
por 16.687 obras, oito assinaturas de periódicos, além de livros de literatura em braile e áudio
livros no formato MP3, todo o acervo encontra-se disponibilizado no catálogo online para
empréstimos, reservas e renovações.
A biblioteca disponibiliza aos seus usuários seis terminais de acesso à internet, 12
cabines de estudo individuais, ambiente para a realização e orientação de pesquisa e leitura,
além de um espaço em anexo que disponibiliza um acervo específico direcionado à Educação
Infantil.
Durante a programação anual a Biblioteca promove vários projetos de incentivo à
leitura, como o Sarau Literário, Feira de Troca de Livros, Bookcrossing CSFX e Refeições
com Mafalda.

BIBLIOTECA PROFESSOR AUGUSTO TAVARES DE REZENDE
Localizada no bairro Horto, atende aos alunos dos Cursos Técnicos oferecidos pela
unidade II do Colégio São Francisco Xavier. O horário de funcionamento é das 7h30min às
22h30min.Dispõem de um acervo com 1.055 obras, duas assinaturas de periódicos na área da
saúde e uma na área de mecânica. A biblioteca conta com dois terminais de acesso à internet e
espaço para leitura, pesquisa e estudo.
Ambas as bibliotecas têm a missão de promover o acesso, a disseminação e o uso da
informação como apoio ao ensino, pesquisa e extensão, contribuindo para a evolução e a

3116

�produção do conhecimento. São totalmente informatizadas, utilizando um catálogo online
como software de gerenciamento do acervo.
Os usuários das unidades de informação são os alunos, professores, colaboradores e
toda comunidade escolar. A gestão das unidades é feita por um bibliotecário que perfaz uma
carga horária, de segunda à sexta-feira das 14h às 23h, distribuída nas duas unidades do
CSFX.

3 REVISÃO DE LITERATURA
Com o intuito de fundamentar essa pesquisa, o trabalho será contextualizado a partir
das subdivisões propostas: Marketing em unidades de informação, Disseminação Seletiva da
Informação e Boletim Informativo. Compreende-se que esses elementos, relacionados, são
essenciais para a criação e divulgação de um produto. Dessa forma, a biblioteca pode se
beneficiar com a aproximação do usuário, com uma atuação que não se restringirá as quatro
paredes em que se situa.
Autores consagrados no âmbito da Biblioteconomia e Ciência da Informação como
Murilo Bastos da Cunha, Sueli Angélica do Amaral, Thiago Gomes Eirão, Leonardo
Fernandes Souto, Amélia Silveira, Simone R. Weitzel, em suas publicações referentes ao
tema proposto, fundamentam esse estudo, que representa uma distinta forma de transmissão
da informação.

4 MARKETING EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO
Considerado uma ferramenta estratégica nas organizações, o marketing é o elemento
essencial para divulgar, ampliar, consolidar e informar sobre uma determinada instituição ou
produto. Com o objetivo de atingir o maior número de pessoas possíveis, além de conquistar e
fidelizar clientes, ele está inserido em todos os lugares sejam por meio de outdoors, folders,
folhetos, propaganda de rádio, televisão, vídeos na internet, links, hiperlinks entre outras
maneiras de divulgação.
Segundo Cunha (1993, p. 6) marketing é o “processo para identificar a necessidade de
serviços ou produtos, traduzindo essa necessidade em demanda e, ao mesmo tempo, provendo
esse serviço ou produto de forma a atender especificamente essa necessidade". O
desenvolvimento da tecnologia contribuiu nas formas de construção e divulgação dos
produtos e serviços oferecidos pelas empresas sejam elas públicas ou privadas. Dessa forma,
as unidades de informação também não poderiam se abster de utilizar esta ferramenta tão

3117

�valiosa e fundamental para atrair e cativar mais usuários, além de disseminar os seus produtos
e serviços realizados.

O impacto tecnológico é um dos aspectos mais importantes a ser considerado
quando falamos no processo de geração, processamento, armazenamento,
disseminação e recuperação da informação [...]. Do mesmo modo que as
bibliotecas não automatizadas, nas automatizadas os usuários precisam ser
orientados para o uso dos produtos e serviços oferecidos. A unidade de
informação precisa transmitir confiança, assegurando aos seus usuários uma
oferta de qualidade, sejam seus produtos e serviços manuais ou
automatizados. (AMARAL, 1998, p. 75-76)
A adesão do marketing em unidades de informação é uma forma de valorização do
profissional da informação, pois mostra o seu comprometimento, iniciativa, empreendimento
e pró-atividade melhorando assim, a sua imagem mediante o uso apropriado de técnicas para
fazer trocas adequadas, rompendo as barreiras na comunicação entre a biblioteca e seus
clientes, com o intuito de atender as necessidades informacionais dos mesmos.
Para divulgar os seus produtos e serviços, a biblioteca se utiliza de diferentes meios
em transmitir a informação para o seu usuário final ou em potencial. Sumários correntes,

newsletter, serviços de alerta, clipping são alguns exemplos de “produtos” criados com a
finalidade de avisar ao consulente a publicação de novos livros, artigos, periódicos ou
especificamente atualizá-lo a respeito sobre um determinado assunto a qual seja do seu
interesse.
Cabe ao bibliotecário, por meio de análise do perfil do seu público, utilizar o produto
mais adequado que seja relevante em satisfazer as necessidades de informação do usuário. O
profissional da informação deve ser ousado e criativo no uso dos recursos tradicionais como
também para desenvolver outros produtos e/ou serviços.
[...] a unidade de informação precisa conhecer seus competidores, o meio
ambiente em que está inserida. É necessário, também, saber selecionar as
oportunidades para agir e antecipar-se, a fim de alcançar resultados
positivos, satisfazendo as necessidades de informações dos usuários, com os
recursos disponíveis. (AMARAL, 1998, p.75)
Para que estes produtos sejam aproveitados em toda a sua plenitude usa-se os serviços
de disseminação seletiva da informação.

3118

�5 DISSEMINAÇÃO SELETIVA DA INFORMAÇÃO (DSI)
A disseminação seletiva da informação são serviços individuais com informação
selecionada, específica e direcionada a um determinado indivíduo ou grupo de usuários,
segundo as características de perfil atribuído a eles.
De acordo com Lunh (1961, p. 132), a DSI é “aquele serviço dentro de uma
organização que se refere à canalização de novos itens de informação, vindos de quaisquer
fontes, para aqueles pontos onde a probabilidade de utilização, em conexão com o interesse
corrente do usuário, seja alta” .
Segundo

o Dicionário

de Biblioteconomia

e Arquivologia

(2008,

p.

130),

disseminação seletiva da informação é
difusão automática, selecionada, permanente e personalizada de informações
correntes, relativas a assuntos específicos. A divulgação pode ser por meio
de índices, resumos, boletins, cópias de sumários e outros documentos
semelhantes; divulgação seletiva de informação, notificação seletiva.
Souto (2010, p. 11) define a disseminação seletiva de informações como
aquele processo que a partir do perfil individual ou de grupo, identificado
explícita ou implicitamente, encaminha, exibe e/ou disponibiliza, aos
usuários, um pacote informacional, resultante da seleção-realizada por meio
da ação humana, de um sistema automatizado ou da combinação de ambos a partir da comparação dos perfis dos usuários com os recursos
informacionais disponíveis.
Por serem mais presentes em bibliotecas especializadas, a DSI era mais voltada a
compilação de títulos e artigos de periódicos e sua distribuição era limitada a poucos usuários.
Com as novas tecnologias, o serviço de DSI evoluiu e se incorporou definitivamente no
ambiente digital, o que propiciou a diversificação das informações a serem divulgadas e
contribuiu ainda mais ao acesso à informação. Além disso, para o usuário, este serviço
personalizado, bem realizado é de fácil utilização e otimiza o tempo; para a instituição,
maximiza o aproveitamento dos recursos humanos e bibliográficos.
Longo (1978, p. 104) apud Eirão (2009, p. 23) relata que para o serviço de DSI seja
bem sucedido, ele deve estar relacionado na identificação do perfil do usuário e mais
especificamente na metodologia utilizada para a compilação dos dados. Segundo a autora,
esta coleta deve ser realizada por meio de uma “entrevista pessoal com o usuário, na qual é
feita uma narração por escrito de seu campo de atuação onde também são submetidas
palavras-chave e referências que melhor definam o seu interesse específico” .

3119

�A Disseminação Seletiva da Informação é uma ferramenta muito estratégica que
contribui no marketing da biblioteca, uma vez que ao antecipar a demanda de informação,
mostra que o bibliotecário está atento as inovações, atualizações de produtos ou serviços que
possam auxiliar o seu cliente final ou em potencial em uma tomada de decisão ou apenas
transmitir a informação, que está presente, mas não é direcionada para o usuário de que a
necessita.
Com a finalidade de compilar o maior número de informações de diversas fontes,
facilitar o seu uso e acesso e ao destinar a um público específico, uma forma de disseminação
seletiva da informação realizada é por meio da produção do Boletim Informativo.

6 BOLETIM INFORMATIVO
O Boletim informativo (newsletter em inglês) é um tipo de distribuição regular a
assinantes e pode abordar uma variedade de assuntos, bem como um tema específico.
Utilizam-se, cada vez mais, os boletins informativos, distribuídos como mensagem eletrônica,
os quais o usuário pode receber via Internet, após efetuar um cadastramento em algum site.
Eles são, geralmente, enviados por correio eletrônico, mas também podem ser enviadas por
SMS (Short Message Service), que em português significa serviço de mensagens curtas: e
MMS (Multimedia Messaging Service), um termo inglês que significa serviço de mensagens
multimídia.
Empresas, instituições e bibliotecas utilizam o Boletim Infomativo como forma de
divulgação de notícias, novidades e informações gerais. Esse tipo de comunicação poderá ser
útil para manter atualizados todos aqueles que tenham algum vínculo com as bibliotecas. É
também encarada como uma forma simples e barata de fazer publicidade, tendo a grande
vantagem que se pode considerar 'publicidade solicitada', uma vez que quem a recebe, se
inscreveu livremente na lista de destinatários e gostaria de receber informações não
específicas (não sendo propriamente obrigatório este aspecto) sobre a empresa. Esse tipo de
serviço pode, ainda, servir de base a estudos sobre tendências, comportamentos e gostos dos
seus usuários, levados a cabo pelas bibliotecas. Por vezes também, podem ser um tipo de
serviço de notificação da atualização de um tema, geralmente requisitada pelo visitante ao
preencher um formulário, o que o motiva a voltar ao site quando algo lhe interessar.

6.1 Boletim Informativo das bibliotecas do Colégio São Francisco Xavier
O Boletim Informativo é uma ferramenta de divulgação das atividades internas das
bibliotecas do Colégio São Francisco Xavier, apresentando-se em meio digital, em formato

3120

�p d f com publicação online na intranet da FSFX e divulgação por e-mail a todos os alunos,
professores,

coordenadores

e

demais

colaboradores.

Com

uma

periodicidade

quinzenal/mensal (varia de acordo com as demandas das bibliotecas), ele poderá vir
acompanhando de um suplemento temático, caso se justifique.
O Boletim Informativo foi lançado em Janeiro de 2014 com o objetivo de criar um
canal de difusão de informações relativas às novas aquisições, novidades, curiosidades, datas
comemorativas e assuntos de interesse dos usuários das bibliotecas do CSFX. Ressalta-se que
essa ferramenta segue a Proposta Pedagógica da instituição, uma vez que é por meio da
informação que os princípios estabelecidos, diponíveis a seguir, vão se consolidar.
I. princípios pedagógicos fundamentais para a ação educacional que
proporcionem ao educando “aprender a aprender, aprender a conhecer e
aprender a ser”;
II. princípios estéticos que estimulem a criatividade, a curiosidade, a emoção
e as diversas manifestações artísticas e culturais. (PROPOSTA
PEDAGÓGICA CSFX, 2014, p.11).
Um boletim informativo é o meio mais prático e econômico de manter os potenciais
usuários informados, mantendo-os conectados às bibliotecas da instituição.

6.2 Metodologia
Na biblioteca escolar não pode faltar o serviço de divulgação ou marketing, cuja
função é de combinar a capacidade do serviço com as necessidades dos usuários, de forma a
gerar uma ação proveitosa e retorno em termos de ganho e troca de valores com a comunidade
escolar. A divulgação do que a biblioteca representa e dos serviços que oferece é parte de um
processo que vai determinar o interesse da instituição naquele ambiente.
Como exemplo prático há o boletim informativo desenvolvido pelas bibliotecas do
CSFX, que consiste em divulgar os serviços prestados. Ele é originalmente elaborado no
programa corel draw e, posteriormente é transformado em formato pdf.

Em seguida é

encaminhado via e-mail, para os alunos, professores, coordenadores e funcionários técnicoadministrativos.
As informações selecionadas para compor o boletim variam de acordo com o mês
vigente e a demanda das bibliotecas. São retiradas informações de base de dados da área da
saúde (BIREME - Biblioteca Virtual em Saúde, LILACS - Literatura Latino-Americana e do
Caribe em Ciências da Saúde e MEDLINE - Literatura Internacional em Ciências da Saúde)

3121

�site da Fundação São Francisco Xavier, publicações online dos jornais locais e notícias
internas de prestação de serviços das bibliotecas do CSFX, as quais se destacam:
•

Exposição da imagem das capas dos livros recém-adquiridos;

•

Listas dos títulos novos em forma de referência bibliográfica, encaminhadas
aos orientadores/coordenadores da área para que circulem entre os professores
da instituição;

•

Divulgação seletiva dos títulos para os professores especialistas;

•

Divulgação no site da escola, onde se encontra um link disponível específico
da biblioteca;

•

Sugestões de leitura;

•

Práticas de vida saudável e sustentável;

•

Datas comemorativas;

•

Curiosidades, notícias, entrevistas e depoimentos.

A equipe responsável pela criação do Boletim é formada por um bibliotecário e duas
auxiliares de biblioteca, uma de cada unidade do CSFX. A elaboração pressupõe um
planejamento coordenado do trabalho:
•

Definir os objetivos do boletim e seus destinatários - público-alvo;

•

Definir as seções do boletim, seu estilo e formato;

•

Clareza com relação aos recursos disponíveis;

•

Determinar sua periodicidade e sua forma de divulgação;

•

Linguagem deve ser ágil, criativa e de fácil compreensão;

Boletim 1 : Biblionotícias

Fonte: Boletim Informativo do Colégio CFSX, ediçãode fevereiro de 2014.

3122

�Boletim 2: Biblionotícias

Graduada em Etom ediana. pós graduada em
Farm acologia e Tox&gt;coiogia. Jane atualmente leciona
no C S FX Técnico e é também professora universitária
Jane afirma a importância do livro “ Laboratóno Clínico
na formação do técnico em A nálises C lin icas
Conta ainda que este livro tem uma linguagem de fáol
compreensão possibilitando o aprendizado sobre vânas
técnicas das analises laboratoriais.

jemos tO pyP1HJ mkp
BòbOeca Professor Augusto Tavares de Rezende

Fonte: Boletim Informativo do CSFX, edição de març de 2014.

Boletim 3: Biblionotícias

A profesora Rosemeire esteve na biblioteca com os alunos da turma de Segurança do Trabalho módulo I
ministrando uma aula interessante sobre a utlli/açJk) dos livros como recurso importante em pesquisas
Na oportunidade, os alunos conheceram o espaço e o funcionamento da biblioteca
B ò kX eca P ro fe ssa Augusto Tavares de Rezende

Fonte: Boletim Informativo do CSFX, edição de abri de 2014.

3123

�Boletim 4: Biblionotícias
O ptimcika '^«ctta TTitiuOaf
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Assim Iam m o o um a d a s m a s
da am or q u a voo* lar* n a vida O livro é o ratraio d a um a rataçAo
rara a bata q u a rastsliu a o la s la d o lam po a d a s circunstAncia*
Com um an c am o qua
la 6 encontrado n a M aratura atual O
Dtarto d a um a P a u l o d a N d i o l a i S parks. o c o n sa g ra com o
sobra a m ais im portam # a m *ca am oçAo q u a no» m antém Com
m a a d a 12 m b O a s d a cOptas vendadas, o Irvro q u a em ocio nou a s
p a s s o a s a o rador d o m undo
ira d u n d o para
d a 20 línguas

NmÍsTi.
À primeira
MU

Tem os 3 ex em p lares d e ca d a .’i sua espera!
Bfckoleca Professor Aiiqjsto Tovares de Rezende

Fonte: Boletim Informativo do CSFX, edição de maio e 2014.

7 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Para identificar os possíveis resultados solicitaram-se depoimentos de vários usuários
sobre a importância do boletim para uso pessoal e profissional. Para corroborar a influência
do Boletim Informativo na instituição seguem as considerações da professora Jane Luíza dos
Santos, que leciona as disciplinas de Hematologia, Bioquímica, Farmacologia e Parasitologia
no CSFX-Técnico

O boletim informativo elaborado nas bibliotecas do CSFX é uma forma
interessante de divulgar o trabalho do professor e dos alunos, permitindo que
os conhecimentos adquiridos em sala possam ser repassados aos estudantes
de outros cursos. O professor tem a oportunidade de apresentar um livro e
relatar o conteúdo, além de fazer a indicação aos alunos. Os assuntos são
variados e escritos de forma clara e simples. O boletim da biblioteca
é útil, pois apresenta os livros aos alunos e, mesmo àqueles que não possuem
o hábito de frequentarem a Biblioteca, ficam informados! Isso estimula a
curiosidade e o interesse do aluno em basear seus trabalhos e pesquisas não
apenas na internet como fonte, aumentando a qualidade das pesquisas
apresentadas. Os temas escolhidos são importantes e atendem aos alunos de
todos os cursos que o CSFX-Técnico oferece. 356

356 SANTOS, Jane Luiza. (ianeluizabio@hotmail.com). Depoimento sobre Boletim Informativo [mensagem
pessoal]. Mensagem recebida por paulo.vitor@usiminas.com em 13 de maio 2014.

3124

�8 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A sociedade na atual conjuntura convive com uma imensidade de informações as quais
são registradas/apresentadas em diversos tipos de suportes. A facilidade de acesso à
informação com as novas tecnologias seja por meio de notbooks, tablets, smartphones aliados
à internet, permitem que o indivíduo fique conectado 24 horas por dia com os meios de
comunicação. A criação de aplicativos para os equipamentos supracitados, as redes sociais,
sites, blogs contribuem para que as pessoas realizem estudos, negócios, trabalho e
entretenimento.
No entanto, o excesso de informação disponibilizada, principalmente via internet, faz
também com que o cidadão se perca. Devido à falta de conhecimento mais especializado os
usuários desconhecem as fontes de informação que possuem um caráter de credibilidade
avaliada pelos profissionais específicos da área. Dessa forma, um usuário mais ingênuo fica
suscetível às informações de aspecto duvidoso e sofre um processo de desinformação, já que
ele está cercado de fontes, que nem sempre representam a veracidade e fidedignidade do
conteúdo nela exposto. O conjunto informacional, que era para ser esclarecedor, torna-se um
ambiente cheio de indagações.
O problema relacionado à abundância informacional iniciou-se com a criação da
imprensa de Gutenberg em 1492, mas sua explosão ocorreu após a Segunda Guerra Mundial
em 1945. Devido a grandes investimentos na área de pesquisa ocorreu um crescimento
exponencial de publicações em diversas áreas, o que inviabilizava o acesso, leitura e obtenção
do controle de todo o conteúdo divulgado.
A Disseminação Seletiva da Informação foi um serviço criado para sanar esse
problema informacional, ao direcionar aos usuários, apenas as informações por eles desejadas.
A partir disso, diversas ferramentas foram desenvolvidas com esse intuito. Ademais,
contribuíram para a expansão do marketing da unidade de informação de forma a atingir um
cliente em potencial e uma maior aproximação com o usuário final.
A Disseminação Seletiva da Informação tem como um dos seus produtos, o Boletim
Informativo, que consiste na reunião de assuntos distintos de interesse do público a qual foi
destinado. A forma de divulgação pode ser pelos meios impressos ou online, através de envio
por e-mail ou disponibilizado em sites ou intranet da instituição. Ao perceber essas vantagens,
as bibliotecas do Colégio São Francisco Xavier desenvolveram o seu próprio Boletim
Informativo, com o intuito de informar, entreter, fortalecer o marketing da biblioteca, além de
permitir aproximar mais o usuário da unidade de informação.

3125

�O bibliotecário seleciona as informações pertinentes que serão inseridas no Boletim
Informativo em base de dados, publicações online dos jornais locais e notícias internas de
prestação de serviços das bibliotecas, de forma a divulgar o trabalho realizado na unidade de
informação. A auxiliar de biblioteca contribui na fase de diagramação e envio por email e
hospedagem no site do colégio.
Percebe-se a importância do Boletim Informativo para a Disseminação Seletiva da
Informação, pois se tornou uma referência para os professores, alunos e colaboradores.
Funciona, ainda, como uma ferramenta de relacionamento que promove a integração entre as
Bibliotecas do CSFX e toda sua comunidade escolar, dando visibilidade aos serviços
prestados pelas bibliotecas, divulgando as ações culturais, projetos de incentivo à leitura, e
informações pertinentes voltadas ao público escolar ao qual se destina.
A biblioteca escolar é o ponto de partida, o marco inicial da vida acadêmica do
indivíduo, e, sendo assim, o que ele adquirir e aprender nessa fase o fará lembrar e o
alimentará, culturalmente, em toda a sua vida adulta.

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3127

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O boletim informativo das bibliotecas do Colégio São Francisco Xavier no município de Ipatinga (MG) como ferramenta de contribuição na disseminação seletiva da informação</text>
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                <text>Oliveira, Paulo Vitor, Pinheiro, Alejandro de Campos</text>
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                <text>Relata a importância do Boletim Informativo como ferramenta de divulgação de informações e atividades internas das bibliotecas do Colégio São Francisco Xavier. Aborda reflexões sobre os conceitos de Marketing em unidades de informação, bem como a relevância para a divulgação de produtos e serviços realizados pela biblioteca. Apresenta conceitos sobre a Disseminação Seletiva da Informação e os produtos que podem ser gerados, como o Boletim Informativo. Esse instrumento é produzido no meio digital em formato pdf com publicação online na intranet da Fundação São Francisco Xavier e encaminhado por e-mail a todos os alunos, professores, coordenadores e demais colaboradores. Objetiva-se criar um canal de difusão de informações de interesse dos usuários. As informações selecionadas para compor o boletim variam de acordo com o mês vigente e a demanda das bibliotecas. São retiradas informações de base de dados da área da saúde, publicações online dos jornais locais do município de Ipatinga e informações relevantes direcionadas à comunidade escolar. Pretendese identificar, por meio desta pesquisa, se o Boletim Informativo atende a antecipação à demanda dos seus usuários, qual a importância dele para a instituição, se ele de fato é um instrumento que contribui na difusão da informação para alunos, professores e outros profissionais da instituição, se fortalece o marketing e a área de atuação das bibliotecas.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O BIBLIOTECÁRIO INOVADOR

Valéria Martin Vails

RESUMO
Apresenta uma breve análise sobre a inovação em bibliotecas e discute oportunidades para
que o bibliotecário possa assumir uma nova postura pessoal e profissional frente às novas
demandas, discutindo inclusive caminhos para intensificar o potencial inovador do
bibliotecário. Realizou-se no âmbito teórico, com base em revisão de literatura realizada a
partir da consulta às principais fontes de informação da área de Ciência da Informação e
considerou também a experiência da autora como docente de graduação e pós-graduação em
temas diretamente ligados ao objeto deste trabalho. Como resultados parciais apresentou uma
coletânea de questões consideradas contemporâneas para ajudar o bibliotecário a repensar os
produtos e serviços de informação, podendo servir de impulso para a inovação na biblioteca e
concluiu que a inovação é perfeitamente aplicável à realidade das bibliotecas e merece
atenção por parte de seus gestores.
.Palavras-Chave: Inovação; Bibliotecário inovador.

ABSTRACT
Presents a brief analysis of innovation in libraries and discusses opportunities for librarians to
take on a new personal and professional attitude in the face of new demands, including
discussing ways to strengthen the innovative potential of the librarian. Was held in the
theoretical framework, based on the literature review from the query to the main sources of
the area of information science information and also considered the author's experience as a
teacher of undergraduate and graduate students on topics directly related to the object this
work. As partial results showed a collection of contemporary issues considered to help
librarians to rethink the information products and services, and can serve as impetus for
innovation in library and concluded that innovation is very applicable to the reality of libraries
and deserves attention from their managers.

Keywords: Innovation; Innovative librarian.

1 INTRODUÇÃO
O conceito de inovação normalmente está relacionado a ideias criativas, com alto
poder de transformação, sustentado por equipes altamente motivadas a olhar a realidade sob
novos prismas. Nesse sentido, inovar parece estar sempre ligado a fazer algo novo e

3107

�renovado... O que é perfeitamente aplicável a qualquer realidade, inclusive na prática
profissional do bibliotecário.
O presente trabalho pretende realizar uma breve análise sobre essa questão e discutir
oportunidades para que o bibliotecário possa assumir uma nova postura pessoal e profissional
frente às novas demandas, especialmente às relacionadas à inovação, discutindo inclusive
caminhos para intensificar o potencial inovador do bibliotecário.

2 REV ISÃ O DE LITER A TU R A
Analisando a literatura sobre o tema, descobrimos que a palavra “inovar” deriva do
latim in+novare, que significa “fazer novo”, renovar ou alterar (SAKAR, 2007, p. 29). Dessa
forma, a inovação pode compreender algo completamente novo ou algo remodelado, a partir
de algo já existente. Sob o enfoque administrativo, se relaciona a ter um conceito original, ou
muitas vezes, aplicar as ideias de outras pessoas em novidades ou de uma forma nova. Nesse
sentido, a inovação pode ser de vários tipos, desde o lançamento de novos produtos ou
serviços, melhoria de algo que já existe ou inovação organizacional, que otimiza a eficiência
da Organização. Embora seja algo certamente complexo, a inovação também pode ser
considerada uma habilidade de estabelecer relações, buscar oportunidades e tirar o máximo de
proveito destas (TIDD; BESSANT; PAVITT, 2008).
Inovação, portanto, envolve criatividade e ideias novas, mas, além disso, é necessário
que estas sejam implementadas e que tenham o seu impacto dimensionado. Um serviço
inovador na biblioteca, por exemplo, pode ser excelente, mas financeiramente inviável e
dependente de um só funcionário, o que torna essa inovação impraticável. Desta forma:
independente do tipo de inovação, se de pequena melhoria ou radical, se de
processo ou de produto, há uma sequência lógica, iniciada pelo surgimento
da ideia até sua implementação [...] Algumas ideias surgem e são
implementadas quase instantaneamente pelo próprio funcionário ou por seu
superior funcional imediato. Outras requerem anos de pesquisa,
monitoramento do ambiente, subcontratação de outras empresas e pesquisas
intensas com consumidores (TERRA, 2007, p. 23).
Os conceitos apresentados são interessantes para percebermos que, além da nova ideia
isoladamente, precisamos com certeza de um ambiente inovador, ou seja, processos, pessoas e
estruturas que apoiem a efetiva implantação da inovação e que garantam sua longevidade.
Também é primordial que o ambiente favoreça a colaboração e que de fato reconheça e
premie aqueles que têm ideias inovadoras e também aqueles que viabilizem a sua
implantação. Os colaboradores, certamente, devem estar preparados para a inovação,

3108

�predispostos a repensar a realidade e a evoluir suas atividades de acordo com as necessidades
dos clientes ou do ambiente organizacional.
Nesse contexto, considerando que a sociedade está em acelerada transformação, os
bibliotecários precisam com certeza estar antenados às transformações da comunidade a qual
atendem, identificando e gerenciando de maneira efetiva as novas necessidades e
expectativas. Não é incorreto afirmar que a inovação sempre esteve presente na biblioteca, já
que com a evolução dos suportes e das técnicas de tratamento e organização da informação e
do próprio usuário, a biblioteca (como qualquer outro sistema aberto), sofreu e continua
sofrendo impactos diretos e indiretos de vários elementos. Porém, de alguma forma, a
inovação nas bibliotecas foi impulsionada pelo uso das Tecnologias da Informação e
Comunicação (T IC s):

Com o uso das TICs as bibliotecas inovaram produtos e serviços, a noção de
valor agregado a informação ganha corpo, as bibliografias foram substituídas
por bases de dados, os levantamentos bibliográficos feitos através da cópia
xerográfica das fichas catalograficas são realizadas em pouco s minutos em
catálogos digitais, os boletins ou listas de novas a aquisições agora são
elaborados com ferramentas do software (sistema) de gerenciamento da
biblioteca e disponibilizados pelo próprio sistema, a consulta ao catálogo,
livros e periódicos eletrônicos podem ser feitos de qualquer lugar que tenha
acesso a internet, suprimindo assim a distância entre a informação e seu
usuário (RIBEIRO, 2012, p. 44).

A tecnologia certamente atua como um grande facilitador dos processos de inovação
na biblioteca e ganha cada vez mais importância, principalmente diante das mudanças sociais
que alteraram o estilo de vida da sociedade, cada vez mais antenada às questões tecnológicas.
Mas será que além da implantação de novos produtos e serviços utilizando as T I C s o
bibliotecário não pode ampliar a inovação em seu ambiente profissional, quebrando velhos
padrões e reinventando sua forma de atuação, inclusive para garantir seu bom posicionamento
profissional?
Com certeza a resposta a esse questionamento é sim, a inovação pode e deve ser uma
aliada às práticas gerenciais do bibliotecário, considerando a “inovação como um fator
estratégico para aprimorar os serviços já existentes, bem como para garantir sua
sustentabilidade” (GUILEM; TORINO; TAVARES, 2013, p.8). Reforçando essa afirmação:

3109

�Com o desenvolvimento tecnológico e as mudanças que ocorrem quase que
diariamente na sociedade os usuários buscam nas bibliotecas informação
fornecida de maneira mais rápida e atualizada, com isso os bibliotecários
tem que se adaptar a esta nova demanda, é preciso traçar um novo perfil
deste profissional da informação, alem de necessitar dos requisitos já
conhecidos como atenção, criatividade, paciência, conhecimento técnico
etc., ele deve desenvolver seu lado empreendedor (RIBEIRO, 2013, p. 1).
Cabe ao bibliotecário, portanto, buscar caminhos para ampliar a inovação na
biblioteca, o que certamente passa por um entendimento maior das oportunidades e desafios
relacionados a essa prática.

3 M A TER IA IS E M ÉTO D O S
A presente pesquisa realizou-se no âmbito teórico, com base em revisão de literatura
realizada a partir da consulta às principais fontes de informação da área de Ciência da
Informação, especialmente em comunicações de eventos. Além disso, considerou também a
experiência da autora como docente de graduação e pós-graduação em temas diretamente
ligados ao objeto deste trabalho.

4 RESULTADOS PA RCIA IS/FIN A IS
O bibliotecário deve estar em constante adaptação ao seu ambiente profissional, em
especial acompanhando as necessidades e expectativas dos usuários:
Neste contexto, infere-se que os profissionais que trabalham em Bibliotecas
e que tem como matéria-prima a informação, tenham a capacidade de lidar
de forma criativa com a disseminação do conhecimento. O bibliotecário,
além de ser um dinamizador, precisa ser um facilitador de informação
(GUILEM; TORINO; TAVARES, 2013, p. 9).

Apoiando a citada disseminação do conhecimento e com o objetivo de gerar ideias e
novos olhares em relação às práticas profissionais o Quadro 1 apresenta uma coletânea de
questões consideradas contemporâneas para ajudar o bibliotecário a repensar os produtos e
serviços de informação, podendo servir de impulso para a inovação na biblioteca:

3110

�Quadro 1 - Oportunidades de inovação na Biblioteca
A sp ecto

D e sc riçã o

C an ais d e co m u n ica çã o
m a is á g eis e efica zes

Considerando a comunicação em todos os seus aspectos: gestorEntidade
mantenedora,
gestor-colaboradores,
bibliotecausuários/comunidade, etc.
Já são realidade em diversas sistemas de bibliotecas os consórcios e
práticas colaborativas, como forma de otimizar os recursos
disponíveis.
A biblioteca acolhedora, com espaços disponíveis para seus diferentes
públicos e necessidades.
Cada vez mais a biblioteca atuará como um link entre as fontes de
informação e seus usuários.

C o la b o ra çã o n as p rá tica s
p ro fissio n a is
E sp a ço s físico s a co lh ed o res
e a cessív eis
Im p u lsio n a r o a ce sso , não
n ece ssa ria m en te
a
fo rm a çã o de acervo
In clu sã o cu ltu ra l, social e
d igital

In ter a çã o
do
físico
(p resen cia l) ao v irtu a l
M o d er n iza ç ã o das p rá tica s
g eren cia is
P ro d u to s
e
serviços
cen tra d o s no u su á rio /
clien te
N o v o s p ro d u to s e serviços
d e in fo rm a çã o

Ampliar as funções da biblioteca, não se restringindo apenas a
disponibilização da informação, mas também como centro de inclusão
e de aprendizagem, tendo como pano de fundo a responsabilidade
social.
As mídias sociais estão cada vez mais ganhando espaço nas
bibliotecas e o planejamento das bibliotecas híbridas já é uma
realidade.
Alguns temas estão ganhando cada vez mais espaço, como
empreendedorismo, sustentabilidade e colaboração.
Qualificar os estudos de usuário e implantar mecanismos eficazes para
o gerenciamento das manifestações dos usuários.

Principalmente com o apoio das ferramentas tecnológicas alguns
produtos e serviços clássicos podem ser repensados como o serviço de
referência, os catálogos, os empréstimos, etc.
Fonte: Elaborado pela autora com base em DUDZIAK (2009), GUILEM; TORINO;
TAVARES (2013) e MAMMO (2010).

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Diante desse cenário, é recomendável que os bibliotecários estruturem processos de
inovação e implantem ferramentas apropriadas à coleta de informações de seus usuários, para
garantir que suas manifestações sejam recebidas, analisadas e, sempre que possível, atendidas.
Para garantir a eficácia dos processos de gestão, a equipe deve ser qualificada e estar sempre
informada, para que seja possível a identificação do seu grau de satisfação, do seu
comprometimento, motivação e entusiasmo!
A inovação é perfeitamente aplicável à realidade das bibliotecas e merece atenção por
parte de seus gestores, para que os produtos e serviços oferecidos aos usuários dessas
bibliotecas de fato agreguem valor, contribuindo para o seu o avanço pessoal, social e
profissional.

3111

�6 REFERÊNCIAS
DUDZIAK,

E.

Portais de Bibliotecas Universitárias e os novos contextos de

aprendizagem . In: ENCONTRO DE BIBLIOTEC@RIOS DA UNEB-EBU, 3. Salvador,
2009.

Disponível

em:

&lt;http://pt.slideshare.net/elisabeth.dudziak/portais-de-bibliotecas-

universitarias-e-os-novos-contextos-de-aprendizagem-uneb-2009&gt;. Acesso em 14 maio 2014.
GUILHEM, C. B.; TORINO, L. P. e TAVARES, H. Um olhar sobre inovação em bibliotecas
universitárias:

desafios

e

possibilidades.

In:

CONGRESSO

BRASILEIRO

DE

BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 25., 2013,
Florianópolis.

Anais...

Florianópolis,

2013.

Disponível

em:

&lt;

http://portal.febab.org.br/anais/article/view/1645 &gt;. Acesso em 14 maio 2014.
MAMMO, Y. Haramaya University Library and Information Services: Looking Back and
Look Forward. The International Information &amp; Library Review , v. 42, p. 14-26, 2010.
RIBEIRO, R. M. A tecnologia da informação e comunicação (TIC): fator condicionante da
inovação em bibliotecas universitárias. Revista Digital de Biblioteconomia &amp; Ciência da

Informação,

Campinas,

v.

9,

n.

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Disponível

em:

&lt;http://www.sbu.unicamp.br/seer/ojs/index.php/rbci/article/view/557&gt;. Acesso em 14 maio
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RIBEIRO, R.M.R. Inovando o Serviço de Referência através das novas tecnologias de
Informação e Comunicação. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA,
DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 25., 2013, Florianópolis. Anais...
Florianópolis, 2013. Disponível em: &lt; http://portal.febab.org.br/anais/article/view/1305&gt;.
Acesso em 14 maio 2014.
SAKAR, S. Inovação: metamorfoses, empreendedorismo e resultados. In: TERRA, J.C.C.
(Org.). Inovação: quebrando paradgimas para vencer. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 27-31.
TERRA, J.C.C. Processos de inovação. In: TERRA, J.C.C. (O rg). Inovação: quebrando

paradigmas para vencer. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 23-25.
TIDD, J.; BESSANT, J., PAVITT, K. Gestão da inovação. 3.ed. Porto Alegre : Bookman,
2008. p.23-38.
VALLS, V. A Gestão da Inovação na Biblioteca Acadêmica . Humus News Educação,
agosto de 2013. Disponível em: &lt; http://www.humus.com.br/news/inovacao22.htm&gt;.

3112

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              <name>Coverage</name>
              <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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      <name>Event</name>
      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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            <name>Title</name>
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                <text>O bibliotecário inovador</text>
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                <text>Apresenta uma breve análise sobre a inovação em bibliotecas e discute oportunidades para que o bibliotecário possa assumir uma nova postura pessoal e profissional frente às novas demandas, discutindo inclusive caminhos para intensificar o potencial inovador do bibliotecário. Realizou-se no âmbito teórico, com base em revisão de literatura realizada a partir da consulta às principais fontes de informação da área de Ciência da Informação e considerou também a experiência da autora como docente de graduação e pós-graduação em temas diretamente ligados ao objeto deste trabalho. Como resultados parciais apresentou uma coletânea de questões consideradas contemporâneas para ajudar o bibliotecário a repensar os produtos e serviços de informação, podendo servir de impulso para a inovação na biblioteca e concluiu que a inovação é perfeitamente aplicável à realidade das bibliotecas e merece atenção por parte de seus gestores.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O BIBLIOTECÁRIO ESPECIALISTA EM PESQUISA BIBLIOGRÁFICA NA ÁREA
DA SAÚDE E SUA ATUAÇÃO NO DESENVOLVIMENTO DA COMPETÊNCIA
INFORMACIONAL DOS USUÁRIOS
Amanda Damasceno de Souza
Mariana Ribeiro Fernandes
Mariza Cristina Torres Talim
RESUMO
Este trabalho aborda a complexidade da informação em saúde e a atuação do bibliotecário na
promoção da competência informacional dos usuários por causa da necessidade cada vez
maior da biblioteca assumir essa função. A competência informacional objetiva formar
indivíduos capazes de determinar quais são as suas necessidades informacionais, e que sejam
capazes de elaborar estratégias de busca da informação com a finalidade de suportar uma
tomada de decisão. Neste contexto, o bibliotecário da área de saúde precisa ter conhecimento
de temas tais como Medicina baseada em evidências e ontologias biomédicas para
desenvolver as habilidades necessárias que os tornem capazes de promover a competência
informacional de seus usuários.O objetivo desta pesquisa foi apontar quais são as
competências necessárias ao bibliotecário que atua em bibliotecas universitárias da área de
Saúde. O problema de pesquisa aborda o que é necessário ao bibliotecário para que ele atue na
promoção da competência infomacional. Como metodologia foi realizada uma pesquisa
bibliográfica sobre: competência informacional, informação em saúde e bibliotecário clinico.
Apresentam-se, como resultados preliminares, uma lista com as competências do bibliotecário
que atua em unidades de informação de organizações de saúde, bem como o reconhecimento
de que o bibliotecário precisar conhecer e ser capaz de contribuir para o desenvolvimento de
ontologias que é objeto de estudo da Ciência da Informação. Conclui-se que o bibliotecário da
área de saúde precisa desenvolver as habilidades necessárias para ter competência
informacional e para poder ajudar aos usuários de bibliotecas universitárias.
Palavras-Chave: Competência informacional. Informação em saúde. Bibliotecário clínico.
Ontologia biomédica.
ABSTRACT
Addresses the complexity of information on health and the role of the librarian in promoting
information literacy from library’s users. The Information literacy goal is enable individuals
to find what their information needs are, and to be able on doing a search about information
for support a decision. In this context, the librarian that works on healthcare organizations
need to have knowledge of topics such as evidence-based medicine and biomedical
ontologies, to develop the necessary skills that will enable them to promote information
literacy of their users. The goal of this study was to point out what are the skills required from
the librarian who works in university libraries in the Health field. The research problem deals
with what are the important skills for the librarian that works in promotion of information

3100

�literacy. The methodology was a literature review about: Information literacy, health
information and clinical librarian. As preliminary results, were presented a list of skills
necessary to works in information units of healthcare organizations, as well as the recognition
that librarians need to know to be able to contribute to the development of ontologies that,
nowadays is one of the main study of Information Science. In conclusion, the clinical librarian
needs to develop skills to work with information literacy and to help university library’s users
on developing their own information literacy ability.
Keywords: Information literacy. Information on health. Clinical librarian.Biomedical
ontology.

1 INTRODUÇÃO
O diagnóstico de uma doença leva à procura de informações sobre esta. Nos dias de
hoje, a Internet é cada vez mais utilizada como fonte para todos os tipos de informação,
incluindo doenças.

Neste contexto segundo Biermann et al. (1999 citado por SOUZA;

SANTOS, 2013, p.):
[...] nós estamos vivendo na era da expansão exponencial do acesso a
informação médica. Informações que antes requeriam horas de pesquisas nas
bibliotecas, agora podem ser encontradas facilmente por qualquer pessoa que
tenha acesso a internet.

Porem toda a facilidade em acessar informações médicas pela internet, tem gerado
discussões sobre a sua qualidade. Isto se deve ao fato de a internet permiter que qualquer
pessoa que possua habilidade com as ferramentas do computador disponibilize informações,
que na maioria das vezes não são corretas. Devido a esta grande quantidade de informações
médicas de fontes duvidosas, torna necessário uma avaliação crítica do usuario da informação
em saúde ao buscar um estudo para uma questão clínica. A busca pela melhor evidência em
saúde na literatura é uma tarefa difícil, que exige tempo, habilidades específicas, estratégias
de busca e ferramentas adequadas que utilizem filtros de qualidade para a pesquisa
bibliográfica (FELBER, 2000). Neste contexto as biblitecas universitarias da área da saúde
apresentam um papel fundamental na capacitação e treinamento do usuário na busca pela
melhor evidencia, onde o bibliotecario terá um papel fuindamental na promoção da
competencia informacional de seus usuários. Assim coloca-se a questão: quais as
competencias necessária ao bibliotecario para a promoção da competência informacional de
usuarios de bibliotecas universitárias da área da saúde?
Como problema de pesquisa coloca-se como um questionamento de quais são as
competências necessárias ao bibliotecário para que ele atue na capacitação de usuários de
bibliotecas universitárias da área da saúde, buscando desenvolver nesses usuários a

3101

�competência informacional necessária para a sua busca por informação em meio a
complexidade da informação em saúde. O trabalho de justifica pela necessidade cada vez
maior da biblioteca assumir uma função no desenvolvimento de competências informacionais
de seus usuários. Objetivo do estudo é apontar na literatura as competências necessárias ao
bibliotecário que atua em bibliotecas universitárias da área da saúde.

2 REVISÃO DE LITERATURA
No Brasil o termo competência informacional segundo Campello (2003) ainda está em
construção e foi mencionado pela primeira vez por Caregnato em 2000 que o traduziu como
“alfabetização informacional”. A “information literacy”, termo utilizado no cenário
internacional, apresenta outras expressões sinônimas como: alfabetização informacional,
letramento, literacia, fluência informacional, competência em informação e competência
informacional, este último é o mais adotado no Brasil atualmente. Dudziak (2003, p. 28),
define competência informacional como:
processo contínuo de internalização de fundamentos conceituais, atitudinais
e de habilidades necessário à compreensão e interação permanente com o
universo informacional e sua dinâmica, de modo a proporcionar um
aprendizado ao longo da vida.

A competência informacional objetiva formar indivíduos capazes de determinar as
suas necessidades informacionais para suportar uma tomada de decisão. Tornando-os aptos
para manusear de forma efetiva as fontes eficazes de informação e possibilitando maior
familiarização com mídias variadas como jornais, revistas, bases de dados e Internet.
Outras habilidades destacadas por Dudziak (2003) são:

capacidade de avaliar

informações criticamente transformando-a em valores e conhecimento,

utilização e

comunicação da informação, gerando novas informações e criando novas necessidades.
Na atual sociedade da informação e do conhecimento, a biblioteca universitária passa
a assumir importante função no desenvolvimento de competências informacionais de seus
usuários. A crescente quantidade e complexidade de fontes de informação na WEB e o
desenvolvimento das novas tecnologias obriga todos os profissionais a adquirir novas
habilidades para o uso da informação e a conseqüente geração do conhecimento.
Para formar essas competências nos usuários, o bibliotecário tem papel relevante. Ele
deve agir como educador para desenvolver nos usuários o conjunto de capacidades que
tornam possível a aquisição da competência informacional. Porém, isso exige que o
bibliotecário desenvolva nele mesmo um conjunto de competências específicas.

3102

�Se essa é a realidade em qualquer área do conhecimento, nas Ciências da Saúde esta é
ainda mais forte, pois seus recursos documentários estão em constante atualização e
renovação científica. Dessa forma os profissionais da área de saúde para terem êxito, precisam
estar em uma contínua aprendizagem. Esses profissionais necessitam desenvolver habilidades
e competências para atuar de forma efetiva com a informação, aproveitando com êxito as
possibilidades que as novas tecnologias da informação e da comunicação oferecem,
dominando o processo de conversão de informação e conhecimento.
Cabe ao profissional bibliotecário especializado em informação em saúde
desempenhar um importante papel visando o desenvolvimento de habilidades e
conhecimentos específicos para assim contribuir para o desenvolvimento de competências
informacionais junto aos profissionais da área da saúde.
Outro fator importante que o bibliotecário da área da saúde precisa ter conhecimento é
a Medicina Baseada em Evidencia (MBE). A MBE adota técnicas oriundas da ciência,
engenharia e estatística tais como: meta-revisões da literatura existente (também conhecidas
como meta-análises), Análise de risco-benefício, Experimentos clínicos aleatorizados e
controlados, Estudos naturalísticos populacionais, dentre outras (ATALLAH, 1997).
A MBE luta para que todos os médicos façam segundo Atallah (1997) "uso
consciencioso, explícito e judicioso da melhor evidência atual" quando fazem decisões em seu
trabalho de cuidado individual dos pacientes. É válido ressaltar que esta prática consiste em
um mecanismo de busca, avaliação e uso de novos métodos em medicina como base para a
prática médica. Tal prática é de extrema importância para o trabalho médico, pois além de
agregar muito valor ao atendimento médico, pode ser a solução final para o diagnóstico e
análises clínicas difíceis de serem diagnosticadas (SANTOS; PIMNTA; NOBRE, 2007).
A MBE não é considerada uma especialidade, mas um mecanismo que através do
bibliotecário, torna-se um conjunto de instrumentos para auxiliar a equipe médica quando da
existência de dúvida em um diagnostico, prognostico ou no tratamento de doença em qualquer
área que ele atue. A MBE se apóia em três áreas básicas: epidemiologia clínica, bioestatística
e informática médica (WOLF, 2002). Com o conhecimento da MBE o bibliotecário poderá
estabelecer critérios de estratégia de busca que facilitarão ao usuário o processo de tomada de
decisão em uma situação clínica ou no seu processo de pesquisa docente/discente.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
O presente estudo descreveu uma pesquisa em andamento no âmbito do mestrado da
Escola de Ciência da informação (ECI) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG),

3103

�assim como procedimentos metodológicos realizou-se uma pesquisa Bibliográfica sobre as
temáticas: Competência informacional e bibliotecário clinico. Segundo Gil (1994), a pesquisa
foi classificada como: pesquisa qualitativa; do ponto de vista dos objetivos: pesquisa
exploratória;do ponto de vista dos procedimentos técnicos: pesquisa bibliográfica por ser
elaborada a partir de material já publicado, como livros,artigos, periódicos, Internet, etc A
pesquisa bibliográfica foi realizadas entre agosto de 2013 e março de 2014. Para a busca por
literatura para suporte a fundamentação teórica em base de dados, foi utilizado descritores nos
idiomas inglês e português, nas seguintes fontes de informação: Portal de Pesquisa da BVS Biblioteca Virtual em Saúde, Medline via PUBMED, Portal Capes, CiteseerX, Biblioteca
Digital de Teses e Dissertações da UFMG.

4 RESULTADOS PARCIAIS
O profissional bibliotecário da área da saúde deve aplicar suas habilidades e
competências na busca de informações oriundas de diversas origens e fontes a fim de atender
as demandas não apenas oferecendo respostas às perguntas dos usuários em qualquer lugar
onde haja um computador com acesso a recursos eletrônicos, porém, participando segundo
Martínez-Silveira (2005, p. 23):
[...] de equipes médicas em clínicas e hospitais, ou atuar como professor,
treinando e desenvolvendo as habilidades dos estudantes e dos médicos [e da
equipe médica]em sua atividade profissional (MARTÍNEZ-SILVEIRA,
2005, p. 23).

É nesse contexto que a IFLA (2004) lista as seguintes competências do bibliotecário
que atua em unidades de informação de organizações de saúde, quais sejam:
a) um completo conhecimento sobre biblioteconomia, incluindo uma formação em
administração e gestão;
b) habilidades de organização;
c) habilidades em leitura e biblioterapia;
d) conhecimentos clínicos, sobre doenças e necessidades dos enfermos;
e) conhecimentos sobre a terminologia da área da saúde;
f) habilidade de falar e escrever claramente, incluindo a habilidade para definir a contribuição
da biblioteca aos pacientes;
g) bom juízo e certa flexibilidade;
h) habilidade com as novas tecnologias, especialmente em softwares relacionados aos
serviços bibliotecários;

3104

�i) devem ser pacientes, afáveis, compreensivos e com forte empatia e capacidade de escutar.
Além das competências citadas acima, atualmente faz-se necessário que o
bibliotecário que atua na área de saúde possa lidar com Sistemas de Organização do
Conhecimento (SOC) como as ontologias, devido a sua grande aplicabilidade no campo
biomédico. Campo este que demanda cada vez mais por instrumentos com maior capacidade
semântica para melhor representar a enorme quantidade de termos médicos. O maior desafio
em facilitar a recuperação de dados é a necessidade de uma linguagem comum para descrever
os termos científicos, para que o computador possa vasculhar a Internet e assim descobrir
automaticamente as informações relevantes, além disso, ser capaz de comparar essas
informações com dados similares de outras fontes, assim as ontologias surgem um recurso
para essa necessidade (WASHINGTON; LEWIS, 2008).
Schulz e Jansen (2013, p.132) relatam que os sistemas de apoio à decisão médica
auxiliam a busca pela evidência clínica nos domínios do conhecimento médico e os autores
ressaltam que “por um longo tempo o suporte a decisão médica tem sido apoiado por sistema
baseados em conhecimento”. Com o crescente número de publicações e a diversidade
terminológica médica, torna-se necessário o desenvolvimento de SOC que melhor represente
esta informação. Assim as ontologias por sua forte aplicabilidade na área de biomédica, se
apresentam como uma alternativa para este problema. O bibliotecário precisar conhecer e ser
capaz de contribuir para o desenvolvimento de ontologias que é objeto de estudo da Ciência
da Informação (CI).

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
Para realizar uma busca por informação em saúde de forma satisfatória é necessário
passar por cada etapa do levantamento bibliográfico: a escolha do assunto, do termo, da fonte
de informação e a avaliação desta fonte, a disponibilidade dos estudos e avaliação deste. Este
processo muitas vezes é demorado, caro e complexo. Assim a ajuda de um bibliotecário que
possua as habilidade da competência informacional torna-se muito importante para propiciar
acesso à informações relevantes e metodologicamente adequadas aos usuários de informações
em saúde. Este profissional possui habilidades em selecionar estudos a partir de fontes
adequadas de informação. É válido ressaltar que este profissional é um especialista na área e
seu conhecimento é adquirido ao longo de sua experiência profissional o que mostra a
carência de cursos de capacitação e especialização na área. O bibliotecário da área de saúde
precisa desenvolver as habilidades necessárias para sua formação na

competência

informacional e dos usuários de bibliotecas universitárias.

3105

�6 REFERÊNCIAS
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saúde.São Paulo: Bib. Cochrane, 1997. 140p.
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CAMPEELO, B. O movimento da competência informacional: uma perspectiva para o
letramento informacional. Ci. Inf., Brasília, DF, v. 32, n. 3, p. 28-37, set./dez. 2003.
DUDZIAK, E.A. Information literacy: princípios, filosofia e prática. Ci. Inf., Brasília , v.
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GIL, AC. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 4.ed. São Paulo: Atlas, 1994. 207p.
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comportamento do médico-residente. 2005. 184f. Dissertação (Mestrado em Ciência da
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SANTOS, R.N.R.. Competência informacional no âmbito das bibliotecas de organizações
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3106

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Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Este trabalho aborda a complexidade da informação em saúde e a atuação do bibliotecário na promoção da competência informacional dos usuários por causa da necessidade cada vez maior da biblioteca assumir essa função. A competência informacional objetiva formar indivíduos capazes de determinar quais são as suas necessidades informacionais, e que sejam capazes de elaborar estratégias de busca da informação com a finalidade de suportar uma tomada de decisão. Neste contexto, o bibliotecário da área de saúde precisa ter conhecimento de temas tais como Medicina baseada em evidências e ontologias biomédicas para desenvolver as habilidades necessárias que os tornem capazes de promover a competência informacional de seus usuários.O objetivo desta pesquisa foi apontar quais são as competências necessárias ao bibliotecário que atua em bibliotecas universitárias da área de Saúde. O problema de pesquisa aborda o que é necessário ao bibliotecário para que ele atue na promoção da competência infomacional. Como metodologia foi realizada uma pesquisa bibliográfica sobre: competência informacional, informação em saúde e bibliotecário clinico. Apresentam-se, como resultados preliminares, uma lista com as competências do bibliotecário que atua em unidades de informação de organizações de saúde, bem como o reconhecimento que o bibliotecário precisar conhecer e ser capaz de contribuir para o desenvolvimento de ontologias que é objeto de estudo da Ciência da Informação. Conclui-se que o bibliotecário da área de saúde precisa desenvolver as habilidades necessárias para ter competência informacional e para poder ajudar aos usuários de bibliotecas universitárias.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O BIBLIOTECÁRIO E A PRÁTICA DA NORMALIZAÇÃO DE TRABALHOS

Kélia Rachel Silva
Suenia Oliveira Mendes

RESUMO
O presente estudo aborda a normalização de trabalhos acadêmicos como instrumento de
construção de conhecimento. Teve como objetivo investigar a percepção de docentes e
discentes sobre a importância da normalização bibliográfica de trabalhos escolares
desenvolvidos pela Biblioteca do Colégio Universitário (COLUN) da Universidade Federal
do Maranhão (UFMA). A pesquisa foi descritiva com abordagem qualitativa, feita com 80
alunos e 15 professores do COLUN/UFMA. A investigação aconteceu entre os anos de 2013
e 2014. Constatou-se que docentes e discentes consideram importante a utilização das normas
técnicas da ABNT, mas apesar disso os alunos não demonstram interesse em aplicá-las nos
seus trabalhos, visto que essa não é uma exigência do corpo docente da escola. A
normalização bibliográfica objetiva muito mais do que a padronização da sua estrutura, ela
possibilita que o aluno apresente o resultado da sua pesquisa com clareza de ideias e o prepara
para refletir, pois escrever não é copiar, escrever é exercer a cidadania por meio do registro de
suas interlocuções com o conhecimento.
Palavras-Chave: Normalização; Trabalhos escolares; Prática biblitecária; Prática pedagógica
pratice; Biblioteca escolar.
ABSTRACT
This study addresses the standardization of academic papers as a tool for knowledge
construction. Aimed to investigate the perception of teachers and students about the
importance of the bibliographic standardization of schoolworks developed by the Library of
Colégio Universitário (COLUN) of the Universidade Federal do Maranhão (UFMA). The
research was descriptive qualitative approach developed with 80 students and 15 teachers of
COLUN/UFMA. The research took place between the years 2013 and 2014. Was found that
teachers and students consider important the use of technical standards of ABNT, but despite
that students do not show interest in applying them in their work, since this is not a exigency
of the teachers. The bibliographic standardization objective more than the standardization of
works structure. It enables the student to show the results of their research with clear ideas
and prepares to reflect, because writing is not copy, writing is practice citizenship through
registration of their interlocution with the knowledge.
Keywords: Standardization; Schoolworks; Librarian practice; Pedagogical practice; School
library

3088

�1 INTRODUÇÃO
A Biblioteca Escolar é um espaço de interação entre aluno, professor e bibliotecário. A
relação entre esses atores contribui para que a Biblioteca se torne um ambiente de estímulo e
apoio ao processo ensino-aprendizagem e proporcione a inserção de novas práticas
pedagógicas, como é o exemplo da normalização de trabalhos escolares.
Fragoso (2002, p. 125) diz que a Biblioteca Escolar “[...] tem a função educativa, ela
representa um reforço à ação do aluno e do professor.” O aluno desenvolve habilidades de
estudos independentes e autoeducação, dessa forma, motiva-se para a incessante busca pelo
conhecimento e desenvolve hábitos e atitudes de manuseio, consulta e utilização da
informação e da biblioteca. Assim, o educador e a instituição são complementados pelos
serviços e produtos oferecidos pela Unidade de Informação (FRAGOSO, 2002).
Como interlocutor do conhecimento, da organização e da disseminação dos saberes
disponibilizados no mundo informacional, o bibliotecário deve promover práticas que
auxiliem seus usuários na aprendizagem dos conhecimentos didáticos, científicos e lúdicos,
como também desenvolver estratégias que promovam a interlocução entre as práticas
pedagógicas e os atores desse processo: o bibliotecário, o professor e o aluno, de forma a
tornar a Biblioteca um espaço promotor de aprendizagem.
Assim, pergunta-se: Qual a importância da normalização dos trabalhos escolares para
o processo ensino-aprendizagem? A partir deste questionamento a pesquisa objetivou
investigar a percepção de docentes e discentes sobre a importância e uso da normalização de
trabalhos escolares desenvolvidos pela Biblioteca do Colégio Universitário (COLUN) da
Universidade Federal do Maranhão (UFMA), que é um setor de difusão de informação com a
finalidade de contribuir para o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem, além de
facilitar a pesquisa, a investigação científica e cultural dos usuários.
O tema se justifica pela atuação de uma das autoras na Biblioteca do COLUN. A
escolha desta Unidade de Informação é relevante pelo fato da mesma ser vinculada ao
Colégio de Aplicação da UFMA e ser também uma das 17 bibliotecas setoriais do Núcleo
Integrado de Bibliotecas (NIB), funcionando, portanto, como uma extensão das práticas
universitárias. Dessa forma, os bibliotecários que atuam nesta Unidade são de Bibliotecas
Universitárias podendo atuar em qualquer setor do NIB. Além disso, o tema - normalização
de trabalhos acadêmicos - e sua relação com a atuação do bibliotecário é intrínseco à sua
formação e atemporal às práticas acadêmicas.
Diante dos atores - bibliotecários, docentes e discentes - o estudo pretende mostrar,
também, a importância da padronização dos trabalhos escolares para melhoria do processo

3089

�ensino - aprendizagem, bem como incentivar a adoção das normas da Associação Brasileira
de Normas Técnicas (ABNT), referentes à Informação e Documentação, como padrão dos
trabalhos apresentados pelos alunos do Colégio Universitário da Universidade Federal do
Maranhão (UFMA).

2 REVISÃO DE LITERATURA
Nos cursos superiores, os trabalhos denominados acadêmicos ou didáticos são
considerados relatórios ou relatos de pesquisa, isto é, conforme Severino (2007), os trabalhos
didáticos devem resultar de estudos orientados pelos métodos de reflexão e pesquisa.
Os trabalhos acadêmicos são realizados como atividades de aprendizagem para
ampliar ou aprofundar conhecimentos e exercitar “[...] a forma científica de lidar com um
tema [...]”, como é apontado por Magro (1979).
É objeto deste estudo o trabalho escolar como uma atividade pedagógica que se
constitui uma ferramenta de construção do conhecimento, visto que sua elaboração prescinde
a pesquisa e a leitura que são grandes aliados do processo ensino-aprendizagem.
Nesse contexto e de acordo com Severino (2007, p. 25, grifo nosso)
A atividade de ensinar e aprender, ou seja, educar está intimamente
vinculada a esse processo de construção de conhecimento, pois ele é a
implementação de uma equação com a qual educar (ensinar e aprender)
significa conhecer; e conhecer por sua vez, significa construir o objeto; mas
construir o objeto significa pesquisar [...] Sendo o conhecimento construção
do objeto que se conhece, a atividade de pesquisa torna-se elemento
fundamental e imprescindível no processo ensino/aprendizagem.

Entretanto, o que se percebe é que desde o Ensino Fundamental o aluno considera a
pesquisa uma tarefa difícil e sem importância, fato que contribui para que grande parte desses
estudantes deixe de fazer seus trabalhos escolares ou limite-se a fazer cópias de capítulos de
livros ou de textos encontrados na internet. Assim, na maioria das vezes, essa atividade
pedagógica é desenvolvida de forma superficial, sem qualquer aprofundamento da leitura e
geralmente estendida até a vida acadêmica.
Reforçando a opinião da extensão do aluno copista da Educação Básica, Pinto (2009,
p. 01) comenta que “[...] vivemos o fenômeno do aluno-copista, que reproduz em suas
pesquisas e trabalhos acadêmicos aquilo que outros disseram, sem nenhum juízo de valor, de
crítica ou apreciação”.
A falta de conhecimento dos alunos sobre a ética da produção científica tem sido causa
da desmotivação e até mesmo da desistência de alguns alunos no decorrer da sua vida

3090

�acadêmica, pois mudar hábitos já arraigados é mais difícil que apreender um novo
conhecimento.
A prática da normalização iniciada desde o ensino fundamental e/ou ensino médio
contribuirá para que o aluno elabore seus trabalhos de forma inteligível e com ideias bem
estruturadas, o que certamente evitará que ao chegar à universidade este se depare com
situações conflituosas no momento da construção dos seus trabalhos acadêmicos ou mesmo
que recorra ao plágio.
Macedo (1989, p. 369), corrobora com esse pensamento quando escreveu que
A normalização não é um fim, mas um meio, uma postura de espírito que vai
sendo adquirida com o exercício da pesquisa e do trabalho documentado, e
isso poderá ser desenvolvido a partir de 6as. séries quando se pretende
desenvolver a criatividade através de trabalhos escritos, orais e muita leitura.
Se os professores de 1° grau e até de pré-escola estiverem alertados para as
questões de pesquisa e normalização, metodologia da pesquisa bibliográfica
e uso da biblioteca, muita coisa já poderá ser dirigida para a aquisição de
uma pré-postura científica do seu alunado, evitando a defasagem dos alunos
quando entram na universidade.

A escola enquanto espaço privilegiado de sistematização e transmissão de
conhecimento necessita incluir no seu Projeto Político Pedagógico a normalização de
trabalhos baseada nas normas da ABNT, para que essa se torne uma prática pedagógica de
uniformização dos procedimentos de elaboração dos trabalhos escolares. Assim, professores e
alunos deverão fazer uso da normalização na redação dos trabalhos das diferentes disciplinas
ministradas nas turmas do ensino fundamental, médio e técnico; pois de acordo com Rother
(2011), a normalização traz inúmeros benefícios por ser uma atividade que padroniza e
facilita a recuperação da informação, garantindo o uso e a disseminação dos conteúdos
pesquisados independentemente do nível formal de educação.

2 MATERIAIS E MÉTODOS
A pesquisa foi descritiva com abordagem qualitativa, na qual para coleta de dados
utilizou-se um questionário com perguntas abertas, pois segundo Trivinos (1990, p. 146) é um
dos principais meios para realizar a coleta de dados, visto que “[...] ao mesmo tempo em que
valoriza a presença do pesquisador, oferece todas as perspectivas possíveis para que o
pesquisado tenha liberdade e espontaneidade durante a pesquisa”. A investigação com os
alunos foi desenvolvida no segundo semestre de 2013, junto a 48 discentes do terceiro ano do
Ensino Médio e 32 do curso Técnico em Administração, totalizando 80 alunos do
COLUN/UFMA.

3091

�Ainda, no ano de 2013, foram ministrados minicursos sistemáticos com duração de 4h
e distribuído o manual: “Normalização de trabalhos escolares: orientações básicas”, elaborado
com base nas normas técnicas da ABNT com o objetivo de descrever os procedimentos
apropriados para a elaboração dos trabalhos escolares, como também servir como fonte de
consulta para alunos e professores.
Na segunda fase, em março de 2014, foram pesquisados 15 professores dos cursos
Técnicos em Administração, Enfermagem e Meio Ambiente do COLUN. Os docentes
participaram da pesquisa a fim de que fossem melhor analisadas as respostas dos alunos sobre
a não utilização das normas da ABNT nos trabalhos escolares.
Para manter o sigilo dos depoimentos dos entrevistados e preservar a identidade dos
mesmos, optou-se por representar os depoimentos como descrito abaixo:
a) professores: P1, P2, P3, P4, P5,P6, P7 .... e P15;
b) alunos: A1, A2, A3, A4, A5, A6, A7 .... e A80.
A medida do anonimato garante a exigência da ética quando se pesquisa seres
humanos.

3 Resultados

A adoção das normas da ABNT para informação e documentação gera segurança,
economia e facilidade de intercâmbio, portanto é considerada como a solução para a
padronização e para a garantia da ética da produção científica, visto que a utilização das
citações e referências dá qualidade e credibilidade aos trabalhos acadêmicos e escolares.
Barbosa, Ramos e Ciríaco (2010, p. 5) comentam que
Iniciar uma pesquisa científica, seja no ensino médio, seja na universidade,
levará o estudante ao amadurecimento de suas idéias e conceitos, estimulará
sua criticidade e promoverá uma maior responsabilidade do mesmo com
relação ao seu ambiente e com o mundo.

Após análise das respostas quanto à percepção de professores e alunos sobre a
importância da adoção das normas disponibilizadas no “Manual de Normalização de
Trabalhos Escolares”, chegou-se a alguns resultados que serão apresentados a seguir:
Por meio das entrevistas com os alunos e durante os minicursos pôde-se verificar que
os alunos reconhecem a importância da aplicação da normalização para a melhoria do
processo ensino-aprendizagem (Quadro 1), entretanto não demonstram interesse em aprender
a utilizá-la.

3092

�Os alunos foram unânimes ao citar como justificativa para o desinteresse pela
normalização, o fato dos professores não exigirem que os trabalhos sejam apresentados de
forma padronizada de acordo com as normas da ABNT.
O Quadro 1 compara as percepções de docentes e discentes sobre a importância da
normalização das atividades escritas desenvolvidas no COLUN da UFMA.

Quadro 1 - Percepção de professores e alunos sobre a importância da normalização dos
trabalhos escolares.
IMPORTÂNCIA DA NORMALIZAÇÃO DOS TrRABALHOS ESCOLARES
Professores
Alunos
P1: melhora a qualidade do trabalho
P4: facilita a leitura do trabalho
P5: o aluno desde cedo já deve aprender essas
normas
P7: muito importante para o aluno
P10: não em todas as disciplinas, porque algumas
têm conteúdos muito técnicos
P11: é importante, mas nem sempre é necessário
P 15: quando o aluno chegar no curso superior
terá noções de normalização

A3: é importante somente no curso superior
A 4: fica com uma apresentação melhor
A6: é importante porque o professor pode
avaliar melhor o trabalho
A 7: facilita a análise do trabalho
A11: não considero importante
A13: é importante em algumas disciplinas
A15: o professor valoriza quando o trabalho
está organizado

Fonte: Dados da pesquisa.

Diante dos resultados do Quadro 1, pode-se constatar que docentes e discentes
consideram importante a utilização das normas técnicas na apresentação de trabalhos, visto
que o uso de padrões possibilitam o domínio progressivo das práticas da normalização de
acordo com as normas estabelecidas pela ABNT, que é o órgão responsável pela
normalização técnica no país.
É importante esclarecer que o “Manual de Normalização de Trabalhos Escolares” foi
elaborado pela Bibliotecária do Colégio Universitário que o disponibiliza para docentes e
discentes a fim de que seja utilizado como apoio na elaboração dos trabalhos. Vale salientar
ainda que semestralmente a bibliotecária ministra oficinas de orientação de normalização de
trabalhos escolares.
Com o intuito de saber se o trabalho desenvolvido pela Bibliotecária estava sendo
valorizado por alunos e professores do COLUN, perguntou-se aos primeiros com que
frequência eles elaboravam seus trabalhos obedecendo as normas expostas no manual (Tabela
1) e aos segundos com que frequência eles exigiam que os trabalhos da sua disciplina fossem

3093

�elaborados de acordo com as normas apresentadas no “Manual de Normalização de Trabalhos
Escolares” (Tabela 2)

Tabela 1 - Respostas dos alunos quanto à frequência da elaboração dos trabalhos escolares
obedecendo às normas apresentadas no “Manual de Normalização de Trabalhos Escolares”.
RESPOSTAS
Sim
Não
Algumas vezes
Raramente
Total

N

%

11
22
9
38

13,75
27,50
11,25
47,50

80

100,0

Fontes: Dados da pesquisa.

A Tabela 1 demonstra que apesar da oferta da oficina e da distribuição do Manual
somente 13,75% dos alunos tem o hábito de elaborar seus trabalhos obedecendo às normas do
“Manual de Normalização de Trabalhos Escolares”. Esse fator é preocupante à medida que
pode provocar a desmotivação do profissional da informação para o desenvolvimento de uma
atividade de suma importância para o processo ensino-aprendizagem, pois, como visto, a
maioria (86,25%) não faz seus trabalhos conforme o manual ou faz somente algumas vezes.
A Tabela 2 demonstra a quantificação das respostas dos professores quanto à
exigência dos trabalhos conforme as normas da ABNT simplificadas no Manual.

Tabela 2 - Mostra da quantificação das respostas dos professores quanto à frequência da
exigência da normalização dos trabalhos conforme o “Manual de Normalização de Trabalhos
Escolares”.
RESPOSTAS
Sim
Não
Algumas vezes
Raramente
Total

N
5
3
3
4
15

%
33,3
20,0
20,0
26,7
100,0

Fontes: Dados da pesquisa.

A Tabela 2 mostra que 33,3% dos professores consideram importante a normalização.
E que a maioria (66,6%= respostas “NÃO”, “ALGUMAS VEZES” e “RARAMENTE”) não

3094

�exige de seus alunos os trabalhos normalizados. Verifica-se que a resposta dos docentes
reforça a dos alunos que alegam que a falta de prática deve-se ao fato dos professores não
exigirem a utilização das normas nas pesquisas escritas.
Diante desse contexto, e para melhor análise, serão descritas a seguir mostras das
respostas de docentes e discentes quanto à utilização das normas contidas no “Manual de
Normalização de Trabalhos Escolares”. Para tanto, as referidas respostas encontram-se
categorizadas de acordo com a resposta fornecida pelos entrevistados: SIM, ALGUMAS
VEZES, RARAMENTE e NÃO. As perguntas feitas aos professores e alunos foram:
a) “Professor, você solicita que os trabalhos da sua disciplina sejam elaborados
conforme as orientações básicas do “Manual de Normalização de Trabalhos
Escolares? Por quê?”. Abaixo estão expostas as respostas,
- ( x ) SIM
—Sim, apesar das contestações eles são cobrados para entregar os
trabalhos dentro das normas do manual ” (P 1).
—Sim, apesar de ser chamado de chato estou sempre solicitando os
trabalhos normatizados ” (P6).
—Sim, mas só cobro algumas coisa que considero principal, como
introdução, conclusão e as referências, mas não exijo aquelas
minuciosidades ” (P9).
“Sim, entretanto priorizo os tópicos principais com introdução,
conclusão e as bibliografias.” (P13).
—Sim, sempre solicito que eles sigam as regras pq isso além de tudo
facilita a minha avaliação.” (P15).
- ( x ) ALGUMAS VEZES
—
Algumas vezes, cobro somente alguns itens.”(P 10).
—
Algumas vezes, dependendo do tipo de trabalho que eu solicito ”
(P11).
—
Algumas vezes, pq em alguns casos o tipo de trabalho solicitado não
precisa ser normalizado.” (P14).
- ( x ) RARAMENTE
—
Raramente, porque como a minha disciplina é técnica acho que o
trabalho não necessita está normalizado ” (P2).

3095

�“Raramente, porque a maioria deles diz que já perdeu o manual, ou
que não encontrou etc...” (P5).
“Raramente, pq nem sempre o tempo de preparação permite a
normalização ” (P12).
“Raramente, porque na matemática acho que como é mais cálculo é
difícil normalizar um trabalho ” (P 7).
- ( x ) NÃO
“Não. Acho importante, mas eles reclamam muito e acabam não
entregando de acordo com o manual. ” (P3).
“Não, porque antes do manual eu já havia explicado o básico das
normas, tipo sumário, introdução e conclusão, então na verdade não
utilizo as orientações do manual .” (P4).
b)

“Com que frequência você elabora seus trabalhos escolares de acordo com

as orientações básicas do “Manual de Normalização de Trabalhos Escolares? Por
quê?”,
- ( x ) SIM
“Porque acredito que quando o trabalho está normalizado o
professor dá mais credibilidade ao conteúdo.” (A7). “Porque sempre
ganho uma nota melhor quando o trabalho está bem
organizado”(A15).
- ( x ) ALGUMAS VEZES
“Porque são poucos os professores que exigem a utilização das
normas” (A25).
“Porque os professores não pedem, acho que se eles pedissem todos
os alunos usariam as normas.” (A 17).
- ( x ) RARAMENTE
“Porque só faço normalizado quando o professor pede e é muito raro
isso acontecer.” (A13).
“Porque dá muito trabalho e além do mais os professores não exigem
que os trabalhos sejam padronizados.” (A31).
- (x ) NÃO
“Porque dá mais trabalho pra fazer e mesmo assim os professores
não fazem essa exigência.” (A3).
“Vários professores passam trabalho ao mesmo tempo e isso dificulta
que possamos nos dedicar para elaborar um trabalho dentro das
normas.” (A 12).

3096

�Comparando as informações contidas no Quadro 1, nas Tabelas 1 e 2 e nas respostas
transcritas dos docentes e discentes, percebe-se que existe uma contradição em suas falas,
pois ambos consideram importante a padronização técnica dos trabalhos como instrumento de
apoio didático - pedagógico, entretanto nenhum desses atores faz dessa atividade um
cotidiano na vida escolar.
Os professores não exigem que os trabalhos sejam elaborados com base nas normas do
“Manual de Normalização de Trabalhos Escolares” e os alunos por sua vez não se sentem na
obrigação de utilizar as referidas normas. Isto nos leva a interpretação de que o desinteresse
dos alunos dá-se em decorrência da falta de conscientização e cobrança dos professores.
A incongruência entre as respostas torna-se clara quando analisamos a fala de P4 que
afirma considerar importante a normalização, entretanto nos trabalhos da sua disciplina a
exigência restringe-se somente ao que ele chama de “básico das normas”: sumário, introdução
e conclusão. Isso na verdade demonstra a pouca importância que o professor atribui à
normalização (citação e referências) determinada pela ABNT. Esse fato é confirmado na fala
do aluno A17 que diz que não elabora seus trabalhos dentro das normas porque os professores
não exigem e afirma que se eles exigissem todos os alunos usariam as normas.
Diante desse contexto, é notório que tanto os docentes quanto os discentes do Colégio
Universitário da UFMA ainda não têm consciência da real importância da normalização como
uma atividade pedagógica que, se utilizada corretamente, vai garantir a padronização dos
trabalhos escolares proporcionando-lhes qualidade e credibilidade.
Apesar de toda a resistência para a utilização do Manual de Normalização, a
Biblioteca do COLUN continua com seu trabalho de conscientização e orientação seja por
meio da oferta de oficinas e/ou de minicursos ou por meio do manual, a fim de que docentes e
discentes tornem-se adeptos ao uso das normas e que estes consigam não só reconhecer a
importância, mas sim o uso das normas para a melhoria do processo ensino - aprendizagem.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A normalização dos trabalhos escolares objetiva muito mais do que a padronização da
sua estrutura. Ela possibilita que o aluno apresente o resultado da sua pesquisa com clareza de
ideias, fator que facilita o entendimento do texto e, consequentemente, uma melhor análise do
conteúdo apresentado.
Diante disso, considera-se que a adoção das normas bibliográficas disponibilizadas no
“Manual de Normalização de Trabalhos Escolares” é um importante instrumento didático pedagógico na medida em que possibilita uma melhor fundamentação das ideias e

3097

�organização do pensamento dos alunos no momento da elaboração dos trabalhos das mais
diversas disciplinas.
A normalização objetiva também levar o aluno a conhecer e desenvolver as etapas
necessárias para realizar sua pesquisa, possibilitando a utilização de elementos básicos que
permitirão a identificação, a consulta e a recuperação da informação. Facilita, ainda, o
processo de comunicação “da mensagem” que estará disposta de forma correta, estruturada e
inteligível no documento escolar produzido pelo aluno, possibilitando a sua inserção no
ambiente informacional de forma segura, evitando o plágio.
Os resultados obtidos sugerem que seja desenvolvido junto ao corpo docente um
trabalho de incentivo no que diz respeito à adoção das normas apresentadas no manual
“Normalização de trabalhos escolares: orientações básicas”. Sugere-se ainda que a Biblioteca
do COLUN estenda aos alunos do Ensino Fundamental o minicurso com as orientações
necessárias para a aplicação das normas, de forma que paulatinamente a apresentação de
trabalhos normalizados faça parte do cotidiano da escola.
Considera-se de suma importância o desenvolvimento de um trabalho em conjunto
entre professores, bibliotecários (orientadores) e alunos (orientando), com o intuito de que a
produção textual desses discentes seja pautada na pesquisa, leitura, interpretação, reflexão e
escrita. Entretanto ressalta-s a necessidade de uma maior contribuição do professor no sentido
de:
a) orientar, familiarizar e incentivar o aluno para o uso das normas;
b) tornar a padronização dos trabalhos uma atividade comum;
c) cobrar a aplicação das normas de forma que estas façam parte do cotidiano da
vida escolar dos alunos do COLUN da UFMA.
Conclui-se que a intersecção professor - bibliotecário deve ser simples, objetiva e
clara para que todos os envolvidos estejam conscientes de suas responsabilidades e possam
direcionar o aluno a ampliar e garantir a segurança dos caminhos para a construção do
conhecimento.

6 REFERÊNCIAS
BARBOSA, Elvina Maria de Sousa; RAMOS, Joelson; CIRÍACO, Maria do Socorro S.
Despertando para a produção intelectual: a importância da pesquisa científica. In: Encontro
Regional de Biblioteconomia e Documentação, 13., Teresina: 2010. Anais... Teresina:
UESPI, 2010. p. 1-16.

3098

�FRAGOSO, G. M. Biblioteca na escola. Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina,
Santa

Catarina,

v.

7,

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1,

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em:&lt;

http://revista.acbsc.org.br/racb/artide/view/380/460&gt;. Acesso em: 12 abr. 2014.
MACEDO, Neusa Dias. Normalização: uma postura a ser adquirida gradativamente. Revista
de Biblioteconomia de Brasília, Brasília, DF, v. 17, n. 2, p. 357-373, jul./dez. 1989.
MAGRO, M. C. Estudar também se aprende. São Paulo, SP: E.P.U., 1979.
PINTO, M. J. F. A Metodologia da Pesquisa Científica como ferramenta na Comunicação
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Empresarial.

Disponível

em:

&lt;http://www.comtexto.com.br/2convicomcomunicaMariaJoaquina.htm&gt;. Acesso em: 12 jul.
2013.
ROTHER, Edna Terezinha. O papel da normalização nas publicações científicas.
Disponível

em:

&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0034-

2802007000400001&gt;. Acesso em: 12 jul. 2013.
SANTOS, Eunice de Oliveira Frazão Pereira dos. A importância da normalização
bibliográfica para a elaboração de trabalhos acadêmicos. Formiga: 2012, 87p. Monografia
(Bacharel

em

Biblioteconomia)

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Centro

Universitário

de

Formiga,

2012.

Disponívelem:&lt;http://bibliotecadigital.uniformg.edu.br:21015/jspui/bitstream/123456789/168
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SEVERINO, A. J. Metodologia do Trabalho científico. 23. ed. São Paulo: Cortez, 2007.
TRIVINOS, A. N. S. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em
educação. São Paulo: Atlantas, 1990.

3099

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>O presente estudo aborda a normalização de trabalhos acadêmicos como instrumento de construção de conhecimento. Teve como objetivo investigar a percepção de docentes e discentes sobre a importância da normalização bibliográfica de trabalhos escolares desenvolvidos pela Biblioteca do Colégio Universitário (COLUN) da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). A pesquisa foi descritiva com abordagem qualitativa, feita com 80 alunos e 15 professores do COLUN/UFMA. A investigação aconteceu entre os anos de 2013 e 2014. Constatou-se que docentes e discentes consideram importante a utilização das normas técnicas da ABNT, mas apesar disso os alunos não demonstram interesse em aplicá-las nos seus trabalhos, visto que essa não é uma exigência do corpo docente da escola. A normalização bibliográfica objetiva muito mais do que a padronização da sua estrutura, ela possibilita que o aluno apresente o resultado da sua pesquisa com clareza de ideias e o prepara para refletir, pois escrever não é copiar, escrever é exercer a cidadania por meio do registro de suas interlocuções com o conhecimento. </text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O AMBIENTE DA BIBLIOTECA NA E-EVOLUÇÃO: COM A VOZ OS USUÁRIOS

Viviane Santos de Oliveira Veiga
Luis Guilherme Macena

RESUMO
As incertezas sobre o futuro da biblioteca, encontradas na literatura, aponta a
necessidade de traçar novos caminhos para a biblioteca continuar a contribuir no processo de
aprendizagem e aquisição de conhecimento. A e-evolução da biblioteca passa por desafios em
sua estrutura física e seus serviços. A biblioteca da e-evolução precisa ser confortável,
flexível, inspiradora e facilitar/motivar/inspirar a produção de conhecimento e a inovação.
Dado o planejamento de construção do Complexo dos Institutos Nacionais da Fiocruz,
atendendo duas Unidades de assistência, pesquisa e ensino, a Biblioteca começou a se
perguntar: como deveria ser este novo espaço? Que proposta de biblioteca levaríamos à
Direção do Instituto? Para responder estas perguntas optou-se dar voz aos usuários atuais e
potenciais da biblioteca, com um estudo de usuários. Foi realizada uma pesquisa cujo objetivo
foi identificar o ambiente ideal para a biblioteca na perspectiva dos profissionais,
pesquisadores e alunos deste Instituto. O questionário foi disponibilizado na versão impressa
e eletrônica. Foi retornado 91 questionários respondidos. Na análise dos dados percebe-se que
o usuário local tem a demanda relatada na literatura. O mais importante, na perspectiva deles,
foi a necessidade de disponibilizar materiais eletrônicos na biblioteca. O espaço de estudo
silencioso, acesso à internet sem fio e computadores com acesso à base de dados também
foram indicados como fatores fundamentais. A necessidade de tomadas elétricas para
notebooks, tablets e afins foram consideradas importantes na estrutura física da biblioteca.
Um espaço confortável para leitura é mais importante do que a assistência à pesquisa, na
visão dos usuários. A e-evolução na biblioteca precisa do apoio da direção da instituição onde
está inserida, mas só vai acontecer se houver a liderança do bibliotecário e da biblioteca para
demonstrar que esta é uma necessidade do seu usuário.
Palavras-Chave: Estudo de usuários; E-evolução; Biblioteca na era digital.

ABSTRACT
Uncertainties about the future of the library, in the literature, indicates the need to chart new
paths for the library to continue to contribute to the learning and knowledge acquisition
process. The library of e-evolution goes through challenges in their physical structure and
their services. The library of e- evolution needs to be comfortable, flexible, inspiring and
facilitate / motivate / inspire the production of knowledge and innovation. Given the
construction planning of the Complex of the National Institutes of Fiocruz, given two units of
care, research and teaching, the Library began to wonder, as it should be this new space?
What proposed the library should show the direction of the Institute? To answer these

3069

�questions we chose to give voice to current and potential library users, a study of users. A
survey aimed to identify the ideal physical structure for the library from the perspective of
practitioners, researchers and students of this Institute was held environment. The
questionnaire was available in printed and electronic version. 91 questionnaires were
returned. In analyzing the data, it is noticed that the local user has the demand reported in the
literature. The most important, in their view, was the need to provide electronic materials in
the library. The quiet study space, wireless Internet access and computers with access to the
database were also indicated as key factors. The need for electrical outlets for laptops, tablets
were considered important in the physical structure of the library. A comfortable space for
reading is more important than research assistance, in the view of users. The e- evolution in
the library needs the support of the leadership of the institution, but it will only happen if the
leadership of the librarian and the library to demonstrate that this is a necessity of its user.
Keywords: User Studies; E-evolution; Library in the digital age

1 INTRODUÇÃO
Avaliar e melhorar o espaço da biblioteca para o usuário é fundamental para sua
adesão e efetivo uso. As novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s) têm
impulsionado mudanças no processo de produção, organização e disseminação do
conhecimento sentidos no ambiente das Bibliotecas. Em um momento que o diagnóstico das
bibliotecas públicas brasileiras tem nos mostrado um cenário de esvaziamento e fechamento
das bibliotecas (FERREIRA, 2006) e autores afirmam a morte da biblioteca, incluindo até o
relatório de autópsia da mesma (SULLIVAN, 2011), cabe aos bibliotecários repensar o seu
papel e seu ambiente frente às novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s).
Muitos estudos partindo da premissa de que os fluxos de informação a médio prazo
serão transmitidos exclusivamente por formatos eletrônicos ameaçando o futuro dos livros em
sua estrutura atual, apresentam incertezas sobre a sobrevivência das bibliotecas nos novos
sistemas de informação. O acesso imediato às fontes de informação e as redes de colaboração
estão se tornando padrão. A estrutura física das bibliotecas e seus serviços precisam se
adaptar a este momento, porém, as maiorias das bibliotecas brasileiras continuam utilizando
um formato tradicional em seu ambiente, ou por falta de recursos ou por falta de estudos. O
bibliotecário, apenas movido de um pensamento inovador, pode conduzir a e-evolução das
bibliotecas. Vicente-de-Billion e Oyarce-Gatica (2010) nos ensina que este objetivo apenas é
alcançado quando se faz um estudo de um ponto de vista centrado no ser humano.
Motivados pelo projeto de construção do Complexo dos Institutos Nacionais da
Fiocruz, atendendo duas Unidades de assistência, pesquisa e ensino da Fiocruz, (Instituto de
Pesquisa Evandro Chagas - IPEC e Instituto Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do
Adolescente Fernandes Figueira - IFF), a Biblioteca da Saúde da Mulher e da Criança, situada

3070

�no IFF, começou a se perguntar como deveria ser este novo espaço? Que proposta de
biblioteca levaríamos à direção do Instituto? Para responder estas perguntas optou-se dar voz
aos usuários atuais e potenciais da biblioteca. Foi realizada uma pesquisa cujo objetivo foi
identificar o ambiente ideal para a biblioteca na perspectiva dos profissionais, pesquisadores e
alunos do IFF, na primeira etapa. Na segunda etapa será realizado um estudo com os
profissionais do IPEC. Este trabalho relata a experiência desta primeira etapa.

2 REVISÃO DE LITERATURA
A biblioteca tem como missão atender satisfatoriamente o seu usuário a fim de que ele
obtenha o uso efetivo da informação disponibilizada, seja em meio impresso, com o acervo no
ambiente físico, como também no espaço virtual, onde a variedade de informação é vasta e
com suportes variados, por exemplo, artigos em bases de dados, e-book’s, materiais
audiovisuais, multimídia, entre outros. Essa mudança ocorreu em virtude do desenvolvimento
das TIC’s. Sendo assim, é possível atender tanto o usuário com acervo local, como também
com acervo em meio eletrônico.
Nesta perspectiva foi realizado um levantamento bibliográfico para se conhecer o
novo perfil das bibliotecas de modo a oferecer aos usuários serviços mais eficientes e que
impactem nos resultados das pesquisas geradas pelos pesquisadores destas instituições.
Percebemos que com o auxílio das TIC’s, a biblioteca pode continuar a cumprir sua missão,
não de depósito, mas de “estação de triagem” (LATOUR, 2000, p. 37) e ambiente de
aprendizagem (SINCLAIR, 2007).
De acordo com Sinclair o modelo de ambientes de aprendizado é “aberto, livre,
confortável, inspirador e prático” (2007, p. 5). Um projeto flexível, mobília móvel e
ferramentas tecnológicas introduzidas e prontas para uso promovem não apenas aprendizado
individual, mas em grupo, o que se traduz na “co-construção” de conhecimento (VAN NOTE
CHISM, 2006, p. 27). Percebemos este foco, em um ambiente que promova o aprendizado em
algumas iniciativas como a da Chattanooga Public Library354, cuja missão é “ser o catalisador
da comunidade para a aprendizagem ao longo da vida” (THE CHATTANOOGA, 2014).
Percebe-se que os autores acima mencionados nos mostram a necessidade da eevolução das bibliotecas, em seu ambiente. Segundo Vicente-de-Billion e Oyarce-Gatica
(2010) estudos centrados no ser humano, nos usuários reais e potenciais precisam realizados.

354 Disponível em:&lt;http://chattlibrary.org/&gt;.

3071

�A graduação dessa e-evolução precisa acompanhar a evolução eletrônica dos usuários daquela
comunidade.
Na área da ciência da informação, o estudo de usuário é desenvolvido há de 40 anos
(BATISTA; CUNHA, 2007). A finalidade é coletar dados para avaliação dos serviços
prestados e do uso da informação e análise dos dados é considerada “útil para a avaliação de
acervos e serviços existentes ou para definição de novas linhas de ação de bibliotecas”
(SILVA, 1989). São utilizados vários métodos: questionário, entrevista, observação, análise
de conteúdo, entre outros. Optou-se nesta pesquisa pelo uso do questionário.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
O estudo de usuário é definido por Figueiredo (1994, p.65) como “uma investigação
de primeira mão, uma análise e coordenação dos aspectos econômicos, sociais e de outros
aspectos interrelacionados de um grupo selecionado”, desse modo representa uma pesquisa
junto à comunidade. Os profissionais da Informação objetivando o conhecimento sobre a
necessidade do usuário em obter informação e o uso da biblioteca/centro de informação,
utiliza como um dos instrumentos o questionário, para identificar a visão do usuário quanto ao
ambiente, que por ele é utilizado.
O questionário consiste em uma relação de perguntas elaboradas e pensadas pelo
pesquisador a serem respondidas pelo público-alvo. Como vantagens da utilização desse
instrumento têm: baixo custo; possibilita atingir o público-alvo disperso; permite maior
liberdade e tempo ao respondente; menor distorção dos dados e dados com mais detalhes são
obtidos através de questões abertas; (CUNHA, 1982). A internet é o local que amplia o
alcance dos demais usuários e o uso de questionário nos dias atuais é cada vez mais constante
no ambiente virtual.
Foi utilizada uma abordagem qualiquantitativa, utilizando como instrumento de coleta
de dados um questionário semiestruturado (Figura 1). Para a construção do questionário
buscou-se, em levantamento bibliográfico, pesquisas que refletissem sobre o novo papel da
biblioteca, incluindo ou não estudos de usuários. Um trabalho inspirador para a construção
deste questionário foi o de Pierard e Lee (2010) que fez um estudo com seus usuários,
buscando um espaço confortável, flexível e que facilite/motive/inspire o aprendizado, a
produção de conhecimento e a inovação.
O Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do adolescente Fernandes
Figueira é um Instituto que atua no ensino, na pesquisa e na assistência. Sua missão é
melhorar a qualidade de vida da mulher, da criança e do adolescente por meio de ações

3072

�articuladas de pesquisa, ensino, atenção integral à saúde, cooperação técnica nacional e
internacional e desenvolvimento e avaliação de tecnologias, como subsídio para formulação
de políticas públicas nacionais. Ele é constituído atualmente por dois prédios que abrigam um
hospital, laboratórios de pesquisa e um Programa de Pós-graduação todos na temática da
saúde da mulher, da criança e do adolescente. Para alcançar um maior número de
respondentes o questionário foi disponibilizado em duas versões, impresso e eletrônico. A
versão impressa (figura 1) foi disponibilizada e distribuída na recepção da biblioteca, na
recepção do Instituto, na entrada do Restaurante nos horários de almoço, na secretaria
acadêmica, nos ambulatórios do hospital e nos laboratórios de pesquisa. A versão eletrônica,
desenvolvida utilizando a ferramenta Google forms, foi enviada pela lista de e-mails do
Instituto. Independentemente da versão, apenas os profissionais, pesquisadores e alunos do
Instituto poderiam respondê-lo. A seguir descrevemos os resultados desta avaliação.
Figura 1 - Questionário de Avaliação

4 RESULTADOS FINAIS
A pesquisa junto aos usuários da biblioteca possibilitou identificar as preferencias
deles quanto no ambiente da Biblioteca, afim desta responder suas demandas de pesquisa. A
seguir descreve-se os resultados obtidos até o momento, com apoio dos gráficos que ajudam a
visualizar estes resultados. Os profissionais da assistência, pesquisadores e alunos do IFF
consideram extremamente importante a disponibilização de material online na biblioteca

3073

�(gráfico 1). Esta reação corrobora com os achados na literatura sobre as tendências dos e­
books e acesso as bases de dados científicas que disponibilizem o texto completo dos
documentos e urgente necessidade da e-evolução das bibliotecas
Em consonância com o desenvolvimento de novos ambientes de disseminação e
recuperação da informação, a biblioteca ampliou seus horizontes, e desse modo foi atribuída à
característica de “biblioteca sem paredes” (BENÍCIO; SILVA, 2005). A partir do uso da
internet como espaço facilitador para acesso a informação, a biblioteca pode disponibilizar
materiais online, sejam através de bases de dados, e-books, conteúdos multimídias, dentre
outros. Oportuniza aos seus usuários reais e potenciais maior aceitação da biblioteca como o
local de construção do conhecimento tanto em seu espaço físico, como também on-line.

Gráfico 1 - Materiais on-line da biblioteca
M ateriais on-line

Escala de avaliação
(Não Importante = 1 / Muito Importante = 5)
■ 1 ■2

3 ■4

ms

Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

Outra questão importante para os usuários do IFF é o acesso à internet, considerado
por eles extremamente importante este acesso garantido via w if (gráfico 2). O usuário busca
no ambiente a possibilidade de, utilizando seus tablet’s, notebook e afins, ter garantido o
acesso à Internet.
Na era da mobilidade e conectividade os aparelhos móveis de acesso remoto à internet
são, para muitos, itens indispensáveis para acesso e uso da informação. Esses itens necessitam
de um ambiente em que o uso da internet não se limite ao computador disponibilizado no
ambiente da biblioteca. Pensando nessa demanda tecnológica, a biblioteca sendo o espaço
colaborador de construção e troca do conhecimento, não perde suas características essências,
mas ganha em qualidades informacionais (LEMOS, 2009; CARTTIER, 2006).

3074

�Gráfico 2 - Acesso à internet sem fio
A cesso à internet sem fio

Escala de avaliação
(Não Importante = 1 / Muito Importante = 5)
■ 1 ■2

3 m u BS

Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

Tanto quanto ter acesso à internet sem fio, a possibilidade de impressão dos materiais
bibliográficos na biblioteca é extremamente importante na avaliação dos respondentes
(gráfico 3). Apesar de todo aparato tecnológico preparado para leituras online, a preferência
pela impressão do material para leitura e análise em papel ainda continua.

Gráfico 3 - Impressão de materiais bibliográficos

Impressão de materiais

Escala de avaliação
(Não Importante = 1 / Muito Importante = 5)
■ ! B2

3 B4

5

Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

Corroborando os dados do acesso à rede sem fio com o uso, cada vez maior, de
equipamentos pessoais, foi considerado muito importante a disponibilização de tomadas
elétricas para este fim (gráfico 4).

3075

�Gráfico 4 - Tomadas elétricas para notebooks, tablets e afins
T om adas elétricas para
notebooks, tablets e afins

2°M

10%
22%

65%

Escala de avaliação
(Não Importante = 1 / Muito Importante = 5)
11

Fonte; Elaborado pelos autores, 2014

Os usuários da biblioteca também consideram extremamente importante a biblioteca
contar com uma infraestrutura de computadores com acesso às bases de dados científicas
(gráfico 5). Mais uma vez, vemos o papel da biblioteca como “estação de triagem”
(LATOUR, 2000, p. 37).

A garantia do acesso às bases de dados científicas é o fator

primordial para os usuários, com a maior pontuação. Isto mostra como o usuário percebe este
novo papel da biblioteca que dá acesso, não apenas ao seu acervo local, mas há outros acervos
especializados no Brasil e no mundo.
Gráfico 5 - Computadores com acesso às bases de dados
Computadores com acesso às bases
de dados
■ 2K

~% 5 %

Escala de avaliação
(Não Importante = 1 / Muito Importante = 5)
■ 1 m2
3 m 4 ■5

Fonte; Elaboado pelos autores, 2014

A mediação do bibliotecário na assistência à pesquisa é justificada pela expertise no
uso de bases de dados. As especialidades do bibliotecário em construir estratégias de busca a

3076

�partir de vocabulário controlado utilizado pelas fontes de informação resultam em eficiência e
eficácia no levantamento bibliográfico junto ao especialista da área. A confiança no
bibliotecário para realização da busca bibliográfica é considerada um fator importante por
Cuenca (1999). Percebemos isto no resultado de nossa pesquisa (gráfico 6). É de suma
importância o auxílio do bibliotecário na assistência à pesquisa.
Gráfico 6 - Assistência à pesquisa
Assistência à pesquisa

Escala de avaliação
(Não Importante = 1 / Muito Importante =
■ 1 B2

3 «4 «5

Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

Quanto a utilização de computadores em grupo, a maioria dos usuários consideram de
importante a muito importante (gráfico 7). Cabe ressaltar que na biblioteca do Instituto não
existe este espaço para grupos.

Gráfico 7 - Computadores para utilização em grupo
Computadores para utilização em
grupo
u 3 % m 4%

Escala de avaliação
(Não Importante = 1 / Muito Importante = 5)
■ 1

■2

3

■ 4

■ 5

Fonte: Elaborado pelos autores, 2014
Em um ambiente inspirador para produção do conhecimento os usuários consideram
importante a garantia de salas de estudo coletivo com recurso multimídia (gráfico 8).

3077

�Gráfico 8 - Sala de estudo coletivo com recurso mulimídia
Sala de estudo coletivo com recurso
multimídia
■ 4%

Escala de avaliação
(Não Im portante = 1 / M uito Im p ortante = 5)

Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

No ambiente da biblioteca, o mobiliário, além de atender aos padrões normativos,
deve proporcionar ao usuário o conforto necessário para o momento de uso do espaço para
estudos e leituras. A escolha do mobiliário adequado é um fator importantíssimo, pois está
relacionado à saúde do usuário, e sua escolhe deve procurar impedir prejuízos à saúde do
usuário. Costa (2011, p. 9) aborda alguns critérios para implantação do mobiliário no espaço
confortável:
A escolha do mobiliário deve ser pautada pelos seguintes critérios: qualidade (da
matéria prima e do acabamento), funcionalidade (adequado ao uso), estética e flexibilidade e
modularidade (que possam ser juntados e separados), ergonomia, praticidade de manutenção e
durabilidade.
Gráfico 9 - Espaço de leitura
Um dos pontos pouco considerado

confortável

em bibliotecas tradicionais e apontado

Espaço de leitura confortável

como fundamental pelos usuários é o fato

■ 2%■ 10{°a 3%

da biblioteca ter um espaço de leitura
22%

confortável (gráfico 9). Não basta para a
biblioteca contemporânea ter cadeiras e
mesas como tradicionalmente posto, mas

72%

precisa ter, como vimos na literatura,
Escala de avaliação
(Não Im p ortante = 1 / M uito Im p ortante = 5)
■1 B2
3 ■4 « 5

poltronas

e

outros

mobiliários

que

possibilitem o conforto do usuário.
Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

3078

�Ao planejar o espaço para leitura e

Gráfico 10 - Espaço de estudo silencioso

estudo na biblioteca, é necessário medir os
Espaço de estudo silencioso

níveis sonoros (dB) e os níveis de ruídos
- 2K ",

" 1%

(NC). No ambiente da biblioteca o nível
sonoro recomendado são de 35-45dB e o
nível

de

ruído

(ASSOCIAÇÃO
NORMAS

são

de

30-40NC

BRASILEIRA

TÉCNICAS,

DE

1987).

É

Escala de avaliação
(Não Im p ortante = 1 / M uito Im p ortante = 5)

■1 B 2 ■3 ■ 4 ■5

Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

importante

ressaltar

que

os

valores

apresentados são padrões para manter o
conforto no ambiente, caso ocorra aumento

Apesar da mudança do formato e
estrutura

física

da

dos níveis pode ocasionar desconforto ao

biblioteca

usuário, porém não implica de danos à

silencioso

saúde.

contemporânea, o ambiente

permanece como algo muito importante
para a Comunidade do IFF (gráfico 10).

Gráfico 11 - Espaço de estudo coletivo

Gráfico 12 - Espaço de estudo individual

para quatro pessoas
Espaço de estu d o coletivo para 4
pessoas
■ 4%m 3%

Escala de avaliação
(Não Im p ortante = 1 / M uito Im p ortante = 5)

■ 1 ■ 2 H3 ■ 4 ■ 5

Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

Escala de avaliação
(Não Im p ortante = 1 / M uito Im p ortante = 5)

Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

3079

�De acordo com Bertolucci apud Both (2004) a biblioteca deixou de ser um
“repositório de conhecimento” para se tornar num espaço de “encontro, comunicação e
investigação”. No ambiente da biblioteca ter um espaço para o estudo coletivo para até 4
pessoas é considerado de médio a muito importante (gráfico 11). O espaço para estudo
individual foi avaliado como muito importante (gráfico 12), mais do que o espaço em grupo.
Isto tem relação com a literatura que nos mostra que muito pesquisadores, apesar do trabalho
em rede, este é feito pelo uso da Internet.
Comparando com os resultados do espaço de uso de computadores em grupo
(gráfico 7), este último foi considerado ainda mais importante, do que o espaço de estudo
individual. No IFF ter um espaço para o estudo coletivo para até 10 pessoas dividiu a opinião
dos usuários do IFF, sendo considerado de sem importância a muito importante (gráfico 13).
Gráfico 13 - Espaço de estudo coletivo para até dez pessoas
Espaço de estudo coletivo para até 10

Escala de avaliação
(Não Importante = 1 / Muito Importante = 5)
■1 «2
3 « 4 ■5

Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

A intenção de pensar o “espaço café” como espaço
integrado à biblioteca é caracterizada pelo

Gráfico 14 - Espaço café
E s p a ç o C a fé

ambiente que proporciona ao usuário maior
interação/relacionamento de modo livre, sem a
necessidade de se preocupar com o incômodo ao
usuário do espaço destinado a leitura e estudo.
Contribui para o desenvolvimento de ideias,
através do colégio invisível, conversas informais,
maior interatividade

com

a comunidade de

28%
Escala de avaliação
(Não Importante = 1 / Muito Importante = 5)

usuários. Além de propor uso do espaço para
alimentação, para pequenas pausas nos estudos,

Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

3080

�oferecendo um ambiente aconchegante sem a necessidade de sair do espaço da biblioteca
(FRANCISCO, 2006). O espaço café também dividiu a opinião dos usuários (gráfico 13),
apesar de predominar a consideração de ser importante no espaço da biblioteca.

Gráfico 15 - Espaço para socialização com os amigos
Espaço para socialização com os
amigos

O espaço para socialização com os amigos
dividiu a opinião dos usuários (gráfico 15),
mas a maioria demonstra o interesse em
reservar um espaço destinado às conversas,
troca de informações e diálogos que não
venham atrapalhar outros ambientes, como

Escala de avaliação
(Não Importante = 1 / Muito Importante = 5)
■ 1 B 2 B B B 4

por exemplo o espaço de estudo e leitura,

5

visto que estes ambientes necessitam
silêncio.

Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

Gráfico 16 - Obras de arte
A existência de obras de arte na biblioteca foi
considerada pouco importante para a maioria dos
usuários (gráfico 16).
A leitura se caracteriza como uma das principais
atividades desenvolvidas no ambiente da biblioteca, e a
presença de luz natural se torna inevitável. É necessário
proporcionar ao usuário conforto no desenvolvimento
das suas atividades no espaço da biblioteca.
Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

3081

�Gráfico 17 - Janelas e luz natural
Segundo Pinto (2008) a luz natural proporciona

Janelas/ luz natural

■3% . 1%

um ambiente confortável e agradável a partir do ponto de
vista térmico e visual, desde que sejam utilizadas de
modo estratégico. A literatura nos aponta a importância
da iluminação natural nas bibliotecas e isto foi

■ 39%

Escala de avaliação
(Não Importante = 1 / Muito Importante

dentificado pelos respondentes da pesquisa que em sua
maioria declaram ser muito importante (gráfico 17).

Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

Um espaço para crianças na biblioteca foi considerado sem importância para os
respondentes da pesquisa no IFF (gráfico 18). Este dado pode ter relação com uma creche que
funciona para os servidores que atuam no Instituto. Mas este fator, também não foi
encontrado na literatura como um aspecto importante para a biblioteca na e-evolução.

Gráfico 18 - Área para crianças
Á re a p a ra c ria n ç a s

■ 20%

Escala de avaliação
(Não Importante = 1 / Muito Importante = 5)

Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

A tabela abaixo faz um resumo dos dados detalhados acima. A tabela demonstra a
média ponderada das notas de cada item do questionário. Dos 18 itens 11 ficaram com média
acima de 4. Podemos perceber que o mais importante, do ponto de vista do usuário, está no
fato da biblioteca disponibilizar materiais eletrônicos, seguido do espaço de estudo silencioso,
acesso à internet sem fio e computadores com acesso à base de dados.
A pesquisa realizada com os usuários do IFF nos demonstrou a importância da
transição da biblioteca para a evolução eletrônica. Os pesquisadores, alunos e profissionais de

3082

�saúde do IFF elegeram como o item mais importante o acesso a materiais on-line na
biblioteca como e-books e artigos. A garantia de acesso à bases de dados especializada,
também é considerado de grande importância para os usuários Isto nos aponta a importância
dos bibliotecários buscarem a transição na aquisição de periódicos e livros para o formato
eletrônico, não esquecendo das questões de acesso perpétuo. Além de garantir a assinatura de
bases de dados especializadas.
Apesar de toda a inovação que as bibliotecas precisam alcançar o silêncio,
tradicionalmente solicitado pelos bibliotecários ainda é considerado de muita importância
para o usuário. Hoje em dia, como muitos são os ruídos frequentes (a biblioteca atualmente
fica de frente para uma rua principal de grande movimento), o espaço da biblioteca precisa ter
uma estrutura com isolamento de ruído, principalmente nas cabines que garanta o silencio
esperado. Estas cabines para estudo individual também foram consideradas importantes para
os usuários, recurso este ausente atualmente na biblioteca do IFF. A biblioteca com espaço de
estudo silencioso contribui para que se torne um ambiente propício a aprendizagem.
O acesso à internet sem fio, o terceiro colocado no ranking, e as tomadas elétricas para
notebooks, tablet e afins, oitavo colocado no ranking, os dois com médias acima de 4, nos
mostram como a biblioteca precisa ter uma estrutura física preparada para receber os
equipamentos eletrônicos dos usuários.
Uma surpresa para a equipe da biblioteca foi o item “espaço de leitura confortável”
receber a quinta colocação no ranking das médias das respostas. O usuário da biblioteca
considera este ponto muito importante, mas até da tradicional assistência a pesquisa realizada
pelo bibliotecário. Isto realça o que encontramos na literatura sobre a importância do
ambiente da biblioteca substituir as cadeiras “quadradas”, por poltronas confortáveis, investir
em um ambiente dinâmico e inspirador.
A possibilidade de impressão dos materiais bibliográficos foi considerado muito
importante estando em sétimo lugar entre os dezesseis itens questionados, e ainda assumindo
um média acima de 4, lembrando que a nota máxima era 5. A sala de estudo em grupo e a sala
de estudo coletivo com recurso multimídia também receberam uma média acima de 4. Estas
demandas precisam ser respondidas para que possamos garantir realmente um ambiente
propício a pesquisa, ensino e inovação, além de responder as iniquidades em saúde, na
assistência.

3083

�Tabela 1 - Média ponderada de cada pergunta
C aracterísticas classificadas por nota m édia (Escala de gosto de
1 a 5, Não im portante = 1; M uito im portante = 5)
M édias das respostas

Materiais on-line da biblioteca (e-books e artigos)

4,77

Espaço de estudo silencioso

4,68

Acesso à internet sem fio

4,64

Computadores com acesso à base de dados

4,64

Espaço de leitura confortável

4,59

Assistência à pesquisa

4,54

Impressão de materiais bibliográficos

4,53

Tomadas elétricas para notebooks, tablet e afins

4,46

Espaço de estudo individual

4,32

Computadores para utilização em grupo

4,19

Sala de estudo coletivo com recurso multimídia

4,19

Janelas/luz natural

3,99

Espaço de estudo coletivo para até 4 pessoas

3,86

Espaço para socialização com os amigos

3,33

Espaço de estudo coletivo para até 10 pessoas

3,11

Espaço café

3,03

Obras de arte

2,81

Área para crianças

2,20

Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

3084

�Gráfico 19 - Média das notas por item
MÉDIAS DAS NOTAS POR ITEM

Médias
■ M atérias on-line dabb lbteca(e-bo oks e artigos)
■ Acesso à internet sem fio
■ Espaço de leitura confortável
■ Im presso de materiais b biográficos
■ Espaço de estudo individual
■ Saia de estudo coletivo com recurso multimídia
■ Espaço de estudo coletivo para até 4 p e s o a s
■ Espaço de estudo coletivo para até 10 pessoas
■ Obras de arte

■ Espaço de estudo silencioso
Computadores com acesso à base de dados
■ Assistência à pesquisa
■ Tom adas elétricas para notebooks tablet e afins
■ Computadores para utiização em grupo
■ Janelas/luz natural
Espaço para socialização com osam gos
■ Espaço café
■ Área para cr enças

Fonte: Elaborado pelos autores, 2014

5 CONSIDERAÇÕS FINAIS
A Biblioteca da Saúde da Mulher, no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da
Criança e do Adolescente Fernandes Figueira está atenta as necessidades de reinventar/rever
seus processos e espaços para contribuir no ambiente de aprendizagem necessário para seu
público.
O IFF que está prestes a construção de um novo espaço para o Instituto e para a
biblioteca, precisa levar em conta estas demandas. Este questionário também será aplicado no
IPEC, pois a biblioteca atenderá a esses dois públicos com a construção do Complexo dos
Institutos Nacionais da Fiocruz. Aproveitar este momento para junto a Direção, pensar esta
obra de modo a contribuir para a adesão de mais usuários à biblioteca, e mais conforto e
praticidade para os já usuários é papel da biblioteca.
A e-evolução na biblioteca precisa do apoio da direção da instituição onde está
inserida, mas só vai acontecer se houver a liderança do bibliotecário e da biblioteca para
demonstrar que esta é uma necessidade do seu usuário.
O bibliotecário, e a instituição devem, como Latour (2000, p.22), não considerar a
biblioteca como uma fortaleza isolada ou como um tigre de papel, mas pretender “pintá-la
como o nó de uma vasta rede onde circulam não signos, não matérias, e sim matérias
tornando-se signos”. Pensando desta forma a biblioteca poderá se tornar um ambiente de
aprendizagem, uma estação de triagem, um catalisador de aprendizagem ao longo da vida. A

3085

�Biblioteca da Saúde da Mulher e da Criança disponibiliza informação para tomada de decisão
clínica e de pesquisa e ensino em saúde. Ela com um ambiente incentivador da inovação
contribuirá para a produção de conhecimento em um contexto onde a informação pode salvar
vidas.

6 REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10152: níveis de ruído para
conforto

acústico.

Rio

de

Janeiro:

ABNT,

1987.

Disponível

em:

&lt;http://www.vilavelha.es.gov.br/midia/paginas/NBR_10152-1987.pdf&gt;. Acesso em: 23 abr.
2014.
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métodos e coletas de dados. Perspectiva em Ciência da Informação, v. 12, n. 2, p. 168-184,
2007.
BENÍCIO, Christine Dantas; SILVA, Alzira Karla Araújo da. Do livro impresso ao e-book: o
paradigma do suporte da biblioteca eletrônica. Biblioonline, v. 1, n. 2, p. 1-14, 2005.
Disponível em: &lt;periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/biblio/article/download/580/418&gt;. Acesso
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BOTH, Katherine. Biblioteca universitárias: análise da organização, flexibilidade e
adaptabilidade dos seus espaços. 2012. xiv, 300 f. Dissertação (Mestrado em Arquitetura)Instituto

Superior

Técnico,

Lisboa,

2012.

Disponível

em:

&lt;https://fenix.tecnico.ulisboa.pt/downloadFile/2589873338764/Dissertacao.pdf&gt;. Acesso em:
20 abr. 2014.
COSTA, Klytia de Souza Brasil Dias da. Organização de bibliotecas: espaço físicos. Rio de
Janeiro: Senac, 2011.
CUENCA, Angela Maria Belloni. O usuário final da busca informatizada: avaliação da
capacitação no acesso a bases de dados em biblioteca acadêmica. Ci. Inf., Brasilia , v. 28, n.
3, dez.
1999
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Disponível
em:
&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S010019651999000300007&amp;lng=en&amp;nrm=iso&gt;. Acesso em: 21 abr. 2014.
CUNHA, Murilo Bastos. Metodologias para estudo de usuários de sistema de informação
científica e tecnológica. Revista de biblioteconomia de Brasília, Brasília, DF, v. 10, n. 2, p. 5­
1982.
FERREIRA, Maria Mary. Políticas públicas de informação e políticas culturais: e as
bibliotecas públicas para onde vão?. Transinformação, Campinas, v. 18, n. 2, p. 113-122,
maio/ago. 2006.

3086

�FIGUEIREDO, Nice Menezes. Estudo de uso e usuários. Brasília, DF: IBICT, 1994.
FRANCISCO, Scott. Steam Café. In: OBLINGER, Diana (org). Learning spaces. [S.l]:
Educase,

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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>As incertezas sobre o futuro da biblioteca, encontradas na literatura, aponta a necessidade de traçar novos caminhos para a biblioteca continuar a contribuir no processo de aprendizagem e aquisição de conhecimento. A e-evolução da biblioteca passa por desafios em sua estrutura física e seus serviços. A biblioteca da e-evolução precisa ser confortável, flexível, inspiradora e facilitar/motivar/inspirar a produção de conhecimento e a inovação. Dado o planejamento de construção do Complexo dos Institutos Nacionais da Fiocruz, atendendo duas Unidades de assistência, pesquisa e ensino, a Biblioteca começou a se perguntar: como deveria ser este novo espaço? Que proposta de biblioteca levaríamos à Direção do Instituto? Para responder estas perguntas optou-se dar voz aos usuários atuais e potenciais da biblioteca, com um estudo de usuários. Foi realizada uma pesquisa cujo objetivo foi identificar o ambiente ideal para a biblioteca na perspectiva dos profissionais, pesquisadores e alunos deste Instituto. O questionário foi disponibilizado na versão impressa e eletrônica. Foi retornado 91 questionários respondidos. Na análise dos dados percebe-se que o usuário local tem a demanda relatada na literatura. O mais importante, na perspectiva deles, foi a necessidade de disponibilizar materiais eletrônicos na biblioteca. O espaço de estudo silencioso, acesso à internet sem fio e computadores com acesso à base de dados também foram indicados como fatores fundamentais. A necessidade de tomadas elétricas para notebooks, tablets e afins foram consideradas importantes na estrutura física da biblioteca.Um espaço confortável para leitura é mais importante do que a assistência à pesquisa, na visão dos usuários. A e-evolução na biblioteca precisa do apoio da direção da instituição onde está inserida, mas só vai acontecer se houver a liderança do bibliotecário e da biblioteca para demonstrar que esta é uma necessidade do seu usuário.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O ACERVO HISTÓRICO DA ACADEMIA REAL DE GUARDAS-MARINHAS DA
BIBLIOTECA DA MARINHA
Eliane Freitas Ferreira

RESUMO
O objeto deste trabalho consiste no levantamento do acervo histórico da Coleção da
Academia Real de Guardas-Marinhas, dada a sua importância, que se encontra disponível, na
Divisão de Materiais Especiais da Biblioteca da Marinha, que abrange as Seções de Mapoteca
e Obras Raras, com o objetivo de incentivar as pesquisas num acervo de fontes primárias de
alto valor científico. A metodologia utilizada baseou-se nas obras relacionadas no facsímile
do manuscrito original do Catálogo da Biblioteca da Academia Real dos Guardas-Marinhas,
localizado no acervo da Fundação Biblioteca Nacional, na década de 1970, pelo Almirante
Max Justo Guedes. Com a devida localização e identificação desse importante acervo, temos
hoje a memória científica da instrução dos oficiais militares da época, que deu origem a
Biblioteca da Marinha.
Palavras-Chave: Biblioteca da Marinha. Academia Real de Guardas-Marinhas. Marinha do
Brasil.
ABSTRACT
The object of this paper is a survey of the historical documentation of the Collection of the
Royal Academy of Marine Guards, given its importance, which is available in the Special
Materials Division of the Navy Library, which covers Map Library and Rare Books Sections,
with the aim of encouraging research in a collection of primary sources of high scientific
value. The methodology used was based on the works listed in the facsimile of the original
manuscript catalog of the library of the Royal Academy of Guards Marine, located in the
National Library Foundation by Admiral Max Justo Guedes in the 1970s. With the proper
location and identification of this important collection, we now have the scientifc memory of
the instruction of the military officers of that time, wich gave rise to the Navy Library.
Keywords: Navy Library. Royal Academy of Guards Marine. Brazilian Navy.

1 INTRODUÇÃO
O presente trabalho apresenta um levantamento das obras existentes da Coleção da
Academia Real de Guardas-Marinhas, que se reveste de importância por se tratar de um
acervo histórico que refletia, em sua época, os estudos direcionados para o currículo da
referida Academia, como uma forma de amadurecimento da profissão militar. O objetivo do

3058

�levantamento foi identificar e localizar as obras ainda existentes dessa Coleção, com o intuito
de divulgar aos pesquisadores essas fontes primárias de alto valor científico, que deram
origem ao acervo da Biblioteca da Marinha.
De acordo com Silveira (2010, p. 69), as bibliotecas tentam “dar sentido ao saber” e
transformá-lo em “instrumento de reafirmação da ‘identidade’ individual ou coletiva
humana”. E, segundo Costa e Grau (2013, p. 6), trata-se da nutrição e valorização do
“patrimônio”, da “memória coletiva” e da “herança cultural humana”.
Uma coleção reflete as características, aspirações e realizações do grupo que
a forma. Também torna possível estender o olhar para a história, a memória
daquela produção, tanto em relação ao motivo e ao modo como a reunião foi
feita, quanto em relação ao conteúdo que foi reunido. E, ao contar uma
história singular, essa coleção passa a ser única. (COSTA; GRAU, 2013, p.
6)
A metodologia utilizada apoiou-se no facsímile do manuscrito original do Catálogo da
Biblioteca da Academia Real dos Guardas-Marinhas, de 1812, descoberto no acervo da
Fundação Biblioteca Nacional, na década de 1970, pelo Almirante Max Justo Guedes.

2 A BIBLIOTECA DA MARINHA: BREVE APRESENTAÇÃO
Criada em 1802, na Biblioteca da Academia Real dos Guardas-Marinhas, em Lisboa, a
Biblioteca foi transferida para o Brasil em 1808. Foi criada oficialmente em 17 de outubro de
1846, pelo decreto n° 479 do Império do Brasil, estabelecida no Arsenal da Marinha da Corte,
tendo como finalidade “ministrar os meios de uma instrução variada aos oficiais da armada,
aos de Artilharia de Marinha e aos oficiais empregados nas repartições anexas” (SERVIÇO
DE DOCUMENTAÇÃO GERAL DA MARINHA, 1956, p. 18). O acervo inicial era
composto pela Biblioteca da Academia de Marinha, atual Escola Naval, com obras científicas,
roteiros e mapas antes pertencentes a diversos arquivos da repartição de Marinha. Depois de
passar por várias mudanças de subordinação, separações e fusões do Museu da Marinha e do
Arquivo da Marinha, em 1953 foi incorporada pelo Serviço de Documentação da Marinha,
que em 2008, por meio da Portaria n° 209/MB, passou a denominar-se Diretoria do
Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha (DPHDM). A DPHDM (BRASIL, 2012)
tem como missão o propósito de “preservar e divulgar o patrimônio histórico e cultural da
Marinha, contribuindo para a conservação de sua memória e para o desenvolvimento da
consciência marítima brasileira”. Dentro da estrutura organizacional da DPHDM, a Biblioteca
da Marinha está subordinada ao Departamento de Arquivos e Biblioteca da Marinha.

3059

�Em fevereiro de 1999, a Biblioteca foi transferida para o prédio (tombado pela
Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro) localizado na Rua Mayrink Veiga, n° 28, Centro, Rio
de Janeiro, para que pudesse acondicionar melhor o seu acervo e prover um atendimento mais
abrangente e eficiente aos seus usuários.
Inicialmente, a Biblioteca atendia apenas os oficiais e empregados da Marinha, e foi
posteriormente aberta ao público, oferecendo publicações valiosas para o estudo de diversas
áreas, dentre elas a História Geral, História do Brasil, História Naval, História Militar e
Cartografia. O acervo possui aproximadamente sessenta e cinco mil volumes entre livros,
folhetos, periódicos, material especializado na história naval, militar, geral e cartografia.
Possui, também, uma coleção de obras raras e/ou antigas de inestimável valor histórico, tanto
para a Marinha como para a própria cultura brasileira, que abrange os séculos XVI, XVII,
XVIII e XIX.
Desde o ano de 2003, a Biblioteca da Marinha disponibiliza para consulta, pela
internet e intranet, seu rico e vasto acervo para o público em geral, através do sistema de
gerenciamento de dados Pergamum, utilizado por 46 bibliotecas da Marinha do Brasil,
denominada Rede de Bibliotecas Integradas da Marinha (Rede BIM).

3 A ORIGEM DA DIVISÃO DE MATERIAIS ESPECIAIS
A Divisão de Materiais Especiais se originou a partir da documentação existente no
acervo da Biblioteca da Academia Real de Guardas-Marinha, também conhecida como
Depósito de Escritos Marítimos.
Em 1812 (SILVA, 2012, p. 177), o primeiro diretor e comandante da Academia dos
Guardas-Marinha, José Maria Dantas Pereira, responsável pela requisição das obras que
julgasse próprias para aquela coleção (dentro e fora do reino), redigiu a pedido do Ministro da
Marinha da época, uma minuciosa relação de todas as obras impressas, manuscritas e
cartográficas, gerando assim o Catálogo da Bibliotheca da Academia dos Guardas-Marinhas,
creada por Ordem de S. A. R. na cidade do Rio de Janeiro.
Tal catálogo não se tinha conhecimento de sua existência desde 1851, conforme
descrito num relatório realizado por um bibliotecário da Biblioteca da Marinha, no referido
ano, com o intuito de promover um inventário do acervo:
Infelizmente não encontrámos nenhum documento que nos mostrasse qual
era, então, o patrimônio dessa biblioteca [...] sabe-se apenas, que era Rice e
‘que perdas e descaminhos se deram de obras interessantíssimas’ (relatório
de 1851, do Bibliotecário da Marinha). (SERVIÇO DE DOCUMENTAÇÃO
GERAL DA MARINHA, 1956, p. 16)

3060

�Somente no início da década de 1970, tal documento foi localizado no acervo da
Fundação da Biblioteca Nacional pelo Almirante Max Justo Guedes (na época, Capitão de
Mar e Guerra e Vice-Diretor do Serviço Geral de Documentação da Marinha, atual DPHDM),
juntamente com sua equipe de pesquisadores. Seria uma cópia manuscrita do referido
catálogo, possivelmente com assinatura autógrafa (GOMES, 1976, p. 286).
3.1 O perfil da Divisão de Materiais Especiais
O acervo da Mapoteca e das Obras Raras está catalogado e registrado no sistema
Pergamum da Rede BIM, com um total de aproximadamente nove mil exemplares. Dentre as
várias obras existentes no acervo, podemos destacar os seguintes materiais: obras de diversos
assuntos, especialmente obras científicas, tecnológicas, filosóficas, geográficas, históricas e
de assuntos gerais do Século XVI ao Século XX, com predominância dos Séculos XVIII e
XIX; coleção de álbuns; roteiros de navegação; cartas náuticas (elaboradas pela Diretoria de
Hidrografia e Navegação); cartas e mapas históricos (impressos e manuscritos), a partir do
século XVIII; atlas históricos, a partir do século XVI; livros de cartografia (nacionais e
estrangeiros), atuais e raros; revistas de cartografia (nacionais e estrangeiras); e arquivo de
fotografias de cartas náuticas que abordam o Brasil e a América do Sul, que se encontram em
bibliotecas nacionais e estrangeiras (principalmente em países europeus).
Em relação ao processamento técnico, a Classificação Decimal de Dewey (CDD), o
Código de Catalogação Anglo-Americano (AACR2) e o Formato MARC (MARC21) são
utilizados para a catalogação das obras.
A Biblioteca da Marinha não realiza empréstimos dos materiais especiais,
disponibilizando somente pesquisa in loco, com acesso restrito.
O acervo da Divisão de Materiais Especiais também possui mapas e atlas de
renomados cartógrafos como Mouchez, Roussin, Bellin, Albernaz, dentre outros.
O acervo possui algumas coleções significativas, dentre elas:
- Coleção da Diretoria de Hidrografia e Navegação;
- Coleção do Arquivo Histórico do Exército;
- Coleção Jaguaribe de Mattos;
- Coleção Maria Amélia de O. Esteves (doação de 13 cartas hidrográficas da região
amazônica no período 1780-1781);
- Coleção Almirante Max Justo Guedes (considerado internacionalmente como um dos
maiores especialistas da cartografia luso-brasileira); e
- Coleção da Academia Real dos Guardas-Marinhas.

3061

�4 A documentação existente no Catálogo da Coleção Biblioteca da Academia Real de
Guardas-Marinhas
Com base no catálogo elaborado pelo Comandante Dantas Pereira, em 1812, a
Coleção consistia numa:
Lista em 31 páginas com cerca de 760 obras separadas em cinco grandes
áreas do conhecimento de interesse do ‘público’ prioritário da Biblioteca:
Ciências Naturais; Ciências Matemáticas Puras e Mistas; Ciências e Artes
Navais; Ciências e Artes Militares de terra e Polimatia. (SILVA, 2012, p.
177)
A organização do catálogo, além da divisão das referidas áreas, era também em ordem
alfabética, “mediante o nome do autor ou do editor, e mediante o da obra, se esta for de algum
anônimo ou de vários” (SILVA, 1975 apud MORAES, 2006, p. 96). Além dessa sistemática,
Moraes (2006, p. 96) identificou outra informação, não menos importante, mas atípica, criada
pelo redator do referido documento:
[...] Adoção da ordem cronológica na lista dos livros dentro dos assuntos
fora feita com a intenção de mostrar o ‘progresso ou marcha do espírito
humano’ em cada disciplina e reforça essa intenção anotando sempre que
possível a data do falecimento do autor da obra.
Segundo Silva (1975 apud MORAES, 2006, p. 96, grifo do autor), poderiamos
considerar a coleção:
[...] Uma ‘livraria” atualizada [...], tratava de uma biblioteca especializada
e concentrada, ou seja, os alunos da Academia dos Guardas-Marinha
encontravam nela os textos necessários às matérias que estudavam e não
possuíam obras a mais, isto é, de áreas não relevantes para o seu
aprendizado.
A primeira área apresentada no Catálogo abordava as Ciências Naturais e era
constituída de 54 obras, organizada em três subdivisões: a primeira para Botânica, Química e
História Natural; a segunda para Física e a terceira para Polígrafos (obras que tratavam de
diversas matérias científicas que abordavam o mesmo assunto). Dos títulos descritos na
referida área, a equipe de pesquisa da Biblioteca da Marinha conseguiu localizar 36 obras.
Dentre as obras identificadas, podemos destacar a do naturalista sueco Carl von Linné, cujo
título é Systema naturae per regna tria naturae (fig. 1), editado em 1789, onde enfoca o
sistema de classificação dos reinos animal e vegetal e que veio a ser a base da moderna
Taxonomia.

3062

�Figura 1: LINNÉ, Carl von. Systema naturae per regna tria naturae. 1789.
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fchu-vi R eg ii, Med. à Boian. ProfefK Uplal A tad. Panf.
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, necnon Sorisfr. "Re¿. Slicni. Goettingeníis , Piiyfic*
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T ~&amp;uÁr*tà..
Apud J. B. D

ela m o l u e r e .

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Fonte: Biblioteca da Marinha

A segunda área apreentada é a de Ciências Matemáticas, constituída de 196 obras e
organizada

em

oito

Geometria/Trigonometria;

subdivisões:
Matemáticas

Aritmética/Álgebra;
Puras;

Cálculo

Astronomia;

Superior;
Mecânica;

Ótica/Perspectiva/Cronometria, e; Matemáticas Mistas (Polígrafos). Nessa área conseguiu se
localizar 125 obras, onde podemos destacar a mais antiga obra pertencente à Coleção e que se
encontra atualmente no acervo da Biblioteca da Marinha, que é justamente de um texto
milenar em três volumes, Clarissimi philosophi, geometricorum, elementorum líber (fig. 2),
título traduzido por Dantas Pereira como Geometria Elementar e atribuído ao matemático
grego Euclides, o fundador da Geometria.
Figura 2: MEGARENSIS, Euclidis. Clarissimi philosophi, geometricorum,
elementorum líber. Paris: H. Steph, 1534. 3v.

Fonte: Biblioteca da Marinha.

3063

�Além da obra mencioada, sobressai também o trabalho de Isaac Newton em tradução
para o francês aprovada pela Académie des Sciences e editada em 1787 (fig. 3).
Figura 3: NEWTON, Isaac. Optique de Newton. Paris: Chez Leroy, Libraire, 1787.

Fonte: Biblioteca da Marinha.

A terceira área é ade Ciências e Artes Navais, constituída de 220 obras e organizada
em

seis

subdivisões:

Geografia/Hidrografia;

Arquitetura

Pilotagem;

Naval;

Cordoaria/Instalação/Manobra;

Tática/Telegrafia/Governo

Militar

Náutico,

e;

Ciências/Artes Navais (Polígrafos) Nessa área conseguiu a localização de 119 obras. Dentre
elas pode-se mencionar o Atlas des enfans ou nouvelle méthode pour appendre la géographie,
avec un nouveau traité de la sphere, et XXIV cartes enluminées, de 1784 (fig. 4). Trata-se de
um atlas direcionado ao público infanto-juvenil com método de aprendizado na área de
Geografia, com 24 mapas apresentando o mundo, continentes e países europeus.
Figura 4: ATLAS des enfans ou nouvelle méthode pour appendre la géographie... 1784.

Fonte: Biblioteca da Marinha

3064

�Vale também ressalta a existência da obra “Arte de navegar”, de 1554 (fig. 5). É um
clássico manual de navegação astronômica do cosmógrafo Pedro de Medina, numa versão
editada em Lion, França, e ilustrada com diversos mapas.

Figura 5: MEDINA, Pedro de, 1493-1567. L ’art de naviguer. Lyon, 1554.

Fonte: Biblioteca da Marinha.

A quarta área do Caálogo é a de Ciências e Artes Militares de terra, constituída de 77
obras e organizada em três subdivisões: Artilharia/Cavalaria; Engenharia/Infantaria, e;
Tática/Governo Militar (Polígrafos). Obtivemos a localização de 25 obras.
E a quinta e última área, que é a Polimatia (obras cuja temática não se encaixava em
nenhuma das outras áreas), era constituída de 225 obras e organizada em seis subdivisões:
História; Literatura/Manuscritos Médios; Manuscritos Antigos; Manuscritos Modernos;
Miscelânea Impressa, e; Viagens. Houve a localização de 64 obras, onde podemos destacar os
relatos de viajantes presentes no acervo da Biblioteca até o ano de 1812. São 38 relatos
publicados entre 1559 e 1802, de 29 autores diferentes, dentre eles localizamos o relato do
circunavegador inglês John Byron, em sua obra Voyage autour Du monde fait en 1764 et
1765 sur le vaisseau anglais le Dauphin. Paris: Chez Molini, 1767 (fig. 6).

3065

�Figura 6: BYRON, John. Voyage autour Du monde fait en 1764 et 1765 sur le
vaisseau anglais le Dauphin. Paris: Chez Molini, 1767

Fonte: Biblioteca da Marinha.

Destas obras, após m minucioso levantamento do que existe no acervo atual, foram
localizadas cerca de 369 títulos. Assim, mais uma vez aos poucos essas preciosidades
reapareceram.

5 MATERIAIS E MÉTODOS
A metodologia utilizada baseou-se nas obras relacionadas no facsímile do manuscrito
original do Catálogo da Biblioteca da Academia dos Guardas-Marinhas, localizado no acervo
da Fundação Biblioteca Nacional, pelo Almirante Max Justo Guedes.
Houve certa complexidade em desenvolver o trabalho, devido à falta de profissionais
especializados na área. A pequena e esforçada equipe consistia de três estagiárias em
Biblioteconomia, supervisionadas por uma bibliotecária militar responsável pelo Setor de
Materiais Especiais há cinco anos. A profissional, empenhada em desenvolver tal tarefa,
obteve conhecimentos prévios adquiridos através de minuciosa pesquisa sobre a Coleção, o
apoio técnico pela equipe de oficiais historiadores pertencentes à DPHDM, além da obtenção
de maiores informações sobre coleções especiais através de bibliografias especializadas,

3066

�participação em eventos e simpósios sobre o assunto em questão e a visita em instituições
mantenedoras de acervos especiais, como a Fundação Biblioteca Nacional.
O inventário dessas obras no acervo da Biblioteca da Marinha contou com buscas nos
catálogos do sistema de gerenciamento de acervos da Rede BIM, posteriormente, no catálogo
manual de título/autor/cronológico da mapoteca e das obras raras. Em virtude do Catálogo
estar com as referências das obras traduzidas para a língua portuguesa, dificultou-se o
diagnóstico e a recuperação de grande número dos títulos, que são na sua maioria em língua
estrangeira (predominantemente francesa, quer pelos autores, quer pelos tradutores). O
compilador, além da tradução indevida, cometeu ainda outros erros na identificação de muitos
livros.
O trabalho continua com uma rigorosa revisão e acerto dos dados bibliográficos das
referidas obras que se encontram no sistema Pergamum, e com a inclusão de algumas das
publicações pertencentes à Coleção que não estavam identificadas no referido sistema (apenas
se encontravam nos antigos catálogos manuais).
Em paralelo, essas obras pertencentes à Coleção da Biblioteca da Academia Real dos
Guardas-Marinhas estão sendo inseridas na base PLANOR (Plano Nacional de Recuperação
de Obras Raras), da Fundação Biblioteca Nacional, que tem como objetivos principais
identificar, coletar, reunir e disseminar informações sobre acervos raros existentes no Brasil.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como afirmou Guedes (1972, p. 59), mal saberia o Comandante Dantas Pereira que,
exatamente graças ao seu zelo no preparo do catálogo é que temos hoje memória daquele
monumento científico, para podermos identificar e localizar tudo aquilo que o Depósito de
Escritos Marítimos possuía em 1812 e que ainda se encontram no acervo da Biblioteca da
Marinha, herdeira do nosso presente objeto de análise.
É com o mesmo entusiasmo que a Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação
da Marinha retoma os estudos de localização desse conjunto de obras de grande valor
histórico, iniciado em 1972 pelo Almirante Max Justo Guedes.

REFERÊNCIAS
BRASIL. Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha. Carta de serviços
ao

cidadão.

Rio

de

Janeiro,

2012.

Disponível

em:

&lt;https://www.mar.mil.br/dphdm/diversos/cartadeservicosaocidadao.pdf&gt;. Acesso em: 17 abr.
2014.

3067

�COSTA, Márcia Valéria da Silva de Brito; GRAU, Isabel Ariño. Primeiro catálogo impresso
do “Acervo básico-histórico da Biblioteca da Primeira Escola de Biblioteconomia do Brasil”.
In: ENCUENTRO NACIONAL DE INSTITUCIONES CON FONDOS ANTIGUOS Y
RAROS, 2., 2013, Argentina. Anais... Argentina: Biblioteca Nacional, 2013. Disponível em:
&lt;http://www.bn.gov.ar/descargas/pnbc/2encnacFAR/BritoCosta.pdf&gt;. Acesso em: 02 ago.
2014.
GOMES, Marly Jobim. A cartografia brasileira (1700-1822) - atlas, cartas náuticas e mapas
existentes na Biblioteca da Marinha. Anais hidrográficos, Rio de Janeiro, t. 23, supl., p. 285­
296, 1976.
GUEDES, Max Justo Guedes. Bicentenário de nascimento do Chefe-de-Esquadra José Maria
Dantas Pereira. Navigator, Rio de Janeiro, n. 6, p. 41-59, dez. 1972.
MORAES, Rubens Borba de. Livros e bibliotecas no Brasil colonial. 2.ed. Brasília, DF:
Briquet de Lemos, 2006.
SERVIÇO DE DOCUMENTAÇÃO GERAL DA MARINHA (Brasil). Subsídios para a
história marítima do Brasil. Rio de Janeiro: Imprensa Naval, 1938-1972. v. 15, p. 13-86.
SILVA, Carlos André Lopes da. A Real Companhia e a Academia dos Guardas-Marinha:
aspectos de uma instituição militar de ensino na alvorada da profissionalização do oficialato
militar, 1808-1839. 2012. 291 f Dissertação (Mestrado em História Social)-Pós-Graduação
em História Social, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2012.
SILVEIRA, Fabrício José Nascimento da. Biblioteca, memória e identidade social.
Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 15, n. 3, p. 67-86, set./dez.
2010.

Disponível

em:

&lt;http://www.brapci.ufpr.br/documento.php?dd0=0000009464&amp;dd1=8e761&gt;. Acesso em: 02
ago. 2014.

3068

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>O objeto deste trabalho consiste no levantamento do acervo histórico da Coleção da Academia Real de Guardas-Marinhas, dada a sua importância, que se encontra disponível, na Divisão de Materiais Especiais da Biblioteca da Marinha, que abrange as Seções de Mapoteca e Obras Raras, com o objetivo de incentivar as pesquisas num acervo de fontes primárias de alto valor científico. A metodologia utilizada baseou-se nas obras relacionadas no facsímile do manuscrito original do Catálogo da Biblioteca da Academia Real dos Guardas Marinhas, localizado no acervo da Fundação Biblioteca Nacional, na década de 1970, pelo Almirante Max Justo Guedes. Com a devida localização e identificação desse importante acervo, temos hoje a memória científica da instrução dos oficiais militares da época, que deu origem a Biblioteca da Marinha.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O ABC DA CONSERVAÇÃO

Marina Mayumi Yamashita
Edna Tiemi Yokoti Watanabe
Debora Ferrazolli Penilha
Edina Rosa Lima Gagini
Aguinaldo Ramos da Silva
RESUMO
A quantidade de obras danificadas do acervo da Biblioteca do Conjunto das Químicas da
Universidade de São Paulo cresce anualmente. Como forma de alertar a comunidade
acadêmica sobre este problema, foi realizada uma campanha intitulada “O ABC da
Conservação”, com o intuito de conscientizar e sensibilizar os alunos para que repensem suas
ações enquanto usuários. Foram criados diversos personagens que caracterizam o
comportamento dos agentes humanos que, voluntária ou involuntariamente, causam
transtornos na biblioteca. As ações desenvolvidas pela campanha envolvem exposições de
livros danificados, painéis educativos, cartazes com dicas de conservação, distribuição de
blocos de anotações, cápsula do tempo. A Educação Preventiva é uma ferramenta
fundamental e de extrema importância para contribuir para a preservação dos materiais nas
bibliotecas.

Palavras-Chave: Conservação de acervos; Campanha educativa; Preservação de acervos.

ABSTRACT
The amount of damaged works at Document and Library Division in the Chemical
Department of USP grows annually. A campaign entitled “The ABC of Conservation” was
carried out in order to alert the academic community to this issue and to raise awareness and
sensitize the students making them rethink their actions while users. Several images
representing human behavior that voluntarily or involuntarily cause disorder in the library
were created. The actions developed by the campaign involve exhibitions of damaged books,
educational panels, posters with conservation tips, distribution of notepads, time capsule. The
Preventive Education is a fundamental tool of highest importance to contribute to the
preservation of materials in libraries.

Keywords: Conservation of collections; Educational campaign; Preservation of collections.

1 INTRODUÇÃO
Os livros das Bibliotecas são patrimônios públicos valiosos e muitas vezes
insubstituíveis; contudo é um bem que se danifica facilmente. “Culturalmente, seu valor é

3051

�incalculável e, economicamente pode estar diretamente ligado a seu estado de conservação”
(FUNDAÇÃO EDUCAR DPASCHOAL, 2014).
Os acervos disponíveis nas bibliotecas representam um bem cultural coletivo,
portanto, mantê-los preservados e proporcionar o acesso aos usuários de hoje e de gerações
futuras é responsabilidade de todos (UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO
BAHIANO, 2014). A preocupação com a preservação é mais relevante ao se considerar que a
maior parte dos materiais informacionais presentes nas bibliotecas apresentam uma vida útil
limitada, podendo, ainda, ser abreviados pela ação de vários agentes de degradações
existentes no meio ambiente: agentes físicos (temperatura, umidade e luz), químicos
(poluição), biológicos (insetos e fungos), físico-mecânicos (ação do homem). Outro fator
determinante é o uso indevido.
A biblioteca, no cumprimento de suas atribuições, deve assegurar o acesso, bem como
preservar o seu acervo. Contudo, ela não é a única responsável pela preservação e
conservação do material bibliográfico sob sua guarda. Um dos principais responsáveis pela
deterioração dos livros é o próprio usuário. É necessário que haja pequenos cuidados ao
manusear um livro, para que sua vida útil seja prolongada.
Com o objetivo de orientar e educar seus usuários, a Divisão de Biblioteca e
Documentação do Conjunto das Químicas da Universidade de São Paulo (DBDCQ/USP)
realizou uma Campanha de Conservação do Acervo, intitulada “O A B C da conservação”,
com enfoque divertido e descontraído de modo a induzir seus usuários às boas práticas de
conservação das obras e ao exercício da cidadania.

2 INSTITUIÇÃO
A DBDCQ, localizada no campus Cidade Universitária “Armando de Salles Oliveira” São Paulo, é integrada pelos acervos bibliográficos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas e
do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP).
A crescente preocupação com a conservação e preservação dos acervos bibliográficos,
documentais e bens culturais, artísticos e históricos da Universidade de São Paulo é um dos
desafios para os profissionais que atuam nessas instituições que são responsáveis pela sua
guarda (YAMASHITA et al, 2013).
Ações de conservação do acervo físico das bibliotecas foram iniciadas no
Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo (SIBi/USP)
como Grupo de Metas, dando origem ao Grupo de Apoio à Preservação e
Conservação dos Acervos Bibliográficos do SIBi/USP (FERREIRA, 2014,
p. 90).

3052

�Uma das principais incumbências desse grupo foi redigir um documento que
regulamentasse as diretrizes para a preservação dos acervos das Bibliotecas da USP.
Como resultado, em 23 de julho de 1997 foi publicada a Portaria GR 3075 e assinada
pelo Magnífico Reitor Prof. Dr. Flavio Fava de Moraes regulamentando as Diretrizes para
Preservação e Conservação Preventiva dos Acervos Bibliográficos e Bibliotecas do
SIBi/USP. Em seguida, foi estabelecido o “Programa de Preservação e Conservação de
Materiais Bibliográficos”, passando as bibliotecas a receberem recursos para aplicação na
conservação de seus acervos.
A Biblioteca recebe anualmente recursos do SIBi/USP para aplicação na conservação
do acervo, porém esta verba é insuficiente para a higienização do mesmo, restauração e
encadernação de livros, compra de materiais e equipamentos de conservação, entre outros.
Ressalta-se que o volume de obras danificadas aumenta ano a ano. As danificações
mais comuns encontradas nos livros são: folhas e lombadas soltas, capas rasgadas, sujas,
páginas rasgadas ou capítulos inteiros extraídos, textos grifados com lápis, caneta ou marcatexto. A depredação das obras é prejudicial a todos os usuários.
Como cada usuário também é responsável pela conservação do acervo, foi efetuada
uma campanha visando propiciar um momento de conscientização e mudança de
comportamento

a partir da identificação

de

agentes

humanos

que voluntária

ou

involuntariamente causam transtornos na Biblioteca.
O objetivo deste trabalho é descrever a maneira como foi realizada esta campanha,
suas etapas e resultados esperados.

3 METODOLOGIA
O acervo da Biblioteca é constituído pelas áreas de Química, Farmácia e assuntos
correlatos. A idéia foi de apresentar de forma descontraída alguns tipos de usuários que
frequentam a Biblioteca na qual denominamos de Pharmachemicus. A genealogia mapeada
nesta família é representada pelos: Net, Cupidus, Sujum, Stragus, Cansadus, Ocultum,
Gentilis, Desequilibrium, Desorientadus, Trasmutus, Celularium e Apetitum.
A campanha foi realizada no inicio do ano letivo de 2014, com o intuito de
conscientizar e sensibilizar os novos alunos e, também, aos que já frequentam a biblioteca
para que repensassem suas ações enquanto usuários.
No hall da entrada do acervo de livros, foram expostos painéis educativos, quadro
(ABC da Conservação) com dicas de conservação e realizada a distribuição de blocos de
anotações, cápsula do tempo e exposição com amostras de livros danificados.

3053

�4 MATERIAIS E MÉTODOS
Representamos cada um dos Pharmachemicus, baseado na bula de um medicamento.
O quadro 1 apresenta um comparativo com as principais características de cada um.

PERSONAGENS

CARACTERISTICAS
Ação:

Suja

o

IDENTIFICAÇÃO

chão,

mesa

e

micro.

PHARMACHEMICUS

Consequência: Atrai insetos potencialmente

SUJUM

perniciosos para os livros. Profilaxia: Limpar as
mãos e sapatos. Jogar lixo no cesto.
Ação: Empresta o lvro em bom estado e

PHARMACHEMICUS
STRAGUS

devolve danificado, sem capa ou folhas soltas.
Consequência: Indisponibiliza o livro para
outros usuários. Profilaxia: Conscientizar-se do
valor da obra.
Ação: Esconde o lvro. Consequência: Não

PHARMACHEMICUS
OCULTUM

localização do livro na estante. Profilaxia:
Consultar o livro e não escondê-lo. Deixar a
guarda do mesmo para os funcionários.
Ação:a

PHARMACHEMICUS
GENTILIS

de

polidez.

Consequência:

Não

reconhecimento dos serviços recebidos. Ignorar
as regras da Biblioteca. Profilaxia: Ser amável e
respeitar o próximo. Respeitar os regulamentos.
Ação:

Atitugressivas

com

funcionários

e

PHARMACHEMICUS

colegas. Consequência: Anticlimax. Mal-estar

DESEQUILIBRIUM

geral. Profilaxia: Usar as regras de civilidade.

PHARMACHEMICUS

Ação: Apoia os cotovelossobre os livros.

CANSADUS

Consequência:

Danifica

a

encadernação.

Profilaxia: Sentar de forma correta.
Ação:Faz anotações, rabisca os livros. Arranca
PHARMACHEMICUS

e recorta as páginas. Consequência: A tinta é

TRASMUTUS

antiestética e desfiguradora. A informação
contida poderá
Profilaxia:

ser utilizada por

Não

usar

objetos

outros.
que

descaracterizem a obra.

3054

�PERSONAGENS

CARACTERISTICAS

IDENTIFICAÇÃO

Ação: Ri e conversa em voz alta. Usa o celular.
PHARMACHEMICUS

Consequência: Distrai a concentração de quem

CELULARIUM

está pesquisando e/ou estudando. Profilaxia:
Conscientizar-se da importância do silêncio.
Ação: Consulta dezenas de livros, deixando-os

PHARMCHEMICUS

esparramados sobre a mesa. Consequência:

DESORIENTADUS

Busca inútil de informação sem a devida
orientação. Profilaxia: Consultar o profissional
responsável para obtenção da informação.
Ação:

Faz

refeções

perto

do

livro.

PHARMACHEMICUS

Consequência: Os alimentos sujam, mancham e

APETITUM

atraem insetos. Profilaxia: Alimentar-se em
áreas adequadas.
Ação:

Navea

em

sites

que

não

estão

PHARMACHEMICUS

relacionados aos assuntos pertinentes às áreas

N ET

da Biblioteca. Consequência: Sobrecarga nos
computadores

com

assuntos

diversos.

Profilaxia: Acessar sites e usar os computadores
somente para pesquisa.
Ação: Atos libidnosos em local de estudo.
PHARMACHEMICUS

Consequência: Constrangimento e desvio da

CUPIDUS

atenção de outros usuários. Profilaxia: Namorar
em locais apropriados.

Quadro 1- Comparativo das principacas dos Pharmachemicus

Foram elaborados cartazes com os personagens Pharmachemicus com dicas de como
cuidar dos livros:
S Não A poie os cotovelos sobre os livros. Isto pode acarretar o rompimento da lombada;
S

Não B eba ou coma na Biblioteca. Essa prática atrai os insetos;

S

Não C oloque clipes ou outros materiais similares nos livros.

S Não D escanse sobre os livros. Isto pode danificar a estrutura da encadernação;
S Não Exponha o livro à luz solar ou à chuva;
S Não F aça qualquer tipo de reparo (fitas adesivas) no livro;
S Não Grife ou escreva no livro;

3055

�S Não M anuseie o livro sem lavar as mãos previamente.
S Não P egue os livros das estantes pela borda superior da lombada. Empurre os volumes
laterais e retire o exemplar desejado pela lombada;

S Não R asgue ou corte as páginas do livro. Respeite a integridade da obra;
S Não U medeça os dedos com saliva ou qualquer outro tipo de líquido para virar as
páginas do livro.

S Z ele pelo seu saber, ele é determinante para a sua vida.
Aproveitando as dicas acima confeccionamos blocos de anotações contendo os dizeres
que foram distribuídos aos novos usuários ao realizarem suas inscrições na Biblioteca.
Para saber a opinião dos usuários a respeito do futuro do livro foi confeccionado um
boneco Pharmachemicus feminino, representando a Cápsula do tempo no período de 2014 a
2018. Posteriormente poderemos realizar um estudo e análise dos diversos comentários que
foram depositados na cápsula.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
A Campanha permitiu aos usuários analisarem as situações abordadas dos diversos
Pharmachemicus

e

suas

principais

características.

Suas

ações

inadequadas

geram

consequências danosas ao acervo. Portanto, devemos adotar medidas profiláticas que auxiliem
na conservação do acervo e sejam, também, favoráveis à criação de um ambiente agradável de
estudo.
Pretendemos realizar no decorrer dos anos mais campanhas e exposições no sentido de
diminuir o estado de deterioração do acervo pela má utilização. Acreditamos que a Educação
Preventiva é a ferramenta fundamental e de extrema importância para contribuir na
preservação dos materiais nas bibliotecas.
“Preservar o livro é permitir a todos o direito de terem acesso a informação ”.

7 REFERÊNCIAS
FERREIRA, Sueli Mara Soares Pinto. Relatório de gestão : exercício 2010-2013. São Paulo:
SIBiUSP, 2014. 220p.
FUNDAÇÃO

EDUCAR

DPASCHOAL.

Conservação

de

livros . Disponível

em:

&lt;http://www.educardpaschoal.org.br/web/leia-dicas-tecnicas-conservacao.asp&gt;. Acesso em:
26 fev. 2014.

3056

�UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO BAHIANO. Preservação do acervo.
Disponível em: &lt;http://www.ufrb.edu.br/bibliotecacahl/preservacao-do-acervo&gt;. Acesso em:
20 fev.2014.
YAMASHITA, Marina Mayumi et al. Desinfestação por atmosfera anóxia: método utilizado
pela Biblioteca do Conjunto da Químicas/USP.
Campinas,

SP,

v.11,

n.1,

p.155-163,

Rev. Digit. Bibliotecon. Cienc. Inf.,
jan./abr.

2013.

Disponível

em:

&lt;http://www.sbu.unicamp.br/ seer/ojs/índex.php&gt;. Acesso em: 17 fev. 2014.

3057

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

NOVAS OPORTUNIDADES EM ESTUDOS DO USO DA INFORMAÇÃO E DA
INTERAÇÃO COM AS TECNOLOGIAS DIGITAIS
Renato Marques Alves
Ricardo Argenton Ramos
RESUMO
O presente trabalho aborda o estudo do uso da informação a partir interação com as
tecnologias digitais na busca da informação científica. O objetivo deste artigo foi examinar na
contemporaneidade às ações de pesquisa que vem estimulando e exigindo que se tornem
efetivas, como é o caso das pesquisas com a temática comportamento informacional e os
sistemas de busca digital. O método de pesquisa utilizado para atingir o objetivo proposto foi
o estudo bibliográfico. Os resultados preliminares indicam que os pesquisadores interagem
com diversas ferramentas eletrônicas e utilizam diferentes estratégias e métodos de pesquisa
para localizar a informação.Aconseqüência dos novos hábitos comportamentais dos
pesquisadores em relação à busca da informação está afetando o uso da biblioteca física, por
extensão, o portal de periódicos Capes.
.Palavras-chave: Estudos do uso da informação. Tecnologias digitais. Comportamento
informacional
ABSTRACT
This paper addresses the issue about the use of information and their interaction with digital
technologies used to found the scientific information. The goal of this study was to examine
and point out the that contemporaneity is stimulating and demanding that become effective, as
is the case for actions to research with thematic information behavior and systems of digital
search. The research method used to achieve the goal was literature survey. Preliminary
results indicated that different researchers interact with electronic tools for to search of
scientific information and use different tools adopting different strategies and research
methods to localize the information. As a consequence of changes in the researchers behavior
it is affecting the physical libraries and the Capes portal.
Keywords: Use of information. Digital technologies.Information behavior.

1. INTRODUÇÃO

As tecnologias digitais têm proporcionado novas possibilidades de ação de pesquisa
nas mais diversas esferas das atividades humanas (Gomes, 2003). No âmbito da Ciência da
Informação, o uso intensivo dos recursos informacionais acessados via ambiente web têm

3041

�levado pesquisadores a verificar como na comunidade acadêmica os cientistas utilizam as
tecnologias digitais para acessar a literatura(ATHUKURALA et al, 2013; GASQUE, 2011,
OLIVEIRA, 2013).
Para Gomes (2003, 2006) as ações de pesquisa científica na universidade surgem em
razão dos diferentes ambientes informacionais que viabilizam o acesso à informação, daí a
autora justificar a necessidade de examinar as potencialidades que a contemporaneidade tende
a estimular ou talvez até exigir que tornem efetivas em relação ao uso da informação. No
campo de estudo sobre o comportamento informacionalalgumaspesquisas identificaram novos
hábitos comportamentais entre os cientistas, em virtude do aumento do uso da informação
cientifica eletrônica. Como a aproximação mais estreita dos cientistas com as ferramentas
eletrônicas de busca e consequentemente, o afastamento da biblioteca física. (HEMMINGER,
et al., 2007).
Tais fatos vêm estimulando e exigindo que novos estudos possam compreender a
interação entre os sistemas de informação digitais e os indivíduos (COSTA; RAMALHO,
2010). Isso porque os sistemas de informação digital são utilizados nas práticas cotidianas dos
sujeitos para as mais diversas atividades como buscar informação, preparar um texto, se
comunicar, ter lazer, etc.
É importante frisar que o espaço virtual em que ocorrem tais práticas está ancorado no
desenvolvimento das tecnologias digitais, que por sua vez, estão inseridas em contexto social
mais amplo que remete ao final do século XX, cujos avanços das tecnologias de informação e
comunicação com a formação das grandes redes mundiais e o tráfego de informação em
tempo real, independente de distância, transformaram praticamente todas as esferas da vida
social (FRÓES BURNHAM, 2005).E impuseram mudanças nas formas de como os cientistas
acessam a literatura na atualmente. Essas mudanças são reflexos da sociedade baseada em
redes.
A partir da sociedade em redes, na era da informação, surge à necessidade imperiosa
de compreender, explicar e conhecer a interação entre os sistemas e os indivíduos sociais,
através dos estudos de uso da informação (COSTA; RAMALHO, 2010).
Para Gonzalez de Gomez (2000 apud Araújo 2010) as possibilidades trazidas pelas
tecnologias digitais e sua conformação nas redes telemáticas surgem como programa de
pesquisa na área da ciência da informação, já em 1990. Cabe mencionar que é a partir dessa
década que se tem, por exemplo, implantação das bibliotecas digitais.E segundo Gomes
(2006, p.41) ao abordar a questão da informatização das bibliotecas com o surgimento da
internet menciona que "as primeiras bibliotecas digitais surgiram no início da década de 1990.

3042

�Deste então, universidades, bibliotecas e outras instituições centradas na recuperação e
difusão do conhecimento tem participado de projetos de bibliotecas digitais". Athukorala e
colaboradores (2013) citam que no início da disseminaçãoeletrônica da informaçãocientífica
as interfaces das homepages das bibliotecas eram as ferramentas usadas para disponibilizar as
informações científicas aos acadêmicos, mas que nos últimos anos, diferentes bases de dados
(multidisciplinar, especializadas dentre outras) surgiram com suas próprias interfaces de
busca. E isso tem provocado nos cientistas um novo comportamento, que é primeiro
consultaras bases de dados ou periódicos de livre acesso na internet quando se engajam no
processo de busca da informação.
Com base nesse cenário, pretende-se aqui neste trabalho apresentar um estudo a partir
da consulta de algumas referenciais nas áreas de estudos de usuários, de comportamento de
busca da informação e interação com sistemas de informação fazer uma reflexão sobre as
possibilidades que a contemporaneidade vem estimulando a ser ação de pesquisa nestas áreas.

2. CONSIDERAÇÕES SOBRE ESTUDOS DE USUÁRIOS
Gomes (2006) ao investigar os ambientes informacionais integradores de uma nova
prática pedagógica em que o conhecimento não esteja limitado somente ao saber dos docentes
em sala de aula, mas acessível nos vários espaços que integram o ambiente universitário, a
exemplo da biblioteca e dos laboratórios de informática. Faz sua análise a partir do objeto
informação com a intenção de verificar as potencialidades que tende a ser estimulada, ou até
exigida, que tornem efetivas na atualidade em virtude dos avanços das tecnologias de
informação e comunicação. Na pesquisa que realizou sobre os ambientes de informação (aqui
chamamos de sistema de informação tradicional) que trabalham com a informação está a
biblioteca, cuja função é reconhecida pelas sociedades como preservadora do conhecimento
acumulado ao longo dos séculos. Esse registro é importante para marcar que é também nesse
espaço, ou nesse sistema de informação tradicional que surge os primeiros estudos de uso da
informação e dos usuários.
Costa e Ramalho (2010) apontam o surgimento dos estudos de usuários a partir da
década de 40, do sec. XX, durante a Conferência sobre a Informação Cientifica da Royal
Society.As preocupações dos estudos eramcom a análise das necessidades e do uso da
informação [inicialmente, as investigações só focavam os cientistas e os engenheiros]. Para
Figueiredo (1994 apud ARAÚJO, 2010) a tarefa dos estudos eram bem determinada, ou seja,
entender os hábitos de busca e uso da informação, de forma a otimizar os processos, atender
as demandas de maneira mais rápida e eficiente. Pois o contexto no qual foram realizados os

3043

�primeiros estudos tinha como pano de fundo o apoio ao desenvolvimento de pesquisa para o
período da guerra fria.
Nos estudos de usuários é comum encontrar duas distinções em relação às abordagens
teóricas: o paradigma tradicional e o paradigma alternativo. No paradigma tradicional ou
clássico atribui-se como expoente a Nice Figueredo, cujos estudos estavam mais preocupados
com os sistemas de informação; e no paradigma da abordagem alternativa o representante é
Ferreira (2002) cuja ótica é centra-se no usuário em razão do aumento da vasta quantidade de
informação que marca a sociedade através do fenômeno informacional e das necessidades
diversificadas (COSTA; RAMALHO, 2010).
Naárea de estudos de usuários para Araújo (2010, p.22), predomina a visão Positivista,
na qual o referido autorcritica a abordagem clássica dos estudos de usuáriosem que o foco
deinteresse principal erafazer uma pesquisa de aplicação “útil” sobre o ponto de vista do uso
eficiente dos sistemas de informação (bibliotecas) com os levantamentos quantitativos de
empréstimos, de acesso a coleção, etc. para diagnosticar e, a partir disso fazer as intervenções
nos serviços oferecidos. Ou seja, a abordagem era centrada na ótica do sistema, para Araújo
(2010) essa visão vem da teoria do funcionalismo da sociologia em que o “usuário é visto
como feedback de indicadores de eficiência dos sistemas".
Em razão das críticas aos paradigmas do modelo tradicional dos estudos de usuários
surgem às abordagens alternativas através dos programas de pesquisa sobre o comportamento
informacional. Que na visão de Araújo (2010) vem de outra corrente positivista que é a teoria
do Behaviorismo.Contudo, pontua-se que os estudos sobre comportamento informacional têm
recorrido às teorias das ciências cognitivas através dos processos/modelos mentais
(CAVALCANTE, 2010)e da teoria da personalidade (OLIVEIRA, 2013) para explicar o
comportamento informacional dos sujeitos pesquisados por serem mais adequadas do que a
teoria behaviorista

. Porém a critica que o Araújo (2010) tece é muito reveladora no sentido

de provocar mudanças nos encaminhamentos de estudos orientados ao comportamento
informacional para se evitar reducionismo e o engessássemos em tais estudos.
As críticas em relação às pesquisas de comportamento informacional surgem porque,
embora se adotem modelos cognitivos como nova visão teórica e metodológica, no final
acabam não se concretizando na prática devido o foco limitado em:

353Segundo Cavalcante (2010, p.47-48) “As ciências cognitivas surgiram em contraponto aos preceitos do
behaviorismo, corrente que predominou entre as décadas de 1920 a 1940, o qual pregava que os indivíduos, e por
conseguinte, o comportamento destes se baseava em estímulos-respostas, ou seja, os indivíduos refletiam as
forças que o ambiente exercia sobre eles, excluindo qualquer ação mental sobre o comportamento.

3044

�Identificar certas necessidades objetivas, prontas, acabaçada - como se
fossem independentes dos sujeitos concretos e de situações específicas. O
modelo cognitivo destes estudos, ao privilegiar o entendimento da
necessidade de informação a partir de uma lacuna, de uma ausência de
determinado conhecimento para executar determinada atividade, acaba por
engessar uma forma de compreensão dos usuários como seres dotados de
uma necessidade específica, que seria satisfeita por uma fonte de informação
especifica. É como se houvesse uma correspondência unívoca entre as
necessidades de informação e as fontes existentes e disponíveis nos variados
sistemas. Dito de outro modo: é como se existisse a fonte absolutamente
adequada para cada necessidade de informação (ARAUJO, 2010, p.20).

A pesquisa realizada por Gasque (2012) identificou que pesquisadores em formação
(mestrando e doutorando) não pensam em que tipo de informação pode responder as suas
necessidades informacionais no momento da busca. Ou seja,agem de forma não reflexiva nas
buscas informacionais. Isso pode indicar o que Araújo (2010) nos fala sobre a impossibilidade
da existência de uma fonte absoluta e adequada para cada necessidade de informação.
Apresentadas as críticas com relação aos estudos de usuários na perspectiva de que
pesquisas futuras possam evitar tais "armadilhas". Percebe-se que nas novas frentes de
pesquisa focando os estudos do comportamento informacional, estão em alta,as abordagens
em relação à interação com os sistemas de informado baseado em computador, de modo a
entender as relações que se estabelecem, por exemplo, em termo de Interação Homemcomputador ou interação homem-máquina, na medida em que uso do computador cresce e se
consolida no cotidiano seja na realização de atividades profissionais, de lazer, domésticas ou
na recuperação da informação (MÂCEDO; AMARAL, 2003; CARVALHO, 2003). Disso
resulta também, na necessidade de investigara questão da usabilidade de sistema de
informação quanto ao desempenho e a satisfação dos usuários no uso desses sistemas digitais
e seus recursos (Costa; Ramalho, 2010).
Por conta disso, a proposta desse trabalho é verificar as novas oportunidades em estudos do
uso da informação a partir da interação com as tecnologias digitais. Porque existe uma
tendência atual entre os pesquisadores de realizarem a consulta na internet, preferencialmente
em site busca do (Google, Google Scholar).Acredita-se que isso tenha se dado com o
surgimento dos periódicos de acesso aberto na web que apresentam como vantagem a rapidez
e a facilidade de se chegar imediatamente ao conteúdo desejado (GASQUE, 2012).
Essa tendência pode ser confirmada quando se consulta os dados estatísticos coletados
na base de dados GEOCAPES sobre acessos ao Portal de Periódicos, por exemplo, em 01
(uma) Instituição Federal de Ensino Superior, a Universidade Federal do Vale do São
Francisco (UNIVASF), localizada no Vale do São Francisco, na região Nordeste do Brasil,

3045

�que mostra redução na quantidade de acesso ao Portal de Periódicos Capes entre os anos de
2009 a 2012, conforme a Tabela 1.

Tabela 1 - Número de acesso da UNIVASF ao portal de periódicos Capes, 2009 - 2012.
Ano
2009
2010
2011
2012

UNIV ASF
92.560
95.596
124.143
48.631

Fonte: GEOCAPES, 2014. Disponível em: &lt;www.capes.gov.br/estatisticas&gt;.

A redução no número de acesso às fontes de informação científica, disponibilizadas
através do website do portal de periódicos Capes pode estar atrelada ao uso de diferentes
métodos de pesquisa e de ferramentas de busca que os pesquisadores lançam mão para
localizar a informação que necessita. Isso tem impactado nas escolhas de novos canais e
fontes de informação durante as atividades de pesquisa da informação científica. Identificar
em quais situações as ferramentas de busca do portal de periódicos são mais utilizadas pelos
pesquisadores e quais os fatores que dificultam o acesso a informação científica na plataforma
de busca do portal de periódicos Capes indicariam outras possíveis pistas que possam explicar
não só a redução no número de acesso desse importante sistema de informação científica
nacional, mas também analisar outras variáveis com relação ao comportamento dos
pesquisadores em interação outros sistemas de informação digital para a busca da informação
científica que melhor atendem suas necessidades.

3. COMPORTAMENTO INFORMACIONAL
Para Gasque (2011), os estudos de busca e uso da informação estão inseridos no tópico
comportamento informacional, antes denominadode estudo de usuários. Como vimos na
segunda seção deste texto, o estudo do comportamento informacional está relacionado à
abordagem alternativa em relação aos estudos de usuário. Oliveira (2013) citando (DERVIN;
NILAN, 1986) confirma isso ao afirmar que o paradigma voltado aos usuários é denominado
“abordagem alternativa” por se contrapor ao outro modelo que entendia a informação como
algo objetivo, dotado de sentido em si. A abordagem alternativa busca ver a informação sob a
perspectiva do usuário.
Com esses esclarecimentos iniciais podemos verificar as definições em relação ao
comportamento informacional.

3046

�Os estudos de comportamento informacional constituem um campo de
investigação com os objetivos de compreender a conduta do usuário em
relação àinformação, bem como os fatores internos e externos ao usuário
que podem afetar tais atividades; e, pragmaticamente, auxiliar no
desenvolvimento e aprimoramento dos
sistemas de informação
(WILSON,1981; 2000 apud OLIVEIRA, 2013, p.28).

Cavalcante (2010) ao abordar o comportamento informacional nos âmbito das
organizações empresariais investiga se hána cultura organizacional um incentivo a prática do
comportamento voltado à busca e uso da informação para solução de problemas ou tomada de
decisão dentro de tais ambientes. Esta autora cita expoentes do mundo corporativo ao definir
comportamento informacional dizendo que “comportamento informacional está ligado a todas
as atitudes em relação à informação, sua busca, recuperação, filtragem, uso e disseminação”
(DAVENPORT; PRUSAK, 1998; apud CAVALCANTE, 2010, p. 57).
O indivíduo expressa um comportamento de engajamento em relação à informação
quando ele percebe alguma necessidade no estado de seu conhecimento. A este respeito
Gasque (2003) diz que a identificação de alguma necessidade informacional direciona o
indivíduo, provavelmente, a engajar-se em atividades de busca de informação. Vale lembrar
que nesse processo de busca, o indivíduo pode deparar-se com barreiras que dificultam a
atividade de busca. Uma das barreiras ao acesso ao conhecimento pode ocorrer em relação à
interação com o sistema de informação. O indivíduo pode não saber, por exemplo, como a
informação está organizada em uma determinada base de dados, e com isso, não consegue
recuperar a informação desejada.
Oliveira (2013, p. 117), em pesquisa com pós-graduandos da área da engenharia
identificou que na interação com base de dados, 51,8% dos pesquisados responderam
apresentar dificuldades. Diz o autor “cabe ressaltar que o maior número de alunos que
assinalou ter dificuldades na interação com as bases de dados estava no nível do doutorado
(120 alunos), onde é esperado que o aluno tenha uma maior familiaridade com as bases de
dados.
Esse último dado reforça a necessidade de mais pesquisas sobre o comportamento
informacional de pesquisadores em contexto específico, como ambiente acadêmico, em que a
cultura de pesquisadas universidades brasileiras segundo Oliveira (2013) proporciona aos
professores e alunos experiência com a pesquisa e a produção científica. Isso em razão de
uma infraestrutura que existe para o desenvolvimento das pesquisas através de acesso a
periódicos científicos de diversas áreas via Portal da CAPES, bancos de teses e dissertações,
bibliotecas, assinatura de convênio com base de dados,etc. Nesse sentido, vale o registro feito

3047

�por Kuramoto(2007) ao falar a respeito do portal de periódicos Capes. O portal que é mantido
pelo governo federal através de convênio com editores científicos permite acesso a milhares
de documentos. Com isso, os cientistas ao desenvolverem as suas pesquisas aqui no país têm
acesso à informação de qualidade, e consequentemente, produzam novas informações de
qualidade, como num processo de realimentação, e afaste de vez, o fenômeno da exclusão
cognitiva por não ter acesso informação científica.
No ambiente acadêmico onde há uma infraestrutura de informação disponível
(Biblioteca, laboratório de informática, acesso ao portal de periódicos Capes dentro outros
recursos informacionais) se favorecem muito a prática do comportamento informacional entre
a comunidade acadêmica como um todo.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
No atual contexto da sociedade contemporânea os estudos do uso da informação estão
voltados à abordagem alternativa através do estudo do comportamento de busca da
informação, uma vez que os pesquisadores interagem com diferentes sistemas de informação
digital para a busca da informação científica. Percebem-se a partir do texto que os
pesquisadores usam diferentes métodos de pesquisa e ferramentas de busca para localizar a
informação que necessita, e que precisam ser melhores investigados. Para se verificarqual(is)
ferramentas eletrônicas atendem suas necessidades.
A mudança de comportamento na busca dos pesquisadores tem impactado mais
fortemente nos canais e fontes de informações tradicionais, a exemplo da biblioteca. No
entanto, também o portal de periódicos Capes foi afetado, uma vez que as atividades de
pesquisa da informação cientifica pelos pesquisadores em geral ocorrem basicamente via site
de busca, Google e o Google Scholar.

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Documentação&#13;
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                <text>O presente trabalho aborda o estudo do uso da informação a partir interação com as tecnologias digitais na busca da informação científica. O objetivo deste artigo foi examinar na contemporaneidade às ações de pesquisa que vem estimulando e exigindo que se tornem efetivas, como é o caso das pesquisas com a temática comportamento informacional e os sistemas de busca digital. O método de pesquisa utilizado para atingir o objetivo proposto foi o estudo bibliográfico. Os resultados preliminares indicam que os pesquisadores interagem com diversas ferramentas eletrônicas e utilizam diferentes estratégias e métodos de pesquisa para localizar a informação.Aconseqüência dos novos hábitos comportamentais dos pesquisadores em relação à busca da informação está afetando o uso da biblioteca física, por extensão, o portal de periódicos Capes.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

NETWORKING EM BIBLIOTECAS:
O CASO DAS BIBLIOTECAS DO SUL DE SANTA CATARINA
Maisa Amorim Bleyer
Cristiane Salvan Machado
Maiara Danusa de Medeiros
RESUMO
Este trabalho apresenta um breve relato de experiência de alguns bibliotecários da UDESC,
SATC e UNISUL sobre a importância do desenvolvimento de uma rede de relacionamento e
os benefícios alcançados com o networking. Também revela os conceitos de redes sociais,
networking e como funcionam diariamente. Além disso, descreve cada uma das instituições
representadas pelas autoras e destaca algumas ações desenvolvidas em parceria com outros
profissionais do sul de Santa Catarina. Enaltecendo a importância de relacionamentos bem
alicerçados para que se tenha um melhor resultado no seu trabalho, onde os ganhos de troca
de ideias e experiências são recíprocos.
Palavras-Chave: Networking; Bibliotecas; Redes sociais.

ABSTRACT
This paper presents a brief account of the experience of librarians UDESC, SATC and
UNISUL about the importance of developing a network of relationships and the benefits
achieved with networking. Reveals too the concepts of social networking, networking and
how to function daily. Moreover, describes each of the institutions represented by the authors
and highlights some actions developed in partnership with other professionals in the south of
Santa Catarina. Praises the importance of relationship well-grounded in order to have better
results in their work, where gains for exchanging ideas and experiences are reciprocal.
Keywords: Networking; Librarians; Social networks.

1 INTRODUÇÃO
As

necessidades

informacionais

desempenham

um

papel

relevante

no

desenvolvimento de atividades em parceria entre as bibliotecas. Neste contexto, os contatos
profissionais se intensificam avançando para diferentes segmentos. Diante disso, pensou-se
em relatar a experiência sobre a importância das redes de relacionamento no apoio ao
desenvolvimento das atividades nas Bibliotecas.

3030

�Aqui especificamente se descreve o grupo existente hoje na região sul de Santa
Catarina, compreende também a oportunidade de lançar novas propostas para que este tipo de
rede tenha um resultado mais eficiente e apontar os benefícios resultantes do exercício da
atividade profissional desenvolvida neste modelo.
Este artigo quer levar um pouco da nossa experiência profissional relacionada ao
convívio social em eventos, redes sociais, encontros e principalmente nas comemorações do
dia do Bibliotecário, berçário deste artigo. Vale destacar que descrevemos apenas as
instituições nas quais as autoras tem vínculo empregatício, mas o grupo é composto por várias
outras instituições do sul de Santa Catarina. As três instituições citadas no artigo são: SATC,
Unisul e UDESC.
A Associação Beneficente da Indústria Carbonífera de Santa Catarina (SATC) foi
criada em 1959, nascendo do compromisso dos mineradores da região sul de Santa Catarina
com o desenvolvimento econômico aliado ao desenvolvimento humano. Desde que foi criada
a instituição já passou por várias revitalizações. Hoje seu organograma contempla duas
grandes áreas principais: A SATCEDU, composta pela Escola Educacional Técnica SATC
(Edutec), Extensão SATC, Faculdade SATC e a SATCTEC, com os laboratórios Laec, Laqua
e Lametro, Centro Tecnológico de Carvão Limpo (CTCL) e Incubadora. Instalada na cidade
de Criciúma/SC, o campus possui uma área total de 550.000m , sendo 33.000m de área
construída. Seus 60 laboratórios possuem equipamentos de nível tecnológico avançado. São
83 salas de aula, biblioteca com 30 mil títulos, complexo esportivo com dois ginásios
cobertos, dois campos de futebol e pista de atletismo. Possui atualmente cerca de sete mil
alunos e mais de 650 colaboradores.
A Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), instituição pública de direito
privado, iniciou sua história no município de Tubarão/SC em 1964. Com uma estrutura multicampi, tem bibliotecas nos campi de Tubarão, Grande Florianópolis e UnisulVirtual, nas suas
unidades de Araranguá, Içara, Braço do Norte, Florianópolis e Palhoça e nos pólos de apoio
do ensino a distância distribuídos em todo o território nacional. Tem em seu acervo
bibliográfico mais de 200.000 exemplares de obras em formato impresso e eletrônico. De
acordo com Cybermetrics Lab 2013, a Unisul está entre as 56 melhores universidades
brasileiras, no que tange à disseminação do conhecimento na web.
A Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), pública de ensino gratuito,
iniciou com a Faculdade de Educação (FAED) em maio de 1963 em Florianópolis. Hoje com
12 unidades em todo o estado como Grande Florianópolis, Joinville, São Bento do Sul, Lages,
Chapecó, Palmitos, Pinhalzinho, Ibirama, Balneário Camboriú e Laguna, atendendo a 32

3031

�cursos ofertados com entrada semestral para cursos presenciais e apoio aos cursos do ensino a
distância.
Considerando a biblioteca como um espaço democrático de apoio ao ensino e
aprendizagem, pesquisa e extensão, assim como ao lazer, onde os ambientes são preparados
para a construção do conhecimento a partir das informações disponíveis em seu acervo físico
e eletrônico, se torna imprescindível a sua atuação além-muros, pois as informações não se
esgotam, independentemente do seu suporte físico.
No contexto do desenvolvimento de atividades conectadas e dependentes, disseminar a
informação é uma das atividades das bibliotecas e bibliotecários, utilizando de todas as
formas possíveis e disponíveis para alcançar cada vez mais usuários e interessados em
aumentar seus conhecimentos e aprimorar seu trabalho profissional.
Há uma variedade de aplicações para o termo rede com diferentes modelos de
relacionamentos. Para este relato o termo rede se refere especificamente as redes
organizacionais, também conhecidas por networking., com abrangência além dos limites da
própria empresa, chegando inclusive a uma interação social.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Para Silva Junior (2007, p. 75) “as organizações, atuando de forma isolada, terão
menores condições básicas de sobrevivência e desenvolvimento, pois nenhuma empresa
domina sozinha, a totalidade dos conhecimentos exigidos para a realização do conjunto de
atividades necessárias ao seu crescimento e sustentação”.
Esta afirmativa contextualiza o cenário que permanece atual e provoca o
desenvolvimento de relações e atividades com outras empresas ou pessoas como meio de
subsistência mercadológico. Com o variar de interpretações sobre as informações, discutir
pontos de vista se tornou um exercício do aprimoramento intelectual e social como expansão
do saber.
Até mesmo antes de nascer já estamos integrados ao que podemos chamar de
constelação humana, pois o feto tem pai, mãe, avós, médico e, as vezes,
irmãos. Durante um longo período, vivemos somente dentro dessa rede para
depois iniciar um processo de expansão dos relacionamentos. A partir daí,
cada vez que conhecemos novas pessoas damos mais nós, fazendo a
amarração dos fios que tecem nossas redes de relacionamentos.
(MINARELLI, 2001, p. 31).

Para Recuero (2011, p. 30) “as conexões em uma rede social são constituídas dos laços
sociais, que, por sua vez, são formados através da interação social entre os atores”. Vivemos

3032

�em sociedade, portanto as relações mesmo que profissionais se caracterizam também como
sociais onde seus laços permeiam diferentes segmentos.
O homem sempre teve a necessidade de se agrupar para conseguir atingir
seus objetivos, sejam estes voltados para a sobrevivência ou para um fim
específico. Os resultados conseguidos através dessa união agregaram valores
para cada indivíduo pertencente ao grupo em termos de competências
adquiridas, conhecimentos compartilhados, conteúdos transacionados e para
o grupo como um todo. (COSTA, 2008, p. 17).

Segundo Castells (2009, p. 566) "redes são estruturas abertas capazes de expandir de
forma ilimitada, integrando novos nós desde que consigam comunicar-se dentro da rede".
Entendemos assim que cada nó representa uma possibilidade de interação e/ou parceria, se
multiplicando em vários outros nós.
A rede é o canal que capta, integra e distribui informações, bens e serviços
com maior eficiência, e isso é verdade tanto na operação de negócios quanto
em relação às pessoas. Quando você se integra e cultiva sua rede de
relacionamentos, tem sempre mais oportunidades de captar o que necessita e
distribuir o que tem disponível. (MINARELLI, 2001, p. 30).

Para Aguiar e Silva (2010, p. 4), “o mundo não está dividido por ideologias, etnias ou
pela geografia, mas sim por redes sociais”.
A cooperação é o processo formador das estruturas sociais. Sem cooperação,
no sentido de agir organizado, não há sociedade. A cooperação pode ser
gerada pelos interesses individuais, pelo capital social envolvido e pelas
finalidades do grupo. Entretanto, é essencial para a compreensão das ações
coletivas dos atores que compõem a rede social. (RECUERO, 2011, p. 81).

O resultado deste trabalho voltado à finalidade de um grupo reflete o coletivo agindo
em objetivo comum.
A confiança entre os indivíduos é um elemento chave do capital social, pois
quanto mais se desenvolvem mais dão resultados, possibilitando maior
entendimento de como as pessoas estão interagindo. A identificação do
comprometimento dos indivíduos possibilita a geração dos benefícios do
capital social. Essa ideia certamente não é nova, mas faz as pessoas
pensarem sobre isso e entenderem a importância e a utilidade do capital
social; sem dúvida é uma nova forma de disseminar esse conceito. (COSTA,
2008, p. 32).

Para Minarelli (2001, p. 29) “são as pessoas da sua rede que nunca o deixarão sozinho
diante de alguma situação de emergência”. Isso nos dá a confiança para superar limites e
confiar no conjunto. Já para Darling (2007, p. 9) “fazer networking pressupõe atender aos
seus interesses e ajudar os outros a satisfazerem os deles. Reputação e confiança são
essenciais para consolidar esse tipo de relacionamento, que beneficia ambos os lados”.

3033

�Segundo Alves (2012, p. 98) “a soma de visão de mundo distintas, quando disponíveis
a outras pessoas, pode fazê-las refletir mais sobre o mundo que as cercam e, assim, contribuir
para a evolução do conhecimento geral sobre o mundo”.
Dentro de uma rede social desenvolvida com o propósito de reunir usuários
interessados em um assunto específico, o compartilhamento de informações
gerado a partir da interação entre os atores participantes da rede e o conteúdo
dessas informações provavelmente serão pertinentes aos objetivos da rede e
de seus usuários e possivelmente poderão colaborar com a construção do
conhecimento de cada indivíduo. No entanto, cabe a cada indivíduo agregar
valor às informações recebidas para que seus pensamentos acerca de
determinados assuntos possam ser ampliados. (PINHO, 2012, p. 27).

Segundo Spyer (2007, p. 71) “as ferramentas para a construção de redes sociais
servem para ampliar e fortalecer a teia de relacionamentos dos usuários porque facilitam a
recuperação e a preservação do vínculo”.
Como tendência histórica, as funções e os processos dominantes na era da
informação estão cada vez mais organizados em torno de redes. Redes
constituem a nova morfologia social de nossas sociedades e a difusão da
lógica de redes modifica de forma substancial a operação e os resultados dos
processos produtivos e de experiência, poder e cultura. (CASTELLS, 2009,
p. 565).

Com a evolução das tecnologias de informação e comunicação as ditas parcerias se
apoderaram das redes sociais como um dos principais meios de relação interpessoal.
A estruturação das redes de conhecimento e de relacionamento é
conveniente, pois permite que cada trabalhador envolvido na rede tenha
acesso às informações e isso possibilita que se atinjam os interesses
marcados pela estratégia do networking. As redes, constituídas por
especialistas, desempenham importante papel para a troca de informações
competitivas, para um grupo de empresas de uma determinada região.
(BELMONTE; SCANDELARI, 2005, p. 83).

Para Pinho (2012, p.17) “as informações originadas a partir das interações entre
pessoas e disponibilizadas em rede, assim como quaisquer outras, podem ter um impacto na
construção de conhecimento de cada indivíduo que as obtém”.

Para os bibliotecários, que podem atuar em diferentes tipos de
bibliotecas e unidades de informação e que cada vez mais ganham
espaço no mercado de trabalho, é importante que adquiram
informações que possam utilizar para aprimorar seus serviços dentro
de sua área de atuação, bem como conhecer sobre diferentes
possibilidades de trabalho em outras áreas. (PINHO, 2012, p. 27).

3034

�Segundo Acosta (2011, p. 9) “a necessidade de adquirir conhecimento pelos
bibliotecários nos faz refletir no ciclo que eles se integram, entre a: busca; utilização e
estratégia de informação”.
Sair da zona de conforto, onde você domina seu trabalho e técnicas para
operacionalizar as ações e aceitar a tecnologia é um grande desafio. As mudanças são
evidentes e necessárias. Ter em mente que crescer sempre é o objetivo para se estar sempre
atualizado, disponível e disposto a adquirir novos conhecimentos com estudos e trocas
interpessoais de experiências.
A evolução das profissões é, dessa forma, o resultado de suas inter-relações. Essas
inter-relações são determinadas pela maneira como os grupos profissionais controlam seus
conhecimentos e habilidades. (CUNHA; CRIVELLARI, p. 41, 2004).

O networking é uma ferramenta utilizável principalmente nas fases de
implantação das inovações e processos. Permite às organizações e a terceiros
compartilhar habilidades, especializações, recursos, informações
e
conhecimentos. Tanto pode ser utilizada intra ou interorganizacionalmente.
Oportuniza o aprendizado estruturado e compartilhado, cuja sinergia
proporciona ambientes que tendem a inovações tecnológicas. Fazer
networking é proporcionar o estabelecimento de uma rede de relações
pessoais, que permite a troca de idéias, conselhos, informações, referências,
contatos e sugestões, em que os recursos, habilidades e talentos são
compartilhados e agregados. Fazer networking é criar, manter e usufruir sua
rede de contatos, de forma consciente e sistemática, com a proposta de
alavancar seus objetivos pessoais e profissionais (SOUZA, 2003 apud
BELMONTE; SCANDELARI, 2005, p. 78).

A comunicação faz parte de nossas vidas como algo intrínseco em que são
aprimorados os meios e os contextos.
Para Costa (2008, p. 92) “O fenômeno redes de relacionamentos ajuda a minimizar as
dificuldades que possam surgir no decorrer do desenvolvimento de uma carreira, pois permite
a utilização de várias fontes de informações”.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Este artigo está dividido entre dois tipos de metodologia primeiro foi elaborado o
levantamento bibliográfico sobre o tema proposto e depois se levantou os dados para que
houvesse o relato de experiência que seguirá abaixo.
A principal pergunta do artigo é qual a importância do networking na carreira do
bibliotecário e o quanto essa troca de informações influenciou para o sucesso na sua carreira.

3035

�Este trabalho é resultado do networking, conforme descrito inicialmente, desta forma
ressaltamos seu empirismo, o que não envolve metodologia de estudo, mas a prática das
atividades profissionais de acordo com o regimento das empresas envolvidas, a legislação
vigente e conforme recomendado pelas entidades de classe.
Na área da Biblioteconomia comumente os trabalhos são desenvolvidos entre
diferentes empresas sem a preocupação mercadológica, ou seja, de concorrência, o que se
caracteriza em uma postura diferente de outros setores. Esta prática pode ser denominada de
colaboração

solidária entre

as partes,

onde deve prevalecer a reciprocidade e

corresponsabilidade.
Desenvolvemos um conjunto de atividades que permitem a interação entre os
profissionais bibliotecários que atuam em diferentes segmentos produtivos no sul de Santa
Catarina, como instituições de ensino, bibliotecas públicas, centros de pesquisa e etc., de
caráter público ou privado.
Comumente há troca de informações sobre a prática de serviços biblioteconômicos e
de avaliações sobre fornecedores e produtos disponíveis no mercado nacional e internacional.
Dentre outras trocas, temos também o compartilhamento do modelo de gestão e capitalização
da cooperação no desenvolvimento de atividades.
Como uma aliança informal se destaca a prática da comemoração do dia 12 de março Dia do Bibliotecário. Todos os bibliotecários que atuam entre as cidades de Laguna e Passo
de Torres, no extremo sul catarinense, são convidados a participar de um dia de integração,
comemoração e principalmente troca de experiências profissionais.
O primeiro encontro deu-se em 2005, em Criciúma. Foram convidados todos os
bibliotecários que atuavam na região sul de Santa Catarina para um jantar em comemoração
ao seu dia. Assim se instituiu pelos presentes o Grupo de Bibliotecários da Região Sul de
Santa Catarina.
A partir deste encontro, de forma sucessiva, a cada ano foram sendo realizados
novos encontros, alternando as cidades anfitriãs: em Criciúma ocorreu em 2005, 2007, 2009,
2011 e 2013; em Tubarão ocorreu em 2006, 2008, 2010 e 2012; e em Laguna comemoramos
este ano de 2014.
A programação sofre variações considerando o período de realização, como exemplo a
comemoração de 30 anos de profissão de duas colegas bibliotecárias. Em anos distintos, com
o caráter festivo, nos foi oportunizado viver a história da Biblioteconomia no sul de Santa
Catarina, construída por duas desbravadoras desta profissão na região.

3036

�Nestas comemorações ao longo dos anos foram ofertados dias de lazer em hotéis,
jantares e almoços, regados a palestras técnicas e motivacionais.
Este ano o Grupo de Bibliotecários do Sul de Santa Catarina completa nove anos,
porém já havia há anos o contato informal entre os profissionais da região. Consideramos este
grupo como uma rede de relacionamentos que está sempre se renovando, agregando mais
profissionais que vão chegando na região e se despedindo de bibliotecários que migram para
outras.
É comum termos um único bibliotecário atuando sozinho em sua instituição, sem o
apoio de outro profissional da área para compartilhar dúvidas, interagir sobre melhorias ou
simplesmente para a troca de ideias. É neste contexto que temos uma grande importância das
relações aqui evidenciadas. Neste cenário se identifica no Grupo de Bibliotecários uma
oportunidade de romper a barreira do isolamento, onde mesmo tendo profissionais que atuam
em instituições diferentes é possível dispor de auxílio e apoio.
Este relacionamento colaborativo se intensifica quando há interesses comuns, por
exemplo, no desenvolvimento de atividades de valorização e/ou desenvolvimento do hábito
da leitura aos usuários. Ao unir esforços temos usualmente uma melhor prática.
Isto também ocorre no uso de recursos tecnológicos iguais ou semelhantes, como
software de gerenciamento de acervo. Dependendo do tipo de processo, por exemplo, na
aquisição, estamos em constante contato entre os pares, na busca de informações de suas
práticas a fim de melhor desenvolver as atividades diárias.
Outro fator que vale ser mencionado é o de que percebemos a resistência de
profissionais experientes de outras regiões de SC e do Brasil em se dispor a ocupar as vagas
para bibliotecários ofertadas para o extremo sul de SC. Na maioria dos processos seletivos
fica como única alternativa às instituições a contratação de profissionais recém-formados e
sem experiência profissional. Entendemos aqui mais uma relevância na preservação deste
grupo, onde o profissional inexperiente pode contar com o apoio de um colega da área,
principalmente para os recém-formados que chegam ao mercado de trabalho com
conhecimentos restritos ao ofertados na grade curricular do curso de graduação Vale ressalta
que esta prática depende deque tenhamos um relação de confiança e compartilhamento de
conhecimento entre os membros do grupo de bibliotecários.
Outra consideração é a de que as novas tecnologias têm oportunizado o
compartilhamento de informações e a partir delas criar possibilidades de interação entre
indivíduos de interesse comum. Assim, com o avanço tecnológico temos várias opções de

3037

�fortalecer esta rede de relacionamentos com conversas por correio eletrônico (e-mail),
mensagens instantâneas, ligações telefônicas, redes sociais, etc.
Dispomos ainda de serviços gratuitos na internet de disco virtual, que possibilita o
armazenamento e a sincronização de arquivos que mantidos em nuvem, por meio de um
sistema de permissões de acesso em diferentes níveis, oferece uma ótima ferramenta de
edição colaborativa, onde o compartilhamento ou a construção de textos acontece em tempo
real entre todos os que receberam permissão de acesso. Além de vários outros aplicativos
tecnológicos gratuitos disponíveis na internet que favorecem a colaboração entre pares.
Também contamos com os eventos nacionalmente realizados sobre assuntos da área
para fortalecimento do Grupo de Bibliotecários do Sul de Santa Catarina, como no Seminário
Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU), o Congresso Brasileiro de Biblioteconomia,
Documentação e Ciência da Informação (CBBD), encontros de usuários de diferentes
segmentos da área ofertados por fornecedores de produtos serviços, entre outros.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O networking está diretamente ligado a uma eficiente comunicação, onde o contato se
faz de maneira planejada e personalizada, tendo um assunto em comum como facilitador. Sem
preconceito se deve estar apto a receber opiniões divergentes e não manter contato somente
quando precisar de favores, sendo imprescindível a ajuda mútua.
A rede de relacionamentos deve ser regada para além dos assuntos profissionais e
corporativos, mas com confiança, discrição e boa educação. Ela minimiza os riscos e amplia
as possibilidades de benefícios.
A rede de relacionamento é tão importante, se não mais, do que o conhecimento
profissional. Todo o profissional deve cuidar de seu marketing pessoal e primar por uma boa
rede de relacionamentos. O networking é essencial para quem quer ter uma carreira
profissional bem sucedida. Para um bibliotecário então, que trabalha com informação, é
imprescindível, afinal a sociedade gira em torno dela.
O Grupo de Bibliotecários do Sul de Santa Catarina se torna cada vez mais
solidificado, pois cada profissional tem seus conhecimentos adquiridos devido a experiência
ao longo da carreira e, os membros desta rede tem plena disposição para colaborar
independente do nível de experiência profissional. Portanto dependendo o assunto, se sabe
quem procurar. Conta-se com esta rede para tirar as dúvidas, dividir as angústias, alegrias,
experiências e sucessos. Aproveitam-se muitos encontros sociais e informais para trocas de
informações. As informações giram no grupo e são disseminadas ao seu redor com uma

3038

�rapidez e profissionalismo que nos leva a segurança de sempre poder partilhar os assuntos
discutidos.

REFERÊNCIAS
ACOSTA. Ana Carolina B. O uso de sites de redes sociais por bibliotecários das
instituições de ensino superior no Estado do Rio Grande do Sul. 2011. 25 f. Monografia
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3040

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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>Bleyer, Maisa Amorim, Machado, Cristiane Salvan, Medeiros, Maiara Danusa de</text>
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                <text>Este trabalho apresenta um breve relato de experiência de alguns bibliotecários da UDESC, SATC e UNISUL sobre a importância do desenvolvimento de uma rede de relacionamento e os benefícios alcançados com o networking. Também revela os conceitos de redes sociais, networking e como funcionam diariamente. Além disso, descreve cada uma das instituições representadas pelas autoras e destaca algumas ações desenvolvidas em parceria com outros profissionais do sul de Santa Catarina. Enaltecendo a importância de relacionamentos bem alicerçados para que se tenha um melhor resultado no seu trabalho, onde os ganhos de troca de ideias e experiências são recíprocos.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

NECESSIDADES E DEMANDAS DE EDUCAÇÃO DE USUÁRIOS NO SISTEMA DE
BIBLIOTECAS DA UFC: UNIVERSIDADE RUMO À COMPETÊNCIA EM
INFORMAÇÃO
Raimundo Nonato Ribeiro dos Santos
Ana Cristina Azevedo Ursulino Melo
Eliene Gomes Vieira do Nascimento
Isabela da Rocha Nascimento
Kléber Lima dos Santos
Islânia Castro Teixeira da Silva
Vanessa Pimenta Rodrigues
RESUMO
Investiga as necessidades e demandas de ações de educação de usuários no Sistema de
Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará (UFC). Relaciona as temáticas necessidades de
informação e competência em informação. Trata-se de pesquisa exploratória, baseada na
metodologia participativa da pesquisa-ação. Os resultados apontam sobre as necessidades de
ações de educação de usuários existentes na UFC e apresenta as ações desenvolvidas
Comissão de Educação de Usuários na UFC para a promoção da competência em informação.
Palavras-Chave: Educação de usuários. Competência em Informação. Necessidades de
informação. Demandas de informação.
ABSTRACT
Investigate the needs and demands of actions to users education in the Library System of the
Universidade Federal do Ceará (UFC). Relates thematic information needs with information
literacy. This is exploratory research, based on participative action research methodology. The
results point about the needs of actions to existing users education in the UFC and shows the
actions developed by the Users Education Commission of the UFC users to promote
information literacy.
Keywords: Users Education. Information literacy. Information needs. Information demands.

1 INTRODUÇÃO
A Biblioteca Universitária é uma instituição fundamental no processo de
aprendizagem do ensino superior. Tem papel ativo na pesquisa, na extensão e no ensino,
atendendo toda a comunidade acadêmica no tocante às suas necessidades de informação

3015

�técnicas, científicas e literárias, permitindo a seus usuários usufruir de todas as oportunidades
que as tecnologias podem oferecer no acesso à informação.
Assim, as bibliotecas universitárias precisam interagir cada vez mais neste ambiente
que está inserida, antenada com as mudanças, adequando seus serviços e desenvolvendo
novos produtos para atender todas as demandas de informação existentes na universidade.
Um fator chave para o sucesso das bibliotecas universitárias, além de estimular a
autonomia de seus usuários e orientar no uso dos recursos de informação, é identificar as
necessidades e demandas de seus usuários e satisfazê-las.
Baseado nisso, a Comissão de Educação de Usuários (CEU) do Sistema de Bibliotecas
da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveu essa pesquisa com o objetivo de
identificar quais as necessidades e demandas da comunidade acadêmica em que está inserida,
e dessa forma, ter subsídios para o desenvolvimento de suas ações de educação de usuários e
promoção da competência em informação.

2 NECESSIDADES E DEMANDAS DE INFORMAÇÃO352
As Bibliotecas Universitárias precisam interagir cada vez mais no meio em que está
inserida, atenta às mudanças, adequando seus serviços e produtos, desenvolvendo novos, para
atender todas as demandas de informação existentes na comunidade acadêmica.
Garcez e Rados (2002, p. 47), ressaltam o papel que a Biblioteca Universitária deve
assumir para satisfazer as demandas de seus usuários:
As bibliotecas acadêmicas, para competir no mercado, devem flexibilizar
suas operações de serviços e, com isto, ampliar sua faixa de mercado, ou
seja, elas devem possuir operações diferenciadas para cada tipo de usuário
(eficácia), uma vez que estes possuem necessidades e expectativas
individualizadas. Elas terão de se adaptar aos novos tempos para ir ao
encontro das necessidades dos novos usuários deste final de século, e para
isso as bibliotecas híbridas têm seu papel inovador nessa fase transacional.
O autor ressalta assim a necessidade das bibliotecas universitárias conhecerem seus
usuários, estando atentas às suas necessidades e demandas. Dentro da literatura científica de
Biblioteconomia e Ciência da Informação, os estudos sobre Necessidades de Informação
relacionam-se epistemologicamente com as temáticas Estudos de Usuários e Comportamento
Informacional.

352 Não é objetivo do trabalho discutir os conceitos e significados envolvidos nas palavras “necessidade” e
“demanda”. Etimologicamente, necessidade é algo que eu realmente preciso e demanda refere-se a intenção de
sanar essa necessidade.

3016

�Segundo Dervin e Nilan (1986), necessidade de informação refere-se ao estado de
necessidade de algo que o indivíduo chama de informação. Deve-se ter em mente que as
necessidades de informações podem advir da própria pessoa, ou de uma demanda em função
dos seus estudos, ou do seu trabalho ou, do ambiente (política, economia, tecnologia, etc.).
No Brasil, os estudos de Figueiredo (1983) sobre os conceitos de necessidade,
demanda e uso da informação, são recorrentes quando se trata do assunto. Para a autora: a)
necessidade refere-se ao que o indivíduo deve ter para o seu trabalho, pesquisa, edificação,
recreação etc., tornando-se uma demanda em potencial; b) demanda o que o indivíduo
solicita, tornando-se um uso em potencial; c) o uso é o que o indivíduo efetivamente utiliza.
Torna-se necessário proporcionar ao usuário não só a capacidade de entender suas
próprias necessidades de informação, e também de satisfazê-las e, se possível, com seus
próprios meios. O desenvolvimento da competência em informação, tratada a seguir, pode dar
ao usuário os recursos necessários para lidar com a informação que lhe faz falta e assim
resolver seus problemas.

3 EDUCAÇÃO DE USUÁRIOS E COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO
A sociedade contemporânea (por vezes chamada “da informação”, “do conhecimento”,
“em rede”) demanda de seus profissionais o desenvolvimento de habilidades para melhor uso
e proveito da informação. Diante desta exigência a aprendizagem continuada e independente é
uma característica fundamental para qualquer profissional. De acordo com Belluzzo (2005),
na era da informação e do conhecimento as pessoas devem possuir alto grau de compreensão
no que diz respeito às competências para gerir e usar a informação.
As bibliotecas universitárias têm papel fundamental no processo educacional, atuando
na promoção dos recursos informacionais para o ensino e aprendizagem na educação superior
e no apoio à pesquisa. Assim, especialmente as bibliotecas universitárias vêm desenvolvendo
programas de educação de usuários para promover habilidades relacionadas com a
localização, seleção, acesso e utilização da informação. Segundo Fleming (1990, p. 9),
educação de usuários refere-se a:
[...] programas de instrução, educação e exploração oferecidos pelas
bibliotecas aos seus usuários para capacitá-los a fazer um uso mais eficaz,
eficiente e independente das fontes de informação, recursos e serviços que
estas bibliotecas oferecem.

A expressão Educação de Usuários tem sido utilizada desde os anos 70 na literatura
especializada em Biblioteconomia e Ciência da Informação, ás vezes também encontrada sob

3017

�outras expressões associadas a essas ações em bibliotecas tendo o usuário como centro do
processo de aprendizado: orientação bibliográfica, instruções sobre o uso da biblioteca,
treinamento de usuários (CAREGNATO, 2000). Não é objetivo desse trabalho adentrar nas
discussões sobre a terminologia, mas tornar público o modelo desenvolvido na UFC de ações
de Educação de Usuários para a promoção da competência em informação.
Dudziak (2001), avaliando o papel do Bibliotecário, verifica mudanças nas ações do
profissional como intermediário da informação, mediador do conhecimento e educador. Como
mediador, o Bibliotecário ensina o usuário a utilizar determinados recursos e ferramentas
informacionais, possibilitando desde a busca até a recuperação dos documentos de interesse.
A Biblioteconomia e a Ciência da Informação, no que diz respeito ao comportamento
do usuário no processo de busca pela informação, têm tomado por base, para fundamentar
esses estudos, a Competência em Informação, área que tem observado bastantes estudos nas
últimas décadas e rica pela interdisciplinaridade com outras áreas, as quais podemos citar, a
educação, a psicologia, a comunicação, as ciências sociais e a informática.
Competência em informação, do inglês information literacy, refere-se ao “Conjunto de
competências que uma pessoa possui para identificar a informação, manipular fontes de
informação, elaborar estratégias de busca e localizar a informação, bem como avaliar as
fontes de informação” (CUNHA; CAVALCANTI, 2008, p. 10).
Para a American Library Association (1989): “Para ser competente em informação, a
pessoa deve reconhecer quando precisa de informação e possuir habilidade para localizar,
avaliar e usar efetivamente a informação”. Na percepção de Belluzzo (2005) sobre
competência em informação, o destaque é no contexto educacional, focalizando o indivíduo e
a aprendizagem contínua na direção do desenvolvimento de competências para o domínio do
universo informacional e consequente sucesso na sociedade da informação.
Beluzzo (2005) analisa a competência em informação de acordo com três concepções:
a) digital - concepção com ênfase na Tecnologia da Informação e da Comunicação; b)
informação propriamente dita - concepção com ênfase nos processos cognitivos; c) social concepção com ênfase na inclusão social, consistindo em uma visão integrada de
aprendizagem ao longo da vida e exercício de cidadania.
Importante ressaltar que essas concepções estão imbricadas, de modo que a
competência em informação adquire abordagem variada, a partir de um processo crítico de
aprendizagem informacional que não se esgota na apreensão de habilidades e técnicas de uso
da informação. Nesse sentido, numa perspectiva social, a aprendizagem em informação é
condição e subsídio para a prática crítica dos indivíduos no meio social.

3018

�Em um relevante artigo sobre competência em informação, Miranda (2006) considera
que o reconhecimento de necessidades de informação pode corresponder, na prática, ao
desenvolvimento de competência em informação que possam atendê-las.
Assim, abordamos a competência em informação neste trabalho como elemento
fundamental relacionado à formação de pessoas com espírito crítico, capazes de acionar
conhecimentos e habilidades voltadas para as suas necessidades de informação em qualquer
ambiente. Inclui aprendizado ao longo da vida e habilidade para atuar efetivamente na
sociedade da informação.

3.1 Educação de usuários na UFC
Baseados nesse cenário apresentado, um grupo de bibliotecários do Sistema de
Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará (UFC) elaborou em 2010 um projeto para
realização do “Curso Biblioteca Pra Quê Te Quero?: iniciação à pesquisa e ao uso de recursos
informacionais”. O Curso tinha como objetivo: capacitar os discentes recém-ingressos da
UFC na elaboração de pesquisas e o uso da biblioteca dentro da sua atividade discente. Seu
conteúdo foi elaborado em quatro módulos, a saber: apresentação do Sistema de Bibliotecas
da UFC, Fontes de informação, Introdução à metodologia da pesquisa e Normalização de
trabalhos acadêmicos.
Após a primeira edição do curso e com outras possibilidades vislumbradas de
atividades para seus usuários, a Biblioteca Universitária, órgão responsável pela direção do
Sistema de Bibliotecas da UFC, criou no mesmo ano de 2010, a Comissão de Educação de
Usuários (CEU).
A Biblioteca Universitária da UFC adota um modelo de gestão participativa,
constituído por Comissões Especializadas. O objetivo das Comissões Especializadas é:
[...] descentralizar as decisões, elas têm por objetivo diagnosticar e analisar
as necessidades de mudanças para a solução de problemas técnicos e
estruturais [...] de maneira científica, aprofundando questões relativas ao
fazer cotidiano, com ênfase especial à produção de conhecimentos e à
atuação em face do paradigma do acesso livre á informação científica.
(UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÀ, 2014).

Nesse cenário, o objetivo da CEU é institucionalizar as ações de capacitação de
usuários, indo além dos treinamentos oferecidos pelas bibliotecas, desenvolvendo uma
política de educação de usuários no Sistema de Bibliotecas e promovendo a competência em
informação na Universidade.

3019

�A Comissão de Educação de Usuários do Sistema de Bibliotecas da UFC atua no
desenvolvimento de ações de educação de usuários, voltadas para a competência em
informação da comunidade acadêmica, ofertando cursos, treinamentos e ferramentas que
auxiliem os usuários no desenvolvimento de sua aprendizagem.
As ações e ferramentas são construídas a partir de reuniões periódicas dos
bibliotecários membros da CEU, onde é possível discutir e apresentar propostas que
dinamizem o processo de uso da informação na pesquisa acadêmica e científica. Listamos no
Quadro A, a seguir, as atividades desenvolvidas pela Comissão:

Quadro A - Ações de Educação de Usuários desenvolvidas na UFC.

TREIN A M EN TO S/EV EN TO S
Ação

Objetivo

Periodicidade

Descrição

Projeto Descobrindo
a Biblioteca

Estabelecer
um
primeiro
contato entre os novos alunos
da UFC e a Biblioteca.

Semestral

Apresentação do Sistema de Bibliotecas
da
UFC
(regulamento;
serviços
ofertados; acervo; catálogo on-line;
autoatendimento
(Meu
Pergamum);
Campanha de Preservação do Acervo.
As Coordenações de curso e diretorias
de unidades acadêmicas podem solicitar
apresentações para sua Semana de
Recepção, através de agendamento junto
à biblioteca setorial que atende a seu
curso.
Carga horária: 1 hora - 2 horas (de
acordo com a demanda)

Treinamento
Normalização

de

Orientar os alunos que estão
elaborando suas monografias,
dissertações e teses, quanto à
padronização de seus trabalhos
de acordo com as normas da
ABNT.

Semestral
(também
ocorrendo sob a
demanda
dos
cursos)

Apresentação dividida em três módulos:
Normalização de trabalhos acadêmicos,
Elaboração de Citações e Elaboração de
referências.
Carga horária: 3 horas

Maratona
Conhecimento

do

Promover o desenvolvimento Anual
de habilidades relacionadas à
busca, acesso e utilização de
informações para construção
do conhecimento.

Treinamentos
em
bases
de
dados
especializadas

Apresentação de ferramentas e fontes de
informação
acadêmica
(Portal
de
Periódicos da CAPES, bases de dados
especializadas).

Sob demanda

3020

�CURSO
Curso Biblioteca Pra
Quê
Te
Quero?:
iniciação à pesquisa e
ao uso de recursos
informacionais

Capacitar os discentes no uso Semestral
dos recursos informacionais e
na elaboração de trabalhos
acadêmicos.

Conteúdo programático:
Fontes de informação oferecidas pela
BU (Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações, Repositório Institucional,
Portal de Periódicos da CAPES), Uso da
internet na pesquisa científica e
Normalização de trabalhos acadêmicos.
Carga horária: 16 horas.

Fonte: Elaborado pelos autores (2013).

Além dessas ações, também foram desenvolvidos Tutoriais como guias rápidos para
demandas específicas dos usuários, disponíveis na página da Biblioteca Universitária da
Universidade Federal do Ceará. Já foram publicados cinco tutoriais: Pesquisa básica no
Catálogo online; Pesquisa na BDTD; Acesso remoto via CAFe ao Portal de Periódicos da
CAPES; Como localizar livros na estante; Guia para submissão de teses e dissertações na
BDTD.
Após 3 anos de atividades, a CEU formalizou esta pesquisa junto a comunidade
acadêmica, objetivando direcionar suas ações através do conhecimento das demandas de
treinamento de seus usuários.

4 MATERIAIS E MÉTODOS
Cientificamente, este estudo é uma pesquisa exploratória, baseada na metodologia
participativa da pesquisa-ação. Para Thiollent (2011, p. 8), a pesquisa-ação engloba um
“conjunto de procedimentos para interligar conhecimento e ação”, visando extrair da ação
novos conhecimentos que irão transformar a situação-problema. A pesquisa-ação pressupõe
“uma forma de ação planejada de caráter social, educacional, técnico ou outro”
(THIOLLENT, 2011, p. 14).
O método da pesquisa-ação consiste essencialmente em elucidar problemas sociais e
técnicos, cientificamente relevantes, reunindo os pesquisadores, os membros da situaçãoproblema e outros atores e parceiros interessados na transformação da realidade, formulando
respostas sociais, educacionais, técnicas e/ou políticas adequadas.
Assim, a pesquisa-ação é orientada em função de objetivos de transformação,
oferecendo aos pesquisadores e ao grupo de participantes os meios de se tornarem capazes de

3021

�responder com maior eficiência aos problemas da situação em que vivem, em particular sob a
forma de diretrizes da ação transformadora.
Utilizou-se como instrumento de coleta de dados um questionário, disponibilizado
on-line, através da ferramenta Formulários do Google Drive. Segundo Marconi e Lakatos
(2009), o questionário é formado por um conjunto de questões que devem ser respondidas por
escrito e a presença do pesquisador não é obrigatória. Dentre as vantagens do questionário,
que resultou na sua utilização na pesquisa, destaca-se: atinge um grande número de pessoas
simultaneamente; economiza tempo e pessoal; obtém respostas rápidas; em virtude do
anonimato, existe maior liberdade nas respostas.
O questionário ficou disponível no período de 11 de junho até 5 de agosto de
2013, e obteve 224 respostas. O mesmo foi divulgado através do site da Biblioteca
Universitária da UFC (www.biblioteca.ufc.br), bem como através de redes sociais da
Biblioteca. O link para o questionário também foi enviado por correio eletrônico, através das
listas de emails de alunos, servidores e docentes da Universidade. A seguir apresenta-se os
resultados coletados.

5 ANÁLISE DOS DADOS E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Inicialmente, traçamos um perfil dos respondentes quanto ao seu vínculo com a
Universidade. Cada categoria tem um nível próprio de conhecimento, e consequentemente de
tem suas próprias necessidades e demandas de informação.
Gráfico 1 - Perfil dos usuários

3022

�Os alunos e graduação representam a maior parte da demanda, ou seja, 65% da
amostra. É indicativo que esse alunado chega à universidade ainda com conhecimentos
deficitários em torno de questões de pesquisa e metodológicas. É exatamente por isto que a
biblioteca universitária tem que continuar construindo espaços, tanto melhor quanto mais
conectado com alguma disciplina acadêmica, que enfoquem estas deficiências de pesquisa e
metodologia científica e normativa, contribuindo para o processo de amadurecimento
investigativo do alunado.
Conforme apontado, as necessidades de informação podem advir dos papéis que os
indivíduos assumem na vida social, e o mais relevante deles no cenário da Biblioteca
universitária é o papel exercido da educação e do estudo. Assim, já se vem construindo ações
voltadas para grupos específicos, como o “Descobrindo a Biblioteca”, que acontece na
recepção dos novos alunos, e o “Curso Biblioteca Pra Quê Te Quero”, que é voltado
especificamente para alunos dos semestres iniciais.
A seguir, questionamos os usuários se acham necessário treinamentos específicos para
a utilização das fontes de informação/serviços disponibilizados pelas bibliotecas.

Gráfico 2 - Necessidade de treinamentos específico sobre utilização das fontes de
informação/serviços disponibilizadas pelas bibliotecas.

3023

�Como indica o gráfico, quase a totalidade indica ser necessário treinamento para a
utilização dos serviços e produtos ofertados pelo Sistema de Bibliotecas da UFC. Também a
demanda por treinamentos durante a graduação e pós-graduação é facilmente detectada.
É também fator em que se pode basear o marketing em torno da oferta de treinamentos
e capacitações oriundas da biblioteca universitária, usando esse enorme potencial a favor da
intensificação das atividades de educação de usuários e centrando, sempre que possível, um
grupo de bibliotecários focados e comprometidos com o desenvolvimento de ações.
A questão seguinte trata-se de demanda pontual que enfoca o conhecimento dos alunos
acerca de determinados serviços e produtos oferecidos pelo Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal do Ceará.

Gráfico 3 - Fontes de informação/serviços/produtos desconhecidas pelos usuários.

Fonte: Elaborado pelos autores (2014).

Nota-se qu o desconhecimento do alunado centra-se principalmente nas Bases de
dados especializadas e no Repositório Institucional.
Esses dois pontos de pesquisa, um pela notória necessidade de domínio de técnica de
recuperação da informação e outro pela incipiente existência como plataforma de pesquisa no
ensino brasileiro, merecem, cada qual por uma lógica que facilite sua utilização, serem
divulgados. Uma divulgação centrada nas potencialidades desses dois pontos de pesquisa se
faz necessária.

3024

�O terceiro item mais assinalado refere-se a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações
(BDTD). Não causa espanto já que a maioria dos participantes são alunos de graduação, que
ainda estão iniciando na pesquisa científica. Contudo, a BDTD pode ser uma importante fonte
de informação, por apresentar pesquisas recentes e de profundidade científica em suas
respectivas áreas de interesse.
A seguir, foi perguntado aos usuários quais fontes de informação/serviços/produtos
eles não sabem utilizar.
Gráfico 4 - Fontes de informação/serviços/produtos que os usuários não sabem utilizar.

Fonte: Elaborado pelos autores (2014).

O Portal d Periódicos da CAPES foi o item mais assinalado. Toda plataforma de
pesquisa necessita de domínio de sua lógica de pesquisa para ser utilizada. Em todo e
qualquer caso se faz necessário apresentar a interface de cada base, primeiro focando os
pontos em comum com outras bases, depois ressaltando serviços singulares que uma base
possui e outra não.
No caso do Portal de Periódicos da Capes, apontado pela maioria como conhecido,
porém de uso limitado ou mesmo não utilizado por falta de domínio da lógica de pesquisa
empreendida, é fato que o alunado necessita primeiro se familiarizar com as plataformas de
pesquisa digitais, apreendendo o que cada uma oferece e como oferece instrumentos de
pesquisa.

3025

�Pela importância que o Portal de Periódicos da Capes apresenta no cenário brasileiro
de pesquisa científica é sempre necessário divulgá-lo, assim como prover o alunado de meios
consistentes de utilizá-lo em toda a sua potencialidade. Na questão seguinte, solicitamos que
os usuários assinalassem quais treinamentos eles gostariam que a biblioteca realizasse.

Gráfico 5 - Treinamentos que os usuários gostariam que a biblioteca realizasse.

Fonte: Elaborado pelos autores (2014).

Na sequênca da questão anterior e como forma de enfatizar mais uma vez a
necessidade de domínio da lógica de pesquisa em plataformas digitais, os respondentes
apontam o Portal de Periódicos da Capes e as Bases de dados especializadas, seguidos de
perto pela normalização de trabalhos como os treinamentos que devem ser ofertados de forma
sistemática.
Essa demanda coincide com as principais carências científica e metodológicas do
desenvolvimento educacional dos alunos, que dificilmente obtém alguma noção incipiente de
pesquisa, metodologia e normalização no ensino médio e fundamental. Por outro lado, reforça
na biblioteca universitária a função pedagógica, pois visualizando essas deficiências do
alunado, há de, por esforços próprios ou em parceria com disciplinas ou departamentos
acadêmicos, construir os meios de ofertar capacitações e treinamentos que enfoquem o uso de
plataformas de pesquisa, como o Portal de Periódicos da Capes, e normalização
documentária, contribuindo para a cultura da investigação científica na universidade.

3026

�O questionário finaliza com uma questão em aberto, em que os usuários poderiam
escrever comentários gerais. Um ponto recorrente nos comentários, como sugestão para a
Comissão de Educação de Usuários, é a incorporação da educação à distância nas ações de
educação de usuários, conforme abaixo:
O treinamento poderia ser utilizando um curso online, através de um sistema
de ensino virtual, como o moodle, ou disponibilizando um manual, para
facilitar aqueles que manuseiam facilmente a internet . Para mim, creio ser
desnecessário um encontro presencial, caso seja disponibilizado um manual,
tutorial ou um curso a distancia, vez que já fiz vários cursos online e utilizo
bastante a internet como fonte de pesquisa de periódicos, bem como o banco
de teses de diversas universidades. (PARTICIPANTE A)
Um curso pela internet seria melhor do que presencial. (PARTICIPANTE B)
Acho que poderiam existir tutoriais, não precisando ser a realização dos
cursos presenciais. (PARTICIPANTE C)
Treinamento poderia ser feito em parceria pela UFC Virtual já que não estou
mais em Fortaleza-Ce e ser feito à distância, tipo EAD. (PARTICIPANTE D)

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As bibliotecas universitárias devem estar preparadas para oferecer serviços de
educação de usuários, contribuindo assim para o desenvolvimento e promoção da
competência em informação, tão fundamental na conjuntura atual. Dessa forma deve fomentar
a perspectiva da investigação científica, com objetivos que englobem a promoção de seus
serviços, além das fontes de informação nos contextos acadêmico e científico.
O trabalho coletivo e cooperativo realizado pela CEU mostra-se bastante eficaz
neste sentido, identificando demandas, fazendo parcerias com professores, construindo
ferramentas de acesso à informação e intensificando capacitações e treinamentos cujo objetivo
visa à melhoria no processo de busca e uso da informação científica.
O desafio maior é introduzir essas ações de educação de usuários como partícipes
do ideal de autonomia e criticidade da formação acadêmica dos alunos. A competência em
informação possui não só a preocupação técnica de instrumentalizar o alunado, mas subjaz
neste processo de uso e busca da informação a qualidade da educação.
A biblioteca universitária, como organismo participativo, deve cada vez mais
focar na perspectiva pedagógica, sem, contudo, atrofiar serviços básicos e técnicos. Na
verdade, as demandas identificadas nos questionários oriundas das respostas dos alunos
servem também como embasamento reflexivo para a atuação crítica da biblioteca universitária
na contemporaneidade.

3027

�7 REFERÊNCIAS
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                <text>Investiga as necessidades e demandas de ações de educação de usuários no Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará (UFC). Relaciona as temáticas necessidades de informação e competência em informação. Trata-se de pesquisa exploratória, baseada na metodologia participativa da pesquisa-ação. Os resultados apontam sobre as necessidades de ações de educação de usuários existentes na UFC e apresenta as ações desenvolvidas Comissão de Educação de Usuários na UFC para a promoção da competência em informação.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

MULTIPLICADORES DA INFORMAÇÃO: UMA INTRODUÇÃO PARA O
LETRAMENTO INFORMACIONAL: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Maria Aparecida Jacques de Arruda

RESUMO
O Projeto “Multiplicadores da Informação” propôs capacitar alunos de graduação e pósgraduação dos cursos do Campus de Aquidauana/UFMS,a serem habilitados, segundo teorias
da Informationliteracy, na busca e uso de informações contidas no acervo da biblioteca e/ou
em bases de dados on-line e normalização de trabalhos acadêmicos de acordo com as
normasda Associação Brasileira de Normas Técnicas(ABNT). Na primeira etapa foram
selecionados 10 alunos de graduação, esses tiveram o treinamento na base de dados local
Pergamum, aprenderam localizar as obras no acervo a partir do entendimento do
sistemaClassificação Decimal de Dewey (CDD) usada na Biblioteca; acessar bases de dados
on-line:Domínio Público, Base de Dados de Teses e Dissertações (BDTD), repositório
institucional, Portal de Periódicos Capes e por fim acessar as normas da ABNT on-line e
aplica-las nos trabalhos acadêmicos. Após essa primeira etapa, foram abertas inscrições para
mais 80 alunos interessados, para os quais, os multiplicadores ministraram o treinamento,
seguindo com os mesmo conteúdos e metodologia aplicada pela bibliotecária. O treinamento
foi expositivo com auxilio de Datashow, com práticas nos computadores disponíveis na
biblioteca. Foram avaliadas as práticas desses aprendizes in loco e como sugestão a
continuidade do Projeto para demais interessados em 2014.
Palavras-Chave: Multiplicadores de informação; Aprendizes da informação; Capacitação de
usuários.
ABSTRACT
The Project “Multipliers of Information” had as a purpose to enable undergraduates and post
graduates who study at the Campus of Aquidauana/UFMS in order they can, based on the
theories of Information literacy, search and use the information related to the collection of the
library and/or the online data base and standardization of academic works, according to the
BrazilianAssociationofTechnical Standards (ABNT). In the first stage, 10 undergraduates
were selected, who were trained in the local data base of Pergamum, they learned how to find
the works after they understood the working of the Dewey Decimal Classification
(DDC)System, used in the library. They also learned how to access the online data base:
Public Dominium, Thesis and Dissertation data bases (BDTD), institutional repository, Capes
Journal Portal and finally to access the online ABNT and to apply it in the academic works.
After this first stage, 80 more vacancies were offered to students who were interested in the
training, to whom the multipliers ministered it, following the same contents and
methodologies that were used by the librarian. The training was expositive with the support of
a Datashow, with practices in the computers of the Library. The practices of these learners

3009

�were evaluated in loco and as a suggestion the continuity of the Project to other interested
students in 2014.
Keywords: Multipliersof information, Information literacy, Training of users.

INTRODUÇÃO
No contexto da sociedade da informação, com o crescimento exagerado de
documentos é imprescindível saber lidar com a informação, no sentido de saber buscá-la e
usá-la para estabelecer escolhas e decisões. É natural do ser humano aprender e entender o
mundo e os fatos,de resolver problemas e, para o sucesso dessas ações dependem da
competência em buscar informações de pontos de vista diferenciados, organizá-las e
apreendê-las. São processos que exigem reflexões para tal. Para essa iniciativa, pressupõe-se
ter competências básicas para pesquisar e usar a informação de forma adequada e reflexiva na
tomada de decisões, na aprendizagem efetiva, contextualizando-a ao processo investigativo.
Entende-se que o processo de “letramento informacional” capacita os aprendizes a
buscarem e usarem a informação comeficiência. O aprendizado consiste, por exemplo,
emconsultar o acervo de referência (enciclopédias, dicionários, etc.) a elaborar referências e
citar autores para escrever trabalhos acadêmicos ou estruturar uma pesquisa seguindo as
normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
As Bibliotecas universitárias (BU) são consideradas espaços de informações,
facilitadores da aprendizagem, que armazena, processa e possibilita o acesso à informação à
comunidade interna e externa da universidade da qual faz parte. Há, porém, necessidades de
reconstruir e/ou rever suas ações, produtos e serviços para que haja mais interesse, por parte
principalmente de alunos, pois percebe-se que no dia a dia, a falta de interesse destes na
procura das bibliotecas é bastante elevada.
Por esse motivo o projeto “Multiplicadores da Informação” propôs capacitar alunos de
graduação,pós-graduação dos cursos oferecidos pelo Campus de Aquidauana/UFMS, tais
comoAdministração, Biologia, Geografia, História, Letras, Matemática e Turismo, alunos do
Mestrado em Geografia, e também docentes e técnicos administrativos, para serem
multiplicadores de informações armazenadas, ou não, no acervo da Biblioteca do Campus de
Aquidauana (CPAQ).

3010

�FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Os estudos que nos deram suporte teórico para o trabalho proposto são os de Campello
(2006), Carvalho (2004) e Gasque (2012).
O artigo de Campello (2006), denominado “A escolarização da competência
informacional”, descreve as circunstâncias do surgimento do termo Informationliteracy nos
Estados Unidos, mostrando como a classe bibliotecária norte-americana usou o termo para
ressaltar ações educativas que vinham sendo consolidado havia vários anos.
O termo Informationliteracy, foi traduzido porGasque (2012), como Competência
Informacional, a qual, cita Sônia Caregnato, que traduziu o termo como Alfabetização
Informacionale posteriormente o termo foi usado pela mesma autora como Habilidades
Informacionais. No Brasil, além do termo original, são usadas expressões como letramento
informacional, alfabetização informacional, habilidade informacional e competência
informacional (GASQUE, 2012, p. 29). Esta autora discute a importância do letramento
informacional para capacitar aprendizes a buscarem e usarem informações de forma eficaz.
Percebe-se que há um consenso na conceituação da Informationliteracy entre os
autores acima citados e diversos outros pesquisadores, principalmente da comunidade de
biblioteconomia e ciência da informação, que têm despertado interesse pelo assunto e têm
compromisso de ajudar as pessoas a aprender com a informação.
Entende-se assim que oletramento informacional ou a habilitação informacional é um
processo de aprendizado contínuo que envolve informação, conhecimento e inteligência, que
faz parte de um processo que se constrói conjuntamente com os educadores e com as
instituições de ensino, no qual a biblioteca auxiliano alcance de metas relativas à formação
dos indivíduos e ao seu desenvolvimento como profissionais e cidadãos por meio da aquisição
de informações.
Os estudos de Carvalho (2004) objetivaram mapear e investigar se as bibliotecas das
universidades federais brasileiras, a partir da adoção das tecnologias da informação e
comunicaçãotêm contribuído para o processo de socialização do conhecimento. A autora
assinala
...emergência de espaços do saber como [...] um mecanismo de
reconhecimento e avaliação aberto a todas as competências disponíveis na
sociedade [...] onde, também estão incluídas as organizações educativas,
como bibliotecas, museus, universidades, escolas”. (CARVALHO, 2004, p.
30).

As bibliotecas universitárias como um espaço facilitador da aprendizagem devem
buscar continuamente seu aperfeiçoamento e reconhecer que “...é preciso subir degraus de

3011

�competência para melhorar serviços e produtos; é preciso se tornar visível na rotina
universitária [...]” (CARVALHO, 2004, p. 32).
Uma forma das bibliotecas universitárias socializar o conhecimento através das
tecnologias da informação e da comunicação e, de mudar suas rotinas, é capacitando pessoas
que serão multiplicadores da informação e do conhecimento.
O profissional bibliotecário possui um papel fundamental nesse contexto, pois atuam
na maioria das vezes em instituições de ensino e tem a oportunidade de criar programas sobre
a competência informacional que estimulam o aprendizado baseados em recursos, na
resolução de problemas, no desenvolvimento do pensamento crítico e reflexivo.
O Projeto intitulado “Multiplicadores da Informação” teve o propósito de mobilizar
alunos, professores e demais comunidade acadêmica a aprender, principalmente, buscar e usar
as informações contidas/armazenadas na Biblioteca Universitária do CPAQ e em bases de
dados remotas.

METODOLOGIA
A primeira etapa do projeto foi a seleção e capacitação de 10 acadêmicos inscritos dos
cursosde Biologia, Geografia, e Turismo oferecidos no Campus de Aquidauana para atuarem
como multiplicadores de informação no acesso à interface do SistemaPergamum,ao Portal de
Periódicos da Capes e orientações de trabalhos acadêmicos de acordo com as normas da
ABNT. O treinamento foi ministrado pela bibliotecária do Campus de Aquidauana e teve
duraçãode 20 horas, intitulado “Treinamento para formação de multiplicadores nas bibliotecas
do Campus de Aquidauana - CPAQ/UFMS”.
Na segunda etapa, os acadêmicos já capacitados foram divididos para atender nos
turnos de funcionamento da biblioteca, períodos matutino, vespertino e noturno para a
realizaçãoda inscrição gratuita no curso junto à comunidade universitária.
A terceira etapa foia realização do Curso/capacitação dos inscritos,desenvolvido nos
computadores disponíveis na Biblioteca (um aluno/computador), tornando possível o
treinamento do Sistema Pergamum, a orientação sobre a forma de buscar os livros
diretamente nas prateleiras, assim como de manusear as obras encontradas, pesquisar artigos
científicos, periódicos, livros e/ou teses e dissertações em Bases de Dados como Portal de
Periódicos da Capes e utilizar de forma correta as normas da ABNT nos trabalhos
acadêmicos.
O Curso intitulado “Capacitação de usuários de informação”foi ministrado em 40
horas, e dividido da seguinte forma:

3012

�CATÁLOGO ON-LINE (ACERVO DA BIBLIOTECA- SISTEMA PERGAMUM)
Neste treinamento, foi apresentado o sistema ao usuário, os serviços oferecidos como:
empréstimo, renovação, reserva e as modalidades de pesquisas na base de dados do Sistema
Pergamum (acervo da biblioteca), capacitando-o a utilizar o sistema e recuperar informações
de seu interesse. O usuário recebeu ainda instruções para localizar os livros nas estantes da
biblioteca.
BASES DE DADOS ON-LINE (PORTAL DE PERIÓDICOS DA CAPES)
Informações gerais sobre como realizar buscas embases de dados on-line, no Portal de
Periódicos da Capes, comapresentaçãodas bases de dados ali disponíveis e explicação sobre
como pesquisar nas basesescolhidas, os conteúdos, as técnicas de pesquisa e facilidades que
as bases oferecem.
CURSO DE NORMALIZAÇÃO DE TRABALHOS CIENTÍFICOS DE ACORDO
COM A ABNT
O aluno foi orientado como acessar a coleção on-line das normas da ABNT, a leitura e
aplicação das normas técnicas NBR 14724/2011- Informação e documentação - Trabalhos
acadêmicos - Apresentação, NBR 10520/2002 - Informação e documentação - Citações em
documentos - Apresentação, NBR 6023/2002 - Informação e documentação - Referência Elaboração, sendo estas as mais utilizadas na universidade.
AVALIAÇÃO
Para a avaliação do aprendizado foi aplicado um exercício sobre como localizar cinco
obras do acervo no catálogo local Pergamum; três títulos de periódicos, doistítulos de livros e
cinco artigos científicos com mais de um autor no Portal de Periódicos da Capes. Outro
exercício foi sobre, como elaborar as referências das obras e artigos encontrados de acordo
com a NBR 6023/2002.
Para verificar a aplicabilidade das normas NBR 10520/2002 e NBR 14724/2011 foi
solicitada a análise de trabalhos de conclusão de curso (TCC) e/ou dissertações de anos
anteriores disponíveis no acervo da biblioteca. O aprendiz ao constatar um “erro” (fora das
normas) no trabalho analisado transcrevia-o de acordo com a ABNT, somente algumas
páginas, caso fosse o trabalho todo fora do padrão.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
O Projeto “Multiplicadores da Informação” foi considerado muito importante para o
aprendizado dos acadêmicos, técnicos e professores do Campus de Aquidauana. As
dificuldades de acesso às informações foram sanadas, até mesmo ao acervo da biblioteca,

3013

�como foi o caso de vários alunos, senão a maioria. Foi unânime a declaração de satisfação em
aprender a acessar as bases de dados e recuperar as informações desejadas. O que era
considerado um enigma para alguns, deixou de ser após a capacitação, principalmente no
Portal de Periódicos da Capes.Nesse quesito, os docentes tinham menos dificuldades, devido
suas práticas de pesquisa e docência e porque já haviam passado por treinamentos
anteriores.Sobre essa questão Gasque (2012, p. 136) diz em sua pesquisa que “muitos
pesquisadores relatam dificuldades na recuperação, o que requer tempo maior para essa
tarefa.”
Notou-se que os usuários que se consideravam aptos a buscar informações na Internet,
tinham muita dificuldade em filtrar suas buscas e perdiam-se com a diversidade de
informações apresentadas/recuperadas.
A maior dificuldade dos aprendizes foi o trabalho com as normas da ABNT, talvez
devido às particularidades, como as pontuações que exigem mais atenção do usuário.
Como conclusão, foi considerada necessária e também sugerida a continuação desse
projeto de letramento informacional para que mais alunos/usuários da UFMS possam
aprender a buscar e usar as informações que necessitam de forma correta, adquirindo assim,
competência e habilidades necessárias para a produção do conhecimento e do aprendizado.

REFERÊNCIAS
CAMPELLO, Bernadete. A escolarização da competência informacional. Rev. Bras. de
Biblioteconomia e Documentação. Nova Série, São Paulo, v. 2, n. 2, p. 63-77, dez.
2006.Disponível em:&lt;http://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/view/18&gt;. Acesso em: 09 de jun.
2013.
CARVALHO, Isabel Cristina Louzada. A socialização do conhecimento no espaço das
bibliotecas universitárias. Niterói, RJ: Intertexto, 2004.185 p.
GASQUE, Kelly Cristina Gonçalves Dias. Letramento informacional: pesquisa, reflexão e
aprendizagem. Brasília, DF: FCI/UNB, 2012. 175 p.
MELO, Ana Cristina Azevedo Ursulino; MELO, Thelma Marylanda Silva de. Competência
informacional: a capacitação de usuários na utilização de ferramentas de buscas online.
In:SEMINÁRIO

NACIONAL

Gramado.Anais...

Gramado,

DE

BIBLIOTECAS

RS: UFRS,

2012.

UNIVERSITÁRIAS,
p.

1-11.

17,2012,

Disponível

em:

&lt;hííp://www.snbu2012.com.br/anais/pdf/4QDG.pdf.&gt;. Acesso em: 06 dejun. 2013.

3014

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                <text>Multiplicadores da informação: uma introdução para o letramento informacional: relato de experiência</text>
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                <text>O Projeto ―Multiplicadores da Informação‖ propôs capacitar alunos de graduação e pósgraduação dos cursos do Campus de Aquidauana/UFMS,a serem habilitados, segundo teorias da Informationliteracy, na busca e uso de informações contidas no acervo da biblioteca e/ou em bases de dados on-line e normalização de trabalhos acadêmicos de acordo com as normasda Associação Brasileira de Normas Técnicas(ABNT). Na primeira etapa foram selecionados 10 alunos de graduação, esses tiveram o treinamento na base de dados local Pergamum, aprenderam localizar as obras no acervo a partir do entendimento do sistemaClassificação Decimal de Dewey (CDD) usada na Biblioteca, acessar bases de dados on-line:Domínio Público, Base de Dados de Teses e Dissertações (BDTD), repositório institucional, Portal de Periódicos Capes e por fim acessar as normas da ABNT on-line e aplica-las nos trabalhos acadêmicos. Após essa primeira etapa, foram abertas inscrições para mais 80 alunos interessados, para os quais, os multiplicadores ministraram o treinamento, seguindo com os mesmo conteúdos e metodologia aplicada pela bibliotecária. O treinamento foi expositivo com auxilio de Datashow, com práticas nos computadores disponíveis na biblioteca. Foram avaliadas as práticas desses aprendizes in loco e como sugestão a continuidade do Projeto para demais interessados em 2014.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

MULTIPLICAÇÃO DO CONHECIMENTO NAS BIBLIOTECAS: UMA
EXPERIÊNCIA NAS BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL
FLUMINENSE
Ana Paula Lima dos Santos
Ana Nogueira Braga
RESUMO
Discorre sobre a experiência nas bibliotecas da Universidade Federal Fluminense, com uma
sucinta revisão de literatura sobre Gestão do Conhecimento/Pessoas. Pretende-se com esse
relato, incentivar a gestão compartilhada, com uma visão sistêmica nas relações de trabalho,
viabilizando a transmissão do saber, aproveitando o conhecimento e a experiência dos
funcionários tanto para treinamentos como colaboradores e parceiros da organização na
transmissão de saberes e na atualização da equipe. Utilizamos a revisão de literatura e o relato
prático da experiência vivenciada. Os resultados foram: Treinamento da equipe com
qualidade técnica e um alto custo benefício, tendo em vista que as instrutoras são
bibliotecárias da Universidade; apoio técnico para tomada de decisões; integração da equipe e
colaboradoras do Sistema; interesse, envolvimento, motivação e responsabilidade pelo
Sistema; aproveitamento do conhecimento e experiência dos funcionários em outras
instituições; apoio a gestão do sistema de bibliotecas. Conclui que a Gestão do Conhecimento
tem fornecido subsídios de extrema importância aos gestores de unidades de informação no
gerenciamento de pessoas. A vantagem competitiva se baseia no capital humano, ou ainda no
conhecimento tácito, aquele utilizado pelos funcionários para execução de tarefas, pois este é
difícil de ser copiado, imitado por ser único de cada indivíduo, daí sua importância, por isso
criar uma forma de integrar esses conhecimentos dentro das organizações vem se tornando
uma preocupação crescente dos gestores. Acredita-se que políticas e projetos como esses vão
trazer ao gestor mais um instrumento que irá proporcionar a esses funcionários o prazer no
trabalho e o mais importante o reconhecimento do seu trabalho e com a autoestima revigorada
esses funcionários terão motivos para agregar e serem agregados na “família” institucional se
tornando parte do sistema em que trabalham.
Palavras-Chave: 1. Multiplicador. 2. Bibliotecário.
conhecimento. 5. Relato de experiência.

3. Biblioteca.

4.

Gestão do

ABSTRACT
Discusses the experience in the libraries of the Fluminense Federal University, with a brief
literature review on management of knowledge/People. It is intended with this report,
encouraging shared management, with a systemic vision in labor relations, enabling the
transmission of knowledge by leveraging the knowledge and experience of employees for
training as employees and partners of the Organization in the transmission of knowledge and
in upgrading of the team. We use the literature review and practical account of experience
experienced. The results were: team training with technical quality and a high cost benefit,

2994

�considering that the instructors are librarians of the University; technical support for decision­
making; integration of the team and collaborators of the system; interest, involvement,
motivation and responsibility for the system; leveraging the knowledge and experience of
employees in other institutions; support the management of the library system. Concludes that
knowledge management has provided subsidies of extreme importance to managers of
information units in managing people. The competitive advantage is based on human capital,
or still in the tacit knowledge, that used by employees for execution of tasks, as this is
difficult to be copied, imitated by be unique to each individual, hence its importance, so create
a way to integrate this knowledge within organizations has become a growing concern of
managers. It is believed that policies and projects like these are bringing the Manager another
tool that will provide these employees happy at work and most importantly the recognition of
his work and with the self-esteem reinvigorated these staff are reasons to aggregate and are
aggregated in the "family" institutional becoming part of the system in which they work.
Keywords: 1. Multiplier. 2. Librarian. 3. Library. 4. Knowledge management. 5. Case
studies.
1 INTRODUÇÃO
O Núcleo de Documentação (NDC), criado em 1969, como Orgão Suplementar da
Universidade Federal Fluminense (UFF) através do art. 17 do Estatuto da Universidade,
publicado no Diário Oficial da União de 22/09/1969, é responsável pela coordenação técnica
e administrativa do Sistema de Bibliotecas e Arquivos da UFF.
Em dezembro de 1998, após uma reestruturação interna, passou a estar subordinado à
Pró-Reitoria de Assuntos Acadêmicos - PROAC. A partir de 2004, com a extinção dos
Centros Universitários, incorporou também o Serviço de Comunicações Administrativas
(SCA), que tem por objetivo coordenar a documentação administrativa e acadêmica da UFF,
no que tange a: Protocolos; Expediente; Arquivo de processos findos e edição do Boletim de
Serviço da UFF.
Em Março de 2011, após uma reestruturação interna, passou a estar subordinado à
Reitoria da Universidade Federal Fluminense. Deixa nesse momento de ser apenas um Núcleo
tornando-se Superintendência (SDC - SUPERINTENDÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO).
É função da SDC proporcionar recursos informacionais e assessoria técnica na área de
documentação, por meio de redes e sistemas integrados, facilitando o acesso à informação em
nível nacional e internacional. Compete também à SDC apoiar os programas de ensino,
pesquisa e extensão da Universidade e desenvolver serviços e produtos que atendam às
necessidades de informação da comunidade acadêmica da UFF.
A SDC é composta por vinte e seis Bibliotecas; pelo Arquivo Central; por dois
Laboratórios: Laboratório de Conservação e Restauração de Documentos (LACORD) e o
351 Disponível em: http://www.ndc.uff.br/content/institucional. Acesso em: 30.03.2014

2995

�Laboratório de Reprografia (LARE) e pelo Centro de Memória Fluminense (CMF). Integram
sua estrutura administrativa o Conselho Deliberativo (CDL), Superintendência, Grupos
Assessores Técnicos (GAT’s), Secretaria Administrativa (SA), Gerência Operacional de
Tecnologia (GOT), Coordenação de Bibliotecas (CBI) e Coordenação de Arquivos (CAR).,
atualmente a SDC coordena um sistema composto por 26 Bibliotecas. Essas bibliotecas
situam-se em Niterói e em outras cidades do Estado do Rio de Janeiro, sempre vinculadas às
unidades e cursos de graduação e pós-graduação que atendem. Dentro das áreas de cobertura,
as bibliotecas estão assim distribuídas: 01 na área de Ciências Biológicas; 05 da área de
Ciências Exatas e da Terra; 02 da área de Ciências Humanas, Linguística, Letras e Artes; 05
na área de Ciências Sociais Aplicadas; 02 na área das Engenharias; 06 da área de Ciências da
Saúde; 03 Multidisciplinares e 02 Escolares.
As bibliotecas da SDC, recentemente passaram por uma migração de sistemas, no qual
utilizava-se o sistema Argonauta e passamos a utilizar o sistema gerenciador Pergamum.
Sabemos que o processo de migração acarretam muitos problemas referentes a duplicidade de
obras, autoridades e até mesmo operacionais, afinal sistema novo requer treinamentos,
mudanças de rotinas e adaptações advindas de uma nova estrutura. Temos um total de 120
bibliotecários na instituição, fora os técnicos e auxiliares que precisariam de treinamento,
como temos um número muito grande de funcionários para treinar, separamos a implantação
por módulos e por questões práticas deixamos a catalogação por último, por requerer mais
cuidado e atenção.
Uma vez que o sistema é novo para a maioria e não dispúnhamos de tempo e espaço
para treinar todos, uma metade foi treinada pela equipe do software e a outra metade seria
treinada pelos que participaram do treinamento. Então nos deparamos com um problema:
Como treinar a outra metade de forma que os que não foram treinados tivessem o
mesmo treinamento da turma treinada?
Pretendemos com esse relato, incentivar a gestão compartilhada, com uma visão
sistêmica nas relações de trabalho, viabilizando a transmissão do conhecimento e
aproveitando o conhecimento e a experiência dos funcionários tanto para treinamentos como
colaboradores e parceiros da organização na transmissão do conhecimento e na atualização da
equipe.
Tendo em vista os objetivos deste trabalho e as características de uma exploração
teórica e prática, a metodologia utilizada foi à revisão de literatura. Para o desenvolvimento
deste artigo foi percorrido o seguinte caminho:

2996

�S Levantamento bibliográfico sobre gestão do conhecimento;
S

Levantamento sobre os estudos e conceitos de gestão do conhecimento/pessoas que
pudessem ser associados a esta temática;

S

Depois de selecionados os textos com os quais trabalharíamos, iniciou-se a leitura e o
desenvolvimento da argumentação.
A seguir apresentaremos uma sucinta revisão de literatura sobre gestão do

conhecimento e como ela contribui na gestão de uma organização.

2 A

GESTÃO

DO

CONHECIMENTO

E

SUAS

CONTRIBUIÇÕES

PARA

MELHORAR A COMUNICAÇÃO INTERNA DE UMA ORGANIZAÇÃO
Para (FLEURY; OLIVEIRA, 2001) a Gestão do conhecimento está intrinsecamente
ligada a capacidade das empresas em utilizar e combinar as várias fontes e tipos de
conhecimento organizacional para desenvolverem competências e capacidade inovadora. Com
a gestão do conhecimento espera-se melhorar significativamente a comunicação interna.
Estimular o pensamento sistêmico. Melhorar as políticas salariais dos funcionários. Sair do
paradigma hierárquico-burocrático (gerentes e diretores). Valorizar as parcerias externas com
outras empresas e instituições.
Ainda de acordo com Fleury; Oliveira (2001) alguns dos sinais de um ambiente
propício para o constante aprendizado e desenvolvimento de competências incluem: as
pessoas se sentirem mais estimuladas para o próprio trabalho. As pessoas conversam uma
com as outras, incluindo aquelas de diferentes níveis hierárquicos. As relações são informais.
As pessoas tem tempo para aprender. As pessoas não estão focadas apenas em sua área de
trabalho e no curto prazo.
Dessa forma, a gestão do conhecimento visa o desenvolvimento de novos modelos
organizacionais (Estruturas, Processos, Sistemas Gerenciais) e a valorização da capacidade
intelectual de cada funcionário e com isso a liderança deve estar disposta a enfrentar
mudanças.
Nesse cenário a Gestão de pessoas é uma preocupação constante e geral dos gestores,
principalmente quando esta gestão se da no serviço público. Por isso é importante pensar em
estratégias para gerir esse recurso com planejamento específico que viabilize uma harmonia
dentro das unidades de informação, neste caso, a biblioteca.
Entende-se que o saber se apresenta em uma evolução constante e que o progresso
científico tem avançado em ritmo acelerado e os estudos, principalmente, os voltados para o

2997

�ser humano no que se refere à gestão de pessoas, têm ganhado espaço na literatura e têm se
tornado uma preocupação prioritária dos “gestores” de unidades de informação.
Um novo conceito que se apresenta nesses estudos é o de “Gestão de talentos” que é
apresentado por Currás, (2010, p. 31) como: o talento, a capacidade e a habilidade do ser
humano, que possui uma boa formação profissional, um especialista em seu campo de
trabalho, ou seja, um profissional bem informado e atualizado. “Além do mais, deve ser
criativo e imaginativo, inclinado à inovação. Deve possuir sentido de responsabilidade e do
cumprimento de suas obrigações”. Para autora esse profissional “quase perfeito” seria o
“primeiro elo de uma corrente, na hora de considerar o capital humano, como promotor de
valores econômico-produtivos”. (CURRÁS, 2010, p.31)
É imperativo que tanto os bibliotecários e auxiliares da biblioteca universitária pública
tenham iniciativa e inovação, porque se sabe que nem sempre teremos a estrutura perfeita para
prestar o melhor serviço, mais cabe a esses profissionais encontrarem, em conjunto com os
diversos setores, o caminho ideal para realizar o melhor trabalho.
Ser especialista no seu campo de atividade é maravilhoso, pois o profissional além de
ter segurança e domínio do campo, desempenha suas atividades com eficácia e qualidade,
porém isso não significa que ele tenha que se fechar no seu campo de atuação e nem no seu
“Setor” de trabalho.
A seguir apresentaremos uma breve revisão de literatura que sustenta a proposta
apresentada.

3 O ATUAL PERFIL DO BIBLIOTECÁRIO
De acordo com Coelho (2010) as transformações sociais e o advento das novas
tecnologias de informação, fizeram o profissional bibliotecário repensar seu fazer e o seu
papel na sociedade impondo-se a si um novo perfil para se manter no mercado de trabalho.
Para (RIBEIRO; CURY, 2007) o profissional que não se questiona sobre o seu fazer, que não
se atualiza e não se informa avançando com seus conhecimentos e colocando em prática suas
habilidades dificilmente promoverá o conhecimento seja em que área for. Até porque ele é um
profissional que trabalha com a informação e ela se torna obsoleta muito rapidamente; a
alienação do profissional da informação só poderá rendê-lo falta de credibilidade e
desprestígio social enquanto categoria profissional.

2998

�O bibliotecário tem sua trajetória marcada por estereótipos não tendo sua
importância reconhecida pela sociedade, sendo conhecido apenas por
organizar os livros na estante não tendo sua função social destacada. Se antes
a atividade do bibliotecário podia ficar restrita aos limites físicos de uma
biblioteca e de uma coleção, agora o uso difundido da tecnologia a serviço
da informação transpõe barreiras físicas e institucionais. (GUIMARÃES,
1997, p. 126)

A imagem do profissional preso a biblioteca e ao livro abriu caminhos para novos
campos e rumos de atuação e áreas do conhecimento, hoje podemos encontrar bibliotecários
que trabalham nas mais diversificadas áreas: gerência, informática e muitas outras. Para
Santos; Passos (2000) é natural que com o advento da era virtual, digital e a automação de
acervos impressos, houvesse certa insegurança quanto ao futuro do profissional bibliotecário,
pois faltava certa visão futura das aplicações dessa profissão nesse novo momento que se
enunciava.
Porém essa visão do fim da profissão foi superada passando o bibliotecário de mero
tecnicista para gerenciador da informação, mas para ocupar esses novos espaços no mercado
de trabalho foi exigido um profissional mais dinâmico e antenado as transformações sociais.
Almeida Junior (2002), afirma que:
O mercado de trabalho está mudando acompanhando transformações que
superam a sua esfera de influência e exigindo alterações nas posturas,
atitudes, posições, concepções das profissões é inevitável. Aliás, se
soubermos ler nas entre linhas da realidade, veremos que essa reorganização
já está em curso. Muitos indícios nos permitem sustentar essa afirmação.
Fazendo frente a esse contexto o perfil dos profissionais formados pelas
universidades tende a se modificar. (ALMEIDA JUNIOR, 2002, p. 135)

Santos (2013) afirma que apesar de ainda muitos verem o bibliotecário como um
profissional tradicional, que só trabalha em bibliotecas e organiza livros, é muito latente a
mudança de perfil do atual bibliotecário, pois tem acompanhado as mudanças sociais e se
atualizando conforme a demanda e se ajustando para atender essas novas exigências que o
mercado lhe impõe.
O bibliotecário que se destaca hoje tem de ser capaz de fazer as mudanças
acontecerem e tornar-se indispensável através da disseminação da
informação em todos os níveis e em todos os locais de sua atuação,
transformando qualquer unidade de informação em ambientes dinâmicos, em
constante evolução. (SILVA, 2005, p.11)

Para Santos (2013) ao lidar com a informação e tê-la como instrumento de trabalho o
bibliotecário sempre tenderá a modificar constantemente sua atuação e desempenho e cada

2999

�vez mais com usuários mais exigentes o bibliotecário deverá apresentar-se cada vez mais
atualizado com habilidades e competências que o coloquem em pé de igualdade com outros
profissionais de áreas diversas.
Nessa perspectiva, Coelho (2010, p. 7) afirma que “o profissional bibliotecário precisa
ter uma formação pautada em exigências que irão corresponder a um perfil de cidadão e de
profissional” e adquirir essas competências não significa saberes individuais, “pois esta se
localiza

em diferentes

ambientes

onde

as pessoas

se inserem

socialmente

ou

profissionalmente”. São da competência do bibliotecário possibilitar maior integração “entre
as suas ações e os seus objetivos voltados para a responsabilidade social”. Essas competências
são vistas “como a capacidade de agir eficazmente em um tipo de situação, capacidade que se
apoia em conhecimento, mas não se reduz a ele.”
Ainda de acordo com Coelho (2010, p. 7) essas habilidades “vão exigir um pouco mais
deste profissional, pois ele precisará de domínio de saberes, que lhes permitirão a intervenção
prática na realidade.”
Tendo visão crítica do alcance das ações e o compromisso com as
necessidades mais concretas que emergem e caracterizam o atual contexto
social. O bibliotecário deverá ter habilidades de investigação-busca de
soluções, habilidades do raciocínio buscando sempre o novo a partir do
conhecido, dessa forma os seus conhecimentos não se estagnarão,
acompanhando assim as evoluções e exigências da sociedade.

Em suma, o trabalho em conjunto e compartilhado torna cada um dos componentes
mais conscientes e mais responsáveis pelas ações e resultados, por conseguinte, torna a equipe
mais forte e os serviços e produtos mais eficientes e eficazes. Juntos, unidos e coesos são mais
fortes do que isolados e desunidos, nestes dois últimos casos, ao não compartilharem nada,
também não agregam nada, e todos perdem.

3.1 O Bibliotecário multiplicador
No contexto da educação superior, “o bibliotecário é a figura central no discurso da
competência informacional” (CAMPELO, 2003, p. 34). Para Campello (2009, p. 19),
“democratizar o acesso à informação, capacitar as pessoas para o uso crítico da informação,
proporcionar condições que permitam a reflexão, a crítica e a construção de ideias por meio
da leitura são ações constantemente recomendadas para o bibliotecário”. Disso, entende-se
que a incorporação da noção de Sociedade da Informação no discurso e na práxis bibliotecária
aprimoraria ainda mais seu papel educativo e social.

3000

�Para Dudziak (2007), esse profissional da informação, através de seu papel de
mediador pedagógico, torna-se um educador e passa a integrar frentes de trabalho, as mais
diversas, que o legitimam como um agente de transformação social e educacional. A autora
segue argumentando que o bibliotecário, exercendo papel de liderança nesse processo,
organiza programas de competência informational em conjunto com
professores e gestores, ministra aulas em diversos espaços, executa projetos
informacionais com foco na educação voltada para a competência em
informação (information literacy education), observa a importância do
acolhimento e do aprendizado significativo, aprimora seus conhecimentos
educacionais e pedagógicos. (DUDZIAK, 2007, p. 95).

Na atribuição de liderar, compete ao bibliotecário a atividade de gerenciar a
organização, as práticas e recursos da biblioteca em que trabalha na intenção de criar um
ambiente de aprendizagem que seja eficiente, eficaz e transmita segurança e complementa
Dudziak (2007) que além dessa atribuição, o bibliotecário deve colaborar com a sua
“comunidade” ou “família” institucional, respondendo aos seus interesses e necessidades.
Essa colaboração deve ser feita respeitando a ética com responsabilidade e profissionalismo,
sempre respaldado nos interesses da instituição e contribuindo para a melhora dos serviços
realizados nas bibliotecas.
Dessa forma como multiplicador, seu papel seria, entre outros, o de compartilhar
conhecimentos, especificamente no caso da UFF, no módulo catalogação do sistema
gerenciador Pergamum, treinando seus pares no intuito de torna-los independentes,
habilitados e competentes para lidar com o sistema e suas diversas funcionalidades. Tal
atitude e tarefa só são possíveis quando o profissional entende que ele faz parte de um sistema
maior, quando percebe que a multidisciplinaridade, a interdisciplinaridade permeia o
ambiente universitário e bibliotecário, essa postura dinâmica e inovadora faz parte do novo
perfil e práticas do bibliotecário.

4 O PAPEL DO MULTIPLICADOR NAS BIBLIOTECAS NO DESENVOLVIMENTO
DE PESSOAS
Segundo Senge (1990), autor do livro “A Quinta Disciplina”, a aprendizagem
verdadeira está relacionada intimamente com o significado do ser humano, ou seja, aprender é
algo intrínseco a natureza humana. O desafio está em tornar o "ensinar" também um hábito.
Desta forma, muitas organizações têm investido na capacitação de multiplicadores,
sejam eles colaboradores que atuam exclusivamente com esse papel, o de multiplicador
interno, sejam eles colaboradores de diversas áreas que possuem dentre as suas atribuições

3001

�divulgar o conhecimento, esse tipo de investimento além de mais barato para empresa,
estimula seus colaboradores a se aperfeiçoar e torná-los responsáveis juntamente com a
equipe gestora a zelar pelo bom funcionamento e controle das boas práticas de trabalho,
garantindo qualidade e padronização dos métodos de trabalho.
Ambas as situações são desafiadoras. No caso das pessoas que exercem a função de
multiplicador interno e têm como principal responsabilidade treinar outros, os desafios estão
relacionados à sua preparação para capacitar colaboradores de diversos níveis e áreas
distintas. O multiplicador precisa possuir uma visão sistêmica do negócio e muita clareza do
seu papel para não entrar em situações delicadas onde a sua falta de experiência no tema
coloca em dúvidas sua capacidade de treinar outras pessoas. É preciso entender os impactos
do que se difunde na empresa e que seu papel está em assimilar a informação e atuar
exclusivamente na sua propagação, preparando outras pessoas para sua utilização. Um
exemplo disso são multiplicadores que nunca exerceram papel de liderança, mas atuam em
projetos cujo tema é liderança.
Do outro lado, existem os colaboradores cuja parte de sua atribuição está em
multiplicar conhecimento. Eles exercem funções diversas como analista de produto, gerente
administrativo financeiro, dentre outras e precisam, por vezes, "entrar em sala" para ensinar
aquilo ou parte daquilo que fazem ou são especialistas, no caso do bibliotecário multiplicador,
ele vai ensinar a função que melhor ele domina, conhece e faz bem. O desafio aqui está em
adequar a linguagem, quase sempre técnica, ao público, conectar a informação ao nível de
maturidade da audiência e, muitas vezes, encontrar tempo para cumprir com essa obrigação de
forma planejada.
Se por um lado, temos especialistas em educação e treinamento aos quais falta
conhecimento técnico de áreas e processos organizacionais, por outro lado temos especialistas
no negócio cujo desafio está relacionado ao método de ensino aprendizagem. É preciso treinar
treinadores para o exercício pleno dessa atividade que permite o desenvolvimento não só das
pessoas, mas da organização.

4.1 Relato de experiência
Nossa experiência foi com a mudança de sistema gerenciador nas bibliotecas da
Universidade Federal Fluminense, migramos do sistema gerenciador Argonauta para o
sistema gerenciador Pergamum, passado toda a parte burocrática relativa a escolha e aquisição
do software, nos deparamos com os treinamentos dos profissionais que utilizariam o novo

3002

�sistema. Temos um total de 120 bibliotecários que precisariam ser treinados e em um primeiro
momento apenas metade foi treinada, então, como treinar os demais?
Tivemos a ideia de que os que fossem treinados passassem o que aprenderam aos que
não foram. Porém, a insegurança dos que foram treinados, não permitiu que colocássemos em
prática essa intenção, pois precisávamos identificar entre os que foram treinados, perfis que
pudessem propagar aos demais o “conhecimento”. Tiramos então, grupos de trabalho, esses
grupos ficariam responsáveis por se aprofundar nas questões de sua área de atuação, ex.
grupos de catalogação, referência, que separamos por módulos: catalogação, referência e
desses pequenos grupos saíram os multiplicadores que treinaram o grupo restante. Esses
multiplicadores além de ter passado pelo treinamento do sistema já haviam tido experiências
anteriores com o sistema e também tinham conhecimentos de Marc 21, o que muito facilitou o
entendimento e adaptação que propiciou a multiplicação.
O módulo de catalogação foi o que deixamos por último por questões de planejamento
do serviço e também por exigir mais técnica para concluí-lo. Tivemos duas multiplicadoras,
ambas bibliotecárias da Universidade no módulo de catalogação, que já tinham tido
experiências com o Sistema anteriormente e também no formato Marc 21, que para nós foi de
grande ajuda a experiência delas, montamos um laboratório com computadores e o
treinamento foi dado com sucesso e um aproveitamento de 100%. Nossos catalogadores já
estão catalogando e as dúvidas que aparecem no decorrer do trabalho são sanadas por e-mail,
telefone, também disponibilizamos uma base teste para que os bibliotecários tenham mais
segurança antes de entrar na base de produção.
Notamos que esse tipo de metodologia de treinamento poderia ter sido muito mais
eficaz se tivéssemos identificado antes os profissionais com esse perfil, pois dessa forma elas
teriam um treinamento mais direcionado, abrangente e certamente poderiam ter aproveitado
mais a equipe que as treinou e assim estariam mais capacitadas a dar o treinamento a todos os
outros que precisariam dele.
É importante salientar que nem todos os profissionais vão ter esse perfil, mais cabe ao
líder identificar esses perfis e motivá-los na organização, pois com isso surgiu uma parceria
muito agradável e um compartilhamento do saber que serviu não só para treinar a equipe que
faltava mais também proporcionou um suporte na parte gestora que identificou nessas
multiplicadoras parceiras que entenderam que a organização é nossa, somos uma equipe e
cada um é uma peça importante nesse grande sistema e quando estamos comprometidos com
o que fazemos e acreditamos tudo da certo e termina bem.

3003

�Reforçar a importância desse papel é crucial para que toda a engrenagem se
movimente, afinal mais do que ensinar, ajudar a aprender é desenvolver a organização,
expandir a capacidade de criar resultados, é estimular padrões de comportamento novos e
abrangentes, é dar liberdade à aspiração coletiva e é permitir o exercício do "aprender junto".
O processo de treinar pessoas permite o desenvolvimento constante daqueles que
multiplicam o conhecimento, pois quanto mais se ensina mais se aprende. O pré-requisito
para a coerência nesse processo é permitir-se aprender para ensinar e como dizia Cora
Coralina: "Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina".
Obviamente não se encontram pessoas com esse entendimento, maturidade,
disponibilidade em qualquer ambiente. É imperativo que esse ambiente seja sadio, agradável e
harmonioso. O que podemos fazer para torná-lo assim:
- Demonstrar que o trabalho isolado nos setores não deve acontecer e sim primar pelo diálogo
e integração entre os mesmos;
- Motivar os funcionários a conhecerem bem a biblioteca em que trabalham, para que possam
prestar serviços de qualidade ao usuário, incentivar a criatividade, a inovação e a iniciativa,
além de promover entre os funcionários a responsabilidade e o comprometimento com o
trabalho e o bom relacionamento com os colegas;
- Estimular as chefias a integrar, incentivar e prezar o trabalho cooperativo e compartilhado;
- Favorecer a administração compartilhada envolvendo os funcionários nas tomadas de
decisões (principalmente os bibliotecários), promovendo o diálogo e a integração da equipe;
- Melhorar os serviços prestados ao usuário, através da integração da equipe.
Obviamente, vale ressaltar que essas indicações devem partir das chefias, gerentes,
gestores, coordenadores que devem ter como prática a valorização da equipe e o bom e
harmonioso ambiente de trabalho.

5 MATERIAIS E MÉTODOS
Tendo em vista os objetivos deste trabalho e as características de uma exploração
teórica e prática, a metodologia utilizada foi a revisão de literatura. Para o desenvolvimento
deste artigo foi percorrido o seguinte caminho:
S

Levantamento bibliográfico sobre gestão do conhecimento;

S

Levantamento sobre os estudos e conceitos de gestão do conhecimento/pessoas que
pudessem ser associados a esta temática;

S

Depois de selecionados os textos com os quais trabalharíamos, iniciou-se a leitura e o
desenvolvimento da argumentação.

3004

�6 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
S

Treinamento da equipe com qualidade técnica e um alto custo benefício, tendo em vista
que as instrutoras são bibliotecárias da Universidade;

S

Apoio técnico para tomada de decisões;

S

Integração da equipe e colaboradoras do Sistema;

S

Interesse, envolvimento, motivação e responsabilidade pelo Sistema;

S

Aproveitamento do conhecimento e experiência dos funcionários em outras instituições;

S

Apoio a gestão do sistema de bibliotecas.
A seguir apresentamos as considerações finais sobre o tema abordado.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Gestão do Conhecimento tem fornecido subsídios de extrema importância aos
gestores de unidades de informação, pois ao trabalhar com um instrumento tão valioso que é a
informação recai sobre os profissionais ligados a ela uma grande responsabilidade que não
deve ser menosprezada nem pelos funcionários e muito menos pelos gestores.
A vantagem competitiva se baseia no capital humano, ou ainda no conhecimento
tácito, aquele utilizado pelos funcionários para execução de tarefas, pois este é difícil de ser
copiado, imitado por ser único de cada indivíduo, daí sua importância, por isso criar uma
forma de integrar esses conhecimentos dentro das organizações vem se tornando uma
preocupação crescente dos gestores.
O sucesso de uma boa gestão está em saber lidar com as pressões surgidas no dia a dia,
está em ser para o seu liderado um exemplo de profissional e também pelo senso de justiça,
pois não há para um funcionário maior frustração em saber que sua liderança não passa tal
credibilidade. Nesse sentido, a gestão de pessoas passa por uma necessidade de ser inserida na
prática de planejamento dos gestores e se tornar cada vez mais imprescindível a dedicação
para essa área, afinal pessoas felizes em um ambiente saudável em que são vistas como seres
humanos e reconhecidos pelo seu trabalho e dedicação são muito mais produtivas.
A gestão de recursos humanos no cenário público se torna ainda mais desafiadora, pois
o retorno financeiro não vem da chefia direta e muito menos depende dela, depende de uma
política maior e que envolve categorias externas, depende de um planejamento do governo e
muitas das vezes até a “promoção” é diferenciada do cenário privado, logo vamos encontrar
muitos funcionários exaustos e totalmente desmotivados no seu fazer diário e trazer a esse
funcionário a motivação esperada não é tarefa fácil para o gestor. Por isso acredita-se que
políticas e projetos como esses vão trazer ao gestor mais um instrumento que irá proporcionar

3005

�a esses funcionários o prazer no trabalho e o mais importante o reconhecimento do seu
trabalho e com a autoestima revigorada esses funcionários terão motivos para agregar e serem
agregados na “família” institucional se tornando parte do sistema em que trabalham.
Dessa forma o incentivo pela prática da multiplicação gera um retorno mútuo, tanto
para quem multiplica; que terá uma utilidade dentro da sua instituição ao ensinar, treinar e
assim contribuiu para o aperfeiçoamento das práticas de trabalho dentro das bibliotecas
especificamente nesse caso, e para os gestores, que terão mão de obra qualificada dentro da
própria empresa e com baixo custo.
Os resultados que alcançamos com essa prática foram:
Treinamento da equipe com qualidade técnica e um alto custo benefício, tendo em vista que
as instrutoras são bibliotecárias da Universidade;
Apoio técnico para tomada de decisões;
Integração da equipe e colaboradoras do Sistema;
Interesse, envolvimento, motivação e responsabilidade pelo Sistema;
Aproveitamento do conhecimento e experiência dos funcionários em outras instituições;
Apoio técnico à gestão do sistema de bibliotecas.
Aproveitamos essa oportunidade para orientar aos gestores, chefes, coordenadores que
estabeleçam políticas para identificar os perfis dos seus funcionários, com o objetivo de
conhecê-los melhor e em alguma dada circunstância, saber onde estão e onde encontrá-los.
Essa medida pode e deve ser tomada para vários propósitos em uma organização como, por
exemplo: treinamento de funcionários recém-chegados a biblioteca, seja num setor específico,
seja na biblioteca como um todo, aí vai depender do tamanho da biblioteca e do tipo de
bibliotecário multiplicador, (especialista ou geral).
Os recursos investidos são muito pequenos se comparado com o retorno recebido que
é uma equipe atualizada, padronizada o que garante a qualidade e a precisão dos serviços
prestados.

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3008

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                  <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                  <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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                  <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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                  <text>UFMG</text>
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      <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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                <text>Santos, Ana Paula L. dos, Braga, Ana Nogueira</text>
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            <description>An account of the resource</description>
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                <text>Discorre sobre a experiência nas bibliotecas da Universidade Federal Fluminense, com uma sucinta revisão de literatura sobre Gestão do Conhecimento/Pessoas. Pretende-se com esse relato, incentivar a gestão compartilhada, com uma visão sistêmica nas relações de trabalho, viabilizando a transmissão do saber, aproveitando o conhecimento e a experiência dos funcionários tanto para treinamentos como colaboradores e parceiros da organização na transmissão de saberes e na atualização da equipe. Utilizamos a revisão de literatura e o relato prático da experiência vivenciada. Os resultados foram: Treinamento da equipe com qualidade técnica e um alto custo benefício, tendo em vista que as instrutoras são bibliotecárias da Universidade, apoio técnico para tomada de decisões, integração da equipe e colaboradoras do Sistema, interesse, envolvimento, motivação e responsabilidade pelo Sistema, aproveitamento do conhecimento e experiência dos funcionários em outras instituições, apoio a gestão do sistema de bibliotecas. Conclui que a Gestão do Conhecimento tem fornecido subsídios de extrema importância aos gestores de unidades de informação no gerenciamento de pessoas. A vantagem competitiva se baseia no capital humano, ou ainda no conhecimento tácito, aquele utilizado pelos funcionários para execução de tarefas, pois este é difícil de ser copiado, imitado por ser único de cada indivíduo, daí sua importância, por isso criar uma forma de integrar esses conhecimentos dentro das organizações vem se tornando uma preocupação crescente dos gestores. Acredita-se que políticas e projetos como esses vão trazer ao gestor mais um instrumento que irá proporcionar a esses funcionários o prazer no trabalho e o mais importante o reconhecimento do seu trabalho e com a autoestima revigorada esses funcionários terão motivos para agregar e serem agregados na ―família‖ institucional se tornando parte do sistema em que trabalham.</text>
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                    <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

MULTA SOLIDÁRIA DA UFRPE: DIALOGANDO COM A SOLIDARIEDADE E A
EDUCAÇÃO
Vania Ferreira da Silva
Williana Carla Silva Alves
Elisabeth da Silva Araújo
Edson Cordeiro do Nascimento
Maria Wellita Bezerra dos Santos Bastos

RESUMO
Ao identificar problemas para o pagamento de multas nas Bibliotecas da Universidade
Federal Rural de Pernambuco, surgiu a ideia de uma mudança na forma de educar os usuários
quanto à inadimplência. Nesse contexto, surge na Biblioteca Central da UFRPE o projeto
Multa Solidária. Através desse trabalho, relataremos a história desse projeto, sua metodologia,
seus desafios, contribuições para comunidade acadêmica e a sociedade pernambucana,
apresentando considerações sobre a implantação do respectivo projeto em universidades
públicas.

Palavras-Chave:
Universitárias.

Multa

solidária;

Compromisso

Social;

Solidariedade;

Bibliotecas

ABSTRACT
By identifying problems with the payment of fines in the Libraries of the Universidade
Federal Rural de Pernambuco, the idea of changing the way of educating users about the
default came about. In this way, the Solidary Fine project at the UFRPE Central Library
started. Through this work, we report the history of the project, its methodology, its
challenges, contributions to the academic community and Pernambuco’s society.
Keywords: Solidary Fine; Social Commitment; Solidarity; University Libraries.

1 INTRODUÇÃO
Em 2012 deparamo-nos com uma situação que solicitava medidas de mudança na
Biblioteca Central da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Os alunos dos
cursos noturnos encontravam grande dificuldade para realizar o pagamento de suas multas nas
Bibliotecas da UFRPE, pois a única forma de quitação era através da geração de GRU para

2985

�pagamento no Banco Bradesco. No Campus Recife há apenas uma agência localizada na
instituição, mas que funciona apenas até às 15 horas.
A frequência das reclamações só aumentava a cada dia, pois nem todos os usuários
tinham como realizar o pagamento de suas multas e, portanto, ficavam impedidos de realizar
novos empréstimos na Biblioteca. O mesmo ocorria nas Unidades Acadêmicas de Garanhuns
e Serra Talhada, onde a problemática era ainda maior, pois não há agência bancária nas
proximidades das Unidades, por estarem localizadas distante do centro das cidades.
Essas dificuldades para pagamento de multas levou a equipe de Bibliotecários de
Referência a refletir e planejar novos meios para cobrança dessas multas.
Todo ano a Biblioteca Central da UFRPE participa do Projeto Natal Solidário, que tem
como objetivo a arrecadação de alimentos para doação a instituições sociais e uma festa
natalina para Comunidade acadêmica e os bairros circunvizinhos da Instituição, trabalhando a
solidariedade e o momento de confraternização. Da participação da Biblioteca Central no
projeto Natal Solidário, surge o Projeto Multa Solidária.
A multa solidária é destinada a fomentar a solidariedade e a responsabilidade social
tendo como finalidade dar uma nova perspectiva a cobrança das multas das Bibliotecas da
UFRPE, através da troca das multas que seriam pagas em dinheiro pela doação do valor
equivalente em alimentos não perecíveis.
Este trabalho relata a experiência da implantação do Projeto Multa Solidária nas
Bibliotecas da UFRPE, refletir sobre o tema inadimplência e multas dos usuários em
bibliotecas, tão escasso na literatura da área da Biblioteconomia, levantando a discussão sobre
as vantagens da implantação do projeto.

2

REFLETINDO

SOBRE

O

TEMA

MULTAS

NA

LITERATURA

DA

BIBLIOTECONOMIA
A literatura sobre o tema é bastante escassa em Biblioteconomia. Na prática
biblioteconômica, cada instituição adota um sistema próprio de cobrança de multa, ou
educação do usuário. Partimos aqui do conceito de multa que nos oferece o dicionário
Houaiss (2004) “Multa: quantia em dinheiro que se paga por uma infração; documento que
comprova essa punição” .
Diante desse conceito, as bibliotecas utilizam a multa como medida educativa, para
não acumularem pendências e não deixarem de oferecer serviços de empréstimos aos
usuários, uma vez que o usuário em atraso tira a oportunidade de outro usuário que necessita
da mesma obra.

2986

�As Bibliotecas no Brasil, em geral, utilizam como medidas para inadimplência de seus
usuários, a suspensão dos alunos com pendências ou a cobrança de multas através do sistema
financeiro. Neste último, algumas optam por pagamento através da GRU (Guia de
Recolhimento da União) no banco e outras por pagamento no balcão. Muitas vezes esse valor
arrecadado com multas direto na Biblioteca é utilizado para aquisição de novos itens de
consumo ou material bibliográfico.
A multa ou sistema educativo para inadimplentes é uma medida adotada pela maioria
das Bibliotecas com o objetivo preservar o patrimônio público, uma vez que o livro é um bem
de uso permanente. Contudo, espera-se que a aplicação da multa funcione não apenas como
uma medida punitiva, mas que permita ao bibliotecário de referência desenvolver
competências na mediação da informação, com uma visão humanística e social para atender
melhor seus usuários.
Segundo Macedo e Modesto (1999, p.46): “Considerar-se um mediador da
informação, é tomar posições de forma ética, educacional e social para que melhor se
compreenda seu projeto profissional, é firmar obrigações de cidadão e de ser humanitário com
o público que atende” . Nessa perspectiva, entendemos que a multa deve ser uma medida
educativa que proporcione benefícios a toda comunidade acadêmica.
Em Instituições de Ensino Superior existe um consenso quanto à prática de tal medida
educativa, tanto de dirigentes, como da comunidade científica, principalmente para materiais
informacionais com grande demanda de uso.
Se a unidade de informação fosse utilizada como recurso para transpor os
limites de sua comunidade usuária, não hesitaria em dizer que a biblioteca
desenvolveria um papel importante na construção dos saberes e do
desenvolvimento socio-interacionista. E por outro lado não arrastaria como
obrigação sem propósito alguns limites disciplinadores como as multas e as
suspensões, mas que ao mesmo tempo são tão importantes para a existência
da biblioteca como: a devolução dos materiais, a conservação dos mesmos e
do espaço e o respeito aos outros usuários e aos funcionários. (TORRES,
2010).
Embora a aplicação de multas não seja o foco dos serviços de uma biblioteca, é
necessário mais estudos sobre o tema para a adoção de outros métodos, a fim de transformar
penalidade em educação e cidadania.

3 PROJETO MULTA SOLIDÁRIA: DE PROJETO PARA MEDIDA EFETIVA
No ano de 2012, planejamos a implementação da multa solidária e resolvemos lançá-la
juntamente com participação no Projeto Natal Solidário da UFRPE, evento que acontece

2987

�anualmente na Instituição e que tem como objetivo fortalecer a solidariedade, através do
arrecadamento de doações de alimentos para instituições filantrópicas.
A finalidade do Projeto Multa Solidária era diminuir as reclamações sobre pagamento
de multas e direcionar a multa para uma medida disciplinar que efetivamente resultasse numa
ação voltada para educação, cidadania e solidariedade.
3.1 Metodologia do Projeto M ulta Solidária
O Projeto Multa Solidária seguiu algumas diretrizes na sua metodologia, primeiro
criamos os objetivos, nossos guias para implantação de tal projeto:
■ Criar um novo sistema de cobrança de multas, que seja educativo e promova o bem
estar social da comunidade no qual estamos inseridos;
■ Gerar reflexão sobre o papel social da Biblioteca Central diante da realidade das
comunidades que cercam a UFRPE;
■ Transformar o valor da moeda em equivalentes a alimentos não perecíveis;
■ Selecionar Instituições filantrópicas, dentre as cadastradas no serviço social da
Prefeitura para recebimento dos alimentos arrecadados.

Após definição das diretrizes, criamos a primeira tabela, convertendo o valor da
moeda em valor aproximado de alimentos não perecíveis, permitindo um desconto real no
valor final da multa (tabela abaixo):

Tabela 1 - Multa Solidária 2012
V a lo r em R $

1a 3
4a8
9 a 18
19 a 27
28 a 38
39 a 48
49 a 68
69 a 79
80 a 90
91 a 100
Acima de 100

E q u iv a len te em alim en to s n ão-p erecíveis*

1 Kg de Alimento
1 Kg de feijão
2 Kg de alimentos, sendo 1 kg de Feijão
3 Kg de alimentos, sendo 1 kg de Feijão
4 Kg de alimentos, sendo 1 kg de Feijão
5 Kg de alimentos, sendo 2 kg de Feijão
6 Kg de alimentos, sendo 2 kg de Feijão
7 Kg de alimentos, sendo 2 kg de Feijão
8 Kg de alimentos, sendo 2 kg de Feijão
13 Kg de alimentos, sendo 3 kg de Feijão
30 kg de alimentos
*Exceto fubá e sal

Fonte: Os autores.

2988

�A etapa seguinte foi a divulgação do projeto, através do site da UFRPE, do Facebook
da Biblioteca e de todos os grupos desta rede social com alguma relação com a Instituição.
Nessa nova etapa, alguns procedimentos foram adotados:
• Instrução dos Assistentes do Balcão de Empréstimo para recebimento dos
alimentos, buscando verificar a data de validade dos alimentos, e evitando aceitar
itens que não estavam na tabela;
•

A prestação de contas desses alimentos com contagem e descrição dos itens, e

memorando informando e registrando a doação às Instituições, feita pela
Coordenação de Atendimento ao Usuário.

Após a implementação do projeto, identificamos um alto índice de usuários com
dívidas acima de 500 reais, e percebemos a necessidade de atualização da tabela de multa
(Tabela 2), que ainda estava em análise pelo Conselho Universitário. Em 08 de abril de 2013,
o Conselho Universitário aprova o Projeto Multa Solidária, tornando o projeto definitivo.

Tabela 2 - Projeto Multa Solidária 2013
V A L O R E S E M R E A IS
1 ,5 0 a 3 rea is
4 a 8
reais
9 a 18 reais
19 a 2 7 reais
2 8 a 3 8 reais
3 9 a 4 8 reais
4 9 a 68 reais
69 a 79 reais
8 0 a 90 reais
91 a 1 0 0 rea is
101 a 2 0 0 reais
201 a 3 0 0 rea is
301 a 5 0 0 rea is
A c im a d e 5 0 0 rea is

E Q U IV A L E N T E E M a lim e n t o s N Ã O P E R E C ÍV E IS *
1 P a c o te d e le ite e m p ó o u m a c a rrã o
1 Kg d e Feijão
2 Kg d e a lim e n to s, se n d o 1 d e fe ijã o
3 Kg d e a lim e n to s, se n d o 1 d e fe ijã o
4 Kg d e a lim e n to s, se n d o 1 d e fe ijã o
5 Kg d e a lim e n to s, se n d o 2 d e fe ijã o
6 Kg d e a lim e n to s, se n d o 2 d e fe ijã o
7 Kg d e a lim e n to s, se n d o 2 d e fe ijã o
8 Kg d e a lim e n to s, se n d o 2 d e fe ijã o
1 3 Kg d e a lim e n to s, se n d o 3 d e fe ijã o
2 0 Kg d e a lim e n to s, se n d o 5 d e fe ijã o
3 0 Kg d e a lim e n to s, se n d o 5 d e fe ijã o
4 0 Kg d e a lim e n to s, se n d o 1 0 d e fe ijã o
5 0 Kg d e a lim e n to s, se n d o 1 5 d e fe ijã o

Exceto: Fubá e Sal
Fone: Os autores.

O Projeto Multa Solidária foi bem recebida pelos usuários das Bibliotecas da UFRPE.
Hoje, além da opção de pagar através do GRU, o usuário pode pagar sua multa em alimentos
não perecíveis. Antes, a impressão de guias para gerar o GRU era em torno de 30 boletos de
100 páginas por mês, ou seja, 3000 folhas de boletos sendo impressas por mês. Atualmente,
um boleto com 100 páginas dura em torno de um mês e meio.

2989

�Em abril de 2013 adotamos outros procedimentos, além dos acima anteriormente.
Criamos um recibo para uso exclusivo do pagamento da multa através do Projeto Multa
Solidária, além de um Termo de Doação dos Alimentos, com a finalidade registrar todos os
passos da doação, e assim ter respaldo diante de qualquer auditoria. Adotamos também o
procedimento de ampla divulgação e transparência das doações, utilizando as redes sociais
para divulgação do que foi arrecadado e doado, disponibilizando os documentos e fotos.

Para acondicionamento dos alimentos utilizamos uma sala da Biblioteca destinada
exclusivamente para esse fim. Os alimentos recebidos no setor de empréstimo são
devidamente embalados e encaixotados diariamente, para evitar que sejam contaminados por
insetos e pragas. Para melhor aproveitamento dos alimentos e prevenção de perdas, doamos
os alimentos a cada 15 dias, esse período representa doações em torno de 300 a 500 quilos de
alimentos.

4 RESULTADOS ALCANÇADOS
Hoje podemos afirmar que o principal objetivo do Projeto Multa Solidária foi
alcançado, disponibilizando uma alternativa que facilitasse o pagamento das multas e, além
disso, possibilitamos aos nossos usuários uma reflexão sobre o Papel da Biblioteca como
agente social. Outro ponto positivo do Projeto foi o retorno de alguns livros que não eram
localizados há mais de dois anos em nosso inventário.
Através da divulgação do Projeto entre a comunidade acadêmica, muitos ex-alunos
vieram devolver os livros, algo que não era esperado quando implantamos o projeto. Isso
representou um retorno de cerca de 50 livros ao nosso acervo.
Em 2013, no 25° Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência
da Informação, apresentamos nosso primeiro trabalho sobre a experiência e percebemos que o
mesmo despertou o interesse em muitos bibliotecários presentes. Porém, nos relataram que a
maioria trabalha em instituições que usa a verba da multa para compra de materiais para a
biblioteca, o que acabava dificultando a adesão à iniciativa.
Nos primeiros meses do projeto foram doados cerca de quatro toneladas de alimentos,
referentes a primeira tabela lançada em 2012 (Tabela abaixo).

2990

�Tabela 3 - Doações (Instituições/quantidades)
INSTITUIÇÃO/PROJETO
Natal Solidário UFRPE
Ação Emergencial Anual

QUANTIDADE
3 toneladas de alimentos
1 tonelada de alimentos

Depois do período de adaptação e avaliação do Projeto e com o lançamento da nova
tabela, doamos mais sete toneladas de alimentos (tabela abaixo):

Tabela 4 - Doações (Instituições/quantidades)
INSTITUIÇÃO/PROJETO
QUANTIDADE
Associação Filantrópica Nossa Senhora de 502 quilos de alimentos
Lourdes, Peixinhos-Olinda.
Núcleo Espírita Missionários da Luz, Pina- 352 quilos de alimentos não perecíveis + 56
Recife.
pacotes de (Macarrão, leite e fubá) + 1 cesta
básica
Grupo de Ajuda à Criança Carente com 300 quilos de alimentos
Câncer - PE
Centro de Reabilitação e Valorização da 580 quilos de alimentos não perecíveis + 25
Criança (CERVAC), Morro da Conceição
pacotes de macarrão e leite
Cômite Ação da Cidadania Pernambuco 1262 quilos de alimentos + 4 pacotes de leite
Solidário, Cordeiro-Recife
Hospital do Câncer de Pernambuco
1 tonelada e 712 quilos de alimentos
Projeto Natal Solidário
4 toneladas e 359 quilos de alimentos
Ao todo foram doados 9 toneladas e 67 quilos de alimentos não perecíveis, durante os
dois primeiros anos do Projeto (dados referentes a Biblioteca Central da UFRPE localizada
em Recife).
A experiência nas Bibliotecas Setoriais das Unidades Acadêmicas de Serra Talhada
(BS-UAST) e Garanhuns (BS-UAG) foi bastante similar a ocorrida na Biblioteca Central em
Recife. A Biblioteca Setorial da UAST (BS-UAST) sempre encontrou muita dificuldade na
cobrança da multa, tendo como principais razões: a localização da Biblioteca em uma zona
rural do município, a inexistência de agências bancárias próximas e um grande percentual de
alunos que residem em outras cidades da região.
A multa solidária estabeleceu novos parâmetros para cobrança da multa, a partir de
novembro de 2012, a BS-UAST adotou duas formas para pagamento de multas: a tabela da
multa solidária e a GRU que pode ser pago no Banco do Brasil. Diante das mudanças a
biblioteca elaborou uma lista com as instituições a serão contempladas a cada mês,
observando alguns critérios: ser uma instituição sem fins lucrativos, ter Cadastro Nacional da
Pessoa Jurídica (CNPJ) e acima de tudo ser uma instituição idônea.
De janeiro a dezembro de 2013, foram doadas quase cinco toneladas de alimentos:

2991

�Tabela 5 - Doações BS-UAST (Instituições/quantidades)
INSTITUIÇÃO/PROJETO
Associação dos Moradores do Bairro Mutirão
Centro Espírita Esperança e Renovação
APAE - Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais
Centro Espírita Cícero
Paróquia Nossa Senhora da Penha
Centro de Recuperação para dependentes químicos dom
Francisco de Mesquita
Igreja Batista Emanuel
Abrigo para Idosos Ana Ribeiro
Centro Espírita Esperança
Associação comunitária Rural e Urbana da CAGEPE
Lar dos Idosos Maria de Nazaré

QUANTIDADE
774,8 Kg
798,35 kg
618,85 kg
296 kg
299 kg
253,8 kg
276,9 kg
476,6 kg
471,8 kg
302 kg
311kg

Pensando na transparência a partir da sanção da Lei 12.527, de 18 de novembro de
2011, que trata do acesso às informações públicas, a UFRPE instituiu a Comissão de
Implantação, a fim de garantir a transparência e o acesso exigidos pela legislação. A BSUAST decide então, que toda doação deve ser registra. O registro se dá de duas formas:
assinatura do Termo de doação - onde doador e donatário assinam o documento e fotografias.
No entanto, mais importante que registrar é disseminar, é essencial disponibilizar as
informações, essa disseminação é feita no site da UAST e no facebook da biblioteca.
As doações da BS-UAST têm sido tão exitosas que a Biblioteca hoje recebe doações
de alimentos arrecadados de atividades realizadas em outros setores da unidade, como a
campanha realizada pelo Projeto PET-CS - Linguística, Letras e Artes e a realizada pelo
Núcleo de Serviço Social da UAST.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Falar sobre multas ou medidas educativas é sempre um dilema na vida dos
bibliotecários. Nas Bibliotecas da UFRPE, além dos alunos terem 15 dias como prazo para
empréstimo, eles podem realizar 5 renovações, se o livro não estiver na reserva. Buscamos ter
nas estantes sempre em torno de 25 a 40 exemplares das obras de maior demanda, mesmo
assim, a multa acontece com frequência.
Buscar uma medida educativa adequada que favoreça os usuários de uma biblioteca,
não é uma missão fácil. Pensar em como educar sem, ao invés disso, castigar, requer muito
planejamento.
Comprendo que es espinoso el tema de los castigos y que siempre se da el
caso en que justos pagan por pecadores, porque hay más rezones para un
retraso que la falta de voluntad y la pereza en general. Desde que ella me
contó cómo no pudo llevarse el resto de libros que necesitaba para terminar

2992

�su trabajo, después de que llegó un día tarde a renovar su préstamo, me
ronda por la cabeza la seria duda de si esa sanción ha hecho que los usuarios
de esa biblioteca sean más responsables con la devolución de los materiales
o si sólo están logrando que sus usuarios habituales, aquellos a los que si les
aflige no poder sacar libros, busquen alternativas fuera de la biblioteca para
obtener los materiales que necesitan. (BIBLIOTECA LUDWIG VON
MISES, 2010).
Entendemos que o Projeto Multa Solidária da UFRPE recebeu o apoio da comunidade,
mas para, além disso, despertou em nossa equipe o papel social da Biblioteca, “Exercitar a
função social é uma virtude, pois envolve questão de suficiência e plenitude profissional e
pessoal” . (BARROS, 2005, p.81).

6 Referências
BIBLIOTECA LUDWIG VAN MISES. Sobre las Multas y otros incentivos. 2010.
Disponível

em:

&lt;http://librolibertate.wordpress.com/2010/08/23/sobre-las-multas-y-otros-

incentivos/&gt; . Acesso em : 04 mar. 2014.
BARROS, F. R. dos Santos de. Bibliotecário e o compromisso social: quais as possibilidades
para a realização desse encontro. In: SOUTO, L. F. de (org). O profissional da informação

em tempo de mudanças. Campinas, SP: Ed. Alínea, 2005. p. 69-82.
DICIONÁRIO Houaiss. São Paulo: Objetiva, 2004.
MACEDO, N. D. de; MODESTO, F. Equivalências: do serviço de referência convencional a
novos ambientes de redes digitais em bibliotecas. Revista Brasileira de Biblioteconomia e
Documentação, São Paulo, v.1, n.1, p. 38-72, 1999.
TORRES, R. Limite na biblioteca: Prática inatíngivel além da cobrança de multas e sanções
temporárias?. 2010. Disponível em: &lt;http://bibliosimples.blogspot.com.br/2010/11/limite-nabiblioteca-pratica.html&gt;. Acesso em: 04 mar. 2014.

2993

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